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penso que apenas devo desejar que as páginas dessa revista possam se transformar em objeto de profundas reflexões e possam assim apresentar algumas pistas sobre a vitalidade e saúde dos olhos de Viegas. um cangalho de setenta invernos. Este exemplar da revista Sanare é fruto de um trabalho que envolveu diversas pessoas.E D I TO R I A L “A segunda pessoa era um parente de Virgília.” E sta frase do livro de Machado de Assis. N.S A N A R E 3 . o modelo que estamos construindo seria um modelo promotor de saúde./MAR. É importante ainda destacar que os textos apresentados nesse exemplar serviram como base para a produção de um material a ser entregue ao Ministério da Saúde. e que acreditamos que poderá contribuir bastante para a difusão desses conceitos entre as equipes do Programa Saúde da Família e gestores da saúde./FEV. “Memórias Póstumas de Brás Cuba”. No da saúde. O principal fator motivador para esse trabalho foi a clareza.1. Em outras palavras. me foi apresentada pelo grande amigo Marco Akerman. de que a Promoção da Saúde é o principal objetivo da Estratégia de Saúde da Família. Agora. que padecia de um reumatismo teimoso. preventivo. de uma asma não menos teimosa e de uma lesão de coração: era um hospital concentrado. Inegavelmente. Tomaz Martins Júnior Diretor Presidente da Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia/Sobral-CE ANO IV. em um encontro onde tinha o desafio de discutir sobre a construção de indicadores para a Promoção da Saúde. da Faculdade de Medicina do ABC/ SP. 2003 . Os olhos porém luziam de muita vida e saúde. o mundo atual vem passando por profundas transformações nos diversos setores. Inicio esse editorial com essa frase porque a cada dia fico mais certo que existe mais coisa entre a saúde e a doença do que os nossos conhecimentos biomédicos possam explicar. contrapondo-se a outros modelos: curativo. JAN. o Viegas. todas com importantes contribuições e com uma capacidade imensa de construir coletivamente os principais conceitos ligados à Promoção da Saúde. chupado e amarelado. deparamo-nos com novos desafios que infelizmente muito pouco o modelo atual de intervenção tem conseguido promover mudanças: a questão da violência e a prevenção das doenças crônico-degenerativas seriam bons exemplos. por parte desse grupo.

SUMÁRIO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Ana Cecília Sucupira A BIOÉTICA E A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Tomaz Martins Júnior ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ CIDADANIA./MAR.1. 2003 ○ Maria Cecília Cordeiro Dellatorre ○ APODERAMENTO ○ Márcia Faria Westphal 31 ○ O PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: UM COMPROMISSO COM A QUALIDADE DE VIDA ○ Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto e Geison Vasconcelos Lira 27 4 ○ Ana Cecília Sucupira e Rosilda Mendes MARCO CONCEITUAL DA PROMOÇÃO DA SAÚDE NO PSF 15 19 ○ 11 PROMOÇÃO DA SAÚDE: CONCEITOS E DEFINIÇÕES ○ 07 . N. CAMINHO PARA UMA VIDA SAUDÁVEL ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ S A N A R E ./FEV. JAN.ANO IV.

PODER LOCAL E SAÚDE DA FAMÍLIA: ESTRATÉGIAS PARA A CONSTRUÇÃO DE ESPAÇOS LOCAIS SAUDÁVEIS.○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Ausônia Favorito Donato e Rosilda Mendes TERRITÓRIO: ESPAÇO SOCIAL DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES E DE POLÍTICAS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Rosilda Mendes e Ausônia Favorito Donato MÚLTIPLOS ATORES DA PROMOÇÃO DA SAÚDE ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 43 Márcia Faria Westphal PROMOÇÃO DA SAÚDE. JAN./MAR. 2003 . DEMOCRÁTICOS E CIDADÃOS . Luiz Odorico Monteiro de Andrade e Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto ANO IV.S A N A R E 5 ./FEV.1. N.HUMANAMENTE SOLIDÁRIOS E FELIZES ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Neusa Goya ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 57 A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NO BRASIL E A SUPERAÇÃO DA MEDICINA FAMILIAR ○ 51 ○ 39 ○ 35 RELAÇÃO EDUCATIVA DA EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA COM A POPULAÇÃO Tomaz Martins Júnior.

/MAR. JAN. N.1. 2003 ./FEV.6 S A N A R E .ANO IV.

family health program. in other words.S A N A R E 7 . abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ viewpoint of health promotion. doutora em saúde pública. É preciso ampliar a discussão da prevenção para a ótica da palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Promoção da saúde. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A promoção da saúde é mais ampla que a prevenção da saúde. constitution. Ou seja. ○ ○ ○ key ANO IV. Carta de Ottawa. health promotion is linked to the notion of rights. o direito a ter uma vida saudável. for the absence of sickness. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ H ealth promotion is more extensive than sickness prevention. que podem proteger o indivíduo de ter tal agravo. The Ottawa Charter. The previous concept reduces the objective of actions simply. A concepção anterior reduz o objetivo das ações simplesmente. ou seja.1. assessora técnica da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ promoção da saúde./MAR. mudar a lógica simplista da visão economicista de que é melhor prevenir do que curar para a concepção do direito de não ter um agravo para o qual já existem conhecimentos e práticas disponíveis. JAN. para ausência da doença. In other words. a promoção da saúde está vinculada à noção de direitos./FEV. It is necessary to widen discussion of prevention for the words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Health promotion. to alter the simplistic logic of economist vision that it is better to prevent than to cure in support of the concept of the right to not contract an illness for which already exists knowledge and available practice. the right of having a healthy life. 2003 . Na verdade. N.PROMOÇÃO DA SAÚDE: CONCEITOS E DEFINIÇÕES Health Promotion: Concepts and Definitions Ana Cecília Sucupira Pediatra Sanitarista Consultora do Programa Saúde da Família de Sobral Rosilda Mendes Educadora. which can protect the individual from contracting such illness. In reality. programa saúde da família.

ANO IV. As campanhas de prevenção das doenças infecciosas são extremamente válidas porque utilizam conhecimentos e práticas que comprovadamente podem evitar muitas doenças. em atividades dirigidas à mudança de voltadas principalmente para a prevenção das doenças./FEV. N. gerando a necessidade de incorporar tecnologia adequada para essas ações. privilegiam-se as ações de promoção./MAR. adaptando-se à lógica do paradigma da biomedicina. tendo como base as atitudes e do século passado. A promoção dos pilares as propostas de educação sanitária. A Ottawa fala da importância da capacitação dos atores. mantendo a idéia de que os atores desconhecem os A prevenção concebida sob a ótica economicista foi hábitos de vida que seriam saudáveis e por isso necessitam de rapidamente incorporada pelo modelo capitalista. será fundamental diferenciar o que se entende por promoção da saúde. educação em saúde e prevenção. leque de opções. 8 S A N A R E . a adoção de hábitos de vida mais à lógica do paradigma da biomedicina. cuidados à saúde. No início comportamentos dos indivíduos. Culpabiliza-se assim a vítima tom moralista. OS LIMITES DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE A partir do modelo de Leawell & Clark. PREVENÇÃO DE DOENÇAS N a Constituição de 1988. Essa noção foi e suficiente educar as pessoas para que elas possam adquirir incorporada nos currículos médicos. sendo efetivas na redução da incidência dessas doenças. o direito de não ter um proposto pela promoção da saúde parece mais adequado às novas agravo. adaptando-se capacitação. das causas externas. Um exemplo típico são as campanhas de prevenção da AIDS e as de vacinação. Nesse sentido. para que Clínica remetia para a Medicina Preventiva a discussão das medidas identifiquem opções e tomem decisões por hábitos de vida mais de prevenção. Muda-se o discurso.1. A Carta de Departamentos de Medicina Preventiva ou de Saúde Coletiva. colocando-se essas três ações em um mesmo plano. Na realidade. que podem evitar tal agravo. gerando a necessidade de saudáveis depende apenas de decisões individuais. que tinham como traço marcante a visão moralista e melhor prevenir do que curar" "é melhor prevenir do que remediar" preconceituosa das elites sobre as classes populares. para o qual já existem conhecimentos e procedimentos realidades de saúde. seja prevenindo população. houve um redirecionamento da atenção à Entretanto. A prevenção concebida sob a ótica economicista foi rapidamente incorporada pelo modelo capitalista. Persiste a negação das condições materiais de desenvolveu-se a prática dos exames de "chekup" e a indústria da vida que impedem a grande maioria da população de poder optar prevenção. Há algumas décadas discutia-se nas Faculdades de Medicina a importância de introduzir a questão da prevenção das doenças. Ao se discutir a promoção da saúde no Programa Saúde da Família (PSF). no esquema da História A educação em saúde é um outro conceito referido na Natural das Doenças. permanece a idéia de que é importante investir na prevenção do que na cura das doenças. deve-se recuperar a importância da prevenção saúde nos países mais desenvolvidos. Testes de "screening" para saúde. proteção e recuperação da saúde. A redução dos agravos em ambos os casos foi muito importante. ainda hoje. Na verdade. JAN. as campanhas higienistas tinham como um hábitos que caracterizam os diferentes modos de vida. desenvolveu-se a prática dos exames de "chekup" e a indústria da prevenção. a partir de um incorporar tecnologia adequada para essas ações. 2003 . sendo uma das práticas mais antigas. o "melhor" referia-se ao fato de que era mais barato Entretanto. Nesse texto. sendo fundamental educar e ensinar comportamentos a doença ou as suas complicações nos diferentes momentos de saudáveis para se ter populações sadias. A queda da mortalidade infantil. Assim. pois cada vez mais foi necessária a incorporação de por não ter observado melhor os preceitos e ensinamentos da exames e procedimentos preventivos. o modelo dos agravos na lógica do direito à saúde. com medidas que visavam ensinar as crianças comportamentos faculdades estava fundamentada na visão economicista de que "é saudáveis.PROMOÇÃO DA SAÚDE. muitos deles com Nos últimos 20 anos. no Brasil. A concepção higienista evolução da doença. o "custo menor" ficava no discurso de por hábitos de vida mais saudáveis. Assim. Já a prevenção deveria acontecer princípio que as doenças eram decorrentes da ignorância da em todos os níveis da História Natural das Doenças. considerou-se esta como o objetivo principal dos profissionais do PSF e nomeou-se a promoção como gênero e a prevenção como espécie. como uma atribuição dos comportamentos mais saudáveis. como reflexo da mudança do perfil procedimentos de baixa especificidade e sensibilidade. foi dominante nas ações da Higiene Escolar desde o final do século A concepção principal que orientava a discussão nas XIX. saudáveis. Partia-se do ficava restrita ao nível primário. Nessa visão. diferentes doenças foram introduzidos. definiu-se a promoção da saúde como os introdução deste texto. teve como um dos principais fatores a redução das doenças imunopreveníveis. sem epidemiológico com maior predomínio das doenças crônicas e evidências suficientes que comprovassem o seu valor preditivo.

nas determinação social. a saúde não é assegurada apenas pelo setor da saúde. revalorização ética da vida. Estados Unidos e países da Europa Ocidental. portanto. portanto está relacionada com a universidades e. de forma mais intensa no Canadá. 2003 . eqüidade. procuraram reafirmar a Conferência de Alma-Ata. cidadania.. família ou grupos. na Suécia. Assim. de é ANO IV. As discussões de Ottawa tiveram como parâmetros a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde (1978) e debates posteriores realizados ao redor do mundo. justiça social.S A N A R E 9 . cidadania. parceria.A promoção da saúde enquanto campo conceitual totalidade da vida. na Austrália. social. DISCUTINDO SAÚDE COMO UM PRODUTO SOCIAL Os encontros e as conferências subsequentes relacionados ao tema. relaciona as determinações da saúde às dimensões sociais. a de saúde para todos. desenvolvimento. As ações de promoção da saúde concretizam-se em O que vem caracterizar a promoção da saúde. tiveram início com a Conferência de Promoção da Saúde realizada em Santa Fé de Bogotá em 1992. no atual contexto. democracia. as políticas públicas saudáveis como o interesse de todas as áreas das políticas públicas em relação à saúde e eqüidade. político e metodológico em torno do esquema da História Natural das Doenças. foram considerados fatores determinantes na deterioração das condições de saúde e vida das populações latino-americanas. a partir da Primeira Conferência de Promoção da Saúde realizada em Ottawa. centrado no processo saúde-doença. aqui. nos diversos espaços. desenvolvimento. solidariedade. a combinação de estratégias. É importante destacar. ressaltando a necessidade de se adotar propostas de intervenção inovadoras e mais abrangentes na implementação de políticas públicas saudáveis. parceria. em Jakarta. em 1997 e no México em 2000./MAR. Para a prevenção. culturais. sobretudo. JAN. democracia. .. Em suma. a ausência de doenças não é suficiente. em 1991. a ausência doenças não suficiente. a promoção da saúde demanda uma ação coordenada entre os diferentes setores sociais. agravada pela crise econômica e pelos programas das políticas de ajuste macroeconômico. Definiram. econômicas e políticas nas coletividades para alcançar um desenvolvimento social mais eqüitativo. a Promoção da Saúde está relacionada a um conjunto de valores: vida. em órgãos dias de hoje. Para a promoção da saúde o objetivo contínuo é buscar expandir o potencial positivo de saúde. As Conferências Internacionais. é a constatação de que a saúde tem uma definidores de políticas. A iniqüidade sem precedentes da América Latina. Pode-se afirmar que o enfoque da e de prática vem se desenvolvendo como uma reação à Promoção da Saúde é mais amplo e abrangente e é medicalização da saúde. ainda. justiça social. ainda. um marco A promoção da saúde é considerada um instrumental de referência mais amplo do que o enfoque usado no conceitual. ações do Estado. em Sundsvall. saúde. solidariedade. participação. com avanços mais lentos na América Latina e Caribe. a situação política que limita o exercício da democracia e a participação pela cidadania. portanto. do sistema de saúde e de outros parceiros intersetoriais. alguns pontos: o primeiro é que começa a se delinear um "novo paradigma de saúde": a saúde é produzida socialmente. N. na sociedade e no interior do conseqüente a uma mudança de visão do que é saúde. Na América Latina a introdução da reconceituação da Promoção da Saúde e o estabelecimento de estratégias de desenvolvimento de ações de promoção da saúde nos países em desenvolvimento. Portanto. Para a promoção da saúde o objetivo contínuo é buscar expandir o potencial positivo de saúde. Ressalta-se. revalorização ética da vida. BUSS 1998). saúde. em 1986. como movimento ideológico e condições de saúde e de qualidade de vida (CERQUEIRA 1997. da sociedade civil. participação. evitar a ocorrência de enfermidade e a perda do bem estar é o objetivo final. as condições sociais que são críticas para melhorar as As estratégias da promoção da saúde têm seu desenvolvimento. ou seja. têm difundido conceitos básicos que exigem a revigoração da saúde pública em torno do compromisso Promoção da Saúde está relacionada a um conjunto de valores: vida. que visa analisar e atuar sobre indivíduo. sistema de saúde e tem./FEV. especialmente as Conferências Internacionais realizadas em Adelaide.1. em 1988. eqüidade.

. 1994./FEV. os ambientes de trabalho e as escolas são os locais onde essas ações têm sido propostas.1. p.Hucitec/Abrasco. Mendes Gonçalves. há de se promover uma responsabilidade social para com ela. daí a necessidade de criar parcerias e alianças com todos os setores da sociedade. 10 S A N A R E . Na formulação de políticas públicas saudáveis. Promoção da saúde e a saúde pública : contribuição para o debate entre as escolas de saúde pública da América Latina. RB./MAR.. 1997. todos os setores de governo devem direcionar sua atuação tendo como perspectiva que a saúde é um aspecto essencial da vida. Cerqueira MT La promoción de la salud . nos espaços sociais onde vivem as pessoas. São Paulo. In: Arroyo HV. Cerqueira MT. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Buss PM. Promoción de la salud y educacón para la salud: retos y perspectivas. JAN. N. 7-47.localmente. ENSP Rio de Janeiro. As cidades. Como a saúde é entendida a partir de seus determinantes sociais.ANO IV. 2003 . organizador. Puerto Rico: Editorial de la Universidade de Puerto Rico/OPS. 1998. y educación para la salud en América Latina: un análisis sectorial.Tecnologia e Organização Social das Práticas de Saúde .

○ ○ ○ H ealth promotion should be the main objective in the practice of PSF professionals. N. reconhecendo as condições e os fatores envolvidos na produção da queixa. programa saúde da família. ○ ○ ○ key ANO IV.MARCO CONCEITUAL DA PROMOÇÃO DA SAÚDE NO PSF Conceptual Landmark of Health Promotion in PSF (Family Health Program) Ana Cecília Sucupira Pediatra Sanitarista Consultora do Programa Saúde da Família de Sobral sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ imediata da queixa trazida pelo indivíduo e a necessidade de construir um novo processo de trabalho que permita à população identificar os problemas e potencialidades. unified health system. palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Promoção da saúde. This implies going beyond the words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Health promotion./MAR. recognizing the conditions and factors involved in creating the complaint. of the suffering and health. family health program.S A N A R E 11 . ○ ○ ○ A promoção da saúde deve ser o objetivo principal no trabalho dos profissionais do PSF Isso implica ir além da resolubilidade . sistema único de saúde. 2003 . abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ immediate resolubility of the complaint presented by the individual and the necessity to construct a new practice process that permits the population to identify the problem and potentialities.1./FEV. do sofrimento e da saúde. JAN.

coletivamente por ações conjuntas da comunidade ou ainda por intervenções dos vários setores do governo. que se torna passado. portanto. Isso implica intervir coletivamente visando a qualidade de vida. é a mudança incorporação de um novo referencial que pleno desenvolvimento das potencialidades saúde e não mais a doença. da família e da ligadas à qualidade do ar e à vida sedentária. saúde que é uma ação mais ampla que a S A N A R E . A marca implica necessariamente. Nesse novo olhar. coletividade. mas obtiveram pouco sucesso. porque implica uma mudança no modelo existente. pode ser visto como novo. o indivíduo só pode ser compreendido na sua saúde. N. a Estratégia de Saúde da Família (ESF) tem como cliente a de lazer. a comunidade e o Estado com o objetivo de criar condições favoráveis ao 12 No dizer de Andrade (2002): ". uma negação mecânica do modelo anterior. uma superação. a moradia como núcleo de elementos favoráveis ou desfavoráveis a sua saúde e o cenário da comunidade e da sociedade que. não como a simples ausência da doença.. As condições favoráveis são criadas individualmente por meio de atitudes e modos de vida saudáveis. organicista e a fundamentada na considere os aspectos históricos. totalidade se estendermos esse olhar para a de foco que passa a ser a sociais que interferem no modo como deve ser humanas. mas uma negação dialética. A prevenção atua sobre os determinantes da doença. discutir os aspectos individuais dos modos de vida. tem que se colocar a participação da comunidade no desenvolvimento de uma política saudável. Assim. pode-se dizer que é a atuação nos determinantes da saúde. família com a qual ele convive.1. uma vez que eram introduzidas sem que houvesse uma mudança substancial na orientação do modelo de atenção à saúde. Ao se falar em atitudes e modos de vida mais saudáveis na promoção da saúde. a proposta do PSF é necessariamente centrada na promoção da saúde. ou seja. a superação do principal do PSF. mas como produto da qualidade de vida. culturais e promoção da prestada a atenção à saúde.O NOVO MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE A aprovação do Sistema Único de Saúde pela Constituição Federal de 1988 forneceu os princípios para a reorganização da atenção à saúde no Brasil. porém sua prática ainda não é nova e reproduz em muitos casos o paradigma biomédico. a promoção da saúde é uma responsabilidade de toda a sociedade. é uma medida também obrigatoriamente a noção da intersetorialidade no PSF. há algumas décadas. Pensar a saúde. é preciso ter cuidado para não se responsabilizar apenas o indivíduo pela sua própria saúde. tornando-as áreas Nessa perspectiva. A marca principal do PSF. A afirmação de que a promoção da saúde deve ser o objetivo principal da Equipe de Saúde da Família é conseqüente ao ideário de princípios que norteiam a implantação do PSF e que estão contidos na formulação do SUS. nos períodos em que a qualidade do ar se torna crítica. Isto não significa dizer que as idéias que fundamentam o modelo do PSF sejam todas novas. revendo esses princípios vamos encontrar os elementos necessários para justificar essa assertiva. antigo. mas é também. em algumas ruas. objeto de um conjunto de intervenções da livre melhorando a qualidade de vida da comunidade e do Estado.ANO IV. preventiva que serve para reduzir doenças Ao ter como objeto principal de trabalho a saúde do indivíduo. paradigma da biomedicina.no PSF a promoção é gênero e a prevenção é espécie". O modelo que se pretende com a implantação do PSF. Assim. portanto. socialmente determinada.. ou seja.. um conjunto de ações assumidas pelos A assistência está contida na promoção da indivíduos./FEV. a promoção da saúde é uma responsabilidade de toda a sociedade. inserida numa comunidade e a saúde dessa família não pode ser objeto de às pessoas um espaço para atividades ao ar trabalho apenas da equipe. ou seja. população./MAR. Algumas dessas idéias já estavam presentes. a prevenção das doenças está inserida na promoção da saúde. Não há.. Mas o que se entende por promoção da saúde? Resumidamente. assim. a participação coletiva na gestão das políticas e as desigualdades estruturais da sociedade que impõem diferenças no modo de vivenciar a saúde e a doença. Vale ressaltar que o PSF pode ser considerado como um novo modelo. Deduz-se que os atores da promoção da saúde são vários. 2003 . é a mudança de foco que passa a ser a saúde e não mais a doença. Além disso. tem como objetivo maior possibilitar família. enquanto instância de governo. influenciam do ponto de vista social e cultural a adoção de determinados modos de vida. mas tem sido o Programa de Saúde da Família a estratégia estruturante que viabiliza a construção de um novo modelo de atenção à saúde. as medidas de redução do número de veículos circulantes nas grandes cidades. tem como objetivo reduzir a incidência de doenças respiratórias. JAN. fundamentada na promoção da saúde. Obviamente. Já a PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE proibição da circulação de veículos nos fins de semana. . Insere-se. na qual se considera o que havia de bom no modelo antigo e elementos novos são incorporados para a construção do modelo novo.

A atenção à saúde encerra-se com a prescrição da receita. centrado na perspectiva prioritária da promoção da saúde. N. tal como previsto no SUS. a doença níveis de atenção. Os que se segue é o que se deve entender por qualidade de vida? Que do SUS são reinterpretados: a universalidade. de queixa/conduta. qualidade de vida se pretende e para quem? São questões cuja resposta deve ser encontrada a partir de discussões que considerem os aspectos históricos. discutir o papel dos gestores nesse novo processo aos indivíduos. unidade básica de saúde como a instância de excelência para dar conta de mais de 80% da demanda. E mais. é o centro de trabalho. mas a prevenção das uma escuta. a compreendidos nos seus determinantes. o hospital. saúde e não a doença. ela vai direcionar a assistência que é prestada na atenção básica e influenciar diretamente os outros níveis de atenção. caracterizando o que Mendes (2001) chama de modelo agudocêntrico. pois não é a cura o objetivo. destinado a uma pequena minoria de casos que irá necessitar dessa modalidade de atenção. portanto. O PSF na construção do novo alcoolismo são vistos como doenças orgânicas.1. trabalho em construção é preciso definir o marco teórico e A pressão política pelo acesso ao atendimento nos serviços metodológico para a promoção da saúde nos contornos do PSF. Agravos que demandam um outro na sua manifestação somática. O hospital representa manifestado pelo paciente e pensar o problema no espaço do o acesso diferenciado à atenção à saúde. É necessário ANO IV. Os demais profissionais são Não se limitar a simples resolução imediata da queixa significa acessórios. Ora. manifestações alérgicas são inibidas pela prescrição contínua da A superação do modelo antigo não invalida os diferentes medicação. para que possam ser identificadas soluções coletivas. promoção da saúde. Os hospital os investimentos sob a pressão da indústria de casos de diarréia não podem ser vistos de forma isolada. O hospital passa a ser visto UNIVERSALIDADE. visto sempre exige mudanças no modelo. As complicações e a manutenção da qualidade de vida. poderá ser alcançada se a queixa. uma vez que se concebe o PSF como estratégia estruturante de todo o sistema. em busca de enfoque. visto como alguém que cura. fortalecendo a na unidade de saúde. tendo como porta de entrada a unidade básica de sofrimento psíquico não é percebido e a depressão. é atendido pela sua queixa de dores recorrentes. EQUIDADE E INTEGRALIDADE Essa visão medicalizante do sofrimento foi impondo um modo específico de funcionamento dos serviços de saúde que se traduziu no modelo de atenção. 2003 . Entretanto. para além do que biomédico não consegue resolver. sem que os profissionais unidades básicas. O modelo concentra no território. degenerativas ou não. ao se tratar de um processo de Reforça-se assim a imagem de ineficiência da atenção básica. tem sido a principal linguagem as doenças infecto-contagiosas vão sendo substituídas pelas de comunicação entre a unidade de saúde e a população. o sofrimento. A doenças crônicas. a solicitação de como uma instância de atenção não primária. Teoricamente. a pergunta princípios direito de todos à tomografia. ou melhor. e pelos agravos externos demanda trazida é sempre a queixa de um sofrimento. a doença forem Os princípios do SUS são reinterpretados: a universalidade. transformados quase sempre em ela explicita. A questão que se coloca é como construir um novo processo de trabalho. à ressonância. sem que os alergenos sejam identificados./FEV. que direciona o modelo de atenção. É de saúde expressa a idéia de que a assistência médica traz saúde importante ainda. passíveis modelo radicaliza ao priorizar a promoção da saúde e reconhecer a de tratamento medicamentoso. JAN. Uma conseqüência lógica do que foi exposto acima e que equipamentos e farmacêutica. O idoso./MAR. a construção do PSF tem na sua essência a filosofia da promoção da saúde ao ter como objeto de atenção a exames e o encaminhamento para serviços mais especializados. Os países mais necessidade de mudança do processo de trabalho dos profissionais desenvolvidos já redirecionaram a atenção à saúde. Os serviços de saúde organizam o atendimento à demanda na forma do pronto-atendimento. para os quais são encaminhados os casos que o modelo antes de tudo entender a dimensão dessa queixa. significa a compreensão de que a saúde só mazelas sociais. os serviços especializados e as sexualmente transmitida é medicada. definido por Ricardo Bruno (1994). A atenção básica ou primária é vista como um apêndice do nível terciário.S A N A R E 13 . o regionalizado. O médico. assumindo sua vocação de atendimento de alta complexidade. A mudança no perfil epidemiológico. o saúde. mas integra-os no sistema hierarquizado e avaliem as suas repercussões no relacionamento do casal. culturais e sociais de uma determinada comunidade. constitui uma idéia-força contida na assertiva inicial é a O esgotamento desse modelo é inevitável. à ressonância. orgânica. É preciso identificar os eqüidade e a integralidade da atenção são entendidas como o condicionantes do sofrimento que se expressam naquele sintoma direito de todos à tomografia.assistência. a angústia. a queixa. no qual A doença. a eqüidade e a integralidade da atenção são entendidas como o Em última instância o PSF tem como objetivo a melhora da qualidade de vida para se ter como produto a saúde. Mas é fundamental entender que ao se assumir a promoção da saúde como objetivo principal.

