DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

Conceito Desertificação (conceito consenso): degradação do recursos naturais, notadamente com ressecamento dos solos e degradação da cobertura vegetal, variam de ecozonas climáticas áridas a subúmidas secas. Outro conceito, cunhado por Albert Abreuville, um botânico e ecólogo francês que estudiosos do meio natural que conceituou a desertificação como a convenção de terras férteis em desertos por conseqüências da erosão do solo, vinculadas a atividades humanas. No geral pode ser considerada como deserto qualquer área de vegetação esparsa ou ausente e desertificação como expansão ou intensificação de tais condições. A desertificação é um fenômeno que resulta da ação simultânea de variados processos causais em área particular, ou diferentes escalas espaço temporais. São efeitos climáticos ou humanos, variando desde os rigores climáticos (precipitação, padrão de vida, pressão das populações)

Principais ocorrências Áreas Susceptíveis: áreas subúmidos secas, semiáridas, área do entorno.

No Brasil as áreas susceptíveis estão localizadas na Região Nordeste e Norte de Minas Gerais e Espírito Santo. O Ceará se destaca como o Estado da Federação que, proporcionalmente possui a maior área de semiáridez (92,1% de seu território). Salienta-se que a região de Irauçuba foi indicada como um dos mais importantes núcleos de desertificação. Este índice de aridez já pode indicar, por sim só, já pode indicar grande susceptibilidade aos processos de desertificação. Índice de Aridez: definido como a razão entre a precipitação e a evapotranspiração potencial, estabelece as seguintes classes:      Hiper árido < 0,03 Árido 0,03 – 0,20 Semiárido 0,21-0,50 Subúmido seco 0,51 – 0,65 Subúmido úmido > 0,65

da vegetação e dos recursos hídricos. sobrepastoreio. Níveis de susceptibilidade.21 até 0. agricultura e salinização) Seridó. Baturité e etc).  Subúmidos (Serra do Machado. Médio Jaguaribe. porém com intensa degradação dos recursos da terra. mas somente em 1974 a desertificação começou a ser. Meruoca. Difusa no território.RN (causas: desmatamento sobrepastoreio. Posteriormente este mapa foi tratado no âmbito do Plano Nacional de Combate a Desertificação. Considera-se como as principais regiões semiáridas e subúmidas o polígono das secas. mostra as áreas de riscos e seus diferentes níveis. e Alto médio Acaraú) Núcleo de Desertificação no Brasil:     Gilbués – PI (causas: desmatamento. em conformidade ao nível de semiáridez:  Muito alta: 0.50  Moderada: de 0. sobrepastoreio. Quincoé e etc).  Maciços Úmidas (serras das Matas.  Sertões dos Inhamus. Houve discussões importantes. porém com intensa degradação dos solos. Congresso Internacional de Geografia – Desenvolvimento de Estudos pioneiros sobre a desertificação.50 até 0.PE (causas: desmatamento. XVIII) – Rio de Janeiro.CE (causas: desmatamento sobrepastoreio e agricultura) O processo de degradação se manifesta da duas maneiras: 1. agricultura e mineração) Cabrobó.20  Alta: de 0. por ocasião da Conferencia Internacional sobre impactos das Variações climáticas no desenvolvimento sustentável do Semiárido –ICID.65  Causas e conseqüências Em 1956 (séc. Concentrada em pequenas porções do território. mas criteriosamente discutida no Conselho Social e Econômico da ONU.Outras –Áreas (soma de fatores ecoclimaticos e atividades socioeconômicas). O primeiro mapa de susceptibilidade a desertificação foi elaborado pelo núcleo desértico/IBAMA em 1992.05 até 0. Pereiro. Uruburetama. 2. A preocupação e a luta contra a desertificação no âmbito internacional extrapolam s limites do ambientalismo para transformar-se numa preocupação econômica e social. agricultura e mineração) Irauçuba. .

