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Este Estudo Apresenta-lhe o Espírito

Santo, destacando Seu Propósito
Eterno, Seus Métodos Usados nos
Períodos Pré-Apostólico, Apostólico, e
Hoje, Seu Poder Milagroso e Seu Plano
de Paz e Alegria para Sua Vida.



Título do original em inglês: “MEET THE
HOLY SPIRIT”

Copyright © 1981 por John A. Hatcher
Lexington, Kentucky, U.S.A.

Tradução: Joao Marques Bentes

Primeira edição: 1982 - 3.000 exemplares

Impresso nas oficinas da Associação
Religiosa Imprensa da Fé C. P. 18918 São
Paulo - Brasil

C.G.C. 62.202.528/0001-09

Capa: Robert W. Heyer

Todos os direitos reservados por John A.
Hatcher – jhatcher@uol.com.br



To
Alda




AGRADECIMENTOS

Obrigado, Pai Celestial, por ter amado um pecador como eu.
Obrigado, por ter dado o Teu Filho para que eu pudesse ser
feito Seu filho. Obrigado por Seu Dom, o Espírito Santo,
Quem tem escrito Suas leis nas tábuas do meu coração.
Obrigado por todas Suas obras maravilhosas, especialmente
as Escrituras.
Ao Doutor Robert G. Witty, do Seminário Luther Rice,
agradeço sua paciência, seu encorajamento, e sua
orientação profissional.
Aos meus pais, Albert and Beautrix, agradeço seu exemplo
em Amor e Fé em Cristo.
A todas as pessoas e igrejas que têm contribuído ao
sustento do meu ministério no Brasil através da Missão
Batista da Fé, e aos diretores da mesma, ofereço meus
agradecimentos.
A nossos filhos: Lynn, Ranaah Paul, John Mark, David, and
Kathy, eu agradeço seu amor, seu interesse, e sua constante
moti vação a continuar a obra.
A Alta, minha esposa, agradeço sua constante companhia
neste estudo. Seu interesse contribuiu estimula e proveito;
suas críticas, sugestões, e ajuda em preparar o texto têm
sido indispensáveis.

Garça, São Paulo, Brasil
Agosto, 1982

John A. Hatcher



Conteúdo
Introdução .................................................................................................. 9
O Problema ............................................................................................ 9
Necessidade de Conhecimento ............................................................ 10
O Que Deus Está Fazendo? ................................................................. 11
Os Métodos de Deus ............................................................................ 12
Como Serão Demonstradas Essas Coisas ........................................... 13
Capítulo I ................................................................................................. 16
O Espírito Santo no Antigo Testamento................................................ 16
Capítulo II ................................................................................................ 23
O Espírito Santo na Vida de J esus ....................................................... 23
O Espírito Santo na Morte de J esus ..................................................... 29
Capítulo III................................................................................................ 32
O que ensinou J esus sobre o Espírito Santo ........................................ 32
Que Dizer Sobre os Santos do Antigo Testamento? ............................ 35
Capítulo IV ............................................................................................... 40
Os Homens que J esus ensinou sobre o Espírito Santo – Os Apóstolos 40
Uma Palavra sobre o Apóstolo Paulo ................................................... 43
Conclusão ............................................................................................ 45
Capítulo V ................................................................................................ 48
Pentecoste – O Espírito Santo é Enviado ............................................. 48
Batismo do Espírito Santo – Que Significa? ......................................... 48
Tabela nº 01 – Batismo no Espírito Santo e o Batismo no Fogo ........... 50
Que Significa o Derramamento do Espírito Santo? .............................. 54
Capítulo VI ............................................................................................... 57
O Espírito Santo Testifica com os Apóstolos ........................................ 57
Capítulo VII .............................................................................................. 62
O Espírito Santo Testifica aos Apóstolos .............................................. 62
Propósito da tabela ............................................................................... 65
Tabela n° 02 – Marcos 16:9-20 e outros escritos do Novo Testamento 66
Capítulo VIII ............................................................................................. 75
Como o Espírito Santo Testificava as Igrejas através dos Apóstolos ... 75
O Poder e os Dons Apostólicos Não São Transferíveis ........................ 79
J uízo Apostólico ................................................................................... 79


Capítulo IX ............................................................................................... 83
Viagem de Retorno aos Tempos dos Apóstolos ................................... 83
Uma Palavra Final ................................................................................ 94
Capítulo X ................................................................................................ 96
O Espírito Santo Confirmava a Mensagem dos Apóstolos ................... 96
A Lei ..................................................................................................... 98
Os Profetas ........................................................................................ 100
O Evangelho ....................................................................................... 101
A Mensagem do Novo Testamento foi Confirmada Que Mensagem é
Essa? ................................................................................................. 104
Conclusão .......................................................................................... 106
Os Dons e a Igreja de Corinto (1 Coríntios 1:5-9) ............................... 107
Capítulo XI ............................................................................................. 109
Como o Espírito Ministra às Igrejas Hoje ............................................ 109
Os Dons e Ministérios Especiais Foram Ultrapassados pela Palavra
Escrita e pelos Ofícios Pastoral e Diaconal ........................................ 111
As Escrituras e os Ofícios Permanentes Hoje em Dia ........................ 112
As Tabelas ......................................................................................... 113
Tabela nº 03 – Como os Dons Temporários foram substituídos pela
palavra escrita .................................................................................... 113
Tabela nº 04 – Como os Ministérios Temporários foram substituídos por
Pastores e Diáconos .......................................................................... 114
Tabela nº 05 – Como os Ofícios Temporários de Efésios 4:11 foram
substituídos pelo Ofício Pastoral ........................................................ 114
Tabela nº 06 – Como os Dons mencionados em Romanos 12:6-8 se
realizam nos ofícios permanentes de Pastores e Diáconos ................ 115
Capítulo XII ............................................................................................ 119
A Plenitude do Espírito Santo na Vida do Crente ............................... 119
Que Acha Você Acontecerá Quando Alguém Está Cheio do Espírito
Santo? ................................................................................................ 120
O Que Está Acontecendo Quando Alguém é Cheio do Espírito Santo?
........................................................................................................... 121
Como Age Alguém Quando Está Cheio do Espírito Santo? ............... 125
Tabela nº 07 – A Vida Cheia do Espírito – Como? ............................. 129
Coisas que Impedem o Espírito Santo de Encher a Vida do Crente ... 132
Conclusão .......................................................................................... 136


Capítulo XIII ........................................................................................... 138
Pensamentos Finais ........................................................................... 138
O Milagre Favorito de Deus ................................................................ 140

9

Introdução
O propósito de Deus, em Sua realização entre os homens, é criar
uma nova raça de homens — homens espirituais — para o louvor de Sua
glória e graça. O Pai escolheu e predestinou seres humanos para que
estivessem diante dEle em amor — na semelhança de Seu próprio Filho
amado. O Filho veio a este mundo, nascido de mulher, e redimiu os
pecadores, concedendo-lhes a remissão de seus pecados mediante o
sacrifício do Seu próprio sangue vertido. O Espírito Santo veio para
efetivar a obra do Filho nos corações dos pecadores que se
arrependessem. E Ele está produzindo aquela raça de homens espirituais
semelhantes a J esus. Ele lhes dá a vida de J esus por meio do novo
nascimento, adota-os como filhos de Deus e vem habitar neles
individualmente a fim de guiá-los e dar-lhes poder através da Palavra de
Deus, para que vivam de acordo com o modelo de J esus Cristo.
O Espírito Santo sempre operou tendo em mira esse alvo. O
presente estudo mostrará que Ele operava no período pré-apostólico, no
período apostólico e opera no período pós-apostólico. Demonstrará
também como Ele pode operar em sua vida, como Ele deseja torná-lo um
filho de Deus feliz e frutífero, e como Ele pode encher a sua vida com o
poder que Ele tem.
O Problema
Um dos mais sérios problemas com que se defrontam as igrejas e os
crentes individuais, hoje em dia, é o da compreensão distorcida e da
confusão concernentes à obra do Espírito Santo. Trata-se de um problema
sério porque o poder das igrejas e a satisfação e utilidade dos crentes se
veem impedidos e destruídos quando há falta de conhecimento e
entendimento bíblicos a respeito das obras do Espírito Santo. A maior
porção dessa confusão gira em torno dos sinais miraculosos — as línguas,
a cura divina, as revelações e as visões.
Esse problema está generalizado geográfica e teologicamente. Pode
ser achado entre quase todos os grupos de igrejas, denominações e vários
pontos-de-vista teológicos.
O batismo no Espírito Santo é enfatizado pelas igrejas pentecostais e
por outros grupos, incluindo igrejas batistas, que experimentam o
fenômeno “carismático” — um movimento que atualmente prevalece em
alguns ramos da Igreja Católica Romana, ainda que não seja dogma
dessa Igreja. Um amigo meu, que é católico, declarou: “Fui batizado com o
10

Espírito Santo. No fim de um retiro de três dias, ajoelhei-me e um bispo
impôs as mãos sobre mim, e disse: ‘Eu te batizo no Espírito Santo’”.
A ênfase posta sobre esses dons miraculosos sempre se relaciona
às experiências ocorridas no dia de Pentecoste, quando o Espírito Santo
desceu sobre a Igreja de J erusalém e sobre ela permaneceu. Esses dons
usualmente são chamados dons apostólicos. Tanto a teologia pentecostal
quanto a teologia católica-romana, além da de muitos outros grupos
protestantes, concordam que esses dons são indicativos do poder e da
autoridade apostólicos.
Dentre toda essa confusão e falta de compreensão, levantam-se
algumas indagações. Na atualidade, manifesta-se realmente a autoridade
e o poder apostólicos nas igrejas de Cristo? Onde residem esse poder e
essa autoridade? Essa autoridade e esse poder se evidenciam através de
dons especiais? Nesse caso, por que muitas igrejas que ensinam a Bíblia
não os experimentam? E, em caso negativo, estariam equivocadas, em
seus ensinamentos e em suas conclusões, as igrejas que declaram
possuir essa autoridade e esse poder?
Se é certo que existe uma autoridade apostólica e um poder
apostólico — os quais se manifestam através de dons miraculosos —
estes devem proceder da fonte original da autoridade apostólica.
Basicamente, esse é a reivindicação daqueles que ensinam e praticam os
“dons apostólicos”. As igrejas pentecostais ensinam que esses sinais são
as evidências primárias da presença e do poder do Espírito Santo na
salvação. A Igreja Católica Romana reivindica possuir absoluta autoridade
apostólica, tendo os papas, como sucessores diretos de Pedro.
Em estudar os problemas e a realização do Espírito Santo, nós
precisamos lembrar de dois pontos importantes, a saber: (1) As Escrituras
são a autoridade final; e (2) Satanás é um terrível inimigo, sempre opondo-
se ou imitando as realizações e as verdades divinas. (Ver II Coríntios 11:
13-15).
Necessidade de Conhecimento
A verdade acerca do Espírito Santo e Sua obra são vitais para a vida
cristã. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Deidade, operando nos
corações dos homens e nas igrejas, de J esus Cristo. A salvação e o
desenvolvimento cristão dependem inteiramente da Pessoa e da obra do
Espírito. É necessário sabermos como Ele atua, quais são as Suas
operações, e o que Ele está realizando nas vidas dos crentes e nas
igrejas.
A falta de conhecimento sobre como o Espírito Santo opera toma a
vida do crente confusa e destituída de alegria como a do meu amigo que
11

supunha ter sido batizado no Espírito Santo pelo bispo, pois agora se
sente mais confuso do que nunca — procurando viver uma experiência
pela qual nunca passou. Saber como o Espírito Santo realiza a Sua obra e
o que Ele está fazendo produzirá alegria e paz em sua vida.
Muitos crentes facilmente se deixam enganar acerca da realização
do Espírito Santo, por serem zelosos e desejarem servir melhor a Deus.
Lembro-me de haver orado, há muitos anos: “Senhor, quero tudo quanto
tens para mim na Pessoa e no poder do Espírito Santo”. Eu esperava por
algum poder que descesse imediatamente e de uma vez por todas sobre
mim. Aquela foi uma oração sincera, embora feita na ignorância relativa à
verdade. Orar com sinceridade e compreensão espiritual é muito melhor —
e menos frustrante.
Muitas pessoas, ao desejarem servir ao Senhor, sentem-se fracas e
carentes de um poder maior. Mui provavelmente, o diabo será o primeiro a
concordar com tais pessoas, e será o primeiro a oferecer-lhes ajuda para
que algo venha a suceder — algo de falso — alicerçado sobre os
sentimentos. (O senso de fraqueza em um crente não é um mau sintoma.)
O poder do Senhor é aperfeiçoado na fraqueza. (Ver II Coríntios 12:9).
A leitura de biografias de homens que asseveram ser dotados de
maior poder e de “experiências” espirituais talvez ofereça combustível para
as chamas de uma mente já confusa. Portanto, a leitura da Bíblia,
acompanhada de oração, meditação, e um entendimento submisso, será
de muito maior proveito.
O propósito da obra do Espírito é idêntico ao da obra do Pai e ao da
obra do Filho. As três Pessoas da Trindade agem em perfeita harmonia de
propósitos e de plano, com vistas à produção de uma nova raça de
homens espirituais, para louvor e glória da graça de Deus. (Ver Efésio 1:6,
12,14).
O Santo Espírito de Deus sempre opera em cooperação subjetiva
com o Filho, tal como o Filho o faz em relação ao Pai (ver J oão 14:16;
16:13 e 8:29). O Espírito tem um único objetivo em tudo quanto Ele faz —
glorificar a J esus Cristo, o Filho do Deus vivo (ver J oão 16:14). Ele nunca
procura honrar a Si mesmo ou a outros.
O Que Deus Está Fazendo?
Qual é o propósito da realização do Espírito Santo nas vidas dos
homens? O que Deus tenciona realizar no homem e com o homem? Ele
está produzindo super-homens ou homens santos? É necessário manter
em mente essas indagações, pois a resposta para elas é o nosso alvo.
12

Os Métodos de Deus
Através dos séculos, Deus tem utilizado de três métodos principais
para revelar a Sua vontade aos homens. (Deus jamais se vê limitado em
Seu poder e em Seus métodos, exceto em consonância com a Sua própria
natureza e com os Seus conselhos). Deus já concedeu teofanias
sobrenaturais, tem concedido dons miraculosos aos homens e tem
produzido a Palavra escrita. Os métodos de aparição sobrenatural e os
dons miraculosos estavam limitados a certos homens e a certas épocas.
Foram métodos usados temporariamente. Mas as Escrituras, escritas de
tempos em tempos, são permanentes e permanecem para sempre.
Destinam-se a todos os homens, ao passo que as teofanias sobrenaturais
e os dons destinavam-se a alguns poucos indivíduos especiais.
A realização do Espírito Santo entre os apóstolos envolvia esses dois
elementos: o temporário e o permanente. Os sinais especiais do Espírito
foram usados para confirmar os apóstolos como testemunhas da vida e do
ministério de Cristo, para ensinar-lhes a extensão da obra redentora de
Cristo, para identificar a Igreja que J esus fundara, constituída dos
apóstolos, antes de haver Ele sido crucificado, e para suprir, de maneira
especial, poder e conhecimento espirituais às igrejas, até que estivessem
terminados os livros do Novo Testamento.
O propósito desta obra é demonstrar os seguintes fatos a respeito da
obra do Espírito Santo:
(1) A obra do Espírito sempre visa a glorificar ao Filho.
(2) O Espírito Santo opera em perfeita harmonia com o eterno
propósito de Deus: produzir uma raça de filhos espirituais, de acordo com
a qual não haverá nem judeu e nem gentio, unindo em um só o Céu e a
terra, onde Deus possa habitar entre o Seu povo. “... porque aprouve a
Deus que nele habitasse toda a plenitude, e que, havendo feito a paz
pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo
todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col. 1: 19, 20).
“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois
daqueles dias, diz o Senhor. Nas suas mentes imprimirei as minhas
leis, também sobre os seus corações as inscreverei; e eu serei o seu
Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao
seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao
Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao
maior” (Hb. 8:10,11).
(3) J esus, o primogênito — o protótipo — da nova raça imortal
tornou-se homem pelo poder do Espírito Santo. (Ver Colossenses 1:15 e
18).
13

(4) A nova raça de homens regenerados também se deriva do
Espírito Santo, através da realização remidora de J esus Cristo.
(5) O Espírito Santo esforça-se por produzir, em cada indivíduo
salvo, a vida e a semelhança de J esus, o Cabeça da raça espiritual. Ele
esforça-se por produzir vidas parecidas com a vida que J esus viveu
durante os Seus anos em Nazaré — a perfeição da bondade, da pureza e
da verdade.
(6) Todas as obras do Espírito Santo são realizadas em harmonia
com as Escrituras.
(7) A obra permanente do Espírito Santo — as Escrituras - sempre
substitui os dons temporários, tomando-se a fonte de todo o conhecimento
e poder espiritual. Atualmente, cada realização do Espírito Santo é
efetuada por intermédio das Escrituras: salvação, santificação e plenitude
do Espírito.
(8) Todos os dons do Espírito Santo, hoje em dia, têm por
finalidade a compreensão e o ministério das Escrituras.
(9) O poder da vida espiritual torna-se possível para os homens da
mesma maneira que J esus viveu Sua vida perfeita: por ter nascido do
Espírito, por ter sido obediente à Palavra, e, dessa maneira, por haver sido
guiado pelo Espírito Santo.
Como Serão Demonstradas Essas Coisas
O método de se provar que as coisas acima descritas são
realizações autênticas do Espírito Santo é a pesquisa das Escrituras. A
obra do Espírito Santo e os sinais distintivos de Sua realização serão
acompanhados através das Escrituras — o Antigo e o Novo Testamento.
As Escrituras foram produzidas em três períodos gerais, cobrindo um total
de cerca de 1.500 anos: o período mosaico, o período dos profetas e o
período apostólico.
Esta pesquisa procurará demonstrar os pontos abaixo:
(1) O Espírito Santo não podia produzir o Primogênito da nova raça
enquanto não houvesse produzido as Escrituras do Antigo Testamento —
a Lei e os Profetas.
(2) Cada fase da vida do Salvador tornou-se possível mediante o
poder do Espírito, e em conformidade com a Palavra escrita - sem
qualquer exceção.
(3) Todos os dons de natureza miraculosa, dados aos homens, foram
apenas temporários, tendo cessado quando as Escrituras foram
concluídas.
14

(4) O ofício e os dons apostólicos foram temporários, tal como se deu
com os dons especiais conferidos a Moisés, o legislador, e à ordem dos
profetas.
(5) O propósito e o plano eternos de Deus são realizados por meio
da mensagem escrita do Espírito, o evangelho de Cristo. A nova raça dos
filhos de Deus é produzida, desenvolvida e cheia do Espírito de Deus
mediante a Palavra da Verdade.
(6) A plenitude do Espírito Santo nos filhos de Deus se realiza pelo
uso da Palavra de Deus. Os crentes de todas as idades, quer jovens quer
adultos, e de todos chamamentos podem ser cheios do Espírito. Esse é o
processo natural de crescimento na vida espiritual, obtida mediante a
obediência à Palavra da Verdade.
(7) O alvo final do Espírito Santo, em Sua obra entre os homens, é o
de produzir uma raça de homens semelhantes a J esus. Isso Deus
conseguirá realizar por meio de Sua Palavra e do Seu Espírito.
Os capítulos primeiro, segundo, e terceiro deste livro abordam o
período pré-apostólico; os capítulos quarto a décimo, o período apostólico;
e os capítulos décimo-primeiro e décimo-segundo, o período pós-
apostólico.



15






“...e o Espírito de Deus se movia sobre
a face das águas” (Gênesis 1:2).
“A lei e os profetas vigoraram até João
...” (Lucas 16:16).
16

Capítulo I
O Espírito Santo no Antigo Testamento
O Espírito Santo mostrou-se ativo em todas as realizações
registradas no Antigo Testamento. Ele esteve ativo na criação, na
transmissão de poder aos homens, para que pregassem no Espírito de
Cristo, e na outorga das Escrituras: a Lei, que mostra a perfeita retidão
que nos é exigida no Salvador, e os Profetas, que falaram mediante
profecias pormenorizadas, relatando a vida e o ministério do Cristo que
viria. A compreensão de como o Espírito Santo operava no Antigo
Testamento será de grande ajuda para esclarecer a Sua realização no
evangelho e nas vidas dos crentes.
O Espírito Santo mostrou-se ativo durante a criação. A Palavra e o
Espírito transmitiram vida. Enquanto a Palavra de Deus falava, o Espírito
de Deus movia-se por sobre a superfície das águas, a fim de produzir vida
e beleza à criação.
O Espírito não se movimentava como se fosse um observador. Ele
pairava por sobre — sombreando com o Seu poder — a fim de conceber e
produzir vida. J ó declara que Deus guarneceu de luz o firmamento,
mediante o Seu Espírito. (Ver J ó 26:13). Quando na criação do homem, o
Espírito de Deus soprou o fôlego da vida sobre as narinas do primeiro
homem. J ó também declarou: “O Espírito de Deus me fez; e o sopro do
Todo-poderoso me dá vida” (J ó 33:4). Na criação, a Deidade operou a
fim de criar um domínio, e um soberano para governá-lo.
Após a queda no pecado, o Espírito de Deus foi enviado ao homem a
fim de adverti-lo sobre o julgamento e conclamá-lo ao arrependimento — a
uma mudança de coração e de mente. Durante os anos em que Noé
esteve preparando a arca, o Espírito estava com ele, chamando os
homens ao arrependimento. O Espírito Santo é o Espírito de Cristo, e
Pedro declara que o Espírito de Cristo ungiu a prédica de Noé, enquanto
este anunciava a mensagem de julgamento e destruição dos homens.
(Comparar I Pedro 1:10,11 com I Pedro 3: 19, 20). As almas dos homens,
pertencentes ao período anterior ao dilúvio, e que agora estão no inferno,
ouviram a mensagem de salvação, anunciada pelo Espírito de Cristo,
através da mensagem de Noé. Pedro também declara: “investigando
atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas,
indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de
antemão testemunho sobre os sofrimentos " referentes a Cristo e
sobre as glórias que os seguiriam” (I Ped. 1:11).
Após o dilúvio, Deus chamou um homem, por intermédio de quem
Ele haveria de concretizar o plano de redenção. Deus prometeu a Abraão
17

que, através de seu descendente, todas as nações da terra seriam
abençoadas, e que a sua descendência seria tão numerosa quanto às
estrelas do céu. O Antigo Testamento narra a história de como o Pai, o
Filho e o Espírito Santo trabalharam para cumprir essas promessas.
O Espírito Santo proporcionou sabedoria aos homens, dando-lhes a
capacidade de executar a vontade de Deus. Ele deu a J osé sabedoria
para entender sonhos. Deu a certos homens a capacidade de se
desincumbirem da tarefa de construírem o tabernáculo. Deus falou a
Moisés, e disse: “Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de
Hur, da tribo de J udá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de
inteligência, e de conhecimento, em todo artifício” (Ex. 31:2,3). O Espírito
equipou homens para o trabalho particular que Deus lhes ordenava fazer.
Eles receberam a medida do Espírito necessária para tanto.
Moisés recebeu a medida certa do Espírito a fim de realizar o
trabalho de setenta homens. Quando a sua responsabilidade foi dividida
entre setenta homens, o Espírito Santo foi retirado de Moisés nessa
proporção. (Ver Números 11:16,17).
Os juízes de Israel servem de bom exemplo do poder especial que
Deus dava aos homens para que executassem a Sua vontade. Sansão é
um exemplo clássico desse fato.
Alguns profetas receberam o dom de conhecer os pensamentos dos
homens. Quando Hazael veio a Eliseu para indagar-lhe a respeito da
recuperação da saúde de Ben-Hadade, o profeta chorou, porquanto viu a
miséria e o inferno no coração de Hazael. (Ver II Reis 8:12,13). Dons
especiais foram dados a servos de Deus como Moisés, Elias, e Eliseu para
confirmá-los como Seus escolhidos, perante o qual eles serviam. A obra
dos dons miraculosos será tratada mais amplamente em um capítulo
posterior.
Um dos mais interessantes fatos concernente ao Espírito Santo, nas
páginas do Antigo Testamento, é o testemunho da ausência do Espírito.
Embora estivesse presente como autor, o Espírito Santo não é
mencionado em alguns dos livros do Antigo Testamento. Talvez seja
interessante e útil sabermos a razão pela qual Ele não é mencionado nos
mesmos.
Os livros de Levíticos, J osué e Ester não mencionam o Espírito
Santo. Ao que parece, Ele não é mencionado no livro de Levítico porque
esse livro fala de um sacerdócio que jamais poderia ser perfeitamente
purificado, e nem poderia purificar a outros mediante o oferecimento do
sangue de touros e de bodes (ver Hebreus 10: 4). (Pondere a este
respeito: o Espírito Santo não pode fazer-se presente em qualquer tipo de
sacerdócio humano que procure oferecer sacrifícios pelos pecados dos
homens). Enquanto não houvesse perfeita remissão de pecados, também
18

não podia haver residência permanente do Espírito Santo. O verdadeiro
sacerdócio é o de Cristo, e os sacerdotes que desfrutam de perfeita
comunhão com Deus são aqueles que foram lavados no sangue de J esus.
Esses servem de residência para o Espírito. (Ver Apocalipse 1:6). O
Espírito Santo não podia habitar em homens que estivessem dependendo
dos sacrifícios que eram oferecidos segundo o sacerdócio levítico.
Também parece que o Espírito Santo não é mencionado no livro de
J osué porque ali é descrita a conquista de uma possessão terrena por
parte de um povo terreno. O “Anjo do Senhor — o Capitão dos exércitos
do Senhor” estava guiando J osué. O Espírito Santo sela e guarda para
sempre aquilo que o Senhor J esus conquista. O “descanso” que J osué
ofereceu ao povo de Israel não deve ser confundido com o descanso
eterno que J esus haveria de obter para nós. (Ver Hebreus 4:8). O Espírito
não pode ser encontrado no descanso temporal e terreno de um povo
terreno, e, sim, no descanso eterno de um povo redimido.
O Espírito Santo não é mencionado no livro de Ester porque a glória
do Senhor fora retirada do templo, quando o juízo divino sobreviera contra
J erusalém e o povo de J udá fora levado para o cativeiro. A glória só
haveria de retomar por ocasião do aparecimento do Messias. (Ver
Zacarias 2:5).
O Espírito Santo mostrou-se zeloso, durante todo o período velho-
testamentário, a fim de conservar o Caminho da Vida — J esus Cristo. Ele
não falava sobre Si mesmo. Falava somente a respeito de J esus, o
Salvador que viria. Utilizando-se da lei mosaica, Ele mostrou aos homens
o quanto eles necessitavam de um Sacrifício Perfeito. A lei levou os
homens a reconhecer sua condição de perdição, e conduziu-os ao
Salvador. (Ver Gálatas 3:24).
Quando aos homens foi proibido aproximarem-se do monte de Deus,
em virtude dos seus pecados, ainda assim o Espírito Santo pôs-se a
ensiná-los, por meio do tabernáculo, mostrando que os pecadores podem
vir a Deus através de um perfeito Substituto. As cerimônias realizadas no
tabernáculo e no templo ensinavam aos homens como podiam aproximar-
se do Senhor mediante uma oferta vicária — um inocente tomando o lugar
do culpado. As oferendas de touros e de bodes retratavam esse fato
(embora o sangue de animais jamais possam remover o pecado).
Enquanto as cerimônias religiosas do templo continuaram sendo
oferecidas, e o véu deste permaneceu intacto, o Espírito Santo, por esse
meio, ensinava que o caminho para o Lugar Santo — o Céu — ainda não
havia sido aperfeiçoado. Ouça aquilo que o escritor da epístola aos
Hebreus nos ensina: “... querendo com isto dar a entender o Espírito
Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou,
enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido” (9:8).
19

Esse caminho para o céu haveria de ser inaugurado pela “semente”
da mulher. Entretanto, como é que os homens identificariam esse
“semente”? Como poderiam eles reconhecer o “descendente” da mulher?
O Espírito Santo deixaria tudo claro, narrando a Sua história, antes mesmo
da Sua vinda ao mundo. A lei mosaica declarara a perfeição necessária
para que Ele agradasse a Deus em Sua vida e satisfizesse a justiça divina,
em prol de uma raça decaída no pecado. Os profetas escreveram a
narrativa de Sua vida antes que Ele aparecesse no mundo.
O Espírito ensinou aos profetas o que deveriam escrever. Moisés
escreveu no livro de Gênesis que o Salvador seria o “descendente” da
mulher, o descendente de Abraão, e proveniente da tribo de J udá. No livro
de Êxodo, Moisés mostrou que o Messias que viria seria o Cordeiro
pascal, que haveria de tirar o pecado do mundo. E, mostrou como o
Salvador seria o grande Sumo Sacerdote, que haveria de ser o nosso
representante diante de Deus, transportando-nos sobre os Seus ombros e
sobre o Seu coração. “E porás as duas pedras nas ombreiras da estola
sacerdotal, por pedras de memória aos filhos de Israel: e Arão levará os
seus nomes sobre ambos os seus ombros, para memória diante do
Senhor... Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do
juízo sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória
diante do Senhor, continuamente” (Ex. 28:12 e 29).
No livro de Números, o Espírito usou a boca de um profeta mau a fim
de revelar-nos que “... uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá
um cetro...” (Nm 24:17). No livro de Deuteronômio, o Espírito Santo
mostra-nos que o grande Profeta viria e proferiria as palavras de Deus.
“Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em
cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhes
ordenar” (Dt 18:18).
“Falai, profetas, e revelai os dados a respeito de Jesus!” instruiu
o Espírito Santo.
“Ele nascerá de uma virgem,” revela Isaías.
“Ele nascerá em Belém da Judéia,” clama Miquéias.
“O Seu nome será Renovo, a raiz de Davi,” testificam J eremias e
Zacarias.
Isaías prediz a morte de J esus, e J onas prefigurou Sua morte e
ressurreição Davi, o salmista, fala pelo Espírito e descreve a vida e a
morte do Salvador com perfeição profética tão grande que as suas
palavras mais parecem históricas do que proféticas. Ouçamo-lo enquanto
ele descreve a cena da crucificação: “Deus meu, Deus meu, por que me
desamparas-te?... Cães me cercam; um ajuntamento de malfeitores
me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés... Repartem entre si as
20

minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes... ” (ver Salmos
22, vários versículos). Sim, o Espírito Santo falou a respeito de J esus.
É possível que Deus tenha transmitido aos homens, de maneira
infalível, esses detalhes proféticos? Essa pergunta nos conduz à maior de
todas as realizações do Espírito Santo — a inspiração das Escrituras. O
Espírito Santo soprou nas mentes de certos homens as revelações e as
profecias do Antigo Testamento; e guiou as profecias escritas por eles de
maneira tal que a Bíblia se escreveu sem erros. Pedro, em sua segunda
epístola, descreve a maravilhosa obra de revelação e inspiração do
Espírito, na composição das Escrituras. “ E temos, mui firme, a palavra
dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que
alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva
apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que
nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a
profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os
homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (1:19-
21)” .
J esus declarou que Moisés escrevera a Seu respeito, e que aquilo
que Moisés escrevera era tão válido quanto as Suas próprias palavras.
(Ver J oão 5:46,47). E J esus também asseverou: “... a Escritura não pode
ser anulada” (J oão 10:35).
A obra coroadora do Espírito Santo, no Antigo Testamento, foi a
Palavra em forma escrita. Ao produzir as Escrituras Sagradas, Ele
concedeu aos homens aquela Palavra que havia sido fixada para sempre
nos céus (ver Salmos 119:89), revelando-lhes a narrativa eterna do Filho
de Deus e Salvador dos homens.
O Espírito Santo sempre fez os homens tornar a sua atenção para o
Messias que viria. Ele nunca exaltou a Si próprio.
Durante o tempo da economia do Antigo Testamento, o Espírito
Santo não habitava nos homens, conforme Ele faz agora com os que são
regenerados pelo Espírito de Deus. J esus foi o primeiro homem a nascer
do Espírito de Deus, após o Seu corpo haver sido concebido no ventre de
Maria, mediante a sombra do Espírito Santo. J esus nasceu para ser o
Cabeça da nova raça de homens espirituais. Ele teria que ser o
primogênito dessa raça. Por essa razão é que os salvos, no Antigo
Testamento, não serviam de residência permanente do Espírito Santo,
conforme veio a tornar-se possível após a morte e a ressurreição de
J esus.
Está escrito a respeito dos santos do Antigo Testamento: “E todos
estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa”. . .
(Hb 11:39). O trecho de J oão 7:39 verifica igualmente esse fato sobre os
santos do Antigo Testamento: “ E isto disse ele (Jesus) do Espírito que
21

haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo
ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado
(crucificado).”
As operações do Espírito Santo, no Velho Testamento, variam,
manifestando-se desde a criação até às operações miraculosas entre os
homens. A Sua obra era em parte permanente e em parte temporária. Sua
maior obra foi a produção do testemunho escrito concernente ao Salvador
que viria. Usando homens escolhidos por Deus, a quem guiou mediante
revelação e inspiração. Ele produziu a infalível palavra profética.



