Introdução O objetivo deste texto é, antes de tudo, fornecer uma base didática para o estudo da Índia Antiga.

Longe de ser um texto completo, trato aqui dos dados mais superficiais e abrangentes que possam conduzir o interessado num estudo sério e esclarecido sobre o tema, de modo a realizar uma exposi !o que n!o seja nem cansativa, nem muito complexa. "nevitavelmente, somos obrigados a nos deparar com algumas relativiza #es te$ricas necessárias ao aprofundamento do estudo desta civiliza !o, cujas especificidades invocam um ol%ar bastante cuidadoso. &o entanto, deter'me'ei, aqui, num conjunto de explana #es básicas que sirvam de referencial a todas estas quest#es. "gualmente, a determina !o dos elementos bibliográficos serve a proposta inicial de tornar um pouco mais acess(vel este nosso estudo. )usquei, pois, indicar textos que sejam facilmente encontrados, que estejam em nosso idioma e que sejam de academicamente válidos, afastando'me propositalmente de toda e qualquer publica !o de caráter exotérico ou de fonte duvidosa. &o caso espec(fico da "ndologia, sabemos que tais textos abundam em profus!o, dificultando o estudo sério da Índia e comprometendo um trabal%o esclarecido.

Í&*"+,

-a Aula ' .eligi!o e /ensamento 0exto de Apoio ' O /urus%a 1u2ta 34ino do 4omem5 0exto de Análise ' A .eligi!o 6édica, por Louis .enou. 0exto de Análise ' *ivindades 4indus, por 1. Lemaitre. 0exto de Análise ' O )udismo, por ,. 7at%ier 0exto de Análise ' O 8ainismo, por ,. 7at%ier 0exto de Análise ' As 1eitas 1%iva(tas, por Louis .enou. 0exto de Análise9 Os 1%a2tas, por Louis .enou 0exto de Análise ' As 1eitas 6is%nu(stas, por Louis .enou.

Texto de Apoio - O Purusha Sukta (Hino do Homem) :il cabe as tem /urus%a, mil ol%os, mil pés. /or t;da parte impregnando a terra ele enc%e um espa o com dez dedos de largura. ,sse /urus%a é tudo que até agora já foi e tudo que será, o sen%or da imortalidade que se torna maior ainda pelo alimento. 0!o poderosa é sua grandeza< 1im, maior do que isto é /urus%a. 0;das as criaturas s!o urra quarta parte d=le, tr=s quartas par' tes s!o a vida eterna no céu. +om tr=s quartos /urus%a subiu> um quarto d=le novamente estava aqui. *a( saiu para todos os lados por s;bre o que come e o que n!o come. *ele nasceu 6iraj 3a5> e novamente de 6iraj nasceu /urus%a. Assim que nasceu, espal%ou'se para oriente e ocidente sobre a terra. ?uando os deuses prepararam o 1acrif(cio com /urus%a como sua oferenda, 1eu $leo foi a primavera> a dádiva santa foi o outono> o ver!o foi a madeira.

,les embalsamaram como vitima sobre a grama o /urus%a nas' cido no tempo mais antigo. +om ele as deidades e todos os 1ad%@as e .is%is 3b5 fizeram sa' crif(cio. *esse grande 1acrif(cio geral a gordura que gotejava foi col%ida. ,le formou as criaturas do ar, os animais selvagens e domesticados. *aquele grande 1acrif(cio geral .ics 3c5 e %inos'1ama 3d5 nasceram> *a( foram produzidos encantamentos e sortilégios> os Aajus 3e5 surgiram disso. *=le nasceram os cavalos e todo o gado com duas fileiras de dentes> *=le se reuniu o gado vacum, d=le nasceram cabras e ovel%as. ?uando dividiram /urus%a, quantos peda os fizeramB A que c%amam sua b;ca, seus bra osB A que c%amam suas coxas e pésB O )rCmane 3f5 foi sua boca, de ambos os seus bra os foi feito o .ajan@a 3xátria5. 1uas coxas tornaram'se o vaixá, de seus pés o sudra foi produzido. A Lua foi engendrada de sua mente, e de seu ol%o o 1ol nasceu> "ndra e Agni nasceram de sua boca, e 6a@u de seu alento. *e seu umbigo veio a atmosfera> o céu foi modelado de sua cabe a> A terra de seus pés, e de suas orel%as as regi#es. Assim eles formaram os mundos. 1ete bast#es de luta tin%a =le, tr=s v=zes sete camadas de com' bust(vel foram preparadas, ?uando os deuses, oferecendo o sacrif(cio, manietaram sua v(' tima, /urus%a.

Os deuses, sacrificando, sacrificaram a v(tima> estes foram os primeiros sacramentos. Os poderosos c%egaram Ds alturas do céu, lá onde os 1ad%jas, deuses antigos, est!o morando.3E5 3EF.GF5 a5 +ontrapartida feminina do principio masculino, /urus%a. b5 santos e profetas de tempos antigos. c5 ,strofes do .ig'veda. d5 ,strofe do sama'veda. e5 H$rmulas rituais do Aajur'veda. f5 As quatro classes sociais. 0radu !o de Louis .enou

Texto de Análise - A Reli ião !"di#a$ por %ouis Renou &eneralidades O vedismo ou religi!o do 6eda constitui o aspecto mais antigo sob o qual nos s!o apresentadas as formas religiosas na Índia. Os textos védicos, que s!o os primeiros monumentos literários da Índia 3e dos mais antigos da %umanidade5, proporcionam simultaneamente o testemun%o mais arcaico da religi!o a que se c%ama ora bramanismo, ora %indu(smo. 1e %ouvesse que limitar as duas palavras, bramanismo deveria designar a religi!o das épocas antigas e confundir'se depois, em parte ou na totalidade, com o vedismo, enquanto o %indu(smo visaria mais a evolu !o religiosa no seu conjunto, quer a partir do 6eda, quer ap$s o per(odo védico. A religi!o védica é a que os invasores arianos levaram consigo quando irromperam no &oroeste da Índia 3o /anjCb, bacia do alto "ndo5, entre -EFF e EIFF antes da nossa era. O fundo remonta a dados que se deixam caracterizar como Jindo'iranianosK. 6oltamos a encontrá'los quando observamos o que, no "r!o, é anterior D reforma de Loroastro e, ao mesmo tempo, %om$logo aos

fatos con%ecidos na Índia JvédicaK9 é a cren a em certas no #es fundamentais, numa dupla %ierarquia divina 'os daivas e os asuras> por outro lado, o culto do Hogo, os sacrif(cios animais, os sacrif(cios de soma. :as, para além desta religi!o indo'iraniana, que n!o passou de uma etapa, existe um plano "ndo'europeu. A religi!o "ndo'europeia consistia numa rede de cren as já complexas, ao mesmo tempo naturalistas, rituais e JsociaisK. 1ob um deterrminado Cngulo, estavam repartidas em fun #es9 uma propriamente religiosa, sacerdotal e jur(dica, outra representativa do poder temporal e uma terceira de tipo econ;mico. :as a religi!o védica s$ se explica numa medida muito reduzida por essa dupla %eran a indo'iraniana ou indo'europeia. ,m contacto com elementos aut$ctones ou pelo efeito de uma rápida evolu !o interna, as formas antigas foram enriquecidas ou alteradas. Absorveram uma parte daquilo a que se pode c%amar o %indu(smo JprimitivoK 'de que nada con%ecemos, D parte precisamente os vest(gios que se encontram na religi!o védica e esclarecem quando comparados com fatos atestados na Índia ulterior. Os Textos Os Mnicos monumentos da religi!o védica s!o textos, de data e inspira !o variadas. ,sses textos formam um conjunto excepcionalmente amplo e importante, embora o que se conservou até nNs represente apenas, segundo a tradi !o, urna pequena parte do que existia na origem. +om efeito, essa literatura foi'nos transmitida repartida por escolas, a que a tradi !o c%ama JramosK, as quais come aram por ser em nMmero de quatro, em virtude da fun !o quádrupla dos celebrantes, e depois cindiram'se noutros JramosK devido aos ensinamentos particulares a que deu origem o desenvolvimento progressivo da prática religiosa e sua extens!o através de toda a Índia. Ora, nem todas as escolas primitivas, nem todos os ramos secundários 3nem a totalidade ou a integridade dos textos num mesmo ramo5 c%egaram até n$s, muito longe disso. Os textos mais importantes e, de resto, os mais antigos s!o as quatro Jcompila #esK 31am%ita5 que formam aquilo a que se c%ama Oos quatro 6edasP. O termo veda, que significa JsaberK, também se

emprega, num sentido amplo, para designar toda ou uma parte da literatura ulterior, fundada numa ou noutra das quatro 1am%itCs. 1!o9 E5 O .ig'6eda ou J6eda das ,strofesK, o documento das literaturas indianas mais antigo9 reuni!o de cerca de mil %inos Ds divindades, que prefigura uma espécie de antologia obtida compilando as pe as conservadas por vel%as fam(lias sacerdotais> a maior parte desses %inos refere'se mais ou menos diretamente ao sacrif(cio de soma> no entanto, alguns t=m urna rela !o muito reduzida ou mesmo nula com o culto> -5 O Aajur'6eda ou J6eda das H$rmulasK, que nos é transmitido em várias recens#es9 urnas combinam'se com as Jf$rmulasK que acompan%am a liturgia dos elementos de um comentário em prosa 'é aquilo a que se c%ama o Aajur 6eda &egro', enquanto outras apenas d!o as fQrmulas e trata'se ent!o do Aajur'6eda )ranco> R5 o 1Cma'6eda ou Jveda das :elodiasK é urna coletCnea de estrofes como o .ig'6eda, no qual, alias, essas estrofes se inspiram na quase totalidade, mas est!o dispostas com vista D execu !o do cCntico sagrado e comportam nota #es musicais> S5 Hinalmente, o At%arva'6eda é também uma compila !o análoga ao .ig'6eda, mas de caráter em parte mágico e em parte especulativo. A tradi !o fala com freqT=ncia de Jtr=s 6edasK ou da Jtripla ci=nciaK, porque considera implicitamente o At%arva estran%o D alta dignidade pr$pria dos Jtr=s 6edasK. 1eguem'se, na ordem cronol$gica, os )ra%manas ou J"nterpreta #es sobre o bramaK, comentários em prosa que explicam quer os ritos, quer as f$rmulas que os acompan%am. 4á os ligados aos diferentes 6edas e até dois ou mais de dois para todos os 6edas, exceto para o At%arva. ,stes dois primeiros ramos da literatura védica formam aquilo a que se c%ama a ruti ou Jrevela !oK> por outras palavras, passam por ser de origem divina, resultar de uma comunica !o por Jvid=nciaK feita a determinados seres %umanos privilegiados. A ruti comporta ainda textos mais breves, completamente naturais dos )rC%manas, os Uran@a2as ou J0ratados HlorestaisK, pr$prios para serem recitados longe das aglomera #es, e os Vpanis%ads ou J+oncep #esK, que se envolvem no vivo das especula #es.

