UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DISCIPLINA: SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO PROFESSOR: André Hagu !! ALUNO: "#$%&#' ( V)n*+)u, L)-a. rd F/r!

0Ta1 2/3a-4

Pensar o homem como um ser social, implica compreender o fazer-se homem e a sua finalidade. Neste sentido, Foucault questiona a noção do sujeito desde sempre aí, apontando para a dimensão histórica das concepções de homem, e mais especificamente para o fato da noção de Sujeito ser algo muito recente, datando da Modernidade. ada !poca constrói socialmente sua concepção de mundo, de homem, e do modo como o homem relaciona-se com o mundo. "a mesma forma que ! recente a noção de su#eito, tam$!m o ! a noção que o homem de%e domar a natureza e retirar-lhe, predatoriamente, o que lhe ! necess&rio. 'st& su$#acente a isto a ruptura entre o homem e natureza, própria da condição Moderna. ompreender o fazer-se homem, ! compreender como a sociedade se reproduz e como pode se transformar. Nisto a educação, como uma forma de socialização, ocupa importante papel. (egundo "ur)heim, ! mediante a educação que o homem torna-se um ser social, possi$ilitando o compartilhamento de um sistema de id!ias, h&$itos, crenças, %alores com o*s+ seu*s+ grupo*s+ de con%i%,ncia. - educação consiste em uma ação e.ercida pelos adultos so$re as crianças e os #o%ens, %isando o desen%ol%imento de estados f/sicos, intelectuais e morais demandados pela sociedade em geral e pelo meio espec/fico em que a criança ir& con%i%er. "esta forma, "ur)heim afirma que a educação satisfaz acima de tudo necessidades sociais ao criar este no%o ser, e que ! somente mediante o con%/%io em sociedade que o homem torna-se propriamente humano. (endo assim, indi%/duo e sociedade são dependentes, não ha%endo oposição entre eles0 a e%olução humana de%e-se 1 cooperação e ao ac2mulo m2tuo de e.peri,ncias, o que só foi poss/%el mediante a e.ist,ncia de uma entidade moral duradoura *a sociedade+. 3 indi%/duo ao procurar melhorar contri$ui para o desen%ol%imento da sociedade, ao passo que mediante a educação a sociedade cria um ser social no indi%/duo que possi$ilita o desen%ol%imento de suas capacidades. Neste /nterim, a educação não pode ficar a cargo de interesses pri%ados, ca$endo ao 'stado garantir que ela se#a sempre e.ercida em sentido social, ou criando escolas ou fiscalizando a educação ministrada em esta$elecimentos pri%ados. a$e assim ao 'stado consagrar e manter a comunhão de id!ias e sentimentos socialmente constitu/do. Portanto, pode-se concluir que a concepção de educação de "ur)heim ! conser%adora, pois ao satisfazer fins essencialmente sociais est& se $uscando a reprodução e manutenção da ordem moral %igente, na medida em que adultos transmitem para as crianças um con#unto de %alores gestados em outras !pocas, dando-lhes continuidade. assimilação destes %alores ! um fator importante na manutenção da coesão do tecido social. 4ourdieu ! %eemente ao apontar o car&ter conser%ador da educação, demonstrando que longe de ser neutra, a escola ! um meio de reprodução da ordem social e da dominação da classe dominante. "esta forma, a realização dos 5fins sociais da educação6 consiste na

