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CAPÍTULO 6 - ESTRESSE TÉRMICO 6.

1 Introdução O estresse térmico é definido como o resultado de condições microclimáticas desfavoráveis que requerem a intervenção do sistema termorregulador. O estresse térmico, isto é, a fadiga que pode levar até a morte, pode ser devido à exposição excessiva a um ambiente quente ou frio. Para um ótimo funcionamento do organismo humano, a temperatura do corpo deve ser mantida em torno de 37 ºC. Se a temperatura externa for sensivelmente maior do que a do corpo, sensores agem sobre a circulação sangüínea excitando as glândulas sudoríporas que aumentarão a produção de suor: ­ Conforto Térmico - geração de suor = evaporação do suor ­ Desconforto Térmico - geração de suor = suor evaporado + escorrido ­ Estresse Térmico – geração de suor = suor evaporado + escorrido em grande quantidade ­ Colapso Térmico – armazenamento de calor + elevação da temperatura + colapso físico.

6.2 Avaliação de Estresse Térmico Para pessoas expostas a ambientes quentes existem duas formas de se avaliar o estresse térmico: A) Avaliação de estresse térmico baseada na temperatura de globo de bulbo úmido (TGBU) Norma ISO 7243 B) Avaliação de estresse térmico por meio de cálculo da taxa de suor requerida Norma ISO 7933 6.2.1 NORMA ISO 7243 A temperatura de globo de bulbo úmido (TGBU), também denominado de Índice de Bulbo Úmido e de Temperatura de Globo (IBUTG), é um índice empírico que é fácil de ser determinado em um ambiente industrial. O método de avaliação do estresse térmico baseado neste índice constitui-se em um compromisso entre o desejo de se ter um índice muito preciso e a necessidade de se ser capaz de realizar medidas que sejam fáceis de serem levantadas em um ambiente industrial. A Norma Regulamentadora de Segurança e Higiene do trabalho NR 15, Portaria no. 3214 de 08 de junho de 1978, em seu anexo 3, prevê o Índice de Bulbo Úmido e de Termômetro de

e a temperatura de globo.7 TBU + b) fora de edifícios com radiação solar IBUTG = 0 .1 Limites de exposição ao calor permissíveis para trabalhadores aclimatados 2 .2 Globo. pintado de negro ε = 0. colocado no centro do ambiente analisado). como índice técnico legal brasileiro para a avaliação das condições de trabalho em ambientes sob temperaturas elevadas.1 são apresentados limites de exposição ao calor permissíveis para trabalhadores aclimatados e na Tab. parede fina. Tar. a temperatura de bulbo úmido natural (ambiente ventilado naturalmente).3. TG (temperatura lida no interior de um globo metálico de 150 mm de diâmetro.2) 0 .PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6. conforme apresentado na Tab. IBUTG. também apresenta valores limites de IBUTG (TGBU). 6.1 Tar (6.7 TBU + 0 . IBUTG (TGBU).1 são apresentados valores de referência do índice de estresse térmico.3 TG (6. 6. Figura 6. A NR 15 – anexo 3.2 TG + 0 .95. da seguinte forma: a) dentro e fora de edifícios sem radiação solar IBUTG = 0 .1) Na Fig. O índice TGBU (ou IBUTG) combina a temperatura do ar (temperatura de bulbo seco). TBU.2 e de taxas metabólicas. Tab. 6. 6.

0 30.0 a 30.PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6.8 m2) 2 W W/m 0 M < 65 M < 117 (parado) 1 65 < M < 130 117 < M < 234 2 3 130 < M < 200 200 < M < 260 234 < M < 360 360 < M < 468 Valor de referência da TGBU Pessoa aclimatada ao calor 0 Pessoa não aclimatada ao calor 0 C C 33 30 28 32 29 26 (não (sensível (não (sensível sensível ao ao sensível ao ao movimento movimento movimento movimento do ar) do ar) do ar) do ar) 25 23 26 25 22 18 23 20 4 M > 260 M > 468 Tabela 6.Valores limites de IBUTG [ºC] (NR 15) Regime de trabalho intermitente com descanso no próprio local de trabalho (por hora) trabalho contínuo 45 minutos de trabalho e 15 minutos de descanso 30 minutos de trabalho e 30 minutos de descanso 15 minutos de trabalho e 45 minutos de descanso não é permitido o trabalho sem a adoção de medidas adequadas de controle atividade leve até 30.5 a 32. M Por unidade Total (para uma Classe de área superficial área superficial taxa de pele de pele média de metabólica 1.1 a 25.0 25.2 .1 Valores de referência do índice de estresse térmico.0 acima de 30.0 a 27.4 29.2 acima de 32.1 26.8 a 28.6 moderada até 26.4 31. TGBU.7 26.1 a 30.9 28.5 a 31.2 28.1 a 29.0 pesada até 25.1 acima de 31.7 a 31.9 30. Taxa Metabólica.0 3 .3 Tabela 6.

