04 de agosto de 2011. RESUMO: HERISSON BARBOSA PEREIRA Palmeira dos Índios. P.ERA VARGAS: IMPACTO NA POLÍTICA ATÉ A DITADURA MILITAR DO TÍTULO ORIGINAL: DA INDEPENDÊNCIA A LULA: DOIS SÉCULOS DE POLÍTICA BRASILEIRA BOLÍVAR LAMOUNIER AUGURIUM. 2005. 103-135. .

não oferecia ambiente propício para o surgimento de lid erança carismáticas.do Estado. é necessário observar o pano de fundo histórico do período. Os quinze anos iniciais. ou nas palavras de LAMOUNIER: 2005. para observar-se como foi possível o desenvolvimento de tal postura política adotada por Vargas. a ascensão dos militares. que viria a caracteriza -la ao longo do restante do século. A Primeira República. Contudo. Antes limitado a trocar apoio num restrito círculo oligárquico. E para. proceder-se uma análise que tencione mensurar o impacto de Vargas no de período Getúlio referido. de maneira coerente. se não que tenha sido o centro de tal instabilidade. política é preciso tem estabelecer relação que com a a trajetória na estreita persistente instabilidade política daqueles 34 anos. ano de sua morte.Era Vargas: impacto na política até a ditadura militar. Uma vez empreendida contra o domínio oligárquico dirigente da República Velha. Exerceu diretamente o poder de 1930 a 1945 e novamente entre 1950 e 1954. a influência do getulismo na política brasileira permaneceu forte até. por um lado. da Revolução ao fim do Estado Novo. devem ser entendidos como um processo de construção . a "construção" getulista alterou em sua própria natureza os mecanismos de poder do paí s. muito menos havia . em 1964. o processo político passaria a ter como energia vital a devoção de massas populares à pessoa do presidente. a autoridade presidencial adquiriu a conotação marcadamente populista. plebiscitária. Contudo. Segundo ele.ou reconstrução . com o objetivo de conter tendências feudalizantes que corroíam o preexistente Estado patrimonialista. no mínimo. Durante a Era Vargas. Getúlio Vargas é uma das figuras mais emblemáticas da história política brasileira. o uso do termo plebiscitarismo é mais adequado por se referir especificamente à tentativas de mobilizar apoio popular com o recurso para contornar ou suprimir restrições institucionais.

Basta recordar que. Vargas não se beneficiava de uma prévia popularidade. 1891. e este eleitorado encontrava -se disperso em pequenos municípi os e localidades rurais. por um calculado investimento em propaganda. expressando a aprovação popular à políticas concebidas e implementadas por um pequeno círculo. muito menos de uma relação de massas da qual se pudesse valer para formar um capital político pessoal. o g overno provisório chefiado por Vargas iniciava o processo de fixação de . civil e militar. já que no máximo 5% dois cidadãos compareciam de fato às urnas. e por um regime ditatorial. Ademais. A "carismatização" de Getúlio é. E em 1930. até 1937. Aos poucos. desta forma. Pondo-se a parte o caráter revoluci onário da ruptura com a República Velha. é preciso salientar que propostas de centralização do poder e ampliação do setor público já vinham ganhando corpo bem antes de de 1930. um processo simultâneo de legitimação e personalização do poder. e de crescimento econômico. mais tarde.ficando a condição de chefe militar da Revolução entregue a Vargas em função de negociações políticas. na eleição presidencial de 1930. com base em resultados substantivos e. daí até 1945. pelas quais tal chefia seria confiada ao governador do Rio Grande do Sul. portanto. um fenômeno gradual e posterior à 1930. Disseminava-se o federalismo a convicção de da que a constituição exacerbado Primeira República e a doutrina econômica liberal conduziam a nação à uma virtual anarquia. Por outro lado. Vargas foi derrotado por Júlio Prestes. medidas adotadas como resposta de curto prazo ao abalo causado pela crise de 1929 preconizavam a tendência a um nacionalismo autárquico. Foi. o capital de apoio popular amealhado por Vargas foi canalizado para esforços de robustecimento da burocracia pública. O movimento revolucionário heterogênea de daquele ano foi da deflagrado elite política por uma aliança e dissidentes intelectuais militares . candidato indicado pelas oligarquias dominantes.circunstâncias favoráveis à esquemas de arregimentação de massas por parte das oligarquias.

