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POLÍTICA NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA: UMA LEITURA DO PLANO DE MOBILIDADE DE MOSSORÓ

RESUMO A mobilidade discutida em todo o mundo possui diversas conotações, mas o ponto em que unifica os diversos conceitos é que eles devem ser voltados para as pessoas. A partir dessa ideia, busca-se traduzir os anseios da população através de reações técnicas ao se fazer um Planejamento da Mobilidade, no qual o processo tradicional não é suficiente. A Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) criou diretrizes para nortear os planos de mobilidade em todo o Brasil. A cidade de Mossoró lançou edital de licitação para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró (PMUM), baseado nos objetivos da política nacional de mobilidade. O presente trabalho tem como objetivo verificar se o PMUM atende aos princípios do conceito de mobilidade urbana a partir da PNMU. Constatou-se que o plano mossoroense não atendeu suficientemente as diretrizes da política nacional de mobilidade, realizando o modelo tradicional de planejamento dos transportes. ABSTRACT Mobility concept has many means but the point that unifies the various concepts is that they should be focused on people. Differently from traditional process of transport planning mobility plans try to catch people wishes and convert them into technical resolutions. The Brazilian National Policy on Sustainable Urban Mobility (PNMU) has created guidelines to promote mobility plans, that guidelines follow the new concepts of sustainable urban mobility. Mossoró city promote bid process in order to get a Mobility Plan based on national policy objectives of mobility. The present has the aim to verify Mossoró´s Urban Mobility Plan (PMUM) meets the principles of concept of urban mobility exposed by the Ministério das Cidades from the National Policy for Urban Mobility (PNMU). From this reading, it was found that the plan didn´t attended sufficiently the guidelines of national policy for mobility but performing traditional model of transportation planning.

1. INTRODUÇÃO A definição de mobilidade urbana é ampla e variável, tendo diferentes abordagens em diversos países. O Ministério das Cidades (2007) define mobilidade urbana como “um atributo das cidades, relativo ao deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano, utilizando para isto veículos, vias e toda a infraestrutura urbana”. O conceito de mobilidade vem sendo difundido no Brasil, começando a dar seus passos iniciais. E para o Ministério das Cidades (2007) “em qualquer cidade do país, independente de seu tamanho, de sua localização geográfica ou da dinâmica de sua economia, é que ela deve ser orientada para as pessoas”. Com essa nova abordagem da mobilidade, o Ministério das Cidades (2007) determina a realização de planos de mobilidade por todo o Brasil em cidade acima de 100 mil habitantes. Os planos são baseados na recém-criada Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). A PNMU surge ampliando os conceitos de planejamento dos transportes incorporando as visões de infraestrutura, circulação, transporte público associado a questões de uso do solo, meio ambiente, entre outros aspectos e, principalmente, a sustentabilidade. Mossoró é uma cidade localizada no oeste potiguar com cerca de 250.000 habitantes. A industria do petróleo e do sal tem impulsionado a economia local e com o crescimento urbano da cidade, a prefeitura de Mossoró, aderindo à Política Nacional de Mobilidade Urbana realizou licitação para contratação do Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró (PMUM), com vistas à: elevar o padrão de qualidade ambiental do município; promover o

pois os profissionais passaram a admitir abertamente sua baixa confiança em relação à capacidade dos modelos de fazer previsões de longo prazo. Esse sistema congrega técnicas utilizadas em quatro etapas para prever a demanda futura de transporte e definir as melhores alternativas de oferta. O seu objetivo é definir a infraestrutura viária e de transporte (vias e terminais). os planejadores buscaram alternativas para a sua evolução. com poucas adaptações para as condições locais (VASCONCELLOS. 