22



“Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do
Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso
também o ente santo que há de nascer, será
chamado Filho de Deus” (Luc. 1:35).
“Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se
de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre
ele” (Luc. 2:40).
“... como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o
Espírito Santo e poder, o qual andou por toda
parte, fazendo o bem e curando a todos os
oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”
(Atos 10:38).
23

Capítulo II
O Espírito Santo na Vida de Jesus
“ ... Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder,
o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os
oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38).
O Espírito Santo era a fonte da força da vida de Cristo. O Espírito
Santo concebeu no corpo de Maria, uma virgem, a um Filho santo, J esus.
Este nasceu do Espírito. O Espírito encheu a vida de J esus e O levou a
uma perfeita varonilidade. O Espírito ungiu o Homem perfeito por ocasião
de Seu batismo por J oão Batista, e O guiou durante todo o Seu ministério,
até à Sua ressurreição. J esus é o Primogênito entre os filhos de Deus.
Os escritores do Novo Testamento contam-nos a narrativa do
nascimento de J esus. Lucas escreveu: “E, no sexto mês, foi o anjo
Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
a uma virgem desposada com um varão, cujo nome era José, da casa
de Davi: e o nome da virgem era Maria. E entrando o anjo onde ela
estava, disse: Salve, agraciada: o Senhor é contigo; bendita és tu
entre as mulheres. E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas
palavras, e considerava que saudação seria esta. Disse-lhe então o
anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus; e eis
que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o
nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo;
e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará
eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. E disse
Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço varão? E,
respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a
virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; pelo que também o
Santo, que de te há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lucas
1:26-35).
Como foi que o Espírito Santo concebeu um Filho no ventre de uma
virgem?
O Espírito, qual vento, sopra onde quer, ouve-se a sua voz, mas não
se pode determinar de onde ele veio e nem para onde ele vai. Assim é
todo o que é nascido do Espírito.
J esus foi concebido no corpo de Maria mediante o poder do Espírito
Santo. O anjo apareceu-lhe e anunciou a coisa mais estranha que jamais
fora ouvida por ouvidos humanos: uma virgem conceberia um filho, sem ter
tido contato físico com qualquer homem. Como isso poderia acontecer?
Maria também fez essa pergunta.
24

Isabel havia concebido um filho em sua idade avançada, porquanto
Deus renovara as forças humanas. Coisa alguma é impossível para Deus.
Ele não precisa depender das energias humanas. Maria concebeu pelo
misterioso poder do Espírito Santo, que viera sobre ela como uma sombra.
Nessa concepção da vida, não houve a participação de nenhum
esforço, ato da vontade ou iniciativa humana. Não houve qualquer origem
física e nem contato físico. Não esteve envolvida qualquer emoção
humana, e nem qualquer sentimento carnal. Não foi o resultado de
sacrifícios, sacramentos ou esforços humanos. O Espírito Santo veio com
poder velado, e implantou a semente divina no ventre de Maria. Foi uma
obra estranha, humanamente impossível — não proveio da vontade do
homem, nem da vontade da carne, mas da vontade de Deus.
Na noite em que J esus nasceu, Deus enviou os Seus anjos anunciar
o Seu nascimento aos pastores que cuidavam dos seus rebanhos. Lucas
narra como essas coisas aconteceram. “ ... e ela deu à luz o seu filho
primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não
havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela mesma região
pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante
as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu onde eles estavam e
a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de
grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos
trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que
hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o
Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta
em faixas e deitada em manjedoura. E subitamente apareceu com o
anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e
dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra entre os homens, a
quem ele quer bem” (Luc. 2:7-14).
O Espírito Santo também preparou homens para que louvassem a
Deus em virtude do nascimento de J esus, e para que O reconhecessem
como o Salvador. Encheu o coração do velho e querido Simeão, quando
J esus foi apresentado no templo de J erusalém pela primeira vez, conforme
ao costume estabelecido pela lei. Tomando o bebê em seus idosos e
bondosos braços, Simeão falou pelo Espírito Santo, e disse: “Agora,
Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque
os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de
todos os povos: l uz para revelação aos gentios, e para glória do teu
povo de Israel. E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que
dele se dizia. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino:
“ Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para
levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição
(também uma espada transpassará a tua própria alma), para que se
manifestem os pensamentos de muitos corações” (Luc. 2:29-35).
25

O Espírito Santo encheu a vida de J esus. Foi pelo Espírito que J esus
recebeu uma natureza capaz de amar a Deus de toda a mente, alma e
forças. Notemos que J esus sempre esteve cheio do Espírito Santo,
contudo, Ele cresceu em estatura, em sabedoria, e na graça de Deus.
J esus vivia cheio do Espírito Santo e era perfeito; mas, não obstante, foi
crescendo em sabedoria e no Espírito. Isso significa que Ele foi crescendo
e sendo mais e mais cheio pelo Espírito Santo. J esus crescia e foi
continuamente cheio do Espírito. (Por favor, lembre-se desse fato para o
seu próprio bem-estar espiritual). J esus estava sempre crescendo, sempre
em desenvolvimento, sempre cheio do Espírito. (Cada um dos filhos de
Deus deveria crescer de igual maneira).
O Espírito Santo ensinava a J esus e enchia-o como o Filho de Maria
e J osé. J esus mostrava-se perfeitamente obediente a Seus pais terrenos.
Frequentava a sinagoga na companhia deles, conforme era seu costume.
Ali, Ele ouvia as Escrituras, quando elas eram lidas e ensinadas. Ouvia as
explicações e ia crescendo na graça divina e em sabedoria, mediante a
Palavra de Deus. Não houve qualquer atalho espiritual para J esus.
J esus trabalhava em companhia de seu pai de criação, J osé. Assim,
Ele aprendeu o ofício de carpinteiro. Ele sabia como serrar, como aplainar
a madeira, como fixar pregos, como construir coisas. Cheio do Espírito
Santo, J esus aprendeu a usar o esquadro, o compasso, a verruma e o
nível. As mãos de J esus eram calejadas, e Ele ocasionalmente batia nos
dedos com o martelo, ou atingia um prego com o serrote. E, tal como
sucedia aos demais meninos judeus, Ele ia aprendendo. Tornou-se
conhecido como o carpinteiro de Nazaré. Não houve qualquer milagre de
madeira cortada, nenhum conserto miraculoso de ferramentas quebradas,
não houve peças de mobília feitas por criação instantânea, e nem dedos
machucados instantaneamente curados.
J esus era diferente porque a Sua natureza era diferente. Seus
irmãos e irmãs haviam nascido dotados de natureza depravada. Eles
tinham a natureza de toda a humanidade. (Ver J oão 7:1-7). J esus era de
Deus; eles, de Adão. Maria e J osé também pertenciam à raça de Adão.
J esus mostrou-se sempre obediente, veraz, sincero e amoroso. Sua vida
era marcada pela retidão, pela bondade e pela veracidade. (Ver Efésios 5:
9). Seus pais sabiam que Ele era diferente, e Seus irmãos e irmãs também
o sabiam. Comiam juntos, brincavam juntos, frequentavam juntos a
sinagoga e trabalhavam juntos. J esus era mal compreendido pelos Seus
familiares.
Seus irmãos e suas irmãs sem dúvida costumavam perguntar: “Por
que Ele não mente de vez em quando? Por que Ele sempre faz as coisas
certas? Por que Ele nunca se enraivece? Por que Ele não falta de vez em
quando ao trabalho, para ir pescar ou brincar?”
26

Porém, quando havia alguma coisa difícil de ser solucionada, ou algo
difícil de ser feito, todos olhavam para J esus. De alguma maneira, Ele
sempre encontrava uma solução. Ele sabia como prestar ajuda, quando
ninguém mais o sabia. (Imagino que essa foi a razão pela qual Maria
acercou-se dEle, durante a festa de casamento, a fim de dizer-Lhe: “Eles
não têm mais vinho”, em J oão 2:3).
Desde que tinham voltado do Egito, J esus e Seus familiares sempre
tinham residido em Nazaré, um pequeno lugarejo, onde todos se
conheciam e onde os negócios de uma pessoa eram os negócios de todo
o mundo. Por quase trinta anos, J esus havia residido ali, e cada dia de
Sua vida Ele vivera cheio do Espírito Santo. Coisa alguma em Sua vida
era escondida dos homens, e nem mesmo podia alguma coisa ser
ocultada em uma pequena aldeia tão curiosa. Todos os habitantes da
localidade conheciam Maria, J osé, J esus e todos os Seus irmãos. J esus
era diferente — todos já haviam observado isso. Ele sempre trabalhava
melhor do que os outros. Podia-se confiar nEle. Ele nunca cobrava demais
pelo trabalho que executava. J esus era um homem diferente; todos
sabiam que Ele era amoroso e bom.
Aos sábados, a comunidade costumava frequentar a sinagoga. O
povo observava que J esus sempre entoava os Salmos como se Ele
mesmo os tivesse composto. Suas palavras de agradecimento eram
sempre graciosas. E Ele até parecia amar a todos, como se fosse a
personificação do Amor. Assim foi a vida do primeiro Homem nascido e
cheio do Santo Espírito de Deus.
O nascimento de J esus, por meio do Espírito Santo, concedera-Lhe
uma natureza capaz de amar perfeitamente ao Pai celeste. Ele foi o único
Homem que jamais teve um perfeito amor pelo Pai celeste. Seu amor por
Seu Pai transpareceu desde bem cedo em Sua vida. Com doze anos de
idade, Ele permaneceu no templo de J erusalém, interrogando e
aprendendo acerca das realidades divinas. Maria e J osé acabaram
encontrando-o em palestra com os doutores da lei, com quem já se
achava fazia três dias, interrogando-os e ouvindo as suas respostas. E
quando Lhe perguntaram por qual razão havia permanecido em
J erusalém, Ele replicou: “Por que vocês andaram procurando por Mim por
toda parte? Não sabiam que Eu estaria aqui, ocupado com as coisas
pertencentes a Meu Pai?”
Destarte, J esus voltou para casa e se mostrou sempre obediente e
Seus pais, porquanto era um jovem cheio do Espírito Santo. Somente
Deus Pai sabe quantas noites Seu Filho permaneceu desperto, em
comunhão e em oração com Ele. Ninguém, dentre os familiares de J esus
ou dentre o povo de Sua nação, chamava Deus de Pai celeste. Mas J esus
chamava-o de Pai, porquanto o Espírito Santo, que nEle estava, testificava
com o Seu espírito, que Ele era o Filho de Deus. O evangelho de J oão
27

refere-se ao Pai por mais de cento e trinta vezes. J oão escreveu o
evangelho que tem o seu nome a fim de demonstrar que J esus é o divino
Filho de Deus. O Espírito testificava com o Espírito de J esus no sentido
que Deus era o Seu próprio Pai.
J esus continuou residindo em Nazaré, em companhia dos Seus
familiares, até que atingiu cerca de trinta anos de idade. Ele nasceu do
Espírito e viveu cheio do Espírito por todos os dias de Sua vida. J esus foi o
Homem perfeito - o Primogênito do Espírito de Deus. Entretanto, chegou o
tempo para J esus dar início à Sua obra de redenção; pois para isso é que
Ele viera a este mundo. Ele já havia demonstrado o Seu amor ao Pai; e,
na redenção, mostraria o Seu amor aos homens. Até aquele ponto Ele fora
somente o Homem J esus; doravante, entretanto, seria J esus, o Cristo — o
Ungido. Deus haveria de declará-lo o grande Profeta, o Sumo Sacerdote e
o Rei dos reis. J esus ensinaria, se ofereceria como o perfeito Sacrifício, e
depois reinaria. Porém, não cabia a Ele fazer tal declaração. O Pai é que
deveria declará-lo Cristo. Como é que o Pai faria isso?
J esus andou até ao lugar onde J oão Batista estava pregando e
batizando, e apresentou-Se a ele para ser batizado. A princípio, J oão
recusou-se a batizá-lo. J oão Batista sabia que o batismo era um sinal ou
símbolo da morte — a condenação imposta pelo pecado. J oão sabia que
ele mesmo era digno de morte, e não J esus.
J oão, pois, objeta: “Eu é quem preciso ser batizado. Eu sou o
pecador que merece morrer”.
J esus replicou com palavras que têm este sentido: “J oão, se você
fosse batizado — se você fosse morto — não poderia salvar nem a si
mesmo, quanto menos a outras pessoas. Mas, se Eu for morto e for
sepultado, ressuscitarei dentre os mortos. Sou capaz de oferecer o
Sacrifício que satisfará todas as exigências da justiça divina. É dessa
maneira que a retidão poderá ser provida em favor dos pecadores. Vou
morrer no lugar dos pecadores; mas haverei de ressuscitar dentre os
mortos”.
Com essas palavras, J oão Batista e J esus desceram às águas do
rio. J oão imergiu J esus no sepulcro de águas, e ergueu-O, com isso
retratando a Sua ressurreição. O batismo de J esus declarou que Ele
morreria pelos pecadores, seria sepultado e ressuscitaria dentre os
mortos. (Ver Mateus 3:13-17).
O ato de batismo demonstrou o propósito do ministério de J esus.
Deus Pai manifestou a Sua aprovação mediante a descida do Espírito
Santo em forma visível, na forma de uma pomba (a qual foi vista somente
por J oão Batista). Ao mesmo tempo o Pai declarou desde os céus: “Este é
o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mat. 3:17). O Espírito Santo
desceu sobre J esus e sobre Ele permaneceu, ungindo-o como o Cristo.
28

Foi-Lhe outorgado o Espírito Santo sem medida (ver J oão 3: 34). Por meio
do Espírito Santo, J esus mostraria ser Ele o Filho de Deus, através de
obras poderosas e de milagres.
Os primeiros trinta anos da vida terrena de J esus demonstraram que
Ele era o perfeito Filho do Homem, perfeitamente aceitável diante de Deus
Pai; os últimos três anos e meio de Sua vida mostraram aos homens que
Ele era,o próprio Filho de Deus.
Na qualidade de Cristo, J esus é o Profeta ungido que sustenta todas
as coisas pela palavra do Seu poder. Na qualidade de Sacerdote, J esus
expurgou-nos dos nossos pecados. Na qualidade de Rei, Ele está
assentado à mão direita da divina Majestade esperando para receber o
Seu reino. (Ver Hebreus 1:3).
Cumprir a vontade do Pai sempre foi o único desejo de J esus. O
Espírito Santo ungiu-O precisamente com essa finalidade. Disse J esus:
“Então eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu
respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Heb. 10:7). Em outra
oportunidade, Ele asseverou: “... não procuro a minha própria vontade,
e, sim, a daquele que me enviou” (J oão 5: 30). J esus entregou a Sua
vida à direção do Espírito Santo — nEle J esus se movia, servia, sofria,
morreu e ressuscitou dentre os mortos.
Imediatamente após o Seu batismo, J esus foi conduzido pelo
Espírito Santo ao deserto, a fim de ser tentado por Satanás. Depois de
haver jejuado durante quarenta dias, J esus retomou à Galileia impelido
pelo poder do Espírito, e a Sua fama se espalhou por toda parte.
J esus afirmou: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que
me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar
libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em
liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Luc.
4:18,19).
A presença do Espírito Santo pode ser percebida mediante as
emoções pessoais de J esus. Ele gemia no Espírito, ficava perturbado em
Espírito e oferecia orações e súplicas com forte clamor e com lágrimas.
Perturbava-se no Espírito, diante do pensamento que alguém haveria de
traí-lo.
O conhecimento das operações do Espírito Santo na vida de J esus é
vital para os filhos de Deus, se eles quiserem viver e agir à semelhança do
que Cristo fez. Somente pelo Espírito Santo é que os salvos podem viver
uma vida modelada segundo a vida de J esus Cristo. Viver uma vida como
a de J esus é empreendimento que só pode ser realizado se nos deixarmos
conduzir continuamente pelo Espírito Santo, através de perfeita obediência
à Sua Palavra.
29

O Espírito Santo na Morte de Jesus
Mediante o Espírito, J esus ofereceu-se como o grande Sacrifício
pelos nossos pecados. O escritor da epístola aos Hebreus deixou
registrado o seguinte: “Quando, porém, veio Cristo como sumo
sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito
tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não
por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio
sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido
eterna redenção... muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito
eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a
nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!”
(Hb 9:11-14).
J esus, pelo Espírito eterno, obteve uma eterna salvação para os
homens, porquanto a Sua morte foi uma morte vicária, ou seja, Ele
padeceu a morte em favor de outros. J esus deu a Sua vida como resgate
por muitos. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a
própria vida em favor dos seus amigos” (J oão 15:13).
A morte de Cristo mostrou ser eficaz — realizou perfeitamente aquilo
que tinha em mira. “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi
imolado” (I Co. 5:7). Por conseguinte, a morte já não pode tocar em nós.
O sangue derramado por J esus Cristo, uma vez aplicado às nossas almas,
mediante a fé, é o remédio perfeito para o pecado, para o temor e para
vencer a morte. Deus vê o sangue de J esus, e o pecador fica em
segurança. Não há mais nenhuma condenação para aqueles que estão
em Cristo. Isaías fala sobre a obra eficaz de J esus, nestes termos:
“Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der
ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e
prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas
mãos. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; o
meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos,
porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is. 53:10,11).
A morte de Cristo, mediante o Espírito, foi uma morte vitoriosa. A
cabeça da serpente foi esmigalhada pela vitória de Cristo obtida na cruz. O
poder de Satanás foi quebrado para sempre, em favor de todos quantos
nascem do Espírito de Deus. O apóstolo Paulo declarou isto, em sua
epístola aos Colossenses: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas
vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida
juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos” (Cl 2:13).
Cristo não somente perdoou; Ele também venceu os inimigos: “ ... e,
despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs
ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl. 2:15). Cristo fez desses
30

poderes um espetáculo — um exemplo público — desmascarando-os e
triunfando sobre eles. J esus ofereceu-se, sem mácula, pelo eterno Espírito
a Deus, e se tornou o Redentor de homens decaídos (ver Hb 9:14).
“Está feito, Cristo por pecadores se deu,
Eu sou do Senhor, e o Senhor é meu” .
O Espírito de Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos,
vitorioso sobre todos os adversários.” (Ver Rm 8:11).
J esus, o segundo Adão, nasceu do Espírito Santo, foi cheio do
Espírito Santo, foi ungido pelo Espírito Santo, morreu sob a liderança do
Espírito Santo e ressuscitou dentre os mortos pelo poder do Espírito
Santo. O Espírito Santo deu a J esus uma perfeita retidão, desde o Seu
nascimento até o Seu batismo. Ele amou o Pai e também amou os
pecadores. Os primeiros trinta anos de Sua vida terrena demonstraram o
Seu perfeito amor ao Pai; e os últimos três anos e meio de Sua vida
terrena demonstraram que Ele amava os homens mais do que à Sua
própria vida. A vida e o sacrifício perfeitos de J esus, por intermédio da
atuação do Espírito Santo, possibilitaram, para os pecadores, tornarem-se
filhos de Deus e co-herdeiros de Cristo.
O Espírito deseja produzir em nossas vidas aquilo que Ele produziu
na vida de J esus durante os primeiros trinta anos de Sua vida terrena. Ele
quer tomar-nos semelhantes a J esus, em retidão, em bondade e em
verdade. Isso torna-se possível quando aqueles que nasceram do Espírito
de Deus tomam-se totalmente submissos à liderança do Espírito em suas
vidas diárias — obedientes à Palavra, tal como J esus.



31





. . mas o Consolador, o Espírito Santo,
a quem o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as cousas e vos
fará lembrar de tudo o que vos tenha
dito” (João 14:26).
32

Capítulo III
O que ensinou Jesus sobre o Espírito Santo
Após esses breves relances a respeito das realizações do Espírito
Santo no Antigo Testamento, e de Sua atuação na vida de J esus,
queremos enfocar nossa atenção sobre o ensino de J esus acerca do
Espírito Santo.
J oão Batista declarou que J esus era mais poderoso do que ele, e
que J esus haveria de batizar no Espírito Santo. J esus, pois, é Aquele que
se posta como intermediário entre Deus e o pecador. O Espírito de Deus
pode atuar sobre o ser humano, salvando-o, mas somente através da
Pessoa e da obra de Cristo J esus.
J esus ensinou muitas coisas sobre o Espírito Santo. Revelou Quem
enviaria o Espírito Santo, bem como o que o Espírito Santo faria, o que Ele
ensinaria, em quem Ele habitaria, como Ele se manifestaria aos salvos, por
que razão Ele viria, e por quanto tempo Ele ficaria com os crentes.
J esus retornaria ao Pai após haver concluído a Sua missão
remidora. Então seria enviado o Consolador, para assumir o lugar do
Salvador, na qualidade de Advogado residente e permanente de todos os
salvos. (J esus é o nosso Advogado lá nos céus; e o Espírito Santo é o
nosso Advogado aqui na terra. O vocábulo grego parákletos foi traduzido
por advogado, em I J oão 2:1, e por consolador, em J oão 14:16). O que
J esus ensinou no tocante ao Espírito Santo é vital para a nossa vida
espiritual. Saber a quem J esus ensinou a respeito do Espírito Santo é
igualmente importante — e esse aspecto será considerado no próximo
capítulo.
Antes de ser crucificado, J esus ensinou tudo quanto era essencial
sabermos sobre o Espírito Santo.
Todas as obras de Deus foram perfeitamente planejadas. O Senhor
J esus seguiu à risca o plano do Pai para a Sua vida na terra. Chegado o
tempo dEle dar início ao Seu ministério público, J esus viajou até onde
J oão Batista estava pregando e batizando. Ele foi batizado por J oão e logo
em seguida foi levado pelo Espírito ao deserto, a fim de empenhar-se em
batalha contra Satanás. J esus obteve o triunfo sobre as tentações
satânicas e regressou à Galileia. A Sua primeira tarefa consistiu em
selecionar um grupo de homens que o acompanhassem, desde o batismo
ministrado por J oão até ao tempo da Sua ressurreição.
A princípio, J esus não revelou àqueles homens Quem Ele realmente
era, mas eles contemplaram as Suas realizações e ficaram profundamente
admirados. Um dia interrogou-os sobre a opinião pública corrente a Seu
33

respeito. Que diziam os homens a Seu respeito? Quem diziam ser Ele?
Porém, a pergunta mais importante de todas foi dirigida aos discípulos, a
saber: “Mas vós, quem dizem que eu sou?”
A imediata e pronta resposta de Pedro foi: “Tu és o Cristo, o Filho do
Deus vivo”. (Essa também era a conclusão a que todos os discípulos já
haviam chegado; mas Pedro sempre era quem tinha as respostas mais na
ponta da língua.)
A partir do momento dessa confissão, J esus começou a ensinar aos
discípulos que o Filho do Homem necessariamente haveria de morrer.
Finalmente, J esus subiria a J erusalém, seria traído e seria crucificado por
mãos de indivíduos iníquos. Todavia, os discípulos não compreenderam
isso. Afinal de contas, Ele era o Cristo; Ele viera para estabelecer o Seu
reino, e os discípulos seriam os Seus principais assessores.
Dias, semanas e meses passaram-se. O tempo disponível de J esus
estava se esgotando. Em breve, J esus morreria. Os discípulos que Ele
selecionara estavam nervosos, frustrados, perplexos, entristecidos e
incrédulos quanto ao que iria suceder. Ele já lhes ensinara sobre a Sua
própria morte. Agora, Ele precisava ensiná-los a respeito dAquele que viria
tomar o Seu lugar entre eles. A principal fonte informativa sobre esse
ensino é o evangelho de J oão, em seus capítulos catorze a dezesseis.
J esus sabia que os Seus discípulos estavam encontrando reais
dificuldades por estarem pensando sobre bases carnais; mas Ele lhes
ensinava realidades espirituais. Essas duas coisas não se misturam bem.
A carne é o caminho da morte; o Espírito é o caminho da vida. A maioria
das coisas que J esus havia ensinado e ainda haveria de ensinar, não foi
prontamente compreendido pelos Seus estudantes. Contudo, Ele sabia
que o Espírito Santo viria para outorgar-lhes perfeito entendimento. Por
essa razão, J esus continuou a lhes ensinar.
J esus ensinava, antemão, as coisas que iam acontecer.
Ele explicou esse método no trecho de J oão 16:1-4, que diz: “Tenho-
vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos
expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos
matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não
conhecem o Pai, nem a mim. Ora, estas coisas vos tenho dito para
que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não
vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco”.
Como vimos, J esus esclareceu por que os ensinava a respeito do
Espírito Santo — Este haveria de tornar-se o grande Companheiro e Guia
dos discípulos, ao passo que J esus haveria de retornar ao Pai.
O que foi que J esus ensinou a respeito do Espírito Santo?
(1) A cerca do nascimento espiritual.
34

O fator fundamental do ensinamento de J esus foi: Ninguém pode
perceber ou entrar no reino de Deus enquanto não tiver nascido do
Espírito. Os filhos de Deus são todos nascidos do Espírito de Deus (ver
J oão 3:3-6). J esus é o Cabeça da raça espiritual mediante a conceição
miraculosa e o nascimento virginal. Os homens precisam experimentar
esse miraculoso nascimento espiritual (o novo nascimento), a fim de
entrarem na raça da qual J esus é o Cabaça.
Esse nascimento é misterioso e miraculoso, mas é perfeitamente
real. É tão real quanto o nascimento virginal de Cristo. Toma-se uma
realidade através da Palavra da Verdade e do Espírito Santo. Disse J esus:
“ ... as palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida” (J oão
6:63). E Pedro escreveu: “... fostes regenerados, não de semente
corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus...” (I Ped. 1:
23). Os filhos humanos nascem de pais humanos; os filhos espirituais
nascem do Espírito, mediante a Palavra de Deus.
(2) A redenção foi oferecida a todos os homens — o dom do Espírito
destina-se a todas as nações.
J esus deixou claro (embora os apóstolos não o compreendessem)
que a redenção incluiria judeus e gentios igualmente. O dom de Deus é
para todos os povos. J esus ensinou que isso ficaria comprovado pelo sinal
que ocorreria tanto entre os judeus como entre os gentios. Esse sinal seria
o batismo do Espírito Santo. (Atos 1:5). O derramamento do Espírito
Santo, sobre os judeus e sobre os gentios, com Seus sinais miraculosos,
foi mencionado em Marcos 16:17 e 20.
O Espírito Santo é o dom de Deus. Assim como o Pai daria o Seu
próprio Filho, por semelhante modo daria o Espírito Santo. A salvação é a
dádiva do Espírito — a vida eterna — aos homens. O Espírito Santo nos é
proporcionado em resultado da obra remidora de J esus Cristo. A salvação
é o dom de Deus a todas as nações (conforme fora prometida a Abraão),
por meio da fé, em nome de J esus Cristo.
O Filho não veio a este mundo porque os homens merecessem a
Sua vinda, e nem porque tivessem subido ao Céu para trazê-lo cá para
baixo (ver Romanos 10:6). E nem o Espírito Santo viria a este mundo por
uma questão de mérito humano, ou porque alguém tivesse subido ao Céu,
a fim de obtê-lo. O Filho e o Espírito Santo são ambos dons de Deus. A
salvação é um dom gratuito de Deus, e não procede de obras, para que
ninguém se glorie.
O dom do Espírito Santo é um sinônimo da salvação. Declarou Pedro
com referência aos gentios que tinham crido, e sobre quem fora
derramado o Espírito Santo: “Pois se Deus lhes concedeu o mesmo
dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem
era eu para que pudesse resistir a Deus? E, ouvindo eles estas
35

coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus dizendo: Logo, também
aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (Atos
11:1-18).
(3) Acerca da presença habitadora do Espírito Santo.
Em resultado da obra e do sacrifício remidores de J esus, o Espírito
Santo viria residir nos crentes. Até à morte de J esus, ninguém jamais havia
nascido do Espírito Santo e Lhe servira de residência. J esus foi o primeiro
Homem nascido do Espírito; Ele também foi o primeiro homem a servir de
residência ao Espírito Santo. A residência do Espírito em outros homens
dependia da morte expiatória de Cristo. O Senhor J esus deixou esse ponto
bem claro: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior
correrão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que
haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até esse momento
não fora dado, porque J esus não havia sido ainda glorificado” —
crucificado, ressuscitado e subido ao céu (J oão 7: 38,39). J esus ensinou
claramente aos apóstolos que o Espírito Santo estava com eles, e que
estaria em eles (ver J oão 14:16,17).
Que Dizer Sobre os Santos do Antigo Testamento?
Os santos do Antigo Testamento não tiveram o privilégio de dispor
da presença habitadora do Espírito Santo em suas vidas. Deus revelava-
se a eles de diversas maneiras (ver Hebreus 1:1). Ele revelou a Sua
vontade e as Suas obras (como a Noé). Ele apareceu para eles (como a
Moisés). Ele lhes conferiu visões (como a Daniel e Ezequiel). Ele deu
extraordinária força física a outros (como a Sansão). Ele outorgou
sabedoria (como aos construtores do tabernáculo e do templo de
J erusalém). Ele proporcionou revelações e moveu os autores das
Escrituras do Antigo Testamento, inspirando-as para que fossem escritas
de uma forma infalível.
Não havia quaisquer dúvidas quanto ao relacionamento do Senhor
com o Seu povo; mas, naquele período, ninguém nasceu do Espírito e
serviu de residência para Ele, salvo após a morte e a ressurreição de
J esus.
Os santos do Antigo Testamento foram salvos porque os pecados
deles foram cobertos pela promessa do Salvador que viria. Todavia, não
nasceram do Espírito Santo, e nem o Espírito veio residir neles, incluindo o
próprio J oão Batista, que foi cheio do Espírito Santo desde o próprio ventre
materno. O sangue de animais jamais poderia tirar pecados, e enquanto o
templo continuasse de pé, com o véu de separação intacto, isso indicava
que o Espírito Santo estava ensinando: “O caminho do Santo Lugar ainda
não foi aberto” (Hb 9:8). Esses dons e sacrifícios, oferecidos por
36

sacerdotes terrenos, jamais poderiam mesmo tirar pecados e purificar
perfeitamente aos ofertantes. (Ver Hebreus 9:9).
Os pecados dos santos do Antigo Testamento eram cobertos da
mesma maneira que uma mulher cobriria uma mancha de molho que
houvesse caído sobre uma branca toalha de mesa. Coberto com um
guardanapo limpo, a mancha ficava oculta, mas nem por isso fora tirada.
Terminada a refeição, a mulher tiraria a toalha de cima da mesa e a lavaria
até ficar limpa e branca novamente. Somente então a mancha não estará
mais somente coberta, mas terá sido lavada. Os pecados dos santos do
Antigo Testamento eram cobertos pela promessa da vinda do Salvador, e
a fé deles era simbolizada pelos sacrifícios de animais que eles ofereciam.
Quando J esus morreu, foram lavados finalmente os pecados dos
santos do Antigo Testamento.
A primeira aliança, com o seu cerimonial todo próprio do sacerdócio
e dos sacrifícios levíticos, transmitida a Moisés e aos filhos de Israel,
jamais poderia purificar ao pecador e à sua consciência maculada pelo
pecado. Por conseguinte, sem uma perfeita remissão de pecado, o
Espírito Santo não podia vir habitar em qualquer indivíduo que fosse.
O Espírito Santo testificou que seria estabelecido um novo pacto — o
pacto da graça — por meio da realização de J esus Cristo. Nessa nova
aliança, a consciência do pecador seria perfeitamente purificada, e o
Espírito Santo habitaria para sempre em sua vida. “Porque esta é a aliança
que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias (a saber, os dias
da primeira aliança, dada ao povo de Israel por intermédio de Moisés), diz
o Senhor. Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os
seus corações as inscreverei...”(Esse é o efeito do novo nascimento e da
presença habitadora do Espírito Santo).
Acerca de todos os grandes homens e mulheres de fé que viveram
nos dias do Antigo Testamento, o escritor da epístola aos Hebreus
comenta: “Ora, todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não
alcançaram a promessa (O Espírito Santo); provendo Deus alguma coisa
melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem
aperfeiçoados” (Heb. 11: 39,40).
J amais houve tempo em que os judeus puderam ter nascido do
Espírito Santo e ter sido habitado por Ele, antes que os gentios tivessem
recebido idêntico privilégio.
(4) O Pai enviaria o Espírito Santo; Ele (o Espírito) viria também da
parte do Filho.
O Espírito Santo seria enviado da parte do Pai: ... mas o Consolador,
o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome...” (J oão 14: 26). Ao
mesmo tempo, o Espírito Santo seria enviado por parte do Filho: “Quando,
37

porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito
da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim...” (J oão
15:26). Compare os trechos de J oão 14:16 e Lucas 11:13.
(5) O Espírito Santo seria reconhecido somente pelos salvos.
Diferente do caso de J esus, que podia ser visto e conhecido por todo
e qualquer indivíduo, o Espírito Santo seria reconhecido exclusivamente
pelos salvos. Quando os apóstolos indagaram como Ele lhes seria
revelado, e não ao mundo, Cristo explicou: “Se alguém me amar, guardará
a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele
morada” (J oão 14:22,23). A santificação pessoal e o crescimento espiritual
resultam da presença habitadora do Espírito. O Espírito Santo e a Palavra
de Deus atuam no homem interior. Aqueles que dependem de
manifestações externas e de cerimônias religiosas e sacramentos não
dispõem do Espírito do Pai e do Filho residente em suas vidas.
(6) O mundo não poderia prender e nem tirar a vida ao Espírito
Santo.
O Consolador, que viria substituir J esus, não sofreria o mesmo
destino que J esus estava prestes a sofrer. J esus podia ser visto, detido,
julgado e crucificado. O mundo podia praticar coisas más contra Ele. Com
o Espírito Santo, não seria assim. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará
outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da
verdade, que o mundo não pode receber, (tomar preso e maltratar) porque
não o vê, nem o conhece...” (J oão 14:16,17a).
(7) O Espírito Santo guiaria os apóstolos a toda a verdade.
“... quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a
verdade... e vos anunciará as cousas que hão de vir... (J oão 16:13; cf.
Apocalipse 1: 1-3)... esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar
de tudo o que vos tenho dito” (J oão 14:26).
(O sétimo capítulo deste volume mostra como o Espírito ensinou aos
apóstolos).
(8) 0 Espírito Santo testificaria acerca da pessoa de J esus Cristo.
J esus ensinou que o Espírito Santo testificaria a respeito dEle (ver
J oão 15:26), e haveria de glorificá-lo (ver J oão 16:14). O Espírito Santo
daria testemunho da redenção que há em Cristo e da Sua ressurreição. O
Espírito sempre glorifica a J esus Cristo - jamais glorificando aos apóstolos,
aos dons miraculosos ou à Igreja.
(9) O Espírito Santo realizaria grandes feitos entre os apóstolos.
J esus ensinou que os Seus apóstolos fariam as mesmas maravilhas
que Ele realizou, e maiores obras ainda. Essas obras eram realizações
especiais do Espírito Santo, com o intuito de acreditar os homens,
38

escolhidos por Deus. J esus foi confirmado através de obras poderosas
(ver Atos 2:22). Os apóstolos, igualmente, seriam confirmados por meio de
obras poderosas (ver Atos 2:43). Isso quer dizer que os apóstolos fariam
maior número de maravilhas do que J esus fizera, pois Ele trabalhara
somente entre os judeus (apenas com uma ou duas raras exceções), ao
passo que eles operariam entre todas as nações. As “obras maiores” dos
apóstolos seriam a confirmação da mensagem e os escritos do Novo
Testamento.
(10) O Espírito Santo testificaria juntamente com os apóstolos.
O Espírito seria o Guia constante dos apóstolos, no testemunho que
eles dessem acerca de J esus e da ressurreição. “Quando, porém, vier o
Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade,
que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também
testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (J oão 15:26, 27).
Também deve ser lido o trecho de Atos 4:31-33, para que se veja como o
Espírito Santo testificou juntamente com os apóstolos.
(11) O Espírito Santo agiria como o poder convincente, no esforço
evangelizador.
O Espírito reprovaria o mundo do pecado, da justiça e do julgamento.
Ele seria a força convencedora para fazer os pecadores abandonarem os
seus delitos e obras mortas, a fim de servirem ao Deus vivo. Por exemplo:
“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se lhes o coração e perguntaram a
Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos irmãos?” (Atos 2: 37).
Estudem-se também os trechos de Atos 16:14; Atos 16:31 e II
Tessalonicenses 2:7.
Sem essa obra do Espírito Santo, o ministério de evangelização e de
pregação seria infrutífero. (Os missionários e os pregadores jamais
deveriam esquecer-se desse fato).
Esses são os principais ensinamentos de J esus no que concerne ao
Espírito Santo. O Espírito não introduziu qualquer doutrina nova. Tão-
somente orientou os apóstolos para que compreendessem os
ensinamentos de J esus.


39






























. e vós também testemunhareis,
porque estais comigo desde o
princípio” (João 15:27).
“A muralha da cidade tinha doze
fundamentos, e estavam sobre estes os
doze nomes dos doze apóstolos do
Cordeiro” (Apocalipse 21: 14).
40

Capítulo IV
Os Homens que Jesus ensinou sobre o Espírito Santo
– Os Apóstolos
Durante os primeiros passos do ministério público de J esus, Ele
escolheu certos homens para que andassem em Sua companhia durante
todos os dias do Seu ministério, desde o batismo de J oão até Sua volta
aos céus. J esus selecionou aqueles homens pessoalmente, e ordenou-os
para o ofício especial do apostolado (ver Mateus 10:1-4 e Marcos 3:14).
Houve somente doze homens que foram escolhidos para ocupar esse
ofício apostólico. Esse ofício cessou com a morte dos doze. Sim, Paulo foi
um dos apóstolos, mas não pertencia ao grupo dos “doze”. (O apostolado
de Paulo será estudado em separado). Os doze foram o elo de ligação
entre J esus e as Escrituras do Novo Testamento. A realização inteira de
J esus e de Sua Igreja está alicerçada sobre o testemunho e a obra
daqueles doze homens.
A vinda do Filho de Deus a este mundo, a Sua vida perfeita, a Sua
morte expiatória e a Sua ressurreição teriam sido inteiramente vãs se, de
alguma maneira, a mensagem a respeito não tivesse sido conservada e
transmitida de uma maneira infalível.
As realizações de Deus são estabelecidas e confirmadas acima de
qualquer sombra de dúvida. A fim de estabelecer e confirmar a Sua obra
remidora, e torná-la eficaz nos corações humanos, J esus escolheu os
doze apóstolos como testemunhas de Sua vida terrena e de Sua
ressurreição.
J esus deixou claro o ponto seguinte: a escolha dos apóstolos foi
inteiramente Sua. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e
passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus
discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de
apóstolos” (Luc. 6: 12,13). O número dos apóstolos foi doze — nem mais e
nem menos. Esse foi o apostolado que serviria de fundamento para toda a
futura realização do Senhor.
Determinadas declarações de J esus, referentes aos apóstolos, foram
registradas por J oão: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo
um de vós é um diabo” (J oão 6:70). “... eu conheço aqueles que escolhi...”
(J oão 13: 18). E também podemos ler em J oão 15:16: “Não fostes vós que
me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos
designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça ...”
O escritor do livro de Atos declara que o grupo de apóstolos não
tinha igual. Lucas escreveu seu evangelho narrando aquilo que J esus
41

fizera e ensinara, até que subiu aos céus; e arrematou no livro de Atos: “...
depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos
apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas” (Atos 1:2).
Pedro, por igual modo, asseverou o seguinte: “... e nós somos
testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em J erusalém; ao
qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. Este ressuscitou
Deus no terceiro dia, e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo,
mas às testemunhas que anteriormente foram escolhidas por Deus, isto é,
a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dentre os
mortos...” (Atos 10:39-41).
Quando Pedro se levantou a fim de explicar a necessidade de que se
escolhesse um substituto para J udas Iscariotes, ele deixou bem clara as
qualificações necessárias. Havia uma única condição que se fazia mister
para cumprir as Escrituras escritas por inspiração do Espírito Santo: “Tome
outro o seu ministério” (Atos 1:20). As qualificações necessárias eram
estas: “É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo
o tempo que o Senhor J esus andou entre nós, e começando no batismo
de J oão, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se
torne testemunha conosco da sua ressurreição” (Atos 1:22).
O ofício apostólico é único — sem par — por ser o último ofício
especial a ser ocupado por homens, em relação à mensagem e à escrita
das Sagradas Escrituras. Tinha havido o legislador, Moisés; mais tarde,
houve os profetas; e, finalmente, apareceram os apóstolos de J esus.
Paulo indica isso em I Coríntios 4:9, onde diz: “Porque a mim me parece
que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos
condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a
anjos, como a homens”.
Não existe sucessão dentro do ofício apostólico. Quando Matias foi
selecionado para tomar o lugar de J udas Iscariotes, nunca mais se fez
outra escolha para completar o número dos “doze”. Existem duas provas
desse fato, a saber: (1) Se tivesse havido sucessão apostólico, então o
apóstolo Paulo teria sido escolhido pelos doze. (2) Os nomes dos doze
apóstolos estão inscritos nos fundamentos da Nova J erusalém — mas
aparecem ali somente doze nomes (ver Apocalipse 21:14). E,
acrescentando mais uma prova, só para confirmar ainda mais esse
particular, o apóstolo Paulo reconheceu os doze apóstolos como um grupo
especial e exclusivo, quando escreveu em I Coríntios 15: 5: “E apareceu a
Cefas, e, depois, aos doze”.
O ofício apostólico foi reconhecido como ofício único pelos escritores
do Novo Testamento. J oão declarou isso usando as próprias palavras de
J esus: “... esse (o Espírito Santo) dará testemunho de mim; e vós também
testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (J oão 15:26b,
42

