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Sociologia Seminário Brasa

Pr. Rodiney Custódio

Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?

Márcio Giovane Rosa Araujo

Sumário
Apresentação ...................................................................................................................................................... 3 Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus? ............................................................................................ 4 Introdução ........................................................................................................................................................... 4 1. 2. Sociologia................................................................................................................................................. 4 Os sociólogos usam técnicas de pesquisas para descrever padrões do comportamento humano.............. 5 2.1 Pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa ........................................................................................... 5 2.2 Objetividade e Neutralidade ................................................................................................................... 6 2.3 Metodologia........................................................................................................................................... 6 3. O que é religião? ...................................................................................................................................... 7 3.1 Definição de Religião .............................................................................................................................. 7 3.2 Teorias da Religião ................................................................................................................................. 8 4. 5. 6. Por que é que muitos não acreditam em Deus? ........................................................................................ 8 Seis razões para crer que Deus existe ....................................................................................................... 9 Entrevista com filósofo: Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade? ...................................... 12 6.1 Por que a moralidade e as definições do bem e do mal não deveriam ser deixadas para a religião?...... 13 6.2 Nem toda moralidade é baseada em religião. Existe uma longa tradição de pensamento moral secular por meio da filosofia. O que há de errado com essa tradição? .................................................................... 13 6.3 Você parece sugerir que a tolerância a outros credos não é uma virtude, como a maioria pensa. Por quê?........................................................................................................................................................... 13 6.4 Por que a ciência deveria ditar o que é certo e o que é errado? ............................................................ 13 6.5 O que é a ciência da moralidade e o que ela quer conquistar? .............................................................. 14 6.6 O senhor afirma que há um muro dividindo a ciência e a moralidade. No que ele consiste? ................. 14 6.7 Quais avanços científicos lhe fazem pensar que, agora, a moralidade pode ser tratada a partir do ponto de vista do laboratório? ............................................................................................................................. 14 6.8 Por que deveríamos confiar a educação dos nossos filhos aos valores científicos? Os cientistas não se transformariam, com o tempo, em algo como padres, mas com uma ‘batina’ diferente? ........................... 14 6.9 O que dizer dos experimentos neurológicos que sugerem que a crença religiosa está embutida nos nossos cérebros? ....................................................................................................................................... 14 6.10 As pessoas deveriam parar de acreditar em Deus? ............................................................................. 15 6.11 O senhor sempre foi ateu? ................................................................................................................. 15 6.12 O senhor cresceu em um ambiente religioso? .................................................................................... 15 6.13 Como o senhor se sente em ser rotulado como um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse´? ............... 15 6.14 Se o senhor tivesse a chance de se encontrar com o Papa para um longo e honesto bate-papo, qual seria sua primeira pergunta? ...................................................................................................................... 15 7. Há boas razões para acreditar que Deus existe? ..................................................................................... 16 7.1 Falta de razões para acreditar no contrário .......................................................................................... 16 7.2 Argumentos cosmológicos .................................................................................................................... 16 1

7.3 O Argumento da Primeira Causa ........................................................................................................... 16 7.4 Objeções ao argumento da Primeira Causa........................................................................................... 17 7.5 Qual é a causa da existência de Deus? .................................................................................................. 17 7.6 O Argumento do Desígnio .................................................................................................................... 18 7.7 Objeções ao Argumento do Desígnio .................................................................................................... 18 7.8 A aposta de Pascal ................................................................................................................................ 19 7.9 Objeções à aposta de Pascal ................................................................................................................. 19 8. Estudo de caso: pesquisa quantitativa no site Yahoo Respostas – pergunta: Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?........................................................................................................................... 21 Conclusão .......................................................................................................................................................... 22 Bibliografia ........................................................................................................................................................ 24

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Apresentação
Trabalho da disciplina Sociologia, do Seminário Teológico Evangélico Dr. Pedro Tarsier do Ministério da Brasa Porto Alegre/RS, ministrado pelo pastor Rodiney Custódio, contendo uma síntese acerca do tema “Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?”, de análise interpretativa sob fontes secundárias e uma fonte primária de pesquisa na Internet.

“Trata-se de um trabalho que envolve uma possível resposta à pergunta: „Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?‟, do ponto de vista da Sociologia. É abordado o que é religião, sua definição e teorias para que se possa definir o foco da perguntachave: „Acreditar em Deus ou em deus(es)‟? São relacionadas pesquisas onde os autores concluem que: „Muitos não acreditam em Deus‟; „Há razões para crer que Deus exista‟; „Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade‟ e „Não há boas razões para acreditar que Deus exista‟.”. Antes de se concluir uma possível resposta, é feito uma análise quantitativa em cima da perguntachave deste trabalho, com um estudo de caso realizado num site de perguntas e respostas como fonte primária.”

Márcio Giovane Rosa Araujo.
Compilado às 14h00min do dia 05/08/2013.

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Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus? Introdução
Antes de se responder a pergunta: ―Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?‖ do ponto de vista da Sociologia, será feito uma pequena abordagem quanto à própria definição de Sociologia, no que tange às técnicas de pesquisa (qualidade e/ou quantidade), ressaltando a objetividade e neutralidade na metodologia de pesquisa a ser aplicada, evitando-se desta ser tendenciosa. Também será abordado de maneira simples o objetiva o que é religião, sua definição e teorias para que se possa definir o foco da pergunta: acreditar em Deus (maiúsculo) - ou interpretado como ―acreditar em deus‖ (minúsculo.). Em seguida será apresentado dez resultados de uma pesquisa intitulada: ―Por que é que muitos não acreditam em Deus?‖. Na sequência, mais ―Seis razões para crer que Deus existe‖. Todas em contraste com a opinião de um filósofo que é entrevistado, onde este afirma que: ―Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade‖. Antes da conclusão em resposta à pergunta-chefe deste trabalho, não só foi-se anexado a opinião de um grupo que se auto-intitula ateu, onde estes afirmam: ―Há boas razões para acreditar que Deus existe?‖, como também o resultado consolidado de pesquisa da pergunta-chefe até o momento de término de compilação deste trabalho.

1. Sociologia
A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a Sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-los, analisando os homens em suas relações de interdependência. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da Sociologia. Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso, a Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o Estado, onde normalmente é o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica [WIK13]. Em tempo, o Estado é o maior interessado no estudo do comportamento humano nas relações familiares, religiosas e nas empresas [TRB11]. Assim como toda ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. Ainda que esta tarefa não seja objetivamente alcançável, é tarefa da Sociologia transformar as malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez mais estreitas. Por essa razão, o conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais. A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII, na forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando mais integrado, a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersa. Os sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social. Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à organização da sociedade, como raça ou etnicidade, classe e gênero, além de instituições como a família, processos sociais que representam divergência, ou desarranjos nestas estruturas, inclusive o crime e o divórcio. Também pesquisam os microprocessos como relações interpessoais. Os sociólogos fazem uso frequente de técnicas quantitativas de pesquisa social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas relações sociais. Isto ajuda a desenvolver modelos que possam entender mudanças sociais e como os indivíduos responderão a essas mudanças. Em alguns campos de estudo da Sociologia, as técnicas qualitativas — como entrevistas dirigidas, discussões em grupo e métodos etnográficos — permitem um melhor entendimento dos processos sociais de acordo com o objetivo explicativo [WIK13].

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2. Os sociólogos usam técnicas de pesquisas para descrever padrões do comportamento humano
Os cursos de técnicas quantitativas e/ou qualitativas servem, normalmente, a objetivos explicativos distintos ou dependem da natureza do objeto explicado por certa pesquisa sociológica: o uso das técnicas quantitativas é associado às pesquisas macro-sociológicas; as qualitativas, às pesquisas micro-sociológicas. Entretanto, o uso de ambas as técnicas de coleta de dados pode ser complementar, uma vez que os estudos micro-sociológicos podem estar associados ou ajudarem no melhor entendimento de problemas macrosociológicos. Atualmente, ela estuda organizações humanas, instituições sociais e suas interações sociais, aplicando mormente o método comparativo. Esta disciplina tem se concentrado particularmente em organizações complexas de sociedades industriais. Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais, as explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete, baseada, quando muito, na observação casual de alguns fatos. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à Sociologia o estatuto de ciência buscaram nas Ciências Naturais as bases de sua metodologia já mais avançada, e as discussões epistemológicas mais desenvolvidas. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos, a observação empírica, e um ceticismo metodológico a fim de extirpar os elementos "incontroláveis" e "dóxicos" recorrentes numa Ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações. Uma das primeiras e grandes preocupações para com a Sociologia foi eliminar juízos de valor feitos em seu nome. Diferentemente da ética, que visa discernir entre bem e mal, a Ciência se presta à explicação e à compreensão dos fenômenos, sejam estes naturais ou sociais. Enquanto Ciência, a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos do conhecimento científico, apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e, consequentemente, da abordagem científica da sociedade. Tais peculiaridades, no entanto, foram e continuam sendo o foco de muitas discussões, ora tentando aproximar as ciências, ora afastando-as e, até mesmo, negando as ciências humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle dos dados tipicamente humanos, considerado por muitos, imprevisíveis e impossíveis de uma análise objetiva [WIK13].

2.1 Pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa
Ao elaborar um questionário de pesquisa, o sociólogo pode fazer questões abertas, ou seja, questões às quais o entrevistado dá respostas livres. Por exemplo: Qual é a sua opinião sobre o sistema de cotas? Esse tipo de pesquisa é chamada de qualitativa. Ela exige muito trabalho do pesquisador, pois ele deve anotar ou gravar as respostas e depois agrupá-las para interpretação. Mas o pesquisador também pode elaborar um questionário com questões fechadas, que exigem respostas do tipo sim/não ou que apontam uma alternativa, um número, o nome de um candidato etc. Exemplo: Você é a favor do sistema de cotas?

Essa pesquisa é chamada de quantitativa. É a mais usada, pois pode ser tabulada em computador e suas análises são mais diretas.

