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Ano 1 • nº 4 • julho de 2009 • www.tnsustentavel.com.

br

101
Lixo
energético

106
Amanco

Ecoeficiência
na prática

114
Ônibus a hidrogênio

Brasil é pioneiro
na América Latina

E MAIS: Porto ambiental da Usiminas; Vitopel leva papel sintético para a China; Orvalho para irrigação ;
GE: energia responsável; Petrobras: recarga elétrica no posto; Terco Grant Thornton: auditoria de excelência

TN Petróleo nº 66 99
suplemento especial

Preparando o terreno
TREINADO PARA COMPETIR e apresentar resultados com níveis de exigências cada vez maiores, o
homem contemporâneo enfrenta agora mais um imenso desafio: garantir sua sobrevivência no planeta,
aprendendo a viver e conviver com o outro, em colaboração, em harmonia e, principalmente, em paz.
Intolerantes, vivemos em um contexto social em que nenhuma forma de conflito é vista, em sua

caderno de
primeira instância, com olhos de conciliação.
Queremos vencer, conquistar, tomar posse
de lugares, situações, objetos e até de
pessoas, e em busca disto nos preparamos
para a ‘guerra’, sem nos importarmos com a
existência e a sobrevivência do outro.
A situação calamitosa, limítrofe e A n o 1 N º 04 julho 200 9
limitante em que vivemos hoje em termos
de violência, degradação ambiental, mudanças climáticas, desemprego, miséria e fome, a divisão entre
ricos e pobres – cada vez maior, separando pessoas, isolando cidades, contrapondo nações... nos
trouxe, pela voz de alguns pensadores, filósofos e estudiosos uma proposta de mudança na forma de
entendermos o mundo, a começar por algo muito simples que o homem parece ter esquecido que é
capaz de fazer: pensar. Pensar e juntar as pontas do que a mente, mesmo adormecida, já é capaz de
alcançar e entender; fazer sentido no mundo e levar sentido a ele, à vida e à razão da existência;
questionar se não existe saída, além de uma visão simplista, normótica de um modelo ao qual fomos
condicionados e que nos aprisiona em nossas escolhas.
Nenhum homem deseja viver de forma penosa e triste. Todos querem a felicidade, a alegria e realizações.
Certamente, se este homem conseguir sair da cegueira, como propõe magistralmente Saramago, em seu
Ensaio sobre a cegueira, e descobrir na corresponsabilidade, solidariedade, e no profundo amor e compromisso
pelo outro os caminhos da transformação, ele certamente deporá as armas.
O mundo organizacional é o grande responsável pela criação e manutenção dessa postura competitiva
entre os homens. Ao criar padrões de sucesso e de resultados cada vez mais precisos, o homem coloca
a razão de ser de uma existência, de uma vida, em um resultado financeiro alcançado, muitas vezes, por
meio de violência e do sofrimento. Em geral, não fomos treinados para o diálogo, para ceder, doar, trocar,
de forma a que todos saiam ganhando, mas sim, e muitas das vezes, para termos vantagens sempre.
Mas, a saída está mais perto e fácil do que imaginamos. Ela está na colaboração e no diálogo. Neste
contexto, a comunicação, com todas as suas ferramentas, entra como uma grande força aglutinadora
e disseminadora das ações dessa mudança, ações estas que deixarão brotar as novas propostas e até
modelos novos de gestão dos negócios.
O terreno ainda está árido no coração do homem, mas com muita dedicação, paciência,
perseverança e transparência de atitudes conseguiremos fazer brotar nossas qualidades inatas e
permitir que elas nos guiem no caminho da boa convivência e da temperança, aceitando nossas
diferenças para alcançarmos, por fim, a verdadeira felicidade em paz!
Lia Medeiros
Diretora do Núcleo de Sustentabilidade TN

Sumário
Lixo energético ............................................................................................................................ 101
Goodyear: sustentabilidade certificada ................................................................................. 104
Amanco: ecoeficiência na prática ........................................................................................... 106
Entre o lucro e a sustentabilidade .......................................................................................... 108
Panduit: tecnologia da ecoeficiência ..................................................................................... 110
Mecanismo financeiro ambiental .............................................................................................. 111
Vale investe em biodiesel ......................................................................................................... 112
Ônibus a hidrogênio: Brasil é pioneiro na América Latina ............................................... 114
Carbono: mercado em ascensão ............................................................................................. 115
Feiras e congressos ................................................................................................................... 115
V Congresso Nacional de Excelência em Gestão da UFF: Excelência sustentável ..... 116
Combustível para a leitura ........................................................................................................ 117
Água, meio ambiente e a nova geopolítica global, por Guilherme S. P. e Casarões ....... 118
Cidades sustentáveis, por Lincoln Paiva ................................................................................. 120

100 TN Petróleo nº 66
Lixo
energético

Fotos: Divulgação
Aterro sanitário vai ‘abastecer’ usina de biogás em Gramacho, para gerar
160 milhões de m³ de biogás por ano reduzindo em cerca de 2.000 m³ diários
o lançamento de chorume na Baía de Guanabara. por Rodrigo Miguez

O
maior projeto de redução ral consumido na cidade do Rio Cabral Filho, do prefeito do Rio
de emissão de gases do de Janeiro no mesmo período. de Janeiro, Eduardo Paes, da pre-
efeito estufa do país deu a Com isso, deixarão de ser libera- sidente da Comlurb, Ângela
partida no dia 5 de junho: a Usi- dos anualmente na atmosfera Fonti, e do presidente do Conse-
na de Biogás do Aterro Metro- algo em torno de 75 milhões de lho Administrativo da Novo
politano de Gramacho, no mu- m³ de metano. Gramacho, Manoel Antônio
nicípio de Duque de Caxias, na O empreendimento que vai Avelino da Silva. “Mais que im-
Baixada Fluminense. A unida- mudar a cara do mal-afamado plantar um grande projeto, exis-
de será gerida pela empresa aterro (daí o nome de Novo te também um grande compro-
Novo Gramacho Energia Am- Gramacho) receberá um total de misso com a sociedade e o meio
biental, que tem da Companhia investimentos da ordem de R$ 91 ambiente”, destacou o executivo.
Municipal de Limpeza Urbana milhões – sendo que R$ 41 mi- Trata-se do maior projeto do
(Comlurb) a concessão de ex- lhões já foram aplicados. O res- mundo em crédito de carbono em
ploração do local pelo período tante dos recursos será utilizado aterro sanitário com aprovação da
de 15 anos. nos sistemas de purificação e ONU. A usina também poderá
A partir da decomposição da transporte do gás e na compen- receber investimentos de países
matéria orgânica do lixo, a em- sação ambiental. desenvolvidos através dos crédi-
presa vai gerar cerca de 160 mi- A inauguração da usina con- tos de carbono – recursos coloca-
lhões de m³ de biogás por ano – tou com a presença do governa- dos nos países em desenvolvi-
o que equivale a todo gás natu- dor do Rio de Janeiro, Sérgio mento que estão produzindo

TN Petróleo nº 66 101
suplemento especial

energia limpa, como forma de


compensar suas emissões de ga- Sistema de bombeamento é da Clean
ses poluentes, conforme previsto A CLEAN ENVIRONMENT BRASIL será a empresa responsável pelo trata-
no Protocolo de Kioto. mento de chorume na Usina de Biogás do Aterro Metropolitano de
A Novo Gramacho espera re- Gramacho, utilizando uma bomba de absorção de chorume, chamada
ceber cerca de 10 milhões de cré-
AutoPump, que maximiza a captura e produção do biogás.
ditos ao longo do tempo de con-
Para fazer a extração, serão usadas dezenas dessas bombas que
cessão (15 anos), sendo que 36%
funcionam com sistema pneumático, sem a necessidade de painéis
desta arrecadação serão divididos
controladores externos. As AutoPumps têm cinco anos de garantia e
em partes iguais entre a Comlurb
e a Prefeitura de Duque de Caxias. vazões de até 56 litros por minuto, podendo ser encontradas em várias
configurações e diferentes materiais, de acordo com cada tipo de utilização.
Menos chorume no meio A empresa, fundada em 1995, fabrica e comercializa produtos, equipa-
ambiente mentos e tecnologias voltadas para o meio ambiente e segurança
Além de produzir o biogás, o ocupacional, com suporte técnico altamente qualificado. A Clean investe
empreendimento terá uma estação constantemente em pesquisa e desenvolvimento dos seus equipamentos,
de tratamento de chorume, que que também são exportados para a América do Sul, Europa e Ásia.
evitará o lançamento diário de
cerca de 2.000 m³ de líquido na Um dos principais ganhos com te 800 catadores que trabalham no
Baía de Guanabara. Estão previs- a transformação do aterro de local, visando a sua adequação a
tos ainda a cobertura dos resíduos Gramacho em uma usina de biogás novas técnicas de reciclagem de re-
depositados na área e o posterior é o fim das tristes cenas de famílias síduos após o encerramento do
reflorestamento, eliminando o inteiras que faziam coleta de ma- aterro. A concessionária irá depo-
mau cheiro e a proliferação de in- terial reciclável em meio a tonela- sitar por ano, por 14 anos, R$ 1,2
setos, causadores de doenças nas das de lixo. A empresa responsá- milhão para consolidar este fundo.
comunidades próximas e que de- vel pela usina irá criar fundos para E o bairro de Gramacho ficará co-
ram a Gramacho uma triste fama. a recuperação urbanística do bair- nhecido não mais como o lugar do
Todo o resíduo lançado entre 1978 ro de Jardim Gramacho e para a lixão, mas sim, como o bairro ge-
a 1997 será tratado em um mês. capacitação dos aproximadamen- rador de biogás.

