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Claude Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo Conferência ao Colóquio Lévi-Strauss: un siglo de reflexión, Museo Nacional de Antropología

, Mé ico, !" de novem#ro de $%%& Eduardo Viveiros de Castro Museu Nacional, Rio de Janeiro ' Prezados colegas, Devo começar dizendo que sou muito sensível à honra que aqui me é feita, de abrir com esta alocuç o o Col!quio Lévi-Strauss: un siglo de reflexión" N(o consigo e plicar que me ten)am escol)ido, dentre tantos colegas aqui reunidos * todos mais credenciados que eu para tal distin+(o*, sen(o pela contingência de ser um etnólogo nascido no ,rasil, e que estuda povos indígenas #rasileiros- .e/o neste convite, assim, uma sorte de )omenagem indireta ao meu país, onde Lévi-Strauss fe0 suas armas de etnólogo, mas so#retudo aos povos indígenas #rasileiros, povos cu/o pensamento, ao contri#uir de modo decisivo para formar o de Lévi-Strauss ele próprio, veio em #oa )ora irrigar a tradi+(o filosófica do 1cidente, após cinco séculos de olvido ou descaso * no momento mesmo em que essa tradi+(o necessita como nunca de toda a/uda e terna que puder conseguir- 2ois finalmente o 1cidente come+a a perce#er que n(o passou de um acidente, um gigantesco acidente antropológico que poder3 encerrar a carreira da espécie na 4erraA segunda ra0(o que me ocorre para rece#er t(o distinguido convite seria por assim di0er intrinsecamente lévi-straussiana ou estruturalista, a sa#er5 ve/o-me c)amado a falar-l)es precisamente porque, como vocês podem perce#er, não falo sua língua, mas uma língua gêmea dela- Sa#emos como a característica fundamental dos gêmeos na mitologia ameríndia é a de serem ligeiramente, mas crucialmente, desiguais, assimétricos- 4al assimetria é palp3vel no caso de nossas respectivas línguas, onde o português desempen)aria o papel de gêmeo lunar, menor, com algo de enganador 6de malandro, diríamos nessa língua7 em seus ditongos trai+oeiros, suas si#ilantes serpentinas e suas estran)as c)iantes, em contraposi+(o ao espan)ol solar, cristalino, imperioso e magnificente, que seria como o gêmeo maior, o demiurgo da parel)a- 1 que vocês est(o a ouvir neste momento, portanto, é o enganador outrickster tentando se fa0er passar pelo demiurgo, como sucede em tantos mitos do continenteComo sa#emos tam#ém, ele sempre fracassa, de um modo ao mesmo tempo c8mico e grotescoSe/a como for, esta conferência vai-se colocar por inteiro so# o signo dos gêmeos, pois estes s(o, como di0 algo enigmaticamente Lévi-Strauss em seu livro mais profundo * refiro-me a História de Lince , 9a c)ave de todo o sistema:! 1 mestre francês se refere aqui ao sistema mítico panamericano analisado nas série das Mitológicas; mas eu me refiro ao sistema teórico do estruturalismo- Se é que é realmente possível distinguir os dois sistemas'' # título que me ocorreu dar a esta confer$ncia é %Claude &évi'(trauss, fundador do )!s'estruturalismo*" +emo que se,a )reciso ,ustific-'lo" 2ara isso, come+o por falar de um outro título- .en)o tentando terminar de escrever um livro so#re Lévi-Strauss que se c)ama"sso não é tudo: Lévi-Strauss e a #itologia a#er$ndia! 9'sso n(o é tudo:,%ce n&est 'as tout( é uma fórmula muito frequentemente empregada pelo autor, especialmente nas Mitológicas, a ponto de poder ser considerada um maneirismo diacrítico- A 9pequena frase de Lévi-Strauss: 6c)amo-a assim em )omenagem < 9pequena frase de .inteuil: de )# *usca do te#'o 'erdido7, marca o surgimento quase prestidigitatório de sempre mais um ei o, invariavelmente 9um outro: ei o de transforma+(o, disposto de través, em diagonal aos v3rios ei os que vin)am até ali guiando a compara+(o; ela anuncia a presen+a de uma tor+(o suplementar completamente imprevista, que a#re su#itamente uma progress(o que tudo encamin)ava para o fec)amento; ela assinala a revela+(o de um vínculo adicional, implicado, o#scuro, compactado no te to so# an3lise que su#itamente se e plica e esclarece, e ao mesmo tempo se multiplica e difrata em perspectivas que, literalmente, perdem-se de vista no )ori0onte1 movimento assinalado pela pequena frase ocorre com muito maior frequência do que ela; ela é opcional, mas ele parecenos necess3rio, intrínseco ao procedimento lévi-straussiano, procedimento que /amais termina, ao contr3rio do que se costuma pregui+osamente ensinar, com o esta#elecimento de oposi+=es #in3rias; na verdade, come+a por elas, e come+a precisamente por complic3-las- Lem#remos, entre tantas, da profunda o#serva+(o do 9>inal: de + ,o#e# nu 6L--S- !"?!5 @A"-B%75 91 pro#lema da gênese do mito se confunde com o do pensamento ele próprio, cu/a e periência constitutiva n(o é a de uma oposi+(o entre o eu e o outro, mas do outro apreendido como oposi+(o-9 Conde se pode concluir, em sintonia com outras passagens do autor, que o eu é um caso particular do outro, assim como a oposi+(o, tanto quanto a identidade, é apenas um caso particular da diferen+a2ara nosso autor, com efeito, uma oposi+(o #in3ria é tudo salvo um o#/eto simples, ou simplesmente duplo, ou sequer simplesmente um o#/eto; talve0 nem mesmo * mas aqui é possível que este/amos indo longe demais * uma oposi+(o-

e sa#e-se a antipatia que ele vota < no+(o de 9o#ra a#erta:Acontece. ou. como as 9infundou: virtualmente. realmente a adentrar. o personagem da media+(o 6mas que é tam#ém o instaurador do . assim como so#re os v3rios fec)amentos secund3rios dos su#grupos míticos internos a esse périplo. compacidade. o grupo se fec)a so#re diversos ei os. da rela+(o entre o Sol e a Lua na mitologia ameríndia. a completude do círculo que o leva dos cerrados do . falando so#re Mauss7. isto é. poroso. isso de fato n(o é tudoE A pequena frase. 9ane ata:. de auto-media+(o. se ele é contínuo ou descontínuo" Sem dei ar de concordar com os intérpretes que concordam com LéviStrauss.9'sso n(o é tudo:.o#e# nu.. em que um pro#lema se coloca cu/a resolu+(o o#riga a sair do círculo que a an3lise )avia tra+ado-9 6!"?!5 @A&7Ser3 preciso ent(o insistirmos. em nen)um momento se alcan+a uma totali0a+(o. que se voltou ao estado inicial de uma cadeia de mitos por uma Fltima transforma+(o. mas o nFmero de estruturas. fec)amento. para uma antro'ologia da i#an1ncia.Lévi-Strauss ir3 insistir repetidas ve0es nasMitológicas so#re o fec)amento do sistema que analisa.Leiam-se as p3ginas luminosas da+rige# dos #odos . e sem possi#ilidade de determina+(o unívoca do que se/a um termo e uma rela+(o7 da an3lise mítica é um princípio fundamental das Mitológicas. na verdade. no céle#re di0er de Lévi-Strauss 6!"K$L!"?A7.A idéia de cl/ture. comple+(o. inclusive em suas tentativas. e se ter3 uma idéia do que estou falandoA pequena frase cumpre. para atingir uma espécie de apoteose enf3tica no capítulo 91 mito Fnico: de + .ido5 o car3ter a#erto. que. é preciso demonstrar que o grupo se fec)a. e. e dentro de cada grupo. a sa#er.A demonstra+(o do fec)amento transformacional. da coerência e )omogeneidade dos grupos de mitos em an3lise aparece repetidas ve0es no correr do te to das Mitológicas. um )erói cultural e um deceptor. 9como Moisés condu0indo seu povo a uma terra prometida cu/o esplendor ele /amais contemplaria: 6isto é o próprio Lévi-Strauss. a#erto. porque nada é tudo.Dssa insistência est3 ligada ao tema da necess3ria redundHncia da linguagem mítica. ou antes. de estruturas fec)adas. come+a-se a divisar a possi#ilidade de um Lévi-Strauss pós-estruturalistaNaturalmente. clausura. em ne#ulosa. como uma c)ave. a redonde0 da terra da mitologia.%'sto n(o é tudo: pro/eta um conceito de estrutura 6e uma concep+(o de an3lise7 que n(o privilegia nen)uma vontade de fec)amento. uma ve0 que o o#/eto é sempre um estado particular de um sistema de transforma+=es cu/os limites s(o radicalmente contingentes.. que ele talve0 n(o ten)a c)egado.10 ''' 2 grande quest o que se abre ho./0 4odo 9grupo: de mitos termina por se revelar situado na intersec+(o de um nFmero indeterminado de outros grupos.. que vêem sua o#ra como marcada por uma profunda unidade de inspira+(o e de método 6falaremos mais disso adiante7.Necessidade ou contingência.e. na verdade. isto é. como <s ve0es o autor se compra0 em conce#er sua empresa.