CARTOGRAFIA SOB UMA NOVA PERSPECTIVA: O USO ESCOLAR DE IMAGENS DE SATÉLITE NO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA Graziella Martinez Souza

UFJF/UFF Sanderson dos Santos Romualdo UFJF RESUMO: A apreensão do conhecimento cartográfico seja nos níveis fundamental ou médio, é veiculada pela linguagem cartográfica, que representa a territorialidade dos diferentes fenômenos e constitui-se na razão de ser da ciência geográfica. Com a introdução e aprofundamento de metodologias e tecnologias de representação do espaço, a Geografia vem evoluindo e a Cartografia por sua vez, também tem se inserido na disseminação de novas tecnologias, levando os profissionais de forma geral na adoção de novas metodologias e técnicas – geoprocessamento, sistemas de informação geográficas, cartografia automatizada e sensoriamento remoto. Visto que com a evolução do Sensoriamento Remoto na aplicabilidade a diversas áreas do conhecimento – Levantamentos de Recursos Ambientais, Análise Ambiental, Estudos Urbanos, entre outras, nossa proposta aqui é fazer o uso das imagens de satélite (sensoriamento remoto) na sala de aula, visando um melhor aprendizado tanto teórico como prático, contribuindo para enriquecer o processo de ensino-aprendizagem. A utilização de imagens de satélite em sala de aula vem de encontro com a proposta de se romper uma pedagogia voltada para os meio tradicionais de ensino, facilitando a construção do raciocínio espacial do aluno. A presente proposta visa trabalhar os recursos da paisagem através das imagens, com uma aplicação na região que compreende o município de Juiz de Fora - MG. É fundamental fazer com que os alunos conheçam e reflitam a sua realidade local, pois a maior dificuldade dos livros didáticos adotados é a abordagem a nível global, que dificulta a compreensão do aluno. Portanto, trazendo para a sala de aula discussões, por exemplo, sobre os problemas ambientais que assolam a comunidade no entorno da escola, valorizam a construção do senso crítico e de uma cidadania ambiental. A presente proposta, também visa erradicar o sério problema da memorização dos conceitos geográficos, onde o aluno não aprende o conteúdo de forma eficaz e definitiva. Através das imagens, os alunos se familiarizarão com a realidade, eles poderão ver os conceitos aplicados nas imagens e assim de forma concreta apreender o conhecimento transmitido. A proposta é levar os alunos a praticarem uma aula de campo na própria sala de aula. Acredita-se então, que ao aplicar o uso escolar de imagens de satélite aos alunos, permitirá um processo de ensino-aprendizagem da Geografia e das modificações que vem ocorrendo no meio ambiente, através de uma nova perspectiva. Palavras-chave: Sensoriamento Remoto, Ensino de Geografia, Ensino de Cartografia e Cidadania Ambiental INTRODUÇÃO: A apreensão do conhecimento cartográfico seja nos níveis fundamental ou médio, é veiculada pela linguagem cartográfica, que representa a territorialidade dos diferentes fenômenos e constitui-se na razão de ser da ciência geográfica. Com a introdução e aprofundamento de metodologias e tecnologias de representação do espaço, a Geografia vem evoluindo e a Cartografia por sua vez, também tem se inserido na disseminação de novas tecnologias, levando os profissionais de forma geral na adoção de novas metodologias e técnicas – geoprocessamento, sistemas de informação geográficas, cartografia automatizada e sensoriamento remoto. Queremos aqui chamar a atenção para o sensoriamento remoto,

