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In a Heartbeat

Heartbeat - 01
Teodora Kostova
Sinopse:
Stella
— Eu estive dentro e fora de hospitais nos últimos dez meses. Eu tive a metade do meu fígado
retirado e, embora desta vez os médicos estejam muito otimistas, já que removeram todos os
tumores, eles não podem ter certeza. Daqui a três meses, eles me querem aqui novamente para um
check-up. Agora eu me sinto melhor do que já me senti antes. Eu sei que essa maldita coisa se foi,
pelo menos neste momento. Apesar disso, eu não posso fazer planos para o futuro, ainda não. Eu
preciso ir para algum lugar onde ninguém me conheça, onde eu possa relaxar e talvez até mesmo
esquecer tudo isso. Onde eu possa encontrar pessoas que não pensem em mim como a garota que
perdeu o pai e o irmão em um acidente de carro, e que tem câncer. Eu quero me divertir, mesmo que
seja por um par de meses.
Quando Stella decide visitar sua prima estrangeira Lisa em Gênova, ela não tem ideia de que
a Itália vai dar-lhe uma nova razão para viver.
Max
— Seu olhar estava fixo em uma linda cena, a praia pitoresca empalidecia em comparação.
Um salva-vidas saiu da água, calção laranja preso às pernas e água pingando em cima dele. Ele
balançou a cabeça para se livrar de uma parte da água em seu cabelo e Stella sentiu como se tudo
começasse a acontecer em câmera lenta - pequenas gotas de água deslizaram do pescoço para baixo
pelo seu peito largo e braços musculosos, ao longo de uma tatuagem do lado direito do seu ombro, e
para baixo, continuando em direção ao peito e o abdômen tanquinho, finalmente se perdendo na
cintura de seu tronco. A parte de outra tatuagem espreitava por cima do seu quadril esquerdo, a
outra parte escondida debaixo delas. Foi um momento totalmente Baywatch.
Seu amor é épico. Mas há muitas coisas que os mantém separados.
— Como você pôde esconder isso de mim, Lisa? Se você tivesse me dito isso no primeiro dia
que eu o conheci, eu o teria evitado como a peste. Nada teria acontecido entre nós.
— Eu mantive os seus segredos também, Stella.
Serão Max e Stella fortes o suficiente para lutar, não só pelo seu amor, mas por suas vidas?






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Lei nº 9610/ 1998.

Setembro/2013








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Canti nho
Escur o dos Li vr os


































"Viver é a coisa mais rara do mundo, a
maioria das pessoas vive, isso é tudo".
Oscar Wilde
r6(!.!

— 8ão, Eric, não começou
ainda! O pontapé inicial é em meia hora, você sabe disso. — Stella revirou os
olhos, mesmo que seu irmão não pudesse vê-la pelo telefone. O maníaco de
futebol que ele era, tinha ido a um jogo mais cedo, com seu pai e seu tio e agora
eles estavam acelerando de volta para a casa, porque sua amada Liverpool iria
jogar contra o Man U em 25 minutos.
— OK, eu te vejo daqui a pouco. Tchau.
Ela desligou e sorriu. Mesmo que seu irmão fosse quatro anos mais velho
que ela, ele nunca olhava para ela como sua irmã mais nova. Eric sempre a
levou com ele, quando a idade permitia, é claro. Aos quatorze anos, ainda não
era permitido a ela ir nas festas dos seus amigos, mas de bom grado ele a
levava junto quando iam para os jogos de futebol, shows, boliche ou apenas
passear.
Stella não tinha muitos amigos. Meninas de sua idade eram estranhas -
falando de meninos, maquiagem e roupas o tempo todo. Nenhuma das coisas
que figuravam na lista de interesse próprio de Stella. Ela preferia sair com os
amigos de Eric, que a adotaram como um dos seus. A única menina que ia
junto era sua prima Lisa. Stella teria gostado de passar a tarde com ela, mas,
estranhamente, Lisa tinha declinado a oferta, dizendo que tinha um monte de
lição de casa para fazer. Stella tinha suspeitado de que havia um menino
envolvido em algum lugar nesse dever de casa, mas havia decidido contra
pressionar sua prima por respostas. Lisa diria a ela quando estivesse pronta. E
a Stella cabia apenas esperar e rezar que sua prima não se transformasse em
uma daquelas meninas chatas que desenham corações em seus diários com uma
expressão sonhadora no rosto.
Risos ecoaram na sala, quando sua mãe e sua tia entraram pela porta da
frente. Elas aproveitaram que os meninos foram ao estádio e tiraram o dia das
meninas no shopping. Stella tinha educadamente recusado a ir com elas, por
que roer as unhas e andar horas a fio pelas lojas, não era sua ideia de uma boa
diversão. Ela também se recusou a ir com Eric e seu pai assistir o jogo
Charlton vs Fulham, porque só tinham três ingressos, e ela sabia que seu tio
Gordon teria gostado de ir também. Ela tinha razão - seu rosto se iluminou
quando ela lhe ofereceu o ingresso.
Depois de ter a casa apenas para si, ela tinha se enrolado com um livro e
uma xícara de chocolate quente e tempo tinha voado.
— Ei, querida. O que você está fazendo? — O perfume característico de
sua mãe encheu a sala, enquanto ela entrava carregando uma tonelada de
sacolas, com a tia Niki logo atrás dela com seu próprio conjunto de sacolas em
ambas as mãos.
— Oi, mãe. Nada de mais. Apenas lendo.
— Os meninos ainda não chegaram em casa?
— Não. Eric ligou. Eles estão a caminho.
— Bom. Vem, Nik, tenho que esconder as sacolas, antes que Bradley
chegue em casa e tenha um ataque cardíaco.
— E quanto a mim, Helen? Onde é que eu vou esconder as minhas de
Gordon?
— Vamos colocar tudo no armário, e nós vamos contrabandeá-las mais
tarde, enquanto eles assistem o jogo.
Seus risos seguiram pelas escadas, e logo Stella ouviu a porta do quarto
de sua mãe fechar.
Nicole Elliott, também conhecida como Niki, tinha sido a melhor amiga
de sua mãe, desde que se conheceram em uma convenção médica em Milão há
mais de vinte anos atrás. Quando Niki conheceu Gordon, que tinha
apresentado Helen ao seu irmão Bradley, foi amor à primeira vista. Os quatro
são inseparáveis desde então.
Os Elliotts viviam na mesma rua e passavam quase todas as noites
juntos. Eles eram uma grande família, prontos para apoiar e cuidar uns dos
outros em todos os problemas.
Muitas pessoas não têm esta sorte, Stella pensava.
Sua mãe não só tinha encontrado uma amiga de longa data em Niki, mas
elas haviam construído suas vidas juntos, e estavam mais perto do que irmãs.
Stella olhou para o relógio, eram cinco horas. A partida iria começar a
qualquer momento, assim ela ligou a TV. Se Eric não estivesse em casa em
trinta segundos, ele iria perder o pontapé inicial, e ela iria ouvir isso por dias.
Revirando os olhos novamente, ela deixou o livro sobre a mesa do café e foi até
a janela para verificar se o carro estava chegando na garagem. Não. Nenhum
carro. Nada de Eric.
O toque do telefone fixo a assustou. Ninguém ligava mais no telefone
fixo. Talvez seu sinal do celular estivesse fraco, e Eric devia estar pirando por
estar atrasado. Suspirando, ela foi pegá-lo, esperando ouvir a voz em pânico de
seu irmão. No entanto, ela não reconheceu o número que piscou na tela.
— Olá?
— Olá, é a Sra. Quinn? —perguntou uma voz feminina educada.
— Não, é Srta. Quinn, sua filha.
— Srta. Quinn, chame a sua mãe imediatamente. — A voz era calma,
mas insistente.
Os sinos internos de alerta de Stella começaram a tocar tão alto que ela
mal ouviu as palavras seguintes que viajaram na linha. — Houve um acidente.
Sua mãe precisa vir para o hospital de St. George imediatamente.
E assim, num piscar de olhos, sua vida mudou para sempre.
*

D!"s )eses )'"s $'r#e...
— Por favor, não faça isso, Niki. Por favor. — A voz suplicante de
Helen fazia Stella sentir como se alguém estivesse cortando direto através do
seu coração.
— Me desculpe, mas eu não posso mais ficar aqui. Sinto muito, Helen,
mas eu simplesmente não consigo. Estamos partindo em uma semana.
Niki respirou profundamente, sua voz tremendo. Elas estavam em pé no
meio da sala de estar, dois pés as separando, e ainda assim parecia que haviam
países inteiros entre eles.
Em breve, haverá, Stella pensava.
Depois que seu pai, seu tio e Eric tinham morrido naquele acidente de
carro há dois meses, nada havia sido o mesmo. Niki estava completamente
perdida. Ela e Lisa haviam se mudado para um hotel e venderam tudo o que
possuíam - a casa, o carro, móveis, roupas. Apesar dos melhores esforços de
Helen para alcançar sua amiga, Niki se fechou completamente. Ela nem falava
mais direito com sua mãe. Este encontro entre as duas foi o primeiro em
semanas, e ela só tinha vindo para se despedir pessoalmente.
Ela e Lisa estavam se mudando para a Itália. Niki tinha amado aquele
país desde que ela passou um ano estudando na Universidade de Gênova, como
estudante de intercâmbio. Lisa tinha sido forçada a estudar italiano desde a
tenra idade e, para não ser deixada para trás, Stella tinha se juntado nas aulas
particulares de sua prima. Assim, sem qualquer barreira linguística e com
alguns amigos íntimos de Niki esperando por elas, era o lugar perfeito para ir e
tentar reconstruir suas vidas.
Sentada no degrau mais alto da escada para que sua mãe não pudesse vê-
la, Stella enxugou as lágrimas e tentou se sentir feliz por elas. Elas partirem
era OK. Depois de tudo o que tinham passado, foi de alguma forma
reconfortante pensar que pelo menos duas delas estavam caminhando para
melhorar.
Niki saiu sem abraçar Helen. Ela nem sequer apertou sua mão ou algo
assim. Nada. Sua mãe conseguiu manter o controle até sua melhor amiga sair
pela porta, mas no momento em que ouviu o som suave da fechadura soar de
volta no lugar, ela caiu para trás no sofá e começou a chorar. Seus soluços eram
tão altos e em tanta quantidade, que ela não conseguia respirar.
Stella desceu correndo as escadas e abraçou o corpo frágil de sua mãe
com seus braços magros.
— Ssshh, tudo bem, mamãe, você ainda tem a mim. Podemos passar por
isso.
Um soluço ainda mais alto escapou dos lábios de Helen.
— Você está me ouvindo? Nós podemos fazer isso.
Stella não tinha certeza se ela estava tentando convencer sua mãe ou a si
mesma, mas isso não importa. Eram apenas as duas agora.
*
U)' se)'n' )'"s $'r#e...
Stella não estava preparada para ver Niki. Ainda não. Mesmo que ela
compreendesse as razões por trás de sua decisão e lhe desejasse sorte, Niki não
era a única que tinha perdido alguém que amava. Sua mãe havia perdido seu
marido e seu filho - e agora ela tinha perdido sua melhor amiga também. Stella
sabia que Helen ficaria bem com o tempo, sua mãe era uma pessoa forte e
nunca fugiu de suas responsabilidades e seus problemas. Sua filha era a única
coisa que lhe restava para viver agora, e Stella iria ter a maldita certeza de que
seria forte por ela.
Eles estavam caminhando para ficar OK.
Stella tinha certeza de que um dia ela seria capaz de perdoar Niki por
deixar a sua melhor amiga no pior momento de sua vida - mas não ainda.
No entanto, ela sentiria falta da sua melhor amiga loucamente.
— Oi — Stella disse quando Lisa abriu a porta. Sua prima sorriu
tristemente e afastou-se do limiar, convidando-a a entrar. As duas meninas se
abraçaram quando a porta se fechou atrás delas, e ficaram assim por um longo
tempo.
*
Q&'$r! 'n!s #ep!"s...
— Eu sinto muito — disse o médico, por trás de seus óculos sem aro.
Lágrimas caíam dos olhos de Helen, quando ela olhou para a filha. Stella
só tinha uma coisa em sua mente - o que sua mãe fez de tão ruim, para merecer
que seu marido e seu filho fossem mortos, e agora sua filha fosse diagnosticada
com câncer de fígado? Por que ela estava sendo punida de forma tão cruel?
Helen Quinn era a pessoa mais atenciosa, carinhosa, honesta, responsável e
compassiva da Terra. Como médica clinico geral, ela ajudava as pessoas a cada
dia, como mãe, amava e apoiava sua única filha restante em tudo o que fazia e
tinha ajudado as duas a conseguir colocar a vida de volta nos trilhos.
Até hoje, quase poderia ter dito que suas vidas eram boas. Elas haviam
aceitado e aprendido a lidar com as consequências do acidente, e se sentiam
quase normais. Stella tinha terminado o ensino médio e estava ansiosa pelo seu
ano sabático, e escolheria uma faculdade depois disso. Helen começou a sorrir
de novo, mesmo que houvesse uma sombra constante atrás de seus olhos azuis.
Elas saíam para jantar, iam na casa de amigos, ao cinema, e de vez em quando
— faziam fins de semana de meninas.
Há uma semana haviam descoberto que o motorista bêbado que tinha
esmagado o carro de seu pai e matou três pessoas, estava fora da prisão. Seu
veredicto foi uma piada para começar, mas isso era ridículo - ele tinha sido sido
condenado a pagar £ 2 mil libras de indenização e oito anos de prisão, mas
ficou apenas quatro. Aparentemente, isso era o quanto a vida de três pessoas
valiam - £ 2.000 libras e quatro anos em uma prisão de luxo, com TV, um
console de jogos, e um telefone celular ao alcance do braço.
Depois de ouvir sobre a liberdade antecipada do motorista, Helen tinha
se trancado em seu quarto e chorado por horas. Stella, por outro lado, estava
cega pela raiva. Ela fez algo que não a deixou orgulhosa, e agora ela estava
sendo punida por sua decisão.
— Há uma boa notícia, no entanto. — A voz quente do médico arrastou
Stella para longe de seus pensamentos sombrios. — Felizmente, descobrimos o
câncer numa fase muito precoce - o que significa que, se operar imediatamente
e fizer um acompanhamento com um ciclo de quimioterapia, você tem uma boa
chance de um resultado positivo, mocinha. Se pudermos remover tudo isso, há
uma boa chance de que ele não se espalhe para outros órgãos.
*
De9 )eses )'"s $'r#e...
— Feliz aniversário, querida! — Sua mãe abraçou-a com tanta força que
ela quase arrancou o soro gotejando de Stella em sua veia. Helen tinha trazido
um balão gigante, que flutuava atrás dela e alcançava quase toda a sala.
— Obrigada, mãe. E por falar nisso, estou fazendo dezenove anos, não
seis. — Ela olhou diretamente para o balão em forma de bolo de aniversário.
— Eu não me importo. — Helen beijou a sua bochecha e lhe entregou a
corda do balão, esperando totalmente não apenas Stella aceitá-lo, mas ficar
feliz com isso. A situação toda era tão ridícula que Stella não pode deixar de rir
- ela estava em um quarto de hospital se recuperando de sua segunda cirurgia
do fígado, enquanto sua mãe trouxe balões para celebrar o seu décimo nono
aniversário. Uma pessoa mais fraca poderia ficar deprimida por toda a situação,
mas não Stella. Ela sempre tentou encontrar escondido o positivo por trás de
toda as merdas da vida. Neste caso, ela tinha sua mãe com ela, ela ainda estava
viva, apesar de ter feito duas cirurgias no ano passado e, mais importante, ela
tinha um plano para os próximos meses. Um plano que ela havia
compartilhado apenas com Lisa.
Agora, tudo que Stella tinha a fazer era dar a notícia a sua mãe.
— Olhe, mamãe, eu preciso falar com você sobre algo. — Helen vincou
as sobrancelhas em uma linha preocupada.
— Não é nada ruim, eu prometo. É muito bom, na verdade. — Ela
sorriu e sua mãe relaxou e seguiu o exemplo. Reunindo toda a sua coragem,
Stella deixou escapar seu plano em uma única respiração: — Eu quero passar o
verão em Genova com Lisa.
Helen recuou como se a acertassem com um taco de baseball. Não era a
reação que Stella queria ver, mas era a que ela esperava.
— Antes que você discorde, deixe-me tentar convencê-la, ok?
Helen balançou a cabeça sem dizer uma palavra e Stella aproveitou o
choque momentâneo de sua mãe. — Eu estive dentro e fora de hospitais nos
últimos dez meses. Eu tive a metade do meu fígado retirado e, embora desta
vez os médicos estejam muito otimistas de que removeram todos os tumores,
eles não podem ter certeza. Em outros três meses, eles me querem aqui
novamente para um check-up e, se o câncer estiver de volta...
A voz de Stella tremia e ela fez uma pausa para se recompor. — Há uma
boa chance de que eu acabe na lista de espera de doadores.
Stella mordeu os lábios e deu a sua mãe a oportunidade de dizer alguma
coisa, mesmo que nenhuma dessas informações fosse nova para qualquer uma
delas. Quando Helen não falou, Stella continuou:
— Agora eu me sinto melhor do que me senti nos últimos meses. Eu sei
que a maldita coisa se foi, pelo menos nesse momento. Apesar disso, eu não
posso fazer planos para o futuro: ainda não. Eu preciso ir para algum lugar
onde ninguém me conhece, onde posso relaxar e talvez até mesmo esquecer
tudo isso por um tempo.
Ela fez um gesto em torno dela e sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto.
Merda, eu me prometi que não iria chorar.
— Em algum lugar que eu possa conhecer pessoas que não pensam em
mim como a garota que perdeu seu pai e seu irmão e que agora tem câncer. Eu
quero me divertir, mesmo que seja apenas por um par de meses.
Em algum momento, Helen começou a chorar também, fazendo Stella se
sentir incrivelmente mal. Ambas sabiam que tudo o que ela tinha dito era
verdade, mas perturbar sua mãe era como esfaquear seu próprio peito com uma
faca de cozinha.
— Ok — disse Helen, e até conseguiu dar um sorriso quando ela
apertou a mão de sua filha.
— Ok? É isso? Após esse discurso? — As duas riram através de suas
lágrimas, e Stella puxou sua mãe para um longo abraço.
— Tudo o que você falou é verdade, querida — sua mãe começou,
quando elas se separaram. — E eu acho que é uma ideia muito boa. Eu sei que
você queria ir há um longo tempo, mas não perguntou porque pensou que eu
iria ficar chateada. — Stella abriu a boca para protestar, mas Helen levantou a
palma da mão e a cortou. — Não tente negar. Você estava brava com Niki
quase tanto quanto eu. O que ela fez não foi justo - não apenas para mim, mas
para você e Lisa. Eu sei que você queria perdoá-la e visitar Lisa, mas você
sentiu como se você fosse me trair de alguma forma.
Como é que ela sabe exatamente como eu me sentia? Stella pensou e seus
olhos devem ter refletido a sua pergunta, porque Helen continuou:
— Eu sempre sei como você se sente, querida. Você é tão forte e tão
responsável. Se não fosse por você, eu não sei se eu poderia ter...
— Não, mamãe, por favor. Não vá por ai. — Helen fechou os olhos para
conseguir recuperar o controle de si mesma, antes que falasse.
— Você tem que perdoar Niki. Eu perdoei, há muito tempo atrás. Essa
era a sua maneira de lidar com a sua tragédia, assim como ficar em minha casa
e reconstruir a minha vida para nós duas era o meu caminho.
— Por que você não falou com ela, então?
— Eu não sei. Eu ainda não estou pronta, eu acho. E eu não sei onde sua
cabeça está. Tenho medo de chegar até ela e ela me afastar novamente. Tenho
medo de que eu seja um lembrete doloroso de seu passado, e talvez ela não
queira ser lembrada disso.
Stella assentiu, entendendo completamente o ponto de Helen. Era um
grande alívio saber que sua mãe tinha perdoado Niki; guardar rancor contra
alguém era um fardo enorme e Helen não precisa de qualquer peso extra
pressionando seu coração agora.
— De qualquer forma, sobre a sua viagem: Eu acho que é uma ideia
maravilhosa. Enquanto Niki estiver de acordo com ela, é claro. Você tem que
perguntar a ela. Se ela estiver bem com isso - eu estou.
— Você tem certeza? Você vai ficar bem aqui sozinha?
— Eu acho que vai ser bom. Acho que precisamos de um tempo
separadas, querida. Não leve a mal, mas nós estamos apoiando uma a outra há
tanto tempo, que talvez seja a hora de descobrir se podemos caminhar por
conta própria, por assim dizer.



1'pí $&(! U)

5 Estação de trem St Pancras
tinha cheiro de pastel fresco e café, e agora a assinatura do aroma doce e cítrico
de Helen. Este último dominando tudo, porque a mãe de Stella a estava
abraçando com tanta força, que ela achou difícil até respirar. Stella ansiava por
um gole do café mocha que estava segurando nos últimos 15 minutos, mas ela
não queria afastar sua mãe. Elas não ficaram separadas por um dia sequer
nesses últimos cinco anos, e era natural que Helen estivesse encontrando
dificuldades para deixar a filha ir.
— Tem certeza que é o que você precisa, querida? — Helen perguntou,
quando afastou do abraço.
— Sim, mamãe, eu tenho. — Stella tentou manter a calma e não apontar
que ela já havia respondido a essa pergunta três vezes nos últimos vinte
minutos.
— Você ainda pode mudar de ideia sobre os planos de viagem. É muito
mais fácil conseguir um voo...
— Eu não estou atrás do "mais fácil”“, mãe. — Stella interrompeu. —
Eu gostaria de aproveitar a viagem e curtir um pouco da bela paisagem
francesa e italiana. Eu não estou com pressa.
Eu preciso de tempo para tentar reprogramar meu cérebro em pensar
que está tudo bem, e tudo o que tenho que me preocupar é se eu usei bastante
protetor solar.
Helen balançou a cabeça quando o sistema de áudio tocou e uma voz
masculina entediada anunciou a última chamada para o trem Eurostar 14.03
para Paris.
— É melhor você ir, querida. — disse Helen e seus olhos brilhavam com
lágrimas. Os próprios olhos de Stella nublaram, e por um segundo ela se
perguntou se estava fazendo a coisa certa, deixando a mãe sozinha. Talvez seja
a hora de descobrir se podemos caminhar sozinhas - as palavras de sua mãe
ecoaram em sua cabeça e afugentou todas as dúvidas.
No momento em que Stella sentou-se em sua cadeira, ela cochilou. Esse
esgotamento repentino a sufocou, e ela, em primeiro lugar, por puro instinto,
pensou que era por causa do câncer. Mas depois, pensando racionalmente, ela
percebeu estava "tudo limpo" dentro dela há uma semana, e não sentia melhor
ou mais energizada há meses.
Não, não foi o câncer que a fez sentir como se houvesse um saco de
batatas pesando sobre o peito. Eram todas as emoções que Stella passou na
semana passada - o exame após a operação, receber a boa notícia, ver sua mãe
sorrir novamente, mas, em seguida, deixando-a sozinha.
Ela dormiu todo o caminho para Paris. Quando ela acordou, assim que o
trem parou na Gare du Nord, Stella não pôde deixar de sorrir. Metade do nó
que estava pesando no peito desapareceu e ela se sentiu animada e... feliz. Ela
enviou uma mensagem de texto a sua mãe para avisá-la que havia chegado a
França com segurança, Stella tirou a mala do trem e deu seu primeiro passo
independente.
E assim, num piscar de olhos, sua vida mudou para sempre.
Ela só não sabia disso ainda.
Eram cinco horas em Paris, e Stella tinha cerca de três horas antes que
precisasse embarcar no trem noturno Thello para o Milan. Saindo da estação
de trem pelas passarelas, ela caminhou até a Gare de Lyon, com mais de duas
horas para gastar.
Era um longo tempo para apenas sentar e esperar o trem, mas não o
suficiente para dar um passeio ao redor da cidade - especialmente porque ela
teria que puxar a mala atrás dela o tempo todo.
O que fazer? ela pensou, assim que seu estômago roncou e a lembrou que
não tinha comido nada desde a pastelaria em St Pancras.
Como uma paciente de câncer de fígado, Stella não era uma fã de fast
food, porque ela tinha que cuidar da sua dieta. Não, esqueça isso, ela não era
mais uma paciente com câncer de fígado. Nem era a garota que havia perdido
metade de sua família. Ela era Stella Quinn - prima e amiga de Lisa há muito
perdida. Pelo menos por dois meses.
Vamos tentar de novo - Stella Quinn não era uma fã de fast food, ou
qualquer comida não saudável. Não só porque ela tinha que cuidar de sua dieta,
mas porque ela amava boa comida. Sanduíches Fritos, malcheirosos, plásticos
não eram sua praia.
Olhando ao redor, ela esperava encontrar um lugar decente para sentar e
comer, mesmo que estivesse em uma estação de trem. E, sabe o que? - Logo à
sua direita havia um restaurante que parecia bastante promissor. Chegando
mais perto, Stella viu que se chamava Train Bleu e se parecia mais com o
Palácio de Versalhes do que um lugar para comer. A decoração era tão linda
que ela sorriu com prazer - só os franceses para ter um restaurante desses em
uma estação de trem!
Suportando os enormes lustres, tetos altos góticos e enormes desenhos
pintados à mão em todas as paredes fazia valer totalmente vale a pena. A
comida era requintada. Stella escolheu a refeição mais complicada para
pronunciar, apenas para observar a expressão esnobe do garçom, enquanto ela
lutava com as palavras. Fricasséee de Poulet à l”Ancienne era de fato um
bocado, mas acabou por ser tão delicioso que Stella prometeu lembrar do nome
e aprender a dizê-lo corretamente. Para a sobremesa, ela fez outra escolha
impronunciável - Croquembouche. Quando o garçom esnobe trouxe até a
mesa, Stella não podia acreditar em seus olhos. Era uma pirâmide de vidro de
profiteroles de caramelo em uma taça, dentro um fino líquido de caramelo
entrelaçava. Era tão lindo que Stella se sentiu mal por arruiná-lo - até que ela
pegou sua primeira mordida e passou os próximos 15 minutos sentindo o gosto
do paraíso na boca.
Assim que Stella foi pagar a conta, ela ouviu a primeira chamada para o
trem Thello para Milan. Naquele momento ela estava extremamente feliz por
ter decidido pegar o trem noturno, em vez do trem de alta velocidade TGV. O
trem com uma cama que ela tinha reservado parecia como o céu, após o jantar
que ela tinha acabado de desfrutar.
E foi. Stella trancou a porta da cabine, estendeu-se na cama e adormeceu
antes que o trem tivesse deixado Paris.
Quando ela acordou, eram 04:00hs. O trem estava se movendo a um
ritmo vagaroso e não havia nenhum outro ruído, exceto o suave “Choo-Choo”
dos trilhos. Abrindo as cortinas e olhando para fora da janela, Stella engasgou.
O sol não tinha nascido ainda, mas o brilho de seus primeiros raios estava
lançando uma luz exuberante sobre a paisagem. Ela não tinha certeza
exatamente onde estavam, mas o cenário era incrível - um viçoso vale rodeado
por montanhas, que pareciam tão majestosos como algo saído de um conto de
fadas.
Ela definitivamente não estava mais no Reino Unido.
Com esse entendimento, a última das suas preocupações e dúvidas
escaparam de seu peito e sua boca se espalhou em um sorriso preguiçoso que
cresceu mais e mais até que seu rosto começou a doer. E, mesmo assim, ela não
conseguia parar de sorrir.
Enquanto esperava o nascer do sol, os pensamentos de Stella deixaram
sua própria vida em casa, e flutuaram em direção a seu futuro pelos próximos
dois meses. Niki tinha cuidado muito bem dela e de Lisa. Usando parte do
dinheiro que ela havia adquirido do seguro de vida do marido, bem como a
venda de tudo o que possuía em Londres, Niki tinha comprado uma casa em
um bom bairro em Gênova, a uma curta distância do Corso e da praia. Com o
resto, ela montou seu próprio negócio quiroprático, que tinha sido muito bem
sucedida, e agora ela possuía um pequeno, mas luxuoso centro de SPA.
Niki tinha tentado fornecer tudo para Lisa, para fazê-la sentir-se segura e
inspirá-la a viver sua vida ao máximo, apesar de sua terrível perda. Durante os
últimos cinco anos, Stella e Lisa tinham estado em contato via e-mail ou Skype.
Sua prima parecia mais feliz e mais tranquila a medida que o tempo havia
passado. Ela também tinha ficado feliz por Stella conseguir colocar a sua vida
de volta nos trilhos, sem as medidas extremas que Niki tinha tomado para elas.
Apesar da distância, as duas meninas tinham permanecido próximas, e
Lisa era a única pessoa além de sua mãe que sabia sobre o câncer. Lembrou-se
tão claramente como ontem, do dia que deu a notícia, Lisa havia quebrado e
chorou. Precisou que Stella permanecesse calma e composta, garantindo a sua
prima que ia ficar bem, em vez do contrário.
A única coisa que Stella tinha pedido era que a informação permanecesse
entre as duas. Mesmo Niki não poderia saber. Lisa tinha dado sua palavra e fez
um voto imaginário de silêncio, que ambas deram risadas, através de suas
lágrimas.
Stella sentiu o calor no rosto e percebeu que o sol tinha subido até a
metade enquanto ela estava perdida em pensamentos. Era laranja brilhante e
suave, acordando o cenário onde o trem estava viajando. Ela lembrou-se de
Lisa e seu "período laranja" ela tinha ficado obcecada em encontrar "a sombra
laranja perfeita" para usar em um de seus quadros. Foram quatro meses de
experiências com cores, e quando ela ficou finalmente satisfeita com o
resultado, a sua alegria foi imensa.
A prima de Stella era uma artista extremamente talentosa, e não foi uma
surpresa para ninguém quando ela escolheu estudar História da Arte na
Universidade de Gênova. Ela tinha acabado de terminar seu primeiro ano e já
estava com muito mais responsabilidades do que uma garota normal de vinte
anos de idade. Reconhecendo seu talento, um de seus professores lhe oferecera
um estágio em sua galeria, assim como a deixou ajudá-lo em sua aula de arte.
Então, em vez de desfrutar o verão, Lisa estava presa em uma galeria na
maioria dos dias e em um estúdio de desenho na maioria das noites. Mas ela
adorava. O entusiasmo com que ela falou sobre sua escola e seus — empregos
— era contagiante, e Stella estava muito feliz por ela.
Lisa se sentia culpada que não seria capaz de ficar tanto tempo com sua
prima como ela desejava, por causa de seus compromissos. Stella a tinha
tranquilizado, e lhe disse que ela sempre tinha ficado muito bem por conta
própria. Elas iriam passar o máximo de tempo juntas quando Lisa pudesse, o
que era ótimo. No entanto, Lisa não tinha ficado contente com essa resposta e
prometeu apresentar Stella a todos os seus amigos mais próximos. As pobres
pessoas ficariam presas como sua babá, enquanto Lisa trabalhava. Nenhuma
objeção tinha sido autorizada e, conhecendo muito bem a teimosia de sua
prima, Stella decidiu poupar o fôlego.
Perdida em seus pensamentos, Stella nem sequer notou como o tempo
voou. Um minuto ela estava olhando para a bela paisagem, e no próximo
parecia que o trem estava parando na Estação central de Milão. O trem
InterCity de Gênova estava saindo em menos de uma hora, de acordo com o
itinerário de Stella. Ela teve tempo apenas o suficiente para esticar as pernas,
comprar uma xícara de café e achar seu último trem.
Deixar o trem com ar-condicionado e sair da plataforma Piazza do
Principe em Gênova foi um choque. O ar lá fora estava mais quente e mais
úmido do que o que ela estava acostumada, em qualquer época do ano. Mesmo
no verão, o clima de Londres não poderia comparar com nada perto desse
calor. Graças a Deus, Lisa tinha avisado a ela o quão quente seria, e a maioria
das roupas que Stella tinha embaladas eram vestidos de verão, shorts e tops.
Neste exato momento, ela ansiava por um short. O jeans que ela usava estavam
começando a derreter em suas pernas e ela tinha sérias dúvidas que seria capaz
de tirá-lo. Tirando o casaco, ela o pendurou na mala, Stella sentiu um pouco
melhor com sua camiseta, apesar de que isso não ajudou em nada com a
situação do jeans.
Ela chegou em Gênova ás 09:30 em ponto. Sentindo-se revigorada com o
forte macchiato duplo que tomou em Milão, e o fato de que ela havia chegado
ao seu destino com segurança, Stella puxou a mala para a saída mais próxima.
Ela pulou em um táxi, deu ao motorista o endereço e mandou uma mensagem
para sua mãe. A resposta veio quase que imediatamente e Stella tinha certeza
de que sua mãe não tinha dormido a noite toda, segurando seu telefone e
esperando a mensagem que sua filha chegou em segurança em Gênova.
Era isso. Ela estava aqui. Ela podia relaxar e se divertir.
J á era hora.






1'pí $&(! D!"s

:isa havia deixado a chave da sua casa
com os vizinhos, pois tanto ela como Niki estariam no trabalho quando Stella
chegasse. Ela havia sido instruída a bater na porta de Signora DeFiore,
apresentar-se e pegar a chave.
— Buon giorno, Signora DeFiore? — Stella começou, quando a porta do
vizinho se abriu e uma mulher bonita, de meia-idade sorriu calorosamente para
ela. Ela estava prestes a se apresentar e pedir a chave, foi envolvida em um
forte abraço pela signora, que beijou suas faces, duas vezes, e começou um
discurso de como estava contente em conhecer a prima de Lisa, enquanto a
conduzia para dentro e começava a colocar a mesa para o almoço. Stella foi
pega de surpresa, pois as boas vindas de um completo estranho não era algo
que os vizinhos fariam. Ou alguém em Londres, para ser bem sincera.
Uma hora, uma deliciosa refeição e duas xícaras de café depois, Stella saiu
da casa, segurando a chave na mão. Em circunstâncias diferentes, ela poderia
ter ficado irritada com a familiaridade da mulher, mas ela tinha sido tão sincera
em sua hospitalidade que Stella não podia sentir nada, exceto amparada.
Abrindo a porta da casa de Lisa e Niki, ela foi direto até a sala de estar. A
casa foi recentemente construída e era bastante moderna - a sala de estar era
enorme, decorada em tons pasteis, com muita luz que vinham das inúmeras
janelas. Stella puxou a mala para dentro e fechou a porta atrás dela. Na parede
oposta à sua esquerda havia uma enorme TV de tela plana montada na parede,
e na frente dela havia vários sofás, poltronas e pufes em diferentes formas e
tamanhos. Elas pareciam muito confortáveis e acolhedoras.
À direita estava a porta que dava para a cozinha - que estava aberta e
Stella podia ver os armários brancos e uma enorme mesa de jantar. Bem em
frente dela, no entanto, era o que ela estava mais interessada em ver - as
enormes portas francesas que conduziam ao jardim. Stella deu um passo nessa
direção e, adivinha? - Havia uma piscina, espreguiçadeiras e uma churrasqueira
lá fora. Virando-se, um pedaço de papel branco na mesa de café chamou a sua
atenção e ela foi pegá-lo. Era um bilhete de Lisa.
Be- !"n#$!
S"n%$- se e c$s$ - se& '&$r%( ) n( $n#$r #e c"$, $
se,&n#$ p(r%$ #( -$#( es'&er#(. .r,$n"/e $s s&$s c("s$s,
re-$0e, %(e & b$n1( - ( '&e '&"ser. Es%$re" #e !(-%$ e
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5.S. Esse c$r%$( S62 ) p$r$ !(c3. 7(-('&e e se& %e-ef(ne, e
e& %e -",( $ss" '&e p&#er.
8e $(!
9"s$
Stella colocou o cartão SIM no seu telefone e mandou uma mensagem
para sua mãe com seu novo número italiano. Depois, ela fez como instruído -
arrastou a mala até as escadas e encontrou seu quarto. Ele era bastante
espaçoso, com uma cama grande no meio. Havia também um enorme guarda-
roupa, uma mesa e um par de pufes espalhados. E o melhor de tudo - era uma
suíte. Stella sorriu e se jogou sobre a cama.
Uma hora mais tarde, ela tinha organizado suas coisas, tirado a calça
jeans, tomado um banho, usava um vestido amarelo e branco, e chinelos, e
ainda tinha três horas até que Lisa chegasse em casa. Ela se olhava no espelho,
enquanto tentava domar seu cabelo longo loiro-escuro em um rabo de cavalo,
Stella sentiu que não tinha estado tão bem há muito tempo. Ela estava radiante
de felicidade e havia paz em seus olhos cinzentos que não estavam lá apenas
um dia atrás.
O sol estava brilhando lá fora e não havia uma única nuvem no céu.
Como uma típica londrina, isso apenas a fez se sentir mal em ficar sentada
dentro de casa, quando o tempo estava tão bom, então ela pegou seu guia
turístico de Genova, e partiu para explorar a cidade por conta própria.
A Corso Italia era um passeio de dois quilômetros, e estava a dez minutos
a pé da casa de Lisa. Ele teceu paralelamente à praia as duas milhas, e Stella
pôde apreciar a paisagem à beira-mar à sua esquerda e à paisagem urbana, à
sua direita, enquanto caminhava. Genova era verdadeiramente uma linda
cidade, embora pudesse ser um pouco esmagadora a principio. A maioria dos
edifícios eram brilhantemente coloridos em laranja, vermelho, amarelo, azul e
verde, e a explosão de cores pode fazer sua cabeça girar. Stella tentou não
encarar as mulheres bronzeadas usando quase nada correndo, caminhando com
seus cães ou conversando animadamente entre si. Ou os homens bonitões em
shorts e alguns de patins passando por ela. Era um dia quente, em muitos
aspectos, e Stella parou em uma barraca de sorvete e comprou um sorvete para
tentar esfriar.
Chegando ao fim do Corso Italia, Stella decidiu fazer o caminho de volta,
mas desta vez ela queria caminhar pela praia. Estava muito quente, e ela
precisava desesperadamente de alguma brisa e água fresca para evitar o golpe
de calor. A súbita mudança de clima já estava cobrando um preço em seu
corpo.
Stella tirou os chinelos e desceu para o mar. Quando a primeira pequena
onda lavou até os tornozelos, ela gritou de alegria. Pena que ela não tinha
colocado seu biquíni sob o vestido - agora ela estava tentada a ir para a água
com roupas. Em vez disso, ela começou a caminhar ao longo da praia, curtindo
o sol, a areia debaixo dos seus pés, a água e a brisa refrescante. Havia tantas
pessoas - mulheres lindas em biquínis minúsculos, homens bronzeados com
abdômen tanquinho e encantadores sorrisos Italianos, crianças correndo por aí
gritando, os turistas em seus guarda-chuvas. Ela poderia avistar um turista em
um quilômetro - eles eram pálidos, escondendo-se sob a sombra de suas
sombrinhas ou chapéus de palha. Olhando para a sua própria pele pálida, ela
percebeu que era uma turista, também. Stella precisava fazer algo sobre isso, se
bronzeando o mais rápido possível. Seria sua missão ter um brilho dourado e
saudável em toda a sua pele em menos de duas semanas, para que ela não se
sentisse tão fora do lugar.
A buzina soou ao longe, e quando Stella virou em direção ao mar para
olhar o enorme navio que tinha produzido o som, seu olhar ficou fixo em uma
bela cena, a praia pitoresca empalidecia em comparação. Um salva-vidas saiu da
água, calção laranja preso às pernas e água pingando em cima dele. Ele
balançou a cabeça para se livrar de uma parte da água em seu cabelo e Stella
sentiu como se tudo começasse a acontecer em câmera lenta - pequenas gotas
de água deslizaram do pescoço para baixo pelo seu peito largo e braços
musculosos, ao longo de uma tatuagem do lado direito do seu ombro, e para
baixo, continuando em direção ao peito e o abdômen de tanquinho, finalmente
se perdendo na cintura de seu tronco. Uma parte de outra tatuagem espreitava
por cima do seu quadril esquerdo, a outra parte escondida debaixo delas. A pele
bronzeada dourada brilhava ao sol e movia com tanta graça, que uma pantera
seria considerada desajeitada ao lado dele.
Stella parada ali boquiaberta chamou a atenção do salva-vidas. No estilo
típico italiano, ele sorriu e piscou para ela, antes de continuar andando até a
praia e subir para seu posto. Stella sentiu a pele pálida queimar ruborizada, e
isso foi o suficiente para a sacudir de seu transe. Foi "momento Baywatch"
total e ela não podia resistir à tentação de olhar ao redor procurando qualquer
câmera. Ela não podia acreditar que algo assim poderia ter acontecido, sem que
ninguém registrasse para um filme ou pelo menos um comercial.
Reunindo o máximo de dignidade que conseguiu juntar em tais
circunstâncias, ela continuou sua caminhada, como se ela não tivesse olhado
para alguém por uns bons cinco minutos. Passando em frente de seu posto de
salva-vidas, ela não podia deixar de olhar para a criatura estilo deus. Ele
encontrou seus olhos com um sorriso diabólico no rosto. No entanto, em vez
de achá-lo arrogante, Stella achou que era sexy como o inferno.
O som do seu telefone a assustou e ela pulou, o coração batendo em seu
peito. Pegou do bolso de seu vestido, e sorriu antes de deslizou seu dedo para
cima para aceitar a chamada.
— Onde você está? Acabei de chegar em casa e você não está aqui, eu
olhei em todos os lugares! Você está bem? — Voz em pânico de Lisa soou do
outro lado.
— Eu estou bem, Lis. Não pude resistir em sair para fazer alguma
exploração - o clima é tão perfeito!
— Sim, ele soaria assim para um londrino, eu suponho. — Os dois riram.
— Onde você está?
— Na praia. Eu estava prestes a voltar.
— Ok, você pode encontrar sozinha o caminho de volta, ou você quer
que eu vá buscá-la ?
— A praia está há dez minutos a pé da sua casa, eu acho que eu posso
encontrar.
— Ok, se apresse. Eu mal posso esperar para te ver!
— Eu também. Vejo você daqui a pouco.
Desligando o telefone, Stella não conseguiu resistir em virar e dar uma
última olhada no salva-vidas. Para sua grande decepção, ele não estava lá.
Discretamente, ela esquadrinhou o mar e a praia, mas não podia vê-lo. Oh,
bem, será que ela imaginou a coisa toda? Ela era conhecida por devaneios. Para
certificar-se, ela fez uma nota mental para perguntar a Lisa quando fosse para a
praia amanhã.
Quando Stella entrou pela porta, Lisa a agarrou em um abraço de urso.
— Estou tão feliz por você estar aqui. — disse ela, com a voz abafada
contra o ombro de Stella.
— Eu também.
Dez minutos mais tarde, cada um delas sentou-se em um pufe com
limonada gelada na mão. Lisa falou sobre a universidade e seus empregos de
verão com grande entusiasmo. Ela também disse a Stella que mal podia esperar
para apresentá-la a seus amigos - ela tinha certeza de que eles iriam amá-la.
— Deixe-me avisá-lo sobre Max. — Lisa havia mencionado seu amigo
Max algumas vezes antes, e Stella se perguntava se havia algo mais do que
amizade entre eles, porque Lisa sempre falava com tanto carinho dele. Stella
levantou uma sobrancelha interrogativamente, esperando o discurso nós-
costumamos-ser-amigos-mas-somos-agora-amantes.
— Não, não, não é assim. Nós somos amigos.
Stella bufou em um "Sim, claro" de uma forma que Lisa ficou séria. —
Não é assim. Quando cheguei aqui, há cinco anos, eu tinha acabado de perder
tudo o que eu conhecia - o meu pai, a casa em que eu cresci, minha melhor
amiga... Minha mãe achava que eu precisava falar com alguém e me enviou a
este grupo de apoio. Foi aí que eu conheci Max. Seu pai tinha morrido dois
anos antes e ele estava finalmente tentando lidar com isso.
— Encontramos apoio um no outro. Nunca houve qualquer atração
física entre nós e nunca haverá. Mas eu posso dizer honestamente, além de
você, ele é meu melhor amigo.
Stella assentiu com a cabeça, tentando não voltar a esse tempo, há cinco
anos.
— Mas, tanto quanto eu o amo, ele é um terrível paquerador. Então,
estou avisando - ele vai tentar encantá-la no início, mas uma vez que você
passe por isso, verá que ele é um grande cara.
Stella sorriu, sem saber o que dizer.
— Além disso, há a irmã Gia, que é uma chef incrível e trabalha neste
restaurante muito chique. Ela prometeu cozinhar para nós quando tiver uma
noite de folga. Ah, e Beppe - ele é amigo de Max desde a escola. Ele pode ser
um pouco intimidante para pessoas que não o conhecem bem, mas eu tenho
certeza que você vai adorá-lo.
— Soa como um bom público. — disse Stella, já impaciente para
conhecê-los.
Elas conversaram por horas sobre tudo e qualquer coisa, mas parecia que
se passaram apenas alguns minutos, quando Niki entrou pela porta. Ao ver
Stella, um enorme sorriso apareceu em seu rosto e ela abriu os braços. Stella
abraçou sua tia e derreteu em seu abraço, afastando todas as dúvidas sobre a
vinda dela aqui. Era definitivamente a coisa certa a ser feita.
— Isso está incrível, tia Niki. Você que fez isso? — Stella perguntou,
quando provou o melhor tiramisu do mundo.
— Sim, ontem à noite. — Sua tia brilhou positivamente com satisfação, e
as meninas terminaram a sobremesa em tempo recorde.
Lisa sempre pareceu sua mãe, mas agora, cinco anos depois que Stella a
tinha visto pela última vez juntos, elas eram como gêmeas. O clima italiano,
obviamente, teve um grande efeito sobre sua tia, porque ela nunca tinha
parecido assim - sua pele estava levemente bronzeada e brilhava com saúde,
seus olhos verdes tinham o brilho travesso que Stella se lembrava de sua
infância, e seu corpo estava magro e tonificado. A única diferença entre mãe e
filha era que o cabelo loiro de Lisa estava longo e ondulado, enquanto Niki
mantinha o dela elegantemente logo abaixo das orelhas.
Elas estavam tão ocupadas comendo a deliciosa refeição que Niki tinha
preparado, que Stella tinha esquecido de lhes contar sobre “o” salva-vidas.
— Eu fui para a praia hoje, e Lisa, nós temos que voltar amanhã! Havia
esse incrível salva-vidas - ele devia ser de outro mundo, tão quente! Eu não
podia acreditar nos meus olhos... — Tanto Niki como Lisa caíram na
gargalhada e Stella olhou para elas com curiosidade. — O quê foi?
— Oh, querida, além do cenário, alimentação e clima, a outra coisa que
você vai encontrar "de outro mundo aqui" — Niki fez aspas no ar com os dedos
— são os homens. Eles são muito carismáticos. E bonitos. Mas cuidado, eles
são muito charmosos até que consigam o que querem de você, mas não espere
um relacionamento.
Stella tinha esquecido como fácil era falar com sua tia - ela poderia
conversar com ela sobre qualquer coisa, sem se sentir desconfortável.
— Não se preocupe, tia Niki. Eu também estou apenas procurando
diversão. — Ela piscou para ela e as três riram.
Depois do jantar, Lisa se desculpou porque tinha que terminar uma
pintura para sua aula no dia seguinte, e Stella ficou na cozinha para ajudar a
sua tia com os pratos.
— Estou tão feliz que você finalmente decidiu nos visitar, querida. — ela
disse calorosamente, mas havia tristeza em seus olhos.
— Eu também. É maravilhoso aqui.
Elas ficaram em silêncio por um longo tempo, antes de Niki falar
novamente.
— Eu queria chamá-la, você sabe... — ela começou, mas sua voz tremia e
ela não terminou a frase.
— Ela queria chamá-la, também.
Quando falou isso, lágrimas derramavam dos olhos de Niki e ela as
afastou com as costas da mão.
— Ela já te perdoou.
Niki exalou um profundo suspiro e assentiu. — Ela sempre foi uma
pessoa melhor.
— Não é sobre isso, tia Niki. Todo mundo lida com a tragédia de forma
diferente. Minha mãe queria ficar na casa dela, precisamente porque tinha
tantas lembranças. Você queria ficar longe - esse era o seu caminho. Não se
sinta culpada que você fez o que tinha que fazer para você e sua filha.
Niki ainda estava chorando em silêncio e não respondeu.
— O importante é que nós - estamos quase de volta ao normal agora.
Nós nunca vamos voltar a ser as mesmas pessoas que éramos, mas
conseguimos reconstituir as nossas vidas. Nós não desmoronamos.
— Quando você ficou tão inteligente e madura? — perguntou Niki, em
meio às lágrimas.
Quando eu tive que lidar com a perda de meu pai e meu irmão, assim
como o câncer. Isso faz isso com uma pessoa.
Em vez disso, ela disse: — Quando você estiver pronta, ligue para ela.
Veja o que acontece.
Niki assentiu, enquanto Stella a abraçou. Ficaram assim mais tempo do
que o necessário, precisando do apoio uma da outra.
— Então, os pratos estão em ordem. Onde é o estúdio de Lisa? Eu
adoraria ver seus quadros. — disse Stella, para quebrar a tensão e mudar de
assunto.
— Eu tenho medo que você não possa. Ela é muito discreta sobre isso,
ninguém está autorizado a entrar - nem mesmo eu.
— Você nunca viu nenhum dos seus quadros?
— Oh, eu vi. Os que ela escolhe me mostrar. Venha, eu vou te mostrar,
eu tenho todos eles guardados.
Stella tinha acabado de falar com sua mãe no Skype, quando houve uma
batida suave na porta de seu quarto.
— Entre.
— Oi — Lisa escorregou, já de pijama, e sentou-se na cama ao lado de
sua prima.
— Eu vi algumas de suas pinturas. Elas são incríveis, Lis. Eu não posso
acreditar o quão talentosa você é.
Lisa sorriu e acenou com a cabeça, mas não disse nada. O que, como bem
sabe Stella, significava que ela não queria discutir mais isso.
O inferno que ela não iria.
— Então, o que há com esse seu estúdio super-secreto?
— Não é super-secreto, eu só não gosto que ninguém veja o que eu
estou trabalhando antes de eu terminar, e ficar satisfeita com o resultado.
Isso soou muito razoável e convincente. O problema era que Stella não
acreditava que essa era a única razão, porque simplesmente não era típico de
Lisa manter segredos. Sim, ela era mal-humorada e tendia a cair em seu
próprio mundo, às vezes, mas ela era uma artista. Isso vinha com esse dom.
Suspirando, Stella decidiu deixar isso quieto por agora. Afinal, era a sua
primeira noite juntas.
— Você se importaria se eu ficasse aqui esta noite? — perguntou Lisa.
— Claro que não. — disse Stella, e abriu espaço na outra ponta da cama.
— É que amanhã de manhã eu tenho que estar na galeria, e não vou
conseguir vê-la até o final da tarde. — Ela parecia culpada e em conflito - era
óbvio que Lisa amava o que fazia, mas ao mesmo tempo ela se sentia mal por
não gastar cada segundo com Stella, já que elas não se viam há cinco anos. Mas
essa não era a única razão, Stella suspeitava que sua prima também estava
preocupada com ela por causa de sua doença.
— Não se preocupe, Lis. Eu não espero que você largue tudo por minha
causa. Eu vou ficar bem? Eu vou fazer uma corrida na praia pela manhã e, em
seguida, eu devo dar um passeio ao redor da cidade.
Quando Lisa não disse nada, Stella continuou: — Eu estou bem. Eu não
me sinto tão bem há meses. Estou muito feliz por estar aqui. Eu vou me
divertir muito neste verão. Então pare de se sentir mal por isso - eu estou bem,
apenas abandonada. — Isso fez com que Lisa desse uma risada, assim como
Stella havia previsto.
— Ok. Mas à tarde, quando eu voltar, eu convidei todos para conhecê-la.
— Parece ótimo.
Elas conversaram até o meio da noite, tentando dormir várias vezes, mas
incapazes de deixar a companhia uma da outra. No final, Lisa não conseguia
manter os olhos abertos por mais tempo e adormeceu, enquanto Stella falava
sobre sua obsessão com True Blood.
Logo, ela também adormeceu, sorrindo para a visão do verão
maravilhoso pela frente. A última coisa que veio em sua mente antes que ela
perdesse o pensamento consciente, foi a de um salva-vidas quente.
Eu gostaria de poder vê-lo novamente. Apenas uma vez.











1'pí $&(! ;r+s

Genova na parte da manhã era de tirar
o fôlego. Apesar da temperatura, o calor não pressionou seu corpo como um
aspirador gigante. O ar era fresco e cheirava a sal, mar, café e qualquer outra
coisa que Stella não conseguiu identificar. Algo exclusivo desta cidade.
Estava relativamente calmo, muitas pessoas não estavam nas ruas ainda.
Mesmo que já passasse das oito horas, as ruas estavam começando a acordar.
Lisa tinha dito a ela que os italianos não eram madrugadores, a menos que
fosse absolutamente necessário. Eles preferiam dormir até tarde no período da
manhã e trabalhar até tarde a noite. Que era muito adequado a Stella - que não
gostava de acordar cedo, mas achava difícil encaixar sua corrida diária durante
qualquer outra hora do dia. Se manter tão saudável quanto possível era sua
prioridade, e que a levou para fora de sua cama quente na parte da manhã.
Correr em Londres era uma tarefa árdua. Correr em Gênova - nem tanto.
Na verdade, nem um pouco. Stella não precisava nem dos seus fones de ouvido
para encher a cabeça com a música e silenciar todos os outros ruídos, porque o
ruído aqui era maravilhoso. Ela chegou à praia e não conseguia imaginar nada
mais perfeito - a areia era sedosa e limpa, a água espumante sob o sol e, melhor
de tudo - não havia ninguém ao redor. Tirando os sapatos, ela os escondeu
debaixo de um banco, esperando que ninguém fosse roubá-los ou jogá-los fora,
e caminhou com os pés descalços na direção do mar.
Depois de alguns alongamentos leves, Stella começou um movimento
suave para aquecer os músculos. Ela não conseguia tirar o sorriso do rosto -
como podia ser tão perfeito? Em poucos minutos, ela pegou o ritmo até que
estava correndo a uma velocidade confortável - não muito lento, mas não tão
rápido a ponto de deixá-la sem fôlego. Ela nunca se preocupou com relógios e
pedômetros, então ela não sabia qual era sua velocidade exatamente, ou quanto
tempo ela corria cada dia. Ela simplesmente fazia isso até sentir que era o
suficiente.
Olhando em volta, Stella não viu ninguém na frente ou atrás dela, então
ela decidiu que poderia brincar um pouco. Ela mal podia esperar para saltar na
água - por isso foi o que ela fez. Ela perseguiu as ondas, chutou o mar, espirrou
água em sua legging e camiseta, ao mesmo tempo tentando manter-se
malhando.
Isso é incrível! Stella pensava.
Ela não se sentia tão feliz em um longo, longo tempo.
Por alguma razão, seu cérebro associou a palavra "feliz" com seu salva-
vidas, que era como ela pensava nele agora, e a visão dele saindo da água
ofuscou os seus outros pensamentos. Sacudindo a cabeça e tentando ficar
focada no seu treino, Stella respirou fundo e continuou a movimentar-se ao
longo da costa, mantendo uma linha reta e não se distraindo com as ondas.
Principalmente.
Foi quando ela o viu. Seu salva-vidas. Correndo. Vindo direto em sua
direção.
Sua primeira reação foi de pânico. Tinha sonhado com ele e orou para vê-
lo novamente. Mas agora que ele estava bem na sua frente, ela não tinha
certeza de que era uma boa ideia.
Ele estava com um short preto e nada mais. Os músculos de seu peito,
braços e ombros flexionados a cada passo que dava. A tatuagem em seu quadril
se movia em sincronia com o seu corpo e, naquele momento, tudo que Stella
queria fazer era puxar o calção para baixo e explorá-lo. Com sua boca.
Quanto mais se aproximava, mais nervosa ela ficava, seu estômago
parecia estar revirando, e ela estava se sentindo prestes a explodir. Percebendo
que o estava encarando de boca aberta - mais uma vez - Stella tentou apertar
os lábios, porque ele estava a poucos metros de distância agora.
Dor aguda perfurou seu pé direito e ela caiu em agonia. Não prestando
atenção por onde estava correndo, ela tinha pisado direito em uma enorme
concha quebrada. Era tão afiada como uma lâmina, e tinha cortado seu pé
direito. O sangue começou a correr pela areia, enquanto Stella tentava
espremer a ferida e reduzir o sangramento.
— Stai bene? — Stella ouviu sua voz ao lado de sua orelha e aqueceu o
sangue em suas veias como um gole de uísque vinte e cinco anos. Ele estava
ajoelhado em frente a ela com uma expressão preocupada em seu rosto perfeito.
Como uma completa idiota, ela estava sem palavras. Seus olhos castanhos
olhando diretamente para ela, a poucos centímetros de seu rosto, as manchas
de ouro neles brilhando ao sol. Suas sobrancelhas escuras erguidas em
preocupação, e ela apenas ficou lá, olhando para ele, segurando o pé sangrando
e sem dizer nada. Todas as palavras tinham deixado seu cérebro. Ela não
conseguia sequer lembrar como dizer "Olá" em italiano, e muito menos
qualquer outra coisa. Que bom isso, ela sempre podia culpar a dor mais tarde.
— Eu acho que eu cortei meu pé na concha. — ela apontou para a
concha ofensiva.
— Deixe-me ver. — disse o salva-vidas, em um perfeito Inglês, apenas a
leve cadência de suas palavras dizendo que ele era italiano.
Stella nunca tinha ouvido nada mais sexy.
Ela tirou a mão do corte e o sangue correu livremente na areia. Sua
expressão não dizia nada, enquanto ele examinava seu pé. Stella não poderia se
importar menos sobre seu pé estúpido. Ele tinha um cheiro incrível, e sua
proximidade nublava todos os seus outros sentidos, incluindo a percepção da
dor. Sem aviso, ele tocou perto da ferida e a resposta de seu corpo idiota foi ir
para trás e soltar um suspiro.
— Desculpe. — disse ele, se desculpando com aqueles olhos amendoados
incríveis. Stella não podia se mover, respirar ou pensar.
O que há de errado comigo?
— Você está com sorte hoje. — disse ele, os lábios espalhando em um
sorriso preguiçoso. O coração de Stella parou. Na verdade, se recusou a bater
por alguns segundos. Seu sorriso era o epítome de charme - os incisivos
superiores e caninos eram maiores do que seus outros dentes, mas a
irregularidade do seu sorriso só tornou mais atraente.
— Eu sou um salva-vidas nessa praia, e meu posto é logo ali. — disse
ele, apontando para a direita, os músculos ao longo de seu braço roubando a
atenção de Stella.
Então, ele não se lembra de mim de ontem. Claro que ele não se lembra.
Ele provavelmente tem meninas olhando para ele o tempo todo.
Mas ainda doía um pouco.
— Eu tenho um kit de primeiros socorros, e vou até lá para pegá-lo,
para que possamos fazer um curativo aqui, Ok?
Stella assentiu e, estendendo seu corpo completamente ereto, o salva-
vidas caminhou em direção ao seu posto. Tudo o que ela podia fazer era olhar
boquiaberta para ele, desfrutando plenamente de sua traseira. Os músculos em
suas costas nuas flexionavam sob sua pele e a graça com que ele se movia
surpreendeu Stella novamente. Ele deve ter pelo menos 1.83m, e um homem de
seu tamanho e largura não deveria se mover tão suavemente. Sem esforço.
Naquele momento, Stella estava agradecida pelo seu corte. A vida te traz
felicidade de maneiras inesperadas. Se ela não tivesse pisado naquela concha,
eles teriam passado direto um pelo outro, provavelmente nunca se encontrando
novamente. Seu pé iria se curar em um dia ou dois, mas a sua voz sexy e toque
quente iria ficar com ela para sempre.
*
— Ok, me dê seu pé. Eu tenho que limpar a ferida antes de colocar um
curativo. — Ele se ajoelhou na frente dela novamente, e Stella estendeu o pé
em seu colo. Sua pele era macia sob seus dedos e, inesperadamente, ele desejava
que pudesse tocar mais dela. Deitada na areia apoiada sobre os cotovelos, com
as pernas finas estendidas para ele, ela era linda. Seu cabelo comprido estava
preso em um rabo de cavalo e seu rosto estava limpo, sem qualquer
maquiagem. Muito sexy. Seus enormes olhos cinzentos olhavam para ele, em
chamas.
— Isso vai arder. — Ela assentiu com a cabeça e ele derramou um pouco
de água oxigenada para limpar a areia e sangue restante e esterilizar a ferida.
Um silvo escapou por entre os dentes cerrados, enquanto sua cabeça caiu
para trás, arqueando suas costas, e sua barriga flexionando sob sua camiseta.
Ele sabia que ela estava com dor, mas a vista diante dele era tão quente, que o
short de repente se tornou mais apertado na frente.
Deus, eu espero que ela não perceba, ou ela pode pensar que eu sou
algum tipo de pervertido, que tem tesão com dor.
Ele não sabia por que importava o que ela pensava dele, mas importava.
Felizmente, ele usava o calção preto hoje e a cor cobriria qualquer evidência de
quanto exatamente ele gostava dela. Pelo menos ele espera.
Após o corte estar limpo, ele enfaixou e a ajudou a se levantar. O topo de
sua cabeça batia logo abaixo da clavícula, e ele não pôde deixar de se perguntar
qual seria a sensação dos seus lábios lá.
— Grazie. — disse ela e sorriu. Se ele já não estivesse completamente
encantado com ela até agora, seu sorriso o cativaria completamente. Ele
imediatamente atingia os olhos e todo o seu rosto se iluminava. Ele tinha a
sensação de que a conhecia de algum lugar, mas era improvável. Era óbvio que
ela não era local, e não estava aqui há muito tempo, a julgar pela sua pele
pálida.
— Se cuide. — disse ele, se virando e correndo na direção oposta. Ele
tinha a sensação incômoda de que talvez deveria ter perguntado o seu número.
Ou pelo menos o nome dela. Mas o que ela pensaria de alguém que a ajudou e
depois daria em cima dela? Ele não ia abusar da situação e viver de acordo com
a reputação dos homens italianos. — Pelo menos, não agora. Mas se ele a
encontrasse mais uma vez, que Deus o ajudasse, ele ia fazer muito mais do que
perguntar o seu nome.
*
Se cuide? Se cuide? Era isso?
Stella estava muito aturdida para reagir, mas mesmo se ela não estivesse:
o que ela deveria fazer? Correr atrás dele? Ela tinha mais orgulho do que isso!
Sim, certo. É por isso que o estava cobiçando como se ele fosse um
pedaço de bolo de chocolate e só quisesse lamber o glacê.
Talvez fosse por isso que ele literalmente fugiu - ele ficou chocado. Tudo
o que ele fez foi ajudar uma estranho em necessidade e a estranha olhava para
ele de boca aberta, com um sorriso babando.
"Em minha defesa, como eu não poderia? Eu nunca conheci um homem
que tinha tal efeito em mim. Eu não sei seu nome, mas eu estava pronta para
quebrar minhas pernas em volta de sua cintura. Num piscar de olhos".
Sacudindo a cabeça, Stella mancou de volta para seus sapatos. Ela não ia
ser capaz de correr por alguns dias, o que significava que ela não iria ter a
chance de vê-lo novamente. Pelo lado positivo, ela sabia onde era seu posto e
iria tomar sol na praia até que ele aparecesse. Ela ia falar com ele novamente,
mesmo que tivesse que fingir seu próprio afogamento e ele fosse obrigado a
salvá-la. Novamente.
Quando Stella chegou em casa, sentia-se exausta demais para fazer
qualquer coisa - ela tinha dormido apenas algumas horas na noite passada e
depois de todos os acontecimentos da manhã, os seus níveis de energia estavam
perigosamente baixos. Tudo o que ela conseguiu foi tomar um café da manhã
leve e um chuveiro, antes que ela entrasse em colapso na sua cama.
Ela deve ter dormido por umas duas horas, quando ouviu uma batida na
porta.
— Entre.
— Hey. Você está bem? Por que você está na cama? — Lisa estava
preocupada, e demonstrou em todos os seus movimentos enquanto se sentava
na cama.
— Eu estou bem.
— Você tem certeza? — Stella apreciava a preocupação de sua prima,
mas ela sabia o que ela tentava dizer - ela pensava que estava na cama por
causa de sua doença.
— Eu amo você demais, Lis, mas se você não parar de me tratar como se
eu estivesse morrendo, eu vou te estrangular.
— Desculpe — disse Lisa, e um sorriso se espalhou em seus lábios. — O
que você fez hoje?
Stella jogou as cobertas para longe de seu corpo e balançou as pernas ao
lado da cama, enquanto pensava exatamente qual a frase que poderia começar
sobre os eventos de hoje, sem que sua prima surtasse.
— Por que o seu pé está enfaixado? — Lisa gritou.
Tarde demais para esse plano.
— Eu vou te dizer se você prometer manter a calma. — Lisa murmurou
algo como — Desculpe. — de modo que Stella continuou: — Eu sai para uma
corrida com os pés descalços na praia. Eu não estava prestando atenção para
onde estava indo e pisei em uma concha de mexilhão quebrada.
— OK... Como você chegou em casa, toda sangrando?
— Eu não cheguei. — Lisa parecia confusa e Stella sabia que era hora de
confessar toda a história. — Eu não estava prestando atenção, porque todas as
minhas células cerebrais estavam focados no cara que estava correndo em
minha direção. Era o salva-vidas que eu te falei ontem. Ele estava de folga e
saiu para uma corrida, e eu não podia acreditar na minha sorte quando o vi. E
então eu cortei meu pé. Ele veio me ajudar, levou um kit de primeiros socorros
para fora de seu posto e me enfaixou.
— Por que você está sorrindo? Isso é horrível!
— Horrível? Eu nunca fui mais grata por um dano acidental corporal
em minha vida.
Stella riu e logo Lisa seguiu o exemplo. Relaxada, ela perguntou:
— E então o que aconteceu?
— Nada. Ele me ajudou a levantar, disse, e cito literalmente — Se cuide
— e saiu. Eu nem sequer sei o nome dele.
— Hmmm, isso é estranho.
— É... Pensei que ele estava ofendido porque eu estava cobiçando-o...
— Certo, porque os homens odeiam isso. — Lisa revirou os olhos.
— Não, eu estou falando sério. Ele é tão perfeito que eu não conseguia
me conter. Eu nunca, nunca, encontrei alguém que me fez sentir desse jeito.
— Você sabe o quê? Você veio aqui para se divertir, você merece um
caso de verão. Quanto mais quente - melhor.
— Exatamente meus pensamentos.
— Qual é o plano? — Perguntou Lisa, com um sorriso travesso.
— Eu sei onde ele trabalha. Amanhã vamos a praia e eu vou agradecê-lo
por "me salvar". No menor biquíni que tiver.
— Perfeito. Eu não vou trabalhar amanhã, por isso temos um programa.
Agora, tire o seu rabo alegre desta cama e prepare-se. Todo mundo está
chegando em cerca de meia hora.
Lisa preparou tudo e se recusou até mesmo a deixar Stella em qualquer
lugar perto da cozinha. Ela foi instruída a pegar uma bebida gelada e sentar a
bunda na piscina.
— Posso pelo menos começar o churrasco? Eu posso ver que você tem
carne suficiente para alimentar uma pequena aldeia chinesa.
— Não, isso é coisa de Max. Você sabe, homens e churrascos. — disse
Lisa, revirando os olhos. Ela colocou a carne e os vegetais em recipientes de
plástico perto da churrasqueira. Então, ela trouxe um enorme prato de salada e
um jarro cheio de limonada gelada, seguido por um jarro de Prosecco e um
prato de petiscos. Colocando tudo em cima da mesa, ela se jogou na
espreguiçadeira ao lado de Stella. Como se ouvisse a sugestão, a campainha
tocou.
Lisa foi abrir a porta, e um minuto depois vozes alegres encheram a casa.
Stella não pôde deixar de sorrir - tempo quente, churrasco à beira da piscina,
Lisa e seus amigos. A vida era boa.
De repente, ela teve um flashback da última vez que ela tinha pensado
que sua vida era perfeita - logo antes da ligação sobre o acidente de carro que
matou seu pai e Eric. Stella esperava agora a sua sorte não virasse, só porque
ela estava grata pelo que tinha.
Virando a cabeça para as portas francesas, ela percebeu que sua sorte
havia definitivamente virado. Para melhor.
Porque, dando o seu primeiro passo para o jardim, estava o seu salva-
vidas.
1'pí $&(! Q&'$r!

Seus olhos bateram nela direto, e em
um par de segundos, sua expressão mudou várias vezes - surpresa,
entendimento e prazer. Os cantos de sua boca subiram naquele sorriso sexy, e
ele sorriu para ela.
Graças a Deus, Stella estava sentada, ou seus joelhos teriam dobrado.
Como era mesmo possível uma única pessoa possuir tanto charme? Ele
caminhou em sua direção, sua arrogância perfeitamente acentuada por sua
calça jeans desbotada e camiseta preta. Seus olhos brilhavam perigosamente
quando ele se sentou na extremidade inferior de sua espreguiçadeira e disse:
— Algo que eu deveria ter dito esta manhã... — Stella piscou, incapaz de
formar palavras - mais uma vez. — Oi, eu sou Max.
Nããão, não, não, não, não!
— Max? Max da Lisa?
Eu não posso acreditar nisso!
— Então, você já ouviu falar sobre mim.
Sim, eu ouvi falar de você - você é o melhor amigo da minha melhor
amiga! Você é provavelmente o único homem em Genova, se vacilar, em toda a
Itália, que eu não posso ter. Você é a única pessoa que eu não posso ter a minha
quente e sexy aventura de verão... e é a única pessoa que eu quero ter a minha
aventura quente e sexy de verão!
Isso era um desastre.
O sangue quente correu pelas bochechas de Stella, enquanto ela se
lembrava de tudo que contou a Lisa. Quando ela descobrisse que seu salva-
vidas era Max, ela ia surtar. Stella sabia que sua prima nunca ficaria bem com
alguém usando um dos seus amigos mais íntimos para um pouco de diversão de
verão. Mesmo que essa pessoa fosse uma de suas amigas mais próximas.
— Sim, eu ouvi sobre você. — eu disse. Tudo ia dar certo. Ela estava
caminhando para fingir que não o achava incrivelmente atraente e tentaria ser
amiga dele.
— Tudo o que ela lhe disse, eu garanto que a realidade é ainda melhor.
— ele disse, e sorriu.
Bom plano, Stella, bom plano. Agora tente cumpri-lo.
*
Quando Max a viu, ele não podia acreditar na sua sorte. Ele não tinha
parado de pensar nela o dia todo. Ele sabia que ela o lembrava de alguém -
havia uma foto na sala dela junto com Lisa. Ela tinha uns doze anos quando foi
tirada, por isso que ele não lembrou de imediato.
Stella. O nome dela era Stella - prima de Lisa.
Ela definitivamente parecia desconfortável com a sua paquera e Max não
podia deixar de achar isso adorável. Não são muitas as meninas hoje em dia
que tentam se esquivar de seu flerte.
— Max, pare de importunar Stella. — Lisa disse quando saiu, seguida
por sua irmã e Beppe.
— Eu não estou incomodando, eu só estou checando minha paciente.
Stella fechou os olhos e corou.
Uau, ela deve ter dito a Lisa sobre mim, pensou Max.
A julgar pela expressão quase cômica de surpresa da sua amiga, ela tinha.
E era suculento - as meninas trocaram um olhar que falava alto.
— Será que essa é sua mais recente frase de flerte? — perguntou Beppe
e caminhou em sua direção, parando em frente de Stella e teatralmente
beijando-lhe a mão. — Não perca seu tempo com esse perdedor, belíssima.
Stella riu, para deleite do Beppe. Ele ainda estava segurando a mão dela.
Ela não afastou dela, mas sustentou o olhar, seus lábios se separando, enquanto
ela lambia-os com a ponta da língua. Max sabia que as mulheres reagiram
dessa maneira com Beppe - seu amigo era alto, magro e tinha essa perigosa
vibração de bad boy. Seu rosto perfeitamente simétrico, olhos escuros,
piercings e tatuagens também ajudava a atrair as mulheres. Agora, no entanto,
Beppe precisava afastar-se de Stella, ou Max iria obrigá-lo a fazer.
— Cai fora, cara. Isso é entre médico e paciente. Na verdade, eu acho
que devemos ir para algum lugar mais calmo para examiná-la adequadamente.
Stella desviou os olhos de Beppe e soltou a sua mão. Concentrando sua
atenção de volta para Max, ela mordeu o lábio para abafar uma risada.
— Não há necessidade, mas obrigada. Eu estou bem.
Para provar seu ponto, ela passou as pernas pela espreguiçadeira e
levantou-se, pisando em seu pé machucado. Não foi uma boa ideia. Max a viu
estremecer de dor e perder o equilíbrio. Felizmente, ele estava de pé no
momento em que ela se levantou, e apoiou seu peso, circulando sua cintura com
os braços. Ela ficou tensa sob seu toque e sua respiração parou.
— Você tem certeza sobre exame? — Max sussurrou em seu ouvido,
quando ele a soltou e ela apoiou seu peso sobre o outro pé. Stella exalou alto,
as pupilas dilatadas e ela corou quando olhou para ele.
— Absoluta.
Suas palavras diziam uma coisa, mas seu corpo tinha uma opinião
completamente diferente. Max gostava disso. Ele não conseguia se lembrar
quando foi a última vez, se é que teve alguma vez, que uma menina tinha esse
tipo de reação apenas em estar perto dele. Claro, ele não carecia de atenção
feminina, mas não era nada assim.
Nada tão sincero.
— Não se preocupe com eles, Stella. Eles são idiotas. — disse Gia
quando veio resgatar Stella. — Eu sou Gia, a irmão do idiota número um. —
Stella sorriu para ela, quando seu irmão a abraçou e beijou ambas as bochechas.
— Venha, deixe-os fazendo seu churrasco. Vamos conseguir uma bebida.
E ela a levou embora.
*
Gia era quase uma cópia exata de Max - uma versão feminina de sua
perfeição. Seu cabelo escuro era comprido e ondulado, e Stella pensou que era
como o de Max ficaria, se ele não o cortasse curto. Seu rosto era um grande
exemplo de simetria perfeita - o nariz reto, maçãs do rosto salientes, boca cheia
e aqueles olhos castanhos brilhantes. A única diferença era que o corpo de Gia
era um caso impecável da feminilidade - pequeno, elegante e cheio de curvas -
enquanto Max era alto, com ombros largos e a energia emitida em equilíbrio
em todos os seus movimentos.
Gia pegou dois copos e começou a derramar Prosecco neles.
— Eu vou tomar um copo de limonada — disse Stella, antes que ela
pudesse encher seu copo com vinho.
— Você tem certeza? — Stella assentiu. — O vinho combina
perfeitamente com antepastos...
Sim, quando você tem câncer de fígado - não tanto.
— Talvez mais tarde. — não haveria qualquer vinho mais tarde por
parte da Stella, mas ela não queria ofender Gia; italianos levam seu vinho
muito a sério.
Apesar da surpresa inicial com a identidade de Max, a noite fluiu
perfeitamente com pausas não estranhas. Gia era legal, engraçada e direta nas
palavras, e Stella realmente gostava dela. Beppe parecia pertencer a um
romance, não a vida real. Ele era impecável: o seu corpo era magro e
musculoso, tatuagens espreitavam sob a sua camiseta apertada, ele estava com
a barba de alguns dias em seu rosto, acentuando o seu visual casual, sua
sobrancelha direita tinha um piercing, e Stella tinha certeza que viu piercing
na sua língua também. E, no entanto, aos olhos de Stella, seu deslumbramento
parecia desaparecer no momento em que se sentou ao lado de Max.
Beppe gostava de provocar Max e fazer todo mundo rir. Eles
continuaram se provocando, alternando entre Inglês e Italiano o tempo todo,
como se fosse a mesma língua. O Inglês de Beppe era muito bom, embora não
tão perfeito quando o de Gia e Max. Stella se perguntou por que, e fez uma
nota mental para perguntar a Lisa depois.
Falando de Lisa, ela parecia preocupada quando descobriu que Max era o
salva-vidas da Stella, mas quando a noite avançava, ela relaxou. Stella foi
inflexível sobre cortar sua paquera pela raiz, porque iria deixar Lisa claramente
desconfortável - e com razão: dois de seus amigos mais próximos se pegando,
quando um deles tinha câncer e vivia em outro país, era uma receita para o
desastre. Stella não queria colocar sua prima em uma posição onde ela tivesse
que escolher entre os dois, se as coisas terminassem mal.
O jantar estava delicioso - carne assada, salsichas e legumes. Stella teve
de admitir que, mesmo brincando, os meninos conseguiram lidar com o
churrasco à perfeição. Max estava especialmente orgulhosos quando Gia-a-chef
elogiou a comida. Ele não fez mais nenhum movimento em direção a Stella
enquanto comiam, e ela estava feliz. Isso realmente a fez sentir como um jantar
entre amigos, e era fácil esquecer que ela tinha acabado de conhecer todos
apenas algumas horas atrás.
— Então, Stella, você tem algum plano? Qualquer coisa que você queira
fazer enquanto estiver aqui? — perguntou Gia.
— Não, eu não fiz planos específicos. Eu estou pronta para qualquer
coisa, eu acho.
— Bom. Vamos cuidar bem de você, então. — Gia sorriu calorosamente
para ela.
— Você vem com a gente para o jogo de futebol no sábado? —
perguntou Beppe, os olhos brilhando de emoção.
— O jogo? Não terminou o campeonato? — Stella tinha certeza que a
Serie A terminou em maio, e não recomeçaria até o final de agosto.
— É — disse Beppe, seu interesse claro. — Mas é uma partida
beneficente entre Sampdoria e Genova. A cidade inteira provavelmente irá.
— Eu não perderia esse campeonato por nada. Pode contar comigo
Sampdoria vs Genova? No verão? Wow - Stella queria tentar ver um
jogo, mas ela nunca esperava que fosse o campeonato épico, uma vez que era
fora de temporada. Seu rosto deve ter mostrado exatamente como ela estava
animada, porque Beppe estreitou os enervantes olhos castanhos para ela e
ergueu a sobrancelha perfurada.
— Você gosta de futebol?
— Yeah. — Ela tentou parecer indiferente, porque sempre pegava as
pessoas de surpresa. Futebol tinha sido sua paixão desde que era uma menina,
graças ao seu pai e Eric. Seu irmão tinha sido um ávido fã de Liverpool e a
tinha levado a inúmeros jogos. Seu entusiasmo sempre foi muito contagiante e,
antes que ela percebesse, Stella tinha se tornado tão obcecada como ele. Depois
que ele morreu, ela sentia que era seu dever continuar a sua lealdade ao seu
time favorito. Ela sentiu que se ele pudesse vê-la, ele estaria orgulhoso.
— Então, qual time você vai torcer na partida? — perguntou Beppe,
testando.
— Genova. Sem dúvida.
Foi a resposta errada, porque o rosto de Beppe caiu. Por outro lado, os
lábios de Max se espalharam em um sorriso preguiçoso. Então, talvez fosse a
resposta certa, afinal.
— Só um pequena advertência. Os torcedores do time perdedor irão
pagar a cerveja depois. — Beppe relaxou em sua cadeira, pensando que a
situação estava resolvida.
— É melhor trazer sua carteira, então. — Stella disse, e Max e Gia
riram. O rosto de Beppe ficou sério, e Stella sentiu que tinha provocado seu
oponente, e estava prestes a ser testada agora.
Venha.
— Você sabe sequer quais são as cores que Genova usa? — Oh, ela não
era um fã adequada, era isso? Sua opinião não conta?
— Oficial Vermelho e azul, alternativo branco com uma listra listra
vermelha e outra azul.
Beppe ficou boquiaberto e Stella teve sua chance de atacar novamente. —
E antes de dizer qualquer outra coisa, se não fosse por nós ingleses que vieram
para cá e criamos um clube de futebol, o esporte mais popular, provavelmente
seria vôlei de praia. É por isso que eu vou apoiar Genova no sábado - é o
primeiro clube de futebol na Itália, fundada por ingleses em 1893 e ainda
vestindo orgulhosamente a cruz de São J orge em suas camisas.
Silêncio. Beppe emudeceu. Max ficou surpreso. Gia e Lisa havia saído
para limpar a mesa e levar os pratos vazios, sem Stella perceber.
Beppe conseguiu reunir os seus pensamentos depois de alguns segundos,
e Stella, se podia julgar pelo brilho perverso nos seus olhos, estava pronta para
a revanche.
— Falando de bandeiras, vocês ingleses devem nos agradecer, o povo de
Genova, por lhes emprestar a bandeira do nosso St George para proteger sua
frota, enquanto navegavam em nossas águas no século XII — disse ele, e
sorriu, orgulhoso de si mesmo.
— Nós não estávamos falando de bandeiras, estávamos falando de
futebol. Não tente mudar a direção da conversa. Na verdade, você
provavelmente deveria me agradecer agora, já que eu sou um representante da
nação que trouxe o futebol talentoso ao seu país. Se você fizer isso, eu poderia
simplesmente ignorar o fato de que você está falando mal da razão pelo qual o
futebol italiano ainda existe.
Max soltou uma risada gutural e foi a coisa mais sexy que Stella já tinha
ouvido. Ele encheu todo o seu corpo com ondas de prazer e ela se esforçou para
manter a calma e continuar impassível, quando o que ela realmente queria
fazer era fechar os olhos em êxtase. Seus olhos correram na direção de Max, e
ele brindou a garrafa de cerveja em sua direção, antes de tomar um gole. Ele
manteve os olhos sobre ela enquanto bebia, o pomo-de-adão subindo e
descendo em sua garganta. Os lábios de Stella se separaram quando ela se viu
dando um beijo logo abaixo do linha da mandíbula e chupando a carne tenra.
Pare com isso! Amigos, lembra?
— Que tal você me agradecer? Nós demos a seu país uma bandeira
nacional, porra! — A voz de Beppe estava séria, mas havia diversão brincando
em seus olhos.
— OK, eu vou. Contanto que você me agradeça pelo futebol.
Ele olhou para ela, incrédulo.
— Bem? Nós temos um acordo?
— Sobre o meu cadáver. — Beppe pronunciou cada palavra devagar e
com cuidado e Stella não conseguia esconder o sorriso. — Será que ele que te
ensinou isso? — Ele perguntou, apontando para Max.
— O quê? Não!
— Você tem certeza? Porque soa muito parecido com algo que esse
bundão meio-Inglês diria.
Meio-Inglês? Isso explica muita coisa.
— Eu vou fumar um cigarro. — Beppe se levantou, tirando uma caixa
de cigarros do bolso de trás, e se dirigiu para longe da mesa.
— Você realmente o pegou, ele só fuma quando está extremamente
frustrado. — disse Max, perfurando seus olhos em Stella. Estava ficando
escuro lá fora e sem nenhuma luz para refletir, ele parecia quase preto.
— Sinto muito. Eu acho que fico um pouco mais na defensiva quando
alguém sugere que eu não sou “uma boa fã”, porque eu sou mulher.
— Ele nunca disse isso.
— Estava em seus olhos.
Max sorriu e inclinou a cabeça para o lado, a intensidade de seu olhar
derretendo qualquer pensamento e razão no cérebro de Stella. Ela teria dado
qualquer coisa para descobrir o que ele estava pensando.
*
A cabeça de Max estava cheia de imagens de Stella, e em todas elas, ele
estava muito mais perto dela do que estava agora.
Ele passou apenas algumas horas com ela, mas foi o suficiente para tirar
algumas conclusões sobre ela - ela era inteligente, divertida, com um grande
senso de humor, ela sabia quem ela era e estava confortável em sua própria
pele, ela respeitava as outras pessoas, mas tinha sua própria opinião e a
expressava, e ela gostava de futebol. Ela poderia ser mais perfeita?
Duvido.
— Você lê bem as pessoas, não é? — Disse ele em resposta a sua
declaração anterior. Ele a pegou avaliando todos na mesa com aqueles olhos
verde-acinzentados. Ela não tinha sido ostensiva sobre isso, mas Max não
podia perder, porque ele estava olhando para ela o tempo todo.
— Às vezes.
— Você pode dizer que eu estou pensando agora? — Ele sabia que
estava brincando com ela forte, e orou que ela mordesse a isca.
— Imagino.
— Você quer compartilhar?
— Eu prefiro não. — Não era a resposta que ele estava esperando, então
ele levantou uma sobrancelha em questão.
— Por que não? Você pode estar certa. — Ele estava abusando da sorte
e ele sabia disso, mas ela o deixava louco. Ele queria pular fora dessa maldita
cadeira, puxá-la em seus braços, e beijá-la até que ambos não tivessem mais
fôlego.
— É disso que eu tenho medo. — Stella levantou-se, reunindo alguns
guardanapos em um prato vazio. — É melhor eu ajudar Lisa...
Ele estava em pé e ao lado dela em um segundo.
— Stella... — começou ele, gostando do modo como seu nome rolava em
sua língua.
— Max, não. Pare de flertar comigo,. Você sabe que não adianta — Ela
olhou para ele e sua expressão estava séria e determinada.
— Por quê?
— Por causa de Lisa.
Ela não teve que elaborar. Max não era estúpido, ele sabia o que ela
queria dizer e ele ainda não conseguia se conter. Ele havia tentado evitar
durante o jantar, mas quando eles estavam sozinhos, ele não poderia se
segurar. Max não conseguia se lembrar quando foi a última vez que ele tinha
estado tão atraído por alguém.
— Olha, eu vou ficar aqui por dois meses e tudo que eu quero é relaxar e
me divertir. Você e eu... — ela circulou a mão entre eles, tocando sua barriga e
fazendo o seu abdômen flexionar involuntariamente — traz muitas
complicações. Por que você não me mostra seu verdadeiro eu, e não o
Casanova atrevido? Eu gostaria de conhecê-lo e descobrir por que Lisa o
escolheu como um de seus amigos mais próximos. Vamos esquecer a paquera e
sermos amigos.
Ele não se importaria de ser amigo dela. Com benefícios.
Mas, sim, ela estava certa.
*
Niki chegou em casa, assim que todo mundo estava partindo. Ela parecia
exausta - levar seu próprio negócio tinha seus benefícios, mas também
significava que ela tinha que trabalhar quase o tempo todo. Elas conversaram
um pouco, enquanto ela jantava na cozinha e, em seguida, pediu licença para ir
para a cama.
— Quer um pouco de chá de camomila? — Lisa perguntou, colocando a
chaleira no fogo.
— Sim, obrigada. — Stella mandou uma mensagem a sua mãe, porque
ela sabia que Helen gostaria de ouvir noticias dela, mas gostaria de lhe dar
algum espaço, e não ligaria para saber como ela estava todos os dias. Quando
ela colocou o telefone sobre a mesa, Stella percebeu que o único som que podia
ser ouvido em toda a casa era a água fervente.
Lisa estava de costas para ela, olhando para a chaleira.
— Hey. Você está bem? — Tudo o que ela conseguiu foi um aceno de
cabeça. — Você está preocupada comigo e Max?
Os ombros de Lisa caíram e Stella sabia que tinha acertado direto a mira.
Sua prima era muito atenciosa para dizer qualquer coisa, mas ela estava
inquieta. Stella se levantou e foi até ela.
— Lis — ela tocou em seu ombro para fazê-la virar e encará-la. — Não
se preocupe. Está tudo bem. Eu não sabia quem ele era e nem ele me conhecia.
Mas, agora, que nos conhecemos - nós vamos ser amigos. Ele parece ser um
cara muito legal e eu adoraria conhecê-lo e ver o que você vê nele.
— Mas... o que você disse antes, sobre o quanto você estava atraída por
ele... — Os olhos verdes de Lisa brilharam com preocupação e incerteza.
— Eu acho que toda mulher com olhos estaria atraída por ele. Olhe para
ele! Eu não tenho nenhuma ideia de como você nunca sentiu nada por ele...
— Você não está melhorando as coisas. — disse Lisa, mas ela relaxou
um pouco e até mesmo sorriu.
— Está tudo bem, Lis. Eu posso olhar para além disso. Eu posso ser
amiga dele, de todos eles. — Lisa assentiu e todo o seu rosto se iluminou num
sorriso, como se uma névoa espessa tivesse sido tirada. — Além disso, meu
palpite é que há uma abundância de outros caras para cobiçar aqui, certo?
— Você não tem ideia.
Eles riram, enquanto misturavam um pouco de açúcar em seu chá.

















