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CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Direito Penal partiu da necessidade de uma codificação legal-penal onde fossem descritas as condutas criminosas

e as suas respectivas sanções, limitando o poder punitivo estatal. Durante a Revolução Francesa essa ideia ficou explicita para a sociedade e ganhou força. Após a Revolução, com o advento do Estado de Democrático de Direito, a limitação do Poder Estatal tornou-se concreta, através da legislação penal. Direito Penal é o ramo do direito público que tutela os bens mais preciosos para a sociedade empregando normas que ligam o crime à sanção, respeitando o princípio da dignidade da pessoa humana, visando manter a ordem civil, regular o poder estatal (evitando sanções excessivas), proteger a sociedade do infrator (para que não cause mais danos) e o infrator da punição indevida por parte da coletividade. O direito penal se caracteriza pela forma (penas e medidas de segurança) e finalidade (produção de efeitos contra quem delinque e contra a sociedade – função preventiva) que tutela os bens jurídicos. Sua posição enciclopédica classifica-o como ramo do direito público, pois é um direito em que o Estado intervém diretamente como pessoa de direito público interno. Das formas de conduta ilícita, o penal é o tipo mais grave visto que a lesão consiste nos bens mais preciosos a sociedade e, portanto, a sanção imposta deve ser proporcional ao agravo e ter por base a punição do delito, prevenção de novos delitos e readaptar o infrator à vida em sociedade. Existem dois tipos de sanções: Civil: indenização Sanções Penal Medida de segurança (pessoas sem discernimento – não configura crime); Ontologicamente, não há distinção entre o ilícito penal e o ilícito civil. Porém, deontologicamente, distinguem-se nos bens jurídicos que tutelam pela sua importância, e na sanção que imputam caso transgressão. # Ciência penal: visa explicar a razão e a essência das normas jurídicas, bem como delimitar seu campo de atuação de forma sistemática, firmando premissas para sua imposição buscando a justiça igualitária, a fim de evitar o arbítrio (tutela de bens específicos visando pessoas enumeradas) e o casuísmo (tutela de casos isolados que causam comoção social). Logo, visa a legisprudência. A ciência penal pode ser encarada sob dois sentidos: Sentido amplo: baseada na sua evolução filosófica e histórica; Ciência Penal Sentido estrito: baseada nos princípios e valores do direito penal vigente, buscando uma maior proximidade da realidade social e das causas e fenômenos do crime para assim disciplinar a criminalidade. Pena (pessoas com discernimento – configura crime);

- Método técnico-jurídico: busca a aplicação racional do direito penal considerando se uma determinada conduta é crime e, se for, qual a sanção correspondente. É composto por três fases: I. Exegese: consiste na interpretação e elaboração dos conceitos das normas; II. Dogmática (jurisprudência superior): define princípios, organiza-os e elabora um sistema de conceitos do direito penal os quais darão sentido à norma; III. Crítica: confronta as novas exigências praticas e jurídico-científicas com os princípios dogmáticos, com a política criminal (crítica quanto a sua aplicação em variadas situações visando atender e solucionar os problemas da sociedade, bem como localizar suas eventuais falhas) e a criminologia (voltando para o confronto da norma com a sociedade e o impacto que resultará), visando atender a realidade da sociedade inovando o direito, sem abalar a norma vigente. # Funções: Função metafísica: justiça; Função social: o direito penal surge como um meio de controle social a fim de evitar a desordem civil. Funções Função éticosocial (preventiva ou motivadora): prevenção positiva onde o indivíduo receia praticar um delito não somente por medo da pena, mas sim por saber que é errado, motivando-o a não praticar um crime; Função educativa: reeducar o infrator para reingressá-lo na sociedade. Falhando a função motivadora da norma penal, a sanção genérica torna-se sanção efetiva e atua sobre o infrator, constituindo a “prevenção especial” e imputando a sanção. Através das suas funções e da capacidade de selecionar os comportamentos mais prejudiciais à coletividade e atrelá-los à sanções, o direito penal visa o combate da sensação de anomia (impunidade gerada quando um ilícito penal não tem a sanção imputada). # Caracteres: - Caráter fragmentário: representa o ultimo recurso para o Estado punir o infrator que lesou os bens tutelados pelo direito penal. Não elege um sistema exaustivo de proteção, atuando somente em último caso a fim de evitar a banalização da sanção penal. Tem como objeto a conduta humana e, visto que somente esses possuem consciência do resultado dos seus atos, a norma penal visa suas atividades finais. - Heteronomia: estabelece que a força vinculante do direito penal venha do Poder Legislativo onde, considerando a perspectiva sociológica (onde a sociedade, o crime), busca maior proximidade entre licitude e moralidade, bem como a prudência na tipificação de crimes e no estabelecimento de sanções (legisprudência), obedecendo critérios de tempo e espaço.

- Valorativo: quanto mais grave o crime, maior a pena, destacando o princípio da proporcionalidade e estabelecendo uma proteção hierárquica dos bens jurídicos. - Finalista: visa à proteção dos bens e interesses jurídicos mais queridos para a sociedade, e como tal, merecedores de uma tutela mais eficiente, salientando o princípio da insignificância. - Sancionador: cada crime remete a uma sanção ou mais (fato típico ou atípico). - Dogmático: é uma ciência normativa. # Direito penal objetivo e subjetivo: - Direito penal objetivo: é composto pelo conjunto de normas positivadas que regulam o poder punitivo do Estado, determinando crimes e culminando sanções. - Direito penal subjetivo: é o poder jurídico soberano do Estado (ius imperium) que, regido pela lei penal, é manifestado no exercício da justiça penal após a acusação (ius accusationis) do indivíduo lesado ao infrator, onde, caso comprovada a lesão, o culpado será submetido (submissão do indivíduo diante do poder de império do Estado) a sanção penal (ius puniendi). Logo, temos:
ius imperium

Estado

Lesado
Lesão

Infrator

# Direito penal material e direito processual penal: - Direito penal material: é composto pelas normas de conduta e sanções correspondentes (Código Penal) bem como dos princípios e valores que orientam a sua interpretação e aplicação. - Direito processual penal: é o instrumento de materialização do direito penal e sua aplicação mediante processo penal. - Direito comum e direito especial: são diferenciados pela instituição que os aplica. Se for direito comum será aplicado pela Justiça Comum, se for direito especial será aplicado pela Justiça Especial. Os direitos especiais são: direito eleitoral (há controversas) e o direito penal militar.

os membros do Congresso Nacional e a iniciativa popular. Lei: é a regra escrita feita pelo legislador para expressar o comportamento considerado indesejável ou perigoso pela coletividade. pois só o fazem quando for assunto do seu peculiar interesse (art. É o veículo da norma. admitindo. Embora não possa alterar o texto lei. o costume poderá reverter uma conduta considerada anteriormente como ilícita. O STF. Equidade: é o conjunto de premissas e postulados éticos. excepcionalmente aos Estados e nunca aos Municípios. não cria norma penal nem permite a sua revogação. o Estado. pelos quais o juiz deve procurar a solução mais justa possível do caso concreto. fixando-se como norma não escrita. Admite-se. A lei (material) Fontes Imediata Lei complementar Outras espécies normativas Leis delegadas Formais Costume Equidade Princípios gerais do direito Mediata Analogia Doutrina Jurisprudência Tratados e convenções internacionais Medidas provisórias E.C e Lei Complementar (as leis delegadas e medidas provisórias não podem cuidar de matéria penal. . excepcionalmente.Fonte material: compete a União. Costumes: trata-se de conduta reiterada ou hábito aceito pela sociedade. Cabe à lei em sentido estrito estabelecer normas de conteúdo penal. só auxilia na interpretação dos dispositivos. Em virtude do princípio da legalidade. caso se torne um princípio constitucional. os outros Tribunais Superiores e o Procurador-Geral da República não têm iniciativa penal.Fonte formal: é o modo de expressão do Direito. Só quem possui iniciativa de leis em matéria penal são o Presidente da República. II. CF). conforme a adequação social. tipificando crimes). pois não há hierarquia entre culturas. tratando ambas as partes .C. 96. se autorizado por Lei Complementar editada pela União). .FONTES DO DIREITO PENAL Materiais: a União (competência exclusivo para legislar sobre matéria penal. I. II. excepcionalmente. a fixação de matéria penal por E. Não se pode subjugar um costume em relação ao outro. I. porém indesejável. e assimilada pelo Direito.

uma fonte de cognição”. não precisando estar positivados para serem utilizados. III. através do conteúdo de uma norma penal já editada. ou seja. constituindo um instituto favorável ao réu. Tomam sempre como alvo o réu. Remete-se tanto ao legislador como aos aplicadores da lei. ferir um princípio é muito mais grave do que ferir a lei. poderá ser aplicada por analogia a lei “x”. Tipos de interpretação Extensiva: expande o significado de um termo ou expressão a fim de conferir lógica à aplicação da lei.com absoluta igualdade. É uma das formas utilizadas para suprimir as lacunas da norma. a analogia pode ser utilizada como uma ferramenta de interpretação do DP. Exemplo de interpretação analógica – aborto em casos de estupro: “o legislado tipificou norma para tutelar aborto em casos de estupro. Princípios gerais do direito: são normas valorativas (premissas éticas) que inspiram a manutenção do sistema jurídico e a aplicação correta das normas penais. são os responsáveis por sua criação. Logo. Visam preencher as lacunas existentes na aplicação da norma. portanto que constitua um instituto favorável ao réu. É utilizado como fonte do direito penal no que diz respeito à concessão do perdão judicial. utilizava-se a lei do estupro para tutelá-la”. Lei “x” ? Caso “x” Caso “y” “Visto a inexistência de uma lei específica para reger o caso “y” (o qual é semelhante ao caso “x”). Possui quatro tipos: Legis: caso regido por norma de hipótese semelhante (não se aplica no DP). IV. por semelhança. Logo. mas silenciou a respeito dos casos de atentado violento ao pudor (mesmo tendo conhecimento desta hipótese) e. . logo só pode ser utilizado para constituir um instituto favorável para este. Os princípios precedem a norma jurídica. Analogia: comparação baseada em casos semelhantes. Analógica (complementar): não fere o princípio da legalidade. Analogia Juris: aplicação de normas ou princípios superiores não positivados (aplica-se) In malam partem: emprego para prejudicar o réu (não se aplica no DP). In bonam partem: emprego para beneficiar o réu (aplica-se). pois se trata de uma analogia interna.

mas não determina crime. V. Constitui súmulas. os tratados precisam da atuação do Poder Legislativo para autorizar o seu emprego no Estado por meio de decreto. mas não é utilizada como fonte e sim como uma proposta para modificação de uma norma. Jurisprudência: é o conjunto de decisões proferidas num determinado sentido (prudência de julgar). Tratados e convenções internacionais: para adquirirem força vinculante. pois somente as leis ordinárias classificam crimes. os tratados não são fonte do Direito. Súmulas Vinculante: é tida como lei. Doutrina: são frutos das criações ou inovações dos doutores de fato a respeito de determinada matéria. Porém. Podem versar sobre matéria penal ou processual penal. visto que o decreto não tipifica crime. “Não há analogia nos dois casos. obriga os magistrados e a administração pública a proceder de forma estabelecida por ter foça vinculante (é considerada como fonte). pois através deles o imperativo irá vigorar. mesmo que semelhantes. orienta o magistrado facilitando o seu entendimento (não é fonte). não é tido como fonte do DP. a doutrina só é utilizada como fonte quando se debruça sobre uma lei ou princípio existente. podendo ser de dois tipos: Não vinculantes: não tem força de lei. O uso da doutrina como fonte é controverso. pois o legislador desconhecia na época da criação da classificação cônjuge (anos 40).Exemplo de interpretação extensiva – cônjuge e companheiro: acontece quando o legislador só conhece uma possibilidade para um determinado ato e cria norma para tutelá-la. VI. pois a inovação é vista como doutrina. Logo. a classificação companheiro (anos 90)”. Logo. mas os decretos sim. VII. .

exigindo complementação por outra norma jurídica para que possam ser aplicadas ao fato concreto. II. Imperativa: impõe algo. podendo ser justificantes (excludente de ilicitude. . IV. e complementares (fornece princípios gerais para a aplicação da norma penal). falências. .Normas penais em branco: são normas com conteúdo incompleto. ou seja. III.Normas penais incriminadoras: descrevem os crimes e cominam uma sanção. destinando um comando normativo proibitivo ou permissivo. O complemento pode existir antes ou depois da sua criação. . além do CP ela é constituída pela Lei das Contravenções Penais. # Classificação: Explicativa Não incriminadora Permissiva (justificantes e exculpantes) Complementar Lei penal (Norma) Incriminadora Homogênea Em branco Heterogênea .A LEI PENAL É a regra escrita feita pelo legislador para expressar o comportamento considerado indesejável ou perigoso. V. Tem como consequência o aumento da ilicitude. armas. pela Lei de Segurança Nacional e pelos dispositivos referentes à matéria nas leis de tóxicos. é genérica. São compostas pelo preceito primário (descrição da conduta) e preceito secundário (sanção). Impessoal: não visa uma pessoa específica. da antijuricidade do conceito de crime) ou exculpantes (quando não há o elemento culpabilidade do conceito de crime). etc. # Características: I. No Brasil.Normas penais não incriminadoras: subdividem-se em: explicativas (fornece parâmetros para aplicação de outras normas). conforme o princípio da legalidade. não faculta. Geral: imposta a todos que estão no seu campo de atuação. vago. Abstrata: só rege acontecimentos futuros. permissivas (aumenta a licitude da conduta). sendo então o veículo da norma. pelo Código Penal Militar. A lei é a única fonte formal direta do DP. Exclusiva: só ela é capaz de definir crimes e sanções.

incriminadoras completas (autossuficientes para serem aplicadas – explícitas) e incriminadoras incompletas (falta algo no preceito primário ou secundário – norma penal em branco). # Interpretação da lei penal: interpretação é o processo lógico que procura estabelecer a vontade contida na norma jurídica. Espaço: podem ser gerais (válidas por todo território nacional) ou locais (validas em territórios específicos).Quanto ao sujeito Jurisprudencial (judicial): expressa o entendimento dos magistrados sobre determinada norma. explicativas (conceituam e definem). . II. Heterogênea (sentido estrito): quando o complemento vem de fonte formal diversa. Conteúdo: podem ser incriminadoras (aumento da ilicitude e redução da licitude). Nas normas penais em branco. mas não tem força vinculante. Possuem três espécies: Autêntica: expressa a vontade do legislador ao criar determinada norma. .sanção).Distinção quanto ao espaço e ao conteúdo: as leis penais podem variar conforme o espaço e o seu conteúdo.Leis penais em branco Homogênea (sentido amplo): quando o complemento vem da própria lei (mesma fonte formal). embora complementada por regra jurídica de outra espécie. . permissivas (diminuem a ilicitude e aumentam a licitude). por não conterem a determinação dos elementos do dever jurídico (falta o preceito secundário . As leis penais em branco em sentido estrito não contrariam o princípio da reserva legal visto que sempre haverá uma lei anterior. Existe também a diferença entre normas penas em branco e os tipos penais abertos. mas sem ter força vinculante. A diferença entre as normas penais em branco homogêneas e heterogêneas refere-se ao fato de que nas homogêneas o legislador não tem necessidade de pedir ou autoconceder-se autorização para legislar. podendo complementar a qualquer tempo a lei penal. I. enquanto que nos tipos penais abertos a complementação vem da jurisprudência e da doutrina. a complementação do tipo penal é feita através da norma jurídica. seja de categoria superior ou inferior. Doutrinária: expressa o entendimento dos escritores ou estudiosos do Direito sobre determinada matéria.

Entre a fase da publicação e o início da sua produção de efeito.Quanto aos resultados obtidos Restritiva: quando se reduz o alcance ou sentido da lei para encontrar sua vontade exata. filosóficos e políticos que são úteis para um melhor esclarecimento da vontade exata da lei. salvo os casos que a lei dispõe de modo contrário.Elemento sistemático: visa harmonizar o texto interpretado com o contexto da lei. . Exemplo: doença mental (psiquiatria). com seu sistema lógico. # Vigência e revogação da lei penal: o processo legislativo (fases de criação da lei) encerra com a publicação da nova lei. conceitos extrajurídicos e a história da lei. descreve “matar alguém: pena – reclusão. existe um tempo onde a norma não está apta a produção dos seus efeitos para que a sociedade tome ciência da sua existência e conteúdo. CP. as modificações e os debates a respeito de uma determinada lei.História da lei: abrange o anteprojeto. . . e de 120 dias para sua aplicação nos Estados estrangeiros.Legislação comparada: confronto da lei pátria com a de outros países. ou seja.Quanto aos meios que emprega Gramatical (literal): examina a estrutura gramatical da lei buscando o sentido das palavras escolhidas pelo legislador. . 121. como nos casos de leis temporárias e excepcionais. Lógica: busca pela vontade da lei através da lógica. Extensiva: ocorre quando é necessário ampliar o sentido ou alcance da lei para encontrar sua vontade exata. muitas vezes corresponde ao nome do delito. o projeto original. Teleológica: efetua um juízo de valor sobre a lei em busca da sua real finalidade. científicos. # Elementos de interpretação: sistemático. rubrica. A vigência da norma encerra com sua revogação. .Conceitos extrajurídicos: termos técnicos. que pode ser expressa (quando declarada na lei revogadora) ou tácita (quando a lei posterior regulamenta a matéria disciplinada pela antiga). tomando por base as leis que inspiraram a norma jurídica nacional. Exemplo: o art. A revogação pode ser parcial (derrogação) ou total (ab-rogação) e também automática (autorrevogação). . asfixia (medicina). A esse tempo de ineficácia da lei dá-se o nome de vacatio legis (esse período é equivalente a 45 dias.Rubrica: na norma penal. Declarativa: não ocorre não há necessidade de expandir ou restringir o alcance da lei para encontrar seu real significado. . de seis a vinte anos” Porém remete-se à classificação “homicídio” do ramo dos crimes contra a vida.. legislação comparada. veneno (química e biologia). quando admitida).