27). Paulo reconheceu a autoridade dos doze nas coisas concernentes ao
evangelho de Cristo. Embora não tivesse sido instruído por eles, e nem
tivesse sido contado entre os “doze”, Paulo reputava-os autoridades, como
quando surgiu certa confusão de ideias sobre a maneira como os gentios
seriam salvos. Paulo subiu a J erusalém (devido a uma revelação) a fim de
consultar os apóstolos, para que ele não corresse (pregasse) em vão (ver
Gálatas 2:1,2). Será proveitosa a leitura de todo o segundo capítulo da
epístola aos Gálatas.
O escritor da epístola aos Hebreus encarava os apóstolos como um
grupo todo especial (ver Hebreus 2:3,4). Por semelhante modo, J udas
assim também os reconheceu (ver J udas 17).
Os próprios apóstolos reconheceram a sua posição como único e
sem igual. Eles nunca tentaram escolher seus sucessores no ofício
apostólico. Pedro escreveu na segunda de suas epístolas: “... para que
vos recordeis das palavras que anteriormente foram ditas pelos santos
profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os
vossos apóstolos” (II Ped. 3:2).
Lucas afirmou a autoridade da doutrina dos apóstolos (ver Atos 1:2).
Paulo ensinou que eles foram os primeiros colocados na Igreja (ver I
Coríntios 12:28). Ele também declarou, em Efésios 2: 20, que a obra
inteira do evangelho está fundamentada sobre os apóstolos (os doze) e
sobre os profetas. No trecho de I Coríntios 3:11, Paulo declara que não há
outro fundamento exceto J esus Cristo. Haverá nisso alguma contradição?
Não, pois o fundamento que é J esus Cristo, e o fundamento dos apóstolos
(isto é, a mensagem de J esus Cristo), são termos sinônimos.
Lendo cuidadosamente os primeiros cinco capítulos do livro de Atos,
você descobrirá que as ações da Igreja primitiva sempre giravam em torno
dos apóstolos. A ênfase recai continuamente sobre os doze, na medida
em que eles iam dando testemunho da ressurreição de J esus.
A ação prosseguiu em torno dos “doze”, no debate concernente a
salvação exclusivamente mediante a fé, até ao trecho de Atos 16:4. Os
doze formavam o único grupo de homens que testificavam, juntamente
com o Espírito Santo, a respeito da graça de Deus - provando que a
salvação de judeus e de gentios, indistintamente, verifica-se
exclusivamente pela graça de Deus, mediante a fé.
Finalmente, os adversários de Cristo testificaram, através de seus
atos e acusações, que os “doze” formavam um grupo sem par. As atitudes
militantes desses adversários, que procuravam varrer de cena os
seguidores de Cristo, dirigiam-se, vez após vez, contra os apóstolos.
Os inimigos de Cristo acusaram os apóstolos de alcoolismo (ver Atos
2:13). Os sacerdotes e o capitão do templo, bem como os saduceus,
43

atiraram-se contra os apóstolos, ressentidos por que estes ensinavam ao
povo e “... os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até ao dia seguinte...”
(Atos 4: 3). Os judeus religiosos indagaram: “Que faremos com estes
homens?” (Atos 4: 16). Mais tarde, o sumo sacerdote levantou-se,
juntamente com todos os que estavam em sua companhia, e, tomado de
fúria, mandou deter os apóstolos e lançá-los na prisão (ver Atos 5: 18).
Sim, os adversários de Cristo sabiam que os apóstolos formavam um
grupo sem igual. Os “doze” eram dotados de poderes e de dons que
outros homens não possuíam e jamais haveriam de possuir.
Dentre os doze, Pedro era o que trabalhava mais poderosamente
entre os que eram da circuncisão (os judeus). Mas, dos “doze”, J oão foi
quem escreveu mais das Escrituras do Novo Testamento.
A Bíblia não dá margem para qualquer dúvida a esse respeito: os
doze formavam um grupo sem rival. Esse grupo jamais poderia ser
substituído ou repetido. Tendo sido os seus membros escolhidos por
J esus, eles foram testemunhas divinamente selecionadas para falarem
sobre a vida e a ressurreição de J esus Cristo. J untamente com eles é que
o Espírito Santo haveria de testificar de maneira toda especial.
Todos os ensinamentos do Novo Testamento e toda a obra realizada
pelas igrejas de Cristo estão alicerçados sobre as obras e a mensagem
dos doze apóstolos. Isso, naturalmente, inclui o ministério e os escritos de
Paulo, por igual modo. O ministério de Paulo, entretanto, teria sido
inteiramente vão não fora o ministério e o testemunho dos “doze”.
Uma Palavra sobre o Apóstolo Paulo
Conforme temos demonstrado pelas Escrituras, Paulo não fazia
parte integrante daquele grupo único, chamado de “os doze”. Eles tinham
sido testemunhas oculares da vida, do ministério e da ressurreição de
J esus.
Não obstante, o apostolado de Paulo também pertencia a uma
classe toda especial. Ele fora escolhido pelo Salvador ressuscitado a fim
de ser o apóstolo dos gentios. Poderíamos chamá-lo de missionário
protótipo. Por mais de vinte vezes, Paulo refere-se ao seu apostolado em
favor do evangelho de Cristo.
Além disso, houve outros que confirmaram o apostolado de Paulo. A
seleção de Paulo para o apostolado foi declarada a Ananias, pelo Senhor
J esus, antes mesmo que Paulo tivesse conhecimento de sua escolha. (Ver
Atos 9:13). Ananias foi diretamente autorizado por J esus Cristo para
batizar e ungir ou ordenar Paulo para seu ofício apostólico. Ananias,
quanto a esse particular, foi tão sem igual quanto o fora Melquisedeque.
Coisa alguma é dita sobre ele, antes ou depois do papel por ele
44

desempenhado em prol do ministério de Paulo. J esus revelou a Ananias
que Paulo haveria de ser um vaso especial, uma testemunha para levar o
evangelho aos gentios, a reis e ao povo de Israel. (Ver Atos 9:15).
Paulo recebeu uma unção especial para o seu ministério apostólico.
(Ver Atos 9:17).
A Paulo foi outorgada a dispensação (mordomia de uma casa) da
graça de Deus em favor dos gentios. (Ver Efésios 3:2,3). Isso significa que
ele foi comissionado com a mordomia apostólica do evangelho a ser
anunciado aos povos gentílicos. Ele anunciaria a mensagem de Cristo; ele
transmitiria dons espirituais às igrejas gentílicas até que as Escrituras
estivessem completas.
Embora a Pedro tivessem sido entregues as “chaves do reino dos
céus” — o evangelho e o Espírito Santo — para que fosse aberta a porta
da salvação aos gentios (ver Atos 11:1-18 e 15:7), foi Paulo que
atravessou por aquela porta e trabalhou poderosamente entre os gentios.
(Ver Gálatas 2:8).
Paulo foi escolhido para tomar conhecido o mistério de Deus entre os
gentios, a saber, que judeus e gentios seriam unificados, formando um
único povo eterno, por J esus Cristo.
Tal como os demais apóstolos, Paulo também recebeu a
incumbência de testificar da ressurreição de Cristo. Ele não vira ao Senhor
ressurreto antes dEle ter subido para os céus. Mas mesmo assim O viu.
(Ver I Coríntios 15:8). Eis como tudo sucedeu: “Então eu perguntei: Quem
és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou J esus, a quem tu
persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque para isto te
apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das cousas em que
me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te do
povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrir os olhos e
convertê-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a
fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são
santificados pela fé em mim” (Atos 26:15-18).
O evangelho anunciado por Paulo e a doutrina por ele ensinada
eram os mesmos dos doze apóstolos. Ele, tanto quanto eles, foi
pessoalmente ensinado por J esus e pelo Espírito Santo. Paulo foi instruído
mediante revelações e através do Espírito Santo. (Ver II Coríntios 12:2-7).
Aquilo que o Cristo ressurreto ensinou a Paulo, desde os céus, era a
mesma coisa que Ele havia ensinado aos doze, quando presente com eles
neste mundo. (Nos céus, J esus continua sendo o mesmo que quando
andava entre os homens).
O apostolado dos doze foi comprovado pela presença do Espírito
Santo, evidenciada essa divina presença pelos dons miraculosos especiais
45

que eles receberam. O Espírito Santo confirmou o apostolado de Paulo,
conferindo-lhe idênticos sinais e dons miraculosos. Declarou Paulo: Os
sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a
paciência, por sinais, prodígios, e maravilhas” (II Coríntios 12:12).
A ordenação que Paulo recebeu como apóstolo foi reconhecida pelos
“doze”. Eles reconheceram que ele havia sido escolhido para ser o
apóstolo aos gentios. E também reconheceram a fidelidade de sua
mensagem. (Ver Gálatas 2:1-9). (Ler igualmente o trecho de Atos 15:1-12).
Pedro chamou Paulo de irmão amado, e testificou que as epístolas dele
eram iguais às demais Escrituras. (Ver II Pedro 3:15,16).
Por que Deus usou os “doze”, e depois chamou Paulo para o
apostolado? Deus não tem de prestar contas a quem quer que seja; pois
Ele sempre se mostra justo e é justificado em todos os Seus caminhos.
Por meio do Seu relacionamento pessoal com os “doze” e com Paulo,
mediante aparições e revelações especiais, podemos aprender diversas
coisas: (1) O mesmo J esus que andava na companhia dos doze é o
Salvador ressurreto que apareceu a Paulo. (2) As duas maneiras utilizadas
por Deus para tratar com os “doze” e com Paulo comprovam a veracidade
do evangelho de Cristo. (3) A doutrina da salvação mediante a fé em
J esus Cristo, com exclusividade, ensinada pelos doze, também foi
revelada a Paulo. Assim sendo, o evangelho foi confirmado pela boca de
duas variedades de testemunho. (4) A maneira pela qual Deus ensinou
Paulo ajuda-nos a compreender que J esus é Deus — o mesmo Deus que
apareceu ao Seu povo da antiguidade. Isso mostra como Ele se revelou a
Moisés, o grande legislador, bem como aos profetas. (5) A maneira pela
qual J esus ensinou os apóstolos (os doze) comprova que Ele tanto é
homem quanto Deus.
Além disso, consideremos este pensamento colateral: Pode você
imaginar Pedro como o apóstolo dos gentios? ou Paulo como um bem
sucedido apóstolo dos judeus?
Conclusão
Os homens que J esus escolheu para que ensinassem a respeito de
Sua obra e acerca do Espírito Santo formavam um grupo todo especial.
Esse grupo envolvia doze homens — nem mais e nem menos. Eles eram
as testemunhas escolhidas por Cristo — testemunhas de Sua vida, morte
e ressurreição.
Conforme temos verificado, não há sucessão apostólica, nem do
ofício e nem dos dons que eram peculiares àquele ofício. Todas as
pessoas e grupos que reivindicam para si essa autoridade ou poder, ou
estão enganados, ou são voluntariamente ignorantes, ou estão mentindo.
46

Embora o apóstolo Paulo tivesse sido um notável servo de Deus — o
apóstolo dos gentios — ele não foi incluído no ofício especial conferido aos
“doze”. Ele deixou isso bem patente em seus próprios escritos, que todos
podem ler. Seu caso visava especialmente ao ministério do evangelho
entre os gentios. Os “doze” reconheceram o seu ministério e a autoridade
apostólica dos seus escritos, como realizações da Palavra de Deus; mas
também reconheceram que Paulo não fazia parte integrante do grupo
especial dos “doze”.
Nos céus, veremos os nomes dos “doze” nos fundamentos da Nova
J erusalém, e estaremos vivendo na companhia deles e da do apóstolo
Paulo. Até então, cuidemos em não tentar imitar o ofício e a posição
especial deles, porquanto fazer tal coisa é cair em erro grave.

47


“Porque João, na verdade, batizou
com água, mas vós sereis batizados
com o Espírito Santo, não muito
depois destes dias” (Atos 1:5).
“Ao cumprir-se o dia de Pentecoste,
estavam todos reunidos no mesmo
lugar; de repente veio do céu um som,
como de um vento impetuoso, e
encheu toda a casa onde estavam
assentados” (Atos 2:1,2).
48

Capítulo V
Pentecoste – O Espírito Santo é Enviado
Batismo do Espírito Santo – Que Significa?
Qual o sentido dos acontecimentos do dia de Pentecoste? Para
respondermos a essa indagação, precisamos proceder com cautela, com
oração e com muita meditação nas Escrituras. A resposta a essa pergunta
é importante por causa dos efeitos sobre a vida e a doutrina das igrejas de
Cristo. Saber o que esses acontecimentos envolvem também é vital para o
desenvolvimento espiritual dos salvos.
O leitor deve conservar em mente o seguinte: O plano do Senhor
consiste em produzir uma raça espiritual de homens — assim unindo o céu
e a terra na Pessoa e na realização de J esus Cristo. Dentre todos os
povos e nações, Deus recolherá o Seu povo. Esse povo será unificado, e
Deus habitará com eles. Eles serão o povo de Deus, e Ele será o Deus
deles. Paulo deixa isso perfeitamente esclarecido em Efésios 1:9,10, que
estipula: “... desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito que propusera em si mesmo, de tomar a congregar em Cristo,
na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão, nos céus
como as que estão na terra... ”
O que torna bem sucedido esse plano de Deus é que homens foram
escolhidos pelo Pai (ver Efésios 1:3-5), remidos do Filho (ver Efésios 1:7-
9), e habitados pela presença permanente do Espírito Santo quando
creem (ver Efésios 1:13,14). E o propósito de tudo será o louvor e a glória
da graça divina (ver Efésios 1:6,12, e 14).
A descida e a permanência do Espírito Santo entre os apóstolos —
e, por conseguinte, na Igreja — teve por finalidade fazer a obra remidora
de Cristo eficaz nos corações dos homens de todas as nações. O Espírito
Santo veio para tomar o lugar de J esus junto à Sua Igreja, bem como
convocar pessoas dentre todas as nações, tribos e línguas. O Espírito
Santo desceu no dia de Pentecoste para identificar, liderar e dotar de
poder a Igreja, a fim de que ela pregasse o evangelho a toda criatura,
batizasse os salvos e ensinasse os batizados a observarem as realidades
espirituais.
O Espírito Santo desceu no dia de Pentecoste, e nunca mais foi
retirado das igrejas de J esus Cristo. (Por conseguinte, o batismo no
Espírito Santo não deve ser esperado hoje em dia.) As pessoas salvas são
batizadas em água, pela igreja que foi batizada no Espírito Santo no dia de
Pentecoste.
49

O acontecimento no dia de Pentecoste é prova de uma perfeita
redenção. É prova que J esus fora recebido no céu na qualidade de
Salvador dos homens. É prova que Ele pôs o Seu selo aprovador sobre os
apóstolos, como Suas testemunhas escolhidas, e sobre a Igreja como Seu
lugar de habitação.
A vinda do Espírito Santo estava profetizada nos escritos dos
profetas. J eremias, por exemplo, escreveu: “Dar-lhes-ei coração para que
me conheçam, que eu sou o Senhor; eles serão o meu povo, e eu serei o
seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração” (24: 7). E
novamente: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel,
depois daqueles dias, diz o Senhor. Na mente lhes imprimirei as minhas
leis, também no seu coração lhes inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles
serão o meu povo” (J r 31:33). E J oel deixou registrado: “E acontecerá
depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e
vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão
visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito
naqueles dias” (2:28, 29). Por sua vez, disse Isaías: “Pelo que por lábios
estranhos e por outra língua falará o Senhor a este povo...” (28:11).
O último, mas não o menor dos profetas do Antigo Testamento, foi
J oão Batista (ver Mateus 11:13). Sua mensagem tinha por centro a
Pessoa de Cristo. O seu desejo era o de exaltar o Senhor. Com profunda
devoção, ele afirmou acerca de J esus Cristo: “Convém que ele cresça e
que eu diminua” (J oão 3: 30). A mensagem de J oão Batista, uma
mensagem de arrependimento, preparou um povo capaz de dar atenção
ao Filho de Deus, acolhendo-o em seus corações.
Enquanto pregava às multidões e imergia os ouvintes arrependidos
no rio J ordão, J oão Batista proclamou: “Eu vos batizo em água, para
arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que
eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará em o Espírito
Santo e em fogo. A sua pá ele a tem na mão, e limpará completamente a
sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo
que nunca se apagará” (Mateus 3:11,12).
O exame atento das Escrituras demonstrará — contrariamente à
maneira de pensar de muitos — que “batizar com o Espírito Santo” e
“batizar com fogo” não são termos sinônimos. Não significam a mesma
coisa. São coisas tão diferentes quanto o dia e a noite, quanto a luz e as
trevas, quanto o céu e o inferno.

50

Tabela nº 01 – Batismo no Espírito Santo e o Batismo
no Fogo
Tabela que mostra que o Batismo no Espírito Santo e o Batismo no
Fogo não são a mesma coisa, e nem os seus recebedores são os
mesmos.
Ref. Bíblica
Ouvintes aludidos
por J oão
O que J oão
menciona sobre o
espírito e o trigo;
fogo e palha
Observação
Mateus 3:1-12
Pecadores
penitentes (3:6)
Batismo no
Espírito e Trigo

Não há qualquer
menção ao
batismo no fogo,
exceto quando há
menção daqueles
que são
considerados
palha, os quais
estão sujeitos à
condenação do
inferno.
Fariseus,
saduceus e
víboras
Fogo e Palha
Mateus 1:4-8
Só pecadores
penitentes (1:5)
Só Batismo no
Espírito (1:8)

Lucas 3:7-17
Multidão de
Víboras (3:7)
Fogo e Palha
Pecadores
penitentes
Batismo no
Espírito e Trigo

J oão 1:29-34
Pecadores
Penitentes (1:26)
batizados em
água
Batismo no
Espírito (1:33)

Atos 1:5
Aqui, J esus explicou o sentido das palavras de J oão sobre o batismo no Espírito
Santo. Falando só aos apóstolos, Ele disse: “Porque J oão, na verdade, batizou
com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois
destes dias.” J esus não menciona o batismo com fogo, pois estava falando a
salvos(trigo), e não a perdidos(palha).

A tabela nº 1 mostrará claramente essa diferença. Estude
cuidadosamente A tabela e observe os seguintes fatos:
(1) Em cada lugar onde a Bíblia registra a menção que J oão fez do
batismo com fogo, também há menção à palha — os fariseus e saduceus
incrédulos, aos quais J oão denominou de “raça de víboras”.
(2) Isso transparece claramente na narrativa de Mateus acerca da
mensagem de J oão Batista.
(3) Isso também transparece na narrativa de Lucas.
(4) Na narrativa de Marcos não há menção à palha, e, em
consequência, também não há menção ao fogo inextinguível.
(5) J oão não menciona nem a palha e nem o fogo.
Verdadeiro Sentido da Mensagem de J oão
51

J esus apresentou-nos a inegável e correta interpretação da
mensagem de J oão Batista, conforme está registrado no trecho de Atos
1:5. J oão Batista havia revelado que J esus é Quem batizaria no Espírito
Santo. J esus deixou perfeitamente claras as suas palavras. J esus já havia
ressuscitado fazia quarenta dias. Ele estava em companhia dos Seus
apóstolos. Realizava a Sua última entrevista com eles, antes de subir aos
céus. Ouça com atenção, enquanto Ele fala com os discípulos e lhes
apresenta a Sua última e mui importante mensagem de instrução:
“Meus irmãos, vocês já me ouviram falar sobre a promessa do Pai.
J oão batizou vocês em água. Vocês também devem estar lembrados que
ele disse que Eu batizaria no Espírito Santo. Agora, chegou o tempo dessa
profecia ter cumprimento. Todos vocês devem permanecer em J erusalém,
até que isso aconteça. Dentro de poucos dias, vocês (as testemunhas
escolhidas às quais J esus dirigia a palavra) serão batizados no Espírito
Santo. E depois de terem sido batizados no Espírito Santo, vocês sairão
por todas as nações como minhas testemunhas, começando em
J erusalém, e então na J udéia, em Samaria e por todas as nações da terra”
(Paráfrase de Atos 1:4-8).
O derramamento do Espírito Santo não teria qualquer significação
para as pessoas que não tivessem sido ensinadas ou orientadas sobre a
vinda do Espírito. Para ilustrar esse ponto, consideremos o caso da
descida do Espírito Santo, na forma de uma pomba, quando do batismo de
J esus.
Deus havia instruído J oão Batista para que pregasse e batizasse. As
instruções divinas foram as seguintes: “J oão, um dia você haverá de
batizar a pessoa que é o Salvador do mundo. Você haverá de identificá-lo
e anunciará ao mundo Quem Ele é”.
“E como poderei reconhecê-lo?” perguntou J oão.
“Eu lhe darei um sinal. Quando você batizar aquele que é o Cordeiro
de Deus que tira o pecado do mundo, você verá o Espírito Santo descer
dos céus e permanecer sobre Ele. Ele será a pessoa que trará o Espírito
Santo à terra, em toda a Sua plenitude, para habitar nos corações dos
crentes com grande poder”. (Paráfrase de J oão 1:29-33).
E assim, realmente, sucedeu; e foi assim que J oão testificou. Disse
J oão: “Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele... eu de
fato vi, e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (J oão 1:32 e 34).
Por semelhante modo, os apóstolos foram as únicas pessoas a
serem orientadas por J esus para que soubessem a significação dos
eventos do dia de Pentecoste. Para aqueles que não tinham recebido
instruções a respeito, a descida do Espírito Santo foi classificada como
embriaguez (ver Atos 2:13).
52

De conformidade com as instruções do Senhor, os apóstolos ficaram
esperando em J erusalém. Eles não sabiam como tudo haveria de suceder;
mas estavam certos de que o Espírito Santo viria. Outros discípulos
juntaram-se aos apóstolos. Entre eles estava Maria, a mãe de J esus, como
também os Seus irmãos. Os apóstolos continuaram em oração e
comunhão uns com os outros, enquanto esperavam pelo dom prometido
— o Consolador.
O Espírito Santo não foi prometido sob a condição de permanecerem
eles em oração fervorosa, conforme alguns querem fazer-nos acreditar.
Eles continuaram esperando em atitude de obediência e de oração,
porque o Senhor havia prometido que lhes enviaria o Espírito Santo. Eles
não oravam para que o Espírito Santo descesse.
A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecoste, não teve o propósito
de que Ele viesse residir em crentes individuais, mas antes, para ungir os
apóstolos como as testemunhas especiais de Cristo, e,
consequentemente, a Igreja — o corpo de Cristo — visto que os apóstolos
foram os primeiros a ser colocados na Igreja. Eles já haviam nascido do
Espírito. J á O tinham em suas vidas. O Espírito Santo descia sobre os
apóstolos porque já eram filhos de Deus, tal como o Espírito desceu sobre
J esus, o Filho de Deus.
J esus havia dito aos apóstolos que o Espírito Santo estava com eles,
e que estaria neles (ver J oão 14: 17). Isso aconteceu após a ressurreição
de J esus. No salão trancado, no dia da Sua ressurreição, J esus teve um
encontro com a Sua Igreja (ver J oão 20: 19; Salmos 22: 22 e Hebreus 2:
12). J esus mostrou-lhes as mãos e o lado, e lhes disse: “Paz seja
convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo
disto isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (J oão
20: 21b, 22).
O derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecoste, não foi a
doação da vida. Foi a unção daqueles que já haviam recebido a vida e os
mandamentos da parte do Senhor. (Ver J oão 6: 63; 17: 8 e 14 e Atos 1:2).
Lembremo-nos que o derramamento do Espírito Santo não foi a
doação de vida eterna a mortos. Pelo contrário, foi a unção das
testemunhas — a Igreja, o corpo de Cristo, que já estava em existência.
Enquanto os apóstolos aguardavam a promessa, Pedro levantou-se
um dia e falou sobre a profecia concernente à queda de J udas Iscariotes.
Um outro precisava ocupar o lugar que ficara vago (ver Atos 1:15-26).
Matias foi escolhido, e os “doze” continuaram unidos no mesmo propósito,
enquanto esperavam pela promessa do Senhor.
Então tudo sucedeu, tal e qual J esus havia lhes prometido.
Cinquenta dias se tinham passado desde a crucificação. Era o dia de
53

Pentecoste. J udeus vindos de todas as partes do mundo se reuniram em
J erusalém, a fim de celebrarem aquele grande dia festivo.
As coisas começaram a acontecer. Por favor, note a proeminência
dos “doze”. A começar pelo trecho de Atos 1:5, as Escrituras enfatizam o
papel desempenhado pelos apóstolos.
Eles (os doze) estavam reunidos todos de comum acordo, em um só
lugar.
Um som como de um vento impetuoso encheu a casa onde eles (os
doze) estavam assentados.
Então apareceram-lhes (aos doze) como que línguas de fogo. Nota:
Se o Espírito Santo tivesse aparecido em forma de pomba sobre mais de
uma pessoa, então J oão Batista jamais poderia haver identificado o
Cordeiro de Deus. E se línguas como que de fogo tivessem aparecido
sobre outras pessoas além dos doze, ninguém poderia ter certeza acerca
de quais eram as testemunhas especiais por meio de quem o Espírito
Santo haveria de testificar. Notemos estes elementos especiais a respeito
dos “doze”, em relação à descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste.
Eles foram cheios do Espírito Santo (ver Atos 2:4).
Eles falaram em outras línguas (ver Atos 2:4).
Deus levantou os doze como testemunhas especiais (ver Atos 10:
39-43 e Hebreus 2:3,4).
Aqueles que dentre o povo ficaram convictos de seus pecados
indagaram dos doze sobre o que deveriam fazer. (Ver Atos 2:37).
Os sinais eram feitos pelos apóstolos (ver Atos 2:43).
As doutrinas (ensinamentos de Deus) emanavam dos doze. Os
apóstolos estavam ocupando a posição das Escrituras do Novo
Testamento. Eles eram a “Bíblia” dos primitivos cristãos.
Os doze eram as testemunhas da ressurreição e testificavam com
grande poder. (Ver Atos 1:22;4: 33; e 5: 32).
Os doze eram as únicas pessoas que tinham sido instruídas para
reconhecerem os dons e as operações do Espírito Santo. Na verdade, os
dons do Espírito Santo não constituíam novidade nenhuma para os
apóstolos, excetuando somente o dom de línguas.
(1) Os sinais visíveis de línguas como que de fogo indicavam a
descida do Espírito Santo ao lugar de Sua habitação, tal como a glória de
Deus descera para habitar no tabernáculo e no templo de J erusalém.
(2) Os apóstolos tinham sido ensinados que a obra do Espírito
apareceria como se fosse o ruído produzido pelo vento (ver J oão 3: 8).
54

(3) Eles já tinham ouvido sons provenientes do céu — a voz de
Deus. (Ver Mateus 17:5).
(4) Eles tinham visto sinais procedentes do céu — a transfiguração
(idem).
(5) Eles já haviam experimentado o poder de curar, de expelir
demônios e de curar todas as variedades de enfermidades (ver Mateus 10:
5-15).
(6) Eles tinham visto o poder de Deus ressuscitar a mortos (ver
Lucas 8:51-55 e J oão 11:43,44).
(7) Eles compreenderam, pelo Espírito Santo, que o falar em
línguas fora profetizado por Isaías e por J oel (ver Atos 2: 16; I Coríntios 14:
21; cf. Isaías28:ll,12).
Quaisquer inovações supostamente trazidas pelo Espírito Santo, que
não tivessem sido ensinadas por J esus e nem pudessem ser encontradas
nas Escrituras, teriam de ser tomadas como indícios de um falso espírito.
Hoje em dia, os falsos ensinos acerca dos dons do Espírito Santo
indicam falsos espíritos. Satanás imita as obras de Deus com um notável
poder. O apóstolo J oão escreveu no sentido que devemos provar os
espíritos, procurando verificar se eles são de Deus, porquanto muitos
falsos profetas têm saído pelo mundo. (Ver I J oão 4: 1). Paulo escreveu
que Satanás tem a capacidade de disfarçar-se em anjo de luz, e que os
seus ministros se fazem passar por ministros de Deus. (Ver II Coríntios 11:
1-4 e 13-15).
Maior dano é feito pelos espíritos malignos, em imitação às obras do
Espírito Santo, do que se pode imaginar.
Que Significa o Derramamento do Espírito Santo?
A vinda do Espírito Santo foi manifestada por meio de diversos
sinais. Aqueles sinais e eventos que acompanharam a Sua vinda tornaram
conhecida a Sua presença, tornaram disponível o Seu poder, e
identificaram a testemunha de Deus e o corpo de Cristo — a Igreja.
Entretanto, qual foi o propósito real e o sentido da vinda do Espírito
Santo, em Suas relações com todos os homens?
A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecoste demonstrou o fato
que a raça de homens espirituais, criada por Deus, agora era uma
realidade, mediante a obra terminada da redenção efetuada por Cristo.
Mediante uma única oferenda — o próprio Filho de Deus — o pecado pôde
ser removido, e Deus uma vez mais pôde descer do céu para ter
55

comunhão com o homem, conforme fizera no jardim do Éden, antes da
queda no pecado.
Essa nova raça de seres humanos seria mais sublime do que a raça
de Adão. A vinda do Espírito Santo significou que a raça de novos homens
se comporia de indivíduos nascidos do Espírito de Deus. Quando alguém
é salvo, torna-se um filho de Deus para sempre. O Espírito Santo não veio
a fim de aprimorar a antiga raça humana; mas veio para criar uma nova
raça — uma raça de filhos que tivessem a semelhança de J esus Cristo.
A vinda do Espírito Santo foi a evidência de que se tornara possível o
estabelecimento da nova aliança, alicerçada sobre o sangue de J esus
Cristo. Essa nova aliança é eterna. É o pacto da graça. Significa que Deus
perdoa aos homens gratuitamente. O perdão divino tomou-se possível
porque Deus deu o Seu próprio Filho como o grande Sacrifício pelos
pecados dos homens. No novo pacto, os homens são levados à relação de
filhos de Deus.
Todos quantos confiam em J esus Cristo recebem o poder de se
tornarem filhos de Deus. Esses nascem do Espírito Santo - o Espírito de
Cristo — e recebem a adoção de filhos. Eles tornam-se filhos tal como
J esus se tomou o Filho do Homem, isto é, através do poder do Espírito
Santo. Eles tornam-se o povo de Deus; Ele torna-se o Pai deles. O Espírito
Santo vem habitar neles; Ele é a Lei de Deus, escrita em seus corações e
em suas mentes. Ele habita neles porque foram perfeitamente purificados
pelo sangue de J esus. (Ver Hebreus 10:15-18).
A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecoste, significou
igualmente que o plano remidor de Deus chegara à sua fase final. O plano
traçado pelo Pai, a redenção efetuado pelo Filho e a obra eficaz do
Espírito nos corações humanos, tinham atingido o seu aspecto final e
definitivo entre os homens — ficando assim criada a nova raça de homens,
a qual inclui indivíduos chamados dentre os judeus e dentre os gentios.
Essa realização do Reino espiritual foi posta nas mãos dos doze homens a
quem Cristo escolhera e a quem Ele batizara no Espírito Santo.
Os capítulos seguintes mostrarão como o Espírito Santo operou
neles e por meio deles, a fim de realizar a obra do Senhor.

56


... “como escaparemos nós, se
negligenciarmos tão grande salvação?
a qual, tendo sido anunciada
inicialmente pelo Senhor, foi-nos
depois confirmada pelos que a
ouviram; dando Deus testemunho
juntamente com eles, por sinais,
prodígios e vários milagres, e por
distribuições do Espírito Santo
segundo a sua vontade” (Hebreus
2:3, 4).
... “não a todo o povo, mas às
testemunhas que foram
anteriormente escolhidas por Deus,
isto é, a nós que comemos e bebemos
com ele, depois que ressurgiu dentre
os mortos...” (Atos 10:41).
57

Capítulo VI
O Espírito Santo Testifica com os Apóstolos
O Consolador veio com poder, conforme J esus disse que Ele viria.
O testemunho inicial do Espírito foi dado por intermédio dos
apóstolos, como Seus colaboradores, os quais, conjuntamente,
apresentavam a mensagem do evangelho. O Espírito Santo não deixou
qualquer dúvida a esse respeito: os doze apóstolos eram testemunhas
especiais. (Ver Atos 10:39-42). Os dons especiais do Espírito, a eles
conferidos, serviam de prova que eles eram vasos escolhidos por Deus.
O Espírito Santo testificou juntamente com os apóstolos, outorgando-
lhes dons especiais, porquanto esse sempre foi o Seu método para
confirmar os servos de Deus. Os dons do Espírito, dados aos apóstolos,
serviriam de comprovação da mensagem que eles anunciavam a respeito
de J esus Cristo.
A mensagem de salvação — o evangelho de J esus Cristo — era a
essência mesma do ministério dos apóstolos. O testemunho que o Espírito
Santo dava por meio deles servia para confirmar a mensagem deles.
A parte vital do evangelho é a ressurreição de Cristo. Os doze
apóstolos foram as únicas testemunhas escolhidas desse evento. (Ver
Atos 10:41). O testemunho e a mensagem deles posta-se entre os homens
e a salvação. Nenhuma outra mensagem é mais vital para os homens;
nenhuma outra é capaz de glorificar a Deus. A morte, o sepultamento e a
ressurreição de J esus era a mensagem dos apóstolos; era essa a
mensagem que o Espírito Santo confirmava.
Como é que os apóstolos poderiam ser ouvidos? Quem lhes daria
atenção? Eles eram homens comuns, e não eram reconhecidos como
homens importantes pelo público. Não tinham recebido instrução teológica
em instituições reconhecidas de ensino. (Em muitos casos, isso seria uma
vantagem em nossos dias). Eram galileus. Não haviam sido treinados nos
modernos métodos de comunicação.
Tais indagações não ofereciam problemas para o poder e para a
sabedoria do Espírito Santo.
Para que todos ouvissem, o Espírito Santo conferiu o dom de línguas
e os apóstolos pregaram a mensagem da ressurreição; e judeus
provenientes de todas as partes do mundo ouviram o evangelho em seus
próprios idiomas. Esse dom foi conferido aos apóstolos, e não aos
ouvintes não convertidos. (Ver Atos 2:4). O dom e o poder miraculosos do
Espírito Santo confirmavam que a mensagem dos “doze” era veraz aos
58

fatos (ver Atos 2:31,32). Os Seus dons serviam de prova que J esus fora
exaltado à mão direita do Pai. (Ver Atos 2:33).
O Espírito Santo operava sobre os corações dos homens. Isso Ele
fazia convencendo de pecado, de justiça e de juízo, conforme J esus disse
que Ele faria. (Ver Atos 2:37 e J oão 16:8-11). Os homens estremeciam,
arrependiam-se, criam, eram batizados e permaneciam continuamente nos
ensinos ministrados pelos apóstolos. Grandes sinais eram feitos por meio
dos apóstolos. (Ver Atos 2: 43). O Espírito Santo testificava juntamente
com eles.
Os primeiros cinco capítulos do livro de Atos abordam um único
tema: a ressurreição de J esus Cristo.
O Espírito Santo abençoava tanto aos apóstolos como à mensagem
por eles anunciada. Ele lhes propiciou ousadia diante de grandes perigos.
(Ver Atos 4:8). J esus lhes havia revelado que todas aquelas coisas
haveriam de suceder. Cristo lhes dissera: “Quando o Espírito Santo vier,
vocês receberão poder, vocês serão as minhas testemunhas, e os homens
darão ouvidos a vocês”. J esus sabia — pois era Seu Espírito.
Pelo mesmo Espírito, Cristo fora aprovado e confirmado diante dos
homens. (Ver Atos 2:22). Agora, na medida em que Ele confirmava o
ministério dos apóstolos, por semelhante modo eram várias as reações
demonstradas pelos ouvintes. As multidões de judeus, vindas de todos os
quadrantes do mundo antigo, ouviram falar e viram as maravilhosas obras
de Deus. (Ver Atos 2: 11). Ficavam maravilhadas; compreenderam que
tais obras não eram meras realizações humanas.
“Como é que esses galileus podem falar o nosso idioma?” inquiriram
eles.
“Estão embriagados”, moquejaram certos homens ímpios.
Porém, o que quer fosse que aqueles homens pensassem ou
dissessem, não podiam negar que os apóstolos haviam sido dotados de
um poder sobrenatural. Os adversários os odiavam, mas não podiam lutar
contra o poder que os apóstolos possuíam. As coisas pioraram, quando
Pedro e J oão curaram o homem aleijado. (Ver Atos 3:6). O poder e a
mensagem dos apóstolos estavam virando de pernas para o ar a cidade
de J erusalém.
Os sacerdotes e as autoridades do templo decidiram — esses
homens têm que ser silenciados. Resolveram detê-los e lançá-los na
prisão. Posteriormente foram interrogados pelo sumo sacerdote: “Que
poder é esse que vocês têm? Onde vocês obtiveram esse poder? Como é
que vocês puderam curar o aleijão desse homem?”
E Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu às indagações do sumo
sacerdote pregando o evangelho de J esus Cristo. A sua mensagem foi
59

direta e positiva: “Este homem está aqui, curado diante de todos por causa
do poder do nome de J esus de Nazaré, a Quem vocês crucificaram, mas a
Quem Deus ressuscitou dentre os mortos”.
O Espírito Santo estava agindo por meio de Pedro com notável
poder. Os inimigos não podiam negar a realidade do milagre efetuado.
(Ver Atos 4:14-16). Tiveram de reconhecer que era inegável a sabedoria
manifestada pelos apóstolos. (Ver Atos 4:13).
Após terem-se aconselhado entre si, os apóstolos foram convocados
pelas autoridades. O conselho de julgamento declarou: “Nós estamos
proibindo vocês de continuarem pregando nesse nome”.
“Que é que vocês acham? É mais certo obedecer aos homens ou a
Deus? Não podemos deixar de falar daquilo que temos visto e ouvido”, os
apóstolos responderam.
Libertados, os apóstolos retornaram a seu costumeiro lugar de
reuniões. Ajoelharam-se e oraram nestes termos: “Senhor, em face da ira
dos incrédulos, concede aos Teus servos que eles possam ensinar a Tua
Palavra, enquanto Tu estendes a Tua mão curadora, e que sinais e
maravilhas sejam efetuados através do nome do Teu santo Filho, J esus”.
(Ver Atos 4:29,30). Terminada a oração, o lugar onde a assembleia estava
reunida estremeceu. O Espírito Santo encheu-os de Seu poder e, com
grande poder, os apóstolos continuaram dando testemunho da
ressurreição de Cristo. (Ver Atos 4:31-33).
O Espírito testificava com grande poder, não somente diante do
público em geral e dos adversários, mas, por igual modo, a Sua presença
e o Seu poder eram testemunhados pela Igreja, através da morte de
Ananias e Safira. (Isso será discutido mais amplamente no oitavo capítulo
deste volume).
Continuando eles a pregar e a ministrar no poder do Espírito Santo,
muitos sinais foram efetuados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Os
sinais eram realizados pelas mãos dos apóstolos. As ruas de J erusalém
viviam repletas de enfermos e aleijados. Multidões estavam sendo
curadas, especialmente por Pedro. O sumo sacerdote e as demais
autoridades religiosas ordenaram que os apóstolos fossem novamente
encarcerados, desta vez na prisão comum, como se fossem meros
criminosos.
No dia seguinte foram buscar os apóstolos para o julgamento do
tribunal. Entretanto, não mais se encontravam presos, pois um anjo os
libertara. Onde foi que os apóstolos se esconderam? Eles não se
esconderam. Foram encontrados no templo, pregando a mensagem do
Cristo ressurreto.
60

Conduzidos uma vez mais à presença do sinédrio, os apóstolos
mostraram-se deveras corajosos e sábios. Pedro foi o porta-voz do grupo
apostólico, dizendo: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens.
O Deus de nossos pais ressuscitou a J esus, a quem vós matastes,
pendurando-o num madeiro. Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a
Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a
remissão de pecados. Ora, nós somos testemunhas acerca destas
palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe
obedecem” (Atos 5:29-32).
Os doze apóstolos foram as testemunhas especiais da vida e da
ressurreição de J esus Cristo. Todas as realizações de J esus e de Suas
igrejas estão edificadas sobre o fundamento dos apóstolos — sobre a
mensagem por eles proclamada. Conforme já vimos, o Espírito Santo
desceu a fim de que testificasse juntamente com eles, de maneira
inequívoca e especial. O Espírito Santo é o dom de Deus para todos
aqueles que creem, mas os sinais, maravilhas e milagres eram o
testemunho especial prestado pelo Espírito, conferido exclusivamente aos
apóstolos.
As palavras dos trechos de Atos 5:32 e Hebreus 2:3,4 confirmam
essa conclusão: “Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim
o Espírito Santo... e: “... como escaparemos nós, se negligenciarmos tão
grande salvação? a qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor,
foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram (os apóstolos); dando Deus
testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e
por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade”.