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Muitas pesquisas são feitas diretamente pelo sociólogo, por meio de entrevistas, de observações pessoais ou da
análise de documentos de bibliotecas e arquivos. Nesse caso, ele utiliza fontes primárias. Mas ele pode fazer também trabalhos de análise sociológica baseando-se em dados pesquisados por institutos, como o IBGE, o IPEA, DIEESE, universidades, bem como por outros estudiosos do assunto. Nesse caso, ele utiliza fontes secundárias [IPS11].

2.2 Objetividade e Neutralidade
Seja utilizando fontes primárias ou secundárias, o trabalho do sociólogo deve basear-se sempre em dados e observações objetivas e concretas e jamais em impressões pessoais. A objetividade é um dos principais requisitos da pesquisa. Outro requisito é a neutralidade. Ou seja, o autor da pesquisa não pode manifestar sua posição pessoal nas questões. Adjetivos como ―honesto‖, ―falso‖, ―cruel‖, ―injusto‖, ―forte‖ e outros não podem fazer parte das perguntas. Os valores e as crenças do pesquisador não podem interferir nas perguntas e muito menos das análises dos resultados. Não pode haver viés pessoal, quando isso ocorre, compromete o resultado da pesquisa e diz-se que ele ficou viesado (tendencioso), não correspondendo à realidade. Realizado segundo os requisitos de objetividade e neutralidade, o trabalho sociológico assume características de trabalho científico. Há correntes que propõem uma Sociologia interpretativa e outras que propõem uma Sociologia crítica. Os defensores da Sociologia interpretativa afirmam que o importante é entender o sentido das ações humanas. Para eles, a realidade não existe por si só, foi construída por pessoas ou grupos. Quanto à Sociologia crítica, faz parte da preocupação, sobretudo de sociólogos marxistas. Segundo eles, a realidade social poderia ser diferente e cabe aos sociólogos trabalhar para mudá-la [IPS11].

2.3 Metodologia
Existem vários métodos de trabalho sociológico. As pesquisas e as análises sociológicas devem seguir uma metodologia rigorosa e preestabelecida – jamais empírica, a fim de que os resultados tenham fundamentação e credibilidade. Uma abordagem recomendada é o uso do Método Científico (imagem abaixo): [IPS11]

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3. O que é religião?
Ao longo de milhares de anos a religião tem tido um importante papel na vida dos seres humanos. Sob uma forma ou outra, a religião existe em todas as sociedades humanas conhecidas. As sociedades mais antigas, de que apenas temos conhecimento através dos vestígios arqueológicos, mostram traços claros de símbolos e cerimônias religiosas. Ao longo da história subsequente, a religião continuou a ser um elemento central da experiência humana, influenciando o modo como vemos e reagimos ao meio que nos rodeia [SOC13]. Contudo, a atitude religiosa e o pensamento moderno racionalista coexistem num estado incômodo de tensão. Com o aprofundar da modernidade, uma perspectiva racionalista conquistou muitos aspectos da nossa existência e parece pouco provável que a sua força venha a enfraquecer num futuro previsível. Contudo, existirão sempre reações contra a Ciência e o pensamento racionalista, pois estes permanecem silenciosos perante questões tão fundamentais como o significado e o propósito da vida. Estes temas estiveram sempre no centro da religião e alimentam a idéia de fé. Por vezes, a religião e Ciência parecem contradizer-se. Os debates sobre as perspectivas evolucionistas e sobre o criacionismo, por exemplo, revelam duas maneiras muito diferentes de compreender as origens do homem. À Sociologia não compete responder se alguma religião é verdadeira ou não. Sim, preocupa-se em analisá-la como fenômeno social. Por que a religião é um aspecto tão central na vida das sociedades humanas? O seu papel está mudando nas sociedades modernas mais recentes? Em que condições a religião une as comunidades, e em que condições as dividem? O estudo da religião representa um desafio, na medida em que coloca fortes exigências à imaginação sociológica. Ao analisarmos as práticas religiosas, temos de interpretar crenças e rituais muito diferentes dos que encontramos em nossa sociedade. Temos de ser sensíveis aos ideais que inspiram convicções profundas dos religiosos e de manter simultaneamente uma visão equilibrada dos mesmos. Ainda, confrontar idéias que buscam o eterno, enquanto reconhecemos que, ao mesmo tempo, os grupos religiosos também promovem objetivos bastante mundanos – como por exemplo, os de acumularem recursos financeiros. Temos de reconhecer a diversidade das religiões e dos modos de conduta, mas devemos igualmente analisar a natureza da religião de caráter geral.

3.1 Definição de Religião
A pluralidade de crenças e de organizações religiosas é tão grande, que os estudiosos têm tido dificuldades em se chegar numa definição de religião consensual. No entanto, podemos definir religião como uma instituição que atende às necessidades integrativas pelo papel que desempenha por meio de suas normas de comportamento do ideal de fraternidade humana e, pelo mesmo papel alienador que muitas vezes exerce. A religião apresenta os conceitos do bem e do mal, relacionados com a divindade – Deus ou deus – estabelecendo um código moral e oferecendo respostas para questões relativas à vida, morte e além-túmulo [SOC13]. O estudo das mais diversas sociedades tem revelado a existência do fenômeno religioso como integrante da própria estrutura grupal. Sendo que o ponto comum a todas as religiões é a existência de um domínio em que as explicações racionais se mostram insuficientes ou para o qual inexistem explicações racionais. Em primeiro lugar, a religião não é sempre identificada pelo monoteísmo (crença num só deus). Na maioria das religiões proliferam diversas divindades. E em algumas religiões, não existe sequer um deus. Em segundo lugar, a religião não só deveria ser identificada sem os preceitos morais que controlam o comportamento dos religiosos, como também da idéia de que os deuses estão interessados no nosso comportamento terreno, pois ambas assertativas são inexistentes em muitas religiões. Em terceiro lugar, a religião não está necessariamente preocupada em explicar como o mundo se tornou o que é, inclusive há religiões onde isto é irrelevante. Em quarto lugar, a religião não pode ser identificada com o sobrenatural, vista como envolvendo intrinsicamente a crença num universo ―para além do reino dos sentidos‖. De fato, então, tem-se que religião é um conjunto de símbolos que invocam sentimentos de reverência ou de temor, ligados a rituais ou cerimônias. Cada um destes elementos deve ser alvo de explicação. A liturgia e os atos rituais não definem uma religião, apenas a caracterizam. Em tempo, a magia possui uma tênue diferença entre a religião, a saber, pela centralização no misticismo e no ocultismo. Por exemplo, enquanto mágicos, não é difícil de se perceber o uso de amuletos para ocasiões que envolvam perigo ou risco de morte.

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3.2 Teorias da Religião
As abordagens sociológicas da religião ainda são fortemente influenciadas pelas idéias de três teóricos clássicos da Sociologia: Marx, Durkheim e Weber [SOC13]. Marx define a religião como ―o coração de um mundo sem coração‖ e como sendo o ―ópio do povo‖, representando a alienação humana. Ainda, declara que a religião adia a felicidade e a recompensa para a eternidade, pregando esta uma aceitação resignada das condições existentes nesta vida. Durkheim, ao contrário de Marx, não relaciona a religião com as desigualdades sociais ou poder, mas sim com a natureza geral das instituições de uma sociedade. A religião está definida nos termos de distinção entre o sagrado e o profano, e a sociedade é o objeto desta veneração. Em tempo, a religião condiciona o modo de pensar dos indivíduos nas culturas tradicionais, e tende ao ecumenismo como forma de adaptar-se à evolução social. Weber defende que a religião não necessariamente é uma força conservadora. Em seu estudo, definiu que a religião oriental fornecia barreiras para o avanço do capitalismo. Também afirmou que o cristianismo implica numa luta constante contra o pecado e, por este motivo, tende a estimular a revolta contra a ordem existente. Assim, concluiu que a religião não se adapta à sociedade, mas é a base de transformação e crescimento desta.

4. Por que é que muitos não acreditam em Deus?
Aqui temos um exemplo do trabalho de pesquisa baseado no trabalho do P. Albano Nogueira, feito em 2009. Ele apresentou 10 conclusões. A pesquisa não foi tendenciosa, apenas contrastou com o grau de fé de Albano [PAN09].

A fé em Deus vem-nos bastante pelo testemunho dos outros. Se algumas pessoas não acreditam em Deus, isso se deve a muitas razões. Vou apontar algumas: 1- O testemunho dos crentes não é suficientemente feliz para ajudar os outros à fé em Deus. Muitos católicos não dão testemunho de alegria, de pessoas felizes, de pessoas salvas. 2- Talvez outros fiquem chocados pelas injustiças e pelo mal cometido por alguns dos que dizem acreditar em Deus. 3- Alguns não acreditam em Deus porque isso exige mudar de vida, amar de verdade, pensar nos outros, dedicar-se, abandonar os maus comportamentos. E como não querem mudar, dizem que não acreditam ou não acreditam mesmo porque não lhes convém. O ideal que Jesus nos ensinou é viver sem fazer o mal, sem pecar, é um ideal de perfeição, de santidade. Ora isso não agrada a muitos... 4- Talvez não houvesse ninguém que conseguisse falar de Deus a essas pessoas com palavras que satisfizessem a sua inteligência e o seu coração. Talvez façam perguntas a que ninguém ainda lhes soube responder de forma satisfatória. O problema do mal que há no mundo leva alguns a não aceitar a existência de Deus. Deus parece que se cala, nada diz e não intervém diante do mal que há no mundo. (Só que Deus sempre falou e fala através de outras pessoas, se as ouvirmos, ouvimos Deus a falar...). 5- Deus não é evidente, material, visível, natural. Deus é Invisível, Sobrenatural, não se vê, não se ouve, não se toca e como a pessoa está muito voltada para as realidades materiais, visíveis, sensíveis, não captam Deus que exige o envolvimento de toda a pessoa. E, assim, não acreditam em Deus. Deus não se impõe de forma evidente porque quer respeitar a nossa liberdade e, assim, ter o mérito de acreditar de forma livre e não por uma imposição. Se Deus se mostrasse totalmente, éramos obrigados a aceitá-lO e, então, já não tínhamos mérito, não éramos livres. 6- Há aqueles que não acreditam em Deus porque receberam uma educação desde a infância ouvindo sempre dizer que não há Deus. 7- Outros ainda não acreditam em Deus porque só acreditam na ciência, na técnica, no que se pode comprovar e Deus não é captado por aparelhos, por máquinas, não se pode experimentar de

