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Trabalho e gênero no Brasil...

TRABALHO E GÊNERO NO BRASIL NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS
MARIA CRISTINA ARANHA BRUSCHINI
Fundação Carlos Chagas, Grupo de Pesquisas Socialização de Gênero e Raça cbrusch@fcc.org.br

RESUMO
Panorama da situação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, com base em estatísticas oficiais, como as do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério da Educação, o texto destaca algumas das principais tendências da inserção laboral das brasileiras, que é marcada por progressos e atrasos. De um lado, a intensidade e a constância do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, que tem ocorrido desde a metade dos anos 1970, de outro, o elevado desemprego das mulheres e a má qualidade do emprego feminino; de um lado, o acesso a carreiras e profissões de prestígio e a cargos de gerência e mesmo diretoria, por parte de mulheres escolarizadas, de outro, o predomínio do trabalho feminino em atividades precárias e informais. O perfil atual das trabalhadoras: mais velhas, casadas e mães revela uma nova identidade feminina, voltada tanto para o trabalho como para a família. A permanência da responsabilidade feminina pelos afazeres domésticos e cuidados com os filhos e outros familiares indica a continuidade de modelos familiares tradicionais, que sobrecarregam as novas trabalhadoras, sobretudo as que são mães de filhos pequenos. TRABALHO – GÊNERO – MULHERES – BRASIL

ABSTRACT
WORK AND GENDER IN BRAZIL IN THE LAST TEN YEARS. Based on official statistics of institutions such as the Brazilian Institute of Geography and Statistics, the Ministry of Labor and Employment, and the Ministry of Education, the paper highlights some of the main trends in the participation of Brazilian women in the labor market, which has been marked by progress and challenges.On the one hand, the massive and steady increase of female participation in the labor market, since the mid-seventies, and on the other hand, the prevalence of high unemployment rates among women and the lower quality of female jobs; on the one hand, the access to prestige careers and jobs, and to management and board positions, and on the other hand, the prevalence

Texto preparado para apresentação no Seminário Internacional Gênero e Trabalho, na Fundação Carlos Chagas – Mage/FCC –, realizado no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), de 2 a 12 de abril de 2007. Colaboração de Cristiano Miglioranza e Arlene Martinez Ricoldi, assistentes de pesquisa da FCC.

set./dez. 2007 Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 537-572, set./dez. 2007

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of female presence in precarious and informal activities. The profile of female workers: older, married, with children displays a new female identity, both work- and family-oriented. The perpetuation of the notion of female responsibility for household chores as well as for child and family care indicates the persistence of traditional family models, which constitute a burden to female workers, especially to mothers of small children. LABOUR – GENDER – WOMEN – BRAZIL

Este texto traça um panorama da situação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro desde a última década do século XX até os primeiros anos do novo milênio (2005). Com base em estatísticas oficiais1, destaca algumas das principais tendências da inserção laboral das brasileiras, que é marcada por progressos e atrasos. De um lado, a intensidade e a constância do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, que tem ocorrido desde a metade dos anos 1970, de outro, o elevado desemprego das mulheres e a má qualidade do trabalho feminino; de um lado a conquista de bons empregos, o acesso a carreiras e profissões de prestígio e a cargos de gerência e mesmo diretoria, por parte de mulheres escolarizadas, de outro, o predomínio do trabalho feminino em atividades precárias e informais. Em relação ao perfil das trabalhadoras, de um lado elas se tornam mais velhas, casadas e mães – o que revela uma nova identidade feminina, voltada tanto para o trabalho quanto para a família –, de outro, permanecem as responsabilidades das mulheres pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e outros familiares – o que indica a continuidade de modelos familiares tradicionais, que sobrecarregam as novas trabalhadoras, principalmente as que são mães de filhos pequenos, em virtude do tempo consumido em seus cuidados, como analisamos em artigo recente sobre o trabalho doméstico (Bruschini, 2006). O texto apresenta, na primeira parte, dados gerais que demonstram o crescimento da presença feminina no mercado de trabalho brasileiro, no período considerado, assim como as principais características dessa nova força de

1. Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios – PNAD –, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE –, Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE –, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas – Inep –, do Ministério da Educação – MEC – e outras.

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trabalho. Na segunda, é dado destaque a áreas, como a educação, e a ocupações e profissões nas quais as mulheres e as trabalhadoras tiveram considerável progresso no período 1993-2005; na terceira, destacam-se, em oposição, questões concernentes ao trabalho feminino em relação às quais as mulheres tiveram pouco ou nenhum progresso. DADOS GERAIS E PERFIL DA FORÇA DE TRABALHO FEMININA A primeira questão a destacar é a intensidade e constância do crescimento da atividade feminina. Nesse caso, os indicadores para o Brasil revelam que, no período considerado, a População Economicamente Ativa – PEA2 – feminina passou de 28 para 41,7 milhões, a taxa de atividade aumentou de 47% para 53% e a porcentagem de mulheres no conjunto de trabalhadores foi de 39,6% para 43,5%. Isto significa que mais da metade da população feminina em idade ativa trabalhou ou procurou trabalho em 2005 e que mais de 40 em cada 100 trabalhadores eram do sexo feminino, na mesma data. Apesar do considerável avanço, no entanto, as mulheres ainda estão longe de atingir, seja as taxas masculinas de atividade, superiores a 70%, seja o número de ocupados ou de empregados3, nessa data, como se pode constatar também na tabela 1. Nas últimas décadas do século XX, o país passou por importantes transformações demográficas, culturais e sociais que tiveram grande impacto sobre o aumento do trabalho feminino. No primeiro caso, podem ser citados: a queda da taxa de fecundidade, sobretudo nas cidades e nas regiões mais desenvolvidas do país, até atingir 2,1 filhos por mulher em 2005 (FIBGE, 2006, p.50); a redução no tamanho das famílias que, em 2005, passaram a ser compostas por apenas 3,2 pessoas, em média, enquanto em 1992 tinham 3,7 (FIBGE, 2006,

2. Segundo classificação do IBGE, que realiza o Censo Demográfico, as Pesquisas Domiciliares Anuais e outras pesquisas oficiais, a População Economicamente Ativa inclui os ocupados e os desocupados. Os ocupados são aqueles que estão empregados, no setor formal ou no informal, enquanto os desocupados são aqueles à procura de emprego na ocasião da pesquisa. Já a População Economicamente Inativa inclui os aposentados, os que estão em asilos, os estudantes, os que vivem de renda e os/as que cuidam de afazeres domésticos. 3. A denominação empregados inclui: empregados com carteira assinada, sem carteira, sem declaração de carteira, militares e funcionários públicos estatutários. Não inclui empregados domésticos.

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7 Taxa de atividade 47.8 30.8 54. o envelhecimento da população. 2006. Além dessas transformações demográficas.26) e.4 (Milhões) Empregados * % de homens entre os empregados 68. gráf.8 36.4 56. conseqüentemente.5 % de mulheres na PEA 39.0 53. 2004.2 63. a tendência demográfica mais significativa. 2006.0 42. set. 1993 E 2005 Mulheres PEA Anos (Milhões) 28 41. v. gráf. mudanças nos padrões culturais e nos valores relativos ao papel social da mulher alteraram a identidade 4.0 % de homens na PEA 60.6 1993 2005 1993 2005 Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados. p. 5. e. p.9 36.0 74. chegam a 30.1 17.1). que tem ocorrido desde 1980.5 50. com maior expectativa de vida ao nascer para as mulheres (75. 37.1 11.0 57. p. a sobrepresença feminina na população idosa. a qual incorpora a ampla literatura sobre o tema. 2007 . n. que é o crescimento acentuado de arranjos familiares4 chefiados por mulheres os quais.163.5 (Milhões) Empregadas * % de mulheres entre os empregados 31.5 Ocupadas % de mulheres (Milhões) 25.6% do total das famílias brasileiras residentes em domicílios particulares (FIBGE. 5.163. 540 Cadernos de Pesquisa.4 entre os ocupados 39.0 PEA Anos (Milhões) 42. Segundo a mais recente terminologia adotada pelo IBGE. dependência doméstica ou normas de convivência. residente na mesma unidade domiciliar.6 43.398). * Exclusive empregados domésticos. “família ou arranjo familiar é o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco.9 anos) (FIBGE.4 entre os ocupados 61.6 Homens Ocupados % de homens (Milhões) 40. em 2005. 132./dez.5 anos) em relação aos homens (67.9 23.2).2 Taxa de atividade 76. finalmente. ou pessoa que mora só em uma unidade domiciliar” (FIBGE.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 1 HOMENS E MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO: INDICADORES DE PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA BRASIL. p.

132. em sua maioria. set. passaram a ser mais velhas. solteiras e sem filhos.7 69. TABELA 2 TAXAS DE ATIVIDADE. casadas e mães./dez. 37. As trabalhadoras.2 96..8 90. v. Ao mesmo tempo. 74%. a mais alta taxa de atividade feminina.3 94.8 20.1 53. 2007 541 .4 44. que.6 49.0 20.. feminina. SEGUNDO FAIXAS DE IDADE E SEXO BRASIL Faixas de idade e sexo 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos e mais Total 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 anos e mais Total Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.1 8. é encontrada entre mulheres de 30 a 39 anos. cada vez mais voltada para o trabalho remunerado.4 75.4 68.5 73. 2).3 52. eram jovens. n.7 66.2 95.3 44. 69% das mulheres de 40 a 49 anos e 54% das de 50 a 59 anos também são ativas (Tab.9 15. Todos esses fatores explicam não apenas o crescimento da atividade feminina.5 89.4 48.3 93. a expansão da escolaridade e o ingresso nas universidades viabilizaram o acesso delas a novas oportunidades de trabalho.5 95.Trabalho e gênero no Brasil.9 62.5 48. 1995 Homens 26. até o final dos anos 70. mas também as suas transformações no perfil da força de trabalho.3 43.4 63.8 72. Em 2005.5 83.3 Mulheres 14.6 73.1 68.6 60.1 60.6 2005 Cadernos de Pesquisa.1 82.4 94.