odos os pa/ses mais desen%ol%idos resol%eram seus pro$lemas com educação fundamental entre a segunda metade do s!culo >:> e o in/cio do s!culo >>.a seus filhos em condições pri%ilegiada em relação aos demais na escola. omo afirma <ramsci.ncia e indolentes. enquanto os que tem maior dificuldade de aprendizado são estigmatizados como sendo detentores de pouca intelig. a organização pol/tica. dei. o grau de desen%ol%imento da ci. a classe dominante de%e impor as suas id!ias.a%aliação escolar torna-se. . -ssim. cada sistema educati%o ! referente a uma fase espec/fica do desen%ol%imento de uma sociedade. pois os professores transmitem suas mensagens de modo indistinto. Neste sentido. impondo-se de modo irresist/%el aos indi%/duos. militar etc. conclui-se o quão falaciosa ! a id!ia de que h& uma educação ideal aplic&%el a todos indistintamente. não sendo o mesmo em todas as !pocas e lugares. impondo o seu ar$itr&rio cultural 7 como sendo o 2nico uni%ersalmente %&lido. que ! socialmente legitimada. onde ! le%ado em conta a maior ou menor dist8ncia em relação 1s atitudes %alorizadas pelas classes dominantes. al!m de impor a sua %isão de mundo 1s classes su$alternas.ncia sim$ólica. "o mesmo modo.ncia e das ind2strias. %igorando um ensino laico na maior parte dos pa/ses desen%ol%idos. :sto %incula-se 1s mudanças ocorridas na estrutura da sociedade. parte-se do princ/pios que todos são iguais. uma esp!cie de 5#ulgamento social6. então. situado e datado. 3 homem ! um ser social. 3 desen%ol%imento e manutenção do 7 (egundo 4ourdieu os %alores que orientam as ações de cada grupo social são ar$itr&rios.este ato de imposição dissimulada de um ar$itr&rio cultural chama-se %iol. Na :dade Moderna o desen%ol%imento est& con#ugado com a escolarização na medida em que este per/odo ! caracterizado por uma ideologia racional.oda%ia mediante a imposição de dado con#unto de %alores como sendo os 2nicos %&lidos a classe dominante %ia$iliza a sua manutenção no poder. -ssim os filhos da classe dominante são pri%ilegiados de forma dissimulada. . saindo-se melhor quem incorporou este habitus. possuindo as mesmas condições. não ! poss/%el o pleno desen%ol%imento econ=mico.peri. pol/tico. os antigos detentores do monopólio da educação e intelectuais org8nicos da aristocracia rural na :dade M!dia. sem que ha#a um intenso processo de escolarização. solid&rio 1 totalidade das instituições da sociedade.nfase no ensino laico e pela %alorização da i. fez-se necess&rio com$ater os eclesi&sticos. .ncia que possui a primazia. Para tanto. "esta forma para os filhos das classes mais po$res tal educação consiste em algo des%encilhado de sua realidade. . tornando-as dominantes. o que ! falso. cient/fico. 'nquanto que na :dade M!dia era %alorizado o conhecimento da . -o afirmar isto. na sociedade capitalista em que %i%emos. dentre outras coisas. por uma . "a mesma forma a educação %aria em função da !poca e do meio. atra%!s da cultura escolar. 3 que se perce$e ao longo da 9istória ! que as sociedades são desiguais em si e entre si. Portanto os sistemas educati%os só são compreens/%eis se relacionados com a religião. o$tendo o consentimento das classes su$alternas. pois seu desen%ol%imento depende de todos estes fatores. social.ncia. da mesma forma etc. com a ascensão de uma no%a classe dominante ao poder.ncias do homem ao longo da sua história.eologia e da Filosofia. para formar sua hegemonia. %i%endo no mesmo meio.ncia sim$ólica. 'le considera a educação como sendo um ac2mulo lento do con#unto de e. "ur)heim afirma ser a$surda a consideração acerca de uma educação 2nica e ideal. pois deste modo nega-se o seu car&ter social. e que só ! modific&%el mediante uma transformação na estrutura social. om isto. com as mesmas necessidades. .? manutenção do poder de um segmento da sociedade so$re as demais mediante o uso da %iol. na Modernidade ! a i. a classe dominante. como se não hou%esse diferenciação entre os alunos.

