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1- Em que sentidos, para MR e para MM, A ICD é uma ciência?

Para Miguel Reale, a ICD é uma ciência porque ela consiste em um sistema que abrange conhecimentos logicamente ordenados com a finalidade de aprendizagem. Já Mata-Machado afirma que a ICD se encaixa entre as demais ciências do Direito Positivo. Ele vê o direito como fato social, como valor e ainda como norma. 2- Em que sentido, para MN, a ICD não é ciência e é fundamentalmente Epistemologia jurídica? Segundo Machado Neto a ICD não é uma ciência porque não apresenta unicidade de objeto. Para ele, ela seria epistemológica, pois se preocupa em responder às primeiras questões que antecedem o estudo ao Direito em si, como o que é a ciência do direito e quais os conceitos fundamentais que o jurista ou o cientista irá manipular em sua elaboração. 3- Caracterize os enfoques zetético e dogmático de uma investigação teórica, esclarecendo a razão pela qual a ICD elaborada por FJ é “uma análise zetética de como a dogmática jurídica conhece, interpreta e aplica o direito, mostrando-lhe limitações. O enfoque zetético tem como característica principal a abertura constante para o questionamento dos objetos em todas as direções (questões infinitas). É possível distinguir certos limites zetéticos, uma vez que alguns pressupostos admitidos como verdadeiros passam a orientar os quadros de pesquisa. Já o enfoque dogmático considera certas premissas, em si e por si arbitrárias (isto é, resultantes de uma decisão) como vinculantes para o estudo, renunciando-as, assim, ao postulado da pesquisa independente. Como a dogmática trata de questões finitas, podemos dizer que ela é regida pelo princípio da proibição da negação. Para Ferraz Júnior, a ICD é uma análise zetética de como a dogmática jurídica conhece, interpreta e aplica o direito. Isso porque, através do enfoque zetético, que apresenta caráter inquisitivo muito forte e desinibido, é feita uma análise dos dogmas da Ciência do Direito. Isso faz com que esse questionamento acabe mostrando as limitações da Dogmática Jurídica. Tal processo é a força motriz das mudanças normativas, pois mostra aquilo que convém ser alterado e criado, justamente devido ao questionamento inicial. 4- Relacione o Direito-ciência com o Direito-técnica na definição da Jurisprudência técnica formulada por GM. Para Garcia Maynez, enquanto o Direito-ciência é responsável pela investigação dos procedimentos que levam à sua elaboração, sendo incumbido da matéria da norma, é o Direito-técnica que fica responsável por converter as palavras, frases e normas a uma arquitetura sistemática. É esse último que traduz os objetivos da ciência e da política jurídicas, traduzindo-as em normas precisas e orgânicas. 5- Esclareça o conceito de Direito, para HK, como ciência normativa, descritiva e não prescritiva. Para Hans Kelsen, o Direito apresenta caráter de ciência normativa por compreender que são as normas jurídicas o objeto da ciência jurídica, e a conduta humana só o é na medida em que é determinada nas normas jurídicas como pressuposto ou consequência.

