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Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina

O trabalho médico
na sociedade de classes:
Que médicos iremos ser?

São Paulo 2007
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Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina

Operário em Construção Vinícius de Moraes
Era ele que erguia casas Onde antes so' havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as asas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia e sua grande missão! "ao sabia por e#emplo Que a casa de um homem e' um templo $m templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa quer ele %a&ia 'endo a sua liberdade Era a sua escravidão. e %ato como podia $m operário em constru(ão Compreender porque um ti)olo Valia mais do que um pão* +i)olos ele empilhava Com pa', cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia Mas %osse comer ti)oloE assim o operário ia Com sour e com cimento Erguendo uma casa aqui .diante um apartamento .lem uma igre)a, / %rente $m quatel e uma prisão! 0risão de que so%reria "ao %osse eventuialmente $m operário em contrucão. Mas ele desconhecia Esse %ato e#traordinário! Que o operário %a& a coisa E a coisa %a& o operário. e %orma que, certo dia 1. mesa, ao cortar o pão O operário %oi tomado e uma subita emo(ão .o constatar assombrado Que tudo naquela mesa 2 3arra%a, prato, %acão Era ele quem %a&ia Ele, um humilde operário $m operario em constru(ão. Olhou em torno! a gamela 4anco, en#erga, caldeirão Vidro, parede, )anela Casa, cidade, na(ão+udo, tudo o que e#istia Era ele quem os %a&ia Ele, um humilde operário $m operário que sabia E#ercer a pro%issão. .h, homens de pensamento "ao sabereis nunca o quanto .quele humilde operário 'oube naquele momento "aquela casa va&ia Que ele mesmo levantara $m mundo novo nascia e que sequer suspeitava. O operário emocionado Olhou sua propria mao 'ua rude mão de operário e operário em constru(ão E olhando bem para ela +eve um segundo a impressão e que nao havia no mundo Coisa que %osse mais bela. 5oi dentro dessa compreensão esse instante solitário Que, tal sua constru(ão Cresceu tambem o operário Cresceu em alto e pro%undo Em largo e no cora(ão E como tudo que cresce Ele nao cresceu em vão 0ois alem do que sabia 2 E#cercer a pro%issão 2 O operário adquiriu $ma nova dimensão! . dimensão da poesia. E um %ato novo se viu Que a todos admirava! O que o operário di&ia Outro operário escutava. E %oi assim que o operário o edi%icio em constru(ão Que sempre di&ia 6sim6 Comecam a di&er 6não6 E aprendeu a notar coisas . que nao dava aten(ão! "otou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerve)a preta Era o uisque do patrão Que seu macacão de &uarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pes andarilh)os Eram as rodas do patrão Que a dure&a do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa %adiga Era amiga do patrão. E o operário disse! "ãoE o operário %e&2se %orte "a sua resolu(ão Como era de se esperar .s bocas da dela(ão Comecaram a di&er coisas .os ouvidos do patrão Mas o patrão nao queria "enhuma preocupa(ão. 2 6Convencam2no6 do contrário isse ele sobre o operário E ao di&er isto sorria. ia seguinte o operário .o sair da constru(ão Viu2se subito cercado os homens da dela(ão E so%reu por destinado 'ua primeira agressão +eve seu rosto cuspido +eve seu bra(o quebrado Mas quando %oi perguntado O operário disse! "ãoEm vao so%rera o operário 'ua primeira agressão Muitas outras seguiram Muitas outras seguirão 0orem, por imprescindivel .o edi%icio em constru(ão 'eu trabalho prosseguia E todo o seu so%rimento Misturava2se ao cimento a constru(ão que crescia. 'entindo que a viol7ncia "ao dobraria o operário $m dia tentou o patrão obra2lo de modo contrário e sorte que o %oi levando .o alto da constru(ão E num momento de tempo Mostrou2lhe toda a região E apontando2a ao operário 5e&2lhe esta declara(ão! 2 ar2te2ei todo esse poder E a sua satis%a(ão 0orque a mim me %oi entregue E dou2o a quem quiser. ou2te tempo de la&er ou2te tempo de mulher 0ortanto, tudo o que ver 'era' teu se me adorares E, ainda mais, se abandonares O que te %a& di&er não. isse e %itou o operário Que olhava e re%letia Mas o que via o operário O patrão nunca veria O operário via casas E dentro das estruturas Via coisas, ob)etos 0rodutos, manu%aturas. Via tudo o que %a&ia O lucro do seu patrão E em cada coisa que via Misteriosamente havia . marca de sua mão. E o operário disse! "ão2 8oucura- 2 gritou o patrão "ao ves o que te dou eu* 2 Mentira- 2 disse o operário "ao podes dar2me o que e' meu. E um grande sil7ncio %e&2se entro do seu cora(ão $m sil7ncio de martirios $m sil7ncio de prisão. $m si7ncio povoado e pedidos de perdão $m silencio apavorado Com o medo em solidão $m sil7ncio de torturas E gritos de maldi(ão $m sil7ncio de %raturas . se arratarem no chão E o operário ouviu a vo& e todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram 0or outros que viverão $ma esperanca sincera Cresceu no seu cora(ão E dentro da tarde mansa .gigantou2se a ra&ão e um homem pobre e esquecido 9a&ao porem que %i&era Em operário construido O operário em constru(ão

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Índice do caderno

:. ;ntrodu(ão.............................................................................................................................................. < =. +rabalho assalariado e capital............................................................................................................... > <. 8uta de Classes................................................................................................................................... :? >. . classe2que2vive2do2trabalho............................................................................................................. :@ A. . crise do movimento operário e a centralidade do trabalho ho)e.......................................................=: B. Medicina na 'ociedade de Classes..................................................................................................... =A C. . constru(ão do pro)eto neoliberal para a saDde no 4rasil! os mEdicos como cimento da argamassa conservadora....................................................................................................................................... <> ?. . pro%issão de ser mEdico................................................................................................................... <@ @. Os mEdicos e o mercado de trabalho.................................................................................................. A=

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Introdução

O tema do F;F CO49EM, GO trabalho mEdico na sociedade de classesH, encerra, na verdade, dois aspectos, mesmo que intimamente relacionados e interdependentes. O primeiro di& respeito / rela(ão da prática da medicina com a constru(ão e reprodu(ão da estrutura social. Esse E o aspecto central abordado no trecho do livro de Maria Cecília onangelo apresentado nesse caderno, G'aDde e 'ociedadeH, de :@CB,. "esse capítulo, chamado GMedicina na 'ociedade de ClassesH, onangelo analisa de maneira e#tremamente elegante aspectos econImicos e político2ideolJgicos que caracteri&am a prática mEdica nas sociedades capitalistas. Marco histJrico e paradigma tanto da constru(ão teJrica quanto da prática em saDde posteriores, esse te#to ocupa, não por acaso, a posi(ão central do caderno. .rticula a primeira parte do caderno, que trata dos conceitos de trabalho, luta de classes e da classe operária, com a segunda parte, com te#tos que análisam historicamente os pro)etos da pro%issão mEdica no 4rasil. "isso consiste o segundo aspecto do tema do Congresso, qual se)a, como as condi(Kes econImicas, mas tambEm político ideolJgicas relacionadas, contribuem na constru(ão do mundo do trabalho do mEdico. Vale ressaltar que essa rela(ão dialEtica entre o trabalho mEdico e a sociedade de classes norteou a constru(ão da temática do CO49EM e, conseqLentemente desse caderno, mas a divisão em duas partes tem apenas motiva(Kes clari%icadoras. 4uscamos, nessa compila(ão, te#tos que %ossem ao mesmo tempo acessíveis, ou se)a, livres de vocabulário tEcnico ou muito especí%ico e relativamente curtos mas que tambEm apresentassem certo rigor conceitual. "esse sentido, os quatro primeiros te#tos %oram escolhidos para servir de base para os te#tos posteriores, mas não sJ. Ob)etivamos tambEm propor a discussão sobre estrutura da sociedade de classes atualmente e sobre a pertin7ncia e amadurecimento do materialismo histJrico como re%erencial teJrico. Os dois primeiros te#tos, portanto, são histJricos, de Mar# e 87nin, o primeiro tratanto da rela(ão do trabalho assalariado com o capital e o segundo da de%ini(ão de luta de classes. Em seguida são apresentados dois te#tos de 9icardo .ntunes, pro%essor de sociologia da $";C.M0, tratando do conceito e#pandido de Gclasse que vive do trabalhoH e da centralidade do debate sobre o trabalho ho)e. O se#to te#to do caderno consiste em um capítulo do livro G. 'aDde 0Dblica e a e%esa da VidaH, de 3astão Magner que dialoga com o te#to anterior de onangelo e colabora para o debate sobre as rela(Kes entre 'istemas de 'aDde e o modo de produ(ão capitalista. O penDltimo te#to, de 8ilia 4lima 'chneiber, E uma retomada histJrica do signi%icado da pro%issão mEdica no 4rasil e o Dltimo te#tos, de Maria Nelena Machado, E uma análise da situa(ão atual do campo de trabalho atual do mEdico no país.

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TRABALHO ASSALARIADO E CAPITAL
Karl Marx

e vários lados nos censuraram por não termos e#posto as rela(Kes econJmicas que %ormam a base material das lutas de classes e das lutas nacionais nos nossos dias. e acordo com o nosso plano, tocámos nestas rela(Kes apenas quando elas v7m directamente ao de cima nas colisKes políticas. +ratava2se, antes de mais, de seguir a luta de classes na histJria do dia2a2dia e de provar, de maneira empírica, com o material histJrico e#istente e diariamente renovado, que, com a sub)uga(ão da classe operária, que %i&era 5evereiro e Mar(o, %oram ao mesmo tempo vencidos os seus adversários! em 5ran(a os republicanos burgueses, e em todo o continente europeu as classes burguesas e camponesas em luta contra o absolutismo %eudalO que a vitJria da G9epDblica honestaH em 5ran(a %oi ao mesmo tempo a queda das na(Kes que tinham respondido / revolu(ão de 5evereiro com herJicas guerras de independ7nciaO que por %im a Europa, com a derrota dos operários revolucionários, voltou a cair na sua antiga dupla escravatura, a escravatura anglo2russa. . luta de Punho em 0aris, a queda de Viena, a tragicomEdia do "ovembro berlinense de :?>?, os es%or(os desesperados da 0olJnia, da ;tália e da Nungria, a submissão da ;rlanda pela %ome Q tais %oram os principais momentos em que se resumiu a luta de classes europeia entre burguesia e classe operária, com os quais nJs demonstrámos que todos os levantamentos revolucionários, por mais a%astado que o seu ob)ectivo possa parecer da luta de classes, t7m de %racassar atE que a classe operária revolucionária ven(aO que todas as re%ormas sociais permanecerão utopia atE que a revolu(ão proletária e a contra2revolu(ão %eudal se me(am pelas armas numa guerra mundial. "a nossa e#posi(ão, como na realidade, a 4Elgica e a 'uí(a eram pinturas de gEnero caricaturais, tragicJmicas, no grande quadro da histJria, uma apresentando2se como o Estado modelo da monarquia burguesa, a outra como o Estado modelo da repDblica burguesa, e ambas como Estados que se imaginam estar tão independentes da luta de classes como da revolu(ão europeia. .gora, depois de os nossos leitores verem desenvolver2se a luta de classes no ano de :?>? em %ormas políticas colossais, E tempo de entrar mais a %undo nessas mesmas rela(Kes econJmicas em que se baseiam tanto a e#ist7ncia da burguesia e o seu domínio de classe, como a escravidão dos operários. E#poremos em tr7s grandes sec(Kes! :.o Q a rela(ão do trabalho assalariado com o capital, a escravidão do operário, o domínio do capitalistaO =.o Q o declínio inevitável das classes mEdias burguesas e do chamado estado burgu7s R4LrgerstandST:Uno actual sistemaO <.o Q a sub)uga(ão e e#plora(ão comercial das classes burguesas das diversas na(Kes europeias pelo dEspota do mercado mundial, a ;nglaterra. 0rocuraremos que a nossa e#posi(ão se)a o mais simples e popular possível, e nem mesmo pressuporemos os conceitos mais elementares da Economia 0olítica. Queremos que os operários nos compreendam. E atE porque na .lemanha reina a mais notável ignorVncia e con%usão de conceitos sobre as rela(Kes econJmicas mais simples, desde os de%ensores encartados do actual estado de coisas, atE aos milagreiros socialistas e aos gEnios políticos incompreendidos, que na .lemanha %ragmentada são mais numerosos ainda do que os príncipes. Comecemos portanto com a primeira questão! Que E o salário* Como se determina* 'e perguntássemos aos operários! Q Que salário recebem*, responderiam! Q Eu recebo do burgu7s um marco pelo dia de trabalhoO outro dirá! Q 9ecebo dois marcosO etc. Con%orme os di%erentes ramos de trabalho a que pertencem, assim nos indicariam diversas quantias que recebem dos burgueses respectivos, pela e#ecu(ão de um determinado trabalho, como, por e#emplo, tecer uma vara de pano ou compor uma página tipográ%ica. .pesar da diversidade das suas indica(Kes, todos concordarão neste ponto! o salário E a soma em dinheiro que o capitalista paga por um determinado tempo de trabalho ou pela presta(ão de determinado trabalho. 0arece portanto que o capitalista compra trabalho deles com dinheiro. Estes vendem2lhe o seu trabalho a troco de dinheiro. Mas sJ na apar7ncia E que isto se passa. "a realidade, o que os operários vendem ao capitalista em troca de dinheiro E a sua %or(a de trabalho. O capitalista compra essa %or(a de trabalho por um dia, uma semana, um m7s, etc. E depois de a ter comprado, utili&a2a %a&endo trabalhar os operários durante o tempo estipulado. Com essa mesma quantia com que o capitalista lhes comprou a

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E a prJpria actividade vital do operário. %or(a de trabalho E portanto uma mercadoria. O salário não E portanto uma quota2parte do operário na mercadoria por ele produ&ida. %or(a de trabalho E pois uma mercadoria que o seu proprietário.o valor de troca de uma mercadoria. O capitalista apodera2se do pano e vende2o por vinte marcos. E o operário. a que se costuma chamar pre(o do trabalhoO E apenas o nome dado ao pre(o dessa mercadoria peculiar que sJ e#iste na carne e no sangue do homem. durante do&e horas. como vida* 4em pelo contrário.. tece. na cama. e essa troca tem lugar na verdade numa determinada propor(ão! tanto dinheiro por tantas horas de utili&a(ão da %or(a de trabalho. 0ortanto. O capitalista compra. deitar2se na cama.ssim como o tear e o %io não são produto do tecelão. o trabalho. 0ortanto. . a %or(a de trabalho. o palácio. que. / mesa. por e#emplo. O salário E a parte de mercadoria )á e#istente.. dois marcos. de lenha. O escravo E vendido. o capitalista produ& agora sJ com matErias2primas e instrumentos de trabalho que lhe pertencem. o valor de troca da %or(a de trabalho. Ele prJprio E uma mercadoria. E E essa actividade vital que ele vende a um terceiro para se assegurar dos meios de vida necessários. Os operários trocam a sua mercadoria. E os dois marcos Q não representarão eles todas as outras mercadorias que posso comprar por dois marcos* e %acto. com a sua %or(a de trabalho. cava. %or(a de trabalho nem sempre %oi uma mercadoria. redu&em2se para ele a uma determinada quantidade de meios de vida. o salário E apenas um nome especial dado ao pre(o da %or(a de trabalho. apenas um meio para poder e#istir. constrJi. . 0oderá acontecer que a venda do pano se reali&e em condi(Kes muito vanta)osas. a segunda com a balan(a. por e#emplo. como mani%esta(ão da sua vida. 'e o bicho2da2seda %iasse para manter a sua e#ist7ncia de lagarta. O capitalista %ornece2lhe o tear e o %io. . de lu&. um tecelão. +rabalha para viver. nem sequer considera o trabalho como parte da sua vida. O escravo não vendia a sua %or(a de trabalho ao proprietário de escravos. 0or isso. .o dar2lhe dois marcos o capitalista deu2lhe uma certa quantidade de carne. assim como o boi não vende os seus es%or(os ao campon7s. os dois marcos. . do seu capital. 'uponhamos um operário qualquer. de %iar. pelo dinheiro. etc. por toda a espEcie de mercadorias. Os dois marcos com que comprou do&e horas de utili&a(ão da %or(a de trabalho são o pre(o do trabalho de do&e horas de trabalho. não E o palácio que constrJi. avaliado em dinheiro. . por e#emplo. de trabalho com o berbequim ou com o torno. ou no pre(o do produto. a uns cobres. o capitalista não paga o salário com o dinheiro que vai receber pelo pano. %ia. como o tear. nem mais nem menos como o a(Dcar. ir / taberna. per%ura. tão2pouco o são as mercadorias que ele recebe em troca da sua mercadoria. em troca do seu dia de trabalho. a %or(a de trabalho. O que ele produ& para si prJprio E o salárioO e a seda. etc.caso o salário do tecelão E uma quota2parte no pano. O tecelão pKe2se ao trabalho e o %io trans%orma2se em pano. . poderia ele ter comprado duas libras de a(Dcar ou uma certa quantidade de qualquer outra mercadoria. Ele. mas São Paulo 2007 6 . com uma parte da %ortuna que tem. O que o operário produ& para si prJprio não E a seda que tece.. isto E. W uma mercadoria que ad)udicou a um terceiro. sua actividade vital E para ele. torneia.s do&e horas de trabalho não t7m de modo algum para ele o sentido de tecer.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina %or(a de trabalho. E antes um sacri%ício da sua vida. W uma mercadoria que pode passar das mãos de um proprietário para as mãos de um outro. epois de %a&er estas compras. de roupa. portanto. "ada disto di& respeito ao tecelão. o operário assalariado. e entre as coisas compradas está a %or(a de trabalho necessária para a produ(ão do pano. vende ao capital. o operário trocou portanto a sua mercadoria. E entre estes Dltimos conta2se naturalmente tambEm o bom do tecelão que participa tão pouco no produto. a %or(a de trabalho. e#actamente como comprou com outra parte da sua %ortuna a matEria2prima Q o %io Q e o instrumento de trabalho Q o tear. e isto numa determinada propor(ão. a %or(a de trabalho do tecelão. o produto da sua actividade tão2 pouco E o ob)ectivo da sua actividade. pela mercadoria do capitalista. 0or trabalhar ao tear durante do&e horas. nos vinte marcos. primeira mede2se com o relJgio. na taberna. mas com dinheiro que )á tinha de reserva. ao qual %oram %ornecidos pelo burgu7s. no produto do seu trabalho* e modo algum. duma ve& para sempre. relativamente ao salário do tecelão. cavador ou canteiro. seria então um aut7ntico operário assalariado. talha a pedra e a transporta. talve& a uma camisola de algodão. não E o ouro que e#trai das minas. Q valerão para ele essas do&e horas de tecelagem. 0ara ele. Os dois marcos com que ele compraria as duas libras de a(Dcar são o pre(o dessas duas libras de a(Dcar. 0oderá acontecer que o capitalista não consiga encontrar um comprador para o pano. O trabalho nem sempre %oi trabalho assalariado. etc. de per%urar. . de pedreiro. com que o capitalista compra para si uma determinada quantidade de %or(a de trabalho produtiva. a um quarto numa cave. O tecelão recebeu o salário muito antes de o pano ter sido vendido e talve& muito antes de o ter acabado de tecer. quando termina essa actividade E que come(a a sua vida. . . 0orque a vende ele* 0ara viver. Os dois marcos e#primem portanto a propor(ão em que a %or(a de trabalho E trocada por outras mercadorias. trabalho livre. Mas a %or(a de trabalho em ac(ão. chama2se precisamente o seu pre(o. ao seu proprietário. o ouro. mas representam unicamente o meio de ganhar o dinheiro que lhe permitirá sentar2se / mesa. de %ia(ão. a prJpria mani%esta(ão da sua vida. 0oderá acontecer que nem sequer reembolse com a venda o salário que pagou.

a %or(a de trabalho. dependerá de a concorr7ncia ser mais %orte no e#Ercito dos compradores ou no e#Ercito dos vendedores. quando o %ornecimento de uma mercadoria E in%erior / procura dessa mercadoria. ao proprietário das matErias2primas. e as suas e#ig7ncias não teriam limite se não %ossem os limites bem determinados das prJprias o%ertas dos compradores mais insistentes. Este e#emplo não E uma suposi(ão arbitrária. e#poremos sumariamente as condi(Kes mais gerais a ter em conta na determina(ão do salário.ssim. procuraram comprar não :YY %ardos mas todas as reservas de algodão da +erra. "este caso. e que t7m a certe&a absoluta de vender por completo os :YY %ardos. Mas há tambEm uma concorr7ncia entre os compradores que. indDstria atira para o campo de batalha dois e#Ercitos que se de%rontam. quando quer. 5icam como um sJ homem %rente aos compradores. vende2se a si mesmo. está seguro de vencer os restantes vendedores e de assegurar para si a maior venda. atE mesmo. cada comprador procurará portanto vencer o outro. a quem melhor pagar. O e#Ercito entre cu)as tropas há menos pancadaria E o que triun%a sobre o adversário. isto E. %inalmente. . a rela(ão da procura com aquilo que se %ornece R"ach%rage &ur Xu%uhrS. "ão E ele quem recebe um salário do proprietário da terra! pelo contrário. do&e. . o pre(o de uma determinada mercadoria. o%erecendo um pre(o relativamente mais elevado por cada %ardo de algodão. São Paulo 2007 7 . o mercado. pois todos querem apanhar um %ardo e. se possível. por seu lado. como vimos. %a& subir o pre(o das mercadorias o%erecidas. evitarão atirar2se uns aos outros para %a&er bai#ar os pre(os do algodão. a pa& nas hostes dos vendedores. O resultado desta concorr7ncia entre compradores e vendedores dependerá da rela(ão e#istente entre os dois lados da concorr7ncia de que %alámos antes. . O operário não pertence nem a um proprietário nem / terra. . isto E. a concorr7ncia entre os vendedores redu&2se ao mínimo ou E nula. mesma mercadoria E o%erecida por vários vendedores. Estabelece2se de sDbito. e compete2lhe a ele encontrar quem o queira. O operário livre. aumenta a concorr7ncia entre os compradores. uma concorr7ncia entre os vendedores. quin&e horas da sua vida diária pertencem a quem as compra.quele que vender mercadorias de qualidade igual a pre(o mais barato. concorr7ncia entre os compradores será portanto muito %orte. "a medida em que esta concorr7ncia diminui. num momento em que os adversários se es%arrapam por %a&72los subir. . dei#a o capitalista ao qual se alugou. ao capitalista. que determina o pre(o de uma mercadoria. e o capitalista despede2o quando acha conveniente. O salário E. por isso. mas oito. sem renunciar / e#ist7ncia. O salário E pois determinado pelas mesmas leis que determinam o pre(o de qualquer outra mercadoria. O servo sJ vende uma parte da sua %or(a de trabalho. a procura E de& ve&es maior do que aquilo que E %ornecido. Ele não pertence a este ou /quele capitalista. assim. se possível. da apet7ncia com a o%erta. de&. encontrar um comprador dentro dessa classe dos capitalistas. cu)a Dnica %onte de rendimentos E a venda da %or(a de trabalho. uns a querer comprar o mais barato possível. . apresenta tr7s aspectos. O operário. aliados entre si.ntes de entrarmos mais a %undo na rela(ão entre capital e trabalho assalariado. +emos. "a histJria do comErcio temos vivido períodos de má colheita algodoeira em que uns tantos capitalistas.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina a %or(a de trabalho não E uma mercadoria sua. ser sJ ele a vender com e#clusão dos restantes vendedores. . E há. O servo pertence / terra e rende %rutos ao dono da terra. a classe dos capitalistas. uma concorr7ncia entre os compradores e vendedores. os :YY %ardos. 0or isso. dia apJs dia. nas %ileiras de cada um dos quais se trava por sua ve& uma luta intestina. . 9esultado! subida mais ou menos considerável dos pre(os das mercadorias. o proprietário da terra E que recebe dele um tributo. concorr7ncia. do&e. uns vendem mais barato que outros. Cada um deles quer vender. 0or isso os vendedores disputam entre si a venda. e alEm disso por partes. isto E. quin&e horas da sua vida. que %a& bai#ar o pre(o das mercadorias o%erecidas por eles. dos instrumentos de trabalho e dos meios de vida. 'uponhamos que no mercado há :YY %ardos de algodão e que e#istem compradores para :YYY %ardos de algodão. questão que se pKe portanto E a seguinte! como se determina o pre(o de uma mercadoria* Que E que determina o pre(o de uma mercadoria* W a concorr7ncia entre compradores e vendedores. vender o mais que puder e. Vende em leilão oito. pelo contrário. Mas o operário. isto E. como um sJ homem cru&am %iloso%icamente os bra(os. Os vendedores de algodão que v7em as tropas do e#Ercito inimigo empenhadas numa luta violentíssima entre si. os outros a querer vender o mais caro que podem. "o caso que citamos. não pode dei#ar toda a classe dos compradores. quando )á não tira dele proveito ou o proveito que esperava. de&. mas / classe dos capitalistas.

'e na troca da mercadoria recebe uma quantidade de outras mercadorias cu)a produ(ão custou mais. E inversamente. E a bai#a ou a alta do lucro. isto E. ou melhor. e com resultados inversos. 'e o pre(o duma mercadoria sobe consideravelmente devido / %alta de %ornecimento ou a uma procura que cresce desproporcionadamente. tra&em consigo as mais terríveis devasta(Kes e. por assim di&er. O movimento global desta desordem E a sua ordem. E#cesso considerável daquilo que E %ornecido sobre a procura! concorr7ncia desesperada entre os vendedoresO %alta de compradores! venda das mercadorias ao desbarato. Vemos como os capitais emigram ou imigram continuamente. vimos agora como a rela(ão variável de procura e %ornecimento provoca ora a alta. devido / sobreprodu(ão. E mais %requente o caso inverso. então o pre(o de qualquer outra mercadoria cai necessariamente em propor(ãoO pois o pre(o de uma mercadoria apenas e#prime em dinheiro a propor(ão em que outras mercadorias são entregues em troca dela. qual novo . que.cabámos de ver como as oscila(Kes do %ornecimento e da procura recondu&em sempre o pre(o de uma mercadoria aos seus custos de produ(ão. as mercadorias são trocadas umas pelas outras de acordo com os seus custos de produ(ão. por e#emplo. ora a bai#a dos pre(os. pelo que. entenda2se Q este lucro E um lucro civil. atE que o pre(o dos seus produtos. uma e#travagVncia com outra. enorme. Ná que dar uma maior quantidade delas em troca para receber a mesma quantidade de mercadoria de seda. Mas que E isso de subida e descida dos pre(os. então ganhou. ou se)a. E#ceptuado o caso em que um ramo da indDstria tenha passado de Epoca. tal como aconteceu tambEm com outros economistas. São Paulo 2007 8 . atE que o %ornecimento des(a abai#o da procura. :<Y marcos. então os capitais retrair2se2ão da produ(ão dessa mercadoria. Mas sJ estas oscila(Kes. irá! se a produ(ão da mercadoria que vendo me custou :YY marcos e se %a(o ::Y marcos com a venda desta mercadoria Q ao pra&o de um ano. ele perdeu. o seu %ornecimento. Com o mesmo direito. . 'e. consideradas mais de perto.ssim. W %acto que o pre(o real duma mercadoria está sempre acima ou abai#o dos custos de produ(ãoO mas a alta e a bai#a dos pre(os completam2se mutuamente. des(a abai#o dos custos de produ(ão. O pre(o elevado provoca uma imigra(ão demasiado %orte e o pre(o bai#o uma emigra(ão demasiado %orte. e esta imigra(ão de capitais para a área da indDstria pre%erida durará atE que ela dei#e de dar os lucros habituais. abai#o ou acima de &ero. sJ estas oscila(Kes E que no seu curso determinam o pre(o pelos custos de produ(ão. Que E que serve então ao burgu7s como medida do lucro* Os custos de produ(ão da sua mercadoria. . mostrar como não sJ o %ornecimento mas tambEm a procura são determinados pelos custos de produ(ão. ora pre(os elevados. honesto e decente. "o curso desta anarquia industrial. a produ(ão duma tal mercadoria. da área duma indDstria para a de outra. este nJR"C?S meta%ísico com a tábua de multiplicar. e portanto tenha de so(obrar. a concorr7ncia compensa. neste movimento circular. E um lucro elevadoO se eu %i&er =YY marcos. o pre(o delas E portanto determinado pelos seus custos de produ(ão. e do mesmo modo cai em rela(ão / seda o pre(o de todas as outras mercadorias que permaneceram aos seus antigos pre(os. calculados con)untamente o %lu#o e o re%lu#o da indDstria. ou melhor. Mas isto a%astar2nos2ia demasiado do nosso ob)ecto. Consideram como obra do acaso o movimento anárquico em que a alta E compensada pela bai#a e a bai#a pela alta. dos custos de produ(ão. atE que o seu pre(o suba de novo acima dos seus custos de produ(ão. Qual será a consequ7ncia do aumento do pre(o duma mercadoria* $ma massa de capitais a%luirá ao ramo %lorescente da indDstria. %a&em tremer a sociedade burguesa nos seus alicerces. o pre(o de uma vara de seda sobe de A para B marcos. 'e na troca dessa mercadoria recebe uma quantidade de outras mercadorias cu)a produ(ão custou menos. será então um lucro e#traordinário. que E isso de um pre(o elevado e de um pre(o bai#o* $m grão de areia E grande visto ao microscJpio e uma torre E pequena se a compararmos com uma montanha. Esta determina(ão dos pre(os pelos custos de produ(ão não deve ser entendida no sentido dos economistas. Mas se receber na troca :=Y. E se o pre(o E determinado pela rela(ão entre a procura e aquilo que E %ornecido Q que E que determina a rela(ão de procura e aquilo que E %ornecido* iri)amo2nos ao primeiro burgu7s que nos apare(a. diminuirá devido a esta %uga dos capitais atE que corresponda / procura.le#andre Magno. num determinado período de tempo. poderíamos considerar. pois o pre(o corrente duma mercadoria está sempre acima ou abai#o dos seus custos de produ(ão. atE que o seu pre(o volte a elevar2se ao nível dos seus custos de produ(ão. Os economistas di&em que o pre(o mEdio das mercadorias E igual aos custos de produ(ãoO que isto E a lei. dum outro ponto de vista. 0oderíamos tambEm. então o pre(o da prata cai em rela(ão / seda. "ão se deterá um momento a pensar e cortará.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina Como se sabe. como um terramoto. isto E. calcula2as ele segundo os graus em que se encontra o valor de troca da sua mercadoria. as oscila(Kes como lei e a determina(ão pelos custos de produ(ão como obra do acaso. ora pre(os bai#os. 'e o pre(o duma mercadoria desce abai#o dos seus custos de produ(ão.

não recebem o su%iciente para poderem e#istir e reprodu&ir2seO mas o salário de toda a classe operária nivela2se a este mínimo nas oscila(Kes daquele. e inversamente.sto tambEm não E válido. regulam naturalmente tambEm o salário. menores serão os custos de produ(ão do operário. cu)a medida E precisamente o tempo. . novos instrumentos de trabalho e novos meios de subsist7ncia. mas para a espEcie. O desgaste do operário E portanto tomado em conta do mesmo modo que o desgaste da máquina. quais são os custos de produ(ão da %or(a de trabalho* 'ão os custos que são e#igidos para manter o operário como operário e para %a&er dele um operário.O pre(o destes custos de e#ist7ncia e de reprodu(ão constitui salário. Entretanto. tal como a determina(ão do pre(o das mercadorias pelos custos de produ(ão em geral. O salário assim determinado chama2se o mínimo do salário. "os ramos da indDstria em que quase não se e#ige tempo de aprendi&agem e a mera e#ist7ncia %ísica do operário basta. . 'J em determinadas rela(Kes E que se torna escravo. determina(ão do pre(o pelos custos de produ(ão E igual / determina(ão do pre(o pelo tempo de trabalho e#igido para a produ(ão duma mercadoria. e =. quanto menos tempo de %orma(ão um trabalho e#ige. . e os vendedores da %or(a de trabalho. pelo tempo de trabalho e#igido para produ&ir esta mercadoria. por e#emplo. que calcula os seus custos de produ(ão e por eles o pre(o dos produtos. as mesmas leis gerais que regulam o pre(o das mercadorias em geral. portanto! o pre(o de uma mercadoria E determinado pelos seus custos de produ(ão de tal modo que os tempos em que o pre(o dessa mercadoria sobe acima dos custos de produ(ão são compensados pelos tempos em que ele desce abai#o dos custos de produ(ão. portanto. o pre(o do trabalho. O capital consiste de matErias2primas. t7m de ser incluídos nos custos de produ(ão da %or(a de trabalho simples os custos de reprodu(ão pelos quais a ra(a operária E posta em condi(Kes de se multiplicar e de substituir por novos os operários deteriorados. .sto não E válido. Ora. produtos do trabalho. Mas dentro dessas oscila(Kes o pre(o do trabalho será determinado pelos custos de produ(ão. Q trabalho directo. instrumentos de trabalho e meios de subsist7ncia de toda a espEcie que são empregues para produ&ir novas matErias2primas. Que E um escravo negro* $m homem da ra(a negra. Ora. isto E. os operários. 'e uma máquina lhe custa. ele adiciona :YY marcos por ano ao pre(o da mercadoria. $m negro E um negro. $ma máquina de %iar algodão E uma máquina para %iar algodão. Este mínimo do salário vale. consoante a %orma que tomar a concorr7ncia entre os compradores da %or(a de trabalho.gora que nos entendemos sobre as leis mais gerais que regulam tanto o salário como o pre(o de qualquer outra mercadoria. os capitalistas. )á podemos entrar no nosso ob)ecto de uma maneira mais especial. trabalho acumulado. . para o industrial individual. toma em linha de conta a deteriora(ão dos instrumentos de trabalho. :YYY marcos e se esta se deteriora em de& anos. São Paulo 2007 9 . ou como o a(Dcar E o pre(o do a(Dcar. O salário do trabalho subirá ou bai#ará consoante a rela(ão de procura e %ornecimento. de produtos industriais cu)a produ(ão custou uma certa quantidade de dias de trabalho. Os custos de produ(ão da %or(a de trabalho simples ci%ram2se portanto nos custos de e#ist7ncia e de reprodu(ão do operário. Operários individuais. que portanto representam uma certa quantidade de tempo de trabalho. a %or(a de trabalho. os custos e#igidos para a produ(ão desse redu&em2se quase sJ /s mercadorias e#igidas para o manter vivo em condi(Kes de trabalhar. para ao cabo de de& anos poder substituir a máquina deteriorada por uma nova. não para o indivíduo isolado. milhKes de operários. +odas estas suas partes constitutivas são cria(Kes do trabalho. Zs oscila(Kes dos pre(os das mercadorias em geral correspondem as oscila(Kes do salário. +rabalho acumulado que serve de meio para nova produ(ão E capital. para um Dnico dado produto da indDstria. $ma e#plica(ão vale tanto como a outra. mas apenas para a classe inteira dos industriais.rrancada a estas rela(Kes. naturalmente. Q matErias2primas e desgaste de instrumentos. mas apenas para o ramo inteiro da indDstria. ainda se )unta a isto uma outra considera(ão. ela E tão pouco capital como o ouro em si e para si E dinheiro. W o que di&em os economistas. O pre(o do seu trabalho será portanto determinado pelo pre(o dos meios de e#ist7ncia necessários. . O %abricante.penas em determinadas rela(Kes ela se torna capital. o seu salário. mais bai#o será o pre(o do seu trabalho. o mesmo modo. 0or isso.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina Vemos. pois os custos de produ(ão compKem2se de :.