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forma sensível. E numa época dominada pela técnica, Deus não se capta pelos computadores (grifo meu: pesada assertativa, apesar de verdadeira) e então, como não se vê, muitos não acreditam. 8- Ainda há aqueles que dizem não acreditar em Deus, vivem como se Deus não existisse, mas no fundo muitos acreditam em Deus e quando estão aflitos ou na hora da proximidade da morte ficam com muitas dúvidas e até fazem oração a Deus. 9- É mais fácil viver e dizer que não se acredita em Deus porque isso facilita a vida. O mais fácil é fazer o que agrada, o que convém, muitas vezes de forma egoísta e viver uma vida sem exigências de aperfeiçoamento, rasteira, banal, medíocre e seguir a inclinação dos instintos que, às vezes, em vez de elevar a pessoas, degrada a pessoa. Então, quem quer viver assim, não lhe convém acreditar e seguir as exigências de acreditar no Deus revelado por Jesus Cristo. 10- Muitos não acreditam porque está em causa a liberdade de cada um. Deus não obriga ninguém a acreditar nEle, pois Ele criou seres livres capazes de dizer o "Sim creio" da fé ou o "Não, não creio" do ateísmo [PAN09].

5. Seis razões para crer que Deus existe
Eden Herz fala de sua pesquisa para crer que Deus existe [EDH12]. Considere que, se alguém se opõe radicalmente à possibilidade de Deus existir, então qualquer prova ou explicação apresentada aqui poderá ser imediatamente refutada. Ou seja, isso seria como se uma pessoa se recusasse a acreditar que o homem andou na lua. Nenhuma informação, por melhor que fosse, iria mudar o seu modo de pensar. Imagens via satélite de homens andando na lua, entrevistas com os astronautas, pedras lunares... todas as provas seriam sem valor porque a pessoa já concluiu que o homem não pode ir à lua. Quanto à existência de Deus, a Bíblia diz que há pessoas que têm prova suficiente de que Ele existe, mas encobrem essa verdade (Romanos 1:19-21). Por outro lado, há aquelas que querem saber se Deus existe; a essas Ele diz: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês…”. (Jeremias 29:13-14) Antes que você olhe para os fatos relacionados à existência de Deus, pergunte-se: “Se Deus realmente existe, eu gostaria de conhecê-lo?”. 1. Deus existe? Durante a história, em todas as culturas do mundo, as pessoas vêm sendo convencidas de que há um Deus. Podemos dizer, com algum grau de confiança, que todas essas pessoas estiveram ou estão erradas? Bilhões de pessoas, que representam diversos compostos sociológicos, intelectuais, emocionais, educacionais etc., todas chegaram à mesma conclusão de que há um Criador, um Deus para ser adorado. Pesquisas antropológicas atuais indicam que entre os povos primitivos mais distantes e remotos, existe uma crença universal em Deus. E, nas primeiras lendas e histórias dos povos de todo o mundo, o conceito original era de um único Deus, o qual foi o Criador. Um Deus altíssimo e original parece ter, uma vez, estado em suas consciências, mesmo naquelas sociedades que hoje se apresentam politeístas (Paul E. Little, Saiba O Porquê Você Acredita, Victor Books, 1988, pág. 22). 2. Deus existe? A complexidade do nosso planeta aponta para um “Desenhista”, que, intencionalmente, não apenas criou nosso universo, mas também o sustenta hoje. Poderiam ser dados muitos exemplos mostrando o desenho que Deus fez da criação, e, possivelmente, não chegaríamos ao fim desse desenho. Mas aqui estão alguns traços dele: A Terra… seu tamanho é perfeito. O tamanho da Terra e a sua gravidade correspondente seguram uma camada fina de gases nitrogênio e oxigênio que se estendem, em sua maioria, até uns 80 quilômetros desde a superfície da Terra. Se a Terra fosse menor, a existência de uma atmosfera seria impossível, como ocorre no planeta Mercúrio. Se a Terra fosse maior, sua atmosfera conteria hidrogênios livres, como em Júpiter (R.E.D. Clark, A Criação, London, Tyndale Press, 1946, pág. 20; As Maravilhas da Criação de Deus, Moody Institute of Science, Instituto de Ciências Moody, Chicago, Il). A Terra é o único planeta conhecido que é provido de

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uma atmosfera com a mistura na medida exata de gases para sustentar vida humana, animal e vegetal. Água… incolor, inodora e insípida e ainda assim nenhum ser vivente pode sobreviver sem ela. Plantas, animais e seres humanos consistem, na sua maioria, de água (cerca de dois terços do corpo humano é composto por água). Você verá porque as características da água são tão particularmente apropriadas para a vida: A água é o solvente universal. Pegue um copo cheio d‟água e adicione uma colher de açúcar e nada vai transbordar; a água simplesmente absorve o açúcar. Essa propriedade da água significa que milhares de produtos químicos, minerais e nutrientes podem ser carregados pelo nosso corpo todo e até dentro de vasos sanguíneos minúsculos. O cérebro humano… processa simultaneamente uma quantidade incrível de informações. O cérebro reconhece todas as cores e objetos que você vê; assimila a temperatura à sua volta; a pressão de seus pés contra o chão; os sons ao seu redor; o quão seca sua boca está e até a textura deste artigo em suas mãos. O seu cérebro registra respostas emocionais, pensamentos e lembranças. Ao mesmo tempo, seu cérebro não perde a percepção e o comando dos movimentos ocorrentes em seu corpo, como o padrão de respiração, o movimento da pálpebra, a fome e o movimento dos músculos das suas mãos. Quando a NASA lança um foguete espacial, sabemos que não foi um macaco que planejou o lançamento, e sim mentes inteligentes e instruídas. Como explicar a existência do cérebro humano? Apenas uma mente mais inteligente e instruída do que a humanidade poderia tê-lo criado. 3. Deus existe? Mero “acaso” não é uma explicação adequada. Imagine-se olhando para o Monte Rushmore, onde se encontram talhados os semblantes de Washington, Jefferson, Lincoln e Theodore Roosevelt. Você poderia acreditar que eles foram criados por acaso? Mesmo com a ação do tempo, vento, chuva e acaso, ainda fica difícil acreditar que algo como aquilo, ligado à história, tenha sido formado na montanha a esmo. O bom senso nos diz que pessoas planejaram e, talentosamente, talharam aquelas imagens (grifo meu: sem a perfeita orientação para a vida, a Teoria do Caos – acaso - não teria fundamento para explicar nada). 4. Deus existe? A noção de certo e errado é inerente à espécie humana e não pode ser explicada de modo biológico. Sempre emerge de dentro de todos nós, vindos de qualquer cultura, o sentimento de certo e errado. Até mesmo um ladrão se sente frustrado e mal tratado quando alguém o rouba. Se alguém rapta uma criança da família e a violenta sexualmente, há uma revolta e raiva que confrontam aquele ato como maléfico, independente da cultura. De onde vem essa noção de errado? Como explicamos uma lei universal na consciência de todas as pessoas, que diz que assassinato por diversão é errado? Em áreas como coragem, morrer por uma causa, amor, dignidade, dever e compaixão... de onde vem isso tudo? Se as pessoas são meros produtos da evolução física, “sobrevivência do mais forte”, por que nos sacrificamos uns pelos outros? De onde herdamos essa noção interior de certo e errado? A nossa consciência pode ser mais bem explicada por um Criador amoroso que se importa com nossas decisões e com a harmonia da humanidade. 5. Deus existe? Deus não apenas Se revelou no que pode ser observado na natureza, e na vida humana, mas Ele se mostrou mais especificamente na Bíblia. Os pensamentos de Deus, personalidade e atitudes podem ser conhecidos somente se Deus resolve revelá-los. Tudo mais seria especulação humana. Nós perderíamos muito se Deus não quisesse ser conhecido. Mas Deus quer que o conheçamos e nos contou na Bíblia tudo o que precisamos saber sobre Seu caráter e como nos relacionarmos com Ele. Isto torna a fidedignidade da Bíblia algo de importância. As descobertas arqueológicas continuam confirmando, ao invés de refutarem, a precisão da Bíblia. Por exemplo, uma descoberta arqueológica no nordeste de Israel, em 1993, confirmou a existência do Rei Davi, autor dos muitos Salmos na Bíblia (Thomas McCall, “A Pedra da Casa de Davi”, A Carta Levita, Zola Levitt Ministries, Ministérios Zola Levitt, setembro de 1993). Os pergaminhos do Mar Morto, e outras descobertas arqueológicas, continuam a provar, de modo substancial, a precisão histórica da Bíblia.

