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FACULDADE DE TECNOLOGIA DE PINDAMONHANGABA

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO AÇO Conversores

Gilson Silva Santos Davi Ferreira Alves Fabiano Barros da Silva

Trabalho apresentado ao Curso de Processos Metalúrgicos, disciplina Siderurgia, para obtenção da nota total ou parcial.

Pindamonhangaba – SP 2011

FACULDADE DE TECNOLOGIA DE PINDAMONHANGABA

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO AÇO Conversores

Gilson Silva Santos Davi Ferreira Alves Fabiano Barros da Silva

Trabalho apresentado ao Curso de Processos Metalúrgicos, disciplina Siderurgia, sob orientação do Prof. Dr. José André para obtenção da nota total ou parcial.

Pindamonhangaba – SP 2011

..................... 3..................... 3.................................. INTRODUÇÃO .....................................11 Processos Siemens-Martin .........16 CONCLUSÂO ...........................16 Processo Duplex ............................................................ 3.......................................................................10 Processo Thomas ..........3..................................................................4.................................10 Processo LD .................................................. 8 Processos de obtenção do aço através do refino da gusa .......................................................................................6..................................................... 3..14 Conversor de Indução ...7...1............................................................... 7 Desoxidantes ........... 2........ 3........................................................................................................... 3..............9................................. 2................. 3.......... 3.....................8............ 3................................................................................................................................................... 2............................................................ 1 MATÉRIA-PRIMA E INSUMOS UTILIZADOS PARA PRODUÇÃO DO AÇO .................... 3........................................................................... 2..........SUMÁRIO 1................5..... 9 Processo Bessemer ..2...................................................................13 Conversor a Arco Elétrico ............... 4........................................................................................3..................................1....... 7 Cal .......................... 5........12 Forno elétrico....... 2 Sucata ................................4....................2.........19 ............................................................. 2........................................17 REFERÊNCIAS ...................................... 3 fundente ..................................................................................................... 8 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE OBTENÇÃO DO AÇO ........................................................................................

O produto obtido do alto-forno é o gusa que além de possuir um teor considerável de carbono aproximadamente 4. possui também outros elementos residuais como fósforo.1 1. o gusa no estado liquida é colocado em carros-torpedos que são enviados para aciaria. Esses “ingredientes” são misturados num grande reator metalúrgico chamado de alto-forno. Quando destinado ao fabrico de aço. minério de ferro (hematita) e o fundente (calcário). Nesse trabalho nós nos limitaremos a tratar somente dos processos de fabricação do aço nos variados tipos de conversores. enxofre. INTRODUÇÃO Como já foi estudado em outros capitulo. o ferro gusa pode seguir dois caminhos: Ser transformado em aço ou em ferro fundido. silício. etc. .5%. as matérias-primas para a produção do aço são o carvão mineral (coque). Após a saída do alto-forno. No estado solido o ferro-gusa é matéria prima das fundições que fabricam ferro fundido.

sucata de ferro-gusa. produtos pré-produzidos (ferro esponja) e ferro líquido. da quantidade de oxigênio soprado nas ventaneiras. A utilização de ferro-gusa liquido pelas aciarias elétricas ocorre no caso da empresa contar com um alto-forno na própria usina ou adquirir o ferro-gusa de empresas do tipo guseiras . podendo gerar flutuações de composição em função do tipo de carvão utilizado. Normalmente a carga liquida varia entre 80% para convertedores produzindo aços baixo teor de carbono e 85 a 90% para aços alto carbono. MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS UTILIZADOS PARA PRODUÇÃO DO AÇO As principais matérias-primas e insumos utilizados para produção do aço nos fornos elétricos a arco ou nos convertedores ou nas unidades de refino secundário. mas não impede que as matérias-primas sejam analisadas em conjunto. da qualidade do aço a ser produzido. na injeção de finos de carvão. Outro fator que determina o uso de ferrogusa líquido está relacionado a sua disponibilidade. Em algumas situações a sua taxa é definida pelo tipo de aço que será fabricado e das dimensões do convertedor. podem ser subdivididos nas seguintes categorias:      Carga metálica Gases industriais Fundentes e/ou refrigerantes Ferros-ligas e ligas nobres Desoxidantes A carga metálica para elaboração do aço nos fornos elétricos a arco ou nos convertedores pode ser constituída de sucata de aço. na temperatura do ferro-gusa na saída do cadinho e outros. de acordo com a função no processo. Nas usinas siderúrgicas a proporção de ferro-gusa líquido na carga do conversor depende de sua composição e temperatura (conteúdo térmico). A especificação da composição do ferro-gusa liquido varia conforme as peculiaridades regionais e operação dos alto-fornos. A proporção entre cada tipo de material varia nos dois processos.2 PROCESSOS DE FABRICAÇÃO DO AÇO 2. podendo chegar até a 100% da carga. do tipo de minério. na vazão total de ar insuflado. da qualidade de carga sólida e da disponibilidade de sucata. O ferro-gusa líquido constitui a parte predominante da carga metálica no caso de convertedores e pode ser utilizado em aciarias elétricas com grandes vantagens em termos de redução de tempo de elaboração do aço e redução de consumo de energia.

