Pensamento e Literatura

. A Herança do Mundo Antigo - O pensamento pagão e seu papel filosófico na Antiguidade Tardia. . O Elo entre dois mundos: Santo Agostinho - m te!to "re#e so"re o autor $ue construiu a ideologia cristã da idade m%dia. . Os pensadores dos &tempos som"rios& - Os continuadores do pensamento cristão após Santo Agostinho' durante a antiguidade tardia.

. E!egetas menores gregos dos s%cs. #-#i - por Moreschini ( Morelli. . Historiografia )rega *ristã - por Moreschini ( Morelli . Outros Escritores da Antiguidade Tardia - por +. ,o-nder . A Era das in#as.es ,/r"aras no Ocidente - por Moreschini ( Morelli . A 0iteratura dos 1einos 1omano-,/r"aros do Ocidente por Moreschini e Morelli .Os Escritores da )/lia - por Moreschini ( Morelli . Os Escritores do 1eino 2isigodo - por Moreschini ( Morelli

A Herança do Mundo Antigo O grande 3ã est/ morto. 43lutarco 4567-895:' ;a defecção dos or/culos.: A id%ia de $ue a <dade M%dia foi a guardiã de todo o conhecimento produ=ido na Antiguidade greco-romana solidificou-se com o tempo' mantendo em seu "o>o uma s%rie de imprecis.es. Ela pressup.e' por e!emplo' $ue a herança greco-romana forma#a uma totalidade homog?nea e coerente' dotada de uma continuidade linear. Assim' @s grandes ela"oraç.es do pensamento grego' 1oma teria acrescentado suas não menos "rilhantes contri"uiç.es' resultando daA o tesouro intelectual $ue a Antiguidade nos legou. Os herdeiros diretos dessa sa"edoria antiga - os medie#ais - teriam portanto rece"ido um con>unto de conhecimentos e concepç.es' harmonicamente estruturados' $ue representaria o fruto maduro do pensamento antigo.

*a"eria aos monges guardar essa relA$uia' tarefa a $ue se entregariam a um só tempo com =elo e ignorBncia. *onseguiram sal#/-la' % certo' da destruição "/r"ara $ue se seguiu @ $ueda do <mp%rio 1omano do Ocidente e preser#aram-na' na medida de suas forças' durante toda a <dade M%dia. 3or%m' ao contr/rio das outras relA$uias tão apreciadas' e!postas' disputadas e adoradas' a >óia do pensamento antigo mantinha-se intocada' oculta e es$uecida a não ser por a$uelas almas piedosas $ue no refCgio dos mosteiros copia#am-lhe as formas. Mesmo estes copiadores dedicados mantinham-se indiferentes ao seu conteCdo' perdidos no deleite das iluminuras ou no fer#or das preces. 3or de= s%culos a semente do sa"er permaneceu em som"ras' en$uanto se discutia o se!o dos an>os' e foi necess/rio $ue os humanistas do 1enascimento fi=essem tremer o mundo para $ue' redesco"erta' ela #oltasse a germinar. 3o"re <dade M%diaD Ea=ia em tre#as' guardando o lume ... Toda essa #isão' tão correntemente difundida ainda ho>e' pode ser $uestionada em mais de um aspecto. ;A FAT 1EGA A METAHIS<*A Em primeiro lugar' não foi toda a ri$ue=a do pensamento antigo' em suas di#ersas #ertentes' legada aos pensadores medie#ais. *onsiderar' por sua #e=' a filosofia antiga como um corpo de id%ias cu>as partes eram da mesma nature=a' estando estreitamente ligadas entre si' não dei!a de ser uma simplificação empo"recedora. Fão ha#ia' com efeito' um modelo Cnico e os di#ersos sistemas filosóficos $ue floresceram em )r%cia e 1oma' em"ora ti#essem #/rios pontos de semelhança' guarda#am consider/#eis diferenças e eram dotados de pro"lem/ticas próprias. 3or outro lado' a contraposição de um perAodo medie#al onde a f% e a religiosidade sufoca#am todo e $ual$uer esforço de intelig?ncia a uma Antiguidade dominada pela ra=ão não passa de outro mito simplificador. Fem tão radiante foi o clarão da herança' nem tão cegos os herdeiros.

Muito distantes esta#am >/ os anos da )r%cia *l/ssica' onde surgiram os grandes sistemas filosóficos' especialmente os de Sócrates' 3latão e Aristóteles' considerados seus maiores e!poentes. A con$uista macedJnica difundiu a cultura de Atenas pelo mundo antigo' esta"elecendo uma ponte entre esta e os no#os e mais florescentes centros como 3%rgamo' Antio$uia e Ale!andria. ;esse contato surge a cultura helenAstica $ue' em"ora imensamente tri"ut/ria ao pensamento grego' ter/ caracteres $ue lhe são estranhos. K >/ no perAodo helenAstico $ue' a par das escolas fundadas por 3latão e Aristóteles' surgem no#as correntes filosóficas como o epicurismo' o estoicismo e o ceticismo. Ale!andria transformara-se no maior centro de intercBm"io comercial e espiritual do Oriente' unindo todas as correntes oriundas dos diferentes po#os $ue o <mp%rio de Ale!andre reuniraL o misticismo oriental #ai aos poucos impregnando a consci?ncia helenAstica' preparando a passagem da filosofia @ teologia' da ra=ão @ f%. Esse ser/ o "utim de 1oma e' em"ora os te!tos cl/ssicos se manti#essem fartamente disponA#eis' foi principalmente a filosofia helenAstica $ue se difundiu e prosperou no no#o <mp%rio $ue surgia. As escolas pós-aristot%licas' com e!ceção da epicurista' tendem ao ecletismo' a"andonando assim as primiti#as posiç.es de puro contraste. E0OS M E SE EST1E<TAM A própria 1oma não fica imune @s transformaç.es $ue o esta"elecimento de seu <mp%rio lhe imp.e. E/ no s%culo < d. *.' a relati#a pa=' segurança e esta"ilidade con$uistadas fa=em-se acompanhar de um dese$uilA"rio $ue não % apenas social' mas tam"%m moral' e $ue tende a agra#ar-se nos s%culos posteriores. Se as mudanças nos costumes' causadas pela no#a situação' o a"andono de suas tradiç.es mais tApicas são #istos por alguns como e#olução "en%fica' muitos outros consideram-nos um claro sinal de corrupção. A crise de consci?ncia modifica profundamente a religiosidade romana - at% então pr/tica e utilit/ria - e no#as

$uest.es são colocadas ao paganismo ocidental: o sentimento de degeneração le#a a um profundo pessimismo em relação ao futuro' a um senso aguçado da fragilidade humana' e a id%ia da morte torna-se o"sessi#a. A esta sede de so"renatural $ue germina#a' nem a religião romana - com seu culto oficial ou a crença nos pe$uenos deuses dom%sticos -' nem as correntes filosóficas $ue at% então ha#iam predominado o epicurismo e o estoicismo - eram capa=es de satisfa=er. ,usca#a-se um ;eus $ue se pudesse amar' $ue protegesse nesse mundo e ao mesmo tempo garantisse a sal#ação eterna. Os romanos #olta#am-se de no#o para o Oriente' de onde >/ irradia#a o #igor intelectual $ue mantinha o <mp%rio: *i"ele' Isis' OsAris' ;ioniso' Mitra e outros deuses adentra#am o 3anteão. Eram di#indades uni#ersalistas' $ue sofreram e #enceram a morte' $ue recorda#am a fecundidade agr/ria' reno#ando todos os anos a #egetação' e sugeriam o renascimento. ;ifundiam-se' ao mesmo tempo' os monoteAsmos >udaico' cristão e persa. O cristianismo propaga-se rapidamenteL apoiando-se na antiga tradição >udaica e apresentando um Sal#ador cu>a e!ist?ncia histórica' milagres e triunfo so"re a morte eram confirmados por testemunhas irrefut/#eis' a no#a religião tornou-se em "re#e uma ameaça' pregando a o"rigação da caridade' a igualdade espiritual de todos os homens e anunciando a #ida futura. O paganismo politeAsta su"sistiria ainda por muito tempo' mas o encontro dessas diferentes religi.es tendia ao sincretismo' com e!ceção do >udaAsmo e do cristianismo' $ue mantinham-se intransigentes em mat%ria de f%. Essa o"cecante preocupação com o destino da alma' a e!ig?ncia de sua sal#ação' penetra' corno não poderia dei!ar de ser' a filosofia' $ue >/ perdera ali/s grande parte do seu 3restAgio. Tam"%m aA' a maioria e os maiores filósofos do perAodo eram orientais de

nascimento e' im"uAdos da$uele mesmo misticismo' dedica#am-se cada #e= mais @ especulação metafAsica. A filosofia transformara-se gradati#amente em %tica e religião' a"andonando o espArito de in#estigação $ue a caracteri=ara. Em resposta a essas no#as e!ig?ncias - $ue su"stituem o ideal do santo ao do s/"io' a meditação da morte @ da #ida' a aspiração de ;eus @ contemplação do mundo - surgem outras #ertentes filosóficas' como o estoicismo romano' a escola >udaicoale!andrina' o neopitagorismo' $ue tendem a desen#ol#er suas especulaç.es religiosas so" a autoridade dos grandes filósofos antigos' particularmente 3latão e 3it/goras' numa mescla $ue guarda#a poucas semelhanças com as doutrinas originais. 3ressionados pela e!pansão cristã' os defensores do paganismo' cu>o campo de ação esta#a sendo progressi#amente estreitado' mo"ili=aram deuses e filósofos ilustres para a defesa de sua causa' permanecendo' contudo' no campo da antiga cultura e do #elho politeAsmo. Ela"oraram assim uma sistemati=ação de toda filosofia religiosa pagã - o neoplatonismo. O conflito entre essas duas concepç.es 4paganismo e cristianismo: seria marcado a um só tempo pela ação 1ecAproca e pela assimilação de elementos doutrinais. EOS ;E SE SE OH S*AM O neoplatonismo % a Cltima escola filosófica do mundo antigo. Surgiu no s%culo << d. *. e reuniu em seu sistema elementos deri#ados não só do platonismo mas tam"%m do neopitagorismo' do aristotelismo' dos estóicos' dos >udaicoale!andrinos e at% dos eleatas. Hoi assim a e!pressão m/!ima do sincretismo da idade ale!andrina' agregando $uase toda a metafAsica religiosa $ue continha a especulação anterior. Esse sistema conheceu tr?s fases: a ale!andrino-romana 4s%culos l<N<<l:' cu>o principal representante foi 3lotinoL a sAria 4s%culos <2 N2:' iniciada por EBm"licoL e a ateniense' representada por 3roclo 4s%culos 2N2<:.

Os neoplatJnicos representa#am o mundo como emanação da força di#ina' pro#eniente de um a"soluto inalcanç/#el 4 no:. O primeiro passo dessa emanação era o mundo da ra=ão' o mundo espiritual das id%iasL o segundo' era o mundo psA$uico' da almaL e o Cltimo era o mundo material. *ada passo representa#a uma $ueda sucessi#a da força pro#eniente do no e por esse moti#o ao mundo material só chega#a um p/lido refle!o de sua lu=. A mat%ria seria' portanto' fonte de todo o mal' a"soluto não ser' e o descenso dos seres encontra aA seu Cltimo limite' cessando a decad?ncia. 3or outro lado por%m' o mundo corpóreo % #i#ente e seu #erdadeiro ser % a alma $ue' por sua nature=a' tende a retomar @ fonte original 4 no:. 1einicia-se desse modo o ascenso at% $ue se atin>a o ponto de partida e o cArculo se feche. Os neoplatJnicos coloca#am em cada fase da emanação os deuses e os demJnios das religi.es orientais e grecoromanas' dando #ida a um sincretismo comple!o e fant/stico' Cltima etapa do desen#ol#imento da religião e da filosofia antigas. A mAstica' a adi#inhação' os >e>uns e as preces' le#ados at% o ?!tase com o fim de &fundir-se& com o no' tinham tam"%m muita importBncia' e algumas dessas pr/ticas seriam adotadas pelos cristãos' particularmente pelos eremitas. Em"ora #encido' o neoplatonismo so"re#i#eu' de certa forma' ao seu próprio tempo. 2/rios de seus temas foram fonte de inspiração para os primeiros pensadores cristãos. A caracteri=ação do no en$uanto simplicidade' autosufici?ncia' infinitude e a"soluta li"erdadeL sua identificação como causa primeira e "em supremo de onde tudo pro#%m e do $ual depende' apro!ima#a-se surpreendentemente da id%ia cristã de ;eus. Outros temas ainda reforça#am essa pro!imidade: a Fature=a entendida como #estAgio do sa"er di#inoL a presença do no na humanidade e sua #isão como lu= interior $ue recomenda#a o &*onhece-te a ti mesmo&L a alma como possuidora de dupla nature=a - intelecti#a e sensiti#a - etc. 3or tais semelhanças' era

comum passar-se dos filósofos neoplatJnicos @s Escrituras' a tal ponto $ue certos autores chegaram a considerar o neoplatonismo uma antecipação pagã do cristianismo. Esse portanto o #erdadeiro legado $ue o mundo medie#al rece"eu diretamente dos Antigos. ma sAntese refinada so" certos aspectos' mas tam"%m empo"recida. Fo #asto tra"alho de amalgamar tantas correntes de pensamento' de tingi-las com um misticismo e uma religiosidade $ue lhe eram estranhos' de adapt/-las a circunstBncias completamente di#ersas da$uelas em $ue foram originalmente criadas' o neoplatonismo despo>ou o pensamento cl/ssico de algumas caracterAsticas preciosas. A refle!ão >/ não era em si filosófica mas metafAsicaL o homem e a nature=a >/ não eram o centro das especulaç.es' mas apenas intermedi/rios em um processo de conhecimento $ue tinha no no sua origem e seu o">eti#o CltimoL a mat%ria' o mundo natural' não eram senão fonte de todo erro' de todo mal' de todo pecado... Antes mesmo $ue o cristianismo triunfasse e $ue o grande <mp%rio ruAsse' tudo le#a#a a crer $ue 3ã' o antigo deus da Fature=a' morrera. A T1A;<OPO *1<STP 1ecolhamos as e!celentes pala#ras $ue pronunciaram ... poderAamos rece"er dos gregos muitas coisas $ue nos dão forças contra os gregos. 4São Eoão ;amasceno' ;a f% ortodo!a' s%culo 2<<<: Apesar de seus esforços' a filosofia neoplatJnica não conseguiu atri"uir um sentido @ perpetração do cArculo de ascenso e descenso do uni#erso. A emanação não correspondia a um ato da #ontade di#ina e' logo' não permitia o esta"elecimento de uma relação pessoal entre o homem e a di#indade. Fessa medida' afirma#a-se a superioridade do cristianismo' ao postular a e!ist?ncia de um ;eus $ue tornara-se *riador por um ato de #ontade e "ondade. A mat%ria' en$uanto uma de suas criaç.es' não poderia ser princApio do mal e isto significa#a atri"uir @

personalidade indi#idual do homem 4e @ sua li#re #ontade: a responsa"ilidade pelo mal e pelo "em' pelo pecado e pela redenção. Assegura#a-se assim a possi"ilidade de sal#ação e refCgio eterno da alma' oferecida por um ;eus preocupado com as de"ilidades' sofrimentos e aspiraç.es de suas criaturas. 3or outro lado' o cristianismo apresenta#a-se como re#elação de #erdades so"renaturais' $ue não resulta#am das refle!.es humanas' e em"ora conti#esse uma concepção da #ida e do destino do homem garantida pela re#elação di#ina' não podia afirmar-se como filosofia. O conteCdo do E#angelho era um sa"er de sal#ação e não de conhecimento pois a rigor dispensa#a' para ser compreendido e aceito' o au!Alio de $ual$uer filosofia. ;esde muito cedo' uma dupla atitude desenhou-se entre os padres da <gre>a: uns re>eitaram em "loco a herança dos filósofos pagãosL outros esforçaram-se para sal#ar dela tudo o $ue poderia ser preser#ado sem dano para a autoridade da re#elação. Esta Cltima postura foi gradati#amente fortalecendo-se @ medida $ue os cristãos #iam-se o"rigados a tomar posição em face da sa"edoria pagã' fosse para com"at?-la' a"sor#?-la ou utili=/-la na formulação do dogma e na defesa da f%. *oloca#a-se assim o grande pro"lema das relaç.es entre f% e ra=ão $ue iria permear todo o perAodo medie#al. *ompelidos' na luta contra o paganismo e as heresias' ao esforço de formulação conceitual do dogma' os escritores cristãos dos primeiros s%culos recorreram aos instrumentos de $ue dispunham 4pensamento helenAstico:' tratando de utili=ar a filosofia a fim de aprofundar o conhecimento das Sagradas Escrituras ou para resistirem com a sua a>uda @s in#estidas dos ad#ers/rios $ue dela se #aliam nos ata$ues ao cristianismo. A patrAstica pode ser caracteri=ada como uma tentati#a de apresentar o cristianismo como doutrina não oposta @s #erdades racionais do pensamento hel?nico. 3artindo do pressuposto de $ue

a sa"edoria pagã era o"ra da ra=ão e' en$uanto tal' tam"%m uma o"ra de ;eus' os Santos 3adres utili=aram a filosofia a ser#iço da f%' tentando ela"orar uma filosofia cristã. As caracterAsticas do pensamento patrAstico decorrem das circunstBncias históricas em $ue surgiu. A doutrina ela"orada difundiu-se no am"iente cultural do helenismo durante o <mp%rio 1omanoL os mestres e os mission/rios cristãos en#ol#eram a apresentação dos ensinamentos e#ang%licos nas roupagens culturais da tradição greco-latina e' dessa sim"iose do elemento religioso de origem oriental com o legado hel?nico' formou-se o patrimJnio cultural cristão $ue impregnou a <dade M%dia. <ronicamente' o neoplatonismo - ela"oração mais refinada $ue o mundo antigo produ=iu em defesa do paganismo - apresentou-se aos Santos 3adres como capa=' com ligeiros reto$ues' de au!iliar a f% cristã a tomar consci?ncia de sua própria estrutura interna e difundir-se com argumentos racionais' ela"orando-se como teologia. Fa conflu?ncia do pensamento helenAstico do <mp%rio 1omano e do cristianismo' #i#endo em momento de crise e ruptura' os Santos 3adres foram testemunhas da morte de um mundo e da gestação de outro. ;e todos os padres da <gre>a $ue a <dade M%dia leu' o $ue e!erceu a influ?ncia mais profunda e mais decisi#a foi incontesta#elmente Santo Agostinho. <FQ*<O' <. ( de0 *A' T. O pensamento medie#al. São 3aulo: Qtica' 8RRS.

O Elo entre dois mundos: Santo Agostinho

Compreender para crer, crê para compreender Aurelius Augustinus nasceu em Tagaste' FumAdia 4atual Arg%lia:' pro#Ancia romana da Qfrica do Forte' em 8T de no#em"ro de T5S. He= seus primeiros estudos em Madaura e Tagaste' e os superiores em *artago' tornando-se gram/tico e retor. ;espertou para a filosofia aos 8U anos' ao ler Hortensius' de *Acero' o"ra ho>e perdidaL seu dese>o de encontrar uma doutrina a um só tempo religiosa e racional apro!imou-o do mani$ueAsmo' corrente $ue a"raçou por no#e anos. 3osteriormente' desiludindo-se' atra#essou uma fase in$uieta e "re#e' marcada pela descrença. Em"ora não tenha estudado nos melhores centros da %poca 4Atenas e Ale!andria:' conseguiu sucesso na carreira de professor de retórica' lecionando em sua cidade de origem' em *artago' 1oma e Milão' onde atingiu o /pice da carreira por #olta de TUS' ocupando o cargo de orador oficial da *orte. Sua passagem por esta cidade mudaria drasticamente o rumo de sua #ida. At% então' Agostinho manti#era-se distante do cristianismo apesar dos constantes apelos de sua mãe' crente fer#orosa. O caminho para a con#ersão te#e inAcio $uando' le#ado por uma curiosidade liter/ria' Agostinho dei!ou-se sedu=ir pelo neoplatonismo cristão $ue os serm.es de Am"rósio' "ispo de Milão' lhe re#elaram. ;o contato com essas no#as id%ias produ=iu-se em Agostinho uma intensa e profunda luta espiritual' fruto do conflito entre os #alores cristãos e a #ida #oltada para os pra=eres do mundo $ue at% então le#ara. A forma como encontrou a resposta para suas in$uietaç.es foi determinante para a posterior construção de sua imensa o"ra. Em suas *onfiss.es' ele nos conta $ue' tomado de grande angCstia e depressão' retirara-se para o >ardim de sua resid?ncia' clamando a ;eus $ue lhe mostrasse o #erdadeiro caminho para a sal#ação. Eis $ue de sC"ito ou#iu um canto infantil $ue repetia: &Toma e l?L

toma e l?&. 2endo nisso um augCrio di#ino' tomou o li#ro das EpAstolas de São 3aulo e' a"rindo-o ao acaso' deparou-se com a seguinte passagem: Fão caminheis em glutonarias e em"riagu?s' nem em desonestidades e dissoluç.es' nem em contendas e ri!asL re#esti#os do Senhor Eesus *risto e não procureis a satisfação da carne com seus apetites. Agostinho não $uis ler maisL penetrou-lhe o coração uma esp%cie de lu= serena' e todas as tre#as da dC#ida se dissiparam. 3ouco depois' em TUV' rece"eu o "atismo. 2oltando para a Qfrica no ano seguinte' fundou uma comunidade mon/stica da $ual' em TR8' foi afastado para e!ercer o cargo de pres"Atero de Hipona' cidade da $ual se tornaria "ispo. As mCltiplas tarefas $ue a #ida eclesi/stica lhe impunha impediamno de dedicar-se com o afinco dese>ado aos estudos mas' em contrapartida' propicia#am-lhe um contato estreito com o po#o e a religião popular. Apesar da escasse= de tempo' dei!ou uma o"ra muito #asta' composta de mais de 966 cartas' cerca de 566 serm.es conser#ados e de T66 tratados. Entre seus escritos mais lidos durante a <dade M%dia' merecem especial desta$ue as *onfiss.es 4TRV-U:' $ue não são uma simples "iografia mas uma meditação so"re o sentido da #idaL e sua *idade de ;eus 4S8T:' $ue não % um tratado de polAtica cristã mas uma meditação so"re a filosofia da história. Ao tornar-se cristão' o antigo retor não tenciona#a renunciar @ herança cultural da $ual at% então se ser#iraL impunha-se por%m cristiani=/-la' de acordo com a tradição patrAstica. A esta tarefa entregou-se Agostinho' in#ocando o 0i#ro do W!odo onde os he"reus' antes de dei!arem o Egito' rece"eram de ;eus a ordem de se apropriarem dos o">etos de ouro e prata e os le#arem consigo. Assim de#eria pois fa=er o pensador cristão: su"trair dos autores antigos' para integrar na sa"edoria cristã' todas as #erdades de $ue

a filosofia pagã fosse possuidora. Os filósofos $ue Agostinho desapossou foram principalmente os neoplatJnicosL como não lesse grego -lAngua mais culta da %poca te#e $ue ater-se @s traduç.es latinas de certas o"ras de 3lotino e de 3orfArio feitas por M/rio 2ictorino. Tam"%m em tradução latina' leu as *ategorias' de Aristóteles' mas não te#e acesso @ indispens/#el introdução de 3orfArio. Ha=endo uma leitura cristã desses filósofos' Agostinho coroou os esforços intentados pelos Santos 3adres. Ao morrer 4ST6:' após terse dedicado por mais de S6 anos @ <gre>a' dei!ou uma sAntese filosófica $ue predominaria durante s%culos no pensamento ocidental. ;O T1A,A0HO ;<2<FO E ;AS *O<SAS *1<A;AS A"raçando a tradição >udaico-cristã' Agostinho afirma#a $ue o mundo fora criado por ;eus a partir do nada. Fesse sentido' afasta#a-se ao mesmo tempo do emanacionismo neoplatJnico e da tradição cl/ssica onde a criação ou ordenação di#ina operou-se so"re uma mat%ria informe pree!istente em estado caótico. 3ara o "ispo de Hipona' a #erdade so"re a criação % re#elada no )?nesis: &Fo princApio' ;eus criou o c%u e a terra&. O princApio de#e ser entendido como o 2er"o di#ino princApio de todas as coisas. O c%u seria a mat%ria espiritual da $ual são feitos os an>os e a terra' mat%ria "ruta cu>o ser consiste na muta"ilidade @ $ual ;eus d/ forma por meio das id%ias contidas em sua intelig?ncia. 3ortanto' todas as coisas feitas de mat%ria 4espiritual e "ruta: de#em o $ue são ao ato di#ino' e!pressão de sua #ontade e "ondade' $ue lhes confere uma e!ist?ncia est/#el. O mundo fora' assim' criado do nada e todo de uma só #e=. Algumas criaturas apareceram logo na sua forma perfeita 4o firmamento' os astros' a alma dos homens e os an>os: en$uanto outras surgiram so" forma incompleta mas dotadas de &ra=.es

seminais& e destinadas a se desen#ol#erem atra#%s dos tempos. ;essa forma' por e#olução' se originaram: da mat%ria "ruta todos os animais e at% o corpo do primeiro homem. Essa #isão implica $ue todo o uni#erso % dotado de capacidade e#oluti#a ainda $ue essa e#olução' em #irtude das &ra=.es seminais&' não apresente um aspecto ino#ador propriamente ditoL ao criar o mundo &de uma só #e=&' ;eus cria#a tam"%m o seu futuro. Ainda "aseando-se na re#elação' Agostinho afirma#a $ue a criação se deu fora do tempoL mundo e tempo &começaram& uma #e= $ue ;eus' como imut/#el' não poderia estar su"metido @ mudança implAcita na pree!ist?ncia do tempo: *riastes todos os tempos e e!istis antes de todos os tempos 4 ... : Fão hou#e tempo nenhum em $ue não fi=%sseis alguma coisa' pois fa=Aeis o próprio tempo. 4*onfiss.es' X<.: O Santo ;outor apresenta uma #isão hier/r$uica do mundo' onde a noção de ordem ocupa lugar de desta$ue. O ni#erso % uma sucessão de realidades escalonadasL a ordem cósmica tem uma totalidade com duplo sentido: não h/ nada fora do todo 4mundo: e no interior do todo nada escapa @ ordem. ;eus' ordenador do uni#erso' go#erna' atra#%s de sua onipot?ncia' tudo o $ue os homens possuem' por mais #il $ue se>a. ;eus por%m est/ acima de todos os seres e acima de sua própria ordem' sendo' nessa medida' transcendente como >/ afirmara 3lotino. ;entro dessa ordem hier/r$uica' e!istem tr?s funç.es de e!cel?ncia crescente $ue correspondem a tr?s g?neros de criaturas: o ser dos corpos inanimados 4p. e!.: pedra:L o #i#er dos seres #i#os sem ra=ão 4p. e!.: animais irracionais:L o compreender das criaturas espirituais como o homem. Fão se pode' contudo' possuir uma dessas funç.es sem reunir as precedentes mas a posse de uma não acarreta o"rigatoriamente a das seguintes' donde uma gradação ascendente das criaturas: ;essas tr?s coisas: o ser' a #ida' a intelig?ncia' a pedra tem o ser' o animal a #ida' mas sem $ue a pedra tenha' % claro' a #ida' nem o

animal a intelig?nciaL mas $uem tem a intelig?ncia tem tam"%m' sem dC#ida nenhuma' o ser e a #ida. 4;o li#re ar"Atrio.: Assim como 3latão' #ia tam"%m no homem um microcosmo onde reprodu=-se toda a hierar$uia do uni#erso: o homem % composto de espArito' alma e corpo' sendo uma alma racional ser#ida por um corpo terrestre. Este' no entanto' contrariamente @ afirmação platJnica' não representa a prisão ou tCmulo da alma. K essencial por%m o"ser#ar $ue todo corpo % inferior a $ual$uer alma' pois a ordem % ontológica e não moral' fundando-se na nature=a e não no m%rito. En$uanto criatura pri#ilegiada' a alma de $ue o homem % dotado desdo"ra-se em tr?s faculdades $ue correspondem @s tr?s pessoas da SantAssima Trindade: a memória' a intelig?ncia ou sa"edoria e a #ontade. ;e todas essas faculdades' a mais importante % a #ontade' inter#indo em todos os atos do espArito e constituindo o centro da personalidade humana. O SA,E1 ;OS SEFT<;OS A moti#ação para a "usca de conhecimento estaria' para Agostinho' em atingir a "eatitude ou felicidade: &Amar e conhecer a Ele' esta % a #ida "em-a#enturada&. Onde por%m encontr/-lo7 Agostinho tinha diante de si dois caminhos' duas fontes: os filósofos e as Escrituras. Sua própria e!peri?ncia pessoal' as circunstBncias de sua con#ersão' le#aram-no a pri#ilegiar a re#elação contida nos te!tos sagrados' sem contudo despre=ar o produto da ra=ão humana. *omo em toda a patrAstica' a $uestão para ele era a conciliação entre f% e ra=ão' entre #erdades re#eladas e o conhecimento ad$uirido. Afirma#a $ue as #erdades da f% não são atingA#eis pela ra=ão mas acredita#a ser possA#el demonstrar o acerto de nelas se crer. H% e ra=ão guardariam portanto estreita relação' daA a sua m/!ima' inspirada num #ersAculo de <saAas: &*ompreende para crer' cr? para compreender&. A ra=ão precede a f% ao menos para assegurar $ue esta % CtilL mas para a f%' ainda $ue principiante' não "asta crer'

ela "usca tam"%m compreender e nesse mo#imento % ultrapassada pela intelig?ncia $ue su"sistir/ eternamente. A f%' em"ora purificante' % transitória' pois a$uele $ue sa"e >/ não precisa crer. Mas $ual seria o fundamento do conhecimento humano7 Fa tradição platJnica' o mundo sensA#el' en$uanto mero refle!o do mundo das id%ias' não poderia ser fonte de #erdadeiro conhecimento. Agostinho' entretanto' considera#a a percepção da apar?ncia ao menos como ponto de apoio para a certe=a' afirmando: &Eu sei $ue isto me parece "rancoL limito-me @ minha percepção e encontro nela uma #erdade $ue não me pode ser negada&. Muito diferente seria afirmar apenas: &<sto % "ranco&' pois essa afirmação comportaria a possi"ilidade de engano. Em A cidade de ;eus esta id%ia foi desen#ol#ida a ponto de constituir uma primeira forma de cogito cartesiano: &Se eu me engano' eu sou' pois a$uele $ue não % não pode ser enganadoY. As sensaç.es contudo seriam apenas fonte de um conhecimento inst/#el' marcado pela conting?ncia e muta"ilidade do mundo' en$uanto $ue o #erdadeiro conhecimento e!igiria necessidade' esta"ilidade e perman?ncia' não sendo portanto apreensão de o">etos e!teriores ao su>eito mas a desco"erta de regras imut/#eis como as da matem/tica' ou de princApios %ticos como fa=er o "em e e#itar o mal. A hierar$uia agostiniana do conhecimento o"edece a regra segundo a $ual tudo $ue de#e sua e!ist?ncia a outra coisa % inferior @ coisa pela $ual e!iste' não podendo o inferior agir so"re o superior. O homem' en$uanto criatura de ;eus' marcado por uma e!ist?ncia corpórea' est/ limitado ao conhecimento $ue os cinco sentidos lhe fornecem' podendo #er' tocar' ou#ir etc. *ontudo' o campo onde esses sentidos se e!ercitam % o mundo aparente $ue est/ su"ordinado ao tempo e @ mudança - nasce' cresce' morre' transforma-se como o próprio homem - e tais caracterAsticas impregnam o conhecimento $ue deles ad#%m' daA sua

transitoriedade. Só em ;eus e nas coisas $ue estão em ;eus podemos' segundo Agostinho' encontrar o #erdadeiro conhecimento' uma #e= $ue ;eus % "ondade' sa"edoria e #erdadeL esses não são apenas seus atri"utos. As id%ias' formas origin/rias' ra=.es est/#eis e imut/#eis das coisas' estão contidas na mente di#ina e não nascem nem morrem' mas tudo o $ue nasce e morre % por elas formado. As id%ias não são criaturasL antes participam da Sa"edoria eterna' mediante a $ual ;eus criou o mundo e $ue % id?ntica a ele. Assim' conhecer #erdadeiramente seria #oltar-se para as id%ias' onde se funda a nature=a das coisas e os >uA=os #erdadeiros $ue delas formamos. O acesso a essas #erdades eternas não % totalmente #edado ao homem em função de sua dupla nature=a: se ele possui um corpo' este est/ su"ordinado a uma alma $ue' pela sua própria nature=a' guarda maior semelhança com ;eus. Mesmo assim' a humanidade não pode' por si só' alcançar esse conhecimento perfeitoL % necess/ria a inter#enção di#ina. EM , S*A ;O MEST1E <FTE1<O1 3ara e!plicar essa inter#enção' Agostinho recorreu @ doutrina da iluminação: ;eus % a lu= $ue ilumina a intelig?ncia humana' tornando possA#el a compreensão do inteligA#el. E!istiria portanto uma lu= eterna da ra=ão $ue procede de ;eus e atuaria constantemente' possi"ilitando o conhecimento das #erdades imut/#eis. ;a mesma maneira $ue os o">etos e!teriores só são #istos se iluminados pela lu= solar' tam"%m o #erdadeiro sa"er precisaria ser iluminado pela lu= di#ina para re#elar-se aos homens. A dupla nature=a humana - corpo e alma - possi"ilita ao homem passar do conhecimento sensA#el 4contingente: ao inteligA#el 4necess/rio:. A ra=ão % uma faculdade da alma' um poder espiritual' mas a importBncia da percepção % tam"%m resgatada por Agostinho na medida em $ue as sensaç.es atuam como ad#ert?ncia e estAmulo para $ue se "us$ue no próprio interior a