2000). MOBILIDADE 2. criar mecanismos que possibilitem tornar a cidade mais aprazível.1. vê-se a oportunidade de comparar o que foi realizado no PMUM e com o que. segura e atraente para os moradores e empreendedores interessados em investimentos no município.2. Segundo Vasconcellos (2000). Conceito de Mobilidade Vendo a insuficiência do processo tradicional de planejamento dos transportes. chegou-se ao ponto em que ele se mostrava desinteressante para o processo. orientando para um apoio permanente ao processo de decisão. o sistema deu embasamento técnico ao grande esforço de construção de rodovias. Até os anos sessenta. assim como a algumas políticas de apoio ao automóvel. de acordo com alguns princípios econômicos e técnicos. O presente trabalho tem como objetivo verificar se o Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró atende aos princípios do conceito de mobilidade urbana expostos pelo Ministério das Cidades. Além disso. sugerindo um enfoque operacional. que por sua vez se baseia na PNMU. Denominado “Urban Transportaion Planning System” – Sistema de Planejamento do Transporte Urbano (SPTU) – foi o processo mais abrangente de planejamento de transporte desenvolvido até então. a partir da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Essa modelagem em quatro etapas tem sido exportada para os países em desenvolvimento e tem sido usada em quase todos os maiores estudos de transporte desde os anos sessenta. bem como os meios (veículos) e os serviços de transporte que poderão ser utilizados. os possíveis efeitos negativos das propostas não eram questionados. ocorreu um reconhecimento crescente dos impactos sociais e ambientais do aumento da capacidade de tráfego e da necessidade de balancear os custos financeiros aos custos sociais e ambientais. passou a ocorrer uma crítica a respeito do uso de dados agregados e a transferência indiscriminada dos procedimentos para países em desenvolvimento (VASCONCELLOS. 2. A partir de então. o Planejamento dos Transportes (PT) é uma das três técnicas de intervenção sobre o desenvolvimento urbano – além do planejamento urbano e do planejamento de circulação – que tem relação direta com o deslocamento de pessoas e mercadorias. Com o PMUM. Ao longo da evolução dos estudos do modelo. Planejamento dos Transportes De acordo com Vasconcellos (2000). promover a mobilidade urbana com fluidez de tráfego e segurança dos usuários e com conforto ambiental. supostamente. 2. dando origem uma nova abordagem: . tendo por base dados coletados para auxiliar no estudo. 2000). na década de 50. Esse procedimento sistemático foi desenvolvido nos EUA.desenvolvimento socioeconômico em bases sustentáveis. O modelo tradicional para solucionar os problemas de transportes se baseia na análise da demanda. seria almejado pela sociedade de acordo com a PNMU.

3. socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável”. As cidades que consideram as políticas relacionadas à integração entre mobilidade e sustentabilidade urbana garantem maior eficiência e dinamismo das funções urbanas. 2012). POLÍTICA NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA De acordo com a lei nº 12. 2008). incluindo a utilização de veículos não poluentes. que devem ser integrados aos planos diretores. mobilidade urbana é a “condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano” (BRASIL. pois mobilidade também está relacionada à saúde (física e psicológica). principalmente. sociedade. 2006). com maior e melhor circulação de pessoas e mercadorias (MAGAGNIN. e agora se busca de integrar os demais componentes que fazem parte do espaço urbano. O que se percebe é a mudança do objetivo da engenharia de tráfego que. visão esta desconsiderada pela maioria dos planejadores que dão prioridade à utilização de automóveis. transporte público associado a questões de uso do solo. conciliando as dimensões ambiental. o presente trabalho adotou os o que preza a Política Nacional de Mobilidade Urbana descrita na próxima etapa. meio ambiente. social e econômica (MINISTÉRIO DAS CIDADES. Em estudos realizados por Castro (2006). não é suficiente. incorporando as visões de infraestrutura. “O resultado é que mobilidade é muito mais do que viagens por pessoa/dia. essa obrigação é . economia e ambiente” (CASTRO. 2008). é necessário que seja visto do ponto de vista sustentável. é necessário o estímulo ao uso de modalidades sustentáveis (transporte coletivo e não motorizado) em detrimento do veículo particular e a importância do tratamento adequado das questões de mobilidade como conceito inserido num contexto mais amplo do que a simples realização de viagens (CASTRO. Então. 