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carnavalizada e, não de uma intertextualidade - interdisciplinaridade _ monológica que vê o tecido como uma totalidade cO,er.

ente e a,cabada, com a qual se representa a verdade, ignorando ~ volúpia dos símbolos. E com isto o indivíduo se perde, não no tecido, mas no produto analógico. . É claro que, uma ciência do devir deve começar por cnar um lu.gar de auto-valoração de suas enunciações. Para isso, devem os pesquisadores descobrir os abusos de suas regras metodológicas. Sob a epistemologia, precisam descobrir a história e os abusos de suas crenças, para não fazer de sua teoria um lugar nulo, um lu~ar de pura re~resentação, mas sim um lugar vazio, que é o luga~ d~ ntual da pesquisa. Enfim, creio que esta proposta pode contribuir para lembrar que, na história das relações sociais, entre dois genocídios, resplandece como alternativa o semiocídio. Outubro, 1983.

CAPÍTULO IV A TEORIA CRÍTICA DO DIREITO E AS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DA CIÊNCIA JURÍDICA

O ponto de partida deste ensaio decorre do meu interesse em discutir as condições de possibilidade de existência da Teoria Crítica I, como ciência do Direito". Este trabalho é, em vários sentidos, exp.loratório; em primeiro lugar porque existe uma crise de reflexão, que atravessa profundamente o horizonte atual da Semiologia e da Teoria do Conhecimento, territórios nos quais a crítica à teoria crítica deve encontrar as condições de produção de seus efeitos de recepção; em seguida, porque a própria teoria crítica sofre os efeitos de uma crise em relação a seus efeitos de sentido e suas funções sociais; depois, porque a prática decisiva do saber crítico, inclusive ao nível de sua autocrítica, não possui ela mesma a tarefa de prefigurar a cultura do futuro: o seu papel ativo seria o de destruir a mitologia disciplinar instituída, sem blindá-Ia com uma tutela moral; e, finalmente, porque no campo do conhecimento

'A corrente

crítica é um movimento

teórico que, apesar das distinções

que internamente

há de efetuar, apresenta elementos comuns que pressupõem a adesão à mesma visão do conhecimento e um acordo tácito sobre o modo em que devem ser questionados os enfoques ideológicos e ontológicos do pensamento jurídico idealista. Por isso é que não se deve estranhar que pretenda encará-Ia globalmente, levando em conta o esqueleto das idéias capitais que exprimem a direção geral da tendência. 2Penso que a Teoria Crítica não pode ser um discurso exterior à ciência do direito, pelo contrário, ela deve ser um nível de sua significação.

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verdade. torna-se mítica a gramática de produção do conhecimento científico. O imaginário gnoseológico determina os dispositivos de poder do conhecimento. aqui. para encontrar-se uma via de saída par~ e. monológica. e por isto manifesta-se no saber como silêncio. propor o artifício de dar um sentido final ao que é enunciado. O poder é também um significado. Os perigos do mandarinato da teona críuca pro~em do desenvolvimento de determinadas condições de sua produçao. afastando de nossa inteligibilidade a consubstancialidade histórica das ações e significações.sta crise. No plano da gramática de recepção. suprimir as plural idades do real. portanto. pelo mito da denotação pura. Assim. apelou-se ao mito da dupla racional idade: a cotidiana. 2. para provocar este distanciamento. em relação aos efeitos textu~ls conqulstad~s. 'Signos de grau complexo onde o sentido é plural e nunca se fecha.ue Impera como o feixe das condições que torna~ p~s.tica. Sua crítica ao idealismo cientificista é epitelial. o imaginário gnoseológico é condição de produção dos efeitos de poder dos discursos da ciência jurídica.de le.onheclmento crítico. vigilância e unidade. sem condições para apreender limpidamente a realidade. q. para representar a história. dos discursos ou enunciados que em nome da ciência constituem o imaginário da própria linguagem científica.. o domínio da analogia na linguagem. o sentido do conhecimento pelas suas realizações imaginárias da lingüística. I. . 3.As condições de produção "pequeno-gnoseológicas" marcam a presença do nível específico de manifestação do ideológico. ha inicialmente que se tornar visível o imaginário gn?seologlco. No trabalho quero pnvIleglar precisamente essa duplicidade de sentido. Alguns juristas críticos começam a sentir que seu pensa~ento corre o perigo de se tornar o apanágio? de uma nova. se inscreve na sociedade como um dispositivo de poder. Desta forma constroi um discurso pequeno- materialista". fetichizando-os. b) Atributo dado pelo soberano a seus filhos segundos. ~ partir desse sentimento. . . 346 347 . Penso que. dando a suas palavras e a seus enunciados atribuições impossíveis: estabelecer. estabelecer a possibilidade de uma gramática de produção sem componentes míticos.al. Então as significações aparecem como disciplina dos corpos e regulação de valores.uçao pequeno-gnoseológicas".. com negação do caráter irremediavelmente plural da práxis e do saber). Notem que o discurso crítico está ligado a um espaço de ~nahses cnoseolózicas _ realidade. mas toma dela suas c?ndiçÕe~ de pro~. Os sintomas desta crise manifestam-se so? a fonn~ de um crescente inconformismo. E uma subversao feita numa linguagem fechada. legibilidade. ~ue fundamenta uma gramática de recepção tão totalitária e estereotipada como as formas do saber jurídico que pretende contestar.unidade e. . A teoria crítica questiona os efeitos de poder da ciência}u:!dica "pequeno-Iegalista". pela ilusão de uma palavra sem ambigüidades (o 'ideológico se manifesta.nenhuma subversão está isenta de um longo período de contradições em seu próprio discurso. se perdem no discurso produzido. representaçao. Principalmente porque impõe mecanismos de leitura dos quais os indivíduos em vez de consistir. reuniram-se todas as condlçoes de emeroencla de uma crise. c:sta mandar:. O saber científico. É através da ideologia pequeno-gnoseológica que se define. situar o erro como polifonia e a verdade corno univocidade. antecipada e implicitamente.slvel o c. CO\1lventes com uma concepção disciplinar da sociedade. e a cientí- 'Esta expressão pode ser empregada em dois sentidos: a) Propriedade caracterís. impor a miragem do sistema de língua inventada como sistema do mundo.ltura que guardam uma relação de familiaridade totalitária com o Idealismo contestado. isolar a linguagem de seu tempo histórico. deflagrando efeltos. se perdem no jogo das equivalências fetichizadas. É a gramática de produção condicionando a recepção. Pode se dizer que. As palavras da teoria crítica não têm significância'. analogia _ ~ue têm a mesma filiação das crenças epi~têmicas que ~~stentam a produção do saber jurídico socialmente dO~11l1ante'. fatalmente prisioneiras de uma psicologia da . dentro de uma política de moralização dos hábitos cotidianos. em suas formas monológicas de enunciação.

