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XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE E PRÉALAS BRASIL 04 a 07 de Setembro de 2012.

UFPI, Teresina-PI

GRUPO DE TRABALHO: GT 19 – Juventudes, territorialidades e identidades Título do Trabalho: Movimento Hi-Hop e identidade juvenil: violência e arte na produção dos espaços urbanos. .Nome completo dos autores: Ronaldo Laurentino de Sales (UFCG) Thayroni Araújo Arruda (UFCG) Instituição dos autores: Universidade Federal de Campina Grande-PB E-mail: ronaldo.sales@gmail.com thayroniarruda@hotmail.com

Resumo O objetivo desse artigo é iniciar uma análise introdutória das práticas dos atores juvenis na constituição do movimento hip-hop na cidade de Campina Grande – PB, buscando compreender sua ação sobre o conflito e a violência entre a juventude urbana, conforme fatores de diferenciação social (classe, gênero, idade, raça). Este objetivo é parte de um projeto de pesquisa que ainda está em sua fase inicial de elaboração. O problema de pesquisa pode assim ser enunciado: qual a relação da sociabilidade juvenil com a tendência de crescimento dos índices de homicídios em médias e pequenas cidades do Nordeste brasileiro, atingindo, em sua maioria, jovens negros de periferia? Buscamos mostrar a relação da sociabilidade juvenil ligada ao movimento hiphop com os processos (dentre os quais a violência) de produção e apropriação do espaço urbano. A rivalidade entre jovens é deslocada da esfera da agressão física para a arte (música, dança, arte plástica) como outra modalidade de antagonismo social na produção e apropriação do espaço urbano.

A cidade como forma de vida capitalista A urbanização está associada à expansão e concentração populacionais, ou seja, ao aumento da extensão e densidade demográfica em certas áreas geográficas. Esse crescimento demográfico é resultante não apenas do crescimento vegetativo, mas também dos fluxos migratórios nacionais e internacionais: “Na verdade, não se pode separar os dois processos – a acumulação dos homens e a acumulação do capital” (FOUCAULT, 1997). Processos recentes tem sido de um lado, a suburbanização, ou seja, o deslocamento de parte da população urbana, em geral, as classes médias e alta, para cidades de médio porte, em torno ao grandes centros metropolitanos, e, por outro lado, a urbanização acelerada de cidades médio e pequeno porte distantes dos grandes centros metropolitanos. Esses processos configuram novos padrões de urbanização e a constituição de novas formas de sociabilidade distintas das antigas formas de urbanização ligadas à industrialização e à migração do campo para a cidade. O resultado mais espetacular da urbanização é, entretanto, a segregação espacial da população, com a criação de enormes favelas e zonas periféricas

Portanto. 6) operários fabris. muitas vezes valorizados por investimentos públicos (SANTOS. contrabandistas. Esses aglomerados urbanos não diferem entre si. assim como suas dimensões meramente físicas.com precárias condições de habitabilidade. “um ambiente humano fisicamente presente que expressa os padrões funcionais rítmicos característicos. A configuração do espaço que se desenvolve na cidade é simbólica de uma cultura. 7) pessoas de profissões não identificadas ou sem profissão. a não ser pelo peso que têm dentro dele os diferentes grupos sociais ou anti-sociais que os integram. mas diversificados. lavadores de carros. presentes no local durante períodos de tempo variáveis. 1979). 1980:21). de alguma compreensão a respeito de como o ambiente produzido pelo homem ganha significado para seus habitantes. funcionários de empresas ou repartições públicas. 5) empregados no comércio. ladrões. idéias e comportamentos do grupo social predominante. de diferentes idades. 2) pessoas nascidas no local. ainda. empregadas domésticas e vários outros. artesãos. ex-trabalhadores. a cidade é um domínio étnico. 3) camponeses. Precisa-se. . a comunidade de favelados se identificará mais provavelmente com as concepções. profissões. Se na comunidade preponderarem numericamente ou predominarem politicamente os operários fabris. níveis de instrução. assaltantes. Se desejar avaliar a forma espacial da cidade. Portanto. grupos étnico-raciais. respondendo às condições de apropriação do espaço pelos diferentes estratos sociais e encontra uma de suas explicações na especulação fundiária dos terrenos urbanos. primeiramente. da ordem social existente. ou os migrantes camponeses recémchegados. trabalhadores da construção civil. que constituem uma cultura” (LANGER apud HARVEY. ou seja. se quiser entender a forma espacial. deve-se de algum modo entender seu significado criativo. necessidades e temores de seus membros. As favelas e comunidades populares são aglomerados heterogêneos formados por: 1) grupos sociais de migrantes rurais ou urbanos. trabalhadores subempregados de diversas ocupações como biscateiros. deve-se. traficantes. contraventores. A cidade como um todo possui essa qualidade simbólica. das aspirações. níveis de renda em geral baixos. ou pessoas das classes médias mais pobres ou o lumpenproletariado. 4) pequenos comerciantes fixos e ambulantes. em instituições financeiras e empresas de serviços diversos.

