 GRAMÁTICA 1. 2. 3. 4. 5.

Figuras de estilo Frase complexa Processos fonológicos Funções sintáticas Formação de palavras

 FIGURAS DE ESTILO:

O que são? – São estratégias que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor.

Alegoria – É uma série de imagens (metáforas, comparações) utilizadas para concretizar um pensamento ou uma realidade abstrata. “O polvo, com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; (…)” P. António Vieira
EXEMPLO

Aliteração – Repetição do mesmo som. “Olha a bolha d’água no galho! Olha o orvalho!
EXEMPLO
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Sabe também dar vida com clemência. Há gente insuportável! EXEMPLO Anáfora – Repetição de palavras ou conjunto de palavras. Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não.” Luís Vaz de Camões Apóstrofe – Chamamento ou interpelação de pessoas ou de alguma coisa personificada. puro Amor. só tu. Mello Breyner EXEMPLO Antítese – Apresentação de um contraste ou oposição entre duas ou mais ideias. “ Porque outros se mascaram mas tu não Alusão –os Evocação indireta de algo ou alguém.” S.Alusão – Evocação indireta de algo ou alguém. EXEMPLO “A morte sabes dar com fogo e ferro. “Tu. com força crua” Luís de Camões EXEMPLO 2 .

S. Madrid. os nossos risos e o nosso amor. a sala. Paris. “Um grito que atravessava as paredes.” = inferno S.” Ilse Losa EXEMPLO Enumeração – É a apresentação sucessiva de vários elementos que mantêm entre si uma correlação lógica ou semântica. “Ocorrem-me em revista exposições. Mello Breyner EXEMPLO Gradação – Sucessão de palavras ou grupos de palavras. os ramos do cedro. que amplificam ou diminuem o significado de uma ideia anteriormente apresentada. Berlim.Comparação – Consiste em estabelecer uma relação de semelhança por meio da conjunção como ou de outras expressões equivalentes.” S. Petersburgo. países. azuis como os miosótis junto dos ribeiros. azuis como a nossa felicidade. Mello Breyner EXEMPLO Eufemismo – Consiste em expressar uma ideia ou uma realidade desagradável de uma forma menos pesada e mais suave. “Os seus olhos eram azuis como o céu e o mar em dias luminosos. em ordem ascendente ou descendente. as portas. o mundo!” Cesário Verde 3 EXEMPLO . “FRADE: Pera onde levais gente? “DIABO: Pera aquele fogo ardente que nom temestes vivendo.

) Provérbio EXEMPLO Hipérbole – Emprego de termos exagerados. na realidade. “Um calor de morrer.” (É Beatriz que é culposa e não as lágrimas) Camilo Castelo Branco EXEMPLO Hipérbato – Consiste na inversão da ordem direta das palavras na frase.Deixe lá que a sua mãe também é boa peça!” EXEMPLO 4 . “E. inferiu: . surdo como uma porta.” EXEMPLO Ironia – Consistem em exprimir uma ideia que quer dizer precisamente o contrário. “Ao ignorante sempre aborrece o sabedor. ficar sem pinga de sangue.Hipálage – É uma inversão de sentido em que se transfere para uma palavra uma característica que. suar em bica. “Beatriz abria os olhos molhados de culposas lágrimas. a fim de pôr em destaque alguma realidade.” (Em vez de: O sabedor aborrece sempre o ignorante. irritado com a situação. pertence a outra.

a priori . “Que despois de morte foi rainha” EXEMPLO EXEMPLO Personificação – Consiste em atribuir propriedades humanas a animais. etc. “O vento soluça e geme…” EXEMPLO 5 .Uma borboleta branca – retorquiu Sexta-Feira – é um malmequer que voa. Camões Perífrase – Designa algo ou alguém de um modo mais descritivo. já que falta a palavra ou expressão comparativa. pode ser entendida como uma comparação dita “abreviada”.Metáfora – Formalmente.antes “As tuas mãos são passarinhos brancos. alongado e enfático e não pelos termos habituais. ou seja. diz por muitas palavras o que poderia ser dito por poucas.” Paradoxo – Assosiação de ideias aparentemente contraditórias. “Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente (…)” L.” EXEMPLO “. é mais do que uma comparação: é a identificação entre duas realidades que a priori não teriam relações entre si. Ao nível do sentido. seres inanimados.

