SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo USP (Universidade de São Paulo), novembro

de 2009

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O jornal na tela ou a tela no jornal? A influência das interfaces tecnológicas no suporte impresso
Adriana Santiago1

Resumo: O artigo se propõe a observar como a tecnologia e os novos modos de leitura hipertextual se relacionam nos projetos gráficos atuais do jornal impresso, tomando como objeto de análise a reforma gráfica ocorrida no jornal Correio da Bahia, em 2008. Na contramão da maioria da pesquisa recente, que aponta para a informação on-line e colaborativa como a próxima fase do jornalismo, este estudo observa como estão se portando os meios já consolidados e volta o olhar para a sobrevida dos jornais impressos e como resistem à ampliação da internet como fonte de informação Palavras-chave: jornalismo, modos de leitura, hipertextualidade, jornal impresso, Cor-

reio*

1. Introdução
Diante do mercado mundial do jornal impresso, é preciso que as empresas reinventem seus produtos. E isto está acontecendo, na América do Sul onde tem surgido o fenômeno dos jornais populares “de qualidade”, de formato mais ágil, mas sem o apelo sensacionalista dos tablóides. “Especialistas afirmam que novas faixas de leitores podem ser conquistadas e que o fenômeno da leitura rápida impulsionado pela Internet contribui para a circulação de edições mais simples e ágeis” (Seligman, 2008). Desta maneira, os novos projetos gráficos têm conquistado importância para os jornais no mundo, juntamente com as redações integradas, dentro do processo de renovação e sobrevivência do mercado editorial. Isto inclui as ferramentas que tentam pro1

Professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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mover ou simular uma interatividade através do e-mail ou telefone. O símbolo @, um ícone da internet, difundiu-se e consolidou-se no papel jornal, quer seja nos endereços de e-mail de seções e de jornalistas, ou títulos de colunas e até de manchetes. É a dinâmica do meio impresso latino-americano que tem se apropriado das naturalizações de ícones e metáforas, produtores de sentido disseminados pela internet, para aplicá-los às diagramações modernas. “Deixar disponível o e-mail do jornalista ou da editoria deixou de ser um adereço, e passou a ser uma forma de retorno sobre o impacto do texto no receptor” (Freire, 2007, p.157). Este artigo é ilustrado com o caso do antigo jornal Correio da Bahia, hoje Correio*, a fim de tentar compreender como se relacionam os novos modos de leitura naturalizados pela web2 e o redesenho do jornal impresso. O jornal modificou completamente sua enunciação em 27 de agosto de 2008, e a transformação radical incluiu novo nome, formato, projeto gráfico, reestruturação da redação e modelo de negócio. O suporte mudou de formato standard para berliner, bem mais compacto; e optou pela paginação contínua (sem cadernos), como as revistas, reduzindo drasticamente o número de editorias. O formato berliner, um pouco maior que o tablóide, sugere uma diagramação mais horizontalizada (como as telas de computador), exige os textos menores e o uso de infográficos e imagens como forma de otimizar o conteúdo. “A forma do tablóide se inscreve em uma transformação da superfície do jornal que, historicamente, passou de um suporte monótono e entrópico - era o discurso que estava ordenado - a um relevo cada vez mais “fissurado3” (Mouillaud, 2002, p. 206). As editorias tradicionais deram lugar a quatro seções: 24 horas, com notícias rápidas e variadas; Mais, com matérias completas sobre Salvador, Brasil, economia e política; Vida, com reportagens sobre comportamento; e Esporte, destinada à cobertura esportiva. Aos domingos tem a seção Bazar & Cia, com matérias sobre moda, TV e variedades. O único suplemento é o Classificados. Este formato é chamado de ‘acordeom’, no qual o assunto ocupa espaço no jornal de acordo com a sua importância ou demanda.

A rede mundial de computadores é tratada neste trabalho, assim como Palacios & Mielniczuk (2002) como ‘web’, que faz parte de um universo virtual ainda maior que é a internet. 3 Mouillaud pontuou que a expressão “fissurado” é de Eliseo Verón, Communication, n. 28, 1978.