na oposição entre os bairros elegantes. derivados de normas sociais. esquerda/direita etc. nem é correto considerar a forma espacial e o processo social como se fossem variáveis que estão de algum modo em contínua interação. tanto quanto dizem respeito ao indivíduo. Isso omite grandes áreas do espaço físico que não são delineadas e são certamente desconhecidas. Por conseguinte. movendose de um ponto focal (ou nó) para outro ao longo de caminhos bem definidos. Em conseqüência. mas comum.164-165). Em razão disso. deve-se procurar entender os significados que as pessoas percebem de seu ambiente construído. Todavia. Cada pessoa vive em sua própria teia. em seu próprio sistema geométrico. não existe ninguém que não seja caracterizado pelo lugar em que está situado de maneira mais ou menos permanente (. os indivíduos. entre uma certa ordem de coexistência (ou de distribuição) dos agentes e uma certa ordem de coexistência (ou de distribuição) das propriedades. construída pessoalmente por relacionamentos espaciais.. por assim dizer.. de exclusão socioeconômica. no espaço físico. os antagonismos sociais manifestam-se de maneira diversa e.) (BOURDIEU. Apesar de uma situação social variável..) e os bairros populares ou os subúrbios . ou vice-versa. contida. primeiramente. Deve-se. porém o fazem a partir de significados socialmente compartilhados.pesquisar suas qualidades simbólicas. colocar as seguintes questões: como significa a cidade? Como os sentidos aí se constituem se formulam e transitam? O espaço só ganha significado em termos de “relacionamentos significativos”. quaisquer divisões do espaço social (alto/baixo. a heterogeneidade de formas de vida é irredutível à distribuição de renda na população.. mais ou menos estreita. conforme sua posição no espaço social. ou a uma condição socioeconômica comum vivida pelos indivíduos. sob a forma de um certo arranjo de agentes e propriedades. as experiências de vida têm trajetórias extremamente díspares. se se pretende esquematizar alguns detalhes da natureza real do espaço social. constroem esquemas espaciais que usam topologicamente. sobretudo. Não podemos falar plenamente da forma espacial causando processo social. apontando para impasses e saídas para as quais as condições .) se exprimem real e simbolicamente no espaço físico apropriado como um espaço reificado (por exemplo. de maneira mais ou menos deformada. O espaço social tende a se retraduzir. ter uma inter-relação dos sentidos espaciais socialmente compartilhados. p. (. Pode-se.) Esse espaço é definido pela correspondência. então. 2001.

tanto entre as cidades quanto no que diz respeito à sua distribuição intraurbana. Como veremos. este fenômeno não é distribuído igualmente no espaço da cidade. ao mesmo tempo. tal como se apresenta hoje. No entanto. Todos têm diferentes necessidades e consomem aspectos diferentes do espaço urbano em quantidades diferentes em suas vidas diárias. Cada indivíduo ou grupo determinará. O espaço urbano é um meio de sustentação de vida daqueles grupos. está profundamente interligada a um modelo de ocupação do espaço caracterizado pela periferização. Violência e sociabilidade urbana Pesquisas e levantamentos de dados estatísticos indicam que a quantidade de crimes violentos praticados nas cidades brasileiras vem crescendo significativamente. a sociabilidade juvenil e o movimento hip-hop desempenham papéis significativos na regulação popular do conflito e violência urbanos. A violência urbana. diferentemente. não há dúvida de que o crescimento da violência tem sido ininterrupto e atinge todo o sistema urbano do país.estruturais objetivas constituem. por conseguinte. 2000). existindo um padrão de ocorrência . A heterogeneidade de formas de vida (valores culturais e sociais) pode tornar impossível aos grupos sociais chegarem a uma posição de negociação “válida”. têm. impossibilitado de funcionar sem conflitos se houver uma profunda heterogeneidade nas formas de vida da população. de status social. Embora haja flutuações no tempo. Um sistema urbano estará. assim. Como dito anteriormente. em modalidades étnico-raciais. é procurar encontrar um padrão de organização territorial que minimize. apenas um grande pano de fundo (KOWARICK. religião e outras. de classe. sobretudo nos pontos de maior antagonismo. no espaço e no ritmo desse aumento. a violência urbana relaciona-se com processos territoriais de periferização e segregação. o valor de uso do espaço urbano. o contato social entre indivíduos portadores de diferentes formas de vida. Parece que a solução para que as dificuldades decorrentes da heterogeneidade de formas de vida sejam minimizadas. papel importante a desempenhar para minimizar o conflito e a violência do sistema urbano. na melhor das hipóteses. A organização territorial e a “de vizinhança”.