a~cender ao conhecimento imaculado do real. onde certos efeitos de recepção significativa (gnoseológicas e sociais). da sociedade e da sua própria ~atureza. a consciência ou o discurso foram sempre posicionados. Sua crise é provocada. Isto quer dizer. para liberar a nossa própria força. de uma gramática de produção. A teoria crítica não pode atacar o totalitarismo dessa identidade. Como um grande paradoxo. a razão do Estado com as formas da racionalidade adulta. com o bom desejo. Neste trabalho reservo a expressão produtiva para os processos receptivos que preservem seu caráter ativo. a identidade da razão amadurecida. seus desejos fiquem com uma potência nômade. A teoria crítica não escapa a este mito da razão adulta. A teoria crítica tem a função de pôr o indivíduo em condições de defender-se da violência simbólica. como contemplação e desdobramento ordenado da consciência ou do discurso metódico sobre o real. Na gramática de produção pequenognoseológica. rebelam-se contra as determinações valorativas do cotidiano. reintroduzindo-a ria racional idade do cotidiano.um co. por sua vez. A partir de Platão o lugar da verdade ficou. a~si~'. Por isso é que a liberdade da ciência é diretamente proporcIOnal 5A recepção produtiva pode estar determinada por uma gramática de produção monocêntrica ou pluricentrada. fornecidas a partir de uma consciência (logo. com o bom valor. Porque unicamente pode-se falar. em nome da epistemologia. . Daí ocorre que. pois pretende denunciar as contradições do direito burguês. como indiquei em outros trabalhos. Evidentemente. de um modo ou de outro. existe uma relação culpabilizada entre o imaginário gnoseológico instituído e o cotidiano. os Cientistas. mas determinando o que em nosso cotidiano dev~mos valorar. mitific~do auton~anamente. também. mostrando-a como um feixe de significados. impedindo que suas identidades. novo espaço de produção 5. encontramos a raiz última da exploração do significante no discurso e da violência simbólica que ele exerce sobre os indivíduos. sejar o que a razão adulta valora ou deseja. cotidianamente. A razão adulta é. com poderes para pressentir a essência do real. Mas. que interpela os indivíduos. uma ordem unívoca. O direito burguês se apropria da razão adulta (distinguindo ser e dever-ser) para impor um desejo legal autonornizado e identificando. um método).fica. acusando-as de pôr em perigo suas ilusões analógicas. nunca se deixa de voltar a 0~·· O espaço da verdade é assim glorificado.p~ras. como a forma não falsificada dessa razão. a natureza do próprio conheCimento não teria nenhuma relação com o social e com a história. Perante a realidade. o lugar da verdade fiCOU marcado com o lucrar da razão adulta.mplex? de significações "mito-lógicas". fora da história e da sociedade. assim. na modernidade. que pretende através de procedimentos autocorretivos. inversamente. Então. seus valores. : . A tarefa política da teoria crítica é a de destruir a força dessa violência significativa. pode-se dizer que uma gramática de recepção unicamente produz efeitos de sentido. Pressupõe-se. Isto leva a um isolamento simulado da gramática de produção das significações científicas. sem apelos idealistas. propondo-se. Quando se recebe uma mensagem. produzindo uma ordem monológica e coerente de significa- à perda da liberdade dos sujeitos. se opera como um. Ela precisa deslocar o lugar da verdade. funcionam como uma das condições de produção. que funciona com a ordem sancionada de nossos desejos e como um grande dispositivo de poder. O que a esse respeito ocorre. é a exclusão da idéia do caráter intertextual dos processos produtivos e receptivos. longe de consegui-lo. da rede de determinações sociais que condicionam a gramática de circulação e recepção das mensagens científicas. para buscar. 4. como roteiro para a recuperação do valor político da prática cotidiana. em grande medida. eliminar suas ambivalências e contradições. opera de um modo finalmente cúmplice. porque ela. Curiosamente. apa~ada por um efeito de caos na superfície. a partir do "cogito" ou do método. estamos forçados logicamente a valorar e de- . A escolha de um ou outro referente gramatical incidirá no caráter ativo ou passivo da recepção. então. Desta forma temos na sociedade um grande paradigrna desejante. 349 348 . a discussão sobre as condições de possibilidade do conhecimento. como devendo-a captar em suas formas . Assim começa.