Os princípios justificam a criação da lei. sua fonte. como por exemplo. Entretanto. não é utilizada na nossa legislação. Ideologia minimalista: retrata o conceito da intervenção mínima do DP na sociedade. se o direito penal conceder tutela a todos os bens jurídicos. Caráter abolicionista: visa o fim do direito penal. . acionado somente quando esgotados os outros meios. Sua função consiste em orientar o legislador para a adoção de um sistema de controle penal voltado para os direitos humanos. a lesão é gerada diretamente num bem jurídico tutelado pelo DP. Por causa da aplicação ultima ratio. quando fracassam as demais formas protetoras dos bens jurídicos previstas em outros ramos do direito. princípios fundamentais de direito penal de um Estado Social e Democrático de Direito. # Princípio da fragmentaridade: afirma que o DP não deve sancionar todas as condutas lesivas dos bens jurídicos. Os princípios não precisam estar obrigatoriamente positivados para serem utilizados. ou seja. Não é utilizado no Brasil. Hoje o uso do DP como prima ratio está atrelado aos Estados Totalitários. visto que a sanção penal coloca em perigo a existência social do afetado e. já as leis individualizadas. fazendo que sua atuação seja principal (prima ratio). Basta que sejam reconhecidos pela comunidade jurídica (ex: princípio da insignificância) e que sejam um instituto favorável ao réu (in bonam partem).Tendências ideológicas: I. pode gerar um dano social. Como geraria uma sensação de anomia muito grande por conta da educação da sociedade brasileira. consequentemente qualquer ilícito será crime e por isso a sanção penal será desvalorizada. Antigamente o DP era utilizado como primeiro recurso (prima ratio) do Estado para sancionar um ilícito cometido (prática muito comum durante o regime absolutista). falhando assim sua função preventiva e aumentando a sensação de anomia. em alguns casos. sua origem. III. Movimento da lei e da ordem: visa a expansão do DP de forma que todo ilícito civil seja também um ilícito penal. São genéricas. enquanto que nos Estados Democráticos de Direito usa-se como ultima ratio. por conta da marginalização. uma violação a um princípio é considerado muito mais grave do que a violação da lei. portanto.PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL Os princípios reguladores do controle penal são os princípios constitucionais fundamentais de garantia do cidadão. somente as condutas mais graves e perigosas contra os bens mais significantes (não constitui um sistema exaustivo de proteção). pois considera o crime um produto da lei penal. o DP agrega caráter subsidiário em relação aos outros ramos do Direito. . II. Outra justificativa é que. Os princípios antecedem a lei. # Princípio da intervenção mínima (ultima ratio – ultimo recurso) ou da subsidiaridade: o DP só deve atuar em ultimo caso. É utilizada no Brasil. no homicídio.

não há pena a ser imputada. Não há crime. Inglaterra. Político: combate ao arbítrio tirânico do poder punitivo estatal onde. não há crime e nem pena sem lei anterior que o defina (nullum crimem nulla poena sine praevia lege).Origem: ano 1215. II. que consagrou que nenhum homem deveria ser punido por um crime que não foi descrito em lei (nullum crimem. limitando assim o poder punitivo estatal.. porém não tratam da matéria penal em si. . 1º. O princípio da legalidade pode ser compreendido como gênero no qual se encontram dois princípios inerentes (sub princípios): o princípio da reserva legal e o princípio da anterioridade da lei penal. . resultará numa violação à dignidade humana. Atualmente seus valores são consagrados não só no art. só permitindo versar sobre matéria penal as Leis Ordinárias e as Leis Complementares e. aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”. logo.Reserva legal: a lei é a fonte exclusiva de definição de crimes e sanções. II. Portanto. . sem lei que o defina (nullum crimem. Art. Logo. nulla poena. 3º. 5º. os decretos. Defesa dos bens jurídicos somente contra ataques de especial gravidade. CP: “A lei excepcional ou temporária. ou seja. XXXIX. Exclui o costume da constituição do DP. baseado no princípio “tempus regit actum” (o tempo rege o ato) a lei não retroagirá (salvo nos casos de retroatividade da lei mais benigna) e nem terá ultraatividade (se aplicarão no futuro. a sua eficácia não é aplicada a ilícitos pretéritos ou futuros. Tipifica somente parte das condutas que outros ramos do direito consideram antijurídicas. não qualifica tipo penal. . sine lege). se feita indevidamente. não há pena. embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. CP). # Princípio da Legalidade: estabelece que a imputação de uma sanção penal por uma conduta não descrita no Código Penal é indevida e inconstitucional. logo é tido como um direito fundamental (1ª dimensão) do ser humano (uma cláusula pétrea). . Portanto. através das normas incriminadoras (descritivas e não proibitivas de conduta) o conteúdo mínimo da conduta criminosa conforme o sub princípio da reserva legal. estabelece limites para aplicação do DP visando a exclusão do arbítrio e do excesso de poder punitivo. pois podem reger da forma de aplicação da pena. excluindo a punibilidade da prática imprudente de alguns casos. salvo nos casos descritos por leis temporárias e leis excepcionais conforme o art. nulla poena. CP como também no art. Jurídico: deriva da taxatividade (lege certa). CRFB/88. sine lege). em casos excepcionais. a lei deve determinar com precisão.Aspectos: I. se não há crime. 3º.Anterioridade da lei penal: a vigência da lei é compreendida entre dois extremos: entrada e cessação. na Carta Magna do rei João Sem-Terra. Logo. pois se a conduta à ser sancionada não está previamente expressa na legislação penal. portanto a lei penal é a fonte formal imediata do Direito Penal.Aspectos: I.

durante o processo ou julgado definitivamente. a fim de evitar a inconstitucionalidade de crimes: a) crimes culposos (culpa) b) crimes definidos em leis penais em branco (incompletas no preceito ou na sanção) c) crimes previstos em tipos penais abertos. quer por motivos éticos (função ético-social do DP) ou por medo da sanção que incidirá. visto que as leis contidas na legislação penal não proíbem atos e sim descrevem quais atos não devem ser praticados. evitando assim a vulgarização da sanção penal em meio a lesões banais. não devendo retroagir para prejudicar o réu. portanto. Contemporânea: de acordo com a EC 34/2001 as medidas provisórias não se aplicam ao DP.visando não proibir e sim alertar o agente previamente das consequências (sanções) dos seus atos. o princípio da irretroatividade da lei penal. Caso a conduta que tenha praticado deixe de ser crime em qualquer momento. constituindo um instituto favorável ao réu (novatio legis in mellius). . pois se aquela conduta deixou de ser crime. Ultratividade das leis penais: uma lei revogada volta a produzir efeito no futuro por ser mais benéfica ao réu. II. É o efeito contrário da retroatividade. . O conteúdo mínimo da conduta criminosa irá se basear no princípio da reserva legal. pois o DP não constitui um instrumento repressor à sociedade (lege stricta). . Analogia: visa suprimir as lacunas existentes no ordenamento jurídico através de uma comparação baseada em casos semelhantes adotando como alvo o réu desde que o beneficiem (in bonam partem). julgando ou julgado. o grau de intensidade da ofensa. caso haja um crime cometido e. de forma proporcional. Clássica (STF): só podem ser utilizadas no DP se forem favoráveis ao réu. Retroatividade das leis penais: há doutrinadores que a consideram como um princípio a parte do princípio da legalidade. pela sua gravidade (relevância material) e não pelo simples fato de ser tutelado (relevância formal). II. o réu é imediatamente solto. a ofensa deve ser ponderada.Medidas provisórias no Direito Penal: existem duas posições sobre o seu emprego: a clássica e a contemporânea. Por isso não se admite no DP a analogia “in malam partem”. # Princípio da insignificância: embora os bens jurídicos elencados na legislação penal sejam protegidos pelo DP. III. está deve ser utilizada. surja uma lei mais benéfica para a situação do réu.Defluências do princípio da legalidade: constituem-se em: I. I. a aplicação da sanção não tem mais sentido (abolitio criminis). Dispõe que as leis tem sua validade voltada para o futuro. bem como a força excessiva da sanção penal a um crime insignificante (ex: infração de menor potencial ofensivo). ou seja.

logo se presume como acontecimento furtuito (acidente). Agir com culpa (falta de cautela. logo. Visto que tal princípio resulte no afastamento da tipicidade penal.Considerações: I. Não houve dolo porque não foi intencional. que seja unanimidade. de modo que se for declarado culpado antes da publicação da sentença. A sanção legal não deve ser empregada apenas pela concretização de um determinado resultado. não houve culpa por não ter sido por negligência. acaso. Art. LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. 5º. ele não é considerado culpado. portanto. # Princípio do estado de inocência (presunção da não culpabilidade): presume-se inocente o réu até que a sentença seja proferida e ocorra o trânsito em julgado. é inaceitável a inversão do ônus da prova e a presunção de culpa. Ex: um sujeito devidamente habilitado e dirigindo com cuidado cai num buraco e a barra da direção quebra fazendo com que o carro suba pela calçada e mate três pessoas. visto que. Deve ser sempre observado a importância do bem jurídico lesado bem como a extensão da lesão. no DP moderno. a premissa para ser utilizado é que tenha consideração global da ordem jurídica. logo se o agente praticar uma lesão a um bem jurídico que não tenha sido gerada por motivos intencionais (dolo) ou por falta de cuidado (culpa). # Princípio da alteridade: proíbe-se a incriminação de atitude meramente subjetiva. Dado o início do processo após a acusação da parte autora. basta analisar a natureza do fato. Não basta a lesão ser analisada pelo fato em si (plano objetivo). que não ofenda nenhum bem jurídico (ex: auto lesão). Classifica culpa quando o indivíduo: I. Estabelece que para punir alguém de um ato criminoso ele precisa ser o responsável pelo dano causado a um terceiro. II. cabe ao autor provar que o réu lesou-o (mens constituionis). Sem dolo e sem culpa não há crime. e . citando para estabelecer à lide processual a parte ré. tem que ser analisada se é culpa do sujeito (plano subjetivo). o Estado deve levar em conta o potencial ofensivo antes de intervir.. tal ato será considerado como inconstitucional. negligência). Para determinar quando alguém é responsável pela lesão. é necessário que o agente seja classificado como culpado. II. # Princípio da culpabilidade (princípio da responsabilidade penal subjetiva): “nullum crimen sine culpa” (não existe crime sem culpa – sentido amplo o qual é composto por dolo e culpa). Agir com dolo (intenção). # Princípio da ofensividade: não há crime sem lesão efetiva ou ameaça concreta à um bem jurídico tutelado.

logo. II.Princípio da culpabilidade X Elemento culpabilidade: I. Culpabilidade é um dos elementos integrantes do conceito de crime. Logo deve haver o emprego da razoabilidade para delimitar a sanção. o banimento. após o devido processo legal e o trânsito em julgado da sentença condenatória. passou a ser elemento subjetivo que compõe o tipo. adota-se que a lesão foi estabelecida apenas no plano objetivo (acaso). O dolo passou a fazer parte do tipo penal. logo traduzem a responsabilidade penal subjetiva. desprezando assim a sanção por tentativas. Não faz parte da análise do elemento culpabilidade. evitando assim excessos de força no ato de punir o agente. Com a evolução do DP. Antigamente a finalidade era baseada no causalismo. é considerada apenas como um acontecimento no plano objetivo. a culpabilidade irá incidir pela intenção do ato do agente (dolo) ou pela negligência que gerou tal lesão (culpa). veda a aplicação de penas cruéis como a pena de morte. traduz a intenção do fato típico. mas faz parte do tipo penal em si. Elementos integrantes do crime Antijuricidade. Sinônimo de reprovação sobre a conduta típica e ilícita praticada necessária para classificar um crime. pois por não haver culpa e nem dolo. o agente não pode ser culpado por uma lesão a um bem jurídico alheio. Serve como justificativa para o princípio da insignificância e baseia-se no princípio da intervenção mínima. O dolo e a culpa são integrantes do fato típico (tipo penal – gerados por intenção de fazer ou falta de cautela). # Princípio da proporcionalidade: a pena deve ser proporcional à gravidade do crime. Culpabilidade.embora tenha sido configurada uma lesão ao bem jurídico de três pessoas. Portanto. Princípio da culpabilidade é a conduta aplicada através do dolo ou da culpa (habilidade para ser culpado por algo). o dolo e a culpa NÃO compõem o elemento do crime culpabilidade. o agente seria considerado culpado. ou seja. Logo. trabalhos forçados. o causalismo foi substituído pelo finalismo. Porém. ou seja. A pena deve ser proporcional ao delito. se fosse constatado a lesão no plano subjetivo (presença de dolo ou culpa). mas não se confundem com o elemento culpabilidade (reprovação). independente de alcançar o objetivo da ação. traduz a responsabilidade penal subjetiva. A conduta humana é caracterizada por uma finalidade. . ou seja. Fato típico. a prisão perpétua e a humilhação pública. só era admitida conduta ilícita se o objetivo da ação for concluído. # Princípio da humanidade: estabelece que a sanção estatal não pode violar o princípio da dignidade humana e sua condição físico-psiquica. logo. .

não se devem utilizar duas leis para punir a mesma situação. Logo. Punir duas vezes o agente pelo mesmo fato é inconstitucionalmente desproporcional.# Princípio da vedação da dupla punição pelo mesmo fato (ne bis in idem): estabelece que ninguém será punido ou processado pelo mesmo fato mais de uma vez. proibindo assim o agravamento da punição. . abusiva e desumana. pois a “dupla” é considerada exagerada.

Dessa forma. Revoga norma por considerar que o fato típico descrito não é mais lesivo para a sociedade. todas as pessoas que estiverem respondendo processo ou cumprindo pena pela conduta descrita. logo não retroage. Novatio legis in pejus (agravo): modificação de uma lei já existente deixando-a mais severa quer seja aumentando a pena em qualidade ou quantidade. aumentando o campo da ilicitude.Lei mista: possuem carga penal e processual penal simultaneamente. II. Só não se aplicam os princípios mencionados quando o caráter penal da nova lei está vinculado ao assunto por ela tratado. tipificando mais condutas do que antes previstas. a doutrina acredita que deva obedecer ao princípio da retroatividade benigna em observância dos princípios constitucionais. logo. Portanto. Novatio legis incriminadora (nova lei incriminadora): torna típico um fato anteriormente não incriminado. ou se aplica a lei penal posterior. estabelecendo uma privação da liberdade antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Abolitio criminis (abolição do delito): é a lei benéfica máxima. ou ainda eliminando causas de extinção da punibilidade. direta ou indiretamente na liberdade do cidadão. logo. são normas apenas formalmente processuais. Assim. como a fixação da pena e a extinção da punibilidade. diminuindo a ilicitude. ou se aplica o princípio-regra (tempus regit actum). Já a ultratividade se baseia na data da sentença e terá efeito ultrativo se for mais benéfica ao réu. seja mais benigna ou mais severa. 2º. afirmando que por influir. contestam a conduta do magistrado quanto à aplicação da norma processual mais severa para o fato ocorrido anterior ao início da sua vigência.Conflito de leis no tempo: I. III. . IV. sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”. CPP diz “a lei processual penal aplicar-se-á desde logo. regula os atos praticados sem retroagir. . Novatio legis in mellius (nova lei benéfica): criação de uma lei nova mais favorável que a anterior.APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO # Retroatividade e ultratividade (extratividade da lei penal): na retroatividade se considera a data do fato criminoso. aumentando a exigência para concessão de benefícios ao réu. . se for mais benigna (retroatividade). . não podendo ser adaptada para outra norma. pois influem diretamente em institutos penais. Porém.Lei processual: se distingue quanto a sua aplicação no tempo visto que o art. e se a conduta praticada for disciplinada pela norma mesmo após o fim da sua vigência. retroage. Constitui um instituto prejudicial ao réu. a partir da sua vigência. Nessa hipótese a lei penal não retroage. Não cabe indenização para quem era penalizado por ela. dando uma nova face a figura delitiva existente. são imediatamente liberadas e seu antecedente criminal (referente ao crime abolido) é zerado (Ficha Limpa). se for mais benéfico. Nessa hipótese. alguns autores criticam essa posição. pois não há sentido o Estado continuar punindo uma conduta que deixou de ser lesiva para a sociedade. mas possuem essência material.

de qualquer modo favorecer o agente”). existem duas possibilidades: caberá ao juiz da execução criminal utilizar ou não a lei mais benéfica (é a opinião mais adotada .. não violaria a legalidade visto que: ele não legislaria de fato. obedeceria ao art.Combinação de leis: existem controversas na doutrina. pois caso conferido ao juiz a combinação de leis. Caso esteja na fase recursal. Logo haveria uma invasão do Judiciário na esfera do Legislativo. pois o referido artigo não autoriza que o magistrado componha uma norma inédita. Porém. Logo.V. deve obedecer a legalidade e a anterioridade (posição maioritária da doutrina). retroage em benefício do réu. Ontologicamente não difere da pena. não haveria supressão de instâncias. a lei que disciplina a conduta do agente sofrer uma redução da sua pena mínima para “X”. mas ainda assim é um tipo de sanção penal. Exemplo: se o juiz de 1º grau estabelece uma pena mínima “2X” e durante a fase recursal. caso o réu queira recorrer. 2º. Logo. mas caso não adote a combinação. mas não podendo suprimir instâncias. . se durante a fase recursal surgisse uma nova lei que alterasse o procedimento para o cálculo da pena.Medidas de segurança (periculosidade): a medida de segurança não é pena. com aplicação voltada aos inimputáveis ou semi-imputáveis que cometem delitos. o tribunal deveria encaminhar o processo para o juiz de 1º grau atualizar a pena e. . Por restringir a liberdade do indivíduo. Caso haja o trânsito em julgado da decisão. terá que decidir qual a norma mais favorável a ser aplicada ao réu. o tribunal pode alterar a pena mínima visto que a pena mínima atual está inserida na pena mínima anterior (no caso a pena mínima atual seria a metade da anterior. compete ao tribunal aplicar a norma mais favorável. II. compete ao juiz de 1º grau. Porém. Entretanto. onde o único competente para legislar sobre matéria penal é a União e os Estados (excepcionalmente). Caso o processo esteja em andamento até a conclusão (início do processo à imputação da sentença). pois a aplicação de uma nova medida de segurança pressupõe que seja melhor e mais efetiva que a anterior. parágrafo único (“. a medida de segurança remete a sua periculosidade. Enquanto a pena remete a culpabilidade do agente. Vale salientar que o réu não pode decidir qual pena será aplicada a ele visto que cabe ao Estado a aplicação da lei no caso concreto. outra parte da doutrina acredita que na atitude do juiz de combinar “mentalmente” duas normas existentes para uma melhor aplicação a um caso concreto. A aplicação retroativa da medida de segurança não agride a legalidade.. portanto estaria inserida no montante). . constituindo uma medida de defesa social. poderá recorrer. restringindo a liberdade do doente e fornecendo tratamento. ele estaria suprimindo o papel do legislador ao “criar uma norma” e invalidando o princípio da legalidade. reduzindo o risco do agente causar danos futuros à sociedade. Abolitio criminis temporalis: corresponde a abolição temporária de um delito devido a uma suspensão temporária da eficácia da norma. o tribunal poderia tomar uma decisão com base na sentença proferida pelo juiz de 1º grau. Portanto. o juiz pode optar pela combinação de normas penais desde que não suprima o papel do Legislativo e não atinja a legalidade. III.Competência para aplicação da lei mais benéfica: divide-se da seguinte forma: I.

