Departamento de Geociências Trabalho de Conclusão de Curso

Andréia Rodrigues Pandim

OFICINA PEDAGÓGICA DE CARTOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLOGICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA

Londrina 2006

ANDRÉIA RODRIGUES PANDIM

OFICINA PEDAGÓGICA DE CARTOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLOGICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Estadual de Londrina, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Geografia. Orientadora: Profa. Dr.ª Mirian Vizintim F. Barros.

Londrina/PR 2006

Andréia Rodrigues Pandim

OFICINA PEDAGÓGICA DE CARTOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLOGICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação, em Geografia, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Geografia.

BANCA EXAMINADORA:

___________________________________ Prof. Dr.ª Mirian Vizintim F. Barros

___________________________________ Prof.ª Dr.ª Eloiza Cristiane Torres

___________________________________ Prof.ª Ms. Roseli Maria de Lima

Londrina, 07 de Dezembro de 2006.

.Dedico este trabalho para todos aqueles que acreditam na educação brasileira. buscando desta maneira. as melhores formas de ensinar.

Barros. Ana Luísa. que participou e colaborou nesta caminhada. Moura e Marta R. que muito me ensinaram. Dr. Ao meu companheiro Marcelo Alvim Malta. Geraldo. As companheiras de república Alcione. Danielli. Henrique. Regiane.ª Rosely Sampaio Archela. .ª Mirian Vizintim F. Dr. As professoras Jeani D. sempre paciente e amoroso. A Prof. Fernanda. Gracielli e Priscila. a todos aqueles que de alguma forma colaboraram na conclusão deste curso. não permitindo minha desistência. F. no qual fundamentou a principal idéia deste trabalho com sua entrevista. que com grande competência me orientou nesta pesquisa. e Renata S. de Oliveira. Aos colegas de sala e amigos presentes nesta jornada.AGRADECIMENTOS A minha família que com amor e dedicação deram-me base para a minha formação pessoal. Renata G. Enfim. A Prof. P.

Cartografia e Oficinas de Ensino. no que diz respeito aos recursos didáticos utilizados em sala de aula. como forma de superação da problemática existente.PANDIM. Curso de Graduação em Geografia – Universidade Estadual de Londrina. Palavras-Chave: Geografia. desenvolver as noções cartográficas para os alunos do ensino fundamental. é de suma importância na construção do conhecimento. Assim. Trabalho de Conclusão de Curso. É preciso criar e planejar situações para que o aluno compreenda e participe ativamente dentro do espaço vivido. . a partir de oficinas. 2006. OFICINA PEDAGÓGICA DE CARTOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLOGICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA. RESUMO Esta pesquisa relata a importância da utilização das oficinas pedagógicas. Andréia Rodrigues.

Thus. to develop the cartographic slight knowledge for the pupils of basic education. OFICINA PEDAGÓGICA DE CARTOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLOGICA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA. .PANDIM. in what it says respect to the used didactic resources in classroom. Cartography and Workshops of Education. Andréia Rodrigues. as form of problematic overcoming of the existing one. Keywords: Geography. 2006. Trabalho de Conclusão de Curso. She is necessary to create and to plan situations so that the pupil understands and participates actively inside of the lived space. ABSTRACT This research tells the importance of the use of the pedagogical workshops. Curso de Graduação em Geografia – Universidade Estadual de Londrina. is of utmost importance in the construction of the knowledge. from workshops.

........ ............................................. 43 Gráfico 5 ..........Utilização dos recursos de informática na construção de mapas ......Professores que utilizam atividades do tipo oficina ........................... 47 Gráfico 9 .........................................Utilização do livro didático como material principal para as atividades ou como apoio..... 42 Gráfico 4 .............. 41 Gráfico 3 .................................... .....................................................Dificuldades para a criação de uma oficina .................Professores que desenvolvem atividades que não estão nos livros didáticos ...Professores que utilizam a oficina de Cartografia. 41 Gráfico 2 ..............................Utilização de fotografias aéreas e imagens satélites.... 45 Gráfico 7 ..Realização de trabalhos de campo............................. 47 Gráfico10 .Professores que adotam o livro didático.. 44 Gráfico 6 ...... 46 Gráfico 8 ........ 48 ..........................................LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 ..................................................................................Professores que utilizam mapas dentro da sala de aula....

. ..........................21 4..25 4............................................39 5...........................................42 5......................................3 ...................MATERIAL E MÉTODO.................................3 .....A ESCOLA NA ATUAL SOCIEDADE .......................A Cartografia nas séries do Ensino Fundamental ..............................................54 7 ....................... computador.................Os mapas: ler e interpretar..................................................................................................13 3.....Análise dos conteúdos de Cartografia nos livros didáticos ....71 REFERÊNCIAS...............................1 – Um exemplo de Oficina Pedagógica no Ensino de Noções Básicas de Cartografia.................1 .............................................................................1 – Os livros didáticos ...29 4....12 3 .................INTRODUÇÃO ..50 6..................2 – Os recursos didáticos: mapa......SUMÁRIO 1 .............................A Importância da Cartografia para a Geografia........................................................................CONSIDERAÇÕES .............................4 ........... .............. ......................................................................................................................15 3............ fotografia aérea e imagens de satélites...............................................17 4 ..............RECURSOS DIDÁTICOS UTILIZADOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA .....45 6 – AS OFICINAS DE CARTOGRAFIA NO ENSINO DE GEOGRAFIA ...................................21 4.................................................................................1 ..................................34 5 ...........2 ....75 ............10 2 ....................................................O Ensino da Geografia na Atualidade ......2 A questão da atuação do professor de Geografia em sala de aula..............................Atividades: trabalhos de campo e oficinas.............CARTOGRAFIA E ENSINO.......................................... ....................................73 APÊNDICE ....................39 5....................................

ou seja. Embora este seja o maior objetivo desta disciplina. Sendo assim. É por meio de seu estudo que este passa a desenvolver as noções de orientação e localização no espaço. os conteúdos relacionados à Cartografia são fundamentais desde as primeiras etapas do ensino. portanto. sem grandes questionamentos das relações sociedade-espaço. dentro do processo de mudanças políticas. Seu objetivo. uma vez que este prioriza as diferentes formas de representação do espaço geográfico. Saber localizar-se e entender a dinâmica construtiva do espaço refere-se assim um desafio metodológico para sua definição. os conceitos de Cartografia necessitam de atenção especial. os conteúdos necessários para a formação do indivíduo estão sendo trabalhados em sala de forma descritiva. Dessa forma. a Cartografia é um instrumento necessário para o indivíduo em relação ao seu cotidiano. com os quais a Geografia trabalha.INTRODUÇÃO Analisar a questão das escolas na atualidade. Construir conceitos relacionados à Cartografia e desenvolver habilidades de reflexão sobre os processos vivenciados na cotidianidade. perpetuase a dificuldade dos professores de encontrar novas estratégias de ensino.10 1 . dentro de uma prática educativa. Neste contexto. sociais e econômicas. não devendo o professor ficar . Assim. Compreender o espaço em que se vive requer o aprendizado de alguns conceitos básicos e fundamentais. torna-se necessário uma vez que o ensino realizado dentro das escolas e os conteúdos trabalhados em sala de aula garantam ao indivíduo entender sobre sua realidade. a Geografia é uma ferramenta capaz de integrar o aluno ao meio em que vive conhecendo-o melhor. passa a ser um grande desafio ao professor. é explicar e compreender as realidades dos fatos que ocorrem na sociedade. A Geografia é entendida como uma ciência social e por sua vez está inserida dentro dos programas oficiais de ensino. Assim.

bem como analisar sua importância no ensino de Cartografia para a Geografia. Archela e Marquiana de F. tendo como principal objetivo. analisando os recursos didáticos utilizados pelos professores em sala de aula. Gomes. elaborada por Miriam V. buscando conceituar esta atividade. As oficinas de ensino de Geografia e Cartografia são recursos que oferecem condições para um melhor aprendizado. B. Assim sendo. fundamentam-se as idéias dos capítulos anteriores sobre ensino. para que estes possam utilizá-la. desvinculando o professor dos métodos tradicionais. F. uma diferente forma de aprendizado dos conceitos Cartográficos. . mas em explorar estes conteúdos de maneira que os alunos não tenham dificuldades em produzir e ler mapas. caso desejem em parte ou na totalidade. a questão das oficinas pedagógicas é discutida. Posteriormente relaciona-se a importância da Cartografia na Geografia. propor aos professores de Geografia. No capitulo seqüencial. V. sobretudo no ensino desta ciência. Rosely S. de Barros. apresenta-se uma oficina pedagógica de Cartografia. É nesta perspectiva que esta pesquisa foi desenvolvida. No capitulo cinco deste trabalho. Neste trabalho discuti-se inicialmente a questão da escola na atual sociedade e o ensino de Geografia. é uma sugestão didática para os professores e alunos que proporcionará oportunidades de realizar experiências.11 pautado apenas nos referenciais teóricos apresentados nos livros didáticos. de forma a construir cada conceito gradativamente e estimular a integração e a participação efetiva de ambos na construção do conhecimento. para os professores de Geografia. Ainda dentro desta discussão. que são as oficinas. Estas atividades têm como proposição uma nova didática de ensino.

Archela. .ª e Dr. inicialmente foi realizado um levantamento teórico sobre as seguintes questões: a problemática da escola inserida em um novo contexto social.ª Rosely S. utilizados pelos professores de Geografia da 5ª. professora Dra. ou seja. a Cartografia e o Ensino de Geografia. e. Como a prática de oficinas pedagógicas é uma atividade pouco utilizada nas escolas. elaborou-se um questionário contendo 10 perguntas relacionadas aos tipos de materiais e metodologias de ensino. a fim de torná-la disponível para os professores que a queira realizar na integra ou em partes. a questão da atuação do professor em sala de aula. buscando estabelecer um perfil de conteúdo e forma de se abordar conceitos básicos. os quais são voltados para o ensino da Geografia Critica. et al (2001) e VEZENTINI E VLACH (2004). Série do ensino fundamental. livros que posicionam uma metodologia crítica para o desenvolvimento dos conteúdos geográficos. Nesta análise procurou estabelecer o conteúdo e a forma que estes são apresentados. elaborada por BARROS (2003). do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina – UEL.MATERIAL E MÉTODO Para o desenvolvimento deste trabalho. Para a análise dos conteúdos cartográficos contidos nos livros didáticos para a 5ª. Série do Ensino fundamental foram escolhidos dois livros: BOLIGIAN. de escolas públicas e privadas. Objetivando contextualizar o tema “Oficinas de Ensino”. ouso dos livros didáticos. o ensino de Geografia. Para verificar a prática das oficinas pedagógicas nas escolas. foi realizado uma entrevista com a Prof.12 2 . permitindo o aluno conhecer e relacionar o lugar em que está inserido. foi inserido neste trabalho um exemplo de oficina de ensino de Cartografia. Os questionários foram aplicados via documento nas escolas do município de Londrina. e via e-mail para comunidades cibernéticas de professores de Geografia. responsável pela disciplina de Cartografia Temática e pesquisadora do tema.

a aceleração da globalização.. intensificando a internacionalização da vida econômica. A atual economia mundial. a partir das três últimas décadas. mas também intensificou a acumulação de riqueza. Gadotti (2000) em seu estudo Perspectivas Atuais da Educação..13 3 . p. a sociedade emerge um novo modo de vida e novos hábitos de consumo. Assim. entre eles a distribuição de renda irregular. a política econômica de cada país passar a ser grandemente condicionada por fatores externos. Uma educação que dê condições de criar homens que sejam capazes de pensar. a qualidade do espaço e do tempo caracteriza uma aceleração no ritmo de vida humana. (KON.A ESCOLA NA ATUAL SOCIEDADE Com o mundo globalizado. devido aos avanços técnicos. Assim. 1997. As funções capitalistas mostram uma imposição de constantes regras e submissão num sentido político. agir e modificar a sociedade. refletir. Neste sentido a sociedade de um modo geral tem mudado constantemente e com ela é necessário mudar a escola e o ensino que se faz dentro dela. . . social e ideológico o que caracteriza. que se difundiu com maior velocidade. cultural e política. poder e capital. social. não apenas revolucionou a sociedade. reforçou uma formação sócio-econômica capitalista internacional. a história e.. configurou-se uma nova etapa mais avançada e veloz de transformações tecnológicas e de acumulação financeira. também a educação. p.63).. É dentro deste sistema que se discuti um novo sentido para a educação.. Kon explica que o fenômeno da globalização é um processo histórico de internacionalização do capital. a cultura.. portanto inúmeros problemas sociais. (KON. . portanto. deixando diversos países como o Brasil em condições de subdesenvolvimento.65). explica que o processo da globalização está mudando a política. 1997. a economia.