#esa ou da +leira ciu#enta so#re a nature0a e ata. completude ou inaca#amento.ia escrevendo %reabilitaç o* 3 da herança intelectual de &évi'(trauss é a de decidir se o estruturalismo é uno ou m4lti)lo. ve/o a a personalidade teórica do estruturalismo e de seu autor como dividida * mas n(o oposta * em dois gêmeos eternamente desiguais.rasil Central <s costas #rumosas dos estados de Gas)ington e da Colum#ia . definíveis apenas de modo relacional. uma fun+(o fundamental dentro da economia teórica do estruturalismo.2ois se Jousseau. ent(o. cada 9mito: é igualmente uma intercone (o.As estruturas se fec)am. 9cone ionista: dos sistemas míticos que reconstrói. e de vias por onde fec)3-las. iterativo. com o estruturalismo. so#re uma dialética da a#ertura e do fec)amento analítico 6como o autor falava em uma 9dialética da a#ertura e do fec)amento: repetidamente temati0ada pelos mitos7 que ca#e e plorar. estrutura ou multiplicidade. no )rocesso de reavaliaç o 3 . e sugere que a ra0(o desse inaca#amento é a multiplicidade virtual de todo o#/eto determinado pelo método estrutural. é a#erto * n(o )3 uma estrutura de estruturas. em outras palavras. no decorrer da an3lise. enunciado logo na 9A#ertura: de + cru e o co. nem uma determina+(o a 'riori dos ei os semHnticos 6os códigos7 mo#ili0ados em estrutura.I tal tens(o que me levou a escol)er o título desta conferência. intensivo.Com o 9isso n(o é tudo:. e dentro de cada mitoE 1s grupos devem poder se fec)ar 6 clore0. que a multiplica+(o das demonstra+=es de fec)amento produ0 a impress(o parado al de que e iste um nFmero teoricamente indefinido. ao apontar o camin)o para um pós-estruturalismo.ritHnica. deve ser visto como o fundador das ciências )umanas.A 9intermina#ilidade:. e tra+a as lin)as de divergência de sua posteridade. pode ser usada tanto para a#rir o que estava fec)ado como para fec)ar o que estava a#erto. nós. mas o analista n(o pode se dei ar encerrar 6enfer#er0 dentro deles5 9o próprio de todo mito ou grupo de mitos é de proi#ir que nos encerremos nele5 sempre c)ega um momento. talve0 necessariamente incompletas. porém. além disso. )ara usarmos uma )olaridade lévi' straussiana. parece por ve0es consu#stancial < an3lise estrutural5 para Lévi-Strauss. no sentido de um nível final de totali0a+(o estrutural. no duplo sentido 6sem fim ou término.Dle aponta para o inaca#amento perpétuo da an3lise estrutural. so#re as tens=es internas ao pensamento de Lévi-Strauss relativo < mitologia americana. transcendência da regra ou imanência do sentido 5 essa qu3drupla tens(o estrutura o estruturalismo. condi+(o do esta#elecimento de uma 9gram3tica: da mitologia. ent(o de Lévi-Strauss ele mesmo se deveria di0er que n(o só as refundou.

a um contínuo mais profundo.I essa atualidade permanente da o#ra N sua capacidade de autodefasagem N que se viu recentemente recon)ecida pela canoni0a+(o segundo a fórmula indígena 6quero di0er. é realmente o sistema conceitual fechado. de Voet)e e de CWrer 6L--S X Dri#on !"&&5 !@&-@"7. o ponto é reafirmado pelo autor5 a no+(o de transforma+(o n(o l)e veio nem da lógica nem da linguística 6nem.!7 Cuas décadas mais tarde. torna-se #em mais fluida e inst3vel do que o autor continuar3.Segundo. como Ytotemismo.1ra. como no céle#re contraste entre mito e rito do 9>inal: de + . #em entendido. o pensador que reinventou a antropologia.M3 sim dois estruturalismos. ho. na típica marc)a em espiral da transforma+(o mítica. ao desmontar os fundamentos metafísicos do colonialismo ocidental. em algum momento da reda+(o das Mitológicas! Qma nota em 6o #el -s cin. uma verdade #astante apro imativa.Monra suprema. n(o pertencesse inteiramente ao comínio da analogiaE 6L--S.2rimeiro. essa ascens(o ao contínuo se fa0 em vida. afirmada na Aula 'naugural ao CollPge de >rance. continua Lévi-Strauss na passagem . de que fa0emos um uso t(o constante depois de tê-la tomado de dRArcS GentTort) 4)ompson. mas do naturalista CRArcS 4)ompson. que foi posta em comunica+(o com o estruturalismo antropológico por [ean 2etitot. segundo a qual a antropologia estrutural utili0a 9um métodoE mais de transforma+=es que de flu =es:.Com isso.os pro#lemas colocados pela mitologia parecem indissoci3veis das formas estéticas que os o#/etivam. continuidadeZ. homog$neo e equilibrado que a vulgata antro)ol!gica nos legou" 2enso.Como se a no+(o mesma de transforma+(o. e por ele.4odos os antropólogos do mundo devemos nos sentir orgul)osos e agradecidos pela )omenagem que assim se presta a nossa disciplina na pessoa de seu mais ilustre praticante.X Dri#on !"&&5 !"$7 Lévi-Strauss menciona ent(o a teoria das cat3strofes de Jené 4)om. e isso desde seus come+os. no ano mesmo do centen3rio de Lévi-Strauss que ora cele#ramos. de segunda ordem por assim di0er. um contínuo cu/a relativa indiferencia+(o interna 6autores. a oposi+(o entre certos paradigmas conceituais centrais da fase cl3ssica do estruturalismo. am#ígua e plural.!"K%L!"?A5 $&7 . descontinuidadeZ versus Ysacrifício. de saber se a antro)ologia estrutural. com o que o autor marcava sua preferência por uma concep+(o com#inatória antes que diferencial de estrutura 6L--S. para recordarmos a interpreta+(o da 9senten+a fatídica: que é o tema de um capítulo de História de Lince! Se Lévi-Strauss n(o é o Fltimo pré-estruturalista 6longe disso. cu/o nome a#unda ali3s em ressonHncias lévi-straussianasJecordemos que a constela+(o ep8nima é um signo eminente do contínuo no pensamento ameríndio. com efeito.os alicerces ela soube t o bem e7)or. com muito do que pareceria ser sua su#vers(o futura. mito. . unívoco. n(o mais lógica e algé#rica. cada ve0 mais pró ima das flu =es dinHmicas que das permuta+=es algé#ricas.as é talve0 o primeiro registro e plícito da mudan+a5 Leac) nos censurou E por recorrermos e clusivamente a esquemas #in3rios. essa o#ra é comple a. n(o é tudo. ao longo da o#ra de Lévi-Strauss.1 ponto de infle (o dessa curva situa-se. mais uma ve0. do inaca#amento e da multiplicidade5 um estruturalismo em desequilí#rio perpétuo. do estruturalismo matem3tico de . visto que a no+(o-c)ave de transforma+(o foi-se transformando ela própria.élas7. como Lévi-Strauss ele mesmo mostrou. estas formas pertencem ao mesmo tempo ao contínuo e ao descontínuoE 6L--S. so#renatural mais que natural.Dssa idéia foi-se tornando. um filósofo de forma+(o matem3tica ! A teoria de 4)om. e que o estruturalismo sempre foi g1#eo de si #es#o. só fa0 destac3-lo mais claramente no vasto céu noturno e an8nimo da )istóriaD isso.e. ao a#rir um dos principais camin)os do século para que outros pudessem desmontar os fundamentos colonialistas da metafísica ocidental'. dois é sempre mais de dois. que n(o. est3 entretanto muito perto de ter sido o primeiro pós-estruturalista4omemos por e emplo a idéia-mestra. gêneros se perfilam na série de volumes encapados de um fino marroquim * a pele de alguma sucuri mitológicaO * marcado por uma discretíssima varia+(o crom3tica7. +rata'se ent o. ela foi gan)ando precedência semHntica so#re a no+(o de estrutura.discreto e da ordem7 e o contra-personagem da separa+(o 6mas que é ao mesmo tempo o mestre do cromatismo e da desordem7. mas. em flagrante discre)5ncia com as configuraç6es simb!licas cu. fica-se com a impress(o. séculos.A transforma+(o é agora uma opera+(o estética e dinHmica.our#aUi7. afirmando em algumas passagens da fase posterior da o#ra.o#e# nu! A lin)a de corte passa claramente entre a 3lge#ra finit3ria adequada aos conte7dos do parentesco e a for#a intensiva do mito5 1 pro#lema colocado em 8s estruturas ele#entares do 'arentescoremetia diretamente < 3lge#ra e < teoria dos grupos de su#stitui+(o. ao que tudo indica.4al a mitologia ameríndia que ele sou#e compreender mel)or que qualquer outro antropólogo. vê-se ent(o a sutile0a da 9dupla tor+(o: que fa0 o grande analista da passagem do contínuo ao discreto ser condu0ido de volta ao contínuo N mas. n(o o#stante.Come+amos. rito. francesa7 consagrada que é a pu#lica+(o na 2i*liot.!"KK5 ?B n.34ue de la 5léiade.e/o assim a o#ra de Lévi-Strauss pelo lado da contingência. e que ao mesmo tempo revolucionou a filosofia. foi assumindo uma roupagem cada ve0 mais analógica. e portanto sempre atual. a nos dar conta de que a o#ra de Lévi-Strauss cola#ora ativamente.

