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8º Congresso Internacional de Bioenergia – 03 à 05 de novembro – São Paulo - SP

UFRA ECOENERGIA: SUSTENTABILIDADE, AMAZÔNIA E SOCIEDADE
Rafael Marcelo Almeida Carneiro1, Otávio A. Chase 2, José Felipe S. Almeida3
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Acadêmico de Engenharia Ambiental & Energias Renováveis (UFRA). E-mail: rafpjhotmail.com, 2 M.Sc. em Engenharia Elétrica (UFPA).

E-mail: chase@ciberfisica.org, 3 D.Sc. em Engenharia Elétrica (UFPA). E-mail: wirelinux@gmail.com. Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia, Endereço: Av. Presidente Tancredo Neves, 2501 – Montese. Cep: 66077-901, BelémPará. Web-site: <http://www.grad.ufra.edu.br/eaer>, telefone: (091) 3210-5100.

RESUMO O presente artigo ressalta o potencial energético oriundo dos resíduos sólidos no restaurante universitário da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e, a viabilidade econômica para a Instituição de ensino superior ao utilizar esta forma de energia. Identificou-se as contribuições relevantes nos aspectos ambiental, econômico e social relacionados com o aproveitamento de resíduos sólidos para a produção de energia elétrica, através do emprego de técnicas fundamentais para a otimização do potencial energético. Há inúmeras vantagens na utilização desta matriz energética sustentável, em especial a diminuição da emissão de gases poluentes como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Palavras Chave: Sistemas de Energia. Resíduos sólidos. Planejamento Energético.

ABSTRACT Ufra ecoenergy: Sustentability, Amazonian and Society This paper highlights the energy potential from the solid residues in the University restaurant of the Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) and economic viability for the higher education Institution to use this form of energy. Identify relevant contributions in environmental, economic and social aspects related to the use of solid waste for the production of electricity using fundamental techniques for the optimization of the energy potential. There are many advantages in using this sustainable energy matrix, including the reduction of emission of polluting gases such as carbon dioxide (CO2) and methane (CH4). Key Words: Energy Systems. Solid waste. Energy Planning. INTRODUÇÃO Ao se tratar sobre gestão de resíduos sólidos no contexto da sociedade pós moderna, percebese as problemáticas encontradas em pequenas, médias e grandes cidades como é o caso do Brasil, no qual é possível identificar o excesso de resíduos sólidos produzidos pela população, sendo que muitas vezes não recebem a destinação correta em razão da coleta destes resíduos geralmente ser bastante irregular pela falta de planejamento, por outro lado pode-se diminuir este volume de resíduos utilizando–os como fonte de energia renovável. Por esta razão é muito importante que Instituições de ensino superior, como a UFRA realizem projetos sustentáveis para a produção de energia elétrica à partir de resíduos sólidos; o que gera uma relação custo–benefício bastante positiva e viável. Na Universidade Federal Rural da Amazônia, os resíduos sólidos não possuem tratamento e muito menos são separados; e desta