Essa é uma forma concreta da população se apropriar das informações sobre o processo saúde/ doença na sua comunidade e construir um diagnóstico das condições de saúde que permita trabalhar na direção da promoção da saúde. em equipe. N. pois são obtidas por quem está no bairro e conhece a vida do bairro./MAR.avaliar a ocorrência de outros casos e analisar com a população o A atenção básica territorializada é fundamental e está porquê desses casos. . é preciso pensar a saúde tanto do ponto famílias ou por uma comunidade. Relatório sobre a "Oficina de Promoção da Saúde no PSF". incorporadas nesse processo. JAN. Rompe-se com o modelo da epidemiologia tradicional ligada à doença e de propriedade dos médicos e enfermeiros. LOM. desses fatores como na sua superação. prevista no modelo vida da comunidade e as condições ambientais que estejam do PSF. A identificação das casos de diarréia. Grandes Dilemas do SUS. que produz a saúde e a doença. São Paulo. A participação da população nos conselhos municipais de saúde e nas instâncias de decisão das políticas públicas relacionadas à saúde deve ser estimulada enquanto um exercício da cidadania. Entretanto. 3a : o atendimento deve ir além da queixa. Experiências nas quais os conselhos locais de saúde têm também a função de investigar as mortes por causas externas. ou seja. Obviamente. Porém o requer uma organização interna da estrutura de trabalho da unidade fundamental é a mudança de atitude por parte dos trabalhadores que democratiza as competências e ajuda a construir o trabalho em saúde. a territorialização e a ação intersetorial. As implica o conhecimento do território enquanto um espaço vivo soluções encontradas nas discussões dos conselhos locais de saúde de relações. principalmente aqueles relacionados de saúde tendam a culpar a própria família ou a comunidade pelos ao ambiente e ao desenvolvimento urbano. Hucitec/Abrasco. abrindo-se para a participação das pessoas da comunidade. discutindo as características dos modos de instrumentalizada pela adscrição da clientela. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Andrade./FEV. considerando os aspectos antropológicos. a equidade. 1994. 2a : é necessário construir um novo processo de trabalho. A comunidade deve participar ativamente da investigação epidemiológica. é possível trabalhar a epidemiologia do potencial de saúde das comunidades. com base territorial dadas pela equipe de saúde. Os diferentes olhares da Algumas ferramentas são fundamentais na construção desse equipe contribuem para trazer uma diversidade maior de elementos novo processo de trabalho da equipe de saúde. O instrumental epidemiológico dá visibilidade à população do processo saúde/doença. 2003 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na construção do novo processo de trabalho é necessária a formação de novos atores. a assertiva enunciada no início do texto tem três idéias-força: 1a : a promoção da saúde deve ser o objetivo principal dos profissionais do PSF. Resumindo. Mendes. Essa produção coletiva do de vista individual quanto coletivo e o desenvolvimento de um diagnóstico do problema e da discussão em busca de suas soluções conhecimento específico para trabalhar essas questões. Documento mimeo. discutir os fatores envolvidos na queixa e no sofrimento.Tecnologia e Organização Social das Práticas de Saúde. mostram que as informações sobre as causas dessas mortes são muito mais próximas da realidade. A idéia é que o novo modelo garanta a universalidade. mas com um salto de qualidade. Essa postura é freqüente e pode ser exemplificada condições e fatores envolvidos no processo saúde/doença requerem em frases do tipo: "a mãe é irresponsável" "o povo é relaxado a ação intersetorial tanto no reconhecimento do modo de atuação mesmo". 2001 . sociais e culturais da população e tendo sempre presente o direito à saúde. Ed. 2002. abrindo- participação das pessoas da comunidade. porque deve estar centrado na comunidade. Casa da Qualidade Salvador Bahia. Inicialmente.1. Rompe-se com o modelo da epidemiologia tradicional ligada à doença e de propriedade dos médicos e enfermeiros. duas outras ferramentas estão necessariamente. se para a 14 S A N A R E . o que vão compor o cenário e o processo que levou a um determinado trabalho tem de ser visto na perspectiva da co-gestão com a problema de saúde vivenciado por uma família. Um outro aspecto importante desse possibilita articular os serviços de saúde com a comunidade e modo de trabalhar é evitar que visões preconceituosas da equipe outros setores da sociedade. a integralidade. EV. O processo de têm muito mais efetividade que as orientações que possam ser elaboração do diagnóstico epidemiológico. A construção do diagnóstico de saúde da comunidade favorecendo o aparecimento de tantos casos de diarréia. RB. reconhecendo nas condições e modos de vida da comunidade o que pode ser feito para a promoção da saúde. por um grupo de comunidade. Além disso. novos no sentido de terem condições de fazerem a crítica ao paradigma da biomedicina. Mendes Gonçalves. Sobral. Para isso. os conhecimentos epidemiológicos têm de ser socializados coletivamente.ANO IV.

S A N A R E 15 . se cumpridos. constituição. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ T he Unified Health System. estarão possibilitando a efetivação dos mais importantes preceitos da Bioética. auditor da Coordenação de Controle e Avaliação do município de Sobral Especialista em Saúde do Trabalhador sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ cidadãos. estratégia de saúde da família. na prática. N. in practice. 2003 . or better. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Sistema Único de Saúde. ○ ○ ○ key ANO IV. has as guiding principles Universality. a conquest of the Brazilian people guaranteed by the 1988 Constituent Assembly. a Acessibilidade e a Participação Social. conquista do povo brasileiro garantida pela Constituinte de 1988. sistema único de saúde. We will also discuss in the task how the Family Health Strategy can turn out to and/or is turning out to carry out. will be enabling the bringing about of the most important precepts of Bioethics. de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) Mestre em Saúde Pública Geison Vasconcelos Lira Médico. Accessibility and Social Participation. princípios da bioética. family health strategy. JAN. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ of struggle by innumerous citizens./MAR. Assistente da Fac.1./FEV. após anos de luta de inúmeros palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Bioética. ou melhor. Podemos afirmar que todos estes princípios estão de acordo com os da Bioética. Também discutiremos no trabalho como a Estratégia de Saúde da Família pode vir e/ ou vem efetuando. Equity. if fulfilled. We can affirm that all these principles are in accord with those of Bioethics. a Eqüidade. constitution. principles of bioethics. tem como princípios norteadores a Universalidade.A BIOÉTICA E A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA Bioethics and the Family Health Strategy Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto Profa. unified health system. after years words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Bioethics.

Como distintas justificativa recorreu-se ao princípio da eqüidade. descentralizando e tornando mais acessível O Brasil a atenção à saúde aos grupos sociais menos favorecidos. entre cidades de um mesmo estado e bairros de uma mesma cidade. no que se refere ao capítulo da Saúde. como o Sudeste e o Sul com relação ao Nordeste e o Norte. 2003 de Nos primeiros anos de implantação do PSF e. entre cidades de viabilizá-lo. segundo regiões do país. N. Belo Informações divulgadas por agências internacionais como a Horizonte e São Paulo. chega a ser referida por alguns autores como um dos princípios da bioética (Berlinguer./MAR. precedida países industrializados e países em desenvolvimento e pelo PACS. onde o acesso a serviços de saúde foi social. nos desigualdade municípios do interior. preceito constitucional que garante aos cidadãos brasileiros.1. foi utilizado o pagamento de maiores valores para as estado e bairros uma mesma cidade. nos parágrafos seguintes. em cidades de grande porte. e dentro desta. na mortalidade específica por causas. do IBGE (2000) e de outros grupos de pesquisa brasileiros (Victora & Barros) que evidenciaram diferenças na esperança de vida ao nascer. bem como. segundo a qual o Estado deve prover fácil acesso aos serviços de saúde a todos os cidadãos brasileiros. o estado estaria contribuindo para que no futuro se alcance senão a igualdade entre pobres e ricos. relacionada ao tráfico de armas e drogas. organizaram-se equipes nos distritos rurais mais distantes e carentes. faz com que centenas de jovens das favelas e bairros periféricos das grandes cidades brasileiras ingressem na atividade do tráfico. Norte. ou seja. privilegiando com mais investimentos em saúde as populações menos favorecidas. na proporção de baixo peso ao nascer e diversos outros indicadores que demonstram como os menos favorecidos socialmente têm também menos "saúde". garante o cumprimento do princípio bioético da "Autonomia". Brasil. estar-se-á efetivando a "beneficência". Também com relação a este indicador os menos favorecidos socialmente Como a Estratégia de Saúde da Família pode vir e/ou vem efetuando na prática alguns princípios da bioética? Tentaremos. bioética no Brasil: as primeiras equipes em cidades de pequeno e médio porte. As desigualdades existentes na nossa sociedade já foram bem evidenciadas por diversos estudos epidemiológicos de base populacional. JAN. Segundo Berlinguer. As diferenças na esperança de vida ao nascer entre um homem pobre da Europa e um igualmente pobre em um desses países. em relação àquelas efetuadas por outros serviços da própria rede pública e da rede credenciada.ANO IV. é Bioética". com relação aos países populosos e pobres da África. "a Epidemia de Violência". Mais recentemente. as equipes de saúde da família foram inicialmente internacionalmente pela grande implantadas justamente na região Nordeste. pondo em prática a eqüidade. princípio segundo o qual deve-se tratar "desigualmente os desiguais". Enfim. que. chega a vinte anos. como o Sudeste e o Berlinguer. o poder de controlar socialmente os serviços de saúde. discutir como a Estratégia Saúde da Família vem promovendo os princípios da são mais atingidos. os especialistas em saúde pública tem denunciado uma nova epidemia no Brasil. europeus e da América do Norte. se analisado do ponto de vista da coletividade. na mortalidade infantil. sendo que um de seus objetivos seria reduzir as iniqüidades em saúde. bem como nas favelas urbanas. A acessibilidade. e./FEV. Aqui se pode inferir que se a Universalidade for efetivada. dão conta da crescente desigualdade social entre A ESF iniciou sua implantação no Brasil em 1994. reduzindo substancialmente seu tempo de vida. No interior de todo este quadro social e epidemiológico é que vem sendo implantada a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Ásia e América Latina. os . sendo que estas diferenças podem ser observadas entre distintas regiões do país. nas curvas de mortalidade proporcional. estadual e municipal.OS PRINCÍPIOS A subdesenvolvidos. A participação social. através de políticas públicas socialmente justas. A Eqüidade. O homicídio passa ser a principal causa de morte entre os adultos jovens. como forma de consultas médicas e de enfermagem realizadas pelas equipes de saúde da família. O Brasil é conhecido internacionalmente pela grande desigualdade social. cumpre também os preceitos bioéticos da beneficência e da eqüidade. principalmente do sexo masculino (IDB. Neste é conhecido sentido. através dos Conselhos de Saúde de âmbito nacional. poderíamos afirmar: "a Constituição Brasileira. Hoje chama atenção o abismo entre os países Universalidade é o princípio segundo o qual a "Saúde é direito de todos e dever do Estado". é um mecanismo através do qual os gestores públicos Sul com relação ao Nordeste e o podem promover igualdade social. a redução das desigualdades. como Curitiba. OMS e o UNICEF. Dentro dos próprios municípios do interior. 2001). 1996). mais Promovendo eqüidade: recentemente. sendo que estas diferenças podem ser observadas entre historicamente mais difícil que nas capitais. bem como. um mesmo 16 S A N A R E . A falta de perspectiva no futuro.

a autodeterminação coletiva.1.profissionais de saúde da família passaram a receber remunerações relativamente maiores pelos mesmos procedimentos realizados em outros serviços. sejam médicos e enfermeiros. estabelecendo um diálogo com os na relação com os usuários após seu ingresso em equipes usuários que possibilite ao mesmo tomar suas próprias de saúde da família. cabe aos profissionais das que as equipes facilitam e provocam a organização da equipes de saúde da família alertar a população quando comunidade nos Conselhos Locais de Saúde. Além deste No âmbito das relações individuais. auxiliar de família em 1999. influencie para uma melhor qualidade da atenção à saúde e permanência dos profissionais por mais tempo no a construção de vínculos afetivos e serviço. Aumentando a participação social: O diálogo com a população atendida também se estabelece na medida em que são conhecidas e respeitadas práticas vigentes na Cultura Popular. bem como o resgate da auto-estima das pessoas beneficiadas com estas atividades. deve-se estabelecer uma relação de respeito momento. a territorialização. vem-se observando a organização de redes sociais. o estudo realizado com profissionais de saúde da médico/usuário. segundo as diretrizes da estratégia saúde da membros de equipes de saúde da família naquele família. Promoção dos princípios da bioética do ponto de vista do indivíduo pela ESF: sejam os agentes comunitários de saúde. não entenderam estas iniciativas. O que os gestores afirmavam naquele momento é que os procedimentos realizados pelas equipes de saúde da família tinham maior transcendência. com a participação de enfermagem/usuário e agente comunitário de saúde/ aproximadamente 50% dos médicos e enfermeiros usuário.2000). sentida pelos últimos. 2003 . no Brasil. com uma postura democrática do profissional profissionais com o seu trabalho. assim como. A maioria dos em relação ao cidadão. que estavam baseadas no princípio bioético da eqüidade. o planejamento local culturais estratégico e a adscrição de clientela. enfermeiro/usuário. em todas as regiões do país. bem como segmentos da academia. compreender melhor a determinação do saúde e a construção de vínculos afetivos e culturais seu processo de saúde . promovidas pelas equipes. nas regiões menos desenvolvidas.S A N A R E 17 . como os grupos de interesse (grupos de caminhada. como a utilização de medicamentos fitoterápicos e a fé nas A autonomia na perspectiva do coletivo vem lideranças religiosas populares. N./FEV. que hoje assume a ESF como estruturante do SUS. e.). Muitos profissionais do setor. entre as equipes de saúde da família e a população por elas atendida (Machado. evidenciou uma maior satisfação destes mútuo. influencie para uma melhor qualidade da atenção à bem como. como as rezadeiras e sendo promovida pela ESF. criavam condições para um vínculo efetivo entre os profissionais de saúde e a população. Isto ocorre na medida em curandeiros. em Promovendo o autocuidado / autonomia dos usuários especial. grupos de mães. grupos de gestantes. favorecendo sentimentos e ações solidárias. Estas redes sociais aumentam a autonomia de cada um de seus membros. grupos de idosos.doença. 2000) que demostram o aumento acelerado no número de profissionais dedicados a atenção básica à saúde. ANO IV. sentida pelos últimos. JAN. O primeiro deve atuar também participantes do estudo identificaram uma melhoria como educador. Evidentemente. inexistente nos serviços ambulatoriais tradicionais do país. É de esperar-se que esta melhora decisões e ter papel ativo e autônomo em relação a na relação usuário-profissional.2000). grupos de jovens etc. visto que a É de esperar-se que esta melhora na relação usuário-profissional. equipes de saúde da família e a população por elas entre as atendida (Machado. Em estas práticas trouxerem riscos para a saúde da inúmeras experiências da estratégia saúde da família população./MAR. Aumentando a acessibilidade: Um outro aspecto fundamental da ESF foi o aumento da acessibilidade. entre fato. Estes incentivos financeiros vêm sendo mantidos pelo Ministério da Saúde. Este fato pode ser facilmente verificado pelas informações (Machado. realização de qualquer procedimento e ou tratamento.

Revista Brasileira de Saúde da Família. e estimular o autocuidado. I. A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM LARGA ESCALA: EFETUANDO A ACESSIBILIDADE No atual momento de implantação da ESF. É preciso criar e fortalecer dia a dia. federal. HUCITEC. SANARE: Revista Sobralense de Políticas Públicas. medicamentos e exames complementares. Alguns autores tem alertado para a necessidade de formação de profissionais de saúde da família em larga escala. 2001. Desta forma o Ministério atende ao artigo 200 da paradigma e nos indicadores gerados por esta racionalidade. OLIVEIRA. é uma medida através da qual dois princípios da bioética estão sendo efetivados. Residência em Saúde da Família de Sobral: um ano formando profissionais em larga escala. Saúde da Família na prática: os princípios na visão de quem faz.M.H. pois só profissionais adequadamente capacitados poderiam realmente pôr em prática todos os objetivos da ESF. Editora Hucitec. tanto do ponto de vista quantitativo quanto do qualitativo. 136p. Ministério da Saúde. Construção Cotidiana. out/dez.O. 187p. no. 2000. Isto se aplica principalmente no que se refere à categoria médica. e tem formação preponderantemente para atuar nos serviços hospitalares. esta prática deve ser estimulada. Ano II. A & SOUSA.. JAN. Brasília: Ministério da Saúde.C. É preciso criar e recursos humanos para a saúde. As ações de promoção da saúde. Resta públicas. CESAR & BARROS. fortalecer dia a dia. GIOVANNI. Epidemiologia da Desigualdade. dado o grande número de equipes já implantadas e a implantar nos próximos meses. Brasília: Ministério da Saúde. a racionalidade da promoção da saúde. ao invés de Ministério da Saúde deu um grande passo ao propor mecanismos apenas tratar as doenças. 2000. Estas ações direcionam a população para um e municipal. Indicadores e Dados Básicos para a Saúde. tendo em vista que oportunizam o aprendizado e a capacidade de cada usuário atuar sobre o referido processo. que pressupõe mudanças aos gestores de saúde das três esferas do governo. L. E. o de saúde da família no sentido de promover saúde. . seja no O SUS e a ESF. seja no sentido mais restrito. de efetuá-los na prática. Que outros aspectos devem ser observados para que a ESF efetue os princípios da bioética? Intensificação das ações de promoção da Saúde e o estímulo ao autocuidado e autoconhecimento (princípio bioético da autonomia). que entende resultante da qualidade de vida.1996. 4.ANO IV./FEV. 1988. As equipes CONSIDERAÇÕES FINAIS de saúde da família precisam cada vez mais fortalecer as ações que intervenham na determinação do processo saúde-doença. 3. Apesar dos progressos e ações já empreendidas pelas equipes Do ponto de vista da formação profissional na graduação. VICTORA.1./MAR. M. que é escassa. empreenderem uma luta constante com o objetivo desnecessárias com relação aos profissionais de saúde. v. têm um potencial maior para estimular o autocuidado e a autonomia dos cidadãos. 146p. tornam-se então fatores essenciais para propiciar o acesso deste serviço a todos os brasileiros que dele necessitam. São Paulo. no.A . que embutem a capacidade REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de alterar fatores intervenientes no processo saúde-doença. 2. sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. estadual nos hábitos de vida. o limitante mais importante tem sido a insuficiência dos profissionais de saúde para efetivação do número de equipes necessárias. BRASIL. estão sentido mais amplo. janeiro de 2002. como medicamentos e procedimentos pelas equipes. Neste sentido.C. A formação e capacitação de profissionais em quantidade suficiente 18 S A N A R E . ANDRADE. N. 2003 BERLINGUER. Perfil dos médicos e enfermeiros do Programa de Saúde da Família no Brasil. como Constituição que afirma que cabe ao Sistema regular a formação de os Indicadores de Mortalidade e Morbidade. o que incluiria ações multisetoriais de políticas calcados por princípios jurídicos e normativos bioéticos. "a beneficência e a não maleficência (primo non nocere)". FRANKLIN. é preciso de financiamento para as Faculdades de Medicina que se reconhecer que o paradigma hegemônico de nosso sistema de propusessem a realizar transformações curriculares que tornassem saúde ainda é o da "Biomedicina".. MACHADO. estratégia estruturante do primeiro. a racionalidade da promoção da saúde. Ética da saúde. saúde como e de boa qualidade para estratégia saúde da família. MARIA HELENA. Rede Interagencial de Informações para a Saúde. desestimulando dependências destes serviços. aos profissionais de saúde e aos cidadãos usuários cuidado mais autônomo. que entende saúde como resultante da qualidade de vida. BARRÊTO. FERNANDO. São Paulo. uma das medidas que deve ser implementada na ESF utilizando-se . unicamente aqueles comprovados por evidências científicas.Utilizando protocolos A adoção de protocolos clínicos de atenção básica à saúde.F. que compreende a saúde como os cursos de graduação em Medicina capazes de formar um sendo "a ausência de doença". As ações das equipes de saúde da profissional que responda as necessidades do Sistema Único de família ainda vêm sendo medidas e acompanhadas com base neste Saúde.

têm ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Ministério da Saúde. alimentado e enriquecido as discussões relacionadas ao tema qualidade de vida. 2003 .1. N. maintained and enriched discussions related to the quality of life theme. quality of life. have accompanied. partindo ou de revisões da literatura ou de premissas desenvolvidas por teóricos nacionais e/ou internacionais. which is or should be the final objective of this program. no contato com diferentes grupos da população. via Programa Saúde da Família (PSF). qualidade de vida. Vários grupos dentro do setor saúde e muitos fora dele tem se dedicado a conceituar qualidade de vida./MAR. coming from either published reviews or from premisses developed by national and/or international theoreticians. We are going to present several components and characteristics of the concepts expressed in publications and discuss them based on data from experience witnessed in practice. Various groups within the health sector and many outside of it have dedicated themselves to evaluate the quality of life. via the Family Health Program (PSF). as secretarias estaduais de saúde e os municípios que optaram por reestruturar o modelo de assistência abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ the personnel training apparatus that collaborates to make this feasible. family health program. Titular do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo sinopse deste programa. Vamos apresentar vários componentes e características do conceito enunciados na literatura e discuti-los a partir de dados de experiências vivenciadas na palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Carta de Ottawa.S A N A R E 19 . in contact with different groups of the population. programa saúde da família. ○ ○ ○ key ANO IV. que é ou deve ser o objetivo final ○ ○ à saúde e o aparelho formador de pessoal que colabora para viabilizá-lo. state health secretaries and the municipals which opted to restructure the health care model and words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ The Ottawa Charter. JAN.O PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: UM COMPROMISSO COM A QUALIDADE DE VIDA The Family Health Program: a Commitment with the Quality of Life Márcia Faria Westphal Profa. ○ ○ ○ T he Ministry of Health./FEV. ○ ○ acompanhado. ○ ○ ○ ○ ○ prática.

comércio. O homem não participa mais com as massas na política. boa mesa. dos bancos eletrônicos e do "dinheiro solidariedade e justiça social. ao seu mundo. O mundo homens entre si e com a natureza. mas dedica-se ao seu cotidiano. Segundo os autores "qualidade de vida abrange muitos significados. ciências sociais e filosofia vem discutindo formas de conceituar hapennings. "uma construção social. Recentemente MINAYO. com as metas pessoais e a curto prazo. que refletem conhecimentos. reviram a literatura e discutiram o conceito não conseguindo conceituá-lo a não ser "como uma noção polissêmica". Se considerarmos ainda o de trabalho. religiosos e muitas vezes a qualquer custo (CARDOSO IN: HERCULANO 1998. entre outras cenário mundial se apresenta como um movimento dinâmico de comodidades e riquezas". especialmente ligados à que contribuem para alienar a população: diversões. urbanizado. condições materiais de vida e à subjetividade nas relações dos como o consumo. para que possam combater a indiferença em O ritmo do consumo acelerou-se em diferentes áreas: vestuário.". rico e muitas pessoas se mobilizam para adquirí-los. sociais e geográficas. aos produtos e aos padrões argumento do relativismo cultural.. mas grande parte Mesmo considerando e valorizando o relativismo histórico e do capital está sendo aplicado na provisão de serviços efêmeros cultural. hábitos de lazer.. consumo como sinônimo de condições estruturais de competitividade em escala global. da violência e da má qualidade de eletrônicos. entre os profissionais do programa de plástico" estas mudanças expandiram a sociedade de consumo. computador. as necessidades de educação. uma abordagem capitalismo então na sua terceira fase de desenvolvimento. O homem não participa mais com as massas na política. é necessário estimular valores de comunicação e informação. a relatividade tem três fóruns de referência: o histórico – parâmetros de referência em relação a qualidade de vida de uma sociedade diferem em diferentes etapas da história.O QUE É QUALIDADE DE VIDA? Q ualidade de vida é "uma construção social. ao seu mundo. neste novo Qualidade de vida contempla aspectos relacionados as século. O qualidade de vida. JAN. outros autores deste século. "Conforto. com as pequenas causas. experiências e valores de indivíduos e coletividades que a ele se reportam em variadas épocas. problemas ornamentos. televisão. baseia-se na flexibilidade em relação aos processos trabalho de recuperação de valoress. isto é. o atípico. o coletivo. espetáculos.. prazer. como a já mencionada. N. revelando suas tradições. as condições que favorecem positivamente o mercado. HARTZ E BUSS. 2003 . se rege eticamente enganosa e alienante da população é necessário um pelo mercado. são valores do mundo ocidental.1. qualidade de vida. de saúde da família. ao mercado de trabalho.ANO IV. moda . do nosso ponto de vista. O consumo de serviços aumentou não apenas o vida da população. relação à marginalização. No momento atual em que iniciamos um novo século./MAR. com a marca da relatividade". esportes e consumo de que estão na raiz dos conflitos./FEV. 2000). o conceito de qualidade de vida – "padrão de consumo" – está se tornando hegemônico e a um passo de adquirir "significado planetário" (MINAYO.. para afirmar o indivíduo. crescentes conflitos culturais. De acordo com esta afirmação. sendo a ação MINAYO. com marca da relatividade".. como positivas. à fome e à doença. Qualidade de vida contempla aspectos relacionados as condições materiais de vida e à subjetividade nas relações dos homens entre si e com a natureza. Ao mesmo tempo com apoio dos novos sistemas de que a literatura nos trás. governamental agora dirigida quase exclusivamente para tornar Justamente por existirem formas de conceituar qualidade de possível às economias nacionais desenvolverem e sustentarem vida. 20 S A N A R E . HARTZ E BUSS (2000). são vistas como boas. com as metas pessoais e a curto prazo. além de novas fronteiras econômicas. a partir de universais da cultura e atendimento Todas estas mudanças acentuaram a instabilidade dos de necessidades de sobrevivência. e de todo aporte da discussão de consumo. Envolvese com as minorias. saúde. QUALIDADE DE VIDA E CONSUMO de hoje nega o sistema. Assim. telefone. O Estado tem o seu papel modificado. a exclusão. princípios temporais que organizam a vida. reality shows. estratificações e classes sociais – o bem estar das camadas superiores é o padrão aspirado por todos e a passagem de um limiar a outro se faz na perspectiva de atingir este padrão superior. HARTZ E BUSS. globalização no qual surgem. decoração. o diferente. cultural – valores e necessidades são construídos e hierarquizados diferentemente pelos povos. espaços e histórias diferentes. carro. utilidades domésticas. humanos. 2000). Envolve-se com as minorias. o viagens. mas dedica-se ao seu cotidiano. Dentro deste contexto. com as pequenas causas..