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A primeira edição saiu com 64 páginas. Esta opção de formato, sem a hierarquização por assunto, ou tema/editoria, também se assemelha às páginas iniciais dos websites de notícias. Na análise a ser apresentada aqui se tomou como recorte a edição de inauguração da reforma, dia 27 de agosto de 2008 (Figura 1), a partir dos elementos que esta pesquisa pressupõe incorporados da internet pela reforma gráfica. Serão consideradas também as edição de um dia antes e um dia depois do marco da reforma gráfica, onde estão explicados ou aplicados os conceitos básicos do novo projeto gráfico. Os recursos da análise de discurso serão utilizados para “descreFigura 1 - capa

ver, explicar e avaliar criticamente os processos de produção, circulação e consumo dos sentidos vinculados àqueles produtos na sociedade” (Milton Pinto, 2002, p.13). Como operadores de análise optamos pelo nome do jornal, as cores e os paratextos. Tomaremos em comparação os estudos sobre o nome do jornal feitos por Maurice Mouillaud (2002); sobre os operadores mais marcantes da web a partir do design de jornal por Eduardo Freire (2007) e sobre os elementos para a produção de sites de webjornalismo por Maria Bella Pallomo Torres (2005). Pallomo Torres roteiriza a construção de sites jornalísticos e dá sugestões para uma estrutura editorial com vertente minimalista, pois acredita que a credibilidade de uma web está relacionada com a sua aparência e funcionalidade do site. Um dos conselhos da autora é “que se deve evitar as extravagâncias de um desenho digital que superestime a familiaridade media do usuário com a tecnologia” (2000, p.189). Assim, confirma que, na web, tem-se que trabalhar com metáforas que possibilitem uma naturalização da página pelo usuário. Conselho aproveitado pelos jornais. Outro ponto destacado pela autora é a escassa paciência do internauta. Cita as pesquisas empíricas de Jacob Nielsen ao estimar que um cibernauta destine menos de dois minutos para um site antes de abandoná-lo e, por isso, recomenda que sejam encontrados meios de prolongar esta visita. A pesquisa que aqui se explicita busca, assim,

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observar se os conceitos básicos do webjornalismo foram levados para os projetos gráficos do jornal, que divulgam sua aposta em leituras que variam de “5 a 50minutos”4, com metáforas icônicas e de formatos de fácil assimilação, e janelas que resumem o conteúdo. Eduardo Freire também explica esta velocidade.
Uma das vantagens da fragmentação é possibilitar diferentes velocidades e níveis de profundidade de leitura. O leitor com menos tempo (ou interesse) pode ser minimamente contemplado na sua necessidade por informação lendo os títulos, aberturas, olhos e peças: mais velocidade e leitura superficial. Ou pode ler a matéria completa e ter uma informação mais detalhada: menor velocidade e leitura aprofundada. (Freire, 2007, p. 158)

O nome do jornal é um operador de análise muito bem conceitualizado por Mouillaud, porque é a porta de entrada do leitor para o dispositivo. É através da análise do nome do jornal que se tenta compreender seu posicionamento discursivo e a quem este discurso se destina.

“O nome do jornal aparece como uma forma dotada de várias

funções: título dos títulos, assinatura, nome próprio, enunciador (cujo status não é o mesmo segundo o jornal). O nome do jornal é um operador simbólico, um olho aberto sobre o mundo, que é intercambiável com o olho do leitor ao qual dá o poder de ver” (Mouillaud, 2002, p.26) Outro operador de análise é a cor, pois em um projeto gráfico, quer seja de uma página web ou de um jornal impresso, não se pode deixar de considerar os efeitos das cores, pois é um dos ingredientes básicos para indexação e realce.
... as cores no jornal têm duas funções específicas: estabelecer sintaxes e relações taxionômicas. A cor organiza, chama a atenção, destaca, cria planos de percepção, hierarquiza e direciona a leitura, mas também estabelece relações semânticas que podem ambientar, simbolizar, conotar ou denotar algo. Assim, é possível inferir qual a razão do uso de uma determinada cor, quais as intenções do produtor do discurso; se há sinceridade ou tentativa de manipulação ao aplicar uma determinada cor em um dado elemento ou fotografia. (Freire, 2007, 81)

Os paratextos do jornal são os títulos, legendas, quadros, box, frases, infografia e fotografia, ou seja, os textos complementares e as entradas e janelas amplamente utilizadas no jornal impresso. Na web estas imagens são complementares, a prioridade ainda
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Slogan da última reforma gráfica da Folha de São Paulo, em 2006, era “Um jornal em duas velocidades – 5 minutos ou 50: mais navegação”. Disponível no site http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/novoprojetografico/0001.shtml . Acessado no dia 10/03/2009