Porto ambiental Usiminas investe R$ 40 milhões Usiminas, Omar Silva Junior. Com
previsão para entrar em operação em
na recuperação de terreno em Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde
fins de 2013, início de 2014, o terminal
construirá porto para escoamento de minério de ferro.
deverá gerar cerca de 500 empregos
UM DOS MAIORES PASSIVOS am- de um projeto de recuperação ambiental diretos durante sua construção. Quando
bientais do estado do Rio está próximo que demandará investimentos de R$ 40 as operações se iniciarem, serão
de ser solucionado definitivamente: a milhões. O objetivo é colocar todo o gerados 230 empregos diretos e outros
Usiminas e o governo do Rio de Janeiro conhecimento da empresa a serviço do cem indiretos.
deram prosseguimento, a partir de 5 de desenvolvimento sustentável da região, Para marcar o início dos trabalhos,
junho – Dia Mundial do Meio Ambiente dando cumprimento ao compromisso a Usiminas faz nesta sexta-feira (dia 5)
–, ao processo de descontaminação do firmado na época da aquisição do a demolição das paredes do galpão no
terreno no qual funcionou a Companhia terreno. A empresa estuda o qual era estocado o minério da Ingá. O
Ingá Mercantil, no município de Itaguaí envelopamento dos resíduos tóxicos governador Sérgio Cabral e a secretá-
(RJ). O terreno foi arrematado pela restantes como a solução mais eficiente ria estadual do Ambiente, Marilene
Usiminas em leilão, em junho do ano e de menor impacto ambiental a ser Ramos, acompanham a demolição.
passado, por R$ 72 milhões. O local adotada para impedir, de forma definiti- O evento teve a participação do
tem grande quantidade de água va, a contaminação do solo e da água. prefeito de Itaguaí, Carlo Busatto
contaminada com metais pesados, No local a Usiminas construirá um Júnior (Charlinho), do presidente do
formando uma ‘bacia’ de 260 mil m². porto para escoamento de sua produção Instituto Estadual do Ambiente (Inea),
O governo do Rio de Janeiro iniciou a de minério de ferro. “A capacidade Luiz Firmino Martins, do vice-presi-
descontaminação do terreno em inicial de embarque do porto é de 25 dente Industrial da Usiminas, Omar
setembro de 2007. Nos últimos meses, a milhões de toneladas por ano”, informa Silva Junior, e do diretor de mineração
Usiminas fez estudos para a elaboração o vice-presidente Industrial da da Usiminas, Juarez Rabello.

102 TN Petróleo nº 66
suplemento especial

Sustentabilidade

certificada
Com ações como a reutilização da água e a redução do consumo de energia, a
Goodyear já possui a certificação ISO 14001 em suas unidades fabris no Brasil.
cerca de 1,1 bilhão de pessoas,
não tem acesso ao fornecimento
de água doce.
Conservação de energia – Uma
das principais metas está rela-
cionada à redução do consumo de
energia durante o processo pro-
dutivo. Por isso, a utilização de
gás natural, que já é usado nas
caldeiras para a produção de va-
por ou energia elétrica, tem se
demonstrado uma alternativa efi-
caz, capaz de reduzir também a
quantidade de gases e particu-
lados na atmosfera. Além disso,
a empresa investe constantemen-
Foto: Divulgação

te em tecnologia e aquisição de
máquinas cada vez mais eficien-
tes e que necessitam de menos

A
energia.
Goodyear é uma empresa veu seguir nos últimos anos só Reciclagem – Em todas as uni-
que nos últimos anos tem reforça o compromisso com a so- dades da empresa é feita uma co-
se preocupado com a edu- ciedade e o meio ambiente em leta seletiva de papel, plástico,
cação e o desenvolvimento de ati- que atua. vidro e metais. Além disso, a
tudes e programas que estão sen- Entre as principais ações estão: Goodyear pesquisa novas maté-
do cada vez mais incorporados Consumo de água – Toda água rias-primas e desenvolve inicia-
no dia-a-dia da companhia. Pre- utilizada nos processos produti- tivas inovadoras, como a redu-
sente no Brasil há 90 anos, todas vos nas fábricas é tratada antes e ção do uso de solventes nas fá-
as unidades fabris da empresa em depois de sua utilização e retorna bricas e o Inventário de Carbo-
São Paulo, Americana e Santa ao meio ambiente com uma qua- no (lista precisa de todas as
Barbara d’Oeste possuem a certi- lidade igual ou superior. A meta emissões e fontes de gases cau-
ficação ISO 14001, referente aos é reduzir cada vez mais o consu- sadores de efeito estufa de uma
processos de gestão ambiental. mo de água, principalmente por- organização). Outra ação impor-
Foram desenvolvidos diversos que é um recurso cada vez mais tante é a destinação correta dos
programas e iniciativas ligadas à escasso e necessário para a qua- pneus inservíveis, uma preocu-
preservação, prevenção e cons- lidade de vida das pessoas. Se- pação da empresa que contou
cientização do uso dos recursos gundo relatório da Unesco, so- com o apoio e a participação da
naturais que podem e devem ser mente 2,5% de água doce estão Anip (Associação Nacional da
incorporados diariamente. Este disponíveis no planeta e mais de Indústria de Pneumáticos e a
caminho que a Goodyear resol- um sexto da população mundial, Reciclanip) – uma das maiores

104 TN Petróleo nº 66
iniciativas que envolvem a in- menor de resíduos enviados aos

Foto: Divulgação
dústria brasileira e destinada à aterros sanitários e a redução de
responsabilidade pós-consumo – emissão de gases de efeito estu-
para o desenvolvimento do Pro- fa que provocam o aquecimento
grama de Coleta e Destinação de global e afetam todo o clima e
Pneus Inservíveis. Atualmente, funcionamento ideal do planeta.
o programa já conta com 308 Apesar de todas as iniciativas,
pontos de coleta espalhados pelo a empresa reconhece que o ca-
país e atingiu a marca de 200 minho é longo e se constrói com
milhões de pneus reciclados e parceria, divulgação de informa-
destinados de forma ambien- ção e educação ambiental. A
talmente correta. Goodyear do Brasil tem como ob-
Resíduos zero – Com a cons- jetivo promover a prevenção e
cientização e o processo de edu- preservação dos recursos naturais
cação feito com os funcionários e fábricas, foi possível reduzir este e o compromisso com a constru-
fornecedores em relação a dimi- índice próximo a zero, atitude ção de uma sociedade mais res-
nuição de resíduos em todas as que resultou numa quantidade ponsável e sustentável.

Vitopel leva papel sintético para a China


Feito a partir de resíduos plásticos coletados pelas cooperativas, catadores, entre outros, o papel sintético
da Vitopel foi apresentado a executivos chineses e na feira de plástico de Chicago (EUA), em junho.
A PRIMEIRA LINHA DE produção que criados para diversos mercados, plásticos reciclados – como o PP, PE,
a Vitopel destinou para o desenvolvi- como o de embalagem”, lembra o PVC, EVA – na composição do papel
mento do seu papel sintético – presidente da empresa, José Ricardo sintético. Vindo de garrafas descarta-
inovação feita com resíduos plásticos Roriz Coelho. Maior companhia latino- das, embalagens, frascos plásticos
reciclados –, está operando a todo americana e terceira no mundo na usados, entre outros, o material
vapor, informa o presidente da produção de filmes flexíveis, ela tem resulta em uma mistura homogênea,
companhia José Ricardo Roriz Coelho, três fábricas – duas no Brasil e uma perfeita para a produção do filme.
que embarca para a China, e depois na Argentina –, produzindo anualmen- Graças a esse diferencial no desen-
Chicago, na busca de oportunidades te 150 mil toneladas de filmes volvimento, o produto conquistou uma
para os negócios em torno da novida- flexíveis de Bopp, a Vitopel prevê patente, depositada em nome dos três
de. “Por ser um produto com forte investimentos de US$ 55 milhões até parceiros envolvidos: Vitopel, UFSCar
apelo de sustentabilidade, estamos 2010 na ampliação da produção. e Fapesp.
recebendo consultas de vários Foto: Divulgação
potenciais clientes internacionais”, Material resistente
afirma o executivo. O produto utiliza a tecnologia dos
Segundo Roriz Coelho, a Vitopel filmes flexíveis – usados em rótulos,
já enviou os primeiros lotes do papel embalagens, pet food, na indústria
sintético para o mercado gráfico gráfica, entre outras aplicações –
brasileiro. O produto foi lançado no porém contendo diferentes tipos de
mês passado na Brasilplast, maior polímeros em sua composição. O
feira de plástico da América Latina. resultado é um material resistente,
“Temos sido procurados por várias similar ao papel cuchê, que permite a
empresas e instituições que planejam escrita manual com canetas esfero-
imprimir seus materiais promocionais gráficas, canetas de ponta porosa e
e institucionais com apelos mais lápis, e a impressão pelos processos
sustentáveis”, completa o executivo. gráficos editoriais usuais, como off-set
A Vitopel investe anualmente plana ou rotativa.
cerca de US$ 2 milhões em pesquisa O grande diferencial da inovação é
e desenvolvimento (P&D). “Também que não há no mundo outra tecnologia
detemos outras patentes de produtos desenvolvida para usar diferentes

TN Petróleo nº 66 105
suplemento especial

Ecoeficiência
na prática
Amanco reduz ainda mais o consumo de
água e energia em suas fábricas.