Carbono (c). perda de rendimento metálico e maior risco e poluição. cascão na boca. O silício é um elemento de grande importância na produção de calor na operação LD. Sua queima produz grande parte do calor necessário ao processo.3 instaladas relativamente próximas da unidade industrial onde o forno elétrico esta montado (normalmente a uma distancia de no máximo 30km). A oxidação destes elementos gera uma quantidade de energia que somada ao conteúdo térmico do ferro-gusa no estado liquido. uma vez que. Neste caso o ferro-gusa liquido é transportado por ferrovias ou por rodovias em panelas de projetadas para reduzir a perda de calor e oferecer uma maior segurança no caso de solavancos. quanto maior o teor de silício do ferro-gusa maior será o volume de escória formada e será necessário utilizar mais cal (CaO) para neutralizar a sílica formada. Os principais componentes químicos do ferro gusa são: Ferro (Fe). Enxofre (S). Além deste fator. 2. Sucata Em relação à sucata. um alto grau de desfosforação é possível nos fornos de fundentes a base de cal e separação da escória durante o vazamento do aço. Este maior volume de escória pode acarretar problemas de projeções de escória com suas conseqüentes paradas para limpeza das instalações do convertedor (coifa). esta pode ser classificada de acordo com uma série de critérios: . Esta etapa da dessulfuração pode ser realizada no carro-torpedo que transporta o ferro líquido do alto-forno para a aciaria ou em panelas de ferro-gusa que transportam o ferro-gusa liquido do carro-torpedo para ser carregado na aciaria em instalações especialmente construídas para tal fim. ao contrário da dessulfuração. o ferro-gusa carregado no convertedor ou no forno elétrico a arco deve ser previamente dessulfurado. Silício (Si). aumento do risco de acidentes. A obtenção de teores de fósforo cada vez mais baixo torna-se um dos grandes desafios na produção do aço na aciaria. Com a utilização do ferro-gusa liquido tem-se a transferência do calor sensível e do calor latente para a carga metálica solida. ferro esponja e briquete).1. Manganês (Mn). Os teores de enxofre e fósforo no ferro-gusa liquido ou solido estão relacionados diretamente com a qualidade do carvão ou coque usado no alto-forno e da prática operacional adotada nesta unidade fabril. embora esta seja uma prática menos comum. superam normalmente a quantidade de energia necessária para elaborar o aço. permitindo assim a utilização de carga metálica sólida (sucata de aço ou ferro. Devido ao fato da composição química final do aço exigir normalmente baixíssimos teores de S e P. uma vez que tanto no forno elétrico a arco como convertedor LD a dessulfuração é deficiente devido à injeção de oxigênio nestes equipamentos. Também pode ser realizada a desfosforação prévia do ferro-gusa liquido no carro-torpedo ou na panela de ferro-gusa. Fósforo (P).