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é o texto e os links para hipertextos (Pallomo Torres, 2005, p.211). No impresso, por sua vez, estes elementos têm conquistado cada vez mais importância. Porém, a produção de sentido nas duas mídias é feita pelo conjunto.
Influenciado pela enunciação da Internet, o texto no jornal impresso atual apresenta “janelas” de conteúdos. O jornalista contemporâneo deve ter a visão do texto como um todo, e ter também a capacidade de dividi-lo em múltiplas facetas, em matérias coordenadas que se interconectam pelo design da página, como um hipertexto com seus links. Pequenas peças são distribuídas dentro do espaço da notícia. F Cada fragmento do mosaico que é a página apresenta um aspecto do enunciado. Tanto pode ser um número destacado quanto à opinião de um especialista no assunto tratado, quanto uma análise do próprio jornal, ou uma peça que resgate a memória de um fato (Freire, 2007, p.157)

2. O nome do jornal
Ele não será considerado como um enunciado isolado e autônomo, mas como um enunciado que aparece no jornal em locais bem determinados, lugares de onde não se pode extraí-lo sob pena de perder seu sentido (Mouillaud, 2002, p.86).

Mouillaud dedicou um capítulo ao nome do jornal, porque é “um enunciando que é ao mesmo tempo mínimo e dominante” (2002, p.85). O autor afirma a importância para a pesquisa, porque o nome do jornal só faz sentido em concorrência com os outros. Sem esta concorrência perde seu nome e vira o jornal. “O nome-de-jornal não é mais objeto da leitura, torna-se seu envelope” (2002, p.86). Porque o nome, a palavra, deixa de ter seu sentido semântico e passa a ser uma espécie de contrato, de pacto com o leitor. No caso do Correio da Bahia, o nome não se refere à Empresa de Correios e Telégrafos encarregada de levar mensagens individuais aos respectivos destinatários na Bahia, mas no contexto de um jornal que leva informação para toda a sociedade baiana. Segundo informações do editor-chefe, Rodrigo Cavalcante5, pesquisas aplicadas com leitores e não-leitores antes da reforma apontam uma identificação do jornal com um grupo político, o que comprometia o aumento das vendas. Em seus 30 anos de existência, o Correio da Bahia consolidou uma imagem conservadora e muito próxima ao líder Antônio Carlos Magalhães (ACM), falecido em 2007. Esta aproximação política colocava em xeque a credibilidade do dispositivo, uma vez que isenção e a busca pela objetividade é uma característica importante no jornalismo. Isso o deixou, por anos,
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Entrevista em 4 de dezembro de 2008.

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com participação tímida no mercado em relação ao concorrente ‘A Tarde’. Um dos objetivos da reforma gráfica ocorrida em agosto de 2008, um ano após a morte de ACM, era uma ruptura radical e geral. Para marcar essa ruptura, o primeiro aspecto que foi modificado foi o nome do jornal. O Correio da Bahia passou a se chamar apenas Correio* (Figura 2), com asFigura 2 – novo nome

terisco, uma marca francamente utilizada pela web, com o objetivo de se aproximar da geração que utiliza o novo meio de forma nativa. Nos mecanismos de busca Google, hoje o mais conhecido da web, o asterisco entre as aspas substitui qualquer palavra de uma frase, ou ainda na busca do gerenciador Windows substitui qualquer extensão de programa. Ou seja, um simples asterisco significa que o Correio* pode ser o que leitor deseja. Além disso, abre um leque de possibilidades informativas e de amplitude no alcance informativo. Um uso simplificado, e mais difundido ainda, é a maneira como os jovens nos chats adotaram o asterisco logo após o sinal de igual (=*), que significa um beijo, uma proximidade, que em uma análise mais ampla pode remeter à criação de uma comunidade de leitores. Mas é um caminho extremamente subjetivo a seguir. O asterisco, inclusive, foi explicado na edição do dia 30 de agosto, na seção leitores em resposta a uma estudante de design. “O asterisco é apenas um símbolo gráfico que indica que há sempre mais coisas a dizer”, o que confirma o percurso do sentido que pressupõe uma naturalização do asterisco como símbolo amplo de busca. O nome do jornal também serve para marcar a unidade da série, filiada ao modelo de referência identificada por um projeto gráfico. Porém o paradigma do jornal é a novidade cotidiana, cada dia um novo jornal, que se transforma na coleção a partir do nome e de suas características não-verbais traduzidas pelo projeto. “O exemplar por si não tem identidade; sua identificação só pode provir do contexto e do uso; ela lhe é adicionada por marcas que não pertencem ao jornal em si (são impressões – dobras, manchas, marcas diversas – que vêm a eles através do seu uso)” (Mouillaud, 2002, 87).