em circunstâncias semelhantes de tempo. I. # Teorias do tempo do crime: . se uma lei penal nova tiver vigência durante a continuidade. porém há controversas. I. 13. surgindo nova lei. deve-se aplica-la. durante a execução do delito que perdura no tempo. ou ao tribunal. pela via da revisão criminal.Retroatividade de lei interpretativa (da jurisprudência): alguns autores acreditam que a lei interpretativa não retroage.Dúvida quanto à lei mais benéfica: compete ao juiz decidir qual utilizar. porém é uma posição minoritária. lugar e método. Exemplo: no caso de sequestro. prejudicando ou beneficiando. e posteriormente ela é declarada inconstitucional. favorável ou não.Resultado: considera cometido o crime no momento do seu resultado. 66. II. . . será aplicada visto que o crime ainda não tinha terminado a sua consumação. Crime permanente: é um crime de longa duração. Portanto. .Atividade: considera praticado o delito no momento da conduta. . LEP). Dá-se quando o agente pratica várias condutas ilícitas de uma mesma espécie. pois não trás nenhuma inovação para o ordenamento jurídico. # As leis temporárias ou excepcionais: as leis temporárias são as que contem em seu próprio bojo a sua duração. aparentando serem meras continuidades das outras. obedecerão as exigências da retroatividade e da ultratividade se constituírem um instituto favorável ao réu.Crimes permanentes e crimes continuados (súmula 711 STF): “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. .pela doutrina – vide: Súmula 611 STF / art. I. .A inconstitucionalidade da lex mitior: se a lei vigente for mais benéfica ao réu. caso surja uma lei nova aumentando a pena desse delito. não se altera a situação do réu.Sucessão de leis penais no tempo: mesmo se tratando de leis temporárias ou excepcionais. LICPP / art. Indica a lei a ser aplicada. enquanto as leis excepcionais são as que têm eficácia sob uma determinada situação. deverá ser aplicada ao caso. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”. No caso um crime permanente. II. Delimitação da lei penal aplicável. Define competência de aplicação da norma. Delimitação da responsabilidade penal. durante a mantença da vítima em cativeiro. . caput. Crime continuado: é uma ficção jurídica idealizada para beneficiar o réu na aplicação da pena. não importando o instante do resultado.

É muito utilizada quanto aos crimes à distância.. pelo lugar em que for praticado o último ato de execução”. CP e o art. Porém. visto que o art. 70. determinada pelo lugar em que se consumar a infração. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado”. # Conflito aparente entre o art. Isso pode levar a crer a existência de um conflito entre normas. Enquanto o art. ou vice versa (é o chamado “crime à distância”). Art. Portanto. . ou. CP “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão. no todo ou em parte. de regra. no caso de tentativa. 6º estabelece que o lugar pode ser onde o delito foi iniciado ou concluso (teoria da ubiquidade). CPP: Art. quando um crime tiver começado no Brasil e terminado no exterior. 6º destina-se a aplicação da lei penal no espaço. o alcance da legislação. Define o espaço. o art. 6º. CPP “A competência será. para os delitos cometidos no território nacional continua valendo o disposto no art. 70. 6º. 70. não há conflito real.Ubiquidade (mista): adota que o momento do crime pode ser tanto o momento da conduta como o do resultado. 70 estabelece a competência pelo lugar em que se consumar a infração (teoria do resultado).

entende-se que a fronteira é estabelecida na metade do leito. Fronteiriços (ou simultâneos ou limítrofes): são os situados na fronteira entre dois países. separando-os. mas sim o registro portuário ou aeroviário do transporte. Das 12 as 24 milhas.Território: é todo espaço onde o Estado exerce o seu soberania. Se uma aeronave particular quiser transitar. . sem necessidade de pedir autorização (as ilhas brasileiras também possuem mar territorial de 12 milhas de extensão). . fiscal.Quanto ao mar territorial: o Mar Territorial brasileiro possui 12 milhas de extensão e é regida pela lei penal pátria e o Brasil possui a soberania absoluta. Se não houver acordo internacional. logo todo tráfego é regulado via tratado. inclusive do mar territorial. sua exploração é regulada por tratado. servindo para fiscalização aduaneira.Quanto ao território brasileiro por equiparação (aeronaves e embarcações): considera-se território nacional onde estiverem: as embarcações e aeronaves públicas ou a serviço do governo. Referente ao espaço cósmico. o que irá definir a nacionalidade não é a bandeira que carrega. rápida e contínua travessia de barcos estrangeiros por águas nacionais. há a Zona Contígua. deverá informar previamente a sua rota.A LEI PENAL NO ESPAÇO # Territorialidade: em regra geral. . Autorizada a passagem inocente. . trata-se da aplicação das leis brasileiras aos delitos cometidos dentro do território nacional. Das 12 as 200 milhas. Se for uma aeronave militar ou a serviço de governo estrangeiro. autorizada e adaptada para viagens internacionais”. sanitária e imigratória. pública ou privada. Toda aeronave. podendo ser utilizado livremente por todos os Estados de forma igualitária. ou seja. marítimo ou fluvial. Neste caso. O STF vem dando entendimento ao termo navio presente na Constituição como “embarcação de grande porte. logo. . Não há direito de passagem inocente. só poderá passar mediante a autorização prévia. deverá conter a bandeira do seu país de origem para evitar ser derrubado caso entre em território estrangeiro. cabe aos acordos internacionais (tratados ou convenções) definirem a quem pertence. só serão consideradas território nacional se estiverem navegando ou sobrevoando águas internacionais (alto-mar). será da competência da Justiça Estadual a punição de embarcações de pequeno e médio . do local onde primeiro pousar a aeronave após o delito (ou da comarca de onde houver partido).Quanto ao espaço aéreo: compreende todo o espaço acima do território. A exploração deverá ter em mira o interesse mundial. há a Zona Econômica Exclusiva. ressalvada a competência da Justiça Militar. II. não podendo ser um objeto de apropriação.Competência para julgar crimes cometidos a bordo de embarcações e aeronaves: é da Justiça Federal. seja terrestre. Rios sucessivos (ou interiores): são os que passam pelo território de vários países. Caso sejam privadas. lagos e mares fronteiriços e sucessivos: I. até o limite da atmosfera. aéreo. . Nos casos de aeronaves e embarcações.Quanto aos rios. onde nessa área há a exclusividade pátria de exploração de todos os recursos naturais (compreende 188 milhas de extensão).

5º. o Brasil somente teria interesse em punir o autor. A infração constitua uma violação dos regulamentos relativos a voos ou manobras de aeronaves vigentes nesse Estado. se um avião estrangeiro de propriedade privada estiver sobrevoando o território brasileiro. A infração afete a segurança desse Estado. aplicando-se a lei do Estado em que a aeronave esteja registrada.porte. o Estado pode punir o autor do delito. V. Logo. II. mas não no estrangeiro. Segundo o art. Entretanto. suspendendo a sua eficácia (entretanto essa posição do STF é bastante criticada com base em que o tratado é hierarquicamente superior a legislação ordinária). A infração produza efeitos no território deste Estado. sem cogitar a vítima) e nacionalidade passiva (exige que ambos sejam nacionais). Referente às aeronaves. de defesa): aplica-se a lei do país ao fato que atinge bem jurídico nacional. que estejam sobrevoando o espaço aéreo nacional”) e. Buscam a harmonia entre eles para uma melhor aplicação ao tipo. caberia ao Estado de matrícula da aeronave punir o infrator. IV. III. em virtude de acordo internacional multilateral. se: I. visto que o tratado é mais antigo que a lei federal. III. mesmo que o crime aconteça dentro de um avião ainda em terra. caso tenha praticado um delito em território estrangeiro. não há distinção de categorias ou de porte. logo. II. havendo um crime a bordo. ou pessoa que lá possua sua residência fixa. § 2º. Seja necessário exercer a jurisdição para cumprir as obrigações desse Estado. # Princípios da aplicação da lei penal no espaço: nenhuma legislação adota apenas um desses princípios de forma absoluta. só é possível interferir no voo de uma aeronave estrangeira em espaço aéreo pátrio. CP (“é aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves estrangeiras de propriedade privada. 4º da Convenção de Tóquio. desprezando o local onde o crime foi praticado. Porém o STF entende que a Convenção de Tóquio entra em conflito com o art. se nacional. a fim de exercer jurisdição penal em relação a uma infração cometida a bordo. sem nenhuma consideração a respeito do local . Princípio da territorialidade: prevê a aplicação da lei penal pátria ao fato praticado no território do próprio país. A infração tiver sido cometida por ou contra um nacional desse Estado. opta pela prevalência da lei sob o tratado. a aplicação absoluta desse princípio pode gerar a impunidade visto que só visa punir o infrator no território nacional. Princípio da nacionalidade (ou personalidade): aplicação da lei do país de origem do agente. Princípio da proteção (da competência real. Apontam-se cinco princípios: I. caso das hipóteses enumeradas estivessem presentes. Caso contrário. Subdivide-se em: nacionalidade ativa (somente se considera se o autor do delito é nacional.

CP). . todos os Estados têm interesse em punir a sua prática e tutelar os bens jurídicos da lesão. .Hipóteses: I. pode-se atingir um estágio inconstitucional. e sim do meio de transporte em que ocorreu o crime. onde quer que o delito seja cometido. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil: tratase do princípio da justiça universal. desde que a vítima seja brasileira ou esteja o agente sob jurisdição brasileira. este não o faz.Crítica: I. Princípio da representação: é subsidiário. É aplicação do princípio da justiça universal. 7º. contra a administração pública ou contra quem está a serviço da administração pública: usa-se também o princípio da defesa ou da proteção. não se levando em conta o lugar do crime. Porém é inviável sua aplicabilidade absoluta por conta da diferença entre as legislações penais dos países. Princípio da competência universal (ou da justiça cosmopotila): visa que o criminoso deve ser julgado e punido onde for detido. Diz respeito aos crimes cometidos em aeronaves e embarcações. sendo uma no exterior e outra no Brasil (ex: assalto à uma embaixada brasileira). Por se tratar de uma lei especial.onde foi praticado o crime ou a nacionalidade do agente (proteção dos bens que o Estado julga fundamentais). havendo o interesse. trata-se de extraterritorialidade incondicionada. I e § 1º): visa que. Crimes contra o patrimônio ou a fé das pessoas jurídicas de direito público interno e sociedades de economia mista. por deficiência legislativa ou desinteresse de outro que deveria reprimir o crime. IV. Crime de genocídio. o Brasil deve punir determinado fato. logo. Possui duas espécies: . é legalmente permitida a aplicabilidade da lei pátria ao torturador. V. # Extraterritorialidade: trata-se da aplicação da lei penal pátria a delitos ocorridos no estrangeiro (art. IV. independentemente de qualquer condição. baseado no pressuposto de que o crime é um mal universal. Crime de tortura: neste caso. II. mas não a do agente ou da vítima. oriundo da dupla punição pelo mesmo fato (contraria o princípio ne bis in idem e viola a Convenção Americana dos Direitos Humanos). 7º.Incondicionada (art. Sendo possível punir o agente. pois determina a aplicação da lei do país quando. III. . a nacionalidade do autor ou o bem jurídico lesado. independentemente de qualquer condição. segundo as leis desse país. que não fixou condições para se dar o interesse do Brasil na punição do torturador. É uma forma semelhante do princípio da nacionalidade. Crimes cometidos contra a vida ou a liberdade do Presidente da República: é o princípio da defesa ou da proteção.

Condicionada (art. CP: I. da representação ou do pavilhão. . Porém.Condições para a extraterritorialidade: nos casos enumerados acima. 7º. V. mercantes ou de propriedade privada. Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. Crimes que por tratado ou convenção o Brasil se obrigou a reprimir. visto que o Brasil não pode extraditar um cidadão brasileiro por um delito cometido no exterior. III. 7º. Não estar extinta a sua punibilidade. a competência será da Justiça Estadual da Capital da República. I. É o princípio da justiça universal. Estar o crime incluído entre aqueles que a lei brasileira autoriza a extradição. não foi punido e nunca ingressou no Brasil. II. Entrar o agente em território brasileiro. são necessárias cinco condições para que surja o interesse punitivo da Justiça brasileira. utiliza-se a lei penal pátria do agente (princípio da personalidade ou da nacionalidade ativa). Existência de dupla tipicidade. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. Caso o crime seja cometido em território internacional. conclui-se que a extraterritorialidade deveria ser em todos os casos. Logo a competência para o julgamento é da Justiça Estadual da Capital do Estado onde por último houver residido e. visto que esse nunca chegará a cumprir a pena no Brasil. Haver dupla tipicidade.II. A inutilidade do interesse brasileiro na punição de um estrangeiro que cometeu uma infração fora do país. Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. Não ter sido absolvido no estrangeiro ou cumprido pena. Entrada do agente no território nacional (princípio da nacionalidade). porém. atualmente cumpre-se que caso o réu seja citado por edital e não compareça. É a aplicação do princípio da defesa ou da proteção. II e §§ 2º e 3º): visa que. É o princípio da bandeira. só será aplicada a lei penal brasileira se o Estado estrangeiro não tiver interesse em punir o delito. § 2º. IV. desde que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição e quando houver requisição do Ministro da Justiça. . . Logo. só haverá interesse do Brasil em punir o autor de crime cometido no exterior se preenchidas determinadas condições legais. condicionada aos mesmos requisitos previstos no art. É o princípio da nacionalidade ou da personalidade. II. II. IV.Hipóteses: I. Crimes praticados por brasileiros. o processo e a prescrição serão suspensos. Trata-se de condição para proceder ao inquérito contra o agente. . caso nunca tenha residido no Brasil. III.

não ter aí cumprido pena. 9º. Para essa hipótese. Caso a pena cumprida no exterior seja diversa da que for aplicada no Brasil (ex: multa no exterior e privativa de liberdade no Brasil). a pena a ser fixada pelo juiz brasileiro será atenuada. A competência para homologação é do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Aplicação de medida de segurança: no Brasil. Caso a pena cumprida no exterior seja idêntica à que for aplicada no Brasil. Para tentar amenizar a não aplicação do princípio ne bis in idem. Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição (os que contêm a pena máxima abstrata superior a um ano). por qualquer outro motivo. a pena cumprida no estrangeiro anula o interesse punitivo do Brasil pelo mesmo delito. V. se preenchida as cinco condições acima descritas (princípio da nacionalidade passiva ou da personalidade). independentemente de ter sido condenado ou absolvido no exterior. uma sentença estrangeira não pode produzir efeitos no Brasil sem a homologação feita por um tribunal pátrio. será feita a compensação (não haverá nova punição). visto que.III. # Não aplicação do ne bis in idem X inconstitucionalidade do art. Utiliza-se a aplicação da medida de segurança imposta por Estado estrangeiro em benefício do próprio sentenciado e também da sociedade. Reparação civil do dano causado à vítima: busca-se facilitar a posição da vítima do crime. na esfera cível. Nessa hipótese. provando novamente a culpa do infrator. que não terá que dar início a um processo de indenização. # Eficácia da sentença estrangeira (art. . feita a homologação da sentença condenatória estrangeira. 8º. A dúvida é apenas o valor da reparação do dano. somente para o inimputável (o qual é considerado absolvido dos crimes. Para que isso ocorra é necessário nacionalizar a lei estrangeira a fim de produzir seus efeitos. É o princípio do ne bis in idem. CP): por conta da soberania da nação. deve a vítima solicitar a homologação ao STJ. 8º. II. O infrator ingressando no Brasil. a lei penal brasileira incidirá sobre ele. mas ainda assim tem a medida de segurança imposta) e para o semi-imputável (este é considerado culpado e terá a medida de segurança imposta também). é preciso solicitação do Procurador-Geral da República . Caso algum estrangeiro cometa crime contra brasileiro fora do Brasil. Não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou. Estará sujeito à punição. não há medida de segurança para o imputável. Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou.Hipóteses para homologação: I. concretiza-se a formação de um título executivo. II. CP uma fórmula compensadora: I. conforme a lei mais favorável. foi fixado no art. Já na extraterritorialidade incondicionada isto não acontece. tendo sido condenado. CP: nos casos de extraterritorialidade condicionada. IV. que evitará o convívio com o enfermo perigoso. não estar extinta a punibilidade.

o nosso calendário comum. # Contagem de prazo e fações da pena: . que é incluído no cômputo da pena. Prorrogar o prazo para o livramento condicional. Exemplo: se o réu for intimado para sentença condenatória dia 20 de março. Já nos prazos processuais penais. na falta de tratado. não é computado o dia do cômputo. . até a sua data anterior do mês ou ano seguinte. Logo. nos casos de multa. ou. é possível que o juiz a leve em consideração para avaliar os antecedentes. Como o calendário gregoriano não possui a mesma quantidade de dias iguais para todos os meses. a conduta social e a personalidade do criminoso). usa-se o prazo do CP por ser mais favorável ao réu. II.no STJ (se houver tratado de extradição entre as nações em questão). Para os prazos penais as frações de dia contam como um dia inteiro. IV. a contagem se inicia do dia do cômputo desprezando o último dia. somente a consideração das mesmas como fatos jurídicos (agravando a situação do réu). a contagem penal é feita de uma determinada data. Se o cálculo de uma multa penal for menor que 1 real. logo se contam domingos e feriados normalmente.Efeitos da sentença condenatória estrangeira que independem de homologação: são situações particulares nas quais não existe execução de fato da sentença estrangeira. os centavos são desprezados (somente para a multa penal). Servir de pressuposto da extraterritorialidade condicionada. será necessária requisição do Ministro da Justiça. Para as frações de moeda. uma pena não é proferida em 2 anos. Se esse mesmo exemplo fosse utilizado para o prazo processual penal. Para os prazos penais. este seria contado como um dia inteiro. Gerar maus antecedentes. Gerar reincidência (mesmo que a sentença estrangeira não seja suficiente para gerar a reincidência. . Podem produzir as seguintes situações: I. V. Quando se tratar de um instituto que esteja inserido tanto do CP como no CPP. 4 meses e 3 horas. Exemplo: uma pessoa é recolhida para cumprir dois meses de pena.Prazos penais e processuais penais: para ambos utiliza-se o calendário gregoriano. tendo início no dia 20 de março. logo se a pena tivesse início às 22 horas do dia 20 de março. mas é acrescido um dia no vencimento. o início seria no dia 21 de março (desprezando o dia do cômputo) e findaria no dia 20 de maio. basta a prova da existência da sentença estrangeira. a multa não é aplicada visto que não se aplica frações de real como multa. III. O período recursal pode alterar a contagem da pena. mas sim em 2 anos e 4 meses exatos. vencerá no dia 25 de março. cujo prazo de recurso é de 5 dias.Frações não computáveis na pena: as frações de dia (horas) não são computadas na pena. por exemplo. . Impedir o sursi (suspensão da pena). e será liberto no dia 19 de maio. Para produção das hipóteses acima descritas. Não há prorrogação no prazo.