tipos de equipamentos utilizados na aciaria e no restante da usina. cascão de panela de ferro-gusa e carro torpedo. O briquete (figura 4) é uma matéria-prima gerada a partir do briquetamento de uma mistura contendo além dos aglomerantes. placas de base e moldes. Apresenta-se a seguir um exemplo de uma classificação que pode ser adotada por uma usina siderúrgica para a sucata quanto a sua qualidade:       Sucata de aço primeira categoria Sucata de aço pesada Sucata de aço de segunda categoria Sucata recuperada Sucata de ferro-gusa Briquete A sucata de aço primeira categoria (figura 1) e a sucata de aço pesada (figura 2) são normalmente retorno da própria usina siderúrgica. principalmente escória de aciaria e sucata de lingotamento. Este tipo de sucata é obtido através do britamento e do peneiramento de despejos das usinas siderúrgicas. Na sucata de ferro-gusa enquadramos o ferro-gusa sólido produzido nos altosfornos de usinas siderúrgicas integradas. . A sucata de aço de segunda categoria é obtida do sucateamento de bens de consumo (também denominada de sucata de absolescencia). critérios utilizados na programação da produção da aciaria. A sucata recuperada (figura 3) contendo ferro-gusa ou aço como principal componente. pode ser possível o uso de sucatas mais contaminadas para diluir o efeito prejudicial dos mesmos. canais do alto forno. percentual de ferro-gusa na carga1. densidade aparente e grau de contaminação. carepa de escafagem manual de placas e resíduos ferrosos adquiridos no mercado. lama de aciaria. dimensões. Cada usina siderúrgica adota uma classificação da sucata considerando ainda o seu processo produtivo . tipos de aços produzidos.4 Composição química. dentre outros parâmetros. a sucata de lingoteiras. Figura 1 – Exemplos de sucata de aço de primeira categoria 1 No caso de usinas que utilizam freqüentemente cargas com uma alta percentagem de ferro-gusa. disponibilidade e confiabilidade dos fornecedores.

terra.5 Figura 2 – Sucata pesada Figura 3 – Sucata de ferro-gusa e recuperada Figura 4 – Exemplo de sucata de aço absolescência processada na forma de pacote de estamparia e de briquete produzido a partir de reciclagem de lama de aciaria Um item de grande importância no caso de sucata é o grau de contaminação.). fósforo. Por este motivo. No caso da utilização de briquete. urânio. gases combustíveis. cromo. concreto. pois determinados elementos não são eliminados durante a realização do refino primário ou secundário d aço. estanho. por aumentarem de forma indesejada a resistência mecânica do aço (níquel. etc. a sucata deve ser rigorosamente selecionada para evitar a presença de elementos normalmente considerados contaminantes por prejudicar as propriedades dos aços (enxofre. vanádio. nióbio. etc. etc. corte e compactação da sucata e carregamento da sucata na canaleta de adição no conversor LD (figura 5) ou nos cestões (tamborões) para adição no forno elétrico a arco (Figura 6).). este material . comprometendo assim toda uma corrida. molibdênio.) por provocarem problemas nos equipamentos envolvidos direta ou indiretamente na produção do aço (zinco) ou por representarem riscos de explosões ou poluição durante o processo (óleo. etc. Na preparação da sucata para ser carregada nos fornos de refino primário envolve etapas como inspeção. separação da sucata por tipo. extintores de incêndio. cobalto. ) ou por serem radioativos (césio. cobre.

evitar a variação do teor de carbono da corrida se a sucata pesada não for fundida ou for fundida apenas na etapa de fim de sopro. No caso da utilização de cestões para carregamento de sucata ou outras adições nos fornos elétricos a arco. não necessitando estar presente na canaleta de sucata. 2º . um aspecto de extrema importância é a estratificação (disposição em camadas) da carga nos cestões.Sucata de ferro gusa. Esta ordem por finalidade evitar danos no refratário e para que a sucata de ferro-gusa não fique no fundo do convertedor.Sucata pesada e 3º . Além disto. ou seja: 1º . Fifura 5 – Carregamento da sucata de aço na canaleta de adição no convertedor Figura 6 – Carregamento da sucata de aço no cestão no pátio ou galpão de preparação de sucata e etapa adição da sucata no forno elétrico a arco. No caso da preparação da sucata na caneleta para carregamento no convertedor deve ser feita normalmente obedecendo a ordem de entrada no convertedor. A correta realização desta etapa influencia diretamente na produtividade dos fornos elétricos a arco e normalmente é de responsabilidade do Pátio de sucata. . esta ordem de carregamento ajuda a evitar o engaiolamento da sucata leve na boca do forno.Sucata leve.6 pode ser carregado no conversor através de silos.