C
omo recurso natural não
perene, a água é uma
preocupação constante na
Amanco, que mantém uma
gestão comprometida com a
condução e uso responsável da
água. Nos últimos sete anos, a
empresa reduziu, para menos
de ¼ o consumo de água na
produção de tubos e conexões
em suas fábricas. O gasto de
energia também tem caído
consideravelmente. Esses
resultados foram alcançados
Foto: Divulgação

graças à adoção de indicadores


de ecoeficência e investimentos
em tecnologia em todas as suas
unidades fabris, apoiados por Assim, os resultados na área do meio ambiente”, destaca
programas específicos. ambiental são efetivos para a Marcos Bicudo, presidente da
O programa de reuso de empresa. Houve redução no Amanco.
água industrial, por exemplo, consumo de água de processo Com o objetivo de ampliar
lança mão de tecnologias de em 78% e a melhoria dos a discussão e sensibilização do
filtragem e fechamento de indicadores de ecoeficiência tema da água, a Amanco
circuitos de resfriamento. Ao rendeu à Amanco, ao longo dos promove, ainda, ações junto
implantá-lo, a Amanco reduziu últimos sete anos, economias ao público interno e às comu-
em suas plantas, entre 2002 e de mais de US$ 20 milhões. A nidades do entorno de suas
2008, a média de consumo de empresa gerou oportunidades fábricas.
água de 1.070 litros por tonela- no mercado com produtos mais
da de tubos e conexões produ- adequados do ponto de vista Energia
zidos para 230 litros de água/ ambiental e com melhoria na Apesar de a empresa ter
ton. Na planta de Joinville, a rentabilidade interna. “Toda e consumido mais energia em
troca de tecnologia na produ- qualquer ação ou produto 2008 em função do aumento de
ção de tubos para o desenvolvido pela Amanco produção, foi mais eficiente na
resfriamento permitiu uma deve apresentar vantagens utilização desta energia, au-
redução de 1.500 litros de econômicas, oferecer benefícios mentando o rendimento de
água/ton para 60 litros de água para a sociedade e primar pela kWh/ton em 10%. Desde 2005, a
por tonelada. preservação e sustentabilidade empresa compra energia de

106 TN Petróleo nº 66
fontes alternativas, especifica- Com cinco fábricas no país e Curtas
mente de origem de biomassa. cerca de 1,6 mil colaboradores,

Orvalho
A menor utilização de a empresa atua nos segmentos
recursos naturais e de energia predial e de infraestrutura. Seu
permite ainda o desenvolvimen-
to de materiais, processos e
faturamento líquido em 2008
foi de R$ 623 milhões. Toda a para irrigação
produtos com menor impacto atuação da Amanco é sustenta-
A EMPRESA ISRAELENSE Tal-Ya Water
ambiental e de acordo com da pelo conceito de triplo
Technologies criou um dispositivo que
conceitos de ecoinovação e resultado: econômico, social e
coleta orvalho para irrigar plantas,
ecodesign (eco de ecologia e ambiental. Está por dois anos
possibilitando o cultivo em áreas com
economia). consecutivos (2007 e 2008)
escassez de água, além de proporcionar
A Amanco é a única empre- entre as 20 empresas brasilei-
benefícios ambientais. Trata-se de uma
sa de seu segmento a possuir ras modelo de
bandeja feita de um composto plástico
as três principais certificações sustentabilidade, selecionadas
que é colocada em volta das plantas. O
do mercado – ISO 9001 (gestão pelo Guia Exame de
composto não se degrada sob a ação do
da qualidade), ISO 14001 Sustentabilidade. Foi eleita em
sol, pois combina plástico reciclável com
(gestão ambiental) e OHSAS 2008 pela sétima vez seguida
filtros ultravioleta e um aditivo de pedra
18001 (gestão de saúde e como uma das 150 Melhores
calcária.
segurança) –, que foram Empresas para se Trabalhar no
Outro aditivo, de alumínio, permite a
renovadas neste ano nas Brasil, em pesquisa realizada
captação do orvalho produzido pela
quatro fábricas que produzem pelas revistas Exame e Você S/ variação da temperatura entre a noite e o
tubos, conexões e acessórios A. O Grupo Amanco é um dia. Uma variação de 12 graus centígra-
sanitários. Também em 2009, a grupo industrial líder na dos, por exemplo, leva à formação de
empresa pretende reduzir América Latina na produção e uma razoável quantidade de orvalho em
ainda mais o consumo de água, comercialização de soluções ambas as superfícies da bandeja,
de energia e da geração e para transporte de fluidos, canalizando-o para a planta.
estoque de scrap (material principalmente água, e que “Com esse sistema, os agricultores
descartado na produção). opera em um marco de ética, não precisam mais se preocupar com
ecoeficiência e responsabilida- ervas daninhas, porque as bandejas
Conexão com o meio de social. Os produtos Amanco bloqueiam a luz do sol, impedindo-as de
ambiente são comercializados em 29 se desenvolverem”, diz Avraham Tamir,
A Amanco Brasil é a subsi- países das Américas e Caribe, presidente da Tal-Ya. “Também se usa
diária brasileira do Grupo conta com 19 unidades indus- muito menos água, o que traz economia,
Amanco, um dos líderes mun- triais em 14 países do conti- e menos fertilizantes, e significa contami-
diais e líder absoluto na Améri- nente, com mais de seis mil nação menor”, completa Tamir.
ca Latina em tubos e conexões. colaboradores.

Energia responsável
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo

Expansão possibilita doação de palmeiras imperiais ao Instituto Inhotim.


O INSTITUTO INHOTIM RECEBERÁ 18 pal- dessas belas palmeiras imperiais”, disse A maior parte
meiras imperiais (Roysto-nea oleracea) da Rodrigo Elias, gerente geral da empresa no das palmeiras do-
General Electric Consumer & Industrial, di- Brasil. “A GE sempre esteve comprometida adas tem mais de
visão em Contagem, graças à expansão da com o meio ambiente. Esta visão é parte do oito metros de
fábrica de equipamentos de distribuição projeto ecomagination, uma iniciativa que tronco, indicando
elétrica. Ao invés de cortar as palmeiras, a reflete o nosso compromisso de investir em que devem ter
GE entrou em contato com a instituição um futuro, com soluções inovadoras para mais de 30 anos,
que se responsabilizou pela remoção, os desafios ambientais. Proporciona ainda de acordo com o pesquisador e curador da
replantio e preservação das mesmas. valiosos produtos e serviços aos clientes, coleção botânica do Inhotim, Eduardo Gon-
“Para a GE, esta doação mostra a pre- enquanto gera crescimento rentável para a çalves. “Aqui as plantas poderão ser preser-
ocupação com a preservação ambiental companhia”, completa o executivo. vadas e admiradas”, conclui.

TN Petróleo nº 66 107
suplemento especial

Entre o lucro e a
SUSTENTABILIDADE
Nada menos de 43% dos brasileiros estão dispostos a diminuir rentabilidade dos
negócios para preservar o meio ambiente, de acordo com pesquisa realizada pela
Grant Thornton International.

