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Centro Universitário da FEI

Departamento de Física



Manual de Laboratório
de Física I








revisão: 05/02/03

1
Apresentação


Este manual contém uma série de materiais didáticos utilizados na disciplina
de Física I do Centro Universitário da FEI. Ele foi elaborado através das sugestões e
esforços de diversos professores do Departamento de Física, e colocado à disposição
dos alunos, sem nenhum custo para os mesmos. Gostaríamos de agradecer a todos
aqueles que direta ou indiretamente colaboraram para que este material pudesse ser
colocado à disposição dos alunos.

Na capa encontra-se a data da última revisão realizada, e na medida do
possível estaremos realizando revisões periódicas para tornar o material livre de erros
(ou pelo menos para minimizá-los) e sempre atualizado.

Embora tenhamos procurado discutir os principais aspectos enfocados pelo
laboratório da disciplina de Física I, este manual não deve ser visto pelo aluno
como fonte única de consulta. Ele deve ser encarado como um guia que permita
apresentar alguns pontos essenciais dos assuntos tratados nas aulas de laboratório.
Deste modo, acreditamos que seja fundamental que todos os alunos procurem sempre
complementar os assuntos tratados aqui com a pesquisa e leitura das referências
apresentadas ao final deste manual, ou com a leitura de outros livros da área de física
básica para um curso superior. Gostaríamos de insistir que este manual é apenas um
guia, e como tal não contém todos os aspectos dos assuntos propostos para
desenvolvimento pela disciplina de Física I, particularmente no que se refere às breves
revisões teóricas que são colocadas no início do roteiro de cada experimento.

Quaisquer dúvidas, sugestões e/ou erros encontrados neste manual, pedimos
para que entrem em contato pessoalmente com qualquer um dos autores, ou através do
e-mail vbarbeta@fei.edu.br.


Prof. Augusto Martins dos Santos (Coordenador de Física I)
Prof. Issao Yamamoto
Prof. José A. de Lima Viotti
Prof. Vagner Bernal Barbeta


2
Índice

I. Normas de funcionamento do Laboratório ...................................... 03
II. Instruções para elaboração dos relatórios de Física I...................... 04
Modelo de capa dos relatórios ........................................................ 05
1. Análise Dimensional ....................................................................... 06
1.1. Definições preliminares .............................................................. 06
1.2. Homogeneidade dimensional ..................................................... 11
1.3. Previsão de equações físicas ...................................................... 15
2. Teoria de erros ................................................................................. 20
3. Introdução à construção de gráficos ................................................ 29
4. Anamorfose ..................................................................................... 33
Experimento: Micrômetro ................................................................... 35
Experimento: Paquímetro .................................................................... 39
Experimento: Queda livre ................................................................... 41
Experimento: Lançamento de Projéteis ............................................... 47
Experimento: Leis de Newton ............................................................. 51
Experimento: Atrito de Escorregamento ............................................. 55
Experimento: Mesa de forças .............................................................. 61
Referências complementares ............................................................... 69




3
I - NORMAS DE FUNCI ONAMENTO DO LABORATÓRI O



1. O tempo máximo de atraso permitido para as aulas de laboratório é de 15 minutos.

2. Desligue sempre o telefone celular ao entrar no laboratório.

3. Qualquer material do laboratório que venha a ser danificado, será de
responsabilidade do aluno (ou do grupo). As gavetas contendo o material deverão ser
retiradas no almoxarifado e devolvidas ao término do experimento, onde serão
conferidas e verificadas.

4. Não serão admitidas brincadeiras de qualquer espécie dentro do laboratório, sob
pena do grupo perder os pontos relativos àquele experimento.

5. Os relatórios deverão ser sempre entregues na aula posterior àquela da realização
do experimento.

6. Os relatórios deverão ser manuscritos e elaborados conforme instruções
apresentadas adiante.

7. Os alunos sempre deverão ler com antecedência as instruções do experimento que
será realizado no laboratório.

8. Relatórios copiados de outros alunos serão recusados.

9. Os detalhes a respeito dos critérios para aprovação ou não do relatório cabem ao
professor de laboratório. Informe-se com ele a respeito desses critérios.

10. Não é permitida a realização de experimentos fora da turma destinada pela escola.
Os casos excepcionais serão analisados pelo professor da turma.

11. Somente poderão entregar o relatório os alunos que fizeram o experimento.

12. Os alunos deverão realizar o experimento em grupos de até 3 pessoas.



4
I I - I NSTRUÇÕES PARA ELABORAÇÃO DOS RELATÓRI OS DE FI SI CA I

Todos os relatórios (a não ser que seja especificado o contrário para algum
experimento) deverão ser manuscritos em papel sulfite ou almaço e à tinta (não serão
aceitos impressos de espécie alguma, exceção feita para a capa). Os relatórios deverão
obrigatoriamente conter os seguintes elementos:

• CAPA contendo: (ver capa modelo adiante)
- Nome da Instituição;
- “Laboratório de Física I”;
- Nome da Experiência;
- Nome completo e o número de matrícula;
- Período;
- Turma;
- Número do grupo ou da bancada;
- Nome do professor;
- Data da realização da experiência e data da entrega.

• CORPO DO RELATÓRIO

Objetivos da experiência
Escrever qual é o objetivo do experimento que foi realizado.
1. Introdução teórica
Detalhar a teoria relacionada com o assunto abordado (ou pesquisa a ser
determinada pelo professor).
2. Procedimento experimental
Descrição de todo o procedimento para a coleta de dados, com material
utilizado, esquemas e método de coleta dos dados. Não se esqueça de anotar a
precisão de todos os instrumentos utilizados.
3. Dados coletados
Dados fornecidos no roteiro e dados coletados na experiência, por exemplo:
temperatura ambiente, massa, volume, comprimento, peso, etc.
4. Análise dos resultados
Realizar a análise, com detalhamento dos cálculos (sempre indique as
equações utilizadas), gráficos, etc.
5. Conclusões
6. Bibliografia
Preferencialmente utilize a norma da ABNT para a colocação de referências
bibliográficas.

OBSERVAÇÕES FINAIS:
1. Prestar atenção no objetivo da experiência e no que é pedido no procedimento.
2. A introdução teórica NÃO deverá ser copiada do roteiro do experimento. Também
NÃO serão aceitas impressões de páginas da Internet como introdução teórica
(embora seja incentivada a sua utilização como fonte de pesquisa).
3. Tenha certeza de ter calculado TUDO o que foi pedido.
4. Sempre coloque UNIDADES nas grandezas medidas e nas calculadas.
5. Procure fazer uma conclusão clara e coerente da experiência, tendo como base o
objetivo da mesma.










Laboratório de Física I








Experimento: _______________________________________________





Aluno: _____________________________________________________



N
o
:




Período: _____________



Turma: Bancada: ______


Professor: ________________




Data de realização: ___ /___ /___

Data de entrega: ___/ ___ / ___
Centro Universitário da FEI
Departamento de Física
Avaliação:

6
1. Análise Dimensional


1.1. Definições preliminares

As leis da física são expressas em termos de grandezas fundamentais, que
devem ser definidas de forma clara. Certas grandezas físicas, como força, velocidade,
aceleração, etc., podem ser definidas em termos de grandezas mais fundamentais. Na
verdade, qualquer grandeza física pode ser expressa em termos de 7 grandezas
fundamentais, quais sejam, comprimento, tempo, massa, intensidade luminosa,
intensidade de corrente elétrica, quantidade de substância e temperatura. Estaremos ao
longo destas aulas, discutindo como podem ser expressas todas as grandezas físicas
em termos destas 7 grandezas básicas, concentrando-nos particularmente nas
grandezas mecânicas, que podem ser expressas em termos das grandezas
comprimento, massa e tempo. Estas grandezas são definidas de forma a se estabelecer
um padrão, de modo que uma mesma grandeza, medida em diferentes locais, resulte
no mesmo valor.
Vejamos a seguir algumas definições preliminares importantes para o estudo
da análise dimensional.



a) Grandeza física

É a representação numérica de uma propriedade física, pois qualquer
fenômeno físico só tem interesse científico quando a ele podemos associar grandezas
mensuráveis.


b) Medida de uma grandeza física

Medir uma grandeza é compará-la a outra de mesma espécie, chamada
"unidade de medida". É verificar quantas unidades de medida estão contidas dentro da
grandeza.


c) Unidades de medida

São padrões previamente estabelecidos de acordo com a conveniência. Os
diversos sistemas de unidades existem, pois em sua criação foram levados em conta as
necessidades e fenômenos físicos observados na natureza, de tal maneira que a
unidade escolhida possibilite trabalhar com números razoáveis, não excessivamente
grandes nem pequenos. Existem também sistemas como o inglês, em que as medidas
foram criadas de maneira a agradar ao Rei.
Os sistemas de unidades mais conhecidos são: SI (Sistema Internacional),
MKS, MKS* (ou Técnico) e o Sistema Inglês.




7
d) Medição

Denomina-se medição como sendo a verificação de quantas unidades de
medida estão contidas na grandeza. Logo,


U
G
M ·

onde: M = medida
G = grandeza
U = unidade

Portanto, podemos escrever:

U M G ⋅ ·

Exemplo: Considere um intervalo de tempo ∆t de 50 s.

Medida M = 50
Grandeza G = ∆t (medida de intervalo de tempo)
Unidade U = s (segundo)

Observação 1: A razão entre as medidas de duas grandezas de mesma unidade é igual
à razão entre as suas medidas, isto é:

Se G
1
= m
1
. U e G
2
= m
2
. U , então
2
1
2
1
m
m
G
G
·


Observação 2: A razão entre as medidas de mesma grandeza com unidades diferentes
é igual ao inverso da razão entre as suas unidades:

Se
1
1
U
G
m · e
2
2
U
G
m · então
1
2
2
1
U
U
m
m
·



Exemplo: O diâmetro externo de um tubo foi medido com dois instrumentos
diferentes. Foram obtidos os seguintes dados: D
1
= 50,8 mm e D
2
= 2'' (polegadas).

1
2
2
1
U
U
m
m
·

isto é ,
mm
polegadas
·
2
8 , 50
à 1 '' = 25,4 mm

e) Grandezas fundamentais

São grandezas a partir das quais iremos escrever todas as outras grandezas.
As grandezas fundamentais são:

M (massa) θ (temperatura) N = quantidade de matéria
L (comprimento) I (intensidade de corrente elétrica)
T (tempo) I
o
(intensidade luminosa)


8
No Sistema Internacional de unidades, por exemplo, essas grandezas são
representadas pelas seguintes unidades:

Mà kg (kilograma) θ à K (kelvin) N à mol
Là m (metro) I à A (ampère)
T à s (segundo) I
o
à cd (candela)

A mecânica dos fluidos, por questão de simplificação para os fenômenos por
ela estudados, utiliza como grandezas fundamentais:

F (força)
L (comprimento)
T (tempo)


f) Grandezas derivadas

São as grandezas escritas em função das grandezas fundamentais na forma de
produtos de potência, na qual as bases são as grandezas fundamentais e os expoentes
são chamados de dimensões, constituindo-se assim as equações dimensionais.


g) Símbolos dimensionais

É a maneira pela qual representamos a grandeza física dimensionalmente. Por
convenção, uma grandeza derivada qualquer é indicada por uma letra representativa
entre colchetes.

[massa] = M [temperatura] = θ
[comprimento] = L [corrente elétrica] = I
[tempo] = T [intensidade luminosa] = I
o

[quantidade de matéria] = N

Exemplo 1: Determinar a equação dimensional da velocidade.

v = ∆S/∆t, onde

∆S = comprimento à [∆S] = L

∆t = tempo à [∆t] = T

à
1
] [

· · LT
T
L
v


Exemplo 2: Determinar a equação dimensional da força.