#erdadeira compreensão. A ati#idade cogniti#a por e!cel?ncia consistiria em conferir o $ue se #?' l?' escuta e sente com a #erdade inteligA#el $ue est/ na sua própria alma' apresentada por ;eus. Assim' não % possA#el $ue se ensine a #erdade a outrem pois' al%m de sua "usca ser um ato de #ontade e logo uma ati#idade indi#idual' ela só pode ser encontrada no Antimo de cada um' consultando a$uele a $uem Agostinho denomina &Mestre <nterior&: Fo $ue di= respeito a todas as coisas $ue compreendemos' não consultamos a #o= de $uem fala' a $ual soa por fora' mas a #erdade $ue dentro de nós preside @ propriamente' incitados tal#e= pelas pala#ras a consult/-la. Muem % consultado ensina #erdadeiramente' e este % *risto' $ue ha"ita' como foi dito' no homem interior' isto %: a #irtude incomut/#el de ;eus e a sempiterna Sa"edoria' $ue toda alma racional consulta' mas $ue se re#ela a cada um $uanto % permitido pela sua própria "oa ou ma #ontade. 4;o mestre' X<2.: K portanto o próprio homem $uem entende em"ora au!iliado pela iluminação' e Agostinho reconhece $ue o grau de intelecção #aria entre os homens' ha#endo alguns mais "em :lotados' cu>os olhos são mais potentes' sadios e #igorosos. *umpre assinalar $ue' sendo as id%ias di#inas ar$u%tipos das criaturas $ue possuem portanto certa impressão da imagem di#ina' % possA#el ao homem apro!imar-se de ;eus. Em"ora o "ispo de Hipona nada tenha escrito em mat%ria de ci?ncia' seu pensamento não coA"e o estudo da Fature=a pois o ni#erso' como toda criação' % essencialmente "om : o seu estudo tam"%m o %' pois permite aumentar o apreço a sa"edoria di#ina. ;este modo' a f% cristã não dispensaria pes$uisa nem mataria o pensamento. 3or%m' ao esta"elecer uma e!ist?ncia apriorAstica do conhecimento e afirmar $ue a #erdade só pode ser encontrada nas realidades não-sensA#eis' de#endo ser "uscada no Antimo de cada um' Agostinho não estimula nem a e!perimentação' nem a o"ser#ação do mundo natural. A #ontade' faculdade da alma' e!erce um papel fundamental na

a$uisição do conhecimento segundo a teoria agostinianaL estaria tam"%m intimamente #inculada ao li#re-ar"Atrio humano e @ própria sal#ação. 1E;EFOPO 3E0A )1AOA O homem nasceu perdido' pois o pecado original desYuiu nossa li"erdade' impedindo-nos de dei!ar de pecar ainda $ue o pecado não se>a necess/rio. 3ara Santo Agostinho' ao contr/rio do $ue ocorria na tradição platJnica' ;eus' $ue % tam"%m ,ondade' não pode ser causa do mal. O mal seria' em realidade' uma transgressão da lei di#ina' um pecado cu>a responsa"ilidade recai e!clusi#amente so"re o li#re-ar"Atrio humano: 3rocurei o $ue era a maldade e não encontrei uma su"stBncia' mas sim uma per#ersão da #ontade des#iada da su"stBncia suprema - de 2ós' Z ;eus - e tendendo para as coisas "ai!as. 4*onfiss.es' 2<0: O homem' fa=endo mau uso da sua #ontade' su"ordina a alma ao corpo. Esta' #oltando-se para as satisfaç.es materiais' de"ilita-se a ponto de não mais poder retomar @ origem di#ina. ;essa maneira' a sal#ação #em pela graça de ;eus' mas esta graça est/ #inculada @ <gre>a *atólica' cu>os sacramentos são o"ra de ;eus e não dependem do car/ter da$ueles $ue os administram. Os sacramentos' principalmente o "atismo e a eucaristia' seriam portanto necess/rios @ sal#ação. m dos aspectos mais influentes do pensamento agostiniano foi a importBncia $ue deu @ <gre>a en$uanto instituição. Seu es$uema da sal#ação se "asea#a na concepção da <gre>a como união social de todos os #erdadeiros crentes' atra#%s da $ual a graça di#ina podia operar na história humana. *ompreendia por isso a aparição da <gre>a *atólica como o ponto culminante da história. [;O<S AMO1ES H<GE1AM ; AS *<;A;ES\ Em S86' 1oma foi con$uistada e sa$ueada pelos #isigodos' originando uma poderosa pol?mica anticristã $ue interpreta#a esse

fato como conse$]?ncia do a"andono dos costumes e di#indades tradicionais por parte dos romanos em fa#or do cristianismo. Em defesa deste' Agostinho escre#eu A cidade de ;eus' onde e!amina#a os pro"lemas da história das sociedades e sua relação com a di#ina pro#id?ncia' pretendendo demonstrar $ue os acontecimentos $ue afligiam a seus contemporBneos tinham um significado particular $ue se funda#a' em Cltima instBncia' na predestinação di#ina. 1etoma nessa o"ra' so" enfo$ue cristão' a antiga id%ia de $ue o homem % cidadão de duas cidades: a de seu nascimento e a cidade de ;eus. E!plicitando o sentido religioso dessa distinção >/ sugerida anteriormente por S?neca e Marco Aur%lio' o hiponense a atri"uAa @ dupla nature=a humana: o ^homem' como corpo e espArito' seria a um só tempo cidadão deste mundo e da cidade celestial' di#idindo suas atenç.es entre os interesses terrenos 4centrados no corpo: e os ultraterrenos 4pertencentes @ alma:: ;ois'Amores fi=eram duas cidades: a terrena f?-la o amor de S< ate ao despre=o de ;eusL a celeste' f?-la o amor de ;eus at% ao despre=o de si. 4A cidade de ;eus' X<2.: A cha#e para a compreensão da história humana estaria pois em compreend?-la como constante e dram/tica luta entre essas duas sociedades: a fundada nos impulsos terrenos' apetiti#os e possessi#os da nature=a humana inferior $ue corresponde @ cidade terrenaL e a fundada na esperança da pa= celestial e sal#ação espiritual' a cidade de ;eus. O domAnio final ca"eria a Cltima pois só nela % possA#el a pa=L só no remo espiritual e permanente. Todos os reinos terrenos - cu>o poder % de nature=a inst/#el e mut/#el desaparecerão' assim como ocorreu a 1oma. 3erce"e.-se a$ui a &am"i#al?ncia do tempo& no pensamento agostiniano: comparado ao imut/#el' o tempo % degradaçãoL por%m' atra#%s da graça e da predestinação' transforma-se em preparação para a eternidade.

A cidade terrena % o reino do ;ia"o e de todos os homens maus' ao passo $ue a celestial % a comunhão dos redimidos neste mundo e no futuro. Santo Agostinho' contudo' não considera#a essas duas cidades como #isi#elmente separadasL eram cidades mAsticas' espirituais e encontra#am-se mescladas em toda a #ida terrena' separando-se apenas no EuA=o Hinal. K necess/rio' portanto' cautela ao aplicar-se essa teoria aos fatos históricos >/ $ue' segundo o hiponense' as instituiç.es humanas não podem de modo algum identificar-se precisamente com nenhuma das duas cidades: a <gre>a não % o mesmo $ue o reino de ;eus e tampouco o go#erno secular % id?ntico aos poderes do mal. O aparecimento da <gre>a teria marcado um momento decisi#o para o desen#ol#imento do plano de sal#ação di#ina pois a partir de então a unidade da esp%cie passou a significar a unidade da f% cristã so" a direção da <gre>a. Entretanto' nada nos permite afirmar $ue para Agostinho o Estado de#esse transformar-se em simples &"raço secular& da$uela. Suas id%ias $uanto @s relaç.es entre os poderes temporal e espiritual não são claras mas' sem dC#ida' inserem-se na tradição caracterAstica desen#ol#ida pelos pensadores cristãos da %poca patrAstica' implicando uma organi=ação e direção duais da sociedade humana em interesse das duas grandes classes de #alores $ue de#eriam ser conser#ados. Os interesses espirituais e a sal#ação eterna esta#am so" a guarda da <gre>a e forma#am a instBncia particular do ensino' dirigida pelo cleroL os interesses temporais ou seculares e a preser#ação da pa=' da ordem e da >ustiça correspondiam @ guarda do go#erno ci#il' constituindo os fins $ue de#eriam ser alcançados mediante os esforços dos magistrados. Entre am"as as ordens' clero e magistrados ci#is' de#eria pre#alecer um espArito de mCtua cola"oração' limite este $ue só poderia ser ultrapassado legitimamente em caso de emerg?ncia $ue ameaçasse com a anar$uia no plano temporal ou com a corrupção' no espiritual.

Apesar da indefinição' pensa#a-se $ue essas ocasi.es e!traordin/rias não destruAam o princApio de $ue am"as as >urisdiç.es de#eriam permanecer in#ioladas' respeitando cada uma os direitos ordenados por ;eus para a outra. Essa concepção' conhecida comoY Ydoutrina das duas espadas&' con#erteu-se em tradição aceita durante toda a Alta <dade M%dia e' mesmo $uando a ri#alidade entre os papas e os imperadores tornou a relação entre o espiritual e o temporal mat%ria de contro#%rsias 4s%culo X<<<:' constituiu o ponto de partida para os defensores de am"as as posiç.es. O $ue esta#a fora de discussão para Agostinho era $ue o Estado so" o cristianismo tinha $ue ser cristão' ser#ir a uma comunidade cu>a coesão repousa#a na comum f% cristã' promo#er uma #ida na $ual os interesses espirituais encontra#am-se indiscuti#elmente acima de todos os demais e contri"uir para a sal#ação humana' mantendo a pure=a da f%.

O 0E)A;O ;E SAFTO A)OST<FHO 3A1A <;A;E MK;<A Santo Agostinho #i#eu num momento crucial da história' $uando a decad?ncia do <mp%rio 1omano marca#a o fim da Antiguidade. Testemunhou a con$uista de 1oma por Alarico em S86 e presenciou' pouco antes de morrer' o sAtio @ Hipona pelos #Bndalos e a destruição do poderio romano na Qfrica do Forte. Fesse mundo con#ulsionado por lutas internas' onde prolifera#am as heresias e os cismas' e!erceu o magist%rio sacerdotal e escre#eu sua o"ra' decisi#a na história do pensamento cristão. 2i#endo na encru=ilhada de duas %pocas' as doutrinas de Agostinho tra=em a marca de seu tempo e se suas raA=es fi!am-se solidamente no pensamento antigo' seus frutos tra=iam o ineg/#el sa"or de superação: ao mani$ueAsmo' respondeu com uma ontologia da ess?nciaL ao ceticismo' com a teoria da iluminação. Superou o próprio neoplatonismo de suas origens' ela"orando uma teologia da f% e da história' desco"rindo o ser a partir da e!ist?ncia' o inteligA#el a partir do sensA#el e fundando uma dial%tica do

transitório e do eterno. Agostinho foi um homem da Antiguidade' mas sua o"ra dominou a cultura medie#al' garantindo os dois princApios fundamentais da especulação desse perAodo: o laço entre f% e ra=ão e o uso da dial%tica na teologia. Sua concepção de uma comunidade cristã' >unto a uma filosofia da história $ue a compreendia como ponto culminante do desen#ol#imento espiritual do homem' $ue unia Estado e <gre>a na luta pela pure=a da f%' enrai=ou-se no pensamento cristão' predominando durante grande parte da <dade M%dia e su"sistindo at% mesmo na <dade Moderna. O pensamento medie#al rece"eu pois de Agostinho um trAplice legado: um ideal cultural' uma sAntese doutrinal e uma orientação filosófica. ;urante oito s%culos' essa herança dominaria de forma a"soluta no Ocidente. <FQ*<O' <. ( de0 *A' T. O pensamento medie#al. São 3aulo: Qtica' 8RRS.

Os pensadores dos "tempos sombrios" Aqueles a quem a espada poupa no exterior são devastados pela fome no interior. 4São EerJnimo' s%culo 2.: O pensamento medie#al não pode ser dissociado das condiç.es históricas em $ue floresceu. Após o desaparecimento dL <mp%rio 1omano do Ocidente' a <gre>a' en$uanto praticamente Cnica instituição $ue logrou manter-se estruturada' tomou a si a responsa"ilidade pela preser#ação e difusão da cultura. E/ desde o perAodo patrAstico' a intelectualidade cristã alimenta#ase' primordialmente' de te!tos. Em primeiro lugar' dos te!tos sagrados' uma #e= $ue o cristianismo % uma religião re#elada. Em

seguida' dos te!tos dos Santos 3adres' escritores cristãos dos primeiros s%culos' cu>a autoridade era unanimemente aceita. Hinalmente' dos te!tos antigos progressi#amente cristiani=ados. Esses di#ersos te!tos continham um sa"er $ue de#eria ser apropriado e transmitido' como ensinara Santo Agostinho' e compunham o principal legado $ue os pensadores medie#ais puderam rece"er do mundo antigo' transformando-se os mosteiros em seus deposit/rios. K certo $ue o mona$uismo latino % uma importação relati#amente tardia' se comparado ao seu cong?nere oriental' >/ organi=ado no s%culo <2. Entretanto' ao passo $ue no Oriente o mosteiro permaneceu como um ascet%rio' procurando isolar-se do mundo e de tudo o $ue a ele se relacionasse - inclusi#e a cultura -' no Ocidente' so"retudo a partir da difusão da regra de São ,ento 4_595:' o monast%rio tomou um car/ter erudito e uma esp%cie de refle!o imediato liga#a o estado de monge ao estudo das letras. Era normal nos mosteiros a e!ist?ncia de uma "i"lioteca' onde certamente poderiam ser encontradas' entre outras' o"ras de Santo Agostinho' o mais reputado entre os autores patrAsticos. Fuma %poca em $ue os li#ros eram tão raros' parece natural $ue a imensa literatura patrAstica e os autores profanos fossem conhecidos so"retudo atra#%s de fragmentos escolhidos. Este %' ali/s' um dos aspectos caracterAsticos da cultura medie#al: na maior parte das #e=es só se conhecia a Antiguidade por meio das recolhas de citaç.es e' no tocante @ teologia' esses e!tratos dos Santos 3adres agrupa#am-se' em geral' segundo a ordem dos li#ros da ,A"lia. Fo mosteiro' refCgio propAcio ao tra"alho do espArito' o monge filosofa#a no sil?ncio da cela ou do claustro' so" a forma de monólogo ou soliló$uio' consultando - como recomendara Agostinho - o Mestre <nterior' "uscando a #erdade mediante um silencioso

discorrer consigo mesmo. Os te!tos eram in#ocados para ser#ir a uma #erdade $ue eles não poderiam esgotar' mas para o esclarecimento do $ual poderiam contri"uir. Eram um caminho para a sa"edoria e' em"ora seus conteCdos de#essem ser superados' permaneciam como um preliminar indispens/#el @ refle!ão. Fão se limita#a por%m' a ati#idade intelectual' a copiar e #enerar os te!tosL a <dade M%dia não foi uma %poca de esterilidade na produção' antes procurou enri$uecer a herança rece"ida e adapt/la @s suas necessidades e preocupaç.es. As traduç.es e os coment/rios foram' sem dC#ida' a grande marca desse perAodo. O pensamento de Santo Agostinho seria' como >/ ressaltado' o paradigma da filosofia medie#al at% o s%culo X<<<. Tra"alhando por%m so"re essa tradição' outros pensadores contri"uAram para alargar o campo de conhecimento' e se os resultados podem parecer tAmidos aos nossos olhos' isso se le#e muito mais @s imensas limitaç.es $ue um mundo ainda não reestruturado lhes coloca#a $ue @ fragilidade de seus esforços. [M EM A*1E;<TA1<A M E 1OMA 2<ESSE A *A<1...\ Ha#ia uma insta"ilidade geral' particularmente nos primeiros s%culos do medie#o' marcados por constantes migraL.es e in#as.es. A #ida medie#al' caracteristicamente insegura e economicamente difAcil' torna#a o homem uma cria:ura #oltada so"retudo para suas dificuldades e necessidades *otidianas' encurralado entre a luta pela so"re#i#?ncia e as esperanças de sal#ação eterna $ue lhe garantiria ao menos uma #ida ultraterrena segura e feli=. Fada disso estimula#a a pes$uisa e a refle!ão: "usca#a-se principalmente conhecimentos pr/ticos' $ue pudessem contri"uir para a su"sist?ncia e para a ordenação de uma sociedade em crise' onde so"ra#a pouco tempo para preocupaç.es intelectuais. 1ufino' monge italiano do s%culo 2' nos d/ um pungente depoimento das #icissitudes $ue' mesmo antes da $ueda final do <mp%rio' torna#am

$uase impossA#el o estudo: Os tempos são tão confusos para nósD 3ode-se pensar em escre#er so" os golpes do inimigo' $uando se #? serem de#astados' diante de nós' cidades e campos' $uando % preciso fugir atra#%s dos perigos do mar e $ue o próprio e!Alio não #os coloca ao a"rigo de toda a apreensão7 ;urante muito tempo o Ocidente #i#eria so" o signo do medo: medo da fome' da destruição' da morte tra=ida pelo inimigo ou pelos animais fero=es $ue #aguea#am pelos lugares desertos e in#adiam por #e=es os campos culti#adosL medo das pestes' dos elementos naturais $ue arruina#am as colheitas' dos sa$ues e #iolaç.es dos &"/r"aros&L e' por fim' um medo so"renatural da noite' da tentação e do pecado $ue colocaria a perder a Cnica certe=a do homem cristão medie#al - a de $ue tinha uma chance de encontrar' no reino de ;eus' uma #ida sem medo. A o"ser#ação não rece"ia' portanto' nenhum encora>amento e mesmo nos mosteiros' onde se go=a#a de uma relati#a segurança e tran$]ilidade' a Fature=a parecia muito mais fonte de desgraças $ue de sa"edoria. O conhecimento pree!istia na alma humana' mas necessita#a de iluminação di#ina para tornar-se inteligA#el para o homem' como afirmara Agostinho' o $ue recomenda#a muito mais a contemplação' o di/logo mudo com o Mestre <nterior. As fontes de inspiração esta#am nos te!tos' principalmente nos sagrados' mas tam"%m nos profanos e pagãos poderia ser encontrada a senda $ue le#aria ao conhecimento. *omo por%m apropriar -se desse sa"er7 )rande parte dos escritos antigos esta#a >/ perdida' destruAda pela de#astação $ue fe= ruir o próprio <mp%rio. ;o $ue se conseguiu sal#ar' muitos esta#am incompletos' a maioria era escrita em grego -lAngua >/ $uase desconhecida - e mesmo as traduç.es latinas apresenta#am o"st/culos: algumas' como a do Timeu de 3latão 4feita por *alcAdio no s%culo <2:' eram apenas parciais e' al%m disso' a própria lAngua latina caAa num progressi#o es$uecimento' o $ue arrancou de )regório de Tours 45TU-5RT: este lamento:

;esgraçado se>a o nosso tempo' pois o estudo das letras pereceu entre nós e >/ não se encontra ningu%m $ue possa tradu=ir por escrito os acontecimentos presentes. Muitos por%m perse#eraram' tradu=indo' comentando' especulando ou meramente multiplicando com as pacientes 'pias as poucas o"ras disponA#eis. São acusados de falta de originalidade' de mostrarem um pensamento est%ril. Mas' o $ue poderia ser mais original $ue de"ruçar-se atentamente so"re esses escritos' #ertendo-os de uma lAngua desconhecida para outra $ue >/ poucos compreendiam' acrescentando-lhes coment/rios $ue atuali=a#am suas pro"lem/ticas' especulando so"re as formas de pensar' so"re os tipos de ci?ncias e!istentes' so"re a criação do mundo' en$uanto ao seu redor' esse mesmo mundo parecia chegar ao fim7 2/rios desses tra"alhos foram sucessi#amente perdidos' mas alguns e!emplos do $ue deles nos chegaram são suficientes para a#aliar a grande=a da tarefa a $ue esses homens se propuseram e a importBncia #ital $ue ti#eram no pensamento cristão ocidental. OS MOF)ES [A1M EZ0O)OS\ *onsiderado por muitos &o Cltimo romano e o primeiro escol/stico&' ,o%cio 4SV6-5T5: não foi um homem da <gre>a. *ontudo' foi considerado por seus pósteros como um cristão' tornando-se um m/rtir da f% por ter sido e!ecutado so" acusação de magia. Sua o"ra inclui traduç.es e coment/rios a o"ras lógicas cl/ssicas e alguns opCsculos de teologia. Hoi atra#%s dele $ue os medie#ais conheceram' ainda $ue com certos traços neoplatJnicos' os tratados lógicos de Aristóteles $ue constituAram' durante muito tempo' o Cnico conhecimento $ue se te#e dos escritos do grande filósofo antigo' >/ $ue sua fAsica' metafAsica e %tica só seriam redes co"ertas a partir de meados do s%culo X<<. Al%m de introdu=ir na cultura medie#al elementos do pensamento grego' ,o%cio proporcionou' atra#%s de seus coment/rios' um

modelo de e!plicação precisa e minuciosa' acompanhada de largas digress.es' $ue seria amplamente difundido no ensino medie#o. ;e suas o"ras pessoais' a mais apreciada e comentada foi a *onsolação da filosofia' escrita na prisão' e uma das principais fontes do platonismo medie#al. Algumas de suas definiç.es' como a de eternidade entendida en$uanto &posse inteiramente simultBnea e perfeita de uma #ida intermin/#el& ou a de "eatitude como &estado $ue de#e sua perfeição @ reunião de todos os "ens&' atra#essariam todo o perAodo. ,o%cio influenciou so"remaneira os pensadores posteriores' $uer como e!emplo' $uer como incitação @ in#estigaçãoL ser#iu de #eAculo @ lógica aristot%lica e @ parte da cosmologia e teologia platJnicasL ela"orou uma significati#a classificação das ci?ncias e ainda legou a definição da filosofia como amor da sa"edoria. Ao lado de ,o%cio' *assiodoro 4SVV-5V6: pode ser considerado um dos fundadores do pensamento medie#al propriamente dito. Muerendo tam"%m dar a conhecer a seus contemporBneos a produção do pensamento grego' fundou na *al/"ria o monast%rio de 2i#arium 4555:' onde foram produ=idas #/rias cópias de o"ras cl/ssicas' $ue se difundiram pelo Ocidente. Ela"orou um programa de estudos para seus monges' sistemati=ado na o"ra <nstituiç.es das letras eclesi/sticas e profanas' esp%cie de enciclop%dia das artes li"erais 4gram/tica' retórica e dial%tica - tri#iumL aritm%tica' geometria' astronomia e mCsica - $uadri#ium: utili=ada como manual nas escolas mon/sticas. Fão se afastou' por%m' do ideal agostiniano' colocando a cultura a ser#iço do conhecimento da Escritura. O seu pro>eto de transmitir ao Ocidente o #igor original do pensamento helenAstico frustrou-se' pois o recurso @s fontes gregas era $uase impossA#el' uma #e= $ue o conhecimento dessa lAngua declinara muito ainda no <mp%rio e' em seu tempo' as traduç.es disponA#eis' escassas' pouco tra=iam das $uest.es cientAficas.

Se esses pensadores' $ue pouco se tinham distanciado do mundo antigo' guarda#am ainda certos traços do perAodo anterior' <sidoro de Se#ilha 45`6-`T`: pertence decididamente @ cultura medie#al. Salientou-se como enciclopedista' teólogo e historiador' tendo escrito #/rios tratados nos campos da ling]Astica' ci?ncia natural' história e cosmologia' al%m de ter organi=ado a <gre>a na Espanha. ;entre suas di#ersas o"ras' as Sentenças - recompilação de te!tos patrAsticos - foi de capital importBncia no ensino medie#al. Muanto @ ci?ncia profana' suas Etimologias' uma esp%cie de sAntese enciclop%dica' oferecia uma s%rie de definiç.es' agrupadas em 96 li#ros' $ue resumiam um not/#el acer#o dos conhecimentos do seu tempo: artes li"erais 4tri#ium e $uadri#ium:' teologia' direito' história' ci?ncias sociais e naturais e t%cnica. O seu m%todo "asea#a-se na concepção da etimologia' não no sentido com $ue atualmente a entendemos' mas en$uanto etimologia essencial' $ue permitia' a partir da estrutura das pala#ras' chegar-se @ ess?ncia das coisas. Assim' di=er $ue a pala#ra homem deri#a de humus 4terra: significaria di=er $ue o homem fora e!traAdo da terra. Sua o"ra era o"rigatória nas "i"liotecas medie#ais e suas etimologias se transmitiriam at% o final do s%culo X<2. *om a implantação da cultura latina na ,retanha' atra#%s da iniciati#a do 3apa )regório Magno em 5R`' a <nglaterra tornou-se importante centro de cultura. ;entre os di#ersos pensadores aA surgidos' ,eda 4`VT-VT5: foi o $ue fundou tradição mais fecunda. Al%m dos estudos e!eg%ticos' ,eda dedicou-se ao estudo da a#aliação do tempo e das mar%s' do c/lculo de datas e calend/rios' assuntos #itais para as comunidades mon/sticas. 3ode-se perce"er >/ nesse pensador a origem do caracterAstico interesse dos autores ingleses pelas ci?ncias da Fature=a. ,eda produ=iu tam"%m uma

importante História eclesi/stica do po#o ingl?s' e atri"ui-se ainda a ele a utili=ação do nascimento de *risto como marco inicial da nossa era. <FQ*<O' <. ( de0 *A' T. O pensamento medie#al. São 3aulo: Qtica' 8RRS.

Exegetas menores gregos dos sécs ! i ;epois do grande flores cimento da escola antio$uena e dos coment/rios contemporBneos de *irilo' a e!egese cristã tende a se #oltar para si mesma e' como $ue esgotada' a dirigir-se para os autores do passado e repeti-los. Esse esgotamento era em parte perceptA#el >/ em Teodoreto de *iro' a cu>a produção intermin/#el não correspondia uma ade$uada ri$ue=a de id%ias' mas uma not/#el repetiti#idade. O menor significado da produção e!eg%tica cristã no s%culo 2 de#e-se tam"%m ao fato de ela ter-se perdido em grande parte' o $ue nos impede de reconstruir os perfis desses escritores com suficiente segurança. 3or isso' tam"%m seremos o"rigados a apresentar pouco mais $ue um magro repertório de notAcias.

A;1<AFO *hegou at% nós' atri"uAda a um não muito conhecido Adriano' uma <ntrodução @s Sagradas Escrituras' $ue tem o o">eti#o de e!plicar e!press.es figuradas e particularidades estilAsticas do te!to sagrado' e so"retudo do Antigo Testamento. *onstitui moti#o de interesse o fato de ser empregado a$ui' pela primeira #e=' para o te!to sagrado' o termo de &introdução&' $ue >/ e!istia para o"ras an/logas da filosofia pagã' como a de 3orfirio @ lógica de Aristóteles. Se>a como for' os crit%rios e!eg%ticos desse desconhecido Adriano parecem pró!imos dos da escola antio$uena' com a e!ortação a e#itar interpretaç.es demasiado re"uscadas' e a praticar uma leitura prudente.

2<TO1 ;E AFT<OM <A *omo indica a cidade de $ue pro#%m' tam"%m este e!egeta parece ter pertencido @ corrente de ;iodoro e de outros de seus seguidores. Fão temos noticias dele' a não ser $ue a um pres"Atero com esse nome' origin/rio de Antio$uia e $ue #i#eu por #olta do ano 566' foi atri"uAdo um *oment/rio ao E#angelho de Marcos: um 2Ator % fre$]entemente citado nas *atenas de coment/rios ao AT e ao FT. O te!to desse *oment/rio re#ela inCmeras di#erg?ncias entre um manuscrito e outro' $ue o cont?m. 3arece ser uma o"ra de compilação' na $ual as contri"uiç.es pessoais do autor são muitos menores $ue as e!traAdas de outros.

ESIM <O ;E EE1 SA0KM EsA$uio fora monge no claustro de Eutimio e na %poca do patriarca Eu#enal de Eerusal%m >/ go=a#a de certa fama. EsA$uio teria sido sacerdote h/ tempos' $uando' em S89' *Arilo começou seu patriarcado em Ale!andria' e logo teria atraAdo a atenção de todos com seu ensinamento. A data de sua morte % incerta: segundo relatos antigos' teria sido testemunha ocular de um milagre ocorrido em Eerusal%m em S58. EsA$uio % considerado santo pela <gre>a grega. EsA$uio % pro#a#elmente o autor dos Escólios aos Salmos' $ue foram pu"licados em 8VS` com autoria atri"uAda a Atan/sio' mas $ue não pertencem ao "ispo de Ale!andria. A o"ra % constituAda de uma coletBnea de escólios' nesse caso muito "re#es' a maioria na forma de glosas marginais' fre$]entemente constituAdos de poucas pala#ras' $ue ilustram ora uma' ora outra e!pressão' ora parafraseiam um #ersAculo' e #isam não tanto @ e!egese propriamente dita' $uanto a uma edificação moral. Essa insólita tentati#a e!eg%tica e!plica-se pensando $ue o coment/rio de

EsA$uio tal#e= se destinasse @ liturgia. EsA$uio dedicou-se tam"%m ao coment/rio dos li#ros prof%ticos: comentou <saAas' ;aniel' E=e$uiel e os do=e 3rofetas Menores. *hegaram at% nós os *oment/rios a <saAas e escólios aos outros coment/rios' contidos nas catenas 4são mais a"undantes os escólios ao *oment/rio aos 3rofetas Menores:. O tAtulo do prólogo a toda a o"ra e!eg%tica de EsA$uio so"re os profetas' em seu con>unto' % interessante por$ue nos informa so"re a maneira como o autor procedia em seu tra"alho: ;i#isão em estA$uios dos do=e profetas de <saAas e de ;aniel $ue tem ao lado a e!plicação das passagens mais difAceis. O tAtulo soa um tanto insólito 4como o m%todo e!eg%tico' ali/s:' e significa $ue o te!to "A"lico era di#idido em pe$uenas unidades pelo próprio EsA$uio' de maneira diferente da di#isão da Septuaginta' e $ue tra=ia @ margem glosas e!plicati#as das passagens difAceis. *ada perAcope era precedida de um &capAtulo& ou &resumo&' $ue continha em poucas pala#ras o tema da própria perAcope. *hegou at% nós' tradu=ido em latim' um amplo *oment/rio ao 0e#Atico' $ue teria sido composto pro#a#elmente nos anos ST6-S56' em Eerusal%m ou em suas pro!imidades. 1ecentemente' M. Au"ineau desco"riu duas Homilias para a 3/scoa' as $uais' cele"rando a cru= de *risto' apresentam tam"%m a cristologia de EsA$uio' $ue parece ser mais pró!ima dos ensinamentos dos ale!andrinos $ue dos antio$uenos. EsA$uio escre#eu tam"%m o"ras não-e!eg%ticas. Entre elas se inclui uma História da <gre>a' da $ual nos ficou apenas um fragmento relati#o a Teodoro de Mopsu%stia: foi conser#ado por ter sido lido durante o $uinto concAlio ecum?nico' reali=ado em *onstantinopla em 55T' e chegou-nos em tradução latina.