no ano de 2002. . Segundo o mapa da violência 2011 (documento produzido em parceria do Ministério da Justiça com o Instituto Sangari). tem uma propensão maior ao crime. fronteiras espaciais que refletem distâncias de classe e raça dentro do espaço social. Também. ou seja.que levaram gigantescas levas de pessoas às grandes cidades brasileiras .dos homicídios referente ao espaço (“territórios de pobreza”-espaços subalternos e estigmatizados) e aos autores e vitimas dos delitos (homens.8% a mais de negros do que de brancos. o que significa que para cada branco morto morrem dois negros. a maioria das vítimas de homicídios é composta por jovens (39.) Estes processos não são algo novo. Algumas localidades dentro da cidade são recobertas do estigma de “áreas de guerra” e são evitadas pelos não-moradores. em 2008. Segundo o estudo. o número de homicídios de vítimas brancas cai no país. As áreas de favela aumentam vertiginosamente. em decorrência do intenso fluxo migratório . não se diferencia a população moradora das periferias da parcela minoritária que de fato comente crimes.1% e. enquanto sobe o número de vítimas negras. em 2005 esse número sobe para 67. marginalidade e que esse fenômeno importou em uma forma particular de produção do espaço da cidade. em sua maioria negra.da especulação imobiliária e principalmente do empobrecimento ocasionado pela escassez de emprego. A dinâmica de homicídios cria no universo simbólico das pessoas “zonas proibidas”. Entendemos que nesse período transformações estruturais no sistema capitalista (flexibilização do trabalho e emergência do neoliberalismo) influenciaram uma nova dinâmica social e econômica marcada pelo aumento das desigualdades sociais.7%)e a morte de negros é muito maior do que a morte de brancos. estigmatizando a população moradora das periferias. O lugar de moradia serve como metáfora espacial da cor da pele. pretos ou pardos. A ligação periferia/crime/ negritude tem como consequência principal o reforço simbólico das desigualdades raciais. como portadora de uma índole violenta. baixa escolaridade etc. todavia devido às condições oferecidas pela reestruturação do capitalismo nas décadas de 1980 e 1990. obteve terreno fértil para seu recrudescimento. Entre os anos de 2002 e 2008. atinge o ápice de 103.4%. da pobreza. morriam 45. entre 17 a 25 anos.

é um centro regional do Estado. possuindo uma quantidade considerável de indústrias. Os jovens negros moradores dos “territórios de pobreza” são alvos preferenciais do arbítrio das instituições de coerção. A “interiorização da violência” envolve. Campina Grande. O crescimento desordenado da cidade levou a produção de diversas áreas periféricas e marginais caracterizadas pela falta de infra-estrutura.p. Alagoas. São inúmeros os casos de tortura. de abuso de poder. com uma população de 381 422 habitantes. pobreza e por índices absurdos de homicídios dolosos. principalmente no Nordeste do país. Estados do sudeste. quase o dobro da média nacional que é de 26. município do interior da Paraíba. Nos últimos anos.2 homicídios por 100 mil habitantes.4 homicídios por 100 mil habitantes. Campina Grande. Guardadas as devidas proporções e especificidades. enquanto outros estados. tiveram uma significativa redução. independentemente da existência ou não de garantias constitucionais (PINHEIRO. as praticas repressivas dos aparelhos de estado foram caracterizadas por alto nível de ilegalidade. como Bahia.1994. um processo de deslocamento da concentração dos homicídios das capitais e regiões . na qual há uma migração dos polos dinâmicos da violência homicida de um limitado número de regiões metropolitanas de grande porte para áreas de menor tamanho demográfico. a cidade obteve entre os anos de 2008 a 2010 uma taxa média de 48. Esse crescimento participa de uma tendência de transformação dos padrões de distribuição territorial dos homicídios que vem sendo chamada de “interiorização da violência”. tanto os fenômenos da periferização quanto da dinâmica de homicídios têm ocorrido nas cidades de pequeno e médio porte. conforme do censo IBGE -2010. como Rio de Janeiro e São Paulo. Estes fatores proporcionam um crescimento acelerado da população em decorrência dos fluxos migratórios e por seu próprio crescimento vegetativo. comercio relevante e constituindo-se como pólo universitário. entre outros. registrou um aumento significativo nas taxas de homicídio. Maranhão. mais que dobraram suas taxas de homicídio.201). município localizado no interior da Paraíba.Este estigma apresenta-se como fator legitimador da atuação truculenta da polícia. No Brasil. Segundo o Mapa da Violência 2012. também. que sustentavam as maiores taxas de homicídio. e “políticas de assepsia urbana” em que são mortas grande quantidade de pessoas taxadas como ligadas ao tráfico.

A classe média contrapõe-se a classe menos favorecida. Centro (40) e o distrito de São José da Mata (31) (GAMBOA. Conforme reportagem do Jornal da Paraíba: “Cinco localidades foram apontadas pela Polícia Civil como sendo as mais violentas onde aconteceram mais homicídios entre 2006 e 2010: José Pinheiro (50). segundo o mapa da violência 2011. local onde nos deparamos com o estranho que está ao nosso lado nos provocando o tempo todo a entender esta diversidade humana que nos rodeia. sem contabilizar os dados deste ano. as taxas de homicídio não são distribuídas homogeneamente pelo espaço da cidade. A cidade de Campina Grande ocupa a 59o posição de cidade que mais mata jovens do país. no espaço urbano.metropolitanas para cidades do interior dos estados. espaços subalternos e estigmatizados econômica. pode-se afirmar que houve um crescimento de 53% se comparado aos dados de 2006 (123 homicídios) com os de 2010 (189). . na Paraíba. Também nesse caso particular. que por sua vez compreende uma série de grupos que convivem diariamente com a diferença de seus opostos. ou Campina Grande. essas pesquisas foram associadas a corrente dos estudos culturais que em linhas gerais compreendiam o conjunto de práticas – ligadas diretamente ao consumo de gêneros musicais. E a mais afetada foi a população de jovens negros. Pedregal (48). Bodocongó (41). Realizando uma avaliação desse aumento. como Caruaru. Ela representa o que se tem chamado de “interiorização da violência”. Na década de 1970 foram realizados estudos sobre manifestações culturais que emergiram no período posterior a segunda guerra mundial. atividades de lazer e de estilos de roupas que usam – realizadas pelos jovens como sendo expressões culturais diferenciadas que se configuram essencialmente pela questão de classe social. participando da produção.8 por cem mil habitantes. com média de 60. política e culturalmente. em Pernambuco. de “territórios de pobreza”. principalmente para cidades de porte médio. pode-se afirmar que a violência homicida relaciona-se com processos territoriais. em intenso processo de urbanização. Diferenças estas que se tornam visíveis no espaço urbano. Nos últimos cinco anos. 2011). Sociabilidade juvenil. 690 pessoas foram assassinadas na cidade. Portanto.