2 tecnologia que permite obter imagens e outros tipos de dados, da superfície terrestre, por meio de captação e do registro de energia refletida ou emitida pela superfície. O termo sensoriamento referese à obtenção dos dados, e remoto [...] é utilizado porque a obtenção é feita à distância, ou seja, sem contato físico entre o sensor e a superfície terrestre. (FLORENZANO, 2007, p.11)

nosso foco de estudo. Essa tecnologia tem sua origem ligada ao uso militar e ao surgimento das fotografias aéreas, datando de 1856 e 1862, respectivamente, quando a primeira fotografia aérea foi extraída de um balão e durante a guerra civil americana. O uso dessa ferramenta na sala de aula, para alguns professores defronta com o tradicionalismo pedagógico e metodológico, visto que muitos não estão acompanhando as inovações técnico-pedagógicas. Portanto, o uso das imagens de satélites durante as aulas vai de encontro com um dos grandes questionamentos do ensino de Geografia, a memorização dos conceitos geográficos, onde o aluno não aprende o conteúdo de forma eficaz e consolidado. A este tipo de educação Paulo Freire (2005) denominou “educação bancária”, que vai ao encontro do tradicionalismo. E sobre este tipo de educação ele problematiza as relações educador-educandos em diversos níveis no contexto escolar. Sendo estas relações o educador como um mero narrador de conteúdos e os educandos como simples expectadores dos conteúdos narrados.
Falar da realidade como algo parado, estáticos, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos vem sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação. A sua irreferada ânsia. Nela, o educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é “encher” os educandos de conteúdos de sua narração. Conteúdos que são retalhos da realidade desconectados da totalidade em que se engendram e em cuja visão ganhariam significação. (FREIRE, 2005, p.65-66)

Neste sentido o uso das imagens de satélite na escola permitirá/possibilitará um processo ensino-aprendizagem do espaço e das modificações que vem ocorrendo no meio ambiente, através de uma nova perspectiva. Por intermédio das imagens os alunos se familiarizarão com a realidade, compreendendo os conceitos aplicados no uso dessas, que por sua vez desencadeará a apreensão do conhecimento a ser construído na relação educador-educandos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem como diretrizes gerais,
que os alunos sejam capazes de perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente; e saber utilizar diferentes fontes de informações e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. (Brasil, 1998 - PCN MEC/SEF).

Com o uso das imagens de satélites, obtidas por meio de sensores remotos, na sala de aula, levará os alunos a praticarem uma aula de campo dentro da própria sala. Elencando o conceito e os recursos da paisagem – visto que esta pode ser entendida como “o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza” e que ainda a paisagem, transtemporal unindo presente/passado, se diferencia do espaço, sistema de valores, que se transforma permanentemente (SANTOS apud SUERTEGARAY, 2001) – com uma aplicação na região que compreende o município de Juiz de Fora - MG. É fundamental fazer com que os alunos conheçam e reflitam a sua realidade local, pois a maior dificuldade dos livros didáticos adotados é a abordagem a nível global, que dificulta a compreensão do aluno. Portanto, trazendo para a sala de aula discussões, por exemplo, sobre os problemas ambientais que assolam a comunidade no entorno da escola, valorizam a construção do senso crítico e de uma cidadania ambiental.

3 Segundo TAYLOR (1985),
os avanços tecnológicos e sócio-econômicos, denominado como revolução da informação, são tão extensos que se a Cartografia desejar fazer parte integral dessa reformulação será necessário mais que um desenvolvimento, requer alterações fundamentais em todos os níveis de educação, inclusive no que se refere ao treinamento dos profissionais de ensino.

DISCUTINDO O TECNOLÓGICAS

ENSINO

DA

CARTOGRAFIA

ESCOLAR

E

AS

INOVAÇÕES

As transformações que vem ocorrendo no campo dos conhecimentos geográficos representam desafios para a formação não apenas do Bacharel em Geografia, como também do Licenciado, aos quais precisam se adaptar às novas geotecnologias, que oferecem inúmeros benefícios no processo de ensino-aprendizagem. Para Florenzano (2002),
As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são um recurso didático poderoso em sala de aula, pois permitem uma visão sinótica e temporal da área de estudo. A partir dessas imagens podemos obter informações sobre a superfície terrestre e as ações antrópicas por ela sofrida, as quais são importantes no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente.