61


“Quando, porém, comecei a falar,
caiu o Espírito Santo sobre eles,
como também sobre nós no
princípio. Então me lembrei da
palavra do Senhor, como disse: João,
na verdade, batizou com água, mas
vós sereis batizados com o Espírito
Santo. Pois se Deus lhes concedeu o
mesmo dom que a nós nos outorgou
quando cremos no Senhor Jesus,
quem era eu para que pudesse resistir
a Deus? E, ouvindo eles estas cousas,
apaziguaram-se e glorificaram a Deus,
dizendo: Logo, também aos gentios
foi por Deus concedido o
arrependimento para vida” (Atos
11:15-18).
62

Capítulo VII
O Espírito Santo Testifica aos Apóstolos
O ponto de atração, no dia de Pentecoste, foi os “doze”. Eles
formavam um grupo todo especial, que Cristo deixara neste mundo para
realizar Sua obra, depois que Ele retomasse aos céus. Foi para eles que o
Espírito Santo veio, quando foi enviado da parte do Pai. Sim, os apóstolos
formavam um grupo único de homens.
Durante os primeiros dias do ministério do Espírito Santo, conforme
está registrado nos primeiros cinco capítulos do livro de Atos, é mais do
que evidente que Ele estava continuamente com os apóstolos, conferindo-
lhes testemunho comprobatório acerca da mensagem de Cristo, que eles
pregavam. Ele operava junto aos “doze” de uma maneira toda especial.
Não fora isso uma realidade, eles jamais teriam sido identificados como as
verdadeiras testemunhas de Cristo, que anunciavam a verdadeira
mensagem de salvação.
Todavia, o testemunho do Espírito Santo com eles, não foi a Sua
única realização. Ele também testificou para eles. Isso significa que Ele os
conduziu a toda a verdade. Por que Ele testificou para os apóstolos? O
que foi que Ele testificou diante deles? Como foi que deu Seu testemunho
para eles?
Os apóstolos não tinham compreendido tudo quanto lhes fora
ensinado por J esus. O Espírito Santo haveria de despertar a memória
deles acerca das coisas que porventura tivessem esquecido, ensinando-
lhes também aquilo que não houvessem entendido. Uma das coisas mais
importantes que os apóstolos não haviam compreendido era a extensão
da salvação oferecida em Cristo — o fato que J esus morrera tanto pelos
judeus quanto pelos gentios.
Conservemos em mente o plano divino para unir os céus e a terra,
unificando-os em torno da pessoa de Cristo. (Ver Efésios 1: 10). Deus está
preparando um povo celestial redimido dentro a decaída raça adâmica. A
nova raça trará a imagem de J esus Cristo, o primogênito dessa nova raça.
Esse plano foi revelado inicialmente aos apóstolos. Após a morte, a
ressurreição e a ascensão de J esus, os apóstolos estavam incumbidos de
anunciar as boas novas a todas as nações.
Por que razão o Espírito Santo testificou para os apóstolos? Os
apóstolos eram humanos. Tinham-se mostrado lentos em compreender
muitas coisas que J esus lhes havia ensinado. Como humanos que eram,
não queriam crer em tudo o que J esus lhes ensinara. Não estavam
dispostos a crer que todos os homens pertencem a uma única categoria,
63

quando se tornam parte do reino de Deus. Também não queriam acreditar
que J esus haveria de ser crucificado. Pedro não acreditou que ia negar ao
Senhor. Depois que J esus ressuscitou dentre os mortos, os apóstolos não
podiam acreditar que Ele realmente ressuscitara. Não obstante, J esus
havia ensinado a Seus discípulos que Ele ressuscitaria ao terceiro dia.
Os apóstolos não eram apenas homens — eram homens judeus.
Recusavam-se a acreditar numa parte daquilo que J esus ensinara — que
eles fossem por todas as nações, fazendo discípulos dentre os gentios.
Pensavam que essa tarefa era simplesmente irrealizável. A salvação,
conforme eles pensavam a princípio, era uma provisão divina para os
judeus, através dos judeus e proveniente dos judeus.
Entretanto, esses pensamentos dos apóstolos não coincidiam com
os pensamentos de Deus. Por conseguinte, eles precisavam receber
instruções mais completas. O Espírito Santo veio a fim de ensinar-lhes
aquilo que J esus já havia ensinado em vida. Eles ainda tinham de
aprender diversas coisas.
Que foi que o Espírito Santo ensinou aos apóstolos? Ele lhes
ensinou que a salvação está alicerçada exclusivamente sobre a graça
divina, à parte de quaisquer esforços ou méritos humanos. Pedro, na
presença dos demais apóstolos e dos anciãos, deixou isso perfeitamente
claro. Falando sobre o que o Espírito Santo havia ensinado, Pedro
declarou: “Ora, Deus... não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles,
purificando-lhes pela fé os corações’’ (Atos 15:7-9). O Espírito ensinou aos
apóstolos que J esus havia morrido por judeus e gentios, igualmente, e que
homens provenientes de todas as nações podem ser salvos
exclusivamente pela fé.
Como foi que o Espírito Santo testificou dessa verdade para os
apóstolos? Como foi que Ele os levou a compreender essa realidade? Ele
testificou para eles utilizando-se do mesmo método que usara para
testificar juntamente, com eles — por intermédio de sinais especiais. Eles
haveriam de reconhecer o Seu ensinamento mediante os sinais que
acompanhariam aquilo que o Espírito ensinasse.
Os apóstolos precisavam ser ensinados com clareza acerca de quem
podia ser salvo. Eles tinham imaginado que J esus morrera para salvar tão
somente os judeus. Qualquer indivíduo gentio que desejasse ser salvo,
teria de tomar-se judeu, conforme eles pensavam. Eles contemplavam o
reino de Israel e o trono de Davi. Entretanto, não compreendiam
corretamente o papel desempenhado pela Igreja ou pelo reino de Deus.
J esus ensinara os apóstolos pela força do exemplo, dizendo que a
salvação destina-se a todos os povos. Ele já havia pregado aos
samaritanos (ver J oão 4:1-42), e os samaritanos tinham crido nEle como o
Cristo. J esus também levou os apóstolos às fronteiras de Tiro e Sidom,
64

onde ministrara a uma mulher siro-fenícia, mulher gentílica, a quem os
apóstolos consideravam pouco mais do que uma cadela. Os pensamentos
dos apóstolos foram refletidos nas palavras de J esus, quando Ele disse:
“Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mat.
15:26).
J esus também havia declarado a Seus discípulos que havia outras
ovelhas, em outros pastos (outras nações), que precisavam ser recolhidas.
E igualmente ensinou-lhes que haveria um único rebanho, um único povo,
composto igualmente por judeus e gentios convertidos. Os apóstolos, não
creram nessa revelação. Não queriam mesmo crer — para os apóstolos, a
salvação destinava-se exclusivamente aos judeus.
Vejamos como o Espírito Santo ensinou aos apóstolos. Lembremos-
nos de que Ele haveria de ensinar-lhes precisamente as mesmas coisas
que J esus já lhes havia dito, em Marcos 16:16-18: “Quem crer e for
batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais
hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome expelirão
demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma
cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre
enfermos, eles ficarão curados”.
Há dois motivos que nos impelem a considerar essa passagem do
capítulo dezesseis de Marcos. O primeiro é que eu aceito esse trecho
como inspirado por Deus, como uma porção válida do Novo Testamento.
Em segundo lugar, essa é a passagem mais empregada por aquelas
pessoas que ensinam que os dons apostólicos destinam-se a nós, em
nossos dias. É esse o principal texto usado pelo pentecostalismo. É o texto
dos falsos profetas, que enganam as pessoas com as suas línguas e com
as suas curas divinas. Essa passagem é a chave para a compreensão dos
dons apostólicos. Ela contém a essência do que J esus ensinou aos
apóstolos, imediatamente antes de subir para os céus. E isso é confirmado
por todos os escritores neotestamentária que mencionam a questão.
O estudo dessa passagem é importantíssimo. Absorva-a lentamente.
O trecho de Marcos 16:9-20 será apresentado em forma de tabela, a
fim de ser comparado com outros escritos do Novo Testamento. Na
medida em que você estudar essas comparações, irá descobrindo que
Marcos escreveu exatamente as mesmas coisas que os demais escritores
sagrados. A diferença está no estilo e na brevidade, que caracterizam o
seu evangelho. Ele falou de maneira abreviada, mas fiel aos fatos.



65

Propósito da tabela

O propósito da tabela nº 2, que compara o texto de Marcos 16:16-20
com outras passagens bíblicos, é o seguinte:
(1) Marcos relatou todos os fatos das instruções finais dadas por
J esus Cristo aos Seus doze apóstolos. Aquilo que Marcos escreveu
concorda perfeitamente com os demais escritos neotestamentários.
(2) J esus instruiu bem os doze — cumpria-lhes pregar o evangelho
a toda criatura — a todas as nações. J esus sabia que eles não tinham
compreendido as Suas instruções. Eles não acreditavam que Ele morreria
para salvar também aos povos gentílicos.
(3) Os apóstolos tinham-se mostrado incrédulos quanto a outras
coisas que J esus também lhes havia ensinado, como, por exemplo, que
Ele ressuscitaria dentre os mortos.
(4) Como foi que J esus podia provar para os apóstolos que os
gentios também podia ser salvos? Ele enviara o especial derramamento
do Espírito Santo sobre os judeus. Esse era o sinal de que a salvação fora
conferida aos judeus. J esus havia prometido o Espírito Santo aos
apóstolos porque eles tinham crido, e lhes dissera que o Espírito Santo
seria dado a todos quantos cressem. Mediante esse mesmo sinal — o
derramamento do Espírito Santo sobre os gentios — Pedro foi ensinado,
juntamente com os demais apóstolos, que Deus também havia concedido
o dom da vida eterna aos povos gentílicos. (Ver Atos 10).
(5) As instruções que aparecem em Marcos 16:14-18 destinam-se
exclusivamente aos apóstolos. Elas não significam coisa alguma para
qualquer outra pessoa. Marcos 16:9-16 relata as instruções específicas de
J esus aos “doze”. Não são instruções para crentes individuais. As palavras
de Marcos correspondem às palavras registradas por Lucas, em Atos 1:4-
9.
(6) Os versículos dezenove e vinte do décimo-sexto capítulo de
Marcos sumariam o livro inteiro de Atos.
(7) Aquilo que Marcos registrou em 16:17: “Estes sinais seguirão
(caracterizarão, acompanharão) aqueles que creem:” referem-se ao que
Marcos declarou que aconteceu, no versículo vinte. J esus dissera aos
apóstolos que eles saberiam quem seria salvo, mediante os sinais do
Espírito. Quando o Espírito foi derramado sobre os gentios, na casa de
Cornélio (ver Atos 10), conforme já havia acontecido no dia de Pentecoste,
então Pedro e os demais apóstolos ficaram sabendo o que esse sinal
confirmava, a saber, que os gentios, tanto quanto os judeus, podiam ser
salvos mediante a fé.
66

Tabela n° 02 – Marcos 16:9-20 e outros escritos do
Novo Testamento
Tabela comparativa entre Marcos 16:9-20 e outros escritos do Novo
Testamento, mostrando a exatidão com que ele escreveu sobre as
instruções de Cristo aos Apóstolos e os resultados de seus trabalhos em
cumprir as instruções de Cristo.
I. A Incredulidade dos Apóstolos sobre a Ressureição é narrada tanto por
Marcos como pelos outros Escritores
Mar. 16:9 - Tendo (J esus) ressuscitado na
manhã do primeiro dia da semana,
apareceu primeiramente a Maria
Magdalena...
Mat. 28:1- E, no fim do sábado, quando já
despontava o primeiro dia da
semana, Maria Madalena e a
outra Maria foram ver o sepulcro.
Mar. 16:10 - E, partindo ela, anunciou-o
àqueles...
Luc. 24:10 - E, eram Maria Madalena, e J oana,
e Maria mãe de Tiago, e as
outras... que diziam estas coisas
aos apóstolos.
Mar. 16:11- E, ouvindo eles... não o creram. Luc. 24:11 - E suas palavras lhes pareciam
como desvario, e não as creram.
Mat. 28:17 - ... alguns duvidaram
II. Marcos relata a ressurreição exatamente como os outros escritores sagrados
Mar. 16:12 - E depois manifestou-se noutra
forma a dois deles, que iam de
caminho para o campo.
Luc. 24:13 - ... no mesmo dia iam dois deles
para uma aldeia, que distava de
J erusalém sessenta estádios, cujo
nome era Emaus.
Mar. 16:13 - E, indo estes, anunciaram-no aos
outros, mas nem ainda estes
creram.
Luc. 24:33 - E, na mesma hora, levantando-se
voltaram para J erusalém onde
acharam reunidos os onze e
outros com eles.
Mar. 16:14 - Finalmente, apareceu aos onze,
estando eles assentados
juntamente, lançou-lhes em rosto a
sua incredulidade e dureza de
coração, por não haverem crido
nos que o tinham visto já
ressuscitado.
Luc. 24:36,39 - E, falando eles destas coisas, o
mesmo J esus se apresentou no
meio deles, e disse-lhes: Paz seja
convosco... Vede as minhas mãos
e os meus pés, que sou eu
mesmo; apalpai-me e vede,
porque um espírito não tem carne
nem ossos, como vedes que eu
tenho.


67


III. O relato de Marcos sobre a Grande Comissão é idêntico ao de Mateus e de
Lucas
Mat. 16:15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo,
pregai o evangelho a toda a criatura
(judeu e gentio). (Marcos narrou de
modo breve as mesmas instruções
dadas por J esus, que os outros
escritores mencionaram. Os
apóstolos não compreenderam bem
a Grande Comissão).
Luc. 24:47 - ... e em seu nome se pregasse o
arrependimento e a remissão dos
pecados, em todas as nações,
começando por J erusalém (Ver
também J oão 20:23).
Mat. 28:19-20 - Portanto, ide, ensinai todas as
nações, batizando-as em nome
do Pai, e do Filho e do Espírito
Santo.
Atos 1:2 - ... depois de ter dado
mandamentos, pelo Espírito
Santo, aos apóstolos que
escolhera...
Atos 1:8 - Mas recebereis a virtude do
Espírito Santo, que há de vir
sobre vós; e ser-me-eis
testemunhas, tanto em
J erusalém, como em toda a
J udéia e Samaria, e até aos
confins da terra.
IV – A mensagem de marcos é idêntica à de Pedro
Mat. 16:16- Quem crer e for batizado será salvo;
mas quem não crer será
condenado.
Atos 1:8 - Pedro: Arrependei-vos, e cada um de
vós seja batizado em nome de J esus
Cristo, para perdão dos pecados; e
recebereis o dom do Espírito Santo.
V – Marcos relata a mesma mensagem das palavras de Jesus, registradas em
Atos 1:5-8
Mar. 16:17-18 E estes sinais seguirão aos que
crerem: Em meu nome
expulsarão os demônios; falarão
novas línguas, pegarão nas
serpentes; e, se beberam alguma
coisa mortífera, não lhes fará
dano algum; e porão as mãos
sobre os enfermos e os curarão.
Atos 1:5 - ... mas vós sereis batizados com o
Espírito Santo, não muito depois
destes dias.
Atos 1:8 - ... mas recebereis a virtude (poder)
do Espírito Santo, que já de vir sobre
vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto
em J erusalém como em toda a
J udeia e Samaria, e até aos confins
da terra.
Nota: Esses versículos indicam que
seriam dados sinais, também. Lucas
não as menciona com detalhes como
Marcos faz.
VI – Marcos relata a ascensão de Jesus, tal como o faz Lucas
Mar. 16:19 - Ora o Senhor, depois de lhes ter
falado, foi recebido no céu, e
assentou-se à direita de Deus.
Atos 1:9 - E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi
elevado às alturas, e uma nuvem o
recebeu, ocultando-o seus olhos.

68

VII – Marcos resume, em Atos 16:20, a pregação dos apóstolos e o testemunho
miraculoso do Espírito Santo, que estava com eles. Lucas relata os pormenores
no Livro de Ato.
Mar. 16:20 - E eles, tendo partido, pregaram por
todas as partes...
OS APÓSTOLOS PREGARAM AOS J UDEUS
Atos 2:1 – 7:60
Atos 2:1 –
7:60
O Espírito Santo foi derramado
sobre os apóstolos no dia de
Pentecostes e sobre os discípulos
em J erusalém. Os apóstolos
pregaram aos judeus, e três mil
foram salvos e batizados naquele
dia.
OS APÓSTOLOS VERIFICARAM A SALVAÇÃO
DOS SAMARITANOS
Atos 8:1-25
O Evangelho foi pregado aos samaritanos pelo
evangelista Filipe. Samaritanos creram e foram
batizados. Mas o Espírito Santo ainda não viera
sobre eles (Atos 8:16). Mas desceu com poder
sobre eles, quando os apóstolos Pedro e J oão
verificaram a autenticidade da fé deles. A prova de
que haviam crido foi que o Espírito Santo desceu
sobre eles quando os dois apóstolos lhes
impuseram as mãos. Só os apóstolos sabiam o
sentido desses sinais.
OS APÓSTOLOS PREGARAM O EVANGELHO
AOS GENTIOS
Atos 10:1-48
Pedro foi á casa de Cornélio. Deus o enviou ali
pregar aos gentios. Enquanto ele pregava, o
Espírito Santo foi derramado sobre os gentios, tal
como sucedera aos judeus. Esse sinal mostrou
para os apóstolos que Deus concedera a vida
eterna a homens de todas as nações.
VIII. Marcos relatou o significado dos sinais e o escritor da epístola aos Hebreus
confirmou o que Marcos escreveu
Mat. 16:20 ...cooperando com eles o Senhor
e confirmando a palavra com os
sinais que se seguiram. (Os
mesmos sinais que Marcos
dissera se seguiriam, no versículo
dezessete).
Testificando também Deus com eles (os
apóstolos), por sinais, e milagres, e varias
maravilhas e dons do Espirito Santo, distribuídos
por sua vontade.

(1) Embora Marcos seja o único dos quatro escritores dos
evangelhos a declarar quais sinais seguir-se-iam àqueles que cressem, os
escritores dos livros de Atos e aos Hebreus também afirmam a mesma
coisa que ele escreveu. As palavras de Marcos, concernentes aos sinais e
ao seu significado, também são confirmadas pelas conclusões do concilio
de J erusalém (ver Atos 15), bem como pela defesa de Pedro, por haver
pregado na casa de Cornélio (ver Atos 11).
(2) O derramamento do Espírito Santo não teve por propósito
prover dons miraculosos a crentes individuais. O derramamento do Espírito
tinha por finalidade mostrar aos apóstolos que os gentios podem ser
salvos por J esus Cristo, tanto quanto o podem os judeus. Esse é
igualmente o tema da epístola de Paulo aos Efésios, em seu segundo
capítulo. Houve dons distribuídos a indivíduos, nas igrejas, através das
mãos dos apóstolos. (Isso será explicado no oitavo capítulo deste volume).
69

(3) O derramamento do Espírito Santo foi uma ação divina. Os
apóstolos nada tiveram a ver com esse derramamento, quer sobre si
mesmos quer sobre os gentios. Depois que o Espírito Santo já havia
mostrado para os apóstolos que os gentios também podiam ser salvos, o
apóstolo Paulo distribuiu dons espirituais entre as igrejas gentílicas, tal
como os outros enviados do Senhor já haviam distribuído dons às igrejas
judaicas e samaritanas. Esses dons espirituais eram necessários, até que
se completasse a escrituração do Novo Testamento.
(4) Os versículos que ora consideramos no evangelho de Marcos
ensinam que os sinais haveriam de mostrar para os apóstolos que
samaritanos e gentios também podiam ser redimidos. Esse foi um ponto
vital no aprendizado dos apóstolos; essa era a mensagem fundamental a
ser registrada nas Escrituras do Novo Testamento.
(5) Usar o trecho de Marcos 16:17,18 para provar o
pentecostalismo de hoje é usar e entender mal as Escrituras.
Com estes pontos em mente estude cuidadosamente a tabela. O
relato de Marcos se mostra no lado esquerdo da tabela; os escritos dos
outros se encontram no lado direto da tabela.
A prova toda conclusiva de que Marcos quis dar a entender que os
sinais se seguiriam a fim de provar, para os apóstolos, que Cristo morrera
por todos quantos cressem, quer judeu quer gentio, é vista na narrativa de
Pedro, segundo o registro do décimo-primeiro capítulo de Atos.
Retornemos por um momento a fim de examinarmos a experiência de
Pedro.
Pedro e os demais apóstolos tinham ideias preconcebidas, e não
acreditavam que os gentios também pudessem ser salvos. A Pedro tinham
sido entregues as chaves do reino — a mensagem de J esus Cristo e o
Espírito Santo. Pedro só queria usar essas chaves em favor dos judeus,
embora ele mesmo e J oão tivessem descido a Samaria e tivessem
averiguado que samaritanos também estavam sendo salvos.
O Espírito Santo ainda haveria de dar uma outra lição sobre
soteriologia ao “possuidor das chaves do reino”. Um “dia ao campo” foi o
método escolhido pelo Espírito Santo para ministrar essa lição necessária.
Pedro fora à cidade de J ope, à casa de Simão, o curtidor. Um dia, pouco
antes do meio-dia, Pedro subira ao pátio sobre o telhado para descansar
um pouco antes da refeição.
O ortodoxo Pedro caiu no sono e sonhou. Para Pedro, tudo pareceu
um pesadelo. Por três vezes, um grande lençol, repleto de todas as
espécies de animais imundos e répteis, desceu do céu. Pedro foi ordenado
que matasse e comesse. Pedro negou-se peremptoriamente a obedecer.
70

Por três vezes ele se recusou a obedecer a Deus, e por três vezes foi
instruído a não chamar de impuro àquilo que Deus havia purificado.
Conforme você está vendo, Pedro classificou os gentios como
animais impuros — porcos e cães. Ele não ia ter parte algum nisso,
mesmo que Deus o instruísse ao contrário.
Em sua visão, Pedro foi instruído que vinham homens para buscá-lo,
enviados por Cornélio. Deus disse a Pedro que fosse com eles. Pedro
despertou; os gentios batiam à porta de Simão.
No dia seguinte, Pedro partiu para a casa de Cornélio, conforme
instruído; mas não foi sem dúvidas, apesar das instruções divinas. O
apóstolo da circuncisão caminhava para Cesaréia com um entusiasmo
somente igualado por J onas a caminho de Nínive.
“Mas, Senhor, eles são gentios”, pensou Pedro.
“Vá, Pedro, sem nada duvidar”.
Pedro obedeceu, mas usou de cautela e levou em sua companhia
um número suficiente de irmãos judeus, pois sabia que aquela viagem ia
dar problemas.
Pedro e a sua comissão de irmãos judeus chegaram. Uma casa
cheia de gentios esperava a sua chegada. Provavelmente, Pedro foi o
primeiro pregador a lamentar-se por ver uma casa repleta de ouvintes.
Pedro explicou em termos claros: “Todos vocês sabem que um judeu
não tem o direito de estar no meio de um grupo de gentios. Expliquem-me
por que mandaram-me chamar. O que vocês desejam?”
“Deus disse-me para mandar chamá-lo, Pedro”, respondeu Cornélio,
e contou a sua história. “É por isso que estamos aqui, esperando ouvir de
sua boca as palavras da vida”, concluiu ele.
Pedro começou a pregar. Falou-lhes da mensagem de Cristo J esus;
“Aquele que Deus ressuscitara dentre os mortos Se elevou a sua mão
direita nos céus.” O grupo ouvia Pedro com grande atenção, e todos
deram crédito Àquele a Quem Pedro anunciava.
Foi então que sucedeu! Pedro teve a maior surpresa da sua vida. O
Espírito Santo foi derramado por Deus sobre aquele ajuntamento de
gentios — tal como acontecera aos judeus no dia de Pentecoste. Mediante
o derramamento do Espírito Santo e Seus dons acompanhantes, Pedro
ficou sabendo que Deus havia incluído pessoas de todas as nações entre
Sua raça redimida.
Pedro havia utilizado as chaves do reino a fim de abrir a porta da
salvação para os gentios.
71

O Espírito Santo lhe ensinou muito bem. Pedro confessou:
“Reconheço por verdade que Deus não fez acepção de pessoas; mas que
lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é
justo.” (Atos 10:34-36).
Não se torna perfeitamente claro, portanto, que os sinais do Espírito
Santo não visavam primariamente aos samaritanos e gentios? mas que
foram usados para ensinar aos incrédulos apóstolos que a remissão de
pecados estava sendo oferecida a todas as nações, da parte de J esus
Cristo?
Isso é o sentido daquelas palavras de J esus, em Marcos 16:17 :
“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem... ” Esses sinais
indicavam que J esus havia morrido para abençoar todas as famílias da
terra. Os apóstolos eram as únicas pessoas que podiam interpretar
corretamente o significado desses sinais. Dali por diante não haveria mais
dúvidas. O Espírito Santo havia confirmado a palavra da verdade a
respeito da remissão de pecados, que J esus havia ensinado aos
apóstolos, em Marcos 16:17, por meio de sinais, conforme é declarado em
Marcos 16: 20.
O que o Espírito Santo ensinou a Pedro e aos apóstolos esclarece o
versículo, no evangelho de J oão, que diz: “Recebei o Espírito Santo.
Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e aqueles a
quem são retiverdes lhes são retidos” (J oão 20: 22-23). Estes versículos
significam o mesmo que “quem crer e for batizado será salvo; mas quem
não crer será condenado” (Marcos 16:16).
O perdão do pecado se dá pelo nome de J esus Cristo (ver Atos 10:
43) foi a mensagem de remissão anunciada pelos apóstolos. Todos que
aceitassem a mensagem deles seriam salvos; e os que a rejeitassem
seriam condenados.
Nenhum sistema sacerdotal é justificado em usar J oão 20:23 como a
autoridade para seu falso perdão. Todos os homens que afirmam ter o
poder de Deus para perdoar pecadores estão condenados, e todos que
confiam em seu falso perdão estão condenados juntamente com aqueles.
Esse abuso e esse falso ensinamento dos sistemas sacerdotais resultam
da falta de entendimento sobre as Escrituras, ou da franca rebeldia contra
Deus.
Conforme já se esperava, Pedro foi esperado pelos judeus crentes e
intimado a dar conta da sua visita aos gentios. Sua defesa foi nítida:
“Então Pedro passou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo...”
(Pedro apresentou um relato completo das ocorrências, segundo se lê no
décimo-primeiro capítulo do livro de Atos). Em concluir, o apóstolo
asseverou: “Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre
eles, como também sobre nós no princípio. Então me lembrei (até ai ele
72

não queria lembrar-se desse fato) da palavra do Senhor, como disse:
J oão, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o
Espírito Santo. Pois se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos
outorgou quando cremos no Senhor J esus, quem era eu para que pudesse
resistir a Deus? E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e
glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus
concedido o arrependimento para vida”.
No grande concilio de J erusalém reuniram os apóstolos, o apóstolo
Paulo e os anciãos da igreja de J erusalém, a fim de considerarem juntos a
maneira e a extensão da obra de Cristo. Como é evidente, essas questões
tinham que ser solucionados de uma vez por todas, antes que o Novo
Testamento fosse registrado em forma escrita.
Os sinais do Espírito Santo testificavam, juntamente com os
apóstolos, a fim de que essas questões fossem solucionadas. Uma vez
solucionados esses problemas, os próprios sinais não teriam maior
utilidade do que um buraco no fundo de uma panela.
A questão em pauta era a salvação dos gentios. (Ver Atos 15:1).
“Então se reuniram os apóstolos e os anciãos para examinar a questão”
(Atos 15: 6). Paulo e Barnabé narraram as admiráveis realizações que o
Senhor havia operado entre os gentios. Porém, alguns indivíduos se
levantaram a fim de estipular: “É necessário circuncidar aos gentios e
determinar-lhes que observem a lei de Moisés”.
O debate foi longo e excitado. Mas, foi Pedro — um judeu de judeus
— que se levantou para levar o debate a bom termo. “Irmãos, vós sabeis
que desde há muito Deus me escolheu dentre vós para que, por meu
intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. Ora,
Deus que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o
Espírito Santo a eles, como também a nós; e não estabeleceu distinção
alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé os corações... Mas
cremos que fomos salvos pela graça do Senhor J esus, do mesmo modo
que eles também” (Atos 15:7-11).
O Espírito Santo testificava para os apóstolos. O método por Ele
usado ensinar-lhes sobre a extensão da obra remidora de Cristo foi o
derramamento do Espírito Santo e dos sinais especiais que
acompanhavam esse fenômeno. A importante lição ensinada aos
apóstolos pelo Espírito Santo foi a seguinte: J esus morreu por judeus e
gentios, igualmente. A orientação concernente aos sinais acompanhantes
fora dada aos “doze” por J esus. Esses eram os únicos homens na face da
terra que sabiam o significado do derramamento do Espírito Santo.
Mediante esses sinais, o Espírito Santo confirmava diante deles que a
salvação era para indivíduos provenientes de todas as nações,
exclusivamente mediante a fé em J esus Cristo. Essa é a mensagem do
73

Novo Testamento. Esperar que esses sinais se repitam hoje em dia é
duvidar da mensagem do Novo Testamento.

74


“Ora, há diversidade de dons, mas o
Espírito é o mesmo. E há diversidade
de ministérios, mas o Senhor é o
mesmo. E há diversidade de
operações, mas é o mesmo Deus que
opera tudo em todos. Mas a
manifestação do Espírito é dada a cada
um, para o que for útil” (I Coríntios
12: 4-7).
75

Capítulo VIII
Como o Espírito Santo Testificava as Igrejas através
dos Apóstolos
O Espírito Santo outorgava dons a indivíduos nas igrejas do período
apostólico. Esses dons visavam a orientar essas igrejas no trabalho do
Senhor. Foram dados em lugar das Escrituras no Novo Testamento, até
estas estarem terminadas. Os apóstolos eram os homens que Deus usava
para conferir esses dons às igrejas.
Os dons especiais dados a indivíduos nas igrejas eram outorgados
somente durante o período apostólico, e eram conferidos exclusivamente
pelos apóstolos. O poder para transmitir dons do Espírito Santo não era
transferível a terceiras pessoas, e só tinham valor enquanto o Novo
Testamento não tivesse sido completamente escrito. Em consequência
disso, quando os apóstolos e aqueles membros das igrejas que eram os
possuidores desses dons vieram a falecer, os próprios dons especiais
desaparecerem juntamente com eles.
É isso que encontramos no registro no Novo Testamento.
O evangelista Filipe (ver Atos 21:8) fora a Samaria para pregar o
evangelho. Ele recebera dons especiais mediante a imposição das mãos
dos apóstolos, juntamente com Estêvão. (Ver Atos 6:6). Em Samaria,
Filipe realizou muitas obras miraculosas: “E as multidões unanimemente
prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que
ele fazia; pois que os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham,
clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados.” Filipe
recebera esse dom pela imposição das mãos dos apóstolos (ver Atos 6:6,
7), e assim a Palavra de Deus foi sendo aumentada. O Espírito Santo
operava nos apóstolos e através deles; Ele jamais os ignorou ou os deixou
de lado (ver Atos 5:32). Todos os dons do Espírito Santo eram
proporcionados aos homens através das mãos dos apóstolos.
Notem bem, Filipe realizou muitas obras poderosas — mas ele não
tinha a capacidade de transferir o poder de operar dons especiais aos
samaritanos. É importante que compreendamos isso. Simão, o mágico (ver
Atos 8:9-13), ficou grandemente impressionado diante dos milagres e
sinais realizados por Filipe. Mas quando os apóstolos Pedro e J oão
desceram a Samaria, Simão viu algo ainda maior do que aquilo que Filipe
possuía.
Pedro e J oão, vendo que os habitantes de Samaria haviam crido em
J esus como o Cristo, e que estavam sendo salvos, reconheceram que eles
precisavam dos dons do Espírito Santo para crescerem na graça e
76

conhecerem a vontade do Senhor. Impuseram sobre eles as mãos (ver
Atos 8:18) , e assim os crentes samaritanos receberam o Espírito Santo.
O que Simão contemplou pareceu-lhe deveras admirável. Tão admirado
ficou que o seu maior desejo tornou-se possuir idêntico poder ao dos
apóstolos, e não apenas um poder como o de Filipe. Simão despertou com
ambos os olhos a fim de perceber o poder superior daqueles dois
apóstolos. Ele observou que os apóstolos tinham o poder de transmitir os
dons do Espírito Santo a outros indivíduos — ao passo que Filipe não
tinha esse poder (ver Atos 8:18).
“Olhem,” Simão propôs a J oão e a Pedro, “eu pagarei bem a vocês
se vocês me derem o poder que possuem (o poder apostólico de transmitir
dons espirituais). Então eu também serei capaz de dar esse dom a outras
pessoas”. (Ver Atos 8:19).
O desejo de Simão e a sua atitude para com o poder e os dons
apostólicos deveria convencer a cada filho de Deus acerca da futilidade e
do terrível resultado que sobreviria se os dons apostólicos fossem dados a
qualquer indivíduo. O oferecimento feito por Simão, de comprar a dinheiro
o poder do Espírito Santo, provocou uma reprimenda severa de Pedro.
(Aqueles que querem o poder apostólico, ou imaginam que já o possuem,
deveriam observar isso).
“O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom
de Deus se alcança por dinheiro!” disse-lhe Pedro (Atos 8:20).
Haverá ainda alguma dúvida de que somente os apóstolos eram que
tinham o poder de conferir os dons do Espírito Santo? Se ainda restam
dúvidas, observe o caso de Estêvão. E um caso similar ao de Filipe, se
não mesmo idêntico. Estêvão foi escolhido por ser um homem cheio de fé
e do Espírito Santo. Contudo, somente após a imposição das mãos dos
apóstolos é que ele passou a realizar sinais e milagres: “Apresentaram-no
perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. Crescia a
palavra de Deus... Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e
grandes sinais entre o povo” (Atos 6:8). A sabedoria por ele exibida era
irresistível (ver Atos 6:10). Não existe qualquer registro, entretanto, no
sentido que Estêvão tivesse transmitido dons espirituais a terceiros.
Um outro caso é o dos discípulos de Éfeso (ver Atos 19:1-6). Paulo
encontrou um grupo de homens que haviam sido seguidores de J oão
Batista. Não estavam eles informados quanto à verdade completa sobre
J esus Cristo e o Espírito Santo. Então Paulo instruiu-os melhor no tocante
a essas doutrinas. Em seguida, eles foram batizados, simbolizando a sua
fé na morte, sepultamento e ressurreição de J esus. Depois que eles foram
batizados, Paulo lhes impôs as mãos e eles receberam de suas mãos os
dons de línguas e profecia. (Ver Atos 19:6).
77

Sinais especiais, milagres e outros dons, proporcionados a crentes
individuais entre as igrejas primitivas sempre estiveram relacionados ao
poder do Espírito Santo, enquanto Ele ia operando por intermédio dos
apóstolos. (Cf. Atos 2: 43; 4: 43; 5: 12-16; 8: 18; 9: 40 e 19: 11, 12).
Durante os dias dos apóstolos, as igrejas também possuíam dons
especiais, como línguas, curas, profecia, prodígios e o discernimento de
espíritos. Ora, onde as igrejas obtinham esses dons? Como foi que os
receberam? O Espírito Santo distribuía dons às igrejas desconsiderando
os apóstolos? Nesse caso, Ele teria evitado e ignorado as testemunhas
escolhidas por J esus Cristo. Se tal foi o caso, pode-se concluir que o ofício
apostólico tinha pouca ou nenhuma utilidade. Entretanto, você pode estar
certo de que o Espírito Santo jamais ignorava os apóstolos.
A distribuição dos dons do Espírito Santo às igrejas era similar à
distribuição dos pães e dos peixes às milhares de pessoas, pelos
apóstolos, durante o ministério terreno de J esus. O povo foi convidado a
assentar-se na grama, em grupos organizados de cinquenta e de cem
indivíduos. Os pães e os peixes foram abençoados por J esus, e então
foram dados aos apóstolos para que os distribuíssem. J esus, o Pão da
Vida, isto é, a mensagem da salvação, foi entregue aos apóstolos para
que O distribuíssem entre todas as nações. O Espírito Santo tomou o lugar
de J esus, junto aos apóstolos, a fim de ajudá-los a cumprirem o seu papel.
Os dons espirituais foram distribuídos a homens da igreja de J erusalém
como Filipe e Estêvão. Os dons espirituais também foram dados aos
samaritanos por Pedro e J oão. Foram distribuídos às igrejas gentílicas
pelo apóstolo Paulo.
Os dons espirituais, conferidos às igrejas, visavam à sua edificação.
Eram a confirmação da Palavra ensinada pelos apóstolos. Não eram
evidências de grande fé e nem de vida santa. Isso é evidente em face das
condições mundanas e pecaminosas em que vivia a igreja de Corinto —
uma igreja possuidora de inúmeros dons espirituais, se não mesmo de
todos os dons espirituais possíveis.
Os dons outorgados à igreja de Corinto foram usados como um fator
de divisão entre eles. (Ver I Coríntios 1:11-13). Os crentes de Corinto
gloriavam-se de seus dons espirituais, mas eles mesmos não eram
pessoas espirituais. Possuíam os dons do Espírito Santo, mas suas vidas
eram bastante carentes de santidade (ver I Coríntios 5:1-6). A despeito
dos seus dons miraculosos, aquela igreja era conturbada por confusões,
alcoolismo, adultério, imoralidade e orgulho. Eram cheios de dons
espirituais, mas não eram cheios do Espírito Santo.
Lembremo-nos: dons espirituais não eram prova de vidas santas.
J udas Iscariotes também tinha o poder de realizar milagres. (Ver
Lucas 9:1,2).
78