A sociedade urbana exerce o papel de organizar todas as experiências humanas em uma rede empírica de ações que se efetivam em um espaço e tempo determinado. Jovens que. Desta forma. o conceito remete à “multiplicidade de situações.Os espaços onde as interlocuções dos sujeitos acontecem são responsáveis pelas mais variadas formas de interação. 2007:11). grupos de orientação racista. um lugar central nessas formas de sociabilidade urbana. gangues. o conceito de sociabilidade passa a exercer um papel fundamental para a compreensão do modo como a sociedade se organiza através das interações entre os sujeitos. Nesse sentido. “não há coisa ou evento que tenha um significado intrínseco ou fixo. . entendemos que o movimento hip-hop é uma das múltiplas possibilidades de interação juvenil que nasce entre os moradores de bairros pobres das periferias das cidades. religiosa entre outras formas de expressões. como sendo uma modalidade de interação entre indivíduos que além de manter o vínculo interacional desenvolve uma consciência de unidade entre as partes. símbolos e signos por eles vivenciados. desta forma. para o mesmo. A sociabilidade que abordamos neste texto desenvolve-se em espaços urbanos ocupados pela presença de um número grande de grupos juvenis que se estruturam a partir de galeras. essa socialidade é construída a partir da união dos sujeitos e do compartilhamento dos sentimentos. mas que emerge apenas através da interação com outras coisas ou eventos” (SIMMEL apud FRÚGOLI. Segundo Simmel. a cada dia que se passa. Pois. Surge principalmente 1 Segundo Maffesoli. Caracterizando-se. No conceito de tribalismo empregado por Maffesoli. de ações lógicas e não-lógicas”. O conceito de tribos urbanas que Maffesoli utiliza para definir o conjunto complexo de relações existente entre os jovens – as várias formas de sociabilidade juvenil – pode ser perfeitamente aplicado para a compreensão do nosso objeto de estudo. Tribos que através da socialidade 1 de seus sujeitos. desenvolvem diferentes formas de sociabilidade 2. de experiências. musical. esta reciprocidade consciente entre os sujeitos se configura como sendo uma característica marcante do social. Sua capacidade abrangente lhe confere a aplicabilidade em esferas familiares ou cotidianas. 2 Para Maffesoli a sociabilidade caracterizaria as relações sociais típicas da modernidade. ocupam mais e mais.

surge em um ambiente onde os sujeitos enfrentam os mecanismos da violência urbana e lutam diariamente contra os aparelhos repressivos. Afrika Bambaataa faz uma viagem ao continente africano para aprender mais sobre o povo e a cultura africana. que. sendo deslocada para a violência simbólica que garantirá uma unidade tensa entre grupos antagônicos. No final dos anos 60. nas esquinas e pontos de encontro onde desenvolvem relações de amizade e lazer. As gangues continuaram protestando e lutando entre si. educação e trabalho contribuiu para o surgimento e proliferação da violência e do consumo de drogas. Logo. Origens e características do hip-hop. por disputas de dança. É neste espaço de conflito e tensão. A violência física já não tem mais força de definir a superioridade de um grupo. A arte – a música. e junto com os latinos. Os jovens que eram a maioria nas gangues. começam a trocar as disputas sangrentas pelo território e o consumo de drogas. porém. A falta de políticas públicas voltadas principalmente para saúde. jamaicanos e nova-iorquinos pobres. sem violência física como primeira opção. De volta aos Estados Unidos. surgiram gangues que defendiam suas ideias e o espaço físico de certas localidades do bairro através da criminalidade e da violência. a dança e a arte plástica – passa a ser um novo elemento definidor de status. que os jovens buscam construir identidades coletivas e desenvolver modalidades diferentes de sociabilidade. É assim. Bambaataa desenvolve um movimento sócio-cultural com base em elementos artísticos das culturas por ele estudadas. fundam a Zulu Nation com o objetivo de promover ideais pacifistas de auto- . A rivalidade que existia entre os jovens que faziam parte das gangues no bairro do Bronx. em 12 de novembro de 1973 Bambaataa e outros jovens que decidiram abandonar o mundo do crime.da socialização no mundo da rua. serviu de espaço para o diálogo entre diversas culturas que ali habitavam. o bairro do Bronx que está localizado em uma área periférica da cidade de Nova York. O antagonismo social entra no campo da produção artístico-cultural. Os negros eram a maioria. começa a sair da esfera física – da agressão física entre os sujeitos – e entrar em uma nova modalidade de disputa. lutavam diariamente por melhores condições de vida.