1'pí $&(! 1"nc!

8o dia seguinte, Lisa estava
determinada a compensar os últimos dias, e passar o dia inteiro com Stella. Ela
havia mudado seu horário, e teria que trabalhar o dia todo amanhã, mas hoje as
meninas tinham o dia todo apenas para elas.
Lisa levou Stella para um passeio na cidade velha de Genova. Era o
maior centro histórico da cidade na Europa, Lisa apontou. Um número incrível
de pequenas ruas e becos, chamada caruggi, se entrelaçavam como uma tigela
de espaguete e espalhava por todo o lugar. Stella sentiu como se estivessem
sendo transportadas de volta aos tempos medievais, e não podia acreditar que
um lugar bonito e tão pacífico, se transformava em um pote borbulhante de
atividade criminosa à noite. Lisa explicou que a antiga cidade estava cheia de
turistas, lojas e restaurantes durante o dia, mas uma vez que anoitecia, era um
lugar para a prostituição e o tráfico de drogas.
Onde quer que olhasse, Stella via edifícios incríveis, tais como igrejas,
palácios e museus, ricamente construídos para atrair a atenção. Entre eles, as
casas coloridas se destacavam, mas estranhamente complementava a
extravagância dos outros edifícios. O lugar era verdadeiramente mágico - tinha
energia zumbindo por ela, uma espécie de atmosfera arrogante, uma
experiência esmagadora que Stella nunca tinha passado antes.
Depois de duas horas vagando pelo local e explorando a cidade velha, as
meninas pegaram um táxi e foram até para o Centro Commerciale Fiumara - o
maior centro comercial de Genova. Ele estava localizado no distrito de
Sampierdarena, que costumava ser uma zona industrial enorme, mas tinha sido
reformado e reconstruído em este enorme e moderno shopping. Ele ainda tinha
seu próprio parque de diversões, bem como um cinema, uma tonelada de lojas e
restaurantes. As ofertas de verão já começaram, e as meninas aproveitaram
bem, matando mais algumas horas.
O tempo estava lindo lá fora, e depois de uma rápida parada em casa para
um almoço leve, arrumar a mochila e trocar de roupa, elas se dirigiram para a
praia. Lisa tinha apoiado a determinação de Stella em conseguir um belo
bronzeado durante as férias, e a tinha convencido a comprar um biquíni tão
pequeno, que deveria ter sido proibido. Era preto com enfeites dourados que
brilhavam à luz do sol e parecia que se movia - quase como se fosse vivo. A
parte inferior era cortado na altura dos quadris e amarrado com cordas
minúsculas; o top consistia de dois triângulos unidos por um par de fitas
pretas. Stella era naturalmente magra, mas depois de seu diagnóstico, ela tinha
tomado um cuidado extra em sua dieta e fazia exercício todos os dias, assim seu
corpo definitivamente poderia encarar esse biquíni. No inicio ela se sentiu
exposta, mas decidiu relaxar.
Espero que Max goste. Ou melhor, goste de mim nele.
O pensamento veio tão de repente, que Stella parou abruptamente e
sacudiu a cabeça.
AMIGOS! Lembra-se? Ele é um grande cara para ser amigo. Depois você
pode babar em mil outros garotos na praia.
Determinada a seguir o seu próprio conselho, Stella puxou os óculos de
sol sobre os olhos, enquanto se dirigiam para a praia.
*
Max a viu imediatamente. Seu biquíni movia em sincronia com o seu
corpo como se fosse líquido. Ele tinha quatro amarrações - dois nos quadris,
um nas costas e um na nuca. Ele imaginou puxando e a deixando livre com
dois movimentos rápidos. Só então ele percebeu que Stella tinha uma tatuagem
- três símbolos japoneses alinhados sob o seu ombro esquerdo. Max se
perguntou o que eles queriam dizer e, em sua mente, traçou as linhas delicadas
com os dedos, fazendo-a tremer de desejo e expectativa.
Mas agora não era a hora para pensar nisso - primeiro, ele estava no
trabalho e, segundo, o short laranja salva-vidas não era tão indulgente em
disfarçar uma ereção, como seu short preto foi.
Se Lisa estava tão desconfortável com ele e Stella se envolverem, então
por que a trazer bem aqui? Vinte metros de distância de seu posto? A praia era
tão grande, que poderia ter ido em qualquer lugar e ele nem saberia.
Mas cara, ela estava gostosa...
Pensando bem, ele não estava tão triste que elas vieram aqui. Lisa era
uma garota muito atraente, e ainda assim ele conseguiu manter a amizade com
ela durante anos, nunca sequer tendo a ideia de levar as coisas mais longe.
Talvez ele pudesse fazer a mesma coisa desta vez também.
Max percebeu que estava encarando, quando Lisa acenou para ele. Era
melhor ir e dizer “oi”.
— Ciao, bellissimi ragazze — disse ele, a beijou em ambas as bochechas.
Dar beijinhos em Lisa tudo bem, ele tinha feito isso milhares de vezes. Mas no
momento em que ele tocou os lábios no rosto de Stella, ele amaldiçoou a
tradição italiana. Era para ele beijá-la a cada vez que a visse, e não sentir nada?
Seu corpo parecia pensar sozinho e se mover para ela. No momento em que
tocou a costas de Stella ela derreteu, e instintivamente colocou a mão em seu
abdômen.
Era como se seu corpo agisse por vontade própria.
Sim, eu sei como soa.
— Como vai? — Ele perguntou, quando a tortura do beijo de saudação
tinha acabado.
— Tudo bem. Decidimos trabalhar o bronzeado de Stella hoje.
— Sim, você precisa disso. Você está pálida. — ele brincou e encontrou
seus olhos pela primeira vez.
Pálida e sem falhas.
— Hey! — Stella protestou e ironicamente bateu-lhe no braço. Ele faria
qualquer coisa para ter aquelas mãos em todos os lugares em seu corpo. — Eu
moro em Londres, lembra?
Um grupo de rapazes passou e, é claro, quase quebraram o pescoço para
olhar para suas meninas.
Isso ia ser muito mais difícil do que ele imaginava. Elas estariam vindo
para cá o tempo todo, usando quase nada. Ele era uma pessoa forte, mas não
era feito de pedra. Mais cedo ou mais tarde ele ia rachar.
Ele precisava de uma distração. Do tipo feminino. E rápido.
*
Max estava ali em pé, atirando punhais a cada cara que passava e
efetivamente os expulsando. Como Stella poderia ter um encontro?
Não finja que você não gosta disso.
Com ele tão perto, seu corpo elevando-se sobre ela e seus olhos castanhos
queimando, Stella não conseguia pensar direito. E ainda por cima, quando ele
falava em italiano com aquela voz sexy, ela sentiu fogos de artifício explodir
em seu peito.
— Vocês tem planos para hoje à noite? Eu vou sair com Beppe e Gia
para comer alguma coisa e talvez ir para um clube mais tarde. Vocês querem
vir?
Lisa olhou para Stella em uma pergunta silenciosa - ela queria ir, mas
obviamente tinha visto a reação de sua prima a Max e agora não tinha tanta
certeza de que era uma boa ideia. Stella odiava que a fizesse se sentir dessa
maneira. Ela não queria separar Lisa de seus amigos - era ruim o suficiente que
ela estava com dois empregos no verão e não poderia passar tempo suficiente
com eles, sem esse acréscimo.
— Claro. Nós não temos planos. Gostaríamos muito de ir. — Stella
tentou arrancar seu sorriso mais amigável, mesmo que ela sentisse qualquer
coisa, exceto amigável em relação a Max. Será que ele precisa ficar tão perto
dela?
— Tem certeza que você está bem com isso? — Perguntou Lisa, quando
Max voltou para seu posto.
— Sim, absolutamente, eu adoraria sair e me divertir um pouco. Talvez
eu possa encontrar um cara bonito e arranjar um encontro. — Ela piscou para
sua prima, e viu o seu sorriso de alívio.
O resto da tarde passou voando. Quando chegaram em casa, Stella
percebeu que a pele dela estava corada do sol. Suas bochechas estavam
agradavelmente rosadas e se olhasse bem de perto, ela até poderia ver as
marcas bronzeadas nos quadris e costas.
Stella tomou um banho, tomando cuidado extra para lavar toda a água
salgada de seu cabelo. Quando ela saiu do banheiro, ainda tinha cerca de uma
hora antes delas saírem. Maquiagem nunca tinha sido seu forte - menos era
mais - é o que ela sempre pensou. Mas tendo em vista que ela estava saindo,
Stella decidiu fazer um pouco de esforço extra. Ela hidratou todo o seu corpo e
usou base com cor no rosto para complementar seu bronzeado. Então ela
experimentou o delineador e duas camadas de rímel, até que ficou satisfeita
com o resultado. Com olhos esfumaçados assim, os lábios dela teriam que ficar
sem nada, por isso ela colocou um pouco de gloss claro e sorriu para seu
reflexo.
Agora, o problema número dois - o que vestir? Stella precisava de algo
sexy, mas casual e elegante, e não muito formal. Depois de esvaziar metade do
conteúdo do guarda-roupa em cima da cama, ela escolheu um top de paetês
preto que fechava no pescoço, e caía solta em torno do corpo e short preto que
abraçava seus quadris e chegava bem acima dos joelhos. Seu cabelo cor de mel
se destacava muito bem com em preto, e Stella não fez muito para mudar o seu
estilo habitual. Ela só secou e o deixou cair sobre os ombros em ondas
incontroláveis. Parecia que tinha arrumado, mas tinha feito um sexo incrível e
ficou assim.
Perfeito.
Pegando as sandálias de salto alto na mão, ela abriu a porta do quarto,
assim que Lisa estava prestes a bater. Sua prima estava incrível - um vestido
perfeitamente cortado em estilo império simples em azul e vermelho. Ela
amarrou os cabelos loiros em um rabo de cavalo, acentuando os ombros
magros.
— Você está incrível! — ambas falamos ao mesmo tempo e rimos.
— Não, sério, Stella, eu nunca te vi assim. Você não costuma usar
maquiagem e eu nem sabia que você sabia como usar delineador.
— Não é ciência da nasa, não é? Você está sexy, Lis! Eu não posso
acreditar que você ainda não agarrou um homem italiano sexy.
Ela quis dizer isso como uma piada, mas algo brilhou na expressão de
Lisa. Algo como tristeza e talvez arrependimento. Foi apenas por um segundo
e depois foi embora, um sorriso substituindo e apagando todas as provas.
— Vamos sair e corrigir esse erro, então. — ela disse, e puxou a mão de
Stella.
— Você tem um ótimo ponto.
*
Eles tinham organizado em se encontrar na Piazza de Ferrari, ao lado da
fonte. Desde que era a maior e mais popular praça da cidade, ela estava
borbulhando com pessoas, no momento em que Stella e Lisa chegaram.
No momento em que Max a viu, ele sabia que essa ia ser a noite mais
difícil da sua vida. Em muitos aspectos.
Stella estava quente. Não, isso não era uma palavra boa o suficiente para
descrever seu fascínio. Ela parecia mais quente do que o mais profundo poço do
fogo do inferno.
Suas pernas continuavam para sempre no short e salto alto. O top que ela
usava brilhava e imitava todos os seus movimentos. Seus olhos de lobo
estavam em chamas e perfeitamente acentuado pela maquiagem escura.
Max não conseguia tirar os olhos dela. Ele queria tecer seus dedos
através de seu cabelo selvagem, pegar seus lábios nos dele e não parar até que
ele explorasse cada centímetro de seu corpo. Com sua língua. Duas vezes.
Beppe foi o primeiro a cumprimentá-las, com um abraço e um beijo. Ele
estava praticamente brilhando com prazer. Ele murmurou alguma coisa
quando beijou cada uma dela e elas riram. Em seguida foi Gia, que estava em
uma de suas raras noites de folga e estava realmente satisfeita em ver as
meninas. E, em seguida, foi a vez de Max. Ele deu a Lisa um abraço e um beijo
e elogiou-a. Felizmente, no momento em que foi cumprimentar Stella, Beppe,
Gia e Lisa estavam envolvidos em uma conversa animada e estavam se
dirigindo para o restaurante ao longo da rua movimentada.
Stella estava na frente dele, observando-o com a mesma apreciação e
valorização que ele tinha por ela. Na verdade, ele tinha feito um esforço
especial esta noite e abandonou sua calça jeans desbotada e camiseta por jeans
Diesel e uma camisa de manga curta Calvin Klein.
— Ciao, Max. — disse ela, e colocando a mão em seu ombro, inclinou-se
para beijá-lo na bochecha. Ela cheirava tão bem - doce , e limpo e fresco, como
uma manhã de primavera.
— Você está linda, tesoro. — ele sussurrou em seu ouvido, pouco antes
dela se afastar. Seus lábios se separaram, como se quisesse dizer alguma coisa,
mas nada saiu. Stella olhou para ele, diretamente para ele, e ele nunca se sentiu
mais vulnerável, como se ela pudesse ler todos os seus pensamentos.
— Você não parece tão ruim também. — ela disse finalmente, com um
sorriso irônico. Ela acenou para os seus amigos em um silencioso “Vamos?” E,
apertando a mão na parte inferior das costas dela, Max a levou ao longo da Via
XX Settembre e para o restaurante.
Esta noite ia ser ainda mais difícil do que ele havia pensado inicialmente.
*
A música no clube era tão alta que Stella mal podia ouvir seus próprios
pensamentos. Eles estavam sentados em uma mesa privada com um enorme
sofá de veludo montado em um semicírculo. A hostess era amiga de Beppe, e
eles não tiveram que esperar para entrar. Foi um bônus que eles também
conseguiram uma mesa VIP, depois de Beppe sussurrar algo em seu ouvido
que a fez corar.
Todo mundo estava de ótimo humor. O jantar tinha sido divertido - a
comida era incrível e a conversa fluiu bem. Stella tinha descoberto que Beppe
estava estudando Direito na Universidade de Gênova, e sua boca estava
entreaberta com surpresa por alguns longos momentos.
— Você vai ser advogado? — Ela perguntou, olhando para ele,
incrédula.
— Yeah. Por quê? Eu não me pareço com um advogado para você? —
Ele disse e piscou para ela.
— Não, não realmente. Não com todas as tatuagens, piercings e barba
de cinco dias.
— Eu escondo as tatuagens sob o terno. — ele disse, e riu como se fosse
óbvio. — E eu removo todos os meus piercings, incluindo este. — Ele estalou
o piercing da língua com a parte de trás de seus dentes e deu a Stella um de
seus olhares mais sedutores. Ela corou e desviou o olhar - Beppe poderia ser
descaradamente paquerador quando ele queria. Não admira que a maioria das
mulheres se apaixonasse por seu charme em dois segundos.
Ela também descobriu que Gia amava seu trabalho no restaurante. Seu
chefe era um famoso chef e empresário, e mesmo que colocasse muita pressão
em sua equipe, ela tinha a honra de trabalhar para ele. Nesse ponto Beppe tinha
murmurado algo que soou como — um idiota com um ego gigante — mas
ninguém prestou atenção nele, porque Gia continuou a falar animadamente
sobre o quão demais era seu chefe e seu trabalho.
O vinho foi fluindo e até o final do jantar todos tinham tomado pelo
menos duas taças. Stella tinha se mantido a suco de laranja e ninguém lhe tinha
provocado sobre isso - eles devem ter se acostumado a sua existência não
alcoólica.
Max se sentou o mais longe possível dela. Ele falou, sorriu e comeu a sua
comida, mas ele não tinha conversado com ela ou sequer olhado em sua
direção. Isso a deixou arrasada. Não só porque ela desejava sua atenção como o
oxigênio, mas também porque ele tinha virado cento e oitenta graus em
questão de minutos. Primeiro, ele a tinha cumprimentado como se quisesse
saltar sobre ela ali mesmo na rua, e então ele a ignorou completamente.
Agradeça a Deus pela música alta aqui!
Stella estava tão doente do excesso de pensamento, que ela só queria
parar de pensar completamente e se soltar. Havia algo sobre música alta e
pouca luz que deixa as pessoas esquecerem seus problemas e inibições - e isso
era exatamente o que ela pretendia fazer.
Lisa puxou sua mão e sussurrou “Venha”, enquanto a levava para a pista
de dança lotada, onde Gia já estava balançando ritmicamente no ritmo da
música. Era house mix, o que não era o que Stella seria costumava ouvir, mas
para a noite era perfeito. Poucos minutos depois, ela havia perdido
completamente a si mesma na dança - a música alta e monótona ecoando
através de seu corpo.
Ela sentiu a mão de Lisa em seu braço e se virou para sua prima. Não
houve oportunidade de ouvir o que ela queria dizer, então elas recorreram a
gestos e muita leitura labial. Ela apontou para a sua mesa e fez um movimento
de beber com a mão e boca. Stella assentiu com a cabeça e voltou para a mesa.
Quando elas se aproximaram, perceberam que não estavam apenas Max e
Beppe sentados lá. Houve um acréscimo de cinco pessoas - três meninas e dois
rapazes - que estavam sentados confortavelmente em sua mesa e tentando falar
com o outro. Tratava-se principalmente de se inclinar e gritar no ouvido, bem
como gestos animados. Era muito engraçado de se ver. Até os olhos de Stella
fixarem em uma garota que estava sentada tão perto de Max que estava
praticamente em seu colo. Eles se revezaram para gritar nos ouvidos de cada
um, seguidos por sorrisos e acenos.
Não havia nada de engraçado nisso.
O ciúme tomou conta de Stella e superou todos os outros sentimentos e
sons. Ela queria ir até lá, puxar a vadia pelo cabelo e arrastá-la para longe. Mas
ela não ia fazer isso. Se ela tinha aprendido alguma coisa nesta vida, era que um
cálculo cuidadoso e uma ação inteligente sempre ganha da raiva cega.
Ela seguiu Lisa até a mesa e viu uma garrafa fechada de suco. Devia ser
para ela, já que todos os demais estavam tomando cocktails e, além disso, tinha
sido a sua bebida eleita para essa noite no restaurante. Estava muito
barulhento para ela sequer tentar perguntar a alguém se era para ela, então ela
o pegou, tirou a tampa e bebeu metade da garrafa de uma vez. O líquido frio se
espalhou dentro de seu corpo e a fez sentir incrivelmente bem contra o calor
no clube.
Quando ela abaixou a cabeça e tirou a garrafa de seus lábios, ela notou
que Max estava olhando para ela. Sua amiga estava dizendo algo em seu
ouvido e ele parecia satisfeito. Muito satisfeito. Stella levantou a garrafa para
ele em um silencioso “brinde” e ele imitou com o copo. A menina que vinha
falando entusiasmadamente com ele há alguns segundos, se afastou de sua
orelha, e agora estava olhando para ele como se esperasse uma resposta. Ele
nem sequer percebeu que ela tinha parado de falar. Max estava com o olhar
intenso fixo em Stella, e ela não podia se obrigar a desviar, mesmo que quisesse
desesperadamente. A menina franziu a testa e fez beicinho, e olhou entre ele e
Stella, sua carranca aprofundando.
Bem na hora, Beppe apareceu ao lado de Stella e, puxando-lhe a mão,
levou-a a poucos metros de distância. Ele a colocou na frente de um cara e saiu.
Este era, provavelmente, o único método de apresentação possível em um
ambiente tão barulhento. O rapaz se inclinou para ela e disse:
— Oi, eu sou Ricardo. — em italiano. — Você pode me chamar de Rico.
— Mesmo com a música alta, Stella podia ouvir o “r” rolando em sua língua.
— Stella — disse ela, enquanto se inclinava para responder. Ele cheirava
bem e não parecia tão ruim. Não que ela pudesse ver claramente na luz fraca,
mas o que ela viu aprovou- ele era alto, bem vestidos em jeans escuros e uma
camisa, e tinha olhos azuis de bebê que eram visíveis mesmo no escuro.
— Quer dançar? — Perguntou ele, inclinando-se, mas não se afastou
imediatamente. Ele permaneceu ao lado de seu ouvido um pouco mais do que o
necessário, e Stella não tinha certeza de como se sentia sobre isso. Ele parecia
bom o suficiente e ele parecia bonito, mas...
Mas ele não era Max. Ele não faz o meu interior girar em desordem com
um único olhar.
Pensar em Max, a fez virar a cabeça em sua direção instintivamente, e ela
viu que ele não estava prestando atenção nela ou em seu companheiro. Max
tinha retomado sua conversa com a menina e parecia que as coisas estavam
progredindo bem para ele, porque sua mão estava em sua coxa nua e ela estava
gostando claramente isso.
Se Stella fosse uma personagem de desenho animado, seus ouvidos
estariam liberando vapor agora, porque ela estava fervendo de raiva por
dentro. A solução, no entanto, estava bem na frente dela. Ela sorriu docemente
para Rico e o deixou levá-la para a pista de dança.
Isso era bom. Dançar e não pensar sobre as coisas. Ela iria desfrutar da
companhia deste belo cara e esquecer Max e Miss sacanagem. Como se lesse
seus pensamentos, Rico rodeou a sua cintura com as mãos, e eles mudaram
juntos o ritmo. Quase não havia espaço entre seus corpos enquanto dançavam,
e logo Stella começou a apreciá-lo. Rico era um bom dançarino - sem esforço e
muito ritmo. Ele girou em torno dela e, colando-se a ela por trás, colocou as
mãos nos seus quadris.
Eles dançaram o que pareceram horas - mudando constantemente de
posição, e não falando uma única palavra. Stella queria desviar seus
pensamentos de Max e ela fez - dançar com Rico parecia certo. Legal. Ela
deixou todos os pensamentos conscientes partirem, e tudo o que ela tinha que
sentir era o corpo de Rico ao lado dela e o ritmo da música.
*
Max não podia acreditar em seus olhos quando Beppe arrastou Stella
para apresentar Rico. As meninas amam Ricardo. Ele era charmoso, bonito,
bem comportado e fácil. Ele nunca foi conhecido por manter uma namorada
por mais de 15 dias. E ainda o amavam, porque, dizia que nesse tempo, ele
sabia como se divertir.
Então era isso que Stella queria? Diversão sem amarras? Então Rico era
perfeito para ela.
Eu vou matar Beppe, aquele idiota.
Seu amigo sabia muito bem que Max queria Stella para si mesmo. Eles
nunca tinham discutido o assunto, mas Beppe sempre poderia lê-lo como um
livro aberto. Desde que eles eram crianças, não havia nada que Max poderia
fazer nas costas dele, porque Beppe sempre estava dois passos à frente. Ele
apenas o conhecia muito bem.
Rico levou Stella para a pista de dança e começaram a mover-se com a
musica. Em todo momento ele estava em cima dela - girando em torno dela,
tocando os ombros, cintura, braços e pescoço. A pior parte foi que ela parecia
se divertir. Ela iria se afastar, se ela não quisesse, certo?
Max estava com ciúmes. Pela primeira vez em sua vida, ele sentiu um
ciúme avassalador que consumiu todos os seus pensamentos racionais. Ele
queria afastar Rico para longe de Stella e socá-lo, até que o cara precisasse de
uma reconstrução facial.
Mas ele não fez isso. Em vez disso, ele levou Antonia para a pista de
dança, que alegremente, passou os braços em volta dele.
Dois poderiam jogar esse jogo.
Só que ele não tinha certeza de qual era o jogo exatamente. Ou até
mesmo se realmente era um jogo.
*
Stella foi abruptamente puxada de volta à realidade, quando Rico varreu
seu cabelo na frente de seu ombro esquerdo e deu um beijo suave na parte de
trás de seu pescoço. Não era desagradável, não muito. Ela ainda tentou gostar.
Ela podia sentir exatamente o quanto ele gostava.
Infelizmente, com os olhos retornando a realidade ao seu redor, a
primeira coisa que viu foi Max dançando com aquela garota. Seu corpo se
movia com tanta graça, totalmente a vontade na pista de dança. Era
hipnotizante, e Stella não conseguia desviar o olhar.
Ela sentiu um beijo no pescoço, mas desta vez houve até um pouco da
língua. Seu cérebro começou a gritar para ela fugir, mas estava hipnotizada por
Max e a maneira como ele se movia. Ela desejou que fosse o seu corpo que
estivesse por trás dela e seus lábios que a estavam beijando. O pensamento
causou arrepios na espinha, apesar do calor, e ela viu arrepios aparecerem em
seus braços.
E, em seguida, todo o seu mundo desmoronou no chão.
A menina que Max estava dançando com os braços ao redor do pescoço
dele, o puxou para um beijo. Ele estava dentro. Ele a beijou de volta.
Stella sentiu como se estivesse prestes a desmaiar e desculpando-se,
deixou Rico sozinho na pista de dança e voltou para sua mesa. Ela precisava
sair daqui. Agora.
*
Quando Max viu Rico beijando Stella na parte de trás do pescoço, a raiva
fervia em seu sangue e os punhos doíam por bater em alguma coisa, de
preferência o rosto de Rico. Ele queria arrancar a língua do bastardo e faze-lo
engolir de volta. A raiva que ele não sentia há muito tempo tomou conta dele, e
ele sentiu seus músculos tensos e preparados para uma luta.
Ele foi pego de surpresa quando Antonia o beijou. O toque dos lábios o
trouxe de volta à realidade. Aos poucos, seu corpo aliviou e ele foi capaz de
formar alguns pensamentos razoáveis. Stella não era dele. Ela poderia beijar
quem ela gostava. Ele não deveria ter ciúmes e definitivamente, ele não deve
atacar qualquer pessoa que se aproximava dela.
Max deixou-se ir e se perdeu no beijo de Antônia. Ele foi junto com isso
por um tempo, porque o que ele realmente precisava agora era gostar. Ele
queria sentir algo por Antonia, mesmo que fosse uma fração do desejo que
sentia por Stella. Ele precisava tirá-la da cabeça e Antonia parecia ser a pessoa
perfeita para fazê-lo.
No entanto, não deu certo. A menina era esperta, ela afastou-se logo que
não sentiu nada dele, apenas a mecânica em movimento de seus lábios e língua.
Sorrindo para ele com uma mistura de entendimento e arrependimento, ela
virou-se e deixou-o sozinho na pista de dança.
Ele olhou ao redor, mas Stella tinha ido embora.






1'pí $&(! Se"s

Stella não dormiu bem naquela noite.
Suas emoções estavam por toda a parte, e a cada vez que fechava os olhos, ela
via Max beijando aquela garota.
Às 6 da manhã, ela não aguentava mais e se levantou. Ela fez a única
coisa que poderia ajudar a limpar sua mente - ela colocou suas roupas e tênis e
foi para a praia. Ainda estava frio lá fora, e Stella apreciou o ar refrescante e o
silêncio das ruas. Toda a cidade ainda estava dormindo. Quando ela chegou à
praia, o sol estava um pouco acima do horizonte, e a água estava se movendo
de forma pacífica e criando pequenas ondas, como se também ainda estivesse
sonolento.
Stella alongou por alguns minutos, antes de iniciar vagarosamente a
corrida. Um flashback da última vez que ela tinha corrido fez o seu caminho
até seu lóbulo frontal. Não havia jeito que ela algum dia conseguisse correr
sem pensar em Max. No entanto, ela não podia se dar ao luxo de não correr,
assim, a sua malhação estava arruinada, porque mesmo que ela não quisesse
pensar nele, ela o faria.
Ontem à noite tinha sido uma revelação. Max estava atraído por ela, é
verdade. Mas ele também era um cara que, intencionalmente, faria de tudo para
não decepcionar seus amigos. Então, ele foi em frente.
Stella estava feliz. Mais ou menos. Bem, ela não estava muito feliz, e
estava com ciúmes pra caralho, mas ela também percebeu que era assim que
deveria ser. Isso era o melhor. Agora eles poderiam olhar além de sua atração e
sair juntos. Ser amigos.
Quantas vezes ela tinha usado essa palavra nos últimos dias? E para que?
Ela nunca tinha feito nada para tentar conhecer Max melhor, ela tinha? Tudo
o que ela tinha feito era implorar pelo seu toque como o ar, pensar como seria o
gosto dos seus lábios, e saborear a maneira como ele a apreciava com aqueles
olhos hipnotizantes. Não era muito simpático. Alguma vez lhe perguntou
alguma coisa? Fez um esforço para saber mais sobre ele? Não. Bem, chegou a
hora de corrigir esse erro.
Agora que ele mudou e começou a beijar meninas em clubes na frente
dela, não havia perigo deles ultrapassarem a linha da amizade. Ela ia chama-lo
para jantar hoje à noite e, ter uma conversa, de verdade.
Stella estava tão absorta em pensamentos que não notou o quanto ela
tinha corrido. Seus pulmões estavam queimando, suas pernas pareciam gelatina
e ela podia sentir a dor começando a se formar no pé lesionado. Tinha estado
OK ontem, mesmo depois de passar a noite em saltos, mas agora a ferida
estava começando a latejar de dor. Ela diminuiu o passo e, em poucos minutos,
desacelerou para uma caminhada. Pegando a garrafa de água, bebeu metade
dela e sentou-se na areia para alongar. No máximo, ela estaria caminhando de
volta. Não haveria mais corrida para ela hoje.
Stella abriu as pernas bem abertas, tanto quanto elas poderiam ir, e
trouxe toda a sua parte superior do corpo para a frente até que o peito estava
tocando a areia. O alongamento a fez sentir-se incrível! Ela poderia ficar assim
para sempre...
— Ciao — disse alguém, diante dela, o que a fez sentar-se abruptamente.
— Você é bem madrugadora, não? — Max disse, um sorriso malicioso nos
lábios. Mais uma vez ele estava usando apenas short, e seu peito estava
brilhando com o suor de sua própria corrida.
— Eu não dormi bem na noite passada e queria limpar a minha cabeça.
Eu não costumo correr tão cedo. — disse Stella, olhando para a tatuagem em
seu quadril de perto. A parte que ela podia ver era "A vida é uma" e o resto
estava escondido sob o short.
— Eu também. — Ele pegou sua própria garrafa de água, e bebeu
alguns goles.
Isso estava ficando muito estranho. Talvez a resolução que Stella tinha
pensado não era tão genial, afinal. Ela não podia nem olhar para ele sem
imaginá-lo com aquela garota e seu ciúme penetrou muito perto da superfície.
— Eu tenho que voltar. — ela ficou de pé e se virou para ir embora.
Max agarrou seu braço e a girou de volta para ele.
— Stella, espere. — Ela olhou para sua mão a segurando e franziu a
testa. Ele a soltou de imediato, mas seu olhar a manteve em seu lugar. — Por
que você foi embora tão de repente na noite passada? Um minuto você estava
lá dançando, e no próximo você se foi.
— Estou surpresa que você notou. Você parecia bem ocupado.
Droga!
Por que ela tinha que dizer isso? Ele não lhe devia nada. Ele poderia
pegar cada menina, em cada clube e era problema dele.
— Eu queria ter certeza de que você e Lisa chegaram em casa a salvo.
Você deveria ter avisado que estava indo embora.
— Nós somos adultas, Max. Nós podemos voltar sozinhas para nossa
própria casa, nós não precisamos de um cavaleiro de armadura brilhante para
nos acompanhar.
Muito bem. Parabéns. Traga o sarcasmo para disfarçar o seu ciúme. Uma
maneira perfeita de fazer um amigo!
— Eu sei. Apenas me faria sentir muito melhor se soubesse que vocês
estavam em casa a salvo.
Stella se sentiu como uma cadela. Este grande homem estava diante dela,
genuinamente preocupado que seus amigos chegaram bem em casa, e ela
estava lhe dando respostas atravessadas. O olhar em seus olhos a fez se sentir
ainda pior - era preocupação misturado com tristeza e vergonha. Ele sabia por
que ela tinha partido - era perfeitamente claro para ambos. Mas ele não deveria
se sentir culpado por causa dela.
— Você está certo. Sinto muito - deveríamos ter dito que estávamos
saindo.
Max assentiu e tomou outro gole de sua água, observando-a. Ela se
sentia tão exposta sob seu olhar, como se ele pudesse ver tudo o que se passava
na cabeça dela.
— Eu realmente deveria voltar... — disse ela, e começou a afastar-se
dele.
— Espere. — Ele deu alguns passos para ela , antes que ela parasse.
Stella sabia o que ele iria dizer, antes mesmo que ele abrisse a boca, e desejou
que ela pudesse detê-lo. Ela não merecia um pedido de desculpas e ela não
queria que ele sentisse a necessidade de lhe dar um.
— Eu sinto muito.
— Max, você não tem que...
— Não, eu preciso. — Ele interrompeu, e seus olhos estavam
implorando que ela o ouvisse. — Eu sei por que você realmente saiu assim. E
eu sinto muito. Eu fiz isso porque eu estava ficando louco vendo você com
Rico.
O quê?
— Eu nunca tive ciúmes na minha vida inteira, Stella. Cinco anos atrás,
eu jurei que nunca bateria em outro homem, se não fosse para me defender,
mas ontem à noite eu queria arrastar esse babaca do clube e bater nele até que
houvesse apenas uma polegada de sua vida, porque ele tinha as mãos em você.
E quando ele beijou seu pescoço... — Max arrastou a mão pelo cabelo curto,
lutando para encontrar as palavras. — Eu pensei que eu ia explodir, Stella. Se
Antonia não tivesse me beijado para me distrair, Rico estaria no hospital agora.
Stella estava atordoada. Ela nunca esperava tal confissão.
— Eu não sei o que dizer. — Ela cruzou os braços, porque de repente ela
sentia frio, apesar de que estava ficando ainda mais quente. Max deu um passo
na direção dela e ela teve de inclinar a cabeça para trás para olhar para ele.
— Eu não quero me sentir daquele jeito de novo e eu não sei o que fazer.
Você não quer ficar comigo, mas é óbvio que não podemos ser apenas amigos.
— Não é que eu não quero ficar com você. Você não é um cara que uma
menina usaria para alguma diversão de verão, Max. E eu vou partir em dois
meses. Isso não vai acabar bem e você sabe disso. Eu não vou colocar Lisa no
meio disso - porque ela vai estar no meio, quer a gente queira ou não. Você
também não iria querer colocá-la nessa posição, ela é uma de suas amigas mais
próximas. Você está pronto para arruinar a sua amizade, por causa de uma
atração que podemos ter um pelo outro?
E também, o meu câncer pode estar de volta.
— A única razão pela qual você não fica comigo é Lisa, certo?
Não.
— Sim. Minha mãe, Niki e Lisa são as últimas pessoas restantes da
minha família. Eu me recuso a machucar qualquer uma delas.
Ele acenou com a cabeça, mas ficou claro que ele não estava satisfeito
com a resposta.
— Olha, nós temos que tentar nos comportar como pessoas normais.
Isto não é normal, Max. Nós estamos deixando o outro louco, e nós nos
conhecemos há apenas alguns dias. Você não sabe nada sobre mim, e vice-
versa. Talvez pudéssemos tentar apenas nos conhecer melhor. Então, quanto
mais tempo passarmos um com o outro, o mais provável é a atração comece a
diminuir...
— Eu não posso, Stella. Isso tudo é novo para mim. Eu nunca me senti
assim em relação a uma menina, nunca. Especialmente sobre uma garota que
eu acabei de conhecer. Mas eu sei disso - se um cara se aproximar de você, eu
não vou ser capaz de me controlar na próxima vez. Eu simplesmente não
posso.
Isso significa que nunca seriamos capazes de sair juntos, e Lisa ficaria
separada de seus amigos por causa dela. A culpa tomou conta de Stella e ela
estava pronta para fazer qualquer coisa para manter Max na vida de Lisa.
E na dela.
— Ok, e quanto a isso? Eu prometo que não vou dançar ou paquerar ou
qualquer coisa com outros caras, enquanto você estiver lá.
Ele pareceu pensar sobre isso, antes que ele concordasse. Ele não estava
muito feliz com isso, mas pelo menos era alguma coisa. Era a única solução
possível para serem capazes de passar algum tempo juntos.
— Eu tenho uma condição, no entanto. — ela disse e sorriu
maliciosamente.
— Claro que tem. — ele disse, e sorriu de volta.
— O acordo vale nos dois sentidos.
— Você, com ciúmes? — Max levantou uma sobrancelha.
— Talvez um pouco. Você aceita ou não?
— Você tem um acordo, tesoro.
Será que ele tem que chamá-la assim? A combinação de sua voz, e ainda
falando italiano era enlouquecedora.
— Que tal um jantar hoje à noite? Só você e eu. Nós podemos conversar.
— Eu não posso. Eu vou trabalhar.
— À noite? O turno dos salva-vidas não é até ás seis?
— Eu trabalho em um bar algumas noites por semana. Por que você não
vem? Beppe vai aparecer em algum momento, e talvez Gia depois do trabalho.
— Claro. Lisa está trabalhando, também. Me mande por mensagem o
endereço, e eu vou estar lá.
*
Quando eles se separaram, Max não podia acreditar que havia
expressado seus sentimentos tão livremente na frente de Stella. Ele a
conhecera há cinco dias, mas sentia como se fossem semanas - talvez até meses.
Ela trouxe um lado muito aberto e honesto dele, Max não poderia se ver
tagarelando como um idiota por estar com ciúmes de qualquer outra garota
que ele conheceu há cinco dias. Na verdade, qualquer outra garota, em
qualquer período. Ele tinha vinte e dois anos de idade e teve dois
relacionamentos - um por quase um ano, logo após seu pai ter morrido, e um
por cerca de oito meses, quando ele tinha dezenove anos. Havia muitas
meninas circulando nesse meio tempo, mas ele não chamaria isso de
relacionamentos.
E ainda, com Stella, ele sentiu como se ele nunca tinha namorado
ninguém antes. Tudo o que ele sentia era novo para ele - o ciúme extremo, o
intenso desejo, o medo sem esperança de que ele nunca poderia estar com ela, a
honestidade absoluta. Olhando-a nos olhos e dizer-lhe exatamente como ele se
sentia parecia ser a única opção.
Max mal podia esperar para conhecê-la melhor e descascar cada camada,
até que ele chegasse ao âmago. Ele queria ter tudo dela, e não apenas o seu
corpo ou a sua amizade. Ele queria seus medos, seus sonhos, seus segredos,
seus desejos, seus pequenos hábitos irritantes - tudo isso.
Essa percepção o fez parar abruptamente. O que isso significa? Por que
ele se sentia assim por alguém que tinha conhecido apenas há alguns dias? Será
que isso realmente é importante, quanto tempo você conhece alguém, antes de
você desenvolver sentimentos por eles? Havia um livro de regras ou algo
assim? Tudo o que sabia era que ele não podia deixar de sentir dessa forma.
Era o que era.
Ele precisava parar de super analisar isso, ou ele ficaria louco.
*
Quando Stella chegou em casa, ela tinha a casa para si mesma durante
todo o dia. Niki estava trabalhando e Lisa estava compensando a sua ausência
no dia anterior, indo para a galeria e a aula de arte em um único dia.
Tomar um banho parecia ser a primeira coisa a fazer. Quando ela secou
os cabelos e vestiu um short e um top, ela pegou seu telefone e seu Kindle e
saiu para o jardim. Sentada numa espreguiçadeira à beira da piscina, Stella
chamou sua mãe e falou apenas por alguns minutos, porque ela estava no
trabalho. Ouvir sua voz era realmente o que ela precisava. Ela sentia saudades
de sua mãe, muito. Ela queria dizer a ela tudo o que estava acontecendo em sua
vida agora, porque ela sabia que Helen seria capaz de ajudá-la a resolver a
confusão em sua cabeça.
Ouvindo a admissão de Max que ele tinha sentimentos por ela pegou
Stella completamente desprevenida. Não era só desejo que ele estava sentindo.
Você não sentia um ciúme doentio a ponto de querer machucar alguém, quando
tudo que você queria era o corpo de uma menina. Em vez de estar feliz com
isso, Stella estava confusa. Ela gostava muito de Max. Sua atração por ele ia
além do simples desejo por ele. Era por isso que ela não queria ceder a seus
sentimentos - ela sabia com absoluta certeza que o que ela e Max tinha era
muito intenso para uma aventura.
Ela estava partindo em dois meses, e ela poderia ainda ter câncer. Depois
de duas cirurgias, o câncer havia voltado. No entanto, os médicos por melhores
que fossem, nunca poderiam ter certeza de que eles tinha conseguido retirar
todas as células do câncer. Stella rezava todos os dias que ele não se espalhasse
para outros órgãos desta vez - porque se o fizesse, ela não teria quase nenhuma
chance de sobrevivência.
Como ela podia se permitir ter um relacionamento com um cara incrível
e condená-lo a ficar com uma menina doente?
Stella balançou a cabeça, porque seus pensamentos tinham ficado muito
mais sombrios do que ela imaginava. Sem pensamentos de câncer - que era a
sua resolução quando veio para cá. Apenas se sentir normal e ter uma vida
normal. Mesmo que fosse por apenas dois meses.
Ela agarrou seu Kindle e começou a ler. Logo, a corrida e a noite mal
dormida cobrou seu preço, e suas pálpebras ficaram pesadas antes que ela
cochilasse.
O som de mensagem de texto a acordou. Olhando para o telefone, Stella
percebeu que ela tinha dormido por quatro horas. Sentindo-se revigorada e
pronta para sair hoje à noite, ela pegou o telefone e leu o texto. Era de Max -
ele a estava avisando o nome e endereço do bar que iria trabalhar.
Por um segundo Stella se perguntou por que ele tinha dois empregos,
nenhum dos quais parecia ser uma escolha de carreira. Ela não sabia muito
sobre ele, sabia? Talvez se ela acrescentasse algumas camadas extras à sua
personalidade, ela seria capaz de olhar além de seu abdômen definido e olhos
castanhos apaixonantes, e realmente conhecê-lo.
Ela precisava ficar pronta. Reunindo todas as suas coisas, ela subiu as
escadas, enviando uma mensagem a Lisa para avisá-la onde estaria, e se dirigiu
para o banheiro. Seu cabelo estava em todo o lugar, porque ela tinha
adormecido logo após lava-lo. Suspirando, Stella o prendeu em um rabo de
cavalo e escovou os dentes. Então ela colocou um pouco de maquiagem,
pensando no que iria vestir. Ver Max olhá-la do jeito que ele tinha olhado
quando saíram ontem à noite, foi um enorme interruptor, mas ela não queria
pressioná-lo hoje. Então ela escolheu um jeans - neutro o suficiente - e um top
prata sem mangas, que não tinha nada de especial na parte da frente, embora as
costas fosse decotado quase até a cintura. Tudo preso por três fitas de cetim na
parte de trás, que abraçava todas as suas curvas perfeitamente. Com seu cabelo
em um rabo de cavalo bagunçado, a atenção era imediatamente atraída para
suas costas nuas.
O salto alto seria demais, então Stella decidiu pelo mais baixo, usando
sandálias pretas simples. Pronto. Tão casual quando possível.
Sua barriga roncou e se lembrou que não tinha comido desde esta manhã.
Descendo para a cozinha, ela fez um sanduíche e bebeu quase uma garrafa
inteira de água. Cerca de dez minutos depois, ela sentiu completa, hidratada e
animada para sair.





1'pí $&(! Se$e

0 bar Ironia estava muito cheio.
Quase todas as mesas estavam ocupadas, e o bar estava lotado. A música era
uma mistura de tudo, desde o pop atual a grandes sucessos do rock, deixando a
maioria dos clientes satisfeitos. O interior era bastante moderno e elegante -
mesas de vidro preto, cadeiras e banquetas vermelhas e brancas, e uma grande
quantidade de espelhos e luzes. Isso servia a geração mais jovem.
Stella caminhou até o bar, e quando se aproximou viu um único banco
branco no canto esquerdo que estava desocupado. Indo até lá, ela olhou em
volta à procura de Max atrás do balcão. Ela o viu e ficou ali, para que pudesse
desfrutar de observá-lo, sem ele saber. Era óbvio que ele sabia o que estava
fazendo - ele se movia com rapidez e eficiência, preparando e servindo bebidas,
enquanto conversava e brincava com os clientes.
Ela poderia ficar lá e observá-lo a noite toda.
Infelizmente, ele a flagrou enquanto ela estava olhando para ele.
Envergonhada, ela sorriu e acenou, indo para o banco vazio.
— Hey. — ele disse quando se aproximou dela. Debruçando-se sobre o
balcão, ele lhe deu um beijo em cada bochecha. — Um pouco mais e eu não
teria sido capaz de segurar um banquinho para você. Está uma loucura aqui
hoje. — Alguém chamou o seu nome e ele gritou “espera” em italiano, inclinou-
se sobre os cotovelos em direção a ela. — O que eu posso te pegar, tesoro? —
Essa palavra rolou para fora de sua boca perfeita, como se fosse feito para ele.
Stella não podia imaginar alguém dizendo isso da mesma maneira.
— Um virgem bellini
1
, por favor. — Ele balançou a cabeça e voltou com
a bebida momentos mais tarde. — Você está sozinho esta noite? — Parecia
estranho que fosse uma noite movimentada e Max fosse o único atrás do bar.
— Sim, a garota que supostamente deveria estar aqui, pediu demissão
ontem à noite. Os outros dois caras que trabalham aqui já tinham planos para
hoje à noite, por isso não conseguiram mudar o turno. Estive aqui a maior
parte da tarde tentando encontrar alguém para substituí-la, mas não tive sorte.
Alguém o chamou de novo e, desculpando-se, saiu para preparar mais
algumas bebidas. Stella percebeu que, a menos que Beppe ou Gia aparecesse
logo, ela estaria presa lá a noite toda bebendo seus virgens bellinis sozinha,
observando Max trabalhar. Não que fosse uma visão particularmente ruim,
mas ela tinha a esperança de passar algum tempo com ele, e não apenas
admirá-lo de longe.
— Por que você que teve de encontrar alguém para substituir aquela
garota? Não há um gerente ou alguém que faça isso? — Stella perguntou,
quando ele voltou a encher seu copo.
— Sim, existe, mas ele está de férias até amanhã. Os proprietários vivem
na Toscana, e como me conhecem desde que eu era uma criança, eu sou a única
pessoa de confiança para levar este lugar quando Stephan não está aqui. — Ele
mal tinha terminado a frase, antes que tivesse que retornar e servir outra
cliente novamente.
— Eu tenho uma ideia. — ela disse, quando Max retornou para junto
dela novamente.
*
Seus olhos brilharam com malícia e no momento em que ela disse essas
quatro palavras, Max sabia que ia ter problemas hoje a noite.
— Por que você não me deixe ajudá-lo hoje à noite?

1
Drink sem álcool a base de suco de pêssego

— O quê? Não.
— Por que não? Você está obviamente sobrecarregado, e eu estou
completamente entediada apenas sentada aqui. Você pode fazer os coquetéis, já
que eu não sei como fazê-los, e eu possa fazer as coisas mais fáceis. Servir as
cervejas, vinhos e outras coisas
— Você não trabalha aqui, Stella...
— E quem é que sabe disso? Ninguém está aqui, só você. Se uma das
garçonetes perguntar, apenas lhe diga que está fazendo testes comigo para o
trabalho.
Alguém o chamou de novo e, tanto quanto Max queria virar e gritar com
eles, não podia. Se era a noite sobrecarregada ou seus olhos cinza arregalados o
olhando com entusiasmo, Max se encontrou pensando sobre sua proposta. Ela
estava certa - ninguém estava aqui. Ele precisava de ajuda. Ele poderia de fato
dizer que era um teste para o trabalho.
— Ok. — Ele falou as palavras antes que tivesse a chance de mudar de
ideia. O sorriso que ela o recompensou valeu a pena cada dificuldades que ele
passou essa noite. — Vá até a sala dos funcionários - há um armário cheio de
aventais pretos, coloque um e venha atrás do bar por ali. — Ele apontou para a
pequena abertura na extremidade do bar.
Stella pulou de seu banquinho e, literalmente, correu para a sala dos
funcionários.
Ele ficou olhando para ela correndo em direção ao escritório.
Se ele tivesse visto a parte das costas, há dois segundos atrás, ele nunca
teria concordado com isso. Ela estava praticamente nua! Seu rabo de cavalo
batia no meio de suas costas nuas enquanto ela andava, e ele imaginou
deslizando as mãos sobre a pele lisa e traçando a tatuagem abaixo do seu
ombro com as pontas dos dedos, antes de beijar o seu caminho até o pescoço.
Max só podia imaginar como os homens que estavam no bar reagiria a
ela. Alguns segundos atrás, ela estava enfiada em um canto, não causando
nenhum problema e, definitivamente, não ficando de costas para uma fileira
cheia de tesão de vinte anos de idade.
Essa ia ser uma longa noite.
Poucos minutos depois, Stella caminhou em direção a ele usando um
pequeno avental preto e um enorme sorriso. Ele rapidamente mostrou-lhe
onde guardavam todas as coisas que ela precisava, como garrafas de cerveja,
vinho, garrafas de álcool, amendoins e batatas fritas.
— Escutem, caras — ele falou sobre a música alta e atraiu a atenção de
todos. — Esta é Stella, ela estará me ajudando esta noite. Peguem leve com ela.
A atmosfera em torno do bar mudou imediatamente.
Os homens começaram a brincar e assobiar, o seu interesse crescendo.
Eles não tinham tido uma nova garota no bar Ironia em anos, e Max tinha
certeza que Stella teria muito em suas mãos esta noite.
— Cuide das bebidas engarrafadas e vinhos; me chame se você precisar
de um cocktail.
O bar não tinha tantas pessoas pedindo apenas cerveja há muito tempo.
Max ficou preso fazendo coquetéis para as mesas, já que Stella servia as
bebidas a quem chegava ao bar. Ela serviu a todos com um sorriso, brincou e
riu com eles, mas ao mesmo tempo não aceitou nenhuma merda de qualquer
um deles. Algumas observações sarcásticas e flertes foram recuando,
procurando alvos mais fáceis. Ela movia-se rapidamente e de forma eficiente,
realmente se divertindo. Alguns caras se ofereceram para comprar bebidas
para ela, mas ela sempre recusava educadamente. O que havia com ela e a
bebida? Ela tinha dezenove anos e estava no exterior de férias, e ainda assim,
Max nunca a tinha visto beber qualquer bebida alcoólica. Não que ele fosse
apoiar beber no trabalho, mas ela não tinha bebido nada na noite passada, ou
no clube, ou no churrasco de Lisa.
Percebendo que ele estava olhando para ela com metade de um limão
firme na mão, Max sacudiu a cabeça e tentou se concentrar em seu trabalho.
Foi difícil, porque Stella era muito perturbadora. Sua risada ecoava até mesmo
sobre a música alta e lhe dava arrepios de desejo que atravessavam sua espinha.
Imaginou-a rir baixinho em seus braços, só para ele, e não em um bar cheio de
gente babando em cima dela. De vez em quando ela passava por ele, e o cheiro
suave de seu perfume atingia seus sentidos, nublando-os. E a pele nua nas
costas... Isso o deixou quase por para não tocá-la.
— Bem, bem - o que temos aqui? J á está explorando a pobre menina
inglesa, não é?
A voz de Beppe afastou Max de seu devaneio. Seu amigo tinha se
inclinado sobre o balcão, apoiado em seus antebraços, obviamente apreciando o
rumo dos acontecimentos e pensando em maneiras de envergonhá-lo na frente
de Stella.
— Ninguém está explorando ninguém. Ela está me ajudando. — O aviso
na voz de Max era óbvio. Ou melhor, seria óbvio se Beppe tivesse qualquer
respeito por avisos de seu amigo.
— É mesmo? — Ele levantou uma sobrancelha sugestivamente, olhando
ao redor e acenando para Stella. — Por que todo mundo está bebendo cerveja?
Nada de coquetéis hoje á noite? — perguntou Beppe, enquanto tomava uma
olhada ao redor do bar.
— Stella está servindo a cerveja.
Um — Ahhhh — de entendimento saiu de sua boca, juntamente com um
olhar travesso dirigido a Max. — Eu aposto que você está gostando disso. —
A ironia em sua voz não foi perdida em Max.
— O que é que isso quer dizer?
— Não fique na defensiva comigo, cara. Você sabe muito bem o que
significa. Eu pude ver que você estava com a cueca entalada na sua bunda no
segundo que entrei aqui
— Isso poderia ser verdade, se eu estivesse usando cueca. — Max sorriu
para o amigo, que fez uma cara de nojo.
— Eu não preciso saber disso.
— Hey, Beppe — disse Stella, enquanto inclinava para dar-lhe os beijos
habituais e expor toda as suas costas nuas ao lado de Max. Foi preciso toda a
força de vontade que possuía para não agarrá-la e arrastá-la de volta para a
sala dos funcionários. — Você não precisa saber o que? — ela perguntou, com
um sorriso torto.
— Max está sem cueca esta noite. — Beppe declarou, orgulhoso de si
mesmo e a forma como a situação estava evoluindo ao seu redor.
O olhar de Stella arregalou, mas ela não disse nada. Era sua imaginação
ou ela corou? Se fosse esse o caso, então talvez ele pudesse empurrá-la um
pouco mais.
— Não apenas hoje à noite, homem. — Max disse, roubando um olhar
na sua direção.
Ah, sim, ela definitivamente tinha corado. Max podia ver claramente o
lindo rosado em suas bochechas, quando ela se virou para olhar para ele e ver
se ele estava falando sério. Ele piscou para ela e ela balançou a cabeça em
descrença. Sorrindo, ela se afastou para atender seu fã-clube.
— Basta encontrar uma sala. — Beppe murmurou, enquanto fazia o seu
caminho em direção à pista de dança.
Max sempre tinha pensado em si mesmo como um bom dançarino, mas
seu amigo era outra coisa. Beppe nasceu para acompanhar as batidas da música.
Ele era uns dois centímetros menor do que Max, mas ele ainda era maior do
que a maioria dos caras. Vendo seu corpo magro mas musculoso, movendo tão
fluentemente era outra coisa. As meninas adoraram Beppe - ele não estava na
pista de dança nem dois segundos, antes que as garotas começassem a circulá-
lo, prontas para atacar. E ele gostava de cada segundo.
— Uau, ele sabe se mover, não é? — Disse Stella ao lado dele,
assustando-o para longe de seus pensamentos, de modo que ele deixou cair o
limão que estava segurando no cocktail que estava fazendo. Ele espirrou por
todo o bar e sua camisa.
— Sinto muito, não queria assustá-lo — ela se desculpou, enquanto
pegava um pano de prato seco. — Aqui, deixe-me ajudá-lo... — Ela começou a
secar a mancha úmida em sua camiseta. A última coisa que Max precisava
agora era suas mãos perto dele. Ele pegou a mão dela e rosnou.
— Eu resolvo isso. — Ela recuou um pouco com sua voz dura, mas
quando o entendimento bateu em seus olhos, ela mordeu o lábio inferior,
tentando esconder o sorriso.
— Sim, com certeza. — Ela deixou o pano de prato na mão dele, e
dirigiu-se para o lado oposto do bar.
Cara, essa noite nunca iria acabar?
Max mal podia esperar para ter Stella toda para ele.
*
Stella viu quando Max foi até a parte de trás do bar, até a sala dos
funcionários, tirando sua camiseta durante o caminho. A tatuagem em seu
ombro direito movia em sincronia com os músculos de suas costas. Stella
imaginou correndo os dedos ao longo da tatuagem inteira e descobrir
exatamente o que ele representava, pois agora parecia um monte curvas
aleatórias, embora bonita.
Ele voltou minutos depois, usando uma camiseta preta com “SNATCH”
2

escrito em letras grandes e brancas na frente. Isso poderia não ter nada a ver,
mas Stella pensou imediatamente do filme de Guy Richie e sorriu.
— O quê foi? — Perguntou Max, como a pegou sorrindo.
— Nada. Eu adoro esse filme.
— Sério? Eu também. — Ele chegou mais perto dela, e Stella teve de
inclinar a cabeça para trás para olhar para ele. Ela amava o quão grande ele era
- ele a fazia se sentir vulnerável e segura ao mesmo tempo. — Talvez
pudéssemos vê-lo juntos algum dia. — Sua voz caiu para um ronronar sedutor
que ressoou por todo seu corpo.
Um alto pigarro arruinou esse momento, e eles se viraram em direção ao
som para enfrentar Gia. Ela parecia exausta.
— Se vocês dois acabaram de se foder olho no olho, alguém pode me
pegar uma bebida? E bem forte.
A irmã de Max era bastante franca, e Stella gostava disso. Ela não
parecia se preocupar com a vida dos outros, o que era uma boa coisa. Gia era o
tipo de garota que vivia sua vida como bem entendesse, e deixava que o resto
fizesse o mesmo. Stella sentia que não faria nenhuma diferença para ela se seu
irmão começasse a namorá-la, mesmo que ela partisse seu coração no final.
Max colocou o cocktail na frente dela, assim que Beppe caminhou na
direção deles. Ele se concentrou em Gia, e rodeou sua cintura com o braço,
enquanto se aproximava dela.

2
No Brasil, o filme foi divulgado com o nome de “Porcos e Diamantes”
— Ciao, amore. Eu estive esperando por você. — Seu tom era brincalhão
e ele demorou um pouco mais do que o necessário quando beijou sua bochecha.
— Sim, eu aposto. É por isso que você está suado e sem fôlego? Por
causa da espera? — Ela brincou com ele sem dó, e ele adorou.
— Sim, eu estava dançando. Mas eu vi a sua bunda perfeita no momento
em que entrou, dolcissima. — Gia riu e balançou a cabeça, descartando seu
elogio.
— Cara, você não pode falar sobre a bunda de minha irmã na minha
frente? Isso é nojento. — Max reclamou.
— Nojento? Você está cego? — Ele levantou Gia para fora do banco
sem esforço, girou em torno dela, enquanto ainda segurava sua cintura e
apontou para seu traseiro. — Você chama isso de nojento? É a perfeição em
sua forma mais pura, homem. — Ele girou novamente para encontrá-la rindo e
se aproximando de seu rosto acrescentou: — Assim como o resto dela.
Gia continuou rindo e, puxando-lhe o braço, ele a levou para a pista de
dança.
De alguma forma, Stella não achava que ele estava brincando.
— Então, qual é o lance de Gia e Beppe? — ela perguntou a Max,
enquanto limpava o balcão. Estava ficando tarde e a maior parte da multidão
em torno do bar tinha ido para casa ou arrumado companhia na pista de dança.
— É assim que eles agem. Não é nada incomum. Eles podem ser
bastante irritantes, até você se acostumar com esse relacionamento estranho.
— Me parece que ele realmente gosta dela.
— Ele gosta de tudo com estrogênio. — Stella revirou os olhos para
esse comentário, mas decidiu não força-lo ainda mais. — Ele é um grande
paquerador, e as mulheres o amam. Ele nunca teve um relacionamento de mais
de uma semana e ele não está interessado em compromisso. Minha irmã sabe
disso e sabe que ele está apenas brincando com ela. Ela nunca se apaixonaria
por qualquer um de seus flertes, porque ela o conhece muito bem.
Stella assentiu, ainda não completamente convencida de que Beppe não
gostava de Gia de uma maneira completamente diferente de todas as outras
garotas. Ela o conhecia apenas por alguns dias, e Max tinha sido seu amigo na
maior parte de sua vida. Ela não tinha nenhum motivo para ficar discutindo,
então ela apenas mudou de assunto.
— Que horas você costuma fechar?
Max olhou para o relógio. — Daqui a mais ou menos uma hora.
O tempo voou entre limpar atrás do bar e servir algumas bebidas finais.
A pista de dança lentamente começou a esvaziar, até que só restavam Gia e
Beppe. Não que importasse. Eles estavam se divertindo muito - a irritada e
exausta Gia que veio até o bar tinha ido embora, e uma menina brilhante,
despreocupada, e risonha estava dançando em seu lugar. Beppe era
definitivamente seu tipo de medicamento.
— Stella — Max chamou. — Aqui está sua parte das gorjetas desta
noite. — Ele se aproximou dela com um punhado de notas.
— Eu acho que você pode estar se esquecendo de que eu realmente não
trabalho aqui, Max. — Ela não se moveu para pegar o dinheiro. Parecia errado,
ela tinha feito isso para ajudar Max, e tinha sido muito divertido fazê-lo. Isso
nem tinha passado pela cabeça dela, que ela estaria recebendo dinheiro.
— Confie em mim: eu não esqueci nada sobre hoje à noite. — Ele sorriu
e parou a poucos centímetros dela. Normalmente, Stella não gosta que seu
espaço pessoal é tão descaradamente desrespeitado, mas com Max, ela não se
importava. Nem um pouco.
— Eu não vou pegar o seu dinheiro, Max.
— Não é meu dinheiro, é o seu. Nós sempre dividimos as gorjetas entre
nós no final da noite. Você serviu bebidas - você tem gorjetas. É assim que o
sistema funciona em um bar. — Ele teimosamente estendeu o dinheiro para
ela, e não tinha nenhuma intenção de recuar.
— Tudo bem. Mas eu tenho uma condição.
— Você tem uma condição?
— Sim. Eu não vou pegar esse dinheiro, se você não aceitar. — Dois
poderiam jogar esse jogo.
— O que é? — Perguntou Max, com um suspiro ironicamente
entediado.
— Você sai para jantar comigo amanhã, e só comigo. — Stella olhou
para as notas em sua mão intencionalmente.
— Você está me convidando para sair? — Ele levantou uma sobrancelha
sugestivamente e sorriu.
— Não, bem, sim, mas não em um tipo de encontro. Vamos jantar e
conversar. Amigos conversam, certo?
— Ok.
Stella sorriu e pegou o dinheiro.
— Uau, isso é o quanto vocês costumam ganhar de gorjetas? — Havia
mais de uma centena de euros em sua mão, e era apenas a sua parte.
— Não, mas posso apostar que seu “mal pode ser chamado de blusa”,
ajudou a afrouxar algumas carteiras.
— Mal? Isso é uma blusa!
— Tchau, pessoal, estamos saindo. — disse Gia, quando veio pegar sua
bolsa, com Beppe a reboque. — Stella, você precisa de uma carona?
— Ela está bem, eu cuido dela — disse Max, antes de Stella ter a chance
de abrir a boca.
— OK. Vejo vocês depois — Eles se dirigiram para a porta, o braço de
Beppe envolvendo os ombros de Gia.



1'pí $&(! 0"$!

Quando o bar estava limpo e as portas
bem travadas, Max pegou a mão de Stella na sua, como se fosse a coisa mais
natural do mundo, e levou-a em direção ao estacionamento na parte de trás.
— Para onde estamos indo? — Perguntou ela, porque pensou que
pegaria um táxi para casa.
— Até o carro. Eu vou leva-la para casa.
— Oh. Ok. Eu não sabia que você tinha um carro.
— Sim, eu tive que deixá-lo um tempo na oficina. Eles tiveram que
conserta-lo depois do acidente
A palavra — acidente — ecoou na cabeça de Stella e ela imediatamente
congelou no lugar. Ela não gostava dessa palavra. Após o acidente de carro
que tinha tirado a vida do seu pai e Eric, Stella não tinha sido capaz nem
mesmo entrar em um carro por dois anos. Tinha sido uma luta vencer sua
fobia, percebendo que ela não poderia passar a vida assustada. Imaginar Max
em um acidente de carro, no entanto, trouxe de volta as memórias , e por um
momento ela sentiu o início de um ataque de pânico.
Fechando os olhos, Stella respirou fundo e tentou se acalmar.
Max estava bem aqui ao seu lado, ele não tinha morrido. Tudo estava
bem.
— Stella? Você está bem?
Ela abriu os olhos para encará-lo, imediatamente relaxando quando
encontrou seu olhar cor de avelã. Ele havia chegado mais perto dela,
provavelmente porque pensou que ia desmaiar. A preocupação em seus olhos
era evidente, mesmo no estacionamento pouco iluminado. Mas havia algo mais
- ele sabia por que suas palavras a tinham assustado. Lisa deve ter contado a
ele sobre o acidente que também matou seu próprio pai.
— Sinto muito. Eu não deveria ter dito nada. Eu... esqueci —
Felizmente, não havia pena em seus olhos, apenas uma preocupação genuína.
Stella estava feliz que ele tinha esquecido do fato que ela havia perdido metade
de sua família. Ela não queria que ele pensasse nisso cada vez que olhasse para
ela.
— Está tudo bem, Max. . Estou bem — Ela desviou o olhar dele para o
único carro deixado no estacionamento, era uma BMW 125i prata.
— Você tem certeza? Podemos caminhar - é uma noite quente. Eu posso
levá-la para casa e pegar um táxi de volta aqui...
— Max — disse ela, virando-se para encará-lo, sentindo-se irritada que
tinha mostrado vulnerabilidade suficiente para que agora ele estivesse
preocupado com ela. — Eu não vou fazer você andar pela cidade depois do
trabalho, só porque eu me apavorei sobre você em um acidente. Eu estou bem.
Vamos lá. — Ela fez um gesto de impaciência em direção ao carro, e depois de
lançar um último olhar desconfiado para ela, Max abriu as portas e eles
entraram.
Ele era um grande piloto. O carro ronronou sob seus pés e ele dirigiu
sem problemas. Apesar de sentir-se nervosa, Stella não podia deixar de
admirar a maneira como ele lidava com a BMW, nem uma vez parando
subitamente, ou cometendo qualquer errinho irritante. O que a surpreendeu foi
que ela achou muito sexy a maneira como ele mudava a marcha e manuseava
no volante. Ela nunca, nunca, achou alguém sexy por dirigir antes.
— Você está me encarando, querida — disse ele com um sorriso
diabólico. Stella corou e ficou contente pela escuridão da noite. — O que é?
Você não acha que eu vou levá-la para casa em segurança?
Ela não confiava nele, mas ela não sabia o porquê. Confiar em alguém
que dirigia um carro não era algo que ela achava que conseguiria fazer algum
dia.
— Você acabou de admitir que esteve em um acidente. Eu queria ter
certeza de que você sabia o que estava fazendo.
— Não foi minha culpa. O imbecil estúpido tinha bebido e ultrapassou o
sinal vermelho, batendo na gente. Não havia nada que eu pudesse fazer.
Felizmente, o carro pegou todos os danos e saímos sem um arranhão.
— Nós? — Stella sentiu o pulso acelerar novamente. Isso soava muito
como um déjà vu, o motorista que matou sua família havia ultrapassado o sinal
vermelho e bebido. E Max não estava sozinho.
— Sim, eu e Lisa.
Não, não, não, não!
— Eu pensei que ela tinha te contado...
Stella não podia falar, porque a garganta estava completamente fechada,
então ela apenas balançou a cabeça. Lisa tinha sofrido um acidente de carro
recentemente. O que havia de errado com este mundo? Será que todos que
amava seriam mortos em um acidente de carro? Esse era o seu pior medo
voltando à vida. J ustamente quando ela pensou que tinha conseguido superá-
lo.
O carro diminuiu a velocidade e parou. Stella tentou afastar a ansiedade,
olhando para fora da janela, percebendo que não estavam ainda em frente a
casa de Lisa.
— Por que você parou? — ela perguntou a Max, virando-se para
encará-lo. Ele tinha aquele olhar novamente - preocupação misturada com
pesar. Ele não disse nada, apenas soltou o cinto de segurança e afastou uma
lágrima de seu rosto com o polegar.
Stella ainda não tinha percebido que estava chorando.
Perfeito. Isso poderia ficar mais embaraçoso?
Ele não perguntou se ela estava bem, porque, obviamente, ela não estava.
Não havia nenhum ponto mais em negar o que sentia. Mas, ainda assim, ela
não tinha coragem de lhe dizer exatamente como se sentia agora.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, até Max falar.
— Quando meu pai morreu, eu sai dos trilhos. Eu bebia e festejava a
cada noite, dormia com cada menina que mostrava um interesse remoto em
mim. Eu não estava interessado em nada nem em ninguém. Minha mãe estava
de luto à sua maneira, enterrando-se no trabalho, e raramente em casa. Gia
estava ocupada tentando se formar com boas notas e entrar na faculdade. Eu
sentia que todos tinham me abandonado. Eu comecei a entrar em brigas e
causar problemas em todos os lugares que aparecia.
— Isso durou mais de dois anos. Eu estava uma bagunça e não via
nenhuma saída. Até que uma noite eu entrei em uma briga, e o cara acabou em
coma por uma semana. Ele quase não sobreviveu. Nenhuma acusação foi
levantada contra mim, porque eu tinha fugido e o deixado para morrer. Ele
tinha drogas com ele e estava completamente pirado quando a ambulância
chegou. Ele nem sequer se lembra que eu o mandei para o hospital.
— Eu quase matei alguém, e eu não me lembro o porquê. Esse foi o
despertar que precisava para tentar resolver meu problema. Era isso ou acabar
na prisão, ou pior. Eu precisava lidar com a morte de meu pai. Aceitar e seguir
em frente. Então eu parei de beber e festejar, e encontrei um grupo de apoio
para jovens que perderam seus pais. Achei que não seria capaz de fazer isso
sozinho. Foi aí que eu conheci Lisa, e sua amizade tem sido uma parte vital da
minha recuperação.
O tempo todo que esteve falando, ele se manteve olhando para a frente,
através do para-brisas. Stella não podia ver seus olhos, mas ela imaginava que
eles estavam cheios de emoção. Ela também achava que ele não contava essa
história para qualquer um. Ele fez isso para preparar o caminho para ela, para
que compartilhasse seus sentimentos com ele.
Ela estendeu a mão até a alavanca da marcha, e pegou sua mão direita na
dela. Max virou a cabeça em sua direção e ele parecia surpreso. Ele não sabia
como ela reagiria ao seu passado e ao fato de que ele quase matou alguém sem
nenhuma razão.
— Você deveria estar orgulhoso de si mesmo, Max. Apesar de tudo,
você conseguiu sair para fora desse buraco. Muitas pessoas não podem dizer
isso. É muito mais fácil deixar ir e cair ainda mais para baixo. — Ela apertou
sua mão para tranquilizá-lo de que ela quis dizer o que disse. Ele assentiu, e
Stella sabia que era sua vez de falar.
— Eu... tenho medo de carros. Mas eu não posso passar a minha vida
tendo esse medo ou aquele. Então eu entro no carro quando preciso, cerro os
dentes, e resisto durante o passeio. Eu me tornei tão boa em suprimir o meu
medo, que as pessoas nem percebem o quão desconfortável eu estou. O que eu
não consigo me imaginar fazendo é eu mesma um dia dirigir um carro. Embora
eu possa garantir que eu nunca vou beber e dirigir ou ser imprudente ao
volante, eu nunca poderia prometer que não vou bater em alguém, mesmo que
fosse por minha culpa , e mudar a vida de alguém assim...
Stella fez uma pausa e engoliu as lágrimas. Cinco anos se passaram e
ainda falar sobre a morte do seu pai e seu irmão não era nada fácil. Max
apertou a mão dela, e quando ela olhou para ele, seus olhos estavam pedindo a
ela para ir em frente.
— Minha vida mudou num piscar de olhos. Só isso — ela estalou os
dedos — tudo foi tirado de mim. Meu pai e Eric estavam mortos, minha prima
e melhor amiga, a única pessoa que sabia exatamente como eu me sentia,
estava se mudando para outro país, a minha tia não queria sequer manter
contato. Meu maior medo hoje, é que as pessoas com quem me importo sejam
arrancadas da minha vida, e eu não vou poder fazer nada sobre isso. Eu
percebo que é o que a maioria das pessoas tem medo, mas eu sei exatamente
como é esse sentimento por experiência própria, e eu nunca mais quero passar
por isso novamente.
— Eu luto com esse medo a cada dia, porque eu não quero passar a
minha vida sem realmente vivê-la, apenas por ter medo. Eu não quero me
separar das pessoas que se preocupam comigo, só porque eu estou com medo
de perdê-las. — Ela fez uma pausa e pensou em sua cabeça se ela deveria dizer
o que veio a seguir ou não. — Eu não quero não ser capaz de me apaixonar,
porque eu estou com medo que meu coração vai ser quebrado de uma maneira
ou de outra.
Seus olhos nunca deixaram o dele, como ela disse essas últimas palavras.
*
Conseguir que Stella se abrisse com ele, lhe deu uma sensação de
conquista incrível. Ela sempre foi extremamente reservada, mesmo depois que
ele admitiu o que sentia por ela.
Eu não quero não ser capaz de se apaixonar, porque eu estou com medo
que meu coração vai ser quebrado de uma maneira ou de outra.
A maneira como ela havia dito isso, olhando diretamente em seus olhos,
parecia uma admissão. E, no entanto, apenas esta manhã na praia, ela disse que
não queria usá-lo como um caso de verão e ferir Lisa no processo. O que Max
deveria pensar agora?
A única coisa que conseguia pensar era o quanto ele queria beijá-la. Ele
não conseguia se lembrar de compartilhar esse momento com ninguém. Lisa e
Beppe eram as únicas pessoas que ele já tinha conversado sobre seu pai e seus
sentimentos. Mesmo Gia não sabia exatamente o quanto ele tinha demorado e
passado para superar a morte de seu pai.
Mas se ele a beijasse, não haveria como voltar atrás. Ele não se
preocupava com as consequências. No entanto, ele não podia ter certeza de que
Stella não se importaria tanto. Ele não seria capaz de aguentar, se ele a beijasse
e, em seguida, ela o rejeitasse.
No final, o seu instinto de auto-preservação ganhou. Ele puxou a mão
dela e reposicionou-se para trás em sua cadeira. Ele podia sentir sua decepção
quando ela se mudou de volta em seu lugar também. Ele também estava
desapontado, mas ele deveria lhe dar algum espaço para pensar. Ele deixou
bem claro que queria estar com ela, e até que ela tivesse cem por cento de
certeza de que ela queria tanto quanto ele, ele não ia empurrá-la.
Se ela o rejeitasse, ele não seria mais capaz de ficar perto dela. Ele
preferia passar um tempo com ela, do que beijá-la agora, só para deixar as
coisas estranhas amanhã, quando sua consciência retornasse.
Max ligou o carro e dirigiu em silêncio o resto do caminho. Eles tinham
compartilhado um monte e ambos precisavam de um tempo para processar a
informação.
Logo, ele estacionou na frente da casa de Lisa e desligou o motor.
— Estou feliz que você veio hoje à noite.
— Eu também. — Stella sorriu para ele e ele refletiu seu sorriso. Seus
olhos mergulharam em seus lábios por um segundo e Max teve que apertar as
mãos em punho para impedir-se de agarrá-la e puxá-la contra ele. — Vejo você
amanhã, então. Obrigada pela carona.
— Ciao, tesoro. A domani — Ele podia ver o efeito que tinha sobre ela
quando falava em italiano, e ele adorava. O simples pensamento dela não ser
capaz de resistir a ele era um enorme tesão.
Ele tinha uma suspeita de que ela chegaria, mais cedo ou mais tarde.
*
A luz no quarto de Lisa ainda estava acesa, embora fosse muito tarde.
Stella esperava que ela ainda estivesse acordada. Subindo as escadas o mais
silenciosamente que pôde, porque a tia dela devia estar dormindo agora, Stella
bateu suavemente na porta de sua prima.
— Ei, eu estava esperando por você — disse Lisa, quando fechou o livro
que estava lendo. Ela estava vestida em seu pijama, e estava deitada apoiada no
cotovelo na cama.
— Você não precisava. Você já trabalhou o dia todo. — Stella sentou-se
na cama ao lado de sua prima, e puxou as pernas debaixo dela.
— Eu queria ver você. Eu sinto como se, desde que você chegou, tudo o
que eu tenho feito é trabalhar ou me preocupar com trabalho. Quero passar
mais tempo com você.
— Lis, pare com isso. Eu estou Ok. Toda vez que você puder passar
comigo está bom.
— Olha, amanhã estou livre durante o dia, eu só tenho que fazer a aula
de arte à noite. Vamos fazer alguma coisa. Podemos ir ao SPA da mamãe e
fazer as unhas ou receber uma massagem. Podemos ir à praia... Eu não sei -
você decide.
— Eu gostaria. Spa e praia — Ambos deram risadas, mas logo o rosto
de Stella ficou sério.
— O que há de errado? — Perguntou Lisa. — Será que Max deu em
cima de você de novo? — Ela fez uma careta.
— Não, não é isso. Nós nos divertimos muito hoje. Vamos jantar
amanhã.
— Como um encontro? — Lisa tentou esconder sua desaprovação, mas
não conseguiu. Isso só cimentou a suspeita de Stella, que ela não gostaria que
eles se envolvessem. Max tinha feito a coisa certa, quando ele resistiu a beijá-la
esta noite. Se ele não tivesse, elas estariam tendo uma conversa muito diferente
agora.
— Não, tipo como amigos que dividem uma refeição juntos.
Stella entendia por que Lisa não queria que ela se envolvesse com um de
seus amigos mais próximos, mas, apesar disso, ela se sentia um pouco irritada.
Seria tão ruim se ela e Max se envolvessem enquanto ela estivesse aqui? Mas
ela não podia se dar ao luxo de pensar isso agora.
— Por que você não me disse que esteve em um acidente de carro? —
ela perguntou, mudando de assunto abruptamente.
Lisa ficou atordoada em silêncio. Primeiro foi o choque em seu rosto, em
seguida o entendimento. E, em seguida, outra coisa que Stella não conseguia
identificar, porque sua prima escondeu quase que imediatamente.
— Ele lhe disse. — Ela disse baixinho, sem acusar.
— Sim, ele disse. Por que não?
— Você sabe por que, Stella. Qual é o ponto? Nós estamos bem. A única
coisa que a informação teria lhe causado seria um sofrimento desnecessário.
Stella sabia que ela estava certa, mas ainda se sentia como uma pessoa
vulnerável e fraca, quebrada, que todos tinham que andar na ponta dos pés ao
redor. Ela odiava isso.
— Eu posso lidar com isso, Lis. Eu posso lidar com a minha própria
merda, você não tem que me proteger — Ela não queria parecer tão dura, mas
era como se sentia..
— Eu sei que você pode. Você é uma das pessoas mais fortes que
conheço, Stella. Eu te admiro pela forma como você lidou com tudo o que a
vida tem jogado em você. Eu só não vejo o ponto de lhe dizer - o que você teria
feito?
— Eu poderia ter estado pelo menos lá para você. Aposto que o acidente
trouxe muitas memórias de volta.
— Ele fez. Isso também foi outro motivo por que eu não queria te dizer.
Eu não quero que você sinta o que eu senti. Eu estava uma bagunça por dias.
Mas você sabe o quê? Eu consegui sair para fora desse buraco negro, e eu me
sinto muito melhor agora. Não só sobre o meu acidente, mas sobre os deles
também.
— O que você quer dizer?
— Eu não sei como explicar isso exatamente. Acho que o que aconteceu
com o meu pai, eu não tinha lidado com isso completamente. Mas eu mesma
passar por uma situação semelhante, me fez sentir como se superasse a minha
própria experiência, e de alguma forma, conseguiu aceitar plenamente o que
tinha acontecido com eles também. Isso provavelmente não faz sentido...
— Sim, isso faz. Eu entendo. E, de uma maneira estranha, eu estou feliz.
— Você está feliz que eu estive em um acidente de carro? — Lisa
brincava com ela e Stella sorriu.
— Yeah. Fico feliz que você estivesse em um acidente de carro. Eis uma
frase que nunca pensei que diria.
Elas conversaram por um tempo mais longo. Lisa conversou
animadamente sobre a galeria de arte e como ela tinha vendido uma pintura
muito cara hoje. O cara que tinha comprado ficou impressionado com o
conhecimento sobre artes de Lisa, apesar da sua tenra idade. Ele disse que,
pessoalmente, pediria a sua ajuda na próxima vez que ele visitasse a galeria.
Ela também disse a Stella o quão impressionado estava com um de seus alunos
em sala de aula, que tinha um estilo único e cujo trabalho estava ficando
melhor e melhor depois de cada aula.
Stella gostava de ouvir Lisa conversar. Logo, suas pálpebras ficaram
pesadas e ela começou a afastar-se para dormir. Seu último pensamento foi que
ela não estava em sua própria cama, mas estava tão cansada e tão confortável
que não se importava. Ela adormeceu ao lado de Lisa, enquanto suas palavras
soaram como a melhor história de ninar.
1'pí $&(! 8!*e