representado pelos dois estudos so#re o pro#lema totêmico. que Lévi-Strauss identifica o pensamento selvagem. 9a continuidade do programa que seguimos metodicamente desde 8s estruturas ele#entares do 'arentesco: 6a advertência est3 na 9A#ertura: de + cru e o co. contestadas. oferecendo-se portanto como a matem3tica adequada ao mitoN(o ten)o competência para /ulgar essa adequa+(o ou inadequa+(o.1u. como #ons estruturalistas. uma leitura descontinuísta dessa o#ra. sua tendência sempre foi a de su#lin)ar. representada por 8s estruturas ele#entares do 'arentesco. com efeito.ido7. seria um pouco ridículo querer corrigi-lo a respeito de si mesmo. so#re Lévi-Strauss. nem que se demore nela. menos rent:vel-]A^ A no+(o de que 8s estruturas ele#entares do 'arentesco s(o um livro 9pré-estruturalista: deve ser tomada. mas tam#ém mais artista. pós-estruturalista.Continuidade * eis aí uma no+(o am#ivalente como poucas. para além da refle (o supracitada a respeito dos diferentes pro#lemas tratados pelo método estrutural. mas so#retudo. a diferen+a. e que se poderia di0er pré-estruturalista. que o autor descreve como assinalando uma pausa entre 8s estruturas ele#entares e as Mitológicas! I nos livros de !"K$ 6+ tote#is#o .acima. as fronteiras entre permuta+(o sint3tica e inova+(o semHntica.Dssa mudan+a se deve em parte < influência. com o estruturalismo. de um lado * o pro#lema da integra+(o e totali0a+(o sociais *. o mundo n(o se torna mais ra0o3vel sem que a ra0(o n(o se torne outra coisa E mais #undana talve0.Com o mito. mais #oêmia * mais surrealista *.Ce qualquer modo. a modelo mesmo de toda atividade racional. penso que antropólogos como Cavid Sc)neider ou Louis Cumont têm ra0(o em classificar assim a o#ra de !"B".Mas a conclus(o geral que se pode tirar é que a no+(o estruturalista de transforma+(o sofreu de fato uma dupla transforma+(o. e de certa maneira se enfraqueceu'sso n(o significa que Lévi-Strauss dê grande relevo a tal mudan+a. naturalmente. uma Fnica transforma+(o comple a. descreve um duplo movimento. das novas interpreta+=es matem3ticas disponíveis. com uma #oa pitada de sal. penso eu. est3 Jousseau. e no ei o das coe istências. como argumenta meu colega Mauro Almeida em um not3vel artigo recente 6Almeida $%%&7.I a este momento da o#ra que um /uí0o malicioso de Celeu0e e Vuattari 6!"&!5 $&"7 parece se aplicar mel)or5 91 estruturalismo é uma grande revolu+(o. complicadas * mais fractais. no sentido de mais secular. opostos contrapontisticamente ao longo de toda ela. e promove o totemismo. esse trickster filosófico que Lévi-Strauss. como o totemismo. e Nature0a e Cultura. no voca#ul3rio estruturalistaE I claro que Lévi-Strauss tem ra0(o. isto é. erigiu como seu santo padroeiro-7 . com a idéia de que a o#ra lévi-straussiana con)ece fases. as condi+=es concretas da semiose )umana. menos para insistir so#re rupturas unívocas que para sugerir uma coe istência comple a ou uma superposi+(o intensiva de estados do discurso estruturalAs descontinuidades do pro/eto estruturalista podem ser distri#uídas dentro das duas dimens=es cl3ssicas5 no ei o das sucess=es. se quisermos ep8nimos mais recentes5 CurU)eim e .6Mediando essas polaridades. deslocamento lógico e condensa+(o morfogenética.As duas descontinuidades coe istem na medida em que os #o#entos da o#ra se distinguem pela importHncia concedida a cada um dos dois #ovi#entos. < mudan+a do tipo de o#/eto privilegiado por sua antropologia. dizendo que o estruturalismo é como o totemismo8 ele nunca e7istiu" 1u mais precisamente. com a idéia de que ela enuncia um discurso duplo. o mundo inteiro se torna ]devient^ mais ra0o3vel:. v3rias ve0es notada pelos comentadores. n(o por acaso. antigo em#lema antropológico da irracionalidade primitiva. entre a primeira fase da o#ra de Lévi-Strauss.No caso. tornaram-se mais tortuosas. permitiria superar a antinomia entre o contínuo e o descontínuo. do outro * o pro#lema do instinto e da institui+(o )umanos. que a transformou em uma opera+(o simultaneamente 9)istórica: e 9estrutural:. #em entendido. o que a a fórmula can8nica descreve é precisamente a transforma+(o de )istória em estrutura e vice-versa 6mas o camin)o n(o é o mesmo nos dois sentidos7.oas. como parecem fa0er alguns de seus comentadores mais fundamentalistas 6pois e iste um estrutural-fundamentalismo\7.o9e e + 'ensa#ento selvage#7.Qm espírito conciliador poderia ponderar que. digamos. Comecemos )ela diacronia. mais popular. )istórica e estrutural * na verdade. povoada pelas Mitológicas e as três monografias su#sequentesCigo que a segunda fase é 'ós-estruturalista porque antes dela se inscreve o #reve momento indiscutivelmente 9estruturalista:.Mas a insistência do mestre francês na unidade de inspira+(o de sua o#ra n(o nos dispensa de propor. e a segunda fase. organi0ada como se ac)a em torno das duas dicotomias fundacionais das ciências )umanas5 'ndivíduo e Sociedade.As Lu0es e o Jomantismo5 Mo##es e Merder. seu modo de e istência n(o é o das su#stHncias mas o das diferen+as.Ao contr3rio. a uma gigantesca e sistem3tica empresa de ordenamento do mundo.A oposi+(o entre a forma e a for+a 6as transforma+=es e as flu =es7 perdeu seus contornos.