Os outros documentos do vedismo pertencem D smriti ou Jtradi !o memorizadaK9 trata'se, em primeiro lugar, dos 1utras ou JAforismosK, isto é, textos redigidos num estilo muito %ermético, destinados a ser aprendidos de cor pelos novi os liturgistas. Hoi compilado um nMmero elevado deles, para os diferentes JramosK, quer na ordem das cerim;nias solenes, quer na ordem do ritual JdomésticoK> outros ainda resumem ensinamentos mais gerais, tra ando o esbo o de um direito civil e penal que sai gradualmente da matriz das prescri #es sacerdotais. A literatura termina com séries de textos, escritos ora em estilo de aforismo, ora em prosa corrente, eventualmente em vers(culos9 completam o que se deve saber para ser um ritualista completo ' tratados de métrica, de fonética, de astronomia, listas diversas e tabelas das matérias met$dicas, etc. O conjunto está redigido em sCnscritoW, mas num sCnscrito arcaico que contém numerosas particularidades mais tarde perdidas. Os 4inos e as Jf$rmulasK em geral 3o que se engloba sob a designa !o de mantra5 s!o de um arca(smo muito mais pronunciado que a prosa subseqTente. :as, no conjunto, a cronologia interna n!o é fácil de estabelecer. WX/ronMncia das palavras sCnscritas9 u pronuncia'se como na nossa l(ngua> c e j pronunciam'se respectivamente tc% e dj> g tem sempre o som gu=> / equivale ao som do ic%. &esta tradu !o, utilizamos o Y para representar o som Z ou 1%.[ ?uanto D cronologia absoluta, também n!o é muito segura. A reda !o do .ig'6eda pode situar'se, por %ip$tese, nos séculos Z ou Z"" antes da nossa era. Os Mltimos textos védicos, ou seja, os JanexosK do 6eda e os grandes Vpanis%ads devem ser do século 6" ou 6. &!o obstante, a sua prepara !o remonta a muito mais atrás, e os tratados védicos isolados foram compilados mais tarde. A transmiss!o e mesmo a confec !o foram orais ou, pelo menos, s$ comportaram a escrita a titulo de auxiliar. Ainda %oje os recitadores que subsistem através da Índia conservam oralmente vastas por #es do 6eda, em condi #es de uma exatid!o surpreendente.

As 'renças e a (itolo ia A religi!o védica consiste, antes de mais, numa mitologia muito elaborada. Os deuses do 6eda, como os descreve principalmente o .ig'veda, s!o seres ativos que interv=m com naturalidade nos assuntos %umanos. +onvenientemente invocados, gratificados com belas oferendas, s!o prestáveis, de contrário perigosos, e vários deles naturalmente ambivalentes. ,numeram'se em geral trinta e tr=s, divididos, desde a Antiguidade, em deuses terrestres, do Jespa o intermédioK 3atmosfera5 e celestes. Vma divis!o mais pertinente seria por fun #es'deuses soberanos, guerreiros e patronos da fun !o Jecon;micaK 3agricultura, cria !o de gado e artesanato5, mas isto apenas abarca urna pequena parte dos fatos. &a realidade, as atribui #es s!o mMltiplas, e o pr$prio formulário e exig=ncias do paneg(rico contribu(ram para as diversificar. *otou'se a divindade que se celebrava num momento determinado de todas ou parte das fun #es aferentes aos outros deuses, pelo que a mitologia védica se tomou uma coisa confusa, mal decifrável D primeira vista. &o fundo do pante!o reside *@aus% /itar, o +éu /ai, equivalente ao 8Mpiter romano, mas trata'se de uma figura muito pálida, como a deusa 0erra ou o casal +éu'0erra, invocados com freqT=ncia apesar disso. :ais perto, mas ainda recol%ida, encontra'se a figura impressionante de 6aruna, deus soberano, conservador das leis c$smicas e morais, espiador dos culpados, que amarra com os seus lacetes, possuidor de uma faceta perigosa, quase sinistra. Associam'l%e com freqT=ncia outro soberano, :itra, deus dos contratos e da majestade jur(dica. 6aruna e :itra s!o os primeiros de entre os Udit@as, seqT=ncia de sete ou oito entidades que passam por descendentes de Aditi, esbo o vago de uma *eusa':!e. O papel proeminente está reservado a "ndra, cujas proezas maravil%osas nos s!o descritas incessantemente9 venceu multid#es de inimigos %umanos ou demon(acos, auxiliado por pr(ncipes aliados. &um plano mais naturalista, matou, com o seu raio, o drag!o que bloqueava as águas, conquistou o 1ol, libertou as auroras prisioneiras, etc. A origem de "ndra, em que alguns viram o t(pico deus JarianoK, mantém'se duvidosa.

,ntre os seus aliados figuram os :arutes, grupo de %omens jovens que cavalgam nas nuvens e provocam a tempestade e a c%uva, aos quais também c%amam .udras, ou seja, fil%os de .udra. ,ste dado conduz'nos a uma das figuras mais estran%as do vedismo9 .udra, deus essencialmente tem(vel, mesmo 3e, sobretudo5 quando l%e c%amam Yiva Jo benfeitorK. \ certo que, por outro lado, se revela milagreiro, e as invoca #es que l%e dirigem emprestam a essa dupla qualidade uma natureza muito especial. Outras personalidades, em geral também aliadas de "ndra, s!o o casal dos A vins ou &Csat@as, que percorrem o céu no seu carro, marcando pela sua passagem a aurora e o crepMsculo. 1!o equivalentes aos *i$scuros da mitologia grega. &!o se sabe ao certo se a Lua é objeto de uma venera !o direta, mas as representa #es solares ocupam um lugar imenso, com as figuras de 1ur@a, o 1ol, e 1avitar, o "ncitador. 6is%nu, que atravessa o universo em tr=s passadas, representa um mito solar, além de outros, e a Aurora é divinizada de forma transparente sob a designa !o da graciosa deusa Vs%as. 4á o 6ento com 6C@u e a 0ormenta com /arjan@a. Outro grupo de seres, sem se distinguir radicalmente dos anteriores, tem o seu ponto de partida em objetos concretos, vis(veis aos seres %umanos e pr$ximos deles9 trata'se de 1oma, que personifica o licor do mesmo nome, e também de Agni, que é, em primeiro lugar, o JfogoK ateado pelos %omens e depois o fogo do 1ol, o das nuvens, que se esconde nas plantas e nas águas. 1oma e Agni tomaram'se personagens desmesuradas, Ds quais se ligam no #es mMltiplas. A um n(vel secundário, /]s%an, o deus que guia %omens e animais, )ri%aspati, o Jmestre da f$rmulaK, e 0vas%tar e os tr=s .ib%us, deuses artes!os. As fun #es s!o, de resto, pouco especializadas. , os indiv(duos apresentam'se mal separáveis, por vezes sob a forma de nomes de objetos ou plantas, que se encontram, temporariamente ou n!o, promovidos D categoria divina. ,m compensa !o, n!o %á figuras femininas> a no !o de esposa divina n!o se ac%a acreditada. Os dem;nios abundam, mesclados com recorda #es de inimigos %umanos, mas n!o existe no !o demon(aca

central. O mais importante, 6ritra, inimigo de "ndra, personifica a Jresist=nciaK. Os casais e grupos an;nimos s!o freqTentes. Os Asuras, em primeiro lugar deuses soberanos, orientam'se a pouco e pouco, desde o .ig'veda tardio até D demonialidade, D medida que o culto dos devas se consolida. Antigos sacrificadores, /ais, s!o elevados, aqui e ali, ao grau divino. Acima dos deuses, ou D parte, grandes for as abstratas animam o mundo, sendo a principal o rita, JordemK c$smica e JordemK ritual ou moral simultaneamente. A #osmolo ia A cosmologia é representada por no #es assaz vagas, o mesmo se passando com a cosmogonia, que descreve por meio de diversas metáforas e mitos abortados a obra da cria !o do mundo. 4á algumas idéias, por vezes precisas, sobre um princ(pio espiritual equivalente Dquilo a que c%amamos alma. 1e n!o existe qualquer imagem estável dos infernos, o para(so ac%a'se definido muito nitidamente como o mundo de Jobra piaK, ao qual se tem acesso pela Jvia dos deusesK, situado no terceiro céu e constitu(do por felicidades exclusivamente materiais. Alias, o %omem JvédicoK nada pede para além da vida presente, da vida de cem anos que deseja9 n!o tem uma vis!o clara de renascimentos eventuais, mesmo que algumas alus#es amb(guas se possam interpretar nesse sentido. Aama, o primeiro dos %umanos, por conseguinte o primeiro daqueles que morreram, tornou'se 3em seguidaB5 o rei dos mortos, sen%or do mundo subterrCneo ou ainda, segundo outra evolu !o, o soberano do para(so. &os )rC%manas , foi a personalidade de /rajCpati, Jo amo das criaturasK, que absorveu quase toda a cosmogonia. Além do +riador, é o 1acrif(cio personificado, aquele que reMne as estruturas dispersas para realizar o rita. :as, paralelamente, a imagina !o m(tica, já muito desgastada no At%arva'6eda, rarefez'se, cedendo o lugar, no plano dos textos pelo menos, D especula !o de tend=ncia filos$fica. Os Ritos