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forma é possível presenciar em loco a mistura de resíduos orgânicos com inorgânicos em contêineres da empresa contratada para o serviço de retirada dos resíduos da área de abrangência da UFRA e verificou-se a ausência de planos, projetos ou programas para a reutilização desta matéria–prima, além do mais há um consumo significativo de energia elétrica nas dependências da Universidade o que acarreta em um alto custo a ser pago para a concessionária de energia elétrica no estado do Pará. Nesta conjuntura abordada, pretende-se com este artigo fazer o levantamento dos materiais orgânicos e inorgânicos produzidos pela UFRA e saber com quais tecnologias podemos utilizar esta matéria prima para obtenção de energia elétrica, e além disso a pesquisa sobre o consumo de energia elétrica na Instituição mencionada e os tipos de tecnologias a serem utilizadas de maneira eficaz no processo de transformação destes resíduos em energia. A sociedade pós moderna necessita de ações efetivas e eficientes para a superação das problemáticas oriundas da destinação e tratamento de resíduos sólidos, principalmente em grandes centros urbanos, entre os quais as cidades paraenses, tendo em vista que as mesmas são desassistidas de ações governamentais eficazes, que possam minimizar as problemáticas encontradas nestes centros urbanos, inclusive nas Instituições de ensino superior. Este entrave no que diz respeito ao gerenciamento dos resíduos sólidos pode ser solucionado através da produção de energia elétrica à partir do aproveitamento do gás produzido nestes resíduos (gás do lixo) e/ou pela incineração. (Marcos, 2009). A proposta do UFRA ecoenergia consiste em possibilitar o gerenciamento dos resíduos sólidos para a redução da quantidade de lixo na Universidade associado a preocupação sócio ambiental, tendo em vista que os resíduos orgânicos e inorgânicos não são reaproveitados, porém busca-se mostrar que através do uso de geotecnologias pode-se reaproveita–los na produção de energia limpa. Com essas novas geotecnologias é possível realizar o tratamento de resíduos inorgânicos que não podem ser reciclados, o que minimiza o problema de acúmulo de lixo através da incineração com a co-geração de energia. Com esta tecnologia há uma diminuição em torno de 90% do volume e peso destes resíduos, gerando queima necessária para a produção de energia elétrica. “Tratar o lixo, gerando eletricidade é uma forma de resolver três fontes de mitigação. Uma delas é o lixo. A outra é a queima de combustíveis fósseis para gerar eletricidade e a terceira é o diesel que se consome para transportar o lixo até os aterros”. (Bastos coordenador do projeto Usina Verde. 2009/12/09)”. Para haver aproveitamento do potencial energético presente no lixo é fundamental a utilização de um equipamento incinerador, pois o mesmo impede a emissão de gases poluentes como o metano (CH3) cheguem em grandes quantidades na atmosfera o que não é possível acontecer nos lixões sem o uso de geotecnologias. A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) gera uma quantidade de lixo inorgânico em média de 9,7Toneladas por mês de acordo com a CLEAN (Empresa responsável pela coleta de resíduos da Universidade). Atualmente a maioria ou grande parte dos incineradores é utilizado para resolver a questão da disposição final de resíduos perigosos e hospitalares. No entanto, essa tecnologia não faz uso para aproveitamento energético.

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“Antes de serem incinerados, os RSU (resíduos sólidos urbanos) coletados passarão por uma linha de triagem e separação dos recicláveis (metais, alumínio e vidros). Após a segregação dos recicláveis, os resíduos seguem direto, por meio de uma esteira, para o forno de combustão, onde são incinerados em dois estágios: no primeiro ocorre a queima a temperaturas superiores a 1.000ºC e no segundo, de pós-queima, para a conversão total dos gases, a temperaturas superiores a 1.200ºC (UFRJ/COPPE, 2004).”

