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23 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS DOS ANOS INICIAIS

Christiane Jaroski Barbosa1 Luciane Rodrigues da Silva Santos2

Resumo: As formas tradicionais de leitura e escrita parecem não estar dando conta da aprendizagem das crianças. Por isto, se pensou na contação de histórias como uma forma alternativa e, talvez, mais interessante de se aprender. Portanto, o presente artigo tem por propósito analisar e avaliar como os contadores de histórias associam sua prática com a aprendizagem de crianças dos anos iniciais do nsino !undamental" #uais as concepç$es so%re o ato de contar histórias de algumas professoras pertencentes a uma instituição de ensino particular e como alguns pais relacionam o uso dessa atividade com a formação de seus filhos. Portanto, fica claro #ue essa prática, #uando %em tra%alhada, contri%ui de forma significativa e produtiva para a construção da aprendizagem das crianças dos anos iniciais. Palavras-chave: &ontação de histórias" Aprendizagem significativa" Anos iniciais.

Introdução 'eralmente se v( professores descontentes por perce%erem #ue seus alunos não gostam de ler e, por conta disso, apresentam dificuldades no momento de realizarem as tarefas propostas em aula. Por ter a informação de #ue uma das maiores causas do fracasso escolar, apresentada por um elevado n)mero de estudante * a dificuldade de realizar as atividades de leitura e escrita com autonomia, * #ue se decidiu investigar outras formas #ue possam contri%uir para #ue os alunos, ao inv*s de se intimidarem com essas propostas, possam realizá+las de forma prazerosa. Assim, o o%,eto de estudo foi a contação de histórias, pois, como diz -runer .apud P/A01" 2134'1, 2556, p. 789 :* poss;vel #ue as formas mais usuais e instant<neas #ue o ser humano utiliza para estruturar suas viv(ncias e informaç$es se,a a forma narrativa=. &om a intenção de investigar a contação de histórias como sendo uma poss;vel :ferramenta= a ser utilizada para a melhoria da construção de aprendizagem das crianças dos anos iniciais, * #ue se foi em %usca das concepç$es de educadoras #ue há muito tempo dedicam+se a contar histórias e tam%*m a ensinar a arte de contá+las, e de pareceres de alguns pais dessas crianças com intuito de perce%er #uais seus entendimentos so%re esse assunto em relação > aprendizagem de seus filhos.
1 ?estre em 3ingu;stica Aplicada. Professora da !aculdade &enecista de 1sório + /2. christiane,%@gmail.com 2 'raduada em Pedagogia pela !aculdade &enecista de 1sório + /2. mail: lucianersAsantos@hotmail.com mail:

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24 ste tra%alho tem por finalidade oportunizar aos leitores o reconhecimento da contação de histórias como um instrumento de ensino #ue pode desencadear no aluno o gosto pela leitura e contri%uir para sua formação cognitiva, afetiva, social e cultural, fazendo com #ue se torne um su,eito cr;tico e atuante na sociedade, com capacidade de transformá+la em um lugar melhor de viver.

Co$-reendendo a /ontação de "ist0rias Bendo em vista a contação de histórias como uma poss;vel forma de contri%uição para a aprendizagem das crianças e, por conta disso, talvez algo significativo de ser utilizado pelo professor no momento do processo educativo, * importante #ue se conheça a opinião de alguns pes#uisadores #ue apreciam esse assunto e #ue primam por formas mais ade#uadas de educar. &onforme Prado e 2oligo,
A palavra narrar vem do ver%o latino narrare, #ue significa eCpor, contar, relatar. se aproCima do #ue os gregos antigos clamavam de *piDos E poema longo #ue conta uma história e serve para ser recitado. Farrar tem, portanto essa caracter;stica intr;nseca: pressup$e o outro. 2er contada ou ser lida: * esse o destino de toda história. se as coisas estão prenhes da palavra, como preferia -aDhtin .1GG69, ao narrar falamos de coisas ordinárias e eCtraordinárias e at* repletas de mist*rios, #ue vão sendo reveladas ou remodeladas no ato da escuta ou na suposta solidão da leitura. .2556, p. 789

