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RESUMO DA INTRODUÇÃO À METAFÍSICA DOS COSTUMES

Giulia Mattza Torres Oliveira de Assunção KANT, Immanuel. A metafísica dos costumes. Tradução de Edson Bini. Bauru: Edipro, 2003. p. 5773.

I – Da ideia e da necessidade de uma metafísica dos costumes A ciência metafísica da natureza pré-estabelece um sistema de princípios a priori, que parte exclusivamente de conceitos, tendo valor universal. As leis morais sempre tem base a priori e assim podem ser aceitas como máximas universais. A metafísica dos costumes é um sistema de compreensão a priori que o ser humano tem, que parte exclusivamente de conceitos e transcende a experiência. Kant não considera a moral como sendo um meio para atingir a felicidade, pois o conceito de felicidade nasce da experiência que nos ensina o que nos traz alegria ou não. Ou seja, a felicidade é um conceito a posteriori, não podendo constituir máxima universal, além de estar ligada a inclinações particulares e geralmente ter por consequência alguma desgraça para si ou para outra pessoa. MORAL A priori Não leva em consideração os benefícios que possam advir, pois isso só pode ocorrer onde há experiência. Universal FELICIDADE A posteriori Há uma reflexão sobre os benefícios que o ato pode propiciar, pois esses benefícios são premeditados por conta da experiência. Particular

A necessidade do estudo metafísica dos costumes reside no fato de que a filosofia prática (estuda a liberdade de escolha do indivíduo) requer uma metafísica dos costumes, por ser esta algo intrínseco ao ser humano. Ressalta que, apesar de ser baseada em conceitos a priori, a metafísica dos costumes não dispensa os princípios a posteriori de sua aplicação. A experiência serve para mostrar o que pode-se concluir dos princípios universais. O estudo da metafísica dos costumes compreende a parte teórica da filosofia. A filosofia prática não existe sem a teórica, e é função da antropologia moral estudar como a subjetividade humana influencia suas escolhas a favor ou contra os princípios morais.

a escolha é influenciada pela inclinação. Já o prazer posterior ao desejo é chamado de prazer intelectual. É a razão prática. Entre eles estão:       Concupiscência é o apetite inicial. denomina-se prazer prático. O prazer que está relacionado com desejo.II – Da relação entre as faculdades da mente humana e as leis morais Antes de definir desejo. Por fim. . e esta é sensível. mas não determinada por esta. determinada apenas pela inclinação. As leis da liberdade são as leis morais. sendo o interesse no objeto classificado como interesse da razão. conclui que desejo é a faculdade de fazer ou deixar de fazer conforme o agrado de cada um. ela é legal. A capacidade de realizar o objeto chama-se escolha se estiver associada a consciência. Mas isso não ocorre. Se divide em dois grupos: as leis jurídicas (externas) e leis éticas (internas). são apresentados alguns conceitos. Pode ser efeito ou causa do desejo. é denominada aspiração. Quando o que determina o desejo é a razão. pelos princípios universais. Gosto é o sentimento causado por ele. O prazer que não possui ligação com o desejo é chamado de prazer contemplativo ou inativo. Interesse da inclinação é o prazer que antecede o desejo. Livre arbítrio é a escolha determinada pela razão pura. Caso contrário. No caso dos humanos. ele é chamado de vontade. Kant considera que o ideal seria nos guiarmos pela razão pura. que determina sua causa ou efeito. É algo subjetivo que não influencia na cognição do objeto. Ou seja. Sentimento: é o prazer ou desprazer em relação a algo. Isso ocorre com os animais. Se estiver conforme a lei ética. é moral. Apetite: é o desejo que anterior ao prazer prático. É uma determinação sensível da mente que antecede e define o desejo. Determina a escolha. baseia-se apenas nos sentidos humanos. pois durante as escolhas essa razão pura sofre influência da nossa subjetividade. Isso caracteriza a liberdade de escolha. Se uma ação estiver de acordo com uma lei jurídica.

A priori) se encontra os objetos do sentido externo. ou seja. O contrário é chamado de autorização (faculdade moral). independente de seu fim ou consequência. no espaço (primeira forma que percebemos o mundo. que está ligado ao prazer ou desprazer de nossas escolhas. As ações de uma pessoa podem ser imputadas. Surge daí o conceito de dever (ação a que alguém está obrigado). embora esse sentimento não tenha nada a ver com as leis práticas. Os atos de uma coisa não podem ser imputado. . fonte de conceitos e de leis morais). III – Conceitos preliminares da metafísica dos costumes (filosofia prática universal) Não é possível conceituar a liberdade. O autor que tem conhecimento das obrigações relacionadas ao seu feito é passivo de imputação. mas no uso prático da razão a encontramos facilmente sua presença através dos princípios práticos (vontade pura em nós. mas apenas com o efeito subjetivo dela em nossa mente.Na filosofia teórica. ou seja. mas baseado apenas na sua representação. Feito é uma ação submetida à leis obrigatórias e à liberdade de escolha do sujeito. tendo o sujeito que ser compelindo a conformar-se com regra. É uma lei moralmente prática. A ação permitida (lícita) é aquela que está de acordo com a obrigação. Obrigação é a necessidade de uma ação livre sob um imperativo categórico da razão. As leis da liberdade são um fator que determina internamente a escolha. Permitem ou proíbem uma ação. O agente é o autor do feito. As leis morais para nós são imperativos categóricos. enquanto o tempo (forma a posteriori como vemos o mundo) compreende objetos do sentido externo e interno. é proibida (ilícita). com um imperativo categórico. O imperativo categórico impõe a obrigação de uma ação. Personalidade moral é a liberdade de escolha da pessoa submetida a leis morais. comandos incondicionais. Imperativo é uma regra que define a necessidade de uma ação subjetivamente contingente. pois não possuem liberdade.