127) “cada escola tem de ter claro quem são os seus alunos para. desencadeando uma falta de estímulo para estes. a necessidade de relacionar e estabelecer critérios de avaliação. ou seja. a falta de subsídios para que a escola funcione. desenvolver um projeto educativo que tenha clareza sobre as questões mais importantes a serem trabalhadas. ou mais precisamente no professor. dentre eles. Deve-se. uma vez que este possibilita o despertar do conhecimento e da curiosidade em relação ao mundo. decidir sobre o conteúdo e seus objetivos.14 De acordo com Hernández (1998) a escola encontra desafios frente ao novo quadro social. p. a responsabilidade é dividida entre: o governo do Estado que não dá uma atenção especial à educação. e os próprios professores que acabam por apresentar uma falta de comprometimento com o seu trabalho. A escola tem necessidade de apresentar uma proposta curricular fundamentalmente política e pedagógica. falta de ética tanto do professor. Assim é importante a escola receber seus alunos sob um ambiente favorável e desejável. no entanto partir do princípio que a escola pretende formar. os pais que colocam toda a responsabilidade da educação de seus filhos na escola. coordenador pedagógico). Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998. desenvolver as capacidades cognitivas de ordem pessoal e social do aluno e ainda saber interpretar as opções ideológicas e de configuração do mundo. O ensino público está defasado e ultrapassado. .” Analisar a fundamental importância de se constituir um plano pedagógico que desenvolva uma melhoria na qualidade do ensino fica claro que é um grande desafio para a escola. quanto dos funcionários da escola (diretor. para elaborar um plano pedagógico que condiz com a realidade atual. a partir daí. A questão de planejamento e administração dos trabalhos da escola garante meios para a aprendizagem significativa e efetiva. refletindo nos baixos salários dos professores.

Sobretudo é preciso que a escola avalie os aspectos sociais. espaço. Para o indivíduo além das suas relações familiares e sociais que permitem uma carga de conhecimentos. Com o decorrer das mudanças nas correntes filosóficas da Geografia. baseado na idéia de homem-natureza. notamos sua transformação também dentro do ensino de Geografia. O lugar e a região eram sempre vistos como dimensões objetivas resultantes das interações entre o homem e a natureza. sua formação requer ser construída também dentro da escola. lugar e território. região. O ensino tradicional. capazes de interferir na sua realidade cotidiana. permitindo o desenvolvimento de conhecimentos e conceitos. É preciso avaliá-los. no que diz respeito ao que se ensina e não permitir que este seja o único meio de definir as intenções educacionais. políticos e culturais para propor novas ações metodológicas e inovadoras que viabilizem a aprendizagem dos alunos. sem priorizar as relações sociais.1 . que tem sido diferentemente conceitualizados. A forte tendência nos estudos regionais. Castro (1995) explica que a Geografia é objetivada via cinco conceitos chave: paisagem. 3.15 Dentro desta perspectiva é importante ressaltar os objetivos educacionais que tendem ser alcançados através da transmissão dos conteúdos disciplinares. tornou-se insuficiente para explicar a complexidade do mundo atual. no que diz respeito a sua linha de pesquisa e seu objeto de estudo.Ensino de Geografia na Atualidade A Geografia e seus estudos foram marcados pelas diversas correntes e tendências do pensamente geográfico. mediante as transformações ocorridas dentro de sua corrente. . pautava a Geografia na busca de explicações objetivas e quantitativas da realidade.

para levar o educando a compreender o mundo em que vivemos. o trabalho. para ajudá-lo a entender as relações problemáticas entre sociedade e natureza e entre todas as escalas geográficas. isto porque. Em sua obra Por uma Nova Geografia (de 1978). econômica e ideológica. o capitalismo tornou-se monopolista e a crescente industrialização que intensificou a urbanização e o êxodo rural. É através . segundo Vesentini (2004. a pobreza e os sistemas socioeconômicos). política.220) A mudança na corrente geográfica. 2004. através da qual surgiu um novo quadro nas questões sociais e políticas do mundo. Ou a geografia muda radicalmente e mostra que pode contribuir para formar cidadãos ativos. a natureza. no entanto tinham o intuito de mascarar ideologicamente o processo de concentração econômica e o monopólio do comércio internacional. nos dias atuais a sociedade submetida à nova era da informação e dos sistemas tecnológicos. revisando criticamente a evolução da Geografia. que. A nova realidade do espaço.223). de ordem social. surge na França e posteriormente em outros países com novas estratégias e novos conteúdos de ensino (distribuição social de renda. p. reestruturaram uma realidade voltada para uma rede de escala mundial. ocorreu após a 2ª Guerra Mundial.16 Os estudos empíricos da Geografia Tradicional não resignavam as relações mundiais. representando uma proposta geral para o estudo geográfico. A corrente do pensamento geográfico é constituída de acordo com a realidade social vivida em determinado espaço e tempo. Nas palavras de Vesentini: Uma coisa é certa: o ensino tradicional da geografia – mnemônico e descritivo. o autor busca um melhor conhecimento do espaço humano. Segundo Moraes (1999) esta obra expressa uma tentativa sintética de outros trabalhos desse autor. ou ela vai acabar virando uma peça de museu. etc. ou seja. No Brasil a Geografia Crítica surge nos trabalhos de Milton Santos. p. alicerçado no esquema “a Terra e o Homem” – não tem lugar na escola do século XXI. não poderia ser explicada através de métodos e teorias descritivas. traz consigo um novo desempenho político e social. (VESENTINI. Contudo. com estudos voltados para explicações das relações entre a sociedade. A Geografia Crítica.

Pois bem. os motivos. . Neste sentido ela contribui na reflexão do homem e seu compromisso com a sociedade. ou seja. A Geografia é entendida como uma ciência social que estuda o espaço construído pelo homem e suas relações com a natureza. exposto a todos os sentidos de cada aluno. Somma (1999. todos os dias. quer melhor disciplina que relaciona a ação do individuo. 3. entre múltiplas formas? A Geografia por sua vez proporciona um estudo sobre as técnicas. dos grupos sociais. 50) conhecer o espaço é conhecer a rede de relações que está sujeito. políticas e econômicas. do qual é sujeito. as conseqüências.2 . É sobre esta perspectiva que a Geografia propõe um ensino veiculado para mudanças e ou tentativas de minimização da atual situação político-social e econômica que se encontra a sociedade. p. da natureza.163) explica que o objeto de estudo da Geografia está ai. Dentro desta análise podemos dizer que a Geografia pode ser explicada através dos fatos vividos na própria cotidianidade do aluno. sendo estes inseridos em uma sociedade que em seu cotidiano está associada à economia e à visão do pensamento único do mundo. levando o indivíduo a compreender o senso da realidade em que está inserido.17 dessa nova realidade que o ensino de Geografia gera novos conceitos e conteúdos explicativos sobre os fatos vividos na cotidianidade dos alunos.A questão da atuação do professor de Geografia em da sala de aula As abordagens atuais sobre a realidade discutidas neste trabalho enquadram o ensino de geografia dentro de uma nova prática pedagógica que permite o aluno a se contextualizar em diferentes situações de vivencias. toda historicidade da ação humana que desencadeia as condições atuais. das atividades culturais. Segundo Damiani (1999 p.

. fato este que implica ao professor de geografia um desafio.ser um verdadeiro educador. p.24) Considera-se segundo Pontuschka (1994.) do educando. o professor de Geografia deve interagir seus alunos ao próprio meio. preocupado com a conquista da cidadania. (VESENTINI. p. suas dinâmicas e .96) que o professor de Geografia.. criatividade e senso crítico. além de que traz consigo a utilização de diversos meios dinâmicos para a atuação do professor dentro da sala de aula. Não se pode ignorar que o aluno traz consigo uma bagagem de experiências vividas. O processo de ensino-aprendizagem da Geografia é bem complexo. cognitivo. procedimentos e atitudes relacionados à Geografia. desafios e conflitos do próprio cotidiano. afetivo.18 . é contribuir para o crescimento (no sentido amplo do termo: intelectual. uma vez que há necessidade do professor não somente ter conhecimento da disciplina em questão. tentando levá-lo à identificação com seu próprio espaço e ao compromisso com a superação das desigualdades sociais.. propondo situações problemas. Enfim cabe ao professor criar e planejar situações em que o aluno possa conhecer a organização do espaço geográfico. Neste âmbito é importante a análise da atuação do professor de Geografia dentro da sala de aula no que diz respeito ao seu trabalho e a sua forma de transmissão dos conteúdos necessários para a construção do pensamento geográfico do aluno. mas também do conhecimento da realidade de seu aluno. De fato. pode ter um papel fundamental ao auxiliar o aluno na sua compreensão e no seu questionamento. o de ampliar e aprofundar o espaço vivenciado e suas relações. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). Os PCN’s foram elaborados para que o processo educativo sofra mudanças no conjunto de conhecimentos necessários ao exercício da cidadania. espera-se que o aluno construa um conjunto de conhecimentos referentes a conceitos. 1999.. para a sua autonomia. por ser um questionador do espaço construído pelas diferentes sociedades humanas.

além de não possibilitar uma aula maçante. criticar e ou defender o perfil do educador. como forma de enriquecimento. relacionando com informações da vida. Dentro da sala de aula é importante considerar a utilização de recursos. Zabala . analisar. prática pedagógica e planejamento de suas aulas. e o nosso grande desafio como professores é oportunizar-lhe as condições para tanto. p. que buscam interpretar. Nas palavras de Uma educação que tem como objetivo a autonomia do sujeito passa por municiar o aluno de instrumentos que lhe permitam pensar. Mas o que se deve entender é de que os livros didáticos atuam como transmissores de determinadas visões da sociedade. podendo aderir ou não uma visão mais critica dos fatos. 2003.101) Contudo é preciso analisar como está a atuação professor em sala de aula. mas isto não justifica a rejeição pela mudança metodológica pelo professor. é que muitos professores se pautam apenas no livro didático. ou ainda no contexto do processo avaliativo o que assegura este professor. pois uma tarefa que o estudante deve realizar. O dinamismo no ensino quando aplicado de maneira elaborada e objetiva pode desenvolver habilidades que se agregam ao conhecimento e as experiências dos alunos. É correto afirmar que encontramos dentro do sistema de ensino uma grande defasagem no que diz respeito aos recursos didáticos. Para esta análise tem-se que considerar num âmbito geral e pautar-se nos questionamentos de alguns teóricos. O que se verifica hoje no ensino de Geografia. no que diz respeito a sua forma de orientação. O processo de construção do conhecimento é. No entanto. dos direitos políticos. (CALLAI.19 interações. linguagem diversificada a fim de enriquecer e facilitar o processo de ensino – aprendizagem. métodos. ser criativo e ter informações a respeito do mundo em que vive. dos avanços tecnológicos e das transformações socioculturais. são os exercícios de memorização. O livro didático é um instrumento de ensino que pode auxiliar no processo de aprendizagem dos alunos. é preciso esquematizar dentro do plano de aula o conteúdo que não está sendo abordado no livro didático.

pois estes meios de representações tornam possível a visualização. Para o professor é importante atentar-se para os procedimentos e recursos que serão utilizados para atingir o objetivo de ensino. p. podem compreender o que são os processos de exclusão social e a seletividade dos espaços. Segundo CALLAI (2005.192) devido a tradição do uso de determinados livros didáticos. que ofereçam referências concretas de intervenção pedagógica e que desenvolvam. de uma maneira sistemática. este é um instrumento para consultar ou utilizar quando for necessário durante o desenvolvimento de uma unidade didática elaborada pelo professor. p. conhecendo o mundo em que vivem. fotos. Além disso. Os instrumentos podem variar. Com isto a abordagem do tema não ficaria apenas na imaginação do aluno. torna-se adequado a utilização de instrumentos. o professor pode encontrar uma maneira interessante dos alunos conhecerem o mundo. se referem aos processos. e o comprometimento do professor em fazer a transposição do conhecimento a fim de que se possa inseri-lo no cotidiano do aluno. etc. para a superação das dificuldades atrelada.20 (1998. faz-se necessário e conveniente dispor de materiais que construam unidades didáticas completas. conhecer o conteúdo e ter domínio sobre o que será ensinado é de fundamental importância. . da natureza e da sociedade no tempo e espaço. principalmente no âmbito da Geografia. p. Muitos conteúdos trabalhados em sala de aula.245) através da Geografia. além destes se reconhecerem como cidadãos atuantes na construção do espaço em que vivem. mudanças e transformações. transparências. Assim. De acordo com Zabala (1998. todos os conteúdos previstos. este pode construir sua própria visão e utilizar na vida o conhecimento adquirido. pelo qual o aluno possa visualizar e melhor compreender o espaço vivido. como por exemplo: vídeos. O uso de uma metodologia adequada e diferenciada.190) explica que este material tem como função única ser informativo assim.

