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! XV Congresso Brasileiro de Sociologia, 26 a 29 de julho de 2011, Curitiba (PR) GT26 - Sociologia do esporte

Torcendo e nem tanto: onde pára a (re)produção (social)?

João Sedas Nunes
joaosedasnunes@fcsh.unl.pt Cesnova – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Torcendo e nem tanto: onde pára a (re)produção (social)? João Sedas Nunes

Neste texto retomar-se-ão matérias objecto de pesquisa na tese de doutorado defendida em 2008 acerca das culturas torcedoras de futebol em Portugal. Partindo dos dados então apurados (de cariz quase só quantitativo) mas associando-lhe alguns extraídos duma pequena pesquisa por concluir que entre o mais versa as pautas culturais do engrandecimento clubista (estes de índole qualitativo), a questão geral de que se tratará é a do torcedor e das propriedades sociais que o permeiam. A seu propósito ensaiar-se-á um jogo de espelhos entre a evolução recente da categoria de torcedor e a ontogénese da afinidade clubista. Adiante argumentar-se-á que para restituir a reprodução no presente desta afinidade – realidade multidimensional – não podemos ignorar a lógica da mercadorização que sujeita a prática futebolística em geral e a figura do torcedor em particular. Para começar introduzir-se-ão alguns dados de precisão da condição torcedora em Portugal. Há boas razões para o fazer. Falar desta condição em Portugal anima uma série de ideias feitas, que a sociologia de pendor desocultador concebe como feitas para serem desfeitas. Interessa então pôr em confronto os dados colhidos na pesquisa empírica com certas versões da realidade torcedora que afloram sem adversativa. Duas, em particular: a de que Portugal é um Pais rendido ao futebol; a que ganha forma no aforismo popular: “na vida muda-se de tudo – casa, carro, mulher – menos de clube.” Este cotejo prende-se sobretudo ao objectivo de passo a passo restabelecer as identidades e identificações clubistas como enigma que importa decifrar. Antes desse confronto introduzamos porém antes de mais o dado politico por excelência da afinidade clubista: como é que ela se reparte pelos clubes. A evidência empírica por nós colhida dá a ver que o Benfica, com 40,8%, é, a distância considerável, o clube mais favorecido pelos portugueses maiores de 12 anos (gráfico nº 1, anexo). A seguir, surge o Sporting, com o qual 24,4% se identificam. Depois, num patamar percentual bem inferior, o F.C. Porto, eleito por 14,9%. O arco percentual que resta (10,9%) recobre o somatório 2

o futebol não é objecto de gosto consensual por parte dos portugueses. transversal à sociedade portuguesa. Ao fim. 16. embora de modo mitigado.C. quanto à repartição da afinidade entre os três grandes. realce-se o facto de o Benfica congregar mais simpatizantes que Sporting e Porto juntos.8%. Os dados apurados para o caso português encontram a primeira expectativa mas rechaçam a segunda. basta verificar que não mais que três clubes suplantaram 1% (Braga. o gosto por futebol balizar-se-ia entre a coutada do macho e a paixão do povo. o Benfica chama a si 44. para 100 benfiquistas há 60 sportinguistas e 36 portistas (ou seja. c) Em terceiro lugar. O futebol tende a ser coisa de homens mas nem tanto das classes populares. Que regularidades cunham esta oscilação? Seguindo a representação vulgar. se renova numa muito desigual repartição da inclinação clubista entre os três grandes. Académica e Belenenses). Far-se-ão três notas de imediato: a) Em primeiro lugar. Se há efeito de !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Este apuramento resulta do isolamento e eliminação da base de cálculo da simpatia clubista da componente de não-simpatizantes. arco para mais caracterizado internamente por enorme dispersão. 96 em conjunto). Apenas três bastam para concitar quase 90% do total de simpatizantes1. Porto. o Sporting. surge o grupo excêntrico de não-simpatizantes (9. em anexo). este dado evidencia que esse traço.3% e os outros por junto. A começar no próprio gosto por futebol. Em registo indiciário. 12% 1 3 .das afinidades com outros clubes. Há muitos portugueses atraídos pelo futebol mas há muitos outros que não lhe prestam grande atenção ou que inclusive são por ele repelidos (gráfico nº 2. Neste ponto. b) Em segundo lugar. 26. não passa despercebida a hipertrofia do futebol português em matéria de base vincular de apoio dos seus clubes. tendo em consideração o volume relativamente reduzido. pode-se concluir que o «ter» ou «ser de um clube» é um elemento abrangente da identidade pessoal. mas não desprezável. Mediante esta operação.9% do total das simpatias. Esta abrangência da inscrição identitária clubista não significa porém que a condição de torcedor não abranja uma pluralidade de estados de alma clubista e até diferenças de pulsão clubista. mas com incidência ainda significativa. Se a heterogeneidade genérica da simpatia já é assaz reduzida.0%). de inquiridos que declinou indicar preferência clubista. o F. Contrariando outra das ideias feitas indicadas atrás.

a tendência para a intensidade da afinidade se deprimir levemente nos grupos sociais populares.classe ele combina-se num efeito de habitat: é de classes urbanas que mais chega a manifestação de gosto por futebol (quadro nº 1. Tanto basta para recusar as noções de torcedor e simpatizante usualmente empregues. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Veiculamos a hipótese de que há tendências que conformam/modelam a relação de torcedores e simpatizantes com os clubes de futebol. A par de identificações que querem dizer forte vínculo e implicação. indicadores – utilizados na construção da medida de intensidade da afinidade clubista que aplicámos. Estas. Ao modelo muito difundido do torcedor ou simpatizante como pessoa indefectível. anexo). em anexo). nem a todos destes poderemos chamar simpatizantes. que sente na pele e na alma com alegria e tristeza os (in)êxitos do seu clube. uma vez interligadas. Se há diferença imputável a efeitos de classe por nós observada é. Neste domínio. anexo). No limite. Como em relação ao gosto por futebol. ao contrário. curioso é notar que «apenas» 55% dos que declaram gostar de futebol são «grandes ou genuínos fãs de clube» (gráfico nº 4. tendências que a permitem mediar em termos de intensidade da afinidade clubista compreendendo uma série heteróclita de marcas ou de ocorrências. ou de acordo com o clube pelo qual (se re)torcem. 2 4 . a considera tão-somente como um dos vincos que a condição de afim de clube pode revestir. a contrário. O próprio grau de afinidade clubista2 flutua (gráfico nº 3. constata-se que o torcedor epopeico. devemos sobrepor um modelo mais complexo que não deixando de acomodar aquela definição. Quer dizer que a declaração de gosto por futebol não pode ser tomada como indicador preciso e bastante de paixão clubista. a ser maioritário sê-lo-á sobretudo entre os homens (quadro nº 3. nos homens mas não nas classes populares (idem). Em anexo (quadro nº 2) destacam-se as marcas ou os segmentos de observáveis – vulgo. a displicência e o alheamento. permitem distinguir e aferir um conjunto de combinações daquela relação. coexistem outras cujas principais características são. Esta não se absorve naquela. bem como o grau da afinidade que um certo torcedor ou simpatizante mantém com o seu clube (ou. esta condição poderá ir do êxtase até à indiferença perante o fado do clube. expondo que a identificação clubista condensa em si situações muito díspares quanto ao significado dessa ligação ao clube preferido. Abrindo mais à heterogeneidade da simpatia. Mas não é só no gosto pelo futebol que os portugueses se distinguem. institucional(izado). ao invés. com nenhum clube). o retraimento. em anexo). Àqueles podemos seguramente chamar torcedores.

