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Noções Básicas de Conservação de Livros e Documentos

Maria Aparecida de Vries Mársico

Introdução: a ordem dos fatores altera o produto Imagine a situação: documentos rasgados, amassados e manchados, livros com as capas soltas, lombadas danificadas e cadernos com costuras rompidas. Diante de tantos danos, o que devemos fazer primeiro para salvar estes materiais? A primeira coisa que vem a nossa mente é a necessidade de consertar o que está danificado, ou seja, restaurar o material degradado. Pensamos a partir da seguinte lógica: devemos restituir a integridade física destes materiais para que de novo possam estar acessíveis à pesquisa e ao estudo. Seguindo este raciocínio teríamos a seguinte seqüência de trabalho: primeiro restaurar o material, depois conservá-lo e assim estaríamos preservando a informação para o futuro. Será que procedendo deste modo estamos realmente salvaguardando estes livros e documentos danificados? Aparentemente sim, a curto prazo. No entanto, caso não identifiquemos os fatores que causaram a sua degradação, estaremos apenas nos iludindo, e, infelizmente, reduplicando o mesmo dano em um futuro próximo. O que fazer, então? Diante de um acervo danificado e em risco de perda, a primeira providência a ser tomada é efetuar um minucioso diagnóstico dos motivos que levaram à sua degradação, estancar ou minimizar estes agentes agressores. Assim procedendo estamos evitando que esses fatores de degradação se disseminem e atinjam outros livros ou documentos. Por mais paradoxal que possa parecer, diante de um acervo em risco, a primeira atitude efetiva a ser tomada é conservá-lo. Inverte-se, portanto, a seqüência restauração, conservação e preservação e adotamos uma nova seqüência: preservação, conservação e restauração. Preservar para não restaurar, eis a questão. A restauração é uma atividade técnica muito onerosa, pois exige equipamentos e materiais de alto custo além de mão de obra especializada. Ao término do trabalho de restauração, todo o benefício do tratamento volta-se para um único objeto. Se este livro restaurado retornar ao mesmo local de guarda e ao meio ambiente que causaram o seu dano, o dispêndio de energia e de recurso financeiro foram em vão. Para termos um procedimento efetivo e duradouro benéfico ao acervo a logo prazo, devemos criar uma política de preservação voltada para a realidade do acervo de cada Instituição ou Biblioteca. Ao estabelecermos critérios para o tratamento de um acervo, estamos criando prioridades e implantando uma política de preservação, escalonando as atividades técnicas a serem desenvolvidas e dotando o local de guarda do acervo com as condições ambientais favoráveis à sua conservação. A partir deste recorte e das metas a serem atingidas, passamos à ação física de conservação

O conhecimento do motivo que causou a degradação de um acervo e a utilização de materiais alcalinos para a guarda são fundamentais para o trabalho de conservação preventiva. que nada mais é que a atualização prática das metas desta política de preservação. fatores externos ou ambientais de degradação. . na realidade. Diferentemente do trabalho de restauração. há uma estreita relação entre a longevidade ou durabilidade do papel e as condições ambientais do acervo. a conservação preventiva é uma atividade técnica de baixo custo financeiro e de fácil implementação. custo dividido entre vários livros. Em outras palavras. Dependem basicamente da qualidade da fibra e do tipo de encolagem utilizados na confecção do papel. fungos e bactérias. Constitui-se. em uma série de medidas preventivas contra a ação dessas fontes de degradação. Procuramos especificar os procedimentos técnicos necessários para minimizar e controlar estas fontes de degradação. Conservação Preventiva A meta principal da Conservação Preventiva é o estudo e o controle das principais fontes de degradação do papel. luz. roedores. Neste instante toda a relação custo/benefício estará voltada para o acervo de modo integral. temperatura. o único meio de minimizar esses fatores é através da estabilização das condições ambientais do local de guarda e do manuseio do público Fatores Externos de Degradação É consenso entre os conservadores que a permanência e a durabilidade de livros e documentos estão diretamente relacionadas às condições ambientais em que esses materiais estão guardados. Apresentaremos a seguir os principais fatores de degradação de material bibliográfico. ação do homem sobre o acervo Fatores Internos de Degradação Os fatores internos de degradação são males inerentes à própria estrutura do papel e se originam do processo de feitura a que foi submetido. Em linhas gerais. Um controle racional e sistemático do meio ambiente não apenas diminui os problemas dos fatores internos de degradação do papel.preventiva. como principalmente evita o seu alastramento. os principais agentes de destruição de acervos podem ser divididos em três categorias: fatores internos de degradação. benefício partilhado por todos. poluição atmosférica. isto é. Os principais fatores externos de degradação são os seguintes: umidade. com a finalidade de evitar o alastramento e a disseminação de seus efeitos danosos. insetos. Sendo assim.

