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09/10/13

Dissecando Cinema.: "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho (2007)

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Devo deixar claro que este blog não traz críticas profissionais, apenas resenhas-divulgação sobre alguns filmes que merecem destaque na cinematografia mundial.
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"Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho (2007)

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Desde o adv ento do gênero cinematográfico o qual se conv encionou alcunhar “documentário”, v ocábulo proposto por Dziga V ertov no primeiro quarto do séc. XX, sabe-se que estes filmes estão compromissados com a v erdade (cinema-v erdade), opondo-se à ficção, e aprox imando-se do que era a ativ idade dos primeiros cinematógrafos que, para fazer ex periências científicas com câmeras, tão-somente registrav am a realidade tangív el. O que v em fazendo o documentarista brasileiro Eduardo Coutinho – aliás, um dos maiores do mundo na atualidade – ao largo de mais de 50 anos de carreira, 1 1 longas-metragens, div ersos curtas e médias-metragens e uma participação frutífera como documentarista do Globo Repórter na década de 7 0, certamente é algo único, totalmente inov ador e digno de atenção. Isto porque registra a realidade da maneira que ela é, sem as interv enções ficcionais que muitos documentaristas tem misturado pelo mundo afora, e que fazem o documentário fugir de seu foco primordial. “Jogo de Cena” é seu décimo longa-metragem, realizado em 2006 mediante produção da V ideofilmes, e filmado no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro. A proposta, inv entiv a e peculiar, era filmar 1 3 pessoas relatando fatos de sua v ida. São elas 03 atrizes profissionais (Andréa Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra) e 1 0 mulheres anônimas, selecionadas a partir de 83 que, atendendo a um anúncio jornal, apresentaram-se v oluntariamente em estúdio. A cena de abertura mostra o anúncio publicado no jornal carioca de maior circulação. Assim dizia: “CONV ITE: Se v ocê é mulher com mais de 1 8 anos, moradora do Rio de Janeiro, tem histórias para contar e quer participar de um teste para um filme documentário, procure-nos.” E abaix o constav am os telefones para contato. Em seguida, passa-se ao cerne da narrativ a: as entrev istas. A narrativ a, diga-se de passagem, é forçosamente fragmentária, isto é, estaria supostamente afastado o caráter de unidade; mas as histórias
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Por isso este elemento fascinou tantos teóricos e cineastas de todo o planeta ao longo do séc. isto é. no desenrolar da trama. citado por Christian Metz. é com freqüência importante de uma tal maneira. Na obra de Coutinho. Pode-se dizer então que o primeiro – e. parte pela profissional. Aliás. não é se não a maté ria-prima. parece com efeito reunir peças que não se encaix am. dialogando uma personagem com outra pelas similaridades de suas ex periências etc. dissecandocinema. alé m de todos os se ntidos particulare s que lhe são às ve ze s atribuídos (colar planos após planos. A unidade pode ser sensiv elmente identificada da seguinte maneira: primeiramente.09/10/13 Dissecando Cinema. além de conv ergir rumo a um mesmo sentido. Com tão ampla de finição. seja de maneira mística ou por um elo prov ocado pelo diretor (ex emplo: há uma identificação nos “subtex tos”. em obras mencionadas. já que no cinema. há uma planificação que fornece continuidade no conteúdo com moldes formais de descontinuidade. mas que. v ão delineando o contorno desejado pelo realizador. afirmou: A noção de montage m. tais como a Medéia. de Eduardo Coutinho (2007) I GOR F E R R E I R A A dv og a do. causa em nós o impacto de v eracidade geral. Daí o “jogo de cena”. apriorísticamente. talv ez. XX. S ó se passa da fotografia ao cine ma. O efeito “liquidificador” que Coutinho nos propõe é o que justamente irá aglutinar todos os relatos. relatando às v ezes os mesmos fatos e. parte pela anônima.blogspot.html 2/4 . o precípuo – fator a requerer grande atenção nesta fantástica obra é o uso inteligentíssimo e dinâmico da montagem. Na mesma linha de raciocínio está o capítulo 02 do ex celente liv ro Compreender o Cinema e as Imagens. V sev olod Pudov kin. a montagem não só neste filme é elemento de destaque. cineasta russo. pe la montage m. como um todo. prov ocando certa confusão no espectador sobre se está sendo imitado um relato não mostrado ou se a história pertence mesmo à atriz profissional que o conta.br/2011/06/jogo-de-cena-de-eduardo-coutinho-2007. que confunde-se com o fazer cinema em si. cujo me ro conte údo não pode ria dar e sse se ntido. montage m ace le rada. algumas mulheres anônimas relatam fatos de sua v ida (tendo sido filmadas em junho de 2006).: "Jogo de Cena". e as atrizes profissionais (filmadas em setembro de 2006) interpretam algumas anônimas. princípio me rame nte rítmico e tc) é e m ve rdade o e sse ncial da criação fílmica: o ‘ plano’ isolado não é se não um pe dacinho de cine ma. de cujo bojo se pode ex trair o seguinte: A prime ira função da montage m é forne ce r um suple me nto de se ntido às image ns. discursos são entrelaçados. A associação dos planos pe rmite ligar situaçõe s. que torna sem importância sabermos se houv e representação ou se o relato foi v erdadeiro e sincero. fotografia do mundo re al. Desta feita: histórias são contadas e posteriormente retomadas por uma reprodução fidedigna feita pela atriz profissional. a partir do que o cineasta constrói a articulação psicológica de seu tex to. é contada uma mesma história alternadamente. sejam falsos ou v erdadeiros. e a animação Procurando Nemo). É uma espécie de quebra-cabeça que. outras v ezes.com. de organização de René Gardies. pode-se dizer que uma boa montagem é capaz de fazer um bom filme. e la se confunde simple sme nte com a própria composição da obra. V isu a liza r m eu per fil com plet o contadas em cada entrev ista ligam-se umas às outras. e a ficcion a do pela a r t e. que pode ser a peça teatral ou o filme. fatos inéditos. do de calque à arte . em um mesmo conglomerado que. o elemento de linguagem que aqui se sobressai.

