Introdução O objetivo deste texto é, antes de tudo, fornecer uma base didática para o estudo da Índia Antiga.

Longe de ser um texto completo, trato aqui dos dados mais superficiais e abrangentes que possam conduzir o interessado num estudo sério e esclarecido sobre o tema, de modo a realizar uma exposi !o que n!o seja nem cansativa, nem muito complexa. "nevitavelmente, somos obrigados a nos deparar com algumas relativiza #es te$ricas necessárias ao aprofundamento do estudo desta civiliza !o, cujas especificidades invocam um ol%ar bastante cuidadoso. &o entanto, deter'me'ei, aqui, num conjunto de explana #es básicas que sirvam de referencial a todas estas quest#es. "gualmente, a determina !o dos elementos bibliográficos serve a proposta inicial de tornar um pouco mais acess(vel este nosso estudo. )usquei, pois, indicar textos que sejam facilmente encontrados, que estejam em nosso idioma e que sejam de academicamente válidos, afastando'me propositalmente de toda e qualquer publica !o de caráter exotérico ou de fonte duvidosa. &o caso espec(fico da "ndologia, sabemos que tais textos abundam em profus!o, dificultando o estudo sério da Índia e comprometendo um trabal%o esclarecido.

Í&*"+,

-a Aula ' Aspectos do +otidiano .exto de Apoio ' A +asta vista pelos )udistas .exto de Análise ' As +astas, por Louis /enou .exto de Apoio ' /ig 0eda

3a Aula- Aspectos do Cotidiano Vida cotidiana, sexualidade e cultura Os indianos antigos tin%am uma vida de trabal%o constante, que aumentava em obriga #es segundo a varna de cada um. ,m geral os )r1manes levavam a vida mais calma, executando of(cios e rituais e vivendo de rendas e contribui #es geridas pelas outras varnas. 0iviam sobre uma série de prescri #es alimentares e sociais excludentes, e podiam possuir servos e escravos, embora o receio de serem contaminados por 2impuros3 os fizessem preferir no trabal%o caseiro as m!os de elementos de sua pr$pria varna, em geral familiares, sen!o no máximo de outras varnas mais pr$ximas. A quest!o das varnas a( é importante4 ela inclu(a um estamento jur(dico que delimitava cada varna segundo n!o s$ a fun !o social do %omem como sua origem familiar, sua profiss!o, sua l(ngua, seu lugar de nascimento, etc. 5or vezes, dentro de uma varna existiam subgrupos, com leis espec(ficas para cada. A tend6ncia de %omogeneizar estava mais presente de fato nas outras varnas, principalmente nas inferiores. 7á os 8s%atr9as e os 0as9as viviam mais livremente, já que podiam trabal%ar em diversas atividades lucrativas e sofriam prescri #es mais leves que as dos br1manes. *e fato, aos sudras e aos párias é que restavam as piores atividades sociais, mas em seu meio a liberdade de rela #es era bem maior. A vida rural e agrária repousa numa sociedade camponesa do tipo patriarcal que oferece, também, traços de matriarcado e cujos atos principais são baseados no sacrifício. Se bem que desde o