W uma rela(ão burguesa de produ(ão. uma casa no valor de :YYY marcos E um valor de troca de :YYY marcos. a arma de %ogo. sociedade antiga. a sociedade. o arro&. recebe trabalho. as matErias2primas de que se compKe o capital Q não %oram eles produ&idos e acumulados em dadas condi(Kes sociais. . o mesmo pre(o que a lã. . rela(ão determinada em que são trocáveis constitui o seu valor de troca ou. de valores de troca E ainda capital. a sociedade burguesa são outras tantas totalidades de rela(Kes de produ(ão. E uma soma de mercadorias. +oda a soma de valores de troca E um valor de troca. e#presso em dinheiro. portanto. de valores de troca. histJrico. . 0or e#emplo. a %or(a criadora por meio da qual o operário não sJ substitui o que consome como dá ao trabalho acumulado um São Paulo 2007 10 . O capital não E sJ. como poder social autJnomo. Ora. instrumentos de trabalho e matErias2primas. cada uma das quais designa ao mesmo tempo um estádio particular de desenvolvimento na histJria da humanidade. domina sobre o trabalho vivo. os barcos a vapor Q o corpo do capital Q terem o mesmo valor de troca. alterou2se necessariamente toda a organi&a(ão interna do e#Ercito. as condi(Kes em que trocam as suas actividades e participam no acto global da produ(ão. a actividade produtiva do operário. +odos os produtos de que consiste são mercadorias. ele será uma mercadoria de mais ou menos valor. isto E. Estas rela(Kes sociais em que os produtores entram uns com os outros. em determinadas rela(Kes sociais* E não E precisamente este carácter social determinado que trans%orma em capital os produtos que servem para a nova produ(ão* O capital não consiste sJ de meios de subsist7ncia. . não consiste sJ de produtos materiaisO consiste em igual medida de valores de troca. . arro& no lugar de trigo. o trigo. se manter e aumentar por meio da troca com a %or(a de trabalho viva. serão naturalmente di%erentes consoante o carácter dos meios de produ(ão. 0rodutos trocáveis uns pelos outros são mercadorias. isto E. os caminhos2de2%erro. alterou2se tambEm a rela(ão dos diversos e#Ercitos uns com os outros. Mas que se passa na troca entre capitalista e operário assalariado* O operário recebe meios de subsist7ncia em troca da sua %or(a de trabalho. uma rela(ão de produ(ão da sociedade burguesa. o seu pre(o.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina "a produ(ão os homens não actuam sJ sobre a nature&a mas tambEm uns sobre os outros. Com a inven(ão de um novo instrumento de guerra. di%erenciado. o %erro por outros produtos. se e%ectua a produ(ão. trans%ormaram2se as rela(Kes no seio das quais os indivíduos %ormam um e#Ercito e podem actuar como e#Ercito. 'J quando o trabalho ob)ectivado. Cada valor de troca E uma soma de valores de troca. E que o trabalho acumulado se converte em capital. ou como tendo um pre(o determinado. e sJ no seio destas liga(Kes e rela(Kes sociais se e%ectua a sua ac(ão sobre a nature&a. +ambEm o capital E uma rela(ão social de produ(ão. apenas com a condi(ão de o algodão. de pre(o mais alto ou mais bai#o. $m peda(o de papel no valor de : p%ennig E uma soma de valores de troca de :YY[:YY p%ennig. 0ara produ&irem entram em determinadas liga(Kes e rela(Kes uns com os outros. +rocando em on(as ou em quintais. alterará isso o seu carácter! ser mercadoria. as %or(as de produ(ão. . de desenvolvimento. acumulado. se torna capital* 0elo %acto de. passado. Consiste no %acto de o trabalho vivo servir ao trabalho acumulado como meio para manter e aumentar o seu valor de troca.s rela(Kes de produ(ão na sua totalidade %ormam aquilo a que se dá o nome de rela(Kes sociais. a sociedade %eudal. Os meios de subsist7ncia. imediata. Mas se todo o capital E uma soma de mercadorias. em determinadas rela(Kes sociais* "ão são eles empregues para uma nova produ(ão em dadas condi(Kes sociais. O corpo do capital pode trans%ormar2se continuamente sem que o capital so%ra a mais pequena altera(ão. nem toda a soma de mercadorias. massa destes produtos nada pode alterar na sua determina(ão como mercadoria ou como representando um valor de troca. e#ist7ncia de uma classe que nada possui senão a capacidade de trabalho E uma condi(ão prEvia necessária do capital. O capital permanece o mesmo quer nJs coloquemos algodão no lugar da lã. uma soma de produtos materiais. O capital não consiste no %acto de o trabalho acumulado servir ao trabalho vivo como meio para nova produ(ão. as rela(Kes sociais de produ(ão alteram2se portanto. e na verdade uma sociedade num estádio determinado. em que anteriormente se encarnava. como E que uma soma de mercadorias. uma árvore E sempre uma árvore. como o poder de uma parte da sociedade. os instrumentos de trabalho. uma sociedade com carácter peculiar. 0rodu&em apenas actuando con)untamente dum modo determinado e trocando as suas actividades umas pelas outras. imediato.s rela(Kes sociais em que os indivíduos produ&em. barcos a vapor no lugar de caminhos2de2%erro. valor de troca* Con%orme a massa. de valores de troca. mas o capitalista. 'e)a grande ou pequena. trans%ormam2se com a altera(ão e desenvolvimento dos meios materiais de produ(ão. de grande&as sociais. em troca dos seus meios de subsist7ncia. de valores de troca.

mais oprimido. O capital so(obra se não e#plora a %or(a de trabalho. para durante o consumo substituir com o meu trabalho por novos valores os valores que desaparecem ao ser consumidos. Ele prJprio a perdeu. o poder que lhe E hostil. . W esta a tão enaltecida comunhão de interesses do operário e do capitalista. produtivo. multiplica(ão do proletariado. condi(ão imprescindível para uma situa(ão aceitável do operário E. recebe. que troca por meios de subsist7ncia. Eles condicionam2se reciprocamenteO eles dão2se origem reciprocamente. Mas mesmo esta nobre %or(a reprodutiva o operário cede ao capital em troca de meios de subsist7ncia recebidos. Ve)amos um e#emplo! um rendeiro dá ao seu )ornaleiro cinco 3roschenT=U de prata por dia. um palácio ao lado da casa pequena. 0ara que lhe servem estes meios de subsist7ncia* 0ara o consumo imediato. O capital pressupKe. Erga2se. portanto. $ma casa pode ser grande ou pequena. isto E. 0elos cinco 3roschen de prata este trabalha o dia inteiro no campo do rendeiro e assegura2lhe uma receita de de& 3roschen de prata. O capital sJ se pode multiplicar trocando2se por %or(a de trabalho. Os cinco 3roschen de prata %oram. de tanto mais operários precisa o capitalista. . consumiu. porEm. e#ig7ncias a pIrO e por mais alto que suba no curso da civili&a(ão.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina valor superior ao que anteriormente possuía. a%irmam os burgueses e os seus economistas. e de cinco 3roschen de prata %a&em de& 3roschen de prata. de subsist7ncia do mesmo.O operário so(obra se o capital não o emprega. Multiplica(ão do capital E. Os interesses do capital e os interesses dos operários são os mesmos Qsigni%ica apenas! capital e trabalho assalariado são duas %acetas duma mesma rela(ão. Ele aplicou. o capital. o salário. Quanto mais depressa se multiplicar o capital destinado / produ(ão. tra&endo / vida o trabalho assalariado. o pre(o do trabalho. da classe operária. eles %icam irremediavelmente perdidos para mim. o mesmo. Cresce o capital. o crescimento mais rápido possível do capital produtivo. cinco 3roschen de prata. de um modo %rutuoso. isto E. O operário recebe do capitalista uma parte dos meios de subsist7ncia e#istentes. e para a e#plorar tem de a comprar. Que E. e enquanto as casas que a rodeiam são igualmente pequenas ela satis%a& todas as e#ig7ncias sociais de uma habita(ão. quanto mais se enriquece a burguesia. pois %oram trocados por meios de subsist7ncia que desapareceram para sempre e cu)o valor ele sJ pode obter de novo repetindo a mesma troca com o rendeiro. casa pequena prova agora que o seu dono não tem. $ma condiciona a outra como o usurário e o dissipador se condicionam reciprocamente. os quais criam produtos da terra com o dobro do valor. crescimento do capital produtivo* Crescimento do poder do trabalho acumulado sobre o trabalho vivo. quanto melhor vão os negJcios. Crescimento do domínio da burguesia sobre a classe que trabalha. produ& capital. cresce a procura do trabalho. $m operário numa %ábrica de algodão sJ produ& tecidos de algodão* "ão. quanto mais %lorescente E por isso a indDstria. tanto mais caro se vende o operário. ou tem apenas as mais modestas. sobre a condi(ão de que ele se %a(a de novo uma parte do capital. se o palácio vi&inho subir na mesma ou em maior medida. então cresce a massa do trabalho assalariado. E de %acto. pelo contrário. 'obe. consumidos de um modo duplo. o habitante da casa relativamente pequena sentir2se2á cada ve& mais descon%ortado. portanto. O rendeiro não recupera apenas os valores que tem de entregar ao )ornaleiroO duplica2os. por isso. por meio deste. numa palavra! o domínio do capital estende2se sobre uma massa maior de indivíduos. a alavanca que de novo lan(a este mesmo num movimento acelerado de crescimento. então cresce o nDmero dos operários assalariados. E suponhamos o caso mais %avorável! quando o capital produtivo cresce. O )ornaleiro. 0elos cinco 3roschen de prata ele comprou precisamente o trabalho e a %or(a do )ornaleiro. %or(a de trabalho do operário assalariado sJ se pode trocar por capital multiplicando o capital. portanto. a sua sorte depende do capital. para criar novos valores. pois %oram trocados por uma %or(a de trabalhoT<U que deu origem a de& 3roschen de prata improdutivamente para o operário. o trabalho assalariado. o trabalho assalariado pressupKe o capital. mais insatis%eito. porEm. %ortalecendo o poder de que E escrava. portanto. e eis a casa pequena redu&ida a uma choupana. o capital produtivo. Enquanto o operário assalariado E operário assalariado. São Paulo 2007 11 . O interesse do capitalista e do operário E. Mas logo que eu consumo meios de subsist7ncia. portanto. meios de subsist7ncia estes que consome mais depressa ou mais devagar. 'e o trabalho assalariado produ& a rique&a alheia que o domina. para o primeiro retornam os meios de ocupa(ão. reprodutivamente para o capital. a menos que eu aproveite o tempo durante o qual esses meios me conservam vivo para produ&ir novos meios de subsist7ncia. entre as suas quatro paredes. portanto. . 0rodu& valores que de novo servem para comandar o seu trabalho e. em substitui(ão da sua %or(a produtiva Q cu)os e%eitos ele entregou precisamente ao rendeiro Q. portanto. os cinco 3roschen de prata que deu ao )ornaleiro.

com o lucro do capitalista Q salário comparativo. subiu. O valor do ouro e da prata bai#ou. . p.dmitamos. e terceiro. como quotas2partes no produto do operário. Embora. O pre(o de venda da mercadoria criada pelo operário divide2se. tal como antes. em consequ7ncia duma má colheita. com o salário real.dmitamos que os operários tinham recebido. com que o capitalista compra para si uma determinada quantidade de %or(a de trabalho produtiva. O salário E sobretudo determinado ainda pela sua rela(ão com o ganho. Ve)amos um outro caso. O pre(o em dinheiro do seu trabalho continuou o mesmo. O salário E determinado apenas por este pre(o em dinheiro* "o sEculo FV. a soma em dinheiro por que o operário se vende ao capitalista. O salário E a parte de mercadoria )á e#istente. máquinas e outros meios de trabalho igualmente adiantados por eleO segundo.H Mas este salário tem o capitalista de o substituir novamente com parte do pre(o a que vendeu o produto criado pelo operárioO tem de substitui2lo de modo que. pelo contrário Re#primeS a quota2parte do trabalho directo no valor por ele criado de novo em rela(ão com a quota2parte dele que cabe ao trabalho acumulado. a par da reposi(ão do que se desgastou nas %erramentas. .s nossas necessidades e pra&eres derivam da sociedadeO medimo2los. a satis%a(ão social que concedem bai#ou em compara(ão com os pra&eres multiplicados do capitalista que são inacessíveis ao operário. pela sociedadeO não os medimos pelos ob)ectos da sua satis%a(ão.. Ele contEm várias rela(Kes. 0elo mesmo dinheiro recebiam em troca menos pão. "ão bai#ara o seu salário* Certamente. lhe reste ainda em regra um e#cedente sobre os custos de produ(ão despendidos. tinham subido signi%icativamente de pre(o. O rápido crescimento do capital produtivo provoca crescimento igualmente rápido da rique&a. isto E. Os operários recebiam. etc. em tr7s partes! primeiro. para o capitalista. . O pre(o em dinheiro do trabalho. esgotam as rela(Kes contidas no salário. quei)o. portanto. . em geral. São Paulo 2007 12 . um lucro. o salário relativo. E neste sentido podemos tomar tanto o salário como o lucro. que o pre(o em dinheiro do trabalho permanecia o mesmo.o %alarmos. não temos de considerar apenas o pre(o em dinheiro do trabalho. do lu#o. portanto. O seu salário bai#ara. portanto. cereais. a mesma soma em dinheiro pela sua %or(a de trabalho. a soma de mercadorias que pode comprar com esse dinheiro. carne. não coincide. os meios de subsist7ncia mais indispensáveis. determinado pela massa de mercadorias que por ele posso trocar. precisamente porque o valor em dinheiro do mesmo não se alterou. o salário nominal. por isso.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina $m aumento perceptível do salário pressupKe um rápido crescimento do capital produtivo. da subida ou descida do salário. multiplicaram2se o ouro e a prata em circula(ão na Europa. são de nature&a relativa. o ascenso da burguesia no sEculo FV. O salário não E. a mesma massa de prata cunhada em troca da sua %or(a de trabalho. no e#cedente sobre isso. das necessidades sociais e dos pra&eres sociais. em compara(ão com o nível de desenvolvimento da sociedade em geral. relativo. não porque o valor da prata tivesse diminuído. assim. "o . manteiga. ao %a&72lo. etc. e contudo o seu salário bai#ara.mErica. no seu todo. em consequ7ncia da descoberta de minas mais ricas e mais %áceis de trabalhar na . na reposi(ão do salário adiantado por ele. . os pra&eres do operário tenham subido. Mas nem o salário nominal. O que os operários recebem primeiro pela sua %or(a de trabalho E uma determinada soma em dinheiro. para os compararmos um com o outro. pois em troca da mesma quantidade de prata recebiam uma soma menor de outras mercadorias. com a soma de mercadorias que E realmente dada em troca do salário. 0elo mesmo dinheiro podem agora os operários comprar mais mercadorias de toda a espEcie. 0orque são de nature&a social. ao passo que todas as mercadorias da agricultura e da manu%actura teriam bai#ado de pre(o em consequ7ncia da aplica(ão de novas máquinas. nem o salário real. ao capital. retirados do novo valor criado pelo trabalho do operário e acrescentado /s matErias2primas. isto E. portanto. O salário real e#prime o pre(o do trabalho em rela(ão com o pre(o das restantes mercadorias. tal como antes. a reposi(ão do pre(o das matErias2primas por ele adiantadas. carne. em rela(ão /s restantes mercadorias. E Jbvio que tanto a reposi(ão do salário como o lucro do capitalista no e#cedente são.. isto E. o salário nominal. etc. O seu salário.o passo que a primeira parte apenas repKe valores anteriormente e#istentes. issemos atrás.nverno de :?>C. duma esta(ão %avorável. :>T>U! GO salário não E uma quota2parte do operário na mercadoria por ele produ&ida. %inalmente. 5oi esta uma das circunstVncias que %omentaram o crescimento do capital. o lucro do capitalista. mas porque o valor dos meios de subsist7ncia tinha aumentado.

com estes dois marcos. portanto. eu não recebo a longo pra&o. portanto. se o salário relativo diminuir com a mesma rapide&. se)a em consequ7ncia de necessidades momentaneamente aumentadas nos velhos mercados. Ob)ectar2se2á. 'uponhamos. a receita do operário com o rápido crescimento do capital. a verdade E que ao mesmo tempo aumenta o abismo social que a%asta o operário do capitalista. e desce na medida em que o salário sobe. independentemente da subida e descida do salário. disponha duma soma maior de mercadorias do que antes com tr7s marcos. Esta soma global cresce. O operário tem interesse no rápido crescimento do capital Q signi%ica apenas! quanto mais depressa o operário aumentar a rique&a alheia tanto mais gordos serão os bocados que caem para ele. aumentar por meio do pre)uí&o causado a terceiros capitalistas. pela aplica(ão da máquina de %iar. mas de modo nenhum uma massa maior de valores de troca. a depend7ncia do trabalho relativamente ao capital. que mesmo quando %icamos no seio da rela(ão de capital e trabalho assalariado. mas o salário desceu porque o lucro subiu. o trabalho E pago mais bai#o em rela(ão com a receita líquida que rendeu ao capitalista. num dado tempo de trabalho. pelo contrário. e inversamente. "o seio da classe dos capitalistas. por isso. portanto. subir <Y\. desde que. talve&. na propor(ão em que o lucro sobe contra o salário. com o valor em dinheiro do trabalho. e não obstante o salário relativo pode bai#ar. 'e. São Paulo 2007 13 . O capitalista adquiriu. uma soma maior de valores de troca sem ter por isso pago mais o trabalhoO ou se)a. porque o salário desceu. posso %ornecer o dobro do produto. do valor de troca da %or(a de trabalhoO ou que o lucro do capitalista podia tambEm subir gra(as ao aper%ei(oamento dos instrumentos de trabalho. Vemos. porque os custos de produ(ão desceram para metade ou porque eu. se)a qual %or a propor(ão em que a classe dos capitalistas. portanto. portanto.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina O salário real pode permanecer o mesmo. etc. Embora o operário. diminuiu em rela(ão com o ganho do capitalista. isto E. o lucro. por uma soma menor de valores de troca que paga ao operário o operário tem de produ&ir uma soma maior de valores de troca do que anteriormente. . com os mesmos custos. cinquenta quilos em ve& de vinte e cinco. por estes cinquenta quilos mais mercadorias em troca do que antes por vinte e cinco. porEm. O poder da classe dos capitalistas sobre a classe operária cresceu. por e#emplo. apesar das %lutua(Kes dos pre(os das mercadorias. a criar com a mesma soma de trabalho e capital uma massa maior de produtos. então o salário comparativo. no seu todo. a burguesia. O lucro sobe na medida em que o salário desce. O capitalista comanda com o mesmo capital uma quantidade maior de trabalho. posso %ornecer numa hora o dobro do %io que %ornecia antes da sua inven(ão. se)a dum país se)a de todo o mercado mundial. por e#emplo. . e o lucro. desce. da nova aplica(ão de %or(as da nature&a. que todos os meios de subsist7ncia tinham descido =[< de pre(o. que o capitalista pode ganhar pela troca vanta)osa dos seus produtos com outros capitalistas. %oi aumentado pelo trabalho directo. quota2parte do capital subiu em rela(ão / quota2parte do trabalho. os interesses do capital e os interesses do trabalho assalariado estão directamente contrapostos. O aper%ei(oamento da maquinaria. na propor(ão em que o trabalho aumenta o capital. não suba na mesma propor(ão que o lucro. de tr7s marcos para dois marcos.O que o lucro do capitalista pode. 'e. aumenta ao mesmo tempo o poder do capital sobre o trabalho. mas diminuiu. reparti(ão da rique&a social entre capital e trabalho tornou2se ainda mais desigual. necessariamente. 5inalmente. o seu salário contudo. o salário subir A\ num bom período de negJcios. o salário relativo não aumentou. sobe na mesma propor(ão em que a quota2parte do trabalho. O salário relativo pode descer. por e#emplo. quota2parte do capital. embora o salário real suba simultaneamente com o salário nominal.lEm disso. pode atE subir. ainda que tenha sido provocado pela via inversa. reparte entre si a receita líquida da produ(ão. . do %abricanteU aumentou de um marco. Em primeiro lugar. O lucro do capitalista Tpor e#emplo. portanto. o pre(o mEdio de cada mercadoria. qual E a lei geral que determina a queda e a subida do salário e do lucro na sua rela(ão recíproca* Estão na ra&ão inversa um do outro. a soma total desta receita líquida E sempre apenas a soma com que o trabalho acumulado. $m rápido aumento do capital E igual a um rápido aumento do lucro. se)a em consequ7ncia da abertura de novos mercados. O lucro sJ pode aumentar rapidamente se o pre(o do trabalho. %oi empurrada um degrau mais para bai#o da do capitalista. lembremos que. ou se)a. de %acto. etc. O lucro não subiu. 'e aumenta. ao passo que a )orna descera apenas :[<. a rela(ão em que se troca por outras mercadorias E determinado pelos seus custos de produ(ão. a )orna. terá de se admitir que o resultado permanece o mesmo. as vantagens conseguidas por uns / custa de outros equilibram2se. a posi(ão social do operário piorou. a nova aplica(ão de %or(as da nature&a ao servi(o da produ(ão capacitam. por e#emplo. com a mesma soma de trabalho alheio. . pela subida da procura da sua mercadoria. Ora.

sua receita eventualmente maior proviria do %acto de ter posto em movimento um capital mais elevado. "ão podemos acreditar que. condi(ão mais %avorável para o trabalho assalariado E o crescimento mais rápido possível do capital produtivo Q signi%ica apenas! quanto mais depressa a classe operária aumentar e ampliar o poder que lhe E hostil. porEm. "asce daqui uma competi(ão generali&ada entre os capitalistas para aumentarem a divisão do trabalho e a maquinaria e as e#plorarem / maior escala possível. 'e o %i&esse. tal como antes.lEm disso. não suprime a oposi(ão entre os seus interesses e os interesses burgueses. aumentar tanto quanto possível a %or(a de produ(ão do trabalho. pois recuperaria apenas na troca os custos de produ(ão. a sua meia vara de pano mais barata do que os seus concorrentes. +eremos. então o salário pode subirO incomparavelmente mais depressa sobe o lucro do capital. . em tanto mais %avoráveis condi(Kes lhe E permitido trabalhar de novo para o aumento da rique&a burguesa. burguesia E lDcida de mais. na ra&ão inversa um do outro. de investigar mais de perto! Como age o crescimento do capital produtivo sobre o salário* 'e o capital produtivo da sociedade burguesa cresce no seu todo. quanto mais gigantesca a escala em que se introdu& a maquinaria. gra(as / aplica(ão e aper%ei(oamento de novas máquinas. . contente por %or)ar para si prJpria as cadeias douradas com que a burguesia a arrasta atrás de si. gra(as / maior divisão do trabalho. gra(as / e#plora(ão mais vanta)osa e maci(a das %or(as da nature&a. .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina tanto mais operários podem ser empregados e chamados / vida.s condi(Kes de e#ist7ncia da burguesia obrigam2na a calcular. não ganharia nada e#tra. de mercadorias. isto E. a conquistar para as suas mercadorias um mercado muito maiorO o nosso capitalista venderá. mas não do %acto de ter valori&ado o seu capital mais do que os outros. situa(ão material do operário melhorou. tanto mais pode ser aumentada a massa dos escravos dependentes do capital. uma soma maior de produtos. São Paulo 2007 14 . por e#emplo. mas / custa da sua situa(ão social. E nJs. segundo eles prJprios di&em. do que os seus concorrentesO se ele puder. por %im. então ocorre uma acumula(ão mais ampla de trabalho. 0ara poder vender mais barato sem se arruinar tem de produ&ir mais barato. por meio duma introdu(ão generali&ada e dum aper%ei(oamento constante da maquinaria. 8ucro e salário %icam. a rique&a alheia que lhe dá ordens. Os meios de produ(ão mais poderosos e caros que pIs em ac(ão capacitam2 no de %acto para vender mais barata a sua mercadoria. Crescimento do capital produtivo e subida do salário Q estarão tão inseparavelmente ligados como a%irmam os economistas burgueses* "ão podemos acreditar na sua palavra. tanto mais %rutuoso se torna o trabalho. os interesses do capitalista. por conseguinte. portanto. vendendo mais barato. por muito que melhore a vida material do operário. 0Ke2nos em debandada. O capitalista. O abismo social que o separa do capitalista alargou2se. quanto mais gordo o capital. contudo. para a amplia(ão do poder do capital. 0or %im! . Os capitais aumentam em nDmero e volume. não vai vender a vara inteira ao pre(o a que os seus concorrentes vendem a meia vara. calcula bem de mais. que! Mesmo a situa(ão mais %avorável para a classe operária. tanto mais diminuem proporcionalmente os custos de produ(ão. mas ao mesmo tempo obrigam2no a vender mais mercadorias. Está o capital a crescer rapidamente. Mas a %or(a de produ(ão do trabalho E sobretudo aumentada por meio duma maior divisão do trabalho. para partilhar os preconceitos do %eudal que ostenta o brilho dos seus servos. . embora a produ(ão da vara inteira não lhe custe mais do que aos outros a de meia vara. produ&ir uma vara de pano no mesmo tempo de trabalho em que os seus concorrentes tecem meia vara de pano Q como irá operar este capitalista* Ele poderia continuar a vender meia vara de pano ao pre(o atE aí vigente no mercadoO isto. Vimos. o crescimento mais rápido possível do capital. $m capitalista sJ pode pIr outro em debandada e conquistar2lhe o capital vendendo mais barato. Ora. Quanto maior E o e#Ercito de operários entre os quais o trabalho se divide. melhor cevado será o seu escravo. não seria um meio para pIr em debandada os seus adversários e aumentar as suas prJprias vendas. Mas na mesma medida em que a sua produ(ão se e#pandiu. portanto. O aumento dos capitais aumenta a concorr7ncia entre os capitalistas. rouba2lhes pelo menos uma parte do mercado. ele atinge o ob)ectivo que quer atingir se %i#ar o pre(o da sua mercadoria alguns por cento abai#o do dos seus concorrentes. O volume crescente dos capitais %ornece os meios para levar para o campo de batalha industrial e#Ercitos mais poderosos de operários com %erramentas de guerra mais gigantescas. com a mesma soma de trabalho ou de trabalho acumulado. . e#pandiu2se para ele a necessidade das vendas. o meio para criar. se um capitalista achou.

maginemos agora esta agita(ão %ebril ao mesmo tempo em todo o mercado mundial. tornando por conseguinte. e a partir do momento em que aquela os generali&ou o Dnico 7#ito da maior %ruti%ica(ão do seu capital E o ter de %ornecer ao mesmo pre(o de&. Vemos como o modo de produ(ão. a produ(ão mais barata. a mesma divisão do trabalho. na mesma situa(ão entre si em que se encontravam antes da introdu(ão dos novos meios de produ(ão. porEm. introdu&em2nas / mesma escala ou a uma escala superior. vinteO e a divisão do trabalho São Paulo 2007 15 . vinte ve&es a concorr7ncia entre os operários. o %ornecimento de massas cada ve& maiores do produto pela mesma soma de pre(o uma lei imperativa. maior escala a que divisão do trabalho e maquinaria são e#ploradas. e compreende2se como o crescimento. cinco. a lei que nenhum descanso lhe concede e permanentemente lhe sussurra! Em %rente. Contudo o privilEgio do nosso capitalista não E de longa dura(ãoO outros capitalistas concorrentes introdu&em as mesmas máquinas. numa palavra. a processar2se numa medida incomparavelmente maior. e se com estes meios podem %ornecer o dobro do produto ao mesmo pre(o. vinte. mas tambEm para os seus rivais. a concorr7ncia procura roubar ao capital os %rutos de ouro deste poder recondu&ido o pre(o da mercadoria aos custos de produ(ão. agora são obrigados a %ornecer o dobro do produto abai#o do pre(o velho. os meios de produ(ão. isto E. o capitalista procura permanentemente levar a melhor sobre a concorr7ncia introdu&indo incansavelmente novas máquinas Q de %acto mais caras mas que produ&em mais barato Q e divisKes do trabalho em substitui(ão das velhas e sem esperar que a concorr7ncia tenha envelhecido as novas. na medida em que se pode produ&ir mais barato. Quaisquer que se)am os meios de produ(ão poderosos que um capitalista pKe em campo. portanto. enquanto a concorr7ncia o persegue permanentemente com a sua lei dos custos de produ(ão. porque esta venda maci(a. a acumula(ão e concentra(ão do capital t7m por consequ7ncia uma divisão do trabalho.o nível destes novos custos de produ(ão come(a outra ve& o mesmo )ogo. W esta a lei que %a& a produ(ão burguesa sair constantemente dos seus velhos carris e obriga o capital a intensi%icar as %or(as de produ(ão do trabalho porque as intensi%icou. são assim continuamente trans%ormados. porque agora E necessária uma venda mais maci(a não sJ para ganhar mais mas para repor os custos de produ(ão Q o prJprio instrumento de produ(ão. .ssim. Os operários não %a&em concorr7ncia uns aos outros apenas quando um se vende mais barato do que o outroO %a&em concorr7ncia uns aos outros quando um e#ecuta o trabalho de cinco. dentro dos limites das %lutua(Kes das Epocas do comErcio. Qualquer que se)a o poder dos meios de produ(ão aplicados. que são inseparáveis do crescimento do capital produtivo. necessariamente equilibra o pre(o duma mercadoria com os seus custos de produ(ão. portanto. Mas como actuam estas circunstVncias. mas abai#o dos novos. . portanto. Os capitalistas encontram2se. cem ve&es mais do que anteriormente. E a concorr7ncia tra& de novo contra este resultado o mesmo e%eito contrário. em que com a mesma soma de trabalho se pode produ&ir mais. de&.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina recordamos que o pre(o corrente está sempre acima ou abai#o dos custos de produ(ão. Consoante o pre(o de mercado da vara de pano está abai#o ou acima dos seus custos de produ(ão atE aí usuais. uma aplica(ão de nova e um aper%ei(oamento de velha maquinaria ininterruptos que se precipitam uns sobre os outros e e#ecutados a uma escala cada ve& mais gigantesca. de&. de&. a concorr7ncia generali&ará esses meios de produ(ão. variarão as percentagens a que o capitalista que empregou meios de produ(ão novos e mais %rutuosos vende acima dos seus custos de produ(ão reais. Mais divisão do trabalho. . mais maquinaria. torna2se cada ve& mais caro Q. e esta introdu(ão torna2se tão generali&ada atE que o pre(o do pano E %eito descer não sJ abai#o dos seus velhos custos de produ(ão. Mas como ele tem de vender talve& mil ve&es mais para compensar. como a divisão do trabalho tra& necessariamente consigo uma maior divisão do trabalho. revolucionados. consoante a venda duma mercadoria coincide com a temporada %avorável ou des%avorável da indDstria. pela massa maior do produto vendido. maior divisão do trabalho capacita um operário a %a&er o trabalho de cinco. e todas as armas que ele %or)a contra os seus rivais se viram como armas contra ele prJprio. este modo. o pre(o de venda mais bai#o. condi(Kes mais di%íceis de valori&a(ão do seu capital. . o trabalhar em grande escala um trabalhar em maior escala. divisão do trabalho e a aplica(ão da maquinaria voltarão. vinte! ela aumenta. a velha luta come(a com tanta maior viol7ncia quanto mais %rutuosos são os meios de produ(ão )á inventados.Em %rente"ão E esta lei senão a lei que. não se tornou uma questão vital apenas para ele. a aplica(ão de maquinaria uma maior aplica(ão de maquinaria. sobre a determina(ão do salário* . o capitalista nada teria ganho com os seus prJprios es%or(os a não ser a obriga(ão de %ornecer mais no mesmo tempo de trabalho. como vimos.

disputam entre si quem pode mandar embora mais soldados da indDstria. Vimos como a indDstria moderna tra& sempre consigo a substitui(ão de uma ocupa(ão comple#a. Como poderia. e os operários empregados nas %ábricas de máquinas sJ podem desempenhar. O resultado E! quanto mais trabalha tanto menos salário recebe. a tra(os rápidos. o qual sem trabalho assalariado dei#a de ser capital. que os que %oram directamente desalo)ados pela maquinaria e a parte inteira da nova gera(ão. a guerra industrial dos capitalistas entre siO esta guerra tem a peculiaridade de nela as batalhas serem ganhas menos pela contrata(ão do que pelo despedimento do e#Ercito operário. %ace a máquinas altamente engenhosas. despede operários em grupos mais pequenos. naturalmente. O operário procura manter a massa do seu salário trabalhando mais se)a trabalhando mais horas se)a %ornecendo mais na mesma hora. e portanto a ocupa(ão de operários na %abrica(ão de máquinas. dos seus companheiros operários outros tantos concorrentes.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina introdu&ida e constantemente aumentada pelo capital obriga os operários a %a&er uns aos outros esta espEcie de concorr7ncia. 0or isso. 'e a classe inteira dos operários assalariados %osse aniquilada pela maquinaria. que os operários tornados supEr%luos pelas máquinas encontram novos ramos de ocupa(ão. e alEm disso lembramos que quanto mais simples. que )á espreitava este servi(o. Os generais. lan(a os operários manuais em massa para a rua. mais elevada. seriam mesmo operários instruídos. substituída por máquinas mais %rutuosas. pois que a maquinaria. de todos os lados o acossam concorrentes. Esta E. uma massa de operários lan(ada %ora dum ramo da indDstria pela maquinaria encontrar um re%Dgio num outro. para a parte da )ovem gera(ão operária que )á estava pronta para entrar no ramo da indDstria decaído. e precisamente pela simples ra&ão de que na medida em que %a& concorr7ncia aos seus companheiros operários %a&. pois que tal como o pre(o de todas as outras mercadorias ele E determinado pelos custos de produ(ão. "ão %altarão aos senhores capitalistas carne e sangue %rescos para e#plorarem. 0ressionado pelas priva(Kes. novos meios de ocupa(ão se abrirão. . os capitalistas.creditar2se2á que a mesma será paga tão alto como a que se perdeu* . porquanto máquinas cada ve& mais comple#as são aplicadas para a %abrica(ão de máquinas tal como para a %abrica(ão de %io de algodão. 8ogo que se requer e consome mais maquinaria na indDstria. em que o trabalho dá menos satis%a(ão e se torna mais repugnante. de adultos por crian(as. Os %actos contra esta mentira são demasiado gritantes. portanto. quanto menos custos de produ(ão são precisos para se apropriar do mesmo. ao impor a substitui(ão de operários habilitados por operários sem habilita(ão. onde E introdu&ida de novo. encontram uma nova ocupa(ão. Os economistas contam2nos. 9etratámos atrás.sto contradiria todas as leis da economia. a não ser que este se)a pago mais bai#o e pior* .du&iu2se como e#cep(ão os operários que trabalham na %abrica(ão da prJpria maquinaria. porque ele. esta apreciada São Paulo 2007 16 . e mandar2se2á os mortos enterrar os seus mortos. e os operários empregados neste ramo da indDstria seriam operários habilitados. pois. por conseguinte. Eles de %acto sJ a%irmam que para outras partes constitutivas da classe operária. aumenta ainda mais os e%eitos %unestos da divisão do trabalho. por e#emplo.dmita2se. O seu trabalho torna2se trabalho acessível a todos. as máquinas terão necessariamente de aumentar. a si mesmo como membro da classe operária. nessa mesma medida aumenta a concorr7ncia e diminui o salário. que não tem de pIr em )ogo energias %ísicas nem intelectuais. tanto mais bai#o desce o salário. . uma grande satis%a(ão para os operários caídos. Mais ainda! na medida em que aumenta a divisão do trabalho simpli%ica2se o trabalho. de homens por mulheres. mais subordinada. portanto. . Mas em lugar do homem despedido pela máquina a %ábrica emprega talve& tr7s crian(as e uma mulher. W mais uma consola(ão que os burgueses o%erecem a si mesmos do que uma que dão aos operários. em Dltima instVncia %a& concorr7ncia a si mesmo. habilidade especial do operário torna2se sem valor. que horror para o capital. porEm. "ão se atrevem a a%irmar directamente que aqueles mesmos operários que %oram despedidos arran)am lugar em novos ramos do trabalho. maquinaria produ& os mesmos e%eitos numa escala muito maior. esde o ano de :?>Y esta a%irma(ão. "a medida. e onde E desenvolvida. perdeu toda a apar7ncia. portanto. )á antes apenas meio verdadeira.E o salário do homem não tinha de chegar para as tr7s crian(as e uma mulher* "ão tinha o mínimo de salário de chegar para manter e multiplicar a ra(a* Que prova. e portanto a %abrica(ão de máquinas. por outra mais simples. os quais se o%erecem em condi(Kes tão más como ele prJprio. monJtona. Ele E trans%ormado numa %or(a produtiva simples. mais %ácil de aprender E o trabalho. por certo. a posi(ão de máquinas altamente desengenhosas. aper%ei(oada.

portanto a necessidade de mercados mais e#tensos.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina e#pressão burguesa* "ada mais do que agora são consumidas quatro ve&es mais vidas operárias do que anteriormente para ganhar o sustento de uma %amília operária. Quanto mais se e#pandem a divisão do trabalho e o emprego da maquinaria. Elas tornam2se mais %requentes e mais violentas pelo prJprio %acto de que na medida em que cresce a massa de produtos. tanto mais se e#pandem a divisão do trabalho e o emprego da maquinaria. e os prJprios bra(os tornam2se cada ve& mais magros. dos produtos e mesmo das %or(as de produ(ão aos deuses das pro%unde&as Q aumentam. Que o )uro do capital diminui na medida em que aumentam a massa e o nDmero do capital. Vemos assim que! se o capital cresce rapidamente.r-eits. assim. todas as molas do crEdito.ratie (No0a %a@eta Renana" Ar $o da ?e!ocracia): )orna+ &ue se pu-+icou e! 7o+:nia so. em que o capital cresce. O capital. arrasta consigo para a cova os cadáveres dos seus escravos. em que os capitalistas são obrigados pelo movimento atrás retratado a e#plorar em maior escala meios de produ(ão gigantescos )á e#istentes e a pIr em movimento. na qual uma das primeiras condi(Kes E produ&ir sempre em maior escala. e portanto a)uda a aumentar as %ileiras dos pequenos industriais e. porque todas as crises anteriores su)eitaram ao comErcio mundial mercados atE então inconquistados ou apenas super%icialmente e#plorados pelo comErcio. os meios de ocupa(ão. osto de 1847 co! 0ista a dar u!a 'or!a#$o po+<tica aos oper=rios a+e!$es residentes na Dé+ ica e a 'a@er propa anda entre e+es das ideias do co!unis!o cient<'ico" Eo. compreende2se por si.a direc#$o de 1ar2 e /n e+s e dos seus co+a-oradores( a . a %loresta dos bra(os levantados ao ar e a pedir trabalho torna2se cada ve& mais densa. %inalmente. este modo. ser precisamente um grande industrial e não um pequeno. nos quais o mundo do comErcio sJ se mantEm sacri%icando uma parte da rique&a. nessa mesma medida aumentam os terramotos industriais. .o desen0o+0er os pontos de partida da sua teoria da !ais80a+ia( 1ar2 'or!u+a e! ter!os erais a tese do e!po-reci!ento re+ati0o e a-so+uto da c+asse oper=ria so.ssocia#$o dos >per=rios .o capita+is!o" 8 142( 151" 5N716 Neue Rheinische Zeitun " >r an der ?e!o. tudo isto não carecerá de mais e#plica(Kes.ssocia#$o dos >per=rios .ra't" N$o se trata du!a e!enda de /n e+s( para a edi#$o de 1891( !as da pa+a0ra usada por 1ar2 para o te2to da Neue Rheinische Zeitun " (4) 0er o presente to!o( p" 154" (Nota da edi#$o portu uesa") (5) /! 'ranc3s no te2to: os &ue possue! ou 0i0e! de rendi!entos" (Nota da edi#$o portu uesa") Notas de 'i! de 4o!o: 5N706 . e portanto tem de se lan(ar sobre a indDstria.+e!$es de Dru2e+as ter!inou pouco depois da São Paulo 2007 17 . proporcionalmente. para este %im. o rápido crescimento do capital E a condi(ão mais %avorável para o trabalho assalariado. o mercado mundial se contrai cada ve& mais. Notas de rodapé: (1) Na Neue Rheinische Zeitun : e do ca!pesinato" (Nota da edi#$o portu uesa)" (2) %roschen: pe&uena !oeda de 10 p'enni ( ou se)a 1*10 de !arco" (Nota da edi#$o portu uesa") (3) No ori ina+: .+e!$es de Dru2e+as 'oi 'undada por 1ar2 e /n e+s no 'ina+ de . para alEm disto. isto E.a direc#$o de 1ar2 de 1 de Bunho de 1848 a 19 de 1aio de 1849C /n e+s 'a@ia parte da redac#$o" 8 142( 189( 230( 371( 532" 5N726 . numa palavra.o pu-+icar a o-ra 4ra-a+ho . hecatombes inteiras de operários que so(obram nas crises. acti0idade da . porEm. tanto mais diminuem. tanto mais se contrai o seu salário. 9esumamos! quanto mais cresce o capital produtivo. "a medida. ou se)a. as crises. tanto mais se e#pande a concorr7ncia entre os operários.retendia dar ao pro+etariado a ar!a te:rica do conheci!ento cient<'ico pro'undo da -ase so-re a &ua+ repousa! na sociedade capita+ista o do!<nio de c+asse da -ur uesia e a escra0id$o assa+ariada dos oper=rios" . os candidatos ao proletariado.ssocia#$o tornou8se u! centro +e a+ de a rupa!ento dos pro+et=rios re0o+ucion=rios a+e!$es na Dé+ ica" >s !e+hores e+e!entos da . Que o pequeno industrial não pode aguentar a luta. incomparavelmente mais depressa cresce a concorr7ncia entre os operários. não vive sJ do trabalho. restam para e#plora(ão cada ve& menos mercados novos. que por isso o pequeno rentier )á não pode viver do seu rendimento. 'enhor a um tempo elegante e bárbaro. e. não obstante. a classe operária recruta2se ainda das camadas superiores da sociedadeO a%unda2se nela uma massa de pequenos industriais e rentiersTAU que não t7m nada de mais urgente a %a&er do que erguer os bra(os a par dos bra(os dos operários.ssocia#$o 'a@ia! parte da or ani@a#$o de Dru2e+as da Fi a dos 7o!unistas" . para a classe operária. E. os meios de subsist7ncia.ssa+ariado e 7apita+( 1ar2 propunha8se descre0er de 'or!a popu+ar as re+a#9es econ:!icas &ue constitue! a -ase !ateria+ da +uta de c+asses na sociedade capita+ista" .

Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina re0o+u#$o -ur uesa de Ge0ereiro de 1848 e! Gran#a( e! 0irtude da pris$o e da e2pu+s$o dos seus !e!-ros pe+a po+<cia -e+ a" 8 142( 532" 5N736 4rata8se da inter0en#$o das tropas tsaristas na Hun ria e! 1849 co! o o-)ecti0o de es!a ar a re0o+u#$o -ur uesa hIn ara e resta-e+ecer o poder dos Ha-s-ur os austr<acos" 8 142" 5N746 4rata8se das insurrei#9es das !assas popu+ares na .+us$o S +enda do n: e2tre!a!ente co!p+icado co! &ue %:rdio( rei da Gr< ia( atou o )u o ao ti!$o do seu carroC se undo a pre0is$o de u! or=cu+o( &ue! desatasse este n: tornar8se8ia senhor da Usia" .'urt e! 28 de 1ar#o de 1849( !as re)eitada por u!a série de /stados a+e!$es)" /stas insurrei#9es tinha! u! car=cter espontJneo e disperso e 'ora! es!a adas e! !eados de Bu+ho de 1849" 8 142( 179" 5N756 1ar2 escre0e e! > 7apita+: K." E!ith e ?" Ricardo" 8 143" 5N766 /n e+s escre0eu no .o+<tica c+=ssica na On +aterra 'ora! .da! E!ith( é( contudo( essencia+!ente 'i+ha do sécu+o QROOO"N 8 144" 5N776 /n e+s re'ere8se Ss co!e!ora#9es do 1T de 1aio de 1891" /! a+ uns pa<ses (On +aterra( .sse!-+eia Naciona+ de Gran.o+<tica e! sentido !ais restrito( na sua 'or!u+a#$o positi0a pe+os 'isiocratas e por .+e!anha e! 1aio8Bu+ho de 1849 e! de'esa da 7onstitui#$o i!peria+ (adoptada pe+a .nti8?Phrin : K/!-ora tendo co!e#ado por to!ar 'or!a na !ente de a+ uns ho!ens de énio e! 'inais do sécu+o QROO( a /cono!ia .ettM( te! in0esti ado as re+a#9es reais de produ#$o na sociedade -ur uesa"N >s principais representantes da /cono!ia .+e!anha) a 'esta do 1T de 1aio era rea+i@ada no pri!eiro do!in o posterior a esta data( &ue e! 1891 ca+hou e! 3 de 1aio" 8 150" 5N786 .o+<tica c+=ssica entendo toda a econo!ia po+<tica &ue( desde o te!po de L" .+e2andre da 1aced:nia( e! 0e@ de tentar desenredar o n:( cortou8o co! a espada" 8 157" São Paulo 2007 18 .or /cono!ia .

s demais classes vão2se arruinando e so(obram com a grande indDstriaO o proletariado E o produto mais característico desta.. umas ve&es oculta. seguinte passagem do Mani%esto do 0artido Comunista mostra2nos o que Mar# e#igia da ci7ncia social para a análise ob)etiva da situa(ão de cada classe no seio da sociedade moderna. aberta outras. . não puderam dei#ar de reconhecer que a luta de classes E a chave para a compreensão de toda a histJria %rancesa. Mar# deu e#emplos brilhantes e pro%undos de historiogra%ia materialista. a Epoca contemporVnea. o resultado destas aspira(Kes. do passado para o %uturo. Pá na Epoca da 9estaura(ão=B se v7 aparecer em 5ran(a um certo nDmero de historiadores T+hierr]. que a vida social está cheia de contradi(Kes. Mais ainda. dos diversos grupos ou camadas no seio de uma classe. não acabou com os antagonismos de classe. a histJria da Europa. para determinar a resultante do desenvolvimento histJrico. saída do declínio da sociedade %eudal.6 Em numerosas obras histJricas Tver 4ibliogra%iaU. a Epoca da burguesia. o artí%ice. . são reacionárias. teoria de Mar# encontra a sua con%irma(ão e aplica(ão mais pro%unda. 'J o estudo do con)unto das aspira(Kes de todos os membros de uma sociedade ou de um grupo de sociedades permite de%inir. etc. opressores e oprimidos. que Mar# analisa. o pequeno comerciante. as aspira(Kes de uns contrariam as de outros. 6. sinteti&ando os acontecimentos. . +hiersU que. de pa& e de guerra. novos aspectos da luta no lugar dos anteriores. Mignet. atE / evid7ncia. que acabou sempre com uma trans%orma(ão revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em con%lito. Ora. revela com particular evid7ncia o verdadeiro %undo dos acontecimentos. permite descobrir a e#ist7ncia de leis! a teoria da luta de classes. 26 Restaura#$o: per<odo da hist:ria de Gran#a (181481830) durante o &ua+ os Dour-ons( derru-ados pe+a Re0o+u#$o -ur uesa 'rancesa de 1792( 'ora! reinsta+ados no trono" São Paulo 2007 19 . mostra com mais evid7ncia ainda Tembora. 'e são revolucionárias. O mar#ismo deu o %io condutor que. nossa Epoca. mas conservadoras. 3ui&ot. uma sucessão de períodos de revolu(ão e de rea(ão. neste labirinto. . pois procuram pIr a andar para trás a roda da histJria. com uma precisão cientí%ica.. histJria de toda a sociedade atE agora e#istente 2 escreve Mar# no Mani%esto do 0artido Comunista Te#cetuado a histJria da comunidade primitiva. antes do declínio. o patrício e o plebeu. distingue2se. "ão %e& mais do que colocar novas classes. travaram uma luta ininterrupta. por ve&es. por ve&es. de análise da situa(ão de cada classe particular. lutam todos contra a burguesia para assegurarem a sua e#ist7ncia como camadas mEdias.s camadas mEdias. alEm disso. assim como no seu prJprio seioO que ela nos mostra. em qualquer sociedade. de estagna(ão e de progresso rápido ou de decad7ncia. são2no apenas em termos da sua iminente passagem para o proletariado. da imprensa diária barata e que chega /s massas. 6constitucional6U que a luta de classes E o motor dos acontecimentos. . a luta de classes. e. novas condi(Kes de opressão. +oda a sociedade está a cindir2se cada ve& mais em dois grandes campos hostis. a Epoca da vitJria completa da burguesia. neste caos aparente. que a histJria nos mostra a luta entre povos e sociedades.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina A Luta de Classes R+ad<!ir O+itch Fenin +oda a gente sabe que. O homem livre e o escravo..pJs a grande revolu(ão %rancesa. . das institui(Kes representativas. o barão %eudal e o servo. o pequeno industrial. o que quer di&er que não de%endem os seus interesses presentes. sob uma %orma unilateral. . mostrando. contudo por ter simpli%icado os antagonismos de classe. 6paci%ica6. mas os %uturos. em duas grandes classes em con%ronto direto! a burguesia e o proletariado. em liga(ão com a análise das condi(Kes do desenvolvimento de cada classe! 6 e todas as classes que ho)e em dia de%rontam a burguesia sJ o proletariado E uma classe realmente revolucionária. porque e como 6toda a luta de classes E uma luta política6. as aspira(Kes contraditJrias nascem da di%eren(a de situa(ão e de condi(Kes de vida das classes em que se divide qualquer sociedade. o mestre de uma corpora(ão e o o%icial. a Epoca das associa(Kes operárias e patronais poderosas e cada ve& mais vastas. o campon7s. Ora. acrescentaria Engels mais tardeU e a histJria de lutas de classes.6 . em muitos países. mais completa e mais pormenori&ada na sua doutrina econImica. "ão são pois revolucionárias. passagem que acabamos de citar ilustra claramente como E comple#a a rede das rela(Kes sociais e dos graus transitJrios de uma classe para outra. moderna sociedade burguesa. do su%rágio amplo Tquando não universalU. o que quer di&er que abandonam a sua posi(ão social prJpria e se colocam na do proletariado. estiveram em constante antagonismo entre si. em suma. etc.

como elemento vivo do processo de valori&a(ão do capital e de cria(ão de mais2valia. turismo. 'endo o traba2 lhador produtivo aquele que produ& diretamente mais2valia e participa diretamente do processo de valoriza !o do capital. que produzem mais-valia. desde aqueles inseridos no setor de servi(os. Mas como ha uma crescente imbrica !o entre trabalho produtivo e improdutivo no capitalismo contemporVneo e como a classe trabalhadora incorpora essas duas dimensKes básicas do trabalho sob o capitalismo.>< 42 . no entendimento que %a&emos de Mar#. Inédito). entretanto. a de%ini(ão dessa classe compreende os elementos analíticos que indico a seguir. Mas a classe-que-vive-do-trabalho engloba tambEm os trabalhadores improdutivos. o %im da classe trabalhadora. os quais são. mas incorpora a totalidade do trabalho social. tem como primeiro ob)etivo con%erir validade contemporânea ao conceito mar#iano de classe trabalhadora. mas que n!o s!o diretamente manuais TidemU. Ela não se restringe. não se restrin"e ao trabalho manual direto Tainda que nele encontre seu nDcleo centralU. absolutamente vitais para a sobreviv7ncia do sistema6 TMEs&áros. . Eles pertencem /queles '%alsos custos e despesas inDteis'. que todo trabalhador produtivo E assalariado e nem todo trabalhador assalariado # produtivo. ainda que algumas de suas parcelas encontrem2se em retra(ão. atE aqueles que reali&am atividades nas %ábricas mas não criam diretamente valor. a classe trabalhadora.a. classe-que-vive-do-trabalho. ele detém.sso não elide. :@@A! A<<U.>= "esse sentido. a e#pressão classe-que-vive-do-trabalho pretende dar contemporaneidade e amplitude ao ser social que trabalha. ho)e inclui a totalidade daqueles que vendem sua %or(a de trabalho. 'ão aqueles que se constituem em 6agentes não2produtivos. a totalidade do trabalho coletivo assalariado. apreender sua efetividade sua processualidade e concretude. deve. ao trabalho manual direto. o papel de centralidade do trabalhador produtivo.. 0ortanto. do trabalho social coletivo. o que nos parece por demais evidente quando a re%er7ncia E dada pela %ormula(ão de Mar#. 'ão aqueles em que.in( B"( 1995" Rer ta!-é! . segundo Mar#. uma no(ão contemporVnea de classe trabalhadora. Constituem2se em geral num segmento assalariado em e#pansão no capitalismo contemporVneo 2 os trabalhadores em servi(os 2. do proletariado industrial moderno no con)unto da classe-que-vive-do-trabalho. 0ortanto.u+s. se)a para uso pDblico ou para o capitalista. nossa designa(ão pretende enfatizar o sentido atual da classe trabalhadora. / classe trabalhadora ho)e. o trabalho E consumido como valor de uso e não como trabalho que cria valor de troca. como veremos adiante. -e! co!o so-re o si ni'icado do trabalho social combinado. tendo corno nDcleo central os trabalhadores produtivos Tno sentido dado por Mar#. vista de modo ampliado. repetimos. tese do tra-a+ho co!o u! ua<or em via de desaparição 'i ura( desen0o+0ida co! ri or ana+<tico( no te2to e+a-orado por 1eda( 1997" V! te2to de corte !ais e!p<rico( onde a crescente redu#$o do e!pre o possi-i+ita a 0isua+i@a#$o (co!o tend3ncia) do fim do trabalho é o de Ri'.!E-"I"E-DO-TRABALHO A forma de s e r da classe trabalhadora hoje Ricardo Antunes Por uma noção ampliada de #lasse tra$al%adora . sua forma de ser. incorporando também formas de trabalho que s!o produtivas. Quando tantas %ormula(Kes v7m a%irmando a perda da validade analítica da no(ão de classe. um papel de centralidade no interior da classe trabalhadora. ou atE mesmo o %im do trabalho. servi(os pDblicos etc. bancos. onde se encontra o proletariado. Rmas queS vivenciam as mesmas premissas e se erigem sobre os mesmos %undamentos materiais. que utili&amos nesta pesquisa. comErcio. e#pressão 6classe2que2vive2do2trabalho6. especialmente no Capítulo VI. . Considerando. portanto. portanto. incorporar a totalidade dos trabalhadores assalariados. essa no !o ampliada nos parece %undamental para a compreensão do que E a classe trabalhadora ho)e. aqueles cu)as %ormas de trabalho são utili&adas como servi(o. em nosso entendimento. geradores de anti2valor no processo de trabalho capitalista. ao contrário dos autores que de%endem o %im das classes sociais.i( B" e Laters( 1"( 1996( &ue propu na! a tese da disso+u#$o das c+asses sociais e da perda da sua 0a+idade conceituai nas sociedades a0an#adas( e o 'a@e! de !odo insu'iciente( con'or!e a recente critica de Har0ie" 1997: 19283" Ro-ert 7aste++s (1998)( nu! pata!ar ana+<tico denso e a-ran ente( o'ereceu no0os e+e!entos para pensar a centra+idade do tra-a+ho ho)e a partir da de'esa contratua+ista da sociedade sa+aria+" 4 3 Eo-re o tra-a+ho produtivo e improdutivo. O trabalho improdutivo abrange um amplo leque de assalariados. 0er 1ar2 (1994: 443 e se uintes)" W -astante su esti0a e 'érti+( ainda &ue sucinta( a indica#$o 'eita por 1andei( para pensar a conternporaneida8de da c+asse tra-a+hadora (1986:1081)" São Paulo 2007 20 .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina A CLASSE. e que não se constituem como elemento diretamente produtivo. encontrando no proletariado industrial o seu nDcleo principal. por isso. o trabalho produtivo. criador de valores de troca.

alEm dos trabalhadores desempregados. Essa no(ão incorpora o proletariado precarizado. classe trabalhadora ho)e e'clui. os trabalhadores hifenizados de que %alou 4e]non. Vamos procurar. procuraremos manter essa 6distin(ão6. naturalmente. que det7m papel de controle no processo de trabalho. o%erecer um balan(o dessas muta(Kes. incorporando. e utili&aremos a no(ão de classe trabalhadora ou classe-que-vive-do-trabalho para englobar tanto o proletariado industrial. então. tambEm o proletariado rural. "esse nosso desenho analítico. alEm do proletariado industrial. ainda que de modo não rígido! usaremos %proletariado industrial% para indicar aqueles que criam diretamente mais-valia e participam diretamente do processo de valoriza !o do capital. os trabalhadores terceiri&ados e precari&ados das empresas íiq[^íi&adas de que %alou Puan PosE Castillo.>B Compreender contemporaneamente a classe-que-vive-do-trabalho desse modo ampliado.>A que muitas ve&es são indiretamente subordinados ao capital. naturalmente.>> $ma no(ão ampliada de classe trabalhadora inclui. que vende sua %or(a de trabalho para o capital. na %ase de e#pansão do desempre"o estrutural. E#clui tambEm. por e#emplo. o%erecer algumas indica(Kes analíticas. o novo proletariado dos Mc onalds. &ue presta! ser0i#os de repara#$o( +i!pe@a etc"( excluindo-se entretanto os propriet=rios de !icroe!presas etc" No0a!ente( a cha0e ana+<tica para a de'ini#$o de c+asse tra-a+hadora é dada pe+o assa+aria!ento e pe+a 0enda da sua pr:pria 'or#a de tra-a+ho" . no Mani%esto Comunista. classe trabalhadora e assalariados. então. em nosso entendimento. a pequena burguesia urbana e rural propriet&ria.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina 'abemos que Mar# Tmuitas ve&es com a colabora(ão de EngelsU utili&ou como sinJnimos a no(ão de proletariado. seus altos funcion&rios. como o con)unto dos assalariados que vendem a sua %or(a de trabalho Te. dando2lhe inicialmente maior 7n%ase descritiva para. o subproletariado moderno.p3ndiceX deste +i0ro o te2to X>s No0os .or isso a deno!ina!os classe-que-vive-do-trabalho. u!a e2press$o &ue procura captar e en +o-ar a tota+idade dos assa8<ariados que vivem da venda de sua força de trabalho 6 /sses se !entos da pe&uena bur!uesia propriet"ria pode! por certo se constituir e! i!portantes a+iados da c+asse tra-a+hadora( e!-ora n$o se)a parte de seu nIc+eo constituti0o" São Paulo 2007 21 . de posse de um capital acumulado. pela vig7ncia da lJgica destrutiva do capitalU. permite reconhecer que o mundo do trabalho vem so%rendo muta(Kes importantes. . de valori&a(ão e reprodu(ão do capital no interior das empresas e que recebem rendimentos elevados T4ernardo. os "estores do capital. posteriormente. os trabalhadores assalariados da chamada 6economia in%ormal6. e#pulsos do processo produtivo e do mercado de trabalho pela reestrutu2 ra(ão do capital e que hipertro%iam o e#Ercito industrial de reserva. como sinJnimo da classe trabalhadora. dos assalariados do setor de servi(os. os pequenos empresários. que vivenciavam as condi(Kes dadas pela subsun !o real do trabalho ao capital. Mas tambEm en%ati&ou muitas ve&es especialmente em $ Capital que o proletariado era essencialmente constituído p7los produtores de mais2uaíia. os que estão desempregados. todos aqueles e aquelas que vendem sua for a de trabalho em troca de sal&rio.enso a&ui -asica!ente nos tra-a+hadores assa+ariados sem carteira de tra-a+ho( e! enor!e e2pans$o no capita+is!o conte!porJneo( e ta!-é! nos tra-a+hadores individuais por conta própria. :@@:! =Y=U ou ainda aqueles que.ro+et=rios do 1undo na Rirada do Eécu+oX( &ue reto!a essa discuss$o" . 4 4 4 5 4 Rer no X. como se pode notar. vivem da especula(ão e dos )uros. pari time.

ara+e+a!ente ao des!orona!ento da es&uerda tradiciona+ da era sta+inista 8 e a&ui entra!os e! outro ponto centra+ 8 deu8se u! a udo processo pol#tico e ideoló!ico de social-democrati$ação da esquerda e a sua conse&uente atua#$o su-ordinada S orde! do capita+" /ssa aco!oda#$o social-democr"tica atin iu 'orte!ente a es&uerda sindica+ e partid=ria( repercutindo( conse&Pente!ente( no interior da c+asse tra-a+hadora" > sindica+is!o de es&uerda( por e2e!p+o( passou a recorrer co! 're&u3ncia cada 0e@ !aior S institucio8na+idade e S -urocrati@a#$o &ue ta!-é! caracteri@a! a socia+8de!ocracia sindica+ (Dernardo( 1996)" 1 .ortanto( o des!orona!ento da VREE e do Feste /uropeu( ao 'ina+ dos anos 80( te0e enor!e i!pacto no !o0i!ento oper=rio" Dasta +e!-rar a crise &ue se a-ateu so-re os partidos co!unistas tradicionais e o sindica+is!o a e+es 0incu+ado" .u*ourc<ZHui (0=rios autores)" F3s /ditions de V. pol#tica. &uanto a sua es'era !ais propria!ente subjetiua. sua te!ati@a#$o inicia+( entretanto( é 'unda!enta+( u!a 0e@ &ue essa crise 0e! a'etando tanto a materialidade da c+asse tra-a+hadora( a sua forma de ser.te+ier( . ideoló!ica. dos 0a+ores e do ide=rio &ue pauta! suas a#9es e pr=ticas concretas" 7o!e#o di@endo &ue nesse per<odo 0i0encia!os u! &uadro de crise estrutural do capital.aris( 1998" São Paulo 2007 22 .u-+icado no +i0ro %& Manifeste 7o!rnuniste . que se a-ateu so-re o con)unto das econo!ias capita+istas a partir especia+!ente do in<cio dos anos 70" Eua intensidade é t$o pro'unda &ue +e0ou o capita+ a desen0o+0er( se undo 1és@=ros( Xpr=ticas !ateriais da destrutiva auto-reprodu-ção ampliada do capita+( 'a@endo sur ir inc+usi0e o espectro da destrui#$o +o-a+( e! 0e@ de aceitar as restri#9es positi0as re&ueridas no interior da produ#$o para a satis'a#$o das necessidades hu!anasX (1és@=ros( 1995)" /ssa crise 'e@ co! &ue( entre tantas outras conse&u3ncias( o capita+ i!p+e!entasse u! 0ast<ssi!o processo de reestrutura#$o( co! 0istas J recupera#$o do seu cic+o de reprodu#$o &ue( co!o 0ere!os !ais adiante( a'etou 'orte!ente o !undo do tra-a+ho" V! se undo e+e!ento 'unda!enta+ para o entendi!ento das causas do re'+u2o do !o0i!ento oper=rio decorre do e2p+osi0o des!orona!ento do Feste /uropeu (e da &uase tota+idade dos pa<ses &ue tentara! u!a transi#$o socia+ista( co! a VREE S 'rente)( propa ando8se( no interior do !undo do tra-a+ho( a 'a+sa ideia do X'i! do socia+is!oX (Rer Yur@( 1992)" /!-ora a +on o pra@o as conse&u3ncias do 'i! do Feste /uropeu se)a! ei0adas de positi0idades (pois co+oca8se a possi-i+idade da reto!ada( e! -ases inteira!ente no0as( de u! pro)eto socia+ista de no0o tipo( &ue recuse( entre outros pontos ne'astos( a tese sta+iniana do Xsocia+is!o nu! s: pa<sX e recupere e+e!entos centrais da 'or!u+a#$o de 1ar2)( no p+ano !ais i!ediato hou0e( e! si ni'icati0os contin entes da c+asse tra-a+hadora e do !o0i!ento oper=rio( a aceita#$o e !es!o assi!i+a#$o da ne'asta e e&ui0ocada tese do X'i! do socia+is!oX e( co!o di@e! os apo+o istas da orde!( do 'i! do !ar2is!o" / !ais: ainda co!o conse&u3ncia do 'i! do e&ui0ocada!ente cha!ado X-+oco socia+istaX( os pa<ses capita+istas centrais 03! re-ai2ados -ruta+!ente os direitos e as con&uistas sociais dos tra-a+hadores( dada a Xine2ist3nciaX( se undo o capita+( do peri o socia+ista ho)e" .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina A CRISE DO &O"I&E'TO OPER(RIO E A CE'TRALIDADE DO TRABALHO HO)E* Ricardo Antunes Nas I+ti!as décadas( particu+ar!ente depois de !eados dos anos 70( o !undo do tra-a+ho 0i0enciou u!a situa#$o 'orte!ente cr<tica( ta+0e@ a !aior desde o nasci!ento da c+asse tra-a+hadora e do pr:prio !o0i!ento oper=rio" > entendi!ento dos e+e!entos constituti0os dessa crise é de rande co!p+e2idade( u!a 0e@ &ue nesse !es!o per<odo( ocorrera! !uta#9es intensas( de di'erentes ordens e &ue( no seu con)unto( aca-ara! por acarretar conse&u3ncias !uito 'ortes no interior do !undo do tra-a+ho e( e! particu+ar( no J!-ito do !o0i!ento oper=rio e sindica+" > entendi!ento desse &uadro( portanto( sup9e u!a an=+ise cia totalidade dos elementos constituti0os desse cen=rio( e!preendi!ento ao !es!o te!po di'<ci+ e i!prescind<0e+( &ue n$o pode ser tratado de !odo +i eiro" Neste arti o irei so!ente indicar a+ uns e+e!entos &ue s$o centrais( e! !eu entendi!ento( para u!a apreens$o !ais tota+i@ante dessa crise > desen0o+0i!ento !ais deta+hado e preciso de tais e+e!entos seria a&ui i!poss<0e+( dada a a!p+itude e co!p+e2idade de &uest9es" .

rocura8se u!a 'or!a da&ui+o &ue cha!ei de envolvimento manipulatório +e0ado ao +i!ite (. inicialmente no centro e lo!o depois nos pa#ses subordinados. &ue( repito( a&ui posso apenas indicar( resu!indo8o assi!: 1) h= u!a crise estrutural do capital ou u! efeito depressivo profundo &ue acentua seus tra#os destruti0os (1és@=ros( 1995 e 7hesnais( 1996)C 2) deu8se o 'i! da e2peri3ncia p:s8capita+ista da VREE e dos pa<ses do Feste /uropeu( a partir do &ua+ parce+as i!portantes da es&uerda acentuara! ainda !ais seu processo de socia+8de!ocrati8@a#$o (1a ri( 1991)C 3) esse processo se e'eti0ou nu! !o!ento e! &ue a pr:pria socia+8de!ocracia ta!-é! 0i0encia0a u!a situa#$o cr<ticaC 4) e2pandia8se 'orte!ente o pro)eto econ:!ico( socia+ e po+<tico neo+i-era+" 4udo isso aca-ou por a'etar 'orte!ente o !undo do tra-a+ho( e! 0=rias di!ens9es" ?ada a a-ran 3ncia e intensidade da crise estrutural.&ui( co!o ensinou 1ar2( é preciso Xapoderar8se da !atéria( e! seus por!enores( ana+isar suas di'erentes 'or!as de desen0o+0i!ento e per&uirir a cone2$o <nti!a &ue h= entre e+asX" 2 ?ada a i!possi-i+idade de rea+i@ar essa e!preitada nos +i!ites deste te2to( 'arei t$o8so!ente a indica#$o de a+ uns pro-+e!as &ue !e parece! !ais re+e0antes" .os'=cioX de 1873 S 2X /di#$o de ( .!in( 1996") /ssas trans'or!a#9es( por u! +ado( decorrentes da pr:pria concorr3ncia inter8capita+ista e por outro dadas pe+a necessidade de contro+ar o !o0i!ento oper=rio e a +uta de c+asses( aca-ara! por a'e8tar 'orte!ente a c+asse tra-a+hadora e o seu !o0i!ento sindica+ (Dihr( 1991C %ounet( 1991 e 1992C 1urraM( 1983C 1c++roM( 1997)" Gunda!enta+!ente( essa 'or!a de produ#$o '+e2i-i+i@ada -usca a ades$o de 'undo por parte dos tra-a+hadores( &ue de0e! assu!ir o pro)eto do capita+" .ntunes( 1995)( e! &ue o capita+ -usca o consenti!ento e a ades$o dos tra-a+hadores( no interior das e!presas( para 0ia-i+i@ar u! pro)eto &ue é a&ue+e desenhado e conce-ido se undo seus 'unda!entos e2c+usi0os" 4rata8se de u!a 'or!a de alienação ou estranhamento )*ntfremdun!+ &ue( di'erenciando8se do despotis!o 'ordista( +e0a a u!a interiori@a#$o ainda !ais pro'unda do ide=rio do capita+( a0an#ando no processo de e2propria#$o do savoirfaire do tra-a+ho" [uais s$o as conse&u3ncias !ais i!portantes dessas trans'or!a#9es no processo de produ#$o e de &ue 'or!a e+as a'eta! o !undo do tra-a+ho\ 1enciono( de !odo indicati0o( as !ais i!portantes: 2 7on'or!e 1ar2" 1971( no X. no &ua+ 0=rias !uta#9es 03! ocorrendo e cu)o entendi!ento é 'unda!enta+( nessa 0irada do sécu+o QQ para o sécu+o QQO" .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina W preciso acrescentar ainda &ue co! a enor!e e2pans$o do neo8+i-era+is!o a partir de 'ins de 70 e a conse&uente crise do 'elfare state. conte!p+ando reestrutura#$o produti0a( pri0ati@a#$o ace+erada( en2u a!ento do /stado( po+<ticas 'isca+ e !onet=ria sintoni@adas co! os or anis!os !undiais de he e!onia do capita+( co!o o G1O e o Dird( des!onta e! dos direitos sociais dos tra-a+hadores( co!-ate cerrado aos sindica+is!o de es&uerda( propa a#$o de u! su-)eti0is!o e de u! indi0idua+is!o e2acer-ados( dos &uais a cu+tura Xp:s8!odernaX é e2press$o( ani!osidade direta contra &ua+&uer proposta socia+ista contr=ria aos 0a+ores e interesses do capita+ etc" (Rer Har0eM( 1992 e Eader( 1997") R38se &ue se trata de u! processo complexo. o capita+ 0e! procurando responder por !eio de 0=rios !ecanis!os( &ue 0$o desde a e2pans$o das ati0idades especu+ati0as e 'inanceiras até a su-stitui#$o ou mescla do padr$o taM+orista e 'ordista de produ#$o( pe+as 0=rias 'or!as de Xacu!u+a#$o '+e2<0e+X (Har0eM( 1992) ou pe+o cha!ado toMotis!o ou !ode+o )apon3s" /sse I+ti!o ponto te! i!portJncia centra+( u!a 0e@ &ue di@ respeito Ss metamorfoses no processo de produção do capita+ e suas repercuss9es no processo de trabalho.articu+ar!ente nos I+ti!os anos( co!o respostas do capita+ $ crise dos anos 70( intensi'icara!8se as trans'or!a#9es no pr:prio processo produti0o( pe+o a0an#o tecno+: ico( pe+a constitui#$o das 'or!as de acu!u+a#$o '+e2<0e+ e p3+os !ode+os a+ternati0os ao -in:!io taM+oris!o*'ordis!o( entre os &uais se destaca( para o capita+( especia+!ente( o !ode+o XtoMotistaX ou )apon3s" (Rer a co+etJ8nea or ani@ada por . deu8se u! processo de re!ressão da pr:pria socia+8de!ocra8cia( &ue passou a atuar de !aneira !uito pr:2i!a da a enda neo8+i-era+" ( neoliberalismo passou a ditar o ide"rio e o pro!rama a serem implementados p&los pa#ses capitalistas.apital São Paulo 2007 23 .

!érica Fatina( etc"C 7) h=( e! n<0eis e2p+osi0os( u! processo de dese!pre o estrutura+ &ue( )unto co! o tra-a+ho precari@ado( atin e cerca de + -i+h$o de tra-a+hadores( o &ue corresponde a apro2i!ada!ente u! ter#o da 'or#a hu!ana !undia+ &ue tra-a+haC 8) H= u!a e2pans$o do &ue 1ar2 cha!ou de tra-a+ho socia+ co!-inado no processo de cria#$o de 0a+ores de troca (1ar2( 1994)( no &ua+ tra-a+hadores de di0ersas partes do !undo participa! do processo produti0o" > &ue( é e0idente( n$o ca!inha no sentido da e+i!ina#$o da c+asse tra-a+hadora( e si! da sua precari@a#$o( intensi'ica#$o e uti+i@a#$o de !aneira ainda !ais di0ersi'icada" . hetero!enei$ou-se e co!p+e2i*]cou8se ainda !ais" 4ornou8se !ais &ua+i'icada e! 0=rios setores( co!o na siderur ia( onde hou0e u!a re+ati0a intelectuali$ação do tra-a+ho( !as desqualificou-se e precari$ou-se e! di0ersos ra!os( co!o na indIstria auto!o-i+<stica( onde o 'erra!enteiro n$o te! !ais a !es!a i!portJncia( se! 'a+ar na redu#$o dos ins8petores de &ua+idade( r='icos( !ineiros( portu=rios( tra-a+hadores da constru#$o na0a+ etc (Fo). decorrentes da e2pans$o do tra-a+ho parcia+( te!por=rio( su-contratado( terceiri@ado( e que tem se intensificado em escala mundial. pol#ticas e ideoló!icas a'etara! !ais ou !enos direta e intensa!ente os di0ersos pa<ses &ue 'a@e! parte dessa São Paulo 2007 24 .ortanto( a c+asse tra-a+hadora fra!mentou-se. nesta 0irada do sécu+o QQ para o QQO( . so+dar os +a#os de pertencimento de classe e2istentes entre os di0ersos se !entos &ue co!preende! o !undo do tra-a+ho( procurando articu+ar desde a&ue+es se !entos &ue e2erce! u! pape+ centra+ no processo de cria#$o de 0a+ores de troca até a&ue+es se !entos &ue est$o !ais S !ar e! do processo produti0o !as &ue( pe+as condi#9es prec=rias e! &ue se encontra!( constitue!8se e! contin entes sociais potencia+!ente re-e+des 'rente ao capita+ e suas 'or!as de (d3s)socia-i+i@a#$o" 7ondi#$o i!prescind<0e+ para se opor( ho)e( ao -ruta+ dese!pre o estrutura+ &ue atin e o !undo e! esca+a +o-a+ e &ue se constitui no e2e!p+o !ais e0idente do car=ter destruti0o e ne'asto do capita+is!o conte!porJneo" > entendi!ento abran!ente e totali$ante da crise &ue atin e o !undo do tra-a+ho passa( portanto( por esse con)unto de pro-+e!as &ue incidira! direta!ente no !o0i!ento oper=rio( na !edida e! &ue s$o t$o co!p+e2os &ue a'etara! tanto a economia pol#tica do capita+ &uanto as suas es'eras pol#tica e ideoló!ica 7+aro &ue essa crise é particulari$ada e sin!ulari$ada pe+a 'or!a co!o essas mudanças económicas. de superuisor e re!ulador do processo produtivo (1ar2( 1974a)" ?e outro +ado( u!a !assa precari@ada( se! &ua+i'ica#$o( &ue ho)e é atin ida pe+o dese!pre o estrutura+" /ssas !uta#9es criara!( portanto( u!a c+asse tra-a+hadora ainda !ais di'erenciada( entre &ua+i'icados*des&ua+i'icados( !ercado 'or!a+*in'or!a+( ho!ens*!u+heres( )o0ens*0e+hos( est=0eis*prec=rios( i!i rantes*nacionais etc" . sociais.ine( 1995)" 7riou8se( de u! +ado( e! esca+a !inorit=ria( o tra-a+hador /polivalente e !u+ti'unciona+X( capa@ de operar !=&uinas co! contro+e nu!érico e !es!o con0erter8se no &ue 1ar2 cha!ou( nos 0rundrisse.ntunes( 1995C DeMnon( 1995)C 3) au!ento e2pressi0o do tra-a+ho 'e!inino no interior da c+asse tra-a+hadora( e! esca+a !undia+" /ssa e2pans$o do tra-a+ho 'e!inino te! sido 're&uente principa+!ente no uni0erso do tra-a+ho precari@ado( su-contratado( terceiri@ado( part8ti!e etc"( co! sa+=rios era+!ente !ais -ai2osC 4) enor!e e2pans$o dos assa+ariados !édios( especia+!ente no Xsetor de ser0i#os( &ueX inicia+!ente au!entou e! a!p+a esca+a !as 0e! presenciando ta!-é! n<0eis de dese!pre o tecno+: icoC 5) e2c+us$o dos tra-a+hadores )o0ens e dos tra-a+hadores X0e+hosX (e! torno de 45 anos) do !ercado de tra-a+ho dos pa<ses centraisC 6) intensi'ica#$o e supere2p+ora#$o do tra-a+ho( co! a uti+i@a#$o do tra-a+ho dos i!i rantes e e2pans$o dos n<0eis de tra-a+ho in'anti+( so.m nos pa#ses centrais (Dihr( 1991C . tanto nos pa#ses do -erceiro Mundo.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina 1) di!inui#$o do operariado !anua+( 'a-ri+( concentrado( t<pico do 'ordis!o e da 'ase de e2pans$o da&ui+o &ue se cha!ou de re u+a#$o socia+8de!ocr=tica (DeMnon( 1995C Gu!a a++i( 1996)C 2) au!ento acentuado das inI!eras 'or!as de subproletari$ação ou precari$ação do trabalho. como tamb.condi#9es cri!inosas( e! tantas partes do !undo( co!o Usia( .o contr=rio( entretanto( da&ue+es &ue propu nara! pe+o X'i! do pape+ centra+ da c+asse tra-a+hadoraX no !undo atua+ (Ha-er!as( 1989C %or@( 1990 e >''e( 1989)( o desa'io !aior da classe-que-vive-do-trabalho.