v. Entretanto. apesar de todas essas mudanças.3 Homens 85. no Brasil./dez.5 79. 37. seja pela articulação.7 34. muita coisa continua igual: as mulheres permanecem como as principais responsáveis pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e demais familiares. 2007 . 3).3 59. mais de 58% delas eram ativas (Tab.2 2002 Mulheres 56.4 73.9 57. as cônjuges foram as mulheres cujas taxas de atividade mais cresceram.7 82.5 42. ou espaço reprodutivo. n. Ao longo dos anos 1970 e 1980.6 33. nos levantamentos censitários e domiciliares do IBGE. foi feito um sério trabalho de crítica às estatísticas oficiais. set.8 83. * Tabulação especial (disponível apenas para mulheres).5 55.9 Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados. 132. a vivência do trabalho implica sempre a combinação dessas duas esferas.5 52. Em 2005.9 75.9 50.5 57.1 31. o trabalho doméstico realizado no domicílio pelas 542 Cadernos de Pesquisa.6 2005 Mulheres 59.7 39. o que representa uma sobrecarga para aquelas que também realizam atividades econômicas. tanto no meio urbano quanto no rural.5 83. O debate teórico e as pesquisas sobre o trabalho feminino tomaram um novo rumo quando passaram a focalizar a articulação entre o espaço produtivo e a família. Não por acaso.3 49. Trabalho doméstico e tempo consumido nas atividades reprodutivas A primeira geração de estudos sobre trabalho feminino.4 73.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 3 TAXA DE ATIVIDADE. para as mulheres.0 57.4 58. consideradas inadequadas para mostrar a real contribuição das mulheres à sociedade.5 41. sem levar em conta o fato de que o lugar que a mulher ocupa na sociedade também está determinado por seu papel na família. Para dar um exemplo. Pois. SEGUNDO POSIÇÃO NA FAMÍLIA E SEXO BRASIL Condição na Família Chefes Cônjugues Filhos Outros Sem Parentesco Total (%) 1993* Mulheres 57.5 82.1 47. se for considerada a posição que ocupam nas famílias. focalizou exclusivamente a ótica da produção. seja pela superposição.7 76.0 Homens 85.

37. a reformulação do conceito “trabalho”. 132. ou na dependência de tabelas especiais ou pesquisas pontuais5. Mais recentemente. Estudo também recente chama a atenção para a ambigüidade e a variedade de termos utilizados para tornar visíveis todos os serviços prestados e/ou trabalhos realizados pelas mulheres – trabalho doméstico. doentes. cuidava dos afazeres domésticos?” e 121-a. donas de casa não era sequer contabilizado como atividade econômica.Trabalho e gênero no Brasil. aposentados. (para os que responderam sim) “Quantas horas 5. como exemplo. trabalho não remunerado. que sua atividade principal era realizar “afazeres domésticos”. ao lado do trabalho remunerado. deveria ser considerado um trabalho não remunerado. juntamente com os estudantes. ao trabalho não remunerado. 2007 543 . sobre o tempo semanal médio de dedicação aos afazeres domésticos.. realizado principalmente por mulheres. 2006). Cadernos de Pesquisa. com base na PNAD de 1990.23-24). trabalho de cuidado não remunerado aos membros da família – e retoma a proposta de computar o valor desses serviços ou trabalhos pela mensuração do tempo gasto para realizá-los (Fondo de Desarollo de las Naciones Unidas para la Mujer – Unifem. tornou-se possível obter informações sobre esse conjunto de atividades. ao longo das décadas.. v. o que teve grande impacto sobre o volume de atividade feminina apreendida a partir dos levantamentos seguintes. trabalho na unidade doméstica. na verdade. em favor dos principais órgãos produtores de estatísticas do Brasil. set. ao se referir. As informações sobre essa categoria não eram sequer divulgadas e o conhecimento sobre ela ficava restrito aos responsáveis por essas pesquisas oficiais. 2000. e não inatividade. na esfera privada. Isto significa que as pessoas que declaravam. n. 1998). a partir da divulgação dos resultados das pesquisas do IBGE em microdados. É preciso mencionar. Basta mencionar. inválidos e os que vivem de renda (Bruschini. como uma das dimensões do trabalho social. no interior desses organismos. ao responder aos questionários desse órgão oficial. em artigo recente (2004). eram classificadas como economicamente inativas. Sorj tem a mesma opinião. Foi o que fizemos no artigo “Trabalho doméstico: inatividade econômica ou trabalho não remunerado?” (Bruschini. Foram utilizadas informações obtidas com as Perguntas 121 “Na semana de 23 a 29 de setembro de 2001. que consome tempo e energia de quem as realiza e que. assim como o trabalho voluntário. Nele são apresentados os resultados de um estudo realizado com dados da PNAD/2002./dez. nele incluindo atividades para o autoconsumo e o consumo familiar. trabalho reprodutivo. p. que a crítica à limitação dos conceitos no que diz respeito à mensuração do trabalho feminino também foi feita.

132. A categoria “afazeres domésticos” abriga. afazeres domésticos. Dos investigados. respectivamente6. aos afazeres domésticos. uma ampla gama de atividades cuja diversidade. Essa discrepância. trabalho. como domicílios. ou não. Utilizou a metodologia de longa permanência dos pesquisadores no campo e seguidas visitas aos domicílios. saúde. enquanto na população total este número foi de 21.Maria Cristina Aranha Bruschini dedicava normalmente por semana aos afazeres domésticos?”. v. o das mulheres foi de cerca de 27 horas e o dos homens pouco mais de 10 horas7. 68% responderam afirmativamente à pergunta sobre o cuidado com os afazeres domésticos. n. aparelhos eletrodomésticos para executar tarefas para si ou para outro(s) morador(es). no domicílio de residência. segundo o número médio de horas semanais. que constatou que as mulheres dedicam em média 36 horas semanais. No entanto. enquanto quase 90% das mulheres responderam “sim” à pergunta. mobilidade ocupacional e incluiu entre eles o uso do tempo. 37. cozinhar ou preparar alimentos. Pois. cuidar de filhos ou menores moradores. introduzidas após as PNADs de 1992 e 2001. set. Este estudo teve por inspiração a Pesquisa de Padrões de Vida da População – PPV – 1996/1997 (FIBGE. Ateve-se ao tempo gasto com trabalho produtivo. ao desagregar as informações por sexo. realizada com o apoio do Banco Mundial. 1999). como descrito na nota anterior. anticoncepção. no entanto. se comparada ao tempo gasto pelas mulheres nos afazeres domésticos. passar roupa. o que viabilizou o levantamento acurado de informações sobre a alocação do tempo. trabalho comunitário. utilizando. pouco menos de 45% dos homens deram resposta semelhante. permanência em estabelecimento de ensino e tempo gasto com transporte. pois. de tarefas (que não se enquadravam no conceito de trabalho) de: arrumar ou limpar toda ou parte da moradia. lavar roupa ou louça. portanto. limpar o quintal ou terreno que circunda a residência. não é surpreendente se considerarmos a diferente metodologia adotada por essa pesquisa. Abrangeu pessoas de cinco anos e mais. entretanto./dez. a presença dos homens nessas tarefas 6. 2007 . famílias. antropometria. A PNAD define como afazeres domésticos a realização. orientar ou dirigir trabalhadores domésticos na execução das tarefas domésticas. 544 Cadernos de Pesquisa. O diferencial de gênero se apresentou também com clareza quando se examinou o tempo de dedicação aos afazeres domésticos. Esse resultado difere daquele encontrado pela PPV-IBGE 1996/1997. e os homens 14 horas. não é devidamente detalhada nesses levantamentos oficiais. educação. Embora pequena em número de horas. ficaram evidentes as desigualdades de gênero.9 horas. 7. Levantou informações sobre determinantes do bem-estar social e níveis de pobreza da população e abrangeu temas variados.

na 8. com base em entrevistas com maridos e mulheres de 25 famílias de classe média e média baixa na cidade de São Paulo. As informações sobre número médio de horas semanais dedicadas aos afazeres domésticos. Vale a pena mencionar que o número de famílias chefiadas por mulheres cresce significativamente no período 1992-2002. em atividades interativas. Cadernos de Pesquisa. v. região do país. Bruschini (1990). cônjuge é a pessoa unida à pessoa de referência da família.Trabalho e gênero no Brasil. n. como cuidar dos filhos. 9./dez. pesquisas que analisam a divisão sexual das atividades domésticas em profundidade chamam a atenção para o fato de que os homens se envolvem em tarefas domésticas de maneira bastante seletiva. idade do último filho vivo. nas que envolvem interseção entre os espaços público e privado. as cônjuges8 são as mulheres que trabalham o número mais elevado de horas – 33. Sorj (2004) mostra que os homens se envolvem. como fazer as compras da casa ou levar os filhos ao médico. elas chegam a 28. com ou sem vínculo matrimonial... Segundo definição do IBGE. idade. escolaridade. 37. preferencialmente. 132. que se referiu apenas à parcela da população que respondeu “sim” à pergunta “cuidou de afazeres domésticos” na semana da pesquisa. Os resultados desse estudo.4 – em afazeres domésticos. segundo dados da PNAD. a presença de filhos pequenos é aquele que mais dificulta a atividade produtiva feminina. 2007 545 . estas com um número de horas mais próximo ao da média geral da população feminina. mostrou que. seguidas das chefes de família 9. comenta. por pessoas de dez anos ou mais. no Brasil: de 22% das famílias brasileiras em 92. foram relacionadas às variáveis sexo. que os companheiros partilham com as mulheres os encargos domésticos. se for considerada a posição ocupada na família. De todos os fatores relacionados à esfera reprodutiva. presença de filhos.4% em 2002. não pode ser desprezada. rendimento. condição na família. por exemplo. raça/cor. na ocasião da pesquisa. Note-se que mais de 97% das cônjuges e mais de 90% das chefes (categoria “pessoa de referência”) declararam cuidar de afazeres domésticos. e condição de ocupação. situação do domicílio (urbano/rural). Entretanto. set. nas atividades intelectuais – como ajudar os filhos nos deveres escolares – em oposição às manuais ou rotineiras – como lavar roupa ou limpar a casa – ou ainda em tarefas domésticas valorizadas – como realizar uma culinária mais sofisticada. apenas em atividades específicas – como as de manutenção ou conserto – de maneira eventual e a título de ajuda ou cooperação.