se um diplomata cometer um crime no Brasil não será preso e nem processado no território nacional. Porém. Imunidade parlamentar instituída pela Constituição configura a não aplicação da lei penal brasileira a infrações cometidas no território nacional. há duas exceções: I. II. . Imunidade diplomática tutelada por convenções. Logo. tratados e regras de direito internacional.# Exceções à regra da territorialidade: em regra. aplica-se a lei penal brasileira aos crimes cometidos no território nacional.

tornando-os livres da jurisdição brasileira em relação aos delitos cometidos no território nacional. “Aplica-se a lei brasileira ao crime cometido no território nacional”. trata-se de uma garantia institucional deferida ao Congresso Nacional. visto que somente o Estado possui poderes para tal feito. . Logo. CP). . # Imunidades diplomáticas e consulares: são privilégios concedidos. Porém. caput. 53. Imunidade parlamentares (art. membros do quadro administrativo e técnico. independência funcional. no exercício do mandado ou em decorrência dele. votos e opiniões (exclusão da tipicidade – natureza jurídica). São elas: I. há exceções quanto às pessoas e quanto ao território. Chefes de Estado (Governo) e membros da sua comitiva (quando em visita ao exterior). vice-cônsul. A imunidade pertence ao Parlamento. não pode ser revistado e nem arrolados como testemunhas).Características da imunidade diplomática: inviolabilidade pessoal (não pode ser preso ou detido. garantida por Convenção. logo. . 7º. a territorialidade é a regra da aplicação da lei penal. III. cônsul. Substantiva (absoluta): constitui causa de exclusão de tipicidade civil e penal (mas não política. pois assegura a liberdade de palavra e de debates. diplomatas “ad hoc” (pessoas nomeadas pelo Estado acreditante para determinada função do Estado acreditado). CP. . porém inviolável). No caso do diplomata a Convenção estabelece que eles devam responder apenas aos organismos judiciários de seu país de origem. 5º. caput. A imunidade não abrange os empregados domésticos dos diplomatas e funcionários da embaixada. isenção da jurisdição criminal. caput e § 3º. II.Extensão da imunidade diplomática: diplomatas de carreira (de embaixador a terceiro-secretário). CF). 5º. inviolabilidade de habitação. agente consular. cível e tributária (sendo as duas ultimas relativa). dever de cumprimento das leis do Estado onde serve.A LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS Conforme o art. É vedada ao diplomata a faculdade de renunciar a concessão de imunidade. . não ao congressista. Extraterritorialidade (art. CP). Imunidades diplomáticas e consulares (art. familiares que vivam sob dependência econômica dos diplomatas e funcionários. # Imunidades parlamentares: refere-se ao direito público interno. Os diplomatas não podem ser investigados pela polícia.Extensão da imunidade consular: cônsul-geral. isentando o parlamentar à lei penal quando se expressar. pois podem perder o mandato por falta de decoro). por suas palavras. A imunidade concedida pode ser de duas espécies: I.Características da imunidade consular: inviolabilidade pessoal no exercício das funções e a proteção nos limites geográficos do Distrito Consular (o consulado é considerado território nacional.

Prisão do parlamentar: só pode acontecer em flagrante delito de crime inafiançável. Já os vereadores possuem apenas imunidade substantiva (não possuem imunidade processual e nem foro privilegiado).II. comunicada a Casa Legislativa. Processual (relativa): impossibilita que o parlamentar seja processado por qualquer delito cometido durante o exercício do seu mandato sem a autorização da sua Casa Legislativa (deputado – Câmara / senador – Senado). desde que estejam no exercício do mandato e na circunscrição municipal. dentro de 45 dias. em 24 horas. por maioria absoluta. Após. pode-se sustar o prosseguimento. terá a votação. A denúncia é oferecida pelo Procurador-Geral da República e recebida pelo Supremo Tribunal Federal. quando os autos são remetidos à Presidência da Casa Legislativa respectiva. . Depois. por provocação do partido político. pelo voto da maioria. . Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades dos federais (parlamentares). para decidir se a prisão será mantida ou relaxada.

III. A norma subsidiária só se aplica em caso de defeito na norma principal. Há duas espécies de subsidiariedade: explícita (quando a própria lei indica ser a norma subsidiária à outra) e implícita (quando o fato incriminado em uma norma entra como elemento componente ou agravante especial de outra norma). formando um conflito aparente. é mais lógica a aplicação da lei geral. porém se um fato for regido por lei especial e surge uma lei geral mais benéfica ao réu. não há palavras inúteis na legislação. Princípio da especialidade: a lei especial afasta a aplicação da lei geral (lei geral é subsidiária por ser genérica.CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS É quando a uma determinada situação parecem ser aplicadas duas ou mais normas. IV. basta saber aplica-las. Logo. todas as normas são criadas com um propósito e possuem um destino certo. Princípio da subsidiariedade (ou tipo de reserva): uma norma é considerada subsidiária em relação a outra. Para alguns penalistas é um critério inútil. por consequência. V. enquadra-se um delito genérico (ex: uma mãe mata seu filho e não se consegue provar o estado puerperal. II. Difere da subsidiariedade. Em regra. Na impossibilidade de comprovar um delito especial. Princípio da absorção (ou consunção): quando um fato delituoso está contido numa lei mais restrita e numa mais ampla. Princípio da alternatividade: a escolha de uma norma afasta logicamente a aplicação de outras. pois tudo pode ser resolvido pelos outros princípios supramencionados. a consunção volta-se para o fato (um fato contido em outro – homicídio contido em porte ilegal de arma). 121. contêm outros. CP). elas não competem para uma mesma situação. existem cinco princípios para solucionar esse conflito ilusório: I. afasta a aplicação da lei geral (subsidiária). caracterizador de infanticídio. Logo. enquanto a lei especial é específica e possui uma maior riqueza de detalhes para tutelar determinado fato). enquanto a subsidiariedade abrange tipos que. Porém esse conflito não existe. que disciplina determinado fato. . Princípio da sucessividade: se houver um período de tempo separando as duas ou mais normas aplicáveis ao mesmo fator. a lei especial não é afetada pela edição de uma nova lei geral. aplica-se a de maior amplitude. é sempre preferível a lei posterior (a mais recente). Não há concurso de normas penais. não for mais benéfica que a lei especial. se uma lei geral. visto que a figura subsidiária está inclusa na principal. pois enquanto a subsidiariedade volta-se para o tipo penal (um tipo contido em outro – infanticídio contido em homicídio). de alguma forma. Para isso. aplica-se o art. quando a conduta nela prevista integra o tipo especial (lei principal) e. esta tem prevalência sobre aquela. a consunção envolve fatos que absorvem fatos.

Conduta Resultado Nexo de causalidade: vincula conduta e resultado Fato típico Aspecto Objetivo Elementos do Crime (Clássico) Antijuricidade (ilicitude) Tipicidade: caráter externo (objetivo) da conduta típica Fruto da tipicidade visto que toda conduta típica é antijurídica. Tornou-se obsoleta devido a introdução da tipicidade. exigindo sua proibição com ameaça da pena. o conceito material devidamente formalizado. a ação é analisada separada da intenção (natureza psicológica da culpabilidade) dificultando o enquadramento de uma conduta de tentativa e o elemento subjetivo do injusto (dolo e culpa) não pode ser avaliado. Divide o crime sob o aspecto objetivo (fato típico – descritivo .normativa) e aspecto subjetivo (culpabilidade descritiva). não explica à coação moral irresistível e à obediência hierárquica. crime é toda conduta (ação ou omissão) contrária aos valores ou interesses sociais. a concepção da sociedade sobre o que pode e deve ser proibido. crime é toda conduta (ação ou omissão) proibida por lei. Conceito Clássico: fato típico e antijuricidade Injusto Conceito Finalista: dolo e culpa no fato típico . isto é. # Conceito clássico: é representado por um movimento corporal (ação ou conduta) que resulta numa modificação no mundo (resultado) ligada por um nexo de causalidade e que sejam ilícitos jurídicos (tipicidade). Este concurso gerou o sistema bipartido do conceito clássico de crime. o crime é fruto de um concurso de forças. desprezando a omissão. salvo excludentes de ilicitude Imputabilidade como pressuposto Aspecto Subjetivo Culpabilidade Dolo Culpa O conceito clássico de crime é criticado porque admite uma conduta meramente causal. neoclássico e finalista. Para o conceito analítico. Este conceito era exageradamente formal e afastava qualquer tipo de valoração (subsunção do fato a norma).e antijuricidade . estabelecendo como alvo a conduta humana visto que somente esta pode ser alvo de censura. antijurídica e culpável. Para o conceito formal. ou seja. sob ameaça de pena. definindo o crime como uma ação típica. # Conceito analítico: há a divisão do conceito formal e do conceito material de crime.CONCEITO DE CRIME Divide-se em quatro etapas: o conceito analítico. Para o conceito material. clássico. sendo força física (ação executora do dano) contra força moral (culpabilidade e o dano moral da infração).

salvo a culpa consciente. a culpabilidade. “Enfim. o ponto de identidade seja a relação psíquica entre o autor e o resultado. 339). era para essa teoria. por mínimo que seja como o provocar vibrações no ar no caso das injúrias. a relação física era a causalidade” ( BITTENCOURT. Tem como fundamento a teoria causal ou naturalística da ação. 2008. a culpabilidade é entendida como elo psicológico. conduzida por uma vontade humana. Diante de seus fundamentos. 460) # Conceito neoclássico: substituiu o foco na coerência formal pelo foco na finalidade do direito penal. que nada causa. Nesse conceito. Passou a empregar a teoria psicológica-normativa da culpabilidade (a culpabilidade irá adquirir aspectos normativos como a imputabilidade – deixa de ser pressuposto – e a exigibilidade de conduta diversa). uma vez que na culpa não há esse liame. dolo e culpa eram espécies de culpabilidade e ao mesmo tempo as partes constitutivas dela. Segundo essa teoria. A doutrina apresentou insuficiências para explicar a culpa consciente e os casos em que existe a extinção ou diminuição da responsabilidade.. defendendo a ideia de que todos os elementos da culpabilidade são subjetivos. passando a ser “tipo de injusto” Elementos do Crime (Neoclássico) Antijuricidade: deixou de representar a simples contradição formal e passou a exigir um dano social (aspecto material). constituindo elementos da mesma natureza. isto é. de uma modificação no mundo exterior. para a modificação causal do mundo exterior devia bastar qualquer efeito. que liga o autor ao resultado. Essa concepção de ação dificilmente podia compatibilizarse com a omissão. Se o dolo é caracterizado pelo querer e a culpa pelo não querer. Sendo a culpa normativa e o dolo um conceito psíquico eles não deveriam definir conjuntamente a culpabilidade. 2002. p. Para essa teoria. Tipo (tipo de injusto): passou a considerar os elementos subjetivos e não só os normativos. a teoria apresentou inúmeros erros. dolo híbrido ou normativo. ( DAMÁSIO. O erro dessa doutrina consiste em reunir como espécies fenômenos completamente distintos: o dolo e a culpa. Era a ação um fenômeno causal-naturalista (causa-efeito).Teoria psicológica de culpabilidade: A teoria psicológica expressa a relação existente entre o fato cometido e o autor (com sua consciência) e o posicionamento que o autor assume frente à ação cometida. Não se pode dizer que entre ambos. e consequentemente subjetivo. ocasionando uma mudança nos elementos do conceito clássico de crime.Teoria naturalística (ou causal) da ação: ação é a produção. o vínculo subjetivo entre a conduta e o resultado. não podem ser espécies de um denominador comum. permitindo graduar o injusto conforme a gravidade da lesão Culpabilidade: passou a considerar a reprovabilidade da conduta pela formação da vontade contrária ao dever (conduta diversa). . p. principalmente no que concerne a explicação do dolo e da culpa como espécies da culpabilidade. assim como no plano objetivo. a relação psicológica. o que nos leva a perceber as falhas dessa teoria. a culpabilidade. qual seja. .

Se desvinculando dos fundamentos da teoria causal ou naturalística da ação. Porém ainda traz a noção de dolo (um conceito psicológico). essa nova doutrina aparece com fundamentos da teoria neokantiana do delito. são elementos da culpabilidade. a separação do aspecto objetivo e subjetivo da ação e do próprio injusto. exigibilidade de conduta diversa. O autor que comete um fato típico e antijurídico leva consigo o “peso” do resultado que obteve. passa a ter um elemento subjetivo. enquanto que o objeto da reprovação (conduta humana) situa-se no injusto. para a teoria psicológico-normativa são elementos da culpabilidade a imputabilidade. porém que advém da ordem jurídica. não mais como um vínculo entre este e o fato. 460).Teoria psicológica-normativa da culpabilidade: após análises. Nela o dolo e a culpa são elementos da culpabilidade. 343). essa teoria “vê a culpabilidade como algo que se encontra fora do agente. já que um é conceito psíquico e outro normativo e a partir dessa percepção. # Conceito finalista: opõe-se à concepção causal de ação e a separação da vontade e seu conteúdo. tipicidade Fato típico Conduta voluntária Resultado involuntário Crime culposo (elemento normativo) Elementos do Crime (Finalista) Nexo de causalidade Tipicidade Quebra do dever objetivo de cuidado Possibilidade objetiva do resultado (há crítica visto que o conhecimento do agente é variado) Antijuricidade: decorre da tipicidade. Passa a admitir que eles. ficou claro que dolo e culpa não poderiam ser espécies da culpabilidade. e é esse o conceito de culpabilidade que a teoria defende. ao defender e indicar elementos que a compõe (imputabilidade e exigibilidade). isto é. juntamente com outros conceitos. transformando o injusto naturalístico (conceito clássico) em injusto pessoal. resultado voluntário. de acordo com Damásio de Jesus (2002. . Culpabilidade: imputabilidade. Deslocou os elementos subjetivos da culpabilidade (dolo e culpa) para o fato típico. o elemento psicológico normativo – dolo ou a culpa e a exigibilidade da conduta diversa.. sendo certo que. ao extinguir dolo e culpa como espécies únicas da culpabilidade. salvo excludentes. Logo. Segundo Cezar Roberto Bittencourt (2008.” Nesse caso a culpabilidade é entendida como um “sentimento” levado pelo agente do fato. isto é. Tal teoria desconsidera que dolo e culpa sejam espécies únicas da culpabilidade. potencial consciência da ilicitude. nexo de causalidade. Crime doloso: conduta dolosa. uma nova doutrina surge buscando conceituar a culpabilidade. o crime só estará completo se houver presença da culpabilidade. verifica-se a intenção do agente. mas como um juízo de valoração a respeito do agente. Nota-se que essa teoria trouxe certo desenvolvimento ao conceito de culpabilidade. gerando uma concepção puramente normativa. p. contraditoriamente ao conceito de culpabilidade que é um fenômeno normativo. à culpabilidade cabem as circunstâncias de reprovação da conduta contrária ao Direito. p. Portanto.

assim como o dolo. passando a ser um dolo tão-somente natural. Assim. ou à culpa em que ele tenha incorrido por não observar dever objetivo de cuidado. Evita o regresso desnecessário da ação. alguém que age sob excludente de ilicitude não terá imputação objetiva. após a teoria Finalista. Princípio da insignificância III. Princípio da confiança: confiança funcional. A culpabilidade é pressuposto elementar sem o qual não se configura a Infração. antijurídica e culpável. # Sistema (ou teoria) da imputação objetiva: é um elemento do fato típico. sendo visto como um todo unitário tanto a fase interna quanto externa. Ela é fundamentada pela teoria finalista da ação e exclui da culpabilidade o conceito de dolo. . p. a potencial consciência sobre a ilicitude do fato e a exigibilidade da conduta diversa. sendo transferidos para a conduta do agente. sua motivação subjetiva. A conduta é composta de ação/omissão somada ao dolo perseguido pelo autor. esse recaindo agora apenas sobre a pena. O dolo. A grande novidade foi a existência de duas tipicidades: a objetiva e a subjetiva. característica integrante do fato típico. São princípios auxiliares: I. 462). Essa teoria encerra as teorias e é a que comumente é usada no caso brasileiro. Na culpabilidade. foi definida como fase interna da conduta (estruturada na mente do ser humano). deixou de ser elemento dela.Teoria finalista da ação: a infração penal só se constitui com conduta tipificada. Com essa nova teoria. e a culpa. Da culpabilidade foram extraídos o dolo e a culpa. após a sua transferência. uma pessoa só pode ser punida por um fato se causar um dano ou perigo fruto de conduta proibida por direito. Diz que a conduta deve criar um risco jurídico vedado. A culpabilidade assume então a representação de um “juízo de valor que existe sobre um ato psicológico que existe ou falta” (JESUS. 2006. não mais sobre a reprovação de juízo.Teoria normativa pura da culpabilidade: A teoria normativa pura surge com o intuito de superar os erros iniciados pela teoria psicológica e incorporados posteriormente pela teoria psicológico-normativa. O ato de um agente não contamina o outro. elementos que eram próprios do dolo foram incorporados como elementos da culpabilidade. Princípio da proibição do regresso: necessita de uma ação que resulte num resultado (análise do vínculo subjetivo). isto é. A intenção do agente. passou-se a analisar um crime tanto subjetivamente em seus motivos quanto objetivamente em seus fatos. Logo.. deixou de ser normativo. . 418) Destarte. visto que as excludentes são normas penais permissivas. p. II. espera que outras pessoas sejam responsáveis e atuem de acordo com as normas da sociedade. visando evitar danos a terceiros. 2002. contudo permaneceu a consciência sobre a ilicitude do fato (extraída do dolo) (GRECO. passam a constituir elementos da culpabilidade a imputabilidade.

