As propostas de cartografia no novo currículo de geografia das escolas estaduais paulistas: a preparação de professores e alunos para esse novo

contexto.

Autor: Thiago Fernandes Ortega Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo: Quando se trata do ensino de cartografia dentro do ensino básico, as dificuldades são muitas, e não se restringe apenas aos alunos, mas também aos professores que ministram geografia. Essas limitações acabam dificultando ainda mais a aquisição de noções básicas de cartografia pelos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, o que vai se refletir em todos os níveis de ensino. Nesse contexto, pensar a formação continuada de professores de geografia é essencial, sobretudo dentro da cartografia onde muitos possuem dificuldades. Grande parte dos professores estudou geografia numa perspectiva tradicional, fazendo com que o professor muitas vezes não trabalhe com esse conteúdo por não ter conhecimento de como fazer. Diante disso é que no trabalho buscou-se desenvolver um projeto na escola estadual de São Paulo, Deputado Augusto do Amaral primeiramente trabalhando de forma efetiva com os professores, principalmente de geografia, identificando suas principais dificuldades e posteriormente organizando grupo de estudos e oficinas para em um primeiro momento preparar os professores para o desenvolvimento de atividades com os alunos. Em um segundo momento, após uma preparação básica dos professores, buscou-se identificar as principais dificuldades dos alunos, e elaborar atividades interdisciplinares que utilizassem elementos básicos de cartografia, principalmente nas turmas do 6º ano do ensino fundamental dois, que é o ano inicial desse ciclo, onde é necessário fazer um trabalho mais incisivo como forma de minimizar as dificuldades nos anos posteriores da vida escolar. Destaca-se também, que o trabalho nasce em um contexto em que esta sendo implantado nas escolas estaduais de São Paulo um novo currículo com planos de aulas e atividades bem definidas e no caso de geografia, observa-se um grande número de atividades ligadas a cartografia, nas quais alunos e professores apresentam sérias dificuldades. O trabalho buscou então, analisar as atividades do novo currículo, identificar as principais dificuldades dos professores e alunos em relação aos conteúdos de cartografia. Com esse levantamento, como um primeiro passo pretende através de grupo de estudos e oficinas preparar e auxiliar os professores e posteriormente desenvolver atividades com os alunos para trabalhar os conceitos fundamentais, como forma de possibilitar a continuidade dos estudos sem tantas deficiências e dificuldades, sobretudo nesse novo contexto da utilização de um

novo currículo que desenvolve um grande número de atividades ligadas à cartografia dentro da geografia.

Palavras-chave: Currículo de geografia, cartografia escolar, formação de professores.

Introdução:

Desde o ano de 2008 o Estado de São Paulo implantou em suas escolas um novo currículo, que deve ser trabalhado em toda rede pública de uma forma mais unificada garantindo assim que no Estado inteiro esteja sendo desenvolvido o mesmo programa e os mesmos conteúdos. Pensando somente por esse ponto já percebemos o quanto a questão pode ser polêmica, já que as escolas em diferentes partes do Estado, e até mesmo em diferentes partes de uma mesma cidade, possuem características distintas. Ao homogeneizar o sistema de aprendizagem, deixamse de lado essas particularidades, que precisam ser levadas em consideração, tendo em vista que possuem grandes conseqüências quando se pensa em planejamento das aulas, didática, aproximações com a realidade, especificidades no conhecimento da vivência do aluno entre outros fatores. Ao analisar o currículo, percebemos claramente que ele se encontra dentro de um contexto político que busca resultados imediatos, sua forma de organização e aplicabilidade representa claramente uma forma de pensar e conceber a educação.È importante ter clareza das intenções que estão por trás dessa nova política. Os currículos escolares não são apenas uma série de conteúdos de uma disciplina que estão organizados dentro de uma grade de acordo com alguns parâmetros. Pensar um currículo implica certamente em conflitos, em disputas ideológicas e relações de poder. Assim o currículo certamente se apresenta como uma expressão social e cultural ele é pensado dentro de suas determinações sociais, de sua história, de sua produção contextual. Esses aspectos são fundamentais de serem considerados, já que o currículo não é elemento inocente e neutro, mas esta vinculado a relações de poder, transmite visões sociais particulares e intencionais, influenciando a construção de identidades individuais e sociais específicas. O currículo não é atemporal ele tem uma história, vinculadas as formas específicas e contingentes de organização da sociedade da educação. Nesse sentido, faz-se necessário estarmos atentos aos “porquês” das formas de organização curricular, e conseqüentemente conferir maior ênfase ao que possa contribuir para o tipo de cidadão que se deseja formar. (SILVA & MONTEIRO, 2005) Compreender o currículo nessa perspectiva é essencial, pois dentro do contexto da criação do currículo do Estado de São Paulo esses fatores estão presentes e devem ser prioritariamente considerados. As escolas paulistas desenvolvem hoje um currículo, que sofre muitas criticas, por não ter sido concebido de uma forma coletiva levando em consideração a opinião e os conhecimentos dos agentes que estão na base desse processo: os professores. Ao desenvolver o trabalho dentro da escola Estadual Deputado Augusto do Amaral, temos clareza desses fatos, e da