Saul, o primeiro rei de Israel, profetizou. Contudo, posteriormente foi
possuído por um espírito maligno.
Balaão, um profeta mau, recitou uma das mais belas profecias
registradas na Bíblia. (Ver Números 24:5-9).
A igreja de Corinto dispunha de inúmeros dons espirituais, mas não
tinha discernimento espiritual para compreender por que alguns dos seus
membros haviam falecido, e por que outros estavam enfermos. (Ver I
Coríntios 11:30).
A igreja de Corinto havia recebido esses dons especiais pelas mãos
do apóstolo Paulo. Eles os haviam recebido da mesma maneira que os
discípulos de Éfeso os tinham recebido. É acerca disso que Paulo se
refere no trecho de I Coríntios 1:4-7, onde se lê: “Sempre dou graças ao
meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em J esus Cristo.
Porque em tudo fostes enriquecido nele, em toda a palavra e em todo o
conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre
vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação
de nosso Senhor J esus Cristo.”
Em sua primeira epístola à igreja de Corinto, Paulo discute a questão
dos dons espirituais (ver I Coríntios, capítulos 12, 13, e 14). Em sua
segunda epístola a eles, o apóstolo aborda a questão de seu apostolado
autêntico e dos falsos apóstolos (ver II Coríntios 11:12-15). Ele afirma a
autenticidade do seu ministério, lembrando àquela igreja que os sinais de
um apóstolo haviam sido por ele realizados entre eles. Ele lhes conferira
dons espirituais, tal como fizera a outras igrejas. Quanto a isso, ele não
fizera a igreja de Corinto inferior a outras. Escreveu ele: “Os sinais do meu
apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais,
prodígios e maravilhas. Porque, em que tendes vós sido inferiores às
outras igrejas?”
Paulo também afirmou seus poderes apostólicos no trecho de
Romanos 15: 18, 19, onde se lê: “Porque não ousaria dizer coisa alguma,
que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por
palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do
Espírito de Deus ...”
Os próprios demônios reconheciam a autoridade dos dons
apostólicos. Em Éfeso, Paulo operou poderosamente (ver Atos 19:11), e
os discípulos receberam os dons de profecia e línguas. Alguns judeus
itinerantes, pensando que poderiam capitalizar o nome de J esus, tentaram
imitar o apóstolo Paulo. Eram sete filhos de um judeu de nome Ceva, um
dos principais sacerdotes.
Eles ordenaram que os espíritos malignos saíssem de um certo
homem em nome de J esus, a quem Paulo pregava. Mas o demônio
79

replicou: “Conheço a J esus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” E,
assim dizendo, o possesso saltou sobre os sete, espancou-os e pô-los em
fuga feridos e desnudos. Sim, os demônios reconheciam onde estava o
poder apostólico, tanto quanto as igrejas o reconheciam.
De fato, durante os tempos dos apóstolos, os demônios e os falsos
profetas procuravam imitar o ministério dos apóstolos. O poder dos
demônios é suficiente para realizar obras miraculosas falsas, enganando
as pessoas que não estão fundamentadas na Palavra de Deus. O apóstolo
Paulo escreveu sobre isso quando descreveu a obra dos falsos obreiros,
dizendo: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos,
transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar; porque o
próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os
seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim
deles será conforme as suas obras” (II Coríntios 11:13-15).
O Poder e os Dons Apostólicos Não São Transferíveis
Os dons apostólicos não passavam de uma pessoa para outra, em
sucessão. Ainda não descobri nas Escrituras um único exemplo onde dons
espirituais fossem transmitidos por qualquer indivíduo, exceto pelos
apóstolos, a menos que pensemos em Ananias, que foi diretamente
comissionado por Deus. Quando Tito foi enviado para ordenar pastores e
pôr em ordem o que faltava nas igrejas de Creta, não houve qualquer
menção da distribuição de dons espirituais.
Os dons espirituais conferidos às igrejas serviam para confirmar a
mensagem dos apóstolos e para edificar os membros das igrejas. Todos
os dons especiais de natureza miraculosa eram apostólicos, temporários e
imperfeitos. No décimo-segundo capítulo da primeira epístola aos
Coríntios, Paulo mostrou à igreja um BOM caminho — os dons
apostólicos. No décimo-terceiro capítulo, Ele mostrou o caminho MELHOR
— o caminho do amor, juntamente com a perfeita Palavra de Deus. No
décimo-quarto capítulo, Paulo mostrou o uso do que é BOM, até que o que
é o MELHOR estivesse terminado.
Juízo Apostólico
Há certo aspecto dos dons apostólicos que raramente é notado ou
mencionado. Chamemo-lo de juízo apostólico. Os apóstolos possuíam
certo dom do Espírito Santo, o qual lhes permitia invocar o juízo divino
contra indivíduos. Isso significa que, ocasionalmente, lhes era dado o
poder de revelar os motivos e os pensamentos das pessoas. (Alguns
profetas também chegaram a possuir esse poder do Espírito).
80

Na Igreja de Corinto, repleta de dons apostólicos como ela era, o
juízo apostólico era exercido por Paulo. Ele tinha o dom de saber por que
certas pessoas haviam morrido naquela igreja. Nós podemos apenas
imaginar; os apóstolos sabiam com certeza. Ele sabia por qual motivo
determinados indivíduos estavam enfermos. O juízo apostólico em nossas
igrejas nos eliminaria a todos. Pense sobre as muitas igrejas (católicas e
protestantes) quem nem ao menos exigem que seus membros sejam
regenerados.
O apóstolo J oão menciona o pecado que conduz à morte física (ver I
J oão 5:16). Confesso que não disponho de meios de saber quando uma
pessoa tem cometido um pecado para morte. Mas Pedro sabia - Ananias e
Safira, por exemplo.
Os crentes não possuem, hoje em dia, o dom do juízo apostólico.
Você gostaria de possuí-lo? Um outro caso de juízo apostólico acha-se
registrado nas ocorrências historiadas da primeira viagem missionária de
Paulo. Paulo estava testificando ao procônsul Sérgio Paulo (ver Atos 13:7-
13). Um certo profeta falso e adivinho, que trabalhava junto ao procônsul,
procurava destruir o efeito das palavras de Paulo junto àquela autoridade.
Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou para ele e exclamou: “O filho do
diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a
justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois
agora eis aí está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego, não vendo o sol
por algum tempo”. Imediatamente ele foi ferido por cegueira.
No ministério das igrejas do período apostólico, os apóstolos
estavam postados entre as igrejas e o Espírito Santo, como a fonte da
Verdade. Não tivesse sido limitado esse ministério aos apóstolos, não
haveria meio de diferenciar entre o apostolado verdadeiro e o falso.
Atualmente, o Novo Testamento ocupa o lugar antigamente ocupado pelos
apóstolos, pois contém a mensagem que eles anunciaram. Por intermédio
dos exemplos que nos foram dados das vidas dos apóstolos e das vidas
daqueles que receberam dons espirituais das mãos dos apóstolos, não há
que duvidar: O Espírito Santo testemunhava às igrejas por dons especiais
que foram distribuídos pelas mãos dos apóstolos.
Quanto a outras provas acerca da autoridade apostólica, poderíamos
invocar os nomes de inimigos do evangelho, a fim de que testificassem.
Poderíamos chamar Bar-J esus, que foi ferido de cegueira pelo apóstolo
Paulo; Ananias e Safira, que morreram instantaneamente diante da
reprimenda de Pedro; e os demônios que atacaram e prevaleceram sobre
os sete filhos do judeu Ceva.
O Novo Testamento substituiu toda a autoridade apostólica e
também os dons especiais. As Escrituras são a única regra de fé e prática
81

para os salvos, e, por meio delas o Espírito Santo opera, e por meio delas
seremos todos julgados.

82


“... porque em parte conhecemos, e
em parte profetizamos. Quando,
porém, vier o que é perfeito, então o
que é em parte será aniquilado” (I
Coríntios 13:9, 10).
83

Capítulo IX
Viagem de Retorno aos Tempos dos Apóstolos
Nossos estudos nos conduziram desde as atividades do Espírito
Santo, conforme elas são relatadas no Antigo Testamento, até à “época
áurea” dos dons pentecostais. O ministério pré-apostólico do Espírito
Santo incluía muitas e variadas realizações: a primeira delas foi a parte por
Ele desempenhada durante a criação; e a maior delas foi a conceição de
J esus, o Filho de Deus, no ventre da virgem Maria. Vimos como Ele
participou da vida de J esus: em Seu ministério e em Sua ressurreição.
Em seguida, estudamos a obra do Espírito Santo durante o período
apostólico, que muitos consideram a “época áurea” do Espírito Santo.
Vimos exemplos de pessoas, como o mágico Simão de Samaria, e como
os sete filhos de Ceva, que desejavam possuir o poder do Espírito para
usá-lo e dispensá-lo à sua vontade.
Agora, por alguns momentos, faremos uma interrupção em nossos
estudos e retomaremos à “época áurea” do Espírito Santo e do
testemunho apostólico. Todos fazendo essa jornada imaginária terá uma
única responsabilidade — observar o que você vai ver e ouvir, e, no fim da
viagem, dar uma resposta sim ou não à seguinte indagação: Você gostaria
que voltassem os tempos apostólicos para as nossas igrejas atuais?
Se todos já estão prontos para viajar, o nosso Imaginomóvel também
já está pronto para nele embarcarmos. . . Nossa primeira visita será a
J erusalém. A data é cerca de 35 D.C. A primeira igreja de J esus Cristo, da
qual os apóstolos são membros, fica nessa cidade.
A cidade inteira de J erusalém está sendo sacudida pelas obras dos
apóstolos. Milhares de pessoas estão sendo salvas e batizadas. Muita
gente está sendo curada de suas enfermidades e de seus aleijões pelas
mãos dos apóstolos. Multidões estão sendo conduzidas às ruas e à área
do templo de J erusalém, diariamente, a fim de serem curadas. Grupos
numerosos estão frequentando o templo para ouvir as palavras dos
apóstolos de Cristo.
As pessoas salvas estão em constante comunhão umas com as
outras e com os apóstolos. Elas regozijam-se nos ensinamentos
ministrados pelos “doze”. Deus está sendo louvado por Seus admiráveis
sinais miraculosos. Os crentes estão compartilhando entre si de tudo
quanto possuem. Diziam que não havia razão para reterem consigo
qualquer coisa, porquanto o Senhor estaria de volta à terra imediatamente
— dentro de poucos dias — alguns pensam. Outros estão vendendo as
suas propriedades e entregando o dinheiro apurado aos apóstolos, para as
84

despesas de pregar o evangelho e para atender às necessidades
materiais dos mais carentes. Barnabé vendera uma de suas propriedades.
Há intenso júbilo no coração de todos.
Hoje, entretanto, algo de trágico tem acontecido; grande temor
prevalece sobre a comunidade cristã. Eis, vem um homem, que possa a
narrar o que sucedeu. “Senhor, qual é a dificuldade? Por que todos estão
com tanto receio?”, perguntamos.
E o homem retruca: “Bem, as coisas são assim. Havia um casal na
igreja, o qual vinha servindo fervorosamente ao Senhor, juntamente com
os demais crentes. Um dia desses eles resolveram vender a sua casa e
entregar o dinheiro aos apóstolos. Tornaram pública essa sua decisão, em
uma das reuniões. Mais tarde venderam a sua propriedade, conforme
haviam planejado, e receberam o dinheiro.
“E então, o que foi que aconteceu?” pergunta alguém dentre o nosso
grupo.
Parece que a fé deles se enfraqueceu, e Satanás tentou-os para que
mentissem e conservassem consigo uma parte do dinheiro”, replicou o
homem. “Eles dois concordaram entre si de que fariam mais ou menos o
seguinte..
“Ananias, tenho pensado acerca de entregarmos todo esse dinheiro.
O que aconteceria comigo se você morresse?” indagou Safira.
“Eu nunca havia pensado sobre isso, querida”, respondeu Ananias.
“E o que acontecerá se você vier a perder seu emprego, visto que o
seu patrão não é um seguidor de J esus? Os fariseus e os saduceus estão
fazendo pressões nesse sentido. O que haveremos de comer? O que
poderemos fazer? Onde é que iremos morar?” continuou Safira.
“Bem, Safira, não sei dar resposta para as suas indagações, mas
prometemos entregar o dinheiro apurado aos apóstolos, para o trabalho do
evangelho”.
“Eu sei disso, Ananias. Mas o que poderemos fazer se não tivermos
nada com que viver? Como é que seremos capazes de ajudar no trabalho
do Senhor, quando nem ao menos houver dinheiro para comprar sapatos
ou roupas?”
“Deus pode prover-nos o que for necessário, Safira”.
“Sim, mas como é que Ele irá suprir as minhas necessidades, se
você falecer?”
E o homem que narra a história continua: “Finalmente, derrotados
pela falta de fé, eles concordaram em usar um certo plano...”
85

“Ananias, precisamos pensar em um plano no qual parte do dinheiro
possa ser reservado para nós”, insistiu Safira.
“Pois bem, Safira, por que não agimos do modo seguinte? Ninguém
sabe por quanto vendemos essa propriedade. Podemos manter conosco
uma certa importância e entregar o resto. As únicas pessoas que saberão
disso serão eu, você e Deus. Certamente Deus compreenderá”.
“Ananias, penso que você acertou em cheio com a solução. Nós
daremos a porção maior, e ninguém jamais ficará sabendo do nosso
plano. Afinal, nós mesmos é que resolvemos doar o dinheiro. Dissemos
aos apóstolos que daríamos a quantia apurada inteira; mas eles jamais
ficarão sabendo que não foi assim”.
“Mas, que faremos se eles nos perguntarem?”
“Então teremos de dizer-lhes que a quantia dada representa o preço
total da venda”, concordaram ambos. Separaram, portanto, uma parte do
dinheiro e a esconderam em lugar seguro. Ananias mudou de roupa e
preparou-se para levar o dinheiro para os apóstolos, conforme estava
planejado. Ele estava um tanto ou quanto apreensivo, mas tinha a certeza
de que nada sairia errado.
Quando Ananias já se aproximava do lugar onde os apóstolos
estavam reunidos, Pedro teve uma estranha revelação. Foi uma revelação
similar àquelas que Deus havia dado a Elias, segundo se vê em II Reis
8:12. Deus revelou os pensamentos e as intenções do coração de Ananias
para o apóstolo Pedro.
“Ananias, essa foi a quantia inteira que você recebeu pela venda de
sua propriedade?” perguntou Pedro.
“Sim, Pedro, essa foi a quantia inteira”, respondeu Ananias
nervosamente. Ananias estava irritado que Pedro lhe faria tal pergunta.
“Oh, Ananias, por que você permitiu que Satanás enchesse o seu
coração para que mentisse ao Espírito Santo? Você não mentiu para
homens, mas mentiu para Deus. Por que você deixou que Satanás
implantasse tais pensamentos em sua mente? A terra não era sua?
Depois que a propriedade foi vendida, o dinheiro não era seu? Por que
concebeu tal maldade em seu coração?”
Assim que Ananias ouviu essas palavras de Pedro, tombou morto.
Alguns dos homens mais jovens levaram o seu cadáver para ser
sepultado.
Toda a comunidade crista tomou conhecimento do poder estranho
exercido pelos apóstolos. Alguém dentre nosso grupo indaga: “E qual foi o
fim da questão?”
86

“Bem, três horas mais tarde Safira também veio falar com os
apóstolos, e Pedro abordou-a com a mesma indagação. E eis o que ela
replicou...” continua o narrador.
“Sim, Pedro, essa foi a quantia inteira que apuramos com a venda da
propriedade. Por quê? está havendo alguma dúvida?”
“Safira, como foi que você e seu marido concordaram em mentir e
tentar ao Espírito do Senhor?” indagou Pedro, repreendendo-a. Ouvindo
essas palavras de Pedro, Safira caiu morta no chão. Os homens que
haviam sepultado a Ananias, levaram-na também para ser enterrada.
“Ai!” um dos viajantes exclama, “retomar aos tempos apostólicos é
retomar ao juízo apostólico. Será que nossas igrejas aguentariam a isso?”
A próxima escala da nossa viagem é Samaria. Grandes multidões
estão reunidas para ouvir a prédica de Felipe. Os crentes estão sendo
batizados. Ele foi a primeira pessoa a pregar o evangelho aos
samaritanos, desde que J esus retomara ao céu.
“Ei, olhem aqui!” exclama alguém dentre o grupo viajante. “Estes
aqui são Pedro e J oão, que tínhamos visto em J erusalém. Que será que
eles estão fazendo aqui? Escutem, Pedro vai falar.”
“Nós, os apóstolos,” Pedro começa, “recebemos em J erusalém a
notícia de que vocês, samaritanos, estavam ouvindo a mensagem de
salvação e estavam confiando em J esus, como Salvador. Do que J oão e
eu estamos vendo, parece que isso é verdade. Visto que vocês foram
salvos, agora precisam da liderança do Espírito Santo, para que Ele lhes
dê conhecimento, sabedoria e revelações acerca das realidades divinas.
Portanto, J oão e eu vamos impor as mãos sobre vocês, para que recebam
os dons do Espírito Santo”.
“Vejam”, exclama alguém do grupo. “Olhem para aquele indivíduo.
Ele parece agir de modo estranho, como se fosse um adivinho ou coisa
semelhante. Parece que ele está dizendo alguma coisa para Pedro”.
“Pedro, apóstolo Pedro, espere um momento, por favor”, diz o
estranho sujeito. E prossegue: “Meu nome é Simão. Estou admirado diante
do poder que vocês possuem. O fato de vocês poderem transmitir esse
poder a outras pessoas é extraordinário. Realmente, eu gostaria de
possuir também esse poder. Vejam, pagarei a vocês quanto quiserem, se
me derem esse poder. Desejo ter o poder de impor minhas mãos sobre
outras pessoas para transmitir-lhes os dons do Espírito Santo”.
“O quê? Comprar o poder do Espírito Santo? O que você quer dizer
com essa proposta? Você pensa que o poder de Deus pode ser adquirido
a dinheiro? Que você e seu dinheiro pereçam juntamente. Você não passa
de um ímpio! Arrependa-se desse pensamento!” advertiu Pedro ao homem
de nome Simão.
87

“Parece que temos aí um outro caso de juízo apostólico”, comenta
um do grupo.
Nessa altura, todos estão compreendendo a necessidade dos dons
especiais que eram distribuídos pelos apóstolos. Visto que o Novo
Testamento ainda não havia sido escrito, os dons especiais faziam parte
do plano de Deus para a orientação dos crentes.
O Imaginomóvel nos está levando para o norte. Nossa próxima
escala da viagem é Cesaréia. O nosso destino é a residência de Cornélio,
um oficial do exército romano. Cornélio era um homem temente a Deus.
Um anjo do Senhor aparecera e lhe dissera para mandar chamar a Pedro,
o qual lhe diria as palavras da vida.
“Mas, onde está Pedro agora?” perguntou um dos participantes do
grupo.
“Ele está de visita a um crente judeu de nome Simão, em J ope”,
replico eu.
Nosso Imaginomóvel leva-nos até à casa de Simão, em J ope. Ali se
encontra Pedro, no pátio do telhado, dormindo. Pedro dorme inquieto,
porquanto Deus esta falando com ele por intermédio de uma visão. Ele vê
um grande lençol, cheio de todos os animais e répteis da terra, que está
descendo do céu. Isso sucede por três vezes, e de cada vez Deus ordena
a Pedro para matar e comer. Cada vez Pedro se recusa a isso, afirmando:
“Nunca entrou qualquer coisa imunda em minha boca”. Pedro era um
judeu muito zeloso. Mas o Senhor insistiu: “Olhe aqui, Pedro, aquilo que
Eu purifiquei, você não deve considerar imundo”.
Então explico para o grupo de viajantes: “Pedro sabe o que
significavam aqueles animais imundos. São os gentios, e ele não acredita
que podem ser salvos”.
“Pedro, estão chegando da casa de Cornélio alguns homens que ele
enviou para que você vá e lhe anuncie as palavras da vida. Você deve
acompanhá-los, sem ter qualquer duvida quanto ao que Eu estou lhe
dizendo”, Deus explica a Pedro.
Pedro desperta do sono com as batidas na porta da casa. São os
homens enviados por Cornélio. Pedro desce para ir encontrar-se com eles.
Dia seguinte, viajam para a casa de Cornélio. Mas, Pedro tem o cuidado
de levar em sua companhia diversos irmãos judeus.
Pedro e os demais estão chegando. Cornélio está tomado de alegria
Ele tem convidado cada amigo e parente seu em um raio de dois
quilômetros. A casa esta apinhada de gente. Quando Cornélio corre ao
encontro de Pedro, comete o engano de ajoelhar-se aos pés de Pedro,
como se quisesse adorá-lo. Pedro o levanta e lhe diz firmemente:
“Levante-se, e não me adore, pois eu sou apenas um homem como você.
88

Mas agora, por favor, diga-me o que você quer. Deus me disse para que
eu viesse aqui, mas você sabe que nenhum judeu tem o direito de
misturar-se com os gentios”.
Cornélio começa a falar: “Pedro, Deus informou-me mediante uma
visão que eu deveria mandar homens a J ope, atrás de você, para que
você nos anunciasse as palavras da vida”.
Ouvindo isso, Pedro narra para o grupo ali reunido toda a verdade
acerca de J esus e de Sua obra remidora. Pedro explica como J esus
morrera pelos pecadores e como ressuscitara dentre os mortos ao terceiro
dia.
A cena é notável. Pedro, um judeu, está pregando o evangelho de
J esus Cristo para gentios. O grupo reunido ouve a Pedro sem ousar fazer
um ruído ou um movimento.
Eis, algo estranho está acontecendo! Parece que algum poder
estranho está tomando conta desses gentios. Pedro sacude a cabeça,
profundamente admirado. Finalmente, ele fala com calma e explica:
“Varões irmãos, agora percebo por que Deus me trouxe até aqui. Esses
estranhos sinais, revelações e línguas que vieram sobre vocês é também
aquilo que já havia acontecido conosco, judeus salvos, em J erusalém,
quando Deus derramou sobre nós o Espírito Santo. J esus chamou esse
fenômeno de batismo no Espírito Santo. Deus deu a vocês, gentios, o
mesmo dom do Espírito Santo que já havia dado a nós, os judeus crentes.
E isso serve de prova do fato que Ele concedeu a salvação aos gentios —
a todas as nações - bem como aos judeus. Estou agradecido a Deus por
essa grande bênção, e nós voltaremos a J erusalém e informaremos à
Igreja que os gentios também foram batizados no Espírito Santo”. (Ver
Atos 11:15-18).
Então passo a explicar para o grupo: “Conforme vocês mesmos
estão percebendo, Deus esta ensinando os apóstolos por meio de sinais.
Eles estavam aprendendo a verdade a respeito da salvação, porque a
mensagem deles será incluída no volume do Novo Testamento”.
“Enquanto viajamos um pouco mais para o norte, para a cidade de
Antioquia da Síria, quero oferecer a vocês uma certa informação sobre o
pano-de-fundo. As terríveis perseguições efetuadas contra a igreja
J erusalém haviam provocado muitas modificações, por essa altura dos
acontecimentos. Perseguidores mataram Estevão. Os crentes haviam sido
dispersos) e grande temor caíra sobre toda a Igreja. Muitos têm deixando
J erusalém e estão pregando a mensagem de J esus Cristo por onde quer
que fossem. Um dos mais persistentes perseguidores dos crentes era um
homem de nome, Saulo. As perseguições dirigidas por ele espalharam os
crentes por lugares muito distantes.
89

“Entretanto, Saulo não continua perseguindo a Igreja. Deus o salvou,
quando, de viagem, estava chegando em Damasco, a fim de aprisionar os
crentes que estivessem ali. Em Damasco, Saulo foi batizado por Ananias
sob autorização de Deus. E assim Saulo foi cheio do Espírito Santo, como
um vaso escolhido, a fim de ser o apóstolo dos gentios. Após passar
algum tempo em lugares solitários, Saulo retomou à sua residência, na
cidade de Tarso.
“Entrementes, na cidade de Antioquia estabeleceu-se um dos
grupos mais fortes de crentes. Os crentes perseguidos têm pregado tanto
aos judeus quanto aos gregos. Os apóstolos ouviram dizer que os gregos
estavam crendo no evangelho e sendo salvos; e assim enviaram Barnabé,
para que pusesse as coisas em boa ordem. Quando Barnabé chegou em
Antioquia, ele lembrou-se de Saulo, e foi até Tarso, a fim de achá-lo.
Voltaram juntos a Antioquia, e ali trabalharam com aquela igreja pelo
espaço de um ano.
“Enquanto eles trabalhavam, oravam e jejuavam, juntamente com os
mestres e profetas da igreja de Antioquia, o Espírito Santo instruiu-os por
meio de revelação, a separar Paulo e Barnabé para o trabalho que Ele os
tinha escolhido. Agora podemos vê-los enquanto impõem as mãos sobre
Paulo e Barnabé, e os enviam a pregar o evangelho.
“Nos tempos apostólicos, as igrejas ainda não contavam com as
Escrituras do Novo Testamento. Por conseguinte, precisavam depender do
contato com os apóstolos, para que das mãos deles recebem os dons
especiais do Espírito. Não havia outra maneira de se saber a vontade de
Deus...” O Imaginomóvel nos está levando agora para o ocidente, para a
nossa próxima escala nos tempos apostólicos, a saber, a cidade de Éfeso.
Famosa e fabulosa, essa cidade estava consagrada a tudo quanto era
profano.
O apóstolo Paulo encontra-se ali. Está conversando com um grupo
homens acerca da fé cristã e do batismo. Paulo sabe bem dos problemas
causados pela comunicação da verdade divina de boca em boca. Por
causa disso ele indaga os homens a respeito do batismo deles: “Vocês
receberam dons do Espírito Santo quando creram? Receberam os dons
espirituais para guia-los em sua vida espiritual?”
“Nem ao menos ouvimos dizer que existe o Espírito Santo”, é a
resposta.
“Então, que significou o batismo com que vocês foram batizados?”
continua Paulo.
“Fomos batizados com o batismo de J oão”, respondem os homens.
“Mas J oão pregou que os homens confiassem nAquele que haveria
de aparecer depois dele, isto é, em J esus Cristo.” Após ter-lhes ensinado a
90

verdade acerca da salvação, Paulo batiza esses crentes. Depois de batiza-
los em água, Paulo lhes impõe as mãos e eles recebem os dons do
Espírito Santo: profecias e línguas. Ele explica-lhes: “Esses dons
identificam meu apostolado, o discipulado de vocês, e servirão de meios
de conhecimento espiritual da parte do Espírito Santo, acerca de J esus
Cristo”.
Eu torno a explicar ao grupo de visitantes: “Aqueles discípulos
dependiam inteiramente dos dons espirituais, em seu desenvolvimento
espiritual. Eles ainda não dispunham do Novo Testamento em forma
escrita. Quão gracioso Deus tem sido conosco, que dispomos da Palavra
escrita, em lugar dos dons temporários do Espírito”.
Agora o Imaginomóvel transporta-nos às igrejas da Galácia. Há
diversas igrejas nessa região. Paulo era o missionário que aqui trabalhara
e as estabelecera. O apóstolo ensinara bem àqueles irmãos. Quando ele
passou para outros campos missionários não restava dúvidas nas mentes
daqueles irmãos, do fato que ele era o apóstolo enviado por J esus Cristo
aos gentios, porquanto os sinais do apostolado manifestavam-se com
abundância em seu ministério.
Após a partida do apóstolo, falsos mestres penetraram nessas
igrejas, e a situação delas é deplorável. As igrejas estão confusas. Falsos
obreiros estão ensinando as igrejas que as pessoas não somente
precisam crer em J esus Cristo, mas também que devem guardar a
legislação de Moisés, para que isso contribuísse para elas obterem a
salvação, mediante suas boas obras. Muitos desses supostos obreiros
também estão afirmando possuir o espírito de profecia, revelação e
línguas. Além disso, enquanto percorrem as igrejas, vão espalhando o
rumor de que Paulo é um falso apóstolo. Esses mestres são servos de
Satanás. O diabo lhes tem dado o poder para se transformarem em
mensageiros de luz.
Escutem-nos, enquanto eles enganam o povo. “Sim, é verdade que
vocês devem crer em J esus. J esus foi um homem bom, que servia a Deus.
Porém, se vocês querem mesmo ser salvos, então também deverão
guardar a lei de Moisés, que Deus deu para o Seu povo. Agora, se vocês
não guardarem a lei e nem fizerem alguma coisa para ajudar a salvá-los,
Deus não poderá dar para vocês a salvação”.
Essa arenga constante dos falsos mestres está surtindo os seus
maus efeitos, e muitos crentes gálatas estão ficando convencidos de que
Paulo os havia ensinado erroneamente. (E o pior de tudo é que eles ainda
não dispunham do Novo Testamento, ao qual pudessem examinar para
verificar se esses ensinamentos eram verdadeiros ou falsos. É possível
que alguém continue preferindo os dons especiais em lugar da Palavra
escrita?)
91

“Minha gente, a viagem está cansando vocês um pouco. Porém,
façamos mais uma parada. Este é o dia do Senhor, é dia de culto. Vamos
visitar a igreja de Corinto. Aqui estamos. Vamos ver se encontramos
lugares para nós”, sugiro eu.
“Gostaria de saber quem vai pregar”, fala alguém dentre o nosso
grupo.
“Você terá de esperar para ver”, respondo.
“J á está reunida uma numerosa multidão, e mais e mais pessoas
continuam chegando”, observa alguém.
O povo parece reunir-se formando pequenos grupos.
Aparentemente, algumas daquelas pessoas só se preocupavam em
conversar com outras pessoas do seu próprio grupinho. É quase como
uma série de pequenas reuniões separados. Também é patente que a
situação econômica das pessoas tem algo a ver com a maneira da gente
agrupar-se. Sussurra um amigo nosso: “Vejam aqui, parece que eles
vieram aqui para passar o dia inteiro. Eles trouxeram cestas e mais cestas
de alimentos”.
“Sim, você tem razão”, falo.
Três homens levantam-se e encaminham-se para a frente da
multidão reunida. Parecem estar responsabilizados pela boa ordem da
reunião.
“Há algo de estranho nesses pequenos agrupamentos, você não
acha?” pergunta alguém do nosso grupo de viajantes.
“O que você quer dizer com isso?” pergunto.
“É que ninguém trouxe a Bíblia. Nem ao menos eles têm um Novo
Testamento em todo este lugar. É inacreditável que toda essa gente tenha
vindo ao culto e nenhum deles tenha trazido uma Bíblia. Você supõe que
eles não têm o Cantor Cristão ou um outro hinário qualquer?”
Um dos homens, sentado lá na frente, levanta a voz: “A hora de
começarmos a reunião chegou”. Ninguém disse uma palavra, e todos
ficam sentados em silêncio, esperando por alguma coisa.
“Tenho um hino para cantar”, diz um dos homens.
Esse homem cantou o hino. As palavras não eram más, mas
certamente ele não era nenhum Roberto Carlos. Depois dele haver
cantado, disse: “Compus este hino, e se alguém quiser uma cópia, pode
ficar com ela”.
Um outro homem levanta-se, vai à frente e canta um salmo
juntamente com os seus familiares. As palavras eram belas, mas eles
cantam com voz fortíssima e desafinada. Agora, um homem e sua esposa
92

estão cantando um dueto, composto pela mulher. Quando terminam, um
outro homem se levanta para entoar um hino que ele mesmo compusera,
mas é interrompido, porque aqueles que dirigem a reunião acham que três
hinos já é o bastante.
Tudo é silêncio novamente. Dentro de alguns instantes, um irmão se
levanta e diz: “Tenho uma mensagem para nós da parte do Senhor”. E
começou a pregar, dizendo ao povo que J esus em breve voltaria e que
todos deveriam estar preparados para o Seu retorno. O sermão é breve, e
ele se senta novamente.
“Ele saberia mais acerca da vinda do Senhor se ao menos estudasse
o seu Novo Testamento”, observa uma das pessoas do nosso grupo de
viajantes.
Balancei a cabeça afirmativamente, mas não teci qualquer
comentário.
Em seguida, um homem muito enérgico salta sobre os próprios pés,
dizendo: “Dear brethren in Christ, I should like to tell you that God gave me
a revelation tonight... ” Todavia é interrompido bruscamente por um dos
três responsáveis pela reunião. Parece que ninguém entende o que aquele
homem fala.
“Porventura alguma pessoas presente compreende o que nosso
irmão diz?” indaga um dos líderes. “Há aqui alguém que possa interpretar
a língua em que ele fala?” Mas ninguém responde. É evidente que a língua
que ele fala é estranha para todos. “Lamentamos, irmão, mas você precisa
deixar de falar nessa língua, pois não há intérprete para ela”. O homem
parece desapontado, mas volta a ocupar o seu assento.
Um outro indivíduo levanta-se e começa a falar nestes termos:
“Irmãos, Deus me deu uma mensagem para ser anunciada hoje para
vocês. Ele me revelou que o amor fraternal deveria ser mais forte entre
nós. Algumas vezes deixamos de cuidar de nossos irmãos que são mais
necessitados. Essa falta de amor se reflete na maneira como participamos
da mesa do Senhor J esus...” Ele é interrompido por um outro irmão, o qual
se levanta e pede para falar.
“Acabo de receber uma revelação da parte de Deus”, explica este
último.
Por essa altura, um dos irmãos informa àquele irmão que estava
falando que ele precisa sentar-se para deixar o outro falar. Todos notam
que o primeiro fica desencorajado, por não poder terminar de dizer o que
queria, mas ele acaba voltando submissamente ao seu lugar.
Nesse momento uma mulher se pôs de pé e começou a falar
imediatamente. Todos os três homens encarregados da reunião se põem
de pé, informando a mulher que ela não tem o direito de falar em público.
93

Um dos três diretores então solicita a atenção de todos os presentes.
E diz: “Irmãos, queremos fazer uma oração especial neste momento, em
favor de uma das nossas famílias. Como todos vocês sabem, essa família
foi duramente atingida na semana passada. Todos os membros da família
tinham estado na reunião e haviam participado da Ceia do Senhor, que se
seguiu ao usual banquete de fraternidade. Porém, ao chegarem em casa,
o dono da casa caiu morto e sua esposa ficou seriamente enferma”,
explicou o líder.
Atrás de nós, alguém comenta com voz abafada, embora
perfeitamente compreensível: “Provavelmente, isso foi o castigo de Deus
contra ele e sua família devido à glutonaria com que eles participaram da
Ceia do Senhor. Ora, ele comeu tanto e bebeu tanto vinho que ficou meio
embriagado”.
Um outro observa: “Essa é uma das razões por que favoreço àqueles
que seguem o apóstolo Pedro. Creio que um homem tem de pôr em
prática a sua religião”.
E alguma outra pessoa fala da conduta daqueles que se diziam
seguidores de Apolo.
Ainda um outro irmão se pôs de pé, e um dos líderes diz: “Irmãos, o
Sr. Cloé gostaria de dizer uma palavra, antes de começarmos a orar”.
O Sr. Cloé fala, “Amigos e irmãos, a nossa igreja está triste diante do
falecimento de nosso irmão e da enfermidade de sua esposa. Agora todos
deveriam estar cientes do fato que vários membros da nossa igreja têm
falecido depois de terem observado a Ceia do Senhor. Parece-me que em
nossa igreja haja alguma coisa que está desagradando ao Senhor, e que
Ele está procurando mostrar-nos do que se trata. Alguns membros da
minha família farão uma viagem a Roma, onde Paulo está encarcerado, e
eu pensei que seria uma boa ideia escrever para ele e perguntar-lhe sobre
diversos dos problemas da nossa igreja. Ele poderá dizer-nos o que se
deve fazer a esse respeito. Eu ficaria muito satisfeito em escrever uma
carta para o apóstolo”.
“Pergunte-lhe sobre aquele sujeito que está vivendo com a mulher de
seu próprio pai”, sugere alguém em altos brados.
“E quando você estiver escrevendo, pergunte de Paulo sobre
aquelas irmãs que vivem procurando falar durante o culto”, diz um outro.
Um terceiro sugere: “Bem, não aprecio nada essa ideia de se comer
na igreja. Pergunte-lhe sobre isso também”.
Os movimentos dos três líderes indicam que eles já estão ficando
nervosos. Um deles tenta pôr alguma ordem na reunião. Sugerem que o
Sr. Cloé escrevesse uma carta a Paulo, se não houvesse objeções a isso.
Ninguém se manifesta em contrário.
94

Agora, tudo tem voltado à calma. Parece que algumas das crianças
estão ficando inquietas, especialmente aquelas mais próximas dos
grandes cestos repletos de comida. Um dos homens declara que tem
chegada a hora de orar e de se encerrar a reunião, e se prontificou a orar.
Durante a sua oração, diversos outros também começam a orar em voz
alta. Os sons confusos, durante essa oração, indicam que alguns
presentes estão orando em outras línguas.
“Parece que o culto está terminando”, sussurro para o meu grupo.
“Vamos embora?”
Do lado de fora, um dos meus amigos comenta: “Puxa, certamente
apreciei o culto. Mas estou muito agradecido a Deus que nos deu tanto o
Antigo Testamento quanto o Novo Testamento. Que bênção é a nossa, por
possuirmos a Bíblia inteira — a completa e perfeita revelação da redenção
divina! Que ótimo termos hinários e música evangélica! Eu não gostaria
que voltasse a “época áurea” dos dons do Espírito Santo. E você?”
“Não, eu também certamente não gostaria que ela voltasse”,
respondo.
E agora, vocês leitores, que viajaram juntamente comigo nessa
viagem imaginária, estão prontos para responder àquela pergunta que
formulamos no início deste capítulo? Ei-la novamente: “Você gostaria que
voltassem os dias dos apóstolos para as nossas igrejas?”
(Essa viagem imaginária foi alicerçada em informações extraídas do
livro de Atos dos Apóstolos e das epístolas de I Coríntios e Gálatas).
Uma Palavra Final
O período apostólico proveu-nos todos os testes necessários para
que se pudesse obter a completa verdade espiritual que seria registrada
pelos escritores do Novo Testamento. A mensagem do evangelho,
testificada pelo poder do Espírito Santo e pelos apóstolos ficou registrada
nas páginas do Novo Testamento, e assim ficaram completas as Escrituras
Sagradas. A Bíblia é o nosso “assim diz o Senhor”.
A Bíblia é o nosso guia e o nosso manual de instruções a respeito da
vida espiritual. Ela será o nosso J uiz quando estivermos na presença do
Senhor J esus. Graças a Deus, Ele providenciou para nós algo melhor do
que os dons temporários e incompletos do período apostólico. Ele nós deu
um Livro perfeito, que nos revela a Sua vontade.
95


“Quando, porém, vier o que é
perfeito, então o que é em parte será
aniquilado” (I Coríntios 13:10).
“Eu, a todo aquele que ouve as
palavras da profecia deste livro,
testifico: Se alguém lhes fizer
qualquer acréscimo, Deus lhe
acrescentará os flagelos escritos neste
livro; e se alguém tirar qualquer coisa
das palavras do livro desta profecia,
Deus tirará a sua parte da árvore da
vida, da cidade santa, e das coisas que
se acham escritas neste livro”
(Apocalipse 22: 18,19).