F = m.a, onde

m = massa à [m] = M

9

a = aceleração à a = ∆v/∆t à
2
1
] [


· · LT
T
LT
a



à
2
] [

· MLT F


10
EXERCÍCIO: Determine as equações dimensionais para as grandezas abaixo
relacionadas:

1) Área (S)
2) Volume (V)
3) Velocidade (v)
4) Aceleração (a)
5)Ângulo plano (θ)
6) Velocidade angular (ω)
7) Aceleração angular (α)
8) Força (peso, normal, atrito, etc.) (F)
9) Impulso e quantidade de movimento (I e p)
10) Massa específica ou densidade absoluta (ρ)
11) Peso específico (γ)
12) Pressão (p)
13) Tensão superficial em um líquido (σ)
14) Vazão em volume (Q)
15) Vazão em massa (Q
m
)
16) Vazão em peso (Q
g
)
17) Viscosidade dinâmica (µ)
18) Viscosidade cinemática (ν)
19) Trabalho (W)
20) Potência (P)
21) Torque ou Momento de uma força (M)
22) Constante elástica da mola (k)
23) Constante de gravitação universal (G)
24) Freqüência (f)
25) Quantidade de calor (Q)
26) Calor específico (c)
27) Capacidade térmica (C)
28) Densidade linear (µ)
29) Energia (cinética, potencial, mecânica) (E)
30) Momento angular (H)


RELATÓRIO

Para as grandezas acima relacionadas, pesquisar as unidades de cada uma
delas nos seguintes sistemas de unidades:

a) Internacional
b) CGS
c) Inglês


11
1.2. Homogeneidade dimensional

As equações que representam os fenômenos físicos são, em geral, polinômios
de um ou mais termos. Uma equação deste tipo é dita homogênea quando cada um de
seus monômios possuírem os mesmos símbolos dimensionais com os mesmos
expoentes.Vamos, por exemplo, considerar uma equação física qualquer, constituída
por grandezas mecânicas e representada pela expressão abaixo:

H E
D
C B
A .
.
+ ·

Suponhamos que as fórmulas dimensionais dos termos sejam:

[ ]
1 1 1
. .
γ β α
T L M A ·

2 2 2
. . . .
.
1 γ β α
T L M D C B
D
C B
· ·
1
]
1

¸




[ ]
3 3 3
. . .
γ β α
T L M H E ·

A equação é dimensionalmente homogênea se:

α
1
= α
2
= α
3
e β
1
= β
2
= β
3
e γ
1
= γ
2
= γ
3


"UMA EQUAÇÃO FÍSICA SERÁ DIMENSIONALMENTE HOMOGÊNEA SE
TODAS AS PARCELAS DOS DOIS MEMBROS POSSUÍREM IGUAL
DIMENSÃO EM RELAÇÃO À MESMA GRANDEZA FUNDAMENTAL".


PRINCÍPIO DA HOMOGENEIDADE

"TODA EQUAÇÃO FÍSICA VERDADEIRA É DIMENSIONALMENTE
HOMOGÊNEA."

Obs.: uma equação pode ser dimensionalmente homogênea e não verdadeira. Logo, a
homogeneidade dimensional é necessária mas não é suficiente para que a equação
física seja verdadeira.

Exemplo: Verificar se as expressões abaixo são dimensionalmente homogêneas:

a)
3
4
2
.
.
D
p S
F
τ
· , onde F = força; S = área; p = pressão; τ = trabalho; D = diâmetro

[F] = MLT
-2
[S] = L
2

[p] = ML
-1
T
-2

[τ ] = ML
2
T
-2

[D] = L

12

1
o
. Membro: MLT
-2


2
o
. Membro:
( )
1 3 3
3
2 6
2 3
3
4 2 2
2 1
2
2
.
.
− −



− −
· · · L L
T ML
T ML
L T ML
T ML L



MLT
-2
  L
-1


Logo, esta equação não é dimensionalmente homogênea.


b)
R
mv
F
2
· , onde: F = força; m = massa; v = velocidade e R = raio

1
o
. Membro
[F] = MLT
-2


2
o
. Membro
[m] = M
[v] = LT
-1

[R] = L

2
2 2 2 1
) .(

− −
· · MLT
L
T ML
L
LT M


1
o
. Membro = 2
o
. Membro

MLT
-2
= MLT
-2


Logo, a equação é dimensionalmente homogênea.


c) Sabendo-se que a equação abaixo é dimensionalmente homogênea, determinar as
dimensões das grandezas A, B e D. Obs.: p = pressão; Q = quantidade de movimento
e π é adimensional.

B Q p A
Q
p D
+ ·
.
. . π

[A] = [B] = [p.Q]
[p] = ML
-1
T
-2

[Q] = MLT
-1

[π] = adimensional = 1
[p.Q] = ML
-1
T
-2
.MLT
-1
= M
2
T
-3

Logo,


13
[A] = [B] = M
2
T
-3

0 0 0
1
.
T L M
Q
p D
· ·
1
]
1

¸

[ ]
0 0 0
1
2 1
.
T L M
MLT
T ML D
·

− −


[ ]
0 0 0 1 2
T L M T L D · ⋅
− −


[ ]
¹
¹
¹
'
¹
·
·
·
⇒ ·
− −
1
2
0
.
0 0 0 1 2
γ
β
α
γ β α
T L M T L T L M




RELATÓRIO

1) Verificar a homogeneidade dimensional das seguintes equações:

a) gh v 2 ·

b)
2
2
mv
E
c
·

c)
W
Fv
h π ·

d) gh p ρ ·

e)
2
2
mv
W ·

onde v = velocidade, g = aceleração da gravidade, h = altura, E
c
= energia cinética,
m = massa, F = força, W = trabalho, p = pressão e ρ = massa específica.

2) Seja S = espaço percorrido, g = aceleração da gravidade, t = tempo e k é um
adimensional. Determinar as constantes A e B para a expressão abaixo, sabendo-se
que ela é verdadeira.

S = k.g
A
.t
B


3) A equação do MHS é y = A cos(ωt + φ
0
) onde y é a ordenada (posição) em um
instante t. Determinar a equação dimensional das grandezas (A, ω, φ
0
).
[ ]
1 2
T L D ·

14
4) A equação abaixo fornece a velocidade média de escoamento v da água em um rio
onde R
H
é o raio hidráulico, que é a relação entre a área da secção e o perímetro
molhado, e k é um número puro. Determinar as equações dimensionais de A e B.

H
H
R
B
A
R k
v
+
·
.


5) Na equação de Van der Waals para gases reais p = pressão, υ = volume específico,
que é a razão entre o volume e a massa, e t = temperatura. Determinar as equações
dimensionais das constantes a, b e k.

( ) kt b
a
p · −
,
_

¸
¸
+ υ
υ
2




15
1.3. Previsão de equações físicas

a) Teorema de Bridgman:

'TODA GRANDEZA DERIVADA QUE SATISFAZ A CONDIÇÃO DE
SIGNIFICADO ABSOLUTO DO VALOR RELATIVO, PODE SER EXPRESSA
PELO PRODUTO DE UMA CONSTANTE PURAMENTE NUMÉRICA, POR
POTÊNCIAS CONVENIENTES DE GRANDEZAS FUNDAMENTAIS."

Exemplo:


γ β α
C B A K G . ·

onde: A, B, C são grandezas fundamentais e K, α, β e γ são constantes numéricas, ou
seja, sem unidades.
Com base na homogeneidade dimensional e utilizando-se o Teorema de
Bridgman, podemos fazer previsões de equações físicas através de dados obtidos em
ensaios experimentais. Para se fazer a previsão de uma fórmula para um certo
fenômeno é necessário conhecer quais grandezas estão envolvidas no fenômeno.

Exemplo: A força de atração entre duas cargas elétricas depende das cargas Q
1
e Q
2
e
da distância entre elas.

F = f(Q
1
, Q
2
, d)

Sabemos quais são as grandezas envolvidas, mas não sabemos qual é a relação
entre elas.


b) Previsão de equações físicas:

Seja uma grandeza qualquer A. Sabemos através de experiências que ela
depende de outras grandezas B, D, E. Pelo Teorema de Bridgman, podemos escrever:

γ β α
E D KB A ·

Para se determinar a equação física, é necessário descobrir os valores das
constantes k, α, β e γ. Suponhamos que A, B, D e E são grandezas mecânicas. Logo,
vamos escrever suas equações dimensionais usando como grandezas fundamentais M,
L, T.

[ ]
z y x
Z L M A ·
[ ]
1 1 1
z y x
Z L M B ·
[ ]
2 2 2
z y x
Z L M D ·
[ ]
3 3 3
z y x
Z L M E ·

[A] = K[B]
α
[D]
β
[E]
γ



16
Logo,
[ ] [ ] [ ]
γ β α
3 3 3 2 2 2 1 1 1
z y x z y x z y x z y x
Z L M Z L M Z L M K T L M ·

(M) à x = x
1
α + x
2
β + x
3
γ

(L) à y = y
1
α + y
2
β + y
3
γ

(T) à z = z
1
α + z
2
β + z
3
γ

Portanto, chegamos a um sistema com três equações e três incógnitas (α, β e
γ), pois x
1
, x
2
, x
3
, y
1
, y
2
, y
3
, z
1
, z
2
, z
3
são conhecidos. Para que a equação fique
completa é necessário determinar o valor de K. Com α, β e γ conhecidos, basta fazer
uma experiência e determinar os valores de A, B, D e E. Substituindo-se todos os
valores na equação podemos calcular K.

Exemplo:
1) A potência P de uma hélice de avião depende da densidade absoluta do ar (ρ), da
velocidade angular da hélice (ω) e do raio da mesma (R). Determinar a equação que
dá esta dependência.

) , , ( R f P ω ρ ·

[P] = ML
2
T
-3


[ρ] = ML
-3

[ω] = T
-1

[R] = L

P = K[ρ]
α
[ω]
β
[R]
γ

ML
2
T
-3
=[ML
-3
]
α
[T
-1
]
β
[L]
γ


(M) à α = 1

(L) à 2 = -3α + γ à 2 = -3 + γ à γ = 5

(T) à-3 = -β à β = 3

à

2) A velocidade de uma onda que se propaga em uma corda depende da densidade
linear da corda (µ) e da força que traciona a corda (F). Uma experiência foi realizada
em uma corda de comprimento l = 1 m e massa m = 10 g que estava sujeita a uma
força F = 4 N, e encontrou-se v = 20 m/s. Determinar a expressão da velocidade.

v = KF
α
µ
β

P = Kρω
3
R
5


17

[v] = LT
-1


[F] = MLT
-2


[µ] = ML
-1


[v] = K [F]
α
[µ]
β


LT
-1
= K [MLT
-2
]
α
[ML
-1
]
β


(M) à 0 = α + β

(L) à 1 = α – β à 1 = 0,5 – β à β = -0,5

(T) à -1 = -2α à α = 0,5

5 , 0 5 , 0 −
· µ KF v

µ
F
K v ·

Determinação de K

v = 20 m/s

F = 4 N

2
3
10
1
10 . 10


· · ·
l
m
µ kg/m

2
10
4
20

· K

K = 1
µ
F
v · ∴

3) A velocidade do som em um gás depende da constante dos gases R, da massa m, do
mol M do gás e da temperatura absoluta (t). Sabe-se que a velocidade do som no ar à
temperatura de 0
o
C é de 332 m/s. Determinar a velocidade para t = 40 °C.

v = f (R, m, M, t) à v = K.R
α
m
β
M
γ
t
δ


[v] = LT
-1


[R] = ML
2
T
-2
θ
-1
N
-1



18
[m] = M

[M] = N

[t] = θ

LT
-1
= K[ML
2
T
-2
θ
-1
N
-1
]
α
[M]
β
[N]
γ
[θ]
δ


(L)à 1 = 2α à α = 0,5

(T)à -1 = -2α à α = 0,5

(M) à 0 = α + β à β = -0,5

(θ) à 0 = -α + δ à δ = 0,5

(N) à 0 = -α + γ à γ = 0,5

v = KR
0,5
m
-0,5
M
0,5
t
0,5
à
m
RMt
K v ·


Para t = 0
o
C (273 K) e v = 332 m/s:

m
RM
K
273 .
332 ·

m
RM
K K · '

332 = K’.16,523 à K’ = 20,093


Para t = 40 °C (313 K)

313 ' K v · à v = 355,5 m/s


RELATÓRIO

1) Numa experiência sobre estados estacionários em uma corda tracionada, sabe-se
que a freqüência f é diretamente proporcional ao n° de ventres n e que é função do
comprimento l da corda, da força F que traciona a corda e da densidade linear µ. Um
aluno realizou esta experiência e encontrou os seguintes dados: f = 50 Hz, n = 2
ventres, l = 1 m, F = 25 N e µ = 10
-2
kg/m. Determinar a expressão da freqüência para
o estado estacionário.