Ao se notar tal import<ncia #ue a narrativa esta%elece entre a#uele #ue narra e a#uele #ue ouve, parece interessante #ue se,a feito um maior aprofundamento desse assunto. Portanto, assim como esses autores, &oelho, em seus estudos so%re literatura infantil e ,uvenil, tam%*m contri%ui com um conceito de narrativa:
A mat*ria narrativa resulta, pois, de uma voz #ue narra uma estória, a partir de um <ngulo de visão .ou foco narrativo9 e vai encadeando as se#u(ncias de uma efa%ulação" cu,a ação * vivida por personagens" está situada em determinado espaço" dura determinado tempo e se comunica atrav*s de determinada linguagem ou discurso, pretendendo ser lida ou ouvida por determinado leitor H ouvinte. .1GGI, p. 8J9

0esde #ue a escrita passou a fazer parte de nossa vida, ler tornou+se tarefa fundamental para #ue se possa interagir com os fatos e situaç$es apresentados pela sociedade. Ko,e, por estar vivendo em uma *poca em #ue o avanço da tecnologia tem proporcionado as mais diversas e variadas informaç$es, tornou+se imprescind;vel #ue as pessoas se,am preparadas para serem leitoras, por#ue assim serão capazes de fazer a seleção de informaç$es #ue lhes possi%ilitem a solução de pro%lemas de suas realidades. Para contri%uir com a ideia de formar cidadãos leitores, A%ramovich ressalta:
Ah, como * importante para a formação de #ual#uer criança ouvir muitas, muitas histórias... scutá+las * o in;cio da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor * ter um caminho a%solutamente infinito de desco%erta e de compreensão do mundo. .1GG6, p. 1J9

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25 m sua o%ra :A hora do conto: da fantasia ao prazer de ler=, -arcellos e Feves demonstram coer(ncia com os pensamentos de A%ramovich .1GG69 e ressaltam outras ha%ilidades #ue a criança desenvolve e amplia ao ouvir histórias. 0entre essas destacam #ue:
Al*m disso, a criança #ue ouve histórias com fre#u(ncia educa sua atenção, desenvolve a linguagem oral e escrita, amplia seu voca%ulário e principalmente aprende a procurar, nos livros, novas histórias para o seu entretenimento. .1GGL, p. 189

Fa medida em #ue se perce%e, nas palavras dessas estudiosas, a preocupação de #ue as crianças desenvolvam e ampliem suas ha%ilidades e #ue conheçam e compreendam melhor o mundo, fica claro #ue as mesmas são defensoras de um ensino #ue prepare o aluno para o desempenho de pap*is e tarefas sociais com autonomia. m sintonia com esse pensamento, ?orin, #ue denomina isso como :ensino educativo=, o%serva #ue: :A missão desse ensino * transmitir não o mero sa%er, mas uma cultura #ue permita compreender nossa condição e nos a,ude a viver, e #ue favoreça ao mesmo tempo, um modo de pensar a%erto e livre= .2551, p. 119. Prosseguindo nessa ordem de ideias, acredita+se #ue se,a válido mencionar a#ui as concepç$es de !ilho, pois o mesmo chama a atenção para o fato de #ue * essencial e favorável para a aprendizagem dos alunos #ue o professor, durante sua prática educativa, conte e leia histórias.
M importante #ue o professor das #uatro s*ries iniciais do 1N grau conte histórias para os seus alunos e tam%*m lhes leia em voz alta. Fo in;cio do primeiro segmento do ensino fundamental, os alunos começam a se apropriar do processo de leitura O...P. is a#ui, ao nosso ver, um %om caminho para promover a leitura na sua ampla e rica dimensão: a desco%erta e atri%uição de sentidos, carregando a leitura de significaç$es. 1 leitor, entendendo o teCto, procura se entender e %usca tam%*m o entendimento do próprio mundo em #ue se situa. .1GGL, p. 86+889

Fo sentido de contri%uir com a#uele educador, #ue não desenvolve a prática de contar histórias, por#ue não se sente apto e seguro para faz(+lo, mas considera válido o #ue esse )ltimo autor relata, * #ue ca%e mencionar o #ue &oelho afirma so%re essa #uestão:
&omo toda arte, a de contar histórias tam%*m possui segredos e t*cnicas. 2endo uma arte #ue lida com mat*ria E prima especial;ssima, a palavra, prerrogativa das criaturas humanas, depende, naturalmente, de certa tend(ncia inata, mas #ue pode ser desenvolvida, cultivada, desde #ue se goste de crianças e se reconheça a import<ncia da história para elas. .1GGL, p. G9