princípio as duas classes dos sacerdotes (br mana! e dos nobres guerreiros (rajania ou "átria! sejam consideradas como dirigentes indiscutíveis, não nos parece que #ouvesse grande rigor na repartição da sociedade no início da época védica$ mais tarde surge uma divisão mais nítida, formando%se, então, duas outras classes, a dos &#omens livres& (vaicias! e a dos escravos (sudras!. As castas, entretanto, não estão delimitadas ainda tão estritamente como nas épocas seguintes e não são ainda estanques$ isto se verifica sobretudo nos 'stados orientais, onde a ariani(ação mais superficial e o aparecimento do budismo ameni(am a rigide( propriamente bram nica. )s dois 'stados #ereditários que se ac#am * frente da sociedade % o sacerd+cio e a nobre(a % estão estreitamente unidos e go(am de grande liberdade. ,r mames e "átrias podem, com efeito, e"ercer uma função agrícola ou comercial, ocupar%se de reban#os ou de caravanas, esculpir madeiras etc.$ podem, também, desposar mul#eres de casta inferior, mesmo que sejam escravas. -as com maior freq./ncia os br manes consagram%se unicamente ao ritual0 seu poder consolidara%se tanto que ninguém podia dispensar%l#e o concurso, pois todo ato importante da vida individual, bem como da vida oficial, deve, necessariamente, ser acompan#ado pelo sacrifício. )s br manes, &#omens do sagrado&, são os oficiantes permanentes$ dirigem o ritual e percebem a metade dos #onorários, enquanto a outra metade vai para os oficiantes ocasionais, cada um especiali(ado em um ou em muitos atos rituais. 1as aldeias, em cada lar, cabe%l#es o desempen#o do papel de um mágico médico. 'ntre eles é escol#ido o capelão (puroíta! do rei que possui a mais alta função sacerdotal$ nomeado pelo rei, acompan#a%o nas suas mudanças de resid/ncia e mesmo na guerra, recita oraç2es e encantamentos para garantir%l#e a vit+ria ou o /"ito nos seus empreendimentos$ dirige o culto, preside o cerimonial e percebe gratificaç2es. )s br manes das aldeias e"ercem freq.entemente um ofício que apresenta alguma relação com certos aspectos rituais, tais como o de barbeiro, astr+logo, lavadeiro etc. 3aralelamente a eles, e"istem numerosos ascetas e eremitas que, nos 'stados orientais, se encarregam da propaganda do budismo a

partir do momento em que este começa a se e"pandir. )s "átrias são os nobres guerreiros$ ocupam%se de administração e de política, participam da guerra e são, geralmente, os proprietários territoriais do país. ) rei pertence a esta casta, dentro da qual é escol#ido devido aos seus direitos #ereditários e dinásticos$ é eleito pelo povo ou, pelo menos, confirmado por ele, e não parece ter sido entroni(ado pelos sacerdotes senão mui tardiamente. Seu papel consiste, antes de tudo, em proteger os s4ditos e manter *s suas custas um corpo de sacerdotes para si mesmo e para o povo. 5etira suas rendas das propriedades, formadas por florestas e &lugares desertos&$ para isto, arrecada um tributo in natura por intermédio de concessionários. 6endo sido inicialmente c#efe de clã ou de tribo, reveste%se de crescente import ncia e p2e o seu poderio em evid/ncia por meio de grandes sacrifícios, como o sacrifício do cavalo (asvameda!, e por uma entroni(ação solene (rajasuia!$ seu caráter divino é afirmado desde o início. A casta dos #omens livres abrange os agricultores, os comerciantes e os artesãos$ se é verdade que alguns dentre eles c#egam a possuir uma fortuna considerável, são, entretanto, sujeitos * tal#a e * corvéia, servindo de rendeiros aos "átrias, nutrindo%os e acompan#ando%os * guerra. )s artesãos e comerciantes agrupam%se em corpo raç2es, cujos c#efes são, freq.entemente, amigos dos nobres. A casta mais bai"a é a dos escravos$ abrange ela, no princípio, provavelmente, os descendentes dos aborígines redu(idos * servidão pelos árias$ a eles acrescentam%se os indivíduos condenados por dívidas, outros cuja pena foi comutada, prisioneiros de guerra e mesmo #omens que voluntariamente se &desencastaram& por espírito de penit/ncia. ) sudra é um ser impuro por definição, que pode ser ferido e até mesmo morto * vontade$ o estudo do 7eda e o acesso ao sacrifício l#e são interditos, mas pode acontecer que consiga enriquecer graças ao trabal#o0 é possível, então, que se possa resgatar. 3ercebe%se, não obstante, nesta colocação * margem da lei e nesta depend/ncia que pode levar * morte, uma lembrança de lutas sem quartel movidas contra os aborígines pelas tribos árias da época da conquista. Assim, apesar de uma certa fle"ibilidade no sistema

