You are on page 1of 7

ESTADO DE NECESSIDADE E DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Patrus Ananias de Sousa Recuperar os fundamentos éticos do Direito e do Estado implica subordiná-los e recolocá-los a serviço da vida nas suas múltiplas e misteriosas manifestações e, de maneira especial, a serviço da vida e da di nidade da pessoa !umana" #a tradiç$o crist$ essa assertiva se impõe %uase %ue naturalmente a partir dos randes princ&pios da Revelaç$o' (o") Deus criou o !omem e a mul!er * sua ima em e semel!ança e deu-l!es a c!ave do con!ecimento te+rico e prático, da construç$o da ,ist+ria e da interaç$o com a nature-a' . Deus criou o !omem * sua ima em, * ima em de Deus ele o criou/ criou-os mac!o e f0mea" Deus os abençoou e l!es disse' Sede fecundos e prol&ficos, enc!ei a terra e dominai-a" Submetei os pei1es do mar, os pássaros do céu e todo animal %ue raste2a sobre a terra3. 450nesis, 6 - 78,79)" #o mistério da criaç$o, Deus conferiu a todos os !omens o selo da di nidade e da i ualdade/ 7o") o relato b&blico da criaç$o encontra a sua reali-aç$o plena e transfi uraç$o no mistério da encarnaç$o do :erbo e do Amor" ;esus de #a-aré, no mistério da sua ori em e do seu ser, bem como na força de sua palavra e da sua presença, %ue desafiam o tempo e o espaço, conferiu * pessoa !umana uma nova e radical di nidade' Deus mesmo se fe- um de n+s" <riados, * sua ima em e semel!ança, somos a ora participantes da sua transcend0ncia e do seu pro2eto - a construç$o do Reino" As incid0ncias éticas, pol&ticas, 2ur&dicas e econ=micas da tradiç$o b&blico-crist$, especialmente dos Evan el!os, encontram particular resson>ncia e amplitude na Doutrina Social da 6 re2a iniciada com a Rerum #ovarum no fecundo pontificado de ?e$o @666 e na obra e testemun!o de autores e militantes %ue a partir de ent$o, e especialmente com ;ac%ues Aaritain, promoveram o encontro do personalismocomunitário crist$o com os ideais e procedimentos democráticos e com a construç$o e afirmaç$o 2ur&dica dos direitos fundamentais" B personalismocomunitário crist$o encontra forte e enerosa formulaç$o te+rica e prática na obra e na vida de Emmanuel Aounier" Aas foi, sobretudo, com as enc&clicas de ;o$o @@666 - a Aater Et Aa istra e, de maneira muito especial, a Pacem in Cerris, e de Paulo :6, a Populorum Pro ressio, %ue a tradiç$o personalista-comunitária encontra a sua mel!or e mais autori-ada s&ntese" Aesmo as tradições n$o diretamente referenciadas no Absoluto afirmam, !istoricamente, por outras vias, a di nidade !umana" A tradiç$o comunitária fa- do cidad$o a >ncora da vida social e pol&tica" Se o indiv&duo n$o e1iste fora da comunidade e se esta tem preced0ncia sobre a%uele, a polis, para se constituir e se manter, pressupõe pessoas capa-es de praticar as virtudes c&vicas" A comunidade, portanto, deve possibilitar as condições para o e1erc&cio dos direitos e deveres da cidadania" Se na anti uidade clássica o conceito de cidad$o era

pol&ticos e espirituais/ os %ue est$o impossibilitados de recon!ecer e desenvolver os pr+prios . pela força das armas. cresce assustadoramente no Hrasil em todos os %uadrantes da terra. os direitos * educaç$o.em medidas práticas e efica-es. emer em. mesmo nas leituras mais seculari-adas. o número de pessoas %ue morrem v&timas da fome. para asse urar os bens ao individuo .restrito e eliminava os escravos. das comunidades e dos povos" . transcende os limites do corpo. a validade dos contratos e.respeito também a sua vida. o bem %ue mais pre-am . como dom maior da ratuidade divina. ultrapassando os limites do indiv&duo bur u0s e proprietário. para asse urar. uma constelaç$o de direitos e arantias %ue asse urem a sobreviv0ncia f&sica" A viol0ncia silenciosa %ue mata as pessoas pela fome. na construç$o do bem comum.ist+ria ampliá-lo e universali-á-lo" A tradiç$o contratualista.