compreendeu a educação como um meio de superar as relações de dominação.ncia do quase homem massa.ncia humana.plicações m/stica do mundo. na medida em que o conhecimento cient/fico .igi-se do homem uma malea$ilidade para uma integração consciente a esta no%a realidade. para que hou%esse a ruptura total com o antigo modelo de sociedade. reproduzindo a estrutura social de dominação de classe. na perspecti%a @e$eriana. agr&rio-esportador. ' somente mediante . om a mudança dos padrões econ=micos. fazia-se necess&rio despertar um outro tipo de consci. acarretando em uma ine. . a negação do di&logo. desen%ol%endo sua capacidade criadora e cr/tica.iste ou então era acr/tica. portanto. Paulo Freire.o homem. só podendo ser conce$ido plenamente nesta perspecti%a que o faz integrado ao seu conte. tornando-o situado e datado. .6 "esta forma. .ame cr/tico da sociedade.escola ! um meio da classe dominante legitimar-se no poder e perpetuar o seu mando.ist.ncia.peri. ' ! mediante a escola que ! poss/%el o desen%ol%imento do pa/s dentro do modelo econ=mico %igente. enraizando.trema falta de compromisso com sua e. em que a dialogação #& ! mais desen%ol%ida. ser de relações e não só de contatos. o que praticamente não e. onde a resposta praticamente não e.racional ! necess&rio para tanto.to.oda%ia. tornando-se Sujeito ao in%!s de objeto A ser cr/tico. 3 pa/s era essencialmente rural. 3 desgaste deste modelo.istia antes do capitalismo. "ireito racional. mediante a disciplinarização. ocupa importante papel. faz-se necess&rio o dom/nio de t!cnicas e de conhecimentos.ncia democr&tica e no mutismo.oda%ia. hierarquia r/gida e dom/nio patriarcal.ncia. a transitiva crítica. pensando o 4rasil entre as d!cadas de 7BCD e 7BED. compreendida como processo dialógico. caracterizada pela inclinação ao gregarismo e por e. !tica racional na economia etc. Neste sentido.escolarização !. restringindo-se a uma esfera meramente %egetati%a. não apenas est& no mundo. o homem como ser integrado. disseminando seu con#unto de %alores como sendo o 2nico %&lido e poss/%el. caracterizando-se pela sociedade fragmentada. 3 homem ! um ente de relações m2ltiplas. de%e ser li%re. este não ! um conhecimento que propicia o e. #untamente com as mudanças econ=micas *processo de industrialização e ur$anização+ le%ou o pa/s a uma situação de tr8nsito.escola tam$!m cumpre o papel de incutir. Não h& como desen%ol%er um pa/s. Na 5(ociedade Fechada6 a consci. simultaneamente reproduti%ista e meio para o desen%ol%imento de um pa/s na sociedade capitalista. omo est/mulo 1 aquisição de conhecimento dissemina-se a possi$ilidade de ascensão social para as classes su$alternas.F capitalismo. de relações. pois somente mediante uma ação educati%a que desperte o senso cr/tico ! poss/%el fazer com que o homem realize-se plenamente como ser de relações. . e%itando a massificação. conta$ilidade racional.. mas não o educa para ser li%re. mas com o mundo.escola treina e disciplina o homem para o tra$alho. neste conte. não massificado. pois só assim o homem poderia realizar-se plenamente em uma sociedade democr&tica. o que implica em sa$er transformar a realidade. os quais são o$tidos mediante uma intensa escolarização.. . . uma !tica racional.ncia humana ! intransitiva. Neste processo a educação. 'ste per/odo ! perce$ido por ele como sendo de transição entre uma 5(ociedade Fechada6 para uma 5(ociedade -$erta6. Nas pala%ras de Paulo Freire 5. onde e. le%ando o homem a uma e.to. 'ste ! o n/%el de consci. passando para o estado de transitividade ingênua. a qual est& ligada intimamente com a industrialização. h& uma mudança autom&tica na consci. sem um in%estimento na escolarização %isando o desen%ol%imento cient/fico e tecnológico. só ! poss/%el se aliado 1 racionalização da %ida0 uma empresa permanente e racional.

