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BOCAGE (1765-1805

)
O ledo passarinho, que gorjeia D'alma exprimindo a cândida ternura, O rio transparente, que murmura, E por entre pedrinhas serpenteia: O Sol, que o céu diáfano passeia, !ua, que lhe de"e a formosura, O sorriso da aurora alegre e pura, rosa, que entre os #éfiros ondeia$ serena, amorosa %rima"era, O doce autor das glorias que consigo, deusa das paix&es, e de '(tera: )uanto digo, meu *em, quanto n+o digo, ,udo em tua presen-a degenera, .ada se pode comparar contigo/ 0ar(lia, nos teus olhos *uli-osos Os mores gentis seu facho acendem $ teus lá*ios "oando os ares fendem ,ern(ssimos desejos sequiosos: ,eus ca*elos su*tis e luminosos 0il "istas cegam, mil "ontades prendem: E em arte de 0iner"a se n+o rendem ,eus al"os curtos dedos melindrosos : 1esiste em teus costumes a candura, 0ora a firme#a no teu peito amante, ra#+o com teus risos se mistura: 2s dos céus o composto mais *rilhante$ Deram3se as m+os 4irtude e 5ormosura %ara criar tua alma e teu sem*lante/ 'on"ite a 0ar(lia 6á se afastou de n7s o in"erno agreste En"olto nos seus 8midos "apores$ fértil prima"era, a m+e das flores O prado ameno de *oninas "este: 4arrendo os ares o sutil nordeste Os torna a#uis$ as a"es de mil cores dejam entre 9éfiros e mores, E toma o fresco ,ejo a cor celeste: 4em, 7 0ar(lia, "em lograr comigo Destes alegres campos a *ele#a Destas copadas ár"ores o a*rigo: Deixa lou"ar da corte a "+ grande#a: )uanto me agrada mais estar contigo .otando as perfei-&es da .ature#a Oh, tran-as, de que mor pris&es me tece, Oh, m+os de ne"e, que regeis meu fado : Oh tesouro : oh mistério : oh par sagrado , Onde o menino al(gero adormece : Oh ledos olhos, cuja lu# parece ,;nue raio de sol : oh gesto amado, De rosas e a-ucenas semeado, %or quem morrera esta alma, se pudesse : Oh : lá*ios, cujo riso a pa# me tira, E por cujos dulc(ssimos fa"ores ,al"e# o pr7prio 68piter suspira : Oh perfei-&es : oh dons encantadores : De quem s7is <///Sois de 4;nus < 3 é mentira Sois de 0ar(lia, sois de meus amores/ 0ar(lia, se em teus olhos atentara, Do estel(fero s7lio relu#ente, o "il mundo outra "e# o omnipotente, O fulminante 68piter *aixara, Se o deus, que assanha as 58rias, te a"istara, s m+os de ne"e, o colo transparente, Suspirando por ti, do caos ardente, Sugeriu = lu# do dia, e te rou*ara : Se a "er3te de mais perto o Sol descera, .o áureo carro "elo# dando3te assento té da esqui"a Dafne se esquecera : E se a for-a igualasse o pensamento, Oh alma da minh'alma, eu te of'recera 'om ela a ,erra, o 0ar, e o 5irmamento

>mportuna 1a#+o, n+o me persigas >mportuna 1a#+o, n+o me persigas$ 'esse a r(spida "o# que em "+o murmura$ Se a lei do mor, se a f?r-a da ternura .em domas, nem contrastas, nem mitigas: Se acusas os mortais, e os n+o a*rigas, Se @conhecendo o malA n+o dás a cura, Deixa3me apreciar minha loucura, >mportuna 1a#+o, n+o me persigas, 2 teu fim, seu projecto encher de pejo Esta alma, frágil "(tima daquela )ue, injusta e "ária, noutros la-os "ejo: )ueres que fuja de 0ar(lia *ela, )ue a maldiga, a desdenhe$ e o meu desejo 2 carpir, delirar, morrer por ela/

atende . fiel para seu dano $ '?a lu# dos olhos teus 'upido ufano Sustenta o puro fogo. cum sua"e engano 'onsola o triste amor. 0ar(lia. em que me acende $ 'ausa gentil das lágrimas que choro. Esperan-as frustrei do amor mais terno. )ue é mais triste que "7s minha triste#a $ %erdi o galard+o da fé mais pura. em "+o te imploro : .ature#a. Ora nas folhas a a*elhinha pára. 0o"ereis a piedade o mesmo inferno/ 'horosos "ersos meus desentoados. e lamentosa. Sem arte. se eu te n+o "ira. como ali. surgidos da morada acesa Onde de horror sem fim %lut+o se go#a. 0ochos de "o# sinistra.+o aterreis esta alma dolorosa. Ora nos ares sussurrando gira : )ue alegre campo : que manh+ t+o clara : 0as ah: . s "agas *or*oletas de mil cores : .udo o que ".+o pertence a piedade = formosura/ Olha . teu rosto adoro : O golpe. !ongos ciprestes desta sel"a anosa. que enlutais a . tudo te antep&e minha ternura.s.ejo a sorrir3te : Olha n+o sentes Os 9éfiros *rincar por entre as flores < 4. que n+o te ofende : De teus ca*elos ondeados pende 0eu cora-+o. as flautas dos pastores. linda narda. *eijando3se os mores >ncitam nossos 7sculos ardentes : Ei3las de planta em planta as inocentes. )ue *om que soam. . som*ras "+s. que me deste. anima e cura /// 0as ai : que em "+o suspiro. atende Bs doces mágoas do rendido Elmano$ 'um meigo riso.aquele ar*usto o rouxinol suspira. sem *ele#a e sem *randura. E quanto adoro o céu. como est+o cadentes : Olha o . posse de celeste formosura : 4ol"ei pois. . ao fogo eterno : E lamentando a minha des"entura. )ue dissol"eis dos fados a incerte#a : 0anes.0imosa. 0ais triste#a que a morte me causara/ Oh tre"as.