19
2) Sabe-se que o período de vibração (T) de uma gota é função da massa específica ρ
do fluido, da tensão superficial σ e do raio R da gota. Determinar a expressão do
período.

3) Uma partícula de massa m, movendo-se na direção horizontal com velocidade v
0
,
fica sujeita à ação de uma força vertical, de intensidade constante F, a partir de um
certo instante. Nestas condições a trajetória descrita é um arco de parábola. Seja θ o
ângulo que sua velocidade faz com a horizontal num instante qualquer t. A tangente
de θ é inversamente proporcional à massa e é função ainda de F, t, e v
0
. Determinar o
ângulo θ no instante t = 4 s, sabendo-se que no instante t = 6 s temos que θ = 60°.

20
2. Teoria de Erros


Qualquer medida física que se faça, implica na existência de um erro
associado a esta medida. Deste modo, para qualquer grandeza física que se meça,
existe um valor exato, ou verdadeiro, embora este seja normalmente desconhecido. Os
tipos de erros que ocorrem em uma medida podem ter várias fontes.
Um tipo possível de erro é o chamado erro grosseiro. Os erros grosseiros são
causados por engano do operador no manuseio ou leitura do instrumento. Estes erros
podem ser evitados, ou pelo menos minimizados, bastando para isso que o operador
tome os devidos cuidados quando for realizar uma medida, e portanto não nos
preocuparemos em discuti-los.
Outro tipo possível, é o chamado erro estatístico. Os erros estatísticos
ocorrem quando existe algum fator aleatório (ou que não pode ser controlado ou
repetido) que faz com que as medidas não se repitam, distribuindo-se em torno de
determinado valor.
Finalmente, os erros que não se enquadram na categoria anterior são chamados
de erros sistemáticos. Os erros sistemáticos surgem quando existe algum problema
com o equipamento (descalibração, por exemplo), vícios de leitura do operador ou
fatores ambientais externos, que fazem com que as medidas difiram de um certo valor
do valor verdadeiro. A precisão limitada inerente a qualquer instrumento de medida é
uma fonte de erro sistemático. Note que em algumas situações, é difícil saber se um
determinado tipo de erro deve ser enquadrado em uma categoria ou outra. Por
exemplo, se tivermos uma régua de aço que se dilata com a temperatura, isto leva à
ocorrência de um erro sistemático, quando esta está sendo utilizada fora de sua
temperatura de calibração. Por outro lado, se a variação de temperatura do local onde
as medidas estão sendo realizadas for grande, aumentando e diminuindo durante o
processo de medida, o comprimento da régua irá mudar segundo essas variações de
temperatura, levando à ocorrência de um erro estatístico.
Numa terminologia mais moderna
1
, buscando-se evitar essas confusões de
classificação, algumas organizações internacionais costumam agrupar os erros em
duas grandes categorias: os erros do tipo A e do tipo B. Estes erros levam à presença
de incertezas nas medidas, sendo as do tipo A avaliadas a partir de métodos
estatísticos e as do tipo B avaliadas por outros métodos.
Discutiremos a seguir como representar uma grandeza física, levando-se em
conta que uma medida traz consigo uma incerteza. Antes disso, porém, iremos falar
sobre o conceito de algarismos significativos, já que isso é fundamental para que se
possa representar de forma conveniente uma grandeza.


Algarismos significativos

O número de dígitos que devem ser utilizados para representar a medida de
uma dada grandeza física, está intimamente ligado com a precisão do instrumento
utilizado para realizar a medida. Por exemplo, se utilizarmos uma régua com divisões
em milímetros para medir a largura de um bloco de metal, na melhor condição
poderíamos avaliar uma casa decimal extra além da menor medida que é de um

1
Ver, por exemplo, o site do NIST em http://physics.nist.gov/cuu/Uncertainty/bibliography.html
(Acessado em 29/04/2002)

21
milímetro. Assim, neste caso, as seguintes representações para a largura do corpo
seriam possíveis:

L = 12,3 mm
L = 12,0 mm
L = 12,7 mm


Note que embora a menor divisão seja de 1 mm, é possível para o operador,
neste caso, avaliar até uma casa extra. Assim, dizemos que o erro da medida devido à
precisão do instrumento, é de ± 0,5 mm (metade da menor divisão do instrumento).
Em alguns casos, a regra da metade da menor divisão não faz sentido. Um exemplo, é
no caso de uma escala com os valores de menor divisão excessivamente próximos, o
que inviabiliza a avaliação de uma casa a mais. Outro exemplo, é o caso de um
instrumento digital, onde o valor da medida é lido diretamente em um display, e não
há, portanto, como avaliar uma casa extra. Nesses casos, costuma-se utilizar a menor
divisão como sendo o erro da medida. Enfatizamos o fato de que o procedimento de
se utilizar metade da menor divisão visa apenas a definir um procedimento geral para
a estimativa do desvio devido à precisão do instrumento. Nada impede que um
instrumento mal fabricado faça com que o desvio seja maior até mesmo que a menor
divisão.
2

No caso da régua apresentada anteriormente, a medida L = 12,35 mm não
estaria correta, pois a segunda casa decimal não faria sentido (não seria significativa)
para o instrumento utilizado. Existe, portanto, uma representação utilizada para
indicar o grau de precisão de nossas medidas. Nesta forma de representação, os
algarismos que são conhecidos com certeza são chamados de significativos. Após o
último algarismo significativo, temos os algarismos duvidosos. Por uma questão de
convenção, o primeiro algarismo duvidoso é também chamado de significativo.
Deste modo, se tomarmos as representações L = 12,0 mm e L = 12,00 mm, embora
estas sejam parecidas, possuem significados diferentes. A primeira indica que a
incerteza na medida realizada está na primeira casa decimal, e a segunda de que está
na segunda casa decimal. Isto indica que o instrumento utilizado para realizar a
segunda medida era mais preciso que o primeiro.
Para que seja uniformizado o processo de medida, adotaremos o seguinte
procedimento: A última casa representada somente poderá assumir valores múltiplos
da menor divisão, isto é, não iremos avaliar nenhuma casa extra. Por exemplo, uma
régua graduada em milímetros (embora seja possível avaliar uma casa decimal, não o
faremos em nenhum caso) terá como representações possíveis para uma medida 12 ,
15 , etc., porém não serão aceitos 12,5 , 15,75 , etc.
É importante neste momento esclarecermos os conceitos de precisão e de
acurácia (ou exatidão). Note que precisão tem a ver com a capacidade que um
instrumento tem de avaliar uma grandeza com menor flutuação estatística e com mais
casas significativas. Acurácia é a capacidade deste instrumento de chegar mais
próximo ao valor verdadeiro. É claro que para obter um valor próximo ao valor
verdadeiro, devemos utilizar um instrumento preciso, porém o uso de um instrumento
preciso não leva necessariamente a um valor acurado. Se o instrumento, por exemplo,
estiver descalibrado, o valor medido, embora preciso, pode diferir bastante do valor
verdadeiro.

2
Ver o artigo Helene, O. et al. , “O que é uma medida”, Revista Brasileira de Ensino de Física,
dezembro de 1991.

22
OBS.: Este procedimento será adotado, pois, de forma geral, nos instrumentos
que permitem uma avaliação de uma casa extra, isto já é feito pelo próprio fabricante.
Por exemplo, um micrômetro que permita ler até 0,005 mm, tem essa possibilidade já
indicada no próprio instrumento.


Valor médio ou valor mais provável de uma grandeza

Como já dissemos, em alguns casos, existem fatores que podem introduzir
erros em nossas medidas, além daqueles devidos às limitações de nossos
equipamentos de medida. Por exemplo, suponha que o corpo tenha alguma
rugosidade, o que torna a avaliação de sua largura dependente da posição em que se
coloca a régua. Nestes casos, e no caso da ocorrência de outros erros associados a
fatores estatísticos, podemos realizar séries de medidas e calcular a médias dos
valores medidos, o que representaria a melhor estimativa para o valor verdadeiro. O
valor médio de uma série de n medidas de uma grandeza x
i
(que sejam
estatisticamente independentes) será portanto dado por:


n
x
x
n
i
i ∑
·
·
1



Para um conjunto de medidas serem consideradas estatisticamente
independentes, é necessário que a distribuição de probabilidade associada a
determinado dado seja independente dos outros dados. No caso, por exemplo, de uma
série de medidas de comprimento com o uso de régua, para garantir a independência
estatística, seria necessário que cada um dos dados fosse medido com uma régua de
origem diferente e realizado por diferentes operadores. Obviamente, não nos
preocuparemos com esse nível de detalhe e utilizaremos as expressões acima (e as
seguintes) de modo que os dados sejam considerados estatisticamente independentes.

Desvio padrão

O valor médio, embora seja fundamental numa série de medidas, não nos
oferece a possibilidade de analisar o quanto podemos confiar neste valor. O desvio
padrão é a grandeza que nos dá esta informação, caracterizando a dispersão em um
conjunto de medidas (quanto os dados individuais estão afastados do valor médio).
Quanto maior o desvio padrão, menor é a confiança no valor médio obtido. O desvio
padrão é definido como sendo:


) 1 (
) (
1
2


·

·
n
x x
n
i
i
σ


23

Assim, no caso de um conjunto de n medidas, o erro do instrumento pode não
ser a melhor representação do erro da medida. Na verdade, o que se costuma fazer é o
seguinte: Como existem erros provenientes do instrumento e erros provenientes de
oscilações estatísticas, o intervalo de confiança em uma medida é obtido através da
propagação destes erros, de modo que ambos contribuem para o erro final.
Uma grandeza importante para se realizar tal propagação é o chamado desvio
padrão da média.