96

Capítulo X
O Espírito Santo Confirmava a Mensagem dos
Apóstolos
QUE MENSAGEM ERA ESSA? COMO ELE A CONFIRMAVA?

As Escrituras Sagradas são resultantes da realização do Espírito
Santo. Ele guiou homens para que registrassem em forma escrita a
mensagem da salvação. A escrituração da Bíblia está dividida em três
divisões gerais: a Lei, os Profetas e o Evangelho. A lei e os profetas
(incluindo os livros poéticos) formam o Antigo Testamento; e os escritos
concernentes a J esus Cristo e à Sua Igreja forma o Novo Testamento.
O propósito das Escrituras é revelar a vontade divina aos homens,
além de produzir a raça de homens espirituais. Essa raça habitará com
Deus para todo o sempre. Eles serão o Seu povo e Ele será o Deus deles.
As duas primeiras divisões das Escrituras foram produzidas a fim de
testificar ou profetizar acerca dAquele que seria o Cabeça da nova raça de
homens espirituais — a raça dos filhos de Deus. Escreveu Mateus:
“Porque todos os profetas e a lei profetizaram até J oão” (11:13). E Lucas
escreveu: “A lei e os profetas vigoraram até J oão...” (16:16). J oão registrou
as palavras de J esus, que mostravam que Moisés escrevera a Seu
respeito: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e
são elas mesmas que testificam de mim... Porque se de fato crêsseis em
Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.
Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas
palavras?” (J oão 5:39, 46, 47).
A terceira divisão das Escrituras encerra o registro da vida, da
pessoa e da obra de J esus Cristo, naquilo em que Ele cumpriu as
profecias concernentes a Ele, contidas nas duas primeiras divisões.
Ao utilizar-se de certos homens para escrever as Escrituras, o
Espírito Santo foi o Guia responsável por todas aquelas três divisões.
Entretanto, um importante detalhe precisa ser relembrado — a mensagem
de Deus não produzirá qualquer efeito se não for recebida de bom grado
por aqueles para quem foi dirigida. A mensagem divina precisa ser crida.
É interessante sabermos que Deus utilizou-se de homens, indivíduos
como você e eu, para escrever a Bíblia. E ela também visa ser
compreendida por homens como você e eu. Os escritores sagrados eram
homens fracos, pecaminosos e incapazes de uma produção escrita
infalível. Mas o Espírito Santo usou-os soprando sobre as suas mentes as
palavras de Deus. Ele guiou-os de tal maneira que eles escreveram sem
97

ter cometido um único erro. Assim como o Espírito Santo mostrou-se
poderoso para produzir um Filho — o Verbo que se fez carne — no ventre
de uma virgem, assim também Ele foi poderoso para produzir a Palavra
escrita nas mentes de determinados homens, e então guiou-os para que a
escrevessem.
As pessoas a quem a mensagem divina é endereçada devem ter a
certeza de que os escritores sagrados foram selecionados por Deus. Os
ouvintes não devem ter qualquer sombra de dúvida de que a Bíblia é a
Palavra de Deus. É necessário que a credibilidade dos escritores sagrados
e de sua mensagem seja perfeitamente estabelecida. Antes que qualquer
porção bíblica foi produzida, Ele providenciou para que o Seu povo
soubesse que os escritores sagrados eram santos homens de Deus.
Como foi que o Espírito Santo edificou essa credibilidade? Quando
foi que Ele estabeleceu a credibilidade dos escritores sagrados?
A fim de acreditar os escritores da Escrituras e garantir a reputação
deles como tais perante o povo de Deus, o Espírito Santo usou apenas um
método. Ele usou o mesmo método na produção da Lei, na produção dos
Profetas e na produção dos registros do Novo Testamento. Dons
miraculosos foram o Seu método.
Uma inegável credibilidade foi edificada pelo Espírito Santo através
de um período de obras miraculosos, nos homens ou na classe de homens
escolhidos para serem os escritores sagrados. Esses períodos de
preparação foram períodos de transição em que Deus preparou o Seu
povo para receber a mensagem dos homens que Ele selecionara para
serem os escrivães da Bíblia.
Os pentecostais e os advogados do movimento carismático negam
que tenha havido período de transição. Erwin assevera a posição deles
nos seguintes termos: “Esse período de transição só existe na teologia do
dispensacionalismo. É um conceito tão antibíblico quanto as demais
teorias desse sistema... As evidências aqui acumuladas deveriam ser
suficientes para demonstrar a natureza totalmente antibíblica das
reivindicações que dizem que os dons de sinais visavam ao “período de
transição”; além de mostrarem a natureza inteiramente imaginária desse
não-existente “período de transição” (pág. 22).
Naturalmente, cada pessoa terá de decidir por si mesma se houve ou
não períodos de transição. Em nosso estudo acerca desses períodos e
acerca do que aconteceu dentro dos mesmos, acredito que pode chegar a
uma conclusão segura e justa a esse respeito.
Os períodos de sinais, maravilhas e milagres sempre apareceram
antes de alguma porção das Escrituras ser escrita. Cada vez que havia
alguma adição às Escrituras, por uma nova classe de homens, foi
98

necessário estabelecer a sua posição e ofício diante do povo de Deus. O
plano do Espírito Santo sempre foi o mesmo:
Escolher o escritor ou escritores sagrados.
Identificar e confirmar o escritor ou escritores sagrados, perante o
povo de Deus — o povo judeu — mediante dons miraculosos.
Move-los a escrever.
Remover os sinais de confirmação.
Visto que três são as divisões gerais da escrituração da Bíblia,
também deveríamos esperar encontrar três períodos de sinais especiais
de confirmação, nos quais foi estabelecida a reputação dos escritores
sagrados. E também deveríamos esperar três períodos de cessação de
sinais miraculosos. Vejamos se isso corresponde à verdade.
A Lei
Desde os dias de Adão, Deus tem tratado com os homens de
diversas maneiras. Parece que antigamente o contato de Deus era direto
com cada indivíduo. Aquele foi um período durante o qual Ele aparecia aos
homens mediante aparições visíveis, também chamadas teofanias.
Durante o período patriarcal, nenhum milagre foi realizado pelos homens.
Caim, Abel, Noé, Abraão, Isaque, J acó e J osé são exemplos de pessoas
para quem Deus apareceu pessoalmente. Antes do estabelecimento da
nação judaica, não houve Escrituras Sagradas dadas aos homens.
Deus, depois, retirou-se do contato direto com os homens e começou
a conferir a Sua revelação por intermédio de homens inspirados. Foi por
essa razão que Deus estabeleceu a nação de Israel. “Qual é, pois, a
vantagem do judeu? ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos
os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os
oráculos (as Escrituras) de Deus” (Rom. 3:1,2).
(Não foi por mera coincidência que quando a fase final das Escrituras
foi escrita, a nação judaica foi então dispersa. Isso serve de uma outra
comprovação que as Escrituras estão terminadas).
Com o estabelecimento da nação de Israel, Deus alterou os Seus
métodos de revelação, passando das teofanias ou aparições visíveis para
os escritos inspirados, por intermédio de homens por Ele mesmo
escolhidos e equipados. A primeira porção das Escrituras Sagradas foi
entregue à nação de Israel na Lei. Observe o leitor o plano do Senhor.
(1) Deus escolheu o escritor da lei — Moisés. Moisés foi selecionado
a dedo, e protegido pelos céus. Depois de quarenta anos no palácio real
99

do Egito, e mais quarenta anos no deserto de Midiã, Deus apareceu-lhe na
sarça ardente. Ali, Moisés recebeu ordens para retomar ao Egito.
(2) Deus outorgou a Moisés sinais miraculosos especiais para provar
que ele era o homem escolhido. O cajado que se transformava em
serpente e a mão leprosa foram os sinais realizados a princípio por
Moisés, para provar ao seu povo que “EU SOU” o havia enviado.
Seguiram-se várias pragas. Foi dividido o mar Vermelho e assim se
manteve enquanto o povo de Israel marchava para a liberdade
atravessando o mesmo. Águas amargas tornaram-se potáveis, água jorrou
da rocha, e mãos erguidas trouxeram vitória sobre os amalequitas.
Finalmente, Deus desceu sobre o monte Sinai e teve um encontro com
Moisés. Até mesmo aqueles que se mostravam rebeldes e odiavam a
Moisés foram forçados a admitir que Deus estava com ele e que a Palavra
proferida por ele procedia de Deus.
(3) Uma vez estabelecida a credibilidade de Moisés, Deus levou-o a
escrever os cinco primeiros livros da Bíblia — a lei. Essa era a legislação
que deveria guiar o povo de Israel a cada passo da existência deles, e que
apontava para o Salvador que viria. É a lei que mostra Cristo para os
homens. “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a
Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé” (Gál. 3:24).
Milagres jamais teriam mostrado o Cristo para os homens.
(4) A lei foi completada; Moisés faleceu. “Nunca mais se levantou em
Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado
face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando do
Senhor, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais, e a toda a
sua terra” (Deu. 34:10,11). O poder miraculoso de Moisés morreu
juntamente com ele. Ao seu sucessor, J osué, foram entregues os livros da
lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A J osué foi
entregue um Livro santo e inspirado; não o cajado miraculoso.
A J osué foi entregue a lei, juntamente com instruções acerca da
obediência à mesma; não lhe foram dadas instruções sobre como operar
milagres. “Tão-somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de
fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te
desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem
sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste livro da
lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer
segundo a tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu
caminho e serás bem sucedido” (J osué 1:7,8; comparar com
Deuteronômio 4: 6,7 e 34:9).
O povo de Israel, com seu sacerdócio levítico, seguiu a lei desde os
dias de Moisés até ao fim do período dos juízes. Deus estava com o Seu
povo, a despeito das más ações deste, e conferiu-lhe grandes vitórias, a
100

fim de livrá-lo dos seus opressores. Houve algumas raras aparições do
Anjo do Senhor a indivíduos como J osué, Gideão e alguns profetas
desconhecidos, como o homem de Deus, referido em I Samuel 2:27.
Porém, não havia “visões frequentes” (I Sam. 3:1), Isso significa que não
havia comunicações divinas por meio de visões ou revelações ao povo de
Deus.
Mas, se aproximava o tempo de Deus adicionar uma segunda porção
à revelação escrita. Para tanto, Ele precisava de um outro grupo de
escritores sagrados.
Os Profetas
Pelo espaço de quatrocentos anos, Israel contou exclusivamente
com a lei mosaica. Quando eles mostravam ser obedientes a ela, nenhum
inimigo era capaz de atingi-los. Entretanto, Deus precisava revelar mais
coisas aos homens a respeito do Redentor que viria. Para fazer isso, o
Senhor teria de usar homens. O período dos juízes chegou ao fim com
Samuel. Samuel foi mais do que um mero juiz. Ele também foi o primeiro
de um grupo de homens que se tomaram famosos na vida do povo de
Israel. Portanto, a fim de transmitir a segunda fase de Suas revelações
escritas, Deus empregou o Seu plano.
Deus escolheu um homem. Esse homem foi Samuel, o primeiro de
uma série especial de homens — os profetas.
Deus estabeleceu Samuel como o primeiro dessa nova ordem, além
de certos outros, que surgiram depois dele, como Elias e Eliseu. A fim de
confirmar Samuel perante o povo, o Senhor se utilizou de um outro
período de tempo, um período de treinamento ou transição. A Samuel foi
conferido o poder de predizer acontecimentos e desvendar segredos. Ele
era capaz de desvendar o que haveria de suceder na vida de uma pessoa,
como dizer onde se encontravam os animais de alguém, ou como pôr
adversários em fuga. Aquele foi um tempo em que os profetas eram
capazes de controlar a chuva como um homem controla um chuveiro.
Farinha e azeite foram multiplicados, pessoas foram ressuscitadas
dos mortos, leprosos foram purificados, ferros de machado foram postos a
flutuar, exércitos foram postos em fuga sem haver quem os perseguisse,
desceu fogo do céu e anjos apareceram para alimentar o homem.
Samuel foi confirmado por Deus como profeta de Israel. “Crescia
Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras
deixou cair em terra. (Nada deixou de ter cumprimento). Todo o Israel,
desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como
profeta do Senhor. (Isso é autêntica credibilidade, não é mesmo?)
101

Continuou o Senhor a aparecer em Silo, enquanto por sua palavra se
manifestava ali a Samuel” (I Sam. 3:19-21).
Samuel foi o fundador das escolas de profetas (ver I Samuel 10:5).
Esses homens tornaram-se proeminentes desde aquele período na
história do reino de Israel. Eles ungiam reis, advertiam reis, e assustaram a
reis da qualidade de J eroboão e Acabe.
Samuel e os outros profetas foram confirmados como homens de
Deus, em face dos dons miraculosos que possuíam. Seguindo Samuel
bem de perto houve outros profetas operadores de prodígios. Os mais
bem conhecidos entre esses foram Elias e Eliseu. Porém, milagres nunca
falaram a respeito de J esus.
Após o período de confirmação da ordem dos profetas, como um
grupo de homens divinamente escolhidos, chegou o período dos profetas
escritores. Esses fizeram a toda-importante e eterna contribuição própria
dos profetas. Aqueles que escreveram falaram sobre o Salvador que viria,
conforme vimos no primeiro capítulo deste volume. J esus Cristo não veio
para cumprir os milagres dos profetas, e, sim, para cumprir os escritos dos
profetas. Tudo quanto sucedeu durante a vida de J esus aconteceu a fim
de cumprir os escritos dos profetas. Os mínimos detalhes da vida de J esus
estavam preditos (ver, por exemplo, Mateus 26: 54-56 e Atos 3: 18-24).
Quando os profetas começaram a escrever, os profetas miraculosos
começaram a desaparecer, e, finalmente, cessaram. O período de
transição para o estabelecimento dos profetas como santos homens de
Deus chegou ao fim. Coisas mais gloriosas estavam em reserva para
aqueles que temiam o Senhor.
Isso nos conduz à terceira divisão da revelação escrita.
O Evangelho
Chegou a plenitude do tempo; J esus nasceu de mulher. No deserto
apareceu J oão Batista, anunciando o reino vindouro. Ele foi o último do
grupo chamado “os profetas”. Embora tivesse sido o maior dentre todos os
que nasceram de mulher, J oão Batista jamais realizou um milagre ou sinal,
mas tudo quanto ele disse acerca de J esus foi veraz (ver J oão 10:41). O
nascimento de J esus deu início ao período final da revelação divina aos
homens. Trata-se do período do evangelho — o tempo em que a
mensagem de redenção haveria de ser anunciada a todas as nações.
Porventura o Espírito Santo alterou o Seu método de confirmação?
Porventura a terceira e final fase da revelação divina irrompeu entre os
homens sem qualquer orientação prévia? Será que o Messias e Salvador
surgiria em cena repentinamente, sem qualquer advertência ou orientação
102

anterior, e esperar que o povo O recebesse? Poderiam os judeus, que
durante mil e quinhentos anos tinham sido ensinados a viver separados de
todos os demais povos e de todos os costumes estrangeiros, acreditar,
sem qualquer aviso ou instrução, que subitamente Deus aceitava tanto a
judeus quanto a gentios? Como foi que Deus abordou tal situação? O
Espírito utilizou Seu plano de sempre.
Deus escolheu um grupo de homens — os apóstolos. Esses viveram
em companhia de J esus durante três anos e meio, os anos do Seu
ministério público. Eles receberam instruções a respeito de todas as
verdades anunciadas pelo evangelho — que o Filho do homem precisava
morrer, ser sepultado e ressuscitar dentre os mortos, a fim de salvar
homens dentre todos os povos.
O grupo de testemunhas selecionadas foi confirmado como homens
de Deus. Como o legislador, Moisés, fora confirmado por meio de
milagres, e assim como a ordem dos profetas fora confirmado por meio de
milagres, assim também aos apóstolos - eles foram confirmados como
homens de Deus mediante dons miraculosos. Os dons milagrosos que
Deus proporcionou aos apóstolos não deixaram qualquer dúvida; eles
eram homens de Deus. (Ver Hebreus 2:4 e II Coríntios 12:12).
Depois que as testemunhas apostólicas foram confirmadas, como
também foi confirmado a mensagem deles sobre o Cristo ressurreto, então
foram registradas as Escrituras do Novo Testamento.
Quando terminaram de serem registradas as Escrituras do Novo
Testamento, os sinais miraculosos dos apóstolos chegaram ao fim —
porque não tinham mais utilidade. Quando veio aquilo que é “perfeito”,
então aquilo que era em parte desapareceu, por haver-se tornado inútil.
Os sinais apostólicos desapareceram juntamente com os apóstolos;
mas a verdade que eles nos deixaram, conforme está registrado nas
Escrituras do Novo Testamento, sobrevive para todo o sempre.
Em todos esses três períodos de transição, Deus se utilizou dos
milagres para confirmar os homens por Ele escolhidos. Cada um desses
períodos indicou um novo passo na revelação progressiva das Escrituras.
A revelação divina tornou-se completa com o evangelho do Filho: “...
nestes últimos dias Deus nos falou pelo Filho.. (Hb 1:2).
Após cada período de transição, a palavra mais firme de profecia —
a Palavra escrita — foi registrada (ver II Pedro 1:19). Moisés escreveu a
lei; e nenhum “i” ou “til” da lei e dos profetas haveria de passar sem
cumprimento. J oão escreveu o livro de Apocalipse, declarando juízo divino
contra qualquer indivíduo que acrescentasse ou retirasse qualquer coisa
do registro do evangelho. (Ver Apocalipse 22:18,19).
103

Ainda deveríamos fazer mais uma observação. Os três períodos, por
semelhante modo, indicam o lugar onde Deus habita. Com o
credenciamento de Moisés, Israel foi libertado do Egito e organizado como
uma nação, que passou a contar com a presença do Senhor em seu meio.
Sob a lei, Deus habitava simbolicamente no tabernáculo. A coluna de fogo
e da nuvem servia de sinal de Sua presença. Com o estabelecimento dos
profetas, Deus estabeleceu um reino. O Seu lugar de habitação passou a
ser a cidade de J erusalém, particularmente o templo, consagrado a Deus
por Salomão. J erusalém é mencionado por mais de 650 vezes nos escritos
dos profetas.
Quando Deus introduziu a época do evangelho, Ele alterou o Seu
local de habitação. Primeiramente, Ele habitou na tenda do corpo de J esus
Cristo. Escreveu J oão: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio
de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do
Pai” (J oão 1: 14). Deus veio armar tenda entre os homens por meio de Seu
corpo de carne humana. Através da Pessoa e da realização de J esus
Cristo, Deus agora habita nos homens de corações quebrantados e de
espíritos contritos. Deus, através de J esus Cristo e do Seu Espírito Santo,
arma residência em indivíduos salvos e em Suas igrejas, compostas de
indivíduos regenerados.
O tabernáculo serviu de residência temporária. O templo pertencia a
um reino terreno. Finalmente, Deus preparou um lugar de habitação
permanente com o Seu povo. Deus estava em Cristo, a fim de que
pudesse habitar eternamente entre os homens, e a fim de que os homens
pudessem habitar nEle eternamente. J esus veio habitar entre os homens.
Mediante a Sua realização, a redenção, agora o Espírito Santo possa
habitar nos corações quebrantados e nas Suas igrejas.
Por confiar na perfeita redenção efetuada por Cristo, o pecador é
salvo e o Espírito Santo entra em sua vida como proprietário permanente.
Ele escreve as leis de Deus nos corações dos salvos. Ele habita em amor
nos corações humanos porque não há mais qualquer memória de pecado.
No dia de Pentecoste, a Igreja — os apóstolos - foram batizados no
Espírito Santo. Esse batismo ocorreu de uma vez para sempre - o Espírito
veio para habitar com Sua Igreja. Naquele dia houve três mil pessoas que
creram, foram batizados, e acrescentadas à Igreja que havia sido batizada
no Espírito Santo. Eles foram salvos - nasceram do Espírito Santo - e
então foram batizados na Igreja que havia sido batizada no Espírito Santo.
A Igreja (institucionalmente considerada) de J esus Cristo nunca mais foi
batizada no Espírito Santo, pois o Espírito nunca mais abandonou a Igreja
de Cristo. Hoje em dia, homens são salvos — nascem do Espírito — e
podem ser batizados em uma igreja que foi batizada no Espírito Santo no
dia de Pentecoste, porquanto à Igreja foi prometida a sua perpetuação até
ao fim desta nossa era. Hoje em dia, não há mais tal experiência como o
104

“batismo no Espírito Santo”. Pondere isso e considere o trecho de I
Coríntios 12:13.
A Mensagem do Novo Testamento foi Confirmada
Que Mensagem é Essa?
A mensagem dos apóstolos foi confirmada como veraz pelo Espírito
Santo. A mensagem era a ressurreição de J esus e foi proclamada pelos
apóstolos no dia de Pentecoste pelo poder do Espírito Santo: “J esus de
Nazaré foi um homem aprovado por Deus por meio de prodígios e sinais.
Homens ímpios crucificaram-no, penduraram-no em um madeiro; mas
Deus O ressuscitou dentre os mortos e Lhe conferiu posição à direita da
majestade nas alturas. Aquele a quem os homens crucificaram foi feito
Cristo e Senhor”, declararam Pedro e os onze.
“Que faremos, irmãos?” perguntaram os ouvintes.
“Arrependam-se e sejam batizados em nome de J esus Cristo, para a
remissão de pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo — a
salvação” foi a resposta dos apóstolos.
Naquele dia três mil pessoas creram, tendo acolhido de bom grado a
palavra dos apóstolos, e foram batizados nas águas e adicionadas à
Igreja. SALVAÇÃO MEDIANTE A FÉ SOMENTE FOI A MENSAGEM
PARA OS JUDEUS.
Em Samaria, Filipe também pregou a mensagem do Cristo
ressurreto.
Ele lhes disse que podiam receber a remissão dos seus pecados
através da fé em J esus Cristo. Muitos ouviram, creram e foram batizados.
Os apóstolos Pedro e J oão foram enviados a Samaria para averiguarem a
salvação dos samaritanos. Impuseram sobre eles as mãos e os crentes
samaritanos receberam dons do Espírito Santo — uma prova de que
tinham sido salvos, e, consequentemente, precisavam de dons espirituais
para a sua edificação espiritual, visto que, naquele tempo, ninguém
contava ainda com as Escrituras do Novo Testamento. Os samaritanos
tinham crido em J esus como seu Salvador, e os dons especiais dados
pelas mãos de Pedro e J oão eram evidência da atuação do Espírito Santo
nos seus corações, porquanto ninguém pode dizer que J esus é o Senhor
exceto pelo Espírito de Deus. Eles ainda não haviam recebido dons para a
sua edificação espiritual porque Filipe não tinha poder para tanto.
SALVAÇÃO PELA FÉ EM CRISTO SOMENTE FOI A MENSAGEM PARA
OS SAMARITANOS.
Pedro foi enviado por Deus à residência de Cornélio (ver Atos 10).
Ali, ele pregou em uma casa repleta de pessoas gentias. Disse Pedro, em
105

essência: “Estamos testificando sobre J esus de Nazaré. Ele foi ungido por
Deus para fazer o bem entre os homens. Porém, Ele foi crucificado na
terra dos judeus, em J erusalém. Ao terceiro dia, entretanto, Ele ressuscitou
dentre os mortos. Os profetas haviam falado sobre Ele, e todo aquele que
nEle confia recebe a remissão de seus pecados.”
Aqueles gentios creram na mensagem. Para surpresa dos crentes
judeus, o Espírito Santo também foi derramado sobre os gentios. A
MENSAGEM PARA OS GENTIOS FOI A SALVAÇÃO
EXCLUSIVAMENTE PELA FÉ EM CRISTO.
Idêntica mensagem foi ensinado ao apóstolo Paulo mediante uma
direta revelação divina. O testemunho apostólico dos “doze” e a revelação
divina conferida a Paulo concordavam perfeitamente entre si — judeus e
gentios, igualmente, são salvos mediante a fé em J esus Cristo.
Os judaizantes procuraram adulterar a mensagem da justificação
pela fé. O conflito acerca de como os homens podem ser salvos finalmente
reuniu os apóstolos e profetas em J erusalém: Pedro, o apóstolo da
circuncisão; Paulo, o apóstolo da incircuncisão; e os demais apóstolos e
os profetas da igreja de J erusalém. (Ver o décimo-quinto capítulo do livro
de Atos).
Pedro declarou que Deus o havia escolhido para que pregasse o
evangelho aos gentios, antes de qualquer outro. E declarou ele: “Ora,
Deus que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o
Espírito Santo, assim como a nós, e não fez distinção alguma entre nós e
eles, purificando os seus corações pela fé.” (Atos 15:8,9).
Paulo e Barnabé testificaram acerca dos milagres e das maravilhas
que Deus operara entre os gentios por intermédio deles. O debate
prosseguiu, longo e acirrado.
Finalmente, tudo já fora dito e ouvido: o testemunho das “doze”
testemunhas de J esus, o depoimento do apóstolo Paulo, que aprendera
mediante revelações divinas diretas, e os relatos de como o Espírito Santo
havia testificado por intermédio dos apóstolos. Chegou-se a uma
conclusão. Todos compreenderam e a mensagem de salvação foi
estabelecida de uma vez para sempre — O EVANGELHO DE JESUS
CRISTO É O PODER DE DEUS PARA A SALVAÇÃO DE TODO
AQUELE QUE CRÊ, JUDEU OU GENTIO. Essa é a mensagem do Novo
Testamento.
106


Conclusão
Este capítulo procurou demonstrar a importância do testemunho
confirmatório dada pelo Espírito Santo. Ele confirmou o testemunho dos
escritores das Escrituras e a sua mensagem. Ele usou o mesmo método
de confirmação, estabelecendo os escritores de cada fase da escrituração
da Bíblia: a lei, os profetas e o evangelho. O Seu plano consistiu dos
seguintes passos:
Ele escolheu o homem ou os homens para escreverem.
Ele confirmou a credibilidade deles, perante o povo de Deus,
mediante dons miraculosos.
Ele lhes conferiu a mensagem a ser registrada em forma escrita.
Cessaram então os dons miraculosos.
O Espírito Santo lançou mão do mesmo procedimento nos casos de
Moisés, dos profetas e dos apóstolos.
A mensagem dos apóstolos foi confirmada mediante os sinais do
Espírito Santo, conferidos aos apóstolos. Foi também confirmada pelos
sinais que acompanhavam ou seguiam aos apóstolos em seu ministério. A
mensagem do evangelho completou as Escrituras Sagradas e cumpriu a
promessa de Deus a Abraão, que, através do seu descendente (J esus
Cristo) todas as famílias da terra seriam abençoadas — judeus,
samaritanas e gentios
Essa é a mensagem que está produzindo a raça de homens
espirituais.



107

Os Dons e a Igreja de Corinto (1 Coríntios 1:5-9)

Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e
em todo o conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo
confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta(1),
esperando (2) a MANIFESTAÇÃO DE NOSSO SENHOR J ESUS
CRISTO, (3) O QUAL (4), VOS CONFIRMARÁ TAMBÉM ATÉ AO FIM
(5), para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo, (6)
Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para comunhão de seu Filho J esus
Cristo, nosso Senhor. (1 Coríntios 1:5-9)
(1) nenhum dom vos falta. A igreja em Corinto tinha recebido
todos os dons; são nove e nomeadas no capítulo 12 de 1 Coríntios.
(2) esperando (enquanto aguardais). Os dons foram dados
por um período temporário esperando a manifestação de J esus Cristo.
Compare: 1 Coríntios 13:10; “... quando vier o que é perfeito, então o que
é em parte será aniquilado.”
(3) MANISFESTAÇÃO DE NOSSO SENHOR J ESUS CRISTO;
Manifestação = Revelação. Esta é a manifestação/revelação
de J esus Cristo nas Escrituras – a Bíblia completa.
Compare: J oão 5:39: Examinais as Escrituras, porque vós
cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.
2 Pedro 3:15-16: “e tende por salvação a longanimidade de
nosso Senhor, como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu,
segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando disto, como em todas as
suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os
indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua
própria perdição.”
(4) O QUAL, refere à manifestação de J esus nas Escrituras.
(5) VÓS CONFIRMARÁ TAMBÉM ATÉ AO FIM, são as
Escrituras que nos aperfeiçoará até o fim. Compare: J oão 17:17.
(6) para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor J esus
Cristo.
1 Tess. 5:23-24 – E o mesmo Deus de paz voz santifique em
tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente
conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.


108






“O espírito é o que vivifica; a carne
para nada aproveita; as palavras que
eu vos tenho dito são espírito e são
vida” (João 6:63).
“Santifica-os na verdade; a tua palavra
é a verdade” (João 17: 17).
“... tendo renascido, não de semente
corruptível, mas de incorruptível,
pela palavra de Deus, a qual vive e
permanece” (I Pedro 1:23).
109

Capítulo XI
Como o Espírito Ministra às Igrejas Hoje
Tendo averiguado como o Espírito Santo confirmou os apóstolos
através do uso de dons especiais, como Ele os ensinou acerca de para
quem foi oferecida a remissão de pecados, e como Ele proporcionou dons
espirituais às igrejas por intermédio dos apóstolos, destaca-se agora uma
indagação, que é: Como é que o Espírito Santo ministra às igrejas da
atualidade?
As igrejas continuam possuindo dons especiais? Nesse caso, quem
os outorga? Qual seria o propósito desses dons?
Os dons do Espírito Santo aos apóstolos eram vitais para a eficácia
de seu testemunho e para o seu aprendizado. Os dons conferidos às
igrejas pelo Espírito Santo, mediante as mãos dos apóstolos, também
eram necessários para a propagação do evangelho e para a edificação
das igrejas.
Entretanto, esses dons aos apóstolos e às igrejas já perderam a sua
época própria e a sua utilidade. Esses dons eram de duração temporária,
embora o seu efeito seja permanente. Os dons especiais do período
apostólico e os diversos ministérios que acompanhavam esses dons foram
substituídos pelo Novo Testamento e pelo ministério do evangelho que o
Novo Testamento claramente identifica.
Este capítulo mostrará que todos os dons especiais do período
apostólico dados às igrejas ou têm sido substituídos pela Palavra escrita,
ou têm cessado. Todos os ministérios especiais que acompanhavam
esses dons foram substituídos pelo ministério pastoral e pelo ofício
diaconal.
Existem três principais fontes de informação acerca dos dons e dos
ministérios: I Coríntios, Efésios e Romanos. Na primeira epístola de Paulo
aos crentes de Corinto, há indicações que todos os dons especiais
possíveis haviam sido outorgados àquela igreja; nenhuma menção se faz
ali de pastores ou diáconos. Naquela epístola, Paulo escreveu que havia
diferentes dons (ver 12:4), diferentes ministérios (ver 12: 5) e diferentes
operações ou realizações (ver 12: 6). Os dons se referem ao que era
realizado, os ministérios se referem ao que era realizado, os ministérios se
referem ao efeito, ou resultado do uso desses dons.
Podemos notar que a igreja de Corinto abundava em dons,
ministérios, e realizações. Não obstante, era uma igreja que também
abundava em pobreza espiritual. Tal condição espiritual era possível
porque os dons espirituais eram imperfeitos ou parciais. Os dons eram
110

conferidos a indivíduos. A um era conferido o dom da profecia, a outro o
dom de línguas, a outro o dom de curas, enquanto que a outro era
outorgado o dom de milagres. Leia e observe isso no trecho de I Coríntios
12:7-11.
O ministério era deficiente porque a Palavra de Deus ainda não fora
completada. Todos os ministérios e realizações eram conferidos a
indivíduos, e eram incompletos e inferiores ao ministério de um pastor que
conta com a Bíblia inteira. Em sua epístola, Paulo não faz menção de
pastores ou diáconos, os dois únicos ofícios permanentes que continuam
operando até hoje nas igrejas.
Por que motivo esses dois ofícios não foram mencionados por
Paulo? Parece-me que não foram mencionados porque as listas de dons e
ministérios, aludidos nessa primeira epístola aos Coríntios, eram listas de
dons e ministérios temporários que logo haveriam de desaparecer. Se os
dois ofícios permanentes tivessem sido alistados entre os dons e
ministérios temporários, haveria grande confusão.
Os dons e ministérios do Espírito visavam à edificação espiritual das
igrejas (ver I Coríntios 12:5, 12 e 26). Os dons e ministérios distribuídos
pelo Espírito Santo, através dos apóstolos, a indivíduos que eram
membros das igrejas, tinham por escopo o benefício espiritual de todos
(ver I Coríntios 12: 7,8), a fim de que não houvesse divisões no corpo (a
igreja de Corinto). Os dons e os usuários dos mesmos tinham por dever
exortar o povo (ver 14: 3), consolar o povo (ver 14: 3) e evangelizar os
não-convertidos (ver 14:25).
Paulo escreveu sobre os mesmos ministérios em sua epístola aos
Efésios, no quarto capítulo da mesma. Ah, ele explica que os ministérios
distribuídos nas igrejas visavam ao aperfeiçoamento dos santos, ao
trabalho do ministério, à edificação do corpo de Cristo, à unidade da fé, ao
conhecimento do Filho de Deus e à produção do homem perfeito — tendo
em mira a estatura e a plenitude de Cristo. Dons e ministérios visavam ao
aperfeiçoamento do corpo — a igreja — e ao crescimento espiritual de
crentes individuais. Isso certamente não foi atingido na igreja de Corinto.
A despeito de seus inúmeros dons e ministérios, houve poucos que
se destacaram na qualidade de suas vidas espirituais. As igrejas da
Galácia estavam “decaindo” do ensino da graça para seguirem os mestres
legalistas dos judeus. A igreja dos tessalonicenses entrara na tangente
sobre a volta do Senhor. As igrejas de Éfeso e Colossos estavam tendo
grandes dificuldades acerca da doutrina de J esus, o Cristo. A igreja de
Corinto era confusa, corrupta, e carnal. (Não admira que Paulo tenha
agradecido a Deus por cada memória que guardava da igreja de Filipos).
Aqueles dons e ministérios eram temporários. Eles foram incapazes
de produzir o tipo de crentes que Deus deseja. Os exemplos de homens
111

cheios do Espírito são raros durante a era apostólica, excetuando nos
primeiros quatro ou cinco capítulos do livro de Atos; e a maioria desses
casos refere-se aos apóstolos e aos primeiros diáconos. Os apóstolos
estavam cheios dos ensinos de J esus, e Paulo transpirava com profundo
conhecimento das coisas divinas por meio de revelações. Mais adiante
veremos por qual razão havia tão poucos indivíduos cheios do Espírito
entre as igrejas primitivas.
Em contraste com a imperfeição dos dons e ministérios, porém,
rebrilha a perfeição da Palavra escrita de Deus. “A lei do Senhor é perfeita”
(Sal. 19:7). Na medida em que a Palavra de Deus progredia em sua
produção, havia um definido decréscimo na menção aos dons especiais. A
transição foi dos dons especiais para o ministério da Palavra escrita.
Das três epístolas: I Coríntios, Efésios e Romanos, o ensino acerca
dos dons espirituais e dos ministérios especiais é mais abundante na
primeira. A epístola aos Coríntios foi escrita primeira. A ênfase das outras
duas recai sobre o ministério da Palavra.
Em sua epístola à igreja de Filipos, escrita alguns anos mais tarde,
Paulo menciona pastores e diáconos (ver 1:1). Ele os menciona no lugar
mais proeminente — na saudação da epístola. A carta aos Efésios foi
escrita ainda mais tarde que a de Filipenses, e também menciona pastores
(ver 4:11). Isso mostra claramente que houve uma mudança de dons e
ministérios múltiplos nas igrejas para o ofício pastoral, ainda que a igreja
de Éfeso tivesse diversos pastores ao mesmo tempo. (Ver Atos 20:17, 28).
A mudança de dons e ministérios temporários para os ofícios
permanentes de pastores e diáconos pode ser averiguada nas epístolas
posteriores escritas a Timóteo e a Tito.
Outra evidência dessa mudança do temporário para os ofícios
permanentes encontra-se no livro de Apocalipse. As sete estrelas (ver
1:16,20) parecem indicar os pastores dessas igrejas.
Os Dons e Ministérios Especiais Foram Ultrapassados
pela Palavra Escrita e pelos Ofícios Pastoral e Diaconal
Uma vez terminado as Escrituras os dons miraculosos cessaram.
Isso sucedeu no caso da escrituração da lei e dos profetas. E assim
sucedeu no caso do Novo Testamento. Os dons que confirmavam a
autoridade e a mensagem apostólica chegaram ao fim quando o Novo
Testamento estava totalmente escrito. A mudança dos dons temporários
para os dons permanentes fica demonstrada nas epístolas de Paulo.
Pedro, por sua vez, declarou igualmente a superioridade das
Escrituras sobre os dons temporários: “Mas também eu procurarei em toda
112

a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas
(possível por seus escritos na Bíblia). Porque não vos fizemos saber a
virtude e a vinda de nosso Senhor J esus Cristo — seguindo fábulas
artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.
Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando na magnífica
glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em que
me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós
com ele no monte santo; e temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual
bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro,
até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações.
Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de
particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade
de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo
Espírito Santo” (II Pedro 1:15-21).
O desejo de Pedro era que o seu testemunho fosse relembrado após
o seu falecimento. Isso era possível mediante as epístolas que ele
escreveu, que vieram a fazer parte integrante das Escrituras. Ele tivera
visões no monte e também recebera outras visões; mas, em seus escritos
bíblicos, ele recebera inspiração infalível, idêntica à dos escritores do
Antigo Testamento. Em II Pedro 3:2, ele também fala sobre os
mandamentos dos apóstolos. Pedro confirmou os escritos de Paulo,
chamando-os de Escrituras (ver II Pedro 3:15, 16), bem como os escritos
dos demais profetas e apóstolos que participaram da escrita do Novo
Testamento.
As Escrituras e os Ofícios Permanentes Hoje em Dia
O ofício pastoral é o único ministério permanente da Palavra desde
que as Escrituras foram terminadas. Todos os dons permanentes do
Espírito Santo, dados para substituir os dons especiais e temporários,
visam ao ministério da Palavra escrita: profecia, ministério, ensino e
evangelismo. Todos estão relacionados ao ministério da Palavra de Deus.
Todos os indivíduos que servem como ministros do evangelho têm de
ajustar-se a um conjunto de qualificações: as qualificações que se veem
no terceiro capítulo de I Timóteo e no primeiro capítulo de Tito. Essas duas
epístolas indicam que o ofício isolado de pastor tornou-se a prática das
igrejas, na medida em que o período apostólico foi chegando ao seu
término. Os ofícios pastoral e diaconal são os únicos ofícios mencionados
no Novo Testamento. As únicas qualificações mencionadas no Novo
Testamento visam a esses ofícios. Qualquer ordenação ao ministério do
evangelho precisa conformar-se a essas qualificações.
Como é possível que um único ministério e um único ofício substitua
os muitos ministérios e dons que havia nas igrejas apostólicas? O Novo
113

Testamento é a própria resposta a essa indagação. Com uma Bíblia
completa na mão, um homem pode suprir toda a liderança espiritual
necessário a uma igreja. Sem as Escrituras, muitos ministros e muitos
dons espirituais, todos eles incompletos, não podiam edificar uma igreja
apropriadamente. Assim, os ministérios temporários, que eram muitos,
foram substituídos pelo ofício pastoral — o homem que conta com todo o
conselho de Deus entre as suas mãos. As tabelas abaixo ajudarão a
esclarecer essa particularidade.
As Tabelas
Tabela nº 03 – Como os Dons Temporários foram
substituídos pela palavra escrita
Dons Mencionados em Coríntios 12: 4-11
1. Sabedoria Estes dons apostólicos não foram transferidos a outros.
Nada adicionaram à Bíblia e cessaram juntamente com o
ofício apostólico.
2. Conhecimento
3. Fé Paulo disse que esses dons cessariam, em I Co. 13:8.
Conhecimento, substituído pela Bíblia.
Profecia, é agora a própria Bíblia, por exemplo, Apocalipse.
As línguas não têm mais utilidade.
4. Curas
5. Milagres Estes dons foram substituídos pela iluminação do Espírito
para entendermos a Bíblia (Efé. 1:18). Sabedoria (Col. 2: 3;
Ef.1:17; Col. 3: 16). Fé (vem por ouvir a Palavra - cf. Rom.
10: 17;
Tim. 4: 6). Discernimento de espíritos, efetuado pelo
conhecimento bíblico (I J oão 4: 1-6).
6. Profecias
7. Discernimento de
espíritos

8. Línguas Línguas cessaram. Não há mais necessidade do dom de
interpretação, pois cessou juntamente com o dom de
línguas.
9. Interpretação de
Línguas



114

Tabela nº 04 – Como os Ministérios Temporários
foram substituídos por Pastores e Diáconos
Ministérios mencionados em Coríntios 12:28—31
1. Apóstolo (ofício) Cessou com a morte dos apóstolos.
2. Profetas Cessou quando terminou o dom profético. (I Cor.
13:8; Apo 22:18).
3. Mestres Incluído no ofício de pastor (I Tim. 3:2; Tito 1:9).
4. Milagres Era dom apostólico; cessou com a morte deles. Dom
não-transferível.
5. Curadores Era dom apostólico; cessou com a morte deles. Dom
não-transferível.
6. Auxílios Substituído pelo ofício diaconal.



