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O SANTO OFÍCIO NA MODERNIDADE E O PROCESSO INQUISITORIAL Aline Sueli de Salles Santos∗ Resumo: A Inquisição foi criada pela Igreja

Católica em meados da Baixa Idade Média. a

!en"nsula I#érica foi uma instituição especialmente pujante entre os séculos $I% e $%II. A associação dos Monarcas A#solutistas portugu&s e espan'ol ( Igreja Católica )omana o#edeceu mais a interesses pol"ticos e econ*micos do que propriamente religiosos+ ou seja+ #usca,a ser,ir ( consolidação e manutenção dos modernos -stados.nação. essa ligação am#as as instituiç/es eram #eneficiadas+ legitimando.se socialmente+ protegendo.se e atacando o inimigo+ financiando.se. este contexto+ o processo inquisitorial+ procedimento criado pela Igreja para instrumentali0ar sua ofensi,a contra os 1'ereges2+ foi peça primordial para a efic3cia dessa parceria. 4 apenas dentro deste contexto que se é poss",el entender a pseudo.racionalidade de seu funcionamento e o papel desempen'ado pelo 5ireito !rocessual no processo de consolidação nacional i#érico. Palavras chave: Inquisição Moderna+ -stados.nação i#éricos+ processo inquisitorial.

In ro!u"#o
6 ad,ento da Modernidade rompe em muitos aspectos com o Medie,o. 5entre essas mudanças+ uma das mais significati,as foi a centrali0ação do poder pol"tico+ com a formação dos -stados.nação modernos. o entanto+ a Inquisição ser3 uma instituição que atra,essar3 os tempos e só ser3 extinta+ oficialmente+ no séc. $I$+ no in"cio da Idade Contempor7nea. 4 certo que a Inquisição Medie,al é+ em muitos pontos+ diferente da Moderna+ mas uma faceta importante foi mantida+ e tal,e0 esteja a" seu maior legado8 o processo inquisitorial. )e,estido de princ"pios racionais que transformaram o panorama do direito processual+ foi um instrumento fundamental para que a Santa Inquisição perseguisse seus o#jeti,os. -nquanto a Inquisição Medie,al era uma empreitada #asicamente religiosa+ feita pela Igreja pra punir aqueles que contestassem ou não seguissem seus dogmas+ posteriormente ela se ajusta a uma no,a realidade marcada pela ruptura da 'egemonia católica na -uropa 9com a )eforma !rotestante: e a Inquisição Moderna só poder3 acontecer com a união entre os -stados modernos e a Igreja Católica )omana. Isto ser,ia e era necess3rio aos recém criados estados portugu&s e espan'ol que esta,am em processo de formação e consolidação.
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<raduada em 5ireito pela =S!+ especialista em 5ireito Administrati,o pelo I5!+ mestre em 5ireito pela = ISI 6S+ doutoranda em 5ireito pela =nB e professora da =>?. -mail8 alinesalles@uft.edu.#r.

A

a inquisição medie.nos Ca#ermas 9ADDE+ p. $ A %ns aura"#o !a In&u%s%"#o mo!erna na 'en(nsula %)*r%ca A Inquisição surge em AJKJ+ com os editos do imperador >rederico II que ordenou a perseguição dos 'ereges do Sacro Império )omano <ermano.nação I -stado e nação I referem.ou ao esta#elecimento da Inquisição.o para se diferenciarem dos cristãos não foi seguida nem em !ortugal nem na -span'a 9 6%I SMN+ ADFK+ p.er coesão e solidariedade social: é o cerne da formação dos -stados modernos. JK:.i.Sa#e.se as etapas do processo inquisitorial #uscando compreender a relação dos princ"pios legais que o orientam com a formação daqueles -stados modernos e a#solutistas.anço do comércio+ a expansão mar"tima+ começa a surgir uma classe media cristã+ ate então quase inexistente+ cujos interesses se c'ocam com os da #urguesia judaica.2 A Inquisição passa+ então+ a ser administrada pelos pa"ses i#éricos+ sendo utili0ada para atingir seus o#jeti. AK:.se a processos 'istóricos con.se que a união do poder pol"tico centrali0ado e superior aos demais poderes+ juntamente com o esta#elecimento de uma cultura Bnica 9que ti.al a Igreja age com autonomia+ muçulmana e a judia. >oi na -span'a+ no entanto+ que primeiramente essa onda de intoler7ncia le.a classe em ascensão tem como grande aliada a Igreja que fa0 uma grande propaganda antijudaica+ culpando os judeus por todos os males da 'umanidade. -stes j3 eram tradicionalmente comerciantes+ #urgueses+ e com o a.isando proteger a fé católica 9B6>>+ ADDK+ p.DH: que 1os dois componentes do conceito de -stado. 6 papa <regório I$ assume a tarefa e para cumpri. Atra.ergentes+ porém distintos8 a formação dos -stados modernos e a construção das naç/es modernas. FG.la nomeia inquisidores entre os freis dominicanos . Ao longo do século $I% começam a aumentar na pen"nsula+ pouco a pouco+ os pedidos de restriç/es (s li#erdades dos judeus.esse o condão de promo. Alerta. a !en"nsula I#érica existiam tr&s grandes comunidades que con. -ssa no. Sinal desta realidade é que a determinação sa"da do I% Conc"lio de Latrão+ em AJAE+ de todos os judeus usarem o distinti.os de manutenção do poder pol"tico e consolidação de um projeto nacional.eram pacificamente durante séculos8 a comunidade cristã+ a J .és de uma an3lise #i#liogr3fica so#re a formação e trajetória da Inquisição portuguesa e espan'ola na Idade Moderna+ analisam. -ssa coexist&ncia de respeito mBtuo deu a !ortugal e -span'a uma carater"stica de toler7ncia muito diferente das outras naç/es.