mas < das redes ri0om3ticas5 ela é uma gigantesca teia sem centro nem origem. ainda a#afada. a Sociedade. a oposi+(o Nature0aLCultura dei a de ser uma condi+(o antropológica universal 6o#/etiva ou su#/etiva7 para se transformar em um tema mítico. era apenas uma vers(oinvertida e enfra4uecida dos mitos /ê que o seguiam 6M?`!$7.6Ciscurso so#re as origens. surdindo aqui e ali como afloramentos vulcHnicos de um oceano su#terrHneo de magma. ao mito como m3quina de sentido5 um instrumento para converter um código em outro. como logo se constatava. onde se esta#elece ao mesmo tempo que a sociedade é coe tensiva ao pensamento sim#ólico e n(o sua causa antecedente ou sua ra0(o de ser. entretanto. n(o teria sido mesmo preciso ir mais longe5 como Moisés e a 4erra 2rometidaE Nas Mitológicas. onde um mito de um povo transforma um ritual de um segundo povo e uma técnica de um terceiro povo. ali3s. quando. contra-efetuar anagramaticamente o sentido. derivando. instanciam a um ponto que se poderia di0er de verdadeira e emplaridade os princípios de 9cone (o e )eterogeneidade:.'sso.!"B"L!"K?5 @K!7 D segue-se o grandioso desenvolvimento conclusivo.. fa0er 9circular a referência: 6como diria .2ois todo mito é uma vers(o de um outro mito.As rela+=es que constituem as narrativas ameríndias.4odo aquele que se dispuser a fa0er a travessia completa das Mitológicas constatar3 que a mitologia ameríndia cartografada pela série n(o pertence < família das estruturas ar#orescentes. irredutível a uma lei unificadora e irrepresent3vel por uma meta-estrutura. de perspectivas7. isto é. mais que formando totalidades com#inatórias em distri#ui+(o discreta. isto é.A+(o < distHncia2ierre Clastres disse que o estruturalismo era 9uma sociologia sem sociedade:.o#e# nu onde o autor generali0a as o#serva+=es . M!. gra+as < qual as transforma+=es parecem saltar entre pontos e tremos do continente americano.91 grupo:. em )omenagem ao mito de referência. interno ao pensamento indígena * tema cu/a am#ivalência dentro desse pensamento. com efeito. tudo parece su#itamente se dissolver na contingência5 as mFltiplas regras que interditam ou prescrevem certos tipos de c8n/uges. e os o#/etos alge#riformes c)amados 9estruturas: gan)am contornos mais fluidos. o conceito mesmo da anti-estrutura. ou diríamos mel)or a 9M-!:. e a proi#i+(o do incesto que as resume todas.runo Latour7.6L--S.Mas a sociedade teria podido n(o e istir. o mito é precisamente o que se furta a uma origem-7 1 9mito: da refer1ncia cede lugar ao sentido do mito.1 mito 9dereferência( é um mito qualquer. um mega-agenciamento coletivo e imemorial de enuncia+(o disposto em um 9)iper-espa+o: 6L--S. mas que é. e que toda ordem )umana tra0 dentro de si um permanente impulso de contra-ordem. para uma no+(o analógica de transforma+(o. é uma multiplicidade a#erta. para usarmos o conceito de Celeu0e e Vuattari. uma teia ou ri0oma percorrido por diversas lin)as de estrutura+(o. soit^. em favor de um foco sistem3tico nas transforma+=es narrativas inter-societ3rias. note-se em particular. estruturas elementares da mitologiaA mitologia ameríndia. só far3 crescer a cada volume da série *. para uma economia cosmopolítica * em outras palavras.90 ou se/a. enfim.D istem inFmeras estruturasnos mitos ameríndios. como mencionamos. mantém-se como su/eito transcendental e causa final de todos os fen8menos analisados. do discurso antropológico de Lévi-Strauss. pro/etar um pro#lema so#re um pro#lema an3logo. o em#lema do pós-estruturalismo1 movimento da demonstra+(o das Mitológicas. uma 9multiplicidade a n`!:. 9ruptura assignificante: e :cartografia: que Celeu0e e Vuattari ir(o contrapor aos modelos estruturais em nome do céle#re conceito de 9ri0oma: * ri. do que se poderia c)amar de segunda vo. quase se completa. um #-! * como todo mito. ent(o com as Mitológicas temos um estruturalismo sem estrutura * e o digo para louv3-lo. um mito 9sem referências:. flu os materiais e flu os sociais: 6Celeu0e X Vuattari !"&!5 AA-AB7. se esclarecem a partir do momento em que se postula que é necess3rio que a sociedade e ista ]se/a.1 pro#lema de 8s estruturas ele#entares é o pro#lema 9antropológico: por e celência da )omini0a+(o5 a emerg_ência da síntese da cultura como transcendência da nature0a. 9multiplicidade:. mas n(o )3 uma estrutura do mito ameríndio * n(o )3. para o regime do plano de imanência ameríndio que ser3 tra+ado nas Mitológicas2ois é com as Mitológicas que a invers(o na ordem das vo0es se completa * ou mel)or. é o de uma conectividade )eterogenética generali0ada. a no+(o de sociedade é desinvestida analiticamente. e os n-! mitos da América indígena n(o e primem uma origem nem apontam um destino5 n(o têm referência. todo outro mito a#re para um terceiro e um quarto mitos. quando a sociologia do parentesco come+a a a#rir espa+o para uma 9antisociologia:. que a sociologia do parentesco é um ramo da semiologia 6toda troca é troca de signos.!"K?5 &B7 incessantemente atravessado por 9flu os semióticos. em sua multiplicidade intermin3vel e sua radical contingência )istórica. o mito #ororo que.Dsses acordes derradeiros marcam a entrada. em varia+(o concomitante e tens(o representacional com os realia sócio-etnogr3ficos.o#a. onde a organi0a+(o social de uns é a pintura corporal dos outros 6ou5 como ir da cosmologia < cosmética sem dei ar a política7. se isso é verdade * Clastres o di0ia para critic3-lo *. até o Fltimo capítulo do livro. e onde a redonde0 geométrica da terra da mitologia é constantemente curto-circuitada por sua radical porosidade geológica.Jecorde-se a passagem de + . como su#lin)ou 2atrice Maniglier 6um dos mais originais comentadores de Lévi-Strauss que con)e+o7.