p. suas relações e suas transformações ao longo do tempo por meio de representações cartográficas – modelos icônicos – que reproduzem este ou aquele aspecto da realidade de forma gráfica e generalizada. sendo que: A Cartografia não nasceu somente da necessidade do homem orientar-se. tentou representar em uma carta o conhecimento adquirido a respeito do mundo foi Anaximandro (646 – 619 a. sendo a Cartografia: . foi base das antigas representações da Terra. Mas ao examinar os primeiros documentos cartográficos transmitidos.CARTOGRAFIA E ENSINO 4. este foram os primeiros objetivos da Cartografia que foi consolidada como ciência junto à geografia. plantas.17) Conhecer e representar a Terra.. (OLIVEIRA apud FRANCISCHETT. devemos admitir que a especulação filosófica.1 . p.” (MARTINELLI apud FRANCISCHETT. e depois transmitir aos outros homens as indicações reveladas pela experiência. intervém na construção de mapas. a partir de observações diretas e da investigação de documentos e dados. pela primeira vez. p.. a ciência da representação e do estudo da distribuição espacial dos fenômenos naturais e sociais.C) na Jônia. cartas. Sendo assim. Castrogiovanni (1999. estes conhecimentos cartográficos estiveram sempre ligados a interesses políticos e militares e influências religiosas. de encaminhar-se sobre a superfície da Terra. .21 4 . Os mapas são comunicadores desde a antiguidade e pode-se dizer que a Cartografia teve suas origens na Grécia onde quem.A importância da Cartografia para a Geografia A Cartografia tem como objetivo estudar as representações da superfície da terra através de símbolos abstratos...29) Os conhecimentos cartográficos foram construídos ao longo dos séculos. no qual os mapas expressam idéias sobre o mundo por diversas culturas e época distintas. 2002. 38) explica que a cartografia é um conjunto de estudos e operações lógico – matemáticas técnicas e artísticas que. e entre outras representações. mais que o desejo de orientação. 2002.

Também se expandiam à cartografia náutica da Espanha. que em 1569 construiu a projeção que leva seu nome. Suas informações são transmitidas através de uma linguagem que utiliza um sistema de signos (legenda). através de figuras e símbolos. conhecido como Mercartor. Para Castrogiovanni (1999. redução (escala) e projeção. agora ele necessita muito mais. provavelmente o Eufrates. A descrição de fenômenos naturais é representada por sinais específicos de acordo com os princípios da Cartografia. e é lembrada num quadro de sinais ou legenda do mapa. França e da Inglaterra. sendo um momento determinante dentro da cartografia. Há também provas de que existem mapas egípcios e chineses desta época. p. As navegações oceânicas provocaram um impulso ao processo cartográfico partindo do notável empreendimento que foi a Escola de Sagres onde eram formados os pilotos e os cosmógrafos (cartógrafo daquele tempo). pois a construção de uma estrada. Se no passado o ser humano tinha a necessidade de mapas. onde os objetivos cartográficos são transcritos através de grafismo ou símbolos. contanto que estes atribuem uma visão sobre a Geografia apresentada. de origem babilônica. O mapa mais antigo que se conhece. foi elaborado em um tablete de argila cozida e representava duas cadeias de montanhas com um rio no centro. Não se sabe quando surgiu o primeiro mapa. Gerhard Kremer. p. Joly (1990. mas sim que eles começaram a serem feitos a mais de 4000 anos por culturas antigas.7) diz que um mapa é um conjunto de sinais e de cores que traduz a mensagem pelo autor. a . pois havia falta de cartas exatas para navegação. A precisão dos roteiros era garantida pelas cartas de marear dos portugueses. Merece destaque.22 O mapa é uma das formas mais antigas de comunicação da humanidade provavelmente desde as primeiras civilizações os homens rabiscavam representações gráficas dos lugares por onde passavam.34) o mapa é uma representação codificada de um espaço real. este mapa tem uma idade calculada entre 2400 e 2200 anos antes de Cristo. e resultam de uma convenção proposta ao leitor pelo redator. Holanda.

. e esta é a importância que será tratada a seguir. englobando os meios sólidos (litosfera). e até hoje a Cartografia tem grande importância no estudo do espaço geográfico.a Cartografia é a ciência ou método de fazer mapas. Segundo Alegre (1964. curso d’ água. na medida em que os fatos e fenômenos se originarem de qualquer ramo da geografia quer física ou humana. mas quando estas não podem ser colocadas em um único mapa são colocadas em mapas temáticos. Existem várias informações que podem ser representadas em um mapa. (1990. . O mapa é uma representação necessária dentro da Geografia. e superfície da Terra é o campo de estudo da Geografia. p. p. políticos. . p. (ALEGRE apud SOUZA & KATUTA. compreendendo também os oceanos e as regiões inabitadas. o planejamento em geral exige mapas ou cartas tão exatas quanto possível. conseqüentemente a importância que a Cartografia tem no ensino e pesquisa em Geografia. ele deve estar habilitado a discernir o que há de figurar no mapa. 2000. p.4) de todas as ciências ligadas a Cartografia. pois é um veículo de comunicação do espaço real.. que são mapas especializados em certas informações como de geologia. Desde quando as cartas eram utilizadas apenas pelo Estado. pois parte ponderavelmente dos fatos representados pela cartografia são de natureza geográfica. ou seja.14) como espaço construído por toda a superfície terrestre. mapas demográficos. e é na analise e explicação deste espaço que se baseia a geografia cientifica e por conseqüência a Cartografia Temática. 55) Dentro das palavras do autor podemos analisar o vinculo entre Cartografia e Geografia. Segundo Oliveira (1983. sendo este definido por Joly. gasoso (atmosfera) e vivo (biosfera). mediante certa escala. liquido (hidrosfera).23 instalação de uma grande indústria. Assim a Cartografia representa o que a Geografia estuda. entre outros.57) o cartógrafo deve ter bons conhecimentos de Geografia. E o mapa é a representação da superfície da Terra. nenhuma é tão importante quanto à Geografia.

Cabe à Cartografia o estabelecimento destes dados coletados em mapas temáticos. ao analisar os serviços de saúde em Londrina/PR (hospitais. escolher a projeção e escala adequadas. estabelecendo as hierarquias entre os fenômenos a serem representados. não potencializando o interesse pelo estudo da Geografia através do mapa. clinicas medicas e postos de saúde) através de uma coleção de mapas tem-se uma idéia de localização destes estabelecimentos. poderão ser feitos levantamentos geológicos. mas não se sabe se estes serviços estão atendendo satisfatoriamente a população. que a Geografia tem muito a ver com o mapa. Cavalcanti (1998. para conhecer e localizar lugares diferentes no mundo. Caberia então ao geógrafo obter dados sobre a população da cidade e até realizar entrevistas para verificar a satisfação da mesma. mas deve classificá-los. para ser pintado sem objetividade. fazer análise interligando os diferentes dados representados nos mapas temáticos. O cartógrafo não recebe apenas os elementos. No entanto o mapa é utilizado no ensino de Geografia. as convenções e os símbolos que deverão estar de acordo com os objetivos fixados. Leva-se em conta ainda que se os elementos fornecidos não forem completos deve estar o cartógrafo e condição de colher. como por exemplo. entre outros. p. Construir mapas sem um objetivo pré-definido não é a proposta. é necessário relacionar o conteúdo dos mapas com o conhecimento empírico. correlacioná-los. os dados através da pesquisa de campo.134) explica que a referência de um mapa é uma constante e que fica claro para o aluno. .56) É necessário dizer que não há simplesmente coincidências sobre estes diferentes dados de determinada região. p. demográficos. é preciso fazer então o que Lacoste (1988) chama de intersecção de conjuntos espaciais. principalmente. (ALEGRE. ele próprio. 1964. sendo que isto pode ser observado na sobreposição de cartas transparentes. ou seja. climáticos. sendo este o papel do geógrafo.24 Ao se analisar uma região cada profissional vai coletar dados diferentes de acordo com sua especialidade. pedológicos. e sim há a relação entre dois ou mais fenômenos.

60 e 61) Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998. a Cartografia tornou-se importante dentro da educação por atender as necessidades do aluno em seu cotidiano. uma das que indubitavelmente devem ser utilizadas no ensino. Dentro do cotidiano de cada indivíduo. pode-se ter leitura do espaço por meio de diferentes informações e dentro da Cartografia diferente formas de representações destas informações. econômicas. pois: A linguagem cartográfica. razão de ser da própria ciência geográfica.33) explicam que a linguagem cartográfica possibilita sistematizar informações. pois representa a territorialidade dos diferentes fenômenos. (SOUZA & KATUTA. É sobre esta perspectiva que a Cartografia tem fundamental importância para a Geografia. sobretudo para o ensino de Geografia. A Geografia utiliza-se de diversas ferramentas em seus estudos.2 . Os estudos analíticos sobre os fenômenos representados pelo mapa. mas também a sua síntese. sempre envolvendo a idéia da produção do espaço. expressar conhecimentos. sua organização e distribuição. pela sua possibilidade de diferentes formas de representações do espaço.A Cartografia nas séries do Ensino Fundamental Na contemporaneidade. estudar situações. entre outras coisas. 2000... 4. Este estudo releva as características físicas.25 Os mapas permitem não apenas a representação espacial dos fenômenos num determinado espaço. sendo a cartografia uma delas. A Cartografia é um recurso fundamental para a pesquisa e. permitem a compreensão e a percepção do espaço geográfico. p. Isto não é diferente quando se trata do ensino. . isto porque induz o aluno a estudar o ambiente em que vive. sociais e humanas do ambiente e as suas transformações. p.

plantas. São atividades que. existe outra linguagem para aprender. quando este saber fazer a leitura do espaço concreto e a leitura de sua representação. A alfabetização cartográfica constitui o ponto de partida para os alunos compreenderem o que é cartografia. não somente do uso de mapas durante as aulas. figuras. os professores encontram uma série de dificuldades em lidar com a representação gráfica dos aspectos geográficos. além das letras. Embora a Cartografia seja um elemento fundamental para o ensino de Geografia. Portanto desenhar trajetos. (CALLAI. estado. 2005. ou seja. assim. etc. país. para posteriormente partir para uma construção onde os alunos possam fazer a análise. que justifiquem além de tudo sua importância dentro do aprendizado do aluno. entre outros. Callai (2005. o bairro. p. localização e correlação dos mapas. mapas. desenhos. para consequentemente o trabalho se estender para outros espaços maiores assim como o município. do pátio da escola pode ser o início do trabalho do aluno com as formas de representação do espaço. aquilo que lhe está mais próximo e que ele familiarize: a escola. percursos. imagens satélites. p. mas nunca é demais lembrar que o interessante é que as façam apoiadas nos dados concretos e reais e não imaginando. tabelas. da casa. maquetes. de um modo geral. fotos. representam a linguagem visual utilizada nesta fase inicial. que é a linguagem cartográfica.77) efetivam a idéia de que a alfabetização cartográfica deve considerar o interesse que as crianças e jovens têm pelas imagens. os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998.26 Ao referir a relação da Cartografia e do ensino de Geografia. plantas da sala de aula. Como auxílio didático para os professores do ensino fundamental. das palavras e dos números.244) Um estudo do espaço concreto do aluno é de fundamental importância. Além disso. O maior problema pode estar na transmissão de conceitos científicos por meio de práticas repetitivas e pouco explicativas. O sujeito será capaz de ler de forma critica o espaço. as crianças dos anos iniciais da escolarização realizam. o mapa. há uma grande preocupação em buscar os procedimentos necessários para o ensino da cartografia. mas também no ensino de noções básicas de escala e coordenadas geográficas. ou seja. . p. dentre outros.243) explica que dentro do processo de alfabetização das séries iniciais.

ou seja. Enfim uma alfabetização cartográfica que supõe o desenvolvimento de noções: • • • • • • Visão obliqua e visão vertical Imagem tridimensional. Proporção e escala. ou seja. desenhos.27 De acordo com Simielli (1999. o aluno como leitor crítico. 77).99) Ressalta também que no segundo eixo os alunos poderão trabalhar com imagens tridimensionais e ou dimensionais. 1998. p. por intermédio de maquetes e ou croquis. assim o objetivo das representações dos mapas e dos desenhos enfocará a compreensão de informações e não simplesmente objeto de reprodução (PCN’s. localização e correlação. O desenvolvimento destas noções contribui para o entendimento da cartografia como propositora de mapas prontos e acabados no ensino fundamental. sendo um momento de transição para os alunos adquirirem competências para trabalhar com analise. A autora acima referida ainda ressalta a idéia do aluno copiador de mapa como um fato do passado. maquete ou croqui. p. uma vez que esta trabalha a cartografia sob dois eixos: o primeiro com produtos cartográficos já elaborados (cartas. plantas e mapas). e o segundo eixo trata do aluno participante do processo como mapeador consciente. Lateralidade/referencias.98) o importante dentro da fase de alfabetização cartográfica é desenvolver a capacidade de leitura e de comunicação oral e escrita por fotos. maquetes e mapas. linha e área. 1999. imagem bidimensional. . (SIMIELLI. Alfabeto cartográfico: ponto. p. No entanto o que diferencia este segundo eixo (aluno mapeador consciente) do primeiro (aluno leitor crítico) é que o aluno vai participar efetivamente do processo de mapeamento. orientação. o aluno vai trabalhar na confecção do mapa. plantas. Construção da noção de legenda.