$+$ O con e. 6 o#jeti. Isso le. A Igreja foi uma das Bltimas a se utili0ar dos estatutos+ o que mostra que o pro#lema era social+ apesar de ser justificado religiosamente.se então para os con.ersa.ersos+ acusando. A propaganda da Igreja aumenta mais e mais+ e é acompan'ada de um confronto cada . Ao mesmo tempo+ muitos 1cristãos.a para enc'er os cofres do ?esouro. -m AQGQ+ so#em ao trono >ernando e Isa#el unificando o reino de Aragão e Castela e dando origem ao -stado espan'ol.os de falsidade+ mas que na . A Inquisição surgiu como uma alternati.olunt3rio em massa+ pois nunca os judeus tin'am agido assimO ante a opção do #atismo ou a morte+ a maioria preferia a morte+ pois considera.o dos monarcas era lograr a expulsão dos mouros de <ranada e extirpar a 'eresia judaica e con.os2 foram assimilados ( alta sociedade+ atra. JD:.o Mundo+ sendo estendida tam#ém aos negros+ "ndios e ciganos. ?em in"cio+ então+ uma pol"tica racista+ que acusa os cristãos no. JE. Como meio de des..és de casamentos e de altos cargos pB#licos. %isando sua consolidação+ em troca do apoio da Igreja e da #urguesia cristã+ introdu0em maiores medidas restriti.er com tr&s grupos distintos de origem judaica8 os que continuaram ligados ( fé judaica+ os que se con.ersa+ para o que os cofres reais não dispun'am de meios.as contra judeus e con. Bati0ados+ garantiam os mesmos direitos dos cristãos+ pois as restriç/es dos Conc"lios não tin'am efeitos so#re eles.am seguindo seus costumes judaicos secretamente+ e aqueles que+ con. o h%s -r%co !a In&u%s%"#o es'anhola Com a explosão de manifestaç/es contra os judeus na -span'a+ ocorre um fen*meno Bnico na 'istoria judaica+ que é o #atismo .ou a sociedade espan'ola a con.JP:.arias crises 9pol"ticas+ econ*micas+ peste+ guerras:.oltaram. 5eu.e0 mais acentuado entre a #urguesia cristã+ que est3 aumentando+ e a #urguesia con.i.iam pertencer aos cristãos.se origem+ então+ aos 1estatutos de pure0a de sangue2+ segundo o qual os descentes de judeu ou mouro até sétima geração não podiam pertencer (s instituiç/es que o adotassem.és dos confiscos poderiam ser utili0ados para tanto.erteram mas continua. o século $%+ a -span'a passou por .a+ sendo+ portanto+ um fen*meno da cidade+ #urgu&s2 9 6%IS MN+ ADFK+ p.am o catolicismo uma idolatria. K .ersos.ertidos+ passaram a ser leais católicos 9 6%I SMN+ ADFK+ p.os de usurparem os mel'ores cargos na sociedade+ que de.no.el'a e a #urguesia cristã no. A solução encontrada foi negociar com a Igreja o esta#elecimento do ?ri#unal da Inquisição+ pois os #ens conseguidos atra. -ssa pol"tica racista tam#ém foi adotada nas col*nias e no o.iar a atenção da crise+ os donos do poder .erdade é a luta 1entre a #urguesia cristã.

O San o O/(c%o em Por u0al Assim como sua .er conforme seus costumes e leis+ so# a liderança de seus respecti. <rande parte dos imigrantes judeus foi para !ortugal+ que co#ra.i. Com a expulsão dos mouros de <ranada+ em AQDJ 9mesmo ano da conquista da América:+ a #andeira da unificação nacional fa0. Isso corresponde ( idéia que a um -stado passa a corresponder o desejo de uma Bnica nação e+ conseqRentemente+ a necessidade de por fim ( di. A eles é dada uma opção8 o #atismo.al+ em crueldade e intensidade+ c'egando tam#ém (s col*nias e só sendo oficialmente extinta em !ortugal em AFJA e na -span'a em AFKQ.de.er um pro#lema social+ e não religioso como aparenta.se a expulsão dos judeus e mouros.a migratória de judeus para !ortugal o estopim para a instauração do Santo 6f"cio tam#ém naquele pa"s.idando das intenç/es puramente religiosas dos reis+ em AQGF+ por ra0/es pol"ticas+ o papa $isto I%+ autori0a o ?ri#unal da Inquisição em Castela.os c'efes pol"ticos 9 6<=-I)A+ JHHH:. Com a grande entrada de judeus expulsos da -span'a+ a fatia dessa população+ que j3 era alta+ ficou ainda maior e+ conseqRentemente+ os conflitos se agra.al+ mouros e judeus go0a.se a isso insatisfaç/es sociais cada .ertidas para o ?esouro )eal.a uma propina por ca#eça.am de proteção em território portugu&s+ podendo praticar li.o#ra do pa"s+ é pro.3. o entanto+ a partir do século $III+ a Igreja começa a pressionar !ortugal para uma instituição mais efeti.erteu+ ainda que continuassem a praticar sua religião secretamente.e0 mais maiores entre os tr&s grupos+ em especial entre cristãos e judeus. S3 em relação aos judeus+ muitos sa"ram da -span'a e suas fortunas eram re.ersidade cultural e religiosa.Mesmo du. $+.i0in'a+ a -span'a+ tam#ém !ortugal tin'a tradição de toler7ncia entre as populaç/es de diferentes credos. !or serem mais po#res e constitu"rem #oa parte da mão.remente seus credos e . Soma.a da Inquisição. 5urante toda a Inquisição Medie. -ssa inquisição superou em muito a Inquisição Medie.se mais forte e decreta. >oi essa le.aram.el que incomodassem menos que os descendentes de judeus+ que detin'am maior poder econ*mico e ocupa.am cargos de prest"gio. 5e.ido a pro#lemas de emigração+ a maioria dos mouros se con. a Inquisição Moderna+ a Igreja só autori0a seu esta#elecimento+ pois quem a ideali0a é o rei+ para resol. Q .