movimentos moderados com braços e pernas (ex. constituise em um método analítico baseado na análise da troca de calor entre a pessoa e o ambiente. trabalho moderado em máquina ou bancada. principalmente com os braços TRABALHO MODERADO Sentado. o máximo de calor armazenado e o tempo máximo de exposição ao ambiente. Segundo Parsons (1993). 6. taxa máxima de suor.4 são apresentados valores de referência para diferentes critérios de estresse térmico. movimentos moderados com braços e tronco (ex.3 .: dirigir) De pé. desenvolvido por Givoni (1976). IST. ITS. em máquina ou bancada. isto é. Como resultado deste balanço de calor a Norma ISO 7933 prevê valores máximos de superfície molhada do corpo.Taxas de metabolismo por nível de atividade (NR 15) TIPO DE ATIVIDADE SENTADO EM REPOUSO TRABALHO LEVE Sentado. (1955) e do Índice de Tensão Térmica. empurrar ou arrastar pesos (ex.4 Tabela 6. máximo de perda de água pelo corpo. o índice Sreq foi desenvolvido por Vogt et al (1981) a partir do Índice de Sobrecarga Térmica.: datilografia) Sentado. Na Tab.PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6. trabalho leve em máquina ou bancada.2. trabalho moderado de levantar ou empurrar TRABALHO PESADO Trabalho intermitente de levantar. com alguma movimentação Em movimento. 4 . trabalho leve. remoção com pá) Trabalho fatigante 440 550 180 175 220 300 125 150 150 kcal/h 100 6. Sreq. movimentos vigorosos com braços e pernas De pé. estabelecido por Belding et al.2 NORMA ISO 7933 A avaliação de estresse térmico por meio de cálculo da taxa de suor necessária. com alguma movimentação De pé. Este método permite uma estimativa mais precisa do estresse e uma análise dos métodos de proteção.

85 Pessoas aclimatadas Perigo Advertência 1. e a perda de calor devido à respiração é ignorada (pequena).h/m2 g 1.4 Valores de referência para diferentes critérios de estresse térmico (ISO 7933. desenvolvido na Universidade de Pittsburgh por Belding e Hatch em 1955.3 ÍNDICE DE SOBRECARGA TÉRMICA O índice de sobrecarga térmica. Na zona de regulagem térmica é assumido que a taxa de eliminação de suor requerida.PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6.500 3.250 1.0 1. isto é. É baseado num modelo de troca térmica que assume temperatura da pele constante e igual a 35 ºC.5 Tabela. IST. IST. wmáx Taxa de transpiração máxima Descanso: M < 65 W/m2 100 260 200 520 150 390 250 650 200 520 300 780 300 780 400 1040 Pessoas não aclimatadas Advertência Perigo 0. 6.900 2. O índice de sobrecarga térmica.85 0.600 1. 1989) Critérios Umidade máxima da pele. Ereq. é um índice que leva em consideração a resposta fisiológica do trabalhador. A máxima perda de calor evaporativa que ocorre é denominada de Emax .250 3. isto é: 5 . é igual à produção térmica metabólica (M) menos o calor cedido por radiação (R) e convecção (C).3) Nenhuma distinção é feita entre produção térmica metabólica e a energia requerida para o trabalho.0 SWmáx W/m2 g/h Trabalho: M > 65 W/m2 W/m2 SWmáx g/h Armazenagem máxima de calor Qmáx W.200 6.000 2.000 5. Ereq = M – R – C (6. é definido como a relação entre o calor requerido e o calor máximo perdido por evaporação.h/m2 50 60 50 60 Perda máxima de água Dmáx W.

ISO 7933 (1989). International Organization for Standardization.PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6. A maioria das mudanças ocorre entre 4 a 7 dias de exposição ao calor e após 12 a 14 dias a aclimatação estará completa. bem como a eficiência em trabalhos físicos pesados resposta severa ao calor envolvendo ameaça à saúde de indivíduo não aclimatado.fundacentro.Estimation of the heat estresse on working man.pdf) ISO 7243(1989). 6.5 – Respostas fisiológicas do trabalhador para exposição de 8 horas função do IST. Brasília. 6 .5 são apresentadas as respostas fisiológicas do trabalhador para exposição de 8 horas a várias cargas térmicas . diminuição da temperatura do corpo e uma diminuição do ritmo cardíaco. isto é.5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FUNDACENTRO (2002) . somente pequena porcentagem da população está qualificada para este trabalho máxima resposta tolerada diariamente por homens jovens.70m). Na Tab. exames médicos pré-dimensionais são importantes resposta muito severa ao calor. 6.6 (6. Hot environments – Analytical determination and interpretation of thermal estresse using calculation on required sweat rate. diminuição de eficiência de trabalhos físicos. Isso decorre do aperfeiçoamento da tolerância térmica que implica no aumento da habilidade de transpirar. que corresponde à taxa de suor de aproximadamente 1 litro/h para um homem padrão (75 kg e 1. Tabela 6. Geneva.gov. (www. Geneva. International Organization for Standardization. based on the WBGT – index (wet bulb globe temperature).4 ACLIMATAÇÃO TÉRMICA A aclimatação térmica é um ajuste fisiológico que ocorre após um certo período de exposição da pessoa a um ambiente de temperatura elevada. aclimatados e adaptados 6.4) E  IST =  req  * 100 E max   É adotado um valor de Emax igual a 390 W/m2. Hot environments. a atividade intelectual diminui. vários IST.br/dominios/CTN/anexos/NHO06.NHO 06 Norma de Higiene Ocupacional: Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor. IST 0 10 a 30 40 a 60 70 a 90 100 Sensações térmicas observadas nenhuma resposta respostas leves e moderadas ao calor.

Taylor & Francis. T. Human Thermal Environments. 7 .7 Ministério do Trabalho e do Emprego (2008).PME 2514– CONFORTO TÉRMICO 6.gov.br/sislex/paginas/05/MTB/15. Brasília (http://www010. A.htm) Parsons. (1993). NR 15 – Atividades e Operações Insalubres.dataprev.