A lei (moralmente prática) é uma proposição que possui um imperativo categórico. Conflito de deveres ocorre quando a necessidade de um é oposta à de outro em uma relação. o que é incorreto. A esta não pode ser atribuído nenhum constrangimento. Lei prática é um princípio que converte a ação em dever. mas apenas a criação das leis para as máximas das ações. o que impede que o legislador crie leis de acordo com sua simples vontade. sendo um livre arbítrio. seu oposto não pode ser.Um ato é caracterizado como correto ou incorreto de acordo com sua conformidade com o dever. O princípio de um dever é aquele que a razão prescreve objetivamente (“ele deve agir assim”). Máxima é o princípio subjetivo da ação que é convertido pelo sujeito em uma regra. As leis externas são consideradas naturais quando reconhecidas como obrigatórias a priori pela razão mesmo sem estar escrita em um texto legislativo. O imperativo categórico kantiano pode ser enunciado na frase “aja de forma tal que a máxima da tua ação se torne lei universal”. Qualquer máxima contrária ao imperativo categórico é considerada contrária a moral. A liberdade de escolha pode ser encontrada na capacidade que temos de. É esse o princípio supremo da doutrina dos costumes. Pode-se fundamentar subjetivamente a lei de acordo com uma máxima própria do agente. Quem aplica a lei é o legislador. obedecer a nossa legislação interna. pois devido a objetividade das obrigações. A conformidade da máxima de uma ação com uma lei é sua moralidade. se algo é dever. Mas isso não é possível. A transgressão não-intencional imputável é chamada de mera culpa. Já as máximas derivam de escolhas. Aquelas que só obrigam se estiverem escritas são chamadas de positiva. por meio da razão. Significa que antes de realizar um ato devemos nos perguntar se seria algo bom se o princípio subjetivo que nos leva a praticá-lo fosse seguido por todos. Justo é algo correto de acordo com as leis externas. é uma transgressão. Injusto. Se for contrário a este. e assim escolher realiza-lo ou não. As leis procedem da vontade. Quando intencional é considerada crime (dolo). pois não é dirigida as ações. sendo que ele é considerado o autor da obrigação presente na . A existência de uma lei positiva prescinde a existência de uma lei natural que trate da mesma matéria. A conformidade de uma ação com a lei do dever é sua legalidade.

A conformidade de uma ação com a lei. A lei torna a ação objetivamente necessária. Em ambos os casos a imputação é definida pelos obstáculos que tiveram que ser vencidos para a realização da ação. é considerada imputação judiciária ou válida. Se vier acompanhada de uma sanção. Quando essa conformidade é consequência do motivo. Quando o motivo não é expresso. e este não obrigatoriamente foi o criador das leis. constitui sua legalidade (licitude). No sentido moral. O mesmo ocorre quando uma ação meritória é omitida. IV – Da divisão de uma metafísica dos costumes Existem dois elementos que estão presentes em toda legislação: a lei e o motivo. A conduta conforme a lei é denominada devida. ai está sua moralidade.lei. a jurídica faz com que se tenha que encontrar o motivo na realização da escolha de agir conforme ela ou não. é considerada jurídica. Essa é a característica que melhor distingue os dois tipos de legislação. Caso contrário é apenas uma imputação avaliativa do feito. transformando-a em dever. . Quando alguém realiza além do dever constrangido pela lei. e não possui efeito legal. Independente do resultado de uma ação devida ser bom ou ruim. É a teoria de uma determinação possível de escolha. e classificada como ética. e durante essa escolha acaba sendo influenciada por inclinações e aversões do sujeito. Geralmente determina a escolha. Se realiza aquém. não é possível sua imputação. imputação é a atribuição de culpa de determinado feito a alguém que está submetido a leis. é moralmente culpável. O porque daquilo ser um dever. tendo por efeito legal a recompensa. sua realização é meritória. As leis divinas também são consideradas a expressão da vontade de um legislador (nesse caso um legislador supremo). tendo por efeito legal a punição. independente do motivo. embora não necessariamente seja o autor da lei. Enquanto a legislação ética “seduz” a pessoa a agir em seu acordo. Serão imputados ao autor os bons resultados de ações meritórias e os maus de uma ilegal. sendo que no julgamento de ações ilegais ainda será considerado se o ato foi cometido premeditadamente ou não. A pessoa autorizada a imputar com força jurídica é o juiz ou a corte. O motivo é o fundamento em que se baseou a criação da lei. Quando a legislação incluí o motivo do dever.

e seu princípio é motivo suficiente para a escolha de agir de acordo com ela. * Deveres de benevolência. LEGISLAÇÃO ÉTICA Não pode ser externalizada Deveres internos e externos* LEGISLAÇÃO JURÍDICA Pode ser externalizada Deveres externos que se relacionam com os internos. o dever não é um aspecto que possa ser utilizado para diferenciar as legislações. É julgada por um legislador É dever porque assim está escrito e as escolha de agir de acordo com ela está sujeita a uma consequência coercitiva.Os deveres de uma legislação jurídica são somente deveres externos. A legislação ética se aplica a todos os atos. Sendo assim. pois é a ética é a base de todo dever Não admite legislador É dever porque assim deve ser. embora sejam deveres externos (obrigações para com ações externas). são ainda atribuídos à ética porque a legislação que lhes diz respeito só pode ser interna. (p. envolve todos os deveres e não pode ser externalizada. uma vez que seu cumprimento não requer conhecimento dos motivos. 73) .