1 57. 132.6 57. SEGUNDO FAIXA ETÁRIA DO ÚLTIMO FILHO VIVO* BRASIL Idade do último filho vivo 1998 Taxas de atividade % até 2 anos mais de 2 a 4 anos mais de 4 a 5 anos mais de 5 a 6 anos mais de 6 a 7 anos mais de 7 a 14 anos mais de 14 anos Total 47.5 70. 37. As mães dedicam a estas atividades quase 32 horas do seu tempo semanal. n. Nela se constata que.3 67. todas as mães.4 72./dez.1 48. que oscilam entre 60% e 70%.4 72.1 66. um número muito superior ao da média feminina geral e mais ainda ao das mulheres que não tiveram filhos. 2007 . em todas as datas consideradas. os filhos pequenos são aqueles que consomem o maior número de horas de dedicação à esfera reprodutiva. no TABELA 4 TAXAS DE ATIVIDADES DAS MULHERES QUE TIVERAM FILHOS. ampliaram sua presença no mercado de trabalho. constatamos que as mães dedicam às atividades reprodutivas quase 35 horas semanais quando os filhos têm menos de dois anos e pouco mais de 32 horas quando estes estão na idade de dois a quatro anos.1 Fonte: FIBGE/PNAD-Microdados. set.0 2005 Taxas de atividade % 54. * Foram consideradas as mulheres com 15 anos e mais que tiveram filhos e que têm vivo o último filho.Maria Cristina Aranha Bruschini medida em que o cuidado com os filhos é uma das atividades que mais consome o tempo de trabalho doméstico das mulheres. Sobrecarregadas na esfera reprodutiva. v. Da mesma forma. 2006).3 2002 Taxas de atividade % 51. cifras muito superiores à encontrada para a população feminina em geral. Porém.9 67. 546 Cadernos de Pesquisa.8 54. como mostram as cifras da tabela a seguir.7 45.2 40. em comparação àquelas das mães de filhos maiores.9 61.1 42. mesmo as de filhos muito pequenos.8 65 63.7 65. as taxas de atividade das mães são mais baixas quando os filhos tem menos de dois anos.9 64. que é de 27 horas (Bruschini. Ao considerar a idade do último filho vivo no domicílio.9 68. as mães de filhos pequenos apresentam taxas mais baixas de atividade na produtiva.7 69.6 72.

6 6. é a das mães de filhos com mais de sete anos. é um dos fatores de maior impacto sobre o ingresso das mulheres no mercado de trabalho.1 13.139.6 17. Cadernos de Pesquisa.741.2 4.6 9.7 9.0 34. ÁREAS E OCUPAÇÕES COM MAIOR PROGRESSO DAS MULHERES: 1992-2005 Educação A expansão da escolaridade. o número médio de anos de estudo dos ocupados é menor entre os homens do que entre as mulheres: sete anos eles. em 2005. Segundo a Síntese de indicadores 2005.1 12.0 41.4 24. 132..2 Mulheres 13.5 31. Entretanto. SEGUNDO SEXO E ESCOLARIDADE BRASIL Anos de estudo s/instrução e menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 a 10 anos 11 a 14 anos 15 anos ou mais Total ( % ) Milhões Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.3 19.3 17. set. 73%. supostamente.0 44.4 12.827 2005 Mulheres 7. diferencial de gênero que se verifica também na população em TABELA 5 DISTRIBUIÇÃO DA PEA. 1995 Homens 16. 2007 547 .5 100.0 Homens 10.144 10.5 100. v. à qual as brasileiras têm tido cada vez mais acesso.0 54. 2006.2 16. ao longo dos anos examinados.0 30.5 28. 4. tab. ante oito anos elas (FIBGE. as mães de filhos pequenos estão adentrando consistentemente no mercado de trabalho. Ou seja. 4)./dez.2 100.Trabalho e gênero no Brasil.8 100. período considerado. apesar do tempo consumido nos cuidados com os filhos pequenos na esfera doméstica. n. p. 37.1 31.1 6.9 13.6 24. idade em que.6 18. elas estariam sendo ajudadas pela escola no cuidado com os filhos (Tab. a mais alta taxa de atividade.290..5). A escolaridade das trabalhadoras é muito superior à dos trabalhadores10.

a parcela feminina entre os formados ter atingido 62%. pois as taxas de atividade das mais instruídas são muito mais elevadas do que as taxas gerais de atividade.0 52. set. No ensino profissional.9 89.1 Homens 68. enquanto mais da metade (53%) das brasileiras eram ativas.Maria Cristina Aranha Bruschini geral. a escolaridade elevada tem impacto considerável sobre o trabalho feminino. em todos os anos analisados.6 90. mas 25% deles. como revelam dados do Censo do Ensino Superior. no ano de 2005. No ensino superior.9 42.0 66. 1995 Homens 73.9 548 Cadernos de Pesquisa. estão nessa faixa. na área de serviços.2 39. no qual as mulheres predominam no setor de Serviços. É neste momento que começam a ser feitas as escolhas profissionais.6 61. 5). 26% das mulheres. a taxa de atividade atingia 83% (Tab.1 55.0 44. 37. ou seja.1 73. entre aquelas com 15 anos ou mais de escolaridade.2 89.6 73.9 82.4 73. conforme dados da tabela 7.3 48. Em 2005.0 82. 2007).2 37.0 78. 32% delas. sobretudo no ensino técnico.3 82./dez. Em 2005. SEGUNDO O SEXO E A ESCOLARIDADE BRASIL Anos de estudo Sem instrução e menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 a 10 anos 11 a 14 anos 15 anos ou mais Total ( % ) Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados. TABELA 6 TAXAS DE ATIVIDADE.5 88. de 9 a 11 anos de estudo. 132. 6). pode-se constatar que o predomínio feminino ocorre a partir do ensino médio. com destaque para Saúde e Artes (Fundação Carlos Chagas. ante 24% dos homens. entre os trabalhadores. v. a ponto de. em várias de suas especialidades. elas ampliaram significativamente sua presença na década analisada.6 2005 Mulheres 37. n.3 Mulheres 40.6 75. realizado pelo Ministério da Educação. posteriormente se cristalizam no mercado de trabalho.5 65. Contudo. Em 2005. 2007 . tinham mais de 11 anos de estudo (Tab.8 69.8 52. Nesta. os percentuais femininos de conclusão são bastante elevados. Ao mesmo tempo. superando os homens. A escolaridade mais elevada das trabalhadoras corresponde à da população em geral. que irão se consolidar no curso superior e.

540. TABELA 7 DISTRIBUIÇÃO DAS PESSOAS DE 10 ANOS E MAIS.5 407.494 25.8 Homens N % Mulheres N % Homens N % 2005 Mulheres N % Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados. na qual aumentou de 26% para 30% a presença das estudantes na década considerada (Tab.2 8. set.945.492. Ocupações e profissões de prestígio A inserção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro.254 0.819 0.677.317.794. Mas também é verdade que a parcela feminina nas universidades vem ampliando sua presença em outras áreas ou redutos masculinos. N = número absoluto.540.546 0./dez. saúde e bem-estar social (74%).0 4. 37.8 5.8 20.144.5 63.3 10. 8).5 306.191 10. as escolhas das mulheres continuam a recair preferencialmente sobre áreas do conhecimento tradicionalmente “femininas”.987 13.4 21.8 21.733 100. n.4 12.789.6 8.401.541.841.299 34.111 13.0 67.8 17.950 32.4 18.012 0.898 28.8 8.672 19.5 376. tem sido caracterizada através do Cadernos de Pesquisa.870 27.275. produção e construção.0 73.904.5 6. humanidades e artes (65%).768 6.882.076. v.003..292 28.057 100.547.0 21.731 10.635 7.0 78. como educação (81% de mulheres).357.094.Trabalho e gênero no Brasil.438 16. 132.1 17.695 28. que preparam as mulheres para os chamados “guetos” ocupacionais femininos.6 20. SEGUNDO O SEXO E O NÍVEL DE INSTRUÇÃO BRASIL 1999 Nível de instrução s/instrução e menos de 1 ano de 1 a 4 anos de estudo de 5 a 8 anos de estudo de 9 a 11 anos de estudo 12 anos de estudo e mais não determinado/ sem declaração Total 303.944 100.1 20.178 23.8 8. 2007 549 .372 25.019..883 10.458 100.056.6 8.696.335. como é apontado em muitos estudos sobre o tema.264 26.2 20.833 8. como a área de engenharia.

Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 8 ENSINO SUPERIOR: CONCLUINTES DO SEXO FEMININO SEGUNDO AS ÁREAS DE CONHECIMENTO NO BRASIL Concluintes Área de Conhecimento Brasil Educação Humanidades e artes Ciências Sociais.108 parcela feminina (%) 62.892 29.4 Total 717. como o magistério e a enfermagem. tempo pela marca da precariedade.0 77.600 13.630 parcela feminina (%) 61. Os indícios para a escolha das carreiras universitárias nas quais a presença das mulheres vem se fazendo sentir de forma mais expressiva vieram de estudo anterior.2 81.1 100.4 90.657 58. 37. têm adentrado também áreas profissionais de prestígio. 132.687 1.246 66.435 24. mulheres instruídas.1 92. a arquitetura e até mesmo a engenharia.158 26.9 Fonte: MEC/Inep .8 277.5 67.110 69. no que tange à sua participação no mercado de trabalho. a advocacia.491 5. além de continuar marcando presença em tradicionais “guetos” femininos.7 19.695 16.119 20.7 11.061 39. que tem atingido uma importante parcela de trabalhadoras. tradicional reduto masculino.576 73.081 26. 2007 .621 1.572 150.918 10.887 26.339 24.4 Total 245.175 17.1 36. que analisou informações dos Censos Mão-de-Obra de 1980 e 1991 e mostrou aumentos significativos nos percentuais de presença feminina 550 Cadernos de Pesquisa.5 30.392 24. v. negócios e direito Ciências.274 1. n.958 54.874 4. no contraponto das ocupações precárias.834 40.436 22.2 78.810 2005 Mulheres 446.858 199. Entretanto.5 56.1 5.610 20. matemática e computação Engenharia. set.323 1994 Mulheres 150.1 64.724 161./dez. Esta poderia ser considerada uma das faces do progresso alcançado pelas mulheres.671 31.Censos do ensino superior: tabulações especiais. produção e construção Agricultura e veterinária Saúde e bem-estar social Serviços 35.298 54. como a medicina.979 55.