mas que não confina a experiência da afinidade clubista intensa (mais tenderá a cingir as formas legítimas da sua expressão pública). da relação pura/não instrumental num regime de acção cívica. Sobredeterminação que redobra na sobredeterminação escolar (idem). Isto conduz de resto a reexaminar um dos principais sentimentos codificados na representação da economia psíquica do torcedor: o sofrimento. ignorando estas prescrições normativas. O lugar de sócio também se caracteriza pela acumulação ímpar de recursos escolares. ethos clubístico-desportivo. Não é nossa intenção demolir esta representação. A afinidade constitui-se sobre processos sociais complexos enformados por estruturas sociais e quadros de interacção. Antes. sofre. processos que. faz da gratificação (averbamento egóico-narcísico) e da pendulação entre auto-estima e vergonha o lamiré a partir do qual emoções e sentimentos clubistas são (produzidos e) actualizados e revertem em práticas afinitárias. é no entanto objecto de selectividade social (quadro nº 4. Por uma razão. compaginam com economias psíquicas que não se realizam só na esfera da acção torcedora. embora nela reapareçam. numa óptica quiçá mais estruturo-construtivista. por um lado. anexo). Um segundo que. privada. equacionar que reflectirá uma definição social do torcedor que vingou. Com isto descobrimos então que a afinidade não é só pauta cultural. par já. por outro lado. Pensamos. Responderá à racionalidade específica que o segundo modelo que invocámos tende a impor. Muito menos individual. Processos que convocam identidades e universos simbólicos que transcendem a afinidade. da lealdade. em modelos que coexistirão e se prestarão a alguma hibridação. Esta convergência indicia claramente que existem modos culturais diferentes de subjectivação da prática afinitária. tendem a ser camuflados pela noção de paixão clubista e. acérrimo.Esta diferentia ressurge na adopção da figura material e lógica que reafirma e credibiliza a paixão clubista como militância: a condição de sócio. modos que. Se esta não constitui espaço de reagrupamento social. da dedicação. Diz-se que todo o torcedor genuíno. se articulam na lógica de (re)produção de espaços à uma de reconhecimento identitário e 5 . Um primeiro – emblematicamente gravado nas divisas clubistas – que sujeita a estrutura das emoções clubistas a um estado moral que mescla os ideais da fidelidade. pessoal.

ao mesmo tempo é matéria de (re)produção informal de relações de parentesco. Esse trabalho mostrou que a afinidade clubista não independe (muito pelo contrário) dos contextos familiares e afectivos dos actores sociais. seja como for sujeitas a pragmáticas protocolares) entre amigos. colegas. competências. a aquisição (e consolidação) da simpatia decidese entre pais (sobretudo do sexo masculino) e filhos (sobretudo varões). seja na de êxitos que se partilham com uns e se arremessam a outros. ele inscreve-se numa 3 6 . anexo). aqueles procurando encaminhar estes (com maior ou menor tacto e recato) para a boa escolha3. Esta dimensão complexa veio a sobressair quando estudámos a topologia da aquisição e cimentação da inclinação clubista. familiares. Todos os dias as filiações clubistas permeiam transacções (seja na forma de disputas. simples conhecidos nos mais diversos palcos. Um só que. transforma) com a intimação reiterada duma das formas por excelência de manifestação subjectiva(da) da instituição futebolística – provar o estado extático (positivo e negativo) evidentemente individual. sugere que a perspectiva socializada do torcedor que ala nalgum entendimento pericial sobre a génese da afinidade clubista individual não faz suficiente jus àquele papel. seres grandes e pequenos e princípios superiores que empatam outras realidades enquanto a ordem cognitivo-moral do futebol impera. polémicas. Se a afinidade clubista amadurecida individualmente por certo se densifica (actualiza. Com efeito. Mesmo quando adquire a feição de práticas discursivas específicas que articulam sistemas de classificação e artefactos simbólicos. à margem. torcedores doutro clube. embora nela possam revestir matizes singulares. controvérsias. Quase nunca o (investimento no) encaminhamento será apenas produto de gosto.de produção/legitimação/contestação de saberes. Nessa visão. ressaltando que estes cumprem um papel fundamental na regularização quer das identificações clubistas quer das subjectividades plurais para que elas abrem. sob diversos ângulos. profissionais e das identidades pertinentes e poderes que concorrem nessas diferentes teias de relações. poderes que transcendem a afinidade clubista. não passará sem reparo. de amizade. Mais longe mas quiçá não suficientemente longe vai !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Este encaminhamento terá muito que se lhe diga. A evidência. aliás. de projecção filial. trabalho especificamente realizado para um dos três grandes (clubes) do futebol português: o Sporting (quadro nºs 5 a 10 e gráfico nº 5.

de que. Como a renúncia ao encaminhamento. companheiros. Quer quanto a protagonistas. que funcionam na base de laços emocionais intensos. cumplicidade amorosa. imaginárias) de índole avaliativa. A cena de pimpolho ao colo em traje de gala. Mandará com efeito a civilidade de bom pai – pai que respeita os filhos – que se resgatem todos os gestos de encaminhamento numa 7 . O que significa que o pai está à prova. clubisticamente homogéneas. cenas. Essas crianças – por vezes tão pequenitas que nem perceberão ao que vão – as mais das vezes serão filhas desses diligentes adultos. então horror dos horrores. boné e tudo. Uma das possibilidades de um encaminhamento que dê desencaminhamento é reencaminhar a pai incapaz. Porém. normalmente de um familiar ou amigo muito próximo. ludicidade amistosa). mas pressupõe sedução e cooptação. Inculcar o pertencimento clubístico é competência da rede de sociabilidade primária. durações. Situações em que os mentores são múltiplos e se encontram entrosados em redes densas. um proselitismo exercido sobre os neófitos pelos torcedores já engajados. a homofilização da preferência clubista. Como numa espiral de práticas e sentido. tudo indica tanto estimulam o desejo de transmitir (a ponto de se confundir com necessidade) como favorecem a receptividade à transmissão e. serão gestos que visarão incutir a preferência pelo clube do coração e prevenir a eventualidade. e os contextos são variados. sequências. temida. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! interdependência (com audiências reais ou virtuais. Por altura de jogos de festejos e comemorações. ou seja um princípio de fechamento social. Esses e outros gestos menos espectaculares. em que o clube vem a ser um indexador total das relações sociais de formação electiva (e das transacções que as materializam). camisola. Se rival histórico. obedecendo a um regime de individualização hoje com significativo impacte não poderão ser gestos demasiado impositivos. namorados. no qual o fluxo de emoções e solidariedades é intenso. a dado passo. terá quase sempre na base o desejo de que o miúdo venha a sentir um dia o clube como seu clube. da simpatia pender para outra cor. comutada em critério de selecção dos outros significativos (amigos.” Ora. não menos importante. repertórios (ou caixas de ferramentas) afectivoconviviais (afecto filial.Damo (2008: 144) quando nota: “A escolha de um clube não é propriamente racional. em termos de palcos. cachecol. Pensamos nos pais e numa situação característica. quer quanto a contextos. 4 Este trabalho colectivo “enredado”. cônjuges) ao longo da vida. compulsando a sua patrimonialização e reprodução4. e a ansiedade que sente perante a indeterminação terá menos a ver com falhar a transmissão do que com falhar a (sua) prova. vê-se muito adultos acompanhados por crianças equipadas a rigor. o que acarreta a indexação do clubismo a outro sistema de pertença. o próprio objecto da transmissão vem a ser protagonista não invalida que alguns seres tipicamente assumam o “papel inoculador”. os dados por nós colhidos apontam para que o espaço de possíveis da acção pedagógica associada à inscrição no corpo (à naturalização portanto) duma dada sensibilidade clubista seja ainda mais amplo e complexo.

