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TINGIMENTO NATURAL EM TECIDOS E PANO ASSADO NA CONFECÇÃO DE BONECAS
Tecidos tingidos, assados ou não, são utilizados para diferentes finalidades. O único objetivo, no entanto, é conseguir que o tecido tenha um aspecto de antigo, com as manchas características dos mesmos. A técnica de tingir naturalmente os tecidos é bastante complexa e varia de acordo com o tecido e materiais utilizados para tingir e para mordentar. Nesta apostila trabalharemos somente com tecidos de algodão, que precisam “proteinados” antes da tintura, e com a utilização de um fixador simples, o sal. ser

É importante salientar que o tingimento natural não deixará os tecidos com as mesmas cores vibrantes da tintura química. As cores conseguidas com esse processo são terrosas e bastante delicadas. Você nunca obterá cores idênticas porque as tonalidades variam de acordo com muitos fatores. Dentre eles, o PH do solo onde a planta foi semeada, a época da colheita da planta, a temperatura que o material é exposto, o tempo nesta temperatura, a quantidade de água, o mordente utilizado, etc. PASSO 1 Iniciamos deixando o tecido de molho em água e sabão neutro para retirar toda a goma existente. Troque a água pelo menos três vezes ao dia, até que saia todo o “encardido” da mesma. Lave o tecido e deixe secar à sombra. PASSO 2 Misture três colheres (sopa) cheias de leite de soja em pó em 1 litro de água morna e bata no liquidificador. Deixe o tecido de molho nessa mistura por 20 minutos. Este processo é importante para aderir a tintura. Deixe secar. PASSO 3 Para tingir o tecido você poderá usar os materiais indicados na tabela ou saquinhos de chá, água de beterraba, água de pinhão, cascas de cebola, etc. Para cada litro de água coloque cinco saquinhos de chá e uma colher (sobremesa) de sal. Aqueça a mistura no fogo até água ficar colorida. Mas se utilizar sementes, flores, frutos, cascas, folhas, etc é necessário que deixe na água fervendo por mais tempo (cerca de 30 minutos). Coe e só então misture uma colher (sobremesa) de sal. Em alguns casos, é necessário triturar a planta antes de ferver na água. PASSO 4 Coloque o tecido para ferver na mistura e deixe ao fogo por cerca de 20 minutos. Vire o tecido durante o cozimento para que a cor fique uniforme. Ao apagar o fogo verifique se o tecido está na tonalidade desejada. Se ainda não estiver, deixe-o esfriando sem retirá-lo da mistura. O resfriamento é o que determina o tom da tintura. Quanto mais esfriar, mais escuro ficará. Enxágue e deixe secar à sombra.

