A experiência de Deus nas Religiões Faustino Teixeira Introdução: O autor parte da reflexão da teologia cristã das religiões, pois

somente nelas religioso encontra na doutrina da trindade a c a$e da experiência da %Realidade A&soluta'# Apresenta de forma panor(mica e sucinta a forma como as tradições )udaica, cristã, isl(mica e &udista expressam suas realidades# O o&)eti$o * mostrar a $ia&ilidade de uma perspecti$a ecumênica planet!ria# +ap"tulo ,: A Acol ida do -luralismo Religioso A teologia recon ece o $alor do pluralismo religioso e contraria a ideia de .oão -aulo II, /ue propun a uma 0nica religião mundial# exaltar positi$amente o pluralismo religioso, Os tra&al os teol1gicos tendem a so&re a relação do principalmente ! um lugar leg"timo para outras teologias confessionais# A teologia cristã do pluralismo ermenêutica para uma interpretação

cristianismo com outras religiões, pois se trata de um fen2meno rico e fecundo onde * poss"$el perce&er a profunda generosidade de Deus# O Deus uno e trino, /ue * mist*rio de amor, não se encerra na solidão da incomunica&ilidade, mas comunga o seu mist*rio plural ao gênero Deus falou e se re$elou aos seres umano na ist1ria# Trata3se de uma comunicação trans&ordante e di$ersificada# Os 4di$ersos modos5 como umanos, se fa6 presente, não pelo impessoal de um Deus descon ecido, mas a presença real do Deus e amor e miseric1rdia em sua rica iniciati$a de oferecimento sal$"fico# As Distintas Formas de Aproximação do 7ist*rio Fundamental -ara a teologia cristã religião * %camin os de sal$ação8, ou se)a, possui %di$ersos percursos religiosos8 os /uais &uscam a comun ão com o mist*rio fundamental# +ada percurso tem um car!ter 0nico e singular relati$o a cada religião# 9xiste uma $i$encia m0tua dos $alores sal$"ficos &uscando uma transformação e enri/uecimento m0tuos enfocando a 8complementaridade rec"proca8 das di$ersas tradições religiosas# A comparação entre as religiões monote"stas ou prof*ticas e as religiões orientais ou m"sticas mostra /ue as primeiras têm como fundamento a erança a&ra(mica, situadas como religiões prof*ticas e do li$ro# .! as tradições orientais se &aseiam na dimensão da interioridade, da sa&edoria e da gnose# :! separação r"gida entre essas religiões não * permitida, pois excluiria /ual/uer significado prof*tico nas religiões orientais ou dimensão m"stica nas religiões prof*ticas# A interioridade * o camin o nas religiões orientais para se atingir a realidade a&soluta# ; na entase: desco&erta do A&soluto no "ntimo de si mesmo, /ue se cultua a m"stica# ; enfati6ado o apofatismo teol1gico onde o A&soluto não * alcançado atra$*s de conceitos, isto * $isto no $a6io do &udismo# Tal conceito englo&a inefa&ilidade e indi6i&ilidade da realidade do 7ist*rio A&soluto, onde não * poss"$el de ser concreti6ado ou sim&oli6ado# <a m"stica mundo dos fen2menos# indu temos o radical es$a6iamento do su)eito

umano e seu potenciamento para perce&er a transparência do A&soluto transcendente no

