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ARQUITETURA DA ESTRUTURA. A arquitetura da estrutura é o desenho do sistema que será calculado.

Trata-se de desenhar sistemas estaticamente equilibráveis, com geometria sutil, que não prejudique a expectativa das formas do projeto arquitet nico e sobre tudo, sejam perfeitamente funcionais ao fim a que se destinam. !e"as estruturais # $ão corpos constitu%dos de qualquer material s&lido, com capacidade de receber e transmitir cargas. $istemas estruturais # $ão as estruturas propriamente ditas, são o conjunto de pe"as estruturais dispostas de maneira estratégica de modo a ter capacidade de receber as cargas exteriores e ir transmitindo pe"a a pe"a até que cheguem ' Terra, que é o apoio final e definitivamente equilibrante. (ou ilustrar esta conversa com exemplos conforme segue) *x. +) A estrutura m%nima de uma edifica"ão)

*x. ,) -aso real que atende as condi".es de equil%brio estático porem com um desenho que prejudica a sutile/a da estética.

*x. 0) -aso real em que as lajes tem borda livre sem as pontas de viges aparentes.

1bservar a sutile/a deste caso de lajes com bordos livres A arquitetura da estrutura, além da estética, visa encontrar solu".es para as quest.es estruturais. *x. 2) (ejamos agora um exemplo estritamente estrutural, com a precau"ão de não agredir o desenho arquitet nico do im&vel 3caso real4.

1 desenho é um trecho da planta de f rma da edifica"ão usada neste exemplo. As sapatas exc5ntricas e os pilares fa/em parte do projeto estrutural original da edifica"ão. Aconteceu uma fratura no calcanhar da sapata 3liga"ão entre o pilar e a sapata4. A arquitetura da estrutura de refor"o consistiu na introdu"ão das estacas mega e da travessa de concreto armado.

6etalhe da sapata exc5ntrica e marca"ão da linha de fratura.

A viga travessa realmente passa por dentro do pilar7 8ecebe a carga do pilar e transmite para as estacas mega. As estacas mega, transmitem a carga da travessa para o solo liberando a fun"ão das sapatas exc5ntricas. 1 refor"o, não agride a arquitetura do im&vel porque resulta embutido totalmente na parede.

-oncluindo) 9esse primeiro encontro a inten"ão foi basicamente definir o termo arquitetura da estrutura. 9os pr&ximos encontros, vamos conversar sobre) 1 risco de se aplicar a sapata exc5ntrica, sobre o detalhamento correto da mesma, os detalhes construtivos do exemplo 2 e sobre a utili/a"ão da estaca mega.

Instabilidade e efeito de 2ª ordem.
(amos tratar neste post a instabilidade e o efeito de ,: ordem global. ;asicamente, estes efeitos estão ligados a flexibilidade das estruturas. $ão controlados através de par<metros como =ɣ/=, =>= e o cálculo dos deslocamentos do topo da edifica"ão, 1 descontrole destes par<metros tem duas importantes consequ5ncias) +- A desconsidera"ão de cargas que podem alcan"ar uma magnitude tal, podendo levar uma edifica"ão a ru%na. ,- 6esconfortos causados por deforma".es excessivas, tais como fissuras, descolamento de rebocos e revestimentos de fachadas, rompimento de instala".es e va/amentos e etc. A 9orma 9;8 ?++@-,AA0 no seu cap%tulo +B trata especificamente deste tema e no item +B., o conceitua assim) C*feitos de ,: ordem são aqueles que se somam aos obtidos numa análise de primeira ordem 3em que o equil%brio da estrutura é estudado na configura"ão geométrica inicial4, quando a análise do equil%brio passa a ser efetuada considerando a configura"ão deformada.D A verifica"ão da estabilidade global visa garantir a seguran"a da estrutura perante o *stado Eimite Fltimo de Gnstabilidade. (amos fa/er algumas analogias muito simples. !rimeiramente, para entendermos de forma simplificada os efeitos de +: ordem e os de ,: ordem.
Gmaginem um pilar engastado na base, com uma carga centrada aplicada no seu topo, em seguida, vamos aplicar uma carga hori/ontal também no topo, de tal forma que esta carga gerará um Cmomento fletorD de engstamento na base. A estrutura irá deformar e este é o efeito de primeira ordem. $igam a ilustra"ão a seguir.