á !o2e uma consci0ncia.a vida. fundada na prima-ia do individuo. como natural corolário. pela aus0ncia de cuidados médicos preventivos e curativos. como força de um instinto natural como %uerem os comunitaristas ou por ato de vontade na lin!a dos contratualistas. da miséria e da e1clus$o social" Sem falar na%ueles %ue n$o t0m acesso aos bens culturais. os direitos fundantes do <ontrato Social . com a bio-tecnolo ia e * en en!aria enética. portanto.e em princ&pio todos %uerem . se2a como o bem nucleador da sociedade nas tradições comunitária e individual-contratualista" A vida !umana n$o é al o abstrato" Pressupõe cuidados e pol&ticas %ue efetivamente a asse urem e promovam" <onstitui. se2a na tradiç$o biblio-crist$ e outras tradições reli iosas. com o cidad$o a partir da Revoluç$o Francesa. as mul!eres e os estran eiros. a propriedade. a liberdade. sobre os demais.foram se tornando apaná io de todos os indiv&duos" B direito * vida.a vida.a vida" Decorre da& o princ&pio racional da reciprocidade' n$o vamos nos matar uns aos outros" <omo eu %uero %ue a min!a vida se2a respeitada . afirma. a propriedade . * participaç$o na vida comunitária. posteriormente. a concepç$o de %ue o Estado sur e. de %ue o !omic&dio é inaceitável" #in uém pode. em condições normais. entre outros. * cultura. dentro da má1ima %ue vai dos Evan el!os a Gant . sempre na perspectiva de preservar o direito * vida e a di nidade da pessoa !umana. pelo desabri o ou precárias condições de moradia e saneamento básico. %ue. por outros camin!os. civili-at+ria e ética e como a e1press$o da mais elementar racionalidade" Bs seres !umanos se con re am espontaneamente. foi se impondo simultaneamente como con%uista cultural. a vida do semel!ante" <omo o ser !umano. pela desnutriç$o. atentar contra a vida do outro" Por outro lado. * liberdade e ao desenvolvimento da personalidade" Emer em mais recentemente os direitos relacionados com o meio-ambiente. a liberdade" E medida %ue o indiv&duo foi-se universali-ando.n$o fa-ermos aos outros a%uilo %ue n$o %ueremos %ue nos façam3 B direito * vida emer e assim. desde . é t$o inaceitável %uanto a viol0ncia %ue tira. ao la-er. coube ao desenvolvimento da . para se reencontrar novamente. infeli-mente. ao con!ecimento. através do pacto social.obbes. nem sempre se tradu. com ?ocDe. do desempre o.

propondo %ue se utili-e a e1press$o furto necessário" B autor abre uma perspectiva nova na aborda em do tema. n$o ousaram vinculá-lo aos dramas concretos e %uotidianos da e1ist0ncia !umana" B estado de necessidade. %ue infeli-mente ficam sem desdobramentos práticos' ." A doutrina e a 2urisprud0ncia restrin iram o estado de necessidade a situações muito pr+prias e particulares. o estado de necessidade" B arti o 7J do <+di o Penal estabelece as suas condições' . mas o sofrimento oriundo da fome" B conflito %ue se estabelece é entre o patrim=nio e um rave padecimento f&sico. mais n$o e1trai as conse%K0ncias necessárias" :ia de re ra.<om efeito.á no passado. como se a fome e a privaç$o de bens essenciais * vida se desse num momento e situações espec&ficas" A %uest$o se torna bem mais ampla e comple1a %uando sabemos %ue essas situações sub-!umanas e preparat+rias da morte ocorrem em situações continuadas. muitas ve-es. o furto famélico ou furto necessário é visto numa leitura individualista. identidade e auto-estima" #esses casos devem prevalecer os direitos de propriedade. inevitavelmente. s$o lançados na miséria. %ue n$o provocou por sua vontade.para fins . envolvendo um número cada ve. mesmo da%ueles %ue usam terrenos . a%uele praticado por pessoas em situaç$o-limite para saciar a fome e preservar as funções vitais" B Direito Penal moderno admitiu como e1cludente de criminalidade. ao lado da le &tima defesa e do estrito cumprimento do dever le al.<onsidera-se em estado de necessidade %uem pratica o fato para salvar de peri o atual. n$o era ra-oável e1i ir-se. o %ue essencialmente caracteri-a a necessidade no furto famélico n$o é o peri o direto e imediato para a vida. por influ0ncia das idéias e procedimentos crist$os. nas circunst>ncias. direito pr+prio ou al!eio. a ameaça * vida pr+pria ou al!eia. recupera a %uest$o do furto famélico. %uase romanescas. nem podia de outro modo evitar. perdendo também a sua di nidade. com rar&ssimas e1ceções. é a vida !umana" #a prática. em obra espec&fica sobre o tema. * morte. o bem 2uridicamente mais valioso do ponto de vista te+rico e dos princ&pios constitucionais. n$o se trata apenas da fome" Butros desafios se colocam' pessoas e fam&lias %ue n$o t0m onde morar/ a ricultores %ue n$o t0m terra para plantar e produ-ir e. podendo.talentos e potencialidades" Em muitos pa&ses. cu2o sacrif&cio. praticamente foi dissociado das