podendo ser isolada (o que não acontece nos crimes) ou cumulativa a prisão simples. a infração a que a lei comina. pena de prisão simples ou da multa. porém se diferem quanto ao grau coercitivo imputado na sanção penal. Não há diferença ontológica entre crime e contravenção. Logo: . Crime Bipartida Contravenção Crime Tripartida Delito Contravenção Classificação do tipo penal . quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa.IV. # Classificação bipartida e tripartida do tipo: o Brasil adota a classificação bipartida. . contravenção. alternativa ou cumulativamente com multa. # Definição legal de crime no Brasil: de acordo com a LICP (Lei de Introdução ao Código Penal) “considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção quer isoladamente. alternativa ou cumulativamente”.Crime (delito): sujeita seu autor a pena restritiva de liberdade (reclusão ou detenção) isolada. Princípio das “ações de próprio risco”: quando não há um responsável pela ação. ou ambas. pois o agente aceita o risco das suas ações (é diferente de instigar ou induzir uma pessoa a uma situação de risco).Contravenção: sujeita seu autor a pena de multa. isoladamente.

não admitindo coautoria. II.Sujeito passivo constante ou formal: é representado pela figura do Estado. . . tenha discernimento).Sujeito passivo eventual ou material: é o titular do bem jurídico lesado. A classificação sujeito passivo se divide em duas espécies: .Observações sobre o sujeito ativo: I. restando apenas a imputação de uma responsabilidade civil. pois uma parte da doutrina afirma que não podem ter responsabilidade penal visto que não é possível imputar uma pena restritiva de liberdade numa pessoa jurídica. Feto: IV. Civilmente incapaz: por não ter discernimento é considerado inocente por seus atos. # Sujeito ativo: é quem pratica o ato ilícito e a quem será imputada a sanção penal (desde que seja imputável. 123. Crimes próprios e de mão própria: crimes próprios são crimes que dependem de um agente com qualidades especiais para ser praticados. onde a mãe. só o ser humano maior de 18 anos pode ser considerado como sujeito ativo (tem que ser imputável). Responsabilidade penal da pessoa jurídica: há divergências. portanto serão sempre sujeitos passivos do crime e nunca ativos. Porém. Recém-nascido: pode ser sujeito passivo de um delito. é imputada uma medida de segurança ao doente. o infanticídio. porém outra parte da doutrina afirma que a pessoa jurídica pode ser alvo da imputação penal. . sob efeito do estado puerperal. pois há a questão do art. III. as infrações cometidas por menores de 18 anos são chamadas de atos infracionais e são disciplinados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). como a qualidade de funcionário público ou testemunha). V. isto é. II.Observações sobre o sujeito passivo: I. CP. pois uma das formas de sanção penal é a multa. # Sujeito passivo: é quem tem o bem jurídico lesado pela ação cometida do sujeito ativo. Crimes de mão própria são os delitos a serem cometidos pessoal e diretamente pelo agente. não podendo fazê-lo por meio de outra pessoa). Entes despersonalizados: . porém devido ao risco que representa a sociedade. somente participação (ex: a testemunha deve mentir diretamente. Em princípio.SUJEITO E OBJETO DO CRIME Existem dois tipos de sujeitos do crime: o sujeito passivo e o sujeito ativo. Animais: não tem discernimento e nem são capazes de expressar sua vontade. pois está presente em todos os delitos visto que possui monopólio do “ius puniendi”. Tais qualidades podem ser de fato (natureza humana – como o gênero da pessoa – ou inserção social – ser mãe ou estar enfermo) ou de direito (decorrente de lei. mata seu filho.

. a honra).Objeto jurídico: é o interesse protegido pela norma e estampado pelo bem jurídico tutelado (vida.Objeto material: é a pessoa ou coisa contra a qual se volta a conduta criminosa. inviolabilidade domiciliar). Pode ser corpórea ou não (honra. patrimônio.# Objeto do crime: são divididos em duas categorias: . .

3ª) Fase da ratio essendi da antijuricidade: Mezger incluiu a tipicidade na antijuricidade tornando o crime uma ação tipicamente antijurídica e culpável. isolado da culpabilidade e da antijuricidade. Material: capacidade de criar ameaça ou perigo a bem jurídico tutelado. mas sim um indício da antijuricidade. Logo não permitia nenhum juízo de valor ou reprovabilidade na tipicidade. Mantém a distinção da tipicidade da antijuricidade. é possível que uma ação seja típica. tentativa e participação). # Evolução: 1ª) Fase da independência: Beling considerou analisar a tipicidade sob um enfoque meramente descritivo (definir delitos). . . exceto se houver justificativa. II. mas não seja antijurídica (no caso das excludentes de ilicitude). Logo. Subdivide-se em: tipicidade legal (formal) e tipicidade conglobante (que por sua vez se divide em tipicidade material e antinormatividade). presume-se que um fato típico seja antijurídico até que se prove o contrário. .FATO TÍPICO # Conceito: é a relação de adequação de um fato concreto à um tipo penal previsto em lei. Incluiu elementos normativos na tipicidade que formaria um juízo de valor sobre a conduta. porém o fato de uma conduta ser típica já pressupõe que seja antijurídica (função indiciária). Por subordinação imediata (direta): não necessita de outra norma para enquadrar o tipo (autossuficiente).Tipicidade conglobante: Antinormatividade: a conduta não pode ter uma causa de justificação (excludente) e não pode ser incentivada por lei. o tipo passou a ser o resultado de um juízo de valor. 2ª) Fase da ratio cognoscendi da antijuricidade: Mayer defende que a tipicidade não é simplesmente objetivo-descritiva. negando esta nega-se também a tipicidade (causas justificáveis da conduta). # Adequação típica: dá-se de duas formas: I. # Tipicidade conglobante (Zaffaroni): trata-se de um dos aspectos da tipicidade penal contida no elemento fato típico do conceito de crime. Portanto. Por subordinação mediata (indireta): necessita de outra norma (de caráter extensivo) para ampliar a figura típica e ter aplicabilidade (ex: crimes de omissão. voltado apenas para o caráter externo da ação. Visto que atribui-se ao tipo a função constitutiva da antijuricidade. Logo. A tipicidade passa a ser a base (ratio essendi) da antijuricidade (vincula uma à outra).Tipicidade legal (formal): é dada pela subsunção do fato a norma.

determinando uma maior ou menor gravidade. etc.Circunstâncias: utilizadas na dosemetria da pena. Natureza Subjetiva: perfil psicológico do agente. Elementares: dados essenciais da configuração do crime (tipificado). . Judiciais Circunstâncias Legais . sob influência do estado puerperal. 123. Normativa: valorado diante do caso concreto. “Matar. o próprio filho.# Elementos do crime: são divididos em duas classificações: I. Ex: o art. Observa-se que a norma extraída da lei é: “Agente mata dolosamente outrem” Sujeito Ativo Verbo (núcleo do tipo) Intencionalmente Sujeito Passivo e Objeto Obs: faltando um dos elementos. quando. Circunstâncias: dados acessórios. CP. durante o parto ou logo após” Verbo (núcleo do tipo) Circunstância Sujeito Passivo e Objeto Momento . o qual define o crime de homicídio com a conduta matar alguém. haverá um caso atípico (o qual pode ser relativo ou absoluto). Obs: não vale para crimes como infanticídio (art. 121. motivo. II. pois os elementos são essenciais para compor o tipo. CP). como. Vale analisar o caso concreto para determinar a circunstância (onde.Natureza dos elementos de crime: Objetiva: conduta empregada. etc).

Comunicabilidade das elementares e circunstâncias: Art. .. 30: a) Todas as elementares do crime comunicam-se a todos os agentes (se por eles forem conhecidas) b) As circunstâncias da infração penal comunicam-se apenas quando objetivas (e forem conhecidas pelos demais concorrentes) Abrangeria todos os dados acessórios da figura típica que dão origem a figuras qualificadas ou privilegiadas.

Para os primeiros temos crimes formais (crimes de mera atividade) ou crimes omissivos. pois se admite qualquer pessoa como autora. # Tipo subjetivo: abrange todos os aspectos subjetivos do tipo de conduta proibida que produzem o tipo objetivo. Ação ou omissão: é a descrição da conduta do autor. ou uma atividade humana que produz um resultado. pelo menos em crimes comuns. O tipo subjetivo é composto pelo dolo (elemento geral) o qual é acompanhado de tendências e intenções (elementos especiais ou acidentais).TIPO DE INJUSTO DOLOSO Existem dois tipos de injusto doloso: tipo objetivo e tipo subjetivo. O sujeito não é determinado objetivamente. visto que em crimes especiais (ou próprios) o autor precisa de uma determinada qualificação (ex: mãe no crime de infanticídio). Não se deve conceituar o resultado como uma ofensa (dano ou perigo) a bem jurídico tutelado. não necessitando de um resultado externo para punição. Autor da ação: sujeito que realiza a conduta proibida ou omite a ação esperada. Os tipos penais podem descrever uma atividade ou inatividade humana. Portanto. . # Tipo objetivo: descreve todos os elementos objetivados que identificam e limitam o teor da proibição penal. é necessário demonstrar que o resultado constitui precisamente a realização do risco criado pelo autor através da conduta. são distintos. A ação é tida como típica se houver o animus agendi (intenção de agir). A ofensa constitui uma valoração do resultado. No segundo caso temos crimes materiais (ou de resultado). III. portanto é o primeiro passo para uma imputação objetiva (mas não é o único. a vontade e consciência do autor em agir. numa concepção naturalística. é o fato típico concretizado no mundo exterior. Nexo causal (imputação objetiva): é o elemento que relaciona ação e resultado. Além do nexo de causalidade. ofensa a bem jurídico e resultado da ação. pois nem toda causação é juridicamente relevante para fundamentar a imputação da sanção penal). ou seja. . Resultado: é a consequência externa derivada da ação. IV. II.Elementos do tipo objetivo: I. senão estaria forçadamente ligado ao princípio da ofensividade (“não há crime sem resultado”).

além disso. O CP Brasileiro adotou a concepção da teoria da vontade no que diz respeito ao dolo direto. assume o risco. vontade não de violar a lei. Cognitivo: conhecimento ou consciência da conduta ilícita. como elemento indispensável para um juízo de reprovação. Logo. Para pessoas com falsa percepção da realidade onde estão inseridas. Argumenta-se. . porém visto a importância de produzir determinado resultado. I. mas não impede que o aplicador da lei considere sua distinção ao fazer a dosimetria da pena. Da vontade: vontade consciente dirigida ao resultado. visto que é indispensável. quem tem a vontade de causar o resultado evidentemente tem a representação deste. II.DOLO # Conceito: “vontade de concretizar as características objetivas do tipo” (Damásio de Jesus).Elementos (do dolo neutro): abrangem o objetivo desejado. mas sim de produzir determinado resultado (visão finalista – é o denominado dolo natural). o crime é considerado doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. III.Teorias: I. se a vontade efetivamente exercida na ação nada representa e que. isto é. a representação já está prevista na teoria da vontade. contudo. Sendo assim. acompanhada da consciência de ilicitude (visão causalista – é o denominado dolo normativo ou dolo híbrido). portanto o que importa para está teoria é a consciência de que a conduta provocará o resultado. A doutrina finalista deslocou o elemento normativo “consciência da ilicitude” do dolo para a culpabilidade. que a simples previsão do resultado. a vontade consciente de ação dirigida imediatamente contra o mandamento normativo. embora estejam convencidas de que fizeram algo certo. os métodos escolhidos e as consequências secundárias da obtenção do resultado. # Generalidades: . Volitivo: vontade de praticar a conduta ilícita a fim de produzir seu resultado. A conduta implica numa consequência ou produção de risco para o autor. Não nega a existência da consciência do fato. # Espécies: . há a probabilidade da ação não produzir o resultado esperado. É a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal. Essa previsão legal equipara “dolo direto” e “dolo eventual”. Da representação: vontade dirigida para a produção de um resultado certo ou provável. II. Do consentimento: assume o risco possível do resultado. não exclui o fato de que agiram com dolo. O dolo é a mera previsão do resultado. . que podem agir com vontade de praticar o tipo penal. Para esta teoria existe dolo simplesmente quando o agente consente em causar o resultado ao praticar a conduta. do seu resultado e do seu nexo.Dolo direto (ou imediato): divide-se em dolo direto de 1º e 2º grau. mas destaca a importância da vontade de causar o resultado. ou seja. logo.

enquanto que no dolo de 2º grau o agente não tem tal consciência (vontade configurada debilmente). . porém os meios utilizados acarretam efeitos colaterais praticamente certos. . Dolo indireto eventual: é quando o agente dirige sua vontade a produção de um determinado resultado. II. . O agente não persegue os efeitos colaterais. mas é acrescido por elementos normativos que permitem a consciência da ilicitude (emprego de juízo de valor presente no conceito neoclássico de crime). atira e depois de acertado. Dolo direto de 1º grau: composto pela intenção do agente voltada a produzir um determinado resultado estabelecido. . Ex: plantar bomba em aeronave para matar sujeito “x” (dolo de 1º grau) e mata também todos os passageiros embarcados (dolo de 2º grau). sua intenção de agir. o alvo cai. I.Dolo de dano: o agente direciona sua vontade para produção de um resultado lesivo (intensão de provocar lesão). porém consciente da produção possível de um segundo resultado. mas. pois o ferimento a bala não era suficiente para causar a morte. acidentalmente. Dolo indireto alternativo: é quando a conduta do agente pode produzir mais de um resultado e ainda assim ele aceita um ou outro de forma indiferente (ex: furto e apropriação de coisa achada).Dolo indireto (ou mediato) divide-se em eventual e alternativo. abrangendo os meios empregados. Dias depois o corpo é encontrado e a perícia diz que a vítima foi morta por afogamento. acaba produzindo-o por outra conduta posterior. Ao avistar a vítima. mas o aceita visto objetivo de produzir o primeiro resultado. .Dolo híbrido (normativo): é composto pela consciência dos efeitos oriundos da conduta executada. mas os aceita visto a concretização do resultado aleijado. . O CP Brasileiro adotou a concepção da teoria do consentimento ao conceituar o dolo eventual. Ex: agente quer matar “x” com disparos de arma de fogo. Dolo direto de 2º grau: composto pela intenção do agente voltado a produzir um determinado resultado estabelecido. O dolo de 2º grau é abarcado pelo meio escolhido no dolo de 1º grau.Dolo natural (neutro): é composto pela consciência da conduta executada pelo agente e sua vontade de agir (não recai juízo de valor e nem consciência da ilicitude). II. Posteriormente o agente joga o corpo no rio a fim de apagar evidências.Dolo de perigo: o agente direciona sua vontade para produzir apenas um resultado de perigo (intensão dirigida a um resultado de perigo).Dolo geral: pratica-se uma conduta visando um resultado. Diferencia-se do dolo direto de 2º grau porque neste caso o agente tem plena consciência da produção de um resultado colateral.I. .

o mais importante na culpa é a análise da conduta do agente e não do resultado. pois não se exige da pessoa uma atenção fora do normal constante. é a quebra do dever de cuidado objetivo seguido da previsibilidade objetiva do resultado.CULPA # Conceito: é o comportamento voluntário desatencioso. V. que poderia ter sido evitado (NUCCI). Tipicidade: o crime culposo deve estar expressamente previsto no tipo penal. No crime culposo o elemento decisivo da ilicitude não reside no resultado lesivo causado pelo agente. IV. o dolo é a regra e a culpa a exceção.Síntese do processo de adequação típica: Dever de cuidado objetivo Resultado objetivamente previsível Fato típico Previsibilidade subjetiva Antijurídico . Para a punição. mas no desvalor da ação que praticou. . II. . Resultado involuntário: o resultado lesivo jamais deve ser desejado pelo agente. logo. III. Deverá ser analisado diante do caso concreto (elemento normativo). através da previsibilidade. Previsibilidade objetiva do resultado: é a possibilidade de prever o resultado lesivo. Conduta voluntária: consequências antissociais que a conduta irá produzir. não desejado. embora produza resultado ilícito. lícito ou ilícito. voltado a um determinado objetivo.Tipos penais abertos: visto que o legislador não consegue definir uma conduta culposa para os tipos penais abertos. Quebra do dever de cuidado objetivo: violação das regras básicas de atenção e cautela exigíveis a todos os membros da sociedade. Relação de imputação objetiva. Nexo de causalidade: é necessária apenas a ligação. # Elementos: I. mas previsível (previsibilidade objetiva do resultado). não tem como tipificar uma conduta culposa para essas situações. Derivam da proibição de ações de risco. VII. Por ser elemento normativo deve ser analisado diante do caso concreto. da conduta do agente e o resultado danoso visto que o agente não deseja o resultado obtido. VI. onde sua ausência afastará a culpa.