Contudo a idéia é possibilitar que o aluno seja um leitor critico dos mapas e um mapeador consciente. p. mas não saem do primeiro nível que é localização e a analise. p. análise e correlação (5ª e 6ª série). onde as temáticas da cartografia. Este é um trabalho que não se restringe apenas na confecção da maquete. Ela crítica a forma de atuação dos professores em sala de aula sobre este tema. internacional e inexistente) e o título. (SIMIELLI. croquis e ou mapas mentais. A correlação.28 O uso da maquete. que segundo a autora simplificam e mantêm a localização da ocorrência dos fatos e evidenciam detalhes significativos para o entendimento do aluno sob determinado espaço. a noção de proporção.107) As atividades que envolvam a construção de maquetes. pelo qual permitem expressar em linguagem gráfica a sua percepção real de um fenômeno.23) também defende a idéia de se trabalhar a cartografia no primeiro momento com alfabetização cartografia (1ª a 4ª série). é trabalhada somente por uma parte dos professores que. posteriormente com as questões de localização. pois o aluno poderá ver diferentes formas topográficas e altitudes de determinado espaço. 1999. Carlos (1999. informações a partir das experiências vividas nos locais. pois o que tem se observado é que os professores trabalham com os alunos o nível da localização (onde fica o rio?) e também até analisam determinado fenômeno que ocorre no espaço. obrigando-o a sistematizar e estruturar as informações. o segundo nível de análise cartográfica. a partir de seus universos simbólicos. deverão ser trabalhadas pelo professor de forma que os alunos não sejam reprodutores de cópias. Neste trabalho o aluno estará participando efetivamente do processo de produção. poderão levar o aluno a ser um mapeador consciente. em . Assim: Eles nos possibilitam analisar a representação oblíqua e a representação vertical. a legenda. o desenho pictórico ou abstrato. sobretudo nas séries iniciais. local. O croqui é representado na forma bidimensional. Em seguida é proposta a utilização do mapa mental. construindo. as referências utilizadas (particular. portanto propiciará o aluno a trabalhar da bidimensão para a tridimensão.

sociais e humanas. 1998. baseadas em proposições vinculadas a determinadas correntes ideológicas e culturais. Esta tem por extrema importância na educação contemporânea.3 . econômicas. O professor ao adotar o livro didático que será utilizado no decorrer de suas aulas. deve verificar se este livro apresenta uma abordagem coerente da realidade atual da sociedade. é necessário que os conteúdos apresentados no livro proporcionem uma visão crítica das questões tratadas. sobretudo os livros que estão sendo utilizados pelos professores em sala de aula. Contudo é possível por meio deste trabalho fazer com que os alunos aprendam a se localizar. geralmente trabalham menos com as relações cartográficas. faz as correlações do ponto de vista físico. as idéias e os preconceitos das instancias intermediarias. também tem que oferecer meios que contribuam para a compreensão. As noções cartográficas possibilitam ao aluno perceber e criticar sua realidade cotidiana. p. Os professores com formação direcionada à Geografia Humana. (ZABALA. dado que inclui conceitos. sobretudo que estes insistam na curiosidade de saber onde se encontram determinados locais e a dinâmica dos fenômenos. 175) . ainda que.29 sua maioria. e. mas. p. devido sua estrutura trata os conteúdos de forma unidirecional e ainda produzem valores. Segundo Zabala (1998. O autor ainda ressalta esta idéia explicando que a maioria dos livros didáticos. as características físicas. Assim.Análise dos conteúdos de Cartografia nos livros didáticos Ao analisar a questão do ensino de Geografia e o ensino de cartografia é preciso verificar a questão dos materiais didáticos. 4. contenham atividades diversas que aprofundem e complementam o estudo do conteúdo.180) o livro didático já não pode conter mais uma simples exposição dos fatos.

Dentro desta perspectiva analisam-se algumas referências destes manuais que foram elaborados de forma objetiva e constituem uma idéia ampla de cartografia. William. A idéia de orientação.VESENTINI.30 É importante selecionar corretamente o livro didático a ser usado dentro da sala de aula. Os livros analisados foram: . Isto. Introdução à Ciência Geográfica: 5º série. J. lugar. inicia uma discussão nos primeiros capítulos sobre as questões de espaço. no entanto da possibilidade de saber qual o conhecimento prévio do aluno sobre orientação. uma vez que este sirva apenas como apoio para o professor. Wanessa. localização. . Levon. Para o ensino de Cartografia o livro didático deve nortear a idéia inicial de orientação e localização. estão bem relacionados de forma construtiva e explicativa aos alunos e professores. Há todo um trabalho de construção dos conceitos. . Ambos os livros têm um inicial teórico sobre o espaço geográfico e suas representações. Rogério.BOLIGIAN. Geografia Crítica: o espaço natural e a ação humana. VLACH. no qual permite ao aluno construir as noções geográficas básicas. Editora: Ática. no sentido de extrapolar com atividades extras e complementares. 2004. 2001. GARCIA. Geografia Espaço e Vivência. os mapas e suas interpretações. Focaliza a idéia de orientação e cartografia indispensável para a localização dos fenômenos geográficos. MARTINEZ. ALVES. natureza e sociedade moderna. Dá possibilidades de o aluno refletir como ele faz para se orientar quando necessita ir a algum lugar. Volume 1. São Paulo: Atual. O livro didático elaborado por Vesentini e Vlach. Vânia. a importância de se orientar e quais os meios de orientação que eles têm conhecimento. Andressa. partindo em seguida para a importância dos mapas e a construção destes. tempo. sobretudo sua produção.

Contudo. e que de fato é a representação de daquele espaço. escala. Outra atividade proposta se limita a própria cartografia e a arte de fazer mapa. latitude e longitude. projeções cartográficas. as janelas e os demais objetos. é também proposto a construção de conceitos de legenda e escala. Ela foi elaborada de forma que os alunos observem atentamente a sala. Isto nos leva a refletir . legenda. a importância dos mapas e sua elaboração. Explica-se assim. explica sobre sensoriamento remoto e imagens satélites. Na elaboração do mapa da sala de aula. mas se tornam distintos na maneira em que se organizam. porta e janelas. podem-se utilizar desenhos. Podem tomar a mesma linha. O objetivo é mostrar aos alunos que o desenho é um mapa. estudando passo a passo o que são pontos cardeais e colaterais. o aluno deve criar símbolos para representar os elementos: carteiras. o mesmo objetivo. Para a legenda. a porta. Enfatizando que para representar os vários lugares do mundo. Nesta etapa o mais importante tema abordado é sobre as questões de elaboração de mapas nos dias de hoje. A organização destes capítulos leva o aluno a se situar no espaço. é trabalhado a representação do espaço. na medida em que os professores recorrem à vivência dos alunos como um recurso no processo de ensino-aprendizado. considerando as proporções dos objetos. Os autores defendem a idéia de que os conceitos de espaço geográfico. Por natureza própria do homem as idéias de construção de um trabalho se diferenciam. e que este estudo é importante para a Geografia. para em seguida desenhar este espaço representando as carteiras. que a arte ou a técnica de fazer mapas é conhecida como Cartografia. o quadro negro. etc. paralelos e meridianos. ou seja. Na primeira etapa da construção de um mapa os autores propõem uma atividade que envolve o próprio cotidiano da sala de aula.31 Após este conteúdo. são ainda abstratos para os alunos desta faixa etária. assim sendo. fotos e mapas. sociedade moderna e escala. eles podem ser introduzidos. O conceito de escala é o trabalhado determinando as medidas.

Em seguida é abordada a importância dos mapas para a sociedade e as utilidades técnicas para sua elaboração. O conceito de orientação e localização também é abordado inicialmente sob uma perspectiva da realidade próxima do aluno. Assim. foram elaborados de forma que os alunos compreendam os conceitos de maneira . tempo e espaço geográfico. Uma das propostas elaboradas objetiva levar o aluno a refletir sobre os diferentes lugares e suas relações a partir da sua realidade próxima. ou seja. para em seguida compreenderem que há formas de orientação e localização através dos astros. Boligian e colaboradores em seu livro.32 sobre mais um trabalho elaborado – livro didático – que abordam o conteúdo de cartografia. por bússolas e por coordenadas geográficas. portanto que os dois livros analisados. como introdução do conceito da linguagem dos mapas e dos gráficos. objetivando que o aluno conheça a linguagem cartográfica. os alunos poderão desenvolver as noções espaciais abordados pelos meios de orientação e localização no espaço terrestre e distinguir as diferentes formas de representar os lugares. paisagem. apresentando os conceitos básicos e fundamentais com os quais a Geografia trabalha. Verifica-se. que a sociedade transforma o espaço geográfico. Assim sua proposta pedagógica orienta-se para os temas de representação e interpretação. abordam conteúdos que proporcionam a introdução aos estudos geográficos. conceitos de: lugar. Questões como: • • • Como é o lugar onde você mora? Ele está localizado na área rural ou na área urbana? Como são os lugares por onde você passa em seu trajeto de casa até a escola? Conseqüentemente os estudos possibilitam ao aluno compreender que o ser humano modifica constantemente os lugares e as paisagens e que a Geografia procura entender a maneira e o motivo.

ou seja. A escolha destes materiais didáticos foi através dos critérios de desenvolvimento curricular. Os autores explicam que a escola ou a própria realidade do aluno oferecem condições para o professor realizar atividades completares que estimulem o aprendizado do aluno. permitindo maior construção e entendimento da universalidade cartográfica. mas levando em conta estes aspectos. as atividades propostas nesta coleção são diversificadas e pode levar o professor a adaptá-las a realidade encontrada. isto porque apresentam maior índice de tópicos relacionados ao conceito de Cartografia. mas apenas repensar a forma que este material é trabalhado pelos professores em sala. A idéia não é excluir a possibilidade do seu uso. sobre a questão do ensino de Cartografia.33 construtiva. É preciso refletir sobre esta questão e verificar que existem diferentes formas didáticas de se estudar o espaço geográfico. A organização do livro é um dos principais atrativos para o despertar do interesse e a curiosidade do aluno. Ainda. o professor de Geografia realiza suas aulas de forma expositiva e com o auxílio do livro didático. uma vez que eles podem transmitir idéias e conceitos extremamente distorcidos da realidade. Embora. os que melhores apresentam uma metodologia crítica e que ajudam a aluno a conhecer o mundo em que está inserido e posicionar-se diante dele. embora este não deva ser apresentado como uma verdade absoluta. . De uma forma geral. valha ressaltar que esta análise leva em maior consideração a produção de Visentine e Vlach. é preciso saber distinguir estes materiais.

que permitem a sua leitura e analise. este último geralmente visto como as convenções. p. mas sua interpretação do real. Para ler e entender os mapas é preciso o trabalho destes elementos. A legenda é fundamental. Martinelli diz que a representação envolve uma redução (escala). 2002. verificam-se os esquemas a seguir: .Os mapas: ler e interpretar O principal objetivo está em saber ler o mapa e suas representações. Preparar o aluno para compreender a organização social.35) título é o primeiro passo para se ler o mapa. uma rotação (projeção) e uma abstração (sistema simbólico).42) nos apresenta uma proposta em que se pode desenvolver essas habilidades a partir do desenho da criança. ou seja. Assim o desenho da criança não é uma mera cópia de um objeto qualquer. escalas e sistema de localização. p. (apud FRANCISCHETT. como um código. isto porque é necessário saber o espaço representado e seus espaços e limites.34 4. excluir a idéia mecanicista que está sendo tratada esta questão.29) Contudo os mapas possuem alguns elementos principais. Segundo Castrogiovanni (1999. sendo estes: título. Este trabalho envolve dedicação pelo professor em acompanhar metodologicamente cada etapa deste processo. p. A autora afirma que a criança e o jovem. legenda. A escala possibilita o cálculo das distâncias e. exige o conhecimento de técnicas e instrumentos necessários à representação gráfica. sob etapas metodológicas. ao desenhar. Para melhor compreendermos os aspectos a serem desenvolvidos com relação ao desenho das crianças. Almeida (2001. relacionando os significantes (símbolos) e os significados (mensagem) dos signos representados. pois propiciara a decodificação.4 . representam seu modo de pensar o espaço. portanto uma série de confrontações e interpretações.

há proporção entre os elementos. Faça perguntas do tipo: o que há à direita ou à esquerda da sua casa? Se ela já tem essas noções. os carros são menores que uma casa? No mapa. é possível falar dos pontos cardeais — norte. • Utilize o próprio desenho da criança como um instrumento de ensino. por exemplo. apesar de as localidades estarem reduzidas. sul. . • Peça que a criança observe novamente o local retratado e repita o mesmo desenho. leste e oeste.35 Localização • Avalie como os alunos desenham o caminho de casa para a escola. completando as informações que ficaram faltando. por exemplo. Como posicionam a casa em relação à rua? No mapa. os elementos se relacionam com base nas coordenadas geográficas — latitude e longitude. Se o desenho for de uma rua. Proporção ou escala • Verifique se existe proporção entre os elementos representados pelo aluno e entre estes e os reais.