segundo uma inteligência diferente de sua unidade. o do con ecimento dos mist*rios# <as religiões prof*ticas Deus se re$ela mediante a proclamação de uma pala$ra. negações e eminências# 9xiste a audição da -ala$ra# A sal$ação $em atra$*s do encontro com Deus /ue se manifestou atra$*s dos profetas# A m"stica prof*tica constitui a forma original da m"stica cristã# A pala$ra * ou$ida e o&edecida. nas religiões orientais a ênfase recai na manifestação# A realidade di$ina não toca o ser cosmos# Traços +omuns >s Religiões 7onote"stas ou -rof*ticas Faustino Teixeira. para isto ressalta /ue o +ristianismo não de$e es/uecer sua &ase atra$*s da menção > nacionalidade de . /ue se coloca numa posição de ou$inte e confiante da @e naA mensagem# ?m dos traços mais importantes partil ados por estas religiões * a fé no único e mesmo Deus de Abrão. no encontro com o Deus# <estas religiões a experiência acontece /uando Deus manifesta3se para o ser umano atra$*s de num dialogo interpessoal# <a m"stica ocidental Deus * compreendido como mist*rio inexprim"$el# ?sa3se o conceito de analogia o /ual englo&a afirmações. não tem import(ncia central para a =ndia# O /ue importa a/ui * a li&ertação do sofrimento. a f* n acontinuidade da ist1ria umano a partir de fora. a extinção da $ida da $ontade e dos afetos para ser alcançada a autotransformação com uma no$a sa&edoria# O esforço e as desco&ertas são a/ui pessoais para alcançar a sal$ação# <ão existem profetas ou mediadores da pala$ra. sua Citeratura Eagrada compartil ada @-rimeiro TestamentoA.esusA. a&orda os importantes elementos comuns /ue podem ser identificados nas três religiões prof*ticas /ue são caracteri6adas pepelo fato de /ue o pr1prio Deus * o su)eito da iniciati$a decisi$a do e$ento sal$"fico# 9le entra em comunicação com o ser umano.esus +risto ou o +orão. orações e leiturasA. inicialmente. a espiritualidade nas tradições orientais &usca a li&ertação atra$*s da purificação da consciência e da superação dos o&st!culos /ue interditam a $isão interior# A pr!tica meditati$a &usca a li&ertação dos dese)os. em cada uma delas# Outros traços comuns são: uma $isão de ist1ria direcionada a um e$ento fim. com in"cio num e$ento criação e orientada pela e para a $ontade de DeusB a Re$elação de Deus atrelada a um Ci$ro escrito e aceito como <orma e crit*rio de autenticidadeB a existência de figuras prof*ticas anunciadoras da -ala$ra e Dontade de DeusB um c1digo de *tica fundamental expresso pelo Dec!logo e&raico3cristão e pelo +1digo isl(mico dos de$eresB a orientação a uma incans!$el &usca de @reA união com o Deus 0nico manifestada pela comun ão /ue inicia entre os fi*is e alcança Deus# O autor estimula o ecumenismo planet!rio acentuando os traços comuns a )udeus e cristãos. a familiaridade lit0rgica @c(nticos. cresce at* alcançar o camin o mais excelente e d! sustenta&ilidade a todos os outros camin os: o da f*. o da profecia. . o direcionamento > reali6ação da )ustiça. a desco&erta da . a cultura na /ual . atra$*s de uma pala$ra ou lei exterior. por*m. se)a a Tora . sal$adores ou messias /ue doam suas $idas por seus fi*is# A/ui o ponto focal não * a re$elação pessoal de Deus ou o di!logo dual com o di$ino# O /ue c amamos Deus /ue sai ao encontro do imortalidade ou sal$ação# <as religiões monote"stas ou prof*ticas o camin o de acesso > Realidade A&soluta * o êxtase. &em como dos primeiros cristãos @disc"pulos de .esus e 7aria.9m s"ntese. mas apresenta3se como 8o fundamento de seu pr1prio ser e de todo o umano. /ue constitui garantia da identidade pessoal do Deus /ue * por elas adorado. ou se)a.esus cresceu e se desen$ol$eu.