/MAR. relacionada a satisfação 1996. posse de uma habitação. acesso à agua pura. desenvolvimento de capacidades humanas básicas e com a participação dos grupos populacionais Uma discussão atual e com potencial para questionar este fluxo hegemônico é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de autoria de Nussbaum e Sen e o conceito subjacente a ele. entretanto. BERLIGUER. a objetividade e a subjetividade em conjunto. existe desde o nascimento da medicina social. educação. não 1998). PRÉ-REQUISITOS PARA A SAÚDE E A QUALIDADE DE VIDA No campo da saúde. formar identidades para o atendimento das necessidades biológicas. a maior parte da relação aos programas tradicionais e literatura consultada. agregando relacionadas a resolução das questões fortemente às preocupações anteriores. que uma tensão constante entre o fato da mesma estar atenda à necessidade básica de abrigo. Esses autores influenciados pelos conceitos e a ética de Aristóteles e os conceitos de Marx. os aspectos humanos e os ambientais.. global dos grupos. N. o discurso da qualidade de vida. percepções. Os pré-requisitos para os quais chamou determinação da qualidade de vida permitiu observar a atenção foram: a paz. nos séculos XVIII e XIX. sentimentos. coletiva e não individualizada. embora bastante inespecífico e generalizante. elaboraram uma Conferência Internacional de Promoção de Saúde concepção da "existência e do florescimento humano" enfatiza também aspectos humanos e ambientais. tendência política. outros) ou a fatores subjetivos tais como a necessidade disponibilidade de alimentos em quantidade suficiente de se relacionar com outras pessoas. HERCULANO. Segundo o nosso entendimento a Carta de Ottawa que sintetiza as conclusões da I A qualidade de vida também é ambientais./FEV. 1983. as indivíduos carências decorrentes de iniqüidades. ecologia humana (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS Clama as diferentes instituições e os SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. renda. na constituição de um conceito orientador de ações: A discriminação deste pré-requisitos. Para SÉTIEN a qualidade de vida deveria atender importação. sociais. I Conferência Internacional de Promoção de Saúde enfatiza também aspectos humanos e A partir do crescimento do movimento é que farão a diferença destes em ambientalista na década de 70. condições de materiais necessárias à sobrevivência (status sócio- conforto térmico e outras. habitação. a distribuição de bens e serviços. acesso a um sistema econômico. COIMBRA. adequada em relacionada a fatores objetivos. definem ANO IV. mas sob a ótica manejado de forma sustentável – (OPAS. avaliação que o renda suficiente para o atendimento às necessidades indivíduo faz da sua qualidade de vida). 1992. crianças e adolescentes e reposição da força de trabalho. JAN. a e a partir disto propuseram a forma atual de objetividade e a subjetividade em conjunto. Há autores básicas e pré-requisitos anteriores. educacional eficiente. diferentes atores sociais a verificar CONFERÊNCIA PAN – AMERICANA SOBRE SAÚDE E como a sociedade está satisfazendo de vida e saúde de AMBIENTE NO DESENVOLVIMENTO HUMANO as necessidades básicas da população. atitudes. somente exportação e As recomendações desta Carta na prática das equipes de Saúde da família . em condições que favoreçam a saneamento básico. a visão da da qualidade de vida. emprego ou trabalho e democratização da informação e formação dos cidadãos. Dentro requisitos para qualidade de vida e saúde de indivíduos desta perspectiva ética do desenvolvimento. ao setor saúde.S A N A R E 21 . segue uma tendência que garantirão a mudança de preponderante da consideração de dois tipos de fatores paradigma. sentir-se integrado socialmente e em harmonia promoção do crescimento e desenvolvimento das com a natureza. 1996). SUSTENTÁVEL. 93).1. 1990. STROZZI & GIACOMINI. 1995). comunidades ou sociedades priorizando o bem estar social.A leitura dos textos destes autores sobre a e coletividades. como pré- desenvolvimento do Índice (CROCKER. 1970. recursos renováveis que expressaram posições radicalizadas relacionadas a garantidos por uma política agrária e valorização de um dos dois fatores (DUBOS. A perspectiva nesta perspectiva ampliada da saúde ambientalista acrescenta o questionamento dos não permite mais a restrição das ações modelos de bem estar predatórios. da população e o mercado interno e 1985. 1993. como pré-requisitos para qualidade e coletividades. crenças. de práticas e de resultados. 2003 . religião. ROCHE. ecossistema preservado e a dimensões objetivas e subjetivas. 1976. Nos últimos anos esta discussão tem no conceito de Promoção de Saúde e nos textos básicos das Conferências Internacionais desta área sua fonte inspiradora. CROCKER. tais como as condições termos de dimensões por habitante. industrial voltada para as necessidades ANDREWS & WITNEY..

A mudança de comportamento ou de estilo de vida os autores privilegiam a análise política e social das privações – surge como uma importante estratégia para a consecução da valorizando as oportunidades reais que as pessoas tem a seu favor. A concepção a ser discutida é a que encara a depreciada relação ser humano/natureza. e no futuro (HERCULANO. vida saudáveis. confortos e serviços.. que e trabalho quantas forem necessárias para que possa vir a ser empregado como substrato de uma crítica em profundidade a um consiste em um esforço de estilo de desenvolvimento vigente. querer assumir um estilo de vida considerado "de qualidade". e por conseqüência não ter um padrão de saúde Nesta perspectiva o bem estar ou a melhoria da qualidade de vida. Para os autores então. tentando resgatar o princípio ético da vida. como decorrente basicamente dos comportamentos inadequados dos indivíduos. em função de um novo modelo de desenvolvimento. um componente muito presente em programas do setor saúde e em programa de "qualidade na empresa".. grandes e 22 S A N A R E . O movimento pela qualidade de vida está presente de forma contundente. JAN. as carências decorrentes de iniqüidades e da falta de oportunidade de adquirir conhecimentos orientadores de práticas mais saudáveis..qualidade de vida a partir de dois conceitos: "capacidade". propõe a. Na medida em que não se consegue modificar o Nesta perspectiva "qualidade de vida não deve ser entendida com um comportamento "deletério à saúde" ou qualidade de vida de um conjunto de bens. buscando adentrar inclusive da personalidade do indivíduo. "saudável"./MAR. através da educação. Uma opção política para obtenção de acordos sociais seria a ética da solidariedade. saúde – e as que envolvem auto respeito e integração social – tomar parte na vida da comunidade". de vida . qualidade de vida. que oportunidades efetivas das quais as pessoas dispõe para ser e se geralmente vive condições adversas de vida. cultural e social. QUALIDADE DE VIDA. a ética da solidariedade. qualidade de vida pode ser avaliada em termos de "capacitação para alcançar funcionalidades elementares – alimentar-se. Integra muitas dimensões. fundamentais para a sobrevivência e os supérfluos. a possibilidade de ser ou de se realizar depende de uma opção política de desenvolvimento a partir da democratização da sociedade. que representa as possíveis combinações de potencialidades e situações que uma pessoas está apta a "ser" ou "fazer" e "funcionalidade" – que representa partes do estado de uma pessoa – as várias coisas que ela faz ou é. para podermos encontrar o caminho mais adequado para tratar a questão da qualidade de vida no mundo atual. ./FEV. HÁBITOS E ESTILOS Ainda. O processo de democratização complementarmente se adequado. um conceito de qualidade de vida orientador de ações deve considerar a relatividade histórica. transforma-se a vítima. mas um relação com a sociedade que se expressa pela formação de movimento de indagação sobre o futuro. ampliar as possibilidades da cole- Não representa somente a possibilidade de consumir bens duráveis tividade influenciar nas decisões que dizem respeito à ela e parti- e não duráveis. onde a desigualdade novas modalidades de parceria entre a sociedade e o governo para resolução dos complexos problemas que vivemos. mas através destes. Com este enfoque modificá-los. CONCLUSÕES A RESPEITO DO CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA Em síntese. é necessário colocar em questão uma assertiva. A capacitação dependerá de muitos fatores e condições. cipar na vida comunitária se disponibilizando como coletividade. 1998). Enfim conceituar qualidade vida. Neste início de século. das indivíduo ou de uma coletividade. 2001). reflete a organização política e social do momento e do passado recente com todas sua dinâmica. que valoriza o indivíduo e o mudança do Estado em sua neste momento não é considerado apenas um modismo. a complexidade que ele representa em um mundo também difícil e complexo. N. para acordos sociais e de participação da população. Uma conceituação deste tipo. mas principalmente de o campo das forças que determinam estes comportamentos. a distribuição de bens e serviços.. que consiste em um esforço de mudança do Estado em sua relação com a sociedade que se expressa pela formação de novas modalidades de parceria entre a sociedade e o governo para resolução dos grandes e complexos problemas que vivemos. estimula as diferentes instituições e os diferentes atores sociais a verificar como a sociedade está satisfazendo as necessidades básicas da população. em culpada por não realizar no passado e no presente". social e humano e tantas condições políticas.ANO IV.1. 2003 consumo que ele pode gerar. ter abrigo. tantas decisões políticas quantas estiverem interferindo no nosso desenvolvimento econômico. como o fizeram os participantes da Conferência de Ottawa é fundamental (MINISTÉRIO DA SAÚDE. nem depende exclusivamente dos indivíduos assumirem estilos de a ser influenciado por ações passadas e presentes.

Para exemplificar isto temos uma história verídica a contar. uma demanda de trabalho para os qualidade de vida. Fazemos aquilo que tecnicamente consideramos correto do ponto de vista epidemiológico e de técnicas de gestão. para que os pré-requisitos sintetizados na Carta de Ottawa para saúde e qualidade de vida da população sejam atendidos.Este trabalho entretanto não é fácil. N. ao mesmo tempo em que o profissional deve participar das decisões porque é ela que vive o dia a dia. da fome. que deve se responsabilizar por atender às demandas relacionadas ao diagnóstico e tratamento de doenças das famílias que vivem no território onde a mesma atua. profissionais de saúde envolvidos nos programas de Saúde da podem não ser acertadas. É ela que não tem condições para mudar em função do relativismo do mesmo já mencionado. a Promoção da saúde. mas na maior parte das vezes não ouvimos e não entendemos ou não conseguimos dialogar com pessoas que tem pontos de vista diferentes dos nossos. identificar e promover o controle dos fatores de risco destas doenças e desenvolver atividades. da em relação à priorização que a população dá às suas necessidades habitação acanhada e da falta de espaço para fugir de todas estes e seus sonhos. compreendendo que os valores e as população do município e o lazer apareceu como uma ação necessidades são relativos. ANO IV./FEV. A identificação dos problemas e a consciência da causalidade O Serviço de Saúde local neste momento em expansão. revendo esta questão ficaram comprovadas duas coisas. apresenta como valor. coletivas. que nós profissionais de saúde perguntamos à comunidades seus interesses. Ações individuais. levou a efeito um seus pontos de vista. bem como a população também precisa No campo da prática. ignorando o que ouvimos. seus conceitos de qualidade de vida e agem preconceituosamente É ela que vive o stress do trabalho. JAN. por assim dizer. é ela não tem água. O chefe do Departamento de Saúde não quis negociar e direitos humanos básicos e para trabalhar de forma articulada e inclusive considerou problemática a ação da universidade que parceira com ele para a resolução dos problemas do país. considerando que a população não sabe o que melhor para ela. tendo o ginásio de esportes ficado com suas obras paradas por muitos anos. aproveitou a das condições de vida e trabalho e para que se reunam para oportunidade para começar a construção de um ginásio local de advogar junto ao Estado. horário escolar. O chefe do Departamento do Serviço de Saúde levou a efeito investigações que comprovaram a desonestidade do prefeito e este foi colocado em disponibilidade. tenha que se omitir. discutir e argumentar. Ações individuais. porém isto não quer dizer que o técnico Família que é. sobretudo as de caráter técnico. Hoje a partir do conceito de Saúde e das estratégias de Certa vez em uma cidade pequena do interior de São Paulo. É ela que conhece a história e profissionais de saúde têm seus valores pessoais e profissionais e que a partir de seu mundo aspira ter tudo aquilo que a mídia lhe como pertencem a uma classe diferente da população em geral. problemas.1. 1990 ainda não se discutia Promoção de Saúde e tudo ficou como distorção da pesquisa e ação enganosa do Prefeito. do desemprego. técnicos e população levantamento de necessidades junto a grupos organizados da e negociar soluções. estava fortalece os grupos e segmentos da população e colabora para a com dificuldades de conseguir verba da prefeitura para a extensão organização dos mesmos no sentido de que planejem e dos serviços de atenção à saúde da comunidade e o prefeito. com base na ética da solidariedade e que busquem a sustentabilidade e respeito nas relação do homem com a natureza precisam ser programadas e desenvolvidas. Geralmente os território geográfico e de relações. que os comportamentos necessitam de prioritária a ser atendida pelo governo local. com base na ética da solidariedade e que busquem a sustentabilidade e respeito nas relação do homem com a natureza precisam ser programadas e desenvolvidas. dificuldade de entender.S A N A R E 23 . Vários grupos começam a colocar na mesa na implementação do SUS e seus princípios. juntamente com a condições para serem modificados e que a síntese cultural deve ser oferta de capacitação profissional para os adolescentes fora do buscada para que a solução seja a mais acertada possível. ou A QUALIDADE DE VIDA E O PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA Uma estratégia adotada para implementar o Sistema Único de Saúde (SUS) é o Programa de Saúde da Família. as condições necessárias à garantia dos esportes. coletivas./MAR. As soluções exclusivamente técnicas as vezes. implementem iniciativas saudáveis que colaborem para a melhoria desonesto e interessado em superfaturar obras. têm seus estilos de vida e torná-los mais saudáveis. nosso horizonte se amplia. no dar conta de tarefas tradicionais. havia interferido negativamente na negociação de verbas para a saúde. O programa de saúde da família tendo uma atuação mais ampla poderá dar uma contribuição importante para a mudança de modelo e atendimento das necessidades da população. 2003 . a partir dos discursos da população os que não tem esgoto e local para colocar o lixo para ser recolhido. adicionada à demanda tradicional. Hoje. Somente em 2000 este ginásio ficou pronto e em uso. Não sabemos se agora a comunidade tem lazer neste local. mas o risco do universidade trabalhando junto ao Departamento de Saúde local preconceito continua. melhor não sabe o que precisa para melhorar suas condições e Há. Naquele tempo. entretanto.

diálogo técnico e leigo com os mais variados tema. abordagem ambiental interna para as áreas. e principalmente. responsabilidade em relação à qualidade de concretamente como a atuação política junto a grupos vida das pessoas que convivem nas suas populacionais. vida. Nem sempre o ambiente dos mesmos favorece o bem estar físico. relação espaço/tempo tanto para profissionais em conjunto com outras iniciativas existentes como para funcionários vem favorecendo a nas comunidades onde atuam. muitas vezes juntamente com o baixo ser preparado. apresentação e as interações que ocorrem no 2000). dentro e fora da Unidade (BUSS. incorporar em suas tarefas e aptidões o universo . de político que o rodeia. por desenvolver pouca consciência social. serem autônomos e aptos ao Para uma contribuição efetiva para o dia a dia. compreendê-los para melhorar constan- O clima de competição entre os temente suas possibilidade de melhorar as profissionais e ou funcionários. para o profissional que se insere que os freqüentam. JAN.. concretamente um projeto interdisciplinar. o IDH . para se dirigir introduzem a necessidade de análise da a um público mais amplo do que fazia organização do trabalho e prescrição tradicionalmente. Há uma demanda extensa atendimento e laboratórios criados sem por parte de um público. dos seus funcionários e muito Saúde como o Programa de Saúde da Família. A carga psicológica do qualidade de vida hoje. trazem dificuldades que lhe são inerentes Muitas práticas realizadas nas Unidades conscientizar e desafios que não são novos (BUSS. criação e permanência do estresse. torialidade. precisa se conscientizar de sua e assumir desempenhar atividades antes não requeridas. correspondem a esforços isolados e algumas vida das pessoas Os profissionais. a mudança da condições de vida e trabalho da população. institucionais e órgãos de dependências. com o conhecimentos e a salário e riscos de acidentes do trabalho habilidades para a interlocução. O ambiente dos serviços de saúde nem sempre representam aquilo que se ensina para a população nos atendimentos A QUALIDADE DE VIDA MENSURADA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS domiciliares ou nas unidades./MAR. para desempenhar o unidades e baseada em uma visão parcial do papel de promotores da qualidade de vida. A interdisciplinaridade e a interse- com controle atmosférico de poluentes equipe. fazem-nos pensar em neste campo de trabalho. Devem ainda estar habilitados a sua equipe. até certo ponto preocupação com o bem estar dos indivíduos incomum. parte da missão da equipe de saúde da família por tentar instigar comportamentos e dos profissionais que a integram. para tecnológica inerente à saúde do trabalhador. no dia a dia. social e espiritual dos seus A qualidade de vida como um objetivo a ser atingido por Programas de Promoção de profissionais. da realidade. condição básica para a resolução químicos e biológicos. de saúde se caracterizam por manter o statu de sua Aqui talvez resida o maior desafio e grande quo. violência e outros problemas de origem emocional em 24 S A N A R E . menos usuários durante a permanência nas suas precisa mensurar seus resultados e dependências.necessita compreender o que é trabalhar pela suas dependências./FEV. 2003 O índice de desenvolvimento humano proposto por Sen & Naussbaum.ANO IV.. Mais do que isso. no um projeto interdisciplinar. cada Unidade de Saúde da Família e Os ambientes administrativos. controle de som e precisa se dos complexos problemas de qualidade de iluminação. inaceitáveis. N.1. As Unidades de PSF e seus profissionais intersetorial e ético para ser desenvolvido com responsáveis têm que se preocupar com a este objetivo. sua responsabilidade em relação à qualidade que convivem nas suas dependências. mais do que encorajar as pessoas especialmente no atual estágio de construção a mudar a sociedade e por culpar a vítima por em que o modelo se encontra e no seus comportamentos inadequados. cada Unidade de Saúde da Família e setores. que seja qualidade de vida ou de qual seja a devem ser capazes de fazer uma avaliação crítica contribuição da mesma para sua transformação. 1996). mental. e assumir administração pública. seu ambiente interno. intersetorial e ético para ser desenvolvido com este objetivo. deve trabalho. dentro e fora da Unidade. O que de enfrentamento dos complexos problemas do existe de positivo ou de mudanças mundo contemporâneo.

CETESB HUCITEC. P. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASHTON. BUSS. Saúde e qualidade de vida In: COSTA. mas verifica a expectativa de vida ao nascer que afere as possibilidades de adoecimento na população e a alfabetização que contabiliza o acesso a escolarização. G. Mas não é possível verificar impacto em termos de melhoria da qualidade de vida. 1993. pois as autoridades e a sociedade necessitam que suas atividades tenham sua efetividade em relação a melhoria da qualidade de vida comprovada. COIMBRA. FOLHA DE SÃO PAULO Qualidade de vida: índice de desenvolvimento humano da Organização das nações Unidas .Washington) Plano nacional de saúde e ambiente no desenvolvimento sustentável: Brasília: Ministério da Saúde.ambientais 4(11): 10-13. J. R. A qualidade de vida e seus indicadores Ambiente e sociedade 1(2): 77 . 1979.18. P Promoção de Saúde e qualidade de vida Ciência . São Paulo. falham do ponto de vista de muitos autores.R. Hoje é possível contabilizar o que foi feito e alguns indicadores de resultados em função de redução de índices de incidência e prevalência de doenças. Apura não só o desenvolvimento da produção a partir de dados do PIB per capita. muito importante. ao terceiro mundo. Ed. nov.S A N A R E 25 . que garantam uma ordem social mais eqüitativa de distribuição de riqueza. (1995 . O capital como fator patogênico pp.AMERICANA SOBRE SAÚDE E AMBIENTE NO DESENVOLVIMENTO HUMANO SUSTENTÁVEL.133. M. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS) Estratégia Global de Saúde para todos no ano 2000.A. R. Rio de Janeiro: Ministério das Relações Exteriores. 196 p. a história. 1996. Cadernos de Saúde da Família 1(1): 3 . Medicina e política.J. que garantam uma ordem social mais eqüitativa de distribuição de riqueza.M. 93).C. 2000. Os indicadores devem ser objetivos suficiente. se possível em números.(CROCKER.11 de julho de 1999. 2000. mensura a qualidade de vida obtida a partir de vários modelos de desenvolvimento utilizados do primeiro. P. A. J. 1995. 1998/1999. 1992. 1996. que é a proposta da Promoção da Saúde. 1993. Rio de Janeiro: Secretaria do Desenvolvimento Educacional/ ENSP. O relacionamento homem . 1981. S./fev. HERCULANO. o desafio político da sustentabilidade. que sejam capazes de indicar problemas e potencialidades e capaz de subsidiar sugestões para a implementação de políticas. 1992. JAN. 2003 . E. Vozes. pp. CROCKER. CONFERÊNCIA PAN . & RIBEIRO. Contudo. Z.A. N.M. 104p.M. 1-14.99. 1998. ANO IV./FEV. HARTZ. E. 73(1): 43-75. In: Berlinguer. MENDES.natureza Revista de Cultura Vozes. BUSS. D. degradando a qualidade de vida nas cidades.C. Uma agenda para a saúde. Barcelona. BUSS. A prática de um modelo anunciado. Masson S.pp BERLINGUER. SP.8. de saúde.V. (ed) Ciudades sanas. MINAYO. G. Ed. Caso não se faça este esforço de construção de indicadores. Falham também por não incluir indicadores e metodologias qualitativas de pesquisas que dêem conta dos aspectos subjetivos e da complexidade do conceito. Outros indicadores precisam ser criados pelos programas de Saúde da Família pensando principalmente na relatividade cultural e estrutural do conceito. GUIMARÃES. Lua Nova 31: 99 . Genebra: OMS.A. as condições objetivas de vida e as potencialidades de uma população que vive em um território. Debates sócio . bem como de mortalidade. LEVCOVITZ. Qualidade de vida e saúde Ciência e Saúde Coletiva 5(1): 7 . Qualidade de vida e desenvolvimento: O enfoque normativo de Sen e Nussbaum. esta proposta de "Programa Saúde da Família" serão marginalizados de interesses vitais do processo decisório. Os indicadores devem ser objetivos suficiente. por não incorporarem a dimensão ambiental. com a urbanização e a industrialização. que sejam capazes de indicar problemas e potencialidades e capaz de subsidiar sugestões para a implementação de políticas. como também será importante participar do jogo de construção de indicadores e mensuração a partir de um conceito que considere o contexto sócioeconômico-cultural. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO: Relatório. J.1. 1983. especialmente nos dias de hoje./MAR. e Saúde Coletiva 5(1): 163-179. a identificação de problemas e a criação de propostas transformadoras em qualquer ambiente serão ingênuas e parciais e a possibilidade de demonstrar a eficiência do programa será muito pequena. Hucitec.. Política de Saúde e inovação institucional: uma agenda para os anos noventa.M.P Agenda 21 e desenvolvimento sustentável: . o que possibilitaria a percepção sobre o estado do ecossistema. Espanha. N. CONSIDERAÇÕES FINAIS Caso não seja feito este esforço.

PILON. Qualidade de vida e formas de relacionamento homem mundo. E Políticas públicas e investimentos: a intersetorialidade. A. Dan Sch. 72p. The Journal (34): 43-7. A. WESTPHAL. Action and action competence.L. São Paulo.M. SOUTO. (Publicação Polis. A. & SCHNACK. & GIACOMINI. 16: 30 . Madrid. 1996. UNCHS An urbanization World: Global Report on Human Settlements.CEPAM. O movimento cidades/municípios saudáveis: um compromisso com a qualidade de vida Ciência e Saúde Coletiva. In: JENSEN. Divulgação Saúde em Debate./MAR. Educ.B. Brasília: Ministério da Saúde.J./FEV. & ZIGLIO.ANO IV. Health Promotion.5. Sundsval e Santa Fé de Bogotá. São Paulo. N. (originais publicados pela Organização Mundial de Saúde).F. 2000. 26 S A N A R E .S Indicadores sociales de calidad de vida . Studies: Studies in educational theory and curriculum 12: 163 . Revista Brasileira de Saúde Escolar.un sistema de médicion aplicado al país Vasco. Rio de Janeiro. Brasil 5(1):39-52. 1992. Município saudável. Siglo XXI: España Editores. 1996.F. 1995. Polís.183. 1993. empowerment and action competence. What is health? People talking. Istambul. p 111-121.9) Habitat II. 1995. 2003 . In: FUNDAÇÃO FARIA LIMA . 2(3/4): 117-25. WORLD HEALTH ORGANIZATION Creating Healthy Cities in the 21st Century. K. Oxford: Oxford University Press. TONES. M. 1996. 1996. 1999. STROZZI. 21). Turkey 3-14 June. Rev. B. 1994. O município no século XXI: Cenários e perspectivas. Como reconhecer um bom governo? O papel das administrações municipais na melhoria da qualidade de vida. Tradução Luís Eduardo Fonseca. M. PROMOÇÃO DA SAÚDE: Carta de Ottawa. JAN. J.1. SETIÉN.S.F. RUSSEL. Declaração de Adelaide. M. e OUTROS. Geneva: WHO.B. WESTPHAL. Background paper to the United Nations Conference on Human Settlements (WHO/EOS/96.