Nesse ponto o ideológico deixa de estar nos discursos e nos sujeitos.. inário gnoseológico institu.es do . sta de sentido a função cenmente a ideologia. deixa marcas nos sujeitos e nos discursos. na medida em que ela impõe uma diferença radical entre ciência e ideologia. d d . apresentan o as d d ivadas de um lugar . I I 351 . com um nível de significação. para passar a vê-lo como uma proposta de redução da questão ideológica. I '. d epção são apresentados como . " b emplo para notar como a referida A teoria kelseniana e um om ex . ideologicaintertextual dos discursos da ciencia.o como sen o en síveis a grarnatica e pro uça. para ser situado como intertextualidade entre eles. . ra. Entretanto como fenômeno intertextual. como manifestação ~ I o' _ 'A • A teoria crítica mostra com basranre eficiência. noto a influência de concepções sobre a ciência (noção de corte epistemológico) e da ideologia (como sistema de representações).COtl iano Definem. _ ossível a duplicidade ideológica sustenta as condições que tomam p Teoria Pura do Direito. ~ o conhecimento científico se cepção das Sigmfl~aç~es S~~~IS e (~~~e mitifica o reconhecimento da pressente como efelt. de re. necessita-se incidir no processo produtivo de significações. alavras.o g ento p~ovenientes dos dispositi. ificações científicas encontramde produçao. A questão decisiva é a seguinte: para fazer a crítica à ideologia. as slgm . Desta forma. assim como as rm I ic prio discurso. Neste mesmo livro Veron faz uma interessante análise das relações entre a gramática de produção e consumo das significações. desta forma. . o senso comum teórico dos juristas críticos é parcialmente coincidente com o que podemos adjudicar aos juristas tradicionais. ências ideológicas nem con icionam erro". Na história da teoria crítica. cdo.~ ~ po . lusar "a-histórico". Na zramática se operando o _.t b Ihando em to os os .m. histó E os momentos e rec lógico. Com respeito à noção de corte. sem influmetalinguage~ da ciencia. sagrar essa soluçao. 350 I l 6A esse respeito ver Eliseo Veron A produção do sentido. ocultando. dito em outras p O . com vistas à construção de uma teoria solidamente edificada. seja este pr~dut. os efeitos de poder (as incidências na sociedade) da ciência jurídica que questiona. deve ser visto como intertextualidade monológica. O nível crítico de significação representa a distância máxima que pode ser discursivamente conquistada entre as condições ideológicas de produção e recepção. ogia.se propoe uma n I 'd como força idi e simultaneamente exc UI a mitificaço.~d: sS:an~. que mitifica o processo doi~ ~ível: de Id~o. mas seus fundamentos gnoseológicos continuam sendo ideológicos. Penso que desta maneira se perde a possibilidade de discutir o ideológico como sistema de produção de sentido. O ideológico no sistema de produção de sentido. d valor Inventando assim uma entre enunciados descn~lvos e Ju~z::er ~er qu~ deixa reservado. sem Istona. . sua aparente nt I çao seJa~ ideológ I amento das mitificações cotidianas que atrasintagmática produz o oc~ t itif ações derivadas de seu próvessam seu díscurso.:emaá~~C~e. j vos de poder. oque complementa intertextualmente 9 afirmado neste trabalho. Nestes últimos..lverso do . 5. para o lógica do dever e um ~n.. a teoria crítica nos propõe uma visão ideológica da ideologia. Imagl o ou receptivo.. '<ricas na medida em que. O nível crítico de significação compromete dialogicamente o sistema de produção de sentido. do ser) o lusar da ideologia e campo da opinião cotidiana (o um~erso '_0 dos valores. Kelsen vai coninvariavelmente provenientes desse od seus detalhes a diferença . cada momento. 'I do pelo outro.:~~OdU_ Daí que o discurso das cienctas SOCial o iti dez . ~ . _ oção de ideologia ligada às Nas ciências SOCIaIS. Ele~ seriam for~a~al~~na~a!i~e(~~~f~:~~e no imaginário Temos assim uma noçao a I eo 00 .. d do das ciências sociais) que permite a preservação dos efeitos de po er conhecimento científico. sem explicar como seria possível produzir um saber de verdade a partir de uma prática de conhecimento até então viciada pejo uma visão crítica da sociedad~: es~ereotl~a. ramática rodutiva pura.ivo produzi-Ia.com s~a ~rot~gua<rem que é a de eliminar traI do ideológico..'. e a tera d condições que tomam posído nega estas influências. gerando um outro nível de sentido que chamarei crítico.