S
e tivessem que optar entre pre-
servar o meio ambiente ou
manter a rentabilidade dos
seus negócios, os empresários brasi-
leiros ficariam divididos: enquanto
47% afirmam que preferem não per-
der a rentabilidade, 43% garantem
que adotariam práticas verdes, mes-
mo que isso prejudicasse o desem-
penho de suas empresas.
Estes dados foram revelados pelo
International Business Report (IBR),
estudo da Grant Thornton Inter-
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

national, representada no Brasil


pela Terco Grant Thornton. A pes-
quisa ouviu 7.200 empresas priva-
das de capital fechado (ou privately
held businesses, PHBs) de 36 países
– no Brasil, foram consultadas 150
empresas, sendo cem de São Paulo,
25 do Rio de Janeiro e 25 da Bahia. Em outra pergunta da pesquisa, a percepção com a preocupação
Na média global, com resulta- na qual os empresários deveriam di- ambiental foi baixa, como na Argen-
dos de todos os países pesquisados, zer se consideram que a comunidade tina, Turquia, Grécia e China, os
51% dos executivos consultados no empresarial do seu país se preocupa empresários estão mais dispostos a
estudo afirmaram que adotariam ou não com o meio abrir mão do lucro para melhorar o
práticas verdes em detrimento dos ambiente, foi feita meio ambiente.
lucros. Já 36% disseram que prefe- uma média entre Wanderlei Ferreira, sócio do
rem se importar com os negócios e as respostas positi- Terco Grant Thornton, explica que o
13% não souberam responder à per- vas e as negativas. processo de evolução da sociedade
gunta (entre os brasileiros, 10% não A média mundial com relação às questões ambientais
responderam). foi de 30%. Entre os é o grande responsável pelos resul-
Entre todos os empresários ouvi- brasileiros, este nú- tados obtidos no Brasil. “O meio
dos na América Latina, 56% garan- mero foi de 34%. empresarial está percebendo que o
tem que adotariam práticas ambien- Os países nórdicos foram os que de- consumidor está cada vez mais preo-
talmente corretas. Já 37% preferem ram a nota mais alta, sendo que a cupado com essas questões”, afirma.
manter a rentabilidade. O Chile é o média foi de 61%. Segundo o executivo, a pressão dos
país com maior preocupação am- A média mais baixa foi entre os consumidores deve aumentar nos
biental (89%), seguido da Argentina países da América Latina, com 14%. próximos anos, levando o setor pro-
(80%) e do México (60%). A região da A Argentina foi o país em que essa dutivo a mudar de atitude. “Os em-
Ásia Oriental concentra o maior nú- percepção foi mais negativa, sendo presários também estão notando
mero de empresários dispostos a de- que o índice final foi de -34%. É inte- que é preciso preservar a natureza,
fender o meio ambiente (61%). ressante notar que nos países em que pois, se não cuidarem da susten-

108 TN Petróleo nº 66
tabilidade, no futuro itens O senhor diminuiria rentabilidade dos
como matéria-prima pode- negócios para preservar o ambiente? (em%)
rão ficar cada vez mais ca-
País Sim Não Não sabe

Foto: Banco de Imagens Petrobras


ros e escassos”, explica. Para
Wanderlei Ferreira, no en- Tailândia 99 1 –
tanto, essa mudança de Chile 89 7 4
paradigma deve ser longa e Turquia 83 9 7
difícil. “Mas, no final, aque- Argentina 80 16 4
las empresas ainda não China 64 24 12
conscientes da preservação
México
Recarga elétrica
60 35 5
do meio ambiente mudarão
Estados Unidos 46 46 8
seu comportamento.”
Alex MacBeath, líder glo- Índia
Brasil
44
43
28
47
28
10
no posto
bal da Grant Thornton Inter-
PROJETO PIONEIRO NO PAÍS, que
national para serviços a Rússia 36 33 32
pretende dar conta da demanda de
PHBs, diz que a pesquisa Por região
mostra com clareza que há veículos elétricos, que cresce 50% ao
União Europeia 46 43 11
muitos países preocupados ano, o primeiro eletroposto brasileiro foi
Nafta 48 45 7
em conservar o meio ambi- inaugurado no dia 10 de junho pela
América Latina 56 37 7 Petrobras Distribuidora. Desenvolvido
ente. “O lucro não é, de fato,
o único fator que conduz as Ásia/Pacífico 57 24 19 com tecnologia nacional, vai oferecer
práticas empresarias, então Países Nórdicos 43 35 22 recarga de veículos elétricos a partir de
devemos incentivar os empre- Ásia Oriental 61 22 17 energia solar para a frota local de
sários a ter empresas susten- Média global 51 36 13 veículos elétricos, que é de formada por
táveis”, afirma. “Em minha 300 motos (180 só no Rio de Janeiro), e
opinião, aqueles empresários que per- des são boas para o meio ambiente e 20 automóveis com essas características
sistirem ou implantarem práticas ver- trazem vantagens para a marca, ou híbridos, que também estão inseridos
des durante este período de turbulên- como reconhecimento no mercado e na cidade carioca.
cia econômica terão mais vantagem de seus colaboradores. “Enfim, eleva “Trata-se de mais uma iniciativa da
competitiva quando a economia se a marca e os produtos para outro pa-
Petrobras Distribuidora no sentido de
estabilizar.” Wanderlei Ferreira con- tamar de percepção junto aos consu-
consolidar seu compromisso de reduzir a
corda, afirmando que as práticas ver- midores e da mídia em geral.”
emissão de dióxido de carbono na
atmosfera, buscar a eficiência energética

Auditoria de excelência e estimular a pesquisa de energias


renováveis”, disse o diretor da Rede de
HÁ 27 ANOS NO BRASIL, a Terco Grant ramento global de US$ 4 bilhões em Postos de Serviço, Edimário Oliveira
Thornton é a quinta maior empresa de 2008. Machado.
auditoria e consultoria do país. Com sede O International Business Report é uma A energia elétrica fornecida pelo
em São Paulo e escritórios no Rio de avaliação anual do ponto de vista dos exe- eletroposto é captada por meio de um
Janeiro, Salvador, Goiânia e Belo Hori- cutivos das empresas privadas de capital conjunto de 28 módulos reunidos em
zonte, conta com mais de mais de 650 fechado em todo o mundo. Lançado em painéis fotovoltaicos que geram 184
profissionais e possui 1.300 clientes ati- 1992 em nove países europeus, esse rela- volts em corrente contínua, cuja
vos no Brasil. Em 2008, registrou um tório agora analisa mais de 7.200 compa- potência é convertida por um inversor
crescimento de 25% em seu faturamento nhias de 36 economias, com dados regio-
em energia trifásica alternada de 220
em relação ao ano anterior. nais e globais sobre fatores econômicos e
volts. Caso falte luz ou a demanda de
Ela integra a rede Grant Thornton comerciais que afetam os setores conhe-
recarga seja maior do que a projetada,
International Ltd (Grant Thornton cidos como os motores do mundo. Dados
o inversor capta energia da rede
International), que não se constitui em de oito setores chave das indústrias estão
única empresa global: cada integrante disponíveis desde os primeiros meses de externa.
presta seus serviços de forma juridica- 2009. Essa pesquisa está sendo realizada No eletroposto será possível fazer
mente independente. Considerada uma pela Experian Business Strategies Ltd. Grant recargas de uma a três horas ou trocar
das maiores organizações de auditoria Thornton International, que doará US$ 5 as baterias descarregadas por novas. Em
e consultoria do mundo, a GTI tem 28 para a Unicef para cada questionário en- geral, uma recarga completa permite
mil profissionais, espalhados em uma tregue, uma doação que foi maior do que uma autonomia média de 40 km para
centena de países, e registrou fatu- os US$ 39 mil em 2008. motos e 60 km para carros.

TN Petróleo nº 66 109
suplemento especial

Tecnologia da
ecoeficiência
Soluções Panduit minimizam a emissão
de carbono nas construções de edifícios.

A
Panduit, fornecedora de soluções de Infraes- e de cabo Cat 6A para
trutura Física Unificada (UPI/Unified Physical redes de 10 Gb/s, sem
Infrastructure), dispõe de tecnologia que aju- necessidade de conec-
da a minimizar a emissão de carbono nas constru- torização em campo”,

Foto: Divulgação
ções de edifícios e otimizar o uso eficiente da ener- destaca o executivo da
gia elétrica. A solução possibilita ainda centralizar, Panduit.
em uma única plataforma, o gerenciamento dos sis-
temas de ar-condicionado, vídeo para vigilância, Menos impacto
controle de acesso às instalações, telefonia VoIP e As duas ferramentas desenvolvidas pela Panduit
redes computacionais. fazem parte do portfólio tecnológico da companhia,
Uma delas é a Net-Access, que permite uma ade- líder no desenvolvimento e fornecimento de soluções
quada dissipação do calor nos Data Centers, os inovadoras que ajudam a otimizar a infraestrutura
quais, em alguns casos, o consumo de energia equi- física pela simplificação, agilidade e eficiência
vale a 40% do consumo total do edifício. Além dis- operacional. As soluções da empresa visam minimizar
so, a maior parte desta energia está associada ao o impacto ambiental na fase de construção e opera-
ar-condicionado de precisão usado para resfriar os ção dos edifícios, e com uma menor liberação de car-
servidores e os equipamentos de rede. bono. “Neste setor é muito importante focar nas nor-
“A solução otimiza a utilização do ar-condiciona- mas do Green Building Council, por exemplo. Em
do no Data Center, gerando uma economia no nosso caso, estamos orientados para o uso eficiente
faturamento mensal, que pode aumen- de energias, particularmente de energia elétrica. Por-
tar em até 15% do consumo total do es- tanto, consideramos a Infraestrutura Física Unificada
paço físico”, explica Jorge De La como parte integral das edificações porque reúne em
Fuente, especialista em Soluções UPI uma única plataforma todos os sistemas: controle, ar-
da Panduit. condicionado, acesso, videovigilância, telefonia e re-
A ferramenta Net-Access alia elemen- des computacionais”, destaca De La Fuente.
tos como gabinetes de alto desempenho Ainda segundo o executivo, a implementação de
com o uso passivo de energia térmica, tais soluções gera uma economia significativa no lon-
roteamento de ar quente procedente dos equipamentos go prazo e, por esta razão, aumenta a rentabilidade
de rede, resfriamento do ar quente a poucos centíme- das construções, que sofrem uma valorização de mer-
tros da fonte de calor para minimizar seu efeito no cado. “É necessário conscientizar empresários e ge-
centro de dados, isolamento das perfurações no piso rentes da grande diferença entre o ‘custo de instala-
falso e paredes para evitar a fuga de ar frio. ção’ e o ‘custo total de propriedade’ (TCO). O pri-
Já a tecnologia QuickNet permite reduzir ao meiro é o valor da implementação de uma solução
máximo o desperdício de cabos gerado nas instala- construtiva até ser entregue o projeto. Já o ‘custo
ções da infraestrutura física da rede. Para conseguir total de propriedade’ soma o custo de instalação ao
esse objetivo emprega componentes que cumprem custo de operar essa solução por cinco anos. As so-
à risca a norma internacional que limita o uso de luções sustentáveis usualmente têm um ‘custo de
substâncias que podem causar danos ao meio ambi- instalação’ mais alto, mas um menor TCO”, ressalta
ente (ISO 14001 y RoHS). o executivo. Além de reduzir custos e propiciar um
“Outra das vantagens adicionais do QuickNet é uso melhor da energia elétrica, as soluções QuickNet
possibilitar conexões de alto rendimento de fibra ótica e Net-Access possuem garantia de 25 anos.