Amarilha, com intuito de incentivar a contação de histórias nas escolas, para #ue a criança, atrav*s da voz #ue narra, torne+se um ouvinte pensante, revela:
Quando colocamos a narrativa na escola atrav*s do contadorHleitor de histórias, mudamos a história da escola. ?udamos a relação da criança com a cultura escolar, por#ue a fazemos eCperimentar teCtos significativos do ponto de vista psicológico, social, lingu;stico, afetivo, pressupondo #ue todo professor seleciona, ade#uadamente, os teCtos #ue l( para seus alunos. .255J, p. 2G9

0o mesmo modo #ue o sa%er ler, o ato de escrever * um meio #ue possi%ilita e facilita a
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26 comunicação entre os seres humanos, portanto, * essencial #ue se crie e se oportunize >s pessoas situaç$es em #ue possam ir desenvolvendo cada vez mais essa ha%ilidade. Ruhlthau demonstra os %enef;cios #ue a contação de histórias oferece para #ue os estudantes se tornem leitores e, por conta disso, melhores escritores.
Antes #ue possam ler sozinhas as crianças devem escutar histórias, a fim de desenvolver o interesse pelos livros e conscientizar+se da variedade de livros dispon;veis. Quando estão aprendendo a ler, a escuta de histórias funciona como uma influ(ncia modelizadora para a leitura. ssa atividade possi%ilita a eCperi(ncia com o fluCo das palavras para formar os significados. As crianças vivenciam o prazer e os sentimentos criados pela leitura. Por outro lado, a leitura tem como finalidade a formação de escritores, não no sentido de profissionais da escrita, mas de pessoas capazes de escrever ade#uadamente. Assim, ela fornece a mat*ria E prima para a escrita .o #ue escrever9, al*m de contri%uir para a constituição de modelos .como escrever9. .2552, p. L59

Analisando os conceitos a#ui mencionados, perce%e+se #ue de uma forma singular todos esses pes#uisadores demonstram um posicionamento semelhante #uanto > contação de histórias para crianças.

Ca$in"os -er/orridos -ara a e!a1oração deste estudo Sm dos motivos #ue causou o dese,o e a decisão de nortear este tra%alho por meio do estudo de caso, foi o fato de conhecer educadoras #ue utilizam a contação de histórias como :ferramenta= de auC;lio durante o processo de ensino+aprendizagem, e de outras, #ue, al*m disso, ,á há um %om tempo dedicam+se a ensinar a arte de contá+las. A outra razão se deu em decorr(ncia de acreditar+se #ue suas eCperi(ncias práticas contri%uiriam, de forma significativa, para responder a #uest$es fundamentais do tema de investigação #ue está sendo proposto nesse artigo. Fo sentido de esclarecer melhor esse estudo, vale ressaltar #ue a coleta de dados ocorreu a partir de entrevistas estruturadas, ou se,a, em regime fechado. Para tanto, foi ela%orado antecipadamente #uestionários contendo perguntas voltadas ao interesse de investigação, em #ue as participantes relataram suas atitudes e opini$es so%re a contação de histórias para crianças dos anos iniciais.

2uestion3rio uti!i)ado -ara entrevistar os -ro4essores 1. &omenta o #ue considera importante no contador de histórias, ao escolher um livro infantil para alunos dos anos iniciaisT 2. m sua opinião, #uais são as ha%ilidades e compromissos #ue o contador deve ter ao tra%alhar uma história com crianças na faiCa etária de L a 15 anosT Por #u(T I. Quais são os recursos mais importantes de serem utilizados durante a contação de históriasT
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27 7. 2a%emos #ue a literatura infantil, em função do vasto cenário de informaç$es tecnológicas, está perdendo espaço na vida das crianças. 1 #ue pensa disso e #ual deve ser o compromisso dos professores so%re esse assuntoT L. Quais as relaç$es mais significativas #ue se esta%elecem entre #uem conta e #uem ouve uma históriaT Quais são as atri%uiç$es #ue essas relaç$es podem provocar na vida de am%osT J. &omo o livro infantil .contar histórias9 contri%ui para a formação da criança, #uanto aos aspectos: social" afetivo" cognitivo e culturalT 6. 3er e escrever são tarefas fundamentais para #ue se possa participar ativamente dos assuntos ligados > sociedade em geral. Fo #ue :ouvir histórias= contri%ui para #ue as crianças desenvolvam essas ha%ilidadesT