Partindo do somatório de ocorrências por cada uma das afinidades clubistas declaradas obtém-se uma repartição quantitativa situada entre dois limites: convergência universal para a simpatia clubista e convergência total para uma qualquer outra afinidade clubista ou para nenhuma. A lógica de construção do índice é simples. do jogo. Aí a propriedade constituinte não é a de todos serem sócios do clube observado. anexo) das redes acentuou-se notavelmente (quadro nº 11. dispúnhamos de informação que desdobrava a afinidade expressa em sócios e meros simpatizantes optamos por incluir este último critério de diferenciação na resolução final do indicador em causa. Como repara Damo (2005): “Nos estádios as crianças assistem aos jogos atónitas. outros obtidos no âmbito dum estudo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! escolha livre e voluntária. que o processo de socialização não torne familiar. Para esse fim. por outro lado. Nos jogos entre clubes de futebol. levou a acomodar uma excepção no formato teórico da posição de máxima densidade. resulta do comportamento dos adultos. menos propensas ao repertório pantagruélico. a alta probabilidade de não registar um só caso em que todas as figuras averiguadas fossem. igualmente a de cônjuges/companheiro(a)s. sobretudo aquelas de camadas médias. não será tão raro e insólito quanto isso. porém. Aliás. valorizar especialmente a condição de associado como atributo de densidade de afinidade. claro está. Daqui decorreria que. Nada. será do clube que quiser. a densidade endomórfica5 (gráfico nº 6. dado que. O estranhamento não é produto da tensão do jogo propriamente dito. clubista ou não clubista. anexo). sócias. Tanto melhor quando a decisão encontra a aspiração do progenitor. corresponderia ao lugar de mínima densidade endomórfica (ou máxima densidade exomórfica).). etc. E adite-se que em qualquer circunstância não devemos subestimar o trabalho de inculcação da inclinação clubista. namorado(a)s e também as atribuídas ao maior amigo(a). antes que a maioria seja sócia (não exigindo sequer que todos os restantes sejam simpatizantes). seguidamente. Com efeito. fixados na dinâmica das configurações. encontram-se situações de desigual dispersão mais e menos próximas daquelas duas polaridades. isto é nem sempre cursarão processos de transmissão tão intensos (e ramificados). por seu turno. a plena cobertura do clube observado na rede familiar-afectiva corresponderia ao lugar de máxima densidade endomórfica. sem dificuldades. mas ele decidirá. paralelamente. considerou-se além das afeições clubistas de ascendentes e descendentes. dispersando-se. para ambos. exceto quando estão entre um grupo extenso de pares de idade equiparada. Nada disto significa que o processo vá de si. pois em geral as crianças não estão completamente socializadas com as propriedades intrínsecas (. Cumprir-se-á o desígnio paternal sem a nódoa. obstáculos. No meio. Esta opção deveu-se a duas razões: em primeiro.Se este será caso (teoricamente) limite da socialização torcedora. dirigindo-se ao campo com palavrões que impressionam pela eloquência com que são ditos. mesmo quando pelas características da rede familiar-afectiva (menos densa. Simplesmente. mais heterogénea.) e pela pauta cultural que entretece a função de clube é mais amena.. Filho meu. Eu faria gosto.” 5 A densidade endomórfica é um operador conceptual concebido para aferir a preponderância (ou centralidade) relativa do clube dilecto no quadro das relações primárias dos inquiridos. Há boas razões para as crianças estranharem os estádios. em segundo. em concorrência com os dados produzidos no âmbito do trabalho que aqui vem monopolizando o argumento. ocasiões nas quais instituem uma dinâmica própria. em princípio. do fazer a vontade ao pai. 8 . intersecção que. pelo contrário outra hegemonia. os torcedores mostram-se tensos na maior parte do tempo. junto das franjas em que a relação com o clube é mais acérrima (aferida seja na bitola de intensidade da afinidade seja de vínculo associativo). mais aberta a negociar e flexibilizar os papéis instituídos..

impede romper com o clube dilecto7. O que esse trabalho em complemento permitiu apurar foi que. cerca de 2%. 2008). livre. Cenário descartado a não ser por uma porção marginal de inquiridos. não induzida. seja em que circunstância for. num processo em que o essencial se passa e completa antes que a memória biografe protagonistas e práticas. Também então se constatou que uma larga maioria dos (declarados) simpatizantes de clube cujos pais igualmente o eram/são aclarava dilecção concordante entre eles. Não interessa sequer ser deste ou daquele clube. que aconteceu. Não cremos portanto que – para remir a contenda enunciada na introdução a este trabalho – o adágio na vida muda- se de tudo (mulher – e aí vai mais uma «prova» da masculinização do espaço da afinidade clubista. A valer. menos de clube tenha um papel fulcral na preservação da ordem simbólica da identificação clubista ou tampouco que constitua representação discursiva de um consenso mais profundo que. Se aquela negação isoladamente faz pensar na precocidade da socialização torcedora (Damo. espontânea. 7 6 9 . seja qual for o tipo de socialização clubista-torcedora a que se tenha estado sujeito. que enraizou naturalmente. o que torna o dado ainda mais significativo. por isso dificilmente enjeitável. a dos torcedores que vivem a afinidade como paixão. para quem é socializado no espaço da condição de torcedor. A sina do cativo estará acima disso. No estudo paralelo a que aludimos havia uma pergunta que directamente interpelava a possibilidade de mudança de clube. quando não lhe vota repúdio. em regra não reverte em memória do processo ou em narrativa explicativa. da outra gente que do futebol só sabe que quer saber o menos possível. O adágio em causa servir-lhes-á para demarcar (e distinguir) a comunidade geral de torcedores. casa). reconduzirá a uma fileira específica. carro. quando se articula com a escusa de dar razões à identificação leva-nos a imaginar uma possível censura doce que acompanhará a socialização torcedora de modo a assegurar que a inclinação clubista seja sentida como coisa de si mesmo. Por seu intermédio virtualizar-se-á (no duplo sentido de virtude e !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Publicado nas páginas do diário desportivo Record entre Junho e Agosto de 2002. a que pertencem. A larga maioria dos inquiridos despachou-se a negar qualquer influência marcante – pessoa ou situação – sobre a sua preferência clubista e fugiu a dar razões à identificação com o seu clube.anterior6 em que participámos permitiam avançar para conclusões similares. Isto independentemente do clube em questão.

o Leixões com significativa implantação local. mas que também caracteriza uma tensão que pode ser vivida subjectivamente pelos torcedores que têm por hábito rumar ao estádio como dilema: desta vez. para ver jogos mas que também devora programas de informação e debate desportivo. as pernas protegidas com cobertores. os que. Este cântico. a Académica com maior implantação nacional. Referimo-nos ao cântico só eu sei. Há. no cântico citado. Paris. Trata-se de clivagem que antagoniza. note-se. Num jogo que opôs a Académica ao Leixões9 realizado há coisa de quatro anos. do outro. apoiam a equipa in loco com a sua presença e o seu incentivo – mas que também são fonte de silêncios gélidos. eles tecem protestos. Gallimard. De um lado. de insubordinação até. Ou melhor. em relação à ordem dominante que tende a subordinar os interesses do futebol e dos próprios torcedores à lógica capitalista. apenas se viam três jovens (moços) de pijama. Depois do intervalo do jogo. os desertores marcaram presença nas bancadas e exibiram !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! L’Invention du Quotidien. Se o adágio une e purifica os torcedores. sentados num sofá que transportaram – sabe-se lá com que dificuldade – para o estádio. a bancada tradicionalmente ocupada pela principal claque (Mancha Negra) da Briosa (Académica) estava despida de torcedores. um libelo implícito que repreende os que ficam em casa por faltarem ao dever de encorajamento próprio do supporter. Tão inelutável que do cenário de trair o clube se irá ao trair a si mesmo num passo bem menor que a perna. Exibiam uma faixa: “Hoje ficámos em casa”. 9 8 10 . fico em casa ou vou ao estádio? Mesmo em frente do sofá. a maioria que se refastela no sofá ou convive no café em frente do televisor. numa cidade/concelho contíguo do Porto. enquanto consumidores de uma nova era futebolística. Como diria Michel de Certeau8. produzem actos criativos. um cântico fractura-os em dois grupos. embora à custa do paradoxo da livre submissão. os torcedores não se confinam a uma atitude de passividade. porque não fico em casa entoado anos a fio por uma das claques mais conhecidas do Sporting. em muito menor número.construção simbólica) assim uma cumplicidade transversal a todos os (legítimos) torcedores: a inelutável paixão pelo clube como dado irremovível da identidade pessoal. assobios e vaias. 1. Arts de Faire. 1998 Dois clubes de segunda linha do futebol português mas ainda assim dos poucos com relevante falange de apoio. em rigor: o verso transcrito aponta precisamente a esse recente clivar entre tipos de torcedores.