“(…) gritar e ninguém responder é a tristeza mais triste. “Que. da ocidental praia lusitana” (= Portugal) EXEMPLO 6 . “Ó minha menina loira.” EXEMPLO Sinédoque – Consiste em tomar a parte pelo todo e vice-versa. segundo uma estrutura cruzada. Ó minha loira menina.” EXEMPLO Quiasmo – Consiste na existência de quatro elementos dispostos dois a dois.Pleonasmo – Consiste em reforçar uma ideia pela repetição de palavras e expressões redudantes e desnecessárias.

. se eu não pregara para o mar!" Apóstrofe "Estes e outros louvores.. parece uma estrela...) e o salteador.) e outros dois que direitamente olhassem para baixo (. no polvo são malícia (..)" Antítese "Tanto pescar e tão pouco tremer!" "No mar.. parece a mesma brandura (." "Oh alma de António...) passa a virtude do peixezinho. tu não quiseste senão o ar (.. na terra pescam as varas (.)" "(. que está de emboscada (. da linha à cana e da cana ao braço do pescador.. com aquele não ter osso nem espinha..." "(." "(. onde nunca houve dolo..)" Comparação "Certo que se a este peixe o vestiram de burel e o ataram com uma corda. contente-se cada um com o seu elemento. do anzol à linha..) traçou a traição às escuras. parecia um retrato marítimo de Santo António.) o mais puro exemplar da candura. parece um monge..." "Ah moradores do Maranhão...)" "A natureza deu-te a água. pescam as canas.Anadiplose "(.)" "(. ó peixes. inocente da traição (.. que só vós tivestes asas e voastes sem perigo (....... da sinceridade e da verdade. da boca ao anzol..." "Esta é a língua.... mas executou-a muito às claras. com aqueles seus raios estendidos..)" "As cores.. qual é a tua maldade (. fingimento ou engano.) com aquele seu capelo na cabeça.)" "Vê.) deu-lhes dois olhos.)" "(." "Oh que boa doutrina era esta para a terra.. do vosso grande pregador (.) António (. era o gigante Golias entre os homens...) lança-lhe os braços de repente. que direitamente olhassem para cima (.." "O que é a baleia entre os peixes... Fizera mais Judas?" 7 . e fá-lo prisioneiro. peixes." "E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe.)" "Peixes. peixe aleivoso e vil.. estas e outras excelências de vossa geração e grandeza vos pudera dizer.. que no camaleão são gala.

.. pois Judas em tua comparação já é menos traidor!" Enumeração "No mar. que me não lembrava! Eu não prego a vós. pescam as ginetas." "Eu falo.. mas vós não ofendeis a Deus com o entendimento." 8 . pescam as canas.) que se há-de fazer a este sal..) onde permite Deus que estejam vivendo em cegueira tantos milhares de gentes há tantos séculos?!" Ironia "Mas ah sim. tão astuto. e que se há-de fazer a esta terra?" "Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? (. peixe aleivoso e vil. eu lembro-me. ou qual pode ser. embustes.) que também nelas há falsidades.. na terra pescam as varas (e tanta sorte de varas). que me não lembrava!" "Tanto pescar e tão pouco tremer!" "Oh que boa doutrina era esta para a terra.) qual será... fingimentos. tão fingido..)" "(. mas vós não ofendeis a Deus com a vontade.... qual é a tua maldade. mas vós não ofendeis a Deus com palavras."Vê. mas não ofendeis a Deus com a memória. tão enganoso e tão conhecidamente traidor!" Interrogação retórica "(.) um monstro tão dissimulado.. eu quero.. pescam os bastões e até os ceptros pescam (. se eu não pregara para o mar!" Gradação crescente "(. a causa desta corrupção?" "Não é tudo isto verdade?" "(.. pescam as bengalas. prego aos peixes." Exclamação retórica "Oh maravilhas do altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra!" "Mas ah sim. enganos. ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições.) Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo?" "(. eu discorro.