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A Bíblia foi escrita em um período de mais de 1.500 anos, por mais de 40 autores diferentes, em diferentes locais e em continentes separados, escrita em 3 línguas diferentes, falando sobre questões diversas, em diferentes pontos da história (Josh McDowell, Evidências Que Exigem Um Veredito, San Bernardino, CA, Here‟s Life Publishers, 1979, pág. 16). Ainda assim existe uma consistência incrível em sua mensagem. A mesma mensagem aparece por toda a Bíblia: Deus criou o mundo em que vivemos e nos criou especificamente para termos um relacionamento com Ele; Ele nos ama profundamente; Ele é santo e consequentemente não pode ter um relacionamento com pessoas pecadoras; Deus nos deu um caminho para nossos pecados serem perdoados; Ele nos pede para que aceitemos o Seu perdão e que tenhamos um relacionamento com Ele que durará toda a eternidade. Além desse roteiro central, a Bíblia nos revela de modo específico o caráter de Deus. O Salmo 145 é um resumo típico da personalidade, pensamentos e sentimentos de Deus por nós. Se você quiser conhecer Deus, aqui está Ele. 6. Jesus Cristo é a imagem mais clara e específica de Deus, diferente de outras revelações dEle. Por que Jesus? Veja que em todas as outras principais religiões do mundo, você constatará que Buda, Maomé, Confúcio e Moisés se apresentam como mestres ou profetas; nenhum deles disse ser igual a Deus. Surpreendentemente, Jesus disse. E é nisto que Jesus se distingue de todos os outros. Jesus disse que Deus existe e que você estava olhando para o próprio Deus ao contemplálo. Apesar de Ele falar de Deus como Seu Pai Celestial, não era da perspectiva de separação, mas de uma união bem chegada, única para toda a espécie humana. Jesus falou que todo aquele que O tinha visto, tinha visto ao Pai; todo aquele que acreditasse nEle, acreditaria no Pai. Ele disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João 8:12) Ele disse ter atributos pertencentes somente a Deus: ser capaz de perdoar as pessoas de seus pecados; libertá-las de hábitos pecaminosos; dar às pessoas uma vida mais abundante, dando-lhes, no céu, vida eterna. Diferente de outros mestres que faziam as pessoas se focarem nas palavras deles, Jesus faz as pessoas seguirem a Ele mesmo. Ele não disse: “sigam as minhas palavras e vocês encontrarão a verdade”. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. (João 14:6) Quais as provas que Jesus deu para dizer que era divino? E os pensamentos, expectativas e sentimentos de Deus pela raça humana? Ele fez o que as pessoas não podem fazer. Jesus fez milagres. Ele curou as pessoas: cegos, aleijados, surdos e até fez alguns viverem depois de estarem mortos. Ele teve poder sobre objetos: criou comida praticamente do nada; o suficiente para alimentar uma multidão de milhares de pessoas. Ele fez milagres na natureza: andou sobre um lago, ordenou uma tempestade em fúria parar por causa de uns amigos. Pessoas de todos os lados seguiam Jesus, porque Ele sempre ia ao encontro de suas necessidades fazendo algo miraculoso. Ele disse: “Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras”. (João 14:11) O que Jesus revelou da personalidade de Deus? O que Ele nos mostrou sobre os pensamentos, expectativas e sentimentos de Deus pela raça humana? Jesus Cristo mostrou que Deus é gentil, amoroso, consciente do nosso egoísmo e defeitos e ainda assim quer ter um relacionamento conosco. Jesus revelou que, apesar de Deus nos ver como pecadores merecedores da Sua punição, Seu amor por nós venceu. Jesus mostrou que Deus propôs um plano diferente, fazendo com que o seu Filho recebesse a punição por nossos pecados. Jesus aceitou esse plano de livre e espontânea vontade. Jesus foi torturado com um chicote de nove pontas afiadas. Uma “coroa” de espinhos de cinco centímetros cada foi colada em volta de sua cabeça. Prenderam-no em uma cruz, marretando pregos em Suas mãos e pés até a madeira. Tendo feito tantos milagres, esses pregos não O prenderam na cruz; o Seu amor por nós, sim. Jesus morreu em nosso lugar para que pudéssemos ser perdoados. Dentre todas as religiões conhecidas pela humanidade, apenas através de Jesus você verá Deus estendendo Suas mãos para os homens. Dando-nos uma maneira de termos um relacionamento com Ele, Jesus prova que há um coração divino que nos ama, indo ao encontro das nossas necessidades e nos aproximando dEle. Por causa da morte de Jesus, podemos ser perdoados, aceitos completamente por Deus e amados de forma genuína por Ele. Deus diz: “ Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atraí.” (Jeremias 31:3) Esse é Deus em ação!

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A prova mais conclusiva de que Jesus é igual a Deus é o milagre mais esquadrinhado de Jesus – Sua própria ressurreição de dentre os mortos. Jesus disse que três dias depois de ser enterrado, Ele voltaria a viver. No terceiro dia depois de Sua crucificação, a pedra de quase duas toneladas que estava na frente do Seu túmulo tinha sido jogada para uma ribanceira (Josh McDowell, Mais Que Um Carpinteiro, Wheaton, Il: Tyndale House, 1977, pág. 88). A guarda de bem treinados soldados romanos viu uma luz cegante e um anjo. O túmulo estava vazio, exceto pelos panos de enterro que haviam sido enrolados no corpo de Jesus. Durante todos esses anos, análises legais, históricas e lógicas vêm sendo aplicadas à ressurreição de Jesus e a única conclusão possível até agora é a de que Jesus voltou de dentre os mortos. Deus existe? Se você quer saber, investigue sobre Jesus Cristo. Ele mesmo falou: “Pois Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16) Você quer começar um relacionamento com Deus e realmente saber se é aceito por Ele? Essa é uma decisão sua, não há coerção aqui. Mas se você quer ser perdoado por Deus e vir a ter um relacionamento com Ele, você pode fazer isso agora mesmo, pedindo-lhe perdão e convidando-O para entrar em sua vida. Jesus disse: “Eis que estou à porta [do seu coração] e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei…” (Apocalipse 3:20) Se você quiser assim fazer, mas não sabe muito bem como colocar em palavras, isto pode ajudar: “Jesus, obrigado por morrer por meus pecados. Você conhece a minha vida e sabe que preciso ser perdoado. Eu peço para que me perdoe agora mesmo e peço que entre em minha vida. Obrigado por querer ter um relacionamento comigo. Amém.” Deus vê seu relacionamento com Ele como algo permanente. Referindo-se a todos que nEle acreditam, Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.” (João 10:27-29) E então, Deus existe? Olhando para todos esses fatos, pode-se concluir que realmente existe um Deus amoroso e que Ele pode ser conhecido de uma maneira íntima e pessoal.

6. Entrevista com filósofo: Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade?
"A tolerância à intolerância nada mais é do que covardia.".
"Na ciência não existem dogmas. Qualquer afirmação pode ser contestada de maneira sensata e honesta.". "O Papa é culpável pelo escândalo do estupro infantil dentro da Igreja Católica.". —Sam Harris.

Quando o filósofo americano Sam Harris soube que o atentado ao World Trade Center em Nova York (Estados Unidos), no dia 11 de setembro de 2001, teve motivações religiosas, e a briga passou a ser pessoal. Harris publicou em 2004 o livro A Morte da Fé (Companhia das Letras) — uma brutal investida contra as religiões, segundo ele, responsáveis pelo sofrimento desnecessário de milhões. Para Harris, os únicos anjos que deveríamos invocar são a ‗razão‘, a ‗honestidade‘ e o ‗amor‘ [MTP11]. Ao entrar de cabeça em um assunto tão delicado, o filósofo de 43 anos conquistou uma legião de inimigos e deu início a uma espécie de combate literário. Em resposta à repercussão de seu primeiro livro, que levou à publicação de livros-resposta sob as perspectivas muçulmana, católica e outras, os ataques de Harris à fé religiosa continuaram em 2006, com o lançamento do livro Carta a Uma Nação Cristã (Companhia das Letras). Criado em um lar secular, que nunca discutiu a existência de Deus e nunca criticou outras religiões, Harris recebeu o título de Doutor em Neurociência em 2009 pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos). A

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pesquisa de doutorado serviu como base para seu terceiro livro, lançado em outubro de 2010: The Moral Landscape (sem edição brasileira). Nele, Harris conquista novos inimigos, dessa vez cientistas. Agora, Harris tenta utilizar a razão e a investigação científica para resolver problemas morais, sugerindo a criação do que ele chama de "ciência da moralidade". Ele afirma que o bem-estar humano está relacionado a estados mentais mensuráveis pela neurociência e, por isso, seria possível investigar a felicidade humana sob essa ótica — algo com que a maioria dos cientistas está longe de concordar. A ciência da moralidade substituiria a religião no papel de dizer o que é bom ou mau. Esse ‗novo ateísmo‘ rendeu a Harris e outros três autores proeminentes — Daniel Dennet, Richard Dawkins e Christopher Hitchens — o título de 'Cavaleiro do Apocalipse'. "A Ciência é capaz de dizer o que é certo e o que é errado", diz Sam Harris. Em entrevista ao site de VEJA, Harris explica os pontos mais sensíveis de sua argumentação, e afirma que descrer de Deus é um atalho para a felicidade.

6.1 Por que a moralidade e as definições do bem e do mal não deveriam ser deixadas para a religião?
O problema com relação à Religião é que ela dissocia as questões do bem e do mal da questão do bem-estar. Por isso, a religião ignora o sofrimento em certas situações, e em outras chega a incentivá-lo. Deixe-me dar um exemplo. Ao se opor aos métodos contraceptivos, a doutrina da Igreja Católica causa sofrimento. É coerente com seus dogmas, embora eles levem crianças a nascerem na pobreza extrema e pessoas a serem infectadas pela AIDS, por fazerem sexo sem camisinha. Através das eras, os dogmas contribuíram para a miséria humana de maneira tremenda e desnecessária.

6.2 Nem toda moralidade é baseada em religião. Existe uma longa tradição de pensamento moral secular por meio da filosofia. O que há de errado com essa tradição?
Não há nada de errado com ela a não ser o fato de que a maior parte das discussões filosóficas seculares são confusas e irrelevantes para as questões importantes na vida humana. Deveria ser consenso o apreço ao bemestar humano. Se alguma coisa é má, é porque ela causa um grande e desnecessário sofrimento ou impede a felicidade das pessoas. Se alguma coisa é boa, é porque ela faz o contrário. Mas existem filósofos seculares batendo cabeça em debates entediantes, dizendo que não podemos falar de verdade moral. Segundo eles, cada cultura deve ser livre para inventar seus ideais morais sem ser perturbado por outros. Isso é loucura. Hoje reconhecemos que a escravidão, que era praticada por muitas culturas, era fonte de sofrimento. Nesse caso, deixamos para trás o relativismo. Por que não podemos fazer o mesmo em outros casos?