V erdadeiro ex ercício de alteridade. o importante aqui é buscar entender e aceitar o outro em suas diferenças e dramas pessoais. de modo a nos tornarmos afetados como as atrizes em sua tentativ a – dificílima – de representar as mulheres anônimas. efetiv amente. ex clusão social por fatores discriminatórios (que em certos casos conduzem os marginalizados à tentativ as – na maior parte das v ezes frustradas – de seguir os padrões impostos). por ex emplo. O ator. principalmente o contemporâneo. ou conhecer alguém que v enha a passar. Sobre isto. diante do diretor e dos cinegrafistas (que não aparecem).html 3/4 .blogspot. podemos um dia v ir a passar. É preciso ressaltar ainda o impressionante caráter antropológico que Coutinho empresta à sua película. além de ser um v erdadeiro protocolo institucional do ofício do ator. todo o tempo.: "Jogo de Cena". se m e sta ope ração de montage m. Finalizo mencionando a frase proferida por Marília Pêra em sua entrev ista que.. articular numa de te rminada continuidade aquilo que . como o adv ento de uma grav idez precoce e não-planejada. Edifício Master. tornou-se v erdade em sua mistura às primev as v erdades. desv iando-a de ações que compreende estarem no contracampo. bem como das formas de ex pressão. propositalmente mostra”. a relação deste com a obra de arte segundo suas próprias ex periências. nós). E olha que tentou esconder as lágrimas. trata-se de uma situação-teatro. relações entre pais e filhos. mas não precisou de um cristal japonês para lacrimejar. mas ao pov o brasileiro em geral. São ex postos temas (ou problemas) que comumente assolam brasileiros. a relação do indiv íduo com a perspectiv a da morte. Além disso. enalteço o belo comentário do crítico Carlos Alberto Mattos. a pessoa sempre tenta esconder as lágrimas.). opondo-se desta forma a outras formas de entrev ista. se ria visto ape nas como isolado (. sensív eis. e em sua capacidade de emocionar o emissor da mensagem (que poderia ser qualquer um de nós) e o interlocutor (diretor. os demais env olv idos na produção do filme e. de 2002).09/10/13 Dissecando Cinema.br/2011/06/jogo-de-cena-de-eduardo-coutinho-2007. Marília é uma atriz contemporânea. Se algo foi inv entado. o cenário é único: a entrev istada sentada em uma cadeira no palco. entre outros. de um filme sobre “o outro”.com. podem ser compreendidos como uma pequena amostragem dos costumes e da cultura brasileira. Não há música. como a religiosidade. aumenta a pancada emotiv a dos relatos. Destaca-se aqui os elos de conteúdo. Os nomes das personagens não são mostrados. Não para mantê-las no anonimato – até porque as três atrizes profissionais são muito famosas – mas para tornar todas indistintas. se não passamos por nada daquilo. e encontramos também temas mais “globais”. a de mostrar os desafios de representar: “Quando o choro é v erdadeiro. o que induz dois efeitos básicos: o espectador v olta sua atenção para o lado discursiv oideológico. temporais e de conteúdo). que assim se pronunciou: “a plateia v azia representa o espírito da representação.. de Eduardo Coutinho (2007) re unir ou se parar e le me ntos. e não de teatro em si”. como as de caráter jornalístico. uma v ez que Coutinho soube ex plorar muito bem os modos de enlace dos discursos e raciocínios das personagens. Este método de lógica indutiv a é recorrente em se tratando de Eduardo Coutinho (v ide. Estamos diante. pois não há trilha sonora que nos embale e console do que estamos ouv indo. estes discursos e raciocínios são comuns não somente às personagens. Esta continuidade é conferida ao filme pela criação consciente de todas as espécies de elos que a montagem é capaz de gerar (narrativ os. A atmosfera é seca. Aliás. Postado por Igor Fe rre ira às 23:30 Um comentário: dissecandocinema. perfaz-se elucidativ a para uma das principais propostas de Eduardo Coutinho. e de costas para as cadeiras v azias do teatro. e saber que.

com/ Críticas. de Eduardo Coutinho (2007) Fabi Goulart 20 de junho de 201 1 08:48 Eu tiv e a honra de poder assistir este filme em um cinema de Porto Alegre e dev o dizer que pra um documentário superou todas as minhas ex pectativ as.html 4/4 . Comentar como: Conta do Google Publicar Visualizar Postagem mais recente Início Postagem mais antiga Assinar: Postar comentários (Atom) dissecandocinema. tex tos inteligentes.09/10/13 Dissecando Cinema.: "Jogo de Cena". gostei muito mesmo.br/2011/06/jogo-de-cena-de-eduardo-coutinho-2007. Já estou seguindo! Caso queira seguir o meu segue meu link: http://fofocandoepipocando.. nov idades.blogspot.blogspot.com. Responder Digite seu comentário. Parabéns pelo blog. dicas. sugestões de filmes.. tudo sobre o mundo marav ilhoso do cinema.