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O autor ainda aborda a disseminação do nome na maneira como o jornal se autoreferencia ou utiliza o logotipo ao longo das páginas, a fim de constituir uma identidade, mas não deixa de tratá-lo dentro do sistema de títulos, como o título dos títulos. “A totalidade dos títulos é coberta por um título único. Por sua posição, este funciona como um fecho de abóbada, que assegura o fechamento dos títulos e que a todos sustenta. Por seu nome, o jornal se fecha sobre si mesmo. Nele, o conjunto de títulos encontra uma unidade” (Mouillaud, 2002, 91). No Correio*, o nome do jornal se destaca na primeira página, em cores branca ou preta, mantendo a localização na página, pelo menos no primeiro momento de repactuação com o leitor, assim como o ‘Bahia’ do slogan “*O que a Bahia quer saber”. Esta constância demonstra a necessidade de reafirmar a marca na apresentação do dispositivo e sua nova face de modernidade. Nas páginas internas, por sua vez, o nome não assume a mesma importância e delega-se ao asterisco a função de dar unidade no início de cada seção do jornal. No restante das páginas o nome aparece bem pequeno acima, sem forma de logomarca, deixando o destaque para a divisão das quatro seções. Na primeira (Figura 3), chamada de 24h, praticamente não existe a
Figura 3 - asterisco

hierarquização típica dos jornais impressos tradicionais, pois não tem uma manchete de página destacada. A diferença de corpo nos títulos é bem pequena, em algumas páginas inexistentes. Mas o valor-notícia pode ser avaliado pela posição da página; pela foto ampliada, independente da posição; e pelo quadro azul ou bege para destacar uma notícia em meio ao mosaico de informações. A única sistematização que segue um padrão é o esquema de cores que separa as editorias, e resulta em uma diversidade de informações fragmentadas. Um detalhe a mais sobre o nome do jornal em questão, que já remete ao segundo operador de análise: a cor. O asterisco é da mesma cor vermelha do ‘Bahia’ da frase “O que a Bahia quer

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saber”, frase que acompanha o logotipo, o que destaca a multiplicidade do Estado e da necessidade de informação que o jornal pode oferecer.

3. A cor
A cor é dentro do projeto gráfico de um jornal um importante elemento de hierarquização, de atração do olhar e de produção do sentido, se colocando como um importante operador de análise do discurso. Para o estudo do jornalismo, a cor deve ser observada como um elemento de informação, um elemento da linguagem não-verbal. Seus significados são icônicos, logo simbólicos e culturais.
“As cores não devem ser usadas, ou avaliadas, de forma isolada, mas sempre em relação com os outros componentes do dispositivo, envolvendo o contexto estético, o ambiente cultural, as limitações técnicas e ideológicas, o conteúdo da informação em si, as diretrizes e condicionantes que determinam, consciente ou inconscientemente, o uso da cor no jornal ou revista”. (Freire & Holanda, 2008) Figura 4 – guia de cores

Os autores ainda afirmam que “as cores num jornal ou revista têm duas funções específicas: estabelecer sintaxes e relações taxionômicas”. Ou seja, a cor organiza, destaca, hierarquiza e direciona a leitura, mas “também estabelece relações semânticas que podem ambientar, simbolizar, conotar ou denotar algo”. No caso do Correio*, as cores são imprescindíveis para demarcar as editorias, principalmente na sessão 24h, que o próprio jornal classifica como o “resumo completo das notícias do dia. Leitura rápida e objetiva”6 que ocupa seis das 64 páginas da edição analisada.
“O projeto gráfico do jornal define qual a tipografia a ser utilizada, esquema de cores, hierarquia das informações, e está contido em um contexto analisável. A partir do momento que esses elementos são colocados dentro dos padrões do projeto gráfico e adquirem uma significação, passam a agir como enunciados, ou produtos de uma enunciação específica, e a constituir o dispositivo de enunciação do jornal, que, por sua vez, está contido dentro de um gênero de discurso específico: o discurso jornalístico de impresso diário, que ainda pode ser contido dentro de sub-gêneros como o impresso diário popular, ou impresso diário de referência etc” (Freire, 2007, 19-20).

Texto do Guia de Leitura colocado na página 2, da edição inaugural do projeto no dia 27 de agosto de 2008.