6.3 Você parece sugerir que a tolerância a outros credos não é uma virtude, como a maioria pensa. Por quê?
É um posicionamento inicial muito bom. A tolerância é a inclinação para evitar conflito com outras pessoas. É como queremos que a maioria se comporte a maior parte do tempo quando se depara com diferenças culturais. Mas quando as diferenças se tornam extremas e a disparidade na sabedoria moral se torna incrivelmente óbvia, então, a tolerância não é mais uma opção. A tolerância à intolerância nada mais é do que covardia. Não podemos tolerar uma jihad global. A idéia de que se pode chegar ao paraíso explodindo pessoas inocentes não é um arranjo tolerável. Temos que combater essas coisas por meio da intolerância às pessoas que estão comprometidas com essa ideologia. Não acredito que seria possível sentar à mesa com, por exemplo, Osama Bin Laden e convencê-lo que a forma como ele enxerga o mundo é errada.

6.4 Por que a ciência deveria ditar o que é certo e o que é errado?
Temos que reconhecer que as questões morais possuem respostas corretas. Se o bem-estar humano surge a partir de certas causas, inclusive neurológicas, quer dizer que existem formas certas e erradas para procurar a felicidade e evitar a infelicidade. E se as respostas corretas existem, elas podem ser investigadas pela ciência. Chamo de ciência o nosso melhor esforço em fazer afirmativas honestas sobre a natureza do mundo, tendo como base a razão e as evidências.

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6.5 O que é a ciência da moralidade e o que ela quer conquistar?
É a ciência da mente humana e das variáveis que afetam a nossa experiência do mundo para o bem ou para o mal. Ela pretende discutir, por exemplo, o que acontece com mulheres e garotas que são forçadas a utilizarem a burca [vestimenta muçulmana que cobre todo o corpo da mulher]. São efeitos neurológicos, psicológicos, sociológicos que afetam o bem-estar dos seres humanos. Com a burca, sabemos que é ruim para as mulheres e para a sociedade. Se metade de uma sociedade é forçada a ser analfabeta e economicamente improdutiva, mas ter quantos filhos conseguir, fica óbvio que essa é uma estratégia ruim para construir uma população que prospera. O objetivo é entender o bem-estar humano. Assim como queremos fazer convergir os princípios do conhecimento, queremos que as pessoas sejam racionais, que avaliem as evidências, que sejam intelectualmente honestas e que não sejam guiadas por ilusões. A Ciência da Moralidade pretende aumentar as possibilidades da felicidade humana.

6.6 O senhor afirma que há um muro dividindo a ciência e a moralidade. No que ele consiste?
Existem razões boas e ruins para a existência desse muro. A boa é que os cientistas reconhecem que os elementos relevantes ao bem-estar humano são extremamente complicados. Sabemos muito pouco sobre o cérebro, por exemplo, para entender todos os aspectos da mente humana. A ciência espera um dia responder essas questões e isso é muito bom. A razão ruim é que muitos cientistas foram confundidos pela filosofia a pensar que a ciência é um espaço sem valores. E a moralidade está, por definição, na seara dos valores. Esse muro não será destruído enquanto não admitirmos que a moralidade está relacionada à experiência humana, que por sua vez está relacionada com o cérebro e com a forma pela qual o universo se apresenta. Ou seja, por elementos que podem ser investigados pela ciência.

6.7 Quais avanços científicos lhe fazem pensar que, agora, a moralidade pode ser tratada a partir do ponto de vista do laboratório?
Temos condição de dizer quando uma pessoa está olhando para um rosto, ou uma casa, ou um animal, ou quais palavras ela está pensando dentro de uma lista. Esse nível cru de diferenciação de estados mentais está definitivamente ao alcance da ciência. Sabemos quando uma pessoa está sentindo medo ou amor. Por causa disso podemos, em princípio, pegar uma pessoa que diz não ser racista, colocá-la em um medidor e verificar se ela está falando a verdade. Não apenas isso, podemos descobrir se ela está mentindo para si mesma ou para as outras pessoas. A tecnologia já chegou a esse nível, mas não conseguimos ler a mente das pessoas com detalhes. É possível que futuramente possamos descobrir coisas sobre a nossa subjetividade de que não temos consciência, utilizando experimentos científicos. E isso tudo se relaciona ao bem-estar humano e o modo como as pessoas ficam felizes e como poderemos viver juntos para maximizar a possibilidade de ter vidas que valham a pena.

6.8 Por que deveríamos confiar a educação dos nossos filhos aos valores científicos? Os cientistas não se transformariam, com o tempo, em algo como padres, mas com uma ‘batina’ diferente?
Cientistas não são padres. Os médicos, por exemplo, agem sob o pensamento da medicina, que, como fonte de autoridade, não se tornou arrogante ou limitou a liberdade das pessoas de maneira assustadora. É uma disciplina que está concentrada em entender a vida humana e minimizar o sofrimento físico. Seu médico nunca vai até você ‗pregar‘ sobre os preceitos da ciência, você vai até ele quando precisa. Pais que se deixam guiar por dogmas religiosos não dão remédios aos filhos e os deixam morrer. Na ciência não existem dogmas. Qualquer afirmação pode ser contestada de maneira sensata e honesta.

6.9 O que dizer dos experimentos neurológicos que sugerem que a crença religiosa está embutida nos nossos cérebros?
Não acho que a crença religiosa esteja embutida no cérebro humano. Mas digamos que esteja. Façamos um paralelo com a bruxaria. Pode ser que a crença em bruxaria estivesse embutida em nossos cérebros. A bruxaria matou muitos seres humanos, assim como a religião. Todas as culturas tradicionais acreditaram em algum momento em bruxas e no poder de magia e, na verdade, a crença na reza possui um conceito semelhante. Algumas pessoas dizem que sempre acreditaremos em bruxas, que a saúde humana será afetada pela 'magia' de vizinhos. Na África, muitas pessoas realmente acreditam em bruxaria e isso é terrível porque causa sofrimento desnecessário. Quando não se entende porque as pessoas ficam doentes, ou porque as crianças morrem antes dos três anos, você está num estado de ignorância que a crença em bruxaria está suprindo uma necessidade de

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maneira nociva. Superamos isso no mundo desenvolvido por causa do avanço da Ciência. Sabemos como a agricultura é afetada, por exemplo. Entendemos os fenômenos meteorológicos e a biologia das plantas. Não é algo que a religião resolve, e sim a ciência. Mas costumava ser assim. A crença na regência de um deus sobre a lavoura era universal.

6.10 As pessoas deveriam parar de acreditar em Deus?
Se eu acho que as pessoas deveriam parar de acreditar no Deus da Bíblia? Com certeza. Da mesma forma que as pessoas pararam de acreditar em Zeus, em Thor e milhares de deuses mortos. O Deus da Bíblia tem exatamente o mesmo status desses deuses mortos. É um acidente histórico estarmos falando dele e não de Zeus. Poderíamos estar vivendo num mundo onde os suicidas muçulmanos se explodiriam por causa de idéias dos deuses do Monte Olimpo. A diferença entre xiitas e sunitas muçulmanos é a mesma diferença entre seguidores de Apolo e seguidores de Dionísio.

6.11 O senhor sempre foi ateu?
Nunca me considerei um ateu, nem mesmo ao escrever meu primeiro livro. Todos somos ateus em relação a Zeus e Thor. Eu era um ateu em relação a eles e ao deus de Abraão. Mas nunca me considerei um ateu, como a maioria das pessoas não se considera pagã em relação aos deuses do Monte Olimpo. Foi no 11 de setembro de 2001, dia do atentado ao World Trade Center em Nova York, que senti que criticar a religião publicamente havia se tornado uma necessidade moral e intelectual. Antes disso eu era apenas um descrente. Eu nunca havia lido livros ateus, ou tivera qualquer conexão com a comunidade ateísta. O ateísmo não é um conceito que considere interessante ou útil. Temos que falar sobre razão, evidências, verdade, honestidade intelectual — todas essas coisas são virtudes que nos deram a ciência e todo tipo de comportamento pacífico e cooperativo. Não é preciso dizer que você é contra algo para advogar em favor da honestidade intelectual. Foi justamente isso que destruiu os dogmas religiosos.

6.12 O senhor cresceu em um ambiente religioso?
Cresci em um ambiente completamente secular, mas não havia crítica às religiões ou discussões sobre ateísmo, existência de Deus etc. Quando era adolescente, fiquei muito interessado em religiões e experiências religiosas. Coisas como meditação, por exemplo. Aos vinte, comecei a estudar espiritualidade e misticismo. Ainda me interesso por essas coisas, mas acho que, para experimentar, não precisamos acreditar em nada que não possua evidencias suficientes.

6.13 Como o senhor se sente em ser rotulado como um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse´?
Estou muito feliz com a companhia! É uma honra. A associação não me desagrada de forma alguma. Acho que os quatro lucraram por terem sido reunidos e tratados como uma pessoa de quatro cabeças. Em alguns momentos é um desserviço porque nossos argumentos não são exatamente os mesmos e não acreditamos nas mesmas coisas em todos os pontos. Mas tem sido útil sob o ponto de vista das publicações e admiro muito os outros cavaleiros — os considero mentores e amigos. A parte do apocalipse tem um efeito cômico.