social, #á uma acentuada tend/ncia * divisão da sociedade por, técnicas e por funç2es, divisão baseada nas necessidades impostas pelo culto. 6ão típica estrutura da vida social #indu está, portanto, prestes a adquirir todas as características com que a encontraremos na época seguinte. Aubo9er, 7. +aracter(sticas da +iviliza !o 0édica, :;<=>?. "sso se refletia também nos papéis sexuais dentro da sociedade. A mul%er tin%a seu campo de a !o bem restrito nos neg$cios p@blicos, em virtude do mac%ismo predominante. &o entanto, elas eram o pilar da fam(lia, tendo grande poder dentro de casa no controle dos fil%os e na distribui !o das tarefas. +omo foi dito, as prescri #es religiosas e legais tendiam a diminuir nas varnas mais baixas. ,nquanto uma vi@va por vezes era obrigada A se atirar numa pira ardente junto com o corpo de seu marido, já que n!o poderia mais casar, no meio da popula !o mais comum as rela #es amorosas pareciam ter uma flexibilidade bem semel%ante A que con%ecemos nas modernas sociedades, permitindo que tal costume fosse de certa forma tripudiado pelos mesmos. A quest!o da educa !o e do dom(nio das ci6ncias também era restrito, estando as varnas superiores em condi #es de educar seus fil%os pagando tutores e gurus, além de enviá'los A escolas e viagens. Aprendiam gramática, matemática, religi!o e filosofia, além de artes e m@sica. Bnfases em áreas espec(ficas ocorriam no seio de cada classe, como os Cs%atr9as, por exemplo, que desde cedo gan%avam também treinamento militar. ,xistia, porém, uma ponte entre essa cultura técnica e as varnas mais baixas, realizadas por aqueles que praticavam o ascetismo e o desprendimento. ,sses /ic%is :sábios? e gurus :professores? divulgavam parte dos seus con%ecimentos filos$ficos para a popula !o, de uma forma livre e espont1nea. A vida individual das altas castas codificou%se, mas não variou fundamentalmente. A partir deste período, divide%se em quatro fases #ierarqui(adas, que representam a curva ideal da e"ist/ncia

masculina0 passam sucessivamente pelos estágios de estudante (bramac#arín!, de dono da casa (griasta!, de anacoreta (vanaprasta! e de eremita ou monge (samniasin!. ) bramac#arin é, de fato, o sucessor do estudante védico$ seu estágio dura pelo menos do(e anos, pode prolongar%se durante quarenta e oito anos e mesmo, e"cepcional% mente, por toda a vida. 3ara que possa tornar%se um bramac#arin, o jovem deve formular o pedido ao seu mestre (guru!, oferecer%l#e alimentos e oferendas destinadas ao fogo do sacrifício. ) guru procede, então, a uma pesquisa relativa ao nascimento e * família do postulante e, sendo o resultado satisfat+rio, acol#e%o em sua casa, onde se ac#am assim reunidos quatro ou cinco discípulos. 8elebra% se a cerim9nia que assinala o início da educação, simboli(ando o nascimento espiritual do bramac#arin. :esde então, leva este uma e"ist/ncia muito severa e é submetido a rigorosíssimas obrigaç2es$ a regra * qual obedece se estriba numa disciplina do corpo e do espírito e num trabal#o tanto físico como intelectual$ deve, em tudo, total submissão ao seu mestre. 7estido com uma 4nica peça escura, feita de pele de antílope negro, começa a jornada levantando%se antes do guru$ adora o sol e consagra seu coração aos deuses, indo depois ajudar o guru$ ban#a%se tr/s ve(es por dia e come, depois do mestre, uma alimentação severamente prescrita. ;icando de pé durante o dia, sentando durante a noite, não se abriga quando c#ove, não se resguarda quando fa( frio, atravessa os rios a nado$ deve observar uma castidade absoluta e preenc#er certos deveres quotidianos, tais como mendigar para o guru, manter o fogo do sacrifício, limpar a casa, cuidar do gado, cultivar os campos$ acompan#a o guru nos seus deslocamentos, assistindo%o nas cerim9nias rituais. Sua posição quanto ao guru é a de fil#o em relação ao pai. 3or fim, deve dedicar%se ao estudo. 'ste varia segundo a casta$ se se trata de um br mane, o discípulo será formado para o ensino$ se é um "átria aprenderá o manejo do arco e da espada, as sutile(as do combate e da guerra, condu(ir um elefante e uni carro, a equitação, o salto e a natação$ ser%l#e%ão ensinadas também a escrita, a pintura, a arte dramática e a medicina. ,r mane, "átria ou vaicia, todos t/m de aprender a ser bons donos de casa