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No projeto gráfico do Correio*, na seção 24h se deduz a hierarquização por editoria a partir das cores da palavra em destaque que vem antes de começar a notícia propriamente dita, e funciona como um antetítulo. A palavra “protesto”, em caixa alta, que inicia a matéria na página 3, intitulada “Arte contra a violência na UFBA”, está em rosa porque se refere à subseção ‘Salvador’, assim como todas as oito matérias da página seguinte, incluindo a matéria “Acusadas de fraude alegam inocência” destacada em um quadro azul ciano. Nesta matéria, a palavra “estelionato”, que precede o texto, também está em rosa. E assim se segue, com a seção Brasil em verde bandeira, Economia em amarelo, Mundo em azul, Esporte em azul petróleo, Entretenimento/Vida em verde claro. Ou seja, o que se enuncia em divisão de apenas quatro seções diárias: 24 horas, Mais, Vida e Esporte, cai por terra ao observar o discurso das cores que mostra as editorias Salvador, Brasil, Mundo, Economia e Entretenimento ainda resistindo às mudanças. Mesmo diluídas, estão lá e bem demarcadas no Guia de Leitura logo na página 2. Eduardo Freire defende que a definição do esquema de cores se dá pela escolha do tipo de harmonia cromática a depender da sensação que se quer transmitir. As harmonizações são feitas a partir do círculo cromático onde cada cor tem o seu lugar definido. O círculo de cores vai do azul-violetado, passa pelo azul-ciano, pelo verde, o amarelo, o vermelho, o magenta e retorna ao azul-violetado. Existem infinitas cores intermediárias entre uma e outra dessas que aqui foram citadas. Mas este é o percurso mais básico das cores para nosso atual nível de discussão. Dentre as inúmeras formas de harmonizações, temos a disposição de cores próximas (cores vizinhas no círculo), opositivas (complementares), triádica (três cores em oposição mais ou menos eqüidistante), e outras. Uma harmonização de cores próximas vai apresentar uma transição de cores mais “tranqüila”, menos contrastante (várias tonalidades de verde até o azul-ciano). Podem ser também classificadas como harmonias quentes ou frias (do amarelo, passando pelo laranja vermelho até o magenta, as quentes e do verde até o azul-violeta como frias). Tais definições (quentes e frias) têm a ver com as sensações que elas transmitem: amarelo, laranja e vermelho lembram o fogo; já as tonalidades azuladas e verdes lembram água.

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Diante do exposto, é importante voltar ao foco do nosso artigo, que é a relação destas cores aplicadas nos jornais com a internet. Pallomo Torres dá a receita para um bom site, onde o branco é valorizado, “os fundos com dégradé, texturas, imagens ou tramas adicionam ‘ruído visual’ à web”. O mesmo se aplica aos jornais. Ela destaca que o azul que se identifica com a água, com a fluidez, transmite seriedade e serenidade, e é o mais utilizado pelos meios de comunicação na internet. No Correio* perceFigura 5 - quadro de matiz escuro

be-se muito a presença do azul, embora não nas seções, mas nas caixas de textos que perpassam toda a edição do periódico (Figura 5). A autora ainda afirma que as cores bege, grená e verde-escuro também são utilizadas com relação ao mundo dos negócios, “em que se deseja dar a impressão de alta qualidade, solidez e tradição” (Pallomo Torres, 2005, p. 208). E é o que se observa em várias caixas de texto na faixa que traz o tema da página nas seções, à exceção da 24h. A faixa de tema é sempre na cor grená, bem clara, separando a parte de cima da “cabeça” da seção, chamada de mezzanino, e o corpo principal da notícia ou reportagem. Pallomo Torres, inclusive, afirma que é recomendável utilizar cores de matizes mais escuros do azul, vermelho, púrpura e os mais claros se são verde, amarelo e laranja para obter bastante contraste. “No texto, a cor desaparece na maioria das ocasiões para não confundir o leitor” (p.209), opção aplicada nos dois meios. O vermelho e as cores vivas são utilizados no Correio* para chamar a atenção. É o que ocorreu com o vermelho vivo do asterisco do nome do jornal e da palavra Bahia do slogan “O que a Bahia quer saber”, e em todas as seções, com o amarelo (24h), o laranja (Mais), o verde (Vida) e o azul petróleo (Esporte).