As idéias anteriormente esboç. desenvolvem significações imaginárias que jogam um papel central na organização dos discursos. crítica como uma nova un a. que as significações imaginárias só podem ter. I d f Ia sobre aquilo que se fala e Portanto. incluindo a científica. prefigurada por slgmficaçoes ja c?n . . Elas precisam de um diagnóstico derivado e oblíquo. 353 352 . if que desempenham um pap srgm icantes.f extraídas desta I ela afirmar que nao oram I . a relação de sintagmas se produz por uma criação imaginária que nenhuma lei discursiva pode explicar. orgamzaçao desses sigru ican es. Em termos bastante gerais. '. a ciência da ideologia. .. no como um falso problema. . d Direito não desconhece o fato de Por certo. ver . isnifi t Essas SIam I . Trata-se de uma atmosfera de significações sociais que permitem que uma realidade e uma história construída sobrevenham ao sujeito e ao discurso. discurso na Is~ona e. que Situa: P:op . o Estado e a sociedade. assim. pode~os Istl~gu~fr'caço-es como o nível de d roduçao das sigru I . uma relação mágica. situam-se as condições de possibilidade do discurso científico. d ociedade. As significações imaginárias não podem ser discursivamente captadas. diz Castoriadis. ser Visto como con I Eliseo Veron op. ue elas devem ser repensa a posltlvlsmo. d item-me aaora desen6. uma vez que. Ocorre que a I que toda produçao de senti o ep te I 'mpreciso Pode-se assim . 8 mve. 'Sobre. . 7. é lingüisticamente definido como um "animal vocal". L '0 esta idéia da seguinte forma: . como a intertextualidade extra-discursiva. crítica ao conhecimento só é possfvel como teoria as . q . Quando um escravo. _ f focalizadas as incidências do Dito em outros termos. c>. As diversas práticas sociais. A história não existe sem seus fantasmas radicais.a _as. Ela se explica por suas conseqüências sociais. . d d um modo re anvarne social funcionan o e el de peso na escolha e na . íficações correspondem ao . mas . d d ende do social.. vendo-as como significantes que se significam a si mesmos. pelo funcionamento social do imaginário. . I d imaainário social. em re açao ficações. a corrente crítica o.cit. el do imaainário necessita . que transcenda suas marcas discursivas. 121. denunciando o caráter imaginário das relações que se apresentam entre o Direito. perm ibilidad~ da teoria volver minha hipótese sobre as condlço~s ~e ?~SS7 f d ção da ciência Jundlca . Por exemplo. buscando superar a racional idade idealista do pensamento jurídico dominante.' o. meça antes da linguagem. existe o fazer histórico determinado por um universo de significações. .déia fica _.' -' .anificações que impregnam a ação Isto permite ver que existem sig I' nte independente dos . existe a tendência a identificar as significações imaginárias como meros estereótipos. de ende de um campo mais vasto.ao caráter pré-discursivo das signianalíticas. Antes de qualquer racionalidade explícita. substancla as co . o da RA produção social dos discursos clentlfico~d P .. Na semiologia clássica. 1982. o sujeito da fala. como condição de existência do agir social". interior do pro:~sso e p fei d determinantes que compõe o nível sianificação crítica sobre o eixe e o ideológico. assim como o caráter imaginário dos estudos jurídicos e da mentalidade juridicista presente na aplicação 9Cornelius Castoriadis A Instituição Imaginária da Sociedade Paz e Terra. ao nível do conjunto intertextual de seus efeitos sociais. manifestado por um além da mensagem. osta de corte epistemológico Sob esta perspectiva.' f' . com a ação. 'fi Nesse senti o precrs produção social das sigrn rcaçoes. . Id lização extremamen . Não se leva em consideração. No jogo desse além com o discurso. _ d s sionificações encontrar-se sempre nos obriga a aceitar o fato de nossa visao da "'m a ação social Por isto é que a . o o dição de possibilidade da ciência juridica . . _ eoló ica do kantismo e do Penso. el . p. privilegiando o lugar sacia a a . .não remetem a nenhuma realidade nem a nenhuma forma de razão que se possa designar. " em um ruve e genera idé as devidas conseqüenclas . a linouaoem e m iruta e co d odução das sigmfIcaçoes que '" '" if d b e os processos e pr Existe um enigma não deci ra o so r . nao oram hi " desta no discurso. a se aceitar esta idéia de Barthes: .. Ou seja. Rio de Janeiro. Por certo esse mv .a idéia de fundaçao. a teoria crítica do Direito encarou o problema da dependência social da produção do sentido. traindo a tradlçao gnos d sgcomo intertextualidade.