2uestion3rio uti!i)ado -ara entrevistar os -ais 1. 2eu filhoHfilha demonstra interesse em ouvir históriasT A partir das atitudes apresentadas por eleHela, eCemplifi#ue e eCpli#ue o #ue a leva a pensar dessa formaT 2. &om #ue fre#u(ncia costuma contar histórias para seuHsua filhoHfilhaT Por #u(T I. 0e acordo com sua opinião, a partir de #ue idade a criança deve começar a ouvir históriasT Uustifi#ue. 7. &onsidera importante para a aprendizagem de seuHsua filhoHfilha, #ue o professorHprofessora tra%alhe com atividades de contação de histórias durante as aulasT Por #u(T

A$-!iando u$ -ou/o $ais este estudo Quando se fala em leitores, se pensa logo nos locais #ue são utilizados para a prática de leitura, tais como: escola, %i%lioteca, em casa, na rua, entre outros. Questiona+se de #ue formas esses locais estão ensinando e incentivando pessoas a prática e a utilização da leitura, especialmente a escola. ?uitas vezes se ouve dizer #ue na escola a tarefa de ensinar a ler e a escrever ca%e, )nica e eCclusivamente, ao professor de 3;ngua Portuguesa e >#uele #ue * responsável pela %i%lioteca. 4sso at* poderia ser poss;vel, mas sa%e+se #ue os professores de outras áreas do conhecimento não ensinam seus conte)dos aos alunos sem utilizarem os recursos de leitura e escrita. :3er e escrever são tarefas da escola, #uest$es para todas as áreas, uma vez #ue são ha%ilidades indispensáveis para a formação de um estudante, #ue * responsa%ilidade da escola= .F V 2, 1GGG, p. 1I9. Sma das #uest$es #ue chama a atenção * #ue somente os professores da disciplina de 3;ngua
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28 Portuguesa t(m acesso, #uase #ue o%rigatório, de fre#uentar a %i%lioteca com seus alunos. Balvez se outros professores, de outras disciplinas tivessem acesso a esse local, seria poss;vel a ampliação das aprendizagens dos alunos. Visto #ue a %i%lioteca * um espaço #ue proporciona materiais poss;veis de investigação e logicamente de leitura, ela se apresenta como um dos recursos pedagógicos, válidos e significativos durante a prática de ensino do professor #ue vier a se valer dela. Fão restam d)vidas de #ue deve ser o%,etivo de todo educador, independentemente da disciplina e do ano escolar #ue * responsável, #ue d( atenção e #ue tenha o compromisso de tra%alhar com seriedade #uest$es referentes ao uso da l;ngua, e #ue faça isso em sua sala de aula e na %i%lioteca da escola. Fa medida em #ue ele leva para a sala de aula informaç$es para seus alunos, precisa motivá+los para #ue as usem de forma autWnoma e cr;tica. 0entre os fatores #ue podem ser apontados como causadores das defici(ncias #ue os indiv;duos apresentam #uanto ao ato de ler e de escrever, acredita+se #ue um deles se,a a forma mecanicista #ue a grande maioria dos professores utiliza durante sua prática educativa. &onv*m lem%rar #ue, geralmente as atividades de leitura e de escrita, são propostas aos alunos de uma maneira em #ue eles são o%rigados a manter um comportamento passivo .cópia, memorização e repetição9 e, em função disso, perdem a oportunidade de fazer relaç$es, comparaç$es, associaç$es, refleC$es, etc. Atitudes estas fundamentais para #ue o su,eito, atrav*s desta participação, sinta+se interessado e capaz de atri%uir sentido ao #ue está lendo ou escrevendo, al*m de compreender o significado da realização de tais tarefas. &onsiderando o livro de literatura infantil como um ve;culo favorável, promotor e propagador das atividades de leitura e de escrita para crianças em processo de alfa%etização, -ragatto !ilho fala #ue:
1ra, a ter #ue ler e escrever frases sem consist(ncia sem<ntica, não estariam os alunos das primeiras s*ries escolares internalizando a ideia de #ue o ler e o escrever não os conduzem para algo significativo e atraente, então, para #ue ler, para #ue escreverT M ,ustamente a#ui #ue se imp$e o outro lado da medalha: o livro de literatura infantil, dispon;vel nas salas de aula de alfa%etização, estando ao livre acesso das crianças para ser manuseado e lido, ouvido tam%*m, e muito, atrav*s da leitura oral do professor, discutido e comentado pela classe toda O...P. .1GGL, p. 819

