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IDÉIAS INICIAIS
Direito Civil
Conceito: ramo do direito privado no qual preponderam as normas reguladoras das
atividades dos particulares entre si, com base na igualdade juridica e na
autodeterminação da pessoa (autonomia privada).
Equilibrio juridico ¹ autonomia da vontade ¬ relação juridica horizontalizada.
(Comentarios ao conceito que tem base em Venosa e Karl Larenz, este citado por
Venosa).
Fontes do direito civil
- lei: CF/88 ¹ CC/02 ¹ leis extravagantes
É a principal fonte. O Codigo Civil é considerado uma lei geral, pois atinge
abstratamente um numero indeterminado de pessoas e de situaçoes.
Quanto a força obrigatoria, Venosa explica que a lei é !"#$%&$ "( )*+,"+*&*-..
(Comentar e diferenciar com base no CC/2002).
-doutrina: é a produção de conhecimento juridico pelos operadores do direito, ou
seja, trata-se do parecer técnico dos mestres.
2
-jurisprudência: no direito antigo era a sabedoria dos prudentes, os sabios do
direito. Para nos, modernamente, são as decisoes reiteradas dos tribunais, num
mesmo sentido, em relação a uma determinada matéria.
-costume: surge da pratica reiterada de uma conduta pela sociedade, ao ponto de
se tornar em instituto com força obrigatoria. Bastante mitigado é o seu valor hoje,
para o direito civil, mas não deixa de ser uma fonte. O direito consuetudinario
ainda corrobora, por exemplo, na execução dos contratos. Diante da lacuna
contratual, as vezes o costume é fundamental. Exemplificar...
Nem todo uso é costume. O costume é um uso que se torna juridicamente exigivel.
Aproveitando, podemos dizer que nem todo uso é costume, como nem toda
decisão é jurisprudência. É a reiteração que gera a força normativa.
Os costumes podem ser:
. +$!(%)(/ 0$#$/ na verdade deixa de ser aplicado como direito costumeiro,
pois ja se fez em lei.
.,1.$&$1 0$#$/ é aquele costume utilizado para suprir a lacuna da lei. O operador
do direito supre a omissão da lei se utilizando do costume de determinada região
(dificilmente o costume é amplo quanto a lei).
.!"%&1. 0$#$/- é o costume que se sobrepoe a lei, substituindo-a, de forma que a
lei entra em desuso.
-analogia: 2&1.&.3+$ )$ (/ ,1"!$++" )$ 1.!*"!4%*" 05#*!" ,$0" 6(.0 " 7(*8 $+&$%)$
(/ ,1$!$*&" 0$#.0 . !.+"+ %9" )*1$&./$%&$ !"/,1$$%)*)"+ %. )$+!1*:9" 0$#.0; <
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%9" @.-*. !"/,1$$%)*)"A B Venosa.
Vemos que so é aplicavel se ha lacuna na lei, e se trata de um processo de
comparação, de verificação de semelhança.
-eqüidade: consiste em abrandar o rigor com que se apresenta uma norma ao
incidir em caso concreto. Não é exatamente uma fonte do direito. Ver exemplo
dos Arts. 928 e 944.
-principios gerais de direito: expressos ou implicitos, são pontos maduros,
pacificos, dos quais deve o juiz se servir ante a omissão da lei (Art. 4º da LICC).
Alguns desses principios: as exceçoes devem ser interpretadas restritivamente, é
vedado o enriquecimento sem causa.
Historico do Codigo Civil
(traçar breve historico)
3 *(+ !*-*0$ abarcava o direito privado e o direito publico.
- direito romano em Portugal.
! Ordenaçoes Filipinas.
- era das grandes codificaçoes: Codigo francês (1804) inspira o direito ocidental.
Codigo Alemão (BGB 1896), Suiço: 1907, Italiano: 1863, Português: 1867.
-Codigo Civil brasileiro de 1916.
4
-Codigo Civil brasileiro de 2002.
-Codigo de 1916 X Codigo de 2002 (algumas comparaçoes essenciais)
Codigo Civil:
- estrutura formal: parte geral ¹ 3 livros
-principios:
.da autonomia da vontade
.da constitucionalização do direito civil
.da eticidade
.da socialidade
.da operabilidade
(Recomendar artigo sobre os novos principios 7(+%.-*#.%)* B de André Soares
Hentz)
LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (Decreto-
Lei nº 4.637/42)
Definição: não é uma norma preliminar ao Codigo Civil, mas norma preliminar a
totalidade do ordenamento juridico.
3
Comentarios:
- trata-se de um conjunto de normas sobre normas (Wilson de Campos Batalha),
- são normas de sobredireito: ultrapassa o âmbito do direito civil, preparando o
intérprete para o direito privado e para o direito publico,
! porque ao longo dos anos esteve situada junto ao Codigo Civil, e era chamada
de LICC?
Conteudo:
- regula a eficacia e a vigência das normas (Arts. 1º e 2º),
! as normas, feitas para os homens, também, como eles, nascem, produzem e
morrem. Em regra a norma nasce para durar, e subsiste enquanto tiver
utilidade social.
! nascem com a promulgação, mas so entram em vigor com a publicidade
(ver Art. 3º da LICC exigibilidade $1#. "/%$+). Como leciona Maria
Helena: a promulgação indica o inicio da existência, mas a obrigatoriedade
surge com a publicidade.
! todavia, a publicidade sem a obrigatoriedade imediata é a regra Art. 1º e §
1º da LICC. Se o prazo de espera entre a publicidade e a obrigatoriedade for
outro, que a lei indique expressamente. Se não houver nenhum prazo, que
também indique.
! o prazo de espera (que é a regra) entre a publicação e a obrigatoriedade,
resulta no fenomeno denominado -.!.&*" 0$#*+;
6
! a -.!.&*" é estabelecida em um ordenamento com base em dois critérios: o
progressivo e o unico. No primeiro a lei se torna obrigatoria (em vigor) em
prazos diferentes, conforme a região do pais. No segundo, simultaneamente,
mesmo prazo para toda a sociedade.
! contagem do prazo de -.!C%!*.: inclui-se o primeiro e o ultimo dia no
periodo, vigorando a lei no dia seguinte ao término do prazo (Art. 8º, § 1º,
da Lei Complementar nº 93/98).
! se no curso da -.!.&*" ocorrer modificação ao texto legal, enseja nova
publicação e recomeço, portanto, da -.!.&*" (Art. 1º, § 3º, LICC).
! Art. 1º, § 4º: correção a texto de lei em vigor ¬ lei nova.
! qual a duração da lei?
Regra: pelo principio da continuidade, a norma tem vigência por tempo
indefinido, até que outra a modifique ou revogue (Art. 2º). A vigência temporal
é exceção, portanto, e ocorre em casos de: leis orçamentarias 1 ano, lei que
concede favor fiscal, lei que disciplina situação passageira, de crise economica,
calamidade, revolução, guerra.
! se uma norma perde sua obrigatoriedade, diz-se que foi revogada. A
revogação pode ser expressa ou tacita (Art. 2º, § 1º).
! a revogação poder ser, ainda, total (ab-rogação) ou parcial (derrogação).
Qual o método ideal? Exemplificar...
! O que é o fenomeno juridico da repristinação? Admitimos em nossa
sistematica?
7
- so admite o erro de fato (Art. 3º): o que é? Ilustrar...
- o que é erro de direito? Ilustrar...
- trata do conflito de normas no tempo (Art. 6º) e no espaço (Arts. 7º a 19). No
ultimo caso estamos diante de normas de direito internacional privado (que é um
ramo do direito publico interno),
! a norma nova regula apenas os fatos que surgirem a partir de sua vigência
ou tem efeito retroativo? Art. 6º da LICC traz a regra. Havendo interesse
publico, o legislador pode utilizar-se de normas transitorias (disposiçoes
transitorias ex.: Arts. 2.028 e s., CC).
! quanto a aplicação da norma no espaço, seguimos o principio da
territorialidade temperada ou territorialidade moderada (Art. 7º e seus
paragrafos). Citar exemplo do Art. 3º, XXXI, CF.
- traz critérios de interpretação (Art. 3º),
! Miguel Reale: interpretação é momento de intersubjetividade, entre o
aplicador da norma e o autor desta (o legislador).
8
! funçoes da interpretação: aplicar as normas as relaçoes juridicas que lhe
deram origem ¹ estender a norma as relaçoes sociais posteriores a sua
criação (a criação da norma) ¹ ponderar a aplicação da norma, para que
atinja a função social para a qual foi criada (valores que pretende garantir)
Art. 3º.
! métodos de interpretação (hermenêutica): gramatical (sentido literal) ¹
logico (sentido e alcance da norma raciocinios logicos) ¹ sistematico (a
norma no contexto do sistema em que esta inserida) ¹ historico (processo
legislativo, discussão do projeto) ¹ sociologico ou teleologico (adapta a
norma as situaçoes posteriores a sua criação).
! os métodos não são aplicados isoladamente, mas combinados, com exclusão
de um ou de outro, conforme a viabilidade, recomendam Maria Helena e
Venosa.
- cuida da integração de normas, prevendo a eventualidade de lacunas (Art. 4º),
! o juiz não pode deixar de dizer o direito sob o pretexto de lacuna na lei
(principal fonte do direito): analogia ¹ costumes ¹ principios gerais de
direito (alguns exemplos: Art. 3º da LICC, Art. 112 do CC, Art. 884 do CC
-vedado o enriquecimento ilicito-, a todo direito corresponde uma ação que
o assegura (Art. 73 do CC/1916), quem pode o mais pode o menos, a boa-fé
se presume, função social do contrato (Art. 421 do CC), função social da
propriedade (Art. 1.228, § 1º, do CC), da vedação do abuso de direito (Art.
187 do CC), ninguém pode transmitir mais direitos do que possui, é vedada
a alegação da propria torpeza, da dignidade da pessoa humana (Art. 1º, III,
CF), o contrato deve ser interpretado em favor do devedor etc.
9
DAS PESSOAS
(A partir daqui, se o artigo é citado sem indicação da lei a que pertence, entenda-
se que se trata do Codigo Civil).
As pessoas são sujeitos de direitos e obrigaçoes, e figuram nos polos da relação
juridica. A pessoa, em sentido técnico, pode ser natural ou juridica, dai a doutrina
tradicional: é o ente fisico ou coletivo suscetivel de direitos e obrigaçoes (Maria
Helena).
PESSOA NATURAL
Conceito: pessoa natural é o ser humano.
Questão: tecnicamente é correto dizer ,$++". D4+*!.E
Personalidade juridica e capacidade: aptidão genérica para adquirir direitos e
contrair obrigaçoes. Toda pessoa natural a possui, desde que exista (Art. 2º, CC), e
ela coincide com a capacidade juridica ou de direito (Art. 1º).
Costuma-se assinalar que a capacidade é a medida da personalidade (Gonçalves),
caso em que esta a referir-se a capacidade juridica ou de direito, que é a
capacidade de aquisição.
Ilustrando:
A aptidão da capacidade surge da personalidade. So se pode falar daquela se
houver a presença desta. Se a pessoa nasce com vida adquire a personalidade, se
adquire a personalidade, tem capacidade juridica ou de direito.
10
A lei possui um sistema de proteção ao nascituro, embora este não tenha
personalidade... (ilustrar)
Questão: a capacidade juridica possui limitação?
Para a pessoa natural ela é sempre ilimitada. Veremos que em relação a pessoa
juridica é diferente...
A capacidade de exercicio ou de fato, o que é?
É a aptidão de exercer, por si mesmo, os atos da vida civil. Nem toda pessoa
natural a possui. Pessoa juridica nunca a possui! (Isso veremos mais a frente)
Nem toda pessoa natural possui capacidade de fato ou de exercicio, posto que essa
capacidade exige, para segurança juridica do individuo e da sociedade,
discernimento, clareza, prudência e certeza, enfim, exige vontade, juridicamente
falando (manifestação volitiva juridicamente relevante).
Alguns possuem apenas em parte essa capacidade (são os relativamente
incapazes), outros nada possuem (são os absolutamente incapazes).
A capacidade é a regra, a incapacidade a exceção. Logo, a capacidade, presume-
se, enquanto a incapacidade, prova-se.
Incapacidade absoluta
O Art. 3º lista os absolutamente incapazes, também denominados, na doutrina, de
impuberes. Possuem proibição total de agirem por si, e caso o façam seus atos são
nulos absolutamente (Art. 166, I).
11
Como os tais possuem capacidade de direito, a lei cria mecanismo para que sejam
exercidos seus direitos e obrigaçoes: é o instituto da representação (Art. 1.634, V e
Arts. 113 a 120).
Comentarios as hipoteses legais- Art. 3º ...
Incapacidade relativa
O Art. 4º traz as hipoteses de incapacidade relativa. Os relativamente incapazes
(chamados puberes), agem por si (em parte), acompanhados por seus
representantes, que neste caso não dizemos que os representam, mas que os
assistem. É o instituto da assistência (Art. 1.634, V).
A falta da assistência gera ato relativamente nulo (anulavel) Art. 171, I.
Excepcionalmente os relativamente incapazes têm capacidade de fato ou de
exercicio: aceitar mandato (Art. 666), fazer testamento (Art. 1.860, paragrafo
unico), casar-se (Art. 1.317), ser testemunha (Art. 228, I), celebrar contrato de
trabalho e outros atos excepcionados pela lei.
Comentarios as hipoteses legais - Art. 4º ...
12
Na falta dos pais, outros exercem a proteção sobre os incapazes, são os tutores
(para os menores) e os curadores (para os maiores).