1e con%ecemos a mitologia pelo .ig'6eda, e sobretudo a especula !o pelos Vpanis%ads, todos esses textos pouco t=m para nos ensinar sobre o culto. 4á que consultar aqui os )ra%manas e, ainda mais, os 1]tras, que o descrevem com uma minMcia exemplar. &!o se deve depreender da( que certas formas, assaz elaboradas, de prática religiosa n!o existiram desde os prim$rdios do per(odo védico e, de resto, n!o seria imposs(vel restituir'l%es as lin%as gerais. O culto védico repousa sobre o sacrif(cio. 4omenagem solene D divindade, o sacrif(cio executa'se sob a forma de uma cerim;nia mais ou menos longa, que tem por ponto culminante as oferendas feitas ao Hogo. O objetivo consiste em entrar em comunica !o com o mundo divino, assegurar o seu concurso para obter determinadas vantagens, gerais ou especiais. \ certo que existem sacrif(cios JfixosK, correspondentes a datas do calendário, que n!o comportam, em principio, men #es votivas, mas esses sacrif(cios 3ou uma ou outra por !o deles5 podem carregar'se facilmente de uma afec !o votiva. A ora !o está inserida no sacrif(cio, no sentido de que se exprime pelas Jf$rmulasK que acompan%am os atos e manobras, n!o tendo express!o independente. A oferenda, que consiste ora 3na maioria dos casos5 em produtos da cultura ou cria !o de gado ' bagos de arroz ou outros, leite, g%rita ou Jmanteiga derretidaK', ora em peda os de uma v(tima animal 3em regra, o bode5, é em parte lan ada ao fogo e em parte consumida pelos celebrantes e pelo JsacrificadorK laico, que se assegurou o seu concurso e manda executar o ato em seu proveito. Outra obla !o que domina nas cerim;nias mais importantes é a do soma, planta de propriedades excitantes, de caráter assaz misterioso, cuja espremedura é objeto de uma seqT=ncia complexa de opera #es. O ve(culo da oferenda é o fogo, cuja Jinstitui !oK forma em si uma cerim;nia aut;noma. Os sacrif(cios costumam realizar'se recorrendo a tr=s fogueiras, dispostas em torno de uma pequena escava !o que exerce as fun #es de um JaltarK. O laico assiste ao sacrif(cio com a esposa, pronunciando mesmo algumas f$rmulas, mas o seu papel essencial consiste em repartir os

%onorários 3que podem atingir dimens#es fabulosas5 atribu(dos aos diversos celebrantes. ,stes Mltimos s!o dirigidos pelo bra%man, que assiste em sil=ncio e adverte se se produz um erro ou acidente. O %otar entrega as obla #es e recita as seqT=ncias extra(das do .ig' 6eda, o udgCtar entoa as estrofes inspiradas no 1Cma'6eda e, finalmente, o ad%var@u procede aos inMmeros gestos e recita #es, que, de acordo com o Aajur '6eda, comp#em a pr$pria textura do sacrif(cio. &o total, incluindo os auxiliares, %á até dezesseis ou dezessete celebrantes. O terreno sacrifical é uma área aberta, sacralizada para cada nova cerim;nia, sem templo nem imagem. ,ntre os instrumentos do culto, col%eres e vasos de fun #es bem determinados, devem salientar'se os JcacosK de tijolo colocados no fogo, nos quais se estende a massa. O rito solene mais breve é o Agni%otra ou JObla !o ao fogoK9 uma oferenda simples de leite a Agni, executada pelo sacerdote manual e o laico, de man%! e D noite. \ mais complexo o sacrif(cio das luas c%eia e nova, t(pico das obla #es vegetais que servem de norma a todas as outras e exigem dois celebrantes. Os ritos quadrimestrais acompan%am as mudan as das esta #es e dividem'se em tr=s séries 3com uma quarta em anexo5, sulcadas de tra os populares. 4á um rito das prim(cias e a massa dos ritos votivos ou expiat$rios que repousam sobre o esquema do sacrif(cio das quinzenas lunares. O 1acrif(cio animal, a imola !o 3por asfixia5 de um bode, inspira'se igualmente no anterior e figura quer no estado independente, quer como parte integrante dos sacrif(cios de soma. ,stes s!o os mais solenes de todos9 o tipo de base ou Agnis%toma é uma seqT=ncia de tr=s espremeduras 'man%!, tarde e noite', precedida de longos preliminares 3consagra !o do laico e da esposa, aquisi !o do soma, instala !o dos lares e altares5, enquanto a cerim;nia propriamente dita consiste em obla #es entrecortadas de recita #es e cCnticos, em que todos os celebrantes participam. Vma parte singular do Agnis%toma é o /ravarg@a, oferenda aos A vins de leite aquecido num vaso consagrado. 4á liturgias mais desenvolvidas, durante dez a doze dias, e até Jsess#esK que se prolongam por um ano inteiro, teoricamente por doze. A Jgrande observCnciaK é uma festa de

solst(cio de "nverno, durante a sess!o anual dita Jmarc%a das vacasK. 1urgem finalmente as feiras, que, sem se diferenciarem muito a fundo das anteriores 'trata'se igualmente de sacrif(cios de soma', correspondem a acontecimentos da vida do rei9 o .Cjas]@a ou J+onsagra !o do .eiK, aspers!o do novo eleito pelo celebrante e pelos representantes do povo> o 6Cjape@a ou J)eberagem de Hor aK, festividade religiosa do pr(ncipe vitorioso, que comporta uma corrida de cavalos atrelados a dezessete carros> e, por Mltimo, o A vamed%a ou J1acrif(cio do +avaloK, o mais grandioso de todos, cujos preliminares se estendem por um ano e mesmo dois. A par do soma, bebida nobre, %avia a surC, álcool grosseiro que serviu de oferenda num rito particular. Hinalmente, algumas cerim;nias s!o precedidas da constru !o de um monumento de tijolos, com for a de obla #es e desenvolvimento de uma simb$lica extens!o.

Texto de Análise - )i*indades Hindus$ por S+ %emaitre A miss!o de dar ao mundo a no !o do Absoluto, tal como foi revelada no 6eda, livre da ci=ncia tradicional da Índia nas idades mais antigas, estava reservada D poesia pura, aquela que celebra as for as c$smicas do céu e da terra. ,sse Absoluto é o )rama, que n!o pode ser definido. O )rama, a bril%ante luz das luzes, ^envolvido em sua capa de ouro^, por quem o esp(rito pensa, mas que n!o cabe no pensamento de ninguém, permanece incomunicável. ^/erguntas o que é o )ramaB \ o teu pr$prio átman, que é interior a tudo.^ X)ri%ad Aran@a2a, up. """, S[. O )rama, neutro, impesoal, é incondicionado, inqualificado, superior a qualquer distin !o. ,le é a origem, a causa, a ess=ncia do universo, porque tudo o que é, é )rama. ,le é pura exist=ncia9 sal, pura intelig=ncia9 c%ie, pura beatitude9 ananda. &a impossibilidade de O conceberem em sua 0otalidade e em sua 6erdade, os %indus tentam encontrá'lo em suas manifesta #es

*ivinas. Adorar o )rama em seus atributos é faz='lo descer ao n(vel %umano, p;'lo ao alcance do %omem. O )rama toma'se ent!o um deus pessoal, em apar=ncia. , pode ser ent!o encarado sob qualquer de suas Hun #es ou de suas /ot=ncias. &os %inos védicos, os deuses implorados, apenas antropomorfizados, pertencem aos astros, D atmosfera, ao solo. 0=m nomes e aspectos inumeráveis, sendo como s!o express#es de )rama, indefinido em suas formas, embora V&O em sua ess=ncia. ,ssas manifesta #es divinas correspondem Ds afinidades dos crentes. 1ua multiplicidade pode surpreender tanto mais o esp(rito ocidental quanto cada deus personificado traz Ds vezes vários nomes, segundo a qualidade ou atividade sob a qual é invocado. O deus escol%ido por seu adorador c%ama'se ^seu ic%ta^. \ a ele que o fiel dirigirá suas preces, seus rosários, e é por seu ic%ta que ele se aproximará de )rama. O )rama, *ivindade 1uprema, junto de quem os demais deuses n!o passam de simples intermediários, contém em si todos os ic%tas. \ sempre )rama, pois que tudo é )rama. Os deuses podem personificar a Alegria, a :iseric$rdia ou a :orte. /ara mostrar que essas individualiza #es n!o passam de uma concep !o de )rama por um ^fervoroso^, 6ic%nu diz a Ziva, no 6ic%nu'/urana9 ^Os ignorantes consideram'se como distinto de 0i.^ O crente pode encontrar o )rama em si'mesmo, em seu cora !o, porque todo o ser possui uma fa(sca de )rama, c%amada átman. ,ste átman representa o ,u'mesmo de cada um, princ(pio transcendente que jamais se particulariza. ^O )rama reside no cora !o. ,le está ali e em nen%uma outra parte. Os sábios que o contemplam dentro de sua pr$pria alma, estes, e n!o outros, possuem o descanso eterno.^ 3)ri%ad aran, up. """, E5. *a mitologia do 6eda, t!o bem elaborada qu!o complicada, é preciso citar entre os deuses mais invocados9 "ndra, com um papel preeminente. ,le encarna a for a conquistadora. 1uas proezas e suas vit$rias s!o objetos de muitas narrativas. ,le matou com o seu raio 3vajra5 o drag!o que obstru(a as águas, e, depois de ter conquistado o sol, libertou as auroras prisioneiras.