Quando Stella acordou, o sol já estava
alto no céu e brilhando através das cortinas transparentes de Lisa. Sua prima
ainda estava dormindo ao lado dela. Percebendo que ela tinha adormecido no
quarto errado, fez com que todos os eventos de ontem à noite inundassem seu
cérebro ainda sonolento. Uma dor de cabeça ameaçou borbulhar para a
superfície, de forma que Stella decidiu que era hora de um pouco de exercício.
E café. Definitivamente café.
Saindo do quarto o mais silenciosamente possível, para que ela não
acordasse Lisa, Stella desceu as escadas até a cozinha. Sua tia estava tomando
café e lendo um jornal.
— Ei, querida. Como você está? — Ela perguntou com um sorriso.
— Estou bem, obrigada. Adormeci na cama de Lisa na noite passada -
nós conversamos até 02:00hs. Eu preciso da minha dose de cafeína.
— Estou feliz por vocês reconectarem. Lisa sentia sua falta como uma
louca.
— Sim, eu sentia falta dela também.
O que se seguiu foi uma longa pausa constrangedora. Stella não gostava
para onde a conversa estava indo, era muito cedo para isso e, além disso, ela
precisava de uma pausa de todas as conversas sérias do mundo. Hoje seria tudo
sobre não ser sério. Falando nisso...
— Nós estávamos pensando em ir ao SPA hoje. Tudo bem?
— Claro! Estou sempre dizendo a Lisa para vir a qualquer momento,
mas ela raramente o faz. Ligue-me quando vocês chegarem lá, eu adoraria vê-
las — Ela lavou a xícara de café vazia e dobrou o jornal cuidadosamente sobre
a mesa.. — Eu tenho que ir, mas eu te vejo mais tarde. — Ela beijou ambas as
bochechas de Stella, e foi embora.
Stella terminou seu café e meditou sobre a possibilidade de dar uma
corrida na praia, mas ela não queria arriscar seu pé machucado. Ela correria na
próxima semana, apenas para garantir. Hoje ela iria apenas colocar seu maiô e
dar algumas braçadas na piscina.
No momento em que ela terminou, Lisa já estava tomando seu café,
esparramada numa espreguiçadeira à beira da piscina.
— Como você tem energia para se exercitar todos os dias está além de
mim.
— Eu não tenho escolha. Ao manter a forma, eu maximizo minhas
chances de recuperação. — Lisa assentiu e olhou para seu copo, como se
envergonhada. — Além disso, nem todo mundo tem os seus genes. A maioria
de nós tem que malhar para ficar bem de biquíni. — Stella brincou, enquanto
se sentava na espreguiçadeira ao lado de sua prima. — Eu vi sua mãe quando
acordei, e lhe perguntei se poderíamos ir ao SPA hoje.
— Oh, bem, eu estava prestes a ligar para ela. Vamos tomar um café da
manhã e sair, caso contrário, não teremos tempo para a praia depois. Eu tenho
que estar no estúdio às seis.
O SPA era incrível. Ele estava localizado fora de uma estrada
movimentada, em uma casa de dois andares, moderna, com um enorme jardim.
Era conveniente por causa do transporte, mas, ao mesmo tempo, era afastada o
suficiente para não ser incomodada pelo excesso de ruído. O jardim era cheio
de árvores, arbustos e flores, como um paraíso no meio da cidade.
Não era um daqueles lugares excessivamente grandes, impessoais onde
ninguém sequer olha para o outro. O SPA era pequeno, com espaço apenas o
suficiente para acomodar várias salas de diferentes tratamentos. Ele também
tinha uma grande área em plano aberto, onde as pessoas poderiam fazer seu
cabelo ou unhas. Na parte de trás da casa havia uma sauna e uma pequena
piscina de relaxamento.
Ele ao mesmo tempo que dava uma sensação de luxo, também era
acolhedor. As pessoas conversavam despreocupadamente e os funcionários
estavam sorrindo educadamente ao invés de obrigatoriamente. No momento
em que as meninas entraram, a recepcionista - uma bela mulher de meia-idade
com pele cor de oliva suave e olhos azuis brilhantes - levantou-se rapidamente,
e veio dar um abraço de urso em Lisa.
— Oh meu Deus, eu não posso acreditar em meus olhos — ela começou
a jorrar em italiano. — Eu não vejo você há meses, minha cara. Você está
maravilhosa, como sempre. Sua mãe vai ficar tão feliz que você está aqui. —
Ela fez uma pausa para tomar fôlego e seus olhos imediatamente foram para
Stella. — Você deve ser Stella. — ela disse, enquanto a envolvia em um abraço,
e beijava em ambas as bochechas. — Niki me contou tudo sobre você! Venham,
vou levá-las para dentro. — Ela agarrou nossas mãos e nos levou até a parte de
trás do SPA.
Em cerca de três horas, tanto Stella como Lisa estavam com suas unhas
feitas, cabelo condicionado e seco, recebido uma massagem e uma máscara cada
uma, e tinham comido uma refeição leve, juntamente com um cocktail de
energia orgânico. Nesse meio tempo, elas ficaram sabendo de cada fofoca que
valia a pena conhecer, não importando se era sobre uma celebridade ou a
vizinha de alguém.
Elas deixaram o SPA sorrindo. Stella realmente não tinha pensado em
nada durante esses três horas, e ela se sentia mais relaxada por causa disso do
que qualquer outra coisa. Elas se dirigiram para a praia, e Stella mal podia
esperar para continuar seu bronzeado - sua pele estava lentamente começando
a ficar com uma cor saudável , e ela estava muito feliz com isso.
Ela também mal podia esperar para ver Max.
*
Era sexta-feira, e era um dia bem quente, o que significava que a praia
estava lotada. Felizmente, o mar estava calmo e não havia idiotas tentando se
exibir na frente de seus amigos nadando, apesar da bandeira vermelha. Max
estava examinando a praia por trás de seus óculos de sol quando notou Lisa e
Stella caminhando até os vestiários à sua esquerda. Logo elas estavam fora,
usando seus biquínis, e aparentemente algo engraçado estava acontecendo,
porque Lisa estava apontando para o mar e ambas estavam rindo.
Max não poderia se importar menos sobre o que elas estavam rindo. Seu
cérebro não conseguia processar qualquer informação além da forma que Stella
estava em seu biquíni rosa brilhante. Ele poderia encontrá-la por todo o
caminho até a Austrália. Ele mal cobria suas curvas, enquanto ela balançava
seus quadris em direção a ele.
Elas acenaram para ele, enquanto arrumavam suas toalhas na areia. Ele
orou a Deus para que ninguém precisasse da ajuda dele hoje, porque com Stella
a poucos metros de distância, quase nua, seria muito difícil reagir a qualquer
situação de emergência.
Falando em reagir, ele teve que ajeitar seu agora apertado short salva-
vidas, e amaldiçoou sob sua respiração. Exatamente o que ele precisava. Depois
que quase não se conteve em beijá-la ontem à noite, hoje ela estava
caminhando para provocá-lo com seu corpo incrível durante toda a tarde e, em
seguida, eles iriam passar a noite juntos.
Merda.
Ele tinha que fazer alguma coisa sobre esta situação, porque isso o estava
enlouquecendo.
— Cara, você está parecendo que alguém roubou seu pirulito. — Era
Beppe. Como de costume, ele chegou exatamente quando Max não precisava
de sua opinião. Ele olhou na direção das meninas, e um sorriso satisfeito
espalhou em seus lábios. Ele estava adorando isso. — Ah, não é um pirulito
depois de tudo. Mas eu aposto que ela é tão doce.
Em um segundo Max estava no rosto do amigo e rosnou:. — Se você
gosta da sensação de todos os seus dentes na boca, você vai segurar o que vem
dessa boca — Max era, pelo menos, dois centímetro mais alto do que seu
amigo e muito maior , mas Beppe não parece nem um pouco perturbado por
sua ameaça. Embora seu corpo fosse muito mais magro do que Max, isso não o
fez recuar. Pelo contrário - ele olhou para o amigo bem nos olhos, seu sorriso
ainda presente.
— Cresça algumas bolas ai e vá reclamá-la, então. Porque se você não
fizer isso, outros irão. — Isso não era uma ameaça ou até mesmo um aviso.
Não havia nada de desagradável em seu tom.
Max passou as mãos pelos cabelos, afastando de Beppe.
— Não é bem assim, cara. Sinto-me atraído por ela, mas é só isso.
— Yeah? Quando foi a última vez que esteve no rosto de alguém pronto
para uma briga? Quando foi a última vez que você esteve na minha cara,
pronto para uma briga?
Há muito, muito tempo atrás.
— Sinto muito. Eu não devia ter feito isso. Mas, falando sério, não é
grande coisa. Ela é prima de Lisa, somos amigos. Nós vamos jantar hoje à
noite. Como amigos. É legal. — Max estava tentando olhar para qualquer
lugar, exceto nos olhos extremamente perceptivos de Beppe.
— Você está divagando. E você não está fazendo nenhum sentido, porra.
Mas, hey, se você diz que não tem sentimentos por ela, eu acredito em você. —
Max assentiu, aliviado que o assunto foi descartado tão facilmente. — Eu
tenho certeza então que você não vai se importar no que vou fazer agora. —
disse Beppe. E com um sorriso malicioso, ele estava caminhando na direção das
meninas.
Max deveria ter imaginado que não seria tão fácil. Era Beppe. Ele
gostava de empurrar seus botões.
Ele assistiu com horror quando Beppe aproximou-se e ligou seu charme.
Ele não estava ali nem a dois segundos, quando elas começaram a rir. Em cinco
segundos, ele estava pegando o frasco de protetor solar que estava do lado de
Stella deitada de costas. Beppe olhou para Max incisivamente, enquanto ele
lentamente liberava a alça do biquíni nas costas. Em seguida, apertou uma
quantidade generosa do protetor solar em suas mãos e, levando seu tempo,
espalhou sobre as costas e ombros de Stella.
Max estava tão furioso, que ele mal conseguia pensar direito. A única
coisa que o ancorou foi Lisa - ela estava olhando diretamente para ele,
observando sua reação. Ela franziu o cenho quando viu sua raiva mal contida, e
sutilmente balançou a cabeça. Max forçou-se a pensar sobre o cara que tinha
espancado, há cinco anos - do jeito que ele estava quando ele visitou-o no
hospital, o desespero que sentiu quando ele não conseguia se lembrar por que
tinha batido nele. A promessa que fizera a si mesmo em nunca mais bater em
alguém novamente. A decepção nos olhos de Beppe no mesmo dia.
Funcionou, porque Max não sentia mais a necessidade de matar Beppe.
Ainda assim, ele sentia um ciúme doentio por seu amigo ter tocado Stella de
uma forma tão íntima. Se ele queria provar um ponto - ele tinha conseguido.
Max poderia apostar sua bola esquerda que Beppe ficaria muito feliz com isso.
E pela expressão de satisfação no rosto, ele definitivamente estava.
— Você está bem? Você parecia um pouco... no limite — disse Beppe,
quando se aproximou dele, seu sorriso torto nunca deixando seu rosto. Max
não disse nada - se ele atacasse, ele tinha acabado de provar seu ponto, se ele
bancasse a indiferente, Beppe entenderia seu blefe. A única outra opção era
olhar para o seu amigo e manter a calma. Talvez então ele entenderia a dica e o
deixaria sozinho.
Beppe foi pego de surpresa com a reação dele, talvez ele esperava uma
explosão semelhante à do comentário do pirulito. Seus olhos ficaram sérios.
— Olha, cara, eu não vou vê-lo em uma espiral fora de controle
novamente, porque você é um covarde e não vai atrás do que você quer. — Ele
estava falando sério agora, sua voz dura e ainda cheio de preocupação. — Há
uma praia cheia de mulheres gostosas. Olhe ao seu redor. Escolha uma, leve ela
para casa e transe até que Stella seja apenas uma memória distante.
— Eu não quero nenhuma delas.
— Desde quando? — Max involuntariamente olhou na direção de Stella.
Isso era toda a resposta que Beppe precisava. — Leve-a, então.
— Ela não me quer.
— Isso é merda, cara. Eu vi como ela olha para você.
Só então, de todos os momentos que ele poderia ter escolhido, Rico
escolheu esse para aparecer. Ladeado por seus companheiros, ele caminhou
propositadamente para as meninas, seu sorriso arrogante no rosto, com o peito
nu e bronzeado.
— Merda. — murmurou Beppe, quando os olhos de Max ficaram
mortais novamente. Por mais que ele quisesse, ele não poderia apagar a
imagem dos lábios de Rico no pescoço de Stella, balançando os quadris, com as
mãos na cintura dela.
Rico agachou-se ao lado delas e começou a falar. Seus amigos
mantiveram distância, mas ainda cobiçando as meninas. Idiotas. Stella começou
a vasculhar a bolsa, mas não pegou nada. Ela disse algo para Rico, e ele acenou
com a mão com desdém. Eles conversaram um pouco mais e, em seguida, o
idiota e seus companheiros partiram. Lisa virou-se para Stella e sussurrou algo
em seu ouvido, e as duas riram.
Que diabos foi isso? Stella estava encontrando Rico? Quando?
— Ei, você está bem? — A voz de Beppe o sacudiu para fora de seus
pensamentos e Max assentiu. Ele odiava que seu amigo o tivesse visto reagir a
Stella dessa forma. A última coisa que ele queria era deixá-lo preocupado
novamente. Beppe tinha um monte de problemas, mas ele cuidava de Max
como um irmão.
— Vá atrás dela. — Beppe disse, um pouco mais alto do que um
sussurro. Max olhou para ele, surpreso. — Olha, eu não sei o que está
acontecendo e por que você acha que ela não quer ficar com você.
Francamente, eu não dou a mínima. Mas eu te conheço desde o primeiro ano
na escola, e eu nunca te vi tão excitado por uma garota. Vá atrás dela com tudo
o que tem, cara. A vida é muito curta, porra.
Ele colocou seus óculos de sol e saiu. Deixe sempre para Beppe soltar
uma bomba e desaparecer.
*
A campainha tocou, assim que Stella estava abrindo a porta do banheiro.
Lisa havia saído para a aula de arte cerca de meia hora atrás e Niki ainda não
retornou do trabalho, por isso Stella, ainda de roupão, foi abrir, se perguntando
quem seria. Ela não esperava Max - que tinha marcado de se encontrar no
restaurante em uma hora, de forma que ela não estava nem pronta.
Era Max. Ele estava parado à sua porta parecendo incrivelmente bonito
em seu jeans e camiseta branca, que combinava com sua pele bronzeada. Suas
mãos estavam casualmente nos bolsos, e seu cabelo ainda estava úmido. Ele
cheirava incrivelmente, e Stella imaginou que ele devia ter acabado de sair do
chuveiro. O que a recordou que ela também tinha acabado de sair do banho,
tornando imediatamente consciente de seu corpo nu sob o roupão.
Graças a Deus é um roupão bem fechado, não uma toalha.
— Oi. — ele disse e sorriu encantadoramente para ela, seus olhos
deslizando pelo seu corpo e escurecendo como se ele tivesse acabado de
perceber que ela deveria estar nua por baio. Ele lambeu o lábio inferior e
mordeu-o, seu perverso sorriso nunca deixando seu rosto.
— O que você está fazendo aqui? — Stella não queria soar indelicada,
mas a luxúria em seus olhos a incomodava. Ela sentiu o corpo responder ao seu
olhar imediatamente, e odiava que ela parecia estar perdendo o controle da
situação. Naquele momento, Max poderia ter feito qualquer coisa com ela, e ela
não teria sido capaz de fazer uma maldita coisa para impedi-lo. Felizmente, ele
não sabia disso.
Ou sabia?
— É bom ver você também. — ele disse, passando por ela, e entrou
— Não não deveríamos nos encontrar no restaurante? Em, tipo, uma
hora?
— Nós deveríamos - mas eu não podia esperar tanto tempo. — Ele se
esparramou no sofá e deu-lhe outro sorriso irresistível.
— Bem, eu não estou pronta ainda, então você vai ter que esperar por
mim.
— Eu sei. Não se preocupe. — Ele pegou o controle remoto e ligou a
TV.
Stella tinha esquecido que ele passava muito tempo aqui, e se sentia
muito confortável na casa de Lisa. Então, ela apenas passou por ele e foi até seu
quarto para se vestir.
*
Ver Stella em seu roupão de banho valeu totalmente sua chegada
antecipada. Max a tinha visto usando muito menos na praia, mas isso era
diferente, era muito mais íntimo. Ela estava nua sob esse roupão, e só esse
pensamento já o excitava. Ela parecia tão sexy com o cabelo molhado e rosto
sem maquiagem. Ela tinha um cheiro agradável, também.
Depois de Beppe o ter deixado atordoado na praia, Max passou a tarde
pensando. Seu amigo tinha razão. Ele sabia muito bem exatamente como a vida
era curta. Desperdiçar momentos preciosos, e pensar demais cada passo era um
enorme desperdício de tempo. Max sempre acreditou que havia uma razão por
trás de tudo. Se uma pessoa entra na sua vida, sempre deixará alguma marca
sobre ela. Deixar de lado seus sentimentos por Stella, sem sequer lhes dar uma
chance, soava como se perdesse uma oportunidade que a própria vida lhe tinha
servido numa bandeja de prata.
Vá atrás dela com tudo o que tem, cara.
As palavras de Beppe ecoaram em sua cabeça novamente - porque era
exatamente isso o que ele pretendia fazer. Mas ele tinha que ser esperto sobre
isso, se ele empurrasse muito longe e muito rápido, ela correria. Ele tinha que
fazê-la perder o controle. E, considerando a maneira como ela reagiu a ele
apenas cinco minutos atrás, não seria tão difícil.
E eu vou aproveitar cada segundo disso.
*
No momento em que Stella tinha vestido e descido as escadas, Max
estava deitado confortavelmente no sofá, com um braço em seu estômago, o
outro atrás da cabeça. Ele tinha uma garrafa de suco de laranja meio vazia na
mesa de café. Enquanto descia as escadas, seu olhar passou da TV para ela e
seus lábios se abriram em um sorriso sedutor. Stella estava feliz que ela tinha
usado sapatos confortáveis, pois seu olhar a deixou tonta, e ela poderia ter
tropeçado em um degrau, se estivesse com outro tipo de sapatos.
Max estava de volta no seu estilo paquerador. No entanto, agora que ela
o conhecia melhor, isso apenas adicionava outra camada nele. Não era apenas
uma simples atração que ela sentia mais. Era algo mais profundo, algo que
queimava em seu peito e deixava sua barriga agitada, cada vez que ele fixava
nela aqueles seus olhos cor de avelã sensuais.
Involuntariamente, seus lábios entreabriram, reagindo por conta própria
para o seu olhar derruba calcinha. Ele se levantou e foi até ela, antes que ela
chegasse ao último degrau. Mesmo com a vantagem da altura no degrau, ele
ainda era mais alto do que ela. Ele parou bem diante dela, e Stella inclinou a
cabeça para olhar para o rosto dele. Max estava olhando para ela através dos
olhos semicerrados, e ela ficou maravilhada com seus cílios longos e grossos.
Ele olhou para ela por mais alguns instantes, sem dizer nada. Stella queria
desesperadamente quebrar o silêncio, mas a respiração dela estava presa em
sua garganta, e ela não conseguia falar.
Ele se inclinou e afastou delicadamente o cabelo de seu ombro esquerdo,
expondo a alça fina do vestido e fazendo um arrepio correr pelo seu corpo.
Então ele a beijou na bochecha - e permaneceu lá durante o que pareceu uma
eternidade.
— Você parece melhor do que qualquer refeição que poderia pedir no
restaurante. — disse ele, enquanto seu hálito quente fazia cócegas em seu
pescoço. — Vamos ficar aqui e degustar você. — ele sussurrou perto de seu
ouvido, e ela estremeceu fisicamente.
Assim que ela amaldiçoou seu corpo traiçoeiro, ele decidiu ajudá-la e sua
barriga roncou. Max riu e ofereceu-lhe o braço.
— Vamos lá, vamos lá comer. Vamos poupar essa parte para a
sobremesa. — Ele piscou, enquanto a levava até a porta.
Stella percebeu que ela não tinha falado uma palavra desde que desceu.
Se ele conseguia fazê-la perder sua língua tão facilmente, ela estava em apuros.










1'pí $&(! De9

0 restaurante era agradável e
acolhedor, embora estivesse na via XX Settembre que estava muita cheia esta
noite. A noite estava quente, então eles escolheram uma mesa do lado de fora.
As pessoas passavam ao lado da mesa, mas isso não parecia incomodar
ninguém. Italianos amavam as suas caminhadas. Eles passeavam pelas
principais ruas durante a noite, encontrando os amigos, rindo, sentando-se
para um coquetel ou dois, em seguida, caminhando novamente.
Não admira que as pessoas aqui fossem tão saudáveis, Stella pensava.
Pediram a comida e bebidas, e Stella pegou seu telefone, observando se
sua mãe lhe mandou alguma mensagem. Ela deixou-o em cima da mesa, para
que pudesse ouvi-lo se Lisa ligasse - ela disse que se não estivesse muito
cansada depois do trabalho, ela poderia vir aqui se juntar a eles.
Suas bebidas chegaram rapidamente; Max tinha pedido uma cerveja, uma
vez que ele estava dirigindo e Stella pediu uma limonada espremida na hora.
— Você deve se transformar em bêbada terrível. — Max disse, enquanto
observava Stella saborear sua limonada.
— Desculpe-me?
— Você sabe, quando você bebe você se torna outra pessoa. Como uma
versão maior, com mais raiva de si mesma
— O que te faz dizer isso?
— Eu nunca vi você beber álcool desde que você chegou. Você tem
dezenove anos de idade, está no exterior sozinha, saindo com os amigos todas
as noites. Seu controle tem que ter uma explicação. É essa que eu criei. — Ele
sorriu para ela, obviamente orgulhoso de sua conclusão.
— Eu acho que você nunca vai saber — brincou Stella em troca.
— Oh, vamos lá: eu quero ver a Stella selvagem. Você não quer perder o
controle?
— Eu não tenho que estar bêbada para isso. A Stella “selvagem” pode
facilmente sair quando estou bem sóbria.
— Eu adoraria ver isso.
— Se você for um bom menino, talvez você veja. — Stella piscou para
ele, brincando e Max riu. Ele inclinou-se para ela sobre a mesa e baixando a
voz disse:
— Eu não acho que o bom menino vai fazê-la mostrar. — Ele piscou de
volta e colocou sua mão sobre a Stella.
Eles ficaram assim mais alguns segundos, olhando um para o outro, e o
rosto de Max estava sério. Stella não gostou da intensidade com que ele olhava
para ela, e ela precisava desesperadamente de uma mudança de velocidade.
— Então, me fale sobre você, Max.
— O que você quer saber? — Ele se recostou na cadeira, soltando a mão
dela.
— Porque Max? Não muito italiano.
— Meu nome é Massimo. Mas minha mãe me chamou de Max a partir
do momento em que nasci, por isso pegou. Meu pai era o único que insistia em
me chamar de Massimo.
Ele baixou as pálpebras, e evitou contato visual com Stella, o que a levou
a pensar que ele realmente não queria falar sobre seu pai. Ela estava bem com
isso.
— Massimo. Eu gosto.
Ele olhou para ela de uma maneira incerta, como se estivesse decidindo
se ele gostava de outra pessoa, além do seu pai, usando o seu nome completo.
Quase imediatamente, seu cenho desapareceu e um sorriso torto tomou seu
lugar.
— Eu gosto de como você pronuncia, também. Você deve dizer isso mais
vezes. — ele disse, enquanto seus olhos viajaram para seus lábios e
permaneceram lá por um tempo.
Stella deveria ter limpado a garganta e dito alguma coisa, mudado de
assunto - qualquer coisa. Mas tudo o que ela podia fazer era olhar para o rosto
perfeito de Max. E então ela fez a única coisa que não deveria ter feito - em um
impulso ela lambeu o lábio inferior e segurou-a entre os dentes. Os olhos
castanhos de Max brilharam de volta para ela e escureceu.
— Stella... — sua voz era tão baixa que soou quase como um grunhido.
Isso a despertou do momento e, limpando a garganta 10 segundos tarde
demais, ela se recostou na cadeira para criar alguma distância entre eles. Com
ele tão perto, tão focado nela, a atmosfera era muito mais intensa do que ela
queria. Esta noite era para se conhecerem melhor e superar essa atração pura
que sentiam um pelo outro, não para torna-la mais profunda.
— Conte-me sobre sua mãe.
— Uau, você sabe como estragar um momento.
Stella riu - pedir a um homem para falar sobre sua mãe definitivamente
arrancava-o para fora de quaisquer pensamentos românticos. Como se com a
sugestão, a garçonete trouxe sua comida, que parecia e cheirava
deliciosamente. Eles imediatamente começaram a comer.
— Bem, minha mãe é da I nglaterra, e veio para a Itália como
representante de uma grande empresa, para cuidar de seu acampamento de
férias, logo depois que ela terminou a escola. Ela pretendia tirar um ano
sabático e decidir o que fazer com sua vida, ela nunca teve a intenção de ficar
aqui. Mas ela conheceu meu pai e foi amor à primeira vista, eles se casaram um
ano depois de se conhecerem. Além disso, ela realmente gostava de seu
trabalho. Ela sempre foi boa com as pessoas e línguas, e era um trabalho
perfeito para ela. No entanto, ela queria crescer e se desenvolver, não trabalhar
em um acampamento de férias a vida inteira. Quando ela ficou grávida de
Gianna, em vez de aproveitar o tempo fora e descansar, ela teve aulas de
francês. Ela afirma que foi mamão com açúcar, uma vez que ela já falava
espanhol e italiano. Ela aprendeu alemão quando engravidou de mim. Para
encurtar uma longa história, em sete anos desde que ela chegou pela primeira
vez na Itália, minha mãe falava cinco línguas e trabalhava como guia turístico
em Veneza e região, bem como freelancer em passeios de barco privado e
passeios em museus. Ao mesmo tempo, ela se casou e teve dois filhos — Stella
percebeu o quão orgulhoso que Max era de sua mãe. Estava estampado em
todo o seu rosto.
— Ela parece uma força da natureza. — ela disse.
— Sim, ela é. Minha mãe é incrível. Não admira que meu pai caiu de
quatro por ela. Eles foram muito felizes todos esses anos, era uma loucura
assistir. Eles estavam sempre se beijando, abraçando, rindo e brincando entre
eles.
Max fez uma pausa e concentrou sua atenção em sua comida, como se
estivesse tentando não pensar sobre o passado. Stella não queria deixá-lo
desconfortável e decidiu não fazer mais nenhuma pergunta, deixando ele falar
sobre o que ele queria.
— Ela trabalha muito agora. Eu raramente a vejo. Essa é a sua maneira
de lidar, eu acho. — Ele tomou um gole de cerveja e olhou gravemente para
Stella, observando atentamente a reação dela. Se ele esperava ver pena ou
tristeza, ele iria se decepcionar. Tudo o que ela podia sentir era compreensão.
— Oh, eu quase esqueci — Stella começou, levando a conversa em uma
direção completamente diferente, porque a dor nos olhos de Max a estava
matando. — Eu estava querendo te perguntar uma coisa - você pode me
emprestar uma camisa do Genova para o jogo amanhã?
— Você quer pegar minha camisa? — Seus lábios se esticaram em um
sorriso preguiçoso.
— Uma de suas camisas.
— Como você sabe que eu tenho mais de uma?
Stella bufou. — Que tipo de fã é você, se você tivesse apenas uma camisa?
Max riu e acenou com a cabeça.
— OK. Eu posso lhe emprestar uma. Mas você já percebeu meu
tamanho. — Seus olhos percorriam o corpo dela sugestivamente.
— Eu vou pensar em alguma coisa.
— Claro — Max deu de ombros. — Nós podemos passar em minha casa
depois do jantar e eu vou entrego a você. Falando em jogos de futebol, eu jogo
em um clube pequeno, estritamente amador. Vamos jogar este domingo no
almoço. Lisa e os outros geralmente vem, damos algumas risadas e comemos
alguma coisa depois. Você quer vir?
— Eu não perderia por nada. Você é bom?
— Se eu sou bom? Baby, você está olhando para a cola que mantém toda
a equipe.
— Em que posição você joga?
— Meio campo.
— Oh.
— Oh?
— Isso é uma posição de grande responsabilidade. Você sabe que eles
sempre dizem que os jogadores são meio broncos. Eu, pessoalmente, acho que
você não pode ser estúpido, se você é um meio-campista. Você tem o controle
absoluto do jogo e tem que ser capaz de ver todos os ângulos. Você está no
comando. Você se atrapalha, e toda a equipe sofre. E, claro, alguns dos gols
mais bonitos não são marcados por atacantes, mas por meio-campistas. —
Stella parou porque Max a estava observando atentamente com um meio
sorriso no rosto. — O quê foi?
— Você realmente gosta de futebol, não é?
— Eu acho que nós estabelecemos isso no primeiro dia em que nos
conhecemos.
— Não, eu quero dizer você realmente gosta. Muito. Qualquer um pode
memorizar fatos sobre equipes. Mas você fala com paixão.
Stella assentiu com a cabeça, mas não queria entrar em detalhes.
— Então você vai me fazer responder a todas essas perguntas pessoais,
mas não vai devolver o favor? — Ele disse, com humor, mas havia
desapontamento em sua voz. Stella sabia que não era justo perguntar-lhe sobre
a sua família, e não falar nada sobre a dela.
— Eric adorava futebol. — disse ela depois de uma pausa. — Meu
irmão. Ele me levava aos jogos, me fez estudar a história do Liverpool como se
fosse uma matéria da escola. Sua paixão era contagiante. Depois que ele se foi,
eu senti que se eu parasse de assistir futebol, ele ficaria louco se pudesse me
ver. Foi difícil no começo, porque me lembrava muito dele. Mas eu não parei, e
com o tempo tornou-se a única coisa que o mantinha vivo em minha mente.
Max entrelaçou seus dedos com os de Stella sobre a mesa, e comeram em
silêncio por um tempo.
— Você sabe, eu sempre pensei que comer com alguém é tão íntimo
como ter relações sexuais com eles. — disse Max, quebrando o silêncio e
circulando a palma da mão de Stella com o polegar. Ela sorriu e olhou para ele
com surpresa. — O quê foi?
— Isso é exatamente o que eu penso, também.
— Sério?
— Yeah. Mas há mais. Eu acho que você pode dizer como alguém é na
cama ao vê-los comer.
— Mesmo? — Max sorriu e levantou uma sobrancelha. — E o que você
aprendeu sobre mim esta noite?
Assim que Stella estava pensando em como formular sua resposta, Rico
apareceu do nada e deixou-se cair ao lado dela.
— Oi, pessoal — disse ele em italiano.
— Hey — disse Stella, surpresa com sua aparição repentina. — O que
você está fazendo aqui?
— Eu estava passando e vi você. Eu pensei que poderia terminar o que
começamos hoje na praia — Ele piscou para ela. Bem na frente de Max, que
estava olhando para Rico com uma mistura de raiva e irritação. Rico, no
entanto, não parecia nem pouco preocupado que houvesse um cara na frente
dele, porque toda a sua atenção estava voltada para Stella.
Ele pegou o telefone, que ainda estava sobre a mesa, e começou a digitar
nele. Então, ele tirou o próprio telefone e digitou alguma coisa lá também.
— Pronto. Sem mais desculpas, belíssima. Eu ligo para você. — E com
isso, ele se foi.
Stella não sabia o que fazer com esse cara - ele parecia encantador e
amável, embora um pouco atrevido. Mas ela definitivamente não gostava dele.
Quando ele perguntou a ela sobre o seu número hoje na praia, ela disse que
tinha esquecido o celular em casa. E essa foi a maneira de pagar pelo karma da
mentira. Karma é uma cadela. Stella não pode deixar de sorrir ao pensar, e
balançou a cabeça.
— Você está saindo com ele? — A voz de Max estava séria e
perigosamente baixa.
— O quê? Não... Eu... ele pediu meu número hoje na praia. Eu disse que
tinha esquecido meu telefone. Eu acho que eu não seria possível mentir hoje à
noite.
— Por que você não quer lhe dar o seu número? Eu pensei que você
queria alguém não muito intenso "para uma aventura de verão". — Max fez
aspas no ar com os dedos, que de alguma forma irritou Stella ainda mais do que
seu tom de voz desagradável. Ela estava pronta para uma resposta cortante,
mas as palavras de Max na praia ontem soou em sua cabeça, como se tivesse
acabado de dizer-lhes:
Eu nunca fui tão malditamente ciumento na minha vida inteira, Stella...
Eu queria arrastar aquele babaca do clube e bate-lo até restar uma polegada de
sua vida, porque ele estava com as mãos em cima de você. E quando ele beijou
seu pescoço... Eu pensei que eu ia explodir, Stella.
Ele estava com ciúmes de Rico, o que era ridículo. Stella não se sentia
atraída nem mesmo remotamente pelo cara, para não falar outra coisa. Seus
olhos suavizaram e ela decidiu que a melhor maneira de lidar com a situação
era acalmar Max. Ela não lhe devia nenhuma explicação, mas de alguma forma,
a necessidade em tê-lo relaxado e feliz em sua companhia ultrapassou qualquer
coisa.
— Max, não vamos estragar um noite perfeitamente boa por causa de
Rico. O que está feito está feito. Apenas esqueça-o. Eu já esqueci.
Ele acenou com a cabeça, e a raiva evaporou de seus olhos, mas ele ainda
não estava à vontade.
— Vamos pedir a conta e tomar sorvete em outro lugar.
Max assentiu novamente e tirou a carteira.
— O que você está fazendo?
— Eu estou pegando o dinheiro para a conta.
— É meu convite, lembra-se?
— Stella...
— Nem tente, Massimo. — Ela fixou-o com um olhar gelado e Max riu,
balançando a cabeça e colocando sua carteira de volta no bolso.
— Eu não deveria ter dito o meu nome completo. Soa tão sexy quando
sai de sua boca que eu não posso resistir. Eu faria qualquer coisa que você
pedir.
— Eu vou manter isso em mente.
Max riu abertamente, e depois que Stella tinha pago a conta, ele pegou a
mão dela e levou-a para fora do restaurante.
Eles tomaram sorvete de uma pequena barraquinha, e caminharam pela
rua movimentada, apreciando a sobremesa, bem como a noite quente.
— Você vai para a universidade no próximo ano? — perguntou Max.
Stella tinha esperança de que quaisquer planos para o futuro não entrasse na
conversa, porque ela realmente não tinha nenhum. Mas como ela poderia dizer
que não tem planos para estudar ou trabalhar, e não parecer uma idiota
preguiçosa?
— Eu não sei, ainda não decidi. — Ela esperava que fosse suficiente, e
que ele não iria pressioná-la.
— Não? Você pelo menos pensou no que você gostaria de estudar? Ou
trabalhar no futuro?
Sim, eu gostaria de sobreviver tempo suficiente para ser capaz de fazer
essa escolha.
— Não.
Ele olhou para ela, surpreso com sua resposta única palavra.
— O que você gosta? Qualquer hobbies?
Ele não ia desistir, por isso ela decidiu dar-lhe alguma coisa. Pelo menos
assim ele não iria pensar que ela era simplesmente uma pessoa difícil.
— Eu gosto de livros. E escrever. E moda. Fazer coisas, como jóias e
acessórios. Design de interiores. — Antes que ele tivesse a chance de fazer
mais cinco perguntas sobre o tema, ela disse: — E você? Quaisquer planos para
universidade?
— Yeah. Eu gostaria de ir para a universidade no próximo ano. É por
isso que eu venho trabalhando em dois empregos nos últimos dois anos. Eu
não quero recorrer a nenhum empréstimos estudantis, então eu decidi ficar em
casa com minha mãe e Gia, trabalhar e economizar o máximo que eu puder e,
em seguida, não precisa me preocupar com dinheiro, enquanto estiver na
universidade. Faz sentido, porque nós temos esta grande casa que está vazia o
tempo todo, com mamãe viajando, e as longas horas de Gia no restaurante.
Se havia alguma chance da rua se abrir e engolir Stella, ela ia aceitar. Lá
estava ela, uma ambiciosa e idiota preguiçosa completa, andando junto com um
cara que trabalhava em dois empregos para economizar dinheiro para a
universidade.
— Você sabe o que você quer estudar? — Ela perguntou, recusando-se a
afogar-se na auto-piedade e vergonha.
— Arquitetura. Eu amo edifícios, por mais estranho que possa parecer.
Eu gostaria de restaurar prédios antigos um dia. Trazê-los de volta à sua
antiga glória. Manter o exterior o mais original possível, mas torná-los
elegante, confortável e moderno no interior.
— Isso é incrível. — Disse Stella. — Tenho certeza de que você seria
muito bom nisso.
Ele sorriu e lambeu o sorvete. — Vamos ver.
*
Max estacionou o carro em sua garagem e desligou o motor. Estava
escuro dentro da casa, Gia provavelmente ainda estava fora, e sua mãe não
voltaria até o final de domingo à noite. Ele olhou para Stella, que de repente
parecia um pouco desconfortável. Não era completamente infundado - eles
estavam em frente de sua casa vazia, sozinhos, e se ela pudesse espiar em sua
cabeça e ver todas as coisas que ele imaginou que ele poderia estar fazendo com
ela quando entrasse com ela pela porta... Vamos apenas dizer que, ela estaria
muito mais desconfortável do que está agora.
— Você está bem? — Ele perguntou.
— Yeah. Eu vou... Eu posso esperar aqui, se quiser.
— Saia do carro, Stella. Você não vai ficar me esperando aqui fora. Não
será nem um minuto. Eu só preciso encontrar a camisa e eu vou te levar para
casa.
Isso pareceu relaxá-la um pouco e ela abriu a porta e saiu.
Uma vez que eles estavam dentro, Max acendeu as luzes e Stella olhou
com curiosidade ao redor.
— Você tem uma bela casa.
— Obrigado. Venha, vamos para o meu quarto.
— Eu posso esperar aqui...
— Pelo amor de Deus. — Max revirou os olhos e, tomando a mão de
Stella, arrastou-a até as escadas. Ele a fez rir. — Que tipo de monstro que você
acha que eu sou?
Sem esperar por uma resposta, ele abriu a porta do quarto, acendeu a luz
e arrastou Stella dentro, antes que ele soltasse sua mão. Graças a Deus que ele
tinha feito sua cama esta manhã. Estava relativamente limpo e arrumado. Seu
quarto era muito grande, com uma cama king-size em uma extremidade, e uma
área de estar com sofás e TV de tela plana na outra. Ele também tinha um
closet, que era muito útil para armazenar material fora do caminho.
— Por favor, sente-se, fique à vontade. Eu vou apenas procurar a
camisa. — Ele apontou para a porta do closet. Stella assentiu com a cabeça e foi
para o sofá.
Max entrou em seu armário e deixou a porta aberta. Ele sabia
exatamente onde suas camisas de futebol estavam, mas ele queria levar o
máximo de tempo possível, e prolongar a presença de Stella em seu quarto por
tanto tempo quanto possível. Felizmente para ele, ela não se sentou e olhava
nervosamente para ele. Ela começou a andar em volta, olhando fotos e
explorando. Max valorizava sua privacidade e não conseguia se lembrar de
quando foi a última vez que ele trouxe uma menina aqui. Mas de alguma
forma, Stella olhar em volta não soava como uma intrusão. Parecia ser
diferente quando era ela, e ele gostou.
Fingindo que estava procurando a camisa, ele a seguiu ao redor com os
olhos. Ela pareceu relaxar um pouco, seu corpo não estava mais tão rígido.
Bom: isso era exatamente o que ele queria. Ele não sonharia em fazer nenhum
movimento quando ela estivesse esperando por isso. Mas tinha toda a intenção
de beijá-la esta noite. A ideia de passar mais um dia sem provar seus lábios era
insuportável. Ele precisava dela. Ele não conseguia explicar o que era
exatamente que ele precisava dela. Tudo o que sabia era a pura necessidade em
estar perto dela, que era tão forte que ele tinha uma mente própria e puxava-o
para ela. Tentar se conter exigia muito esforço.
Stella não fez nenhuma pergunta. Ela olhou em silêncio ao redor, mas
não disse nada. Max se perguntou o que ela estava pensando. Eventualmente,
ela se sentou no sofá, virando-se para encará-lo. Sua procura se tornou mais
concentrada, agora que ela estava olhando para ele.
— Eu sei que você está enrolando — ela disse, e o fez sorrir. É claro que
ela sabia. — Por que você me quer aqui? — Ela perguntou, sua voz perdendo o
tom brincalhão.
Ele pegou a camisa com um movimento rápido e saiu do guarda-roupa.
Ele se sentou em frente a ela no sofá, imitando sua pose - o braço apoiado sobre
a almofada, com uma perna dobrada na frente dele, a outra encostada no chão.
— Eu não sei — ele disse e lhe entregou a camisa. Ela pegou.
— Obrigada.
Eles permaneceram em silêncio por um tempo. Stella estava olhando
para ele com expectativa. Max sentiu que tinha de dizer alguma coisa, mas não
sabia o quê. Tudo o que sabia era que ele não queria que ela fosse embora. Mas
como ele poderia impedi-la?
— Eu acho que é melhor eu ir — disse ela e se levantou. Então, ela
hesitou por um segundo e bastou para Max para perceber exatamente o que ele
necessitava dela. Algo dentro dele estalou e a vontade de segurá-la em seus
braços inundou suas veias e definiu todo o seu corpo em chamas. Lentamente,
ele levantou-se e pairou sobre ela.
— Você quer ficar? — Ele sussurrou. Não era um comentário de flerte
ou sugestivo. Ele não queria provocá-la. Ele queria a resposta honesta a essa
pergunta. De alguma forma, ela sabia disso, porque ela não sorriu ou revirou
os olhos.
— Sim. — Sua resposta era positiva, mas a linguagem corporal dela
definitivamente não era. — Mas eu não vou.
— Por que não? — Ele acariciou seus cabelos para trás sobre os ombros
e acariciou sua bochecha com os dedos. Instantaneamente seus braços estavam
cobertos de arrepios. Ela não respondeu de imediato, os olhos pensativos, como
se estivesse tentando descobrir o que dizer e o que deixar de fora. — Por que
não, Stella?
Mais uma vez, silêncio. Bem, se ela não pudesse encontrar uma razão
para sair, então talvez Max poderia jogar isso para sua vantagem.
Ele segurou seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra acariciava
seu braço e deslizava até a cintura. Ainda nada. Não há palavras, razões pelas
quais eles não devem ficar juntos. Mergulhando a cabeça, e mantendo seus
olhos focados nos dela, Max cortou a distância entre seus lábios até que eles
quase se tocaram. Ele estava tão perto que podia sentir seu hálito quente. Seu
controle estava se esgotando e, a menos que ela falasse nos próximos dois
segundos, ele iria...
— Eu não quero me apaixonar por você — ela deixou escapar.
Ele se afastou como se ela o tivesse esbofeteado. Ela fechou os olhos em
arrependimento.
— Sinto muito, Max. Eu não queria...
— Eu não estou pedindo para você se apaixonar por mim, Stella. — Ele
não podia evitar de soar um pouco na defensiva, até mesmo amargo. Ele nem
sequer sabia por que essa afirmação o incomodou tanto.
— Não é uma questão de lhe perguntar. Você é... incrível. Cada minuto
que eu passo com você, eu percebo o quão demais você é. Eu não seria capaz de
evitar.
— Então, não evite. Eu quero que você esteja tão obcecada por mim
como eu estou por você. — Ele se aproximou dela novamente, o fogo dentro
dele reacendendo com suas palavras. Ele a abraçou e beijou o topo de sua
cabeça. Ela rodeou sua cintura com os braços e Max suspirou satisfeito. — Não
vá. Fique aqui esta noite — ele sussurrou em seu cabelo. Ela balançou a cabeça
levemente, enquanto ele se afastava dele. Involuntariamente, ele a soltou. Ela
deu um passo para trás e depois hesitou. Novamente.
Péssimo movimento.
Estendendo seus braços, Max agarrou-a e puxou-a contra ele, seus lábios
colidindo. Ele sugou o lábio quando ela fez o mesmo com ele. Quando ele
enfiou a língua não muito suavemente dentro de sua boca, ela recebeu-o
ansiosamente, encontrando a sua e, em seguida, chupando-o. Max gemeu com
agradável surpresa, enquanto Stella continuou a chupar suavemente sua língua
dentro da boca dela. Agora tudo o que podia pensar era em sua boca em cada
parte do seu corpo.
Eles se beijaram pela vida um do outro, se entregando ao momento,
entregando todo o controle. Max enterrou os dedos no cabelo longo de Stella,
puxando sua cabeça para trás e expondo seu pescoço. Ele arrastou a língua
pelo pescoço e beijou-a clavícula. Sua outra mão se moveu para baixo de seu
corpo e acariciou a lateral do seu peito. Stella respirou fundo e soltou o mais
erótico som que Max já tinha ouvido.
Se houvesse qualquer controle, ele escapou naquele momento. Ele a
pegou e caiu de costas no sofá com Stella em cima dele. Ela caiu para a frente
sobre seu peito, e pressionou seu corpo contra o dele, colocando as mãos ao
lado de seu rosto quando o beijou. Max espalmou suas coxas e deslizou suas
mãos debaixo de seu vestido. Um tremor rolou por ele, quando Stella deixou
sua boca e traçou a língua na sua mandíbula.
E então o telefone tocou.
O barulho foi tão alto que sacudiu os dois para fora de seu momento.
Stella tirou do bolso e franziu o cenho para o display.
— Eu juro que se for Rico eu vou matá-lo — Max resmungou, e Stella
abanou a cabeça.
— Oi, Lis. O que foi? — Disse ela, sem fôlego. — Não, está tudo bem.
Acho que perdemos a noção do tempo. — Ela olhou para ele e sorriu.
Deus, ela era tão sexy! Max deslizou as mãos por suas coxas novamente,
movendo-se barra de seu vestido ainda mais, até que ele alcançou seus quadris
e sua calcinha. Stella fechou os olhos e mordeu o lábio. Esse telefonema nunca
vai acabar?
— Eu estarei em casa em breve. Sim, eu também. Tchau.
Ela desligou, e de repente o silêncio na sala era enorme. Max sentiu que
não seria uma boa jogada beijá-la novamente, porque seu humor mudou. Como
se a ligação de Lisa fosse um lembrete do por que ela não queria que eles
ficassem juntos.
— Eu tenho que ir — disse ela e se afastou dele.
— Stella...
— Eu não posso falar sobre isso agora, Max. Por favor... Eu preciso de
algum tempo, OK — Ele balançou a cabeça e se levantou. Deslizando-se uma
das alças que tinha deslizado para baixo do ombro, Max sorriu e tentou
arrumar o cabelo. Então, para tranquilizá-la, deu-lhe um abraço. Ela devolveu,
e naquele exato momento, isso o atingiu.
Eu não quero me apaixonar por você.
Ele sabia por que essas palavras lhe bateram tão duro e tão
inesperadamente.
Porque ele já estava.





1'pí $&(! 0n9e

8a manhã seguinte, Stella acordou
com um sobressalto. Ela olhou em volta freneticamente, porque nos primeiros
dois segundos, ela não tinha certeza de onde estava. Será que ela tinha ficado
em Max? Não. Ela estava em sua própria cama.
Havia algo sobre estar com Max que turvava a realidade. Ficava um
agradável borrão, um borrão onde não havia motivos pelos quais eles não
deveriam estar juntos. Um borrão onde não havia nenhum caso de câncer,
apenas planos e sonhos para o futuro.
Infelizmente, o momento em que o borrão limpava, a realidade batia em
Stella como um furacão. O que ela tinha feito na noite passada? Por que ela
tinha permitido que as coisas fossem tão longe? Max a tinha beijado e foi...
épico. Foi um beijo que fez todo o seu corpo tremer de desejo. Foi um beijo que
valia a pena esquecer a realidade por ele.
Se uma coisa ficou clara ontem à noite, era que Max não tinha qualquer
intenção de deixar Stella sozinha. Ele a queria, e ele viria atrás dela. Mais cedo
ou mais tarde ela iria rachar. Mais uma vez - como tinha feito na noite passada.
Mas da próxima vez, poderia não haver um telefonema para interrompê-los.
A única coisa que podia fazer era ficar longe dele, mesmo como amigo.
Mas como ela poderia fazer isso? Ele era uma presença permanente na vida de
Lisa. Não havia nenhuma maneira que ela pudesse evitá-lo nas próximas oito
semanas.
E, francamente, ela não queria. Max era ótimo , e ela mal podia esperar
para passar mais tempo com ele e conhecê-lo melhor.
O inferno com a realidade.
Quando Stella desceu, Lisa e Niki já estavam na cozinha, fazendo café e
uma comida com um cheiro delicioso.
— Oi gente. Vocês acordaram cedo.
— Cedo? São 11:00hs — disse Niki e, caminhando até Stella, deu-lhe um
beijo na bochecha. — Dormiu tarde ontem à noite?
— Yeah. Desculpe por isso, Lis. Eu deveria ter ligado, mas eu acho que
eu perdi a noção do tempo.
Max a tinha conduzido direito para casa depois que Lisa tinha ligado,
mas eles tinham ficado no carro e conversado um pouco. Nenhum deles queria
deixar sua pequena bolha acolhedora. Eles não haviam tocado em nenhum dos
tópicos “campo minado”, em vez disso tinham falado sobre música, filmes,
comida e lembranças da infância.
Eles descobriram que tinham muita coisa em comum - eles gostavam do
mesmo tipo de filmes e ouviam as mesmas bandas. Logo depois que Stella
tinha admitido que gostava de rock dos anos 80 e 90, Max tinha sorrido e dito
que ele adorava também. Ele encontrou rapidamente um CD do Aerosmith e
eles cantaram “Crazy”, em pleno pulmões juntos. Então ele confiscou o iPod da
Stella e rolou pela sua playlist.
— Você tem múltipla personalidade ou algo assim? — Ele perguntou,
depois que vasculhou sua coleção de música.
— O quê? Por quê? — Ela tentou pegar de volta seu iPod, mas ele
moveu a mão muito rapidamente.
— Green Day, Bon J ovi, Aerosmith, Linkin Park e 30 Seconds to Mars
nunca deveria estar no mesmo aparelho que Rihanna, Destinys Child e Lady
Gaga, — ele disse, ainda percorrendo a seleção.
— Eu gosto de ter diferentes tipos de música, dependendo do meu
humor.
— Sério? Você tem Zero Assoluto e Paolo Nutini? — Ele olhou para ela,
incrédula.
— Bem, sim. Eu estava tentando relembrar o italiano, e acho que é
muito mais fácil estudar uma língua através da música.
— E o que diabos é Framing Hanley?
— É realmente uma grande banda. Você vai gostar.
Eles haviam escutado as músicas favoritas de Framing Hanley de Stella,
depois que ela conseguiu recuperar seu iPod das mãos de Max, antes que ele
encontrasse outra coisa para provoca-la. Ela tinha razão - ele amou. No
momento em que Stella finalmente se arrastou para longe de Max, Lisa já
havia ido para a cama há muito tempo. Stella subiu as escadas e foi para seu
quarto o mais silenciosamente possível.
Lisa não parecia muito feliz com ela agora. Mas Stella percebeu que ela
não teria trocado o tempo que passou com Max por nada, nem mesmo pela
aprovação de sua prima.
— Está tudo bem, Stella. Você me disse que estava com Max, então eu
sabia que você estaria segura. É por isso que eu fui para a cama e não esperei
por você. — Stella teria apostado que a preocupação de Lisa não era apenas
pela sua segurança. Especialmente do jeito que ela disse, mas ela não poderia se
importar menos. Nesse momento em que tudo o que ela queria fazer era se
divertir e esquecer tudo. Ela lidaria com a vida dentro de oito semanas.
Niki colocar algumas panquecas, ovos mexidos, torradas, geleia, salame e
manteiga na mesa, e fez um gesto para que se sentassem. Lisa trouxe o café e
de repente todas pareciam felizes e contentes enquanto atacavam a comida.
— Eu tenho uma notícia — disse Niki, depois de esperar que todas
comessem alguma coisa. As meninas olharam para ela com expectativa. Ela
sorriu e disse: — Eu conversei com Helen na noite passada.
— Oh, meu Deus! Sério? Como foi? — Stella estava tão animada. Ela
esperava que Niki desse o primeiro passo e procurasse sua mãe, mas ela
realmente não tinha certeza se ela algum dia faria isso. Lisa sorriu e olhou para
a mãe com interesse.
— Foi um pouco estranho no começo, eu acho. Mas depois, foi como se
nunca tivéssemos perdido contato! Nos falamos por cerca de uma hora e me
senti... certa.
Pensando bem, Niki parecia radiante esta manhã, como se um peso
enorme tivesse sido tirado dos ombros.
— Estou tão feliz por você, mamãe. — Lisa levantou-se e deu a Niki um
beijinho na bochecha, enquanto caminhava até o balcão, e recarregava seu café.
— Eu tenho que ligar para minha mãe antes de sair. — disse Stella. —
Aposto que ela está muito animada também.
— Aonde você vai? — Perguntou Lisa, enquanto voltava para a mesa.
— Não eu - nós. Estamos indo ao jogo, lembra? — A julgar pelo olhar
confuso no rosto de Lisa, ela não lembrava. — Genova vs Sampdoria, o jogo
beneficente? Beppe nos disse sobre ele na segunda-feira.
— Ah, certo. Eu tinha esquecido completamente sobre isso.
— Você ainda vai, certo?
— Yeah — Lisa encolheu os ombros, como se ela fosse só porque não
tinha nada melhor planejado.
— Você está bem? — Perguntou Stella, porque sua prima parecia estar
agindo bem estranha durante toda a manhã, e não foi só por causa da sua saída
ontem à noite.
— Eu estou bem. Eu só tenho um monte de coisa na minha cabeça.
— Você quer falar sobre isso?
— Talvez mais tarde. Temos que ficar prontas. — Ela deu um sorriso
tranquilizador a Stella, como se para mostrar que ela não era a razão de seu
estado de espírito, pegou a sua xícara de café , e subiu as escadas para o quarto
dela.
— O que há com ela? — Stella perguntou a sua tia.
— Não sei. Ela não me disse nada. Quando cheguei em casa ontem à
noite ela estava no estúdio e não saiu até que eu fui para a cama. Talvez ela
esteja em algum tipo de humor de artista. Isso já aconteceu antes.
Stella assentiu com a cabeça, aceitando a explicação de sua tia, porque ela
não parecia preocupada. Elas eram muito próximas, por isso, se Niki tinha
certeza que Lisa estava OK, então ela deveria estar.
— Então, Lisa me disse que você já passou muito tempo com Max —
Niki sorriu descaradamente para ela, e Stella corou.
— Sim, ele é ótimo. Não olhe para mim desse jeito, nós somos amigos.
— Ceeeerto. — Sua tia riu. — Você sabe que você sempre pode falar
comigo sobre qualquer coisa, certo? Eu estou aqui para você, querida.
— Obrigado, tia Niki. Eu sei.
— Bom. Eu tenho que ir agora, mas espero que todas possamos estar
aqui para o jantar, não? Eu sinto falta vocês.
Ela deu a Stella um beijo e saiu pela porta, indo para o trabalho.
Sorrindo, Stella subiu para seu quarto para ficar pronta. Assim que ela
fechou a porta, ela ouviu seu telefone vibrar em seu criado-mudo.
Era uma mensagem.
2$0: :(c3 ;< es%< &s$n#( $ "n1$ c$"s$?
Stella sorriu e digitou de volta.
S$e((': res$es ' c!(!c'r
Quase imediatamente ela recebeu uma resposta.
<'=: En$>! *!c+ n>! es$@ &s'n#! n'#' '.!r'?
Isso a fez rir, mas também a excitou. Imaginou-o ainda na cama, de
cueca, apoiado no cotovelo e digitando em seu telefone.
S$e((': /!c+?
De onde veio isso? Ela não deveria incentivar sua paquera agora, certo?
Mas era tão difícil resistir.
<'=: U) p!&c!. <'s A f'c"()en$e re)!*í *e(. B's$' #"9er '
p'('*r'.
S$e((': <'n$enB' 's c'(C's, .'r!$>!. 0& *')!s n!s '$r's'r
p'r' ' p'r$"#'.
<'=: Des)'ncB'- pr'9er.
Stella abanou a cabeça e, sorrindo, entrou no banheiro para tomar um
banho.
Meia hora depois, ela estava quase pronta. Seu cabelo estava lavado, mas
não tinha tempo para secar e arrumar, então ela só o prendeu em um rabo de
cavalo, e amarrou uma fita azul e vermelha em volta dele para combinar com as
cores do clube. A maquiagem era mínima - apenas rímel e gloss. Era hora de
decidir o que fazer com a camisa do Max.
Era enorme. Quando ela vestiu, bateu em seus joelhos e as mangas
cobriram dois terços de seus braços. Oh, e havia espaço para mais duas pessoas
dentro dela também. Pelo lado positivo, o cheiro era maravilhoso. Ela estava
lavada, mas o cheiro de Max ainda permanecia sobre ela. No momento em que
Stella colocou, ela sentiu como se ele estivesse bem ali ao lado dela.
Certo. Voltando a camisa.
Só uma coisa apropriada veio à mente - legging e um cinto. Stella tinha
uma legging azul escuro, que descia pouco abaixo dos joelhos. Ela
normalmente usava para fazer ioga, mas seria perfeita para esta ocasião,
porque a camisa era metade vermelho metade azul escuro. Vasculhando a
gaveta de acessórios no guarda-roupa, Stella encontrou uma faixa estreita
vermelha, que ela amarrou na cintura com um nó bagunçado.
Pronto. Ela estava pronta para a partida de futebol, de forma casual e,
pensou, originais. Por fim, ela colocou os tênis, e saiu do quarto, bem na hora
que a campainha tocou.
— Lisa, você está pronta? — Ela chamou quando passou pelo seu
quarto, a caminho da porta.
— Quase. — Lisa gritou de volta.
Abrindo a porta da frente, Stella ficou cara a cara com Beppe e Gia, e
ambos estavam sorrindo.
— Você é um idiota — Gia disse a ele em italiano, então ela tirou a mão
de seus ombros e entrou, beijando Stella em ambas as faces. — Uau, você está
adorável!
— Sim. Mas eu não usaria essa mesma palavra. — disse Beppe,
enquanto ele piscava para ela e a abraçava, beijando seu rosto também.
Quando Beppe entrou, Stella viu que Max vinha logo atrás. Ele estava
usando uma camisa da Genova, mas a sua era a alternativa - branca com duas
listras azul e vermelha na frente. A outra diferença era que a sua efetivamente
servia perfeitamente nele.
— Ciao, tesoro — disse ele quando se inclinou para beijar seu rosto. —
E eu pensando que você não conseguiria deixar minha camisa sexy — ele
sussurrou em seu ouvido, fazendo com que aumentasse a velocidade de sua
frequência cardíaca.
— Fico feliz que você goste. Eu não sonharia em desonrar sua camisa.
— Desonrar? Você está brincando comigo? Eu nunca vou lavá-la
novamente.
— Uh, nojento. — Stella franziu o nariz e riu.
Eles deixaram o carro de Max em frente à casa de Lisa, porque o estádio
Luigi Feraris - ou o Marassi, como era conhecido - era bem no meio da cidade,
e não havia estacionamento. Eles foram de ônibus até a estação de trem, e de lá
pegaram um dos ônibus fornecidos especialmente para os torcedores que iam
ao estádio.
O clima na cidade era elétrico. Pessoas vestidas nas cores das duas
equipes andavam por toda parte, cantando, rindo e com bandeiras. Stella não
conseguia tirar o sorriso do rosto. Era exatamente o que ela tinha imaginado
que essa partida histórica seria!
Max estava segurando a mão de Stella desde que tinham deixado sua
casa. Ele tinha provocado um olhar crítico de Lisa, e alguns mais atrevidos de
Beppe e Gia, mas depois ninguém mais se importou. Mesmo o humor de Lisa
animou quando chegaram à estação e entraram no ônibus especial. Era como se
todos se conhecessem - as pessoas pararam e falavam umas com as outras, e
realmente não importava quais as cores da equipe que eles usavam. Um cara
bonito em uma camisa do Genova cumprimentou Stella pela sua roupa, e
provavelmente teria flertado um pouco, se Max não a tivesse puxado para
perto e disparado um olhar ameaçador em sua direção. Stella riu e balançou a
cabeça. Em outras circunstâncias, ela provavelmente teria se irritado, mas hoje
era um dia tão especial, que ela não poderia evitar. Então ela notou um outro
cara, em uma camiseta da Sampdoria conversando com Lisa, e pouco antes de
descer do ônibus ele anotou o número dele e entregou para ela, que enfiou no
bolso de trás da sua calça jeans, com um sorriso.
O ônibus parou em frente ao estádio e eles entraram, com Beppe
gemendo pela centésima vez que estaria sentado na Tribuna Centrale em vez
de Gradinata Sud, onde todos os fãs do Sampdoria que se preze estariam. Max
insistiu que ele nunca colocaria os pés em Gradinata Sud, porque todos os fãs
estavam em Génova Gradinata Nord. Então Tribunata Centrale tinha sido o
acordo quando foram comprar os bilhetes. Mesmo que soubessem onde iriam
se sentar com semanas de antecedência, os gemidos não pararam até eles
pegarem seus assentos, e as meninas os ameaçarem para se calarem.
O estádio estava completamente cheio. Stella não podia ver um assento
desocupado em qualquer lugar. O lugar estava tão cheio de energia, que o chão
estava vibrando sob seus pés. Todas as trinta e cinco mil pessoas aqui tinham
futebol em suas veias. Eles provavelmente tinham se apaixonado um desses
clubes desde que eram bebês. E demonstravam.
Stella sentou-se ao lado dos degraus, e Max se sentou ao lado dela, ainda
segurando sua mão. Ele estava zumbindo com antecipação. Seus olhos estavam
brilhantes e ele não tirava o sorriso do seu rosto. Beppe sentou-se entre Lisa e
Gia, e imediatamente começou a provocá-las, com um largo sorriso enquanto
brincava com elas. Ele nem percebeu como as mulheres ao seu redor olhavam
para ele, mas não era porque ele não estava ciente de quão atraente ele era.
Stella pensou que tinha mais a ver com Gia - quando ela estava por perto,
Beppe não tinha olhos para mais ninguém.
— Você está bem? — Max perguntou, inclinando-se para Stella. Ela
havia ficado perdida em seus pensamentos por um minuto, e imaginou que
demonstrou isso em seu rosto.
— Yeah. Eu estou ótima. Eu não posso acreditar que eu estou aqui, no
Marassi. Eu não consigo pensar em qualquer lugar que eu preferiria estar
agora. — ela sorriu para ele, querendo dizer cada palavra.
— Mesmo que esteja perto do topo da minha lista, eu posso pensar em
uns dois outros lugares que eu prefiro estar agora. — Max sussurrou em seu
ouvido, e muito suavemente mordeu o lóbulo da orelha. Foi tão suave, que por
um segundo Stella achou que houvesse imaginado, mas a agitação em sua
barriga confirmou.
Bem nesse momento, o estádio explodiu quando as duas equipes saíram
para aquecer no campo. Stella estava em pé também, tentando dar uma olhada
melhor. Quando ela fez isso, o que ela viu não a agradou. Rico e aquela menina,
Antonia - que tinha beijado Max no clube - juntamente com um grupo de
outras pessoas estavam subindo as escadas em sua direção. Rico estava
conversando com outro cara na frente, enquanto Antonia estava segurando a
mão de alguém e rindo de algo que ele havia dito.
A mão de Max se esticou em Stella. Ele tinha visto eles, também. Ela se
virou para olhar para ele e seu rosto era ameaçador. Sentindo-se irritada, Stella
soltou sua mão e se sentou em seu lugar.
Esta rotina de ciúmes estava se tornando cansativa. Max não tinha o
direito de ficar com ciúmes, ela não era sua namorada, pelo amor de Cristo.
Eles não estavam nem mesmo ficando. Mesmo que ela tentasse dizer a si
mesma que estava irritada com Max, ela também estava se sentindo muito
desconfortável ao ver Antonia. No momento em que a viu, se lembrou dos seus
lábios em Max naquela noite. Isso quase a deixou insana.
Esses lábios perfeitos e deliciosos são meus.
Ela acabou de pensar isso? Então, para resumir, Stella estava irritada
com o ciúme infundado de Max, enquanto ficava territorial sobre seus lábios.
Isso mexeu um turbilhão de emoções contraditórias dentro dela, e ela não
tinha ideia de como controlá-las.
À medida que se aproximavam, a sensação desconfortável no estômago
se intensificou. Ela não queria aquela cadela perto de Max. Obviamente, não
era difícil ganhar o seu afeto - já que o cara estava em cima dela e ela não
parecia se importar. Beppe os tinha visto, também, e estava sorrindo em sua
direção, claramente apreciando o show. Ele estava com os dois braços
esticados, um sobre o encosto de Gia e outro de Lisa, e parecia um modelo
masculino em um anúncio de Calvin Klein. As meninas estavam ocupadas
conversando animadamente, e não tinham notado o grupo que se aproximava.
Stella orou para que eles não os vissem, e apenas passassem. Ela não teve
essa sorte.
— Hey, Stella. Como você está? — Rico disse, e se abaixou para beijar
seu rosto. Será que ela imaginou, ou Max realmente grunhiu profundamente
em sua garganta?
— Ei, cara. — Rico acenou para Max que, indelicadamente, acenou de
volta, mas não disse nada. Beppe fingiu estar muito interessado em Gia e Lisa
conversando, e simplesmente o ignorou.
— Então essa é a famosa Stella. — disse o rapaz ao lado de Rico. — Ele
não para de falar de você. — ele continuou, apontando na direção de Rico com
um sorriso atrevido. Rico lançou-lhe um olhar, mas o cara não se importou.
— Sávio, muito tempo sem te ver. — disse Max e apertou a mão do cara.
— Há quanto tempo você está na cidade?
— Umas duas semanas. Devemos sair, Max. Eu não te vejo há anos.
— Claro. Me dê uma ligada.
Rico tentou dizer alguma coisa, mas Savio o chamou para subir as
escadas.
— Aproveitem o jogo, eu falo com você depois — disse ele, enquanto
subiam.
— Quem era? — Perguntou Stella.
— O irmão de Rico, Ele vive em Milão. Nós costumávamos ir juntos
para a escola, mas desde que ele foi para Milão para trabalhar, nós perdemos
contato. — explicou Max, sua voz inexpressiva, enquanto olhava ao campo em
frente.
— Qual é a idade de Rico — perguntou Stella, e não tinha a intenção
com a questão de mostrar qualquer interesse no rapaz. Era só que Sávio
parecia mais velho e ele teria a idade de Max, se tivessem ido para a escola
juntos. Max virou a cabeça e olhou para ela, seus olhos castanhos parecendo
quase preto quando estudava a pergunta.
— Dezenove.
— Oh. Isso explica muita coisa. — Max olhou para ela com curiosidade,
inclinando a cabeça para um lado. Stella sentiu a necessidade de elaborar. —
Bem, ele é muito... despreocupado. Imaturo. Não é tão intenso. — Como você,
ela queria acrescentar, mas não o fez. Max murmurou “Hmmm” e olhou para a
frente, apertando os músculos da sua mandíbula.
Pelo amor de Deus!
— Eu vou ao banheiro. Volto já — disse Stella, e levantou
abruptamente. Ela realmente não precisava ir ao banheiro, mas a partir do
momento que Max estava agindo como um idiota, ela precisava ficar longe dele
por um minuto.
— Eu vou com você para lhe mostrar onde ficam. — disse Max, quando
se levantava.
— Eu sou capaz de encontrar os banheiros, Max. Você não precisa me
acompanhar em todos os lugares que eu vou. — Ela lançou-lhe um olhar frio e
virou, subindo as escadas.
Ela passou por onde Rico e companhia estavam sentados e acenou para
eles, quando os viu. Aparentemente Antonia tinha achado seu lugar muito
desconfortável, já estava sentada no colo de um cara. E não era o cara que
estava segurando a mão dela no caminho.
Vadia.
Com sua visão periférica Stella viu Savio cutucando Rico, e ele levantou-
se, caminhando em sua direção.
— Stella, espere. — Ele falou com ela, enquanto ela estava olhando ao
redor, procurando a placa que sinalizasse o banheiro.
— Hey. Por acaso você sabe onde fica o banheiro feminino?
— Sim, bem ali — Rico apontou à sua esquerda.
— Obrigada — Stella disse e tentou ir embora, mas Rico ficou onde
estava. — Você quer me dizer alguma coisa?
— Sim — disse ele, parecendo um pouco desconfortável e, de repente
muito jovem. Stella imaginou que seria tão fácil se ele fosse o cara que ela
gostava. Ela iria se divertir muito com ele - ele parecia ser alguém que gostava
de uma boa risada. Ao mesmo tempo, ela não ficaria submetida a olhares
intensos, crises de possessividade e flertes ultrajantes.
Mas ele não era o cara que ela queria.
— Você está namorando Max? — Ele perguntou, timidamente.
— Não.
— Você quer sair comigo?
Ela queria? Ele parecia realmente gostar dela.
Lembrou-se de sua dança no clube naquela noite, e como tinha sentido se
sentido bem, antes da vadia da Antonia enfiar a língua na boca de Max e
estragar tudo.
— Eu adoraria — ela disse, e sorriu para ele. Ele sorriu de volta, um
pouco surpreso. Era um belo sorriso. Rico era bonito. E divertido. E
exatamente o que Stella precisava agora.
— Legal. Eu vou ligá-la na próxima semana. — disse ele e retornou em
direção a escada, olhando para ela e sorrindo. Stella sorriu de volta, e de
alguma forma sentia que havia tomado a decisão certa. Max iria descobrir de
uma forma ou de outra, e, provavelmente, ficar puto, mas ela não estava
namorando com ele, e ele não tinha o direito de dizer a ela o que fazer. Ela veio
aqui para tentar tirar da sua mente o seu câncer e sua vida sem futuro - e não
ser infeliz por um cara.
Quando Stella voltou, o jogo ainda não tinha começado, mas as equipes
estavam de prontidão, o que significa que iria começar a qualquer minuto.
Beppe estava sentado em sua cadeira, conversando com Max. Ele não se moveu
quando ela apareceu ao lado dele. Ele apenas olhou para ela, com os olhos
brilhando com diversão, e os braços cruzados sobre o peito.
— Você está no meu lugar. — ela disse, cruzando os próprios braços
sobre o peito.
— Então? Aposto que você vai ficar muito mais confortável dessa forma
— disse ele, e piscou para ela.
— Eu aposto que eu não ficaria.
— É, provavelmente você está certa — disse ele, enquanto
ostensivamente reajustava seus jeans. Stella não podia acreditar no que acabara
de acontecer.
— Mova-se, pervertido — disse ela, com a intenção de parecer
ameaçadora, mas o encantador sorriso de Beppe venceu-a e, mordendo o lábio,
ela não pôde deixar de sorrir também. Ele voltou para o seu lugar entre Gia e
Lisa. Stella sentou-se e olhou para Max, que parecia um pouco no limite, ainda.
Mas, em seguida, deu-lhe um sorriso lento e tomou-lhe a mão, apertando-o
levemente.
Aquele homem era um mistério para ela. Ela nunca conheceu ninguém
que pudesse mudar de humor tão rapidamente. O que passava pela sua cabeça?
Ele sempre foi assim, ou era ela o motivo?
Stella não tinha mais tempo para pensar sobre isso, porque as duas
equipes entraram em campo e o estádio irrompeu novamente.













1'pí $&(! D!9e

Stella tinha gritado tão alto, que estava
quase sem voz. Ela soava como uma atendente de sexo, como Max tinha
apontado. Beppe tinha amado a comparação e tentou fazê-la dizer coisas sujas.
O jogo foi incrível. Desde que era um jogo de caridade, as duas equipes
jogaram inteiramente para os torcedores. Cada time havia marcado quatro
gols, e Stella se perguntou se eles haviam combinado em terminar com um
empate.
No momento em que o apito soou, toda a tensão fluiu de Max e ele estava
em pé, aplaudindo e gritando. Stella e Beppe tinham seguido o exemplo. Após
o primeiro gol do Genova, Max tinha jogado os braços em torno de Stella,
levantou-a e a girou em um círculo. Em seguida, ele beijou a bochecha dela, e a
olhou como se quisesse fazer muito mais, mas Stella tinha se afastado. Ela
podia imaginar os olhares que iriam receber de todos, se ele a tivesse beijado
ali mesmo.
Após o término da partida, Beppe sugeriu que fossem comer em algum
lugar, e houve uma concordância geral, já que todos estavam morrendo de
fome. O jantar foi rápido, porque, Beppe sugeriu mais uma vez, irem a um bar
de karaokê, e eles estavam muito animados para perder tempo com comida.
Todos, exceto Stella, que não gostava bares de karaokê. E ela definitivamente
não ia cantar esta noite. Não com sua voz de disque-sexo .
Então, meia hora depois eles estavam sentados num bar de karaokê, que
tinha uma banda ao vivo: um banda real, de quatro pessoas. Eles não usam
música pré-gravada aqui, eles tocam para você. Beppe alegou que isso faz você
se sentir como uma estrela de rock. Até agora não tinha sido muito ruim. A
banda era ótima e estava muito divertido, mas a noite tinha apenas começado.
Stella se perguntou como o lugar ficaria depois que todo mundo estivesse em
seu terceiro coquetel. Ou melhor, como soaria.
Gia e Max tinham se registrado para fazer um dueto - “Kidz” por Robbie
Williams e Kylie Minogue. Isso era a cara deles, como Lisa havia apontado
com um sorriso. Ela mesma não iria cantar esta noite, mas parecia estar em um
estado de espírito muito melhor. Beppe iria cantar também, mas ele não disse
qual seria a música.
Depois de terem sofrido com um homem de meia-idade cantando “Let it
be” e um grande número de sucessos italianos, era a vez de Gia e Max. Sua
versão de “Kidz” acordou todo o lugar. As pessoas estavam em pé, dançando e
rindo. Beppe levou Lisa e Stella para a pista de dança, e de alguma forma
conseguiu dançar com as duas sem perder uma batida. As mulheres no bar
estavam mentalmente despindo-o, enquanto abertamente olhavam para ele. Ele
não poderia ter se importado menos.
Quando a música terminou, ele agarrou Gia e a girou, enquanto ela ria.
Por que os dois não formavam um casal? Eles pareciam perfeitos um para o
outro.
Eles ficaram na pista de dança quando a banda começou a tocar uma
versão acústica de Adele, “Set fire to the rain”, enquanto Stella e Lisa
retornaram para a mesa. Max se juntou a elas logo depois.
— Você foi ótimo, Max. Eu não sabia que você tinha uma voz tão
fantástica — Stella disse, e ele sorriu para ela.
— O quê? Você não percebeu na outra noite no carro, quando cantamos
“Crazy”?
Stella sorriu e tomou um gole de sua sangria sem álcool, roubando um
olhar para Lisa. Ela estava olhando para os dois, mas sua expressão era
completamente ilegível. Talvez fosse uma boa ideia falar com ela sobre Max.
Elas não tinham falado sobre isso desde o primeiro dia em que se conheceram,
e Stella não queria que sua prima se sentisse isolada, ou até mesmo enganada.
Ela ia falar com ela amanhã, e dizer-lhe tudo sobre ela e Max. Talvez ela
tivesse alguns bons conselhos.
A música terminou, e Beppe e Gia se jogaram em suas cadeiras, rindo. Só
então, os primeiros acordes de “Amazing” do Aerosmith soou, e Stella
imediatamente levantou os olhos para Max, que já estava olhando
ansiosamente para ela. Em silêncio, ele ofereceu-lhe a mão e, quando ela o
pegou, ele a levou de volta para a pista de dança. Ele a abraçou, enquanto ela
descansava a cabeça em seu peito. Ele estava quente, forte e... bem. Tanto
quanto doía admiti-lo, ele a fazia muito bem.
— Essa é a minha música favorita do Aerosmith — ela disse.
— A minha também — ele disse, e ela sentiu-o sorrir.
— Eu acho que tem a letra mais precisa e inspiradora já escrita em uma
canção — ela disse, e levantou a cabeça para olhar para seu rosto.
— Qual? — Perguntou Max, mas seus olhos castanhos queimavam
através dela, como se ele já soubesse o que ela ia dizer.
— A vida é uma jornada, não um destino.
Seus lábios perfeitos abriram lentamente em um sorriso, mas não o seu
tipo usual de sorriso. Este era mais satisfeito - mais íntimo, de alguma forma.
— O quê foi? — Perguntou Stella, quebrando a cabeça com a reação
dele.
— Eu acho que você está absolutamente certa. — Ele continuou a olhá-
la daquela maneira estranha, como se ele soubesse algo que ela não sabia.
Stella notou Beppe caminhando até o palco, então ele provavelmente iria
cantar agora. Ela realmente não o conhece o suficiente para saber que tipo de
música que ele gostava, por isso a sua escolha da música seria uma surpresa
completa. Max seguiu seu olhar e revirou os olhos.
— Aqui vamos nós de novo — disse ele.
— O quê?
— Toda vez que Beppe canta as mulheres aqui enlouquecem. Ele tem
uma voz incrível, e a usa a seu favor.
— Então, ele é absolutamente encantador e divertido, é um dançarino
incrível, tem uma voz incrível e se parece com um modelo Calvin Klein. Há
algo de errado com esse cara? — Stella disse e riu.
Max franziu a testa, mas ele não estava com ciúmes. Era outra coisa,
como se estivesse lembrando de algo.
— Há algo de errado com todo mundo — ele disse, enquanto olhava de
relance para Beppe, que já estava segurando o microfone e se preparando. A
multidão estava começando a se reunir na pista de dança e na frente do palco.
— Boa noite — disse Beppe, e sorriu quando se sentou num banco alto
no centro do palco.
Ele está muito sério, Stella pensava. A banda começou a tocar e Stella
imediatamente reconheceu a canção, era de Lenny Kravitz — Se você não pode
dizer não — O sorriso insolente de Beppe desapareceu e, fixando os olhos em
Gia começou a cantar. Max tinha razão: sua voz era incrível.
Quando Stella continuou a dançar com Max, ela também roubou alguns
olhares na direção de Gia. Havia alguma coisa acontecendo entre os dois,
mesmo que ninguém quisesse admitir isso. Ela só não tinha certeza do que,
uma vez que Gia estava olhando para Beppe como se quisesse matá-lo. Talvez
essa música significasse algo para eles? Em algum momento no meio da
canção, ela sussurrou algo no ouvido de Lisa e, beijando seu rosto, saiu. Só isso.
Ela nem sequer chegou a dizer adeus a eles, ou esperar Beppe terminar. Ele a
viu sair, mas continuou a cantar de qualquer maneira.
Quando acabou, os três se juntaram a Lisa na mesa.
— Será que ela foi embora? — Beppe perguntou a Lisa. Ela assentiu
com a cabeça, e olhou para ele de um jeito estranho.
— Porra — ele murmurou e pegando seu maço de cigarros, se dirigiu
para a porta. Max seguiu seu amigo com os olhos, sua expressão mostrando
que ele estava um pouco inseguro sobre exatamente o que estava acontecendo.
Então ele se levantou e foi atrás de Beppe, murmurando — Volto já — para
Stella.
*
— O que aconteceu agora? Por que minha irmã saiu? — Max estava
irritado. Ele estava cansado da dinâmica estranha de sua irmã e seu melhor
amigo. Eles ou estavam se abraçando, ou na garganta um do outro.
— Eu ferrei as coisas. Mais uma vez. — Max olhou para Beppe em
expectativa, esperando que ele elaborasse. — Hoje, antes do jogo, ela me disse
que o idiota que ela trabalha, e, obviamente, tem tesão, e que trata toda a sua
equipe como merda, beijou-a na noite passada. E agora ela está confusa sobre o
que fazer a seguir.
— Eu posso imaginar o que você disse a ela. — Max cruzou os braços
na frente do peito.
— O que eu deveria dizer? Francesco Naldo é um idiota rico, que
manipula todos ao seu redor. Se ele quer algo, ele pega e não se preocupa com
as consequências. Agora ele está com os olhos em sua irmã, cara. Quanto
tempo você acha que vai passar, antes de descarta-la como todas as suas putas?
— Você acabou de chamar minha irmã de puta?
— Não, e esse é exatamente o problema. Ela não é uma vagabunda. Ela
realmente admira o cara. Mas eu duvido que ele queira algo mais dela do que
levá-la para a cama.
— Por que ela não me disse nada disso? — Max perguntou, sentindo
deixado de fora.
Antes que seu pai morresse, Gia e ele costumavam ser muito próximos,
mas depois eles simplesmente se afastaram. Não era como se não confiassem ou
contassem um com o outro. Só que eles não estavam tão confortáveis um com o
outro como costumavam ser. Eles não falavam mais sobre coisas pessoais,
principalmente porque cada um tinha medo de descobrir como o outro
realmente se sentia após a morte de seu pai. Posteriormente, tornou-se um
hábito evitar falar sobre coisas que eram muito pessoais. Beppe tinha sido
amigo de Gia desde que eram crianças, e Max sempre soube que eles
compartilhavam muita coisa, mas ainda doía saber sobre isso por Beppe e não
Gia.
— Você sabe por quê. — Beppe deu uma tragada em seu cigarro.
— Então, eu ainda não entendo. Por que ela saiu? — Max ainda estava
confuso, porque o que Beppe acabara de lhe dizer , não explicava a saída
repentina da Gia ou a escolha da música pelo seu amigo. Beppe soltou a fumaça
que estava segurando e, lançando os olhos para Max, disse:
— Eu disse a ela que ele só queria transar com ela. Ela ficou com raiva.
Eu disse a ela que ele não é bom o suficiente para ela. Ela disse que ele é um
grande homem de negócios e chef, com três restaurantes com duas estrelas
Michelin. Eu disse que ele ainda não era bom o suficiente para ela. E então ela
me perguntou quem eu achava que era bom o suficiente para ela.
Max sempre soube que Beppe tinha sentimentos por Gia, mas nunca
pensou que ele iria fazer alguma coisa sobre isso. Sua irmã precisava de um
homem com os pés firmemente no chão - um homem que soubesse quem era, e
que iria apreciá-la por quem ela era. Beppe não poderia lhe dar isso e ele sabia
disso. Era por isso que ele só brincava com ela, nunca agindo sério sobre seus
sentimentos.
— O que você disse?
— Nada. Eu não sou bom o suficiente para ela, Max. Eu sei que ela sabe
disso, você sabe disso, todo mundo sabe essa porra. E agora ela provavelmente
vai pular na cama com aquele idiota. E é por isso que eu cantei essa canção. —
Beppe jogou o resto do seu cigarro no chão e se afastou para o bar.
Balançando a cabeça, Max caminhou de volta para encontrar Lisa e Stella
dançando com dois caras que ele não conhecia. Ele não podia deixá-las
sozinhos por um maldito minuto antes dos abutres atacarem! Graças a Deus
que não era uma música lenta e os caras tiveram a decência de manter sua
distância. Se ele tivesse visto Stella dançando perto de alguém, como na outra
noite com Rico, ele iria ficar louco.
O que havia de errado com ele? Ultimamente, desde que ela chegou, para
ser exato, ele não conseguia reconhecer a si mesmo. Mudanças extremas de
humor, crises de ciúmes esmagadoras, e um ardente desejo por ela... Ele nunca
se sentiu assim antes. Ele não tinha ficado tão perdido assim nem mesmo
quando o pai dele morreu. Aquilo foi despencar para baixo: sem emoções
extremas, apenas um grande buraco negro interior, que crescia até que o
consumia.
Agora, ele estava completamente perdido. Ele precisava dela e isso o
deixava confuso e assustado.
Ele não sabia o que fazer.
*
Stella voltou para sua mesa para tomar uma bebida, enquanto Lisa foi
para o banheiro. Max estava de mau humor em sua cadeira e ela não tinha
certeza se era porque ela tinha dançado com aquele cara ou por causa do que
tinha acontecido com Beppe lá fora. Deve ter sido ruim, porque ele não havia
retornado com Max, e estava brincando com seu telefone.
— Hey. Está tudo bem? — Ele olhou para ela com uma expressão
confusa, como se ele não tivesse certeza se ela tinha falado ou não.
— Sim, está tudo bem. Só mandado uma mensagem para Gia. Ela quer
que a gente se encontre em nossa casa depois do jogo de amanhã. Ela vai
cozinhar. Você quer vir?
— Eu não perderia um dos famosos pratos da Gia — ela disse e sorriu,
com a esperança de aliviar um pouco a tensão de Max. Ele sorriu de volta, mas
não alcançou seus olhos. — Max?
— Eu estou bem, Stella. Realmente. Eu só estou cansado. — Ele olhou
para Lisa, que estava vindo na direção deles. — Vocês querem ir? — Elas
assentiram, e deixando dinheiro na mesa para as bebidas, eles deixaram o bar.
Quando chegaram à casa de Lisa era tarde, mas a luz da sala ainda estava
acesa. Niki não estava dormindo ainda. Eles pararam em frente à porta da
frente, organizando quando e onde encontrar amanhã, quando ela abriu a
porta.
— Oi, pessoal. Eu sabia que ouvi vozes — ela sorriu para eles. — Max,
querido, eu não o vejo há tempos! — Ela foi até ele e beijou-o na face.
— Hey, Niki, como você está?
— Eu estou bem. Eu falei com sua mãe hoje, ela me ligou para convidar
para sua casa amanhã. Aparentemente Gia fará a comida?
— Sim, ela vai fazer. Mamãe adoraria ver você.
— Eu também. Eu não vejo Elsa há tempos. De qualquer forma, vou
deixar vocês. Até amanhã, Max — disse ela e entrou.
Lisa também entrou, dizendo adeus a Max e deixando a aberta a porta
para Stella.
— Então, eu acho que vou vê-lo amanhã — disse Stella, sentindo-se um
pouco estranha apenas em ficar ali com Max.
— Yeah. Boa noite, Stella. — Ele se inclinou e beijou seu rosto. Ele não
arrastou ou prolongou o seu toque. Foram dois beijos perfeitamente breves e
sem emoção.
Enquanto ele caminhava de volta para o carro, Stella sentiu um impulso
irresistível em fazê-lo sorrir. Ela queria tirar um pouco do peso que ele
carregava, mesmo que ela não soubesse o que era.
— Ei, Max! — Ela gritou para ele.
Ele virou-se para encará-la.
— Sim?
Stella abriu um enorme sorriso. Foi o suficiente para fazê-lo sorrir
também.
— Marque um gol para mim amanhã?
— Pode deixar. — Seu sorriso se espalhou em um sorriso completo,
aquele que Stella tanto amava.