Levíssima. Portanto. . # Tipos de culpa . Inescusável: afasta a punição por dolo. embora acredite que tal evento não se realizará (classificado como culpa grave na dosemetria da pena). conhecimento ou experiência para determinada ação. III.Culpa consciente: possui previsão do resultado.Culpa imprópria (ou culpa por equiparação ou por assimilação): é a chamada culpa com previsão. . agir precipitadamente. o erro profissional pode gerar uma imputação penal. Quando o agente age com culpa consciente a reprovabilidade da conduta é maior. diante do caso concreto. varia de organismo para organismo). . pois desconhece as regras. Para não ser confundida com o dolo eventual é necessário avaliar. O que se tem é a vontade do agente de produzir determinado resultado influenciado por uma falsa percepção da realidade. III. negligência ou imperícia. Imperícia: falta de aptidão. . surge no erro do tipo (falsa percepção da realidade) inescusável ou invencível e no excesso culposo (não há justificativa para a conduta. II.Culpa própria: decorre da imprudência. o agente prevê que sua conduta pode levar a um resultado lesivo.# Modalidades de Culpa: I. com maior prudência. Negligência: agir ser a devida cautela. é dolo oriundo do erro de tipo inescusável. Para admitir imprudência e negligência é necessário que o agente tenha conhecimento das regras para execução de uma determinada ação e as viole. Ex: o erro profissional não deve ser associado a um erro de diagnóstico visto que neste o conhecimento é variável (a medicina em si não é exata. Leve. II. Grave. Escusável: afasta a punição (dolo e culpa). Não existem no contexto do Direito Penal. Erro de tipo: I.Culpa inconsciente: não possui previsão do resultado. II. teria sido evitada). atenção ou cuidado. o imperito não pode ser associado à negligência e a imprudência. quanto do dever de cuidado objetivo foi quebrado. Só são relevantes para a dosemetria da pena. Logo. mas matem a punição por culpa (é a única possibilidade de “tentativa de culpa”. # Graus de culpa: deve ser analisada no caso concreto (elemento normativo). Logo. as demais ações não são justificáveis como tentativas visto que a culpa há de ser sempre demonstrada e provada pela acusação). pois. é a culpa por excelência (classificada como culpa leve ou levíssima). Imprudência: agir sem precaução. I.

por se dirigir a um fim típico. mas não exclui a responsabilidade penal.00. parágrafo único. CP) Ex: crime de receptação (receber um bem que seja oriundo de outro crime) não admite a forma culposa por dois motivos: 1. logo. não menciona em nenhum lugar a opção culposa dessa conduta. É uma das espécies de crime qualificado pelo resultado. pois já passa a ser dolo eventual. . e que é culposa pela causação de outro resultado que não era objeto do crime fundamental pela inobservância do cuidado objetivo. No crime preterdoloso o resultado vai além da intenção do agente. em que a conduta é dolosa. há a combinação de dois elementos (dolo e culpa) que se apresentam sucessivamente: a conduta inicial é dolosa e o resultado final culposo. # Concorrência e compensação de culpas: . . 18. a vítima também agiu culposamente (essa modalidade inexiste no Direito Penal). abrangendo dolo como antecedente e culpa como consequente. quando realizado na forma culposa.Concorrência: se duas ou mais pessoas agem dolosamente e juntas dão causa a um resultado. não poderá ser classificada visto que os crimes culposos devem estar expressamente previstos na legislação. É a chamada “coautoria sem ligação psicológica” ou “autoria colateral em crime culposo” (existe no Direito Penal). mesmo que tenha negligenciado essa ideia. 2. se previsto expressamente em lei (art.Compensação: além do sujeito ativo. é lógico que ela considere implícito que houvesse algo errado e.Porque se a pessoa compra um produto como um carro de R$ 30 mil reais por R$ 1000.Não existe gravíssima. # Preterdolo (preterintencional): é um crime misto. por exemplo. 180. É aplicada para atenuar a pena na hora da dosemetria. # Excepcionalidade do crime culposo: o fato só constituirá crime . CP. Neste caso. tinha a suspeita e ainda assim praticou a conduta volitiva e conscientemente.Porque no art.

Neste caso o agente. o partícipe. só responde pelos atos já praticados”. CP. e) Não se admite tentativa no crime habitual. desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza. uma vez que depende sempre de um resultado. o que o torna irrelevante para o DP. f) Em tentativa de contravenção (o agente é impedido por terceiro de praticar vias de fato. que o induziu. consumação e exaurimento.Fase externa (2ª fase): é composta de quatro etapas: preparação. Na preparação. se o crime não chefa. Preparação: atos considerados meramente preparatórios não são punidos criminalmente. . voluntariamente. já iniciada a execução do . ou não há essa habitualidade e os atos são penalmente indiferentes. subjetiva ou cogitação (1ª fase): não é punível. 288. 291. CP. que tem como função tutelar condutas na fase da preparação de um crime para evitar uma lesão maior a bem juridicamente tutelado. Ex: injúria oral. Ex: art. execução. salvo disposição expressa em contrário. nessa hipótese. . d) Só se admite nos crimes complexos se não se consumarem os crimes componentes. pelo menos. 15. a determinação ou instigação e o auxílio. que passa da cogitação à ação objetiva. como nos crimes de ameaça. já que a consumação exige a realização integral do tipo. pois só a crime na esfera psíquica. por exemplo). b) Não se admite em crime preterdoloso quando não se consuma o resultado agregado ao tipo fundamental.Desistência voluntária: segundo o art. afinal um dos elementos do fato típico é a conduta (exteriorização do pensamento que causa mudança no mundo exterior). instigou ou auxiliou. pois. pois ou há reiteração de atos e consumação. a lei exclui a punibilidade nesses casos. 286. CP. “o ajuste. não são puníveis. se o agente não sai da fase de preparação. o evento é que o transforma em crime preterintencional. Só é punível se constituir por si mesmo um fato típico. Entretanto. I. ou seja. não será punido. Conforme o art.Fase interna.ITER CRIMINIS # Conceito: a expressão significa “caminho do crime” e abrange as várias fases que vai desde a cogitação até a consumação do crime. “o agente que.Inadmissibilidade da tentativa: a) Não se admite crime culposo. 31. a ser tentado”. c) Não se admite nos crimes unissubsistentes (de ato único) já que é impossível separar cogitação de execução. . na preparação os atos são externos ao agente. # Fases: . algumas ações de relevante valor são considerados tipos penais especiais.

omissão de socorro). portanto. Consumação nos crimes: a) Crimes materiais ou de resultado: conduta e o resultado previsto em lei. mas que algumas pessoas. como o crime de desobediência (art. mas apenas uma forma mais grave de ilícito. II. d) Crimes permanentes: a consumação se prolonga no tempo por vontade do sujeito ativo. 148. . quando o agente estava obrigado a evita-lo. 135. negligência ou imperícia. Enquanto estiver nessa situação. Consumação: ocorre quando se fazem presentes todos os elementos da definição legal – ocorre total subsunção do fato à norma. mas a ele dá causa. g) Crimes omissivos impróprios: existem devido a um resultado posterior. mas o evento não se realizar. que ocorreu em face da omissão. o crime só é consumado com a concretização do resultado lesivo e não somente com a omissão. Execução: possui dois critérios: a) Critério material (ataque ao bem jurídico): a conduta coloca em risco o bem. se consuma no local e no momento em que o sujeito ativo deveria agir. c) Crimes formais: conduta e resultado previsto em lei. Logo. mas este não é necessário para haver a consumação. elevando os limites da pena. É com a omissão que advém o resultado. Se houver inobservância do dever de cuidado.delito. Não surge a formação de um novo tipo penal. 316. tampouco assume o risco de produzilo. Em geral são crimes praticados mediante ação. b) Critério formal-objetivo (início da realização do tipo): a conduta se amolda ao verbo (núcleo) do tipo. desistir da execução do crime. b) Crimes de mera conduta: não há resultado. Logo. onde a consumação só ocorre com a realização do evento (ex: art. independente de consequências futuras. não pode ser influenciado por coação física ou moral. crime de concussão. há consumação com a ação prevista na norma. A consumação ocorre com a prática do resultado acrescido ao tipo fundamental. permanece em estado de flagrante delito (ex: art. homicídio . e) Crimes culposos: quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. 330). podem praticá-los mediante omissão. f) Crimes omissivos próprios: se consumam com uma simples omissão. Só há consumação com o resultado. Não quer o resultado. onde o pagamento do valor é desnecessário para a consumação). em virtude da inobservância do dever objetivo de cuidado. pois o resultado naturalístico é dispensável (ex: art. como nos crimes omissivos próprios (ex: homicídio causado pela omissão do enfermeiro de dar determinado medicamento à vítima). sequestro). h) Crimes qualificados pelo resultado: é aquele em que ao tipo básico (crime simples) a lei acrescenta circunstância que agrava sua natureza. 121. mas não o fez (ex: art. não configura crime.morte). por terem a obrigação legal de agir. III. não existe consumação. Logo. decide espontaneamente.

iniciada a execução. Abandonada ou qualificada: desistência voluntária e ao arrependimento eficaz (art. II. III. Circunstâncias alheias à vontade do agente: a) Por desejo do agente: não há tentativa. que constituem um todo. IV. Neste caso a tentativa pode ser perfeita ou imperfeita. Embora a prática de um ato apenas não seja considerada crime. mas não da forma pretendida pelo agente. agride novamente o bem. Imperfeita: não se consegue prosseguir na execução por interferência externa. II. 15. II. (ex: art. # Crime tentado: é quando. 123 (infanticídio) + art. CP). não sofrendo nenhum dano. exercício ilegal da medicina). Branca (ou incruenta): a vítima sequer é atingida. . Inadequada ou inidônea: crime impossível (ainda que iniciada a execução. V. depois de consumar o delito. a pratica do todo irá configurálo. Exaurimento: o agente. 14. é possível associar o delito como forma incriminadora principal e a secundária (dispositivo sobre a tentativa – art. Para os delitos que não possuem expressamente a situação de tentativa. Pode ser tanto perfeita como imperfeita. mas não chega à consumação. Não consumação: por circunstâncias alheias à vontade do agente que impossibilitam a consumação do delito. Só pode ser reconhecida quando a conduta é de tal natureza que não deixa dúvida quanto à intenção do agente. VI. não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Cruenta (ou vermelha): a vítima é atingida. É uma causa de diminuição obrigatória. IV. Assim sendo. apesar do agente ter praticado os atos necessários à produção do evento (a vítima de envenenamento ou de disparos é salva por intervenção dos médicos).i) Crimes habituais: é normalmente constituído de uma reiteração de atos. Início de execução: a conduta. Perfeita (crime falho): quando a consumação não ocorre. . Só influi na dosemetria da pena. . II). penalmente indiferentes em si mesmos. um delito apenas.Pressupostos da tentativa ou conatus: I.Espécies: I. 14. Ex: art. será consumado pelo exercício reiterado. III. ela jamais se concretizaria por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto). 282. Há apenas a desistência voluntária do agente ou o arrependimento eficaz. 14. II: norma de adequação típica por subordinação mediata ou indireta (exige outra norma para extensão temporal da figura típica). ou pelo desejo do agente. É a realização incompleta do tipo. habitual. Art. onde há a fase de execução.

# Desistência voluntária e arrependimento eficaz: atuam como excludentes da tipicidade. reduzida de 1 a 2/3. . há consumação com a ação prevista na norma (ex: injúria verbal – art. g) Crimes permanentes de forma exclusivamente omissiva: por ser permanente e omissivo. não há como distinguir a cogitação da execução. já está consumado o crime (se agir.# Punibilidade da tentativa: ao punir a tentativa. visto a vontade do autor contrária ao Direito. que tipifica como crime induzir ou instigar alguém ao suicídio ou prestar-lhe auxílio para que o faça. auxiliar alguém a se matar será atípico se não houver suicídio ou sua tentativa. o Direito está protegendo um bem jurídico. 330). O sujeito ativo quer o resultado (dolo). b) Crime preterdoloso: não admite por faltar dolo no resultado agravador. LCP (a tentativa não será punida). . 122. # Infrações que não admitem a tentativa: a) Crime culposo: pois não existe a intenção e. houve a interrupção vonluntária). A pena só será aplicada se houver ao menos tentativa de suicídio.Teoria subjetiva: defende a aplicação da mesma pena que no delito consumado. ainda que este não tenha corrido perigo de maneira efetiva. h) Crimes de atentado: nesses casos o legislador optou por punir do mesmo modo a consumação e a tentativa. na tentativa. salvo expressa disposição em contrário. logo. Assim. já que há intenção. § único: pune-se a tentativa com a mesma pena do crime consumado. Art.Desistência voluntária: o agente tem meios para prosseguir na execução (não esgotou o iter. . i) Crimes de mera conduta: não há resultado. 14. é um fato atípico) e) Contravenção penal: é vedada por lei. conforme previsto no art. como no caso de ajudar a montar uma forca que nunca será usada. pois parte dela acredita que haveria tentativa de crime culposo). d) Crime omissivo puro: com a simples omissão.Teoria objetiva (adotada no CP): defende a aplicação de uma pena menor do que no crime consumado visto que a lesão é menor ou até inexistente. não admite tentativa (ex: omissão de sequestro). j) Crimes habituais: se não há resultado. não há crime. mesmo que baseada numa ideia falsa da realidade – há divergência na doutrina. c) Crime unissubsistente: visto que se concretizam com um único ato. o agente quer. mas pelo simples fato de a tentativa poder vir a proporcionar a vivência do perigo. 140 – ou desobediência – art. f) Crime que a lei pune a tentativa somente quando ocorre o resultado: é o caso do art. 4º. mas não consegue por algo alheio à sua vontade (exceto na culpa imprópria. não há como fracionar o iter criminis. .

se apenas um deles desistir voluntariamente de prosseguir na prática do delito. pois só se consumam com o resultado em si. . Objetiva: se não houve risco não há punição. # Arrependimento posterior: segundo o art. os demais não serão beneficiados da causa geral da redução de pena. III. voluntariamente. Se a ineficácia ou a impropriedade forem relativas haverá tentativa.Absoluta impropriedade do objeto: o bem jurídico inexiste. Aplica-se aos crimes dolosos ou culposos consumados ou tentados. impede que o resultado aconteça. IV. CP): pode ser por: . aplica-se medida de segurança. O agente. III.inicia a execução. . mas arrependido por sua ação.Teorias quanto à punibilidade do crime impossível: I. . iniciado e terminado a execução. II. ainda que tenha quisto o resultado. É uma causa de exclusão da adequação típica do crime tentado. Como o benefício depende da manifestação pessoal do sujeito ativo da conduta. Não cabe em crimes culposos. pois se consumam num único ato.Requisitos: I. a desistência de um não se comunica aos coautores ou partícipes. V. 17. pois não há o desejo de buscar o resultado. Subjetiva: equipara o crime impossível ao tentado pela intenção do agente de lesar. Reparação ou restituição anterior à denúncia ou queixa. Ato do sujeito. Não admite influência de terceira pessoa para motivar a desistência. Reparação integral do dano ou restituição da coisa intacta (pode ser causa de extinção da punibilidade ou da ação penal). mas desiste de busca-lo. Abrange todos os crimes em que ocorra um dano patrimonial direto. II. Sintomática: indício de periculosidade do agente.Arrependimento eficaz: termina o iter e pratica conduta positiva para evitar a consumação. CP: redução de 1 a 2/3 da pena. # Crime impossível (art. .Requisitos: voluntariedade e eficiência (ou eficácia). Crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. Pode ser temperada (legislação anterior – aplica-se medida de segurança – liberdade vigiada – devido à .Absoluta ineficácia do meio empregado: por si não produz o resultado. . 16. de forma que. impede o resultado.Efeitos: só responde pelos atos praticados. e nem em crimes unissubsistentes. Voluntariedade. Não cabe nos crimes formais e de mera conduta. .

.periculosidade do agente) ou pura (legislação atual – extinguiu a medida de segurança).

a circunstância mais adequada a produzi-lo. Só seria causal a conduta que possuísse uma tendência geral à provocação do resultado. Evento Resultado Processo hipotético de eliminação: caso não haja o evento o resultado ocorrerá? Se sim. porém é ocasional. III. permitindo a imputação de um dever jurídico ao agente. # Teoria da imputação objetiva: além da causalidade material. a relevância penal de causalidade limita-se sempre pelo elemento subjetivo do fato típico. por isso. # Função: identificar quem deve ser o autor do fato. não há nexo! . Esta teoria é criticada por permitir o regresso ad infinitum. É favorável a aplicação do nexo reduzindo o regresso ad infinitum (visto que a relação de .RELAÇÃO DE CAUSALIDADE # Conceito: é o vínculo que une conduta e resultado. # Crise da teoria da equivalência dos antecedentes: I. II. sendo todas elas igualmente necessárias e equivalentes. Dupla causalidade com doses suficientes. IV. O resultado é produto de uma multiplicidade de causas e condições. Cursos causais hipotéticos ou desvio de cursos causais. V. Condição Causa Eventualmente pode levar ao resultado. Leva indubitavelmente ao resultado de acordo com a experiência de vida. Dupla causalidade alternativa. O resultado que ocorreria de qualquer modo. é necessário que a atitude do agente tenha produzido um risco juridicamente relevante.Teoria da equivalência das condições (da equivalência dos antecedentes ou da conditio sine qua non): é a mais utilizada no Direito Penal brasileiro.Teoria da causalidade adequada: é mais utilizada no Direito Civil. segundo um juízo de probabilidade. Decisões corporativas. # Teorias: .

Podem ser: I. significa que a causa superveniente causou isoladamente o resultado. # Posição do Direito brasileiro: art. por si só. pelo inusitado ou pela imprevisibilidade da sua ocorrência. conforme o princípio hipotético de eliminação (é um soma de forças onde. afastando a relação de causalidade.Concausas: é outra causa que. produz o resultado: neste caso quando. qualquer que seja a concausa – preexistente. ao invés de se anexar ao evento primário gerado pela conduta do agente. concausas independentes relativas (alia-se causalidade à conduta do agente) são as que auxiliam o processo causal iniciado pelo comportamento do sujeito (podem ser preexistentes. ligada à primeira. concorre a um resultado. durante o andamento de um processo causal. concausas independentes absolutas (excluem a causalidade) são os que. O legislador limitou a abrangência da teoria no § 1º do art. Superveniência de causa relativamente independente que. o resultado não será obtido). outro evento ocorre (produzido pela atividade humana ou não) onde. 13: teoria da equivalência das condições (de modo temperado). conforme o princípio hipotético de eliminação. a segunda causa (superveniente) é de tal ordem que determina a ocorrência do resultado como se tivesse agido sozinha. que trata das concausas ou simplesmente causas. provoca um novo nexo de causalidade. Supervenientes: ocorre depois da conduta. visto sua anormalidade. pode-se afirmar que não excluirá o nexo de causalidade da conduta anterior. utiliza-se o juízo hipotético de eliminação (se a causa superveniente é somada a conduta do agente a fim de produzir um resultado. III. caso uma não atue. sendo cada uma condição indispensável para aquisição do resultado. Para determinar se a conduta anterior é causa ou não do resultado. Caso não seja somada. . conforme expresso no art. Concomitantes: ocorrem simultaneamente com a conduta (exclui a causalidade ou une causalidade à conduta). onde. a conduta será fortuita. É preciso analisar se a conduta é lícita ou não. Pode haver uma causa e várias concausas. Preexistentes: ocorrem antes da existência da conduta (exclui a causalidade ou une causalidade à conduta). IV.causalidade que interessa é sempre aquela que pode ser valorada por meio do vínculo subjetivo do agente. acidental ou de força maior. de acordo com o princípio hipotético de eliminação. fazendo com que o autor responda apenas pelos delitos que cometeu). não configurando crime) e considerando a cogitação do resultado. não presentes o dolo ou culpa. porque a causa posterior simplesmente somou-se à conduta anterior na produção do resultado. II. § 1º. a conduta poderia ser excluída e não alteraria o resultado. revelando o dolo e culpa como restrições ao regresso ad infinitum. 13. a causalidade relevante é aquela que pode ser previsível ou mentalmente antecipada pelo agente. Embora seja possível estabelecer uma relação entre a conduta primitiva e o resultado final. concomitantes ou supervenientes). mas também pode ser oriunda de um fato natural. . V. concomitante ou superveniente – poderá produzir o resultado por si. Dependentes e independentes (absoluta e relativamente): concausas dependentes são as que conduta e resultado são inseparáveis. 13.