Desvio padrão da média

O desvio padrão da média (σ
e
) é obtido quando analisamos uma série de n
medidas repetidas sob as mesmas condições. É dado por:

n
e
σ
σ ·


Na verdade o problema é probabilístico por natureza, e o desvio padrão da
média nos fornece apenas a informação de que existe aproximadamente 68% de
probabilidade do valor verdadeiro da grandeza se encontrar entre os limites dados por
) (
e
x x σ t · . Se quisermos ser mais detalhistas, o intervalo de confiança de 68% seria
obtido com um conjunto infinito de medidas. Para, por exemplo, um conjunto de
apenas 10 medidas, o valor de σ
e
deveria ser multiplicado por 1,06 para resgatar a
probabilidade de 68%.
É interessante observar que podemos a princípio ir diminuindo o valor de σ
e
,
realizando mais e mais medidas. Na prática, no entanto, é mais fácil diminuir o valor
de σ
e
diminuindo-se o valor de σ, isto é, tomando-se um instrumento mais preciso
3
. A
grandeza σ
e
é comumente chamada de incerteza estatística.


Erros sistemáticos residuais

Uma vez que se tenha buscado eliminar as possíveis fontes de erros
sistemáticos (grosseiramente falando, erros do tipo B), existe ainda uma fonte de erro
sistemático que está ligado à própria limitação do instrumento. Como regra, dissemos
anteriormente que a precisão p de um instrumento está relacionada à menor divisão
que este pode representar, e que se utiliza como desvio metade da menor divisão.
Assim, os erros sistemáticos relacionados à precisão do instrumento de medida podem
ser representados por um desvio que chamaremos de incerteza sistemática residualσ
r

(ou simplesmente incerteza residual), e que será dado em nosso caso por metade da
menor divisão (a menos que seja estabelecido o contrário). Isto é, σ
r
será dado por:

2
p
r
· σ


3
G. L. Squires, “Practical Physics”, Cambridge University Press, 3
a
edição, Cambridge, p. 18, 1998.

24


Incerteza Padrão

O desvio final (σ
p
), chamado de incerteza padrão, será obtido propagando-se a
incerteza estatística (σ
e
) e a incerteza residual (σ
r
), isto é:

2 2
r e p
σ σ σ + ·

Notação para representação de uma grandeza


Como forma de representação de uma grandeza estaremos utilizando aqui a
seguinte notação: a grandeza será representada pelo seu valor médio, seguido de “±” e
do valor da incerteza padrão (obtido pela propagação da incerteza estatística (σ
e
) e da
incerteza residual (σ
r
)). Assim o valor de uma grandeza será escrito como:

) (
p
x x σ t ·


Deve-se observar que a quantidade de algarismos significativos para se
representar a incerteza padrão não é estabelecida de forma unânime em todos os
textos. A forma mais usual, é de que se utilize a seguinte regra:
- quando o primeiro algarismo for 1 ou dois, deve-se utilizar 2 algarismos
significativos na incerteza padrão;
- quando o primeiro algarismo for 3 ou maior, pode-se utilizar um ou dois algarismos
significativos na incerteza padrão.

Obs. 1: Embora seja aceito pela regra acima 1 ou 2 algarismos significativos
quando o primeiro algarismo da incerteza padrão é 3 ou maior, iremos utilizar
aqui a incerteza padrão com 2 algarismos significativos em todos os casos.

Obs. 2: Quando o valor da incerteza padrão for maior do que 99, deverá ser
utilizada notação exponencial para representá-la.

Obs. 3: Não confundir algarismos significativos com casas decimais


Regras de arredondamento:

Existem diferentes regras de arredondamento. Estaremos adotando em nosso
curso, as regras de arredondamento estabelecidas pela norma NBR5891 de 1977 da
ABNT, segundo a qual:

a) se a parte a ser arredondada é menor ou igual a 499999, elimina-se o valor
b) se a parte a ser arredondada é maior do que 500000, soma-se 1 à casa anterior
c) se a parte a ser arredondada for 500000, verifica-se se o algarismo anterior, e caso
este seja par mantém-se e caso seja ímpar soma-se 1.


25

Exemplos de arredondamento para 2 casas decimais

3,213 à 3,21 3,23789 à 3,24
5,475 à 5,48 13,5512 à 13,55
4,6450à 4,64 546,6500 à 546,65


Exemplos de arredondamento para 2 algarismos significativos

0,02543 à 0,025 0,00475 à 0,0048
0,00445 à 0,0044 0,0557 à 0,056
1,475à 1,5 75,498 à 75
457,57à 4,6.10
2
9545 à 9,5.10
3


Exemplos de aplicação:

1. Um aluno de laboratório realizou uma série de 10 medidas do comprimento L de
uma barra, com uma régua com menor divisão igual a 0,5 mm. Os valores obtidos
pelo aluno estão colocados na tabela abaixo:

Medida L (mm)
1 12,5
2 12,0
3 12,0
4 11,0
5 12,0
6 12,0
7 13,0
8 12,5
9 13,0
10 12,5

Note que devido à proximidade visual entre uma divisão e outra, não faria
muito sentido em se avaliar uma medida de comprimento como sendo 12,3 mm,
embora formalmente isso não esteja incorreto. Isso até poderia ser feito se fosse por
exemplo utilizada uma lupa para ampliar a escala, a régua tivesse suas divisões bem
definidas, e o fabricante garantisse a qualidade de sua régua.
Conforme dito anteriormente, adotaremos para a representação valores
múltiplos da menor divisão.
Podemos calcular o valor médio desse conjunto de medidas, o que nos leva ao
valor:

25 , 12 · L mm

O desvio padrão é então dado por:

5892557 , 0 · σ mm

26

O desvio padrão da média (σ
e
), que nos fornece a incerteza estatística
associada ao conjunto de medidas é dado por:

186339 , 0 ·
e
σ mm

O valor da incerteza sistemática residualσ
r
, tomando-se metade da menor
divisão, é então dado por:

25 , 0 ·
r
σ mm

Portanto, a incerteza padrão vale:

31 0 3118 0
2 2
, ,
p r e p
= = σ σ ⇒ ⇒ = = σ σ + + σ σ = = σ σ mm (com 2 alg. significativos)

Assim, o valor do comprimento L do corpo é melhor representado por:

) 31 , 0 25 , 12 ( t · L mm

Observe o resultado final, e note que neste caso os desvios estatísticos e
sistemáticos se combinam para a apresentação do resultado final.


2. Um aluno de laboratório realizou uma série de medidas do diâmetro d de um
cilindro, com um instrumento com menor divisão igual a 0,01 mm. Os valores obtidos
pelo aluno estão colocados na tabela abaixo:

Medida d (mm)
1 75,01
2 74,98
3 75,01
4 74,99
5 75,00
6 75,01
7 75,02

Podemos calcular o valor médio desse conjunto de medidas, o que nos leva ao
valor:

002857 , 75 · d mm

A tabela seguinte será útil para obtermos o desvio padrão:







27
Medida d (mm)
) d d ( − − (mm)
2
) d d ( − − (mm
2
)
1 75,01 0,007143 0,000051022
2 74,98 -0,022857 0,000522442
3 75,01 0,007143 0,000051022
4 74,99 -0,012857 0,000165302
5 75,00 -0,002857 0,000008162
6 75,01 0,007143 0,000051022
7 75,02 0,017143 0,000293882

∑ ∑
= = − −
2
) d d ( 0,001142854

O desvio padrão é então dado por:

⇒ ⇒
− −
= =
− −
− −
= = σ σ
∑ ∑
= =
1 7
001142854 0
1
1
2
,
) n (
) d d (
n
i
013801 , 0 · σ mm

O desvio padrão da média (σ
e
), que nos fornece a incerteza estatística
associada ao conjunto de medidas é dado por:

⇒ ⇒ = =
σ σ
= = σ σ
7
013801 0,
n
e
005216 , 0 ·
e
σ mm

A incerteza sistemática residual σ
r
, tomando-se metade da menor divisão, é
então dada por:

005 , 0 ·
r
σ mm

Portanto, a incerteza padrão vale:

007226 , 0
2 2
· + ·
r e p
σ σ σ mm

Representando-a com 2 algarismos significativos, temos:

0072 , 0 ·
p
σ mm

Assim, o valor do diâmetro d do corpo é melhor representado por:

) 0072 , 0 0029 , 75 ( t · d mm



28
Relatório:

1. Usando a norma da ABNT descrita anteriormente, faça o arredondamento dos
seguintes números para 2 algarismos significativos:

a) 0,002546
b) 0,03967
c) 0,000455
d) 0,0000753
e) 4,4798
f) 17,965
g) 0,00751
h) 0,00750
i) 0,000850
j) 0,000853
k) 278
l) 9413
m) 18975,47
n) 947,3
o) 254679,4


2. Foi realizada uma série de medidas de comprimento de uma peça metálica com um
instrumento de precisão p = 0,02 mm e foram encontrados os seguintes resultados:

17,42 17,48 17,50 17,46 17,48 17,46 17,48 17,46

Determinar:
a) o valor médio
b) o desvio padrão
c) o desvio padrão da média (incerteza estatística)
d) a incerteza residual
e) a incerteza padrão
f) escrever o valor da grandeza


3. Foi realizada uma série de medidas do diâmetro de uma peça metálica com um
instrumento de precisão p = 0,05 mm e foram encontrados os seguintes resultados:

25,15 24,85 25,65 25,20 25,75 24,90 24,95 25,05 25,45 25,55

Determinar:
a) o valor médio
b) o desvio padrão
c) o desvio padrão da média (incerteza estatística)
d) a incerteza residual
e) a incerteza padrão
f) escrever o valor da grandeza




29
3. I ntrodução à construção de gráf icos



Embora o uso de gráficos seja uma linguagem utilizada com freqüência na
Física para se discutir e explorar conceitos, os procedimentos para a construção e
interpretação de gráficos são ainda desconhecidos por muitos. Para a utilização de
forma adequada desta “linguagem matemática”, é fundamental que se tenha
conhecimento de como construir gráficos “manualmente”, razão pela qual iremos
discutir com detalhe esse assunto.
Existem duas razões básicas para se construir gráficos. A primeira, é que em
diversas situações, utilizamos um método gráfico para realizar a estimativa de uma
determinada grandeza através do coeficiente angular de uma reta média, ou através do
seu coeficiente linear. No entanto, esta aplicação não é uma das mais importantes,
principalmente quando a reta média é feita de forma visual.
A segunda razão, é que os gráficos são um auxiliar importante para a
“visualização” de um determinado fenômeno, e que às vezes ficam difíceis de serem
observados quando os resultados são dados na forma de tabelas.
A escala mais simples de se trabalhar é a escala linear. Uma escala linear é
aquela em que a coordenada de um ponto é proporcional à grandeza que ela
representa. Em uma escala linear, costumamos definir o chamado “Módulo de
Escala”, que é a razão entre a variação da grandeza que se quer representar e o
comprimento do papel disponível para um eixo.
Assim, por exemplo, se o comprimento do papel disponível para o eixo x é
L = 18 cm, e a grandeza varia de 0 a 29 s, o “Módulo de Escala” será dado por:


ou seja, cada cm do eixo corresponde a 2 s.
No exemplo mostrado anteriormente, arredondou-se o módulo de escala para
um valor maior que o calculado. Esta prática é aconselhável, pois torna o módulo de
escala mais fácil de se trabalhar e permite utilizar todos os valores da grandeza. Se
tivéssemos arredondado o módulo para 1,6 s/cm, necessitaríamos mais do que 18 cm
para representar o último valor da grandeza (29 s), além de ser muito mais trabalhoso
para a construção do gráfico. Como procedimento geral, iremos adotar módulos de
escala fáceis de trabalhar, quais sejam: (1; 2; 5).10
± n
(sendo “n” um inteiro).