1'pí $&(! ;re9e

Era apenas Lisa e Stella torcendo para
Max na arquibancada. Beppe não tinha aparecido, nem Gia. Ela provavelmente
estava ocupada cozinhando para eles, mas a ausência de Beppe era um mistério.
De acordo com Lisa, ele sempre vinha quando Max jogava.
Max era muito bom. Ele jogava de forma harmoniosa e inteligente,
avaliando cada situação com cuidado e sempre no lugar certo na hora certa. Ele
não era um fominha de bola, como Stella havia previsto. Ele passava a bola aos
companheiros, muito feliz em envolver toda a equipe na partida. Ele parecia
estar em todos os lugares o tempo todo - como ele fazia isso estava além de
Stella.
Ele fez um gol perto do fim do primeiro tempo. Stella se levantou e
aplaudiu, sabendo que esse gol era para ela. Max correu todo o caminho até o
fim do campo, sorrindo, e apontando para ela, como se dissesse “Isso é para
você”, e piscou. Stella soprou-lhe um beijo, e não conseguia parar de sorrir. Por
que esse gol era tão importante para ela, ela não tinha ideia. Mas era, e deixou
os dois felizes.
Quando as comemorações diminuíram e o jogo recomeçou, Stella sentou-
se e sorriu para Lisa. Mas ela não estava sorrindo de volta. Naquele momento,
Stella sabia que Lisa ia dizer algo que ela não iria gostar.
— Stella, nós precisamos conversar.
— Aqui? Não pode esperar?
— Não. Nós vamos depois para a casa de Gia, vai ter um monte de gente
, e eu não sei onde vamos acabar esta noite, e eu realmente preciso dizer isso.
Mesmo que possa fazer você me odiar.
Lá estava ele. Aquele olhar que Lisa guardava para as ocasiões em que
daria uma má notícia. Stella se preparou e assentiu.
— Você sabe que eu te amo, certo? Eu me importo com você e quero que
você seja mais feliz do que qualquer coisa na vida. Mas eu também amo Max, e
eu não quero ver nenhum de vocês machucados.
— Lis, não estamos...
— Por favor, apenas me ouça — Lisa a interrompeu, colocando uma
mão suavemente no braço de Stella. — Eu conheço Max também. Eu posso ver
como ele se sente sobre você. Eu posso ver que você sente algo por ele
também. Em circunstâncias diferentes, isso me faria muito feliz, ver vocês dois
juntos, porque eu posso sentir que vocês ficariam bem juntos. Mas agora... —
Ela parou, medindo suas palavras, tentando não machucar Stella.
— Agora eu tenho câncer — Stella disse, não querendo soar amarga,
mas foi assim que saiu. Lisa assentiu com a cabeça em concordância.
— E você também vive em outro país. Max, ele... Vamos apenas dizer
que ele não será capaz de lidar com o fato de que você está doente.
— Eu não vou dizer a ele. Eu não quero piedade de ninguém.
— Eu sei. Mas se você der continuidade a essa atração por ele, em
poucas semanas, quando você partir, vocês dois estarão com o coração partido.
— Eu sei disso, Lis. É por isso que eu disse a ele, repetidamente, que
podemos ser amigos e apenas amigos. Eu lhe disse que não queria colocá-la no
meio disso, se algo acontecesse entre nós, e ele pareceu concordar, mas depois
ele... Ele só não vai desistir. E eu não sei o que fazer.
Stella propositadamente não mencionou o beijo. Lisa iria pirar se ela
contasse, e ela não queria lidar com isso agora.
— Experimente manter isso inocente. Amigável. Talvez ele entenda a
mensagem. Você também pode tentar sair em um encontro. Com outra pessoa.
— Stella olhou para sua prima surpresa, e um pequeno sorriso levantou nos
cantos da boca dela. — Você veio aqui para relaxar e se divertir, lembra? Faça
isso. Seja amiga de Max, mas saia em um encontro com outro cara. Vá em
alguns encontros. Talvez ele entenda o recado e, talvez, você seja capaz de
afastá-lo de sua cabeça.
— Falando em encontros, Rico me encurralou no estádio ontem e me
convidou para sair.
— Sério? Isso é ótimo. Ele é um bom rapaz. Saia com ele.
Stella sabia que Lisa estava certa sobre tudo. No entanto, ela não podia
deixar de se sentir um pouco mal. Era completamente irracional, e ela não
tinha o direito de se sentir assim, porque Lisa estava apenas preocupada com
seus amigos - tanto ela, como Max. Mas doía ouvir alguém dizendo
exatamente o que ela estava tentando se convencer, e agonizando sobre isso
nos últimos dias.
O que tornava real. Não apenas coisa de sua cabeça.
Ela tentou esconder seus verdadeiros sentimentos da melhor forma que
pode, conversando e rindo com Lisa pelo resto do jogo. Max fez outro gol e
sua equipe venceu por 2-0. Quando acabou, elas foram até o campo para
parabenizá-lo. Lisa deu-lhe um abraço e Stella seguiu o exemplo. Era bom
fazer o que sua outra amiga estava fazendo, certo?
No entanto, Max a segurou em seus braços por mais alguns momentos.
— Belos gols. Eu pedi apenas um, você exagerou — ela brincou com ele,
e ele riu.
— Eu sempre vou te dar mais do que você pedir — ele sussurrou em seu
ouvido, enquanto a soltava do abraço. Seus olhos estavam brilhando com a
adrenalina do jogo e com alguma coisa que ela não conseguiu identificar.
Naquele momento, Max era o homem mais sexy na Terra, e o único que Stella
queria em sua vida.
Oh, Deus. Estou ferrada.
*
Max tinha acordado com um sobressalto. Naquela manhã, ele teve um
sonho estranho que nunca teve, e tinha, literalmente pulado da cama quando
acordou.
Ele havia sonhado com Stella. Ontem à noite, quando ela o chamou para
pedir-lhe para marcar um gol para ela, ele sabia que ela tinha feito isso para
fazê-lo sorrir. Ele se sentiu bem em ter alguém que queria apenas fazê-lo
sorrir.
Ele não podia tirá-la de sua cabeça depois disso. Ele havia dormido
pensando nela, e sonhou que estava com ela, sem nenhum obstáculo. Mas
então, do nada, eles estavam em uma estação de trem e Stella estava partindo.
Ela se afastou dele, entrou no trem e se despediu. Max tinha ficado congelado
no local, incapaz de se mover, incapaz de gritar seu nome. Por dentro ele
estava lutando, gritando, tentando arranca-la deste trem; por fora ele estava
imóvel.
E foi nesse momento que ele tinha acordado.
A sensação de perdê-la ficou com ele pelas próximas horas, até que ele a
tinha visto no jogo.
Max nunca queria se sentir daquele jeito de novo. Ele não a deixaria ir, e
ele afastaria tudo e todos que estivessem em seu caminho.
*
Eles chegaram de volta na casa de Max em alto astral. Max ainda estava
com a adrenalina alta com a vitória, e seu bom humor contagiou Stella e Lisa.
Niki já estava lá dentro, conversando com a mãe de Max.
— São eles — disse a mãe de Max, e levantou-se do sofá. Ela era uma
mulher pequena, a imagem exata de Gia, apenas alguns anos mais velha. Seu
cabelo era longo e escuro, assim como da sua filha, seus olhos eram da mesma
cor avelã quente como suas duas crianças, mas não brilhavam tão forte como a
deles. Eles pareciam mais velhos, de alguma forma tristes.
Isso é o que acontece quando você perde o amor de sua vida.
— Max, querido, você marcou algum gol? — Ela veio até seu filho, e lhe
deu um abraço. Ele teve de curvar-se quase pela metade para alcançar o corpo
de sua mãe. Stella não podia acreditar que uma mulher tão pequena poderia dar
a luz a um homem tão grande como Max.
— Yeah. Dois — ele disse com um sorriso torto.
— Esse é meu garoto. — Ela lhe deu um beijinho na bochecha e se
moveu para abraçar Lisa.
— E você é Stella. Estou tão feliz em finalmente conhecê-la. — Ela a
abraçou e beijou seu rosto. — Vamos todos lá para fora. A mesa está quase
pronta. Gia já está lá.
Ela os levou pelas portas francesas até um jardim, que era maior do que
da casa de Lisa. Lá também tinha uma piscina e um quintal com uma grande
mesa, muitas cadeiras e uma churrasqueira embutida. Gia estava andando
agitada em torno da mesa, colocando pratos e guardanapos. Quando ela os viu,
imediatamente atribuiu tarefas a todos, e meia hora depois, estavam todos
sentados à mesa, apreciando a excelente comida que Gia tinha cozinhado e
brincando um com o outro.
Ficou evidente que Beppe não iria vir. Ninguém perguntou onde estava,
ou se ele ia se atrasar, eles só atentaram a sua comida.
— Beppe está Ok? — Stella perguntou a Max, com a voz baixa, para que
ele pudesse ouvi-la.
— Eu não sei — Max respondeu honestamente, a preocupação
sombreando seus olhos.
Stella não sabia o que dizer ou fazer. Ela não sabia o que era isso tudo,
mas ainda queria aliviar as preocupações de Max. O desejo de tocá-lo e lhe
assegurar que tudo ia ficar bem era tão forte que, num impulso, ela colocou a
mão sobre sua coxa por debaixo da mesa. Silenciosamente, sem sequer olhar
para ela, ele colocou sua própria mão sobre a dela e entrelaçou os dedos.
Ficaram assim pelo resto da refeição, como se fosse a coisa mais natural
do mundo.
Durante a sobremesa, o telefone de Max tocou no bolso e ele o pegou.
Era uma mensagem, e suas sobrancelhas franziram no início, mas depois ele
sorriu. Virando-se para Stella, ele disse,
— É de Beppe. Eu acho. Olha, ele me enviou algumas fotos nossas de
ontem à noite. — Ele lhe entregou o telefone para olhar as fotos.
Elas eram adoráveis - uma era do jogo, e eles estavam se abraçando,
comemorando um dos gols. O outro era do bar karaokê, e eles estavam
dançando perto um do outro, e Stella estava com a cabeça inclinada para trás
para olhar para o rosto de Max, que estava falando. Ela estava sorrindo e
parecia tão feliz.
É assim que eu sempre fico quando estou com ele?
— Eu não sabia que ele estava tirando fotos da gente. Isso é um pouco
assustador. — disse ela, sorrindo. O que ela deveria dizer? Eu amo o quão bem
nós ficamos juntos? Como parecemos á vontade um com o outro?
— Sim, ele sempre teve algumas tendências para assédio — Max
respondeu, e seu sorriso combinava com o dela. — Você não pode negar que
ele tem talento, apesar de tudo.
— Você pode enviá-las para mim?
— Então, agora você quer as imagens assustadoras?
— Eu não quis dizer que elas eram assustadoras. Eu disse que ele era
assustador em tira-las sem a gente perceber. — Stella especificou e Max riu,
enquanto pressionava alguns botões. O telefone de Stella tocou. — Obrigada.
— ela disse, enquanto pegava o seu telefone.
— Do que vocês estão rindo? — Lisa perguntou, notando a troca entre
Max e Stella.
— Beppe me enviou algumas fotos da noite passada. Eu estava
mostrando a Stella.
Stella, instintivamente, olhou na direção de Gia, querendo ver sua reação
ao nome de Beppe. Gia visivelmente se encolheu, mas, bancou a
completamente desinteressada, tomando um gole de vinho.
— Deixe-me ver? — Lisa disse, estendendo a mão para o telefone de
Max.
O telefone passou pela mãos de todos, e elas adoraram as imagens. Elsa, a
mãe de Max, jorrou sobre como ele era bonito, então, compartilhou algumas
histórias de infância que fez todo mundo, rir enquanto Max se mexia
desconfortável em sua cadeira. Ela passou a contar algumas das travessuras de
infância de Gia, e dessa vez Max riu enquanto sua irmã se retorcia em seu
assento.
Mais cedo do que Stella teria gostado, o jantar acabou. Lisa disse que
tinha algum trabalho a fazer em seu estúdio, e queria ir para casa, mas Niki
estava em profunda conversa com Elsa e queria ficar um pouco mais.
— E você, Stella? Você quer ir? — Perguntou sua prima, pegando sua
bolsa e indo até a porta. Stella hesitou. Se ela fosse para casa com Lisa agora,
ela teria que passar o resto da noite sozinha, porque sua primo iria ficar
trancada em seu estúdio. Ainda eram apenas 07hs, e ela preferia passar mais
tempo aqui.
— Eu acho que eu vou ficar e esperar por Tia Niki, se você tem que
trabalhar.
— Sim, sinto muito por isso, mas eu realmente preciso terminar esta
pintura para amanhã. Eu a deixei de lado por um tempo, e eu preciso mostrar
isso em sala de aula amanhã.
— Claro. Não se preocupe. Eu estou bem aqui. Vejo você amanhã, então.
— Lisa caminhou até a porta, depois de se despedir de todos.
Ela voltou e ajudou Gia e Max a limpar a mesa. Niki e Elsa se mudaram,
junto com seus copos de vinho, até as espreguiçadeiras ao lado da piscina, e
pareciam estar se divertindo em recuperar o tempo perdido.
— Hey, — Max disse, quando Stella voltou depois de levar o último dos
pratos até a cozinha. Ela se ofereceu para ajudar Gia a lavar, mas ela a enxotou.
— Eu tenho que estar no trabalho em 40 minutos — ele disse, e Stella sentiu o
bom humor evaporar instantaneamente. Percebendo isso, ele se aproximou
dela, inclinando o queixo com o dedo. — Você quer vir comigo? É domingo á
noite, por isso não vai estar muito cheio e, além disso, desta vez eu não vou
estar sozinho e não preciso que você trabalhe.
Ela não precisou de um segundo convite.
*
Max não sabia por que convidou Stella para ir junto. Foi totalmente
impulsivo. Ele só queria estar com ela, se possível até ele tivesse que ir para a
cama. Aliás, se fosse por ele, mesmo depois disso - mas não era. Ela não estava
pronta para isso ainda. Claro, se ele a pegasse sozinha e vulnerável de novo, e
não houve telefonema para interrompê-los, ela passaria a noite com ele. O que
o preocupava era ela se fechar para ele de manhã. Ela ia se arrepender do que
tinha feito, porque ela não estava pronta para isso ainda. Mas ela estaria. Ele a
faria ver o quão bom eles eram um para o outro. Ele a faria conscientemente
querer estar com ele, e não apenas por um impulso.
*
O bar não estava tão cheio como foi na outra noite. Havia outros dois
caras atrás do bar, mas quando Max entrou, um deles saiu. Ele a apresentou a
seu colega restante. Seu nome era Francesco e ele era mais jovem do que Max,
provavelmente da idade de Stella. Ele tinha toda essa vibração rock-star -
cabelo escuro bagunçado com fios roxos saindo aqui e ali; unhas da mão
pintadas de preto, piercings na sobrancelha e orelhas. Porém seu sorriso era
quente e genuíno, e ele era fácil de conversar. Max disse que Stella era sua
convidado esta noite, e eles se revezariam para entretê-la.
No final da noite, quando o bar estava quase vazio, Max serviu as últimas
bebidas, e logo depois todos foram embora. Ele deixou Francesco e as duas
garçonetes saírem, e disse que terminaria e fechava o local.
Quando ficaram sozinhos, ele trocou a música, virou o volume para um
nível normal e ofereceu-lhe a mão.
— Eu queria dançar com você a noite toda, mas não tive uma chance. —
Ela sorriu e colocou a mão na dele.
A voz mágica de Adele enchia o bar, enquanto ela cantava “Someone like
you”. Max abraçou Stella perto, e eles balançavam ao ritmo. Ela não queria que
aquele momento acabasse. Era tão perfeito - apenas os dois, nada mais. Ela se
permitiu esquecer o resto do mundo, mesmo que fosse apenas na duração da
música.



1'pí $&(! Q&'$!r9e

Eram 02hs quando Stella finalmente
chegou à sua cama. Mesmo que ela estivesse exausta, não conseguia adormecer
imediatamente. Os eventos do dia inundavam a sua cabeça e pareciam não ter
nenhuma intenção de deixá-la descansar.
Ela dançou com Max metade do álbum de Adele “21.” Eles não tinham
falado, ele não tinha flertado. Eles apenas se abraçaram e moviam com a
música, se perdendo completamente nela. Então ela o ajudou a fechar o bar e
ele a tinha levado para casa. No carro, ele não tinha feito qualquer movimento
em direção a ela - nada de mãos dadas, nenhuma tentativa em beijá-la. Apesar
disso, Stella não tinha de alguma forma sentido que ele tinha tentado
distanciar-se dela. Pelo contrário: a vibração que ele estava emanando é que
virou uma nova página, e seu flerte inocente acabou, com algo muito mais
significativo tomando seu lugar.
Ou talvez seja apenas a minha imaginação.
Uma mensagem de texto em seu telefone a acordou. Era 07:00. Ela tinha
dormido por quatro horas, no máximo. Resmungando, ela alcançou o criado-
mudo e imediatamente sorriu.
<'=: 8>! f!" p!ssí *e( #!r)"r be). 8>! p!ss! f"c'r )'"s n'
)"nB' c')' fr"' e s!("$@r"'. G!s$'r"' #e &)' c!rr"#'?
Seu mau humor de manhã evaporou e ela digitou:
S$e((': 15 )"n. 8' pr'"'.
<'=: ;e *eD! e) 15.
Sua resposta foi imediata e, com isso o seu sorriso se alargou. Stella
saltou da cama e se dirigiu para o banheiro.
Em cinco minutos estava pronta para sair. Ela escovou os dentes,
penteou e domou seu cabelo em um rabo de cavalo, e vestiu seu short e
camiseta regata em tempo recorde. Decidiu contra levar seu iPod junto, porque
ela teria Max para lhe fazer companhia, Stella abriu a porta e, o mais
silenciosamente possível, se arrastou escada abaixo. Não havia ninguém na
cozinha e ela não queria acordar Niki e Lisa, de modo que ela não fez café. A
máquina era muito barulhenta e iria alertá-las sobre os seus planos. Por
alguma razão, Stella não queria que Lisa soubesse que ela estava iria se
encontrar com Max.
A conversa que tiveram ontem, foi uma confirmação de como Stella já
suspeitava que Lisa se sentia. Mesmo que ela estivesse certa sobre tudo, e Lisa
estivesse genuinamente preocupada com seus amigos, Stella não iria seguir seu
conselho ou sua lógica. Ela simplesmente não podia. Não quando Max estava
aqui, abrindo-se para ela, querendo estar com ela. Ela não tinha intenção de
afastá-lo, porque ele tinha sido a melhor coisa que aconteceu na sua vida por
um bom tempo, e pela primeira vez, desde que podia se lembrar, Stella queria
ser egoísta.
Viver o momento.
Porque a vida era malditamente curta.
A melhor coisa a fazer era deixar suas reservas longe e seguir seu
coração.
Estava mais frio do lado de fora do que ela esperava. Vestir uma camisa
de mangas longas, só para tirá-la quando estivesse aquecida, não era algo que
Stella estava a fim de fazer. Ela decidiu aquecer rapidamente, e correu em
direção à praia.
Seu pé estava como novo, ela não sentia dor alguma. Tinha sido uma boa
ideia dar um descanso de alguns dias. Ela chegou à praia e percebeu que não
tinha especificado o local exato para se encontrar. “A praia” era um termo
muito geral. Stella lembrou que nas duas vezes que tinha visto Max correndo,
ele estava vindo a sua esquerda, então ela virou-se e seguiu esse caminho.
Seus músculos estavam se aquecendo por causa da corrida rápida até a
praia, e Stella queria esticar um pouco para evitar qualquer lesão. Alcançando a
água, ela abaixou-se com as pernas juntas, e tocou a areia. Inspire, expire.
Então, ela levantou-se lentamente, levando os braços sobre a cabeça. Stella
repetiu a sequência várias vezes, incluindo alguns alongamentos laterais.
Sentindo-se pronta para ir, ela se virou para a esquerda e, lentamente, começou
a correr.
Ela viu Max imediatamente. Ele estava vindo em sua direção, correndo.
Ele estava usando o short preto de costume, mas desta vez ele acrescentou um
capuz cinza sem mangas, fechado sobre seu peito nu. O boné estava em sua
cabeça e, se fosse possível, ele parecia ainda mais quente do que o habitual.
À medida que se aproximavam um do outro, ambos desaceleraram para
uma caminhada.
— Oh, vamos lá! Sério? — Max disse, quando ficou bem na frente de
Stella. Ela olhou para ele confusa e ele apontou para a sua roupa. — Você não
está tornando isso mais fácil para mim, querida. Short e uma regatinha?
Ainda não está entendendo do que ele estava falando, Stella olhou para si
mesma e não viu nada de errado. Suas roupas eram curtas, mas era para a
malhação. Sua regata era bem justa, mas, novamente, era o que ela sempre
malhava.
— Essa é a minha roupa de malhar fora. Lide com isso. — disse ela, e
passando por ele com um sorriso, saiu correndo.
— E agora você está correndo na minha frente? Você está tentando me
seduzir, tesoro?
— Se você parar de gemer e pegar o seu ritmo, talvez você seja capaz de
correr ao meu lado, não atrás de mim. — disse ela, virando-se e correr de
costas, enquanto olhava para Max.
Houve um rápido flash de pura luxúria em seus olhos, mas depois a sua
boca se espalhou em um sorriso lentamente preguiçoso. Aceitando o desafio,
ele correu mais rápido e ficou facilmente ao lado de Stella. Ele correu na frente
dela, e imitando sua posição anterior, ficou correndo de costas, brincando com
ela,
— Oh, vamos lá, o que há de errado? Não pode me alcançar?
— Suas pernas são duas vezes mais compridas que a minha. Não há
nenhum ponto. Você é mais rápido.
Max levantou uma sobrancelha, surpreso com sua derrota fácil.
— Eu só tenho que descobrir outra maneira de vencê-lo. — disse ela, e
sorriu. — Distração tem trabalhado muito bem para mim ultimamente.
— É mesmo? — Max estava sorrindo sensualmente para ela, o olhar em
seus olhos parecido com uma pantera diante de sua comida.
— Hum-hum.
Ainda correndo de costas, na frente dela, Max lentamente abriu o
moletom de capuz, seus olhos nunca deixando Stella. Ela sabia o que ele estava
fazendo, mas ainda assim não podia evitar, ela olhou para o zíper quando ele
caiu e revelou o peito de Max. Involuntariamente, ela lambeu o lábio inferior,
quando teve um vislumbre da tatuagem em seu quadril.
— O que diz? — Ela perguntou, apontando para a tatuagem, tentando
limpar a neblina em sua cabeça que Max tinha acabado de criar. Seu sorriso se
transformou em um sorriso satisfeito, depois de ter conseguido o seu intento.
— O quanto você quer saber? — Seu olhar sedutor e predatório estava
de volta, e ele diminuiu o ritmo, fazendo Stella retardar o dela, para encontrá-
lo.
Ela estendeu a mão e passou os dedos sobre a parte que ela podia ver por
cima do short. Max abrandou para seu passo para uma caminhada, enquanto
Stella lentamente enganchava o dedo indicador na cintura, guiando-o para
baixo. Max parou abruptamente, fazendo com que sua peito batesse contra ela,
e pegou sua mão. Ela olhou para ele, o desejo cru em seus olhos fazendo sua
barriga vibrar animadamente.
— Isso é certo, hein? — Sua voz era tão baixa, que era quase um
sussurro. Stella assentiu em resposta, fixando os olhos em seus lábios. Ele
soltou a mão dela e esperou. Sem olhar para a tatuagem, mas mantendo os
olhos no seu rosto, Stella acariciou a pele por cima do cós da cueca e viu os
músculos da sua mandíbula apertar. Ela deslizou a outra mão ao outro lado de
sua cintura, e notou Max apertando os punhos como se estivesse se contendo
para não tocá-la. Ele então fechou os olhos e Stella sabia que ela o tinha
exatamente onde ela queria que ele estivesse.
Com um movimento rápido, ela correu na frente dele, pegando o máximo
de velocidade que podia, antes que ele se ligasse e corresse atrás dela. Olhando
para trás, ela o viu correndo atrás dela e sorriu.
— Então, você quer jogar sujo? — Ouviu-o rosnar, e a próxima coisa
que ela viu foi que ele a pegou no ar e jogou por cima do ombro.
— Ponha-me no chão, seu Neandertal. — ela gritou.
— Quando chegarmos à caverna, mulher. — disse ele e bateu em sua
bunda.
Stella queria estar zangada com ele por tratá-la como uma boneca de
pano, mas ela simplesmente não conseguia. A situação era tão engraçada que
ela começou a rir incontrolavelmente.
Ele diminuiu a velocidade e se afastou da água, colocando-a em uma
espécie de escada. Stella olhou em volta e viu que era um posto de salva-vidas.
Max se ajoelhou na frente dela, colocando as duas mãos sobre o degrau atrás
dela, prendendo-a em seus braços.
— Você sempre joga sujo, ou eu sou exceção? — Ele estava tão perto
que ela podia sentir sua respiração em seus lábios.
— Eu te avisei que eu ia encontrar outra maneira de vencê-lo.
Seus olhos viajaram até seus lábios.
Não lamba. Não lamba. Não lamba.
Stella lambeu os lábios.
*
Ela lambeu os lábios, porra!
Tudo o que Max podia pensar era na sensação que teve, quando ele
provou seus lábios na outra noite, quando a beijou. Mas ele não faria isso hoje.
Ele convocou todo o seu controle, cada gota dele, até que ele sentiu que ia
estourar tentando conter seu desejo por ela.
Stella estava observando, analisando a reação dele. Ele tinha notado
antes como ela gostava de observar as pessoas e tomar notas mentais. Ela sabia
que ele não estava tentando beijá-la, e pelo olhar curioso em seus olhos, Max
suspeitava que ela estava se perguntando o porquê.
Isso era exatamente o que ele queria que ela fizesse - se perguntar por
que ele não iria beijá-la. Perguntar por que ele iria provocá-la até a beira do
abismo, mas depois se afastar antes que eles caíssem. Se perguntar por que ele
queria passar todas as horas com ela, mas não fazia nenhum movimento.
Max queria que os pensamentos sobre ele fossem a única coisa a ocupar a
cabeça de Stella. Quando ela estivesse tão desesperada por ele, como ele estava
por ela, então ele ia fazer a sua jogada e fazer valer a pena.
*
— Eu acho que nós deveríamos voltar. — Max sussurrou, tão perto de
Stella que seus lábios quase se tocaram. Quase. E, em seguida, ele se afastou
um pouco para trás. A decepção nos olhos dela deve ter sido evidente porque
um lampejo de hesitação atravessou seu rosto, mas ele se recuperou
rapidamente e levantou-se, oferecendo-lhe a mão. — Vamos lá. Eu vou levá-la
para casa.
— Você não precisa. — ela disse, em tom defensivo, mas ainda pegou
sua mão.
— Eu quero. Eu tenho uma hora para matar antes de ir ao trabalho.
— Você vai trabalhar na praia depois do turno da noite passada?
— Yeah. E eu vou trabalhar no bar hoje à noite, eu prometi cobrir
Francesco.
— Agenda apertada.
— Eu estou acostumado com isso. Além disso, minha resistência é
lendária. — disse ele e balançou as sobrancelhas para ela. Stella bateu-lhe no
peito com as costas da mão e riu.
A caminhada de volta para a casa de Lisa foi muito curta. Mas,
novamente, cada tempo que passava com Max parecia muito curto
recentemente.
— Quer entrar? Eu vou fazer o café. — ela perguntou, quando eles
chegaram à porta da frente.
— A menos que você me ofereça um chuveiro com o café, eu vou ter que
recusar. Eu preciso voltar e ficar pronto para o trabalho. — disse ele, mas
ainda segurava a mão dela. Max estava dizendo que precisava ir, mas sua
linguagem corporal falava algo completamente diferente.
— OK. Vejo você mais tarde, então. — Stella tentou recuperar sua mão
e entrar, mas ele a segurou.
— Você vai para a praia hoje?
Ela queria, especialmente agora que ela sabia que ele ia estar lá. Mas ela
não sabia quais eram os planos de Lisa, e não podia se comprometer com nada
ainda.
— Não sei. Eu tenho que ver o que Lisa quer fazer. Eu acho que ela não
é esperada n trabalho até ao fim da tarde.
— Ok. Ciao, tesoro. — ele disse, e se inclinou para beijar sua bochecha.
Quando Stella entrou na casa, seus pés mal tocavam o chão e ela estava
sorrindo como uma idiota. Toda a experiência esta manhã tinha sido muito
surreal e um pouco confusa. No entanto, ela não iria insistir muito nisso,
porque a coisa mais importante era que Max estava incrível e ele a fez sentir
completamente quente e vertiginosa por dentro.
Lisa já estava na cozinha fazendo café. O próprio cheiro era uma dádiva
de Deus para Stella.
— Ei, eu não sabia que você estava acordada, e muito menos malhando.
— Lisa disse, pegando dois copos de café do armário.
— Eu sai para uma corrida. Não queria te acordar. — Ela se jogou em
uma cadeira, aceitando a caneca de café fumegante e exalando em puro deleite
quando ela tomou seu primeiro gole. Por um momento ela pensou em contar a
Lisa que estava correndo com Max, mas depois mudou de ideia. Se sua prima
pedisse para parar, o que ela responderia? Então, por que estragar um dia
perfeitamente bom com outro dos discursos de Lisa?
— Então, o que você quer fazer hoje? — Perguntou Stella.
— Bem, eu tenho que estar no estúdio às cinco. Eu sou sua até essa hora.
O que você gostaria de fazer?
Stella queria ir para a praia. Queria deitar em uma toalha, aproveitar o
sol, trabalhar em seu bronzeado, que estava ficando muito bom ultimamente, e
olhar para o corpo de Max seminu. Mas ela sentia que precisava resistir a essa
tentação. Eles estão juntos há dois dias seguidos, e tinham começado o dia
juntos hoje. Talvez fosse uma boa ideia manter alguma distância. Stella
precisava clarear a mente do nevoeiro induzido por Max.
— Vamos dar uma volta na cidade. Talvez algumas compras. Almoço
em um restaurante agradável. Um filme? — Sugeriu.
— Parece bom. — disse Lisa.
— Qual?
— Todos eles. Vamos. Termine o seu café no andar de cima, enquanto
se apronta. Se quisermos fazer tudo isso, precisamos sair em cinco minutos.
Elas tiveram um grande dia. Lisa estava feliz e sorridente o tempo todo,
muito diferente da bagunça mau humorada que ela esteve nos últimos dias.
Havia algo que afetava o seu humor, mas Stella não tinha certeza do que era.
Na verdade, ela era uma artista e eles são famosos por suas mudanças de
humor, mas isso era outra coisa. Ou melhor, alguém? Stella poderia apostar
seu braço direito que havia um homem afetando o humor de sua prima. Mas
onde estava ele? Ela nunca mencionou ninguém, e certamente não tinha visto
ninguém desde que Stella tinha chegado. E mais, Lisa nunca havia indicado
que havia algo que ela precisava falar com Stella. Ela respeitaria a privacidade
de sua prima, e não tentaria arrancar isso. Se e quando ela estivesse pronta
para falar, ela o faria.
Não houve tempo para um filme, porque a parte das compras demorou
um pouco mais do que o inicialmente previsto. Pelo lado positivo, cada uma
havia comprado uma roupa nova, e um par de pares de sapatos também. Stella
também adquiriu uma nova lingerie sexy que estava em promoção, e ela não
podia resistir. Além disso, ela realmente esperava que tivesse a chance de usar,
antes que tivesse que partir.
Quando chegaram em casa, Stella esparramou no sofá e se recusou a se
mover. Ela estava exausta. Quatro horas de sono naquela noite, combinada
com exercícios e compras, tudo no mesmo dia, provou ser um pouco demais
para ela. Antes que ela percebesse, seus olhos estavam pesados, e ela estava se
afastando para um sono tranquilo.
Quando ela acordou, tinha um cobertor macio cobrindo-a, e a casa estava
incrivelmente tranquila.
Lisa já deve ter saído, Stella pensou.
Ela se levantou e pegando todas as suas sacolas de compras, subiu as
escadas. Tinha sido um dia quente e ela estava pegajosa da umidade do ar. Um
segundo banho do dia estava na lista. Isso também iria ajudá-la a acordar
corretamente, porque agora, tudo o que ela queria fazer era subir de volta para
a cama e dormir até de manhã.
O telefone dela piscava quando ela saiu do chuveiro. Ela tinha duas
chamadas não atendidas - uma de Lisa e uma de Max, e uma mensagem dele
que simplesmente dizia: Ligue para mim.
Então ela ligou.
— Ei, onde você esteve o dia todo? — Ele perguntou, depois de atender
ao segundo toque.
— Shopping com Lisa.
— Certo. Eu posso imaginar como isso levou o dia todo. — Ela podia
sentir o sorriso em sua voz.
— Yeah. Eu poderia ter feito o dia todo, mas ela tinha que ir trabalhar.
Minha resistência é lendária. — disse ela, citando suas palavras de hoje de
manhã, e Max riu. Uma risada gutural profunda e genuína. Stella desejava
estar lá, ao lado dele, vendo-o rir desse jeito.
— Será que você comprou algo de bom?
— Yep. Um monte de coisas.
— Por que você não coloca algumas dessas coisas agradáveis que
comprou e vem para o bar? Eu estarei lá depois das sete.
Stella queria ir, muito. Ela queria vê-lo, porque já sentia falta dele. Mas,
se ela concordasse de imediato, ele iria achar que ela está desesperada? Um
leve flertar esta manhã, e ela já não podia suportar ficar longe dele? Seu ego já
era enorme, sem necessidade de inflá-lo ainda mais.
— Eu não sei. Estou muito cansada, eu prefiro ficar na frente da TV.
— Oh, vamos lá. Eu sei que você deve estar se coçando para colocar os
novos sapatos. — ele brincou.
— Como você sabe que eu comprei sapatos?
— Claro que você comprou. As mulheres sempre compram sapatos
quando vão às compras.
— Você tem estudado a nossa espécie muito perto, eu posso dizer.
— Conhece o teu inimigo, e tudo mais. — Ele estava sorrindo
novamente e Stella queria ver aquele sorriso. Esta noite. — Stella?
— Sim?
— Por favor, venha. — O jeito que ele disse a palavra “venha” a fez
pensar em uma situação muito diferente. Ela mordeu o lábio para se obrigar a
prestar atenção na conversa, porque sua mente já estava se afastando para um
lugar onde Max falava ofegante em seu ouvido. — Eu quero ver você vir,
tesoro — disse ele, e, como se sentisse sua mudança de humor, sua voz caiu
para um sussurro sedutor.
Como ela poderia resistir?
Stella tinha cerca de uma hora para ficar pronta. A roupa que ela tinha
comprado hoje seria perfeita para esta noite - calça jeans que abraçava cada
curva e ficava baixa em seus quadris, um top preto que era decotado na parte
de trás e na frente, mas não era indecente, porque tinha bastante pedras e
franjas penduradas por toda parte que distraia o olhar do decote, e as sandálias
pretas de salto alto que poderia matá-la em pé, mas estava linda. Para finalizar,
Stella escolheu algumas pulseiras e um longo colar simples, com nada além de
um pingente de asa de anjo pendurado, que ela colocou dentro de sua blusa.
Ela secou os cabelos e deixou soltos sobre os ombros. Uma pitada de rímel, um
toque de creme hidratante e alguns gloss e ela estava pronta.
Ela ligou para Lisa a caminho da porta da frente, mas atendeu seu correio
de voz. Ela provavelmente já estava em sala de aula. Stella deixou uma
mensagem dizendo que ela estaria com Max no bar, e que ela poderia se juntar
a eles mais tarde, se ela estivesse a fim, e fechou a porta atrás dela.


1'pí $&(! Q&"n9e

Era segunda-feira à noite e, como
esperado, o bar não estava tão cheio. Max estava no turno com Marco, que era
legal e também fazia cocktails na velocidade da luz. Então tudo que Max tinha
que fazer era servir as cervejas e garrafas de vinho.
Quando Stella entrou, Max quase se arrependeu em convidá-la. Ela
parecia quente. Como a superfície do sol. Como ele iria afastar os caras que
dessem em cima dela? E ele tinha certeza de que haveria muitos.
— Uau, que é isso? Eu nunca a vi aqui antes. — disse Marco,
praticamente babando em todo o balcão e olhando para Stella.
— Isso é Stella, e se você não parar de olhar de soslaio para ela como um
pervertido, eu vou usar você para limpar o balcão. — disse Max, o mais baixo
possível, porque ela estava se aproximando, e ele não queria que ela ouvisse a
sua ameaça.
— Relaxa, cara. Eu não sabia que ela era sua menina. — disse Marco,
erguendo as mãos na frente e saindo. Max não o corrigiu. Ele gostou do som
de “a sua menina”.
— Hey. — ela disse, pegando o seu lugar habitual no canto do bar. —
Por que você está me olhando desse jeito?
— É isso que você comprou hoje? — Perguntou Max, ficando diante
dela e colocando as mãos sobre o balcão.
— Yeah. Você gosta? — Ela sorriu, aquele seu sorriso mais encantador.
— Eu e todas as pessoas com um cromossomo Y aqui.
Ela riu e revirou os olhos.
— Agora estou temeroso que tenha que te beijar, para que todos se
controlem e não tentem dar em cima de você. — Max inclinou-se sobre os
cotovelos em direção a ela, e notou sua expressão mudar instantaneamente de
diversão encantadora, para algo mais sério. Ela queria que ele a beijasse. Max
inclinou-se ainda mais e ela aquietou completamente, sem fôlego e seus lábios
se separaram.
Merda. Isso vai ser mais difícil do que eu pensava.
Stella tentou manter os olhos no dele, mas não resistiu parando em seus
lábios. Max beijou o canto da sua boca e permaneceu por alguns segundos,
antes de se forçar a se afastar. Ela soltou a respiração que estava segurando e,
novamente, como esta manhã, a decepção era evidente em seus olhos.
Ainda não, querida. Ainda não.
— Você quer jogar, Max? — Ela perguntou, o timbre de sua voz soando
baixo. — Porque eu posso jogar muito, se é isso que você quer.
Ela não estava sorrindo e brincando mais. Com um último olhar em sua
direção, Stella foi para a pista de dança.
Porra.
*
Stella estava furiosa. Max estava agindo como um idiota. Ele poderia
muito bem ver o efeito que tinha sobre ela, mas ainda assim ele brincava com
ela. E não só isso, mas a humilhando ao se afastar no último momento,
sorrindo com satisfação e a deixando na vontade.
Ela estava cansada de seus jogos. Primeiro, ele a quis, então ele tinha
prometido que seriam apenas amigos, e então ele começou a persegui-la,
deixando ela desesperada o desejando.
Como se ela tivesse em algum momento parado de desejá-lo.
A parte racional de seu cérebro lhe disse que era melhor assim. Ficar com
raiva de Max era bom. Pelo menos a distraia de sua necessidade de estar com
ele em todos os sentidos possíveis. Mas amaior parte, aquela irracional,
mandava que ela o deixasse insanamente ciumento esta noite.
A vingança é uma cadela.
No momento em que ela chegou à pista de dança, dois rapazes a
localizaram imediatamente e foram em sua direção. Um homem alto e muito
atraente chegou primeiro, e, tomando-lhe a mão, girou em torno dela. Ele era
um dançarino muito bom - não como Beppe, mas não havia ninguém como
Beppe - e Stella gostava de dançar com ele. Seus pés estavam começando a
doer por causa dos sapatos novos, mas ela decidiu ignorar a dor. Sem dor, sem
ganho, certo?
Ela conseguiu roubar alguns olhares na direção de Max e ele parecia tão
irritado como Stella queria que ele estivesse. Quando a quarta música começou,
Stella teve que desculpar-se, porque seus pés não estavam apenas a matando -
eles já estavam mortos e enterrados. O cara - que ela não chamou o seu nome
por causa da música alta - ofereceu-se para comprar uma bebida para ela, mas
ela recusou educadamente. Isso poderia empurrá-lo um pouco longe demais.
Ela não queria ser responsável por seu nariz quebrado.
Sentando em seu banquinho, ela abanou-se dramaticamente e pediu ao
outro bartender uma sangria sem álcool. Ele parecia apreciar os eventos
acontecendo em torno dele e apresentou-se como Marco, beijando sua mão,
antes de fazer o seu cocktail.
— Está se divertindo? — Perguntou Max, sua voz dura.
— Sim, muito. Você estava certo - foi muito melhor vir aqui do que ficar
jogada na frente da TV durante toda a noite. — Ela estava empurrando seus
botões e sabia disso.. Os olhos de Max brilharam perigosamente com algo
possessivo e raiva. Stella se recusou a recuar ou arrepender. Ele estava
recebendo o que merecia.
— Bom. Estou feliz. — disse ele e, dando-lhe o sorriso apertado mais
sarcástico, que Stella já tinha visto, se afastou para atender um cliente.
OK, então ele estava mandando a bola em seu campo. O que ele
esperava? Que ela apenas se sentasse aqui e iria esperar ele provocá-la um
pouco mais? Primeiro faz ela se sentir vulnerável, então a esfaqueia pelas
costas? Stella odiava fazer jogos mentais com as pessoas que amava, mas agora
começou isso e iria ter que ficar até o fim.
*
Mesmo que Max soubesse por que ela estava fazendo isso, isso não
tornava menos doloroso. Ela dançou com o babaca a noite toda. Pelo menos ela
teve o bom senso de não deixá-lo comprar-lhe qualquer bebida ou flertar com
ele no bar. Isso teria sido o impulso necessário para Max, e o cara teria voado
para fora da porta traseira com pelo menos três costelas quebradas.
Stella era inteligente. Ela sabia exatamente quanto empurrar sem cruzar
a linha.
Max lamentou provocá-la com aquele beijo antes. Não era justo. Ela
tinha ficado tão convencido de que ele iria fazer. Ainda mais, ela queria que ele
fizesse tanto quanto ele tinha. O olhar em seus olhos havia mudado no instante
em que Max tinha se afastado, da luxúria e expectativa, para ferido e
determinado. Ele nunca teve a intenção de fazê-la se sentir assim. Agora, ele
estava dividido entre seu arrependimento e a necessidade de pedir desculpas, e
seu desejo de arrastá-la para fora que pista de dança e trancá-la na sala dos
funcionários, até que tivesse encerrado o trabalho.
— Parece que cheguei bem na hora de suavizar esse vinco entre as
sobrancelhas, mano — a voz de Beppe interrompeu os pensamentos de Max.
— Onde você estava, cara? Eu tentei te ligar ontem e três vezes hoje. O
que diabos aconteceu?
— Você não recebeu as fotos que lhe enviei?
— Eu recebi, mas isso não serviu como explicação de onde você estava.
Ou melhor, como você estava.
— Eu estou bem. — disse ele - embora sua expressão sugerisse que ele
não estivesse nada bem.
— Beppe... — Max começou.
— Olha, cara, eu não quero falar sobre isso. Estou aqui para relaxar,
ficar bêbado e de preferência voltar para casa com uma gostosa. Então, apenas
deixe pra lá, OK?
Max assentiu. Ele conhecia seu amigo o suficiente para saber que, se ele
não quisesse falar, ele não falaria. Ele o pegaria em outro momento melhor
ainda esta semana e o faria derramar tudo sobre ele e Gia, porque ultimamente,
algo definitivamente estava acontecendo.
— Falando de gostosa... — Os olhos de Beppe foram até a pista de
dança, e ele fixou em Stella, que estava dançando com aquele idiota, de costas
para eles. — Merda, é a Stella — ele disse, enquanto se virava, com um sorriso
fixo no rosto, claramente se divertindo. — O que você fez?
— Por que você assume imediatamente que eu fiz alguma coisa? — Max
perguntou, deixando o copo que estava secando bater um pouco com força
demais no balcão.
— Porque Stella está ali, dançando com um cara, quando normalmente
ela não sai do seu lado, quando estamos juntos. E você está aqui, irritado. —
Quando Max não discordou, Beppe continuou: — Então, o que você fez?
— É uma longa história.
— Deixe-a curta.
Suspirando, Max esfregou a parte de trás do seu pescoço.
— Eu a quero, cara. E ela também me quer. Mas ela vem com essas
desculpas estúpidas, que nós não podemos ficar juntos, quando eu posso ver
que ela também me quer tanto. Na outra noite, eu a levei para casa para lhe
entregar a minha camisa do Genova, e em um momento de fraqueza, eu a
beijei. Ela me beijou de volta, e se seu telefone não tivesse começado a tocar,
ela teria ficado a noite, eu sei disso. Mas então ela se afastou e eu a levei para
casa. Eu decidi nesse momento, que a faria me querer tanto quanto eu a quero -
Eu não quero que ela tenha algum arrependimento, se acontecer de estarmos
na mesma situação novamente e não houver nada que nos impeça. — Max fez
uma pausa e olhou para a pista de dança. O cara que estava dançando com
Stella ficou mais corajoso e a estava segurando mais perto. Ele franziu a testa.
— OK, isso foi antes do jogo de sábado. Vocês dois pareciam se dar bem,
então.
— Sim, nós estávamos. Até que eu tomei a decisão de provocá-la. Fomos
correr hoje e eu quase a beijei - me afastei no último momento. Hoje à noite,
quando ela entrou aqui, eu quase a beijei novamente. Ela queria que eu fizesse
isso. Ela estava pronta para isso. E não só eu me afastei, mais uma vez, mas eu
pareci triunfante sobre isso. Honestamente, eu estava triunfante, mas por um
motivo diferente. Eu estava tão feliz que eu tinha esse efeito sobre ela - que ela
me quer tanto quanto eu a quero. Claro, ela entendeu tudo errado, e não parou
de dançar com aquele idiota lá a noite toda.
— Você é o idiota. Pare de jogar e fazer planos. Se você a quer, pegue-la!
Diga a ela como você se sente.
— Eu disse a ela!
— Você tem certeza? — Beppe levantou uma sobrancelha.
Pensando nisso, Max não tinha dito a Stella como ele se sentia. Ele disse
que ela o estava deixando louco de ciúmes, e ele flertou escandalosamente com
ela, mas foi isso.
— Qual é o ponto? — Ele sentiu que ela provavelmente daria alguma
desculpa esfarrapada novamente, e o afastaria.
Beppe não disse nada, apenas balançou a cabeça.
— Eu vou salvar sua bunda hoje à noite, mas você me deve. — ele
piscou para Max e se dirigiu até a pista de dança.
Beppe se livrou do cara que estava dançando cara com Stella em dez
segundos, depois que algumas palavras aquecidas foram trocados e, lançando
seu sorriso mais encantador, começou a dançar com ela. Ela balançou a cabeça
e olhou na direção de Max, mas não conseguiu resistir aos movimentos de
Beppe, e logo estava completamente envolvida na dança.
*
Stella tinha certeza de que Max tinha enviado Beppe para dançar com
ela. Era uma sorte para os dois, que Beppe era um dançarino incrível, e ela
estava contente que ele se livrou desse cara - ela estava começando a pensar em
maneiras de fazer isso sozinha, sem causar uma cena.
Uma música lenta começou a tocar e Beppe envolveu em seus braços.
Stella relaxou contra ele.
— Stella — ele disse, e ela levantou a cabeça de seu peito. — Eu sei que
Max é um idiota, acredite. Mas ele está completamente fora de sua praia aqui,
cara. Você precisa ajudá-lo.
— O que você quer dizer?
— Ele nunca sentiu nada por uma garota, como ele está sentindo por
você. Ele não sabe como lidar com isso. Ele pode ter deixado você meia louca
hoje, mas é porque ele não acredita que você o quer, e ele tem medo de que
você vá rejeitá-lo.
Stella não falou nada, apenas colocou a cabeça no peito de Beppe. Ele
estava certo. Max estava com medo dela rejeitá-lo, porque ela já tinha feito isso
antes.
— Ele é um bom rapaz. Ele merece alguém como você.
Stella sentiu as lágrimas brotando, e não queria que Beppe visse, então
ela apenas balançou a cabeça contra seu peito.
Eles dançaram um pouco mais, até que o lugar estava quase vazio e as
bebidas finais foram anunciados, Max começou a fechar o bar. Beppe a levou de
volta para o seu lugar e ela sentou-se desajeitadamente, incapaz de olhar para
Max.
— Você me deve uma gostosa agora. — Beppe piscou para seu amigo, e
dando um beijo de despedida em Stella adeus, partiu.
Os últimos clientes saíram com ele, assim como Marco e as garçonetes.
Estavam apenas os dois.
Desde que o conheceu, Stella nunca se sentiu estranha em ficar sozinha
com Max, mas agora ela não sabia o que dizer. Estudando os dedos de sua mão
esquerda atentamente, ela pensou em começar com um simples — me desculpe
— porque ela realmente sentia muito. Como de costume, ela tinha estragado a
situação fora de proporção.
Ela viu os dedos de Max se entrelaçam com a dela e olhou para cima.
— Max, eu sinto muito. Eu exagerei... — ela começou, mas ele a
interrompeu.
— Não, Stella, a culpa é minha. Eu não deveria ter provocado você
assim. Sinto muito.
— Eu vim aqui para passar algum tempo com você, porque... Bem, eu
senti sua falta hoje. E eu passei toda a noite dançando com outra pessoa,
mesmo tendo prometido que intencionalmente não iria provocar ciúmes. —
Ela colocou a cabeça entre as mãos, tentando coletar seus pensamentos. Max
ficou em silêncio, como se estivesse esperando que ela fizesse o primeiro
movimento. — É só que... quando você deu aquele beijo ao lado de meus lábios,
em vez de sobre eles, eu me senti... enganada. Como se eu não fosse nada mais
do que um jogo para você.
— Stella...
— Não, espere. Deixe-me terminar. Eu sei que eu te afastei para longe
antes, e eu meio que merecia, mas por favor não faça isso de novo — Falar
sobre isso trouxe de volta todo o espectro de emoções que Stella passou,
quando ele se afastou dela e sorriu com satisfação. Ela sentiu as lágrimas
descerem, e se odiava por isso.
Max deu a volta no bar e girando seu corpo no banco, abraçou com força.
Ela escondeu o rosto em seu pescoço, inalando seu aroma especial Max, e
relaxou instantaneamente. Ele acariciou seu cabelo, brincou com ele, mas não
disse nada.
— Acho que devemos esfriar isto.— Stella disse, sua voz abafada pela
sua camisa. — Seja meu amigo, OK? Eu quero estar perto de você, mas sem
flertes, provocações, comentários sugestivos e toques prolongados. Eu preciso
de um tempo para resolver minha própria cabeça.
O aceno de Max era pouco perceptível. Ele não a soltou, apesar de tudo.
Ele continuou a segurá-la e brincar com seu cabelo.
Ficaram assim por um tempo até que ambos estavam prontos para partir.




1'pí $&(! De9esse"s

Stella acordou cedo - mais uma vez.
Recentemente, ela estava dormindo apenas algumas horas por noite, e estava
começando a cobrar seu preço. Ela se sentia cansada e fora de equilíbrio.
Apesar disso, ela decidiu sair para uma corrida, porque isso iria elevar seus
níveis de energia, mesmo que o simples pensamento de fazer qualquer coisa
remotamente física agora parecia uma tortura.
Colocando suas roupas para malhar, Stella deixou a casa o mais
silenciosamente que pôde, porque ninguém mais estava acordado ainda. Na
praia, ela decidiu correr na direção oposta à sua rota habitual, porque a chance
de encontrar Max era muito grande, e ela não tinha vontade de ver ou falar
com ele tão cedo. Ela precisava de um pouco de oxigênio bombeando em seu
sangue primeiro, a fim de pensar direito e enfrentá-lo.
Ontem foi um dia duro. Stella tinha sido jogada de um extremo
emocional para o outro, e ela estava se sentindo tonta até o momento em que,
finalmente, chegou em casa e caiu na cama. Lembrando como carinhosamente
Max a segurou em seus braços na noite passada trouxe um sorriso ao seu
rosto. Ambos cometeram erros, mas o importante foi que eles assumiram a
responsabilidade das suas ações. Quando ele a deixou depois, ele tinha
prometido sem mais jogos. Sem mais provocações. A atmosfera no carro havia
mudado quase que instantaneamente - Stella tinha relaxado e Max parecia
menos intenso sobre como se sentia.
Isso lhe deu esperança de que talvez eles pudessem trabalhar com isso.
Talvez a atração entre eles crescesse para uma amizade e, talvez, no momento
em que ela tivesse que ir para casa, Stella teria ganho um bom amigo, em vez
de um coração partido.
Ela ainda o queria, cada pedaço dele. Ele ainda pode fazer seu corpo agir
por conta própria com um único olhar.
Mas só se poderia esperar.
*
Max tinha saído de sua casa no piloto automático. Tinha dormido apenas
umas duas horas, e se sentia exausto. Mesmo sem perceber, ele colocou suas
roupas para correr e saiu.
Ele colocou o volume de seu iPod no máximo e, tentando não pensar em
nada, começou a correr. Infelizmente, a música alta não conseguia abafar seus
pensamentos completamente. Logo, as imagens de Stella ontem inundaram seu
cérebro. Sua dança com esse cara, aquele risada adorável e contagiosa dela, sua
decepção com ele, seu corpo quente relaxando contra seu peito, seu cabelo
macio, cor de mel entre os dedos.
Beppe estava certo. Max era um idiota. Ele a fez chorar ontem à noite,
por Cristo!. A última coisa que ele queria fazer era machucá-la. Ele encerrou
todos os jogos.
Stella foi a melhor coisa que tinha entrado em sua vida, há muito, muito
tempo, e ele seria condenado se a perdesse. De agora em diante, ele seria o que
ela precisava que ele fosse.
Correndo e pensando, Max tinha esquecido completamente em prestar
atenção para onde estava indo - até que ele percebeu que ele não estava em sua
rota normal. Era tarde demais. Stella estava vindo em sua direção, usando seu
bonito short de corrida e camiseta regata incrivelmente apertada.
Ela definitivamente não estava tornando a sua tarefa mais fácil. Como ele
deveria resistir a ela, quando ela era tão sexy? Max era um cara que não
babava a cada menina bonita, ele era um cara que estava rodeado por um
monte de mulheres, que tinha amigas e que poderia, em geral, controlar-se
muito bem com as mulheres. Ele era um salva-vidas - ele trabalhava em torno
de mulheres lindas e seminuas o tempo todo, sem a desconfortável sensação do
calção repentinamente ficar muito apertado.
No entanto, no momento em que Stella apareceu em sua linha de visão,
seu coração começou a bater mais rápido - e seu short definitivamente, ficou
muito mais apertado.
Ao vê-lo, ela diminuiu o passo para um movimento lento e, mesmo à
distância, Max podia ver a boca espalhando-se num sorriso.
— O quê foi? — Ele perguntou, quando ela chegou até ele e parou, ainda
sorrindo e com um brilho de diversão em seus olhos.
— Eu fui na direção oposta hoje para me certificar em não correr direto
para você. E olha onde isso me levou.
— Você está tentando me evitar, tesoro? — Seu sorriso era contagiante
e ele se viu sorrindo, seu humor melhorando instantaneamente.
— Yeah.
— E por que isso?
— Eu não dormi muito, e você pode ser demais.
Eu a domino. Eu gosto disso.
— Pare de sorrir como um idiota. Porque que você está tão feliz?
— Nada. — Stella prendeu-o com um de seus incrivelmente sexy
olhares exigentes, mas ele não deu mais detalhes.
— Tudo bem: não me diga. Oh, a propósito, este não é o seu caminho
também. Você está me perseguindo, Massimo?
— Não. Eu não dormi bem, e não estava prestando atenção para onde
estava indo. Eu acho que minhas pernas que encontraram as suas por conta
própria.
Stella revirou os olhos e passando por ele, continuou sua corrida.
— Te vejo depois — ela gritou por cima do ombro.
Max pensou em correr atrás dela, mas decidiu contra. Claramente, ela
precisava de seu espaço agora, e ele não ia se intrometer. Ele ficou maravilhado
com a bunda dela por mais alguns momentos antes de continuar sua própria
corrida.
— Pare de olhar para minha bunda, seu pervertido — ela chamou, sem
sequer olhar para trás, mas o sorriso em sua voz era evidente. Max riu
abertamente, e correu para longe dela.
O dia tinha começado bem, e Max se perguntou como iria acabar. Por
alguma razão, desde que Stella tinha chegado seus dias se tornaram
imprevisíveis. Antes disso ele tinha tudo muito certo em sua vida diária - como
seus dias começavam, como eles terminaram, ele sabia. Na maior parte das
vezes, não houve surpresas: apenas rotina. Agora, ele não tinha mais certeza de
nada.
E ele gostava disso.
*
Stella sorriu todo o caminho de volta para casa. Às vezes, as coisas
estavam destinadas a ser, e por mais duro que você tentasse evitá-las, você
simplesmente não podia. Isso sempre foi uma verdade em sua vida, mas a
diferença é que era geralmente sobre algo ruim.
Talvez minha sorte esteja virando? J á era tempo!
Quando ela chegou em casa, ela quase colidiu com Niki quando invadiu a
porta da frente.
— Oh, desculpe, querida. — ela disse, enquanto a abraçava. — Tenho
que correr, te vejo mais tarde?
— Claro. Tenha um bom dia, tia Niki.
— Você também, querida.
Stella lembrou que tinha a intenção de perguntar a sua tia sobre a
conversa com sua mãe, mas não tinha tido a oportunidade. Pensando em Helen,
Stella percebeu que não havia lhe ligado há um tempo. Talvez esta noite ela
fique em casa, e fale com ela pelo Skype. Pegando seu telefone, ela escreveu
uma mensagem rápida para sua mãe, pedindo-lhe para encontrarem em um
bate-papo nesta noite. É claro que ela concordou quase que imediatamente.
Lisa estava na cozinha quando Stella entrou, mexendo o açúcar em dois
copos de café.
— Eu te amo — disse Stella, enquanto pegava seu copo e beijava a
bochecha de sua prima.
— Eu sei — disse Lisa, pegando o seu próprio copo e caminhando até a
mesa. — Correndo com Max de novo?
— Na verdade, correndo dele. Tentei evitá-lo, mas de qualquer maneira
nós nos encontramos.
— Oh. Por que você estava tentando evitá-lo?
Stella suspirou e disse Lisa tudo o que aconteceu desde que elas tinham
conversado no estádio domingo, assistindo ao jogo de Max. Lisa era a sua
amiga mais próxima e a matava esconder coisas dela, mesmo que isso
significasse que ela tinha que sentar e ouvir outro discurso.
Depois que ela terminou a história, Lisa estava muito quieta, e havia algo
em seus olhos - tristeza? Derrota? Compreensão? Stella não conseguia
identificar exatamente o quê, mas não estava lá quando ela começou a falar.
— Eu acho que você não pode fugir do que está destinado a ser. — ela
finalmente disse, tentando forçar um sorriso, mas não conseguindo.
— Isso é exatamente o que eu pensava. Não seria justo se fosse algo
ruim, Lis. Mas eu estou tão pronta para finalmente algo de bom que esteja
destinado a ser.
— Eu sei. Eu também.
— O que há de errado? — Stella apertou a mão de sua prima, porque ela
parecia ter ficado muito triste em apenas alguns segundos.
— Nada. — Ela forçou um sorriso e desta vez quase conseguiu parecer
convincente. — Eu só estou cansada.
Stella não queria pressioná-la, mas era evidente há algum tempo que algo
definitivamente estava incomodando sua prima - algo que ela não tinha
compartilhado com ninguém. Ela parecia uma pessoa que carregava um
enorme fardo, tudo por conta própria. Stella queria fazê-la falar, mas como? Se
ela empurrasse, Lisa só iria se afastar ainda mais.
Ela iria falar com Max. Talvez ele tenha algumas dicas sobre o que fazer.
— Então o que você quer fazer hoje? — Perguntou Lisa.
— Não sei. Primeiro, eu gostaria de tomar um longo banho quente.
Então... Eu não sei. Talvez ficar em casa hoje ? Tomar banhos de sol à beira da
piscina?
— Parece bom. — Lisa sorriu, e Stella pensou que ela detectou um alívio
em seu sorriso.
O humor de Lisa parecia melhorar ao longo do dia. Eles nadaram na
piscina e descansavam em torno do jardim até o almoço. Então, Lisa fez alguns
petiscos surpreendentes - mussarela e pesto bruschetta, batatinhas no vapor
com manjericão, pedaços de melão envoltos em presunto de Parma, e iogurte
congelado com biscoitos amaretti para a sobremesa. Stella simplesmente
adorava comida italiana - tão simples e tão deliciosa.
Enquanto estavam na piscina, tentando digerir os alimentos, Stella
estava lutando contra o desejo de tirar um cochilo. Sentia-se exausta, e o
estômago cheio combinado com o tempo agradável e ensolarado não ajudou.
— Stella?
— Sim?
— Eu tenho que sair por um tempo. Você acha que fica bem sozinha por
umas duas horas? — Lisa perguntou.
— Sim, mas aonde você vai? Eu pensei que você não tinha que estar na
galeria até ás cinco?
— Não, não é a galeria. Eu tenho que, hum, executar uma missão. — Foi
a imaginação de Stella ou Lisa parecia um pouco culpada?
— Ok. Vá, eu vou ficar bem.
Lisa imediatamente pulou da espreguiçadeira e foi para dentro se vestir.
Isso foi estranho.
Onde Lisa estava indo, que não poderia levar Stella com ela? E por que
agia tão misteriosamente sobre isso? Alguma coisa estava acontecendo, com
certeza.
Empurrando todos os pensamentos longe do seu cérebro, Stella relaxou e
deixou o sono assumir seu corpo cansado.
Ela acordou duas horas depois. O sol ainda estava alto no céu, mas nem
sinal de Lisa. Agarrando o telefone, Stella digitou:
Stella: Você está voltando para casa em breve?
A resposta de Lisa veio poucos minutos depois.
Lisa: Não, sinto muito, me atrasei. Vou direto para a galeria. Vejo você à
noite.
Então, Stella estava sozinha em casa, sem nada para fazer. Entediada
nem sequer começaria a descrever seus sentimentos. Ela pensou em sair
sozinha , mas de alguma forma ela, não queria ficar sozinha agora.
O que Max está fazendo? Será que está no trabalho? Deveria mandar
uma mensagem para ele?
Por que não deveria?
S$e((': E", *!c+ es$@ n! $r'b'(B!?
<'=: 8>!. !r %&e?
S$e((': E& es$!& c!)p(e$')en$e en$e#"'#', :"s' )e
'b'n#!n!& B@ #&'s B!r's. Q&er )e en$re$er?
<'=: E& es$!& @ c')"nB!. ;e *eD! e) 10).
Stella se levantou tão rapidamente que se sentiu tonta. Correndo até o
andar de cima, ela trocou o biquíni por um vestido de algodão simples e
chinelos. Assim que ela entrou no banheiro para arrumar o cabelo, o telefone
tocou novamente.
<'=: Use &) b"%&í n".
Porcaria. Ela tinha acabado de tirá-lo. No momento em que ela tinha se
trocado novamente e arrumado seu cabelo, Max já estava esperando do lado de
fora em sua BMW.
— Oi — Stella disse assim que se jogou no banco do passageiro. — Nós
vamos à praia?
— Não — ele disse, com um sorriso malicioso.
— Então, por que eu tenho que usar um biquíni?
— Você vai ver. — Ele piscou, e seu corpo traiçoeiro virou uma
bagunça.
Max estacionou o carro perto das docas. Ele tirou uma grande mochila
do carro e, acenou para uma Stella muito confusa para segui-lo, indo direto até
as docas. Eles passaram por grandes barcos e navios ainda maiores, que
transportam de tudo, desde turistas até cargas, antes de chegarem a uma parte
diferente. Parecia que era usado para iates particulares, porque todos os barcos
ancorados lá eram menores e pareciam de lazer, ao invés de comercial.
Eles chegaram a um belo iate branco, com o nome — Elsa — escrito em
azul. Stella parou e olhou, porque essa era a última coisa que ela esperava.
— Você veleja? — ela perguntou.
— Sim, desde que eu era criança. Meu pai adorava barcos. Elsa era dele.
— Ele pegou a mão de Stella e levou-a em direção ao barco. Ele ajudou-a e, em
seguida, subiu também. Depois de colocar sua bolsa na cabine, Max ficou
ocupado ao redor do barco, e Stella não tinha ideia do que estava fazendo. Ela
nunca tinha estado em um barco antes.
— Sente-se, por favor. Nós vamos sair e eu não quero que você caia.
Quando sair daqui, em águas mais calmas, você pode olhar ao redor, OK?
— Sim, sim, capitão. — Stella falou e sentou-se ao lado dele. Ele sorriu
para ela, ligou o motor e partiu do cais.
Eles navegaram por um tempo, com Max no controle absoluto do barco.
Quando chegaram a um lugar isolado, que não poderia ser visto da costa, e sem
outros barcos em volta, Max abrandou e deixou cair a âncora.
— Está com fome? — Ele perguntou.
Stella assentiu com a cabeça e ele desapareceu na cabine. Ele trouxe sua
mochila e pegou dois sanduíches e dois refrigerantes em lata. Ele também tirou
a camisa e, seguindo o seu exemplo, Stella se livrou de seu vestido. Deitaram-
se no convés, comendo seus sanduíches e desfrutando do sol.
Nenhum dos dois falou por um tempo, mas foi um daqueles silêncios
confortáveis, que não havia necessidade de preencher.
Até o telefone de Max tocar. Ele havia deixado na bolsa e sinalizou a
Stella para pega-lo, porque estava mais perto dela. Ela olhou para a tela - era
Beppe. Max fez um gesto para ela pegar e ativar o viva-voz, uma vez que ele
estava segurando seu sanduíche e sua bebida.
— E ai? — a voz alegre de Beppe soou do outro lado. — Onde está você,
cara?
— No barco.
— Oh, merda. Eu estava esperando tomar uma cerveja.
— Sinto muito, cara. Amanhã?
— Sim, talvez. Hey, já que dancei com sua namorada na noite passada e
não consegui nada para mim — Os olhos de Max arregalaram com o choque, e
Stella riu — Eu acho que você me deve uma noite só de garotos. Apenas nós
dois. — Beppe fez uma pausa, escutando. — Será que foi a risada de Stella que
ouvi?
— Yeah. E você está no viva-voz, então cale a boca.
— Você a levou em seu barco?
— Obviamente — A voz de Max era severa.
— Eu pensei não era permitido ninguém em seu barco! Eu estou
implorando há meses, é como um ímã para garota...
— Que parte de “calar a boca” você não pegou, idiota? Eu te ligo mais
tarde — disse ele e terminou a chamada.
Max não encarou Stella no olho, e calmamente terminou seu sanduíche.
— Ele dançou com sua namorada? Quer elaborar sobre isso? — Stella
estava tão feliz que não resistiu a provocar Max um pouco. Na breve conversa
de dois minutos, Beppe tinha dado material para provoca-lo por toda a tarde.
— Não — Ele tomou um gole de sua bebida, olhando em sua direção.
— Ok. Que tal, por que sou permitida em seu barco, e ninguém mais é?
Ele colocou a bebida no chão e olhou para ela com tal intensidade que ela
sentiu a necessidade de cobrir-se com alguma coisa. Era como se ele estivesse
olhando para a sua alma.
— Este barco é a única coisa de valor que me resta do meu pai. Ele
amava-o com todo o seu coração, e eu sinto que seria desrespeitoso com ele
trazer qualquer um aqui.
— Mas é Beppe, não é qualquer um.
Max deu de ombros. — Eu não sei. Isso não parecia certo. Com o tempo,
ele se tornou meu espaço pessoal. Me parece... íntimo trazer alguém aqui.
A maneira como ele disse a palavra — íntimo — fez com que arrepios de
prazer atravessassem o corpo de Stella. Ela decidiu deixar quieto. Era
perfeitamente claro o que trazê-la aqui significava, mesmo que Max não
houvesse dito isso em palavras.
— Então, noite dos meninos, heim? — Ela perguntou, mudando
completamente o tom e o rumo da conversa.
— Yeah. Há algo acontecendo entre ele e minha irmã. Ela está
irritando-o e ele tem que extravasar, o que geralmente envolve pegar algumas
meninas no lugar.
— Tenho notado a maneira como eles ficam juntos. Mas você disse que
era normal, quando eu lhe perguntei.
— Eles sempre tiveram um relacionamento estranho, mas agora é
diferente. Eles tiveram uma briga, pois o chefe de Gia gosta dela, e a beijou.
Beppe ficou louco com ela, e depois daquele fiasco todo com a canção, ela não
tem falado com ele.
Então foi por isso que Gia tinha partido na outra noite, depois que Beppe
cantou Lenny Kravitz — Se você não pode dizer não.
— Falando em estranho, Lisa tem agido estranho recentemente. Ela me
abandonou hoje para ir "executar uma missão" — Stella fez aspas com os
dedos. — Ela se recusou a dizer onde ou com quem. E ela tem tido terríveis
alterações de humor. Você sabe alguma coisa sobre isso?
— Não. Ela não me disse nada.
— Temos que descobrir o que está acontecendo, porque ela está me
deixando louca.
Max concordou com a cabeça, e começaram a arrumar o convés.
— Acho que devemos voltar. Eu tenho que estar no bar às sete.
Max começou a manobrar o barco, e Stella, depois de colocar o vestido
de volta, sentou-se ao lado dele. O sol já estava começando a se por e,
combinado com o vento do barco em movimento, ela sentia frio. Lembrando
que não tinha pensado em pegar um casaco, ela abraçou a si mesma, tentando
se manter mais quente.
— Ei, você está com frio? — Perguntou Max.
— Um pouco.
— Aqui. — Ele vasculhou sua bolsa e tirou seu capuz. Depois de colocá-
lo, ele levou seu braço em volta dos ombros dela, e abraçou ao lado dele.
Naquele exato momento, em um barco no meio do mar, nos braços de
Max, Stella se sentia verdadeiramente feliz.















1'pí $&(! De9esse$e

— /ocê quer vir para o bar
hoje à noite? — Max perguntou, quando ele estacionou seu carro em frente a
casa de Lisa. Stella queria ir, porque ela queria passar mais tempo com ele, mas
ao mesmo tempo sentia que eles precisavam passar mais tempo separados. Isso
estava ficando uma loucura - desde que ela chegou, eles passaram quase todas
as horas do dia juntos.
— Não, eu acho que vou ficar em casa essa noite.
— Por quê?
— Porque... — disse ela, esperando que ele tivesse chegado à mesma
conclusão que ela, e ela não tivesse que elaborar. No entanto, ele continuou a
olhá-la com uma pergunta em seus olhos. — Acabamos de passar a tarde
inteira sozinhos em um barco, Max. Você não está cansado de mim agora?
— Não. — Isso foi tudo o que ele disse. E ele continuou a encará-la,
como se estivesse esperando que ela mudasse de ideia.
— Eu não posso. Eu tenho um encontro com a minha mãe no Skype. E,
além disso, eu preciso lhe dar algum tempo para sentir minha falta. — Ela
piscou para ele e, dando um beijo em seu rosto de despedida, pulou fora do
carro. Max esperou que ela entrasse, antes que ele partisse.
Stella entrou para encontrar uma casa vazia. Ela nunca teve qualquer
problema em ficar sozinha. Pelo contrário, ela muitas vezes preferia. De volta a
Londres, era apenas ela e Helena em uma grande casa, a mãe raramente
convidava amigos - não que ela tivesse muitos. Stella não tinha muitos amigos
também. Ela nunca se preocupou em conhecer melhor as pessoas, a fim de
ganhar o direito de chamá-los de amigos. Claro, ela se dava bem com todos na
escola, saia com eles, dava risadas, mas nunca deixou ninguém entrar. Ela
ainda teve dois namorados, se alguns meses de encontros pode ser considerado
como tendo um namorado.
Isso até que ela foi diagnosticada com câncer. Depois disso, ela tinha se
fechado completamente. Os emails de Lisa e telefonemas ocasionais tinham
sido a única fonte de amizade que ela tinha permitido em sua vida.
Ficar aqui na Itália, na casa de Lisa, era completamente diferente. Havia
algo sobre esse lugar que fazia Stella ansiar em ter outras pessoas ao seu redor.
O próprio pensamento de passar toda a noite sozinha em casa a enervava,
enquanto de volta para casa, ela teria recebido isso como uma chance de
assistir a um filme ou ler um livro, sem perturbação.
Subindo as escadas, Stella tentou banir os seus pensamentos, porque a
última coisa que ela precisava agora era estragar seu humor. Um pensamento
negativo levaria a outro, e antes que ela percebesse, ela estaria no chão,
tremendo e chorando, lembrando o quão fodida que sua vida era. Ela tinha
estado lá muitas vezes e ela se recusou a deixar que isso acontecesse aqui, neste
lugar perfeito, onde ela tinha vindo para escapar e encontrar a felicidade, ainda
que temporariamente.
Além disso, Stella queria parecer bem para sua mãe. Elas não tinham se
falado já há alguns dias , e Helen precisava ver que ela estava feliz.
Trocando seu vestido por um short e uma regata, ela ligou o laptop. A
tela iluminou, e enquanto esperava se conectar à internet, Stella desceu e
preparou uma xícara de chá de camomila. Voltando para cima, ela sentou de
pernas cruzadas sobre a cama, e olhou para o relógio. Eram sete horas. Ela
ainda tinha cerca de uma hora, até sua mãe estar online.
Para passar o tempo, ela começou a navegar sem rumo on-line, assistir a
vídeos no YouTube e organizar suas prateleiras no Goodreads, quando seu
telefone tocou.
<'=: 0 %&e *!c+ es$@ f'9en#!?
S$e((': !r %&+? E@ sen$"n#! ' )"nB' f'($'? *"sc'#'*
<'=: 3nfern!, s"). ;r'.' s&' b&n#' '%&".
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c's'
<'=: "D')'s? E ! %&e "ss! A e='$')en$e? * "sc'#'*
Stella sorriu. Ela adorava quando Max flertava com ela, mesmo que lhe
pedisse para parar. Mas eles estavam trocando mensagens de texto agora, não
era pessoalmente. Era apenas um pouco de diversão. Certo?
S$e((': SB!r$ %&e )'( c!bre )"nB' b&n#', e &) $!p %&e
)'( c!bre... n'#'.
<'=: E& es$'re" '" e) 10.
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S$e((': /!c+ *'" $er %&e c&"#'r #e s" )es)! c!) ' ")'.e),
p!r%&e ' )"nB' )>e es$@ cB')'n#!. ;cB'&. =
Quando Stella clicou no botão verde piscando na tela de seu computador,
ela não pôde deixar de sorrir.
— Oi, mãe! — Stella acenou, quando o rosto de sua mãe apareceu.
— Oi, querida. Você parece feliz.
— Sim, eu sei — disse ela, pensando que não ria, ou até mesmo sorria
muito, antes dela conhecer Max. Deve ser estranho para a mãe vê-la assim. —
Você está ótima, mãe.
— Obrigada, querida. As meninas no trabalho me importunaram para ir
a um SPA com elas na semana passada. Eu acho que deu resultado.
— Você foi a um SPA? — Stella estava além de surpresa. Sua mãe nunca
fez nada parecido. Helen era uma bela mulher, mesmo que não preocupasse em
nada com a sua aparência. Talvez essa separação tivesse sido boa para ambas.
Desde que tinham sido apenas as duas sozinhos por muito tempo, elas
ficaram muito próximas uma da outra, e compartilhavam tudo. Stella sentia
falta de sua mãe e, realmente, queria falar com ela sobre Max, sobre as
mudanças estranhas de humor de Lisa, sobre como ela estava com medo de que
tudo isso fosse uma bolha cheia de pó de fada e, mais cedo ou mais tarde iria
estourar.
— Eu acredito que tudo acontece por uma razão. As pessoas entram em
nossas vidas por uma razão, nada é por acaso — Helen disse finalmente, depois
que ela ouviu Stella colocar tudo para fora de seu peito. — Eu sei que você não
quer se machucar, querida, mas às vezes temos que assumir riscos e explorar as
possibilidades que se apresentam diante de nós. Lembra-se do filme com J im
Carey, “Sim, Senhor”?
— Sim?
— Tente ser mais parecido com ele. Diga — sim — para as coisas que
você normalmente não concordaria.
— Você sabe, isso é um conselho terrível vindo de uma mãe para a sua
filha!
Helen riu. — Provavelmente. Mas eu sei que tipo de filha que eu criei. E
eu confio em você.
Elas conversaram por cerca de duas horas. Helen disse a Stella sobre
suas conversas telefônicas com Niki, e como estava feliz que sua ex-melhor
amiga finalmente decidiu chama-la. Nenhuma delas queria desligar, mas no
final, Stella viu sua mãe tentar esconder um bocejo pela terceira vez
consecutiva, então elas se despediram.
Stella desceu até a cozinha para pegar algo para comer, assim que Niki
entrou pela porta da frente. Lisa ainda não estava em casa, o que era estranho -
ela nunca trabalhava até o final do expediente na galeria. Stella tentou chamá-
la, mas o telefone dela foi direto para a caixa postal. Porém, sua tia não achou
estranho, ela disse que o sinal na galeria não era muito bom, e ela
provavelmente se atrasou. Lisa era uma boa menina - ela nunca saia tarde
sozinha, ficava bêbada, ou desaparecia sem ligar, o que dava a sua mãe uma
razão para confiar nela implicitamente.
Elas jantaram juntas, e Stella se ofereceu para lavar os pratos, desde que
Niki parecia exausta. Ela agradeceu e foi direto para seu quarto.
Até o momento que Stella voltou para seu quarto, eram quase onze
horas. Pegando seu telefone para tentar ligar para Lisa novamente, ela viu que
tinha uma chamada não atendida de Max.
— Ei, o que aconteceu? Você ligou?
— Yeah. Nós temos um problema. — Ele parecia preocupado. — Lisa
está aqui.
— Aqui onde? No bar?
— Yeah — Stella não podia acreditar nisso. Sua prima a abandonou
hoje, depois foi direto para o trabalho, supostamente, e agora estava se
divertindo sem ela. Era tão diferente dela.
— Ela está sozinha? — Perguntou Stella, pensando que talvez Lisa
tivesse marcado um encontro , e por isso que não a tinha convidado para ir
junto.
— Não mais — disse Max, a voz triste e parecendo um pouco irritado.
— Max, é só me dizer o que diabos está acontecendo.
— Ela chegou aqui cerca de uma hora atrás. Eu não liguei para você,
porque eu achei que soubesse, e talvez estivesse a caminho daqui também. Ela
mal falou comigo e começou a pedir várias doses. Quando eu tentei pedi para
pegar leve, ela latiu para eu recuar e foi à loucura na pista de dança. Agora ela
tem um babaca em cima dela.
— Oh, Deus. Eu estou chegando aí.
— Não. Você fica em casa. Eu vou cuidar disso.
— Max, o seu turno ainda não acabou. Como exatamente você vai cuidar
disso? Eu vou até ai e a arrasto aqui pra casa, se eu tiver que...
— Não, Stella. Eu não quero você sozinha tão tarde. Eu vou lidar com
isso.
— Max... — Stella realmente não gostava de seu tom de voz super-
protetor e estava pronta para discutir um pouco mais, ou até mesmo bater o
telefone e ir direto para lá, quando ele a interrompeu.
— Por favor, Stella. Basta ficar ai. Eu não posso lidar com Lisa e me
preocupar com você saindo sozinha à noite. — Sua voz era suave, mas
autoritária.
Apesar de não gostar, Stella concordou.
Era meia-noite quando Max ligou para ela vir abrir a porta, porque ele
não queria tocar a campainha e enlouquecer Niki. Ele tinha Lisa em seus
braços, e ela estava desmaiada. A reação de Stella deve ter sido tão horrorizada,
que ele imediatamente disse:
— Ela está ok. Ela desmaiou no carro. Ela vai estar com uma ressaca
fenomenal amanhã, mas por outro lado ela está bem.
Stella assentiu e eles a levaram para o quarto, tirando os sapatos e
cobrindo-a com o cobertor.
Voltando para a sala, Max sentou-se no sofá e Stella sentou ao lado dele.
— O que está acontecendo com ela, Max? Isto é tão diferente dela.
— Eu sei. — Ele colocou o braço sobre as costas do sofá e seus dedos
roçaram o ombro de Stella. Ela estremeceu, sentindo muito frio. Seu corpo
estava tão quente e convidativo ao lado dela, que em um impulso ela se
aconchegou nele. Sem perder o ritmo, seu braço ficou mais apertado em torno
dela, e seus dedos começaram a fazer círculos em seu braço.
— Temos que falar com ela. Fazê-la confessar o que a está incomodando
— Stella disse, e sentiu Max acenando com a cabeça.
— Você não estava brincando sobre os pijamas, afinal. — ele disse,
correndo o olhar pelo seu corpo. Ela ainda não tinha percebido que estava
usando apenas seu short e a parte superior que dormia, ela estava tão
preocupada com Lisa. Enrijecendo em seus braços, Stella não soube como
responder. — Ei, relaxe. Eu não mordo — disse ele, sentindo seu mal-estar, e
apertando seu braço de forma reconfortante em torno dela.
É uma pena, pensou. Eu acho que poderia gostar.
Então ela imediatamente repreendeu a si mesma por pensar isso.
Stella esticou o pescoço para olhar o rosto de Max. Ele levantou a cabeça
dela e olhou para ela. Seus lábios estavam tão perto que ele só tinha que
mergulhar a cabeça dois centímetros, e eles estariam tocando o dela. Sentindo-
a olhando para a sua boca, Max mordeu o lábio inferior e seus olhos nublaram
de desejo, as suas pálpebras mal dissimulando o sentimento. Ele apertou seu
lábio em seus dentes, que ficaram com as marcas de mordidas vermelhas
brilhantes sobre ele.
Stella engoliu em seco lentamente, sua frequência cardíaca acelerando
quando se lembrou do gosto daqueles lábios. Sinos começaram a tocar em sua
cabeça, enquanto ela tentou sem sucesso afastar a neblina que a rodeava. Havia
apenas Max e ela, seus olhos castanhos vidrados com o calor e os seus lábios
tão convidativos .
Max trouxe a outra mão até sua bochecha e acariciou-a. O que
surpreendeu Stella foi que ele não veio para cima dela como fez antes. Ele
estava mostrando um controle surpreendente, considerando o quão íntimo
naquele momento era. Era como se ele esperasse por ela, como se fosse a sua
decisão de fazer alguma coisa.
Ela derreteu em sua mão e fechou os olhos, se entregando totalmente ao
momento. Exalando alto, Max apertou os braços em volta dela, quase
esmagando-a, e levando seu rosto até o lado de seu pescoço, ela respirou fundo
Então ele lentamente, quase de forma agonizante, tocou seus lábios em seu
pescoço.
Stella estremeceu fisicamente. Ela nunca sentiu essas dores intensas de
prazer antes. Se ele pudesse fazer isso com ela, com apenas um beijo suave em
seu pescoço, como seria a sensação de fazer amor com ele? O pensamento a fez
ofegar, quando outra onda de luxúria trovejou através de seu corpo.
— Stella — Max sussurrou, sua voz rouca. — Você está me matando
aqui. — Ele arrastou os lábios e a ponta de sua língua do pescoço até sua linha
da mandíbula. Stella gemeu quando, contrariando as emoções espalhadas
dentro dela, ela precisou se afastar, porque se não o fizesse, eles acabariam
passando a noite juntos - e ainda assim ela nunca se sentiu tão bem em sua
vida. Era o momento mais incrível de sua existência, e como ela poderia
interrompê-la?
— Max...
— Por favor, não me diga para parar, baby. Eu te quero tanto — ele
sussurrou, enquanto seus lábios encontraram os dela.
Desta vez, o beijo foi lento e profundo. Ela saboreou cada momento,
enquanto ele acariciou sua língua com a dela. Chupando o lábio inferior, Max
enterrou suas mãos em seu cabelo e a deitou de volta no sofá. Ele deitou em
cima dela, seus lábios nunca deixando os dela, suas mãos acariciando suas
coxas, cintura, seios. Sua coxa abriram suas pernas quando ele se posicionou
bem em cima dela, e ela choramingou na parte de trás de sua garganta.
O que estou fazendo? Estou pronta para transar com Max no sofá da
minha tia, pelo amor de Cristo! E se ela acordar e nos encontrar? E se Lisa
acordar?
Todos os pensamentos de Stella foram cortados, porque Max tinha
aumentado a pressão de sua coxa entre as pernas dela e sua mão estava sob sua
blusa.
Oh Deus!
*
Stella engasgou sob seu toque, seu corpo todo tremia com a necessidade.
Ela o beijou de volta, como se sua vida dependesse disso. Seus lábios estavam
ansiosos e qualquer coisa, menos suaves. No momento em que Max apertou
sua coxa entre as pernas dela, ela mordeu o lábio inferior e gemeu, suas mãos
encontrando seu caminho sob a camisa. Seus olhos cinzentos estavam tão
desfocados que pareciam negros.
Deus, ela está tão perto!
Max queria fazê-la gozar e observá-la o tempo todo, bebendo em seu
rosto, seus lábios, enquanto todo o seu corpo tremia debaixo dele. Ele moveu a
mão sob sua blusa, sobre os seios, sua barriga, até que ele substituiu sua coxa
com os dedos. A respiração de Stella travou quando ela estava tentou ficar
silenciosa, e ela arqueou o corpo, a cabeça caindo para trás. Max inclinou-se e
beijou seu pescoço, em seguida, afastou-se para observa-la desfeita em seus
braços.
Era a coisa mais linda que ele já tinha visto, e sexy como o inferno.
Ele estava imaginando esse momento desde que a conheceu na praia e
derramou peróxido de hidrogênio em seu pé machucado. Ela arqueou o corpo
da mesma forma, e ele desejava fazê-la fazer isso de prazer, e não dor.
Lentamente, Stella relaxou em seus braços, e olhou para ele, as pálpebras
meio fechadas. Sua pele estava corada e os lábios estavam inchados e
vermelhos. Max inclinou-se e beijou-a novamente, gentilmente, saboreando o
gosto doce dela. Ela colocou as mãos atrás do pescoço e puxou-o ainda mais
perto.
Bom, ela não estava afastando-o. Isso foi um bom sinal. Ele não seria
capaz de aguentar, se ela começasse a agir estranho com ele agora. Eles haviam
cruzado a linha e de agora em diante era tudo ou nada. Sem mais essas merdas
de amizade. Max queria Stella como ele nunca quis nada antes.
A julgar pela reação do seu corpo a ele, ela o queria tanto quanto ele.
*
Quando Stella se acalmou, ela começou a perceber o que tinha
acontecido. Max havia deixado claro que queria estar com ela, e ele estava
tentando ser seu amigo apenas porque ela lhe pediu. Ela sucumbiu a sua
atração por ele, e deu-lhe uma falsa esperança.
Não havia nenhuma maneira dela quebrar seu coração.
Ele merecia alguém que pudesse estar com ele, sem quaisquer
complicações, como um relacionamento a longa distância ou, pior ainda, com
câncer. Havia uma possibilidade muito real de que, quando ela voltasse a
Londres e fizesse seu check-up, o câncer tivesse voltado. Tinha sido assim
desde sua primeira cirurgia.
Stella gentilmente colocou a mão sobre o peito de Max, tentando afasta-
lo de cima dela. Ela tinha que ter muito cuidado como reagiria agora - ela não
queria machucá-lo, mas ao mesmo tempo ele tinha que saber que isso não
poderia acontecer novamente.
— Max — ela sussurrou, ainda um pouco sem fôlego. Ele levantou-se de
cima dela e olhou em seus olhos, seu próprio olhar cheio de saudade. Ela o
empurrou um pouco mais, até que se sentou no sofá. — Isso foi incrível.
— Mas? — Sua expressão nublou e ele franziu a testa, sentindo que iria
haver um mas.
— Nós não podemos fazer isso agora. Lisa está muito frágil no
momento, e eu não quero saltar para uma relação entre nós com ela assim. Ela
deixou claro que não aprovaria, e eu acho que seria uma boa ideia avisá-la em
primeiro lugar. Vamos falar com ela amanhã, ver onde sua cabeça está.
Ele olhou para ela, franzindo a testa, por um longo tempo. Ela sabia que
o estava colocando em uma posição horrível e se odiou por isso. Max queria
estar com ela, mas se ele falasse isso agora, ele iria parecer um idiota, porque
não se importava com os sentimentos de sua amiga.
Ele fechou os olhos e esfregou o pescoço, tentando reunir seus
pensamentos.
— Ok. Você está certa. Vamos falar com ela amanhã de manhã, eu vou
passar por aqui para tomar um café. E nós vamos levar a partir dai.
Stella assentiu com a cabeça e levantou-se do sofá. Mesmo que fosse
exatamente isso que ela gostaria que ele dissesse, lá no fundo, ela não podia
evitar em se sentir um pouco decepcionada. Era muito fácil, considerando o
que tinha acontecido e a intensidade da atração de Max por ela. Ela esperava
que ele fosse discutir com ela, fazer alguma grande declaração sobre como ele
não podia ficar longe dela um segundo a mais, mas ele não fez nada disso.
Stella odiava a forma como Max espalhava suas emoções em todo o
lugar, fazendo-a perder o foco sobre o que era certo e o que ela realmente
queria.





1'pí $&(! De9!"$!