) somos levados a concebê-la não como um atributo unidimensional mas como um conjunto múltiplo de espelhos interiorizados no qual o actor social se reflecte (e ao qual retornará de modo mais ou menos reflexivo – “tenho a mania que sei muito mas isto é tudo «conversa de café»”. Compreendendo que essas variações de conduta são acompanhadas de sensíveis inflexões (ou declinações) da identidade clubista (o torcedor que transmuda no tipo cordato. tal qual no totemismo. Mas evidencia também a sua capacidade de protesto por os jogos serem marcados em horas e dias inoportunos (no caso. as identidades são diacríticas e os sentimentos 11 . É isso que de resto nos leva a chamar a atenção para as limitações da leitura de Damo (2008) da condição torcedora. os idiotas que alimentam chulos. Curiosamente. accionam diversos sistemas de classificação social e regimes de acção. corajoso. etc. noite de segunda-feira). estamos de acordo com a formulação geral que ele adopta: “O que chama a atenção no clubismo é que. os selvagens que deviam ser expulsos do nosso clube”. desafiando a fronteira entre leigo e especialista. “eles. que só sabem carpir. os lampiões. Tudo porque a calendarização dos jogos obedece aos interesses económicos das cadeias televisivas. os betos que nunca puxam pela nossa equipa”. Torcedores que voltam – na simbólica que estrutura as diferenciações pertinentes polarizada na antinomia nós–eles – a reagrupar-se quando. coleccionador de itens alusivos ao clube. O exemplo mostra bem a tensão vivida pelo torcedor – um certo tipo de torcedor (que se mobiliza para ir ao estádio) – entre ficar ou não em casa. Significa isto que os torcedores estão todos expostos ao mesmo conjunto de espelhos? De modo nenhum.) ao agir enquanto torcedor. “para que raio fui comprar aquilo?”. “eles. “eles. etc. os lagartos. E outra vez a fragmentar-se quando monopolizam a identidade institucional para reptar (com maior ou menor exaltação) outrem colectivo. “mais um jogo destes e não me apanham cá tão cedo”. desassossegado. que são sempre beneficiados”. que assobiam por tudo e por nada”. Esses espelhos inscrevem-se no corpo (e somatizam nas práticas de identificação) em processos específicos de socialização clubista que rasgam de efeitos de posição de classe diferentes. comentam entre si que “eles – os peritos – não percebem nada disto”. competente. etc.outra faixa: “Não aguentámos”. afim ou não dessa identidade – “eles.

sem que em qualquer momento se corra o risco de uma indiscrição ou constrangimento. “gozeira” ou “sacanagem” interminável de parte a parte entre gremistas e colorados.” 10 12 . de que a “flauta”. flamenguistas.”10 Falamos de dupla redução porque a nosso ver: 1) as identidades clubistas. Em entrevistas colectivas concebidas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Alinhando por diapasão similar vai Gestaldo (2005) quando se propõe analisar as homossociabilidades em bares que muito justamente “tocam a reunir” em torno da condição torcedora: “A interação pautada pela mediação de um evento esportivo se presta de modo notável para essa forma de sociabilidade competitiva (masculina) – que poderia ser denominada “relação jocosa futebolística”. Nas trocas entre os torcedores rivais prevalecem os insultos. são relativamente amenos e assemelham-se. se instalam naquilo que à falta de melhor expressão chamaremos de torpor desistente (ou renunciante) – em que a própria angústia vai cedendo.). Basta perguntar a um homem qualquer qual o seu time para começar uma conversa que pode se alongar indefinidamente. como. de anos a fio sem “resultados que se vejam”. 2) o sistema de dádivas em causa. nem sequer se jogam forçosamente com as mesmas regras ou são só de carácter inter-individual (ou entretecidas em configurações de indivíduos diferentes).antitéticos. uma vez que – por passionais que sejam os torcedores – nada que afete o self está em questão. pós-de-arroz e vascaínos é um bom exemplo. Mas os insultos ordinários não são da mesma ordem daqueles que ocorrem em circunstâncias rituais (. pudemos apreciar que as identidades clubistas não se jogam num único tabuleiro. mas zombarias. ou melhor as que compõem o espaço das formas identitárias de cariz clubista não se detêm nas fronteiras dos clubes – podem e não raro atravessam-nas. para evidenciar pública e humoradamente o alinhamento dos participantes à situação.. importa salvaguardar.” Nada de novo. as provocações e. sob vários aspectos. cruzeirenses e atleticanos. Num trabalho exploratório recente (ainda por concluir) sobre torcedores que penam não tanto por uma decepção conjuntural mas porque. nada de diferente de Portugal: “Em termos interacionais. ainda que central na composição das identidades clubistas (comportando. a sociabilidade masculina brasileira tem na tematização do esporte um porto seguro.. (…) O clubismo institui um sistema de dádivas no qual não circulam propriamente presentes. significativas declinações) não estabelece o único padrão cultural a tramar a relação “natural” entre os seres da condição torcedora. ao que Mauss denominou joking relationships. a incitação ao conflito.” O problema não está nesta tese mas na (dir-se-ia surpreendente) dupla redução que daí procede: “A desolação dos torcedores de um clube é o combustível para a euforia da torcida adversária. portanto. na sequência. Muito freqüentemente a relação jocosa toma uma forma teatral e performática. ao tom ambíguo entre a hostilidade e a amistosidade.

A ideia de base. ora complacentes ora severos e implacáveis ora mesmo desapegados. deitando fora o bebé com a água do banho. disposicional mas também de ordens de grandeza. donde emanam os princípios superiores comuns da instituição futebolística no seu estado actual. Mas isso não autoriza descartá-lo. a representação que encontra como modelo de prova uma causa justa. observámos o afloramento de indivíduos plurais. Poder-se-á. capazes por exemplo de zombar de si mesmos. que conheceu grande impulso nos últimos 15 anos. é certo.para evitar lançar mais achas para a fogueira. que se defenderá acerrimamente. a partir da qual os indivíduos fazem valer sentidos e accionam as fórmulas de investimento emocional (quantas vezes contraditórias) que a acção torcedora radica. sem que isso implicasse enjeitar as personas de que faziam pouco. Considerá-la-emos a partir duma questão simples: estará essa panóplia quiçá a estreitar como resultado da tendência que. é que existe uma dupla pluralidade na realidade social. esgrimir que os compromissos encontrados são em certa medida artificiais. não ficou imune a este processo histórico. ou talvez com mais rigor: produto de uma meta-experiência da acção torcedora. que perpetrámos uma modalidade sociabilística irreal. tentando a todo o transe evitar que a violência simbólica integrasse as relações de sentido obradas em grupo. Como também testemunhámos a translação sofisticada de economias de engrandecimento baseadas nas cités mercantil e industrial. iniciado na década de 70. que a forma metodológica contaminará o dado. em regressos a si – e a outros! – de vários ângulos. o génio. em que as relações de grandeza ancoram valores que não a posse (conquista de títulos) ou a competência (capacidade demonstrada de os conquistar): a singularidade. A progressiva subordinação do futebol à lógica da rendibilidade económica tem vindo com 13 . que é uma ideia de base que não tem como domínio de validade só o torcedor – longe disso! –. para regimes de acção fundados nas cités cívica e inspirada. Mais e não menos razão acrescida para não permitirmos ensaiar objectivar sociologicamente a panóplia identitária clubista e as subjectividades com que emparelha tratando como mero apêndice a relação entre o capital económico e o futebolístico. reconhecer-se-á. Admitimos que sim. tem vindo a desenhar-se para a conversão do jogo do povo em negócio de corporações? A figura do torcedor. desde o consulado de João Havelange.

Daí a eliminação dos tempos mortos. Falava-se de sacrifício. esta sensível modificação de condição evidencia-se melhor de duas maneiras. porque essa é a característica (assim dizem/impõem os especialistas) da oferta cultural de tempos livres e lazer. numa palavra que entrou no léxico futebolístico (lusitano) recentemente: fantástico. se cruza na concepção dos novos estádios: autênticos centros comerciais. tudo em nome da animação e do espectáculo ininterrupto. o Man United. bem-disposto. que é suposto serem um protagonista mais da festa. docilização das multidões. O futebol deve agora oferecer espectáculo. O futebol é também já hoje roupa desportiva. sem qualquer distracção. Para trás ficaram os tempos da paciente espera do jogo. iniciou-se pela posse de aparelho televisivo. Atenda-se ainda a que a evolução de torcedores a consumidores vai a par da aproximação do futebol às indústrias de tempos livres e do lazer. garrido. Normalização. competições patrocinadas para torcedores mostrarem os seus dotes rematadores. entretenimento. as receitas de merchandising e sponsorização superam em muito as de bilheteira. para evitar o tédio. por fim. no clube que é tomado como modelo de excelência a imitar. higienização. restauração. diversão. Na fisionomia dos estádios.efeito a rodar os torcedores para consumidores (socialmente) seleccionados. Tudo isto. no dia em que no espectro de categorias legítimas a de cliente substitua (ou pelo menos intermute com) a de torcedor. bandas musicais. começou com o desaparecimento do lugar do povo – o histórico peão – e culmina agora com os cativos personalizados e camarotes de empresa. Espera sustida apenas na paixão clubista. Chegará. No acesso ao futebol pela televisão. Tudo isto entronca no negócio dos bens e actividades colaterais destinados aos torcedores cada vez mais encarados como consumidores. meninas agitando pompons à maneira do desporto yankee. do espectáculo. materiais audiovisuais. Exibições pirotécnicas. 14 . mais tarde prosseguiu através da cedência dos direitos de transmissão a canais codificados e não é impensável que venha o dia da normalização – que aprofundará a selectividade – do sistema pay-per-view. se chegar. automóveis. De resto. distracção. No caso português. catedrais de consumo. não obstante a consagração simbólica da reversão da autonomia futebolística ainda não tenha acontecido.