110 TN Petróleo nº 66
Mecanismo
financeiro ambiental
Governo fluminense cria Fundo da Mata Atlântica para financiar
ações de preservação deste patrimônio ambiental.
próprias (por exemplo, apoiar ape-
Foto: Divulgação

nas projetos marinhos e definir


que fará aplicações financeiras em
curto prazo). É o que chamamos
de gestão adaptativa.”
O Fundo vai operar com qua-
tro carteiras distintas, sendo a mais
importante a destinada à execu-
ção de projetos com recursos das
medidas compensatórias por
grandes empreendimentos indus-
triais. Também fazem parte das
operações do Fundo as doações

O
provenientes de doadores nacio-
financiamento ambiental no nais e internacionais e um fundo
Rio de Janeiro ganhou fiduciário, de caráter permanen-
grande impulso a partir de te, que visa assegurar as despe-
junho deste ano, quando entrou sas de custeio das unidades de
em operação, oficialmente, o Fun- conservação estaduais, como os
do da Mata Atlântica (FMA). O parques, reservas biológicas e es-
lançamento foi feito no Palácio tações ecológicas.
Guanabara, no dia 1º de junho, A expectativa é que, em quatro
Foto: Marcia Soares

pelo governador Sérgio Cabral e anos, o FMA movimente recursos


a secretária do Ambiente, Mari- da ordem de R$ 70 milhões. Em
lene Ramos. O evento teve a par- caráter experimental, já foram exe-
ticipação do ministro do Meio ques e reservas estaduais, bem cutados pelo Funbio, com suces-
Ambiente, Carlos Minc, do presi- como para aqueles destinados à so, R$ 3,1 milhões na carteira de
dente do Instituto Estadual do preservação e recuperação da compensações (compensação am-
Ambiente (Inea), Luiz Firmino biodiversidade fluminense. biental da empresa CSA) e R$ 508
Martins Pereira, e do Secretário- “Uma das inovações do fundo mil na de doações (do Ministério
geral do Funbio, Pedro Leitão. é a possibilidade de receber re- do Meio Ambiente da Alemanha,
O Fundo da Mata Atlântica é cursos de diferentes fontes, como por meio do banco KfW). Estes re-
um mecanismo financeiro e aqueles oriundos de compensação cursos foram usados na compra de
operacional, desenvolvido pelo ambiental, de doações voluntárias equipamentos e veículos, realiza-
Fundo Brasileiro para a Biodiver- e de negociações do mercado de ção de obras e contratação de
sidade (Funbio) a pedido da Se- carbono, entre outros”, ressalta consultorias para unidades de con-
cretaria de Estado do Ambiente, Pedro Leitão. Ele explica, ainda, servação do estado.
inspirado na experiência com o que a destinação dos recursos, Também participaram a subse-
programa federal Arpa (Áreas Pro- bem como sua gestão financeira, cretária de Política e Planejamento
tegidas da Amazônia). O objetivo poderá ser adaptada de acordo Ambiental, Beth Lima, o diretor de
é dar mais agilidade, eficiência e com as diferentes fontes. “Uma Biodiversidade e Áreas Protegidas
transparência à execução de todos carteira formada por uma doação do Inea, André Ilha, e o secretário-
os projetos voltados para os par- do setor privado pode ter regras geral do Funbio, Pedro Leitão.

TN Petróleo nº 66 111
suplemento especial

Vale investe em

biodiesel
A Vale anuncia projeto para produção de biodiesel para abastecer suas operações e
projetos na região Norte do Brasil, a partir de 2014, utilizando óleo de palma como
matéria-prima – e será produzido por meio do consórcio entre Vale e Biopalma da
Amazônia S/A (Biopalma).

Fotos: Divulgação
A
participação da Vale no con-
sórcio, que tem como meta
a produção anual de 500 mil
toneladas de óleo de palma, é de
41%. A parcela da Vale na produ-
ção de óleo de palma será empre-
gada para abastecer a planta de
biodiesel de sua propriedade, a
qual terá capacidade estimada em
160 mil toneladas de biodiesel por
ano.
Em 2008, o consumo de diesel
da Vale na região Norte foi de 336
milhões de litros, dos quais sete
milhões foram de biodiesel. Com
o novo projeto, a empresa espera
economizar até US$ 150 milhões
por ano e deixar de emitir 12 mi-
lhões de toneladas de dióxido de
carbono (um dos gases do efeito O projeto espera gerar seis mil te do orçamento de investimentos
estufa), o equivalente à emissão de empregos diretos e beneficiar duas para 2009 antes divulgado.
200 mil carros. mil famílias de pequenos agricul-
Para o diretor executivo de tores da região, uma vez que par- Consumo próprio
Logística e Sustentabilidade da te do plantio da palma será feito A produção de biodiesel será
Vale, Eduardo Bartolomeo, o pro- em terras da Biopalma Amazônia destinada ao consumo da mine-
jeto é estratégico em um momento e parte em propriedades desses radora, previsto no uso do combus-
de crise econômica internacional. agricultores. tível B20 (20% de biodiesel e 80%
“É um tripé social, ambiental e eco- O investimento total da Vale na de diesel comum) para abastecer
nômico. Esse projeto mostra que, participação no consórcio e na im- a frota de locomotivas da Estrada
num momento de crise, em que plantação da planta de biodiesel de Ferro Carajás e máquinas e
todo mundo está cortando e será de US$ 305 milhões, dos quais equipamentos de grande porte das
priorizando, isso é estratégico para US$ 40 milhões serão desembol- minas de Carajás, no estado do
a nossa sustentabilidade”, disse. sados em 2009, dispêndio constan- Pará. Com esta iniciativa, a Vale

112 TN Petróleo nº 66
se antecipará à regulamentação
que prevê o uso de B20 em 2020.
Segundo a Vale, não haverá
desmatamento da floresta amazô-
nica e o plantio ocorrerá em áreas
degradadas de cinco municípios:
Moju, Tomé-Açu, Acará, Concór-
dia e Abaetetuba. Para a plantação
da palma, serão destinados 60 mil
hectares e 70 mil hectares serão
reflorestados.
“Essa região é caracterizada
por coisas marcantes. Provavel- nas que produzirão o combustível tural. Por isso, está em teste um
mente é a área mais devastada terão equipamentos confecciona- modelo de locomotiva que funci-
da floresta úmida amazônica. É dos na Malásia, país do Sudeste ona à base de diesel com 50% a
a região mais agredida e também Asiático com tradição na produção 70% de gás natural. Os testes co-
a de maior densidade demográ- de óleo de palma. meçaram a ser feitos na Estrada
fica da Amazônia”, disse o dire- Este projeto está em linha com de Ferro Vitória a Minas. A ex-
tor-presidente da Biopalma, Sil- a estratégia da Vale de diversifi- pectativa é que o novo biocom-
vio Maia. cação e otimização de sua matriz bustível possa ser utilizado em
A palma, uma espécie de pal- energética através da maior utili- escala comercial nos próximos
meira, foi escolhida para a produ- zação de carvão térmico, combus- anos. Também está em fase de es-
ção de biodiesel por ser conside- tíveis renováveis e gás natural. tudos a produção de biodiesel a
rada mais viável do que a soja e a Para as operações no Sul do Bra- partir de pinhão-manso, em Mi-
mamona, por exemplo. As seis usi- sil, a Vale pretende usar gás na- nas Gerais.

TN Petróleo nº 66 113
suplemento especial

Ônibus a hidrogênio

Brasil é pioneiro
por Rodrigo Miguez na América Latina
O novo veículo começa a ser testado em agosto e
deverá ser incorporado à frota até 2011.