<ax decidiu ligar para Stella antes
que saísse da casa, apenas no caso dela ainda estar dormindo. Ela atendeu no
quarto toque, e sua voz ainda estava rouca e baixa.
— Será que eu a acordei? — ele perguntou, incapaz de esconder o
sorriso em sua voz. Ele daria qualquer coisa para ter acordado ao lado dela e
ouvir sua voz sexy pela manhã pessoalmente.
— Yeah. Mas se desligar agora, eu poderia simplesmente fingir que isso
é um sonho e continuar a dormir.
— De jeito nenhum. Se você tem sonhos comigo, eles não serão sobre eu
te acordando por telefone.
Ela riu de um modo bonito, rouco e Max começou a lamentar ter
concordado em fingir que nada tinha acontecido entre eles na noite passada. Se
ele colocasse seu ponto, ele estava certo de que Stella não teria sido capaz de
resistir a ele, não no estado que ela estava E esse era exatamente o problema.
Ele iria acordar ao lado dela agora, mas ela começaria a se arrepender e
duvidar de sua decisão. Quando Max passasse a noite em sua cama, ele tinha
que garantir que não haveria arrependimentos na parte da manhã.
— Eu liguei para avisar que estou chegando. Eu estarei ai em dez
minutos. É melhor você se levantar e fazer o café. — Ela gemeu do outro lado,
claramente não apreciando a ideia de sair da cama ainda. Max suspirou. — Ok.
Fique na cama. Eu vou pegar um café no caminho e levo para você.
— Você não tem ideia de como isso soa bem agora. — ela murmurou, e
o som dos lençóis mexendo o agradou. Só de pensar nela sob os lençóis,
imaginando seu cabelo selvagem em todos os lugares, seus olhos sonolentos e
seu corpo quente, deixou ele instantaneamente excitado.
— Você precisa apenas arrastar seu traseiro bonito pelas escadas e abrir
a porta — ela murmurou um “Hum-hum” e ele acrescentou: — Eu te vejo em
breve, tesoro.
Quando Max chegou à casa de Lisa, a porta estava realmente
destrancada, e ele entrou carregando três xícaras de café. Ele não viu o carro
de Niki na calçada, mas eram 10:00hs, então pensou que ela já estava no
trabalho. Ele deixou o copo de Lisa sobre a mesa e, levando os outros dois até
o andar de cima, bateu discretamente na porta de Stella. O quase inaudível
“Entre” veio do outro lado, e ele abriu a porta.
Ela ainda estava na cama e ele tinha imaginado corretamente antes - seu
cabelo estava de fato em todo o lugar e seus olhos estavam quase fechados.
Max se sentou na beirada e entregou-lhe o café.
— Obrigada. — disse ela, sentando-se. Vê-la beber o seu primeiro gole e
soltar um suspiro de puro prazer era hipnotizante. Seus pensamentos
imediatamente foram para ontem à noite, quando ele a tinha visto
experimentar um tipo diferente de prazer. Balançando a cabeça para dispersar
os pensamentos, pelo menos por agora, Max percebeu que Stella estava
olhando para ele, avaliando-o. Era óbvio que ele estava pensando? Ela estava
pensando a mesma coisa?
Por um momento, sentiu-se pouco à vontade sob o olhar dela. Quando a
via assim, ele quase podia sentir ela bisbilhotando dentro de sua cabeça.
— Então, você acha que devemos acordá-la? — Max disse, quebrando o
silêncio.
— Vamos dar-lhe mais meia hora. Preciso de algum tempo para o meu
cérebro começar a trabalhar. — Max assentiu.
— Normalmente, você não tem problema em acordar cedo. O que há de
errado hoje? — ele perguntou, lembrando-se de que ela estava sempre corria
no período da manhã.
— Não é que eu tenho problema em acordar. É que às vezes eu não
consigo dormir direito, e eu prefiro me levantar, em vez de revirar na cama. —
Ela fez uma pausa para tomar outro gole de café. — Ontem à noite eu dormi
bem melhor do que recentemente. — disse ela, e Max quase engasgou com seu
café. Ela estava se referindo ao que tinha acontecido na noite passada? Como se
percebendo o que tinha dito, Stella rapidamente acrescentou: — Enfim, este é o
meu verdadeiro eu, não sou uma pessoa muita matutina. — Ela sorriu e tentou
cobrir seu deslize, mas já era tarde demais. Max agarrou isso, e seus lábios se
espalharam em um sorriso perverso.
— Você sabe, se você tem problemas para dormir, eu posso prescrever-
lhe algum tipo de tratamento.
— Yeah? Desde quando você é médico?
— Eu não sou médico. Eu sou mais um... tipo de cara prático. — Stella
corou e não conseguiu devolver uma resposta.
Ele adorava deixa-la ruborizada e sem palavras.
Assim que ele estava pensando em mais formas de fazer isso, ele ouviu a
porta do outro lado do corredor abrir. Lisa estava acordada.
— Olha, eu não acho que seja uma boa ideia atacá-la agora. Ela
provavelmente está de ressaca e se sente uma merda. Ela provavelmente não
vai cooperar. Vamos dar-lhe algum espaço para acordar, pelo menos. — disse
Stella.
Max assentiu.
— Deixei o café na mesa da cozinha, acho que isso vai ajudar.
— Ok. Eu vou tomar um banho então.
Stella jogou os lençóis longe, e os olhos de Max percorreram seu corpo.
Ela estava usando o mesmo short e camiseta regata que estava na noite
passada, e sua mente imediatamente encheu de fantasias - Stella debaixo dele,
Stella arqueando as costas, ele acariciando sua pele nua. Ele sentiu seu coração
começa a bater mais rápido e sua reação a ela deve ter sido óbvio, porque
quando seus olhos voltaram para o rosto dela, Stella estava evitando seu olhar.
Apressadamente, ela pegou algumas roupas do armário e se dirigiu para o
banheiro, fechando firmemente a porta atrás dela.
*
Stella tomou o banho mais rápido de sua vida. O tempo todo ela estava
ciente de que Max estava apenas uma porta de distância, e ela estava molhada e
nua. Demorar no banho parecia apenas errado, por razões que ela não tinha
vontade de explorar naquele momento.
Ela rapidamente secou seu corpo e seu cabelo em uma toalha, e vestiu um
short e uma camiseta limpas, o vapor denso escapou do banheiro quando ela
abriu a porta e saiu. Max ainda estava em sua cama, mas havia se acomodado
um pouco mais confortavelmente. Ele estava encostado em seu travesseiro,
com os braços atrás da cabeça, as pernas sobre a cama, cruzadas nos
tornozelos. Sua camiseta tinha ido até sua cintura e Stella podia ver alguma
pele nua acima de seus jeans. Mesmo que ela o tenha visto sem camisa uma
dúzia de vezes, agora, deitado em sua cama, com apenas dois centímetros de
pele mostrando , ele era ainda mais sexy do que antes.
Ela mordeu os lábios, a fim de impedir-se de sorrir ou caminhar até ele.
J ogando seus dois pés fora da cama, ela disse:
— Pronto?
— Se você estiver. — ele respondeu e piscou para ela.
Porque ele tem que ser assim tão irresistível?
Eles caminharam até a cozinha e encontraram Lisa sentada à mesa, sua
xícara de café na frente dela, com a cabeça entre as mãos. Quando os ouviu
entrar, ela levantou a cabeça com o que parecia ser um grande esforço, e seus
olhos não reagiram por alguns segundos. Então, como se finalmente
conseguisse se concentrar e invocar pensamentos racionais, ela olhou para
Max e depois para Stella, e depois de volta para Max. Suas sobrancelhas
franzidas.
— De onde você veio? — Sua voz soava rouca quando ela dirigiu sua
pergunta a Max.
— Quarto de Stella.
Stella revirou os olhos, porque ela sabia o que ele estava tentando fazer,
ela só não sabia o porquê. Eles tinham vindo até aqui para tentar falar com
Lisa racionalmente, não irritá-la.
— Será que você passou a noite no quarto de Stella também? — Lisa
perguntou com uma voz cortante, mordendo a isca.
— E se eu tivesse? — Max franziu a testa, provavelmente não gostando
do seu tom. Lisa não respondeu imediatamente, apenas fitou-o de forma
acusadora, e, em seguida, esse mesmo olhar mudou-se para Stella. — Ei, não
olhe para ela assim. Nós podemos fazer qualquer merda que quiser. Somos
adultos. Nós não temos que pedir sua permissão.
Max estava ficando seriamente irritado e essa coisa toda estava se
tornando uma bagunça. Seu relacionamento inexistente não era o ponto de
reunião. Stella se sentia culpada, porque Lisa sabia por que ela teve que afastar
Max , mas ele não. As razões da sua prima para não querer ve-los envolvidos
em qualquer coisa, exceto amizade, eram válidas. Max a estava atacando,
porque ele não sabia muita coisa sobre a Stella, e pensava que apenas a bênção
de Lisa iria resolver todos os seus problemas.
— Max, recue. — Stella disse calmamente, mas com firmeza. Ela não
permitiria que sua prima levasse toda a culpa. — Esse não é o motivo por que
estamos aqui. — Ele amaldiçoou novamente e, erguendo as mãos na frente em
derrota, foi até o balcão e recostou-se contra ele, cruzando os pés.
— Lis — Stella disse, sentando-se ao lado dela. — O que aconteceu
ontem à noite?
— O que você quer dizer? — Os olhos de Lisa ficaram duros. Isso não ia
ser fácil.
— Você tem andado tensa. Se isolando. Você esteve fora o dia todo e não
atendeu o telefone. Eu estava preocupada com você. — Stella decidiu uma
abordagem mais calma, mais racional, que poderia suavizar Lisa e ela confessar
o que a estava incomodando.
— Para citar seu namorado lá, eu posso fazer qualquer merda que eu
quiser. Fim de citação. — Ela levantou-se, como se estivesse pronta para sair.
Em um movimento rápido Max estava na frente dela, bloqueando seu caminho
para fora.
— Você não vai sair daqui até que nos dizer o que está acontecendo com
você, Lisa. — Max tentou controlar sua voz, mas era evidente que ele estava
com raiva e irritado com ela.
— Eu não tenho que explicar nada. Para citá-lo novamente, eu sou
adulta. — Ela cruzou os braços na frente do peito.
— Yeah? Bem, ficar bêbada de tequila, lamber sal no abdômen de caras
aleatórios e dançar de uma forma que faria corar uma striper veterana, salvo
engano, não é um comportamento adulto. Então é melhor você começar a falar.
Deus, Stella não tinha ideia que a situação ontem à noite estava tão fora
de controle. Isso era maior do que ela esperava. Lisa ficou em silêncio na frente
de Max, os olhos duros e sua postura defensiva. Se ele continuasse nessa
postura do “mau policial” sobre ela, ela nunca falaria.
— Lis — Stella disse, tocando-lhe o ombro e tentando agora . — Max
não passou a noite aqui. Ele chegou meia hora antes de acordarmos e trouxe o
café. — Ela apontou para os copos sobre a mesa como prova. O
comportamento de Lisa imediatamente mudou, e os braços cederam do seu
lado. Stella usou isso para sua vantagem. — Por favor, fale conosco. Nós te
amamos e estamos muito preocupados com você. Você não tem sido a mesma,
ultimamente, e é óbvio que algo está em sua cabeça.
A derrota inundou os olhos de Lisa, quando ela se ajeitou em sua cadeira.
— Tem um cara na minha aula de arte. Eu realmente gosto dele, mas ele
está me enviando sinais mistos. Ou ele está totalmente focado em mim, ou
então nem percebe que eu existo. Nós nos beijamos cerca de uma semana atrás,
e ele foi muito doce desde então, mas ontem à noite ele veio até a galeria, com
uma menina em seu braço. Ele não sabia que eu trabalhava lá e iria vê-lo. E o
verdadeiro choque: ela tinha um anel de noivado que mostrou a todos. Eles
foram fazer compras de quadros para a sua nova casa.
Uau, Stella não esperava isso.
— Então foi por isso que eu fiquei bêbada ontem à noite. Foi uma
péssima ideia e minha dor de cabeça pode testemunhar isso. Me desculpem, por
deixar vocês tão preocupados. — Ela pegou a mão de Stella em cima da mesa e
apertou-a, ate mesmo forçando um pequeno sorriso. Então ela virou-se para
Max. — Obrigada por me trazer para casa. Eu aprecio isso. — Ele acenou com
a cabeça, mas sua carranca não aliviou. — Eu vou voltar para a cama.
Ela deixou a cozinha, roçando em Max ao passar. Ele veio até a mesa e
sentou-se, mas não falou até que ouviu a porta fechar.
— Eu não acredito nessa porra nem por um segundo. — ele disse.
— Sério? — Stella estava confusa. A história de Lisa parecia
perfeitamente plausível.
— Ela está mentindo e nós temos que descobrir o porquê. Algo está
definitivamente acontecendo, e você pode apostar que há um cara envolvido,
mas não é o que ela nos disse.
— Se ela forjou uma historia para esconder, então é algo grande, Max.
Stella estava ficando realmente preocupada. Lisa não era uma pessoa que
mentia. Ela era a pessoa mais honesta, honrosa, e genuinamente boa, Stella
sabia, e se ela tivesse acabado de mentir para eles, sem pestanejar, então o que
ela estava escondendo deve ser muito importante para ela.
— Eu sei.
Um trovão explodiu acima deles e surpreendeu os dois, porque o tempo
tinha estado perfeitamente bom há menos de meia hora. Só então, as primeiras
grandes gotas de chuva começaram a bater nas janelas.
— Ótimo. Agora está chovendo. E eu estou presa aqui com Lisa de
ressaca e nada para fazer. — Stella reclamou, enquanto se recostava na cadeira.
— Eu posso ficar. — Max disse e deu de ombros, quando ela olhou para
ele com cautela. — Se você quiser. Eu só tenho que estar no bar às sete, e
podemos ficar aqui até lá. Ficar de olho em Lisa. J ogar vídeo game, o que você
quiser.
Claro que ela tinha que concordar.
Eles acabaram tendo um belo dia juntos. Max sentiu que não seria uma
boa ideia trazer o que tinha acontecido na noite anterior ou apertar os botões
de Stella e provocá-la. Eventualmente com ambos relaxados, eles se divertiram
muito. Max lhe ensinou como jogar Wii Sports, e depois que ela tinha jogado o
controle remoto na parede várias vezes, ele a fez usar a pulseira o tempo todo.
Em algum momento eles ficaram cansados e com fome, e Max preparou uma
massa com frutos do mar, que estava além de delicioso. Eles checaram Lisa
duas vezes, e em ambas ela estava dormindo.
Depois de comer o macarrão, Stella não tinha vontade de jogar mais, era
necessário um esforço muito maior do que ela estava disposta a fazer com o
estômago cheio. Eles se instalaram para assistir a um filme, mas Lisa não tinha
nenhum DVD. Stella tinha diversos filmes em seu laptop e eles foram até seu
quarto, decidindo assistir “Snatch”, uma vez que era um dos favoritos dos dois.
Eles deitaram na cama, o laptop sobre as pernas de Max, e Stella se
aconchegou ao lado dele.
Logo, sem que ela sequer perceber, suas pálpebras ficaram pesadas e ela
adormeceu.
*
Max não se atreveu a respirar. Ele segurou Stella nos braços enquanto
ela dormia e rezou a cada divindade conhecida pelo homem que ela não
acordasse logo. A sensação em tê-la aconchegada contra ele era maravilhosa.
Fazia valer a pena tudo o que ele tinha que fazer a partir de agora para
convencê-la a deixar ir todas as razões que estavam a segurando, e ser dele.
*
Quando Stella acordou estava sozinha na cama. Olhando em volta, ela
viu seu laptop desligado em seu criado-mudo. O que ela não viu foi Max.
Alcançando o telefone, ela viu que eram 18:30 e assim ele provavelmente foi
trabalhar.
Sentia-se exausta, apesar de todo o sono que teve. Obrigando-se a sair da
cama, Stella foi ao banheiro para refrescar-se e, em seguida, decidiu checar
Lisa. Assim que ela estava saindo de seu quarto, sua prima estava abrindo a
própria porta .
— Oi. Você está viva. — ela disse o que fez Lisa dar um sorriso. Ela
parecia muito melhor.
— Sim, eu estou. — Ela estava usando calças de moletom e uma
camiseta solta, o que significava que ela não estava pensando em sair.
— Quer comer alguma coisa?
— Não, eu não estou com fome. Eu estava indo para o estúdio. — disse
ela e olhou para Stella se desculpando. — Sinto muito, Stella. Eu sei que eu não
tenho sido um boa amiga recentemente e não estou presente para você...
— Ei, pare com isso. Está tudo bem. Você tem um monte de coisa para
lidar.
— Ainda assim... Eu me sinto mal.
— Está tudo bem, Lis, realmente. Vá e pinte alguma coisa.
Lisa assentiu com a cabeça e dirigiu-se ao seu estúdio. Stella foi para a
cozinha, fez um sanduíche e voltou para o seu quarto. Ligou seu laptop,
enquanto pesava as opções do que fazer a noite toda em sua cabeça. Ela podia
ver um filme, ou ver se sua mãe queria conversar ou navegar sem rumo na
internet, ou ler um livro até que ela sucumbisse ao tédio e adormecesse.
O travesseiro ainda tinha o cheiro de Max. Stella deitou-se nele e
relaxou, fechando os olhos. O cheiro dele estava ao seu redor, abraçando-a,
consolando-a.
Como se com a sugestão, seu telefone tocou com uma nova mensagem.
<'=: /!c+ 'c!r#!&?
S$e((': Ye'B. /!c+ #e*er"' $er )e 'c!r#'#! 'n$es #e s'"r.
E& )e s"n$! c!)! &)' )@ 'nf"$r">.
<'=: /!c+ es$@ (!&c'? Ess' f!" ' )e(B!r $'r#e #' )"nB'
*"#'. E& p!#"' *+- (' #!r)"r p!r )eses.
Uau. OK. Como posso responder a isso?
Ela não teve muito tempo para se debruçar sobre isso, porque logo
recebeu outra mensagem.
<'=: 1!)! es$@ :"s'? Q&'n#! ' #e"=e", e(' '"n#' es$'*'
#!r)"n#!.
S$e((': E(' 'c!r#!& 'pen's '.!r' e se $r'nc!& e) se&
es$ú#"!.
<'=: G))). E(' #e"=!& *!c+ s!9"nB' n!*')en$e. Q&er
*"r '%&"?
S$e((': Es$@ $&#! be). /!& $er)"n'r #e 'ss"s$"r ! f"()e, D@
%&e e& #!r)" n! )e"! e en$>! $'(*e9 (er. E& es$!& be), <'=.
8>! se pre!c&pe c!)".!.
<'=: 0H. /!c+ s'be !n#e )e enc!n$r'r, se )&#'r #e "#e"'.
Stella fez exatamente isso: terminou de assistir “Snatch”, leu por um
tempo e, envolvida pelo cheiro de Max ainda persistente em seu travesseiro,
adormeceu.


















1'pí $&(! De9en!*e

Dois dias depois, na sexta-feira à tarde,
no meio do filme que assistiam na sala de estar, Lisa começou a ficar inquieta.
Ela não parava de bater o pé e brincar com seu cabelo. Stella não disse nada,
porque não estava se sentindo particularmente interessada em abrir essa caixa
de Pandora novamente. No dia anterior , Lisa parecia quase de volta ao normal
- elas tinham passado o dia na praia, enquanto Max estava trabalhando lá e
tinha sido divertido. À noite, Max teve que trabalhar novamente e Lisa não
estava com vontade de sair, então ficaram em casa, cozinharam e jantaram
juntas com Niki quando ela voltou do trabalho. Perfeitamente normal.
Então por que estava batendo o pé agora?
— Stella, acabei de me lembrar que tenho que fazer uma coisa.
Surpresa, surpresa.
— Você vai ficar bem aqui por um tempo? Não devo demorar muito.
Stella olhou-a com curiosidade, imaginando se deveria bater firme nos
calcanhares e exigir a verdade - se não toda a verdade, pelo menos algum tipo
de explicação. A julgar pelo comportamento nervoso de Lisa, isso não daria
certo. Ela viria com outra mentira para afastar Stella de suas costas, e ainda
assim sair e fazer o que ela realmente estava planejando.
— Está tudo bem, Lis, você não tem que pedir minha permissão. Se você
tiver algo para fazer, vá e faça.
Lisa saltou em seus pés e, agarrando a bolsa da cadeira ao lado da mesa
do café, correu para fora.
Stella desejava ter um carro, para que ela pudesse segui-la.
Espere - o quê?
Será que ela realmente pensou isso? Dirigir um carro era algo que Stella
nunca faria. Mas então, por que ela só queria fazer isso?
Ignorando o pensamento, ela pegou o telefone e mandou uma mensagem
para Max.
S$e((': :"s' c!rre& p'r' f!r' n!*')en$e. 5p!s$! %&e e('
es$@ "n#! p'r' ! )es)! (&.'r %&e es$e*e 'n$es.
<'=: <er#'. E& es$!& pres! n! $r'b'(B! '$A %&'$r!. E&
*!& p'r' '" 'ss") %&e $er)"n'r '%&".
S$e((': E& $enB! &)' sens'C>! %&e e(' n>! *'" *!($'r '$A
(@. E(' *'" $r'b'(B'r B!De I n!"$e.
<'=: E& *!& )e 'rr"sc'r. 5(A) #"ss!, e& %&er! *+- ('.
S$e((': 0H. 8!s *e)!s )'"s $'r#e.
Stella passou as próximas horas incapaz de se concentrar em qualquer
coisa, se perguntando o que diabos poderia deixar sua prima tão equilibrada
agir dessa forma. Max chegou um pouco depois das quatro. Ele usava calça
jeans e uma camiseta preta, o cabelo ainda molhado, e parecia ter acabado de
tomar um banho.
— Ela está de volta? — ele perguntou, enquanto caminhava até o sofá.
— Não. Eu tentei ligar para ela, mas caiu na caixa postal.
— Você se importa se eu ficar por um tempo?
— Claro que não. O que você quer fazer?
— Chutar o seu traseiro no beisebol. — disse ele e sorriu, porque Stella
tinha realmente arrebentado nesse jogo na última vez que eles jogaram.
— Você terá sua chance.
Eles jogaram por um tempo, e em um momento Stella conseguiu
balançar tanto, que perdeu o equilíbrio e caiu no sofá, atirando o controle
remoto direto na parede no processo. Ele caiu no chão com um baque, suas
baterias pulando para fora. Max riu tanto que teve de ajoelhar no chão para se
firmar, enquanto Stella o repreendeu com um olhar desagradável.
Ela odiava perder.
— Uh-oh, eu quebrei o controle remoto — disse ela, com um fingido
pesar. — Pena que não serei mais capaz de jogar esse jogo idiota. — Ela
caminhou até a cozinha e se serviu de um copo de água. Max a seguiu, ainda
rindo. — Pare de rir, ou você vai ser a próxima coisa quebrada.
— Oh, eu estou tão assustado. Você pode fazer alguns danos sérios com
essas suas pequenas mãos. — Seu sorriso nunca deixou seu rosto e seus olhos
brilhavam de felicidade. Stella gostava de vê-lo assim e estava absolutamente
encantado com a ideia de que ela era a razão pela qual ele estava tão feliz
agora.
Seu telefone tocou e ele enfiou a mão no bolso de trás para obtê-lo.
— Yeah. O quê? Não, cara. Estou com Stella. Estávamos jogando
baseball e ela propositadamente jogou o controle remoto na direção da parede
e quebrou. Porque ela é uma porcaria em baseball. Eu sei. — Mais risos. Stella
estava olhando para ele e ele achou ainda mais engraçado. — Oh, vamos lá.
Hoje à noite? Não, eu não tenho planos. Pode ser qualquer lugar. Bem, apenas
pare de falar e eu vou. Não, eu vou esperar por você aqui. Tchau.
Ele colocou o telefone de volta no bolso e exalou alto.
— Eu estava esperando que pudesse ficar aqui e esperar por Lisa, mas
Beppe quer que eu saia com ele.
— Não se preocupe, ela provavelmente não vai estar de volta até bem
mais tarde de qualquer maneira. — Stella tentou mostrar despreocupação,
como se não fosse grande coisa, mas por dentro ela estava furiosa.
— Você tem certeza? Eu posso cancelar, tranquilo, e podemos esperar
por ela juntos.
— Beppe não vai deixá-lo em paz, até que você saia com ele, então basta
ir. Eu vou falar com ela quando ela voltar. A última vez você não foi de muita
ajuda de qualquer maneira.
Ignorando seu último comentário, ele disse:
— O que você vai fazer a noite toda? — Ele parecia preocupado e por
algum motivo Stella não gostou dessa vez. Dois minutos atrás, eles estavam
rindo e agora o clima entre eles havia mudado completamente. Stella sabia por
experiência própria que não demorava muito para que as coisas mudassem
drasticamente, mas ainda a enervava.
— Não se preocupe comigo. — Ela lhe deu um sorriso forçado e,
passando por ele, voltou para a sala de estar.
Eles navegaram pelos canais de TV sem rumo, até Beppe buscar Max.
Depois que Max tinha partido, Stella não conseguia decidir o que fazer.
Ela não conseguia ficar parada ou prestar atenção em qualquer coisa. Sua
mente era um turbilhão de pensamentos - aonde iriam? Será que eles iriam se
envolver com algumas meninas? Max iria se divertir? Ele ia dançar com
alguém, tocá-la, beijá-la? Ele ia levar alguém para casa com ele?
Ela nunca tinha sido tão ciumenta em sua vida, embora ela soubesse
muito bem que ela não tinha o direito de estar com ciúmes de Max ou com
raiva dele. Ela não era a namorada dele e ele podia fazer o que diabos ele
quisesse.
E, no entanto, o pensamento dele com outra pessoa a deixava
completamente insana.
Então, ela ficou com raiva de Lisa, se sua prima estivesse aqui, elas
poderiam ter saído também, ter um pouco de diversão, afastar suas mentes das
preocupações. Mas ela não estava, e Stella estava presa em casa, sozinha e
inquieta.
Bem nessa hora o telefone dela tocou. Antes que ela sequer olhasse para
ele, as palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça:
Tudo acontece por uma razão... nada é coincidência... às vezes temos que
assumir riscos e explorar as possibilidades que se apresentam diante de nós.
Ela esperava que fosse uma mensagem de Max, dizendo o quão entediado
ele estava, e como ele queria estar lá com ela.
Mas não era.
4"c!: GeF, *!c+ %&er s'"r ')'nB>? /er &) f"()e?
S$e((': Q&e $'( B!De I n!"$e?
4"c!: 1('r!. /!& b&sc@- (' e) )e"' B!r'.
Essa era a sua chance de sair da casa. Se ela ficasse mais tempo aqui, ela
ficaria completamente louca. E, além disso, por que ela não poderia sair com
Rico? Se Max estava livre para sair e pegar as meninas com Beppe, por que ela
não deveria sair com Rico para ver um maldito filme?
Stella vestiu-se rapidamente em um vestido navy simples e sandálias de
salto alto. Ela deixou os cabelos soltos sobre os ombros e colocou rímel e
brilho labial. Pegando a bolsa, ela desceu as escadas para esperar Rico.
Sua tia chegou em casa naquele momento.
— Oh, hey, querida. Você vai sair?
— Yeah. Eu estou esperando alguém vir me pegar.
— Oh? Lisa está vindo? — Niki tirou os sapatos e se dirigiu para a
cozinha, Stella a seguiu.
— Não. Ela está trabalhando hoje à noite. — Por um momento, Stella
pensou em falar para sua tia sobre Lisa, mas decidiu contra. Ela tentaria falar
com sua prima mais uma vez primeiro e, em seguida, acionar as grandes armas.
— Tudo bem, então tenha uma boa noite. E certifique-se que quem te
pegar traga você de volta também. Eu não quero você andando pela cidade
sozinha à noite. — Stella concordou com a cabeça e, beijando-a tia, saiu pela
porta da frente, assim que o Honda Civic preto de Rico estacionava na porta.
Ela se sentou ao lado dele, trocando os beijos habituais em ambas as
faces, e eles foram embora. Stella estava nervosa no carro - ela confiava em
Max e não sentia á beira do pânico quando ele dirigia, mas estar em um outro
carro com alguém que mal conhecia era um pouco enervante. Não querendo
mostrar seu medo e parecer estranha, ela estampou um sorriso no rosto e
manteve-o lá até que tinham estacionado no cinema.
Rico era o perfeito cavalheiro - ele nunca permitia silêncios
desconfortáveis, sem esforço mantendo uma conversa fiada. Ele era realmente
um cara muito legal, muito inteligente e engraçado. Logo Stella começou a
divertir-se, e conseguiu afastar Max completamente fora de sua mente.
Eles viram o mais recente sucesso de verão, observando a cidade de Nova
Iorque ser destruída pela milionésima vez. Rico não fez qualquer movimento
em sua direção na escuridão do cinema, e Stella conseguiu relaxar
completamente, apreciar o filme e a pipoca, e esquecer o mundo, pelo menos
por duas horas.
Ela estava tão feliz que tinha saído à noite.
Quando o filme acabou, Rico levou-a para fora do cinema, mas não em
direção ao estacionamento.
— Para onde estamos indo?
— Eu conheço uma sorveteria não muito longe daqui. É uma noite
quente, então vamos dar uma caminhada e tomar um sorvete. — Ele sorriu,
encorajando-a e a puxou pela mão.
Havia muita gente lá fora, era sexta-feira à noite, depois de tudo. Stella
não estava cansada ainda, então que mal poderia ter em tomar um sorvete? A
sorveteria realmente não estava longe. Eles compraram uma tigela cheia de
três sabores diferentes para cada um, e voltaram caminhando devagar,
saboreando cada mordida.
Logo, o sorvete começou a derreter, e quando Stella pegou um pouco
com a colher e levou-a até sua boca, um pouco derramou na parte da frente do
vestido. Rico, como o cavalheiro que era, ofereceu um lenço de papel, mas
Stella tinha a taça em uma das mãos e a colher na outra e não podia pega-la.
Ele então começou suavemente a limpar a mancha de sorvete e Stella riu com
seu nervosismo. Todo o seu comportamento mudou naquele momento, e seus
olhos ficaram sérios quando ele baixou a cabeça, e envolvendo-a em seus
braços, a beijou.
Ela ficou chocada, porque ele não tinha feito qualquer movimento em
direção a ela toda a noite até então, nem mesmo um comentário mais
provocador - e então de repente ele a beijou!
Seus lábios estavam frios e tinha gosto de sorvete. Foi um bom beijo, mas
nada comparado com os beijos de Max. Se os lábios de Max nunca tivessem
tocado o dela, ela provavelmente teria gostado de beijar Rico. Infelizmente,
esse não era o caso e ela não sentiu nada enquanto o beijo durou, ou depois.
Delicadamente afastando-o, Stella olhou para ele intrigada.
— Desculpa: Eu apenas... Eu queria fazer isso desde aquela noite no
clube. Eu queria esperar até mais tarde esta noite, mas eu só... não podia. —
Ele parecia um pouco envergonhado com isso e Stella decidiu contra fazê-lo se
sentir pior. Ela apenas sorriu e acenou com a cabeça, e voltou para o carro.
*
Max saiu do bar com Beppe em seus calcanhares. Sua noite estava indo
de mal a pior. Seu amigo continuava empurrando mulheres para cima dele, mas
ele não estava interessado. Beppe se queixou de que Max não o estava
ajudando a conseguir nenhuma mulher assim, e ele provavelmente voltaria
para casa hoje à noite de mãos vazias. Eles tinham decidido ir para outro bar,
porque Max estava incrivelmente inquieto.
Enquanto se dirigiam para o outro bar com Beppe em sua cola, Max
parou abruptamente. Ele não podia acreditar em seus olhos. Stella estava do
outro lado da rua com Rico - e ele a estava beijando.
Sua visão ficou turva e viu tudo vermelho. A raiva não era uma palavra
forte o suficiente para descrever como se sentia. Max estava apenas consciente
de Beppe puxando seu braço, tentando levá-lo para longe da cena que se
desenvolvia diante deles.
— Eu vou matar esse filho da puta. — rosnou Max, assim que Beppe
arrastou-o para uma rua lateral.
— Acalme-se, homem. — Beppe estava com a mão no peito de Max,
impedindo-o de correr em sua direção.
— Acalme-se? Acalme-se? — Max gritou. — Ele a estava beijando! Ele
tinha as mãos sobre ela. Eu vou matá-lo. Solte-me! — Ele continuou gritando e
tentando empurrar Beppe, mas ele era forte, embora não tão grande como
Max.
— Ou se acalme, ou eu vou prendê-lo no chão até que você faça. Sua
escolha. — A voz de Beppe estava fria e intransigente, e chamou a atenção de
Max. Ele assentiu e Beppe tirou a mão. Max amaldiçoou em voz alta, e enfiou
as mãos pelo cabelo.
— Eu não posso acreditar nisso. Eu pensei que tínhamos algo. Por que
ela saiu com ele?
— Ela não é sua namorada, homem. Você está fora para pegar garotas.
— Estou aqui por sua causa. Você me obrigou a deixá-la, e vir para
ajuda-lo a pegar uma garota. Pensando bem, tudo isso é culpa sua. Você que
apresentou aquele babaca a ela na primeira noite que saímos.
— Não tente jogar a culpa de seu comportamento irracional em cima de
mim. Naquela noite, você estava com Antonia em cima de você, se bem me
lembro. Como eu ia saber que você tinha sentimentos por Stella?
Max estava andando para trás e para frente, nem mesmo ouvindo o que
Beppe estava dizendo. Sua cabeça estava tonta com a confusão, raiva e
decepção.
— Isso tudo é fodido. Eu não posso mais fazer isso. Estou cansado de
balançar para trás e para frente com ela, e só quando eu acho que temos algo,
ela sai com alguém e o beija no meio da porra da rua.
— Max, você precisa se acalmar. Eu odeio dizer isso, mas você está
perdendo o controle, cara. Eu não gosto disso. O que teria acontecido se eu não
estivesse aqui agora? — Max parou de andar, seus olhos esfriando. — Será que
Rico estaria no hospital? Assim como a última vez que você perdeu o controle?
O corpo de Max ficou rígido quando ele endireitou os ombros, a
determinação inundando seus olhos frios.
— Eu não sou mais aquela pessoa e você sabe disso. Quando você vai
parar de jogar o meu passado na minha cara? Tenho que jogar isso a cada
maldita chance que tem?
— Eu sinto muito. — disse Beppe, erguendo as mãos na frente. — Eu
não deveria ter dito isso. Apesar de tudo, ainda estou preocupado com você.
— Você não tem que estar. Acabou, eu encerrei tudo.
Ele afastou-se, deixando Beppe ir até o próximo bar sozinho.
*
Quando Rico estacionou o carro na garagem para deixar Stella, ele se
virou na direção dela para dar outro beijo. Ela afastou-se.
— Olha, Rico, você é um cara legal e eu me diverti muito esta noite —
ela começou, quando ele se afastou dela confuso. — Mas eu não quero me
envolver com você. Eu gosto de outra pessoa.
Rico assentiu, a compreensão inundando seus olhos.
— Max?
— Yeah. Me desculpe, eu não deveria ter saído com você.
— Não, Stella, tudo bem. Eu me diverti, eu estou feliz que saímos.
Stella assentiu com a cabeça e, sem dizer uma palavra, saiu do carro.













1'pí $&(! /"n$e

1aminhar pelo particular e luxuoso
centro médico — Giuseppe Mazzini — sempre parecia surreal. Era um edifício
moderno, enorme e com um formado estranho, como um cubo de um lado e
uma pirâmide do outro. No interior, o lobby era de mármore branco, arte
moderna nas paredes, uma fonte da água na parede esquerda e uma recepção
enorme de aço inoxidável e vidro à direita. Era bem iluminado e arejado,
devido à enorme quantidade de vidro em toda parte - as paredes, o teto, as
escadas.
Lisa cumprimentou a recepcionista - hoje era Marta, a melhor delas - e
assinou seu nome na lista dos visitantes. Em seguida, ela subiu as escadas e
caminhou pelo longo corredor com portas de ambos os lados.
Ela estava procurando o quarto 256, e sabia exatamente onde estava - no
final do corredor, ao lado da enorme janela com vista para os terrenos privados
da clínica. Batendo suavemente na porta, mas sem esperar qualquer resposta,
ela esperou cinco segundos, e entrou
O quarto era grande e luxuoso. Tinha uma cama king-size, um closet,
banheiro, e uma área de estar com sofás, mesa de café e TV de tela plana. Era
decorado em cores neutras, com apenas um toque de cor aqui e ali, como as
cortinas vermelho-escuras, os sofás de couro marrom e o tapete verde suave
entre a cama e área de estar.
O centro médico “Giuseppe Mazzini” era apenas para os muito ricos. Ele
admitia pacientes com doenças de longa duração, variando de depressão e
saúde mental, a problemas de câncer e imobilidade, que precisavam de cuidados
que não podiam ser fornecidos em casa. Na visão de Lisa, era uma prisão
luxuosa para os mais vulneráveis, que tinham sido expulsos por suas famílias
ricas, que pelo menos tinham a decência de lhes proporcionar o melhor
tratamento disponível
Gino estava em seu lugar habitual ao lado da janela, sentado em sua
cadeira de rodas e olhando para fora, realmente não vendo nada. Ele não
reconheceu a sua presença, assim como nunca fez. Lisa deixou a bolsa no sofá e
caminhou até ele, apoiando-se no parapeito da janela. Ela olhou para ele,
bebendo seus traços perfeitos - o nariz reto, maçãs do rosto salientes, lábios
cheios, olhos azuis, cílios escuros. Seu cabelo foi lavado e penteado, mas ele
tinha alguma barba em seu rosto. Eles davam banho nos pacientes aqui todos
os dias, mas Gino parecia preferir fazer a barba apenas uma vez por semana.
Como a equipe sabia disso estava além dela, porque ele nunca falou. Não, nem
uma vez ele tinha dito uma palavra a Lisa, ou sequer olhou na direção dela
desde que ela começou a visitá-lo.
Era só ela? Ele falava com alguém?
Eles eram realmente fortes em sigilo aqui, então ela não podia perguntar
a qualquer um. Tudo que ela sabia era que ele estava aqui por depressão grave.
Desde que tinha acontecido, Gino tinha fechado o mundo ao seu redor. A luz
em seus olhos azuis estava completamente desaparecida.
Ele passou por uma cirurgia em sua coluna vertebral e os médicos
tinham noventa por cento de certeza que foram capazes de fixar sua vértebra
quebrada, mas sem qualquer fisioterapia não puderam saber se estavam certos.
Gino tinha recusado o tratamento físico, e nem sequer tentou se levantar de
sua cadeira de rodas. Na medida em que Lisa soube, ele nunca fez nada. Ela
nunca tinha visto a TV ligada, ou um livro, revista, até mesmo um iPod por aí.
Seu quarto estava sempre em perfeita ordem, como se ele nunca tocasse em
nada.
Toda vez que Lisa assinava o registro dos visitantes, ela olhava para
verificar se algum dos familiares ou amigos de Gino tinha ido visitar. Até
agora, ela encontrou um padrão em sua mãe, que o visitava uma vez a cada
quinze dias, na melhor das hipóteses. Era isso. Ninguém mais. Eles o haviam
trancado aqui, envergonhados de seu garoto de ouro e herdeiro.
— Oi, Gino. — disse ela, embora soubesse que ele não iria responder.
Lisa não se importava. Ela não iria parar de vir aqui. Em algum momento ele
iria olhar para ela, ele iria responder a sua saudação. Até então, ela conversava
com ele sobre sua vida, sobre seus trabalhos, sobre sua arte, sobre os filmes que
tinha visto ou novos álbuns que baixou. Às vezes, ela tocava um pouco de
música de seu iPod ou lia para ele o jornal ou um livro. Ele sabia mais sobre ela
do que qualquer um, mas era o que acontecia quando você falava por horas
sobre si mesma, sem ninguém para interrompê-la.
A única coisa que ela não tinha dito a ele foi como seu pai tinha morrido,
mas nenhum deles estava pronto para isso ainda.
— Pronto para a nossa caminhada? — ela perguntou, e empurrou a
cadeira de rodas em direção à porta. Toda vez que ela o visitava, Lisa o levava
até lá fora para pegar ar fresco. Os terrenos da clínica eram bonitos. Vias
pavimentadas tecidas através de gramados intermináveis, escondido do mundo
exterior por enormes árvores ao redor das bordas da propriedade. Havia um
pequeno lago com tendas e mesas de piquenique, e era um dos lugares
favoritos para os pacientes e suas famílias se reunirem.
Lisa empurrou a cadeira de rodas pelo caminho distraída, pensando em
como esconder suas visitas a Gino teve efeitos sobre ela. O estresse claro se
provou há dois dias, quando, depois de vê-lo, ela foi até a galeria, e cada
pequena coisa a incomodava. Tudo o que ela conseguia pensar depois era ir
para um bar, ficar bêbada e provavelmente dormir com um cara aleatório,
apenas para que ela pudesse apagar Gino de sua mente.
Lisa precisava compartilhar seu segredo com alguém, mas não havia
ninguém a quem pudesse confiar para apoiar sua decisão. Max, Stella e sua mãe
nunca iriam entender por que ela estava fazendo isso, e - pior ainda -
provavelmente ficariam horrorizados.
Não, não havia ninguém a quem pudesse confiar a ajudá-la a carregar seu
fardo. Ela estava sozinha.


1'pí $&(! /"n$e e U)

— Stella, acorde — alguém
disse, acariciando seu rosto. Ela abriu um olho e viu Lisa sentada em sua cama.
— O quê? Por quê? Que horas são? — Certamente parecia muito cedo
para estar acordada.
— São 07:00 hs.
— Por que exatamente eu tenho que me levantar às sete horas em um
sábado?
— Minha mãe e eu temos uma surpresa para você. Vamos, levante, tome
um banho e nos encontre na cozinha em dez minutos. — Lisa pulou da cama,
enquanto Stella gemia. Sua prima louca estava definitivamente viajando pela
estrada bipolar.
— Eu fiz o café. — Lisa falou, antes de sair pela porta do quarto. —
Quanto mais cedo você se levantar, mais cedo você vai se sentir a cafeína
trabalhando a sua magia em seu corpo. — Ela fechou a porta, não muito
gentilmente, e Stella suspirou. Sacudindo seus cobertores fora, ela pisou para o
banheiro e começou a escovar os dentes.
— Então o que aconteceu? — Perguntou Stella, envolvendo seus dedos
em torno de uma caneca de café e tomando o primeiro gole incrível. Lisa e Niki
estavam segurando seus próprios copos, sorrindo como gatos Cheshire
3
e
olhando para ela. Desde que ela chegou, ela não conseguia se lembrar de um
momento em que as viu tão genuinamente felizes.

3
Gato que aparece na historia de Alice no Pais das Maravilhas
— Bem — disse Lisa e sentou-se à mesa. — Nós não temos sido muito
boas para você. Especialmente eu.
Stella abriu a boca para protestar, mas Lisa levantou a mão para silenciá-
la.
— É verdade. Nós duas estamos trabalhando muito, e mesmo quando eu
não estou, eu não tenho sido um boa amiga, porque estou muito envolvida com
meus próprios problemas. Então, para compensar isso, e nos mimar neste fim
de semana, vamos a Milão! — Ela deixou o copo sobre a mesa e aplaudiu com
entusiasmo.
— Sério? Agora? — Tanto Lisa como Niki acenaram animadamente. —
Wow! Isso é incrível, eu sempre quis ir para lá. Obrigada! — Ela as abraçou,
por sua vez, também não conseguindo parar de sorrir.
— Termine seu café e vá arrumar uma mala, querida. — disse Niki. —
Temos que sair em cerca de uma hora, se quisermos aproveitar ao máximo o
fim de semana.
Stella não precisava ser mandada duas vezes.
A viagem para Milão levou cerca de duas horas. Niki tinha reservado um
hotel no centro da cidade, para que eles pudessem deixar o carro e explorar a
cidade a pé, que era de tirar o fôlego.
Stella tinha lido o guia turístico que Lisa havia lhe emprestado no carro,
e tanto sua tia, como sua prima a incentivaram a escolher o que ela queria ver,
porque tinham ido a Milão muitas vezes, e tinham visto a maioria das coisas.
Considerando que elas tinham menos de dois dias, Stella teve que
escolher sabiamente. Sua primeira parada foi o Duomo - a catedral mais famosa
da Itália. Não é à toa que levou 500 anos, e ainda contando, para construir. Em
pé diante do Duomo, Stella se sentiu insignificante, pequena, feia. Pegando o
elevador, subiram ao telhado da catedral, onde eles poderiam passear e
desfrutar de uma vista completa da cidade. Era como estar no topo do mundo -
Milão estendia abaixo deles , e mais longe podiam ver os Alpes de guarda entre
a Itália e o resto da Europa.
Em seguida, elas visitaram a Pinacoteca di Brera, o museu de arte que
sediava as obras de arte dos artistas mais famosos e ilustres da Itália como
Mantegna de “Dead Cristo”, a “Pietà” movimento por Giovanni Bellini e
Caravaggio “Ceia em Emaús”. Stella escolheu esse museu em particular,
porque ela sabia que Lisa o adorava, e também porque logo atrás estava o Orto
Botanico di Brera - um jardim botânico de cinco mil metros quadrados. Nesta
época do ano ele estava incrível - todos os canteiros estavam florescendo e seu
perfume enchia o ar ao redor do jardim. Era como um oásis de calma no meio
da azáfama da cidade. Eles andaram por um tempo, respirando o ar fresco com
perfume, e relaxando em um banco para descansar um pouco e comer os
sanduíches que tinham comprado de uma barraca próxima de lanches.
J á passava das cinco horas quando saíram do jardim, e elas estavam
exaustas demais para mais passeios. Niki sugeriu voltar para o hotel, tomar um
banho, refrescar-se e sair para jantar.
Todas elas desabaram na cama um pouco depois da meia-noite, depois de
desfrutar de uma refeição incrível e uma caminhada em torno do centro da
cidade, misturando-se com os turistas e habitantes locais, se divertindo em uma
noite no sábado.
No dia seguinte, Niki insistiu que elas precisavam ir às compras -
dizendo que era contra a lei vir até Milão e não comprar! Sua primeira parada
foi na Galleria Vittorio Emanuele II - um dos centros comerciais mais chiques
que Stella já tinha visto. Era perto do Duomo e parecia uma catedral de luxo
no interior. Ela tinha um enorme telhado de vidro que lançava luz sobre os
cantos mais distantes do edifício, e dava vida a arte elaborada da decoração do
shopping. Niki explicou que inaugurou por volta de 1867, e a loja da Prada foi
aberta aqui em 1913. Seus olhos brilharam de emoção enquanto falava,
maravilhada com o grande estilo do edifício. Sentaram-se para um café e um
leve descanso , e Stella quase engasgou quando viu o preço de dez euros para
um único café expresso.
— Se você quer beber o seu café entre Prada, Fendi e Gucci, você
precisa pagar um preço. — Niki tinha dito, enquanto ela tomava um gole da
bebida em miniatura.
Elas não compraram nada do Galleria, porque uma pequena bolsa
custava tanto quanto um carro pequeno, mas do lado de fora do prédio, havia
muitas lojas de grife espalhadas ao redor. Elas encontraram alguns tesouros
com etiquetas de “setenta por cento off” coladas sobre elas, e foram jantar cedo,
todas elas felizes carregando suas sacolas de compras, antes de subir no carro e
dirigir de volta para casa.
Quando chegaram em casa na noite de domingo, as três estavam
exaustas, e foram direto para seus respectivos quartos.
Quando Stella deitou em sua cama, ela reviveu os acontecimentos do fim
de semana com um sorriso no rosto. Ela realmente amou a viagem e passar
esse tempo com Lisa e Niki. Tinha sido muito relaxante e libertador.
Sem qualquer aviso, seus pensamentos retornaram para Max. Ele não
ligou ou mandou uma mensagem em todo o fim de semana, o que era incomum.
Stella perguntou se deveria ficar preocupada, mas depois lembrou-se da última
vez que ela o tinha visto e o que ele estava fazendo - saindo com Beppe para
pegar meninas. Talvez ele tivesse pego uma menina e passado o fim de semana
com ela, e por isso que ele não tinha pensado em Stella.
A própria noção que Max estava com uma menina todo este tempo,
enviou dores tão forte de ciúme em seu estômago, que seu jantar ameaçou sair.
Ela sentiu o acido inundar ácido seu estômago, e sua boca encheu de água.
Forçando seu corpo a se acalmar, Stella virou para fora da cama e fui pegar um
copo de água no banheiro.
O pensamento de Max com outra garota não era apenas ciúme. Isso
também a assustava. Stella não conseguia identificar exatamente o porquê.
Talvez porque Max seja um grande amigo, e alguém que ela veio a confiar, ou
porque ele era o único sistema de apoio que tinha aqui, desde que Lisa estava
tão frágil e isolada no momento.
Ou porque de repente ela se sentiu vazia sem ele em sua vida.
Os dias seguintes arrastaram. Stella sentia inquieta sem Max. Ele ainda
não ligou ou mandou uma mensagem, ou demonstrou qualquer sinal de estar
vivo. Por um segundo, Stella tinha entretido a ideia de que algo poderia ter
acontecido com ele, mas depois lembrou-se que as más notícias sempre viajam
rápido, e alguém teria dito a Lisa. Ele estava provavelmente muito ocupado
entretendo sua conquista final de semana, e tinha esquecido completamente
dela. Stella queria perguntar a Lisa se ela tinha ouvido falar dele, mas ela não
queria parecer carente. Ela era orgulhosa demais para isso. Se ele não quisesse
ligar - beleza. Ela certamente não ia implorar.
No lado positivo, Lisa estava muito mais atenciosa e parecia feliz. Ela
passou muito tempo com Stella. Eles se divertiram bastante andando pela
cidade, indo ao cinema, ou fazendo compras. Era como Stella tinha imaginado
antes de vir- ela e Lisa, relaxadas e se divertindo juntas. Ela nunca tinha
imaginado encontrar um Max, e sua cabeça transformar.
Stella contou a Lisa sobre seu encontro com Rico, e ela ficou muito
entusiasmada, até Stella esclarecer que não houve uma centelha e ela não o
encontraria novamente. Algo passou nos olhos de Lisa naquele momento, mas
Stella não pode dizer exatamente o quê. Porém, sua prima não comentou nada
sobre isso, e Stella suspirou de alívio que desta vez não haveria um discurso. Se
Stella falasse a ela a verdadeira razão por que ela não queria ver Rico
novamente, certamente teria ouvido um discurso, e grande. Até agora, Stella já
sabia de cor: você tem câncer, você mora em outro país, ele é um cara bom,
você vai machucá-lo e a você mesma, blah, blah, blah. Ela não precisa de todas
essas lembranças do por que ela não deveria estar com Max. Ela só sabia que
ela queria ficar com ele - pronto. Obviamente, ele tinha mudado de ideia.
Estava tudo bem até na quarta-feira, quando Lisa saiu furtivamente
novamente. Ela tinha algo para fazer, novamente. Isso pegou Stella um pouco
de surpresa, porque elas estavam tomando sol na piscina de biquíni, quando
Lisa foi para dentro e voltou alguns minutos depois, vestida e pronto para sair.
O que Stella deveria fazer? Enfrenta-la firme, até que ela confessasse onde
estava indo? Ela apenas deu de ombros ao invés disso, franzindo a testa.
Lisa estava ficando audaciosa, o que significava que ela estava
preocupada que Stella poderia falar para ela. Que ela definitivamente falaria.
Da próxima vez, ela não iria se permitir ser apanhada desprevenido. Da
próxima vez ela planejava segui-la e resolver o mistério de uma vez por todas.
Stella desejava tanto que Max a ligasse. Se o fizesse, ela iria dizer-lhe
tudo isso e ele teria alguma idéia. Ele a ajudaria. Acima de tudo, ela só queria
ouvir sua voz.
Ela sentia muito a falta dele.
Pensando sobre o que ele poderia estar fazendo, com quem ele poderia
estar fazendo, ou por que ele de repente parou de ligar, quebrou seu coração
em um milhão de pedaços. Doeu porque ela pensou que o tivesse perdido para
sempre, e a ideia de nunca mais vê-lo novamente a matou.
Na sexta-feira Lisa saiu para “executar uma missão” novamente. Desta
vez, Stella estava pronta. Ela a seguiu até a rua e a viu entrar em um táxi.
Agora o quê?
A única opção que tinha era subir no próximo táxi e segui-la, ignorando
a comparação com um filme de gangster barato. Seus olhos percorreram a rua
pelos carros disponíveis e havia um vindo em sua direção. Stella levantou a
mão e chamou-o, mas quando ele parou na frente dela e ela abriu a porta
pronto para saltar, ela congelou. O cara atrás do volante parecia tanto com o
homem que matou Eric e seu pai - o mesmo cabelo castanho curto, mesmo
olhos azuis, mesmo sorriso complacente. Seu cérebro travou. Tudo ao seu
redor ficou turvo e ela se sentiu tonta.
— Você vem ou não? — O cara atrás do volante latiu para ela, e a
assustou para fora de seu transe. Balançando a cabeça, ela bateu a porta e saiu
correndo.
Stella não tinha ideia de onde estava indo, ela só sabia que precisava sair
de lá. Memórias inundaram sua cabeça e ela precisava escapar. Não se
importando com Lisa mais, ela correu até suas pernas não suportar seu peso
por mais tempo.
Caindo na calçada, ela inclinou suas costas contra a parede mais próxima
e puxou as pernas debaixo dela. Em seguida, vieram as lágrimas. Graças a
Deus era uma pequena rua e não havia ninguém por perto, porque Stella
chorou até que toda a dor tinha lavado de seu peito e ela pôde respirar de novo.
Ela não tinha ideia de quanto tempo se passou até que ela ouviu alguém
chegando. Exausta e incapaz de se mover, ou até mesmo importar se alguém
iria vê-la dessa forma, ela permaneceu onde estava, esperando que o estranho
passasse por ela, como faziam em Londres.
No entanto, aqui não era Londres, era a Itália, onde as pessoas não têm
um problema em meter o nariz nos negócios dos outros. Coincidentemente não
era um estranho.
— Oh meu Deus: o que diabos você está fazendo — Gia disse quando ela
reconheceu Stella. — Por que você está no chão? Stella, o que aconteceu? — A
julgar por sua voz, ela estava muito preocupada, mas Stella não conseguia
encontrar mais forças em fingir que estava tudo bem.
Ela olhou fixamente para Gia quando disse,
— Eu estou bem. Você pode por favor me levar pra casa? Eu não tenho
nenhuma ideia de onde eu estou.
Gia estava olhando para ela com horror puro escrito em seu rosto, mas
ela franziu os lábios e, sem dizer uma palavra, passou o braço sob os ombros de
Stella e a ajudou a levantar.
Stella estava grata, não só porque Gia não fez mais perguntas, mas
também porque ela a levou para casa, colocou-a na cama e saiu. Não demorou
muito para que ela adormecesse e esquecesse tudo sobre o mundo real.
*
O telefone de Max tocou quando ele estava indo para o bar.
— Sim? — ele disse, enquanto pegava, vendo o nome de sua irmã na
tela.
— Que diabos você fez com ela, Max? — Ela parecia muito irritada. Não
que fosse difícil deixa-la louca - o fusível de Gia tinha apenas cerca de um
centímetro de comprimento - mas ainda assim, ela raramente gritava com ele
mais.
Eu acho que a culpa faz isso com as pessoas.
— Quem é “ela”?
— Stella! — Imediatamente, ele ficou tenso.
— Eu não a vejo há uma semana, eu não fiz nada para ela. Ela está bem?
— Não! Eu a encontrei sentada na rua atrás do restaurante, confusa,
com o rosto todo inchado e os olhos vermelhos de tanto chorar.
Max estava segurando o telefone com tanta força que as juntas dos dedos
ficaram brancos. Ele não sabia o que pensar. Ele era a razão por Stella estar
chorando no meio da rua? Mesmo que ele não fosse, isso não tornava as coisas
melhores.
O que aconteceu? Ela era muito boa em manter a compostura e controle,
o que poderia ter acontecido para fazê-la perder?
— Max? Ainda está aí? — A voz de Gia o trouxe de volta à ligação.
— Yeah. Onde vocês estão agora?
— Eu a levei até a casa de Lisa e a coloquei na cama. Estou indo para
casa agora.
— Por que você supôs que eu tenho algo a ver com isso?
— Oh, vamos lá, Max. Nós todos vimos como vocês olham um para o
outro, e desejamos que vocês conseguissem a merda de um quarto de hotel
para o fim de semana e acabasse logo com isso. J á está ficando ridículo. Eu não
posso lidar com a sua merda agora - Eu tenho uma tonelada das minhas.
Ela desligou na cara dele. Isso era tão típico de Gia - se preocupar com
seus próprios problemas, sem olhar ao redor e mesmo considerar ajudar
alguém com os seus. Tanto quanto ele a amava, Max teve que admitir que sua
irmã era uma vadia egoísta.
O que ele deveria fazer agora? Stella estava a salvo em casa, então ele
não precisava se preocupar com ela - certo? Isso quase o matou , manter
distância durante toda a semana, mesmo se nesse momento ele fosse até ela,
não haveria como voltar ao que era. Ele tinha chegado ao ponto de não
retorno.
Ele não tinha dormido bem durante toda a semana. Cada vez que fechava
os olhos, a via beijando Rico. Max enterrou-se no trabalho, fazendo turnos
sobre turnos na na praia e no bar. Nesse ponto, ele estava tão exausto que
estava funcionando no piloto automático - e ele ainda não conseguia dormir.
Essa menina tinha arruinado sua vida. Ele havia se apaixonado por ela
rápido e forte. Stella tinha invadido sua vida perfeitamente normal e mexido
até que ele não sabia se valia a pena lutar por mais. Todos os seus sonhos e
ambições expressavam nela agora. Toda vez que ele imaginava sua vida futura,
ele a via nela, e cada vez que isso acontecia, ele tinha que se lembrar que ela
não queria ser imaginada lá. Ela não o queria ele, não a longo prazo.
Quando na verdade, Stella era tudo que ele queria.
*
Lisa bateu em sua porta quando voltou da galeria. Stella não queria
contar a ela sobre o que tinha acontecido hoje, então ela simplesmente fingiu
que estava se sentindo muito cansada e queria dormir cedo. Na verdade, ela
não tinha saído da cama desde que Gia a trouxe para casa, e ela não tinha
vontade de levantar-se pelo menos até amanhã.
Lisa compreendeu e a deixou sozinha.
Era sábado. Oito dias desde que Stella tinha visto ou falado com Max. Se
oito dias pareciam uma eternidade, como ela deveria sobreviver nas próximas
seis semanas?
Determinação inundou suas veias e misturou com seu sangue.
Balançando as pernas para fora da cama, Stella tomou um banho, secou o
cabelo, colocou um pouco de maquiagem para cobrir os efeitos de ontem, vestiu
jeans e uma camiseta que tinha um bastão sobre ele dizendo: “Eu não sou uma
pessoa da manhã” e desceu para a cozinha. Niki deve ter saído para o trabalho,
porque eram 10:00, e Lisa estava sozinha, fazendo café.
— Oh, hey, se sentindo melhor? — Ela perguntou, notando Stella
entrando na cozinha.
— Yeah. Eu não tenho dormido bem ultimamente. Eu só precisava tirar
o atraso.
Elas tomaram o café da manhã, antes de Stella reunir coragem para
perguntar sobre Max a Lisa.
— Então, Max está estranhamente ausente esta semana. Você sabe por
quê? — Ela perguntou, o mais casualmente possível.
— Eu mandei uma mensagem para ele uns dois dias atrás, ele disse que
estava ocupado trabalhando em turnos dobrados, porque queria ter uns dias de
folga no próximo mês.
Isso soava plausível, mas não convencia. Ele estava escondendo o
verdadeiro motivo de Lisa?
— Estou surpreso que você não soubesse. Vocês estão bem? —
Perguntou Lisa, sua expressão cuidadosamente escondida.
— Sim, está tudo bem. Então, o que vamos fazer hoje? — Stella
perguntou, desesperada para levar a conversa para outra direção. Lisa não era
tão facilmente enganada, mas ela decidiu passar e não fazer mais perguntas.
— Há uma exposição na galeria de arte Masala Stefania que eu
realmente queria ver. Quer vir?
— Claro.
Eles foram para a exposição, mas Stella não conseguia se concentrar em
qualquer uma das pinturas. Ela seguiu Lisa pelo lugar, meio ouvindo seus
comentários, meio perdida em pensamentos.
Será que Gia disse a Max como a tinha encontrado ontem? Se ela tivesse
contado, por que ele não tinha ligado para verifica-la? Por que, de repente, ele
estava tão desinteressado nela? O que estava acontecendo?
E o mais importante, como ela poderia resolver isso?
*
Levou um grande esforço para não ligar para Stella, depois do que Gia
tinha lhe contado. Não só porque ele era apaixonado por ela, e isso despertava
todos os seus instintos de proteção, mas também porque teria sido a coisa certa
a fazer, já que eles eram apenas amigos.
Ele estava doente e cansado de pensar sobre ela. Ele tinha de parar, pelo
menos durante a noite.
Max discou o número de Beppe.
— Ei, cara, quaisquer planos para hoje à noite? — Ele perguntou.
— Não, ainda não. Por quê? Você está propondo algo? — A voz de
Beppe imediatamente ficou diabólica.
— Sim: vamos ficar bêbados e agarrar algumas meninas.
— Eu gosto de como isso soa. Vou buscá-lo em uma hora.








1'pí $&(! *"n$e e #!"s


:isa queria sair no sábado à noite, mas
Stella alegou estar exausta de sua caminhada em torno da cidade durante todo
o dia e dispensou a saída. Sua prima perguntou se importaria se ela saísse sem
ela, e, claro, Stella disse que não tinha nenhum problema.
Gia veio para buscá-la cerca de uma hora mais tarde. Ela olhou para
Stella, avaliando-a, verificando se ela tinha se recuperado do incidente colapso-
no-meio-da-rua. Rebocando um sorriso no rosto, Stella deu a impressão de que
estava absolutamente bem, apenas um pouco cansada. Enquanto esperavam
Lisa ficar pronta, Stella contou tudo a ela sobre a exposição que tinham visto
naquele dia, e sua atitude feliz pareceu convencer Gia que ela estava de fato
bem.
Depois que elas saíram, a fachada cuidadosamente sustentada por Stella
desmoronou. Lágrimas brotaram de seus olhos e ela não sabia exatamente o
porquê. Algo dentro dela quebrou. Era como se ela tivesse segurando por
tanto tempo, que não podia mais segurar as suas paredes artificiais.
Ela correu para o quarto e fechou a porta atrás dela, deslizando no chão e
chorando até que não tinha mais lágrimas.
Quando ela se acalmou, ela tomou um banho e foi para a cama. Seus
olhos estavam secos, mas o peito ainda estava pesado. Normalmente, ela se
sentia melhor depois que deixava sair todo o fluxo de lágrimas, mas não desta
vez. Cavando profundamente em seu interior para descobrir o motivo de seu
coração pesado, pela primeira vez, ela foi capaz de admitir a si mesma algo que
ela sabia o tempo todo, mas não queria assumir.
E-$ es%$!$ $p$"0(n$#$ p(r 2$0.
Mas ela o tinha perdido, com seu desejo obstinado de proteger seus
corações. Como ela poderia amar alguém, quando ela não sabia se viveria o
suficiente para ter uma vida real com ele? E se quando voltasse para Londres,
os médicos falassem que seu câncer estava de volta? Ou que tinha se espalhado
para outros órgãos, ou seu sangue? O que ela diria a Max?
Talvez fosse melhor acabar agora, quando ainda era possível.
No entanto, isso também era extremamente difícil.
Em seu desespero, Stella fez algo que nunca tinha feito antes, nem
mesmo quando descobriu sobre o câncer. Naquela época, ela tinha sua mãe e os
médicos, e sentiu que alguém estava olhando por ela, protegendo-a, orando por
ela. Agora ela não tinha ninguém que pudesse lhe dizer o que fazer.
Ela fechou os olhos e imaginou Eric e seu pai olhando por ela quando
falou,
— Pai, Eric... Eu não sei se vocês podem me ouvir. — ela começou, sua
voz um sussurro. — Mas eu preciso de vocês. Preciso de sua orientação. Eu me
sinto tão perdida, tão sozinha. — Ela fechou os olhos, enquanto as lágrimas
escorriam pelo seu rosto. — Eu sinto a falta de vocês tanto, tanto. Eu sinto
muito que nunca falei com vocês antes, mas... é difícil. Vocês se foram e eu...
Minha mãe e eu, fomos deixadas para trás e nos perdemos em algum lugar ao
longo do caminho. Nós existíamos, mas não vivíamos. Pela primeira vez na
minha vida desde então, eu sinto que quero viver. Eu quero ter um futuro, uma
família. E, pela primeira vez na minha vida eu tenho uma razão para viver. Eu
tenho alguém que me faz feliz e que me faz imaginar uma vida longa pela
frente. Mas eu acho que eu deveria dizer “tinha”, não “tem”, porque eu o afastei
muitas vezes, e ele não me quer mais. — Stella fechou os olhos, porque um
bolo gigante havia se formado em sua garganta, e ela não podia falar mais.
— Por favor — continuou ela, a palavra quase inaudível. — Me ajudem.
Me mostrem o que devo fazer. Eu o quero, mas estou com medo e eu sinto que
não é justo que ele fique comigo, por causa da minha doença. Mas se não estou
com ele, eu me sinto completamente vazia. Eu realmente não me importo se
estou saudável ou não, porque sem ele, eu vou voltar a apenas existir e fingir
viver.
Soluços começaram a escapar de sua boca, em vez de palavras, e Stella
parou de falar. Ela pensou que tinha chorado todas as lágrimas, mas,
aparentemente, algumas ainda ficaram.
Na manhã seguinte, a casa estava muito quieta. Stella adivinhou que Lisa
ainda estava dormindo, mas ela não tinha ouvido ela chegar na noite anterior.
Considerando que Stella tinha desmaiado depois de chorar pelo que pareceram
horas, isso não era uma indicação real para saber se ela estava em casa ou não.
Niki estava longe de ser vista também. Suspirando, Stella fez café e, pegando
seu Kindle, foi para a piscina. Ela sentou-se em uma das espreguiçadeiras,
tomando o seu café, e pensando o que fazer hoje. Ontem à noite, ela esperava
ter algum sonho cheio de revelações, mas ela não tinha sonhado com nada.
Ela ainda não sabia o que fazer com Max. E se ele apenas seguiu em
frente? Fazia muito tempo, se ele quisesse vê-la, ele certamente teria vindo até
agora. Ou, pelo menos mandado uma mensagem. Mas ele não tinha, então ela
não tinha escolha a não ser sentar e esperar. Mais cedo ou mais tarde, ele tinha
que ressurgir - ele não podia evitar Lisa para pelas próximas seis semanas,
certo? Quando ela o encontrasse, ela saberia o que fazer.
*
— Cara, isso foi épico. Eu sinto como se o velho Max estivesse de volta,
só que sem os problemas de raiva. — Beppe sorriu enquanto bebia o seu café.
Cada palavra que ele falava batia no cérebro de Max como uma broca Kango.
— Pare de ser tão alegre, por favor. Eu estou morrendo aqui. Por que eu
deixei você me arrastar para fora da cama está além de mim.
Eles estavam sentados em uma mesa do lado de fora do café favorito de
Beppe. Max estava curvado para baixo sobre a mesa, seu cabelo uma bagunça,
e ele usava óculos escuros para esconder os olhos injetados de sangue , ele se
sentia como merda. Quando Beppe invadiu a sua casa esta manhã, Max não
podia acreditar o quão bem seu amigo parecia, e como ele parecia pouco afetado
por uma noite inteira de festas, álcool e sexo.
— Eu nunca vou sair com você de novo. — Max disse, enquanto tomava
um gole de café.
— Você está brincando comigo? Foi a maior diversão que você teve nos
últimos anos. Devo lembrá-lo das duas damas maravilhosas que você levou
para casa com você? — Beppe balançou as sobrancelhas sugestivamente.
— Não. Eu me lembro bem. E não foi o mais divertido que eu tive nos
últimos anos.
Os pensamentos de Max foram para Stella, de novo, enquanto ele se
lembrava de seus momentos juntos. Qualquer um desses momentos era mais
divertido do que qualquer coisa que tinha acontecido na noite passada.
— Você ainda está pensando nela? — Perguntou Beppe, sua voz ficando
séria. Max assentiu. — A noite passada não ajudou? — Max sacudiu a cabeça.
Beppe suspirou e bebeu o seu café em silêncio por alguns minutos.
— Ok. Eu estou cansado dessa merda. Estou farto de você ficar um
merda por causa de uma buceta, a evitando e punindo, porque ela beijou outro
cara. Você realmente a quer? Peque-a! Eu te disse antes, na primeira semana
que ela chegou - se você não reclamá-la, alguém o fará. Você fica na ponta dos
pés em torno dela durante semanas, e então alguém vem e a agarra. Cresça um
par de bolas ai e faça dela sua. Senão a esqueça
— Eu estou tentando esquecê-la... — Max começou, mas Beppe o
interrompeu.
— Bobagem. Você pensa nela o tempo todo, como é que esqueceu? Se
você realmente a quer tanto, que duas meninas quentes não podem tirá-la de
sua cabeça, você tem um problema, cara. Você está apaixonado por ela.
Diga-me algo que eu não sei.
— O que você vai fazer? Sentir pena de si mesmo e desperdiçar cada
chance que você tem até que ela partir, ou vai falar com ela e dizer o que
realmente sente?
— E se ela não se sentir da mesma maneira?
— Essa é a única chance que você tem. Se você acha que ela vale a pena,
corra atrás dessa chance.
Após o discurso de Beppe, Max passou o dia todo pensando nisso. Ele foi
para casa logo depois que tinha terminado seu café e surfou pelos canais de TV
sem rumo, pensando em Stella e o que ele precisava fazer.
No final, ele decidiu que Beppe estava certo - ele estava sendo um
covarde. Ele estava com medo de dar os passos decisivos com Stella, porque ele
estava com medo que ela o dispensasse. Ele não queria perdê-la, mesmo que
isso significasse ser seu amigo e nada mais.
Agora chega.
Ele ia falar com ele hoje à noite, pegá-la desprevenida e deixa-la escolher
- ser sua ou nunca vê-lo novamente.
Ele estava indo com tudo.
Max esperou até ter certeza de que Lisa estaria em casa de volta do
trabalho para ligar para ela. Ela parecia feliz em ouvi-lo, e ele sugeriu que
passasse lá por um minuto, porque ele queria vê-la e não tinha muito tempo na
próxima semana. Ela disse que sentia falta dele e o convidou.
Deliberadamente Max levou bastante tempo, e passava das dez quando
ele chegou à casa de Lisa. Niki estava provavelmente dormindo, e Lisa estaria
cansada também. Assim como ele tinha planejado.
*
Stella ouviu a porta do quarto de Lisa abrir e fechar suavemente e em
poucos segundos, houve uma batida suave em sua própria porta. Supondo que
era sua prima, ela disse automaticamente “Entre”, sem se levantar da cama.
Não era Lisa. Era Max. Ele entrou, fechou a porta atrás de si e,
mantendo as mãos na maçaneta da porta atrás de suas costas, ficou lá. A única
luz no quarto era a da lâmpada de cabeceira, mas foi o suficiente para Stella ver
claramente seu rosto. Ele não parecia bem. Seus olhos estavam vermelhos e ele
tinha círculos escuros sob eles.
Ela se levantou e passou as pernas sobre a cama, mas não se mexeu para
ir até ele. Era mais seguro assim.
— Max, você está horrível. Está tudo ok? — Stella perguntou,
preocupada.
— Não. — Ele olhou para ela, e seus olhos geralmente espumantes,
pareciam poços pretos sem fundo na penumbra.
— O que aconteceu? — Stella não se moveu para ir ate ele. Ela queria
desesperadamente, porque ele parecia estar com tanta dor, mas sua intuição
estava gritando para que ela ficasse onde estava.
— Você aconteceu, Stella. Você. — ele disse, e deslizou para baixo da
porta. Sentou-se no chão e colocou a cabeça entre as mãos. Stella se sentiu
horrível. Ela era a razão pela qual ele estava sofrendo tanto. Em seu desejo de
protegê-lo, ela lhe tinha causado a dor.
Foda-se sua intuição. Ela queria estar perto dele, aliviar sua dor se
pudesse. Caminhando lentamente por todo o quarto, sentou-se na frente dele,
colocando as pernas debaixo dela.
Ela não disse nada, porque ela não conseguia pensar em nada para dizer
ou perguntar. Max precisava falar, caso contrário ele não teria batido em sua
porta. Então, ela o deixou levar o seu tempo .
— Eu tentei. Eu realmente tentei ser seu amigo. — ele começou, em
poucos minutos, levantando os olhos para encontrar os dela. De perto, eles
ainda estavam mais negros. — Eu não posso mais fazer isso. Eu não posso
estar perto de você e não poder te tocar, te beijar... — Sua voz era rouca e ele
parou de falar para passar suas mãos através de seu cabelo. Stella não disse
nada. Ela não podia nem se ela quisesse, porque a garganta estava
completamente fechada. — Eu tentei manter distância - é por isso que eu não
te procurei na semana passada. Eu não queria estar em qualquer lugar perto de
você, e ainda assim eu não conseguia parar de pensar em você. Eu queria que
tudo parasse. Eu saí na outra noite e bebi bastante. Não funcionou. Eu ainda
pensei em você. Eu não conseguia me lembrar da porra do meu próprio
endereço, mas eu pensei em você. — Ele fez uma pausa e a maneira como ele
olhou para ela mudou de desespero, para misturar com raiva ardente e uma
preocupação genuína. Stella se perguntou por que, quando ela percebeu uma
lágrima rolando por sua bochecha esquerda. Ela limpou-a rapidamente,
determinada a não chorar mais.
— Na noite passada eu bati no fundo do poço. — continuou ele depois
de alguns momentos, mostrando determinação em seus olhos novamente. —
Eu fui a um clube, tomei algumas bebidas, dancei com uma dúzia de meninas e
convidei duas delas para a minha casa. — Seus olhos nunca deixaram os dela
quando ele disse isso. Se ele estava esperando uma reação de ciúmes dela, ele
conseguiu. Stella sentiu o chão tremer sob o seu corpo e, em seguida, o mais
puro ciúme a envolveu. Levou toda sua força interior para não saltar nele e
bater até que toda a raiva sair fora de seu corpo. Em vez disso, ela permaneceu
em silêncio. Tinha que haver mais disso, do que ele apenas desejar machucá-la.
— Eu pensei que duas meninas quentes iriam apagar você da minha
mente, mesmo durante a noite. Eu sempre quis um trio com uma morena e
uma loira, e assim eu escolhi essas duas. Eu fantasiava em olhar para o meu pau
e ver duas cabeças de cores diferentes sugando nele.
Nesse ponto, Stella não aguentava mais. Por que ele estava fazendo isso
com ela? O Max que conhecia não era cruel, então, quem era essa pessoa em
sua frente?
Ela levantou abruptamente e se afastou dele.
— Saia. — ela disse, tão calmamente quanto podia. Ela não ia quebrar
na frente dele e dar-lhe a satisfação de ver como suas palavras a tinham
afetado.
— Eu não acabei. — ele disse, sua voz vindo a direita atrás dela.
— Eu não vou sentar aqui e ouvir as suas aventuras sexuais. Você pode
ter o que diabos quiser, tanto quanto estou preocupada.
— Sério? Então por que você quer que eu saia?
Stella virou-se para encará-lo.
— Você pode fazer o que quiser, mas eu não tenho que ouvir isso.
— Mas você tem que ouvir. Trata-se de você.
— Não, isso não é verdade.
— Sim, é verdade. — Ela abriu a boca para argumentar, mas ele a
interrompeu. — Nem se preocupe em discutir. Eu vou dizer o que eu vim
dizer, quer você queira ouvir ou não.
Stella fechou a boca, em parte porque ela estava com medo que pudesse
gritar com ele e chamar a atenção de Lisa, e em parte porque ela sabia que ele
era teimoso o suficiente para continuar a falar sem o seu consentimento.
Reunindo seu mais olhar desaprovador, ela fitou-o , e ele continuou.
— Eu tinha o sonho de todo homem no meu quarto - duas meninas
quentes, com tesão, dispostas a fazer qualquer coisa que eu pedi. Durante toda
a noite. Mas em vez de ficar duro com o pensamento delas nuas na minha
frente, tudo que eu podia pensar era como nenhuma dessas cabeças tinha a cor
de caramelo incrível de seu cabelo. Nem cheiro, gosto ou sensação. Elas eram
meras substitutas para o que eu realmente queria. Então, pedi-lhes para sair
antes que sequer começasse, percebendo que nada pode tirar você da minha
cabeça.
Stella não esperava isso. Mais uma vez, ela não sabia o que dizer. O que
ele esperava? Um tapinha no ombro?
— Bom para você. Agora, saia. — dispensando-o, ela se virou e se
dirigiu para a cama. Ela não a alcançou, porque Max a agarrou a cintura dela e
puxou-a para ele. Sua respiração era quente em seu ouvido, seu peito
pressionado em suas costas. E não era a única coisa dura pressionada nas suas
costas.
— Você me arruinou, Stella. Sua teimosia atingiu um novo limite. Você
diz que não quer ficar comigo porque você não quer machucar ninguém e,
ainda assim, por não estar comigo, você machuca a si mesma, Lisa e eu.
Ele estava certo. Todo mundo estava bem e feliz antes que ela chegasse e
estragasse tudo. Ela machucou Max recusando-se a ficar com ele, ela tinha
machucado Lisa porque Max não podia ficar perto dela mais e se isolado fora,
ela tinha se machucado, porque ela o queria muito.
A mão que estava apertando sua cintura aliviou e acariciando sua pele,
virou-a para encará-lo. Seu rosto tinha mudado completamente. Ele não era o
idiota que queria que ela sofresse com ele um minuto atrás. Era o Max que ela
conhecia - gentil, carinhoso, honesto. Ele varreu seu cabelo de seu rosto atrás
de seus ombros e gentilmente tocou o pescoço no processo. Stella não poderia
evitar - ela fechou os olhos e estremeceu.
— Eu vou aceitar qualquer coisa que você me der, baby. Qualquer coisa.
Se você me der seis semanas com você até partir, eu vou levar. Eu não quero
ouvir que o que temos é muito intenso para uma aventura de verão. Eu não me
importo. — Ouvindo ele falar, fez Stella esquecer todas as razões pelas quais
ela se negava a ficar com ele.
Seis semanas. Isso era tudo o que tinham, mas agora parecia muito
melhor do que nada.
— J á perdemos muito tempo. Por favor, tesoro, eu vou implorar, se é
isso que você quer.
Stella balançou a cabeça, ela não queria que ele implorasse. Ela baixou os
olhos para seus lábios e lambeu os seus. Tudo o que ela queria era sentir o
gosto dele, e para o inferno com toda a lógica.
Max não precisava de outro convite. Ele bateu contra a boca dela,
sugando seu lábio inferior antes que enfiasse a língua na sua boca, e ela
choramingou. Com um gemido, ele separou suas bocas para falar.
— Vou tomar isso como um “sim”. — Stella assentiu com a cabeça - ela
estava tão tensa no momento, que ela não confiava em si mesma para falar. —
Você tem certeza? — Outro aceno de cabeça. — Porque se você não está cem
por cento com certeza que quer estar comigo, diga isso agora. Em cerca de dois
segundos vai ser tarde demais. Assim que eu tiver você, eu não vou deixa-la ir.
— Seis semanas. E então eu vou embora. — Max concordou com a
cabeça. — Prometa-me que isso não afetará o seu relacionamento com Lisa.
— Eu prometo. Nós dois sabemos quando isso vai acabar. Sem drama.
— Ok.
Mesmo antes do K sair de sua boca, Max já estava em cima dela,
beijando-a, cavando com as mãos em seu cabelo e empurrando-a de volta na
cama. Stella não conseguia segurar por mais tempo. Ela o queria tanto quanto
ele a queria, e ela estava cansada de lutar como ela realmente se sentia.
Max colocou-a delicadamente na cama, com os lábios devorando a dela
com uma paixão que ela não sentia com ele antes. Todas as outras vezes que
ele a beijou, ele estava se controlando, ela percebeu. Stella respondeu da mesma
forma, explorando sua boca com a língua, chupando, mordendo o lábio inferior,
em seguida, liberando e beijando-o novamente. Max gemeu profundamente em
sua garganta quando ele enganchou seu braço ao redor da cintura dela e a
ergueu com facilidade. Ele posicionou-a no meio da cama e parou na beira para
olhar para ela.
Seus olhos eram puro fogo.
E Stella era a razão para isso.
Esse único pensamento explodiu em seu coração como fogos de artifício
no Ano Novo e queimou qualquer incerteza. Não havia mais peso sobre seu
peito, sem mais tristeza. Tudo o que podia sentir eram os olhos de Max sobre
ela.
Ele se levantou e deu um passo para trás. Pânico deve ter aparecido no
rosto de Stella, porque ele sorriu e disse:
— Não se preocupe. Eu não vou a lugar nenhum.
Agarrando as costas da camiseta ele puxou-a sobre a cabeça e jogou-a no
chão. Os músculos de seu peito contraindo com os seus movimentos e Stella
mal conseguia resistir e tocar cada parte dele. Ainda com seu sorriso
provocante, Max lentamente abriu sua calça jeans e arrastando-a para baixo de
seus quadris, saiu dela. Ele estava em pé na frente dela , apenas de cueca preta,
que deixava pouco para a imaginação. Os olhos de Stella não sabiam o que
consumir em primeiro lugar - o seu bronzeado, corpo perfeito, seus lábios
molhados, convidando, seus olhos ardentes, suas tatuagens.
Pensando em suas tatuagens, Stella lembrou que ela ainda não sabia o
que dizia a que estava em seu quadril, então ela fez algo que havia imaginado
fazer desde que ela o viu pela primeira vez na praia.
Empurrando-se para fora da cama, Stella se arrastou com suas mãos e de
joelhos em direção a ele, mantendo seus olhos divertidos com a dela. Quando
ela chegou a ele, lenta e deliberadamente, ela puxou o cós de sua cueca para
baixo, até que todo o texto surgiu. Então ela parou. Os músculos do abdômen
de Max contraíram, e ela viu os calafrios, onde ela estava tocando.
A tatuagem diz: — A vida é uma jornada, não um destino. — A citação
de “Amazing” do Aerosmith. Uma citação que ela amava e lhe disse, mesmo
antes de saber de sua tatuagem. Sorrindo, Stella abaixou a cabeça em direção a
ela e beijou-a, arrastando a ponta da língua sobre as letras.
Max gemeu e puxou-a para cima, cobrindo seu rosto com as mãos. Ele a
beijou ferozmente, enquanto Stella arrastava delicadamente as unhas ao longo
de seu abdôme totalmente lambíve.
*
— Sua vez. — Max sussurrou no ouvido de Stella, quando ele beliscou
seu lóbulo da orelha. Levar isso lentamente o estava deixando louco. Ela o
estava deixando louco. Ele havia planejado provocá-la muito antes de
realmente fazer amor, mas ele não estava tão certo disso agora. Quando ela
lambeu sua tatuagem, isso levou toda a sua força interior para não jogá-la de
volta na cama e empurrar dentro dela. Essa era a coisa mais erótica que já
tinha acontecido com ele, e ele já esteve com mais mulheres que conseguia se
lembrar.
Agarrando a barra de sua regata, ele puxou-a sobre sua cabeça. Ela não
estava usando sutiã e ficou em pé diante dele, apenas no seu short, com o
cabelo derramado sobre os ombros e costas, e os olhos bebendo todo o seu
corpo, que tremia de desejo por ele. Max tinha imaginado esse momento um
monte de vezes, mas a coisa real era muito melhor do que qualquer coisa que
sua mente jamais poderia ter criado.
Ele arrastou seus dedos sobre os braços, as costas, o peito, a barriga.
Arrepios apareceram em todos os lugares e os mamilos estavam duros por ele.
Ele pegou um entre os dedos, apertando-o suavemente, observando a reação
dela. Ela engasgou e sua respiração saiu ofegante. Puxando-a para mais perto
dele, Max beijou seus lindos lábios, em seguida, se moveu, deslizando a língua
ao longo de seu pescoço, chupando sua pele até que ela gemeu alto e cravou as
unhas em suas costas. Elas deslizaram para sua cintura e passaram por sua
calcinha, deslizando as mãos sobre a sua bunda ao longo do caminho.
— Você leu minha mente — disse ele, baixando a cabeça e pegando um
de seus mamilos em sua boca, enquanto suas mãos estavam ocupadas
removendo seu short da mesma maneira que ela tinha retirado o dele.
Max puxou Stella até que ela estava de pé, com os pés sobre a cama, seus
short em seus tornozelos, e ele tinha que olhar para cima para encontrar seus
olhos. Aqueles grandes olhos cinzentos que brilhavam com tão intensa luxúria,
que Max teve que morder o lábio com força para recuperar o controle. Ele
deslizou as mãos ao longo de suas coxas, e ela deu um passo para fora do short
e o chutou para o chão. Max fez o mesmo com sua cueca, e seu olhar queimou
sua pele enquanto ela absorvia a visão dele completamente nu. Max a puxou
contra ele, e Stella mergulhou seu corpo para baixo e encontrou seus lábios
enquanto ele rodeou sua cintura com os dois braços. Suas pernas em volta dele
e eles caíram em cima da cama. Stella riu e Max roçou a bochecha com o
polegar, incapaz de afastar os olhos para longe dela.
— Você é tão linda. — ele sussurrou e roçou os lábios nos dela
levemente. Sorrindo, ela trancou as mãos atrás do pescoço e puxou-o para ela,
beijando-o. Max deslizou sua mão ao longo de seu peito e seu estômago, até
que chegou sua calcinha. Quebrando o beijo, ele olhou para ela para confirmar
que estava tudo bem, e quando ela concordou, ele deslizou um dedo dentro
dela.
Stella gemeu, suas costas arqueando e os quadris esfregando contra sua
mão.
— Stella... — ele sussurrou, incapaz de desviar o olhar dela.
— Max, por favor... — ela arquejou e trancou o seu olhar entreaberto
nos seus. — Sem mais provocações.
Como se ele precisasse de outro convite.
Rapidamente, ele encontrou um preservativo em sua calça jeans e o
colocou. Em seguida, ele deslizou sua calcinha e se posicionou em cima dela,
apoiando seu peso em seus braços para que não a esmagasse com o seu corpo.
Stella envolveu as pernas ao redor dele e acariciou suas costas, enquanto Max
mergulhou os lábios nos dela. O beijo foi lento e profundo, saboreando cada
sensação. Cuidadosamente, Max deslizou dentro dela enquanto ela gritava
contra seus lábios. Seu coração batia tão rápido que ele pensou que poderia ter
um ataque cardíaco. Neste momento, neste exato momento aqui, estar dentro
de Stella, foi a coisa mais incrível que ele já havia sentido.
Sua alma se expandiu até que derramou sobre ele a cada movimento de
seus quadris.
Quando Stella arqueou as costas e mordeu seu ombro, tentando abafar
seus gritos, tudo isso se tornou demais para ele e, com um empurrão final ele
encontrou sua própria libertação.
Ficaram assim, membros emaranhados juntos, arquejando, pegando a
respiração, acalmando seus corpos. Max acariciou o cabelo de Stella e olhou em
seus olhos, tentando ver como ela se sentia. Seu coração inchou em seu peito
enquanto ele pensava nela, de quanto ele a amava. Sua alma era dela, quer ela
gostasse ou não.
Stella era sua alma gêmea, sua casa, seu tudo, e ele nunca iria deixá-la
escapar. Tudo o que ele desejava agora era ser capaz de dizer a ela o quanto a
amava, mas como poderia, quando ele prometeu que eles estariam juntos
apenas durante o restante de sua viagem? Sua recém encontrada determinação
inundou suas veias, e ele silenciosamente jurou que iria passar as próximas seis
semanas fazendo tudo que a levasse a se apaixonar por ele com tanta força, que
ela nunca iria querer deixá-lo.
Suas emoções violentas devem ter sido registrados por ela, porque uma
lágrima rolou pelo rosto de Stella.
— O quê foi? — Ele perguntou baixinho, limpando a lágrima.
— Nada. Eu estou apenas... feliz. Eu não me lembro da última vez que
me senti tão contente. Tão completa. — Ela corou, como se não quisesse
admitir isso.
— Eu também.
Max a beijou e, puxando as cobertas sobre seu corpo, envolveu-a em seus
braços e a segurou enquanto dormiam.