O fato é que o resultado desta busca por melhoria – tanto por parte do governo local.afirmação e valorização da juventude negra. quanto pela população residente no local – bem como a necessidade de adaptação das diásporas fez com que surgissem diferentes expressões artísticas urbanas. 3 . sindicatos e líderes cívicos que começaram a trilhar metas para sua recuperação. movimentando os quadris –. Muitos brancos de classe média foram abandonando as partes periféricas para residirem em locais centrais da cidade. to hip. por um esforço conjunto de políticos. já com os quatro elementos (Grafite. manutenção de sua existência. o reconhecimento perante o outro. Eram muitos os cidadãos que estavam ressentidos com a política governamental de manter a todo custo a guerra. bem como a capitação de recursos para o desenvolvimento das ações politicas defendidas por seus princípios étnicos. Eventualmente. Mc. a paz. bem harmonizados. e a decisão do presidente da Ford para negar assistência financeira para a cidade parecia ser o martelo final de sua sentença. saltar. A guerra do Vietnã trouxe problemas incalculáveis para a economia e sociedade americana. a cidade foi socorrida. No ano seguinte ao surgimento da Zulu Nation. A falta de emprego e habitação colocou uma enorme pressão sobre os programas de assistência pública. Bambaataa decide dar um nome ao produto cultural do movimento. A Zulu Nation foi formada inicialmente por um grupo de DJs e Mcs promotores de festas. uma das primeiras coisas que ele fez foi adotar práticas de contabilidade organizada. e chama-o de “Hip-hop”. Break. da violência e das drogas que estavam presentes nas ruas e esquinas da cidade. para ele. e Dj) que compõem o movimento. pois esses viam nos afrodescendentes e nos portoriquenhos que habitavam tal área. Nova York estava à beira da falência em meados dos anos 1970. incluindo a habitação. mas logo nos primeiros meses de existência começaram a surgir novos elementos para compor o quadro artístico do movimento. Quatro destas expressões culturais foram institucionalizadas 3 por meio da Zulu Nation através de Bambaataa. Por instituição compreendemos a organização das expressões artísticas em prol de objetivos como. Que significa em inglês – to hop. Quando Ed Koch foi eleito prefeito em 1977. Bambaataa acreditava que o movimento afastaria os jovens da criminalidade. uma ameaça. educação e saúde. o amor e a diversão do movimento eram capazes de alcançar tal feito. a união. O Grafite.

do funk e do break – que em viagens para fora do Brasil. entram em contato com este novo estilo cultural que está revolucionando a vida dos jovens na América do norte. O movimento hip-hop que surgiu na década de 1970 na periferia dos Estados Unidos. Se o hip-hop nasceu nas ruas e teve como um de seus elementos fundantes um ambiente escasso de políticas públicas. 2006: 18). As informações sobre o movimento hip-hop chegam primeiramente na cidade de São Paulo através de alguns integrantes da cultura negra – do soul. . Desta forma. 2003:02). pobreza e discriminação. o MC e o DJ. As mudanças conquistadas por essa forma de ser e. Este rápido processo de expansão – se considerarmos que é um movimento relativamente novo – deu-se não somente por conta dos novos modelos globais de comunicação oriundos da revolução técnico-científica. vê-se surgir problemas socioeconômicos que contribuíram de forma determinante para o desabrochar do movimento hip-hop no Brasil. hoje ele é uma referência global e transversal. em localidades habitadas por uma maioria de sujeitos que vivem em condições de violência. juntos formam o que conhecemos por movimento hiphop. o fracasso dos programas de estabilização no combate à inflação e o esgotamento de um modelo de desenvolvimento. O peso insustentável da dívida externa. O movimento hip-hop no Brasil. baseado fundamentalmente na intervenção generalizada do Estado na economia. mas principalmente porque se trata de um movimento que se consolidou em espaços urbanos construídos em bases físicas e sociais semelhantes. contribuíram para uma diminuição de sua capacidade de investimento e promoção do bem estar social (JORGE. o imobilismo gerado por uma excessiva proteção à indústria nacional. de se expressar ganharam o mundo (ANITA & JESSICA.o Break. migrou repentinamente para a periferia de diversos países do mundo. As bases físicas e sociais que delimitam a periferia do Brasil começam a se formar no início da década de 1980 a partir da ruptura de um longo processo de crescimento que o país vinha tendo. ou seja.

anonimamente ou sob pseudônimos. o movimento surge tímido no centro da cidade de São Paulo para depois ganhar força e se expandir para áreas periféricas da cidade. Sua trajetória de migrante nordestino. fundamentalmente. Desse confronto. é emblemática do processo social que estamos tentando compreender aqui. No Brasil. como é conhecido. nunca imaginou que sairia do sertão pernambucano para ficar conhecido no Brasil como o precursor dos ideais do movimento hip-hop. no Brasil. surge. que faz jus a diversidade do movimento legitimando a heterogeneidade formativa do hip-hop através de suas experiências vitais. expressa-se forças de resistência que se contrapõem a forças de dominação. tomada muitas vezes como um “comportamento desviante”. surgem vozes que se manifestam. o percurso inverso. quanto à ousadia de imprimi-las em locais proibidos caracterizam o grafite como um gênero textual e um fenômeno social marginalizados.O movimento hip-hop no Brasil se configura a partir desta mistura e criatividade. Tanto o teor ilegal dessas manifestações. do que do hip-hop dos Estados Unidos que se afastou de suas origens reivindicatórias. de contestação ou de reivindicação da liberdade de expressão. e no final do dia retornavam para suas casas na periferia da cidade onde disseminavam a nova cultura vista e praticada por eles no centro. de protesto. o movimento tem como um dos seus principais precursores o pernambucano Nelson Triunfo. assim. da “periferia” para o “centro” e. Nelsão. como uma forma de denúncia. Diferente dos Estados Unidos – onde as práticas do movimento surgiram quase que simultaneamente em um bairro periférico –. por ser – segundo ele – uma expressão verdadeira. como um desafio ao poder estabelecido e às formas artísticas consagradas. dinâmicos e conflituosos. que ameaça as regras de convivência social nas sociedades capitalistas contemporâneas. A arte do grafite. Na produção do grafite de muro. centro versos periferia. O próprio fundador do movimento – Afrika Bambaataa – fala que hoje gosta muito mais do hip-hop do Brasil. saindo do “interior” para a “metrópole”. Esse movimento. . disputa que se dá em contextos sociais cada vez mais complexos. é explicado em certa medida pelo fato de que os adeptos do movimento eram na maioria negros e moradores da periferia que trabalhavam no centro da cidade em pequenas lojas comerciais ou escritórios. através da arte do grafite. depois.

