You are on page 1of 7

PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DE MINAS GERAIS

GUSTAVO HENRIQUE SETTE CAMARA BRAZ

CARNEIRO HIDRÁULICO
Estudo do funcionamento da máquina hidráulica mista carneiro hidráulico.

CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA
LABORATÓRIO DE FLUIDOS MECÂNICOS

CÉLIA MARA SALLES (Professora e Orientadora da Disciplina)

BELO HORIZONTE 2012

entradas. pois seu funcionamento origina-se de uma fonte de energia hidráulica proveniente da vazão e queda d’água disponível na captação. será estudado o funcionamento do carneiro hidráulico. 1. representada pelo símbolo ∆H é a energia por unidade de peso do fluido dissipada em forma de calor.1. . Para a realização deste teste experimental aplicam-se algumas equações da mecânica dos fluidos. curvas. cotovelos. saídas extensões e reduções alteram o escoamento normal do fluido em função da sua geometria. O algebrismo para obtenção da fórmula final será mostrado a seguir. Essa perda causa uma queda de pressão ao longo do escoamento e ocorre devido ao desvio do fluido por alguma mudança de direção no escoamento (perda localizada) e devido ao atrito do líquido com a parede do fluido (perda distribuída). A perda de carga localizada pode ser calculada pela equação: ∆HL = KL*V^2/(2*g) (2) onde ∆HL = perda de carga em [m] V = velocidade média do escoamento em [m/s] g = aceleraçãoo da gravidade em [m/s2] O valor do coeficiente de perda KL é geralmente determinado experimentalmente pelos fabricantes dos componentes. causando perdas de energia hidráulica denominadas perdas localizadas. Introdução 1.2.1. Objetivo Determinar como o curso da válvula martelo do carneiro hidráulico interfere no golpe de aríete. na vazão recalcada e no rendimento da máquina. ∆HTotal = ∆HLocalizada + ∆HDistribuída (1) Perda de Carga Localizada Componentes de sistemas hidráulicos. tês. e tem características de uma máquina hidráulica operatriz e de uma máquina hidráulica motriz. A perda de carga total em um trecho de tubulação é o somatório das perdas localizadas e as perdas distribuídas. Para um melhor entendimento da prática. tais como válvulas. alguns conceitos devem ser estabelecidos. A) Perda de Carga A perda de carga. conexões. Carneiro Hidráulico O carneiro hidráulico consiste em uma máquina hidráulica mista. O valor da perda é relacionado a um termo KL conhecido como coeficiente de perda ou coeficiente de resistência. Conceituação Teórica No presente relatório.

Ela pode ser calculada através da fórmula de DarcyWeissbach ou através do ábaco de Moody. a viscosidade e a densidade do fluido. A fórmula de Darcy-Weisbach para a perda de carga distribuída apresenta: ∆HD = f*(L*V^2/D*2g) (9) ∆HD = perda de carga em [m] f = fator de atrito L = comprimento total da tubulação em [m] V = velocidade média de escoamento em [m/s] g = aceleração da gravidade em [m/s2] O fator de atrito f apresentado na equação (9) é um coeficiente que depende do número de Reynolds e é determinado de acordo com o regime de escoamento do fluido (laminar ou turbulento). O número de Reynolds. A perda pode ser expressa como uma função complexa de vários fatores como a rugosidade da parede do tubo. a velocidade de escoamento. onde Ki = 8/pi^2*D^4*g (7) e o produto de KL e Ki de K1 chegamos finalmente à equação da perda de carga localizada em função da vazão que atravessa a tubulação: ∆HL = K1*Q^2 (8) A equação (8) mostra que o comportamento da perda de carga em função da vazão é parabólico. Perda de carga distribuída: Consiste na perda que ocorre no escoamento de fluidos em trechos retos de tubulação devido ao atrito do líquido que é viscoso com a parede do tubo que é rugosa. o grau de turbulência do movimento e o comprimento percorrido.Pela equação da continuidade temos que Q = V*A (3) Q = vazão volumétrica A = área da seção transversal da tubulação dterminada pela fórmula A = pi*D^2/4 (4) V = velocidade média do escoamento Substituindo (4) em (3) e isolando a velocidade média temos que: V = 4Q/(pi*D^2) (5) Substituindo (5) em (2) chegamos em uma relação entre a perda de carga localizada ∆HL e a vazão Q: ∆HL = KL*(16/pi^2*D^4*2g))*Q^2 (6) Chamando o termo Ki de característica da instalação. representado por Re pode ser calculado pela equação (10): Re = VD/v (10) V = velocidade média de escoamento D = diâmetro da tubulação v = viscosidade cinemática do fluido .