Foto: Divulgação
iajar em ônibus sujo, baru-
lhento e que polui o meio
ambiente pode virar coisa
do passado. Construído pela
Marcopolo e pela Tuttotrasporti,
o primeiro ônibus a hidrogênio da
América Latina foi apresentado
no dia 1° de julho em São Paulo.
O Brasil junta-se, assim, a Ale-
manha, Estados Unidos e China
no seleto grupo de países que pos-
suem este tipo de veículo. “O Bra-
sil é um dos cinco países do mun- urbanos. Reconhecendo a importân- inicial grande, e trata-se de uma
do que dominam a tecnologia e cia desta iniciativa, o Programa das tecnologia e uma forma nova de
que tem ônibus movidos a hidro- Nações Unidas para o Desenvolvi- transporte”, afirmou o governador
gênio”, destacou o governador de mento (Pnud) concedeu US$ 16 mi- José Serra.
São Paulo, José Serra. “Mas somos lhões do Global Environmental O primeiro ônibus a hidrogê-
o único entre esses países que de- Facility para o desenvolvimento do nio brasileiro tem várias vantagens
tém uma tecnologia híbrida como projeto. em relação a outros veículos mun-
segunda opção de abastecimento do afora: é muito mais barato pois
para este veículo: a eletricidade.” O grande teste foi produzido no país, ao invés de
O projeto, que tem apoio téc- A Emtu/SP será responsável ser importado; possui arquitetura,
nico da Petrobras, da BR Distri- pelo acompanhamento e avaliação sistema e concepção inovadores;
buidora e da AES Eletropaulo, do desempenho dos veículos que um dispositivo de regeneração do
prevê a fabricação de até quatro circularão em 13 linhas do Corre- sistema de frenagem igual ao usa-
veículos e a construção da esta- dor Metropolitano ABD (São do este ano pelos carros da For-
ção de produção de hidrogênio e Mateus/Jabaquara), por onde são mula 1, no qual, ao frear, a ener-
abastecimento dos ônibus, em São transportados cerca de 270 mil pas- gia gerada é enviada para a bate-
Bernardo do Campo. sageiros por dia. Os testes dura- ria e pode ser usada em caso de
A ideia de um veículo a hidro- rão até 2011, quando estes tipos necessidade de mais potência,
gênio surgiu há 15 anos, quando de veículos deverão ser incorpora- como em uma subida.
a Empresa Metropolitana de Trans- dos à frota do corredor. Mais uma vez o Brasil sai na fren-
portes Urbanos de São Paulo “Os testes serão muito impor- te na geração de meios de transporte
(Emtu/SP) e o Ministério das Mi- tantes do ponto de vista opera- limpos e sustentáveis, podendo in-
nas e Energia (MME) iniciaram cional, pois é preciso examinar a clusive virar exportador desses veí-
os estudos para o uso de hidrogê- economicidade e a viabilidade do culos e ajudar a diminuir a poluição
nio como combustível em ônibus projeto, que tem um investimento nas grandes cidades do mundo.

114 TN Petróleo nº 66
Carbonomercado em ascensão
Ainda que a passos lentos, o mercado global de crédito
O tema mais polêmico foi abor-
dado por Flávia Mouta, inspetora
de carbono avança no Brasil, que tem o desfio de concluir da Gerência de Aperfeiçoamento de
o processo até 2012, quando expira o Protocolo de Kioto. Normas da Superintendência de

D
Desenvolvimento de Mercado da
iscutir e analisar a partici- Ambiente da Souza Cruz, Jorge CVM (Comissão de Valores Mobi-
pação brasileira nas nego- Augusto Rodrigues. liários), que esclareceu algumas das
ciações internacionais, as As mudanças no cenário interna- muitas dúvidas relacionadas à for-
tendências mundiais com a nova po- cional, com a eleição do presidente nor- ma como o crédito de carbono deve
sição dos EUA e o impacto do crédi- te-americano Barack Obama, o mer- ser lançado nas demonstrações fi-
to de carbono na economia foi um cado de MDL, a posição do Brasil e a nanceiras das empresas.
dos objetivos do seminário promo- precificação dos projetos brasileiros O mercado financeiro também
vido pela Apimec-Rio, no dia 26 de foram temas abordados por José Do- se prepara para incorporar os crédi-
junho. O seminário também foi palco mingos Gonzalez Miguez – coordena- tos de carbono, de acordo com Gui-
para o lançamento do Guia oficial bra- dor geral de Mudanças Globais do lherme Magalhães Fagundes, ge-
sileiro sobre as negociações das mu- Clima do Ministério da Ciência e rente de Produtos Ambientais, Ener-
danças climáticas. Tecnologia, secretário executivo da gia e Metais da BM&FBovespa, que
Empresários, autoridades e ins- Comissão Interministerial de Mudan- detalhou os preparativos da entida-
tituições que atuam neste segmen- ças Globais do Clima e membro de de para tornar o Brasil referência
to debateram as diferenças entre as comissões da Convenção do Clima. Já mundial em crédito de carbono.
iniciativas oficiais e o mercado vo- Lucas Assunção, coordenador de Representantes dos bancos
luntário, como a questão dos crédi- Bionegócios e Clima da Conferência Bradesco e Itaú destacaram as prá-
tos de carbono se insere na estraté- da ONU sobre Comércio e Desenvol- ticas de sustentabilidade e as linhas
gia de reduzir o ritmo das mudan- vimento (Unctad), analisou a situação de crédito a projetos de MDL ofere-
ças climáticas, os Mecanismos de do mercado global de créditos de car- cidas por cada um dos bancos. O
Desenvolvimento Limpo (MDL) e as bono – as movimentações e tendências evento foi encerrado com a apresen-
alternativas para contabilizar cré- pelo lado comprador e vendedor. tação de iniciativas bem sucedidas
ditos de carbono nas demonstra- de quatro empresas – Grupo Plan-
ções financeiras. Referência mundial tar, Braskem, Brascan Energia (que
Coordenado por Isaura Frondizi, Os avanços nas negociações no tem 90 projetos enquadrados no
diretora da Fides Desenvolvimento mercado voluntário de créditos de MDL) e a Arcadis Logos (que recen-
Sustentável, a abertura do seminá- carbono foram apresentados por Flá- temente inaugurou a estação Novo
rio contou com a participação do vio Gazani, presidente da Associação Gramacho Energia Ambiental, em
presidente da Apimec Rio, Luiz Gui- Brasileira das Empresas do Merca- Duque de Caxias-RJ). (Veja matéria
lherme Dias, e do gerente de Meio do de Carbono (Abemc). nesta edição)

Feiras e Congressos
9 a 10 – Brasil
Julho From Crude Oil to Biofuels
Local: Rio de Janeiro
27 a 30 – EUA Tel.: +(1) 703 891 4804
Waterpower XVI Setembro www.hartenergyconferences.com/
Local: Washington, EUA 1º a 3 – Brasil index.php?area=details&confID=124
Tel.: +44 (0) 1992 656 665 ECO Business Show-2009 lcarter@hartenergy.com
www.waterpowerconference.com Local: São Paulo
Registration@PennWell.com Tel.: 55 11 3081-8860 20 a 24 – Brasil
www.ecobusinessshow.com.br Congresso Brasileiro de Unidades de
Agosto congresso@ecobusinessshow.com Conservação
4 a 6 – Brasil Local: Curitiba, PR
Sustentável 2009 8 a 11 – Brasil Tel.: +55 41 3340-2642
Local: São Paulo Sustentar 2009 Fax: +55 41 3340-2635
Tel.: (21) 2483-2250 Local: Minas Gerais www.itarget.com.br/newclients/
Fax: (21) 2483-2254 Tel.: (31) 2515-3382 • (31) 2555-8552 fundacaoboticario.org.br/cbuc2009/
www.sustentavel.org.br/index.html www.sustentar.net • sustentar@aol.com congressouc@fundacaoboticario.org.br

TN Petróleo nº 66 115
suplemento especial
V Congresso Nacional de Excelência em Gestão da UFF

Excelência sustentável
Congresso discute propostas e destaca a importância da
sustentabilidade para a Excelência em Gestão. por Rodrigo Miguez