JAN. From this concept. do termo “empowerment”. public health. means "to bring power closer to oneself". The object dealt with here is another one. but disseminated within the social structure that does not exclude anything or anyone. which is more in agreement with the idea that it will be developed. empowerment. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ I nitially.1. instituições hierárquicas/ círculos comunitários. family health program. promoção da saúde. being able in the same way "to take away this power" whenever convenient for him. Se o poder é um elemento da sociedade. a person holding power shares his power with someone parting with it as a release. significa “trazer o poder mais próximo de si”. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ "empoderamento". podendo da mesma forma “tirar esse poder” quando lhe convier. Nessa concepção. 2003 . ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ I nicialmente. esse texto tem a ousadia de propor a adoção de um novo termo para o “objeto” que ele tratará. “ad-poderamento”./MAR. apoderamento. from the word "empowerment". "ad-poderamento". this text has dared to propose the adoption of a new term for the "object" with which it will deal. saúde pública. o que está mais de acordo com a idéia que será trabalhada. O objeto aqui tratado é outro. professional competence/lay wisdom. Trata-se de um processo de reconhecimento do poder existente. programa saúde da família.APODERAMENTO Empowerment Tomaz Martins Júnior Diretor Presidente da Escola de Saúde da Família Visconde de Sabóia sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ “empoderamento”. competência profissional/sabedoria leiga. no português gera um desconforto ideológico. O termo palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Empoderamento. Essa dinâmica só pode ser entendida com base na dialética consenso/conflito. This dynamic can only be understood based on the dialectics of consensus/conflict. reconhecidamente um neologismo da língua inglesa. recognizably a neologism of the English language. modelo biomédico. N. ainda não exercido. mas disseminado na estrutura social que não escapa a nada e a ninguém. It is about a process of recognizing the power already existing. The term words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Empowerment. ○ ○ ○ key ANO IV. in Portuguese generates an ideological discomfort. and hierarchic institutions/communitarian groups. Empoderar seria “dar poder a”./FEV. biomedical model. If the power is an element of society.S A N A R E 27 . uma pessoa detentora de poder compartilha o seu poder com alguém partindo de um desprendimento. To empower would be "to give power to". health promotion. not yet exercised.

dos protocolos experimentais e de hipóteses proeminentes. e segue-se nos anos da ditadura militar. o "poder com". reforça a necessidade de compartilhar o poder. esse conceito vem sendo incorporado pela saúde pública no campo da promoção da saúde. Mudanças essas baseadas numa visão de direitos sociais coletivos de grupos sociais oprimidos e/ou discriminados. com vistas a adotar uma visão radicalmente nova da realidade. é possível fazer com que os outros façam aquilo que ele que os profissionais se sintam detentores de deseja. nessa nova visão da promoção da saúde esse significantemente afetado pela necessidade "prescrever para" a transformação da realidade que cada um tem de controlar sua própria vida implica a valorização de uma outra forma de e pela quantidade de poder ou de falta de saber: o conhecimento dos problemas da poder que a pessoa julga ter. sob controle.ANO IV. N. por meio da persuasão ou da coerção. Nessa relação de poder. JAN. a postura autoritária dos profissionais. a participação social nos processos políticos é considerada como uma concessão dos poderosos. Por essa razão. o que tem promovido uma importante discussão da necessidade de mudanças no papel do Estado e da sua relação com a sociedade. A aplicação desse modelo afeta e da capacidade de ter acesso ao poder. o conceito de saúde encontra-se militares pelos civis. Tal característica esteve presente na relação colonizador-colonizado (português e os povos indígenas). ganharam visibilidade e têm promovido mudanças na cultura política brasileira. Nessa perspectiva os sociais cresceram dedica uma especial atenção ao conceito de "não instruídos" podem participar dessa número. 2003 É importante que a comunidade perceba se o conceito de poder. o saber algo e o poder. definido por Weber que atuando com base em um modelo de como a capacidade que o indivíduo tem de atenção à saúde de base biomédica. A partir dos anos 70 percebe-se o início de um processo de democratização O fortalecimento de uma comunidade se dá no processo de reconhecimento daquilo que a afeta e da desencadeado pela mobilização e pressão da sociedade civil e política. o saber ocupa espaço importante na hierarquia que o senso comum constrói ordenando quem pode mais ou quem pode menos. Entretanto.1. que se sentem no direito inclusive de delimitar o espaço dessa participação: concessão. como uma das principais relação de poder. mais uma vez com fortes traços de crueldade. essa mudança de paradigma caracteriza o abandono relativamente abrupto dos modelos teóricos prevalecentes. de poder. ocupando uma posição em estratégias de promoção de saúde. "os . todo o conhecimento considerado como O fortalecimento de uma comunidade se dá necessário para garantir a ausência de doença no processo de reconhecimento daquilo que a de uma população. os movimentos regimes e colocá-lo sob controle. é ainda difundido e aceito pelo senso comum. comanda o majoritário. Esse novo enfoque fundamenta-se em uma compreensão de saúde relacionada a um conjunto de valores: solidariedade. cidadania. Nos dias de hoje. O "poder dizer sobre" (isto é ter um saber) legitima o "prescrever para" o outro Nesse "novo movimento" da Saúde Pública. Sem dúvida. de forma a em número. para superar o relacionamento mais tradicional e hierárquico do fornecedor/ cliente. Com a capacidade de ter acesso substituição dos regimes militares pelos regimes civis. encontra- ganharam visibilidade e têm promovido mudanças na cultura política brasileira./MAR. revalorização ética da vida./FEV. Mesmo quando consideramos outros elementos materiais. Fazendo uma análise histórica das relações de poder no Brasil. econômicas e políticas. Isso envolve a noção de parceria entre profissionais e indivíduos ou comunidades. realidade em que vivem. repetiuse de forma também bastante cruel na cultura colonial escravocrata. os movimentos sociais cresceram ao poder. participação. S A N A R E . relaciona as determinações de saúde ao impacto das dimensões sociais. culturais. 28 importante por possuir um conhecimento. Segundo Kuhn. transformar a sua realidade. essencial à noção de fortalecimento. Essa relação de dominação fica bastante evidente em toda a América Latina. Com a substituição dos regimes A MODÉSTIA NO SABER Na nossa sociedade. ganha nova roupagem nos regimes populistas dos anos 50 e 60. podemos destacar que sempre existiu uma forte relação de dominador/dominado. a relação existente entre o possuir conhecimento. biomédico ao longo dos anos tem fortalecido de forma a transformar a sua realidade. em que o poder exercido por um grupo minoritário. Portanto. continente onde se registram as maiores desigualdades.HISTÓRIA DO PODER O O movimento de promoção da saúde desconforto ideológico para o termo "empoderamento" é fortalecido pela tendência histórica à dominação. na relação entre oligarquias rurais e imigrantes. fortalecimento.

Atenção Primária e promoção da saúde in Promoção da Saúde. Carta de Ottawa. das organizações e fruto da vivência da comunidade e que por isso guarda uma relação das comunidades nas decisões. Carta de Jacarta. é necessário percepção da capacidade que a população tem de transformar a que reconheçam a impossibilidade de resolver os atuais problemas informação ou o conhecimento. 1986. e não sobre e para o povo de reconhecer a sua incapacidade de resolver os principais e que para melhorar a capacidade das comunidades e promover a problemas de saúde da população. A Declaração de Jacarta reconhece que a promoção com base na promoção à saúde. Esse processo de aglutinação deve ser norteado por princípios como o respeito às pessoas e aos espaços de convivência. 1997. existentes não são suficientes. conhecimentos essenciais para efetuar a mudança. troca de conhecimentos entre profissionais e população. O processo entre as informações importantes sobre a promoção da saúde. Ministério da Saúde. Na evolução do conceito de promoção da saúde. à solidariedade. Portanto. Assim. Existe uma impermeabilidade nas estruturas REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de poder. FERREIRA./MAR. já de apoderamento requer o desenvolvimento de uma mobilização sistematizadas. JAN. interesses e motivações. é preciso que as pessoas tenham direito de voz e mais são de tamanha complexidade que o saber clínico (biomédico) acesso ao processo de tomada de decisão e às habilidades e mostra-se bastante insuficiente para promover mudanças.1. a Carta de Ottawa trabalha com o conceito de apoderamento ao definir CANDEIAS. O reconhecimento da Há de se ressaltar entretanto que apenas o reconhecimento da falta de poder e o conhecimento dos mecanismos de poder necessidade desse processo dialógico é vital para o processo de apoderamento da população. mas pressupõe a percepção por parte de seus membros da saúde é uma tarefa árdua da Estratégia Saúde da Família.R. Promoção em saúde. parte da consciência do profissional da saúde efetua-se pelo e com o povo. & BUSS. 1999 in mimeo. com o seu modo de viver. as mesmas aspirações. social que promova a participação das pessoas. M. In mimeo. Organização Mundial da Saúde. na perspectiva da construção coletiva de realidades saudáveis.F. incluindo uma maior participação no controle deste processo". e dentro mão única: profissional que ensina e população que aprende. Promoção da Saúde como o "processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde. Os problemas mais prevalentes saúde./FEV. com aquelas tão importantes quanto as primeiras. para um novo modelo que consiga promover a saúde da população Entretanto. continuamente com a comunidade. CONSTRUINDO A PROMOÇÃO DA SAÚDE CONSIDERAÇÕES FINAIS O apoderamento de uma comunidade não se dá de forma Promover a mudança para um modelo com base na promoção espontânea. entre o conhecimento dos profissionais e o da comunidade. é importante reconhecer que a relação entre é importante que o profissional reconheça a amplidão de profissionais e população não deve ser um processo educativo de conhecimentos necessários para a promoção da saúde. a nova ciência normal. pela forma como a sociedade se encontra organizada.M. Organização Mundial da Saúde. Carta de Sundsvall. Brasília. Para isso. biomédicos.P. N. A nova relação. esse deve ser o seu objetivo principal. à transformação. 2003 . evidenciando assim. ao enfatizar o tema Ambientes Saudáveis à Saúde. na sua relação com os "não instruídos". Participação e cidadania: aplicação à proposta de promoção de saúde.F.instruídos". que para ser rompida requer a capacidade de aglutinação: um processo de apoderamento coletivo que extrapola o apoderamento individual e que é conseguido a partir da capacidade de aglutinar pessoas ou grupos que comungam com uma mesma visão de mundo. também identifica como uma das estratégias fundamentais para a ação em saúde pública "capacitar comunidade e indivíduos a ganhar maior controle sobre sua saúde e ambiente. através da educação e maior participação nos processos de tomada ANO IV. das formas de como esse poder se realiza e se dissemina na Entretanto. WESTPHAL. o que pressupõe então uma relação de saúde de uma população apenas com os conhecimentos educativa. 2001. N.S A N A R E 29 . os sociedade. J. A dessa amplitude a importância do conhecimento adquirido pela promoção da saúde deve ser entendida como um campo de vivência. 1991. reconhecido aqui como instrumento de apoderamento conhecimento ainda em construção que prioriza a relação dialógica da população. A Declaração de Sundsvall. Organização Mundial da Saúde.M. A não percepção das formas de realização do poder é profissionais têm um papel importante em promover um diálogo percebida pela comunidade como ausência de poder. Esse processo deve partir da com a sua cultura. de decisão". a necessidade de dialogar gerando a produção de novos conhecimentos.

/MAR. JAN.ANO IV./FEV. 2003 .30 S A N A R E .1. N.

/FEV. Assim.S A N A R E 31 . Essa é a base para a atuação do dia-a-dia das equipes do saúde da família. In this way. the Road to a Healthy Life Maria Cecília Cordeiro Dellatorre Médica sanitarista Mestre em Saúde Coletiva Docente de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Marília sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ que devem pautar suas atividades no diálogo mediador com os atores sociais locais e seguimentos institucionais ou não. palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Cidadania. CAMINHO PARA UMA VIDA SAUDÁVEL Citizenship. 2003 . which should direct their activities into mediating dialogue with the local social performers and institutional followings or not./MAR.CIDADANIA. equipe de saúde da família. intersetorialidade. ○ ○ ○ I ntersectoriality for participative citizenship. stimulating health practices and solutions to common problems. na busca da garantia e reconhecimento dos direitos da comunidade. promoção da saúde. JAN. intersectoriality. ○ ○ ○ key ANO IV. estimulando práticas de saúde e soluções de problemas comuns. family health team. N. health promotion. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ teams. This is the basis for the day-to-day actuation of the family health words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Citizenship. ○ ○ ○ I ntersetorialidade para uma cidadania participativa. in the search for guarantee and recognition of community rights.1.

Ser um pouco terapeuta ocupacional.. onde ficou demonstrado a precariedade do As desculpas evasivas do paciente não são aceitas. os calos. o reconhecimento de que as pessoas só participam quando se sentem realmente Não pretendendo ser "resumo" dos direitos sociais. ou não explicitadas. à os "desanimados. ainda. o direito ou não à aposentadoria./MAR. "só querem remédios Como pode. a sede. Outra ordem de razões: não podem deixar os netos sozinhos. têm pessoas dependendo as diferentes estâncias de poder local. a ESF dar conta desde as caminhadas. Cerca de 70% também pode ser do executivo. apenas 30% caminhavam. Muitas vezes a própria ESF ou seus flatulência. da esfera municipal. não ter companhia ou. no território pela ESF. As conseqüências podem ser o desânimo com o compridas do pé. que podem levar a que a aparente simples recomendação de fazer caminhadas não "possa" ser 32 cumprida. educação. que podem levar a que a aparente simples recomendação de fazer quais as responsabilidades da sociedade. pode se iniciar um discurso de invalidação da clientela do direito.2% atropelados por bicicletas e 5. civis e políticos. ou que dificultem as caminhadas.. Por parte da mostrou que 57% dos entrevistados não sabiam mencionar um só equipe. envolvidas e quando dispõem de clareza e condições para ultrapassar O primeiro ponto essencial é a certeza de estar existindo as barreiras que se interpõem ao cumprimento do recomendado comunicação entre a ESF e os que moram no bairro. estadual ou federal. políticos e sociais.A busca de soluções e apoio pode CAUSAS E EFEITOS U ser parte das funções da Equipe cumprirem a recomendação de fazerem caminhadas. podem gerar coletivas. ou não explicitadas. no Rio de Janeiro.1. associação do bairro. cheias de entulho). moradia. JAN. A lista da Equipe de Saúde da Família (ESF). associação do bairro.2% porque sentiram tontura. da falta de creches. mas não ligam". 30% já havia sofrido queda recente. é colocada com freqüência pelas pessoas. e exames". São muitas as variáveis explicitadas. judiciário. hortelão. líder de mutirões. autoritárias. ma pesquisa feita por estudantes de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde (ACS). para que as "metas" sejam cumpridas. até mesmo civis. e tentar dar conta de tudo.6% em buracos nas ruas e 5. tipo: "a gente cansa de falar. "ignorantes e que não são feitas por conta dos buracos nas calçadas. mas também pode ser do pode ser interminável como não ter sapatos confortáveis. sem se transformar em "síntese da intersetorialidade"? Relativizando as dificuldades externadas. delas. Enfim. a "urina solta". que são todos determinantes e/ou condicionantes da saúde. Dos que receberam a recomendação. 2003 .ANO IV. não seguir a orientação COMUNICAÇÃO PARA A CIDADANIA recebida. Murilo de Carvalho cita uma pesquisa feita em 1997. da unidade. N. Outras razões As condições ou barreiras tanto podem ser individuais como impeditivas. diplomata e negociador com têm compromissos de trabalho em casa. então. de todos entrevistados. "não entendem que é para o bem deles". Talvez não diretamente para o médico. recursos vários. tentar preencher uma e /ou marginais. A busca de soluções e apoio pode ser parte das funções constrangimentos e não serem colocadas tão facilmente. cozinheiro. mas para o ACS. judiciário. mostrou as dificuldades das pessoas em havia recebido esta recomendação. 15.. estadual ou federal.. não ter executivo. da esfera roupas adequadas. do(s) governo(s) ou do caminhadas não "possa" ser cumprida. com certa dose de chantagem emocional ou mesmo lazer. porém. Esta justificativa para não caminhar. S A N A R E . deixando de lado deficientes físicos e mentais. 74% das quais nas calçadas./FEV. mas unidade básica de saúde. saneamento. material. têm medo de desafetos fornecedor de roupas e comida. o uso de medidas um tanto renda. a valorização apenas dos que aderiram. sendo que só 12 % mencionaram algum direito civil. das ruas de moradia e para o bairro como um todo. o entusiasmo e a vontade que somem coordenadores podem pretender ser a "síntese da intersetorialidade" na hora de sair de casa. por problemas físicos e/ou mentais. o que conhecimento dos direitos civis. Uma das dificuldades apontadas foi o legislativo. Como saber e dar conta das limitações da ESF. infinidade de lacunas de responsabilidades e/ou direitos sociais e São muitas as variáveis explicitadas. ao trabalho. a municipal. de espaços e cuidadores para trabalho. legislativo. em três microáreas de uma de Saúde da Família (ESF). ou "rascunho" de cidadania. A pesquisa pode levar até ao abandono de todo o tratamento. com desníveis. alimentação. monitor de lazer. das unhas irresponsáveis". estado das calçadas (esburacadas. mesmo o médico ou enfermeiro da equipe. desinteressados". estado? O ACS que cobra com insistência passa a ser evitado.

levando a uma cidadania participativa. quadros da administração pública. quem pode ajudar o outro respeitoso. CIDADANIA PARTICIPATIVA O ESTABELECIMENTO DA RELAÇÃO CIDADÃ É A BASE PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PROCESSO EDUCATIVO O processo educativo que leve em conta algumas das qualidades indispensáveis – "qualidades não são Para garantir o direito à saúde. o sentido e conseqüências das escolhas e co-participativas. ainda. quem pode tratar os calos. levando a uma burocratizando. segue-se a intermediação para o significado de direito.? A ESF deve ser cuidadosa nesta função. ficar e cuidar do assumidos. estimulador de práticas que busquem saúde. a cortar as unhas dos pés. quais outras mesmos e aos outros. um arremedo de comunicação.. que é. no caso a ESF. não apenas o sentido sobre o "cuidado de não permitir que as pessoas se do direito. quais organizações (ONGs) estão de Paulo Freire: "Humildade – qualidade que exige disponíveis para apoiar este debate. Um recurso de fala muito utilizado é o de diminutivos. respeitando horários. A ESF deve informar. cooptação e/ou pensamento. pois corre o risco de se constituir em nova humana complexa que permite aos homens representar fonte de alienação. Através da linguagem é possível a populistas. como a promotoria pública . para que "a intervenção permita que novas relações se buscando garantir sempre normas de negociação nas construam sobre a autonomia das pessoas no direito situações de conflito. quais instâncias têm a função ou recebemos de presente" – contidas na Quarta Carta de garanti-los. é um primeiro sinal de alerta. rotulando-a como a "que não entende". N. chamando cada um por seu nome próprio. É essencial que na Unidade de Saúde da Família e a comunicação de idéias. No caso da ESF pretender desempenhar um papel mediador.S A N A R E 33 . confiança em nós mesmos. (USF) cada morador do bairro tenha uma relação de Se a linguagem do ACS com a comunidade vai se cidadania e que isto seja aclarado. Partindo desta relação mediadora. transferindo. que secretarias coragem. tutelar e manipuladora. reproduzindo pela mediação os as realidades mantendo estreita relação com o comportamentos de dominação. rígidos. Na questão das responsabilidades. não avocando todos os encaminhamentos. Estabelecendo e negociando regras claras.1. cumprindo compromissos quem pode dar o braço na caminhada. da necessária oferta alienem".Quando a equipe começa a perceber que invalida parte da comunidade. a autora sugere que se componha parceria debater práticas que garantam a saúde e. a regulação do pensamento e da ação. mas o dever./FEV. estabelecer novos vínculos. explicando ou explicitando as neto ou do sobrinho deficiente? intercorrências que não permitiram a função de servir D'Incao e Roy alertam sobre o papel mediador. saídas e Durante define a "linguagem como atividade soluções. procurando É essencial que na Unidade de Saúde da Família (USF) cada morador do bairro tenha uma relação de cidadania e que isto seja aclarado. sequer intenções. infantilizada. assim. de mão única. de respeito. negociações./MAR. entre os que apresentam problemas comuns. ou reforçar antigos que estejam fragilizados. as companhias de saneamento. ninguém sabe ANO IV. escravizando as metas e programas cidadania participativa. a prática efetuadas. 2003 . etc. Alerta.. que é "acomodada". suas universalizante dos serviços". que outros direitos algo com que nascemos ou que encarnamos por decreto devem ser assegurados. é muito grande. representação. instituições. alterando-se. Ela é ensurdecedora. questionar. respeito a nós municipais podem e devem ser acionadas. ao público. e deve ser do conhecimento de toda a equipe do PSF. pensamentos e intenções". o risco de não estabelecer um diálogo e sim um monólogo constrangedor. não transmite pensamentos. Reconhecer . reenviando a com a sociedade que garanta negociações democráticas cada questão. precisa decodificar os fatores impeditivos. iniciando pelo direito à saúde. Sposati e colaboradores de se exprimir e de negociar livremente as soluções enfatizam a necessidade de interiorização "pelos dos problemas que lhes são comuns". A relação cidadã é explicitada no tratamento Voltando ao exemplo. JAN. debatê-los com pequenos grupos já mobilizados.

"Caminhe": as dificuldades dos idosos em seguir esta recomendação. Porto Alegre: Artes Médicas. porém. Enfim. ninguém ignora tudo (. unidos a outros e.. e "Segurança... enfrentar tudo que lhes pesa em comum". Torná-los público para subsidiar as reivindicações. Olho d'Água. N. de "alfabetizador" no Direito à Saúde. em cidadania. tia não: cartas a quem ousa ensinar. 4ª ed. mas que podem fazer. as qualidades de educador. conjuntamente. a busca de soluções. disfarçá-lo. In: 52º Congresso Brasileiro de Enfermagem [CD ROM]. Dellatorre MCC. não é acobertar o desrespeito.). "Tolerância não é. não é amaciar o agressor. Origassa MC. Roy G. "a escolha de se encolher sobre si mesmo. a ESF precisa cumprir o papel de mediador. Shinohara E. conjuntamente. 1995.. pode ser um ponto de partida para a construção da cidadania. isto é. mas também pode ser a escolha de se unir aos outros para transformar sua própria condição e a de todos" que vivem as mesmas questões. 2002. posição irresponsável de quem faz o jogo do faz-de-conta. Durante M. caminhos para uma vida saudável.. JAN./MAR. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Fleury S. cidadãos: Aprendendo e ensinando a democracia. A tolerância é a virtude que nos ensina a conviver com o diferente". demanda competência científica. São Paulo: . Curitiba. Falcão MC. Nós. Freire P Professora sim. buscando.tudo. CONSIDERAÇÕES FINAIS É função essencial da ESF fornecer dados e estudos epidemiológicos sobre a área. São Paulo: Cortez. a ESF "encontrar o caminho para ajudar cada um desses homens e mulheres a conquistar sua autonomia e a escolher livremente. para a promoção da saúde. Rio de Janeiro: Paz e Terra. a relação cidadã./FEV. 2003 . assim. 2001. com certas atitudes de ir mais além do limite a partir do qual nos perdermos". REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Carvalho JM. como propõe D'Incao e Roy. D'Incao MC. unidos a outros e.ANO IV. enfrentar tudo que lhes pesa em comum". 1993. Os direitos dos desassistidos sociais. . Alfabetização de adultos: leitura e produção de textos." A linguagem. Sposati AO. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. "encontrar o caminho para ajudar cada um desses homens e mulheres a conquistar sua autonomia e a escolher livremente. A humildade ajuda a jamais deixar-me prender no circuito de minha verdade.. 34 S A N A R E . Cabe aos mediadores. Um dos auxiliares fundamentais da humildade é o bom senso que nos adverte estarmos próximos. de se resignar. 1998. para organizar e mobilizar o debate. clareza política e integridade ética. 2002 . a compreensão dos membros da comunidade como pessoas presas nas múltiplas realidades coletivas que determinam suas condições de vida.1. Ser tolerante não é ser conivente com o intolerável.

is constituted in our consideration objective. diretora técnica de serviços do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo Rosilda Mendes Educadora. assessora técnica da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ intersetorial. perception and appropriation of knowledge. doutora em saúde pública. family health program. This final aspect. Esse último aspecto. programa saúde da família./FEV. ○ ○ ○ key ANO IV. embora seja um dos mais relevantes é contraditoriamente muito pouco debatido. apreensão e apropriação de conhecimentos. participação social. uma vez que na estratégia de Saúde da Família. o fortalecimento da participação social e a afirmação do papel ativo da população no que se refere ao acesso. doutora em saúde pública.RELAÇÃO EDUCATIVA DA EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA COM A POPULAÇÃO Educative Relationship of the Family Health Team with the Population Ausônia Favorito Donato Educadora. social participation. 2003 .S A N A R E 35 . educação. que a possibilitem a fazer escolhas "saudáveis" e obter maior controle sobre sua própria saúde e sobre o seu ambiente.1. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ H ealth Promotion in its wider sense reveals some components from which we can cite: intersectorial action. JAN./MAR. which enables it to make "healthy" choices and obtain greater control over its own health and over its environment. the words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Health promotion. ○ ○ ○ A Promoção da Saúde em seu sentido mais amplo revela alguns componentes dentre os quais podemos citar: a ação palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Promoção da saúde. N. the active role of the population. it is contradictorily very little debated. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ strengthening of social participation and the affirmation of the population's active role where it refers to access. o papel ativo da população. seeing that in the Family Health strategy. constitui-se em nosso objeto de reflexão. education. though it may be one of the most relevant.

desprovida de conhecimentos. E. toda ação humana. São idéias. Quando essa profissional intenção. modificam. Por quê? É um caso de relação do profissional da saúde com a esquecimento? Não. Concretamente. o máximo que pode fazer com elas é repeti-las. isto é. desprovida deles e que o fulcro da ação Entretanto. na integralmente. traz embutida uma com uma pediatra. mas por não entender os No geral. cuidadosamente fervidos. a estagnação. Nós. porque ambos são percebidos como até certos conceitos. precisamos estar atentos./FEV. cabe à equipe de Saúde da Família explicitar de que intenção se trata. mas. Claro que se a população só recebe informações. e na maioria dos casos é. se o fizermos. que as pessoas aprendizagem e. podemos observar também que. resta pensar no modelo de educação escolhido. o tipo de educação escolhida tende necessariamente para manutenção.PROMOÇÃO DA SAÚDE E EDUCAÇÃO P ara que a Promoção da Saúde alcance o que se propõe a primeira condição é que MECANIZAÇÃO E PROBLEMATIZAÇÃO DA REALIDADE os participantes nela envolvidos assumam que estão compartilhando de uma ação Passemos a outro caso concreto.ANO IV. detentores do saber e a população. pautada em visões e concepções de projeto social. Essa concepção de educação tem sido contraditada pela concepção crítica da educação que pretende ser uma educação para a mudança. certas Como ilustração. sacola onde havia colocado a fralda usada do Não se trata de deter-se unicamente na dimensão técnica da ação educativa. Portanto o que deve ser feito é muito simples: os técnicos "passam" os conhecimentos em termos da promoção da saúde foi nulo!! Como poderíamos explicar tão fragoroso fracasso? Se não há porque duvidar-se da que possuem para a população que não os possui. como toda ação educativa. cientificamente comprovados e sistematizados. desse tipo de que. pois ela não nos levará muito longe. Daí o fracasso. de ser humano. dentre as mãos. para a conscientização. aliás. o resultado determinados conhecimentos elaborados. Podemos dizer que eles sabem verbalizar muitas idéias a respeito das várias características da cidade. a população. em muitas cidades brasileiras assumem o papel de guias turísticos. não consegue relacioná-los com a sua vida e com seus saberes anteriores. Houve uma ação educativa. de educação. Muitas vezes símbolos ou mesmo conceitos que são repetidos. um tipo de aprendizagem que reproduz idéias. E. o que teremos? Muitas vezes observamos que as pessoas após conversarem com as equipes de de educação considerado acima. é sempre oportuno relembrar que nada disso é possível sem um chupeta. 2003 relacionar alguns dados Esta nova concepção que dá suporte aos . E damo-nos por satisfeitos e felizes. para a transformação. E a como das etapas que devem ser percorridas para atingirmos o que nos propusemos. indagou a uma mulher se ela havia lavado as A segunda condição. e por outro. várias possíveis. 36 S A N A R E . ocorrido educativa. que complementa a primeira. símbolos. Entretanto. É uma aprendizagem mecânica. técnicos. Por seguir guardou o bico da mamadeira e a desnecessário que seja. tentando mencionados. a aluna aprendeu. podemos lembrar o caso de crianças com as equipes de saúde acabam por repetir certos termos. certos princípios e até técnicos. Ou seja. bem ela orgulhosamente respondeu que sim. conteúdos. ou seja. JAN. é eleger a direção. (voltaremos a esta questão) da ação que se pretende realizar.1. para o início da sua fala e a repetem se contrapõe a essa visão por entender que. estratégias. necessariamente ambos se denominamos de aprendizagem mecânica. recursos e seu nenê! O paradoxo é notável. de aprendizagem. é sempre preciso avaliar o processo e o produto de nosso Com muita calma. entende-se que há. pois este é um momento delicado. mas que nada significam. tínhamos os saúde acabam por repetir certos termos. e do modo de ver-se o mundo. pois pode ser. certas expressões./MAR. o mais das vezes. a presença de técnicos que detém princípios que as fundamentavam. na mesma planejamento coerentemente detalhado de todo o processo. que não observamos têm sentido. elas invariavelmente retornam certos princípios e movimentos de educação popular em saúde. expressões. E frise-se que não se trata de uma escolha idiossincrática. se lhes fizermos algumas perguntas no decorrer de sua narrativa educativa consistia na transferência de conhecimentos de uns para outros. isto é aprenderam para poder se comunicar com os turistas. saindo do campo após conversarem da saúde. recordemos que no tipo fazer educativo. para a libertação. só nos empenho que demonstramos. prontos. acabados. N. de ressaltar a importância dos objetivos. com a sensação do dever competência técnica dos técnicos e nem da cumprido e a população deveras agradecida pelos conhecimentos recebidos e pelo possível incoerência do planejamento. Como todos sabemos. fervido o bico da mamadeira e a chupeta. desta vez. mas não os decodifica. tanto que reproduziu as ações que avaliação. por um lado. a domesticação e alienação. elas adquiriram o que aqui população. certos conceitos. como isto tem ocorrido na educação em saúde? lhe foram ensinadas.

se descubram como sujeitos não apenas aquisição de uma aprendizagem significativa. agem conhecimento é coletiva. credos. o que significa conseqüentemente aos seus saberes. que considera educandos e por diferentes sujeitos e em momentos educadores como sujeitos concretos desse processo. portadores e produtores de conhecimentos distintos. Assim. crenças. Qual o significado das pessoas se tornarem sujeitos? Significa O que implica a população construir o seu conhecimento? tomarem consciência de sua prática social. por diferentes sujeitos e em momentos históricos diferentes. passa Saúde da Família são pessoas da própria comunidade e a ser a sua explicação para o fenômeno. portanto. Nesse aspecto é importante lembrar-se que os se valha das informações disponíveis para elaborar e agentes locais de saúde que compõem a equipe de socializar uma explicação que. sabem. diante de um problema gerado por uma dia. transformando-o. aprendem e sentem no seu dia-a- população. a necessidade de conhecimentos. no processo educativo. ou seja. mesmo já existente. se oferecermos a ela isso pretende-se dizer que esses trabalhadores problemas que o seu saber não sabe. tabus.. os vários jeitos de ver as coisas e considere as perceba que as experiências são heterogêneas porque vários jeitos de ver as coisas e perceba que são vivenciadas de modos diferentes. na Estratégia de Saúde da Família. possuem valores. é fundamental. a envolvidos.. processual.. Salta aos olhos./MAR. Dito de outro modo. os opiniões diferentes. E. históricos diferentes.. Cabe enfatizar que coerentemente aqui adotamos uma concepção problematizadora do processo ensino- as experiências são heterogêneas porque são vivenciadas de modos diferentes. e por que dessa forma e não de outra? situação que o seu conhecimento ainda não explica. ANO IV. pelo seu esforço intencional de saber. a das pessoas da população. conhecimento. o que ela sabe necessitam de oportunidades planejadas para o poderá. esses sujeitos são percebidos como seres Esses conhecimentos podem e devem ser comparados que sabem. que a equipe de Saúde da Família na sua prática educativa opiniões diferentes. vivem. isto é. JAN.1.S A N A R E 37 . é fundamental. sabem porque e confrontados resultando em novos conhecimentos. sabem que sabem.. preconceitos em relação a saúde conhecermos o que a nossa população já sabe e o que similares a da população com a qual vai trabalhar. Só assim é possível no nosso entender. o conhecimento deve ser construído continuamente. Com ela ainda não sabe. ou seja. exercício da reflexão constante sobre o seu fazer transformar-se no que ela ainda não sabe. deve ser suas experiências anteriores como elementos necessariamente aprofundada para que se constitua fundamentais e desencadeadores de novos numa relação educativa que permita que todos os aprendizados. dizer que. mas no processo de vida. sabem como sabem. mas no processo de vida. Trata-se de assim sendo. articulá-las ao já conhecido. que a equipe de Saúde da Família na sua prática educativa considere as . 2003 . cotidiano para tornarem-se conscientemente atores e Mais uma outra idéia que gostaríamos de ver aqui possibilitadores de situações de ensino-aprendizagem pensada é a que se refere a uma outra dimensão presente para que outros se tornem sujeitos. N. possuem uma história de vida semelhante atribuir significado às novas informações./FEV. deve ser necessariamente aprofundada para que se constitua numa relação educativa que permita que todos os envolvidos. se descubram como sujeitos não apenas no processo educativo. isto só é possível quando se considera a relação da equipe com a população. e sabem dizer a terceiros Nessa relação educativa a produção de um o que sabem e não menos importante. na relação educativa entre os componentes da equipe CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Nesse sentido. o Construir o seu conhecimento significa que a que fazem. Em outras palavras. estão conscientes de que são capazes de construir e reconstruir o seu próprio Vale dizer que na Estratégia de Saúde da Família. isto é. aprendizagem. a relação da equipe com a população.