Tabela nº 05 – Como os Ofícios Temporários de
Efésios 4:11 foram substituídos pelo Ofício Pastoral
1. Apostolo Ofício cessou. Sua mensagem está no N.T.
2. Profeta Ofício cessou. Sua mensagem está no N. T.
3. Evangelista Incluído no ministério do evangelho (II Tim. 4:5). Só há
um padrão para o ministério do evangelho (I Tim. 3:1-
7).
4. Pastores Devem cuidar das igrejas de Deus. Um ofício
permanente (I Tim. 3:1-5).
5. Mestres Incluído no ofício pastoral (I Tim. 5: 17). As suas
qualificações são as mesmas dos pastores.


115

Tabela nº 06 – Como os Dons mencionados em
Romanos 12:6-8 se realizam nos ofícios permanentes de
Pastores e Diáconos
1. Profecia A mensagem profética está na Bíblia (por exemplo,
Mat. 24; I Tes; II Tes. e Apo.). Toda profecia a ser
ensinada hoje está na Bíblia.
2. Ministério É o trabalho do pastor, como líder da igreja. (II Tim.
4:5; I Tim. 3:5,14, 15; IPed.5:2, 3).
3. Exortação Trabalho do pastor (II Tim. 4: 2; I Tim. 4: 13).
4. Contribuição Ministério da igreja inteira.
5. Presidência Os pastores devem liderar nos assuntos espirituais. Os
diáconos devem cuidar dos assuntos materiais que as
igrejas entregarem a seus cuidados.
6. Misericórdia Trabalho de todos os membros. Fases especiais
devem ser desempenhadas pelos diáconos (por
exemplo, Atos 6:1-7).

As tabelas NPS 3 e 4 mostram como os ministérios e dons
mencionados no capítulo 12 de I Coríntios foram substituídos pelos ofícios
permanentes — pastores e diáconos - e pela Palavra escrita. As Escrituras
foram completadas quando se terminou o escrever do Novo Testamento.
Foi então que esses dois ofícios permanentes da Igreja entraram em
operação exclusiva. A tabela N° 5 considera o trecho de Efésios 4:11,
demonstrando como os ministérios temporários foram substituídos pelo
ofício pastoral. A tabela N° 6 mostra como os dons mencionados em
Romanos 12: 6-8 são plenamente cumpridos nos ofícios permanentes dos
pastores e dos diáconos.
Estude essas tabelas cuidadosamente e medite nas Escrituras que
aparecem nos mesmos.
Todos os ministérios e dons do período apostólico foram ministérios
para o recebimento da mensagem de Cristo da parte do Espírito Santo, ou
então para credenciar os apóstolos e a sua mensagem. A mensagem do
Espírito Santo está agora terminada e se encontra nas páginas do Novo
Testamento. Nenhuma nova revelação é dada hoje em dia aos homens
fora das Escrituras. O que os homens precisam hoje em dia é a instrução
iluminadora do Espírito Santo, para ajudá-los a entender e aplicar as
verdades bíblicas às suas vidas.
116

As instruções que figuram em I Timóteo oferecem às igrejas as
qualificações de homens que estão aptos a servir no ministério do
evangelho, ou que devam ser eleitos para o ofício diaconal.
Todos os dons temporários do período apostólico foram substituídos
pela Palavra escrita. Nas qualificações dos pastores, eles nunca são
instruídos a usarem dons miraculosos ou a transmiti-los a outros. Seu
ministério é a Palavra escrita. O ministério do evangelho tem por finalidade
os seguintes pontos:
(1) Reconhecer que toda a Escritura é divinamente inspirada (ver II
Tim. 3:16).
(2) Pregar a Palavra de Deus (ver II Tim. 4:1-3).
(3) Atender à leitura (o Estudo), à exortação e ao ensino (ver I Tim.
4:13).
(4) Labutar na Palavra e no ensino doutrinário (ver I Tim. 5: 17).
(5) Estudar para saber dividir corretamente a Palavra de Deus (ver
II Tim. 2:15).
(6) Evangelizar (ver II Tim. 4:5).
Lembrem-se disso — o alvo do Espírito Santo é produzir homens
segundo a imagem de J esus Cristo — não no tempo da ressurreição dos
crentes, mas AGORA mesmo. Ele quer ajudar-nos a viver em nossos
corpos terrenos tal como J esus viveu no mundo. O Espírito Santo deseja
levar os homens à estatura da plenitude de Cristo, isto é, deseja levar os
homens à idade espiritual adulta. Ele anela produzir homens espirituais de
quem o Pai possa dizer: “Estes são Meus filhos, nos quais me comprazo”.
Dons e ministérios imperfeitos jamais puderam obter esse elevado
alvo. Isso só poderia ser concretizado através de um perfeito
conhecimento de Cristo. O conhecimento e a sabedoria perfeitos de Cristo
tornaram-se completos e foram postos à disposição dos homens quando a
Bíblia foi completada.
Talvez você fique surpreendido em saber que quem tem as
Escrituras completas tem mais conhecimento e sabedoria sobre Cristo do
que qualquer dos apóstolos isolados. Paulo escreveu para explicar que o
conhecimento dos apóstolos era incompleto: “... porque em parte
conhecemos, e em parte profetizamos. Quando, porém, vier o que é
perfeito, então o que é em parte será aniquilado” (I Coríntios 13:9, 10).
Um exemplo talvez nos ajude a entender melhor. Se tivéssemos de
remover o livro de Apocalipse do Novo Testamento, haveria qualquer
possibilidade de entendermos a volta de Cristo como deveríamos entendê-
la? Faria sentido o livro de Daniel? É por essa razão que a igreja de
Tessalônica estava confusa a respeito da volta do Senhor. A Paulo foi
conferida apenas uma parte para profetizar, a saber, que o Senhor
117

voltaria. Paulo não recebeu a revelação do retorno do Senhor, conforme o
apóstolo J oão a recebeu.
Um outro exemplo desse fato é a igreja de J erusalém. Por meio de
suas ações — eles venderam as suas propriedades — tomou-se evidente
que eles esperavam o retomo imediato de J esus. Eles não tinham o
conhecimento preciso da volta do Senhor, conforme agora é ensinada no
livro de Apocalipse. A falta de conhecimento pode causar a falta de
sabedoria.
A Palavra escrita de Deus é eterna. Os métodos e os milagres do
Espírito Santo usados para acreditar os escritores sagrados e suas
respectivas mensagens eram temporários. Cada fase das Escrituras
estava incompleta: a Lei, os Profetas e o Evangelho. Agora, porém, eles
se formam a produção completa e perfeita da Palavra escrita. Por meio
dela, os homens podem ser salvos e aperfeiçoados.
O Espírito Santo de Deus conferiu à Igreja a Palavra completa para o
trabalho de evangelizar, batizar e ensinar. Ele deu às igrejas o ofício
diaconal para cuidar dos aspectos materiais da obra das igrejas.
Com a produção terminada das Escrituras, bem como os ofícios
permanentes nas igrejas, todos os dons parciais e temporários tornaram-
se inúteis.
Qualquer indivíduo ou grupo de pessoas que insista em retomar ao
uso dos dons apostólicos está rejeitando a plenitude do Espírito Santo.
Eles enfatizam o “em parte” e rejeitam o perfeito e eterno Registro. Manter
em funcionamento os milagres depois que as Escrituras foram terminadas
seria como se os anjos anunciassem o nascimento de J esus depois que
Ele já retornara ao céu em Seu corpo ressurreto.
Hoje em dia, o Espírito Santo opera nas igrejas de Cristo através da
Palavra escrita. Aí é que Ele prometeu permanecer até ao fim dos séculos
(ver Mateus 16:18 e 28:19,20). Os ofícios que o Espírito Santo reconhece
atualmente nas igrejas são aqueles cujas qualificações Ele descreveu em I
Timóteo e em Tito.


118




“O espírito é o que vivifica; a carne
para nada aproveita; as palavras que
eu vos tenho dito são espírito e são
vida” (João 6:63).
“Santifica-os na verdade; a tua palavra
é a verdade” (João 17: 17).
“... tendo renascido, não de semente
corruptível, mas de incorruptível,
pela palavra de Deus, a qual vive e
permanece” (I Pedro 1:23).
119

Capítulo XII
A Plenitude do Espírito Santo na Vida do Crente
Ser cheio do Espírito Santo deve ser o grande desejo de todo o filho
de Deus. A plenitude do Espírito nos traz alegria e paz; e também redunda
na glória e honra de Deus. Ser cheio do Espírito Santo significa que o
crente está se desenvolvendo normalmente como um filho de Deus
deveria desenvolver-se. Significa que o crente está se tornando
semelhante a J esus. (Ver Efésios 4:13).
O propósito do divino plano de redenção é produzir uma raça de
gente espiritual que exiba a semelhança do Filho de Deus. A plenitude do
Espírito Santo produz em nós essa semelhança.
A plenitude do Espírito Santo é a condição espiritual de cada
indivíduo que está crescendo à semelhança de J esus, mediante o estudo
constante das Escrituras e mediante a submissão à vontade de Deus. O
Espírito Santo habita em cada pessoa salva; a plenitude do Espírito é
produzida pela Palavra da Verdade. Estar cheio do Espírito envolve um
processo de crescimento contínuo e não uma experiência repentina. Uma
pessoa cheia do Espírito Santo viverá o tipo de vida que J esus viveu —
uma vida caracterizado pela obediência às Escrituras.
A Bíblia ensina os pontos seguintes: (1) Quem pode ser cheio do
Espírito Santo. (2) O que sucede quando uma pessoa é cheia do Espírito
Santo. (3) Como você pode ser cheio do Espírito Santo. (4) O que impede
a plenitude do Espírito.
“... enchei-vos do Espírito...” (Ef. 5:18) é a instrução de Deus para o
Seu povo. Esse é o princípio básico para a vida espiritual. Paulo escreveu:
“Porque a inclinação da carne é a morte, mas a inclinação do Espírito é
vida e paz” (Rom. 8:6). O caminho ou pendor da carne produz corrupção e
destruição; o caminho ou pendor do Espírito traz vida e paz. As pessoas
que desejam ter uma vida feliz deveriam procurar encher-se do Espírito
Santo.
Toda e qualquer pessoa salva pode ser cheia do Espírito. Isso é uma
verdade porque toda pessoa salva é nascida do Espírito de Deus.
Qualquer pessoa nascida do Espírito pode ser cheia do Espírito Santo.
Não se deve confundir, contudo, a plenitude do Espírito Santo com o
novo nascimento, e nem com o batismo do Espírito Santo. São três coisas
diferentes. São tão diferentes quanto o nascimento, o banho e o
crescimento de um bebê. O nosso assunto, neste capítulo, é a plenitude
do Espírito Santo.
120

O pecador arrependido é lavado no sangue do sacrifício de Cristo no
momento em que ele confia em J esus como seu Salvador. Ele é perdoado
da penalidade do inferno e recebe a remissão dos seus pecados. Além
disso, nasce do Espírito de Deus. Nesse momento, ele nasce para fazer
parte da mais extraordinária qualidade de vida que existe — a vida eterna
— o mesmo tipo de vida que Deus tem em Si mesmo.
O pecador é salvo no momento em que crê e toma-se um novo ser
espiritual. Ele é então como um bebê recém-nascido — um indivíduo
completo. O indivíduo que nasce física ou espiritualmente nunca será mais
indivíduo do que no momento do seu nascimento. J amais isso envolverá
uma questão de ser nascido mais ou de ser mais pessoa.
A partir do instante de seu nascimento a pessoa está envolvida em
uma questão de desenvolvimento — o crescimento da vida já existente.
Algumas pessoas talvez nunca façam qualquer coisa na vida, mas isso
não se deve ao supor que elas sejam menos indivíduos do que outros.
Quando uma pessoa é salva — nascido pelo poder do Espírito de Deus —
é tão filho de Deus quanto jamais será daí por diante.
Ser cheio do Espírito Santo foi algo perfeitamente concretizado na
vida terrena de J esus. Ele foi o primogênito da nova raça espiritual. Tal
como J esus foi durante a Sua vida terrena, assim também Deus deseja
que sejam todos os Seus filhos por adoção. J esus nasceu pelo Espírito e
foi cheio do Espírito desde o Seu nascimento. Foi no Espírito que Ele
cresceu em estatura, em sabedoria e em favor diante de Deus e dos
homens ver Lucas 2:52.
Cada filho de Deus nasce do Espírito Santo e serve de residência
para o Espírito. Deus agora quer que o salvo renda a sua vontade, a sua
vida diária, e o seu todo à direção do Espírito Santo, a fim de que possa,
como filho de Deus, crescer como J esus cresceu. As crianças que aceitam
Cristo como Salvador podem e devem ser cheias do Espírito Santo. Os
jovens salvos podem e devem ser cheios do Espírito Santo. Os adultos, os
pais e as pessoas idosas salvos podem e devem ser cheios do Espírito
Santo. J esus foi cheio do Espírito Santo em cada fase de Sua vida terrena.
A vida de J esus Cristo tomou isso possível na vida dos salvos sem
importar a idade deles.
Que Acha Você Acontecerá Quando Alguém Está
Cheio do Espírito Santo?
A menção do Espírito Santo e do Seu poder usualmente desperta
ideias sobre alguma força miraculosa — grande poder — pelo que os
homens se tomem possuídos pelo poder divino para curar, para falar em
línguas e para realizar todo tipo de maravilhas e milagres. O que realmente
121

devemos esperar acontecer naquele que fica cheio do Espírito? O que
deve suceder conforme nos ensina a Bíblia?
As Escrituras ensinam claramente o que o Espírito de Deus almeja
realizar nas vidas dos crentes. Deus instrui aos Seus filhos. Suas
instruções são perfeitamente compreensíveis e práticas. Os filhos de Deus
devem ser um povo obediente, um povo trabalhador, um povo feliz. Essa
felicidade resulta de se fazer aquilo que a Palavra de Deus nos determina;
é o resultado da obediência a Deus.
Satanás tenta lançar na confusão todos os ensinamentos de Deus.
J amais Satanás obteve tão estrondoso sucesso como em seu esforço por
enganar as pessoas acerca da obra do Espírito Santo. Satanás apela para
as emoções e sensações carnais. Por meio de truques ele leva as
pessoas a confiarem em suas experiências e sentimentos, ao invés de
confiarem na Palavra de Deus.
Deus ensina-nos a aprender do Senhor, a crescer na graça e no
conhecimento (ver I Pedro 2:2; II Pedro 3:18) e a deixar o Espírito Santo
nos guiar (ver Romanos 8:14). Como você deve estar percebendo, tornar-
se um homem espiritual plenamente desenvolvido envolve um processo de
crescimento, da mesma maneira que tornar-se alguém um adulto é um
processo de crescimento físico e mental. Não há atalhos.
Espíritos enganadores e falsos mestres distorcem os ensinamentos
de Deus para darem a impressão que esse processo de crescimento é
uma experiência instantânea. Eles ensinam que mediante a imposição de
mãos, mediante a oração, mediante vigílias de noites inteiras e mediante
jejuns prolongados a plenitude do Espírito Santo pode ser obtida dentro de
pouco tempo. Ensinam os tais que ser cheio do Espírito Santo é uma
experiência como a que ocorreu no dia de Pentecoste, e não um
desenvolvimento espiritual, conforme se percebe na vida de J esus.
“Arrebatamentos” carnais têm purificado muitas vidas em momentos
de grande intensidade emocional. Porém, na maioria das vezes, o
demônio retorna mais tarde, encontrando assim a casa varrida, adornada
e vazia — o Espírito Santo nunca habitou naquela vida. Rapidamente, o
demônio dali expelido busca e traz consigo mais sete demônios para que
vivam naquela casa em sua companhia; e o estado final daquele indivíduo
torna-se pior do que antes. (Ver Mateus 12:45).
O Que Está Acontecendo Quando Alguém é Cheio do
Espírito Santo?
Uma pessoa enche-se do Espírito Santo por um processo mediante
o qual Deus toma posse da vida que foi comprada ao preço do sangue de
J esus Cristo. Deus compara a vida da pessoa salva a uma habitação
122

espiritual. (Ver I Coríntios 6:19). O Espírito Santo vem viver na vida salva a
partir do instante em que a pessoa crê em J esus Cristo. O desejo do
Espírito é dirigir essa vida no desenvolvimento espiritual — crescer
continuamente na fé e no favor diante de Deus e dos homens. A vida do
crente deveria assemelhar-se à vida terrena de J esus — sempre
crescendo, sempre cheio do Espírito Santo.
Imaginemos a vida do pecador como uma casa velha. J esus com-
piou-a para lugar de habitação do Seu Santo Espírito. Essa vida tornou-se
um templo do Espírito de Deus. Porém, ela se assemelha a uma casa
antiga e decaída que alguém compra porque viu as possibilidades da
mesma ser transformada em uma bela residência.
A condição daquela casa é deplorável. As janelas estão sujas, e
algumas delas estão quebradas. Teias de aranhas tomam conta dos
espaços interiores, o piso da casa está imundo e os alicerces estão
abalados.
Não obstante, foi pago o preço total pela propriedade. O novo
proprietário tem em sua mão o instrumento legal de compra; a propriedade
lhe pertence. Ele deseja transformar aquela casa em uma bela residência
onde ele e a sua família possam passar muitas horas felizes.
Têm início os reparos. Os alicerces são reforçados. O telhado é
consertado. A família começa a trabalhar nos reparos necessários na
cozinha. Um ar abafado enche os aposentos; as teias de aranha se
prendem aos cabelos de quem passa por ali. A poeira é espessa. Eles
tossem e espirram, enquanto fazem a limpeza. Vez ou outra, precisa sair
da casa para respirarem ar fresco e recuperarem as forças. As janelas da
cozinha são lavadas e abertas. Água e sabão lavam e retiram toda a
imundícia. Depois se faz a pintura. Que diferença! A cozinha, finalmente, é
equipada e embelezada.
Os proprietários passam para o aposento seguinte, O soalho está
encrespado e sujo; esqueletos de ratos jazem pelos cantos. Caixas de
destroços vários estão espalhados ao redor. As janelas são abertas e um
ar fresco vem circular por aquele ambiente. Água e sabão são usados com
abundância. O aposento é inteiramente limpo, as paredes são pintadas,
são colocados tapetes no soalho e os móveis são colocados. A sala
tornou-se novamente habitável e aconchegante.
A cozinha e a sala de estar foram transformadas e agora pulsam de
vida feliz. Um por um, os aposentos daquela casa são transformados em
lugares alegres, até que a casa inteira é possuída e transborda com a vida
do novo proprietário e seus familiares.
A vida de um pecador assemelha-se a uma casa antiga; arruinada,
feia, dotada de alicerces enfraquecidos, prenhe de morte e prestes a ser
123

inteiramente destruída. Mas Deus viu algo naquela vida. Percebeu o que
podia fazer por ela. Portanto, resolveu adquiri-la e transformá-la em Seu
lugar de habitação e enche-la com Sua glória.
A casa da vida do pecador custou muito caro. Ainda assim, Deus se
dispôs a pagar o preço completo por ela. Ele deu Seu Filho unigênito para
comprar aquela casa. J esus veio a este mundo a fim de pagar o preço.
Você percebe a transação que Ele realizou? O preço foi inteiramente pago
— na colina do Calvário. O sangue de J esus fluiu e ensopou o chão. J esus
morreu — a casa foi redimida.
Dentro de poucos dias depois de Sua morte, o Redentor retornou
aos céus. Deus enviou o Seu Espírito para tomar posse da casa e pô-la
em boa ordem. A casa é fraca, carnal, feia e repleta de coisas
indesejáveis. Não obstante, é a casa de Deus e Ele jamais a deixará e
nem a abandonará.
À semelhança daquela família que limpou e transformou totalmente a
antiga casa, o Espírito Santo também opera para limpar e transformar a
vida do pecador remido. O Espírito abre as janelas e o ar fresco do fôlego
de Deus começa a tomar conta dos aposentos. Então passam a ser
usados água e sabão — a Palavra da Verdade (ver Efésios 5:26 e J oão
17: 17) — que lavam e removem toda a sujeira. As janelas — os olhos da
fé (ver Hebreus 11: 13) são purificadas e lavadas com colírios (ver
Apocalipse 3: 18), sendo aplicada a luz da beleza de Deus, que então
pode tomai conta da casa e enchê-la com a glória do Senhor.
Teias de aranha e esqueletos de desejos carnais e prazeres
mundanos são retirados. Em seu lugar são introduzidos interesses
celestes, desejos espirituais e conversas sobre coisas que são puras, boas
e justas, na medida em que a Palavra de Deus vai sendo estudada e
obedecida.
O Espírito Santo mostra ao crente as suas fraquezas, bem como a
necessidade dele confessar os seus pecados (ver I J oão 1:8,9). O Senhor
fortalece o crente para que este domine os seus impulsos de ira, orgulho,
mentira e maledicência. Ensina-lhe que é mister perdoar a outros, tanto
quanto ele mesmo deseja ser perdoado. Por meio do Espírito Santo, o
crente começa a remover hábitos e pensamentos indesejáveis. Ação de
graças a Deus e pensamentos a respeito de J esus Cristo começam a
tomar conta de sua mente e de seu coração. „
“... enchei-vos do Espírito... na realidade significa que devemos
permitir que o legítimo Proprietário ocupe plena e perfeitamente a vida que
Ele adquiriu para Si mesmo. “Porque fostes comprados por bom preço...” (I
Cor. 6:20). Deus não somente nos instrui a sermos cheios do Espírito
Santo, mas também Ele torna possível essa plenitude. Deus jamais nos
pede que façamos alguma coisa sem que igualmente nos ofereça o poder
124

de obedecermos. Deus não é arbitrário. Seus mandamentos são razoáveis
(ver Romanos 12:1,2), e esses mandamentos nos são dados para nosso
benefício e para nossa alegria. Todo pai espera que seus filhos lhe
obedeçam; Deus também espera que Seus filhos Lhe sejam obedientes.
Nosso Pai celeste compreende as nossas limitações e fraquezas.
Algumas vezes nossos pais terrenos se esquecem dessas nossas
limitações. Às vezes esperam mais de seus filhos do que eles são capazes
de realizar. Lembro-me da primeira vez em que meu pai me mandou arrear
o cavalo. A coelheira não queria ajustar-se no seu lugar. (Como é que eu
ia saber que ela não podia ajustar-se de cabeça para baixo?) O cavalo era
alto demais para mim. Era-me impossível realizar aquele trabalho até
alguém me ajudasse.
Deus nunca nos baixa uma ordem que seja superior às nossas
habilidades, a menos que Ele mesmo supra as forças necessárias. J esus
determinou ao homem de mão mirrada: “Estende a tua mão” (Mat. 12:13).
O homem conseguiu estender a mão porque J esus lhe outorgou o poder
necessário para tanto. Diante do túmulo de Lázaro, J esus levantou a voz e
disse: “Lázaro, vem para fora” (J oão 11:43). E Lázaro saiu do sepulcro
porque J esus lhe supriu o poder da ressurreição.
J esus ordenou aos apóstolos que fossem por todo o mundo e
pregassem o evangelho entre todos os povos, batizando os que cressem e
ensinando-lhes tudo quanto lhes havia mandado. Para cumprir essa
gigantesca tarefa, Ele lhes enviou o Espírito Santo.
Na vida do crente, o Espírito Santo fortalece para realizar tudo
quanto Deus nos ordena fazer e ser. O crente precisa confessar a sua
fraqueza ao Pai, pedindo-Lhe ajuda. O Pai não nos dará uma pedra em
lugar de pão (ver Lucas 11:11-13). Ele não desprezará as nossas
fraquezas (ver Tiago 1:5). Ele nos abençoará e nos proporcionará toda a
força necessária.
O Espírito Santo deseja encher o crente consigo mesmo. Ele quer
ser o nosso constante Companheiro, Guia, Força e Alegria. Há três
qualidades que as obras do Espírito Santo sempre possuem, e Ele quer
que essas qualidades guiem as vidas daqueles em quem Ele habita. “...
(porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça, e verdade)...
(Ef. 5:9).
Para saber se algo que você esteja fazendo ou desejando fazer
provém do Espírito Santo, indague de você mesmo estas três perguntas:
(1) Isso produzirá a bondade? Ê algo bom?
(2) Isso é justo, isto é puro e bom?
(3) Isso se harmoniza com a verdade, ou seja, está em harmonia
com aquilo que a Bíblia ensina?
125

O Espírito Santo produz a bondade, a pureza e a verdade na vida do
crente. Ele produz bondade, pureza e verdade na vida diária do crente -
nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações. O Espírito
Santo não atua para produzir superficialidades religiosas.
Como Age Alguém Quando Está Cheio do Espírito
Santo?
A Bíblia responde a essa pergunta com notável clareza. É possível
que você esteja a caminho de ter uma grande surpresa.
Sem importar a sua idade, se você é uma pessoa salva, então pode
ser cheio do Espírito Santo. Na verdade, você deveria viver cheio do
Espírito Santo.
Queira você responder a essa indagação? Como é que você pode
dizer se um balde, um copo, uma garrafa ou um tanque está cheio? É isso
mesmo... Quando ele começa a transbordar.
As Escrituras ensinam-nos quando podemos dizer que uma pessoa
salva está cheia do Espírito Santo da mesma maneira, a saber, quando ela
transborda. Quando um crente qualquer — menino ou menina, homem ou
mulher, escravo ou senhor — está cheio do Espírito Santo, ele transborda.
“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de
água viva” (J oão 7:38).
Você sabia que a Bíblia ensina essa verdade? A mulher que vive
cheia do Espírito Santo extravasa. O homem cheio do Espírito Santo
também extravasa. Meninos e meninas cheios do Espírito Santo
extravasam. Patrões e empregados cheios do Espírito Santo extravasam.
Eles transbordam de bondade, de pureza e de verdade; não fervem de
imundícias, de mentiras e de ações más.
Qualquer vaso é capaz de transbordar uma vez que esteja cheia.
Qual é o sinal ou a evidência desse extravasamento — desse estar
cheio do Espírito? O trecho de Efésios 5:18 nos admoesta:.. enchei-vos do
Espírito...” Agora, por favor, siga-me pelo resto da epístola aos Efésios, em
seus capítulos quinto e sexto. O trecho de Efésios 5: 19 - 6: 9 mostra-nos
no que consiste esse extravasamento do Espírito Santo na vida do crente.
Essas evidências identificam primeiramente os salvos, em relação
com uma igreja; e também aludem à posição de cada indivíduo diante de
Deus. Em primeiro lugar, as pessoas que estão cheias do Espírito desejam
reunir-se fielmente, louvando e servindo ao Senhor. “... enchei-vos do
Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração
ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais...” (Isso tem por escopo louvar
a Deus e não o entretenimento da carne). Crentes cheios do Espírito
126

Santo transbordam de ações de graça por todas as coisas que Deus Pai
tem feito.
Uma igreja cujos membros são cheios do Espírito desfruta da
presença de crentes que se amam e que se sujeitam... “Uns aos outros no
temor de Cristo” (Ef. 5:19-21). As pessoas cheias do Espírito Santo dão ao
dia do Senhor a primazia acima de qualquer outro dia, bem como à
reunião na igreja do Senhor acima de quaisquer outras organizações.
Ninguém pode estar cheio do Espírito se ignorar o dia do Senhor ou a
Igreja do Senhor.
Em seguida, a Bíblia mostra-nos o que sucede quando uma mulher
vive cheia do Espírito Santo. Ela mostra-se submissa a seu próprio marido.
E isso mesmo. A plenitude do Espírito em uma mulher não se pode
observar quando ela fala em línguas, quando ela procura chefiar a própria
família ou quando ela procura dirigir o espetáculo. A mulher cheia do
Espírito Santo é fiel à sua igreja e submissa a seu próprio marido.
Enquanto ela não fora submissa a seu marido em toda a bondade, pureza
e verdade, ela não estará vivendo cheia do Espírito, embora tenha nascido
do Espírito. Quando uma mulher é o tipo certo de esposa, sob o Senhor,
ela se ajusta bem á tudo o mais.
E como é que podemos dizer quando um homem está cheio do
Espírito Santo? Quando ele transborda. E, quando ele transborda, ele ama
à sua esposa tanto quanto ama a si mesmo — e isso representa um
bocado de amor! Os homens cheios do Espírito amam suas esposas como
Cristo amou à Igreja. Essa modalidade de amor é extremamente rara, e
isso revela-nos que muitos homens crentes não vivem cheios do Espírito,
incluindo até mesmo muitos pastores. Leia cuidadosamente o trecho de
Efésios 5: 25-33. Lembre-se que Deus não atende às orações dos homens
que costumam maltratar suas esposas. (Ver I Pedro 3:7).
É possível dizermos quando jovens e crianças vivem cheios do
Espírito Santo. O sinal que nos mostra que filhos e filhas vivem cheios do
Espírito é a obediência deles à mamãe e ao papai, no Senhor. (Ver
Efésios 6:1). Os filhos que não honram seus pais não vivem cheios do
Espírito Santo. Eles talvez sejam pessoas salvas, ativas no trabalho de
sua igreja; mas podemos estar certos de que não estão cheios do Espírito
de Cristo. É simplesmente impossível que filhos e filhas estejam honrando
a Deus Pai se é que não honram e nem obedecem a seus pais terrenos.
A plenitude do Espírito Santo também se evidencia no
relacionamento dos crentes como patrões e empregadores — senhores e
servos (ver Efésios 6:5-10). Os homens cheios do Espírito Santo
trabalham com. honestidade, como se estivessem servindo ao próprio
Senhor (ver Efésios 6:5-7). Homens crentes que têm empregados sob as
127

suas ordens haverão de tratá-los conforme eles mesmos são tratados por
Cristo. (Ver Efésios 6:8,9).
A plenitude do Espírito Santo produz certo efeito, satisfazendo
determinada necessidade que se manifesta em cada vida cristã. Deus
menciona as esposas em primeiro lugar porque o papel por elas
desempenhado é extremamente vital dentro de uma família que vive cheia
do Espírito. Os maridos que realmente amam suas mulheres como a si
mesmos terão pouca dificuldade com esposas insubmissas.
A obediência a pai e mãe é mencionada como um sinal do
“transbordamento” dos jovens, porquanto a coisa mais difícil para um
jovem fazer é honrar e obedecer a seus pais. Tais vidas serão
caracterizadas pela bondade, pela pureza e pela verdade.
Empregadores e empregados cheios do Espírito Santo são a
resposta para os problemas trabalhistas. Algumas vezes, indivíduos salvos
furtam as empresas onde trabalham em termos de tempo ou mesmo de
ferramentas ou de material. Esses crentes não vivem cheios do Espírito da
Verdade, embora talvez ocupem posições proeminentes em suas
respectivas igrejas.
Alguém indaga: “Você quer dizer que isso é o que acontece quando
há pessoas cheias do Espírito Santo?”
“Isso é exatamente o que a Bíblia ensina”.
Algumas vezes, até parece ser capaz de ouvir pessoas dizendo
coisas como seguem:
“Por que Deus diz que eu tenho de ser submissa a meu marido?
“Por que Deus afirma que preciso amar à minha mulher como a mim
mesmo, e como Cristo amou à Sua Igreja?”
“Por que tenho de obedecer a meus pais? Eles são apenas uns
velhotes ultrapassados.”
“Por que tenho de trabalhar para o meu patrão como se eu estivesse
trabalhando para Cristo?”
“Como poderei tratar corretamente os meus empregados, e, ao
mesmo tempo, auferir bons lucros em meus negócios?”
Você deve estar percebendo, não é verdade, que Deus baixou esses
poucos itens porque eles servem de evidências seguras do
transbordamento do Espírito Santo em nossas vidas?
Alguém talvez pergunte: “Mas, a plenitude do Espírito Santo não leva
as pessoas a produzirem milagres?”
Sim, mas não os milagres de línguas estranhas, de cura de
enfermos, ou de ressurreição de mortos. A plenitude do Espírito produz o
128

milagre de uma vida piedosa — semelhante à vida terrena de J esus Cristo.
Ele produz homens, mulheres, meninos e meninas que tragam a similitude
de J esus, que vivem conforme Ele viveu durante os anos em que residiu
em Nazaré. Esse é o milagre que transformará as nossas igrejas em
corpos de Cristo que redundem na glória de Deus Pai. Esse é o milagre na
vida do crente, o que levará Deus a dizer de você: “Esse é meu filho, no
qual me comprazo”.
A próxima pergunta que quero formular é de natureza pessoal. Para
que o leitor faça melhor ideia do que significa viver cheio do Espírito Santo,
a minha pergunta é esta: VOCÊ DESEJ A VIVER CHEIO DO ESPIRITO
SANTO? Espero sinceramente que a sua resposta seja um “sim”. O desejo
de ser cheio do Espírito é o primeiro passo na direção do sucesso
espiritual.
É bastante fácil dar-se esse passo. Consiste em se chegar ao lugar
onde o crente diga para Deus com toda a humildade e sinceridade: “Sim,
Pai, realmente quero ser o tipo de filho que TU queres que eu seja”.
Ninguém pode viver cheio do Espírito a menos que se humilhe na
presença do Senhor.
Não se esqueça disto — o enchimento do Espírito Santo não é uma
experiência que ocorra de maneira imediata e de uma vez por todas. Pelo
contrário, é um processo de desenvolvimento espiritual, tal como J esus
também teve de experimentar, na medida em que Ele ia crescendo em
estatura, sabedoria e favor diante de Deus e dos homens. NÃO HÁ
ATALHOS! NÃO PERMITA QUE SATANÁS O ENGANE!
Você precisa conscientizar-se do fato que Deus comprou a sua vida
— corpo e alma. O seu corpo é a casa que Ele adquiriu para Si mesmo.
Você deve estar disposto a permitir que o Senhor tome posse da casa
inteira, de cada aposento, cantinho e escaninho. E então Ele limpará,
lavará, embelezará e encherá essa casa com uma linda maneira de viver.
E você desfrutará de uma alegria que ultrapassa a todo esforço da
imaginação.