Em consequência desse duplo movimento de homogeneização os cunhos e vincos exercidos sobre as sensibilidades e as identidades clubistas diminuiriam. A introdução do patrocínio futebolístico efectivamente renegociou o tipo de instituição que um clube de futebol é e portanto o tipo de identidade que os torcedores podem exprimir no seu apoio. os quais. nas ofertas de serviços. Para trás ficou ainda a sacralidade da camisola.” The End of Terraces. cartões de crédito. consumidores dos ícones que os produtores de bens desportivos lançam no mercado. de desconto. em vez de serem cidadãos de um País se estão a tornar em consumidores de uma corporação. Para trás ficou igualmente o convívio com as classes dangereuses. etc. Através do apoio ao seu clube.e todos os sacrifícios valiam a pena pelo clube. o localismo que em tempos era expresso através do clube está a ser renegociado à luz da ligação do clube a um patrocínio multinacional.) e públicos11. afugentadas em larga escala do santuário quer pelo controlo mais apertado dos ingressos quer pela acentuação da homologia entre espaços de espectáculo (na arquitectura. Como quaisquer outros torcedores. Hoje também os sócios precisam de ser aliciados por vantagens económicas. o novo estádio do clube observado estava ainda em construção. Hoje menos se ouve e provavelmente ainda menos se está disposto a tal. por seu turno. nas práticas e nos mapas de significação12. isenções. Poder-se-á pois falar/suscitar a hipótese duma dupla compressão do espaço da condição torcedora. nos lugares sentados. etc. Especialmente nos grandes clubes ingleses que concitam apoio de extensão nacional. O desenvolvimento do patrocinato no futebol pode ser interpretado como parte de um processo através do qual poderosos interesses capitalistas estão a conquistar crescente domínio político. até ela tornada em mercadoria e painel (publicitário) de mercadorias. estas uniformizar-se-iam mais. numa gama que não pára de crescer. Para dentro de certas categorias sociais (detentoras de recursos económicos e culturais elevados) e para a órbita da taxinomia económica. Quando os torcedores apoiam um clube patrocinado. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sublinhe-se que à data da aplicação do questionário. The 11 15 . O desenvolvimento do patrocinato renegoceia a posição simbólica do clube e implica um novo tipo de ligação (ou vínculo) do torcedor à instituição. atrofiando o universo do futebol. económico e afectivo sobre os indivíduos. Os resultados obtidos quanto à frequência do Estádio reportam assim ao anfiteatro que entretanto já foi demolido. os torcedores ligam-se afectivamente à economia global envolvente através da sua mediada identificação com um actor multinacional nessa economia. acesso a serviços de parceiros económicos. são reconduzidos à posição de clientes. já não estão simplesmente a apoiar o clube (como representante de uma certa cidade ou localidade) mas também o negócio capitalista que se aliou a esse clube. Para trás ficou inclusive a condição associativa como lugar paróxico da paixão clubista. 12 A este propósito Anthony King escrevia ainda antes do final do milénio: “[…] o patrocínio dos grandes clubes por grandes empresas contribuiu para a transformação das identidades que os torcedores exprimem através dos clubes de futebol e da comunidade que imaginam que aí reside.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Transformation of English Football in the 1990s. a nosso ver. A primeira. na sua racionalidade e nos seus arranjos institucionais e simbólicos) e sobretudo o modo como verte para as figurações dos clubes como matéria de crença e fidelidade e para o estatuto dos torcedores e simpatizantes – o objecto que nos ocupa.. ao reduzir o espectador a mero consumidor e a relação espectador-espetáculo a uma troca económica.Esta é todavia. eliminar os jogos de bastidores. Aliás. 1998. no processo de desaparecimento do futebol amador.. quanto aos ideais que projectam no seu clube. Leicester University Press. a mercantilização do futebol português (a ancoragem do futebol português na lógica do capital económico.) como pelo fato de qualificar esteticamente o espetáculo. não tanto pelo aporte económico que faz quando paga o ingresso (. depois. Neste âmbito vale voltar por breves instantes aos nossos dados e repisar que os torcedores e simpatizantes. o valor do espectador incrementa-se. é bom não esquecer que na parte em que esse misto de propriedades económicas assentou nos próprios clubes – as SAD’s – as justificações avançadas prenderam-se precisamente ao objectivo de depurar o jogo. 16 . não dá conta da mudança efetuada na relação espetáculo-espectador. restaurar em suma a competição desportiva pura. quando este nos desafia a encarar o espectador de futebol como realidade social: “pensarmos o espectador de futebol exclusivamente através da categoria público e/ou da categoria consumidor é insuficiente. ao restringir o fato de torcer a um ato de contemplação. O que mostra a história do espectador de futebol (.. 208-9. o espectador – como consumidor mas também animador do espetáculo futebolístico – constituiu-se em fator essencial para a viabilidade económica do futebol profissional. pp. afinal – não implica a extinção do jogo. tampouco consegue dar conta da referida mudança. conclusão precipitada. London and New York. no processo que leva à constituição da torcidaespetáculo. Já a segunda categoria.) é que seu valor dentro do espetáculo foi progressivamente aumentando: primeiro. Para aí chegarmos antes de mais levamos seriamente a advertência de Toro (2004).” Então. talvez isto precise ser dito. de formato ideológicofantasmático – uma vez que tem uma dimensão de lanço futuro. Não fosse assim lá se ia a imposição da lógica ou o produto..

identização) (quadro nº 12. chave primordial da identificação clubista primária (que supõe alteridade. competências. Observamos afloramentos – ainda ténues. a identificação (clubista) pelo objecto de reflexão. nessas polémicas. técnicas argumentativas e outras ferramentas lógicas que o mundo do futebol português nunca terá conhecido e que. 14 A Origem das Espécies (http://origemdasespecies.” Os conteúdos são interessantes mas mais interessante é o título que a secção leva. Dá-se particularmente bem a ver numa linguagem que substitui o insulto pela ironia (não obstante possa polarizar aquele). Além disso. chamada “O cantinho do hooligan. Com alguma frequência a questão das dívidas dos clubes – principalmente as dos três grandes – é objecto de controvérsia entre torcedores nos mais variados fora. rastreando os !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Uma pequena nota lateral com o seu quê de conjectura – dado que se trata de percepção difusa e nada mais. Francisco José Viegas. À maneira duma desmontagem desses mesmos conteúdos. hoje entroncam numa prova de saúde financeira.com/) 13 17 . que instrui o leitor sobre o modo simbólico de os consumir. em bom rigor não podem ser encarados simplesmente como o produto do encontro (recente) “português” do capital económico com o capital futebolístico. anexo). Assim. obtém uma vantagem injusta. as dívidas corriam a favor de um argumento de competição desportiva – os clubes que. Desde o início da década de 90 que sociólogos e antropólogos do futebol (ou que dele fizeram matéria de análise) dele deram conta na sociedade britânica. incluindo a competição nacional com os rivais.expressaram o anseio de que a modernização do clube se faça com e não contra os valores tradicionais do engrandecimento clubista. embrionários – duma constelação simbólica heterodoxa não induzida (lembramos aqui as entrevistas colectivas que realizámos) sobretudo nos círculos da Internet.blogspot. tudo faz crer que o capital económico se internalizou nas disposições torcedoras numa forma que o compatibiliza com o capital futebolístico13. há boas razões para pensar que se estão a formar condições para a emergência de novos protagonismos. estes sim. códigos e pautas culturais. por retardarem pagamentos. Este fenómeno nem é inédito nem é tipicamente português. Paradigmático deste conjunto de propriedades emergentes será uma secção do blogue14 do recémempossado (Junho de 2011) Secretario de Estado da Cultura português. A ser assim. teremos hoje – por contraponto – uma maior submissão dóxica (ao menos dos torcedores que participam dessas controvérsias) à racionalidade económica. logo a seguir à construção dos novos estádios (por volta de 2003/04). Parece-nos que enquanto há uns anos. a implicação (desmedida) pela distância crítica.