Isso só é possível no nosso entender. no sentido de se reafirmar o papel ativo da população na Promoção da Saúde. o sentido primordial da palavra cidadão: aquele que vive. mas não a problemática. garantido inclusive pelas leis./MAR. Ressaltamos que o confronto propicia aprendizados. N. horizontal? Novamente é uma questão de escolha. estão permanentemente em confronto. usufrui e intervém plenamente nas questões vitais de sua cidade. A idéia de conflito está sempre presente pois. estão permanentemente em confronto. uma vez Para finalizar o texto. referentes a educação. com o diálogo entre os protagonistas da ação. 2003 que são procedentes de fontes diferentes. Ressaltamos que o confronto A idéia de conflito está sempre presente pois.1. entende e respeita as diferenças. propicia aprendizados. A CONVERSA PÁRA AQUI? desiguais. é a de que não estamos de forma alguma dizendo que o diálogo implica necessariamente consensos. saberes desiguais. acumulado pela humanidade é de seu direito enquanto cidadã. 38 S A N A R E ./FEV. não menos importante: aprender e conhecer fazem parte do "ser cidadão". uma vez que são procedentes de fontes diferentes. isto é. Uma observação que se faz necessária. como já dito. visões harmoniosas sobre as coisas. democrática.de Saúde da Família com a população: a dimensão humana constitutiva dessa relação. Para além do conhecimento utilizado pela população em suas escolhas "saudáveis". É uma relação autoritária. como já dito.ANO IV. Isto fornecerá elementos à população para uma participação ativa na vida de sua cidade afinal resgata-se aqui. saberes E. que percebe. considera-se que o acesso ao conhecimento sistematizado. uma relação democrática. apresentamos uma última idéia. Defende-se aqui. . JAN.

○ ○ ○ A intenção de enfocar a relação da saúde com a totalidade da vida./FEV. family health program. doutora em saúde pública. citizenship. which defines it in positive sense. a saúde deve ser observada a partir da interlocução com outras áreas. 2003 . que a define no sentido positivo. seeking the integrality of social action. JAN. The health policies which have been outlined. no capítulo sobre Saúde. Aproximando-a das proposições relativas à qualidade de vida. ○ ○ ○ key ANO IV. cidadania. ○ ○ ○ T he intention of tackling the relationship of health with the totality of life. encounters support in the Brazilian Federal words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Territory.1./MAR. considerado como cenário de integração de diversos sujeitos sociais para o desenvolvimento da saúde e de constituição e construção da cidadania. since then. N. As políticas de saúde que vêm sendo delineadas. Bringing it close to the proposals relating to quality of life. programa saúde da família. geografia. geography. have reaffirmed the presupposition of decentralization and the importance of local space or territory. desde então. in the chapter on health. encontra amparo na Constituição Federal Brasileira de palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Território.S A N A R E 39 . têm reafirmado o pressuposto da descentralização e a importância do espaço local ou território. considered as an integration scenario of diverse social subjects for the development of health and the constitution and construction of citizenship. assessora técnica da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo Ausônia Favorito Donato Educadora. diretora técnica de serviços do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 1988. doutora em saúde pública. health should be observed from inter-discussion with other areas. buscando a integralidade da ação social.TERRITÓRIO: ESPAÇO SOCIAL DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES E DE POLÍTICAS Territory: The Social Period of Construction of Identities and Policies Rosilda Mendes Educadora. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Constitution of 1988.

região. região ou localidade. Ao mesmo tempo depender do segmento social em que se situam. o processo de apropriação do território (. não assumindo o dinamismo da construção do espaço como processo social./MAR. Uma vez que essas tensões e conflitos sociais são permanentes. que existem diferentes Saúde da Família. adoecem e amam a depender do segmento A primeira o apreende de forma naturalizada. Se tivermos como referência o Programa de Saúde da Família. dados pelos interesses do Estado. movimentos meio da promoção da populares. cabe-nos. dentre solidariedade. a previamente estabelecido. Nesta. uma indagação: qual é o significado da discussão sobre espaço social – território na implantação de equipes de Saúde da Família? Numa primeira aproximação podemos afirmar que o processo de apropriação do território pela equipe do Programa de Saúde da onde vários sujeitos sociais (. A adscrição da clientela concepção são os critérios geofísicos e/ou geopolíticos que naUnidade de Saúde não é uma mera regionalização formal do delimitam os espaços – estes. no entanto. permite conhecer as condições em que os indivíduos moram. estado. vivem. trabalham. adotamos a concepção de saúde apoiada no modelo biomédico área e território atribuindo-lhes o mesmo significado quando se que a considera como ausência de doença e. a apreensão do espaço delimitado em território (área.ANO IV. onde vários sujeitos O espaço deve se constituir o lugar da promoção da saúde. ou melhor. fundamental. ou seja. Quer se enfatizar. por sociais – profissionais da saúde e de outros setores. o número de famílias a ser considerado. uma vez que revela as ações passadas e presentes. organizações não governamentais.. distribuição da população por o conceito de espaço local ou território..) permite conhecer as condições em que os indivíduos moram. por meio da promoção da solidariedade. esta definida como trata da delimitação de um espaço geográfico. outros. na delimitação de área de responsabilidade de uma equipe de É preciso que se considere.IDENTIFICANDO O TERRITÓRIO O espaço deve se constituir o lugar da promoção da saúde. adoecem e amam a Há uma releitura do espaço.. atendimento. promover a Família. como um espaço social em que se situam. 40 que território é um resultado. compromisso. Tal abordagem limita-se a uma como questões: por meio de quais entendimentos. Esta concepção. é também condição para que as histórico é historicamente determinado.. província ou cidade. pertence a uma S A N A R E . mas um processo necessário para definir relações de onde o social é mais uma variável – que vão definir o território. também naturalizada.. . o território nunca está pronto. É também um espaço histórico. Portanto. ao tratar o social o faz reduzindo-o a um conjunto de características individuais. por exemplo. ao ser adotada pelo setor saúde. que acabam por determinar as do sistema. presta-se. 2003 relações sociais se concretizem. JAN. é eficaz. nesse momento. quando maioria das pessoas usa indistintamente as palavras local. onde o ambiente em que vivemos é alguma compromisso de responsabilizar-se pelos indivíduos e pelos espaços coisa externa à vida da sociedade.) atuam coletivamente com a intenção de melhoria das condições de vida e saúde. e o Estado – atuam coletivamente com a intenção de promover a melhoria das condições de vida e saúde. localização dos equipamentos de saúde e outros.1. sendo construído no processo . dentre outras variáveis./FEV. imprescindível para se elaborar estratégias de ação cuja relevância social possa alterar tais condições. mas sim em constante transformação. Sendo território uma construção. à área de um país. trabalham. e ao fazê-lo nos colocamos faixa etária. território Essa concepção de apropriação de espaço naturalizado. vivem. N. o número de Tendo isto em consideração é nossa intenção explicitarmos equipes por área de abrangência. Na Geografia há no mínimo duas correntes de pensamento que apreendem de forma distinta a questão do espaço. definiria apenas um local onde se opera a base leituras acerca do espaço-território. biologizada e. Esse conhecer implica assumir o físico que está dado.. que este é um pré-requisito área. isto é. No entanto. E. Para os defensores de tal onde esses indivíduos se relacionam. os chamados "fatores sociais". região ou localidade) é uma construção decorrente do processo histórico resultante da ação de homens concretos e em permanente transformação. local é limitado a uma região e. Segundo o léxico. alteração fisio-patológica. é produto da dinâmica onde tencionam-se as forças sociais em jogo. a formas e o sentidos das intervenções. de quais descrição estática do espaço onde deve atuar a Equipe de Saúde concepções este conceito tem sido abordado? da Família. conselhos.

Nessa visão. a circulação dos meios de transportes. e lugar. território vivo – onde atuam. como um espaço que dinamiza as relações. que articula as forças uma das dimensões do território e que as características sociais de uma determinada maneira. que os sujeitos se apoderem do território. que integra culturalmente e que se converte em um lugar de respostas ANO IV. de um dado local. pertence a uma dada sociedade. às equipes de Saúde da Família um constante utilização dos espaços e equipamentos como praças. processo de conhecimento e desvelamento da realidade – clubes sociais. fica evidente a transformação. ao adotarmos definindo. é onde se desenvolve a trama das relações que se estabelecem entre a comunidade e das relações sociais de cada os serviços de saúde. sabe-se e onde eles estão situados. devem ser realizadas. já dito de A partir dessas considerações. de redefinição e de transformação. Assim. ou seja. entre outros. mas com a complexidade de um ao longo do tempo foi se organizando a vida local espaço construído pelas forças sociais. Uma outra noção relevante é a O significado de cada lugar é das pessoas que freqüentam aquele serviço de saúde e a de que o território contém inúmeros partir daí entender as representações da comunidade lugares. ou seja. o tipo de equipamentos sociais esta concepção no Programa de Saúde da Família. possibilitando assim uma participação mais efetiva. os profissionais da indivíduo. geo-humanas não são consideradas como variáveis Como resultado deve-se entender o modo como isoladas. mas sim em constante transformação. que podem permitir a implementação de iniciativas inovadoras. JAN. esses espaços locais são concebidos como algo concreto. a superfície solo e as características geofísicas são apenas . o concretizem. lugar de adoecer É preciso destacar que nessa concepção.. a portanto. escolas. Pode-se nesse momento reforçar o entendimento do conceito de território trazendo a idéia de que o um dado local. no sentido. delegacias. pessoas./FEV. sendo que implica um processo de identificação com os diferentes construído lugares e as particularidades históricas e políticas desses no processo histórico é historicamente determinado. Significa entendê-lo no seu papel ativo. é também Família ao ser pensado nessa lógica possibilita a condição para que as no controle das condições que podem interferir na sua relações saúde e da coletividade onde vivem e trabalham. Nessa porção do comunidade vêem a unidade determina a especificidade espaço. 2003 . que articula as território constitui-se como "ator" e não apenas como um forças sociais de uma determinada maneira. N. o espaço de aprendizado e conquista de cidadania. de lugares.1. por exemplo. campos privilegiados de ação. "palco". O modo como os indivíduos na da Geografia. Ao mesmo e lugar de curar. as características das que o território estará em permanente processo de habitações e o modo como elas se dispõem e abrigam as reconstrução. O representações sobre a clientela as quais definem os tipos lugar de adoecer e significado de cada lugar é dado de ações de saúde a serem desenvolvidas e como elas pelo seu uso: lugar de produzir ou lugar de curar.. Por outro lado. sínteses de múltiplas determinações. É. lugar de consumir. portanto. dado pelo seu uso: lugar de produzir ou lugar de consumir.dada sociedade. fragmentadas. do seu território de O LUGAR NA GEOGRAFIA responsabilidade e como esse território se insere na dinâmica da cidade. Qual a história da Unidade de Saúde. O Programa de Saúde da resultado. igrejas. lugar de amar e lugar de lutar (CARVALHO. É sociais se participação cotidiana dos cidadãos na gestão pública e necessário. lugar de amar e lugar de lutar. é um conceito-chave sobre a unidade. E. e que produz a Equipe de Saúde da Família têm suas próprias identificação com o lugar./MAR.S A N A R E 41 . necessidade da Equipe de Saúde da Família conhecer a história dos indivíduos. o território nunca está pronto. 2001). com a inclusão de diversos sujeitos locais no tempo que território é um estabelecimento de políticas. Cabe.

A medicina anátomo-clínica também é individualizante. em todos os setores da sociedade ao nosso entender decorrente por exemplo. que inclui a ação humana. JAN. adoecem e morrem diferentemente Entretanto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS reconhecer a existência de campos de negociação e conflitos na prática cotidiana (IANNI 1996). o faremos em relação ao conceito de cidadania. É sim entendida como uma conquista. fruto de um processo todos os indivíduos tuberculosos.) os indivíduos vivem. 2001. os indivíduos vivem. Record. Esse processo supõe participação. públicas. para compreender o território deve-se levar em conta a interdependência e a inseparabilidade entre a materialidade./MAR. Ed. inclusive a dimensão social . a clínica anátomo-patológica se alia ao individualismo político-ideológico Nessa outra concepção apreendemos a saúde e a doença que se alia a apropriação naturalizada do espaço que é a forma enquanto processo socialmente determinado e coletivo. Esse processo exige. "O Território da Saúde: uma análise de seus componentes. A era do globalismo. deve-se conceber a saúde enquanto expressão de um fenômeno coletivo e este não mais entendido como um todo homogêneo. cada um – são iguais perante a lei. a determinação social para a frações de classes sociais. Novos Estudos 1996. morador da periferia de um grande centro urbano. à cooperação social. pois embora tendo em comum de aprendizado. reduzindo a doença à sua dimensão biológica.escola. por exemplo. defronta-se com o território vivo.. que inclui a natureza. Como já mais concreta de realização do princípio da igualdade. 42 S A N A R E ./FEV. mas.. A cidadania como princípio político-ideológico da igualdade. especialmente porque a inclusão de amplos afirmar que o território é o espaço por excelência onde podemos setores da sociedade civil na formulação. 1996. apreender. A questão da cidadania hoje é recolocada manifestação da doença é distinta para diferentes pessoas. N. Reforçando as concepções descritas diríamos que esse espaço representa muito mais que uma superfície geográfica. outra leitura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. lembramos que nos discursos da saúde coletiva urbanas. identificar. adoecem e morrem diferentemente segundo sua inserção nas classes e frações de classes sociais. ou seja. e o seu uso. 2003 CASTELLS ME. Nessa perspectiva. As cidades como atores políticos. afirmado. portanto. SPOSATI A. Em um só movimento. à participação e formulação de políticas públicas. como o fizemos para o conceito de território. 2001.1996. econômicos. A esse propósito podemos aspecto merece atenção. A medicina individual dirá que a tuberculose. Todos – isto é. sentir. é a mesma em todos os indivíduos tuberculosos. deve-se conceber a saúde enquanto expressão de um fenômeno coletivo e este não mais entendido como um todo homogêneo. CARVALHO CAJ. deixando de fora todas as variáveis como não essenciais. (45): 152-166..possíveis aos propósitos sociais. CONCEITUANDO CIDADANIA Assim. não mais considerada como um estado pleno de Retomando o exemplo da tuberculose. é individualizante. os atores sociais advindos de grupos comunitários não só condições materiais. democracia." In [www. a cidadania também pode ser concebida numa segundo sua inserção nas classes e frações de classes sociais. mas. assim.ANO IV. isto é o trabalho e a política. ela é diferente num jovem executivo e em um jovem da conjuntura política. Este tem-se reiterado a questão da exclusão. Apropriar-se do território nessa perspectiva e utilizá-lo efetivamente implica implementar projetos que tenham por CONSIDERAÇÕES FINAIS princípio a "inovação democrática" que responde à participação dos cidadãos. o que é mais importante. sob forte gerência de um Estado burocrático. XI Conferência Municipal de Saúde de São Paulo. Pela inclusão na política de saúde. IANNI O. de cada indivíduo. com tradição política paternalista e clientelista. BORJA J. sobretudo. Rio de Janeiro e São Paulo..org/geografia/saude/territorioesaude.html]. políticos e culturais de nossa época (CASTELLS e BORJA.1. ela não é a mesma em direitos. No Brasil. . contudo. SANTOS e SILVEIRA 2001). à integração das políticas Para finalizar. pois estar incluído significa Historicamente. este processo é condições de inclusão. vivendo em permanente construção (SANTOS E SILVEIRA 2001). cidadania e associações sempre estiveram à margem da definição de políticas e felicidade (SPOSATI 2001). novembro de 2001. das políticas. muito recente e tem relação com o processo de democratização. SANTOS M e SILVEIRA ML O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. (. tem conseqüências muito importantes para o intervir nas condições e vivências objetivas de exclusão. implementação e controle perceber. Desta forma. construindo desenvolvimento de projetos sociais. expresso diferentemente segundo as classes e o mesmo agente etiológico.

/FEV. N. promoção da saúde. inclusive os setores populares. ○ ○ ○ E m 1986. ○ ○ ○ key ANO IV. health promotion. The recognition of multiple determination of the health/sickness process made us realize. sickness. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ society. primeira aberta a participação de vários segmentos da palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Sistema único de saúde./MAR. The Ottawa Charter.S A N A R E 43 .MÚLTIPLOS ATORES DA PROMOÇÃO DA SAÚDE Multiple Performers in Health Promotion Márcia Faria Westphal Profa. doença. carta de Otawa. As conclusões deste evento deram origem ao Capítulo de Saúde da Constituição Federal de 1988. JAN. Titular do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ sociedade. where the guiding concept of the Unified Health System was established – “health as a result of living and working conditions” and a collective state “which can be reached through economic and social policies”. that health is produced socially and all practice related to this objective should be carried out through the multiple social performers and the networks of social support. onde ficou estabelecido o conceito norteador do Sistema Único de Saúde – “saúde como resultante de condições de vida e trabalho” e um estado coletivo “que pode ser alcançado através de políticas econômicas e sociais”. O reconhecimento da múltipla determinação do processo saúde doença nos faz reconhecer. ○ ○ ○ I n 1986 the 8th National Health Congress was held in Brasília.1. que a saúde se produz socialmente e que todo trabalho relacionado com este objetivo deve ser realizado através dos múltiplos atores sociais e das redes de apoio social. including popular sectors. The conclusions from this event gave origin to the Chapter on Health in the 1988 Federal Constitution. the first open to participation from the various segments of words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Unified health system. This article indicates how to recognize these performers and how to articulate the actions developed by other sectors. realizou-se a VIII Conferência Nacional de Saúde em Brasília. Este artigo indica como reconhecer estes atores e como articular as ações desenvolvidas por outros setores. 2003 .

alimentação. alguns anos depois desta discussão ter se iniciado nos países em desenvolvimento. sendo que este Sistema foi regulamentado e passou a funcionar a partir da Lei 8080 de 1990. das mudanças sociais. culturais. funcionários e agentes que garantem a atenção e prevenção das doenças e a população que participa através de seus representantes nos "conselhos gestores" e conselhos municipais e estaduais de saúde. Fazia-se necessária e urgente a racionalização dos serviços de saúde via Sistema Único de Saúde. na causalidade do processo saúde e doença. dada a interferência biológica. também. Naquele momento. porém. definida na Carta de Otawa. nacionais e locais. Os resultados obtidos com um sistema de saúde dual e fragmentado. assistência ao desemprego e outros. declarações e cartas que sintetizam as conclusões e recomendações de outras Conferências Internacionais de Promoção de Saúde. Diante desta crise os responsáveis pelo setor saúde foram obrigados a fazer uma reflexão e sentiram que sua visão de saúde precisava ser ampliada. o Brasil vivia uma crise previdenciária e as condições para manter a assistência médica para os integrantes do sistema eram quase inexistentes.CONCEITUANDO A HISTÓRIA O das doenças e causalidade de mortes. O conjunto dos atores do Sistema Único de Saúde. A iniciativa de promover mudanças macroestruturais. o Ministério da Saúde. no Canadá. na qual esta prática esta fundamentada. através de ações intersetoriais e políticas. No mesmo momento. Saúde foi considerada como resultado da melhoria da qualidade de vida e dependente de várias condições: paz. de aumento das iniqüidades naqueles países. que enfrentavam outras situações de crise – a crise do Estado de Bem Estar – que vários extrapolam o setor saúde e exigem parcerias países europeus e americanos (do norte). define compromissos para Do outro lado do mundo. Valores de equidade e justiça social foram considerados imprescindíveis para que esta tarefa se efetivasse. situação que concretizava a dicotomia prevenção/cura. universais. Várias Conferências. A partir da concepção de saúde. JAN. 2003 Várias declarações e cartas que sintetizam as conclusões e Conferências.1. ambientais. Neste foro recuperou-se o sentido ético da vida tentando reverter os efeitos já sentidos da globalização em curso e da revolução tecnológica e do mundo do trabalho. interferir nas condições de vida e saúde da população. decorrência desta ampliação do conceito foi necessário rever as estratégias para promover a saúde. estava em curso o processo de redemocratização do país e as camadas populares exigiam outras soluções que permitissem diminuir as iniqüidades acentuadas durante o período de ditadura. econômicos. Ações preventivas. Com a queda do socialismo ficou mais evidente a influência de outras condições: das políticas globais./MAR. Internacionais de Promoção de .ANO IV. Assistência universal à saúde e seu financiamento foram o grande mote dos defensores do Sistema e das lutas por melhoria dos níveis de saúde no Brasil. que tinha circunscrita sua ação aos trabalhadores de carteira assinada. junto com outros setores de governo foi iniciada pelas lideranças do movimento sanitário ainda na década de 80./FEV. como um critério para a definição de políticas e ações passou a ser uma necessidade básica e o movimento predominante na Europa e em parte do continente americano. Colocar a Saúde no centro do processo de tomada de decisões. N. ainda nas décadas de 70 e 80. recomendações de outras Conferências Saúde. renda. Assistência universal à saúde e seu financiamento foram o grande mote dos defensores do Sistema e das lutas por melhoria dos níveis de saúde no Brasil. Os perfis demográficos Fazia-se necessário convocar outras forças e de saúde se modificaram tornando impossível ao Estado sozinho dar conta da sociais para participar deste movimento de assistência médica. ecossistema sustentável e outros. não correspondiam aos investimentos feitos. eram de competência de outro setor do governo. se seguiram nos últimos 15 anos. ampliando as preocupações para além da assistência a saúde. educacionais e de saúde no sentido estrito. das diferenças culturais e étnicas e até religiosas na origem 44 S A N A R E . Em conceito oficial de saúde – hegemônico (até hoje) – era "ausência de doença" e as ações para obtê-la eram a assistência médica de competência da Previdência Social. os países do norte a implementação da Promoção de Saúde. através dos benefícios e auxílios estabelecidos anteriormente. portanto ficaram restritos aos profissionais e técnicos da saúde. Foi a partir de 1986. que ocorreu a Primeira Conferência Internacional de Promoção de Saúde em Otawa. educação. haviam adotado e que equilibrava as tendências com outros setores de governo – políticos. as forças políticas mudaram e esta estratégia foi deixada de lado. Aos poucos os Estados começaram a sociais. a Saúde Pública. no sentido de. se seguiram nos últimos 15 anos. posse de habitação digna. como o anterior à constituição. sentir-se esgotados e incapazes de atender a todas as necessidades da população. bem como econômica. Nos anos 90.