equipolentes. no sentido c)omsUSano5 Qma estrutura est3 sempre entre dois5 entre duas variantes.1ra. situadas todas. traditoretende praticamente a 0ero: 6L-S.o#e# nu.A o#ra de Lévi-Strauss. ou se/a5 a diferen+a entre a 9cultura: 6ou 9teoria:7 do antropólogo e a 9cultura: 6ou 9pr3tica:7 do nativo n(o é considerada como possuindo nen)um privilégio ontológico ou epistemológico so#re as diferen+as 9internas: a cada uma dessas culturas. entre duas sequências de um mesmo mitoE A unidade da estrutura n(o é a de uma forma que se repetiria identicamente em uma e outra variante. am#as sempre estiveram esteve presentes na o#ra de Lévi-Strauss. ele é uma perspectiva so#re uma l$ngua outraE 6id. aprendemos ent(o que mais que simplesmente tradu. transfor#acionalista * em outras palavras.!"?!5 @?K-??7 Dssa defini+(o perspectivista do mito proposta em + . /usto como o ri0oma mítico com o qual ele fa0 ri0oma.1 discurso da mitologia estrutural esta#elece as condi+=es de toda antropologia possível.:0 . ent(o ele não é. como a 9ciência social do o#servado: 6!"@BL!"@&5 A"?7. o mito é eminentemente tradu. desde muito cedo. isto é.ão5 4odo mito é por nature0a uma tradu+(o 6E7 ele se situa. desde sempre.Dis porque Lévi-Strauss insiste na diferenca entre o estruturalismo e o formalismo.Qma ontologia da transversalidade. s(o 9o mito da mitologia: 6L--S. no sentido proppiano. duais. e de uma cultura a outra.ão. modulador de varia+(o contínua 6varia+(o de varia+(o7. e que o mecanismo do trocadil)o 6cale#*our7 constitui o 9fundamento de toda semiologia: 6L--S. a defini+(o é estendida do plano semHntico ao plano pragm3tico. onde as no+=es de continuidade e de )omogeneidade nada mais têm em comum. mas seu peso relativo muda ao longo do tempo. discretas e reversíveis 6como as do .Dm + . isto é. da continuidade entre )eterogêneos-7 Cesenglo#amento )ier3rquico.Na verdade. que ela n(o pode ser representada sem fa0er de sua representa+(o uma parte de si mesma: 6Maniglier $%%%5 sem pagina+(o definida7. no 9ponto de articula+(o de uma cultura com outras culturas:.9Qma m3scara n(o é aquilo que ela representa.o#e# nu torna-o contíguo < antropologia ela própria.1 que permite passar de um mito a outro. ent o.1 que d3 ao meta-o#/eto multidimensional que s(o as Mitológicas um car3ter propriamente )ologr3fico.A#re-se assim uma cone (o inesperada entre o pro/eto das Mitológicas e o princípio 6pósestruturalista7 de simetria generali0ada de . uma opera+(o de desenglo*a#ento .Dssas duas defini+=es s(o convergentes. lei formal de invariHncia.de Saussure so#re o anagrama. que se tende o#stinadamente a negligenciar 6Maniglier op-cit7.$vel. como sa#emos. representa+(o. que ela escol)eu não representar: 6L--S.ier:r4uico das diferen+as entre todos os termos analíticos61 c)amado pós-estruturalismo é essencialmente a afirma+(o de uma ontologia das multiplicidades planas.1 mito n(o é /amais de sua 'ró'ria l$ngua. e que contém em cada mito uma imagem redu0ida do sistema mítico panamericano 6o 9mito Fnico:7.4oda antropologia é uma transforma+(o das antropologias que s(o seu o#/eto 6o o#/eto de toda antropologia só pode ser uma outra antropologia. mas no ponto de articula+(o destas com outras línguas e outras culturas.runo Latour e 'sa#elle Stengers5 a mitologia estrutural é uma e periência de simetri0a+(o antropológica. é de mesma nature0a que o que permite passar dos mitos < ciência dos mitos.9I /ustamente porque a estrutura é rigorosamente definida como um sistema de transforma+=es. ou mel)or. mas a de uma matri0 que permite mostrar em que uma variante é uma transforma+(o real da outraE A estrutura é rigorosamente coe tensiva a suas atuali0a+=es. ela n(o é mais nem menos condicionante que as diferen+as de am#os os lados da fronteira discursivaD se o mito é tradu+(o. e da cultura < ciência da cultura4ransversalidade e simetria.!"@@L!"@&5 $A$7.' (e n o sem estrutura.A estrutura como com#inatória gramatical fec)ada e como multiplicidade diferencial a#erta. em uma defini+(o crucial que Lévi-Strauss avan+ava /3 em !"@B. sa#er que se constitui. pois uma tradu+(o n(o é uma representa+(o mas uma transfor#a. so#retudo. ou antes.'sso nos encamin)a para uma reconcep+(o de estrutura como 9transformalista:. contém um su#te to ou contrate to pós-estruturalista. sugerindo que ali nos apro imamos da matri0 de todo sentido.A suposta parcialidade do estruturalismo por oposi+=es simétricas.oltemos ent(o um passo atr3s.!"KB5 $%7. mas so#retudo aquilo que ela transforma. e como operador de divergência.!"?"5 !BB7. n(o dentro de uma língua e dentro de uma cultura ou su#-cultura. as Mitológicas. nem formalista. com#inemos esse passo diacr8nico com a descontinuidade sincr8nica a que aludimos mais acima. nem transformacional. )elo menos um estruturalismo com uma outra noç o de estrutura que a de As estruturas elementares" 1u talve0 se deva di0er que )3 dois usos diferentes do conceito de estrutura na o#ra de Lévi-Strauss5 como princípio transcendental de unifica+(o.Dis aí uma tese que leva a no+(o de 9/ogo de linguagem: real#ente <s Fltimas consequênciasA primeira apro ima+(o ao conceito de mito ensaiada por Lévi-Strauss destacava sua traduti#ilidade integral5 92oderíamos definir o mito como aquele modo do discurso em que o valor da fórmula traduttore. se a antropologia é a 9ciência social do o#servado:. a antropologia do outro7.!"?!5 @&!7.

seriam apenas duas atuali0a+=es privilegiadas. tais como os conce#e o pensamento mítico.!"&B5 !A7. que corrói a paridade est3tica das oposi+=es #in3rias.esquema totêmico cl3ssico7. a assimetria das oposi+=es. a assimetria e a continuidade como anteriores ao #inarismo. essa disparidade p=e a especula+(o mítica em movimento.Mas esta import_Hncia é drasticamente relativi0ada por diversas passagens da o#ra que. estaria perpetuamente amea+ado de cair em um estado de inércia.2ois s(o estes afastamentos diferenciais em cascata. com História de Lince. que pré-desconstrói o analogismo totêmico do tipo A 5 .8 oleira ciu#enta 6!"&@7 é uma ilustra+(o sistem3tica da fórmula can8nica.ão em te#a: aual é. que responde pela transforma#ilidade e traduti#ilidade dos mitos. 9mesmo quando a estrutura muda ou se enriquece para superar um desequilí#rio. é muito digno de nota que Lévi-Strauss encerre as duas fases das Mitológicas 6o 9>inal: do Ho#e# nu e a História de Lince7 com advertências so#re os limites do voca#ul3rio da lógica e tensional para dar conta das transforma+=es que ocorrem emLentre os mitosSo#retudo. a terra firme e a 3gua. e o dualismo dinHmico. a 9tor+(o: que fa0 passar de uma met3fora a uma metonímia ou vice-versa 6L--S. efetivamente. o qual n(o é nada mais que um esfor+o para corrigir ou dissimular essa dissimetria constitutiva: 6id-5 B%K7 Dsse desequilí#rio n(o é uma simples propriedade formal da mitologia. alto e #ai o. a 9tor+(o supranumer3ria: que na verdade é a transforma+(o estrutural pura e simples 6ou antes.!"KK5 $!!75 a famosa 9dupla tor+(o:. sem isso. o termo e a fun+(o. o contínuo e o descontínuo.!"@@L!"@&7.!"@KL!"@&7 * que postula o ternarismo. o desequilí#rio ou a a#ertura intensiva que é uma propriedade constitutiva da estrutura * dessa segunda no+(o de estrutura * atinge o que se poderia c)amar de maneira /ocosamente )egeliana de 9consciência de si:. instalamo-nos imediatamente na equivalência entre uma rela+(o metafórica e uma rela+(o metonímica.'sso me fa0 supor que estamos diante de uma mesma estrutura virtual. que se manifesta diversamente segundo a perspectiva em que nos colocamos para apreendê-la5 entre o alto e o #ai o. concidad(o e estrangeiros etc.]que é^ uma propriedade inerente <s transforma+=es míticas: 6L-S. que pode ser tudo. o pró imo e o distante.o#e# nu. o sistema e seu e terior * estes s(o os verdadeiros temas estruturalistas. segundo uma céle#re passagem de + . mais ainda. o continente e o conteFdo. 55 C 5 C.1 espirito se esfor+a por emparel)3-los sem entretanto conseguir esta#elecer entre eles uma paridade. cada estrutura contém um desequilí#rio que n(o pode ser compensado sem apelar para um termo tomado de empréstimo de uma estrutura ad/acenteE: 6id-!"K?5 $"B7. mas isso é assim porque ela condiciona. o mac)o e a fêmea etc'nerente ao real. a teoria que afirma. < simetria e < descontinuidade * como. )averia talve0 outrasCom a fórmula can8nica. a 9disparidade: em que consiste 9o ser do mundo: 6id-!"