7 mortais.os meus suspiros. lágrimas e amores$ .otai dos males seus a imensidade. nada me resta.o mudo esquecimento a sepultura$ Se os ditosos "os lerem sem ternura. h. oh Sorte. 7 "ersos. de ang8stia cheio: %erdi todo o pra#er. Da maldi#ente "o# a tirania/ Desculpa tendes. se "aleis t+o pouco$ )ue n+o pode cantar com melodia Cm peito. )uem logra de Crselina o doce riso< 6á so*re o coche de é*ano estrelado Deu meio giro a noite escura e feia $ .ncia/ O cor"o grasnador e o mocho feio O sapo *errador e a r+ molesta. paix+o funesta: Crselina perdi. 0adre terra: gasalha3me em teu seio$ Da "(*ora morda# permite. %ela *a-a . todo o recreio. cuja apar. de gemer cansado e rouco/ >ncultas produ-&es da mocidade Exponho a "ossos olhos. 'rede. desesperados.ncia Escritos pela m+o do 5ingimento. . Onde carpindo estou. "ede3as com piedade.+o "os inspire.riste#a en"enenados: 4ede a lu#. )ue elas *uscam piedade e n+o lou"ores/ %onderai da 5ortuna a "ariedade .nue corte: h: )ue é das gra-as < )ue é do para(so < minh'alma onde está < quem logra/// oh 0orte. n+o *usqueis. co*ardia Da sátira morda# o furor louco. 7 leitores/ 4ede3as com mágoa.ncia >ndique festi"al contentamento. !er3"os3+o com ternura os desgra-ados/ .Crdidos pela m+o da Des"entura. curta dura-+o dos seus fa"ores/ E se entre "ersos mil de sentimento Encontrardes alguns. que foram com "iol. )ue nos matos aspérrimos que piso s plantas me en"enene o t. S+o meus 8nicos s7cios na floresta. 'antados pela "o# da Depend. malfadado amor.

e com ternura pertal3a nos *ra-os casta e *ella: Eeijar3lhe os "ergonhosos.ejo adormeceu na lisa areia $ . com que está minh'alma presa B "il matéria lânguida.ncio total da .em o ma"ioso rouxinol gorgeia. que no meu peito Dá mais escuridade. há mais triste#a/ SO. O pássaro noturno. s7 eu.ncio me rodeia . %elos ares #unindo a solta areia. .este deserto *osque. E a *occa. =s tre"as costumado : S7 eu "elo. = lu# "edado : 6a# entre as folhas 9éfiro a*afado . e saudade. que "o#eia . pedindo = sorte )ue o fio. mas aceito. em crespos montes le"antado : Desfeito em furac&es o "ento irado. O mar. O .O DO %1 9E1 0 >O1 mar dentro do peito uma don#ella$ 6urar3lhe pelos céus a fé mais pura$ 5allar3lhe.o sil. afeito : )uer no horror igualar3me a . 0e est+o negras paix&es nF alma fer"endo . ca"ernosas fragas.ature#a/ O céu. de opacas som*ras a*afado. a que ando. palpar3lhe de le"e os dois pimpolhos: 4el3a rendida emfim a mor fecundo$ Dictoso le"antar3lhe os *rancos folhos$ 2 este o maior gosto que ha no mundo/ So*re estas duras. .E. lindos olhos. Depois da meia3noite na janella: 5a#el3a "ir a*aixo. )ue o marinho furor "ai carcomendo.o agoureiro cipreste além pousado $ 5ormam quadro terr("el.ature#a $ %orém cansa3se em "+o.)ue profundo sil.em pia o mocho. conseguindo alta "entura. grato = fere#a Do ci8me. e com cautela Sentir a*rir a porta. que murmura$ Entrar pé ante pé. me corte : 'onsola3me este horror.ornando mais medonha a noite feia $ 0ugindo so*re as rochas. que salteia. esta triste#a $ %orque a meus olhos se afigura a morte . 0as grato aos olhos meus. com pra#er o mais jucundo.

gente (mpia. eu peno. Solto gemidos. e "endo De agudas ânsias "enenosas chagas/ 'ego a meus males. eu amo$ Di#es3me que sossegue. na eternidade: .i"era algum merecimento Se um raio da ra#+o seguisse.'omo fer"em no pego as crespas "agas/ 1a#+o fero#. pura: Eu me arrependo$ a l(ngua quase fria Erade em alto preg+o = mocidade. eu morro G6á Eocage n+o sou:/// co"a escura 0eu estro "ai parar desfeito em "ento/// Eu aos céus ultrajei: O meu tormento !e"e me torne sempre a terra dura: 'onhe-o agora já qu+o "+ figura Em prosa e "erso fe# meu louco intento$ 0usa:/// . 1asga meus "ersos. eu ardo. )ue atrás do som fantástico corria: Outro retino fui/// santidade 0anchei:/// Oh: Se me creste. lágrimas derramo/ 1a#+o$ de que me ser"e o teu socorro< 0andas3me n+o amar. cr. E "ás nele @ai de mim:A palpando. o cora-+o me indagas. 0il o*jetos de horror coFa idéia eu corro. surdo a teu reclamo. De meus erros a som*ra esclarecendo.