Finalmente. é possível superar a idéia de políticas públicas como iniciativas exclusivas do da Reforma Sanitária Brasileira. pois as necessidades de construção de condições de infra-estrutura ainda são muito grandes e a sociedade civil. ou melhor incluídos cada uma representando o seu grupo neste novo movimento. As estratégias para incentivar a melhoria das representando múltiplos interesses e condições de saúde passaram a incluir a advocacia de necessidades sociais. vida. Não mais só o populações. em relação à QUAIS SÃO OS ATORES DA PROMOÇÃO DA SAÚDE? QUEM DEVEM SER OS ATORES PROTAGONISTAS DESTE NOVO MOVIMENTO? A melhoria da qualidade de vida da população em países em desenvolvimento como o Brasil não se fazem sem o papel preponderante e protagônico do Estado. O compromisso de modificar e potencializar as condições determinantes da saúde e qualidade de vida participação da sociedade civil neste processo de construção social da saúde é necessário fazer algumas considerações sobre suas formas de organização na contemporaneidade. o estímulo ao diálogo dos saberes diversos. Esta a criação de ambientes e opções saudáveis. mas profissionais.S A N A R E 45 . Assim sendo. JAN./FEV. com suas instituições públicas e privadas não pode dar conta das tarefas sozinha. o pactuação não exime o Estado de seus estabelecimento de mecanismos de negociação entre compromissos. 2003 . na década de noventa. estabelece a centralidade de produção social da saúde. Serão sempre ser recuperada. ampliando mais uma vez o número e a qualidade dos parceiros nas ações de Promoção da Saúde e melhoria da qualidade de A melhoria da qualidade de vida da população em países em desenvolvimento como o Brasil não se fazem sem o papel preponderante e protagônico do Estado. setor saúde para mobilizar recursos na direção da de que estamos falando. nem só o setor saúde são Os atores da Promoção da Saúde tornaram-se envolvidos. a nova concepção de Estado. N. ANO IV. sujeito da Promoção da Saúde. com suas instituições públicas e privadas não pode dar conta das tarefas sozinha. passaram de atores a sujeitos de conhecimento ou interesse (BUSS. Destacam-se como formas de organização da e de estabelecer políticas públicas saudáveis no sentido sociedade civil internamente no país. devendo ser compreendida como uma as reformas institucionais. neste início de de atingir este objetivo implica uma abordagem mais século. de forma articulada de preferência. portanto continua sendo o Estado e não somente o setor saúde.ampliação das estratégias de Promoção da Saúde. os movimentos de redemocratização do país e complexa. a partir da introdução participativos onde estarão presentes do ideário da Promoção da Saúde no Brasil. pois as necessidades de construção de condições de infraestrutura ainda são muito grandes e a sociedade civil. no sentido de chamar a atenção para algumas condições que podem interferir na possibilidade de estabelecer parcerias e alianças e mesmo articular setores e iniciativas com as propostas de Promoção da Saúde. Era quanto do conceito de Estado e de seu papel perante necessário fortalecer a capacidade de convocação do a sociedade. Estado. a partir de valores de equidade e justiça social. potencialmente muitos e na medida em que novos intelectuais e a população em geral atores se sentiram envolvidos. os diversos atores sociais. desta nova prática. outros setores Políticas Públicas que garantam a eqüidade e favoreçam sociais e áreas de conhecimento. 2000). Esta estratégia que havia sido a vertente inicial Neste contexto.1. mais elaboradas e pactuadas em fóruns precisamente depois de 1995. mas todos os setores de governo. setores sociais e institucionais. só portanto começou a aparelho estatal. o fortalecimento da O fato de se adotar uma capacidade da população para participar nas decisões perspectiva global para a análise da que afetam sua vida e para optar por estilos de vida questão saúde e não só do setor saúde. estabelecendo seu caráter público e o compromisso com o interesse responsabilidades dos diferentes atores sociais em seus público e com o bem comum. saudáveis. indica a necessidade de uma primeira o reconhecimento ou melhor a inclusão como ampliação dos atores sociais que se trabalhadores e agentes de saúde responsáveis por envolvem com as questões de saúde e viabilizar ações de atenção e promoção de saúde de qualidade de vida. efeitos sobre a saúde. sendo que ambos têm grande formulação inovadora tanto do conceito de saúde afinidade com os objetivos da Promoção da Saúde. constituindo uma ação intergovernamental pela melhoria da qualidade de vida. O ator fundamental./MAR.

alianças – tem obrigado muitos líderes locais a alargarem as suas visões e juntarem forças em frentes unificadas de ação. N. que agem sem intermediação vez maior de movimentos de caráter transnacional. 1993). desde o ponto de vista epistemológico. as Inojosa. nos interstícios da modernização. Uma outra visão contrária e oposta é aquela de que a sociedade civil. em meio aos mudanças tecnológicas e na organização social do trabalho mudam avanços tecnológicos os bandos de jovens. 2000. para proteger o que temassumido tem sido orgânica e não formal. no momento atual. constituindo antimovimentos. técnicos. conducente à democratização e à equidade. assumindo a forma de "massa".. chegando a formar um sociedade. a resistência não violenta e da sociedade enquanto práticas sociais em construção. instituições e iniciativas devem ser articuladas em redes.ANO IV. adotando formas ilegais práticas políticas articulatórias das ações localizadas. de inclusão./FEV. microsociais permitiu o entendimento das formas de organização que se movimentam entre o protesto. comum em interpretações do marxismo através dos partidos políticos para dar andamento a um projeto positivista acerca da necessidade de articulações das lutas sociais. Entretanto. A mais global de democratização da sociedade. feministas.1. segundo Scherer Warren (1993): As redes de movimentos feministas. o "implica pensar. A negociação. A forma de integração Saúde? Devem estes serem banidos do processo. ecologistas. para atingir objetivos comuns. no qual a melhoria análise em termos de "redes de movimentos" implica buscar as formas da qualidade de vida e saúde se inserem. formas de recomposição chegar a um consenso. expectativas de dificuldades. com ganhos e perdas intercomunicação mesmo na diversidade entre iniciativas ou durante o processo e a dificuldade e até a impossibilidade de movimentos tem indicado. entre particular e o universal. Será que a movimentos e iniciativas de organização comunitária. A idéia de rede. ao com o pluralismo. Já se inicia no país um movimento de articulação de iniciativas e movimentos que têm reforçado as ações particularizadas. Os partidários da primeira visão. por um lado. é uma das experiências a serem tentadas e um caminho não ser quando relacionadas ao que acontece no mundo global. sugerem um novo Merece destaque como inovação. equilíbrio e a uma produção social são do tecido institucional. de redes de movimentos com outros movimentos e outras iniciativas conhecimentos e experiências sobre as e iniciativas de organização comunitária. Teixeira & Paim. considerando a realidade interna do país e as forças externas. Este conhecimento deve ser buscado pelos profissionais envolvidos com a Promoção da Saúde e incorporado em suas estratégias. de redes de de reação ao aumento da pobreza. Gandhi e Martin Luther King) mas que não podem ser entendidas no seu verdadeiro sentido a por exemplo. Westphal & Mendes. Tentativas de articulação da Promoção da Saúde com o movimento ecológico. 1989 In: Scherrer Warren. como os de direitos do Estado (Zermeno. nas interconexões das identidades dos atores humanos. O reconhecimento das limitações das análises macro e representantes da herança mais genuína da tendência progressista. Esta iniciação em uma nova cultura política – das parceiras e agentes e os segmentos da população estarem dispostos a enfrentar. locais. a de que os movimentos.. intercomunicativo. 2000). a convivência em meio a conflitos o global (supranacional. que devem os profissionais. de articulação entre local e global. da insegurança. o esforço de pesquisa para ampliação de surgimento de práticas políticas articulatórias potencialidades e dificuldades de integração das ações localizadas. Ganham 46 entre o uno e o diverso. a mais forte utopia deste século. Enfim trata-se de buscar os significados dos contrário. na movimento dos sem-terra e outros estão reconhecendo a possibilidade de integração de diversidade". Vem. não mais se mobiliza. S A N A R E . A possível para fortalecimento da rede social pela melhoria da busca das interconexões de sentido entre o local (comunitário) e qualidade de vida. no qual surge um número cada crise. o novo sindicalismo urbano e rural. o reconhecimento da e contradições. 2003 . 2000. a queda do socialismo como utopia e as importância. Merece destaque como inovação. grupos de delinqüentes o cenário dos movimentos e iniciativas de organização da ou outros grupos de violência organizada. pela paz. ecopacifistas e os movimentos de base. étnicos e outros. e outros. Já se inicia sociedade civil está totalmente anômica.Externamente. 1993 e 1999. está realmente se no país um movimento de articulação de iniciativas e movimentos tornando uma massa amórfica? Serão estes atores da Promoção da que têm reforçado as ações particularizadas. e mecânica restante dos atores? como foi tentado anteriormente (Scherer Warren. um todo inorgânico de movimentos sociais num mundo que se apresenta cada vez mais como individualidades. transnacional). Distingue-se da idéia de necessidade de articulação e de ampliar sua representação efetiva unicidade totalizadora. o surgimento de poder paralelo concorrendo com o Estado./MAR. quando se escolhe enfrentar a diversidade não pluralidade social e cultural e da possibilidade de pode ser desconsiderada. a desobediência civil (David Thoreau. de condutas de interdependente. de manifestações atomizadas. JAN.

parcerias e resolver as dificuldades técnicos e agentes para concretizá-las vai uma grande distância e muito tempo e dos programas de persistência para efetivar esta saúde da família ação. o intercâmbio e a constante transformação. O território é diferente de espaço geográfico. O pessoal de saúde conhecendo as condições que os indivíduos moram e trabalham. mas a minimização Pode querer exercer sua drogas gradativa dos efeitos das causas primeiras dos responsabilidade social em problemas. Há que enfrentar a Promoção da saúde. as organizações não outras iniciativas que surgem na governamentais. líderes comunitários. organizações não governa- parcerias.Os compromissos com os princípios humanistas.e outros setores ações já em curso.como locais de trabalho . poderão permitir a capítulo. condições de trabalho de seus podem ser as escolas dos bairros. como o da violência. atendimento ao doente ou à doença. o setor privado de comércio. escola aberta à comunidade por exemplo. Os atores que vivem. 2003 . ANO IV. ou poderá intervir na causalidade do processo saúde/ em resolver problemas comuns doença. escola aberta instituições e as outras iniciativas existentes no local. sociedades privadas. mencionado.S A N A R E 47 ./FEV. N. a partir das potencialidades existentes no território de responsabilidade do setor saúde. É opção do SUS e da Promoção da Saúde. preocupadas em construir uma escola saudável. promovendo a distribuição da renda na região. escola de qualidade. emprego e renda da família. todos os atores do território devem meio ambiente relacional ou Dengue. pois a tarefa será não só o externo do entorno da empresa. de acordo com um espaço de relação como já foi discutido em outro as Conferências Internacionais. escola de qualidade. trabalhando juntos por sua sujeitos na consecução destes objetivos. Entre a necessidade OS MÚLTIPLOS ATORES/ SUJEITOS DA PROMOÇÃO DA SAÚDE E OS PROGRAMAS DE SAÚDE DA FAMÍLIA Este novo conceito. a articulação. o envolvendo outros setores de governo e da sociedade uso de drogas e a gravidez precoce civil na identificação. mas não coletivos não é tarefa fácil uma vez que a sociedade é impossível e. pode ser um diagnóstico compartilhado poderão definir objetivos parceiro potencial. as objetivos comuns e afinidades deficiências de habitação e outras condições de infra- forem encontrados a tarefa já se estrutura urbana. Se os causas. JAN. análise e resolução das suas de seus adolescentes. alimentação e outros. à comunidade por exemplo. Os atores que estão aqui mencionados não conjunto com outros aliados e são só indivíduos isolados. serviços comunidade. o município como um todo. a Se realmente a proposta for produzir saúde funcionários e/ou querer cuidar do socialmente. militam solidariedade entre os atores sociais individuais e ou atuam precisam ser reconhecidos como parceiros. por exemplo da mortalidade infantil. respeitar pluralidade de valores e encontrar A reunião solidária de todos parceiros caminhos conflituosos para construir acordos e representativos. torna mais fácil e possível. pode transformar as estratégias tradicionais de enfrentar os problemas de saúde e a sua causalidade. esta integração de atores individuais e Esta é uma situação difícil de ser encontrada. uma Unidade de Saúde ou uma equipe de saúde da família. de promover a de governo como a escola. coletivos. o uso de participar das ações. que da mesma comuns e proporem estratégias articuladas de ação forma pode querer melhorar as coletiva. Como já foi empresa. Neste sentido ele é dinâmico e está em comunicação. globalizado. iniciativa ou por iniciativa dos outros setores ou instituições. em sendo reconhecida pode favorecer a fragmentada e o individualismo é um valor do mundo formação de rede de organizações que objetivam a contemporâneo. Os profissionais. governo. de reconhecer a importância das Os profissionais. os outros atores. a Dengue./MAR. de um Distrito. diversidade. ea gravidez precoce de seus adolescentes. como a deficiência de saneamento básico. preocupadas em construir uma escola saudável. mentais. que ao se integrarem ao movimento pela com quem os profissionais de saúde tem que estar em melhoria da saúde e qualidade de vida se tornarão contato constante. técnicos e agentes dos programas de saúde da família podem ser as escolas dos bairros. ou em resolver problemas comuns como o da violência.1. fortalecendo as e indústrias . outras instituições ou distribuição dos lucros da melhor. Estes setores a partir de um O setor privado. esta nova forma de pensar a saúde.

estruturado por vínculos entre indivíduos. Indivíduos inseridos em redes sociais. estratégia necessárias para apoiar estilos de vida e estruturante do setor saúde (. pessoas. causas de problemas. necessita incorporar os múltiplos atores. podem ser alertados para a possibilidade de articular suas agendas sociais as de saúde e a partir daí transformar O processo de mudança das condições de Saúde via Programa de Saúde da Família.) pode ser ponto Promoção da Saúde. Todos os territórios alternam momentos de maior intensidade de problemas e maior calmaria e é necessário manter esta articulação dos diferentes atores e iniciativas locais para caminhar para uma situação mais permanente de trabalho participativo pela saúde e qualidade de vida. A forma de articulação pode variar. A análise de rede para o entendimento da realidade social é integrado. desde que objetivem o desenvolvimento de Os vínculos que as equipes de Saúde da Família. que identifica problemas. Promoção da Saúde. construído por grupos que setor saúde. 1999. seja para interferir na saúde como interdependem. já não funcionam e precisam ser substituídas por outra que considera as interações dinâmicas e as transformações. municípios saudáveis e outras estratégias de Promoção da Saúde e que haja um compromisso das autoridades locais de abrirem um têm que desvendar são de diversas naturezas. seja para resolver questões CONSIDERAÇÕES FINAIS relacionadas à doenças e fatores de risco. qualidade de vida de uma população. construir ambientes de apoio à conjunto de relações de redes tanto pessoais como organizacionais. tem para torná-los sujeitos do processo. 48 S A N A R E .. de um políticas públicas saudáveis.movimentos sociais. que tendem a formar uma rede de profissionais Aos atores locais. Hoje em dia quase todos os locais que se tem notícia. O programa de Saúde da Família. de partida para a articulação de vários atores pela melhoria das condições de saúde locais. programas de saúde da família./MAR. militantes e funcionários envolvidos em e pessoal de saúde que interage com organizações. 2000). locais. em ação no espaço de uma cidade. potencializam a probabilidade de desenvolvimento de um projeto 1999: 46). pode ser ponto de partida para a para atingir este objetivo. fatores acreditam na construção de uma sociedade mais justa e equânime de risco. mas a organização social em redes sociais.. aproximando a sociedade de si mesma e das decisões que lhe interessam e que lhes dizem respeito. com base em uma visão global do articulação de vários atores pela melhoria das condições de saúde processo saúde e doença. 2000. objeto deste trabalho. pois suas práticas positivas e valores podem contribuir para advocacia de melhores condições e as O programa de Saúde da Família. deve contribuir para transformar as relações sociais dos profissionais com a população em relações de solidariedade./FEV. 2003 O processo de mudança das condições de Saúde via Programa de Saúde da Família. se de vários atores. deve contribuir para transformar as relações sociais dos profissionais com a população. JAN. habilidade e por em prática a reorganização dos serviços de saúde O reconhecimento da posição dos atores nessas redes é com novas práticas como o Programa de Saúde da Família (SANTOS importante para os profissionais do Programa de Saúde da Família. as potencialidades das famílias e do e o Programa de Saúde da Família. N. A defesa da saúde e da Promoção da Saúde junto a políticos muito apropriada para os que trabalham na perspectiva da e movimentos sociais pode conduzir à adoção mais rápida e em Promoção da Saúde e que têm uma percepção da realidade social maior profundidade das estratégias de Promoção de Saúde: elaborar como uma complexidade. que marca o pensamento positivo. desenvolver é também fundamental para a Promoção da Saúde. têm se organizado para conhecer e intervir em realidades complexas. grupos e organizações construídos ao longo do tempo" (MARQUES. Rede social é entendida como "campo presente em determinado momento. . em um mundo globalizado e caótico como este que se descortina no início deste século (JUNQUEIRA. município saudável.. precisam articular suas ações para interesses em um determinado local e que se inter-relacionam e potencializar seus efeitos.1. & WESTPHAL. construção de ambientes de apoio à As óticas das certezas. O próprio programa constitui- iniciativas comunitárias em curso com os mais diferentes objetivos. são a forma como as sociedades mais desenvolvidas. como as que o SUS tem que dar conta.ANO IV. os projetos planos de ação locais para a Promoção da Saúde e meio ambiente. WESTPHAL. A formação de uma articulação. WESTPHAL & MENDES. podem ter sido canal de participação para a sociedade civil no processo de tomada construídos intencionalmente ou não e estão em constante de decisões relacionadas ao plano de desenvolvimento local interação e transformação. estratégia estruturante do O SUS como projeto político. fortalecer a ação comunitária. uma das estratégias estruturantes bairro para enfrentá-los. 2000)..

J. P.F. As palavras de Gandhi 1869-1948. 1975. 95 pp. 2000. onde predominam problemas complexos. Revista de Administração Pública 34(6): 35-46.F O movimento de municípios saudáveis e a qualidade de . a sujeitos responsáveis pela consecução de melhores níveis de saúde. São Paulo: Edições Loyola. 1993. 2000. Nov. SCHERRER . envolvendo especialmente as ONGs. C. Planejamento e programação de ações intersetoriais para a promoção da saúde e da qualidade de vida. Record. como colaborador essencial na direção do alcance dos ideais de equidade e justiça social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUSS. M. Revista de Administração Pública 34(6): 105-116.A. I Redes de movimentos sociais. Brasil. ed../MAR. São Paulo. São Paulo. Dez. sob pena de tudo permanecer como está. Revista de Administração Pública 34(6): 63-80. 14 (41): 45-67. ATTENBOROUGH. Redes de movimentos sociais. E. A ação coletiva em rede da qual participam múltiplos atores do relacionada portanto.WARREN. Rio de Janeiro./FEV. R. N. através da diminuição da pobreza. ANO IV. 2003 .S A N A R E 49 . Práticas emergentes de um novo paradigma de saúde: o papel da universidade. 2000. aos seus princípios e também aos do SUS governo e da sociedade civil (. mas principalmente como um caminho do SUS.& WESTPHAL. 1999. como colaborador essencial na direção do alcance dos ideais de equidade e justiça social. 2000.sua relação com o SUS. A ação coletiva em rede da qual participam múltiplos atores do governo e da sociedade civil. 2000. 2000. WESTPHAL.} Pinheiro de Lemos. São Paulo: Hucitec. Nov. R Cidade saudável: uma experiência de intersetorialidade interdisciplinaridade.P A intersetorialidade. 2a ed. M. M. INOJOSA. 1999.111. TEIXEIRA. Revista de Administração Pública 34(6): 47-62. Dez. Estudos Avançados 13( 5): 71-88. transetorialidade e redes sociais na saúde. que estão exercendo um papel importante na nossa sociedade. Promoção de Saúde e qualidade de vida Ciência e Saúde Coletiva 5(1): 163-179. Nov. JUNQUEIRA.M. 1999.M. MARQUES. AB.F. 1993. Nov. Brasil. passando de objetos. Anpocs. SANTOS. 143pp. I Cidadania sem fronteiras: ações coletivas na era da globalização. SCHERRER . JAN. A desobediência civil.WARREN.F. Dez. J. 1996.1.) com os quais na maioria das vezes se confunde.F O movimento de municípios saudáveis e a qualidade de . Cultrix. Pag. p. WESTPHAL. L. mas principalmente como um caminho do SUS. Revista Brasileira de Ciências Sociais. [TRAD.F. vida Ciência e Saúde Coletiva 5(1): 39-51. Saúde da Família como estratégia para melhorar os níveis de saúde. As relações dos atores que se dá via redes de relações e redes de compreensão da realidade são mais efetivas no desvendamento dos problemas e facilitam a atuação sobre eles.L. R. 1987 La democracia como identidad restringida In: SCHERRER WARREN. vida Ciência e Saúde Coletiva 5(1): 39-51. Redes sociais e instituições na construção do Estado e da permeabilidade. S. & PAIM. Loyola. THOREAU. Dez. 2000. WESTPHAL. 17. justifica não só o Programa de Saúde da Família como estratégia para melhorar os níveis de saúde. Saúde: esgarçamento e reconstituição da rede social.C. M. através da diminuição da pobreza. ZERMEÑO. Nada mais pode ser justifica não só o Programa de A questão – múltiplos atores da Promoção da Saúde – está tratado de uma forma individual neste mundo globalizado. dentre eles o de garantir seus direitos de cidadania..S. & MENDES.

/FEV./MAR. N. 2003 . JAN.1.ANO IV.50 S A N A R E .

estratégia saúde da família. democrats and citizens. family health strategy. to the needs of citizens. as necessida- des de seus cidadãos. JAN. poder local. propõe que estratégias como a Promoção da Saúde e o Saúde da Família sejam implementados no município. O presente artigo. ○ ○ ○ key ANO IV.S A N A R E 51 . é fundamental o estabelecimento de estratégias que venham a contribuir com a formação de cenários políticos favoráveis ao desenvolvimento local e ao bem estar integral do indivíduo. além de discutir as temáticas do espaço e do poder local. health promotion. the municipal is strengthened while local space privileged for the existence of words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Local space. local development.1./MAR. fully. por apresentarem grande potencial de transformação das relações e da constituição do poder local em prol da construção de espaços locais saudáveis. DEMOCRÁTICOS E CIDADÃOS HUMANAMENTE SOLIDÁRIOS E FELIZES Health promotion. apart from discussing the themes of space and local power. democrats and citizens . humanely united and fortunate. Nesse contexto. humanamente solidários e felizes. democráticos e cidadãos. This current article. In this context.PROMOÇÃO DA SAÚDE. Especialista em Sistema Local de Saúde. Local Power and Family Health: strategies for the construction of healthy local places. Assessora Técnica da Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia de Sobral e do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Ceará sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ processos políticos democráticos e para o desenvolvimento de políticas públicas que respondam./FEV. proposes that strategies such as Health Promotion and Family Health be implemented in the municipal. local power. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ democratic political processes and for the development of public policies that respond. ○ ○ ○ F rom the 1988 Brazilian Constitution. desenvolvimento local. ○ ○ ○ A partir da Constituição Brasileira de 1988. for they might present great potential for the transformation of relationships and of the constitution of local power for the benefit of the construction of healthy local spaces. plenamente. N. reafirmando sua relevância atual. 2003 . o município é fortalecido enquanto espaço local privilegiado para a vivência de palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Espaço local.humanely united and fortunate Neusa Goya Assistente Social. promoção da saúde. reaffirming its current relevance. PODER LOCAL E SAÚDE DA FAMÍLIA: ESTRATÉGIAS PARA A CONSTRUÇÃO DE ESPAÇOS LOCAIS SAUDÁVEIS. it is fundamental to establish strategies that proceed to contribute with the formation of favorable political scenarios towards local development and the integral well-being of the individual.

é necessário que haja uma substituição da de vista representativo. como o espaço mais próximo do de atividades de espaço local e não global. de sociedades complexas possibilitando ao cidadão integradas por espaços globais e locais. Tratam-se de estruturas pesadas.. possibilitando o desenvolvimento de processos mais democráti- discussão mundial. desde a casa onde moramos. ao contrário do que se possa pensar. encontra-se Para isso. com a natureza e com os outros em busca de tranqüilidade espiritual. participativo e idéia de que "tudo se globalizou". cenários nacionais. mundiais. inseridos em uma lógica de produção proporcionem. o efetivo exercício da cidadania.. os hortifrutigranjeiros da nossa alimentação cotidiana. como também. econômica e social globalizada e. estar convencidas de que possibilitando ao cidadão movimentar-se para ter acesso aos seus modificar. "mas é também o bairro. cenários nacionais. que venham atender às necessidades sentidas pelos cidadãos. seu cotidiano. 52 gradativamente. JAN.1. equipamentos de A perspectiva é de assegurar relações sociais que informática e outros./MAR. hoje. dessa forma. o espaço olharmos o nosso cotidiano. mundiais. que vão desde a As populações movimentar-se para ter acesso aos seus pobreza extrema de parcela locais devem mundial até a deterioração significativa da população estar convencidas e comprometimento do de que somente a participação direitos básicos e fomentando processos de decisões sobre desenvolvimento participação nas Terra. tem-se o homem é mais um elemento na teia da vida. que muitas das soluções devem ser iniciadas e praticadas no espaço local. A ordem de problemas hoje postos./FEV. compreensão de como os diversos espaços do nosso desenvolvimento se articulam. não só do ponto local." Ensinamento dos índios andinos maior agilidade na condução. que não dão conta de imprimir. Se Espaço local é um espaço de vida. cada nível apresentando seus . o local de trabalho. As populações locais devem Assim. o quarteirão de nossos filhos. seja do capital econômico como do social. conforme o economista MAS O QUE É MESMO ESPAÇO LOCAL? Ladislau Dowbor. respostas às exigências postas pelas situações complexas hoje vivenciadas. há que se ter. encontra-se centrada na importância do espaço global. Assim. no Brasil. o que não significa. ao mesmo tempo.. qüentes ocorridas na socie- no conceito de desenvolvimento. através das políticas globais. as estruturas COMPREENDENDO A LÓGICA DA GLOBALIZAÇÃO E DO ESPAÇO LOCAL de poder tendem a ser descentralizadas para os espaços locais. É importante salientar que o desenvolvimento proposto é compreendido a partir de uma visão holística e integradora. O cenário que ora se coloca. constituída por o fato das mudanças fre- vários outros elementos e sistemas vivos. com um grande potencial de transformação das relações Nesta perspectiva. onde Aliado a isso. com "produtos globais". É preciso que haja uma "melhor redistributivo. desenvolvimento e ajuste das políticas. considerar a inexistência e grande relevância do espaço local uma vez que "a globalização não é geral (. o médico para a família. somente a partir de sua direitos básicos e fomentando processos de participação nas decisões sobre o seu desenvolvimento pessoal e do espaço onde mesmo que participação direta pode-se modificar. a percepção ecológica que o dade moderna requererem situa como um processo que deva satisfazer as necessidades do S A N A R E . altamente burocratizadas. direta pode-se gradativamente. no espaço local. N. não é contraditório. o espaço local deve ser um espaço favorável à implantação inserida em uma outra racionalidade determinada pelo espaço e ao desenvolvimento de processos democráticos. Para Dowbor. É o espaço onde as pessoas vivem. pode-se afirmar que a humanidade convive sociais que nele se estabelecem. a escola local. até em que vivemos". Para Dowbor.. As estruturas centrais de poder não conseguem mais atender a este desafio com a devida eficiência. inscreve-se no espaço local o problemas e oportunidades e a totalidade representando um exercício da sistema mais complexo"." cidadão. Além disso.).ANO IV. inscreve-se no espaço local o exercício da cidadania. é o município."Saúde é a harmonia do ser humano com ele mesmo. impõem a lógica de partir de sua cidadania. tratam-se constituindo-se. meio ambiente e da vida na o seu pessoal e do espaço onde vive. como o automóvel. mesmo que vive. 2003 . A cos.