e de umidificadores. causando o seu enfraquecimento. protegendo-o através do uso de persianas. o ultravioleta e o infravermelho. ou seja. Além dessas constantes contrações e dilatações a que as fibras dos papéis estão sujeitas devido às variações de umidade e temperatura.Umidade e Temperatura Esses dois fatores de degradação de acervos são extremamente comuns a nossa realidade de país de clima tropical. a luz visível situa-se entre 400 a 700 manômetros e o infravermelho na faixa acima de 700 manômetros. a proliferação de agentes biológicos de degradação. o seu caráter higroscópio. podendo-se utilizar também o termoigrômetro (junção dos dois equipamentos). A luz natural. cada uma delas atuando de modo danoso sobre o acervo em maior ou menor escala. encontra um local propício para sua disseminação em ambientes úmidos e quentes. para locais úmidos. devemos evitar a incidência de luz solar sobre o acervo. cortinas e filtros absorventes de ultravioleta. A radiação ultravioleta situa-se na faixa de comprimento de ondas entre 200 a 400 manômetros. tempo de exposição e a natureza química dos suportes de documentação. como insetos. Logo. toda a fibra de papel absorve água e perde água de acordo com a taxa de umidade existente no local em que está sendo mantido. resultante da combinação dos fenômenos de evaporação e condensação d’água. A taxa adequada para a manutenção de um acervo é a seguinte: temperatura de 22º a 25ºC. As lâmpadas elétricas são outro fator comum de . ou seja. Esse movimento brusco de contração e dilatação ocasiona rupturas na estrutura do papel. Essa oscilação de umidade faz com que as fibras se dilatem ao absorver excesso de umidade e se contraiam ao perder umidade. A temperatura elevada aliada à umidade excessiva e à falta de aeração são os fatores básicos para a proliferação de esporos de fungos e bactérias. O espectro eletromagnético contém diversos tipos de radiações capazes de causar danos ao papel em vários níveis. O controle da umidade se faz através de desumidificadores. que estão intrinsecamente relacionados à temperatura ambiental Independentemente do tipo de fibra. Esse tipo de degradação é também conhecido como envelhecimento precoce ou acelerado. e a de umidade com higrômetros. Luz A luz provoca a degradação da celulose por processo de fotodegradação. A medição da temperatura se faz com o uso de termômetros. rompendo a estrutura da fibra do papel. a luz solar e as luzes artificiais (as lâmpadas) são os dois elementos básicos da fotodegradação. fungos e bactérias. A umidade é o conteúdo de vapor d’água presente no ar atmosférico. A fotodegradação depende de vários fatores associados: faixa de radiação. para locais secos. intensidade da radiação incidente. A luz solar emite os três tipos de radiação acima apontadas. todo o papel possui uma característica comum. umidade relativa de 55%. Basicamente as radiações eletromagnéticas são as seguintes: a luz visível. A temperatura é controlada através de aparelhos de ar refrigerado.