Alguns cuidados devem ser observados quando se está construindo um
gráfico, quais sejam:
a) utilize módulos de escala fáceis de operar e interpretar ou indique claramente o
módulo de escala para cada eixo (ver comentário acima);
b) trace os eixos e indique as grandezas com as respectivas unidades entre parênteses;
no eixo horizontal é usual colocar essa informação abaixo do eixo e no eixo vertical
ao lado esquerdo;
c) a variável dependente deverá estar sempre no eixo vertical e a independente no eixo
horizontal, isto é, coloque a causa no eixo horizontal e efeito no eixo vertical;
d) coloque na parte superior do gráfico o título do gráfico;

cm
s
cm
s
cm
s
L
G
m
X
0 , 2 61 , 1
18
) 0 29 (
≅ ·

·

·

30
e) gradue os eixos em espaços regulares, de cm em cm ou de 2cm em 2cm; evite
deixar muito espaçamento entre as graduações, ou acumular muitos números nos
eixos;













f) Procure não escrever todos os dados da tabela, que, em geral, são “quebrados”;
localize-os, sem escrever os números; pior do que esse procedimento, é escrever
exatamente os números constantes nas tabelas, sem as graduações em espaços
regulares;











g) ao localizar os pontos, não utilize “tracejados” para todos os pontos; reserve os
“tracejados” para alguns pontos importantes, para determinar coeficientes angulares,
etc;







0 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
t(s)
0 2
4 6 8 10
t(s)
0
10
20
t(s)
t(s)
0
1 2 3
4 5 6 7 8 9
10 0,5 3,5 2,5 1,5 6,5 5,5 4,5 9,5 8,5 7,5
Sim
Sim
Não
Não
1,3 3,1 8,9
5,4
0 t (s)
Não

31


























h) represente os pontos do gráfico por “cruz”, “retângulo” ou um outro símbolo que
torne os pontos visíveis (eles devem ser visíveis, porém não exagere); não utilize
apenas “pontinhos” para localizá-los;
i) não ligue os pontos “dois a dois” através de segmentos de retas, nem passe uma
curva “lisa” por todos os pontos; lembre-se que, em Física, nenhuma medida é
“exata”;




















10,0
20,0
30,0
40,0
15,0
25,0
35,0
45,0
5,0
0,0
x(cm)
0 1 2 3
4 5 6
7 8 9 10 t (s)
Não!
10,0
20,0
30,0
40,0
15,0
25,0
35,0
45,0
5,0
0,0
x(cm)
0 1 2 3
4 5 6
7 8 9 10 t (s)
Não!

32
j) trace uma curva que melhor se ajuste aos pontos, ou seja, uma “curva média”, que
passe pela maioria dos pontos, de tal modo que o número de pontos situados acima da
curva seja aproximadamente igual ao número de pontos abaixo.

k) no caso em que a curva esperada é uma reta, trace uma reta média de modo que o
número de pontos que estejam acima da reta seja aproximadamente igual ao número
de pontos abaixo da reta.

l) quando se deseja representar também o erro da medida, coloque barras horizontais
e/ou verticais, de comprimento apropriado.





























10,0
20,0
30,0
40,0
15,0
25,0
35,0
45,0
5,0
0,0
x(cm)
0 1
2 3
4 5 6
7 8 9 10
t (s)
Curva
Média

x=f(t)

Sim
Gráfico x versus t

33
4. Anamorf ose

De forma geral, é conveniente trabalhar-se com gráficos de funções lineares.
Ao obtermos um conjunto de pontos experimentais, se quisermos comparar estes
resultados com algum modelo teórico, isso será mais fácil de ser feito se a função
teórica for linear. Obviamente, nem todos os sistemas físicos têm comportamento
linear, o que nos leva muitas vezes à necessidade de se proceder a linearização de uma
função, ou anamorfose.
Suponha, por exemplo, que estejamos trabalhando com um pêndulo simples,
cujo período (tempo que leva para completar uma oscilação) é dado por:

g
l
T π 2 ·

onde l é o comprimento do pêndulo e g a aceleração da gravidade. Se quisermos
utilizar esse sistema para determinar experimentalmente o valor da aceleração da
gravidade, poderíamos fazer um gráfico de T vs l. Este gráfico não é uma reta, e o que
sabemos fazer com certa qualidade é ajustar retas médias.
A expressão acima poderia ser reescrita, no entanto, como:

aX Y l
g
T · ⇒ ·
π 2


onde
g
a
π 2
· (uma constante durante o experimento) e l X ·

Assim, se fizermos um gráfico de T vs l iremos obter uma reta cujo
coeficiente angular a será proporcional a g, isto é, a aceleração da gravidade será dada
por:

2
2

,
_

¸
¸
·
a
g
π


Exercícios:

1. Em um experimento de pêndulo simples, obteve-se o período de oscilação T do
pêndulo para diferentes comprimentos l, conforme tabela abaixo. Monte um gráfico
apropriado para que se obtenha a partir do mesmo o valor da aceleração da gravidade
para o local em que o ensaio foi realizado, sabendo-se que o período de oscilação T é
dado por:


g
l
T π 2 ·

l (m) 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
T (s) 2,70 3,14 3,51 3,82 4,15 4,44 4,73 4,98


34
2. Em um experimento de Pêndulo de Mola, podemos calcular a constante elástica da
mola através do chamado método dinâmico. Neste método, o período de oscilação T
do pêndulo depende da massa m e da constante elástica k da mola, conforme
expressão abaixo:

k
m
T π 2 ·
Partindo da expressão acima, e dos dados da tabela abaixo, realize uma anamorfose
que seja conveniente, e obtenha a partir do gráfico construído o valor da constante
elástica k da mola.

m (kg) 0,020 0,080 0,200 0,500 0,800 1,500 2,000
T (s) 0,126 0,251 0,397 0,628 0,794 1,088 1,256


3. Em uma transformação adiabática de um gás ideal, temos que K pV ·
γ
. Para
uma transformação adiabática, obteve-se a tabela abaixo para os valores de p e V.
A partir desta tabela, realizar a anamorfose e montar o gráfico correspondente e
obter os valores de γ e K.


V (m
3
) p (Pa)
0,01 199.000
0,02 80.800
0,03 47.700
0,04 32.830
0,05 24.500
0,06 19.380
0,07 15.800
0,08 13.300
0,09 11.400
0,10 9.970


35
Roteiro do Experimento de Micrômetro


Objetivos: Discutir o conceito de precisão do micrômetro, aprender a efetuar
medições com o micrômetro, estudar os conceitos relativos a representação do
resultado de uma série de medidas.



Material Necessário: Micrômetro, esferas de vidro e de aço

I. Fundamentação Teórica


O micrômetro é um instrumento de precisão destinado a medir espessura de
objetos. A figura abaixo mostra um micrômetro típico com as principais partes que o
compõe.


















Quando se dá uma volta completa no tambor, este se desloca
“horizontalmente” de 0,5 mm Portanto, 50 divisões do tambor equivalem a 0,5 mm,
ou seja, 1 divisão do tambor equivale a 0,01 mm. Embora se possa estimar um valor
intermediário quando a escala da bainha cai entre duas divisões da escala fixa, não
iremos fazê-lo, pois o próprio fabricante não recomenda este procedimento (por
questões de precisão do instrumento). O valor será aproximado para a divisão que
mais se aproximar. Assim, adotaremos a precisão do micrômetro como sendo p = 0,01
mm.




TAMBOR
CATRACA
TRAVA
ESCALA FIXA (BAINHA)
ESCALA DO TAMBOR
ENCOSTO MÓVEL
ENCOSTO FIXO

36










































5 10
40
45
0,5 mm
(passo)
5 10
40
45
5
10
15
20
5 10
20
25
5
10
25
30
L = 10,42 mm
L = ____________
L = ____________
L = ____________

37
















Parte experimental:

1. Medir 8 vezes o diâmetro da esfera de vidro e da esfera de aço, preenchendo a
tabela abaixo.


2. Calcular o valor médio (ou valor mais provável) e o desvio padrão dos diâmetros
das esferas de vidro e de aço.

3. Apresentar o resultado final de cada diâmetro, seguindo as regras estabelecidas.




Exemplo de análise dos dados:





5
10
45

0
D
5 10
15
10
L = ____________
L = ____________
Esfera de vidro Esfera de aço
n Di(mm) Di(mm)
1
2
3
4
5
6
7
8

38














mm
D
D
i
i
544 , 34
8
350 , 276
8
8
1
· · ·

·




mm
n
e
1401 , 0
8
3963 , 0
· · ·
σ
σ


mm
p
r
005 , 0
2
01 , 0
2
· · · σ


mm
r e p
1402 , 0 005 , 0 1401 , 0
2 2 2 2
· + · + · σ σ σ



mm D
p
) 14 , 0 54 , 34 ( t · tσ











mm D D
n
3963 , 0
1 8
099188 , 1
) (
1
1
2
·

· −

·

σ
n
1 34, 43 - 0, 114 0, 012996
2 34, 65 0, 106 0, 011236
3 34, 95 0, 406 0, 164836
4 35, 06 0, 516 0, 266256
5 34, 03 - 0, 514 0, 264196
6 34, 74 0, 196 0, 038416
7 33, 96 - 0, 584 0, 341056
8 34, 53 - 0, 014 0, 000196
276, 350 1, 099188
) mm ( ) D D (
i
2 2
− − ) mm )( D D (
i
− − ) mm ( D
i

39
L (mm) C (mm) D (mm) E (mm)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Roteiro do Experimento de Paquímetro


Objetivos: Aprender a utilizar o paquímetro, bem como reforçar os conceitos de
teoria dos erros.

Material Necessário:Chapa metálica e paquímetro

Fundamentação Teórica:

O paquímetro é um instrumento de precisão utilizado para medir
comprimentos, diâmetros e ressaltos. Ele apresenta uma precisão menor do que o
micrômetro, sendo sua precisão dada por p = 1/n, onde n é o número de divisões do
nônio.















Parte Experimental:

1. Utilize o paquímetro para medir o comprimento (C) e a altura (L) do corte da peça
mostrada abaixo, bem como o diâmetro (D) e a espessura (E) da chapa metálica,
preenchendo a tabela mostrada a seguir.











2. Calcular o valor médio (ou valor mais provável) e o desvio padrão dos valores
medidos.
D C
L

40
3. Apresentar o resultado final de cada medida, seguindo as regras estabelecidas.

Exemplo de análise dos dados:


) (mm L ) )( ( mm L L − ) ( ) (
2 2
mm L L −
1 12,15 -0,38 0,1444
2 13,05 0,52 0,2704
3 12,35 -0,18 0,0324
4 12,40 -0,13 0,0169
5 11,95 -0,58 0,3364
6 12,05 -0,48 0,2304
7 13,15 0,62 0,3844
8 12,45 -0,08 0,0064
9 13,00 0,47 0,2209
10 12,75 0,22 0,0484
125,30 1,6910




mm
n
e
13707 , 0
10
433 , 0
· · ·
σ
σ


mm
p
r
025 , 0
2
05 , 0
2
· · · σ


mm
r e p
13933 , 0 025 , 0 13707 , 0
2 2 2 2
· + · + · σ σ σ



mm L
p
) 14 , 0 53 , 12 ( t · tσ




mm L 530 , 12 ·
2 2
) ( mm 1,6910 L L

· −



·
2
) (
1
1
L L
n
σ
mm 0,43346 · σ

41
Roteiro do Experimento de Queda Livre


Objetivos:
- estudar o movimento de um objeto em queda livre, obtendo a partir do mesmo o
valor da aceleração da gravidade;
- construir gráfico;
- entender o significado gráfico de derivada.