situações econ=micas e sociais" Alberto Rodri ues de Sousa . e." Evidente %ue esse rave padecimento f&sico leva. e faltam-me elementos para essa empreitada. o bem 2uridicamente mais prote ido é a propriedade" B Direito Penal desenvolveu uma ampla aborda em sobre a le &tima defesa . precedida muitas ve-es de raves se%Kelas materiais e espirituais" B problema é delicado" #$o me propon!o. e%uacioná-lo nas suas diversas variáveis" Propon!o-me levantar a %uest$o e oferecer al umas pistas" Ademais.maior de pessoas e comunidades" #as palavras do autor. desenrai-ados. como o Hrasil.muitas ve-es %uantidades e áreas enormes . no limite.a pessoa !umana pode se defender e prote er a sua vida e inte ridade f&sica em face de a ressões de terceiros. matar o a ressor" E o direito de defesa de pessoas e comunidades ameaçadas diretamente na sua e1ist0ncia pela fome e pela car0ncia total de bens e instrumentos necessários * preservaç$o de suas vidas e * construç$o de suas di nidadesI . admitia-se o furto famélico.

e cu2o e1traordinário le ado pol&tico.o$o @@666.. dissociar a economia das necessidades vitais das pessoasI :imos %ue o direito * vida .o$o @@666 recupera os ensinamentos de Santo Comás de A%uino' . social e espiritual foi ob2eto de notável estudo e compreens$o de . como também as suas determinações perdem a força de obri ar em consci0ncia. n$o s+ perde sua pr+pria ra-$o de ser.casos de tirania evidente e prolon ada %ue ofendesse ravemente os direitos fundamentais da pessoa !umana e pre2udicasse o bem comum do pa&s.B bem comum consiste no con2unto de todas as condições de vida social %ue consintam e favoreçam o desenvolvimento inte ral da personalidade !umana.enri%ue de ?ima :a.. aumentando ainda mais a situaç$o de inse urança e viol0ncia" Por outro lado.este último. %ue aranta diretamente a sobreviv0ncia di na da%ueles e seus familiares. de um fa-endeiro. . n$o tem valor de lei. absoluto.%ue o bem comum consiste sobretudo no respeito aos direitos e deveres da pessoa !umana 4""") A funç$o primordial de %ual%uer poder público é defender os direitos invioláveis da pessoa e tornar mais viável o cumprimento dos seus deveres. ri orosamente inseridos no mel!or da Cradiç$o <rist$' .o$o @@666 estabeleceu na Aater Et Aa istra e reafirmou na Pacem in Cerris as condições do bem comum' .o$o @@666 e1trai ri orosas conse%K0ncias desses ensinamentos.A lei !umana tem valor de lei en%uanto está de acordo com a reta ra-$o' derivando.Por isso mesmo." B papa %ue o mundo amou. portanto.transcende as e1i 0ncias do corpo e se espraia em outras dimensões da vida !umana" Crata-se do bem comum" . por outro lado.* ra-$o.e essa ente a& como é %ue ficaI. ou uma empresa.insurreiç$o revolucionária. de desespero e n$o podem rea irI Penso %ue o camin!o %ue nos resta é darmos conse%K0ncias 2ur&dicas e pol&ticas ao princ&pio da funç$o social da propriedade" A propriedade é um direito" Aas n$o é um direito sa rado. a impossibilidade de trabal!ar e morar com dec0ncia e di nidade s$o formas de viol0ncia e %ue atentam contra a vida e a inte ridade da pessoa !umana" Bs poderes-deveres públicos e a sociedade devem a ir" Aas en%uanto essa aç$o n$o começa e os resultados n$o aparecem . como tal.especulativosI Evidente %ue n$o se pode criar uma cultura de sa%ues e ocupações.afirma-se assim o direito pol&tico de resist0ncia e * desobedi0ncia civil %uando o poderMdever pol&tico n$o este2a sendo e1ercitado no sentido dos . c!ama-se lei in& ua e. reitera . mas é um ato de viol0ncia. da lei eterna" Se. ou os violar. . de frio. contradi. de Comás de A%uino a .o$o @@666 e Paulo :6 . para usar a e1press$o do compositor Adoniram HarbosaI Est$o condenados a morrer de fome. intocável" Acima dele est$o o direito * vida e *s superiores e1i 0ncias do bem comum" As situações concretas devem ser trabal!adas pelas autoridades públicas e pela coletividade nessa perspectiva" Lma coisa é a propriedade de um comerciante. se a autoridade n$o recon!ecer os direitos da pessoa. portanto." ." Presente. porém. na mais aut0ntica Cradiç$o do <ristianismo. estocar e especular com alimentos. é preciso admitir 2uridicamente %ue a fome. ." #a mesma lin!a. %ue este2am inseridos em um pro2eto comunitário de desenvolvimento" Aas é 2usto.este sim. admitia a . em . sa rado e inalienável3 .