Nos grandes centros urbanos é comum a poeira conter resíduos de produtos químicos que catalisam reações químicas que aceleram a degradação dos acervos. constituindo-se em um meio propício ao desenvolvimento de microorganismos. As lâmpadas fluorescentes são ricas em radiação ultravioleta. o processo de formação de manchas d'água é o seguinte: a poeira acumulada na superfície do papel é empurrada pela umidade para o interior das fibras. Devemos também incentivar uma política sistemática de higienização do acervo. Poluição atmosférica A poluição atmosférica é um dos fatores que mais atinge os acervos. etc. Sendo assim. fábricas. como se um líquido escuro tivesse sido derramado sobre a superfície do papel. queima de lixo. são o resultado do acúmulo de poeira na superfície do documento aliada à umidade relativa elevada. Essas manchas. Esse depósito constante de poeira sobre os livros e documentos causa problemas de ordem estética. o que devemos ter em mente é a necessidade constante de protegermos nossos acervos desse tipo inevitável de degradação. migrando da superfície para o interior do papel. a degradação será maior ou menor dependendo do tipo de radiação emitida pela lâmpada usada. Atenção especial deve ser dada às janelas quebradas. já que a poeira é transferida da superfície do papel para o interior das suas fibras. não existe um tipo de luz não agressiva aos acervos. muito cuidado deve ser tomado para evitar a proliferação desses agentes predadores. sendo assim. Essas manchas causam graves problemas estéticos ao documento. bactérias e roedores. Os países de clima tropical apresentam as condições climáticas ideais para o rápido desenvolvimento desses inimigos do . denominados agentes biológicos de degradação. com vidros partidos. chamadas de manchas d’água. são causadores de danos irremediáveis ao acervo e também à segurança do prédio. evitando assim o acúmulo de poeira na superfície dos livros e documentos. fungos.fotodegradação. Como medida de proteção contra a ação da poluição atmosférica podemos utilizar aparelhos de ar refrigerado e sistemas de ventilação com acoplamento de filtros para ar. Essa poluição deriva-se da poeira do dia a dia que se deposita sobre os materiais e também dos gases tóxicos que são emitidos por automóveis. Em linhas gerais. estando essa degradação relacionada diretamente aos níveis de umidade do meio ambiente. pois obliteram grandes áreas da documentação. as lâmpadas comuns emitem uma quantidade muito grande de calor. Um dano muito presente em livros e documentos é o aparecimento de manchas de tom marrom ao longo de um documento. Roedores e Fungos Os insetos. Os gases ácidos agridem muito rapidamente a estrutura química dos materiais. além de acusarem danos à estrutura do papel. danos que provocam o aumento de poeira no acervo Insetos.

A Ação do Homem como Fonte de Degradação do Acervo Ao lidar diariamente com o acervo. Por essa razão esses organismos instalam-se sobre materiais orgânicos. os fungos encontram o ambiente ideal para a sua proliferação. o uso de produtos químicos. comumente denominados de mofo ou bolor. o homem introduz e utiliza uma série de materiais impróprios à conservação de livros e documentos. da umidade são pré-requisitos básicos para o controle de sua ação danosa. Os insetos e os roedores são basicamente atraídos ao acervo através da ação do homem ao introduzir nele fontes de alimentação. Às vezes a tentativa bem intencionada de tentar estancar a degradação provoca. Os principais fatores que acarretam a proliferação dos fungos são os seguintes: a temperatura elevada. quando os volumes excederem em tamanho a área para a guarda em sentido vertical. evitando o pernoite do lixo substituir os vidros quebrados das janelas arejar os armários onde os livros estejam guardados. na realidade. . danos irreversíveis. temperatura e umidade elevadas. de onde podem retirar seus nutrientes. Ao se aliarem estes três fatores. • • • Guardar os livros nas estantes em sentido vertical Evitar guardar os livros semi-inclinados. A melhor estratégia preventiva para evitar a presença de insetos e roedores: • • • • • • manter o local de guarda do acervo longe de fontes de alimentos evitar comer e manter alimentos no local de guarda do acervo evitar que a cantina ou refeitório fiquem em sala ao lado de guarda do acervo retirar o lixo do dia após o final do expediente. A disseminação dos fungos ocorre por meio de esporos. atacam todo tipo de acervo. quando os mesmos não couberem nas estantes Guardar os livros nas estantes em sentido horizontal. Os fungos são vegetais desprovidos de clorofila. umidade do ar elevada e ar estagnado. transformando-se em hábitos que levam indiretamente a acelerar a degradação de livros e documentos. que ficam em suspensão no ar. as baratas. isto é.acervo. A higienização sistemática do acervo. Os métodos de combate a esses organismos envolvem. não sendo capazes de efetuar a fotossíntese. na maioria das vezes. com a finalidade de facilitar a identificação de procedimentos técnicos corretos ao lidar com problemas cotidianos de conservação de acervos. os anóbios e os cupins. abrindo suas portas por algumas horas Os fungos. o monitoramento da temperatura. através da desinfestação do acervo. Apresentamos uma série de recomendações técnicas gerais. Os insetos mais comuns presentes nos acervos são as traças. Essas tentativas amadoras não fundamentadas nos princípios de conservação se cristalizam com o correr do tempo.