Material Necessário:
- Computador
- Interface Pasco 750
- Suporte para barra
- Prendedor
- Barra com adaptador para photogate
- Photogate
- Acrílico zebrado

I. Introdução Teórica

Quando um objeto é solto sujeito somente à ação da força gravitacional, este
objeto é dito em queda livre. Este é um dos exemplos mais simples e familiar de
movimento com aceleração constante (aproximadamente constante, já que os efeitos
de resistência do ar podem não ser desprezíveis). Quando os efeitos de resistência do
ar são desprezíveis, vale a previsão de Galileu de que todos os corpos, independente
de suas formas ou pesos, caem com a mesma aceleração e, portanto, levam o mesmo
tempo para atingir o solo quando soltos de uma certa altura. Note que um corpo
lançado verticalmente para cima (em movimento de ascensão), também é dito em
queda livre.



II. Sistema de coleta de dados

Antes de ligar qualquer equipamento, verifique se o photogate está posicionado
corretamente e com o cabo conectado na Interface Pasco 750 como mostrado abaixo.


42


Para acessar o programa de aquisição de dados, siga os seguintes passos:

- Ligue a interface e a seguir ligue o computador.
- Caso o computador tenha sido ligado e a interface esteja desligada, ligue a
interface e reinicialize o computador selecionando a opção Iniciar à Desligar à
Reiniciar o computador
- Selecione Iniciar à Programas à ScienceWorkshop à Queda Livre

A tela mostrada abaixo deverá ser observada:



As duas tabelas mostradas na tela acima irão nos fornecer os dados da posição (x)
e do intervalo de tempo (∆t). Além disso é possível visualizar o gráfico da posição em
função do tempo. Note que as posições variam de 5 em 5 cm, que é a distância entre o
início de uma faixa escura e o início da faixa escura seguinte. O intervalo de tempo
(∆t) é o tempo necessário para o acrílico movimentar-se de 5 cm.















5 cm

43
Para a aquisição de dados, deve-se seguir a seguinte seqüência:
- clique inicialmente sobre o botão REC (note que ao clicar sobre o botão, se a
janela não estiver ativa, a aquisição não será iniciada e o botão não se
movimentará; nesse caso, clique novamente sobre o botão REC)
- Posicione cuidadosamente o acrílico zebrado em frente ao photogate, tomando o
cuidado para que não se interrompa o feixe de luz, conforme mostrado abaixo.:














- Solte o acrílico zebrado cuidando para que este se choque com uma superfície
macia quando atingir a bancada. Deverá ser observada na tela do computador uma
seqüência de nove valores.
- Clique sobre o botão STOP

Quando a primeira região escura do acrílico zebrado passar em frente ao
photogate, será iniciada efetivamente a aquisição. Será medido então o tempo entre o
início de uma região escura e o início da região escura seguinte. Isto é, o instante de
tempo para uma determinada posição é sempre dado pela soma de todos os ∆t
anteriores.

A seguir temos um exemplo de tabela coletada com o sistema descrito
anteriormente.


x (m) tDelta (s)
0.00 0.000
0.05 0.052
0.10 0.036
0.15 0.029
0.20 0.025
0.25 0.023
0.30 0.021
0.35 0.019
0.40 0.018
0.45 0.016




44

Podemos então montar uma tabela para as posições em função do instante de
tempo t, como mostrado abaixo:


x (m) ∆t (s) t (s)
0.00 0.000 0.000
0.05 0.052 0.052
0.10 0.036 0.088
0.15 0.029 0.117
0.20 0.025 0.142
0.25 0.023 0.165
0.30 0.021 0.186
0.35 0.019 0.205
0.40 0.018 0.223
0.45 0.016 0.239


Se fizermos um gráfico da posição em função do tempo e ajustarmos uma
parábola, obteremos o gráfico abaixo.


Através da parábola ajustada, é possível obter o valor da aceleração da
gravidade, isto é:

2
0 0
2
1
gt t v y y + + ·

Portanto, temos que:

s m g g / 8 , 9 899 , 4
2
1
· ⇒ ·
2
Gráfico de X vs t
y = 4.899x
2
+ 0.7055x + 0.0001
0.00
0.05
0.10
0.15
0.20
0.25
0.30
0.35
0.40
0.45
0.50
0.000 0.050 0.100 0.150 0.200 0.250 0.300
t (s)
x

(
m
)

45
III. Parte experimental:


1. Coletar os dados, conforme explicado anteriormente
2. Montar em papel milimetrado o gráfico de x vs t
3. A partir do gráfico, escolher 5 pontos e traçar as tangentes, conforme ilustrado
abaixo
4. Com o coeficiente angular das retas tangentes, montar um gráfico de velocidade
em função do tempo, ajustando a este uma reta.

Exemplo de análise de dados:














v (m/s) t(s)
1.14 0.05
1.49 0.09
1.85 0.14
2.53 0.205





gráfico de V vs t
y = 8.8524x + 0.6792
0.0
0.5
1.0
1.5
2.0
2.5
3.0
3.5
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25
t(s)
V
e
l
.

(
m
/
s
)
Gráfico de X vs t
y = 4.899x
2
+ 0.7055x + 0.0001
0.00
0.05
0.10
0.15
0.20
0.25
0.30
0.35
0.40
0.45
0.50
0.000 0.050 0.100 0.150 0.200 0.250 0.300
t (s)
x

(
m
)
∆x
∆t

46

5. Pelo coeficiente angular da reta anterior, determinar o valor da aceleração da
gravidade

g = 8,8 m/s
2



6. Comparar o valor obtido com o valor teórico de 9,78 m/s
2
.

% 10 100 .
78 , 9
78 , 9 8 , 8
% − ·
,
_

¸
¸ −
· E

7. Caso deseje, experimente usar o Excel e ajustar uma parábola aos dados de x vs t,
obtendo assim o valor da aceleração da gravidade. Compare este valor com o
obtido pelo método anterior

47
Roteiro do Experimento Lançamento de Proj éteis


Objetivos: Estudar movimento parabólico, determinar velocidade de lançamento de
projéteis, determinar aceleração da gravidade.


Material Necessário: Computador e programa lanc.exe


I. Introdução Teórica:

Ao lançarmos um projétil na direção horizontal com uma velocidade inicial v
0x

e de uma altura y
0
, sujeito a uma força vertical (devido à ação da força de gravidade),
este irá descrever uma trajetória curvilínea, no caso uma trajetória parabólica.
Podemos descrever o movimento desse corpo separando as componentes da
velocidade em duas direções perpendiculares: uma horizontal e outra vertical. Como a
força só age na direção vertical, o movimento ao longo da direção horizontal é
uniforme, com aceleração nula. Na direção vertical, devido à força da gravidade, o
movimento é uniformemente acelerado. Sendo a aceleração constante (desprezando-se
os efeitos de resistência do ar) e igual a g, e orientando o eixo vertical para baixo,
podemos obter a equação horária das velocidades integrando a aceleração. Assim,
temos:


+ · ⇒ ·
t
y y y
gt v t v dt g t v
0
0
) ( . ) (
Da mesma forma, podemos obter a equação horária das posições y(t) do corpo
integrando a equação horária das velocidades, isto é:

∫ ∫
+ · ·
t t
y y
dt gt v dt t v t y
0 0
0
). ( ). ( ) (
2
0
2
1
) ( gt t v y t y
oy
+ + · ⇒

Da mesma forma, podemos obter as componentes da velocidade da posição na
direção horizontal (x). Como não existe força atuando na direção x, a aceleração é
nula e, portanto, a velocidade v
x
é constante. Assim, equação horária das posições x (t)
será dada por:

t v x dt v dt t v t x
x
t
x
t
x 0 0
0
0
0
. ). ( ) ( + · · ·
∫ ∫


Para o problema em questão, na posição inicial, v
0y
=0. Assim, podemos
escrever o vetor velocidade como sendo:

j v i v v
y x
r r
r
+ ·

48
onde a velocidade
x
v , como dissemos, é constante, e a velocidade
y
v é dada por:
gt t v
y
· ) (
As posições x e y do corpo serão dadas, respectivamente, por:

t v x t x
ox
+ ·
0
) (

2
0
2
1
) ( gt y t y + ·
Considerando que corpo é lançado de uma certa altura e da posição x
o
=0, se
eliminarmos o tempo das duas equações anteriores, podemos obter a equação da
trajetória, a qual é a equação de uma parábola:


2
2
0
2
1
x
V
g
y y
x
+ ·


II. Funcionamento do Programa:

Vamos supor que desejamos estudar o lançamento de uma bola de uma altura de
100 m, no planeta A (Terra, g = 9.8 m/s
2
). Para tanto, realize as seguintes operações:

1. Inicie o programa
2. Entre com o valor da altura digitando 100 <enter>
3. Entre com o código do planeta digitando A
4. Aumente a compressão da mola digitando +
5. Para disparar o corpo digite D

Se tudo correu bem uma tela semelhante à mostrada na figura a seguir deverá
ser obtida. Caso não tenha conseguido, saia do programa e refaça todos os
procedimentos anteriores.


49


Caso deseje reposicionar o corpo em frente à mola, digite R


Comandos disponíveis


L - Limpa a área de gráficos, bem como a escala
R - Reposiciona o corpo em frente à mola
D - Dispara o corpo
F - Altera as características físicas do experimento
G - Liga e desliga a grade fina
O - Liga o localizador de ponto
+ - Aumenta a compressão da mola
- - Diminui a compressão da mola
T - Termina a simulação

50
III. Procedimento Experimental


1. Para uma altura h =10 m e para o caso do planeta A (Terra, g = 9.8 m/s
2
), lance a
bola para um dado valor de compressão da mola. Lembre-se de anotar o número de
vezes que você apertou a tecla +, pois precisará desta informação posteriormente.
Anote também o tempo t e o alcance ∆x (distância horizontal percorrida pelo corpo
desde o ponto de lançamento até o ponto em que toca o solo) para este caso.


t = ∆x =


2. Obtenha a partir do gráfico da trajetória apresentado na tela, um conjunto de pares x
e y (utilize o localizador de ponto - comando “O”). Monte com estes pontos um
gráfico de y vs x
2
.

y (m) x (m) x
2
(m
2
) y(m) x (m) x
2
(m
2
)







3. A partir do gráfico anterior obtenha o valor de V
xg
para a compressão escolhida.
Isto pode ser feito sabendo-se que


2
2
0
2
1
xg
V
x
g y y + · e V
g
k
xg
·
2


onde: k
y
x
·


2
é o coeficiente angular obtido do gráfico.


4. Compare o valor obtido (V
xg
) com aquele obtido dividindo-se o espaço percorrido
na horizontal pelo tempo total gasto pelo corpo para alcançar o solo (V
x
).


V
xg
= V
x
t
x
· ·









51

5. Repetir o item 1 para o caso de outro planeta, ou seja, h = 10m, código do
planeta = (B, C ou D) e compressão da mola igual à do item 1.

y (m) x (m) t
2
(s
2
) y(m) x (m) t
2
(s
2
)






Obs.: Na tabela, t = x/V
x
, onde V
x
foi calculado no item 3.

6. A partir do gráfico de y vs t
2
, obtenha o valor da aceleração da gravidade (g
p
) para o
planeta escolhido. Identifique o planeta comparando o valor que obteve com o valor
mostrado na tabela abaixo:


g
p
= Planeta:



Planeta g (m/s
2
)
Júpiter 26.4
Vênus 8.8
Mercúrio 3.7


6. Obtenha o erro percentual no valor da aceleração da gravidade do planeta


100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
teor
teor
g
g g
E E% =




52

Roteiro do Experimento de Leis de Newton


Objetivo:
- verificar as leis do movimento de Newton, através do uso de um trilho de ar,
realizando aquisição de dados por computador.