Os fundentes tambem podem atuar no sentido de controlar o ponto de fusão e a viscosidade da escoria. 2.7 As reações exotérmicas entre o oxigênio e os elementos químicos que compõem a carga do forno elétrico a arco ou covertedor LD. fluorita. Normalmente o oxigênio é produzido na própria usina siderúrgica nas estações de fracionamento de ar que são responsáveis pela captação do ar atmosférico e o seu fracionamento (subdivisão) em oxigênio.3. 8%. maximinizar a produtividade do forno e a capacidade de fundir a sucata. dolomita. fundir e superaquecer a carga metálica sólida adicionada. fundente A utilização de fundentes na aciaria é necessária principalmente para a remoção de impurezas durante o refino dos aços e para o controle da basicidade da escoria gerada durante o refino. Nos processos de refino primário e secundário. minério de ferro. utilizados numa aciaria são listados a seguir: cal calcinita. dunito. carbeto de silício. a fim de manter os teores de nitrogênio do aço dentro dos limites exigidos para a adequada qualidade do produto. 2. O valor mínimo de pureza aconselhável é 99. principalmente o silício e o carbono do ferro-gusa ou o carbono injetado no caso do forno elétrico a arco. sinter e minério de manganês. que em certos casos exercem também a função de elementos refrigerantes para controle da temperatura do banho. fornecem uma parcela considerável da energia necessária para aquecer. Além das ações discutidas. aliado a pós-combustão de uma parte do monóxido de carbono gerado nos fornos. com o restante constituído de argônio e cerca de 50 ppm de nitrogênio. Parte do oxigênio ficara dissolvida ou absorvida pelo aço liquido e pela escoria. Os principais fundentes.7 a 99. nitrogênio e argônio.2. utiliza-se oxigênio de elevada pureza. os fundentes devem ainda satisfazer outras condições como:      Não produzir vapores prejudiciais no domínio de temperaturas dos fornos de refino Não apresentar toxidade para o pessoal da aciaria Não provocar corrosão significativa nos revestimento refratário do forno Não contaminar o aço com elementos nocivos Não deteriorar as propriedades dessulfurante e desfosforante da cal. Cal . calcário.

evitar projeções devido ao excesso de oxigênio no aço aumentar o rendimento em massa de aço na panela e adequar o grau de desoxidação da escória também pode ser afetado pela adição destes materiais. Os principais desoxidantes utilizados numa aciaria são o alumínio e o silício na forma de Ferro-Liga. ou granulado em pequenas ou grandes esferas (gotão ou gota) conforme a necessidade de precisão de dosagem. para evitar contaminação do aço. é fornecido na forma de pequenas barras.4. com as características adequadas ao seu processo produtivo e garantia de um estoque de segurança. Os desoxidantes também são adicionados nas estações de refino secundário com o objetivo de reduzir a oxidação do aço liquido e aumentar a temperatura do aço liquido. 3. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE OBTENÇÃO DO AÇO . Este material é utilizado no processo de elaboração de aços nos fornos de refino primário principalmente com os seguintes objetivos:  Acelerar a formação da escória reduzindo assim a projeção de aço durante o sopro de oxigênio e para absorção de impurezas oriundas do processo de refino do aço. A sua utilização se dá normalmente em corridas com restrição do teor máximo de Al ou com necessidade de um maior teor de Si.  Conversão da escória ácida em uma escória básico dos fornos de refino.  Proporcionar uma boa dessulfuração e desfosforação devido a presença do CaO na escória. O silício é três vezes menos desoxidante que o alumínio. A cal é de tal importância para a siderurgia que muitas usinas mantêm instalações na própria planta operadas e/ou controladas diretamente ou por terceiros para a transformação do calcário em cal. Desoxidantes Os materiais desoxidantes são normalmente adicionados durante a etapa de vazamento nos fornos de refino primário objetivando corrigir o grau de desoxidação do aço visando aumentar o rendimento das ligas adicionadas para correção de composição química. parâmetros fundamentais para o correto o correto vazamento do aço nas máquinas de lingotamento contínuo ou mesmo convencional. É necessário que seu rendimento seja o mais estável possível e que possuam menor porcentagem de impurezas. Os ferros-ligas são materiais usados primordialmente para acerto da composição química do aço sendo adicionados no forno elétrico a arco ou na panela durante o vazamento. O alumínio comercialmente puro. 2.8 O principal fundente utilizado na siderurgia é a cal.

