editorial // número três . março 007
Somos uma espécie de pão de mistura. Gostamos dos novos sabores das coisas. Os sabores que se inventam todos os dias em todas as partes. Temos orgulho de sermos muitos em tantos, e, de às vezes, sermos únicos em tão poucos. Se as diferenças se pudessem comprar, gastaríamos tudo para as ter todas e sermos diferentes do resto de tudo. Exaltamos as cores que se entranham e os sorrisos com defeitos. Gostamos dos que não se parecem, dos lados esquerdos e das ovelhas runhosas. Escolhemos o caminho e nã há volta que o troque. E podem perguntar os mais incautos o que fazemos. Nós responderemos sempre “amadores, de profissão”. Ricardo Galésio

CAPA Untitled foto de Emiliano Rodriguez FICHA TÉCNICA Director de Arte e Conteúdos Ricardo Galésio Colaboradores Ana Elisa Ângelo Fernandes Emiliano Rodriguez Hugo Mortágua João Alves dos Santos Juliana Reis Koen Leicher Lambros FisFis Nelson Araújo Pedro Palrão Rodrigo Falcão Nogueira Sara Toscano Agradecimentos Emiliano Rodriguez Lomografia Portugal 

hong kong I // do you wanna color?
Oriente, s. m. (do Lat. oriente). . Região que fica para o lado onde nasce o Sol; Este; Leste; Levante; Nascente. 2. O mundo asiático. Fig. . Começo. 4. Orientação. fotos de RODRIGO FALCÃO NOGUEIRA  

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rabo de saias //
Entrei na esperança de te ver. Estava ali precisamente para isso. Ultimamente acorres-me à mente demasiadas vezes para conseguir evitar este lugar. Atravessei a sala aos encontrões à multidão que se interpunha entre nós. Estava calor e as paredes suavam…sentia-se o quente emanado pelos corpos a flutuar no ar que respirávamos…inspirávamos de um trago o odor das outras respirações. Cheguei perto de ti…olhaste-me num segundo e desviaste-te sem olhar para que eu me pudesse encostar no balcão ao teu lado. Murmuraste algo que não percebi…as tuas palavras afogaramse nas conversas que saturavam o espaço à nossa volta. Mas a tua falta de persistência perante o meu gesto de incompreensão mostraram-me que tinham sido meras palavras de ocasião bafejadas no ar sem qualquer intenção de conversa. Sabes quão pouco isso me afecta… Vislumbrei-te a média luz e vi que trazias o vestido vermelho que envergavas na noite em que te conheci…para mim era como que uma tua segunda pele, faz parte da imagem que guardo de ti…Naquela noite assim que te vi despertaste-me o olhar, e tudo o resto quando me deste um beijo no rosto…um mísero acto de cordialidade que me incendiou por dentro. Pude fazer-me descaradamente porque não havia o risco de trair alguém. Conheci bem os teus lábios nessa noite e o teu corpo foi perdendo os seus segredos nas noites seguintes. Deixaste-me percorrer com os dedos distâncias incalculáveis na tua pele, e com os teus desenhaste trilhos da tua aventura no meu corpo, tocaste sinfonias dedilhando os meus sentidos. Tentámos em vão conhecermo-nos mais profundamente, mergulhar nos sentimentos um do outro…mas fomos sempre abalroados pelo mar tempestuoso que somos. Vagueámos em sentidos opostos, embarcámos em novos rumos, seguimos novos caminhos… Até ao dia em que os nossos olhares se voltaram a cruzar, se voltaram a fixar, até ao dia em que revivemos num segundo o que havíamos tido. Fraquejámos e embarcámos ambos na caminhada da qual nos desviáramos…apenas para a ela voltarmos e dela fazermos um hábito, uma nova rotina cumprida em encontros propositadamente casuais. …o prazer da tua pele encostada na minha relembra-me as velhas encruzilhadas das quais me desabituei e cheguei mesmo a trocar por novas estradas… Ali me esperavas e ali eu te esperava encontrar. Sem dizeres sequer uma palavra levantaste-te…ergueste-te e com os teus passos mostraste-me o caminho que querias que eu seguisse contigo. Conhecia-o perfeitamente, mas a leveza do teu andar, a forma como ondulavas na multidão hipnotizavame e obrigava-me a seguir o teu rasto, todas as tuas passadas, todos os teus desvios. Aquele quarto, onde eu te tinha visto pela primeira vez e onde pela primeira vez te deste a conhecer. Desconheço se o dono dele suspeita do que ali se passa entre nós…o olhar dele não mostra qualquer indício que o deixe adivinhar, ou sequer eu o procuro pois que tal não me amargura ou angustia…aliás pouco ou nada me interessa. Naquele momento queria verte despir o vestido vermelho, conhecer pela milésima vez a tua pele interior, os poros que te revestem e te deixam sentir-me, provar vezes sem conta o sabor dos teus lábios carnudos e sentir o teu suor misturar-se no meu. Naqueles momentos tudo desvanece, tudo se desfaz em grãos de areia que se dispersam…vejo-me contigo a existir sozinhos, os dois, ainda que lá fora o barulho possa sempre ser ensurdecedor. Como todas as outras vezes restringimo-nos a míseros momentos esvoaçantes…cada vez mais damos nas vistas e estou em risco de ser descoberto. Não que me pese muito a culpa que me enche por estar a trair alguém, não que me sinta acometido de uma qualquer dor apunhalada por tão egoístas actos…cada vez mais me desprendo desses pormenores, tão grandes parecem e tão grande peso parecem acarretar mas nada mais sinto que o beijar de uma pena a pousar dentro de mim… Além do mais, ele sabe como eu sou, sabe a efemeridade que cada vez mais tinge o que nós temos e os momentos que partilhamos, a banalidade que vejo em nós…e sabe, perfeitamente, que eu não resisto a um rabo de saias. texto de PEDRO PALRÃO 