p.entíficos. Diante da sociedade feudal. não passam de uma indicação sem reducionismos economicistas. como instância . "O termo arnbivalência refere-se do pensamento sem pretensões a uma coexistência realistas. segundo Bakhtin. não são escaldantes. representa um ato de esvaziamento ou de quebra de linearidade das relações ideológicas. O discurso rebelde é um estado muito sutil de destruição do lugar mitificado da verdade. Questiona também o apeIo à idéia da norma fundamental. Da mesma maneira ataca a noção de Direito centrada nas normas positivas. 12 tano entre as vozes do personagem e a do narrador. . Em outras palavras. . na medida em que põe em ação crenças que foram socializadas a partir de uma idéia da razão analítica.do Direito. é monológico. O discurso monológico é uma fala já habitada. O romance clássico pelo contrário. A carnav~lização da teoria jurídica colocaria os significantes em permanente situação de produção.o va!or político da polifonia. As vezes notase na corrente crítica. da necessária articulação da instância jur~dica. É um romance dialógico.. Ele é o único que fala do mundo. Deslocaria o lugar da verdade.cit. O discurso dialógico estimularia os antagoni mos das significações. nossa posição é a de fazer 'surgir.não reconhe~lda manifestamente pelo pensamento idealista -. COIIIO escritura-leitura que caminha paralela a uma lógica não aristotélica. . hermética. "A ciência tem sempre um valor metafórico. que não se torne o discurso ininteligível. Estas denúncias. pressupõe a existência de um discurso rebelde que. E isto deve ser feito de modo tal. é um ato de desvio da verdade que provoca um efeito crítico sobre a ideologia. imposto pelo objetivismo abstrato e pelo positivismo jurídicoll. para mostrar o funcionamento da lei na sociedad~.ci. supostamente capaz de salvar o Eu-Social da indeterminações e ambivalências 13 dos efeitos míticos de sentido. Prefiro a hipótese do caráter conflitivo do processo de produção das significações 10. mostrando como ela esconde determinantes sociais. 354 . direi que para produzir o nível crítico das significações científicas. com as demais instâncias da sociedade. esta em O dialogismo implica sempre uma idéia de descontinuidade dupla do sentido. ver Eliseo Veron op. consagrado para o território onde se realiza simbolicamente a produção social: nosso cotidiano. sem embargo. A superação das condições de possibilidade dos discursos. o carnaval torna-se uma possibilidade de existência paralela para segm n- 120 dialogismo. Na sociedade feudal. era o carnaval que abria caminho popular para uma experiência não hierárquica da vida. o papel interdiscursivo das doutrinas. como modo d como revelndt I a diferença do discurso rebelde transformação do significado. fundada numa gramática de recepção pequeno-gnoseolog1ca. que precisa ser deslocada. abrindo-a para uma gramática livre. O discurso dialógico. O discurso monológico tem efeitos totalitários de poder. 89. O romance carnavalizado marca a presença de um diálogo iguali. na teoria Jurídica variações enunciativas que sirvam a funcionamento produtivo da palavra no interior das relações sociais. vê a linguagem como uma relação de textos. uma inclinação a pressupor o unitarismo do so~ill d'ec~rrente da dominação do todo por uma classe. assegurando seu desenvolvimento. IOSobre esta hipótese. defina o sistema de produção das slgmftcaçoes científicas como um processo e não como um produto. 19 (. contru os códigos rígidos da ordem medieval. . pelo contrário. assumi-to. é preciso provocar a carnavalização do discurso. produtora dos sentidos da lei e como processo de exercício do poder. correlacional. . A ideologia pode também ser definida como uma relação de poder entre as significações. em seus diversos' níveis. carnavalesca. sintagmãtic \. Introdução à Semioanálise. recuper~nd? . No romance carnavalizado todas as vozes dizem o mundo em pé de igualdade. todas as vozes são neutralizadas pela voz do narrador. democratizando-as. 8. Toma~do emprestada da literatura uma de suas figuras. São Paulo. para Julia Kristeva. Perspectiva.