A montaria 3va%ana5 de "ndra é um elefante branco9 Airavata. O deus é geralmente representado coberto de j$ias, coroado de um turbante real ou de uma tiara cil(ndrica, com o raio, o disco, o dente de elefante. 1ua esposa é lndrani ou +aci, que ele roubou ao pai, /uloman, inimigo de "ndra. .udra, o ^poderoso^ dos %inos védicos, tornar'se'á Ziva, o benéfico e curador. Os .udras, fil%os de .udra, aliados de "ndra, formam um grupo de jovens que cavalgam as nuvens e s!o portadores da tempestade e da c%uva. Agni, o deus do fogo e do sacrif(cio, tem um lugar primordial. ,le faz a unidade do mundo em suas tr=s partes9 terra, céu e atmosfera intercalar. ,le é ao mesmo tempo9 vontade divina, vis!o perfeita e opera !o ritual9 ^$ Agni, tu és a matéria dos jovens rebentos> as águas s!o tua semente. "nato em todas as coisas e crescendo sempre com elas, tu as conduzes D maturidade. O tudo subsiste em ti. .evestido das formas do sol, tu tomas com os teus raios a água da terra, para espal%á'la ao depois em c%uvas nas esta #es pr$prias, dando assim a vida a todos os seres. 0udo renasce ent!o de ti9 as lianas, a verde fol%agem, os lagos, o leito afortunado das águas, todo o Mmido palácio submetido a 6áruna.^ X.ig'6eda[. 6aruna, mantenedor da ordem c$smica, sen%or das águas, é um dos deuses maiores do 6edismo. A esse deus, envolto num manto de ouro, associa'se :itra, cercado de majestade jur(dica, com um séquito de sete ou oito entidades9 os Adit@as, descendentes de Aditi, deusa'm!e. 1ur@a, o sol, especifica'se em 6ivasvante> +andara é a lua, e 6a@u o vento. /rajápati, pai dos deuses 3devas5 e dos dem;nios 3asuras5, sen%or das criaturas, é figura importante entre os deuses. &umerosos %inos l%e s!o dirigidos. ,m plano secundário, temos ainda /@auc% /itar, o +éu'/ai> e /rt%ivi, a 0erra':!e> os :arutes, deuses das tempestades> Vc%a, a Aurora, e os A vins, que simbolizam as estrelas da man%! e da tarde> Aama, o primeiro %umano, tornou'se o deus da :orte, sen%or do mundo subterrCneo. ,m seguida, menos definido, temos /uc%an, o deus que guia os %omens e os animais. )ri%aspati, sacerdote dos deuses, é uma segunda forma de Agni. \ imposs(vel

citar todos os deuses védicos> eles s!o inumeráveis. Afora os deuses, existem as for as que agem sobre o universo, dentre as quais ^o rita^ é a principal ' ao mesmo tempo ordem c$smica e ordem ritual e moral. ,nfim, o soma, planta sacrifical, licor fermentado tornado bebida divina que confere a imortalidade, foi elevado D dignidade de um deus no livro Z" do .ig'6eda. OA origem terrestre de 1oma prende'se ao :onte :ujavante. :as sua verdadeira pátria é o céu9 fil%o do céu, sua forma celeste corresponde Ds do nascimento e da espremedura. ,le foi trazido a terra por uma grande ave 3águia ou falc!o5, que o roubara do castelo de bronze onde era guardado pelos 7and%arva, ou pelo arqueiro _r anu, o qual, atirando sobre a ave arrancou'l%e uma un%a ou uma pena. Algumas vezes a águia é "ndra> nos )ramanas o soma é roubado por 7a@arti, nome m(tico de Agni.^ XL. .enou, op. cit.. pág. R-G[. Vma 0rindade divina ou ^0rimurti^ domina as mMltiplas formas divinas. ,sta 0rindade comp#e'se de tr=s deuses que repartem entre si as atividades fundamentais de "c%vara, nome genérico do deus Mnico e supremo e a 6ontade de /oder, s(mbolo do )rama, que está acima da 0rindade e permanece neutro e inacess(vel. O poder de criar, que parece ser a manifesta !o mais elevada, pertence D )rama, que n!o deve ser confundido com o )rama impessoal. ,sse )rama, ao contrário, é personalizado por sua fun !o de criador. ,m seguida vem o poder de conservar, que está nas m!os de 6ic%nu. O poder de destruir, finalmente, é atribu(do a Ziva. ,sses deuses, que representam os tr=s aspectos de "c%vara, formam a grande 0rindade da Índia, ou 0rimurti, cuja atividade corresponde ao ritmo da cria !o do mundo9 o come o de um ciclo, sua manifesta !o total e seu acabamento ou reabsor !o em )rama, o /rala@a per(odo que precede a era seguinte. As rela #es dos deuses entre si s!o t!o vagas e instáveis como as variantes de uma legenda. ,ntretanto, certos mitos fixos persistem e aureolam este deus ou aquela deusa. O deus n!o muda, mas o cora !o do %omem cresce, e crescendo, faz crescer também a

imagem do deus que ele traz em si. ,ntre os deuses importantes que se substitu(ram ou se ajuntaram aos do 6eda na tradi !o %indu, )ra%ma permanece bastante abstrato, apesar de seu papel criador. \ ele quem faz nascer a diversidade na Vnidade. ,le n!o tem um culto especial. 1eus santuários s!o raros. O maior encontra'se em puc%2ar, perto de Ajmer, no .ajputana. 1arasvati é a Za2ti de )rama. Za2ti é o nome que se dá D ,nergia que emana do deus e o completa sob a forma feminina de uma deusa. Associada aos grandes deuses, identificada D /alavra 3vac5 nos )ramanas, deusa dos rios divinos nos tempos védicos, 1arasvati simboliza as artes, a eloqT=ncia, o saber e Oa onda da 6erdade^. )ra%ma é muitas vezes representado com quatro rostos 3atarmu2%a5 voltados para os quatro pontos cardeais, e quatro bra os 3tendo nas m!os os quatro 6edas5> traz nas cabe as ora coroas, ora tran as 3donde o seu nome de +i2%in5, e apresentam'se barbudos os seus rostos. 1eus atributos s!o o jarro, o rosário e as duas col%eres rituais 3:anasara5, Ds vezes o disco. A cor é rosa. Ora se apresenta montado num cisne 3%ansa5, ora de pé, Ds mais das vezes sentado num l$tus que sai do ventre de 6ic%nu, donde seu nome9 ^aquele que nasce do l$tus^ ou ainda ^do umbigo^, mas também 3desde a epopéia5 ^aquele que nasceu de si mesmo^ 3sva@amb%u5, isto é, inato XL. .enou, op. cit., pág. IFF[. 6ic%nu, na 0rimurti, tem o papel benéfico de conservador do +osmos. ,le preside aos destinos %umanos. \ um deus de origem solar definido por quatro atributos9 a conc%a 3san2%a5, o disco 3sa2ra5> clava 3gada5 e a flor de l$tus 3/adma5. .epresentam'no sob os tra os de um %omem jovem, de cor azul'escuro, com quatro bra os. ^Os -S nist%a ou ^atitudes^ que comp#em a figura !o total da divindade comportam cada uma um valor esotérico dirigente de uma encarna !o particular. 0=m igualmente uma significa !o simb$lica a j$ia 2austub%a que 6ic%nu traz ao pesco o, e o anel de p=los estilizado em iconografia 3o rivitsa5 que l%e orna o peito. 0raz geralmente um diadema na cabe a 32irita5^ 3id.5. ,m geral, 6ic%nu apresenta'se deitado, em suas representa #es, e

mesmo adormecido sobre o oceano ca$tico, a serpente infinita de mil cabe as. 6emo'lo igualmente tronando no céu, 6ai2%unta, rodeado de sua corte. 7aruda é a cavalgadura 3va%ana5 de 6ic%nu, também ela objeto de um culto. ,sta 7aruda é a águia celeste, fil%a de _ac2apa e de 6inata. Hoi ela quem roubou o soma, o licor de vida, em benef(cio dos deuses. O culto de 6ic%nu é muito popular e tem formas mMltiplas e numerosos santuários. \ venerado num elevad(ssimo plano abstrato, porque ele representa o amor divino. 6ic%nu é muitas v=zes acompan%ado de sua Za2ti, La2c%mi ou a ^)eleza e a Hortuna^, emblema da esposa modelo e servi al, assim como da gl$ria e da prosperidade. ,la é figurada por uma jovem sedutora, sentada numa flor de l$tus e segurando uma cornuc$pia, enquanto dois elefantes brancos, munidos de jarros em suas trombas, regam os l$tus que ela tem nas m!os. ,la é invocada para os bens temporais e espirituais, a fé e a saMde. &a tradi !o %indu os deuses podem reencarnar'se a seu bel'prazer ou em obedi=ncia a uma ordem, para cumprir uma miss!o, particularmente a de socorrer a %umanidade sofredora. As encarna #es dos deuses denominam'se ^avatares^ ou ^descidas^. 6ic%nu é o que se encarna mais vezes. /ode %aver um nMmero ilimitado de avatares. .ama2ric%na dizia9 ^Os avatares s!o para o )rama o que as vagas s!o para o oceano^. ?uando um deus importante vem D terra, divindades secundárias o acompan%am para fazer parte de sua c;rte. &umerosas encarna #es de 6ic%nu s!o descritas no )%agavad'/urana, mas existem dez que s!o clássicas. A primeira representa 6ic%nu vindo como peixe para salvar o rei :anu 6aivasvata, tema indiano do *ilMvio. *epois, 6ic%nu aparece como javali. ,le soergue a 0erra, que o dem;nio 4iran@a2c%a tin%a mergul%ado no fundo do oceano. .. , ainda 6ic%nu, tornado .ama, o %er$i do .ama@ana, que triunfa sobre o dem;nio .ávana. 1ervindo enfim de pedestal que se ap$ia no fundo dos mares, 6ic%nu, em forma de tartaruga, suporta o monte :eru, em volta do qual se colocou a serpente +ec%a. ,le assiste ao encapelamento do oceano. &esse combate entre os deuses e os Asuras, está em j;go a conquista de tesouros