AMaF<O ;E A0EXAF;1A AmJnia teria sido um pres"Atero da <gre>a de Ale!andria' $ue atuou

por #olta da metade do s%culo 2. Esta parece ser sua correta colocação cronológica' em"ora outras tenham sido propostas 4foi um outro AmJnio' $ue #i#eu mais tarde' o autor de um *oment/rio ao He!ameron e de uma o"ra contra os monofisitas:. O de Ale!andria a $uem nos referimos de#eria ser identificado com um AmJnio cu>o nome aparece fre$]entemente como autor de interpretaç.es em #/rias *atenas e!eg%ticas do Antigo e do Fo#o Testamento. E citado por algumas o"ser#aç.es so"re os Salmos e so"re ;aniel' estas Cltimas mais numerosas' $ue deri#am pro#a#elmente de um coment/rio propriamente dito $ue se perdeu' ou de um ciclo de homilias dedicadas @$uele te!to prof%tico. ma parte not/#el dessas % dedicada @ história de Su=ana e' no todo' elas re#elam um consider/#el interesse pelo conteCdo formal do li#ro. Mais amplo e mais rico % o *oment/rio ao E#angelho de Eoão' formado de escólios $ue se encontram nas *atenas. Ele se apresenta $uase como um coment/rio completo' e parece ser um sólido tra"alho de e!egese. AmJnio e!aminou tam"%m e!plicaç.es $ue considera#a e$ui#ocadas e procurou esta"elecer o conteCdo dogm/tico do te!to' para re>eitar #/rios erros doutrinais. Hragment/rios e em parte passA#eis de reconstrução a partir das *atenas são outros dois tra"alhos de e!egese: o *oment/rio aos Atos dos Apóstolos e as Anotaç.es so"re a primeira epAstola de 3edro. *om a passagem do s%culo 2 ao 2<' a ati#idade e!eg%tica diminui ainda mais e se acentua o car/ter compilati#o $ue se encontrou nos escritores recordados at% agora. Esse esgotamento de uma e!egese original % testemunhado pelo surgimento de um g?nero liter/rio $ue' de um lado' $uer ser o mais funcional e Ctil possA#el ao estudioso da Escritura' mas' de outro' ele#a ao m/!imo grau o defeito dos te!tos precedentes' o de ser compilati#os' na medida em $ue todo o coment/rio % uma compilação. 1eferimo-nos @s chamadas &catenas&' @s $uais >/ aludimos algumas #e=es: o termo tradu= o e$ui#alente grego' com o $ual se #isuali=a 4se assim se pode di=er: a estrutura de determinado tipo de coment/rio' "aseado e!clusi#amente em uma s%rie de perAcopes e!eg%ticas de

pro#eni?ncia diferente' colocadas uma após a outra $uase como se formassem uma corrente. O autor dessas catenas preferiu comentar cada passagem do te!to "A"lico selecionado dirigindo-se aos comentadores $ue o precederam' escolhendo de cada um deles os coment/rios relati#os' reunindo-os e acrescentando só o nome do autor. Al%m disso' go=a de um crescente sucesso uma outra forma liter/ria $ue >/ ha#ia começado h/ tempos' a das &3erguntas e 1espostas& so"re pro"lemas de conteCdo religioso' $uase sempre dogm/tico e e!eg%tico. Tam"%m esse g?nero liter/rio passar/ a ter importBncia fundamental no sistema cultural "i=antino. A e!egese predominante continua a ser a alegórica' depois $ue os crit%rios do literalismo e da crAtica histórica se esgotaram.

31O*Z3<O ;E )AGA )a=a' cidade da SAria' te#e um relati#o esplendor e certa ati#idade cultural durante algumas d%cadas entre o s%culo 2 e 2<. Ali se encontra#am escolas de not/#el #alor' e delas pro#a#elmente #ieram escritores $ue se distinguem por um "om nA#el de cultura retórica e filosófica: *orAcio' En%ias e Gacarias Escol/stico são alguns desses literatosL os dois primeiros são apenas nomeados' por$ue não foram escritores de e#entos cristãos' em"ora pro#a#elmente tenham sido cristãos. A eles de#e-se acrescentar 3rocópio' $ue #i#eu entre S`5NSV5 e 59UN5TU' $ue' em contrapartida' se dedicou principalmente @ e!egese das Escrituras. Hoi tam"%m escritor profano' e algumas informaç.es so"re ele chegaram at% nós graças a seu aluno *orAcio' $ue escre#eu um discurso fCne"re a seu respeito. *omo e!egeta' 3rocópio % conhecido precisamente por$ue ele mesmo foi autor de catenas. Escre#eu uma *atena so"re o Octateuco' so"re a $ual tam"%m preparou uma segunda redação' na forma de um coment/rio continuado e homog?neo' uma #e= $ue

a primeira ha#ia atingido dimens.es e!cessi#as. Fesse coment/rio' ele não cita mais as opini.es dos e!egetas precedentes' mas as resumeL ainda $ue a estrutura não se>a mais a da catena' continua a ser um coment/rio $ue' na ess?ncia' reCne e!egeses alheias. A *atena propriamente dita' da $ual % deri#ado o *oment/rio' não chegou at% nósL da segunda redação rece"emos' em grego' apenas um fragmento relati#o a )n 8-8V' desco"erto pelo cardeal Mai. Outras catenas compiladas por 3rocópio são: - uma So"re os $uatro li#ros dos 1eis e so"re os dois li#ros dos 3aralipomenos' $ue se perdeu $uase inteiramente' com e!ceção de algumas citaç.esL - uma So"re <saAas' ou' mais e!atamente' uma EpAtome das di#ersas e!egeses propostas so"re o profeta <saAas' "astante ampla' mas $ue tem na parte central #astas e consider/#eis lacunas. Essa *atena "aseia-se em tr?s coment/rios: o de *irilo de Ale!andria' $ue possuAmos' e os de Eus%"io de *esar%ia e do ariano Teodoro de Heracl%ia' $ue chegaram at% nós apenas nas catenasL - desco"erta pelo cardeal Mai' uma EpAtome de e!egeses selecionadas so"re o *Bntico dos *Bnticos' an/loga @s precedentes na forma. Esse coment/rio cita a"undantemente )regório de Fissa' *irilo de Ale!andria' Filo de Ancira e outrosL - uma EpAtome de e!egeses selecionadas so"re os 3ro#%r"ios de Salomão' "aseada em ,asAlio' E#/grio 3Jntico' ;Adimo' o *ego' Eus%"io de *esar%ia e OrAgenes. 3arece ser espCria. A partir de tudo o $ue foi dito' e#idencia-se $ue 3rocópio não pode ser considerado um e!egeta propriamente ditoL ao contr/rio' podese o"ser#ar $ue as fontes em $ue se "aseia são so"retudo as da e!egese ale!andrina. São interessantes as EpAstolas 48`T ao todo: $ue nos fornecem "oas informaç.es so"re o am"iente intelectual de )a=a' mas são

su"stancialmente po"res de conteCdo: cont?m elogios da retórica e da filosofia' consolaç.es de amigos' recomendaç.es >unto aos poderosos e outros temas an/logos.

O0<M3<O;O1O ;E A0EXAF;1<A *ontemporBneo de 3rocópio' Olimpiodoro' di/cono de Ale!andria' % "em pouco conhecidoL sua ati#idade desen#ol#eu-se depois de sua ordenação por Eoão <<< Fibiotes' $ue foi patriarca de Ale!andria entre 565 e 585-58`. Olimpiodoro' contudo' diferentemente de 3rocópio' não escre#eu catenas' mas #erdadeiros coment/rios. *hegou-nos na Antegra um *oment/rio ao Eclesiastes' no $ual Olimpiodoro não cita nenhum de seus predecessores' em"ora os utili=e amplamente. A forma desse coment/rio % semelhante @ das catenas' ainda $ue o escritor d? a sua o"ra uma nota mais pessoal' na medida em $ue su"mete a e!ame e a discussão o material deri#ado de outros. Antes desse coment/rio' Olimpiodoro teria escrito tam"%m um ao 0i#ro de Esdras' $ue se perdeu. 0em"ramos ainda: um *oment/rio a Eeremias' $ue compreende tam"%m o li#ro de ,aruc e as 0amentaç.es' a maior parte do $ual se conser#ou tam"%m em uma *atena so"re o profeta Eeremias. ma catena so"re Eó' compilada pelo metropolita Ficeta de Heracl%ia no s%culo X<' conser#ou-nos fragmentos de um coment/rio de Olimpiodoro @$uele li#ro.

*OSMO <F;<*O30E STE Atendo-nos ao primeiro significado do so"renome' *osma foi chamado &<ndicopleusta&' ou se>a' &na#egador da India&' depois de ter reali=ado uma #iagem $ue o le#ou ao *eilão' para onde se dirigira como mercador. Fa #erdade' seu próprio nome' *osma' %

sim"ólico' por$ue de#e ser relacionado ao grego bosmos' ou se>a' o mundo $ue ele ha#ia descrito em sua o"ra. Mas nem o nome de *osma nem o so"renome de &<ndicopleusta& são origin/rios: eles aparecem somente nos s%culos X e X<' em manuscritos das catenas e!eg%ticas aos Salmos e aos E#angelhos. Sa"emos dele apenas o $ue ele mesmo nos narra. *om "ase nas refer?ncias incluAdas em sua o"ra' somos informados de $ue ele est/ escre#endo o segundo li#ro dessa o"ra em 5SV-5SRL est/ @s #oltas com algumas dificuldades' $ue consistem pro#a#elmente em suas pol?micas contra os eruditos de Ale!andria' eternos inimigos da escola antio$uena a $ue ele pertence 4% antio$ueno >/ por nascimento:' e mais pro#a#elmente ele' nestoriano' % o"rigado a contender com os monofisitas de Ale!andria. ;eclara $ue não te#e uma educação acurada' e isso % confirmado pela própria o"ra' um tanto desordenada na estrutura e nos conteCdos. Hócio chega a >ulg/-la &#ulgar na e!pressão' $ue ignora at% a sinta!e corrente&. *osma tornou-se famoso por sua o"ra geogr/fica' $ue tem o nome de Topografia cristã: não % uma o"ra geogr/fica em sentido cientAfico' mas de e!egese da cosmografia "A"lica. O escritor' de fato' polemi=a com os geógrafos' os astrJnomos e os matem/ticos pagãos' e se remete @s cosmografias de Mois%s e dos escritores sagrados. 3ortanto' a terra' sustenta ele com "ase no primeiro e no segundo li#ro da Escritura' não % uma esfera' mas um disco' e essas afirmaç.es são demonstradas mais amplamente no terceiro e no $uarto li#ro. O $uinto li#ro cont%m um resumo da história "A"lica e tam"%m um comp?ndio da ci?ncia "A"lica de sua %poca' en$uanto trata dos propósitos e dos conteCdos da Escritura. Os cinco li#ros seguintes t?m o o">eti#o de eliminar as dificuldades e as dC#idas $ue os primeiros ha#iam suscitado o se!to se fi!a na grande=a do solL o s%timo na duração do c%uL o oita#o no cBntico de E=e$uias' o rei de Eud/' e no eclipse solar mencionado por <saAas TUY o nono no curso das estrelas e o d%cimo' enfim' acrescenta uma s%rie de

testemunhos dos padres. Segue-se uma inesperada descrição das "ele=as da ilha de Tapro"ana 4*eilão:. Tal#e= esse d%cimo primeiro li#ro se>a e!traAdo de uma &descrição da terra&' $ue *osma ha#ia escrito e $ue ele mesmo *<ta no decorrer de sua o"ra. O d%cimo segundo li#ro' pro#a#elmente acrescentado depois como o d%cimo primeiro' mostra $ue muitos escritores pagãos antigos testemunham a antig]idade das o"ras escritas por Mois%s e pelos 3rofetas. *omo se #?' trata-se de uma e!egese muito atenuada: nela' $ue ainda assim continua a ser o interesse principal' inseriu-se o gosto pela narração e pela apresentação das coisas mara#ilhosas $ue pertencem a este mundo' e so"retudo aos mundos distantes' da India e do Oriente. O ad>eti#o &cristã& dado ao tAtulo de Topografia significa $ue nosso autor não $uer e!por uma o"ra de conteCdo geogr/fico no sentido cientAfico da pala#ra' mas $uer apresentar uma descrição do mundo segundo as concepç.es dos cristãos - ou melhor' de um grupo de cristãos - em oposição @s dos falsos cristãos' $ue seguem as doutrinas dos eruditos gregos' isto %' su"stancialmente' a de 3tolomeu. 3or tr/s do nome de 3tolomeu' $ue #i#era $uatro s%culos antes' na #erdade se de#eria #er' segundo colsba-*onus' o ensinamento de Eoão Hilipono' comentador de Aristóteles e cristão. E #erdade' por%m' $ue Hilipono nunca % nomeado por *osmaL só ser/ possA#el ter maior segurança a esse respeito $uando se conhecerem aos am"ientes culturais de Ale!andria e de Antio$uia do s%culo 2<. Segundo *osma' $uando ;eus $uis criar o homem' decidiu $ue sua criatura' antes de se unir' ao final dos tempos' a seu criador' de#eria percorrer um caminho de aprimoramento' duas &cat/stases&' ou se>a' duas &condiç.es cósmicas&. A primeira est/ su"metida @ morte e @ mudança' a segunda % imut/#el e eterna' e nela ter/ lugar o conhecimento perfeito. Ao primeiro estado corresponde o mundo terreno' limitado pela terra' em"ai!o' e pela

a"ó"ada celeste' ao altoL acima e!iste o reino dos c%us' incorruptA#el e eterno. Essa doutrina das duas condiç.es parecia ter deri#ado' em Cltima an/lise' da escola e!eg%tica de Antio$uia' e' mais precisamente' da contemporBnea a nosso escritor' a escola nestoriana de FAsi"e. A e!egese de *osma parece muito simplista se comparada @ de personalidades "em mais cultas e mais profundas $ue a sua' contudo e!istiu tam"%m uma e!egese do te!to sagrado mais humilde e simples' por$ue dela não se ser#iram apenas os eruditos e os religiosos' mas tam"%m os incultos e as pessoas de pouco espArito critico' $ue da#am importBncia ao mara#ilhoso. 3or isso a o"ra de *osma encontra' tam"%m nesse Bm"ito' uma >ustificação.

E* MWF<O ;E T1<*A Esse % um personagem praticamente desconhecidoL o"temos informaç.es so"re sua #ida a partir de um *oment/rio ao Apocalipse' de sua autoria' desco"erto h/ V6 anos. Fele' o autor declara escre#er cerca de 566 anos depois da #isão de Eoão. Fessa o"ra' al%m disso' refer?ncias relati#as @s doutrinas cristãs e mais precisamente @ cristologia e @ doutrina de OrAgenes so"re a apocat/stase' 'condenada por #olta da$uela %poca em *onstantinopla' permitem situar Ecumenio no s%culo 2<L enfim' esse coment/rio não demorou a ser tradu=ido para o siriaco no s%culo 2<<. Assim' ele teria atuado na segunda metade do s%culo 2< e' de acordo com o $ue se l? em um resumo desse *oment/rio' seria origin/rio de Trica' cidade da Tess/lia. 3ode-se e!trair algum outro detalhe so"re as concepç.es dogm/ticas de Ecum?nico em sua o"ra: ele seria partid/rio do monofisismoL teria professado' al%m da unidade da 3essoa e da hipóstase de *risto' tam"%m a unidade da energiaL Ecum?nio tomaria como "ase especialmente *irilo de Ale!andria' afirmando $ue *risto &pro#%m de duas nature=as&' em #e= de &ser duas nature=as&' como esclarecera o *oncAlio de *alcedJnia. O

*omentario so"re o Apocalipse e precedido de um pref/cio em $ue o autor' referindo-se @s autoridades dos 3adres precedentes' defende a canonicidade e a autenticidade do Apocalipse' fre$]entemente contestada no Oriente.

AF;1K ;E *ESA1K<A Fão temos certe=a nem se$uer so"re a %poca em $ue #i#eu Andr%' arce"ispo de *esar%ia. Fos tempos desse e!egeta' Eerusal%m ainda se encontra#a so" o domAnio "i=antino e' portanto' Andr% #i#eu antes de `TV' $uando a *idade de *esar%ia foi con$uistada pelos /ra"es. 3olemi=a com Ecum?nio' em"ora este não o cite e!plicitamente e' se>a como for' considera-o ainda #i#o na$uela %poca. Andr% tam"%m escre#eu um *oment/rio ao Apocalipse' di#idido em 9S tratados cada um com tr?s capAtulos. Esses nCmeros' como di= o autor' possuem um significado sim"ólico: os 9S tratados correspondem aos anciãos do Apocalipse e o nCmero tr?s corresponde @ tripartição em corpo' alma e espArito de cada um deles. Em correspond?ncia a essa tripla di#isão' Andr%' de acordo com Origenes' afirma a e!ist?ncia de um triplo nA#el de escritura' corpórea' psA$uica e espiritual' ou se>a' como ele e!plica' um significado literal 4e' portanto' histórico:' um tropológico' $ue parte das realidades sensA#eis para chegar @s espirituais' e um anagógico' $ue oculta os significados dos mist%rios futuros. Entre os li#ros sagrados' alguns são permeados predominantemente por um significado' outros por um significado diferenteL no Apocalipse domina o significado anagógico' e por esse moti#o a e!egese da$uele li#ro' continua ele' % particularmente difAcil. Fo decorrer da narrati#a' em dois momentos Andr% se dei!a le#ar por longas digress.es de conteCdo dogm/tico' am"as as #e=es contra o origenismo. K pro#/#el $ue um dos estAmulos para a composição desse coment/rio tenha sido precisamente a contro#%rsia origenista.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.

Historiogra"ia #rega $rist% Os mais significati#os escritores gregos do s%culo 2 imitam conscientemente Eus%"io' dedicando sua atenção @ história da <gre>a cristã: essa história tornou-se agora um g?nero liter/rio' canoni=ado pela autoridade do "ispo de *es/rio 4tradu=ido no Ocidente por EerJnimo e 1ufino:. O tAtulo dessas o"ras históricas % constante: História da <gre>a. Mas de $ual <gre>a7 Eus%"io ti#era ainda uma perspecti#a &uni#ersal&' considerando ao mesmo tempo a <gre>a do Ocidente e a do OrienteL os historiadores $ue o sucedem em lAngua grega dirigem sua atenção' a partir de agora' cada #e= mais para o Oriente. O Ocidente assume papel secund/rio nessas &Histórias&' e sempre em função do imperador de ,i=Bncio e do cristianismo 4se não da <gre>a - ou das igre>as: oriental. O mundo "i=antino' ainda "em sólido e só relati#amente a"alado pelas in#as.es "/r"aras' diferentemente do ocidental' $uer propor uma historiografia triunfal' centrada nos fatos do próspero Oriente' e' portanto' #oluntariamente fecha os olhos para as desgraças $ue atingem o Ocidente: os historiadores gregos fa=em apenas "re#es alus.es' $uando não se calam' ao sa$ue de 1oma de S86' $ue tantas marcas dei!ara no Ocidente e pro#ocara tantas refle!.es nas pessoas mais sensA#eis. O pC"lico a $ue se dirigem os historiadores desse perAodo % o dos cArculos mais restritos e mais elitistas da sociedade "i=antina' diferentemente da$uele ao $ual se dirige a literatura hagiogr/fica da mesma %poca. Os autores são geralmente pessoas cultas ou >uristas' ligadas @ corte e @ alta hierar$uia eclesi/sticaL seus leitores' igualmente cultos' estão mais interessados na história das

id%ias $ue nos acontecimentos $ue a"alaram a <gre>a do s%culo <2 e 2L a refle!ão $ue de#em e $uerem e!trair deles tem' ao mesmo tempo' car/ter religioso e polAtico.

H<0OSTZ1)<O Muem nos le#a ao ponto alto da contro#%rsia ariana % o historiador Hilostórgio' $ue participou dela como leigo - e isso >/ constitui um moti#o de interesse. Tanto seus pais $uanto o próprio Hilostórgio foram defensores do partido de EunJmio' $ue ti#era uma modesta difusão entre T`6 e TU6 4cf. p. TSS: na Qsia Menor. Hilostórgio nasceu por #olta do ano de T`U em ,orisso' cidade da *apadócia' mas >/ aos 96 anos mudou-se para *onstantinopla' onde permaneceu pelo resto de sua #ida' a não ser para fa=er uma #iagem @ 3alestina. 1esidindo em *onstantinopla' escre#eu uma História da <gre>a' $ue se propJs continuar em 89 li#ros a o"ra homJnima de Eus%"io' at% o ano S95L esta foi concluAda por seu autor em STT. ;efensor entusiasta do arianismo mais radical' Hilostórgio esta#a con#encido de $ue os maiores cristãos de sua %poca ha#iam sido' precisamente' os arianos A%cio de Antio$uia e EunJmio de *A=icoL $ue Atan/sio le#ara a <gre>a @ ruAna e $ue a #erdadeira ortodo!ia era a dos anomeus. Sua história' infeli=mente' chegou at% nós fragment/ria. Esta#a ainda completa nos tempos de Hócio' $ue lou#a seu estilo re$uintado e elegante' mas o"ser#a como o relato de Hilostórgio est/ em contradição com o dos outros historiadores da <gre>a' na medida em $ue ele e!alta#a todos os arianos' ao passo $ue acusa#a e insulta#a os ortodo!os' de modo $ue' conclui Hócio' &sua história não % tanto uma história' $uanto uma cele"ração dos hereges e uma a"erta acusação e ofensa aos ortodo!os&.

SZ*1ATES

Temos poucas informaç.es so"re esse historiador. Fasceu e cresceu em *onstantinopla' onde passou tam"%m os Cltimos anos de sua #ida. 3ro#a#elmente nunca saiu de *onstantinopla para se informar melhor so"re os fatos narrados. Funca fala de seu oficio. Os manuscritos dão a ele o so"renome de &escol/stico&' $ue normalmente % entendido como &procurador legal& ou tam"%m como &>urista&. *om certe=a não pertence ao clero da capital' em"ora tenha rece"ido de um &homem de ;eus&' de nome Teodoro' a inspiração para escre#er sua o"ra. Segundo alguns estudiosos' esse Teodoro teria sido um encarregado oficial do imperador' $uase um superintendente dos ar$ui#os' nomeado entre os integrantes da comissão $ue de#ia ocupar-se da redação do *ode! Theodosianus' dese>ado pelo imperador Teodósio <<' $ue entrou em #igor em 8o de >aneiro de STR. A o"ra de Sócrates' portanto' como a de So=Jmeno' entraria no Bm"ito da ati#idade cultural produ=ida pela preparação da$uele *ode!.

A: A H<STZ1<A ;A <)1EEA Sua o"ra' portanto' % uma História da <gre>a' $ue % uma continuação da de Eus%"io' como declara o pro?mio. Estende-se por sete li#ros' desde o tempo da a"dicação de ;iocleciano' em T65' at% STRL a sucessão dos imperadores' $ue di#ide sua história' % a dos imperadores do Oriente. *ada li#ro a"arca o reinado de um imperador' com e!ceção do terceiro' $ue compreende os reinados de Euliano e Eo#iano ao mesmo tempo. Sócrates pu"licou sua o"ra duas #e=es' e a narração $ue chegou at% nós reprodu= a segunda redação dessa o"ra. *omo ele nos informa no inicio do segundo li#ro' após a desco"erta de no#o material' $ue não dese>a#a dei!ar in%dito' #iu-se o"rigado a reescre#er sua o"ra. Esse material consistiria nos escritos de Atan/sio e em cartas de personagens importantes da$uela %poca.

,: OS *1<TK1<OS H<STO1<O)1QH<*OS ;E SZ*1ATES A disposição da o"ra' a $ue nos referimos acima 4cada li#ro corresponde ao reinado de um imperador:' mostra-nos o esforço de Sócrates em conciliar a história da <gre>a' @ $ual ele dedica sua atenção precApua' com a história do imp%rio propriamente dita' pela $ual ele não tem interesse especial. Fisso consiste a diferenciação de Eus%"io' e nisso Sócrates ser/ seguido tam"%m por seu contemporBneo So=Jmeno. A no#idade desse enfo$ue historiogr/fico ser/ e!plicada no pref/cio ao $uinto li#ro' no $ual o autor e!p.e as intenç.es de seu tra"alho' $ue pro#a#elmente >/ suscitara crAticas pela e!cessi#a atenção $ue ele dedicara @ história dos imperadores como parte da história da <gre>a. Sócrates admite $ue incluAra tam"%m os acontecimentos da história profana na história da <gre>a' e apresenta #/rios moti#os para esse procedimento: em primeiro lugar' ele permite uma narração precisa dos fatosL al%m disso' ser#e para impedir $ue o leitor se entedie com a narrati#a de contAnuas intrigas entre eclesi/sticosL pede-lhe $ue aceite com paci?ncia se' @s #e=es' menciona at% os e#entos de guerra' em"ora estes este>am tão distantes de seus propósitos. Os infortCnios da #ida ci#il e as dificuldades atra#essadas pelas #/rias igre>as foram' de fato' duas coisas ligadas e de#em ser entendidas como puniç.es infligi das por ;eus aos homens por seus pecados. Sócrates procura e!por os fatos com simplicidade e clare=a. Ele di= $ue dese>a e#itar $ual$uer tentati#a de em"ele=amento retórico' #isando apenas ser entendido sem dificuldades. Fão raro transcre#e literalmente seus documentos históricos' e assim fa=endo contradi= uma regra consolidada na tradição histórica antiga' a de não inserir no te!to elementos estranhos a ele' como % o caso precisamente dos documentos' no plano estilAstico' tanto $ue So=Jmeno' escre#endo depois dele' a"andona essa pr/tica' tal#e= por discordBncia implAcita. Ali/s' esses documentos' $ue podem ser dois ou mais um após o outro' @s #e=es chegam a se so"repor @ narrati#a histórica' $ue se mostra e!Agua. Se>a como for' Sócrates emite seu próprio >uA=o so"re as fontes $ue emprega.

SOGaMEFO ;e Salamanes Hermas So=Jmeno 4este teria sido seu nome completo' segundo as notAcias de Hócio: temos tam"%m poucas informaç.es. Muando esta#a escre#endo sua História da <gre>a' ele era 4assim nos informa: scholastibos' ou se>a' como Sócrates' ad#ogado ou >urisconsulto' em *onstantinopla. *ontudo' não era origin/rio da capital' mas do pe$ueno #ilare>o de ,et%lia' pró!imo da antiga cidade dos filisteus' )a=a' onde nascera por #olta do ano de TU6 de uma famAlia de antiga f% cristã' con#ertida graças aos milagres do famoso anacoreta Hilarião' cu>a #ida % narrada por EerJnimo.

A: A H<STZ1<A ;A <)1EEA So=Jmeno su"meteu a pu"licação de sua história @ apro#ação do imperador Teodósio <<' a $uem se dirige com uma dedicação repleta de espArito de cortesia. Mue o imperador aceite seus esforços' $ue os su"meta a e!ame e $ue os modifi$ue a seu crit%rio. A censura imperial ser/ a norma a $ue So=Jmeno se ater/L se o imperador $uiser' ele não acrescentar/ uma linha se$uer a sua o"ra. 3arece $ue efeti#amente isso ocorreu' se se interpretar nesse sentido a inesperada interrupção da Hirtória da <gre>a. A o"ra' de fato' $ue de#ia chegar at% o ano de STR' det%m-se em S8S' em"ora no decorrer da narração se aluda a acontecimentos posteriores @$uele ano' como a ascensão ao trono de 2alentiniano <<<' imperador do Ocidente' em S95' e a uma introdução de relA$uias em *onstantinopla na %poca do patriarca 3roclo' ou se>a' durante o perAodo entre STS e SS`. A História da <gre>a % narrada em no#e li#ros' a começar do ano do terceiro consulado de *%sar *rispo e *onstantino 4T9S:' e de#eria ter chegado' segundo o pro>eto' ao d%cimo s%timo consulado do imperador Teodósio l<' ou se>a' a STR. O Cltimo li#ro' por%m' como dissemos' compreende a história do imperador reinante' Teodósio <<' só at% o ano de S8S.

A o"ra de So=Jmeno $uer ser uma narração dos acontecimentos posteriores a *onstantino' $ue interpreta segundo a f% ortodo!aL mas' em"ora o tema e o tAtulo se>am an/logos aos de Eus%"io' So=Jmeno não % um #erdadeiro continuador do "ispo de *esar%ia' por$ue % um leigo e considera a história da <gre>a com crit%rios profanos' não religiosos' e não retoma as concepç.es de Sócrates. Ele tem diante da história da <gre>a o mesmo comportamento $ue teria diante de $ual$uer história' de $ual$uer Estado: não dese>a desco"rir' como fi=era Sócrates' a presença de ;eus nos acontecimentos $ue narraL os "ispos não são apenas os homens da religião' mas tam"%m os homens $ue fa=em a história da$ueles tempos. O pro?mio da o"ra de So=Jmeno foi considerado um dos momentos de maior consci?ncia metódica demonstrada por um historiador antigo' de#ido' so"retudo' ao interesse dedicado aos documentos de ar$ui#o e @ #alori=ação deles. ;e fato' So=Jmeno não só declara $ue % necess/rio praticar a autópsia das fontes' como' no fundo' >/ afirmara Sócrates 4e' naturalmente' outros antes deles' em"ora a historiografia antiga não tenha sido muito sensA#el a esse crit%rio' $ue muitas #e=es permanecia apenas uma enunciação teórica:' mas e!p.e tam"%m $uais são as normas a ser seguidas para uma a#aliação crAtica dessas fontes.

,: SZ*1ATES E SOGaMEFO *omo Sócrates se ocupou do perAodo T65-STR' So=Jmeno de T9SSTR 4ou S8S:' somos instados a perguntar so"re as relaç.es recAprocas entre as duas o"ras. 3ode-se notar $ue' por longos trechos' a narração dos dois historiadores caminha lado a lado' $uer concordem' $uer discordem em relação a detalhes. So"re uma e#entual depend?ncia de um escritor do outro' >ulgou-se #er em So=Jmeno o imitador. Trata-se' por%m' de uma imitação $ue tem finalidades "em precisas' ou se>a' #isa

mais @ di#ersificação $ue @ repetição. So=Jmeno ser#iu-se da o"ra de Sócrates como modelo' conferindo-a com os documentos' ampliando-a e corrigindo-a' na medida em $ue recorreu at% @s mesmas fontes empregadas por Sócrates' @s #e=es apro#eitando-as com mais amplitude. ;iferentemente de Sócrates' $ue em geral a cita' So=Jmeno não menciona a fonte principal' mas nomeia os $ue fornecem notAcias de car/ter su"sidi/rio. E/ se disse $ue Sócrates % pródigo no emprego de documentos' $ue reprodu= literalmente' ao passo $ue So=Jmeno enfati=a a narração histórica propriamente dita. Ao contr/rio de Sócrates' por outro lado' ele elimina o mais possA#el as dataç.es cronológicas precisas. Fo con>unto' a o"ra de So=Jmeno manifesta uma seculari=ação da história da <gre>aL ao mesmo tempo' ele mostra' mais $ue Sócrates' um relati#o interesse pelos acontecimentos da parte ocidental do imp%rio' acontecimentos $ue considera' se>a como for' segundo a perspecti#a de um "i=antino. A seculari=ação da história e#idenciase ainda mais' na medida em $ue So=Jmeno dedica uma atenção especial @ legislação imperial' $ue precisamente na$ueles anos era reunida e organi=ada criticamente no *ode! Theodosianus. A história de So=Jmeno % contemporBnea' pode-se di=er' @ pu"licação deste' e o *ode! podia muito "em ter fornecido ao historiador todas as leis $ue ele precisasse consultar.

*: O EST<0O E O 3d,0<*O ;E SOGaMEFO *omo escritor' So=Jmeno % superior a Sócrates. Hócio >/ o considerara desse modoL sua linguagem % mais agrad/#el' seu estilo mais fluente. Mas So=Jmeno' se possui maiores dotes de narrador' continua inferior a Sócrates em relação @ acuidade de a#aliação histórica: ele % um pouco cr%dulo e gosta de narrar histórias milagrosas. O fato % $ue essa era a mentalidade e o gosto não tanto do historiador So=Jmeno' mas do pC"lico a $ue ele se dirigia' $ue aprecia#a o anedótico milagroso' as #idas dos santos' as relA$uias dos m/rtires' os fatos insólitos.

TEO;O1ETO ;E *<1O Fa enorme produção liter/ria desse escritor' $ue foi teólogo 4cf. p. T``-TV8: e e!egeta 4cf. p. T`V-T`U:' inclui-se' como conse$]?ncia de sua imensa amplitude de interesses' tam"%m a historiografia. A: A H<STZ1<A ;A <)1EEA Teodoreto % tam"%m um historiador &euse"iano&' no sentido de $ue se "aseia na História da <gre>a do "ispo de *esar%iaL sua narrati#a #ai at% o ano de S9U e' portanto' tam"%m ela chega ao reinado de Teodósio <<. A o"ra % di#idida em cinco li#ros. O primeiro narra as dificuldades $ue a <gre>a #iu-se o"rigada a enfrentar de#ido @ heresia ariana no go#erno de *onstantinoL o segundo' a continuação da luta dos ortodo!os so" *onstBncio. O terceiro % dedicado @ história de Euliano' o ApóstataL $uarto' aos acontecimentos at% a morte de 2alente. O $uinto cele"ra o triunfo so"re o arianismo e so"re as outras heresias' como a de Apolin/rio e de MacedJnio. A História da <gre>a foi escrita @s pressas 4pro#a#elmente durante o e!Alio de Teodoreto em um mosteiro pró!imo a Apam%ia' na SAria:' e tam"%m o estilo se ressente disso' para não falar das ine!atid.es e dos erros de cronologia. Hre$]entemente apresentam-se ao leitor apenas os documentos 4so"retudo escritos sinodais:' acompanhados de algumas poucas pala#ras de coment/rio. *ontudo' precisamente nisso consiste' para o historiador moderno' o maior m%rito da o"ra. ,: A H<STZ1<A 1E0<)<OSA Alguns anos antes da História da <gre>a' escre#eu uma História religiosa: ou melhor' o modo de #ida asc%tico' $ue consiste em uma história dos monges' ou em uma coletBnea de "iografias de monges' @ maneira da História 0ausAaca de 3al/dio 4p. `SU-`SR:. Mas en$uanto 3al/dio $uer narrar as "iografias dos monges de toda a cristandade' Teodoreto' como ele mesmo nos di= em seu pref/cio' limita-se @ descrição dos milagres dos com"atentes por *risto $ue se distinguiram entre todos no Oriente.