Capacidade X Legitimidade
A capacidade é genérica, a legitimação especifica. A capacidade diz respeito aos
negocios juridicos em geral, mas a legitimidade diz respeito a determinado
negocio. Ex.: Maria e João querem se casar, mas não podem, pois são irmãos por
adoção (Art. 1.321). Eles não têm legitimação, portanto, podendo se casar com
outras pessoas, pois capacidade eles têm. Se João e Maria fossem incapazes para o
casamento, não poderiam se casar nem entre si nem com outras pessoas.
Questão: intervalo lucido, o que é? É admitido em nosso sistema?
Observaçoes importantes e questionamentos:
- o rol contido nos artigos 3º e 4º são de natureza taxativa,
- que se entende pela expressão legal /.*"1$+ )$ FG ? (Art. 4º, I),
- o surdo-mudo não se encaixa expressamente nos Arts. 3º e 4º, mas Maria Helena
entende que se enquadraria no inc. III do Art. 3º, entre os que não podem exprimir
a vontade, ou no inc. III do Art. 4º (excepcionais), conforme o grau de
discernimento constatado em laudo pericial, pois as técnicas modernas de
educação podem levar o surdo-mudo a ser apenas relativamente incapaz, e não
absolutamente,
13
- os ausentes constavam do CC/1916 como absolutamente incapazes. A melhor
técnica entende que os tais têm proteção legal, mas não seria o caso de chama-los
incapazes, pois não o são,
- analfabetismo, idade avançada e cegueira seriam causas de incapacidade?
- prodigo: é um relativamente incapaz, vimos no inc. IV do Art. 4º, mas essa
incapacidade é apenas para a gerência extraordinaria (contratar, fazer pacto
antenupcial (que prevê a regulação de bens no casamento), contrato de
convivência (que prevê a regulação de bens na união estavel). Para os atos civis
cotidianos, com administração de monta insignificante, como comprar a comida, a
bebida e o vestuario, o prodigo é capaz,
- silvicola: constava do CC/1916 como relativamente incapaz. Hoje a capacidade
dos indios da selva (integrados ou semi-integrados a civilização da maioria) deve
ser tratada exclusivamente pelo Estatuto do Índio, Lei nº 6.001/73 (ver paragrafo
unico do Art. 4º). Logo, não se deve, com base no Codigo Civil, determinar a
capacidade, que podera ser plena, relativa ou nenhuma,
- condenação criminal, enseja incapacidade? Não enseja, embora o condenado
perca, eventualmente, certos direitos, como o poder familiar, a habilitação para
dirigir, a credencial de médico, engenheiro, advogado etc,
! capacidade plena ¬ capacidade de direito ou juridica ¹ capacidade de fato ou
de exercicio. Ter capacidade de direito implica em ter capacidade de exercicio?
Ter capacidade de exercicio implica em ter capacidade de direito?
14
- para aquisição da personalidade juridica (,$1+"%.0*).)$ aqui é um conceito
juridico, não da psicologia!):
a) basta o nascimento com vida?
b) exige-se forma humana (como na Espanha)?
c) exige-se que a vida seja viavel (como na França e na Holanda)?
d) basta a concepção (como na Argentina)?
e) é necessario o registro?
f) o que é a Declaração de Nascido Vivo DNV?
- a lei poe a salvo os direitos do nascituro (Art. 2º, segunda parte). São exemplos
dessa proteção ao nascituro: presunção legal de paternidade (Art. 1.397),
alimentos (Art. 1.694 e s.) e curatela (Art. 1.779) e direito sucessorio (Art. 1.798).
Questão: o concepto *% -*&1" tem a mesma proteção do nascituro (concepto *% -*-",
natural)?
Cessassão da incapacidade
A incapacidade cessa quando cessa sua causa, seja a causa a menoridade, a
enfermidade, a toxicomania, a prodigalidade etc. Pode ocorrer da causa ser
permanente, por se tratar de um mal incuravel.
A Lei nº 6.013/73, Art. 104, manda que se averbem as sentenças que puserem fim
a interdição. Nesta afirmação esta contida a hipotese de incapacidade por
menoridade?
13
Comentar...
No caso da menoridade, cessa a incapacidade com a maioridade, que se da aos 18
anos (Art. 3º). No Codigo de 1916 esse limite etario era de 21 anos.
Quando a causa da incapacidade é a menoridade, é possivel, excepcionalmente,
que cesse antes dos 18 anos. Essa aquisição antecipada da capacidade de
exercicio, antes da maioridade, denomina-se emancipação.
É possivel, portanto, que pessoa menor seja capaz. Observe que o fenomeno
juridico da emancipação não torna a pessoa maior de idade, mas a faz capaz.
Dizemos assim, embora Gonçalves afirme que a emancipação é a .%&$!*,.:9" ).
/.*"1*).)$. Entendemos que não, que não ha antecipação da maioridade, mas da
capacidade.
São 3 as espécies de emancipação:
a) voluntaria (Art. 3º, paragrafo unico, I, primeira parte): emancipação dos filhos
pelo pais,
b) judicial (Art. 3º, paragrafo unico, I, segunda parte): emancipação dos tutelados,
c) legal (Art. 3º, paragrafo unico, II a V): emancipação de pessoas que se
encontram em situaçoes juridicas ali determinadas.
Observe-se, todavia, que em qualquer caso exige-se o requisito de 16 anos como
idade minima! Alias, esta é a regra. Qual a exceção?
A exceção: ocorre emancipação legal do nubente que se casa com menos de 16
anos, sob alvara judicial, em exceção legalmente prevista (Art. 1.320).
16
Questoes:
No caso de pessoas que se emancipam com o casamento, se tais pessoas se
descasam antes de completar 18 anos, voltariam a ser incapazes?
E no caso do emancipado por força de assunção de cargo publico efetivo, se vier a
deixar o cargo, enquanto menor?
Para Venosa, neste segundo caso haveria retorno a situação de incapaz.
Gonçalves e Silvio Rodrigues: a emancipação é irrevogavel em qualquer hipotese.
Também entendemos assim.
Individualização da pessoa natural
Se os objetos são identificados dentro de suas coletividades, quanto mais o
homem, figura essencial das relaçoes juridicas (o direito esta para o homem). A
correta individualização da pessoa é uma questão de interesse do Estado e da
sociedade, e esta associada ao principio da segurança juridica.
A pessoa natural se individualiza, se identifica, dentro do grupo social, com base
em três critérios principais:
a) nome,
b) estado (que pode ser individual, familiar ou politico),
c) domicilio.
Nome
Josserand, citado por Gonçalves: o nome é uma etiqueta colocada sobre cada um
de nos.
Entendemos por %"/$ o nome completo da pessoa, que se forma pelo prenome ¹
sobrenome. Não costumamos, porém, nas relaçoes cotidianas, perguntar o
prenome, mas o nome, quando desejamos apenas o prenome. A diferenciação, na
17
pratica, assim se faz: quando se pergunta o nome, se é numa conversa informal,
responde-se apenas o prenome. Se a conversa é formal, perante autoridade, no
cartorio ou preenchendo um simples cadastro comercial, respondemos o nome
completo.
Aspectos do nome
O nome apresenta dois aspectos distintos: o publico e o privado.
Publico: o Estado tem interesse na perfeita individualização das pessoas, por
questoes de segurança, no sentido mais amplo possivel, que vai desde a
identificação criminal até a cobrança correta do tributo.
Privado: é direito da personalidade (eis sua natureza juridica), imprescritivel e
inalienavel, como sera visto mais a frente (direitos da personalidade).
Partes do nome
Nome ¬ prenome ¹ sobrenome (Art. 16).
O sobrenome também é conhecido como apelido de familia, nome de familia ou
patronimico.
O prenome pode ser simples (João, Maria) ou composto (José Maria, José Marco
Antonio).
O prenome é escolhido pelos pais, ou pelos representantes legais, no caso da
criança nascer com os pais pré-mortos (é possivel: pai morto e mãe morta no
parto. Ha também defuntas que dão a luz). A escolha esta limitada a não poder
escolher nome que exponha seu portador ao ridiculo.
O sobrenome indica a genealogia da pessoa, sua origem familiar. Este não é
escolhido pelos pais, mas transmitido, necessariamente, pelos pais.
18
Agnome é particula distintiva, que podera aparecer para distinguir pessoas
familiares com o mesmo nome: José da Silva H(%*"1, João José da Silva I$&"J
José da Silva K"L1*%@", Manoel da Silva M*0@", Arthur Souza N1*/".
Principio da imutabilidade do nome
Esta a regra que vigora, da imutabilidade do nome, seja pelo interesse que o
Estado tem nessa estabilidade, ou mesmo pelo aspecto personalissimo desse
direito. Não se muda o nome, eis a regra. As exceçoes?
Excepcionalmente, sera admitido alterar o prenome, nos casos de:
a) exposição do portador ao ridiculo (Art. 33, paragrafo unico, LRP, na redação
original),
b) evidente erro grafico (Art. 38, paragrafo unico, LRP, na redação original),
As hipoteses °a¨ e °b¨ são aplicaveis? Sim, inclusive por haver permanecido o
procedimento para instrumentalização desses dispositivos (Arts. 109 e 110 da
mesma Lei).
E o principio da dignidade da pessoa (Art. 1º, III, CF), seria fundamento?
c) substituição por apelidos publicos notorios (Art. 38, LRP, modificado pela Lei
nº 9.708/98). A jurisprudência ja admitia o acréscimo, como no nome de Lula,
mas agora é possivel a substituição: ao invés de Edson Arantes, por exemplo,
Pelé Arantes.
19
d) substituição para proteção em caso de haver colaborado com a Justiça Criminal
(Art. 38, paragrafo unico, LRP, modificado pela Lei nº 9.807/99),
e) adoção de pessoa menor de idade (Art. 1.627),
f) a jurisprudência admite a tradução de nomes estrangeiros, com vistas a facilitar
o aculturamento, a adaptação da pessoa,
g) quando o nome estrangeiro expuser o seu portador ao ridiculo ha um atleta
suiço, cujo nome se pronuncia K$1#.O... (Lei nº 6.813/80 situação do
estrangeiro no Brasil).
Mudanças excepcionais no sobrenome são possiveis, como nos casos de:
a) adoção de pessoa menor (Art. 1.627),
b) STJ ja decidiu: °o nome pode ser modificado desde que motivadamente
justificado¨.
Lembro, novamente, do principio maior, o da dignidade da pessoa. STJ deferiu
caso em que o sujeito fora abandonado, desde tenra idade, pelo pai, e era
conhecido pelo sobrenome de sua mãe. Com justiça ele se livrou do sobrenome do
pai, realizando seu desejo,
c) casamento (Art. 1.363, § 1º),
d) separação e divorcio (Arts. 1.371 e s.),
e) reconhecimento de filho (Art. 1.609),
f) união estavel (Art. 37, § 2º, LRP, por analogia),
(Comentar o dispositivo que é muito anterior a união estavel, e se refere, em
verdade, ao concubinato).
g) transexualismo, com mudança cirurgica de sexo (doutrina e jurisprudência e
o Art. 1º, III, CF? ),
h) filiação socioafetiva (doutrina).
20
Havendo estudado o nome, vejamos o estado, que é o outro critério de
individualização da pessoa.
Estado civil
O estado civil pode ser: individual, familiar ou politico.
Estado civil individual
É o modo de ser da pessoa, diz Gonçalves, quanto a idade, sexo, cor, altura, peso,
cor dos cabelos, saude, escolaridade, enfim, fala de caracteres fisicos e intelectuais
(é o individuo frente ao espelho).
Estado civil familiar
Fala do individuo em relação a familia em sentido amplo (conceito predileto de
Josserand): grau de parentesco (pai, filho, irmão), em face do casamento (solteiro,
casado, separado judicialmente, em união estavel, divorciado, viuvo).
Estado civil politico
Diz do individuo em relação aos aspectos politicos, a cidadania: nacional (nato ou
naturalizado) ou estrangeiro.
Observação: é de tal importância o estado familiar, que costumeiramente quando
se quer fazer referência a ele dizemos apenas $+&.)" !*-*0, quando tecnicamente
seria o correto $+&.)" !*-*0 D./*0*.1= pois o estado civil pode ser, como visto,
*%)*-*)(.0= D./*0*.1 "( ,"04&*!";
Domicilio
Para completar o tema *%)*-*)(.0*8.:9" ). ,$++". %.&(1.0, veremos o estudo do
domicilio. Em topico proprio falaremos do domicilio da pessoa juridica.
21
Conceito: é a sede juridica da pessoa natural, o lugar em que a pessoa centraliza
suas relaçoes juridicas.
No Art. 70 temos que " )"/*!40*" ). ,$++". %.&(1.0 P " 0(#.1 "%)$ $0. $+&.L$0$!$
. +(. 1$+*)Q%!*. !"/ C%*/" )$D*%*&*-";
Considerando o disposto nos Arts. 70 ¹ 74, temos que:
)"/*!40*" R 1$+*)Q%!*. S0(#.1 D4+*!"= $0$/$%&" "L7$&*-"T U animus S)$+$7" )$
D*?.:9"= )$ ,$1/.%Q%!*.= 6($ P " $0$/$%&" +(L7$&*-"T;
(Comentar o conceito...)
Domicilio X residência X habitação ou morada
(Fora da técnica juridica são tomados como sinonimos, no entanto )"/*!40*" é a
sede juridica da pessoa, 1$+*)Q%!*. é elemento de domicilio, um estado de fato,
habitação é relação de fato inferior a residência: estada em hotel, casa de veraneio
etc).
É possivel, portanto, ter varias residências, habitaçoes, mas domicilio unico.
Como é possivel, também, ter varios domicilios (proxima idéia).