.). Ou é porque o sal não salga.."E debaixo desta aparência tão modesta.. na Nau Sensualidade (. ou desta hipocrisia tão santa (.) Quantos...) Quantos. do vosso grande pregador. peixes.. ou porque a terra se não deixa salgar.)" "(." "Quantos.. que também foi rémora vossa..) vestir ou pintar as mesmas cores (.) pois às águias.)" "(. navegando na Nau Cobiça (.... e os pregadores...).." "Deixa as praças. ou porque a terra se não deixa salgar. ou porque a terra se não deixa salgar. e os pregadores... Ou é porque o sal não salga. e os ouvintes.. correndo fortuna na Nau Soberba (. como rémora (. e os pregadores. deixa a terra.) e o polvo dos próprios braços faz as cordas. e porque agora está muda (.)Quantos. que são os linces do ar (... se a rémora da língua de António 9 ...... enquanto o ouvistes.) a terra e o mar tudo era mar..).." Metáfora "Esta é a língua..." "hipocrisia tão santa" Paralelismo e anáfora "Ou é porque o sal não salga... se a língua de António (... vai-se às praias...." "E debaixo desta aparência tão modesta.. e os ouvintes. se a rémora da língua de António (.) o dito polvo é o maior traidor do mar.... e os ouvintes..) se vêem e choram na terra tantos naufrágios.. vai-se ao mar... se a língua de António.. embarcados na Nau Vingança (.) o dito polvo é o maior traidor do mar...) onde permite Deus que estejam vivendo em cegueira tantos milhares de gentes há tantos séculos?!" " (..) e aos linces que são as águias da terra (...." Paradoxo "(..).. ou desta hipocrisia tão santa (.." "(.

." "E porque nem aqui o deixavam os que o tinham deixado.)" Quiasmo "(. que são os linces do ar (.. faz-se pardo (. faz-se branco. se está no lodo." "(.)" "(.. e os peixes o uso sem a razão. com aqueles seus raios estendidos. parece um monge. e Santo António abria a sua contra os que se não queriam lavar..." "(.)" "Quem pode nadar e quer voar.. primeiro deixou Lisboa. faz-se verde...." Trocadilho "Os homens tiveram entranhas para deitar Jonas ao mar.) pois às águias..) os homens tinham a razão sem o uso..... se está na areia..." 10 . com aquele não ter osso nem espinha.) e aos linces que são as águias da terra (...)" "(.. tempo virá em que não voe nem nade.) pescam os bastões e até os ceptros pescam (.) com aquele seu capelo na cabeça. parece uma estrela..) o peixe abriu a boca contra quem se lavava. e o peixe recolheu nas entranhas a Jonas. depois Coimbra.(. para o levar vivo à terra...)" "Se está nos limos. e finalmente Portugal. parece a mesma brandura (.

. seja. ora. Vais ao cinema ou ficas em casa? *oração subordinada disjuntiva DESIGNAÇÃO Copulativas (indicam adição) CONJUNÇÕES e. também. porquanto. e (=mas) Ou. Ex. ou. que(=e) mas. portanto. apesar disso.. pois por consequência pelo que 11 . ou.. FRASE COMPLEXA: Frase Simple – Com uma oração.. todavia.. seja. contudo. nem. ainda assim. porém. já… já. ORAÇÕES COORDENANDAS: São constítuidas por uma ou mais frases que se separarem não perdem o seu sentido. Frase Complexa – Com duas ou mais orações. ou Disjuntivas (indicam distinção ou alternativa) Explicativas (exprimem uma explicação ou justificação de afirmações feitas) Conclusivas (exprimem a conclusão ou a consequência que se pode retirar de uma afirmação feita) por conseguinte logo. entretanto. de outra sorte... quer… quer. que(=mas). nem… nem. seja. mesmo assim. ao passo que ora.. que (=ou) pois. no entanto. que (= pois) LOCUÇÕES não só… mas também não só como… também tanto… como Adversativas (indicam oposição) não obstante.