129

Tabela nº 07 – A Vida Cheia do Espírito – Como?

Efésios 5:18 - 6:9 Colossenses 3:16 - 4:1
Admoestação Divina
Enchei-vos do Espírito (Efésios 5:18) A palavra de Cristo habite em vós
abundantemente (Colossenses 3: 16)
Resultados Coletivos nas Vidas Cheias do Espírito
Deus é louvado 5:19 Deus é louvado 3:16
Ações de graças 5:20 Ações de graças 3:17
Pai glorificado no Filho 5:20 Pai glorificado no Filho 3:17
Resultados Individuais
Esposas submissas 5:22-24 Esposas submissas 3:18
Maridos amorosos 5:25-32 Maridos amorosos 3:19
Filhos obedientes 6:1-3 Filhos obedientes 3:20
Pais piedosos 6:4 Pais piedosos 3:21
Trabalhadores piedosos 6:5-8 Trabalhadores piedosos 3:22
Patrões piedosos 6:9 Patrões piedosos 4:1

COMO ISSO PODE SER FEITO? COMO UMA PESSOA SE ENCHE
DO ESPÍRITO SANTO? A Bíblia também nos fornece a resposta para
essas perguntas. A resposta encontra-se no trecho de Colossenses 3:16,
onde se lê: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a
sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros...” Um
exame criterioso desse versículo, e a comparação do mesmo com o trecho
de Efésios 5:18, que diz: “... enchei-vos do Espírito...”, mostrará que essa
declaração é sinônimo com “A palavra de Cristo habite em vós
abundantemente”. Essas expressões significam a mesma coisa; produzem
idêntico resultado.
As provas de que estamos cheios do Espírito já foram examinados.
Agora, faremos uma comparação entre os trechos de Colossenses 3:16-
4:1 e Efésios 5: 18 — 6: 9, gráfico nº 7, o que deixará claro como é que
uma pessoa pode ser cheia do Espírito Santo.
Conclusão: Não restam dúvidas — “Enchei-vos do Espírito” e “Habite
ricamente em vós a palavra de Cristo” são expressões sinônimas. Essa
130

conclusão é justificada pelos resultados demonstrados na comparação
entre essas duas passagens bíblicas.
Esses são os resultados que o Espírito Santo almeja produzir em
nossas igrejas da atualidade. Esse é o poder e esses são os resultados
que as nossas igrejas precisam. Elas podem obter esses resultados
mediante o estudo da Palavra de Deus e a obediência à mesma. Não há
outra maneira de alguém ser cheio do Espírito Santo.
A expressão “Enchei-vos do Espírito” significa que devemos encher
as nossas vidas com a Palavra de Deus, mediante o estudo, a meditação
e a obediência submissa à mesma. O primeiro Salmo descreve a vida do
homem cheio do Espírito.
As Escrituras enchem-nos com o Espírito porque as palavras de
Cristo são espírito e são vida (ver J oão 6:63). Quando a Palavra de Cristo,
as Escrituras Sagradas, tomam conta de nossas vidas, isso significa que
estamos cheios com a vida do Espírito de Deus.
A Palavra de Deus torna-nos cônscios do pecado. Isso não acontece
da noite para o dia. Porém, na medida em que vamos crescendo na graça
e no conhecimento de Cristo, até mesmo a mais leve ofensa contra Deus e
contra os nossos semelhantes assume proporções de ofensa grave aos
nossos olhos. Pequenas palavras tolas perdem o seu encanto quando o
Espírito Santo faz-nos lembrar que devemos eliminar das nossas vidas
toda a “chocarrice”, segundo se vê em Efésios 5: 4. Mentira, malícia, maus
desígnios, pornografia e conversa torpe tomam-se abomináveis e
desprezíveis quando a Palavra de Deus enche os nossos pensamentos.
Leia a passagem de Efésios 5:1-9.
A preocupação excessiva será por nós reconhecida como uma
desobediência e uma desconfiança para com o Senhor. As promessas de
Deus, de que Ele cuidaria de nós, tornam-se a nossa força (ver I Pedro 5:
7, 8). As Escrituras ensinam-nos que as pequenas raízes de amargura terá
que ser arrancadas dos nossos corações, se o Espírito Santo tiver de
encher as nossas vidas com alegria e frutificação espiritual. (Ver Hebreus
12:15).
Ser cheio do Espírito Santo é ser conduzido pelo Espírito (ver
Romanos 8:5, 12-15). É ser santificado (ver J oão 17:17).
Se tivermos de encher um vaso com alguma coisa será necessário
esvaziá-lo de qualquer outra coisa e limpá-lo. Quando minha esposa
prepara compotas ou pickles, ela os põe em jarras de vidro. Antes de
encher as jarras, essas precisam ser totalmente esvaziadas, lavadas com
perfeição e então escaldadas com água fervente. A pureza e a impureza
não podem ser misturadas sem que a pureza fique contaminada. Após as
jarras haverem sido assim esterilizadas, então minha esposa as enche
131

com as compotas ou os pickles, e, em seguida, as jarras são
hermeticamente fechadas. Para que você seja cheio do Espírito Santo, a
sua vida precisa ser constantemente limpa das impurezas. O próprio “eu”
deve ser extraído do vaso de sua vida, a fim de que você possa ser
possuído pelas belezas de Cristo.
Sugestões para Ajudá-lo a Encher Sua Vida com o Espírito Santo e a
Crescer à Semelhança de Cristo
(1) Desenvolver a consciência da presença do Espírito Santo em
sua vida. Seja cônscio de Sua presença ao levantar-se pela manhã, ao
tomar suas refeições, enquanto caminha, enquanto se diverte, enquanto
estuda e enquanto ora. Lembre-se que Ele é quem lhe traz à memória a
bondade de Deus, as coisas agradáveis que você deve dizer a outras
pessoas, os nomes das pessoas por quem você deve orar, as pessoas
para quem você deve testificar acerca da salvação, e as coisas que você
pode fazer para trazer felicidade ao próximo, especialmente quando se
trata de pessoas de sua família. A consciência de pensamentos e atos
semelhantes aos de Cristo em sua vida torná-lo-á mais certo da promessa
da presença do Espírito em sua vida. Tais pensamentos e atos encherão o
seu coração enquanto estiver estudando a Palavra de Deus, obedecendo-
a, e andando em comunhão com o Senhor, mediante a confissão de seus
pecados. O Espírito
Santo lhe trará à mente as palavras da Bíblia, quase como uma voz
audível.
(2) Estabelecer um horário definido, a cada dia, para passar em
meditação sobre o que J esus tem feito por você. Memorizar as Escrituras
que mostram o que Ele tem feito por nós, como, por exemplo: “Deito-me e
pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta” (Sal. 3:5).
(3) Ao mesmo tempo, examinar o seu coração e os seus
pensamentos, confessar os seus pecados que jazem ocultos em sua vida.
Esses pecados estão ocultos somente dos homens, mas não de Deus.
(4) Dedicar tempo, diariamente, à leitura de uma porção da Bíblia.
Meditar sobre a porção lida e aplica-la em sua vida diária. Isso serve de
alimento para o seu espírito. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda
palavra que procede da boca de Deus” (Mat. 4:4).
(5) Pedir perdão de qualquer pessoa a quem você porventura
tenha ofendido ou contra quem tenha praticado alguma injustiça. A
confissão de nossos pecados a Deus não nos exime de pedir perdão
daqueles a quem tivermos ofendido. Os pais que tiverem ofendido a seus
filhos precisam pedir-lhes perdão. Os filhos que tiverem ofendido a seus
pais também precisam pedir-lhes perdão. Maridos e mulheres precisam
pedir perdão um ao outro, no caso de ofensas entre eles. “Antes sede uns
132

para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos
outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef. 4: 32). Não agir
assim serve somente para entristecer ao Espírito Santo. (Cf. Efésios 4:30).
(6) Prontificar-se a perdoar a outras pessoas.
(7) Relatar a outros o que Cristo tem feito por você, o que Ele
significa em sua vida, e as coisas novas que você pode aprender dia a dia
em seus estudos bíblicos.
(8) Fazer o dia do Senhor ser exatamente isso em sua vida. O dia
do Senhor (o domingo) deveria ser um dia de bênção espiritual para você.
O sábado, o sétimo dia da semana, era muito importante para os judeus,
os quais viviam debaixo da lei mosaica. Quão mais importante deveria ser
o dia do Senhor para nós, visto que representa o fato que J esus morreu
por nós, os pecadores. Estude atentamente o trecho de Hebreus 10:28,
29.
(9) Ser fiel na frequência a uma igreja que satisfaça às
qualificações do Novo Testamento. Pessoalmente, eu lhe recomendo uma
igreja Batista.
Coisas que Impedem o Espírito Santo de Encher a
Vida do Crente
O Espírito Santo é uma pessoa. Ele é uma pessoa tanto quanto
J esus é uma pessoa. Os homens entristeciam a J esus, ofendendo-O. Ele
foi desprezado por alguns indivíduos que não acreditavam nEle, e até
mesmo pelos Seus apóstolos, quando não compreendiam o que ou por
quê Ele fazia ou ensinava isto ou aquilo. Os homens ofereciam resistência
a J esus. A atitude dos judeus que repeliram J esus como Senhor e
exigiram a Sua crucificação são exemplos de indivíduos que Lhe
ofereceram resistência.
Do mesmo modo, podemos resistir ao Espírito Santo, ou entristece-
lo, e até mesmo extingui-lo. Quando isso sucede na vida de um crente, os
resultados transparecem em toda a sua maneira de viver. As divisões em
uma igreja indicam o espírito de carnalidade e de egoísmo nas vidas dos
membros. A amargura em nossos corações para com certas pessoas
revela pecados não-confessados em nossas vidas. A malícia e a
maledicência fazem todos reconhecerem que a bondade do Espírito de
Deus não está tomando conta das nossas vidas. (Ver Mateus 12: 34-37).
A desonestidade é ser falso — é mentir.
O consentimento prazeroso de maus pensamentos, de conversas
torpes e de literatura ímpia são impureza e impiedade.
133

Tais condições e atitudes na vida de um crente servem de evidências
que a sua casa é carnal e está suja. Os crentes que exibem essas
péssimas sementes do mal nas suas vidas acabarão colhendo
consequências terríveis.
O velho homem carnal é o inimigo do Espírito de Deus. Seguir os
desejos da nossa velha natureza traz corrupção, morte e intensa tristeza.
Você tem que ser honesto para com Deus, se quiser livrar sua vida desses
obstáculos ao poder do Espírito Santo em sua vida. Você precisa
confessar os seus pecados, individualmente, e não apenas de maneira
geral. “Deus, perdoa-me, se eu pequei”, é pior do que não fazer qualquer
confissão. Na confissão de seus pecados, o pecador deve fazer boa
pontaria, acertando nos seus pecados em confissão um por um.
Tendo confessado os seus pecados, você precisa pedir ao Senhor
que o ajude a dominar as suas fraquezas, os seus desejos maus e os seus
hábitos impuros. Cada pecado deve ser confessado, e isso de cada vez
em que eles foram cometidos. J esus ensinou que deveríamos perdoar a
um irmão setenta vezes sete. Ele não nos perdoa menos vezes. A
confissão produz a consciência de nossa fraqueza e também da bondade
divina. Na medida em que a nossa fraqueza nos é revelada, mediante a
confissão dos nossos pecados começamos a depender do poder de Deus
e isso é o começo da vitória sobre o pecado. A força de Deus nos chega
por meio do estudo e da meditação constante das Escrituras. A Bíblia nos
outorga forças e crescimento no conhecimento e na energia de Cristo.
Não há substituto para a confissão de pecados. Essa é a única
maneira pela qual os crentes podem viver em comunhão com Deus. J oão
deixou isso claro em sua primeira epístola, ao dizer: “Estas coisas, vos
escrevemos para que o vosso gozo se cumpra. E esta é a mensagem que
da parte dele temos ouvido e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há
nele trevas nenhumas. Se dissermos que mantemos comunhão com ele, e
andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Se,
andarmos na luz, como ele na luz está, mantemos comunhão uns com os
outros, e o sangue de J esus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o
pecado. Se dissermos que não temos pecado enganamo-nos, a nós
mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados,
ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça” (I J oão 1:4-9).
Quando os crentes vivem seguindo os seus desejos carnais e
desfrutam dos prazeres mundanos, o Espírito Santo é impedido de tomar
suas vidas semelhantes à de Cristo J esus. (Ver Gálatas 5: 16). Lembre-se
que o Espírito Santo é uma pessoa. Podemos entristecê-lo, podemos
oferecer-Lhe resistência e podemos abafá-lo. Quando essas condições
prevalecem em nossas vidas, o Espírito Santo não pode nos encher.
134

Podemos extinguir o Espírito Santo (ver I Tessalonicenses 5: 19).
Nessa mesma passagem, Paulo menciona diversas coisas de natureza
prática que são benéficas para os crentes. Diz ele: “... segui sempre o
bem, entre vós e para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar.
Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo J esus
para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias;
julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma
de mal” (ITes. 5:15-22).
Extinguir o Espírito é a mesma coisa que apagar as chamas, abafar.
O Espírito Santo dirige a vida do crente de acordo com a Palavra de Deus.
O Espírito Santo pode falar-nos através de uma voz interna — o
testemunho do Espírito para o nosso próprio espírito. O Espírito pode
despertar ajudar a outrem, de falar com alguém sobre a sua alma, ou de
orar especialmente por alguém ou por alguma coisa, em uma ocasião em
que nem pensávamos em tal coisa.
Quando o Espírito fala conosco desse modo, Ele sempre fala em
conformidade com a Palavra de Deus. Não interrompa, portanto, a Sua voz
e a Sua liderança. Não ignore o que Ele lhe estiver sugerindo. Os filhos de
Deus sempre deveriam sintonizar os seus ouvidos espirituais à voz do
Espírito. As ovelhas de Deus ouvem e Sua voz e seguem-nO; mas um
estranho não seguirão. (Ver J oão 10:5).
O Espírito Santo pode ser extinguido — interrompido ou ignorado —
por falta de dedicação e por falta de submissão à vontade de Deus. A
indiferença também abafa o Espírito.
A resistência ao Espírito Santo é um caminho certo para se impedir
que Ele encha a sua vida. Estêvão disse aos habitantes de J erusalém:
“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre
resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais,” (Atos 7: 51).
Resistir ao Espírito Santo é rebelar-se contra Deus. É endurecer o coração
contra a vontade do Senhor. (Ver Hebreus 3:7,8).
O Espírito Santo é resistido quando sabemos a verdade, mas nos
recusamos a obedecer. Isso sucedeu ao povo de Israel, quando se
recusaram a entrar na Terra Prometida. Foi o caso dos habitantes de
Nazaré, quando, apesar de reconhecerem as virtudes de J esus, ainda
assim O rejeitaram e tentaram precipitá-lo do monte. (Ver Lucas 4: 29).
O Espírito Santo pode ser entristecido. Paulo escreveu no trecho de
Efésios 4: 30: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais
selados para o dia da redenção”. Que é que O entristecia? A resposta
acha-se no versículo seguinte: “amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias e
toda a malícia (desejo de vingança).” O Espírito Santo se entristece diante
de pensamentos e atos malignos, impuros, e vingativos.
135

A velha natureza carnal sempre desprezará a presença do Espírito
Santo. O velho homem fará tudo ao seu alcance para impedir-Lhe de
possuir as nossas vidas plenamente. O velho homem tentará fazer coisas
más a fim de entristecer o Espírito de Deus, mostrar-se-á indiferente e
preguiçoso a fim de abafá-10, e tornar-se-á irado e violento em resisti-lo.
Para o crente ser cheio do Espírito de Deus, a velha natureza tem
que ser dominada. Isso envolve a mão disciplinadora do Pai. “... porque o
Senhor corrige a quem ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se
suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a
quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são
feitos participantes, sois então bastardos e não filhos. Além do que
tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os
reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para
vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos
corrigiam como bem lhes parecia; mas este (o Pai), para nosso proveito,
para sermos participantes da sua santidade” (Hebreus 12:6-10).
Os filhos de Deus não somente são disciplinados, mas também
sofrem neste mundo, tal e qual J esus sofreu. O mundo haverá de odiar-
nos, da mesma maneira que odiava a J esus. Satanás odiará e lutará
contra todo filho de Deus que viva cheio do Espírito. Alguns dos apóstolos,
se não todos, foram mortos pela causa de Cristo. Todos quantos vivem
piedosamente serão perseguidos pela causa de Cristo J esus.
Deus sabia que todos quantos buscam servi-lo e ser guiados por Seu
Espírito seriam atacados por Satanás e pelas forças do mal. Por esse
motivo, Deus deu instruções explícitas de como podemos resistir a
Satanás. Essas instruções seguem imediatamente após as instruções
sobre como podemos ser cheios do Espírito Santo. (Ver Efésios 6:10-18).
Deus preparou uma armadura completa para os Seus servos. Quando ela
é usada corretamente, Satanás não pode prejudicar os filhos de Deus.
Eis aqui a armadura e as instruções que Deus baixou para o Seu
povo, que eles obtenham a vitória no conflito espiritual. Estude
cuidadosamente o trecho de Efésios 6:10-18.
(1) Confie somente no poder de Deus — 6:10.
(2) Reconheça que o conflito espiritual é contra os poderes
espirituais, e não contra seres humanos — 6:12.
(3) Revista-se da inteira armadura de Deus. Não se esqueça de
qualquer peça do seu equipamento — 6:11,12.
(4) O cinturão da verdade — 6:14.
(5) O peitoral da justiça — a pureza — 6:14.
136

(6) A preparação dos pés com a propagação do evangelho.
Resguarde bem os seus pés, pois Satanás sabe que o evangelho precisa
de pés preparados - 6:15.
(7) O escudo da fé. Satanás lança muitos dardos inflamados —
palavras maldosas e ameaçadoras — e a única maneira de não ser
atingidos é confiar em Deus — 6:16.
(8) O capacete da salvação — a Palavra de Deus — 6:17.
(9) A oração constante. Mantenha-se em contato com seu quartel-
general e com o depósito de suprimentos — 6:18.
(10) Ore pela propagação do evangelho da paz — 6:18,19.
Faça uma comparação dessa armadura do crente e dessas
instruções com a vida de J esus Cristo. Você verificará que J esus utilizou
essa mesma armadura em vencer a Satanás durante Sua vida neste
mundo. Tal como Cristo venceu, assim também podemos vencer,
mediante o Seu poder. A vida cheia do Espírito é uma batalha contra
Satanás e todas as suas hostes malignas.
Conclusão
Os filhos de Deus deveriam ser grandes guerreiros. O perfeito
exemplo é a vida do Senhor J esus Cristo. Ele veio à batalha quando todos
os homens estavam derrotados e destituídos de esperança. Ele veio à
terra como Davi foi ao campo de batalha depois que os filisteus haviam
amedrontado a todos os soldados israelitas presentes. Davi entrou na
batalha em nome do Senhor e assim matou o gigante Golias; J esus veio
no poder e no Espírito de Deus e destruiu o poder de Satanás, bem como
tudo quanto separava os homens de Deus e da salvação.
O Espírito que ungiu o Senhor J esus Cristo e O tornou vitorioso
sobre todos os inimigos é o mesmo Espírito do qual todo o salvo nasce.
Por isso, pelo Espírito Santo há a possibilidade que cada filho de Deus
viva na semelhança de J esus Cristo. O Espírito Santo deseja tornar-nos
semelhantes a J esus. Ele quer tornar-nos semelhantes ao Filho de Deus
em nossas vidas diárias que a alegria e a paz reinem em nossos corações.
Ele deseja manifestar a verdade, a pureza e a justiça através de nossas
vidas para um mundo que jaz em trevas, no pecado e na condenação.
Para tanto o Espírito Santo também nos proporcionou instruções para que
sejamos grandes guerreiros em prol da causa de Cristo. O Espírito Santo
pode tornar-nos filhos e soldados semelhantes a J esus Cristo. Ele é capaz
de fazer ambas essas coisas utilizando-se das Escrituras. Encha a sua
vida com a Palavra do Senhor, mostre-se obediente a ela, e o Espírito
137

Santo fará você tomar-se um grande filho de Deus e um habilidoso
soldado do evangelho. Você estará cheio do Espírito Santo.

“Bendito o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, o qual nos
abençoou com todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em
Cristo; como também nos elegeu
nEle antes da fundação do mundo,
para que fossemos santos e
irrepreensíveis diante dEle em amor;
e nos predestinou para filhos de
adoção por Jesus Cristo, para si
mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade, para louvor da sua graça,
pela qual nos fez agradáveis a si no
Amado.” (Efésios 1:3-6).
138

Capítulo XIII
Pensamentos Finais
Tendo chegado a esta altura do livro, você já deve ter notado a
ausência de citações extraídas de outros escritores. Essa ausência não se
deve à falta de bons e mesmo excelentes livros concernentes ao Espírito
Santo, pois há muitos.
O meu propósito neste volume tem sido, entretanto, o de apresentar
o que a Bíblia diz sobre a obra do eterno Espírito de Deus. O Livro de
Deus revela-nos a realidade sobre o próprio Deus e sobre o Seu eterno
propósito relativo ao homem. O propósito eterno de Deus está centralizado
na Pessoa e na realização de J esus Cristo. Foi pelo Filho que Deus
resolveu trazer a graça e a verdade aos homens. E a obra remidora de
J esus que torna possível o eterno relacionamento entre Deus e o homem,
como Pai e filho. Devido à Sua realização remidora, J esus recebeu da
parte do Pai um nome que é sobre todo o nome.
A graciosa realização de Cristo — Sua morte, sepultamento e
ressurreição — não poderia surtir qualquer efeito entre os homens não
fora a obra do Espírito Santo. É Ele quem torna eficaz os resultados da
realização de Cristo nos corações humanos.
O propósito do eterno plano de Deus é redimir um povo, transforma-
lo na semelhança de Cristo, desfrutar da sua comunhão, e unir-se com ele
da mesma maneira que o Pai e o Filho estão unidos um ao outro.
Em nossa época, o Espírito Santo é a Pessoa mais proeminente da
Trindade entre os homens, pois é Ele quem habita nos crentes e nas
igrejas de J esus Cristo. J esus é o centro e o alvo de toda a realização do
Espírito. Ele é o Amado do Pai e é a plenitude da Divindade.
O Espírito Santo tem um único objetivo em todas as Suas
realizações — glorificar ao Filho. Isso se verifica em todas as fases de
suas operações: no período pré-apostólico, no período apostólico e no
período pós-apostólico. Durante o período pré-apostólico, Ele pairava por
sobre a superfície das águas para efetivar a Palavra criadora; Ele glorificou
a Cristo na doação da lei, manifestando a justiça que J esus haveria de
cumprir e prover para os homens; nos profetas, o Espírito Santo
manifestou a vida do Salvador, registrando os fatos de Sua vida terrena
antes mesmo destes acontecerem. Remova J esus dos escritos dos
profetas, e eles não possuem uma mensagem. Na plenitude do tempo, o
Espírito Santo veio produzir o Primogênito no ventre de uma virgem —
Aquele que viria a ser chamado o Filho de Deus e o Filho do Homem.
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J esus não somente nasceu do Espírito Santo, mas igualmente viveu
cada dia de Sua vida terrena no poder e na plenitude do Espírito Santo.
Ele foi cheio com o Espírito, foi ungido com o Espírito, e, pelo Espírito
eterno, ofereceu-se a Si mesmo como o sacrifício pelos pecados dos
homens. J esus foi ressuscitado dentre os mortos mediante o poder do
Espírito, e se tomou Ele a esperança dos pecadores. J esus é o segundo
Adão, o Cabeça da raça de filhos espirituais de Deus, composta de judeus
e gentios.
O Espírito Santo trabalhou junto aos apóstolos a fim de conservar a
mensagem da obra remidora de J esus. Os apóstolos foram escolhidos por
J esus para O acompanhar durante os anos de Seu ministério, desde o
Seu batismo por J oão Batista até à Sua ascensão aos céus. J esus
mostrou-lhes todas as coisas concernentes ao reino de Deus. E também
lhes prometeu enviar o Espírito da Verdade, o qual viria ocupar o lugar
dEle e neles habitar. Após haver dado Suas instruções finais aos “doze”,
J esus foi recebido nos céus.
Conforme J esus havia prometido, veio o Espírito Santo. Devido à
perfeita redenção, o Espírito, finalmente, pôde vir habitar nos corações dos
remidos, bem como nas igrejas compostas de remidos.
A vinda do Espírito Santo foi algo incomum. O derramamento do
Espírito foi chamado de batismo no Espírito Santo. J esus batizou Sua
Igreja, conforme havia prometido. (Ver Atos 1: 4, 5). Naquele instante o
Espírito deu início ao Seu ministério pós-apostólico. Tal como Ele havia
concebido, enchido e ungido a J esus, assim também o Espírito Santo
regenerou, ungiu e encheu os apóstolos — os primeiros a serem postos na
Igreja.
O Espírito guiou-os apóstolos a toda a verdade. Essa tarefa era de
suma importância, porquanto a realização inteira do evangelho dependia
da mensagem dos “doze”. O Espírito Santo testificou juntamente com os
“doze”, confirmando-os como testemunhas escolhidas por Cristo diante de
todo o povo. E Ele fez isso conferindo-lhes dons miraculosos. Igualmente
importante foi o testemunho dEle aos “doze”, a fim de ensiná-los.
Ele lhes ensinou que, em Cristo, não há mais distinção alguma entre
judeu e gentio.
Depois de haver ensinado aos apóstolos a verdade toda sobre a
salvação, o Espírito Santo usou-os para distribuir dons especiais às
igrejas, para a pregação do Evangelho e a edificação dos santos. Esses
dons e ministérios especiais perduraram em operação até as Escrituras do
Novo Testamento foram terminadas.
A Palavra escrita substituiu os dons e ministérios do período
apostólico. Os ofícios permanentes — pastores e diáconos — substituíram
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os ministérios próprios da época dos dons temporários. Assim como o
Espírito Santo cessou a administração de dons especiais após ter sido
completada a escrituração da lei, e após ter sido confirmado a ordem dos
profetas, também Ele pôs ponto final aos dons apostólicos quando
terminaram de ser registradas as Escrituras do Novo Testamento.
Hoje em dia, no período pós-apostólico, o Espírito Santo realiza toda
a Sua obra nos indivíduos e nas igrejas por intermédio da Palavra escrita.
Os homens são regenerados através da Palavra de Deus pelo Espírito;
são santificados por meio da Palavra; e são consagrados ao ministério do
evangelho pelas igrejas de Deus com base na autoridade das Escrituras.
A época dos dons e dos milagres apostólicos tem passado bem
como a época miraculosa de Moisés e dos primeiros profetas.
Isso não significa, entretanto, que Deus tenha perdido o Seu poder.
Ele pode fazer tudo quanto desejar; a Sua única limitação é a Sua própria
natureza e a Sua vontade. A questão dos milagres não constitui qualquer
problema. Deus pode fazer sarças queimarem sem se consumirem, pode
abrir mares e pode fazer as águas se amontoarem quais muralhas, pode
abrir a superfície da terra para devorar rebeldes, pode dar aos homens o
poder de prever o futuro, e também pode fazer jumentos falarem. Essas
são brincadeiras infantis para o poder de Deus. Porventura Ele não
sustenta o vasto universo com o Seu poder?
Mas, quando Deus trata pessoalmente com os homens, Ele precisa
tratar com eles na base em que Ele resolveu criá-los — segundo a Sua
própria imagem. Tendo sido criados conforme a imagem de Deus, os
homens possuem vontade própria. E, visto que o homem foi criado para
ser um soberano, a sua vontade é de um “soberano”. Por conseguinte,
Deus não manda aos homens e nem exige dos homens conforme Ele faz
aos ventos e aos mares. Deus não comanda os homens para o céu. Deus
ama os homens e os atrai para Si mesmo. Nós O amamos porque Ele nos
amou primeiro. E a bondade de Deus que conduz os homens ao
arrependimento — e não o Seu poder de mandar que as pedras se
transformem em pães.
O Milagre Favorito de Deus
O milagre que Deus mais deseja realizar nas vidas humanas é
transformá-los na imagem de Seu Filho Amado. Esse milagre não é
realizado como a criação de um mundo, de uma galáxia, ou mesmo de um
habitante desta terra. O milagre da transformação de pecadores não
consiste em um escape fácil do inferno, e nem consiste em como levar o
pecador ao céu em “três lições fáceis sem mestre”. O milagre favorito do
Senhor é a transformação de pecadores em filhos Seus.
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Deus está produzindo uma nova raça de homens — filhos, e não
servos. Ele está produzindo uma raça de homens nascidos do Espírito
Santo, moldados pelo Seu Espírito na semelhança de J esus — o
Primogênito da nova raça espiritual.
Ao criar a primeira raça de homens terrenos, bem como a segunda
raça de homens espirituais, há duas vontades que decidiram destinos
eternos. A raça terrena, criada por Deus, preferiu desobedecer ao Criador
e seguir a Satanás. E Deus disse a Adão: “Seja feita a tua vontade”. Em
resultado dessa escolha humana, Deus lançou o homem da Sua presença,
a servir a Satanás e ao pecado, e colher a corrupção e a morte, os
resultados de sua preferência.
A raça de homens espirituais é produzida pelo Espírito de Deus.
O segundo Adão, Cristo, nascido do Espírito e gerado no ventre de
uma virgem, também teve de enfrentar uma escolha. Ele, igualmente, em
Sua vida terrena, dispunha de vontade própria, e Ele disse ao Pai: “Seja
feita a Tua vontade”. Essa preferência foi o fator controlador de toda a vida
terrena de J esus. A vida de Cristo era norteada por um único tema: “Não a
minha vontade, mas a Tua, ó Pai, seja feita”. Cristo concordou em deixar-
se transformar na semelhança de um ser humano, em nascer de uma
mulher, em viver como ser humano, em sujeitar-se a todas as tentações
que assaltam os seres humanos, e a morrer pelos pecados que não eram
Seus. Todos quantos nascem do Seu Espírito também dizem: “Pai, seja
feita não a minha vontade, mas a Tua”.
Desde o instante de Sua conceição até ao Seu retorno aos céus, não
houve atalhos para J esus. Ele agradou a Deus Pai; Ele redimiu pecadores.
Por conseguinte, o Espírito Santo agora pode transformar pecadores em
filhos de Deus — todos quantos creem no nome de J esus Cristo. Todos os
filhos espirituais de Deus têm que possuir as qualidades do Primogênito, a
saber:
(1) Eles precisam ter nascido do Espírito Santo e da Palavra de
Deus.
(2) Eles têm que ser habitados pelo Espírito de Deus. “Mas, se
alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8: 9).
(3) Todos eles precisam declarar: “Pai, seja feita a Tua vontade”. O
pecador precisa fazer essa escolha.
(4) Os filhos de Deus precisam desenvolver-se tal como o J esus
também se desenvolveu. Eles devem crescer na graça e no conhecimento,
tal e qual J esus cresceu durante o tempo em que viveu em Nazaré. Não
há atalhos no desenvolvimento dos filhos espirituais de Deus.
(5) Os filhos de Deus precisam trazer a imagem do Primogênito da
raça espiritual — J esus. Lembre-se que Deus não está produzindo uma
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raça mosaica de operadores de milagres, ou uma raça de prodigiosos
profetas, ou uma raça de apóstolos poliglotas que possam curar em
qualquer idioma. Ele está produzindo uma raça de homens semelhantes a
J esus, acerca de Quem o Pai declarou, antes mesmo que Ele realizasse
qualquer milagre: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”
(Mat. 3:17).
O milagre que Deus deseja realizar é produzir na vida de Seus filhos
O milagre de serem semelhantes a J esus. Esse milagre enche o
crente de um júbilo indizível, e de uma paz que ultrapassa todo o
entendimento. Nisso consiste alguém ser “cheio do Espírito”. Esse é o
milagre que o Espírito de Deus quer produzir na vida do crente, a fim de
que Suas igrejas sejam autênticos corpos de Cristo. É com esses alvos em
mira que o Espírito Santo continua operando até hoje. E o único meio de
que Ele se vale para concretizar essa obra é a Palavra escrita. Ele não
dispõe de outro meio para produzir homens espirituais.
(1) O Espírito Santo revela J esus como o Salvador através da
palavra do evangelho.
(2) O Espírito Santo regenera por meio da Palavra de Deus. (Ver 1
Pedro 1:23).
(3) O Espírito Santo purifica e santifica por meio da Palavra (ver
Efésios 5:26).
(4) O Espírito Santo enche os salvos por meio da Palavra (ver
Colossenses 3:16).
(5) O Espírito Santo equipa indivíduos para o serviço espiritual por
meio da Palavra (ver II Timóteo 3:16—17).
(6) O Espírito Santo guarda-os eternamente mediante as
promessas da Palavra de Deus (ver I Pedro 1:4, 5).
Permita que a Palavra de Cristo habite ricamente em você, e você
ficará cheio do Espírito. Da sua vida fluirão rios de águas vivas. Deus
contemplará a sua vida cheia do Espírito Santo, e dirá a seu respeito:
“Este é meu filho, em quem me comprazo”.
Renda a sua vida à orientação da Palavra, e o Espírito de Deus
tornará a sua vida semelhante à de J esus Cristo, guiando-a passo a passo
por todo o percurso de sua vida. E, lembre-se; não existem atalhos. Andar
no Espírito é andar na fé de J esus Cristo. Muitas vezes, a fé precisa
esperar antes de avançar, chorar antes de rejubilar-se, e ser prisioneira
para provar que é livre.
Algum dia, o poder do Espírito da ressurreição nos levará ao lar
celestial. Ali, o Filho nos apresentará, sem qualquer defeito, perante o Pai,
exclamando: “Eis aqui estou eu, e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:13).
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BIBLIOGRAFIA ANOTADA
Broomall, Wick. The Holy Spirit. Grand Rapids: Baker Book House,
1963.
Um breve estudo geral sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo.
Contém um interessante apêndice, exibindo por meio de hinos o Espírito
Santo.
Chantry, Walter J . Signs of the Apostles. Edimburgo: The Banner of
Truth Trust, 1973.
Um estudo sobre os dons do Espírito Santo, no que concerne aos
modernos movimentos pentecostal e carismático. O Sr. Chantry mostra
que a Bíblia completa é a substituição dos dons especiais do Espírito.
Ervin, Howard M. And Forbid Not to Speak with Tongues. Plainfield:
Lo- gos International, 1971.
Uma apresentação do movimento carismático, com defesa do
mesmo. O livro foi escrito na forma de cartas em resposta a perguntas
feitas por um amigo.
Gordon, A. J . The Ministry of the Spirit. Minneapolis: Bethany
Fellowship, inc., 1964.
Obra escrita em 1894. Esse livro mostra que a era em que vivemos é
a missão do Espírito Santo. Um dos mais bem recebidos livros sobre o
Espírito Santo. Alguns consideram-no uma obra clássica a respeito do
tema.
Howard, David M. By the Power of the Holy Spirit. Downers Grove:
Inter Varsity Press, 1975.
Uma obra de leitura amena, por um escritor moderno, que combinou
um estudo das Escrituras e como deveríamos compreendê-las, em face de
experiências modernas, de tipo extraordinário, que o autor viu como
missionário evangélico na Colômbia.
Pentecost, J . Dwight. The Divine Comforter. Chicago: Moody Press,
1963.
Essa obra trata das muitas fases do ministério do Espírito Santo,
sendo o resultado de uma série de estudos que o autor preparou para a
sua igreja em Dallas, no estado de Texas, EE. UU.
Smeaton, George. The Doctrine of the Holy Spirit. Londres: Banner of
Truth Trust, 1961.
Um estudo detalhado da personalidade e da obra do Espírito Santo,
apresentado em uma série de preleções. É um estudo amplo, que versa
desde a doutrina da Trindade até ao ministério do Espírito, desde a era
apostólica até os dias presentes. Escrito em 1882.
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Unger, Merril F. The Baptism & Gifts of the Holy Spirit. Chicago:
Moody Press, 1974.
Um estudo sobre os acontecimentos que acompanharam o batismo
no Espírito Santo, no dia de Pentecoste, e as atividades subsequentes dos
apóstolos, em relação ao ministério do Espírito Santo. O autor apresenta o
ponto de vista dispensacional que ele sente ser indispensável para a
compreensão do livro de Atos.
Vaughn, C. R. The Gifts of the Holy Spirit. Edimburgo: The Banner of
Truth Trust, 1975.
Uma obra completa. O autor trata da baixa condição espiritual do
povo de Deus e destaca a ignorância sobre o Espírito Santo como causa
disso. Trata da obra do Espírito nos aspectos da convicção de pecados, da
regeneração e do despertamento espiritual.
Witty, Robert G. Holy Spirit Power. J acksonville: Pioneer Press,
1966.
Essa obra aborda, de maneira prática, as debilidades das igrejas
atuais, quando, materialmente, elas possuem tudo. O Dr. Witty apresenta
um estudo detalhado sobre a vinda do Espírito no dia de Pentecoste e
mostra claramente que a Sua vinda ocorreu de uma vez para sempre. O
autor mostra que a presença do Espírito Santo nas igrejas deveria
significar que há poder atual para o crente e para as igrejas que queiram
submeter-se ao plano de Deus, deixando-se encher pelo Seu poder.


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