reinjetando-Ihe valores igualitários de "cornrnunitas"!". Quando nos reconhecemos socialmente através de ordem. a frase torna-se b. entende esses deslocamentos como ritos de inversão de estatutos. Há grandes diferenças entre a Teoria Crítica e um discurso científico baseado em condições dialógicas de produção. como nas encenações do teatro clássico. Tumer. e as palavras de ordem na ciência jurídica são muitas. mas o que está demasiado presente em sua crítica é a ideologia encarnada no universo social. mais impositivo. Deste modo. 356 . que deve ser feita em processos de coletivização molecular.o real. É este medo que deixa o indivíduo fragilizado. 1968. de identidades autoritárias. O sentido de um discurso científico dialógico é sempre uma pergunta. A variação impõe um sentido cada vez mais forte. desenvolve-se nela a diferença dos papéis e dos planos. sem fazer do lugar onde se fala. tão indefeso que necessita presentear-se. É o sentido da transgressão hierárquica que é importante resgatar desta proposta de análise literária. Impera uma tática das proposições sem compromissos. a carnavalização é uma metáfora analítica que pode servir para nos lembrarmos que. uma festa coletiva que prefigura o acesso autônomo do indivíduo como ator político. Penso que a ciência jurídica deve organizar-se para a democracia. levantando uma interrogação crucial: será que as ciências sociais nos tendem a uma cilada procurando a verdade? A democracia é uma invenção constante sem estar apoiada na verdade como palavra de ordem. as questões que o discurso lhes propusesse (o que Brecht chamava a saída). Este último é uma arte de levantar as questões e não de respondê-Ias ou resolvê-Ias. As verdades oficiais seriam deslocadas pela paródia carnavalesca. Assim a sociedade é encenada pela ciência como um espetáculo de significações. O discurso dialógico não tem de maneira nenhuma um sentido de militância. resplandece como alternativa o semiocídio. O discurso científico. Trabalhos recentes de antropologia sustentam o ponto de vista de Bakhtin. A corrente crítica do direito consegue mostrar os efeitos políticos que nas sociedades capitalistas a hierarquia do saber provoca. entre um genocídio e outro. Daí que não se possa pensar em deslocar a ordem imaginária e discursiva do processo autoritário de reconhecimento das identidades sociais. mas não é todo o drama. A consciência lógica do saber é então mais que 357 em "Turner. É uma escritura do sentido suspenso. está faltando o palco. Contra o medo se levanta a leitura lúdica. Os indivíduos. tal como o estou apresentando aqui. Chicago. 11. Victor. A norma invertida teria como função relaxar a rigidez estrutural do grupo. O sentido suspenso incomoda. 10. Quando digo isto. Por isto Barthes fala da necessidade de um espaço lúdico de leitura. em nossa história. e por isto carrega consigo uma força que permite transformar o impulso vi ta! em objetivos de luta social. Theritual processo structure and antistructure. pretende-se elaborar respostas críticas. nem explica . Ela se reinventa numa compreensão política do indeterminado. servc bem como uma metáfora da cultura. circulação e recepção. O discurso científico não descreve. encontrariam as respostas. E este é um sentido que não serve para o estabelecimento de uma sociedade democrática. mas do que é falado. em seu processo de formação como atores políticos.a partir de uma ordem canônica indiscutível .tos populares.Ia suspenso. 9. o espaço público para a grande atmosfera de festa que é a democracia como processo participativo. refiro-me aos grandes modelos da ciência jurídica em que. presentes em todas as sociedades. à primeira palavra de ordem que encontra. Só o discurso dialógico pode levantar uma questão e deixá. convidando-nos a um discurso alternativo de verdade. Enfim quero lembrar que o autoritarismo é sempre a ausência de teatro. Enfim. por exemplo. Ele o dramatiza. Para Nietzsche a ciência nasce do medo. O sentido suspenso não implica a variação do sentido.erárquica.

As formas mitológicas novas associações significativas à Nesse sentido interessa muito metido com o positivismo jurídico. Não se pode construir uma sociedade democrática como indivíduos semiologizados pelo autoritarismo. essai SUl' Ia derive mythologique de Ia rationalité juridique. de maneira "ahistórica". Penso que se precisa questionar. se está introduzindo um princípio ideológico na gramática de produção dos discursos jurídicos que nega uma inerência da ordem imaginária. A figura do legislador racional evoca o narrador do romance monológico. Nas lutas sociais não se podem inocentar as significações". É o caráter intertextual dos componentes "Falta portanto uma teoria política Manai. Exatamente a mesma semelhança que encontramos no pensamento crítico que efetiva a exegese cI( tecido significativo do social em nome da verdade. 17Idem. mais analisar o imaginário comproque os efeitos lógicos de superfície lógicos e mitológicos da racionalidade jurídica o que permite os efeitos normativos. de certas condições imaginárias que a possibilitam 16. 12. que impregna as significações jurídicas. De certa maneira ela está levantando a questão do imaginário comprometido com o discurso monológico. Porém não incomodam em profundidade a dita mitologia. a questão das relações entre o mito do I gislador racional e os efeitos da coerência e segurança provocados p 111 identificação do pai com a lei. depois porque permite absorver as transformações históricas. 1981. unicamente ele pode dizer mundo jurídico. Por outro lado. Precisamente através desse território mitológico específico é que o discurso jurídico adquire sua coerência. são as que permitem identificar as miragem de unidade. situando a racionalidade jurídica como uma superação adulta de nossa infância mitológica. Penso que a teoria crítica deveria focalizar. como um de S UN interrogantes provocativos. para determinar a maneira em que esses discursos estão impressos de crenças e de mitos. . de todos os membros da sociedade. 358 I) . Dominique Manai coloca uma questão que me seduz: "le legislateur rationnel assure Ia clôture du discours juridique"!'. para que se produza um traslado dos centros de produção semiológica. Notice Bibliographique: Droit. A lógica imaginária. É dizer. Uma sociedade democrática encontra-se fundamentalmente comprometida com a necessidade de prover as condições de possibilidade de um desenvolvimento pleno. As correntes críticas do Direito ensaiam uma desmistificação dos efeitos mitológicos comprometidos com o referente imaginário do legislador racional. autônomo. preservando o efeito de coerên- cia interna. 111 Notice O'information n° 17. uma necessidade psicológica de segurança e identidade. comprometida com a democratização semiológica. Inquieta-me muito que a glorificação de uma ordem jurídica essencialmente boa e infalível seja substituída pela glorificação de uma ordem de verdade apresentada como ordem das coisas. Sua lógica específica revela-se do mito. também. Os juristas críticos denunciaram os efeitos de poder dos discursos jurídicos como uma máquina normalizadora. Uma sociedade democrática também pressupõe a constituição de um lugar comunitário para a descentralização semiológica. das linguagens e dos textos. pode-se encontrar urnu certa semelhança com o leitor passivo. no momento da exegese. Por certo é na própria noção de sistema que se deve encontrar o ponto de relação entre a lógica e o mito. a racionalidade do discurso da ciência jurídica. CETEL. mythe e raison. que vivam um imaginário fascista. permite o ancoramento do discurso jurídico na história. É uma necessidade autoritária. fetichizado como fenômeno natural. que nos propõe. Dominique novembro. na medida em que sua leitura desmistificadora a partir de um outro referente fantasmático: o cientista racional. disciplinadores e hermenêuticos dos textos jurídicos. "Cf.um problema lógico. Precisamente quando se nega esta relação. Nova mistificaçí O autoritária do saber.