9 Os processos de fabricação do aço podem ser classificados em: a) Quanto à matéria-prima. aços refratários) . não autógeno em que o calor é gerado por combustível (processo Siemens-Martin) ou energia elétrica (forno a arco ou indução) c) Quanto ao tipo de forno: Conversores .00 0. em que o calor é gerado pelas reações de oxidação.através de forno elétrico a arco b) Quanto a fonte de energia os processos podem ser: Autógenos .Q C Mn Si P S Composição aproximada do ferro-gusa 3. Aços de alta liga (aço ferramenta.conversores.05 .forno elétrico a arco e forno a indução Aços muito especiais .50 a 4. forno de indução a vácuo 3. é bastante heterogêneo e impuro.50 a 4. Processos de obtenção do aço através do refino da gusa O ferro de primeira fusão (ferro gusa).05 < 0.forno elétrico a arco. Siemens-Martin.05 a 2.Siemens-Martin.através dos processos Bessemer.00 0.Forno elétrico a indução d) Quanto ao produto (tipo de aço) Aços comuns . e os elementos químicos de sua composição.00 0. como pode ser visto na tabela 1. Thomas e LD Fornos com abóboda .20 Composição aproximada do aço 0. forno elétrico a arco.conversores. Tabela 1 – Relação entre composição química do ferro e do aço E.50 0. Ferro-esponja .Siemens-Martin.50 a 2.50 0. LD e Siemens-Martin. Sucata de aço através dos processos Siemens-Martin e Forno elétrico a arco. estão acima dos valores aceitáveis para ser considerado aço.50 0. o aço pode ser obtido a partir de: Gusa .06 a 2. aços inoxidáveis.1.25 < 0. forno elétrico Aços especiais para construção mecânica . Thomás.Bessemer. forno elétrico a arco Forno a cadinho .

10 Para transformar o ferro gusa em aço é necessário fazer uma sensível redução de todos os elementos de sua composição. O fundo do conversor é perfurado. compreendem de uma carcaça de chapa de aços em forma de pêra. para injeção de ar. Por ser um processo ácido não são eliminados o P e S. temos o processo Bessemer. o processo LD. e de fácil troca. A parte inferir da figura mostra as três posições típicas do conversor no decorrer do processo 3. o processo Siemens. que são classificados também como processos pneumáticos. já que sua vida útil. Processo Bessemer Este processo baseia-se em diminuir o C. resultante do processo. por este motivo a presença desses elementos deve ser mínima. O oxigênio do ar que se combina com o C e Si da gusa gera calor suficiente para manter fundido o metal e a escória. suas características de construção. revestida internamente com tijolos refratários. Si e Mn do gusa líquido soprando ar através do banho e assim convertendo-o em aço. O equipamento em que se efetua este processo é chamado de conversor (figura 7).Seção transversal esquemática de um conversor Bessemer. o processo Thomas. Figura 7 .Martin e os fornos elétricos. entre os processos mais utilizados para produção De aço em escala industrial. Normalmente usam-se refratários de sílica (ácido) para evitar a reação com a escória ácida.3.2. devido à severidade no uso é baixa. 3. Processo Thomas .