=cs( 1981C 562)" >s de -o+s9es de po-re@a no cora#$o do X. &ue preside a sociedade conte!porJnea" 7o! isso o tra-a+ho socia+( dotado de !aior di!ens$o hu!ana e societa+( perderia seu carJter 'etichi@ado e estranhado( ta+ co!o se !ani'esta ho)e( e a+é! de anhar u! sentido de auto8ati0idade a-riria possi-i+idades e'eti0as para u! te!po +i0re cheio de sentido a+é! da es'era do tra-a+ho( o &ue é u!a i!possi-i+idade na sociedade re ida pe+a +: ica do capita+" .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina !undia+i@a#$o do capita+( &ue é( co!o se sa-e( desi ua+!ente co!-inada" .ntunes( 1995 e Dernardo( 1996)" Nu! &uadro dessa orde!( &uais s$o as a+ternati0as\ .té por&ue n$o pode ha0er tempo 0erdadeira!ente livre eri ido so-re trabalho coisificado e estranhado > tempo livre atua+!ente e2istente é te!po para consu!ir !ercadorias( se)a! e+as !ateriais ou i!ateriais" > te!po 'ora do tra-a+ho ta!-é! est= -astante po+u<do pe+o 'etichis!o da !ercadoria" > ponto de partida para instaurar u!a no0a +: ica societa+ é desen0o+0er u!a cr<tica conte!porJnea e pro'unda S (des)socia-<+i@a#$o da hu!anidade( tanto nas suas !ani'esta#9es concretas &uanto nas representa#9es 'etichi@adas ho)e e2istentes( co!o 'or!a necess=ria de superar a crise &ue atin iu o !undo do tra-a+ho nestas I+ti!as décadas do sécu+o QQ" São Paulo 2007 25 .o capita+is!o( a -usca de u!a 0ida cheia de sentido e e!ancipada para o ser socia+ &ue tra-a+ha" Osso para n$o 'a+ar do 4erceiro 1undo( onde se encontra! 2*3 da 'or#a hu!ana &ue tra-a+ha e! condi#9es ainda !uito !ais precari@adas" 7o!o as suas 'or!as conte!porJneas de estranhamento atin e!( a+é! do espa#o da produ#$o( ta!-é! a es'era do consu!o( a es'era da 0ida fora do tra-a+ho( o cha!ado tempo livre é( e! -oa !edida( u! te!po tamb.ri!eiro 1undoX( as e2p+osi0as ta2as de dese!pre o estrutura+( a e+i!ina#$o de inI!eras pro'iss9es no interior do !undo do tra-a+ho e! decorr3ncia do incre!ento tecno+: ico 0o+tado centralmente para a criação de valores de troca. o desen0o+0i!ento tecno+: ico n$o produ@iu necessaria!ente o desen0o+0i!ento de u!a su-)eti0idade cheia de sentido( !as( ao contr=rio( p^de inc+usi0e Xdes'i urar e a0i+tar a persona+idade hu!ana (""")X_ .o !es!o te!po e! &ue o desen0o+0i!ento tecno+: ico pode pro0ocar Xdireta!ente u! cresci!ento da capacidade hu!anaX( pode ta!-é! Xnesse processo( sacri'icar os indi0<duos (e até !es!o c+asses inteiras)X (Fu.ri!eiro: é preciso a+terar a +: ica da produ#$o societa+C a produ#$o de0e ser prioritaria!ente 0o+tada para os valores de uso e n$o para os valores de troca Ea-e8se &ue a hu!anidade teria condi#9es de se reprodu@ir socia+!ente( e! esca+a !undia+( se a produ#$o destruti0a 'osse e+i!inada e se a produ#$o socia+ 'osse 0o+tada n$o para a +: ica do !ercado( !as para a produ#$o de coisas socialmente 1teis 4ra-a+hando poucas horas do dia o !undo poderia reprodu@ir8se de !aneira n$o destruti0a( instaurando u! no0o siste!a de !eta-o+is!o societa+" Ee undo: a produ#$o de coisas socialmente 1teis de0e ter co!o critério o te!po d<spon<ue< e n$o o tempo excedente. as 'or!as intensi'icadas de precari@a#$o do tra-a+ho( s$o apenas a+ uns dos e2e!p+os !ais ritantes das -arreiras sociais &ue o-sta!( so.m submetido aos valores do sistema produtor de mercadorias e das suas necessidades de consu!o( tanto !ateriais co!o i!ateriais (.=cs( co!o a e2ist3ncia de -arreiras sociais &ue se op9e! ao desen0o+0i!ento da indi0idua+idade e! dire#$o S o!ni+atera+idade hu!ana( S indi0idua8 +idade e!ancipada( o capita+ conte!porJneo( ao !es!o te!po e! &ue pode( pe+o a0an#o tecno+: ico e in'or!aciona+( potencia+i@ar as capacidades hu!anas( 'a@ e2pandir o 'en:!eno socia+ do estranhamento Osso por&ue( para o con)unto da classe-que-vive-do-trabalho.ara u!a an=+ise deta+hada do &ue se passa no !undo do tra-a+ho de cada pa<s( o desa'io é -uscar essa tota+i@a#$o ana+<tica &ue articu+ar= e+e!entos !ais erais das tend3ncias uniuersali$antes do capita+ e do processo de tra-a+ho ho)e co! aspectos da sin!ularidade de cada u! desses pa<ses" 1as é decisi0o perce-er &ue h= u! con)unto a-ran ente de !eta!or'oses e !uta#9es &ue te! a'etado a c+asse tra-a+hadora( e &ue é a-so+uta!ente priorit=rio o seu entendi!ento e des0enda!ento( de !odo a res atar u! pro)eto de c+asse capa@ de en'rentar os !onu!entais desa'ios presentes neste 'ina+ de sécu+o" > capita+is!o( e de !aneira !ais a!p+a e precisa a ló!ica societal movida pelo sistema metabólico de controle do capital (1és@=ros( 1995)( n$o 'oi capa@ de e+i!inar as !I+tip+as 'or!as e !ani'esta#9es do estranhamento ou alienação do tra-a+ho !as( e! !uitos casos( deu8se inc+usi0e( con'or!e disse anterior!ente( u! processo de intensi'ica#$o e !aior interiori@a#$o( na !edida e! &ue se minimi$ou a di!ens$o !ais e2p+icita!ente desp:tica( intr<nseca ao 'ordis!o( e! -ene'<cio do Xen0o+0i!ento !anipu+at:rioX( da !anipu+a#$o pr:pria da era do toMotis!o ou do !ode+o )apon3s" Ee o estranhamento é entendido( co!o indicou Fu.

pree#istindo a um novo modo de produ(ão parecem preservados de revestir novas %ormas correspondentes a articula(Kes inteiramente distintas com as estruturas econImica e politico2ideolJgica que o compKem. na medida em que se centrará nas possibilidades de consumo de servi(os mEdicos na sociedade capitalista. no con)unto de rela(Kes sociais prJprias a essas sociedade. torna2se necessária para orientar os limites bastante modestos atravEs dos quais se tentará identi%icar para alEm da imediata %un(ão tEcnica da medicina. quer o analisem como e#pressão da representatividade. cu)a origem E coincidente com a prJpria emerg7ncia ou com o desenvolvimento da sociedade capitalista. quer o identi%iquem com o desempenho da %un(ão de reprodu(ão das classes sociais. todavia. bem como de sua importVncia na problemati&a(ão." c (s intelectuais e a (r!ani$ação da . aos elementos que a integram. O %ato de que essa temática acabe sempre por impor2se. sempre que possível. Essa perspectiva parecerá. O principal aspecto dessa limita(ão revela2 se na impossibilidade de recobrir todo o campo da prática _ do saber mEdico ao produto do trabalho mEdico e /s %ormas de organi&a(ão _ e na consequente necessidade de adotar uma perspectiva restrita atravEs da qual se possa empreender a busca daquela especi%icidade. 1 . . ainda. Pustamente por se situarem entre as mais antigas %ormas de interven(ão tEcnica E que eles podem tambEm aparecer mais %acilmente investidos do caráter de autonomia. consequentemente. que se elabora e reelabora. primeiro romper com essa concep(ão de neutralidade. relativamente recente. em sua totalidade. remeter a análise.ec#lia 2 3onnan!elo i%erentemente de outras práticas sociais. +al concep(ão. ao nível do estado. seu signi%icado econImico. da pratica mEdica. O considerável desenvolvimento do aparato cientí%ico e tecnolJgico sub)acente / pratica mEdica e. tambEm por re%er7ncia /s demais práticas tEcnicas. +ambEm raramente conseguem %urtar2se / identi%ica(ão do papel central desempenhado pelo estado na ocorr7ncia dessa generali&a(ão. motiva(Kes e re%erenciais bastante distintos. decorre menos de um processo de sele(ão arbitrária ao nível da análise do que de seu e%etivo signi%icado para a e#plica(ão da estrutura atual de produ(ão de servi(os mEdicos.ultura( /d" 7i0i+i@a#$o Drasi+eira( 1968( p 6" São Paulo 2007 26 . de que a prática mEdica e#pressa. re'er3ncia de %ra!sci S cate oria de Kinte+ectuais tradicionaisN reco-re nitida!ente a di!ens$o de neutra+idade &ue( da< deri0ada( cerca a !edicina e o !édico: K?ado &ue estas 0=rias cate orias de inte+ectuais tradicionais sente! co! `esp<rito de rupoa sua ininterrupta continuidade hist:rica e sua `&ua+i'ica#$oa( e+es considera! a si !es!os co!o sendo aut^no!os e independentes do rupo socia+ do!inante" /ssa auto co+oca#$o n$o dei2a de ter conse&u3ncias de rande i!portJncia no ca!po ideo+: ico e po+<tico: toda a 'i+oso'ia idea+ista pode ser 'aci+!ente re+acionada co! esta posi#$o assu!ida pe+o co!p+e2o socia+ dos inte+ectuais e pode ser de'inida co!o a e2press$o dessa utopia socia+ se undo a &ua+ os inte+ectuais acredita! ser `independentes( aut^no!os( re0estidos de caracter<sticas pr:priasabN %ra!sci( . buscando identi%icar. a possibilidade de en%ati&ar na medicina. prática mEdica e seus agentes não %oram instituídos no interior do modo de produ(ão capitalista. as %ormas pelas quais ela e#prime as determina(Kes prJprias a essa estrutura. +are%a obviamente mais %ácil de propor que de e#ecutar. caracteri&ar2se pela e#ternalidade em rela(ão / prJpria prática. *+ A medi#ali. na marcada continuidade histJrica da medicina um de seus principais suportes. o caráter de cienti%icidade e a sua imediata %un(ão social _ aplicar2se cienti%icamente ao ob)etivo da cura _ constitui apenas uma das vias pelas quais se introdu& a concep(ão de neutralidade da prática. de interesses comuns / coletividade social. mas cu)a %ormula(ão. as determina(Kes histJricas.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina &edi#ina na So#iedade de Classes Maria . político e ideolJgico. retendo a idEia esbo(ada no capitulo anterior. bem como / generali&a(ão do consumo por contingentes sempre mais amplos da popula(ão. encontra. quando menos. em todos os aspectos da prática.ação da so#iedade Os estudos sobre a organi&a(ão atual da prática mEdica quaisquer que se)am as suas orienta(Kes metodolJgicas. 0rocurar2se2á. di%icilmente dei#am de re%erir2se / marcada e#pansão da produ(ão de servi(os. como ocorre com outras categorias de práticas e agentes que. como atividade pro%issional especí%ica. 1 .nalisar a especi%icidade assumida pela prática mEdica na sociedade de classes implica. / primeira vista. que se e#erce a partir de %ontes. a medicina tende a revestir2se mais %acilmente de um caráter de neutralidade %ace /s determina(Kes especí%icas que adquire na sociedade de classes.

a di%erencia(ão adquire especi%icidade nas sociedades capitalistas como decorr7ncia da %orma pela qual nela se pro)etam o %ator trabalho e as rela(Kes de classe. e sim a sua e#tensão. con%orme ao seu signi%icado para o processo econImico e políticoO de outro. a amplia(ão quantitativa dos servi(os e a incorpora(ão crescente das popula(Kes ao cuidado mEdico e. "este sentido. segundo a origem social do paciente. iga2se.o KEiste!a Naciona+ de EaIdeN in +3s &ue corresponde S !oda+idade ta+0e@ !ais Ke2tensi0aN de or ani@a#$o da produ#$o e do consu!o !édico e! sociedades capita+istas( 0e)a8se: 4udor Hart( B" c K4he On0erse 7are FadN( -he %ancet( 'e0ereiro de 1971( pp" 4058412" 3 . a e#tensão do campo da normatividade da medicina por re%er7ncia /s representa(Kes ou concep(Kes de saDde e dos meios para 2 . de passagem. tanto em sociedades capitalistas centrais quanto nas dependentes. "ão sendo. dado que tanto um como outro constituem momentos de um mesmo processo e sJ podem ser elucidados por re%er7ncia aos mesmo determinantes. como resposta. nem o desenvolvimento necessário de uma prática uni%orme por re%er7ncia aos tipos de cuidado prestados. tambEm aqui. não processo político. ainda atual de determinadas camadas sociais do acesso a tais cuidados. atravEs desse aspecto. . uma di%erencia(ão das institui(Kes mEdicas voltadas para di%erentes tipos de a(Kes e di%erentes tipos de clientelas. concep(ão que %requentemente con%unde as e#pectativas de que a medicina se oriente no sentido de uma distribui(ão mais igualitária de seus recursos com a possibilidade de supera(ão de um aspecto que caracteri&a o ato mEdico enquanto ato clínico. $m dos Vngulos atravEs dos quais se poderia apreender mais %acilmente os ne#os entre a prática mEdica e a estrutura de classes E dado pela prJpria di%erencia(ão da prática mEdica con%orme se destine /s distintas classes e camadas sociais. das demais classes sociais. prop:sito da persist3ncia desses distintos padr9es de distri-ui#$o de recursos( inc+usi0e so. . quer a momentos particulares do desenvolvimento. a qual se e#pressa em grande parte em seu caráter `privadoa ou `estatala mas que não se esgota aí. as %ormas atuais de organi&a(ão da prática mEdica aparecem não apenas como o produto da a(ão das classes hegemInicas. a e#clusão.ssim E que. uma das mani%esta(Kes.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina O processo do qual a prática mEdica toma necessariamente como seu ob)eto di%erentes categorias e classes sociais constitui. em sua prática. em si. a inten(ão de acentuar o aspecto mais diretamente visuali&ável da organi&a(ão atual dos servi(os mEdicos. "o que se designa aqui por e#tensão da prática mEdica há que destacar pelo menos dois sentidos que devem merecer aten(ão! em primeiro lugar. mas revelam mais diretamente a participa(ão. que esse caráter seletivo condu& muitos dos críticos da medicina contemporVnea a ressaltarem sua orienta(ão individualista. < 0arece ao contrário. quer o conceba ou não em todas as suas determina(Kes. veri%icou2se paralelamente! de um lado. tem2na levado.ires( 1971( p"60" /is a indica#$o de u! dos 'unda!entos do car=ter indi0idua+ do ato terap3utico en&uanto ato c+<nico" São Paulo 2007 27 . devem ser registrados. na origem dos sucessivos pro)etos ou tentativas de organi&a(ão racional da produ(ão de servi(os. bastante apropriado considerar a orienta(ão GcoletivaH da medicina como o aspecto mais e#pressivo de sua articula(ão com a dinVmica das rela(Kes de classe. . 0or outro lado. naturalmente. circunstVncia em que a prática mEdica dirige2se ao indivíduo. o que importa ressaltar de imediato. de que a Medicina Comunitária representa. em parte. embora a distin(ão entre esses dois aspectos pare(a arti%iciosa. mesmo a partir do momento em que o cuidado mEdico se generali&ou amplamente. Os determinantes desse processo e as %ormas por ele assumidas encontram2se tambEm.o re%erir2se prioritariamente / e#tensão indica2se.o contrário. dos antagonismos de classe. incorpora e utili&a a tecnologia. pr=tica !édica( en&uanto pr=tica técnica &ue to!a por o-)eto o corpo( per!anece indi0idua+i@ada ao n<0e+ do ato terap3utico: KNo con0endria decir( a+ 'in de cuentas( &ue e+ hecho pato+: ico s:+o es capta-+e co!o ta+( es decir( co!o a+teraci:n de+ estado nor!a+( en ni0e+ de +a tota+idad or anica M( tratando8se de+ ho!-re( e! e+ ni0e+ de +a tota+idad indi0idua+ consciente donde +a en'er!edad se con0ierte e! u!a especie de !a+\N c 7an ui+he!( %" c %o normal 4 lo 5atoló!ico ( si +o QQO( Duenos . uma ve& que a prJpria medicina antiga )á di%ere. di%erencia(ão essa que tem sido registrada mesmo em sociedades onde a %orma de organi&a(ão dos servi(os mEdicos %aria supor a ocorr7ncia de um padrão GigualitárioH de consumo=. não E a di%erencia(ão da prática mEdica em sociedade capitalistas. ao centro do debate político acerca da estrutura dessas sociedades. bem como a constata(ão de que a medicina institucionali&ada reprodu& _ na %orma pela qual seleciona patologias. antes de mais nada. em sua generalidade a %im de indicar que a e#tensão atual da medicina não tradu& nem a total generali&a(ão do cuidado mEdico. o ponto central para a análise dos aspectos que caracteri&am essa prática nas sociedades capitalistas. a nível político. como segundos aspecto. Embora esses processos se apresentem sob graus e %ormas di%erentes em distintas %orma(Kes sociais. quer / necessidade de reprodu(ão da %or(a de trabalho %rente ao processo de produ(ão econImica. a sele(ão de grupos sociais a serem incorporados ao cuidado mEdico. com %reqL7ncia. um %enImeno novo. %avorece o atendimento di%erencial das classes sociais _ o caráter de classe da sociedade. particularmente no capitalismo industrial. bem como de tentar discorrer sobre a peculiaridade das rela(Kes entre medicina e classes sociais pelo Vngulo do qual tende2se mais %acilmente a negá2la.

mas não e#clusivamente. . tal perspectiva acentua o papel da medicina no processo de produ(ão da mais2valia. bem como /s condi(Kes gerais de vida. a especi%icidade do papel assumido pela medicina na estrutura social da prática mEdica embora se revista atualmente de %ormas de institucionais especí%icas e se e#presse no aumento das possibilidades de tambEm sob outras %ormas. esses dois aspectos de sua articula(ão na estrutura social. ao tratar do %enImeno da medicali&a(ão da sociedade. / estrutura de produ(ão de servi(os )á no sEculo FF.mbos os aspectos mani%estam2se quer atravEs do cuidado mEdico individual. pode2se tentar sistemati&ar. e#tensão mais marcada do cuidado mEdico sob %orma de consumo individual di& respeito. atravEs. . a produtividade do trabalho constitui tema central de vários estudos que buscam no econImico e. que esse ob)eto sJ se de%ine no con)unto das rela(Kes sociais. ou rela(Kes de classe. . no momento da produ(ão. . e em distintas circunstVncias. umas perspectiva de análise que apreende a participa(ão da prática mEdica no processo de acumula(ão atravEs de sua imediata articula(ão com a estrutura econImica. um elemento e#plicativo da articula(ão estrutural da medicina. ao dirigir2se / %or(a de trabalho ocupada na produ(ão. enquanto agente socialmente determinado da produ(ão econImica. a não ser analiticamente.> Visou2se reter principalmente algo do teor pol7mico ligado ao termo _ e decorrente sobretudo da obra desse autor _ com a %inalidade de indicar que a e#tensão da prática mEdica não correspondeu a um %enImeno simples e linear de aumento de um consumo especí%ico. em particular a 7n%ase que atribui / reprodu(ão do Gmodo industrial de produ(ãoH pelo modelo de organi&a(ão da prática mEdica como elemento básico e#plicativo da medicali&a(ão. dado que a melhoria das condi(Kes de saDde do trabalhador possibilita a obten(ão de um má#imo de produtos em menor tempo de trabalho e. não se pretendeu sugerir. uma ve& que o corpo representa. o ponto de re%er7ncia mais amplo para a análise da medicina como prática social na estrutura capitalista. de%inindo os limites de sua capacidade %ísica e normati&ando as %ormas de sua utili&a(ão. entre outros. e sim que ela se deu atravEs de uma comple#a dinVmica econImica e política na qual se e#pressaram os interesses e o poder de di%erentes classes sociais.ntes de considerar algumas das situa(Kes histJricas atravEs das quais se con%igurou a medicali&a(ão.llich o termo Gmedicali&a(ãoH para re%erir2se ao processo de e#tensão da prática mEdica. do aumento da produtividade do trabalho. quer atravEs das chamadas Ga(Kes coletivasH em saDde. O %ato de que ele se encontre na reprodu(ão da %or(a de trabalho um de seus componentes %undamentais. propriamente. a medicina não apenas cria e recria condi(Kes materiais necessárias / produ(ão econImica mas participa ainda da determina(ão do valor histJrico da %or(a de trabalho e situa2se. Essa aplica(ão da medicina ao corpo. a prática mEdica Tembora aumente o valor absoluto dessa %or(a pelo aumento de tempo de trabalho a ela incorporadoU contribui para o aumento da mais2 valia atravEs da redu(ão do tempo de trabalho necessário para a obten(ão do produto a que essa %or(a de trabalho se aplica. constituiu um momento adiantado de um processo cu)as origens são mais remotas e )á revelam.mesis Medicale ( /ditions du Eeui+( 1975( p" 104" São Paulo 2007 28 . continuidade do processo de acumula(ão capitalista ou reprodu(ão das condi(Kes _ econImicas e politico2ideolJgicas _ da produ(ão constitui. uma adesão /s suas teses. esquemas de imuni&a(Kes. +omando de emprEstimo a . 'inteticamente.pontando para esse aspecto nuclear da especi%icidade da medicina como prática social. o seu ob)eto. portanto. e da conseqLente bai#a de seu valor por rela(ão ao produto. programas de educa(ão para a saDde. Ou. sem que se vise distinguir. as %ormas de participa(ão da medicina na reprodu(ão social atravEs da reprodu(ão da %or(a de trabalho e das rela(Kes de produ(ão. ao e#ercer2se sobre o corpo. em particular. 4 Ressa+tando a su-ordina#$o da !edicina a modelos or ani@acionais e o-)eti0os econ^!icos de'inidos ao n<0e+ da produ#$o industria+C identi'icando os 'en^!enos de poder &ue se e2pressa! na i!portJncia crescente assu!ida pe+a pr=tica !édica na tare'a de ho!o enei@a#$o cu+tura+ dos c rupos sociais atra0és de seus e'eitos na orde! si!-:+ica( e de sua su-ordina#$o a o-)eti0os econ^!icos na es'era do consu!oC apontando e descre0endo a iatro 3nese c+<nica e socia+ decorrente da&ue+a e2pans$o e consistente e! e'eitos ne ati0os para a saIde c contradi#$o 'unda!enta+ da !edicina c a o-ra de O++ich( considera0e+!ente di0u+ ada( dese!penha pape+ si ni'icati0o na pro-+e!ati@a#$o atua+ da pr=tica !édica" [uanto S postura Kdesinstituciona+i@adoraN aci!a re'erida( encontra8se assi! sinteti@ada por O++ich( ap:s discutir e descartar 0=rias a+ternati0as de so+u#$o para a iatro 3nese socia+ decorrente da !edica+i@a#$o K4ous ces re!edes ont une chose en co!!un( i+s tendent a ren'ocer +es processus de !édica+isation" Feur 'ai++ite iné0ita-+e nous o-+i era S reconnaftre &ue seu+e une reduction su-stantie++e de +aoutput +o-a+ de +aentreprise !édica+e peut per!ettre au2 ho!es de retrou0er +eur autono!ie et par += +eur santéN" 6. %undamenta entre outras. aponta imediatamente para uma das %ormas possíveis de participa(ão da medicina em tal processo. em algum grau. com ele. basicamente.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina se obt72la. na maior parte do tempo. a condi(Kes relacionadas ao processo de acumula(ão do capital ou. em outros termos. portanto. W a e#tensão da prática mEdica atravEs do cuidado mEdico individual que se estará considerando. e sua postura marcadamente voluntarista a %avor da total Gdesinstitucionali&a(ãoH da medicina. ainda / necessária subordina(ão do trabalho ao capital em condi(Kes mais adequadas possíveis / obten(ão e apropria(ão da mais2valia. por e#cel7ncia. em particular com o momento da produ(ão. da e#tensão do consumo mEdico. a produ(ão de mercadorias por custo mais redu&ido. correspondentemente. em particular da mais2valia relativa. tais como medidas de saneamento do meio. ado porEm. sob outras %acetas. para alEm de seus ob)etivos tecnicamente de%inidos. . quando na maior parte das sociedade capitalistas desenvolveram2se os esquemas de seguro2social e.van . de saída.

"a necessidade de proporcionar cuidados de saDde ao trabalhador _ direta ou indiretamente _ com vistas a ob)etivos econImicos imediatos encontra2se uma importante e#plica(ão para a e#pansão dos servi(os mEdicos. que se e#plicite que a questão da reprodu(ão da %or(a de trabalho se coloca tambEm sob outros Vngulos. mais especi%icamente. quer no sentido da necessária reposi(ão de trabalhadores.( B" 7" 8 %a medicine du . bem como.U. norma do trabalho impregna o )ulgamento dos mEdicos como um ponto de re%er7ncia mais preciso que um valor biolJgico ou %isiolJgico mensurável. ao trabalho um valor de norma biolJgica. apreender genericamente as determina(Kes da prática mEdica a partir do momento da produ(ão equivale a admitir que a garantia da manuten(ão do processo de produtividade do trabalho tenderia a estender o Vmbito de a(ão da medicina para alEm da %or(a de trabalho incorporada / produ(ão. quer como garantia %rente a eventuais oscila(Kes na quantidade de trabalhadores requeridos pela produ(ão e. muitas indDstrias empregam seus prJprios mEdicos não por ra&Kes altruístas. que se considere os aspectos re%erentes / %or(a de trabalho tanto no interior do processo produtivo quanto %ora dele. 0or outro lado. ou estreitamente vinculados a setores de produ(ão de bens materiais.s %or(as produtivas Ta energia proletáriaU constituem o seu alvo eleito. Esse E..apital. não e#pressando todas as ordens de determina(Kes que incidem sobre a prática mEdica. portanto.aris( 1971( pp" 35836 > ter!o K!a+in ererN desi na os indi0<duos &ue si!u+a! doen#a co!o 'or!a de e0itar o tra-a+ho" 6 ?reit@e+( H" ." (ed") 8 -he social (r!ani$ation of 7ealth. sociedade atribui. no" 3( 4he 1ac!i++an 7o!p"( N"h"( 1971( Ontrodu#$o São Paulo 2007 29 . para visuali&ar as possibilidades aí contidas de e#tensão dos cuidados mEdicos.. .HA O processo de trabalho mEdico seria então permeado. tais como os que se desenvolvem na área materno2in%antil. um dos pontos a serem considerados para e#plicar a 7n%ase atribuída a programas mEdicos destinados a di%erentes grupos sociais. 1aspero( . em particular como se e#pressa nesse ultimo te#to. imediata. o trabalho T. pela necessidade basicamente econImica de reprodu(ão da %or(a de trabalho. bem como para algumas de suas %ormas de organi&a(ão. na produ(ão industrial. 0ermanecendo ainda no plano das rela(Kes com a prática econImica e o momento da produ(ão E necessário. a sua rela(ão com o processo de 5 g . poder2se2ia acrescentar _ embora se encontre implícito no recurso /s idEias genEricas de %or(a de trabalho e produtividade _ tambEm no sentido da constitui(ão e reposi(ão da %or(a de trabalho cu)o signi%icado para a produ(ão resulta de seu papel no processo de reali&a(ão da mais2valia. Z reprodu(ão da %or(a de trabalho como Vngulo privilegiado a partir do qual se pode apreender. paralelamente. 0ode2se utili&ar os termos de 0olacb para indicar o conteDdo dessas %ormula(Kes. embora no quadro de uma problemática mais restrita. .. mas a%im de manter sua %or(a de trabalho em boas condi(Kes %ísicas e impedir que os 'malingerers'c decidam adoecer _ o que representa %reqLentemente a Dltima de%esa contra o 'stress' e a aliena(ão do trabalho industrialHB . O trecho citado en%ati&a um aspecto relativamente restrito da articula(ão entre a medicina e a reprodu(ão da %or(a de trabalho. O sistema de cuidados tem sob seu controle a parte humana da atividade de produ(ão. a in%lu7ncia da atividade sanitária sobre a marcha da economia E relativamente direta. o primeiro dos quais di& respeito /s e#ig7ncias de constitui(ão progressiva da %or(a de trabalho potencialmente utili&ável. em particular as que se desenvolvem no interior de. . Em outros termos. de volumes adequados de %or(a de trabalho potencial. o ato terap7utico eleva seu nível ou contribui para sua manuten(ão no quadro de uma reprodu(ão T.U. mas apenas e#pressam o sentido geral em que se orientam! G irigindo2se / %or(a de trabalho. em particular os di%erentes grupos etários e as categorias sociais marginali&adas do processo de produ(ão. antes de mais nada. em todos os seus momentos. esse %ator não responde tambEm inteiramente pela incorpora(ão crescente ao cuidado mEdico de várias categorias de consumidores. Em decorr7ncia. sem dDvida. embora com a advert7ncia de que tais termos não as sinteti&am.. Mas. . questão da produtividade. Esse ponto deverá ser posteriormente retomado. 0or isso mesmo. ao nível do prJprio ob)eto da medicina enquanto prática tEcnica. que se orienta reit&el ao desenvolver a análise do que designa Gatitude instrumentalista para o corpoH como base do processo de obten(ão da produtividade e do lucro e como elemento e#plicativo de aspectos da organi&a(ão dos servi(os mEdicos nos Estados $nidos! GEm nossas sociedades capitalistas a saDde E institucionalmente de%inida como a capacidade de produ&ir o e#cedente apropriado pelos proprietários dos meios de produ(ão. ao re%erir2se ao trabalhador e%etivamente incorporado ao processo de produ(ão.o+ac. +oda a medicina E ato de regula(ão da capacidade de trabalho. Medicina não visa essencialmente o domínio dos quadros organi&ativos da economia. mas a de%ini(ão permanente de um nível de produtividade. . Recent 8ociolo!4. requer.sso e#plica porque na sociedade americana di%icilmente se proporciona mais servi(os despre&íveis para os pobres e os velhos que não vendem sua %or(a de trabalho no mercado. portanto. com vistas / disponibilidade em níveis controláveis. permite introdu&ir algumas oberva(Kes com vistas ao dimensionamento progressivo dos ne#os que se estabelecem entre a prática mEdica e processo de acumula(ão.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina como conhecimento ou como prática. W ainda nesse sentido. dos %atores que se encontram diretamente relacionados / medicali&a(ão da sociedade.

/s modi%ica(Kes que se processam continuamente na prática mEdica com o desenvolvimento das ci7ncias biolJgicas e a incorpora(ão de novas tEcnicas de diagnJstico e terap7utica. . a nível Etico ou )urídico..Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina acumula(ão. . Esse circuito acaba necessariamente por romper2se desde quando entre o mEdico e o ob)eto de sua prática interpKem2se novos meios de trabalho consistentes em um con)unto sempre crescente de recursos materiais cu)a utili&a(ão substitui etapas anteriormente inerentes ao ato clínico. Este aspecto di& respeito propriamente aos meios de trabalho mEdico. a prática mEdica tambEm encontraria aí o seus prJprios limites.U. em um primeiro momento. prJpria organi&a(ão de todo o campo da medicina Tdesde o tipo de conhecimento elaborado e as %ormas de sua transmissão. mas cu)o consumo sJ se e%etiva atravEs dela. esse Vngulo. atE uma enorme variedade de equipamentos e maquinárias produ&idas por muitos setores industriais _ devem ser considerados como mercadorias cu)a produ(ão E e#terna / medicina. a modi%ica(Kes internas no processo de trabalho.C 0or outro lado. imediate& da rela(ão entre mEdico e paciente corresponde / prJpria imediate& da rela(ão entre o mEdico e seus instrumentos de trabalho não apenas no sentido de que a relativa simpli%ica(ão tecnolJgica desses instrumentos garante a sua posse integral pelo mEdico. leva a indagar acerca das propor(Kes em que o prJprio conteDdo da prática terap7utica poderia estar sendo determinado pela necessidade de reprodu(ão de capitais aplicados em di%erentes setores da produ(ão. capa& de redu&ir os casos de in%arto signi%icaria diminuir a compet7ncia em nossa vida! por isso não o %a&emos. !edicina per!ite e 'a0orece o des+oca!ento (para u! p+ano secund=rio) dos -ens co+eti0os de pre0en#$o( para a+i!entar u!a onda de consu!idores indi0iduais de Zo-)etos de saIdeZ (pastas denti'r<cias !i+a rosas( 0ita!inas sa+0adoras""" re0istas !édicas( !assa ens( saunas( etc")" 7o!o representa o e2ecutor ideo+: ico da&ue+e des+oca!ento( a !edicina en'ati@a a e&ua#$o &ue re+aciona a cura ao ato de consu!o( isto é S co!pra de u! -e!"N 8 . na medida em que a medicina pode responder por um consumo sempre crescente de bens. em grande parte decorrente da incorpora(ão do custo dos produtos industriais ao valor do cuidado mEdico. impostos pela lJgica da produ(ão capitalista.s institui#9es de saIde pode! se! dI0ida atenuar a '+oresc3ncia das en'er!idades &ue a sociedade cria e 'a0oreceC !as esta co!pensa#$o to!a necessaria!ente a 'or!a i!posta pe+as +eis de !ercado e se trans'or!a e! consu!os indi0iduais( !edica!entos e )ornadas de repouso( de0ida!ente conta-i+i@ados( 'ontes !I+tip+as de u! consu!o sup+e!entar e de no0os +ucros (indIstrias 'ar!ac3uticas( a+i!entares( apare+hos !édicos( +eito e !o-i+i=rio hospita+ar( etc)""" . permitindo que se complete o processo de valori&a(ão do capital aplicado na produ(ão industrial.H? Mais do que e#plicar o processo de e#tensão da prática mEdica tal como vem sendo aqui entendido _ e ao qual ela não E alheia _ essa %orma de articula(ão da medicina com o econImico permite identi%icar a constitui(ão de um campo problemático que interessa de imediato caracteri&ar pelo menos em um de seus aspectos! o que di& respeito / questão dos custos mEdicos progressivos. se)a nas indDstrias. deve2se agregar outro aspecto pelo qual ela se articula de %orma tambEm relativamente direta com a produ(ão econImica.it"( p" 47" 8 7onti( F" 8 K/structura Eocia+ M 1edicinaN( in Medicina 4 8ociedad( /ditoria+ Gontane+a( Darce+ona( 1972( p" 297" São Paulo 2007 30 . eles acabam por introdu&ir um dos elementos contraditJrios da prática mEdica em seus processo de e#tensão. se)a )unto aos automobilistas. E isto. na reali&a(ão de seu valor.. os novos elementos materiais que compKe o processo terap7utico _ e que vão desde produtos sempre renovados da indDstria %armac7utica. não tendo sido aleatJrio e não 7 K. 8aura Conti conclui que eles se orientam para a observa(ão e o aumento da Gcompeti(ão produtivaH que se de%ine não apenas no plano da produtividade individual. cu)a preven(ão signi%icaria intervir na compet7ncia eliminando2a. na medida em que esse processo. todavia. Criar um tipo de vida com menos 'stress'. Esse segundo aspecto. O sentido dessas altera(Kes não se esgota.nalisando o conhecimento e a prática mEdica atuais. mas tambEm com a reali&a(ão da mais2valia produ&ida em di%erentes setores industriais. os novos conhecimentos biolJgicos e as possibilidades então abertas para novas interven(Kes tEcnicas di&em respeito. O mesmo poderíamos di&er do cVncer do pulmão.o+ac.inda que tais custos se encontrem cada ve& mais sociali&ados.( B"7" 8 op . e visto que se encontra subordinada a essa GracionalidadeH mais geral.. portanto. garante / prática mEdica uma posi(ão central na distribui(ão e consumo dessas mercadorias e. mas sobretudo na medida em que permite estabelecer como que um circuito relativamente %echado. Considerados da perspectiva do processo de trabalho mEdico. atE a constitui(ão de princípios legitimadores. pelo qual a medicina se articula )á não apenas com o momento imediato da produ(ão. . seus instrumentos de trabalho e seu ob)eto. do e#ercício da práticaU. no prJprio momento do ato terap7utico.. entre conhecimento mEdico e a(Kes tEcnicas. mas deve levá2los ainda a respeitar os limites a partir dos quais estariam a%etando a Gcompet7ncia produtivaH em um sentido mais geral! GCurar os in%artos con%irma a lJgica da compet7ncia e por isso o %a&emos T. com seu e%etivo monopJlio sobre as a(Kes de saDde. Pá se %e& re%er7ncia anteriormente. por meio da participa(ão do Estado nessa área de produ(ão e consumo. . a mais signi%icativa das quais se encontra nas media(Kes que se estabelecem entre o mEdico. na modi%ica(ão interna do processo de trabalho mas di& respeito a uma %orma particular de articula(ão entre a medicina e a produ(ão em geral.

