UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

O LUGAR DA DIFERENÇA NO CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

TARCIA REGINA DA SILVA

João Pessoa/Paraíba

ministrada pela professora Marta Coelho Rodrigues. O LUGAR DA DIFERENÇA NO CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS Resenha Crítica apresentada como requisito para a obtenção de nota parcial da disciplina Seminário em Tópicos Educacionais. Janine João Pessoa/Paraíba .2 2012 TARCIA REGINA DA SILVA . pelo Programa de Pós-Graduação em Educação.

desde 1991.Abraham Magendzo. Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas. 2011. Como repercussão recente das suas atividades. Aura Helena. Direitos Humanos e Escola: Onde a diferença se move discorre sobre as três diferentes . destaca-se a premiação pela classificação em 1º lugar na categoria Educação em Direitos Humanos do Concurso Nacional de artigos científicos e ensaios teóricos sobre Educação para a Diversidade. à Faculdade de Educação. promovido pela ANPED/MEC-SECAD em 2010. Em 2010. Aura Helena Ramos é graduada em História (1981). a partir de 2012. e a Missão Acadêmica a cargo da ANPED realizada em 2011 sob orientação do Prof. O primeiro capítulo intitulado: Contemporaneidade.3 2012 RAMOS. Nesta obra a autora discute de que modo a diferença se articula e constrói consensos no processo de luta hegemônica de constituição do currículo de Educação em Direitos Humanos. Chile. é professora da UERJ. realizou Mestrado em Educação pela PUC-Rio apresentando dissertação sobre disciplina escolar em 1988. Coordenador da Cátedra Unesco en Educación en Derechos Humanos: Universidad Academia de Humanismo Cristiano. concluiu curso de Doutorado no Proped/UERJ defendendo tese na qual analisa o processo de constituição do currículo de educação em direitos humanos no Brasil. Vinculada. A obra “O lugar da diferença no currículo de educação em direitos humanos” está dividida em três capítulos e as considerações finais. O lugar da diferença no currículo de educação em direitos humanos. É membro do Grupo de Pesquisa Currículo. atividade de extensão acadêmica que desenvolve projetos em parceria com escolas na área de educação em direitos humanos. e coordena o PEDH-Pólo de Educação em Direitos Humanos. mantém atuação concomitante na FEBF-Faculdade de Educação da Baixada Fluminense/UERJ como professora permanente do Programa de PósGraduação em Educação. Formação e Educação em Direitos Humanos. Atuou durante dez anos como docente na rede pública de ensino fundamental e médio do Rio de Janeiro e. Rio de Janeiro: Quartet: FAPERJ.

É a partir dessa premissa tão bem discutida no I capítulo que construí minha questão de pesquisa: Quais as estratégias que os/as estudantes do curso de Pedagogia da UFPB. composição de família e relação familiar. justiça e liberdade. baseada em Chatal Mouffe e em Ernesto Laclau (2004). a discussão orbita sobre a escola como espaço da diferença. positivistas e críticomaterialistas abordando a partir dessas perspectivas o espaço para a diferença. presentes em diferentes localidades. Neste sentido. fixa e homogênea.4 concepções sobre Direitos Humanos: idealistas. onde a base da discussão não quer trazer à tona uma posição supostamente universal. ou seja. Esta observação apontada pela autora não visa a desqualificar o documento tão importante no momento pós Segunda Guerra Mundial. onde não se evita o confronto pelo apagamento do outro que ameaça. uma vez que as questões abordadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos expressam o que é central para a existência humana segundo a perspectiva ocidental e dão a essas questões o tratamento de acordo com a ética moderna produzida por essas sociedades. que atuam na Educação Infantil. mas registra que a universalidade proposta pela na Declaração Universal dos Direitos Humanos implica na anulação da pluralidade de sentidos sobre vida. entre outros. morte. a autora propõe a abordagem agonística dos Direitos Humanos. dignidade. e não como vetor de uma ideia de igualdade. O que a autora reforça como argumento é o entendimento de que os pressupostos de igualdade e universalidade se constituem como fragmentos discursivos que favorecem práticas de anulação e subalternação do outro. preservando a possibilidade do sentido ambivalente que cede espaço à diferença. utilizam diante da diferença? No segundo capítulo “Escola: lugar da diferença”. mas se pauta nas políticas culturais que favorecem e ampliam os espaços de negociação da diferença e do reconhecimento do caráter sempre contingencial. o eixo da escola entendido como o processo de produção cultural em torno dos quais diferentes sujeitos imprimem a marca da diferença . precário e não literal que o sentido produz.

Ramos analisa o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. as questões da igualdade. Ao analisar os documentos a autora conclui que na perspectiva liberal. A autora conclui o capítulo apresentando uma discussão sobre a questão pedagógica em DH. o que cria a possibilidade de vislumbrar a Educação em Direitos Humanos como um dos elementos instituintes da cultura dos DsHs.5 que negociam. da formalidade democrática e do autoritarismo como inerentes ao modelo social configurado pelo liberalismo. os Subsídios para a elaboração das diretrizes gerais da Educação em Direitos Humanos – versão preliminar e entrevista as organizadoras dos subsídios as professoras Aída Monteiro. Rosa Maria Godói Silveira. educação para os direitos humanos e Educação em Direitos Humanos e sobre a construção histórica da Educação em Direitos Humanos no Brasil. tendo como referência a proposta de interculturalidade proposta por Vera Candau e também Mouffe onde a democracia radical e consenso conflituoso apresentamse como compatíveis com a educação em direitos humanos e onde a diferença é concebida fora do marco universal e do particularismo relativista. No terceiro capítulo “Processo de produção curricular de Educação em Direitos Humanos”. mas não questiona a relação de dominação. da cidadania. como estar sendo. o que evidencia os DH como apenas um arcabouço jurídico e ético. Neste cenário a cultura é concebida como construção. da democracia e demais fragmentos que comportam o ideário da modernidade são admitidas sem que se questionem as condições políticas de produção da diferença. Adelaide Alves Dias e Lúcia de Fátima Guerra. Maria Nazaré Zenaide. O capítulo também faz uma breve abordagem sobre as expressões: educação como direito humano. entendendo que o a abordagem dos Direitos Humanos pode ser ressignificada a partir da diferença como produto discursivo. Do ponto de vista da diferença os documentos propõem formas pacíficas de convivência. Posiciono-me em consonância com as ideias apresentadas pela autora. e de currículo como uma das práticas sociais de . sem questionamentos do modelo vigente. pensando a educação na perspectiva intercultural.

mas como uma experiência a ser construída. É. pensar a escola como espaço onde os Direitos Humanos possam ser vividos não como um arcabouço jurídico normativo. . enfim. a partir da tensão/negociação igualdade/diferença na procura por compreender o que se mantém e o que é recriado quando o eu e o outro se encontram que engloba toda a relação social e institui sentidos provisórios e contingentes nos permanentes processos de disputa hegemônica. e os DsHs como algo resultante desta prática.6 produção cultural.