iniciou suas atividades contra o . . e. portanto. também advo ado como 5and!i. poder pol&tico e poder 2ur&dico" <om muita astúcia e compet0ncia procuram vincular ao seu pro2eto o pr+prio pro2eto nacional" A universali-aç$o dos direitos n$o ocorreu e n$o ocorre espontaneamente" As pressões. todavia.era a pena de morte" A %uest$o coloca-se de forma mais delicada %uando emer e em nossas pr+prias sociedades e estas se di-em democráticas" #as democracias n$o cabe a desobedi0ncia civilI Precisar&amos a%ui fa-er uma refle1$o mais profunda sobre as possibilidades e limites das democracias modernas" B tema fo e dos ob2etivos e limites desse trabal!o" Aas recon!eçamos %ue e1istem situações nas nossas democracias %ue violam os direitos da pessoa e n$o favorecem o desenvolvimento inte ral da personalidade !umana de cada um e de todos os inte rantes da comunidade" Por outro lado. os randes estadistas enfati-am o primado da ?ei e a necessidade de sua observ>ncia" Bcorre. %ue os direitos. %ue incidem sobre o ordenamento 2ur&dico da%ueles %ue se sentem e1clu&dos ou representados a%uém das suas e1pectativas . no enfrentamento do colonialismo in l0s e de Gin confrontando leis e práticas de discriminaç$o racial" Aas é fácil falar desses !omens depois %ue se tornaram !er+is" 5and!i e ?ut!er Gin eram fre%Kentadores ass&duos das cadeias da Ondia e dos ELA" #elson Aandela foi condenado * pris$o perpétua/ ele e seus partidários comemoraram" A outra alternativa %ue se colocava para o 2ui. 5and!i afirmava %ue uma lei in2usta deve ser desobedecida" 5and!i. %ue determinadas situações e1tremas 2ustificam a desobedi0ncia civil. n$o podemos descurar da import>ncia %ue representam as con%uistas relacionadas com o ordenamento 2ur&dico" A obedi0ncia *s leis é uma das condições para %ue a vida comunitária se reali-e de forma mais ra-oável e ade%uada" De Péricles a Ailton <ampos.mais a udas de cr&ticas e %uestionamentos * pol&tica e1terna dos ELA e aos desmandos do pr+prio sistema capitalista" #a Nfrica do Sul. prevalecem os interesses economicamente mais poderosos" Esses interesses com muita a ilidade transformam o poder econ=mico de %ue dispõem em poder ideol+ ico.apart!eid. ainda %ue fa-endo mediações e concessões. sobretudo %uando os problemas se colocam em outros pa&ses. mesmo recon!ecendo e condenando essas situações de opress$o e ini%Kidade. Gin foi evoluindo para formas cada ve. bem como da%ueles %ue colocam novas %uestões de consci0ncia. do bem comum e do desenvolvimento inte ral das pessoas e comunidades" #o século @@ tivemos os e1emplos paradi máticos do Aa!atma 5and!i na Nfrica do Sul e na Ondia e de Aartin ?ut!er Gin nos ELA" 6nau urando um estilo absolutamente novo de se fa-er Pol&tica. o ordenamento 2ur&dico reflete interesses.direitos fundamentais. #elson Aandela.ist+ria. ensinava o camin!o da desobedi0ncia civil através da n$o viol0ncia" ?ut!er Gin aplicou no seu pa&s. nos anos cin%Kenta e sessenta. como nos casos de 5and!i. buscando os camin!os da desobedi0ncia civil e da n$o-viol0ncia ativa" A brutalidade do re ime impuseram a ele outras formas de resist0ncia e luta" Parece !aver !o2e um certo consentimento entre os 2uristas de formaç$o mais democrática e !umanista. conforme nos ensina a . se uramente. s$o con%uistados nos embates e na e1plicitaç$o dos conflitos" Aesmo nas sociedades democráticas. como se sabe. as lições e as práticas do l&der indiano para combater o racismo" Posteriormente.