Principio da pluralidade de domicilios
Além de domicilio com sentido geral (Art. 70), o novo Codigo apresenta:
a) domicilio profissional ou funcional (Art. 72), que pode ser unico ou multiplo
(paragrafo unico do Art. 72). Trata-se de domicilio especifico para as relaçoes
juridicas voltadas para o exercicio da profissão (interpretação literal da norma
é suficiente),
b) domicilio ocasional Gonçalves (Art. 73), para o caso de pessoas que não têm
paradeiro, convencionando a lei que sera o lugar em que forem encontradas,
22
c) domicilio especial (Art. 78), que se divide em: do contrato, que é aquele
escolhido pelas partes para o cumprimento do contrato, e de eleição, escolhido
para eventual propositura de ação para solver litigios entre as partes
contratantes.
Orlando Gomes fala, ainda, de )"/*!40*" .,.1$%&$, que seria aquele que, embora
não fosse domicilio propriamente, por falta do elemento subjetivo, transparecesse,
a terceiros, a qualidade de domicilio.
Entendo que o paragrafo unico do Art. 74 a ele se refere.
Classificação
Seguindo excelente classificação de Gonçalves, temos, portanto:
O domicilio pode ser:
a) voluntario,
b) necessario ou legal.
O voluntario, por sua vez, subdivide-se em:
a) geral,
b) especial.
Em regra o domicilio decorre da vontade, mas o necessario ou legal é aquele
imposto, por conveniência, pelo Estado. Têm domicilio necessario:
- o militar da ativa,
- o incapaz,
- o maritimo,
- o preso,
- o servidor publico.
Perde-se o domicilio?
23
Perde-se pela sua mudança voluntaria, ou por assumir a pessoa uma condição
juridica para a qual o Estado declina domicilio necessario. Exemplos da segunda
hipotese: João se torna incapaz, Maria foi condenada a pena restritiva de liberdade
etc.
DIREITOS DA PERSONALIDADE
O que são?
São direitos subjetivos indisponiveis, entranhavelmente ligados a personalidade,
que guarnecem a dignidade da pessoa humana.
Dizem respeito ao homem, ao ser humano, mas excepcionalmente poderão
pertencer a pessoa juridica (Art. 32 - ver posteriormente).
Origem e importância
Referidos direitos ganham importância na proporção direta da civilização humana.
O Cristianismo, que ensina, sobretudo, o amor ao proximo como a si mesmo, teve
e tem importância fundamental no desenvolvimento desses valores que
engrandecem a alma, promovendo o ser humano.
A escola de direito natural também tem papel relevante no crescimento dos
direitos personalissimos (*%&(*&( ,$1+"%.$).
Dentre os documentos mais importantes, Gonçalves lembra da Declaração dos
Direitos do Homem, de 1789 (a francesa) e a Declaração pos-guerra, de 1948, das
Naçoes Unidas.
No Brasil, sua primeira fonte foi a jurisprudência.
A CF/88 foi a grande norma ensejadora da necessidade de se positivar a matéria:
Art. 3º, inc. X anunciou a inviolabilidade da intimidade, da privacidade, da
honra e da imagem, com a correlata garantia de indenização por dano material ou
moral.
24
Com essa provocação, o Novo Codigo, pela primeira vez, traz a matéria, em
capitulo proprio, Arts. 11 a 21.
A matéria ainda é tratada timidamente, sem o desembaraço ideal, mas, na opinião
de Miguel Reale, foi proposital apresentar ,"(!.+ %"1/.+ )"&.).+ )$ 1*#"1 $
!0.1$8.= !(7"+ "L7$&*-"+ ,$1/*&*19" "+ %.&(1.*+ )$+$%-"0-*/$%&"+ ). )"(&1*%. $ ).
7(1*+,1()Q%!*..
Espécies:
a) inatos: que surgem com o surgimento da personalidade direito a vida, a
integridade fisica, a honra, a imagem, a alimentos. Alias, podem preceder o
inicio da personalidade, em homenagem a proteção do concepto,
b) adquiridos: conquistados no exercicio da personalidade direito ao nome, ao
apelido, a obra literaria.
Fundamento
Vemos como direitos fundamentados no principio constitucional da dignidade da
pessoa (CF, Art. 1º, inc. III). Certamente nenhum outro principio pode servir de
base, com tanta propriedade, quanto este, o principio dos principios
constitucionais.
Para o Cristianismo, o fundamento desses direitos repousa no fato de a criatura
humana ser imagem e semelhança de Deus.
Rol exemplificativo
Não existe a pretensão, por parte da lei ou da doutrina, de listar exaustivamente
esses direitos, mas, a guisa de exemplos, temos os direitos a (ao):
a) vida (ou melhor, ao respeito a vida),
23
b) liberdade,
c) alimentos,
d) honra,
e) nome,
f) apelido notorio,
g) boa fama,
h) imagem,
i) proprio corpo (vivo e morto),
j) intimidade,
k) privacidade,
l) planejamento familiar,
m) poder familiar,
n) liberdade de pensamento,
o) liberdade de culto,
p) criação cientifica, literaria e artistica.
Para Rubens Limongi França, esses direitos podem ser classificados em 3
categorias:
a) integridade fisica (vida, liberdade, alimentos, proprio corpo),
b) integridade intelectual (liberdade de expressão, de culto, de criação artistica),
c) integridade moral (honra, nome, imagem, apelido).
Quais seus caracteres?
a) indisponibilidade acreditamos ser o principal atributo, do qual decorrem os
demais. Indisponiveis por serem direitos fora do comércio (Silvio Rodrigues),
que, por sua propria natureza, são indestacaveis da ,$1+"%.. Como posso
dispor de minha honra, de meu nome, de minha liberdade, de minha vida?
Essa indisponibilidade, modernamente, tem-se entendido ser relativa, ou seja,
excepcionalmente, admite-se a disposição do direito a imagem, a criação
26
intelectual, como a doação de orgãos (sempre gratuita) para fins altruisticos e
terapêuticos (Maria Helena ¹ Gonçalves ¹ Venosa).
Questão: que significa %9" ,")$%)" " +$( $?$1!4!*" +"D1$1 0*/*&.:9" -"0(%&>1*.
(Art. 11, parte final)?
Outra questão: que significa +$/ ,1$7(48" )$ "(&1.+ +.%:V$+ ,1$-*+&.+ $/ 0$*
(Art. 12, parte final)?
STJ: Os direitos personalissimos, em caso de ofensa, podem ser reclamados
pelos sucessores do ofendido, pois o direito de ação, neste caso, ganha natureza
patrimonial.
Qual a inteligência desse texto jurisprudencial (o que significa)?
b) intransmissibilidade e irrenunciabilidade (Art. 11) decorrem da
indisponibilidade, como dito acima. Nem posso transmitir (alienar) nem
renunciar (abrir mão da titularidade desses direitos), posto que são
indestacaveis da pessoa.
Falar dos alimentos...
Questão: comente o Art. 1.707, 1• parte.
c) absolutos. O que significa, +9" )*1$*&"+ .L+"0(&"+, que se sobrepoem a
quaisquer outros?
Fala, na verdade, da oponibilidade $1#. "/%$+ (são direitos que correspondem
ao dever de abstenção - obrigação de não fazer, a todos imposto),
27
d) ilimitados a lei (Arts. 11 a 21) e a doutrina apresentam rol aberto, meramente
exemplificativo. Existem na amplitude necessaria para proteção integral da
pessoa, frente a todas as circunstâncias da vida.
Além dos ja listados, Gonçalves lembra: direito ao meio ambiente ecologico,
velhice digna, segredo profissional.
De minha parte, acrescento:
- direito a conhecer a origem biologica,
- direito a paternidade e a filiação socioafetivas,
- direito ao estado civil familiar,
! direito a amar e a ser feliz.
Questão: como posso exercer esse direito: em familia matrimonializada? Em
união estavel? Em união homoafetiva? Em familia monoparental? Solitariamente?
Outra: pode-se exigir a prestação de afeto (a exemplo do pai que não exerceu a
função paterna, poderia dele se exigir reparação)?
e) imprescritibilidade não perecem pelo não uso (grosso modo, prescrição é
fenomeno juridico que consiste no perecimento do direito em razão de dois
fatores: não utilização ¹ decurso do tempo).
A pretensão indenizatoria, porém, prescreve (Art. 206, § 3º, inc. V),
f) impenhorabilidade por serem indisponiveis, indestacaveis da pessoa.
Excepcionalmente podera ser objeto de penhora os reflexos patrimoniais,
28
naquelas hipoteses em que a pessoa dispoe de uma obra literaria ou de sua
imagem (fins comerciais),
g) vitaliciedade seguindo a lição de Gonçalves, este seria o ultimo atributo
ressaltavel: referidos direitos duram por toda a vida, ou seja, enquanto dura a
personalidade juridica da pessoa natural.
Questão: esses direitos podem ultrapassar os limites da existência da
personalidade juridica da pessoa natural?
Hipoteses legais
CC/02 - direitos da personalidade rol aberto:
a) disposição do proprio corpo (Arts. 13 e 14),
Questão: é possivel a redução de mama para fins estéticos?
Outra: enxertos e proteses fazem parte do corpo?
Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997: transplante (paragrafo unico do Art. 13).
Principio do consenso afirmativo não pode ser implicita a vontade de doar
orgãos.
b) não constrangimento a tratamento médico de risco (Art. 13) o médico deve
informar ao paciente acerca dos riscos e trata-lo com sua anuência.
Questão: se o enfermo for incapaz?
Aqui também esta o direito ao proprio corpo.
Questão: esse direito autoriza o suicidio e a autolesão?
Questão: autoriza a eutanasia?
29
Questão: autoriza o aborto?
Questão: É possivel a cirurgia estética, de mama (aumentar/diminuir), de nariz
etc?
Questão: esse direito autoriza alguém a resistir (se negar) a um transplante de
orgão ou transfusão de sangue, em iminente risco de morte? (TJ/SP, STJ,
Doutrina),
c) ao nome e ao pseudonimo (Arts. 16 a 19),
Um dos efeitos da sentença que reconhece o vinculo de filiação (na ação
investigatoria de paternidade) é o direito ao nome do pai.
d) proteção a imagem e a palavra (Art. 20),
Imagem: representação da figura humana, pela pintura, escultura, fotografia,
pelicula (filme).
Palavra: escrita ou falada.
e) a privacidade (Art. 21),
Questoes: aqui esta insito o direito a intimidade? São sinonimos?
QUEST€ES DE REVISÃO E FIXAÇÃO:
1. Norma promulgada é norma em vigor?
30
W; I$/ &")" (+" P !"+&(/$ %$/ &"). )$!*+9" P 7(1*+,1()Q%!*.. Comente.
3. Cite 3 principios gerais de direito.
4. Que se entende pela expressão legal /.*"1$+ )$ FG SArt. 4º, I)?
3. Analfabetismo, idade avançada e cegueira seriam causas de incapacidade?
6. Condenação criminal, enseja incapacidade?
7. Liste 3 atributos de seu $+&.)" !*-*0 *%)*-*)(.0.
8. Se você lesse uma matéria em revista não especializada, onde dissesse que os
direitos da personalidade são tradicionais no direito brasileiro, que comentario
técnico-juridico você faria?
9. Que significa a expressão legal: %9" ,")$%)" " +$( $?$1!4!*" +"D1$1 0*/*&.:9"
-"0(%&>1*. (Art. 11, parte final)?
31
10. No programa radiofonico /.&(&"+ $/ D$+&., o apresentador do programa
noticiou que seriam transplantados os orgãos do falecido João, uma vez que este
morrera solitario (sem familia) e nunca fora contra a doação de orgãos.
11.Que é o instituto da comoriência? Qual sua importância para o direito?
12.O que é 1$,1*+&*%.:9"? É admitida em nosso sistema?
13. O que é a Declaração de Nascido Vivo DNV?
14. O que é intervalo lucido? Admitimos?
AUS•NCIA
O que é?
É o instituto que protege o ausente. Considera-se ausente a pessoa que abandonou
seu domicilio, não deixou procurador disposto e com poderes suficientes para
representa-la e não se tem noticia de seu paradeiro.
Previsão legal
No Codigo de 1916, o ausente era listado como absolutamente incapaz (era essa a
visão porque ha pessoas que desaparecem por perturbação mental) e a ausência
constava do Livro de Familia.
32
No Novo Codigo, o ausente não é considerado incapaz (melhor posição) e a
ausência é tratada na Parte Geral (Arts. 22 e s.).
Faces da ausência (por Silvio Rodrigues)
O instituto é de natureza protetiva, sendo que numa primeira fase, inicial, a
proteção é voltada para o ausente, numa expectativa de que este reapareça. Na
segunda fase, todavia, a proteção muda de foco, voltando-se para os herdeiros.
Legitimação para requerer (Art. 22)
Qualquer interessado ou o MP requer a declaração de ausência, judicialmente. O
juiz a declara e nomeia curador ao ausente.
Classificação da ausência
Vemos duas espécies de ausências, embora não tenhamos encontrado essa
diferenciação na doutrina.
São elas: ausência propria (pessoa desaparece sem deixar procurador - Art. 22) e
ausência impropria (pessoa desaparece, deixando procurador, mas este não tem
disposição ou não tem poderes suficientes para representa-lo Art. 23).
Podem ser curadores (Art. 23)
a)conjuge, b)pais, c)descendentes (os mais proximos preferem aos mais distantes).
Importante observação de Gonçalves: também o companheiro, com a mesma
prioridade conferida ao conjuge.
Não havendo nenhum desses, o juiz dara curador .) @"! (Art. 23, § 3º).
33
Fases da curadoria do ausente (por Gonçalves)
1• fase curadoria do ausente: visa a proteção do ausente, preservando-lhe o
patrimonio, na expectativa de sua reaparição (Arts. 22 a 23).
2• fase sucessão provisoria: a medida que diminui a possibilidade do
reaparecimento, cresce a presunção da morte, dai o legislador passar a visar a
proteção dos sucessores (Arts. 26 a 36).