# Causalidade nos crimes omissivos impróprios: art. 13, § 2º: trata da relevância da omissão (omissivos impróprios). - Hipóteses de dever agir: I. Quem tenha, por lei, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; II. Quem de outra forma assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; III. Quem com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do resultado. # Causalidade nos crimes culposos: a relação de causalidade nesses crimes é derivada do dever objetivo de cuidado ao eleger os meios que servirão para a consecução dos seus fins. A relação de causalidade só será relevante quando a produção do resultado for objetivamente previsível. Art. 121, § 4º - bis in idem

ANTIJURICIDADE # Conceito: é a contrariedade de uma conduta com o direito (enfoque formal), lesionando bem jurídico tutelado, ou colocando-o em perigo ou dano (enfoque material). Deve ser apreciada objetivamente (conforme os padrões sociais da época). - Classificação: I. Genérica: contradição do fato com a norma abstrata, mediante afetação a um bem. II. Específica: ilicitude presente em alguns tipos penais (art. 244). # Excludentes de ilicitude: afasta o elemento normativo “contrariedade da conduta ao direito” da configuração do crime, tornando, em algumas situações, lícito o que é ilícito (art. 23). Quando a excludente está fora do tipo, a conduta pode ser considerada típica, mas não será antijurídica. A doutrina admite a existência de causas supralegais como excludentes, baseados no emprego da analogia in bonam partem (consentimento do ofendido). - Classificação das excludentes: I. Previstas na Parte Geral: são válidas para todas as condutas da parte especial ou em leis penais especiais. São elas: estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e exercício regular do direito. II. Previstas na Parte Especial: são válidas apenas para alguns delitos (art. 128, I – aborto necessário). III. Previstas em legislação extrapenal: podem constituir modalidades específicas das excludentes dispostas na parte geral, mas que s destinam a situações peculiares descritas em leis não penais (o CC autoriza o desforço, ou seja, a restituição de um bem seu através da força). IV. Supralegais: não dispostas em lei (consentimento do ofendido – desinteresse da vítima em fazer valer a proteção legal ao bem jurídico que lhe pertence). - Elemento subjetivo nas excludentes: há duas teorias I. Objetiva: se apega apenas ao fato concreto, descartando qualquer aspecto psíquico do agente, pois o que se passa na mente da pessoa não altera a realidade. Ainda que o agente pense estar praticando um crime, se a situação de fato configurar excludente, esta não será desconsiderada. Segundo esta teoria, o aspecto subjetivo só deve ser considerado na avaliação do excesso para determina-lo como doloso, culposo ou isento de culpabilidade (infortúnio). II. Subjetiva: é a contraposição da teoria, visto que, com a adoção do conceito finalista de delito, não há como desconsiderar o aspecto subjetivo do agente. Assim sendo, é possível avaliar, mesmo que a situação de fato configure excludente, se o agente é merecedor do benefício. Como consequência, visa que o uso de uma excludente não abranja a má-fé e o ato injusto. O que interessa ao ordenamento jurídico é que exista a motivação de preservar bem jurídico considerado valioso e cuja preservação seja analisada no caso concreto. Valo ressaltar que a consciência de agir, quando se

valendo da excludente, não se deve confundir a consciência de “se defender”, com a consciência de “utilizar um direito”. # Teoria da imputação objetiva: provoca nova abordagem de certas situações antes tratadas a luz da antijuricidade, não chegando a analisar a antijuricidade visto que atua como excludente de fato típico. A imputação objetiva passa a ser um elemento normativo especial do fato típico onde, se a conduta não for objetivamente imputada à antijuricidade, a conduta será lícita (norma penal permissiva – excludentes de ilicitude). # Excesso: desnecessária intensificação de uma conduta inicialmente legítima. É punível. Possui dois tipos: voluntário (consciente) e involuntário (inconsciente – erro de tipo inescusável). - Classificação dos excessos nas excludentes: I. Estado de necessidade: se dá quando o agente afasta o perigo utilizando meios que vão além do necessário, provocando dano em bem jurídico alheio. II. Legítima defesa: o excesso se dá na falta do emprego dos meios necessários para evitar a agressão ou no uso imoderado desses meios. III. Estrito cumprimento do dever legal: o excesso está na extrapolação do dever legal disposto na lei que regulamenta a conduta do agente. IV. Exercício regular de direito: se dá no exercício abusivo de direito de forma que venha a prejudicar direito alheio. V. Consentimento do ofendido: o excesso está presente na ultrapassagem das fronteiras estabelecidas pelo titular do bem ou interesse que consente na sua perda, desde que dentro de certas condições. - Tipos de excessos: I. Expressamente previstos em lei: a) Excesso doloso: é o tipo voluntário (ou consciente) de excesso e ocorre quando o agente consciente e propositadamente causa ao agressor, ao se defender, maior lesão do que seria necessário para repelir o ataque. Uma vez reconhecida, elimina a possibilidade de se reconhecer a excludente de ilicitude, gerando responsabilidade penal ao autor da defesa exagerada pelo resultado típico provocado ao agressor. Entretanto, há situações que pode impactar na dosemetria da pena, levando a uma redução ou atenuando (ex. excessos por violenta emoção). b) Excesso culposo: é o tipo involuntário (ou inconsciente) de excesso e decorre do erro de tipo inescusável (afasta punição por dolo, mas não a por culpa). É o exagero decorrente da falta do dever de cuidado objetivo ao repelir a agressão. Trata-se do “erro de cálculo”, empregando maior violência do que era necessário para garantir a defesa. Gera responsabilidade penal a título de culpa.

como Bittencourt. É causa supralegal de exclusão de culpabilidade. Implicitamente previstos em lei: a) Excesso exculpante: está previsto no Código Penal Militar. Quanto à origem: insignificante no Direito Penal (repercute apenas na esfera cível). Unitária: possui maior incidência. é natural que estejamos diante de um estado de necessidade justificante. inexistindo razão para deixar de considera-lo também no direito penal comum. II. II. que o sacrifício de um bem de igual valor não é amparado pelo direito. É o exagero acidental do agente no ato de defesa.Teorias: o ordenamento atual adota ambas. . I. Não se pode dizer ter havido moderação na defesa. em especial quando se discute ter havido excesso. para salvar de perigo atual e inevitável o direito do próprio agente ou de terceiro. a) Estado de necessidade defensivo: ocorre quando o agente pratica ato necessário contra coisa ou animal do qual promana o perigo para o bem jurídico. 24). fundamentado na inexigibilidade de conduta diversa. perturbação de espírito ou surpresa. essa posição é criticada. Há quem defenda. desde que outra conduta. Diferenciadora: bem salvo se mais importante que o sacrificado. por exemplo. embora não em intensidade suficiente para cortar o nexo causal. embora o exagero possa ser atribuído ao fortuito. Afasta a punição por dolo ou culpa. pois o dano provocado no agressor foi além do estritamente necessário para repelir o ataque. mas se forem equivalentes. Embora no direito pátrio não se possa considerar o medo como excludente de culpabilidade.II. exclui a antijuricidade. visto que é um excesso penalmente irrelevante. # Estado de Necessidade: é o sacrifício de um interesse juridicamente protegido. exclui a antijuricidade (Código Penal).Espécies: I. valendo levar esse estado de espírito em conduta na análise da legítima defesa e do estado de necessidade. b) Excesso acidental: é o exagero decorrente do acaso. . Entretanto. Essa modalidade decorre do medo. . nas circunstâncias concretas. não fosse razoavelmente exigível. há divergência na doutrina. Porém. afinal o direito jamais poderá optar entre a vida de um e de outro (arr. ficando para o contexto do estado de necessidade exculpante. Quando ao bem sacrificado: a) Estado de necessidade justificante: trata-se do sacrifício de um bem de menor valor para salvar outro de maior valor ou sacrifício de bem de igual valor ao preservado. pois se um humano mata outro para salvar-se de um incêndio. b) Estado de necessidade agressivo: ocorre quando o agente se volta contra pessoa ou coisa diversa da qual promana o perigo para o bem jurídico. exclui a culpabilidade (Código Penal Militar). é certo que ele pode dar margem a reações inesperadas por aquele que o sente. buscando fugir por uma passagem que somente uma pessoa consegue atravessar.

é vital que o risco advenha do infortúnio. mas admite a forma culposa. direito próprio ou alheio. Faz-se necessário analisar diante do caso concreto. não se exclui a ilicitude. . remoto ou passado. necessita de um perigo inevitável (se houver outra forma de solucionar o conflito. f) Estado de necessidade putativo: é imaginário. para ser configurado. CP “considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual. e sim a culpabilidade. bem como. não lhe sendo possível exigir.Requisitos: I. neste caso. seja imprescindível a lesão a . c) Estado de necessidade próprio: resulta do requisito do estado de necessidade “ameaça a direito próprio”. 24. que não provocou por sua vontade. Está referido ao perigo presente e não ao perigo iminente (futuro). afastando o dolo (inescusável) ou a culpabilidade (escusável). nas circunstâncias. para requerer o benefício da excludente. onde o ofendido salva bem próprio. Obs: para valorar a vontade do agente no contexto da produção do perigo. um terceiro. Neste caso. pois não pode ser gerado pela vontade do agente do fato necessário (quem se vale do estado de necessidade). salva bem do ofendido. b) O perigo não pode ser produzido dolosamente. proveniente do erro de tipo. e) Estado de necessidade real: é o definido no art. nem podia de outro modo evitar. Existência de perigo atual: é o perigo real. Inevitabilidade do perigo e inevitabilidade da lesão: é a característica fundamental de que o estado de necessidade. o perigo culposo pode vedar a legitimidade do estado de necessidade. pode ser gerado culposamente e. para sair da situação perigosa. ponderando os bens em conflito. onde. não se podendo configurar estado de necessidade quando se trata de perigo incerto. Caso haja conflito de bens tutelados por conta de uma situação de perigo. há três posições: a) O perigo não pode ser gerado nem dolosa e nem culposamente. não haverá estado de necessidade). II. pois a situação de perigo é alheia a vontade do agente. III. cujo sacrifício. outro comportamento (teoria da inexigibilidade de conduta diversa). nas circunstâncias. não era razoável exigir-se”. “A doutrina tem preferido adotar a corrente que afasta a aplicação do estado de necessidade somente quando o perigo for causado dolosamente pelo agente”. por vezes. c) O perigo. d) Estado de necessidade de terceiro: resulta do requisito do estado de necessidade “ameaça a direito alheio”. imediato e reconhecido objetivamente.b) Estado de necessidade exculpante: trata-se do sacrifício de um bem jurídico de maior valor para preservar o de menor valor. respondendo apenas pelo excesso. pois seria injusto. Involuntariedade na geração do perigo: veda que a pessoa que iniciou a situação de perigo possa invocar excludente para sua própria proteção.

cessando no momento em que desaparecer o perigo ou ameaça. pode-se aplicar a hipótese do estado de necessidade exculpante. permite-se ao juiz considerar situação como menos culpável. Possui dois ângulos: I. IV. se furtem do seu compromisso. nas circunstâncias. utilizando os meios necessários e proporcionais limitando-se apenas a impedir ou repelir o injusto. Proporcionalidade do sacrifício do bem ameaçado: trata-se da condição que constitui o estado de necessidade justificante. onde: Agressão injusta atual ou iminente Bem lícito Deve prevalecer o justo! . quando para salvar bem de maior valor ou igual ao do sacrificado. interpretando-se a expressão “cujo sacrifício. atual ou iminente. permite-se seu reconhecimento para tutelar qualquer direito. Jurídico-social: remete ao preceito de que o ordenamento jurídico não deve ceder ao injusto. quando não reconhecido como excludente de culpabilidade. VI. quando se configura a hipótese da inexigibilidade de conduta diversa. a legítima defesa só pode ser utilizada quando essencialmente necessária de forma menos lesiva possível. deverá fazê-lo (caráter subsidiário do estado de necessidade). # Legítima defesa: é a defesa necessária em resposta à ação injusta. podendo o autor afastar-se do perigo ou evitar a lesão. Dever legal de enfrentar o perigo: é o dever jurídico resultante da lei. Porém. Hungria afirma que só o dever oriundo da lei é capaz de impedir o estado de necessidade. 24 só se refere ao estado de necessidade exculpante. ao menor sinal de risco. Proteção a direito próprio ou de terceiro: não pode alegar estado de necessidade quem visa a proteção de nem ou interesse juridicamente desprotegido (é impossível invocar a excludente quem pretenda. . A função do dispositivo é evitar que as pessoas encarregadas.bem jurídico alheio. A legítima defesa trata do conflito entre o justo e o injusto. Portanto. reduzindo a pena de 1/3 a 2/3. para defesa de direito próprio ou de terceiro. II. Eventualmente. dirigida a bem ou interesse juridicamente tutelado. a pretexto de preservar carregamento de substância entorpecente de porte não autorizado. Não é exigido heroísmo ou abdicação dos direitos fundamentais por parte do encarregado. Jurídico-individual: é o direito que toda pessoa tem de defender seus bens e interesses juridicamente tutelados. sacrificar direito alheio). bem como o dever jurídico oriundo do contrato de trabalho e da promessa feita. V. Não podem exercer ação de legítima defesa visando interesse coletivo. Somente se admite a invocação da excludente. Atualmente. não era razoável exigir-se”. salvando um bem de menor valor e sacrificando um de maior valor. No mais. Porém.Causa de diminuição de pena: o disposto no art.

Não se admite legítima defesa presumida. Animais que atacam e coisas que colocam pessoas em risco podem ser danificados ou eliminados. de direito próprio ou de terceiro. mas o ofendido pressinta que vai ter prosseguimento em seguida. senão resultará em estado de necessidade. ao menos presumido. Portanto. Dessa forma.. (subtrair a pessoa de uma arma comprada especificamente para matar um terceiro não caracteriza furto. Relativos à agressão: a) Agressão: agressão significa conduta humana (ação ou omissão) que gera perigo ou lesão à bem juridicamente protegido. deve ser buscado pelo agente da legítima defesa. habilitando os animais como causa de legítima defesa). pois não se poderia falar em atualidade ou iminência. b) Injustiça da agressão: a agressão deve ser considerada antijurídica (não precisa ser criminosa). o que será deduzido diante da gravidade da agressão. pois é possível que uma atitude hostil cesse momentaneamente. c) Atualidade ou iminência da agressão: diferente do estado de necessidade.Requisitos: I. não se descaracteriza a atualidade ou iminência da agressão. o consentimento da vítima. mesmo não tendo personalidade jurídica. Não admite legítima defesa contra agressão futura ou passada (vingança). Referente ao consentimento. na credulidade de se tratar de conduta lícita desejável). bem como contra meras provocações. Como regra. inclusive porque esta última não tem condições de agir sozinha. mas sim a inexigibilidade de conduta diversa. seja possível. que se tenha como certa e inevitável. mas sim legítima defesa de terceiro). embora. a legítima defesa admite duas formas de agressão: atual e iminente (futuro imediato). ainda que se cuide de nem disponível. O estado de atualidade de agressão precisa ser interpretado de forma flexível. como está expresso em lei. Quanto à agressão futura. porém não iminente. Admite-se a defesa. podem ser alvos de legítima defesa por tipos penais específicos. Em caso de inimizade capital entre agressor e ofendido. a legítima defesa possui dois critérios: referente aos bens indisponíveis – não é necessário consentimento da vítima – já para os bens disponíveis – é necessário o consentimento da vítima. pois não tem discernimento (porém parte minoritária da doutrina admite que o ataque deva partir de um ser vivo. pois seria o equivalente a um duelo. . Não se admite legítima defesa contra animal visto que este. mas estaremos diante do “estado de necessidade defensivo”. Vale mencionar a possibilidade de haver legítima defesa putativa (sem saber que a pessoa ofendida se opõe a qualquer tentativa de reação contra o agressor. o perigo deve ser oriundo da conduta humana (incluindo o inimputável). quando utilizado. é inadmissível a legítima defesa contra atos preparatórios de um delito. alguém poderá agir em legítima defesa de terceiro. somente pode invocar legítima defesa quem estiver defendendo bem ou interesse juridicamente protegido. em casos excepcionais. O feto e o cadáver. podendo o terceiro ser pessoa física ou jurídica. sendo possível utilizar a legítima defesa se um deles iniciar agressão injusta. não se deve invocar legítima defesa visto que essa corresponde ao momento atual ou iminente. é apenas um instrumento. c) Agressão contra direito próprio ou de terceiros: assim como estado de necessidade.

senão o ofendido poderá responder pelo excesso (assim como no estado de necessidade exculpante). VII. conforme o caso concreto. Sucessiva: é a reação contra o excesso. causando menor dano possível. A proporcionalidade no que diz respeito a legítima defesa. e não agressivo. Devem respeitar os limites de moderação. b) Moderação da reação: trata-se justamente dos métodos utilizados para impedir ou conter a agressão. d) Commodus discenssus (fuga do local): o CP não exige que a agressão seja inevitável. O meio de defesa escolhido deve ser o menos lesivo possível. seja doloso ou culposo. De terceito: salva direito alheio. representando um obstáculo ou impedimento para o agressor. Os meios necessários não podem ser medidos como uma regra geral precisam ser valorados diante do caso concreto. VI. IV. pois a intenção da legítima defesa é defender um direito e não punir o agressor. Com aberratio ictus: atinge bem de pessoa diversa. pois alguns doutrinadores dizem que o instalador do ofendículo deverá responder pelo evento causado). Própria: quando se salva direito próprio. II. c) Conhecimento da situação justificante (elemento subjetivo): deve ser objetivamente necessária e subjetivamente orientada pela vontade de defender-se.II. o instalador responderá pelo resultado típico. pode-se invocar legítima defesa putativa. Relativos a repulsa: a) Utilização de meios necessários para reação: são os meios eficazes e suficientes para repelir ou conter a agressão ao direito. pois caso excesso. É facultativo ao agredido fugir do local (por prudência) ou não. . Subjetiva: quando há excesso exculpante.Classificação: I. porém a doutrina e a jurisprudência brasileira se posicionam afirmativamente no que concerne a sua adoção. . VIII. Putativa: imaginária. não é exigido por lei. O uso do ofendículo só será justificado se funcionar como meio defensivo. devendo ser proporcionais à agressão. III. desde que não haja exagero nos meios empregados para a defesa (porém há divergências. # Ofendículos: é o aparelho ou animal utilizado para proteção de bens e interesses. senão não caberá legítima defesa. Real: exclui a ilicitude. Já se atingir um inocente. V. Recíproca: legítima defesa contra legítima defesa (é impossível).