(griasta!$ de qualquer maneira deverá o discipulo decorar o 7eda e e"ercitar%se na sua recitação corrente$ os objetos deste estudo são, principalmente, os te"tos do 5ig%7eda, do <ajus e o Saman, a fonética, o ritual, a gramática, a e"egese, a métrica, a astronomia etc. ) método empregado pelo guru para o ensino destas diversas disciplinas é o de um catecismo segundo perguntas e respostas$ tal método deve condu(ir o bramac#arin a praticar, seja a introspecção, cuja finalidade é aniquilar nele todo o desejo e dirigi%lo para o samniasca, seja a contemplação, que suprime a consci/ncia da pluralidade e abre o camin#o * ioga. A duração do estágio na qualidade de bramac#arin é variável, mas, ainda que, teoricamente, sejam indicados oito anos para um "átria e apenas quatro para um br mane, não pode ele, de maneira alguma, terminar antes dos de(esseis anos. =uando o estágio c#ega ao fim, o bramac#arin toma um ban#o ritual e procede * troca de vestes, * qual procedia também o estudante védico. 5ecebe um grau universitário que varia segundo o estado de seus con#ecimentos adquiridos no decorrer dos anos de estudo. :ei"a o seu guru, oferecendo%l#e presentes. <mediatamente ap+s superar o estado de bramac#arin, o jovem reingressa na sua família$ aí, é acol#ido com #onras$ passa a ser recebido por toda parte e é declarado apto ao casamento. 3ode, entretanto, prolongar a sua educação, com o objetivo de tomar%se um dono de casa (griasta! perfeito, devendo seguir, para isto, os ensinamentos de especialistas reputados e literatos célebres, os quais percorrem incessantemente o país$ pode ingressar em diversas universidades (asrama! onde l#e serão ensinadas a arte, a literatura, a ortopedia, a (oologia, a física, a geometria etc. 3ode também participar das discuss2es das academias que se re4nem nas diferentes províncias e mesmo de congressos convocados pelo rei, durante os quais as trocas de idéias e os debates possibilitam%l#e a aquisição de con#ecimentos suplementares de filosofia e ritual. :esde que se tomou griasta, o #omem deve fundar um lar e casar%se na sua casta$ deve e"ecutar ritos privados, viver de seu oficio, dar e"emplo de devoção e autodomínio. 6oda a sua vida está regulamentada pelas prescriç2es rituais$ são in4meras e di(em respeito aos menores atos da vida