e seu interior é revestido por materiais refratários de magnesita ou de dolomita. 3.2 metros Capacidade de carga do conversor 100 toneladas.   Oxigênio injetado tem uma pureza que varia de 90 a 95%. . pela parte superior do conversor. Características técnicas do processo e conversor:  Carga minério de ferro (pequena quantidade. A injeção do oxigênio é realizada através de uma lança. em que O 2 passa pelo tubo central.4. As principais reações ocorrem nesta ordem. que permite a esse interior resistir ao ataque da escória à base de cal. a combustão de carbono e a oxidação do ferro. daí a necessidade do gusa ter um baixo teor de silício. pois as características físicas e de sopragem são iguais ao Bessemer. Processo LD O processo LD. É semelhante ao Bessemer. o fósforo é retirado com a pela utilização da cal e do enxofre isto é possível devido ao revestimento do forno de natureza básica. conforme (figura 8). opcional) + sucata (pequena quantidade) + ferro gusa (líquido)+ cal. resultantes do processo. Neste processo há duas desvantagens: a não eliminação do enxofre do gusa e o ataque do silício ao revestimento interno. oxidação do Si. possibilitando que se trabalhe com gusa com alto teor fósforo. Possuem sistema de tratamento de resíduos gasosos e sólidos.      Tempo de cada corrida 40 a 50 minutos. Temperatura máxima utilizada no processo 2500 ºC. processa gusa líquido e usa ar nesse processo. A forma do conversor é similar ao conversor Bessemer e Thomas. As reações químicas que acontecem dentro desse tipo de conversor são praticamente as mesmas que acontecem no conversor Bessemer. Distância da lança a superfície do banho  0. constituída de três tubos concêntricos de aço. oxidação do C. tem como princípio injeção de oxigênio.3 a 1. Porém. e também. ou seja.11 Constitui-se de uma carcaça cilíndrica de aço resistente ao calor. e os dois tubos adjacentes servem para refrigeração com água. a oxidação de impurezas. no conversor Thomas.

.    Tempo de cada corrida » 4 a 5 horas. também de tijolos refratários.5. A inversão da câmara é feita de hora em hora.12 Figura. o que não é possível nos conversores. Capacidade de carga do conversor varia de 50 a 300 toneladas. Esses fornos são constituídos de um mufla de tijolos refratários para receber a carga que pode ser sólida ou líquida. Características técnicas do processo e do forno:  Carga » minério de ferro (pequena quantidade. dando entrada no forno em alta temperatura (figura 9). por meio de válvulas. se for silicosa (ácida) reveste-se com refratários ácidos. Processos Siemens-Martin Os fornos Siemens-Martin são fornos nos quais podem ser realizados o refino do gusa e também. Os materiais refratários utilizados no revestimento dos fornos dependem da natureza da carga. se for fosforosa (básica) reveste-se com refratários básicos. as chamas de natureza oxidante vão reduzindo o teor de carbono. pois nestes o calor consumido é proveniente das reações de oxidação dos elementos do banho metálico (carga líquida) por meio da introdução de ar ou oxigênio. opcional) + sucata + ferro gusa (líquido) + calcário (CaCO3). com o aquecimento da coroa. O forno funciona pelo sistema de regeneração do calor os gases quentes que saem do forno vão aquecendo o gás (combustível se for o caso) e o ar. A carga pode ser constituída somente de ferro gusa ou sucata. a elaboração de aço a partir de sucata. e de dois pares de câmaras recuperadoras. respectivamente. Temperatura máxima utilizada no processo » 2000 ºC. silício e manganês do gusa. 3. 8 – Representação da produção de aço num conversor LD.

os fornos elétricos são classificados em três tipos:    Fornos de arco voltaico. E o aquecimento indireto. não interage com o combustível. é realizada através da utilização de fornos elétricos. Fornos de resistência. com fácil regulagem dos parâmetros de energia elétrica. ocorre quando a corrente não tem contato com a carga. gás de coqueria ou óleo combustível. Figura 9 .  O combustível utilizado pode ser gás natural. Outro fator que diferencia esses equipamentos dos demais. Fornos de indução. O aquecimento direto é quando a corrente elétrica atravessa a carga. A grande vantagem desses equipamentos é a pureza da fonte de calor (energia elétrica). . O sistema de aquecimento dos fornos elétricos podem ser direto e indireto. Fe-Mn ou cal dependendo da natureza da carga e do refratário. o que não se consegue por meio de combustíveis. De acordo com a forma de aproveitamento da energia.Representação esquemática de um forno Siemens-Martin 3. onde o material a ser processado. é que se consegue temperaturas elevadas. Forno elétrico A produção de aços liga de alta qualidade (grande refinamento). o calor transmite-se por irradiação.13  A desoxidação é realizada através da adição de Fe-Si.6. o que não ocorre com os outros processos já descritos.