1'pí $&(! /"n$e e ;r+s


Quando o cérebro de Stella derivou a
consciência na parte da manhã, ela percebeu duas coisas: primeiro, que ela
dormiu durante toda a noite e se sentia incrivelmente renovada e tranquila e,
segundo, o corpo de Max quente estava enrolada em volta dela e ele respirava
suavemente na parte de trás seu pescoço. Ela não se atreveu a mover-se. O
momento era perfeito demais.
Ela deve ter caído no sono de novo, porque acordou com a sensação
incrível dos lábios de Max em seu pescoço. Eles moviam lentamente em
direção a seu ombro e, em seguida, a ponta da sua língua traçou sua pele em
volta do lóbulo da orelha. Ele chupou e Stella não poderia fingir que estava
dormindo por mais tempo. Ela gemeu na parte de trás de sua garganta, e
sentiu o sorriso de Max, exalando ar quente sobre seu pescoço.
— Bom dia. — ele sussurrou.
A única resposta que Stella conseguiu formular agora foi um fraco —
Mm-hm — Max moveu suas mãos ao longo de suas coxas e sobre seu
estômago, apertando-a ainda mais perto dele, e escondeu o rosto em seu cabelo.
— Podemos ficar aqui para sempre? — Stella perguntou, tão envolvida
no momento, que ela não queria que acabasse. Quando terminasse, ela teria que
enfrentar a realidade novamente, incluindo Lisa e sua tia. Elas provavelmente
já tinham visto o carro de Max na frente da casa, e estariam esperando por
uma explicação. Niki sempre foi muito compreensiva e pé no chão, mas Stella
não tinha certeza de como ela reagiria à notícia de que Max tinha passado a
noite em sua cama. Ela também tinha que contar à sua mãe sobre ele.
— Por mim tudo bem.
Stella virou-se para ele, e ele parecia tão perfeito na parte da manhã,
como era sempre. Vendo seu cabelo bagunçado, lembrou que seu próprio
cabelo devia estar um desastre completo agora. Em qualquer outra ocasião,
Stella teria se sentido incrivelmente autoconsciente sobre como ela estava na
parte da manhã, mas não agora. Os olhos castanhos quentes castanhos de Max
brilharam para ela, e ele gostava claramente do que via, porque a sua expressão
ficou séria e o brilho se transformou em fogo completo.
Ele abaixou-se e beijou-a, tomando seu tempo e fazendo-a lembrar de
cada momento da noite passada. Seu coração deve ter parado, porque quando
ele finalmente separou os lábios dos dela, ela sentiu uma pontada no peito e
começou a bater novamente. Sua mão traçou o contorno de seu corpo nu e ela
estremeceu. Max assobiou por entre os dentes e, rodeando sua cintura com seu
braço forte, a agarrou e trouxe-a para cima dele. Ele segurou seu rosto com as
palmas das mãos e levou sua boca contra a dele.
— Eu amo acordar ao seu lado, tesoro. — ele disse, enquanto acariciava
seu pescoço. Seu cabelo estava caindo sobre o rosto, mas ele não parecia se
importar. — Nas próximas seis semanas eu vou acordar ao seu lado todos os
dias. — ele murmurou enquanto guiava seus quadris e suavemente a deitava
em cima dele. Stella fechou os olhos quando o prazer estourou por todo o
corpo. Ela começou a se mover lentamente, ritmicamente, agarrando os
ombros de Max para apoio, quando ele se ergueu nos cotovelos e beijou ao
longo de seu pescoço, queixo, seios.
Pelas próximas seis semanas.
Suas palavras fizeram seu coração pular uma batida inesperada, como se
ele não tivesse certeza se valeria a pena, mesmo se vencer essa batalha, Max
não estaria com ela.
Sentindo sua tristeza repentina, Max se levantou até que ele estivesse
sentado na cama, Stella em cima dele.
— Ei, você está bem? — Perguntou ele. Balançando a cabeça, porque ela
não podia confiar em si mesma para falar direito, Stella levou sua boca até a
sua, violando seu interior ofegante. Irremediavelmente. Seguindo seu exemplo,
Max cavou seus dedos em seus quadris e lhe pediu para se mover mais rápido
até que ambos estavam sem ar.
Quando Stella estava nos braços de Max, sua mente ficava
completamente vazia. Ela não queria pensar, tudo o que ela queria fazer era
sentir.
E ela fez isso.
Ela sentia como se cada parte dele fosse dela.
— Eu acho que preciso de um banho. — disse Stella, enquanto
distraidamente traçava os dedos na tatuagem do ombro de Max ombro. Ele
balançou a cabeça.
— O quê foi?
— Eu não acho que você precisa de um banho.
— Não?
— Não. Acho que nós precisamos de um banho — ele disse com um
sorriso brincalhão.
Stella se inclinou até à base do seu pescoço e inalou.
— Mmmm, eu acho que você pode estar certo — disse ela e franziu o
nariz em desgosto simulado.
— Você está dizendo que eu estou fedendo?
— Não, eu estou dizendo que eu não me importaria em ensaboar você.
Os olhos de Max acenderam instantaneamente, e em um movimento
rápido, ele pegou Stella e, dando-lhe um beijo na curvar dos dedos, levou-a até
o banheiro.
*
Ela o lavou com água e sabão, e fez outras coisas que o fizeram se sentir
como se ele nunca tivesse experimentado esse prazer antes. Estar com Stella,
tê-la tão completamente, era como acordar de um sonho, todos os seus sentidos
estavam tão acentuados, que ele não tinha certeza se ainda estava sonhando ou
não.
Era perfeito.
Ela era perfeita.
Max lavou o cabelo e enxaguou com condicionador, gel de banho, em
seguida, apertou na esponja e lavou o corpo dela. Depois que ela tinha feito o
mesmo por ele, se secaram e sairam. Ele envolveu-a em uma toalha, pegou uma
para si e uma toalha seca para o cabelo dela.
Era tão íntimo ser capaz de fazer isso com ela.
Caminhando de volta para o quarto, sentou-se na beirada da cama e ela
veio a ele, de pé entre suas pernas, ela trancou as mãos atrás do pescoço e o
beijou.
— Em algum momento temos que sair deste quarto, você sabe.
Enfrentar o mundo. — disse ela, quando separou seus lábios dos dele. Ele
gemeu e puxou-a de volta para ele, mordendo o lábio inferior.
— Por “o mundo” quer dizer Lisa, certo?
— E tia Niki. Elas sabem que você está aqui, eles devem ter visto o seu
carro.
— Então? Eu quis dizer o que eu disse no outro dia. Somos adultos e
não precisamos da permissão de ninguém para ter um sexo suado e quente,
com a respiração ofegante. — Ele sorriu maliciosamente e deslizou as mãos ao
longo de suas coxas, ainda molhadas do chuveiro.
— Isso foi uma citação exata? Porque eu não me lembro do quente,
suado, e respiração ofegante.
— Você não lembra, hein? Eu só poderia ter que lembrá-la. — Ele a
virou na cama, enquanto ela deu uma risadinha, e desembrulhou a toalha.
— Outra vez?
— Temos três semanas para compensar, baby. E é tudo culpa sua, então
agora você vai aguentar o seu castigo. — Stella riu novamente quando Max
desembrulhou a sua própria toalha e não deixou nenhuma dúvida de que ele
estava pronto para ela. Novamente.
*
Era tarde quando finalmente conseguiram se vestir e sair do quarto. A
casa estava completamente tranquila, não havia ninguém em casa. Niki estava
no trabalho, era óbvio - mas onde estava Lisa?
Max se ofereceu para fazer uma massa, e Stella sentou-se à mesa,
olhando para ele. Seus movimentos eram tão graciosos, era hipnotizante.
— Eu preciso falar com a tia Niki. É sua casa. Não importa se somos
adultos ou não - se ela não está confortável com você passando a noite aqui,
então você não vai.
Max levantou uma sobrancelha.
— É justo. Mas se esse for o caso, o que eu duvido, então eu vou ter que
te sequestrar e trancá-la no meu quarto para usar quando eu quiser. — ele
sorriu e deliberadamente lambeu um pouco de molho de seu dedo.
— Eu aposto que isso vai cair bem com Gia. — disse Stella, a ironia em
sua voz não passando desapercebida a ele.
— O que você quer dizer?
— Ela disse a você... sobre... sobre como ela me encontrou na sexta-
feira? — Stella estava olhando para o topo da mesa atentamente, incapaz de
encontrar os olhos de Max. Ele deixou o molho no fogão e moveu para se
sentar ao lado dela.
— Sim — respondeu ele, preocupado. — O que foi aquilo?
Será que ela está imaginando, ou ele parece culpado?
— Na sexta-feira Lisa e eu estávamos em casa, quando ela fugiu de mim
de novo, porque ela tinha que “fazer algo”. — Stella começou, fazendo aspas no
ar com os dedos. — Eu decidi segui-la. Ela foi para a rua e chamou um táxi. A
única opção que eu tinha era pegar outro táxi e demorei muito até para
considerar isso. — Max apertou sua mão, para deixá-la saber que ele entendeu.
— Bem, eu chamei um táxi, mas quando ele parou...
Stella fechou os olhos, tentando não chorar. — Ele parecia tanto com o
pedaço de merda que tinha matado papai e Eric. Eu simplesmente congelei, eu
não podia me mover. Ele gritou comigo, quer entrar ou sair, e assim eu bati a
porta e fugi. Eu não tinha ideia de onde eu estava quando Gia me encontrou.
— Stella... — Max disse, com a voz rouca quando ele puxou-a para si e
abraçou-a. — Eu sinto muito, eu não estava lá para você. Gia me ligou depois
que ela te deixou em casa, então eu sabia que você estava segura. Eu só... Eu
não podia. Eu estava puto com você, e levou tudo o que eu tinha para me
manter longe de você...
— Você estava zangado comigo? Por quê?
Max olhou para ela por um longo tempo antes que ele falasse, como se
estivesse pensando se deveria dizer a ela. No final, ele suspirou e disse:
— Eu vi você com Rico. Beijando na rua.
— Foi por isso que você se afastou? Por causa de um beijo estúpido?
— Beijo estúpido? Eu pensei que tínhamos algo, Stella. Pensei que
estávamos fazendo progressos, que estava gostando de ficar comigo e, em
seguida, eu deixo você uma noite, e você sai com Rico...
— Você saiu com Beppe! Para ajudá-lo a pegar mulher! Você ia flertar
com as meninas durante toda a noite, ou pior. Eu não sentia que tinha o direito
de impedi-lo. — Stella levantou-se da cadeira, porque ela estava com tanta
raiva que precisava de espaço para se mover. — Achei que você tinha
encontrado alguém naquela noite e foi por isso que você desapareceu de
repente.
— E eu pensei que você estava namorando Rico! Por que você não me
ligou? Por que você nem tentar me encontrar?
— Porque eu sou teimosa e orgulhosa! Quanto mais o tempo passava,
mais eu pensei que você tinha encontrado alguém naquela noite e seguiu em
frente. Eu pensei que eu finalmente consegui afasta-lo para sempre. — Stella
estava gritando, e as lágrimas ameaçavam transbordar. Max se levantou e foi
até ela, com os olhos cheios de preocupação e arrependimento. Ele a abraçou
com força, até que ela se acalmou.
— Por que você saiu com ele, Stella?
— Porque eu estava com raiva de você por sair com Beppe para pegar
meninas a noite toda. Ele me ligou, e eu aproveitei a chance de sair da casa
antes que ficasse louca imaginando uma mulher em cima de você.
— Eu não estava interessado em nenhuma das mulheres naquela noite.
Eu só pensava em você e como eu prefiro estar com você. Quando eu te vi com
Rico , eu perdi completamente o controle. Graças a Deus Beppe estava lá para
me arrastar para longe, caso contrário, eu não sei o que eu teria feito. — Ele
beijou o topo de sua cabeça enquanto ela relaxava contra seu peito. Sua voz
saiu abafada quando ela falou,
— Ele me beijou totalmente de repente. Ele que fez tudo, Max. Eu o
empurrei. Então, quando ele me levou para casa eu lhe disse que tinha
sentimentos por você, e não iria sair com ele outra vez.
Max exalou alto, todo o seu corpo relaxando. Stella levantou a cabeça
para olhar para ele e acariciou sua bochecha com os dedos.
— Sinto muito, querida. Por tudo. Mas não podemos mudar o que já
aconteceu. Vamos deixar tudo isso para trás e apreciar o que temos agora.
Stella concordou com a cabeça e, roçando seus lábios nos dela, Max foi
verificar seu molho. Ele mexeu, provando-o, acrescentou algumas ervas e
reduzindo o calor, deixou no fogão. Derramando água em outra panela,
colocou a tampa e deixou-a ferver. Stella ficou fascinado ao vê-lo se mover de
forma eficiente em torno da cozinha.
— Gia deve pensar que eu sou louca agora. — disse ela, quando ele se
sentou ao lado dela novamente.
— Não, ela não pensa isso. Ela realmente não pensa em outras pessoas,
na verdade. — Era sua imaginação, ou havia um pouco de amargura na voz de
Max? — Além disso, quem se importa? É a minha casa, tanto quanto a dela. Se
eu quero que você fique comigo, você fica comigo, ponto final.
Stella assentiu, porque ela não sabia mais o que dizer. Ela precisava falar
com Niki primeiro e depois decidir o que fazer.
— Precisamos descobrir aonde Lisa vai, Max. Eu sinto que é a chave
para tudo o que está acontecendo com ela. Se ela não vai nos contar, vamos
descobrir por conta própria.
— Eu concordo. Mas como podemos fazer isso? Será que ela tem algum
padrão de quando vai?
— Eu acho que sim. Nas últimas três vezes, duas foram na quarta-feira e
uma sexta-feira, sempre na parte da tarde. Então eu acho que deve acontecer
na quarta-feira. Você está trabalhando?
— Não durante o dia. Eu tenho um turno no bar à noite.
— Ok, então temos um plano.
Stella sorriu, satisfeita que ela tinha um confidente e cúmplice
novamente. O macarrão estava pronto e eles começaram a comer, sem perceber
até então, como eles estavam com fome.
No momento em que tinham terminado a refeição e limpado a cozinha,
era quase hora de Max ir. Ainda não havia sinal de Lisa, então Stella decidiu
enviar-lhe uma mensagem.
S$e((': GeF :"s, *!c+ es$@ n! $r'b'(B!? Q&'n#! *!c+ *!($'
p'r' c's'?
:"s': S"), e& es$!& n! )e"! #' '&('. De*e *!($'r e) #&'s
B!r's. Espere p!r )"), n6s prec"s')!s c!n*ers'r.
Suspirando, Stella digitou,
S$e((': E& se". E& *!& es$'r '%&".
Essa era uma conversa que ela não estava feliz em ter. Franzindo a testa,
ela deixou o telefone sobre a mesa e viu Max olhando para ela.
— Então? — ele perguntou.
— Ela está no trabalho. Ela quer conversar quando voltar.
Max pegou a mão dela e levou-a para o sofá, onde ele posicionou-a no
colo antes de falar,
— Eu posso cancelar o meu turno. Podemos conversar com ela juntos.
— Não, está tudo bem. Eu tenho que fazer isso sozinha.
Lisa sabia por que Stella não deveria ficar com Max, ele não. Ela preferia
abordar essas questões sem ele presente. A culpa recaiu sobre ela, quando se
tornou consciente de como ela teria que esconder tantas coisas dele, quando na
verdade tudo o que ela queria fazer era contar-lhe tudo. Isso não era uma
opção, no entanto. O que eles tinham era perfeito demais para estraga-la com a
feia verdade. Além disso, ambos sabiam que não ia durar para sempre. Eles
tinham seis semanas, e Stella a intenção de torná-los tão incrível como
pudesse, sem pensar mais além disso.
— Eu tenho que ir, querida. — disse ele, quando Stella enrolou os
braços ao redor do pescoço e provocou seus lábios com os dela. Colocando
ambas as mãos entre as omoplatas, Max puxou para ele e aprofundou o beijo,
encontrando a língua com a sua. — Eu venho depois do trabalho. — disse ele
sem fôlego contra sua boca. — Eu vou mandar uma mensagem para você vir
até a porta. Se Niki não me quiser aqui, eu vou te levar para casa.
— Os sacrifícios que você tem que fazer, só para fazer sexo comigo. —
Stella brincou, seus lábios se curvando em um sorriso. Max estava sério
quando se afastou, para olhar em seus olhos enquanto falava.
— Nunca sequer pense que é apenas sobre o sexo. É incrível, é verdade,
mas é incrível, porque isso significa alguma coisa... para mim. Porque é com
você.
Ele segurou os olhos dela com o seu, até que sua expressão mudou e ela
balançou a cabeça. Max a puxou para outro beijo e Stella percebeu que ela
precisava ouvir isso dele. Não porque ela não sentisse isso quando eles estavam
juntos, mas porque ela era uma menina e ela queria ouvir belas coisas-
especialmente de alguém como Max, que nunca tinha sido privado de atenção
feminina.
Depois de Max partir, Stella não sabia o que fazer. Ela se sentia inquieta
e fora de equilíbrio. Assistir TV não ajudou, porque nada poderia reter sua
atenção por mais de cinco minutos, então ela decidiu pegar seu Kindle e ler. A
melhor maneira de esquecer o seu próprio drama era mergulhar em outra
pessoa, mesmo que fosse ficção.
A porta da frente abrindo a assustou longe do seu livro, e Stella viu que
era sua tia entrando.
Aqui vamos nós: choque de realidade número um.
— Oi, querida. — disse ela com um sorriso.
Bom sinal?
— Oi, tia Niki. Como foi seu dia? — Stella estremeceu com suas
próprias palavras, mas na verdade, o que ela deveria dizer? Toda a situação era
difícil, para dizer o mínimo.
— Ele foi agitado, como de costume. Você já jantou?
— Não, ainda não.
— Vamos lá, então, eu trouxe alguns ingredientes, vamos fazer alguma
coisa e conversar.
Niki grelhou alguns bifes e colocou Stella encarregada em cortar os
legumes e cozinhá-los. Lisa estaria em casa logo, então elas fizeram comida
suficiente para todas as três.
Quando os legumes estavam no fogo, e os bifes descansando, Niki se
serviu de uma taça de Prosecco e sentou-se à mesa em frente a Stella, que
estava descascando um pepino para a salada.
— Então, eu vi o carro de Max aqui na frente esta manhã. Você quer
compartilhar algo? — Sua voz era brincalhona, divertida mesmo.
— Ele passou a noite aqui. — disse Stella, corando. — Comigo.
— Eu entendo. — Niki bebeu o vinho, e o coração de Stella estava
martelando dentro de seu peito enquanto ela esperava a reação de sua tia. Ela
não precisava de sua permissão, isso era verdade, mas ela se sentiria muito
melhor se estivesse tudo bem para ela Max aqui, e com o seu relacionamento.
— Você já contou a Helen? — ela finalmente perguntou.
— Ainda não. Quando conversamos pela última vez eu disse a ela sobre
Max, dos meus sentimentos por ele, mas eu também tinha algumas reservas
em relação a estar com ele. Ela me aconselhou a ir com o meu coração e dar
uma chance, se eu achava que valia a pena.
— Isso soa como algo que ela diria. — Niki disse e sorriu. Em seguida,
ela se aproximou da mesa e pegou a mão de Stella na dela. — Olha, querida, eu
sei como a vida tem sido injusta com você, e eu sei que deve ser difícil se
permitir querer muito alguma coisa, só para perceber que poderia ser tirado de
você a qualquer momento. Mas você tem que deixar ir esse sentimento. Você
tem que tentar e apreciar o que você tem agora e não pensar muito no futuro,
porque ninguém sabe o que ele contém. Se Max é o que você quer agora, então
esqueça todo o resto e fique com ele. Veja onde isso vai. Não perca nenhuma
chance na vida, porque você está com medo de que você pode se machucar.
No momento em que ela terminou de falar, tanto Niki como Stella
tinham lágrimas derramadas em seus olhos. Sua tia sabia exatamente como ela
estava se sentindo, porque ela tinha estado lá, ela tinha perdido o homem que
ela amava. Niki sabia exatamente o que estava incomodando Stella, e
exatamente o que dizer para levantar o peso de seus ombros. Tudo o que ela
tinha dito era absolutamente verdadeiro. Mesmo que a sua vida parecia
perfeita, no momento, havia um futuro incerto pairando sobre ele, isso poderia
mudar em um piscar de olhos. Isso não significa que você deve parar de viver.
— Obrigada. — Isso era tudo que Stella poderia dizer. Niki sorriu e
soltou sua mão, inclinando-se para trás em sua cadeira. — Tia Niki, você tem
certeza que está ok Max passar a noite aqui? Não apenas a noite passada, mas...
algumas outras noites assim?
— Eu não me importo, você é uma mulher adulta. Apenas certifique-se
que sua mãe saiba. Parece errado manter isso afastado dela.
— Claro. Eu realmente quero dizer a ela. — disse Stella e sorriu. Ela
mal podia esperar para compartilhar como estava feliz com sua mãe.
— Max é um cara realmente ótimo, eu sabia que você ia gostar dele,
mesmo antes de você chegar. Ele ajudou Lisa em muita coisa. Ele é
definitivamente alguém que você pode contar, e isso é muito raro de encontrar.
O timer para os legumes colocou um fim à conversa, e eles ficaram
ocupadas servindo a comida em pratos. Lisa entrou logo que Stella estava
colocando a salada na mesa e fixou-lhe um prato também. Eles terminaram sua
refeição rapidamente, o riso fácil e brincadeiras fluindo. Lisa parecia de bom
humor, o que era extremamente benéfico para a conversa mais tarde. As
meninas enxotaram Niki para fora da cozinha para ir relaxar, enquanto
limpavam a mesa. Uma vez que terminou, Lisa serviu uma taça de prosecco
para si e abriu uma garrafa de San Pellegrino aranciata para Stella, e elas
foram para a sala de estar.
— Você sente como se precisasse partilhar algo comigo? — Lisa
perguntou, um tom divertido em sua voz.
Será que ela é louca?
— Eu tenho, na verdade. Max passou a noite aqui, como você deve ter
imaginado.
— Como em “Max e eu fizemos sexo” passou a noite aqui? — Os lábios
de Lisa subiram como se quisesse sorrir, mas estava tentando se controlar.
— Como se “Max e eu tivemos o melhor e mais alucinante sexo que tive
na vida” passou a noite aqui — disse Stella, arqueando uma sobrancelha e
sorrindo.
— Ewww, isso é nojento. Ele é meu amigo, eu não preciso ouvir sobre
suas habilidades no quarto.
Isso não era como Stella tinha imaginado que a conversa correria. Com
Lisa, ela nunca sabia o que esperar - sua grade emocional estava totalmente
fora de controle. Ainda assim, ela estava feliz por sua primo ter aceitado a ideia
de que ela e Max ficariam juntos.
— Então, você está bem com isso? — Stella perguntou.
— Se você está bem com isso, então eu também estou.
— Mas isso não foi o que você disse antes...
— Eu sei o que eu disse. Não era qualquer coisa que você já não
soubesse. Você é um das pessoas mais atenciosas, responsáveis, e compassivas
que eu conheço, Stella. Acredito que se você chegou a um acordo com o
resultado de sua decisão, é porque deve valer a pena. Eu encerrei em julgar as
pessoas. — Lisa se encolheu com suas próprias palavras e dor crua nublou seus
traços por um segundo. Antes que Stella pudesse comentar, porém, Lisa
sacudiu a cabeça, dispersando a emoção tão rapidamente como tinha aparecido.
— E além disso, eu estou feliz que vocês finalmente resolveram isso, a
tensão sexual entre vocês dois estava me dando uma dor de cabeça. — As duas
riram e tomaram um gole de sua bebida. — Você não disse a ele, não é? — Ela
não precisava esclarecer que estava falando do câncer, Stella sabia.
— Não. E eu não vou. Ontem à noite, quando ele entrou no meu quarto
nós conversamos e decidimos não pensar além das seis semanas que me restam
aqui. Ele sabe que eu estou retornando para casa depois disso, e não vamos
mais ficar juntos, e ele está ok com isso.
— Você tem certeza?
— Yeah. Isso é o que ele disse, então não há nenhum ponto em não
acreditar. Eu não quero que ele me olhe de forma diferente. Tudo que eu quero
é aproveitar o que temos agora e não pensar em mais nada. Estou cansada de
pensar nas coisas demais, Lis.
— Eu sei. Eu também. — Houve uma inesperada tristeza em sua voz e
Stella pensou em lhe perguntar mais uma vez, o que ela estava escondendo e
por quê. Mas a conversa sobre Max estava indo tão bem, que ela não queria
estragar o momento.
— Estou tão feliz por você estar bem com nós dois juntos. Isso teria me
feito sentir muito mal, se você não estivesse. Você é muito importante para
mim, Lis. Espero que você saiba disso — Stella estendeu a mão e entrelaçou os
dedos com sua prima, na esperança de que, talvez, se ela soubesse o quanto
Stella a amava, ela diria a ela o que estava acontecendo com ela.
— Eu sei. Você é muito importante para mim, também. Me desculpe se
eu agi como uma cadela antes...
— Pare com isso: você não agiu assim. Você estava apenas preocupada
com nós dois, eu sei disso. Mas às vezes o que queremos não é o que é melhor
para nós, e mesmo que nós sabemos que isso não vai acabar bem, ainda
devemos mergulhar de cabeça e aproveitar cada minuto, pois desejamos tanto
que qualquer pensamento racional é deixado para trás.
Lisa assentiu, imersa em seus pensamentos, e Stella não pôde evitar em
se perguntar se ela estava aplicando suas palavras a outra situação.
— Ele está vindo hoje à noite? — Lisa finalmente perguntou.
— Yeah. E você vai ter que se acostumar com ele bastante por perto. E
por bastante, eu quero dizer todas as noites. Pelo menos, é o que ele diz.
— Eu não estou surpresa. Quando Max quer alguma coisa, ele vai com
tudo. — Lá estava ela - aquela tristeza novamente.
Estou perdendo alguma coisa?
— Lis, há algo que você gostaria de compartilhar?
Lisa sacudiu a cabeça e bebeu o resto do seu vinho.
— Estou cansada, eu tive um longo dia. Eu acho que vou para a cama.
— Claro. Amanhã você vai trabalhar?
— Sim, na galeria durante o dia. Estarei em casa à noite.
Ela deu um beijo de boa noite em Stella, e subiu as escadas até seu
quarto. Olhando para o relógio na parede, Stella percebeu que tinha pelo
menos duas horas até Max chegar. Sentindo-se de repente exausta, ela foi para
o seu quarto, deixando seu telefone no travesseiro ao lado dela e, saboreando o
cheiro de Max em toda a sua cama, caiu no sono.















1'pí $&(! /"n$e e Q&'$r!


0 toque do telefone acordou Stella, e ela
arrastou a mão cegamente ao redor, até que conseguiu localizá-lo e pegar.
— Será que eu a acordei? — A voz de Max encheu sua cabeça, seu
corpo, todo o seu universo. O calor se espalhou pelo seu corpo, e seu coração
começou a bater mais rápido, reconhecendo que estaria em seus braços muito
em breve.
— Mm-hm — ela murmurou, ainda sob a influência do sono.
— Venha e abra a porta, por favor — Max respirou baixo na linha, uma
intensa urgência pingando em cada palavra.
Desligando a chamada, Stella caminhou calmamente até a porta da frente
e abriu-a. Max entrou e fechou-a atrás dele. Estava escuro lá dentro, a única
fonte de luz vinha das lâmpadas de rua que entravam pelas janelas. Ele estava
usando um jeans escuro e uma camiseta escura, e seus olhos pareciam negros
na penumbra. Quando ele se encostou na porta e cruzou os tornozelos, ele
parecia perigoso. Pecaminoso.
Stella não conseguia se mover. Ele conseguiu fixá-la no lugar com o
olhar, e ela esperou até que ele falasse a ela o que deveria fazer. Varrendo com
os olhos dos seus pés a cabeça, lentamente, deliberadamente, Max deu um
sorriso torto e estendendo um braço para ela disse:
— Venha aqui. — Sua voz era sexo puro - baixo, rouca, e promissora.
Ela foi até ele, que a esmagou contra seu peito, devorando sua boca com a dele.
Ele lambeu e chupou e mordeu os lábios até que Stella não conseguia sequer
lembrar o que era respiração e porque era necessária. Suas mãos cavaram em
seus quadris, enquanto ele levantou-a contra ele, com ela enrolando as pernas
em torno dele. Ele levou-a para cima, sua boca nunca deixando a dela.
— Eu senti sua falta. — ele disse com voz rouca, e a deitou na cama.
Max deixou seus lábios para trilhar beijos ao longo de seu pescoço, enquanto
sua mão puxou a bainha de sua camiseta para cima e sobre a cabeça. Stella se
ergueu nos cotovelos, observando-o, enquanto ele beijava seu estômago. Seus
olhos se encontraram e o fogo neles era diferente da noite passada. Esta noite
era puro inferno - forte, furioso, determinado. Isso a deixou tão excitada, que
ela não podia esperar nem mais um segundo.
— Max... — ela mordeu o lábio enquanto ele chupava um mamilo na
boca, trazendo-a até a borda.
— Sim, querida? — ele brincou, enquanto chupava o outro mamilo, seus
olhos nunca deixando os dela.
— Eu quero você dentro de mim, agora. — Sua ordem soava fraca e sem
fôlego, mas foi o suficiente para fazer Max perder todo o controle. Ele
empurrou-a em cima da cama, arrastando seu short fora junto com a calcinha e,
em dois movimentos rápidos suas roupas tinham desaparecido, também.
Rolando o preservativo, Max empurrou dentro dela, sem um segundo de
hesitação e a fez gritar seu nome.
Eles tinham feito amor no chuveiro, então, novamente na cama, até que
ambos estavam completamente esgotados. Stella estava deitada em cima de
Max, a cabeça em seu peito, ouvindo seus batimentos cardíacos agora calmos.
Seu peito subia e descia em um movimento rítmico, enquanto suas mãos
acariciavam a pele em suas costas.
Eles não falaram, nenhum deles tinha energia para isso. Não havia nada a
dizer - bastava estar juntos naquele momento era perfeito. Pouco antes dela
adormecer, Stella sentiu Max puxar os cobertores sobre eles, e seus fortes
braços envolve-la com firmeza.
— Stella, acorde, baby. — A voz de Max veio de algum lugar perto, mas
ao mesmo tempo tão longe. Stella não queria acordar. Abrindo um olho e
franzindo a testa, ela viu o rosto de Max a dois centímetros do dela, e ele
sorriu, levando seus lábios aos dela. — Você é tão sexy quando está com sono
— ele murmurou contra sua boca. Quando ele se afastou, ele tinha um enorme
sorriso no rosto, mas Stella continuou franzindo a testa. Por que ele a acordou?
Estava muito agradável, acolhedor e confortável aqui. A questão deve ter
surgido em seu único olho aberto, porque ele disse: — Vamos, vamos dar uma
corrida antes que eu saia para o trabalho.
Acentuadamente, ela abriu a outro olho e deu-lhe um olhar incrédulo. Ele
riu e a beijou novamente, desta vez demorando mais tempo.
— Eu não quero ficar sem você, querida. Vamos lá, eu prometo que vou
fazer valer a pena. — ele piscou para ela, e Stella não conseguiu resistir por
mais tempo, o sorriso ameaçando aparecer em seu rosto.
Max correu atrás dela, na sua frente, ao seu lado, rodeando-a, batendo na
bunda dela, pegando-a e provocando-a para pegá-lo. Ele estava em toda parte,
completamente ao seu redor. Eles fizeram mais do que algumas paradas para
beijos que, em vez de acalmar seus batimentos cardíacos, aumentaram para
níveis perto da explosão.
— Eu queria fazer isso desde a primeira vez que te conheci. — ele
sussurrou, enquanto chupava a pele sob sua orelha e suas mãos percorreram
suas costas até a bunda dela, apertando não muito gentilmente.
— Mmmm. — Stella gemeu na parte de trás de sua garganta. — Eu vou
te mostrar o que eu queria fazer desde a primeira vez que te conheci quando
chegarmos em casa. É um pouco gráfico demais para um espaço aberto. — ela
sussurrou de volta. Max se afastou, deu uma olhada em seu rosto para se
certificar de que ela não estava brincando e, puxando-lhe a mão, levou-a para
casa, onde ela mostrou-lhe o que ela tinha em mente. Duas vezes.
Niki e Lisa devem ter saído durante o tempo que ficaram trancados no
quarto de Stella, porque quando eles finalmente se trocaram e foram para a
cozinha tomar o café, a casa estava vazia. Stella fez café, enquanto Max
preparou alguns sanduíches.
— Então, eu vejo que Lisa foi trabalhar. O que você vai fazer hoje? —
Max perguntou, espalhando manteiga em um pedaço de pão.
— Não sei — disse Stella e encolheu os ombros.
— Por que você não vem para a praia? É terça-feira, por isso não deve
estar muito cheia.
— Eu acho que posso ir. Por você. — Stella sorriu, e levantou uma
sobrancelha de brincadeira.
— Você está brincando com fogo, querida. Mais um comentário como
esse e eu vou balançar você sobre meu ombro e trancá-la de volta no quarto. —
Max disse, apontando para ela com a faca de manteiga em uma ameaça falsa.
— Eu estou brincando com o fogo desde que te conheci. Eu sou meio
que resistente ao fogo agora.
— Yeah? Vamos ver sobre isso.
Eles saíram juntos, de mãos dadas, e Max os levou até a praia. Ele tinha
uma mochila cheia no porta-malas de seu carro, onde, muito cuidadosamente,
guardou seu uniforme, alguns produtos de higiene pessoal e uma muda de
roupa.
Stella tinha levado seu iPod, Kindle e um par de revistas para mantê-la
entretida. A praia não estava muito cheia, mas Max estava no trabalho, então
ele não podia lhe fazer companhia o tempo todo. Ele insistiu que ela
posicionasse sua toalha ao lado de seu posto, para que ele pudesse parar de vez
em quando e beijá-la, mesmo que ela quisesse muito mais do que um beijo, e
voltar ao trabalho.
Assim que Stella estava escrevendo uma mensagem para Lisa, algo na
água chamou sua atenção. Alguém estava agitando os braços freneticamente,
desaparecendo sob a superfície e, em seguida, voltando novamente. Seu cérebro
estava muito lento para registrar o que estava acontecendo, mas rapidamente
compreendeu, quando viu Max passar como uma bala por ela, correndo muito
mais rápido do que ela já tinha visto ele fazer antes. Ele mergulhou no mar e
nadou em direção aos braços balançando, que estavam começando a aparecer
sobre a superfície a intervalos muito mais longos. Tudo aconteceu tão rápido
que Stella mal conseguia se mover. Ela se levantou, congelada no local,
observando o que estava acontecendo na água com terror em seus olhos.
Alguém estava se afogando. E Max estava tentando salvá-lo.
Logo ele chegou à pessoa e, a agarrou sob os braços, nadou em direção a
segurança da costa. Ele levou muito mais tempo para nadar de volta do que ir
ao fundo
Finalmente, eles chegaram à praia e Stella se aproximou para ver o que
estava acontecendo. As pessoas se reuniram ao redor, e observavam impotente
enquanto Max habilmente executava CPR no homem gordo de meia-idade, que
acabara sendo arrastado ao mar. Dois outros salva-vidas chegaram, movendo a
multidão para longe da cena, enquanto o outro ajudava Max com a CPR. O
homem tossiu e eles o viraram de lado quando a água fluiu para fora de sua
boca. Ele começou a puxar respirações irregulares e, vendo que ele estaria bem,
Max se afastou dele e sentou-se na areia, com a cabeça entre as mãos.
Stella empurrou s multidão, tentando chegar até ele, quando o terceiro
salva-vidas agarrou seu braço e puxou-a de volta.
— Me solte — ela gritou com ele, com tal ameaça em seu tom, que ele se
surpreendeu por um segundo e afrouxou o controle sobre ela. Stella não
hesitou enquanto balançava o braço de sua mão e corria para Max.
— Max, baby - você está ok? — Ela se ajoelhou em frente a ele, com
medo de tocá-lo. Ele levantou a cabeça e seu rosto estava perigosamente
pálido. Seus olhos pareciam sem vida e fundos, como se ele não soubesse onde
ele estava. — Oh, meu Deus... — Stella abraçou-o e ele relaxou a cabeça em
seu ombro. — Está tudo bem, baby, ele está bem. Você o salvou. Você está me
ouvindo? Você salvou a vida de alguém.
Os braços de Max vieram ao redor dela e ele a puxou contra si,
apertando com força, enquanto todo o seu corpo tremia, como se estivesse em
estado de choque. Ninguém falou nada por um tempo, e Max conseguiu
acalmar. A cor de seu rosto lentamente retornou e ele parecia quase bem.
Enquanto estavam lá, pressionados um contra o outro, os paramédicos
correram e levaram o homem resgatado. O salva-vidas que havia tentado parar
Stella se aproximou e disse:
— Ei, cara - você está bem? — Max assentiu, mas o cara o conhecia
melhor. — Por que você não vai para casa? Eu te cubro. Você já fez o seu
trabalho hoje. — ele disse , e deu um tapinha nas costas dele. Max assentiu
com a cabeça novamente e o salva-vidas nos deixou.
Eles não saíram imediatamente. Max parecia melhor, mas ele precisava
de mais algum tempo para se recompor totalmente.
— Essa foi a primeira vez que você salvou alguém? — Stella perguntou
baixinho, pensando que essa deveria ser a razão pela qual ele estava tão
abalada pela experiência.
— Não, essa foi a terceira. Isso nunca fica mais fácil. O salvamento no
mar é a coisa mais dolorosa do mundo. Esta pessoa está inconsciente em seus
braços, pesada como o inferno, e você está tentando arrastá-lo de volta, quando
tudo que você pode pensar é “Por favor, não morra”. Parece que passaram
horas antes de chegar até a praia e começar a CPR, ainda cantando “Por favor,
não morra” em sua cabeça. Quando ele tosse, e a água sai de seus pulmões, o
alívio que você sente é tão intenso que, literalmente, bate-o fora de seus pés. E
então você não pode evitar, mas pensa que, e se da próxima vez eu não tiver
essa sorte? E se na próxima vez eles não sobreviverem?
Stella não sabia o que dizer sobre isso. Ela nunca tinha salvo a vida de
ninguém, e não tinha ideia de como se sentiria. Deve ser muito estressante ter
um trabalho, onde a vida das pessoas depende de você. Ela disse a única coisa
que sentia agora:
— Eu estou orgulhosa de você, Massimo Selvaggio. Você é uma pessoa
incrível.
Max olhou para ela com surpresa, gratidão e alívio estampado em seu
rosto.
— Como é que você sabe o meu sobrenome? — Ele perguntou, com um
pequeno sorriso em seus lábios.
— Eu tenho os meus caminhos.
— Yeah? Eu tenho os meus também, Srta. Quinn.
Stella riu, o que pareceu relaxar ele ainda mais. Se não fosse pela sombra
espreitando por trás de seus olhos, ele seria o mesmo Max de meia hora atrás.
— Quer ir? — Ele perguntou.
— Deixe-me apenas pegar as minhas coisas.
Max esperou por ela, até que ela arrumou a mochila e colocou seu
vestido de verão de volta e, em seguida, pegando sua mão, a levou até o carro.
Assim que eles chegaram, ele colocou suas coisas no porta mala, e quando
fechou, ele pressionou Stella contra ele.
*
Quando Max empurrou Stella contra seu carro e colocou os dois braços
em torno dela, ela estava um pouco surpresa, mas cooperou. Lambendo os
lábios, porque ela sabia o que estava por vir, ela colocou as mãos em torno do
pescoço dele e o encontrou na metade do caminho. Seus lábios desceram,
urgente e desesperadamente, buscando um conforto, que o outro estava mais
do que feliz em fornecer.
Tinha sido um longo tempo desde que Max precisou de alguém. Ele
tinha se mantido muito bem por conta própria desde que ele tinha catorze
anos, e teve que cuidar de seu pai o tempo todo. Stella era uma combinação
incrível de alguém vulnerável, que acordava todos os seus instintos de
proteção, e alguém que, quando necessário era intensa, e oferecia conforto e
segurança.
Quando ela lhe disse que estava orgulhoso dele, ele se sentiu invencível.
O mundo estava aos seus pés e tudo o que ele queria fazer era escalar a
montanha mais alta e gritar — eu te amo — até que estivesse sem voz.
Mas ele não podia. Ainda não de qualquer maneira. Uma voz pequena,
mas muito persistente em sua cabeça lhe disse que, se fizesse isso ela correria.
Ele afastou todos aqueles pensamentos para longe de seu cérebro, e
continuou beijando Stella como se ela fosse tudo o que precisava em sua vida.
E talvez ela fosse.
*
Stella se recusou a deixar Max sozinho depois do que tinha acontecido.
Eles foram até a casa dele para pegar mais algumas roupas para colocar na sua
mochila para a noite e, enquanto esperava por ele, ela mandou uma mensagem
a Lisa para perguntar se estava tudo bem convidá-lo para jantar. A resposta
foi, naturalmente — sim — e desde que ainda eram apenas quatro horas da
tarde, eles se dirigiram ao supermercado para comprar alguns mantimentos
antes de preparar a refeição. Stella também mandou uma mensagem a tia para
que ela soubesse que elas teriam um convidado para o jantar, e disse que o
convidado iria cozinhar. Niki estava muito entusiasmada sobre não ter que
cozinhar, a julgar pelos três pontos de exclamação no seu texto.
Max disse que iria fazer algo chamado strozzapreti pesto rosso con polo
para sua prima, e Stella não tinha ideia de que inferno era isso, mas quando saia
de sua boca soava sexy. Para o prato principal, ele estava fazendo rolos de
berinjela com espinafre e ricota, que parecia muito complicado para Stella, mas
ele lhe assegurou que não era. Sentindo-se mal que não iria contribuir com
nada para o jantar, ela sugeriu em fazer seu sundae especial, que era,
basicamente, sorvete, frutas, brownie de chocolate em migalhas e Nutella,
todos misturados.
— Os alimentos não precisam ser complicados para ser delicioso, tesoro,
— Max disse, quando ela descreveu sua sobremesa como “nada de especial”. —
Como alguém me disse uma vez, comida italiana é como os homens italianos.
Mínimo esforço, máxima satisfação. — Stella riu tanto que ela se inclinou
sobre ele para apoiar e, passando o braço em volta dos ombros, ele beijou o
topo de sua cabeça. Eles continuaram navegando ao longo dos corredores até
Max estar satisfeito que eles tinham todos os ingredientes, então foram até o
caixa pagar.














1'pí $&(! /"n$e e 1"nc!


— osso supor que, se estava
tudo bem eu ficar a noite passada, temos a bênção de Niki? — Max perguntou,
enquanto ele cortava os peitos de frango em cubos. Depois de tudo o que
aconteceu hoje, Stella tinha esquecido completamente de lhe dizer como as
“negociações” com Niki e Lisa tinham sido.
Ela resumiu o que cada uma delas tinha dito, deixando alguns dos
detalhes de fora, e expressou sua preocupação com a reação calma de Lisa -
especialmente depois que ela tinha reagido tão negativamente quando pensou
que Max tinha passado a noite lá apenas cerca de uma semana atrás. No final,
ambos concordaram que a chave para a recente esquisitice de Lisa era o seu
encontro secreto, e estavam mais determinados do que nunca a descobrir
exatamente o que estava acontecendo.
Niki chegou em casa, assim que Max estava tirando a beringela para fora
do forno, e foi seguida logo depois por Lisa. Ambos estavam entusiasmadas
com a refeição, porque estava cheirando muito bem, e parecia deliciosa. Depois
que elas saíram para se refrescar e trocar de roupa, Max e Stella fizeram a
salada e colocaram a mesa.
— Vamos lá, gente, eu estou morrendo de fome. — Stella gritou, assim
que elas retornaram a cozinha.
— J esus - alto demais — Lisa disse, e pegou seu lugar na mesa.
— Eu estou com fome;. Não mexa comigo agora — Lisa levantou as
mãos na frente e revirou os olhos.
Todos pareciam famintos, e atacaram sua comida, que estava deliciosa.
Max tinha um talento para cozinhar, assim como sua irmã. Quando a barriga
começou a encher, o clima ficou ainda mais descontraído, e a conversa começou
a fluir.
Quando o jantar acabou, Niki e Lisa se ofereceram para limpar, já que
Stella e Max tinham cozinhado, e depois de uma objeção hesitante, eles
concordaram. Era muito cedo para ir para a cama, e tanto quanto Stella queria
trancar Max em seu quarto, e tê-lo todo para si mesma, ela achou que seria
rude com sua tia e Lisa. Ela o levou até o sofá e, aconchegando-se ao lado dele,
começou a passear pelos canais de TV, até que encontrou um filme do seu
gosto.
— Lis, apresse-se, “Step Up” acaba de começar — ela gritou em direção
a cozinha, um pouco perto demais da cabeça de Max.
— Ouch! — Disse ele, esfregando a orelha.
— Desculpe, querido! Me animei um pouco. Você está bem?
— Eu acho que estou muito ferido, você pode dar uma olhada e talvez -
eu não sei - me dar um beijo? Ou cinco? — Ele sorriu, enquanto Stella se
inclinava para dar um beijo.
— Ok, eu não quero ver isso. Vocês podem por favor se limitar ao estilo
familiar até que o filme acabe? — Lisa disse, entrando na sala de estar e se
jogando sobre o pufe ao lado deles.
— Na verdade, não, eu acho que não. — respondeu Max, beijando Stella
novamente e piscando para ela quando se afastou.
Lisa vasculhou a prateleira debaixo da mesa de café e pegou seu caderno
de desenho e um par de lápis. Stella tinha notado antes que, quando todos se
reuniam na sala para assistir TV ou conversar, sua prima iria sentar e esboçar,
e ao mesmo tempo totalmente tomar parte na conversa.
— Que parte é essa? — Perguntou Lisa.
— Eu acho que é a três.
— Vocês estão falando sério sobre isso? Vamos assistir a um filme de
dança? — perguntou Max.
— Sim. — ambas responderam juntas. Max deixou cair a cabeça para
trás no sofá quando ele exalou alto, deixando elas saberem que ele não estava
feliz com isso.
*
— Max, acorde — alguém sussurrou, e empurrou-o pelo braço. Abrindo
os olhos até a metade, ele percebeu que era Lisa. A TV estava desligada, e
Stella estava dormindo ao lado dele. — Eu acho que todos nós devemos ir para
a cama. — Ela apontou para Stella.
— Eu cuido dela. Você pode subir. — Lisa acenou com a cabeça, e subiu
as escadas.
Max não queria acordar Stella. Ela parecia tão calma e linda quando
dormia. Em vez disso, ele se levantou e, tão suavemente quanto pôde, pegou-a
e a levou para cima. Ele conseguiu abrir a porta de seu quarto sem acordá-la e
colocá-la na cama. Ela resmungou algo baixinho, mas não acordou.
Aconchegando-se ao lado dela, Max puxou as cobertas sobre eles e,
lentamente, a puxou contra ele, até que todos os contornos do seu corpo fundiu
com o dele.
Quando ele acordou, o sol já estava alto, brilhando através das janelas no
quarto de Stella. Ele tinha esquecido de fechar as cortinas na noite passada.
Stella dormia enrolada em seu lado, praticamente na mesma posição que estava
a noite passada. Ontem deve ter sido tão desgastante para ela, como tinha sido
para ele. Não querendo acordá-la, ele escorregou para fora da cama e se dirigiu
para o banheiro.
Até o momento que tinha terminado seu banho, Stella estava deitada na
cama, acordada, mas parecia que ela não queria se levantar ainda.
— Oi — ele disse, quando se esticou ao lado dela e enfiou a cabeça na
dobra do seu braço.
— Oi — ela disse. Ele estava se acostumando com suas respostas de
uma só palavra no período da manhã.
— Hoje é o dia, hein? — Ele não tinha que esclarecer que queria dizer
seguir Lisa. Stella assentiu. — Temos de detalhar mais com o plano. Não
podemos simplesmente correr atrás dela. Ela também conhece meu carro e vai
nos ver a uma milha de distância.
— O café primeiro, o plano depois. — Stella resmungou e Max riu.
— Ok, eu vou descer e fazer um pouco de café e trago aqui, enquanto
isso você vai tomar seu banho e acordar. Eu quero de volta a boa e articulada
Stella.
Depois de considerar, pelo menos, meia dúzia de cenários possíveis, eles
encontraram falhas em cada um. No final, Stella veio com algo muito simples,
mas, Max pensou, possivelmente o mais eficaz. Eles fingiriam ter planos, beijar
muito para que Lisa se recusasse a ir com eles quando a chamassem para sair,
entrar no carro e ir embora. Eles estacionariam por perto, de modo que não
fosse óbvio onde estavam, mas onde ainda podiam ver a casa. Se Lisa pensasse
que eles tinham ido embora, as chances é que ela seria muito menos cuidadosa,
e então eles seriam capazes de segui-la facilmente, mantendo uma distância
segura.
A primeira parte do plano funcionou como mágica, Lisa se recusou a se
juntar a eles depois que ela testemunhou vários beijos particularmente
picantes. Eles estacionaram a menos de cem metros da rua, em uma fila de
carros que os deixavam invisíveis, se você não estivesse particularmente à
procura de um BMW prata. Era hora do almoço e, como Stella havia previsto,
Lisa deixou a casa um pouco depois das 12:30hs, esperando ela virar a esquina
para a rua principal, Max ligou o motor e seguiu com o carro atrás dela.
Quando chegaram à rua principal, Lisa estava entrando em um táxi
Perfeito. Eles se cumprimentaram, e Max seguiu o taxi a uma distância
segura. Logo, o táxi parou no estacionamento do Centro Médico “Giuseppe
Mazzini”.
— Que diabos? — Max murmurou, enquanto acelerava, estacionando o
carro e desligando o motor, antes que Lisa pudesse observá-los quando saisse
do táxi. Ela correu em direção à entrada principal, sem sequer olhar para trás.
— Que lugar é esse? — Perguntou Stella, saindo do carro.
— É a melhor clínica privada na cidade. Que diabos ela está fazendo
aqui, Stella? — Max estava franzindo a testa e ficando seriamente irritado.
— Eu não tenho ideia. Como é que vamos descobrir? Aposto que não é
muito fácil conseguir informações na recepção.
— Vamos esperar. Ela vai sair mais cedo ou mais tarde. Então a
confrontaremos aqui, até que ela derrame tudo.
Max inclinou-se sobre o capô do carro, cruzando os tornozelos. Stella foi
até ele e encostou nele, suas costas contra seu peito. Ele cruzou os braços sobre
os dois, e eles esperaram.
Em cerca de 15 minutos Lisa reapareceu pela porta principal. Ela não
estava sozinha. Ela estava empurrando alguém em uma cadeira de rodas. Um
homem. Max empurrou Stella suavemente para que ele pudesse dar uma
olhada no homem.
— Querido Deus — ele exclamou, entendimento inundando suas veias e
drenando a cor do seu rosto.
— O quê? O que está acontecendo, Max? Quem é esse? — Seu pânico
passou para Stella, porque o olhar em seus rosto era frenético.
Max passou as mãos pelos cabelos, andando para trás e para a frente,
incapaz de responder à pergunta. Stella ia surtar, ela perderia o controle no
momento que ele contasse a ela. Mas como poderia ele não falar? Lisa, alheia a
tudo ao seu redor, empurrou a cadeira de rodas ao longo de um caminho
pavimentado para o que parecia um lago à distância.
— Max, pare de andar e me diga o que diabos é isso e por que você está
tão pálido? — Ela exigiu.
Max parou e olhou diretamente nos seus olhos antes de falar.
— É Gino Batista. O homem que bateu em nosso carro.
*
Stella sentiu o sangue congelar e calafrios atravessaram todo o seu corpo.
— O quê? — Ela sussurrou.
— Você me ouviu. Esse é o bastardo que cruzou um sinal vermelho e
bateu no nosso carro. Ele ficou paralisado após o acidente. Estava nos jornais.
— Por que estava nos jornais?
— Ele é o filho de Gennaro Batista - um bilionário que é dono de
metade de Génova.
O cérebro de Stella se recusou a processar a informação. Ela sentiu-se
mal.
— Por que ela está aqui, Max? Por que ela está levando esse maldito
pedaço de merda para uma caminhada? — Stella sabia que ela estava ficando
histérica, mas ela não podia evitar. Tudo o que ela conhecia sobre sua prima
estava desabando, e ela não sabia mais quem era essa pessoa.
— Eu não sei, querida. Por favor, acalme-se. Eu tenho certeza que há
algum tipo de explicação...
— A menos que ela vá empurrá-lo de cabeça dentro do lago, eu não
quero ouvir outra explicação! Como ela pôde fazer isso, Max? Depois do que
aconteceu? Como ela poderia ter qualquer compaixão por alguém que... — A
voz de Stella sumiu, quando um soluço escapou de sua garganta, e ela inclinou-
se sobre Max em busca de apoio.
Ácido inundou seu estômago, e ela não conseguia segurar seu café da
manhã mais. Afastando dele tanto quanto podia, ela se curvou e vomitou, todo
o seu corpo em convulsão. Ela sentiu as mãos de Max afastando seu cabelo e
ele acariciou suas costas, até que ela terminasse. Em seguida, ele a levou de
volta ao carro e deu-lhe um lenço e uma garrafa de água.
Eles partiram sem olhar para trás.
— Por favor, envie uma mensagem, lhe dizendo que aconteceu algo
importante, e ela precisa voltar aqui. — Stella disse, assim que entraram na
casa. Ela não disse uma palavra no carro, tentando se acalmar, forçar alguns
pensamentos racionais em seu cérebro e pensar em como lidar com a situação.
Max pegou seu telefone e fez o que ela pediu. Imediatamente ele recebeu
uma resposta e leu em voz alta.
:"s': !r %&+? Es$>! $!#!s be)? 0 %&e 'c!n$ece&?
— O que devo dizer a ela? — Max perguntou, enquanto lia o texto para
Stella.
— Eu não sei - o que quiser. Apenas certifique dela vir aqui. — Stella foi
para a cozinha e serviu-se de um enorme copo de limonada.
— Ela está vindo — disse Max, quando se juntou a ela na cozinha. Ele
provavelmente sentiu que Stella não precisava de ninguém dizendo a ela para
relaxar ou tentar acalmá-la de qualquer maneira, porque ele manteve distância
e sentou-se à mesa. Ele não perguntou qual era seu plano: o que ela ia dizer ou
fazer. Ele apenas ficou lá, uma parede de força, sem ostentação , que Stella
sempre poderia se apoiar, se ela precisasse.
Sentaram-se em silêncio até que eles ouviram a porta da frente abrir.
Stella imediatamente ficou tensa, preparando-se para o confronto. Pensando
que ela tinha sua raiva sob controle, ela entrou na sala de estar, encontrando
Lisa na metade do caminho. Porém, no momento em que viu sua prima, sua
raiva retornou á tona, sufocando-a.
— O que está acontecendo? Está todo mundo bem? — Perguntou Lisa.
— Não, Lis, eu não estou bem. — Stella disse com os dentes cerrados.
Ela sentiu Max entrar na sala de estar, mas se manter em pé a uma distância
segura, dando-lhes espaço.
— Então... Por que eu tive que correr de volta aqui?
— Eu sei que você prefere ficar com o seu namorado, o único que ficou
bêbado, entrou em um carro, ignorado um sinal vermelho e bateu em você.
Essas palavras te lembram dele? — Cada palavra de Stella cortante e
gotejando com a traição e decepção. Lisa empalideceu em um piscar de olhos.
Ela perdeu o equilíbrio e teve que se segurar na borda das costas do sofá para
apoio. Ninguém se moveu em direção a ela. Stella olhou para Max, que estava
sentado no braço do outro sofá, de braços cruzados na frente do peito,
franzindo a testa.
— Como é que vocês descobriram? — A voz de Lisa era pouco mais que
um sussurro.
— Será que isso importa? — Stella gritou. Lisa não respondeu. Ela
agarrou almofada do sofá e os nós dos dedos estavam brancos devido ao
esforço, mas ela não se atreveu a encontrar os olhos de Stella. — Você não vai
dizer nada?
— Eu posso explicar... — Lisa começou, com a voz trêmula.
— Oh, pode é? Estou muito interessada em saber por que diabos você
está bancando a enfermeira desse babaca.
— Não é assim...
— Como você pôde, Lisa? Como você pode ser tão hipócrita e ter
compaixão por ele, quando sua vida foi dilacerado por alguém como ele? — Os
olhos de Stella estavam atirando punhais em sua prima, mas ela não podia
saber, porque ela ainda não conseguia olhar para ela.
— Ele não é como aquele homem, é diferente...
— Como? Porque você não morre? Bem, há sempre a próxima vez!
— Não haverá uma próxima vez com ele - ele não vai falar, não vai
andar, ele nunca vai dirigir um carro novamente. — Pela primeira vez, Lisa
olhou para os olhos de Stella, levantando a voz e parecendo determinada a
defender seu ponto.
— Bom! Estou feliz por algo de positivo sair dessa situação! — Stella
gritou e cerrou os punhos ao seu lado. Ela estava vagamente consciente de que
Max tinha deixado seu lugar no sofá e se aproximou dela.
— Como você pode dizer isso! Ele está quase morto, e não há sequer um
arranhão em nós! Os olhos de Lisa se encheram de lágrimas, e a boca de Stella
se abriu em choque.
— Você vai chorar por ele? Sério? O que há de errado com você? —
Stella gritou e deu alguns passos no sentido de Lisa, com a intenção de sacudi-
la para fora de sua ilusão, quando Max agarrou-a pelos braços e puxou-a de
volta. Ela não resistiu.
— Estou apaixonada por ele! Isso é o que há de errado comigo! — Lisa
gritou de volta, e as lágrimas escorreram pelo rosto. Stella voltou nos braços
de Max , enquanto ela balançava a cabeça em negação. Ele envolveu-a em seus
braços quando ela começou a soluçar.
— Stella, por favor, eu vou te dizer tudo, acalme-se e me ouça. — Lisa
disse, e tentou aproximar-se da sua prima.
— Não se atreva a chegar perto de mim! Você está louca: clinicamente
insana! Como você pode esquecer, Lis? Como você pode esquecer o que ele fez
com a gente? Como você pode esquecer os três túmulos que ele deixou para
trás? — Stella estava tremendo e chorando, e se não fosse por Max que a
segurava, ela teria sido caido no chão.
— Gino não é ele! — Lisa cuspiu com raiva.
Stella balançou a cabeça, incapaz de sequer começar a entender para onde
sua prima estava indo. Ela virou-se para Max e disse:
— Por favor, me tire daqui. Eu não suporto estar perto dela um segundo
a mais.
Sem hesitar, ele agarrou a mão dela e levou-a pela porta. Eles entraram
no carro, e as marcas de derrapagem permaneceram na entrada quando eles
partiram.













1'pí $&(! /"n$e e Se"s


<ax a levou para sua casa. Stella estava
tão entorpecida que, embora ela estivesse vagamente consciente do que estava
acontecendo ao seu redor, ela era incapaz de tomar parte no processo. Tudo o
que ela queria fazer era dormir e descobrir que quando ela acordasse, tudo isso
nunca tinha acontecido. Max a levou para seu quarto, deitou em sua cama,
puxou as cobertas sobre ela e beijou sua testa.
— Descanse um pouco. Eu já volto, e eu prometo que nós vamos sair
daqui por alguns dias. — Stella conseguiu acenar com a cabeça com seus olhos
fechados, e apagou ao mundo real lá fora.
Quando ela acordou, Max estava deitado ao lado dela, apoiado no
cotovelo, olhando para ela.
— Oi. Sentindo-se melhor? — Ele perguntou.
— Eu não sei. Eu não sinto a necessidade de matar ninguém, então eu
acho que é um bom sinal.
Max se aproximou um pouco mais perto e beijou-a, em seguida, um
grande sorriso apareceu em seu rosto.
— O quê foi? — Perguntou Stella, intrigada. Era incrível como com um
beijo suave e um sorriso de Max era capaz de fazê-la esquecer todo o resto, de
forma que sua atenção estava unicamente nele.
— Vamos, levante-se, tesoro. Temos que ir. — ele disse, pulou da cama.
— Ir? Ir para onde?
— Você vai ver. Vamos lá, temos que ir agora, se queremos estar lá
antes que o sol se ponha.
— Você está sendo estranho. Em quanto tempo estaremos “lá”? —
perguntou Stella, fazendo aspas no ar e levantando-se da cama.
— Eu adoro quando você faz isso com os dedos. — Max disse e, veio em
sua direção , envolvendo-a nos braços para um beijo rápido. Então ele agarrou
a mão dela e quase a arrastou para fora de seu quarto.
— Espere - você não respondeu minha pergunta. Se vamos passar a
noite, eu vou precisar de algumas coisas, e eu realmente não quero voltar a...
— Eu cuidei disso. Fiz uma mochila para você por alguns dias, está no
carro. — ele interrompeu-a e sorriu.
— Que tal o seu trabalho? Que tal tia Niki? Eu não posso simplesmente
desaparecer, eu tenho que lhe dizer...
— Cuidei de tudo isso, também. Agora, pare de falar e de se preocupar, e
entre no carro.
Stella fez o que lhe foi dito. Uma vez no carro, ela relaxou e até sorriu.
— Você é sexy quando está mandão. — ela brincou com Max, enquanto
ele entrava no assento do motorista.
Ele riu e ligou a ignição, manobrando o carro da garagem e até a estrada.
— Eu tenho um pedido. — Stella disse, quando eles aceleraram ao longo
da rodovia, enquanto ela olhava para fora da janela, admirando a paisagem
pitoresca italiana. Ela não tinha ideia para onde estavam indo, porque Max
recusou-se a dizer a ela, e, francamente, ela não se importava. Quanto maior a
distância que ele colocasse entre ela e Lisa, melhor.
— O que é, querida?
— Eu não quero falar sobre o que aconteceu hoje. Nada. Preciso de
algum tempo, antes que eu possa sequer começar a pensar sobre isso.
— Não se preocupe. — Ele apertou sua mão sobre a marcha, e eles
dirigiram em silêncio confortável o resto do caminho.
— Ok, estamos quase lá, — Max disse, e parou o carro. Stella olhou ao
redor - eles ainda estavam no meio do nada: apenas a estrada e campos ao seu
redor. Ela deve ter parecido confusa, porque Max riu e disse:
— Nós estamos quase lá. Eu preciso fazer alguma coisa antes que
conduzir até o resto do caminho. — Ele abriu o porta-luvas e tirou uma
máscara de dormir de cetim preto. — Coloque isso.
— Quando eu disse que gostava quando você está mandão, eu não tinha
nada S & M em mente.
Max revirou os olhos, mas não conseguia esconder o sorriso.
— Deixe-me reformular: coloque isso, por favor.
Suspirando, Stella colocou a máscara.
— Você pode ver alguma coisa?
— Não.
— Bom.
Ele ligou o motor novamente, e eles dirigiram por mais cerca de dez
minutos, antes que pegassem uma curva acentuada e reduzisse
consideravelmente a sua velocidade. A estrada que estavam agora era bastante
irregular e acidentada, e Stella achava que era algum tipo de estrada vicinal e
menor na lateral. Ela tinha desistido de fazer mais perguntas, porque Max não
estava derramando nada . Ele levava sua surpresa muito a sério, e estava
completamente imune a sua sondagem de informações. Felizmente, eles não
dirigiram nessa estrada por muito tempo, porque Stella já estava se sentindo
um pouco enjoada. Logo, o carro parou e Max desligou o motor.
— Nós chegamos. — ele sussurrou em seu ouvido, e Stella se mexeu.
— Eu odeio essa coisa. — disse ela, apontando para a máscara.
— Talvez eu possa mudar sua opinião depois. — Max disse em uma voz
baixa e sedutora e o coração de Stella deu uma cambalhota. Como ele
conseguia deixa-la tão excitada com uma única frase? — Espere aqui, eu vou
abrir a porta para você.
Quando a porta se abriu, Stella, instintivamente, estendeu-lhe a mão e ele
a pegou na sua. Ele a levou alguns passos, depois parou e tirou a máscara.
A visão na frente dela a deixou sem fôlego. Eles estavam no meio de um
cartão postal! E não apenas qualquer cartão postal, mas aqueles mais bonitos,
que você envia para as pessoas que você realmente não gosta para deixa-los
com inveja de suas férias perfeitas.
Eles estavam à beira da estrada no meio de um campo que era de um
verde mais surpreendente que Stella já tinha visto. Ao longe, havia colinas e
uma floresta de faia, e a frente, a estrada de pista única, que vieram dirigindo.
No final da estrada havia uma casa, ou melhor, uma villa. Parecia muito
grande, mesmo de muito longe.
— Onde estamos?
— Toscana. — Max parecia tão satisfeito consigo mesmo e com o fato
de que Stella estava sem palavras. — Vamos lá, vamos voltar para o carro. Eu
só queria mostrar-lhe o ponto de vista daqui.
— Para onde vamos agora?
Max apontou para a casa de campo em vez de responder. Stella deu uma
última olhada ao redor, tentando imprimir o cenário em seu cérebro para
sempre - os campos intermináveis, o sol laranja que tinha acabado de beijar os
topos das colinas distantes, o cheiro de ar fresco surpreendente, o silêncio
natural.
Eles estacionaram na garagem alguns minutos depois. Max pegou as
malas do porta-malas e se dirigiu até a porta da frente, pescando no bolso a
chave. Stella saiu do carro e olhou em volta. O lugar era mágico! Havia árvores
enormes que cercavam os jardins ao redor da casa, dando-lhe uma sensação de
aconchego. Isso certamente foi planejado para dar privacidade, porque não
havia campos ao seu redor e nada mais. Mas ainda assim, era acolhedor.
A casa não parecia nada de especial do lado de fora, era um grande
edifício, quadradão feita de pedra cinzenta. No entanto, havia enormes janelas
ao longo das paredes que pareciam bastante modernas, então Stella estava
curiosa para saber o que ela iria encontrar lá dentro.
Max abriu a porta e entrou, deixando-a aberta para ela. Quando ela
atravessou a soleira, a boca de Stella abriu e ficou assim por um tempo. A casa
era incrível dentro. Eles haviam entrado em um grande espaço que era uma
sala de estar, sala de jantar e cozinha tudo no mesmo espaço. Era muito
moderno, com piso de madeira, paredes rebocadas e grandes janelas, que
permitiam a entrada de muita luz. A sala de estar compunha de dois sofás, um
monte de pufes e uma poltrona de couro. Havia uma lareira a gás e uma
televisão de tela plana por cima. A cozinha era compacta e separada da área de
estar por um bar e quatro bancos. Do outro lado havia uma grande mesa de
jantar com oito cadeiras.
A decoração era minimalista, mas confortável. No entanto, Stella não
conseguia encontrar toques pessoais em qualquer lugar - não havia fotos, nem
revistas ou livros espalhados, nada sobre os balcões na cozinha. Ele parecia
muito limpo e livre de confusão.
— Que lugar é esse? — Ela perguntou a Max, quando ele deixou as
malas no chão e passou a abrir as portas de vidro que levavam para o jardim
atrás.
— É de Beppe. — Isso foi tudo que ele disse, enquanto abria as portas. A
parede inteira que levava ao jardim desapareceu, quando Max deslizou todos
os seis painéis de vidro para o lado. Stella se juntou a ele, incapaz de resistir à
tentação de olhar para fora por mais tempo. Ela saiu para um pátio de pedra.
Um gramado verde exuberante espalhava para além , até as árvores que
circundam o jardim. À sua esquerda, viu uma piscina oval, com uma tenda ao
lado. Olhando mais de perto, ela percebeu que não era apenas uma tenda -
havia uma banheira jacuzzi no interior. Levantando uma sobrancelha para
Max, que estava observando a reação dela, Stella apontou para a jacuzzi.
— Como eu disse - é de Beppe. — disse Max, e sorriu.
— Por que ele não mora aqui, então?
— Você pode ver Beppe vivendo no meio de lugar nenhum em tempo
integral? Ele ficaria louco em dois dias no máximo.
— Então por que ele comprou? — Stella odiava intrometer, mas parecia
estranho comprar uma casa enorme, ainda mais em Toscana, e não viver nele.
— Ele não comprou. Seu avô deixou para ele. — Max respondeu a sua
pergunta, mas era óbvio pelo seu tom de voz e postura rígida, que não queria
elaborar mais. Stella deixou quieto Por que isso importa, afinal? Eles estavam
em casa bonita sozinhos, todo o resto era irrelevante.
— Quanto tempo nós podemos ficar? — Ela perguntou.
— Quanto tempo você quiser. Liguei para Antonio antes de sairmos, e
ele deve ter abastecido o frigobar para nós. Isso vai nos sustentar, pelo menos,
por alguns dias. Mas podemos ir à cidade e comprar mais comida, ou qualquer
outra coisa que precisarmos. — Max se moveu atrás dela e rodeou sua cintura
com os braços, apoiando o queixo no topo de sua cabeça.
— E o seu trabalho? Quando é que você tem que estar de volta?
— Não se preocupe, querida, nós ficaremos o tempo que quiser. Eu
quero dizer exatamente isso. — Ele beijou o lado de seu pescoço e apertou seus
braços com mais força ao redor dela.
— Quem é Antonio?
— Ele e sua esposa Cristina são os caseiros da casa.
— Você quer dizer que não estamos sozinhos aqui? — Stella não
conseguia esconder a decepção em sua voz. Max riu.
— Estamos. Eles moram em outra casa, ao lado do vinhedo.
— Outra casa? Vinhedo? Quão grande é esta propriedade, exatamente?
— Grande. Vou levá-lo para ver como eles fazem o vinho amanhã, se
quiser. Eles adorariam conhecê-la.
— Será que eles têm um daqueles enormes banheiras cheias de uvas que
você pode misturar com os pés? — Os olhos de Stella iluminaram com
entusiasmo. Ela sempre quis fazer isso, desde que ela tinha visto em um filme
uma vez. Parecia uma experiência extraordinária.
Max riu novamente.
— Eles tem. Eles mantêm uma para entretenimento, eu acho, já que
ninguém usa mais esse método para fazer o vinho. Mas é muito cedo para
colher as uvas, eles geralmente começam em meados de agosto — Ele roçou o
lado de seu pescoço novamente.. — Podemos voltar em agosto, se quiser.
— Eu adoraria isso.
Stella virou a cabeça para olhar para ele, e não conseguia esconder o
sorriso encantado. Grata a Max por ele ter todo este trabalho em limpar a sua
agenda e afastá-la de seus problemas, Stella beijou sua bochecha
carinhosamente e sussurrou:
— Obrigada. — Ele acenou com a cabeça, aceitando a sua gratidão e,
puxando-lhe a mão, levou-a para dentro.
— Está com fome? — Ele perguntou.
— Yeah.
— Bom, porque eu estou morrendo de fome. Deixe-me ver o que posso
fazer. — Ele abriu a geladeira e começou a tirar algumas coisas pra fora. — Se
você quiser, pode ir lá para cima e desfazer as malas, tomar um banho ou algo
assim. Eu vou fazer alguma coisa para comermos enquanto isso.
Como era possível um homem tão maravilhoso existir? Ele era atencioso,
generoso, apaixonado, incrivelmente sexy e carismático - e ele cozinhava!
Stella ainda tinha que encontrar uma falha nele.
— Você está olhando para mim de novo. — disse ele, produzindo um
sorriso diabólico e afastando Stella de seus pensamentos. — Eu daria tudo para
saber o que trouxe essa expressão sonhadora em seu rosto.
— Você. — disse ela, seu sorriso desaparecendo de forma inesperada e
seu rosto ficando sério. Sentindo a mudança, Max cobriu a distância entre eles
em poucos passos largos e esmagou sua boca na dela. Stella respondeu
imediatamente, abrindo os lábios para ele, e permitindo acesso total a sua boca,
sua língua - sua alma. Ele agarrou seu cabelo na parte de trás de seu pescoço,
puxando-o para trás e expondo sua garganta e queixo para ele explorar com
beijos famintos. Havia algo de desesperado, animalesco, sobre a maneira como
ele reagia à sua admissão com essa única palavra. Stella abriu os olhos,
tentando recuperar os sentidos e viu Max arrastando sua língua ao longo de
seu pescoço, olhando para ela. Seus olhos castanhos estavam desfocados,
ansiosos e desfocados com a necessidade. Havia algo de muito mais profundo
acontecendo por trás deles, mas Stella estava muito desgastada e com muito
medo de entrar nisso agora.
— Max... — disse ela, sua voz saindo rouca. Ele moveu os lábios para
trás e abrandou, beijando-a com ternura, tentando recuperar o controle. Suas
mãos se moveram para o lado de seu rosto, segurando seu rosto enquanto ele
pressionou sua testa contra a dela, respirando pesadamente. Stella apertou a
mão no peito dele , e sentiu seu coração batendo em um ritmo frenético.
— Sinto muito. — disse ele em voz baixa, ainda não soltando-a.
— Não sinta. — Stella moveu a mão do peito dele até rosto, roçando-o
com os dedos.
— Eu sei que nós viemos aqui para manter a sua mente fora das coisas, e
a última coisa que você precisa sou eu em cima de você desse jeito - mas é só
que eu não consigo me controlar perto de você. Especialmente quando você
está toda sonhadora e sexy, pensando em mim.
— Isso não vai acontecer novamente. — disse Stella, e o olhar
horrorizado nos olhos de Max a fez rir. — Eu estou brincando! Eu não poderia
evitar, mesmo se eu quisesse. Desde que eu te vi naquele dia na praia, tudo que
eu penso é você.
Max deu um passo para trás e sorriu, os olhos brilhando de alegria. —
Eu também. Você ainda tem aquele vestido amarelo que usava naquele dia? Eu
adoraria arrancá-lo de você.
— Espere - você se lembra de mim ?— Stella sempre pensou que Max
não tinha prestado atenção a ela naquele dia, e que ele só se lembrou de seu
primeiro encontro “oficial” na praia no dia seguinte, quando ela machucou o pé.
— Claro que eu lembro de você. Você olhou para mim de boca aberta
por um longo tempo, babe.
— Hey. — Stella bateu na parte superior do seu braço de brincadeira. —
Você estava saindo do mar em câmera lenta, todo bronzeado, lindo e molhado.
O que eu deveria fazer?
— Eu tenho certeza que estava me movendo a uma velocidade normal.
— Não como eu vi. — Ela piscou para ele e ele sorriu. — E, além disso,
deve haver uma tonelada de outras mulheres olhando para você o tempo todo.
Eu pensei que você estava acostumado a isso.
— Nem todas as mulheres que olham para mim tem pernas longas e
magras, um cabelo caramelo incrível, pele pálida impecável e parece
incrivelmente bonita em um vestido amarelo curto. — Enquanto ele falava,
Max se aproximou dela novamente, enfatizando cada palavra, enquanto seus
olhos percorriam o corpo de Stella.
— Quando eu vi você no dia seguinte sozinho na praia, eu não podia
acreditar na minha sorte. Quando você feriu o pé, tive a oportunidade de
bancar o seu herói. Cuidar de você — disse ele, e aproximou-se ainda mais.
Stella podia sentir sua respiração sobre seus lábios, e seu coração acelerou
novamente. — Eu fui um tolo em não te convidar para sair naquele dia, mas
não iria me sentir bem em fazer um curativo seu pé e dar em cima de você, nem
passando cinco minutos. Quando eu te vi na casa de Lisa, eu sabia que havia
uma razão para você continuar aparecendo na minha vida.
Ele roçou os lábios nos dela, e Stella estava hipnotizada com as suas
palavras, sua boca, o jeito que ele olhava para ela. Ela ficou congelada no lugar,
incapaz de se afastar. Recusando-se a se afastar. — Eu acho que é uma boa
ideia você organizar a mala, porque se você ficar aqui, eu não posso prometer
que vou resistir em jogá-la por cima do meu ombro e levá-lo até o quarto. —
Ele beijou a pele embaixo da orelha e ela estremeceu.
Certo. Mover. Arrumar mala. Chuveiro. Definitivamente chuveiro.
— Onde é o quarto? — Ela perguntou sem fôlego.
— Lá em cima, segunda porta à sua esquerda. — Max sorriu e, dando-
lhe um último beijo no rosto, voltou a fazer o jantar.
— Max, esta é a segunda refeição incrível que você cozinhou para mim.
Eu não posso acreditar que você não é um chef, assim como Gia. Você tem
algumas habilidades especiais.
Ele tinha feito lasanha, cozido pão de alho a partir do zero e uma enorme
salada com o molho mais saboroso que Stella já provara.
— Eu considerei isso por um tempo. Meu pai era um chefe, e eu e Gia
adoravamos vê-lo cozinhar. Eu acho que depois que ele morreu, eu não poderia
fazer algo que me faria lembrar dele todos os dias. — Toda vez que Max falava
de seu pai, uma sombra inconfundível de tristeza surgia em seu rosto. Stella
sabia que nunca iria embora, não importa quanto tempo se passasse. — Gia,
por outro lado, estava mais determinada do que nunca em ser chef. Ela tinha
dezessete anos quando ele morreu, e passou a estudar muito para entrar na
faculdade. Todos os seus esforços eram em tirar boas notas e ser aceita no
Instituto de Artes Culinárias. Eu acho que todo mundo lida com a dor de forma
diferente - eu queria esquecer, enquanto tudo o que ela queria fazer era se
lembrar dele.
Stella poderia entender isso completamente e, pela primeira vez desde
que seu pai e seu irmão morreu, ela se sentiu pronta para falar sobre isso com
alguém além de sua mãe.
— Você está certo, todo mundo chora da sua própria maneira. Após o
acidente, Niki partiu com Lisa, deixando cada coisa que lembrava o marido
para trás, inclusive eu e minha mãe. Minha mãe porém, sentiu que precisava
ser lembrada de seu filho e seu marido todos os dias e se recusou a se mudar.
Mas no final, não importa onde você mora ou o que você faz. Você se lembra
das pessoas que perdeu a cada dia, quer você queira ou não. Eu acho que tudo o
que podemos fazer é continuar com as nossas vidas da melhor maneira possível
e chegar a um acordo com esse fato, embora nunca iremos esquecê-los, eles
nunca vão voltar.
Max assentiu com a cabeça, mas ficou em silêncio, como se as palavras de
Stella estivessem sendo processadas. Eles terminaram a lasanha em silêncio, e
mesmo que não fosse desconfortável, Stella sentiu Max afastar. Ele tinha uma
tendência a fazer isso às vezes - pensar tão duro sobre algo, que todos os seus
outros sentidos desligavam. Agora Stella precisava dele lá, não distante em sua
cabeça, e a vibração distante que ele estava projetando era insuportável.
— Então, me diga mais sobre esta casa. Quando Beppe a reformou?
Tudo parece novo aqui. — Max tomou um gole de sua bebida, tentando
concentrar todos os seus pensamentos no presente, antes que ele falasse.
— Cerca de três anos atrás. Ele contratou empreiteiras para fazê-lo, mas
ele estava aqui quase todos os dias. Eu acompanhei e fiquei fascinado. Eu fiz
tantas perguntas e queria estar envolvido em tudo o que estava acontecendo,
que eu deixei todos loucos. Em um ponto, o gerente de projeto ameaçou sair se
eu não desistisse. — Stella riu porque ela poderia perfeitamente imaginar Max
fazendo isso. Ela sabia, por experiência pessoal, como ele era determinado
quando decidiu que queria algo, e ele tentava de tudo, até conseguir.
— Meu palpite é que você não afastou, não é?
— Sem chance — disse ele e sorriu, parecendo encantado que ela
soubesse como ele reagiu. — Acionei meu charme, e ele estava comendo na
minha mão nas próximas três semanas.
— Às vezes eu acho que você não tem noção do que a palavra “não”
significa.
— Oh, eu sei o que significa. Eu só não gosto. — disse ele, e piscou para
ela.
— Foi por isso que você decidiu que queria seguir esse tipo de carreira?
— perguntou Stella, levando a conversa de volta aos trilhos.
—Eu sempre fui interessado em edifícios, eu acho. Mas sim, esse foi o
momento que percebi que não queria construir novos. Prefiro salvar os
negligenciadas. Na Itália, existem muitas casas antigas incríveis, deixadas
apodrecer sob os elementos da natureza. Muitas pessoas não querem assumir
tais projetos, porque é difícil - a maioria dessas casas estão tombadas como
patrimônio , e há uma série de questões burocráticas, lotes de licenças para
conseguir. No lado positivo, elas são muito baratas para comprar e,
geralmente, vêm com muita terra.
O coração de Stella inchou quando Max falou. A necessidade de ajudar e
proteger-estava profundamente enraizado em seu DNA. Se ele quisesse seguir
uma carreira com desenvolvimento de projetos em propriedade, seria muito
mais fácil construir novas casas a partir do zero. Mas não, ele tinha que salvar
as antigas, dar nova vida a eles. Torná-las felizes.
— Eu posso te mostrar, se você quiser. — Stella percebeu que Max
ainda estava falando, e ela não tinha ouvido uma palavra nos últimos dois
minutos.
— Desculpe, o quê? — Ela perguntou, trazendo toda a sua atenção de
volta para ele novamente.
— Onde você foi? Você parecia sonhadora por um momento. Você tem
que parar de pensar em mim o tempo todo, você sabe. — ele brincou com um
sorriso encantador.
— Eu vou fazer o meu melhor.
— Então, eu estava perguntando se você queria ver algumas das casas
que eu estou de olho. Elas não são longe, a maioria delas está aqui na Toscana.
— Claro, eu adoraria. Amanhã?






