W o papel dos intelectuais ou das Ginstitui(Kes de culturaH Tescola. Mas. . imprensa. necessidade de manter e recuperar a %or(a de trabalho com vistas ao aumento da produtividade. a nível econImico.+thusser( F" c KOdeo+o ie et . que o interesse especí%ico dessa questão para o encaminhamento do estudo E dado. atravEs da análise do ideolJgico e do político. a %orma de antagonismo. de passagem. encontra no problema dos custos uma das barreiras / sua e%etiva(ão. consistente na oposi(ão entre o caráter social da produ(ão e o caráter privado da apropria(ão. a questão levantada a propJsito dos custos remete a um aspecto muito importante da articula(ão da medicina na sociedade de classes. a continuidade do processo de acumula(ão capitalista depende da presen(a de condi(Kes supra2estruturais _ ideolJgicas e políticas _ capa&es de assegurar que não se mani%estem contradi(Kes )á instaladas ao nível da estrutura da produ(ão.e ( nT 151( )unho( 1970" . 3ramsci re%ere2se / %un(ão de Gdomínio direto ou de comandoH e#ercido pelo Estado como organi&a(ão político2)urídica.ou+ant@as( N" c As . . ainda que em certo conte#to ela adquira o caráter de distin(ão metodolJgica@. registre2se. "esse sentido.ou+ant@as estende o conceito desses apare+hos K&ue s$o apenas a !ateria+i@a#$o e condensa#$o das re+a#9es de c+asseb e de a+ u!a 'or!a as pressup9e!N( no sentido de a-ran er( a+é! das 'un#9es po+<ticas e ideo+: icas por e+es preenchidas( ta!-é! as econ^!icas: . ainda que essas determina(Kes se desdobrem em dimensKes distintas e#plicativas de um ou outro dos componentes. quer atravEs da dire(ão intelectual e moral. 0or outro lado. embora assuma dimensKes mais marcadas na %ase atual da reprodu(ão. Em seu sentido mais geral. das possibilidades de e#ercício da GhegemoniaH. %im de identi%icar sob outros Vngulos as determina(Kes que incidem sobre a prática mEdica. elementos de con%ronto ideolJgico2político na sociedade de classes. dos %atores de produ(ão.na+isando a reprodu#$o das re+a#9es de produ#$o( . con%orme análise prEviaU con)ugam2se para dar origem a várias tentativas de racionali&a(ão desse setor. permitindo buscar nas práticas aparentemente mais distanciadas da domina(ão. igre)a. e atravEs de distintos aparelhos.+antea!iento de+ !o0i!iento +i-reca!-ista se -asa en un error te:rico cuMo ori en pr=ctico no es di'ici+ de identi'icarC es decir se -asa en +a distinci:n entre sociedad po+itica M sociedad ci0i+( &ue de distinci:n !eto+o ica se con0ierte en (M es presentada co!o) distinci:n or anicab . e#pressas atravEs da obten(ão de um consenso GcoletivoH acerca da orienta(ão impressa ao poder pelo grupo dominante. elas implicam a possibilidade do desenvolvimento dos antagonismos de classe e da trans%orma(ão do modo de produ(ão. todavia.lasses 8ocias no . o qual se processa atravEs de um con)unto de institui(Kes privadas ou estatais. quer a identi%ica(ão dos elementos sub)acentes / medicali&a(ão e /s %ormas por ela assumidas..en<nsu+a( Darce+ona( 1971( p 95" 7o!o indica#$o do sentido co!p+e2o da distin#$o entre sociedades ci0i+ e sociedade po+<tica( 0er entre outros( Do--io Nor-erto c K%ra!sci M +a 7oncepci:n de +a Eociedad 7i0i+N( .pparei+s Odeo+o i&ues da/tatN( %a 5ens. permite apreender as rela(Kes entre as classes no sentido de dire(ão cultural e política. entendida como domínio ideolJgico e político das classes no poder sobre as demais classes na sociedade.:Y 9 K/+ . representa uma constante na reali&a(ão histJrica do capitalismo. a participa(ão do Estado nesse processo. presentado pelo signi%icado político e ideolJgico da e#tensão da prática mEdica e que responde tambEm. E necessário considerar que as condi(Kes de continuidade do processo de acumula(ão não se encontram dadas inteiramente no plano da reprodu(ão. pelo %ato de que aqueles dois aspectos da prática mEdica _ a necessária e#tensão dos servi(os e a eleva(ão dos custos TtambEm necessária. O ponto central de crise E dado pelo %ato de que as alternativas de solu(ão poderiam a%etar componentes da prática mEdica igualmente necessários. se proporciona o Vngulo privilegiado da articula(ão da medicina com o econImico e revela a sua participa(ão relativamente direta na organi&a(ão do processo produtivo. em grande parte. quer a análise de seu papel na reprodu(ão da estrutura de classes. do processo.orte++i( Hu hes c 0ramsci 4 el 9loque 7istórico( Ei +o QQO( 1974" 10 . %im de e#plicitar o sentido dessa a%irma(ão deve2se introdu&ir um aspecto ainda não considerado do processo de generali&a(ão do consumo mEdico. istinguindo a Gsociedade civilH da Gsociedade políticaH ou Estado. adquirindo. elaborado por 3ramsci com vistas a e#plicar.ero( dado &ue en +a rea+idad concreta +a sociedad ci0i+ M e+ /stado se identi'icanbN %ra!sci . no sentido de que respondem a determina(Kes estruturais igualmente signi%icativas. as condi(Kes de su)ei(ão das classes dominadas.uadernos de 5asado 4 5resente ( nT 19( 2"i ed" 1972( pp" 65 e 93 e . "a medida em que as rela(Kes de produ(ão são rela(Kes de classe que se processão atravEs de uma contradi(ão %undamental. quer atravEs da coer(ão por via dos tradicionais aparelhos repressivos do Estado. Essa distin(ão entre sociedade civil e sociedade política representa um aspecto central da constru(ão teJrica de 3ramsci que não cabe aqui discutir.. não esgota. de %orma mais ou menos direta. . O conceito de hegemonia. epende. %undamentalmente.U na elabora(ão da ideologia dominante que as análises de 3ramsci re%or(am. tambEm a nível político. seu signi%icado imediato decorre da possibilidade de lembrar que as condi(Kes supra2 estruturais de continuidade ou de supera(ão da estrutura elaboram2se no con)unto das rela(Kes e institui(Kes da sociedade e não necessitam ser e#clusivamente identi%icados com agentes e institui(Kes diretamente articuladas com a estrutura do Estado. aos quais não E alheia a proposta da Medicina Comunitária." c %a 5ol#tica 4 el *stado Moderno( /d" .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina parecendo portanto reversível. pela irreversibilidade acima re%erida.+thusser a re a ao conceito de apare+hos repressi0os( o de apare+hos ideo+: icos de /stado( dese!penhando( todos os apare+hos( e! distintas propor#9es( 'un#9es repressi0as e ideo+: icas: . .apitalismo de 7oje ( Zahar( R" Baneiro( 1975( pp" 26830" ?ada a necessidade de considerar( no decorrer do te2to( aspectos !uito distintos da pr=tica !édica( n$o se adotou o conceito de apare+hos de /stado São Paulo 2007 31 .ntes. em outros termos.

aris( 1973( no &ua+( por re'erencia S institui#$o educaciona+ propria!ente dita( os autores procede! S ana+iseda participa#$o do apare+ho esco+ar na reprodu#$o das re+a#9es de c+asse" São Paulo 2007 32 .. que se %orme um certo equilíbrio de compromisso. quer como con)unto de práticas cristali&adas em institui(Kes _ hospitais. sob a %orma de uma historia política da sociedade capitalista. de um uso inteiramente novo do discurso cienti%ico. não pode dei#ar de ser tambEm econImica. Compartimentali&ando a análise no nível simbJlico2ideolJgico.:< T:<U . embora omitindo a perspectiva da reprodu(ão das rela(Kes de classe. de uma para orientar a an=+ise( entre outras ra@9es( por&ue aca-aria por perder( e! teor e2p+icati0o( o &ue anharia e! e2tens$o" 11 %ra!sci( . por ve&es. indicando a presen(a.apitaliste en 2rance ( 1aspero( . quer como campo do saber. O processo amplo de controle dos antagonismos. entre classes e %ra(Kes de classes. das análises de 5oucalt. das representa(Kes de saDde e doen(a empreende a tare%a de regular a vida privada.aris( 1969" Rer( a proposito( o estudo de /sta-+et( R" / Daude+ot( 7" c %:*cole . e#pressa.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina O que importa acentuar E que o conceito de hegemonia permite apreender a mani%esta(ão das rela(Kes de classe. vale di&er. partindo da análise do poder no interior da institui(ão psiquiátrica. não pode dei#ar de ter seu %undamento na %un(ão decisiva que o grupo dirigente e#erce no nDcleo decisivo da estrutura econImicaH. todavia. o estudo revela como. em contrapartida. proporciona elementos para se desvendar a coer7ncia e o caráter prJprio de classe das con%igura(Kes de saber e pratica re%erentes / saDde. Essa 7n%ase. Mas tampouco se redu& a elas.i( F" c 5rime *ducation et Morale de . em sua dimensão ideologia mais geral. e com distinto instrumental teJrico a impossibilidade de descartar a dimensão político2ideolJgica como e#plicativa dos aspectos que revestem a prática mEdica. revela. em particular dos estratos sociais in%eriores Tos Gnovos bárbarosH ou trabalhadores da cidadeU." c op cit ( p" 96 12 V!a interessante re0is$o co!parati0a das tend3ncias nestas an=+ises da institui#$o psi&ui=trica encontra8se e!: 7aste+( Ro-ert c KRer +es Nou0e++es Grontieres de +a 1a+adie 1enta+eN( Revue 2rançaise de 8ociolo!ie ( nT especia+( 1973( pp" 1108136" 13 Do+tans. as políticas re%erentes ao aumento do consumo de bens e servi(os. eve tambEm merecer re%erencia o estudo de 4oltansbi acerca da di%usão das normas da moderna puericultura o qual. com o acionamento de mecanismos capa&es de garantir a eleva(ão dos níveis de consumo. na medida em que. entretanto. O mesmo se aplica a numerosos estudos que intentam a crítica das práticas psiquiátricas. 5undamentando2se em rico material empírico. a a partir da tentativa de estrutura(ão simbJlica. quer a nível de sua constitui(ão na estrutura de produ(ão. Mas trata2se. de um pro)eto de normati&a(ão das condutas de di%erentes classes sociais. a partir do sEculo FV..lasse ( 1outon( . por um lado. as possibilidades de e#ercício da hegemonia não se encontram )á dadas historicamente mas se e%etivam atravEs de um processo contraditJrio de en%rentamentos e. .. do sentido que adquirem no desenvolvimento dos antagonismos de classe. 0or outro lado. e conseqLentemente. dei#a aberta a possibilidade de analise dessa dimensão GpedagJgicaH da pratica medica como e#pressão parcial do processo de reprodu(ão das rela(Kes de classe. se)a a emerg7ncia com a clinica. :: Em outros termos. se)am ou não condu&idas diretamente pelo Estado. que o grupo dirigente %a(a sacri%ícios de ordem econImico2corporativaO mas E tambEm indubitável que estes sacri%ícios e este compromisso não podem re%erir2se ao essencialO porque se a hegemonia E Etico2política. revelam a possibilidade de análise dessa questão por re%erencia a distintos elementos da prática. importVncia desses estudos para o problema em questão decorre do %ato de indicarem _ a partir de di%erentes perspectivas. ainda. pela pratica mEdica. para toda a sociedade. análise da articula(ão da medicina com o político e o ideolJgico encontra suporte em muitos estudos que se aplicam / medicina. )á então. a medicina. E mais. e imediato. que remetendo /s condi(Kes de e#ercício do domínio político2ideolJgico como elemento necessário do processo de reprodu(ão social. se)a a constitui(ão da loucura como doen(a mental e ob)eto da medicina. não E incompatível com o reconhecimento e mesmo a )usti%icativa da desigualdade no plano da distribui(ão de bens de consumo ou. equiparando2se / institui(ão escolar. especialmente /queles que. a nível político e ideolJgico em sua articula(ão com a estrutura da produ(ão. por outro. o estudo não ultrapassa de muito as abordagens tradicionais do processo educativo em sua dimensão sociali&adora. o que não signi%ica que o aparato conceitual de que se servem remeta sempre /s rela(Kes de classe como elemento nuclear dos processos que se desenvolvem a nível político2ideolJgico. ao menos potencial. visando mant72los dentro de limites compatíveis com a reprodu(ão da estrutura. proporciona todavia importantes indica(Kes sobre a possibilidade de incorpora(ão. atravEs das quais se pode acompanhar. a 7n%ase na unidade social negadora da e#ist7ncia da di%erencia(ão básica entre classes identi%icadas no plano das rela(Kes de produ(ão. de concessKes. de distintas ideologias e pro)etos políticos capa&es de desempenhar papel e%etivo na trans%orma(ão da estrutura. quer a nível de suas mani%esta(Kes supra2estruturais. por e#emplo. W o caso. a articula(ão da medicina com o processo da hegemonia político2ideolJgica será considerada atravEs das possibilidades de aumento do consumo de servi(os mEdicos. escolas mEdicas _ quer como servi(o cu)a produ(ão e consumo se estruturam con%orme / dinVmica política. buscam a sua articula(ão com a distribui(ão do poder no con)unto da sociedade:=. a importVncia da atividade política como potencialmente trans%ormadora das rela(Kes de produ(ão! GO %ato da hegemonia pressupKe indubitavelmente que se tenha em conta os interesses e as tend7ncias dos grupos sobre os quis ela se e#ercera.

saDde. dado que a eleva(ão controlada do consumo não a%eta o essencial da estrutura de produ(ão e que níveis mais elevados de consumo podem constituir. E isso. alEm do sentido que adquirem no processo político podem mesmo corresponder ao interesse imediatamente econImico do capital.sto não signi%ica que as Gpolíticas sociaisH correspondem sempre e estritamente aos interesses dominantes mas apenas que. . +al potencialidade _ e colocado o Estado no centro do processo _ acresce2se do %ato de que. dado )á ao nível das rela(Kes de produ(ão. "esse sentido. re%letindo2se em uma redistribui(ão da renda ou em um maior montante de consumo.H. %ra(Kes de classes. tra& ademais a vantagem de não incidir diretamente sobre o capital sempre que os custos são sociali&ados sobretudo por meio da participa(ão do Estado. em cu)o terreno se produ& a passagem destas a correla(Kes políticas de %or(as. particularmente em certas con)unturas. quer por ativarem determinadas áreas de produ(ão. elas não amea(am a estrutura de poder e. /s %ormas pelas quais se de%inem as suas posi(Kes na estrutura da produ(ão. não signi%ica que se deva visuali&ar o processo político tão2somente pelo Vngulo da domina(ão. a a(ão de classes ou %ra(Kes de classes tem2nas revelado como %or(as sociais. na medida em que corresponda a um deslocamento para a e#clusiva es%era do consumo. 0ode2se di&er. no plano imediato. desenvolvem2se outras ordens de con%litos. interesses imediatos das classes dominadas _ mais %reqLentemente o que se e#pressam na busca de eleva(ão de renda _ o Estado reveste mais %acilmente o caráter de entidade representativa dos interesses coletivos. decorre em parte a possibilidade do deslocamento da 7n%ase na di%erencia(ão dada ao nível da produ(ão para aquela que se dá ao nível do consumo ou . de antagonismos identi%icáveis ao nível da produ(ão. a essa ordem de con%litos considerados como secundária. que todos esses elementos são a mani%esta(ão concreta das %lutua(Kes de con)untura no con)unto das correla(Kes sociais de %or(as. não corresponde. manipuladas dentro de certos limites. que sJ podem ser apreendidas e analisadas pelo estudo da %orma como se reali&a o modo de produ(ão em cada sociedade concreta. mesmo quando implica o deslocamento das rela(Kes de produ(ão do centro do processo político2ideolJgico. a partir da e#pressão dessa modalidade de interesses. a estrutura de classes não se redu& /s duas classes polares identi%icadas ao nível do modo de produ(ão capitalista _ burguesia e proletariado _ mas e#pressa2se atravEs de uma multiplicidade de classes. por conseguinte.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina desigualdade que não se re%ere /s %ontes de obten(ão da renda _ trabalho ou propriedade _ e sim ao seu montante e. quer por representarem a garantia de um salário indireto o qual. políticos e ideolJgicos das classes dominantes. ainda quando não se mani%este sob essa especi%ica %orma. e o seu preciso signi%icado político sJ pode ser apreendido no plano concreto das rela(Kes sociais! G a questão particular do mal2estar ou do bem2estar econImico como causa de novas realidades histJricas E um aspecto parcial da questão de correla(ão de %or(as em seus diversos graus. :> W inegável que em di%erentes sociedades e em especi%icas con)unturas políticas. conquanto deva ser mantido em limites compatíveis coma reali&a(ão de ta#as adequadas de acumula(ão _ limites apenas de%iníveis por rela(ão / dinVmica econImica e política no plano das %orma(Kes sociais. se)a porque uma situa(ão de bem2estar tornou2se intolerável e não se v7 na sociedade nenhuma %or(a capa& de mitigá2lo e de restabelecer uma normalidade com os meios legais. em duplo sentido! persiste o antagonismo básico. Essa Jtica tem a vantagem de proporcionar um elemento de mane)o econImico e político possível. secundários por re%erencia /queles. habita(ão.. em sua %un(ão de controle do desenvolvimento de antagonismos políticos. ou se)a. adquirem sua potencialidade de utili&a(ão no processo político. se por ve&es a hegemonia político2ideolJgica se e#pressa atravEs de inter%er7ncias no plano da distribui(ão e do consumo de bens que assumem um caráter aparentemente independente das rela(Kes de classe. a possibilidade de sobrepor / presen(a de uma estrutura de classes a Jtica da estrati%ica(ão social. Os interesses mani%estos por di%erentes %ra(Kes de classe atravEs das e#ig7ncias de eleva(ão do consumo pelo aumento da renda2salario ou do acesso a bens de servi(os proporcionados diretamente por institui(Kes GprivadasH ou GestataisH di&em respeito. incorporando e%etivamente. p <<= São Paulo 2007 33 . . aspecto signi%icativo da hegemonia. a perspectiva se desloca da contradi(ão para a hierarqui&a(ão das categorias sociais segundo um GquantumH de consumo. como tal. sob outra %orma. especialmente na medida em que podem antecipar2se a qualquer mani%esta(ão 14 0ramsci. mas potencialmente capa&es de assumir a %orma de antagonismo de classe.tentar para a ocorr7ncia desse deslocamento. . por essa %orma. a depender do processo amplo de reali&a(ão da estrutura social. cu)a situa(ão de classe deve ser todavia re%erida /s rela(Kes de produ(ão. parece adequado considerar que a prJpria Jtica da diversidade do consumo das di%erentes categorias sociais pode )á representar um mecanismo potencia de suavi&a(ão de con%litos sociais. / supera(ão dos antagonismos. W importante rea%irmar que tais políticas não correspondem a qualquer altera(ão signi%icativa nas rela(Kes de produ(ão e que. "este plano. ConseqLentemente. A . camadas. todavia. percep(ão da desigualdade no plano da distribui(ão e do consumo de bens. o %ato dessa multiplicidade de classes. O interesse dessa perspectiva decorre da possibilidade que o%erece para a compreensão de uma das dimensKes das Gpolíticas sociaisH destinadas a proporcionar consumos especí%icos tais como educa(ão. bem como para o %ato de que ele pode estar em correspond7ncia com os interesses econImicos. op cit .. 0odem produ&ir2se novidades. e que na %ase atual do capitalismo encontram no Estado o seu agente privilegiado.

respeito do valor da vida humana e de suas %lutua(Kes. . %ra(Kes de classes e camadas sociais constitui sobretudo uma das %ormas de mani%esta(ão. na 5ran(a. em todas as sociedades. +odavia. Em outros termos.( B" 7" c op cit ( p"43 São Paulo 2007 34 . quando a no(ão de Gdireito / saDdeH tornou2se a pedra de toque atravEs da qual se mani%estam as determina(Kes político2ideolJgicas que incidem sobre a prática mEdica. E importante assinalar a relativa impropriedade da compartimentali&a(ão. com a 5rente 0opular. .: A O mesmo %enImeno pode ser descrito para a maior parte das sociedades europEias. e#pressa no citado te#to. Embora não se trate de privilegiar a articula(ão da medicina com o político %rente ao sentido que adquire no plano da produ(ão econImica senso estrito _ o seu signi%icado respectivo por re%erencia / reprodu(ão social sJ poderia ser apreendido em outro nível de análise _ pode2se admitir que o processo pelo qual a prática mEdica acabou por tomar necessariamente como seu ob)eto praticamente todas as classes. +odavia. a partir do sEculo F. a 8iberta(ão. . sem que se possa a%irmar. a 9esist7ncia.U. implica que se apreenda o %ato de que ela e#pressa.. das determina(Kes econImicas e políticas que incidem sobre a prática mEdica. E preciso considerar que. a compreensão da Gpolítica socialH como parte do processo de controle dos antagonismos. participa(ão da medicina na dinVmica das rela(Kes de classe evidencia2se mais %acilmente na Epoca atual. re%lita as contradi(Kes prJprias a ele. mesmo na incorpora(ão dessa ordem de interesses pela sociedade. na medida em que. revela momentos particularmente e#pressivos dessa ordem de determina(Kes! G 'e se considera mais de perto essa no(ão de Etica. a rela(ão das %or(as sociais ao nível das sociedades concretas. em seu duplo sentido. especialmente no sEculo FF. E possível dar2se conta de que o valor da vida humana so%re varia(Kes incessantes em torno de alguns momentos de %le#ão histJrica e política. e desde que não se compartimentali&e o econImico e o político2ideolJgico no plano concreto da reprodu(ão social E possível pensar a progressiva reorgani&a(ão histJrica da prática mEdica como inseparável de todo o processo de constitui(ão e reprodu(ão da estrutura das sociedades capitalistas. "as altera(Kes e#perimentadas pela produ(ão de servi(os mEdicos mani%estou2se. re%eridas /s condi(Kes gerais do processo de acumula(ão. O prJprio %ato de que a en%ermidade e a morte se distribuam de maneira a revelar as %ormas de participa(ão dos grupos sociais na estrutura da produ(ão e nas oportunidades de consumo contribui para tornar a medicina uma área signi%icativa do ponto de vista político. em sua reali&a(ão e em suas modalidades. do e#ercício da hegemonia de classe e das pressKes por aumento de consumo como potencialmente negadoras dessa hegemonia. Esse valor variou sem dDvida. as muta(Kes são político2sociaisH. 15 . a liquida(ão das situa(Kes coloniais.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina imediata de con%litos de con%litos sociais. ela não corresponde / comple#idade da %orma de articula(ão da medicina no con)unto das práticas sociais. "ecessária para e%eito de análise. das rela(Kes de classe. por outro lado. o processo acima re%erido de incorpora(ão da desigualdade ao nível político ideolJgico! e#pressão a um sJ tempo. revela2se tambEm a presen(a potencial das classes não hegemInicas como %or(as sociais. o paralelismo dessas modi%ica(Kes com o crescimento econImico e as varia(Kes da balan(a comercial T. no plano político. a inErcia do sistema E essencialmente econImica.o+ac..F. histJria política da medicina. bem como para as sociedades americanas.

O DO PRO)ETO 'EOLIBERAL PARA A SA/DE 'O BRASIL0 OS &1DICOS CO&O CI&E'TO DA AR2A&ASSA CO'SER"ADORA 0astão >a!ner de 8ousa . Ou se)a. com a rela(ão entre in%ra2estrutura e superestrutura política e ideolJgica. ao estudo de políticas sociais. não recebem um tratamento capa& de elucidar não sJ sua dinVmica prJpria. principalmente. ou menos instrumental. +amanha tem sido a di%iculdade dos analistas e partidos políticos de lidarem de %orma mais produtiva. de que qualquer política de saDde o%erecida pelo Estado. ela tambEm considerava que G.8. ois equívocos metodolJgicos podem se desenvolver assentados neste padrão de lJgica. 5reqLentemente. que indicaram regras gerais Tum mEtodoU para o estudo e para a orienta(ão da prática de su)eitos sociais em circunstVncias especí%icas.+. ou ainda / reali&a(ão da mais2valia dos setores da indDstria de %ármacos e equipamentos mEdico2 hospitalares. :@?@. O reconhecimento destes limites da crítica de inspira(ão mar#ista não deve signi%icar uma nega(ão do mErito político e cientí%ico destes trabalhos. (eforma sanit&ria. $m primeiro. via de regra.. de signi%icativas e marcantes interven(Kes do Estado. ou de mecanismos políticos e ideolJgicos de domina(ão. Mas. 'Inia 5leur]. relativa /s articula(Kes entre saDde e produ(ão econImica. penso que não há outro caminho para aqueles que reconhecem a e%icácia deste instrumento para o entendimento da histJria e da rela(ão entre os homens. e a legitimidade apenas das práticas alternativas que não se %iliem ao saber clínico contaminado pelo capitalismo que o teria parido. este espírito radical.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina A CO'STR!-. Corte&. Vale reconhecer que as dedu(Kes de uma ou de outra destas linhas analíticas são opostas. entre outros. porEm unilateral.. sobre a instrumentali&a(ão política de algumas de suas dedu(Kes. predominante entre a produ(ão intelectual dos países do socialismo real. 'Inia 5.'+..ampos E'+9$+$9. elementos necessários tambEm / reprodu(ão da vida.'MO E O M. 3ramsci. acima descritas. opKe2se / idEia de que e#istem. Os níveis políticos e ideolJgicos. não há como %ugir / pol7mica sobre suas premissas e.9F. p. tanto no saber como na aten(ão mEdico2sanitária. :C e :?U. preconi&a a revolu(ão social como sendo o Dnico remEdio para os problemas de saDde da sociedade.V. quando observamos as conseqL7ncias destas limita(Kes metodolJgicas. idEia %i#a do mar#ismo estruturalista. comprometeram seriamente a capacidade e#plicativa do materialismo dialEtico. aplica(ão do mar#ismo / saDde. mais esquerdista e tendente a uma retJrica de pequena aplicabilidade. enquanto se aguarda o grande dia 2 reconhece a necessidade de a(Kes preventivas de caráter coletivo. embora presentes. "ão E totalmente correta a insist7ncia em a%irmar que estas práticas visam sempre e tão somente / reprodu(ão da %or(a de trabalho.'E 0O'... observa2se que todas as interpreta(Kes convergem para a e#plica(ão mais %undamental. "este sentido. visam sempre / reprodu(ão do capitalismo.. . como tambEm as rela(Kes contraditJrias com os outros níveis6 T+ei#eira. introdu(ão da concep(ão histJrico2estrutural / área da saDde inaugura um novo paradigma no conhecimento da rela(ão entre medicina e sociedade. "a verdade. desenvolvido em inDmeros países capitalistas atravEs. podemos perceber em que medida se constituem em verdadeiras amarras / compreensão do mundo e / sua trans%orma(ão. por outro lado. ainda estudadas de %orma genErica. e quando muito 2 em termos de concessKes práticas. . de crítica ao capitalismo e ao papel de controle social das práticas mEdico2sanitárias. e atE mesmo a assist7ncia mEdica em si. que t7m sobrado aos críticos do mar#ismo argumentos demonstrativos atE mesmo do suposto esgotamento deste mEtodo de análise da realidade. analisava que 6.6O contudo. tem2se utili&ado desta crítica unilateral para negar a importVncia ou a relevVncia da universali&a(ão do atendimento mEdico2hospitalar. senão o de recuperarem o trabalho de %ilJso%os como . tem impedido e#pressivos setores da esquerda de reconhecer o caráter universal de aspectos inerentes a essas práticas desenvolvidas no interior de %orma(Kes econImico2sociais capitalistas..'MO E 4. não conseguiu escapar a estas limita(Kes mais gerais. recentemente. O São Paulo 2007 35 .

constituiria as bases reais a partir das quais se desenvolveriam estas ideologias. termina por cair num viEs altamente burocrati&ante. . %iguras e#pressivas do Movimento 'anitário. que procura quali%icar qualquer movimento trans%ormador. simplesmente. o qual. "este sentido. . os limites de sua prJpria seita. "este sentido. Entre outros. segmentos populacionais. indispensáveis ao padrão de desenvolvimento socioeconImico hegemInico nos Dltimos trinta anos. são uma cadeia. %oram capa&es de articular algumas imposi(Kes gerais. acumulam2se evid7ncias empíricas que atestam a necessidade de se caminhar para alEm desta primeira constata(ão teJrica. 0articularmente. bem como alguns outros pro%issionais de saDde 2 enquanto su)eitos sociais 2. partindo tambEm desta crítica / Medicina do capital e %iliando2se / arrogVncia de um certo tipo de mar#ismo que concede / 6ci7ncia6 uma capacidade absoluta de regular a vida. categoria ou segmento social. nada mais con%luente. via de regra.nDmeros analistas brasileiros. e atE São Paulo 2007 36 . desempenhando. o atraso e atE a iniqLidade das políticas pDblicas. portanto. vale e#aminarmos o con)unto de artigos e posi(Kes divulgadas nos Dltimos anos por alguns prJceres do movimento sanitário como representa(ão emblemática desta ideologia T:U. categorias pro%issionais. em um nítido es%or(o de superar a análise economEtrica dos produtores de servi(os de saDde T<U. com a preserva(ão de seus interesses corporativos. ao 0lane)amento Ta aplica(ão tecnolJgica desta 6ci7ncia6U o poder de ordenar democr&tica e racionalmente a sociedade.dotam este ponto de vista ou por imaginarem uma determina(ão mecVnica do econImico sobre o social. conseguem romper os cVnones. quantidade de "aps teJricos que herdamos destas escolas E de tal monta que necessitamos de teorias capa&es de e#plicar políticas de saDde para alEm de suas determina(Kes mais gerais. que sempre estarão buscando articular grupos de pressão e de interesse competentes para *adequar+ as determina(Kes gerais do modo de produ(ão /s especi%icidades do setor saDde e aos seus interesses de classe. em rela(ão ao 4rasil. governos 2 como resultantes histJricas de um dado modo de produ(ão. 9oberto 0assos "ogueira vem tentando ver 9ecursos Numanos como 5or(a de +rabalho. e acabam supervalori&ando e superestimando o papel e a capacidade do Estado de regular a economia. Cecília onnangelo está entre os melhores. ou por suporem um condicionamento quase que absoluto dos su)eitos coletivos /s conting7ncias do in%ra2estrutural. Os melhores quadros intelectuais são aqueles que.mbas as correntes de pensamento procuram )usti%icar e orientar a a(ão tEcnico2burocrática como sendo o locus privilegiado para o adequado desencadear de uma verdadeira guerra de movimento contra a ine%ici7ncia. teremos de recolocar velhas questKes que imaginávamos respondidas pelos nossos tradicionais esquemas analíticos. e. esta autora conseguiu tra(ar os re%erenciais para uma análise não mecVnica do modo de produ(ão e de distribui(ão da saDde em sociedades como a brasileira. Qual a rela(ão dos 'istemas de 'aDde com o modo de produ(ão capitalista* Qual a rela(ão do modo de produ(ão de servi(os de saDde com a estrutura de desenvolvimento econImico e com os mecanismos de reprodu(ão e manuten(ão do poder político* Certamente. venho desenvolvendo a hipJtese de que os mEdicos. e#terno / máquina burocrática do Estado. assim.s escolas literárias ou as correntes de pensamento. que tem predominado mesmo no campo das análises sobre saDde. equívocos nocivos ao bom andamento da pretensa re%orma autopromovida pelo prJprio Estado brasileiro. 9epresenta(Kes de vários atores 2 classes sociais. terminaram presos /s contradi(Kes deste limbo teJrico.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina $m segundo. a política e os vários segmentos da sociedade civil. . penso que devemos avan(ar ainda mais para superar radicalmente as amarras de um certo economicismo. .deologias. de característica mais elitista e antipopular. . então em voga. a resposta a este tipo de questão permanece semelhante /quela dos pioneiros da aplica(ão do mar#ismo / saDde T>U. Ela nos ensinou a ver 0olítica. mais simEtrico. produ(ão de servi(os de saDde desenvolve2se a partir de atores prJprios. do que as dedu(Kes e posturas de um pretenso mar#ismo radicalmente estruturalista e as elabora(Kes do %uncionalismo vinculado / +eoria de 'istemas. "o entanto. partindo da disciplina de sua academia.nevitavelmente. . 'em dDvida. Conseguiu nos indicar pistas de como aplicar uma visão dialEtica ao campo da saDde T=U. há um certo grau de autonomia dos prJprios produtores de servi(os de saDde em rela(ão aos constrangimentos e determina(Kes gerais criadas pelo modo de produ(ão e a lJgica de controle político de um certo bloco histJrico que detenha o poder de Estado. Ocorre sem dDvida uma rela(ão de determina !o entre estes dois processos sociaisO no entanto. Orientando2se por um re%erencial nitidamente in%luenciado pelo estruturalismo. um papel determinante na articula(ão de um dado modo de produ(ão de servi(os de saDde. como sendo ou uma utopia semi2anarquista ou. . que pretende trans%ormar o )stado no principal instrumento de trans%orma(ão social. . por sua ve&.

+rata2se de considerar a sua atua(ão enquanto produtores diretos dos servi(os. centrado no atendimento mEdico individual na incorpora(ão de tecnologias e conseqLente capitali&a(ão das áreas de aten(ão hospitalar. na verdade. como nas cidades de 'ão 0aulo e do 9io de Paneiro. %undamentais para a consolida(ão de um dado modelo assistencial especí%ico e de nenhum outro em particular. e#pressiva em alguns grandes centros urbanos. autointitulada de 9enova(ão MEdica. como em áreas ligadas diretamente / produ(ão de servi(os de saDde. tendo em vista este suposto processo de substitui(ão do pJlo hegemInico. em ascensão. há que se considerar com mais cuidado a segunda %orma. odontJlogos. que. atE mesmo. de maneira aparentemente atomi&ada e individual. honorários. equipamentos etc. que não nos permitiu olhar 2 alEm destas rela(Kes gerais acima descritas 2 para o modo como concretamente se dava a produ(ão de servi(os de saDde. principalmente atravEs da 0revid7ncia. E outra. que não e#istiria sem a a(ão dos mEdicos. obedecer a uma determinada política construída pelo movimento destes produtores e implementada pelas institui(Kes controladas pela categoria. E. Os médicos e a política de sa. W evidente que este processo dependeu da e ao mesmo tempo viabili&ou a constitui(ão de áreas empresariais ligadas ao mercado da saDde. por e#emplo. %ármacos. %inalmente.mbos. empresas hospitalares. Esta e#pansão do mercado. Pá está bastante estudado o processo histJrico que levou / constitui(ão do modo contemporVneo de produ&ir servi(os de saDde no 4rasil. enquanto categoria pro%issional. tanto provendo seu %inanciamento como na produ(ão direta de servi(osO e um outro. E mais. divisão de mercado etc. podem agir coletivamente de duas maneiras. 5oram ressaltadas suas principais característica! a rápida e brutal e#pansão de cobertura assistencial ocorrida a partir da dEcada de cinqLenta. entre outros.. identi%icou a e#ist7ncia de duas correntes principais entre os mEdicos brasileiros. que. tanto nos campos da produ(ão de insumos básicos para o setor. ho)e estas lideran(as mEdicas progressistas estão cada ve& mais caudatárias dos limites impostos pela corrente neoliberal. se tal não %oi percebido por nossa argDcia investigadora. que aumentou progressivamente o peso do Estado no sistema. E. conseguiu acumular %undos necessários ao custeio e aos investimentos do sistema. de medicina de grupo e de seguro privado. deveu2se /s distor(Kes impostas por nosso instrumento de análise. in%luenciando decisivamente os rumos das políticas e da constitui(ão de um dado modelo assistencial. estes Dltimos vieram perdendo espa(o político e.de. das terap7uticas e dos mEtodos de diagnJstico. atuando enquanto su)eito coletivo. dependeu umbilicalmente da a(ão %inanceira do Estado brasileiro. contudo. atentar para a sua capacidade de in%luenciar o mercado atravEs da constitui(ão real de uma determinada demanda por aten(ão. hospitais etc. "esta condi(ão. dentistas e outros des%rutaram como pro%issionais liberais e principais articuladores do saber e da %orma(ão da consci7ncia sanitária de amplos setores da sociedade. "o entanto. $ma. Quase todos os autores que estudaram este período concordaram que estaríamos diante de dois grandes movimentos! um.U. na distribui(ão de recursos e. que acentuou as características de mercantili&a(ão e empresariamento deste setor de servi(os. estariam levando / proletari&a(ão e ao assalariamento dos pro%issionais de saDde. anulando o peso que mEdicos. $ma Jbvia e percebida ao primeiro olhar. E mais. %ogem ao controle absoluto dos empresários ou dos burocratas do Estado. %isioterapeutas. "a verdade. . a tend7ncia destas categorias seria a de assumirem comportamentos sindicais e políticos semelhantes a outras )á assalariadas e proletari&adas TAU. principalmente em tudo que se re%ere /s lutas por políticas de saDde TBU. não buscamos nunca entender a in%lu7ncia que estes produtores de servi(os de saDde poderiam estar tendo na constitui(ão de uma dada política pDblica para o setor. estas posturas %rente ao processo de trabalho. São Paulo 2007 37 . com os meios de produ(ão 2 equipamentos. não percebemos que mEdicos. adepta de um ideário que apro#imaria o mEdico de outras categorias assalariadas. adotar determinados padrKes de rela(ão com o seu ob)eto de trabalho 2 o paciente 2. atE o início dos anos oitenta. podem.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina desenvolvendo a(Kes de luta ideolJgica e cultural. Contudo. e que %oi denominada de Corrente "eoliberal. tanto no interior destas empresas como do Estado. O meu estudo. pela qual os pro%issionais de saDde podem atuar coletivamente. tendendo a controlar a maioria das institui(Kes. que teria saído destes pro%issionais para o todo2poderoso comple#o mEdico2empresarial e para o Estado. condi(Kes de trabalho. os mEdicos podem. igo de %orma aparentemente atomi&ada porque estes tra(os de comportamento pro%issional. em larga medida. e em geral E isto que acontece. %a&endo a de%esa especí%ica de seus interesses imediatos Tsalários. ho)e E mais do que evidente que as coisas não evoluíram e#atamente neste sentido. 2. atravEs da ado(ão de um padrão de servi(os de características tradicionais.

e não de outro. podemos denominar de autonomia relativa.ssim. / vida das cidades. sem conseguir alterar o modo como realmente são o%erecidos e distribuídos os servi(os / popula(ão. constituem bases concretas. que tenderia a submeter estes pro%issionais ao controle absoluto do grande capital. este controle de parcela dos meios de produ(ão. O desenvolvimento de novas tEcnicas e processos de trabalho. com a conseqLente divisão das responsabilidades pelo ato de curar ou de prevenir. não subordinou completamente estes pro%issionais aos proprietários. comum aos mEdicos e a outras categorias. de menor depend7ncia aos detentores de capital ou ao Estado. inegavelmente. W evidente que esta rela(ão especial. a e#ist7ncia de um padrão generali&ado de resist7ncia / mudan(a dos modos de %uncionamento dos servi(os de saDde. %ábricas etc. o processo de proletari&a(ão destes pro%issionais. ao contrário do que se imaginou e %oi muito a%irmado. quer por um radical processo de empresariamento do setor. na medida em que conseguiram constituir2se no 6intelectual orgVnico6 do pro)eto de moderni&a(ão e e#pansão do modo capitalista de produ&ir e de distribuir servi(os de saDde no 4rasil. principalmente quando estas altera(Kes não interessem imediatamente a estas corpora(Kes. ou peculiares a alguma institui(ão pDblica ou privada. e apesar do surgimento de equipes de trabalho. e#presso tanto por posturas pro%issionais inadequadas como por movimentos políticos de contra2re%orma. entre pequenos produtores e os proprietários de capital. esta condi(ão de maior liberdade. não surgiu algo como a linha de produ(ão. mas que tenderia a neutrali&ar suas aspira(Kes corporativas. que teve sua culminVncia com o '$ ' T'istema $ni%icado e escentrali&ado de 'aDdeU e com a aprova(ão de uma nova legisla(ão sanitária para o país. são os elaboradores. não há como %ugir desta conclusão quando veri%icamos os determinantes que v7m limitando o impacto da re%orma administrativa e )urídica do sistema de saDde brasileiro. há o clientelismo e suas conseqL7nciasO mas. . estes pro%issionais t7m sabido usar estas rela(Kes especiais como base para au%erimento de vantagens políticas imensas. . E não há como construir um pro)eto de re%orma sanitária sem a compreensão teJrica deste tipo de São Paulo 2007 38 . W tambEm inegável. estes atares vinculados ao pro)eto neoliberal buscam )usti%icar e utili&ar estes tra(os dominantes da política de saDde brasileira como elementos de sustenta(ão do status quo. i%erente da radical autonomia do liberal tradicional. que houvesse uma sociali&a(ão resultante de uma interven(ão maci(a do Estado. em larga medida 2 mesmo ho)e 2. sobre as quais estes atores políticos v7m atuando para alEm de seus interesses imediatos. outrora liberais. Ou se)a. há a política recessiva dos governos da 9epDblica. aliado / sua %un(ão histJrica de intelectuais 2 articuladores de no(Kes. . $ma das conseqL7ncias deste %enImeno 2 que se passa tanto ao nível do modo como se produ& servi(os de saDde. o trabalho mEdico ainda guarda características artesanais. Em resumo. Esta segunda %orma de resist7ncia coletiva E possível entre os mEdicos e outros pro%issionais de saDde porque. normas relativas ao corpo. cada pro%issional ainda reali&a a(Kes que se encerram em si mesmas. que / primeira vista podem parecer idiossincráticas a algum mEdico. com seus interesses especí%icos de segmento social subordinado. Visam tambEm alterar os padrKes e normas de %uncionamento das unidades de saDde a partir de iniciativas e de ob)etivos elaborados ativamente pelos prJprios mEdicos. mas igualmente di%erente da subordina(ão dos assalariados / empresa ou ao Estado. da especiali&a(ão. os mEdicos t7m um peso decisivo na constitui(ão concreta de um dado modo de produ(ão de servi(os de saDde. podem ser. Evidentemente. Ou se)a. pIde se desenvolver porque não %oi ainda possível aliená2los de parte %undamental destes meios de produ(ão. con%orme %oram acima descritas. di%usores e guardiKes do tal pro)eto neoliberal para a saDde. "o caso brasileiro. %ruto de um trabalho sistemático de politi&a(ão desta categoria por seus intelectuais orgVnicos Tse E que se pode aplicar este conceito /queles que %ormulam políticas e ideologias segundo os interesses de uma dada corpora(ãoU. que E o saber mEdico. entre parcelas signi%icativas dos pro%issionais de saDde. algumas posturas pro%issionais. Ou se)a. culturais e ideolJgicos que ense)a 2 E que estes mEdicos v7m se constituindo em um dos principais %atores que t7m impedido a e%etiva trans%orma(ão do modelo de assist7ncia mEdico2sanitária brasileiro. esta situa(ão intermediária. quer por empresários interessados em organi&ar determinado processo de trabalho. e atE mesmo para se constituírem nos principais intelectuais que v7m elaborando uma política de saDde que procura compatibili&ar as determina(Kes gerais do bloco histJrico hegemInico. teoricamente possível.sto. não vem se dando de %orma semelhante a de outros trabalhadores. de %ato. mas ativo e in%luente na constitui(ão concreta das políticas. Evidentemente. 2. em busca de maior racionalidade administrativa. ideologias. quer pelo Estado.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina Estes movimentos ob)etivam opor resist7ncia /s inova(Kes decididas e#ternamente / categoria. quanto dos desdobramentos políticos. pois. dá aos mEdicos uma possibilidade de tambEm atuarem com maior autonomia no campo da política. ou odontolJgico etc. a constitui(ão de um certo capitalismo na área da saDde e o despo)amento dos produtores da propriedade dos meios de trabalho.