• Usar cola metil-celulose em todo o trabalho de conservação e na rotina de trabalhos diários. esses materiais enferrujam com o correr do tempo. provocam manchas irreversíveis onde aplicado. • Reservar espaço de três milímetros entre cada livro para facilitar sua retirada da prateleira e evitar o atrito entre as capas (desgaste por abrasão). • Evitar a incidência direta de luz solar sobre o acervo. ocasionando a médio prazo a ruptura dessa área. deixando. amarelamento do papel e esfacelamento do couro. Não superlotar as estantes com livros. manchas marrons. de natureza ácida devido a seu processo de feitura. causando o rompimento das fibras com subseqüente rasgo do papel. O papel tipo pardo. • Não utilizar grampos e clips metálicos. • Utilizar bibliocantos para impedir que os livros tombem. no local aplicado. . • Evitar a utilização de lâmpadas ricas em radiação de ultravioleta. Esses materiais possuem alta acidez. a luz solar provoca o esmaecimento de cores. periódicos etc. Evitar umedecer as pontas dos dedos com saliva para virar as páginas do livro. na realidade. Ao longo do vinco criase uma linha de fragilidade nas fibras do papel. • Não utilizar fitas adesivas tipo durex e fitas crepes. Essa aparente proteção contra a poeira causa. oxidando o papel. dobrados ou enrolados. os volumes devem ser retirados da estante pelo centro da lombada. cola branca (PVA) para evitar a perda de um fragmento de um volume em degradação. • Não manter mapas.• • • Não sobrepor mais de três volumes ao guardar volumes em sentido horizontal Manter sempre os volumes maiores como base ao guardá-los em sentido horizontal. Evitar dobrar as margem superiores ou interiores das folhas para marcar as páginas • Evitar encapar os livros com papel pardo ou similar. • • • Manter os documentos. tais como as lâmpadas fluorescentes. mapas e jornais planificados. Essa cola é livre de acidez e facilmente reversível. mais dano do que benefício ao volume em médio e curto prazo. transmite seu teor ácido para os materiais que estiver envolvendo (migração ácida). documentos. • Não puxar os livros pelo topo (cabeça) ao retirá-lo das estantes.

Manter uma política voltada para a higienização do acervo. • Colocar telas protetoras contra insetos nas janelas de bibliotecas situadas em locais de muita vegetação. • Optar por encadernação inteira. • Intercalar papel mata-borrão para secar as folhas e as capas de livros atingidos por água. transforma-se a curto prazo em um dos mais sérios problemas enfrentados por bibliotecários. • Trocar os vidros quebrados de todas as janelas. • Não encostar as estantes nas paredes: evita-se que a umidade presente nas paredes se transmita aos volumes. por isso mesmo. • Colocar cortina ou persiana em portas e janelas de vidro. passa desapercebida para nós. a fim de evitar a incidência direta de luz solar nas estantes. Higienização de Acervo A operação técnica de higienização nada mais é do que manter o acervo de modo limpo e asséptico. com esse procedimento evita-se a penetração de poeira e insetos no acervo. secador de cabelo. Controlar o manuseio e orientar o público. causando ondulação do material. . • Não abrir os livros que forem atingidos diretamente por água e que estejam com as folhas molhadas. forno de cozinha. • Usar as duas mãos para virar as páginas de jornais: segurar no topo e no pé da página para virálo. quando precisar fazer anotações de identificação no livro. ao mandar encadernar um livro. • • Não usar carimbos. O calor em excesso faz o papel secar muito rapidamente. • • Usar lápis 6B. • Nunca secar os livros molhados com calor: sol. Uma operação tão simples de ser realizada e que. optar por encadernação meia com cantoneiras.• Suspender ou afastar as luminárias que incidam sobre as estantes dos livros. consertar janelas e portas danificadas. Não sendo possível fazer encadernação inteira. arquivistas e por todos aqueles que têm a missão de manter um acervo em bom estado.