2006). A ANTP (2003) define Mobilidade Urbana Sustentável como “o resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que visam proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano. o que exigiu uma nova abordagem inserida no contexto da sustentabilidade. Na visão da Mobilidade Urbana Sustentável dá-se prioridade aos modos coletivos e não motorizados (a pé e bicicleta). anteriormente. a antiga denominação do planejamento de transportes passa a planejamento da mobilidade urbana e o conceito de planejamento associado aos transportes é ampliado.o planejamento da mobilidade. Tendo em vista as diversas abordagens. circulação. visava o maior número de carros trafegando por uma via. A nova lei exige que os municípios com mais de 20 mil habitantes elaborem planos de mobilidade urbana em até três anos. Ou seja. na sustentabilidade e no desenvolvimento da cidade. através da priorização dos modos de transporte coletivo e não motorizados de maneira efetiva. Para tal fim. Atualmente. a sustentabilidade. entre outros aspectos e. constatou-se a necessidade de revisar o conceito da mobilidade desde que se iniciou o questionamento dos modelos tradicionais de planejamento de transporte. Isto se reflete na valorização do espaço público. mas para as novas abordagens acerca da mobilidade. até então vislumbradas acerca da Mobilidade. 2007 apud MAGAGNIN. a inclusão de novos elementos no processo de planejamento não é suficiente.587/12.

Esta mudança de denominação vem para ampliar o antigo conceito de planejamento de transportes. subordinando-o aos princípios da sustentabilidade ambiental e voltando-se decisivamente para a inclusão social. A obrigação de elaboração de planos de mobilidade urbana poderá ser usado como instrumento de direcionamento para que as municipalidades possam perseguir políticas que incentivem ou inibam determinados modos de transportes. os Estados. A PNMU tem por objetivo geral promover a mobilidade urbana sustentável. incorpora o planejamento participativo. Ou seja. 30 diretrizes e quatro estratégias. monitorados por indicadores preestabelecidos. contribuir para o desenvolvimento econômico através do transporte. envolvendo os segmentos organizados da população de forma democrática e participativa. à população urbana brasileira.  Sustentabilidade Ambiental: Estimular o uso equilibrado do espaço urbano. como forma de incluir a sociedade nos debates no que se refere à mobilidade. com a participação da sociedade. e definam metas de atendimento e universalização da oferta de transporte público coletivo.imposta aos municípios com mais de 500 mil habitantes. Trata-se de reverter o atual modelo de mobilidade. promovendo ações articuladas entre a União. A lei da mobilidade ou Política Nacional de Mobilidade Urbana através das diretrizes para o planejamento e gestão dos sistemas de mobilidade urbana permite às prefeituras e governos estaduais elaborar planos de transportes e trânsito que contenham identificações claras e transparente dos objetivos de curto. talvez de forma mais radical do que outras políticas setoriais. melhorar a qualidade do serviço de transporte coletivo. de forma universal. integrando-o aos instrumentos de gestão urbanística. as diretrizes da PNMU criadas pelo Ministério das Cidades (2007) têm o objetivo de contribuir para que o debate das políticas públicas de transporte e de circulação urbanas seja levado ao maior número de cidades possível. o Distrito Federal e os Municípios. Para a elaboração dos Planos Mobilidade. identifiquem os meios financeiros e institucionais que assegurem sua implantação e execução. a melhoria da . incorporando as questões da sustentabilidade e da participação popular. que fortalecem a possibilidade de sucesso da aplicação da política nas cidades. A atual Política Nacional de Mobilidade Urbana surge para atender aos anseios da população brasileira no que se refere à mobilidade urbana sustentável. conceituados por Castro (2006) são:  Desenvolvimento Urbano: Integrar o transporte ao desenvolvimento urbano. reduzir deseconomias de circulação. a proposta da Política Nacional da Mobilidade Urbana Sustentável fundamenta-se em três macro-objetivos embasados em dez princípios democráticos. Os três macro-objetivos da Política Nacional da Mobilidade Urbana Sustentável. médio e longo prazo. além das questões tradicionais de transporte e circulação. As cidades brasileiras vivem um momento de crise da mobilidade urbana. formulem e implantem mecanismos de monitoramento e avaliação sistemáticos e permanentes dos objetivos estabelecidos. que exige uma mudança de paradigma.