Procedimento Experimental Na prática deste relatório foram realizados três experimentos relacionados à perda de carga em sistemas hidráulicos: Cálculo do coeficiente de perda KL para o registro esfera e o cotovelo de 90º e cálculo do fator de atrito f para tubos retilíneos. A Rugosidade superficial média. tempo de uso e processo de fabricação utilizado.Quando o escoamento se processa em regime turbulento (Re>4000). que expressa a equação de Colebrook de maneira gráfica. Desenvolvimento 2. representada pela letra E ou k é uma dimensão linear que depende de fatores como material. apresentando irregularidades em sua superfície devido aos diversos processos de fabricação. utiliza-se a rugosidade relativa que consiste na razão entre a rugosidade superficial média (E ou k) e o diâmetro nominal da tubulação (D) Rugosidade Relativa = E/D = k/D No anexo do relatório pode ser encontrado um diagrama dos valores da rugosidade relativa em função do diâmetro nominal da tubulação para diversos tipos de materiais. é utilizado para determinar o valor de f conhecendo-se o valor do número de Reynolds Re e a rugosidade relativa da tubulação (k/D = E/D).1. 2. FIGURA Rugosidade Relativa (E/D ou k/D) Para determinação do fator de atrito através do ábaco de Moody. A figura demonstra a rugosidade superficial média. o valor de f depende de Re e também da rugosidade relativa (k/D ou E/D) que é a razão entre a altura média da rugosidade superficial do tubo (k = E) e o diâmetro do tubo (D). O conhecimento da rugosidade da tubulação é importante pois influencia diretamente no escoamento e portanto na perda de carga distribuída. Para um melhor entendimento do procedimento experimental e da . Rugosidade Superficial Média (E ou k) As superfícies das tubulações de sistemas hidráulicos não são perfeitamente lisas. Ela consiste na diferença entre o valor médio das alturas relativas a uma linha média dos 5 pontos mais salientes do trecho de superfície analisado e o valor médio da mesma medida para os 5 vales mais profundos. Uma equação conhecida como equação de Colebrook dita a relação entre as grandezas: (11) Atualmente um diagrama conhecido como diagrama de Moody (encontra-se no ANEXO do relatório) .

b) Para o teste do cotovelo de 90º (TESTE 2). esquemas ilustrativos da bancada da prática encontram-se na seção 2. foram abertas as devidas válvulas para que o fluxo fosse encaminhado para a tubulação retilínea. foram abertos apenas o localizado na entrada do tubo retilíneo e o localizado antes da entrada do registro esfera. Nos três casos. era então lida a pressão diferencial (que representa a perda de carga ∆H) em mmHg no manômetro através de uma régua móvel.localização dos componentes. (7).2. foram então calculados os outros valores presentes na folha de teste. no final da qual se encontrava o registro esfera. Para os cálculos. Os valores obtidos foram anotados na folha de teste. foram abertas as devidas válvulas para que o fluxo fosse encaminhado para o mesmo caminho de (a). Dos registros conectados ao manômetro diferencial.5m^3/h. variando apenas o caminho do fluxo nas tubulações e os pontos para medição da pressão diferencial: a) Para o teste do registro esfera (TESTE 1). 2. Dos registros conectados ao manômetro diferencial. no caso do cotovelo de 90º a vazão inicial foi de 5. as unidades de vazão foram convertidas para m3/s e de perda de carga mcH20. dos registros conectados ao manômetro diferencial.2. Equipamentos A bancada da prática consistiu em uma bancada de perda de carga. Para os três processos.3.5m3/s. O mesmo processo foi realizado para os três testes. primeiramente era regulado através do registro de saída um valor de vazão no rotâmetro: no caso do registro esfera e do tubo retilíneo. Regulado o valor da vazão. 44 cotovelos de 90º (6) e um tubo retilíneo de ferro fundido de 2. um registro esfera (5). c) Para o teste do tubo retilíneo (TESTE 3). um manômetro diferencial de mercúrio (4). Para os testes descritos no item 2. apenas os registros que conectavam a entrada e saída do registro esfera ao dispositivo foram abertos. até que fossem realizadas 7 medições. foram abertas as devidas válvulas para que o fluxo fosse encaminhado para a tubulação que possuía 44 cotovelos de 90º. voltando para o reservatório. Com os dados obtidos foram construídos gráficos que representassem a variação da perda de carga ∆H em função da vazão Q que atravessava a instalação. voltando para o reservatório. a cada medição de pressão diferencial a vazão era reduzida em 0. Os itens (5). (6) e (7) possuem uma interligação na entrada e saída com o manômetro diferencial através de uma mangueira e um registro . e em seguida passasse pelo rotâmetro. a vazão inicial foi de 9.2m de comprimento. um medidor de vazão do tipo rotâmetro (2). apenas os registros que conectavam a entrada e saída do trecho com cotovelos de 90º ao dispositivo foram abertos.5m^3/h. um registro geral de controle de vazão (3). Com os valores de vazão Q e perda de carga ∆H e utilizando-se das fórmulas dispostas no item 2. porém. constituída de um circuito hidráulico com diversos componentes.1 foram utilizadas bombas centrifugas para bombear a água pelo circuito (1). em seguida passasse pelo rotâmetro.