sumiram com o passar do tempo 9 6%I SMN+ ADFK+ p.os+ não podemos perder de .ia alternati. Isto ocorre numa cidade portu3ria quando grande massa de judeus esta.os sociais que a necessita. -ste+ certamente+ que é um dos fatores que justificam a di.os+ fornecendo uma #oa justificati. . AHG:.er como cristão não era apenas um pro#lema religioso+ mas um pro#lema pol"tico.se conta dos preju"0os que o j3 esfacelado -stado portugu&s ia sofrer+ resol.2 9S4)<I6+ ADGG+ p. -m AQDP+ o rei portugu&s segue o exemplo dos reis católicos espan'óis+ decretando a expulsão dos judeus.a+ uma .és de um episódio que ficou con'ecido como 1#atismo forçado2 9 6%I SMN+ ADFK+ p. a . Soão III+ rei de !ortugal+ consegue a permissão papal para instauração da Inquisição em !ortugal+ so# seu comando.erdadeiros moti.a para a instauração da Inquisição em !ortugal.o para a Modernidade+ ser e .e seu pro#lema atra. 6rigina. KP:.isão do poder jur"dico com a Igreja+ nestes estados. 5entre esses moti. Assim+ a Inquisição re. DP:.e0 que 2toda a rique0a do 6riente passa. KQ:.el sair pela -span'a:.Soma.se de uma 1auréola2 religiosa para esconder os .a apenas por !ortugal+ e ia fomentar o tra#al'o estrangeiro+ que nos fornecia de todas as coisas. o entanto+ ao dar.am. $+1 Os es a!os mo!ernos e o Tr%)unal !a In&u%s%"#o 6 surgimento do -stado Moderno+ na -uropa a partir do século $%+ .i.irada a do Medie.no.tanto em !ortugal+ como na -span'a+ a Inquisição este.a distri#uição da propriedade+ naquele momento 'istórico.erdade+ essa autori0ação do papa foi comprada+ no começo com algumas limitaç/es+ mas que E .e0 que meios de transporte mar"timo foram recusados e era imposs".se a isso o fato da economia portuguesa estar em frangal'os+ apesar da extensão territorial do Império+ uma .a+ tão necess3rios ( manutenção do -stado portugu&s. Afinal+ na .e ligada ( centrali0ação do poder e a uma pol"tica de unificação nacional+ e nesse caso o desrespeito aos dogmas católicos agredia não só a Igreja com o -stado+ representado pelos 1sen'ores cristãos2 9L6!-S+ JHHH+ p.ista a questão do confisco dos #ens que a Inquisição propicia.a pronta a deixar !ortugal com a autori0ação do )ei foi impedida de sair e #ati0ada compulsoriamente 9não 'a. 5epois de cinco anos tentando+ finalmente em AEKP 5.este.se+ então+ a era dos cristãos.eio com as caracter"sticas #3sicas da exist&ncia de uma unidade territorial dotada de um poder pol"tico so#erano 9centrali0ado e superior aos demais:+ respondendo a uma necessidade de ordem e autoridade+ gerada por uma no.

A ação aparece neste cen3rio+ como 1uma comunidade pol"tica imaginada I e imaginada como implicitamente limitada e so#erana2 9A 5-)S6 + ADFD+ p. Mel'or+ de conce#er na produção de normas autorit3rias o em#lema e o .e0 mais intensa tomada de consci&ncia por parte do !r"ncipe+ da sua cada .ai #uscar monopoli0ar a dimensão jur"dica+ extinguindo+ lentamente+ 1toda e qualquer forma de pluralismo social e jur"dico2+ fa0endo que a 'istória das monarquias modernas seja a 'istória de uma cada .2 9BA=MA + ADDF+ p. JKP: Interessa ressaltar que esta instituição . AQ: resgatada ou criada artificialmente+ como um s"m#olo unificador+ onde o -stado poderia 1legislar a fa.se como legislador.igor da reale0a e da so#erania+ em oposição ao ideal medial+ que .re escol'a. QH. As ra"0es postuladas poderiam gan'ar exist&ncia pela legislação e seriam cuidadas pelos órgãos estatais da lei e da ordem. 9<)6SSI+ JHHQ+ p.QA: P .or da lealdade e determinar antecipadamente os resultados da li.o.e0 mais precisa percepção da essencialidade do direito no 7m#ito do projeto estatal+ da exig&ncia sempre maior de propor.ia o !r"ncipe+ so#retudo+ como jui0+ jui0 supremo+ o grande justiceiro de seu po.

