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‘INTERAÇÕES CORPO, VOZ E MÚSICA’

AULA ESPETÁCULO COM MAMOUR BÁ E EDA COSTA


PROJETO ENCONTROS PARA REFLEXÃO

O projeto Dança Nêgo tem continuidade e propõe uma reflexão prática sobre a interação
da música e das expressões do corpo nos processos de sensibilização e educação
levando em consideração a diversidade implícita nas influências culturais no contexto
brasileiro. Através de uma aula espetáculo os artistas Eda Costa e Mamour Bá colocarão
a disposição dos alunos/ platéia suas habilidades espetaculares no intuito de conduzir
uma performance interativa.
A aula espetáculo “Interações corpo, voz e música "se insere na ação “Encontros para
Reflexão” promovida pelo Centro Cultural UFMG.
O exercício da reflexão é um dos caminhos fundamentais para o avanço das pesquisas
nas diversas áreas de conhecimento. Por esta visada, esta ação sugere como foco
reflexivo, o ensino de música nas escolas brasileiras sem deixar de considerar o
corporalidade dos alunos.

O pensamento de musicalização nas escolas no Brasil iniciou-se no século 19. A


aprendizagem musical era baseada nos elementos técnico-musicais e realizada, por
exemplo, por meio do solfejo. No fim da década de 1930, no entanto, Antônio Sá Pereira e
Liddy Chiaffarelli Mignone buscaram inovações. Sá Pereira defendia a aprendizagem pela
própria experiência com a música; Chiaffarelli propunha jogos musicais e corporais e o
uso de instrumentos de percussão.
Naquela época, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) ganhava destaque. Em 1927, três anos
depois de conviver com o meio artístico parisiense, ele voltou ao país e apresentou, em
São Paulo, um plano de educação musical. Em 1931, o maestro organizou uma
concentração orfeônica chamada Exortação Cívica, com 12 mil vozes. Após dois anos,
assumiu a direção da Superintendência de Educação Musical e Artística, quando a
maioria de suas composições se voltou para a educação musical.

Em 1932, o presidente Getúlio Vargas tornou obrigatório o ensino de canto nas escolas e
criou o curso de pedagogia de música e canto.
Em 1960, projeto de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro para a Universidade de Brasília (UnB)
deu novo impulso ao ensino da música, com a valorização da experimentação. A idéia era
preservar “a inocência criativa das crianças.” Duas décadas depois, a criação da
Associação Brasileira de Educação Musical e da Associação Brasileira de Pesquisa e
Pós-Graduação em Artes Cênicas (Abrace) contribuiu para a formação de professores no
ensino das linguagens artísticas em várias universidades. No ensino de música, a
experiência direta e a criação são enfatizadas no processo pedagógico.
Na década de 1990, o ensino de artes passou a contemplar as diferenças de raça, etnia,
religião, classe social, gênero, opções sexuais e o olhar mais sistemático sobre outras
culturas. O ensino passou a ter valores estéticos mais democráticos.

Atualmente, a aprendizagem musical deve fazer sentido para o aluno. O ensino deve se
dar a partir do contexto musical, cultural e da região na qual a escola está situada, não a
partir de estruturas isoladas. Infelizmente o valor para a corporalidade que interage com

Centro Cultural UFMG


Av. Santos Dumont, 174 - Pça Rui Barbosa - fones: 3409 1090 – web:
www.centrocultural.ufmg.br
Assessoria de Comunicação: Cida Spínula
esta musicalidade ainda não tem a devida importância. Qual será o motivo
para esta defasagem de importância?
Este tipo de reflexão pode e deveria ser mais estimulada nas várias
instâncias da sociedade.
Eda Costa é cantora e foi aluna da cantora Babaya. Eda gravou com os renomados
músicos Paulinho Pedra Azul e Sérgio Pererê. Paralelo a sua carreira de cantora
intérprete ela desenvolve preparação vocal específica para agrupamentos cênicos e
corais grupos como o Teatro Negro e Atitude (TNA), Cia Acômica , Cia Lúdica e o coral
Agbára – Vozes da África. Atualmente é professora da escola de teatro da PUC-Minas e
canta na banda Oncotô.

Mamour Bá é de origem senegalesa e dedica-se a música desde os 07 anos. É


compositor, cantor, arranjador, percussionista e bailarino. Aprendeu a arte e ciência dos
tambores na própria convivência com o seu povo, que resguarda tradição e
conhecimentos milenares.
Formado pela Universidade de Arte de Dakar, pela Faculdade de Dança Moderna Mudra
(Dakar) e mestrado em música pela Universidade de Versailles (França).
Com apoio da Unesco, fez intercâmbio na França, Estados Unidos, Canadá, Espanha,
Itália, URSS, Alemanha, Japão, China e Holanda. Integrou-se no grupo de pesquisas da
Universidade de Arte Africana, passando por mais de 20 países africanos.
Destacou-se em diversos grupos africanos, como: Ballet Folclórico Foula Kandes e Ballet
Tambores de Fogo, ambos no Senegal, Grupo Vocal As Vozes da África, do Guiné.
No Brasil destacou-se em importantes eventos, como o Festival Internacional de Arte
Negra, o Projeto Todos os Cantos do Mundo-Sesc/SP, o Festival de Folclore de Montes
Claros, o I Congresso Internacional de Naturologia Aplicada, participação especial no
show da banda Cidade Negra, dentre outros.
Em Buenos Aires se apresentou em uma das mais tradicionais casas de espetáculo, La
Trastiena, e também no Centro Cultural Recoleta.
Grava seu primeiro CD, O Corpo é Sonoro, no Mosteiro São Bento, em São Paulo.
Além de divulgar a música africana, como cantor e percussionista, Mamour realiza
palestras, workshops de dança e sons por todo mundo, utilizando a voz, o ritmo, a
expressão e o canto, como instrumento para crescimento e transformação interior do ser
humano.

A aula espetáculo ‘Interações Corpo, Voz e Música” vai acontecer no dia 20 de agosto,
às 19 horas, no Centro Cultural UFMG, as inscrições são gratuitas.

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