!orem, ap&s a deforma"ão inicial, com as mesmas cargas solicitantes sobre a estrutura agora deformada, aparecerá um momento de segunda ordem, resultante do carregamento multiplicado pela dist<ncia deformada.

Haverá então um processo cont%nuo, que cessará quando o acréscimo de deforma"ão tender a /ero. -aso não haja esta converg5ncia a estrutura será considerada instável, imposs%vel de se estabili/ar.

A 9;8 ?++@-,AA0 cap%tulo +B item +B.B descreve sobre a dispensa da considera"ão dos esfor"os globais de ,: ordem. Atualmente é consenso na classe de calculistas utili/ar o processo descrito no item +B.B.0, que apresenta a formula"ão do cálculo do coeficiente ɣ/. 1 coeficiente ɣ/, permite avaliar a magnitude dos efeitos de ,: ordem sobre os efeitos de +: ordem. 1 calculo do ɣ/ deverá ser efetuado para cada caso de carregamento de vento. A mesma norma recomenda que) $e ɣ/ I +,+ , considera-se que a estrutura é de n&s fixos e pode-se desconsiderar o efeito de ,: ordem. $e +,+I ɣ/ I +,0 , deve-se aplicar os efeitos de segunda ordem no cálculo da estrutura. $e ɣ/ J +,0 , a estrutura deve ser considerada instável. 9o cálculo das edifica".es, os projetistas de estruturas utili/am dois processos para dimensionar as pe"as estruturais com o efeito de ,: ordem. Através do cálculo do !K, processo interativo, onde o sistema irá calcular o p&rtico espacial 3o edif%cio4 diversas ve/es, até que as deforma".es tendam a /ero, dimensionando as pe"as estruturais para a resultante final desta estrutura deformada. 1u através da majora"ão dos esfor"os pelo valor do ɣ/. Ambos os processos dão resultados excelentes e muito pr&ximos. (amos fa/er outra analogia para entender melhor como essa análise influencia nas pe"as estruturais de uma edifica"ão) Gmaginem agora uma mesa com o tampo em compensado com chapa de +Amm de espessura 3a laje4. 1s pés desta mesa serão formados por quatro ripas de madeira branca 3os pilares4.
*sta mesa fica em pé, mas ao aplicar uma for"a lateral ela tombará com certa facilidade.

Gsto é uma estrutura com pouca estabilidade global, muito sujeita aos efeitos de ,: ordem.

!ara esta mesa ficar segura, poderemos trocar o tampo e os pés por um material mais resistente, por exemplo uma madeira de lei ou a"o. Aumentando a resist5ncia das pe"as estruturais. *m analogia, o ɣ/ fa/ isso, pois ao majorar os esfor"os nas pe"as, dimensionaremos as mesmas com mais a"o. Las, e se a instabilidade for muito altaM ;om, se n&s colocássemos uma tábua contornando os pés, fa/endo um percintamento 3as vigas4 na altura do tampo 3a laje4 e trocássemos os pés de ripa por uma pe"a de madeira 3pilares maiores4, de tal forma que a mesa ficará bem mais robusta e r%gida e ao aplicar a mesma for"a lateral ela terá uma resist5ncia maior ' solicita"ão do carregamento. *ste é o caso de quando o ɣ/ ultrapassa o limite de +,0 e precisamos então enrijecer a estrutura. !ara isso muitas ve/es precisamos criar p&rticos ligando os pilares com vigas, aumentar as se".es de vigas e pilares, ou criar pilares com se".es em CED, CND, =T= e etc. -onclusão) Ouando calculamos uma edifica"ão, verificamos a estabilidade global e os efeitos de ,: ordem na estrutura. *sta verifica"ão poderá gerar um majorador dos esfor"os de primeira ordem que resultará numa estrutura até 0AP mais resistente, preparando-a para o acréscimo de esfor"os que poderá vir a existir. $e esta estrutura estiver exageradamente instável, deveremos mudar a concep"ão estrutural eQou aumentar as se".es das pe"as estruturais, de tal forma teremos uma estrutura mais estável e resistente. (ale salientar que qualquer edifica"ão deve ter esta análise, mesmo as de pequeno porte.