&om %ase nas ideias dos autores tra%alhados e a partir das respostas o%tidas durante as entrevistas, segue uma discussão na #ual foram analisadas e avaliadas as atitudes e as opini$es das professoras e dos pais, so%re o ato de contar histórias em relação > aprendizagem das crianças.

Re/on"e/endo o si5ni4i/ado da /ontação de "ist0rias -ara /rianças Fa verdade, o educador, durante sua prática de ensino, ao propor uma atividade, se,a ela #ual for, precisa certificar+se se essa está de acordo com os interesses e dese,os do aluno, pois só assim ocorrerá aprendizagem. sta *, sem d)vida, uma #uestão #ue precisa ser valorizada por
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29 a#uele #ue vai contar uma história, pois para #ue aconteça aprendizagem por parte das crianças, * fundamental #ue a história este,a de acordo com o interesse delas. Para dar alguns eCemplos do #ue * necessário ser levado em conta ao escolher um livro para ser tra%alhado com os alunos, ca%e mencionar #ue foram considerados pelas pessoas entrevistadas a ilustração, o tamanho da história e da letra, a temática, a linguagem compreens;vel e ade#uada > faiCa etária, o n;vel intelectual #ue a criança se encontra, entre outras. Cpostas estas ideias, compreende+se o #ue A%ramovich .1GG6, p. 189 #uer deiCar evidente ao dizer: =0a; #ue #uando se vai ler uma história E se,a #ual for E para crianças, não se pode fazer isso de #ual#uer ,eito, pegando o primeiro volume #ue se v( na estante=. &oelho .1GGL9 destaca como essenciais de serem reconhecidos e respeitados, os conteCtos sociais e financeiros aos #uais os ouvintes pertencem. Quanto aos interesses, ela institui relação entre a história e a faiCa etária das crianças, não es#uecendo das eCperi(ncias de vida dos indiv;duos.
Pr*+escolares at* tr(s anos: fase mágica E histórias de %ichinhos, %rin#uedos, o%,etos, seres da natureza .humanizados9 E histórias de crianças" de tr(s a seis anos: fase mágica E histórias de repetição e acumulativas .0ona -aratinha, A formiguinha e a neve etc.9 E histórias de fadas. scolares sete anos E histórias de crianças, animais e encantamento, aventuras no am%iente próCimo: fam;lia, comunidade, histórias de fadas" oito anos E histórias de fadas com enredo mais ela%orado, histórias humor;sticas" nove anos E histórias de fadas, histórias vinculadas > realidade" dez anos E aventuras, narrativas de viagens, eCploraç$es, invenç$es, fá%ulas, mitos e lendas. .&1 3K1, 1GGL, p. 1L9