Para analisar essas carreiras em maior profundidade e atualidade. assim considerado o incremento percentual da participação de mulheres. Na categoria dos engenheiros. 1998). 2007 551 .. Entre os arquitetos. procuradores.5% dos postos em 1993. a participação das mulheres. Em todos os grupos da área jurídica – advogados. 132. Também entre os médicos a progressão se confirmou: 41. que era de 12% em 1993. Esse é um mundo do trabalho segmentado segundo os profissionais se enquadrem em dois tipos de carreira: os chamados “profissionais do direito”. a fim de apreender a evolução da participação da mulher ao longo do tempo. atinge 14% em 2004./dez. do Ministério do Trabalho. n. nesta tabela e nas seguintes que apresentam dados da Rais. Essa fonte de dados cobre somente o mercado formal de trabalho. ante 36% em 1993. set. promotores e consultores jurídicos – não foi menos significativo o incremento de mulheres. a fatia feminina é bem mais substantiva. chegaram a mais de 34% na última data examinada (Tab. para os anos de 1990 a 200412. 9). v. 11. 37. em 2004. e não empregados. juízes. uma vez que as mulheres já ocupavam cerca de 52% dos empregos dessa área em 1993. pois as juízas. mais da metade da categoria (54%) é composta de mulheres. mais de 40% da categoria profissional. que ocupavam 22. o sexo feminino passa a representar. aos quais é vetado o exercício da advocacia e os demais advogados e consultores jurídicos que exercem a advocacia como profissionais liberais ou assalariados de sindicatos. Em todas elas. 12.Trabalho e gênero no Brasil. dado que consolida a tendência de feminização da profissão. Cadernos de Pesquisa. foi preciso estabelecer o ano de 2004 como data limite. que engloba todos os funcionários vinculados ao poder público. Sua unidade são vínculos de emprego ou postos de trabalho. em algumas delas (Bruschini. Uma análise mais aprofundada da inserção feminina nas carreiras universitárias escolhidas foi realizada para o ano mais recente.. Em todas essas carreiras verificou-se o mesmo movimento de progresso. Devido a problemas técnicos ocorridos no processamento da Rais/2005. A primeira observação que deve ser feita em relação a essas carreiras é a consolidação da presença feminina entre esses profissionais. ao longo da década de 90. por exemplo. utilizando informações da Rais11. optamos por considerá-las em seu segmento formalizado.3% da categoria é composta de mulheres em 2004. empresas públicas ou privadas. O caso da magistratura também é exemplar. pois é composta por registros administrativos fornecidos pelas empresas. Na mesma data.

089 25.5 Total 202.1 O ingresso das mulheres nessas boas ocupações teria sido resultado da convergência de vários fatores. nos 70. set.508 10. construídas tanto pela sociedade como pelas próprias categorias. De um lado. Tanto a medicina. 2000). 2007 .733 37. 68% das advogadas e mais da metade das procuradoras e das juízas tem menos de 39 anos. que ocorre apenas entre os engenheiros. A expansão das universidades públicas e.3 35. 47% das arquitetas. Outra diferença em relação ao padrão masculino.3 34.0 54.9 14.Rais: 1993 e 2004. n.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 9 PARTICIPAÇÃO FEMININA EM OCUPAÇÕES SELECIONADAS BRASIL Ocupações Médicos Advogados Procuradores e advogados públicos Magistrados Membros do Ministério Público Engenheiros Arquitetos Fonte: MTE . particularmente no que diz respeito ao seu perfil liberal. a racionalização e as transformações pelas quais passaram essas profissões abriram novas possibilidades para as mulheres que se formaram nessas carreiras. uma intensa transformação cultural. como a arquitetura e a advocacia têm passado por processos de especialização e assalariamento.472 2004 % de mulheres 41. A análise de algumas características do perfil desses profissionais segundo o sexo para o ano de 2004 demonstra. na esteira dos movimentos sociais e políticos dessa década. é 552 Cadernos de Pesquisa. 132. a partir do final dos anos 60 e.686 7. v. 37.694 11. o que repercute no nível de prestígio e status atribuído a esses profissionais (Bruschini.9 43.6 22.118 % de mulheres 36.1 40. em detrimento da antiga autonomia profissional.300 8. sobretudo. em busca de um projeto de vida profissional e não apenas doméstico.818 _ 142. Lombardi. que elas são mais jovens do que os homens em todas as profissões consideradas – 63% das engenheiras.337 6. também estão se modificando.6 51. ampliando o leque profissional feminino para além dos “guetos” tradicionais.404 6. As representações sociais. De outro lado. privadas.3 45. 44% das médicas. 1993 Total 135. foi ao encontro desse anseio feminino.4 40. 1999./dez.5 _ 11. principalmente. na mesma época.159 139. impulsionou as mulheres para as universidades. inicialmente.682 6.

foi possível constatar que os empregos femininos predominavam na administração pública. enquanto entre os diretores de produção e operações. Entretanto. 29% dos advogados e 24% das advogadas. 12).4% delas e apenas 10. conforme pode ser visto na tabela 10.5% deles). o serviço público mostra-se igualmente importante na colocação de homens e mulheres.. v. conforme se demonstrou em estudos anteriores (Bruschini. ao analisar a presença feminina em tais cargos segundo ramos de atividade. nos estudos sobre o trabalho feminino. Cadernos de Pesquisa. mostrou que 24% dos 42. 8. 1999./dez. como saúde e serviços sociais. em todas as carreiras. 19% dos arquitetos e 15% das arquitetas. Ao considerar os cargos de diretoria em sua especificidade.. set. em face do conhecimento disponível. foi possível constatar que a grande maioria deles. eles têm jornada de trabalho mais longa do que elas. Esse mesmo padrão persiste desde a década de 1990. nas demais profissões em análise. o percentual de empregos ocupados por mulheres é significativamente mais baixo: 21% no primeiro caso e 30% no segundo (Tab. eram ocupados por mulheres (75%). ganham mais de 20 salários mínimos mensais: 32% dos engenheiros. mas nos demais são elas que os superam em termos de carga horária. As informações obtidas para 2004 revelaram que. com 46% dos cargos de diretoria ocupados por mulheres.4% dos médicos e 7% das médicas. que apresentam rendimentos bastante semelhantes para ambos os sexos.Trabalho e gênero no Brasil. Lombardi. as e os profissionais em análise trabalham aproximadamente o mesmo número de horas. ou mesmo nas áreas de apoio. 2000). na educação – mais de 50% – e em outras áreas sociais. persiste o diferencial de rendimentos entre um e outro sexo. 2007 553 . Para dar um exemplo. dado surpreendente. 37. educação e cultura. realizado com dados para o ano 2000.276 cargos de diretoria computados pela Rais eram ocupados por mulheres. nessa data. Em relação à jornada de trabalho. sobre a dificuldade de acesso das trabalhadoras a cargos de chefia. a maior importância do emprego no setor público para as engenheiras (17.167 cargos de diretores gerais de empresas do setor formal eram ocupados por mulheres. Finalmente. n. 132. cerca de 31% dos 19. Executivas em cargos de diretoria em empresas do setor formal Estudo de Bruschini e Puppin (2004). exceto no caso dos engenheiros: nesse caso. mas 17% das engenheiras. exceção feita aos juízes e procuradores. nas empresas de serviços de saúde.

5 28.0 4.0 12.0 1. 2007 Servidor público Outros tipos de vínculo Total Até 3 anos De 5 a menos de 10 anos 10 anos e mais Total VÍNCULO DE TRABALHO CLT por tempo indeterminado CLT por tempo determinado Maria Cristina Aranha Bruschini TEMPO DE PERMANÊNCIA NO EMPREGO Mais de 3 a menos de 5 anos .2 99.0 0.2 100.7 18. n.0 (continua) Juízes M Engenheiros H M Arquitetos H M H Médicos M 554 Cadernos de Pesquisa.6 51.05 0.3 37.7 0.3 100.2 0.9 17.2 100.5 24.8 9.0 20.2 31.0 21.3 25. 132.9 10.0 43.8 41.2 35.3 0.1 0.9 100.7 100.6 100.0 47.0 Procuradores e consultores jurídicos H 12.4 1.0 70.1 0.2 46.8 100.1 34.0 80.5 100.8 42.7 0.6 1.8 1.8 37.0 10.9 9.9 100.9 17.7 0.0 31.1 100.2 17.0 M 13.0 47.0 M 32.8 0.7 10.6 100.0 10.2 100.7 46.4 65.6 14.1 51.4 56.2 41.0 31.0 23.3 100.7 100.0 H IDADE 6.1 50.4 100.5 64.2 100.8 52. 37.5 27.0 15.7 20.0 14.1 99.4 100.3 14.0 63.9 100.0 100.5 100.0 48.0 100.6 34.7 42. v.0 0.6 100.0 61.4 30.6 1.2 100.3 1.0 87.6 94. set.4 100.9 13.9 35.7 100.0 70.0 22.0 26.0 32.08 100.3 8.1 100.0 43.6 100.6 0.4 31.6 100.5 100.7 49.0 5.8 9.5 15.7 62. 2004 OCUPAÇÕES Características do emprego Advogados H Até 29 anos De 30 a 39 anos 40 anos e mais Total 22.7 15.9 100.0 38.0 29.9 31.0 10.9 27.9 55.8 25.4 39./dez.0 16.3 0.5 12.7 100.3 61.0 15.7 95.0 39.0 100.6 12.1 0.5 0.0 19.8 30.4 11.1 36.3 100.7 35.6 15.0 0.8 100.4 0.TABELA 10 OCUPAÇÕES SELECIONADAS: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO EMPREGO BRASIL.0 0.0 71.4 0.3 32.0 26.0 5.0 8.0 0.9 100.0 36.1 13.