maravil%osos, principalmente do anrita 3licor divino5. 7ra as a 6ic%nu os deuses conseguem a vit$ria. O mais célebre dos avatares de 6ic%nu ' e todos eles t=m um sentido esotérico ' é o de _ric%na, considerado como uma encarna !o total, sendo os demais considerados como simples encarna #es parciais. A %ist$ria de _ric%na comporta uma série de aventuras extraordinárias. +%efe do cl! dos Aadavas, _ric%na, cujos poderes s!o surpreendentes 3ele já cumprira miss#es prodigiosas em sua infCncia5 , prossegue sua carreira de ser s;bre'%umano. Adolescente, ele é o ^boieiro^ divino que toca a flauta para as pastoras que dan am em torno dele, contemplando'o com fervor amoroso. A cena passa'se no bosque sagrado de )rindav!. Ao depois, no )%agavad'7ita, ele figurará ao lado dos /andavas, seus primos, em sua guerra contra os )%áratas. ,le se torna ilustre nessa ocasi!o, mostrando por seu exemplo e por seu ensinamento .como o %omem deve desenvolver'se espiritualmente para atingir a liberta !o. :as é sobretudo em .amá, em que ele simboliza a energia moral, e em _ric%na, a inspira !o divina, que 6ic%nu traz um socorro considerável aos %umanos e desempen%a um papel imenso na religi!o %indu. 6ic%nu representa um ^1alvador^, porque ^em cada um de seus avatares ele recupera as coisas que pareciam irremediavelmente perdidas, tragadas pelo oceano, isto é, pelo indiferenciado, ou a ponto de o ser^ X4erbert, ib. RN-[. ?uer se trate de 1i ta, mul%er de .amá no .ama@ana, quer se trate de .ad%a, a pastora preferida de _ric%na, uma das figuras mais populares entre as divindades femininas e ao mesmo tempo sua mais perfeita adoradora, é sempre La2c%mi, sua xa2ti, deusa da %armonia, que se encarna %abitualmente com 6ic%nu. Ziva é um deus complexo, valente, ao mesmo tempo benéfico e tem(vel. \ preciso distinguir aqui o duplo aspecto da atividade divina. Ziva na 0rindade %indu desempen%a o papel de destruidor do Vniverso, mas ele aniquila para reconstruir. ,le destr$i a multiplicidade que mundo criado, para recriar a Vnidade. /or isso assimilam'no a _ala, o 0empo. +omo este, ele constr$i e destr$i sem cessar. &!o é ele aquele que dep#e no seio das águas o ^7erme

de Ouro que encerra )rama^B "sto, sem deixar de ser ^aquele que vence^ ' em sua forma mais intensa ' )%airava, o 0emor, e suas sessenta e quatro variedades. *`outro lado, ele possui o aspecto reparador. ,le é igualmente um protetor. .ecorre'se a ele em caso de perigo. &o epis$dio do encapelamento do mar de leite 3apari !o do universo multiforme5, quando a serpente 6asu2i lan a um veneno que devia destruir o mundo, Ziva bebe o veneno. 1ua garganta tornou'se azul'escuro e c%amaram'no9 &Ta2ant%a... \ ainda Ziva que, para evitar uma catástrofe quando da descida das águas do 7anges sobre a terra, ergueu os cabelos e formou com eles uma barragem protetora 3(m!5, contra as ondas impetuosas, e estas escoaram sem causar dano algum. Ziva é um deus poderoso entre todos os deuses 3o .udra dos %inos5, porque ele é o deus da vida, da procria !o. :as Ziva é sobretudo o :a%adeva, o grande deus asceta, o deus dos rogues, para os quais ele é um guia e um modelo, pois condu'"os D consci=ncia da Vnidade. \ o :a%a@ogue ou :estre dos @ogues. ^.epresentam'no ent!o com o rosto sujo de cinza, seminu, cingido de crCnios e ostentando uma coleira de serpentes 3.udra era já no 6edismo o sen%or das serpentes5. 1entado em postura meditativa, ele tem um terceiro ol%o frontal. A origem deste ol%o, segundo se afirma, provém de uma brincadeira de /arvati, que l%e tapara os dois ol%os com as m!os^ XL. .enou, lb. IES[. \ figurado Ds mais das vezes com muitos bra os em &ataraja, dan ando o 0andava, a dan a c$smica, cercado do tiruva i ou aureola de c%amas. *iz'se que ele espezin%a um dem;nio rebelde ou que ele destr$i o cosmos para o recriar. &a realidade, essa dan a evoca numerosos s(mbolos de sentido esotérico. A cavalgadura %abitual de Ziva é o touro branco9 &andin> e sua veste, uma pele de tigre. 6em coroado do crescente lunar, e seus atributos s!o o arco 3ajagava5, o tamborim 3d%a2a5 , a clava 3_%atvanga5, o la o 3pa a5 e o mais %abitual, o tridente 3tri ula /ina2a5. Ziva tem quatro, oito ou dezesseis bra os, simbolizando os dois bra os inferiores o gesto da benevol=ncia 3varada5 e da salvaguarda 3ab%a@a5. Hoi identificado um nMmero incalculável de

santuários consagrados a Ziva. Os de )uvanesaar e de :adura s!o célebres no mundo inteiro. Ziva delega seus poderes a numerosas Za2tis9 /arvati, a Hil%a da :ontan%a> 1áti, a ,sp;sa Hiel> Vma, a )enéfica, ou +Cndi, a 6iolenta, etc. A mais importante de t;das, a sua esp;sa *urga ou _áli, a 0err(vel, é figurada sob tra os medon%os. &egra e nua, cabeleira ao vento, ela traz um colar de cabe as %umanas e pisa aos pés o corpo do esposo, brandindo um cutelo ensangTentado e ostentando uma cabe a recentemente decepada. 1em embargo, essa _áli é um aspecto da :!e divina, a 1uprema> ela encarna uma espl=ndida energia, uma vontade implacável, e, como o seu esposo, parece que ela s$ destr$i para libertar a espiritualidade que existe em todo o ser. ?uando é aniquilada a ignorCncia, o cora !o torna' se puro. A energia de _áli cria a paz, ap$s %aver destru(do a ignorCncia. A energia de _áli é terr(vel enquanto ela se exerce, mas quando ela atinge o ^cora !o^ de Ziva, isto é, quando é desfeita a ilus!o, _áli detém'se repentinamente e arrepende'se do ato praticado. , ela recua. ^?ue fiz eu sob o (mpeto desta loucuraBP ,la atingiu a .ealidade, e torna'se equilibrada, calma e mansa. *urga congrega em si atributos de _áli, La2c%mi e 1arasvati, ' tr=s gunas que representam a destrui !o, a evolu !o e a cria !o. As ^cabe as decepadas^ simbolizam os dem;nios da ignorCncia na %umanidade. _áli toma como ornamento pessoal essas almas assim libertadas, pois foi ela quem os libertou da ignorCncia e do medo. *urga'_áli era para .ama2ric%na a divindade de elei !o. Os %indus d!o um aspecto %umano Ds imagens, pinturas e estátuas de seus deuses, ajuntando'l%es os emblemas que os diferenciam entre si. O sinal do poder sobre'%umano exprime'se pela adjun !o de bra os suplementares9 dois, quatro, ou mesmo mais. /ara indicar a vis!o divina, um terceiro ol%o é por vezes colocado no meio da fronte, como no caso de Ziva, enquanto que )ra%ma é representado com quatro cabe as. As representa #es animais s!o a marca de qualidades particulares. Assim, é dada a 7ane a uma cabe a de elefante, e aos _imnasas uma cabe a de cavalo. 7ane a, c%efe dos ^7anas^ 3tropas divinas5, objeto de um culto intenso, é o fil%o de Ziva e de /arvati. 1olicita'se o seu apoio antes

de toda a empresa> ele é o guia 36ina@ala5, que destr$i os obstáculos. 7ane a simboliza o apelo D for a espiritual. 1eu papel na epopéia do .amana@a ilustra o seu esp(rito de sacrif(cio, de perseveran a e de devo !o. .epresentam'no com uma cabe a de elefante e uma s$ presa. 1ua cor, geralmente vermel%a, pode ser branca ou amarela> tem um ventre proeminente e serve'se para cavalgadura de um rato ou de um le!o. 0raz uma presa de elefante e um rosário. 7oza de muita popularidade, sobretudo no sul. 1ua imagem é vista nas encruzil%adas dos camin%os, nas árvores e nos templos. O macaco 4anum!, emblema da destreza e da intelig=ncia, fil%o do deus do vento, /avana, é considerado entre as divindades religiosas da Índia como o ^perfeito servo^ de )ra%ma, pelo seu exemplo de for a e de dom(nio de si. ,le é um aliado de .amá, c%efe do exército dos macacos> numerosos templos l%e s!o elevados.