4. Os paratextos

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A modulação do espaço é um artifício utilizado pelos designers para agilizar o processo de construção da página imprensa. É um recurso corriqueiro no design atual de jornais e revistas, como aconteceu com o Correio*, e é levado ao extremo no design de páginas web. Quando a página é dividida em módulos, mais ou menos fixos, o processo de automação fica mais fácil,
Figura 6 – página em módulos

e é imprescindível para os portais que se utilizam de programas “robôs” que substituem automaticamente os conteúdos das páginas (Figura 6). Na redação, os tamanhos dos títulos, subtítulos, chamadas e legendas são controlados para que não extrapolem o previsto pelo projeto gráfico, assim como a dimensão das fotos e anúncios publicitários que têm suas medidas controladas. Os softwares “robôs” substituem os conteúdos de acordo com a indicação dos editores, bastando para isso que cada texto, ou imagem receba um “endereço”, a indicação de um estilo preestabelecido para cada setor da página. Tal recurso é o que possibilita a atualização constante das páginas do portal. Os canais na internet cumprem, grosso modo, o papel das editorias do jornalismo impresso. São as portas de entrada para assuntos ou serviços específicos. O Correio*, com a seção 24h, criou um “canal” onde mistura as editorias, só indexadas pela cor. Inclusive a hierarquização é prejudicada pela disposição em blocos quase uniformes. A quantidade e a disposição das notícias remetem muito ao formado das páginas web. Em termos mais restritos, o hipertexto é outro fator de aproximação.
Resgatando, mesmo que superficialmente, a definição de Theodor Nelson, autor da expressão, o hipertexto constitui-se em “uma escrita não seqüencial, num texto que se bifurca, que permite que o leitor escolha e que se leia melhor numa tela interativa. De acordo com a noção popular, trata-se de uma série de blocos de texto conectados entre si por nexos, que formam diferentes itinerários para o usuário” (Nelson apud Landow, 1995, p.15) (Mielniczuk &Palacios, 2001).

Com base na noção de hipertexto de Nelson, os paratextos do jornal analisados serão, para efeito desta pesquisa, os elementos que são percebidos como blocos de textos que formam diferentes percursos discursivos. O objetivo é detectar nestes, relação com a internet e seus modos de leitura. Um “operador importante na análise de um dis-

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curso pelo design são os elementos gráficos, sejam eles signos icônicos (fotografias ou ilustrações) ou indiciais (quadros, linha, pontos, grafismos), que, na enunciação, agregam valores simbólicos” (Freire& Holanda, 2008). Restringiremos ainda mais nossa análise, excluindo linhas e pontos, como não importantes para este comparativo.

5. Signos icônicos
A fotografia do Correio* tem espaço destacado. Podem-se observar no design do jornal cada vez mais planos fechados, focado no personagem (Figura 7). Das 64 páginas da edição analisada, somente nove fotografias jornalísticas eram planos abertos. A maioria das fotografias mostrava planos fechados de pessoas, em estatuto testemunhal. Este tipo de plano aproxima-se, sobremaneiFigura 7 - fotografia

ra, da discrição de fotografia da internet por Pallomo Torres: “Predominam os planos americano e fechado dos personagens da matéria porque a forma humana é um importante foco de atração para o leitor” (2005, p.213). Freire & Holanda explicam:
A fotografia no discurso jornalístico tem dois estatutos: o da exposição do fato e o da ilustração. Na exposição, a intenção é dar veracidade ao fato apresentado. Aqui o fotógrafo mostra o que viu e a fotografia é a prova disso: tem um valor testemunhal. O outro sentido, o da ilustração, tem a ver com o que Verón denomina como fundo semântico (2004). Ou seja, a fotografia assume um papel conceitual, sua leitura se dá pelo conceito genérico ao qual ela representa naquele momento. Aproveita-se o caráter abstrato de uma imagem para representar algo que será compreendido a partir do “repertório das fantasias icônicas dos meios de comunicação de massa, no limite da decoração”, como explica Verón (2002, p. 174). (Freire& Holanda, 2008, p.9)

A ilustração segue a mesma situação e as fotografias ilustrativas surgem com mais intensidade no caderno Vida*. Contudo, também nesta seção, a fotografia testemunhal prevalece. As infografias são imagens que narram um acontecimento de forma rápida, didática e eficaz. Cada vez mais recebem destaque nos jornais. No caso do Correio* o formato berliner favorece a textos enxutos e a infografia é uma fonte rápida e eficaz de informação. Na edição pesquisada este recurso gráfico chega a tomar uma ou duas páginas inteiras, porque podem oferecer as mesmas informações das notícias de forma mais rápida e substituindo a narrativa textual formal. Podem ser compostas por desenhos,

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fotos ou por ambos. Na internet, as infografias ainda podem ser animadas e sonorizadas. São muito utilizadas para narrar fatos em que o uso de palavras demandaria um texto muito longo, ou porque se tornam mais atraentes quando apresentados visualmente.