De frente? Do alto? No mapa. Simbologia • Avalie se a criança tem habilidade para estabelecer em seus desenhos traços que representam elementos que ela observa à sua volta. Projeção ou perspectiva • Análise de qual ponto de vista as casas foram desenhadas. ela terá noção do tamanho a ser dado no desenho. Qual o tamanho de um quarteirão ou de um carro? Ao medir ambos com os passos. sempre de cima.metodologia que representa a superfície da Terra. No início do Ensino Fundamental a garotada consegue desenhar em perspectiva. sugira que utilize palmos ou passos como unidade de medida. No mapa há uma série de convenções para indicar como representar rios. são usadas projeções cartográficas . • Faça perguntas ao aluno para estimulá-lo a perceber quais elementos estão mais à frente ou mais longe. .36 • Para que a criança perceba a proporção de tamanho entre os diferentes elementos que a cercam.

O pensamento de Piaget nos leva a compreender que o aluno deve construir e correlacionar o mapa a partir da suas próprias experiências. casas com um triângulo sobre um retângulo. saber fazer. • Trabalho com as direções pessoais (à direita. p. Com o tempo eles percebem que elas não são todas iguais. O desenvolvimento de habilidades.). Rosângela Doin e Biondi..37 estradas. ambientais (recorrendo a dados do lugar conhecido) e cardinais (os pontos básicos de orientação). p. Considerar as diferentes possibilidades metodológicas de aprendizagem é de fundamental importância. assim como referências de lugares próximos. (PIAGET apud CASTROGIOVANNI. à direção e distância de outros fatos já conhecidos. através de seqüências gradativas segundo sua dificuldade. que permitem o aluno. sobre o desenho da criança. outras menores.. O pensamento é uma “ação” que transforma as coisas do meio.35). cidades etc. Por exemplo. Fonte: Almeida. Através de interação entre o sujeito e objeto o conhecimento é abstraído do real e transformando em algo humano. • Os alunos costumam fazer desenhos parecidos. Todo conhecimento é construído pelos seres humanos através de suas interações com o meio. interiorizando-se. E até que o número de janelas é diferente. Umas são maiores. • Treinamento em localização. abaixo. para SOMMA (1999. Maria Inez Moura Fazzini Esta é uma proposta colocada frente aos professores para interpretar e mediar aquilo que é produzido pelo aluno – o desenho. . e as características mais notáveis do lugar cartografado. Assim. a fim de construí-las em objetos do próprio pensamento. 1999.164) estas habilidades requerem: • Familiarização com os símbolos. e ler o mapa requer treinamento. colocando-nos também frente à idéia de Almeida. Induza-os a prestar atenção nas construções da rua onde moram.

falta de recurso e de habilidade do professor. dos alunos. . Pela dificuldade existente no exercício do professor estas habilidades na sua maioria das vezes deixam de ser trabalhadas. entre estes: o tempo de aula. daí a necessidade de clareza e critérios. a dificuldade de aprendizagem individual do aluno que necessita de mais atenção do professor. Contudo os principais elementos dos mapas podem ser trabalhados em atividades do tipo oficina. O motivo existe por diversos fatores. • Utilização de critérios claros e generalizadores para delimitações regionais: determinar o alcance dos fatos a cartografar é uma tarefa difícil que requer muito treinamento. como prática. Esta é a proposta deste trabalho no próximo capitulo. Uma proposta didática que salienta os métodos e as técnicas aplicados no ensino de cartografia. no qual este não se dispõe.38 • Reconhecimento de que o uso da retícula matemática (latitude e longitude) é de difícil adoção. entre outros.

apenas 37% o fazem.67% adotam o livro didático em sala de aula. Excluindo os livros-apostilados utilizados pelos professores. Volume 1. aplicou-se questionários. 5. principalmente de escolas particulares. além das que são sugeridas no livro didático (GRÁFICO 3). objetivando traçar um perfil de como esta sendo utilizados os recursos didáticos no ensino de Geografia. enfatizando o emprego das oficinas pedagógicas no de ensino de Geografia. é sobre a forma que os conteúdos vêem sendo trabalhados em sala de aula. os mais citados são: • VESENTINI. Vânia. . Dentre as questões avaliadas sobre o livro didático. RECURSOS DIDÁTICOS UTILIZADOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA O ensino de Geografia vem sendo discutido por diversos teóricos. Dos entrevistados. e um dos inúmeros questionamentos feitos na atualidade. não sendo assim. 56. Geografia Crítica: o espaço natural e a ação humana.39 5. Quanto às outras atividades além das sugeridas no próprio livro.1 . esta foi enfatizada. editora Atica. . aborda-se: a adoção do livro didático em sala de aula (GRÁFICO 1). material único e norteador do trabalho com os conteúdos programáticos. José Wiiliam e VLACH. se o professor elabora outras atividades. e 63% não o utilizam como material principal e sim de apoio para as atividades. ou apenas utilizado como apoio (GRÁFICO 2) e também. Para averiguar esta realidade nas escolas publicas e privadas. se é o material principal.Os livros didáticos O livro didático é um instrumento de apoio para o professor.

W. A principal atividade proposta nos livros didáticos são os questionários relacionados ao texto de cada capítulo. Esta atividade é incipiente para que o aluno compreenda o de forma clara o conteúdo abordado. R. internet. . GARCIA. • ADAS. seminários e trabalhos de campo. editora Atual. • GUIMARÃES. Construindo a Geografia. W. jornais. Geografia: construção do espaço geográfico. Do total de professores. Neste âmbito. • BOLIGIAN. e. editora Moderna. 5ª série. R. Melhem. RIBEIRO. Geografia: espaço e vivência.40 • ADAS. MARTINEZ. editora Moderna. leitura de mapas e gráficos. 6ª série. além daquelas que estão no livro didático. Foram questionados 30 professores da rede publica e privada. 56. 5ª série. Geografia: noções básicas de geografia. A. a pesquisa buscou fazer um levantamento sobre os professores que trabalham outros tipos de atividades. pesquisa bibliográficas. revistas. editora Moderna. documentários. 6ª série. .67% indicam que elaboram outro tipo de atividades. que são: interpretação e construção de texto. ARAÚJO. ALVES. L. . filmes. Melhem. R. músicas.

Pesquisa in locu. Fonte: PANDIM. 37% 63% Material Principal Material de Apoio GRÁFICO 2 – Utilização do livro didático como material principal para as atividades e ou como apoio. Pesquisa in locu. .33% 56. Fonte: PANDIM.67% Sim Não GRÁFICO 1 – Professores que adotam o livro didático.41 43. 2006. 2006.

Pesquisa in locu. computador. permitem ao educando relacionar a realidade ao conteúdo teórico. dentro dos conteúdos geográficos. 5. fotografia aérea. Imagens de Satélites O professor deve ser criativo dentro do planejamento de uma atividade. 67% fazem uso de mapas raramente (GRÁFICO 4). os recursos como: mapa. Fotografia Aérea.67% não usam este recurso e 17.2 . 26. a pesquisa mostra que 56.67% dos professores utilizam mapas no desenvolvimento das atividades em sala.33% 76. Neste âmbito.Recursos Didáticos: Mapa. imagens satélites. Por isso.67% Sim Não GRÁFICO 3 – Professores que desenvolvem atividades que não estão nos livros didáticos. 2006. .42 23. Fonte: PANDIM. Computador. fazer uso de diversos recursos didáticos é uma forma de enriquecer tais atividades e ainda.

2006. a escola não possui sala de informática e 30% diz que raramente usam este recurso. pelo fato de que a disciplina possui pouca carga horária e assim ele não pode perder muito tempo com a visualização de mapas.67% dos professores responderam que o fazem.67% Sim Não Raramente GRÁFICO 4 – Professores que utilizam mapas dentro da sala de aula.67% 26. pois.67% 56. 53. Em um dos relatos o professor enfatiza que os mapas são usados raramente. .43 17. Quanto a utilização de algum recurso de informática na construção de mapas. Pesquisa in locu.33% responderam negativamente. apenas 16. só quando há disponibilidade de horário no laboratório de informática da escola (GRÁFICO 5). Isto demonstra que alguns professores não dão importância devida ao mapa. Fonte: PANDIM.

00% 53. Fonte: PANDIM.00% 40. Para o ensino de geografia.00% 0.00% 30.00% Sim Não Raramente GRÁFICO 5 – Utilização de recursos de informática na construção de mapas. contudo 40% dos professores utilizam estes recursos (GRÁFICO 6). pois na contemporaneidade exige-se cada vez mais o conhecimento e habilidades dos sistemas de informação.44 60.67% 10.00% 20. As fotografias aéreas e as imagens satélites também apresentam dificuldades no que diz respeito à utilização destes em sala de aula. o computador pode auxiliar na construção de imagens digitalizadas e oferecem a leitura e construção de representações espaciais (PCN’s.00% 30. 2006. Sendo então um recurso importante para o individuo. Pesquisa in locu.149). pode-se afirmar que a grande maioria das escolas não possibilita a integração do aluno com as novas tecnologias de informação e comunicação. .33% 50. p. 1998. Considerando estes índices.00% 16.

. rios. florestas.00% 50. os professores não lhe dão a devida importância. É importante ressaltar que as fotografias aéreas e as imagens satélites são recursos que podem fornecer importantes informações sobre o espaço. área de cultivo.00% 40. As informações podem ser de um modo geral. ou seja.Atividades: Trabalhos de Campo e Oficinas A criação de algumas atividades diferenciadas torna as aulas mais interessantes. De maneira geral.00% 40.00% 60.45 70. a utilização dos recursos didáticotecnológicos que podem auxiliar na construção de conhecimentos estão defasados. 5. 2006. áreas que sofrem ou não ação do homem. Fonte: PANDIM.00% 10. faz com que professores e alunos deixem a velha rotina de estar na sala de aula “aprendendo” os conteúdos existentes nos livros didáticos.3 . Assim as informações destas áreas.00% 30. Pesquisa in locu.00% 0.00% 60. área urbana. etc.00% 20. e ou. assim como.00% Sim Não GRÁFICO 6 – Utilização de fotografias aéreas e imagens satélites. pelo fato de a maioria das escolas não os possui. auxiliam na construção de mapas.

00% 43. como: falta de transporte. entregas de notas.00% 10. trabalhos etc. desde que seja feitos de maneira objetiva e planejada.00% 0.33% dos professores realizam trabalhos de campo. (GRÁFICO 7). 43. Do total.00% 20.67% 50. 46.33% 40. objetivando estimular a curiosidade do aluno (GRÁFICO 8). dificuldade na autorização de pais e ou até mesmo a agenda da escola que está sempre cheia com eventos. Pesquisa in locu. 60. pelos inúmeros problemas existentes. sobretudo de cartografia. Este tipo de atividade pode estar sempre sendo relacionada com qualquer outra.00% 56. As oficinas são de grande importância na construção dos conceitos. os que não realizam justificam. possibilitando desta maneira.00% Sim Não GRÁFICO 7 – Realização de trabalhos de campo.00% 30.67% dos professores a utilizam. 2006. . melhor desenvolvimento do trabalho.46 Os trabalhos de campo possibilitam relacionar a realidade com a teoria. até mesmo com as oficinas pedagógicas. sendo uma forma proveitosa de assimilar os conteúdos. Fonte: PANDIM. sendo que o lugar a ser visitado pelos alunos e professores seja o foco real do estudo. Quanto à realização de oficinas como método de ensino.

e à falta de incentivo da escola (23. Foi questionado qual era a maior dificuldade encontrada para a criação de uma oficina. Dentre as respostas estão: a falta de recurso materiais para a sua elaboração e aplicação (43.34%).47 54.33%).00% 44.33% 33.00% 20.33% 52.00% 42.00% 50. .00% 30.33% GRÁFICO 9 – Dificuldades para a criação de uma oficina.67% 46.00% 46. Pesquisa in locu.00% 40. Pesquisa in locu. Fonte: PANDIM.00% 10.00% 0.00% 25.34% 43.00% 5. 50. 2006.00% 48.00% 15.00% Falta de incentivo da escola Falta de recurso Disposição de tempo 23.00% 53.00% 35. a disposição de tempo (33.00% Sim Não GRÁFICO 8 – Professores que utilizam atividades do tipo oficina.00% 45. Fonte: PANDIM.33%) (GRÁFICO 9). 2006.