1'pí $&(! /"n$e e Se$e


8o momento em que tinham terminado
a sua refeição e limpado a cozinha, já era meia-noite. A exaustão em Stella
bateu tão forte, que ela mal podia arrastar os pés para cima. Felizmente, ela já
tinha tomado banho antes do jantar, por isso tudo o que tinha que fazer agora
era tirar a roupa e subir na cama.
— Eu vou tomar um banho rápido, antes de me juntar a você. — Max
sussurrou em seu ouvido, com Stella quase dormindo. Ela conseguiu acenar
com a cabeça e a última coisa que ela ouviu foi o chuveiro sendo ligado no
banheiro.
Algum tempo depois, Stella acordou, desorientada. Por um momento, ela
não tinha ideia de onde estava. Seu coração acelerou e sua respiração tornou-se
superficial. Tudo o que podia sentir era o corpo quente de Max atrás dela, sua
perna cruzada sobre a dela, seus braços abraçando-a perto dele. Ela se acalmou
imediatamente, lembrando-se de todos os eventos do dia e percebendo que
ainda era meio da noite.
— Volte a dormir, querida. — ele murmurou, sua respiração formigando
na sua nuca. Ela sorriu e, suspirando satisfeita, fechou os olhos e obedeceu.
No dia seguinte, foi um dos mais maravilhosos dias da vida de Stella. Ela
não conseguia se lembrar da última vez que se sentiu tão despreocupada e feliz.
Depois de preparar o café da manhã para ela, Max a levou em uma viagem para
mostrar-lhe algumas casas.
A Toscana era o mais perto do paraíso na Terra que Stella poderia
imaginar. Ela não conseguia parar de olhar para fora da janela e memorizar a
paisagem. Londres iria parecer tão claustrofóbica, quando ela retornasse em
casa depois disso.
A primeira casa que viu estava tão degradada, que Stella se perguntou
como não tinha caído ainda. Era um grande retângulo, de três andares, com
enormes buracos no telhado e paredes parcialmente ausentes. A terra em torno
dele foi negligenciada, e tinha uma necessidade desesperada de uma UTI.
Max olhou para ele com tanta paixão e expectativa, que se Stella não
soubesse o que ele estava olhando, ela teria pensado que eles estavam em pé na
frente da mansão Playboy.
— O que você acha, querida? — Ele sorriu para ela, pegando sua mão e
levando-a mais perto de casa.
— É... Eu acho que é... Velha. E mal se segura em pé.
Max riu, andou atrás dela e a abraçou, trazendo sua boca ao lado de seu
ouvido antes de falar.
— Feche os olhos. — disse ele, em voz baixa, roçando seus lábios sobre
sua orelha. Ela fez. — Agora imagine que não há buracos no telhado e ele
estava coberto de novíssimas telhas vermelhas. Imagine fumaça saindo da
chaminé. Imagine batentes de madeira escura e janelas enormes. Uma madeira
escura, porta sólida. Imagine as cortinas nas janelas dentro. — Stella sorriu,
mantendo os olhos fechados e imaginando a cena que Max descrevia a ela. Ele
começou a tomar forma em sua mente e ela realmente gostou do que viu.
— Agora, vamos entrar. Você vê o piso de madeira? Você sente o chão
aquecido? Olhe à sua direita – você vê a lareira original, completamente
restaurada? Sente o calor das chamas dentro? — O timbre da voz do Max
tinha ficado baixa e rouca. Seu hálito quente na orelha dela estava
enlouquecendo Stella. Ela não estava pensando na casa. Ela imaginou eles
sentados no chão em frente à lareira, beijando, arrancando as roupas um do
outro. Um suave gemido escapou de seus lábios involuntariamente e os braços
de Max apertaram seu corpo.
— Stella? Você ainda está imaginando a casa? — Ele beijou seu pescoço
sob a orelha, espalhando seus pensamentos muito além de qualquer imagens da
casa. — Eu nem sequer descrevo os outros quartos ainda. Especialmente o
quarto principal. Tenho grandes planos para ele. — Stella o sentiu sorrir
contra sua pele. Virando-se para encará-lo, ela abriu os olhos e disse:
— Eu vou levá-la. — Max jogou a cabeça para trás e riu.
— Eu pensei que você disse que era velha e mal estava em pé.
— Bem, você pode ser muito persuasivo. — Ele baixou a cabeça e a
beijou.
— Isso é o que eu quero, baby. Eu quero uma casa como esta, cercado
por minha própria terra, ter um pomar, uma vinha, uma horta, dois cães. Quero
restaurar tantas casas quanto esta que eu puder, dar-lhes a vida que elas
merecem. — A paixão nos olhos dele era contagiante e Stella sentiu seus lábios
se espalhando em um enorme sorriso. A vida que Max queria para si mesmo
era incrível, e o conhecendo, ela tinha certeza de que um dia ele iria conseguir
tudo o que sonhou.
Stella queria dizer-lhe tudo isso, mas por trás de seu sorriso havia uma
pontada de tristeza. Por um momento, ela se imaginou nesse cenário futuro
com Max, mas depois ela teve que agitar-se mentalmente e se lembrar que seu
futuro era muito incerto - e não incluia Max. Com medo de que se ela falasse
qualquer coisa, ele poderia sentir, ela só o beijou, tentando empurrar a tristeza
para longe antes que ele a flagrasse nela.
— Vamos, vamos lá. Temos mais algumas casas para ver. — ele disse,
quando ela separou seus lábios dos dele.
As outras três casas que viram estavam em condições melhores, mas
Stella olhou para elas com a mente aberta. Ela não via mais as ruínas de um
prédio de tijolos, ela via a casa cheia de vida e possibilidades.
J á passava da hora do almoço, quando eles terminaram o seu passeio, e a
barriga de Stella roncou para lembrá-la de que não tinha comido nada desde o
café da manhã. Max olhou para ela e sorriu, manobrando o carro. Ele pegou
dois sacos de papel no porta-malas e deu um para Stella, gesticulando para que
ela o seguisse. Sentaram-se na grama, a poucos metros de distância da estrada,
e comeram os sanduíches que Max tinha feito para eles.
— Isso é apenas um aperitivo. Eu tenho planos para fazer algo especial
no jantar hoje à noite.
Claro que ele tem. Como posso ter tanta sorte e ser tão condenada, tudo
ao mesmo tempo?
O jantar foi realmente especial. Max fez costeletas de cordeiro com um
pouco de molho mágico, com ingredientes que ele se recusava a revelar. Stella
não costumava comer cordeiro, mas a forma como Max tinha preparado fez seu
paladar pular de alegria e chorar por mais. A noite estava linda e quente, e
Max sugeriu que comessem a sobremesa na jacuzzi. Stella correu para cima
para colocar seu biquíni, enquanto Max cortava frutas em pedaços e as
colocava em uma tigela grande.
Ele a alimentou com morangos, melão e pêssego, e beijou-a após cada
mordida. Em algum momento ele tinha conseguido remover seu biquíni e
descartá-lo na borda da jacuzzi, sem sequer Stella perceber. Não que ela
estivesse reclamando.
Ele arrastou seus dedos ao longo de suas costas , enquanto ela se sentava
em seu colo, montada nele e, literalmente, comendo em sua mão.
— O que sua tatuagem significa? — Ele perguntou, enquanto arrastava
com os dedos os símbolos nas costas.
— Amor, sonhos e sorte.
Max levantou uma sobrancelha, esperando algum esclarecimento.
— Essas são as três coisas que eu acho que ninguém pode viver sem.
Você tem que amar alguém ou alguma coisa, não importa se é romântico ou
não, mas se você não tem algo que você ama em sua vida, então você está
perdido. Danificado. Quebrado. — Stella suspirou e fez uma pausa antes de
falar novamente. — Você precisa ter um sonho, caso contrário, o que está te
esperando para olhar em frente? Sem um sonho, é como se estivesse andando
em um túnel constantemente escuro e não há luz na outra ponta. E você
precisa de sorte, é claro, porque sem ela as coisas não dão certo, por mais que
você tente.
Max olhou para ela enquanto ela falava, as sobrancelhas levemente
franzidas sobre os olhos arregalados.
— Você está certa. Eu nunca pensei sobre isso antes, mas você está
certa. — disse ele , e alimentou Stella com um morango. Quando ela mordeu o
fruto maduro, um pouco de suco escorreu do seu queixo e, instantaneamente,
os olhos de Max nublaram quando ele abaixou a cabeça e lambeu.
— Você sabe, eu acho que há uma última coisa a adicionar à sua lista, no
entanto. Algo tão importante quanto os outros três. — ele murmurou contra
seus lábios.
— O quê?
— Esperança.
Mais tarde naquela noite, enquanto estavam deitados na cama nos braços
um do outro, Max suspirou e disse:
— Você se lembra daquela noite no carro, depois que já tínhamos
trabalhado no bar juntos, quando eu lhe disse sobre o meu colapso depois que
meu pai morreu? — perguntou Max, roçando os dedos sobre o braço de Stella
distraidamente.
— É claro.
— Eu lhe disse que o que me fez buscar ajuda, foi o fato de bater em uma
cara e deixá-lo em coma. Essa parte era verdadeira. Mas houve outra coisa, que
me fez perceber o pedaço inútil de merda que eu havia me tornado. Beppe tem
sido meu melhor amigo desde que me lembro. Ele, Gia e eu éramos
inseparáveis. Ele agarrou-se a nós para salvar sua vida. Ele estava em nossa
casa, tanto que nossos pais começaram a tratá-lo como um dos seus filhos.
— Por quê? Onde estavam os pais dele?
— Seu pai era muito violento. Ele culpou Beppe e sua mãe por arruinar
sua vida, quando foi o contrário. Os pais de sua mãe a deserdaram quando ela
se casou com seu pai. Eles odiavam o cara, e com razão. Ela estava grávida, e
cega de amor, e não podia ver que ele era um bastardo até que fosse tarde
demais. Quando meu pai morreu e eu comecei a espiral fora de controle, Beppe
estava lá por mim, mesmo que ele tivesse um monte de problemas pessoais.
Gia se isolou de nós dois, e do mundo. Efetivamente eu tinha perdido minha
irmã tanto quanto eu tinha perdido o meu pai. Comecei a odiar Beppe e sua
constante importunação, eu pensei que ele não sabia o que eu estava passando,
que ele não tinha o direito de me dizer o que fazer ou o que eu precisava. Ele
ficou do meu lado, mesmo que eu fosse um idiota com ele. Se não fosse por ele,
eu teria terminado muito pior do que eu terminei.
— Poucos dias antes que eu quase matei o cara, Beppe foi internado no
hospital. Seu pai tinha batido tanto nele, que pensou que o tinha matado. O
covarde que ele era, ele pegou uma faca e matou sua esposa antes de mergulhá-
lo em seu próprio peito.
A mão de Stella voou para a boca. Ela ficou sem palavras, porque um
caroço enorme se formou em sua garganta. Max abraçou um pouco mais
apertado, antes de continuar,
— Eu descobri sobre o assunto no noticiário da TV. Eu estava tão
absorto em minha própria vida de merda, que eu tinha deixado o meu melhor
amigo sozinho e desamparado. Eu não poderia nem mesmo lhe fazer uma
visitá-lo no hospital. Naquela noite eu fiquei bêbado e queria morrer. Eu me
senti tão inútil. Eu nem me lembro como a briga com o cara começou, eu só
sabia que eu coloquei todo o meu desespero, tristeza, auto-piedade e raiva
sobre ele.
A voz de Max balançou e ele fez uma pausa para se recompor.
— Max, você não tem que me dizer isso. — Stella sabia que falar sobre
isso o fazia reviver tudo de novo, e ela não queria vê-lo com tanta dor.
— Não, eu preciso. Eu tenho um ponto com tudo isso, eu prometo -
apenas me ouça. O dia que visitei o cara no hospital, eu juntei a coragem de
visitar Beppe também. Ele estava fora da UTI e sua recuperação estava
progredindo bem. Quando ele me viu, a dor em seus olhos quase me matou. Ele
não estava com raiva de mim, ele estava ferido além do reparo. E não apenas
por aquilo que tinha acontecido com ele, mas pela maneira que eu estava. Ele
viu através de mim, e sabia que eu tinha ao ponto em que eu tentava me firmar,
ou não haveria como voltar atrás. Ele não disse nada para mim, então, ele
apenas olhou para mim. Ele sabia que não estava em condições de me ajudar,
não fisicamente, não mentalmente. Eu não aguentei mais e sai.
— A próxima vez que o vi foi dois anos depois. Depois que ele ficou
melhor, ele foi morar com seu avô - pai de sua mãe - aqui na Toscana. Ele era a
única pessoa da família de Beppe que havia restado, e desde que ele tinha
dezessete anos, precisava de um guardião. Ele não voltou para Gênova, até ele
completar dezoito anos, porque seu avô precisava dele aqui. Ele voltou um ano
mais tarde, depois que seu avô decidiu vender tudo o que possuía, exceto essa
propriedade, e mudar para a Sicília - de onde ele era originalmente - para se
aposentar. Ele deu a maior parte do dinheiro para Beppe e o fez prometer que
ele iria viver sua vida, fazer algo para si mesmo, encontrar um sonho, um
objetivo.
— Quando Beppe voltou, era como se ele nunca tivesse saído. O
momento que eu o vi, senti a mesma conexão que costumava ter antes. Ele me
perdoou sem pensar duas vezes, embora eu não merecesse isso.
Max parou novamente, dominado pela emoção de falar sobre seu passado
e de Beppe , e do amor que sentia por seu amigo.
— Eu acho que o que eu estou tentando dizer - e eu sei que eu prometi
que não iria falar sobre isso enquanto estivéssemos aqui, mas eu só vou dizer
dessa vez, e não mencionarei isso nunca mais. Você tem que falar com Lisa,
deixe-a explicar o que está acontecendo, e encontre espaço em seu coração para
perdoá-la. Ela é sua melhor amiga, vocês duas tem uma vida de lembranças
boas juntas. J ogar uma conexão assim longe por causa dos sentimentos que ela
tem por Gino, que eu tenho certeza que ela lutou contra, mas apenas não
conseguiu evitar, seria imperdoável. Eu sei que você vai se arrepender se não
se permitir dar a chance de entender. E perdoar. Você conhece Lisa, e você
sabe que ela nunca faria nada sem uma boa razão. Você sabe o quão grande é o
seu coração. — Max puxou o dedo sob o queixo de Stella, para ela olhar em
seus olhos. Ela não resistiu. Seus olhos estavam nublados, enquanto as
lágrimas ameaçavam derramar a qualquer momento. — Me prometa que vai
tentar, Stella.
Balançando a cabeça, ela fechou os olhos e as lágrimas corriam pelo seu
rosto.
Eles ficaram na casa de Beppe por mais um dia. Stella já tinha feito a sua
cabeça que ela ia falar com Lisa e tentar o seu melhor para perdoá-la, não só
porque ela tinha prometido a Max, mas porque ele estava certo sobre tudo.
Elas tinham uma conexão muito especial, que ela não podia simplesmente
jogar fora porque não concordava com a decisão da outra. Lisa era uma pessoa
muito responsável, ela nunca faria nada sem considerar as consequências, e se
ela sentia que cuidar de Gino era a coisa certa a fazer, então talvez fosse.
Talvez ela precisasse de ajuda e aconselhamento. Stella tinha certeza de que
sua prima não tinha compartilhado seu segredo com ninguém, e estava levando
esse fardo enorme, por conta própria.
Stella precisava de mais um dia longe da realidade, no entanto. Ela
gostava de estar sozinha com Max no meio do nada. Ele cuidava tão bem dela,
a mimando com comida maravilhosa, fazendo-a rir. Se ela pudesse, Stella teria
ficado aqui com ele para sempre.




















1'pí $&(! /"n$e e 0"$!


<ax queria ir com Stella, depois que ele
estacionou o carro na garagem, mas ela insistiu em ir sozinha. Isso era entre
ela e Lisa, e tanto quanto ela apreciava o apoio de Max, ela precisava ser
madura e enfrentar sua prima. Sozinha.
Ele saiu, fazendo ela prometer que ligaria logo depois que tenha
terminado de falar.
No interior, Lisa estava sentada no sofá, à espera de Stella. Ela mandou
uma mensagem a ela antes de saírem de casa de Beppe , e sabia que sua prima
iria esperar por ela.
— Oi — disse ela, levantando-se com ansiedade, incerteza escurecendo
seus olhos verdes geralmente brilhantes.
— Oi — Stella respondeu, deixando sua bolsa no chão e caminhando
para se sentar no outro sofá. Lisa sentou-se, com as mãos remexendo em seu
colo. Ela estava nervosa, que não era um bom sinal. Se ela tinha tanta certeza
que Stella iria entender seu raciocínio, ela não estaria tão nervosa. — Então
fale. Estou pronta a ouvir com uma mente aberta o que você tem a dizer, Lis.
Limpando a garganta, Lisa começou, mas foi incapaz de encontrar os
olhos de Stella.
— Eu conheci Gino algumas semanas antes do acidente. Ele veio para a
galeria querendo comprar uma pintura muito específica. Claro que eu sabia
quem ele era, sua foto estava constantemente esparramada em toda as revistas
de fofocas. Eu tinha minha opinião formada sobre ele com base no que eu li, e
eu acho que eu provavelmente olhei para ele com um pouco de desprezo. Ele
pode ser o filho de um bilionário, mas nos meus olhos, ele não era nada mais do
que um mimado playboy privilegiado. Ele pegou minha opinião sobre ele quase
imediatamente, e não parecia satisfeito. Mas descobri que ele sabia muito sobre
arte e era muito apaixonada por ela, assim começamos a conversar sobre
pinturas, e senti que talvez eu estivesse sendo muito dura na minha opinião.
Não era justo formar uma opinião dele baseada unicamente em fofocas. Eu
nunca o conheci antes.
— De qualquer forma, ele comprou a pintura que estava procurando e
saiu. Na semana seguinte, ele voltou, mas eu não estava trabalhando naquele
dia. Ele pediu especificamente por mim, e recusou a ajuda de outra pessoa,
então o dono da galeria me ligou e me pediu para ir e lidar com ele. Eu fui, e
lhe vendi uma outra pintura. Antes de sair, ele me convidou para uma bebida.
Eu realmente não queria ir, mas senti que eu ia deixar meu chefe chateado se
eu não fosse - afinal, Gino era um grande cliente para ter em uma pequena
galeria. Então saímos naquela noite e eu me diverti muito. Gino em particular
foi era nada que os jornais demonstrava ser. Eu senti esta conexão estranha
entre nós que eu não conseguia explicar.
— Quando ele me deixou em casa, ele me beijou. Eu me senti como se eu
fosse atingida por um raio. Eu nunca, nunca, senti uma emoção tão intensa
durante um beijo. Quando ele se afastou, eu sabia que ele tinha sentido algo
semelhante, também. Isso estava em seus olhos.
Lisa parou e afastou uma lágrima de seu rosto. Em circunstâncias
normais, Stella teria ido sentar-se ao lado dela e abraçá-la, oferecendo o
máximo de apoio que precisava. Não agora, no entanto. Lisa tinha que
terminar a história antes que Stella decidisse se ela merecia algum consolo.
— Ele nunca me ligou depois disso. Eu o vi no dia do acidente, com uma
morena em seu braço, e eles estavam andando pelo centro de compras, felizes e
confortáveis juntos. Quando eu passei por eles, ele me viu. Ele olhou
diretamente para mim, pesar e sofrimento na sua face. Eu não poderia lidar
com isso, eu estava muito ferida e envergonhada para falar com ele. Então, eu
só passei por eles como se eu não o conhecesse.
— Naquela mesma noite, ele bateu com o carro e ficou em coma por
vários dias. Eu não sei por que eu fui vê-lo no hospital, eu acho que precisava
de algum tipo de encerramento. Ele parecia tão vulnerável e frágil na cama,
com todas aquelas máquinas conectados em torno dele. Sentei-me ao lado dele,
e senti que a única maneira que eu poderia ser capaz de seguir em frente era
perdoá-lo pelo que fez, e através dele perdoar o homem que matou meu pai. —
Outra lágrima escapou dos olhos de Lisa e Stella sentiu o familiar raio quente
descer pelo seu rosto também. — Eu lhe contei a história da minha vida,
pensando que ele não poderia me ouvir. No final, eu disse que o perdoava e me
virei para ir embora. Eu não sei por que, mas eu senti a necessidade
inexplicável em dar uma pausa na porta e olhar para ele uma última vez. —
Lisa ergueu os olhos para Stella, pela primeira vez desde que ela começou a
falar. A angústia neles apertou o coração de Stella. — Eu vi uma lágrima
deslizar do canto de seu olho. Ele ouviu tudo o que eu tinha dito.
Lisa não podia continuar falando, porque um enorme soluço escapou de
sua boca. Stella se levantou de onde estava sentada e sentou-se ao lado de sua
prima, envolvendo os braços em torno dela e oferecendo o conforto que ela
tanto precisava. Depois que ela se acalmou um pouco, Lisa continuou:
— Ele tinha danificado sua coluna no acidente, mas foi operado e lhe
deram o sinal verde para começar a fisioterapia depois que ele saiu do coma.
Ele se recusou. Ele não quer falar, andar, fazer qualquer coisa. Fui visitá-lo
algumas vezes, me sentindo responsável, que ele estivesse deprimido por
minha causa, por causa do que eu disse. Notei que pouco a pouco, os balões,
cartões e flores em seu quarto começaram a desaparecer. Sua família estava
muito envergonhada dele para levá-lo de volta para casa, ele tinha estragado
todos os seus jantares extravagantes. Então, eles o colocaram nessa clínica e se
esqueceram dele. Sua mãe o visita uma vez a cada duas semanas, por obrigação,
não por qualquer outra coisa.
— Eu sinto que o que aconteceu com ele não foi justo. O homem que
matou nossos pais e Eric pegou oito anos de prisão, ficando apenas quatro
anos, e indenização. Agora ele está fora e livre para viver sua vida. Gino, por
outro lado, não matou ninguém, mas está preso em uma cadeira de rodas, toda
a vontade para a vida sugado para fora dele. Como isso é justo, Stella?
Não era uma pergunta retórica: Lisa realmente olhou para sua prima em
busca de uma resposta. Stella não tinha uma resposta para isso, então ela
apenas deu de ombros.
— Eu comecei a visitá-lo na clínica mais e mais vezes. Mesmo que ele
nem sequer foque seus olhos em mim, eu me sinto estranhamente aliviada com
a sua presença. Se eu não o vejo por alguns dias, eu fico agitada, desconectada.
Quero chegar até ele, fazê-lo querer viver novamente. Mas eu não sei como
fazer, e isso está me matando, Stella. Eu sou apaixonada por ele, eu nunca me
senti assim com ninguém, eu faria qualquer coisa para ajudá-lo.
Lisa começou a soluçar de novo e Stella apertou os braços em volta dela.
Ela podia entender estar apaixonado por alguém, apesar de todo pensamento
racional. Ela também conseguia entender onde Lisa estava vendo a injustiça da
situação. Quem era ela para julgar? Ela fez algumas coisas muito irracionais
também. E Lisa estava certa - Gino não era o homem que matou seus pais e
Eric. Stella tinha exagerado quando confrontou Lisa antes, e que era hora de
pedir desculpas e admitir alguns de seus erros.
— Lis, olhe para mim. — Ela levantou a cabeça e concentrou os olhos
lacrimejantes no rosto de sua prima. — Sinto muito sobre como eu reagi antes.
Eu deveria ter lhe dado a chance de explicar tudo, mas eu estava tão... zangada.
Não com você. Eu ainda estou com raiva de como eles morreram, o quão
estúpido e desnecessário suas mortes foram. Eu não acho que algum dia vou
ser capaz de superar isso, mas isso não é desculpa pela forma como eu reagi. Eu
deveria ter deixado você explicar tudo , antes que eu saísse correndo. Eu sinto
muito. — Lisa assentiu, aceitando o pedido de desculpas, mas as lágrimas
continuavam escorrendo pelo rosto.
Stella sentiu necessidade de compartilhar algo tão duro de admitir,
porque ela estava cansada do buraco que ardia em seu coração. Lisa era a única
pessoa que ela iria considerar fazer isso, e talvez faria sua prima se sentir
melhor, sabendo que ela não era a única pessoa carregando um enorme
segredo.
— Eu nunca disse a ninguém isso, nem mesmo a minha mãe. — ela
começou, e as suas palavras fizeram com que Lisa inclinasse a cabeça para
encará-la novamente. — O dia em que ele foi libertado da prisão, tanto eu
como a minha mãe estávamos esmagadas. Não podia acreditar o quanto três
vidas humanas valiam - quatro anos em uma prisão confortável e indenização.
O canalha voltou para casa, para sua família, enquanto nossas vidas estavam
arruinadas para sempre. Minha mãe passou o dia inteiro no cemitério,
chorando. Eu encontrei-a dormindo no túmulo de Eric.
Eu nunca senti tanta raiva cega, Lis. Eu estava brava com ele, com o
sistema judiciário, com o governo, a vida. Eu precisava fazer alguma coisa ou
eu ia entrar em combustão. Então, naquela noite, eu fiz a coisa mais estúpida,
irresponsável, e vil. Eu peguei uma faca de cozinha da gaveta, coloquei em
minha bolsa e me dirigi para sua casa. Eu me escondi do lado de fora e esperei.
No momento em que ele saisse de casa eu planejava correr até ele e esfaqueá-lo
repetidamente, até que ele morresse nos meus braços.
Stella fechou os olhos, incapaz de olhar para Lisa. O que ela deveria estar
pensando dela? Como uma pessoa em sã consciência poderia querer matar
outro ser humano, não importa o que eles fez para merecer isso? Ela sentiu a
mão de Lisa em seu rosto e abriu os olhos para encontrá-la, olhando para ela de
forma encorajadora. Não havia julgamento em seus olhos. Ainda.
— Então, eu esperei. Eu o vi com sua família através da janela. Eles
estavam jantando, conversamos e rindo. Eu chorei. Depois do jantar, ele saiu
para passear com seu cachorro, com sua filha mais nova à reboque. Eu chorei
mais. Eu não poderia fazer isso com ele, não só por causa da menina, mas
porque eu simplesmente não conseguia. Eu não tinha isso em mim, matar
alguém a sangue frio. Então, eu só parti.
— Stella... — Lisa começou.
— Não, eu não acabei. No dia seguinte, fui ao médico para uma consulta
bastante tranquila, para o que eu pensava ser uma persistente azia. Eles me
disseram que eu tinha câncer.
— Stella, isso não foi... — Lisa tentou interromper novamente,
percebendo onde estava indo com isso.
— Foi, Lisa. Foi o meu castigo por querer matar alguém. Deus, eu sou
uma pessoa tão inútil. — Stella escondeu o rosto entre as mãos , enquanto ela
soluçava, com vergonha do que ela tinha acabado de admitir.
— Você não é inútil. Nunca pense isso — Lisa agarrou Stella pelos
braços e sacudiu-a, até que ela baixou as mãos do rosto e olhou para ela. —
Você estava com raiva, e com razão. Seus instintos protetores estavam batendo
após ver tia Helen tão arrasada. O que é importante é que você não foi adiante
com seu plano, eu duvido que você pudesse ter ido. Você é uma boa pessoa,
Stella, mas você é humana. Nós cometemos erros, fazemos coisas estúpidas - é
o que nos torna humanos. Então, pare de julgar a si mesma.
— Por que eu tenho câncer, Lisa? — Stella perguntou, sua voz calma, os
olhos cheios de dor e pesar. Lisa sacudiu a cabeça. — Minha mãe não merecia
perder outro filho. Eu não mereço isso depois de tudo que eu passei. Por quê?
Eu sou uma pessoa tão ruim que eu preciso ser punida constantemente? Minha
vida se transformou em um pesadelo e eu...
Stella não poderia continuar, pois sua garganta havia fechado e tudo o
que saiu de sua boca eram soluços. Lisa a abraçou e ficaram assim, chorando e
conversando e consolando uma a outra, para um longo tempo.








1'pí $&(! /"n$e e 8!*e


Stella tomou um gole de sua sangria sem
álcool, enquanto observava Max trabalhar atrás do bar. Esse homem lavava o
termo — colírio para os olhos — a um nível totalmente novo. Ela nunca se
cansava de vê-lo se mover - a maneira como seu grande corpo tornava cada
movimento parecer fácil, preciso e sexy a deixava insana. Toda vez que ele
esticava o braço para pegar uma garrafa na prateleira superior, a camiseta
subia e ela tinha um vislumbre de seu abdômen, cada vez que ele pegava um
copo para derramar algo nele, Stella notava como suas mãos eram grandes e
como ultrapassava o tamanho do copo, cada vez que alguém vinha pedir uma
bebida, ele olhava nos olhos, sorria educadamente e faia com que a pessoa se
sentisse como se fosse o único cliente no bar.
A cada segundo livre que ele tinha, Max vinha até ela e a beijava, levando
um pequeno pedaço dela com ele. Desde a semana passada, eles estavam
inseparáveis. Ele veio para a casa, depois que ela e Lisa tinha terminado a sua
conversa emocional, e nunca mais saiu. Ele praticamente morava com ela.
Stella sentia como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros
depois de ter conversado com a sua prima, e tinham compartilhado tudo que
estava incomodando. Algo dentro dela quebrou, rasgou e voou para longe,
deixando-a de alguma forma mais leve. Ela notou uma mudança em Lisa,
também. Ela parecia muito mais calma, muito mais parecida com a Lisa que ela
conhecia, embora ela ainda ficasse triste após cada visita ao Gino, fechando-se
em seu estúdio por horas. Mas Stella não a julgou. Pelo menos agora ela sabia
a razão de seu comportamento irracional.
— Cara, eu gostaria que alguém me olhasse assim. — A voz de Beppe
assustou Stella fora de seus pensamentos, e ela percebeu que estava olhando
fixamente para Max - de novo.
— Muitas mulheres olham para você assim, Beppe. — Stella brincou,
quando ele pegou o banco ao lado dela.
— Não, não desse jeito. — Ele acenou para Max, e ele respondeu com a
cabeça, parecendo saber o que o amigo queria. Um momento depois, uma
cerveja apareceu na frente de Beppe, e Max se inclinou para beijar Stella,
sorrindo e desapareceu para atender um cliente.
— Eu conheço alguém que te olha diferente. — Stella disse com um
sorriso, esperando parecer indiferente. Ela realmente queria fazer Beppe se
abrir com ela, e ela não tinha ideia do porquê. Ele parecia tão perdido às vezes,
apesar de sua atitude arrogante.
— É? — Beppe tomou um gole de sua garrafa, tentando esconder o seu
sorriso.
— Yeah. Você conhece ela também. Muito bem. Ela é esta coisinha
pequena, curvilínea, mal-humorada, com longos cabelos escuros e olhos
castanhos surpreendentes. Na verdade, se você olhar para a sua direita, você
verá o mesmo par de olhos castanhos incríveis em outra pessoa. — Stella
apontou para Max e sorriu.
— Se por “diferente” quer dizer que ela quer me matar, sim, ela olha
para mim desse jeito. — Beppe rolou o frasco em suas mãos distraidamente,
olhando para ele. Stella não tinha certeza de qual deveria ser seu próximo
passo. Ela deve aceitar a sua sugestão e virar a conversa para uma direção mais
séria, ou deveria mantê-lo despreocupado? O que faria Beppe se abrir mais?
— Eu não sei nada sobre isso. — disse ela, ainda um pequeno sorriso em
seus lábios. — Eu vi vocês dois juntos. Quando Gia fixa o olhar em você, todo
o mundo ao seu redor desaparece. E você não tem olhos para mais ninguém,
embora as mulheres em sua volta continuam olhando para você com aquela
fome crua nos olhos, que promete um bom tempo.
Beppe lentamente virou a cabeça para olhar para Stella, inclinando-a para
o lado, claramente surpreso com sua observação. Seus olhos castanhos a
estudaram por alguns segundos, antes que sua atenção voltasse para sua
garrafa de cerveja.
— Você está surpreso com o que eu disse, ou por que eu notei?
— Ambos. Eu não pensei que fosse tão óbvio. — Sua voz tinha ficado
baixa, e por alguma razão, isso quebrou o coração de Stella. Ela sabia muito
pouco sobre Beppe, e ainda assim, a necessidade de aliviar sua dor era quase
insuportável. No entanto, ela não queria empurrar sua sorte. Ele parecia um
cara muito privado, que não foi gostava de compartilhar muito, mesmo com os
seus amigos.
— Ouça, Beppe - se você quiser conversar, sobre qualquer coisa, me
ligue. Eu sou uma boa ouvinte. — Ela colocou a mão em seu antebraço, e ele
olhou para ela antes de concordar. Isso era o suficiente para ela.
— Vocês dois parecem muito juntinhos. — disse Max, olhando para a
mão de Stella no braço de Beppe com uma careta. — O que está acontecendo?
— Sua pergunta foi dirigida a seu amigo. A atitude de Beppe mudou
imediatamente, como se alguém tivesse apertado um interruptor, e sua
arrogância habitual retornou.
— Você está com ciúmes, mano? — Ele perguntou, colocando o braço
sobre os ombros de Stella e apertando-a contra ele. Ela riu, sabendo que ele
estava apenas brincando com Max.
— Você precisa deste braço? Se assim for, eu sugiro que você o remova
dos ombros da minha namorada.
Todos os três ficaram tensos com suas palavras. Namorada? Stella não
sabia como reagir a isso. Ela era sua namorada? Eles estavam ficando
exclusivamente, mesmo que fosse apenas durante a duração da sua estadia, mas
isso a tornava sua namorada? Max estava olhando para ela com ansiedade,
como se estivesse esperando que ela fosse se opor ao termo que ele usou. Ele
não parecia como se estivesse arrependido de ter dito isso, porém. Beppe estava
assistindo a interação silenciosa entre eles com diversão.
Os lábios de Stella espalharam em um sorriso lento e, apoiando-se nos
cotovelos para Max em frente ao bar, ela disse:
— Não se preocupe, querido. Ele estava apenas me fazendo companhia,
enquanto meu namorado está ocupado trabalhando. — O sorriso feliz que Max
concedeu-lhe, fez seu coração doer por ele. Ela desejou que já fosse meia-noite,
e eles estivessem voltando para casa. Inclinando-se em direção a ela até que ele
pegou seus lábios, e Max murmurou contra eles.
— Bom. — Ele a beijou, lenta e profundamente, não se importando com
ninguém ao seu redor. — Vá e divirta-se com Beppe. Eu não quero que você
fique entediada até a morte sentada aqui me olhando a noite toda — ele disse,
enquanto separava sua boca da dela.
— Não há nada de chato em te observar a noite toda.
— Oh, pelo amor de Deus! — Beppe resmungou e, escorregando do seu
banquinho, puxou a mão de Stella, até que ela estava em pé também. — Vamos
dançar, antes que vocês dois me deem diabete.
Max não iria trabalhar no fim de semana, o que Stella suspeitava era por
sua causa. Lisa, no entanto, tinha alguns turnos extras na galeria porque seu
colega de trabalho estava de férias por duas semanas. Considerando que Gia se
isolou nessas duas últimas semanas , e Beppe também tinha desaparecido, isso
deixou Max e Stella sozinhos por todo o fim de semana.
Stella tinha realmente esperado que Beppe fosse aceitar a sua oferta para
conversar, mas ele não tinha ligado. Eles haviam dançado a noite toda na
quarta-feira e ele logo relaxou. Quando eles se separaram depois que Max
tinha trancado o bar, Beppe parecia quase de volta ao normal. Stella não sabia
por que estava preocupada com ele, mas ela não podia deixar de se sentir dessa
maneira. Naquela noite, no bar, quando ela mencionou Gia ele parecia tão
desesperado, tão quebrado. O que a irmã de Max fez com ele?
— Pronta para ir? — Perguntou Max, e Stella forçou todos os
pensamentos de Beppe para o fundo da sua mente. Ela precisava se concentrar
em seu namorado agora, porque aparentemente ele tinha algum tipo de
surpresa para ela.
— Sim. Você ainda não me falou para onde estamos indo. — ela disse,
dando um passo para fora e fechando a porta atrás dela.
— Não. E nem adianta perguntar. Você vai ver. — Max sorriu, mas
havia algum tipo de reserva por trás de seu sorriso. Normalmente, quando ele
sorria, iluminava todo o seu rosto, e era tão contagiante que você não poderia
deixar de sorrir de volta. Stella olhou para ele com desconfiança, estreitando os
olhos. — Basta entrar no carro, por favor.
Ela decidiu confiar nele, mas tinha uma suspeita de que ela não ia gostar
de qualquer surpresa que ele tinha reservado para ela.
*
Meia hora depois, eles chegaram a um enorme estacionamento vazio. Era
atrás dois edifícios comerciais, que estavam com todas as suas portas e janelas
trancadas. Max desligou o motor e virou-se para olhar para Stella, sua
expressão ansiosa.
— Fora — ele disse, e atirou a porta aberta. Stella decidiu agradá-lo e
saiu também, se perguntando por que ele estava agindo de modo estranho. Ele
circulou o carro e veio para ficar ao lado dela, passando as mãos pelos cabelos
nervosamente.
— Só solte logo, Max. Você está me deixando louca com todo esse
comportamento enigmático. — Stella cruzou os braços na frente do peito e
franziu a testa.
— Ok. Mas não se desespere.
— Isso não é um bom começo.
— Stella, me prometa que não vai surtar antes de ouvir o que tenho a
dizer. — Ele agarrou seus braços e olhou nos olhos dela atentamente. Ela
assentiu com a cabeça, por que que não tinha certeza do que dizer, e estava um
pouco assustada. — Eu trouxe você aqui para ensiná-la a dirigir.
Os braços de Stella caíram para os lados, e ela se contorceu para fora de
seu alcance.
— O quê? — Ela estava tão chocada que não sabia mais o que dizer.
Max sabia o quanto ela temia carros, e especialmente a condução. Como ele
poderia até pensar que isso era ok?
— Você prometeu que me escutaria. — Ele ainda estava olhando para
ela firme, sem recuar. Stella assentiu com a cabeça, decidindo dar a ele uma
chance de se explicar antes que ela se apavorasse. — Naquela noite, quando
você me disse que estava com medo dos carros, você também disse que não
queria passar a vida sem vivê-la, apenas com medo dela. Eu estive pensando
sobre isso por um longo tempo, Stella. Eu não quero que você tenha mais
medo, eu quero ajudá-la a superar um dos maiores medos em sua vida. Dirigir
é uma necessidade nos dias de hoje, não é algo que você deve desistir sem
tentar— Ele fez uma pausa, esperando a reação dela.. Stella não sabia o que
dizer. Ela ainda estava com medo de ficar atrás do volante de um carro - isso
não tinha mudado, mas as palavras de Max faziam sentido. Aproveitando o
silêncio e o fato de que ela não tinha fugido, Max continuou. — Você é forte,
Stella. Eu sei que você é - Eu já vi isso. Não deixe que seus medos a controlem.
Você pode realmente nunca desfrutar em dirigir, mas se você fizer isso, isso
significa que você é mais forte do que os seus medos, do seu passado. — Ela
ainda não tinha dito nada, mas estava mordendo forte seu lábio inferior. Stella
queria fazer isso, ela queria que Max a ajudasse. Ela confiava nele. A questão
era, ela podia? — Olhe ao seu redor, querida. Não há ninguém aqui. Temos um
estacionamento do tamanho de um campo de futebol para nós. Eu estarei ao
seu lado, ninguém vai se machucar, eu prometo.
Por sua própria vontade, a cabeça de Stella concordou com a cabeça.
O que estou fazendo?
Max sorriu. Desta vez, seu sorriso era absolutamente genuíno e nem um
pouco preocupado. Ele não perdeu tempo perguntando se ela tinha certeza
disso, ou se era isso que ela realmente queria. Ele sabia que tinha que usar seu
torpor momentâneo e empurrá-la para fazer isso, caso contrário, ela iria mudar
de ideia.
Ele já me conhece tão bem, Stella pensou enquanto subia até o assento do
motorista.
Sentada lá, com o volante na frente dela, ela sentiu o pânico começar a
subir. Max entrou ao seu lado, e ao som de sua porta se fechando a fez saltar.
— Ei, olhe para mim. — disse ele suavemente, tomando-lhe a mão. —
Você pode fazer isso, tesoro. Eu não a empurraria nisso, se eu pensasse que
você não poderia. Apenas confie em mim, ok? — Stella assentiu, ainda incapaz
de formar qualquer palavra. Ela poderia fazer isso. Não havia ninguém por
perto. Ela poderia dirigir este carro. Era seguro.
Cantando essas palavras uma e outra vez, Stella respirou fundo e disse:
— Vamos fazer isso. — Estendendo a mão para a chave, ela colocou na
ignição. Tomando outra respiração profunda, ela apertou o botão de ignição e o
motor rugiu para a vida. Essa foi a parte mais fácil, ela tinha visto Max fazer o
tempo todo. Agora o quê?
— Coloque o seu pé esquerdo na embreagem e pressione-o com firmeza
até o fim. Agora, coloque o pé direito no freio no meio. O pedal de lado é o
acelerador. Você aperta o freio e o acelerador com o pé direito;. Esquerda é
apenas para a embreagem. — Stella assentiu e agarrou o volante com as duas
mãos. — Agora, coloque sua mão sobre a marcha, e eu vou guiá-la através
delas. — Max deslizou sua mão sobre a dela e colocou sobre a marcha
primeiro. — Agora, tire o pé direito do freio, coloque no acelerador e pressione
suavemente. — Stella fez o que lhe foi dito e o carro rugiu mais alto. — levante
seu pé esquerdo da embreagem lentamente, enquanto ainda pressiona o
acelerador.
O carro avançou e Stella deu um grito assustado, esquecendo todos os
pedais. O motor do carro morreu. Max riu e Stella virou para ele, horrorizada.
— O que aconteceu? Eu quebrei seu carro?
— É preciso muito mais do que isso para quebrar um carro, querida.
Relaxe. Isso é completamente normal para um piloto de primeira viagem.
Talvez eu deva explicar como o carro funciona, para que você saiba quando
pressionar e como.
Ele passou a explicar como soltar a embreagem sem pressionar o
acelerador ao mesmo tempo em marcha, que faz parar o motor. Ele também
mostrou-lhe como mudar de marcha e como pressionar os freios levemente,
para que eles não quebrassem seus pescoços. Quando ele terminou, Stella
sentiu um pouco mais confiante em sua compreensão de como a máquina
funcionava. Forçando o cérebro a se concentrar inteiramente em fazer o
movimento do carro, e enchendo todas as suas dúvidas e medos, no canto mais
distante disponível de sua consciência, Stella ligou novamente o motor. Desta
vez, quando o carro avançou ela não tirou os pés dos pedais. Ela apertou a
embreagem para baixo, mantendo a pressão sobre o acelerador e com a ajuda
de Max mudou para a segunda, soltando a embreagem totalmente.
— Eu fiz isso! Mudei a marcha. — ela gritou feliz quando olhou para
Max, que estava sorrindo, como se tivesse acabado de descobrir que ele ganhou
na loteria.
Eles passaram o resto da tarde guiando em torno do estacionamento
vazio, e no momento em que decidiram que era hora de ir embora, Stella tinha
aprendido a mudar todas as marchas, virar e até mesmo dar ré .
— Excelente, tesoro. Estou tão orgulhoso de você. — Max disse quando
eles pararam, e Stella recostou-se na cadeira, exausta.
— Eu também. — disse ela. — Obrigada por me obrigar a fazer isso.
Max inclinou-se para ela e beijou-a suavemente, cobrindo seu rosto. Ele
colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e acariciou sua bochecha,
hipnotizando-a com aqueles olhos incríveis, ao mesmo tempo. — Eu faria
qualquer coisa por você. — ele sussurrou e ficou sério. Havia algo mais que ele
queria dizer, Stella podia ver isso. Mas ele decidiu contra e plantou outro beijo
em sua boca. — Vamos lá, vamos sair. Vou levá-la para jantar e um filme, você
merece.
Stella alegremente trocou de lugar com ele, e mal podia esperar para
jantar. Agora que toda a pressão estava fora, ela percebeu o quanto estava com
fome.
Ela realmente estava extremamente grata, por ele ajuda-la a superar esse
medo, mas ela sabia que, mesmo que o que ela fez hoje foi um grande passo
para ela, nunca seria capaz de fazer isso em uma rua , com outros veículos em
movimento em volta dela. Empurrando ainda mais esses pensamentos nos
cantos escondidos de sua mente, Stella relaxou em sua cadeira e entrelaçou os
dedos com os de Max sobre a alavanca de câmbio, olhando para a frente e a sua
noite juntos.





1'pí $&(! ;r"n$'

5dormecer com o corpo de Max em
volta dela e acordar com o som de sua respiração se tornou uma realidade
cotidiana de Stella. Como ela iria se acostumar a dormir sozinha, quando ela
voltasse para casa, ela não tinha ideia.
O simples pensamento de deixa-lo, fazia seu peito contrair
dolorosamente. Daqui a pouco mais de três semanas ela teria que voltar para
Londres, de volta a sua vida. Estar em Gênova, estar com Max, tudo isso deu a
ela uma sensação de fuga - como um mundo de fantasia, em que ela foi
permitida entrar apenas com acesso limitado. Sua vida real, pacientemente
esperando por ela no Reino Unido.
— Mmmm — Max murmurou atrás dela, colocando o seu corpo mais
perto até que ele se encaixou perfeitamente no seu, e entrelaçando as pernas
dele com a dela. — Ainda não. Eu não quero levantar ainda.
Como ele poderia dizer quando ela tinha acordado? Ele fazia isso a cada
momento, ela mal tinha aberto os olhos, quando ele sabia que ela estava
acordada.
— Eu também não.
Três horas mais tarde, depois de uma longa manhã e um chuveiro ainda
mais longo, Stella e Max desceram as escadas até a cozinha para encontrá-la
vazia. Isso era estranho, ela se lembrou que Lisa havia dito que teria um dia de
folga hoje, e estava esperando ansiosamente, desde que ela tinha trabalhado
vários turnos extras recentemente. Stella espiou lá fora pelas portas francesas,
mas sua prima não estava lá. Ela poderia ainda estar dormindo? Eram 11:00hs,
e Lisa nunca dormia até tão tarde. Pegando seu telefone, ela começou a digitar
uma mensagem.
S$e((': 0n#e *!c+ es$@?
:"s': Es$ú#"!. 1!nse.&"& f"n'()en$e 'rr's$'r ' b&n#' #e
<'= p'r' f!r' #! %&'r$!?
Stella sorriu e olhou para Max, que ligou a máquina de café e estava
fazendo sanduíches para o café da manhã. Tronco nu. Calça jeans pendurada
baixa em seus quadris, e Stella lembrou que ele não tinha colocado qualquer
roupa, antes que eles saíssem do quarto. Sentindo seu olhar quente em suas
costas, ele virou a cabeça sobre o ombro e fixou nela aqueles seus olhos lindos.
Percebendo que ela ainda estava olhando para ele, Stella conseguiu arrancar os
olhos e voltou sua atenção para o telefone nas mãos. Ele riu, mas não comentou
sobre sua boca escancarada para ele mais uma vez.
S$e((': S"), e& c!nse.&". E(e es$@ prep'r'n#! ! c'fA #'
)'nB>. /!c+ p!#e *"r se enc!n$r'r c!n!sc!?
:"s': <e #+ 10 )"n&$!s.
— Lisa está em seu estúdio. Ela diz que vai chegar em poucos minutos.
Você se importa de fazer um sanduíche para ela também? Eu suspeito que ela
está trancada lá toda a manhã e não comeu.
— Claro. — disse Max, e abriu a geladeira para tirar mais alguns
ingredientes.
Stella não podia ver seus músculos se movendo sob a pele lisa, bronzeada
por mais tempo, sem tocá-lo. Ela sorrateiramente caminhou por trás das costas
e colocou os braços ao redor da cintura dele, beijando-o entre as omoplatas. Ele
continuou espalhando manteiga em uma fatia de pão, como se ele não estivesse
ciente de que ela estava abraçando-o. Aceitando o desafio silencioso, Stella
moveu suas mãos ao longo de seu abdômen devagar até que chegou ao botão
da calça jeans. Soltando-o com um único puxão de seus dedos, Stella deslizou a
mão ao longo do interior de sua cintura enquanto traçava uma linha reta ao
longo de sua espinha com a ponta da sua língua. Mesmo sem perceber, ela
gemeu baixinho dentro de sua garganta. A mão de Max prendeu a dela, e ele
parou de fazer qualquer coisa. Girando tão rápido que ela mal conseguia reagir,
ela estava de costas pressionadas contra a bancada, com ele prendendo-a entre
seus braços. O indomável fogo em seus olhos fez todo o corpo de Stella
estremecer de prazer - ela adorava quando ele perdia o controle com ela.
— É bastante difícil quando você olha para mim como se quisesse me
comer o tempo todo, mas se você não quiser voltar ao seu quarto, é melhor
parar de me provocar. — Max resmungou, inclinando-se para ela, sua
respiração roçando os lábios. Involuntariamente, Stella fechou os olhos e abriu
os lábios, deixando escapar um suspiro. Ele lambeu o lábio inferior com a ponta
da língua, mas não a beijou. Stella abriu os olhos para encontrá-lo ainda a
centímetros de seu rosto, seus olhos ardendo por ela. Os músculos de seus
braços estavam duros com a tensão, como se ele estivesse usando toda a sua
força física para se controlar.
— Então você está caminhando para me trancar nas próximas três
semanas? — ela disse, com a voz baixa e rouca. Ela queria que ele perdesse o
controle tanto quando estava disposta a empurrá-lo.
— Talvez ainda mais. — disse ele em voz baixa, sua expressão
suavizando do puro desejo para algo mais leve. Stella sentiu as lágrimas
ardendo em seus olhos. Era porque ela havia expressado a quantidade de
tempo que eles ainda tinham juntos, ou por causa da mudança repentina de
Max de comportamento? Ela não tinha certeza. Ela não teve muito tempo para
analisar sua reação, porque ele baixou a cabeça e esmagou sua boca na dela,
atacando sua língua desesperadamente. Ele moveu uma mão para sua nuca e
apertou a cabeça contra seus lábios, não a deixando se afastar. Não que ela
tivesse qualquer intenção de se afastar.
— Oh, vamos lá! — A voz de Lisa parecia vir de algum lugar distante.
— Vocês estão colados há mais de duas semanas. Vocês ainda não estão
enjoados um do outro? — Ela passou por eles e abriu um armário para pegar
uma xícara, derramando café nele. Max sorriu contra os lábios de Stella, mas
não se afastou.
— Nunca. — ele sussurrou, o que fez Stella dar um sorriso. Com o canto
do olho, ela viu Lisa revirando os olhos , antes que se jogasse em uma cadeira à
mesa.
Involuntariamente, Max se afastou de Stella e foi terminar os sanduíches
que estava fazendo, enquanto ela pegava mais duas xícaras e servia café.
— Então, o que vamos fazer hoje? — Stella perguntou, quando todos
eles se sentaram à mesa e começaram a tomar seu café da manhã.
— Nós precisamos ir ao shopping para comprar um presente para
Beppe. Seu aniversário é na sexta-feira. — Max disse entre mordidas.
— Ah, eu esqueci completamente! — Lisa disse. — O que devemos
comprar?
— Eu estava pensando em novos fones de ouvido. Ele ama música e os
seus queridos Sony são mais velhos do que eu. — disse Max, tomando um gole
de seu café.
— Eu duvido que qualquer coisa possa ser tão velho assim. — Lisa
brincou com ele Lisa, e Stella não conseguia segurar o riso. Max jogou um
pedaço de pão em Lisa e ela gritou. — Ewww, você jogou maionese em todo o
meu top!
— Lembre-se da última vez que brincou com a minha idade, que eu te
joguei na piscina?
— Como eu posso esquecer? Você arruinou meu vestido e quarenta
minutos de maquiagem. — Lisa franziu o cenho, enquanto limpava a maionese
em sua blusa com um guardanapo de papel.
— Mantenha essa memória fresca na sua cabeça, ou eu vou ter que
atualizá-la. — Ele jogou um pedaço de pão para ela, assim que ela terminou de
limpar a mancha.
— Ei, pare com isso. Você é tão imaturo. Honestamente, Stella, eu não
sei como você pode suportá-lo, e muito menos gostar dele.
— Eu não encontrei nada nele ainda imaturo. E confie em mim, eu tenho
sido muito cuidadosa na minha pesquisa. — Stella disse, e sorriu quando Max
riu. Lisa revirou os olhos e se levantou.
— O que for. Vou me vestir e sugiro que vocês façam o mesmo, para que
possamos sair. E eu não vou ficar esperando vocês fazerem nada no quarto. —
Lisa pisou fora da cozinha e subiu as escadas em direção a seu quarto.
— Quando ela ficou tão mandona? — Stella perguntou, quando se
levantou e levou seu prato vazio para a pia. Max a seguiu e a agarrou no balcão
novamente. Ele afastou o cabelo sobre seu ombro e, deslizando a manga de sua
camiseta até o outro ombro, acariciando suavemente sua pele, antes de beijá-la.
— Não podemos fazer nada, lembra? — Stella protestou sem muita
força.
— Eu nunca fui bom em seguir instruções. — Ele girou em torno dela e
beijou-a profundamente, levando seu tempo.
*
Beppe morava na cobertura de um prédio recém-construído, apenas a dez
minutos a pé do centro da cidade e da Ferrari Piazza. Stella levantou uma
sobrancelha quando eles tiveram que passar por dois portões de segurança
separados, antes de chegarem ao estacionamento subterrâneo. Eles foram
recebidos por um porteiro no hall de entrada, que reconheceu Max
imediatamente e sorriu calorosamente para Stella e Lisa. Ele acompanhou-os
até o elevador para a cobertura, apertou o botão e conversou educadamente
com Max até que as portas do elevador se abriram.
A cobertura era enorme e decorada exatamente como você esperaria de
um apartamento de solteiro - cores neutras, mobiliário elegante, sistema de
som de alta tecnologia, TV de tela plana grande e, claro, uma mesa de bilhar.
E já estava cheio de pessoas, a música estava bombando através das
paredes. Garçonetes escassamente vestidas servindo coquetéis em bandejas, e
não havia um, mas dois bares improvisados na enorme sala de estar. Parecia
que Beppe tinha lembrado que os seus convidados do sexo feminino deveriam
ter algum colírio para os olhos, porque os dois barman atrás dos balcões eram
lindos. Uma das garçonetes os recebeu, e apontou para uma enorme mesa cheia
de presentes, acenando para que deixassem os seus presentes lá, também.
Beppe estava jogando sinuca com um casal de amigos, e parecia que ele
estava se divertindo bastante.
— Feliz aniversário, homem. — Max disse quando eles se aproximaram
de Beppe, e lhe deu aquele cumprimento masculino. Stella deu um passo atrás
dele, oferecendo desejos de feliz aniversário, beijos habituais e um abraço. Ele
segurou-a um pouco mais que o normal - só para irritar Max, Stella suspeitou.
Quando ele a soltou, ele piscou e sua suspeita foi confirmada. Ela não pôde
deixar de sorrir para ele - Beppe era tão atrevido, e ainda assim era impossível
não gostar dele. Depois de abraçar Lisa, Beppe disse,
— Divirtam- se, a festa está apenas aquecendo.
Eles misturaram com o resto dos convidados, Max e Lisa ocasionalmente
cumprimentavam alguém quando eles passavam. Stella não poderia vislumbrar
Gia em qualquer lugar. Será que as coisas estavam tão ruins entre ela e Beppe,
que ela perderia o seu aniversário?
Lisa encontrou um amigo da escola e ficou para trás para conversar,
enquanto Max e Stella continuavam sua caminhada em torno do lugar. Ele
pegou um cocktail de uma garçonete que passava e tomou um gole.
— Vou verificar no bar se eles têm algo não-alcoólico. — Stella disse e
Max assentiu, assim que alguém se aproximou dele e eles apertaram as mãos.
Se o barman era lindo de longe, de perto ele era absolutamente
inacreditável. Não era justo alguém ser tão perfeito - olhos azuis amendoados,
cílios grossos, pele dourada, cabelos escuros ondulados, maçãs do rosto
salientes, a boca sensual. Ele estava usando uma camiseta preta apertada que
não fez nada para esconder seus ombros largos e tórax bem definido. Por que
esse cara não estava em um anúncio de cuecas da Armani, em vez de garçom?
— O que posso fazer por você? — Ele perguntou, com um sorriso
sedutor, quando percebeu que Stella estava olhando para ele com admiração.
— Você tem algo não alcoólico? — ela perguntou, devolvendo o sorriso.
— Claro. Posso misturar-lhe qualquer cocktail sem álcool. O que você
gosta?
Ela escolheu um Tom Collins sem álcool e o barman riu. Alguém colocou
a mão no ombro de Stella e afastou sua atenção das covinhas do barman.
Esperando que fosse Max, ela se virou, mas viu Rico em seu lugar. Ela
ofereceu-lhe um sorriso educado depois que ele beijou em ambas as bochechas.
— Ei, como você está? — Ela perguntou.
— Bem. Você? — Ele olhou para ela de uma maneira que ela não
gostou. Seu olhar percorreu todo o seu corpo, desde suas pernas nuas, com a
saia plissada curta, até sua camiseta decotada. Quando ele finalmente
encontrou seus olhos, havia luxúria em seu olhar. Stella pensou que se
separaram de forma amigável, com ela sendo honesta com ele sobre seus
sentimentos por Max. Então, por que ele estava olhando para ela assim?
— Eu também. — Ela precisava pegar seu cocktail e dar o fora daqui,
porque se Max a visse com Rico ele ficaria puto.
— Então, você está aqui sozinha? — Rico perguntou, tomando um gole
de cerveja, seus olhos nunca deixando os dela. Ela supôs que ele não sabia
sobre ela e Max, mas ainda assim, ela já o tinha rejeitado uma vez.
— Não. — Stella pegou o cocktail no balcão, agradecendo ao barman,
que lhe recompensou com seu sorriso lindo, e tentou sair. — Eu te vejo por aí,
Rico.
— Stella, espere. —disse ele e tocou seu braço antes que ela virasse as
costas para ele. — Eu sei que você e Max estão juntos, mas eu preciso te
contar uma coisa. — Ela voltou sua atenção de volta para ele. O que ele
poderia dizer a ela que seria do seu interesse? — Cerca de uma semana depois
que saímos, eu o vi em um clube, completamente embriagado. Ele tinha uma
garota em cima dele, e não parecia se importar. — Stella franziu a testa. Rico
tomou isso como um bom sinal e continuou.
— No dia seguinte, eu o vi no mesmo clube com Beppe. Ele não parecia
tão bêbado, mas ele saiu com duas meninas.
Assim que Stella estava prestes a abrir a boca para corrigi-lo, Max
apareceu ao lado dela, a raiva irradiando dele.
— Por que você não cuida da sua maldita vida, Rico? — Ele rosnou e
Stella sentiu que ele estava pronto para atacar a qualquer momento agora.
— Eu só queria que ela soubesse que você estava fazendo com ela pelas
costas. Acho que algumas pessoas nunca mudam. — Rico se manteve firme,
nivelando Max com o seu próprio olhar zangado. Stella precisava intervir, caso
contrário, estes dois estariam se socando em menos de dois segundos.
— Rico, pare de se intrometer na vida das outras pessoas. Agora saia. —
Ela esperava que estivesse sendo bastante autoritária, porque ela não se sentia
muito assim. A raiva de Max a estava sufocando.
— Se você não quer acreditar em mim, então tudo bem...
— Eu acredito em você. — disse Stella, e continuou, antes que ele
dissesse algo estúpido. — Não que isso seja da sua conta, mas eu sei de tudo
isso. — A expressão de surpresa do Rico a fez sorrir. Ele poderia ter esperado
um soco no seu rosto - mas não que ela já soubesse o que ele estava contando.
Claro, Stella não esclareceu que tinha sido antes que ela e Max ficassem juntos
- ela não lhe devia nenhuma explicação. Por que ele estava tentando criar
problemas entre eles? Ele parecia um cara tão legal. Recuperando rapidamente
de seu choque, Rico franziu a testa, ainda não se afastando deles.
— Desculpe, meu erro, eu só pensei que você não era burra o suficiente
para se envolver com uma fraude, um mentiroso, um psicótico filho da... — Ele
não terminou a frase, porque Max deu um soco e seu queixo gritou em
protesto, mandando-o cambaleando alguns passos para trás. Agarrando-o pelo
colarinho de sua camisa, Max firmou-o antes que ele caísse. J á havia alguns
olhares curiosos sobre eles e mesmo que a música fosse alta, as pessoas ao
redor podia ouvir a troca. Max inclinou-se na direção do rosto do Rico e em
voz baixa disse,
— Você chama a minha namorada de burra de novo, e eu juro que vou
arrancar sua língua para fora. — Ele empurrou-o, mas não forte o suficiente
para fazê-lo tropeçar e cair. O rosto de Rico estava vermelho com humilhação,
quando ele se virou e saiu.
— Que diabos foi isso? — Perguntou Beppe, quando ele se aproximou
deles com uma expressão atordoada em seu rosto.
— Você o convidou? Sério? Você pensou que eu e ele na mesma sala, era
uma boa ideia? — Max deu alguns passos na direção de Beppe e ficou a
centímetros de seu rosto, mas seu amigo nem sequer pestanejou. Uau, Beppe
tinha algumas bolas. Pela visão de Stella, Max parecia absolutamente e
terrivelmente irritado agora. Ela não tinha certeza de que combinar seu olhar
zangado com um ainda mais irritado era uma boa ideia. Stella aproximou-se
deles, caso ela precisasse separá-los. Desde que Beppe tinha aparecido, a
maioria das pessoas ao redor deles havia se dispersado, sentindo o fim de uma
briga e, felizmente, eles não tinham uma audiência mais.
— Ouça-me, Max. — disse Beppe, com uma voz calma, mas firme. —
Este é o meu aniversário, minha casa. Enquanto você estiver aqui , você vai
respeitar os meus convidados, e eu não dou a mínima para o fato de você ter
um problema com isso. Entendeu? — A expressão de Max mudou
imediatamente de raiva cega a arrependimento. A ligação entre os dois era tão
forte, tão surpreendentemente clara, que Stella não tinha dúvida de que poderia
trabalhar qualquer coisa que acontecesse entre eles.
— Você está certo, eu sinto muito. Eu não devia ter feito isso.
— Está tudo bem. Agora, vá pegar um cocktail e relaxar. J uro, se eu te
ver assediar alguém de novo, eu mesmo vou acertar você. — Beppe ameaçou,
mas sua boca se espalhou em um sorriso. Max virou-se para Stella, lamentando
claramente suas ações.
— Sinto muito, querida. Eu não queria envergonhá-la, mas aquele idiota
queria causar problemas entre nós. Não ajuda que cada vez que eu vejo seu
rosto, me lembro dos seus lábios sobre o seu, e eu quero dar um soco sem
precisar de nenhuma razão adicional.
Stella colocou os braços ao redor de seu pescoço e sorriu.
— Você não está com raiva? — Perguntou Max.
— Não. Ele estava me dando nos nervos, também. — Max sorriu e a
beijou.
Quando eles se separaram, ele pegou sua mão, e a levou em direção às
portas francesas que levavam até o terraço. No entanto, antes de chegarem a
elas, a porta da frente se abriu e Stella viu Gia entrando Ela parecia um pouco
incerta, seu andar confiante habitual um pouco hesitante. Em suas mãos ela
tinha um pequeno presente embrulhado em azul escuro e dourado, e ela negou
com a cabeça, quando uma garçonete fez um gesto para ela deixar na mesa de
presente. A garçonete franziu a testa, mas não insistiu. Gia olhou ao redor com
olhos preocupados, obviamente, à procura de Beppe.
Stella puxou a mão de Max e apontou o queixo em direção a sua irmã.
— Ela veio. — ela disse e sorriu, por que não tinha certeza. Talvez
porque ela soubesse que a chegada de Gia faria Beppe muito feliz.
— Eu não achei que ela viria. Eles não se falam desde aquela noite no
bar de karaokê. Beppe não queria admitir, mas ele ficou arrasado. — disse
Max. Stella assentiu com a cabeça enquanto observava os eventos se
desdobrarem diante dela. Beppe viu Gia viu do outro lado da sala e dirigiu-se
para ela com passos longos e firmes. Ele parou bem na frente dela e hesitou por
alguns segundos antes de envolvê-la em seus braços. Gia pareceu surpreso com
a reação dele, mas se recuperou rapidamente e abraçou-o de volta.
Stella sorriu e arrastou Max de volta para seu destino original.

















1'pí $&(! ;r"n$' e U)

5 quinta-feira seguinte, Stella acordou
cedo e não conseguiu voltar a dormir. Ela estava deitada na cama, com a cabeça
no peito de Max e seu braço ao redor dela, e ouvia seus batimentos cardíacos
estáveis. Ele estava respirando lentamente e de maneira uniforme e,
estranhamente, não se mexeu quando Stella levantou a cabeça e deslizou para
fora da cama. Ele provavelmente estava muito cansado - ele trabalhou no bar
na noite anterior. Stella tinha insistido em ficar em casa e não ir com ele,
apesar de seus esforços para convencê-la do contrario. Eles mal ficaram
separados por mais de uma hora em mais de três semanas, e Stella achava que
seria bom para eles ficarem longes um do outro por algumas horas. Max ficou
amuado, e fez a sua irresistível expressão com olhos tristes, que normalmente
conseguia tudo o que ele queria, mas desta vez ela não recuou.
Quando ele finalmente chegou em casa, já passava das 02hs. No
momento em que Stella abriu a porta para ele, ele se lançou sobre ela, beijando-
a com tal urgência que, se ela não soubesse que eles estavam separados por
cinco horas, ela teria pensado que tinham sido cinco dias. Ele fez amor com ela
e segurou-a nos braços como se ela fosse desaparecer, se ele a soltasse.
Só de pensar em quão rápido o final de suas férias se aproximava, deixava
o peito de Stella apertado, e ela achava difícil respirar. Um pouco mais de duas
semanas, era tudo o que restava do tempo dela com Max. Como ela poderia
continuar a viver a sua vida, como se nada tivesse acontecido? Como se ela não
tivesse o conhecido? Não o amava com todo o seu ser?
Uma lágrima escorria pelo seu rosto e ela a afastou com raiva, deslizando
silenciosamente do quarto. Ambos sabiam no que eles estavam se metendo, era
um relacionamento com data de validade, desde o início. Sem drama, eles
haviam dito.
Tão difícil como seria partir, Stella não se arrependia de um único
segundo que ela passou com Max. Ela faria tudo de novo, mesmo que ela
tivesse que ter seu coração partido irreversivelmente novamente. As últimas
semanas tinham sido as mais felizes de toda a sua vida e ela não trocaria por
nada.
— Hey... o que há de errado? — Lisa perguntou. Ela estava sentada na
mesa de jantar tomando café , e tinha um pedaço de papel na mão.
— Nada, eu só... não dormi bem. — Stella serviu-se de uma xícara de
café e se juntou a Lisa na mesa.
— Onde está o Max? Ele não veio a noite passada?
— Ele veio. Ele ainda está dormindo e eu não queria acordá-lo.
Lisa colocou a mão no antebraço de Stella para chamar sua atenção, antes
de dizer:
— Você sabe que sempre pode falar comigo, né? — Stella assentiu,
embora, neste caso, ela não pudesse falar com ela. Ela não estava pronta para
admitir que estivesse apaixonada por Max e não queria deixa-lo. — Esta é a
primeira manhã desde que vocês começaram a namorar, que vocês não descem
juntos. Tem certeza de que está tudo bem?
— Sim, eu tenho certeza. Apenas deixe pra lá, ok? — Stella rosnou, e
imediatamente se arrependeu. — O que é isso? É um bilhete? — Ela apontou
para o pedaço de papel que Lisa tinha colocado em cima da mesa na frente dela,
em uma tentativa de levar a conversa para outra direção.
— Sim, um bilhete da mamãe. Ela é muita excêntrica... quem deixa
bilhetes nos dias de hoje? — Lisa revirou os olhos e leu em voz alta:
Q&er"#(s f"-1(s ("ss( "nc-&" !(c3, 2$0, &$ !e/ '&e,
$p$ren%een%e, (r$ n$ "n1$ c$s$ $,(r$),
5(r f$!(r, es%e;$ e c$s$ p$r$ ( ;$n%$r <s 07:00 e
p(n%(! E& %en1( &$ ,r$n#e s&rpres$ p$r$ %(#(s !(c3s! =>( se
$%re!$ $ se $%r$s$r! .1, $ pr(p@s"%(, f$A$ ( ;$n%$r. E& n>(
!(& es%$r e c$s$ $%) <s 7, e& %en1( $-,( p$r$ f$/er pr"e"r(.
2$- p(ss( esper$r p$r$ !er %(#(s !(c3s e & s@ -&,$r p$r$ $
s&rpres$!
B(r, ="C".
— Estranho — disse Stella, pegando a nota de Lisa e relendo-a.
— Eu sei. Estar em casa para o jantar, mas fazer o jantar? Eu não tenho
idéia o que ela está preparando. — Lisa bebeu o último gole de seu café, e levou
a xícara para a pia.
*
Max acordou para encontrar a cama vazia ao lado dele. Ele se levantou
abruptamente e olhou em volta, mas não havia nenhum sinal de Stella. Ele
sentiu uma dor aguda no peito que era tão forte que por um momento ele ficou
tonto. Ontem à noite, quando ele passou a noite inteira sem ela, foi pura
tortura. Tudo o que ele conseguia pensar era nela. Ele estava no limite,
deixando as garçonetes e Marco irritados, e impacientes com os clientes. Isso
era tão diferente - ele geralmente gostava bastante de trabalhar no bar. Ele
ficou olhando para o relógio e sentia como se o tempo tivesse abrandado a uma
velocidade insuportável. Sem ela, Max se sentia desequilibrado, inquieto.
Sozinho. Vazio.
E dolorosamente ele lembrou que, em breve, estaria de fato sozinho, ela
estava partindo em cerca de duas semanas.
Ele não podia deixar isso acontecer. Ele não podia perdê-la.
O simples pensamento de nunca mais ver Stella novamente fez todo o
seu corpo tremer. Passando as mãos trêmulas pelos cabelos, ele balançou os
pés para fora da cama e saiu para procurá-la. Por que ela saiu da cama sem ele?
Ela nunca tinha feito isso antes. E ainda eram apenas 09:00, considerando que
não tinham dormido até passado das 4:00, eles não tinham tido tanto tempo
assim de sono.
Onde diabos ela estava?
Max ouviu a voz dela na cozinha e dirigiu-se para lá, não se importando
que estava usando apenas cueca. Vendo Stella em pé na pia conversando com
Lisa o fez relaxar um pouco.
— Baby — ele disse para atrair sua atenção. Ela olhou para ele,
surpresa, e seus belos lábios cheios se esticaram em um sorriso.
— Por que você está acordado? Ainda é cedo. — Ela veio até ele e
abraçou-o pela cintura.
— Eu acordei e você tinha ido embora. — Ele percebeu o quão
sentimental aquilo soou, mas ele não deu a mínima. Ele queria que ela se
aconchegasse ao lado dele enquanto ele dormia, não se esgueirando da cama.
— Por favor, volte para a cama. Eu não consigo dormir sem você. — Ele
beijou a ponta do seu nariz e colocou o cabelo atrás da orelha esquerda. O que
ele vai fazer quando ela partir? Sofrer de insônia para o resto de sua vida?
— Ok — ela sussurrou e soltou de seu abraço. Ele segurou a mão dela
com firmeza na sua, com medo que ela mudasse de ideia e decidisse ficar aqui
com Lisa. — Lis, eu vou voltar para a cama. Que tal ir ao supermercado esta
tarde para comprar a comida para o jantar?
— Ok. Eu estarei no meu estúdio, eu não vou trabalhar hoje. Me avise
quando estiver pronto para ir. — Lisa não fez qualquer comentário sobre Max
estar de cueca, ou que isso não era respeitoso, ou o fato de que ele tinha
arrastado Stella de volta para a cama com ele. Estranho. Normalmente, ela
teria jogado pelo menos cinco comentários provocadores até agora.
Isso não importa. Stella estava voltando com ele.
Eles se aconchegaram debaixo das cobertas e ele puxou o corpo dela
contra o dele, pressionando-a contra o peito até que não havia espaço para até
mesmo o ar entre eles. Max beijou a nuca de seu pescoço e inalou o perfume de
seus cabelos.
Casa. Ele estava em casa.
Para onde ele iria quando ela partisse? Para sua casa vazia, onde ele mal
via a sua mãe e sua irmã? Ele não podia ficar aqui, nem mesmo se Lisa ou Niki
não se opusesse, mas ele não poderia imaginar se hospedando aqui sem Stella.
Sem Stella ele não tinha uma casa.
A emoção tomou conta dele e ele sentiu todo o seu corpo começar a
tremer.
— Você está bem? Você está com frio? — Stella perguntou.
— Eu estou bem. Eu senti sua falta. — Ele forçou seu corpo a parar de
tremer e tentou relaxar. Ela estava aqui agora, tudo estava bem.
Max queria dizer a ela o quanto a amava, como ele não queria que ela o
deixasse, como eles poderiam fazer isso funcionar, mesmo depois que ela
voltasse para Londres. Ele simplesmente não podia. Especialmente com o
enorme nó na garganta. E se ela falasse que não se sentia da mesma maneira e
ele fodesse completamente as duas últimas semanas que eles tinham juntos?
Ele esperou por tanto tempo, ele podia esperar por mais alguns dias. Ele diria a
ela, mas não ainda.
Forçando o ataque de pânico que ele tinha acabado de experimentar a
diminuir, Max fechou os olhos e, aliviado pela respiração tranquila de Stella,
adormeceu.
*
Eram quase sete, e Stella sentia-se estranhamente nervosa. Sua tia não
lhes tinha dado qualquer pista sobre qual era sua surpresa, mas todos sabiam
que deveria ser algo grande, porque Niki não era uma boa pessoa para guardar
segredos.
— Ei, como está indo o jantar? — Perguntou Lisa, caminhando até a
cozinha. Ela não tinha ido com eles ao supermercado, e se recusou a sair de seu
estúdio para ajudar no preparo da comida. Não que Max precisasse de ajuda -
como de costume, ele fez tudo sozinho. Stella foi encarregada de fazer a salada
e provar o molho para a almôndega tagliatelle a cada dez minutos. Quando
entrava na cozinha, Max ficava obcecado com a perfeição.
— Está bom, eu acho. Eu não estou fazendo muita coisa. — disse Stella,
enquanto cortava alguns tomates cereja para a salada. Max se afastou do fogão
e caminhou em direção a Stella, curvando-se para beijá-la.
— Você está fazendo muito, querida. Você está entretendo o chef, e isso
é um trabalho muito importante. Você sabe o tamanho da lista de espera para
essa posição? — Stella e Lisa riram.
— Sim, muito tempo. — disse Lisa, o sarcasmo escorrendo de suas
palavras e fazendo Stella rir ainda mais. Aqueles dois adoravam provocar um
ao outro, e Stella estava feliz em colher os benefícios dessa diversão.
— Lisa está com ciúmes, porque ela costumava ser a principal
animadora do chefe. — Max disse com um sorriso. — Mas essa boca
espertinha que ela tem, sempre a colocou em apuros.
— Não é minha culpa se você é tão fácil de enganar. Ou que você é tão
imaturo, que a única maneira que você pode responder de volta as minhas
piadas seja com violência física ou jogando comida em mim. — Lisa pegou uma
garrafa de água na geladeira e caiu sobre o assento ao lado de Stella.
— Violência física? Quando foi que eu já usei “violência física”? — Ele
fez aspas no ar com os dedos e encostou-se ao balcão, uma expressão divertida
em seu rosto.
— Quando você me girou sobre seu ombro e me jogou no sofá, gritando
comigo para não voltar para a cozinha. Ou quando você me empurrou na
piscina, depois que eu disse que você queimou as costelas no churrasco de
novo.
— Oh, sim. Eu me lembro disso — Max sorriu com a lembrança,
enquanto Lisa franzia a testa.
— Realmente, por quê? Você não poderia conseguir nada melhor do que
isso? — Lisa disse a Stella, inclinando a cabeça para Max.
— Vamos lá, deixe ele em paz. — Stella sorriu para Max, que soprou-lhe
um beijo no ar. Lisa revirou os olhos e levou a garrafa aos lábios. — Antes que
ele te jogue na piscina de novo. — acrescentou Stella. Max riu e, cobrindo a
distância entre eles em dois passos largos, reivindicou sua boca em um beijo
apaixonado.
— Oh Deus, há dois deles agora. — exclamou Lisa, mordendo o lábio
inferior para reprimir seu sorriso.
— Dois o quê? — Alguém disse da sala de estar, e todos os três viraram
a cabeça em direção da voz. A voz muito familiar.
Stella saltou de sua cadeira, quase derrubando-a e correu para a sala de
estar.
— Mamãe — ela gritou, antes de esmagar o corpo de Helen em um
abraço de urso. — O que você está fazendo aqui? — Ela se afastou e olhou para
o rosto de sua mãe, ainda incapaz de acreditar que ela estivesse realmente aqui.
— Surpresa! — disse Niki, quando se aproximou deles, sorrindo. Stella
tinha falado com sua mãe há dois dias e ela não tinha mencionado nada sobre
sua vinda. — Eu a convenci a tirar umas ferias e vir nos visitar. Afinal, ela é
minha melhor amiga e ainda não viu onde eu moro. — Ela piscou para Helen,
que irradiava alegria pura.
Stella não sabia que as duas mulheres tinham conseguido reconstruir tão
rapidamente a sua relação como tinha sido antes. Sua mãe não tinha
mencionado isso e nem sua tia, mas talvez isso fosse uma parte de seu plano.
Isso realmente não importa - sua mãe estava aqui e ela estava em êxtase. Stella
não tinha percebido o quanto ela sentia falta dela até aquele momento.
— Estou tão feliz que você veio. — Stella disse, e puxou-a para outro
abraço.
— Eu também, querida. Eu senti sua falta. De todas vocês. — Helen
disse, olhando para Lisa e Niki. Lisa se aproximou para dar um abraço de sua
tia.
— Bem-vindo, tia Helen. É tão bom vê-la depois de todo esse tempo. —
disse Lisa, e Stella viu seus olhos erguerem.
Max apareceu na cozinha e parecia um pouco desconfortável. Era
imaginação de Stella, ou ele estava nervoso sobre o encontro de sua mãe? Ela
sorriu para ele, na tentativa de aliviar o desconforto.
— Mãe, esse é Max. — Stella disse, enquanto se aproximava deles. Os
olhos de Helen se iluminaram quando ela avaliou-o com um olhar rápido, e
seus lábios se abriram em um sorriso.
— Olá, Sra. Quinn, prazer em conhecê-la. — ele disse educadamente,
estendendo a mão.
— Por favor, me chame de Helen. Prazer em conhecê-lo também, Max.
Eu já ouvi muito sobre você. — Ela sorriu e olhou diretamente para a filha.
Max corou. Na verdade, ele corou. Stella nunca tinha imaginado que isso
era mesmo possível. Ele parecia tão frio e arrogante o tempo todo, ela nunca
em um milhão de anos imaginou que alguém pudesse deixar suas bochechas
vermelhas. Era adorável. Seu coração se expandiu com tanto amor por ele que
empurrou contra seus pulmões e ela achou difícil respirar.
Stella seguiu Niki e Helen lá em cima, para ajudar a sua mãe a se
acomodar. Sem ninguém perceber, Niki tinha mudado sua mesa e seu
computador para seu próprio quarto, e tinha preparado seu escritório como um
espaço para Helen. Tinha um sofá-cama, uma cômoda e um pequeno guarda-
roupa, de modo que ela estaria confortável o suficiente. O quarto era pequeno e
não tinha banheiro como os outros quartos, mas, pelo menos, Helen teria seu
próprio espaço. Stella se perguntou se a tia havia passado por todo este
problema, por causa dela e de seu relacionamento com Max. Se Max não
estivesse dormindo em sua cama todas as noites, ela poderia ter partilhado o
quarto com sua mãe, havia espaço mais do que suficiente para as duas. Mesmo
que Niki trabalhasse longas horas, ela ainda conseguiu prestar atenção ao que
estava acontecendo ao seu redor. Talvez ela sentisse o quanto era importante
para Stella passar o maximo de tempo possível com Max, simplesmente porque
ambas sabiam que o seu tempo com ele era limitado.
Empurrando todos esses pensamentos deprimentes de sua cabeça, Stella
deixou Niki e sua mãe para desfazer as malas e voltou para a cozinha, onde
Max e Lisa estavam discutindo sobre se “Lost” ou “Prison Break” era o melhor
show já transmitido na TV. Ela decidiu ficar de fora, pelo menos até que o
alimento estivesse em ordem, e levou os pratos e talheres para colocar na mesa.
O jantar foi perfeito. Pela primeira vez desde que Eric e seu pai tinham
morrido, Stella achava que tinha todas as pessoas que ela amava ao seu redor.
Todo mundo parecia de bom humor também. Mesmo Max conseguiu relaxar
perto de Helen, especialmente depois de todo mundo o cumprimentar pela
deliciosa refeição que ele tinha, mais uma vez, preparado para eles.
Niki dividiu o resto do plano para a estadia de Helen - ela também tinha
tirado um tempo fora do trabalho, deixando sua assistente responsável pelo
spa. Ela queria mostrar a Helen tanto da Itália quanto possível, no curto
espaço de tempo disponível - o que significava que elas estariam viajando
muito, e Stella não seria capaz de passar tanto tempo com sua mãe. Ela estava
bem com isso - em um tempo muito curto, seriam apenas as duas em Londres.
Stella estava feliz por sua mãe ter a oportunidade de reacender sua amizade
com Niki. Helen precisava desesperadamente de sua melhor amiga em sua vida
novamente.
Quando terminaram de comer, Niki e Helen entraram na sala para
terminar seu vinho e conversar. Stella ficou para trás para ajudar com os
pratos, mesmo que Max e Lisa tentassem fazê-la ir com a mãe. Ela sentiu que
precisava dar a Niki e Helen algum tipo de privacidade, era o que elas
precisavam naquele momento. Ela conversaria com sua mãe mais tarde.
Logo, a cozinha estava arrumada, a máquina estava cheia e funcionando,
e Lisa tinha tirado três copos para eles. Colocou suco de laranja em um, e
Prosecco no outro.
— O que você vai beber, Max? Prosecco, cerveja, vinho tinto? — ela
perguntou.
— Nada para mim. Acho que vou tomar uma cerveja com Beppe. — Ele
olhou para Stella incerto, esperando sua reação.
— Você quer sair hoje à noite? — perguntou Stella, surpresa.
— Eu não quero, mas eu acho que deveria. Você ainda não viu sua mãe
em semanas e, talvez, vocês duas queiram ter algum tempo a sós. — Ele
mordeu o lábio inferior e olhou para baixo.
— Lis, você pode nos dar um minuto? — Lisa acenou com a cabeça e,
pegando seu copo, entrou na sala de estar. — Max, não saia. Eu não vou ficar
sozinha com minha mãe de qualquer maneira, Niki e Lisa também estão aqui.
Ela provavelmente está cansada e vai para a cama cedo. Eu vou ter todo o
tempo do mundo para estar com a minha mãe quando eu voltar para casa, ela
não está aqui por mim.
Max não pareceu convencido, e Stella sentiu que havia algo mais.
— Você está nervoso perto de mamãe, porque nós dormimos juntos? —
Max olhou para o lado e não respondeu a pergunta, o que fez Stella dar um
sorriso. Este homem de vinte e dois anos de idade, que não tinha nenhum
problema em começar brigas sobre ela e beijá-la sem sentido, sem prestar
atenção em quem estava por perto, estava com vergonha de dormir com ela,
quando sua mãe estava na mesma casa. — Max, isso é ridículo. Eu disse a
minha mãe que estamos namorando e ela sabe que você passa a noite aqui.
Além disso, ela é muito compreensiva, uma pessoa aberta. Você não tem nada
com se preocupar.
— Eu quero que ela goste de mim. — disse Max, em voz baixa, como se
ele não tivesse certeza se deveria dizer isso. O coração de Stella pulou uma
batida.
— Ela já gosta de você, baby. Ela vê o quão feliz você me faz e isso já é
uma razão boa o suficiente para que ela goste de você. Por favor, não vá
embora. Ela adoraria se você ficasse.
— Ok.
Stella sorriu feliz, e levou Max para a sala antes que ele mudasse de ideia.


















1'pí $&(! ;r"n$' e #!"s


<ax sentou-se no enorme pufe verde, e
Stella o seguiu, sentada entre suas pernas e inclinando-se para trás contra seu
peito. Era espaço mais do que suficiente para os dois, e se sentia confortável.
Por um momento, ele endureceu, sem saber onde colocar as mãos. Virando a
cabeça para encará-lo, Stella sorriu de forma encorajadora, e trouxe seus
braços ao redor dela. Ele exalou o ar que estava segurando e pareceu relaxar
um pouco.
Niki e Helen estavam conversando sobre seus planos para visitar Milão
no fim de semana, Lisa estava sentada no outro pufe, em frente a eles, com seu
bloco de notas sobre os joelhos, com os dedos rapidamente movendo sobre ele.
Tudo parecia tão normal, tão natural, como se o tempo tivesse voltado para
trás e sua vida não tivesse mudado dramaticamente ao longo dos últimos cinco
anos.
— O que você está pensando? — Max sussurrou em seu ouvido.
— Como é bom esse momento.
Não demorou muito para que Helen começasse a reprimir os bocejos e
decidiu deitar. Ela desejou a todos “boa noite” e subiu as escadas, com Niki a
reboque.
— Ainda é cedo para nós. Vocês querem assistir a um filme? — Stella
perguntou
— Eu não dormi durante todo o dia, ao contrário de você. — Lisa
levantou-se, dando-lhes um olhar aguçado.
— Quem disse que ela dormiu o dia todo? — Max brincou. Lisa revirou
os olhos e arrancou uma página de seu caderno de esboços.
— O que for. Aqui. — Ela estendeu o braço em direção a eles,
estendendo a página que acabara de rasgar. — Veja como doentiamente
bonitos vocês estão. — Piscando o olho para eles, Lisa subiu as escadas até seu
quarto.
Stella pegou o desenho na mão, com a boca aberta. Como Lisa poderia
fazer isso em tão pouco tempo? Era perfeito: a imagem exata de Max com
Stella no pufe. Lisa era uma pintora muito talentosa, mas Stella achava que ela
era ainda mais incrível com um simples lápis na mão. De alguma forma, ela
conseguiu pegar a conexão que eles compartilhavam com algumas pinceladas
negras. Stella não conseguia parar de olhar para ele.
— Ela é incrível, não é? — Disse Max, olhando para o desenho sobre
sua cabeça. — Quando eu a vi pela primeira vez na reunião de aconselhamento,
ela estava sentada em uma cadeira, com as pernas cruzadas e um bloco de
desenho sobre os joelhos. Ela nunca parou de desenhar, mesmo quando ela
falava, mas ela nunca nos mostrou nada. Levei quatro semanas ouvindo os
outros, antes de reunir coragem suficiente para falar. O dia que eu falei sobre o
meu pai, Lisa veio até mim depois da reunião e me deu uma folha como esta. —
Max parou de falar, e apesar de Stella não poder ver seu rosto, ela sabia que ele
estava lutando com emoção. Ela sentiu seu coração acelerar e sua mão tremer,
enquanto ele distraidamente tirava um fiapo imaginário da almofada ao lado
dela. — Quando eu olhei para o desenho, era como se tivesse sido atropelado
por um trem em alta velocidade. A emoção por trás desse desenho simples a
lápis era exatamente o que eu senti quando eu tinha falado naquele dia. Eu não
sei como ela faz isso, mas ela tem um talento incrível em captar sentimentos
com um pedaço de papel.
Isso era exatamente como Stella descreveria seu desenho - sentimentos
em um pedaço de papel.
— Stella... — Max sussurrou, seus lábios tocando a pele em seu ouvido.
— Eu não quero assistir a um filme. — Sua respiração estava queimando sua
pele e ela estava consciente de cada centímetro dele ao redor dela.
— O que você quer fazer? — Perguntou Stella, sua voz baixa e instável.
Max passou os braços com mais força em torno dela e mordeu o lóbulo da
orelha.
— Eu quero estar dentro de você. Desesperadamente. E então eu quero
que você durma aconchegada ao meu lado.
Um arrepio percorreu todo o corpo de Stella como uma onda gigante
mexicana. Max percebeu isso e sua respiração parou. Antes que ela pudesse
reagir, ele estava de pé e ela estava em seus braços.
*
No momento em que Max pegou Stella nos braços e ela o olhou com
aqueles olhos de lobo incríveis, ele quase disse a ela tudo o que estava pesando
sobre ele - o quanto ele a amava, o quanto ele precisava dela, o quanto ele
precisava dela precisando dele. Em vez disso, ele a beijou quando ela cruzou as
mãos atrás do seu pescoço, e a levou para o quarto.
Quando ele a deitou na cama, algo em seu olhar mudou. Como se ela
quisesse dizer a ele as mesmas coisas que ele desejava dizer. Como se ela não
quisesse que isso acabasse.
Diga, Stella, por favor, diga. Diga que me ama. Diga que você me quer.
Diga que você não vai partir.
Ele cantava essas palavras repetidamente em sua cabeça, na esperança de
que ela pudesse ler a mente dele.
Stella permaneceu em silêncio por muito tempo, antes que ela fechasse os
olhos e fizesse uma careta. Quando os abriu, o que estava lá segundos atrás
tinha ido embora. Tudo que Max viu agora era desejo e desespero.
Ele não queria mais pensar. O que ele queria estava ali, deitada na cama
debaixo dele. Max atacou a boca de Stella em um beijo feroz e ela respondeu
imediatamente, agarrando sua nuca e puxando-o contra ela. Ela precisava disso
tão desesperadamente como ele. Ele seria lento e gentil com ela mais tarde,
mas agora ele queria enterrar dentro dela e esquecer o futuro.
Meia hora depois, ofegante e sem fôlego, Max segurou Stella em seus
braços e tentou acalmar seu corpo e sua mente ao ouvir sua respiração
irregular. Seu peito estava batendo contra o dele, e ele podia sentir o rápido
batimento de coração dela, que combinava com o seu. Nenhum deles tinha dito
uma palavra desde que chegaram ao quarto. Eles expressaram como se sentiam
sobre o outro sem falar. Enquanto as palavras poderiam ser controladas, as
ações não mentiam.
A conexão que eles compartilhavam era muito mais profunda do que as
palavras. Max sentiu que Stella era tão parte dele como sua própria alma. Era
algo que estava permanentemente gravado em seu próprio ser. Sem ela, ele
nunca seria completo.
Ele sabia que ela sentia o mesmo. Ele tinha visto isso em seus olhos,
ouvia isso em seu batimento cardíaco, sentia em seu hálito quente contra sua
pele. Se ela não estivesse pronta para dizer isso ainda, então que assim seja.
Max não iria pressioná-la a expressar seus sentimentos com palavras. No
entanto, ele iria pressioná-la a ficar com ele.
Partir não era uma opção mais.
Talvez nunca tenha sido.
— Você acredita em amor à primeira vista? — ele perguntou, quando
sua respiração tinha abrandado o suficiente para formar palavras. Stella
endureceu ao lado dele e ele acariciou as suas costas para relaxá-la.
— Eu realmente não pensei nisso.
Mentirosa.
— Bem, pense sobre isso agora. Você acha que é possível amar alguém
no momento que você o vê?
— Provavelmente não. Ser atraída por alguém, com certeza. Mas amor?
Não leva tempo? — Stella inclinou a cabeça para olhar nos olhos de Max.
— Aqui está a minha teoria: Eu acho que se você começa a ter esta
atração insana por alguém, não pode ser apenas físico. Você acha que é físico,
porque a pessoa que você vê é a coisa mais linda que você já viu - mas não pode
ser. E eu não estou falando apenas de qualquer atração, há muitas pessoas de
boa aparência que encontramos todos os dias e, certamente, ficamos atraídos
por alguns deles, não importa se vamos conhecê-los, ter relações sexuais com
eles. Estou falando da atração intensa que sufoca quando a pessoa em questão
surge em sua visão. Isso não é física. O cérebro humano é um pouco lento e
precisa de tempo para recuperar o atraso do que o nosso coração já sabe.
Quando, ou melhor, se, temos a sorte de encontrar alguém que capta o nosso
coração no momento em que colocamos os olhos sobre eles, nos sentimos
selvagens, a atração física por ele é tão forte que não se apaga facilmente.
Dessa forma, nosso cérebro tem tempo para recuperar o atraso e perceber que
esta é a pessoa que você não pode viver sem. Essa é a pessoa que te completa.
— Max olhou para Stella, que estava olhando para ele com admiração. — Essa
é a única para mim. — Ele disse as últimas palavras, enquanto olhava direto
em seus olhos, dizendo para ela, mas dando-lhe a opção de pensar que ele
estava terminando sua linha de pensamento.
Stella engoliu lentamente, lambeu os lábios secos e baixou os olhos. Ela
se aconchegou mais perto de Max, enterrando o nariz em seu pescoço.
— Você já pensou muito sobre isso. — ela sussurrou.
— Meu pai sempre falou que se apaixonou pela minha mãe no momento
em que a viu. Quando eu era mais novo eu pensava que não era possível. Então,
depois que ele morreu, eu repassei nossas conversas repetidas vezes na minha
cabeça. Eu poderia falar com ele sobre qualquer coisa, e ele sempre tinha algo
interessante e não convencional para dizer. Eu pensei sobre a conexão que ele e
minha mãe compartilhavam. Não era algo pessoal, era algo que podia ser
sentido por todos ao seu redor e isso me fez debruçar sobre isso, analisar, e
acreditar nele — De repente, Max não conseguia controlar suas palavras por
mais tempo. O que ele sentia por Stella queria explodir para fora dele e se ele
não permitisse, isso iria rasgá-lo em pedaços. — Eu não podia realmente
acreditar nisso , até que eu senti.
Stella ainda tinha o nariz enterrado em seu pescoço e Max inclinou seu
queixo para cima com o dedo indicador, para que ele pudesse ver a sua reação
ao que ele acabara de dizer. Seus olhos estavam molhados de lágrimas não
derramadas e havia medo neles. Por que ela estava com tanto medo de ouvir
que ele a amava? Especialmente se ela se sentia da mesma maneira?
Uma lágrima escapou de seus olhos e rolou por seu rosto. Ele seria
condenado se queria fazê-la chorar. Tudo o que ele queria era fazê-la feliz, não
assustada e triste. Isso foi o suficiente para empurrar tudo o que ele queria
dizer para dentro e bloqueá-lo atrás de uma porta sólida.
— Não chore, por favor, tesoro, não chore. — ele sussurrou e beijou
uma trilha ao longo de sua bochecha onde sua lágrima tinha deixado um traço
úmido. Quando chegou ao canto da boca, Stella virou a cabeça ligeiramente e
bateu os lábios nos dele. Seu beijo era frenético, desesperado. Esforçando-se
para não perder o controle e dar asas a sua paixão, Max desacelerou,
explorando delicadamente a boca com a língua, acalmando seu desejo. Ele
deslizou a mão ao longo de suas costas, apertando seu traseiro e fazendo-a
gemer muito. Stella tentou assumir o controle novamente e empurra-lo de
costas com ela em cima, mas Max resistiu, virando-a de costas, em vez disso, e
pressionando-a para baixo com seu corpo.
— Vamos fazer isso do meu jeito agora. Eu vou fazer amor com você
lentamente até você derreter em minhas mãos. — disse ele com voz rouca.
Stella mordeu o lábio inferior e seus olhos cinzentos escureceram com a
necessidade. — Se você não quer ouvir o que eu sinto - tudo bem. Eu vou te
mostrar.
Ele não lhe deu tempo para reagir ou responder. Mergulhando a cabeça,
Max a beijou até que ela gemeu contra seus lábios.
Até o final da noite, ele tinha certeza de que Stella sabia exatamente
como ele se sentia sobre ela. O medo nos olhos dela tinha ido embora e ele viu
a esperança substituí-la, pouco antes dela se afastar para um sono tranquilo em
seus braços.