As quatro. Melhoria do Transporte Coletivo Urbano. a universalização do acesso ao transporte público. de acordo com a analisado no estado da arte. Participação e controle social sobre a política da mobilidade. Uso Racional do Automóvel. por meio da mobilidade urbana sustentável. e a valorização dos deslocamentos dos pedestres e ciclistas. 5. A próxima etapa expõe como foi feita a análise do Plano de Mobilidade Urbana. Os princípios que fundamentam a política são: 1. Políticas públicas de transporte e de trânsito. promovendo e apoiando a circulação segura. 2. 4. Promoção da Circulação Não Motorizada. Direito á informação sobre a mobilidade. Paralelamente. material acessível ao público em geral. De acordo com Gil (2007) a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado. Paz e educação para a cidadania no trânsito como direito de todos. visando traduzir esses princípios e diretrizes em ações. Universalização do acesso ao transporte público coletivo. para isto realizou-se uma pesquisa bibliográfica sobre o estado da arte em relação à mobilidade urbana e ao planejamento dos transportes.  Inclusão Social: Estimular o acesso democrático à cidade. Mobilidade urbana centrada no deslocamento das pessoas. 3. rápida e confortável por transporte coletivo e por meios não-motorizados. “As diretrizes da PNMU apontam em igual direção as medidas estudadas pelas experiências internacionais” (CASTRO. 6. Transporte coletivo urbano como um serviço público essencial regulado pelo Estado. Desenvolvimento das cidades. A pesquisa bibliográfica desenvolvida neste estudo é conceituada por Vergara (2000) como um estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente trabalho propôs-se a verificar se o Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró atende aos princípios do conceito de mobilidade urbana expostos pelo Ministério das Cidades. a melhoria da qualidade do ar e a sustentabilidade energética. as 30 diretrizes abrangem amplamente as medidas que aplicam o uso de instrumento do gerenciamento da mobilidade. revistas. Direito ao acesso universal. 4. 9.qualidade de vida. 7. As diretrizes serão descritas posteriormente. articuladas entre si e com a política de desenvolvimento urbano e de meio ambiente. isto é. 10. Acessibilidade das pessoas com deficiências físicas ou restrição da mobilidade. jornais e redes eletrônicas. Em sequência elaborou-se um quadro descritivo. no tópico dos resultados. . Estas diretrizes visam contribuir para o crescimento urbano sustentável e a apropriação justa e democrática dos espaços públicos. de mobilidade urbana sustentável. 8. 2006). de forma a instrumentar a participação popular e o exercício do controle social. agrupam-se em:     Planejamento Integrado de Transporte e Uso do Solo. constituído principalmente de livros e artigos científicos.