6. Signos inferenciais
O leitor de hoje flana pela página, percorre com o olho em busca daquilo que o apetece. Tal hábito de leitura de jornais é conseqüência da influência de outras mídias, como a televisão e a Internet. Nestas o leitor navega, seja “zapeando” com o controle remoto pulando de canal em canal, ou saltando de janela em janela na web, clicando em links, sendo bombardeado por janelas e abas que se abrem à sua frente. A leitura do jornal tem se tornado cada vez mais parecida com a fruição da TV e da Internet, ou seja, cada vez mais não-linear e menos passiva (Freire, 2007, p.82)

Os quadros, boxes e grafismos são os que mais se aproximam da linguagem hipertextual da internet. No caso do Correio*, as caixas que ficam no Mezzanino, são chamadas de hiperlink, que destacam os aspectos relevantes da matéria/reportagem principal.
Elementos gráficos como quadros, linhas e pontos aparecem nos dois tipos de enunciação da revista com os mesmos usos e funções. Os quadros (ou boxes, no jargão jornalístico) têm a função de isolar conteúdos. O isolamento é uma estratégia de destaque utilizada tanto no jornalismo quanto na publicidade. Nos dias de hoje, com a influência da enunciação da internet, jornais e revistas utilizam cada vez mais os quadros, pois estes nos remetem às janelas da web, que se abrem ao clique. A vinculação de um quadro a um determinado conteúdo se dá pela proximidade, pela sobreposição ou mesmo por linhas que indicam a quem tal conteúdo está ligado. (Freire& Holanda, 2008).

Na página 2, inclusive, há chamadas para a página web www.correio24horas e a pergunta para um fórum a ser respondida pelos leitores e internautas na página web do jornal. Em todo o jornal, fases (Figura 8) são destacadas por uma tipologia diferenciada e carregam enormes aspas da matéria em questão. Nas páginas de 24h, muitas vezes estão completamente isoladas, porém identificadas por textos e/ou fotos nos moldes das revistas de variedades.
Figura 8 Frase

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7.

Considerações finais
O que se observa com esta análise é que alguns ícones, como o asterisco do Cor-

reio*, foram naturalizados a ponto de serem absolvidos pelo jornal sem que seus editores tenham se dado ao trabalho de explicar aos leitores, por ocasião da mudança gráfica. Nesta busca da agilidade de leitura, adquirida pela internet, o projeto gráfico do Correio* praticamente abandona regras de hierarquia de edição de jornais impressos, como o uso de corpo maior e fontes destacadas para as manchetes, que têm maior valor-notícia, em favor da rapidez de leitura da seção 24h. Aos olhos da pesquisa, esta miscelânea de notícias resulta confusa e, em alguns dias, à beira do caótico. Notícias importantes, como uma operação da PM na zona sul do Rio de Janeiro, ter apenas um parágrafo de texto e o dobro em tamanho de fotografia, rompe com a regra de edição de texto. A fotografia no Correio* ganha um valor-notícia maior e não obedece as regras de tamanho de titulação ou disposição da página, como historicamente se constitui a diagramação do jornal. A pesquisa aponta para um detalhamento da função do hipertexto no webjornalismo, principalmente quando cada vez mais a função da memória se impõe aos estudos futuros do jornalismo. Contudo, não se pode negar que a internet absorveu conceitos dos meios já existentes e os desenvolveu às suas necessidades. O acesso cada vez mais amplo possibilitou uma naturalização de linguagem e modos de ler que, agora, influenciam o jornal impresso, algumas vezes para melhorar a leitura com uma boa conjunção de texto e paratextos que aprofundam a informação jornalística e, outras vezes, como a seção 24h do Correio*, para uma pincelada de pequenas notícias que informam de uma maneira superficial, quando não confundem o leitor. É a partir das marcas utilizadas na web (ícones, metáforas, hipertextos, informação fragmentada) e naturalizadas na rotina dos leitores, que se entende como a tecnologia se relaciona com os novos modos de leitura que estão sendo cada vez mais considerados nos redesenhos do jornal impresso. “Acredita-se, portanto, que a compreensão de leitura não é orientada apenas pelas marcas gráficas do texto, mas, sobretudo, pelo que

SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo USP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009