6.14 Se o senhor tivesse a chance de se encontrar com o Papa para um longo e honesto bate-papo, qual seria sua primeira pergunta?
Gostaria de falar imediatamente sobre o escândalo do estupro infantil dentro da Igreja Católica. Acho que o Papa é culpável por tudo que aconteceu. A evidência nesse momento sugere que ele estava entre as pessoas que conseguiram fazer prolongar o sofrimento de crianças por muitos anos. Acho que ele trabalhou ativamente para proteger a Igreja do constrangimento e no processo conseguiu garantir que os estupradores tivessem acesso às crianças por décadas além do que deveria ter sido. O Papa deveria ser diretamente desafiado por causa disso. Contudo, é algo que seu status como líder religioso impede que aconteça. Ele nunca seria protegido dessa forma se ele estivesse em qualquer outra posição na sociedade. Imagine o que aconteceria se descobrissem que o reitor da Universidade de Harvard [uma das universidades americanas mais respeitadas do mundo] tivesse permitido que empregados da universidade estuprassem crianças por décadas e ele tivesse mudado essas pessoas de departamento para protegê-las da justiça secular? Ele estaria na cadeia agora. E isso é impensável quando se fala do Papa. Isso acontece por que nos ensinaram a tratar a religião com deferência [MTP11].

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7. Há boas razões para acreditar que Deus existe?
É racional acreditar na existência do Deus padrão? Poderá apresentar-se uma boa razão ou um argumento irresistível a favor da sua existência? Alguns teístas dizem que não e baseiam a sua crença na fé, ou seja, acreditam sem provas ou razões. Outros teístas, pelo contrário, pensam que se podem construir argumentos para provar que o Deus padrão existe [HOK83]. De fato, muitas espécies de razões foram apresentadas para acreditar em Deus (e as mesmas razões foram expostas para acreditar em deuses diferentes e incompatíveis). Algumas razões são facilmente classificadas de insatisfatórias. Por exemplo, o argumento de que Deus deve existir porque em quase todas as sociedades as pessoas acreditam nEle. A aceitação generalizada de uma crença não é, decerto, uma boa razão para a aceitar. Muitas crenças falsas são ou foram quase universais (por exemplo, a de que a Terra é plana). Mais ainda, apesar de a crença num deus ou noutro ser quase universal, não há um deus em que a maioria das pessoas acredite. Como poderia, por exemplo, o fato de algumas pessoas acreditarem num deus crocodilo justificar a crença no Deus cristão? (Lembremos que a grande maioria dos crentes não acredita no Deus cristão)

7.1 Falta de razões para acreditar no contrário
Alguns crentes, notando que os agnósticos afirmam que não podemos provar que Deus não existe, seguem outra via. Argumentam que se não podemos provar que Deus não existe, então eles estão autorizados a acreditar que ele existe. Mas os ateus podem virar este argumento do avesso. Podem fazer notar que os agnósticos também afirmam que nós não podemos provar que Deus existe. Logo, se não podemos provar que Deus existe, estamos igualmente autorizados a acreditar que ele não existe. Um método de raciocínio que nos permi te ―provar‖ ambos os lados de uma disputa, não prova nenhum. A ausência de prova do contrário não é uma boa razão para acreditar em alguma coisa.

7.2 Argumentos cosmológicos
Vários argumentos estreitamente relacionados para a existência de Deus baseiam-se na aparente necessidade de o universo como um todo ter uma causa. Parecem existir três possibilidades. Ou o universo começou a existir por si só ou existiu desde sempre ou, então, foi trazido para a existência por alguma força ou ser extremamente poderoso. Geralmente, aqueles que acreditam em Deus acham incrível que o universo possa ter chegado à existência apenas por si mesmo e igualmente incrível que ele possa ter já existido durante uma quantidade infinita de tempo. Acreditam que um ser extremamente poderoso, Deus, o deve ter criado. Esta é uma das razões que as pessoas dão com mais frequência para acreditar em Deus. Os argumentos que tentam provar que deve haver um Deus porque deve haver um criador do universo são chamados de provas cosmológicas da existência de Deus. Em geral são argumentos que tentam provar que tem de haver uma ―primeira causa‖ de todo o universo — nomeadamente, Deus.

7.3 O Argumento da Primeira Causa
Os argumentos da primeira causa resultam das nossas observações quotidianas das maneiras pelas quais as coisas ou acontecimentos da vida de todos os dias parecem ser causados para ser ou para ocorrer. Observamos, por exemplo, que pôr açúcar na chávena do café causa a doçura do seu gosto, que pôr água na planta causa o seu crescimento e que riscar um fósforo na presença de oxigênio o faz arder. No entanto, parece impossível explicar a existência de tudo em termos de causa e efeito, porque isso significaria que deveria haver uma série infinita (ou sem fim) de causas, o que parece impossível. Eis uma maneira pela qual estas idéias têm sido usadas para argumentar a favor da existência de Deus: 1. Na vida de todos os dias, descobrimos que tanto os objetos como os acontecimentos são causados por outros (tal como o crescimento das plantas é provocado pela absorção de nutrientes). 2. Mas uma série infinita de causas desse tipo é impossível porque então não haveria uma primeira causa, e, portanto, não haveria uma segunda, terceira, etc. .∙. 3. Logo, deve haver uma primeira causa: Deus.

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O símbolo .∙. é habitualmente usado para indicar que se segue a conclusão. As afirmações que precedem este signo são as premissas do argumento e a afirmação que se lhe segue a conclusão.

7.4 Objeções ao argumento da Primeira Causa
Em termos aproximados, podemos dizer que um argumento é conclusivo (deve persuadir-nos a aceitar a respectiva conclusão) apenas se satisfaz duas condições: [Uma terceira (e discutida) condição, não pertinente neste caso, é a de que devemos usar toda a informação relevante.] 1. As suas premissas são aceitáveis ou estão justificadas. 2. As suas premissas (justificadas) fornecem provas ou razões suficientes para justificar a aceitação da conclusão (neste caso o argumento é dito válido). Muitas pessoas que rejeitam o argumento da primeira causa acreditam que argumentos deste tipo (com frequência chamados de metafísicos) sofrem todos de um de dois defeitos: ou as suas premissas são tão inaceitáveis ou questionáveis como as suas conclusões, ou as respectivas conclusões não se seguem validamente das premissas. Por exemplo, uma objeção levantada contra o argumento da primeira causa é o de que a segunda premissa não é aceitável (quase todas as pessoas aceitam a sua primeira premissa). Os matemáticos em particular têm argumentado a favor da possibilidade de séries infinitas de eventos ou causas em termos técnicas e alguns filósofos têm aceitado o seu raciocínio. [Ver, por exemplo, Hans Reichenbach, The Rise of Scientific Philosophy (Berkeley, Calif.: University of California Press, 1951), pp. 207-8.] Suponhamos, no entanto, que rejeitamos a idéia de que pode haver uma série infinita de causas, de tal modo que ambas as premissas do argumento da causa primeira se tornam aceitáveis. Apesar disso o argumento ainda falharia em ser válido e, portanto, a aceitação da sua conclusão também não se justificaria. Em primeiro lugar, o argumento apenas provaria que cada a série de causas tem uma causa primeira ou incausada, mas não prova que todas as causas sejam parte de uma série única de causas que tenha a única primeira causa, porque é possível que nem todas as causas sejam partes de uma série única de causas. Por outras palavras, o argumento provaria que há uma ou mais causas primeiras, mas não que exista apenas uma. Em segundo lugar, apenas provaria, no melhor dos casos, que a primeira causa existe, não que essa primeira causa seja Deus. Em vez disso, a primeira causa poderia ter sido o Diabo (um candidato plausível, dada a natureza do universo). E mesmo que o argumento tivesse provado que a primeira causa tinha de ser um deus, não provaria que ele tivesse de ser o seu Deus (se for um crente) ou um deus que encaixasse na imagem padrão que os cristãos, judeus ou muçulmanos têm de Deus. Poderia ser qualquer um dos milhares de deuses diferentes em que os seres humanos acreditam ou, talvez, um em que um ser humano nunca tenha pensado. De fato, o argumento da primeira causa abre a possibilidade de que tenha existido um Deus que criou o universo (ou talvez muitos deuses), mas que agora Deus esteja morto.

7.5 Qual é a causa da existência de Deus?
Para além das duas objeções que acabamos de levantar contra o argumento da primeira causa, há uma objeção geral a todas as espécies de provas cosmológicas da existência de Deus. Lembremos que a força do argumento cosmológico reside na idéia de que não é plausível pensar que o universo tenha brotado para a existência apenas por si mesmo. Por outras palavras, parece a muitos crentes que uma coisa tão grandiosa como o universo requer, como seu criador, um ser que seja pelo menos tão grandioso. Mas esta linha de raciocínio põe-nos em apuros. Se um universo requer um deus para explicar a sua existência, o que explica a existência do próprio Deus? Da mesma maneira, ou Deus existiu desde sempre ou apenas apareceu ou então deve ter tido uma causa. No entanto, é tão implausível pensar que Deus sempre existiu ou que tenha simplesmente surgido, como pensar que também foi assim com o universo. O próprio raciocínio que nos leva a propor um deus como causa do universo deve levar-nos a propor um supradeus como sendo a causa de Deus. E, claro, o supradeus também precisa de uma causa, o suprasupradeus e assim infinitamente. Portanto, sejam quais forem as voltas que dermos, o que obtemos no fim é igualmente implausível. É tão implausível um deus incausado como um universo incausado, e é tão incrível uma série infinita de causas como uma série infinita de deuses.

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Em resumo, podemos desafiar as provas cosmológicas da existência de Deus de, pelo menos, três maneiras importantes. Primeiro, podemos desafiar a idéia de que uma série infinita de causas não seja possível. Segundo, podemos questionar a validade da conclusão de que há apenas uma primeira causa e de que a primeira causa seja Deus. Terceiro, podemos defender que qualquer deus proposto como primeira causa para explicar o universo precisa tanto de uma causa como o próprio universo e, assim, o argumento, se provar a existência de um deus, provará a existência de uma série infinita de deuses. Os argumentos cosmológicos tentam explicar a existência do universo postulando um criador. Outros argumentos concluem por um deus, não para explicar o universo como um todo, mas apenas para explicar alguns dos seus aspectos, tais como a existência do bem ou o fato de o universo ser ordenado em vez de ser caótico.