Diante dessas colocações pode se questionar porque os geógrafos – bacharéis e licenciados – não estão acompanhando essas transformações dos conhecimentos e a deficiência na estrutura curricular – introdução e habilitação dos professores nessa nova tecnologia da informação. Carneiro e Silva (2007), destacam
as habilidades e competências do professor de Geografia citadas nas Diretrizes curriculares para o curso de Geografia [...]: Ler, analisar e interpretar produtos de sensoriamento remoto e de sistemas de informação geográfica e outros documentos gráficos, matemático-estatísticos; tratar a Informação Geográfica, utilizando procedimentos gráficos, matemáticos e estatísticos; e organizar o processo espacial, adequando-o ao processo de ensinoaprendizagem em Geografia.

Segundo PASSINI (1998) “Os mapas geralmente são utilizados apenas como forma de ilustração e localização de fenômenos”. Sabemos da dificuldade da disponibilidade de mapas nas escolas públicas, muita delas possui mapas arcaicos que precisam ser revistos. O trabalho de compreensão e leitura de mapas demanda um processo que inclui diferentes fatores, dentre eles, principalmente, a maneira que o aluno será alfabetizado na leitura cartográfica. O trabalho com mapas não se restringe a observação e descrição de lugares. Serve também como meio de retirar, problematizar, reunir e criar uma série de informações para as aulas de Geografia, servindo como mais um instrumento mediador/gerador na classe para o processo de ensino-aprendizagem. Levando o aluno a compreender na prática e construir conceitos para toda a vida, deixando simplesmente de memorizar. Trabalhar com mapa, portanto, leva o educando, conforme já destacado, correlacionar informações, mostrando que um fato está ligado ao outro, e que o conhecimento que antes era visto de forma fragmentária, hoje tem que ser visto como fatores que se interligam no tempo e no espaço. As atuais/recentes inovações tecnológicas proporcionam o homem ao entendimento de vários aspectos da vida, essencialmente nesse processo da globalização. Para Carneiro e Silva (2007),
A cartografia, por sua vez, tem sido alvo da disseminação dessas inovações tecnológicas e com isso tem mudado a sua concepção, principalmente na adoção de novas metodologias e técnicas.

4 Assim, a utilização da informática, do sensoriamento remoto, das fotos aéreas, possibilitaram um produto cartográfico ou de visualização gráfica de qualidade que, no âmbito educacional, poderá alcançar objetivos variados nas diversas áreas do conhecimento.

Nos Parâmetros curriculares Nacionais de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental (PCNs), evidencia a importância da utilização de diferentes meios de informação e recursos tecnológicos no processo de construção do conhecimento. Esse destaque dos PCNs as tecnologias de informação, que vem desde os anos 90, em muitas escolas não vem adequando e modificando à introdução de novas tecnologias. Em especial nas escolas públicas, que passam por problemas estruturais e pedagógicos. Como por exemplo, o uso de máquinas precárias que não suportam uma configuração mínima e muitos profissionais não tem equipamento em suas casas. Na rede privada, diferentemente, a introdução de novas tecnologias é usada como marketing e atrativo pedagógico para pais e alunos. Já para o professor isto torna uma exigência e qualidade profissional. O PCN especifico de Geografia para o 2º ciclo do Ensino Fundamental, ainda destaca a importância das inovações tecnológicas e traz como um dos objetivos, “reconhecer o papel das tecnologias da informação, da comunicação e dos transportes na configuração das paisagens urbanas e rurais e na estruturação da vida em sociedade” (Brasil, 1998 - PCN MEC/SEF). Para Carneiro e Silva (2007),
A evolução tecnológica na cartografia tem sido muito rápida. A cada dia surgem novos produtos cartográficos, e essa rapidez amplia cada vez mais a distância entre a formação e atualização, daí a grande problemática enfrentada por nossos professores que tem como conseqüência a seguinte afirmação: O professor tornase um mero observador e não participante no processo tecnológico de ensino.

METODOLOGIA PROPOSTA: JUIZ DE FORA-MG Nossa metodologia se baseia na utilização de imagens de satélites, que reflitam a realidade local do município de Juiz de Fora, fazendo com que os alunos conheçam as problemáticas pertinentes à sua realidade. Podendo assim introduzir conceitos geográficos referentes à paisagem e meio ambiente, abrindo um espaço rico de discussões além de possibilitar a prática de Educação Ambiental com esses alunos.