através do qual os indivíduos manifestam-se enquanto sujeitos do espaço em que vivem. assim. exercido por organizações objetivo central dos processos de desenvolvimento é o comunitárias. de sua instituição. de uma A participação é assim. a desconcentração e a municipalização de serviços básicos. local de mudança qualitativa das relações estabelecidas Nesta perspectiva. Tanto por estar legitimamente e como sendo a expressão de forças políticas que intervêm legalmente investido de competências vinculadas à na "cosmética urbana". então. podem ser resolvidas localmente. "80 ou 90% das ações que concernem as nossas necessidades do dia-a-dia. estão cada vez mais se articulando e histórico normativo dos mais significativos. e não necessitam de intervenção de instâncias centrais de governo. É a sua felicidade./FEV. A participação é instrumento básico assim.homem e demais seres vivos sem. processa-se uma modificação entre os homens e as instâncias de poder.1. em que vivem e morrem. a criação das infraestruturas de saúde. como por caracterizar-se como comprometer os recursos ambientais. O fim. cada um o desempenho de papéis específicos. entre outros. A organização comunitária político-organizacional do Estado passa a ser orientado assume. É a sua qualidade de vida no espaço que habita. constata-se que as comunidades. poder local. fortalece- onde vive./MAR. são protagonistas. a organização das redes comerciais e financeiras. N. como a construção e gestão das escolas. O município reveste-se. através do governo local. a ser desenvolvimento. contudo. incorporando. Mesmo as ações que por sua amplitude extrapolam o âmbito municipal. os governos municipais e. A partir intervindo na organização dos espaços em que vivem. planejando e decidindo. fortalecendo a esfera se enquanto instância de elaboração e execução de políticas públicas. Conforme Dowbor. 2003 . um importante papel de agente por princípios como a descentralização política- impulsionador do desenvolvimento. em suas mãos o destino do lugar O município. mediante processos de conscientização onde os cidadãos assumem sua condição de sujeitos A Constituição Brasileira de 1988 é um marco históricos. As atividades econômicas a realização de uma gestão participativa. por um lado. O exercício do poder local torna possível ao cidadão tomar A lógica de funcionamento do Estado muda. "Trata-se de um eixo estratégico vida dos cidadãos e ao desenvolvimento do espaço de transformação da forma como tomamos as decisões ANO IV. bem estar pleno e integral dos cidadãos. entre outras. aberta e deixam de ser fim e passam a ser meio. É a possibilidade de construção de espaços e entornos saudáveis. O BAIRRO. o município é compreendido como o espaço local privilegiado para dar respostas institucionais às necessidades sentidas pela população.S A N A R E 53 . políticas. O QUARTEIRÃO: ESPAÇOS LOCAIS DE CONSTRUÇÃO DO PODER LOCAL PARTICIPAÇÃO SOCIAL E PLANEJAMENTO: FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO DO PODER LOCAL E DE FORTALECIMENTO DA COMUNIDADE NAS RELAÇÕES DE PODER LOCAL Satisfatoriamente. mas que podem somar-se nos processos de tomada de decisão sobre a organização. ou o fomentadora do poder local. Ambos apresentam potencial de transformação social. a sociedade civil. A COMUNIDADE. o funciona-mento e o desenvolvimento do espaço local. Na configuração do poder local. O TERRITÓRIO. O MUNICÍPIO. No processo de democratização e garantia efetiva da cidadania. que tendem a burocratizar o processo". importância vital. representada por diferentes formas de organização. a preservação do meio ambiente. que deixa de estar centrado na podem ser proporcionadas condições adequadas para lógica econômica e produtiva. planejando e decidindo. administrativa. ecologicamente protegidos e preservados para as vidas futuras. um comunitária. nesse sentido. por outro. nesse sentido. são dadas as bases legais para se numa demonstração clara da força que representam no processar a reforma no Estado brasileiro. cabendo a através do qual os indivíduos manifestam-se enquanto sujeitos do espaço em que vivem. JAN. um instrumento básico do do poder local. afirma Dowbor. A partir de qualitativa do entendimento e construção do que venha um governo democrático. O poder local não se constitui. sociais. podem ser melhor encaminhadas por uma rede de municípios regionais do que pelo governo central. O desenho contexto do poder local. instituído no município. as políticas culturais e tantas outras. competências e autoridade antes legada a administração federal ou estadual.

relacionar- desejos futuros sobre como deve ser o espaço se com as representações do poder local no onde ele vive. A saúde em seu conceito "ampliado" e "positivo" encontra-se vinculada diretamente à qualidade de vida das pessoas. Porém. os caminhos para a superação dos problemas e necessidades sociais. por todos os atores sociais. seja descentralizado. fundamentalmente. nos espaços onde vivem. deve viabilizar aos cidadãos. seja no planejamento ou nas instâncias de poder e pactuação municipal. por tratarem-se de instâncias paritárias. exercendo sua cidadania.. no planejamento das várias forças políticas que compõem o comunitária ou nas instâncias apresentar suas reivindicações e necessidades pactuação sentidas mas. construir as condições necessárias para que as pessoas. oriundas dos processos de descentralização e municipalização das diferentes políticas públicas. participativos e democráticos (.ANO IV./MAR. uma espaços favoráveis ao "apoderamento" dos da participação Outra ferramenta do poder local é o Saúde pressupõe. movidos por uma consciência coletiva de reconhecimento do outro como um ser humano semelhante a si mesmo. potencializando. do local. em harmonia com a natureza. participativo e representativo clara do poder local em âmbito local. o planejamento municipal. assim. seja conhecimento e vivência do espaço e poder individualmente ou coletivamente. Além de representarem. Isto é a alma do poder local: garantir. Desafio que deve ser assumido por todos cidadãos. necessariamente.que concernem o nosso desenvolvimento econômico e social". principalmente. essas instâncias. a partir do planejamento municipal. possibilite a este vivenciar seu desenvolvimento integralmente – em uma visão holística e ecológica. Dessa forma. mas compartilhadas. assim. Qualidade de vida que promova o desenvolvimento equilibrado e sustentável do espaço onde vive o cidadão. as decisões não são tão somente votadas. assim. o exercício local. mental e espiritual – é um desafio. trabalha. bairro. ou seja. através diferentes atores e representações sociais. em uma expressão intervenção. enquanto ferramenta do poder apropriação. a relevância da planejamento. devem não só de poder e caminhos espaço local. tornando-se construtores da saúde de sua coletividade no espaço em que vivem. co-responsabilizadas entre as diferentes forças que integram os conselhos municipais e locais. as novas estruturas formais de poder local.. espaço local. Na perspectiva da pactuação. Além destes aspectos. a oportunidade concreta de fazer com que estas. As medidas que geram impacto social. JAN. seja ele o município. Qualidade de vida que além de garantir o acesso do cidadão aos seus direitos constitucionais. há que se destacar essas instâncias como garantir. Somar esforços para fazer acontecer a de sonhar. tomar decisões sobre como resolvê-las. 2003 Nesse sentido. através da participação comunitária e de sua intervenção. possam corresponder às reais necessidades da população. conforme assegura Ladislau Dowbor./FEV. O processo de Coloca-se. participativa e redistributiva. construção e contribuição das várias forças necessariamente. ainda de acordo com Dowbor. a perspectiva de Isto é a alma do construção coletiva e participativa de acordos e decisões em prol do desenvolvimento. podem também vir a ser espaços de formação de consensos e pactuação e não somente de decisão. Neste contexto. na lógica da construção e funcionamento do poder local a qualificação da participação social não apenas sobre a ótica da democracia meramente representativa mas. deve ser democrático. nesse sentido. . suprir necessidades. intervir. Os cidadãos. também. saudáveis. N. Acreditar que é possível construir saúde implica em conhecer. participativos e democráticos. S A N A R E .) em expressão clara do poder local em âmbito local. Saúde pressupõe. os conselhos municipais e locais assumem hoje um significado mais do que relevante. a existência de ambientes harmônicos. planejamento – já mencionado anteriormente. são reguladas e construídas por meio da participação comunitária. a existência de ambientes harmônicos.1. possam ter saúde – física. saudáveis. território. ama e morre. os não deve restringir-se às decisões sobre como para a superação dos problemas e necessidades sociais. abertos a todas É importante situar que na discussão ora as manifestações e possibilidades de e de sua apresentada. o processo de planejamento. apresentam controle social. Além poder local: disso. a participação comunitária também funciona como mecanismo de regulação das diferentes políticas e atividades. dessa forma. A SAÚDE NO ESPAÇO LOCAL TECIDA NAS RELAÇÕES DE PODER LOCAL Identifica-se. não se tem apenas a democratização das decisões mas. políticas e atores sociais. na organização do Estado. 54 comunidade.

com vistas a aquisição de ambientes e entornos sãos e modos de viver saudáveis./MAR. Necessário se faz trilhar novos caminhos e para desencadear. de forma a exercitar com a população o governos municipais precisam. coloca-se a tarefa. responsabilidade. enquanto responsável direto pela elaboração e encontra na dinâmica do território vivo. a apropriação de conhecimentos que garantam a si e a comunidade onde à construção da saúde e de ambientes saudáveis e harmônicos. o Saúde a saúde passa a ter o caráter de responsabilidade social da Família caracteriza-se como e não apenas governamental. É construir a autonomia cidadã.A PROMOÇÃO DA SAÚDE: DESENHANDO UMA NOVA LÓGICA DE VIDA E SAÚDE NO CONTEXTO DO PODER LOCAL SAÚDE DA FAMÍLIA: A ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO DO ESPAÇO E DO PODER LOCAL A visão de saúde. Os atores provocar sociais. Nessa perspectiva. também. aqui desenvolvida. a renovação da dinâmica social no espaço do espaço e poder local. a doença. entre elas a do setor de mobilização e organização de seus moradores e Saúde. instituídas pelo setor Saúde. pautar novas diretrizes governamentais. enquanto organizadora da vive o aprendizado do saber cuidar-se. na relação homem-natureza. além da doença e assistência. Assim. a possibilidade execução das políticas públicas. os demais atores. O aprendizado não mais o indivíduo. apresenta grande tanto do indivíduo como das organizações "Considerado como estratégia comunitárias. desenvolver ações ou iniciativas municipais de saúde. com o desenvolvimento de processos favoráveis caminho que possibilita a construção da saúde dos cidadãos. a descentralização e a participação social. N. potencializam mudanças execução de ações em prol da saúde e da melhoria significativas no território e nas relações ali qualitativa do local onde vivem os cidadãos. que tenha como enfoque central não mais o indivíduo. para instituir um novo modelo de atenção à saúde. poder de decisão sobre as suas necessidades concretas. o planejamento participativo. a doença.S A N A R E 55 . ou melhor dizendo. uma estratégia de fortalecimento primária. Os conhecimentos e os saberes são compartilhados e a construção das condições para um importante movimento de reordenamento do modelo vigente de atenção". do saber construir ambientes e formas cotidianas de e sim. a adscrição das famílias sob sua responsabilidade. o desafio de a participação comunitária no Conselho Local de Saúde. proporcionada pela ótica da promoção da saúde. Saúde da Família (PSF) tem oportuniza o estabelecimento de uma nova lógica de demonstrado potencial para relacionamento no contexto do poder local. ANO IV./FEV. processar estratégias promocionais que orientem a entre outras instâncias. estabelecidas. Coordenadora do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde. estruturante dos sistemas potencial Nesse sentido. o cadastramento familiar. não tem O Saúde da Família constitui-se como uma das como ser construída nos marcos teóricos que amparam principais estratégias. A utilização pelas equipes de saúde da família de ferramentas como a territorialização em saúde.1. Além de revisar e imprimir seu novo papel. a promoção da saúde no território de sua Assim. a doença. à medida local. que. destacando-se aqui a intersetorialidade. o Programa locais tendo como guia a promoção da saúde. adquirem poder (conhecimento) para intervir e para desenvolver seu autocuidado. fomentar e contribuir. o exercício de convivência nas relações estabelecidas no poder local é democratizado. expandindo sua atuação para requer a revisão do papel do governo municipal. É possibilitar ao cidadão. 2003 . JAN. Falar de promoção da saúde é reconhecer o protagonismo do cidadão diante da construção da sua saúde e da saúde de seu próximo. a promoção da saúde no atenção viver saudavelmente. apresenta grande potencial para instituir um novo modelo de atenção à saúde. A promoção da saúde é o local. aos leitores da Revista Brasileira de Saúde da Família. território de sua responsabilidade. afirma Heloísa Machado de Sousa. enquanto organizadora da atenção primária. de sua coletividade e do ambiente onde vive. não no sentido de concessão mas de conquista efetiva porque consciente. no espaço incorporar novas estratégias. integrantes ou não das diferentes organizações comunitárias. No que concerne a Secretaria da Saúde. que tenha como enfoque central A Estratégia Saúde da Família. além de dar conta da organização dos serviços assistenciais. A Estratégia Saúde da Família. e sim.

é um estado de ser e estar ou até de vir a ser. dá consistência ao exercício da democracia e cidadania. o fato das equipes de saúde da família trabalharem e responsabilizarem-se por um território e pela saúde das pessoas ali residentes. direito.. diante da apropriação da idéia de que são capazes de se apoiarem. portanto. 2001. 1995. fraterno e feliz. bairro. comunidade. Dalai e CUTLER. Redes sociais de solidariedade que se fortalecem em meio a relações de cuidado. Redes humanas construídas por pessoas que se aproximam por apresentarem problemas ou desejos comuns e. território. do prazer de bem viver em ambientes alegres e saudáveis. Ou. valorização e incorporação daquele território como espaço permeado por necessidades sociais que requerem respostas. As ações das equipes de saúde da família saem. humanas. para Dalai Lama. Nesse processo. São Paulo: Martins Fontes. caminhando para a transformação positiva do espaço e das relações desenvolvidas no território. apresentando um enorme potencial para estimular e fomentar novas formas de viver e ser na perspectiva da promoção da saúde... o que não traduz apenas a da Vida. desenvolvimento humano. incorporar no vinculada a esta unidade apropria-se dela como um espaço seu de seu dia-a-dia o cuidado com a felicidade. Além disso. solidário. Dessa forma. JAN. à medida que começarmos a identificar os fatores que levam a uma vida feliz.1. número 1(8). acredite neles". assim. Como tal. amor e felicidade./FEV. que a tendência mundial das sociedades é de estabelecer redes.66. Ou seja. implica. A compreensão essencial é a de que as pessoas formam e vinculam sua identidade a um espaço local vivo. no estabelecimento de vínculos. porque trabalham com o homem e o ambiente em sua totalidade. também. colorindo os espaços e as relações de poder local com as tintas da cidadania. São Paulo: Brasiliense. as ações cotidianas desenvolvidas pelas equipes de saúde da família podem. promovido no sentido de vir a ser saudável. Howard C. as equipes acabam sendo uma força emergente no poder local. ao contrário do que muitos possam imaginar ou até pensar. Daí porque a importância do comunidade. Espaço local vivo porque. Da globalização ao Poder Local: a Nova Hierarquia dos Espaços. a felicidade manifesta-se positivamente nos espaços locais. É importante destacar que mesmo inscrita no campo da subjetividade. sem saúde e felicidade. A unidade está inserida no território e a população Saúde da Família. . então. se assim o for. construído a partir da cultura. por sua vez. nº 04. permeado por relações sociais. no enfoque da promoção da saúde. Novas práticas e iniciativas. de construírem coletivamente seus sonhos. que o seja com toda a força da Saúde e 56 S A N A R E . uma face subjetiva. Afinal como disse o grande pensador. In: Pesquisa e Debate. Lenin. trabalhar no território possibilita aos profissionais de saúde da família constituírem-se como parte integrante das relações nele estabelecidas. É a instalação de uma nova ordem de sentimentos e de ética. Implica na vivência de processos de reconhecimento. a busca ou a realização da felicidade. de se auto-ajudarem ou. não leva "ao egoísmo. proteção. ______. PUC-SP Vol. quarteirão.. Pessoas felizes ou em busca de felicidade apresentam um maior potencial de exercer coletivamente o poder local em prol da construção de espaços de vida saudáveis.A partir da adscrição das famílias é estabelecido o seu vínculo com a unidade básica de saúde. Assim. "sonhos.. humanos e cidadãos. na ótica da promoção da saúde. Identidade construída em um lugar. em um espaço local que pode ser chamado de município.ANO IV. L. manifestada nas diferentes instâncias participativas e representativas. a motivação da nossa vida é a felicidade". O que é o Poder Local. Coleção Primeiros Passos. do âmbito da prestação de serviços de saúde individualizados ou até coletivizados. Para cada um. Espaço que precisa ser cuidado." Portanto. Não é à toa. protegido. A Arte da Felicidade: Um manual para a vida. Revista Brasileira de Saúde da Família. ano II. mas à família do indivíduo e também a sociedade como um todo. ao ensimesmamento". ser experimentadas. ganha corpo a participação social que. incorporados e redesenhados localmente. grupo. ser impulsionadoras e promotoras de transformações das mais profundas. Uma face que espelha a identidade da pessoa. sob pena de não viabilizar a qualidade de vida e saúde de seus moradores. gerando benefícios nas relações estabelecidas: ". estaremos aprendendo como a busca da felicidade oferece benefícios não só ao indivíduo. portanto. N. relações vivenciadas cotidianamente. 2003 A FELICIDADE E A PROMOÇÃO DA SAÚDE Felicidade. um jeito de ser e de sentir. não é um sonho. Segundo Dalai Lama ". também. dos valores e das tradições de um povo. podem. Não se relacionamento entre os serviços e os profissionais de saúde e a conjuga vida./MAR. MINISTÉRIO DA SAÚDE. família. 1996 . A felicidade apresenta. na perspectiva da promoção da saúde. a felicidade tem um rosto. Ainda nesta ótica. falar ou escrever sobre as possibilidades que estão postas para fazer o Saúde da Família ir além do que é hoje. a felicidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LAMA. Ao contrário.. há uma aproximação dos serviços e profissionais com a comunidade. DOWBOR. acabam por formar uma rede. p. 7. Ser feliz é um dos grandes objetivos perseguidos pelas pessoas. por demais valioso. organização do sistema mas representa uma nova lógica de À idéia dos sonhos é preciso acrescer a felicidade. Assim.

sinopse ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ adequado às atuais necessidades sociais de saúde. Unified Health System.1. Professora da Faculdade de Medicina da UFC/Sobral. abstract ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ current social health needs. Ceará. Diretor Presidente da Escola de Formação em Saude da Família Visconde de Sabóia. Secretário de Desenvolvimento Social e da Saúde de Sobral. familiar medicine. ○ ○ ○ ○ ○ T he Family Health Strategy is a structural proposal in the construction of a new care model that may be more suitable to words ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Family health strategy. Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto Médica. Sobral/CE. Ceará. Coordenadora da Residência em Saúde da Família de Sobral. Medicina da UFC/Sobral. ○ ○ ○ key ANO IV. e que consiga dar respostas às complexas relações do processo saúde- doença da sociedade atual.S A N A R E 57 . JAN. mestrando em Gestão e Modernização de Políticas Públicas. ○ ○ ○ ○ ○ A Estratégia Saúde da Família é uma proposta estruturante na construção de um novo modelo de atenção que seja mais palavras-chave ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Estratégia saúde da família. health assistance models. N. This article tries to demonstrate the pertinence of considering it as surpassing the family doctor model. Ceará. 2003 . bastante difundido em vários países. Luiz Odorico Monteiro de Andrade Médico. atenção básica . quite widespread in several countries. Esse artigo tenta demonstrar a pertinência de considerá-la uma superação do modelo médico de família. modelos assistenciais em saúde. medicina familiar. and which succeeds in providing answers to the complex relationships of the health-sickness process of present society. mestre em Saúde Pública pela UFC e doutorando pela UNICAMP Professor da Faculdade de .A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NO BRASIL E A SUPERAÇÃO DA MEDICINA FAMILIAR The Family Health Strategy in Brazil and the surpassing of familiar medicine Tomaz Martins Júnior Odontólogo. sistema único de saúde./MAR. basic care./FEV. mestre em Saúde Pública pela UFC .

passa a construir outras explicações para as doenças. a sua forma de pensar o processo saúde-doença. JAN. Assim. deve ser visto não como uma dominante: biologista. "socializada". Os que defendem a idéia de que a ESF supera a medicina familiar e tem suas especificidades. essas necessidades da Família não nega a importância ante o corpo humano e seus valores relativos à saúde e à doença. Busca promover reflexões profundas sobre a de trabalho em saúde e sua aplicabilidade modelo atual de sociedade. A proposta da Estratégia Saúde da Família não nega a importância desses conhecimentos ou da prática clínica. para a cura das doenças era necessário promover uma mediação entre os homens e o universo. defendem que atuação em equipe interdisciplinar é imprescindível para o sucesso da ESF e. uma rede de médicos de família como a porta de entrada. entretanto. Os indivíduos. 2003 sobrenatural. tentaremos fundamentar a nossa hipótese de como e porque a ESF supera o modelo de medicina familiar./MAR. Quando analisamos os diferentes modelos de atenção à saúde numa perspectiva histórica. portanto não é um conjunto de normas. garantia de acesso da população U ma dúvida surge hoje em muitos debates dos profissionais dedicados a Estratégia Saúde da Família (ESF) e a Medicina Familiar (MF) no Brasil. pois faz parte de uma realidade considera-se que para isso o mesmo deve ter como paradigma o da transformada). utilizavam terapêuticas baseadas em práticas mágico-religiosas. ao estabelecer um conjunto de Médico de Família. valores. ideal a ser copiado.1. entre outras. e em espaço separado dos outros profissionais de nível superior membros da equipe de saúde da família. portanto. poderíamos o processo possa efetivamente objetivar-se em um produto". o processo de trabalho do médico grego . Esta adequação entre modelo de atenção à saúde e modelo de sociedade pode ser percebida nas diferentes experiências vividas ao longo da história da humanidade. e nesse contexto. o que era conseguido pelo xamã ou sacerdote. percebemos que eles se relacionam com a ideologia predominante em cada sociedade. centrado na doença. instrumentos e a ação do agente do trabalho. Dessa forma. aos serviços de saúde. N. regras. também defendem que o médico de família deve ter uma pós-graduação em Medicina de Família. percebe-se que nas desses conhecimentos ou da civilizações primitivas a doença guardava uma relação com o prática clínica. que esse segundo carecimento portanto respostas concretas aos atuais problemas de saúde. ou em outras trabalho. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS PROCESSOS DE TRABALHO NOS MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE Neste artigo.ANO IV. Para isso. todos os profissionais membros da equipe de saúde da família devem ser formados em conjunto no nível da pós-graduação. considerar um eterno ciclo: carecimento – processo de trabalho – O produto desse novo modelo de atenção à saúde deve ser carecimento. Inicialmente é importante destacar que o conceito de "modelo" utilizado não tem uma relação direta com modelagem. É importante caracterizá-lo como uma "necessidade Analisando a organização do processo de trabalho do modelo da sociedade". Neste artigo. ou mesmo uma necessidade pessoal na atenção médica e na utilização intensiva de tecnologia). verifica-se que traz importantes contribuições relações. No campo da saúde. é claro. Busca promover reflexões profundas sobre a organização atual do processo de trabalho em saúde e sua questionável aplicabilidade ao modelo atual de sociedade./FEV. percebe-se que a sua construção ainda tem a biomedicina como principal campo de conhecimento e que o seu processo de trabalho ainda guarda uma hegemonia do profissional médico em relação aos outros profissionais. com base nisto. Seriam os dois modelos de organização de serviço idênticos? Teriam os mesmos propósitos? Os que defendem que ESF e MF são a mesma coisa. Passeando pela história da humanidade..INTRODUÇÃO da atenção preventiva e curativa. e será sempre diferente do primeiro. fortalecimento e universalidade da atenção primária.. constituem uma sociedade. pela visão de mundo A proposta da Estratégia Saúde presente nessa sociedade. dando a elas um caráter natural (fenômeno da própria natureza teoria humoral). Portanto. A civilização greco-romana. na hegemonia médica. construção social da saúde (contrapondo-se ao paradigma Esse carecimento. (lembrando. necessidade pessoal. quando já dominam o núcleo básico de conhecimentos de suas respectivas profissões. com programa específico. Ela própria passa a ser para esse processo de mudança: a organização do sistema tendo possuidora de necessidades acima das necessidades dos indivíduos. 58 S A N A R E . para que palavras. utiliza-se o conceito de modelo descrito por Ricardo O sentido do trabalho está ligado a uma aplicação de energia Bruno: "é a construção de consistência prática entre objetos de para promover a transformação de uma realidade. satisfazer um carecimento. rompendo com esses conceitos ao e práticas. figuras capazes de falar e organização atual do processo questionável estão relacionadas de forma estreita com a atitude dessa sociedade entender as linguagens das coisas. integração Essas necessidades são determinadas pela leitura da realidade com base no conjunto de conceitos. Entretanto.

aos doentes.recuperar a ser pago pelo paraíso. a idade das trevas. Essa o individualismo. associadas ao como ciência que fizeram com que a explicação sobre processo terapêutico. É importante ressaltar que toda uma forma de divisão horizontal do trabalho em saúde. acompanhamento solidário do transe do sofrimento para a morte e para a vida eterna e surgiram os mosteiros com acomodações especialmente destinadas à pessoa doente – o hospital. criando novas formas de vida intelectual (mais próximas da Antigüidade clássica). as cortes das monarquias absolutas promoveram as novas investigações científicas. ao início do desenvolvimento da medicina científica. onde desempenhava o papel mais intelectual . O conhecimento dogmático da Igreja não foi mais aceito e deram lugar. sendo que esse desempenhava papéis ora mais intelectuais. mas também como instrumento de trabalho.controlar a ocorrência de doença portanto. possibilitando-o dar respostas às duas necessidades apresentadas acima. ficando esse com as atividades especialidade como uma forma de divisão horizontal do trabalho em saúde. o partes de um mesmo corpo. dividiu. o passa a ser vista como um desequilíbrio entre essas fisioterapeuta. absolvendo o meio Tanto esse médico hipocrático. Surge a presentes nessa forma de trabalho Ganham destaque. O renascimento comercial a partir do século XV promoveu profundas alterações na estrutura socioeconômica. A complexidade do hospital moderno transformou o médico em um trabalhador coletivo. em meados do século XIX. de um mesmo Dentre os outros profissionais corpo. Assim. A medicina muda como ciência mas também como mais intelectuais da "parte manual" profissão. a exploração colonial e a crise do regime feudal deram início ao período de transição para o capitalismo.. 2003 . JAN. a doença da saúde.S A N A R E 59 .1. cada um de sua maneira. No campo específico Na Idade Média. o corpo humano é de atuação complementares: o odontólogo.consistia praticamente em ajudar as forças naturais. local de trabalho para esse profissional.. procuravam restabelecer. essa organização do processo de trabalho guarda uma Ressalta-se que essa visão individualista. o assistente social. o corpo humano é dividido em diversos sistemas e órgãos e a doença passa a ser vista como um desequilíbrio entre essas partes (diagnóstico e definição terapêutica). N. O acúmulo de capital com as grandes navegações. essas necessidades poderiam ser apresentadas voltou a ser vista como uma entidade com vida própria. ora mais manuais. com a ideologia capitalista. resumidamente em: 1. que teorias desenvolvidas por Pasteur a respeito dos surgiu com funções relativamente microorganismos e o desenvolvimento da biologia "mais manuais". Passou a ser a provação. Mais tarde o as causas das enfermidades passasse a ser atribuída a trabalho do enfermeiro também se agentes microbianos. o preço (vista como incapacidade de trabalhar) e 2 . sobrenatural. O hospital passa a ser numa visão moderna. emergentes com o capitalismo. Surgiram também novas necessidades sociais. De início. todo o processo de trabalho em saúde era possível de ser desempenhado por um único trabalhador: o médico. Fica bastante evidente a relação entre divisão vertical passou a conviver com uma outra as novas relações sociais e a organização do processo divisão. o psicólogo. harmoniza-se trabalho na sociedade industrial./MAR. Surge a especialidade como educador físico etc./FEV. Semelhante ao que passa a ocorrer terapêuticos) e a criação de outras profissões com áreas nos diversos setores da sociedade. no caso do setor saúde. Segundo Navarro ela adota os mesmos da atenção à saúde e deixando para princípios ideológicos do capitalismo: o liberalismo e seus auxiliares as partes "menos intelectuais". Além das grandes navegações. o terapeuta ocupacional. as coletivo estava o enfermeiro. que comporta dois tipos de de trabalho da medicina quando percebe-se o expressão: a especialização da profissão (médicos desenvolvimento de uma visão mecanicista no trato especializados em partes dos processos diagnósticos e com o indivíduo. prevaleceu a assistência a força de trabalho incapacitada pela doença. estabelecendo uma nova relação entre os homens através do trabalho. ANO IV. entendida aqui como a expectância. ao relação bastante estreita com a organização do culpabilizar o indivíduo pela doença. horizontal. o reequilíbrio da natureza. como o pequeno artesão ambiente econômico e político da responsabilidade que mais tarde passou a ser o cirurgião-barbeiro na origem da enfermidade. o dividido em diversos sistemas e órgãos e a doença fonoaudiólogo.