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estas marcas têm a dizer e pelo modo como o leitor apreende e interpreta a intenção pretendida pelo autor” (Ferreira &Dias, 2004, p. 447). Neste ponto, porém, é importante lembrar Chartier que comentou (há sete anos) ser um momento de desafios a enfrentar, uma vez que, agora, os leitores estão utilizando telas que ainda transmitem a mesma cultura escrita dos livros e jornais. Muito mudou neste período. A linguagem da web está cada vez mais icônica e fragmentada, o que nos remete à lógica hipertextual, quando um texto liga a outro e a outro para aprofundar a informação. Hoje estamos assimilando, através da tecnologia, uma forma de leitura cada vez mais não-linear, que também pode ser atribuída à atual abundância de informação. “A Internet chega para influenciar definitivamente o modo de ler jornais. A miscelânea de produtos informativos à disposição do cidadão faz com que o jornal perca um pouco sua importância como meio primário de informação” (Freire, 2007, p.47). Chartier também chama a atenção para as possibilidades que a tecnologia nos oferece a toda hora, modificando os hábitos do cotidiano e, por conseqüência, de leitura. A escrita, que por anos e anos foi estável, agora sofre franca e rápida adaptação. “Ainda não sabemos como essa nova modalidade de leitura transforma a relação dos leitores com a escrita” (2002, p.30). Essas mudanças podem ser percebidas na forma de escrita dos jovens nos sites de relacionamento com seus símbolos e gírias que, rapidamente, se popularizam. Percebe-se a mudança também nos textos de webjornalismo, que já têm um formato próprio, mais curto e hipertextual, assim como nos textos do jornal impresso, que se fragmentam cada vez mais. O objetivo do Correio* é conquistar novos leitores e não só conquistar o mercado. Quer ir buscar a fatia mais jovem que ainda não se fidelizou a um dispositivo e conseguiu, nos dois meses, segundo o editor-chefe, Rodrigo Cavalcante7, aumentar consideravelmente as vendas. Mas somente o tempo dirá se essa é a saída para o jornal impresso, uma mudança radical nos seus modos de dizer e seu papel atual de aprofundar os temas que já vimos ontem na internet e na televisão.

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Entrevista em 4 de dezembro de 2008.

SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo USP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009

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8. Bibliografia
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006. CHARTIER, R. “Morte ou transfiguração do leitor? In: Os desafios da escrita. São Paulo, Unesp, 2002 FERREIRA, Sandra Patrícia Ataíde & DIAS, Maria da Graça Bompastor Borges. A leitura, a produção de sentidos e o processo inferencial. Psicol. estud. [online]. 2004, v. 9, n. 3, pp. 439-448. ISSN 1413-7372. FREIRE, Eduardo N. O não-verbal na notícia. O design de notícias e a construção e sentido no discurso jornalístico. Anais da XXIX Intercom - Trabalho apresentado no GT de Jornalismo: Brasília, 2006. FREIRE, Eduardo Nunes. A influência do design de notícias na evolução do discurso jornalístico. Um estudo de caso do jornal O Estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado, Salvadro, UFBA, 2007. FREIRE, Eduardo & HOLANDA, Sofia. Do jornalístico ao publicitário. Análise das transformações enunciativas de uma revista, a partir do design de notícias. Trabalho apresentado no NP Jornalismo do VIII Nupecom – Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação .Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. Trad. Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: 34, 1993. (Coleção TRANS) MIELNICZUK, L. ; PALACIOS, M. . Considerações para um estudo sobre o formato da notícia na web: o link como elemento paratextual. In: X Compós - Encontro dos cursos de Pós-Graduação em Comunicação, 2001, Brasília, 2001. MOUILLAUD, Maurice; PORTO, Sérgio Dayrell (orgs.). O jornal: da forma ao sentido. 2ª Ed. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 2002. NOJOSA, Urbano Nobre. “Da rigidez do texto à fluidez do hipertexto”. In FERRARI, Pollyana. Hipertexto, hipermídia. Contexto, 2007. PALOMO TORRES, Maria. “Estructura editorial: diseño, navegación y usabilidad”. In: SALAVERRIA, M. Cibermedios. El impacto de Internet en los medios de comunicación en España. Sevilla: Comunicación Social Ediciones y Publicaciones, 2005, p. 187-222 (Cap. 6). PINTO, Milton José. Comunicação e discurso. Hacker Editores, São Paulo-SP, 2002. SPANNENBERG ,Ana Cristina Menegotto - A construção do leitor no jornal impresso Estratégias de construção da recepção dos gêneros artigo opinativo e reportagem nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo. UFBA, Salvador, Janeiro de 2004.