5 Figura ‘A’

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/) Figura ‘B’

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/)

6 Figura ‘C’

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/)

Figura ‘D’

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/)

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Nas quatro figuras – imagens de satélites, obtidas por um software free (livre), o Google Earth. Este Software está disponível gratuitamente para o uso – supra da área central de Juiz de Fora, o educando poderá visualizar por meio dessas paisagens diferentes aspectos da organização espacial da cidade. Ele poderá perceber a importância do rio principal que corta a cidade, o Rio Paraibuna (figuras, A, B e C); a margem esquerda do Rio ele poderá visualizar a área de proteção ambiental Mata do Krambeck (remanescente de Mata Atlântica, figura C); ver in locu um grande impacto ambiental, o Morro do Alemão (figura D). E assim correlacionar diferentes aspectos presentes no município de Juiz de Fora GOOGLE EARTH: PRODUTO A APLICAPILIDADE DO SENSORIAMENTO REMOTO O Google Earth, anteriormente chamado de Earth Viewer é um programa desenvolvido por uma empresa pioneira em softwares (Keyhole, Inc) de formação geoespacial. E mais tarde a Google, Inc. (empresa de serviços online), assume o comando desse programa. Mais tarde, no ano de 2002, s empresa DigitalGlobe (Quickbird) passou a fazer parcerias na construção de banco de dados de imagens de satélites da Terra. Portanto, este programa gerará imagens de satélites de Juiz de Fora, conforme mostrado acima, ajudando a mediar grande parte do processo ensino-aprendizagem discutido tanto durante o trabalho. SENSORIAMENTO REMOTO: FERRAMENTA EFICAZ NO ENSINO Antes de tudo, é importante colocarmos que a abordagem e exploração do Sensoriamento Remoto no ensino escolar são bastante insignificantes. Essa ferramenta é tratada como “curiosidades” nos livros didáticos, tratando a como algo estanque e fragmentado do ensino. Haja vista que o uso do Sensoriamento Remoto vai além de uma “curiosidade” cartográfica. Cabe destacar, que não basta os livros didáticos ilustrarem e exemplificarem diversos conteúdos curriculares com as imagens de satélite é necessário que o professor esteja familiarizado com estas técnicas, poucos educadores exploram este recurso didático por falta de informação sobre essa tecnologia, em constante processo de inovação. O seu conhecimento por parte dos educadores pode influir positivamente na qualidade do aprendizado. A imagens de satélites no uso escolar pode mediar a construção das temáticas discutidas em sala de aula no trabalho de compreensão da forma da superfície terrestre, a visualização/análise da evolução/organização espaço-temporal, identificação geográfica, elaboração de mapas, estudo da paisagem, antropização, entre outros No ensino da geografia, a utilização das imagens de satélites, por exemplo, permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras, planícies, rios, bacias hidrográficas, matas, áreas agricultáveis, industriais, cidades.., bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso, servindo, portanto, como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. “O homem está no mundo e com o mundo [...] preenchendo com a cultura os espaços geográficos e os tempos históricos [...] As relações do homem com seu espaço são relações temporais, transcendentes e criativas” (COUTO, 2006) A Geografia, ciência que é capaz de dialogar com outras ciências – Física, Matemática, História, Biologia etc. – consegue “contracenar” com o mundo fragmentado e globalizado. Ela nos proporciona o entendimento das diferentes complexidades que envolvem o espaço fragmentado – seja ele uma reserva indígena, um espaço rural, um lugar urbano, entre outros. Nesse espaço a Geografia mostra que existem diferentes relações sócio-econômicas que caracterizam cada realidade, problematizando suas particularidades. Em contrapartida, em um mundo globalizado, onde que sua composição se faz por diversos fragmentos – o rural e o urbano, por exemplo – mais uma vez a leitura Geográfica nos proporciona um entendimento global das relações sócio-econômicas existentes no globo. Isto é visível quando se fala em ricos e pobres, negros e índios etc. E conflitando mais ainda, a Geografia é capaz de confrontar essas duas realidades, a fragmentada e globalizada, discursando sobre as conexões do mundo, mostrando fenômenos que ocorrem globalmente, mais que sua ação é local e particularizada.