grace kelly // ou a imaginada biografia
Gosto dos meus falsetes agudos. Tento não exagerar mas não tenho conseguido. Gosto de actuar em palcos grandes com luzes vermelhas. E dos movimentos sexys que faço. Não gosto nada que me confundam com os outros, os que passaram e os que por aí vêm. Gosto do estilo dos anos oitenta e das cores dessa década. Gosto do brilho. Não gosto das miúdas parvas que ficam histérias com o Robbie. Não gosto de esoterices. Não gosto de passadeiras vermelhas. Gosto de tocar piano e de ser bom a tocar piano. Gosto de cantar bem. Tento ser melhor todas as vezes. Sei os truques de palco e gosto. Gosto das discotecas decadentes dos bairros suburbanos. Gosto da cultura pop. Não gosto que me peçam dinheiro. Não gosto do cheiro a tabaco. Nem do sabor dele. Gosto de dançar até às tantas no meio de desconhecidos. Gosto de falar francês. Não gosto dos franceses. Não gosto de pessoas estúpidas. Nem de mostarda. Não gosto de salada. Gosto da neve. Gosto da Grace Kelly. E do Freddy. Não gosto dos Scissor Sisters. Gosto dos acessórios de merchandising da Madonna. Gosto dos passos de dança do Michael Jackson antes de Neverland. Gosto do barulho dos telemóveis quando a bateria está fraca. Não acredito quando as pessoas dizem que me ouvem. Mas gosto que me ouçam. Gosto de Londres. E do Líbano. Gosto dos filmes parvos com finais felizes. Não gosto do escuro. Gosto de estar nos tops. Não gosto que me sobrevalorizem. Não gosto de cair. Gosto quando me levanto. Não gosto de pensar nisso. texto de ALGUÉM QUE SE FAZ PASSAR PELO PRÓPRIO 

rumos colaterais //
Uma minúscula ínsula de tradições, perdida na urbanidade corrompida pelos tempos vindouros, e infértil na idoneidade de evocar o que outrora o tempo ofertou. O que se vive são rasgos de um pretérito imaculado e pueril, nas estantes de uma memória evocada em jogos ingénuos e trasladados num cenário longe da realidade recapitulada. Naquela ilha, longe das barreiras cinzentas obscurecidas pela mácula da metodização progressiva, habita-se em universos inviolados, vive-se pela memória e nascem espaços alheios com vivências mais reais do que a vida em si. texto e fotos de ÂNGELO FERNANDES  