00% 80.48 Um professor explica que: “a disposição de tempo falha este trabalho.00% 50.74% GRÁFICO 10 . Adaptado das propostas de Almeida e Zacharias foi sugerido aos professores uma oficina de cartografia para os alunos do ensino fundamental com o tema: A Geografia através da Construção de Maquetes. Esta oficina apresenta como principal objetivo à construção de uma maquete do relevo brasileiro.00% 0. uma vez que a oficina apresentada indica todos os procedimentos a serem realizados ou a temática da oficina é de real importância e interessante para a construção dos conceitos? Será que estão dispostos a assumir propostas arrojadas diferentes do cotidiano? .00% Sim Não 5.00% 90.00% 40. através de leitura de mapas e de curvas de nível. rica demais para ser trabalhada em tão pouco tempo”. sendo assim. 100.Professores que utilizariam à oficina de Cartografia. isto porque.00% 60. pode-se questionar: será que os professores estão acostumados a usar materiais prontos. Pesquisa in locu. Dos questionados. Fonte: PANDIM.00% 30. 94.00% 10. 2006.00% 20. Considerando o índice de aceitação da utilização da oficina.74% dos professores responderam que utilizariam esta oficina (GRÁFICO 10). a Geografia é uma disciplina ampla e detalhada.00% 70.26% 94.

151) Nas condições que se encontram algumas escolas. também se dão às agressões físicas. este deve ser realizado de maneira a buscar soluções para a problemática e que envolva professores. (CANDAU. Para alguns. Os tipos de violência assinalados como estando mais presentes no dia-a-dia da escola são as ameaças e agressões verbais entre os alunos e alunas. 2002.49 Os professores que não utilizariam à oficina sugerida perpetuam a idéia de que o tempo estimado para as aulas é pequeno e ou ainda nas palavras de um professor: “trabalho em uma escola com grande índice de violência. . No entanto. agulhas e alfinetes de costura e facas de ponta. é necessário analisar o tipo de trabalho a ser feito em sala de aula. assim os alunos mais agressivos poderiam colocar em risco a segurança de outros alunos. lixas.” A violência existente dentro da escola também configura uma dificuldade no trabalho dos professores. algumas com graves conseqüências. do que buscar mudanças. governantes e comunidade localizada fora da escola. e até mesmo a minha. e entre estes e os adultos. A oficina oferece materiais como caixa de fósforos. escola. Sendo assim. p. apesar de menos freqüentes. é mais fácil excluir qualquer atividade construtiva que permita uma possível agressão entre os alunos.

. Este fato . pois qualquer metodologia aplicada passa pelo domínio do conteúdo. que tem desenvolvido vários trabalhos na área. Tais dificuldades de acordo com a professora são. bem como as dificuldades encontradas pelos professores em optar dentro do processo de aprendizagem as oficinas de ensino. um processo de desenvolvimento de determinado conteúdo.AS OFICINAS DE CARTOGRAFIA NO ENSINO DE GEOGRAFIA Entende-se por oficinas de ensino como sendo uma metodologia diferenciada para o ensino de Geografia.ª Rosely S. Archela. Assim. construção dos conceitos cartográficos. a oficina nada mais é.. ou seja. foi possível avaliar questões importantes e inerentes à temática. segundo a professora. A realização de oficinas pedagógicas no ensino fundamental é uma dificuldade encontrada pelos professores. Embora existam bibliografias de alguns trabalhos quanto a sua aplicação.50 6 . Para tanto optou-se pela entrevista com a Prof. da Universidade Estadual de Londrina.” Assim. tempo de hora/aula. em função do método. O emprego de metodologia requer o conhecimento do método e da teoria. portanto: quanto à metodologia aplicada e domínio do conteúdo. Para Archela: “A oficina é um caminho. Assim o que faltam aos professores é um embasamento teórico e conhecimento dos conteúdos. É comum que alguns professores entendam as oficinas de ensino como uma “receita de bolo” ou uma “receitinha simples”. do que uma forma de desenvolver o conteúdo procurando usar uma metodologia adequada. utilização de tecnologias sem conhecimento dos conceitos. isto porque este está ligado a uma metodologia.ª Dr. através da entrevista. ainda são incipientes os trabalhos que avaliam esta atividade como um método no aprendizado de Geografia. ..

Ao contrário se estes conteúdos forem trabalhados sem a importância devida. Neste tipo de trabalho podem-se quebrar diversas barreiras como. estas informações não terão nenhum significado para ele. pois. estes não são produzidos de forma elaborada. . assim. título. Archela explica que: “Quando trabalhamos com o mapa e apresentados aos alunos seus elementos: orientação. pois sua construção vai além. Considerando atualmente que o professor tem que trabalhar o conteúdo de Geografia no prazo de um mês. como qualquer outra “decoreba”. bem como a sua importância no mapa a compreensão destes conceitos. escalas. teoria e método. desenvolver conceitos e respectivamente um preparo. A título de exemplo. cita-se a construção de uma maquete e sua relação que o processo de construção utiliza aproximadamente 30 horas para sua elaboração.51 ocorre devido à dificuldade de compreensão entre metodologia. ele. de que a metodologia depende do método. Ainda que. Portanto. possibilitando o amadurecimento e aprofundamento dos temas abordados. Uma outra importância das oficinas é o tempo dedicado a ela. desmotivando-o. se ele nunca leu um mapa. a dificuldade dos alunos de entender o conceito de escala. sem este ter obtido uma alfabetização cartográfica ou ainda. e ainda. antecipadamente. o conceito vai passar batido. existe um processo de conhecimento que é desenvolvido durante a construção de maquetes levando o aluno a compreender os conceitos abordados. por exemplo. bem como a discussão do conceito envolvente. Para construção de uma maquete é necessário. Não adianta apenas construí-la como se ela fosse um trabalho manual e artesanal. Com etapas bem definidas esta inclui o desenvolvimento da visão bidimensional (mapa) para o tridimensional (maquete). esta possibilitará que o aluno aprenda passo a passo os elementos do mapa.” Quando o professor opta por uma oficina de ensino de mapas. Assim será trabalhado. dentro deste processo haja uma interação entre as pessoas que estão participando e o conhecimento a ser trabalhado. legenda. fonte.

é de que os temas integram várias disciplinas. Assim este trabalho implica na coleta de dados. tem superado este espaço. Alguns pesquisadores acreditam que é necessário se fazer uma retomada da Cartografia com ciência. Em função desta facilidade que se tem hoje. Archela argumenta que é necessário o trabalho por tema. aplicação de questionário. Ligado à dificuldade de utilização de tecnologias sem conhecimento dos conceitos Archela diz que: “. daí então. não há necessidade de se ter conhecimentos de códigos para ser usuário de um software (que dê para trabalhar cartografia). e a cartografia pode ligar diversas áreas do conhecimento. pois. Isto gera um distanciamento da cartografia. o bairro. Assim. A diferença de se trabalhar por temas e não com os conteúdos préestabelecidos. assim como os programas cada vez mais avançados e fáceis de ser utilizados. ou seja. . Apesar da crítica apresentada. sobre os meios tecnológicos. entre outros conhecimentos e conteúdos que vão formar uma visão interdisciplinar do aluno. mas sim trabalha-los de forma conjunta.. No que diz respeito aos professores elaborarem uma oficina de ensino. os tutoriais disponíveis no próprio programa e manuseá-los. este será voltado aos vários elementos que estão relacionados a este bairro. desenvolvimento de redação.. como conhecimento cartográfico. a oficina assume um modo interdisciplinar. da maneira em que se tem feito hoje na escola. por exemplo. bastam apenas seguir em sua maioria das vezes. é necessário utilizar cálculos para o seu entendimento. o conhecimento da base cartográfica.” Dentro desta perspectiva Archela diz que se perdeu um pouco o jeito de se fazer Cartografia. Contudo as oficinas possibilitam a interdisciplinaridade. porque a tecnologia hoje. Ao elaborar um trabalho com o tema.52 já que para a realização da maquete há necessidade de mudança de escala. medidas. não se deve excluí-lo como ferramenta no ensino. que é o interesse pela tecnologia e a facilidade com a tecnologia. e não por conteúdos pré-estabelecidos.temos um grande aliado. e neste ponto de vista.

nós temos a metodologia que possibilita um bom desenvolvimento. seus salários não serão valorizados em nenhum momento.53 Archela explica que os professores não têm motivação para efetuarem as oficinas. Assim: “por um lado. isto porque. O tempo é insuficiente. da sua base de conhecimento e das possibilidades que a escola oferece. A vantagem da oficina para o professor é que ele pode obter em cada uma delas experiência quanto a forma de elaborar atividades para a construção dos conceitos cartográficos. mas se pode dentro deste contexto utilizar a técnica e a motivação para que os alunos se interessem a estudar fora da sala de aula. uma vez que esse tem em média de 40 a 50 minutos para cada aula. No próximo item será abordado um exemplo de oficina pedagógica. . pois não apresentam materiais necessários para qualquer atividade. Ainda. Dessa forma. e ainda. pois cada uma responde de forma diferenciada quanto à forma de aprendizado. Assim os conteúdos a serem desenvolvidos tornam-se fragmentados e mal trabalhados. não temos o apoio financeiro. na maioria das vezes. só que em contrapartida. Rosely Sampaio Archela e Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes. O desenvolvimento deste trabalho depende da turma. desenvolvido pelas autoras Mirian Vizintim Fernandes Barros. que os professores retirem do próprio salário para a compra destes materiais. ou seja. escolhendo quais atividades melhores se encaixam em determinadas atividades. ele poderá amenizar a problemática da hora/aula. ele pode obter um “jogo de cintura”. permitindo. oferecendo então estudos alternativos fora do turno regular. as escolas públicas sofrem a falta de incentivo.” O fator do tempo de aula (h/aula) expressa também grande dificuldade no que diz respeito ao trabalho do professor.

além da representação (visão de cima para baixo) utiliza-se a bússola por ele elaborada. afim de que o aluno tome sua carteira como um ponto de referência e encontre a localização de outros elementos da sala (janela. portanto meios oficiais como os pontos cardeais e colaterais são apresentados. Assim.). como uma referência aos professores e também para avaliação de sua eficiência. Linha Internacional de Data). exercícios resolvidos. No entanto. Esta atividade é apresentada aqui. lousa. Nesta oficina também são trabalhados conceitos abstratos como. Partindo para um lugar do espaço conhecido ou vivenciado pelo aluno. o traçado de linhas imaginárias.Um exemplo de Oficina Pedagógica no Ensino de Noções Básicas de Cartografia. construção de instrumentos e informações adicionais (GPS. os trabalhos desenvolvidos em sala de aula são insuficientes para uma generalização. Avançando na instrumentação a oficina propõe a construção de uma bússola utilizando os conceitos anteriormente trabalhados da rosa-dosventos. não necessitando sua completa realização. propõe-se a construção de um mapa da sala de aula. A oficina apresentada a seguir foi desenvolvida para alunos do ensino fundamental e tendo objetivo desenvolver as noções de orientação e localização no espaço terrestre. por exemplo. adaptada a diferentes séries. etc.1 . porta. . Normalmente. sendo esta utilizada para se situar de acordo com a posição do Sol. quanto um recurso didático. Estes meios oficiais são enfatizados na construção da rosa-dos-ventos.54 6. mesa do professor. tem como objetivo inicial levar o aluno a entender o que é ponto de referência através da localização por meio de um lugar e um objeto. Esta oficina foi elaborada para o professor e contém conceitos ligados à cartografia. permitindo que o aluno compreenda o abstrato a partir do concreto.

coordenadas geográficas e Linha Internacional da Data. relacionadas aos temas ponto de referência. enfatizados na maquete de reprodução das linhas imaginárias do globo terrestre. maquete e mapa. que lhe dará todas as informações necessárias. Porém. o Museu e o Shopping Center. orientação pelo Sol e com bússola. bússola. Você gostaria de visitar alguns lugares interessantes como o Lago. a única informação de que dispõe. por meio da construção e utilização dos seguintes instrumentos: rosa dos ventos. para isto vamos abordar conceitos importantes. colaterais e subcolaterias. As linhas imaginárias traçadas em sala de aula permitirão o entendimento dos paralelos e meridianos e posteriormente as latitudes e longitude. pois garante o ir e vir a qualquer lugar. . Do contrário. como também escolher o melhor roteiro. TEMA: ORIENTAÇÃO NO MAPA E PELO MAPA INTRODUÇÃO Saber se localizar no espaço é muito importante. aprofundando os conceitos latitude e longitude e ainda podendo se trabalhar as distâncias entre diferentes pontos da Terra. Suponha que você chegou a Londrina pela primeira vez. A localização no mapa permite compreendermos o espaço e suas dimensões. e está hospedado num hotel próximo ao centro da cidade. ou até mesmo. assim como os mapas que representa os países. não chegar a conhecer todos os lugares desejados. Para encontrar esses lugares. ler o mapa. você precisa saber localizar-se no espaço e também. pontos cardeais. que fica a cem metros do hotel na direção sentido sul.55 Todos os conteúdos expostos na oficina têm como objetivo que o aluno possa posteriormente aplica-los em espaços maiores. Esta oficina apresenta como temática a orientação espacial e. correrá o risco de receber informações erradas e precisar andar demais. é que existe um mapa à venda na banca de jornal da esquina.