. posteriormente. desde %ue o façam pacificamente e no mais absoluto * vida e * inte ridade de terceiros" #esse caso n$o ocorreria nen!uma pris$o. e a partir delas.possibilitar o . como ocorreu. a funç$o social da propriedade. por e1emplo. pena ou constran imento" B conflito de interpretaç$o entre os princ&pios. os direitos fundamentais. os ordenamentos 2ur&dicos modernos. sem sanções. re ras e normas constitucionais e normas 2ur&dicas inferiores %ue eventualmente se contrapon!am *%uelas ser$o ob2eto de análise e decis$o por parte do Poder .s$o. assim como as práticas decorrentes do estado de necessidade. tanto nas suas re ras e normas e1plicitas. inclusive.udiciário" <onsiderando %ue o Poder . nos paradi mas do Estado Democrático de Direito. sindicatos e entidades de classe. universidades e faculdades de Direito.udiciário no Hrasil n$o tem dado maiores demonstrações de apreço *s randes diretri-es constitucionais. o ordenamento 2ur&dico se fle1ibili-a para acol!er. sem cessar. no seio da comunidade" Cer&amos um ordenamento 2ur&dico permanentemente confrontado com os sinais dos tempos e com os seus pr+prios fins . sobretudo. %uanto nos seus princ&pios impl&citos emoldurados no modelo republicano do Estado Democrático de Direito" Estar&amos. dentro da le alidade e da le itimidade constitucional. recomenda-se uma maior participaç$o da sociedade . nesse aspecto. o e1erc&cio da cidadania. por e1emplo. deve pautar-se pela n$o-viol0ncia" Estabelecida essa premissa. o bem comum e o desenvolvimento da personalidade" Codas as ve-es %ue um cidad$o eMou um movimento social sentirem-se lesados ou impossibilitados no e1erc&cio desses direitos básicos e fundantes em decorr0ncia de %ual%uer lei ou ato normativo poder$o ne ar-l!e cumprimento. !er+i e feriado nacional """ Penso %ue assim estar&amos arantindo o primado da ?ei e do ordenamento 2ur&dico. intera indo com as novas realidades.partidos pol&ticos. o principio da supremacia da <onstituiç$o. ainda. le &timas" B contrário. movimentos sociais. %uando n$o opostas/ no caso. asse urando um saudável dinamismo da ordem 2ur&dica permanentemente interpelada pelo clamor dos poderes e oprimidos. mas estabelecendo.overnamentais. no caso do mandado de in2unç$o. as demandas e conflitos %ue sur em. depois de morto. uma leitura e uma ade%uaç$o !ist+rica das constituições %ue poderia l!es asse urar uma maior lon evidade" 6nteressante recordar. BAH. acol!em os randes princ&pios como o direito * vida e * di nidade. implicaria admitir %ue o Direito Positivo é perfeito ou %ue s+ pode ser alterado pela via revolucionária" <omo conciliar esses dois valores' a preservaç$o da ordem 2ur&dica e o seu aperfeiçoamento incorporando o testemun!o de pessoas e movimentos sociaisI Al umas pistas nos indicam %ue a desobedi0ncia civil. ao lon o de mais du-entos anos. novas e1i 0ncias éticas e sociais" <onsidero %ue a sa&da passa por uma nova !ermen0utica constitucional e 2ur&dica" As <onstituições. Aartin ?ut!er Gin foi preso e reprimido várias ve-es/ em nome dela tornou-se. %ue a constituiç$o dos ELA. da escravid$o e. em princ&pio. or ani-ações n$o. da discriminaç$o racial" Em nome da mesma <onstituiç$o. teve interpretações ri orosamente distintas.na !ermen0utica dos comandos constitucionais e na apreciaç$o dos lit& ios de interpretaç$o %ue os envolvam diretamente e %ue decorram de %uestões de consci0ncia" 6sso possibilitaria.

a 2ustiça social e o bem comum" . a di nidade !umana. promover a vida.desenvolvimento inte ral das pessoas !umana e da comunidade/ em outras palavras.