diretrizes e estratégias presentes nessas políticas. observou-se o mesmo entrave. Percebeu-se também a importância dos elementos que norteiam o planejamento da mobilidade. era preciso considerar que ao atender os princípios contidos no plano nacional. buscando a nova abordagem que trata a mobilidade urbana sustentável. Assim para a representação dos dados. princípios. pois é nesse ponto que os objetivos e princípios se transformam em reações técnicas para o planejamento como demonstra Figura 1. utilizou-se quadros. foi possível a partir do PMUM identificar elementos que se baseiam nesses princípios e diretrizes e que por sua vez atendem aos conceitos de mobilidade urbana do Ministério das Cidades. Da análise do PNMU percebeu-se que. as relações percebidas entre princípios e diretrizes podiam tomar várias interpretações. para a realização do estudo em questão. pois além das diretrizes contribuírem como um todo para atingir os princípios. sustentabilidade ambiental e inclusão social). que obedece à classificação dos objetos ou materiais da pesquisa. Assim. Ao se tentar relacionar as diretrizes e os princípios. Este estudo objetivou verificar o cumprimento das diretrizes. pois todos os princípios contribuem para o atendimento dos macro-objetivos. consequentemente. Atendidas as diretrizes.O resultado foi a contribuição para a analise do PMUM a partir das diretrizes da PNMU. 2010). O mapa conceitual é uma estrutura esquemática para representar um conjunto de conceitos imersos numa rede de proposições (MARCONI. seus objetivos. A simples tentativa de avaliar quais princípios estão diretamente relacionados com cada macro-objetivo seria insuficiente. o plano de mobilidade de Mossoró deveria atender os seus três macro-objetivos (desenvolvimento urbano. Os conceitos de mobilidade urbana foram compilados e analisados e percebeu-se que a Política Nacional de Mobilidade Urbana está alinhada com os anseios da população em tornar as cidades sustentáveis e com qualidade de vida. atingiam-se os princípios e por sua vez os macro-objetivos. onde podem ser considerados como um método sistemático de apresentar os dados em colunas verticais ou fileiras horizontais. .

através de hierarquização funcional e operacional das vias. A análise foi realizada para as 30 (trinta) diretrizes que constam na PNMU em relação ao PMUM.. promovendo a requalificação do espaço viário e da paisagem urbana. com vistas a:    Elevar o padrão de qualidade ambiental do município. Dessa análise. buscando criar uma forma de avaliação relacionada ao que preza os macro-objetivos. etc. reorganização do sistema viário. princípios e diretrizes da PNMU. 5. Fonte: Autoria Própria. também. com fluidez de tráfego e segurança dos usuários e com . Promover o desenvolvimento socioeconômico em bases sustentáveis. ao criar medidas para solucionar seus problemas o plano atendia as diretrizes. promoção de uma gestão sistemática do sistema viário e do tráfego geral e do transporte coletivo. a pesquisa buscou verificar se o plano de mobilidade de Mossoró contemplou as diretrizes contidas no programa nacional de mobilidade. criação de áreas com qualidade ambiental superior. áreas residenciais. Tendo em vista as diversas formas que o planejamento pode tomar e o grau de detalhamento dos temas abordados em um plano. priorizando o uso das vias por modo e. PLANO DE MOBILIDADE URBANA DE MOSSORÓ O edital de contratação de consultoria para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró no âmbito do município de Mossoró objetivava a melhoria das condições de circulação e segurança dos pedestres na área central da sede municipal e em outros locais de concentração como nos corredores de transporte coletivo. não era suficiente que o PMUM cita-se somente os temas acerca das diretrizes em questão. independente do escopo do planejamento para cada tema. Promover a mobilidade urbana. foi tecida uma crítica ao PMUM. Princípios e Diretrizes.Figura 1 – Relação entre os Macro-Objetivos. Assim. centro de bairros e de atividades terciárias e de lazer e cultura. Na análise desenvolvida. com a moderação de trânsito em centros de bairros. era preciso também que fossem elaboradas proposições relativas para cada diretriz.