?!5 @A"7.Alguns poucos e emplos5 9o desequilí#rio é sempre dadoE: 6L--S. ao imperativo de fec)amento. que o mito aceder3 ao que se poderia c)amar seu momento propriamente especulativo. em lugar de uma oposi+(o simples entre met3fora totêmica e metonímia sacrificial. uma Eassimetria primeira. perto e longe.!"KK5 $$$7. retórica inclusive. é desmentida n(o só pela ainda )o/e surpreendente crítica ao conceito de organi0a+(o dualista do artigo de !"@K 69As organi0a+=es dualistas e istemO:. antes mesmo do pensamento. a marc)a em espiral 6antes que em círculo7 das transforma+=es. índios e n(o-índios.1s mitos pensam atravésdesse desequilí#rio * e o 4ue eles pensam é esse desequilí#rio ele próprio. a inspira+(o profunda desses mitosO ]E^ Dles representam a organi0a+(o progressiva do mundo so# a forma de uma série de #iparti+=es. o#sessivamente repetida nas Mitológicas. su#lin)am a intermina#ilidade da an3lise.1 que proclamam implicitamente esses mitos é que os pólos entre os quais se odernam os fen8menos naturais e a vida social5 céu e terra.[3 o#servamos que as Mitológicasconcedem muita importHncia. )í#rida e comple a75 a 9rela+(o desequili#rada E. ou teoria 9imanente: 6id-!"KB5 $%7.1s mitos contêm sua própria mitologia./amais poder(o ser gêmeos. a multiplicidade e diversidade dos ei os necess3rios para se ordenar os mitosE A palavra-c)ave aqui édese4uil$*rio. mas um elemento fundamental de seu conteFdo. quando ele transforma o desequilí#rio perpétuo de condi. o céu e a terra. as dimens=es suplementares. menos simétrica e reversívelAlém disso. pela igualmente antiga e ainda mais surpreendente 9fórmula can8nica do mito: 6L-S-S. da qual a fórmula can8nica. a e istência de todo o#/eto de pensamento 6i-d !"?!5 @A"7Mas é apenas vinte anos depois. 9longe de estar isolada das outras.A convers(o asimétrica entre o sentido literal e o figurado. a pluralidade dos níveis. é sempre ao pre+o de um novo desequilí#rio que se revela em outro planoE ]---^ E a estrutura deve a uma inelut3vel disssimetria seu poder de engendrar o mito. que p=em em marc)a a m3quina do mundo-: 6!""!5 "%-"!7-[7] . que atravessam todas as an3lises lévi-straussianas da mitologia ameríndiaCom a História de Lince. em sentido inverso. mas sem que entre as partes resultantes em cada etapa apare+a /amais uma verdadeira igualdade ]E^ Ceste desequilí#rio dinHmico depende o #om funcionamento do sistema que. L--S. a esquerda e a direira. ao passo que a História de Lince concentra-se na insta#ilidade dinHmica * o 9desequilí#rio perpétuo:]K^* das dualidades cosmo-sociológicas ameríndias. decerto n(o é por acaso que os dois Fltimos livros mitológicos de Lévi-Strauss se/am construídos como desenvolvimentos precisamente dessas duas figuras do dualismo inst3vel.

diríamos5 mudou a ênfase. a gemelaridade que é %a c. um contínuo cu/a nega+(o é. a respeito da diferen+a entre as duas fases maiores do pro/eto estruturalista. 'ensando-se entre si. em todos os sentidos da palavra5 a c)ave.A dualidade imperfeita em torno da qual gira a Fltima grande an3lise mitológica de Lévi-Strauss. como afirma v3rias ve0es Lévi-Strauss. que Se o primeiro momento da o#ra de Lévi-Strauss parece se caracteri0ar por uma intensa interroga+(o so#re o pro#lema da passagem da nature0a < cultura.6Maniglier $%%%5 sem p3g.as7.Compare-se essa constata+(o. na medida em que essa mitologia pensa ativamente. é preciso concluir que as Mitológicas s(o um pouco mais que uma empresa centrada no 9estudo das representa+=es míticas da passagem da nature0a < cultura:. mas a diferen+a intensiva e intermin3vel entre os gêmeos desiguais de História de Lince.Se a mitologia ameríndia possui. que estaria inteiramente do lado do discreto. isto é. em seus mitos so#re a 'dade de 1utro e o Além. #ecos estreitos. por seu lado.2ois é < medida em que elas v(o sendo escritas que seu autor come+a. e o sentido. daquilo que o estruturalismo toma como sendo o contra-discurso antropológico. a lua e a androginia.'' 2)ro7imemo'nos de nossa conclus o" 2atrice Maniglier o#servava. pelas 9mitologias das flu =es: 68 orige# dos #odos . os pequenos intervalos. . um direito . os tri_Hngulos culin3rios que vistos de perto se transformam em curvas de boc). a contestar a pertinência de um contraste radical entre Nature0a e Cultura. o#rigaram seu autor a cartografar um la#irinto de camin)os tortuosos e equívocos. impasses o#scuros.A cifra5 a disparidade fundamental da díade. acrescentando que a )umanidade /amais conseguiu se resignar diante da falta de acesso comunicativo <s outras espécies do planetaJeflitamos5 a nostalgia de uma comunica+(o origin3ria entre todas as espécies 6a continuidade interespecífica7 n(o é e atamente a mesma coisa que aquela nostalgia da vida 9entre si: respons3vel pela fantasia do incesto póstumo 6a descontinuidade intra-específica7. a condi+(o fundamental do pensamento.!"&B7. se ele 9reflete: * isto é. o cromatismo e o veneno. o dois como caso particular do mFltiplo. considere-se o Fltimo par3grafo de 8s estruturas. 9a )umanidade son)a em capturar e fi ar aquele instante fugidio em que l)e foi permitido crer que podia trapacear com a lei da troca. as deforma+=es contínuas. isto é.A verdadeira dualidade que interessa o estruturalismo n(o é o com#ate dialético entre Nature0a e Cultura.A cifra.#esaE A passagem de m(o Fnica ente Nature0a e Cultura n(o passa. E o segundo momento é n(o menos intensamente caracteri0ado por uma denFncia o#stinada. mas seu conteFdo filosófico igualmente * e de resto. e que assim para ela a felicidade completa. a alga0arra e o fedor. os dualismos que se desdo#ram em semi-triadismos e e plodem inesperadamente em uma multiplicidade de ei os transversais de transforma+(oE 1 mel e a sedu+(o se ual. se 'ensa# en4uanto tais.u#ano. os modelos analógicos. as Mitológicas. gan)ando sem perder. e so#re a descontinuidade entre essas duas ordens. 9eternamente negada ao )omem social:.#esa7. os setes livros da série completa mostram-se fascinados pelas 9mitologias da am#iguidade: 6 6o #el -s cin. é aquela que consiste em 9viver entre si:. em certo sentido. longe de descreverem uma passagem clara e unívoca entre Nature0a e Cultura. com a dialética mítica entre contínuo e descontínuoDssa diferen+a n(o é puramente formal. que s(o a cifra do pensamento mítico. que é como o autor descreve modestamente sua empresa em 5aroles 6onnées 6L--S.X Dri#on !"&&5 !"A7. desfrutando sem partil)ar:. se auto-transforma * corretamente.1s mitos.Seria ent(o um pouco a#surdo imaginar que Lévi-Strauss transferisse para os índios a insensate0 que ia diagnosticando como a tara fatal do 1cidente " D com efeito.Muito ao contr3rio. a segunda vo0 do discurso antropológico do estruturalis#o come+a a soar mais forteA discordHncia ou tens(o criativa entre os 9dois estruturalismos: contidos na o#ra de Lévi-Strauss é internali0ada de modo especialmente comple o nas Mitológicas. os eclipses e a garrafa de blein.imos acima que Lévi-Strauss contrastava a 3lge#ra do parentesco de 8s estruturas ele#entares. e contempla nostalgicamente. enfim. em um movimento especulativo que.. com um passo #em mais tardio da o#ra de Lévi-Strauss. é a e press(o aca#ada dessa assimetria auto-propulsiva. como o#serva Maniglier. vias transversas.Dm outras palavras. da ]tentativa de^ constitui+(o da )umanidade como uma ordem < parte. rios que correm nos dois sentidos ao mesmo tempo.2ois n(o é apenas a forma estética da mitologia ameríndia que se mostra um misto de contínuo e descontínuo. como aqueles evocados em 8 orige# dos #odos . as periodicidades curtas.Cali para frente. no entender de Lévi-Strauss. finalmente t(o freudiana. como poderia um verdadeiro estruturalista separar forma de conteFdoO Assim. onde o antropólogo define o mito como sendo 9uma )istória do tempo em que os )umanos e os animais n(o se distinguiam entre si: 6L-S. pelos percursos regressivos e as marc)as retrógradas da Cultura < Nature0a. n(o poder3 escapar ao desequilí#rio so#re o qual reflete. os desequilí#rios perpétuos. fractais infinitamente comple asE Cirse-ia que o conteFdo da mitologia ameríndia consiste em uma nega+(o do próprio impulso gerador do mito. as 0onas de compenetra+(o entre essas duas ordens. as repeti+=es rapsódicas.def-7Com efeito. da primeira metade do primeiro livro da tetralogia. a oposi+(o como limite inferior da diferen+a.ave de todo o siste#a(. o nFmero e a sen)a. onde o autor o#serva que. por parte de Lévi-Strauss.