Ser#e de ap?ndice a esse li#ro o Tratado so"re a di#ina e santa caridade' $ue dese>a demonstrar $ue ha#ia sido o amor por ;eus $ue encora>ara e tornara os ascetas capa=es de seus feitos. Tradicionalmente essa o"ra costuma ser datada do ano SSS.

H<0<3E ;E S<;ES Hilipe de Sides' por sua #e=' de#e ser considerado @ parte' mesmo se deso"edecemos @ cronologia e #oltamos atr/s' depois de chegar a Teodoreto' na medida em $ue não podemos incluA-<o entre os continuadores de Eus%"io. Ele foi aluno de certo 1odão' $ue' segundo ;Adimo' o *ego' teria sido professor da escola cate$u%tica de Ale!andria na %poca de Teodósio 4TVR-TR5:L depois se teria transferido para Sides' uma cidade da 3anfilia' na Qsia Menor. Eoão *risóstomo nomeou-o di/conoL Hilipe' de fato' mudara-se para *onstantinopla' tal#e= antes de Eoão. Hoi pres"Atero' mas não conseguiu o episcopado. Sua o"ra não foi uma &história da <gre>a&' mas uma História do cristianismo' e por isso #oltou para os primórdios' at% a criação do mundo. ;e#ia' portanto' ser uma história enorme e e!tremamente #ariada: segundo Sócrates' era "astante incompleta no plano da cronologia e incluAa $uest.es de geometria' astronomia' aritm%tica' mCsica' descriç.es de montanhas e de plantas. Muase toda a o"ra se perdeu.

)E0QS<O ;E *IG<*O <gnoramos $uase tudo desse escritor' $ue agora nos le#a para o final do s%culo 2 e para fora da &história da <gre>a& @ maneira de Eus%"io de *esar%ia e de seus continuadores. )el/sio era filho de um pres"Atero de *A=ico' #i#eu depois na ,iCnia e escre#eu sua o"ra depois de SV5-SVV. Fão sa"emos mais nada dele. At% sua história' ali/s' esta#a longe de ser "em conhecida: foi chamada História dos

acontecimentos do sagrado sAnodo de Fic%ia' ou mais simplesmente História do *oncAlio de Fic%iaL mais recentemente' História da <gre>a. A o"ra de )el/sio % constituAda de tr?s li#ros' e não nos informa tanto so"re o concAlio de Fic%ia $uanto so"re a história da <gre>a no Oriente so" *onstantino. O primeiro li#ro narra a #ida de *onstantino' dos primeiros anos de seu principado at% sua #itória so"re 0icAnio em T9T. O segundo % dedicado @ história do concAlio de Fic%ia' e o terceiro' $ue não chegou at% nós inteiro' narra#a' se for correto o $ue Hócio nos di=' o restante da #ida de *onstantino at% seu "atismo e sua morte em TTV. ;esde a %poca de Hócio' )el/sio % criticado como escritor "anal e de estilo po"reL contudo' do ponto de #ista histórico' sua o"ra pode ostentar o m%rito de ter tido acesso a fontes $ue desconhecemos ou $ue não são mais acessA#eis. Fas passagens em $ue ele segue escritores $ue ainda podemos ler' como Eus%"io' Sócrates e Teodoreto' podemos #erificar $ue )el/sio se ser#e delas sem acrescentar nenhuma consideração pessoal' mas muito ao p% da letra' colocando uma citação após a outra de maneira a"solutamente monótona e ornando-a de em"ele=amentos e!teriores' sem nenhuma medida.

GA*A1<AS 1ETO1 Após O grande florescimento da historiografia eclesi/stica dos tempos de Teodósio l<' a produção de história desaparece por mais de um s%culoL assiste-se' no interior do mundo cristão' @ transformação ou @ e!tinção desse g?nero liter/rio' entendido no significado cl/ssico ou tradicional. A historiografia do s%culo 2< ser/ so"retudo pagã. Ao irre$uieto am"iente cultural de )a=a' na 3alestina' a $ue se far/ menção tam"%m ao falar de 3rocópio e de sua e!egese das Escrituras 4p. `RT:' pertence Gacarias Escol/stico' $ue

pro#a#elmente era irmão do próprio 3rocópio. Escre#endo a "iografia do monofisita Se#ero de Antio$uia' de $uem foi aluno' ele nos informa so"re seus primeiros anos. Seu discipulado ocorre por #olta do ano SU5' em Ale!andria' onde se dedicou aos estudos liter/rios e retóricos e participou das discuss.es so"re os pro"lemas teológicos. Em SUV começou seus estudos >urAdicos e passou a fre$]entar a famosa escola de direito em ,eritoL em seguida' em SR9' transferiu-se para *onstantinopla' onde foi &retor&' ou se>a' orador' e &escol/stico&' isto %' ad#ogado. Em *onstantinopla con$uistou um certo renome e' por fim' foi designado "ispo de Mitilene' na ilha de 0es"os. *omo tal' ele participou em 5T` do sAnodo de *onstantinopla' $ue condenou os monofisitas' entre os $uais Se#ero de Antio$uia 4Gacarias se afastara' portanto' de seu mestre:. A: A H<STZ1<A ;A <)1EEA En$uanto historiador de profissão 4por assim di=er:' pouco conhecemos de Gacarias' pois sua o"ra 4cu>o tAtulo preciso não sa"emos: se perdeu no original grego' ao passo $ue chegou at% nós em uma tradução sirAaca. Essa tradução encontra-se no interior de uma compilação mais ampla' em 89 li#ros' $ue parte da criação do mundo e chega at% o ano de 5`U-5`RL a o"ra de Gacarias constitui a &história da <gre>a& nessa compilação e se estende do terceiro ao se!to li#ro. A narração % ampla' particularmente interessante pelos acontecimentos do Egito e da 3alestina' mas % repleta de lacunas e mais po"re com relação a outras regi.es do imp%rio. O perAodo histórico da o"ra de Gacarias % limitado: de S56 a SR8' o ano da morte do imperador Genão. Fa cultura cristã de am"iente grego' a história de Gacarias e!erceu pouca influ?nciaL só E#/grio Escol/stico' ao $ue parece' ser#iu-se dela. ,: AS ,<O)1AH<AS Mesmo não sendo o"ras históricas em sentido liter/rio' tam"%m as "iografias de Gacarias podem ser consideradas assim em sentido lato. Elas tam"%m se conser#aram em tradução sirAaca. A mais conhecida % a 2ida de Se#ero de Antio$uia' $ue % su"stancialmente

uma defesa do próprio mestre monofisita' acusado de #/rias faltas' entre as $uais se incluAa a de paganismo. Outras "iografias são a 2ida de <saAas' um monge origin/rio do Egito $ue' para "uscar a solidão' se refugiara na 3alestina' no deserto pró!imo de )a=a' onde Gacarias o conheceu. *hegou-nos fragment/ria a 2ida de 3edro' o <"%rico' fundador de con#entos e "ispo' $ue e!ercera uma profunda influ?ncia so"re Gacarias. A 2ida de Se#ero informa-nos' de fato' $ue Gacarias $uisera dedicar-se ao monasticismo so" a orientação de 3edro' mas #oltou atr/s em sua decisão. *: O,1AS A3O0O)KT<*AS Mais significati#as são duas o"ras escritas em defesa do cristianismo' cu>o original grego ainda conser#amos. A mais famosa % a ;iscussão em pol?mica com os filósofos a propósito da criação do mundo' um di/logo' escrito em ,erito e ali am"ientado. Fele' Gacarias defende a doutrina cristã da criação do mundo reali=ada por ;eus' em um de"ate com um discApulo do neoplatJnico ale!andrino AmJnio' $ue' seguindo a doutrina da$uela escola filosófica' considera#a $ue o mundo fosse co-eterno a ;eus. A ;iscussão contra os mani$ueus' suscitada pela condenação $ue o imperador Eustiniano reali=ara em 59V contra a$uela seita' em contrapartida' chegou at% nós fragment/ria.

TEO;O1O 0E<TO1 Só o conhecemos como &leitor& na <gre>a de Santa Sofia em *onstantinopla no inAcio do s%culo 2<. ;ei!ou um comp?ndio das histórias da <gre>a escritas por Sócrates' So=Jmeno e Teodoreto' $ue ele mesmo continuou depois at% a sua %poca. A primeira dessas o"ras' o comp?ndio' chegou at% nós' ao passo $ue a segunda' a continuação' $ue teria sido muito interessante para nós' perdeu-se. *omo as o"ras dos tr?s historiadores tratam mais ou menos do mesmo perAodo' era con#eniente reali=ar um tra"alho de compilação e de sAntese'

redu=indo-as a apenas uma' $ue fornecesse uma narração mais clara' mais agrad/#el no plano retórico' e mais confi/#e8. A História da <gre>a: di#idida em tr?s partes 4 o tAtulo foi dado pelos modernos' por$ue Teodoro a chamou simplesmente História da <gre>a:' foi tradu=ida em latim pelo monge EpifBnio' do monast%rio de 2i#arium' so" a super#isão de *assiodoro' e te#e muito sucesso na <dade M%dia.

E2Q)1<O ES*O0QST<*O Fascido entre 5T9 e 5TV em Epifania da SAria' depois de ter estudado em *onstantinopla' foi para Antio$uia durante o patriarcado de Anast/sioL e!erceu a profissão de ad#ogado' como se depreende de seu tAtulo' $ue indica certo nA#el de cultura' então comum nesses historiadores dos s%culos 2 e 2<. Hoi $uestor na %poca do imperador Ti"%rio liL depois' em 5UU' acompanhou em *onstantinopla o patriarca de Antio$uia' )regório' $ue ha#ia sido al#o de calCnias' e o defendeu diante do imperador MaurAcio. Este o nomeou prefeitoL E#/grio morreu em Antio$uia por #olta do final do s%culo 2<. A Cnica o"ra % uma História da <gre>a' em seis li#ros' $ue compreendia o perAodo de S9U a 5RS' ou se>a' chega#a at% a %poca do autorL % a Cnica fonte histórica glo"al para o perAodo posterior ao concilio de *alcedJnia. E#/grio declara no pref/cio $ue dese>a continuar os tr?s historiadores do s%culo 2' então considerados con>untamente' Sócrates' So=Jmeno e Teodoreto. Teodoro 0eitor não % nomeado e E#/grio pro#a#elmente não o conhece' pois afirma $ue desde a metade do s%culo 2 não e!istira mais nenhum historiador. E#/grio % um ortodo!o rigoroso: pro#inha de uma região 4a de Apam%ia na SAria: fiel ao dogma de *alcedJnia e hostil ao patriarca Se#ero de Antio$uia' $ue era monofisita. A narração % um pouco proli!a' mas ampla e e!tensa' e o estilo % agrad/#el' tendendo a um tom arcai=ante' uma #e= $ue o ideal estilAstico de E#/grio %

TucAdidesL conse$]entemente' o #oca"ul/rio % escolhido com cuidadoL mesmo Hócio o aprecia#a. Fo segundo e no terceiro li#ro' ele se ser#e da História da <gre>a de Gacarias' $ue ainda podia ler no original grego. 3ara a parte não estritamente cristã' ele se "aseia em historiadores profanos' como 3rocópio de *esar%ia' retomado muito amplamente' e Eoão' o 1etor' ou se>a' Eoão Malala' de $ue falaremos da$ui a pouco. E#/grio tam"%m foi lido e retomado pelos historiadores "i=antinos.

,ASI0<O ;E *<0I*<A E EOPO ;<A*1<FaMEFO Fão nos deteremos muito nesses dois o"scuros historiadores so"re os $uais não nos chegou $uase nada. ,asAlio' origin/rio da *ilAcia' foi por algum tempo pres"Atero de Antio$uia' depois "ispo de <renópolis' na *ilAcia' conhecido apenas no $ue se refere a Hócio' por$ue todas as suas o"ras se perderam. Teria escrito uma História da <gre>a' em tr?s li#ros' $ue co"ria o perAodo entre S56 e 5S6. Eoão teria sido chamado &;iacrinJmeno&' ou se>a' &separado&' pois era monofisita. SirAaco de nascimento' parece ter sido contemporBneo mais #elho de ,asAlio de *ilAcia. Tam"%m ele' segundo Hócio' teria escrito uma História da <gre>a' em de= li#ros. Os cinco primeiros li#ros iam de S9R 4final da história de Sócrates' So=Jmeno e Teodoreto: @ %poca do imperador Genão 4SVS-SR8:. Escritos em estilo claro e #ariado' go=aram de certo apreço. Alguns fragmentos de sua História foram conser#ados pelos historiadores "i=antinos' ao $ue parece >/ desde Teodoro 0eitor.

EOPO MA0A0A 2amos concluir o e!ame da historiografia eclesi/stica com algumas informaç.es so"re um autor $ue' rigorosamente' não seria um historiador' mas um &cronologista&: pertenceria' portanto' a um g?nero liter/rio 4a cronografia: $ue >/ ha#ia sido culti#ado pela

mais antiga historiografia cristã' mas $ue foi um tanto o"scurecido pela historiografia propriamente dita' e por fim #oltou ao auge na era "i=antina. Eoão' origin/rio de Antio$uia' onde e!ercia a profissão de retor 4e como tal conheceu E#/grio Escol/stico:' rece"eu o so"renome de &Malala&' $ue em sirAaco significa#a' precisamente' &retorY. Esse so"renome le#a-nos a pensar $ue ele não pertencia @ população grega de Antio$uia' mas @ sirAaca. Algumas alus.es de car/ter auto"iogr/fico informam-nos $ue Eoão #i#eu na metade do s%culo 2<L pro#a#elmente era adepto do monofisismo. Sua o"ra' $ue te#e enorme difusão na <dade M%dia "i=antina' % uma *ronografia' em 8V li#ros' $ue partia da história lend/ria do Egito para chegar a 5`T d.*. Ela chegou at% nós em uma recensão redu=ida' en$uanto o te!to mais amplo só pode ser reconstruAdo por meio de fragmentos e e!tratos conser#ados por outros autores. O escritor pretendia escre#er um li#ro de história' destinado @ informação de um amplo pC"lico' não de pessoas mais cultas. Ao lado da grande cópia de dados' de fato' acumula' por%m' tam"%m curiosidades de todos os tipos' mistura coisas importantes com outras sup%rfluas' notAcias #erdadeiras com notAcias falsas. Fão faltam mal-entendidos e deformaç.es dos fatos' de#idos @ inserção de elementos a#enturescosL mas h/ tam"%m notAcias interessantes relati#as @ Qsia Menor e' mais particularmente' a Antio$uia. A linguagem % "astante populari=ante' com latinismos e semitismos.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.

Outros Escritores da Antiguidade &ardia

AM<AFO MA1*E0<FO 4Ammianus MarcellAnus: 4apro!. TT6-apro!. TR5 d.*.:' historiador. Amiano' $ue se denomina#a &antigo soldado e grego&' #eio de Antió$uia' mas escre#eu sua história do perAodo R`-TVU d.*. em 1oma' e em latim. Os li#ros $ue permaneceram 4T5T-TVU d.*.: constituem a fonte principal da história secular dos reinos de *onstBncio <<' Euliano' 2alentiniano < e 2alente. Amiano foi oficial do e!%rcito' inicialmente so" o comando de rsicinoL participou do ser#iço ati#o na )/lia 4cola"orando no assassinato de Sil#ano: e na MesopotBmia 4foi cercado pelos persas na fortale=a de Amida e tomou parte na e!pedição de Euliano @ 3%rsia:. ;epois de se desligar do e!%rcito' em T`T' #i#eu em Antió$uia e continuou a #ia>ar. Esta"eleceu-se finalmente em 1oma' tal#e= por #olta de TUT. Atra#%s de uma carta de congratulaç.es escrita por 0i"Bnio' sa"emos $ue em TR9 >/ pu"licara parte de sua história. Ao registrar a história contemporBnea' Amiano usou suas próprias anotaç.es e as de outras pessoas' "em como todos os relatos escritos disponA#eis 4#er Eun/pio:. Escre#eu cuidadosamente' num latim &liter/rio&' re"uscado e tApico do fim do <mp%rio' para agradar aos cArculos intelectuais de 1omaL mas suas descric.es satAricas da sociedade romana sugerem $ue ele se #ia como um forasteiro. Fão compartilha#a a complac?ncia de SAmaco para com a classe senatorial' nem suas prefer?ncias em história' fosse o tipo miscelBnea ou a pura "iografia 4#er Eutrópio' Aur%lio 2Ator' &História augusta:. Ao in#%s disso' Amiano fe= um tra"alho de grande alcance' no $ual os acontecimentos de 1oma são secund/rios e a ?nfase % dada @s descriç.es das guerras imperiais e das relaç.es diplom/ticas com po#os estrangeiros' @s fra$ue=as internas do <mp%rio' tais como corrupção "urocr/tica' intrigas na corte' >ulgamentos por traição' usurpaç.es. *omo Heródoto' fe= digress.es so"re os assuntos $ue o interessa#am - descriç.es de pro#Ancias romanas e po#os estrangeiros' indisciplina no e!%rcito' desonestidade dos ad#ogados' ci?ncias populares 4adi#inhaç.es' hieróglifos egApcios' arco-Aris' eclipse' terremoto' construção de

m/$uinas de guerra:. O resultado % muito rico e agrad/#el de lerL mas Amiano % tam"%m not/#el como historiador' e!traordinariamente e!ato e imparcial: por isso' critica#a seu herói Euliano e registra#a atos $ue fa=em honra a pessoas de $uem não gosta#a. Omitiu a história religiosa por $uest.es de segurança ou' tal#e=' por não ser cl/ssicaL era pagão' mas reprimia suas crenças pessoais e limita#a suas crAticas @ cristandade aos des#ios das próprias normas da moralidade cristã. Amiano começou seu tra"alho onde T/cito parara' numa homenagem ao mestre' e dentre os Cltimos historiadores $ue escre#eram em latim' % o Cnico $ue pode ser comparado a ele: no estilo e na ordenação do material' T/cito % "em superior' mas Amiano o ultrapassa em amplitude e imparcialidade.

A SaF<O 4Ausonius: 4apro!. T8O-apro!. TRT d.*.:' poeta e polAtico. ;ecAmio Magno AusJnio' filho de um m%dico famoso de ,ord%us' ensinou literatura latina e retórica em sua uni#ersidade' por trinta anos' antes de ser chamado @ corte 4apro!. T`V: como tutor do prAncipe herdeiro )raciano. O tio de AusJnio' professor em Toulouse' ha#ia feito fortuna ensinando em *onstantinopla e e!ercendo a função de tutor de um dos filhos de *onstantino <L a carreira de AusJnio ilustra as oportunidades a"ertas @ educação cl/ssica no fim do <mp%rio. Muando )raciano sucedeu a seu pai 4no#em"ro de TV5:' AusJnio tornou-se uma figura cha#e do go#erno: assumiu a prefeitura pretoriana 4TVU-TVR: e assegurou outros cargos para #/rios de seus parentesL antes' >/ ha#ia sido correspondente de alguns dos principais senadores' como SAmaco e 3etrJnio 3ro"o 4em"ora mantendo uma distBncia respeitosa:. Em TVR' AusJnio retirou-se para suas propriedades em ,ord%us' com o tAtulo de cJnsul' $ue agradeceu a )raciano com um panegArico em prosa de autocongratulação. AusJnio fa=ia #ersos com flu?ncia' e muitos de seus tra"alhos so"re#i#eram. <ncluAam epigramas e cat/logos eruditos 4dias da

semana' principais cidades do <mp%rio' etc.:L #ersos o"itu/rios para parentes e colegas $ue' em con>unto' formam a maior fonte de história social de seu tempoL e tam"%m uma ode ao casamento' montada com trechos de 2irgAlio' para competir com outra' composta por 2alentiniano <. ma peça tem #erdadeiro m%rito po%tico: uma descrição do rio Mosela' onde fica#a Trier' capital de 2alentinianoL apesar das muitas semelhanças com as )eórgicas e de listas ilustrati#as 4pei!es' tri"ut/rios' etc.:' foi inspirada por um #erdadeiro sentimento de "ele=a natural. Fominalmente' AusJnio era um cristão' mas sua correspond?ncia 4unilateral:' em prosa e em #erso' com seu antigo aluno S. 3aulino' lamenta#elmente ilustra o a"ismo crescente entre o no#o ideal asc%tico de afastamento do mundo e a tradição do go#erno e!ercido por amadores elo$]entes.

*0A ;<AFO 4*laudianus: 4apro!. TV6apro!. S6S d.*.:' poeta. *l/udio *laudiano' o mais talentoso dos poetas do fim do <mp%rio 1omano' nasceu no Egito por #olta de TV6 d.*. Escre#eu tanto em grego $uanto em latim' compondo epigramas' o poema 3atria' so"re ,erito' Tarso' Ana=ar"o e Fic%ia' e tam"%m uma )igantoma$uia' antes de ir para 1oma em TRS. Ali' em TR5 d.*.' comp.e um panegArico para o consulado de 3ro"ino e O8A"rio' filhos de 3etrJnio 3ro"o e' portanto' mem"ros da poderosa famAlia cristã dos AnAcios. Em >aneiro de TR` d.*.' *laudiano >/ ha#ia iniciado sua mais importante encomenda po%tica' uma apologia de Estilicão' em seu poema so"re o terceiro consulado de Honório. ;essa %poca at% S6S d.*.' % possA#el estudar as disputas polAticas da corte ocidental atra#%s de suas poesias. *laudiano usa' de modo not/#el' a in#ecti#a no poema *ontra 1ufino' escrito em duas partes e pro#a#elmente recitado em TRV' após o assassinato de 1ufino. A )uerra )ildJnica 4)ildonicum "ellum:' %pico histórico so"re a re#olta de )ildão' conde da efrica' #em em seguidaL em TRR' escre#e *ontra Eutrópio' um ata$ue ao eunuco Eutrópio' ministrochefe de Arc/dio' e uma das mais sel#agens denCncias >amais escritas. Fo ano S66' foi recitado o So"re o consulado de EstilicBo

4<-<<<: e' em S69' o So"re a guerra dos getas' am"os tra"alhos polAticos' relatos tendenciosos das campanhas de Estilicão contra Alarico. *laudiano morreu pro#a#elmente em S6S' $uatro anos antes da $ueda de seu patrono. Al%m das o"ras polAticas e dos panegAricos' conser#ou-se ainda o 1apto de 3ros%rpina' poema %pico mitológico. *laudiano in#alida a noção de $ue os autores do fim do <mp%rio foram medAocres: escre#eu na mais pura tradição cl/ssica e foi um poeta e!cepcionalmente completo' mestre na descrição retórica e no he!Bmetro de forma perfeita e graciosa.

E FQ3<O 4Eunapius: 4TS5-TS`-apro!. S8S d.c.:' historiador. Autor do mais fiel relato grego so"re o s%culo <2 d.c. $ue so"re#i#e apenas em citaç.es ou refer?ncias de historiadores posteriores 4principalmente Gósimo' por #olta do ano 566:' Eun/pio estudou literatura em Sardes 4sua cidade natal: e em Atenas' #oltando depois a Sardes para ensinar retórica. Sua História continuou a de ;e!ipo 49V6 d.c.:' chegando at% a %poca em $ue esta#a sendo escrita' aparentemente a d%cada de TU6 d.c.L suas fontes incluem uma descrição de Euliano por seu m%dico' Ori"/sioL o próprio Amiano parece ter confrontado seu relato com este. A perspecti#a de Eun/pio % francamente anticristã' e o tratamento do assunto % retórico' como na o"ra $ue se conser#ou at% ho>e' as 2idas dos sofistas 4posteriores a TR` d.c.:' narração das #idas &santas& de intelectuais e literatos neoplatJnicos. Em S8S' Eun/pio pu"licou uma #ersão moderada da História' $ue estendia a narrati#a at% o ano S6S d.c.

E SK,<O ;E *ESA1K<A 4Euse"ius: 4apro!. 9`6-TS6 d.*.:' historiador da <gre>a. Eus%"io' o &pai da história da <gre>a&' estudou em *esar%ia' na 3alestina' com 3Bnfilo' intelectual origenista 4#er OrAgenes:' martiri=ado em T6RNT86. Eus%"io fugiu então para Tiro' e depois

para o Egito' onde ficou preso por uns tempos. Tornou-se "ispo de *esar%ia por #olta de T8S' e $uando se inflamou a contro#%rsia so"re o arianismo' por #olta de T8R d.*.' Eus%"io ligou-se ao origenista Qrio e tornou-se um importante ariano moderado' como Eus%"io de Ficom%dia. Fo *oncAlio de Fic%ia' em T95 d.*.' tomou posição a fa#or de um compromisso' mas sem sucessoL foi finalmente persuadido a unir-se @ maioria $ue condenou Qrio. Fo ano de TT5' esta#a no *oncAlio de Tiro $ue condenou Atan/sio. Eus%"io era amigo de *onstantino' a $uem lou#ou num discurso no >u"ileu desse mesmo ano. ;epois da morte de *onstantino 4TTV:' Eus%"io escre#eu um panegArico' 2ida de *onstantino' fonte importante - em"ora nem sempre confi/#el so"re e#entos do seu reinado. A o"ra mais importante de Eus%"io % a História da <gre>a' $ue a"rangia desde os primeiros tempos at% os acontecimentos contemporBneos 4apro!. T9S d.*.:. Fessa o"ra' ele fa= um uso completo' ainda $ue pouco crAtico' de muitos documentos $ue foram' assim' preser#ados. O primeiro imperador cristão aparece em sua o"ra como o ponto culminante da história. 1ufino de A$uil%ia tradu=iu a História da <gre>a para o latim' e continuou-a de modo a a"ranger os acontecimentos at% o ano TR5 d.*. Outros tra"alhos de Eus%"io incluem: 3reparação para o E#angelho' $ue re>eita#a a filosofia gregaL ;emonstração do E#angelho' coment/rios "A"licos "aseados no 2elho TestamentoL *ontra Hi%roclesL e uma *rJnica 4tradu=ida para o latim e continuada por EerJnimo:.

E T1Z3<O 4Euse"ius: historiadorL cJnsul em TUV d.*. Autor de uma sAntese da história romana 4at% T`S: $ue su"siste ainda e cu>o estilo f simples e muito claro f fe= dela' durante s%culos' um li#ro de te!tos para iniciantes do estudo do latim. Eutrópio era gaul?s' pro#a#elmente de ,ordeau!' e tra"alhou no Oriente. Escre#eu a sAntese $uando diretor dos redatores pC"licos na corte de 2alente: em TV8NTV9 go#ernou a Qsia' mas foi forçado' por seu sucessor Hesto' a se aposentar. 0ogo depois foi nomeado por Teodósio < prefeito pretoriano da <lAria.

SIMA*O 4Sgmmachus: 4apro!. TS6-apro!. S69 d.*.:' literato. Muinto Aur%lio SAmaco' apesar de seu nome' era um aristocrata de nascimento ilustre e porta-#o= do Senado romano da d%cada de T`6 at% sua morteL era considerado por seus contemporBneos um orador eminente e um estilista da prosa romana. Os panegAricos em honra de 2alentiniano < e )raciano 4T`R-TV6:' apresentados na corte 4onde SAmaco conheceu AusJnio: em nome do Senado' foram recompensados com sua nomeação como go#ernador da Qfrica 4TVT:. Fo &degelo& $ue se seguiu @ morte de 2alentiniano 4TV5:' SAmaco mante#e estreitas relaç.es com personagens influentes na corte' mas ocupou apenas os cargos tradicionais de sua classe: foi prefeito ur"ano 4TUS: e' apesar de seus elogios ao usurpador M/!imo' foi cJnsul em TR8. Sua correspond?ncia oficial como prefeito ur"ano so"re#i#eu' e % a principal fonte de informaç.es so"re os de#eres de um funcion/rio graduado na condição de lAder do Senado' >ui= de apelação em 1oma e no sul da <t/lia e respons/#el pela alimentação e pela ordem pC"lica em 1oma. SAmaco era um pagão moderado' ao contr/rio de seu amigo FicJmaco Hla#iano' e não se en#ol#ia em contro#%rsias religiosasL seu apelo para $ue fosse restaurado o Altar da 2itória na casa do Senado foi contrariado com sucesso por seu parente Santo Am"rósio' mas foi preser#ado como modelo de elo$]?ncia. So"re#i#em alguns fragmentos de discursos ela"orados no estilo &rico e colorido& do 3anegArico de 3lAnio. A correspond?ncia de SAmaco 4so"re#i#eram mais de no#ecentas cartas: foi pu"licada em de= #olumes' como a de 3lAnioL as cartas eram dirigidas a um amplo cArculo de pessoas' pertencentes não somente ao &melhor $uinhão da raça humana& 4os senadores:' mas tam"%m @ classe dos oficiais de carreira e generais' $ue aprendiam com ele as regras de uma &ami=ade& $ue ignora#a os conflitos de classe social' polAtica e religião. São' assim' um importante documento socialL por%m' por terem sido escritas num latim &liter/rio& e opaco' e por ignorarem muitas #e=es os fatos

e!teriores' são de leitura cansati#a. SAmaco era um senador medianamente ricoL mesmo assim' era propriet/rio de grandes e!tens.es de terra na SicAlia e na Qfrica' al%m de #inte herdades em 1oma e no sul da <t/lia' o $ue lhe permitia manter o opulento padrão de #ida costumeiro em sua classeL empregou duas mil li"ras em ouro nos >ogos pretorianos de seu filho 4por #olta do ano S66:' soma e$ui#alente ao "Jnus de $]in$]?nio de #inte e oito mil e oitocentos soldados particulares.

MA*1O,<O 4Macro"ius:' escritorL prefeito pretoriano em ST6 d.*. Fascido pro#a#elmente na Qfrica' no fim do s%culo <2' Macró"io Am"rósio Teodósio 4conhecido como Teodósio por seus contemporBneos: % mais lem"rado como autor do *oment/rio so"re o sonho de *ipião e das Saturn/lias. Sua identidade e as datas de sua #ida causaram muita confusão' mas ho>e considera-se $ue ele foi prefeito pretoriano da <t/lia em ST6. As Saturn/lias' um simpósio liter/rio escrito pro#a#elmente após S8`' e só pu"licado em ST6' descre#em um "an$uete fictAcio oferecido por 3rete!tato em 8V-8R de de=em"ro de TUS. A maior parte da o"ra % uma discussão so"re 2irgAlio' mas h/ tam"%m informaç.es so"re religi.es antigas' principalmente no discurso de 3rete!tato so"re o Sol. Os interlocutores compreendem #/rios dos mais importantes intelectuais da %poca' entre eles SAmaco' FicJmaco Hla#iano' 3rete!tato' S%r#io e A#ieno' e a o"ra cont%m um retrato le#emente tendencioso do final do s%culo <2 d.*. O influente *oment/rio % uma o"ra mais antigaL trata de aritmologia' da alma' da harmonia celestial' e re#ela $ue seu autor era um intelectual #ersado em filosofia neoplatJnica e capa= de muitas sAnteses inteligentes e originais.

3or ,OcF;E1' ;. Muem foi $uem na 1oma Antiga. São 3aulo: *Arculo do 0i#ro' 8RU`.