Para <ramsci a educação tam$!m possui uma dimensão muito importante no processo de transformação e conser%ação da ordem social. para esta$elecer a unidade nacional.ncia gradati%amente de si e de sua import8ncia na sociedade. numa situação histórica glo$al. do qual decorre a 5educação $anc&ria6. que ! mec8nica. onde o alfa$etizando %ai tomando consci. o que implica desco$rir o seu cerne. -ssim. <ramsci aponta para a e.ncia da função pol/tica.oda%ia. social e econ=mica 1 classe a que eles estão ligados. .ercer a dominação. al!m de ensinar a ler. 3 primeiro diz respeito ao con#unto de organismos tidos como pri%ados. . procura. Para tanto. o homem torna-se radical. agregando os di%ersos seguimentos sociais integrantes desse $loco. Paulo Freire propõe que a educação de%e ser feita na $ase do di&logo e do questionamento. com a tomada da consci. desco$rindo esta condição. quando as principais forças sociais surgem. portanto. . Portanto. 3 partido pol/tico moderno ocupa uma posição pri%ilegiada neste processo. Na perspecti%a gramsciana. a alfa$etização torna-se um ato de conscientização. indi%/duos ligados a classes sociais espec/ficas respons&%eis por fornecer homogeneidade e consci. os sindicatos.ncia transiti%a cr/tica. implementando. etc. acr/tica e reforça as hierarquias sociais e a estrutura de dominação. um no%o $loco histórico. . o com$ate ao analfa$etismo era uma condição essencial dado o grande n2mero de pessoas que não sa$iam ler.relação dos intelectuais com o mundo da produção ! 5mediatizada6 pela superestrutura. articulando as sociedades ci%il e pol/tica. disputar o consentimento na sociedade. 3 segundo corresponde 1 esfera do 'stado que utiliza-se de aparelhos espec/ficos para e. que possui um papel pedagógico. Para ele hegemonia ! a forma como uma classe social conquista o consentimento das demais su$#ugado-as.sociedade ci%il %incula-se ao que <ramsci denomina hegemonia. -tingindo este grau de consci.G uma educação cr/tica e dialogal que isto seria poss/%el. opõe-se ao mutismo. associações corporati%as. 3 partido pol/tico moderno ! um intelectual coleti%o.ncia de dois grandes planos superestruturais0 a sociedade ci%il e a sociedade pol/tica. . como um instrumento de construção de uma contra-hegemonia para disputar o poder na superestrutura. . conduzindo-o a sua condição de ser no mundo e com o mundo. a alfa$etização de%eria conduzir o homem a um processo de radicalização. como na maieutica socr&tica. que ! a oposição entre opressor e oprimido. gerando um %/nculo org8nico entre estrutura e superestrutura. o homem de%er& opor-se a esta relação para o$ter sua li$erdade e uma sociedade democr&tica. %isando a formação de um no%o $loco histórico.ncia.ist. Neste /nterim. a educação tam$!m pode ser utilizada para contestar a ordem esta$elecida. que parte da discussão do conceito de cultura aplicado 1 situações t/picas da realidade do estudante. sendo uma esp!cie de príncipe maquiaveliano moderno0 demarcando estrat!gias numa 5guerra de posição6.al m!todo. pois para ele a superestrutura det!m um papel decisi%o no processo de dominação e de contestação. politização e mudança social. como os partidos pol/ticos. por meio da 5contra-hegemonia6. tendo os intelectuais como formadores dessa unidade. sendo capaz de ir 1s ra/zes das relações humanas.educação destaca-se como sendo um dos principais meios de o$tenção deste consentimento. Para o$ter a hegemonia ! necess&ria a formação de um bloco histórico. pois ele ! o principal meio para formar intelectuais org8nicos do proletariado mediante uma educação cr/tica. 3 $loco histórico forma-se quando uma classe consegue implementar uma hegemonia. "este modo. %isando a conquista do poder. geram consigo seus intelectuais orgânicos.