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Interpretações sobre o novo ciclo de desenvolvimento estadual: o impacto sobre as

empresas do nosso estado.

Senhores. Com este, inauguro uma série de conversas sob a forma de artigos, com o
objetivo de estimular o debate sobre o novo ambiente de competição que se molda em
nosso estado e o olhar da classe empresarial sobre este novo ambiente. Mais do que
explicar, o objetivo principal será sempre descrever e interpretar indicadores e
informações utilizadas pelo mercado. A idéia central é pensar sempre no crescimento e
fortalecimento das nossas empresas, através de idéias, ensaios e interpretações sobre o
nosso sistema produtivo que possam contribuir para o planejamento, decisão e gestão
empresarial.

Assim, hoje, para conversar sobre competição empresarial, primeiro, é preciso reconhecer
e agradecer ao atual governador, Ilmo Sr Paulo Hartung e sua equipe, que trouxeram de
volta a prática da boa governança pública e a credibilidade do setor público, especialmente
com relação ao executivo estadual; segundo reconhecimento, diretamente ligado ao
primeiro, todos sabem da importância do pacto necessário para se criar um ambiente
institucional favorável às mudanças e ajustes, através da parceria entre o setor público, a
sociedade civil organizada (federações, confederações, organizações, etc) e as empresas,
aqui no estado muito caracterizado pelo Movimento Espírito Santo em Ação, organização
não governamental sem vínculo político partidário, responsável pela interlocução entre a
iniciativa privada e o setor público. Então, estamos todos de parabéns.

A impressão que fica, e toda essa volta é para falar exatamente isso, é preciso que toda
esta arquitetura institucional comece a “decantar”, ou seja, descer e ser disseminada para
níveis mais baixos de nossa sociedade. Até porque, muita coisa do que vêm acontecendo
em outras regiões país, que já experimentaram níveis de investimento como os que
estamos passando atualmente, podem nos ser úteis. Por exemplo:
Segundo matéria da Revista Exame Nº 07, datada de de 25/04/2007, informa que desde
2001 a economia nordestina vem crescendo a taxas superiores a do país (e nós também !),
a questão é que a média lá é de 4,2% a.a , a do ES 3,6%. Bahia e Pernambuco, ainda
segundo a revista, vêm crescendo a taxas de 7% no mesmo período. A revista lista ainda
11 pólos econômicos do Nordeste que crescem a taxas muito superiores a nacionais. São
os “arranjos produtivos” deles. A explosão imobiliária que por aqui chegou já atravessou
outros estados brasileiros. Aliás, a impressão é que o setor imobiliário levou parte da
poupança dos capixabas, assim como parte do que seria destinado ao consumo. Acho que
levará para fora do estado boa parte do lucro sobre os empreendimentos também, mas essa
é outra discussão.

Será que podemos aprender com os casos de sucesso, ou ter contato com os acordos e
arranjos que fracassaram nessas outras regiões do país ? Economizaria tempo e dinheiro
saber o que deu certo e o que deu errado, para ficar num exemplo. Será que podemos (eu
acho que devemos), envolver a classe empresarial das médias empresas, das novas redes
de varejo, para que, juntos, possamos também ser fortes e coesos, evitando assim ataques
agressivos e predatórios das redes que vêm de fora, das grandes cidades ? A resposta, no
meu entendimento, é sim. Sabe por quê ? Porque essas redes e grandes empresas estão
chegando, com o apoio institucional dos seus respectivos parceiros, nas suas localidades
de origem, e vindo com toda a força. O setor supermercadista sabe o que é isso, o varejo
de farmácia também, o setor imobiliário acaba de passar por esta experiência. E, até onde
eu entendo sobre o “novo momento do capitalismo”, não é anti-ético, nem anti
democrático, unir novamente aquele arranjo institucional citado no segundo parágrafo
deste artigo, para fortalecer as nossas empresas, sobretudo as médias empresas. Não se
trata aqui de guerra fiscal, ou práticas desleais de mercado. Trata-se, sobretudo, de criar as
condições de competição para aproveitar o ótimo momento vivido em nosso estado.
Quem sabe para daqui há algum tempo competir para além das nossas fronteiras. Não
devemos esperar que as nossas empresas fiquem grandes (ou gigantes, como as que
conhecemos em nosso estado) para agir desta maneira. Já temos uma economia forte, já
somos grandes em pensamento, em estratégia. Ser grande em faturamento é
conseqüência, não é mesmo ?
Em síntese, a sugestão que fica é que precisamos repensar e ampliar a idéia tanto de
competição quanto de cooperação empresarial. Caso contrário, o nosso esforço para
colocar o Espírito Santo nos trilhos terá sido em vão, uma vez que a maior parte do lucro
não será reinvestida em nosso estado, daqui há dez anos.

Anselmo Hudson é sócio da Merccato: Inteligência Competitiva