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a selva urbana // ou como apertar o cinto alargando o tamanho das calças com tranquilidade: um relato verídico
Ainda não passou assim tanto tempo que já nos tenhamos esquecido das célebres advertências: “É hora de apertar o cinto” e “O país está de tanga”, mas a minha favorita é a que circulava pelas ruas nos comentários às afirmações anteriores: “Talvez teremos que fazer mais furos no cinto, porque apertado já ele está!”. Embora seja assim, há dias em que somos recordados que há quem viva mais e melhor com menos... muito menos. Hoje foi um desses dias e estou em pulgas para partilhar esta história. É que em Portugal há uma regra muito importante: Vale tudo quando se trata de ser mais esperto que o vizinho. A quarta-feira não costuma ser o dia de eleição para ir ao cinema por três motivos: º - não é fim de semana; 2º - não é segunda feira, portanto os bilhetes não são mais baratos; ª - não é quinta-feira, logo não há estreias. Mas graças a uma palavra, que nem é um palavrão, chamada de competição podemos ter acesso a um bom jantar mais um bilhete de cinema por 8€ no shopping de Oeiras (passo a publicidade). Como todos sabem a competição entre duas ou mais entidades serve sempre um propósito maior e tende a salientar o que de melhor e pior há nessas mesmas entidades que competem. Neste caso, quem sai beneficiado somos nós, consumidores, e não é necessário falar mais sobre os beneficios: todos nós os conhecemos. Mas continuemos a falar sobre competição entre empresas. Existem vários restaurantes que aderiram à promoçao que o shopping lançou. A escolha é variada desde a comida mais saudável à tipica picanha brasileira com arroz, feijão, couve e farófia. Foi por esta última que eu me decidi por congregar todos os amino-ácidos, fitoquimicos, hidratos de carbono, proteínas e calorias que eu considero necessários para viver bem.

Dirigi-me ao restaurante que escolhi e noto à entrada que já possuem a célebre promoção do “encha-o-prato-com-tudo-o-que-conseguir-que-nãopaga-mais-por-isso”. Lá está! Mais um fruto da competição. Eu limitei-me ao ménu que estava disponível através da promoção do cinema. Feliz da vida observo uma rapariga que saltitava de bancada em bancada a encher o seu prato com tudo o que conseguia. «Engraçado - pensei eu - ela nem é gorda. Deve ter mais olhos que barriga!». Junto com ela estava um rapaz que parecia ser o seu namorado, também ele com o prato cada vez mais cheio... Vou-vos dar uma imagem para perceberem bem o absurdo da coisa. Peguem num prato da vossa cozinha e meçam com a vossa mão um palmo na vertical. Agora que já têm uma ideia da quantidade de comida nos pratos daquele senhor e daquela senhora podemos continuar. Antes de pagarem a módica quantia de ,€ ainda ouvi o rapaz dizer à rapariga que gostava de levar mais arroz. Arroz branco? – perguntou ela; Não, daquele ali, de cenoura – respondeu ele. Não fui o único a ficar surpreendido com as capacidades de digestão deste casal elegante. A empregada nunca tinha visto uma coisa assim: Já cá trabalho há algum tempo e eles deramme a volta ao estômago! Eu respondi que era uma boa ideia alimentar-se com a fome dos outros... não gasta tanto e mantém a linha. Intrigado, escolhi um lugar perto deste casal. Comentei com a minha companhia o que se tinha passado e depois de rir-mos um bom bocado começamos os dois a bisbilhotar a mesa ao fundo. Ele estava sózinho. Ela estava junto ao balcão de outro restaurante. Mais comida??? Não. Dois tupperwares do serviço take-away. Em cima da mesa