21: 7810( )unho de 1988" (2) ?onnan e+o( 1" 7ec<+ia G" 8a1de e sociedade 2i ed" E$o .resta#$o de contas na est$o de EaIde e! 7a!pinasX( 8a1de em debate. N>4.DR.au+o( 7orte@ /ditora e . E$o .E7>( 1983C %arc<a( B" 7esar" 5ensamento social em sa1de na Am.au+o( Hucitec( 1988" São Paulo 2007 39 .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina %enImeno e sem a constru(ão de propostas capa&es de alterar o principal sentido da resultante deste movimento! uma seta que ainda aponta para a direita.E7>( 1989" (5) 7+=ssicos s$o os estudos de: ?onnan e+o( 1" 7ec<+ia G" Medicina e sociedade. E$o .ioneira( 1975C >+i0eira( Bai!e ." . poder pol#tico e o *stado e suas implicaçCes na medicina 4e2tos de apoio 8 7i3ncias Eociais O( .DR.lasse social.au+o( ?uas 7idades( 1979" (3) No ueira( Ro-erto .dicos e a pol#tica de sa1de." e 4ei2eira( E^nia G" )Dm+5revid&ncia social.E DODFO>7RUGO7.+ane)a!ento O( .E7>( 1987" (4) /ntre outros autores &ue procurara! estudar a perspecti0a !ar2ista ap+icada S saIde e considerados c+=ssicos( poder<a!os citar: Na0arro( Ricente" . E$o .rica %atina. . ?BA 5816( !ar#o de 1990C X.E (1) Eo-re esta +inha te:rica 0er entre outras os se uintes arti os de Né+son Rodri ues dos Eantos: X> di+e!a estatista OX( 8a1de em debate." 2orça de trabalho em 8a1de 4e2tos de apoio .DR.au+o( .etr:po+is( Ro@es( 1985" (6) 7a!pos( %ast$o L" >s m. ?@A 18823( de@e!-ro de 1989C X> di+e!a estatista OOX( 8a1de em debate.

que pomos nossa meta para a conquista da identidade pro%issional! ser mEdico E antes de tudo ser um especialista. cu)a prática tecnolJgica da medicina especiali&ada e armada E a base tEcnica de atua(ão T'chraiber.a! a pro%issão liberal. pois mesmo o bem %ormado e com amplo domínio de seu saber. que ho)e )á E um antibiJtico tido como bastante antigo. E tipicamente um trabalho do tipo empresarial. E tal ocorre quando cada um se apercebe que dominar conhecimentos e tEcnicas E necessário. SER &1DICO0 AS IDE'TIDADES DE &1DICO 'A HIST4RIA DA PRO3ISS. decepciona2se diante de certas circunstVncias da prática ou ambientes de trabalho. )á que produ& sempre servi(os na %orma de 6unidades inteiras e independentes de produ(ão6.F. por e#. O hospital nesta medicina E apenas recurso adicional / prática de consultJrio ou de domicílioO recurso não muito bem avaliado ou procurado. 'eu recurso E sobretudo o conhecimento e poucos instrumentos que o mEdico porta e consegue usar em seu consultJrio. ainda. uma ve& que se con%orma como trabalho comple#o para o qual concursam mDltiplas pro%issKes e ocupa(Kes da saDde.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina A PRO3ISS. trans%ormandose os consultJrios em unidades a ele acopladas ou microempresas. sobretudo a que se desenvolve com o advento da modernidade. :@CYO 'tarr. cu)a base de prática E a que se reali&a na depend7ncia de cada mEdico individual e seus recursos tEcnicos. produ&indo uma assist7ncia de con)unto.o escolhermos a medicina por pro%issão. será levada em conta a histJria da pro%issão mEdica. Mas quando conversamos ou observamos mEdicos que )á estão praticando a medicina nos servi(os de saDde. isto E. distintas %ormas de pro%issão e de produ&ir cuidados. o pequeno produtor isolado e independente. tal como a prática de consultJrio particularO e a pro%issão empresarial. os anestEsicos capa&es de propiciar tempos cirDrgicos maiores e tambEm interven(Kes mais arriscadas TEntralgo. :@@<U. 0ara %a&er %rente a todas essas atua(Kes esperamos encontrar suporte nos conhecimentos cientí%icos e no domínio tEcnico. como empreendimento de conquista %undamentalmente desses conhecimentos. W no domínio do saber mEdico.as. a cada ve&. ou de que maneira a concep(ão de boa prática se con%ronta com uma realidade que sempre parece algo 6imprJprio6 ou 6inadequado6 para o que 6deveria ser6 a pro%issão. "a pro%issão empresarial que se desenvolve sobretudo a partir dos anos AY e no 4rasil a partir dos CY. e pre%erencialmente especiali&ado. o ponto de vista da produ(ão de servi(os. acompanhando sempre o ritmo das inova(Kes e descobertas. "este te#to trataremos um pouco das questKes que estão envolvidas nessa trama. )á que são poucos os recursos medicamentosos ou os apoios /s interven(Kes cirDrgicas. como tecnologia de cura muito e%ica&.O . um trabalho sempre em equipe. "a pro%issão liberal que se desenvolve no sEculo F. histJria moderna mostra pelo menos dois modelos distintos de e#ercer a medicina na sociedade e praticá2. deste sEculo.. mas não E su%iciente para desenvolver a pro%issão prJ#ima do ideal alme)ado. essa organi&a(ão da prática representa uma %orma de São Paulo 2007 40 . 8idamos com a vida e a morteO tratamos e procuramos curar os doentes e ainda buscamos recomendar estilos e padrKes de vida mais saudável.O DE SER &1DICO %ilia 9lima 8chraider . pois não se dispKe. con%igurando di%erentes modelos mEdicos. 'ão tambEm do pJs2guerra. sendo os anos :@<Y a :@BY um período de transi(ão para a medicina brasileira. :@?=O 4raga d 0aula. apenas surge em mercado nos anos AY.lcan(ar tal aprendi&ado será um percurso árduo. . encontramos o mEdico de consultJrio. :@?:U. tal qual con)unto de clínicas ambulatoriais T5reidson. 0ara tal. "a medicina. para países industriali&ados desenvolvidos e no 4rasil entre :?@Y a :@<Y. cu)o trabalho E do tipo artesanal. isto E. O hospital. sabemos que estamos abra(ando uma prática di%ícil e %ascinante. encontramos a estrutura de presta(ão de assist7ncia baseada sobretudo no hospital. :@C?U. ambos adquiridos na escola mEdica e nos hospitais2escola. do ponto de vista do trabalho que aí se reali&a. alEm de estabelecer o con)unto desses pacientes como a sua clientela privada. que E a consulta mEdica dada a cada indivíduo. mas pode ser o que nos %ascina na pro%issão! as di%iculdades e os desa%ios de venc72. constatamos que ocorre deslocamento das e#pectativas. W de se lembrar que a penicilina. %a&endo com que ve)amos a pro%issão de ser mEdico ou mEdica. possibilitando a conhecida rela(ão bem pessoal e direta do mEdico com seu paciente. em grande parte isso E atribuído / prJpria comple#idade dos conhecimentos e da tecnologia. Colocar2se e vencer desa%ios E algo muito prJprio dos seres humanos.

atuando em equipe. se o mEdico se insere como pro%issional no mercado de trabalho como apenas proprietário de seu consultJrio particular. Mas em outras situa(Kes. ou ainda se E contratado de uma medicina de grupo. Mas tambEm vamos mostrar que se a medicina se trans%orma de tempos em tempos. uma nova reorienta(ão parece estar em curso! a ambulatori&a(ão dos cuidados. 0or isso. no e#ercício da pro%issão. determinarão a qualidade da prática de qualquer mEdico. com o crescimento de uma medicina de menor custo e praticada por equipes menoresO restri(Kes e críticas quanto ao uso das tecnologias e das especialidadesO incentivo a cuidados novamente domiciliares. Esta. levando / presen(a de %ormas empresariais tambEm para %manciar a assist7ncia. quanto pelas percep(Kes que os mEdicos t7m dessas situa(Kes. encontrará mais di%iculdade de composi(ão com outros especialistas necessários a cada caso e terá de atuar so&inho em áreas que não são de seu domínio especí%ico. Pá pequenas empresas ou empresas privadas de%inirão tais acessos da clientela ou a incorpora(ão tecnolJgica a certos estabelecimentos de %orma variável. como sendo os principais requisitos da prática e da pro%issão. SER &1DICO0 SABER E TRABALHO $ma primeira questão será esta! deter conhecimentos e dominar tEcnicas E %undamental para o e#ercício da pro%issão. e no 4rasil sobretudo nos @Y. ou sua conduta clínica. 'e. será alvo de diversas %ormas de capitali&a(ão. porEm. a capta(ão dos clientes e a continuidade de assist7ncia. e tambEm relacionado ao que cada segmento de clientes pode pagar. como cotidiano dos servi(os de saDde. resultando ambos em uma atua(ão mais ligada a estabelecer tratamentos do que reali&ar cuidados propriamente ditos. . ainda que uma assist7ncia domiciliar diversa da da medicina liberal. :@@CU. essa histJria não E sempre ob)eto de re%le#ão para pensarmos as e#pectativas pessoais diante da pro%issãoO ocorre uma certa tend7ncia ao esquecimento da histJria. de massas e em grande escala. 'e no modelo empresarial logo e#pressou2se como um problema dos mEdicos o assalariamento e a perda da clientela. alEm disso. parte de suas antigas prerrogativas com a clientela são preservadas 2 como o atendimento em seu consultJrio. alEm da modalidade de empresa. essas trans%orma(Kes da medicina %a&em com que mudem as e#ig7ncias ob)etivas quanto ao que deva ser o bom mEdico. tais como as empresas de medicina de grupo. tambEm será uma medicina de custos crescentes. pois. a partir dos anos ?Y. Em algumas situa(Kes o mEdico conseguirá atuar como especialista e compor seu trabalho com outros. desconsiderando2 se seu impacto sobre o e#ercício pro%issional! os e%eitos das trans%orma(Kes que atuali&am a prática e. por e#emplo. mas outrascomo o pre(o da consulta. E tambEm propiciam mudan(as de ordem sub)etiva! novas e#pectativas. gerando desempenhos que so%rem ho)e pelo menos dois tipos de crítica! a perda da humani&a(ão na medicina e o e#cesso tecnolJgico da assist7ncia. ou os seguros bancários. vamos aplicar os conhecimentos sob determinadas condi(Kes de trabalho. mudam o signi%icado de 6ser mEdicoTaU6. no modelo liberal diretamente comerciali&ada pelo prJprio mEdico de consultJrio. são os equipamentos e medicamentos incorporados aos servi(os. mesmo que se)a de alto custo. E sua precondi(ão. ou se sua inser(ão se dá como empregado de um dado hospital.lguns dos aspectos dessas condi(Kes de trabalho. cada mEdico tiver de en%rentar mais de uma situa(ão dessas. em contraste. ou entre os vários pro%issionais que trabalham nas equipes de assist7ncia. uma grande depend7ncia em rela(ão aos conhecimentos ultra2especiali&ados e /s inova(Kes tecnolJgicas. . e. alguns aspectos. ou ainda como servidor autInomo. Cada mEdico para produ&ir seus servi(os terá de ingressar nestas engrenagens empresariais. 0ortanto. "o Dltimo caso. ideais e novos valores que os mEdicos buscarão para e#ercer a pro%issão na sociedade e praticar seus conhecimentos e tEcnicas na produ(ão dos cuidados. "o entanto. cada uma dessas situa(Kes de trabalho delimita o leque de possibilidades de atua(ão e de uso de seu conhecimento ou domínio tEcnico. a rotini&a(ão do trabalho e a produ(ão pouco individuali&ada. Em geral. a medicina atual mostra um grande abalo das rela(Kes entre mEdicos e pacientes. tanto pelas mudan(as das situa(Kes de trabalho para o mEdico. ou os planos de saDde das empresas e indDstrias da produ(ão de bens e servi(os em geral comprados de grupos econImicos diversos. quanto / universali&a(ão dos cuidados! uma medicina institucionali&ada. o que depende das políticas administrativas e do plane)amento de cada estabelecimento. $ma crise de con%ian(a E o resultado que esse con)unto crítico produ& para o modelo mEdico atual T'chraiber. .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina produ(ão mais e#tensiva e produtiva. em cada qual terá de não São Paulo 2007 41 . assim como.lgumas empresas terão maior ou menor %iscali&a(ão nesse sentido e outras o%erecem maior liberdade de escolha aos clientes e atua(ão aos mEdicos. são rela(Kes sempre intermediadas pelas empresas com as quais %e& conv7nios de servidor autInomo.ssim teremos empresas de grande porte e pDblicas que assumem a necessidade de prover toda e qualquer tecnologia aos clientes. Mais recentemente. Essas condi(Kes tambEm irão con%ormar qual será o uso e%etivo dos conhecimentos. os mEdicos %i#am algumas imagens. entre os quais tambEm estão os de mEdicos. o que mostraremos a seguir. . presta(ão de servi(os mEdicos. se)a como assalariado. assim. se)a como proprietário.

Ocorrem desigualdades na produ(ão e consumo. O trabalho mEdico teve. esse mercado vem apresentando acentuada e#pansão! B:. pela ampla gama de institui(Kes de di%erentes nature&as que o compKem. destacando2se o %ato de que :A\ deles detinham quatro ou mais.<\ estavam alocados somente no setor privadoO ><\ mantinham vínculos com ambos os setores. <?. de áreas de atividade secundária Tespecialidade secundáriaU.ssim. . mesmo no consultJrio particular. "o setor pDblico a renda mensal era menor se comparada ao setor privado. se =>. • • • • • • • • • • Esse con)unto de especi%icidades dos servi(os encontra paralelos nas características do atual mercado de trabalho dos mEdicos. .B horas.C\ das institui(Kes são privadas. há rea%irma(ão da tend7ncia! B?.<\ situa(Kes de trabalho são da dEcada de CY e em ?Y ainda e#pande2se mais :@. como setor e#clusivo de trabalho.A\ trabalhavam mais de B: horas. 'egundo o nDmero de situa(Kes de trabalho. O setor pDblico e privado conectam2se por vários mecanismos. houve consolida(ão do setor privadoO na dEcada de ?Y. a comple#idade do e#ercício pro%issional e a versatilieade e#igida pela estrutura de produ(ão dos servi(os. Ná a produ(ão da assist7ncia na %orma de trabalho em equipes. Quanto / )ornada de trabalho. Ná grande incorpora(ão de equipamentos e instrumentos materiais.A\ dos médicos tinham apenas uma situa(ão de trabalho. com progressiva especiali&a(ão.@\ não atingiam <A anos de idade.A\ dos pro%issionais investigadosO ><. Os que apresentavam maiores rendimentos mensais eram pro%issionais vinculados a ambos os setores. como uma de suas características mais marcantes. . isso associa2se a comple#idade crescente que o trabalho mEdico assumiu. Ná a ger7ncia da empresa. Em somente ?. O setor pDblico prevaleceu sobre o privado.<\ trabalhavam atE quarenta horas semanaisO <@. Estes. porEm. controlando mEdico e outros pro%issionais. O nDmero mEdio de horas de trabalho por semana era de >C. Ná aumento da )ornada de trabalho. . 0redomina a produ(ão empresarial. comple#idade do mercado de trabalho impelia o pro%issional a uma diversi%ica(ão de suas %un(Kes! daí a e#ist7ncia. ingressaram no mercado na dEcada de CY. O setor pDblico. de di%erentes tipos. na maioria. O pro%issional mEdico compIs não apenas di%erentes %ormas de participa(ão no mercado. havia predomínio das atividades clínicas sobre as cirDrgicas. E presen(a constante. a categoria pro%issional mEdica era composta por nDmero signi%icativo de )ovens! <Y.lustrando com a situa(ão de 'ão 0aulo TCohn d onnangelo.nstitucionali&a2se a heterogeneidade de rela(ão mEdico[paciente. "estas. como terá de adaptar2se ao con)unto deles. atividade em consultJrio.>\ homens e ==. os demais associavam duas ou tr7s. Ná grandes di%eren(as nas remunera(Kes e na renda %inal de cada mEdico. combinando vínculos com di%erentes institui(Kes. Cada mEdico en%renta diversas situa(Kes de trabalho. na dEcada de BYO )á na dEcada de CY.C\ dos casos a especialidade principal coincidiu com a secundária.A\U. nos anos ?Y. Ná universali&a(ão da assist7ncia mas' com eliti&a(ão no consumo. ou a ambos. mas tambEm di%erentes áreas de especialidade e trabalho sob di%erentes condi(Kes quanto a tipos de inter%er7ncia em sua prática. Ná clientelas coletivas das empresas e não mais de cada mEdico. Vamos considerar que as atuais condi(Kes de trabalho englobam características dos servi(os e do e#ercício da pro%issão como segue! • Ná uma e#tensão dos servi(os. ainda. . diversi%ica(ão do mercado de trabalho do mEdico pode ser apreendida. sendo CC. praticando variáveis %ormas de atua(ão como mEdico.<\ com menos de trinta anosO A?. . Essa e#pansão ocorreu pela amplia(ão de situa(Kes de trabalho. estabilidade e perman7ncia no trabalho.>\ TCohn d onnangelo. :@?=U. em grau signi%icativo T>=. a instabilidade do pro%issional no mercado. . São Paulo 2007 42 . prática mEdica E muito dependente da tecnologia e suas indDstrias. 0ara o mEdico há aumento do caráter rotineiro do trabalho.B\ mulheres.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina apenas estar constantemente mudando de padrão de desempenho pro%issional. :@?=U. absorvia somente :=.=\. . e a presen(a signi%icativa das especialidades mais gerais T><. Ná grande aumento de custos da produ(ão e pre(os para consumo. sob di%erentes condi(Kes e rela(Kes de trabalho. de >: a sessenta horas semanais e ==.>\U. Ná di%erenciais de vínculos.

=\U atividades.@>\ para o 'udeste.=\ dos entrevistados participaram do mercado de uma Dnica %orma To que não quer di&er um Dnico emprego! o mEdico poderia ser somente assalariado em vários empregos concomitantesUO BY. :@@BU mostram que as características anteriores acentuam2se! a crescente presen(a de mulheres mEdicasO grande contingente de mEdicos )ovensO a inser(ão em mercado com mais de uma atividade de trabalho e associa(ão tanto de vínculos empregatícios quanto de especialidades. apresentaremos dois depoimentos de mEdicos.C\ dos mEdicos conciliavam duas ou mais %ormas de participa(ão. maioria dos mEdicos brasileiros TAC. e#clusivamente. quando AY. no privado. no qual se reconhece plenamente. Esse imaginário não E imutável e não há um quadro totalmente %echado do que seria pro%issão ideal ou a boa prática em medicina. :@@CU. Quanto ao assalariamento. como mencionado. "o tocante a setor da presta(ão de servi(os. trabalhando. 0odemos ter idEia dessa questão quando conversamos com mEdicos de di%erentes Epocas e cada qual se re%ere / medicina por ele praticada como sendo a pro%issão de 6seu tempo6. isso denota a grande mudan(a e a introdu(ão do assalariamento como situa(ão comum de trabalho. sem dDvida. por e#emplo. que trabalhava com base essencialmente no consultJrio particular. estando o maior contingente entre trinta e <@ anos T>Y. W .BB\ para o 4rasil. contrastam com a prática liberal. o que em con)unto e não sem con%lito com os conhecimentos acerca das situa(Kes atuais de trabalho.<\U. e a atividade e#clusiva de consultJrio veri%icava2se apenas em A. administra(ão. =>.?\ dos entrevistados se assalariaram e#clusivamente no setor pDblico. entre as várias atividades estápresente o plantão! AY\ dos mEdicos dão plantão e dentre os plantonistas E raro o mEdico com mais de cinqLenta anos T@. e concentra as áreas mais especiali&adas. 0roporcionou. vai construindo a cultura mEdica. que atravEs São Paulo 2007 43 .B\ dos mEdicos t7m atE tr7s atividades de trabalho. ==. algo do dever ser E sempre tentado no cotidiano do trabalho. Era bastante modesta sua participa(ão nas áreas cirDrgicas. :@CAU. mostrando a mudan(a de ideal de pro%issão e as e#pectativas pessoais de trabalho.C\ dos casos e#clusivamente no setor privado. .C\ 2 e nas especialidades que envolviam atividades como saDde pDblica. Está muito ligado tambEm a uma imagem de boa prática e um ideal de pro%issão que em grande parte são e#traídos de valores tradicionais da pro%issão e identidades pro%issionais bem2 sucedidas no passado.>\U participando de tal atividade. diante das condi(Kes de trabalho estranhas ao esperado. um quadro histJrico. o trabalho dos intensivistas em $nidades de +erapias . Esses dados.?\ locali&ados e#clusivamente no setor pDblico e <?. +al imaginário e as e#pectativas que tra& são tão %ortes para o e#ercício da prática que. quando em :@AY representava cerca de AY\ T'chraiber.>\ T onnangelo. Contrariamente aos anos CY T onnangelo. associa entre duas T=C.:\U e tr7s T<Y. e CA.O E AS CO'DI-5ES DO TRABALHO COTIDIA'O Ocorre que muitas ve&es. O assalariamento passou a se generali&ar para as várias %ai#as etárias. 2 :A. construído sob as raí&es da medicina de cada Epoca histJrica e reconstruído continuamente. no qual busca resgatar ou manter alguma coisa daquelas e#pectativas.penas <?. cada mEdico %a& uma adapta(ão pessoal e particular a um desempenho possível. "o entanto. o que cada mEdico espera ao %ormar2se não está de%mido apenas por essas in%orma(Kes. Mas um nDmero signi%icativo de pro%issionais não t7m prática de consultJrio! =>.ntensivas T'chraiber. de ser uma %orma de integra(ão inicial no mercado. mesmo sabendo das condi(Kes de seu mercado de trabalho e das situa(Kes e#istentes. montantes de renda menores que as demais %ormas de trabalho. :@CAU. 0ara uma pro%issão de origem liberal. ainda. sobretudo os mEdicos atE <@ anos TBY\U. pois os mEdicos )á aceitam trabalhar em situa(Kes apenas hospitalares e como assalariados.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina . distribui(ão das %ormas de participa(ão no mercado de trabalho e especialidade mEdica indicaram que os e#clusivamente assalariados concentravam2se em áreas clínicas Tcom predomínio das especialidades mais geraisU 2 ==. W. . 0ara os mais )ovens. mas estranha mudan(as que tambEm termina por e#perimentar ao longo de muitos anos de pro%issão. Os anos @Y TMachado. SER &1DICO0 E'TRE O IDEAL DE PRO3ISS.@\ do total de entrevistados mantinham tambEm rela(Kes de trabalho assalariado.>\ dos pro%issionais eram e#clusivamente assalariadosO CA. portanto. etc. :@@<U e em CY )á eram apenas ?. =<. os dados de :@?Y revelam somente ?. dei#ando.B\ dos casos.de se notar que esta região detEm A?\ do total de mEdicos do país.>\ dos mEdicos associam quatro ou mais atividades de trabalho. e apenas =?\ não t7m atividades neste setor. o que cresce para <: \ na região 'udeste. cerca de CY\ dos mEdicos mant7m atividades no setor pDblico. que serão situa(Kes valori&adas se %orem atua(Kes do tipo especiali&ado. 0ara ilustrarmos tais considera(Kes.@\U.B\. como %orma e#clusiva de participa(ão no mercado.

passei a minha clínica dentária para minha irmã. Eu decidi %a&er o curso de dentista porque mamãe queria que a gente tivesse.... No)e. a minha gratidão. as e#pectativas iniciais.. minha %ilha. Esses estudos colheram depoimentos na %orma de testemunhos pessoais de mEdicos de di%erentes especialidades.. naquela semana nJs não tínhamos aula... "aquele tempo. "a ocasião. uma de cada período.No)e tem quem trate do homem. ele di&ia! 6"a semana que vem as mo(as não v7m / aula. Então.natomia.Olha. Era um pro%essor. ... Mas isso muito posteriormente. 0apai e mamãe eram italianos. +odos mantinham trabalho em consultJrio e#pressivo.sso E muito curioso.0recisa muito estudo e muita coragem..Quem São Paulo 2007 44 . %ormados entre :@?Y a :@?A. mEdica ginecoobstetra e outor 4ernardo. pu#ei pela mãeQuando cursávamos . o sangue está escuro. a mulher vinha pedir as coisas de.. e então nJs apanhávamos. como minha mãe. assim. o pro%essor era o pro%essor 4overo... Era. Então o operador di&ia! 6Olha. :@@CU. di&ia! 6.. %ormado em :@?>. Chamava2se . mesmo. Eu pensei em %a&er 3inecologia e Obstetrícia.a mesmo. outro pouco nJs. não dá certo. assim. mas mais ligado / parte de senhoras. o sangue está claro.Em geral. comerciante %orte. +alve&.. não podia ser mEdica de homem. %oram escolhidas para serem depoimentos e#emplares. depois. . 0orque a anestesia não tinha. Os depoimentos são e#traídos de estudos sobre as trans%orma(Kes histJricas da medicina no 4rasil. elas %a&iam pediatria ou clínica geral. mEdica.Meu padrasto mandou vir da . %ormada em :@<:. Mas ele não era uma pessoa de posse. Mamãe chegou ao 4rasil com cinco anos. duas Epocas são retratadas! uma que parte dos anos <Y e chega atE %inal dos ?Y T'chraiber. devo / minha %amília e rendo. outora Emília..sso E curioso porque.ssim que me %ormei. epois E que vieram esses progressos da anestesia. apenas dois estavam aposentados e todos haviam e#perimentado e#pressiva prática de consultJrio particular. mostram todo esse processo que acima delineamos! a ado(ão da medicina como pro%issão. o desenvolvimento da vida pro%issional com seu desa%ios e dilemas prJprios e as trans%orma(Kes que ocorrem e como são pessoalmente percebidas. e me dirigi para Cirurgia no quarto ano. DRA+ E&6LIA 7ano de 8ormatura0 *9:*.. as mEdicas da minha Epoca.. penso que %iquei morando no 4rás. . )á queria ser mEdica e quando eu entrei na %aculdade de medicina. cardiologista. nJs E que dávamos a anestesia. mostrarão os contrastes entre esses períodos e suas medicinas e mediante suas narrativas nos apresentam a medicina de todos esses 6tempos6.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina de suas histJrias de vida de trabalho. um grande pro%essor contratado no estrangeiro e que dava aula para nJs. 5aleceu muito cedo.. uma pro%issão. e cliniquei. numa casa de dois lances.iminui a anestesia-6 Então nJs come(amos com o cloro%Jrmio. Eu nasci em =: de outubro de :@Y=.Nomem E sempre homem e mulher E sempre mulher. em 9io Claro. 'er auto2su%iciente. porque não tínhamos tido a aula.. 0orque nJs vamos dar molEstias!. "eles. 0orque nJs vamos dar Jrgãos genitais masculinos6. com um ano ou pouco menos..Eu vim logo de pequena para 'ão 0aulo.. todo mundo dá risada. +udo era %eito em %amília.lemanha. Mas depois. cu)as histJrias %oram gravadas em :@@B e :@@C. cu)as histJrias %oram gravadas em :@?C e :@??. a anestesia era dada pelo estudante. "o segundo estudo. se v7 aquela doutora %amosa. era dentro de casa. nesse momento. porque tudo era dentro de casa. eu tive gabinete dentário na 9ua 0iratininga.. 0ara come(ar. desvios da se#ualidade6. de rela(Kes ano2retais e tal. E voc7 E tão %raquinha. .. Ela %a& muito bem e %a& 0roctolog. Meu gabinete veio todo importado. aos <= anos. 0orque naquele tempo tudo rendia. %oram entrevistados oito mEdicos! dois pediatrasO dois clínicosO dois ginecoobstetras e dois cirurgiKes. mais ou menos. eu acho. E.. mesmo clínica geral. O 5lamínio 5ávero. ho)e em dia. Quer di&er que mEdica mulher não podia ser mEdica de $rologia.gnoro quando papai veio.. semana que vem as mo(as não v7m / aula.6 Mas.. . Quando %i& odontologia.Comuniquei a decisão para mamãe e ela disse! 6W uma pro%issão para homens. vim logo para 'ão 0aulo.. "o primeiro estudo %oram entrevistados nove mEdicos 2 dois pediatrasO tr7s clínicosO dois ginecoobstetras e dois cirurgiKes 2 %ormados entre :@<Y a :@AA. eu era persistente. que %a& muito bem molEstias ano2retais. E... não e#aminava homem. Então. aqui. :@@<UO outra que se inicia nos anos ?Y e se conclui em :@@C T'chraiber..4 duas histJrias. depois. mas acho que ainda crian(a..E não podia conhecer essa grande variedade de distDrbios se#uais.liás. não.nselmo. a inser(ão em seu mercado de trabalho. . em especial em 'ão 0aulo. na prática. aí. O que eu sou e %ui. porque não era para as mo(as assistirem /s aulas. $m pouco tomava na máscara o doente. Mas primeiro eu %ui %a&er aquilo que precisava para %a&er %rente /s coisas da casa. eu acho que nem precisa..$m ganhava. provavelmente vítima de molEstia cardíaca.