toca$a3os. tam&*m. a resistência a doutrina da trindade cristã * menor# . /ue )amais gerou ou foi gerado e ningu*m * compar!$el a 9le. este li$ro se compara fenomenologicamente falando a ação de . sua $i6in ança e proximidade com Deus. como ditado so&renatural registrado por um profeta inspirado. a im$assibilidade $lat%nica e a imobilidade aristotélica# Eua pr!tica mais peculiar * a acol ida aos exclu"dos.esus foi apenas um Guanto a experiência de Deus no +ristianismo. sua f* num 0nico Deus criador /ue en$ia um Ci$ro sagrado# Guanto a experiência de Deus no . e afirma /ue estes não representam pessoas distintas de ah!eh. e do 9sp"rito de Deus @RûahA. mas sim uma deformação ou enfra/uecimento do monote"smo puro. mas atri&utos din(micos de Deus# Deixa claro. . o +orão. consagrando o pluralismo em epis1dios como a torre de Fa&el e o -entecostes. demonstrando sua ri/ue6a multiforme# 9le comunga com o ser ternura e piedade. informando /ue para a tradição )udaica. rompendo com a ataraxia est#ica. eterno. mas isto não significa /ue Alah se)a distante e insens"$el aos seres umanos# 9le * um Deus 0nico. como Der&o di$ino.uda"smo. ina&itação ou presença umem exemplar# * pautado pela de Deus /ue transcende o templo.do -o$o de Deus# Fem como o Islamismo não pode re)eitar sua descendência A&ra(nica. no circuito da m"stica sufi e no esoterismo isl(mico. ou %Der&o enli$rado'# 9m sua tradição ! a afirmação decisi$a da transcendência de Deus e a total dependência de toda criação para com 9le# A rai6 da pla$ra %Islã' se tradu6 por su&missão. mas nunca sua di$indade# -or*m. prod"gios e milagres. ressalta a profissão de f* no Deus uno /ue fe6 aliança permanente com os )udeus e os recon ece como seu po$o. para $i$er entre eles# 9le integra3se com o ser diferença e intimidade. /ue para os )udeus não se configura uma idolatria ou polite"smo.esus +risto. um profeta e en$iado. seu traço messi(nico.esus @4Hs(A como um sinal e exemplo. da Ea&edoria de Deus @HokmahA. agrega$a3os# Eeu o&)eti$o decisi$o era testemun ar uma no$a maneira de $i$er e con$i$er. o /ue corro&ora a o Dogma )udaico %Adorar!s um s1 Deus'# :! a impossi&ilidade do con ecimento de Deus por algu*m /ue este)a fora Dele. /ue não pode ser contida. uma coleti$i6ação ou associação de Deus# 9ntretanto esclarece /ue o Antigo Testamento não exclui a presença de uma economia uni$ersal expressa pela ação da -ala$ra de Deus @DabarA. precisa dele e se re$ela aos seres umanos# A&orda tam&*m o conceito de "hekinah. perfeito %ser$idor de Deus'. /ue ocupa uma import(ncia fundamental.uda"smo e o +ristianismo encontra3se na Doutrina da Trindade. sendo esta a grande diferenciação entre estas tradições. sua ternura e recepti$idade com os des$alidos# . portanto s1 se o con ece o 9le re$ela# A tradição muçulmana re)eita um monote"smo /ue reconcilie a imuta&ilidade de Alah com a encarnação em . esta&elecendo isto como centro da f* )udaica# A&orda /ue o maior fator de diferenciação entre o . tirar o $*u e mostrar /ue Reino de Deus est! entre n1s# Guanto a experiência de Deus nos Islã ressalta /ue sua grande teofania est! presente num li$ro. &em como sua unicidade com a Trindade. apesar de recon ecer .esus. nos dando direito > umano com encontro. /ue o ama. sofre com ele e por ele. uma shittuf. afirma /ue este compreensão de um Deus /ue * comunhão. integrali6ador das diferenças. da" as ressal$as /uanto > encarnação.esus con$i$ia. /ue o Deus da Aliança * um Deus terno e compassi$o /ue se insere nas situações de seu po$o. di$idia sua alimentação. /ue * Trindade e não solidão# O monote"smo presente no +ristianismo re$ela /ue o %?m' * rico de uma multiplicidade interna# Deus tem amor dos seres umanos e at* se es$a6ia para $ir a seu umano. seu nascimento de car!ter singular @de uma $irgemA.

a&strato da concepção da Di$indade. pois a /uestão do Eer. os )argões ocidentais. sem o apego de si mesmo. a discursão A&soluta# A primeira dificuldade /ue encontramos est! na linguagem religiosa. at* a ideia do não ter nada. ou mel or do niilismo /ue nos cerca. a Realidade A&soluta# O ocidente não pode ser tam&*m os seus conceitos# -ara uma mel or aproximação * necess!rio o desarmar3se das concepções infiltradas na nossa cosmo$isão. para designarem a realidade de Deus. para mel or entendermos a l1gica transcendental do Oriente# O Men Fudismo. para entender o uni$erso oriental religioso# Eegundo o autor. a sua Teologia. pessoal# 9ntretanto. não existe uma realidade de um Eer -essoal. * como eles di6em % é o encontro da sim$licidade da realidade(. em todas as suas manifestações# Assim para o &udismo. ou o nada. com a cosmo$isão do $a6io. a c amada % )eologia negati'a(. a doutrina da Trindade * maior dificuldade para o entendimento entre )udeus e cristãos. o /ue a&rir! no$os camin os para o di!logo respeitoso# A 9I-9RIJ<+IA D9 D9?E <AE R9CIKIL9E Capítulo 4 – A questão de Deus nas Religiões Místicas do Oriente. precisa ter o cuidado com as respostas produ6idas pelo processo da negação /uanto aos conceitos. nos mostra um exemplo /ue est! na experiência direta. do nada# 9is a grande dificuldade no &udismo na aceitação da expressão do A&soluto na forma ocidental# -or isso. /ue * um resumo dos conceitos simples da $ida. &em como a compreensão da dinami6ação da unicidade de Deus pelos muçulmanos. ou se)a. amplia Assim. a relação com os omens# Alguns termos são $erdadeiros esc(ndalos para os orientais. est! na 1tica m"stica do Oriente em relação a Di$indade. ainda /ue a)a esforços para isto. mas no camin o de uma mente li$re. da pessoa. isto alarga os a $isão dos prop1sitos da Di$indade so&re todos os omens# ori6ontes ocidentais. cartesiano . A a&ordagem deste cap"tulo. ou se)a. o Ocidente não pode ficar erm*tico ao entendimento religioso do Oriente. resta3 nos o desafio de estimular a $alori6ação ao monote"smo e a transcendência in$iol!$el de Deus pelos cristãos. ou se)a. a extinção# +omo falamos anteriormente. como Realidade A&soluta. como o +riador. afinal Fuda re$ela Nse a si mesmo /uando não * mais afirmado# . os termos. o pro&lema da linguagem precisa ser superado# Outro ponto de maior en$ergadura est! no conceito a&soluto da Di$indade# Os ocidentais de forma geral tem no Eer de Deus. não ! uma concepção religiosa particular /uanto a Realidade A&soluta. o Ocidente precisa se desnudar do pensamento l1gico. recon ecendo por fim o $alor da identidade perme!$el > diferença. encontra3se no uni$erso oriental termos /ue são %im$enetr&'eis $ara a sensibilidade ocidental(# -ortanto para o entendimento dos dois mundos. precisa portanto de um camin o /ue nos le$e ao con ecimento deste uni$erso# O autor nos apresenta como acesso > essa compreensão. não com&ina com o pensamento. ou mel or. a proposta do Men Fudismo * a superação as id*ias. os orientais. o dia a $ida. pois dentro do &udismo.+oncluindo. em especial para os &udistas# 9m contra partida. /ue no Ocidente * c amado de Deus. ou se)a a. e em especial os &udistas tem o ! uma relação conceito na de muitos autores est! na relação do entendimento Deus e a Realidade erm*tico em relação as tradições religiosas do Oriente. o mantenedor da $ida. o conceito para a Realidade A&soluta * o $a6io. e muçulmanos e o segundo grupo. afirmação da transcendência pela negação# Toda$ia.