complexo e diversificado. . relativos não só à exploração econômica. a dança entre outras manifestações artísticas. Estas experiências têm demonstrado que a música. quanto como auto-afirmação viril de grupos contra-hegemônicos. em diferentes experiências no Brasil. tornada produto. Violência e resistência são faces de uma mesma realidade que podem aliar-se através dos múltiplos suportes da arte do grafite tanto como expressão máxima do comportamento desviante. Desta forma. museus. o teatro. Ao mesmo tempo. O grafite por us vez – expressão artística que tem sua história ligada aos atos de protestos de grupos socialmente marginalizados em áreas urbanas – tem demonstrado certo poder de mobilização e de comunicação com os jovens. o grafite também se torna um veículo de expressão do universo imaginário dos adolescentes e jovens. deslocando-se dos lugares tradicionais (muros de áreas precarizadas nas periferias dos grandes centros urbanos) e passando a ser apresentada em galerias. como instrumento para redução da violência.A arte do grafite é tanto uma representação da sociedade quanto uma forma artística gestada nas contradições desta mesma sociedade. as artes plásticas. exclusão e segregação de indivíduos e grupos. podem contribuir decisivamente para a reabilitação de jovens e adultos já envolvidos com a violência e evitar que outros indivíduos se envolvam com a criminalidade. bienais. Neste sentido. no contexto de todo um movimento artístico vinculado á cultura hip-hop. Cada grupo social. principalmente entre jovens residentes em áreas precarizadas das grandes cidades. independentemente da posição e do lugar que ocupa na sociedade. elemento de design e mesmo desmaterializada nas interações com a arte virtual ou cibercultura. considera-se o grafite um elemento simbólico contra-hegemônico e um recurso de acesso extremamente fácil como meio de compreender as próprias dinâmicas sociais. a exemplo de Campina Grande. tem passado por transformações. mas também ao tipo de humilhação e privação a que são cotidianamente submetidas. A arte tem sido utilizada. além de ter sido incorporada à linguagem publicitária. transforma essa problemática num espaço de produção de discursos reveladores de diferenças. o crescimento da violência nas grandes e médias cidades brasileiras. Neste sentido. tem uma expressão própria e uma representação do outro que poderá ser de resistência e de raiva. um imaginário rico.

algumas com maior visibilidade que outras. As danças folclóricas bem como a quadrilha junina e o artesanato paraibano. são vistas na cidade de Campina Grande desde meados da década de 1990. . Mcs e Grafiteiros. para os outros de fora essas ações eram práticas isoladas. Podemos encontrar algumas respostas para o porquê desta vitalidade da cultura popular na própria historia da região. Podemos citar o grafite como sendo o elemento que mais se apresentou – por representar as artes plásticas do movimento hip-hop e por aparecer diretamente nos muros – aos olhos dos “outros” que habitam a cidade. são algumas das manifestações que resistem ao tempo e se mantém vivas na cidade. É no período entre 1995 a 2006 que as bandas Faces do Subúrbio e Sistema X ganham visibilidade por suas músicas contendo letras criativas e de protestos – contra o preconceito existente com os nordestinos – e começam a fazer parte de grandes festivais e eventos pelo Brasil. Embora essas ações fossem significativas para o grupo que as pratica. Atualmente o Nordeste vem sendo o berço de várias bandas de Rap que seguem esta linha criativa de fazer músicas a partir da mistura de ritmos. A cidade de Campina Grande que está localizada geograficamente no interior do Estado da Paraíba. As praticas culturais dos elementos que compõem o movimento hip-hop como Djs. surgem no Estado de Pernambuco. estes grupos aproveitaram o surgimento do Movimento Manguebeat – que teve como principal articulador o músico Chico Science – que misturava música regional com outros ritmos como o Rock e o Rap para criarem uma mistura autentica de sonoridades. Segundo Alcântara (2008. a apenas 120 km da capital João Pessoa. 14). que se confunde com a trajetória de vida de vários artistas populares. os primeiros grupos de Rap que vão projetar a região para o resto do país.O movimento hip-hop na cidade de Campina Grande / PB. Estas práticas vão ganhando sentido e se configurando como elementos do movimento hip-hop a partir de uma série de dinâmicas sócio-espaciais durante o próprio percurso histórico de surgimento do movimento hip-hop na Região Nordeste. é conhecida por manter vivo o rico patrimônio das manifestações culturais e populares de sua região. O movimento hip-hop no Nordeste chega primeiro a capital do Ceará em 1989. A cidade sede seus espaços para a disseminação e interação dos cantores populares. Bboys. porém.