importância da discussão deles. Muito mais do que criticar o currículo é de fundamental importância pensar como a geografia que aparece nele esta sendo pensada, qual é a proposta para a geografia que esta por trás desse currículo, que vai direcionar as práticas na sala de aula. Essas questões devem ser refletidas e discutidas com muita seriedade, entretanto não podemos esquecer que esse novo currículo esta posto nas escolas e vem sendo desenvolvido com os alunos. Por isso é que a proposta do trabalho que vem sendo desenvolvido pretende pensar como através desse novo contexto, pode-se auxiliar os professores no desenvolvimento das atividades que são propostas, sobretudo na área da cartografia. Dentro desse novo currículo onde o foco é o ensino de Língua Portuguesa e Matemática, a geografia aparece com várias propostas de atividades ligadas a cartografia, com foco na leitura e interpretação de representações gráficas e cartográficas. Diante disse é perceptível que muitos professores possuem grandes dificuldades em trabalhar as atividades propostas, e de levar aquelas atividades para algo mais complexo que busque deixar de lado a repetição e a memorização, para de fato alfabetizar o aluno cartograficamente. Sendo assim para a realização desse trabalho diminuímos em um primeiro momento, a análise crítica da proposta e de sua concepção e começamos a considerar o que de fato vem acontecendo que é a sua aplicação no dia a dia dentro da escola, e a partir dessa realidade posta, para pensar como ela vem acontecendo e sendo desenvolvida dentro da escola. Procuramos refletir como através dela auxiliar os professores, para que trabalhem com esses conteúdos com mais segurança e que possam dentro das possibilidades tratar o material que esta sendo utilizado de uma forma mais crítica e coerente com o que se concebe como ensino de cartografia hoje.

A Cartografia e sua importância dentro da geografia

Como disciplina escolar a geografia possui grande importância já que é capaz de auxiliar o aluno na compreensão de sua realidade além de seu papel na conscientização e na formação de um aluno político, dessa forma como coloca o Professor Jose Willian Vesentini, em sua homepage “Geocríticia”, ensinar geografia trata-se,

de um ensino não mais conteudístico e sim voltado para o desenvolvimento de competências, de habilidades e atitudes, nos educandos: aprender a aprender ou a pesquisar, aprender a discernir o que é confiável do que não é, aprender a raciocinar logicamente, desenvolver um senso crítico, desenvolver sua criatividade, sua capacidade de ter iniciativa própria, de liderar, de não ter preconceitos, etc. E um ensino critico da geografia que se direcione nesse mesmo sentido da escola para o século XXI, ou seja, bem menos conteudístico e mais voltado para contribuir para o desenvolvimento daquelas competências nos educandos.

Partindo desses princípios, é que a proposta de pesquisa que segue procura ressaltar a importância do ensino da geografia, sobretudo com a utilização da cartografia como recurso didático. Fica impossível desvincular o estudo da geografia, de suas manifestações, relações e interações no espaço, dessa forma a cartografia se apresenta como um instrumento primordial na representação de fenômenos. Assim, admitindo a importância da cartografia dentro do ensino da geografia nas escolas, e também a utilização dos livros didáticos como principal instrumento de apoio pedagógico para o professor, é que se propõe a análise dos livros didáticos utilizados nas escolas publicas estaduais do Estado de São Paulo, com objetivo de investigar se as representações cartográficas aparecem dentro de uma proposta pedagógica que tenha como perspectiva a formação de um aluno leitor crítico e mapeador consciente (Simielli, 1994). È importante que a cartografia escolar, seja desvinculada da idéia de formar simplesmente um aluno copiador de mapas, o objetivo central é que ela possibilite ao aluno pensar e entender os fenômenos representados, que de fato torne possível a compreensão crítica do assunto que esta sendo estudado.