Texto de Análise - O ,udismo$ por -+ &athier O budismo foi fundado por 7autama )uda, nascido de uma fam(lia abastada e nobre por volta de INF a. +., e morto por volta de SbF a. +. Apesar de sua riqueza e dos empen%os de que foi alvo para n!o abandonar a casa paterna, ele partiu depois do nascimento de seu fil%o, e viveu durante seis anos na penit=ncia, buscando a 6erdade, a liberta !o das reencarna #es. A experi=ncia l%e mostrou que v!s eram as penit=ncias %umanas para alcan ar esse fim. ,, uma noite, em )oudga@a, ele con%eceu a ilumina !o ao mesmo tempo que os princ(pios que deveria, pouco depois, anunciar ao mundo. )uda reuniu seus primeiros disc(pulos em associa #es monásticas, sujeitas a regras que, naturalmente, aumentaram no curso dos séculos. Os leigos foram, posteriormente, admitidos a seguir 3de longe5 a via tra ada pelo :estre, na esperan a de renascer um dia, entrar como novi os na ordem, e c%egar ao &irvana. \ dif(cil precisar se o fundador do budismo teve, desde o come o, a vis!o n(tida do rompimento que ele ia operar no %indu(smo ou se

apenas se ac%ou no direito de expor suas teorias como uma das vias para a salva !o. A mensagem de )uda s!o, primeiro, as quatro grandes verdades9 o fato do sofrimento, a causa do sofrimento, o fim do sofrimento, os meios de escapar ao sofrimento. ,stes Mltimos s!o o fundamento da verdade9 a compreens!o verdadeira, o con%ecimento verdadeiro, a veracidade, a a !o e a vida verdadeiras. /or esses meios, o %omem consegue libertar'se da ignorCncia, causa Mltima do renascimento. /orque a ignorCncia nasce do desejo, do desejo vem a a !o, e da a !o, o renascimento.

A "ti#a do .udismo A doutrina de )uda dá =nfase a um moralismo que n!o deixa de apresentar dificuldades ' e s!o muitas. Acresce que em todas as quest#es metaf(sicas o sil=ncio de )uda nos constrange. &!o %á dMvida que em face da substCncia imutável que é )ra%man, ele afirmou que tudo é transit$rio e que nada de substancial existe. *onde, logicamente, nen%uma alma, na realidade, transmigra. A transmigra !o n!o é sen!o a continuidade dos valores9 uma boa a !o v= sua influ=ncia perdurar. O mesmo acontece com uma a !o má. +omo o budismo em sua pureza rejeita *eus, é s$ por seus pr$prios esfor os que o %omem se liberta e alcan a o &irvana. :as qual é o sentido profundo desse termo, tantas vezes usado, com e sem prop$sitoB &!o se sabe se ele esconde uma aniquila !o total> um estado de bem'aventuran a que rejeita s$ os fen;menos mutáveis, inconstantes> ou se n!o indicará que é mais sensato para o %omem deixar'se ficar, pelo menos neste mundo, em um c;modo agnosticismo. A solu !o desses problemas pode deleitar nossa curiosidade, mas n!o é Mtil. ?uando a casa está em c%amas, a gente sai dela o mais depressa poss(vel. ?uando alguém está doente, n!o quer saber qual a natureza Mltima do remédio, e, sim, tomá'lo. Tend/n#ias di*ersas nas#idas do .udismo A Índia é, sabidamente, um pa(s de seitas. *uas grandes escolas de pensamento nasceriam, logo, do budismo9 o 4ina@ana, ou /equeno

6e(culo, apresenta co9mo ideal ascético o Ar%at, o monge perfeito, o qual, retirando'se do mundo, garante sua salva !o pessoal, sem inquieta !o maior com o resto da %umanidade. O :a%a@ana, ao contrário, aparecido por volta do primeiro século da era crist!, tem anseios de salva !o universal9 o )od%isattva, aquele cuja ess=ncia é a verdade, o con%ecimento, é o tipo do %omem perfeito. ,le c%ega a renunciar ao &irvana a fim de consagrar'se D salva !o do mundo. A rigor, para salvar'se, ninguém precisa envergar a bata ama' rela do monge mendicante budista. \ poss(vel gan%ar a salva !o também no estado leigo. ,m vez de uma sabedoria austera, o budismo se torna, ent!o, uma religi!o em que penetram, com as multid#es, todos os deuses das aldeias, transformados em )od%isattvas ou em )udas. O budismo, que come ara sua carreira no agnosticismo, assiste D multiplica !o das investiga #es filos$ficas a fim de alcan ar por elas uma espécie de idealismo. &uma outra vertente, ele acaba caindo na magia dos budistas ditos tCntricos. /areceu'nos, ent!o, necessário, assinalar essas %eresias surgidas do %indu(smo. ,las permitem compreender mel%or, simultaneamente com sua forma !o, as rea #es que ele provocou.

Texto de Análise - O 0ainismo$ por -+ &athier O jainismo teria sido revelado ao g=nero %umano por uma sucess!o de :estres, os 0irta2%aras, ou santos, que conseguiram passar, como que a vau, o rio das reencarna #es. :a%avira é o vigésimo quarto e Mltimo da lista. A ele se atribui a funda !o da seita na sua forma atual. 1egundo a tradi !o, :a%avira viveu de IGG a I-c a. +. 0endo renunciado ao mundo com a idade de Eb anos, come ou uma carreira de penit=ncia. 6inte anos depois, recebeu a ^ilumina !o^. Assumiu, ent!o, a qualidade de profeta e o t(tulo de 8aina ou ^conquistador espiritual^. ,nsinou durante trinta anos e organizou os quadros da seita. 1eus monges e suas religiosas s!o, antes de tudo, ascetas, as quais, através das penit=ncias as mais diversas, encamin%am'se para a penit=ncia suprema9 a morte, ou, mais

exatamente, o suic(dio por inani !o, que os p#e de posse da liberta !o. Ateus, n!o oram nem oferecem sacrif(cios> anapsiquistas, v=em almas até na matéria> atomistas, afirmam a imperman=ncia das substCncias compostas de átomos qualitativamente semel%antes. *iscute'se ainda se eles admitiram a imperman=ncia absoluta de tudo em face da afirma !o %indu da imutabilidade do )ra%man. *esobrigados de interpretar os livros sagrados dos %indus, eles trabal%aram em outros setores. A dialética, em primeiro lugar, na qual se esfor am para demonstrar a incapacidade de toda defini !o para alcan ar a realidade de maneira adequada. A psicologia, em seguida e principalmente, em que algumas de suas análises das faltas e dos meios de romper os gril%#es do pecado n!o deixam de ter profundeza. A prática monástica de uma espécie de exame de consci=ncia diário 3comum aos leigos, se bem que mais espa ada5 abriu aos jains, recon%ecidamente, vastos %orizontes sobre as molas da alma %umana. *entre as virtudes que eles sempre encareceram, a A%imsa, ou n!o'viol=ncia, vem em primeiro lugar. ,la vai ser levada por eles ao excesso. ,xemplo9 o véu que levam no rosto para filtrar um eventual mosquito ou, mel%or, para n!o causar dano aos seres microsc$picos e vivos que se encontram no ar. Os jains con%eceram dias de triunfo e levaram seus monumentos até o sul do subcontinente. :as quando o %indu(smo se reorganizou para reconquistar o terreno perdido, as discuss#es teol$gicas muita vez terminaram pelo exterm(nio dos jains9 o pared!o oriental do grande templo de :adura conservou para n$s a lembran a desses %orrores. Os jains s!o a( representados como v(timas de torturas desumanas, empalados, cortados em peda os. Oito mil deles morreram nos arredores da cidade. :as o %indu(smo se encontrava também diante de um outro adversário de peso, nascido desde o come o da reforma de :a%avira9 o budismo.

Texto de Análise - As Seitas Shi*a1tas$ por %ouis Renou

\ esse ivaismo difuso que vemos servir, de certo modo, de religi!o de ,stado, na maior parte das dinastias indianas, pelo menos a partir do século 6"". , dele que se reclama a tradi !o erudita, em parte sem dMvida porque Yiva se considerava o patrono natural dos empreendimentos literários. O ritual iva(ta e o conjunto das práticas exteriores s!o relativamente desenvolvidos, elaborados, e as doutrinas espetaculares 3que s$ existem em algumas seitas5 evidenciam os processos de identifica !o do individuo com o 1er 1upremo. *ai a tend=ncia do ivaismo para o loga, para o tantrismo, enquanto, pelo contrário, o fen;meno da b%a2ti, o amor'fé, embora presente em personalidades isoladas, n!o parece ter impregnado as seitas sen!o numa época tardia e porventura por influ=ncia das seitas vis%nuitas. Os _CpCli2as 3designa !o que deriva de Yiva 2apClin, ou seja, Jportador de crCnios %umanosK5 surgem na literatura por volta do século 6". 0rata'se, menos de uma seita que de um grupo de ascetas de tend=ncias extremas, mais ou menos desprezados pelo seu comportamento grosseiro, os quais parecem ter continua !o nos Agbords ou Ag%orapant%is, que ainda sobrevivem nos nossos dias, em parte depurados, segundo se afirma, sob a influ=ncia de _abdr. A um n(vel mais elevado, situam' se os 7ora2%nCtds 3ou _Cnp%ata@ogds JAogins de orel%as fendidasK5 que veneram como seu mestre um personagem que se sup;s freqTentemente lendária 3foi de(ficada na Índia do &orte5, e 7ora2%nCt% 37ora2s%anCt%a em sCnscrito5, que na realidade pode ter vivido no século Z", em )engala Oriental. O movimento, que comporta numerosas subseitas e um rudimento de especula !o, consiste essencialmente numa escola de loga 34at%a@oga5, que tem toda urna literatura e subsiste atualmente em diversos lugares do &orte. Os /C upatas ou Jadeptos de 3Yiva5 pa upatiK atestados epigraficamente no século "Z, desaparecidos por volta do século Z"6, parecem ter sido id=nticos aos La2uld as, assim denominados do nome de um doutor do loga, La2ulin, que os teria agrupado. 1!o igualmente Aogins que utilizam, para c%egar ao =xtase m(stico, práticas selvagens, fantásticas, dan a, risos, etc. &!o obstante, esbo ou'se uma doutrina especulativa, fundada num dualismo entre