SAPATA EXC !TRICA Trata-se de uma estrutura de funda".es de utili/a"ão bastante restrita. Temos trabalhado em muitos casos de insucesso, que exigiram procedimentos de refor"o. As causas mais comuns que temos observado são) a4 *scava".es vi/inhas pr&ximas ao calcanhar. b4 Rrande sensibilidade a qualquer va/amento de aguas na área de entorno. c4 *rro no detalhamento da armadura. d4 *rro na geometria do posicionamento do pilar em rela"ão a sapata. e4 Salta de um atirantamento para compor o equil%brio externo. !elo exposto, fica para o engenheiro a responsabilidade de escolher a sapata exc5ntrica somente para casos que lhe pare"am adequados para a utili/ar o sistema. 9ormalmente para obras de pequeno porte e respeitando as condi".es de detalhamento e equil%brio estrutural. A mais antiga e eficiente sapata exc5ntrica que se tem conhecimento é o pé humano. (amos, portanto, nos basear nela para definir nosso modelo e como pode ser usado nas constru".es.

!rimeira observa"ão) a dimensão Hs da sapata é semelhante a dimensão Hp do pilar, acompanhem as figuras a seguir)

*ste erro caracteri/a uma anomalia geométrica de posicionamento do pilar em rela"ão a sapata.

(oltando ao nosso modelo 3o pé humano4, vamos observar como deve ser a arma"ão da sapata.

$egunda observa"ão) mTsculos e tend.es formam um refor"o cont%nuo que liga a perna 3nosso pilar4 e o pé 3nossa sapata4.

(amos agora abrir um par5ntesis para tecer alguns comentários) + # Temos visto poucos casos de utili/a"ão da sapata exc5ntrica em obras novas. U em reformas que encontramos maior aplica"ão deste tipo de funda"ão. 1s casos mais comuns são os refor"os de paredes limites de pequenas constru".es, nas quais a ra/ão mais comum é a opera"ão para aumentar pavimentos. (amos ver o caso que foi mostrado como modelo de arequtetura estrutural no nosso encontro +.

, # 9ão devemos mais fa/er sapatas 3excentricas ou não4, com o formato chanfrado)

U assim o modelo que vemos apresentado na literatura e nos programas de cálculo e dimensionamento de estruturas de concreto armado. *ste é um formato antigo, que acompanha o nosso modelo fundamental que é o pé humano. *ste procedimento visa economi/ar concreto, posto que os esfor"os máximos ocorrem no calcanhar e atingem o /ero na outra ponta.

Acontece que no passado o atual ScV era um valor bastante redu/ido em rela"ão a resist5ncia do concreto de hoje. !ara mostrar este fato, lembro que quando come"amos a calcular a resist5ncia comum para o concreto era o que se chamava de tensão de ruptura e o valor t%pico era WA XgfQcm, 3W L!a4. !ara atingir a resist5ncia utili/ada hoje, é fundamental que o concreto, seja eficientemente adensado, dif%cil tarefa para operacionali/ar com a superf%cie livre inclinada.

Sicaremos hoje por aqui. 9o pr&ximo encontro, vamos sair um pouco da arquitetura da estrutura e trabalhar no calculo e equil%brio da sapata.