8 Dentro dessa discussão acerca da leitura de mundo e que remete a generalização, Vygotsky (1989:71-2) apud Couto (2006, p. 79-96) sobre o processo de estabelecimento de significados – generalização – às coisas do mundo que passam por diferentes estágios:
Em qualquer idade, um conceito expresso por uma palavra representa um ato de generalização. Mas os significados das palavras evoluem... O desenvolvimento dos conceitos, ou dos significados das palavras, pressupõe o desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade para comparar.

E nesse entendimento do local, SANTOS (1999), nos alerta quanto essas práticas pedagógicas, que ele as trata como iniciativas pedagógicas transformadoras, enfatizando:
Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial, em especial o sensoriamento remoto, tem uma presença relevante; lidar com o meio ambiente do educando, sua realidade imediata, circundante, e a compreensão que o aluno tem dela, como ponto de partida; alcançar como ponto de chegada do processo de ensino e aprendizagem a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente; e recorrer como caminho, como método, à utilização do sensoriamento remoto; à observação da realidade focalizada; ao diálogo entre diferentes tipos de saber, para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando.

O uso escolar de imagens de satélite auxilia não apenas na compreensão da realidade local, mas também do global. Como exemplo, a Figura 01, abaixo, é utilizada como um recurso importante na contribuição para os estudos ambientais na escola, revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico e o seu processo de discussão/construção e generalização de conceitos geocientíficos pelos alunos.
Figura 01

(Fonte: http://www.satmidia.com.br/biblioteca/images/dia-noite.htm) Oceano Atlântico e adjacências - contraste entre dia e noite. O pôr-do-sol na Europa e África, num dia sem nuvens. As luzes já se acenderam na Holanda, Paris e até Barcelona e ainda é dia em

9 Londres, Lisboa e Madri. No meio do Oceano, os Açores, mais abaixo a Madeira, logo depois as Canárias e finalmente, ao fundo, as ilhas de Cabo Verde. O mais interessante ainda, é a visão perfeita que se tem da plataforma continental envolvendo as ilhas Britânicas e outra, vinda do Canadá, envolvendo a Islândia. A mancha branca no canto superior esquerdo é parte do Canadá. À direita, Europa e África. Os dois continentes quase inteiros às escuras, exceto a Islândia (que na perspectiva da imagem parece mais perto do Canadá que da Europa), a Grã-Bretanha, parte da França, quase toda a Península Ibérica e a parte ocidental da África.(http://www.dsr.inpe.br/vcsr/html/Proj_2004/Marianina_Ar tigoINPE.pdf) Figura 02

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/)

Figura 03

(Fonte: http://earth.google.com/intl/pt/)

10 Nestas imagens de satélite, figuras 02 e 03, podemos observar o encontro dos rios Negro e Solimões, importantes bacias hidrográficas do Brasil. CONSIDERAÇÕES FINAIS: CARTOGRAFIA SOB UMA NOVA PERSPECTIVA Percebe-se que o ensino de Cartografia, veiculado através da ciência geográfica, é de extrema importância para o educando. Ele influi diretamente em sua formação quanto ser presente com/no mundo. E que essa formação pode ser precária se nós educadores não tivermos a consciência de que estamos contribuindo na construção de um cidadão crítico e consciente. E neste sentido o uso escolar do sensoriamento remoto como recurso didático-pedagógico no processo ensino aprendizagem da um novo panorama nas abordagens cartográficas, o que nós chamamos aqui de uma nova perspectiva da cartografia escolar. Essa proposta metodológica
embora cada vez mais freqüentes nos meios de comunicação visual, em livros, atlas e em eventos relacionados à educação e ao meio ambiente, e apesar do seu grande potencial como recurso didático, as imagens de satélites são ainda pouco exploradas para essa finalidade, tanto nos ensinos fundamental e médio, como no ensino superior. (FLORENZANO, 2007, p.95)