A Era das in as'es ()rbaras no Ocidente O pro"lema dos "/r"aros surge no s%culo 2 com uma urg?ncia $ue a situação da era de Teodósio' concluAda em TR5' não permitia entre#er. Mas foram e!atamente as grandes in#as.es' $ue se iniciaram em S6`-S6U e se sucederam' #ertiginosas' durante todo o s%culo' $ue caracteri=aram a #ida do mundo mediterrBneo' particularmente no Ocidente de lAngua latina. Fa realidade' depois da fragorosa derrota romana em Adrianópolis 4em TVU:' o imp%rio >/ começara a #acilar' adotando' por um lado' a diplomacia' dando o tAtulo de &aliados& aos "/r"aros e aceitando-os dentro das fronteiras. At% mesmo os intelectuais se #iram em uma posição de incerte=a: para alguns deles' os "/r"aros representa#am uma força no#a a ser canali=ada e ma!imamente desfrutada. 3ara outros' eles não eram nada al%m de sinJnimo de destruição. A partir do s%culo 2' fica "astante claro $ue as hordas dos in#asores tinham força suficiente para dominar 4e oprimir: e $ue os cidadãos romanos não tinham escolha. 3erdidas a Espanha' a )/lia e a Qfrica' apenas a <t/lia' mesmo sa$ueada pelos #isigodos em S86-S88 e pelos #Bndalos em S55' permanece nas mãos do imperador do Ocidente at% SV`. Hoi diante dos "/r"aros $ue o cristianismo desco"riu sua #ocação mission/ria. E/ desde antes do s%culo 2' assistimos a espor/dicas con#ers.es de "/r"aros. Fo no#o conte!to social e polAtico originado pelas in#as.es "/r"aras' o cristianismo de#e tomar consci?ncia da no#a situação' e a reação @s no#as condiç.es %' em geral' #i#a= e ino#adora' tanto $ue os &con$uistadores& tornam-se os &con$uistados&' por sua #e=. A literatura &depois de Agostinho& não atinge mais os #%rtices intelectuais dos s%culos anteriores' mas tampouco % tão modesta $uanto se pensa.

8.;<S*I3 0OS ;E SAFTO A)OST<FHO

São #inculados @ figura do "ispo de Hipona os nomes de Orósio' M/rio Mercator' Muod#ultdeus e TAron 3róspero. O1ZS<O Fa <dade M%dia' Orósio foi tido como o historiador cristão por e!cel?ncia. Origin/rio da Espanha' era amigo de Agostinho' ao $ual en#iara' em S8S' uma 1elação so"re os erros dos seguidores de 3risciliano e de OrAgenes. 3osteriormente 4em S85:' foi en#iado por Agostinho a ,el%m' >unto a EerJnimo' le#ando consigo as mais recentes o"ras dedicadas @ luta antipelagiana. Orósio tornou-se c%le"re pelas Histórias' escritas entre S8` e S8V. Fa origem' elas de#em ter sido um elenco de cat/strofes e de flagelos dos tempos passados e de#em ter ser#ido a Agostinho 4$ue' em S85' solicitara o au!Alio de Orósio' en$uanto se dedica#a @ composição de A cidade de ;eus: para refutar a acusação' dirigida pelos pagãos contra os cristãos' de $ue os males do imp%rio eram o"ra dos deuses de 1oma' indignados por não serem mais o">eto de culto. Orósio foi muito al%m do de#er a si confiado e escre#eu uma história uni#ersal em seis li#ros' da criação do mundo at% a era em $ue #i#ia. A o"ra utili=a como fontes' para a %poca antiga' 0A#io' Hloro e Eustino. Mas original % a parte dedicada aos acontecimentos contemporBneos a ele' mesmo $ue os imperadores )raciano' Teodósio e Honório' defensores do cristianismo' não mostrem caracterAsticas humanas' mas ang%licas. Apro#a de $ue Agostinho não concorda com o espArito de iniciati#a de seu discApulo se e#idencia no fato de $ue' en$uanto Orósio interpreta os $uatro reinos 4prefigurados segundo a tradição e!eg%tica cristã no sonho de Fa"ucodonosor' registrado no 0i#ro de ;aniel: como reino "a"ilJnico' reino cartagin?s' reino macedJnio e reino romano' no ;e ci#itate ;ei 4li#ro XX:' segue-se a interpretação de EerJnimo 4deri#ada de Eus%"io de *esar%ia:' $ue neles #? o reino "a"ilJnico' o reino medo-persa' o reino macedJnio e o reino romano. ;e todo modo' o reino romano constituiria o $uarto e Cltimo reino' com o fim do mundo >/ em ato 4milenarismo:. MQ1<O ME1*ATO1

Aparece um Mercator na epAstola 8RT de Agostinho 4dat/#el do ano S8U:: ele teria escrito um ensaio contra os pelagianos e tam"%m teria compilado uma s%rie de testemunhos escriturAsticos contra a$ueles hereges. 3ro#a#elmente a compilação de testemunhos antipelagianos pode ser identificada com o Hgpomnesticon contra 3elagianos et *aelestianos 4Memorial contra os seguidores de 3el/gio e de *el%stio:' $ue nos foi transmitido entre as o"ras agostinianas. Mercator escre#eu outros #olumes' #oltados a refutar a heresia de 3el/gio e de *el%stio e escritos em *onstantinopla. 0em"remos $ue *el%stio e Euliano de Eclano tinham encontrado ref gio >ustamente na$uela cidade' onde "usca#am o apoio do imperador Teodósio <<. M O;2 0T;E S Muod#ultdeus' di/cono da <gre>a cartaginesa' escre#eu a Agostinho duas cartas nos anos S9U-S9R 4998 e 99T do epistol/rio agostiniano:' pedindo-lhe $ue escre#esse um elenco das mais di#ersas heresias' de modo a poder e#itar des#ios e erros. Agostinho dei!ou-se con#encer' mesmo $ue esti#esse mais propenso a tradu=ir para o latim a o"ra an/loga de EpifBnio de Salamis' >/ suficientemente e!austi#a' e escre#eu o ;e haeresi"us 4cf. p. 58`:. ;epois $ue a Qfrica foi in#adida pelos #Bndalos' Muod#ultdeus refugiou-se na <t/lia e escre#eu o 0i"er promissionum et praedictorum ;ei 40i#ro das promessas e dos #aticAnios de ;eus:' $uando o papa 0eão decidiu a perseguição contra mani$ueus e pelagianos 4depois de SSS:. O propósito do autor % o de compilar todos os testemunhos escriturAsticos so"re as promessas e as profecias de ;eus a partir da criação do mundo. Ele fala de um tempo anterior @ 0ei e de um tempo so" a )raça 4este Cltimo perAodo desem"oca na escatologia e se di#ide em um &tempo "re#e&' no $ual ter/ lugar a #inda do anticristo' e em um tempo final' $ue #er/ a glória e o reino dos santos:. Fo Antigo Testamento' são "uscadas as promessas e as profecias. Fo Fo#o Testamento' seu cumprimento. As fontes de Muod#ultdeus parecem ter sido o *oment/rio a ;aniel' de EerJnimo' e o *oment/rio ao Apocalipse' de TicJnio' ho>e perdido' e so"retudo o ;e ci#itate ;ei e os Sermones de Agostinho. As

citaç.es dos autores cl/ssicos pro#?m de 0actBncio e' mais uma #e=' de Agostinho' mas a $uarta %cloga de 2irgAlio e a Eneida rece"em um tratamento completamente no#o. TI1OF 31ZS3E1O 3ro#eniente da A$uitBnia' TAron 3róspero endereçou ao "ispo de Hipona' >unto com Hil/rio de 3oitiers' duas cartas 4as de numero 995 e99`:' referentes ao chamado &semipelagianismo&. Hoi assim definido' em tempos recentes' a atitude da$ueles $ue não concorda#am com a total condenação de 3el/gio por parte de Agostinho. Esses crAticos do pensamento agostiniano sustenta#am' entre outras coisas' $ue a graça de ;eus % concedida proporcionalmente aos merecimentos do homem' conceito inaceit/#el para Agostinho. Muitas o"ras de 3róspero foram escritas na intenção de defender Agostinho dos ata$ues dos semipelagianos. 1ecordemos' por e!emplo' o 3ro Augustino responsiones ad capitula o"iectionum )allorum calumniantium e o 3ro Augustino responsiones ad capitula o"iectionum 2incentianarum 41espostas em fa#or de Agostinho aos capAtulos das o">eç.es dos gauleses $ue o critica#am e de 2icente de 0%rins:. 3elo termo &gauleses& entendam-se letrados de Marselha. 3or outro lado' no 3ro Augustino responsiones ad e!cerpta )enuensium' 3róspero refuta dois pres"Ateros geno#eses $ue tinham e!traAdo trechos do ;e praedestinatione sanctorum e do ;e "ono perse#erantiae de Agostinho 4dedicados ao próprio 3róspero:' mas deturpando seu significado. *ontra Eoão *assiano' normalmente considerado o fundador da corrente dos semipelagianos 4p. 59U:' 3róspero escre#eu' em STT-STS' um tratado so"re A graça de ;eus e so"re o li#re-ar"Atrio contra os escritores de &collationeSY 4entenda-se por collationes &con#ersaç.es&:. A E!egese dos Salmos 4 E!positio 3salmorum: do 58866 ao S< 85 O: % >ustamente uma compilação das e!plicaç.es e!traAdas das E!plicaç.es dos Salmos de Agostinho. 3or sua #e=' o 0i#ro das sentenças e!traAdas das o"ras de Santo Agostinho 4Sententiarum e! operi"us Sancti Augustini deli"aratarum li"er:' uma s%rie de TR9

sentenças' pretende ser uma summa da teologia de Agostinho. 3róspero tam"%m escre#eu composiç.es po%ticas com propósito de ensino. Fo carme em he!Bmetros dirigido A sua mulher' ele relaciona as cat/strofes da )/lia in#adida pelos "/r"aros' para depois passar a e!ortar a consorte' em dAsticos' a #i#er uma #ida de penit?ncia' dedicando-se @s coisas de ;eus. O longo carme intitulado Acharistoi 4Os ingratos:' ou se>a' &os inimigos da graça&' narra condenaç.es infligidas aos pelagianos e sua o"stinação' al%m do ressurgimento dessa heresia na forma do neopelagianismo. K de impressionar a correção m%trica e prosódica de 3róspero em um momento em $ue a lAngua falada desen#ol#ia-se sempre em direção aos ritmos $uantitati#os. Ha= refer?ncia @ o"ra homJnima de EerJnimo' a *rJnica 4escrita em tr?s redaç.es e pu"licada em S55:' mas demonstra originalidade' por%m' no cuidado com $ue trata as heresias e os dogmas. A principal fonte para a parte $ue se refere a esses temas de#e ter sido o tratado So"re as heresias' de Agostinho. O *HAMA;O ;E TO;AS AS )EFTES Fo am"iente da discussão entre agostinianos e &semipelagianos&' situa-se uma o"ra anJnima' dotada de "ons dotes liter/rios' $ue pretende e!aminar O chamado de todas asgentes 4;e #ocatione gentium:. O autor da o"ra' $ue atualmente $uase todos concordam em identificar com 3róspero' o autor da *rJnica' e!aurido pelas discuss.es entre os defensores do li#re ar"Atrio e os paladinos da graça de ;eus' $uer encontrar uma solução $ue satisfaça as duas partes em disputa. A o"ra' $ue #olta a percorrer as #/rias etapas da história sagrada' foi escrita por #olta da metade do s%culo 2. H<;Q*<O Fão % origin/rio da )/lia e não pro#%m do mesmo am"iente de 3róspero um escritor $ue' por ter escrito uma *rJnica' recordamos por comodidade depois de ter falado da *rJnica de 3róspero. Esse escritor % Hid/cio' um espanhol' nascido na )alAcia por #olta do fim do s%culo <2 e $ue se tornou "ispo de A$uae Hla#iae' atual *ha#es' em 3ortugal.

Sua o"ra d/ se$]?ncia @ de EerJnimo' recomeçando no ano em $ue o Estridonense parou 4TVU: e chegando at% o ano de S`U. Os acontecimentos le#ados em consideração são so"retudo os acontecimentos da história da <gre>a 4as heresias: arianismo' priscilianismo e mani$ueAsmo:' chegando at% os fenJmenos naturais 4ter^ remotos' eclipses' cometas etc.:. Essa o"ra % muito importante para a reconstrução da história da Espanha no s%culo 2.

ES*1<TO1ES ;A QH1<*A 2eF;A0A A Qfrica caiu nas mãos dos #Bndalos a partir de STR. ;esde então' iniciou-se para a$uela pro#Ancia um perAodo de de#astaç.es' de e!termAnios' de perseguiç.es. Os no#os dominadores eram particularmente cru%is e de f% ariana. <sto e!plica por $ue se fala de uma #erdadeira &perseguição #Bndala&. O espaço para o de"ate cultural na Qfrica ficou redu=ido ao mAnimo. 2ITO1 ;E 2<TA 2Ator' "ispo de 2ita' na pro#Ancia da ,i=acena' era um mem"ro do clero de *artago at% o ano de SUS. 3ode-se' pois' imaginar $ue' sendo origin/rio de 2ita' só se tenha tornado "ispo dessa cidade posteriormente. Ele escre#eu uma Historia persecutionis Africanae pro#inciae 4História das perseguiç.es da pro#Ancia da Qfrica: em tr?s li#ros. 2Ator de 2ita fornece documentos precisos do Cltimo perAodo' na $ualidade de testemunha ocular' ra=ão pela $ual sua o"ra % muito importante como fonte histórica e pelo conhecimento do direito romano- #Bndalo. Mesmo narrando os acontecimentos da Qfrica com a o">eti#idade da narrati#a histórica' a História das perseguiç.es da pro#Ancia da Qfrica % uma história sui generis' por$ue tam"%m registra sinais' portentos' milagres' ou se>a' tudo a$uilo $ue fa= parte da literatura hagiogr/fica. A #isão de con>unto % redu=ida' completamente centrada na relação entre a <gre>a e os "/r"aros' sem demonstrar interesse algum pelas relaç.es entre os "/r"aros e

o imp%rio' $ue' por seu lado' foram muitas #e=es concreti=adas em acordos e tratados. A lAngua' mesmo com certas tend?ncias populari=antes do falar comum' % a das camadas cultas cartaginesas do s%culo 2. O escritor' mesmo repleto de pomposidade retórica e presa da proli!idade' consegue ser um narrador eficiente.

2<)I0<O ;E TA3SO 2igAlio de Tapso % a personalidade mais importante do cristianismo africano da %poca: ele se distingue nas contro#%rsias cristológicas. 3or #olta do ano SU6' escre#eu um tratado *ontra Eutgchem 4*ontra Wutico:' em cinco li#ros. O o">eti#o da o"ra % refutar o monofisismo' $ue poderia passar do Oriente para a Qfrica: % "astante significati#o $ue' en$uanto todos os "ispos africanos se preocupa#am em com"ater o arianismo dos in#asores' 2igAlio de Tapso est/ interessado nas heresias orientais. Fo Cltimo li#ro do *ontra Eutgchem' 2igAlio de Tapso fa= refer?ncia a uma o"ra sua' anterior' na $ual ele discutira e!austi#amente o direito de a <gre>a dar no#as definiç.es de f% para fa=er frente @s no#as heresias' mesmo $ue para tanto ti#esse de lançar mão de termos $ue não se encontram nas Sagradas Escrituras. K o caso do termo &consu"stancial& 4homousion:' $ue % efeti#amente estranho @s Escrituras' como os arianos >/ ha#iam o">etado aos nicenos. A o"ra @ $ual 2igAlio de Tapso se refere % o ;i/logo contra os arianos' os sa"elianos e os fotinianos' no $ual discutem Atan/sio' Qrio' Sa"%lio' Hótino e 3ro"o' $ue fa= as #e=es de >ui= 4*ontra Arianos' Sa"ellianos et 3hotinianos dialogus' Athanasio' Ario' Sa"ellio' 3hotino et 3ro"o iudice interlocutori"us:. A o"ra re#ela um "om conhecimento das contro#%rsias religiosas' mesmo das contro#%rsias do s%culo anterior' e "oas $ualidades liter/rias. A fama de 2igAlio de Tapso foi imensa na <dade M%dia e foram-se atri"uAdas muitas o"ras $ue não lhe pertencem.

;1A*aF<*O ,lóssio Emilio ;racJncio' de no"re famAlia cartaginesa' foi protagonista de um acontecimento $ue mostra o $uanto era prec/ria a #ida dos intelectuais cristãos na Qfrica #Bndala. Ele ha#ia escrito um carme em homenagem a um personagem desconhecido como seu senhor e inspirador 4pensa-se $ue se trata#a do imperador "i=antino Genão ou de Teodorico' @ %poca rei da <t/lia' em luta com os #Bndalos pela posse da Sicilia:. <sso pro#ocou o rancor do rei )untamundo' $ue ordenou $ue ele fosse preso. Então ;racJncio dirigiu a um rei uma composição em dAsticos' intitulada Satisfactio' na $ual reali=a#a uma forma de imitação dos Tristia de O#Adio' mas não o"te#e o perdão esperado. 3or isso' escre#eu uma o"ra em tr?s li#ros' intitulada ;e laudi"us ;ei 4 Os lou#ores de ;eus:. A cele"ração da "ondade de ;eus de#ia estimular o suscetA#el rei @ emulação. Ao $ue tudo indica' amigos influentes' por fim' o"ti#eram a li"ertação do poeta 4pro#a#elmente' por%m' depois da morte de )untamundo e da ascensão ao trono de Trasamundo:. Fada mais sa"emos da #ida de ;racJncio. 3ro#a#elmente remonta ao perAodo anterior @ prisão uma coletBnea de *armes romanos 41omulea:' $ue compreendem composiç.es inspiradas nos mitos pagãos' e pro#a#elmente a Orestis tragoedia' em he!Bmetros e destinada @s recitationes 4isto %' a leitura' como acontece com todas as trag%dias a partir da era de S?neca:. Horam atri"uAdos a ;racJncio outros carmes em he!Bmetros' pro#enientes do mesmo am"iente africano e da mesma %poca: um' intitulado Em lou#or do sol 4<n laudem solis: e o outro % A doença de 3%rdica 4Aegritudo 3erdicae:' $ue narra o amor incestuoso de 3%rdica' filho de Ale!andre Magno' pela mãe *ast/lia. Esses carmes são interessantes 4mesmo $ue a paternidade de ;racJncio não se>a pro#ada: por$ue nos le#a a conhecer o am"iente liter/rio africano' no $ual a profissão de f% cristã não era #ista como contrastante com o di#ertissement po%tico centrado em moti#os pagãos e mitológicos tradicionais. A o"ra mais significati#a de ;racJncio %' indu"ita#elmente' a $ue %

dedicada a cantar Os lou#ores de ;eus' em he!Bmetros. O primeiro li#ro' $uase integralmente ocupado pela narração da criação do mundo' % uma composição de epop%ia "A"lica e pertence ao g?nero liter/rio culti#ado na mesma %poca de ;racJncio' mesmo $ue em outros am"ientes' por SedClio' *l/udio M/rio 2itório' *ipriano )alo. Ao lado dessa epop%ia "A"lica' % perceptA#el uma segunda importante fonte de inspiração' ou se>a' o hino' considerado como instrumento para cantar os lou#ores de ;eus. O li#ro dos Salmos constituAa o modelo para todos os poetas cristãos $ue se dedica#am @ hinologia. *ontudo' ao lado da inspiração cristã' ;racJncio' poeta e retor $ue era' tam"%m se inspirou largamente na poesia pagã e' naturalmente' em seus principais representantes' isto %' 2irgilio' O#Adio e 0ucano. 3OETAS AH1<*AFOS MEFO1ES K de autor desconhecido o *arme a Hl/#io H%li! so"re a ressurreição dos mortos e so"re o >uA=o do Senhor 4Ad Hla#ium Helicem de resurrectione mortuorum et de iudicio ;omini: em he!Bmetros. A origem africana do poema aparece no nome do destinat/rio' um poeta $ue #i#eu em *artago nos tempos do rei Trasamundo 4SR`59T:. <gualmente anJnimo % o *arme contra os marcionitas 4*armen ad#ersus Marcionitas:' em cinco li#ros' $ue só aparentemente retoma no tAtulo a pol?mica conta a$uela heresia' "aseando-se em Tertuliano. Ele se dedica so"retudo @ pol?mica contra #/rias formas de dualismo. O carme tam"%m parece pro#ir do am"iente africano e ser posterior a ;racJncio. E tam"%m são anJnimos os dois carmes' transmitidos tanto so" o nome de *ipriano como so" o de Tertuliano' Sodoma e lonas' $ue são e!ercAcios retóricos so"re o episódio "A"lico da destruição de Sodoma e so"re os fatos relati#os a Eonas 4;e Sodoma e ;e lona:.

A )Q0<A FO SK* 0O 2

As in#as.es "/r"aras $ue se desencadearam na )/lia na primeira d%cada do s%culo 2 e $ue le#aram @ constituição dos reinos romano-"/r"aros' dei!ando' como Cnica ilha de ci#ili=ação romana' a pro#Ancia 4isto %' a 3ro#ença:' na parte meridional da região' não ti#eram no plano social cultural a mesma efic/cia desastrosa $ue te#e a in#asão da Qfrica. Elas pro#ocaram' % certo' de#astação e ruAna' mas esses efeitos desastrosos não foram gerais e imediatos em todos os $uadrantes. Os "/r"aros con$uistaram a )/lia aos poucos e' assim' mesmo sendo ine#it/#el o surgimento de contrastes entre o elemento romano-g/lico pree!istente' e isso entre as camadas mais ele#adas' e o elemento in#asor' de origem germBnica' 4a tanto pagã como cristã: continuou a so"re#i#er e se conser#ou um "om nA#el artAstico' graças tam"%m @ presença de numerosas escolas de retórica. A situação' contudo' parece mais fa#or/#el na primeira metade do s%culo 2. Mais tarde' at% mesmo a )/lia entra em um perAodo de decad?ncia econJmica e cultural. Hoi fundamental o florescimento do mona$uismo. Os con#entos 4por e!emplo' os de Marselha' 0%rins' e Saint-Honor%: foram centros culturais de importBncia capital. EOPO *ASS<AFO O Mais significati#o escritor da )/lia do s%culo 2 foi Eoão *assiano' por #olta do ano T`6' na *Acia' isto %' nas regi.es circun#i=inhas em torno do trecho terminal do ;anC"io' mesmo $ue' segundo alguns' o pleno domAnio da lAngua latina' demonstrado por Eoão *assiano possa le#antar dC#ida so"re esta notAcia e indu=a a pensar' $uando menos' em uma origem gaulesa. Sua e!peri?ncia religiosa aconteceu em um mosteiro de ,el%m e depois transcorreu' durante muitos anos' no Egito. 3osteriormente' fugindo das lutas entre ortodo!os e antropomorfitas' foi para *onstantinopla' onde o patriarca Eoão *risóstomo o ordenou di/cono. Em S65' ele foi en#iado a 1oma para o"ter do papa <noc?ncio < a re#ogação do e!Alio de Eoão *risóstomo. 3rofessados os #otos sacerdotais' fundou finalmente 4em S85:' em Marselha' dois con#entos' um masculino e um feminino' onde permaneceu at% a sua morte' $ue se deu por #olta do ano ST5.

Eoão *assiano tam"%m conhecia perfeitamente o latim e o grego 4coisa muito mito rara em seu tempo:. Escre#eu o ;e institutis coeno"iorum ET octo principalium #itiorum capitalium remediis 4As instituiç.es dos cenó"ios e os rem%dios para os oito #Acios capitais:' em 89 li#ros. Os primeiros $uatro li#ros nos dão importantes notAcias so"re a #ida mon/stica 3alestina e no Egito' da $ual Eoão *assiano fora testemunha. As collationes 4con#ersaç.es:' por sua #e=' recolhem as con#ersaç.es de *assiano e do amigo germano com famosos fundadores de cenó"ios. h...i Eoão cassiano % um escritor sofisticado e' em seu estilo' emprega' com muita moderação' os meios da retórica $ue aprendeu >/ na idade adulta. Mas não se tem nele um latim artificial' não natural. O narrar' simples e agrad/#el' e a instantaneidade da e!pressão fa=em de Eoão *assiano um dos maiores escritores latinos do s%culo 2.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.

A Literatura dos *einos *omano!()rbaros do Ocidente O s%culo 2< % classificado como o s%culo dos &reinos romano-"/r"aros&' mesmo $ue este tAtulo careça de alguns esclarecimentos' por$ue' a rigor' os "/r"aros $ue in#adiram o <mp%rio 1omano tinham constituAdo seus reinos desde o s%culo 2. Mas en$uanto no s%culo 2 a situação se mante#e fluida' com sucessi#as ondas de in#asão' o s%culo 2< #? uma di#isão mais clara de territórios. A Espanha est/ nas mãos irremo#A#eis dos #isigodos' a )/lia' nas dos francos. Os #Bndalos na Qfrica e os ostrogodos na <t/lia são derrotados pelo a#anço dos "i=antinos' comandado por Eustiniano. Em $ual$uer e!-região do imp%rio' a literatura não % mais &grecoromana&' mas' por causa da fragmentação e da aus?ncia de

relaç.es recAprocas e de relaç.es com o Oriente' torna-se &nacional&. Fão por$ue e!prima conscientemente a pertin?ncia a determinado lugar' mas por$ue peculiar @$uele reino e intimamente ligada a suas circunstBncias. Al%m disso' figuras como a de )regório Magno pertencem dora#ante @ <dade M%dia: termina com )regório o conhecimento da lAngua e da literatura grega e o passado começa a ser sempre mais perce"ido como herança a recolher' a resumir e a transmitir @ posteridade. Fa Qfrica' os #Bndalos foram derrotados em 5TT-5TS pelos "i=antinos $ue se apresenta#am como romanos 4e a con$uista era anunciada como &recon$uista&:. Mesmo sendo opressora e deplor/#el' a dominação "i=antina te#e o m%rito de forçar os escritores cristãos da Qfrica a participar dos de"ates teológicos suscitados pelos intelectuais de ,i=Bncio' ao passo $ue' so" a dominação #Bndala' eles tinham se isolado na id%ia de refutar o arianismo dos in#asores' $uestão $ue >/ não tinha sentido em todas as outras e!-pro#Ancias do imp%rio. H 0)WF*<O ;E 1 S3E Fascido em Telepte' na ,i=acena' no ano de S`V 4segundo outros' em S`9:' Hulg?ncio de 1uspe rece"eu uma educação cl/ssica na $ual ainda te#e certo peso o estudo do grego. Seu "iógrafo' Herrando de *artago' informa-nos $ue ele fala#a um grego fluente e conhecia Homero. Tendo-se dedicado inicialmente @ carreira administrati#a' con#erteu-se logo depois. O"rigado a constantes e!Alios em sua própria p/tria por causa das perseguiç.es do rei Trasamundo 4SR`-59T:' Hulg?ncio' $ue se tornara monge' pro>etou ir para o Egito' onde se refugiaria em algum mosteiro. ma #e= em Siracusa' foi informado de $ue o Egito esta#a em desordem por causa da heresia monofisita' diante do $ue ele se dirigiu a 1oma' l/ chegando no ano de 566. Em 56V' Hulg?ncio de 1uspe esta#a de #olta @ Qfrica e' mais uma #e=' não pJde dedicar-se @ #ida mon/stica' $ue tanto ama#a' por$ue lhe chegou a notAcia de sua nomeação como "ispo de 1uspe 4cidade=inha da ,i=acena:. Mas Trasamundo' rei de f% ariana' proi"ira as ordenaç.es episcopais e

o"rigou Hulg?ncio e outros `6 "ispos católicos a irem para o e!Alio na Sardenha. Em *agliari' por fim' Hulg?ncio de 1uspe pJde fundar um mosteiro' >unto com alguns amigos seus' e e#angeli=ou a região. 3or outro lado' ele permanecia como ponto de refer?ncia para os "ispos da Qfrica' $ue o solicita#am como /r"itro de contro#%rsias dogm/ticas. Fo ano de 585' Trasamundo o chamou a *artago para $ue ele discutisse pu"licamente com os teólogos do lado ariano. A #itória lhe #aleu um no#o e!Alio na Sardenha' em 58V. A morte de Trasamundo e a sucessão ao trono do tolerante <lderico 459T: permitiram a Hulg?ncio o retorno @ p/tria' onde morreu em 5T9. As primeiras o"ras de Hulg?ncio de 1uspe são todas #inculadas @ contro#%rsia com os arianos. O *ontra arianos li"er unus 4*ontra os arianos' em um li#ro: responde a algumas das o">eç.es mo#idas contra ele pelo próprio Trasamundo e % dat/#el do ano de 585' depois do primeiro retorno da Sardenha. Os Ad Thrasamundun regem 2andalorum li"ri tres 4Tr?s li#ros a Trasamundo' rei dos #Bndalos: constituem uma resposta ao rei so"re o pro"lema das duas nature=as' humana e di#ina' na Cnica pessoa de *risto. A o"ra foi escrita @s pressas e sem $ue ele ti#esse diante de si o te!to das perguntas feitas a ele pelo so"erano. 3arece $ue se pode datar do segundo e!Alio na Sardenha 458V-59T: a o"ra ;e remissione peccatorum ad Euthgmium li"ri duo 4So"re a remissão dos pecados' a EutAmio' em dois li#ros:' $ue reafirma como o perdão dos pecados só % possA#el no seio da <gre>a. 3or sua #e=' foram escritos depois do e!Alio' isto %' depois do ano 59T o *ontra sermonem Hastidiosi arriani ad 2ictorem li"er unus 40i#ro a 2Ator' contra a heresia do ariano Hastidioso: e *ontra Ha"ianum li"ri decem 4*ontra Ha"iano' em de= li#ros:' $ue só chegaram at% nós na forma de fragmentos. Hastidioso era um católico' monge e sacerdote' $ue passou para o arianismo. Ha"iano' por sua #e=' pu"licara de modo não fidedigno o te!to de uma discussão $ue ti#era com Hulg?ncio de 1uspe. ;e datação incerta são outros "re#es tratados endereçados a arianos ou a catecCmenos para lhes ensinar a reta f%. K tradicionalmente atri"uAdo a Hulg?ncio de 1uspe o 3salmus contra

2andalos Arrianos 4Salmo contra os #Bndalos arianos:' $ue parece "em colado ao 3salmus contra paLtem ;onati' de Sto. Agostinho. *om efeito' o "ispo de Hipona % o mestre indiscutido de Hulg?ncio de 1uspe' o modelo $ue ele $uer seguir. 3or seus escritos antipelagianos' Hulg?ncio de 1uspe passou a ser conhecido na <dade M%dia como Augustinus "re#iatus. Estes escritos pertencem todos ao perAodo $ue #ai do ano 58U a 59T. Os tr?s li#ros Ad Monimum 4A MJnimo: enfrentam o pro"lema da predestinação di#ina e do &chamado& de 3aulo. O ;e #eritate praedestinationis et gratiae ;ei ad <oannem et 2enerium li"ri tres 4So"re a #erdadeira doutrina da predestinação e da graça de ;eus a Eoão e a 2en%rio' em tr?s li#ros: tenta rea#aliar o li#re-ar"Atrio' mas não se afasta su"stancialmente da doutrina da graça de Agostinho. O *ontra Haustum 1eiensem li"ri septem 4*ontra Hausto de 1ie=' em sete li#ros: infeli=mente se perdeu. O Epistol/rio % composto de 8R cartas' todas dat/#eis da %poca do e!Alio na Sardenha. Fa Cltima fase de sua #ida' isto %' depois do retorno definiti#o para a p/tria' Hulg?ncio se dedicou @ ati#idade homil%tica. Fas homilias' perce"ese uma forte semelhança entre seu estilo 4"aseado na rima e na antAtese: e o de Agostinho. Hulg?ncio de 1uspe não de#e ser confundido com um outro Hulg?ncio' africano tam"%m' autor de um Mitologiarum li"er 4Tratado de mitologia: e de uma E!positio 2ergilianae continentiae 4E!posição da estrutura das o"ras de 2irgilio:. O neoplatonismo $ue perpassa essas o"ras fa= de seu autor um Hulg?ncio diferente do de 1uspe' $ue alguns estudiosos pretendem' por sua #e=' identificar. HE1FAF;O ;E *A1TA)O K um personagem $ue geralmente % analisado @ som"ra de Hulg?ncio de 1uspe' de $uem escre#eu uma "iografia. *ontudo' ele tal#e= mereça uma maior atenção' por causa de sua personalidade' $ue não se esgota no fato de ser um simples "iógrafo. A 2ida de Hulg?ncio foi atri"uAda a Herrando de *artago nas primeiras ediç.es' mas nos foi transmitida como anJnima pelos manuscritos'

rac =ão pela $ual essa atri"uição foi posta recentemente em dC#ida. *ontudo' mesmo $ue essa #ida não se>a aut?ntica' realmente e!istiu um Herrando' di/cono de *artago' $ue mante#e contatos com Hulg?ncio de 1uspe. 3or #olta do ano 5S5' Herrando de *artago teria sido en#ol#ido na contro#%rsia dos Tr?s *apAtulos' $ue a"ordaremos ao falar de Hacundo de Ermiana. Herrando de *artago escre#eu uma ,re#e coletBnea de cBnones 4,re#iatio canonum:' ou se>a' uma e!posição sistem/tica de direito eclesi/stico com "ase em numerosos concAlios gregos e africanos' dos $uais reuniu uma s%rie de e!tratos e resumos. Tam"%m chegaram at% nós sete cartas' $ue são claramente "re#es tratados em forma de carta. As duas primeiras t?m Hulg?ncio de 1uspe como destinat/rio e lhe apresentam algumas perguntas e dificuldades de car/ter dogm/tico. Fas tr?s cartas posteriores' Herrando de *artago trata pessoalmente de alguns pro"lemas de conteCdo an/logo ao dos escritos de Hulg?ncio de 1uspe 4so"re as duas nature=as de *risto' contra as posiç.es dos arianos' so"re o fato de $ue *risto pertence @ santa e indi#isA#el Trindade:. Mais significati#as são as duas Cltimas. A se!ta carta e!p.e o parecer de Herrando de *artago' $ue lhe fora solicitado pelos di/conos romanos 3el/gio e Anatólio' $ue #em em defesa da doutrina dos Tr?s *apAtulosL mas ele refuta o monofisismo. A s%tima carta % continuação de uma carta anterior' en#iada por Hulg?ncio de 1uspe a um pouco conhecido conde 1egino' e e!p.e como se de#e comportar em guerra o comandante respeitoso da f% cristã. HA* F;O ;E E1M<AFA Hacundo' "ispo de Ermiana na ci#ili=ada pro#Ancia da ,i=acena' tam"%m se en#ol#eu com a $uestão dos Tr?s *apAtulos' mas com uma autoridade "em maior $ue a de Herrando de *artago. *ontudo' só conhecemos de sua #ida os acontecimentos $ue estão em relação >ustamente com a$uela contro#%rsia. Ele começara a participar da discussão do pro"lema' $ue esta#a suscitando muito interesse em *artago' $uando foi con#encido por confrades a ir pessoalmente a

*onstantinopla para maiores informaç.es. Fo fim do ano 55T' ou em princApios do ano 55S' o imperador Eustiniano' para acalmar a posição dos monofisitas' apresentara uma e!posição da reta f%' ao termo da $ual se impunha o an/tema @ pessoa e aos escritos de Teodoro de Mopsu%stia' de Teodoreto de *ira e a seus escritos contra *irAlo de Ale!andria e o sAm"olo de Kfeso' e @ carta' igualmente #oltada contra *irAlo e o sAm"olo ef%sio' en#iada pelo "ispo Hi"a de Edessa ao persa Mari. ;ado $ue comumente os an/temas de um edito eram chamados &capAtulos&' são indicados' nesse caso' com o termo &Tr?s *apAtulos& as pessoas e os escritos punidos com o an/tema. Ainda uma carta imperial' datada do dia 5 de maio de 55T' en#iada ao $uinto concAlio ecum?nico de *onstantinopla' $ue foi inaugurado >ustamente na$ueles dias' pedia a atenção dos 3adres para as figuras de Teodora de Mopsu%stia' Teodoreto de *iro e Hi"a de Edessa. 3ois "emD *hegado a *onstantinopla' Hacundo de Ermiana aplica-se a escre#er um li#ro Em defesa dos Tr?s *apAtulos' $ue ainda não esta#a concluAdo $uando chegou @ capital do <mp%rio o papa 2igAlio' em >aneiro de 5SV. A o"ra foi concluAda' atingindo um total de 89 li#ros dedicados a Eustiniano' poucos meses depois. ;e todo modo' a conclusão se deu antes de 88 de a"ril de 5SU' $uando 2igAlio' ainda em *onstantinopla' refutou a condenação com a carta <udicatum. Hacundo' $ue era decididamente fa#or/#el aos tr?s 3adres' nunca ataca 2igAlio na$uele li#ro' algo $ue far/ em o"ras posteriores' por$ue 2igAlio foi depois forçado por Eustiniano a confirmar a condenação. ;epois $ue' em 55T' o concAlio $ue se reunira em *onstantinopla anatemati=ou a doutrina dos Tr?s *apAtulos' Hacundo' >untamente com a maioria dos "ispos da Qfrica' separou-se da comunidade dos "ispos orientais e do papa. 3ara >ustificar-se' escre#eu outros tratados' entre os $uais um $ue se intitula#a *ontra o escol/stico Mociano' no $ual Sustenta#a $ue não era a <gre>a africana $ue se tornara cism/tica' e sim os inimigos da doutrina dos Tr?s *apAtulos.