7.6 O Argumento do Desígnio
O Argumento do Desígnio (também conhecido como Argumento Teleológico) parte do fato de que o universo comporta toda a espécie de padrões ou de regularidades, tão diferentes como os intrincados padrões dos flocos de neve, a lei da atração universal e a maravilhosa complexidade do corpo humano. Algumas espécies de ordem (como, por exemplo, a ordem num mecanismo de um relógio de pulso ou na construção de uma represa por um castor) são explicadas pelo homem ou por outros animais. Mas muitas regularidades não podem ser explicadas dessa maneira. Por exemplo, a ordem dos cristais ou a constância do ponto de fusão de cada uma das diferentes espécies de elementos. O argumento do desígnio postula um deus para explicar essas espécies de ordem que não são explicadas de outra maneira. Eis uma versão do argumento do desígnio: 1. Há ordem no universo. 2. Mas a ordem não pode existir sem desígnio. (Isto é, sem um projetista). .∙. 3. Logo, deve haver um projetista: Deus. A força psicológica e apelativa do argumento é óbvia. A estonteante e maravilhosa complexidade de algo como o corpo humano parece gritar por um projetista — um ser que calculou como funcionaria e depois o compôs. Nem a teoria da evolução satisfaz esta necessidade, dado que os detalhes de tais teorias dependem de leis da física e da química que, elas mesmas, exibem maravilhosas regularidades. No entanto, o argumento tem falhas sérias ou mesmo fatais.

7.7 Objeções ao Argumento do Desígnio
A objeção mais óbvia é a de que, no melhor dos casos, o argumento do desígnio apenas prova que há um projetista e não um Deus padrão, tal como o argumento da causa primeira apenas provaria que há uma primeira causa. O projetista, claro, não precisa de ser um Deus padrão; poderia muito bem ser o diabo, muitos deuses, um outro deus ou, talvez, um deus já falecido. Mas o argumento do desígnio nem sequer prova tanto porque a sua segunda premissa (a de que a ordem nem poderia existir sem um ordenador) é duvidosa, para não dizer pior. Por que assumir que a ordem não pode existir sem um organizador? Afirma-se muitas vezes que podemos justificar a existência de um projetista por um método chamado indução. Verifica-se que muitas coisas que manifestam ordem (relógios de pulso, por exemplo) foram deliberadamente compostas por projetistas humanos ou animais. Já vimos muitos relógios que sabemos que são projetados por humanos, mas nunca vimos um que, sendo investigado, provasse não ter sido assim projetado. Portanto, se agora nós descobrirmos um relógio de pulso na areia de uma praia deserta, assumimos (por indução) que ele também foi projetado por humanos. Flocos de neve, as leis da natureza e o corpo humano manifestam ordem (apesar de, claro, nunca termos visto um projetista, humano ou não, a projetá-los). Sabemos, claro, que os seres humanos (ou noutros animais) não podem tê-los ordenado, pelo que concluímos, por indução, algum organizador não animal, nomeadamente Deus, deve tê-los feito assim. Mas esta conclusão não está justificada. Quando concluímos por indução que o relógio de pulso encontrado na areia não se ajeitou sozinho ou que não apareceu completo por acidente, e que, portanto, deve ter sido projetado por seres humanos, estamos seguros. O nosso argumento assemelha-se a isto:

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1. Já foram observados muitos relógios de pulso, e todos os que foram examinados foram projetados por humanos. .∙. 2. Este relógio deve ter sido projetado por seres humanos. Podemos, inclusive, argumentar em termos mais gerais e, portanto, de uma maneira mais poderosa, assim: 1. Muitos dispositivos mecânicos foram já observados, e de todos os que foram examinados se concluiu que foram projetados por humanos. .∙.2. Este dispositivo mecânico (que, por acaso, é um relógio de pulso) deve ter sido projetado por seres humanos. Notemos agora quão mais geral um argumento teria de ser para nos levar até um projetista de flocos de neve, leis da natureza ou seres humanos: 1. Muitas das coisas organizadas têm sido observadas e de todas as que foram examinadas se concluiu que foram projetadas por humanos. .∙. 2. Esta coisa organizada (que, por acaso, é um floco de neve, uma lei da natureza ou um ser humano) deve ter sido projetada por um projetista. O argumento é claramente defeituoso porque a sua premissa é obviamente falsa. Há um grande número de coisas ordenadas para as quais não descobrimos um projetista ou um organizador — flocos de neve, arco-íris, cristais e seres humanos são alguns. (Se há um deus que projetou todas essas coisas, então, para observarmos o projetista de flocos de neve a trabalhar, teríamos de apanhar Deus no ato de os amoldar a partir de H20, ou, talvez, de o apanhar no ato de criar as leis da física de que resulta que H 20 se compõe a si mesmo em flocos de neve). O ponto é o de que as coisas que manifestam ordem parecem cair em duas classes distintas: aquelas que nós (ou outros animais) ordenaram e aquelas que não ordenamos. Já verificamos e encontramos muitos itens da primeira classe que são projetados por humanos. Mas nunca encontramos um projetista para um só membro da segunda classe. Portanto, não estamos autorizados a concluir por indução que toda a ordem implica um organizador ou um projetista, logo o argumento pelo desígnio não pode ser apoiado pelo raciocínio indutivo. Se estamos prontos para o aceitar, devemos estar a fazê-lo sem razão, isto é, pela fé.

7.8 A aposta de Pascal
O grande matemático e filósofo francês, Blaise Pascal (1632-1662), argumentou pela existência de Deus de maneira algo diferente: ―Deus existe ou Deus não existe… Que apostarás tu?‖ De acordo com a razão, não poderás fazer nem uma coisa nem outra. De acordo com a razão, não poderás defender nenhuma das opções… mas deves apostar. [E quanto à] tua felicidade? Pesemos ganhos e perdas apostando que Deus existe… Se ganhares (a aposta), ganhas tudo . Se perderes, não perdes nada. Aposta então, sem hesitação, que Ele existe.‖ [Blaise Pascal, Pensées, Everyman‘s Library (1958)] A base da aposta de Pascal parece ser esta: devemos apostar (acreditar) em que Deus existe ou em que Deus não existe. Se Deus não existe, aquilo em que apostarmos fará pouca diferença. Mas se ele existir, fazemos um grande negócio. Assim, a pessoa esperta ou sensata apostará (acreditará) que Deus existe.

7.9 Objeções à aposta de Pascal
Em primeiro lugar, Pascal está enganado na sua crença de que devemos apostar contra ou a favor da existência de Deus. Podemos optar por permanecer nas margens como faz o agnóstico. Claro que nesse caso podemos perder o prêmio, se houver um prêmio, por termos apostado incorretamente. Mas Pascal não pode provar que há tal prêmio.

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Em segundo lugar, a aposta não é tão simples como Pascal pensou porque há um número indefinido de possíveis criadores. O Deus cristão padrão em quem Pascal apostou é apenas um deles. Assim, o número de possibilidades para apostar é muito maior do que duas e jogadores racionais não têm a possibilidade de escolher mesmo que queiram escolher um Deus ou outro. Por outras palavras, se a aposta de Pascal faz sentido, será tão razoável apostar num deus lua ou deus sol como no Deus dos Judeus, Cristão ou Muçulmano. E, finalmente, não há nenhuma prova ou razão para supor que ganhamos um prêmio se apostarmos no Deus que de fato exista. Porque não podemos assumir sem razões que Deus recompense os crentes ou que puna os descrentes. (De fato, em última análise o próprio Pascal apelou à revelação ou fé). Pelo contrário, as intuições de muitos de nós dizem precisamente o contrário, talvez porque quando nos tentamos pôr no lugar de Deus, percebemos que estaríamos inclinados a olhar a crença baseada na aposta de Pascal como sendo hipócrita. Deus, se existir, pode impressionar-se bem mais com a honestidade daqueles que não conseguiram apostar (acreditar) na ausência de provas do que com aqueles que acreditam porque pensam que é prudente fazê-lo [HOK83].

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8. Estudo de caso: pesquisa quantitativa no site Yahoo Respostas – pergunta: Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus?

Endereço da pergunta: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20130804122906AABKDch Dados compilados até às 14 hs do dia 05/08/2013. O tempo que a pergunta ficará no site depende da ação exclusiva de quem o administra, podendo ser por mais alguns instantes ou por tempo indeterminado, segundo a política do YahooRespostas. [YHR13]

Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus ?

SIM NÃO NÃO RESPONDERAM

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Conclusão
Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus? A resposta é NÃO. Neste instante, as pessoas acreditam em Deus do jeito que lhes é mais conveniente, longe da maneira correta que deveria ser. Procura-se Deus onde Ele não está! Antes, e quando procuram, justificam-se por mérito e não se submetem a Deus. Torna-se anti-social querer conhecer a Deus verdadeiramente e buscar inserir-se no seu plano de salvação. Dá trabalho! Tem um alto preço! Vai contra o que a maioria das pessoas pensa: quer aqui e já as suas recompensas e não para depois da morte. Nas mais diferentes sociedades geradas pela globalização da distribuição de crenças e de costumes, é sabido que busca-se a um ―deus‖ ou a ―deuses‖, mas não todos a ―Deus‖. O indivíduo, para poder manter-se inserido num grupo social em que convive sem sofrer algum tipo de estigmatização religiosa, se acomoda, evitando ser o agente de transformação social, ou seja, viver a sua fé de forma prática. Tal qual no estudo de caso aqui apresentado, pode-se elencar um grupo social aparentemente com comportamento religioso, nas mais variadas localidades do mundo, que nem todos terão credo suficiente para se ter fé sequer num ―deus‖, quanto mais no Deus de Abraão. [YHR13] Como as pessoas não acreditam mais em Deus , mas sim no ―deus‖ ou no parcial de ―Deus‖ que lhes convém, muitos não querem saber da existência dEle – agnósticos. Outros negam que Ele exista – ateus. Tanto agnósticos, quanto ateus procuram de uma forma ou de outra basear-se em filosofia própria. A explicação de Deus, do ponto de vista filosófico, existente ou não, é pífia na formulação de uma resposta convincente e estruturada. Contrastando o grupo de ateus (ou de agnósticos) com o de cristãos no estudo de caso aqui apresentado, velhas postulações ainda são mantidas até hoje. Registra a história que a polêmica iniciou-se no século I de nossa era, a saber, combatendo o ensinamento dos pais apostólicos. Tal ensinamento foi de fundamental importância para Igreja logo após a morte dos 12 apóstolos de Jesus Cristo, difundindo o fundamento das boas novas e do plano de salvação de Deus não só aos judeus, mas aos gentios, ou melhor, aos povos de todo o mundo, desde a época até aos dias de hoje. Entretanto, isto ainda carece de provas ou de fundamento para o grupo de ateus (ou de agnósticos), tal como justificado por um pesquisado no estudo de caso:
“-- # Algumas sim Outras Não... Tipo Eu sou ATEU -- # mais queria acreditar nEle...”