na p3gina BB& do original.Cevemos poder ser capa0es de tirar todas as consequências da idéia de que o estruturalismo lévi-straussiano. estruturas de autoridadeE Dles falam de sangue. no espa+o. político. e n(o apenas como mera fantasia ou li#erdade imagin3ria.ido. quando a am#iguidade entre os dois discursos do estruturalismo.''' 2 dist5ncia real que se)ara as duas grandes fases da obra de &évi'(trauss é um movimento crucial realizado nas Mitológicas8 a %amerindianizaç o do estruturalismo*" As Mitológicas s(o um real tratado de sociologia ind$gena. se/a pela introdu+(o de afastamentos diferenciais que a alteram.N(o o#stante. a marc)a regressiva é regenerativaO 'mpossível.o#e# nu revela-se. pênis removíveis.A propósito de um mito norte-americano so#re a conquista do fogo celeste. a meu ver. o autor o#serva * o mesmo autor.D é neste sentido que elas completam o tra#al)o de dissolu+(o da sociologia cu/os primeiros sinais 2. que é como nós estamos acostumados a conce#er o discurso sociológico. no final das contas.ido com um elogio do discreto. n(o mito. isto é.D iste ali uma imagem do sociusinscrita nesse discurso mitológico. sua convergência assintótica em um esfor+o 9desesperado: para captar a assimetria Fltima do real. em troca. as Mitológicas constituem tam#ém um estudo de etnosociologia. poder político. para um par3grafo situado /3 no apagar das lu0es de + . é .1 aquecimento glo#al da )istória. pensamento autenticamente especulativo ou auto-tem3tico. no sentido autoral da palavra.1s mitos pouco di0em so#re cl(s. sensível e sensorial. esses livros s(o como uma luta cerrada entre a unidade do espírito )umano e a multiplicidade do corpo indígena.e um avesso. asMitológicas s(o antes de mais nada uma an3lise de mitos feita por Lévi-Strauss. ele conclui5 N(o se deve esquecer que esses atos n(o-reversíveis de media+(o acarretam pesadas contrapartidas5 empo#recimento quantitativo da ordem natural * na dura+(o.1u n(o.1 espírito come+a com nítida vantagem. essa imagem tem pouco em comum com nossas próprias imagens. porcos. cani#alismo. ou pelo menos n(o mais apenas negativa5 a gênese da cultura é degenerativaO D nesse caso. aquele da )omini0a+(o triunfante de 8s estruturas ele#entares e aquele da denFncia da auto-separa+(o da )umanidade é 9interiori0ada: analiticamente e posta na conta de uma refle (o imanente ao mito5 s(o os mitos que contam as duas )istórias. com uma pretens(o de tipo psicológico-cognitivo. entretantoO 'magin3ria.Se/a por destrui+(o de uma )armonia primitiva. ta#aco. o fim das )istórias frias. o acesso da )umanidade < cultura se acompan)a. como tendo sido recursivamente interiori0ada5 o grande mito tupi de História de Lince descreve um movimento idêntico ao que define a essência de todo rito 6rito. feita 'elos índios5 9a ciência social do o#servado:.I interessante notar que nos mitos analisados na série. talve0. ele tampouco. que come+ava + cru e o co. no plano da nature0a. cores dos p3ssaros. o 2icapau perde a maior parte de sua veste de plumas ru#ras 6M ?$"7. isto é. essencial para que a retomada da )eran+a intelectual de Lévi-Strauss se fa+a so# o modo de um avan+o epistemológico. o cascatear de oposi+=es de escopo decrescente. direitos. note-se #em7. dir-se-ia.Dsse é certamente um pro#lema a ser retomadoC)amo vossa aten+(o. é so# a forma de uma les(o anat8mica su#sequente ao seu fracasso no decorrer da mesma miss(o. o Melro adquire um peitoral vermel)o.Como se o Fnico mito que funcionasse realmente como um mito lévi-straussiano fosse o 9mito da mitologia:. Hnus personificadosE Dm suma. visto que. de anti-sociologia. ainda que por pontos * por um pequenoclina#en que se acentua nitidamente nos rounds finais. aqui.A proposta do autor é e aminar o funcionamento da imagina+(o mítica enquanto uma faculdade do espírito )umano. recordemos. fala-se muito pouco naquilo que a antropologia cl3ssica entende por csociologia:.Sociologiados índios. mel. com História de Lince! A idéia de uma amerindiani0a+(o do estruturalismo é. além disso ou. do enriquecimento lógico efetuado pela redu+(o dos contínuos primordiais * agora. n(o de um retorno nost3lgico a um pretenso rigor cientifico que teria sido a#andonado pela antropologia pós-moderna. os mitos falam de um universo essencialmente material.Maniglier via em 8s estruturas ele#entares! I claro. na A#ertura de + cru e o co. as Mitológicas elas mesmas. até gan)3-la inequivocamente. podrid(o. em lugar disso. que envolve o uso de uma escada de flec)as que se parte e rompe a comunica+(o entre o céu e a terra. por ter conquistado o fogo. pela diminui+(o do nFmero de espécies animais após sua desastrosa incurs(o celeste * e tam#ém empo#recimento qualitativo. corporal. e a marc)a regressiva n(o é t(o negativa assim. pelo termo e íguo atri#uído < vida )umana. as met3foras milenares de nossa própria tradi+(o.A polêmica distin+(o entre mito e ritual do 9>inal: de + . um sentido progressivo e outro regressivo. simplesmenteO 1u piorO 2ois )3 momentos em que a nostalgia do contínuo aparece para Lévi-Strauss como sintoma de uma doen+a real provocada pela prolifera+(o descontrolada do descontínuo. é tam#ém porque estes s(o os dois sentidos ou dire+=es do discurso estruturalista ele próprio 6ou vice-versa7.Na verdade. repito. e muito pouco de um universo /urídico e normativo. e que se. fantasma. de uma espécie de degrada+(o que a fa0 passar do contínuo ao discretoDsse é um daqueles trec)os meio perdidos na selva das Mitológicas que perce#emos su#itamente cruciais. isto é. é o fim da Nature0a-]&^ . mas o corpo vai progressivamente dominando a luta.o#e# nu.As Mitológicasdemonstram que a sociologia indígena é uma sociologia dos corpos e dos flu os materiais.

