You are on page 1of 6

O Plano de Recursos Hídricos na Lei Federal 9.

433/1997 Definido como um instrumento de planejamento da Política Nacional de Recursos Hídricos, os planos de recursos hídricos têm como principal objetivo fundamentar e orientar a referida política e o gerenciamento dos recursos hídricos. Na seção I, artigo 7º, a Lei estabelece o conteúdo mínimo dos planos de recursos hídricos, sendo eles, o diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos; a análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo; o balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais; as metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis; as medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem implantados, para o atendimento das metas previstas; as prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos; as diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos; as propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à proteção dos recursos hídricos. O Plano Nacional e os planos estaduais e de bacias Nas definições das bases edificante do Plano Nacional foram consideradas duas vertentes de análise, a nacional e a regional. Dentro da linha vertical da vertente nacional, a concepção é que os planos estaduais e planos de bacias sejam articulados e complementares ao objetivo de implementar uma gestão compartilhada e cooperada das águas de interesse comum, instruindo as ações de âmbito do governo federal. E no que tange a vertente regional, estabeleceu-se que as questões e temas abordados nos Cadernos Regionais, venham a subsidiar as diretrizes e ações prioritárias regionais do PNRH, bem como a sua inserção e situação em relação às articulações vizinhas ou com as quais tenha vínculo, destacando-se também a futura elaboração dos planos estaduais e de bacias hidrográficas. Limites e abrangência do PNRH e os planos estaduais e de bacia Em virtude da sobreposição territorial entre os planos, evidencia-se a necessidade de que os planos

A EVOLUÇÃO DO SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS NO BRASIL Conforme apresenta Garrido e Carrera-Fernandez (2002), o Brasil começa a sua experiência na gestão de recursos hídricos, praticamente, no anos 30 do século XX, em que foi criada a Diretoria de Águas do Ministério da Agricultura, base para o Código de Águas, estabelecido no Decreto n° 24.643, de 07/10/1934. Embora a instalação de um sistema nacional de gerenciamento só ganhou força em 1978 e 1979, com edição de portarias interministeriais, que recomendavam a classificação e enquadramento dos corpos d’água brasileiros, neste período foi também criado o Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas – CEEIBH. O modelo que era adotado não contemplava os princípios de uma gestão descentralizada, entretanto, com a realização do Seminário Internacional de Gestão de Recursos Hídricos, em 1983, na capital federal, foi possível promover o primeiro debate nacional para o desenvolvimento de um modelo mais adequado para a gestão das águas. Deste encontro, foi

os Planos de Bacias de rios de domínio da União e os Planos de Bacias de rios de domínio dos Estados. No entanto. destacando-se ainda a previsão de incluir na Constituição Federal de 1988. para promover o gerenciamento do uso da água e de seus domínios (NEVES. como os Comitês de Bacias. tinha como proposito regulamentar o inciso XIX do Art. tais como o econômico. instrumentos e o ordenamento institucional.249 de 1991. e considerando os três âmbitos geográficos possíveis para o planejamento dos recursos hídricos. 2004). Dentre os diversos modelos de gerenciamento. que caracteriza-se por ser um Modelo Sistêmico de Integração Participativa – MSIP. estabelecidas pela Constituição Federal de 1988. na forma da Lei nº 9. utilizando como base a Constituição Federal e estaduais. Em função das dominialidades federal e estadual dos cursos de água. o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos – SINGREH (NEVES. 2004). . período em que foram recebidos dois projetos substitutivos e diversas propostas de emendas. alguns Estados deram início à elaboração de suas respectivas leis de recursos hídricos. instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos e criar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. político-representativos e jurídico. para ser sancionado somente em 8 de janeiro de 1997. Este arranjo. o PL ainda tramitou por mais cinco anos no Congresso Nacional. em 1986. 21 da CF/1988. em que há a participação dos diversos setores da sociedade. A Figura 1 apresenta quadro esquemático sobre esses grupos de Planos. no qual foram estabelecidos os princípios. os Planos Estaduais.433/1997. assim como a busca de subsídios para o estabelecimento da Política Nacional de Recursos Hídricos. criado na lei 9433. o projeto de Lei nº 2. utilizou como base a experiência francesa. o SINGREH. configuram-se quatro grupos de planos: o Plano Nacional. permite a democratização das ações por intermédio dos colegiados integrantes do sistema. Segundo Neves (2004). político-direto. Posteriormente. que teve como produto final um relatório que recomendava a criação e instituição do Sistema Nacional de Recursos Hídricos.criado o Grupo de Trabalho do Ministério de Minas e Energia.