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já estava um tupperware verde, de trazer por casa, cheio de carne e uma caixa de aluminio com tampa de cartão. Os pratos deles obviamente que já estavam com a quantidade normal de comida para um jantar. mas na verdade tinham ali ao todo comida suficiente para mais quatro refeições. Os nossos queixos estavam caídos. Sentia um misto de gozo e admiração por aquelas duas personagens que estavam a furar o sistema com tanto à vontade. Notava-se que já não era a primeira vez. Tinham trazido um tupperware de casa e já faziam tudo com um mecanismo impressionante. No final da refeição o rapaz levantou-se e foi buscar um café cheíssimo. Partilharam! Depois deste acto romântico ela levantou-se com um papel na mão e entregou-o na loja de gelados. Provavelmente uma promoção qualquer que eu desconheço. Trouxe dois gelados de copo, cheios até acima. A vontade de observar o ambiente para ver se mais alguém tinha reparado no mesmo que nós atingiu-me com uma força tentadora. Como Oscar Wilde disse: consegue-se resistir a tudo, menos à tentação! Para maior das surpresas, nas nossas costas estava um casal a comer um frango assado e batatas fritas de pacote à mão. Acontece que o pássaro está embrulhado no mesmo papel que faz publicidade ao hiper mercado que vende o frango assado a ,€. E eu que pensava que tinha poupado imenso ao pagar 8€ por uma refeição e um filme. Fora de brincadeiras, a palavra foi transmitida e a inspiração partilhada: cabe a cada um compreender e aprender a usar o sistema em proveito próprio. Já agora, o filme escolhido foi “In pursuit of happyness” e recomenda-se vivamente! texto de HUGO MORTÁGUA

Rebelde
de José

A Filha

Pedro Castanheira e Valdemar Cruz

dramaturgia e encenação versão Margarida Fonseca Santos cenografia José Manuel Castanheira direcção musical João Cabrita figurinos Ana Garay movimento Nuria Castejón desenho de luz José Carlos Nascimento com

Helena Pimenta

Tudo por uma paixão...
Sala Garrett M/12

do Portugal de Salazar à Cuba de Che Guevara

Estreia a 15 Março

Alexandre Ovídio, Amílcar Zenha, Ana Brandão, Anabela Teixeira, Bibi Gomes, Célia Alturas, Eurico Lopes, Joana Brandão, José Henrique Neto, Jaime Vishal, Lídia Franco, Manuel Coelho, Marques d’Arede, 27 Nádia Santos, Raquel Dias, Rui Quintas, Sérgio Silva e Vítor Norte

américa do sul // a terra prometida
Emiliano é fotógrafo. Argentino. Viajou por vários países da América do Sul e captou as vidas daqueles que lá vivem. Nós gostámos. Muito.

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keyphrases // used on search engines
Existe uma coisa boa (não só mas também) em ter uma revista na internet, é o facto de ficarmos a conhecer bem quem nos lê. O servidor permite-nos saber, das pessoas que chegaram até ao nosso site através de um motor de busca, que termos usaram na pesquisa. Os resultados são surpreendentes. Apresentamos aqui os do mês de Fevereiro.