e os percursos que fazem ao longo de sua experimentação das ruas reconfigura o espaço de acordo com uma territorialidade alternativa. elaboram uma cultura. As manifestações artísticas no espaço público são partes constituintes desta trama do cotidiano. Jackson do Pandeiro. de mediações e sociabilidade e são exercidas e inseridas no espaço urbano. que agregam jovens de diversas partes do Brasil que vão . Este último é visto dentro da noção de vida cotidiana. que se encontram no mês de junho para celebrar a cultura popular durante trinta dias de festas no “Maior São João do Mundo”. capoeira. que esta elabora redes de lealdade. Para os grafiteiros. Luiz Gonzaga. Zé Ramalho entre outros ilustres filhos da terra. Sem falar na importância que a região tem de ser uma grande divulgadora e berço de artistas como Marines. poetas populares entre outros artistas. onde os mesmos vivenciá-la integralmente sem atribuir lhe uma importância reduzida. grupos específicos realizam culturas particulares a exemplo do candomblé. Dentro desta realidade de identidade cultural. que são espaços geográficos segregados. Ao transitar pelo espaço urbano e utilizarem-se dele como suporte para seus trabalhos. Esta noção de territorialidade implica que as culturas desenvolvidas nos territórios urbanos de maioria afrodescendente. a rua não é um mero lugar de trânsito. processadores de significados sociais próprios e que criam códigos e signos próprios. esses artistas criam com a cidade uma relação bastante peculiar. ou seja.dos tocadores de viola. haja vista contar com a presença dos campi da Universidade Federal de Campina Grande e da Universidade Estadual da Paraíba. como fazem outros habitantes das metrópoles. Considerações finais A noção que temos de identidade cultural afrodescendente está ligada a territórios de maioria afrodescendente. o espaço urbano – as periferias mais precisamente – passa a ter vez e voz através da ótica dos sujeitos que vivenciam tal realidade. escolas de samba e o Hip-hop. Artistas estes. emboladores de coco. para quem as ruas constituem meros intervalos entre um ponto e outro da cidade. baseada na vivência criativa da cidade. mas verdadeiramente um espaço. A cidade de campina Grande é conhecida também por ser um grande polo educacional no Ensino Superior. Elba Ramalho.

cultura alternativa ou cultura marginal. surge na cena cultural da cidade como uma alternativa louvável para os jovens que viam nas calouradas6 uma opção de lazer. As festas para a recepção de alunos novatos nos cursos acadêmicos passam a ser realizadas com frequência onde bandas de rock. era 4 Sabemos que vários elementos contribuíram para (e com) o desenvolvimento da população campinense. Hoje formada em Jornalismo pela UEPB se emociona ao lembrar-se da época em que a banda “Boa Pergunta 7” subia nos palcos campinenses. A expansão da internet bem como a interiorização dos campos universitários e a criação de novos cursos na área de humanas – como é o caso do curso de arte e mídia – contribuiu de certa forma com esse povoamento hibrido do espaço campinense. que participou ativamente das calouradas do Curso de Comunicação Social. por exemplo. Diz Larissa Nunes. na busca de outros espaços e novos canais de expressão para o indivíduo e pequenas realidades do cotidiano. 6 Nome dado às festas de recepção dos alunos novatos nos cursos de graduação. mas os que nos interessam são as demandas estudantes que vão para a cidade de Campina Grande a procura de qualificação técnica e superior. intensifica-se a partir da década de 1990. enquanto que o perfil de grande parte dos estudantes da área de humanidades e cursos voltados para o desenvolvimento das habilidades criativas – como é o caso do curso de desenho industrial – opta por consumir produtos mais alternativos 5. O Funk. 7 Banda de Pop Rock que fez sucesso na década de 1990 na cidade de Campina Grande. focada principalmente nas transformações da consciência. . Toda essa dinâmica de construção do povo campinense que se deu por vias do acesso à qualificação 4.à procura de qualificação educacional e profissional. Nesse período já se podia observar claramente nas festas que aconteciam nas residências dos grupos de jovens que ouviam músicas alternativas como o Rock e o Reggae. dos valores e do comportamento. forró e até mesmo axé. Muitos desses jovens acabam construindo suas carreiras e fixando residência em solo campinense após suas formações. elementos culturais que compõem o movimento hip-hop. O consumo da cultura e apropriação dos espaços na cidade de Campina Grande vão se dar na década de 1990 dentro dessa lógica. reggae. A escolha dos cursos por parte dos jovens define as formas e espaços pelos quais vão se modelando as inúmeras possibilidades de interação entre os jovens estudantes. os alunos de cursos voltados para áreas de exata e saúde têm uma facilidade maior para se envolverem com a cultura popular. 5 Uma cultura underground. Soul bem como o próprio Rap. Assim.