Justificativa:

Ao pensar e refletir a geografia como ciência e suas formas de estudo e análise da realidade, fica evidente sua importância como disciplina escolar dentro do ensino básico no Brasil. No contexto da sala de aula, a geografia deve sempre procurar entender e expressar as diversas relações sociais que agem de forma efetiva na produção do espaço tem que pretender estabelecer conexões entre o conteúdo ensinado e as relações sociais e espaciais cotidianas, já que só assim é possível compreender de fato a dinâmica da sociedade. Então a geografia deve obter como meta a formação de um aluno-cidadão que seja capaz de pensar e analisar a realidade na qual esta inserido, de forma crítica e consciente. Sendo assim a geografia tem que ser pensada como uma disciplina viva e dinâmica, que desafie os alunos e educadores, e dessa forma se constitua numa área do conhecimento que contribua para uma das principais funções da formação escolar, que é formar um cidadão político. Ela deve apresentar uma visão que propicie a observação, a análise, a percepção e a compreensão do espaço geográfico, enquanto espaço da ação humana em interação com a natureza, portanto um espaço em constantes metamorfoses e movimentos com inúmeras contradições que surgem como conseqüência das diferentes formas de relação com a sociedade. O espaço da sala de aula torna-se então, fundamental para que sejam propostos diálogos, com o objetivo de discutir as diferentes experiências vivenciadas no cotidiano, abrindo a possibilidade do surgimento de diferentes temas e visões e nesse sentido encaminhando as aulas para formas diversas de problematização. Ao educador cabe sempre, buscar novas propostas pedagógicas e novos processos de ensinoaprendizagem que considere os novos desafios que nascem das novas proposições de trabalho. Dentro dessa perspectiva, ao ministrar suas aulas o professor de geografia não pode deixar de utilizar os recursos cartográficos já que são importantes recursos didáticos, essenciais para o alcance de seus objetivos, e nesse sentido é que cabe discutir a utilização dos mapas no ensino de geografia, sobretudo nas séries que envolvem o atual ensino fundamental II, já que nessa fase é que torna-se central, principalmente nas séries iniciais desse ciclo, o amadurecimento do aluno que nesse momento deve estar no final do processo de alfabetização cartográfica e assim caminhando para uma etapa posterior, mais complexa que tem como objetivo fazer com que o aluno, como coloca Semielli (2004), venha a ser um aluno crítico e um mapeador consciente. Sendo assim é de extrema importância procurar desenvolver com os alunos a linguagem cartográfica, tendo em vista que ela auxilia de forma essencial o professor a alcançar os objetivos da geografia como ciência dentro do ensino, através dela é possível sintetizar informações, expressar fenômenos, estudar diversas situações, sempre destacando a idéia central de produção do espaço, sua organização e sua distribuição. Nesse contexto a cartografia contribui para

construção e representação das relações sociais em interação com o ambiente (espaço). Na escola o uso da cartografia possibilita a criança desenvolver a capacidade de percepção do seu espaço de vivência, através de informações visuais, como: símbolos, cores, signos, etc.; é capaz de codificar as informações de forma a espacializar os fenômenos geográficos, sendo dessa forma um processo importantíssimo, que possibilita atingir os níveis de abstração necessários a construção do saber geográfico. O desenvolvimento das habilidades cartográfica, por sua vez, não mostra-se importante apenas no sentido de formar um aluno leitor de mapas, mas sim em alunos que saibam produzir mapas, que consigam interpretá-los e analisá-los de forma critica e coerente, ou seja ao educador cabe ensinar os alunos a observar as informações e organiza-las de forma intencional e orientada. O trabalho com mapas na sala de aula deve ser desenvolvido de uma forma em que a representação cartográfica passe pelo processo de formação, ou seja, em que ela possa ser construída lenta e gradativamente, fazendo com que o aluno seja capaz de tomar consciência da realidade e do fenômeno que pretende representar, já que quando adquire a consciência da representação ele pode tornar-se um usuário capaz de ler e interpretar mapas elaborados por outros, portanto ao se trabalhar a tarefa de mapear pretende-se mostrar caminhos para que o estudante possa desenvolver cada vez mais sua capacidade de interpretação crítica das informações representadas. Sendo assim, as propostas para os alunos entenderem a linguagem não deve estar ligada somente a idéia de pintar ou copiar contornos, mas sim em “ fazer o mapa”, ao acompanhar a metodologia de cada passo da elaboração da imagem, ele se familiariza com a linguagem cartográfica. Possivelmente no desenvolvimento desse processo, os alunos se deparem com algumas dificuldades, principalmente no que diz respeito nas formas, e símbolos utilizados na representação, mas é vivenciando essas dificuldades que eles serão capazes de construir noções mais profundas de um sistema de representação de imagens .Ao ter que generalizar, selecionar, interpretar as informações a serem mapeadas, é que os alunos poderão tomar consciência dessas informações, colaborando assim para um desenvolvimento de um raciocínio lógico. Por isso, dentro do ensino básico fica evidente a importância do desenvolvimento da cartografia, já que um mapa é uma forma de comunicação. Através de propriedades da linguagem visual que considera: as tonalidades, cores, formas e texturas, é formada uma imagem que transmite uma informação, ou seja, funciona como um instrumento de comunicação, com isso é que dentro do ensino o processo de elaboração cartografia precisa ser mais amplamente compreendido e elaborado. O mapa, então precisa ser entendido como um recurso pedagógico que desenvolva a linguagem gráfica, segundo ARCHELA (1993),