3• fase sucessão definitiva: presunção da morte real, produzindo, portanto, todos
os efeitos pertinentes a extinção da pessoa natural (com o fim de sua
personalidade juridica).
Procedimento para arrecadação dos bens do ausente
Ha procedimento especial de jurisdição voluntaria: CPC, Arts. 1.139 e s.
Questão: os bens sob curatela podem ser desapropriados?
Legitimação para requerer a sucessão provisoria (Art. 27)
a)conjuge (ou companheiro, lembra Gonçalves), b)os herdeiros presumidos,
c)pessoas que tenham aquisição de direito condicionada a morte do ausente,
d)credor.
Sucessão provisoria e caução
Decorrido 1 ano (ausência propria) ou 3 anos (ausência impropria), a contar da
arrecadação, sera aberta a sucessão provisoria.
Como nessa fase a proteção ainda é voltada para o ausente, observe o Art. 28: a
sentença que abre essa sucessão precaria so transita em julgado em 6 meses,
quando, então, concluido o inventario, dar-se-a a partilha.
34
Os sucessores prestarão caução (garantia) Art. 30, salvo os descendentes,
ascendentes e o conjuge (Art. 30, § 2º).
Questão: se o sucessor não puder caucionar, ainda assim entrara na posse?
Questão: os herdeiros provisorios podem alienar os bens? (Ver Art. 31)
Os sucessores provisorios representam o ausente, ativa e passivamente (Art. 32).
Eventuais demandas contra o ausente refletirão contra os tais sucessores, assim
como os sucessores provisorios poderão demandar em nome do ausente, enfim,
eventuais contratos em andamento (fase de execução, cumprimento do contrato)
serão discutidos pelos sucessores provisorios.
Efeitos da posse provisoria (Art. 33)
a)descendentes, ascendentes e conjuge fazem seus todos os frutos e rendimentos,
ainda que o ausente reapareça e demonstre ter sido vitima de força maior,
b)demais sucessores devem poupar metade desses frutos e rendimentos, que serão
devolvidos caso o ausente reapareça e demonstre ter sido vitima de força maior.
Noticia de morte real (Art. 33)
Se durante a posse provisoria houver noticia da morte, cessara a sucessão
provisoria, e a sucessão sera considerada aberta a contar da data da morte.
Cessa a sucessão provisoria (Art. 1.167, CPC)
33
a)reaparição do ausente,
b)com a noticia da certeza da morte,
c)com a abertura da sucessão definitiva (10 anos de sucessão provisoria ou 3 anos
desde o desaparecimento, se o ausente conta ja 80 anos).
Levantamento da caução
Com a sucessão definitiva (Art. 37), os sucessores que prestaram caução poderão
levanta-la.
Reaparição do ausente
Se, apos a abertura da sucessão definitiva, reaparecer o ausente, nos 10 anos
seguintes, recebera os bens na situação em que se encontrar, com direito aos bens
que tenham ocupado o lugar dos originarios (sub-rogados) Art. 39.
Diz o mesmo dispositivo, que se eventual herdeiro comparecer no mesmo periodo,
também sucedera com base no estado do acervo.
Presunção de morte real
A morte presumida so se da com a sentença que declara aberta a sucessão
definitiva (Art. 37), como se vê da parte final do Art. 6º.
Logo, no caso do conjuge, so sera considerado viuvo a partir dessa sucessão
definitiva.
Ocorre, lembra Gonçalves, que é possivel promover o divorcio, apos 2 anos de
separação de fato (Art. 1.380, § 2º), sendo o ausente citado por edital (matéria a
ser detalhada no direito de familia).
Ou seja, o conjuge pode aguardar a sucessão definitiva, quando a morte presumida
produzira o fim da pessoa natural (e as conseqüências juridicas dai decorrentes),
ou (para não esperar tanto tempo), podera promover o divorcio.
36
Uma vantagem visivel na promoção do divorcio, além do ganho de tempo, é que
se o ausente reaparecer, não havera necessidade em discutir sobre a validade do
casamento mais recente, que não é tratada por nossa lei.
Questoes:
a) a declaração de ausência ocorre em que momento: no inicio do procedimento
(quando o juizo tem noticia da ausência), com a abertura da sucessão
provisoria ou com a abertura da sucessão definitiva?
b) a sucessão provisoria se abre apos 1 ano, a contar de que termo: do
desaparecimento da pessoa, da conclusão da arrecadação ou do primeiro edital
publicado?
c) em que momento temos a morte presumida?
d) em que momento o conjuge sera considerado viuvo?
e) em que momento a sucessão definitiva se torna realmente definitiva (para
Silvio Rodrigues a sucessão definitiva - Art. 37 - P 6(.+$ )$D*%*&*-.)?
f) para entrar na sucessão provisoria é necessario caucionar (dar garantia)?
g) no caso do credor, que habilita seu crédito, precisa caucionar para receber?
37
h) com a noticia da morte real, durante a sucessão provisoria, que faz o juiz:
declara aberta a sucessão definitiva, seguindo o rito da morte presumida com
declaração de ausência, ou encerra o procedimento especial?
i) a luz do Art. 30, § 2º, o companheiro precisa prestar garantia para entrar na
sucessão provisoria?
EXTINÇÃO DA PESSOA NATURAL
Vimos que a existência juridica da pessoa natural tem inicio com a vida. Todo ser
humano é pessoa natural, e esta personalidade inaugura-se no instante mesmo do
nascimento. Se respirar uma unica vez, a pessoa natural surge e se extingue, mas,
como se vê, ainda assim houve pessoa natural, cuja personalidade raiou com a
vida e se apagou com a morte.
Formas de extinção da personalidade
O Art. 6º anuncia que a personalidade finda com a morte (paralisação da atividade
cerebral, circulatoria e respiratoria). A morte a tudo poe fim, exceto ao amor e a
alma, que são eternos. A morte aqui referida é a morte real, que se prova pelo
atestado de obito ou pela sentença declaratoria de morte presumida, com ou sem
declaração de ausência.
Em verdade existem duas espécies doutrinarias de morte: a real e a civil. A real
pode ser: real propriamente (atestado de obito) ou presumida (sentença). A
presumida pode ser com ou sem declaração de ausência. Veja os quadrinhos:
- a morte se classifica em:
38
a) real,
b) civil.
-a morte real pode ser:
a) real propriamente (corpo atestado de obito),
b) presumida (sem o corpo ficção juridica).
-a morte presumida pode ser:
a) com declaração de ausência (Art. 6º, 2• parte),
b) sem declaração de ausência (novidade do CC/02 Art. 7º).
Quanto a morte civil, em oposição a morte real, era uma ficção juridica, criada
para se referir a pessoa que era aniquilada em todos os seus direitos civis e as
pessoas que abraçavam a carreira religiosa. Havia na Idade Média, mas não hoje,
posto que é instituto absolutamente incompativel com o Estado democratico de
direito.
Comentar hipoteses de morte presumida, sem declaração de ausência (Art. 7º, I e
II).
No caso de morte presumida com ausência judicialmente declarada, temos que so
ha presunção da morte apos 10 anos da abertura da sucessão provisoria (Art. 26),
quando a lei autoriza a sucessão definitiva (Art. 37).
39
Por fim, registre-se que as sentenças que declaram a morte presumida, com ou
sem declaração de ausência, devem ser inscritas no registro publico (Art. 9º, IV).
Morte comoriente (Art. 8º)
A comoriência consiste na ficção legal de que houve o passamento simultâneo de
pessoas, por não ser possivel precisar o momento em que cada uma finou.
Fala-se em comoriência ainda que as mortes não tenham ocorrido no mesmo lugar
(João em Brasilia e Maria em Porto Velho).
Sem base cientifica, alguns sistemas adotaram outros critérios para resolver a
questão: a mulher morre primeiro, o mais velho antes dos mais novos, as crianças
antes dos adultos etc.
Qual a aplicação do instituto da comoriência?
Lembra Gonçalves que o instituto so tem serventia se a duvida quanto ao
momento da morte diz respeito a pessoas que têm, entre si, relaçoes juridicas que
impliquem em eventual transferência de bens entre os tais. Claro, pois no exato
instante em que se esta lendo este texto, milhares de pessoas estão morrendo, e
não ha a menor necessidade de examinar quem pré-morreu ou pos-morreu a quem.
O instituto ganha importância, portanto, nessas tragédias em que padecem pessoas
de mesma familia e até familias inteiras: queda de aeronave, desabamento do
Shopping Osasco, veiculo na ribanceira etc
Comentar: exemplificar com a hipotese de marido e mulher comorientes, sem
descendentes nem ascendentes...
40
Questoes para revisão e fixação - debate:
1. Nosso sistema, ao positivar os direitos da personalidade, o fez de forma
exaustiva (%(/$1(+ !0.(+(+)?
2. A morte, que poe fim a personalidade civil da pessoa natural, extingue os
direitos da personalidade?
3. Qual o principio constitucional que opera como principal fundamento juridico
dos direitos da personalidade?
4. Se você lesse na coluna social de um jornal a expressão X.1*. Y"%*&.
1$%(%!*"( ."+ .0*/$%&"+ ." +$,.1.13+$ )$ H"+P Z./,*9", que comentario técnico-
juridico você faria?
3. Defina a expressão $+&.)" !*-*0;
6. Quais os elementos de domicilio?
7. José da Paz, militar da ativa do Exército Brasileiro, encontra-se servindo em
Campo Grande-MS. Maria Beira-Sol, sua esposa, cumpre pena restritiva de
liberdade no Presidio de Segurança Maxima de Catanduvas-PR. O casal tem 3
filhos, Aldo, Alba e Elbo: Aldo tem 17, Alba 18 e Elbo 19, embora este ultimo
41
seja incapaz (esta interditado e o Sr José, seu pai, é seu curador). Classifique
doutrinariamente o domicilio dessas pessoas: José, Maria e seus filhos.
8. Que significa a expressão legal contida no Art. 4º, °maiores de dezesseis¨?
9. Quem tem capacidade de direito, tem também capacidade de fato (ou de
exercicio)?
10.Diferencie $+&.)" !*-*0 *%)*-*)(.0= D./*0*.1 $ ,"04&*!";
11. Quais os elementos de domicilio? Eles estão presentes no domicilio necessario
ou legal?
12. Quais as espécies doutrinarias de morte, presentes em nossa sistematica,
habeis, portanto, a extinguir a personalidade da pessoa natural?
13. Distinga normas cogentes e normas dispositivas.
42
14. O nome pode ser mudado?
13. O que é analogia?
16. O que é costume? O costume !"%&1. 0$#$/ é favoravel (benéfico) ao sistema
juridico?
17.Diferencie emancipação legal, voluntaria e judicial.
18.Que requisito é comum as diversas modalidades (questão anterior) de
emancipação?
19. Maria casou-se aos 16 anos, vindo a descasar-se aos 17. Supondo que seu
casamento tenha produzido efeitos (casamento valido), no periodo entre o seu
descasamento e sua maioridade, Maria seria capaz, relativamente incapaz ou
absolutamente incapaz?
20. A capacidade a que se esta referindo a questão anterior é a !.,.!*).)$ )$ D.&"
ou )$ )*1$*&"?
43
PESSOAS JURÍDICAS
Idéias introdutorias
As pessoas juridicas são uma criação humana, artificiais, portanto, por
conveniência da sociedade (facilitar a consecução de certos fins).
Imitam a pessoa natural, seja no tocante a capacidade, ou ao fato de nascerem (ao
se constituirem), produzirem (participando do trafico juridico) e morrerem (ao se
extinguirem).
As disposiçoes legais, de ordem geral, estão nos Arts. 40 e s.
Por fim, uma mensagem: o direito existe para as pessoas naturais, e para as
pessoas juridicas, por causa das pessoas naturais (observe que a pessoa juridica,
portanto, é instrumento).
Conceito (por Gonçalves)
Às vezes chamada de ,$++". /"1.0 (Suiça e França), ,$++".+ !"0$&*-.+ (Portugal),
$%&$ )$ $?*+&Q%!*. *)$.0 (Argentina), mas, aqui, na Alemanha, na Espanha e na
Italia chamamos ,$++". 7(14)*!., que é entidade a que a lei confere personalidade,
capacitando-a a ser sujeito de direitos e obrigaçoes.
Maria Helena traz este conceito: é a unidade de pessoas naturais ou de
patrimonios, que visa a consecução de certos fins, reconhecida pela ordem juridica
como sujeito de direitos e obrigaçoes.
44
Questão: a personalidade da pessoa juridica se confunde com a das pessoas
naturais empreendedoras? (Interpretar o Art. 30, . !"%&1.1*" +$%+().
Natureza juridica
Varias escolas apareceram para explicar o que significa a pessoa juridica para o
direito.
Segundo Gonçalves essas escolas podem ser divididas em dois grupos: os que
trazem a teoria da ficção e os da teoria da realidade.
Teoricos da ficção
A pessoa juridica é uma ficção juridica, pois so a pessoa natural pode se arvorar
em sujeito de uma relação juridica. Ou seja, a pessoa juridica não tem existência
real, mas é mero conceito intelectual.
Essas teorias não têm aceitação hoje e a maior critica que receberam é que o
Estado seria uma ficção, e, logo, todo o ordenamento juridico colocado por ele
também seria ficticio, o direito dito por ele (jurisdição) seria uma ficção.
Teoricos da realidade
São varias as teorias que pertencem a essa escola:
a) da realidade objetiva ou orgânica: é uma realidade sociologica (independe,
portanto, do poder de criação do Estado),
43
b) da realidade juridica ou institucionalista: também da ênfase a origem
sociologica, acrescentando que têm destinação certa a um serviço ou oficio, e
por isso adquiriram personalidade,
c) da realidade técnica: aqui estão Colin e Capitant. A personificação é atribuida a
agremiaçoes as quais a lei reconhece vontade e finalidades. É acusada de ser
positivista, mas é a que melhor explica o fenomeno em que uma agremiação
adquire personalidade juridica distinta da de seus membros. Aqui esta ancorada
a sistematica brasileira (Arts. 43, 31, 34, 61, 69).