9. Ao conjunto dos pontos de orientação pelo sol (Leste. Desde os primeiros tempos. p. dá-se o nome de Pontos Cardeais. v. A configuração do relevo. as árvores e outros elementos da paisagem serviam de pontos de referência. a mudança do Sol no céu e a ocorrência dos dias e das noites davam o ritmo das atividades diárias. Os homens sempre usaram a observação da natureza para orientar suas atividades. 1993. Orientação pelo Sol Fonte: Simielli. 2.56 O CONCEITO DE ORIENTAÇÃO A orientação começa com a relação entre dois lugares. Oeste. Ela é importante porque permite a compreensão da localização geográfica. A posição do Sol. da Lua e das estrelas indicava as direções a serem seguidas. Quando ouvimos o nome de um lugar. os rios. Primeiros Mapas. Norte e Sul). logo relacionamos com um outro lugar ou objeto que serve como ponto de referência. .

os outros Pontos Cardeais. CONSTRUÇÃO DA ROSA DOS VENTOS MATERIAIS: • Régua. ou seja. marca-se uma distância qualquer a partir do centro e traça-se uma reta que passe exatamente a 45 º. Repete-se a mesma operação para as outras pontas até completar os Pontos Colaterais. entre norte(N) e oeste (O) e entre leste (E) e sul (S). entre o sul e o leste. serão facilmente identificados. não são suficientes para a orientação. Trace uma linha na direção Norte-Sul e outra na direção Leste-Oeste. de (90º). PROCEDIMENTOS: • • • • Descubra primeiramente a direção Norte. As oito direções principais formam a rosa dos ventos. Por exemplo. que são o nordeste. o seu cruzamento deverá formar ângulos retos. . sul (S) e oeste (O).57 Somente estes quatro pontos. entre o sul e o oeste. Sudoeste. Por isso surgiram os pontos intermediários denominados de Pontos Colaterais. Determinado o Norte. Sudeste. A ponta dessa reta indicará uma direção colateral. Noroeste. sudeste. Para determinar as direções dos Pontos Colaterais é preciso encontrar os pontos centrais entre norte (N) e leste (E). que tem a forma de uma estrela e foi construída para indicar os Pontos Cardeais e Colaterais. entre o norte e o leste. compasso. sudoeste e noroeste: • • • • Nordeste. Estas linhas deverão ser perpendiculares. entre o norte e o oeste. papel e lápis. Isto pode ser feito de várias maneiras.

etc. tracem retas formando triângulos bem agudos a partir das pontas. Normalmente. trace os Pontos Subcolaterais que são aqueles localizados entre um ponto Cardeal e um Colateral. complete com os Pontos Colaterais. como por exemplo: entre o norte e o nordeste está o ponto norte-nordeste. A figura abaixo indica os Pontos Cardeais e Subcolaterais.58 Da mesma forma. 1. Para concluir o desenho da rosa dos ventos. ROSA DOS VENTOS . as pontas que indicam os Pontos Cardeais são maiores do que as que indicam os Colaterais e Subcolaterais.

construída a partir da rosa dos ventos. veja: CONSTRUÇÃO DA BÚSSOLA MATERIAIS: • • Um pote com tampa (embalagem de margarina.59 2. escreva o nome dos pontos dentro da rosa. papel e um imã. tesoura. . PROCEDIMENTOS: • Desenhe a rosa dos ventos com os pontos cardeais e colaterais. na figura a seguir e indique os pontos cardeais e colaterais. por exemplo) Linha. utilizando materiais muito simples. Observe a posição do Sol às 6 horas da tarde. é possível que você encontre uma em sua escola. pinte-a e recorte-a. lápis preto e colorido. agulha. Podemos construir uma bússola. rolha. A BÚSSOLA A bússola é um instrumento de orientação. Existe vários tipos e modelos.

Escreva o nome nas carteiras dos alunos da sala. Imante bem a agulha e a introduza na rolha. .60 Destaque os lados da tampa do pote. vamos realizar a seguinte atividade: 3. colocando os objetos que você selecionou para representar.observe sua sala de aula e faça uma relação de todos os objetos presentes: mesa. Cole a rosa dos ventos no fundo do pote. Lá é o Norte. e. Mas para que serve uma bússola? Para compreender melhor este instrumento de orientação. Prenda por baixo. Pronto. como na figura abaixo. de modo que a rolha possa ficar suspensa pela linha. para isto: . armário.faça a representação do contorno da sala de aula. porta. etc. deixando apenas uma tira que encaixe nas bordas. • • • Corte uma fatia da rolha. Prenda a outra extremidade da linha na tira da tampa encaixada e observe para onde a agulha imantada aponta. quadro. carteira. Elabore um mapa de sua sala de aula. supondo que você esteja olhando para a sala de aula do teto para baixo. . você tem uma bússola. Com a ajuda da agulha. passe a linha pela rolha. tendo o cuidado de acertar o Norte do desenho com o que indica a agulha.

61 . Certo? Errado!!! Mas por que? . Os pontos cardeais e colaterais que acabamos de estudar. encontre a direção norte e oriente seu mapa. pinte sua carteira e marque os pontos cardeais da sala. logo. . de acordo com a bússola. mas não permitem localizar com exatidão.considere seu lugar como ponto de referência no mapa. Por exemplo.coloque a bússola sobre o mapa da sala de aula.trace linhas imaginárias para descobrir quais de seus colegas estão localizados a sudeste. qualquer ponto no espaço terrestre. sudoeste. . se você está na cidade de São Paulo e quer ir até Londrina no Paraná. você terá que se deslocar no sentido sul. fornecem uma direção. como você faz? Primeiro você é levado a pensar. nordeste e noroeste. que como Londrina fica no Estado do Paraná. na Região Sul.

Observe o mapa político e descubra porque está errado! Responda: Qual direção você deverá seguir? Para resolver problemas deste tipo. MAQUETE DE REPRODUÇÃO DAS LINHAS IMAGINÁRIAS DO GLOBO TERRESTRE MATERIAIS: • • Globo terrestre Bola de isopor .62 4. Eles possibilitam encontrar a indicação exata de qualquer lugar na superfície terrestre. Os paralelos e os meridianos são linhas imaginárias expressas em graus. os cartógrafos dividiram a Terra em paralelos e meridianos.

. A medida da circunferência da Terra é de 360° e corresponde a 40. os alunos poderão realizar o experimento em grupos e anotar as conclusões). Então. Longitude é a distância medida em graus (0º a 180º) de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação ao Meridiano de Greenwich. 5. • • • Latitude é a distância medida em graus (0º a 90º) de um ponto qualquer da superfície terrestre em relação à Linha do Equador. como ponto por onde passa uma linha imaginária que liga o polo norte ao polo sul e que se chama Meridiano de Greenwich. • Cole o globo com fita adesiva e proceda da mesma forma para demonstrar a Linha do Equador que divide a Terra em duas partes: Hemisfério Norte e Hemisfério Sul. • Observe o globo de isopor totalmente branco e responda qual é o lado direito? . Esta linha divide o Globo em duas partes: Hemisfério Oriental ou Leste e Hemisfério Ocidental ou Oeste. enquanto os alunos anotam e desenham. Se houver possibilidade.. que se estabeleceu o bairro de Greenwich em Londres na Inglaterra. Os paralelos e meridianos são medidos em graus. Foi para ter um ponto de referência.000 quilômetros. cortando o isopor em 2 partes: Hemisfério Oriental (leste ou nascente) e Hemisfério Ocidental (oeste ou poente). Observe o Meridiano de Greenwich traçado no globo e responda: qual é o lado direito do globo? • Divida o globo em duas metades. Este experimento poderá ser feito à frente.63 PROCEDIMENTOS: (OBS..

7. do Meridiano de Greenwich até a Linha Internacional da Data em direção Oeste. diferenciando o Hemisfério Oriental e o Hemisfério Ocidental. Pinte a parte (A) da figura. a partir da Linha do Equador em direção ao Pólo Sul.64 Esquema para visualização de paralelos e meridianos Paralelos e Meridianos Os paralelos são linhas horizontais e indicam a latitude Norte a partir da Linha do Equador em direção ao Pólo Norte e a latitude Sul. Os meridianos indicam a Longitude Leste a partir do Meridiano de Greenwich (0°) até a Linha Internacional da Data (180°) e a Longitude Oeste. 6. destacando o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul. Pinte a parte (B) da figura. .

florestas. linhas horizontais e os meridianos verticais. grandes áreas de terras. Isto quer dizer que qualquer deslocamento seja aéreo. etc. O ponto de encontro de um meridiano com um paralelo é denominado de Coordenadas Geográficas. As Coordenadas Geográficas são importantes para a localização exata de qualquer lugar da superfície terrestre. . as Coordenadas Geográficas também são importantes para a delimitação de elementos da paisagem como serras. só pode ser realizado com segurança se conhecermos onde estamos e para onde vamos. marítimo ou terrestre. Além disso. elas sempre se cruzam.65 Sendo os paralelos.

1999. é de 90º longitude ____________. é de _____º de longitude _____. . b) O ponto localizado a 135º longitude E. À distância do Meridiano de Greenwich até a Linha Internacional da Data é de _____ºde longitude oeste. M. e 30º latitude Sul. A distância em graus do Meridiano de Greenwich até Calcutá na Índia. Simielli. À distância do Meridiano de Greenwich até a Linha Internacional da Data é de ________ longitude _______. E. A distância em graus do Meridiano de Greenwich até Chicago nos Estados Unidos.66 8. Assinale no planisfério. Consulte o Planisfério abaixo e complete o texto a seguir: Fonte: Geoatlas. se encontra no (a) ______________. os pontos definidos pelas coordenadas geográficas indicadas a seguir e complete as frases com o nome do país onde cada um desses pontos se localiza: a) O ponto localizado a 45º longitude W e 15º latitude Sul. 9. se encontra no (a) ______________.

667 km a oeste de Greenwich? 180º .666 Km 180 Resposta: À distância entre Xangai e Manila é de 1. 10.20. Qual à distância em quilômetros entre Xangai na China (30º N) e Manila nas Filipinas (15ºN).667 Km. Observe no planisfério.20. 180 X 6.X 15 X 20.6.67 c) O ponto localizado a 105º longitude W e 45º latitude norte se encontra no (a) _____________________ . 11. que para conhecer a distância entre Xangai e Cairo fazemos o seguinte: Xangai (China) está a 120° E e 30°N Cairo (Egito) está a 30° E e 30° N .666 quilômetros.000 Km 15° . 12.000 = 1. que se localiza aproximadamente a 6.667 = 60° 20.000 Km X . se ambos estão sob o meridiano de 120º E? 180º .000 Resposta: A cidade é Buenos Aires. Qual é a longitude e a cidade pontuada no planisfério. As coordenadas geográficas também podem ser utilizadas para calcular distâncias em quilômetros entre dois pontos no Globo.

que ainda não possuem mapas topográficos e as medidas exatas são conhecidas através de imagens de satélites. Até hoje.Sistema de Posicionamento Global . Ambas estão na mesma latitude. uma propriedade rural). os limites eram definidos apenas por referências naturais como divisa de um rio.000 km 360 Resposta: A distância em quilômetros é de 10.000 X 90 = 10. Até alguns anos atrás. existem lugares no Brasil. (como por exemplo. etc. um vale. Sabendo que: 360° correspondem a 40. GPS . pode-se utilizar um instrumento denominado. realizar levantamento topográfico no local. Para delimitar áreas menores e com precisão.000 quilômetros. GPS – Sistema de Posicionamento Global.000 90° corresponde X Logo: 40.68 À distância entre Xangai e Cairo e de 90° de longitude. quando não era possível. proximidade de uma encosta.