as almas ou pa us 3propriamente JanimaisK5 e o mestre 3pati5 ou Yiva, cujo corpo é Jfeito de energiaK. As outras seitas t=m como +Cnone, direta ou indiretamente, os textos sagrados que se c%amam Ugamas. O ritual e as doutrinas s!o distintos dos do tantrismo com base no C2tismo. A alma é concebida como subjugada pelo Jtriplo la oK ou afetada pela Jtripla máculaK 3a ignorCncia, o carma, e a mC@C5 e ascende D liberta !o pela gra a do :estre. &os Agamas repousa o Yaivasidd%Cnta ou Jcorpo de doutrinas ivaitaK, vasto conjunto especulativo atestado, sobretudo, em l(ngua tCmul 3séc. Z"""5, que postula a exist=ncia eterna de tr=s grandes princ(pios9 o :estre 3Yiva5, o Jla oK 3ematéria, pC a5 e a alma. Yiva cria e governa o mundo por intermédio da JenergiaK, a2ti. 1e se con%ecem bem as doutrinas, que constituem um compromisso entre o 6edCnta e o 1Cn2%@a, em contrapartida sabe'se muito pouco acerca da organiza !o em territ$rio tCmul. /arece que se estava em presen a de mosteiros distintos, na sua maioria dirigidos por c%efes 3ma%Cnt5 n!o' brCmanes. Horam encontrados na "nsul(ndia textos que remontam a um 1idd%Cnta ou Jcorpo de doutrinasK de l(ngua sCnscrita, que parece ter sido o intermediário entre os vel%os Ugamas e o 1idd%Cnta tCmul. O Yivaismo do _a mir, também designado por 0ri2a, sistema Jde triplo ensinamentoK, faz a sua apari !o no século 6""" e parece, acima de tudo, uma rea !o contra o dualismo 3aparente5 dos Ugamas, mas, a uma observa !o mais minuciosa, inscreve'se no prolongamento direto dos Ugamas. ,xistem diversas grada #es, dominadas pela personalidade eminente de Ab%inavagupta no século Z. A especula !o, muito elaborada, repousa num n!o' dualismo puro, simultaneamente realista e idealista, sendo o 1er Absoluto 3sob o aspecto de Yiva5 todo intelig=ncia 3caitan@a5 ou Jvibra !oK 3spanda5, isto é, principio cinético. O mundo resulta de uma objetiva !o do pensamento de Yiva, é produzido pela evolu !o de trinta e seis elementos 3tattva5. O acesso D liberta !o verifica'se por Jrecon%ecimentoK9 a alma toma consci=ncia de verdades relativas D sua condi !o real que tin%am sido obnubiladas pela mC@C ou Jilus!oK. &o pormenor, %á influ=ncias tCntricas e bMdicas.

:as nada se sabe de concreto sobre as formas religiosas e os %ábitos comunitários. /arece ter sido um movimento puramente especulativo. Hinalmente, os 6dra aivas, Jles ivaitas no estado %er$icoK, ou ainda os LingC@ats Jportadores do lingaK, constitu(ram'se por volta do século Z"" nos confins sul do territ$rio marata, sob o impulso de um certo )asava 3que talvez fosse simplesmente o reformador de um movimento mais antigo5. A segrega !o passa por ter sido drástica9 a seita rejeita o 6eda, suprime as imagens e as castas e volta as costas a numerosos costumes do %induismo comum. &o plano social, trabal%a para a emancipa !o social das mul%eres. A esse respeito, mantém'se nos limites extremos da religi!o indiana, conservando, porém, os ritos privados, os sacramentos. ,xiste mesmo uma espécie de batismo destinado a proporcionar D crian a Joito coura asK contra o pecado. A teologia é mais conservadora que o ritual. 0rata'se de um n!o'dualismo Jqualificado pela a2tiK, em que as almas e a matéria s!o realidades resultantes da a2ti. A Liberta !o obtém'se em seis fases pela prática do amor'fé a Yiva. A seita é dirigida por monges ambulantes que se denominam jangamas ou JLingas em movimentoK. 4á cinco mosteiros originais que dispersaram por diversos pontos do territ$rio. A literatura é assaz considerável, com textos eruditos em sCnscrito, textos populares 3nomeadamente vacanas ou Jserm#esK, alguns dos quais atribu(dos ao pr$prio )asava5 em 2annara e por vezes em tCmul. ,ntre as práticas singulares, salientaremos o uso de um linga num estojo suspenso do pesco o 3da( a designa !o de LingC@ats, atribu(da D seita5.

Texto de Análise2 Os Shaktas$ por %ouis Renou /ode ligar'se livremente ao ivaismo o culto da deusa *urgC 3e das formas paralelas5, quer apare a no estado distinto, quer se encontre reunido ao de Yiva. A base deste culto reside na cren a na a2ti ou JenergiaK divina 3dai o nome de C2tas e C2tismo atribu(do a essas seitas5 emanada de um outro grande deus, muito

particularmente de Yiva, que se desenvolve de forma aut;noma repelindo com freqT=ncia para segundo plano, no estado de vago páredro, o culto do deus másculo. As origens desta cren a s!o remotas, encontrando'se os primeiros tra os no 6eda e tendo penetrado em numerosas formas religiosas que n!o s!o especialmente de perten a C2ta. /or outro lado, o ritual C2ta confundiu'se em larga medida com o tCntrico, ao ponto de se pensar se C2tismo e tantrismo n!o seriam termos sin;nimos. /ode, todavia, afirmar'se que %á um culto C2ta, n!o tCntrico ou n!o necessariamente tCntrico, sobre o qual as primeiras indica #es literárias s!o fornecidas pelo %istori$grafo )Cna, no século 6"". Os livros de base s!o o *evd')%Cgavata 3'/urDna5, anterior ao século Z6, e o +andd:C%Dtm@a. Os sacrif(cios animais 3eventualmente, na antiguidade, os sacrif(cios %umanos5 desempen%aram um papel preponderante, e a sede predileta dessas seitas foi )engala9 é o C2tismo o responsável do decl(nio do vis%nuismo bengali. /or outro lado, %á uma literatura recente de tipo C2ta que consiste na adora !o da :!e divina, com acentos de Jdevo !o emocionalK análogos aos que se notam no 2ris%naismo9 é a tend=ncia que ilustram no século Z6""" os poetas bengalis mencionados anteriormente. :as trata'se de efus#es l(ricas, que também encontrariam o seu lugar nas numerosas glorifica #es da *eusa que assumiu forma literária através da Índia, em todas as épocas. A literatura C2ta é considerável, na sua maior parte em l(ngua sCnscrita.

Texto de Análise - As Seitas !ishnu1stas$ por %ouis Renou Os )%Cgavatas ou Jdevotos do )em'AventuradoK devem ser, em data antiga, vis%nuitas indiferenciados. &o entanto, o termo também pode designar aqui e ali um tipo particular de vis%nu(tas, aqueles que colocam a t;nica no amor devoto9 adv=m dai, no plano literário, a partir de fins do século Z""", os b%a2tas ou JdevotosK do territ$rio marata, que cantam Jglorifica #esK ou ab%angs, espécie de serm#es salmodiados na inten !o do deus 6itt%al ou 6it%obC e

suas esposas. Ainda %oje se encontram desses b%a2tas maratas, de piedade sincretista, portadores de tradi #es populares, que aderem remotamente ao )%Cgavata'/urCna como seu livro de travesseiro. 1!o mais confrarias livres que verdadeiras seitas e %á entre elas numerosos cantores contratados, os 4aridCsds. Hora do territ$rio marata, os b%a2tas pertencem com freqT=ncia a seitas precisas. \ dif(cil abarcar o la o %ist$rico que existiu entre os )%Cgavatas e os /CncarCtras 3este Mltimo nome é de significa !o incerta5. ,stes parecem ter sido, em data antiga, os depositários do +Cnone propriamente vis%nuita, aquele que se designa pelo termo global de 1am%itCs. A literatura dos 1am%itCs, que emana do &orte da Índia, ao que se pensa, e pode remontar ao século 6"", institui a teologia, o ritual e a organiza !o tipicamente vis%nuitas. /ostula um Jbrama supremoK pessoal simultaneamente imanente e transcendente, que se reveste das fei #es de 6is%nu, de 6Csudeva e &CrC@ana. O universo é concebido como o produto de uma C2ti ou JenergiaK inerente a esse princ(pio supremo. A especula !o cosmog;nica é particularmente desenvolvida, com a teoria dos v@]%as ou JdesdobramentosK, resultantes das JqualidadesK do brama e engendrando séries de Jcria #esK sucessivas. As teses aferentes D Liberta !o s!o diversificadas. A ades!o pessoal comporta uma inicia !o em cinco atos. 1e o /CncarCtra n!o passa de um corpo de doutrinas, os movimentos que da( provém s!o de tipo nitidamente sectário. O movimento rdvais%nava J3ades!o5 a 6is%nu e a sua esposa YriK, que está fixado em territ$rio tCmul, é o seu desenvolvimento natural, como o Yaivasidd%Cnta o era em rela !o aos Agamas iva(tas. Os primeiros mestres do rdvais%navismo s!o os flvCrs, que cristalizaram o amor'fé de colora !o vis%nuita e forneceram a literatura %(nica e narrativa de tipo popular. :as o movimento, porventura originário do século "Z, s$ assume uma realidade individual com a apari !o de .CmCnuja, primeiro grande nome do vis%nuismo filos$fico, nascido na regi!o de :adrasta no século Z", que instituiu urna forma de 6edCnta baseada na no !o do Jbrama qualificadoK, ou seja, de um deus pessoal, provido de atributos, englobando almas e coisas. *esenvolve a tese de uma devo !o, de tend=ncia ainda parcialmente intelectual, e introduz a

