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UNIVERSIDADE DE FORTALEZA CURSO DE DIREITO DISCIPLINA DE CIÊNCIA POLÍTICA ANA BARROS (9520796) MARCELO ALEXANDRE CARVALHO (1324414

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FICHAMENTO “A democracia moderna em Montesquieu, Locke e Rousseau” “Em O Espírito das Leis, Montesquieu observa que existem três tipos de governo: o republicano, o monárquico e o despótico, e, ainda, afirma ser o republicano o tipo de governo em que o povo possui o poder soberano.” “O autor afirma que, mesmo que na democracia a igualdade seja a alma do Estado, trata-se também de algo difícil e, por isso, não deve haver um rigor exagerado a respeito. É suficiente que se reduzam as diferenças até certo ponto.” “Preocupado com o radicalismo político com o qual esse conceito poderia ser tomado. Montesquieu, chama a atenção para os limites nos quais o tema da igualdade deve ser tratado: tanto a perda do espírito de igualdade como a defesa da igualdade extrema são prejudiciais à democracia”. “Nos termos do próprio autor: liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”; se um cidadão pudesse fazer tudo que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder”. “Partindo do pressuposto de que é necessário um controle externo para que os sistemas políticos funcionem a contento, Montesquieu propõe a criação de regra que busquem estabelecer limites aos detentores do poder- sem o que não há garantia de liberdade aos indivíduos. E a forma sugerida por Montesquieu é a divisão da esfera administrativa em três poderes: o poder legislativo, o poder executivo das coisas que dependem do direito das gentes e o executivo das que dependem do direito civil”. “Aliás, não caracteriza nenhuma negligência afirmar que um dos grandes esforços teóricos empreendidos por Locke, no Segundo tratado sobre o governo, concentra-se na busca da legitimação do processo de constituição da propriedade liberal-burguesa, em contraposição ao modelo feudal ou primitivo”. “Locke não teve dificuldade em considerar que o Estado era feito para proteger os interesses de um homem que, pelo seu próprio esforço, acumulou bens e propriedades”. “Todavia, por natureza, ele tem que preservar sua propriedade (a vida, a liberdade e os bens) contra danos e ataques de outros homens, bem como julgar e castigar as infrações da lei de natureza. A passagem do estado de natureza para a sociedade política ou civil, para Locke, dá-se quando os homens renunciam a esses poderes, passando-os à sociedade política”. “O tema da igualdade não fazia parte das preocupações teóricas e políticas de John Locke; no máximo, constava de seu vocabulário uma igualdade formal, que era importante para o capitalismo nascente.” “Refletia com bastante acuidade a ambivalência de uma sociedade burguesa emergente, que precisava de igualdade formal, mas exigia uma substancial desigualdade”.

ao comentar sobre o governo nas sociedades. também é a fonte da ruína da sociedade. por assim dizer.” “Todavia. Rousseau é defensor de um modelo de democracia que sempre se preocupa com a garantia da vontade geral. as dissensões e o tumulto. pois que não se poderá nunca supor seja vontade da sociedade que o legislativo possua o poder de destruir o que todos intentam assegurar-se entrando em sociedade (Id. aos quais ele deve aplicar-se. e o objetivo para o qual escolhem ou autorizam um poder legislativo é tornar possível a existência de leis e regras estabelecidas como guarda e proteção às propriedades de todos os membros da sociedade. . E argumenta: “A liberdade.:140)” “Visto que homem algum tem autoridade natural sobre seus semelhantes e que a força não produz nenhum direito. ib.” “Como se pode ver. Segundo Durkheim (1980:375). Rousseau. O que tem que se manifestar nessas assembléias é a vontade geral e não os longos debates. no final de seu Segundo tratado. buscando sempre o consenso.:127). obviamente. posicionado entre o povo e soberano” “Rousseau vê a existência de governos como uma espécie de mal em relação ao qual se deve estar sempre atento. que não significa a soma da vontade de todos. que são característicos dos interesses particulares”. Isto pode fazer com que o poder governamental supere o do povo. Rousseau o vê como um corpo intermediário no Estado. o conceito de liberdade defendido por Rousseau é totalmente oposto ao conceito de liberdade empregado pelos defensores do liberalismo. coloca os elementos fundamentais que fazem os contratantes abandonar a liberdade que tinham no estado de natureza e. só restam as convenções como base de toda autoridade legítima existente entre os homens” (Rousseau. Trata-se do intermediário entre o corpo político concebido como soberano e o corpo político como Estado e. aderir à sociedade política” “O motivo que leva os homens a entrarem em sociedade é a preservação da sociedade. até os dias atuais. o que seria a ruína do Estado social. que. porque a liberdade não pode subsistir sem ela” (Id. como atesta Laski (973:1101). 1999:61). Locke. isto é. porque qualquer dependência particular corresponde a outro tanto de força tomada do corpo do Estado. esses sistemas de leis devem ter como bens superiores dois objetivos principais: a liberdade e a igualdade. e a igualdade. Por isso é que ele defende a participação constante do conjunto das pessoas em assembléias. “Devido à importância das leis no sistema político pensado por Locke é que este atribui tanta importância ao poder legislativo”. ib. Por isso. era a maioria dos proprietários – em benefício dos quais o Estado havia sido criado”. por isso mesmo.” “Com relação ao governo. a fim de limitar o poder e moderar o domínio de cada parte e de cada membro da comunidade. afirma que o governo atenta constantemente contra a soberania. “O processo de elaboração das leis é concebido por Rousseau como o ato maior da soberania. não deve ser confundido com a vontade de todos. contra a vontade geral. é o princípio da maioria. A maioria a qual Locke se referia. em que pese ao papel que assume como uma espécie de mediador entre a vontade soberana e os súditos.“Uma dessas regras fundamentais para o funcionamento das instituições políticas nas democracias ocidentais modernas... “Como uma espécie de resumo de sua obra.