A poeira. A princípio de 2 em 2 meses. durante o processo de limpeza. Os livros que forem incorporados ao acervo devem ter prioridade no processo de higienização. Esta medida evita o acúmulo de sujidade no coletor de lixo do aspirador de pó. Tal exame é sumamente importante. com pincel ou trincha. a fim de manter o acervo livre dessa fonte contínua de acidez. O ideal é utilizar uma mesa de higienização com sucção. • Iniciar a higienização das estantes pela prateleira superior. a poeira penetre por entre as folhas. Atenção especial deve ser tomada ao se utilizar o aspirador de pó para limpeza das áreas externas do livro. para evitar que. de acordo com o tamanho do acervo. Essa limpeza é denominada de limpeza a seco. • Reforçar a limpeza. comprados. • Trabalho de higienização dos livros e das estantes deve ser feito segundo escala de trabalho a ser estipulada. como também em móveis. ao fato de ser a lombada do livro coberta com espessa camada de cola em geral de base protéica que se torna uma fonte potencial de alimento para os microorganismos. no pé (parte de baixo) e na goteira (parte lateral). • Limpar os livros com trinchas ou pincel nas áreas da cabeça (parte de cima). permutados. devem-se observar os seguintes procedimentos: • Revestir internamente o saco coletor de lixo do aparelho com um saco de lixo de plástico descartável. tornando . no centro das folhas do livro. além de evitar o acúmulo de poeira nos livros e estantes.. Sendo assim. Os procedimentos técnicos básicos para a atuação na área de higienização são os seguintes: • Manter um política sistemática de limpeza de livros e estantes. depositada dias após dias sobre os livros e documentos. • Examinar. A higienização do acervo possibilita identificar qualquer problema de início de contaminação do acervo por microorganismo e insetos. pois evita a contaminação do acervo por livro ou móvel que esteja infestado. O acúmulo de poeira na superfície das obras interfere no seu aspecto estético e constitui-se em uma fonte contínua de acidez e degradação. todo o material que for incorporado ao acervo da Biblioteca. forrando-se a mesa de trabalho com papel de tonalidade clara (branca de preferência) para possibilitar a identificação da sujidade removida. Deve-se segurar o livro pelo centro com a lombada voltada para cima. causa sérios danos para a conservação do acervo. O exame deve ser feito tanto em livros que forem doados. Isso se deve. e folha a folha. principalmente. a higienização deve ser executada de modo sistemático. Estes livros devem ser limpos individualmente. deixando-o o mais saudável possível. Este é o local preferido pelos microorganismos para se desenvolverem e atacarem o papel. principalmente em mobiliários de madeira. de flanela ou perfex. etc. A limpeza pode ser feita com o auxílio de um aspirador de pó doméstico. atentamente. pois não utiliza vias aquosas de limpeza.

a fim de evitar o seu deslocamento para a superfície das estantes e para os livros. ele é facilmente recuperado sem ter-se de abrir o saco coletor de lixo. Procurar utilizar. Não se deve utilizar vassoura ou espanadores como na higienização doméstica. Para saber se está . na impossibilidade de ter aspirador de pó. a vassoura revestida de pano levemente umedecido. O pó-de-borracha é facilmente obtido através da seguinte operação: • Materiais necessários: ralador inox. Na eventual sucção de um fragmento importante do livro. pois assim evita-se que a poeira fique em suspensão. Idealmente deve ser realizada com o auxílio de aspirador de pó. Depositar o pó-de-borrracha na superfície do material a ser limpo. em movimentos circulares. Higienização do Assoalho A remoção da poeira depositada no assoalho deve ser feita com cuidado. • Revestir o bocal de sucção de limpeza do aparelho com tecido de filó. a fim de obter uma fina película. depositado na superfície do material a ser limpo. borracha branca TK plastic Ralar a borracha Tk plastic em ralador inox. o pó-de-borracha.a sua limpeza segura e asséptica. • • • Friccionar levemente. esse procedimento faz com que a poeira se desloque de um local para outro. evitando o seu deslocamento para outra área do acervo. escritas ou desenhadas a lápis. carvão e com pigmentação. É necessário que a poeira grude no pano. Em todo esse processo é fundamental que o pano de chão nunca esteja molhado. (uma parte de lisoform para duas partes de água) para evitar a proliferação de microorganismos. Pode-se também utilizar o pano levemente umedecido em mistura de lisoform e álcool. • Evitar o contato direto do pó de borracha com as pontas dos dedos. • Utilizar tecido de puro algodão para ajudar a fricção (fazendo uma boneca de pano) e evitar o contato com os dedos. • Nunca efetuar a operação de limpeza com pó de borracha sobre superfícies muito danificadas. Higienização de Documentos A limpeza de documentos avulsos deve ser feita com o auxílio de pó-de-borracha.