De certa forma o Brasil foi o protagonista com a participação da Convenção das Nações Unidades para o combate a desertificação nos países que com a seca grave (desertificação). A política de não convivência com esse fenômeno. a pobreza e a falta de incentivo técnico ao produtor inflama a problemática. Qualquer estratégia desenvolvida no trato da semiáridez deve-se considerar a degradação ambiental e a seca imbricada à desertificação. Outra característica marcante é o ruralismo tradicional. A pecuária tradicional é fator de alteração ambiental que atinge toda região. Grandes evidencias de degradação/desertificação ocorre pelo empobrecimento e depredação de ambientes subúmidos secos. com pouco ou nenhum acesso ao mercado. Projeto BRA 93/036. O fato de pressão sobre o recurso é a alta densidade populacional da região. ocupados pela pecuária extensiva. agricultura de subsistência e agroextrativista. 1944 – Realizada a Conferencia de Nacional e Semiárido Latino Americano de Desertificação. Plano Nacional de Combate a desertificação . . mudando a composição floristica da vegetação nativa e permitindo a difusão de espécies invasoras sem valor ecológico. Para o Brasil. áridos e semiáridos sob ação combinada de contingências eco-climáticas e de atividades socioeconômicas.Agosto/Setembro de 1977. associada a prática da pecuária extensiva.ICID em Fortaleza com enfoque para as áreas semiáridas houve uma discussão sobre desenvolvimento sustentável dos países pobres ou em desenvolvimento. elabora o Plano de Ação Mundial para combater a desertificação. diretrizes para a política Nacional de Controle a Desertificação. são deveras os ambientes mais afetados. O NE abriga o maior contingente dos pais vivendo em zona rural. em Nairoba. foi um marco que instigou por exemplo. Os sertões das caatingas que foram historicamente. extrema dificuldade de absorção de novas tecnologias (hábitos fixados através de gerações. e por excelência. de feijão e de arroz. a Conferência das Nações Unidas de Combate a desertificação (UNOCD). Um fator agravante é agricultura tradicional de sequeiros com culturas de milho.

no entanto as instituições governamentais e outras entidades da sociedade civil se encontram até recentemente.  A caatinga. essas áreas tem na pecuária extensiva sua atividade de maior expressão. Aliado aos condicionantes climáticos.  Temperaturas médias variam de 23ºC a 27ºC e a insolação chega a 2. É notório o avanço da dos estudos realizados pela comunidade cientifica sobre a desertificação (no semiárido).  Baixa produtividade – baixa fertilidade natural. agreste. sociais e econômicos derivados da desertificação já se fazem sentir. O sobre .800 horas. marcado por forte irregularidade.  Os condicionantes ambientais  Geologia – Sedimentar (solos profundos e bem drenados) ou cristalino (solos rasos e pedregosos e lençol rasos e pouco volumosos. São as migrações. redução da produtividade agrícola.  Fauna de pequeno porte e hábitos notívagos. vegetação típica. Os setores mais degradados compõe de extensas áreas de pastagem nativa e colonizadas por gramíneas herbáceas. caracterizado pelas baixas precipitações concentrados em poucos meses com alta variabilidade inter anual. formada por plantas xerófilas e geralmente caducifólias ou apresenta forte resistência a seca. além da ocorrência de valores elevados de evapotranspiração e anual. Em muitos casos as área de pastagem nativa vem sendo desmatada para o aumento das produções forrageiras. e rala e de pequeno porte.  O quadro da vegetação é bastante diferenciado nas quatro regiões fisiográficas: zona da mata. topografia acidentada e falta de sistema de drenagens. Determina-se com isto altas taxas de evapotranspiração configurando um déficit hídrico em quase toda região. Ação conjunta resulta das relações sociedade natureza.  Regime de chuvas (concentrado num período de três a quatro meses do ano. As condições geológicas não favorecem a existência de recursos hídricos subterrâneos em quantidade e qualidade necessária para o consumo da população e desenvolvimento agrícola. cerrado. sertão. redução da disponibilidade hídrica e aumento da variabilidade climática. sendo que essa áreas possuem condições de solo e clima que não favorecem uma vegetação de porte arbóreo denso. manejo inadequado. É evidente o núcleo de semiáridez condicionado pelo sistema de circulação da atmosfera regional.Os prejuízos ambientais. de maneira sistêmica. distante de compreender. baixa densidade de povoamento e baixo endemismo. quebra de safras. as relações entre os sistemas humanos e os sistemas naturais.

que se constitui em uma alternativa para melhoria das condições de uso da terra e qualidade de vida da população. aliado a um programa de gerenciamento dos recursos hídricos. Assim.pastoreio associado as áreas desmatadas produzem um alto nível de degradação da cobertura vegetal e do solo. . é possível pensar num manejo das áreas de pastagens.