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reinvention of the city //
The city, like fashion, is subject to change. Not only architectural change, but also change in the importance they have in society and (world) economy. The manner people tend to look at the city also changes over time. Here are some ideas on how cities are subject to change, often without man noticing. A little bit of history The share of the world’s population living in urban areas increased from just  percent in 800 to 4 percent in 00. By 0, it reached 0 percent, before exploding to nearly half of all people across the globe or 2.8 billion people, by 2000. Today more than three quarters of the population of the advanced or developed countries live in urban areas. Industrialization has always been called the driving force of urbanization. By the nineteenth century cities evolved from market places – where farmers could trade their surpluses of agricultural goods – to industrial powerhouses. Raw iron ore rolled into a city and it came out as a finished car. The Industrial Revolution gave rise to the city as we know it. Masses of people, division of labour and mass consumption. All in one place. The city is dead, long live the city By the 70’s an 80’s traditional industrial cities began to fall. The division of labour that had once been organized within regions began to be stretched across the whole world. Engineers in the Western world figured out how to build the best possible engine, they mailed their plans to Taiwan, and the finished engine came back a month later. On top of that our economy evolved from an industrial to a more ‘brainsoriented’ one. The rise of the information economy prompted a lot of people to believe that the telephone, the computer and the internet would lead to the death of the city. Economic geographers have however argued that the forces of globalization are eroding the power of the nation state, but increasing the role of regions and cities as the key economic and social organizing units in the world. In his The Rise of the Creative Class, Richard Florida argues that ‘place’ (read cities) has replaced the giant corporation of the industrial age as the central economic and social organizing unit of our time. Florida argues that the global war for talent, for creative and innovative people is taking place between cities. Somewhat simplified: the city that shows the greatest openness to new people, new ideas and new dreams will win this global war for talent. For it is openness that creative people need in order to be able to be feel good, and productive of course. Cities are becoming global talent magnets. From Bowling alone to Fruitstock This falling apart of the traditional industrial city in the 70’s and 80’s, together with a descending economic conjuncture, led people like Robert Putnam to write about people Bowling alone. In his book Putnam shows how we have become increasingly disconnected from family, friends, neighbors, and our democratic structures. People do not go bowling with friends and family anymore, instead, they go alone. This was the era of cocooning. Everybody withdrew within the safe walls of home. The city was not the most popular place to live in these times. People who lived in the city and had the luck of having a nice bank account chose to by themselves a house on the countryside to – almost literally – flee to during weekends. The city was the necessary evil. Today the economy is doing well, rich and developing countries. A recent World Bank study calculated that the global economy will be powered increasingly by developing countries in the next 2 years. Per capita incomes in the developing countries will rise . percent a year on average, up from 2. percent over the past 2 years. The average income in rich countries will also rise dramatically: the average income of the children of today’s baby boomer is likely to be nearly twice that of their parents. This positive economic situation is accompanied with a growing confidence, in oneself and in other people. People are stepping out of their houses again, in search of experiences, which they preferably share with other people. The city is becoming the ideal meeting place for people to share these experiences. City parks people preferred to walk around in 70’s and 80’s are becoming central meeting places in the city again. A nice example of smart people tapping into this trend is Innocent. The UK based smoothie producer, each year organizes Fruitstock: a free music festival in London’s Regent’s Park. Last year Innocent was astonished to welcome not less than 0.000 people. You can go and have a look at the festival pictures on http://www.fruitstock.co.uk/, and you will immediately see how it reminds you of that other music festival at the end of the golden sixties. How was it called…? Today’s cities are being reinvented: from industrial powerhouse to global talent magnet, from a collection of highly individualistic bowlers living next to each other to the social and experiential hearts of our modern life society, from Bowling alone to Fruitstock. texto de KOEN LEICHER 