Les structures élé#entaires de la 'arenté6$e ed-7. ele é a resultante da infle (o que este Fltimo pensamento rece#e ao ser filtrado por pro#lemas e conceitos característicos da logo'oiesis ocidental 6o mesmo e o outro. 2.uma transforma+(o estrutural do pensamento ameríndio.!B?`!&%7.6pp. augmentée et rallongée de trois e cursions7.Citado conforme5 )ttp5LLciepfc-r)apsodSU-netLarticle-p)pAOid_articleg@$ 6sem p3gina+(o definida74AhL1J.o##e nu! 2aris5 2lon*** 6!"?"7. se dispon)a a pensar * sem maisDsta é a li+(o maior do mestre5 tornarmo-nos capa0es de ouvir outras li+=es. em equilí#rio inst3vel.1s 9alicerces ameríndios do estruturalismo:.!B?-!&$7. Lévi-Strauss! 6pp. é#et son cou' de dés.6e 'r3s et de loin! 2aris5 1dile [aco#MAN'VL'DJ. praticar aquela 9a#ertura ao 1utro: que. ou com a morfologia de CRArcS 4)ompson.'n 8nt.ologi4ues ": le cru et le cuit! 2aris5 2lon***6!"KK7. /unto aos povos ameríndios.'n 8nt.o'.ologi4ues "": du #iel aux cendres! 2aris5 2lon***6!"K?7.La voie des #as4ues 6édition révue. >. K%".2aris5 2lon*** 6!"K%L!"?A7.o'.4aSlor 6$%%B5 "?7. [.Le c)amp de lRant)ropologie.2aris5 Mouton***6!"@%7.ologi4ues """: L&origine des #ani3res de ta*le! 2aris5 2lon*** 6!"?!7. segundo um movimento de 9equivoca+(o controlada:. ''6A75 $?-BBLI.ro'ologie structurale deux! 6pp. sempre amea+ado fecundamente pela trai+(o e pela corrup+(o.2aris5 Minuit_____.ro'ologie structurale! 6pp. quanto o seria separ3-la da e periência formativa do autor.6!"&!7.'n M.ologi4ues "@: l&. esses outros que antes ela se compra0ia em imaginar encerrados em seu intemporal casulo etnocêntrico. V-.2aris5 2lon*** 6!"K$L!"?A7.ro'ologie structurale! 6pp.de 6$%%&7 A fórmula can8nica do mito. a nature0a e a culturaE7.Se#iotext>e0. Sociologie et ant.Les Ae#'s Modernes.A??-B!&-7.i.'n 8nt.6$%%B7.i. pertur#adora.6$%%%7. a antropologia lévi-straussiana pro/eta uma “:filosofia por vir:“ marcada positivamente pelo selo da intermina#ilidade e da virtualidade5 o 8nti-Narciso.. C.Histoire de L?nx! 2aris5 2lonLI.'n 8nt. para falarmos como A--C.2aris5 2lon*** 6!"&B7. o contínuo e o discreto.La notion de structure en et)nologie. Lévi-Strauss: estudos *rasileiros. A--C.!!-BB7.ro'ologie structurale.2aris5 2lon***6!"@&7.ro'ologie structurale deux! 6pp.2aris5 2lon***!"K$. de que o outro dos outros ta#*é# é outro.X DJ'.6!"&&7.2aris5 2lon***6!"@@L!"@&7.'0ard 6org-7. o sensível e o inteligível. a antropologia desco#re ser a atitude que caracteri0a esses outros que ela estuda muito mais que nós mesmos. por vasta que se/a.LR)umanisme intermina#le de Lévi-Strauss.Les organisations dualistes e istent-ellesO 'n8nt.6!"??7.'-S4JAQSS.M?t.i -lii7***6!"@BL!"@&7.M?t.B@@K7.2aris5 2lon***6!"@KL!"@&7.ibliografia ALMD'CA. M-G-.[ean-[acques Jousseau. isto é. por uma surpreendente reviravolta.D a conclus(o mais geral a tirar é que a antropologia n(o disp=e de outra posi+(o possível que a do esta#elecimento de uma coplanaridade de princípio com o pensamento selvagem. as li+=es do outro.Ao definir as Mitológicas como o “ mito da mitologia“ e o con)ecimento antropológico como uma transforma+(o da pra is indígena.M?t. persa ou francês.5aroles données! 2aris5 2lon***6!"&@7! La 'oti3re 9alouse.A%A-A@$7. ultrapassando seu próprio 9conte to: e se mostrando capa0 de dar a 'ensar a outre#. C.rénie.ro'ologie! 6pp. fondateur des sciences de lR)omme.2aris5 2lon*** 6!""!7.An anti-sociologS.La structure des mSt)es.2lace de lRant)ropologie dans les sciences sociales et pro#lPmes posés par son enseignement'n 8nt. n(o podem ser ignorados sem que percamos com isso uma dimens(o vital de compreens(o da o#ra inteira de Lévi-Strauss ! 'sso n(o significa de modo algum que a validade dos pro#lemas e conceitos propostos por esse antropólogo se restrin/a a uma 93rea cultural:. $!K-$B!.Cai eta de aueiro0 6org-7.La 'ensée sauvage! 2aris5 2lon*** 6!"KB7. mas /usto o contr3rio5 a o#ra de Lévi-Strauss é o momento em que o pensamento ameríndio fa0 seu lance de dados. o tra+ar de um plano de imanência comum a seu o#/eto.$$?-$@@7.6!"?$7. no campo e nas #i#liotecas.ro'ologie structurale!6pp.A mensagem final deHistória de Lince é assim aquela.'ntroduction < lRfuvre de Marcel Mauss.M?t.'-S4JAQSS.elo Mori0onte5 Dditora da Q>MVCDLDQdD.'n M. C..6!"B"L!"K?7.Con auic)otte en Amérique.Mauss.Milles 'lateaux! =a'italis#e et sc. a todo aquele que.1N.rénie! 2aris5 MinuitC1NdDL14.Dntendo que é t(o pouco avisado separar a antropologia de Lévi-Strauss de suas condi+=es de constitui+(o no contato com a linguística de Saussure.'n J. X VQA44AJ'.L&8nti-<di'e! =a'italis#e et sc."$-"&72aris5 Iditions de LRMerne- .6pp.Claude Lévi-Strauss.

!"@%5 vii7]A^ Jecordemos que o contr3rio do 9pensamento selvagem: é o pensamento 9domesticado em vista de o#ter um rendimento: 6L--S. que ecoa tantas outras passagens. a fórmula can8nica do mito. com certe0a.Coloca o mundo antes da vida. que um )umanismo #em ordenado n(o come+a por si mesmo. talve0 n(o por acaso.1 que se passa dentro de um mito é o que permite passar de um mito a um outro. povo cu/a mitologia é.B$$ do original55 Neste século em que o )omem teima em destruir inumer3veis formas de vida. cf. a composi+(o 9interna: de uma narrativa é de mesma nature0a que suas transforma+=es 9e ternas:. foi mais necess3rio di0er. nunca.Cito aqui 8 orige#.]!^ A ine istência de uma meta-estrutura é assinalada desde a 9'ntrodu+(o < o#ra de Marcel Mauss: 6!"@%7 e de 9A no+(o de estrutura em etnologia: 6!"@&7. p. é 9univers: * mas 9mundo: vai aqui como )omenagem ao m3 imo poema de Carlos Crummond de Andrade]&^ Dsta passagem ecoa a 9moral dos mitos: do final de 8 orige# dos #odos .a m3 ima de + 'ensa#ento selvage# de que 9o princípio de uma classifica+(o /amais se postula:]$^9Ceve )aver em algum lugar uma passagem decisiva que Mauss n(o franqueouE9 6L--S. esse manifesto pósestruturalista]@^ Dis porque tam#ém a #usca de uma 9estrutura do mito: enquanto o#/eto sintagm3tico fec)ado é um perfeito contra-sensoComo ressalta dessa o#serva+(o de Maniglier. no original. o respeito pelos outros seres antes do amor-próprio.Aodo #ito é 9em ]forma de^ garrafa de blein: 6L--S.!"K$5 $&"7]B^ A e press(o foi aplicada por [acques Con0elot 6!"??7 ao + 8nti-Bdi'o6Celeu0e X Vuattari !"?$7. a vida antes do )omem. como a do artigo em )omenagem a Jousseau. como o fa0em os mitos. n(o permite definir a 9estrutura interna: de um mito * pois n(o e iste tal coisa.D que mesmo uma estadia de um ou dois mil)=es de anos nesta terra * /3 que de todo modo )3 um dia de aca#ar * n(o pode servir de desculpa para uma espécie qualquer.#esa. mesmo a nossa. dela se apropriar como coisa e se comportar sem pudor ou modera+(o- >onte5 )ttp5LLcani#aisavulsas-Tordpress-comL$%!%L%@L!ALlevi-strauss-fundador-do-pos-estruturalismoL . depois de tantas sociedades cu/a rique0a e diversidade constituíam desde tempos imemoriais seu maior patrim8nio. e ainda mais enfaticamente da demonstra+(o de Mauro Almeida em artigo /3 citado. a transforma+(o estrutural por e celência. para descrever o casamento avuncular dos 4upi.!"&@5 $%"-ss7]K^ A e press(o 9desequilí#rio perpétuo: fa0 sua primeira apari+(o em 8s estruturas ele#entares. a referência principal para o tema do desequili#rio perpétuo em História de Lince]?^ A palavra final deste trec)o.Qm mito n(o se distingue de suas vers=es.So#re a indetermina+(o de princípio dos ei os semHnticos de um sistema mítico.