1ecordemos' depois desse r/pido panorama da doutrina de Hacundo de Errniana' o $ue Simonetti nos di=: &Hacundo não % muito popular entre os estudiosos modernos' $ue em seus manuais lhe dedicam poucas e apressadas linhas: ele foi pre>udicado pelo fato de ter #i#ido no fim de um ciclo histórico' o ciclo do cristianismo africano' e de ter defendido uma causa $ue produ=iu um gra#e cisma no Ocidente. Fa realidade' ele foi uma personalidade de primeira grande=a' tanto como teólogo $uanto como polemista ... *om efeito' ele se nos apresenta como o Cltimo grande teólogo da era patrAstica e parece at% em"lem/tico $ue tam"%m ele tenha sido filho da mesma Qfrica $ue >/ dera @ cristandade o primeiro grande teólogo com Tertuliano e o maior teólogo com Agostinho&. 2E1E* F;O ;E E F*A A posição de 2erecundo de Eunca % an/loga @ de Hacundo de Ermiana' na defesa da doutrina dos Tr?s *apAtulos. Tampouco de sua #ida conhecemos muita coisa. Temos "em poucas notAcias fomecidas por um contemporBneo dele' 2Ator de Tunnuna. Fo momento do confronto mais aceso so"re a doutrina dos Tr?s *apAtulos' 2erecundo era "ispo de Eunca' outra cidade da ,i=acena. Ele tam"%m se re"elou contra a condenação dos Tr?s *apAtulos em 558 e por esse moti#o foi con#ocado a *onstantinopla para >ustificar-se' >untamente com alguns "ispos africanos. 2erecundo de Eunca li#rou-se da condenação refugiando-se na *alcedJnia' onde morreu. <sidoro de Se#ilha recorda de 2erecundo de Eunca' al%m de um *oment/rio em no#e li#ros aos cBnticos da <gre>a' &dois carmes' o primeiro dos $uais #ersa so"re a ressurreição e so"re o >ulgamento de ;eus' o segundo' so"re a penit?ncia' no $ual chora com tom de lamento seus próprios pecados&. Só chegou at% nós o segundo desses carmes' intitulado A satisfação a ;eus fornecida pela penit?ncia' uma composição de 989 he!Bmetros. Ele não % desguarnecido de certa comoção e sentimentalidade. *ontudo'

mostra $ue' a#aliado pela perspecti#a da m%trica cl/ssica' como ainda se podia fa=er em certa medida `6 anos antes para ;racJncio' ele % muito defeituoso. Mencionemos apenas outros tr?s personagens ligados aos acontecimentos dos Tr?s *apAtulos. Trata-se de 0i"erato de *artago' 2itor de Tunnuna e 3rim/sio de Hadrumeto. 0i"erato de *artago tentou enfrentar o pro"lema "uscando suas origens nos conflitos $ue' 866 anos antes' ha#iam oposto nestorianos e euti$uianos. Escre#eu' portanto' entre os anos 555 4ano em $ue morreu o papa 2igAlio: e 55` 4ano em $ue morreu Teodósio' o patriarca de Ale!andria:' um *omp?ndio da causa dos nestorianos e da causa dos euti$uianos. 2Ator de Tunnuna foi um dos $ue se opuseram @ condenação dos Tr?s *apAtulos e por essa ra=ão foi e!ilado pela autoridade imperial ali pelo ano 555. Escre#eu uma *rJnica uni#ersal' apesar de se tratar de um te!to dedicado so"retudo @ história da <gre>a. 3rim/sio de Hadtumeto' diferentemente de 2Ator de Tunnuna' cedeu @s press.es da autoridade imperial e renunciou @ oposição $ue fi=era ao decreto imperial so"re os Tr?s *apAtulos. ;e#emos a ele um *oment/rio ao Apocalipse' no $ual se #?em muitas citaç.es do coment/rio an/logo do donatista TicJnio' $ue se perdeu. 3rim/sio seleciona atentamente na o"ra de TicJnio a$uilo $ue lhe parece imune @ heresia donatista. E FI0<O EunAlio foi um africano $ue 3rim/sio encontrou durante sua "re#e estada em *onstantinopla' do $ual foi dito $ue era' mas não era' um eclesi/stico. Ele era leigo e pertencia ao funcionalismo "i=antino. ;e todo modo' ele se interessa#a pelos estudos "A"licos e pelos escritos da <gre>a grega. Ora' por sugestão de 3rim/sio' Eunilio rearran>ou para o leitor latino um manual $ue lhe caAra nas mãos recentemente' entregue por certo 3aulo' professor da importante escola teológica de FAsi"e' $ue fora fechada pelo imperador Genão' por$ue seguia tend?ncias nestorianas. Esse manual' tradu=ido para o latim'

transformado em uma esp%cie de di/logo entre mestre e aluno e adaptado ao am"iente latino' foi o"ra de EunAlio e dedicado a 3rim/sio por #olta do ano 558. Os moti#os $ue le#aram a escre#er essa o"ra estão e!plicados no pref/cio do próprio manual. Trata-se de As normas regulares da 0ei di#ina' ou se>a' de uma introdução metódica @ Sagrada Escritura' tam"%m difundida so" o tAtulo As partes da 0ei di#ina. O conteCdo da o"ra pode ser di#idido em duas partes' uma para cada li#ro. A primeira di= respeito ao aspecto formal do estilo "A"lico' ou se>a' @s formas liter/rias de cada li#ro' a suas fontes' aos autores' @ estrutura. A segunda parte' por sua #e=' refere-se aos conteCdos e est/ di#idida em #/rias seç.es: &So"re ;eus&' &so"re o s%culo atual&' &so"re o s%culo futuro&' a economia di#ina e sua reali=ação etc. Esse manual foi muito lido na <dade M%dia.

ES*1<TO1ES <TQ0<*OS *ulturalmente' a <t/lia do s%culo 2< % muito pró!ima da Qfrica' graças @s intensas relaç.es $ue essas e!-pro#Ancias mant?m' am"as' com *onstantinopla. Al%m disso' o rei Teodorico tentou' ao menos nos primeiros anos de seu reinado' instaurar relaç.es de con#i#?ncia pacAfica entre os godos e os descendentes dos romanos. Muitos estudiosos' entre os $uais *ourcelle' falam de &renascimento teodoricano& e enfati=am a importBncia de 1oma' 1a#ena e Milão como centros culturais.

,OK*<O AnAcio MBnlio Se#erino ,o%cio de#e ser considerado o mais insigne representante do renas cimento cultural da era de Teodorico' da $ual aca"amos de falar. Ele se destaca pela intelig?ncia' pelo enga>amento ci#il' pelas capacidades intelectuais das outras personalidades menores e su"stancialmente inconcludentes' como um Enódio' $ue #eremos ter sido inutilmente prolAfico nesses mesmos anos.

Fascido em 1oma' por #olta do ano SV5' de famAlia muito no"re' ,o%cio te#e' graças aos des#elos do senador Muinto Aur%lio M?mio SAmaco' uma acurada educação' $ue ele tal#e= tenha aperfeiçoado ainda mais indo para Ale!andria do Egito' para a escola do neoplatJnico AmJnio. Eram os anos nos $uais a <t/lia' >/ transferida para o domAnio "/r"aro de Odoacro' no ano de SV` 4fim do imp%rio romano do Ocidente:' caiu depois em poder dos ostrogodos de Teodorico' a partir do ano SRT. *ontudo' para $uem ti#esse os meios 4e os interesses:' não era impossA#el manter #Anculos com o Oriente' onde o imp%rio "i=antino era considerado por todos 4mesmo pelos "/r"aros: o imp%rio de 1oma. ;esse modo' no plano polAtico' a função de *onstantinopla foi ampliada' agora $ue o imp%rio do Ocidente' cu>a capital era 1a#ena' não mais e!istia. 3ermanecia apenas o imp%rio do Oriente' e a tradição cultural it/lica não podia prescindir dessa realidade altamente ideali=ada. A aristocracia senatoria e a <gre>a de 1oma continua#am a se sentir estreitamente ligadas a *onstantinopla' mesmo $ue fre$]entemente em oposição ao $ue era decidido na$uela sede. E esse fato podia constituir 4como de fato constituiu depois: um elemento de am"ig]idade' prenCncio de atritos e de confrontos com os dominadores godos. Mas $uando ,o%cio' depois de ter aperfeiçoado a própria educação' começou a se dedicar @ filosofia' o pro"lema ainda não e!istia. Teodorico não #ia um elemento de hostilidade contra si mesmo na atitude tradicionalista e filo-imperiais de alguns am"ientes romanos. ;esse modo' ,o%cio pJde con$uistar fama e seguir a carreira polAtica' na medida do $ue era permitido a um romano so" a dominação dos ostrogodos' ou se>a' com a apro#ação do rei' e não como conse$]?ncia de uma forma li#re de #ida ci#il 4$ue' ali/s' não e!istia mais desde os tempos de Augusto:. ,o%cio foi cJnsul em 586' mas a apro#ação rece"ida de Teodorico para a o"tenção desse cargo não significou para ele o a"andono da tradição romana @ $ual pertencia e $ue ele acredita#a poder reforçar com a ati#idade liter/ria e filosófica @ $ual decidiu se dedicar. ;epois de alguns anos de concórdia entre o elemento dominador' constituido pelos

godos' e o elemento romano' entre os it/licos ortodo!os e os godos arianos' o e$uilA"rio se rompeu. Teodorico passou a temer uma aliança entre o elemento latino da <t/lia e o imp%rio do Oriente: a"andonou' pois' sua tolerBncia de antes' mandou prender ,o%cio' o sogro de ,o%cio' SAmaco' e outros intelectuais romanos. Fo ano de 599' ,o%cio foi >ustiçado. Mesmo proclamando-se cristão' ,o%cio situa-se entre os intelectuais nos $uais % mais e#idente a persist?ncia de sua formação pagã. ;esse modo' ele apresenta uma produção filosófica de car/ter e!clusi#amente &pagão&' composta de coment/rios a Aristóteles e a 3orfArio' de tratados de mCsica e de matem/tica. E mais: sua o"ra mais significati#a e mais conhecida' a *onsolação da filosofia 4*onsolatio philosophiae:' %' tam"%m ela' su"stancialmente profana' no sentido de $ue a"orda de um ponto de #ista e!clusi#amente filosófico os pro "lemas centrais da #ida do homem' e essa filosofia' com "ase na $ual ,o%cio discute o pro"lema do destino e do li#re-ar"Atrio' da realidade material e do no do $ual o mundo descende' da renCncia @ realidade terrena e do retorno @ p/tria celeste' essa filosofia' di=Aamos' % a filosofia neoplatJnica. Ao lado dessa produção filosófica &profana& se situa uma outra' constituAda de "re#es tratados dedicados @ definição de alguns dogmas da f% cristã' como o dogma da Trindade e da relação entre nature=a e pessoa em *risto. ;e onde a aparente estranhe=a dos dois "locos de o"ras nas $uais se pensou' a um tempo' #er uma su"stancial oposição entre as o"ras cristãs e as o"ras 4era o $ue se di=ia: pagãs ou' $uando menos' profanas e neoplatJnicas. *omo se não fosse possA#el para um cristão escre#er o"ras t%cnicas sem inserir a doutrina cristã na discussão de pro"lemas de matem/tica ou de lógica' como se fosse necess/rio fa=?-lo pelo simples fato de algu%m ser cristão. Esse falso pro"lema se apresentou não muito tempo depois da morte de ,o%cio: na era carolAngia' sua doutrina não aparecia perfeitamente ortodo!a e' em s%culos mais pró!imos de nós' os estudiosos $ue persistiam na contraposição e$ui#ocada entre o"ras cristãs e o"ras profanas pensaram $ue o #erdadeiro ,o%cio fosse o ,o%cio da filosofia neoplatJnica e $ue as o"ras

e!plicitamente cristãs fossem espCrias. Esse m%todo de pes$uisa foi a"andonado' h/ não muito tempo. ,o%cio % um leigo perfeitamente cristão' profundamente con#icto de sua f%. O neoplatonismo fornecia' no s%culo 2<' de modo "astante funcional' os instrumentos para uma pes$uisa teológica @$uele $ue fosse cristão. 1ecordemos os e!emplos de M/rio 2itorino e de Agostinho. 3ortanto' o pro"lema $ue surge com ,o%cio não configura um pro"lema de f% cristã e de paganismo' por$ue se trata do pro"lema da especificidade e da tecnicidade dos tratados $ue ele #inha compondo gradualmente. Muanto ao fato de seus tratados teológicos e!aminarem de modo insólito o pro"lema enfrentado' e isso do ponto de #ista da lógica aristot%lica' sem nenhum recurso @ ci?ncia "A"lica' $ue geralmente era adotada pelos 3adres conciliares e pelos escritores eclesi/sticos em apoio de suas argumentaç.es' de#emos crer $ue ,o%cio pensa#a poder resol#er o pro"lema teológico recorrendo e!clusi#amente a instrumentos da lógica. Essa hipótese de tra"alho não % a"surda' como poderia parecer: alguns s%culos depois' a escol/stica considerou perfeitamente #/lida essa posição de princApio. AS O,1AS *<EFTIH<*AS ;E ,OK*<O O escritor começa sua ati#idade filosófica tendo >/ "astante clara a #isão das pro"lem/ticas $ue enfrenta e' especialmente' dos fins $ue tem em mira. E/ no primeiro tratado so"re Os fundamentos da aritm%tica 4;e institutione arithmetica:' escrito por #olta do ano 565' dirigindo-se ao sogro' SAmaco' ,o%cio afirma &ter transportado no tesouro dos romanos o"ras e!traAdas da opul?ncia das letras gregas&' ou se>a' ele pretende retomar o antigo costume romano de #oltar-se para a literatura grega como fonte do sa"er e de torn/-la acessA#el a seus próprios concidadãos' mediante uma s%rie de a"ordagens "aseadas em o"ras gregas' ou por meio de traduç.es do grego de sua própria la#ra. 3ara reali=ar esse propósito' ele se dedicar/' portanto' a uma ati#idade de di#ulgação das ci?ncias do

$uadrA#io. Fesse nA#el de pes$uisa est/ incluAda a o"ra so"re Os fundamentos da aritm%tica' "aseada em um tratado do pagão FicJmaco de )erasa 4s%culos <-<< d.e.:. A matem/tica' segundo ,o%cio' ali/s' como 3latão tam"%m' % um instrumento essencial de a"stração intelectual. Ser#e para educar o homem a afastar-se das impress.es sensA#eis' de modo a poder proceder' posteriormente' @ contemplação da #erdadeira realidade. An/logo % o propósito $ue anima o tratado posterior so"re Os fundamentos da mCsica 4;e institutione musical: at% mesmo nesse nA#el' o interesse de ,o%cio de#ia-se ao fato de $ue' para 3latão' a mCsica era um dos produtos 4se assim se pode di=er: da matem/tica' o resultado sensA#el da organi=ação a"strata das relaç.es matem/ticas. O primeiro e!emplo de perfeição matem/tica era constituAdo pela mCsica dulcAssima produ=ida pelos mo#imentos dos corpos celestes. Mas at% mesmo no restante do mundo sensA#el e no interior da própria pessoa humana e!istem relaç.es de tipo matem/tico. Estudar a mCsica significa #er a mescla do elemento fAsico com o elemento intelectual. 3ara fa=er esse tratado' ,o%cio teria "uscado refer?ncias nos Elementos harmJnicos de 3tolomeu. 3osteriormente teria escrito 4mas essas o"ras não chegaram at% nós: um tratado de geometria' "aseado nos Elementos de geometria de Euclides' e um tratado de astronomia' para o $ual se teria ser#ido do Almagesto' de 3tolomeu. AS O,1AS 0Z)<*AS ;epois dessa primeira apro!imação da tradição platJnicopitagórica' ,o%cio #ai apro!imar-se da tradição aristot%lica. Aplicase a tradu=ir para o latim a <ntrodução 4<sagoge: @ lógica aristot%lica' escrita por 3od<rio. ;e fato' ele acha#a $ue a tradução anterior' feita por M/rio 2itorino' era pouco cientAfica. Essa tradução de ,o%cio integra o programa de tra"alho do filósofo' um

programa gigantesco' $ue teria desestimulado $ual$uer pessoa e $ue nem ele próprio conseguir/ completar: tradu=ir para o latim e comentar as o"ras de Aristóteles e as de 3latão. Mencionemos apenas a tradução e o coment/rio das *ategorias de Aristóteles 4o coment/rio tem duas redaç.es: a primeira' mais sucinta' do ano 586-588 e a segunda' mais ampla' do ano 585-58`:L a tradução e o coment/rio dos AnalAticosL a composição de um tratado So"re os silogismos categóricos e de um So"re os silogismos hipot%ticosL a tradução dos Tópicos de Aristóteles' um coment/rio a eles e um coment/rio aos Tópicos de *AceroL a tradução dos Elencos sofAsticos e a composição de um tratado So"re diferenças tópicas. K' como se #?' um con>unto impressionante de tratados lógicos. AS O,1AS TEO0Z)<*AS Al%m de tudo isso' ,o%cio tam"%m % o autor de o"ras de conteCdo estritamente cristão' $ue outrora eram tidas por espCrias pelos moti#os $ue indicamos acima' mas $ue agora são atri"uAdas a ele de pleno direito e $ue constituem uma faceta "em interessante de sua personalidade. A o"ra em $ue e!plica *omo % possA#el $ue a Trindade se>a um só ;eus' e não tr?s 4Muomodo Trinitas unus ;eus ac non tres dii: % dedicada a seu sogro' Muinto Aur%lio M?mio SAmaco 4um destacadAssimo e!poente do senado romano' tam"%m ele condenado @ morte por Teodorico um ano depois da condenação de ,o%cio:. O escritor se interroga Se o pai' o Hilho e o EspArito Santo são predicados da Trindade segundo a su"stBncia 4 trum 3ater et Hilius et Spiritus Sanctus de Trinitate su"stantialiter praedicentur:' isto %' se a$uelas pala#ras significam uma realidade ou apenas uma predicação da su"stBncia di#ina. Hortemente filosófica' mas igualmente "ase de toda especulação cristã 4e $ue essa fosse sua função % testemunhado pelo fato de Tom/s de A$uino ter escrito com "ase nessa o"ra um agudo coment/rio:' % a pergunta so"re *omo % possA#el $ue as su"stBncias

se>am "oas pelo simples fato de e!istirem' mesmo $ue não se>am "oas segundo a su"stBncia7 4Muomodo su"stantiae in eo $uod sint "onae sint cum non sint su"stantialia "ona:. Ainda de#emos recordar com grande consideração o tratado *ontra Wuti$ues e Festório 4*ontra Eutgchen et Festorium:' $ue constitui uma das mais significati#as 4e seguramente uma dos mais originais: contri"uiç.es ocidentais @ definição da cristologia. Mas nem mesmo a$ui ,o%cio se #incula @ tradição eclesi/stica em sentido estrito: ele pressup.e como ratificadas as decis.es dos concAlios do s%culo 2' $ue deli"eraram so"re o pro"lema' e não retoma as discuss.es da$uelas assem"l%ias. O $ue ele pretende % discutir a #alidade da solução da <gre>a para a $uestão das duas nature=as e de uma só pessoa em *risto do ponto de #ista filosófico. 3ortanto' ele e!amina os conceitos de &nature=a& e de &pessoa&' apresentando' portanto' as heresias de Festório e de Wuti$ues' e por fim situa entre os dois erros' um contr/rio ao outro' as #erdades da f% cristã. ma Cltima o"ra' dedicada @ e!posição de Af% católica 4;e fide catholica:' % mais simples e inteligA#el' de car/ter e!positi#o' e por esse moti#o foi durante muito tempo considerada como não sendo da la#ra de ,o%cio' mas a dC#ida não % "em fundamentada. A simplicidade de a"ordagem deri#a do fato de $ue a pe$uena o"ra pretende ser uma esp%cie de e!posição do sAm"olo da f%. *om essas o"ras ,o%cio re#elou ser um cristão informado e atento. 2aleu-se da ci?ncia filosófica em função da f%' e isso fe= com $ue suas o"ras fossem lidas com muita atenção na <dade M%dia e se tornassem o">eto de coment/rio por parte de Eoão Scott ErAgena' 1emAgio de Au!erre' )il"ert de 0a 3orr%e e Tom/s de A$uino. A *OFSO0AOPO ;A H<0OSOH<A K a Cltima e a mais famosa das o"ras de ,o%cio' composta no momento decisi#o de sua #ida' $uando ele' preso por causa de intrigas mo#idas por caluniadores da corte de Teodorico' aguarda#a o >uA=o definiti#o do rei' $ue tanto podia ser de condenação $uando de

a"sol#ição. Essa moti#ação confere @ o"ra uma atmosfera particular: o leitor se d/ conta de $ue a$ui ,o%cio &não fa= literatura& no pior sentido do termo' mas fala pelos outros e por si mesmo. Ele $uer encontrar a consolação $ue a filosofia % capa= de pro#er' por$ue so"re ele pesa uma condenação @ morte $ue est/ para ser ratificada. A pergunta $ue algu%m se fa= imediatamente % naturalmente esta: por $ue a consolação da filosofia e não a consolação da religião ou da f%7 Esse % o pro"lema $ue se nos apresenta. Se ele não se apresentou a ,o%cio' de#emos e#identemente seguir sua atitude fundamental e aceitar o fato de $ue tam"%m a filosofia' e não e!clusi#amente a f%' parecia a um cristão ser capa= de &consol/-lo&' ou se>a' de dar resposta a suas $uest.es fundamentais: o por$u? do mal no mundo' por $ue ;eus permite $ue um inocente se>a perseguido' $ual seria a função ou at% mesmo se e!iste o li#re-ar"Atrio humano' se ;eus inter#inha 4como depois #eremos $ue realmente o fa=: em defesa do "em a$ui na terra. E#identemente ,o%cio acredita#a $ue a filosofia fosse capa= de dar uma resposta a todos esses pro"lemas' e para ela se #olta e dela a o"t%m. A pergunta de por $ue a filosofia e não a religião' podemos responder o"ser#ando $ue a filosofia em $ue ,o%cio se inspira no decorrer da *onsolatio %' su"stancialmente' a filosofia religiosa' sAntese de neoplatonismo e de f% cristã' $ue desde alguns s%culos fora aceita pelos intelectuais cristãos. Hoi dessa filosofia $ue ,o%cio se apro!imou' tra=endo sua contri"uição pessoal. Em segundo lugar' ele se apro!imou dela em sua posição de leigo' com a forma mentis do leigo e não do homem da <gre>a. 3or fim 4e tal#e= se>a este o ponto mais importante:' os pro"lemas $ue ,o%cio te#e de enfrentar eram pro"lemas essencialmente filosóficos' para os $uais não e!istiam o"ras de escritores cristãos' mas uma #asta literatura especAfica' cu>os componentes remonta#am ao helenismo' melhor ainda' a 3latão e a Aristóteles. 3ortanto' era lógico $ue ,o%cio e!aminasse todos esses pro"lemas en$uanto filósofo' tanto mais $ue em suas o"ras anteriores' nos Opuscula Theologica' o escritor enfrentara en$uanto filósofo' isto %' de um ponto de #ista leigo e com

instrumentos rigorosamente racionais' os pro"lemas da cristologia e da teologia trinit/ria. Fa *onsola tio encontra-se' no fundo' a mesma atitude $ue inspira os Opuscula Theologica. A *onsolatio di#ide-se em cinco li#ros. Estamos diante de um di/logo @ maneira platJnica' mas' em algumas partes' de conteCdo mais t%cnico e mais difAcil' como no $uinto li#ro' no $ual o escritor a"andona su"stancialmente a$uela forma para passar @ forma da e!posição continuada' mais adaptada @ a"ordagem do pro"lema. A forma liter/ria % a$uela $ue se costuma chamar de &prosAmetro&' ou se>a' um misto de prosa e #erso' $ue' @ parte em prosa' são confiados o di/logo e a demonstração propriamente dita e' @ parte em #ersos' geralmente cantada pela filosofia' % reser#ado o de#er de confirmar os resultados aos $uais chegara a discussão imediatamente anterior. O uso do prosAmetro era antigo na literatura romana' mas geralmente não era utili=ado para a"ordagens filosóficas 4encontra#a-se nas S/tiras menip%ias de 2arrão e no Satgricon de 3etrJnio:. Toda#ia' em tempos recentes' a ele recorrera Marciano *apela' $ue escre#era As nCpcias da Hilologia com MercCrio. Esta o"ra constitui o prosAmetro mais apro!imado do de ,o%cio. Mas ,o%cio ainda se inclina a um outro o">eti#o: o de propor uma no#a forma de poesia' uma poesia de car/ter didasc/lico' $ue' mesmo "uscando por meio do canto doçura para o moral do homem' não se limita unicamente @ moção dos afetos' #isto $ue escre#er #ersos só para pro#ocar o pra=er %' em Cltima an/lise' desedificati#o. Eis de regresso a antiga pol?mica entre filosofia e poesia' entre retórica e filosofia' $ue remonta#a aos tempos de 3latão. 3or meio desses dois instrumentos' do di/logo em prosa e da parte po%tica posterior' a *onsolatio ele#a-se progressi#amente dos argumentos mais simples e mais conhecidos' como o da consolação dos infortCnios' aos de especulação mais e!igente e sutil' $ue são todos e e!clusi#amente inspirados pela filosofia neoplatJnica. ;esse modo' inicialmente' a Hilosofia tenta consolar ,o%cio fa=endo-o #er $ue as mis%rias do presente não o impediram de go=ar no passado

grandes satisfaç.es' para depois passar a uma consideração da insta"ilidade e da #olu"ilidade da fortuna' $ue reina no mundo: o s/"io não de#e admirar-se com as repentinas #ira#oltas da sorte' nem de#e confiar aos "ens e!ternos' nem mesmo aos mais no"res deles' como o dese>o de glória' a própria felicidade' #isto $ue e!atamente a glória % a coisa mais caduca e a mais ilusória. ;epois $ue esses dois primeiros li#ros apresentaram esses argumentos consolatórios de tipo tradicional' deri#ados da filosofia estóica e da filosofia cAnica' no terceiro li#ro' a Hilosofia começa a e!plicar a ,o%cio $ue ele não tem moti#os para lamentar a própria des#entura' agora' por%m' partindo de urna consideração glo"al do uni#erso. Trata-se de distinguir o #erdadeiro "em' $ue não coincide com os "ens materiais' limitados e insuficientes' mas com ;eus. ma #e= esta"elecido $ue ;eus % o sumo "em' de#e-se a#aliar a #erdadeira nature=a da$uilo $ue os homens chamam "em e mal' para concluir $ue os maus $ue alcançam sucesso na #ida' na realidade' não passam de infeli=es' por$ue' mesmo $uerendo-o' não podem reali=ar o "em' dado $ue não o conhecem 4li#ro $uarto:. E $ue tudo isso ocorra so" o go#erno pro#idencial de ;eus % um pro"lema $ue e!ige discussão' com a introdução da a"ordagem da fortuna' do li#re-ar"Atrio e da presci?ncia e pro#id?ncia di#inas: uma s%rie de $uest.es concatenadas entre si' $ue são tratadas no $uinto li#ro. Al%m de ser um momento fundamental para a história da filosofia antiga e medie#al' a *onsolatio de ,o%cio surge tam"%m como um dos mais significati#os te!tos da literatura da antig]idade tardia. A limpide= da e!posição' mesmo nas partes especulati#as mais /rduas' a pure=a da lAngua' $ue retoma o classicismo ciceroniano e lhe introdu= #ariaç.es com mo#imentos e!traAdos de S?neca e de outros escritores' a elegBncia das composiç.es po%ticas entremeadas @s discuss.es' $ue se do"ram a uma musicalidade insólita' com ecos dos lAricos latinos' so"retudo de Hor/cio e de Est/cio' são todas $ualidades $ue fa=em da Cltima o"ra de ,o%cio sua melhor o"ra no plano artAstico. *omo filósofo e escritor' ,o%cio

foi #erdadeiramente o Cltimo dos romanos e o primeiro dos escol/sticos' como foi definido. EFZ;<O Enódio' "ispo de 3a#ia 4SVS-598:' mesmo sendo figura de menor desta$ue' tem relati#a importBncia no panorama cultural italiano do s%culo 2<. K impressionante sua e!traordin/ria fecundidade liter/ria' mesmo $ue $uase sempre a $uantidade não signifi$ue $ualidade. Ele culti#ou g?neros liter/rios distintos e se dedicou a interesses #ariados' mas sempre superficialmente. 3or didatismo' sua produção % su"di#idida em o"ras em prosa e em o"ras em #ersos. O EpistolBrio conta com cerca de TV epAstolas' muitas das $uais endereçadas a personagens de desta$ue' como SAmaco' sogro de ,o%cio' os papas SAmaco e Orsmida 4depois de nomeado "ispo de 3a#ia' em 58T' Enódio foi encarregado de duas miss.es pontifbias por parte de Orsmida a Anast/cio' imperador do Oriente:. ;e sua autoria' su"sistem duas "iografias de santos 4o tom retórico as torna "astante entediantes:: a 2ita Sancti Epiphanii episcopi Ticinensis 42ida de Santo EpifAnio' "ispo de 3a#ia: e a 2ita Sancti Antonii monachi 0erinensis 42ida de Santo Antão' monge de 0%rins:. <nspiram-se em acontecimentos religiosos de seu tempo duas o"ras: o Ad#ersus eos $ui contra sgnodum scri"ere praesumpserunt' ou se>a' contra a$ueles $ue não reconheciam a #alidade do sAnodo $ue elegera SAmaco "ispo de 1oma 456T:. H/ ainda o 3aneggricus dictus clementissimo regi Theoderico 43anegirico pronunciado para o clementAssimo rei Teodorico:' recitado durante uma festa oficial em Milão ou em 1oma 4em 56V ou 56U:. A 3araenesis didascalica 4E!ortação didascBlica:' do ano 588' % dedicada a dois >o#ens $ue são con#idados a &se con#erter&' a"andonando os pra=eres do mundo' mas so"retudo a estudar e a culti#ar as artes li"erais' especialmente a retórica. ;ei!ando de lado um nCmero impressionante de outras o"ras' recordem-se as 9U ;ictiones 4Oraç.es:' todas pronunciadas pu"licamente durante #/rias festi#idades' algumas das $uais de argumento mitológico' segundo o uso das escolas de retórica. Enódio compJs ainda cerca de 858 epigramas' numerosos epitalBmios e panegAricos e 88 hinos. ;o ponto de #ista da m%trica'

eles são dotados de correção e re#elam grande ha"ilidade' mas se perce"e $ue foram escritos por um retor afetado e superficial demais. A1ATO1 Arator pro#a#elmente pertence ao cArculo dos amigos e dos intelectuais com os $uais Enódio mantinha contatos. ma carta das 2ariae de *assiodoro cont%m o decreto de nomeação de Arator como procurador de Teodorico. 3oucos anos depois' por%m' Arator dei!ou a condição de leigo e foi ordenado su"di/cono da <gre>a de 1oma so" o papa 2igAlio. Fessa condição % $ue de#e ter escrito seu poema %pico' dedicado ao papa em 5SS e lido em recitação pC"lica' como era o costume nas confer?ncias nos tempos do imp%rio pagão' durante $uatro dias consecuti#os na igre>a de San 3ietro in 2incoli' o"tendo grande sucesso. Fão temos notAcias dele depois disso. Seu poema %pico' Os Atos dos Apóstolos 4;e acti"us apostolorum:' % di#idido em dois li#ros. Arator pretende seguir a antiga pra!e da par/frase em #ersos do te!to sagrado e ressaltar seu significado espiritual para seu tempo. Esse interesse pela interpretação espiritual % preponderante' por$ue só algumas poucas passagens são efeti#amente parafraseadas: outras são omitidas' resumidas ou mencionadas' ao passo $ue se det?m na alegoria. O poeta di#idiu em perAcopes o te!to de 0ucas e o resumiu erp. prosaL posteriormente fe= uma par/frase em #ersos desse resumo. ;esse modo' a narração continuada dos Atos dos Apóstolos tornou-se uma s%rie de episódios. O tom % a"ertamente triunfal' a narrati#a da #ida dos apóstolos implica na$uela %poca a cele"ração da 1oma papal. A o"ra de Arator tem pontos de contato com o *arme so"re a 3/scoa de SedClio 4p. 5S`:' mesmo $ue não tenha atingido a elegBncia e a inspiração po%tica' mas pareça redundante e entediante' ao passo $ue o modo de e!pressão % #oluntariamente herm%tico. Tanto preciosismo pro#%m a Arator de seu aprendi=ado na escola de