notos índigo //
ilustração e texto de NELSON ARAÚJO  

altered stages of consciousness //
The lights closed. The red curtain opened slowly. She took one big breath and walked unhurriedly out placing her body in the centre of the stage. One pointy bright light revealed her to the eyes of the audience. The music started. When the first set of rhythmical hits came to an end, the musician with the silver hat started feeling uncomfortable with his own emotions which were flowing like a circus inside his chest, wildly tickling his throat. He coughed madly, shaking his upper torso so aggressively that embarrassed the whole audience. And again he coughed… wishing to swap his emotions with any other umpassionate lady that was staring at him horrified that exact moment... But his mind was magnetized by the dancer. For a moment he thought of throwing his instrument away and kidnap her in front of the audience. He was dreaming of the two of them travelling around the world. Just the 2 of them as if no one else existed. Him and her, together in the sea, the mountains, the desert, the jungle, the sky… everywhere! So he stood up, grabbed her by the hand and closing their eyes… together they left! Moments of travelling gave them a poetic look of the world. And like any writer that plays puzzles with words, expressing one bird with an endless metaphor or the whole world in half a sentence, they started cutting and pasting their perspectives on time, people and traditions, growing one single psychedelic memory of their lives. They knew they had seen these things but not in this life. Two people that met by luck only 2 months ago in the rehearsals. How could they feel as if they have spent a lifetime of experiences together? That was the thought that was troubling their minds. Their emotions and contact was as if they had known each other a lifetime. But they had just met. They both felt it but hadn’t talked about it. Until that time when what happened was so strong and powerful that couldn’t be left unspoken. So they stood up and spoke. Inspired by the wind and its soft chords their childish voices became a loud DO, RE, MI of translated emotions: DOcile moments, REvolutionary thoughts, MIxed experiences… The audience barely understood that the song was slowly being transformed into a shy hymn and leisurely into a comfortable mantra which little by little woke up the living nature outside the theatre. But the mantra all of a sudden became faster and faster. Sounds of big drums were shaking the ground giving life and pumping vitality in everything around. Soon the setting around the theatre was transformed into a big festival with a carnivalesque spirit. Women and men, satyrs, muses and beasts danced around the place, picking flowers and shiny stones to make disguises for the carnival festivity. When their costumes were ready to be worn, what they had always though to be their real faces… suddenly felt on the floor like masks… like old leaves! Only then, they understood that their journey had taken them far… they had just reached the other side of the mirror! texto de LAMBROS FISFIS e SARA TOSCANO 7

sex industry // prague
When writing a free choice theme essay about cultural or historical differences between two countries, lots of options are available. Architecture, politics, beer or car industry, even toilet paper can be an interesting subject. But from everything that I have experienced in Prague as a tourist, the phenomenon that amazes me more is the visible sex industry. In this concept, prostitution – in the streets or brothels -, pornography, strip clubs, massage shops and many other forms are included. In Portugal all this exists, naturally, but it is extraordinarily much more underground than in the Czech Republic’s capital. R. Barri Flowers identified three main reasons for modern prostitution: Drugs, Third World poverty and the Disintegration of communism. To these many others can be added and several of them converge in this country. On the other hand, Portugal has a very different background and yet the business exists. Prague, nowadays nicknamed as “Amsterdam of the East” by many began building its reputation since the Velvet Revolution in 8. It is understandable that this occurred because the previous dictatorship smothered most of these activities. After the Iron Curtain fall, suddenly everyone had to rebalance, the market was free, tourism exploded, people had very low financial resources and the country had to explore the industries that most suited its characteristics. The car, beer, electronic components, and shoes industries, besides many others, were successful, but not only. Capitalism implied now a new philosophy. Not to produce what brought social benefits to those who need, but to invest in what brings profit and to those who have wealth. In fact, most of Prague’s sex industry clients are foreigners. Being an incredibly beautiful, inexpensive and central city in Europe placed Wenceslas Square in the epicentre of the sex boom. Gorgeous blonde women completed the perfect pack. These days more than twenty low cost flights arrive daily in Prague. London, for example, is just two hours away, and groups of British young men queue to have cheap beer and sex in simple weekend escapades or big organised husband-to-be parties. Last summer I was visiting Prague and a certain night, around 2am, I was somewhere downtown and wanted to eat something. I could easily find drink, casinos and prostitutes, but not food. Prague’s nightlife knows what’s really profitable and offers it in quantity and quality.