O valor calculado ficou muito próximo ao especificado pelo fabricante. A extremidade de menor diâmetro fica na parte inferior. Ele é montado na posição vertical.3. A manobra dos registros instalados na bancada permite a determinação do valor da perda de carga em cada componente do circuito. que diz que a perda de carga varia com o quadrado da vazão. A folga existente entre o flutuador e a parede forma um orifício de área variável. 2.99599. O gráfico de tendência construído para o registro esfera apresentou um coeficiente de determinação R2 de 0. que serão discutidos mais adiante. Este fato provavelmente se deve a erros de medição. que é por onde o fluido entra. Este resultado foi muito satisfatório e comprova a teoria. . A segunda maior dispersão apresentada foi de 2. Quando o sistema entra em equilíbrio de forças a posição do flutuador permite determinar a vazão através de uma escala graduada lida no vidro do dispositivo. 2. diretamente na linha de acionamento do fluido. ou seja.50.43%. chegando a 11. Consultando a tabela de coeficientes de perda (Figura X do ANEXO) verifica-se que o valor de KL tabelado é 1. o valor de K1 de 70194unidade determinou um coeficiente de perda KL de 1. b) 2º TESTE : Cotovelo de 90º Os desvios relativos percentuais encontrados para o cotovelo de 90º foram consideravelmente superiores aos encontrados para o registro esfera. o que indica que o gráfico é uma boa representação da perda de carga como função da vazão.4. ESQUEMA DA MONTAGEM Um medidor de vazão tipo rotâmetro consiste em um tubo de vidro de seção crescente dentro do qual existe um flutuador metálico que se movimenta de acordo com a velocidade do fluido. A tubulação do circuito apresentava diâmetro de 36.19% do valor médio dos resultados do coeficiente K1. A expressão correta de K1 calculada na tabela (K1 = 70194±1802mcH20/(m3/s)^2) contém o valor de K1 indicado pelo gráfico (K1graf = 70900unidade). o que quer dizer que 99. com uma variação de apenas 0. Dados Obtidos Análise dos Dados a) 1º Teste: Registro Esfera Analisando os dados apresentados na folha de teste do registro esfera percebe-se uma dispersão máxima de 8.5mm.67%.6% da variação da perda de carga se deve ao quadrado da vazão.52%. fato que levou à eliminação do ponto de maior dispersão do gráfico.508mcH20/m. bem inferior à dispersão máxima.esfera. Além disso.

. 98. podem ter ocorrido erros ao serem estabelecidas as vazões..). . O valor de K1 de 54643un. cuja leitura era passível de erros devido a inexperiência dos medidores. apresentaram dispersões em relação aos valores ideais.Assim como no registro esfera.174un. Para o caso do cotovelo. provavelmente causada pela grande dispersão dos dados.65% da variação da perda de carga se deve ao quadrado da vazão.30% a 5. Conclusão A partir da realização da prática sobre carneiro hidráulico pode-se concluir que: 4. com uma variação percentual de 30%. Bibliografia . o coeficiente calculado dispersou muito do tabelado. c) 3º TESTE: Tubo retilíneo: Através da folha de teste do tubo retilíneo verifica-se uma variação percentual de 2.Leitura da vazão no rotâmetro: como a leitura foi feita em uma escala graduada e o flutuante apresentava uma pequena oscilação. indicou um valor de KL de 1.Determinação de valores nos diagramas: os valores de k/D e f determinados pelos diagramas foram estabelecidos a olho nu. mesmo para os resultados mais satisfatórios. Mais uma vez a teoria pôde ser evidenciada. Percebe-se pelo resultado obtido que os valores medidos e calculados. Por este motivo. podem apresentar erros. mais uma vez devido a inexperiência dos operadores. ou seja.Leitura do manômetro: a leitura no manômetro diferencial foi realizada com o auxílio de uma régua móvel. A seguir serão apresentadas algumas fontes de erro que podem ter contribuído para estas dispersões: .. a expressão correta de K1 (k1=54643±3887. Tais variações são aceitáveis analisando as condições do experimento e confirmam o diagrama de Moody como uma ótima ferramenta para cálculo de perda distribuída em tubulações retilíneas. . A curva de tendência apresentada pelo gráfico resultou em um coeficiente de determinação R2 = 0.Complexidade da instalação: como a bancada da prática apresentava um alto nível de complexidade podem ter sido somados erros de operação.90.83% dos valores calculados do fator de atrito f em relação aos valores obtidos pelo diagrama de Moody. enquanto o valor tabelado pelo fabricante é 0.8 unidade) contém o valor de K1 indicado pela curva de tendência (K1graf = 55924un. 3.98652.