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TÓPICOS AVANÇADOS EM ECONOMIA PROFESSOR RUI RONALD ALUNO: OSCAR MAGNO CAETAO MATR: 11210079

RESENHA JOSÉ ROBERTO RODRIGUES AFONSO KEYNES, CRISE E POLÍTICA FISCAL

Com a crise financeira de 2008, Keynes e sua teoria voltaram à cena para explicar o que tal crise poderia significar. O livro se propõe a tornar a teoria keynesiana mais significativa e de fácil acompanhamento, o mesmo a dividiria em torno de dois cortes conceituais presentes em contextos distintos um do outro: o primeiro nos apresentaria como o Estado deveria agir de forma a evitar que a crise tivesse nova vida no futuro; já o segundo trataria da política fiscal que dá resposta à crise. Quanto ao primeiro corte conceitual, ou seja, quanto à ação do governo mediante um panorama de crise econômica, o autor inicialmente nos informa que Keynes defendia que o fato da economia oscilar entre tempos de expansão e depressão poderia causar um rompimento do estado de confiança dos agentes econômicos, os levando a retroceder em suas expectativas de retorno do investimento e da sua produção. Neste contexto, o Governo deveria atuar de forma a manter tais expectativas em seu estado natural, e o modo pelo qual ele faria isso seria através de uma política fiscal que objetivasse complementar demandas. Em um panorama de aumento de incertezas e rompimento das

os empresários deixariam de acreditar na eficiência do capital e. portanto. e não pelo aumento de tributos. segundo o autor. consequentemente. sejam ele úteis (gastos com . A partir de então. ou seja. A atuação do Estado em frente a este contexto dá-se de maneira mais eficiente por meio de uma política fiscal de aumento de gastos. provocando assim um colapso do cálculo capitalista. Keynes defendia que o único meio pelo qual se combateria uma crise seria através de um socorro fiscal em margem suficiente para reverter as expectativas empresariais. Diante do então apresentado no parágrafo acima. largariam seus investimentos neste mercado. o que em consequência levaria a uma elevação da preferência pela liquidez. pois assim o problema estaria sendo resolvido em duas frentes: primeiro porque o gasto público contrabalancearia a diminuição do investimento privado e segundo porque o financiamento deste por meio da venda de títulos permitiria atender a maior demanda por ativos mais líquidos. De começo. o gasto público poderia ser realizado em qualquer formato.expectativas empresariais. acentuando a Crise. o aumento do gasto público deveria ser financiado por meio de um maior endividamento através da emissão de títulos pelo Tesouro. o autor começa a se preocupar com o estudo de Keynes acerca da resposta fiscal em tempos de crise. Em tal meio. Quando em crise. Diante disto. necessário saber que em tempos de Crise duas situações simultâneas e bem adversas nos são apresentadas: diminui-se a demanda por ativos reais em detrimento do aumento da demanda por ativos líquidos. em um panorama de Crise. diante da instalação de uma Crise. ou seja. a política monetária (que atuava em cima dos juros) pouco contribuiria para o retorno da normalidade e. a tendência será que empresários retraiam seus investimentos. seria necessário que se implementasse uma firme política fiscal. a incerteza assolaria a massa empresarial. faz necessário elucidar questões tais como: de que maneira o governo deveria gastar diante de uma crise? Como seria realizado o financiamento destes gastos? E como se daria a retirada da ação governamental a partir do momento em que a Crise fosse solucionada? De acordo com Afonso. Portanto.

pois só assim seria enfrentada a ruptura das expectativas empresariais. é possível que se faça a interpretação de que os tributos em tempos de estabilidade econômica tomaria parte da importância . o autor nos relata que Keynes inferia não somente que o governo deveria elevar seus gastos. especificamente. gastos que nada acrescentam ao capital social. mas sim que o governo gastasse mais. e isso se daria por meio de dois motivos: primeiro porque era necessário que equacionar o problema da preferência pela liquidez e também porque se estes fossem financiados pelo aumento da arrecadação tributária. Quanto à maneira pela qual seria realizado tais gastos.investimentos) ou “inúteis”. Justificada está a dificuldade da decisão de recuo do aporte governamental. gastos se deixados nas mãos dos agentes. não importava a natureza do gasto realizado pelo governo. Quanto ao primeiro instrumento. A defesa do endividamento público como forma de financiar a expansão do gasto público poderia ter como consequência a elevação da dívida pública a um ponto onde o investidor passaria a desconfiar da capacidade do governo em saldar seus compromissos. No entanto. pois neste contexto a elevação de tais gastos à custa do aumento da carga tributária teria um impacto negativo sobre a demanda agregada. necessário que fosse pensada a melhor estratégia de recuo governamental diante de questionamentos acerca do nível de endividamento. o autor também identifica que Keynes defendia tal endividamento como forma de financiar o aumento dos gastos públicos apenas para períodos de Crise. que tratava da questão de como evitar que a Crise venha a se repetir no futuro e. importante atentar para o detalhe que a inutilidade dos gastos só seria utilizada como um meio somente se não fosse possível uma solução melhor. mas que esse aumentos dos gastos fosse financiado através de um maior endividamento. pois estes recaem em grande parte dos fundos que haverão de ser realizados. em meio a uma situação de Crise. Deste ponto em diante o autor começa por abordar o segundo ponto conceitual. portanto. O que aqui deve ser levado em conta. Todavia. isto é. um debate sobre a dívida também se constituía como componente da análise de saída e. qual seria o papel do Governo neste contexto. é que o autor prega que para Keynes. No entanto. ou seja.

percebe-se neste que Keynes não mais defende o gasto pelo gasto. Pela justificativa financeira. nem para a estabilização dos investimentos em geral. pois mesmo Keynes nos havia ensinado que a expressão máxima do capitalismo era a financeira. em tempos de paz econômica há de existir uma diferenciação na natureza do gasto.que os gastos públicos teriam em tempos de Crise. A utopia aqui se fazia presente. dado que as políticas fiscais que visavam elevações no consumo não davam suporte nem para o problema da preferência pela liquidez. a importância dada aos investimentos governamentais era no sentido de que estes constituíam na melhor medida econômica para o controle das oscilações na economia. a preferência pelo investimento público se daria por meio do seu retorno financeiro que o mesmo poderia vir a trazer. nota-se que para Keynes a política fiscal deveria ser ditada de forma diferente em panoramas diferentes. impostos progressivos (que oneram mais quem recebe elevadas quantias e menos quem recebe pouco) redistribuiriam renda de forma a fomentar a propensão a consumir e. a demanda na economia. pois seria importante que no longo prazo a economia apresenta-se um amplo aporte de capital. No que se refere ao segundo instrumento. Da justificativa física. consequentemente. Percebe-se então o caráter econômico (elevação do consumo) e social (redistribuição de renda) do manejo da tributação. Com o então apresentado por José Roberto Rodrigues Afonso. . ou seja. isto porque o manejo da tributação apresentava um caráter econômico e social. Quanto à justificativa macroeconômica. a importância que se realizasse gastos públicos em investimentos era traduzida através de seu impacto no estoque de capital da economia. O processo se daria da seguinte maneira: dado que a propensão a consumir dependia da renda.