5 51. set.0 70.0 17.0 6.0 29.3 100.2 100.1 100.5 42.0 9.9 100.1 43.4 8.3 37.0 Engenheiros H 28.4 32.9 100.0 43.6 38.6 31.0 42.0 67.1 96.0 100.9 45.0 M 31.0 TAMANHO DO ESTABELECIMENTO HORAS SEMANAIS TRABALHADAS RENDIMENTO MÉDIO MENSAL 555 .6 100.8 100.0 11.4 14.9 39.0 M 27.0 23.0 9.0 15.(continuação) Cadernos de Pesquisa.1 100.1 100.5 1.2 33.9 57.0 Procuradores e consultores jurídicos H 6.0 27.0 53.0 24. 37.3 60.5 27.6 16.9 100.0 19.4 9.0 Arquitetos H 33.8 100.7 97.3 22.7 28. 2007 Trabalho e gênero no Brasil..7 8.9 100.5 100.0 Juízes M 0.3 45.7 7. v.0 0.5 4. 132.3 100.2 7.0 22.0 59.9 100.5 3.0 24.9 16.4 72. 2004.7 100.8 22.9 30.8 13.8 28.7 64.6 43.4 66.0 45.2 81.0 42.9 6. H = Homens.0 46.4 25.0 31.4 23.4 44.0 H 5.0 100.5 100.0 Médicos M 7.0 71. n./dez. M= Mulheres 33.6 39.3 100.1 100.0 M 31.0 18.6 18.8 38.9 100.9 100.1 34.6 28.8 100.6 19.7 2.7 100.4 95.4 35. OCUPAÇÕES Características do emprego Advogados H Até 99 empregados De 100 499 empregados 500 e mais Total Até 30 horas De 31 a 40 horas De 41 a 44 horas Total Até 10 SM Mais de 10 a 20 SM Mais de 20 SM Total Fonte: MTE-Rais.8 28.0 100.6 41.3 80.9 44.4 30.2 100.4 100.7 100.3 100.0 59.0 62.5 100.9 6.0 16..9 44.0 0.0 H 0.6 100.1 100.7 19.0 97.6 100.0 100.0 16.5 60.0 M 4.8 100.4 38.4 75.2 25.2 39.

132.2 50. seguros. em comparação a 64% dos diretores. 556 Cadernos de Pesquisa. 2004 Diretores gerais** Ramos de atividade* Agricultura.167 118 463 2. reparação de veículos automotores.0 9.7 Total 229 9 62 3. SEGUNDO O RAMO DE ATIVIDADE DA EMPRESA BRASIL. silvicultura e exploração florestal Pesca Indústrias extrativas Indústrias de transformação Produção e distribuição de eletricidade. 2004.0 30. A pesquisa de Bruschini e Puppin (2004) revela que as diretoras têm perfil semelhante ao das profissionais descritas no tópico anterior. ** Classificação Brasileira de Ocupações – CBO/2002.6 27.417 259 348 Mulheres (%) 13.7 11. assim como no mercado de trabalho em geral.8 30 0 6 407 49 34 N. e 47% delas.5 23.839 14.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 11 PRESENÇA FEMININA NO CARGO DE DIRETOR GERAL.3 53.010 847 316 1. n.9 9. Segundo os dados dessa pesquisa. Como em todas as profissões analisadas anteriormente. Absoluto N. set. aluguéis e serviços prestados às empresas Administração pública. relacionados Atividades imobiliárias. objetos pessoais e domésticos Alojamento e alimentação Transporte. armazenagem e comunicações Intermediação financeira. sociais e pessoais Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais Total 812 1.1 0.2 14. pecuária. Família Ocupacional 1210.399 237 848 914 74 125 26. * Ramos de Atividade de acordo com a classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE.985 5./1995.659 436 144 377 2 5. 37. 2007 .9 18. prev.9 31. Elas são mais jovens do que os colegas em cargo similar e estão no emprego há menos tempo do que eles. complementar e serv. v. Absoluto Fonte: MTE-Rais. mas 44% deles estavam no emprego há menos de três anos.5 3. gás e água Construção Comércio.5 45.384 4 19. defesa e seguridade social Educação Saúde e serviços sociais Outros serviços coletivos./dez. mais de 80% das diretoras tinham menos de 50 anos.1 51.

7 59.3 79.6 18.368 4.608 Mulheres 1.600 1. pesqueira.534 2.7 44.154 2.070 39.7 23.2 49. n.779 1.197 86. transformação e de serviços de utilidade pública 1223 Diretores de operações de obras em empresa de construção 1224 Diretores de operações em empresa do comércio 1225 Diretores de operações de serviços em empresa de turismo.762 543 922 532 1.1 15. 2007 557 .5 32..4 1221 Diretores de produção e operações em empresa agropecuária.949 25.957 28. 1311-10 sociais e culturais 1312-05 Diretores de operações em empresa de serviços de saúde 1313-05.497 42.CBO 2002 BRASIL./dez.417 675 788 499 3. Cadernos de Pesquisa. 1313-10 Diretores de instituição de serviços educacionais TOTAL Fonte: MTE-Rais. 132. SEGUNDO AS FAMÍLIAS OCUPACIONAIS ADOTADAS PELA CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES .7 9.7 26. da educação ou de serviços culturais.6 21.489 9.9 48. 37.5 16. Diretores de operações em empresa de serviços pessoais.402 600 964 129 126 86 182 29.2 17. de alojamento e de alimentação 1226 Diretores de operações de serviços em empresa de armazenamento.5 28.349 5.969 32.8 13. sociais ou pessoais 1311-05.117 382 1.803 Parcela feminina 21..4 29. 2004 Famílias ocupacionais Diretores Diretores de produção e operações Total 8. de transporte e de telecomunicação 1227 Diretores de operações de serviços em instituição de intermediação financeira Diretores de áreas de apoio 1231 Diretores administrativos e financeiros 1232 Diretores de recursos humanos e relações de trabalho 1233 Diretores de comercialização e marketing 1234 Diretores de suprimentos e afins 1236 Diretores de serviços de informática 1237 Diretores de pesquisa e desenvolvimento 1238 Diretores de manutenção Diretores em empresas de serviços de saúde. TABELA 12 PRESENÇA FEMININA EM CARGOS DE DIRETORIA.7 8.714 60 137 58 171 132 993 163 11. aqüícola e florestal 1222 Diretores de produção e operações em empresa da indústria extrativa.0 74.7 16. set.470 886 38.Trabalho e gênero no Brasil. v. 2004.

558 Cadernos de Pesquisa. n.5 14. greve etc. apesar do nível elevado.8 26. 3.993 3.4 2.328 % 27.6 100.395 476 19.323 1. ganhavam mais de 15 salários mínimos 41% dos diretores. 37./dez.2 12. SEGUNDO O SEXO E A REMUNERAÇÃO MÉDIA MENSAL BRASIL. Nessa data.760 6. v.670 2.9 41. O diferencial de gênero nas faixas de rendimento desses profissionais permanece em 2004.043 919 33 5. em 2000.839 Mulheres % 39.022 1. set. 2007 . 2004. mais de 15 salários mínimos ou não declaravam seus salários (categoria “ignorado”).13). É necessário lembrar que a remuneração em empregos de níveis mais elevados como os analisados neste tópico costuma ser muito mais elevada do que aquela recebida por trabalhadores de outros níveis ocupacionais.4 33. Homens N.521 1.543 2.0 N. No conceito de ocupação utilizado pelo IBGE incluem-se as pessoas que tinham trabalho na semana de referência da pesquisa e aquelas que não exerceram o trabalho remunerado por motivo de férias.5 15.1 3.Maria Cristina Aranha Bruschini também as diretoras de empresas do setor formal obtêm rendimentos inferiores aos dos seus colegas de mesmo nível.0 N.3 18.717 5. SM: salários-mínimos.0 17. 5. mas apenas 16% das diretoras (Tab.9 15. razão pela qual 50% dos diretores de empresa ante 30% das diretoras analisados por Bruschini e Puppin ganhavam. 2004 Faixas de Rendimento Até 3 SM* De 3 a 7 SM De 7 a 15 SM Mais de 15 SM Ignorado Total Fonte: MTE-Rais.0 13.7 0. 132.476 443 13.167 Total % 31. licença. 2. TRAÇOS RECORRENTES NO TRABALHO FEMININO Diferenciais de gênero na ocupação da mão-de-obra brasileira No que tange à ocupação da mão-de-obra brasileira na década de 90 e nos primeiros anos do novo milênio13. os dados das PNADs sinalizam para a TABELA 13 EMPREGOS PARA DIRETORES GERAIS.5 100.3 100.

Especialmente conturbado foi o período 1986-1994. 14. 15. durante o qual o país conviveu com nada mesmo que seis planos de estabilização econômica. No período analisado. “educação. categoria na qual se inclui tanto uma parcela formalizada – os com carteira de trabalho assinada pelo empregador. o setor ocupava a maior parte das trabalhadoras. devido à nova classificação de atividades econômicas adotada pelo IBGE desde o Censo de 2000. Nesse ano. 14). os Serviços comunitários e sociais. Os anos 90 e. na seqüência. Esses padrões estruturais da ocupação feminina e masculina não se alteraram no período em análise. No que diz respeito à posição na ocupação – denominação atribuída pelo IBGE aos variados tipos de vínculos de trabalho que se estabelecem no mercado –. tanto em 1993 como em 2005. prevalecem para ambos os sexos os “empregados”. os setores do mercado de trabalho nos quais as trabalhadoras continuam encontrando maiores oportunidades de trabalho e emprego são a prestação de serviços. pelo aumento das taxas de desemprego e pela queda nos rendimentos do trabalho. a agropecuária./dez. Em 2005. pôde-se perceber melhor como se distribuem as mulheres ocupadas no setor serviços. 37. embora tenham sido verificadas oscilações conjunturais devidas às instabilidades econômicas e políticas ocorridas no país na década anterior15 (Tab. 2007 559 .Trabalho e gênero no Brasil. houve aumento do contingente de empregadas. no comércio de mercadorias e na prestação de serviços.. n. nota-se que. nos trabalhos ligados à agropecuária. como o assalariamento sem carteira assinada. a saber. os estatutários e aqueles/as com outros tipos de contrato –. por sua vez. São considerados como integrantes do Setor Social. Cadernos de Pesquisa. 2001). quase 40% delas concentradas em três subsetores. Durante o período analisado consolida-se o processo de terciarização da economia e a conseqüente perda do poder de geração de emprego da indústria de transformação (Dieese. o comércio de mercadorias e a indústria. o setor social14. saúde e serviços sociais”. 15). 132. na indústria. A década de 90 foi marcada por importantes eventos de natureza econômica. odontológicos e veterinários e o Ensino.. manteve presença significativa. v. também pela ordem. os Serviços médicos. A força de trabalho masculina. conforme definição do IBGE. mais do que de empregados (Tab. quanto uma parcela informal. “serviços domésticos” e “outros serviços coletivos. o trabalho autônomo para o público. empregada sem nenhuma forma de proteção contratual. os primeiros anos do novo milênio identificam-se pela redução do mercado formal de trabalho e pelo respectivo aumento de formas mais precárias de contratação. set. pessoais e sociais”. política e social. persistência dos já conhecidos padrões diferenciados de inserção feminina e masculina segundo setores ou grupos de atividades econômicas: pela ordem.