I. Introdução Teórica


A dinâmica é a área da Física que estuda as causas do movimento. Para o
estudo da dinâmica, é fundamental o conhecimento das três leis de Newton. Embora
sejam de formulação relativamente simples, o seu entendimento é muitas vezes
deficiente. Vejamos como podemos enunciar estas três leis.

1
ª
Lei (Lei da Inércia): Se a resultante de forças sobre um ponto material for zero,
este tenderá a manter o seu estado de movimento, isto é, se estiver parado, continuará
parado. Se estiver em movimento retilíneo com uma velocidade v, continuará em seu
movimento com velocidade v.

Comentário: A 1
ª
lei de Newton, na verdade, já havia sido proposta há alguns anos
antes por Galileu. Contrariamente ao que se supunha até então (conforme as idéias
propostas por Aristóteles no século III a.C.), a 1
a
lei nos diz que o estado natural dos
objetos é o de manter o seu estado de movimento, e não o de parar. Esta lei é ainda
ignorada por muitas pessoas, pois a experiência diária parece indicar que os corpos na
ausência de forças, tendem a perder velocidade com o tempo e parar. Este tipo de
raciocínio simplista é impreciso, pois não se leva em conta a força de atrito. Caso esta
pudesse ser completamente eliminada, perceberíamos que a tendência natural dos
corpos é a de manter o seu estado de movimento e não a de parar. A 1
ª
lei é
importante, e não deve ser considerada apenas como um caso particular da 2
a
lei,
como veremos adiante. Ela é fundamental para definirmos os chamados referenciais
inerciais. Um referencial inercial pode ser definido como sendo aquele em que a 1
ª
lei
de Newton é válida. Como é possível mostrar, uma forma alternativa de se definir um
referencial inercial, é a de que um referencial inercial é aquele cuja aceleração é nula.


2
ª
Lei (R = m a): Se a resultante de forças sobre um corpo for diferente de zero,
existirá uma aceleração proporcional a esta resultante.

Comentário: A segunda lei nos fornece uma relação entre a resultante de forças sobre
um corpo, e a correspondente aceleração. Essa constante de proporcionalidade é
chamada de massa inercial (ou simplesmente massa). É importante ressaltar que existe
uma outra grandeza chamada de massa gravitacional, que surge na expressão da força
de atração gravitacional entre dois corpos. Todas as medidas realizadas até hoje
indicam que a massa inercial é numericamente igual à massa gravitacional, e por isso
costuma-se utilizar simplesmente o termo "massa". Deve-se notar ainda que a segunda

53
lei expressa uma relação vetorial, que pode ser reescrita em termos de suas projeções,
isto é R
x
= m a
x
, R
y
= m a
y
e R
z
= m a
z
.


3
ª
Lei (Ação e reação): Para cada força de ação, existe uma força de reação
correspondente, de mesmo módulo, mesma direção e sentido oposto.

Comentário: A lei da ação e reação nos diz basicamente que as forças na natureza
sempre surgem aos pares, nunca de forma isolada. É importante notar que as forças de
ação e reação atuam em diferentes corpos, o que é em geral fonte de confusão. A
aplicação incorreta da 3
a
lei juntamente com a 2
ª
lei, leva a confusões do tipo: "Aplico
uma força de 10 N em um carrinho e este reage aplicando uma força de 10 N em mim
com sentido oposto, e assim a resultante destas duas forças é nula. Como pode então o
carrinho se mover?" Este tipo de confusão é causada pelo descuido em se verificar
que as forças de ação e reação estão aplicadas a corpos distintos e, portanto, a
resultante de forças no carrinho não é zero!


54
II. Procedimento Experimental

a) Material Necessário:

- Trilho de Ar PASCO com acessórios
- 4 photogates
- Interface PASCO 750 com fonte de alimentação e cabo de dados
- Computador com software Science Workshop

b) Coleta de dados

1. Verifique se o trilho de ar está nivelado. Para tanto, solte o flutuador e observe se
este principia a se movimentar. Caso isto ocorra, ajuste o nível de forma conveniente
de modo a que permaneça parado.

2. Posicione os 4 photogates ao longo do trilho de ar, separados por uma distância de
20 cm. Coloque 2 massas de 50 gramas de cada lado do suporte para massas do
flutuador. Prenda também o gancho e o contrapeso nas laterais do flutuador, bem
como a bandeira sinalizadora em seu topo.

















3. Carregue o arquivo "Newton", e clique sobre o botão REC. Empurre o carrinho
levemente com a mão e obtenha a velocidade em cada photogate, preenchendo a
tabela abaixo. Ao final clique sobre o botão STOP.

Photogate v (m/s)
1
2
3
4

4. Explique o que ocorre com o valor da velocidade quando a resultante de forças é
nula (resultado do item 3).

gancho
flutuador
Suporte para
massas contrapeso
Bandeira
sinalizadora

55
5. Prenda o barbante no gancho do flutuador, passe-o pela polia e coloque uma massa
de 15 g (os dois cilindros metálicos) no porta-massas, cuja massa própria vale 2 g.
Posicione o sistema antes do 1
º
photogate, clique sobre o botão REC e solte o
flutuador cuidadosamente. Anote na tabela abaixo os valores de velocidade e instantes
de tempo t' obtidos a partir da tabela (o tempo t' é o tempo decorrido desde o instante
em que o botão REC é acionado até o flutuador entrar no photogate, e é obtido
diretamente pelo computador). Monte a coluna t, subtraindo de todos os valores de
tempo t' o valor do tempo inicial


Photogate v (m/s) t' (s) t (s)
1
2
3
4

6. Monte um gráfico da velocidade vs t. Ajuste uma reta e obtenha o valor da
aceleração experimental (a
exp
) a partir do coeficiente angular da reta.

7. Obtenha analiticamente o valor da aceleração (a
teo
). Os valores das massas dos
diversos elementos utilizados estão discriminados na tabela abaixo. Note que o atrito
neste sistema é desprezível. Adotar g = 9,78 m/s
2
.

Elemento Massa (g)
Flutuador 180
Gancho 10
Contrapeso 10
Porta-massas 2
Bandeira 10

8. Obtenha o erro percentual entre o valor da aceleração obtido experimentalmente
(a
exp
) e aquele calculado analiticamente (a
teo
).

% 100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
teo
teo
a
a a
E



56
Roteiro do Experimento de Atrito de Escorregamento


Objetivos: Determinar coeficientes de atrito estático e dinâmico entre duas
superfícies.


Material Necessário: Computador e programa atrito.exe


I. Fundamentação Teórica

O programa atrito.exe permite que se estude o atrito estático e dinâmico entre
duas superfícies, através da simulação de um plano inclinado sobre o qual um objeto
desliza sem rolamento. A simulação é feita em tempo real, e o programa permite que
se escolha 4 tipos diferentes de material. É gerado um gráfico de velocidade versus
tempo, bem como é apresentada uma animação do deslocamento do objeto ao longo
do plano inclinado. Sabendo-se o ângulo onde começa a haver escorregamento e o
ângulo onde a velocidade passa a ser constante, é possível obter os coeficientes de
atrito estático e dinâmico do sistema.
Considere um plano inclinado sobre o qual se encontra apoiado um bloco de
um material com coeficiente de atrito estático µ
e
e coeficiente de atrito dinâmico µ
d
.
Se começarmos a levantar lentamente o plano incliando, em um determinado ângulo
θ
c
, estaremos na iminência de escorregamento do bloco. Nesta condições, temos que:


µ θ µ θ θ
e C e C C
N mg mg mg · ⇒ · sin( ) cos( ) sin( )


isto é,


µ θ
e C
· tan( )

(1)


Quando o corpo iniciar o movimento, teremos:


ma mg mg
C d C
· − sin( ) cos( ) θ µ θ

(2)


A aceleração do corpo pode ser então escrita como:


a g
C d C
· − (sin( ) cos( )) θ µ θ

(3)


Podemos escrever ainda a equação horária do corpo, isto é:


s s v t a t − · +
0 0
2
1
2



onde v
o
= 0 e s - s
0
= l . Assim, a aceleração do corpo pode ainda ser escrita como:


57

a
l
t
·
2
2


(4)


Substituindo a equação (4) na equação (3), temos que o atrito dinâmico µ
d
,
pode ser escrito como:


) cos( ) (
2
2
c
e d
t g
l
θ
µ µ

− ·
(5)


Podemos então, a partir do tempo total ∆t gasto pelo corpo para percorrer o
plano de comprimento l, obter o valor de µ
d
.
Uma forma alternativa de se obter o coeficiente de atrito dinâmico, é após o
corpo iniciar o movimento, abaixarmos o plano até que a velocidade em um certo
ângulo θ
C’
fique constante. Nesta condição, teremos que a aceleração será nula, e a
equação (3) se reduzirá a:


0 · − sin( ) cos( )
' '
θ µ θ
C d C


ou reescrevendo, teremos que:


µ θ
d C
· tan( )
'

(6)




II. Funcionamento do programa

O programa atrito.exe simula basicamente um plano de comprimento l o qual
pode ser gradualmente levantado. Sobre este plano está apoiado um objeto de massa
M, sendo que há um coeficiente de atrito estático µ
e
e coeficiente de atrito dinâmico
µ
d
entre as duas superfícies. Acima de um certo ângulo crítico θ
C
o objeto passa a se
deslocar, descendo o plano inclinado. No instante em que o objeto começa a se mover,
um cronômetro é disparado, e este será desligado no instante em que o objeto alcançar
o final do plano, isto é, após percorrer a distância l. Através do ângulo crítico θ
C
e do
tempo necessário que o objeto levou para percorrer a distância l, é possível se obter os
coeficientes de atrito estático e dinâmico conforme mostrado no tópico anterior.
Alternativamente, o coeficiente de atrito dinâmico pode ser obtido abaixando-se
lentamente o plano até que a velocidade do corpo se torne constante, e medindo-se o
ângulo θ
C’
correspondente. Na figura 3, temos um exemplo de uma sessão típica, onde
podemos observar o sistema após atingir velocidade constante e a partir do qual
podemos obter o coeficiente de atrito dinâmico.
Na figura 2, podemos observar ainda as regiões onde a tela se encontra
dividida. As três áreas mais importantes são a área de entrada de dados, a área de
parâmetros da simulação, a área de animação e a área de gráficos.



58

Fig. 3- Áreas em que a tela do programa se encontra dividida.

As diversas áreas são respectivamente:

(1) Área de entrada de dados: Região da tela onde se procede a entrada das
características da simulação.

(2) Área de parâmetros da simulação: Região da tela onde se encontram as
informações necessárias para a obtenção dos coeficientes de atrito.

(3) Linha auxiliar: Utilizada para entrada ou saída auxiliar de dados e mensagens.

(4) Linha de status: Utilizada para informar a condição em que se encontra o
simulador. As possibilidades são:
- Entrando dados
- Aguardando comando
- Limpando a tela
- Calculando a escala
- Simulando experimento

(5) Área de animação: Região onde é feita em tempo real a animação do bloco sobre o
plano inclinado.

(6) Área de gráficos: Região da tela onde é colocado o gráfico de velocidade em
função do tempo. Este gráfico acompanha em tempo real o comportamento do bloco
sobre o plano. Na parte superior do gráfico encontra-se a escala do eixo y (valor

59
máximo de y). Lembre-se que o valor mínimo de y é zero. O valor mínimo de x
também é zero e o valor máximo é definido na entrada de dados.

(7) Linha de ajuda: Linha com comandos possíveis e as respectivas letras que os
executam.