London. por desconcertantes que sejam para quem não for portador de competências homólogas.). Celta. Oeiras. 219. por acantonada e periférica que seja a região (social) em que se localizam. António Firmino da Costa (orgs. New Perspectives on World Football. com 10 anos a mediá-los. pergunta-se lá no alto. “Enlightening the North. identidades”. Berg. p. Richard Giulianotti (eds. uma classe provida de maior volume de capital cultural do que económico. culturas. também ela. que Modernidade?. de resto descritos como póstorcedores. 17 Idalina Conde (1998). representações sociais e modelizações identitárias) que antes esse espaço. no seu funcionamento. difusão e consumos culturais colonizado pelos ditos membros das pequenas burguesias cultivadas.grupos sociais que envolveu: [estes torcedores. Gary Armstrong. José Manuel Leite Viegas. atestamos que. esquemas de classificação. Portugal. ambos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! The Tourist Gaze. ao torno do título que encabeça este texto. adaptação da noção de pós-turistas inventada por John Urry15] “associam-se à pequena-burguesia. Entering the Field. por curto alcance que tenham. Salta à vista que. empregada sobretudo nos novos sectores dos serviços. nesse intervalo de tempo. Uma diferença que. educada nas novas tecnologias.). 1990. Oxford and New York. socializada para desfrutar do consumo mas avessa a encarar-se a si mesma como «classe média»”. 16 15 18 .16 Não nos passa pela cabeça exagerar o impacto destas heterologias. Onde pára a (re)produção social que abarca a figura do torcedor e as identidades clubista e futebolísticas que nela se emaranham. pára também no sentido de deter. p. o mapa das cores clubistas em Portugal pouco divergiu. “Contextos.”17 Mas passa-nos pela cabeça salientar que. Richard Giulianotti (1997). tais heterologias inscreverão no espaço da condição torcedora operadores simbólicos (categorias. não inspirava. “Acresce que a segmentação dos públicos cultivados compreende diferentes graus de especialização e de fechamento nas suas diferentes culturas (artísticas). obstará à uniformização (ou talvez melhor fosse dizer aplanamento simbólico) desse espaço. não deixando de recobrir a polissemia que a palavra pára contém: pára como está. 96. No caso português tudo se passa(rá) por enquanto num pequeno mundo marginal aos circuitos da produção. Uma derradeira digressão. Numa óptica comparativa que recupera um estudo homólogo realizado 10 anos antes (sensivelmente em meados dos anos 90). Aberdeen Fanzines and Local Football Identity”. topoi e limites então da condição torcedora estão no cerne desta última revisitação da problemática escolhida através de um cotejo. Routledge.

1. Paris. Charles Suaud (1999). Certeau. Nº 69. L’Invention du Quotidien. Le Sport et Ses Affaires. Arlei Sander (2005). Uma estrutura hipertrófica que se reedita sem que as contingências dos ciclos desportivos áureos e de penumbra dos chamados três grandes do futebol português a façam fraquejar. 23. Le nouvel esprit du capitalisme. Paris. “O simbólico e o económico no futebol de espetáculo: as estratégias da FIFA para tornar as Copas lucrativas a partir duma interpretação antropológica”. Porto Alegre (435 páginas). Eve. muitos outros domínios da vida em sociedade tão permeáveis à reprodução social. Vol. Celta. Razón y Palabra. Maison des sciences de l'homme. Paris.). Jean-Michel. assim sendo. "Le sport. pp. Paris. Patrick Trabal (2001).indiciam similar repartição global da simpatia clubista. Oeiras. Portugal. Christian (1995). Arlei Sander (2009). “Dom. Não haverá. José Manuel Leite Viegas. Do dom à profissão. Idalina (1998). Normand. Gallimard. "Le rouge et le noir : un derby turinois". De La Justification. Dissertação de Doutorado. Christian. Luc Boltanski (1999). O essencial no caso é a estabilidade da repartição das simpatias clubistas que a comparação revela. Isso significa que a simpatia clubista apresenta qualidades de estrutura. Bromberger. Paris. Sociologie et Sociétés. a atenção às diferenças em detrimento das similitudes arriscaria focar o acessório omitindo o essencial. Mariottini (1994). Faure. les médias et la merchandisation des identités". pp. Le Match de football. amor e dinheiro no futebol de espetáculo”. PUF.-M. 139-150. culturas. Paris. Embora fosse importante explicar as diferenças que se entrevêem nos 10 anos. Métailié. XXVII. Bromberger. Luc. Não haverá muitos outros domínios da vida em sociedade em Portugal tão imunes à circunstância. Nº 1. Gallimard. Uma etnografia do futebol de espetáculo a partir da formação de jogadores no Brasil e na França. 19 . Actes de la Recherche en Sciences Sociales. Damo. Une sociologie de la justice de l’épreuve sportive. Nº 66. Vol. David Whitson (1995). que Modernidade?. J. inclusive coincidindo quanto ao patamar percentual em que a prevalência do Benfica se situa. Les économies de la grandeur. “Contextos. Boltanski. Arlei Sander (2008). pp. Naples et Turin. Arts de Faire. identidades”. Conde. Nº 103. António Firmino da Costa (orgs. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Ethnologie d'une passion partisane à Marseille. 79-89. Michel de (1998). 151163. Damo. Damo. Gallimard. Pascal. Chiapello. Duret. Laurent Thévenot (1991). BIBLIOGRAFIA: Bourgeois. Le Football professionnel à la française.

"Da bancada aos sofás da Europa.). pp. "La tradition ouvriériste du football anglais". pp. King. Nº 101. Passion of the People? Football in South America. 24. L’action au pluriel. Anthony (2003). Pouvoirs. 231-262. José Neves (2004). Nº 101. Horizontes Antropológicos. 107-123. Dissertação de Mestrado. Nicolas (2002). Oxford and New York. Journal of Sport & Social Issues. Patrick (1998). 75-87. followers. pp. Ano 11. Nº 101. Holt. Football in the new Europe. Sociologie des régimes d’engagement. enjeu local". A Época do Futebol. "Supporters. pp. 15-25. "Le football. Leicester University Press. Ashgate. Nº 101. in José Neves. Olivier Le (2002). "The Boys are Back in Town.Gastaldo. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (346 páginas). Nº 1. fans. “’O complô da torcida’: futebol e performance masculina em bares”. Entering the Field. The Transformation of English Football in the 1990s. London. The European Ritual. London and New York. A taxonomy of spectator identities in football". Patrick (2002). Mignon. Camilo Aguilera (2004). Richard (1994). Paris. Pouvoirs. Lisboa: Assírio & Alvim/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. 36-40. pp. Thévenot. La Passion du football. La Découverte. Anthony (1998). Richard (1997). O espectador como espetáculo: noticias das Torcidas Organizadas na Folha de S. Lisboa. Notas críticas da economia política do futebol". Rodrigues. Vol. Giulianotti. Rahul (2004). John (2000). King. 165-229. “Enlightening the North. 25-46. "Football. "Do amor à camisola. O espaço plural da condição adepta: práticas e identidades (policopiado). Nuno Domingos (orgs. Laurent (2006). Nº 103. Hourcade. Pouvoirs. pp.). London. 1998. Gary Armstrong. pp. and flaneurs. Paris. "La place des supporters dans le monde du football". Lisboa: Assírio & Alvim/Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. John (1990). João. Richard Giulianotti (eds. Dissertação de Doutorado. Mason. "L’argent du football". Lanfranchi. Édison (2005). Toro. Nunes. in José Neves. Tony (1994). Soccer support and the social reproduction of masculinity". Aberdeen Fanzines and Local Football Identity”. Mignon. Odile Jacob. Pierre (2002). The Tourist Gaze.). cosmopolitisme et nationalisme". Noé. Paulo (1970-2004). O jogo visto pelas ciências sociais. Universidade Estadual de Campinas (145 páginas) Urry. Nº 24. pp. Pouvoirs. Nº 1. Kumar. pp. Culturas Adeptas do Futebol. Nuno Domingos (orgs. Richard (2002). Giulianotti. Actes de la Recherche en Sciences Sociales. Journal of Sport and Social Issues. Apontamentos sobre os media e o futebol no século XX português". Verso. Routledge. Berg. The End of Terraces. Hughson. 20 . pp. New Perspectives on World Football. 89-104. Campinas. João Sedas (2007). O jogo visto pelas ciências sociais. 26. 27-38. A Época do Futebol. 823. Vol.