Se optar por utilizá-los no lugar do sal. Nesses casos. É isso que determina o desenho das manchas ou o efeito de pano assado. . E o sulfato de ferro deve ser diluído na proporção de ¼ de colher de sobremesa para 10 litros de água por ser altamente corrosivo. Já a soda cáustica e as cinzas da lareira ajudam a deixar as cores mais intensas. Isso retira a cera do giz e fixa o corante no tecido. Uma dica é escolher riscos com aparência mais primitiva já que estamos tentando reproduzir um trabalho antigo. tracejando para imitar o ponto atrás. Sobreponha um pedaço de papel toalha (ou qualquer outro papel absorvente) no desenho e passe com ferro bem quente (sem vapor). Este processo pode também ser feito ao sol nos dias mais quentes (neste caso não há risco do pano queimar). O alúmem de potássio ou sulfato de alumínio deixa as cores mais claras. O alúmem de potássio deve ser diluído na proporção de 1 colher de sopa para 10 litros de água. enquanto que o sulfato de cobre “puxa” o tom esverdeado. Como são processos mais trabalhosos. trabalhe sempre com luvas descartáveis e evite inspirar muito perto da mistura. Se o tecido secar antes de manchar respingue mais mistura. Pinte novamente. PASSO 5 (opcional) Ajeite numa forma o tecido ainda molhado do tingimento. reforçando as cores e fazendo as sombras.É IMPORTANTE SABER Apesar de o sal ser um mordente funcional muito prático. Essa operação de pintar e passar deve ser repetida várias vezes até obter um resultado satisfatório. Observe para não queimar. O sulfato de ferro deixa as cores mais amarronzadas. Respingue um pouco mais da mistura do tingimento por cima do tecido e coloque no forno pré-aquecido. Pode-se também utilizar a urina de vaca para fixar as cores nos tecidos. muitas pessoas utilizam outros fixadores. deve-se redobrar o cuidado com esses mordentes. Cada qual tende a pigmentar o tecido em uma cor. Cuide para que o tecido fique enrugado. mas há milhares de outras plantas capazes de nos fornecer corantes ótimos. Cada mordente tem uma diluição específica. no microondas ou no forno elétrico (muito mais rápido). Você precisará de tempo para fazer as experiências e testar o que consegue com cada uma delas. Sobreponha com papel toalha/absorvente e passe com o ferro (sem vapor) novamente. Na tabela damos alguns exemplos de cores que podem ser conseguidas. O sulfato de cobre deve ser diluído na proporção de ½ colher de sobremesa para 10 litros de água. mas não torcido. E também não esqueça que há múltiplos fatores que interferem nas tonalidades. PASSO 6 (opcional) Transfira um desenho para o tecido e pinte-o com giz de cera. É possível conseguir diferentes cores utilizando diversas partes de uma mesma planta. tinja o tecido normalmente e depois de tirar o tecido da mistura e de lavá-lo deixe-o de molho por cerca de 30 minutos na solução do mordente. Contorne com bordado ou com caneta permanente.

TABELA DE MATERIAIS E CORES PARA TINGIMENTO VERMELHO Planta Azedinha-da-horta Cedro rosa Cipó de imbé Côco Cochonilha Gardênia Ipê Nogueira Peroba-rosa Pau-brasil Ruivinha Sangra d'água Nome científico Rumex acetosa Cedrela fissilis Philodendrum sp Cocos nucifera Dactylopius coccus Gradenia grandeflora Tabebuia sp Juglans regia Aspidosperma polyneuron Caesalpinia echinata Relbunium hypocarpium Croton urucurana Época colheita ano todo ano todo ano todo ano todo -ano todo ano todo janeiro/fevereiro ano todo ano todo ano todo ano todo Onde encontrar cultivada espontâneo espontâneo cultivado deserto cultivada cultivado cultivada espontânea cultivado espontânea espontânea Parte para extração raiz serragem do cerne caule fibra do fruto inseto todo fruto serragem do cerne casca serragem do cerne serragem do cerne raiz seiva da casca de árvore adulta VERDE Planta Castanheiro Castanheir-daíndia Espinafre Malva Sabugueiro Nome científico Castanea sativa Aesculus hippocastanum Spinacea oleracea Malva silvestres Sambucus nigra Época colheita setembro/outubro janeiro/fevereiro ano todo janeiro/fevereiro ano todo Onde encontrar cultivado cultivado cultivado cultivada cultivado Parte para extração folhas folhas folhas toda a planta fruto e folha PRETO Planta Caraposo Murici-da-mata Tinteira Nome científico Ludwigia caparosa Byrsonima crispa Coccoloba excelsa Época colheita ano todo ano todo ano todo Onde encontrar subespontânea espontâneo espontânea Parte para extração casca casca galhos VERDE OLIVA Planta Loureiro Castanheiro Nogueira Língua-de-vaca Erva-mate Eucalipto Nome científico Laurus nobilis Castanea sativa Juglans regia Rumex obtusifolius Ilex paraguarienses Eucalyptus spp Época colheita ano todo setembro/outubro janeiro/fevereiro primavera ano todo ano todo Onde encontrar cultivado cultivado cultivada campo cultivada cultivado Parte para extração folhas folhas folhas folhas folhas folhas .