.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina se dirigia para a cirurgia... Mas não eram pessoas %ormadas. o 5leming trou#e a penicilina.. porque todos em geral se inclinavam para as especialidades.. por e#emplo.gora. a paciente que não %osse atendida. o bom clínico E o grande mEdico de amanhã e sempreEra di%ícil ser um bom clínico. pedir um e#ame para sí%ilis era %eio.. "ão havia ... 0or causa da coisa horrorosa que se via nas mulheres recEm2casadas.&ul.0orque nJs tínhamos um colosso de mulheres.. posteriormente. epois. no meu tempo.0orque se perd7ssemos a hora do parto. numa entrevista que dei ao -i&rio da . 0orque depende de muito estudo. Em >> a penicilina %oi posta no mercado de ve&. E naquele tempo. outra ve&. "aquele tempo precisava ter saDde..Os partos eram %eitos em domicílio por comadronas 2 pessoas mais ou menos a)ustadas. e maneira que quando eu precisava pedir um e#ame. as condi(Kes eram di%erentes."ão sJ na parte da sí%ilis. 5oi em >>. "aquele tempo. o mEdico vai onde o paciente %oi. E uma voca(ão. 0orque as prJprias pacientes não queriam ir para o hospital. de imediatista..."aquele tempo era voca(ão. mais ob)etiva. mercuriais. então. E.h.Eu desde o quarto ano. Eu tinha saDde.. )unto com o atestado de nascimento. %icava2se escravo..Pá viu isso* E não tínhamos in%ec(Kes. assalariamento. se via a sí%ilis nervosa... tínhamos muito essas venEreas si%ilíticas. . essas coisas que não se v7 mais. Chama2se o pronto2socorro e o pronto2socorro vai levando o paciente. não E uma pro%issão. que %eli&mente a penicilina veio resolver. os corrimentos. molEstias venEreo2si%ilíticas em evolu(ão-..tE >>. resolvíamos os problemas com algumas pequenas interven(Kes que eram %eitas em domicílio.."ão era.. 0recisava estudar muito e naquele tempo os recursos eram muito pequenos e os resultados não eram palpáveis. naquele tempo. essas coisas. tenho uma determina(ão imediata e a especialidade e#ige raciocínio.quilo era uma coisa sEria. e maneira que eram umas pessoas adaptadas. E os panarícios e as erisipelas e aquelas coisas que nJs tínhamos.O paciente %a&ia a sua propaganda"aquele tempo... que a penicilina entrou a todo vapor.. E eu achei. a %a&er algumas interven(Kes em casa. que era uma institui(ão que dava assist7ncia /s %amílias dos soldados e pra(as e o%iciais da 5or(a 0Dblica. em >>.. 8evantar de noite.O que ele não aceitava. que se %ica. coitadas.s molEstias que mais me calaram %oram as molEstias venEreas. então as pacientes eram removidas para o hospital. 'í%ilis e molEstias venEreas eram as a%ec(Kes que naquele tempo enchiam os consultJrios.oite. a +abes.. área cirDrgica era mais. antes da penicilina.. mais ou menos.. pro%issão mEdica. era uma bela especialidade.. Eu. prática e ob)etiva. e que tanto %acilitam a vida do mEdico.. era mais Dtil."inguEm queria o hospital de medo das in%ec(Kes. por assim di&er. E quando chegava a hora..e maneira que isso era uma coisa que impressionava grandemente mesmo. que a clínica geral. a parteira chamava numa hora. a uma visita. não havia penicilina para continuar. 'e enchendo de ane#ites. por assim di&er.. eu tele%onava para o laboratJrio e di&ia! 6Olha.. que morriam de in%ec(ão puerperal naquele tempo..9esolve mais rapidamente as coisas. .. para sí%ilis. está tudo bem-6 epois /s cinco horas.. 0orque %oi mais ou menos em <@ que %i&eram as primeiras observa(Kes e atE havia pouca penicilina. sumiram do mapa. se perd7ssemos o parto. tenho raciocínio pronto..Ele vai ao hospital e aceita o mEdico que está de plantão. Então a Cru& . . 'egunda 3uerra Mundial trou#e algum bene%ício para o advento das sul%as. Então eu achei que era di%ícil ser um bom clínico. . não havia nenhuma dessas organi&a(Kes que e#istem ho)e. Vai /s duas horas da manhã! 6. naquilo que queria seguir.E o bom clínico E o grande mEdico de ho)e. o e#ame de sangue que eu quero E para Masserman6. por questão do meu temperamento..nstituto. porque íamos atender longe.O doente )á não %a& questão do seu mEdico. ao servi(o e controladas atE certo ponto por mEdicos. .$ns processos ane#iais grandes.. "o meu tempo....0or e#emplo. mas não se adaptava muito ao meu temperamento..Era um sacerdJcio. esterili&a(Kes grandes.. mesmo. E. naquele tempo. como um presente de lua2de2 mel. %a&er um parto. . um atestado mEdico. especí%icos ou não. O cidadão %icava bom ou ia. Continuavam com as suas matErias básicas. depois. /i usou2se / grande mão e não se viu mais as in%ec(Kes puerperais. o parto se modi%icava. Então havia umas quatro cru&es e a %amília %icava &angada! 60orque isso não pode ser-6 0orque sJ depois que eu tinha as quatro cru&es E que podia tratar uma mulher. a Cru& .. por assim di&er. saDde. E %a&íamos como sacerdJcio mesmo. disse que achava que quando o cidadão casasse devia levar.. "o parto.. por e#emplo. .. lá por volta de :@:<. São Paulo 2007 45 . de gra(a. antes da descoberta dele.. e.. Então.&ul teve o parto domiciliar! a parteira chamava por alguma coisa e nJs nos atrevíamos. No)e )á E um pouco di%erente.. . não.. e eu %ui escolhendo essa área mas tambEm por outra coisa. sJ tínhamos bismuto. Essas coisas %oram mais ou menos debeladas.. E. e depois a mulher ia dar / lu& ao meio2dia. 0rimeiro. %oi a primeira organi&a(ão que teve assist7ncia ao parto domiciliar pago pela institui(ão. 0orque %a&er obstetrícia naquele tempo. E sJ se tivesse uma interven(ão maior.sso despersoni%icou o mEdico.. Era assim. era assim. depois...h.. Pá não e#iste aquele.. dei#ando atE dinheiro para o cliente. mas )á se inclinava.. não.. "ão havia muitas pessoas %ormadas porque %oi a Maternidade 'ão 0aulo que %e& a escola de parteiras.. na clínica particular. Quando se come(ava um tratamento. que %oi um grande recurso para nJs.

assim.O cidadão trabalha horas.. onde %iquei todo o tempo. epois o cidadão parou e me olhou e..'empre so&inha. Veio a era dos tumores. mais outra.. a senhora vai esperar e ele vai come(ar a me#er. sJ. o marido tinha BY. dois dias depois da opera(ão vai embora.. 0orque ela tinha tido uma pneumonia. 0orque a idEia de cirurgia era a idEia de homem trabalhando.. queria ver o seu paciente bom.. Eu tive consultJrio. naturalmente.... e eu entrei e. Então eu %iquei com ele.. Era uma mulher que teve seu primeiro %ilho 2 %oi cesariana. que Eramos mEdicos de voca(ão. "ão. %icou magoado porque não estendi a mão para o dono da casa. e maneira que eu pequei essa Epoca boa. muito grande.. dirigiu o servi(o de lepra. lá no ambulatJrio da Cru& .. Quando eu comecei o cidadão di&ia! 6voc7 vai tratar com uma mulher*-.Num. muitos anos atrás. Mas não estendi a mão. porque não estendia a mão para ninguEm.Pá se %a&. Os recursos que t7m ho)e.. 5oi a primeira ve& que eu usei o anasseptil.. Eu me %ormei e %ui procurar um consultJrio para dar consultas. porque ho)e as coisas são di%erentes. E isso. e#aminei o doente e tal. Ela tinha >B anos. . E..Esperava2se seis..Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina que nJs ho)e temos medica(Kes ricas. Então eu entrei. ele sJ dividia o espa(o mas eu não tinha nada a ver com o servi(o dele.... Quer di&er.ntigamente.0orque ela opera-6 O %ato de eu operar. se precisava operar. estava com >Yf de temperatura.. sereno. E o 'ales 3omes me disse! 6Olha eu tenho um consultJrio aí. senhora está grávida-6 Ela disse! 6"ão. Mas ela %oi herJica. que as mulheres iam ser e#aminadas por outra mulher.Então íamos %a&er.. eram paralisias intestinais.. ela %a& cesariana.. voc7 aluga a sala6. naturalmente. atE certo ponto.. penicilina resolveu em grande parte as in%ec(Kes ginecolJgicas.Mas eu )á tinha tirado o líquido para o e#ame e deu meningite pneumocJcica. sabe* Ela teve uma rea(ão tremenda. /s ve&es. por e#emplo. quer di&er que se trabalhava como um homem trabalha. era uma coisa que as pessoas gostavam. quando viu o resultado. Eu sempre trabalhei so&inha.. pessoa di&ia assim! ''Voc7 está tratando com a mEdica*-6 6Estou.Era uma coisa. era um quadro muito mJrbido. Eu me lembro uma ve&. tinha doente que eu ia na casa porque a clínica era domiciliar 2 ia %a&er in)e(ão de tr7s horas e depois de tr7s horas voltava para %a&er outra in)e(ão. depois. E uma grande coisa. Eu mesma tive uma paciente. toda a %amília %icava na sala de visitas para esperar o doutor que chegava. E estudada. quando %ui dar alta. e eu imediata mente in)etei duas ampolas de anasseptil2 que nunca tinha usado dentro da veia. então..... . "aquele tempo. era importante operar... eu operava. Eu.. Os homens que eram mais ciumentos. atE a pro%ila#ia. depois. quer di&er. mas depois de uns dois anos eu trans%eri meu consultJrio para a 'enador 5ei)J. sete dias. %oi de grande valia. Eu sentei lá na cama. sim. a opera(ão não podia demorar porque não tínhamos uma anestesia que desse uma. Mas lá no consultJrio dele eu tinha uma sala onde dava as consultas... viu*6 6Ela. tambEm. 5oi um grande especialista... 0rimeiro era aquela de tr7s em tr7s horas. e maneira que. peguei uma agulha e puncionei a raque! deu líquido opalescente. que se %a& com o 0apanicolau obrigatJrio. "aquele tempo a alta não era assim.Eu vou tratar com ela.6 . sJ se pegava em estágio quatro"em todas as in%ec(Kes eram tratadas igualmente com a penicilina. eu acompanhava essas mulheres no ambulatJrio e. mudou muito o per%il dos doentes.. "ão E por nada. E o 0ro%essor Meira. e veio o anasseptil em líquido. São Paulo 2007 46 . mas ela opera. disse! 6"unca vi %icar boa de meningite pneumocJcica6. Mas depois eu %ui mEdica da %amília inteira dele durante toda minha vida pro%issional. com o 'ales 3omes.&ul. Então veio a sul%a.Eu vi. Ela %oi uma medica(ão herJicaependia muito. e ela tinha ido ao meu consultJrio porque estava na menopausa. Ela tinha sido operada e teve alta.. se voc7 quiser vir. 0assaram a aparecer as a%ec(Kes de mal%orma(Kes.6 E a paciente! 6Olha. durante toda a minha vida. ... E essa cliente. senhora está grávida6. /s ve&es.."ão pode ser porque eu.. Então eu cheguei e disse! 64oa noite-6 E %ui entrando. quando ainda não tínhamos os antibiJticos e mesmo as sul%as. E essa mulher %icou boa. quando %i&emos a cesariana ela teve.. mas ela opera.... estágio dois.. E quando eu e#aminei eu disse! 6. e depois. entrava2se na %amília com. e eu usei intra2raquidianamente.. E eu me lembro.. não podia gastar muito... O primeiro %oi na 9ua 4en)amim Constant.Em cada setor a medica(ão para o tipo de doen(a. e tal. E que tem pessoas que gostam de segurar a mão&inha da gente. passei e vi outra mulher que tinha o sono da doen(a meningiana! 60u#aEssa mulher está com alta*--6 Entrei e pus o termImetro. o anasseptil peritonial. )á se pode %alar em cura de cVncer em estágio um.. "a Epoca.Eu era assistente do servi(o e operava com o che%e ou.. calmo.. alguma seguran(a. ela dá assist7ncia ao parto. que eu %ui atender um doente de uma %amília importante aí.... pouco de abuso. "os abortos provocados.Essas são coisas que %a&íamos. E uma casa muito linda. E a %amília tambEm achava isso bom. como che%e da casa. E uma bele&a. os quadros abdominais posteriores a todo tipo de interven(Kes. que eu era interna no hospital e tive a ousadia. Eu %a&ia 3inecologia e Obstetrícia e ele era o che%e da 8epra em 'ão 0aulo. 0orque o %armac7utico não queria %a&er e nJs. os tumores e estas a%ec(Kes di%erentes.. era de ter mais dessas dis%un(Kes hormonais.. tudo tinha de ser rápido0orque.sso dava um prestígio. no pJs2operatJrio. %oi divulgada rapidamente. Os dedos dela %icaram escuros... Nouve um Quando entrou.. _ sabe como E 2 tínhamos aquela postura de mEdico de outrora! me vestia reservadamente. posteriormente.... tratei e nunca tive %ilhos-6 Eu disse! 64om.

.. por ser mulher e pelos homens.Eram sJ mEdicos especiali&ados. 0oucos. quando o mEdico trabalha pela sociedade como assalariado.. E eu ia sempre contente"aquela Epoca o mEdico ganhava pouco. . por e#emplo.Ná hospitais.inda com o 'ales 3omes a clientela %oi chegando. mas que ele não tem diante da coletividade. 0orque a clínica de bairro era uma clínica de tudo. E por causa dos maridos.s mulheres de classe mais bai#a )á iam mais aos mEdicos de bairro. 6eu pago6. 0orque era di%ícil a clínica. Emília. 0orque ontem.Eu tinha %acilidade. eu achei que isso seria Dtil porque a mulher seria mais bem acolhida por outra mulher.. porque E a medicina de amanhã. eu ia / noite. E proibido por lei.. da classe mais abastada não %icava com receio de ser uma mulher e tal. 0orque tudo se trans%ormou.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina . de dei#ar registrado que o mEdico %osse mais mEdico. os maridos quererem que as mulheres %ossem e#aminadas por outra mulher. os pacientes acompanharam. eu gostaria... 0orque eu queria trabalhar.sso E. E as mulheres se sentiam mais / vontade. eles não tratam mais. mais impessoal. Então eu comprei um Chr]sler =?. Mas. Eu %alava! 6"ão. eu comprei tambEm um automJvel. quando eu ia ver um paciente. W o primeiro especialista que o paciente consulta.. . quando voltava. de vergonha de e#ames e tudo.lguns iam para o bairro.. 0orque eu disse! 60reciso atender os meus chamados6.ntes ele di&ia 6o honorário6O ho)e. essa &ona %icou de lado e os consultJrios %oram para outro lugar.. e tal. "unca tive medo quando ia. o clínico E um grande mEdico... sabe* 0orque..Eu quero que no meu depoimento conste um hino ao sanitaristaEm resumo. então. o mEdico sanitarista. Mas. 'J assim ressurgirá a %igura venerável do mEdico de outrora. Então ia lá para a 0arada . a clínica era dentro do centro da cidade...gora.O cliente pagando ou não pagando.Mas não %uncionava muito o ganho do mEdico. 0orque. Eram aquelas pessoas. tambEm.'e meter nesse mato. Ele E um assalariado.+ambEm queria que %osse registrado que E preciso e#altar o mEdico da Medicina 0reventiva.. +erceiro! en%ati&o o mEdico da 'aDde 0Dblica que tanto dá / medicina de ho)e e do amanhã.... "ão se abalavam atE a cidade. montei o consultJrio. Era ali pertinho. .. não. "aquele tempo poucos andavam de automJ]el. mas pouco. continua um aborto provocado. e maneira que E comErcio. O mEdico ho)e E um qualquer que o paciente vai %a&er a consulta e o mEdico ganha o seu dinheiro como qualquer..... então queria alugar. iam para o centro da cidade. e pronto. na hora. 'enador 5ei)J. e vai andando. 5ica comerciali&ado como está.ssim que eu me %ormei. Como mEdica.0orque. que não obstante o aborto não ser permitido.. de madrugada."a sala de opera(ão o mEdico retalha. pela vergonha da doen(a. que entendesse mais os seus problemas e ela. por uns tempos. e maneira que eu não tive di%iculdade em ter clínica. de mEdico. Quer di&er que esse pessoal. e maneira que se comerciali&ou....Meu eus-6 Zs ve&es eu di&ia para o 5ulano! 6Olha.. com aquele negJcio do pudor. São Paulo 2007 47 .. todos ali. Então o pudor. e acabou... na vontade de ser Dtil e %a&er alguma coisa.e maneira que isso.. que talve& não pudessem mesmo ter o consultJrio e que %a&iam a clínica de bairro. agora precisa comprar remEdio para sua senhora. pouco valori&ado nos tempos de ho)e. a poliomielite. o consultJrio ao lado e ele %icava. por e#emplo. pre%eria uma mulher. 0ara os mEdicos. nos primeiros tempos %icavam com receio. assim. que bele&a. para mim.sso era para ele ir comigo atE o ponto onde eu tinha medo de voltar.. .. em qualquer lugar.ssim que eu me %ormei. serviria.. /s ve&es eu di&ia! 6Que coragem. talve& as necessidades econImicas daquele tempo eram satis%eitas com pouco. que depois %oi se degradando. 'egundo... qualquer trabalhador. . .. um pouco empurradas. para Chora Menino. Era na Conselheiro Crispiniano. 4em.nglesa. por e#emplo. tambEm. há cinqLenta anos atrás. que o mEdico. não se pensa. Elas %oram assim.. O senhor vai buscar6. Então di&iam! 6Olha o carro da doutora-6..O mEdico era um mEdico sempre igual. sabe. "a ocasião os mEdicos.. . . aquela &ona ali... ho)e. E eu gostava de dirigir porque num servi(o.. Então %oi aos poucos perdendo aquela característica. E quando eu mudei de consultJrio. E um mEdico não precisava ter o alto padrão que ele dese)a ter diante da sociedade. e tambEm com aquilo que representa a vida do paciente.. sempre teve umas partes pitorescas.. dei#o registrada essa mensagem aos pro%issionais de ho)e! primeiro. . tinha quatro ou cinco pro%essores.. "ão era %ácil. eles me tratavam com uma de%er7ncia que.lgumas ve&es tinha algum colega novo. tinha considera(ão.li no centro tinha o 9ubião Meira. o senhor vai agora porque E para tomar )á6.E assim que eu me %ormei. para esses lugares que nem ho)e se tem coragem de ir. tambEm. antigamente. no centro. nunca tive medo. o ser humano.nglesa. 0orque era &ona mEdica mesmo.Que pensasse que cada doente poderia ser seu %amiliar que estivesse consultando o 6seu6 mEdico. Quarto! o mEdico E algo mais que um assalariado porque ele trata do material mais nobre. Essa rela(ão do mEdico com o paciente %icou mais %ria. clínica %oi devagar. então. Ele di&ia! 6Eu vou buscar amanhã na %armácia6. ao atender o paciente... que queria come(ar a clínica.lguns %a&iam clínica de bairro.. era pessoal novo que pensa que a clínica vai logo e saem. naturalmente.. epois. na 0arada . e maneira que eu achei que a especialidade. 0orque ve)a a varíola erradicada. mas %icavam obrigadas.. tenha presente um ente querido.

+inha o irmão mais velho que.. esse nDmero de pacientes que vinha %ornecido pela unidade coronária. na 0rJ Matre.. aconteceu uma coisa que mudou a histJria da %amília.S. epois. tinha um contato muito bom com todos os pacientes.. tr7s pacientes por semana. a vida inteira. . ao contrário.inda no Dltimo ano de internato. e. pelo )eito. porque queriam marcar consulta comigo. Eu tinha quin&e anos.qui. atendia sJ um doente por m7s. a in%lu7ncia %oi do meu pai e um dese)o. estou trabalhando cada dia mais. recebeu um conselho de um amigo... não mais do que isso. avJs de amigos. quando a situa(ão econImica melhorou. "o consultJrio. então. . mas aí surgiu o meu outro avI. que eram as duas %aculdades que ele %a&ia. que %ica aqui nos Pardins.. mobiliado..S. en%im.. deu uma virada econImica na %amí:ia.... que era uma pessoa que se acreditava eterno. imediatamente. R.. dava plantão noturno e %im de semana no hospital.... quatro anos mais novo. peguei uma mão Jtima e %oi isso que me sustentou o ponto de eu poder convidar minha mulher para casar em ?C. R. viemos para os Pardins R.. "ão era um nDmero muito grande.. E ainda %a&endo a resid7ncia. mudou toda a visão..... Estudei numa escola de tradi(ão italiana.E.. com &ero doentes. E a surpresa minha %oi que o volume São Paulo 2007 48 . voc7 gosta de $+. sJ pacientes particulares. 'ou de classe mEdia.<Y.. tanto que vários pacientes pediam o tele%one. $ status econImico de uma %amília.. uma %orma(ão em paralelo.. a menos que voc7 venha a ser um pr7mio "obel. Eu %a&ia consultJrio uma ve& por semana. mesmo sabendo que eu não tinha conv7nio. e atE pagava uma bolsinha para voc7 ir lá e dar plantão e a)udar. não. caiu abruptamente a &ero.... E %oi uma mão na roda. estavam presentes minha mãe.. 5icamos de uma hora para outra sem meu pai. Mas %i& vários cursos que não tinham nada a ver com cardiologia R... essas histJrias )á se contaram várias ve&es.. era muito querido.. o ColEgio ante . R.Eu queria %a&er %isica e matemática. para %a&er cardiologia... urante a gradua(ão. Mas ser mEdico..tália e veio para o 4rasil. Entrei na resid7ncia e eu conhecia um mEdico... Como meu pai gostava de medicina.. porque )á estava %ormado...... porque eu )á estava por dentro do que tinha acontecido com eles.S.S. W muito mais %ácil voc7 %a&er isso sendo mEdico do que sendo %ísico ou matemático. eu %iquei esperando..S. que aceitava plantonistas do se#to ano.cho que eu atendia. %oi duro porque mudou tudo. "a $+. mas queriam ter atendimento comigo porque gostavam de mim. e %icou bonito... os primeiros pacientes do consultJrio vieram por esse esquema. Eu nasci em 'ão 0aulo. +enho um irmão menor. 'J que.. Quando cheguei ao terceiro ano. eu era o responsável por todos os pacientes... pronto.. Quando voc7 tem uma idEia 2 e isso %oi uma coisa que sempre esteve presente na minha cabe(a 2 de ser salvador da humanidade. a histJria de ser o Xorro. depois das :?. O resto dos pacientes. "Js Eramos tr7s irmãos. e que não tinha nada a ver com o esquema do hospital. pDblico. :@ horas.. mas eu. "o mesmo acidente.S. no bairro de 0inheiros. )á tinha idEia que eu queria %a&er. era ami&ade. não %i& nenhum curso mais ligado / cardiologia. pintado. R. prestei vestibular e entrei na %aculdade.. e %oi %a&er cardiologia. tinha um lugar.. )á %aleceu. saí da unidade coronária e.. o pai da minha mãe.. que segurou e come(ou a in)etar dinheiro na %amília.. "aquele tempo. tenho um monte de doentes internados. que era particular. aí.naugurei o consultJrio em come(o de ?C..í %oi duro.. tinha on&e. %ilho de mãe )udia e pai catJlico. não E* 0ensou2se atE mesmo em tirar eu e meu irmão da escola. eu sempre gostei muito. 5iquei durante um ano e meio dando plantão. 'em dDvida. aprendi um monte de coisas... no curso de cardiologia. Então.6.prendi um monte de coisas. "o %inal de @=. .. eu trabalhava ainda em uma unidade coronária de um outro hospital..."0'. 5omos via)ar e houve um acidente de carro! meu pai e meu irmão mais velho morreram. muito grande. então. Eles tinham sido internados pelo . e meu irmão. Eu gostava )á de cardiologia e terapia intensiva e tinha um hospital privado. compramos um consultJrio perto de onde eu sempre morei. no dia que meu pai morreu.S. pais de amigos... . de repente. passei para 4iolJgicas. .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina DR+ BER'ARDO 7ano de 8ormatura0 *9<=.. eu %alei que eu queria ser mEdico.. Eu %iquei durante uns seis meses estagiando. 6sapeando6 umas coisas.. e gostava de cardiologia. R. comecei a trabalhar. pais de pacientes. quando eu tinha cator&e anos. R...S. Minha in%Vncia %oi a de um garoto de classe mEdia.. que E mEdico. gra(as a eus.. entrou na %aculdade para %a&er matemática e %isica. sem pacientes ainda..lighieri. porque era um mercado que estava abrindo e que tinha condi(Kes. e ele era o meu ídolo.. e acabei sendo convidado para ser plantonista. %oi a Dnica escola que eu %i&. . eu sei que o país está em crise.. E eu estava no primeiro ano colegial.... Meu pai era imigrante italiano. isso chegou a ser insinuado para mim.... 5iquei trabalhando tr7s anos. o mais velho. O %ato E que. o super2herJi.. adorei.. entrei no melhor plantão pago por $+.. resolveu %a&er revalida(ão do diploma no 4rasil.. Ele %alou! 6acho que voc7 deve dar plantão no mesmo hospital que eu 2 que E um grande hospital privado 2 na $+. e isso %oi no come(o.. mas. coisa que está muito longe. O consultJrio %oi uma coisa que eu sempre quis %a&er. meu irmão menor e uma sErie de amigos. e tinha um sustentáculo %inanceiro. 5e& a %aculdade de medicina na ."ão tenho conv7nio nenhum em consultJrio. perguntavam se eu tinha consultJrio. em ?>..

.. quer pro#imidade e quer seguran(a. eu vou para casa. grande massa da classe pobre brasileira. mas lentamente 2 investir em não perder os pacientes.. parando um pouco para almo(ar sJ e. . O %undamental E o e#ame %ísico. nunca quis %a&er. para poder ver meus %ilhos. muitas ve&es. não.O que signi%ica perder o paciente* Que não volta mais com voc7. E o%erecer uma pro%issão de nível . porque nem sempre E uma urg7ncia.. +imide&. E quem %a& consultJrio particular.. a histJria vale cinqLenta por cento e o e#ame %ísico.Eu passei a atender mais cedo. . porque a classe mEdia e alta está achatando. porque a rela(ão mEdico[paciente não vingou.. eu tenho tele%one celular. então. no nível de importVncia. esse erro %oi na rela(ão mEdico[paciente. Eu gosto de medicina de consultJrio particular e não são todos os pacientes que são umas uvas. o que dá umas de&esseis horas.. e meu volume não caiu. E uma coisa degradante.. se#ta2%eira vão embora. +alve& não pague o resto. as pessoas trabalham sJ no hospital. E demais. que voc7 não pode sair.. Eu não abri nenhum conv7nio mEdico. principalmente. . mas não dou o tele%one celular para eles.. mas são uma decorr7ncia natural. ... R. e o nDmero de mEdicos está aumentando. não pode pagar uma 'consulta.. porque te dá o direito de responder ou não. eu saio antes das C horas para poder passar visita antes de ir para o hospital.sso E uma coisa em que eu invisto. E isso não me proponho a %a&er. que E o pre(o de um salário mínimo. 0rimeiro. incapacidade de se e#pressar e. está pEssima.O tele%one celular E muito pouco democrático.. E contar com tr7s coisas usadas a seu %avor... porque eu sei que aquilo representa uma %onte de renda. e a parte privati&ada.. a histJria. realmente.. quer uma resposta pronta.. 8idar com esses pacientes E di%ícil. sábado e domingo E sJ quando tem paciente internado. Então.. E uma coisa di%ícil. a %iloso%ia que eu ve)o. Os e#ames de laboratJrio são importantes. Então.. Voc7 precisa estar prJ#imo. R. 0ara os pacientes. precisa o%erecer isso para o doente. mas isso %a& parte da estratEgia..S. +ambEm tem o outro lado... o que acontece E que as pessoas atendem um nDmero muito grande de pacientes. com mais calma. voltam na segunda e ponto %inal. que )á eram meus pacientes e que indicavam outros.lEm disso. Como voc7 pode. Quando eu dava plantão. +odo mundo quer esse tipo de paciente.. não porque voc7 está %a&endo uma medicina pior do que o outro. precisa estar sensível. mas são os ossos do o%ício. com intervalo curto de tempo..... vai acabar o mEdico particular. mas porque não estão habituados. muito %reqLente.gora. que E uma área que tem muita urg7ncia... porque tambEm acho que assim não dá. eu )á tinha uma %onte que viria provavelmente de indica(Kes dos prJprios pacientes. e os de& por cento que sobram são os e#ames que eu vou pedir.S. como qualquer empresário. ocorreu algum erro e. segunda coisa E 2 se E di%icil voc7 conquistar os pacientes. o não2uso adequado da palavra.Mas a classe mEdia tem condi(Kes de pagar. numa consulta. e procurei resistir. Então. e maneira geral.. ConsultJrio mEdico E um negJcio. de ser coisa grave.. primeira.. o cara vai te ligar por um espirro.. investir num conhecimento mEdico sempre atuali&ado e o melhor possível. ... )anto.. O e#ame %ísico. na verdade. E uma coisa boba. ter uma rela(ão mEdico[paciente adequada* "ão tem. mas uma consulta sim. O primeiro. .cho que nJs vamos chegar num momento em que a medicina vai ter de ser parcialmente sociali&ada. de conv7nio. Eu pre%iro perder um paciente porque eu errei o diagnJstico 2 mas porque todos os caminhos e todas as conclusKes apontavam naquela dire(ão e eu errei porque E possível errar 2 do que perder porque eu %ui mal interpretado.. perdi muito poucos pacientes..... ouvir o que eles estão %alando. São Paulo 2007 49 .... nesses de& anos de consultJrio. em valor de consulta. +em gente que E complicada. ele %ica cabreiro.S. 0orque se voc7 não pedir e#ame nenhum. R. maravilhosos.... agora não.S. R... Mas para quem %a& consultJrio.. tem toda aquela mística do cora(ão. +enho colegas cardiologistas que não %a&em consultJrio. parcialmente privati&ada.. eu sinto que a conversa E setenta por cento.. Zs ve&es. legais de conversar. O tele%one celular não.. especialmente cardiologia. especialmente em cardiologia....O que E o%erecido. acho que isso E um dom.. cinqLenta por cento. eu passava visita todo dia.. não quero perder meus clientes. E eu. inclusive sábado e domingo. na minha visão. mas eu acho que ainda não. pelo menos classe mEdia e classe alta 2 classe alta E quem. E serem pEssimos oradores.. /s ve&es. %alta de tempo. E internado e acaba %a&endo tudo com voc7 _ que vai em mEdico.. está diminuindo o nDmero de pessoas. de certa %orma. via)am.W um valor muito bai#o. não por ignorVncia.. Meu horário E pu#ado. a onipot7ncia de achar que voc7 E insubstituível.s pessoas.. anamnese. aí eu trabalho das C da manhã /s =< horas. O doente quer isso. Então. em cinco minutos. 0orque a parte sociali&ada está muito ruim. eu não quero perder. as pessoas te chamam e 2 pelo menos E muito a minha visão _ o doente quer que voc7 responda ao bip. está cada ve& menor.. porque o nDmero de pacientes vem aumentando.... pior coisa que tem E voc7 perder o paciente.. o que tem sido %reqLente. ou quando algum me chama..Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina total não caiu.. . a histJria que eles t7m para contar. 0ara mim.. espero eles dormirem e saio... que E di%ícil. 0ip E mais democrático. timide&. vinte por cento. E um negJcio. que voc7 está com inve)a.. então eu acho que E preciso resgatar 2 e acho que cada ve& mais tem espa(o 2 o velho mEdico de %amília.. quer aten(ão. não vai modi%icar. . os mEdicos t7m dois grandes problemas. não tem condi(Kes.

E que E chato. )á operados. e %ico conversando com o paciente. %icam comigo. . +este ergomEtrico. e %icam mesmo. . EstetoscJpio E muito bom para a pressão.. não sJ em medicina..S agili&a o processo e melhora a tolerVncia. mas eu acho que o estilo de tratar o paciente. e esse microportátil eu carregava para cima e para bai#o. Comprei o computador. as coisas mudaram do ponto de vista. são pessoas que %a&em clínica no consultJrio. para ho)e.'enão. se eu instituir uma terap7utica. muito tempo de quem %a& o teste. evito receitar antidepressivos. Eu %a(o muita clínica tambEm.. como E que acontece. O e#ame %ísico E importante em valvulopatia. marcapasso. que %a& medida de colesterol total e %ra(Kes.n%ormati&ei o consultJrio. . a adesão. . que E um equipamento %undamental.. e encaminho. um noteboo1 %icava no consultJrio. . que a medicina não E uma coisa e#ata... endJcrino. para tornar ágil. mas muito pu#ado por esse carro2che%e que E insu%ici7ncia coronária. atE chegar a um diagnJstico. e repetir o mesmo processo. R. Mudou. que atendem pacientes. $ma coisa que me preocupa muito E ader7ncia. E necessário. tem uma miscelVnea aí. 3inecoobstetrícia. a partir das in%orma(Kes. cientí%ico. ele E pequeno. e em cardiologia.. comprei depois o celular. R. porque o aparelho demanda espa(o grande e. mas. a grande maioria dos meus pacientes são in%artados. "a minha área.. mas doen(a cardiocoronariana.í vem a terceira parte. ou.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina "unca pensei em ter um assistente.. 0orque ele te dá a análise numa ponta de dedo. coronariopatas não in%artados. voc7 não precisa de )e)um prolongado.. Que ele me contou isso e isso e. se melhorou. ele tem correla(ão de Y. está meio velhinho.... mas em cardiologia tambEm.í.. 'e eu digo que eu trato. .. %a&em uma espEcie de medicina da %amília. Quando eu abri o consultJrio. revasculari2 &ados. Cardiologista.tE uns seis meses. pe(o e#ames e marco retorno para quando os e#ames estiverem prontos. cardiologia E di%ícil voc7 tratar sem ele. sei lá. o sintoma mais %reqLente E dor torácica. que Ea conclusiva.. que E válvula. e nJs vamos de%inir o diagnJstico )á ou não.. R. %oi comprado. se o paciente se sentia mal em algum lugar. para escutar.. sobre dieta. eu tinha o disquete com meus pacientes.. . ele tem tr7s tare%as ali! a primeira consulta.. que continha histJria e e#ame %ísico de todos os meus pacientes. que o processo diagnJstico E e#atamente esse. . acompanhando o paciente. E o grande problema de acompanhamento. /s ve&es. mais seguro. trou#e de %ora do país.. E um e#ame %undamental. muito pouco. O fa' não E aparelho mEdico.. Eu ganhei muito...S. não E* 0ediatria. e minha secretária tinha um soft2are. mas E muito pobre. mais e#periente. Então. e quando eu me %ormei. que eu tenho que lidar com probabilidades. +enho mil pacientes e tenho as mil %ichas escritas a mão. não melhorou. arritmia. em medicina. mesmo porque acho que ainda não tenho tanto volume 2 o volume está aumentando muito 2 mas eu ainda não tenho o su%iciente para 2 usando um termo bem popular alimentar mais uma boca. )á vai %a&er de& anos. porque São Paulo 2007 50 ..Eu tambEm mudei. porque eu mesmo %a(o. o grosso E cardiologia. aí a gente v7 qual E o prJ#imo passo R..RgS teoricamente.ssim.. E o mesmo.. se)a ela uma dieta ou um medicamento. a que ponto voc7 chegou e para onde voc7 vai em termos de progredir a investiga(ão. )á está comprovado. .. pneumo. E insu%ici7ncia coronária. O aparelho E caro. e estou me adaptando a uma realidade nova. geriatra. %icar durante de& dias prestando mais aten(ão no que está acontecendo. comprei um eletrocardiJgra%o. 0siquiatria. para garantir maior tolerVncia. /s ve&es.. porque %iquei mais velho. eu não. ou algum tipo de correspond7ncia. e melhorei muito a ader7ncia com isso. E t7m umas áreas que não se invade.. o que tenha mudado menos. mas mandam o paciente %a&er o e#ame %ora. triglicErides e glicose.. eu acho isso e isso e aquilo. que E o esteio da cardiologia. porque eu %ui pressionado a ter mais equipamentos. que %a& clínica no consultJrio.. outros e#ames que o cliente quer me mandar... de monitoramento desses pacientes. porque a ci7ncia evoluiu. en%im. ou mesmo pedir para observar. Ou..s doen(as cardíacas t7m muito pouco de e#ame %isico.. anotar a que horas está acontecendo. ne%ro. embora tenha muito colega que inter%ere em psiquiatria. ou o resultado 2 interpreto na %rente dele o resultado 2 e)á dou o tratamento.. mudou do ponto de vista tecnolJgico.S pe(o eletrocardiograma para todos os pacientes.sso o torna um instrumento poderoso. talve&. que E a área do meu trabalho e a doen(a mais %reqLente. Voc7 senta com o paciente e e#plica para ele qual E a sua estratEgia.. E sei de colegas que compraram o aparelho.. R. W muito %reqLente pedir e#ame laboratorial.lEm disso. doen(a coronária E a doen(a mais prevalente. vou e#plicar para a pessoa. entre outras coisas. a metodologia dele dispensa o )e)um prolongado... outra coisa que eu comprei %oi um aparelho. mas mando %a&er %ora. in%ectologista.... ainda E o mesmo.S. "o consul2 tJrio. tambEm. e preven(ão. epois. maior ader7ncia. gastro.. mudou muito. Mas pneumo.. então.. em ader7ncia. que E e#atamente o que eu quero. o laboratJrio e voltar no meu consultJrio. em primeiro lugar. sobre tudo. o doente vai ter de voltar depois de sessenta dias. como está indo. os conhecimentos mudaram.. t7m muito de anamnese.. receita. ginecologista...@? com o teste dos bons laboratJrios particulares.S. . no momento em que comprei esse aparelho..... o cardiologista E um desses especialistas.. a gente discute. Então... o primeiro que se compra. essencialmente. para receber e#ames de pacientes....

a minha secretária.. o sacerdJcio. Então.. O doente vai te pegar pelo estImago. e eu não sei desenhar. eu acho que uma das %ormas de voc7 corrigir isso. mas nada melhor do que mostrar isso na tela do computador.. eu aceitei.. eu perdi o original e a cJpia. pequenos %ilminhos para o paciente. outora Emília e outor 4ernardo narram essa pas2 sagem de uma / outra medicina! do chamado domiciliar / medicina do pronto2socorro e da $+.. o cara dá uma olhada nisso. mas todos os pacientes que estavam digitados.. %alei uma coisa. alguEm da %amília vai ser opera2 do. um dia. na troca de um servi(o. no %inal do dia. substituída por uma vida de trabalho regular e delimitado. $ma maravilha esse país. Eles estão %a&endo um C de apoio para o cardiologista.. 0or e#emplo. %a& o desenho do cora(ão. esse nDmero de tr7s por cento vai estar em noventa por cento. E sou eu que estou %a&endo a parte teJrica. em que 6herJi e ousado6 E mesmo o equipamen2 to. a menos que o paciente e#i)a saber tudo 2 e ele sempre te di& isso. SER &1DICO0 &EDICI'A DE O'TE& E &EDICI'A DE HO)E Os dois depoimentos revelam modelos mEdicos di%erentes... dieta. nenhum era bom.... em ve& de eu %icar %a&endo desenhos ou mostrando porcentagens. 6deletaram2se6. algum comando errado e.. os soft2ares brasileiros. E que nem todo mEdico comunica aos pacientes. então. eu ganhei %oi um 0entium com C 29OM. bom.. deve %alar com a %amília.Eu paguei caro o soft2are. e comprei. mostro imagens. o que o paciente tem. eu tenho ainda. 0arece que o cardiologista E o mEdico que utili&a mais o computador. te mostra. Que adianta eu.. os mil. tr7s por cento dos cardiologistas.. mas E uma questão de tempo. passava essas %ichas para o computador. Ele %ica na sala de espera olhando isso. e redu& e%ici7ncia. ou a comerciali&a(ão do trabalho do mEdico... e#plico. epois.O do mEdico2herJi ao medicamento2herJiO do mEdico de voca(ão e talento / medicina de precisão cientí%ica e tecnolJgicaO da rela(ão pessoal mEdico[paciente ao contrato )urídico dos conv7niosO da con%ian(a no 6meu6 mEdico / con%ian(a na tecnologia 6do6 hospitalO da medicina de %amília e do bairro / medicina das grandes empresasO da medicina masculina e centrada no mEdico / presen(a progressiva da equipe de trabalho e das mulheres na pro%issão. na seqL7ncia. realmente E uma maravilha. tinha sido chamado para opinar. daqui a quin&e anos. a %amília perde a con%ian(a. contar para um senhor de oitenta anos. vai te pegar pela boca. a gente sempre e#plica qual E local das obstru(Kes das coronárias para o paciente. Então. sou sempre otimista. completamente di%erente. e voc7 E o 6Cristo6 que E mEdico. outor 4ernardo inicia. e ela que ia digitar para mim. Mas."as portas do sEculo FF. principalmente quando há essa situa(ão de estar trabalhando em equipe. .. mas não digo que o %uturo E negro.. porque a mentire tem perna curta.. E possível que eu tenha %eito alguma bobagem. Minha Dltima aquisi(ão 2 na verdade. E um C de apoio.. Mesmo que não tenha nada a ver com a sua especialidade.. mas voc7 entende o que eles %alam. se eu tiver uma %orma bem humorada de mostrar isso. outros são os desa%ios e as dDvidas.Eu tentei achar a empresa 2 tr7s anos depois que eu tinha comprado 2 procurei a empresa. algumas coisas para usar no intervalo. o recurso tecnolJgico. aquilo que eu acho que vai me a)udar. 'ão %atos reconhecidos como prJprios dessa medicina. Eu olhei vários soft2ares e não podia comprar o soft2are americano porque ela não %ala ingl7s. qual E o prognJstico. encontramos di%erentes vidas de trabalho! outor 4ernardo mostrou que seu ponto de partida %oi o ponto a que a outora Emília chegou ao aposentar2seO onde ela cessa seu relato. aquilo que eu acho importante dentro do consultJrio. as mulheres mEdicas.sso E muito %reqLente. Então. %alam mal. 'er muito ocupado e ser empreendedorO conhecer as engrenagens do mercado e reconquistar os pacientes e uma clientela suaO empresariar2se e manter2se EticoO desenvolver 'raciocínio crítico diante da São Paulo 2007 51 .Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina escrevo muito mais rápido a mão do que no computador. "este novo tempo. 0ercorrendo as duas histJrias.. convidou alguns mEdicos interessados em in%ormati&a(ão de consultJrio. que ele pode ter morte sDbita* Ele vai %icar louco. 6deu pau6.. 0or isso. O soft2are. então. a especiali&a(ão.. sobra para voc7 ir lá. Eu.. sempre ser sincero e contar tudo.. a $+. e isso )á aconteceu várias ve&es. mas tambEm a impessoalidade nas rela(Kes. e o outro %alou outra. não são mais o estranho. di%erentes mercados de trabalho e percep(Kes desses mEdicos sobre a pro%issão que tambEm terminam por construir di%erentes representa(Kes sobre o mEdico e seu trabalho. o assalariamento. e acho que o C vai poder me a)udar nisso. e ela tinha %alido. tridimensional.. então eu comprei um cora(ão de plástico para mostrar. me convidaram. a precisão tecnolJgica. Eu conto o problema. Os mEdicos %alam com di%iculdade. #eretar. eu não era o líder da equipe.. gente deve contar. o )ogo das institui(Kes. não sei o que aconteceu. E buscar um novo instrumento. e aconteceu isso. +em algumas coisas bem humoradas. %umo. atE que achei um que era relativamente simples. no ato. 5a&em parte do cotidiano. enquanto eu saio um minuto para atender o tele%one.. direta ou indiretamente 2 para ele..... voc7 perde o cliente. de %orma igual. eu conto. $m laboratJrio %e& uma pesquisa de mercado. pedir opinião. um tradutor. $ma questão importante. assim como a recusa / vida de sacri%ícios. nenhum ser humano con%ia 2 con%ia atE determinado ponto 2 porque e#iste muito receio. voc7 está 6do lado de lá6. porque E muito melhor eu %a&er com que voc7 se es%orce por uma qualidade de vida.