o mapa tem sido utilizado no ensino de Geografia, muito mais como recurso visual. Independente da abordagem teóricometodológica adotada pelo professor, na maioria dos casos, o mapa serve apenas para mostrar e comparar localizações, distribuições e, relações de fenômenos que ocorrem no espaço e que podem ser representados. Em poucas situações utiliza-se o mapa como um recurso didático-pedagógico, no sentido de proporcionar aos alunos o desenvolvimento da linguagem gráfica. Nesse sentido, considerando que os conteúdos de geografia dentro da escola, para conseguir ser compreendido de forma mais ampla e completa pelo aluno, necessitam da utilização de recursos gráficos, sobretudo a geografia que não pode deixar de considerar os fenômenos geográficos sem considerar suas manifestações e relações no espaço, é que o mapa mostra-se um instrumento fundamental, e como já foi ressaltado não somente o ensino pelo mapa é importante, mas também o processo de desenvolvimento dele. Sendo assim, é de extrema importância o ensino de cartografia dentro das escolas, sobretudo, como já foi dito nas series inicias do ensino fundamental, quintas e sextas séries que é o momento pela qual o aluno deve adquirir os conceitos básicos de cartografia que serão indispensáveis para a continuação de seus estudos nas series seguintes. Sem uma boa compreensão dos conceitos fundamentais da cartografia nos anos inicias de estudo, certamente o aluno apresentará dificuldades, não conseguindo passar por etapas mais complexas de análise e interpretação de informações cartográficas. Dessa forma sabendo que as crianças de hoje estão em contato direto com diferentes fontes de informação, e tem a sua atenção voltada para diferentes linguagens da comunicação é que se torna necessário aproximar as práticas de ensino dos novos meios de comunicação que despertam o interesse dos alunos, fazendo com que o ensino de determinados conteúdos se dê de forma mais eficaz e motive o aluno a exercitar e assimilar determinados conceitos desenvolvidos em sala de aula. A geração das crianças nascidas em contato com uma serie de novas tecnologias, apresenta muitas diferenças em relação às gerações anteriores e com isso as escolas e professores devem se adequar a esse perfil, buscando formas diferenciadas de ensino que possa aglutinar o interesse dos alunos pelas novas formas de comunicação com os conteúdos e conceitos que devem ser trabalhados no currículo escolar. Diante da dificuldade hoje de envolver o aluno e despertar seu interesse para os conteúdos desenvolvidos na escola, é que surge a preocupação de buscar novas práticas docentes que possibilite associar as linguagens de interesse do aluno, com os conceitos que devem ser trabalhados em sala de aula.

Aspectos essenciais para se pensar o ensino de cartografia

Como foi colocado a cartografia dentro do ensino de geografia é de fundamental importância, sobretudo o desenvolvimento de alguns conceitos básicos nas séries inicias do ensino fundamental II, fase pela qual os alunos estão na etapa final do processo de alfabetização cartográfica. O trabalho então, busca através do material que hoje é utilizado nas escolas estaduais paulistas, trabalhr a cartografia de forma crítica, desenvolvendo atividades que busque de fato formar um leitor crítico de mapas e um mapeador consciente. Contudo para que isso seja possível, são fundamentais três aspectos básicos: professores preparados, estrutura escolar mínima e planejamento adequado. Assim o intuito do projeto é trabalhar principalmente considerando esses três focos, ou seja, a formação de professores, e elaborar uma proposta de ensino de cartografia que considere o uso das diferentes linguagens através de práticas acessíveis que possam ser desenvolvidas com certa facilidade pelo professor, sobretudo nas escolas públicas, que apresentam maiores deficiências em relação a recursos e a estrutura física. A seguir, então, algumas considerações a respeito dos aspectos básicos, essenciais para a prática de ensino através das novas linguagens: •