&om a investigação, notou+se #ue são muitas as ha%ilidades e compromissos #ue o contador deve ter ao tra%alhar uma história, dentre estes, um dos fatores #ue se destacou, foi o tom de voz #ue para as professoras precisa ser claro e seguro. Quanto a isso, 2isto .255L, p. 1569 entende #ue: :1 contador de histórias tem um poderoso instrumento para contar histórias: sua própria voz. ?as precisa estar atento, acostumar+se a ouvir+se, a apreciar os tim%res e nuances da sua e das vozes #ue o cercam=. 2egundo este autor, tam%*m * necessário #ue o tom de voz este,a ade#uado ao am%iente de escuta da história. 1utras aptid$es #ue foram descritas como preciosas, no momento de se contar histórias, e #ue valem a pena serem ressaltadas, são: ter capacidade de incorporar os personagens, conhecer de fato o #ue está contando, gostar e ter respeito pelas crianças, atitudes #ue desenvolvam o gosto pela leitura, narrar a história com um propósito e não por mera o%rigação e #ue, principalmente, o contador se,a um leitor ass;duo para a partir de todos esses elementos sa%er e ser capaz de despertar e de estimular a imaginação dos pe#uenos. Fa opinião das professoras, os recursos materiais poss;veis de serem utilizados pelo contador de histórias são in)meros e variados e podem ser escolhidos e ou confeccionados de acordo com a história a ser contada e com a criatividade e dese,o do contador. ste deve ter em mente, na hora de fazer a seleção do #ue vai contar, o o%,etivo e o comprometimento de atingir seu p)%lico alvo. &ola%orando a esse respeito, &oelho .1GGL, p. I19 esclarece #ue: : studar a história * ainda escolher a melhor forma ou o recurso mais ade#uado de apresentá+la=.
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30 0entre as respostas das educadoras, constatou+se #ue elas perce%em o corpo do contador como o recurso mais importante de ser utilizado para fascinar e envolver as crianças durante a narrativa. tam%*m sugerem #ue, por meio das eCpress$es e sons emitidos, * poss;vel entre outras coisas, proporcionar as crianças diferentes formas de interpretação do teCto narrado com autonomia. Fa pes#uisa em foco, ficou eCpl;cito #ue os profissionais da educação não fechem os olhos para os avanços tecnológicos, pois a cada dia #ue passa estão fazendo mais parte do cotidiano das pessoas, por isso precisam ser considerados durante o processo de ensino. 1 mundo está sempre em constante mudança e os indiv;duos precisam adaptar+se a elas ou então seus conhecimentos, por conta da falta de informaç$es e tam%*m da falta de preparação para usá+las, ficarão restritos. Ruhlthau, em seus estudos so%re tecnologia da informação, faz a seguinte argumentação:
A tecnologia da informação, representada pelos computadores e redes eletrWnicas .vale dizer a 4nternet9, teve profundo impacto na disponi%ilização e no uso da informação, e tem se tornado cada vez mais presente na vida das pessoas. M necessário, portanto, preparar as crianças e ,ovens para conviver com a tecnologia, capacitando+as a lidar com a #uantidade crescente de informaç$es em meios eletrWnicos e preparando+as para enfrentar os desafios de um mercado de tra%alho instável e mutante. .2552, p. 229

Partindo do ind;cio #ue a BV tem sido reconhecida atualmente como um dos meios tecnológicos de comunicação mais comum na vida das crianças e apontada por algumas pessoas como su%stituta do livro e, por conta disso, causadora do desinteresse pela leitura, * conveniente #ue se ve,a a associação #ue * feita entre a leitura de livros e a televisão:
A televisão pode estimular a leitura de livros e a leitura pode levar a criança a se interessar por um programa de televisão. Quando algum livro * adaptado para a televisão, as crianças #ue o leram geralmente mostram+se ansiosas para ver o programa. 0epois #ue o programa vai ao ar, há sempre uma demanda pelo livro por parte de crianças cu,o interesse * despertado. .RSK3BKAS, 2552, p. 1L19