por exemplo. Assim o discurso é regulado (determinandose a interconexão de suas partes e os limites da expansão do conjunto) 360 através da tentati va conceitual de dar uma resposta ao interrogante colocado. um resultado. nunca é expressamente formulada. Presentemente penso que a análise discursiva. Por outro lado. Ninguém pode dizer o que é. destinadas a transformar alguma "cidade farta de autoritarismo. nas ciências sociais. a produção do conhecimento torna-se monocêntrica. É oportuno dizer que a pergunta.13. A racional idade do discurso se mede aqui pelo que. levantando questões contra a cultura de massas e os imperativos de suas próprias linguagens. A racional idade da resposta se mede pelo seu valor inferencial e proposicional. Estas aproximações são articuladas como condições de possibilidade que permitem a compreensão dos discursos jurídicos a partir das dimensões imaginárias que o atravessam. levantando simultaneamente várias perguntas que deixam em suspenso para provocar a recepção ativa. pela tentativa de uma elucidação compartida. O discurso monocêntrico reconhece um único centro gravitacional em torno a uma pergunta capital. Para isto é preciso jogar todos os discursos que se apresentam como científicos. cuja resposta pretende encontrar a partir de alguns conceitos. Igualmente deve-se propiciar a crítica do Direito sem as fronteiras abertas da metalinguagem. podemos diagnosticar os fatores construtivos do discurso. deslocando-se para os momentos de recepção a interconecção dos diversos níveis do discurso. Ela tem uma testa de ferro: a noção do sistema. determinam sua coerência. No discurso policentrado substitui-se um sistema analógico de representações do mundo por um espaço alegórico que adquire o sabor de uma didática anarquista. estáse teatralizando as significações. A teoria kelseniana. pode ser vista como a resposta à pergunta: que significa pensar juridicamente? De fato esta pergunta é o centro de gravidade teórico. é o que permitiria que os próprios atores políticos pudessem subverter-se no seu interior. pelo contrário. e com isto está convidando à participação. o espaço epistemológico adquire um caráter policêntrico. em torno do qual gravita um discurso teórico monocêntrico. teses e conceitos. Vista como análise intertextual e não como tática interdisciplinar. baseada na idéia de intertextualidade e na idéia de uma semiologia polifônica. na própria prática de enunciação. um deslocamento do lugar epistemológico para uma semiologia também deslocada. Desta forma não se encontrará o discurso da ver- 361 . Com efeito. 14. Para mim é a mesma posição dogmática. Quando se escreve ou se enuncia um discurso policentrado. Desde uma proposta epistemológica que privilegia. em palco". o elemento de coordenação do sistema kelseniano. Decifrando o centro de gravitação de um discurso. É uma pergunta que será respondida kantianamente de um modo logocêntrico. a práxis do método. O que o cientista crítico pode oferecer é uma abertura a essa prática que é o conhecimento. Barthes estava carregado de razões quando propunha uma crítica literária na literatura. Estou propondo. O conceito de obra acabada é desta forma atacado. abolindo-as pela leitura apaixonada. a inteligibilidade de um discurso teórico depende de indicações relativas a sua orientação argumentativa. Uma semiologia que tente interpretar os discursos jurídicos. A interdisciplina-ridade não suprime o problema das metalinguagens. São perguntas provocativas. Desta forma desloca-se a hipostação cientificista que faz da razão logicamente amadureci da o sujeito da história. para abolir os efeitos autoritários da metalinguagem. Ditos indicadores funcionam como centro gravitacional do sentido do discurso. A resposta tem que estar logicamente fundada e ser ao mesmo tempo semanticamente consistente. Mas os discursos que se organizam sobre a base da intertextualidade procuram provocar a ordem da sua coerência interna. permanentemente unos contra outros. não basta apelar à perspectiva metalingüística e interdisciplinar. levando-se em consideração a intertextualidade. as faz fortes. a partir do modelo da língua sistemática. abortaria a percepção das determinações imaginárias das significações. é entendido como racionalidade. que são sempre algumas questões. certamente. a partir da instituição de uma metalinguagem. Para superar o mito da explicação do Direito por ele próprio. na própria sociedade.