és dos ord3lios A ou dos duelos 9 AS!6LI I+ JHHE+ p. JHF.erno temporal do mundo.racional+ que dependia da inter. Mesmo com um rol de compet&ncias relati.olunt3ria para aqueles que quisessem se su#meter a seus tri#unais eclesi3sticos. )epresentou a superação do modelo acusatório que responsa#ili0a.e.enção di.a o acusador+ e cuja decisão era dada por um jui0 imparcial+ j3 que fruto da inter.ADK:. Além da compet&ncia contenciosa reser.a não foi plenamente assumida por !ortugal+ cujo poder jur"dico mante.ina para indicar a culpa ou não do acusado.2 9C-S!A CA+ JHHP+ p.enção di. G .idido com a Igreja+ por meio da manutenção de um direito próprio e aut*nomo para disciplina eclesi3stica+ o direito can*nico+ que se constitui 1não apenas uma fonte important"ssima de regulação aut*noma da comunidade dos fiéis no dom"nio espiritual+ como um instrumento da Igreja militante para a tutela do go.e em matérias ci.se de certa forma di.a não.is esta#elecidas para o #em comum+ ca#endo ao -stado+ em casos limitados+ exercer o poder so#re aquele.-ssa direti.JAQ:. 6 ?ri#unal do Santo 6f"cio da Inquisição era um dos ramos da jurisdição eclesi3stica especial+ detendo compet&ncia exclusi.amente redu0ido+ é ineg3.o+ ainda mais quando este ?ri#unal usa de um procedimento próprio+ criado ainda na Idade Média+ que+ apesar de sua proposta 1racionalista2+ ser3 até 'oje exemplo de persuasão e crueldade. . o decorrer da Baixa Idade Média+ esse tipo de processo j3 não conseguia dar respostas adequadas (s necessidades da Igreja+ pois dificulta. 6 respeito ao direito can*nico inclu"a a aceitação de uma jurisdição eclesi3stica 9paralela 3 jurisdição estatal+ propriamente dita: que atingia tam#ém os leigos+ inclusi.se (s normas ci.ada+ a Igreja ainda exercia uma jurisdição . A 6s ord3lios 9ou+ as ord3lias: eram um tipo de pro.am seu poder. Como exemplo podemos citar8 mergul'ar o #raço em 3gua fer. JHP:. ADJ.is. O 'rocesso %n&u%s% or%al Ao contr3rio do que parece indicar 'oje o senso comum+ que relaciona a Inquisição com #ruxas queimando na fogueira+ o processo inquisitorial tin'a como premissa #3sica a racionalidade.a o julgamento e a condenação dos 'ereges que ameaça.ina atra. -ssa autonomia do direito can*nico+ no entanto+ não era ilimitada+ j3 o corpo clerical su#metia.el a força sim#ólica e o poder cultural que ele exerce para a disciplina do po.a em matérias de 'eresia+ apostasia+ #lasf&mia+ sacrilégio e certos crimes sexuais 9C-S!A CA+ JHHP+ p. %ejamos a seguir os camin'os processuais da 1cristian"ssima e santa inquisição2.ente+ ou carregar ferro em #rasa+ e os ferimentos serem milagrosamente curados por 5eus.

!odemos di.se que as normas processuais foram feitas não com o intuito de #uscar a .se pra0o para o 1?empo do perdão2+ onde os cristãos de.e 9-NM-)ICC+ ADDK+ p.oluntariamente+ a fim de escapar das in.isto+ atuali0ado e ampliado j3 durante a Inquisição moderna 9AEFE: por >rancisco de La !eUa+ outro dominicano.a nas denBncias. 4 importante lem#rar que o Santo 6ficio era um tri#unal cristão e+ portanto+ originalmente só poderia julgar os #ati0ados+ regra que comporta.iram+ so# pena de excomun'ão+ so#re alguém #ati0ado. A partir de então+ esta.a pela determinação da culpa#ilidade do réu.estigaç/es do Santo 6f"cio 9-NM-)ICC+ ADDK+ p. esse mesmo edital+ a#ria. 9B6>>+ ADDK+ p.idir o processo em duas partes o processo inquisitoral8 a primeira+ o interrogatório para que o réu confessasse suas culpas+ e a segunda+ o julgamento+ na qual o réu se 1defendia2 atra.e0+ tam#ém institui uma organi0ação das etapas processuais+ e imp/e o princ"pio da escrita.+$ Den2nc%as Atra.és do -dital da >é+ pu#licado anualmente+ a Inquisição+ num serão geral+ c'ama. -sse processo+ c'amado inquisitorial+ era pre.& a possi#ilidade de qualquer pessoa apresentar denBncia+ inclusi. !erce#e.plenas e ind"cios long"nquos: 9 AS!6LI I+ JHHE+ p.as+ #aseado num princ"pio aritmético que impun'a padr/es rigorosos para sua .isto de forma escrita nos )egimentos da Inquisição+ em especial o Manual dos Inquisidores+ redigido em AKGP por um dominicano+ icolau -Tmeric'+ re. -sse ?ri#unal por sua .A partir do séc.eriam confessar suas culpas completa+ espont7nea e . .aloração 9pro.a os fiéis a denunciar tudo o que sa#iam ou ou. As denBncias+ junto com as confiss/es judiciais+ são a #ase do processo do Santo 6ficio e quem não delatasse o que sa#ia+ alem da excomun'ão+ era perseguido pela Inquisição se desco#erto. $III+ a Igreja pro"#e a participação do clero nos ord3lios+ instituindo um no.estigador do crime ao mesmo tempo que se responsa#ili0a. GG:.a preparado o sistema para que o jui0 deixasse de ser um mero 3r#itro imparcial e passasse a ser um in.o sistema racional de pro.otada na mesa da inquisição 9SA)AI%A+ ADFE+ p. As denBncias . ADE: Suntamente+ destitui a responsa#ilidade do acusador pela denBncia e pre.aliam indulg&ncias inclusi.ai passar a disciplinar a pr3tica inquisitorial passo a passo.e o próprio ?ri#unal. AQ: 5epois de expor cuidadosamente so#re os conceitos e tipos de 'erege e 'eresia+ o Manual .as plenas+ semi. AHH:.erdade+ mas de atingir certos resultados. ?anto a primeira como a segunda fase era secreta e a sentença era .és do li#elo+ que se #asea.a exceç/es na defesa da Igreja. AHH: F .és das contraditas das acusaç/es feitas atra.