º 2] 21 . segundo o género n=989 (em percentagens) [Gráfico n.Anexo de gráficos e quadros Distribuição da principal simpatia entre a população portuguesa maior de 12 anos n = 989 (percentagem) [Gráfico nº 1] Gosto por futebol.

Profissionais técnicos e de enquadramento.3 P.4.5.7 P. grupo de «adeptos» (adeptos genuínos) 3. Operários.3 P. Agricultores independentes. grupo de «adeptos» (adeptos genuínos) 2.6 10.5 0. 10 pontos 0 pontos 10 pontos 0 pontos 10 pontos 0 pontos 5 pontos 0 pontos 8 pontos 5 pontos 0 pontos Pergunta P.6 AA 50.5.0 6. AA. Afinidade nula – 0 pontos.7 7.6 19.2 P.0 25.2 P.1 P. Empresários. segundo a classe social n=989 (percentagens em linha) [Quadro n. Afinidade mediana – 23 a 35 pontos.6.5. Afinidade ligeira – 13 a 22 pontos.0 1.2 P.1 0. dirigentes e profissionais liberais.2 5.0 5.9 TI 66.7 27.2 4.3 P.4 6. Afinidade ténue – 5 a 12 pontos.7 Do somatório dos pontos relativos às respostas dada pelos inquiridos decorre uma posição na escala: 1. Empregados executantes.8 1. TI.0 O 64.0 7. Afinidade intensa – 36 a 49 pontos. Não classificáveis Indicador Complexo de Intensidade da Afinidade Clubista [Quadro n.2 24.0 8.0 AI 33.9 0. EE. Trabalhadores independentes.3 Legenda: EDL. AI.4 12.0 EE 50.6 29. grupo de «simpatizantes» (simpatizantes retraídos) 5.7 P.º 2] Indicadores na forma sintética Indicação de clube preferido Não indicação Indicação de clube pelo qual nutre leve simpatia Não indicação Gosta de futebol Gosta «assim assim» de futebol «Não» gosta de futebol «É indiferente» Vê o clube preferido jogar «todas as semanas» Vê o clube preferido jogar «de quinze em quinze dias» Vê o clube preferido jogar «mais ou menos uma vez por mês» Vê o clube preferido jogar «ocasionalmente» Vê o clube preferido jogar «raramente/nunca» O clube é «bastante importante na vida» Trata se de «uma simples simpatia» Quando o clube perde fica a «remoer no assunto» Quando o clube perde «esquece rapidamente» «Teria grande desgosto» se o clube deixasse de existir «Não afectaria muito» se o clube deixasse de existir Adversário e resultado do último jogo referidos correctamente Adversário e resultado do último jogo referidos incorrectamente Referência a 3 ou mais jornais ou revistas desportivos Referência a 1 ou 2 jornais ou revistas desportivos Nenhum jornal ou revista referido Pontos 5 pontos 0 pontos.2.4 P.2 P.2 1.1b) P. grupo de «simpatizantes» (simpatizantes atentos) 4.0 NC 27.1 17. 5 pontos 2 pontos 0 pontos 0 pontos 10 pontos 6 pontos 3 pontos 1 ponto 0 pontos.6.2 P.3 50.1b) P.4 22. O. P. P.2 32.4. NC. P.3 8.1 P. 22 .7 0. Afinidade «visceral» – 50 a 63 pontos. P. Afinidade marginal – 1 a 4 pontos. Assalariados agrícolas.5 4.5.º 1] Sim Assimassim Gosto por futebol Não É-me indiferente Não sabe e/ou não responde Classe Social EDL 63. grupo de «simpatizantes» (simpatizantes displicentes) 6.Gosto por futebol.2 P. 1 ponto 0 pontos.8 30.2 5.1 PTE 56.2.6 11.8 1.3 P. grupo de «simpatizantes» (simpatizantes alheados) 7. PTE.3 P.4 P.

Intensidade da afinidade clubista n=989 (em percentagens) [Gráfico nº 3] Intensidade da afinidade clubista entre os que responderam gostar de futebol n=548 (em percentagem) [Gráfico nº 4] 23 .

7 3.9 7.5 30.7 25.1 1.8 10.3 1.2 Rival de outra cidade 3. Não classificáveis Perfil dos sócios e ex-sócios – variáveis e indicadores com índices de sobrerepresentação [Quadro nº 4] Variáveis Género sexual Nível de instrução Indicadores e índices de sobrepresentação Sócios Masculino 1.1 10. Assalariados agrícolas.0 EE 5.8 58.4 PTE 32.9 TI 15.6 23.3 4.0 2.7 19.4 8.0 14.2 1.1 13.5 18.4 26. Filho(a) mais novo(a) n=678.5 1.2 8.3 12.8 1.Intensidade da afinidade clubista.5 8.5 PTE 7.2 Classe social Grau de afinidade Simpatias clubistas colaterais Pai.3 5.5 O 7.0 25.7 18.8 4.6 0.0 12.2 24.2 AA 12.9 22.5 25.3 2. mãe.4 16.6 3. Operários.1 59.7 TI 1.7 TI 31.7 NR 2. Cônjuge/companheiro(a) n=1039.4 20.9 24 .5 0.7 Sócio 3.5 9.8 3.6 M EDL 12.5 NS 15.3 14.1 9.3 6.7 0.3 Nenhum especial 17.6 15.0 15.0 19.5 40.0 10.8 23.7 49. Filho(a) mais velho(a)/único(a) n=941.8 27. Empresários.4 57.4 14.4 2.3 Outro Clube 4.2 27.2 28.1 9.3 2.5 8.1 22. dirigentes e profissionais liberais.4 1.7 13.4 Legenda: EDL.1 Intensa Ex-sócios 1.2 PTE 1.8 16.7 16.3 29.9 5.5 27.8 10.8 6.2 Operários Visceral 2.1 1.3 NC 2.1 5.5 3.6 0.9 1.9 9.3 4.3 42.3 AI 12.1 12.6 AA 16.7 2.6 7. NC. AI. avô paterno.2 55.7 17.2 0.0 3.0 3.2 18.6 3.6 8.4 30.6 Secundário completo 1.0 EE 31.7 5.0 16. EE.7 6.5 2.9 4. Irmão mais velho n=1071.8 16.4 22.4 25.4 5.3 6.5 12.3 26.8 6.5 3. Profissionais técnicos e de enquadramento.0 1.6 1.3 10.º 3] H Classe social Afinidade «visceral» Afinidade intensa Afinidade mediana Afinidade ligeira Afinidade ténue Afinidade marginal Afinidade nula 6.3 3.6 AI 30.7 17.8 1.1 10. O.7 1.9 2.4 4.1 1.0 25.5 25.4 25.0 10.7 NC 14.2 9. PTE.9 O 22.0 30.0 25.4 1.3 18.4 4º ano 9º ano 1.2 20.1 33.9 28.2 4.5 43.5 6.0 31.1 34.6 43.2 Rival da mesma cidade 19. Empregados executantes.2 EDL 37.0 10.4 1. Agricultores independentes.2 23.8 6.5 4.º 5] Simpatiz ante Pai Mãe Irmão mais velho Cônjuge/companheiro(a) Filho(a) mais velho(a)/único Filho(a) mais novo(a) Avô paterno Avô materno Namorado(a) Maior amigo(a) 35.9 6. avô materno e maior amigo(a) n=1486. Namorado(a) n=229 (percentagens em linha) [Quadro n.7 1.8 EDL 2.4 5. Trabalhadores independentes.7 37.8 1. TI.7 16.6 11.5 3.1 2.7 4.8 12.0 37.2 15.6 10.7 2.1 Médio ou superior 1.8 1.2 1. AA.5 7.7 2.6 0.9 8.3 5. segundo o sexo e a classe social n=989 (percentagens em linha) [Quadro n.3 1.