Seu uso multidisciplinar corrobora nas análises e interpretação dos “conceitos cartográficos de lugar, localização, interação homem/meio, região e movimento (dinâmica)” (FLORENZANO, 2007, p.95). Pode se correlacionar os conhecimentos de Química, Biologia e Física, com dados de sensores remotos, as problemáticas ambientais envolvendo a contaminação das águas e a saúde pública. Assunto que a própria Geografia e História podem e devem contracenar com essas outras citadas, e assim problematizando sua evolução no tempo e espaço. Além de seu uso multidisciplinar, o sensoriamento remoto pode ser entendido como tecnologia interdisciplinar, a partir de um fio condutor, como por exemplo, o estudo de urbanização nas cidades, permitindo então um potencial maior de leitura de imagens de forma integrada.
Assim, em um projeto de Educação Ambiental no qual o tema central é a água [...] podem ser usadas fotografias de campo que mostrem a qualidade da água local de um rio; um mapa de uso da terra, gerado a partir da interpretação d fotografias aéreas, pode mostrar que o problema não é pontual, mas relaciona-se ao processo de uso e ocupação dessa área; e imagens de satélites permitem obter uma visão regional do problema e avaliar a sua extensão. (FLORENZANO, 2007, p.97)

Segundo SANTOS (1999)

A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite, que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes, seqüenciais e simultâneos, podem auxiliar nos estudos do meio ambiente, mostrando, por exemplo, as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos, favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras, tais como indústrias ou loteamentos irregulares, bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços, enriquecendo estudos históricos e geográficos.

Contudo, pra efetivação dessa nova perspectiva, é preciso haver um esforço conjunto de educadores, escola e educandos. O sucesso se dará pela harmonia entre esses três atores. Educadores e

11 escola como atores que disponibilizaram a inovação tecnológica e o arcabouço teórico-metodológico. E os educandos como atores que ajudaram na construção e desenvolvimento do conhecimento por meio da dinâmica dos educadores e escola, acrescentando sua experiência de mundo. REFERÊNCIAS: ARCHELA, Rosely Sampaio; GOMES, Marquiana de Freitas Vilas Boas. Geografia para o Ensino Médio: Manual de Aulas Práticas. Londrina: Ed. UEL, 1999. 146p. BRASIL, MEC. Parâmetros curriculares nacionais: Geografia. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1998. CARNEIRO, Andrea Flávia Tenório e SILVA, Paulo Roberto Florêncio. de Abreu e. A educação cartográfica na formação dos professores de Geografia: a situação em Pernambuco, 2007. In: XXI Congresso Brasileiro de Cartografia, disponível em http://www.cartografia.org.br/xxi_cbc/039E04.pdf, acesso em 18/02/09. COUTO, Marcos Antônio Campos. Pensar por conceitos geográficos. In: CASTELLAR (org.). Educação geográfica: teorias e práticas. 2ª Ed. São Paulo: Contexto, 2006, p. 79-96. FLORENZANO, Teresa Galloti. Iniciação em sensoriamento remoto. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. ______. Imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo: Oficinas de textos, 2002. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. MACAGMAN, Ivo Renato. Introduzindo Geoprocessamento/SIG na Escola. Boletim de Geografia, nº 2, p.89-96, 2001. PASSINI, Elza Yasuko. A Importância das representações gráficas no ensino da Geografia. Boletim de Geografia nº 02. 2001. ROCHA, Cézar Henrique Barra. Sensoriamento Remoto. In: ____. Geoprocessamento: tecnologia transdisciplinar. Juiz de Fora: Editora do Autor e Atual, 2007, p. 115-148. Santos, V. M. N. Escola, cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. São Paulo. 150p. Dissertação de mestrado. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999. TAYLOR, F. (1985) Disponível em: http://www2.prudente.unesp.br/dcartog/arlete/hp_arlete/portfolio /adelsom/uma%20base%20conceitual%20para%20a%20cartografia.htm>. Acesso em: 18 de julho de 2008.