formando. O PMUM (2010) verificou que o ônibus é o principal meio de transporte coletivo do município de Mossoró. como também quanto às condições das paradas/pontos terminais dos serviços (PMUM. uma rede de transporte integrada através de tarifa única. Dificuldade de opção por deslocamento não-motorizados. Os cenários apontados. De acordo com o PMUM (2010) noventa por cento da população do município de Mossoró está concentrada na sua área urbana e. segura e atraente para os moradores e empreendedores interessados em investimentos no município. E em linhas gerais. quadro de horário determinado. funcionando como uma referência na transição do sistema adotado. as quais foram balizadoras para as estimativas de fatores de crescimento e para a geração das matrizes Origem/Destino futuras. Foi montado os cenários de referências levando-se em consideração três situações distintas. Cenário Futuro: caracterizado pela ampliação da rede proposta em decorrência da influência das áreas de crescimento do município. conforto ambiental. o problema de transporte em Mossoró podia se caracterizado por (PMUM. de acordo com o setor estatístico do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte (DETRAN/RN). 2010). utilizado como marco inicial dos estudos para a rede proposta. Diversificação espacial desses deslocamentos. 2010):      Concentração dos deslocamentos obrigatórios casa-trabalho. que orientaram à indicação das alternativas para o sistema de transporte. Assim. segundo os operadores e o órgão gestor. comuns ao transporte coletivo e ao privado e. Coincidência parcial de itinerários em uns poucos corredores contínuos de tráfego. segundo o PMUM (2010). No estado do RN. Criar mecanismos que possibilitem tornar a cidade mais aprazível. percebe-se um detalhamento de projetos de linhas para o transporte público coletivo. Mossoró apresenta uma proporção de 01 (um) veículo para 2. casa-escola. Ao analisar as alternativas encontradas pelo PMUM para solucionar as questões envolvendo os problemas do sistema viário. mais pela origem do que pelo destino. Os demais componentes que fazem parte do sistema viário são abordados de maneira geral. o que se percebe é que apesar do plano tecer comentários .2 (quatro vírgula dois) habitantes. portanto. casa comércio e outros. temos uma proporção de 01 (um) veículo para 4. movimentando-se no perímetro urbano com itinerário pré-fixado. quantidade de veículos pré-determinada. incluindo o município de Mossoró. Cenário Proposto: caracterizado pela implantação da rede de transporte proposta para o município.56 (dois vírgula cinquenta e seis) habitantes. A Infraestrutura de Transporte Público do município de Mossoró está concentrada na área central e o grau de insatisfação dos usuários é preocupante quanto à oferta dos serviços. adotando bilhetagem eletrônica com desconto na passagem subsequente. Concorrência dos diversos meios de transporte público de passageiros. foram os seguintes:    Cenário Atual: caracterizado pelo desenho atual da rede de transporte. quase sempre tendentes ao conflito.

foi realizada a análise no PMUM em relação às diretrizes da PNMU e o resultado encontra-se no Quadro 1. Nos resultados pode-se relatar como foram tratados os demais componentes do sistema viário a partir da análise das diretrizes. o plano possuiu foco principal no transporte público coletivo por ônibus. pois todas contribuem para atingir os objetivos preconizados na política nacional. factíveis financeiramente etc. significa dizer que. RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a caraterização dos elementos que fundamentam o conceito de mobilidade urbana. deixando a desejar como seria tratado os demais componentes. A análise não envolvia o julgamento de valor. Desta forma. não era objetivo dessa pesquisa avaliar se as diretrizes propostas no PMUM seriam passíveis de implementação. a partir das considerações até então expostas ao longo do trabalho e das características tratados no item anterior. 6. não foi atribuído grau de importância entre as diretrizes. A análise desenvolvida buscava verificar se as diretrizes contidas na PNMU estavam contempladas no PMUM.acerca dos demais componentes do sistema viário. desenvolveu-se uma análise a qual se comparava as diretrizes contidas na PNMU vis-à-vis com o PMUM. Foram analisadas as 30 diretrizes contidas no PNMU. .