Sma outra #uestão importante, comunicada pelas cola%oradoras deste tra%alho, foram as relaç$es #ue se esta%elecem entre #uem conta e a#ueles #ue ouvem a história. Afirmam #ue, no transcorrer da narração, constitui+se uma união em #ue todos participam de forma ativa e cr;tica, envolvendo+se emotivamente e, chegando a transportarem+se do mundo real para o mundo imaginário #ue está sendo narrado. 0isseram, ainda, #ue isso fica evidente atrav*s das falas, dos gestos e dos olhares eCpressivos #ue são manifestados pelo con,unto de pessoas presentes no momento da narrativa. /eferindo+se a essa integração #ue, como se pWde ver no parágrafo anterior, configura+se entre o contador, o grupo de ouvintes e personagens da narração, * interpretada pelas professoras contadoras como possi%ilidade da criança reconhecer+se e, em função disso, lidar de forma mais ade#uada com seus conflitos, podendo o%ter, como resultado dessa situação, o aumento de sua capacidade de relacionamentos e de resolução de desafios e at* tornar+se mais feliz. Quanto > escuta de histórias pelas crianças, A%ramovich .1GG69 declara com firmeza: :M tam%*m suscitar
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31 o imaginário, * ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, * encontrar outras ideias para solucionar #uest$es .como os personagens fizeram...9=. Pensam tam%*m #ue essa aproCimação com as crianças permite #ue o professor, atrav*s das manifestaç$es apresentadas por elas, en#uanto ouvem uma história, possa seguramente conhec(+las e compreend(+las melhor e, em razão disso, a,udá+las a resolverem seus pro%lemas &aso isso não se,a poss;vel, pelo menos amenizá+los para #ue seus rendimentos escolares não se,am pre,udicados. Por ter conhecimento de #ue, #uando os estudantes chegam > escola, não deiCam suas alegrias e tristezas do lado de fora do portão, * #ue se consideram louváveis as atitudes de preocupação das educadoras de #uererem fornecer melhores condiç$es emocionais para as crianças. M certo #ue, criando espaços e momentos para #ue elas eCpressem o #ue pensam e sentem, o professor conseguirá conhec(+las e, conse#uentemente, a,udá+las, agindo assim, como um facilitador da construção de suas aprendizagens. 2egundo as entrevistadas, uma história, #uando %em escolhida e, * claro, %em contada pode contri%uir para o desenvolvimento integral do aluno, fazendo com #ue se torne um su,eito portador de senso cr;tico e democrático, com capacidade de atuar na sociedade de seu tempo e do futuro. M importante registrar #ue, nas concepç$es das contadoras, ler livros para crianças * uma possi%ilidade de conduzi+las para o há%ito da leitura, pois #uando se conta para elas histórias #ue as interessam, * certo #ue, após a escuta, devido ao prazer e ao encantamento #ue sentiram, não só dese,arão l(+las, como tam%*m sentirão vontade de irem a %usca de outras semelhantes. 2androni e ?achado o%servam #ue, ao ouvirem histórias:
As crianças, al*m de devotarem uma enorme atenção > história .e o professor sa%e o #uanto isso significa em termos de audição refleCiva, est;mulo > imaginação e organização do pensamentoX9, sentem+se estimuladas a ler os livros por si mesmas ou a %uscar outros so%re o mesmo assunto. .1G8J, p. 2L9

Assim como esses autores, as participantes deste estudo tam%*m fizeram menção > atenção #ue as crianças depositam > história en#uanto essa está sendo contada. caracterizam essa atitude de estar atenta, como prop;cia a realização das tarefas de escrita, por#ue oportuniza o desenvolvimento de ha%ilidades .como eC: desenvoltura na oralidade, voca%ulário amplo, criatividade, e etc.9, #ue proporcionam > criança a produção de teCtos com mais conceitos e #ualidade. &onscientes da import<ncia de se formar indiv;duos leitores e por terem conhecimento #ue são poucas as crianças #ue t(m, em seus lares e em outros lugares de conv;vio, o privil*gio de ouvir histórias e de conviver com materiais de leitura de forma agradável, e #ue por isso apresentam dificuldades na escola durante o processo de alfa%etização,as pessoas investigadas aconselham #ue os professores, na hora de alfa%etizarem as crianças, utilizem+se da prática de contar histórias, a fim de #ue os alunos se relacionem de maneira significativa, compreensiva e produtiva com os %ens culturais #ue os materiais escritos oferecem. 1s pais, participantes deste estudo, demonstraram em suas respostas opini$es semelhantes >s
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32 das professoras contadoras, ou se,a, assim como elas, reconhecem o ato de ouvir histórias como uma atividade #ue possi%ilita a criança o desenvolvimento de ha%ilidades fundamentais para sua formação, em relação aos aspectos sociais, afetivos, cognitivos e culturais. ?otivados pela ideia de #ue ho,e estudos comprovam #ue os %e%(s, após o nascimento, reconhecem de imediato a voz da#ueles #ue costumam conversar com ele durante o per;odo de gestação, os pais acreditam #ue a contação de histórias pode ser iniciada nessa *poca. Pensam #ue o ato de contar histórias deve ser conservado depois #ue a criança nasce e intensificado no per;odo escolar. 0o ponto de vista dos mesmos, contando histórias com o auC;lio de livros, os pais oportunizam a seus filhos o reconhecimento do mundo e despertem neles o gosto pela leitura. Fa opinião dos pais, * importante #ue os professores, durante suas aulas, contem histórias para os alunos, por#ue, a partir da escuta de histórias, eles ampliam sua capacidade de imaginação e de construção de conhecimentos com prazer. 1utra o%servação feita por eles, * #ue se o professor, no momento da contação, mantiver uma postura comprometida com a leitura, isto *, demonstrar atrav*s de seu olhar, de sua voz e de seus gestos, interesse pela história #ue está contando, servirá como um agente estimulador e formador de alunos leitores.