representado na época por bandas como Beastie Boys.. Planet Hemp. Quando eu digo passar o conhecimento falo da gente mostrar o que realmente era passado pelo hip-hop e toda a essência teórica criada por Afrika para que os moleques não se perdessem né?! (entrevista concedida aos autores). 10 1º Encontro de Hip-hop do Nordeste que foi realizado na cidade do Recife.... Todas as expressões artísticas que integram os elementos culturais que compõem o movimento hip-hop e vinham se manifestando durante a década de 1990. não tiveram sua imagem associada a tal movimento. A fala de Thiago Alcântara expressa a necessidade de criar o Núcleo Hip-hop Campina que surge na cidade de Campina Grande em março de 2007. “com o objetivo de reunir militantes do movimento hip-hop que até então estavam realizando as práticas culturais do 8 9 É um tipo de festa que acontece com música eletrônica. A ideologia pregada pelo seu idealizador Bambaataa. O elemento gráfico – Grafite – do movimento podia ser contemplado em performances – pinturas feitas de tinta spray durante a realização da festa – produzidas por artistas plásticos em festas Raves 8. segundo os membros. Cypress Hill entre outras. ora eram tidas como formas subversivas de produção artística que coexistiam independente do movimento hip-hop. aí a gente decidiu fundar o “Núcleo Hip-hop Campina”. como também serve de instrumento de resgate – através da arte e cultura – dos jovens pobres que vivem na marginalidade. mais conhecido como Dj Jhó: . .na volta desse encontro 10 a gente viu o quanto tava forte o hip-hop no Nordeste a gente decidiu que a gente não era só fazer som. de que o movimento é fundado em cima de pilares políticos que contestam o preconceito contra o povo negro e desprovido. do modismo. Segundo Thiago Alcântara. Ora essas expressões eram associadas a uma cultura underground 9. Essa citação expressa a influência que os ideais do movimento hip-hop criado em Nova York exerceram sobre os fundadores do movimento hip-hop em Campina Grande. Subterrâneo em inglês. É um termo usado para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais. inexistia na década de 1990 na cidade de Campina Grande. não era só dançar nem grafitar a gente tinha que fazer uma coisa a mais que era passar a idéia real que era aquilo que eu tinha aprendido sobre o hip-hop para que ele não se perdesse.

2006. o movimento começou com um número total de 12 integrantes e hoje conta com 78 membros cadastrados que realizam reuniões semanais a fim de discutir e traçar estratégias socioculturais que tragam algum tipo de melhoria para os sujeitos que vivem em áreas precarizadas da cidade de Campina Grande e dos municípios circunvizinhos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Thiago. Hip-hop.Petrópolis: . Pierre. Vigiar e Punir: o nascimento da prisão. Segundo atas de registros do Núcleo Hip-hop Campina – NH2C. Meditações Pascalianas. Monografia apresentada ao Departamento de Art e mídia da UFCG. Produção e direção de Dvd/Cd sobre o hip-hop em Campina Grande. As ações do Núcleo Hip-hop Campina – primeiro movimento hip-hop organizado da cidade – passa a exercer um papel fundamental nesse processo de mudança. ed. sendo concebidas como espaços geradores de significação nos quais os acontecimentos diários ocorrem – como o desemprego. O grafite está entre os elementos que mais se faz presente nos projetos do NH2C. UFRN. 2001. 2008. A paisagem geográfica da cidade de Campina Grande começa a ganhar novas configurações socioespaciais a partir das práticas políticas de jovens moradores de áreas periféricas da cidade. 34. Imagens retratando o descaso das autoridades locais com políticas voltadas para área social e personagens fictícios trazendo elementos exaltando a cultura local vão dando formas e contornos a geografia local. a falta de moradia e diversas formas pelas quais a violência se expressa – e ganham um novo sentido espacial através das praticas sociais dos sujeitos.movimento de forma isolada e sem certa consciência política sobre a essência do que seria de fato o hip-hop”.. O grafite faz parte de uma cultura na qual as ruas desempenham um papel essencial. ANITA. BOURDIEU. no bairro do Catolé. ALCÂNTARA. Michel. As reuniões aconteciam sempre nas dependências do Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA – às margens do açude velho. Rio Grande do Norte. A cultura marginal: do povo para o povo. FOUCAULT. Motta.

exclusão e a construção de identidade. 1979. 2008. . São Paulo: Martins Fontes. 1971. Ernesto. (passo – a – passo. Inclusão. Escritos Urbanos. Celso. 2008 HARVEY. As Classes Perigosas: banditismo urbano e rural. Heitor. São Paulo: Editora Hucitec. Campina Grande: Universidade Federal de Campina Grande. SANTOS. David. São Paulo: Edições Loyola. 2007. Michel. Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico. Segurança. São Paulo: Editora Boitempo. 2012. Forense Universitária.. Alberto Passos. ______________. 1998. Lúcio. Economia Espacial: críticas e alternativas.Vozes. Aécio & BURITY. FURTADO. Sociabilidade urbana – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Rio de Janeiro. Vladimir. Augusto. 2000. FRÚGOLI Junior. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Violência e racismo: análise sobre a criminalização do negro nas narrativas da imprensa em Campina Grande – PB. GAMBOA. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. GUIMARÃES. 80). 1994. 2007. Luís. 2006. ___________. MAFFESOLI. população. Jovens em transe: grupos urbanos juvenis da contemporaneidade. São Paulo: Editora Hucitec. Milton. Cinismo e Falência da Crítica. Por uma economia política da cidade. LACLAU. KOWARICK. território. São Paulo: Annablume. conceitos e o “Underground”. 2009. Joanildo A. São Paulo: Editora 34. 2008. RICARDO. Inclusão social. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Sociais. Espaços de Esperança.. 2005 SAFATLE. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. Salvador: UFB. In: AMARAL Jr. identidade e diferença: perspectivas pós-estruturalistas de análise social.