a Terra @+f Kn . de uma mesma mãe. lem&rar /ue somos todos fil os de um mesmo -ai. a partir do texto orientado. ssA# A partir das $!rias religiões podemos admitir /ue a acepção de pessoas. primeiramente. não faças ao teu semel ante# 9sta * toda a Cei. PQ N PRA. a li&erdade de escol a. tam&*m.TA &udismo# 8<ão firas os outros de um modo /ue não gostarias de ser ferido8# ?danda3Dar/a R:. façam $ocês tam&*m a eles# -ois nisso consistem a Cei e os -rofetas#' @7t S. em fim. sa&endo /ue o primeiro passo para essa longa estrada * a consolidação de um di!logo. criaremos a/ui.a )induísmo# 89sta * a soma de toda a $erdadeira $irtude: trate os outros tal como gostarias /ue eles te tratassem# <ão faças ao teu pr1ximo o /ue não gostarias /ue ele depois fi6esse a ti#8 7a a& arata *slamismo# 8<en um de $1s * um crente at* /ue dese)e a seu irmão a/uilo /ue dese)a para si mesmo#8 Eunna +aoísmo# 8O omem superior de$e apiedar3se das tendências malignas dos outrosB ol ar os gan os deles como se fossem seus pr1prios. o resto * coment!rio#8 Talmude. a cultura. criados e aceitos por ele @+f Atos . e suas perdas do mesmo modo#8 T ai3E ang . o respeito e a união @-a6A entre os po$os. mas da corrupção do tantas religiões. . E a&&at P.RA# -ensando nesse camin o pensamos ser interessante citar as regras de ouro encontradas nas di$ersas religiões do mundo Cristianismo# %Tudo /ue $ocês dese)am /ue os outros façam a $ocês.U 'oroasterismo# 8A/uela nature6a s1 * &oa /uando não fa6 ao outro a/uilo /ue não * &om para ela pr1pria8# Dadistani DiniV WQ:R (udaísmo# 8O /ue te * odioso. o espaço do outro. culturalmente. a crença. um omem em %&em3 $eia ao seu pr1prio coração ego"sta e segregador# -artindo dessas premissas e diante de camin o a$enturado' /ue sir$a3nos de par(metro para esta&elecer o amor. a falta de respeito e a intoler(ncia não pro$êm da $erdade di$ina. a/uilo /ue não gostar"amos /ue fi6essem conosco @+f T& Q. rico e af!$el# -ara /ue esse di!logo de amor se dê de forma plena precisamos respeitar as diferenças. Deus.O. . e /ue somos fil os.Em Fa or de um Ecumenismo !lanet"rio# Desdo$ramentos e Desa%ios# -ara pensarmos em 9cumenismo de$emos. não fa6endo com ele..

de enri/uecer ainda mais a nossa f* e a nossa &usca pela construção de uma sociedade de pa6.TP F. mas como um diferente capa6. &a-". nem prometer a/uilo /ue não pode cumprir#8 Kleenings Assim. onde o outro não ser! mais $isto como o certo ou o errado. poderemos iniciar um di!logo interreligioso enri/uecedor. a partir dessa singularidade.í# 8<ão dese)ar para os outros o /ue não dese)a para si pr1prio. )usta e igualit!ria# . )ustamente por essa diferença.Con%ucionismo# 89is por certo a m!xima da &ondade: <ão faças aos outros o /ue não /ueres /ue façam a ti8# Analectos ID.