no !o de prapatti. *ata dele a inter'rela !o entre o 6edCnta e a religiosidade sectária, por rea !o contra Yancara. Os rdvais%navas adoram exclusivamente 6is%nu, t=m um corpo de regras estritas respeitantes D alimenta !o e D casta, e mestres que s!o obrigatoriamente brCmanes. O movimento manteve'se sempre de prefer=ncia no 1ul. Ap$s .CmCnuja, regressa em parte a certos valores do %indu(smo comum. 1egue'se uma espécie de cisma, em que a ,scola do &orte, conservadora, se op#e D ,scola do 1ul, que adota teses radicais em matéria de gra a divina9 a primeira caracterizou'se pelo Jmétodo do macacoK'o esfor o pessoal é considerado eficaz, como o do macaco pequeno, que, em caso de perigo, se agarra D m!e e assim se salva. A segunda representa o Jmétodo do gatoK9 a gata pega na nin%ada pela pele do pesco o e salva'a sem que as crias ten%am de intervir. Os .CmCnujas 3sectários de .CmCnuja5 s!o numerosos, ainda %oje, em territ$rio tCmul e é considerável a literatura sCnscrita em tCmul. Os .CmCnandds introduzem no vis%nuismo uma aragem de reforma. O seu c%efe, rCmCnanda 3séc. Z6 B5, de perten a rdvais%nava, abandona as regras de alimenta !o e de casta, deixa o sCnscrito cair na utiliza !o religiosa em benef(cio dos vernaculares e inaugura uma tend=ncia assaz largamente democrática. /or outro lado, funda um corpo de monges, os vairCgins, de disciplina relativamente leve. .CmCnanda preocupa'se pouco com a filosofia e teologia, observando na sua ess=ncia as teses rdvais%navas. :as o fato novo é que a divindade suprema se c%ama .Cma9 é a primeira seita nitidamente rama(ta que aparece na 4ist$ria. *os .CmCnandds surgem mais ou menos diretamente numerosas seitas a partir do século Z6, e algumas assumiram o aspecto de movimentos reformados, insistindo nas tarefas sociais ou éticas e apenas conservando do %induismo os fatos elementares. Horam em particular os _abdrpant%is, no século Z6", que regressaram, a pouco e pouco, Ds práticas comuns depois de, sob a influ=ncia do seu c%efe _abdr, as terem abandonado em proveito de uma larga reconcilia !o das castas e seitas com base no monote(smo n!o' figurativo. _abir, no qual se presumiu uma influ=ncia s]fi 3na realidade, é reivindicado pelos :u ulmanos5, dispensava esse

ensinamento eclético em inMmeras estrofes edificantes que servem de JcCnoneK D seita. *e _abdr derivam parcialmente os 1i2%s, que se sup#e terem excedido os limites, por flutuantes que fossem, do %induismo. &o entanto, o movimento si2%, fundado por &Cna2 3ESNG'EIRb5, um panjCbi da regi!o de La%ore, ainda conserva uma parte dos ritos privados e adere ao pante(smo do 6edCnta, ao amor' devoto, ao culto do guru ou Jmestre espiritualK, que leva, aliás, a um grau extremo. A literatura, composta de %inos em larga medida, denuncia uma dupla influ=ncia9 a de _abdr e a do rigorismo mu ulmano. Os nove mestres que sucedem a &Cna2 completam o %inário da seita e codificam'no naquilo a que se c%ama o JLivro &obreK 37rant%5, volumosa coletCnea redigida em %indi 3com por #es em panjCbi5, aumentada com pe as litMrgicas e trec%os diverso9 é o +Cnone si2%. &o entanto, mais que nos fatos religiosos, a originalidade do movimento reside na orienta !o pol(tica, que tendeu para a cria !o de uma casta dirigente, teocrática e militar, a _%alsC9 as práticas normais s!o substitu(das pelo culto do Livro sagrado e da espada e é declarada guerra santa contra os :u ulmanos, uma espécie de batismo de inicia !o. Hoi, sobretudo a obra do décimo guru, 7ovind 3ENcI'EcFb5. Vm c%efe ulterior, )andC 3falecido em EcEN5, esteve prestes a desencadear um cisma com a sua atitude extremista, porém a cis!o atenuou'se em subseitas. A partir do século Z6""", o movimento si2% interessa muito mais D %ist$ria pol(tica que D religiosa. Aqui, como noutros aspectos, reinstalam'se costumes %indu(stas e reaparecem (dolos nas casas particulares, enquanto o culto pMblico, nos 7urudvCras ou J/ortas do guruK, com as recita #es e cantos do Livro sagrado, permanece puramente JsectárioK. ,xiste um conc(lio para decidir dos problemas espirituais e temporais. A seita é florescente, ainda nos nossos dias, no /anjCb. Horam'l%e infligidos golpes muito duros por ocasi!o dos tumultos que assinalaram, em EGSc, a separa !o da Índia e do /aquist!o. A cidade santa dos 1i2%s, Amritsar, sede do J0emplo de OuroK, foi gravemente danificada e a comunidade si2% dispersada em vastas zonas do territ$rio %indu.

As seitas vis%nu(tas que nos falta considerar, tendo como tra o comum o amor'fé, como várias das seitas anteriores, ac%am'se porventura ligadas aos antigos )%Cgavatas e, do ponto de vista doutrinal, desenvolvem interpreta #es aut;nomas do 6edCnta. A primeira, cronologicamente, é a dos :Cd%vas, fundada por :Cd%va, aliás Unandatdrt%a 3séc. Z"""5, doutor do territ$rio 2annara, que ensina uma Liberta !o adquirida por intui !o imediata da divindade. A especula !o mantém'se muito pr$xima da de .CmCnuja, embora mais eclética. *eriva da( nomeadamente a tese 3rara na Índia5 de um inferno eterno e de um para(so feito de felicidades sensuais. A posi !o filos$fica é o dualismo integral9 cara'a'cara 6is%nu omnipresente e, por outro lado, as almas e a matéria. Os ascetas derivam das ordens an2arianas. A literatura 3sobretudo em sCnscrito5 é muito importante. A doutrina desfruta de favor, ainda %oje, no 1ul, mais nas classes intelectuais que nas camadas populares. Os 6is%nusvaminos, fundados pelo mestre do mesmo nome, no 1ul, provavelmente no século Z""", s!o vizin%os dos :Cd%vas, mas na realidade a seita foi absorvida cedo pelos 6allab%as ou 6allab%CcCr@Cs, que derivam de um doutor telugu do século Z6, c%amado 6allab%a. ,ste, no plano filos$fico, regressa D concep !o do n!o'dualismo JpuroK, em que o mundo resulta de urna transforma !o interna do Absoluto. 6allab%a elabora urna teoria do amor'fé, postulando uma dupla via para a Liberta !o, a via dita da Jflora !oK, que repousa inteiramente na gra a divina. O culto, destinado a _ris%na, consiste em adora #es, dirigidas tanto ao pr$prio deus como ao guru ou c%efe espiritual da seita, o qual, identificado com _ris%na, o deus'pastor, se instalou a t(tulo %ereditário, pois descende em lin%a varonil do fundador. ,ste estado de coisas originou, em data recente 3séc. Z6"""5, abusos, e até escCndalos de natureza er$tica, que n!o deixaram de entravar a expans!o da seita. :ais puros s!o os &imbCr2as ou &dmCnandds, que se reclamam de outro doutor do 6edCnta, &imbCr2a, sem dMvida do século Z""", partidário do Jdualismo'n!o'dualismoK ou, como também se diz da Jdiferen a sem diferen aK. &imbCr2a procura estabelecer uma coordena !o entre o Absoluto, que é um,

e os objetos, que s!o mMltiplos. A doutrina deriva em Mltima análise de )%Cs2ara 3sécs. "Z'Z5. ?uanto D prática religiosa e D organiza !o da seita, os &imbCr2as aproximam'se dos Yrivais%navas posteriores a .CmCnuja. Ainda %oje s!o numerosos na regi!o de :at%urC 3pátria de _ris%na5 e alguns outros pontos. O maior nome do vis%nuismo medieval é +aitan@a 3ESbI'lIRR5, originário de )engala9 tipo de ap$stolo e visionário que atua pela sua presen a e fé, mais que pela sua atividade escrita, que permaneceu rudimentar. A organiza !o da seita emana dos seus disc(pulos diretos, nomeadamente de seis mestres 3os gosvCmins5, os quais comp#em em sCnscrito uma vasta literatura que abarca todos os dom(nios da cren a. O culto de _ris%na juntamente com o de .CdbC figura nela em todo o seu clamor, e o pr$prio +aitan@a será deificado pouco ap$s a sua morte em _ris%na. Os descendentes dos gosvCmins s!o c%efes de mosteiros e de templos. O ritual comporta uma Jglorifica !oK salmodiada em bengali ou %indi e numerosas práticas que representam o que o vis%nuismo imaginou de mais evolu(do na matéria. O principio da cren a é o amor'fé, que por vezes atinge formas parox(sticas, enquadrando'se numa cosmogonia D base de a2ti e inspirando'se em tipos literários. A )engala manteve'se a terra de elei !o do Jcaitan@ismoK, que parece ter sofrido, a pouco e pouco, influ=ncias do 6edCnta n!o' sectário de Yan2ara. :anifestou'se uma revivesc=ncia no século Z"Z. O impulso dos disc(pulos de +aitan@a caracterizou uma espécie de tantrismo sublimado nos 1a%aji@Cs, que resumem toda a religi!o num amor divino %ipostasiado sob a forma de um amor plat;nico que se destinaria D uma mul%er inacess(vel. &a prática, também se produziram abusos.

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