quotidiana, *s menores circunst ncias da e"ist/ncia. >an#a%pão de sua família, ele prepara sua pr+pria alimentação, acol#e os mendigos, fa( oferendas e continua a estudar os 7edas todas as man#ãs. 'mbora s+ se considere o griasta depois de ter tomado mul#er, esta tem uma posição menos privilegiada do que nos tempos védicos. ?, entretanto, admitida nas asrama, onde uma bem cuidada educação l#e é ministrada, na qual a dança e o canto acompan#am a filosofia. -esmo participando integralmente da vida familiar e estando o seu papel de mãe sempre em primeiro plano (a ponto de suscitar a mesma veneração que encontramos na :ivina -ãe ou >rande :eusa!, nem por isto dei"a de estar completamente submetida ao marido ou, na falta deste, ao fil#o mais vel#o. Apesar de profundamente respeitada e participando dos ritos quotidianos, não torna parte nos grandes sacrifícios. ;inalmente, é%l#e absolutamente proibido um novo casamento em caso de viuve(, pois o matrim9nio é um sacramento inviolável$ as mel#ores esposas fa(em%se queimar vivas na pira cremat+ria de seus maridos. 1umerosos tipos de mul#er, freq.entemente contradit+rios, aparecem através da literatura$ o mais ideal é representado por Sita, esposa de 5ama no 5amaiana, cujo amor fiel, bele(a, virtudes familiares e pure(a constituem um e"emplo da felicidade conjugal. -as e"istem, por outro lado, muitas alus2es, segundo as quais a mul#er é essencialmente impura, má, briguenta, leviana, falsa, infiel, de espírito incontrolável$ eis por que se recomenda ao marido que &desconfie da esposa&. 6odavia, tem sempre direito * assist/ncia, ainda quando abandona a casa conjugal. =uando sente a apro"imação da vel#ice, o #omem entra num terceiro estado, que é o de anacoreta (vanaprasta!. 5etira%se, então, para a floresta$ sua esposa pode ou não acompan#á%lo. @abita um eremitério servido por urna aguada e composto de c#oupanas de ramagens ou de pequenas construç2es rudimentares cobertas de colmo$ um destes compartimentos é reservado ao fogo do sacrifício, que o vanaprasta trou"e do seu pr+prio lar, ao dei"á% lo. ) anacoreta veste urna roupa de casca de árvore, cujo filamento era obtido, ainda recentemente, esmagando%se entre duas pedras a casca de certas árvores (Sterculia urens e Antiaris

suddecanea, em particular!$ tra( os cabelos soltos, alimenta%se de frutos e raí(es, acol#e sem distinção de casta todos os camin#antes que passam pelo eremitério e vive entre os pássaros e animais da floresta, alimentando%os e cuidando deles. Sua ocupação essencial é abastecer%se da madeira necessária *. manutenção do fogo do sacrifício$ esta madeira é acondicionada em fei"es e levada para o eremitério, devendo alimentar o fogo sobre o qual são reali(adas as oblaç2es rituais com o au"ílio de col#eres de formas e dimens2es variadas. :evendo observar castidade total, retoma ele certos aspectos de sua vida de bramac#arin, ban#a%se tr/s ve(es ao dia, dorme sobre a terra nua, entrega%se ao ascetismo, estuda e medita o 7eda. 'nfim, o estado supremo da vida de um #omem é o de samniasin, asceta n9made e mendicante, que ocupa a posição mais elevada e mais #onrada. 3raticando a confissão p4blica, possui, teoricamente, os mais profundos con#ecimentos do 7eda, da magia, da medicina e do ascetismo. ) acesso ao culto, por parte de camadas mais populares do que antigamente, parece generali(ar%se lentamente, para atingir seu pleno desenvolvimento na época seguinte. ) culto privado transforma% se0 o do fogo é substituído pela samdia, que consiste na adoração do sol nascente, em abluç2es diversas e em e"ercícios respirat+rios0 acompan#ados de meditação. As oblaç2es vegetais continuam a go(ar de grande prestígio. A base da alimentação é o arro(. A carne, consumida, na época védica, não parece ter o seu uso completamente permitido, pelo menos nos meios budistas0 os gregos assinalam, de fato, que os #indus se abst/m de com/%la, e Açoca interdita, ao mesmo tempo, a morte ritual de animais e o abate de gado. ) arro( é, segundo os gregos, o elemento essencial da alimentação. As bebidas fermentadas não parecem proibidas, mas, com toda certe(a, estão limitadas ao domínio ritual$ o arro( serve%l#es de matéria%prima. Aubo9er, 7. A Dociedade Eaur9a, :;<=>? A l(ngua sagrada da cultua védica era o s1nscrito, embora na época de fixa !o da maior parte desses textos ela já fosse antiga. Os idiomas falados na época dos Eaur9a, por exemplo, seriam o