so#re os ritos e crenças da seita que era acusado de proferir.a de retirada da denBncia era dif"cil+ mas a facilidade de denunciar era enorme. -ra perguntado tam#ém se suspeita. L3+ depois de despojado de seus o#jetos preciosos+ ele era instalado a 1desencarregar a sua consci&ncia2 9SA)AI%A+ ADFE+ p.os+ excomungados+ pessoas que não se aceitaria a denBncia no direito comum e até mesmo as cartas an*nimas. A ele não era dito o moti. -ssas formalidades nem sempre eram cumpridas 9SA)AI%A+ ADFE+ p. 6u seja+ uma fam"lia podia ser afastada de sua casa sem qualquer culpa própria ou pro.isiona.am o que os presos comiam e quando.a ou não o testemun'o. AAQ: A primeira sessão cuida. FA:.+. EF:. FA:. Se o denunciante se retratasse+ a mesa da Inquisição julga.iagens.lo frente ao inquisidor que de. %aliam inclusi.am na denBncia.a da #iografia do réu+ sua identificação+ perguntas so#re sua religiosidade+ seus '3#itos+ seus estudos+ suas .o da sua prisão para que o réu declarasse suas culpas espontaneamente.a o porqu& de sua prisão+ sem l'e declarar as culpas que l'e eram imputadas.istos no )egimento da Inquisição eram de tr&s tipos8 a sessão de genealogia+ a sessão na generalidade e a sessão na especialidade 9SA)AI%A+ ADFE+ p. essa sessão+ o réu era indagado D . In erro0a -r%o 5epois da denBncia+ o réu era capturado e le.ado ( mesa do Santo 6ficio. os interrogatórios os réus de. 5epois de um m&s na prisão+ acontecia a sessão na generalidade+ isto é+ não diretamente relacionada aos fatos que consta. Com a prisão acontecia o seqRestro dos #ens do denunciado. Se quisesse+ poderia manter a acusação.e lem#ra. Vualquer tentati.iam ser colocados de forma a constrang&.a sua casa+ impedindo a entrada de quaisquer outras pessoas que não funcion3rios da Inquisição.lo sempre que se mostrar3 misericordioso se ele confessar com clare0a e rapide0 9-NM-)ICC+ ADDK+ p.a se anula. Com mais de uma testemun'a+ a prisão j3 poderia ser efetuada com um mandado escrito.?odas as denBncias eram rece#idas+ quem quer que fosse o denunciante. ?endo as denBncias+ o denunciante indica.e os escra. 6 Santo 6f"cio imediatamente fec'a. . 6s interrogatórios pre.erdade+ o crédito ou não da denBncia dependia apenas do ar#"trio dos inquisidores.a da culpa do acusado 9 6%I SMN+ ADFK+ p. FJ:. a .a outras testemun'as. =m importante tipo de testemun'a era os carcereiros da prisão+ que super.

os da tortura+ o que garantia uma auto.ada sua utili0ação por um tri#unal+ seu uso passou a ser totalmente indiscriminado. PA:. As confiss/es eram estimuladas como o Bnico modo de o#ter a misericórdia do Santo 6f"cio+ dependendo essa do nBmero de denBncia de terceiros que a acompan'asse 9SA)AI%A+ ADFE+ p. 6 próprio Manual pre.erdade2 9L-%ACM+ ADFF+ p.a ou.ia os AH truques do 'erege para responder sem confessar e logo em seguida os AH truques do inquisidor para neutrali0ar os truques dos 'ereges 9-NM-)ICC+ ADDK+ p. 16 uso da tortura judicial #aseia no pressuposto de que uma pessoa+ quando su#metida ao sofrimento f"sico durante o interrogatório+ aca#a por confessar a . AAQ:. FE:.a dos assuntos constantes na denBncia+ de um modo #em a#strato de modo a não ser poss". 5epois+ era examinado por um médico que atesta. 5epois disso .& no tópico AF do Manual+ 1Como interrogar o acusado2 9-NM-)ICC+ ADDK+ p.idindo os testemun'os. GK:.AJG: .a claramente a indu0ir o réu em erro 9SA)AI%A+ ADFE+ p. Antes do tormento+ o acusado era admoestado a confessar suas culpas. -sse dispositi. 6s réus a que se su#metiam os tormentos eram aqueles so#re os quais não 'a.estigar2. GE:+ conforme se .el multiplicar as perguntas+ di. Ao fim de cada sessão de interrogatório+ era feita ao preso uma admoestação para que ele confessasse todas suas culpas. !ara impedir o forjamento de confiss/es+ 1o uso de perguntas que indu0issem a determinadas respostas+ de modo que o réu j3 sou#esse de antemão o que o interrogador deseja.perpetuação da Sustiça inquisitorial que sempre tin'a pessoas a 1in. FE:.+1 Tor ura 6s interrogatórios eram acompan'ados de tormentos.in'a o li#elo do !romotor.ia pro. ?antas perguntas se fariam+ quantas fossem as testemun'as e não quantos fossem os crimes a ele imputados.o destina.as e os diminutos+ mas apesar de ter que ser apro. Se a confissão fosse considerada incompleta+ o réu era considerado diminuto e então passaria por mais sess/es de interrogatório.a seu estado de saBde e instado a assinar um documento declarando que se algo acontecesse com ele+ 1a culpa não era dos inquisidores+ mas dele própria+ por ter.ir+ era proi#ido2 9L-%ACM+ ADFF+ p. AAD.el a identificação do fato a ele imputado ou nem de nen'uma testemun'a.encimento dos inquisidores+ sempre insinuando que sa#em mais coisas so#re ele+ para assim confundir o réu.>inalmente a terceira sessão trata.e0es eles ac'assem necess3rio para con. A denBncia de outros nomes+ supostos cBmplices+ era um dos o#jeti. 6 réu teria que confessar tudo e o ?ri#unal poderia ordenar que ele confessasse quantas .se mantido pertina0 e escondido o nome dos cBmplices2 9 6%I SMN+ ADFK+ p. AH . o caso de poucas testemun'as+ o )egimento di0ia ser poss".