Uma vez inicializado o programa, este irá pedir as características físicas do
experimento a ser simulado. O primeiro parâmetro a ser fornecido é o comprimento l
do plano. A seguir, deve-se fornecer a massa do corpo (em kg) e o tipo de material de
contato (A, B, C ou D). O último parâmetro é o intervalo de tempo para geração do
gráfico. Na tabela 1, temos sumarizado os valores de µ
e
e µ
d
para os 4 tipos de pares
de materiais possíveis.

Par de materiais µ
e
µ
d

A 0.1 0.05
B 0.2 0.1
C 0.3 0.15
D 1.4 1.1
Tab. 2 - Códigos dos coeficientes de atrito µ
e
e µ
d
utilizados no programa

Uma vez terminada a entrada das características físicas do experimento, o
programa irá esperar que se digite “↑ ↑” para subir o plano ou “↓ ↓”para abaixá-lo. O
passo no ângulo pode ser alterado digitando-se “+” para multiplicar o valor corrente
por 2 e “-“ para dividi-lo por 2.
Se formos subindo o plano, ao atingirmos o ângulo θ
C
o cronômetro será
automaticamente disparado, e ao alcançar o final do plano será desligado.
Se desejarmos fazer uma nova simulação com outras características, basta
alterar os parâmetros e digitar a seguir R para reposicionar o bloco no ponto de
partida do plano. Após realizada a primeira simulação, as novas simulações serão
feitas utilizando-se a mesma escala obtida no primeiro caso. Para que uma nova escala
seja calculada é preciso, antes de se executar a simulação, que se apague a tela de
gráficos através do comando L (limpa).
O programa foi feito de modo a tentar evitar que haja terminação anormal do
mesmo (erro de execução). Para tanto, algumas precauções foram tomadas. Na
entrada de dados numéricos, por exemplo, caso haja a digitação de valores não
numéricos, ou a mistura destes com dados numéricos, o programa tentará convertê-lo
para um dado numérico. Caso não consiga, os dados entrados serão ignorados e será
assumido um valor interno. Do mesmo modo, quando se desejar manter o valor
estabelecido na simulação anterior, basta digitar <enter>, e o valor anterior será
assumido. Quando for a primeira simulação, ao digitarmos <enter> estaremos
utilizando os valores determinados internamente.


Comandos disponíveis


Os seguintes comando estão disponíveis:

L - Limpa a área de gráficos, bem como a escala

60

R - Reposiciona o bloco no início do plano

F - Altera as características físicas do experimento

G - Liga e desliga a grade fina

+ - Aumenta o passo no ângulo (multiplica por 2)

- - Diminui o passo no ângulo (divide por 2)

↑ ↑ - Levanta o plano de um certo passo

↓ ↓ - Desce o plano de um certo passo

T - Termina a simulação


61
III. Procedimento Experimental

1. Para um plano de comprimento l = 1m, um corpo de massa m de 100 g e par de
materiais em contato do tipo A, obtenha o valor do coeficiente de atrito estático.
Repita o experimento várias vezes com passos cada vez menores para obter o valor de
θ
C
com precisão.

Passo 1 0.5 0.25 Material: A
θ
C
l = 1 m
µ
e
= tg(θ
C
) m = 0.1 kg

2. Para os materiais em contato do tipo A, varie a massa do corpo e verifique a
influência em θ
C
.




3. Para os materiais em contato dos tipos A, B, C e D, obtenha o coeficiente de atrito
dinâmico fazendo com que a velocidade fique constante ao descer o plano. Utilize
para isso um plano longo (por exemplo, 100 m) e um tempo de cerca de 40 s.

Material A B C D
θ
C

l = 100 m
µ
d
= tg(θ
C

) m = 0.1 kg


4. Obtenha o tempo gasto pelo corpo para percorrer o plano para cada um dos 4 tipos
de pares de materiais. Use um plano não muito longo (por exemplo, 10 m). A partir
desses valores, obtenha o coeficiente de atrito dinâmico e compare os resultados com
aqueles obtidos no item 3.

Material A B C D
∆t
θ
C
l = 10 m
µ
d
m = 0.1 kg


µ µ
θ
d e
C
l
g t
· −
2
2
cos( ) ∆



62
Roteiro do Experimento de Mesa de Forças


Objetivos:
- verificar experimentalmente o equilíbrio de um ponto;
- determinar a força equilibrante de um sistema de duas forças concorrentes utilizando
diferentes métodos.


Material Necessário:

- Mesa de Força PASCO
- Três polias com presilhas
- Três suportes para massas
- Anel plástico
- Conjunto de massores


I. Fundamentação Teórica

A condição para que um ponto material permaneça em equilíbrio, é que a
resultante de todas as forças que atuam sob este ponto material seja zero. No caso de
um sistema sujeito a duas forças, o ponto material estará em equilíbrio se estas forças
tiverem o mesmo módulo, direção e sentidos opostos. Se este não for o caso, é
possível obter o equilíbrio, aplicando-se uma terceira força coplanar às forças
anteriores. Para se encontrar o valor desta terceira força e o ângulo que deverá fazer
com as outras duas forças, existem alguns métodos algébricos e gráficos, que
discutiremos a seguir.


A. Regra do Paralelogramo

Se duas forças P e Q atuam sobre um ponto material, estas podem ser
substituídas por uma única força R. Essa força é chamada de resultante das forças P e
Q, e pode ser obtida graficamente pela construção de um paralelogramo, onde os
lados são dados por P e Q, sendo a diagonal a força resultante R. Esta é a chamada
Regra do Paralelogramo para a adição de duas forças.










Deste modo, se desejarmos que o ponto material esteja em equilíbrio sob a
ação destas forças, devemos aplicar uma terceira força, que chamaremos de
P
Q
R

63
equilibrante (FE), cujo módulo e direção sejam os mesmos da força resultante R,
porém com sentido oposto.













B. Decomposição de forças

Podemos decompor um conjunto de forças, em suas componentes horizontal e
vertical, para assim encontrar a resultante das mesmas. Suponha as forças P e Q
mostradas abaixo. Se chamarmos de α o ângulo formado pela força P com a
horizontal e β o ângulo formado pela força Q com a horizontal, podemos obter as
componentes P
x
, P
y
, Q
x
e Q
y
das forças. Isto é:



















P
x
= P cos(δ) P
y
= P sen(δ)

Q
x
= Q cos(β) Q
y
= Q sen(β)

As componentes R
x
e R
y
da resultante R serão dadas por:


R
x
= P
x
+ Q
x
R
y
= P
y
+ Q
y

P
Q
R
FE
R
x
P
Q
y
x
δ δ
β β
P
x
Q
x
R
Q
y
P
y
R
y
γ γ

64

O módulo R da força resultante e o ângulo γ que ela faz com a horizontal
serão, portanto:

2 2
y x
R R R + ·
x
y
R
R
tg · ) (γ

Assim, para o sistema estar em equilíbrio, a força equilibrante deverá ter o
mesmo módulo e direção da força resultante, porém com sentido oposto.


C. Lei dos Cossenos

Uma forma alternativa para a obtenção da resultante de duas forças é através
do uso da Lei dos cossenos, a qual pode ser deduzida a partir da decomposição de
forças. Se considerarmos os dois vetores P e Q, mostrados anteriormente, e
chamarmos de θ o ângulo formado entre estes dois vetores, teremos que a resultante
será dada por:

















) cos( 2
2 2
θ PQ Q P R + + ·





D. Teorema de Lamy

Considere três forças coplanares concorrentes aplicadas a um ponto. A
condição para que este ponto permaneça em equilíbrio, é que a resultante destas três
forças seja nula. Nesta situação, teremos que estes 3 vetores formam um triângulo
(também chamado de triângulo de forças).

P
Q
y
x
θ θ
R

65























Aplicando-se a Lei dos Senos para o triângulo acima, teremos:


) 180 sen( ) 180 sen( ) 180 sen( β γ δ −
·

·

FE Q P



) sen( ) sen( ) sen( β γ δ
FE Q P
· ·









P
Q
β β
FE

Q
FE

P
γ γ
δ δ
180−β 180−β
180−γ 180−γ
180−δ 180−δ

66
II. Procedimento Experimental

1. Verificar inicialmente se a mesa de forças encontra-se nivelada. Posicione o anel no
pino guia, prenda as polias e coloque os porta massas, conforme figuras abaixo.
















2. Fixe as polias 1 e 2 nos ângulos α
1
= 30
0
e α
2
= 150
0
respectivamente.

3. Coloque as massas m
1
= 60 g e m
2
= 40 g (observe que cada porta massa tem uma
massa própria de 5 g). Tome o cuidado de ajustar as polias de maneira que os fios
fiquem paralelos à mesa (ver figura anterior).

4. Utilizando o papel anexo, obtenha graficamente através da regra do paralelogramo,
o valor da força equilibrante FE
graf
e o respectivo ângulo α
graf
(utilize, por exemplo, a
seguinte proporção: 1 cm = 10 gf).

FE
graf
=

α
graf
=

5. Verifique, através da Lei dos Cossenos, o valor do módulo da força equilibrante
FE.

FE =

6. Posicione inicialmente a polia no ângulo obtido graficamente, e coloque no suporte
as massas, de maneira a obter a força encontrada anteriormente. Ajuste então o ângulo
e a massa para que seja obtido um equilíbrio perfeito (note que o anel deverá ficar
centralizado e se for deslocado de sua posição de equilíbrio deverá retornar a ela).
Indique os valores da força equilibrante e do ângulo α, obtidos experimentalmente.

FE
exp
= α
exp
=






Anel
Polia 1 Linha
Anel
Polia Linha
Pino
guia
Polia 2
Polia 3
Porta
massa

67

7. Compare os valores experimentais de FE e α com aqueles obtidos pelo método
gráfico e encontre os erros percentuais.

100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
graf
graf
FE
FE FE
E 100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
graf
graf
E
α
α α


8. Usando o Teorema de Lamy determine o ângulo α (use para o módulo da força
equilibrante o valor obtido através da Lei dos Cossenos).

FE
teor
= α
teor
=

9. Usando decomposição de forças, encontre o valor da força equilibrante e o ângulo
α.

FE
teor
= α
teor
=

10. Compare o valor experimental de FE e α com os valores teóricos obtidos pelos
métodos analíticos (decomposição de forças e Teorema de Lamy) e encontre os erros
percentuais.

100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
teor
teor
FE
FE FE
E 100 . %
exp

,
_

¸
¸ −
·
teor
teor
E
α
α α



III. Instruções para o Relatório

Incluir, além de todas as partes costumeiras do relatório (capa, objetivos,
introdução teórica, etc.), todos os resultados obtidos nos itens anteriores, inclusive a
folha para a determinação da força equilibrante pelo método gráfico.

68
Centro Universitário da FEI
Departamento de Física

Laboratório de Física I

Nome: ____________________________ No. _______________ Turma: ______


69
Referências complementares e sugestões de leituras



1. Vuolo, J. H., Fundamentos da Teoria dos Erros, Ed. Edgard Blücher Ltda., São
Paulo (2000).

2. Site do NIST no endereço http://www.nist.gov/public_affairs/pubs.htm

3. Site do Bureau International des Poids et Mésures (BIPM) que pode ser acessado
no endereço http://www.bipm.fr/enus/welcome.html

4. A biblioteca dispõe das normas da ABNT para consulta.

5. Um guia para laboratório de física pode ser encontrado no endereço:
http://www.ifi.unicamp.br/~brito/apost.html

6. Squires, G. L., Practical physics, 3
a
edição, Cambridge University Press,
Cambridge, 1998.

7. Young, H. D., Sears e Zemansky Física, vol. I, 10a. edição, Ed. Addison Wesley,
São Paulo (2003).