5raCrit, 8aros%ti e talvez o 5áli, l(ngua em que teria sido escrito o c1none budista. O s1nscrito, no entanto, foi preservado como idioma religioso. A execu !o das fun #es ditas 2liberais3 na sociedade, tais como medicina, arte, artesanato, etc., estavam divididas entre as varnas. Dabemos por diversos textos que a sociedade contava com diversos ramos produtivos, e com divers#es também, como teatro, jogos, entre outros. F provável que existisse uma certa mobilidade social em classes mais atuantes como a dos vas9as e Cs%atr9as, que eram obrigadas a estar em contato constante com o resto do povo, n!o s$ exercendo controle mas também, interagindo, absorvendo e divulgando con%ecimentos nesse meio :Aubo9er, ;<G<?. A vida dos indianos antigos parecia ser, portanto, um desdobramento organizacional das concep #es de ordem e de universo que os mesmo possu(am. &o entanto, embora ten%amos motivos para acreditar, através da documenta !o, que parte dessa estrutura era real, observamos também que ela n!o cobria aspectos diversos dessa vida cotidiana, principalmente das classes mais baixas, o que nos permite uma série de infer6ncias positivas sobre o papel desses grupos e de seu modo de vida, num sentido mais flex(vel em rela !o A ideologia dominante. A fome não é o 4nico suplício instituído pelos deuses. )s mortos também aparecem aos que vivem na fartura. 1ão diminui a rique(a de quem fa( donativos. ) avarento não encontra ninguém que o lamente. =uem é insensível em face do miserável faminto, do doente, não encontra ninguém que o lamente. >eneroso é quem dá ao mendigo vagabundo, magro, faminto. =uem o socorre, c#amando%o na estrada, adquire um amigo para os dias futuros. =uem não dá uma parte do seu alimento ao amigo, ao compan#eiro de viagem, não é amigo. ) amigo ou o compan#eiro afaste%se dele e vá * procura de outro, generoso, ainda quando seja estrangeiro. ) poderoso deve dar ao oprimido. 3ense na estrada que tem a

percorrer. A rique(a gira como as rodas de um carro, ora vai para um lado, ora vai para o outro, no camin#o. ) insensato poupa o alimento em vão. 'm verdade, eu vos digo, o alimento é a sua perdição. 'le não arranja nem um camarada, nem um amigo. 8omendo so(in#o, ele está s+ com o seu erro. 1o trabal#o, a c#arr4a acalma a fome. Andando, termina%se a viagem. ) sacerdote que fala, leva vantagem sobre o sacerdote que não fala. ) amigo que fa( donativos vale mais do que aquele que não os fa(. /ig 0eda

Texto de Apoio - A Casta vista pelos Budistas ,is, sen%or, as quatro castas4 a dos nobres, a dos pobres, a dos comerciantes, e a dos trabal%adores. ,ntre elas, duas t6m a supremacia4 a dos nobres e a dos sacerdotes4 isto pelo modo com que se dirigem a seus membros, com que os sa@da levantando'se e juntando as m!os em %omenagem, e com que s!o tratados. Há cinco qualidades que devem ser procuradas4 a fé, a sa@de, a sinceridade, a energia, a sabedoria. As quatro castas podem ser dotadas das cinco qualidades que se deve procurar e recebem a b6n !o e a felicidade por muito tempo. , eu n!o digo que em seu caso que %aja uma distin !o em seu esfIr o. F como se se tivesse um par de elefantes domesticados, cavalos ou bois bem domesticados, exercitadosJ e um outro par n!o domesticado e n!o exercitado. O primeiro par seria contado como domesticado, atingiria o valor dos animais domesticadosJ o segundo, n!o. *a mesma maneira n!o é poss(vel que o que se adquire pela fé, a sa@de, a sinceridade, a aus6ncia de vel%acaria possa se obter onde %á falta de fé, a má sa@de, o engano, a vel%acaria, a inércia, a sabedoria limitada. &o caso das quatro castas se Kseus membrosL s!o dotados de cinco qualidades que se deve procurar, se 6les fazem os esfor os devidos, eu digo que neste caso n!o %á diferen a entre liberta !o e liberta !o. F como se quatro %omens, um trazendo len%a bem s6ca, outro uma ac%a s6ca da árvore s!la, o