Enódio e de SidJnio. Em todo caso' sua educação retórica muito acurada #em @ lu= nas numerosas imitaç.es dos poetas cl/ssicos. Arator foi um poeta muito conhecido na <dade M%dia. E03I;<O 1dST<*O Tal#e= o poeta ElpAdio 1Cstico pertença @ corte de 1a#ena e @ cultura do renascimento teodoricano. ;e sua #ida sa"emos $uase nada e % difbil identific/-lo no plano histórico. ;epois de ter escrito' na >u#entude' #ersos de tem/tica profana' $ue não chegaram at% nós' compJs um carme em he!Bmetros So"re os "enefAcios de Eesus *risto 4*armen de *hristi <esu "eneficiis:' no $ual cele"ra a encarnação' os milagres e a o"ra redentora de *risto' e as Histórias do Antigo e do Fo#o Testamento 4Historiae Testamenti 2%teris et Fo#i: ' $ue % uma compilação de 9S epigramas de tr?s he!Bmetros cada um 4os tristicha: grupos de tr?s #ersos:. Fuma sAntese plena de conteCdo' os tristicha condensam episódios "A"licos' $ue posteriormente #iriam a figurar como didasc/lias' pro#a#elmente @ maneira do ;ittochaeon de 3rud?ncio. ElpAdio não % um poeta despre=A#el e em seu artificioso e!cesso de conceitos merece a classificação de poeta douto. 3erce"e-se nele a influ?ncia de 3rud?ncio e de SedClio. FOMES MEFO1ES: E )I3<O E 2ITO1 ;E *Q3 A. *A1TAS 3A3A<S Ao lado desses escritores de maior e!pressão cultural' como ,o%cio e Enódio e seus amigos' distingue-se EugApio' por m%ritos completamente distintos. Fada se sa"e de preciso so"re sua #ida. Fos Cltimos anos do s%culo 2' ele se esta"eleceu >unto aos discApulos de São Se#erino no castellum de 0ucullanum' $ue depois se tornou o mosteiro de São Se#erino' localidade $ue ho>e % chamada de 3i==ofalcone' nas pro!imidades de F/poles. EugApio escre#eu em 56R uma 2ida de São Se#erino' $ue foi mission/rio no Fórico e $ue o próprio escritor conhecera. EugApio narra na $ualidade de testemunha ocular' como discApulo do santo. 2Ator' "ispo de */pua' % importante so"retudo para a história dos E#angelhos em tradução latina. Essa tradução foi e!ecutada por

#olta do ano 5S5 e parece ter consistido em uma esp%cie de &Harmonia dos E#angelhos&' mais ou menos no mesmo modo do ;iatessaron de Taciano 4cE. p. 88T-88S:. Os papas do s%culo 2< 4SAmaco' Orsmida' H%li! <2' Eoão << etc.:' como os dos s%culos <2 e 2' fi=eram ainda mais' dei!aram-nos cartas de conteCdo dogm/tico $ue' em pormenor' certamente interessam mais @ história do cristianismo do $ue @ história da literatura cristã. 1ecordemos apenas as cartas do papa 2igAlio 45TV555: e as de seu so"rinho e di/cono 1Cstico' referentes @ contro#%rsia dos Tr?s *apAtulos. <nicialmente 1Cstico esta#a de acordo com 2igAlio' mas depois' em conse$]?ncia da atitude distinta $ue ele assumiu diante das decis.es do imperador Eustiniano' foi e!comungado pelo papa. ;e#e-se a 1Cstico um Tratado contra os ac%falos 4uma corrente dos monofisitas:' no $ual se ratificam as conclus.es do concAlio de *alcedJnia' contra a atitude de Eustiniano. ,EFTO ;A Fd1S<A ,ento não foi certamente um autor &menor&' mas sua grande=a concerne a outros campos' mais $ue @ história liter/ria. 3or isso nós o recordamos apenas com "re#e menção. )rande figura de santo e de importBncia fundamental para a ci#ili=ação da <dade M%dia' para a história do mona$uismo e' indiretamente' da cultura' ,ento nasceu em FCrsia por #olta do ano SU6. ;epois dos estudos iniciados em 1oma' a"andonou todo e $ual$uer interesse pela #ida profana e se retirou para le#ar uma #ida mon/stica' primeiro perto de Su"iaco' onde findou um mosteiro' depois em Montecassino. 3odemos recordar de ,ento' em nosso conte!to de história liter/ria' a 1egula monachorum 41egra dos monges:' $ue constitui uma das primeiras regras ocidentais' fortemente inspirada na rica cultura mon/stica grega' particularmente em ,asAlio. A 1egra de São ,ento chegou at% nós em duas redaç.es. A primeira delas' mais populari=ante' destina-se a ser imediatamente compreendida. A segunda' reela"orada' % mais correta no plano gramatical e liter/rio.

*ASS<O;O1O Fo curso de sua longuAssima #ida' *assiodoro pJde assistir a mudanças de grande importBncia: a pa= e a prosperidade dos primeiros anos do imp%rio de Teodorico' a guerra grego-gótica' $ue fe= a <t/lia cair so" o duro dominio "i=antino e' por fim' a dominação longo"arda' $ue pro#ocou mis%ria e decad?ncia. Hl/#io Magno Aur%lio *assiodoro nasceu em S$uillace' na *al/"ria atual' de famAlia no"re' no ano SU5. Em 56V' pronunciou um panegArico a Teodorico com grande sucesso e isso aplainou seu caminho para a carreira administrati#a. Em 5TT' $uando o rei Alarico en#iou ao Senado um rescrito em defesa dos rerores' gram/ticos e >urisconsultos' *assiodoro escre#eu nesse rescrito' de próprio punho' um elogio @s letras. Em 558' em *onstantinopla' concluiu a História dos godos. Terminada a guerra grego-gótica' *assiodoro regressou para a <t/lia' onde fundou o mosteiro de 2i#arium. O termo &mosteiro&' a$ui' não nos de#e indu=ir a erro: 2i#arium era um centro de estudos' um de tantos $ue' na$uela %poca' surgiam nas terras dos grandes senhores. Ali *assiodoro dedicou-se @s ci?ncias' @ literatura' @ gram/tica e' so"retudo' @s Escrituras. A morte o colheu por #olta do ano 5U6' em a#ançadAssima idade. Apenas por didatismo' separaremos as o"ras do perAodo &leigo& de *assiodoro das o"ras posteriores' de car/ter religioso. As *hronica foram escritas por encomenda de Eutarico' genro de Teodorico' $ue' em #ista da sucessão ao trono 4$ue depois nem aconteceu:' $ueria uma sAntese histórica com a $ual pudesse aprender com facilidade. Os fatos narrados 4o modelo seguido % o de EerJnimo e' por meio dele' o de Eus%"io: #ão de Adão a Teodorico. A partir do ano de SR`' l?em-se notAcias de fatos dos $uais *assiodoro foi testemunha ocular. Fão % de admirar' dado o moti#o pelo $ual foi escrita' a marca filo gótica da o"ra. Fela não se fala de arianismo' e!atamente por$ue os godos eram arianos' li$uida-se com poucas pala#ras o sa$ue a 1oma do ano S86' sa$ue le#ado a ca"o pelos

próprios godos. Tem o mesmo propósito adulatório o famosAssimo ;e origine acti"us$ue )etarum 4So"re a origem e as gestas dos godos:' história dos godos em 89 li#ros. A o"ra chegou at% nós graças a fragmentos recolhidos por Eordão 4secret/rio do funcion/rio godo do Oriente' )untige' $ue' ao $ue tudo indica' se con#erteu depois do ano 556:. O relato se inicia com a descrição do território de origem desse po#o' a Escandin/#ia' para chegar ao perAodo de sua dominação so"re a <t/lia. <dentificar os godos com os guedos' antigo po#o da Tr/cia' era um e!pediente 4adotado @ %poca por muitos literatos: para eno"rec?-los. ;e fato' at% os gregos tinham narrado fatos fa"ulosos referentes ao misterioso po#o nJmade dos guedos' $ue se imagina#a serem ha"itantes das amplas planAcies da 1Cssia. Teodorico' por sua #e=' % apresentado como o monarca ideal: na$uele tempo' os "/r"aros eram considerados em p% de igualdade com todos os outros po#os da história. A fama de *assiodoro de#eu-se especialmente @s 2ariae 4ou se>a' epistulae:' uma coletBnea em 89 li#ros de cerca de S`U rescritos en#iados por decisão do rei Teodorico e' posteriormente' de seus sucessores Atalarico' Teodato e 2itAgio. O estilo le#a em conta o destinat/rio' passando de um tom "urocr/ticochanceleresco a um tom retórico e artificioso. K impressionante o grande nCmero de e!cursus' umas #e=es de argumento moral' outras de argumento polAtico' $ue responde ao ideal enciclop%dico' tão importante para o s%culo 2<. As 2ariae constituiriam uma fonte de primeira grande=a para se conhecer a realidade polAtico-social so" Teodorico' mas *assiodoro' no momento de pu"lic/-<as 45TV:' eliminou dados e refer?ncias polAticas e pessoais muito precisas. O ;e anima' composto entre os anos 5TV e 5S6' % um manual' isto %' compila e resume tudo o $ue ha#ia sido anteriormente dito em fa#or da corporeidade ou da imaterialidade da alma por Tertuliano' por *laudiano Mamerto' pelas Escrituras. A contri"uição pessoal de *assiodoro % mAnima: ele se limita a dar ?nfase maior @ doutrina da incorporeidade' $ue depois se tornou a doutrina ortodo!a. 2i#ariurn suscitou o interesse dos literatos dos s%culos posteriores' tanto $ue seu papel foi fre$]entemente e!agerado: 2i#arium não

era um centro de cultura grega 4a maior parte dos monges não sa"ia grego e se #alia de traduç.es: e não possuAa uma "i"lioteca propriamente dita' capa= de fornecer' na <dade M%dia' li#ros preciosos @s grandes a"adias de ,o""io' São )alo e *ór"ia. Fa #erdade' $uando *assiodoro morreu' o mosteiro entrou em ruAna e os poucos códices restantes foram todos aca"ar na "i"lioteca de 0atrão' em 1oma. At% mesmo a ati#idade de cópia e de correção dos manuscritos' $ue se desen#ol#ia em 2i#arium e da $ual *assiodoro demonstra ter cuidado pessoalmente' não de#e ser superestimada. Era uma ati#idade comum a muitos cenó"ios $ue hospeda#am literatos eminentes como EerJnimo' 1ufino' Agostinho. Tal#e= se>a #erdade $ue o autor das 2ariae procurou intensificar o tra"alho &gramatical& nos te!tos' mas isso não fa= de 2i#arium uma schola' ou se>a' um centro intelectual leigo. O esforço maior era sempre reser#ado ao estudo das Sagradas Escrituras. A lista das o"ras compostas por *assiodoro em 2i#arium encontra-se no pref/cio a ;e orthographia' $ue ele escre#eu em idade "em a#ançada. Fa "ase da produção liter/ria desse autor est/ um "om conhecimento das o"ras de OrAgenes' pro#a#elmente lidas na tradução de 1ufino' das o"ras de Eoão *risóstomo' da )uerra Eudaica de Hl/#io Eosefo. Em 2i#arium' copia#am-se manuscritos $ue continham as #ers.es latinas desses grandes autores e tal#e= se tradu=isse algo diretamente do grego em caso de necessidade. A Historia ecclesiastica tripertita 4História eclesi/stica: em tr?s partes:' em 89 li#ros' foi escrita em cola"oração com o monge EpifBnio. E!atamente nesses anos' Teodoro leitor ha#ia composto uma o"ra semelhante' "aseando-se na Historia da <gre>a de Sócrates' So=Jmeno e Teodoreto 4cf. p. `VUss.:. O plano de tra"alho inicial contempla#a apenas a tradução em latim das p/ginas de Teodoro leitor. ;epois *assiodoro encarregou EpifBnio de pJr @ disposição dele todos os tr?s historiadores em #ersão latina e começou a compendiar pessoalmente tudo o $ue lia neles. O resultado pode parecer-nos insatisfatório' mas a Historia ecclesiastica tripertita est/' >unto a pou$uAssimos outros te!tos' na "ase dos conhecimentos históricos so"re a <dade M%dia. Fo $ue di=

respeito @s culturas anteriores' at% mesmo as grandes personalidades do s%culo 2< demonstram um comple!o de $uase inferioridade: resumir' compendiar' compilar manuais são' ao mesmo tempo' pro#a do temor de perder o $ue foi con$uistado e at% mesmo dese>o de confrontar-se com os &gigantes& do passado 4a <dade M%dia est/ para começar:. ;esse modo' tam"%m a E!positio 3salmorum 4*oment/rio aos Salmos:' composta em 55S-555' remete @s Enarrationes in 3salmos 4E!plicaç.es dos Salmos: de Agostinho' mas não ser#ilmente. 3ri#ilegia-se o aspecto messiBnico desse li#ro da ,A"lia por meio de uma e!egese alegórica e espiritual 4origeniana:' mas a atenção reser#ada aos pro"lemas gramaticais responde a e!ig?ncias escol/sticas $ue' nos tempos de *assiodoro' iam tornando-se cada #e= mais prementes. *assiodoro ocupou-se ainda de re#er e depurar um coment/rio de 3el/gio @s EpAstolas paulinas. Ele dedicou-se pessoalmente @ *arta aos 1omanos' escre#endo a E!positio epistolae ad 1omanos 4E!posição da EpAstola aos 1omanos:' ao passo $ue as outras cartas foram dei!adas a cargo de seus cola"oradores. A o"ra intitulada *omple!iones in epistulis apostolorum et acti"us eorum et apocalgpsi 41esumo das epAstolas apostolicas e de seus Atos e do Apocalipse: esta"elece como meta dar ao te!to anotaç.es e!plicati#as. O clima cultural de 2i#arium % claramente perce"ido nas <nstitutiones 4<nstituiç.es:' em dois li#ros' $ue se prop.em e!plicar como os te!tos sagrados e os te!tos profanos de#em ser entendidos. *assiodoro $uis escre#er um tratado de ci?ncias teológicas $ue pudesse ser#ir para os monges de seu con#ento estudarem. O primeiro li#ro ocupa-se da ,A"lia' das e!egeses patrAsticas' das o"ras teológicas' dos grandes escritores eclesi/sticosL o segundo li#ro ocupa-se das sete artes li"erais com grandes citaç.es dos cl/ssicos latinos e gregos. O ;e orthographia' Cltima o"ra de *assiodoro' ocupa-se da educação elementar' isto %' fornece noç.es gramaticais e retóricas fundamentais e demonstra $ue os monges da %poca' em meio @ "ar"ari=ação' rece"iam um tipo de instrução muito falha. EO1;PO Eordão fa= parte do cArculo de *assiodoro' de $uem sinteti=ou'

como >/ #imos' a História dos godos. )ado ou alano de nascimento' secret/rio do funcion/rio gado do imp%rio do Oriente' )untige. Mas $uando passou a se dedicar ao tra"alho' E ordão >/ era conhecido como escritor e sua ati#idade se situa antes do ano 556. ;epois dessa %poca' ele teria se &con#ertido& 4de ariano $ue era' ou @ #ida mon/stica ou ao catolicismo: o fato correto permanece no desconhecimento:. Eordão começara a escre#er uma *rJnica resumida 4A""re#iatio *hronicorum:' ou se>a' um r/pido resumo da história uni#ersal. <nterrompe o tra"alho para se dedicar ao resumo da História dos godos de *assiodoro' resumo $ue le#ou o tAtulo de As origens e as gestas dos guedos 4;e origine acti"us$ue )etarum:' ou se>a' dos godos' como >/ dissemos acima 4a o"ra tam"%m % chamada História dos guedos ou )u%dica:. ;epois #oltou @ *rJnica $ue antes dei!ara interrompida e a completou' escre#endo o *omp?ndio cronológico' ou se>a' a origem e as gestas do po#o romano 4;e summa temporum #el origine acti"us$uegentis 1omanae:. Essa o"ra começa' segundo o pro>eto original' em Adão e consiste em uma história uni#ersal $ue #ai at% Augusto' com refer?ncias @ histórica "A"lica e @ história do Oriente' "aseando-se essencialmente na *rJnica de Eus%"ioEerJnimo. ;esse modo' #olta a percorrer' de modo um pouco mais pormenori=ado' toda a história romana' das origens at% os tempos do escritor' ou se>a' at% o ano 5SV' #alendo-se de #/rias fontes profanas' como Hloro' Eutrópio e outros. ;<OFIS<O' O 3EM EFO Fo conte!to da #ida e da o"ra de *assiodoro' pode-se citar por fim ;ionAsio' o 3e$ueno 4como ele $uis ser chamado' por mod%stia:' origin/rio da *A=ia' mas presente em 1oma no ano 566' falecido por #olta do ano 5S5. *assiodoro o chama de &monge& e lou#a seu conhecimento das Escrituras e o pleno domAnio do grego e do latim. )raças >ustamente a seu conhecimento do grego' ;ionAsio tradu=iu' certamente por demanda dos am"ientes romanos' onde o grego era cada #e= menos conhecido' #/rios te!tos conciliares e de escritores do s%culo 2 $ue tinham a #er com os concAlios' como *irilo de

Ale!andria. Tam"%m tradu=iu A criação do homem' de )regório de FissaL compilou' em latim' uma *oletBnea de cBnones 4*ode! *anonum Ecclesiasticorum:' $ue % uma tradução dos cBnones dos concAlios mais importantes' de Fic%ia a *alcedJnia. )1E)Z1<O MA)FO Fos Cltimos anos de #ida de *assiodoro' retirado em seu mosteiro num canto remoto da <t/lia' são tam"%m os anos da carreira eclesi/stica da$uele $ue' a partir do ano 5R6' tornou-se papa com o nome de )regório' depois Magno' e morreu no ano `6S. Toda a decad?ncia' todas as cat/strofes $ue se a"atiam so"re a <t/lia e transforma#am em terrA#el o tempo em $ue *assiodoro #i#ia' e $ue foi sentido por ele so"retudo como tempo da difusão da ignorBncia e da "ar"/rie' tam"%m foi e!perienciado de modo #i#o e doloroso por )regório Magno' $ue te#e de inter#ir concretamente' por assim di=er' para remediar as fraturas $ue se a"riam continuamente. As in#as.es dos lom"ardos' $ue em determinado momento chegaram a representar uma ameaça para a própria 1omaL a dominação "i=antina' incapa= de enfrentar os "/r"aros e' ainda por cima' a#ara e tirBnica' mas mesmo assim o Cnico poder ci#il e legAtimo para o $ual se podia olharL as pro#Ancias' muito distantes' tam"%m elas ameaçadas pelos "/r"aros do lugar ou su"metidas ao domAnio' hostil e desconfiado de tudo o $ue se referia a 1oma' de ,i=Bncio. E era necess/rio inter#ir em todos os lugares para fa=er respeitar a lei' para $ue os direitos da <gre>a fossem respeitados' para $ue os fi%is não fossem ultra>ados e at% mesmo para $ue os eclesi/sticos não pre#aricassem. A mis%ria e as ruAnas' at% mesmo as pestes' esta#am por todo lugar' de modo particular na <t/lia. O papa de#ia inter#ir de todas as maneiras possA#eis para dar rem%dio a essas situaç.es: por isso ele rece"eu o cognome de &cJnsul de ;eus&' #isto $ue os cJnsules terrenos ha#iam renunciado a seus de#eres. Fascido em 1oma por #olta do ano 5S6' )regório seguiu a carreira polAtica' como todos os $ue pertenciam a famAlias no"res

costuma#am fa=er so" o domAnio dos "i=antinos. Antes do ano 5VT' )regório era prefeito de 1oma' o cargo mais importante no Bm"ito ci#il. 3ouco depois' contudo' ele renunciou @ #ida do mundo' distri"uiu todos os seus "ens aos po"res' fundou seis mosteiros em seus grandes domAnios e se retirou para le#ar #ida asc%tica em um mosteiro construAdo por ele mesmo' no próprio pal/cio no *%lio' >ustamente em 1oma. Fa$ueles tempos' o mona$uismo ainda era mais um modo de #ida $ue uma estrutura organi=ada. Só mais tarde a regula ,enedicti se impor/. O papa ,ento < e 3el/gio l<' contudo' decidiram fa=er dele nCncio apostólico em *onstantinopla' de 5VR a 5U5. ;e regresso a 1oma' ele retomou a #ida mon/stica. *ontudo' tem de interromp?-la definiti#amente no dia T de setem"ro de 5R6' por ter sido chamado' não o"stante todas as suas resist?ncias' para su"stituir 3el/gio na s% papal. 3el/gio morrera de peste. )regório dedicou-se imediatamente ao cuidado das #Atimas da peste' mas so"retudo lutou o"stinadamente para com"ater a prepot?ncia dos reis "/r"aros e a ruAna moral $ue afligia at% mesmo o clero. O patrimJnio da <gre>a' disse ele' % unicamente o patrimJnio dos po"res. A #ida de )regório foi o percurso cansati#o e doloroso de um mAstico forçado a encarar os pro"lemas do s%culo. Fele' os sofrimentos fisicos se >untaram @s angCstias morais. )regório Magno morreu no dia 89 de março de `6S. Sua fama tam"%m est/ relacionada @ e#angeli=ação da <nglaterra' por ele iniciada 4os anglos ainda eram pagãos:. ;/ testemunho da en%rgica e preciosa ati#idade do papa' e!plicada de mil maneiras' não apenas no plano polAtico' mas tam"%m na #ida da <gre>a' um rico EpistolBrio 41egistrum epistolarum:' um documento de importBncia fundamental para a história da$ueles tempos. 3or #olta do ano 5R6' inAcio de seu pontificado' )regório Magno escre#eu a 1egra do pastor 41egula pastoralis:' como uma norma

para si mesmo e para $ual$uer outro $ue #iesse a assumir responsa"ilidade tão pesada' mostrando como se de#e ser pastor de almas' como conformar a própria #ida ao E#angelho. K e#idente nessa o"ra a influ?ncia da Homilia 9' de )regório de Fa=ian=o' e do tratado So"re o sacerdócio' de Eoão *risóstomo. *omo homem de <gre>a' consciente da importBncia da liturgia' são atri"uAdos a seu nome dois outros te!tos: um Sacrament/rio gregoriano 4Sacramentarium gregorianum:' ou se>a' um missal' e um Antifon/rio para a missa 4Antiphonarius Missae:' isto %' uma compilação de cantos corais' te!to de "ase do futuro canto gregoriano. *ontudo' pes$uisas mais recentes esta"eleceram $ue o con>unto dessas o"ras não deri#a do próprio )regório Magno. A primeira o"ra e!eg%tica de )regório Magno % representada pelos T5 li#ros dos Tratados morais so"re Eó 4Moralia in 86":' escritos durante seu tempo de nCncio apostólico em *onstantinopla. *omo o tAtulo o indica' o e!egeta tem interesses predominantemente morais' mesmo $ue ele ainda se inspire no ensinamento de OrAgenes' $ue' mesmo tão distante no tempo' chega at% ele. São numerosas as digress.es e impressionante a proli!idade. )regório Magno acha#a $ue esses Tratados morais não eram apropriados para a pregação ao po#o. Fos primeiros anos de seu pontificado' escre#eu homilias "em mais simples. 1estam delas S6 Homilias so"re os E#angelhos 4Homiliae in E#angelia: e 99 Homilias so"re E=e$uiel 4Homiliae in E=echielem:. O tom % declaradamente didasc/lico' mesmo $ue as Homilias so"re E=e$uiel tenham sido posteriormente reela"oradas. Menores e de menos importBncia são o *oment/rio so"re o 3rimeiro 0i#ro dos 1eis e o *oment/rio ao *Bntico dos *Bnticos. 2?m atender @ mesma intenção moral' dessa #e= mais inclinada para o lado asc%tico' os $uatro li#ros de ;i/logos 4;ialogi de #ita et miraculis patrum italicorum:' por$ue' ao recolher em um estilo "astante simples e com uma linguagem por #e=es populari=ante'

adaptada @ compreensão de pessoas de todo tipo' a #ida de #/rios personagens conhecidos por sua #irtude e santidade' $uerem mostrar aos de#otos e!emplos $ue de#em ser seguidos. A o"ra foi redigida em forma de con#ersação entre )regório e um >o#em discApulo dele' o di/cono 3edro' $ue' representado como pessoa de grande ingenuidade' fala em nome dos rudes' $ue de#em ser instruAdos. Os episódios se sucedem sem nenhuma ligação entre si e são narrados prodAgios' #is.es' curas milagrosas. O segundo li#ro % totalmente dedicado a São ,ento. Essa o"ra' longe de de#er ser despre=ada como sAm"olo de um cristianismo elementar' % um precioso documento de f% popular e interessante at% mesmo para o estudioso de história das religi.es. )eralmente se costuma citar' a propósito do interesse $ue )regório Magno nutria 4ou não nutria: por um estilo liter/rio' uma frase dele $ue se tornou c%le"re e $ue se encontra no pref/cio aos Tratados morais so"re E/' dirigida a 0eandro de Se#ilha: &Acho uma coisa realmente indigna restringir as pala#ras do or/culo de ;eus @s regras de ;onato& 4;onato foi um famoso gram/tico do s%culo <2:. ma afirmação dessas contrasta' por princApio' como geralmente acontece com os escritores cristãos' com a pra!e efeti#amente seguida depois por )regório Magno. K necess/rio ler essa afirmação como re>eição dos tecnicismos na escrita' dos Anfimos pormenores das regras gramaticais. O estilo de )regório Magno se pretende simples' mas >ustamente por isso pleno de dignidade e solenidade. Ele tem 0eão Magno por modelo.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.

Os Escritores da #)lia E/ #imos $ue a )/lia foi' durante o s%culo 2' o paAs do Ocidente $ue mais "em conser#ou a tradição cultural cl/ssica' #isA#el at%

mesmo no Bm"ito da literatura cristã' e pJde contar com uma produção de "om nA#el' mesmo despro#ida de elementos de desta$ue. Mas as condiç.es sociais e polAticas mudam no s%culo 2<. Fa )/lia' tinham sido famosas' e continuaram a s?-<o durante todo o s%culo 2' as escolas de retórica' $ue tinham permitido culti#ar com assiduidade a poesia' a homil%tica' a cronografia. Mas com a fi!ação na )/lia dos in#asores francos' de uma população "em menos ci#ili=ada de "urgCndios e dos godos' $ue no passado >/ ha#ia estado em contato com os romanos' a situação mudou radicalmente e a decad?ncia começou a se fa=er sentir' so"retudo' ha#ia na segunda metade do s%culo 2<. A escola sofreu um declAnio incontrol/#el: $uase completamente em mãos dos eclesi/sticos' ela não culti#ou as letras como no s%culo anteriorL at% mesmo os escritores cristãos não ti#eram nenhum contato com outras regi.es do MediterrBneo. Tendose con#ertido rapidamente ao catolicismo 4o rei dos francos' *ordo#eu' foi posteriormente cele"rado por causa de sua f%:' os francos en#ol#eram at% a <gre>a na administração do poder. 3or isso' ela te#e de passar por um processo de "ar"arismo e uma decad?ncia not/#el nos próprios costumes. *es/rio de Arles d/ testemunho do fato de $ue "oa parte do clero de seu tempo era a"solutamente ignorante. Mesmo tendo tentado opor-se a essa situação' ele te#e de se adaptar' como no-lo mostram suas homilias' ao nA#el de seus fi%is e de seus su"alternos. m historiador como )regório de Tours seria impens/#el na <t/lia' e sua concepção historiogr/fica est/ nos antApodas da de um *assiodoro ou de um Eordão. Fão sem ra=ão o maior poeta da )/lia' da segunda metade do s%culo 2<' 2enBncio Hortunato' era origin/rio da <t/lia' onde rece"era uma acurada educação liter/ria em 1a#ena. A2<TO ;E 2<EFFE 3erce"e-se claramente em Alcimo EcdAcio A#ito prosseguimento da tradição liter/ria na cultura cristã' sem $ue inter#enha nenhuma interrupção na passagem da sociedade romana @ sociedade dos

reinos romano-"/r"aros. A#ito sou"e conciliar a ati#idade pr/tica do episcopado na importante cidade de 2ienne ao cuidado com uma poesia refinada e de "om nA#el artAstico. Em muitos aspectos' ele mante#e os traços de um literato do s%culo 2 e nada te#e a #er com a decad?ncia $ue se apossou da )/lAa no s%culo 2<. Origin/rio de uma famAlia senatoria de 2ienne' nasceu por #olta do ano S56. A#ito tornou-se o "ispo de maior autoridade no reino dos "urgCndios' $ue ainda eram arianosL mante#e um dissenso contAnuo com o rei )undo"aldo e conseguiu con#erter ao catolicismo o herdeiro do trono' Sigismundo' mantendo sempre estreitas relaç.es com o papado. 3residiu um concAlio local na )/lia' $ue sancionou' no ano de 58V' a con#ersão dos "urgCndios. Morreu pouco tempo depois' no ano de 58U. A#ito dedicou-se' como era o costume tam"%m nos tempos $ue o precederam' ao g?nero liter/rio da epAstola' tendo escrito U` cartas' en#iadas a ilustres personagens da )/lia' aos principais no "res dos francos e ao próprio rei *lodo#eu' $ue e!atamente na$uele perAodo esta#am con#ertendo-se ao catolAcismo. Escre#eu ainda a senadores romanos e ao imperador Anast/cio. O modelo $ue A#ito tinha em mente em sua ati#idade lAter/ria foi SidJnio Apolin/rio' $ue go=a#a de grande fama na )/lia e era considerado' em seu papel de escritor e "ispo' o tipo ideal do literato cristão. O estilo do epistol/rio de A#ito % declamatório' muito sofisticado e retórico' assim como o estilo de suas homilias' tr?s das $uais chegaram at% nós na Antegra' $uando da maioria nos chegaram apenas fragmentos. Mas' % mais famosa sua o"ra po%tica: em #ersos "em tra"alhados' escre#eu os cinco 0i"elli de spiritalis historiae 40i#ros $ue ilustram os acontecimentos da história espirituaD:. Este não era o tAtulo do poema' mas a indicação com a $ual o autor designou' em uma carta $ue escre#era' a sua o"ra po%tica. ;/ para perce"er $ue se trata#a de uma interpretação tipológica de dois dentre os mais famosos

episódios da história "A"lAca' um li#ro para cada um deles: o inAcio do mundo e do homem' o pecado original' o >ulgamento de ;eus 4primeiro episódio:L o dilC#io e a passagem do mar 2ermelho 4segundo episódio:. Alcimo A#ito alinha-se' portanto' @ categoria dos poetas da epop%ia "A"lica e % um #ersificador de "om nA#el' dono de uma lAngua pura e de um estilo $ue sa"e imitar os modelos cl/ssicos e cristãos. Ele % possuidor de grande capacidade descriti#a' confirmada por fre$]entes digress.es narrati#as' como a da transformação da mulher de 0ó em est/tua de sal 4uma &metamorfose& $ue % descrita @ maneira de O#idio: e a da inundação do Filo. Muitos outros episódios mostram uma acentuada imitação dos grandes poetas e dos mitos cl/ssicos. *ESQ1<O ;E A10ES Se A#ito esta#a situado a meio caminho entre duas %pocas' a %poca tão fortemente letrada do s%culo 2 e a %poca >/ percorrida pelos pro"lemas e pertur"aç.es $ue infesta#am os reinos "/r"aros' $ue eram polAtica e socialmente tão inst/#eis' *es/rio de Arles #i#eu em um am"iente completamente diferente. Fascido por #olta do ano de SV6 nas pro!imidades de *hBlons' no paAs dos "urgCndios' aos 96 anos' *es/rio entrou no claustro de 0%rins' de modo $ue sua formação cultural foi de tipo retórico e liter/rio' como era costume no s%culo 2. Mas sua concepção pessoal da ascese cristã' $ue $ueria pJr em pr/tica' le#ou *es/rio de Aries a fundar no ano de SRR e a dirigir pessoalmente um mosteiro. Fo ano de 569' tornou-se "ispo de Arles e ali permaneceu' a despeito de toda a hostilidade $ue te#e de suportar nos primeiros anos da parte de Alarico <<' o rei dos #isigodos. ;epois de alguns acontecimentos alternados 4Aries foi primeiramente con$uistada pelos francos e depois pelos ostrogodos:' no ano de 58S o papa SAmaco nomeou *es/rio prima= das )/lias e da Espanha. Eie morreu em Aries' no mosteiro por ele fundado' em 5S9 ou 5ST.