pela elaboração da proposta de Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica.Políticas públicas. pelos órgãos gestores com a participação dos usuários de água e das entidades civis de recursos hídricos. pelos órgãos gestores de recursos hídricos. os planos de recursos hídricos. a depender da dominialidade do curso d´água e. supervisionados e aprovados pelos respectivos Comitês de Bacia. que será responsável pela aprovação do referido Plano. portanto. enquanto não for criada a Agência de Água e não houver delegação. tipos de planos. a aprovação caberá ao Comitê.433/97. aprovar o Plano Nacional de Recursos Hídricos. Dentro desse contexto institucional. pelas Agências de Água. assim como. de acordo com a dominialidade das águas. O Plano Nacional de Recursos Hídricos O artigo 5º da Lei 9. âmbitos geográficos e entidades coordenadoras no processo de planejamento de recursos hídricos no Brasil. sob supervisão e aprovação dos respectivos Comitês de Bacias. existente ou a ser criado.Figura 1 . No entanto. as competentes entidades ou os órgãos gestores de recursos hídricos serão responsáveis. Em qualquer um dos casos. conforme previsto no art. foi criada a Câmera . da respectiva bacia hidrográfica. com a participação dos usuários de água e das entidades civis de recursos hídricos. Fonte: Lanna (1999). 51 da Lei nº 9. poderão ser elaborados. federais ou estaduais. Enquanto não houver o Comitê de Bacia. atribuindo a competência ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) de acompanhar a execução. quando ainda não houver um Comitê constituído na bacia. define como instrumento de gestão. A CRIAÇÃO E ELABORAÇÃO DOS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS A Resolução CNRH N° 17 estabelece que os Planos de recursos hídricos serão elaborados pelas competentes Agências de Água. Os Planos de recursos hídricos. os Planos de recursos hídricos poderão ser elaborados pelas entidades ou órgãos gestores de recursos hídricos. bem como pela implementação das ações necessárias à criação do respectivo Comitê. para o âmbito das bacias hidrográficas. providenciando o cumprimento de suas metas.433/1997.

articulação. Com o objetivo de dar suporte à execução técnica a Câmera Técnica (CT-PNRH) criou o Grupo Técnico de Coordenação e Elaboração do Plano (GTCE). estruturam uma ótica nacional indispensável ao seu efetivo gerenciamento. gerenciando as demandas e considerando a água como elemento estruturante para implantação de políticas setoriais. os conceitos de integração e articulação sob os pontos de vista dos processos socioambientais. que devem ser atingidos por intermédio da implementação do seus programas e subprogramas. mas também definir ações que promovam sua execução (CTPNRH. ao serem implementadas pela União. tendo como visão o desenvolvimento sustentável. os usos múltiplos das águas. a descentralização. a prioridade para o consumo humano e dessedentação animal em casos de escassez. é apenas um momento desse processo. simultaneamente. Portanto. políticos e institucionais. com autoridade para acompanhar. o objetivo geral é constituir um pacto nacional para a definição de diretrizes e políticas públicas voltadas para a melhoria da oferta de água. o PNRH busca ir ao encontro dos objetivos e diretrizes gerais de ação. o planejamento não tem somente a finalidade de produzir planos. seu valor econômico. assim como as formas de atingi-los. o PNRH é orientado por três objetivos estratégicos e finalísticos. foi considerado a regionalização em Situações Especiais de Planejamento (SEP). 2011). a elaboração de um plano. analisar e emitir parecer sobre o PNRH. informações e ferramentas de apoio à decisão. também. 2. 2011). . a qual foi composta por 56 unidades de planejamento. em qualidade e em quantidade. negociação entre atores. em qualidade e quantidade. fontes de financiamento e. das quais podemos destacar: a ratificação da dominialidade pública das águas. Dessa maneira. de mobilização. Importante ressaltar que o planejamento é um processo contínuo. superficiais e subterrâneas. Além disso. a melhoria das disponibilidades hídricas. que possibilita estabelecer objetivos e metas.433/1997. possibilitam e potencializam o equacionamento regional ou local de problemas relativos aos recurso hídricos e. a utilização integrada e sustentável da água. sendo eles: 1. composto por técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA) e da Agência Nacional de Águas (ANA). instrumentos de Política. em que as divisas territoriais não coincidem necessariamente com os de uma bacia hidrográfica. bem como dos eventos hidrológicos críticos 3. como predicados inerentes ao SINGREH que se quer construir (CTPNRH. Alicerçado à ações estratégicas do Governo Federal e bases conceituais. a participação social no processo de gestão. Como forma de incorporar as premissas constitucionais referentes ao pacto federativo. ações de comunicação social. respeitadas as diretrizes de descentralização e o princípio da subsidiariedade. o PNRH organiza-se em um processo que abrange um conjunto estratégicos de ações e relações interinstitucionais. a redução dos conflitos reais e potenciais de uso da água. Os objetivos do PNRH Conforme define a Câmara Técnica do PNRH (2011). a bacia hidrográfica com unidade territorial para sua implementação. Nesse contexto. percepção da conservação da água como valor socioambiental relevante.Técnica do PNRH (CT-PNRH). previstos na Lei 9. e por fim. considerou-se uma divisão nacional em 12 regiões hidrográficas. intervenções físicas seletivas que.