Após essa separação dos resíduos, que com auxilio de pessoas treinadas da própria comunidade deixará o resíduo inorgânico restante submetido a altas temperaturas. Sendo assim, os gases provenientes da queima irão passar por sistemas com vários estágios que removerão acidez do gás, poeiras ainda existentes, partículas antes de serem enviadas para a atmosfera, utilizando carvão ativo, separação de particulados pesados, resfriamento dos gases, lavagem ácida, lavagem alcalina para neutralização, separação final de gotículas condensadas, transporte e expulsão dos gases para a atmosfera. O biogás é formado a partir da digestão anaeróbia de algumas espécies, sua produção é possível a partir de uma grande variedade de resíduos orgânicos como o lixo doméstico, lodo de esgotos, entre outros. Normalmente é composto por 60% de metano, 32% de dióxido de carbono e 7% de uma mistura de outros gases como nitrogênio, hidrogênio, sulfeto de hidrogênio e oxigênio. Ao fazer um estudo sobre a quantidade de lixo produzido nos refeitórios da UFRA (Universidade Rural da Amazônia), que em sua maioria é composto de matéria orgânica, foi constatado que há um desperdício de 0,8 toneladas/mês. De acordo com a revista Gestão de Resíduos, 100.000 toneladas/ano de lixo podem produzir 4.380 MWh/ano através da queima do biogás. Tendo como base esses valores, a quantidade de lixo orgânico produzidos em um mês na Universidade, possui um potencial energético de 0, 035 kWh/mês. Sendo que a UFRA consome, em média, por ano 25377,90 kWh e com a utilização do biogás haverá uma economia de 163,42 reais por ano. MATERIAS E MÉTODOS O Artigo Científico foi desenvolvido em sua etapa inicial com direcionamento teórico, através de revisão bibliográfica e da coleta de dados. Primeiramente, pesquisamos junto à empresa CLEAN Gestão Ambiental, responsável pela coleta de resíduos sólidos produzidos na UFRA, a quantidade de resíduos coletados por ela. Esta empresa faz o recolhimento desses materiais duas vezes por semana, e o total de lixo neste período coletados é 2.640 kg, sendo 10.560 kg/ mês. Entretanto, a Universidade não possui coleta seletiva, matérias orgânicas e inorgânicas misturam-se, neste caso, não haveria como saber as quantidades de lixo orgânico e inorgânico separadamente. Considerando que quase todo o lixo orgânico produzido na Universidade concentra-se no restaurante universitário, decidimos fazer uma pesquisa nos dias 30 de Setembro e 05 de outubro de 2010 das 8h às 16h para obtermos o valor aproximado de matéria orgânica produzida durante um mês. Nesses dias utilizamos balanças para pesar o lixo desperdiçado no final do dia. Através disso, obtivemos o seguinte resultado: que em média são desperdiçados 40 kg de resíduos orgânicos por dia. Considerando que o restaurante funciona em média 20 dias a cada mês, então teria um total de 800 kg de resíduos orgânicos/mês. Subtraindo esse valor dos 10.560 kg, temos o valor de lixo inorgânico igual a 9760 kg/mês.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO Vantagens e desvantagens na produção de energia elétrica à partir de resíduos sólidos.
Ufra Ecoenergia é uma alternativa para a produção de energia de maneira sustentável, tendo em vista a incorporação de resíduos sólidos para a produção de energia elétrica, tendo como referencial a Universidade Federal Rural da Amazônia-Ufra, para a qual será detalhada a seguir as vantagens e desvantagens nesta fonte energética. Em se tratando de vantagens para obter-se energia elétrica, com enfoque na Universidade supracitada, especifica-se dois processos presentes na operação desta matriz energética: Incineração e produção de biogás. Na incineração, ocorre a diminuição da quantidade volumétrica de lixo em cerca de 90%, através da queima do mesmo. Acarretando em produção de energia elétrica. Especificamente na Universidade em questão, evidencia-se à partir de dados coletados junto á empresa responsável pelo tratamento de resíduos sólidos (CLEAN SERVICE), que em média a quantidade de lixo produzida por esta instituição de ensino superior é de aproximadamente 9,7 toneladas por mês. Os incineradores com sistemas mais modernos, possuem um procedimento ímpar no que diz respeito, em não causar danos ao meio ambiente; pois separa resíduos orgânicos de inorgânicos (estes podem ser reciclados). Após a separação residual, os inorgânicos são colocados em elevadas

temperaturas, para que desta maneira os gases resultantes da queima passem por um mecanismo composto de várias etapas, que visam remover as impurezas destes gases. Ao fazer um estudo sobre o lixo desperdiçado nos refeitórios da UFRA (Universidade Rural da Amazônia) foi constatado que há um desperdício de 0,8 toneladas/mês, o que resultaria num potencial energético de 0,035 KWh/mês. Sendo que a UFRA consome, em média, por ano 25377,90 KWh e com a utilização do biogás haverá uma economia de 163,42 reais por ano. CONCLUSÃO A proposta desta pesquisa mostra que, através de tecnologias avançadas, monitoramento eficazes, equipes qualificadas e treinadas quanto ao controle da poluição e técnicas adequadas para a disposição final dos resíduos gerados com parceria da comunidade, é possível estabelecer uma solução para o lixo que a universidade produz, visando transformar essa matéria em potencial elétrico juntamente com auxílio de tecnologias presentes, no caso do incinerador que queima resíduos, no qual não podem ser reciclados e que iriam parar em lixões mas que podem gerar eletricidade para própria universidade, possuindo a mesma finalidade o biogás que vem gerando energia elétrica a partir do potencial energético que o resíduo orgânico têm, porém não é aproveitado. Este estudo de caso mostra que o lixo pode ser tratado, e a visão não deve ser só como uma “coisa” inútil e sim como uma fonte de energia. Este artigo procurou descrever formas de ampliar o aproveitamento enorme do potencial energético de resíduos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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