Suas duas mais importantes o"ras são as Homilias 4Sermones:' @s $uais foram acrescentadas muitas $ue eram espCrias' como normalmente acontecia com os pregadores famosos 4por e!emplo' Agostinho de Hipona' M/!imo de Turim e outros:' at% ser alcançado o nCmero de 9TU homilias. Elas foram agrupadas por temas: Homilias de e!ortação ao po#o 4Admonitiones ad populum:' Homilias so"re as Sagradas Escrituras 4;e Scriptura:' Homilias so"re as festas 4;e tempore:' Homilias so"re os santos 4;e sanctis:' Homilias aos monges 4Ad monachos:. *omo pregador' reconhecem-se em *es/rio #i#acidade e disponi"ilidade para a comunicação' atenção @s e!ig?ncias materiais e espirituais dos fi%is' aos $uais fala#a a"andonando toda a sofisticação liter/ria. Ele se #alia da linguagem popular de todos os dias' adaptando-se @ capacidade de compreensão dos ou#intes' e#itando por todos os meios os artificiosidades da retórica. Esses princApios' segundo os $uais era necess/rio e!primir-se do modo mais escorreito e simples' a fim de ser compreendido at% pelos iletrados' são repetidamente reafirmados por *es/rio de Arles e constituem a ess?ncia mais caracterAstica de sua homil%tica. Essa % a ra=ão de uma perceptA#el importBncia das homilias de *es/rio de Arles tam"%m no plano ling]Astico. Muanto ao mais' *es/rio de Arles lança mão dos moti#os tradicionais da e!egese e da espiritualidade mon/sticaL não fa= nenhuma esp%cie de refer?ncia aos acontecimentos polAticos de seu paAs' nos $uais' não o"stante' este#e en#ol#ido de tantos modos' mas se apóia apenas na realidade social dos cristãos. 3ortanto' resulta da pregação de *es/rio de Arles um $uadro certamente negati#o' mas interessante para o conhecimento do cristianismo popular no mundo antigo' facilmente presa das piores superstiç.es e' su"stancialmente' no mesmo nA#el do paganismo. 2EFeF*<O HO1T FATO A poesia na )/lia foi culti#ada por 2enBncio Hortunato' $ue pode ser seguramente considerado como o maior poeta cristão do s%culo

2<' não apenas de um ponto de #ista formal' mas ainda pela #ariedade dos interesses e dos moti#os espirituais $ue o animaram. Mesmo tendo sido origin/rio da <t/lia 4nascera em 2aldo""iadene' nas pro!imidades de Tre#iso' por #olta do ano 5T6: e tendo completado seus estudos em 1a#ena' 2enBncio % geralmente considerado como um poeta do am"iente g/lico' por$ue' tendo empreendido com a idade de T5 anos uma peregrinação a Tours por moti#o de gratidão para com S. Martinho' $ue o curara miraculosamente' desde então não mais regressou para a <t/lia. Fa$ueles anos' a <t/lia esta#a de#astada pelas guerras e pelas in#as.es dos lom"ardos' ao passo $ue o reino dos francos esta#a entre os mais poderosos e prósperos da %poca. 2enBncio' então' esta"eleceu-se primeiro em Met= e depois em 3aris' dedicando-se @ ati#idade po%tica' especialmente apreciada na corte dos reis francos. Sua atenção se di#idia entre a poesia profana e a poesia religiosa. *ontudo' o poeta não permaneceu na corte dos reis francos' mas se esta"eleceu em 3oitiers. Ali fe= ami=ade com os mais importantes literatos da %poca' como )regório de Tours' e com seus carmes conferiu força reno#ada ao ideal asc%tico. Hoi ordenado sacerdote e' em 5RV' foi nomeado "ispo de 3oitiers. Morreu poucos anos depois. 2enBncio foi um poeta fecundo e tentou #/rios g?neros po%ticos' $ue foram recolhidos em um con>unto de 88 li#ros $ue t?m como tAtulo O"ras compostas 4Miscellanea:. Alguns carmes do primeiro li#ro remontam ainda a $uando ele #i#ia em 1a#ena. Trata-se de poesia #ariada e de ocasião. Tudo % tratado com semelhante facilidade' com #ersos fluentes e agrad/#eis' fato $ue dificulta perce"er uma linha precisa e homog?nea na produção po%tica de 2enBncio. *onsiderados em seu con>unto' os Miscellanea são Cteis ainda para conhecer o am"iente histórico' não só cultural' da Hrança do s%culo 2<' não o"stante se>a redutor considerar a poesia de 2enBncio apenas como um testemunho da história dos francos. ;i=emos so"retudo $ue' nele' a #ersificação fluente e acurada' disponA#el para $ual$uer ocasião' % preeminente so"re a

profundidade dos sentimentos e so"re o compromisso po%tico em sentido pleno. Entre suas $ualidades' est/ a capacidade descriti#a por meio da $ual 2enBncio se destaca de uma difusa monotonAa $ue caracteri=a a maior parte de sua poesia. São muito famosos dois Hinos de car/ter litCrgico' compostos $uando Eustino <<' o imperador de ,i=Bncio' en#iou @ rainha 1adegunda' #iC#a do rei *lodo#eu' uma relA$uia da cru= de *risto' $ue foi rece"ida em 3aris com grande solenidade. O primeiro hino % 4seguindo a nomeação do primeiro #erso: o 3ange: lingua: gloriosi proelium certaminis 4*anta lAngua minha: a luta do glorioso certame:' inspirado no nono dentre os Hinos da >ornada de 3rud?ncio. O &certame& ao $ual 2enBncio se refere % o da luta entre Adão e *risto' entre o pecado e a redenção' entre o lenho da /r#ore do paraAso e o lenho da cru=. O segundo se inicia com as pala#ras 2e!illa regis prodeunt 4Eis $ue as insAgnias do 1ei a#ançam: e % composto so"re o es$uema do hino am"rosiano. São hinos $ue depois entraram no uso ha"itual da <gre>a. 2enBncio ainda escre#eu' em prosa' sete "re#es 2idas de santos locais' como Hil/rio de 3oitiers' Marcelo' )ermano e outros. ;entre elas' a mais importante % a "iografia de sua protetora' Santa 1adegunda' na $ual se perce"e a aus?ncia de todo moti#o pessoal' de gratidão' de afeto' #isto $ue o interesse predominante % o hagiogr/fico. ;a santa se destacam apenas os milagres e as #irtudes. A o"ra pertence aos Cltimos anos da ati#idade do poeta' dado $ue 1adegunda morreu em 5UV. )1E)Z1<O ;E TO 1S )regório de Tours foi contemporBneo de 2enBncio Hortunato. Sua o"ra mostra o outro lado da realidade da %poca' ou se>a' as mAseras condiç.es da ple"e e a ignorBncia das classes m%dias na )/lia do s%culo 2i. *om )regório de Tours' não perce"emos mais a atmosfera refinada' mesmo $ue a"strata' da poesia maneirista' das composiç.es para efem%rides importantes' $ue 2enBncio Hortunato nos oferecera' mas o atento e!ame das coisas e dos

acontecimentos' mesmo da$ueles de pouco peso polAtico' $ue tam"%m t?m peso na história. Fascido no ano de 5TU em Ar#erna' sofreu o forte impacto de uma peregrinação a Tours' em 5`T' para onde se mudara por conta de uma doença. Tornou-se de#oto de Martinho de Tours e posteriormente foi eleito "ispo de Tours' em 5VT. Sua eleição foi cele"rada por 2enBncio Hortunato. )regório foi um "ispo $ue go#ernou com energia e piedade cristã em um perAodo de gra#es pertur"aç.es' $ue eram comuns nos reinos romano-"/r"aros. Ele te#e tam"%m de se opor @s prepot?ncias dos reis francos e de tomar consci?ncia de $ue a ferocidade "/r"ara era o $ue pre#alecia em seu tempo' com tudo a$uilo $ue isso comporta#a tam"%m no plano da doutrina da <gre>a 4por e!emplo' uma forte retomada das superstiç.es e da idolatria:. Morreu em 5RS. )regório de Tours foi um representante da aristocracia galo-romana' $ue' na )/lia totalmente entregue @ dominação dos francos' continua#a a su"sistir' dado $ue ainda detinha a posse de uma parte representati#a das posses antigas. ;esse modo' ela podia dar sua contri"uição @ so"re#i#?ncia da cultura antiga e fornecer @ <gre>a $uadros para os mais altos postos da hierar$uia. A educação de )regório de Tours foi "astante aprofundada' mas unilateral. Estudou as Escrituras' mas conheceu "em pouco os escritores cristãos: Orósio' SulpAcio Se#ero e 3rud?ncio eram mais familiares a ele $ue EerJnimo ou Agostinho de Hipona. 3osteriormente tentou preencher suas lacunas' recorrendo @ cultura cl/ssica' mas seus conhecimentos são so"retudo de segunda mão e se limitam aos escritores mais conhecidos' como Hor/cio' 2irgAlio e SalCstio. Sua o"ra de maior importBncia % a História dos francos 4Historia Hrancorum:' em de= li#ros' na $ual o autor parte de Adão e percorre de modo e!tremamente sint%tico a história anterior a ele' at% a morte de Martinho de Tours' seu herói' $ue se d/ no ano de TRV. Os acontecimentos' ele os retira do Antigo Testamento e' $uanto ao mais' da *rJnica de EerJnimo. Fa realidade' o escritor

$uer dar a conhecer sua própria %poca. A partir do $uinto li#ro concentra-se em narrar de modo mais pormenori=ado' ao passo $ue os $uatro primeiros podem ser#ir de introdução. )regório de Tours não est/ interessado na realidade profana' e sim nos acontecimentos de car/ter religioso' e sua narração chega at% o ano de 5R8' pouco antes de sua morte. Mas isso não fa= com $ue sua história se>a pri#ada de interesse. Ela se tornou o">eto de uma reno#ada atenção nesses Cltimos 96 anos' como conse$]?ncia de uma reno#ação das teorias historiogr/ficas. En$uanto os estudiosos do passado fala#am de &ingenuidade& e de &simplicidade& de )regório de Tours' dando a esses termos um significado negati#o' agora os historiadores estão mais atentos aos fatos da história local' @ #ida dos humildes' @s crenças' assim como @s superstiç.es dos iletrados. Estão interessados na &cultura& do po#o' nas in#enç.es e no imagin/rio irracional' $ue domina#am e ainda dominam 4não menos $ue a realidade concreta: a #ida humana. 3ortanto' a história de )regório de Tours não de#e ser entendida como história na acepção cl/ssica. Fisso consistem' simultaneamente' sua no#idade e seu limite' segundo o Bngulo de an/lise. Tal#e= ele não tenha lido nem mesmo os historiadores latinosL certamente não leu os gregos' para deles e!trair o modelo a seguir em sua narração. )regório de Tours acentua a teologia da história' a concepção de uma >ustiça de ;eus imanente nos fatos humanos' $ue aprendera de Orósio' a $uem cita muitas #e=es. Segundo )regório' a mais significati#a manifestação da inter#enção de ;eus no mundo % constituAda pelo milagre. 3ode-se di=er $ue sua história % constituAda de uma s%rie de relatos hagiogr/ficos' nos $uais o escritor se esforçou' de um modo por #e=es at% ing?nuo' para recolher os milagres. Os m/rtires são os #erdadeiros heróis dessa história cristã' e nela se enfati=a o interesse pela ascese e pelas pro#aç.es $ue os monges enfrentam. ;e resto' essa atitude est/ em conformidade com a &cultura& da %poca de )regório de Tours' mais $ue uma especulação descomprometida e teórica.

AS mesmas caracterAsticas' tal#e= at% mais acentuadas por causa do tema tratado' podem ser perce"idas nos oito 0i#ros dos milagres 4Miraculorum li"ri:' nos $uais se narram' com uma credulidade $ue "eira as raias do in#erossAmil' os milagres operados por #/rios santos' ou at% mesmo por suas relA$uias. ;e todo modo' at% mesmo essa o"ra' não o"stante a atitude irracional do escritor 4ou tal#e= >ustamente por isso:' % uma mina de noticias preciosas' relati#as @ cultura religiosa' de alto e de "ai!o nA#el' da Hrança do s%culo 2<' $ue pode ser#ir de e!emplo e de paradigma para toda a cristandade da %poca "/r"ara. *omo escritor' )regório de Tours est/ situado no fim da %poca cl/ssica. Ele não tem a consci?ncia' $ue em seu tempo ainda possuAam homens como *assiodoro e <sidoro de Se#ilha' de $ue tinha de sal#ar o sal#/#el da cultura antiga' em uma %poca de #iol?ncia e de "ar"/ries. Suas o"ras parecem nota#elmente corretas no plano gramatical' mesmo com o autor tendo declarado 4certamente e!agerando: $ue não conhecia a gram/tica.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.

Os Escritores do *eino +isigodo A 3enAnsula <"%rica desfrutou' em comparação com as outras religi.es do Ocidente romano' de uma condição de relati#a prosperidade durante o s%culo 2<. A in#asão goda do s%culo 2' certamente opressora e de#astadora' não chegou a se transformar em uma ati#idade persecutória propriamente dita' como a dos #Bndalos' $ue #eio em detrimento dos cristãos da Qfrica' e foi sendo gradati#amente superada. Se no s%culo 2 e na primeira metade do s%culo 2<' não hou#e no reino #isigodo escritores de desta$ue' >ustamente por causa das de#astaç.es pro#ocadas pela

in#asão' a partir da segunda metade do s%culo 2<' a Espanha passa a produ=ir personalidades de certo desta$ue' caracteri=adas por moti#os e id%ias autJnomas e originais. Tendo se iniciado depois da produção liter/ria franca' a produção liter/ria do reino #isigodo prosseguir/ ati#a e e!u"erante par todo o s%culo 2<<' ao passo $ue na )/lia e na <t/lia ha#er/ sil?ncio' e constituir/ um dos elementos fundamentais da cultura medie#al. A literatura romano-#isigoda do s%culo 2< nutre so"retudo interesses religiosos e morais' diferentemente de tudo o $ue se pJde constatar na Qfrica ou na <t/lia. A con#ersão ao catolicismo foi encarada como particularmente urgente' tanto dos próprios #isigodos como das populaç.es pagãs $ue ainda e!istiam na Espanha' ou ainda' por fim' dos >udeus' $ue eram numerosos no paAs e constituAam uma comunidade rica' ati#a e influente. MA1T<FHO ;E ,1A)A A maior personalidade da Espanha' anterior a <sidoro de Se#ilha' foi Martinho de ,racara 4,raga atual:. Ele nasceu na 3anJnia por #olta do ano 585' le#ou uma #ida mon/stica na 3alestina' de onde depois se dirigiu para a )alAcia' onde se tornou a"ade do mosteiro de ;umo' por #olta de 556. ;epois se tornou "ispo de ,racara' de 55` a 5U6. Seus escritos' de redu=ido #alor liter/rio' referem-se principalmente aos pro"lemas da ascese e da moral. Fo $ue se refere @ moral' % de se destacar o fato de $ue Martinho inspira#a-se muito nos escritos de S?neca' um escritor $ue era certamente #alori=ado pela cultura cristã' mas não a ponto de suas o"ras serem retomadas na forma de e!tratos. Mas foi isso o $ue fe= Martinho em sua 1egra da #ida moral 4Hormula #itae honestae: e no opCsculo So"re a ira 4;e ira:. Este Cltimo retoma#a tal $ual o tAtulo de uma famosa o"ra de S?neca. m outro escrito' dedicado aos mesmos o">eti#os morais e pr/ticos' % mais interessante' não tanto pelo pensamento' mas pelo

am"iente social ao $ual se destina e $ue % reconstruAdo na o"ra do próprio Martinho. Trata-se da Educação dos camponeses 4;e correctione rusticorum:' $ue % um sermão em forma de carta' destinado @ educação cristã da ple"e e dos camponeses da Espanha' muitos deles su"stancialmente pagãos e de#otados @s superstiç.es. A$ui o escritor' $ue se inspira no tratado ;e catechi=andis rudi"us' de Agostinho de Hipona 4cf. p. 56`:' #ale-se de uma linguagem simples e não isenta de "ar"arismos' adaptada ao pC"lico ao $ual ele se dirigia. Essa era uma norma $ue #imos ser praticada >/ por *es/rio de Arles. Em 5V9' o concAlio de ,raga tra=ia @ pauta a necessidade de com"ater a superstição $ue ainda grassa#a na =ona rural da região 4a )alicia:. Trata#a-se de uma superstição particularmente comple!a' por$ue com a in#asão dos su/"ios no ano S96' o paganismo "/r"aro se so"repJs ao paganismo local' $ue >/ era refrat/rio @ pregação cristã anterior. Hala-se' no caso da )alAcia' de uma esp%cie de paganismo autóctone' e a pe$uena o"ra de Martinho % interessante so"retudo por esse aspecto. 0EAF;1O ;E SE2<0HA Entre as personalidades de menor desta$ue da Espanha #isigoda' podemos recordar 0eandro' origin/rio de *artagena' irmão mais #elho do famoso <sidoro' "ispo de Se#ilha. 0eandro foi monge e se empenhou em uma ati#idade intensa pela con#ersão dos #isigodos. ;e fato' ele animou o concAlio de Toledo' $ue sancionou essa c'7 n#ersão como conse$]?ncia da con#ersão do rei 1ecaredo' em 5UR. Em *onstantinopla' em 5U9' 0eandro conheceu )regório' o futuro papa' $ue lhe dedicou seus Tratados morais so"re E/. ;e autoria de 0eandro su"siste apenas um escrito' o tratado So"re a educação das #irgens e so"re o despre=o do mundo' en#iado sua irmã' $ue se chama#a Hlorentina. EXE)ETAS Fa Espanha #isigoda' tam"%m se culti#ou a e!egese "A"lica' se "em $ue de modo não muito original. *onhecemos um *oment/rio mAstico 4de conteCdo tradicional: ao *Bntico dos *Bnticos

4E!plicatio mgstica in *antica *anticorum Salomonis:' escrito por Eusto de rgelL um *oment/rio ao Apocalipse' de AprAngio' "ispo de 3ace. *1OF<STAS Eoão de ,i*0aro' "ispo de )erona de 5R9 a `98' foi um gado de religião católica' educado em *onstantinopla. ;e regresso @ Espanha' assistiu @s lutas produ=idas pela con#ersão dos godos ao catolicismo. Escre#eu uma *rJnica em se$]?ncia @ o"ra de 2Ator de Tununa e chega at% o $uarto ano do reinado de 1ecaredo' ou se>a' estende-se de 5`V a 5R6. Essa *rJnica % particularmente Ctil para se conhecer o $ue aconteceu na Espanha' disputada por #isigodos e "i=antinos' arianos e católicos. Ela narra tam"%m a con#ersão de 1ecaredo ao catolicismo' mas sem condenar os predecessores' $ue hostili=aram a religião cristã. A *rJnica narra os acontecimentos da Espanha mantendo a lealdade @ dinastia reinante. <S<;O1O ;E SE2<0HA Entre todos esses escritores' o mais significati#o' não h/ dC#ida' % <sidoro de Se#ilha' cu>a personalidade % o em"lema da Espanha #isigoda e constitui' para a$uele tempo' o ponto de chegada da cultura anterior e o mais alto momento da %poca. )raças a <sidoro e a sua autoridade' $ue foi encarada com re#er?ncia at% mesmo pelos reis #isigodos' a cultura cristã da Espanha continuou a florescer por todo o s%culo 2<<. <sidoro nasceu por #olta do ano 5`6' de uma famAlia hispano-romana em *artagena ou em alguma localidade da pro#Ancia. A famAlia teria sido en#iada para o e!Alio pelos #isigodos' ali por 55R' pro#a#elmente por causa de sua oposição @ monar$uia' $ue era de f% ariana. 3or outro lado' a no"re=a hispana olha#a com simpatia para o Oriente "i=antino e isso tam"%m foi moti#o pelo $ual ela foi dispersa pelo poder dominante. ;e fato' na$ueles anos' mais precisamente em 559' começara a in#asão dos "i=antinos @ Espanha.

3ortanto' desde >o#em <sidoro #i#eu as e!peri?ncias sanguinolentas da guerra entre #isigodos e "i=antinos' entre os anos 5`U e 5U`. 2i#eu a guerra entre o rei ariano 0eo#igildo e seu filho' Ermenegildo. Tendo-se con#ertido ao catolicismo' Ermenegildo re"elou-se contra o pai e depois foi assediado e #encido em Se#ilha' no ano de 5UT. Al%m disso' 0eandro' irmão de <sidoro' foi conselheiro dos reis #isigodos. Fesse Anterim' <sidoro rece"eu sua primeira formação cultural de 0eandro e depois o sucedeu em 5RR' na s% episcopal de Se#ilha' onde permaneceu at% a sua morte' em `T`' go=ando a estima e a ami=ade dos reis #isigodos. *onsciente de sua autoridade' organi=ou o segundo concilio pro#incial de Se#ilha no ano de `8R e presidiu o grande concilio de Toledo' em `TT. A con#ersão dos godos ao catolicismo foi um acontecimento de grande significado para a história da Espanha' dos católicos da$uela nação e do próprio <sidoro. Era necess/rio empenhar-se na reforma cultural de todo um po#o' o po#o romano-#isigodo. 3or isso' <sidoro se dispJs a uma ati#idade muito intensa e seus escritos pretendem ser a sAntese da sa"edoria antiga' $ue de#eria ser adaptada a um po#o &no#o& e $ue serão depois retomados por toda a <dade M%dia' e não apenas a espanhola. <sidoro conseguiu' com o apoio do clero local' tornar seu paAs totalmente cristiani=ado' eliminando o paganismo e toda a heresia. &Fem a <t/lia de Am"rósio ou' com mais ra=ão' a de )regório Magno&' o"ser#a *a=ier com >uste=a' &nem a Qfrica de Agostinho' nem a )/lia de *lodo#eu alcançaram tamanha integração polAtica' social e cultural. A Espanha %' a esse propósito' o la"oratório da no#a sociedade cristã' $ue ser/ a da alta <dade M%dia e posteriormente a do mundo moderno ocidental so" catolicAssimos reis ... uma sociedade terrena $ue eliminou' em toda a medida do possA#el' os inimigos da cidade celeste @ $ual ela de#e' por #ocação' condu=ir seus mem"ros&.

<sidoro foi so"retudo um erudito' mas sua erudição parte de interesses' al%m de.gramaticais e cientAficos' tam"%m religiosos' em um incans/#el ser#iço prestado @ <gre>a e ao próprio paAs. K preciso e#itar' em um r/pido e!ame de sua produção' a distinção entre o"ras sacras e o"ras profanas' por$ue a atitude do autor não >ustifica essa distinção. ;e fato' <sidoro' nas Etimologias' nas ;iferenças das pala#ras' no li#ro so"re A nature=a das coisas' passa indiferentemente de um Bm"ito a outro. E isso nos le#a a crer $ue seu propósito' construir uma enciclop%dia humana' consiste em con>ugar a tradição antiga e o pensamento cristão. A$ui recordaremos apenas suas o"ras mais importantes' $ue são: ;e differentiis #er"orum 4As diferenças das pala#ras:' uma esp%cie de l%!ico dos sinJnimosL ;e differentiis rerum 4As diferenças das coisas:' em $ue são e!aminados conceitos' so"retudo teológicos' mAsticos e filosóficos. A$ui <sidoro retoma e organi=a material tradicional' cristão e profano. 2em depois uma o"ra muito interessante' $ue te#e grande difusão na <dade M%dia' Os dois li#ros dos sinJnimos 4Sgnongmorum li"ri duo:' constituAdo por um di/logo entre o homem pecador e sua ra=ão' @ maneira dos Soliló$uios de Agostinho de Hipona. Fessa o"ra de <sidoro' a gram/tica se transforma em um instrumento de edificação moral' sem com isso perder sua função retórica. Seguem-se os estudos dedicados @s ci?ncias astronJmicas' meteorológicas e fisicas' na o"ra So"re a nature=a 4;e natura rerum:' cu>o tAtulo retoma o tAtulo de o"ras semelhantes do perAodo cl/ssico 4de 0ucr%cio' por e!emplo:' e o tratado So"re a ordem das criaturas 4;e ordine creaturarum:. 2em então a crJnica ni#ersal' @ $ual % dedicada a *rJnica maior 4 *hronica maiora:' $ue chega at% o ano 585' ao lado da $ual se situam as histórias dos po#os separadamente' como a História dos godos' a História dos #andalos' a História dos su/"ios4Historia )othorum' 2andalorum' Sue"orum:.

Mas a o"ra profana mais importante' a $ue trou!e maior fama a <sidoro de Se#ilha' % constituAda por uma grande enciclop%dia' As origens 4Origines:' $ue tam"%m le#a o tAtulo de Etimologias 4Etgmologiae:. <sidoro não chegou a concluA-<aL ela foi disposta em 96 li#ros por seu discApulo ,raulião de Saragoça. Fão de#emos "uscar em As origens a etimologia no sentido cientAfico do termo' como a pes$uisa ling]Astica moderna nos acostumou a fa=er' por$ue ali encontramos o m%todo' $uase sempre ar"itr/rio' dos antigos. Fa cultura latina' 2arrão fora o maior e o mais famoso erudito na utili=ação do m%todo etimológico' e <sidoro se #incula a ele' representando o Cltimo anelo de uma tradição $ue #? muitos intermedi/rios entre o escritor pagão e o erudito de Se#ilha. Mas' @ parte o m%todo' $ue não de#emos anacronicamente pedir $ue se>a diferente da$uele $ue era praticado no mundo antigo' a o"ra de <sidoro possui at% nossos dias certo interesse pela grande massa de notAcias gramaticais e le!icais $ue conser#ou para nós. Al%m de se dedicar @ etimologia e @ lAngua' <sidoro de Se#ilha dedica-se @ e!plicação das sete artes li"erais' representando' >unto com ,o%cio e *assiodoro' uma coluna dos conhecimentos medie#ais nesse domAnio. Ao lado delas' perce"e-se a erudição mais ampla' $ue #ai da medicina ao direito' @ cronologia' @s ci?ncias naturais e pr/ticas. Faturalmente' <sidoro de Se#ilha s` podia dispor de toda essa massa de notAcias de modo li#resco' mas ela representar/ para a <dade M%dia uma mina ri$uAssima. <sidoro de Se#ilha dedicou -se ainda @ história da literatura. Escre#eu' para dar se$]?ncia @ de )en/dio de Marselha' uma o"ra so"re Os homens ilustres 4;e #iris illustri"us:' mas ela não tem a amplidão da de seu predecessor' muito menos da de EerJnimo' por$ue na$uela %poca' dado o isolamento recAproco em $ue #i#iam os reinos romano-"/r"aros' tinhase pouco conhecimento do $ue se passa#a fora dos confins do próprio paAs. 3or isso' <sidoro de Se#ilha limita-se su"stancialmente a registrar os escritores hispBnicos do s%culo 2<' e seus continuadores restringiram posteriormente o campo da historiografia liter/ria.

Fo campo da dogm/tica e da moral cristã' a parte mais significati#a % constituAda por uma retomada da doutrina agostiniana da graça e do li#rear"Atrio e dos temas asc%ticos' deri#ados de *assiano' da con#ersão e da compunção. As doutrinas %ticas de <sidoro estão recolhidas nos tr?s li#ros das Sentenças 4Sententiarum li"ri tres:' $ue de#em ser situados nos Cltimos anos da #ida do escritor' por$ue são contemporBneos do concAlio de Toledo. 3or outro lado' a pol?mica anti>udaica % condu=ida do modo mais tradicional' nos dois li#ros *ontra os >udeus 4*ontra <udaeos:. <ndependentemente disso' por%m' de#e-se o"ser#ar $ue tanto <sidoro de Se#ilha $uanto o concAlio de Toledo assumem uma atitude tolerante para com os >udeus' afirmando $ue a f% não pode ser imposta pela força. Fo plano liter/rio' as $ualidades e os limites de <sidoro de Se#ilha são e#identes. Os limites são su"stancialmente os de sua %poca' $ue % a de um reino romano-"/r"aro' entre os s%culos 2< e 2<<' fechado a todo contato com o Oriente. ;a$ui % $ue #em a aride= $ue distingue' inega#elmente' não o"stante tentati#as recentes de re#alori=ação' o g?nio organi=ati#o e classificatório de <sidoro de Se#ilha. Mas' por outro lado' sua capacidade de ordenar e classificar >/ antecipa as summae medie#ais' e sua cultura % "em mais #asta e mais refinada se confrontada com as modestas pro#as da$ueles $ue o precederam. Se )regório Magno representa o fim da cultura antiga na <t/lia e depois dele' at% o renascimento carolAngio do s%culo <X' ha#er/ "em pouco dela no cristianismo it/licoL se )regório de Tours %' na$uela %poca' testemunha de uma mentalidade e de uma cultura popular de tipo medie#al' do mesmo modo <sidoro de Se#ilha pode ser considerado como a conclusão do cristianismo antigo' por ele organi=ado na perspecti#a do futuro. A cultura cristã' fortemente depauperada pelas crises $ue se a"ateram so"re o MediterrBneo ocidental nas Cltimas d%cadas do s%culo 2<' aguarda uma transformação' $ue se dar/ graças @s sementes saga=mente depositadas por )regório Magno e <sidoro de Se#ilha e graças a tudo $uanto foi pacientemente conser#ado pelo mona$uismo e pelo

pouco $ue su"sistia de cultura laica nos reinos "/r"aros. *om ,eda - não sem ra=ão um cristão de origem angla - e com a ci#ili=ação carolAngia' % $ue se dar/ esse renascimento.

3or MO1ES*H<F<' *. ( FO1E00<' E. Manual de literatura cristã antiga grega e latina. São 3aulo: Santu/rio' 9665.