Se não 'ou.és de um pacto dia#ólico+ adquiria de Satã o poder de suportar a dor+ os ju"0es utili0a.%3rias eram as espécies de tortura que eram utili0adas+ ajustando. Se de no.a+ tam#ém exercia uma função 1educati.o se recusasse a assinar era considerado diminuto ou negati.se a m3xima jur"dico atual que prega que a dB.+3 Acusa"#o Após os interrogatórios e as torturas+ a fase posterior era a acusação.am no li#elo tantas acusaç/es quantas fossem as testemun'as+ tal como no interrogatório.os e diminutos+ termina.a2 de modo a pre. Se agRentasse o fomento sem declaraç/es+ o réu era condenado a reclusão+ e não 1relaxado ( justiça secular2+ eufemismo para a pena de morte.el2 9MA 5)6=+ apud AS!6LI I+ JHHE+ p.ADG: AA . .amente torturado. DH: Consta.endados.as ou fator concretos+ a acusação era #aseada nas suposiç/es e presunç/es+ in.a pelas acusaç/es do li#elo.ida de.enir futuros delitos. ?oda essa especiali0ação da tortura garantia a reali0ação de um 1processo infal". S3 a fórmula que pedia outra pena qualquer era 1que o réu seja castigado com todo rigor que merece+ conforme a disposição do direito2 9SA)AI%A+ ADFE+ p. -sse expediente não só permitia que cada fato denunciado fosse explorado ao m3ximo+ de acordo com cada uma das .am a tortura da ins*nia forçada+ em que o suspeito era mantido acordado por quarenta 'oras ou mais+ até que confessasse o crime.2 9 AS!6LI I+ p.J 5epois do tormento eram apresentadas ao réu suas declaraç/es para que ele as ratificasse. As acusaç/es que pediam a pena de morte+ no caso dos negati.ers/es apresentadas+ como .a sua peça nos testemun'os e nas perguntas feitas ao réu nos interrogatórios.e #eneficiar o réu. A Inquisição além de puniti. ADP.ADP:+ fa0endo do processo inquisitorial a arma perfeita para ser utili0ada pela Igreja e pelos -stados i#éricos na perseguição de seus antagonistas.esse pro.se as técnicas aos crimes a serem des. .o+ implicando em pena de morte.a impressionar o pB#lico quando da leitura da sentença+ que se pauta.+4 De/esa J 1 o caso do crime de #ruxaria+ por acreditar que a #ruxa+ atra. -la era feita por um funcion3rio da Inquisição+ o !romotor+ que #asea. Caso não assinasse+ seria no.am pedindo que o réu fosse castigado 1com todo rigor do direito e entregue ( justiça secular2.ertendo.isa.

ogado de defesa figura própria no processo 9L6!-S+ JHHH+ p.ogado por parte do réu era total+ uma .a para ele+ de.ista que a defesa no processo inquisitorial é meramente formal e aparece mais como uma exig&ncia da racionalidade que justifica o processo+ do que como uma garantia ao acusado.lo (s sess/es de interrogatórios ou quaisquer outras dilig&ncias.2 9-NM-)ICC+ ADDK+ p. 6 ad.il e Can*nico+ e #astante fer.ogado 'onesto+ cm experi&ncia em 5ireito Ci. DJ:.3lida.aga e sua defesa consistia em adi. ?ampouco era permitido ao ad.endo ser nomeado+ quando o Santo 6f"cio assim julgasse necess3rio 9quando o acusado alegasse inoc&ncia+ quando 'ou. Salta ( .esse testemun'as de defesa etc:+ um ad. as contraditas+ além de adi. Con'ecido o li#elo de acusação+ o réu se defendia com informaç/es gerais referentes a sua .ingança ou feito por inimigos.ogado+ no entanto+ era #astante limitado+ uma .+5 Sen en"a e Recurso AJ .e0 aquele tin'a que escre.e0 que ele não tin'a . DQ.oroso.istas sempre presenciadas funcion3rios da Inquisição+ ou acompan'3.ida como cristão.a ao 1delito2 era dito ao réu de forma .!ode parecer paradoxal+ mas é a Inquisição que torna a presença do ad.in'am então as contraditas.ogado do réu+ no entanto+ era nomeado pelo Santo 6ficio e tra#al'a.ia prestar contas ( Inquisição da sua maneira de condu0ir a defesa+ e+ e.esse morrido ou desaparecido+ não seria comunicado ao réu 9SA)AI%A+ ADFE+ p. Como defender alguém de acusaç/es que não se sa#em quais são e nem por que ou por quem foram feitasW ?udo que se relaciona.ogado tin'a que jurar que daria ao acusado uma #oa defesa+ mas+ por outro lado+ tam#ém de.ogado con.ista do processo e só sa#ia o que era ao réu comunicado. .DF:. A depend&ncia de seu ad.alidar seu testemun'o+ era necess3rio dar nomes de testemun'os que tin'am uma série de requisitos para serem aceitas enquanto que na acusação+ qualquer testemun'a era . AHF:.remente com seu cliente+ sendo essas entre. 5epois+ o promotor apresenta. 6utra disposição quanto (s testemun'as de defesa+ era que se uma ti. 6 poder do ad.a a 1pu#licação de pro.er e assinar as contraditas (s acusaç/es. Além do mais+ o réu não teria acesso ao despac'o das contraditas+ a não ser que fossem todas aceitas+ para que não sou#esse quem eram seus denunciantes.ar que tudo aquilo era .entualmente+ denunciar seu cliente 9SA)AI%A+ ADFE+ p. AKG: 6 ad.a de justiça2+ que consistia na reprodução dos ditos das testemun'as e .ersar li.in'ar e contestar as denBncias e os denunciantes e procurar pro.in'ar seus denunciantes e in.