40 m para a circulação do ar sobre as estantes Mínimo de 10 cm entre a última prateleira e o piso para favorecer a circulação do ar Mobiliário: estantes metálicas. A utilização do pano sujo causará apenas o deslocamento de sujidade de uma área para outra. Ao ficar saturado de sujidade. muito pode ser feito para minimizar os danos causados pela temperatura e umidade por meio da racionalização do espaço disponível para a guarda do acervo. Melhoria Ambiental: Área de Guarda do Acervo Todos sabemos que a climatização de acervo exige um alto custo financeiro. prateleiras ajustáveis e bibliocantos Melhoria das Condições Ambientais • Depósitos em área com menor insolação (reduz a temperatura) Evitar fontes geradoras de umidade (reduz a umidade relativa) Promover a ventilação com uso de circulador de ar Evitar a penetração de poeira e poluentes • • • . o pano deve ser lavado ou substituído por outro. desumidificadores e umidificadores funcionando vinte e quatro horas parece quase que inviável. Manter aparelhos de ar refrigerado.no ponto correto de utilização. Mesmo não sendo possível contar com estes aparatos tecnológicos. A disposição das estantes na sala de guarda deve sempre ser pensada de modo a facilitar a aeração (a movimentação e circulação do ar). deve-se torcer o pano até não pingar nenhum excesso líquido. observando-se os seguintes procedimentos: • • • • • • Disposição perpendicular às janelas Espacejamento mínimo de 70 cm entre as estantes Afastamento mínimo de 30 cm da parede Pé direito mínimo de 2.

O único modo seguro de evitar esse desastre é o trabalho preventivo. Os fios e os dutos não devem ficar expostos. Ao abrir. aleatoriamente. em posição vertical com as folhas levemente entreabertas em forma de leque. Evitar sobrecarga elétrica nas tomadas.. O papel é um material de fácil e rápida combustão e os danos ocasionados são irreversíveis. em termos de destruição de acervo. Os seguintes procedimentos técnicos devem ser observados e acionados de modo mais rápido possível. • Deixar o livro em local arejado. a água. depositada em algumas folhas. • Não expor o livro ao sol para secar.Desastres em Bibliotecas: Inundação e Incêndio Em caso de os livros serem atingidos diretamente ou indiretamente por água. as folhas do livro. goteira. Manutenção periódica de extintores de incêndio. as capas do livro com o uso de papel mata-borrão Intercalar o papel mata-borrão entre as capas e retirar todo o excesso de água possível. • • • Secar. • Não abrir o livro molhado ou úmido para tentar secar as folhas do livro. inicialmente. Destacamos alguns tópicos que devem ser observados atentamente: • • • • • • Não fumar nas dependências do prédio. Desligar todos os equipamentos elétricos ao fim do expediente. Produtos inflamáveis devem ser guardados isolados em armários especiais e longe das áreas de . chuva. A secagem com calor se dará muito rapidamente. começando a operação pelo meio do livro e ir secando as folhas em lotes de 10 folhas. • Introduzir papel mata-borrão no miolo do livro. a fim de evitar problemas de intensa ondulação do papel e de criação de um local ideal para a disseminação de fungos (vulgarmente denominados de mofo). decorrente de inundação. etc. Um dos piores danos. é a ocorrência de incêndio em bibliotecas. Trocar o papel mata-borrão molhado por outros secos. nem colocá-lo perto de forno. penetra para outras não atingidas ou levemente atingidas. Essa operação deve sempre ser precedida de secagem com papel mata-borrão. medidas imediatas de controle devem ser tomadas. infiltração. causando grande deformação do papel. causando o alastramento do problema.