A
gestão do conhecimento para mental, segundo o palestrante, por-
a sustentabilidade foi o tema que se não agregar a sociedade os
do 5º Congresso Nacional de outros três de nada servem. Falando
Excelência em Gestão (CNEG), pro- da ação do poder público como
movido pela Universidade Federal interventor na gestão de sustenta-
Fluminense (UFF), entre os 2 e 4 de bilidade, Rei destacou que essa in-
julho. O evento, que tem o apoio da tervenção deve ser não só no sentido
Federação das Indústrias do Rio de de cobrar, mas também de mostrar
Janeiro (Firjan) e demais entidades, caminhos e fomentar posturas
Fotos: Divulgação

foi realizado na sede da Federação, proativas, em uma agenda de melho-


nos dois primeiros dias, e encerrado ria contínua que envolva também os
na Escola de Engenharia da Univer- governantes.
sidade Federal Fluminense (UFF), O presidente da Cetesb pontuou
em Niterói. presidente do Conselho Empresarial os avanços ambientais na cidade de
O tema é mais do que atual, uma de Gestão Estratégica para a São Paulo, como por exemplo, a ges-
vez que todas as nações estão discu- Competitividade do Sistema Firjan, tão de aterros, que em dez anos teve
tindo formas de diminuir os efeitos Angela Costa; do gerente de relações uma melhora significativa. Desta-
do aquecimento global no planeta, externas e institucionais da Devon, cou ainda que há uma meta de redu-
com cada país realizando ações para José Carlos Mattos; do vice-reitor zir em 20% as emissões de dióxido
o benefício da natureza, como, por da Universidade Federal Flu- de carbono pelo setor energético na
exemplo, fontes de energia limpa minense (UFF), Emmanuel de capital – índice que deverá ser al-
como o etanol e a energia solar, e a Andrade; e do presidente do Institu- cançado uma vez que hoje esta re-
reciclagem de materiais. Nos deba- to Nacional de Propriedade Indus- dução já está em torno de 17%.
tes, foram abordados diversos aspec- trial (Inpi), Jorge Ávila. A mesa ‘A sustentabilidade
tos relacionados ao tema do evento Todos destacaram a importância revisitada em tempos de crise’, mo-
– desde gestão econômica e finan- das empresas aliarem a inovação derada por Cid Alledi, contou com a
ceira, ambiental & sustentabilidade, tecnológica à gestão empresarial participação de Rosa Alegria, vice-
de saúde e segurança ocupacional, sustentável – pois crescer de modo presidente do Núcleo de Estudos do
de qualidade e de produção e produ- sustentável é uma exigência da socie- Futuro da PUC-SP, Celina Carpi,
to à pesquisa operacional, estratégia, dade e quem não se adequar a esta conselheira do Ethos; Cláudia Jeu-
conhecimento organizacional, edu- realidade perderá mercado. “O que non, assessora-chefe em responsabi-
cação em sistema de gestão e inova- antes era uma visão de radicais, hoje lidade social da Firjan; e Cristina
ção e propriedade intelectual, ética e é uma visão global para a gestão Brunet, da comissão de responsabi-
responsabilidade social. empresarial”, afirmou José Carlos lidade social do IBP/BP Brasil.
Mattos,. “Produzir com desenvolvi- Para Rosa Alegria, a ‘revisitação’
Práticas sustentáveis – No primei- mento sustentável é dever de todos”, da sustentabilidade é necessária,
ro dia foi realizado o 5º Encontro de complementou Angela Costa. pois é preciso discutir como ampliar
Ensino e Prática de Sustentabilidade Fernando Rei, presidente da estas ações no mundo, pois embora
e Responsabilidade Social, sob co- Companhia Ambiental do Estado de no início da exploração do tema, na
ordenação do professor da UFF, Cid São Paulo (Cetesb), abriu o congres- década de 1970, tenha havido uma
Alledi. Várias palestras foram apre- so com a palestra ‘Gestão da movimentação por parte das empre-
sentadas neste dia, em torno do tema sustentabilidade: políticas públicas sas e da população, ainda falta mui-
‘Inovação nas organizações brasi- e mudanças climáticas no estado de to a ser discutido. “A sustentabilidade
leiras: um caminho para a susten- São Paulo’. Ele apresentou uma vi- que existe hoje ficou dentro da cas-
tabilidade’. são nova sobre gestão sustentável, ca”, afirmou.
A abertura do CNEG, no segundo que além do tripé ecologicamente O evento foi encerrado na Esco-
dia, teve a participação do reitor da correta, ecologicamente viável, so- la de Engenharia da UFF, em
Universidade Católica de Petrópolis cialmente justa, inclui o conceito de Niterói, com minicursos e sessões
(UCP), José Luiz R.S. Fernandes, da culturamente aceita – o que é funda- técnicas durante todo o dia.

116 TN Petróleo nº 66
Combustível

Foto: Divulgação
para a leitura
Projeto Semeando Cidadania na Escola, implantado pela
Ipiranga há cinco anos em parceria com a Fundação
Educar, ganha apoio da Firjan.

A
Ipiranga e a Fundação Edu- balho voluntário de motoristas, fun-
car DPaschoal firmaram cionários de diversas áreas e clien-
uma parceria com a Firjan tes da empresa. Os livros patrocina-
(Federação das Indústrias do Estado dos pela Ipiranga com recursos pró-
do Rio de Janeiro) para fortalecer ain- prios e incentivados (Lei Rouanet)
da mais o projeto Semeando Cidada- são produzidos pela Fundação Edu- sará os cinco mil em todo o territó-
nia na Escola, que incentiva a leitura car DPaschoal e entregues em um rio nacional, em função da incorpo-
por meio da produção de livros com depósito da empresa localizado em ração de dois mil postos à rede
temas atuais e que contribuam para a Paulínia, interior de São Paulo. Ipiranga, resultado da aquisição da
formação da cidadania. As cidades escolhidas para rece- rede Texaco pelo Grupo Ultra, em
Criado em 2004, fruto de uma ber os livros são indicadas por fun- agosto de 2008.
parceria entre a Ipiranga e a Funda- cionários, clientes, entidades, prefei- Com a aquisição, a Ipiranga con-
ção Educar DPaschoal, o projeto su- turas e empresas parceiras e secreta- solida sua posição como segunda
perou a marca de 1,2 milhão de livros rias de Educação. Os clientes ou os maior distribuidora de combustíveis
paradidáticos desenvolvidos e distri- proprietários de postos de combustí- no país, passando a deter 22% de par-
buídos em 21 estados do país, benefi- veis ficam encarregados da definição ticipação no mercado brasileiro. A
ciando mais de 790 mil alunos. das escolas e da entrega dos livros. incorporação dos postos Texaco nas
A parceria com a Firjan consiste O trabalho voluntário e a lo- regiões Centro-Oeste, Nordeste e
em uma doação que a Ipiranga fez gística montada pelos funcionários Norte permitirá à Ipiranga atender
de 15 mil livros para serem utiliza- já possibilitaram a entrega dos exem- com maior eficiência clientes com
dos em diversas ações educativas re- plares em cidades como Almeirim, operações e necessidades em escala
alizadas pela instituição em 11 mu- no Baixo Amazonas; Santa Cruz do nacional. A Ipiranga voltará a ter
nicípios do Rio (Barra do Piraí, Bar- Sul, no Rio Grande do Sul; e Duque acesso a regiões de altas taxas de
ra Mansa, Duque de Caxias, Nova de Caxias, no Rio de Janeiro. Os li- crescimento de consumo.
Friburgo, Itaperuna, Jacarepaguá, vros são temáticos e falam de Os ganhos de escala gerados pela
Macaé, Nova Iguaçu, Petrópolis, reciclagem, meio ambiente, DSTs união de Ipiranga e Texaco resulta-
Resende e Volta Redonda). (Doenças Sexualmente Transmissí- rão em serviços de melhor qualidade
Durante o evento, realizado na veis), diversidade, folclore, educação e em maior competitividade para to-
Unidade da Firjan de Jacarepaguá, no trânsito, direitos e deveres, valo- dos os postos da rede, com benefícios
foi lançado o mais novo livro do acer- res, entre outros assuntos. “Eles para o consumidor. Em 2008, a
vo do Projeto Semeando: A planta complementam o material didático Ipiranga registrou faturamento líqui-
gritadeira, escrito por Sandra que as escolas utilizam, abordando do de R$ 23 bilhões, com volume de
Aymone, que estará presente autogra- temas atuais e usando uma lingua- vendas de 12 milhões de m³.
fando os exemplares. O livro aborda, gem de fácil entendimento”, afirma Atualmente, a Empresa conta
numa linguagem bem simples, a Mônica Garcez, gerente de Recursos com 2.100 funcionários. Seus pos-
temática do consumo consciente. Humanos da Ipiranga. tos destinam-se ao atendimento das
necessidades diárias dos consumido-
Livros para todos Marca nacional res, oferecendo desde combustíveis
A parceria da Ipiranga com a Empresa do Grupo Ultra, a e lubrificantes até produtos de con-
Fundação Educar DPaschoal permi- Ipiranga possui atualmente uma veniência – são 700 lojas am/pm e
te que os livros cheguem às regiões rede de mais 3.200 postos de com- 600 unidades Jet Oil – serviços
mais distantes do país. O Semeando bustíveis no Sul e no Sudeste do país. automotivos especializados, instala-
Cidadania na Escola envolve o tra- Esse número, no entanto, ultrapas- das em postos Ipiranga.

TN Petróleo nº 66 117
suplemento especial

Água, meio ambiente


e a nova
geopolítica
global
Raramente leio as famigeradas correntes que costumam chegar por e-mail.
Porém, recebi uma, vinda de um amigo também
Fotos: Banco de Imagens Stock.xcng

cético do ‘correntismo eletrônico’, para a qual decidi


dar uma chance. A mensagem, com o título de ‘Carta
escrita no ano de 2070’, é a tradução de um texto em
espanhol originalmente publicado em 2002.