a carga deve ter quantidades bem pequenas de silício. vanádio. e nos fornos de revestimento básico. Oxidação – onde são adicionados pedaços de minério de ferro. a desoxidação. manganês. Manganês. O restante do forno é revestido com tijolos refratários silicosos. na qual se oxidam as impurezas e o carbono. de natureza básica (dolomita ou magnesita) ou ácida (sílica). silício. ou a retirada dos óxidos com a ajuda de agentes desoxidantes e a dessulfuração. Oxigênio é injetado por uma lança diretamente no banho líquido e a redução dos teores dos elementos de liga ocorre por oxidação. Silício e Fósforo. silício. e o aço liga para componentes mecânicos de equipamentos de grande responsabilidade 3. Durante o processo de oxidação. Quando o . Nestes fornos. A carga de um forno a arco é constituída basicamente de sucata e fundente (cal). quando o enxofre é retirado. e o processamento do ferro gusa para obtenção do aço. fósforo e enxofre. A fabricação do aço (refino) do aço incorpora duas etapas. dependendo do tipo de carga que o forno vai processar. ferro manganês. Acerto da composição desejada – com adições de elementos químicos previamente determinados como: cromo. rico em óxido de ferro com a finalidade de oxidar o carbono. É um processo que permite o controle preciso das quantidades de carbono presentes no aço. de modo a formar um recipiente com o fundo abaulado. a fusão da mistura de sucata de aço e ferro gusa ocorre devido ao calor gerado por um arco voltaico. No seu interior essa carcaça na sua parte inferior (chamada de soleira) por materiais refratários. e o calor liberado pela oxidação destes elementos químicos reduz o consumo de energia elétrica do forno. algumas reações químicas acontecem: a oxidação. Conversor a Arco Elétrico È constituído de uma carcaça de aço feita de chapas espessas soldadas ou rebitado. níquel. Durante o processo. tungstênio.7.14 A utilização dos fornos elétricos. cobalto e outros. juntamente com sucata de aço. a composição química do banho líquido é monitorada por coleta de amostras e análise por Espectrometria de emissão ótica. Em geral. e alumínio. as empresas compram o gusa sólido e. 2. No refino primário são reduzidos os teores Carbono. 3. forma-se a carga para alimentar os fornos elétricos de produção de aço. o refino primário e o refino secundário. Obtendo-se os aços finos especiais para ferramentas. Redução (desoxidação do aço) – feita com adições de ferro. desenvolvem-se em três fases: 1. Após a fusão da carga. que se forma entre dois ou três elétrodos de grafite colocados na parte superior (chamada de abóbada) do forno e a carga metálica.

chamadas de inclusões não metálicas. bem como o próprio Óxido Ferroso (FeO)permanecerão no aço como impurezas. É extremamente eficiente em termos energéticos (figura 10) Figura 10 . O Enxofre é então reduzido pela formação do Sulfeto de Manganês (MnS) que vai para a escória. as “ferros-liga” (Fe-Mn ou Fe-Si) são adicionados. aços ferramenta. durante o refino primário. é interessante comentar que nem todo o Sulfeto de manganês (MnS) e o Óxido de Manganês(MnO) vão para a escória. ligados a um transformador de tensão de 100 a 300 . as quais devem ser criteriosamente controladas pois afetam diretamente as propriedades dos aços produzidos.15 banho líquido atinge a composição química ideal. aços inoxidáveis. é o que permite obterem-se valores mais baixos de fósforo e enxofre. aços de baixa liga.  É um aparelho extremamente versátil. é inevitável que parte do ferro. podendo ser operado com 100% de sucata. Estas ligas funcionam como dessulfurantes e desoxidantes. O Forno a Arco é o mais versátil para a produção de aço com as seguintes vantagens:  Permitem produzir praticamente todos os tipos de aços carbono. Já quanto à desoxidação. Os eletrodos são de grafite. no que tange à carga. sofra oxidação.   Permite operações intermitentes e mudanças rápidas na produção dos fornos de aciaria. reduzem os teores de Enxofre e Oxigênio do aço. Neste segundo forno (forno panela). isto é. Parte destes compostos. Contudo. a composição química final do aço é acertada (refino secundário). com fornos de 200 a 250 toneladas.Representação esquemática de um forno a arco elétrico A tendência de instalação desses tipos de fornos é cada vez maior. etc. este é transportado para outro forno.