Cada satélite emite um sinal que contém: código de precisão (P). Os receptores GPS de uso militar têm precisão de 1 metro e os de uso civil. duas vezes por dia e emitem simultaneamente sinais codificados de rádio. O sistema é formado por 24 satélites que orbitam a terra a 20. Estas medidas são feitas no local.200 km de altitude. O sistema foi declarado totalmente operacional somente em 1995. dar uma volta completa na Terra de avião. Este Meridiano determina a mudança de data por convenção internacional. A LINHA INTERNACIONAL DA DATA O meridiano a 180º é chamado Linha Internacional da Data. É neste ponto da Terra que se muda para o outro dia do calendário. código geral (CA) e informação de status. que são exatas. com o uso do GPS e da carta topográfica. por exemplo. Esta linha imaginária foi escolhida como o lugar de mudança de data porque se não houvesse esse ponto de referência. Em l980. e chegar na mesma data. utiliza-se as coordenadas geográficas. de 1 metro.69 O GPS é um instrumento de orientação e localização de precisão. O GPS foi desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA no início da década de 1960. A orientação e a localização exata é muito importante em nosso cotidiano. em qualquer ponto da Terra. poderíamos. Como saber se o vizinho não vai invadir o terreno de seu pai? Ou se você não vai ganhar um pedacinho a mais de terras? Para conhecer a divisa entre o terreno de seu pai e o do vizinho. apenas com horas de diferença. . para uso estritamente militar. os militares americanos implantaram duas opções de precisão. de 15 a 100 metros. Preocupados com o uso inadequado. uma para usuários autorizados (estritamente militar) e outra para usuários não-autorizados (civis). Testes realizados em 1972 mostraram que a pior precisão do sistema era de 15 metros e a melhor. Vejamos um exemplo: Suponhamos que seu pai comprou um terreno num loteamento novo da cidade. uma decisão do então presidente Ronald Reagan liberou-o para o uso geral.

Mundo em 03/10/1999 e reflita com os alunos a importância da linha internacional da data e o caso de Tonga. Qual foi o país que entrou primeiro no Terceiro Milênio? Por quê? 14.70 Leia o texto abaixo. Nauru e Kiribati. Qual foi o último país a comemorar a entrada para o Terceiro milênio? Por quê? . publicado no Correio Braziliense. Consulte o planisfério e descubra: 13.

• Estrutura física das escolas e material. • Em muitas (ou na maioria) escolas. pois. o professor desenvolver atividades que melhorem o aprendizado. pois permite ao aluno compreender e perceber o espaço geográfico. a administração tem no mínimo uma visão distorcida de ensino. são trabalhados de forma incorreta e com modelos de atividades que não proporcionam seu entendimento. uma vez que ambos se encontram sucateados. . através dos fenômenos representados pelo mapa. existem grandes dificuldades de estas serem realizadas nas escolas e pelos professores. ou fuja do tradicional. além de despertar grande interesse e motivação aos alunos. levando em conta que estas apresentam um caminho para uma melhor desenvoltura do trabalho em sala de aula.71 7 . aos recursos didáticos que auxiliam no estudo de determinado conteúdo. Este é um problema relacionado na maioria das vezes. não permitem qualquer atividade que não esteja no seu planejamento político e pedagógico.CONSIDERAÇÕES A Cartografia é uma ciência de fundamental importância nos estudos de Geografia. seus estudos em sala de aula vêm sendo banalizados. Entre os fatores que podem viabilizar tais dificuldades são: • Problema do Estado que organiza e impõem as escolas a receber em média 50 alunos em cada sala de aula. impossibilitando nestas condições. Assim. Nesta perspectiva e necessário avaliar a proposta de oficinas pedagógicas. Embora a Cartografia tenha grande significado no ensino. conceitos necessários para interpretação e construção de mapas. Apesar das oficinas pedagógicas permitirem um bom desenvolvimento metodológico.

como ensinar cartografia para os alunos do ensino fundamental. para o seu desenvolvimento. ou seja. físicos e financeiros). A real necessidade da atualidade é de propor oficinas pedagógicas que façam uso dos novos sistemas tecnológicos. pode-se inserir esta técnica dentro do ensino de Cartografia. que vale enfatizar que este trabalho teve como idéia inicial. De grande relevância no desenvolvimento dos conceitos cartográficos. baseou-se nas idéias de alguns teóricos assim como de Simielli e Almeida. Muito embora várias pesquisas vem sendo realizadas nos centros universitários ou em outras instituições. Há também uma grande necessidade de pesquisas sobre este recurso didático. A educação no Brasil é ainda um grande obstáculo que devemos enfrentar.72 • Resistência por parte do professor em criar. a elaboração de uma oficina pedagógica que relacionava geoprocessamento e ensino de Cartografia. esta idéia teve que ser abandonada já que muitas escolas não disponibilizavam de tal recurso. tecnológica. Os estudos da ciência cartográfica. dentro de uma perspectiva atual. . Pela temática o trabalho necessitaria da utilização de computadores. não podem ser realizada nas escolas de ensino fundamental e médio ou ate mesmo em Universidades pela falta de recursos (materiais. principalmente estudos que unam a construção dos conceitos cartográficos com base na tecnologia. sobretudo. a produção dos conceitos cartográficos não envolve a utilização dos sistemas tecnológicos. hoje com a tecnologia e a facilidade de se utilizar qualquer software para construir mapas entre outros produtos cartográficos. garantindo assim. teremos apenas que sonhar. maiores possibilidades do aluno de obter conhecimentos. É dentro desta perspectiva. mas sem dúvida enquanto não houver administradores que tem uma visão de colher frutos no futuro e não apenas nos seus mandatos. ou planejar atividades arrojadas fora do cotidiano da sala de aula. pois. Assim. e ainda para qualquer que seja a faixa etária dos alunos. idéias muito boas. suas terorias permanecem “estáticas” no tempo.

73 REFERÊNCIAS ALEGRE, M. Considerações em torno da natureza da Cartografia. In: Boletim do Departamento da Geografia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente. Ano 1,nº. 1, set/dez, 1994. ALMEIDA, R. D.; BIONDI, M. I. M. F. In: Desenhar hoje para ler mapas no futuro. NEGRÃO, P. Disponível em: http://novaescola.abril.com.br/ed/168_dez03/html/desenhar.htm. Acesso em: 12/10/2006. ALMEIDA, S. P., ZACHARIAS, A. A. A Leitura da Nova Proposta do relevo brasileiro através da construção de maquete: o aluno do ensino fundamental e suas dificuldades. Estudos Geográficos, Rio Claro, 2004. Disponível em: www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm. Acesso em: 06/10/2006. ARCHELA, R. S., BARROS, M.V.F., MARQUIANA, F. V. B. G. Orientação no mapa e pelo mapa. Revista do Departamento de Geografia da Universidade de Londrina, v.13, n.02,2003. CALLAI, H. C. Aprendendo a ler o mundo: A Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Campinas, vol. 5, 2005. Disponível em: www.cedes.unicamp.br. Acesso em: 03/09/2006. ________. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2003. CANDAU, V. M. Direitos humanos, violência e cotidiano escolar. In: Reinventando a Escola. CANDAU, V. M. (org). Petrópolis: Vozes, 2002, p. 137 – 166. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/veracandau/candau_dhviolencia.html. Acesso em: 25/08/2006. CARLOS, A. F. A geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999. CASTRO, I. E. Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. CASTROGIOVANNI, A. C. O misterioso mundo que os mapas escondem. In: Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1999. CAVALCANTI, L. de S. Proposições metodológicas para a construção de conceitos geográficos no ensino escolar. Campinas: Papirus, 1998. DAMIANI, A. L. A Geografia e a construção da cidadania. In: A geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999. FRANCISCHETT, M. N. A Cartografia no ensino de Geografia. Rio de Janeiro: Kroart, 2002.

74

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75 APÊNDICE

Instituição que você leciona? Privada – Pública –

Questionário

A cartografia é um recurso fundamental para o ensino de Geografia, isto porque os fenômenos representados pelo mapa permitem ao aluno a compreensão e a percepção do espaço geográfico. Nesta perspectiva, este trabalho tem por objetivo, investigar os materiais didáticos utilizados em sala de aula, e a questão das oficinas de ensino de cartografia.

1 – Você utiliza o livro didático em sala de aula? Sim Não Qual? 2 – O livro didático é utilizado como material principal, ou apenas como apoio? Material principal Como apoio 3 – Além das atividades sugeridas no livro didático, você elabora outras? Sim Não Exemplo 4 – Ao desenvolver suas atividades dentro da sala de aula há utilização de mapas? Sim Não Raramente

a) Sim. as oficinas de ensino representam também um recurso que estimula a curiosidade do aluno. Há construção deste recurso no decorrer das suas aulas? Sim Não 9 – Qual a maior dificuldade para a criação de uma oficina? a) Falta de incentivo da escola b) Falta de recurso. sempre b) Não. 6 – Você utiliza com seus alunos fotografia aéreas e imagens satélites? Sim Não (Porque?) 7 – Você realiza trabalho de campo com seus alunos? Sim Não 8 – Para enriquecimento do trabalho em sala. pois a escola não possui este recurso.76 5 – Você utiliza com seus alunos algum recurso de informática na construção de mapas. c) Raramente. quando há disponibilidade de horário no laboratório de informática da escola. assim como materiais para sua elaboração e aplicação. c) Disposição de tempo 10 – Você utilizaria a seguinte oficina de ensino para os do Ensino Fundamental? Sim Não (porque?) .

ou seja. para limpeza. • · Pincéis grande (tamanho 22) e pequeno (tamanho 8). • · Faca de ponta redonda (para mexer massa corrida). Sua elaboração como representação reduzida do território brasileiro visa transformar o método de ensino. • · Caixa de vela branca (para aquecer ponta – alfinetes ou estiletes). “ensinar para aprender” de maneira prática alguns conceitos da disciplina geográfica. serão necessários os materiais abaixo destacados: • · Placas de isopor (espessura 0. • · Lixas finas. • · Agulhas de costura e alfinetes de costura. • · Prato plástico grande (para preparo de massa corrida). • · Latas de massa corrida (900ml). no Brasil. Material necessário: Para a realização desta oficina. para forrar mesas. através de leitura de mapas e das curvas de nível.Aula introdutória sobre os conceitos cartográficos: a importância da curva de nível para a representação do tridimensional no plano e. Objetivos: • • Construção de uma maquete do relevo brasileiro. • · Canetas Esferográficas velhas (para suporte de alfinetes).77 OFICINA: A Geografia através da Construção de Maquetes A construção de maquete é um procedimento didático que estimula o aluno a transformar o bidimensional para o tridimensional. • · Copo plástico grande (para água). para suporte da vela. sobretudo as diferentes propostas de classificação do relevo para definir as áreas de planaltos. • · Jornais velhos. Procedimento: 1 .5 mm). Os modelos tridimensionais propiciam o desenvolvimento da percepção e diferenciação de escala horizontal e escala vertical. • · Sacos plásticos de lixo. Desenvolver no aluno a compreensão espacial do território e suas características topográficas. • · Caixa de fósforos. . • · Folhas de papel manteiga. planícies e depressões. • · Pirex.

picos. É a escala horizontal que estabelecerá a relação entre as medidas do terreno (real) e as do mapa (representação gráfica). iniciar os recortes das placas de isopor com a utilização de uma agulha com ponta aquecida e iniciar a colagem das placas. para preencher os intervalos entre os degraus das placas. escala vertical pretendida. 5 – Retirada às informações necessárias da base cartográfica. Recomenda-se que a cada curva de nível seja atribuído um colorido. portanto. iniciar a construção da maquete brasileira.Preencher as placas de isopor com massa corrida. Em seguida inicie o acabamento com tinta látex . 4 .Escolher o mapa base . 3 – Finalizada a base cartográfica.Construir a base cartográfica da maquete: . para facilitar sua diferenciação pelos alunos.Após as delimitações das hipsometrias passar para a transposição das curvas para as placas de isopor.Retirar as curvas de nível. é fornecer além das informações bidimensionais. 6 . tais como: drenagem. a proporção da maquete (tamanho).78 2 . pelo qual consiste em novas ampliações do mapa original para a delimitação da escala horizontal da base cartográfica. junto com outras informações necessárias. delimitações dos estados. para ser superposta ao mosaico correspondente à nova proposta do Relevo Brasileiro. em um papel transparente (seda ou manteiga). A espessura da placa de isopor deve ser escolhida de acordo com as eqüidistâncias das curvas e.Construção do mosaico. Assim retirar os valores correspondentes às curvas de nível separadamente. Seu objetivo. compartimentos geomorfológicos. etc. Em seguida transpor em material transparente as informações do mapa físico. . através da extração do desenho das curvas de nível e das demais informações.