o PMUM não cria nenhuma medida visando a preservação do patrimônio da cidade. 17. 10. Não busca outras fontes de financiamento. mas não houve outras formas de disseminação da informação. Recomenda a ampliação do sistema viário existente para automóveis. 9. mas não possuí uma política para o barateamento. Não aborda. No seu conteúdo. Apesar de não detalhar. 12. Revitalização dos centros das cidades. Apoiar a adoção de novas tecnologias. mas não desenvolve para os demais modos. não há menção de como elas se integrariam com a PNMU. 16. 3. De uma maneira geral foi tratado os diversos modos. Promover preservação do patrimônio histórico dos centros urbanos. nem pedestrianismo nem ciclovias O PMUM menciona a necessidade do tratamento. Desenvolver áreas lindeiras aos metrôs. A população pôde participar das audiências públicas. 23. Promover articulação entre os municípios. Promover acesso da população de menor renda ao transporte. Promover a implantar as redes de ciclovias e de transporte público. Quadro 2 – Leitura do PMUM em relação às diretrizes do PNMU. 26. Apoiar e promover medidas que coíbam o transporte ilegal. 5. Desenvolver modelos alternativos de financiamento. Promover a regulamentação adequada. incluindo as de menor renda. Fonte: Autoria Própria. não foi abordar a diretriz. 4. 2. Combater a segregação espacial urbana. Indica a permanência do modelo atual. Cita as políticas presentes no munícipio. Promover e difundir informação sobre a mobilidade urbana. Sugere uma forma de baratear. Somente com a expansão das linhas de ônibus. estados e metrópoles. Priorizar o transporte não motorizado e coletivo de passageiros. Apoiar e incentivar projetos de Polos Geradores de Viagens (PGV). 19. mas incentiva o uso de ônibus mais limpos. mas não descreve sua integração com o PMUM. Foi realizado nas audiências públicas. 8. Não deixa claro. mas não detalha o que foi instituído como diretriz. contribuindo para o desenvolvimento do PMUM. 6. Cita a possibilidade de criação e ampliação das ciclovias existentes. Não apresentou sugestões de financiamento da mobilidade urbana Não contém medidas que especifique como será articulada com a mobilidade de acordo com a diretriz Promoveu a integração com o Plano Diretor do município. mas não detalha como será abordado o assunto Não promove nenhuma medida nesse sentido Não determina nenhuma medida de incentivo para a criação de PGV. Promover a coordenação entre a PNMU e as demais políticas. Como não há metrôs ou trens. Promover barateamento das tarifas de transporte coletivo. Uso de combustíveis alternativos 29. Atende? Sim Sim Não Não Sim Sim Sim Não Não Sim Não Não Não Sim Não Não Não Não Sim Não Sim Sim Não Não Sim Sim Não Não Não Sim Comentário Detalha somente o transporte público coletivo (TPC). Promover participação cidadã nas políticas da mobilidade urbana. 20. 21. 22. Buscar formas alternativas de financiamento de transporte público. Promover o transporte público eficiente e de qualidade. 15. Promover acessibilidade das pessoas com restrição à mobilidade. Apoiar desenvolvimento de projetos de circulação. mas não detalha. não mencionou como seria tratado o assunto O PMUM não detalha. Não cria medidas regulamentando o transporte público. O PMUM não cria medidas para atender a diretriz. pois o município já conta com o apoio de instituições. Incentivar sistemas de alta capacidade de transporte. diferente do TPC. 24. mas determina a promoção da capacitação dos agentes. 27. Comenta a necessidade. Priorizou o sistema já existente. Instituir diretrizes para o transporte urbano. 18. onde não abordando outros modos de maiores capacidades. . 13. Promover sistemas de transporte ambientalmente sustentáveis. mas não detalha como o assunto será abordado. Promover os planos de transporte urbano integrados ao plano diretor.Diretrizes 1. 11. Estabelecer mecanismos de financiamento da infraestrutura. Utiliza-se de estudos desenvolvidos no Plano Diretor. 7. Ampliação da rede e tarifação eletrônica possibilitando atingir outras localidades. não contém como serão tratado os demais modos. o PMUM indica a utilização de modos mais eficiente e de qualidade Indica a criação de um sistema de controle do TPC. como será tratado. Promover a capacitação dos agentes envolvidos. Desenvolve projetos para o transporte público coletivo. 30. 14. 28. Incentivar medidas de moderação no uso do automóvel. 25. Apoiar desenvolvimento de Planos Diretores.