Consideraç6es 4inais &ertamente, o professor #ue tem por o%,etivo oferecer a seus alunos uma educação #ue os preparem para a vida, precisa fazer com #ue sua sala de aula se,a um espaço promotor de aprendizagens significativas. A contação de histórias, #uando tra%alhada de forma ade#uada, contri%ui para #ue as crianças desenvolvam e ampliem ha%ilidades essenciais para sua vida pessoal e estudantil, pensa+se #ue esta * indiscutivelmente uma prática digna de ser utilizada pelos professores dos anos iniciais. Valorizando a ideia #ue a criança, ao escutar histórias de seu interesse, * levada a fazer associaç$es e relaç$es desta com fatos e situaç$es do cotidiano, perce%e+se #ue o ato de contar histórias possi%ilita #ue a mesma tenha uma maior e melhor compreensão do mundo. 4sto facilitará e proporcionará a ela o desempenho de pap*is sociais de forma autWnoma e cr;tica. &onsiderando #ue o contador, atrav*s da leitura eCpressiva, estimula na criança, com espontaneidade e encantamento, o gosto pela leitura, nota+se #ue o professor contando histórias, durante sua prática educativa, atua como um agente formador de alunos leitores, proporcionando e permitindo #ue eles se tornem su,eitos ativos e responsáveis pela construção de seus conhecimentos. &om tal análise, foi poss;vel ver, atrav*s das teorias dos autores estudados e das concepç$es das pessoas #ue cola%oraram para esta investigação, #ue o ato de contar histórias *, sem d)vida, uma atividade #ue oportuniza ao aluno a realização das tarefas de leitura e escrita com mais #ualidade.
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33 Re4er7n/ias8 A-/A?1V4&K, !annY. 9iteratura in4anti!: gostosuras e %o%ices. 2ão Paulo: 2cipione, 1GG6. A?A/43KA, ?arlY. A!i/e :ue não 4oi ao -a;s das $aravi!"as: a leitura cr;tica na sala de aula. Petrópolis, /U: Vozes, 255J. -A/& 3312, 'ládis ?aria !errão" F V 2, 4ara &onceição. A "ora do /onto: da fantasia ao prazer de ler. Porto Alegre: 2agra + 0& 3uzzatto, 1GGL. -/A'ABB1 !43K1, Paulo. Pe!a !eitura !iter3ria na es/o!a de <= >rau. 2ão Paulo: Ztica, 1GGL. &1 3K1, -ettY. Contar "ist0rias u$a arte se$ idade. 2ão Paulo: Ztica, 1GGL. &1 3K1, FellY Fovaes. 9iteratura in4anti!: teoria + análise + didática. 2ão Paulo: Ztica, 1GGI. RSK3BKAS, &arol. Co$o usar a 1i1!iote/a na es/o!a: um programa de atividades para a pr*+ escola e ensino fundamental. -elo Korizonte: Aut(ntica, 2552. ?1/4F, dgar. A /a1eça 1e$.4eita: repensar a reforma, reformar o pensamento. /io de Uaneiro: -ertrand -rasil, 2551. F V 2, 4ara &. -itencourt" 21S[A, Uusamara Vieira et al. 9er e es/rever: compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: d. da SniversidadeHS!/'2, 1GGG. P/A01, 'uilherme do Val Boledo" 2134'1, /osaura .1rg.9. Por:ue es/rever ? 4a)er "ist0rias: revelaç$es, su%vers$es e superaç$es. &ampinas: Al;nea, 2556. 2AF0/1F4, 3aura &" ?A&KA01, 3uiz /aul. A /riança e o !ivro: guia prático de est;mulo a leitura. 2ão Paulo: Ztica, 1G8J. 242B1, &elso. Te@tos e -rete@tos so1re a arte de /ontar "ist0rias. &uriti%a: Positivo, 255L.

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