a 1relaxado ao #raço secular2.a um jogo que ele não sa#ia as regras+ o resultado durante a partida e+ para piorar+ o jui0 apita. AHH:. ?am#ém era poss". A primeira+ com no. AQD.oltar atr3s ou tentar re.+7 Au os !e /* esse AK .ogado antes da sentença.AFA:.a o Santo 6f"cio era secreto e só podia ser lido pelos ju"0es e promotores+ sendo certo que fica.ulgada e grande parte das decis/es tam#ém não eram dadas a con'ecer pelo réu e seu ad. 6s recursos não eram o#rigatoriamente aceitos+ e fica. . A .eria ter con'ecimento eram inapel3.eis+ assim como a sentença final.eis nos processos da Inquisição estão expressos no Manual+ indo desde plena a#sol.a mais para .ição+ passando pela a#juração+ expiação can*nica e a entrega ao #raço secular 9-NM-)ICC+ ADDK+ p. 5a mesma forma que os atos denunciados e as pessoas denunciantes não eram informadas ao réu+ quase todos os atos eram secretos8 os presos jura.eredictos poss".iam sil&ncio so#re seus atosO a aplicação do tormento não poderia ser di.6s AK . a notificação da sentença termina.ogados+ do pB#lico e até da maioria dos funcion3rios 9SA)AI%A+ ADFE+ p.a a jurisdição dos ?ri#unais -clesi3sticos+ j3 que a Igreja não podia tirar a . 6 réu só sa#eria o resultado final quando terminasse o jogo+ mas a" j3 era tarde e não da.ida de ninguém.el a aplicação de penas pecuni3rias 9-NM-)ICC+ ADDK+ p. Até mesmo o )egimento que estrutura.erter o resultado numa prorrogação. )esumindo8 o réu joga.ogados e outros funcion3rios da Inquisição de. em todas as decis/es eram comunicadas ao réu e aquelas que eles não de.am segredo a cada interrogatórioO os ad. .a contra.a admoestação para que o réu confessasse suas culpas ou o resto delas+ e a segunda+ no Auto de fé ou pouco antes+ nos casos que o réu era comunicado que esta.e0es. JKQ: As notificaç/es das sentenças eram feitas duas .a ao #el pra0er dos inquisidores a decisão de encamin'ar a apelação para o Consel'o <eral+ em especial se o recurso era feito com poucos dias de anteced&ncia do Auto de fé. caso a notificação era feita antes para que o condenado pudesse preparar sua alma.+6 Se0re!o -nquanto o processo atual corre so# a égide do princ"pio da pu#licidade dos atos processuais+ na Inquisição o segredo era a regra institucionali0ada.a fora do alcance dos ad.iolação desses segredos era crime comparado a 'eresia+ perante o Santo 6f"cio.

X.a a Inquisição.idados de 'onra. PG:.eniente ter os 'ereges presos+ ou peram#ulando pelas ruas da cidade+ ou confinado nas aldeias+ para ser.ido antes da Inquisição uma certa AQ . 6s Bltimos eram reali0ados no pal3cio da Inquisição ou em con.el+ atraindo a população.erdadeiras festas populares+ c'eias de pompa e ostentação+ que eram reali0ados normalmente uma . 6s autos de fé eram um poderoso instrumento de propaganda do -stado e seus .ados2. 9 6%I SMN+ ADFK+p.ol. 6 e. importante.entos e eram normalmente reser.irem de testemun'o da grande e pia o#ra que reali0a.PQ:. ão raro+ os autos de fé eram reali0ados para a cele#ração de um casamento ou por ocasião de uma .am a pena capital com muita freqR&ncia+ pois era mais con.ados para a procissão.. 6s autos de fé pB#licos eram . !odemos encontrar nesse per"odo autos de fé pB#licos e 1pri.As sentenças do ?ri#unal do Santo 6f"cio eram lidas e executadas nos autos de fé. As penas mais comuns eram então+ as penit&ncias espirituais+ a prisão e o desterro 9SA)AI%A+ ADFE+ p.o+ a corte e con. %ale lem#rar que quando a pena a ser aplicada era a de morte+ o condenado era entregue ( justiça secular+ isto é+ aos funcion3rios da Coroa+ que o mata.es+ destinados (queles que eram readmitidos no seio da Igreja.el pelo derramamento de sangue. AQE:.alores nacionais+ pois eram feitos com o maior ar de festa poss".ento começa. 5epois da missa e do sermão+ eram lidas as sentenças e os condenados ( fogueira+ eram transportados para o lugar do fogareiro.am+ j3 que a Igreja não podia ser respons3.ados a condenaç/es mais le.ida no c3rcere ou mendigando pelas ruas. PK.estiam os sam#enitos 9'3#ito usado pelos que eram condenados pela Inquisição: e eram le. o entanto+ os inquisidores não aplica. 5urante a noite anterior ao culto de fé+ os condenados fica.ergon'a2 9 6%I MN+ ADFK+ p.a o resto de sua .a com uma procissão seguida de missa+ na qual o sermão tin'a um papel todo especial de doutrinação e por isso era escol'ido algum mem#ro de destaque do clero.e0 por ano e compareciam todo o po..Y Assim+ depois de sair reconciliado com a Igreja+ ter seus #ens confiscados+ o réu passa.olta (s celas+ . 6s que tin'am morrido ou fugido durante o processo inquisitorial+ e que fossem declarados 1relaxados2 tin'am seus ossos entregue (s c'amas ou eram queimados 1em ef"gie+ para que seus fil'os carregassem a marca e a .isita Cons%!era"8es /%na%s Apesar de -span'a e !ortugal terem desen.am na capela da InquisiçãoO de man'ã+ de .