1'pí $&(! ;r"n$' e ;r+s


0s próximos dez dias se passaram em
um borrão. Stella mal viu sua mãe, porque Niki a levou para Milão, Turim,
Veneza, Verona, Toscana e sabe Deus onde mais. Toda vez que voltavam para
casa, as duas mulheres estavam brilhando de felicidade. Helen tinha dito várias
vezes que, se algum deles quisesse se juntar a elas, eram bem-vindos. Lisa se
recusou por causa dos compromissos de trabalho, supostamente, mas Stella
suspeitava que ela estivesse preocupada com Gino. Ela tinha ido visitá-lo
muito mais vezes durante essas últimas duas semanas, mas se recusou a falar
sobre isso. Stella odiava que sua prima teimosa estivesse sofrendo sozinha, mas
se ela não quisesse falar, ela não poderia obriga-la. Manter essa grande segredo
de sua mãe também estava pesando para Lisa, e Stella tinha notado como ela se
distanciou de Niki, tentando mantê-la na ignorância.
Stella tinha passado todo o seu tempo com Max. Ele lhe deu mais duas
aulas de direção, o que ela tinha realmente apreciado neste momento. Ela ainda
não tinha certeza se algum dia iria tirar a carteira de motorista, mas como ela
estava se divertindo e depois ainda ficava com Max no carro, Stella decidiu não
pensar nisso e apenas desfrutar o momento.
Ele também a levou para seu barco algumas vezes. Ele ancorava em
algum lugar isolado, e eles ficavam no convés, tomando sol e conversando.
Stella não tinha certeza do que ela gostava mais - fazer amor com Max ou
conversar com ele. Quando ele a tocava, ele a fazia quebrar em milhões de
pedacinhos de prazer, antes que ele colocasse de volta juntos - e, em seguida,
começava tudo de novo. Quando conversamos, ele sempre conseguia
surpreendê-la, dizendo algo completamente bizarro ou obscenamente
engraçado. Stella não podia imaginar nunca ficar entediada em sua presença.
Felizmente, ele não tinha tentado novamente confessar qualquer um dos
sentimentos que tinha por ela. Stella tinha certeza de que ela não teria sido
capaz de se controlar, se ele tivesse feito isso. Seria demais. Era duro o
suficiente para ela, que a data da sua partida se aproximava com a velocidade
da luz.
Sua mãe supostamente partiria no prazo de três dias e Niki a tinha levado
em uma última viagem. Aparentemente, havia um mercado de antiguidades
muito famoso em uma pequena cidade perto de Pádua chamado Piazzola sul
Brenta, e as pessoas em toda a Itália iam visitá-lo. Niki foi uma vez antes, e
afirmou que Helen iria adorar. Stella orou para qualquer coisa que a sua mãe
decida comprar, se encaixe com as restrições de bagagem.
Era sexta-feira à noite , e Lisa tinha uma exposição na galeria. Seu chefe
conseguiu garantir uma mostra exclusiva do mais recente trabalho de um
artista muito popular, e Lisa estava muito animada durante toda a semana. Um
grande número de pessoas eram esperadas para aparecer, e seria uma noite
agitada, por isso, provavelmente seria bem tarde antes que ela chegasse em
casa.
Max estava agindo estranhamente o dia inteiro, e cada vez que Stella lhe
perguntava o que estava acontecendo, ele desviava a questão, ou a beijava até
que ela se esquecesse de como formar alguma palavra. Logo depois, às 8 horas,
ele disse a ela para se vestir, porque eles iriam sair. É claro que ele não iria lhe
dizer onde, mas o sorriso bobo no rosto , disse a Stella que ele tinha algo
planejado e esta era a razão para seu comportamento estranho durante todo o
dia.
Ela rapidamente colocou um vestido amarelo e um par de sandálias, e
estava pronta para ir. Quando eles saíram, Max segurou a mão dela na sua e
eles começaram a descer a rua, em vez de entrar em seu carro. Logo Stella
percebeu que eles estavam indo para a praia.
O sol estava quase desaparecendo, então havia apenas algumas sombras
alaranjadas lambendo a superfície da água. A praia estava praticamente vazia,
apenas um corredor ocasional podia ser visto correndo, enquanto caminhavam
lado a lado ao longo da costa.
— Feche os olhos. — disse Max, movendo-se na frente dela em um
movimento rápido.
— Por quê?
— Apenas faça, Stella. — ele suspirou, e deu-lhe um sorriso desarmante.
Ela revirou os olhos antes de fechá-los. Max a beijou e sussurrou: —
Mantenha-os fechados até que eu diga que você pode abri-los. — Stella
assentiu. — Prometa-me que você não vai espreitar.
— Eu não vou espreitar.
— Bom. — Ele levou as duas mãos na sua, mas não se mexeu. Sentiu-o
mover a parte superior do corpo, mas ele não começar a andar. O que ele
estava fazendo? Por que ela tinha um mau pressentimento sobre isso? Era
como se ele estivesse indo fazer algo grande esta noite, algo que não haveria
retorno depois.
Em poucos minutos, Max puxou seus braços para a frente e ela começou
a andar. Demorou cada grama de autocontrole que Stella possuía para não
abrir os olhos e ver o que estava acontecendo ao seu redor. Eles caminharam
juntos por alguns minutos, antes que Max parasse e, respirando fundo, falasse:
— Abra.
Ela fez isso. Eles estavam em frente de seu posto de salva-vidas e havia
velas acesas em torno de todo o espaço.
— Uau. Como você fez isso? — Stella teria visto as velas de longe se
tivessem sido acesas, a poucos minutos atrás.
— Eu tive um pequeno ajudante. — Ele piscou para ela e a levou pelas
escadas, fazendo um gesto para que ela se sentasse. Quando o fez, ele se
ajoelhou na areia em frente a ela. — Estou tão feliz que você usou esse vestido
esta noite. — Confusa, Stella deu uma rápida olhada em seu vestido,
perguntando o que havia de tão especial sobre ele. E então lembrou-se: era o
vestido que usara no primeiro dia que ela chegou em Gênova: o vestido que ela
estava usando quando viu Max pela primeira vez.
— Você estava usando o mesmo vestido, quando eu a vi pela primeira
vez e você mudou minha vida para sempre. — disse Max, e Stella abriu a boca
para dizer alguma coisa, qualquer coisa, apenas para que ela pudesse
interrompê-lo, porque ela já sabia aonde isso ia. Max colocou um dedo sobre os
lábios silenciando-a. — Eu sei que você não quer ouvir isso, mas eu não posso
prendê-lo mais.
Ele tirou o dedo de seus lábios e substituiu-o com a boca, dando-lhe um
beijo lento e suave.
— Stella, eu te amo. Eu te amei desde que primeira vez que te vi. Meu
cérebro precisava de algum tempo para recuperar o atraso, mas meu coração
era definitivamente seu desde aquele momento. — Max fez uma pausa,
estudando seu rosto e esperando algum tipo de reação. Stella não sabia o que
dizer. No fundo, ela sabia que Max a amava, mas agora que ele tinha tido todo
esse trabalho para realmente dizer isso, se tornou real.
Ela estava partindo em menos de duas semanas. Ela tinha uma consulta
com seu oncologista em três semanas. Que diferença faria que ele a amava, ou
que ela o amava, quando havia uma forte probabilidade do câncer estar de
volta?
— Max, eu... Eu não sei o que dizer. — Era exatamente como se sentia.
Nada que falasse iria soar direito.
— Você não tem que dizer nada. Eu não fiz isso para colocá-la contra a
parede, Stella. Eu... Eu preciso de você. Eu não quero perder você. — Sua voz
tremia de emoção e Stella estava à beira das lágrimas. Ela odiava não ser capaz
de dizer a ele o quanto ela o amava, e ainda assim, ela teria que partir. Ela
odiava ter que quebrar seu coração.
Max viu em seus olhos. Ele viu seu conflito interno e o resultado. Ele
balançou a cabeça, os olhos cada vez mais desesperado.
— Não faça isso, Stella. — ele sussurrou. Stella sentiu uma lágrima
quente deslizar pelo seu rosto. — Não. — Max se levantou e começou a andar
como um animal enjaulado.
— Max... — Stella começou, imaginando o que ela poderia dizer para
tornar isso melhor. Ela queria colocar toda a culpa em si mesma e não deixa-lo
se sentindo como se tivesse feito algo errado.
— Me ouça. — ele disse, a interrompendo e ajoelhando na frente dela.
— Eu não sei por que você está tentando me afastar para longe. Não há nada
que nos impeça. Nós vivemos em países diferentes, é verdade: mas, se
quisermos, podemos fazer isso funcionar. Eu sei que é possível. Eu nunca quis
nada tão desesperadamente. Você me faz sentir vivo, como eu sou necessário.
Ninguém precisou de mim desde que meu pai morreu, Stella. Minha mãe se
enterrou em seu trabalho e eu raramente a vejo, e Gia se fechou
completamente comigo, ainda com sentimento de culpa que não ajudou a
tomar conta do nosso pai.
— O que você quer dizer? — Perguntou Stella, percebendo que Max
nunca tinha compartilhado como seu pai havia morrido. Ele não gostava de
falar sobre isso e Stella nunca tinha pressionado o assunto, porque ela sabia o
quão doloroso era se lembrar.
Max passou as mãos pelos cabelos, arrastando-os ao longo de seu rosto,
como se reunindo coragem para falar.
— Meu pai tinha leucemia. Quase um ano antes de morrer, ele precisava
de cuidados 24hs por dia. Gia se apavorou. Ela o idolatrava, e ver aquele
homem forte e confiante reduzido a uma pessoa doente e frágil deitada na cama
o dia todo, a deixou apavorada. Ela se jogou em seus estudos - era seu último
ano na escola secundária e ela precisava de boas notas para ser aceita pelo
Instituto de Artes Culinárias. Minha mãe passou a ser o único ganha-pão em
toda a nossa família e trabalhava quase o tempo todo. Assim ela me abandonou.
Eu tinha quatorze anos quando dei um tempo da escola por um ano, para
cuidar dele em tempo integral. Ele morreu duas semanas depois do meu
aniversário de quinze anos.
Stella não conseguia segurar as lágrimas por mais tempo, deixando elas
descerem livremente por suas bochechas. A vida era tão injusta. O pai de Max
tinha morrido de câncer, e, em seguida, o próprio Max se apaixonou por uma
garota que estava com câncer. Como isso era possível? Por quê? Max não
merecia isso. Ele era uma pessoa incrível, que merecia uma vida longa, cheia de
amor, felicidade e sorte.
— Desde então eu me senti desconectado, fluindo com a corrente e sem
qualquer objetivo. Até que eu conheci você. Você me dá tudo que eu preciso,
Stella. Você me completa, você conecta todos os pedaços de mim. Eu me sinto
completo quando estou com você. Quando eu olho para o futuro, vejo você do
meu lado.
Não. Stella definitivamente não estava no futuro de Max, porque ela nem
sabia se tinha algum futuro. Mas não podia dizer isso a ele. Se ela lhe contasse
a verdade, ele ficaria com ela. Ela não podia permitir que isso acontecesse,
ninguém merecia ver duas pessoas que amava morrendo. Mesmo se houvesse
uma chance de que ela não morresse, ela ainda não queria que Max sofresse
por ela, enquanto entrava e saía de hospitais e chorava até dormir todas as
noites.
— Max, eu sinto muito sobre seu pai. — ela começou, e ele acenou com
a cabeça em reconhecimento. — Você é incrível, mas eu... Eu preciso de algum
tempo para limpar minha cabeça. Eu preciso pensar.
Ela não poderia lhe dizer que nunca poderiam estar juntos. Não esta
noite. Seu coração ia explodir se ela lhe desse mais dor em tão pouco tempo.
Além disso, ela precisava de um tempo para se recompor e se preparar para o
que ela tinha que fazer.
— Ok. Falaremos amanhã. — Ele se levantou e começou a soprar as
velas. Quando ele terminou, ele estendeu a mão e Stella a pegou, levantando-
se. — Vamos para casa.
— Posso te pedir uma coisa? Você se importa se eu dormir sozinha esta
noite? — Seu rosto caiu e Stella se sentiu como a maior vilã do mundo. — Eu
só... Eu acho que vai ser melhor se eu pensar sobre isso sozinha.
Max relutantemente concordou, e a levou até a sua casa. Antes que ele
entrasse em seu carro, ele disse:
— Eu sei que tudo que eu disse esta noite é uma responsabilidade muito
grande, e eu sei que estou lhe pedindo um compromisso enorme. Eu também
sei que provavelmente não vai ser fácil, mas eu sei que, enquanto tivermos um
ao outro, nós podemos tudo. — Ele circulou sua cintura e puxou-a para ele,
enterrando o rosto na curva do seu pescoço. — Eu te amo, Stella.
Ela enganchou as mãos atrás do pescoço quando Max encontrou sua
boca e a beijou. Stella não se conteve sobre o beijo. Ela lhe deu tudo o que
tinha - porque essa ia ser a última vez que ela o beijaria.
Max sentou-se no carro, fechou a porta e partiu, levando a sua alma com
ele.


1'pí $&(! ;r"n$' e Q&'$r!


Uma vez lá dentro, Stella sentou-se no
sofá e ligou o abajur. Ela não podia se mover, não podia chorar, não conseguia
respirar. As paredes começaram a se aproximar dela e ela se sentia presa,
sufocando, com náuseas. Sentindo seu estômago queimar com ácido, ela correu
para o banheiro e vomitou. E então vieram as lágrimas novamente. Ela gritou
no banheiro vazio, até capotar no chão frio.
Quando ela acordou, Stella não tinha ideia de que horas eram. Tudo que
ela sabia era que não tinha forças para chorar. Espirrando o rosto com água
fria, ela tentou corrigir sua aparência horrível, mas era inútil - seus olhos
estavam vermelhos e inchados, sua pele estava pálida, apesar de seu bronzeado,
seus lábios estavam secos e ela tinha círculos escuros sob os olhos.
Saindo do banheiro, Stella ouviu a porta da frente abrir e fechar. Lisa
estava em casa. De repente, a raiva oprimiu Stella. Lisa sabia sobre isso o
tempo todo! Ela era a única que sabia todos os seus segredos.
— Por que você não me contou? — Não havia necessidade de esclarecer.
Lisa podia entender imediatamente o que ela quis dizer com sua expressão
atordoada, mas sem esperança no rosto de Stella. Ela não respondeu de
imediato, obviamente, tentando formular a resposta de uma forma que não
irritasse Stella ainda mais.
Tarde demais para isso.
— Como você pôde esconder isso de mim, Lis? — Lágrimas de
frustração desceram por suas bochechas, e Stella as afastou com as costas da
mão. — Como é que você não me contou que o seu pai tinha câncer? Que Max
cuidou dele sozinho!
— Não era para eu dizer, Stella. Esta é a vida pessoal de Max, ele era o
único que deveria ter dito.
— Você deveria ter me dito, quando eu te perguntei se estava ok a gente
namorar. Se você tivesse me dito então, eu teria terminado as coisas
imediatamente. Eu não teria...
— Você não teria se apaixonado por ele? Eu acho que você já estava
apaixonada por ele. — Lisa jogou as mãos para cima em exasperação. — Eu
tentei avisá-la tantas vezes, mas eu acho que não é assim que funciona. Nós não
escolhemos quem amamos, não é?
— Não. Se você tivesse me dito no primeiro dia que eu o conheci, eu o
teria evitado como a peste. Nada teria acontecido entre nós.
— Você não pode me culpar por isso, Stella. — Lisa disse calmamente, e
aproximou-se de sua prima. — Eu mantive os seus segredos, também.
Stella quebrou nos braços de Lisa. Seus soluços rasgavam seu coração em
pedaços, mas ela não poderia ter se importado menos. Seu coração já foi
rasgado em pedaços.
— Você contou a ele sobre você? — Lisa perguntou, quando ela se
acalmou o suficiente para falar.
— Não! E eu não vou. Nem você. — respondeu Stella, determinação
misturando com a tristeza em seus olhos.
— Ele não vai deixar você se o câncer estiver de volta. Você sabe disso,
né?
— Sim, eu sei, e é exatamente por isso que não vamos dizer a ele. A
possibilidade é por volta de oitenta por cento - especialmente depois que ele
voltou depois da primeira cirurgia e quimioterapia. Eu não vou submeter Max
a isso novamente. Ele sofreu bastante com seu pai, eu seria a pessoa mais cruel
na Terra, se eu permitisse ele ficar lá para mim também. Eu prefiro que ele
pense que tudo está acabado entre nós e siga em frente com sua vida.
— Ele não vai seguir em frente. Ele te ama, Stella. Dê-lhe a
oportunidade de estar lá para você.
— Não.
Stella tirou dos braços de Lisa e afastou a última de suas lágrimas.
— Amanhã eu vou lhe dizer que está tudo acabado entre nós. Vai levar
tempo, mas ele vai seguir em frente. Ele vai conhecer alguém e se apaixonar e
ter a vida que ele merece. Ele não merece ficar preso com uma pessoa doente,
especialmente quando ele não sabia que eu estava doente. Eu vivi uma mentira
com ele esse tempo todo. É tudo culpa minha, se eu apenas lhe contasse no
início que eu tinha câncer, talvez ele nunca tivesse...
— Não é algo que você pode considerar, certo? — Lisa interrompeu. —
Não coloque qualquer culpa, Stella. Não é culpa de ninguém. Serão dois
corações quebrados. Não há vencedores aqui.
A chuva caía do céu. Não havia nuvens - apenas um céu cinza infinito.
Ironicamente, lembrou Stella de casa. Ele refletia perfeitamente o seu humor.
Ela estava sentada em uma espreguiçadeira sob o toldo, olhando para a
chuva e esperando que a água que caia afogasse seus pensamentos.
— Hey. — Max disse, quando veio ao seu lado e se sentou na
espreguiçadeira. Ela mandou uma mensagem a ele para vir há meia hora atrás.
Não havia nenhum ponto em retardar isso.
— Oi — ela disse sem se virar para encará-lo. — Eu estou indo embora
amanhã. — Não havia nenhum ponto em andar em círculos também. Quanto
mais cedo ela o afastasse, melhor.
— O quê?
— Minha mãe está indo para casa amanhã, e eu vou voltar com ela.
— Temos mais 10 dias, Stella. Você não pode sair mais cedo. — Stella
não disse nada. Ela nem sequer olhou para ele. Ela não podia. Se o fizesse, seu
coração iria quebrar tudo de novo e já foi quebrado muitas vezes.
— Olhe para mim! — Ele exigiu. Suspirando, ela fez isso. — É essa a
sua resposta? Você pensou em tudo o que eu disse na noite passada e é essa a
sua resposta? Você não me quer?
Stella não respondeu, ela só olhava para ele com determinação em seus
olhos. Se ela abrisse a boca para falar, ela não tinha certeza se poderia
controlar.
— Merda. — Ele se levantou e caminhou ao redor. A raiva rolando fora
dele era nauseante. Seus olhos estavam em chamas, com os punhos cerrados,
todo o seu corpo estava vibrando de raiva.
Ele sentou-se na espreguiçadeira.
— Stella, eu te amo. — Ela olhou para ele e tentou manter o rosto
impassível e sem emoção, quando a única coisa que ela queria fazer era beijá-lo
e dizer-lhe que o amava também. — Mesmo que você vá agora, a Inglaterra
não é a Austrália. É apenas uma hora de voo. Eu não quero que este seja o fim,
eu quero você. Eu quero fazer isso funcionar. Se você não quer ficar aqui, eu
vou para Londres. Eu vou para a universidade lá. Eu...
Ele parou, porque Stella não estava nem olhando para ele mais. Ela
olhava para a chuva que caia na piscina atrás de Max, e mesmo que ela tentasse
manter a emoção fora de sua face, uma única lágrima derramou pelo seu olho e
desceu seu rosto. — Stella. — ele disse, seu tom firme. Ele queria que ela
olhasse para ele, mas ela simplesmente não conseguia. — Stella, por favor.
Olhe para mim. — Sua voz era mais suave agora. Ela não resistiu e fitou-o com
um olhar vazio. — Eu te amo. Eu... Por favor, não vá embora. Não me deixe.
— Eu tenho que ir. — foi tudo que ela disse.
— Por quê?
— Porque eu não me sinto da mesma maneira. Eu pensei que sentia, mas
eu não sinto. — Doeu fisicamente dizer essas palavras. Stella conseguiu até
manter seu tom de voz convincente, porque essa era a maior mentira que já
tinha dito.
— Bobagem! Eu sei que você me ama, Stella. Não tente me afastar,
porque você é covarde demais para admitir o que realmente sente.
— Pense o que quiser. Eu estou dizendo a você como eu realmente me
sinto. Eu me sinto atraída por você, eu adoro o sexo e eu me divirto com você.
Mas eu não te amo, Max. Eu não quero construir uma vida com você.
— Pare de mentir porra! Eu sei que você me ama. Eu já vi isso em seus
olhos. Há luxúria e paixão lá, mas há também o amor. E confiança.
Stella não disse nada. Como poderia? Ele estava certo. Era exatamente
como se sentia, ela o desejava, mas ao mesmo tempo ela confiava nele com sua
vida e amava com todo seu coração quebrado.
E era exatamente por isso que ela tinha que afasta-lo o mais longe
possível dela.
— Me desculpe se eu enganei você, mas eu não te amo, Max. Eu amo
como você me faz sentir na cama, eu adoro falar com você e passar um tempo
com você. É isso aí. Não posso me comprometer com você e ser uma parte de
seu futuro, porque quando eu fecho meus olhos eu não vejo você no meu.
Ele recuou fisicamente com suas palavras. O desapontamento e mágoa
em seus olhos quase a matou. Mas Stella tinha que permanecer forte. Ela não
chorou e ela não desviou os olhos longe do dele, enquanto ele sofria. Ele não
disse nada. Ele apenas ficou lá, olhando para ela, incapaz de formar palavras ou
mostrar qualquer tipo de reação.
E, em seguida, Lisa entrou - e tudo desabou.
Ele pulou da espreguiçadeira e parou a poucos centímetros do rosto de
Lisa, elevando-se sobre seu pequeno corpo. Para seu crédito, ela não recuou.
Lisa cruzou os braços na frente do peito e teimosamente ergueu o queixo para
olhá-lo nos olhos.
— O que você disse a ela? — Ele gritou.
— Eu não lhe disse nada. Ela fez sua própria escolha.
— Yeah? Então, ontem à noite eu digo a ela que a amo e quero passar o
resto da minha vida com ela, ela chega em casa e pensa sobre as coisas e a única
pessoa aqui é você. Um pouco coincidência demais, você não acha?
Lisa, deu de ombros, seus olhos nunca deixando Max. Seu corpo tremia
enquanto tentava se controlar. Stella sabia que ele nunca machucaria
fisicamente Lisa mas ainda assim, o seu enorme corpo pairando sobre sua
primo a deixou desconfortável.
— Max, se afaste de Lisa. Não é culpa dela. — Ela levantou e se
aproximou dele.
— Eu discordo — ele rosnou, ainda se concentrando em Lisa.
— Por que você não pode simplesmente aceitar que eu não te amo? Seu
ego é tão grande que você não pode sequer imaginar a ideia de que uma mulher
não está completamente apaixonada por você?
— Oh, eu posso aceitar que nem toda mulher é apaixonada por mim —
ele disse, tirando sua raiva contra Lisa e voltando para Stella. — Eu não aceito
que você não é. Porque você é. E vocês duas estão mentindo para mim. Eu só
não sei por quê. Mas deixe eu garantir que vou descobrir, e quando eu
descobrir, eu vou ter a chave do que está acontecendo aqui.
Ele saiu da casa, batendo a porta com tanta força que as janelas
tremeram.
Stella não poderia prender por mais tempo. Ela caiu no chão e chorou
nos braços de Lisa até que ela não tinha lágrimas ou força.
Helen e Niki chegaram em casa tarde da noite, sem perceber o drama que
tinha acontecido há apenas algumas horas atrás. Stella saiu de seu quarto para
contar a sua mãe que ela comprou um bilhete para o mesmo voo e estaria
partindo com ela. A julgar pelo seu rosto, Helen queria lhe fazer um milhão de
perguntas, mas Stella murmurou — Eu não quero falar sobre isso — e bateu a
porta do quarto fechada. Para se manter ocupada, Stella arrumou a mala, e
quando terminou, já era meio da noite.
Seu telefone tocou com uma mensagem e ela o pegou com os dedos
trêmulos, certo de que era de Max.
<'=: E& $e ')!. !r f'*!r, n>! *@ e)b!r'.
Ela não respondeu. Em cinco minutos ele tocou novamente.
<'=: SeD' ! %&e f!r %&e es$@ se.&r'n#! *!c+, n6s p!#e)!s
res!(*er.
Não, ele não poderia resolver isso. Stella desligou o telefone e subiu na
cama, exausto demais para lutar com o sono por mais tempo.
*
Max não conseguia dormir. Tudo o que podia pensar era em Stella
partindo em poucas horas. O que ele poderia fazer? Se confessar seu amor por
ela, compartilhar seus segredos mais profundos, servir a sua alma em uma
bandeja de prata, não a impediu de partir, o que poderia?
Em uma última tentativa desesperada dela mudar de ideia, ele enviou
duas mensagens. Ela não respondeu. Ele enviou outra, mas essa voltou sem ser
entregue. Ela desligou o telefone. Ela o expulsou de sua vida. Para sempre.
Max jogou o telefone na direção da parede e quebrou em pedaços. Ele
enrolou em uma bola em sua cama e chorou como nunca tinha chorado antes -
nem mesmo quando seu pai morreu.
*
— Eu sinto muito, Lis. Eu atrapalhei a sua vida nesses dois curtos meses
que estive aqui. — Stella disse, enquanto despedia com um abraço na sua prima
no aeroporto. — Max provavelmente vai culpá-la pelo que aconteceu, mesmo
que isso não tenha nada a ver com você.
— Ele vai vir aí. Ele precisava de alguém para gritar antes, eu tenho
certeza que ele realmente não me culpa. — Lisa a abraçou de volta e quando
ela se afastou, seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu vou sentir sua
falta. Me prometa ligar todo dia.
— Eu vou. Vou sentir saudades, também.
Stella odiava despedidas. Uma vez sentada no avião, ela respirou fundo,
mas isso não fez nada para aliviar a pressão em seu peito. Ela se inclinou para
trás em sua cadeira, com as mãos segurando os braços. Uma mão quente
deslizou sobre seus dedos.
— Como você está, querida? — Perguntou a sua mãe, a preocupação
estampada em suas belas feições.
— Eu já estive melhor.
— Quando você estiver pronta para falar sobre isso, eu estou aqui. Eu
não vou julgar.
Stella assentiu, apreciando verdadeiramente que, apesar de sua mãe estar
preocupada, não iria pressioná-la a falar, porque agora toda a força da Stella
estava focada em fazer seu corpo funcionar fisicamente. Colocando seus fones
de ouvido, ela ligou o iPod, selecionado Framing Hanley álbum “Promise to
Burn”, virou o volume no máximo e fechou os olhos.























1'pí $&(! ;r"n$' e 1"nc!


0s primeiros dias de volta em Londres
foram pura tortura para Stella. Mesmo que fosse meados de agosto, estava
muito mais frio do que em Gênova e ela teve pouco tempo para adaptar à
mudança de temperatura. Só de pensar em desempacotar sua mala a deixava
tonta. Tudo naquela mala lembrava Max. Isso tinha que ficar trancado lá
dentro, caso contrário, ela iria desmoronar.
Tudo o que ela tinha força era para ficar rodeando a casa, comer
ocasionalmente, quando sua mãe a força, mudar os canais de TV sem rumo e
ler. Stella não queria pensar ou falar. Ela estava dormente, e quanto mais
tempo ela ficasse desse jeito, melhor, pensou.
Na sexta-feira à noite Helen sentou-se ao lado dela no sofá, pegou o
controle remoto da sua mão, desligou a TV e disse:
— É isso aí. Eu esperei seu tempo para se chafurdar. Agora você vai me
contar tudo, para que eu possa ajudá-la. Eu me recuso a ficar sentada,
assistindo você ficar mais e mais deprimida.
Stella não queria falar, porque ela não viu nenhum ponto. Sua mãe não
podia fazer nada sobre isso, então por que sobrecarregá-la com isso? Mas ela
parecia determinada a descobrir o que tinha acontecido e Stella não tinha
forças para discutir com ela.
Em uma voz constante, ela lhe contou tudo. Ela se sentia estranhamente
bem em tirar do peito. No momento em que ela terminou, Stella já se sentia
melhor. A carga compartilhada era fardo pela metade, certo? Helen não a
interrompeu ou fez perguntas. Ela esperou pacientemente até que a história
tenha terminado antes de falar.
— Eu acho que você cometeu um erro.
— Desculpe-me? — Stella sentou-se no sofá, incapaz de acreditar no que
acabara de ouvir.
— Quando você encontra alguém que te ama assim, você não deixar ir,
Stella. Nunca.
— Você ouviu alguma coisa que eu disse? Eu fiz isso por ele! Eu não
quero que ele fique comigo no hospital, quando ele poderia estar livre para
viver sua vida. — Stella gritou, com os olhos cheios de lágrimas. A única coisa
que ela sempre podia contar, era sua mãe estar ser lado dela, e agora ela parecia
estar se voltando contra ela.
— Eu vi vocês juntos, querida, eu não sou cega. Esse menino nunca
estará livre para viver sua vida se ele te ama tanto quanto eu suspeito que ele
ama. — Helen aproximou-se de Stella e a abraçou. Ela não resistiu. — Eu
entendo porque você fez o que fez. Mas me prometa uma coisa. — Ela se
afastou para olhar nos olhos de sua mãe. Helen colocou uma mecha de cabelo
atrás da orelha e afastou as lágrimas de Stella com seus polegares, segurando
seu rosto.
— Seu compromisso com o doutor Hansen é na próxima semana.
Prometa-me que, se você receber o sinal verde, você vai ligar para Max.
Stella começou a sacudir a cabeça, mas Helen parou.
— Prometa-me, Stella. Se você estiver em remissão, não há nenhuma
razão para ficar longe.
— Pode sempre voltar, mamãe. Você sabe que...
— Querida, você não pode pensar assim, ou você nunca vai ser capaz de
viver a sua vida. Você tem que aproveitar todas as oportunidades de vida te dá,
e usá-lo para o seu pleno proveito.
Stella levou um momento para pensar sobre suas palavras. Será que mãe
estava certo? E se o câncer tiver desaparecido? A chance era muito pequena,
mas não era impossível.
— Prometa-me, querida.
— Ok. Se eu receber o sinal verde, eu vou ligar para ele.
Depois de conversar com Helen, Stella sentiu-se melhor do que se sentia
em dias. Ela arrumou seu quarto, apesar de sua mala ainda permanecer
trancada em seu armário. Então, ela tomou um longo banho, secou o cabelo e
vestiu jeans e uma camiseta limpa, em vez do pijama que ela não tinha tirado
durante os últimos quatro dias. Ela ainda encontrou forças para ligar seu
laptop e falar com Lisa pelo Skype, que estava muito feliz em ouvi-la. Eles
conversaram por quase uma hora, evitando temas como Max e câncer. Depois
que se despediram, Stella olhou para o e-mail e quase caiu da cama quando viu
dois e-mails de Massimo Selvaggio. Seu coração batia forte em seu peito e seus
ouvidos tornaram-se surdos a tudo ao seu redor, exceto o sangue correndo
para seu cérebro. Seu instinto foi o de excluí-los sem lê-los, mas seu dedo
parou. Ela prometeu a sua mãe que iria dar o seu relacionamento outra chance,
se estivesse tudo bem com ela.
Então, talvez ela pudesse espiar a seus e-mails, não responder até que ela
tivesse sua consulta com o médico.
Deus, ela sentia falta dele. Ela precisava saber o que ele tinha dito.
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s&$ !(/.
7( $(r, 2$0.

Stella mal conseguia ler as linhas finais. Sua visão estava embaçada pelas
lágrimas. Mãos trêmulas, ela clicou no segundo e-mail, que chegou essa
manhã.
S$e((',
/!c+ n>! escre*e& #e *!($' !& (".!&. 3ss! n>! )e
s&rpreen#e, e& c!nBeC! *!c+. E& se" e) pr")e"r' )>! c!)!
*!c+ A $e")!s' - #e*e ser &) $r'C! #e f')í ("', p!r%&e :"s' A
$>! $e")!s' %&'n#!. E& ' pr!c&r! $!#!s !s #"'s p'r' )e #'r !
se& nú)er!, )'s e(' se rec&s'.
E& n>! *!& #es"s$"r. E& se" %&e *!c+ recebe )e&s e- )'"(s e
e& $')bA) se" %&e *!c+ es$@ )&"$! c&r"!s' p'r' e=c(&í - (!s se)
(er. /!& cBe.'r '! f&n#! #es$e c's!, ne) %&e seD' ' ú($")'
c!"s' %&e e& f'C'. E& $e ')! e e& n>! *!& #e"='r *!c+ "r $>!
f'c"()en$e. 8&nc' A $'r#e #e)'"s p'r' c!nser$'r ! %&e *!c+
'cB' %&e es$@ en$re n6s #!"s.
:".&e p'r' )"). !r f'*!r. E& prec"s! #e *!c+, S$e(('.
1!) ')!r, <'=.
Stella queria escrever de volta, mas ela não podia. Por que dar-lhe uma
falsa esperança? Era da natureza de Max ser tenaz e tentar consertar tudo. Em
poucos dias, ela saberia com certeza se o câncer voltou. Ela decidiria o que
fazer em seguida, mas agora tudo o que ela podia fazer era ter esperança. E
rezar.
Naquela noite, Stella sonhou que estava nos braços de Max. Ele a
abraçou e sussurrou o quanto a amava. Em seu sonho, Stella foi capaz de dizer-
lhe que o amava muito. Era tão libertador, tão certo. Um sentimento distante
que algo estava errado pairava no ar ao seu redor, mas Stella estava tão feliz
que o ignorou. Do nada, Max a afastou e olhou para ela, magoado e
decepcionado.
— O que você quer dizer, você não me ama? — Ele perguntou.
— Não, Max, não foi isso que eu disse. Eu disse eu te amo. — disse
Stella e tentou alcançá-lo novamente, mas ele balançou a cabeça e se afastou
dela. — Eu te amo, Max. Por favor, acredite em mim. — Ela estava
implorando agora, mas tudo o que ele fez foi afastar mais e mais dela, o
arrependimento nos olhos dele esfaqueando seu peito como uma faca.
Ela acordou ofegante, suando, e desorientada. Demorou alguns segundos
para perceber onde estava e que tinha sido apenas um sonho. Mas a sensação
de peso no peito, persistiu. Isso parecia tão real, ela finalmente contar a Max
que o amava. Percebendo que ela nunca foi capaz de fazer isso, Stella caiu de
costas na cama, enquanto o desespero pairava sobre ela.
Um pensamento surgiu em sua cabeça e ela levantou-se da cama de
forma tão abrupta que se sentiu tonta. Firmando-se em seus pés, Stella correu
para o seu armário e, pegou a mala, ela vasculhou até que encontrou o esboço
que Lisa fez de Max e ela. Alívio e calma tomou conta dela quando ela o
segurou contra o peito. Era a única coisa que lhe restava de Max. Voltando
para a cama, ela olhou para o desenho por alguns longos momentos antes de
traçar a sua forma na folha e sussurrar,
— Eu te amo.
No dia seguinte, Stella foi ao estúdio de tatuagem onde havia feito a sua
tatuagem há dois anos. Ela disse a Max que o amor, sonhos e sorte eram as
três coisas que ninguém poderia viver sem. Era hora de acrescentar à lista a
que ele tinha sugerido: Esperança.
— Sinto muito Stella, mas a notícia não é boa. — disse Hansen, olhando-
a por trás dos óculos de aros grossos. — O ultrassom mostra que o câncer está
de volta, e desta vez ele está espalhado por todo o seu fígado. Não podemos
operar para removê-lo.
Stella e sua mãe tinha ficado brancas no momento em que o médico disse
suas primeiras palavras. Todo o mundo de Stella caiu ao seu redor enquanto
ele falava. Era isso. Tinha acabado.
— O que podemos fazer, doutor Hansen? — , perguntou Helen.
— A quimioterapia. Essa é a nossa única opção agora. As chances de que
vai curar completamente o câncer são pequenas, mas pelo menos vai lhe dar
mais tempo.
Mais tempo? Por que ela precisa de mais tempo? Ela tinha perdido tudo
o que ela queria viver. Não havia nada para lutar por mais tempo.
— Não. Eu não quero quimioterapia. Ela vai enfraquecer o meu corpo,
mesmo que prolongue a vida por alguns meses. Eu não acho que vale a pena.
— Stella... — sua mãe começou, mas ela interrompeu.
— Eu não vou passar pela quimio novamente, mãe. Eu me lembro muito
bem o inferno que foi passar por ela a última vez, e para quê?
— Está em uma fase muito precoce, Stella. Quanto mais cedo você
começar a quimioterapia, maior a sua chance de derrotá-la.
Helen estava olhando para ela com olhos arregalados e tristes. Stella
devia a sua mãe, pelo menos, tentar.
— Eu vou pensar sobre isso. — ela mentiu, só porque ela não aguentava
ver a tristeza nos olhos de Helen.
— Não demore muito. Uma semana no máximo. — disse o médico.
— Que tal um transplante? — Helen perguntou enquanto se levantava.
— Nós podemos colocá-la na lista de espera por um doador, se é isso que
você quer. Mas deixe-me ser honesto: doadores de fígado são muito raros.
Pode levar um longo tempo para encontrar um. Se você concorda com a
quimioterapia, isso vai lhe dar uma chance para esperar. Mas se você não fizer
isso, o câncer pode se espalhar para o resto do corpo de Stella, e nem mesmo
um transplante será capaz de salvá-la.
No momento em que chegou em casa, Helen foi para o seu quarto e
fechou a porta. Ela não tinha dito uma palavra desde que tinham deixado o
consultório médico. Stella fechou-se em seu próprio quarto, e a primeira coisa
que fez foi desativar sua conta de email. Não há mais Max. Não há e-mails.
Nenhum contato.
Ela ia morrer e ele estava muito melhor sem ela. Ela esperava que ele
seguisse em frente e se esquecesse dela.
Esperar. Isso é tudo o que lhe restava.
Mesmo as lágrimas haviam secado completamente. Ela não podia chorar,
não podia mesmo ficar zangada com o grande injustiça chamado “vida”. Tudo o
que tinha de força era para dormir.
Stella deve ter dormido por algumas horas, porque, quando Helen a
acordou sentiu-se descansada.
— Como você está se sentindo, querida? — Perguntou a sua mãe, e para
surpresa de Stella ela não parecia como se tivesse chorado. No momento em
que Helen tinha se fechado em seu quarto Stella tinha pensado que era para
chorar em privado, mas sua mãe parecia bem. Sem olhos inchados, sem
manchas vermelhas. — Acabei de falar ao telefone com meia dúzia de pessoas.
Eu estive ligando a todo mundo que conheço por toda a tarde.
— Ligar para quem? E por quê? — Perguntou Stella, confusa.
— Estive pesquisando novos métodos para tratar câncer de fígado há
meses. Eu encontrei algo promissor logo depois que você foi para a Itália. Há
este novo método, chamado de saturação quimioterapia. É ainda experimental,
embora os pacientes tanto na América e na Europa têm respondido bem a ele,
mas não é oferecido no NHS. Nós precisamos fazer isso em particular no
Queen Ann hospital em Oxford - que é o único lugar no país que oferece o
tratamento. Eu tive que puxar uns cordões, mas eu consegui para a gente na
próxima semana! — ao rosto de Helen iluminou num sorriso animado. Stella se
sentiu tonta. Isso era muita informação para processar em um tempo tão curto.
— Espere. Então, qual é o procedimento exatamente? — Ela perguntou
a primeira coisa que lhe veio à mente.
— Eles dão uma dose muito maior de quimioterapia, injetam
diretamente no fígado. Com quimioterapia tradicional, apenas cerca de dois por
cento dos produtos químicos atingem os tumores, e o restante ficam
espalhados em todo o corpo, danificando tudo em seu caminho. Com saturação
de quimioterapia, eles isolam temporariamente o fornecimento de sangue para
o fígado e injetam os produtos químicos diretamente sobre ele, sem dar-lhes a
chance de se espalhar para o resto do corpo.
— E os efeitos colaterais?
— Não há efeitos colaterais. Os pacientes costumam ir para casa no
mesmo dia após o procedimento.
— Isso parece bom demais para ser verdade, mamãe. Por que então o
Dr. Hansen não ofereceu hoje como uma possibilidade?
— Porque é um procedimento experimental, não é oferecido no SNS.
Stella precisava de tempo para processar tudo isso. Quanto mais pensava
sobre isso, mais perguntas surgia em sua cabeça.
— Quanto é? — Se não fosse no SNS, isso significava que eles teriam
que pagar por isso - e não seria barato.
— Não se preocupe com isso, querida. Eu vou pagar por isso.
— Como?
— Temos uma poupança. Inferno, eu vou empenhar a casa se eu tiver
que fazer. Se há alguma chance de que isso iria funcionar, eu venderia minha
alma ao diabo para conseguir o dinheiro. — Os olhos de Helen se encheram de
lágrimas e Stella se sentiu mal por ter pensado em desistir de sua luta.
— Existe uma chance que não vá funcionar? — perguntou Stella.
— Há sempre essa possibilidade, mas o câncer está na primeira fase, o
que me deixa muito otimista sobre o resultado. É um tratamento muito
intenso, que produz grandes resultados - no entanto, ele também não afasta o
risco de fatalidade. — A voz de Helen balançou a última palavra. Mas ela era
médica, e sabia que quase todos os procedimentos realizados em um hospital
podem terminar sendo fatal. Stella viu a determinação nos olhos de sua mãe, e
que ela devia isso a ela, encontrar a vontade de lutar novamente.
— Temos que tentar, querida. Mesmo que ele não a livre de todos os
tumores completamente, ele vai nos dar muito mais tempo para encontrar um
doador, e você vai ser capaz de viver plenamente a sua vida, sem quaisquer
efeitos colaterais. Você poderia ir para a faculdade. Poderíamos viajar.
Qualquer coisa que você quiser.
Stella nunca teria o que queria.
Mas ela faria isso por sua mãe. Helen merecia. Ela já perdeu já - mais do
que uma pessoa deveria ter para levar na vida.



















1'pí $&(! ;r"n$' e Se"s

Quando Max viu o aviso de — falha na
entrega — em sua caixa de entrada, ele sentiu como se um balde de gelo
tivesse sido derramado sobre a sua cabeça. Seus dedos ficaram congelados no
teclado e ele foi incapaz de se mover ou formar um pensamento coerente por
alguns longos momentos. Quando o sangue começou a circular novamente, ele
tentou se acalmar e não sentir que sua única ligação com Stella tinha acabado
de ser cortada.
Talvez tenha sido um erro técnico. Emails se perdem e são devolvido ao
remetente o tempo todo, certo? Ele digitou rapidamente um novo e-mail e
clicou em “Enviar”. Os próximos dois minutos foram os mais longos de sua
vida.
Até que email voltou sem ser entregue, e Max sentiu seu coração
quebrar.
Ele fechou seu laptop com força, mantendo todo o autocontrole que
possuía, para que não o jogasse contra a parede. Andando em torno de seu
quarto, Max sentia-se impotente, irritado, desesperado, perdido. O que ele
deveria fazer agora?
Havia apenas uma pessoa que poderia lhe dar o que ele queria e ele iria
até la para arrancar isso dela, fosse o que fosse preciso.
Max estacionou seu carro na entrada da casa de Lisa e saiu, totalmente
preparado para uma briga enorme. Ele não iria deixar sua casa sem o número
de telefone de Stella e endereço, mesmo que ele tivesse que prende-la contra a
parede de sua geladeira. Tocando a campainha, ele respirou fundo e rezou para
que ela estivesse realmente em casa. A porta se abriu e Lisa ficou na frente
dele, a surpresa estampada em seu rosto. Assim que Max estava prestes a
passar por ela e se lançar em um discurso furioso, seus olhos se encheram de
lágrimas e a surpresa em seu rosto mudou para tristeza.
— Lisa, o que está acontecendo? — Max perguntou, quando ela acenou
para entrar e fechou a porta atrás de si. Ela foi até o sofá sem responder a sua
pergunta e ele a seguiu.
— Eu estava pensando em você e estava tentando encontrar razões para
não ir encontrá-lo. — disse Lisa, apressadamente enxugando as lágrimas que
caiam de seus olhos.
— Apenas me diga o que está acontecendo. — A voz de Max estava
presa e dura. Ele sabia que isso tinha algo a ver com a Stella e o simples
pensamento de que algo aconteceu com ela fez seu interior queimar.
— Stella ligou na noite passada. — disse Lisa, e olhou para ele com
cautela. O corpo de Max ficou rígido quando ouviu seu nome. Ele estava tão
ansioso que sentia como se pudesse explodir a qualquer segundo. — Ela... —
Lisa começou, um soluço escapou de seus lábios.
— Só me diga logo essa merda, Lisa! — Max se ouviu gritar, mas ele
realmente não registrou em seu cérebro. Todos os seus esforços conscientes
estavam focados a sentar-se e apenas respirar.
— Ela tem câncer, Max. É por isso que ela foi embora.
Max sentiu o sangue drenar em todo o seu corpo. O tempo parou. Seus
ouvidos começaram a buzinar e ele se sentiu tonto.
— Max! — Lisa gritou, pulando para cima de seu lugar no sofá e
debruçando sobre ele. Ele estava ciente de que ela estava lá, mas ele foi incapaz
de fazer qualquer coisa. Sua cabeça estava girando, sua garganta estava seca,
todo o seu corpo tremia. Lisa correu em algum lugar, voltando com um copo
de água. Obrigou-a a levar ao lábios e beber, engolindo dolorosamente. Ela
pegou o copo de suas mãos trêmulas e colocou-o sobre a mesa.
Max sentiu o sangue começar a fluir novamente e ele estava ciente de
ouvir a voz de Lisa sobre o zumbido nos ouvidos.
— Max, você está me assustando. Você está tão branco quanto um
homem morto. Devo chamar uma ambulância? Você vai desmaiar em cima de
mim?
Ele balançou “não” com a cabeça, e levou seus dedos até sua testa,
tentando recuperar algum controle sobre seu corpo.
— Conte-me tudo — ele sussurrou.
Lisa contou-lhe toda a história - sobre o câncer de Stella, sobre as
cirurgias, por que ela o afastou, a reação dela quando descobriu como o pai de
Max tinha morrido, sobre sua última consulta, quando foi confirmado que seu
câncer estava de volta.
— Pode ser que o tratamento não funcione dessa vez, mas a mãe
conseguiu levá-la uma consulta neste hospital que faz algum tipo de
tratamento experimental.
No momento em que Lisa tinha terminado de falar, Max estava se
sentindo mais como ele novamente - apenas mais irritado.
— O que fez você me dizer? — ele perguntou, com os dentes cerrados.
— O tratamento produz resultados surpreendentes se for bem sucedido.
Mas há uma chance de que não seja. É um tratamento muito intensivo e é por
isso que ainda não foi aprovado para uso geral. — Lisa ergueu os olhos para o
rosto dele e esperou até que ele olhou para ela também. — Há uma chance de
que ela possa morrer, Max. Eu nunca me perdoaria se ela morresse e você não
soubesse.
Max levantou-se do sofá, incapaz de se sentar ao lado de Lisa por mais
tempo. Ele estava além da raiva. Ele estava furioso.
— Eu não posso acreditar nisso. Como se atreve? Como se atreve a
esconder isso de mim? Você acha que eu sou um covarde? Que eu não vou ficar
com a mulher que eu amo quando ela está doente?
— Exatamente o oposto. Stella tinha certeza que você não iria deixá-la
quando contasse. Ela não queria deixá-lo nessa situação novamente. Uma vez é
mais do que suficiente para uma vida. Não foi a minha decisão, Max, foi dela,
eu só concordei em não lhe contar. Até agora, pelo menos.
— É uma pena. Não era a sua escolha - era minha. Dê-me seu endereço e
número agora. — Sua voz era mortal, mesmo que ele tentasse controlar sua
raiva.
— Antes de fazer isso, eu quero que você pense por mais um minuto...
— Eu não preciso pensar em nada. Eu a amo. Eu estarei lá por ela, não
importa o que aconteça. Agora me dê o que eu preciso. Eu tenho que pegar um
avião.
Lisa assentiu e escreveu as informações de Stella em um pedaço de papel.
Ela parou por um instante antes de pegar o seu telefone e digitar um número
nele.
— Ligue para tia Helen, não apareça simplesmente lá. Ela vai estar do
seu lado e - acredite - você vai precisar de um aliado quando Stella te ver.
Eram 18:00 hs a hora que Max havia desembarcado em Londres e entrou
em um táxi. No caminho para a casa de Stella, ele tentou se acalmar e
racionalizar tudo o que tinha acontecido desde esta manhã.
Ele havia ligado para Helen do aeroporto, como Lisa tinha sugerido. Ela
estava feliz e talvez até mesmo aliviada ao ouvi-lo. Ela precisou de algum
convencimento, mas concordou em deixá-lo ficar com elas e acompanhá-las até
Oxford para o procedimento. Ele disse que não tinha intenção de sair do lado
de Stella nunca mais. Se Helen não estivesse confortável dele permanecer em
sua casa, ele iria alugar um apartamento nas proximidades, mas ele não ia
voltar para Itália sem Stella. Helen suspirou e disse: — Ela provavelmente vai
me odiar por me aliar com você, Max, mas eu sei que essa é a coisa certa a
fazer. Eu sei que você a ama e eu sei que ela te ama - apesar que deve estar
preparados em ouvi-la negar. Stella te ama mais do que ama a si mesma, e eu a
amo mais do que tudo, e é por isso que eu vou fazer tudo o que puder para
ajudá-lo - mesmo que isso signifique que seu coração seja quebrado no final.
Sinto muito, Max.
— Não se desculpe, Helen. Meu coração está quebrado agora. Ele não
pode ficar pior do que isso.
Depois que eles desligaram, Max pensou nas palavras de Helen. Ele
entendeu completamente seu ponto de vista - para ela, Stella era mais
importante do que ele. Ele estava bem com isso. Inferno, para ele, Stella era
mais importante do que ele. Ter a aprovação de sua mãe significava muito para
Max, porque ele sabia que ela nunca deixaria sua filha estar com alguém que
não fosse bom o suficiente para ela.
Enquanto o táxi preto dirigia pelas ruas de Londres, a mente de Max
derivou para a última vez que tinha visto Stella. Como ela pôde fazer isso com
ele? Para si mesma? Não era ruim o suficiente ela ter câncer: ela tinha que
passar por isso sozinha? Como ela se atreveu a fazer sua escolha longe dele?
Max ainda estava zangado com ela quando o táxi parou na casa de Stella,
e ele tinha toda a intenção de deixá-la saber disso.
*
A campainha tocou e assustou Stella que estava cochilando no sofá,
mesmo que a TV estivesse explodindo Kerrang! no volume máximo. Quem
poderia ser? Era quase 20:00 e sua mãe não tinha mencionado que estava
esperando qualquer convidado.
— Mãe! Campainha — ela gritou, mas Helen não saiu de seu quarto.
Pelo menos, Stella presumiu que ela estava em seu quarto, ela não tinha visto
sua mãe desde algum momento na parte da tarde, quando ela a tinha forçado a
comer o almoço. Revirando os olhos e relutantemente deixando o sofá
confortável, Stella arrastou-se até a porta. Se fosse qualquer tipo de vendedor
ou pregador, ela usaria um pouco de sua energia negativa embutida e o
estrangularia.
Abrindo a porta, Stella congelou no local, incapaz de se mover, falar ou
respirar - porque Max estava olhando para ela, uma mochila na mão. A
expressão em seu rosto era ensurdecedora, quando ele passou por ela para
entrar, sem esperar por um convite.
Encontrando sua voz quando fechou a porta, ela se virou para ele e disse:
— Eu vou matar Lisa. — Ela pisou com raiva até a mesa do café e pegou
seu telefone, pressionando os botões freneticamente. Com um movimento
rápido, Max pegou o telefone da mão dela e, apontando para o sofá, rosnou,
— Sente-se.
Stella cruzou os braços na frente do peito e o olhou ameaçadoramente.
— Você não precisa me dizer o que fazer em minha própria casa. Que
diabos você está fazendo aqui? Pensei que tinha deixado bem claro que eu
não...
— Sim, sim: você não me ama. Pare de falar e sente-se. — Ele fixou-a
com seu olhar firme avelã e Stella se sentiu compelida a obedecer. Não faria
mal ouvir o que ele tinha a dizer, certo? Ele tinha vindo de tão longe, então o
mínimo que podia fazer era ouvi-lo, antes que ela o expulsasse.
— Lisa me contou tudo — disse ele, os olhos com raiva e mágoa, mas
havia uma sombra de algo mais suave por trás de toda a raiva. Stella
empalideceu - ela não esperava que sua primo lhe contasse tudo. Ela teria
entendido se Lisa tivesse cedido e lhe dado seu endereço, ou se Max houvesse
roubado de alguma forma , mas isso? Por que ela faria uma coisa dessas? Lisa
não se preocupa com ele?
— Como você pôde, Stella?
Espere, o quê? Ele estava zangado com ela?
— Como eu pude o que, Max? Expulsá-lo da minha vida, para que você
não tenha que me testemunhar definhando e morrendo de câncer? Como eu
sou cruel!
— É cruel. É cruel para você e para mim. Como você acha que eu me
senti quando Lisa me contou sobre seu câncer e o que você está atravessando
nessas últimas duas semanas? Como você acha que eu me sinto, sabendo que eu
não fui capaz de estar com você?
— Você vai me esquecer, Max. Você vai encontrar outra pessoa e ter o
“felizes para sempre” que você merece. Eu não vou deixar você sacrificar tudo
que você sonha por mim. — A voz de Stella tinha ficado tranquila, mas a
expressão no rosto dela disse que ela ainda estava determinada a manter Max
longe. Não havia nenhuma maneira dela deixá-lo ficar junto.
— Essa é a minha escolha Stella, não sua. Ninguém afasta minhas
escolhas para longe de mim, nem mesmo você. Eu escolhi você. Eu vou ficar
aqui com você, apoiá-lo em tudo, e ter o meu “felizes para sempre” com você.
— Não, você não pode ficar aqui. Essa é a minha escolha. Quero você
fora da minha vida. — Stella engasgou com as últimas palavras e sentiu as
lágrimas arderem em seus olhos. Max não se moveu em direção a ela ou fez
qualquer tentativa de sair. Ele olhou para ela como se isso fosse tudo culpa
dela. — Saia, Max. Eu não quero você aqui.
— Mas eu quero. — A voz de Helen veio das escadas enquanto ela
caminhava. Ela foi para Max e lhe deu um abraço, pegando a mochila da mão
dele. Stella não podia acreditar em seus olhos - sua mãe estava do lado de
Max? Ela estava junto em tudo isso?
— Que diabos, mãe? Por que você está fazendo isso?
— Porque eu te amo. — Ela virou-se e levou a mochila de Max para
cima.
— Eu vou ficar, Stella. Eu vou com você para o hospital e eu estarei
segurando sua mão quando acordar. Eu não vou a lugar nenhum. Lide com
isso. — Ele virou as costas e seguiu Helen lá pra cima.
Stella olhou de boca aberta para ele subindo, incapaz de sequer começar a
entender como isso poderia estar acontecendo. Quando ouviu a porta do quarto
de hóspedes fechar, ela subiu as escadas batendo os pés e entrou e sem bater.
— Eu não sou a porra do seu caso de caridade, Max. Encontre alguém
para alimentar o seu complexo herói, Eu não preciso de você aqui. — ela
gritou.
— Stella! — Helen levantou a voz, indignada, o que conseguiu tirar
Stella de sua fúria cega, porque sua mãe gritava muito raramente. Max não
disse nada, ele apenas olhou para ela com firmeza, nem um pouco ofendido por
seu comentário.
Stella bateu com a porta e bateu os pés até seu próprio quarto, batendo a
porta com força também. Ela pensou em ligar para Lisa e gritar com ela, mas
qual era o ponto? Max estava aqui, isso era o mais importante. Ele estava
caminhando para arruinar sua vida, porque queria estar com ela. O que ela
poderia fazer para afastá-lo? Todo mundo estava do lado dele, por alguma
razão inexplicável. Não podiam ver que eles estavam condenando-o a uma vida
miserável?
Um desamparo repentino a oprimiu, e um soluço escapou de seus lábios.
Stella desejava ser tão forte como fingia ser, mas no fundo tudo o que ela
realmente queria fazer era se aconchegar nos braços de Max e deixá-lo corrigir
tudo. Seria muito difícil resistir a esse impulso, agora que ele estava aqui e mais
do que disposto a deixá-la fazer isso.
Desde que ela tinha voltado da Itália, Stella tinha dormido muito
levemente, acordando ao menor dos ruídos ou por nenhuma razão. Sabendo
que Max estava duas paredes longe dela não lhe permitia dormir a noite toda.
Ela estava enrolada em uma bola, olhando para a parede, incapaz de sucumbir
ao sono que ela precisava.
Ela ouviu a porta abrir e fechar lentamente em silêncio. Em seguida, ela
ouviu passos e sentiu Max deitar na cama atrás dela, envolvendo o seu corpo
de forma natural ao seu redor. Stella congelou. Ela nunca esperava que ele
viesse aqui depois do que ela havia dito a ele algumas horas atrás.
Agora o quê?
Instintivamente, tudo que Stella queria fazer era relaxar em seus braços e
deixar ir. Parae de lutar com ele. Permitir que ele estivesse lá por e com ela,
mas a sua consciência se recusou a ceder tão facilmente. Ele recusou-se a ficar
bem com o fato de que ele arruinaria a sua própria vida por causa dela.
Enquanto Stella era dominada por suas emoções contraditórias, ela
sentiu o corpo de Max começa a tremer atrás dela. Ele apertou seus braços
apertados ao redor dela e quando ele falou, ela sentiu as lágrimas em sua voz.
— Por favor, Stella. Não me diga para ir embora.
Ela sabia o que ele queria dizer, não só agora, mas sempre. Seu coração
encheu-se de todos os sentimentos que ela estava tentando suprimir estas
últimas semanas. Lembrando como apenas algumas noites atrás, ela desejou
que pudesse lhe dizer o quanto o amava, e pensava que nunca teria a chance,
Stella abriu a boca para falar, mas fechou-a sem dizer uma palavra.
Não. Ela não podia fazer isso. Ele precisava ir.
— Eu te amo. — ele sussurrou e acariciou seu pescoço.
Stella não respondeu. Ela não se mexeu. Ela até tentou não respirar.
Talvez se ela ficasse assim, ele pegaria a dica e partiria.
Max não disse mais nada, mas ele não saiu. Ele permaneceu atrás dela,
abraçando-a, até que ela não conseguiu segurar os olhos abertos por mais
tempo e se entregou a exaustão.























1'pí $&(! $r"n$' e se$e


5cordar levou algum esforço. Stella
abriu os olhos lentamente, desorientada por um momento sobre onde ela
estava. Instintivamente, ela deslizou sua mão sobre os lençóis ao lado dela,
procurando o aconchego familiar. Max não estava lá.
O pensamento em Max conseguiu arrancar totalmente seu cérebro de
sonolência, e lembrando dos acontecimentos de ontem à noite deu-lhe uma dor
de cabeça instantânea. Amanhã ela precisava ir para Oxford para o seu
tratamento. Hoje era sua última chance de enfiar algum sentido na cabeça de
Max e fazê-lo partir.
Stella tomou um banho rápido, vestiu um moletom e uma camiseta, e
desceu as escadas. Cheiros fantásticos vinham da cozinha - ovos fritos,
torradas, manteiga e café. Pela primeira vez desde que ela voltou, o estômago
de Stella rosnou com fome. Comer tornou-se uma tarefa que ela fazia apenas
para agradar sua mãe.
Entrando na cozinha, Stella enfrentou uma imagem idílica - Helen
sentada à mesa lendo o jornal e bebendo uma xícara de café, enquanto Max
estava cozinhando no fogão atrás dela e colocando ovos fritos em três pratos.
— Você tem que estar de sacanagem comigo. — Stella murmurou,
quando caminhou em direção a máquina de café. Tanto sua mãe como
estalaram a cabeça em sua direção.
— Bom dia, querida — Helen disse alegremente. Stella murmurou um
— Hum-hum — e pegou um copo para se servir de um café. Max olhou para
ela por um longo momento, mas ela o ignorou. Se ele queria ficar - azar. Mas
ela não ia fingir que estava bem com isso.
Max e Stella comeram em silêncio, enquanto Helen tentou aliviar o
clima, discutindo os artigos no jornal. Não funcionou, então ela desistiu e
terminou seu próprio café da manhã em silêncio. Depois que todo mundo tinha
terminado seu prato, Helen os mandou embora e recusou qualquer ajuda com
arrumação. Stella sabia que sua mãe estava tentando deixá-la a sós com Max.
Por um momento ela pensou em ir direto para o seu quarto e trancar a porta,
mas, em seguida, ela se irritou com a ideia. Era a casa dela, ela podia fazer o
que quisesse. E agora ela queria assistir TV e ficar deitada no sofá, até que suas
costas começassem a doer.
Stella esparramou no sofá, ligou a TV e ignorou Max completamente,
que estava sentado na outra ponta, direto em seus pés. Ela podia sentir o calor
vindo de seu corpo e afastou seus pés para longe dele.
— Como você está? — Ele perguntou em voz baixa.
— Eu não sei. Você vai partir? — Stella lançou-lhe um olhar sombrio e
ele se retraiu.
— Não.
— Então, eu não estou bem. — Ela começou a zapear os canais,
realmente não vendo nada na tela, porque a única coisa que ela sentia eram os
olhos de Max sobre ela. Ele se levantou, pegou o controle remoto de sua mão,
silenciando a TV e sentou-se na mesa de café na frente dela.
— Stella... — ele começou.
— Nem comece, Max. Não há nada que você possa dizer que me fará
acreditar que arruinar sua vida por minha causa está bem.
— Eu estou arruinando a minha vida, se eu ficar sem você, Stella. Como
você não pode ver isso? — Ele disse baixinho e tentou tocar a mão dela, mas
ela afastou para o lado.
— Eu poderia morrer amanhã, Max. Morrer. E mesmo se não acontecer
isso, eu estou condenada a passar toda a minha vida em hospitais, recebendo
tratamentos e check-ups. Mesmo se, por algum milagre, eu ficar curada ou eles
encontrarem um doador, eu ainda vou ter que ser averiguada em uma base
regular. O câncer será uma sombra constante na minha vida e,
consequentemente, na vida de qualquer um que esteja perto de mim.
— Ninguém está seguro contra doença ou tragédia, baby. Você pode
estar perfeitamente saudável um dia e no dia seguinte se diagnosticada com
câncer. Ou sair de férias e se afogar no mar. Isso não significa que não
podemos viver nossas vidas.
Stella foi pega de surpresa por suas palavras. Ele estava certo. Seu pai e
Eric estavam vivos e saudáveis em um minuto e no próximo estavam no
necrotério. Ela poderia ter câncer quando tivesse quarenta e cinco anos e dois
filhos adolescentes.
— A diferença é que eu sei que o meu futuro reserva agora. Eu não
quero essa vida para você.
— Não é sua opção. — Max disse e, quando Stella abriu a boca para
protestar, ele silenciou levantando sua mão. — Você está errada, Stella. Você
não sabe o que o futuro reserva para você. A vida tem uma tendência a nos
surpreender.
Stella olhou para ele, confusa. Por que ele sempre tem que virar suas
palavras contra ela?
— Eu quero que você lute, Stella. Você é forte e contanto que você não
desista, você vai chutar o traseiro do câncer todo o caminho de volta para o
inferno. E eu vou estar ao seu lado. — Ele se levantou, inclinou e beijou o topo
de sua cabeça, antes de desaparecer pelas escadas.
Stella estava atordoada por suas palavras. Ele viu tudo sob uma luz
completamente diferente. Pela primeira vez desde que ela o deixou, Stella
perguntou se tinha feito a coisa certa - se correr não tinha sido apenas uma
reação instintiva. Ela estava certa ao te-lo deixado sem lhe dizer a verdade?
Sem lhe dar uma escolha? E se tivesse sido o contrário? E se fosse ele fosse que
estivesse doente, e tivesse desaparecido, sem qualquer explicação?
Deus, ela teria ficado furiosa! Ela provavelmente teria reagido
exatamente da mesma maneira que ele.
— Querida, como você está se sentindo? — Sua mãe perguntou,
sentando ao seu lado no sofá e arrastando um braço em volta dos seus ombros.
— Traidora. — disse Stella, e olhou para Helen de forma acusadora.
Porém ela não conseguiu manter uma cara séria por muito mais tempo, e seus
lábios se abriram em um sorriso genuíno. Helen sorriu e beijou o rosto da filha.
— Me desculpe, eu fiz tudo isso pelas suas costas, querida. Mas eu não
me arrependo por ajudar Max, ou por ele estar aqui. Esse rapaz te ama tanto,
Stella. Pare de lutar com ele. Pela primeira vez, a vida está lhe dando uma
tábua de salvação. Agarre-a.
Stella fechou os olhos, tão perto de subir as escadas e se atirar em seus
braços.
— Ontem à noite, depois que você disse aquelas coisas horríveis e correu
para o seu quarto, eu podia ouvir Max caminhando ao redor do seu quarto. Eu
fui lá para verificar se ele estava bem ou se ele queria alguma coisa para comer,
e ele quebrou. Sentou-se na cama e chorou. Eu fui lhe dar um abraço, e todo o
seu corpo tremia em meus braços. — Helen fez uma pausa para limpar uma
lágrima do rosto de Stella. — Ele me disse que se culpava, por você passar por
tudo o que aconteceu nas últimas duas semanas sem ele. Ele lamentou não ter
sido mais persistente e não tê-la impedido de partir. — Hellen inclinou o
queixo de Stella para cima e a fez olhar em seus olhos. — Max fará tudo por
você, Stella. Sua maior preocupação não é o seu próprio futuro, mas o seu. Ele é
o tipo de homem que quando ama, ama com tudo o que ele tem. Ele quer te
proteger, cuidar de você, te ajudar. Deixe-o. Não o afaste, porque você vai
acabar com ele.
As lágrimas de Stella estavam escorrendo pelo rosto livremente agora.
Helen deu a ela um lenço de papel e esperou que assuar o nariz, antes de falar
novamente.
— Vá até ele, querida. Deixe-o estar lá para você.
As palavras de Max e agora as palavras de sua mãe estavam começando a
fazer muito mais sentido do que o seu desejo obstinado em protegê-lo. Ela
sentiu as paredes começando a rachar e a vontade de mantê-lo longe
desmoronou.
Stella enxugou as lágrimas, e antes que ela percebesse, suas pernas
tinham levado ela direto para o quarto de Max por sua própria vontade.
Ela bateu de leve na porta e um momento depois que abriu. Max estava
diante dela, várias emoções passando por seu rosto quando a viu - surpresa,
esperança, entendimento, o alívio. Então, tudo se dissipou ao amor.
Ele pegou a mão dela e a arrastou para dentro, fechando a porta atrás
dela e puxou-a em seus braços. Ele a abraçou com tanta força que Stella não
conseguia respirar, mas ela não se queixou e lhe rodeou o pescoço com os
braços, abraçando-o de volta.
— Eu senti tanto sua falta. — disse ela, inalando seu aroma e deixando
atravessar seus sentidos.
— Nunca fuja de mim, Stella. Eu não vou ser capaz de aguentar, se você
fizer isso de novo. — disse Max, levantando a cabeça e olhando em seus olhos.
Seus olhos estavam ardendo com lágrimas não derramadas e ao vê-lo tão
vulnerável fez os lábios de Stella tremerem.
— Eu te amo. — ela disse, e sua voz tremeu.
— Eu sei.
Ele abaixou-se e a beijou, fazendo-a esquecer o resto do mundo. Ela
derreteu em seus braços e sentiu inflamar a esperança em seu coração, com
renovada paixão. Se ela tivesse Max, ela poderia fazer qualquer coisa -
incluindo combater o câncer e lhe dar a vida que sonhou.
*
O quarto do hospital era pequeno, mas pelo menos era limpo e arrumado.
Se tudo corresse bem, Stella não teria sequer que passar a noite aqui e não
precisava suportar o cheiro horrível do hospital por muito tempo. Isso já
estava sufocando-a.
Helen caminhou atrás dela, carregando as roupas que Stella precisava
usar para o procedimento.
— Apresse-se e vista isso, querida. O médico vai estar aqui a qualquer
minuto e levá-la para a cirurgia. — ela disse, e empurrou o vestido de algodão
simples em suas mãos. Stella olhou para Max, que também apareceu na porta,
encostado no batente. Ele lhe deu um aceno encorajador e a certeza absoluta de
que tudo ia ficar bem brilhava em seus olhos. Era exatamente o que Stella
precisava agora, porque ela não tinha tanta certeza de si mesma.
Ela entrou no pequeno banheiro, deixou o vestido do hospital sobre o
balcão e lavou o rosto com água fria. Seus nervos estavam começando a levar o
melhor, quando Stella pegou a toalha com as mãos trêmulas. Um par de dias
atrás, ela realmente não se importava se iria viver ou morrer, tão vergonhosa
como essa afirmação possa parecer. Tudo o que ela sentiu foi culpa, porque ela
não tinha força para lutar - se não por si mesma, então, por Helen.
Uma leve batida na porta a assustou fora de seus pensamentos, e quando
Stella abriu, viu a razão pela qual estava determinada a chutar o traseiro de
câncer. Como ela poderia não ter percebido o quanto precisava de Max até
agora?
— Hey. Precisa de alguma ajuda? — Ele perguntou. Stella olhou para
sua mãe, que estava conversando com uma enfermeira do outro lado da sala.
Recuando um pouco, ela deixou Max entrar, e fechou a porta atrás dele.
— Sim, eu poderia usar alguma ajuda.
Essa simples declaração foi mais difícil de dizer e ainda mais difícil de
assumir, e isso significava muito para ambos. Max concordou e ajudou Stella a
tirar a roupa, dobrando-a ordenadamente em uma pilha sobre o balcão. Quando
ela estava só de calcinha, Stella se virou para pegar o vestido do hospital e
ouviu Max suspirar pesadamente atrás dela. Virando a cabeça por cima do
ombro para olhar para ele, o viu olhando para sua tatuagem. Stella tinha
esquecido completamente disso, e o fato de que Max não sabia que ela tinha
acrescentado um outro símbolo por ele.
Max cobriu a distância entre eles em um movimento rápido e ajoelhou-se
atrás de Stella, tocando a tatuagem com os dedos.
— Você adicionou? — Ele perguntou, sua voz saindo um pouco sem
fôlego. — Quando?
— Logo depois que eu voltei. No dia anterior que recebi a notícia de que
o câncer estava de volta.
— Estou feliz — Ele beijou todos os símbolos, com especial atenção ao
mais recente - a esperança. Ele permaneceu nele por alguns momentos, mais do
que no resto, traçando com a ponta de sua língua. Stella percebeu que aqui,
neste momento, era o lugar mais impróprio para sentir seu desejo por Max
acender em todo o seu corpo, mas ela não podia evitar. Tremendo
violentamente, ela agarrou o balcão com as duas mãos, tentando recuperar
algum controle.
Max levantou-se atrás dela e encontrou seus olhos no espelho sobre a
pia. Stella conhecia muito bem o olhar que ele lhe deu. Ele a queria também. A
determinação repentina para sobreviver e deliciar-se com aquele olhar por um
longo tempo atravessou Stella, e ela sorriu para ele.
Max a ajudou a colocar o vestido e envolveu-a em seus braços.
— Você vai ficar bem, tesoro — ele murmurou contra o pescoço dela, e
Stella sentiu as lágrimas que ameaçavam algum tempo fazer uma aparição.
Max se afastou, olhou diretamente em seus olhos e disse: — Eu prometo.
Ela acreditou nele.
*
Max não podia ficar parado. Ele andava pela sala de espera, deixando
todo mundo ansioso, mas ele não poderia evitar. O procedimento não deve
acabar antes de pelo menos uma hora, e tinham passado apenas dez minutos
desde que Stella se afastou com o médico. Para Max pareciam dez dias. Sem
saber o que estava acontecendo por trás dessas portas fechadas o estava
deixando louco.
O telefone em seu bolso tocou e assustou, quase fazendo-o tropeçar.
Conseguindo um olhar de desaprovação de uma enfermeira, ele tirou do bolso e
caminhou em direção as portas que davam no corredor.
— Oi, Lisa. — disse ele, depois que atendeu.
— Max! O que está acontecendo? Ela está em cirurgia? — Ele mandou
uma mensagem a ela ontem à noite, dizendo que eles estavam juntos , e que ela
estaria em cirurgia hoje.
— Sim, ela acabou entrar. — Ele enfiou a mão livre pelos cabelos e
encostou-se à parede, tentando acalmar o suficiente para ter uma conversa
normal com Lisa.
— Como você está se sentindo? — Sua voz era suave e preocupada, e
levou-o ao longo da borda.
— Eu nunca tive tanto medo na minha vida. — Ele deslizou pela parede
e sentou-se no chão, enterrando seu rosto na curva de seu braço. Max
precisava ser forte por Stella, mas conversar com Lisa o fez desmoronar.
— Max, ela vai ficar bem, eu sei disso. Você e Stella estão destinados a
ficarem juntos. Sua história não é apenas uma piada cruel, Max. É real e é o
que você tanto merece. A vida precisa fazer as pazes com os dois, e acho que é
isso que está acontecendo.
Apenas Lisa poderia dizer algo como isso, e essa era uma das muitas
razões pelas quais ele a amava tanto. Eles podiam brigar, discutir e irritar o
inferno um para o outro, mas Lisa era sua amiga, e lhe ajudou mais vezes do
que poderia contar.
Quando ele não disse nada, porque suas cordas vocais se recusavam a
trabalhar, ela entendeu o recado e continuou:
— Minha mãe e eu reservamos passagens para visitá-los em duas
semanas. Não diga a Stella, queremos surpreendê-la — Se eles já tinham
reservado os seus voos, isso significava que não havia dúvidas em suas mentes
que Stella ia ficar bem. Max sorriu, com a força recém-encontrado florescendo
em seu peito.
— Isso é bom, ela vai gostar. — ele disse.
— Há outra razão pela qual estamos indo. Eu disse a mamãe tudo - ela
não sabia sobre o câncer de Stella, ninguém, exceto eu e tia Helen sabíamos.
Quando ela soube, imediatamente sugeriu que fizéssemos o teste para verificar
se uma de nós poderia ser um doador compatível para Stella.
Max congelou no lugar. Por que ele mesmo não tinha pensado nisso? Sua
mente estava tão preocupada em protegê-la e convencê-la a deixá-lo ficar com
ela mais uma vez, que ele ainda não tinha pensado nisso.
— Você não pode dizer a ela, Max, ela não nos permitia fazer isso. Não
há nenhum ponto em discutir com ela, porque já temos nossas cabeças firmes
sobre isso. Se um de nós for compatível, então vamos discutir. Escolha as
nossas batalhas, certo? — Max ouviu o sorriso na voz de Lisa e deu-lhe ainda
mais esperança.
— Eu quero fazer o teste também. — disse ele.
— Ok, você pode fazer isso com a gente. Apenas... não tenha esperanças
demais, Max. Helen foi testada quando descobriram o câncer e ela não era
compatível, mesmo que fosse a parente mais próxima de Stella. Há uma forte
possibilidade de que nenhum de nós seja compatível também.
— Nós temos que tentar.
— Eu concordo. Eu tenho que ir agora, mas por favor me mande uma
mensagem assim que tiver uma atualização.
— Eu farei. Obrigado, Lisa. Eu não sabia o quanto eu precisava falar
com você antes que você ligasse.
Max voltou para a sala de espera e encontrou Helen sentada ali, batendo
o pé nervosamente. Era uma coisa estranha de ver, porque a mãe de Stella
parecia sempre tão calma e serena. Vê-la acelerou o coração ansioso de Max
ainda mais.
Ele se sentou ao lado dela e ela colocou a mão sobre a dele, sem dizer
nada.
O que pareceu um século mais tarde, o médico de Stella entrou pelas
portas duplas e, ao encontrá-los com os seus olhos, foi direto na direção deles.
— Ela está bem. — disse ele, provavelmente sentindo que esta deveria
ser a primeira coisa que ele tinha a dizer. — Tudo correu bem e eu tenho
certeza que ela vai fazer um bom progresso. Ela precisa descansar por algumas
horas e se ela se sentir bem depois, vocês podem levá-la para casa. Não há
efeitos colaterais para este procedimento, por isso ela deve estar boa como
nova amanhã. Traga-a de volta para um check-up no prazo de uma semana. —
Ele deu-lhes um sorriso mecânico e um aceno de cabeça, e se virou para ir
embora. A mão de Helen disparou e agarrou seu braço, impedindo-o.
— Obrigada, Doutor. — Ela engasgou com as palavras e no momento
em que ele saiu, Helen escondeu o rosto no peito de Max e soluçou.
O médico tinha razão - Stella estava tão boa como novo no dia seguinte.
Ela estava um pouco cansada quando a levaram para casa após o procedimento,
mas era mais por causa da anestesia do que qualquer outra coisa. Max a
segurou em seus braços e ela dormiu durante toda a viagem para casa. Após
Helen chorar toda a sua dor na sala de espera, ela não conseguia parar de
sorrir. Ela sorriu para ele toda vez que seus olhos se encontravam pelo espelho
retrovisor.
O check-up, uma semana depois correu tudo bem - o exame de
ressonância magnética mostrou que os tumores estavam menos definidos e
começam a diminuir. A próxima consulta era em quatro semanas, e ele iria
mostrar se seria necessário outro tipo de tratamento para Stella.
Stella estava linda, de volta como era antes. Helen voltou ao trabalho,
deixando-a aos cuidados de Max. Ele não poderia ter ficado mais feliz.
Quando Lisa e Niki apareceram em sua porta, Stella estava na lua. Mais
tarde, quando lhe disseram que tinham feito o teste de compatibilidade para ser
doador - nem tanto. Se descobriu que Niki tinha a compatibilidade perfeita
para Stella, mas ela não queria nem ouvir falar disso. Ela se recusou a deixar
sua tia arriscar a sua vida, como ela mesma disse, para salvar a dela. Além
disso, o tratamento de quimio saturação lhe tinha dado grande esperança de
que ela não precisaria sequer de um doador. Tudo dependia dos resultados do
próximo check-up, dentro de duas semanas.
No final, para alcançar algum tipo de compromisso, Niki fez Stella
prometer que, se em algum momento no futuro, ela precisasse de um
transplante, ela lhe permitiria fazê-lo.
Os resultados do quatro semanas de check-up eram incríveis, os tumores
quase desapareceram. O médico de Stella ficou surpreso, nunca teve resultados
tão bons antes.
Depois de mais três meses, foi dado sinal verde a Stella, e ela estava
oficialmente em remissão.
— É tudo por sua causa, baby. Você me salvou. — disse Stella, quando
ela se aconchegou ao lado de Max.
Ele tinha ansiado ouvir essas palavras por tanto tempo.
A verdade era que um havia salvo o outro.



Epí (!.!

12 'n!s )'"s $'r#e
Você sabe quando eles dizem que quando você está em perigo mortal, sua
vida passa diante de seus olhos? Bem, isso também pode acontecer quando
você está tão feliz que você sente que você pode explodir em milhões de
pedaços brilhantes, cintilantes.
É assim que me sinto agora.
Assistindo a minha esposa embalar o nosso filho de cinco anos de idade,
porque ele caiu e tinha um pequeno arranhão no joelho, me fez o homem mais
feliz vivo.
Doze anos atrás, eu só podia sonhar com essa vida - e agora estou
realmente vivendo.
Quando Stella entrou em remissão, ambos tentamos a Kingston
University e fomos aceito em nossos respectivos cursos: eu, Arquitetura; Stella,
Design de Interiores. Três anos mais tarde, nos graduamos com honras. Eu lhe
pedi em casamento no mesmo dia.
Nós nos casamos na villa de Beppe na Toscana e nos mudamos
permanentemente para a Itália no mesmo ano. Comprometendo com uma
hipoteca com taxa decente, compramos uma das casas que eu estava de olho e,
apesar da restauração ser difícil, cansativa que nos empurrou até os nossos
limites, o resultado final valeu a pena. Vendemos com um bom lucro, e
imediatamente compramos outra. Stella era uma parte imprescindível em todo
o processo, resolvendo os alvarás, regulamentos, fornecedores, construtores,
pintores e decoradores muito melhor do que eu jamais poderia. Até o final do
projeto, todos os contratantes eram apaixonado por ela e fariam qualquer coisa
que ela pedisse. Eu não os culpo.
Com o dinheiro da segunda casa, nós compramos mais duas - um para
negócios e a outra para nós dois. Nós nos apaixonamos por esta casa incrível,
não muito longe da casa de campo de Beppe. Ela vinha com quatro hectares de
terra, incluindo a enorme vinha que eu sempre quis. Levou um longo tempo
para restaurá-lo e torná-la habitável, porque nós tínhamos que fazê-lo junto
com os projetos que pagavam nossas contas.
Stella ficou grávida antes que a casa estivesse perto de estar pronta.
Morávamos em minha casa naquela época, e minha mãe estava mais do que
feliz em nos ter lá e ajudar com o bebê. Nós lhe chamamos de Luca, em
homenagem ao meu pai. Stella sugeriu e não aceitaria um não como resposta.
Helen vendeu sua casa em Londres e, com o valor da venda para investir,
se mudou para a Itália. Ela não tinha mais nada no Reino Unido que a
segurasse lá, e queria estar com sua filha e seu neto. Inicialmente, ela foi morar
com Niki, que desesperadamente precisava de um sócio para ajudá-la com o
spa. Ele estava crescendo rapidamente e Niki não tinha os recursos ou tempo
para cuidar de tudo sozinha. Helen investiu nele e finalmente realizou o seu
sonho de ter o seu próprio negócio.
Nós nos mudamos para nossa casa dos sonhos, quando Luca tinha três
anos. Ao vê-lo correr no gramado verde interminável pela primeira vez, meu
coração encheu com tanta felicidade que eu mal podia respirar. Toda noite,
quando vou para a cama e seguro Stella em meus braços, e todas as manhãs
quando eu acordo ao lado dela, eu agradeço minhas bênçãos, e agradeço a todas
as forças do universo pelo que eu tenho.
Stella ainda precisa passar por check-ups regulares a cada seis meses,
para garantir que o câncer não está de volta, mas acho que ela aprendeu a
aceitar isso, como parte da nossa vida. Eu nunca estive mais certo de que
podemos superar qualquer coisa que a vida lançar sobre nós, desde que
estejamos juntos.
Amor à primeira vista é real. Eu vi com mamãe e papai, com Stella e eu,
com Lisa e Gino e mesmo com Beppe e Gia. Meu melhor amigo esteve
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apaixonado pela minha irmã desde que ela lhe deu um gesso rosa com pontos
laranja quando ele tinha seis anos.
Então, eu acho que eu estou tentando dizer com tudo isso é: quando a
vida lhe der limões, pegue o sal, agarre um copo e o preencha com tequila. Lute
por aquilo que você realmente quer e nunca, nunca se contente com nada
menos.
Não exista. Viva.
Felicidades!


2").