There are also social and psychological reasons that explain why women here were keener to adhere to this kind of activities. Lena, a former Prague prostitute, questioned about how she reacted when she was invited to join the industry stated: “So I thought why not? (…) I realised that I might like to try it, because before I didn’t have any problems with having sex or fun with somebody.” On the other hand, in Portugal for example, the more conservative, catholic and man power based values inhibited the sex industry to operate so visibly. A couple of years ago a brothel opened in Bragança, a small Portuguese town. The success was immediate but a movement called “Bragança’s mothers” supported by the church and the community quickly pressured it to close. They ended up moving to Spain, just a few kilometres away, and the clients were able to keep visiting their ‘special girlfriends’. In the Czech Republic, by contrast, the activity is growingly accepted and a year ago The Czech government approved a new law to license prostitutes and confine the trade to certain areas as part of an effort to curb legal prostitution. The goal is to control the activity of the estimated 2,000 prostitutes who operate in Prague and near the German and Austrian borders mainly. texto de JOÃO ALVES DOS SANTOS 

old city stencil // montevideo
fotos de JULIANA REIS

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seetadino // rostos da cidade
Sou o mais velho deste cemitério. Somos 8. Há uma semana foi embora o mais velho. Agora sou eu. Estou aqui há 2 anos. Tenho agora 6 anos. Nunca pensei noutra profissão. Mas também nunca pensei nesta. Durante muitos anos também fui guarda-nocturno, para aguentar as contas…é que sabe, é um trabalho difícil, mas pagam muito mal. Já são poucos os que trabalham aqui, são poucos os que querem, são poucos os que conseguem e ainda pagam mal…está a ver! Não, não é para todos, aliás não é para quase nenhuns. Já vi muitos chegarem aqui, e depois saírem a chorar, ou malucos. Não gosto de me lembrar dos primeiros tempos. Mas lembro-me muitas vezes, quando olho para os rapazes novos que aí aparecem, coitados, cheios de dúvidas nas cabeças, a saírem mal dispostos e mais confusos que sei lá o quê. Andei muito tempo a “bater mal”. É dizermos adeus todos os dias, a todo o tipo de gente. E depois os familiares e amigos sentem as coisas de muitas maneiras, e isso passa para nós. Para não falar das acusações, que não tratamos bem das pessoas, que a enterramos vivas, que temos que as desenterrar porque não levavam não sei o quê com elas, que precisam de as ver mais uma vez, que não tivemos piedade nem compaixão, que somos insensíveis…diga-me a menina, como é que a uma dada altura podemos continuar a ser sensíveis? Isto nos primeiros tempos é muito complicado. Claro que depois a pessoa vai desligando, foi o que fui fazendo, separar isto do resto, tinha que ser, senão dava em maluco. Pois claro que sofro. Custa-me muito perder alguém. Estar no funeral é uma sensação estranha, e ver um coveiro a enterrar alguém dos meus é estranho, mas sofro, e choro. Acho que esta profissão fez de mim uma pessoa diferente. Sim, talvez seja natural. Para começar sou mais solitário. Passo horas sozinho, a andar pelo meio das campas, jazigos, olho para as fotos, famílias, penso nestas vidas, penso muito na minha vida, na dos meus. Passo muito tempo sozinho. Mas não pense que penso no sentido da vida todos os dias…isto depois passa a ser o nosso trabalho do dia-a-dia, das h as 7h. Não é nada fácil, pagam mal, ninguém pensa muito nisto e é um trabalho triste…mas alguém tem que o fazer, e mais cedo ou mais tarde consegue fazer-se. Não lhe posso dizer muita coisa sobre o funcionamento do cemitério, sobre como entram os corpos, para onde vão, quando entram, quando saem, quantos são, essas coisas não estou autorizado a dizer. Posso dizer-lhe que somos 8, que ninguém pega neste trabalho, e temos que tomar banho todos os dias antes de sairmos do trabalho por estarmos em contacto com os corpos. O resto pode ser que depois escreva um livro. texto de ANA ELISA 6

laurear a pevide / / lisboa
EVENTO ModaLisboa - Lisbon Fashion Week A semana da moda está de volta à capital, desta vez sob o conceito “Play”. Miguel Vieira, José António Tenente e Ana Salazar são alguns dos nomes que marcarão presença. De 8 a  de Março, no Museu Nacional de História Natural