acabado. O aço é. Processo Duplex Consiste na combinação de dois processos. conversor Bessemer ácido e Siemens-Martin básico. Para a produção do aço. No forno Bessemer. 3. O carregamento do forno é feito pela abertura da abóbada. etc. O conjunto que compõe esse forno é composto de um gerador com motor de acionamento. o ferro gusa proveniente do alto-forno é inteiramente oxidado. estabelecendo-se arcos entre os eletrodos. . liga-se o forno.9. formadores de escória. silício ou alumínio. que são elementos desoxidantes e tem como função a retirada dos óxidos do metal. Há ainda uma porta. de modo a reduzir ao mínimo os teores de Si e Mn e oxidar grande parte do carbono. Essa câmara de aquecimento é basculante e tem. recarbonetado e recebe as adições finais de ferros-ligas. deixando o forno livre para a carga. uma bateria de condensadores e uma câmara de aquecimento. Conversor de Indução Utiliza energia elétrica para a produção do aço e também processa sucata. onde a sucata se funde por meio de calor produzido dentro da própria carga. através da carga e a radiação do arco que funde o metal. Após a fusão se completar e a temperatura desejada são atingidos. adiciona-se cálcio. como por exemplo. 3. então. a bobina de indução. que gira. O cadinho é feito de massa refratária compactada dentro dessa câmara. e os pedaços de sucata que devem ser de boa qualidade vão sendo colocados dentro do forno. por onde são adicionados materiais como ligas. mediante o basculamento do forno. Uma bica de vazamento.16 v. onde o restante do carbono e o fósforo são oxidados. na parte externa.8. A seguir. o material é transferido ao forno Siemens-Martin básico. “vaza” o aço para a panela depois de concluída a corrida. à medida que a carga vai sendo fundida.

40 a ton. a Calor gerado por arco elétrico. 70 Temperaturas mais altas. Alta capacidade de produção. Custo operacional. Gera poeira composta de óxido de ferro. Elevado teor de óxido de ferro e nitrogênio no aço. Sucata aço. Gera poeira composta de óxido de ferro. O gusa deve ter baixo teor de silício e enxofre. cal. 100 ton. Rigoroso controle da composição química. cal. Em torno de 50 ton. Pequena fornos. cal. gases e escória. 40 Vantagens Ciclo curto de processamento (10 a 20 minutos). Fusão rápida. gases e escória. Exclusão de gases. Gusa líquido. Forno de indução Calor gerado por corrente induzida dentro da própria carga. Tipo carga Gusa líquido. Permite usar gusa com alto teor de fósforo.17 Tabela 2 – Resumo dos processos Tipo forno de Combustível Injeção de ar comprimido. Desvantagens Impossibilidade de controle do teor de carbono. Mínima contaminação por nitrogênio. Custo operacional. minério de ferro. Forno arco elétrico. Gera poeira composta de óxido de ferro. Conversor Thomas Injeção de ar comprimido. Alta eficiência. de Capacidad e de carga 10 a ton. Bom aproveitamento térmico. Elevado teor de óxido de ferro e nitrogênio no aço. . Gusa líquido. Sucata de aço + gusa. de Em torno de 8 ton. gases e escória. capacidade dos Conversor Bessemer Conversor LD Injeção de oxigênio puro sob alta pressão. Pequena capacidade dos fornos.

O tipo de aço após a fabricação. cuja composição química pode ser mais rigorosamente controlada. .18 4. fornos elétricos produzem aço de melhor qualidade. também depende desses processos: fornos a ar produzem aço-carbono comum. CONCLUSÃO Podemos concluir a partir do que foi exposto que cada processo utilizado para fabricação do aço apresenta suas particularidades: o gusa liquido pede fornos com injeção a ar enquanto as sucatas pede fornos elétricos.

.br/mediawiki Acesso em: 29 out. Tecnologia mecânica. Fernandes José. 2005. 2. Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais. 1986 FERNANDO.edu.19 5. Disponível em: http://wiki. P. CHIAVERINE.2011. São Paulo. Vicente.ifsc. Tecnologia dos materiais I. Introdução aos processos siderúrgicos. Ernandes Marcos da Silva. 72-78. São Paulo: McGraw-Hill. REFERÊNCIAS RIZZO. Ed. MATINS. Marcelo.