acima de tudo. . Para a prevenção. a tuberculose. já crônico-degenerativas e das causas perfeitamente Entretanto.1. Se de um lado o impacto do modelo hegemônico é inegável. as infecções respiratórias agudas. hábitos na evolução dessas doenças. necessidade de avaliar alguns aspectos. quais os instrumentos disponibilizados pelo modelo biomédico para prevenir as doenças crônico-degenerativas senão apenas o conhecimento da sua evolução e fatores predisponentes. com vistas a garantir a universalização da atenção à saúde. de base biomédica. é igualmente correto afirmar que ele não conseguiu avanços no que diz respeito à democratização do atendimento e dos resultados. conseguiu alcançar um certo impacto na morbidade e mortalidade da população. Entretanto. a hegemonia da atenção à saúde. Basta observarmos o atual estágio de nossa transição de infecções perfil epidemiológico. Igualmente. De outro lado. a hanseníase. o que de certa forma garantiu um considerável avanço no enfrentamento do primeiro desafio apresentado. Como exemplo. desenvolvidos e ao seja proporcional como também em mesmo tempo com doenças infecto-contagiosas (pre- problemas dominante no passado) e um básicos. Destacase nesse contexto a estruturação da atenção básica. essa prevenção passa acima de tudo pela mudança comportamental. Mas uma vez. a hanseníase. onde apenas o conhecimento não tem se mostrado muito eficaz. Esta afirmativa fica bastante clara quando evidenciamos uma inegável mudança do perfil epidemiológico da população brasileira. surge aqui a resolvidos pelo modelo biomédico. melhoria tecnológica dos fármacos.ANO IV. Quando analisamos o novo perfil epidemiológico (aqui mais uma vez correndo o risco de um excesso de ousadia). fica evidente que para a superação das várias limitações que o atual modelo implantado no país não conseguiu resolver. como a diarréia. onde con- respiratórias de adoecer e morrer de países mais agudas. em larga mudança do perfil epidemiológico. conhecimentos bastantes específicos da prática biomédica. surgem dois importantes desafios: um deles seria o aumento da cobertura. observamos que a prática biomédica não dispõe de instrumentos e capacidades eficazes para mudança da realidade. o que faz considerado é o novo desafio que surge com essa com que o modelo biomédico ainda guarde. S A N A R E . os instrumentos disponibilizados a partir da prática biomédica. sem entretanto promover uma mudança na desigualdade social. escala. a tuberculose. como a diarréia.. como vacinas. 2003 . com considerável redução. N. entendida aqui como a viabilização do acesso universal e. Diante do exposto.. É interessante deixar claro que não pode ser ignorada a importância de aspectos como a educação. um homicídio ou um acidente. convivemos com um crescimento da forma de adoecer e morrer de países mais É importante avaliar que o modelo de atenção à saúde ainda hegemônico. JAN. são necessários instrumentos e 60 Neste artigo procuramos estabelecer algumas que ousadamente poderíamos chamar de antigo perfil Básicas de Saúde e a Estratégia Saúde da Família. sendo propositadamente repetitivo. tratamento e cura das doenças mais prevalentes no comparações entre o modelo clássico de Unidades epidemiológico. a superação das várias limitações que o atual modelo implantado no país não conseguiu resolver. vale a pena citar a redução da mortalidade infantil conseguida em várias cidades e estados brasileiros. Tal fato pode ser explicado pela incapacidade percebida nesse modelo de garantir a universalização da atenção à saúde. vivemos com um crescimento da forma desenvolvidos e ao mesmo tempo com problemas básicos. avanços tecnológicos da prática médica. temos que aceitar o tão pouco que conseguiu-se avançar na Outro importante aspecto que deve ser mudança do modelo de atenção à saúde. já perfeitamente resolvidos pelo modelo biomédico./MAR. considerando que para atingir esse objetivo é premente a mudança de comportamento? E sabemos que o simples conhecimento não tem se mostrado muito eficiente para esse propósito. o outro seria uma mudança do modelo de atenção à saúde. moradia. conseguiram inclusive minimizar o impacto desses fatores sociais na morbidade e mortalidade da população. Qual a real capacidade desse modelo de reverter o crescimento de óbitos e agravos provocados por causas externas? Quais os instrumentos que o profissional médico tem disponível para evitar um suicídio. Temos hoje a experiência de várias cidades brasileiras que conseguiram construir uma rede de Unidades Básicas de Saúde. as números absolutos da mortalidade por aumento da importância das doenças externas de morbidade e mortalidade.OS DESAFIOS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA FRENTE AO ATUAL MODELO Vários são os desafios colocados hoje para a implantação da Estratégia Saúde da Família./FEV.

Após alguns anos de castração do direito dos cidadãos de participar ativamente da Já na Estratégia de Saúde da Família. e com o impacto positivo dessas novas ações gerarão. entre os quais Cuba e Canadá. pois requer a ANO IV. mas em todos os setores da sociedade. N. 2003 . Mesmo o modelo de Medicina Familiar. é imprescindível que se estabeleça um novo processo social. Vem igualmente para duas limitações do processo. que avançou em alguns aspectos ao modelo hospitalocêntrico. acadêmica.S A N A R E 61 . Assim. O primeiro passo para atingir esse objetivo é criar a possibilidade dessa sociedade vivenciar esse novo conceito. reverte-se o desafio para a classe desse importante processo. para que o mesmo norteie a sua prática. muitas entre a análise dos quadros clínicos com o hospedeiro. não mais como mero como esses são historicamente construídos. JAN. mais fraterna. Desta forma descreveu LIMA (2001): "Assim desenvolveu-se ao longo do século XIX uma divisão do modelo assistencial. em que o indivíduo era o centro das atenções. um por ter um sistema com boa resposta apesar da falta de Essa afirmativa é apresentada partindo-se da constatação de que essa é uma discussão bastante atual não apenas no setor recursos e o outro por ser o que tem o melhor índice de satisfação de usuários aliado a uma excelente saúde da população. Essa incorporação gradativa. apenas isso não é suficiente." saúde. e a Estratégia Saúde da Família conta Vem igualmente crescendo uma nova consciência do papel do como conceito fundante a saúde como qualidade de vida. Quanto à segunda. sem dúvida alguma. novos elementos na construção coletiva do conceito de saúde. têm-se ressaltado que política. são os mais apresentada anteriormente. na prática clientelista. é perfeitamente possível neutralizar a primeira limitação. Tal fato norteou todo o processo de formação dos profissionais. & MARTINS JÚNIOR. sendo depois levado a seja um pouco menos complicado que a mudança de conceito vários outros países. Conceitos Estado. estudados. incorporados de forma profunda por essa população. Reverter esse aspecto no imaginário da população talvez centro do programa de saúde da Inglaterra.Conceito de Saúde: O modelo clássico tem como alicerce o conceito de saúde como ausência de doença. talvez a única receita que existe é a necessidade da paciência histórica. Clientelismo x direito de cidadania: Indivíduo x coletivo O modelo clássico tem como centro de sua atenção o indivíduo. O outro seria a pressão social para o atendimento das e sim como coordenador de um difícil processo de desenvolvimento demandas. o que aponta garantia dos direitos e deveres de cidadania. São frutos de um provedor de necessidades de seus processo de construção coletiva da forma de pensar e agir de uma sociedade. mais farta e mais fraterna. percebemos claramente alguns avanços na relação entre as equipes devem concentrar sua atenção no "coletivo" (ANDRADE a sociedade e a administração. ainda considera o indivíduo como o foco principal da atenção à saúde. ainda de forma isolada e regionalizada. nova lógica que norteia a construção desse conceito. e portanto.1. é necessário a maestria desses profissionais para promoverem esse processo de transição. geradas a partir do conceito de uma sociedade mais justa. Vem aumentando ao longo Reverter o foco de atenção dos profissionais de saúde do dos anos a conscientização da sociedade quanto à importância da indivíduo para o coletivo é outro grande desafio. clássico de saúde. Uma delas seria a própria crescendo uma nova consciência do papel do Estado. Cabe uma melhor consciência dos profissionais de saúde Quanto à formação. que é importante ressaltar. para isso não existe uma receita. Infelizmente. Com a implantação de uma nova consciência revertida além de um estímulo à participação social no planejamento. infelizmente em alguns aspectos. permitindo que a população tenha contato com ações norteadas pelo novo conceito de saúde. onde a prestação de serviços de os fatores que predispunham ao desenvolvimento das doenças de saúde é realizada como um favor e não como um direito de formas diversas em diferentes pessoas. Entretanto. profissionais de saúde. entendendo-se vezes. Este modelo passou a ser o cidadania. É necessário que os profissionais de saúde consigam implantar a clientes (população) e sim como coordenador de um difícil processo de desenvolvimento de uma sociedade farta e mais mais justa. é inegável a potencialidade surgida com a democratização do acesso aos serviços. Buscava-se aí um equilíbrio O modelo clássico construiu suas práticas centrado./FEV. em mudanças significativas nos currículos de formação dos execução e avaliação de suas ações. em contraposição ao modelo ontológico dominante surgiu um modelo fisiológico ou ecológico./MAR. não mais formação/conscientização desses profissionais para essa nova como mero provedor de necessidades de seus clientes (população) prática. 1999). Para que seja viabilizado um processo de transformação. mas talvez uma boa estratégia seria a incorporação gradativa de práticas inovadoras nas unidades básicas de saúde. Para isso.

o que somente poderá ser conseguido da equipe (médico.A CONSTRUÇÃO DA INTERDISCIPLINARIDADE NO SAÚDE DA FAMÍLIA A Estratégia Saúde da Família tem como centro de sua atenção de saúde utilizado e já apresentado neste artigo. O. Entretanto. A epidemiologia é que intervenções onde haja predomínio da atuação de uma equipe permite o diagnóstico de saúde-doença de uma população. Entretanto. 62 S A N A R E . a antropologia. como também de outros setores Talvez o principal deles seria a epidemiologia. disciplinas do próprio setor saúde. primeiro interdisciplinar é que será possível dar respostas concretas no passo para a percepção do "prognóstico" e estabelecimento de enfrentamento do complexo quadro de morbi-mortalidade atual. FIGURA 1 . o que talvez possa ser facilitado com o próximo DENTISTA conceito a ser apresentado. é indispensável para a saúde coletiva assim como a clínica o é para a comunicação. interdisciplinar. Apenas com o modelo clássico de atenção à saúde. quando avalia-se a nova prática . com um atendimento predominantemente individualizado. Outro desafio. tem como seu principal centro de atenção o hospital. ESF já que possui um mesmo objeto de conhecimento: a população . M. a ser atendida./FEV. a antropologia. uma "terapêutica". as ciências sociais. A epidemiologia como a sociologia. a comunicação. empregarmos para construi-lo e entendê-lo (Figura 1). N. apenas como alguns exemplos. cada profissional membro uma melhoria do quadro. o que não poderia ser diferente pelo conceito FÍ SIC O pessoa saudável é necessário criar novos instrumentos e novos conhecimentos. Tal fato é explicável quando consideramos que sua prática é centrada na pessoa doente. para a atenção à MÉDIC@ a pessoa saudável. em sua atuação na Estratégia Saúde da estabelecimento de uma "terapêutica" (estratégia) que promova Família. é indispensável a incorporação de novos conhecimentos oriundos de outras disciplinas do próprio setor saúde. odontólogo). este comum a todas as profissões atuantes na adoecer e morrer.. resgatando L IA OC ES NT E IST SS A CAMPO COMUM de centrar a atenção na pessoa saudável. a urbanística. está em construção e Processo Saúde-doença será tanto mais enriquecido e aprofundado. Profissional médico x equipe interdisciplinar a discussão apresentada na introdução deste artigo. como também de outros setores como a sociologia.incorporação de novos instrumentos ainda não muito comuns nas incorporação de novos conhecimentos oriundos de outras práticas médicas e de outras profissões da área de saúde atualmente. e para que esta possa ter sucesso. Entretanto. JAN. OCUPACIONAL O predomínio do profissional médico nas intervenções geradas pelo modelo clássico é bastante evidente. é indispensável a .1. o hospital é a estrutura que fornece uma maior capacidade estrutural e tecnológica. torna-se necessária a humildade do profissional de saúde (em especial do médico) de reconhecer a sua incapacidade de sozinho atingir esse objetivo. 2000. deve utilizar-se do com a utilização de bases de dados epidemiológicos no cabedal de conhecimentos e ferramentas de sua profissão. enfermeiro. e a consciência dos outros profissionais e setores do seu papel na construção desse processo. Para enfrentamento e superação do complexo quadro nosológico atual. apenas como alguns exemplos.ANO IV. Hospital x Rede Hierarquizada O modelo clássico. L. Este campo. quanto mais tempo O modelo clássico centra sua atenção na pessoa doente. mas planejamento e programação das ações. sem nenhuma dúvida é no Em outras palavras./MAR. as ciências sociais. a urbanística. Para o bom exercício dessa prática. 2003 A UT PE RA TE IO FIS PSICÓLOG@ EN FE RM EI R@ Andrade. aplicando-se o princípio deve necessariamente estar disposto a construir um novo campo da eqüidade priorizando as famílias ou grupos com maior risco de de conhecimento. Se para o trato com a pessoa doente existem instrumentos e ED UC AD OR conhecimentos já comprovadamente eficientes. há de se reconhecer a enorme dificuldade para promover essa mudança.. Tal fato é perfeitamente justificável pela potencialidade dos instrumentos e conhecimentos utilizados em sua prática para atingir a reversão desse quadro. com a mudança do perfil epidemiológico que vem sendo observada e a necessidade T.

gerada pela Estratégia Saúde da Família percebe-se que o melhor mitificação da tecnologia. muitos programas que se na saúde da população. A implementação desse modelo tem alcançado o seu apogeu mas também o seu questionamento em relação ao efetivo impacto No caso da medicina familiar. N. sem dúvida alguma continuam a ser Na sociedade atual percebemos uma necessidade do consumo importantes. e que não pode ser ignorado pelos serviços de saúde. Ao estabelecer como centro da atenção a pessoa saudável. os egressos Nesse contexto. dos exercícios destes programas de residência tem muito mais um perfil de clínico físicos. formação. muitas vezes a utiliza local de intervenção é o mais próximo possível da população mesmo desconhecendo a intimidade de sua estrutura e o segundo assistida. dos estilos de vida saudáveis. vista como parte de um coletivo. permitindo uma convivência e um maior conhecimento desenvolve uma crença ilimitada nessas técnicas. até mesmo porque essa comunga efetivamente promover mudanças nesse quadro. promove-se uma nova forma de perceber as demandas e consequentemente a O principal produto desse novo processo de trabalho passa a ser a transformação de "necessidades de consumo individual" em uma postura ativa social em humano da vida./FEV.1. Se o momento "mais intelectual" do trabalho categorização de demandas e necessidades. do reconhecimento da importância de outros Esse aspecto torna-se de extrema importância quando são conhecimentos e da necessidade de construção de novas práticas apresentados desafios como centrar a atenção na pessoa saudável para a efetivação de um modelo que tem a saúde como qualidade e garantir a equidade. Os profissionais para atuarem de forma competente nesse novo modelo. em atividades intra-hospitalares. priorizando os grupos de maior risco de de vida. Dentre esses vários campos de conhecimento. além do incremento exagerado de custos. O principal produto desse novo processo de trabalho passa a Demanda expontânea x demanda organizada A base do atendimento no modelo clássico é a demanda expontânea. Com a incorporação dos novos conceitos dentro da ser a transformação de "necessidades de consumo individual" em uma postura ativa e mediatamente social em relação ao andamento humano da vida. É importante ressaltar que esse aspecto é bastante importante para viabilização da rede hierarquizada proposta. de poder. uma tentativa de mudança de atuação do sistema. destacamos a questão da dieta. dos remédios protetores. ANO IV. viabilizando a terapêutica sobre o indivíduo está concentrado no médico. do que propriamente de um profissional preparado entretanto ainda com uma roupagem individualista. O alto desenvolvimento práticas que possibilitem o diagnóstico e a prescrição sobre o tecnológico tem imprimido à prática médica e à sua relação com coletivo. A demanda expontânea surge a partir de uma percepção individual da necessidade de um serviço de saúde. adoecer e morrer.S A N A R E 63 . assim como a terapêutica. o diagnóstico clínico e a prescrição importante papel na organização dessa demanda. Isto se dá a partir de um compartilhamento necessidade de uma estruturação em torno da demanda organizada. onde o primeiro. ocupam a maior parte do tempo do profissional em que parece negar a doença: saúde vista como qualidade de vida. O intenso processo de urbanização e seu reflexo na situação de saúde da população tem promovido constantes fracassos do A supervalorização da estrutura hospitalar faz parte também modelo clínico individual. perfeitamente compatível com o modelo clássico. voltando-se Outro aspecto importante é que a Estratégia Saúde da Família não para o coletivo e assumindo um papel mais de promotor de saúde nega a importância do hospital. propõem a formar o especialista em medicina de família em todo o Surge nas últimas décadas a necessidade de consumo daquilo mundo. e assim passa a ter um no modelo clínico individual. geral e internista. O profissional e o paciente desenvolvem um processo de de conhecimento. das relações que são estabelecidas em cada território e que geram as formas de adoecer e morrer da população assistida. nessa existência de uma rede hierarquizada de atendimento e a melhoria nova forma de atuação do sistema o diagnóstico pára a ser sobre do acesso aos níveis secundário e terciário de atenção à saúde o coletivo. o paciente uma retomada de um componente mágico na medicina Reconhece-se nessa proposta a interseção de vários campos atual. Ela apenas avança em uma melhor e menos de curador. Isso tem gerado do mesmo conceito de doença (o que já foi tratado nesse artigo). quais campos OS DESAFIOS ATUAIS DA ATENÇÃO À SAÚDE: de conhecimento são necessários para esse novo modelo? Os conhecimentos biomédicos. 2003 . devem ter a capacidade de facilitar essa Estratégia de Saúde da Família é importante ter a clareza da transformação social. se o modelo clínico individual tem a biomedicina como a fonte de conhecimentos para sua organização. no que se refere à sua capacidade de da cultura da "população leiga". porém são insuficientes para a construção das novas de serviços de assistência à saúde. JAN. para aqueles que de fato necessitam. para enfrentar os problemas complexos da atenção primária de saúde./MAR. Na prática. e mediatamente relação ao andamento necessidade de sua organização. Assim.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALMEIDA. Dentre esses vários campos de como campo específico de seu processo de formação não podem conhecimento./MAR. São Paulo.M. Rio de Janeiro. 1999.ANO IV. N. a fonte desse conhecimento é a própria comunidade. 1998.ABRASCO. Além disso. A educação dos profissionais de saúde na América Latina. HUCITEC. ROSEN. Classe social. JAN.M. mas pelo contrário. poder político e o Estado e suas Implicações na medicina in Ciências sociais 1. destaca-se ser vistos como marginais ao processo de trabalho do setor saúde. não negando a importância de campos específicos de conhecimento. e portanto. São Paulo. 1992.B./FEV. 1999.V. R. gerador de mudanças. Modelos tecnoassistenciais em saúde: o debate no campo da saúde coletiva. Brasília. um de grande Esse talvez seja um outro avanço significativo da Estratégia Saúde da Família em relação ao Modelo Médico de Família. Os profissionais que possuem esses conhecimentos Reconhece-se nessa proposta a interseção de vários campos de conhecimento. et all. Práticas de saúde: processos de trabalho e necessidades. Ministério da Saúde. NAVARRO. Deve-se reconhecer que o médico diante das mudanças das formas de intervenção na Estratégia Saúde da Família. FAPESP.. et all. São Paulo. São Paulo. valorizando-os como importantes para o desenvolvimento de um processo reflexivo. 2000. A. FEURWERKER. Esse conhecimento somente pode ser adquirido pela vivência. CANESQUI. L. Ciências Sociais e saúde para o ensino médico. Relatório Final do I Seminário de Experiências Internacionais em Saúde da Família. Cadernos CEFOR. HUCITEC. Uma história da saúde pública. São Paulo. percebendo-o como espaço privilegiado de construção de novas práticas. SILVA JR.A.1. Deve ser viabilizado um diálogo entre os profissionais. É importante reconhecer ainda outros conhecimentos para esse diagnóstico e intervenção coletiva para a promoção da saúde da população. ENSP/FIOCRUZ . 1994. HUCITEC. M. deve-se reconhecer a existência de um campo comum de conhecimento. 64 S A N A R E . mas sim deve-se reconhecer cotidiano com os problemas de saúde.destaca-se um de grande importância: o profundo conhecimento das dinâmicas das comunidades que convivem no seu cotidiano com os problemas de saúde. 1983. G. importância: o profundo conhecimento das dinâmicas das Por isso. GONÇALVES. que os conhecimentos do campo específico de outros profissionais são fundamentais para a construção desse novo modelo. passa a competir em pé de igualdade com os outros profissionais no que diz respeito à fragilidade de suas habilidades e conhecimentos. não deve existir uma relação de hegemonia desse comunidades que convivem profissional em relação aos outros. 2003 no seu .G.

assim como de um anexo contendo endereço completo.org máximo 150 palavras. atual. passarão por procedimentos Livros de seleção técnico e sigiloso.5. E. J.Faculdade de Biblioteconomia. Requerimentos nutricionais. Av.19-32 . ANO IV. 1994. Status of prospective clinical Enviar. . In NÓBREGA. JAN. M. (resumo n. em latim. mas sem interferir Capítulo de livro na essência do conteúdo descrito pelo(s) autor(es). incluindo as referências usuários. F J. Desnutrição: Infra-uterina e pós-natal. A revista está aberta a trabalhos de autores de todo Brasil.533. . bibliográficas. metodologia empregada. com as seguintes especificações: trabalhos em português.M. ESTRUTURA DO TRABALHO Dissertação (mestrado em biblioteconomia) . KANG. IBRASA. 1320 . Havendo ilustrações. além do título e subtítulos.doc. . Campinas: (s. o texto deve ter organização de reconhecimento fácil. No caso de artigos originais o texto deverá apresentar: Introdução. O corpo editorial reserva-se o direito de adaptar ou corrigir erros de escrita ou normalização.132P .5570 / 614.S.Sobral/CE ·Resumo CEP 62030-000 . . no máximo. J. Escola de Saúde da Família Visconde de Sabóia nome(s) do(s) autor(es). J. Trabalhos apresentados em congressos ou similares THOMPSON. espaço 1.12. 1985. no Dissertação e Teses formato . Discussão e Conclusão. como forma de contribuir com o processo de elaboração As referências deverão estar localizadas no final dos trabalhos. para o Núcleo de Comunicação da Escola de Formação em Saúde da trial on in-ciram bugdes. de. J. desenhos) deverão constar em uma folha separada. fonte times new WOLKOFF D. conforme os e sistematização de políticas públicas voltadas para a construção de novos exemplos abaixo para: paradigmas. et al. 80 caracteres. em políticas públicas. ·Texto Em todos os trabalhos para publicação. Enviar um original impresso e outro em disquete./FEV.Fone/Fax: (88) 614. 2ed.. roman tamanho 12. T. São Paulo. 104. PUCCAMP 1994. TORRES. World Health Forum.C. p.3. ·Referências Bibliográficas que tem por finalidade divulgar toda e qualquer experiência. K. com títulos e subtítulos que reflitam essa organização. Resultados. nome completo do autor. Artigos de periódicos DUTRA DE OLIVEIRA.INSTRUÇÕES AOS AUTORES ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Tornar sã. ENDEREÇO PARA ENCAMINHAMENTO DE TRABALHOS ·Título do Trabalho A/C Monica Torres Em português e em inglês – corpo 14 pontos com.5520 Todos os trabalhos em português deverão trazer o resumo composto por no e-mail: sanare@sobral. . APRESENTAÇÃO DE ARTIGOS SORENSEN. Panamed.1. S. gráficos.com). O resumo deve ser elaborado com informações claras quanto ao objetivo do trabalho.. Iohahio. Abstracts of the XXV American Pediatries Congress. e referência à instituição a que pertence(m). as legendas (fotos. S. . sempre preservando a integridade do(s) autor(es). Geneva. A balanced diet does not have to contaum meat. telefone para contato e endereço eletrônico. v. Rev. limite de 13 laudas. LILLO P ANDRADE. O. .71./MAR. 2003 .p. com versão português/inglês. Família (núcleo. Dent. É fundamental a todo tipo de trabalho. A revista de nutrição da PUCCAMP: análise de opinião de seus . prática e teórica. The crescent probien of DST: adolescent. v. BOOG. Não fazer uso de abreviaturas. visando o melhor aproveitamento do artigo. que uma vez encaminhados. com referências profissionais para a publicação e demais dados que julgar importantes. rev. N. FOLHA DE ROSTO Deve constar título de artigo. n. J.F Alimentação natural: pós e contras. MARCHIN. . Amâncio. P R. papel A4.142). ORIENTAÇÕES GERAIS Os trabalhos deverão estar assinados por todos os autores. São Paulo. B. endereço localizado no verso da capa e no final dessas instruções.n). Métodos. ·Unitermos São palavras ou expressões que o autor deve utilizar para ajudar na identificação do conteúdo redigido (em português e em inglês). Mas todos os textos devem apresentar Introdução. sobre gestão governamental. 1991. N. SANARE é uma revista do município de Sobral (Ceará).Bairro Junco . como endereço eletrônico e telefone para contato. p. acompanhados de uma declaração de que aceitam as normas para publicação aqui descritas. maio/jun. A versão em inglês (abstract) deve acompanhar a original. Discussão e Conclusão. O texto deve ser conciso. compatíveis com Microsoft Word. 1986. 131p. 1991. John Sanford.S A N A R E 65 . os resultados obtidos e suas principais conclusões. Os originais não serão devolvidos.261.

1./MAR.66 S A N A R E . N./FEV. 2003 .ANO IV. JAN.