/ lisboa
EVENTO Work in Progress Apresentação de trabalhos do ilustrador e designer Nelson Araújo. 8 de Março, às h0, no café Mar Adentro

/ porto
CONCERTO Remix Ensemble Num programa que reflecte a tensão entre as questões da «complexidade» e «simplicidade» na música contemporânea, o Remix Ensemble propõe a audição de Five de Jonh Cage, obra de instrumentação aberta que representa uma certa reconciliação do compositor com a harmonia. 8 de Março, às 8h00, na Sala Suggia da Casa da Música

voyage voyage // eternellement
Eu tinha um casaco preto. E uma camurcina preta com um elástico apertado no cós. Preto. E umas calças de pele justas que entravam nos sapatos Celeront. Tinha umas collants beige e o cabelo punk. Entrei naquele sítio insípido do primeiro andar. A sala era mais ou menos escura e mais ou menos limpa. Havia uma lanterna em cima da mesa. Uma caixa registadora por detrás do balcão. Um radiozinho suspenso com nylon, preso nas lâmpadas roxas das moscas. Era altura dos cabelos loiros e das meias de mousse. Um rapaz, ao fundo, comandava um aparelho de slides. Passava-os a toda a velocidade enquanto mastigava uma chiclete de banana. Falei com a empregada de verde, a única que estava a olhar para mim. Não fazia ideia onde se comprariam aqueles discos. Só lá em cima e com muita sorte, disse-me. Fui lá tentar. Não, aqui não. Em Bazolash não se vende esse tipo de material. Tem influências nefastas na mentalidade dos fracos. Há quem diga até que as claras, ao pé desse tipo de coisas, nem chegam a castelo. texto de RICARDO GALÉSIO

/ helsínquia
EXPOSIÇÃO Formula  - The Great Design Race Esta exposição explora de forma impressionante a história da Formula  no que diz respeito ao design e à inovação dos automóveis. Até 22 de Abril, no DesignMuseo

/ weil am rhein
EXPOSIÇÃO The Museum Collection Uma das maiores colecções de design industrial contemporâneo do mundo, com peças representativas de diversos estilos e correntes. Colecção Permanente, no Vitra Design Museum

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/ copenhaga
FESTIVAL Natfilm Festival 2007 O mais importante festival de cinema dinamarquês acolhe, na sua 8ª edição, uma selecção dos melhores e mais inovadores filmes de todo o mundo. De 2 de Março a  de Abril, em diversas salas de cinema

/ istambul
EXPOSIÇÃO Turkey by Magnum Esta exposição apresenta a perspectiva de alguns fotógrafos de uma das mais prestigiadas agências de fotografia do mundo, a Magnum, acerca do país. Até 20 de Maio, no Istanbul Modern nós estamos em www.cru-a.com fala connosco através do info@cru-a.com envia coisas boas para play@cru-a.com a CRU A número quatro sai a  de Abril

/ sydney
CONCERTO Mariza - Concerto em Lisboa A fadista apresenta em concerto o seu mais recente trabalho gravado ao vivo nos jardins da Torre de Belém. 7 e 8 de Março, no Concert Hall da Sydney Opera House

/ nova iorque
EXPOSIÇÃO High Times/Hard Times: New York Painting 67-7 Apresenta trabalhos de artistas que estiveram ou viveram em Nova Iorque entre 67 e 7. Até 22 de Abril, na National Academy

http://
www.jenstark.com/ Esculturas em papel www.youtube.com/ O site das possibilidades www.worldpressphoto.com/ Fotojornalismo a concurso www.gulbenkian.pt/ A Fundação

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