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02 de Abril de 2013•13h18

Além de educativo, livro infantil é um objeto de arte, diz ilustrador

Elaine Patricia Cruz

  Monteiro Lobato, Ziraldo e Ruth Rocha são alguns dos grandes escritores que ficaram conhecidos no País por suas histórias destinadas ao público infantil. Mas apesar de tão conhecida, a literatura infantil ainda é um mercado novo no Brasil, na opinião do presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij), Hermes Bernardi Jr.

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   Professoras criam 'ratos de biblioteca' e transformam escola Por que o Dia Internacional do Livro Infantil é em 2 de abril? Professora cria 'academia de letras' para motivar crianças a ler O escritor e ilustrador de livros infantojuvenis acredita que só recentemente o mercado brasileiro entendeu que livro infantil não é sinônimo de livro educativo ou pedagógico, mas também uma obra. "Livro infantil não é só para educar a criança, mas para envolvê-la, com sensibilidade, a alguns aspectos que fazem parte da vida tais como o jogo, a relação, a brincadeira, o medo e o conflito", disse. Bernardi Jr lembrou que a descoberta de que o livro infantil não tem que ser especificamente utilitário e pedagógico é recente. "Apesar de termos, lá atrás, (escritores como) Monteiro Lobato, Ziraldo, Ruth Rocha e Sylvia Orthof, (responsáveis) por momentos marcantes da literatura infantil e juvenil brasileira, (há apenas) uns dez ou 15 anos, vivendo esse outro momento, de considerar o livro infantil como lúdico'. Para o escritor e ilustrador, o livro infantil não é apenas um objeto que tem uma função específica: é um objeto de arte. "Ele lida com dois elementos de narrativa, um deles, a palavra e o outro, a imagem, que qualificam o leitor em seu olhar diante do mundo". Bernardi Jr lembrou que a literatura infantil não é escrita tão somente para crianças. "A criança para a qual eu escrevo habita um corpo. Mas a idade desse corpo não me interessa. Todos temos, dentro de nós, uma criança. Podemos escrever livros infantis para crianças de qualquer idade". Segundo ele, o setor tem se renovado nos últimos anos, favorecido, entre outros fatores, pelo uso da tecnologia. "Isso colaborou para que tivéssemos parques gráficos mais ousados e bem equipados no Brasil. E aí os artistas da palavra e da imagem começaram a ficar um pouco mais ousados e a recriar esse espaço e esse universo do livro, criando, inclusive, esse produto que chamamos de livro-brinquedo, que tem textura, cheiro etc".

como um objeto de arte. na faixa etária de 5 a 10 anos foram lidos 5. durante a 22ª Bienal do Livro. "Descobrimos há pouco a literatura infantil e juvenil brasileira e todos os recursos que podemos criar ali. Para ele. 'Isso seria um grande ganho para a sociedade como um todo. na de 11 a 13 anos. por exemplo.Mas a principal renovação do setor. "De fato tem aumentado o número de escritores de livros infantis no Brasil e também de ilustradores. o que na Europa já se faz há centenas de anos". uma pesquisa feita para o Instituto Pró-Livro mostrou que a média de livros lidos por crianças e adolescentes é superior à dos adultos.9 livros. vê com bons olhos. 6. 5. Outra proposta que ele defende é a comercialização de livros a preços populares.4 livros. A média geral anual de leitura em 2011 foi quatro livros por brasileiro. iniciativas como as que pretendem incluir livros na cesta básica do brasileiro. o hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo. na verdade. e depois na escola e nas relações de amizade. o brasileiro ainda lê e consome poucos livros. Mercado O mercado de livros infantojuvenis cresceu no País nos últimos anos. Há pouco tempo as editoras brasileiras estão fazendo livros com capa dura. para ele. muitas vezes. defendeu. se ela for mediada com sensibilidade.9 livros e na de 14 a 17 anos. ele está começando a virar um produto com muito mais arte". Bernardi Jr. o livro passa a ser um companheiro inseparável na vida de qualquer sujeito". Outro problema apontado por Bernardi Jr. Mas apesar desse crescimento. "Se houver uma boa e bem realizada mediação pela família. onde vê um outro modo de ver e de perceber o mundo". Por essa razão. disse Bernardi Jr. principalmente de cor. (pode fazer) a criança estabelecer uma relação muito forte com o livro". "A primeira relação que se estabelece com o livro. onde ele se descobre. Bernardi Jr considera a mediação uma parte importante na criação do hábito. . O brasileiro precisa ir à livraria e comprar livros de autores e ilustradores brasileiros". em São Paulo. Receber um livro junto com a cesta básica e os alimentos já seria uma possibilidade de acesso". em primeiro lugar. como um objeto apenas didático. "O Brasil precisa. consumir mais livros na livraria. É um mercado que cresceu muito principalmente por causa de todos os programas de governo de aquisição de obras para as bibliotecas escolares e públicas". está em outro aspecto fundamental: "Como há muitas pessoas do design e da publicidade envolvidas na feitura de um livro infantil e juvenil. é o fato de o País ter poucas livrarias e bibliotecas disponíveis nos municípios. Para o presidente da associação. esse problema ocorre principalmente "porque o brasileiro não vê o livro como uma necessidade básica" e encara o livro. "O brasileiro precisa pensar melhor no livro. de encadernação. No ano passado. citou.

html .Pesquisa da Associação Nacional de Livrarias. http://noticias. feita entre julho e outubro do ano passado.br/educacao/alem-de-educativo-livro-infantil-e-um-objeto-de-artediz-ilustrador.0a06adee541cd310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD. número que só é menor do que o total de livrarias no país que comercializam livros religiosos (76%). revelou que 74% das livrarias pesquisadas comercializam livros infantis.com.terra.