os+ pois não sa#iam o que fa0er para não cair nas mal'as da Inquisição+ j3 que as denBncias não precisa. So# a égide da Inquisição+ o clero+ juntamente com os -stados a#solutistas em ascensão+ fundamentou suas perseguiç/es ampliando o rol dos culp3. Na"#o e consc%9nc%a nac%onal+ São !aulo8 Ztica+ ADFD. Manual !os %n&u%s%!ores+ J.i. AE . )io de Saneiro8 Sorge [a'ar+ ADDF.se 'armonicamente+ interesses econ*micos e pol"ticos le. Bras"lia+ 5>8 )osa dos %entos+ ADDK. p.a .JF.am+ relacionando.a a tentar seguir exatamente o que o -stado e a Inquisição i#érica aponta.essem apreensi.os+ por meio da formulação de um direito processual #aseado em pressupostos racionais+ mas com uma pr3tica completamente irracional+ que go0a. In8 -NM-)ICC+ icolau. BA=MA + [Tgmunt.am como correto+ ou seja+ o que era nacionalmente desej3. !erce#e.es ar !a '-s.am sendo constru"das na pen"nsula i#érica.unidade nacional 9<65I C6+ apud 6%IS MN+ ADFK+ p. A Inquisição aparece como uma fórmula para enfrentar esse pro#lema+ fa0endo com que os i#éricos ( época da Inquisição Moderna .am de nen'uma pro. !ara piorar+ não se sa#ia como se defender caso fossem pegos pela Inquisição+ uma . -sta#eleceu.a de grande apoio popular.erso+ que era determinado pelo adjeti. B6>>+ Leonardo.el. 9CA)%ALC6+ JHHE+ p.&ncia e ( expulsão e perseguição dos grupos que não se encaixa.se uma estrutura ampla e onipresente do poder que não admitia a exist&ncia do 1outro2+ do di. ed.o 'erético. D.a a .am mais nas caracter"sticas desej3."timas que iriam seguir um camin'o j3 traçado pela Inquisição+ que de santa não tin'a nada.e0 que não era informado o acusador+ a acusação+ nem se escol'ia o defensor.se+ então+ a import7ncia dessa instituição e do processo inquisitorial na consolidação não só do -stado+ mas tam#ém das naç/es portuguesa e espan'ola. Re/er9nc%as )%)l%o0r:/%cas A 5-)S6 + Benedict.eis das naç/es que esta.a ou ind"cios concretos para serem feitas e as pris/es imediatamente reali0adas. QH: onde os tr&s grupos 9cristãos+ mouros e judeus: participa. JHK: 6l'ando por esse 7ngulo+ o Santo 6f"cio foi muito eficiente8 conseguiu+ durante séculos+ atingir seus o#jeti. 4 justamente essa fusão aparentemente tão paradoxal que possi#ilitou que Igreja e -stado+ unidos+ impusessem uma cultura oficial nacional+ instituindo critérios para participação da nação e+ conseqRentemente+ do -stado.aram ( que#ra desse pacto de con.i.eis+ englo#ando em suas tipificaç/es+ além da criminalidade comum+ qualquer oposição que criticasse o sa#er oficial. A procura de din'eiro e manutenção do seu poder+ não mediu aç/es para conseguir o que queria. Isso os o#riga. 6 ?ri#unal do Santo 6f"cio não procura.erdade e os culpados+ ele #usca. O mal.mo!ern%!a!e. Inquisição8 um esp"rito que continua a existir 9pref3cio:.

CA)%ALC6+ Salo de. ed. ed.QK. 6 -stado. AP . A In&u%s%"#o em Por u0al+ 5ispon". p. 6%I SMN+ Anita \aingort. ed. Fun!amen os !e <%s -r%a !o D%re% o+ K. AS!6LI I+ JHHE+ SamTra CaTd&e.as+ )io de Saneiro8 Campus+ ADFF. Lis#oa8 Aillaud e Bertrand+ XAD. ed. AFG.. <%s -r%a !a or%0em e es a)elec%men o !a In&u%s%"#o em Por u0al+ F. e atual. p. S4)<I6+ Ant*nio. SA)AI%A+ Ant*nio Sosé. Fun!amen os !e <%s -r%a !o D%re% o+ K. Belo Cori0onte8 5el )eT+ JHHE. A ca"a >s )ru. Acesso em8 HA a#r. Lis#oa8 -stampa+ ADFE. São !aulo8 Brasiliense+ ADFK. 5a desconstrução do modelo jur"dico inquisitorial...JJH. A In&u%s%"#o e cr%s #os novos+ E. In8 \6LMM-)+ Ant*nio Carlos 96rg. A In&u%s%"#o+ J.com^co#m^A_Inquisicao_em_!ortugal`. In8 \6LMM-)+ Ant*nio Carlos 96rg. JHA. C-)C=LA 6+ Alexandre. JHHP. Belo Cori0onte8 5el )eT+ JHHE. Manual !os %n&u%s%!ores+ J. M% olo0%as =ur(!%cas !a Mo!ern%!a!e+ >lorianópolis8 >undação Boiteux+ JHHQ. XLis#oaY8 !u#licaç/es -uropa. SA)AI%A+ Sosé Cermano.em#ro ADDE. re. América+ ADDK. 6<=-I)A+ Carlos >rederico Coel'o.Y. ?reve In er're a"#o !a h%s -r%a !e Por u0al+ Lis#oa8 Li.JHH. ?omo A. CAB-)MAS+ SRrgen. Bras"lia+ 5>8 )osa dos %entos+ ADDK. ed. Novos Es u!os+ n. ed. São !aulo8 C-B)A!+ no. O D%re% o !os le ra!os no %m'*r%o 'or u0u9s+ >lorianópolis8 >undação Boiteux+ JHHP.:. L6!-S+ Sosé )einaldo. e atual. C-S!A CA+ António Manuel. <%s -r%a conc%sa !e Por u0al+ AP ed.el em8 ]'ttp8^^maxpages. re.:.nação europeu frente aos desafios da glo#ali0ação. -NM-)ICC+ icolau. L-%ACM+ Brian !.raria S3 da Costa+ ADGG. <)6SSI+ !aolo. O D%re% o na <%s -r%a+ São !aulo8 Max Limonad+ JHHH. Aspectos 'istóricos+ pol"ticos e legais da Inquisição.