II. Dos que dizem que os ofendículos constituem legítima defesa preordenada. pois o que se exige é uma agressão injusta. pois a provocação não é suficiente para gerar o requisito legal da legítima defesa (agressão). visto que o ofensor não tem consciência da ilicitude do seu ato. justificando a reação (sempre de forma moderada). estado de necessidade. pouco interessando a quantidade. uma vez que a primeira é reação contra agressão verdadeiramente injusta e a segunda é uma reação a uma agressão imaginária (embora na mente da pessoa que se defende ela exista). exclui-se a antijuricidade. mas sim de estado de necessidade. e) Legítima defesa contra multidão: é admissível. sob o enfoque do momento da instalação e não de seu funcionamento. Nelson Hungria discorda que essa hipótese seja de legítima defesa. Mas quando a provocação for insistente. há controversas para essa posição. Mas. ou seja. d) Legítima defesa sucessiva: trata-se da hipótese em que o agressor originário se defende do excesso da legítima defesa. Dos que dizem que os ofendículos partem do exercício regular de direito.Questões polêmicas acerca da legítima defesa: a) Legítima defesa contra legítima defesa (legítima defesa recíproca) ou contra qualquer outra excludente de ilicitude: em regra. . . é a legítima defesa contra o excesso. Para reagir contra agressão de inimputável. portanto serve como defesa necessária contra injusta agressão. voltando-se os olhos para o instante de funcionamento do obstáculo. afasta-se a culpabilidade. mas não são culpáveis. pois a lei exige apenas a existência de agressão injusta e as pessoas inimputáveis podem agir voluntária e ilicitamente. é necessário cautela redobrada. fazendo com que ambos sejam absolvidos (princípio do in dúbio pro réu). b) Legítima defesa contra pessoa jurídica: é possível. mas não uma agressão. provocando somente um perigo. Porém. pois é sempre futuro. O aparelho ou animal é colocado em uma determinada propriedade para funcionar no momento em que esse local é invadido contra a vontade do morador. f) Legítima defesa contra provocação: não é permitido. No primeiro caso. pois alguns consideram esta hipótese. no segundo. que ocorre quando o infrator busca lesionar algum interesse ou bem jurídico. afinal a multidão não tem personalidade jurídica. c) Legítima defesa contra agressão de inimputáveis: é possível. Nesta situação cabe legítima defesa para ambos visto a impossibilidade de coletar provas para atestar quem fez a primeira agressão. torna-se verdadeira agressão. pois a vontade da pessoa jurídica se materializa pela vontade dos seres humanos. equiparando o inimputável ao ser irracional.Natureza jurídica: há duas posições: I. podendo levar a uma agressão injusta.. não existe essa possibilidade visto que uma ação não pode ser injusta e justa simultaneamente para as duas partes. pode haver legítima defesa real contra legítima defesa putativa (ou contra outra excludente putativa). proveniente de seres humanos.

jura de morte o carcereiro B dizendo que assim que tiver oportunidade. # Exercício regular de direito: é o desempenho de uma atividade ou a prática de uma conduta autorizada por lei. até que se julgue protegido. diz que o marido está no exercício regular do direito. Ex: O sujeito A. que torna lícito um fato típico. mesmo que cause lesão à bem jurídico de terceiro. # Estrito cumprimento do dever legal: é a ação praticada em cumprimento de um dever imposto por lei. Conduta. Mas. como regra. Atitude pautada nos limites do dever (dever jurídico). afinal. i) Legítima defesa praticada por inimputáveis: parte da doutrina diz que é possível. vigilância e educação). restrinja direito do agressor potencial. porém viável. pode-se falar em obediência hierárquica). de forma excessiva (abusiva). ou até que haja intervenção de terceiro. do poder público competente. Deve ser o mínimo de tempo possível. Na hipótese da agressão do marido a mulher. tomará sua vida.Requisitos: I. o seu exercício significará o oposto (fato atípico). sua inércia em não soltar o algoz. quando o cumprimento do dever permitir a formação do fato típico (lesão corporal durante a execução de uma prisão). quando a recusa do cumprimento do dever estiver descrito na lei. Em contraposição. é medida de legítima defesa. II. Um dia depois A chega ao final da sua pena e recebe ordem de soltura. ou seja. contanto que tenha conteúdo genérico (se específico. Entretanto. pois a consciência que se exige não é da ilicitude da agressão. mas a parte minoritária. compreende todos os direitos subjetivos pertencentes a toda . Mediante à perigo iminente. detento. Pode-se alegar legítima defesa aquele que. B pode manter A no cárcere até sair do alcance do potencial agressor. trata-se de excludente de ilicitude e não de norma incriminadora. há de ser também no direito penal. mas apenas da existência da agressão em si. Existência de um dever legal: não necessariamente decorrente de lei formal. Para se considerar dever legal é preciso que advenha da lei. Não se prende apenas ao ramo penal porque o que é lícito em qualquer ramo do direito. Logo. até que saia do raio de atuação da ameaça e se julgue protegido.g) Legítima defesa nas relações familiares: na hipótese que o pai disciplina o filho. penal ou extrapenal. III. a fim de preservar bem jurídico. excepcionalmente. de particular (ex: dever dos pais quanto à guarda. Assim sendo. valemo-nos da excludente de ilicitude referente ao estrito cumprimento do dever legal. a B não pode manter A no cárcere por tempo indeterminado. . alguns doutrinadores sustentam ser estado de necessidade a defesa exercida contra agressão de inimputável. visando proteger sua integridade física e sua vida. Logo. a maioria da doutrina valida a legítima defesa. invalidando a legítima defesa visto que não se pode reagir a uma agressão “justa”. isto é. for um fato típico. é tolerável que este reaja ou fuja. nos casos de ameaça iminente. h) Legítima defesa por omissão: é uma hipótese rara. de agente público e. Vale salientar que a expressão “direito” deve ser interpretada de modo amplo e não estrito.

O aborto. IV. direta ou indiretamente reconhecido. considerando o consentimento do ofendido na prática de um esporte violento. culturais. O estupro da esposa praticado pelo marido: não deve ser admitido. liberdade. livremente. ambos os sujeitos abrem mão de seu direito à integridade física. É vedado consentimento aos bens indisponíveis (vida. II.): trata-se de uma causa supralegal e limitada de exclusão da antijuricidade. ADRICE SÓ FALOU POR ALTO. A coação para impedir suicídio. V. quando a gravidez resulte de estupro. éticos.501/92. quando admitidas em lei. # Consentimento do ofendido (NÃO TENHO CERTEZA SE VAI CAIR. VII.Situações do exercício regular de direito: vale ressaltar algumas no nível de exemplo: I. como são os costumes por exemplo. ou até usar a teoria da adequação social (de início é necessário avaliar a agressão antes de considera-la criminosa e. pois há o uso da força ou grave ameaça. etc. considerado “disponível”. esses bens não podem ser tidos como lesados quando o respectivo sujeito manifestou sua vontade em sentido favorável à lesão”. VI.. II. III. III. O tratamento médico e a intervenção cirúrgica. violando a dignidade humana. permitindo que o titular de um bem ou interesse protegido. mas a maior parte sim.Situações polêmicas no contexto do exercício regular de direito: I. ou valer-se de outra excludente.. concorde. . mesmo sem o consentimento do paciente. o agente responderá pelo excesso (doloso ou culposo). Entretanto. A correção disciplinar dos pais aos filhos menores. Como ensina Frederico Marques “o interesse estatal se identifica com a conservação de bens individuais enquanto esta corresponda à vontade do titular. O consentimento do ofendido só pode ocorrer quando disser respeito a bens disponíveis (honra. . . havendo o consentimento da gestante. caso não sejam. conforme previsto na Lei nº 8. MAS CREIO QUE É BOM LER PORQUE VAI QUE ELE DÁ UMA DE DOIDO E PERGUNTA. deverão ser punidas pelas normas do direito desportivo). Uso de cadáver para experimentos universitários nas faculdades de medicina. políticos. administração pública). com a sua perda. Lesões praticadas no esporte: deve respeitar as regras do esporte.categoria ou ramo do ordenamento jurídico. consequentemente. A doutrina não é unânime na adoção dessa excludente. Há os que defendem que as causas excludentes de ilicitude não devem se prender apenas a lei. Caso violadas. quando moderada. O tratamento médico e a intervenção cirúrgica. O trote acadêmico ou militar: autorizado desde que não empregue uso de violência. Uso dos ofendículos (para quem os considera exercício regular do direito). ofensas morais e constrangimentos ainda que leves. patrimônio e a integridade física). como o consentimento do ofendido. mas sim levar em consideração critérios sociológicos. quando ocorrer iminente risco de vida.

VI. como regra. 3) O bem ou interesse juridicamente tutelado está exposto a um perigo atual. O bem ou interesse precisa ser considerado disponível (deve ser valorado com maior precisão diante do caso concreto). # Diferenças entre o estado de necessidade e a legítima defesa: Estado de Necessidade 1) Há um conflito entre titulares de bens ou interesses juridicamente protegidos.Requisitos: o consentimento do ofendido absolve o réu por ausência de antijuricidade na conduta. III. O consentimento é revogável a qualquer momento. pois não é uma excludente formal. 7) Há. deve fugir da situação de perigo para salvar o bem juridicamente tutelado (subsidiariedade do estado de necessidade). IV. 4) O agente do fato necessário pode voltar-se contra terceira parte totalmente inocente. coisas e pessoas. . 2) A atuação do titular do bem ou interesse ameaçado somente se pode voltar contra pessoas. pertencente ao agressor. se possível. pertencente ao agredido. Deve existir capacidade para consentir. 6) É discutível a necessidade da proporcionalidade entre o bem ou interesse sacrificado. como regra. O consentimento deve ser emitido de maneira explícita ou implícita. II. 6) Deve haver proporcionalidade entre o bem ou interesse sacrificado e o bem ou interesse salvo pela ação do agente do fato necessário. 5) Deve haver somente ação contra agressão injusta (ilícita). são necessários os seguintes requisitos: I. 4) O titular do bem ou interesse ameaçado somente está autorizado a se voltar contra o agressor. 7) Há.. e o bem ou interesse salvo. Deve haver flexibilidade na análise da capacidade de consentimento. ação. podendo enfrentar o agressor. O consentimento deve ser dado antes ou durante a prática da conduta do agente. 2) A atuação do agente do fato necessário pode voltar-se a animais. 8) O agredido não está obrigado a fugir. 8) O agente do fato necessário. pois aí já seria equivalente ao perdão. 3) O bem ou interesse juridicamente tutelado está exposto a uma agressão atual ou iminente. Legítima Defesa 1) Há um conflito entre o titular de um bem ou interesse juridicamente protegido e um agressor. reação. VII. Para que isso aconteça. agindo ilicitamente. desde que seja possível reconhece-lo (não pode ser presumido). V. A concordância do ofendido tem que ser espontânea e não forçada ou manipulada. não se prendendo a uma idade legal. Deve haver conhecimento do agente acerca do consentimento do ofendido. que atua ilicitamente. não se admitindo após a consumação do crime. 5) Pode haver ação contra agressão justa (estado de necessidade recíproco). desde que o ato não se tenha encerrado.

Biopsicológico (ou misto – art. embriaguez completa e involuntária (art. III. o sujeito só pode ser responsabilizado caso possa agir de forma lícita e não o fizer. Caso não haja a imputabilidade. seu objeto é sempre o agente do crime e sua conduta criminosa. # Elementos: I. CP): combina os dois anteriores. livre e consciente. desconsiderando se a conduta foi gerada devido a anomalia ou não (é considerado um critério falho. Psicológico: verifica apenas a condição mental do autor no momento da conduta. não interessando se o autor tinha ou não doença mental ou distúrbio psíquico (pouco utilizado devido à dificuldade de seu emprego). por último. isto é. desde que imputável). . Exigência de comportamento diverso: a situação deve exigir a possibilidade de uma conduta diversa do agente. é inimputável). a culpabilidade será desconsiderada ou atenuada. pois deixa impune o portador de anomalia que tem discernimento relativo). será considerado inimputável) e. 26. uma conduta lícita. I. Possibilidade de consciência de ilicitude: é preciso que o sujeito conheça a ilicitude da sua conduta ou seja capaz de reconhece-la. não poderá ser considerada culpada segundo a teoria da inexigibilidade de conduta diversa. Para um indivíduo ser considerado culpado pela conduta lesiva praticada é preciso que seja imputável. . 28. II. São elas: doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. avalia. # Imputabilidade: é a capacidade mental de compreender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com este entendimento (é a aptidão de ser culpável). É diferente da responsabilidade penal (dever jurídico imputado ao agente do delito. caso tenha.CULPABILIDADE # Conceito: é um juízo concreto de valoração social que incide sobre a conduta do agente quando contrária ao Direito. . II. Mesmo que o juízo de valor se passe na cabeça de quem julga. intoxicação involuntária por substância entorpecente. primeiro. Logo. § 1º). avaliando.Sistemas: utilizados para determinar quais agentes são inimputáveis. é inimputável) e. III. se era capaz de determinar-se de acordo com essa consciência (inexistindo tal capacidade. 26). .Causas legais de exclusão da imputabilidade: devem fazer-se presentes no exato momento da conduta ilícita (requisito temporal). se o agente tem problemas mentais (se não. em segundo lugar. se ele é capaz de entender a ilicitude do fato (caso não tenha essa capacidade. neste caso ter sanidade mental. menoridade. Biológico ou etiológico: aquele que apresenta alguma anomalia psíquica é considerado sempre inimputável. Imputabilidade: é necessário que o agente tenha condições psíquicas de compreender que a conduta que irá praticar é antijurídica.Fundamento: é calcado na vontade humana. caso contrário. dependência de substância entorpecente.

. . ou sob o efeito. fazendo de si mesmo. não se impondo.. ao tempo da conduta. embora inimputável. ainda que no momento da ação se encontre privado da capacidade de entendimento e autodeterminação. medida de segurança. deve ser absolvido pela excludente do dolo ou da ilicitude. era. Imposição de agravante genérica (quando preordenada – embriagou-se visando cometer o crime). inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”. instrumento para prática do fato. por exclusão da culpabilidade. b) Psicológico: não existe no Direito Penal. aplica-se o art. de droga. .É isento de pena o agente que. § único (primeira causa de exclusão de imputabilidade). 45 . “Comprovada a inimputabilidade do agente. Imposição de medida de segurança (no caso da embriaguez patológica dependência). para juízo da culpabilidade.Dependência ou intoxicação involuntária a substância entorpecente: “Art. incidirá uma causa de diminuição de pena. portanto. em razão da dependência. Nessa hipótese.Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado: aliada à falta de capacidade de compreensão do caráter ilícito e de autodeterminação produz inimputabilidade.” . se tiver capacidade de entender a ilicitude da usa ação e se autodeterminar. caso a realização da conduta necessite de uma capacidade parcial. Mas. é inimputável). II.Actio libera in causa: é quando o agente. assim sendo. era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato (o agente pode entender o fato. mas não o caráter ilícito da sua conduta e. I. Se tiver diminuída a capacidade de compreensão e de autodeterminação. será imputável. ocorre absolvição própria. Requisitos: a) Biológico: mesmo que o agente tenha doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. o réu. se põe em situação de inimputabilidade para cometer um delito (muito comum aos ébrios). considera-se a situação do agente no momento em que se colocou em estado de inconsciência. Inexistindo tipicidade ou antijuricidade. A embriaguez pode gerar: I. qualquer que tenha sido a infração penal praticada. proveniente de caso fortuito ou força maior. o juiz não está isento de analisar na sentença a existência ou não do delito apontado na denúncia e os argumentos do acusado quanto à inexistência de tipicidade ou antijuricidade.Embriaguez completa e involuntária: juridicamente. propositalmente. 26. ao tempo da ação ou da omissão. c) Temporal: só é considerado inimputável aquele que.

.A não exigibilidade corresponde a um princípio geral de exclusão de culpabilidade. “O erro de proibição pode ser direto (recai sobre os elementos do tipo penal – elementares ou circunstâncias) e indireto (recai sobre as excludentes de ilicitude). semiliberdade.Possibilidade da analogia in bonam partem. mas atenua a culpabilidade do agente. A menoridade é tratada juntamente com os silvícolas não adaptados como desenvolvimento mental incompleto por MN. II.Obediência hierárquica: A ilegalidade não é manifestamente evidente.069/90. # Emoção e paixão: a emoção corresponde a um estado momentâneo enquanto a paixão a um estado duradouro. Ex: traição – não é justificante. Responde o superior hierárquico pelo crime com uma agravante e seu subordinado será isento de pena (o CPM tem dispositivo mais abrangente – emprego do princípio da especialidade. mas significa iminente à recusa. No motivo de relevante valor moral e sócia pode abrigar-se a paixão.Coação moral irresistível: I. A iminência não é puramente cronológica. # Causas supralegais de exclusão da culpabilidade: . Comete ato infracional e se sujeita às medidas sócio-educativas (internação. # Potencial consciência da ilicitude: não se confunde com desconhecimento da lei!!! A falta de consciência da ilicitude em si apenas diminui a culpabilidade. I. caso ocorrido em ambiente militar – afasta o Código Penal Comum). II. mas atuam como atenuantes na dosemetria da pena. A culpabilidade só estará excluída na coação moral. Não excluem o crime e nem a punição. ambos responderão pelo delito. . Há paixões e emoções que são doenças mentais e excluem a imputabilidade.Menoridade: aplica-se a Lei 8. etc). Nos casos em que a coação for resistível. . A culpabilidade só estará afastada se o agente careça de possibilidade de consciência da ilicitude.. A irresistibilidade deve ser medida pela gravidade do mal. a física afasta a conduta.” # Exigibilidade de conduta diversa: .