44 0.82 5.3 100.6 9.9 8.4 4.94 3. v.436. * Consumo e construção próprios ou para o grupo familiar.0 40.04 100.00 50.9 25.51 0.5 5.228 2005 mulheres 47. 560 Cadernos de Pesquisa.7 16.22 3.9 100.9 16.36 1.40 16.748 TABELA 15 DISTRIBUIÇÃO DOS OCUPADOS POR SEXO E POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO BRASIL Brasil Posição na ocupação Empregados Trabalhadores domésticos Autônomos / contas próprias Empregadores Não remunerados Consumo próprio* Total ( % ) Milhões 1993 homens 58.88 0. 2005 HOMENS 23.0 50.748 Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.22 10.0 homens 60.90 2.88 18.14 16.36 100. armazenagem e comunicação Administração pública Educação. sociais e pessoais Outras atividades Atividades mal definidas ou não declaradas Total % Milhões Fonte: FIBGE/PNADs–Microdados.14 6.8 1. 132.26 5.0 7.9 100.67 0.71 7.93 5.9 16./dez.7 25.4 0.653.7 100.17 15.6 mulheres 42.6 1. 2007 .00 36.68 1.18 4.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 14 DISTRIBUIÇÃO DOS OCUPADOS POR SEXO E SETOR DE ATIVIDADE BRASIL BRASIL.2 2.228 MULHERES 16.436.02 0.0 36. n.23 12. 2005 Grupamentos de atividade Agrícola Outras atividades industriais Indústria de transformação Construção Comércio e reparação Alojamento e alimentação Transporte.2 2.0 26.45 16.6 0.4 5. set.43 4.6 15.5 13. 37.5 9. saúde e serviços sociais Serviços domésticos Outros serviços coletivos.653.

absorvendo 17% da força de trabalho. em sítios. no mercado de trabalho. A ocupação de trabalhadora doméstica ainda representa nos dias de hoje oportunidade de colocação para mais de 6 milhões de mulheres no mercado de trabalho brasileiro e é considerada precária em razão das longas jornadas de trabalho desenvolvidas pela maioria das trabalhadoras.2 milhões). A primeira delas. assim dis- 16. seja realizando atividades não remuneradas (3.7 milhões). Cadernos de Pesquisa. Ressalte-se que as categorias “trabalhadores domésticos”. há uma parcela não desprezível de cerca de 30% das trabalhadoras não remuneradas ocupadas em outros setores em 2005. 2000). Lombardi. seja como trabalhadoras domésticas (mais de 6.Trabalho e gênero no Brasil.. Ele se manteve como importante fonte de ocupação. Outras formas de ocupação mais precárias. 2007 561 . o trabalho não remunerado e aquele executado na produção para o consumo próprio ou da unidade familiar são predominantemente desenvolvidas no setor agrícola. absorvia mais de 1/4 da mão-de-obra feminina (Bruschini. portanto. nada menos que 33% da força de trabalho feminina ou 12 milhões de mulheres situavam-se em nichos precários. Também no setor agrícola 10% das mulheres trabalhavam na produção para consumo próprio ou do grupo familiar em 1993. que tem atingido uma importante parcela de trabalhadoras. Ressalte-se. e em 2005. Em 2005. set. O refinamento da classificação.. é o nicho ocupacional feminino por excelência. (2. entretanto. O trabalho doméstico. fazendas e chácaras. “trabalhadores para consumo próprio ou do núcleo familiar” surgem nas PNADs a partir de 1992. particularmente pela desagregação dos “empregados domésticos” da categoria empregados. apesar de trazer problemas à análise das séries longitudinais referentes ao trabalho das mulheres. 132. Esse percentual tem diminuído no tempo. conforme na tabela 16 pode ser demonstrado16. ou seja. Apesar do predomínio no setor agrícola. esse percentual caiu para 7% delas. quais sejam. no qual mais de 90% dos trabalhadores são mulheres. n. 37. uma vez que em 1970. permite a melhor visualização da ocupação feminina. v. pelo baixo índice de posse de carteira de trabalho (apenas 25% delas) e pelos baixos rendimentos auferidos (96% ganham até dois salários mínimos). que a inserção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro tem sido caracterizada através do tempo pela precariedade. ou de menor qualidade.3 milhões) ou trabalhos na produção para o consumo próprio ou do grupo familiar. desagregada dos “empregados” e a última. praticamente estável até 2005./dez. dos “não-remunerados”. entretanto. o emprego doméstico remunerado.

de 1995 a 2004. v. A análise da idade dessas mulheres pode trazer algumas luzes sobre o seu perfil. assim como 77% das que trabalhavam na produção para o próprio consumo (Tab. Contudo. Em 2005. nos serviços e na indústria cresceu entre 1993 e 2005. é tradicionalmente reduzida no país e menor entre as mulheres.17). tanto masculinos. os militares e estatutários – representava 37% da ocupação total no país. Note-se que a participação das não-remuneradas no comércio. A estrutura desses empregos. praticamente não se altera durante todo o período.4% para 40%. 9% na prestação de serviços e 8% na indústria de transformação. O percentual de empregos femininos no serviço público. é regida pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. no entanto. o peso deste tipo de vínculo mostrou-se declinante no conjunto dos empregos femininos. os empregos nos quais existe algum tipo de contrato entre as partes. declinou (Tab. 59% das não-remuneradas tinham mais de 30 anos. Em outras palavras. 16). n. parece ter afetado em maior medida os homens do que as mulheres: no período 1985/2004. isto é. o que poderia ser considerado um indicador de precarização das relações de trabalho femininas para além do âmbito agrícola. É importante realçar que o processo de enxugamento de postos de trabalho formalizados. como referido anteriormente). 18). cerca de 39% (Tab./dez. set. 132. permaneceu praticamente igual no mesmo período. sendo 39% da ocupação masculina e 35% da feminina. evidenciando a persistência da importância desse setor na absorção 562 Cadernos de Pesquisa. Tanto entre as não-remuneradas como entre as que produzem para o consumo próprio. predominam as mulheres maduras e mais velhas. que se verificou com especial intensidade nos anos 90. contudo. 2007 . no mesmo período. a ocupação formal masculina e feminina passa a se equiparar. A grande maioria dos empregos. 37. Em 2005 a ocupação formalizada – considerados os empregados com carteira assinada. por sua vez no chamado regime estatutário. Mercado formal e estrutura ocupacional A parcela formal da ocupação. enquanto a parcela masculina. como femininos.Maria Cristina Aranha Bruschini tribuídas: 16% no comércio. a natureza do vínculo empregatício demonstra uma regularidade que tem atravessado o período em análise. ao adicionar àquele contingente de trabalhadores as empregadas domésticas que possuem registro em carteira de trabalho (apenas 1/ 4 delas. a parcela feminina no mercado formal aumentou de 32.

5 9.1 22.5 18.0 96.7 37.5 42. Cadernos de Pesquisa.6 2005 16.0 8.6 8.1 15.4 7.9 9..4 Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.310.778) 31.6 14. 132.2 9. set.4 36. sociais e pessoais.5 100.206. serviços domésticos.5 50.9 22.5 13./dez.0 99.0 100.4 24.2 18. outros serviços coletivos.4 34.0 15.2 14.5 74. 37. n.202) 563 . 2007 10.0 3.0 27.2 8.0 (N: 3.4 9.9 10.0 96.1 71.4 83.9 64.3 (N: 2. * Porcentagem de participação no total da mão-de-obra feminina em cada ano: alimentação.4 18.5 35. outras atividades.9 (N: 6.8 1993 16.8 34.119) 27.4 35.5 14.. v.Trabalho e gênero no Brasil.676. TABELA 16 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA OCUPAÇÃO FEMININA EM POSIÇÕES MAIS PRECÁRIAS BRASIL Posição na ocupação/indicadores TRABALHADORAS DOMÉSTICAS * > idade até 19 anos de 20 a 29 de 30 a 49 50 e mais > não possuem carteira de trabalho > setor de atividade prestação de serviços > ganham até 2 salários mínimos NÃO REMUNERADAS * > idade até 19 anos de 20 a 29 de 30 a 49 50 e mais > setor de atividade agrícola comércio prestação de serviços (1) indústria de transformação CONSUMO PRÓPRIO * > idade até 19 anos de 20 a 29 de 30 a 49 50 e mais > setor de atividade agrícola 100.