4 15.4 11.5 9.0 0.2 27.9 Terceiro grande 2.4 9.2 20.1 57.1 IRMÃ(O) MAIS VELHO(A) Simpatizante 45.6 2.5 5.0 9.2 4.5 28.8 2.9 19.0 4.4 9.7 2.0 7.4 18.7 32.7 18.8 49. do(a) irmã(o) mais velho(a).0 3. e do(a) maior amigo(a).1 4.1 1.7 3.1 21.4 FILHO(A) MAIS VELHO(A) OU ÚNICO(A) Simpatizante 61.5 4.7 18.9 0. Irmão mais velho n=1071 Filho(a) mais velho(a)/único(a) n=941 (percentagens em coluna) [Quadro nº 6] Grau de afinidade clubista Situação perante a condição de associado FIGURAS Viscer Inten Median Ligeir Ténue Sócio Já foi Nunca al sa a a sócio foi sócio PAI Simpatizante 41.7 10.6 10.9 54.2 Sócio 9.5 4.7 NS 6.4 3.4 Terceiro grande 2.2 NR 1.7 2.9 26.2 4.6 15.0 Outro 2.5 3.5 3.9 2.0 1.7 19.3 Outro 1.6 2.5 5.2 Sócio 5.8 3.5 18.4 42.5 2.9 0.8 24.4 3.9 6.9 2.4 11.Simpatia clubista do pai.5 22.8 3.4 64.2 4.7 10.8 Outro 0.2 16.9 3.7 4.6 38.0 1.8 2.7 2.3 3.7 16.4 0.7 3.9 29.1 3.7 0.4 Nenhum em especial 9.8 38.8 20.0 8.2 13.9 8.5 3.9 2.2 22.8 17.3 5.0 22.0 3.7 2.2 18.5 5.0 2.9 40.1 13.0 4.3 32.1 11.1 NR 3.8 Terceiro grande 4.6 2.1 Clube rival da mesma cidade 16.0 6.6 1.1 34.2 4.5 3.8 3.0 1.8 26.5 36.1 7.0 6.8 5.7 6.4 3.1 41.5 2.0 0.6 4.4 MAIOR AMIGO(A) Simpatizante 58.6 7.7 1.8 5.3 48.5 2.1 NS 1.2 6.7 1.5 9.0 45.4 14.5 2.1 4.6 1.0 52.4 11.3 26.3 25 .8 56.6 NR 3.5 6.5 1.5 0.5 3.5 22.2 2.6 16.8 19.7 16.3 2.1 3.1 23.8 26.9 6.0 7.5 12.4 4.8 1.5 17.4 2.8 2.9 NS 5.4 18.2 3.0 17.0 20.6 12.1 17.6 50.5 Nenhum em especial 4.1 3.0 2.0 7.0 Outro 4.8 1.0 NS 12.9 1.3 55.3 Nenhum em especial 14.4 5.1 7.3 NR 5.1 Clube rival da mesma cidade 18.1 4.3 4.0 19.9 8.4 5.3 5.2 2.1 4.5 19.4 6.7 2.1 43.2 Sócio 5.3 17.9 16. do(a) filho(a) mais velho(a)/único(a).0 0.6 3.3 38.7 11.2 2.3 15.2 6.6 0.0 Clube rival da mesma cidade 15.4 15.6 2.4 51.4 0.6 Sócio 7.7 15.0 1.3 9.3 10.2 5.0 4.0 39.0 13.1 Clube rival da mesma cidade 24.5 2.7 36.7 19.7 6.0 Terceiro grande 2.8 3.1 24.4 16.0 1.5 26.3 1.2 19.6 13.4 3.9 1.6 1.0 1.0 Nenhum em especial 5.7 20.5 35.3 0. segundo o grau de afinidade clubista e a situação perante a condição de associado Pai e maior amigo(a) n=1486.0 1.0 1.

3 21.6 22.0 1.3 65+ 2.9 2ª geração 38.8 27.1 63.7 0.3 24.7 59.7 12.6 Idade 35-44 5.6 17. segundo o grau de afinidade clubista e a situação perante a condição de associado n=1486 (percentagens em coluna) [Quadro nº 7] Grau de afinidade clubista Situação perante a condição de associado Viscer Intens Media Ligeir Ténue Sócio Já foi Nunca al a na a sócio foi sócio !ª geração 43.9 3.1 17.3 12-17 10.5 14.9 55.2 6.4 24.6 8.8 18-24 9.1 45.2 27.1 34.5 57.8 16.4 35.1 12.8 58.4 46.3 23.0 42.0 47.5 29.0 7. segundo a idade n=1486 (percentagens em coluna) [Quadro nº 8] Total Muito consolidado Consolidado Recente Precário Inexistente 5.6 45-54 4.9 1.9 55-64 4.3 30.4 25.0 32.4 31.6 27.8 30.0 31.0 15.6 23.4 25-34 7.2 8.2 Capital familiar clubista.3 25.8 3ª geração 17.Geracionalidade clubista.8 24.8 18.3 44.0 67.2 9.1 27.8 26 .9 49.7 2.0 21.5 38. segundo a idade n=1486 (em percentagem) [Gráfico nº 5] Geracionalidade clubista.

6 56.3 16.8 1.8 10.5 10.3 24.7 51.0 10.3 13.7 3. segundo o grau de afinidade clubista e a situação perante a condição de associado n=1486 (percentagens em coluna) [Quadro nº 9] Grau de afinidade clubista Situação perante a condição de associado Viscer Intens Media Ligeir Ténue Sócio Já foi Nunca al a na a sócio foi sócio Muito consolidado 8.5 2.9 14.4 3.8 37.9 25.3 34.3 15.1 39.8 0.9 1. segundo a geracionalidade clubista e o capital familiar clubista n=875 (percentagens em coluna) [Quadro nº 10] Geracionalidade clubista Capital familiar clubista 1ª 2ª 3ª Muito cons/ Recente Precário Inexistente geração geração geração consolidado Plena 3.4 Densidade endomórfica da rede familiar-afectiva.7 18.5 2.8 Precário 23.3 28.8 Negativa 20.0 27 .0 4.0 0.0 3.0 53.5 4.1 18.6 2.5 40.7 0.3 29.0 12.3 4.4 23.4 27.2 39.9 59.0 0.6 Recente 30.6 12.9 exomórf.8 10.1 13.0 5.1 14.7 58.8 22.2 15.4 7. Tendencial/dominante 21.9 18.8 17.7 4.9 Reduzida 0.5 8.7 7.6 1.5 exomórfica Não classificável 13.6 Reprodutibilidade da afinidade clubista.5 Intermédia 18.5 Consolidado 4.8 20.2 Nula 4.6 13.9 36.1 3.7 13.3 45.3 38.0 27.2 16.6 27. segundo o grau de afinidade clubista e a situação perante a condição de associado n=1486 (percentagens em coluna) [Quadro nº 11] Grau de afinidade clubista Situação perante a condição de associado Viscer Intens Media Ligeir Ténue Sócio Já foi Nunca al a na a sócio foi sócio Vincada/exclusiva clube 16.7 21.9 2.Capital familiar clubista.3 0.7 11.5 26.0 7.4 27.8 4.9 8.8 14.5 Sem rede 1.7 14.2 3.2 26.8 16.8 51.2 3.7 1.3 22.8 2.9 endom.3 5.3 clube end.2 2. Exclusiva/vincada 3.1 29.0 17.5 5.5 15.1 31.3 4.1 24.2 0.2 12.9 5.8 39.5 11.4 3.1 11.1 48.3 14.8 48.1 33.8 21.7 2.0 7.7 3.9 18.4 16.8 24.2 Acentuada 52.4 2.6 Inexistente 33.4 61. Dominante/tendencial 44.

8 57."&"(-'*%/%'.9 5.6 35.5 43.-%.1 1.&/01'2!(3!45! Ideais preconizados pelos simpatizantes e adeptos n=1486 (em percentagem) [Quadro nº 12] O clube deve primeiramente preocupar-se em ganhar títulos ainda que isso provoque dificuldades financeiras O clube deve primeiramente preocupar-se em equilibrar as suas contas ainda que isso signifique ganhar menos títulos NS NR O clube deve investir prioritariamente na sua equipa de futebol pois esta é o verdadeiro motor do clube O clube deve investir prioritariamente em infraestruturas pois estas são a única base segura das glórias desportivas do clube NS NR Clube deve sobretudo orientar-se para as competições europeias pois é aí que interessa afirmar-se como grande clube Clube deve sobretudo procurar vencer a Liga portuguesa pois é no confronto com Benfica e Porto que se prestigia e engrandece NS NR 28.2 0.0'-".3 1.6 3.6 67.!"#$%&'&"("#&)*+.2 28 .! -.1%2'( !"#$%&! "#$!%#&'#()*+#$.6 51.'(&'(.5 3.