terceiro uma ac%a s6ca de mangueira, o quarto uma ac%a s6ca de figueira, fizessem cada um fogo que produzisse calor. Haveria uma diferen a entre os fogos produzidos por estas diferentes madeiras quanto A sua c%ama, sua ror, ou seu clar!oM O mesmo sucede com o calor aceso pela energia e produzido pelo esfIr o. ,u n!o digo que %aja diferen a entre liberta !o e liberta !o. KEojj%ima &iCa9a. ii, ;NO';-PL.

Texto de Análise - As Castas, por Louis Renou A casta :varna, jati? e um fenImeno muito amplo, que excede os problemas religiosos. Apenas o referiremos aqui na medida em que a casta tem uma incid6ncia na religi!o ou e regida por esta. /esulta claro que, das tr6s grandes fun #es sociais primitivas, apenas a primeira, a dos br1manes, é de ess6ncia religiosa. Os br1manes, independentemente das ocupa #es que tiveram, s!o em princ(pio os detentores do poder sagrado4 2o pr$prio nascimento do br1mane é a encarna !o eterna da Lei3 :Eanu?. O seu dever resume'se nisto4 2ensinar o 0eda3. O seu modo de vida, segundo a antiga Dmriti, consiste em sacrificar por outrem :portanto, em oficiar como sacerdote? e receber donativos. Eas as tr6s outras classes participam igualmente nas coisas sagradas, em graus diversos. A segunda, dos Cs%atri9as, cuja atividade pr$pria é a das armas, deve, segundo a Dmriti, 2sacrificar :aos seus pr$prios fins?, estudar o 0eda e fazer donativos3. O rei, que resume a ess6ncia dos Cs%atri9as, e uma emana !o da divindade, um 2deus com forma de %omem3, como diz Eanu, e as grandes cerimInias reais, mesmo na Índia p$s ' védica, tem o caráter de feiras religiosas4 s!o as @nicas sobreviv6ncias do antigo culto solene oferecido as grandes divindades. A terceira classe, dos vai 9as, consagrados em principia a cria !o de gado, agricultura e comercio, tem os mesmos deveres e cargos que os Cs%atri9as, embora sem d@vida em menor medida. Quanto a quarta, os udras, que est!o ao servi o das outras tr6s classes, mant6m'se aparentemente exclu(da da religi!o, mas os textos antigos recon%ecem'l%e alguns direitos, e todo o esfor o de

várias seitas tendeu para a integrar ou reintegrar no sistema bram1nico. Quanto A poeira das castas RmodernasS, oriundas teoricamente das quatro grandes classes, a sua atividade distingue' as sem d@vida :assim como o %abitat e, eventualmente, a perten a étnica? muito mais que a marca religiosa, que, n!o obstante, desempen%ou um papel na classifica !o. ,ntre os br1manes :o @nico grupo que permaneceu relativamente coerente?, a maior parte abandonou as fun #es sacerdotais sem incorrer em qualquer descrédito :já Eanu dizia que 2os br1manes devem ser %onrados, embora se dediquem a ocupa #es vulgares de toda a espécie, porque cada um deles é uma grande divindade3?, desde que a atividade n!o seja daquelas que passam por impuras por natureza. A investidura religiosa é comum a todos os Rnascidos duas vezesS :dvija?, ou seja, aos membros das tr6s primeiras classes. A expuls!o da casta representa uma espécie de excomun%!o, e a maior parte das regras de casta baseiam'se na no !o de segrega !o, que resulta do valor religioso atribu(do A pureza e a impureza. Quanto A pr$pria origem das castas, viu'se nela um fato religioso. "sto aplica'se na medida em que é religiosa a oposi !o %ierárquica entre o puro e o impuro.