Requisitos
Gostamos da organização que Gonçalves da ao identificar os requisitos. São
quatro:
a) vontade humana,
b) elaboração do ato constitutivo,
c) registro do ato constitutivo,
d) liceidade do objeto.
Comentando um a um:
a) vontade humana: vontade humana criadora, diz Gonçalves. Esta se materializa
no ato constitutivo, que deve ser escrito, e reflete a .DD$!&*" +"!*$&.&*+ (intenção
comum),
Ha a convergência de duas ou mais vontades, e é exemplo de negocio juridico
plurilateral (as vontades não se convergem uma em direção a outra, mas
convergem para o objeto).
b) elaboração do ato constitutivo: sempre escrito, é exigência legal. Nas
associaçoes, é o $+&.&(&" (Art. 34), nas sociedades, " !"%&1.&" +"!*.0 (Art. 981),
e nas fundaçoes, a $+!1*&(1. ,[L0*!. ou &$+&./$%&" (Art. 62). Comprova a
.DD$!&*" +"!*$&.&*+, a vontade de empreender conjuntamente,
46
c) registro do ato constitutivo: perante o orgão competente (veremos caso a caso),
d) liceidade do objeto: seja no modelo criado para a especulação economica, seja
no modelo criado para a promoção social, importa que seja licito o objetivo,
A pessoa juridica não pode funcionar como uma mascara para a atividade
fraudulenta de pessoas naturais. É um organismo criado para o bem.
Objetivos ilicitos levam a dissolução compulsoria da pessoa juridica (Arts. 31 e
69).
Na verdade a ação estatal, criadora desses entes, age de duas formas: ora
preventiva ora repressivamente.
Preventivamente: impede que se forme com objeto ilicito (Art. 46, I, Art. 34, I e
Art. 62, !.,(& e paragrafo unico "+ D*%+).
Repressivamente: dissolução compulsoria (Arts. 31 e 69).
Inicio da personalidade
Tem inicio a personalidade com a existência legal (antes é mera sociedade de fato,
marginal), que se da com o registro no orgão competente (Art. 43).
A pessoa natural adquire personalidade com o nascimento (não com o registro),
mas a pessoa juridica, esse ente abstrato, fruto do engenho humano, adquire
personalidade com o registro (este é o seu nascimento). Se é publica surge com
uma norma.
Capacidade juridica X capacidade de exercicio X pessoa juridica
47
Embora haja alguma confusão na doutrina
1
, a pessoa juridica possui uma unica
capacidade, a juridica (ou de direito, ou de aquisição). Jamais possuira capacidade
plena, pois não é habil a conjugar a capacidade juridica a capacidade de exercicio
(ou de fato). Age sempre representada pelo orgão indicado no ato constitutivo
(diretoria, assembléia geral, conselho deliberativo).
Maria Helena explica que ao se referir a representação, não dizer que seja pela
pessoa natural, mas pelo orgão da pessoa juridica (naturalmente esse orgão é
formado por pessoas naturais).
Questão: a capacidade juridica (ou de aquisição) é ilimitada na pessoa natural. E
para a pessoa juridica? (Venosa abona nossa resposta).
Questão: essa capacidade esta voltada unicamente para a questão patrimonial?
Classificação da pessoa juridica
1) quanto a nacionalidade:
a) nacional,
b) estrangeira (mais limitada que a nacional principio da soberania, Art. 170, I,
CF autorização do poder executivo).
1
Gonçalves, com base em Pontes de Miranda (°o pai de todos¨), e Venosa. Entendem que a representação dos
incapazes difere ontologicamente (estruturalmente) da representação das pessoas juridicas, onde não seria exatamente
uma representação, mas °presentação¨ apenas. Venosa ilustra: o diretor manifesta a vontade da assembléia geral, que
pode não coincidir com a sua vontade propria. Pergunto, porém: quando eu represento o incapaz, não estou, também,
sendo °a voz dele em minha boca¨? Em tese, eu não estou exprimindo a vontade do incapaz? Logo, entendo que a
pessoa juridica seria representada, sim, por não possuir capacidade de exercicio (ou de fato).
48
2) quanto a estrutura interna:
a) corporação,
b) fundação.
A corporação reune pessoas. Ha o patrimonio inerente a consecução de seus
objetivos, mas o conteudo esta na união das pessoas, na união de suas forças e
potencialidades.
As corporaçoes, por sua vez, subdividem-se em: a1) sociedades e a2) associaçoes.
As sociedades, por sua vez, subdividem-se em: a2.1) simples e a2.2) empresarias.
Essas sociedades eram classificadas, no sistema anterior, em civis (hoje simples) e
comerciais (hoje empresarias).
A fundação reune patrimonio, este é o seu conteudo. Idealizado por uma pessoa,
*%&$1 -*-"+ (por escritura publica) ou !.(+. /"1&*+ (por testamento), onde esse
patrimonio é destinado a uma finalidade social, sem lucro.
3) quanto a função:
a) de direito publico,
b) de direito privado.
As de direito publico podem ser de: a1) direito publico interno Art. 41 ou a2) de
direito publico externo paises estrangeiros, organismos internacionais (ONU,
OEA, MERCOSUL, UNESCO) Santa Sé etc (Art. 42).
Como explica Gonçalves, as pessoas juridicas de direito privado são as
corporaçoes (associaçoes ou sociedades) e as fundaçoes.
Questão: de que natureza são as agências reguladoras?
Outra: e as fundaçoes publicas?
49
Outra: partidos politicos, sindicatos e organizaçoes religiosas?
Pessoas juridicas de direito privado as diversas estruturas
a) associaçoes,
b) sociedades,
c) fundaçoes.
Não aprofundaremos as organizaçoes religiosas, nem os partidos politicos.
Os partidos politicos possuem legislação especifica, na seara do direito eleitoral
(publico). São entidades de direito privado, que recebem apenas subsidiariamente
a aplicação da lei civil (Art. 44, § 3º).
Quanto as organizaçoes religiosas, são formadas livremente (Art. 44, § 1º), em
atenção ao direito constitucional de liberdade de culto (Art. 3º, inc. VI). Assim
como os partidos politicos, são associaçoes especiais.
Comentarios as espécies
a) associaçoes,
Pessoas que se reunem, para fins não lucrativos (fins não economicos, diz a lei
Art. 33).
O paragrafo unico do Art. 33 diz: não ha, entre os associados, direitos e
obrigaçoes reciprocos.
Essas agremiaçoes têm finalidade altruistica, cientifica, cultural, beneficente
(promoção social), religiosa, educativa, politica, esportiva e culturais.
Não visam lucro, traço distintivo das sociedades (finalidade economica).
Sob pena de nulidade, o estatuto devera conter os requisitos minimos do Art. 34.
A exclusão de associado so é admissivel em havendo justa causa, assegurado o
direito a ampla defesa (Art. 37).
30
Por outro lado, querendo demitir-se, é livre o associado, por garantia
constitucional (ninguém podera ser compelido a associar-se ou a permanecer
associado - Art. 3º, inc. XX).
Têm existência legal a partir do registro no Cartorio de Registro Civil das Pessoas
Juridicas (Arts. 114 e s, LRP).
Comentar o Art. 114, II, LRP: +"!*$).)$+ !*-*+= 1$0*#*"+.+;;;
O registro serve de prova e é elemento constitutivo, proporcionando personalidade
juridica a pessoa juridica.
Questão: essa personalidade limita-se ao campo patrimonial?
A associação pode sofrer dissolução (fim de sua personalidade, como a morte para
a pessoa natural):
- voluntariamente, por deliberação de seus membros,
- compulsoriamente, por haver se tornado inconveniente ou nociva para a
sociedade (por ato do poder publico), como se vera mais avante.
RT, 786/163: traz caso de dissolução compulsoria de agremiação formada por
torcedores. Finalidade da agremiação: incentivar o time. Pratica: incentivava a
violência, difundindo o pânico e o terror.
Questão: com a dissolução, qual o destino do patrimonio? (ver Art. 61).
b) sociedades,
É matéria tipica da disciplina \*1$*&" ]/,1$+.1*.0. Portanto, apenas lampejos por
agora...
Havendo sido revogada a Parte Geral do Codigo Comercial, toda sociedade passa
a ser classificada como !*-*0. A sociedade que chamavamos !"/$1!*.0 é agora a
$/,1$+>1*., e a que chamavamos !*-*0 é agora a +*/,0$+.
31
Traço essencial de distinção das associaçoes é que a busca do lucro esta nas
sociedades.
Por meio do contrato social (Art. 981), os socios se obrigam reciprocamente,
contribuindo com bens e serviços e rateando, entre si, os resultados.
As sociedades simples são formadas por pessoas que atuam numa mesma area
técnica: medicina, advocacia, odontologia, engenharia, professores.
As sociedades empresarias desempenham atividade propria de empresa, e
assumem as categorias de sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita
simples, sociedade em comandita por açoes, sociedade limitada, sociedade
anonima ou por açoes.
Exemplo de sociedade empresaria: as grandes construtoras.
c) fundaçoes,
Não reunem pessoas, mas bens (patrimonio), que são aplicados, sem finalidade
lucrativa, a uma finalidade essencialmente social, por vontade de seu instituidor.
Essa finalidade social seria dentre as indicadas no paragrafo unico do Art. 62:
religiosa, moral, cultural ou de assistência.
Decorre de ato *%&$1 -*-"+ ou !.(+. /"1&*+, ou seja, por escritura publica ou por
testamento, respectivamente (Art. 62).
Adiante-se que a fundação pode ser publica ou privada. Esta ultima é regida pelo
Codigo Civil. A publica, pelo direito administrativo (direito publico), onde estão
as normas especificas. Logo, não são estudadas aqui (pessoas de direito privado).
Formação da fundação
Segundo lição de Gonçalves, a fundação (sem adjetivo, entenda-se de direito
privado) forma-se em 4 fases:
1• fase: ato de dotação ou de instituição (Art. 62),
Questão: se bens deixados em testamento, para certa finalidade, não forem
suficientes para dotarem o patrimonio da fundação desejada pelo falecido?
32
2• fase: elaboração do estatuto (Art. 63),
Questão: se o estatuto não for elaborado pelo proprio instituidor nem por pessoa
por ele designada, o MP podera fazê-lo?
3• fase: aprovação do estatuto: pelo MP estadual da localidade (autoridade
competente Art. 63, parte final).
Papel do MP: verificar se a ordem publica esta sendo respeitada (liceidade do
objeto Art. 113 da LRP), assim como a vontade do instituidor e a quantidade de
bens (se é suficiente).
O MP podera indicar modificaçoes ou denegar aprovação. Se interessados
eventualmente discordarem, poderão acionar o juiz (Art. 63, parte final).
Se é o MP quem elabora o estatuto, a aprovação ficara por conta do juiz (CPC,
Art. 1.202).
No CPC, Arts. 1.199 e s. temos: ). "1#.%*8.:9" $ ). D*+!.0*8.:9" ).+ D(%).:V$+;
4• fase: registro (LRP, Art. 114, I). Faz-se no Registro Civil das Pessoas Juridicas.
Questoes:
-quem fiscaliza as fundaçoes?
-se estiverem em territorio federal?
-se a atividade da fundação se estender a mais de um estado-membro da
federação?
Corporação X fundação
- A grande diferença, portanto, esta em que uma reune pessoas, a outra,
patrimonio.
- As corporaçoes surgiram em Roma, as fundaçoes na Idade Média.
33
- As corporaçoes podem visar ao lucro (sociedades) ou não (associaçoes). A
fundação não visa ao lucro.
- As corporaçoes são voltadas para o seu interior, ou seja, os esforços conjugados
buscam atender, em plano imediato, os interesses de seus agremiados. As
fundaçoes têm objetivos externos. Voltadas para fora, em atenção a vontade de
quem as instituiu.
- As corporaçoes nascem de contrato social (sociedades simples e sociedades
empresarias) ou do estatuto (associaçoes), enquanto as fundaçoes surgem de
escritura publica ou testamento.
- As corporaçoes são negocios juridicos plurilaterais, enquanto as fundaçoes são
unilaterais.
! As corporaçoes surgem *%&$1 -*-"+, mas as fundaçoes nascem *%&$1 -*-"+ ou
!.(+. /"1&*+.
!
Sociedade de fato
Sociedade de fato ou sociedade irregular é aquela que, tendo existência fatica,
inexiste para o direito (é fato extrajuridico), por não haver se constituido por meio
do registro competente.
A personalidade juridica da pessoa juridica surge com o registro, logo...
Com o registro, surge a personalidade, o que resulta em distinção patrimonial
pessoa natural/pessoa juridica, e assim, autonomamente, a pessoa juridica se torna
sujeito de direitos e obrigaçoes na orbita civil.
A sociedade irregular, ao revés, não tem esse perfil, por faltar-lhe a personalidade.
34
Questão (com base em Caio Mario): se uma sociedade de fato se regulariza
perante a lei, a personalidade que adquire é fenomeno retroativo ao momento do
inicio de suas atividades?
Art. 990: os socios respondem solidaria e ilimitadamente pelas obrigaçoes sociais.
O que se observa dos Arts. 998 e 990 é que a lei atribui pesos diversos a
responsabilidade dos socios na sociedade irregular:
- responsabilidade subsidiaria aos socios em geral,
- responsabilidade direta ao que contratar, representando a sociedade de fato.
Questoes:
-que significa responsabilidade subsidiaria?