7ª São Paulo: Atlas. o Plano de Mobilidade Urbana de Mossoró não atende de forma ampla aos conceitos contidos na PNMU.. o plano de Mossoró deixa a desejar como serão tratados os demais agentes relacionados à mobilidade nem fornece elementos que propiciem o financiamento do sistema de transporte público urbano. 2011. Gerenciamento na Mobilidade – Veículos de Pequeno e Médio Porte no Transporte de Passageiros Urbanos. FERRIL. 2008. Brasília. não havendo nenhum tratamento para o pedestre e apenas uma menção de implementação de ciclovias na cidade. n. BRADSHAW. CASTRO. Um Sistema de Suporte à Decisão na Internet para o Planejamento da Mobilidade Urbana. Plano de Mobilidade Urbana do Município de Mossoró/RN. Bélgica. Ou seja. P. Apesar de ter sido considerado pronto para a execução através de julgamento humano. Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana. São Paulo: Atlas. Mesmo baseado-se na PNMU e tendo como prioridade o transporte público coletivo. Revista Dos Transportes Públicos. In: World Conference on Transportation Research. Construindo a cidade sustentável. Anais. 297 p. S.7. São Paulo. S. Lei nº 12. São Carlos. Os resultados observados no Quadro 1 mostram que apenas 13 das 30 diretrizes foram contempladas. LAKATOS. Transporte urbano nos países em desenvolvimento: reflexões e propostas. Mossoró: 2010. Constata-se que as alternativas elaboradas para solucionar os problemas relacionados à mobilidade se baseiam no processo tradicional de planejamento dos transportes. Mencionar como poderá ser tratada a situação dos demais agentes que implicam na mobilidade não é suficiente. Gerência da Mobilidade: A Experiência da Europa.html> Acesso em 25 abr. Eduardo A.. 8. Bélgica..Ufrj. Tese (Doutourado em Engenharia dos Transportes) . VERGARA. R.. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Como elaborar projetos de pesquisa.com/demanda/demanda. 2006. . Gerenciamento da Mobilidade: Uma Contribuição Metodológica para a Definição de uma Política Integrada dos Transportes no Brasil. C. Os modos caminhada e ciclismo não foram contempladas. Renata Cardoso. 2002. C. Cidadania e Inclusão Social. 3 ed. Outras medidas contempladas sugerem o incentivo ao automóvel privado. 2010. VASCONCELOS. 14:00:15. São Paulo: Annablume.USP. MAGAGNIN. p. COOPER. 2007. Eva Maria. 2000. ao contrário do que preza a política nacional mobilidade. 3. parte dessas 13 diretrizes tratam mais especificamente das políticas transporte público para ônibus. apesar de se basear na Política Nacional de Mobilidade Urbana e de toda a evolução do conceito de mobilidade urbana. Rio de Janeiro. An international review of mobility management initiatives. 2000. MARCONI. São Paulo: Atlas. BRASIL.8m. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. Fortaleza: 1998. 4. Maria Alejandra Guilarte. Marina de Andrade. 2003. Eric Amaral. S. CÂMARA. Trimestral. Mobilidade Urbana. 2007. ed. PlanMob – Caderno de referência para elaboração de plano de mobilidade urbana. É preciso criar medidas para que sejam atendidos os objetivos contidos nos conceitos de mobilidade urbana expostos pela Política Nacional de Mobilidade Urbana.. CONCLUSÕES O PMUM não contempla todas as diretrizes contidas na PNMU. ed. 1998. Publicada no Diário Oficial da União em 4 de janeiro de 2012.273-282. 2008. In: XII Congresso da ANPET. 2006. Disponível em: <http://transportes. SOUSA. de 3 de janeiro abril de 2012. Antwerp. Rio de Janeiro. 1998.. o PMUM se mostrou mais um objeto de proposições precisas submetidas a um relatório e menos um objeto de ideias e políticas adequadas à realidade mossoroense. FERREIRA. Maristela Lopes de. GIL. Fortaleza.587.. Fundamentos de Metodologia Científica. 314 f.. 401 f. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTE PÚBLICO. A. Tese (Doutourado em Ciências em Engenharia dos Transportes) . Anais Antwerp. CDROM.