Texto de Apoio - Rig Veda ,xorta !o A generosidade e A caridade A fome n!o é o @nico supl(cio institu(do pelos deuses. Os mortos também aparecem aos que vivem na fartura. &!o diminui a riqueza de quem faz donativos. O avarento n!o encontra ninguém que o lamente. Quem é insens(vel em face do miserável faminto, do doente, n!o encontra ninguém que o lamente. Teneroso é quem dá ao mendigo vagabundo, magro, faminto. Quem o socorre, c%amando'o na estrada, adquire um amigo para os dias futuros. Quem n!o dá uma parte do seu alimento ao amigo, ao compan%eiro de viagem, n!o é amigo. O amigo ou o compan%eiro afaste'se dele e vá A procura de outro, generoso, ainda quando seja estrangeiro.

O poderoso deve dar ao oprimido. 5ense na estrada que tem a percorrer. A riqueza gira como as rodas de um carro, ora vai para um lado, ora vai para o outro, no camin%o. O insensato poupa o alimento em v!o. ,m verdade, eu vos digo, o alimento é a sua perdi !o. ,le n!o arranja nem um camarada, nem um amigo. +omendo sozin%o, ele está s$ com o seu erro. &o trabal%o, a c%arr@a acalma a fome. Andando, termina'se a viagem. O sacerdote que fala, leva vantagem sobre o sacerdote que n!o fala. O amigo que faz donativos vale mais do que aquele que n!o os faz.

Bi liogra!ia AU)OV,/, 7. A vida cotidiana na Índia Antiga. Livros do )rasil4 Lisboa, ;<G<. +OU/."L",/, T. As antigas civiliza #es da Índia. Otto 5ierre4 /7, ;<>< WH,,L,/, E. Índia e 5aquist!o. 0erbo4 Lisboa, ;<>P +A/*ODO, +. X. 0arnas e +lasses sociais na Índia Antiga in Dete Ol%ares sobre a Antiguidade. )ras(liaJ U&), ;<<O /,&OU, L. Hindu(smo. Ya%ar 4 D!o 5aulo, ;<OP X/AWL,V, *., .%e E9t% of Arian "nvasion . ,UA, ;<<O L,".,, ,. *a +iviliza !o do "ndo ao "mpério Eaur9aJ novas abordagens no ,studo da (ndia Antiga in 5%Iinix ano 0 Z ;<<< /io de 7aneiroJ Dette Letras, ;<<< A/0O&, H. O budismo. ,uropa América4 Lisboa, ;<=; *A&",LOU, A . D%iva e *ionisos. Eartins Xontes4 D5, ;<<O ,L"A*,, E. Hist$ria das cren as e idéias religiosas. /io de 7aneiro4 Ya%ar, ;<>< L,".,, ,. /eligi#es Antigas da Índia. /io de 7aneiroJ 5apéis e +$pias, ;<<> 5,/+H,/O&, E. )uda e budismo. Agir 4/7,;<OO TA.H",/, ,. O pensamento Hindu. /io de 7aneiroJ Agir, ;<<G /A0"T&A&., 5. A sabedoria da Índia. Eartins Xontes4 D5, ;<OG DAT&,, +. ,rotismo sagrado. Eartins Xontes4 D5, ;<OG

0A/,&&,, 7.E. .antrismo. Eartins Xontes4 D5,;<OG Y"EE,/, H. As filosofias da antiga Índia. 5alas At%ena4 D5, ;<O<