do direito natural ou da equidade. 7. que aplica as leis. isto é. no dado o momento de aplicação da lei. Segundo o princípio que domina esta matéria. deve conhece-la. o que constitui a técnica interpretativa. não um conjunto de regras postas na comunidade como expressão da vontade estatal. pois tal lacuna na lei deve ser preenchida através de um determinado preceito. Já a vigência consiste no problemático fato de que.entendendo-o como Direito Positivo. comandos. (Verificar as regras sobre iniciação. a judicial. também deve conhece-las. Tanto os legisladores. Segundo ele. enunciados sobre um objeto dado ao conhecimento.Ainda segundo o autor. não há um procedimento já prescrito a respeito de tal situação que se observa no caso concreto a ser analisado. que aplica a Constituição. 6. mandamentos. são também permissões e atribuições de poder ou competência. “a nenhuma lei se darão efeitos . até hoje a técnica mais comum e ordinária de estudar os diferentes ramos do direito. trata-se de uma ciência não prescritiva por não serem juízos. imperativos.Esclareça o conceito do Direito. desenvolveram-se com a Enciclopédia Jurídica e se cristalizaram na Dogmática Jurídica. que provém dos tribunais encarregados de aplicar a lei em casos concretos. por exemplo. Nesse caso. Pode ocorrer. e a autêntica. Há. o intérprete se vê obrigado a obter uma análise dos mesmos. no entanto. enquanto o juiz. Ainda podem haver três tipos de interpretação: a privada. que podem ser traçados através dos princípios gerais do direito. pode-se afirmar que diante de tal conjuntura o legislador assume um papel criador. Mas não são apenas comandos. alguns problemas que formam seu objeto de estudo. Elas são antes. duração e extinção da vigência de uma lei) Quando no momento a aplicação de uma lei surge a árdua questão de saber se uma disposição legislativa pode ser aplicada a situações jurídicas concretas. e. e descrito pela ciência jurídica. como tais. Ela é identificada quando existe alguma lacuna na lei. Outro problema é a integração. os órgãos jurídicos tem antes de tudo por missão produzir o Direito para que ele possa então ser conhecido. Embora todo preceito jurídico encerra um sentido. Ou seja. Cabe ao julgador preencher essa lacuna por meio de caminhos variados.Conceitue os problemas do Direito-técnica para Garcia Maynez. nem sempre ele é interpretado com claridade. Mata-Machado vê na Teoria Geral do Direito uma tentativa de fixar o objeto formal do direito. Segundo ele. Para Kelsen é uma ciência descritiva devido ao seu dever de descrever o direito com base no seu conhecimento. A interpretação é um desses problemas. na qual o próprio autor buscar fixar o sentido correto para as leis que ditou. relacionando a Dogmática Jurídica e a Teoria Geral do Direito. de certas expressões ou vocábulos que o integram tenham múltiplas apreciações devido a sua construção defeituosa. ciência. para Mata-Machado. A técnica jurídica pode ser definida como a arte de interpretação e aplicação dos preceitos do direito vigente. que é obra de particulares (quando são especialistas se trata da interpretação doutrinal). de acordo com o seu sentido. Por isso. os ensaios de generalização e sistematização das regras de direito que já haviam constituído preocupação dos jurisperitos do Direito Romano. estamos diante da retroatividade. pode haver impasses em determinar se os preceitos que provém do caso estão vigentes ou não.

Segundo Ferraz Júnior. Um pensamento tecnológico é. 11. Isso faz com que seus corpos doutrinários delimitem um campo de solução de problemas considerados relevantes e cortam outros. recomendação ou ainda de exortações. . Cabe à legislação técnica observar a pluralidade de legislações e então assimilar as regras de acordo com tal interpretação para se solucionar a questão em voga.Exponha a estrutura lógica das normas jurídicas. Por último. Esse comportamento visa à resolução de possíveis conflitos. ele n’a point d’effect rétroactif”. Nessa condição. sendo estudada pelo direito internacional privado.A separação entre o direito e a moral: pontos críticos.Esclareça porque o Direito. 8. salvo pelo apelo à razoabilidade e à justiça. sem vinculá-los. Tudo isso com o fim de cumprir sua função: criar condições para a ação. a Dogmática Jurídica assume um corpo de fórmulas persuasivas que influem no comportamento dos destinatários. a ciência dogmática cumpre as funções típicas de uma tecnologia. um pensamento fechado à problematização de seus pressupostos. 10.Diferencie o Direito da Moral segundo os critérios da bilateralidade e coercitividade. Tais dificuldades ocorrem tanto no campo das aplicações de leis de acordo com certo espaço. vincula-se a ao direito posto. sobretudo. do quais ela desvia a atenção.retroativos em prejuízo de pessoa alguma”. as proposições doutrinárias tomam forma de orientação. como também pode se apresentar na relação de normas do direito púbico. não seria uma ciência e sim uma tecnologia. O Código Civil francês ratifica tal princípio ao afirmar que “La loi ne dispose que pour l’avenir. Desse modo. para Ferraz Junior. Funciona ao mesmo tempo como agente pedagógico que institucionaliza a tradição jurídica e como agente social que cria uma “realidade” consensual a respeito do direito. Suas premissas e conceitos básicos têm de ser tomados de modo não problemático. 9. verifica-se situações nas quais existem conflitos de leis. É um pensamento conceitual. instrumentalizando-se a serviço da ação sobre a sociedade.