a fim de afastar a obra em relação ao vidro. Devemos ter em mente que em primeiro lugar está a vida humana. • Utilizar cartão de pH neutro (alcalino) para a feitura do passe-partout. • Não utilizar fitas adesivas ou colas para a fixação das gravuras no cartão de base do passepartout. Sendo assim a prioridade é a segurança das pessoas. ou seja. As saídas de emergências devem ser de conhecimento de todos os funcionários e não podem estar bloqueadas por nenhum motivo. mapas e livros a serem expostos devem-se obedecer às seguintes recomendações: • Montar as gravuras em passe-partout duplo. Na montagem das gravuras. formada por funcionários que ficam encarregados de vistoriar as dependências e as áreas de guarda do acervo. o que costumamos denominar de envelhecimento precoce do material ou envelhecimento acelerado do material. • Nunca colocar as gravuras em contato direto com o vidro ou placa de acrílico (montagem tipo sanduíche de vidro). • Fixar as gravuras no cartão de base do passe-partout. Montagem de Exposições: Recomendações Técnicas A montagem de exposições de livros. Ter sempre em mente que o único meio de evitar um incêndio é a constante vigilância e obediência aos cuidados básicos acima listados. • Utilizar cartão neutro com gramatura de no mínimo 600gr. O esclarecimento prévio dos funcionários sobre como proceder em caso de incêndio é fundamental para a segurança e rápida evacuação do local. Tem-se revelado de grande utilidade a criação de uma brigada de incêndio dentro do estabelecimento. gravuras e mapas deve sempre obedecer a diretrizes básicas de conservação. com frente e verso. que as peças sofram degradação durante o período de exposição. os problemas que advêm da exposição inadequada das peças causam danos irreversíveis ao material.trabalho e circulação de pessoas. Cuidados especiais devem ser tomados em relação à montagem. Deve-se sempre ter em local visível e amplamente difundido o número de emergência do corpo de bombeiro. à iluminação e às vitrines. com o uso de cantoneiras de poliester ou de papel japonês. . assim. • Nunca fixar a gravura no verso do cartão da janela do passe-partout. evitando-se. Apesar de o período de uma exposição ser curto.

conscientes de que somente por meio deste trabalho preventivo se efetuará a consolidação da salvaguarda do acervo. • Os expositores devem ser revestidos com materiais de qualidade comprovada. • As peças que forem expostas sem passe-partout devem sempre ter um afastamento em relação ao vidro. • Não é permitido o uso de “flash” para fotografar o acervo. e sem dúvida alguma prolongando a vida útil destes bens culturais. evitando a superlotação do local. • • Os ambientes devem ter um controle do número de visitantes. . evitando o contato direto da gravura com o vidro. também. A recomendação de iluminação é de no máximo 60 lux luz. Conclusão A Conservação Preventiva vem sendo amplamente difundida e adotada em diversos segmentos culturais.• As gravuras nunca devem ser expostas sob os efeitos da luz solar ou incandescente. explicar e apresentar soluções viáveis a problemas cotidianos enfrentados por bibliotecários e arquivistas e. papéis alcalinos. • Os livros expostos abertos devem ter suportes especiais de sustentação (“berço”) como medida de proteção a sua estrutura. Procuramos. Usar cortinas. • Os ambientes da exposição devem conter aparelhos de medição de temperatura e umidade relativa. • Os expositores devem ser em forma de vitrines horizontais inclinadas. filtros para evitar a entrada de luz solar. permitindo a visão dos visitantes. persianas. podemos protegê-lo. indo ao âmago da fonte do problema. por aqueles interessados em manter os seus livros e documentos de modo seguro e duradouro. neste artigo. Conhecendo os fatores que causam a degradação do acervo. Temperatura de cerca de 22º a 25C e umidade relativa de 55%.