8 4. Cohn.. P. T:@?=U >he 3ocial >ransformation of /merican 7edicine. onnangelo. 5. Entralgo.de e previd4ncia. d 0aula. M. . Tcoord.0"$ . . T:@CAU 7edicina e sociedade. E as solu(Kes ho)e encontradas serão as raí&es de uma nova medicina. / 3tud9 ofthe 3ociolo"9 of /pplied :no2led"e. 'chraiber. C. T:@@<U O médico e seu trabalho. "ova horb! odd. a roda da histJria.U T:@@BU 6erfil dos médicos no 0rasil. 0. 8. . C. 'tarr. BIBLIO2RA3IA 4raga. T:@?=U Condi 5es do e'ercício profissional da medicina na &rea metropolitana de 3!o 6aulo. 9io de Paneiro! 5iocru& lC5MPM'.os E mover. d onnangelo. M. T:@@CU 7edicina tecnol<"ica e pr&tica profissional contemporânea= novos desafios outros dilemas. 'ão 0aulo! 5M$'0. Machado. 5reidson. e ser cientí%ico. M.. 'ão 0aulo! Cebes2 Nucitec. 'ão 0aulo! 0ioneira. Mead and Compan]. um outro modelo de prática e de pro%issão. 4arcelona! 'alvat. 'ão 0aulo! M025M$'0 T9elatJrio de 0esquisaU. /n&lise preliminar. E. 'ão 0aulo! Nucitec. Vol. N. 2. são alguns de seus impasses. 'uperá2. dominando a arte da pro%issão. em processo contínuo. +ese de livre2doc7ncia. '. 0. T:@C?U 8istoria de la medicina. C. 3. )studos de política social. "ova horb! 4asic 4oobs São Paulo 2007 52 . 5.imites da liberdade. T:@CYU 6rofession of7edicine. V T'ão 0auloU. '. T4rasil e regiKesU e Vo.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina acelerada produ(ão das novidades e das tecnologias. T:@?:U 3a.

serem constantemente avaliados por pares. Mas como as pro%issKes se constituem em atividades pro%issionais %ormalmente reconhecidas* Milensb] responde di&endo que as pro%issKes para se constituírem como tais precisam passar pelo processo de pro%issionali&a(ão que. %orte identidade moral e pro%issional. sob a %orma dee'pertise. demonstrando a incorpora(ão do ethos cientí%ico e a autoridade racional da e'pertise tEcnica. Com sua comple#a base de conhecimento e o aparato das tEcnicas curativas. e sua apropria(ão privada.mbos são a)usti%icativa e a garantia de que esse conhecimento será devolvido / sociedade na %orma de servi(os quali%icadosO apresentam2se como elementos prE2capitalistas ou antimercado. 0ara essa autora as pro%issKes %undamentaram sua argumenta(ão no princípio da racionalidade. para o ideal de servi(o na busca de crEdito social e autonomia. do outro. 'ão elementos que %oram incorporados / organi&a(ão das pro%issKes por serem elementos que sustentam tanto o crEdito social quanto a cren(a pDblica no caráter Etico das pro%issKes TMachado. Esses )uí&os pro%issionais t7m conseqL7ncias em tribunais. a atividade pro%issional necessita de regulamenta(ão do Estado para garantir o monopJlio da atividade e e#clusividade do mercado de trabalho TMoore. alEm da demarca(ão clara do territJrio pro%issional pelo mercado de trabalho. os mEdicos emitem )uí&os autori&ados sobre o que constitui en%ermidade RYY. são a principal resposta ideolJgica das pro%issKes para a contradi(ão entre conhecimento socialmente produ&ido.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina OS &1DICOS E O &ERCADO DE TRABALHO Maria 7elena Machado 8ora4a Almeida 9elisario CO&E'T(RIOS SOBRE A PRO3ISSIO'ALI>A-. Machado T:@@BU de%ine pro%issão como a con)un(ão de vários elementos que con%ormam uma atividade. num movimento de pro%issionali&a(ão das ocupa(Kes. :@@BU. Esses pro%issionais necessitam passar por treinamento especí%ico.O $m %enImeno que se tem apresentado de %orma crescente re%ere2se a grande nDmero de processos movidos pelas mais diversas ocupa(Kes. :@C?U. Esse %enImeno não se restringe / realidade brasileira. certi%icam mortes e tambEm valoram depois da morte se a pessoa teve ou não capacidade no momento de %a&er o testamento. torna2se crucial que esses pro%issionais se reDnam em associa(ão permitindo a gera(ão de idEias corporativas. tradu&ida num cJdigo de' Etica. segundo o autor. por um lado. mediante patrKes e mediante autoridades sociais em geral6. solicitando seu reconhecimento como pro%issão. O domínio e o monopJlio do saber constituem o %undamento da autonomia das pro%issKes e do seu prestígio social. criam2se escolas pro%issionali&antes. a medicina adquiriu reconhecida proemin7ncia que vai alEm do prestígio 2 a autoridade da e'pertise T5reidson. tambEm. :@CYO Milensb]. avaliam a atitude das pessoas para desempenhar determinados trabalhos. determinam a incapacidade dos %eridos. adesão a um ideal de servi(o. apresenta2se de maneira universal. o trabalho torna2se uma ocupa(ão de tempo integralO 'egundo.lEm disso. ideal de servi(o e cJdigo de Etica. versKes di%erentes da mesma idEia de obriga(ão moral com a sociedade. 0ara 8arson T:@CCU.s pro%issKes de modo geral apelam. %undamentais para a elabora(ão de um pro)eto pro%issionalO São Paulo 2007 53 . o que lhes dá conota(ão ideolJgica. e terem normas e regras que os orientem pro%issionalmente.%irma 'tarr T:@@:!=@U que. 6em sua %un(ão de autoridade cultural. :@CYU.S. quais se)am! autonomia. onde pro%issionais iguais TparesU assumem a %un(ão de criar %ormatos e processos educacionais que possibilitem a produ(ão de novas gera(Kes de semelhantes para o mercadD de trabalhoO +erceiro. . . . O prestígio social e a autoridade cultural da medicina vieram quando os valores da racionalidade da ci7ncia ganharam posi(ão destacada na estrutura ideolJgica das di%erentes sociedades. que signi%ica di&er que o interesse do paciente deve prevalecer sobre os interesses dos pro%issionais. +al demanda re%lete a 6necessidade social6 de que os servi(os que determinada ocupa(ão o%erece / sociedade se)am produtos di%erenciados e quali%icados. . re%ere2se a cinco passos a serem seguidos! 0rimeiro.

monopJlio e. e#clusivo.í não havia monopJlios e privilEgios aristocráticos a serem eliminados. . sendo a medicina 6regular6 ainda incapa& de demonstrar superioridade tEcnica sobre as demais. %inalmente. embora com várias restri(Kes / sua prática. Pá nos Estados $nidos. Con2 %igurava2se uma situa(ão na qual 6os grupos pro%issionais estavam compelidos a solicitar pro)e(ão estatal e penalidades estatais contra competidores não licenciados6 T8arson. elaborase o cJdigo de Etica pro%issional. :@@A!<?2><U. %oram criadas. Quinto. leis que regulavam o e#ercício da medicina. institucionali&a(ão desse mercado impIs a de%ini(ão e a ado(ão de novas estratEgias políticas. +al %eito %oi possível na . Estes %a&iam2se representar por uma clara demonstra(ão da superioridade tEcnica de suas práticas terap7uticas e.$. :@CCU. acima de tudo. o monopJlio do título pro%issional de mEdico era e#clusivo dos %ísicos. 9essalta2se no entanto que.ssim. com a cria(ão da Medical 'chool da Pohns Nopbins em :?@< e. perante a lei.ct. que consolidou a medicina cientí%ica como modelo paradigmático. %ica assegurado o combate ao charlatanismo. constituindo2se no que denominamos de políticas de antimercado. ao mesmo tempo que se observava o agravamento de vários problemas sociais.ndustrial e da consolida(ão do sistema capitalista. as pro%issKes chegam ao mercado de servi(os! regulamentadas. especialmente o mercado de trabalho mEdico. os inescrupulosos.nglaterra. adota2se um cJdigo de etiqueta pro%issional. criando assim a)urisdi(ão pro%issional. 4uscou2se ordenar o mercado por meio da a(ão do Estado. amparadas por %orte esquema legal de prote(ão )urisdicional e reivindicando territJrio. constitui(ão do mercado de trabalho E uma das bases do pro)eto pro%issional da medicina. a determina(ão pelo Estado na condu(ão e desenvolvimento desse processo. . por e#emplo. apresentando o%erta de servi(os altamente especiali&ados TMachado. Mudan(a importante acontece a partir de :?CY. con%erindo o monopJlio ou quase2monopJlio de mercado ao grupo pro%issional capa& de captar a con%ian(a e a credibilidade sociais. "ada que não se)a do estrito conhecimento e aquiesc7ncia dos dirigentes sindicais deverá ser considerado. com %orte credibilidade social. O mercado de servi(os de saDde. :@CCU. com a publica(ão do 9elatJrio 5le#ner em :@:Y. encontravam amparo legal em vários estados americanos TCoelho. promulga2se o Medical . adequando2se uma nova base de conhecimento cientí%ico ob)etivando obter a uni%ica(ão da base da cognitiva que possibilitasse o controle. .O DO &ERCADO DE TRABALHO E& SA/DE Os mercados pro%issionais e#istentes atualmente no mundo emergiram ao meio das trans%orma(Kes advindas da 9evolu(ão . :@@BU. :@@A!><2CU. Com isso.. situa(ão %oi modi%icada quando.nglaterra. como dese)ável e correto para a corpora(ão. a pro%issão busca regulamentar2se perante a lei. "a . 0ara as lideran(as da chamada medicina 6regular6 restava uni%icar %or(as políticas no combate /s várias seitas curativas e#istentes. Contudo. a partir desse momento.. "esse conte#to. São Paulo 2007 54 . )á que ambos se apresentavam como variáveis cruciais no desenvolvimento do pro)eto pro%issional. . educa(ão clássica e vínculos sociais com clientela aristocrática. mas sem ainda conceder a nenhum grupo pro%issional o monopJlio e#clusivo. nos estados. historicamente. tendo os cirurgiKes e os apotecários status subordinado na hierarquia mEdica. posteriormente. a %orma como se deu a constitui(ão dos mercados variou de sociedade para sociedade guardando características singulares a cada estrutura social. em :?A?. . controlando assim os indese)áveis. decorrentes da política do laissez-faire. . os que agem %ora do parVmetro de 6normalidade6 estabelecido pela corpora(ão. encontra2se em consonVncia com esta perspectiva de pro%issionalismo. Esse monopJlio dos %ísicos baseava2se em critErios tradicionais tais como! origem social. período em que crescia o poder das grandes corpora(Kes nacionais. mudan(a desse quadro aconteceria mediante a(ão política do Estado americano. +ais %atos permitiram o surgimento de práticas e novas %un(Kes sociais tornando2se crescente a necessidade de pro%issionalismo em toda a sociedade industriali&ada T8arson. . mas uma relutVncia dos estados em legislar sobre o e#ercício da medicina em clara resist7ncia a qualquer tipo de monopJlio mEdico. Observa2se que nesse período coe#istia uma sErie de concep(Kes de práticas mEdicas. monopJlio e autonomia de mercado. a medicina 6regular6 passa a obter clara vantagem de mercado. que uni%icou a pro%issão mEdica no país TCoelho. 0ara isso ela constituiu ao longo dos tempos um mercado de servi(o comple#o.s e#istentes 6seitas6 curativas.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina Quarto. a prática da medicina apresentava2se com características peculiares. regalias e#clusivas de mercado. ou se)a. a medicina encontrava2se em sua %ase prE2paradigmática. pela necessidade de padroni&ar a %orma(ão desse pro%issional. ou se)a. A CO'STIT!I-. conseqLentemente. e.. tais como a necessidade de gera(ão dee'perts 2 o que seria %eito por meio de treinamento especí%icoO a necessidade de se o%ertar pro%issionais e servi(os padroni&ados que di%erenciassem sua identidade e permitissem sua cone#ão com os consumidores. com a 9e%orma ebretO e nos E. 0ara isso era %undamental que o Estado assumisse uma a(ão direta e positiva em rela(ão / obrigatoriedade da educa(ão %ormal e garantisse os monopJlios de compet7ncia. apJs a re%orma das universidades tradicionaisO na 5ran(a.

cataplasmas. não sJ para aplicar ventosas. no 4rasil durante certo período. o mercado de servi(os de saDde E composto por =C. Estes deveriam %iscali&ar e %a&er cumprir os regulamentos sanitários ditados pela Corte. Constata2se. rede pDblica E composta predominantemente de postos. 6o mercado de trabalho com 7n%ase no setor pDblico. a indiscutível hegemonia do setor privado em rela(ão ao setor hospitalar com a conseqLente depend7ncia do setor pDblico na presta(ão desse servi(o / popula(ão TMachado et al. cirurgiKes ou %ísicosU não eram oriundos de %amílias abastadas. ados do . :@@C!?A2BU. icuriososj e outros que tais6 T'antos 5ilho. :U.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina . os ianatImicosj. !& PA'ORA&A DA DI'?&ICA DO &ERCADO DE TRABALHO E& SA/DE . mas de camadas sociais desprestigiadas. . :@@<!<Y2:U. centros de saDde e de postos de assist7ncia mEdica T0 . nos sobrados desses estabelecimentos comerciais e. tinham um ou mais au#iliares. $m estudo reali&ado por . detendo mais de CY\ dos hospitais e quase ?Y\ dos leitos e#istentes no país. incluídas aí as vinculadas ao setor saDde TMachado et a. Coroa nomeava delegados do %ísico2mor e cirurgião2mor para atuarem na ColInia. importVncia desse 9elatJrio centrava2se na determina(ão de uma nova medicina e uma nova prática mEdica e teve como conseqL7ncia imediata o %echamento de grande nDmero de escolas mEdicas. diminuindo o nDmero de vagas e limitando o acesso. a rede privada E hegemInica no setor hospitalar.raD)o T:@?=!:AU sobre a histJria da medicina brasileira. em princípios do sEculo FF. retornando em seguida para desenvolver seus o%ícios6 T'antos "eto. Mais de um milhão desses pro%issionais lidam diretamente com assist7ncia mEdica. 'J muito mais tarde que o 4rasil se %irmaria como mercado de trabalho rentável para os mEdicos. decorrentes de mudan(as socioeconImicas ocorridas no país. "o 4rasil. como %a&er sangrias. Mais tarde. representa uma alternativa para a absor(ão da mão2 de2obra e#cedente de outros setores da economia. . nos períodos recessivos há uma icerta e#pansãoj mais caracteri&ada por um crescimento arti%icial dos empregos no setor de presta(ão de servi(os. Como a%irma Machado T:@@BU. :@@:!A<2B>.A?> privados. comumente. curativos e aparelhos.Y@= estabelecimentos pDblicos e ==. levando a uma mudan(a na composi(ão dos quadros sociodemográticos da pro%issão T'tarr. a cria(ão das primeiras escolas no início do sEculo F. assim. os entendidos. En%im. :@@CU. conseqLentemente. um volume de São Paulo 2007 55 . )untamente com esses praticavam a medicina ainda os boticários e seus aprendi&es. do sistema de produ(ão e da transmissão de sua base cognitiva.. portanto.MsU destinados / presta(ão de servi(os em clínicas básicasO em contrapartida. :@@:U. os i%ilhos de possej nascidos no 4rasil passam a ter sua %orma(ão na Europa. 'abe2se que vários desses escravos2en%ermeiros. . +ornar2se imEdicoj no 4rasil2colInia era muito mais uma questão de vontade e habilidade pessoais do que de capacita(ão por destre&a e conhecimento tEcnico6. no início da dEcada de @Y. agregando mais da metade do total de pessoas ocupadas TAA. a Medicina Cientí%ica. quinhentos mil leitos e dois milhKes de trabalhadores. os aprendi&es de barbeiros. estrutura do setor saDde no 4rasil E composta por cerca de cinqLenta mil estabelecimentos. não raro. O domínio de alguma tEcnica era su%iciente para um indivíduo instalar2se como pro%issional. Em decorr7ncia dessa característica. os %ísicos e cirurgiKes procediam do e#terior. os ialgebristasj os icurandeirosj.%irma Machado T:@@B!:=?2@U! 6+odos aqueles que dominavam alguma tEcnica podiam instalar2se como pro%issional. a mesma %orma.43E. 6'endo poucos os pro%issionais e muito vasta a e#tensão territorial. vol. semelhante / dos demais países. 0ara Machado et al T:@@C!?CU. impunha2se a distin(ão entre %ísicos e cirurgiKes. certa anarquia da prática pro%issional e. compraram a liberdade e conseguiram Cartas de Cirurgião24arbeiro que lhes garantiram o direito de %a&er concorr7ncia ao antigo senhor6. W interessante notar que a dinVmica do mercado de trabalho em saDde so%reu altera(Kes na Dltima dEcada. os primeiros go&ando de maior prestígio social. via de regra seus escravos. em especial naqueles de bai#a de comple#idade tEcnica. :@@=.F não iria modi%icar e%etivamente a situa(ão de penDria e car7ncia econImicas que caracteri&ava o mercado.43E T:@@=U que mostram que o setor saDde no 4rasil acusou. o setor terciário tornou2se importante segmento da economia responsável pelo crescimento de empregos. comparativamente aos outros países. veri%icou que 6mEdicos6 e 6cirurgiKes6 se 6instalavam. .M'2. 'egundo dados da pesquisa . sem concorrentes. amealhando economias e propinas. 0ode2se observar no 4rasil. "a verdade. o que se sabe E que nos 6primeiros tre&entos anos de 4rasil. instituiu2se. com %orte controle do mercado. do mercado de trabalho.=\U. Os primeiros praticantes da medicina no 4rasil Tboticários.s modernas sociedades industriais são marcadas por uma estrutura ocupacional detentora de grande contingente de %or(a de trabalho no chamado setor de servi(os ou setor terciário. lavagens e clisteres.

que a%eta nuclearmente a pro%issão mEdica e que denominamos de transi(ão de g7nero6 TMachado et a. %avorecendo o crescimento das contrata(Kes para o setor pDblicoO os períodos eleitorais. "o que se re%ere / homogeneidade. dados recentes desses estudos mostram que a es%era pDblica e a privada e os consultJrios particulares o%ertam servi(os de igual importVncia para o mercado de trabalho. cit. quais se)am! a homogeneidade quanto ao comprador ou demandante dos servi(os. a crescente e inevitável especiali&a(ão dos atos mEdicos. passando para ==\ na dEcada seguinte. estão acima das encontradas em rela(ão a empregos %ederais e estaduais. Op. que atuam em quase cinqLenta mil estabelecimentos Thospitalares e ambulatoriaisU e prestam assist7ncia mEdica a mais de quinhentos mil leitos. .. .:\ moram no interior dos estados. O dado permite visuali&ar que no 4rasil a medicina vem se tomando uma atividade de centros urbanos.tualmente. 'ul T:>. Constatou2se que B@. ou se)a. concentra(ão nas capitais E mais acentuada nas regiKes "orte e "ordeste. área de saDde apresenta uma das maiores ta#as de %eminili&a(ão. OS &1DICOS 'O &ERCADO DE SER"I-OS Estudos recentes apontam que no 4rasil o mercado de trabalho conta com mais de du&entos mil pro%issionais TmEdicosU.@\U TMachado et a. o que demonstra consonVncia com a política de descentrali&a(ão adotada pelo '$' TMachado et a. pesquisa P .U. "ordeste e Centro2Oeste. .legreO A=. estadual e municipal. sendo mais acentuada a participa(ão %eminina nas capitais brasileiras T<B. a rela(ão se mostra mais homog7nea. Constatou2se que as ta#as de crescimento dos empregos municipais. tend7ncias que merecem ser destacadas. . :@@C!:Y:U.ostra que a região 'udeste responde por A@. com %orte tend7ncia de maior crescimento do terceiro nível. o que signi%icou a duplica(ão de sua capacidade e absor(ão em apenas uma dEcada6. A@. "a região 'udeste.!>CU. com destaque para o setor de servi(os. de cada quatro mEdicos.C\ do total de pro%issionais. 0or outro lado. 5lorianJpolis e 0orto . Este E um processo que atinge a pro%issão mEdica em todo o mundo. op.YYY habitantes para o interior. desenvolvida por pro%issionais especiali&ados.:\U em oposi(ão ao 'ul T=B. Esses autores apresentam algumas ra&Kes para a e#pansão dos empregos em saDde a partir da crise econImica dos anos ?Y. observa2 São Paulo 2007 56 . em uma desigual distribui(ão demográ%ica de sua %or(a de trabalho. representando dois de cada cinco mEdicos. o %enImeno de %eminili&a(ão E marcante! na dEcada de CY.C\ dos mEdicos atuam em estabelecimentos pDblicos.. o crescente aumento da participa(ão %eminina..?\U. a urbani&a(ão. registram2se <=. nas pr. especialmente no campo das medidas de saDde coletiva e assist7ncia mEdica 2 programas governamentais que criaram ampla rede de servi(os no "ordesteO a intensi%ica(ão dos conv7nios do . .YYY habitantes e#istente no país. respectivamente.A< mEdicos[:. em todas as regiKes.C\ de pro%issionais de g7nero %eminino. provavelmente.=\U6 TMachado.C\ e CA. um vive em municípios do interior. seguida pelas regiKes "ordeste T:B. Esse mercado mEdico apresenta algumas características prJprias. . pesquisa 60er%il dos MEdicos no 4rasil6 sugere que os mEdicos tendem a residir nas capitais do país TB:. notadamente dos pro%issionais de %orma(ão universitária. "o 4rasil. e#pansão de empregos pDblicos em saDde da Dltima dEcada possibilitou sua melhor distribui(ão nos níveis %ederal. "o Centro2Oeste.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina empregos da ordem de mais de um milhão. Essa má distribui(ão E evidenciada pela rela(ão mEdico[:. concentra(ão dos mEdicos nos grandes centros urbanos destaca2se como característica desse mercado. a perda da condi(ão de pro%issional liberal e. certamente devido ao processo de municipali&a(ão em curso. nas quais os mEdicos respondem.J#imas dEcadas. "a região 'ul. a constitui(ão etária desse mercado.<\U e "orte T<. . dentre outros.A\ do total dos mEdicos do país. sendo esta uma questão importante. Centro2Oeste TB. em especial. Os mEdicos representam o segmento pro%issional mais dinVmico que responde pela maioria dos empregos e presta(ão direta de servi(os num sistema constituído de uma sJlida rede pDblica e privada6 TMachado et a. cit. o que signi%ica um ter(o do mercado de trabalho. cerca de >Y\.<\U. . tend7ncia veri%icada / %eminili&a(ão do mercado de trabalho mEdico E um %enImeno que tem sido constatado em todas as es%eras da produ(ão.?\U. :@@B!<@U.namps com as redes municipais e estaduais. uma ve& que E de <. .<\ em estabelecimentos privados e C>. as mulheres representavam ::\ na pro%issão mEdica.@\ dos pro%issionais estão nas cidades de Curitiba.rriscamos a%irmar que.C\ mant7m atividades em consultJrios.A? mEdicos[habitantes nas capitais e Y. por CC. as mulheres representam AY\ das matrículas ocupadas. observa2 se equihIrio entre a distribui(ão populacionalO >C. a pro%issão mEdica passará a vigorar no cenário das pro%issKes liberais como pro%issão predominantemente %eminina. ..<\ do tota . "o 4rasil. tend7ncia veri%icada com mais 7n%ase nas regiKes "orte. quais se)am! estratEgias de crescimento do setor pDblico.o mesmo tempo que se constata que vários municípios brasileiros não possuem nenhum mEdico. :@@CU. a análise dos dados regionais mostra um "ordeste com acentuada participa(ão do contingente %eminino T>:.

a especiali&a(ão dos servi(os prestados como %orma mais segura de obter rendimentos compatíveis com o status que esses pro%issionais mEdicos adquiriram ao longo de sua histJria pro%issional. cirurgia geral. pela o%erta e pelas condi(Kes do mercado. ao analisar a pro%issão mEdica. sendo tambEm responsáveis pela produ(ão de equipamentos e tEcnicas so%isticados. a 9esid7ncia MEdica apresenta2se como a mais %reqLentemente procurada pelos )ovens mEdicos. Este movimento em prol da medicina especiali&ada evide. as áreas de maior concentra(ão de especialistas são! pediatria. Observa2se que a escolha do )ovem mEdico por uma especialidade em detrimento de outra so%re in%lu7ncia não sJ dos aspectos individuais. que há 6uma clara divisão entre aqueles que possuem especiali&a(ão lato sensu e os que t7m pJs2gradua !ostricto sensu. nesses micro2espa(os6. anestesistas. tornando2se nichos de presta(ão de servi(os concorrenciais e de alto poder de remunera(ão. dermatologia.> 9essalte2se que a modalidade de especiali&a(ão denominada stricto sensu ainda não adquiriu tradi(ão na área mEdica. psiquiatras. mas tambEm da dinVmica do mercado de trabalho. AY\ deles estão em apenas dois estados 2 9io de Paneiro e 'ão 0aulo. 0or outro esses segmentos pro%issionais isolam2se e acabam desenvolvendo %ormas organi&ativas prJprias. Com essa premissa. São Paulo 2007 57 .: \ %i&eram curso de resid7nciaO >Y. . tratamentos e prognJsticos das doen(as. em torno de AY\ procuram especiali&ar2se %a&endo resid7ncia mEdica. cardiologia. cirurgia do aparelho digestivo e geriatria. %reqLentemente e cada ve& mais intensamente.. . cit. cerca de CA\ estão concentrados nestas regiKes e. 6se essa crescente especiali&a(ão se con%irma como uma estratEgia vitoriosa de mercado. entre as modalidades de especiali&a(ão. "um total de quase du&entos mil pro%issionais em todo o país. Os avan(os tecnolJgicos t7m contribuído tambEm para o surgimento de especialidades e subespecialidades. anestesiologia.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina se grande concentra(ão deles nas regiKes 'udeste e 'ul. a di%usão dos servi(os mEdicos especiali&ados. que passam a reivindicar atendimento especiali&ado.lcia2se nas dEcadas de :@BY e :@CY. em sociedades distintas tais como. de ce%alEia. pois se sabe da e#ist7ncia de subespecialidades que atuam no mercado altamente competitivo.s oportunidades urbanas por mercados competitivos e atrativos t7m se esgotado no 4rasil. as de o%talmologia. ortopedia. Machado et al constataram. 'ão várias as e#plica(Kes sobre o surgimento das e%Olpecialidades mEdicas. ginecoobstetrícia. desde que. apro%undando ainda mais tais disparidades. tais como! o aumento da comple#idade decorrente do avan(o tEcnico2cientí%ico e a amplia(ão do campo de conhecimento da medicina que e#ige cada ve& mais uma atividade pro%issional especiali&ada. tornando o trabalho mEdico ine#oravelmente especiali&ado. contribuindo para melhor qualidade dos servi(os. representada pela remunera(ão. na verdade. $m das conseqL7ncias de distribui(ão geográ%ica tão desigual pode ser observada nos dados que mostram os rendimentos decrescentes dos mEdicos de %orma geral. Os avan(os cientí%icos e tecnolJgicos ampliaram o conhecimento e as possibilidades de diagnJsticos. tornando2se di%ícil imaginar um pro%issional que d7 conta de todo esse universo.C\ t7m curso de especiali&a(ãoO apenas C. 6quem sabe pro%undamente sobre um servi(o possui maiores condi(Kes de prestar um atendimento mais quali%icado e seguro6. 'omam2se a isso. diagnJsticos raros. psiquiatria. buscou2se na medicina criar ambiente pro%issional altamente quali%icado. 0ode2se concluir que o processo de especiali&a(ão evidente na medicina tem se intensi%icado em todo o mundo.< 'egundo dados da pesquisa 6Especialidades MEdicas no 4rasil6 T:@@AU. %rutos do processo de urbani&a(ão e industriali&a(ãoO a amplia(ão da cobertura previdenciária que passa a privilegiar o atendimento nos moldes curativo e individual. se)a qual %or sua en%ermidade. mais corrente re%ere2se / evolu(ão da medicina como ci7ncia. entre outros %atores. como se a%irma %reqLentemente. con%ormando o seguinte quadro! dos mEdicos graduados C>. Constatou2se que as es2 pecialidades com menor nDmero de registros %oram medicina nuclear. o%talmologia e radiologia. os sete mil mEdicos que se %ormam por ano. regula(ão pro%issional passa a ocorrer. 4usca2se então.C\ atingiram o grau de mestreO e <. etc.!B:U. W comum di&er que uma atividade especiali&ada aumenta o domínio e a compet7ncia em um campo de atua(ão especi%ico.tualmente pode2se di&er que essa modalidade de assist7ncia mEdica tornou2 se predominante e ganhou a 6credibilidade6 dos usuários. clínica mEdica. 0ara Machado T:@@B!:A=U. quanto mais aumenta a rela(ão entre o%erta e demanda mais se redu&em as oportunidades positivas por um mercado com bons rendimentos. .= E#istem ho)e no 4rasil B> especialidades mEdicas reconhecidas pelo Conselho 5ederal de Medicina TC5MUO contudo acredita2se que na realidade o nDmero se)a maior.C\ conseguiram obter o título de doutor6 TMachado et alo Op. promovendo e valori&ando o trabalho do especialista. representa tambEm um perigo adicional! clientelas e mercados especiali&ados que dei#am de ser universais e de demanda virtualmente ilimitada. e modo geral. pediatras. . 'ão os casos das subespecialidades do sono.

"o ano de :@?: promulgou2se a 8ei B. QuestKes tais como prestígio. 'ão 0aulo! $niversidade de 'ão 0aulo. 2. +ese de doutorado.@<= que dispKe sobre as atividades do mEdico residente. a obten(ão do título de especialista na área do programa mediante registro no Conselho 5ederal de Medicina e a remunera(ão na %orma de bolsa de estudos.n! Nasbell. %igurando a nature&a coletiva de seu ob)eto e a atividade que E desenvolvida no Vmbito da 'aDde 0Dblica. Maria . tecni%ica(ão do ato mEdico. T:@?>U . +ese de mestrado.n! Machado. 9io de Paneiro. especiali&a(ão. 'ora]a . Conselho 5ederal de Cultura. a concentra(ão de recursos. .a profesi<n médica. 4ittar. +homas 8. 4loomington! . O.U 6rofiss5es de sa.Plesmo sua especiali&a(ão tem assegurado a prerrogativa de manter sua autonomia econImica.lmeida T:@@<U 7édico-sanitarista= as muitas faces de uma ocupa !o. 6tal argumenta(ão consolida a e#ist7ncia na prática do trabalho mEdico. atendendo a clientela que )á não E a mesma Ta maioria mantEm2se por conv7niosU. Machado. na qual se veri%ica um processo de metamor%ose ao longo de sua histJria. 9io de Paneiro! Escola "acional de 'aDde 0Dblica[5iocru&. Ama aborda"em sociol<"ica.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina "o entanto. T:@?YU 0roletariani&ation and Educated 8abor. 8ondres e Chicago! +he $niversit] o% Chicago 0ress. BT:U!<:2>=. T:@?CU (esid4ncia médica no 0rasil 2 a institucionaliza !o da ambival4ncia.abor.ngeles e 8ondres! $niversit] o% Cali%omia 0ress. uma ve& que questKes tais como pre(o de consulta. realidade de mercado aponta para um mercado de servi(os diversi%icados. 9io de Paneiro! 5iocru&. Eliot T:@C?U . ao tomar2se sanitarista ele incorpora elementos que e#trapolam os limites da prJpria pro%issão. BIBLIO2RA3IA . entre outras determina(Kes. pediatriaUO as tEcnicas ou de habilidades Tas especialidades cirDrgicasU e as intermediárias Tcardiologia. das áreas nas quais o envolvimento do pro%issional com o paciente E maior Tespecialidades cognitivasU e áreas nas quais o mEdico mantEm pouco contato com o paciente TtEcnicas e habilidadesU.sabel Nirsch. a mesma %orma constata2se a e#ist7ncia de especialidades que congregam esses dois mundos. isserta(ão de mestrado. Maria Nelena Torg. O destaque se )usti%ica por ser esta uma atividade atípica em rela(ão /s demais especialidades mEdicas. "em . e#clusão de práticas alternativas. 4arcelona! 0enínsula.chilles 9ibeiro de T:@?=U / assist4ncia médica hospitalar no (io de ?aneiro no século @I@.ndiana $niversit] 0ress. Elias. 9io de Paneiro! MinistErio da Educa(ão e Cultura. . individualismo. +rad. pertencer a uma pro%issão paradigmática clássica. /n )ssa9 on the -ivision of )'pert . 5reidson. nos seus consultJrios.de..re 0ro%essions "ecessar]* . em institui(Kes de saDde que remuneram seus pro%issionais e um mercado que comporta diversidade incalculável de %ormas e modalidades de atendimento e presta(ão de servi(os. Essa lei trou#e. >heor9 and 3ociet9. 2.bbott. entre outras. estão sendo previamente deter2 minados pelos gerentes das empresas mEdicas TMachado et a. necessidade de e#ames laboratoriais. 0aulo E. .uper). M. Especialidade que merece ser destacada E a que se re%ere / área da 'aDde Coletiva. . Maria Nelena T:@@AU $s médicos e sua pr&tica profissional= as metamorfoses de uma profiss!o. Machado et al T:@@A!BU de%inem as especialidades aleatoriamente em tr7s grandes grupos sociolJgicos! as cognitivas Tclínica mEdica. despeito de. An estudio de sociolo"ía deI conocimiento aplicado. Edmundo Campos T:@@AU 5ísicos. )an2mar. B=CDC-EF. .U >he /uthorit9 of )'perts. Coelho. 7n%ase na medicina curativa e. Op. 4elisário. remunera(ão são marcadores di%erenciados nesses dimensKes6. a de sanitarista. remunera(ão advinda dos consultJrios e cada ve& mais escassa e pouco e#pressiva. gastroenterologiaU. Torg. / 3ociolo"ical /nal9sis 4erbele]. Magali 'ar%atti T:@CCU >he (ise of 6rofessionalism. 3tudies in 8istor9 and >heor9.raD)o. Elementos que se destacam nesta especialidade! a consti2 tui(ão[concep(ão da prJpria especialidade. o mEdico especialista não mais se sustenta por meio de clientela particular. +al %ato corrobora para evidenciar a perda dessa autonomia econImica. . 8arson. 9io de Paneiro! . a possibilidade do uso do termo (esid4ncia 7édica apenas para os programas credenciados pelo C"9M. .ndrek T:@??U >he 39stem of 6rofessions. status. por Dltimo. V. sectários e charlatães! a medicina em perspectiva histJrico2 comparada. T:@@:U Especialidades mEdicas no 4rasil. como mEdico.U. 8os . 0ara os autores. demonstrando um pro%issional com visível perda de seu status di%erenciado no topo da sociedade. São Paulo 2007 58 . 6revid4ncia em -ados. cit. 'OTAS o surgimento da Medicina Cientí%ica tra& em sua concep(ão elementos estruturais quais se)am! biologismo.

na pesquisa e na tecnolo"ia médicas. :C!=2<:. T:@@BU 6erfil dos médicos no 0rasil. C. Maria Nelena et al T:@@AU Especialidades mEdicas no 4rasil. Mendes. 2. )ducaci<n 7édica 9 3alud. Milbert E. P. São Paulo 2007 59 . V. 4elo Nori&onte! 0$C.um retrato da realidade. T:@@CU $s médicos no 0rasil. >he 6rofessions. T:@?YU 'obre a tend7ncia / especiali&a(ão na medicina.Caderno de Textos do XIX Congresso Brasileiro dos Estudantes de Medicina Machado. 9io de Paneiro! 5iocru&. 2. (euni!o. "ova horb! 9ussell 'age 5oundation. Mashington. E. T:@?>U / evolu !o hist<rica da pr&tica médicaG suas implica 5es no ensino. (oles and (ules. :>T<U!=A=2B:. 0ereira. 9io de Paneiro! 5iocru& lC5M2M'l0nud. /n&lise e -ifus!o de Informa !o sobre 3a.de. de&embro. T:@CYU. -ados.M325inep. Moore.an&lise preliminar.