Formação de Professores: Quando se trata do ensino de cartografia dentro do ensino básico, as dificuldades são muitas, e não se restringe apenas aos alunos, mas também aos professores que ministram geografia. Essas limitações acabam dificultando ainda mais a aquisição de noções básicas de cartografia pelos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, o que vai se refletir em todos os níveis de ensino. Nesse contexto, pensar a formação continuada de professores de geografia é essencial, sobretudo dentro da cartografia que oferece grandes dificuldades, mesmo porque grande parte dos professores estudou geografia numa perspectiva tradicional, fazendo com que o professor muitas vezes não trabalhe com esse conteúdo por não ter conhecimento de como fazer, já que mesmo no decorrer de sua vida como estudante no ensino básico não aprendeu esses conteúdos, fato que se reflete na suas dificuldades de ensinar e trabalhar cartografia dentro da sala de aula. Assim, a formação continuada do professor, é de total importância, pois se apresenta como uma forma contínua de reelaborar e reaprender práticas pedagógicas essenciais para a formação do aluno. Diante desse quadro, é que surge a idéia de buscar colaborar com o profissional professor de geografia, na tarefa de ensinar cartografia, principalmente no ensino fundamental. Pensar e refletir o ensino de cartografia, com foco na formação de professores. Sobretudo no que diz respeito a auxiliar esse profissional, a não somente ser treinado com técnicas e metodologias para o ensino de cartografia, mas ajudar em uma compreensão mais profunda, na perspectiva de colaborar para

que o professor entenda como se dá o processo de aprendizagem do aluno dentro de sua faixa etária, principalmente no que diz respeito à cognição e à capacidade de percepção que esse aluno tem no processo de representação do espaço e seus fenômenos por meio de técnicas cartográficas. •

Novas Linguagens Pensar hoje em uma proposta didática com o objetivo de ensinar um determinado conteúdo não é uma tarefa fácil, o assunto requer uma série de reflexões, sobretudo pelo fato de envolver algumas variáveis que vão desde o sujeito(individual), até o contexto social na qual ele se insere. Sendo assim ao propor um determinado caminho, temos que tentar escolher formas capazes de se comunicar com diferentes pessoas, formas de pensar e de compreender as coisas por isso a complexidade e a dificuldade ao tratar desse assunto. Dessa forma um mesmo assunto pode ser entendido por diferentes métodos didáticos, e seu sucesso pode variar de pessoa para pessoa, dependendo das dificuldades, das formas que cada individuo pensa e compreende a realidade na qual esta inserido. Não que tenhamos que conceber várias didáticas diferentes, na verdade o processo didático pode ser dividido em vários planos humano, técnico e cultural e vê-se que, em cada um deles, contribuições de áreas diferentes se tornam úteis e mesmo necessárias...Há uma dupla dimensão teórica e prática, e esta, em sua complexidade, exige recursos e técnicas, cuja eficiência é objeto de pesquisa e experimentação. Mas não existem duas Didáticas, uma teórica e outra prática: são duas faces da mesma moeda, e, como elas, interdependentes. (CASTRO, 1991) A compreensão da didática nessa perspectiva, considerando a prática e a teoria é de fundamental importância, já que ao conceber as práticas no ensino dessa forma, há maior possibilidade de sucesso, pois como já foi colocado cada individuo se adéqua melhor a uma maneira, por isso a necessidade de se trabalhar com linguagens diferenciadas que possam estimular os distintos grupos existentes, por exemplo, em uma sala de aula. Ao lidar com ensino, a busca em contemplar a todos os alunos, esta vinculada ao fato de que hoje não pode-se pensar a aprendizagem com o simples ato de adquirir informação. Discutir um conteúdo hoje na escola, possui uma intenção, de construir uma aprendizagem, revela um resultado desejado, um objetivo, um progresso cognitivo que possibilite ao aluno a capacidade de conhecer, aprender, relacionar, interpretar, ou seja, de conseguir construir o caminho para sua aprendizagem. Diante dessas considerações é que torna-se importante, para viabilizar o ensino de cartografia nas séries inicias do ensino fundamental, uma proposta que busque considerar essas diferenças e seja eficaz nas aquisição dos conceitos básicos de cartografia, fundamentais para a continuidade dos estudos nas séries posteriores, sobretudo dentro da geografia.