-que significa responsabilidade direta?
Confundem-se, na verdade, os patrimonios, de forma que eventuais credores
alcançam ambos os patrimonios como se fora um so.
Como ao Estado não interessa a sociedade irregular (insegurança juridica, prejuizo
fiscal), apresenta normas que sancionam o seu funcionamento. Ex.: os socios,
entre si e com terceiros, so podem provar a existência da sociedade por escrito,
mas terceiros (credores, por exemplo) podem provar por qualquer meio licito (Art.
987).
Questoes:
! pode ser demandada em juizo?
-pode demandar em juizo?
33
-se possivel, quem a representaria, ja que não ha ato constitutivo indicando quem a
representa?
-na hipotese de demandar em juizo, o demandado poderia alegar a irregularidade
dessa sociedade para se furtar ao cumprimento da obrigação (lembrar do principio
que veda o enriquecimento ilicito)?
-pode contratar a compra e venda de um imovel, registrando a escritura exigida
por lei?
Ademais, em disciplina autonoma essas sociedades serão estudadas com mais
vagar (direito de empresa). Aqui, apenas a teoria introdutoria (ufa!).
Domicilio da pessoa juridica
Qual o domicilio da pessoa juridica em geral?
Qual o domicilio da pessoa juridica de direito publico interno, como, por exemplo,
o Municipio de Campo Grande ou o Estado de Mato Grosso do Sul?
Entes despersonalizados
Ha situaçoes em que se tem reunião de pessoas e/ou de bens, sem haver .DD$!&*"
+"!*$&.&*+= mas esta reunião, que não resultou da vontade, se deu em razão de um
ato ou de um fenomeno juridico.
Nesse caso, não temos pessoa juridica (personalidade), nem mesmo de fato
(despersonalizada), mas entes aos quais chamamos despersonalizados (sem serem
sociedades de fato).
36
Os tais entes despersonalizados, ou entes com personificação anomala (como
prefere Venosa), têm, por força de lei, capacidade para demandar e sofrer
demandas.
São eles:
a) massa falida,
b) herança jacente,
c) herança vacante,
d) condominio,
e) espolio.
Embora Gonçalves cite a D./40*., entendemos que não seria o caso, pois neste
grupo social, base da sociedade, cada membro, em per si, age enquanto sujeito de
direitos e obrigaçoes, não sendo o caso de agirem conjuntamente (Venosa,
Orlando Gomes).
Na lição de Gonçalves, a sociedade de fato esta listada entre os entes
despersonalizados.
Embora seja um ente despersonalizado, por não existir para o direito, entendemos
que não deve ser contada nessa classificação, pois aqui estão aqueles entes que
existem, sim, para o direito, mas para os quais não existiu a .DD$!&*" +"!*$&.&*+.
Origem
A agremiação surge de um ato ou fenomeno juridico:
a) de uma sentença, no caso da herança vacante, da massa falida, no caso do
condominio, o contrato de aquisição conjunta de um bem, gera o ente coletivo
despersonalizado,
b) de um fenomeno juridico (abertura da sucessão), no caso da herança jacente e
do espolio.
Em todos esses casos ha um ponto em comum: os entes despersonalizados não
resultaram da vontade das pessoas que o formam, mas essas pessoas estão ligadas
por um objetivo em comum. Vejamos:
37
Os herdeiros, no espolio, formam um condominio que não desejaram formar
Art. 1.791 (não ha .DD$!&*" +"!*$&.&*+), mas ha um interesse comum a todos eles: a
herança.
Outro exemplo: também os credores da massa falida (olhando do ângulo dos
credores), e a reunião de bens (do ângulo da massa falida).
Desconsideração da pessoa juridica
Palavras introdutorias
Como visto, exceto na sociedade irregular ou de fato, a pessoa juridica tem
personalidade distinta da de seus membros, o que distingue, portanto, os
patrimonios daquela e destes.
Esse fenomeno juridico, que foi idealizado para a segurança juridica dos
membros, que estariam imunes aos imprevistos que acometessem a pessoa
juridica, é, todavia, por vezes, um instrumento para fraudar credores, cometer
ilicitos.
Nas palavras de Gonçalves, a pessoa juridica é utilizada como uma °capa¨ ou
°véu¨ para proteger negocios escusos.
Conceito
Consiste no afastamento temporario da personalidade da pessoa juridica,
eliminando a distinção patrimonial entre a pessoa juridica e seus membros, com
vistas a alcançar o patrimonio destes (bens particulares dos socios).
Origem
Direito anglo-americano, onde recebeu o nome de )*+1$#.1) )"!&1*%$; Também
França, Italia e Alemanha. No Brasil, o precursor dessa teoria é Rubens Requião,
ainda nos anos 60.
A jurisprudência deu lastro pratico a teoria, pois não havia legislação. A primeira
norma a disciplinar o instituto foi o CDC (Lei nº 8.078/90), Art. 28.
38
Também a Lei nº 9.603/98 (meio ambiente) traz positivado o instituto, prevendo a
desconsideração da pessoa juridica +$/,1$ 6($ +(. ,$1+"%.0*).)$ D"1 "L+&>!(0"
." 1$++.1!*/$%&" )$ ,1$7(48"+ !.(+.)"+ ^ 6(.0*).)$ )" /$*" ./L*$%&$ (Art. 4º).
No CC é o Art. 30, pela primeira vez, a rechaçar o uso indevido da pessoa
juridica.
Aplicação
Sera aplicavel sempre que houver fraude e ma-fé, provocando prejuizo de
terceiros.
A lei (Art. 30) diz: .L(+" ). ,$1+"%.0*).)$ 7(14)*!.= !.1.!&$1*8.)" ,$0" )$+-*" )$
D*%.0*).)$= "( ,$0. !"%D(+9" ,.&1*/"%*.0;
Para a doutrina de Marlon Tomazette, citada por Gonçalves, a confusão
patrimonial seria o indicio suficiente do abuso da pessoa juridica.
Hipoteses de confusão patrimonial (indicios de expedientes fraudulentos,
abusivos)
Pela contabilidade ou pelo movimento bancario constata-se que a sociedade paga
dividas dos socios, ou os socios recebem créditos que pertencem a pessoa juridica,
ou, ainda, a pessoa juridica recebe crédito dos socios.
Outra hipotese: bens da sociedade em nome dos socios e vice-versa.
Assim, num processo de execução em que o credor não encontra bens, estando
presente a promiscuidade patrimonial (indicio de abuso), nos proprios autos a
parte requer ao juiz que desconsidere a pessoa juridica, requerendo a penhora
direta dos bens do socio ou dos bens da sociedade.
Legitimação para requerer
Pessoa interessada (interesse juridico) ou o MP (apenas quando lhe couber
intervir) Art. 30.
Desconsideração X despersonalização
39
Questoes:
A desconsideração acarreta a dissolução da pessoa juridica?
A lei tem preferência pela desconsideração ou pela despersonalização,
considerando os principios da função social da lei e da conservação dos negocios
juridicos?
Questão: )$+!"%+*)$1.:9" *%-$1+., o que é? É admitida em nossa sistematica?
Caracteriza a desconsideração inversa quando ocorre o afastamento da
personalidade da pessoa juridica para alcançar esta (a pessoa juridica), que sera
responsabilizada pela obrigação do socio (pessoa natural).
É hipotese excepcional (normalmente ocorre o contrario: afastar a personalidade
para alcançar a pessoa natural), mas admitida em nossa sistematica (afastar a
personalidade para alcançar a pessoa juridica).
Exemplo trazido por Gonçalves: conjuge, pressentindo o fim da sociedade
conjugal, registra bens em nome da pessoa juridica sob seu controle, com vistas a
desviar esse bem da futura partilha.
So com o afastamento da autonomia patrimonial da pessoa juridica, portanto, sera
possivel alcança-la, para responsabiliza-la.
Questionario de revisão e fixação
1. Gonçalves lista 4 requisitos para a existência da pessoa juridica. Quais são?
60
2. A Associação Bebê Feliz, formada por médicos, foi instituida com a finalidade
de amparar mulheres gravidas, pobres, com vistas, especialmente, a proteção do
nascituro. Em investigação recente, ficou provado que a referida Associação não
faz outra coisa senão praticar o aborto em mulheres pobres. Você, como operador
do direito, sugere a desconsideração ou a despersonalização da Associação Bebê
Feliz?
3. Se inicialmente essa Associação tivesse existência apenas de fato, vindo a
regularizar-se em janeiro de 2003, a aquisição de personalidade juridica seria
retroativa ao momento do inicio de sua existência fatica?
4. Qual o domicilio da Associação Bebê Feliz?
3. A Associação Bebê Feliz tem direito da personalidade?
6. Nosso sistema admite o instituto denominado desconsideração inversa?
Responsabilidade civil das pessoas juridicas
Palavras introdutorias
61
É matéria que tem sede propria dentro do nosso curso (direito das obrigaçoes), e,
naturalmente, essa sede não se encontra no Direito Civil I. Todavia, eis aqui
algumas linhas, a guisa de iniciação teorica.
O que é responsabilidade civil?
O termo responsabilidade vem do verbo latino 1$+,"%)$1$, no sentido de alguém
ser garantidor, diz Maria Helena.
A mesma autora conceitua:
É a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou
patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela mesmo praticado, por
pessoa por quem ela responde, por alguma coisa a ela pertencente ou de simples
imposição legal.
Tentando simplificar:
É o fenomeno juridico que obriga o causador do dano a repara-lo.
Chama-se 1$+,"%+.L*0*).)$ !*-*0, por existirem outras modalidades de
responsabilidade: penal e administrativa.
(Breves comentarios distintivos)
Pressupostos
Ainda com base em Maria Helena, são pressupostos da responsabilidade civil:
a) ação ou omissão,
b) culpa (dolo ¹ culpa +&1*!&( +$%+(),
c) dano (moral ou patrimonial),
62
d) nexo causal (entre ação e dano).
(Breves comentarios aos pressupostos)
Espécies
A responsabilidade civil pode ser:
a) contratual,
b) extracontratual.
A primeira resulta de descumprimento de obrigação (Art. 389), de natureza
patrimonial, caso em que a responsabilidade da pessoa juridica se equipara a da
pessoa natural, seja a pessoa juridica de direito publico ou privado.
Ex: obriga-se a construir um imovel.
A responsabilidade extracontratual é a que resulta da pratica de um ato ilicito ou
por abuso de direito (Arts. 186 e 187, combinados com Art. 927). No caso de
pessoa juridica, vale lembrar, ainda, os Arts. 932, III e 933.
Essas normas dos Arts. 186 e 187 trazem o dever genérico de não lesar outrem,
obrigação de não lesar. Se ha lesão (ilicito, fonte de obrigação), surge a obrigação
(de reparar o dano), conforme Arts. 927, 932, III e 933 (referindo-se
especialmente a pessoa juridica).
Essa responsabilidade civil extracontratual (aquiliana), em regra exige o elemento
culpa. Se é necessaria a prova da culpabilidade, estamos diante da
responsabilidade chamada +(L7$&*-. (teoria classica).
63
Ha, porém, hipoteses legalmente previstas, em que se dispensa a demonstração da
culpa, bastando a ação ou omissão, o dano e o nexo causal (entre ação e lesão).
Dai estamos diante da chamada responsabilidade civil "L7$&*-.;
Em se tratando de pessoa juridica, a responsabilidade extracontratual sera sempre
objetiva (Gonçalves).
Lecionam o oposto: Silvio Rodrigues e Maria Helena, para os quais é necessario
diferenciar. A responsabilidade seria objetiva apenas para as sociedades
(finalidade economica).
Responsabilidade da pessoa juridica de direito publico
Como ja dito, é objetiva a responsabilidade civil extracontratual da pessoa
juridica.
Ressalte-se, todavia, que o fundamento legal, no caso da pessoa juridica de direito
publico, é o Art. 43, que, por sua vez, tem por base o § 6º do Art. 37 da CF.
Questão:
A Administração Publica responde ainda que seu agente aja com dolo ou culpa?
Ilustrando a questão: João, motorista da ambulância municipal, costuma, em
situaçoes desautorizadas, atravessar semaforos fechados e a fazer outras manobras
arriscadas. Caso venha a atropelar um pedestre, sera a Prefeitura responsabilizada?
Ressalte-se, também, que em se tratando de pessoa juridica de direito publico, a
regra é a responsabilização objetiva, apenas nas lesoes causadas por ação. Em se
tratando de omissão, ha divergências, cujo debate não cabe aqui.
64
Para Gonçalves, a responsabilidade seria sempre objetiva, mesmo ante lesão por
omissão. Nesse sentido ha decisoes do STF.
Bandeira de Mello acena para a responsabilidade estatal na modalidade subjetiva,
se a lesão decorre de omissão.
Exemplos de omissão: criança ferida no intervalo das aulas, em escola publica,
veiculo furtado nas redondezas de uma feira livre.

No caso de erro judiciario (prisão ilegal, por exemplo), o Estado responde
objetivamente.
Extinção da pessoa juridica
A pessoa juridica, tal qual a natural, nasce (com o ato constitutivo), se desenvolve
(participa do mundo juridico) e morre (com a sua dissolução).
Assim, com o registro do ato constitutivo, tem inicio a personalidade da pessoa
juridica (Art. 43).
E o fim, como se da?
A pessoa juridica pode sofrer dissolução:
- voluntariamente, por deliberação de seus membros,
- compulsoriamente, por haver se tornado inconveniente ou nociva para a
sociedade (por ato do poder publico).
A extinção voluntaria da personalidade da pessoa juridica é chamada de
!"%-$%!*"%.0. Ou seja, a vontade humana, criadora da pessoa juridica, também é
habil a extingüi-la.
No caso da sociedade, o Art. 1.033 prevê varias hipoteses.