A intertextualidade refere-se. mas também contra a unificação e homogeneidade social. nas sociedades democrátic~s o espetáculo de conflito está na própria sociedade e não mais o Estado. provoquem. conceituado como um lugar fora da sociedade. descentralizada. Uma sociedade democrática exige uma permanente reinvenção simbólica. A linguagem prevê um lugar inócuo para a falta de sentido. mas também um valor insinuante que estimula à crítica ideológica. na enunciação O discurso monológico pretende colocar as relações simbólicas do poder ao abrigo de toda contradição. Surge. de total objetividab . na lei e no saber do Direito encontramos o mito de uma sociedade sem fraturas. A sociedade então não pode ser definida como uma unidade substancial. mantendo-se. Nele desenvolvem-se as relações simbólicas fala de verdade. mergulhando-o em uma pratica intertextual que o transgredia. Sob esse ponto de vista. Para Barthes.ão têm unicamente um valor estilístico. Quando falo de deslocamento insinuante da linguagem. Nela a legitimidade de poder não está apoiada e efeitos de significação totalitária. Fica evidente que estou assumindo a linguagem como um espaço de debate e de conflito. seduzindo-o. Daí o apelo às táticas de enunciação interrogativas que. Atualmente. sempre abertas para o regresso do novo. um campo de estereotipação.. Para isto o lugar do poder apresentase como um lugar simbolicamente vazio. levantando suspeitas sobre os estereótipos com os quais se consagram idéias que nos falam do progresso. consezuindo com isto um ponto de partida de uma prática de subversão do b • . estimulem e. Certamente. na medida em que assume a linguagem a favor da divisão do conflito e da descontinuidade. 17. Eles contêm o princípio da estabilização do conflito. As surpresas do significante . que não seja pratica incomunicável. A lei e o saber do Direito constituem um nível de relações simbólicas do poder.dade. de poder. senão ligada à permanência do conflito. irritem. a da intertextualidade constante. o valor cnuco do discurso policentrado está em despertar os sentidos para a polissemia. O discurso fundado no descentramento do sentido favorece o desenvolvimento do conflito. Desta forma se conquista a alienação do sentido pelo sentido e onde o conflito adquire o significado de uma transgressão. baseada num trabalho de interrogação sobre as significações intertextualmente dadas. Assim. ao mesmo tempo. obediência e atos de verdade. em muitos casos. sujeito a metáforas antagônicas sempre questionadas.uma ou~ra direção. Por isto é preciso mudar a gramática de produção sem converter em escândalo os sentidos. uma gramática de estereótipo produtora dos efeitos de significação totalitários: submissão. ao espaço público de circulação produtiva das significações. da~do ao sentid? . mas numa prática de discurso metafórico. esta dimensão simbólica manifestase através de discursos monológicos que outorgam ao conflito o sentido de uma transgressão. que a ciência e o poder não sejam situados num espaço imaginário. uma pal~vra é r?quintada quando faz desaparecer uma propriedade de outra. desse modo se simboliza a 362 363 . Acredito que a prática mais revolucionária no domínio da linguazern não está no discurso em que ocorre uma ilusão . de uma história onde o indivíduo particular é sacrificado à totalidade de uma história mitificada. E uma libertação da linguagem que apela à polissernia. assim. de. Com efeito. nível ideológico das mensagens. diluir as virtudes da razão adulta. Tomando sempre o infinito cuidado de não impor o discurso como uma I • cias e volumes diferentes.do. 16. sem uma construção incompreensível. assim. tentei mostrá-Io como ~m espaço dialético. indeterminada a natureza da sociedade. Penso que o êxito de uma reflexão crítica depende da surpresa da enunciação. mas se detectará o que nesses discursos está imobilizado. Dependerá da constituição desse espaço público. Enfim. 15. que o desviava de sentido do estereotipa. assim. não estou excluindo o requinte das palavras. onde os sentidos se fazem e desfazem segundo distân- É preciso. instala- do como signo que escraviza. Trata-se de uma linguagem apropriada para a constituição simbólica da democracia.

fala em nome de uma verdade social. construindo-se um imaginário coercitivo que coloca o político como uma instância do universal. utilizando a lei e o saber do Direito contra eles mesmos. através do Direito. (Montpellier. a supressão simbólica da autonomia dos sujeitos. e os juristas críticos a combatem em nome de uma racional idade gnoseológica que anima essa mesma paz burguesa. O pensamento jurídico é totalitário. O mito de uma sociedade coesa permite. Necessita-se então um trabalho de interrogação sobre o discurso jurídico. Uma das armas prediletas do poder instituído consiste na utilização de uma doutrina prestes a nos persuadir da realidade do discurso. onde o homem autônomo não seja um grande transgressor. 1983. fala em nome da lei. o conflito dos juristas está em que sua racional idade é uma técnica da aplicação dessa paz burguesa. fazendo deles um lugar vazio. A paz burguesa está em crise. APÊNDICE DIDÁTICO Ciência e Direito Inverno.petrificação das relações sociais e a dissolução juridicista dos conflitos. A teoria crítica é também totalitária. Insinuar simbolicamente o surgimento desse grande transgressor é o papel que imagino para a teoria crítica do Direito. França) 364 . mas o protagonista que assegura a invenção que legitima a democracia.