Diante da situação do contexto na qual nos inserimos hoje, não podemos deixar de considerar alguns aspectos que se relacionam no dia-a-dia dentro de uma escola.Temos o aluno, que convive em diferentes ambientes de aprendizagem. Há também as diferentes realidades de cada estudante tanto no aspecto socioeconômico como na capacidade de lidar com o processo de ensino-aprendizagem. E a escola e o professor que tem a difícil tarefa de atender essas diferentes realidades e conviver com todas as rupturas sociais, econômicas, éticas, etc. Assim ao pensar a proposta de utilizar diferentes linguagens dentro do ensino de cartografia, é necessário organizar e traçar um caminho metodológico organizado que busque alcançar os objetivos pretendidos e lidar com todas as diferenças existentes. Conforme Vygotsky (1991) o aprendizado organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer. Nessa perspectiva a proposta que segue de uso de diferentes linguagens dentro do ensino de cartografia, se apresenta em dois eixos: primeiro destacando os objetivos e as habilidades necessárias a serem desenvolvidas no ensino fundamental e posteriormente separando os conceitos básicos necessários de cartografia e associando a aquisição desse conceito por parte do aluno, utilizando como apoio didático uma atividade envolvendo o material que aparece dentro da proposta curricular.

Objetivos a serem alcançados com os alunos: Fazer com que o aluno domine diversas linguagens utilizadas (verbais e não-verbais). Resolver problemas Avaliar criticamente dados e situações Atuar sobre o entorno social Trabalhar em grupo Avaliar criticamente diferentes meios de comunicação e as informações por eles veiculadas Usar adequadamente os assuntos trabalhados dentro do ambiente escolar Colaborar com uma formação crítica e política do aluno Formar um aluno leitor crítico e mapeador consciente.

Algumas considerações a serem discutidas a respeito da formação do professor e as práticas em sala de aula

Para pensar a prática dos professores dentro da sala de aula, cabe aqui destacar alguns pontos que aparecem no trabalho do professor Paulo Cesar Gurgel de Albuquerque, do instituto nacional de pesquisas espaciais, ele coloca que os professores que recebem a incumbência para ensinar algo, deve primeiro justificar o “porquê” está ensinando esse algo, afinal aprender ou ensinar alguma coisa sem necessidade é desmotivante. Colocando em questão o aproveitamento do aluno, que não sabe por que está aprendendo tal assunto, e o desempenho do professor, que desconhecendo a aplicabilidade do tema no cotidiano sente-se impossibilitado de avançar e aplicá-lo no dia a dia da escola. Quem ensina cartografia deve ser essa preocupação. Atualmente observa-se que muitos profissionais estão envolvidos no ensino da cartografia, desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala, como é feita a representação do relevo, o que é uma projeção cartográfica etc, tudo isso desconsiderando o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola, quando do ensino de outras disciplinas, tais como geografia, história, sociologia, dentre outras, que se utilizando dessa ferramenta e de seus produtos auxilia na eficácia de seu aprendizado. Então como ensinar cartografia? Inicialmente é fundamental despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas, conduzindo-o a exercitá-la sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode ser iniciado com o aluno ainda na pré infância, através de informações apresentadas pela própria escola na forma de mapas, a respeito de sua vizinhança, acessos, meios transporte, segurança pública e etc. Essas informações são úteis tanto para os pais como para os alunos, que passarão a elaborar seus próprios "mapas" independente se sabem o que é escala, projeção ou qualquer outra técnica cartográfica. Trata-se do exercício cotidiano da cartografia como necessidade e do interesse do próprio aluno, que em conseqüência do seu processo de aprendizagem, aprimora e amplia o seu uso, incorporando novos conhecimentos. Outras perguntas podem ser formuladas, como por exemplo: Por que o interesse do ensino da cartografia nas escolas? Outras questões podem também ser levantadas. Cabe então ao educador, procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses. Entende-se que essas respostas devem convergir para os seguintes objetivos: Auxiliar no aprendizado da geografia, história e de outras disciplinas; Apoio às atividades cotidianas do aluno e na formação de sua cidadania.

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