No caso da associação, por deliberação, na forma de seu estatuto.
63
Se a pessoa juridica é uma fundação, e esta foi instituida por prazo determinado,
com o &$1/" D*%.0 se extinguira a fundação.
A extinção compulsoria, por sua vez, apresenta as seguintes modalidades
doutrinarias:
a) legal,
b) administrativa,
c) judicial.
A extinção diz-se 0$#.0 quando decorre de força da lei: Arts. 1.028, II, houver
decretação da falência (lei especifica), morte de todos os socios (Art. 1.028),
desaparecimento do capital, nas sociedades‚.
‚o desaparecimento do capital não é causa de extinção da categoria associação,
pois não tem o lucro por objeto.
Diz que a causa é .)/*%*+&1.&*-. quando a pessoa juridica depende de autorização
da Administração Publica (federal, estadual e/ou municipal), e esta autorização é
cassada (Art. 1.033, V e Art. 69, 1• parte, c.c. Art. 1.123).
A extinção compulsoria é chamada 7()*!*.0 quando decorre de sentença. O MP ou
pessoa com legitimo interesse juridico provoca a instância jurisdicional, por haver
previsão de extinção no ato que instituiu, e essa previsão não esta sendo respeitada
(caso em que pessoa interessada ingressaria em juizo) e em todas aquelas
hipoteses de extinção administrativa ou, até mesmo, legal (sentença declaratoria
de falência).
Dissolução e liquidação são um fenomeno unico?
A liquidação refere-se ao patrimonio (so diz respeito apenas a sociedades,
portanto), e consiste em pagar as dividas e partilhar o remanescente entre os
socios.
66
A dissolução é a cassação do ato constitutivo e, muitas vezes, não coincide com a
liquidação.
O Art. 31, leciona Gonçalves, veio prever o que o STF ja vinha decidindo: mesmo
dissolvida ou ja cassada a autorização para funcionar, a pessoa juridica subsistira
até que se conclua a liquidação.
Acrescenta o § 3º: $%!$11.). . 0*6(*).:9"= ,1"/"-$13+$3> " !.%!$0./$%&" ).
*%+!1*:9" ). ,$++". 7(14)*!.;
Direito da personalidade da pessoa juridica
Os direitos da personalidade são inerentes especialmente a pessoa natural.
Modernamente, todavia, admite-se a aplicação dessa proteção também a
personalidade da pessoa juridica.
A propria lei, porém, prevê que o alcance dessa proteção é limitado, ao conferir no
Art. 32:
_,0*!.3+$ ^+ ,$++".+ 7(14)*!.+= %" 6($ !"(L$1= . ,1"&$:9" )"+ )*1$*&"+ ).
,$1+"%.0*).)$;
A expressão %" 6($ !"(L$1 é a clara limitação. Ou seja, os direitos da
personalidade existem para a pessoa natural, mas, eventualmente, poder-se-a
atribuir essa proteção (carater extensivo e subsidiario) a pessoa juridica.
Observe-se, não importa a categoria (a lei não restringe): sociedade, associação,
fundação, seja o ente de direito publico ou de direito privado.
Entendemos que são aplicaveis, portanto, a proteção ao nome e a honra objetiva.
Questão: qual o principio fundamental desse direito da personalidade? Seria, por
extensão, o principio da dignidade da pessoa humana?
67
Obs.: enquanto a extrapatrimonialidade é a marca dos direitos da personalidade no
caso da pessoa natural, em se tratando de pessoa juridica ocorre exatamente o
oposto.
Questionario de revisão e fixação
1. Toda responsabilização civil exige o elemento culpa?
2. O que é responsabilidade civil extracontratual? Como pode se classificar?
3. Se João foi absolvido penalmente no acidente que causou culposamente quando
dirigia pela Prefeitura de Pratinha-MG, podera, ainda assim, responder civil e
administrativamente?
4. Na questão anterior, quem responde pelos danos causados ao particular?
3. Caso a Prefeitura responda, podera cobrar João e, caso possivel, em que
modalidade de responsabilidade civil?
68
BENS
Idéias introdutorias
No Direito Civil I estudamos 3 grandes temas: a pessoa natural, a pessoa juridica e
os bens. Isso significa metade da Teoria Geral do direito civil, pois a outra parte é
o estudo do negocio juridico, na matéria denominada Direito Civil II.
As pessoas, naturais e juridicas, são os sujeitos da relação juridica, por serem
sujeitos de direito. Os bens são o objeto dessa relação.
Em sentido filosofico L$/ é tudo que seja habil a satisfazer uma necessidade
humana. Juridicamente é possivel falar que !"*+.+ e L$%+ são expressoes
sinonimas.
Nem sempre, entretanto, coincidem as expressoes.
Ha bens que não são coisas, alerta Clovis Bevilaqua: honra, liberdade, nome, vida.
Também Gonçalves e Moreira Alves entendem que !"*+. é o gênero a que
pertencem os bens. Logo, L$/ é espécie de !"*+..
CC/1916: não distinguia !"*+. e L$/;
CC/2002: prefere o termo L$%+ - Arts. 79 e s.
Ha bens que juridicamente não são assim considerados. Filosoficamente, sim, mas
não no universo juridico: como o ar atmosférico, a luz solar, a agua dos mares, a
luz estelar, a luz lunar etc.
Isso por existirem em grande abundância (perde o valor economico) e não
poderem ser apreendidos pelo homem. São denominadas !"*+.+ !"/(%+.
Mesmo que existam em imensidão, se o homem apreender, dominando-os, ganha
o carater de L$/ 7(14)*!". Exemplos: oxigênio engarrafado, agua engarrafada,
agua armazenada, tratada e fornecida pelo Poder publico.
69
Conceito
Agora ja é possivel aproveitar o conceito de Gonçalves:
K9" !"*+.+ /.&$1*.*+= !"%!1$&.+= [&$*+ ."+ @"/$%+ $ )$ $?,1$++9" $!"%`/*!.=
+(+!$&4-$*+ )$ .,1",1*.:9"= L$/ !"/" .+ )$ $?*+&Q%!*. */.&$1*.0 $!"%"/*!./$%&$
.,1$!*>-$*+;
Podemos, portanto, destacar 3 requisitos:
a) utilidade,
b) valor economico,
c) apropriavel pelo homem.
As coisas sem dono são denominadas 1$+ %(00*(+, porque nunca foram
apropriadas. Aquelas que foram apropriadas, mas seus senhores delas
renunciaram, denominam-se 1$+ )$1$0*!&..
Patrimonio
É o conjunto de todos os bens, ai incluidas as obrigaçoes, entende a maioria.
Costuma-se dizer que ,.&1*/`%*" é o conjunto de todas as relaçoes juridicas, de
valor economico, de uma pessoa.
Para Enneccerus, jurista alemão, não englobaria o patrimonio passivo (as
obrigaçoes), mas, para a maioria, o patrimonio forma uma universalidade de
direito (teoria classica): Gonçalves, Venosa, Caio Mario, Clovis Bevilaqua,
Francisco Amaral.
Observação: quando se diz ,.&1*/`%*" /"1.0, não se esta referindo a ,.&1*/`%*"
em sentido proprio, denotativo, mas figurado apenas. Não é uma expressão
técnica, portanto.
Diz-se ,.&1*/`%*" /"1.0 para se referir aos atributos elevados do carater de uma
pessoa. Recomenda-se que todo professor tenha um bom ,.&1*/`%*" /"1.0;
70
Classificação: importância
É muito importante para a ciência juridica a classificação dos bens. Ver-se-a, no
correr dos estudos, que um bem pode ser objeto de ,$%@"1 (por ser movel), mas
que outro so pode ser objeto de @*,"&$!. (por ser imovel). O comodato trata de
bens *%D(%#4-$*+, enquanto o mutuo, de bens D(%#4-$*+; Um bem !"1,51$" pode ser
objeto de doação ou de compra e venda, mas se é *%!"1,51$" sera feita a cessão
gratuita ou onerosa.
A classificação do bem implica, portanto, na sua disciplina juridica. Um bem
particular pode ser objeto de usucapião, mas não um bem publico.
Classificação
São varios os critérios: qualidades fisicas ou juridicas, relaçoes que guardam entre
si, titularidade do dominio etc. As classificaçoes, por outro lado, não são
estanques. Ou seja, um bem pode pertencer a varias classificaçoes: uma mesa da
UCDB é um bem corporeo, infungivel, movel, indivisivel, inconsumivel, singular,
principal e particular, por exemplo.
Vamos, aqui, combinar as classificaçoes do CC/2002 com algumas outras
doutrinarias, trabalhando as seguintes:
a) corporeos e incorporeos,
b) imoveis e moveis,
c) fungiveis e infungiveis,
d) consumiveis e inconsumiveis,
e) divisiveis e indivisiveis,
f) singulares e coletivos,
71
g) principais e acessorios,
h) publicos e particulares,
i) bens fora do comércio.
Corporeos: que têm existência fisica, concreta como o livro, o carro e a casa.
Incorporeos: são abstratos como o direito autoral, o crédito, a sucessão aberta, o
+"D&a.1$ (Lei nº 9.609/98 - programa de computador), o b%"a3@"a (Lei nº
9.279/96 - conhecimento técnico em matéria de industria e comércio).
Modernamente nosso sistema considera corporeos os seguintes bens: gases,
energias, vapor.
Propriedade X dominio
O primeiro termo abrange o segundo, ou seja, propriedade é mais amplo. Eu posso
dizer que sou proprietario de direitos autorais, mas não posso afirmar que tenho
dominio de direitos autorais. Observe que propriedade se refere tanto a bens
corporeos quanto incorporeos. \"/4%*", porém, so para corporeos.
As classificaçoes que seguem são dadas, a luz do CC/2002 (Arts. 79 e s.), pelo
critério dos L$%+ !"%+*)$1.)"+ $/ +* /$+/"+c
Imoveis: também denominados L$%+ )$ 1.*8, consoante lição de Clovis Bevilaqua,
são aqueles bens que se não podem transportar, sem destruição, de um para outro
lugar.
Por interesse da sociedade e em razão do avanço da ciência tecnologica, o
conceito de Bevilaqua deve ser enriquecido com outras noçoes.
Os Arts. 79 a 81 nos dão a idéia atual, mostrando-nos que os */5-$*+ estão assim
subdivididos:
a) imoveis por natureza: o solo, sua superficie, subsolo e espaço aéreo (ver Arts.
1.229 e 1230),
72
O principio da função social da propriedade provoca os mandamentos dos citados
dispositivos.
b) imoveis por acessão natural: são aqueles acrescidos ao solo por força da propria
natureza. Acessão tem o significado de acrescer, de aumentar, é a justaposição de
uma coisa a outra.
São as pedras, as fontes e os cursos de agua, superficiais ou subterrâneos, que
corram naturalmente, diz Gonçalves.
Também o são as arvores produzidas naturalmente e os frutos pendentes dessas
arvores.
c) imoveis por acessão artificial ou industrial: são as plantaçoes e construçoes
acrescidas ao solo por força humana. Assim, a semente ao solo lançada, as arvores
e as lavouras plantadas e as construçoes, assim como os frutos pendentes daquelas
plantaçoes.
Deve haver o carater de permanência, ou seja, a construção provisoria, de um
barraco para alojar os peoes de uma obra, as barracas do acampamento, a estrutura
dos parques de diversoes, o pavilhão improvisado para uma feira ou exposição, as
arquibancadas armadas para o desfile de 7 de setembro ou para o carnaval e os
circos, que são construçoes passageiras, não são imoveis.
Questão: em se tratando de casa pré-moldada, que permita sua locomoção sem
destruição, seria imovel ou movel?
Por outro lado, o Art. 81 considera imoveis as edificaçoes que, separadas do solo,
conservem a sua unidade ao serem removidas para outro local.
Moderna tecnologia possibilita que casas pré-moldadas se transportem de um
local para outro. Essa criação é de grande importância para paises sujeitos a
catastrofes.
73
Questão: João transporta uma casa pré-moldada para venda (ele é fabricante).
Durante esse transporte, a tal casa é movel ou imovel? Ela pode ser objeto de
furto?
O mesmo dispositivo classifica como imovel o material provisoriamente retirado
de um prédio, para na mesma construção ser reempregado.
Questão: marmore, ouro, bronze e prata foram destacados de uma famosa igreja
de Ouro Preto para serem polidos e reempregados no mesmo templo. Esse
material poderia ser oferecido em hipoteca, considerando que esse tipo de garantia
so recai sobre imoveis (Art. 1.473)?
d) imoveis por força de lei: direitos reais sobre imoveis e açoes correspondentes,
assim como o direito a sucessão aberta (Art. 80). Também chamados de imoveis
por determinação legal, para efeitos legais e por disposição legal.
Observe que são bens incorporeos, que, em si mesmos, não são moveis nem
imoveis, mas, por conveniência da sociedade (segurança juridica) o legislador
labora em ficção, chamando-os imoveis e, portanto, submetendo-os a disciplina
juridica dos bens imoveis.
No caso da sucessão aberta, ainda que so existam bens moveis e incorporeos, sera
classificada como bem imovel (é a ficção juridica em favor da sociedade).
Sobre essa explanação, ver Art. 1.806.
Navios e aeronaves são bens moveis, mas, para fins de hipoteca são classificados
como imoveis (Art. 1.473, incs. VI e VII).
74
Moveis: os Arts. 82 a 84 tratam dos bens moveis, que, no Art. 82, tem definição:
são moveis os bens suscetiveis de movimento proprio, ou de remoção por força
alheia, sem alteração da substância ou da destinação economico-social.
O dispositivo fala dos moveis por natureza, mas ha outros moveis. Vejamos:
a) moveis por natureza: são removiveis, sem prejuizo de sua substância, por força
alheia ou por movimento proprio.