917 12.1 6.4 8.7 32.782.283.479.5 4.4 34.934 34.5 4.2 32. inclusive empregados domésticos (%) Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.163 87.416 2.208.185 9. n.4 39.8 0./dez.622 45.0 8.4 2. os militares.089.3 38.780 14. em 2004 esse percentual praticamente não sofreu alteração.1 1.976 50.877.386.179. como se observa a seguir (Tab.335.6 26.459 32.4 8. A estrutura ocupacional do mercado de trabalho brasileiro apresenta tendências recorrentes que pouco têm-se alterado nos últimos 30 anos. exclusive empregados domésticos (%) 29. 37.948.Militares e estatutários C .110. como é apresentado.7 0.7 25.Empregados com carteira assinada B .0 37.3 6. muito provavelmente nas áreas da educação e da saúde: se em 1995 eram contratados sob esse regime.5 25.4 31. 19).565.7 39.685 5.856 181.046. da força de trabalho feminina. para 2002.746.3 4.473 Proporção de ocupados formalizados. 132.490.0 39.8 37. No emprego formal.337 22.436.3 4.5 34.929.6 33. * Consideradas como ocupações formalizadas os empregados com carteira assinada.831 1.302. v.851 17. set. 31% dos empregos femininos.1 6.792 2.380.732 1.4 35.3 2.228 36.4 37.660.455 3.111 Homens Mulheres Total 2005 Homens Mulheres Total Ocupados (NA) 78.991.8 26.217.944 19.091.838.653.2 34.3 37. 2007 .238 1.517 27.3 6.6 4.Trabalhadores domésticos com carteira assinada A+B+C (Ocupação formalizada) A B A+B A B C A+B+C 29.7 29.387.471 14. no banco de dados sobre o trabalho feminino da Fundação Carlos Chagas (série Mercado de Trabalho e 564 Cadernos de Pesquisa.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 17 OCUPAÇÃO FORMALIZADA* COMO PROPORÇÃO DE OCUPAÇÃO TOTAL BRASIL 2002 Total A .5 4.558.025 4.970 171.748 Proporção de ocupados formalizados.0 31.263 8. os estatutários e os trabalhadores domésticos com carteira assinada.3 39.0 8.101 2.296 17.261.

3 31 0. temporários.7 31.8 Mulheres 68.Trabalho e gênero no Brasil.9 100.1 30.6 24. 1995 Homens 83.561.Rais. v.0 12. 1992 em diante CD-ROM. set. bem como a persistência de enorme contingente de mulheres em ocupações dos serviços de cuidado pessoal. TABELA 18 PARCELA FEMININA DENTRE OS EMPREGOS FORMAIS BRASIL Anos 1985 1988 1992 1995 1998 2002 2004 Total de vínculos formais (milhões) 20. * Incluem-se trabalhadores avulsos. representam continuidades no padrão de ocupação das mulheres.9 35.8 15.0 Fonte: MTE .6 7.2 6.717 2004 Mulheres 67.859 Parcela feminina % 32. como é o caso das cabeleireiras e especialistas em estética em geral. 1985/1988 Anuário Rais tab. tintureiras e cozi- Cadernos de Pesquisa.2 100.9 37.0 8.Rais 1995 e 2004.3 23.8 Homens 77.I.845.0 14. outros contratos por prazo determinado e tipos de vínculo ignorado (este apenas nos primeiros anos da série). 37.407.5 28..7 40. como é o caso de costureiras na indústria da confecção. higiene e alimentação.576 (milhões) 6./dez.4 39. 2007 565 . das faxineiras.4.4 11.9 8 8. subsérie Mercado Formal).7 15.8 9.4 23. arrumadeiras em domicílios e hotéis. diretores sem vínculo mas com Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS – recolhido pela empresa. 132. TABELA 19 DISTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS POR SEXO E NATUREZA DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO BRASIL Natureza do vínculo CLT Estatutário Outros* Total ( % ) Milhões Fonte: MTE .6 2.4 12.0 18.859 Estrutura Educacional.. lavadeiras. menores aprendizes.7 100.3 38.3 22.3 100.561.2 1. a elevada presença feminina em ocupações de setores tradicionais da indústria. n.4 33.

por exemplo. 132. utilizando dados da Pesquisa Mensal de Emprego – PME – do IBGE.5% do salário dos homens. A evolução da distribuição do rendimento do traba- 17.3 (Boletim Mercado de Trabalho. também da PME/IBGE. aumenta também sua procura de emprego. a nutrição (93% dos nutricionistas eram mulheres). 2005). auxiliares de contabilidade e caixas (75%).Maria Cristina Aranha Bruschini nheiras. elas recebiam 65. aqueles que estão à procura de emprego. para as seis regiões metropolitanas do país. 37. têm-se verificado maiores taxas de desemprego entre elas do que entre os homens. Esse raciocínio faz sentido ao considerar que o desemprego é definido como “a procura de emprego. Segundo os estudiosos. fundamental (88%) e médio (74%). E mulheres ganhando menos que os homens é uma situação recorrente não só no Brasil. na França. n. 2006) O nível de ganhos dos brasileiros é reconhecidamente baixo e as mulheres brasileiras – como as mulheres de todo o mundo – ganham ainda menos do que os homens18. Desde meados dos anos 90. 566 Cadernos de Pesquisa. além das secretárias (85%). o magistério nos níveis pré-escolar (95%). a assistência social (91%). em 2000. set.5. Informações mais recentes. Ao aumentar o ingresso maciço das mulheres na PEA. no período de janeiro a abril. revelam que o diferencial de gênero persiste na população brasileira. v. Ramos e Brito (2003). em 1999. como em todo o mundo. em determinado período de referência” e que a PEA é composta de ocupados e desocupados. a masculina foi de 8. No Japão. ou seja. ou seja. a porcentagem era 75. Desemprego e rendimentos do trabalho As mulheres têm sido especialmente atingidas pelo desemprego. como a enfermagem (89% dos enfermeiros./dez. um dos fatores que contribui para esse resultado é o contínuo aumento da população economicamente ativa feminina. ou seu nível de desocupação. a psicologia (89% de mulheres). mostram que entre 1991 e 2002 houve um aumento da participação das mulheres entre os desempregados: segundo esses autores. 18. enquanto a taxa feminina de desemprego foi de 13. sem sucesso.2% (United Nations. de mulheres que ingressam no mercado de trabalho à procura de emprego17. Persistem também os tradicionais guetos femininos. a parcela feminina entre os desempregados passou de 39% em 91 para 46% em 2002. 2007 . no que diz respeito às taxas de desemprego: em 2005. para seis regiões metropolitanas do país. 84% dos técnicos de enfermagem e 82% do pessoal de enfermagem eram do sexo feminino em 2002).

73% das ocupadas se situavam na mesma faixa de renda.653.9 Homens 27. 4.3 6. em que as relações de trabalho tendem a ser mais formalizadas. v. 48% dos homens recebiam até dois salários mínimos.1 100.. recebiam até dois salários mínimos 46% das trabalhadoras e 32% dos trabalhadores.7 30. sendo que. em 2002.9 26. lho de todos os brasileiros no período analisado neste texto é indicada por um aumento das proporções de trabalhadores(as) com menores rendimentos. nesta data.7 10.Microdados. saúde e serviços sociais”. 37. os índices encontrados foram 55% em 1993 e 63% em 2005. 2007 567 . Por exemplo. na administração pública. set. 36% das trabalhadoras auferiam rendimentos inferiores a um salário mínimo (Tab. No setor denominado “educação. ante apenas 35% dos ocupados. 20). se comparadas às dos homens. a posição na ocupação e os anos de estudo. TABELA 20 DISTRIBUIÇÃO DOS OCUPADOS POR SEXO E FAIXAS DE RENDIMENTO BRASIL Classes de rendimento mensal Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 5 SM Mais de 5 SM Sem rendimento Total ( % ) Milhões 1993 Homens 25.2 5.4 23.5 100. os grupos de horas trabalhadas. diante de apenas 27% dos homens (Fundação Carlos Chagas. refletindo a queda dos ganhos advindos do trabalho na população ocupada: se em 1993. quanto às mulheres.7 18.748 Fonte: FIBGE/PNADs 1993 (tab.2 8.9 100. 2005 . na indústria de transformação.436. enquanto 46% dos ocupados recebiam. 132.0 50./dez. são reafirmadas quando se consideram os setores econômicos. outro tradicional nicho de inserção feminina no mercado de trabalho..8 14. As mais baixas remunerações recebidas pelas mulheres. até dois salários mínimos.5 22.0 10.5 Mulheres 35. 2007).8 100. em 2005 essa porcentagem passou a ser de 58%.0 25.3 25.1 15.0 40.0 36.6 16. Cadernos de Pesquisa.Trabalho e gênero no Brasil.9 14.1 22.27).228 2005 Mulheres 35. A situação subordinada da mulher no mercado de trabalho se revela também pela expressiva proporção das trabalhadoras no setor agrícola que não auferem rendimento (81%). 49% delas ganhavam até 2 SM. n. no qual o trabalho é bastante feminizado.

81% das mulheres que trabalham por conta própria. segundo anos de estudo. ainda na mesma tabela. apesar do nível de escolaridade feminina ser mais elevado do que o masculino. 22). mas 89% dos trabalhadores domésticos. 37. em 1993. 64% das ocupadas estavam ganhando até dois salários mínimos.Maria Cristina Aranha Bruschini O mesmo diferencial de gênero se repete quando se analisam os rendimentos segundo a posição na ocupação ou o tipo de vínculo de trabalho. uma vez que. o diferencial de rendimentos entre os sexos. esse percentual cai para 62%. 56% das mulheres. enquanto 36% das empregadoras ganham mais de cinco salários mínimos em 2005. ante 58% dos ocupados. enquanto. foi menor: 51% das que tinham 15 anos e mais de estudo ganhavam mais de cinco salários mínimos. A queda do rendimento das mulheres mais escolarizadas. recebem até dois salários mínimos 68% das empregadas. ante 69% dos homens que mantêm igual posição na ocupação. principalmente entre os homens. v. No que tange à remuneração segundo os grupos de horas semanais trabalhadas. um curso superior (15 anos e mais de estudo) ganhavam mais de cinco salários mínimos. revela com clareza a discriminação sofrida pelas mulheres./dez. nos últimos dez a 15 anos (19922005) as trabalhadoras brasileiras obtiveram algum progresso no mercado de 568 Cadernos de Pesquisa. É assim que. o mesmo ocorre com 45% dos empregadores (Tab. as mulheres sempre ganham menos do que os homens. observamos que. mesmo quando trabalham o mesmo número de horas. n. mas 63% dos empregados. em 1993. em 2005. Entre os mais escolarizados de ambos os sexos. como já foi comentado neste texto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como este texto procurou demonstrar. em 2005. ante 35% delas. mas 48% dos homens ganhavam menos de dois salários mínimos. pois nesse ano 77% dos que tinham completado. 132. 2007 . A desigualdade de gênero também se constata nas posições mais favorecidas. uma vez que. Comparativamente a 1993. por sua vez. em 2005. Tomando como exemplo a jornada em período integral – de 40 a 44 horas semanais –. diferencial esse que se agudizou no período analisado. 96% das trabalhadoras domésticas. set. Na mesma tabela. é possível constatar a queda nos rendimentos do trabalho entre trabalhadores mais escolarizados. mas apenas 35% das mulheres ganhavam mais de cinco salários mínimos em 2005 (Tab. em 2005. que corresponde ao ensino superior. 21). mais uma vez se constata que. no mínimo. 62% dos homens. aquela discriminação parece ainda mais evidente: na faixa de 15 anos e mais de estudo. tanto em 1993 como em 2005.