então. ganharão força a partir de 1935. No entanto. Esse legado institucional pode ser visualizado como um tripé. seriam sentidas sobre a forma de pressão política sobre Getúlio. foi dado o empuxo para as mudanças em toda a estrutura do governo: expansão do ap arelho burocrático. mas delas retirava alguma inspiração. O marco inicial deste processo foi a resposta repressiva aos movimentos comunistas e integralista e. às LAMOUNIER dava devido desconto doutrinações autoritárias. agora centralizado. consequentemente. a faci litar ou o seja. o "consociativismo" e o corporativismo. surgiram por fim organizações partidárias de âmbito nacional e as eleições se tornaram competitivas. Assim. de direita e esquerda. Graças também é a Constituição de 1946. Algumas delas integram até hoje o Estado Brasileiro. por fim. criação de órgãos técnicos. do Novo Estado e do novo papel como chefe. Essas duas imagens.uma nova soberania. O próprio fascismo ascendente lhe sugere um papel político de um chefe por vontade própria e não por ligação dos líderes regionais. profissionalização das Forças Armadas. O segundo requisito era a acomodação do poder centralizado à preexistente complexidade política do país. particularmente do endosso popular à supressão da "Intentona Comunista". E mesmo aceitando a convocação da Assembleia Constituinte. o adensamento da devoção plebiscitária a Getúlio. O processo sucessório passou de fato a depender de um "mercado político". a postergação da normalização constitucional criaria turbulências que. O primeiro desafio consistiu em consolidar o poder presidencial em sua nova feição. Tal acomodação evoluiu no sentido mais "consociativo". de ordenamen tos e organizações criados como respostas consistentes a três desafios políticos: a presidência plebiscitária. acesso numa de trama institucional inclinada minorias . Vargas já esboçava uma nova sustenta concepção que ele de Estado o em seu espírito. muitas mudanças procederam da Revolução de 1930 e do Estado Novo. De fato.

com estrita regulamentação da primeira. O que este quadro demonstra é que o Brasil dos anos 50 estava dividido por uma profunda fragmentação. estimulou o individualismo político e ema fragmentação partidária. o . Entretanto.políticas às instâncias de representação do que formar maiorias governativas consistentes. Tal formato democrático. visto como seu herdeiro político. o Estado confere monopólio de representação de uma dada categoria. Foi notável o impacto getulista. rachado ao meio pelo antagonismo entre getulismo e antigetulismo. um embrião da democracia "consociativa". Autoritário. Pelo sistema corporativista. em determinada circunscrição geográfica. na renúncia de Jânio. Juscelino Kubitschek. delimitando o âmbito legítimo da ação sindical. nosso sistema instituciona l. o fulcro da construção getulista foi a separação das políticas sindical e partidária. e porque líderes políticos de perfil trabalhista se viam tentados a explorar o potencial de mobilização dos sindicatos para fins políticos ou eleitorais. Vargas não conseguiu efetuar a autotransformação do Estado Novo. nem de balizar a eleição de 1960 num sentido favorável à suas políticas. que abriga todos os elementos do modelo consociativo. a um sindicato apenas. mas a elas em parte se acomodaria. Assim. sem dúvida. por mei o de uma nova legislação eleitoral: o Código Eleitoral de 1932. o Estado Novo se tornaria autônomo em relação às oligarquias. e se o segundo governo (1950/54) repleto de dificuldades veio a culminar na crise político militar se em sua morte. Por outro lado. no Brasil. sempre tratou de proteger minorias política e regiões mais frases economicamente. Fator decisivo foi. em 1945 aquele conjunto de circunstâncias já não trabalhava a favor de Getúlio. O terceiro requisito correspondia a regular o conflito entre capital e trabalho. o corporativismo foi continuamente postos em questão porque sindicalistas (pelegos) com frequência não conseguiam exercer sua função de delimitar e amortecer as reivindicações. não foi capaz de fazer sucessor. contudo. mas não totalitário. Assim.

grau em que Jânio se deixou imbuir pela visão plebiscitária da política. .

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA LAMOUNIER. São Paulo: Augurium. 103-135. . p. 2005. Bolívar. Da Independência a Lula: Dois sécul os de política brasileira.