Os primeiros são os moveis propriamente ditos: livros, carteiras, moedas, veiculos
automotores, barcos etc.
Os segundos são os semoventes, ou seja, os animais (se locomovem por si
mesmos).
Os gases, engarrafados ou canalizados, são bens moveis.
b) moveis por força de lei: no Art. 83, também por conveniência social, a ficção
juridica energias com valor economico ¹ direitos reais sobre moveis e açoes
correspondentes ¹ direitos pessoais de carater patrimonial e respectivas açoes.
Assim, referidos direitos recebem a disciplina de coisas moveis, logo, independem
de outorga uxoria ou marital, dispensam registro por escritura publica e podem
ser renunciados sem formalidades legais.
c) moveis por antecipação: é uma classificação doutrinaria, e fala daqueles bens
incorporados ao solo, mas previamente destinados a produção de moveis. Assim,
o bosque plantado por uma Fabrica de moveis, com a finalidade de retirar dali a
madeira (matéria prima) para a marcenaria, é L$/ /5-$0 ,"1 .%&$!*,.:9";
Gonçalves acrescenta que o imovel em ruinas, vendido especialmente para ser
demolido, é um bem movel por antecipação.
Fungiveis: no Art. 83 temos que são os moveis que podem ser substituidos por
outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
73
Que é fungibilidade?
É o resultado da comparação entre duas coisas, que se considerem equivalentes
(Gonçalves). É uma qualidade de bens moveis.
A aplicação pratica é que as coisas fungiveis são objeto de mutuo: o tomador do
empréstimo devolve coisa de mesma equivalência (espécie, qualidade e
quantidade) e com isso cumpre sua obrigação.
Questoes:
1. Um selo é bem fungivel?
2. O selo "0@" )$ L"* da coleção de João?
3. E um carro? E um carro destinado ao desmanche?
4. Um boi? E um boi destinado ao corte?
3. A moeda? E a primeira nota de 1 dolar, em poder de certo colecionador?
Infungiveis: ha previsão legal?
Opoem-se aos fungiveis. São infungiveis os moveis especiais e extraordinarios e
os bens imoveis.
Esses podem ser objeto de comodato, não de mutuo, pois precisam, sob pena de
responsabilização civil, ser restituidos os proprios bens.
76
Consumiveis: o Art. 86 declara que são os moveis cujo uso importa destruição
imediata da propria substância, assim como os bens moveis destinados a
alienação.
Temos, portanto, consumiveis por natureza e consumiveis por força de lei.
Exemplos dos primeiros: arroz, feijão, bebidas e materiais descartaveis (comuns
nas profissoes da Saude).
Exemplos dos consumiveis por força de lei: livros expostos na livraria, para
venda, mercadorias moveis expostas para venda: relogios, oculos, veiculos
automotores.
Inconsumiveis: ha previsão legal?
Uma garrafa de bebida é bem consumivel e fungivel. Mas, se pertence a uma
coleção, é infungivel e inconsumivel. Logo, se ela se quebrar durante uma
exposição, não sera reparado o dano com outra garrafa de bebida, mas havera
indenização como forma de reparação.
Essa mesma garrafa, se for exposta para venda, num leilão, durante essa praça é
bem infungivel, mas consumivel por força de lei (Art. 86, parte final).
Divisiveis: são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância,
diminuição consideravel de valor, ou prejuizo do uso a que se destinam (Art. 87).
Exs.: terrenos em geral, alimentos, bebidas, materiais de construção, como pedras,
areia, cimento, pregos, cabos etc.
Embora seja natural se referir assim as coisas corporeas, coisas incorporeas
também têm sido consideradas divisiveis e indivisiveis, por força de lei.
77
Logo, existem obrigaçoes divisiveis e indivisiveis e a sucessão aberta, por
exemplo, é coisa indivisivel.
Da mesma forma que nas classificaçoes anteriores, embora a lei não tenha se
referido expressamente a indivisibilidade, é claro que ela esta presente. São
indivisiveis os que não atendem ao Art. 87 (interpretação !"%&1.1*" +$%+():
relogio, veiculo automotor, motocicleta, avião, livro, computador etc.
Consoante Art. 88, os bens indivisiveis podem assim sê-lo:
a) por natureza: livro, carro, boi, casa, relogio, quadro, um brilhante,
b) por força de lei (ou por determinação legal): a sucessão aberta (Art. 1.791), um
lote urbano que apresente a medida minima ou um lote rural que se apresente
no modulo minimo permitido,
c) por vontade das partes: as partes convencionam que um bem ou uma prestação,
embora seja naturalmente divisivel, torne-se indivisivel.
Ha interessante aplicação pratica dessa classificação: se um bem é indivisivel não
posso dispor de apenas uma parte especifica, mas necessariamente se dispuser
formarei um condominio (não ha partes especificas, mas partes ideais). Ainda
nesse caso, para que haja disposição de sua parte, sera necessaria anuência do
outro condomino.
Outro exemplo: se um terreno é indivisivel, não posso desmembra-lo, criando
duas escrituras publicas.
E mais outro: se possuimos em condominio um bem indivisivel, qualquer de nos
podera propor ação possessoria, em defesa desse bem, sem que se forme um
litisconsorcio na defesa do bem.
Bens singulares: são aqueles que, embora reunidos, mantêm a independência dos
demais (Art. 89).
78
Exs.: bois, cavalos, peixes, peças de automovel na prateleira do comércio, livros,
papel.
Os bens singulares formam uma universalidade de fato quando têm destinação
unitaria e pertencem a uma mesma pessoa.
Exs.(aproveitando os exemplos acima de bens singulares):
rebanhos (de bois, cavalos), cardumes, estoque de peças, biblioteca, resma.
Essas universalidades de fato são L$%+ !"0$&*-"+. São, também, L$%+ !"0$&*-"+ as
universalidades de direito, como uma sucessão aberta, ou um conjunto de relaçoes
juridicas de uma pessoa qualquer.
Principais: são os que têm existência propria, autonoma: o carro, o livro, a mesa.
Acessorios: são aqueles cuja existência pressupoe a existência do principal.
O Art. 90 define ambos e fala de uma classificação pelo critério da reciprocidade
(bens reciprocamente considerados).
Ha um principio geral de direito segundo o qual o acessorio segue o principal. Isto
significa, por exemplo, que a natureza do acessorio sera a mesma do principal e
que, portanto, o regime juridico do acessorio sera a mesma disciplina do principal.
Logo: quem compra a casa tem direito, também, aos lustres, as torneiras, aos
boxes de banheiro etc. O dono da arvore é, também, dono do fruto pendente.
Prescrevendo a obrigação principal, prescreve a acessoria. Se o contrato principal
é nulo, o acessorio (um contrato de fiança numa locação) também o é.
Os acessorios se dividem em:
a) produtos: são as utilidades que, retiradas da coisa principal, causam, a esta, uma
diminuição carvão é produto da mina de carvão, pedra é produto da pedreira,
diamante é produto de mina preciosa, assim como o ouro.
79
À medida que os produtos são retirados, o principal não se renova, sofrendo
empobrecimento.
b) frutos: são acessorios produzidos e que, uma vez retirados não causam
diminuição a coisa principal, pois ela se renova, mantendo suas forças.
Os frutos podem ser %.&(1.*+= *%)(+&1*.*+ e !*-*+;
Exs.:
Naturais: que se renovam por força da natureza - frutos das arvores, vegetais e
crias de animais.
Industriais: se renovam com o engenho humano produção das fabricas.
Civis: rendimentos que surgem em razão de as coisas principais serem utilizadas
por pessoas que não sejam seus proprietarios juros (capital emprestado,
aplicado) e aluguéis (coisa locadas).
c) pertenças: são bens acessorios que, não constituindo parte integrante da coisa
principal, se destinam, de modo duradouro, ao uso, serviço ou aformoseamento do
bem principal (Art. 93).
Exs.: equipagem de som dos carros, tratores e animais empregados nos serviços de
uma fazenda, decoração de uma residência: quadros, cortinas, mobiliarios em
geral.
Questão: as pertenças, por serem espécie de acessorios, seguem o bem principal?
Art. 94: as pertenças são acessorios que, por não serem partes integrantes das
coisas principais, não seguem essa disciplina geral dos acessorios. Logo, não
acompanham as coisas principais.
Questão: as rodas especiais, de liga leve, de um carro, são acessorios ou
pertenças?
80
d) benfeitorias: são melhoramentos realizados no bem principal. A piscina na
casa, o muro na casa, uma coluna de sustentação no prédio, o jardim na casa, a
substituição do telhado (que estava prestes a cair ou apenas para melhorar a
temperatura ambiente).
Classificam-se, desde Roma, em (Art. 96):
Necessarias (§ 3º): sem as quais o bem principal haveria perecido ou se
deteriorado coluna no prédio, troca do telhado em ruinas, extinção de uma
hipoteca, pagamento de impostos, prevenindo o confisco.
ƒteis (§ 2º): aquelas que aumentam a utilidade do bem muros, via de acesso,
troca da iluminação, uma garagem, um banheiro a mais.
Voluptuarias (§ 1º): que acrescentam deleite, prazer, recreio churrasqueira,
piscina, sauna, jardins.
As benfeitorias são importantes no estudo dos efeitos da posse, e so são
consideradas tais se forem feitas por mãos do homem. Se ocorrerem naturalmente,
serão acréscimos que recebem disciplina diferenciada (Art. 97 c.c Art. 1.248).
Publicos: a partir do Art. 98, temos os bens classificados em ,[L0*!"+, pelo critério
do dominio, do titular do bem. Todos os demais bens são ,.1&*!(0.1$+,
classificação que se faz por exclusão, diz Gonçalves, como se vê da parte final
desse dispositivo.
Assim, são bens publicos todos aqueles pertencentes as pessoas juridicas de
direito publico interno, ou seja, os bens pertencentes a União, aos Estados, aos
Municipios, ao Distrito Federal, aos (eventuais) Territorios, as autarquias
(inclusive associaçoes publicas) e as demais entidades de carater publico (como as
fundaçoes publicas) Art. 98 c.c. Art. 41.
81
Existem 3 categorias de bens publicos (Art. 99):
Bens de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças. Estes
são utilizados por qualquer do povo, sem formalidades especificas.
As estradas exigem regramentos especificos (normas de trânsito) e pode até
ocorrer, modernamente, cobrança de pedagios, mas tal não desfigura a referida
classificação (ver Art. 103).
Bens de uso especial, como edificios ou terrenos destinados a serviço ou
estabelecimento da Administração Publica. São dessa categoria o paço municipal,
as bibliotecas, os museus, as escolas, terrenos para estacionamento junto aos
referidos estabelecimentos etc.
Penso que deveriam se chamar L$%+ )$ (+" $+,$!*.0 )" ,"-", pois vejo essa
nomenclatura subentendida na lei (ver incs. I e II do Art. 99), embora Gonçalves
escreva que tais bens sejam de uso apenas do Poder Publico.
Observe que em todos os exemplos acima, inclusive o paço municipal, estadual e
o do Planalto, são de uso do povo, sim, que para acessa-los devem cumprir com
regramentos especificos: observação de horarios, agendamento, trajes (forenses,
para o forum, por exemplo), volume de voz (num hospital) etc.
Bens dominicais, consoante inciso III, do Art. 99, são aqueles que constituem o
patrimonio das pessoas juridicas de direito publico.
São bens, portanto, que não são de uso do povo (nem de uso comum nem de uso
especial), mas pertencem aos tais entes como instrumentos para o cumprimento do
interesse coletivo. O Poder Publico age como proprietario desses bens, que são
fazendas, estradas de ferro, terras devolutas etc.
Esses bens podem ser alienados (Art. 101), enquanto os de uso do povo não
podem (Art. 100).
82
São bens, diz Gonçalves, que não possuem uma afetação, não estão afetados a
uma finalidade publica, mas, em tese, são bens do dominio privado do Estado
(paragrafo unico, Art. 99).
Dizemos $/ &$+$, porque referidos bens dificilmente podem ser tratados a luz do
Codigo Civil, tendo havido uma série de normas publicas para o seu
disciplinamento.
Por fim, os bens publicos são inusucapiveis (Art. 102), mas esta regra não alcança
os bens dominicais, pois esses são, em regra, alienaveis.
Bens fora do comércio : !"/P1!*", aqui, no sentido de comércio juridico,
circulação juridica do bem: compra e venda, troca, doação etc.
Fora do comércio, portanto, estão aqueles bens que não são, propriamente, L$%+,
no sentido juridico (ar atmosférico, luz solar, oceano) e os bens publicos
inalienaveis. Outros, ainda, que por vontade humana, tornam-se inalienaveis (bem
de familia convencional e outros bens gravados com clausula de inalienabilidade).
No tocante a classificação dos bens, é importante perceber, portanto, que não basta
conhecer a natureza propriamente das coisas, mas convém entender a disciplina
juridica fornecida pelo sistema.
Questoes de revisão e fixação
João - Posse - Bens. Plantação especialmente para extração de madeira de sua
fabrica de moveis. Coloca cadeiras e mesas para venda. 1„ dos moveis fabricados
estão aplicados no uso de sua empresa. Asfaltou o acesso a sede da fabrica, pois
tornara-se impossivel escoar a produção. Plantou arbustos decorativos nas laterais
83
do caminho de chegada a fabrica. Ha um trator empregado especialmente no
serviço da marcenaria ( transporte de agua).
classifique:
- plantação
- moveis para venda
- moveis instalados na empresa
- produção de moveis
- asfalto
- arbustos ornamentais
- arbustos plantados
- trator
- agua
- prédio da fabrica
- alugou algumas cadeiras: que é o aluguel?
-a rodovia da qual esta proxima a fabrica
BOM PROVEITO, MOCIDADE!
84