E
m suma, trata-se da carta de um pai de meia idade narrando
o cotidiano dramático de um mundo sem água e o contrastan-
do, com certo arrependimento, a uma infância em que a
preservação do precioso líquido e do ambiente não eram impor-
tantes. Seu conteúdo é muito oportuno neste momento em que a
sustentabilidade é um dos temas mais recorrentes em todo o
mundo.
A água foi uma das últimas fronteiras a serem cruzadas pelos
ambientalistas, estudiosos e políticos. Mesmo após a inclusão do
meio ambiente na agenda internacional, de maneira incipiente nos
anos 1970 e com particular visibilidade a partir da Cúpula da Terra
das Nações Unidas (a Rio-92), ainda levou algum tempo para que
se percebesse que a água se encontra de modo íntimo nesse qua-
dro complexo.
Aprendemos, quando crianças, que a água é o exemplo clássico
de ‘recurso renovável’, possuindo um ciclo natural e perpétuo,
enquanto o petróleo seria seu contraponto, o ‘recurso não
renovável’. Com relação à primeira, não haveria o que temer.
O petróleo, por outro lado, seria o grande problema energético e
político global. A (potencial) escassez deste, bem como sua concen-
Guilherme Stolle Paixão e
tração em alguns lugares privilegiados do planeta, teria sido respon-
Casarões é professor das sável pela dinâmica dos conflitos internacionais das últimas décadas.
Faculdades Rio Branco e A chamada ‘geopolítica do petróleo’, que abriu de modo voraz
mestre em Ciências
Políticas pela USP, espe- este século XXI, já foi apresentada como o maior algoz de uma
cializado nas relações paz mundial vindoura. Ela encobre, no entanto, um cenário ainda
entre os países da União
Europeia e organismos mais delicado, assentado no que podemos chamar de ‘geopolítica
internacionais. da água’. Afinal de contas, esse líquido insípido, inodoro e

118 TN Petróleo nº 66
incolor, tão ligado ao desenvolvimento das draconianas de controle de recursos hídricos
espécies e ao progresso humano, pode acabar – para que o Estado não entre em colapso?
e está acabando. Conflitos internacionais também podem
Essa escassez, acompanhada por um grave emergir num cenário de escassez de água potá-
problema de gestão de águas, já tem causado vel. Da mesma maneira que a questão energética
problemas para a agricultura e a indústria, (gás e petróleo) é a principal fonte de violência e
principalmente nas regiões áridas. O tensões em regiões como o Oriente Médio e o
desequilíbrio entre o uso da água e os recursos Cáucaso, a busca por água pode transformar o
hídricos é crítico em diversos locais do globo, cenário dos conflitos globais. Guerras por água já
especialmente em partes dos Estados Unidos, são aventadas por diversos políticos e acadêmi-
norte da África, Oriente Médio e Ásia Central. cos, na construção de cenários para este século
Água potável é raridade em diversas comuni- nascente.
dades humanas e sua ausência é responsável por Um dado importante é que nada menos que
indicadores sociais negativos, como alta mortali- 260 bacias hidrográficas são compartilhadas por
dade infantil e morte por contaminação de fontes dois ou mais países. Em relatório da Organização
hídricas. Somada ao aquecimento global, a das Nações Unidas de poucos anos atrás, prevê-se
questão da água detém um potencial gerador de que três bilhões de pessoas viverão em países
conflitos, que, embora negligenciado por muitos, passando por conflitos por falta de água. O que
deve constar na agenda de cada um dos Estados pensar do Brasil, com cerca de 12% de toda a água
e organizações internacionais. doce do planeta, num mundo em que a questão
Devemos atentar para problemas domésticos hídrica – e não o petróleo, a religião, ou o naciona-
e internacionais que advêm da escassez de água lismo – será a principal fonte de conflitos, domésti-
e de sua má gestão. Internamente, a distribuição cos e internacionais?
desigual de recursos hídricos pode acirrar ou O embaixador Rubens Ricúpero sustentou, em
mesmo criar divergências econômicas, políticas recente intervenção, que o meio ambiente é nossa
e sociais dentro de um Estado. paranoia de hoje, como o medo de uma guerra
A desertificação de determinadas áreas, atômica povoou o imaginário dos filhos da Guerra
bem como o número crescente de desastres Fria. Sua avaliação é tão precisa quanto assusta-
naturais decorrentes da mudança do ciclo da dora. Ao contrário das bombas nucleares, que
água, tem o potencial de gerar transformações podem ser contidas e detidas, uma catástrofe do
demográficas. Dentre as consequências estão o meio ambiente é inevitável, se a solução não for
aumento da pobreza, a ‘favelização’ de centros buscada agora.
urbanos economicamente atraentes e a intensi- A boa vontade dos organismos internacio-
ficação de conflitos sociais em diversos pontos nais e da sociedade civil organizada não tem
do planeta. Além disso, na ausência de uma bastado, uma vez que se deparam com Estados
solução que progressivamente amenize o desinteressados e sempre devastadores na
problema da água, medidas proporcionalmente busca por crescimento econômico, desenvolvi-
drásticas para corrigir o rumo de seu uso serão mento ou segurança. Talvez, se falarmos na
necessárias no momento em que a situação língua destes, insistindo nos perigos da
fuja do controle dos governos. Como ficará a “geopolítica da água”, consigamos algum tipo
democracia num quadro em que nossos políti- de resposta. Que a recorrente discussão da
cos, frente a conflitos internos de proporções sustentabilidade nos conduza a uma reflexão
significativas, terão de tomar medidas séria em direção a um mundo melhor.

TN Petróleo nº 66 119
suplemento especial

Cidades
sustentáveis
Há muitos exemplos que podem
dar certo em qualquer lugar
O 15º Ecomm – que aconteceu na cidade de San Sebastian, na Espanha,
entre 12 e 16 de maio – trouxe uma contribuição importante para a reflexão
sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de
uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.

E
stá mais do que na hora de a cidade de São Paulo provocar
um encontro destes, discutir soluções e maneiras de
redesenhá-la. A conferência reuniu 438 delegados dos cinco
continentes, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Susten-
tável foi a única delegação sul-americana presente no evento.
Se seguirmos a lógica de alguns especialistas, que defendem
que a economia mundial tende a dobrar de tamanho a cada 14
anos, no futuro haverá mais carros circulando nas cidades à medi-
da que cresce o ritmo da produção e o poder aquisitivo da popula-
ção. A capital paulista, em pouco tempo, entrará em colapso por
falta de espaço para circulação de pessoas, isso se continuarmos
optando pelo deslocamento individual.
Uma das soluções para esse cenário caótico é a adoção de
medidas que proporcionem a mudança de hábito na maneira como
nos deslocamos pela cidade. É importante ter consciência de que o
carro sozinho não é o vilão, mas a forma como é utilizado é que o
transforma nisso tal.
Lincoln Paiva é formado Durante o Ecomm foi possível constatar que cidades pequenas,
em Comunicação Social,
sócio da Believe Comu- com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprome-
nicação Viva e tidas em reduzir o número de pessoas que circulam com automó-
idealizador do projeto
MelhorAr de Mobilidade
veis, ao passo que megacidades como São Paulo estão adormecidas
Sustentável. e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os núme-

120 TN Petróleo nº 66
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

ros, recursos financeiros e cultura são outros, mas da pelo governador de San Sebastian, Odon
estamos falando de um encontro que já tem mais Elorza, que colocou as dificuldades de levar a
de 15 edições anuais. cabo um projeto de mobilidade numa cidade que
As cidades europeias estão trabalhando no pertence ao País Basco e sofre com atentados
conceito de diminuir os deslocamentos por veícu- terroristas do ETA.
los individuais, convertendo espaços públicos em O Projeto Caminhe + de San Sebastian é um
espaços mais humanos. Cidades mais sustentá- plano intermodal que liga todos os meios de
veis nas quais se potencializam a mobilidade em transportes e estacionamentos públicos, fazendo
transporte público de qualidade e em que as com que as pessoas tenham muitas alternativas
caminhadas adquirem o protagonismo. As para seus deslocamentos, podendo utilizar seu
cidades estão redesenhando os seus espaços em veículo até os bolsões de estacionamento, ou seja,
favor do bem-estar das pessoas e não dos veícu- caminhar um trajeto e pedalar outro.
los. A nova ordem é frear a deterioração do meio Além dos elementos clássicos de uma política
ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão,
reduzir o uso do automóvel e potencializar a o plano de mobilidade de San Sebastian estabele-
mobilidade a pé, o transporte público e os deslo- ceu também uma série de programas centrados
camentos por bicicleta. na configuração social, na demanda de desloca-
Como patrocinadora do evento, a cidade de mentos, na cultura e nos comportamentos relati-
San Sebastian distribuiu, logo no vos a mobilidade. Para cuidar deste projeto, a
credenciamento, a todos os participantes um cidade criou um Centro Municipal de Informa-
cartão com acesso aos meios de transportes da ções e gestão de Mobilidade que facilita o impul-
cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, táxi e so de uma mudança comportamental com um
estacionamentos. A abertura do evento foi realiza- enfoque cultural e pedagógico.

TN Petróleo nº 66 121