Assim, o plano de Deus contém um excelente exemplo de ação social com repulsas ao etnocentrismo de salvação: não é exclusivo aos judeus, antes, visa a todos os grupos sociais e em todos os lugares do mundo. Enquanto interpretação sociológica de crer-se em Deus, ou melhor, de crer-se no plano de salvação de Deus, não havendo etnocentrismo na escolha, há uma larga abertura para a participação de novos grupos, não limitando a expansão e nem o contato na escolha de candidatos que possam a vir participar desse plano. Logo, não há no plano de Deus, ou melhor, quem nEle crê após o sacrifício de morte na cruz, algo nos evangelhos que não seja bom para o indivíduo, sociedade ou ainda para toda uma nação, seja ela qual for e onde essa estiver. Na ausência de acreditar-se sequer numa divindade, quanto menos em Deus, é provado através do método científico que uma religião (portanto ter: fé ou crença em divindade) deve possuir uma postura crítica diante do social – a de superestrutura – contendo em si a possibilidade de denunciar a absolutização do poder, a corrupção decorrente deste poder absoluto, bem como opor-se à dominação e à opressão resultantes deste poder. Desta forma, torna-se explícito um dos malefícios sociais do ato de não crer, quanto mais em Deus. Há uma pluralidade de escolhas pessoais e de religiões que o indivíduo pode optar. O socialmente correto vem antes do teologicamente correto na busca do bem comum. Vale ainda destacar no campo das escolhas que o uso da ciência e tecnologia nos grupos sociais de hoje, em especial com a formação das Redes Sociais via Internet, percebe-se a crescente descartabilidade do processo de crença e de fé, logo, da não necessidade de divindades, e em especial, de Deus. Weber estava certo quando afirmou que a religião não se adapta à sociedade, mas sim que ela é a base da transformação social. Assim, por exemplo, quando um indivíduo faz apologia às Redes Sociais, está crendo em si mesmo e esquecendo-se de Deus (e de outras divindades). Não é difícil constatar que este mesmo indivíduo, formador de opinião ou membro de um grupo social onde se insere, justifica o mérito e a glória para si mesmo, pois, antes de tudo, é uma máquina consumidora de idéias, bens e produtos ditados pela absolutista sociedade de consumo, regradora do padrão temporal em vigor. Neste caso, tem-se um grupo com potencial social de expansão aquém-territorial, com apologia ao ter sobreposta ao ser, naturalmente sendo mais um vetor gerador de problemas econômico-sociais, onde fatalmente será requerido a intervenção do Estado.

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Do ponto de vista da fé católica, também é provado que hoje em dia as pessoas não acreditam em Deus. A pesquisa do P. Albano revelou que muitos católicos não acreditam em Deus, ora motivado pela ausência de testemunho do corpo de fiéis, ora pela subordinação à prioridade mundana. Ainda como argumento de reforço desta mesma pesquisa foi afirmado que: não se buscava o amor em Cristo de maneira verdadeira; por exercer uma fé que lhes convinha; Deus falava através de outras pessoas e isto confundia e afastava a fé. Foi salientado ainda que Deus não se capta nos computadores e que é lembrado apenas quando o católico passa por risco de morte. E finalmente, por Deus não forçar ao homem nEle crer, dando-lhe o livre arbítrio de segui-lO ou não. No trabalho de Eder Hez, o caráter foi mais abrangente na prova da existência de Deus para que as pessoas cressem. Esse afirma que em todas as culturas do mundo, as pessoas vêm sendo convencidas de que há um Deus. Deus este soberano para desenhar o Universo perfeito em sua formação, bem como a Terra, a água e o cérebro humano. O mero ―acaso‖ não é uma explicação adequada para a perfeita orientação para a vida, tal como a noção de certo/errado não faz parte do mundo biológico. Deus se revela mais que a natureza, tal que, mostrou-se através da Bíblia, com revelações explícitas em Jesus. Só há caos quando há existência. Apesar de existirem argumentos contra e a favor da existência de Deus (e de ―deus‖ ou de ―deuses‖ também) propostos por filósofos, existir ―Deus‖ apenas na mente é mais perfeito do que existir no material. Logo, Deus é perfeito. Assim, verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que os outros, mas todos menos perfeitos do que na mente. Como resultado, a perfeição absoluta não é resultante da interação de todas as coisas imperfeitas e nem do acaso, antes, de uma Inteligência perfeita e ordenadora, primante pela vida (existência), soberana e capaz de por ordem no caos para atingir o seu propósito. Há ainda quem atribua o sentido filosófico à vida, tal como o filósofo Harris, onde este afirma que não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade. Harris também declara que a fé morreu. Enquanto doutor em neurociência, postula que a Ciência da Moralidade vai a substituir a religião no papel de dizer o que é bom ou mal. Harris afirma catedraticamente que a tolerância a intolerância nada mais é do que covardia. Exemplifica com visão etnocêntrica sobre a religião, condenando todos os grupos religiosos a se submeterem, antes, ao crivo da Ciência da Moralidade para definir o que é certo ou errado, em nome do bem-estar social humano. Jamais da religião. Harris também defende que a Ciência da Moralidade seria uma ciência da mente humana e das variáveis que afetam a nossa experiência do mundo para o bem ou para o mal. Testifica ainda que o ―ensinamento de laboratório‖ tem a vantagem de não valer-se de dogmas, arcando com o ônus do etnocentrismo, em nome da idéia de que qualquer informação possa ser contestada de maneira sensata e honesta. O ápice desta idéia é centrada no indivíduo que deveria parar de acreditar em deuses, especialmente no Deus de Abraão. Outro reforço de que as pessoas não acreditam em Deus é a própria visão do atual ateu: afirma que não há um ―deus‖ em que a maioria das pessoas acreditem. É o ateu Maria-vai-com-as-outras. Também não acreditam em Deus, por ser complexo demais, os agnósticos. Principal razão: não se tem como provar que Deus existe e nem tampouco que Ele não exista, logo O ignoram. Há ainda os que acreditam em Deus via argumentos cosmológicos, de formação de primeira causa sobre todas as coisas. Não pela fé, mas pela contraditória aplicação de silogismos acerca da matéria e de corpos celestiais. Outros agnósticos, aplicando-se questionamento quanto a onipotência de Deus, assim o ignoram. Ora se Deus é tão grandioso assim, que deus o criou, então? Ou ainda, pelo paradoxo da pedra: Poderia Deus criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele pudesse levantá-la? Também há agnosticismo baseado no Argumento do Desígnio, onde se postula sobre a pluralidade de padrões e das relações entre estes na formação de todas as coisas. Segundo Albert Einstein, Deus não joga dados..., mas pela visão de Blaise Pascal Ele gosta de apostas. Pela postulação de Pascal, se apostar que Deus existe e nEle confiar, caso Deus exista, ganhou-se a aposta no alémtúmulo. Como também não há provas do prêmio, ficou-se subentendido o uso da fé como aposta tanto no nível de jogo, como no de prêmio. Ambos os níveis são também contestáveis pelos agnósticos. A conclusão que se chega é que independente das razões pessoais e/ou sociais do indivíduo ser: agnóstico, ateu, filósofo ou religioso hoje em dia, todos não acreditam em Deus da maneira como deveria ser: pela fé. Isto posto, constata-se o fato na pesquisa deste trabalho: Hoje em dia as pessoas não acreditam em Deus.

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Bibliografia

[EDH12] Também Falho. http://www.tambemfalho.com/2012/02/seis-razoes-para-crer-que-deus-existe.html. Eder Hez. 2012. [HOK83] Ateus.net. http://ateus.net/artigos/critica/ha-boas-razoes-para-acreditar-que-deus-existe. Howard Kahane. 1983. [IPS11] Introdução à Pesquisa Sociológica. http://Sociologiacemtn.blogspot.com.br/2011/04/apostila-pesquisasociologica.html. Prof. Rogério Póvoa. 2011. [MTP11] Revista Veja online. http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/nao-acreditar-em-deus-e-um-atalho-parafelicidade-diz-sam-harris. Marco Túlio Pires. 2011. [PAN09] O Perfume de Deus. http://operfumededeus.blogspot.com.br/2009/01/porque-que-muitos-noacreditam-em-deus.html. P. Albano Nogueira. 2009. [SOC13] Sociologia. Apostila. Seminário Teológico Dr. Pedro Tarsier. Pp. 13-18. Brasa PoA/RS. 2013. [TRB11] Trabalhos Feitos. http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Sociologia/61013.html. Yorrane. 2011. [WIK13] Wikipedia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia. Diversos autores. 2013. [YHR13] Hoje em dia as pessoas acreditam ou não em Deus? http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid= 20130804122906AABKDch. Site YahooRespostas. 2013.

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