MARROM AVERMELHADO Planta Acácia negra Angico Barbatimão Cajueiro Castanheiro da Índia Cerejeira Resedá (Henna) Nogueira Nome científico Acacia mearsii Anadenanthera sp Stryphnodendrun barbadetiman Anacardium occidentale Aesculus hippocastaneum Prunus avium Lawsonia inermis Juglans regia Época colheita março ano todo ano todo ano todo janeiro/fevereiro inverno ano todo janeiro/fevereiro Onde encontrar cultivada cultivado espontâneo espontâneo cultivado cultivada cultivada cultivada Parte para extração casca casca casca casca e folha casca casca folha casca CINZA Planta Palmeira de jardim Cerejeira Castanheiro-daÍndia Erva-dePassarinho Erva-doce Picão Nome científico Areca catechu Prunus sp Aesculus hippocastaneum várias espécies Ilex paraguariensis Bidens pilosa Época colheita ano todo inverno janeiro/fevereiro ano todo ano todo ano todo Onde encontrar cultivada cultivada cultivado em árvores cultivada cultivado Parte para extração casca e folha inteira casca folhas toda a planta folhas toda a planta LARANJA Planta Côco Girassol Resedá (henna) Urucum Nome científico Cocos nucifera Helianthus annuus Lawsonia inermis Bixa orellana Época colheita ano todo janeiro/fevereiro ano todo primavera Onde encontrar cultivado cultivado cultivada cultivado Parte para extração fibra do fruto flor folhas sementes CASTANHO Planta Castanheiro Cafeeiro Cerejeira Castanheiro-daíndia Imbuia Nome científico Castanea sativa Coffea arabica Prunus avium Aesculus huppocastaneum Ocotea porosa Época colheita outubro/novembro primavera/verão inverno janeiro/fevereiro ano todo Onde encontrar cultivado cultivado cultivada cultivado espontânea Parte para extração folhas pó de semente seca casca folhas serragem do cerne AZUL Planta Anileira Arruda brava Timbó mirim Nome científico Indigofera tinctoria Eupatorium laevis Indigofera lespedezioides Época colheita primavera ano todo ano todo Onde encontrar campo espontânea espontâneo Parte para extração pó e folhas folhas folhas .

com.AMARELO OU DOURADO Planta Abacateiro Açafrão-da-terra Arnica Amoreira Calêndula Camomila Carqueja Castanheiro da Índia Cebola Chá da Índia Eucalipto Figueira Jaqueira Barba de candeia Nogueira Macieira Pessegueiro Pereira Quaresminha Taiúva Nome científico Persea amareicana Curcuma longa Arnica montana Morus sp Calendula oficinalis Anthemis catula Baccharis sp Aesculus hippocastaneum Allium cepa Camelia thea Eucalyptus spp Fucis carica Artocarpus heterophyla Usnea sp Juglans regia Pyrus malus Prunus sp Pyrus communis Trembleya phlogiformes Maclura tinctoria Onde encontrar ano todo cultivado ano todo subespontâneo ano todo cultivada primavera/verão cultivada primavera/verão cultivada verão cultivada primavera/verão mato Época colheita abril/maio outono/inverno ano todo ano todo ano todo ano todo ano todo primavera/verão ano todo primavera/outono ano todo ano todo primavera cultivado cultivada cultivado cultivado cultivado cultivada cercas cultivada cultivada cultivado cultivada espontânea cultivada Parte para extração folhas rizoma raiz. folha e flores folhas flores folhas folhas casca casca folhas serragem do cerne folhas serragem do cerne todo o líquen folhas casca casca casca galhos e folhas serragem do cerne CAQUI Planta Caquizeiro Romãzeira Picão Jabuticabeira Cafeeiro Mangueira Nome científico Diospyros kaki Punica granatum Bidens pilosa Plinia trunciflora Coffea arabica Mangifera indica Época colheita outono verão primavera verão ano todo primavera/verão Onde encontrar cultivado cultivada cultivado cultivada cultivado cultivada Parte para extração fruto casca e fruto planta e semente casca e fruto semente moída casca do fruto VIOLETA Planta Jenipapeiro Mancha-vermelha Pau-campeche Pinheiro-doParaná Nome científico Genipa americana Herpothalon sp Haematoxylon campechianum Araucaria angustifolia Época colheita verão ano todo verão ano todo Onde encontrar cultivado lugares úmidos cultivado espontâneo Parte para extração fruto todo o líquen serragem do cerne casca e fruto Dani Fressato .br contato@danifressato.craft design & photography www.danifressato.com.br .