assim como… assim também. melhor. depois que. excepto se Condicionais (exprimem uma condição) se. contanto que. bem como. mal.. dado que. de tal maneira. já que. logo que. por mais que. desde que. uma vez que Temporais (indicam tempo) Causais (indicam a causa ou o motivo) Finais (designam o fim) a fim de que. tanto. Vou dar-lhe uma prenda quando ela fizer anos. que ( =ainda que) Consecutivas (exprimem consequência) Concessivas (apresentam facto contrário à acção principal. como. como se. apesar de (que). sempre que. no caso que. do que (depois de mais. consoante… assim. mudam o sentido à frase 12 . conforme… assim. segundo. se Como…assim. salvo se. de tal sorte presentes ou latentes na oração anterior) Embora. segundo. menos. como(=porque) que (=para que) LOCUÇÕES antes que. pois. que (=porque). tão ou tamanho. por menos que. desde que. que nem. * Oração subordinada temporal DESIGNAÇÃO CONJUNÇÕES quando. apenas. qual (antecedida de tal) Que (combinada com tal. maior. tão/tanto… como.:Delimitadas por vírgula Restritivas Obs. mesmo que. por que a não ser que. menor. a menos que. à medida que. enquanto.: não são assinaladas por vírgulas. pois que. porquanto. assim. na condição de. até que. posto que. sem que. nem que ADJETIVAS Relativas Explicativas que Obs. de tal modo. tanto que. se bem que. tanto. assim como… assim. pois estão interligadas e não têm sentido separadas. que.. por isso que. Ex. mas incapaz de impedi-la) Ainda que. conquanto. todas as vezes que. para que.ORAÇÕES SUBORDINADAS: Às orações subordinadas já não podemos separar as frases que a constítuem. se não. que (=desde que) porque. conforme. ao passo que visto que. assim que. caso Integrantes (que integram ou completam) que. pior) Comparativas (estabelecem uma comparação) Como. primeiro que.

“Ele disse à mãe que chegaria a casa mais tarde. creo>credo . tirare>atirar . Ex. flor>flore Por Supressão (Eliminação de sons à palavra): AFÉRESE: eliminação de um som no início da palavra. levantar>alevantar EPÊNTESE: acrescentamento de um som no meio da palavra. depois>despois PARAGOGE: acrescentamento de um som no fim da palavra. Ex. Ex. Ex. avantagem>vantagem . está>tá SÍNCOPE: eliminação de um som no meio da palvra. rivu>rio .” Completivas Substantivas Relativas “Quem anda à chuva molha-se. telefone>telfone 13 . Ex. ante>antes .”  PROCESSOS FONOLÓGICOS: Por Inserção (Acrescentamento de sons à palavra): PRÓTESE: acrescentamento de um som no início da palavra.

Ex. nostru>nosso DISSIMILAÇÃO: fonemas iguais diferenciam-se. Ex.APÓCOPE: eliminação de um som no fim da palavra. Ex. Ex. casa*>casinha** *Lê-se cÁ **Lê-se ca CRASE: Transformação de duas vogais numa só. Ex. feria>feira 14 . Ex. pede>pee>pé METÁTESE: Mudança de lugar de sons Ex. lana>lãa>lã DITONGAÇÃO: forma-se um ditongo pela introdução de uma semivogal entre duas vogais. Ex. area>areia REDUÇÃO VOCÁLICA: enfraquecimento de uma vogal quando passa para posição átona. liliu>lírio NASALIZAÇÃO: som oral que passa a nasal por influência do -n ou -m. dare>dar . mortale>mortal Por Alteração (Mudança na qualidade ou na posição de um som na palavra): ASSIMILAÇÃO: dois sons contíguos tornam-se iguais ou semelhantes.