“Algumas experiências de gestão dos recursos hídricos. LANNA. . para se tornarem Plano de recursos hídricos.” Economia dos Recursos Hídricos. J. . L. Edufba. de forma geral. São Luiz MA. depende da efetiva concretização do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. v. 77-101. NETTO. uma legislação moderna na área de recursos hídricos. 4. 2004). Brasília. comprometer-se com a implementação do Plano. Revista Brasileira de Recursos Hídricos. J. VII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste. Conforme pode-se constatar. Avaliação de efetividade de planos de recursos hídricos desenvolvidos no Brasil. desenvolvida. R-J. A. In: VII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste. M. São Paulo. o que vem se dando a compasso diferenciado e de forma regionalizada (NEVES. Carrera-Fernandez. também. deve haver um grupo de interessados no uso e conservação da água da bacia. existem fortes indícios de que a sua efetividade está diretamente relacionada ao grau de implementação e amadurecimento do sistema de gerenciamento de recursos hídricos da região planejada (NEVES. a maioria dos Planos elaborados no Brasil pertence a essa categoria. M. CÁNEPA.CONCLUSÃO O Brasil apresenta. de fato. durante a década de 1990. esses estudos não podem ser considerados um Plano no significado legal do termo. No entanto. Existe uma outra questão. NEVES. Jaildo Santos . p. Embora.1. Salvador. Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH. Para que um Plano seja efetivo. rigorosamente. Esse grupo deve não só participar da elaboração mas. E. BIBLIOGRAFIAS CITADAS Câmara Técnica do Plano Nacional de Recursos Hídricos – CTPNRH. 1999. . a implementação das diretrizes estabelecidas na legislação. E. 2004. . PEREIRA. No entanto. (2002). O. 2004). mas sim subsídios e propostas ao Plano. M. principalmente. Por outro lado. devem percorrer o caminho da validação no âmbito da instância colegiada e participativa (NEVES. é a forma de se explicitar a realidade (NEVES 2004). 103117. n. dezembro de 2011. 2004. São oportunos e pertinentes quando subsidiam efetivamente a decisão que não pode aguardar um planejamento mais extenso e participativo. Os Planos de recursos hídricos são instrumentos valiosos estabelecidos nas políticas nacional e estaduais de recursos hídricos. PLANO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS: Prioridades 2012-2015. Algo que normalmente é negligenciado no processo de planejamento tradicional. A Política de Recursos Hídricos e o Princípio Usuário-Pagador. não é intrinsicamente necessário haver um Comitê estabelecido para que um Plano de recursos hídricos de bacia hidrográfica seja elaborado e. 2004). Garrido. M. e que não o seria se houvesse um Comitê estabelecido e atuante na bacia. C. BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS .

Plano Nacional de Recursos Hídricos: Documento Base de Referência. n. Brasília. Secretaria de Recursos Hídricos. 2006. 22. Brasília: MMA. 63. São Paulo. Plano Nacional de Recursos Hídricos. Monica F. PORTO. . Secretaria de Recursos Hídricos. Gestão de bacias hidrográficas. 2003.PORTO.português / Ministério do Meio Ambiente. Plano Nacional de Recursos Hídricos: Documento Base de Referência. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. v. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. 2008 . Brasília. Rubem La Laina.. Estud. av. A. 2003. Síntese Executiva . Secretaria de Recursos Hídricos..