687 100.7 0.425 100.2 0.4 2.6 31.0 96.713.4 19..0 20.445.4 860.880 100.950.603.2 22.6 35. set.296 100.471 100.4 0.202 100.0 100.0 100.5 26.0 84.172.0 2.225.2 0.473 100.2 4.0 2.0 5.0 89.4 969.598.0 100.0 69.119 100.5 8.6 5.4 2.617.3 12.8 38.01 0.242 100. Cadernos de Pesquisa.0 51.8 26.0 2.7 0.2 0.157.0 100.0 100.778 100.858 100.310.8 2.1 0.0 22.5 12.2 29.531 30.6 61.880.1 0.Trabalho e gênero no Brasil.4 25.8 2.676.0 452.7 0.1 0.4 0.0 16.257.7 2.1 0.456. 37.7 0.7 14.5 11.631 100. TABELA 21 DISTRIBUIÇÃO DOS OCUPADOS NO TRABALHO PRINCIPAL.206.4 7.0 63.884 100.0 3.147 15.0 100.0 100.0 100.175.0 61.8 6.0 76.2 1. n.1 428.6 1.8 5.2 68.0 100. 132.149 100..5 12.4 986.6 35.0 56.9 8./dez. v.0 100.1 0.0 100.652 100.5 0. POR SEXO E POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO BRASIL Posição na ocupação e classes de rendimento mensal do trabalho principal Empregados (NA) % Até 2 SM Mais de 2 a 5 SM Mais de 5 SM Sem rendimento Trabalhadores domésticos (NA) % Até 2 SM mais de 2 a 5 SM mais de 5 SM Sem rendimento Contas-Próprias (NA) % Até 2 SM mais de 2 a 5 SM mais de 5 SM Sem rendimento Empregadores (NA) % até 2 SM mais de 2 a 5 SM mais de 5 SM Sem rendimento Consumo próprio (NA) % Sem rendimento Não Remunerados (NA) % Sem rendimento Sem declaração (NA) % Ignorado Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados.6 12.703 100.0 100.971 100.0 81.2 45.5 0.0 _ _ _ 6.0 93.9 1.771 100.0 _ _ _ 569 .228.0 3.784 100.117 100.814 100.5 5.4 9.871 17.0 475 100.0 10.0 100.3 32.2 12.540. 2007 2002 2005 Homens Mulheres Homens Mulheres 27.219 100.2 43.0 13.6 0.339.

6 1. entretanto./dez.7 11. set. n.0 56.9 100.9 100. A persistência de traços de segregação se revela também em outras dimensões: na esfera ocupacional. o maior contingente de trabalhadoras.4 1.6 4.9 100.2 17.1 61.5 7.3 35.8 100.3 1.Maria Cristina Aranha Bruschini TABELA 22 RENDIMENTO DOS OCUPADOS POR SEXO SEGUNDO FAIXAS DE HORAS TRABALHADAS E ANOS DE ESTUDO (EM %) BRASIL 1993 Classes de Jornada de ( 40 a 44 horas) Até 2 SM Mais de 2 a 5 SM Mais de 5 SM Sem rendimento Total Até 2 SM Mais de 2 a 5 SM Mais de 5 SM Sem rendimento Total 48 27.2 14.3 23.0 8.3 32. 2007 . trabalho. 132.1 41.0 57.2 100. embora tenham persistido. mais de 30% da força de trabalho feminina.0 Jornada de trabalho integral (40 a 44 horas) rendimento mensal trabalho integral 2005 Escolaridade superior (15 anos e mais de estudo) Fonte: FIBGE/PNADs-Microdados. seja a de nível superior.3 100. em que as trabalhado570 Cadernos de Pesquisa. arquitetura e mesmo na engenharia.1 26.7 100.0 Mulheres 12. v. No primeiro caso.0 Escolaridade superior (15 anos e mais de estudo) Homens 4. movidas pela escolaridade – seja a de nível médio. as trabalhadoras mais instruídas passaram a ocupar postos em profissões de prestígio – medicina.9 0.4 20.5 12.7 9.0 19. ao mesmo tempo. No segundo caso. tradicional reduto masculino – assim como cargos executivos em empresas do setor formal. no qual as jovens superam os jovens.2 51. no qual as mulheres consolidaram presença bem mais elevada do que a dos homens –.7 5. direito. magistratura. principalmente no setor agrícola. continua sendo composto por um grupo de ocupações precárias: empregadas domésticas – 75% das quais sem registro em carteira – trabalhadoras não remuneradas e aquelas que trabalham para o próprio consumo e o consumo familiar.0 64. 37. inúmeras condições desfavoráveis.6 25.1 100.4 3.7 76.

mesmo quando os filhos são muito pequenos. p.A30. (Série II Congresso Latino-Americano de Sociologia do Trabalho) . 7. em cursos. 132. como o setor de serviços. Fazendo as perguntas certas: como tornar visível a contribuição econômica das mulheres para a sociedade? In: ABRAMO. esp. n. tab.) Gênero e trabalho na sociologia latino-americana. ocupações e áreas de trabalho tradicionalmente femininas.2. jul. p. BRUSCHINI. A. Rio de Janeiro: Alast. maio 2006.Trabalho doméstico: inatividade econômica ou trabalho não remunerado? Revista Brasileira de Estudos de População. mas são mais elevadas quando eles chegam aos sete anos e elas passam a ser ajudadas pela escola. arquitetas. R. de P . set.30. em maior número. n. p.277-294. LOMBARDI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOLETIM MERCADO DE TRABALHO. v. As taxas de atividade das mães aumentaram na década analisada. o social. em setores.67-104. Desemprego. 2007 571 . casadas e mães trabalham. casa e família. São Paulo. A Bipolaridade do trabalho feminino no Brasil contemporâneo.110. 1/2. familiares e profissionais... como se constatou através do elevado número semanal de horas de trabalho que elas dedicam a essas atividades. R. Mas as condições de desigualdade perante os homens se revelam também na persistência da responsabilidade das mulheres e das mães pelos afazeres domésticos e pelos cuidados com as crianças e demais familiares. L. v. como na jornada de trabalho. Revista dos Tribunais. 1990.. n. ABREU. O texto mostrou a manutenção de um perfil de força de trabalho feminina que vinha sendo forjado desde os anos 80 do século XX: mulheres mais velhas. advogadas e engenheiras: mulheres em carreiras profissionais de prestígio. C. Fundação Carlos Chagas.24. no desemprego mais elevado e nas desigualdades salariais em relação aos colegas do sexo oposto. Cadernos de Pesquisa. (orgs. profissões e empresas em segmentos culturais. ras permanecem. 2006. M.Médicas. mesmo quando as condições são semelhantes entre os sexos. v. sociais e de humanidades.9-24. Mulher. Revista Estudos Feministas. mesmo quando os filhos são pequenos./dez. a administração pública. BRUSCHINI. n. Cadernos de Pesquisa. . 37. no nível de escolaridade e outras. apesar das dificuldades para conciliar responsabilidades domésticas.. São Paulo: Vértice. n.Trabalho e gênero no Brasil. C. p. em todas as situações examinadas.A4. 1999. 2000.. 1998. .

.fcc. 37.22. Síntese de indicadores sociais 2005. Rio de Janeiro.31-47. (Informe bienal) Recebido em: maio 2007 Aprovado para publicação em: maio 2007 572 Cadernos de Pesquisa. BRITO. Acesso em: 14 jan. BRUSCHINI. 1999. Convention on the elimination of all forms of discrimination against women: country reports – Japan. v. Cadernos de Pesquisa. Pesquisa sobre padrões de vida 1996 e 1997. set. Trabalho remunerado e trabalho não-remunerado..34. VENTURI.Maria Cristina Aranha Bruschini BRUSCHINI. France. 132. fatos estilizados e mudanças estruturais. 2004. n. C. M. S. Trabalho. In: OLIVEIRA. R. S. Rio de Janeiro. 2. In: FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A MULHER. A Situação do trabalho no Brasil. PUPPIN. Rio de Janeiro. A Mulher brasileira nos espaços público e privado. M.6093. 2006. FONDO DE DESARROLLO DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA MUJER.br>. n. RECAMÁN. p. de. 2004. B. New York. . 2007./dez. SORJ. jan. . Brasília: Fundação Ford. Pesquisa nacional por amostra de domicílios: síntese de indicadores 2005. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo. Rio de Janeiro. DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICAS E ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS. nov. M.un. Notas técnicas: síntese de indicadores sociais 2003. p. São Paulo. Rio de Janeiro. 17) RAMOS.121.ed. 2001. O Funcionamento do mercado de trabalho metropolitano brasileiro no período 1991-2002: tendências. renda e políticas sociais: avanços e desafios. C. B. 2004. Disponível em: <http://www. Trabalho de mulheres executivas no Brasil no final do século XX. 2005.105-138. El Progreso de las mujeres en el mundo. 2006a. Cepia. Disponível em: <http://www. . 2006.. n.107-119.. O Progresso das mulheres no Brasil.htm>. p. A. UNITED NATIONS. G. L. São Paulo. Banco de dados sobre o trabalho da mulher. Boletim Mercado de Trabalho. UNBEHAUM. p./abr. 2007 . Division of Advancement of Women. v. FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Acesso em: 6 fev. LOMBARDI.2003.org/womenwatch/daw/cedaw/reports. 2000.org. (Série Estudos & Pesquisas – Informação Demográfica e Socioeconômica. FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS.