Revista Brasileira de Ensino de F´ ısica, v. 29, n. 1, p. 25-35, (2007) www.sbfisica.org.

br

Quatro abordagens para o movimento browniano
(Four approaches to the brownian motion)

J.M. Silva1 e J.A.S. Lima2
1

Departamento de F´ ısica, Universidade Federal do Rio Grande no Norte, Natal, RN, Brasil 2 Departamento de Astronomia, Universidade de S˜ ao Paulo, S˜ ao Paulo, SP, Brazil Recebido em 31/8/2006; Aceito em 26/9/2006

A “dan¸ ca” aleat´ oria de pequenas part´ ıculas em suspens˜ ao num l´ ıquido, um fenˆ omeno conhecido como movimento browniano, foi primeiramente explicado por Einstein na sua famosa tese de doutorado. Seguindo uma perspectiva hist´ orica, mostramos como este fenˆ omeno pode ser descrito de quatro maneiras distintas, a saber: o tratamento difusivo de Einstein, a variante estoc´ astica ou de for¸ ca flutuante proposta por Paul Langevin, a abordagem via equa¸ ca ˜o de Fokker-Planck, e finalmente, as caminhadas aleat´ orias de Mark Kac. Discutiremos tamb´ em as limita¸ co ˜es presentes na abordagem difusiva. Em particular, mostramos que a equa¸ ca ˜o parab´ olica na qual Einstein baseou sua explica¸ ca ˜o deve ser substitu´ ıda por uma equa¸ ca ˜o do tipo hiperb´ olica que tamb´ em surge naturalmente no tratamento via caminhadas aleat´ orias. A solu¸ ca ˜o geral dessa equa¸ ca ˜o ´ e obtida e comparada com o resultado padr˜ ao. Para tempos curtos, comparados com as escalas de tempo caracter´ ısticas do sistema, o movimento das part´ ıculas segue um comportamento ondulat´ orio. Palavras-chave: Einstein, movimento browniano, Paul Langevin, Fokker-Planck. The random trajectory of small particles in suspension within a liquid, a phenomenon known as brownian motion, was firstly explained by Einstein in his famous doctorate thesis. From a historical perspective, we show how such a phenomenon can be described in four different ways, namely: the Einstein diffusive treatment, the stochastic variant or fluctuating force proposed by Paul Langevin, the approach through the Fokker-Planck equation, and, finally, the random walks by Mark Kac. Some limitations present in the standard diffusive approach are also discussed. In particular, we show that the parabolic equation in which Einstein based his explanation should be replaced by a hyperbolic equation of motion which also appears naturally in the treatment of random walks. The general solution of the generalized diffusion equation is obtained and compared to the standard result. For short times, in comparison with the characteristic time scales of the system, the motion of the particles is described by a wave behavior. Keywords: Einstein, brownian motion, Paul Langevin, Fokker-Planck.

1. Introdu¸ c˜ ao
O movimento irregular de pequenas part´ ıculas imersas numa solu¸ c˜ ao foi originalmente observado em 1828 pelo botˆ anico inglˆ es Robert Brown [1]. Ele notou que as part´ ıculas em suspens˜ ao adquiriam uma esp´ ecie de movimento err´ atico que posteriormente ficaria popularmente conhecido pelo nome de movimento browniano (MB). Nas d´ ecadas seguintes, in´ umeras tentativas foram realizadas para desvendar a natureza do movimento browniano. Experimentos de laborat´ orio mostraram que o movimento fica mais intenso quando se reduz a viscosidade do meio ou o tamanho das part´ ıculas brownianas, e tamb´ em quando se eleva a temperatura da solu¸ c˜ ao. Muitas causas poss´ ıveis foram aos pou1 E-mail:

cos sendo eliminadas, tais como: atra¸ c˜ oes ou repuls˜ oes entre as part´ ıculas suspensas, a¸ c˜ oes capilares ou higrom´ etricas, bolhas tempor´ arias de ar, correntes de conve¸ c˜ ao no interior da solu¸ c˜ ao, gradientes de temperatura ou algum tipo de perturba¸ c˜ ao mecˆ anica, al´ em de outros tipos de instabilidades no fluido. Somente a partir de 1860 come¸ cou a tomar forma o ponto de vista moderno de que o “zigue-zague” das part´ ıculas brownianas poderia ser devido a `s colis˜ oes com as mol´ eculas do fluido. Verificou-se que suas trajet´ orias n˜ ao apresentavam tangentes (ou seja, as curvas n˜ ao seriam diferenci´ aveis), e tamb´ em que o movimento randˆ omico aparentemente nunca cessava. No entanto, a verdadeira causa do fenˆ omeno permaneceu um mist´ erio at´ e 1905, quando finalmente foi elucidado por Einstein no seu artigo de 1905.

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Planck [10]. Burger [7]. no presente trabalho mostraremos como ´ e poss´ ıvel abordar o movimento browniano de quatro maneiras distintas. Uma determinada lei de distribui¸ c˜ ao de probabilidades deve ser satisfeita pela vari´ avel µ: A fra¸ c˜ ao de part´ ıculas que sofre um deslocamento entre x e x + µ no intervalo de tempo τ . quando Para estudar o comportamento irregular das part´ ıculas em suspens˜ ao que surge devido aos movimentos moleculares t´ ermicos. Importantes contribui¸ c˜ oes foram dadas por Smoluchowski [4]. Neste contexto. que ´ e pequeno em compara¸ c˜ ao com o tempo de observa¸ c˜ ao. como verificado na difus˜ ao de part´ ıculas num solvente. e constitui uma ferramenta fundamental para o estudo de sistemas f´ ısicos de n˜ ao equil´ ıbrio. por´ em suficientemente longo. tais como gal´ axias. e finalmente. com grande precis˜ ao. Sua solu¸ c˜ ao representou um grande avan¸ co cient´ ıfico nos campos da qu´ ımica e da f´ ısica. suporemos que cada part´ ıcula executa um movimento completamente independente das outras part´ ıculas. mostraremos que a equa¸ c˜ ao parab´ olica na qual Einstein baseou sua explica¸ c˜ ao deve ser substitu´ ıda por uma equa¸ c˜ ao do tipo hiperb´ olica que tamb´ em surge naturalmente no tratamento via caminhadas aleat´ orias. 2. Posteriormente. No intervalo de tempo τ .26 Silva e Lima O tratamento de Einstein para o MB ´ e um dos trabalhos intelectuais mais not´ aveis de todos os tempos. sua massa ´ e muito grande. aglomerados de gal´ axias e vazios [14]. mostra a trajet´ oria de uma part´ ıcula executando movimento browniano. o procedimento estoc´ astico ou de for¸ ca flutuante proposto por Paul Langevin. −∞ (2) . Observando-se uma mesma amostra por aproximadamente 20 anos concluiu-se que o movimento nunca cessa. Suponhamos que existam N part´ ıculas em suspens˜ ao no l´ ıquido. Fokker [6]. at´ e escalas de ordem astronˆ omica. Em particular. o movimento browniano permanece na fronteira da pesquisa como um exemplo importante de processo estoc´ astico. F¨ urther [8]. onde µ pode assumir valores diferentes (positivo ou negativo) para cada part´ ıcula. tornando a teoria atˆ omico-molecular uma parte fundamental da estrutura da mat´ eria. nos experimentos efetuados por Jean Perrin [3]. Um exemplo interessante desse u ´ ltimo tipo ´ e representado por um buraco negro (BN) no centro de um sistema estelar denso. as limita¸ c˜ oes presentes na abordagem difusiva. Teoricamente. Em cosmologia.A figura acima (publicada por J. objetivando estabelecer rela¸ c˜ oes entre os regimes de difus˜ ao anˆ omala e normal [15]. Perrin). Mais recentemente. Tais sistemas s˜ ao encontrados em diferentes areas da f´ ´ ısica. (1) com a distribui¸ c˜ ao φ(µ) satisfazendo a condi¸ c˜ ao de normaliza¸ c˜ ao +∞ φ(µ)dµ = 1. o tratamento de Einstein tamb´ em forneceu uma estimativa do n´ umero de Avogadro que foi verificada. Seguindo Einstein [2]. outros tipos de contribui¸ c˜ oes foram obtidas na investiga¸ c˜ ao de sistemas com mem´ oria. Ornstein [9]. Como uma esp´ ecie de bˆ onus extra. O movimento ´ e extremamente irregular (a trajet´ oria praticamente n˜ ao apresenta tangentes). o BN pode adquirir um movimento que ´ e semelhante ao de uma part´ ıcula em suspens˜ ao num l´ ıquido ou num g´ as [13]. pode ser expressa por uma equa¸ c˜ ao da forma [2] dN/N = φ(µ)dµ. a abordagem via equa¸ c˜ ao de Fokker-Planck. as coordenadas x das part´ ıculas variam de ∆x = µ. consideraremos um intervalo de tempo τ . Discutiremos tamb´ em com bastante detalhe. tal como observado em sistemas estelares [12]. sendo mais ativo para temperaturas mais altas ou em fluidos menos viscosos. Langevin [5]. Como veremos. as caminhadas aleat´ orias de Mark Kac [11]. essa hip´ otese ´ e v´ alida somente se os intervalos de tempos considerados n˜ ao s˜ ao demasiadamente pequenos. um esfor¸ co consider´ avel foi canalizado por muitos investigadores para generalizar e compreender o tratamento de Einstein do movimento browniano. para que os movimentos executados por diferentes part´ ıculas no neste intervalo de tempo possam ser considerados eventos independentes. a saber: o tratamento difusivo de Einstein. Kac [11] e muitos outros. Atualmente. desde o n´ ıvel microsc´ opico. MB e equa¸ c˜ ao de difus˜ ao: O tratamento de Einstein Figura 1 . movimentos brownianos com barreiras fixas ou m´ oveis s˜ ao tamb´ em bastante empregados para estudar os processos de forma¸ c˜ ao da estrutura de larga escala.

t) = √ 2π +∞ −∞ ηk (t)eikx dk (13) onde os coeficientes da expans˜ ao. φ(µ) = φ(−µ). (10) quando o processo difusivo satisfaz a seguinte condi¸ c˜ ao inicial η (x. ∂ηk + Dk 2 ηk = 0 ∂t cuja solu¸ c˜ ao ´ e da forma ηk (t) = ηk0 e−Dk t . (3) Como τ ´ e muito pequeno. Por enquanto. [16]. s˜ ao determinados pela transformada inversa (6) 1 ηk (t) = √ 2π +∞ −∞ η (x . (10) pode ser facilmente obtida pela t´ ecnica das integrais de Fourier. (5) = η (x. onde N ´ e o n´ umero total de part´ ıculas e δ denota a fun¸ c˜ ao delta de Dirac. considerando que 1 η (x. seu integrando deve ser identicamente nulo. t) η (x + µ. t) ´ e a concentra¸ c˜ ao de part´ ıculas por unidade de comprimento em torno de x num instante arbitr´ ario e a constante D ´ e o coeficiente de difus˜ ao. Por raz˜ oes que ser˜ ao discutidas adiante. t)φ(µ)dµ. t) ∼ + + . De acordo com esse m´ etodo. 2 (8) Como a equa¸ c˜ ao acima ´ e v´ alida para todo instante. ∂t (15) µ2 φ(µ)dµ. 2 (18) Por outro lado. t) + τ ∂t 2 ∂t2 e como µ tamb´ em ´ e pequeno. t = 0)dx = −∞ −∞ N δ (x)dx = N. Logo. t)+ µ ∂x 2! ∂x2 Inserindo os resultados acima na Eq... (12) A solu¸ c˜ ao da Eq. a concentra¸ c˜ ao pode ser definida como 1 η (x. t = 0) = N δ (x) (11) η (x. t) τ 2 ∂η 2 (x. 2 A Eq. Como um exemplo para ilustrar esse tratamento. considerando a Eq.Quatro abordagens para o movimento browniano 27 onde φ(µ) ´ e uma fun¸ c˜ ao par. a partir da distribui¸ c˜ ao delas no instante t. Considere tamb´ em que η (x. (7) representa uma esp´ ecie de difus˜ ao generalizada. ou seja. (3) obtemos 2 +∞ τ2 ∂ η η + ∂η ∂t τ + 2 ∂t2 = η −∞ φ(µ)dµ+ ∂η +∞ ∂ 2 η +∞ µ2 ∂x −∞ µφ(µ)dµ + ∂x2 −∞ 2 φ(µ)dµ. Como seria esperado. tal condic˜ ¸ ao implica que +∞ +∞ η (x. (7) se reduz para ∂η ∂2η =D 2 ∂t ∂x (10) ηk0 e−Dk t eikx dk. obtemos a seguinte forma integral 1 √ 2π +∞ (7) ( −∞ ∂ηk + Dk 2 ηk )eikx dk = 0. ´ e dado por µ=+∞ do tipo hiperb´ olica e generaliza a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao c˜ ao final desse usual que ´ e do tipo parab´ olica. 3 Uma classifica¸ c˜ ao das equa¸ c˜ oes diferenciais parciais pode ser vista na Ref. t) + η (x. (2). t) ´ e o n´ umero de part´ ıculas por unidade de comprimento. e calculemos a distribui¸ c˜ ao de part´ ıculas no instante t + τ . 0) = √ 2π +∞ −∞ que ´ e a forma padr˜ ao da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao. t) em potˆ encias at´ e segunda ordem em µ ∂η (x. ηk (t). Pela defini¸ c˜ ao da fun¸ c˜ ao φ(µ). t). t) = √ 2π +∞ −∞ a Eq. (7) ´ e ηk0 eikx dk (19) 2 Einstein obteve seus resultados fazendo a expans˜ ao no tempo somente at´ e primeira ordem [2]. podemos fazer uma expans˜ ao temporal de η at´ e segunda ordem2 ∂η (x. No limite τ ∂η ∂2η << ∂t2 ∂t (9) (16) (17) Com este resultado. (14) No lado direito dessa equa¸ c˜ ao. para sermos consistentes devemos desenvolver η (x + µ.. o segundo termo ´ e identicamente nulo uma vez que φ(µ) = φ(−µ). t) e substituindo suas express˜ oes na equa¸ c˜ ao de difus˜ ao (10).3 Na se¸ trabalho analisaremos a solu¸ c˜ ao anal´ ıtica da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao generalizada.. prosseguiremos com a descri¸ c˜ ao einsteiniana do movimento browniano. t) µ2 ∂ 2 η (x. . suposta diferente de zero apenas para pequenos valores de µ. o n´ umero de part´ ıculas que no instante t + τ se encontram entre x e x + µ. vamos obter a solu¸ c˜ ao da Eq. na qual Einstein baseou a sua explica¸ c˜ ao do MB. (4) = η (x. vemos que η satisfaz a seguinte equa¸ c˜ ao diferencial ∂2η τ ∂ 2 η ∂η = D + 2 ∂t2 ∂t ∂x2 onde definimos 1 D= τ +∞ −∞ Calculando as derivadas temporal e espacial de η (x. t)e−ikx dx . a defini¸ c˜ ao (13) pode ser escrita como 1 η (x. A quantidade η (x. consideraremos termos at´ e segunda ordem em τ na expans˜ ao da fun¸ c˜ ao η (x. A Eq. t + τ ) ∼ + . t + τ )dx = dx µ=−∞ η (x + µ..

Ê +∞ n −αx2 n+1 que a −∞ x e dx = α− 2 Γ( n+1 ) para n par. 0)dx −∞ −∞ 2 (cos[k (x − x )] + i sin[k (x − x )]) dk. o segundo momento da distribui¸ c˜ ao ´ e o deslocamento quadr´ atico m´ edio5 +∞ < x >= 2 < x2 >= √ 4πDt ∞ 0 x2 e− 4Dt dx = 2Dt. Como discutido no texto. A distribui¸ c˜ ao de probabilidade pode ser obtida dividindo-se a concentra¸ c˜ ao pelo n´ umero total de part´ ıculas.As curvas mostram a evolu¸ c˜ ao temporal da distribui¸ c˜ ao η (x. t) = 1 2π 1 2π +∞ +∞ 6 η (x . η (x . No entanto. t)dx. O coeficiente de difus˜ ao D na Eq. com a express˜ tomando a seguinte forma 1 η (x. O primeiro momento ´ e o deslocamento m´ edio4 x2 x √ e− 4Dt dx = 0. η (x. (23) Finalmente. t) = √ 4πDt vemos que < x >= 0. observando que a condi¸ c˜ ao (11). (27) O resultado acima nos mostra que as part´ ıculas se comportam como num processo gaussiano difusivo.4 Note que a segunda parcela na express˜ ao acima ´ e igual a zero. (28) 4πDt −∞ Seguindo a mesma prescri¸ c˜ ao. implica que as part´ ıculas est˜ ao inicialmente localizadas c˜ ao na origem. t) = A integra¸ c˜ ao deste resultado ´ e mais facilmente obtida considerando as seguintes mudan¸ cas de vari´ aveis: ao (22) k = y . x2 (29) que na teoria do MB ´ e conhecida como rela¸ c˜ ao de Einstein.4 -0. t) inicialmente representa uma delta centrada em torno da origem x = 0. ´ e interessante determinar a distribui¸ c˜ ao de probabilidade de que uma part´ ıcula da amostra ocupe a posi¸ c˜ ao entre x e x + µ. pois se trata do produto de uma fun¸ c˜ ao par por uma fun¸ c˜ ao ´ ımpar. t) no regime difusivo unidimensional. t). t) = √ 4πDt +∞ −∞ (x−<x>)2 1 e− 2σ2 .2 0.019 e da Eq. O conhecimento de tal fun¸ c˜ ao ´ e de fundamental importˆ ancia para se calcular quantidades de interesse f´ ısico.0 0. t) = +∞ −∞ x Figura 2 . as grandezas fisicamente relevantes est˜ ao diretamente relacionadas com os primeiros e os segundos momentos da distribui¸ c˜ ao.001 Dt=0. A fun¸ c˜ ao η (x. enquanto que para a variˆ ancia temos σ 2 = 2Dt. 0)e−ikx dx Distribuição de Probabilidade . a descri¸ c˜ ao de Einstein ´ e v´ alida para tempos longos. ou seja. iniciou seu movimento da posi¸ c˜ ao x0 com velocidade inicial v0 . 0) = N δ (x ). Tais momentos podem ser calculados da rela¸ c˜ ao < xn >= +∞ −∞ (24) xn P (x.003 Dt=0. 2 . Para tempos pr´ oximos de zero a curva s´ olida representa uma fun¸ c˜ ao delta centrada em torno da origem x = 0.η 1 ηk0 = √ 2π +∞ −∞ (20) 8 Dt=0. Tendo calculado a fun¸ c˜ ao η (x. a concentra¸ pode ser escrita como x2 N e− 4Dt . t) =√ (25) e− 4Dt . Este resultado significa que na teoria do movimento browniano. quando em t = 0. que ´ e uma propriedade geral da fun¸ c˜ ao gaussiana [16]. (29) integrando de (28) ´ e composto pelo produto de uma fun¸ c˜ ao par por uma fun¸ c˜ ao ´ ımpar. 0)dx −∞ +∞ −∞ +∞ e−Dk t eik(x−x ) dk = e−Dk t × (21) 2 2 4 η (x . 0)dx −∞ e−Dk t cos[k (x − x )]dk. Ou seja. 0)e− (x−x )2 4Dt dx .2 0. µ = x − x e α = Dt. com a equa¸ c˜ ao se reduzindo para η (x. 2).28 10 Silva e Lima temos para a transformada inversa η (x . tais como o deslocamento quadr´ atico m´ edio e a variˆ ancia. (18) podemos escrever η (x. P (x) = √ 2πσ 2 (26) η (x .006 Dt=0. a ` medida que o tempo passa a distribui¸ c˜ ao evolui como uma gaussiana de largura vari´ avel (ver Fig. N 4πDt Comparando essa equa¸ c˜ ao com a distribui¸ c˜ ao de probabilidades gaussiana 1 2π 2 +∞ η (x . x2 1 η (x. Com o passar do tempo a distribui¸ c˜ ao evolui como uma gaussiana de largura vari´ avel. (22) P (x. 4O 5 Note Utilizando a fun¸ c˜ ao distribui¸ c˜ ao (26). 0 -0. o valor de < x > alculos e σ 2 podem ser obtidos diretamente por c´ alg´ ebricos considerando a express˜ ao geral acima.

utilizamos o fato de que a constante de Boltzmann kB pode ser escrita como kB = R/Na . (30) na Eq. isto significa que o n´ umero de Avogadro pode ser estimado se tivermos um bom cronˆ ometro e um microsc´ opio [20]. Em outras palavras. Em primeiro lugar. agora popularmente conhecida como equa¸ c˜ ao de Langevin [5. sendo esta a raiz da dificuldade. Outra maneira f´ acil de compreender este problema pode ser vista na Fig. a curva ´ e uma gaussiana que se estende a todo espa¸ co. o f´ ısico francˆ es Paul Langevin [5]. Langevin definiu as propriedades dessa fun¸ c˜ ao por duas condi¸ c˜ oes (Γ ´ e uma constante) . Discutiremos alguns detalhes dessa abordagem na se¸ c˜ ao final. temos para o deslocamento quadr´ atico m´ edio no MB < x2 >= RT t. dt (34) onde v denota a velocidade da part´ ıcula. t. vemos que a part´ ıcula se comporta como um processo difusivo com < x2 > ∝ t. sugerindo que para tempos curtos teremos uma descri¸ c˜ ao ondulat´ oria. o coeficiente D pode ser calculado a partir da mobilidade b e da temperatura do meio no qual a part´ ıcula se encontra. 22] dv = −γv + ξ (t). Existe tamb´ em uma for¸ ca aleat´ oria. Nesta equa¸ c˜ ao. Einstein observou que seus resultados apresentavam inconsistˆ encias para tempos curtos comparados aos tempos caracter´ ısticos do sistema. Ornstein [9] e outros mais. e o onde R ´ e a constante universal dos gases e Na ´ n´ umero de Avogadro. 3πNa γa (31) Note que para obtermos a forma originalmente deduzida por Einstein [2]. como os valores das quantidades < r2 >. indicando que as part´ ıculas se difundiram com uma velocidade infinita. Note que. onde γ ´ e o coeficiente de viscosidade do meio. n˜ ao ´ e dif´ ıcil demonstrar que a Eq. 2πNa γa t1/2 (33) Poucos anos ap´ os o trabalho de Einstein. comumente conhecida como tratamento de Langevin. Neste caso. Einstein mostrou que para part´ ıculas esf´ ericas de raio a. Por outro lado. Jean Perrin [3] obteve valores experimentais do desvio quadr´ atico m´ edio que permitiram uma determina¸ c˜ ao mais precisa do n´ umero de Avogadro [20. T ´ e a temperatura. Seguindo esse procedimento. para intervalos de tempos t˜ ao pequenos quanto se queira (t = 0+ ). Toda essa formula¸ c˜ ao unidimensional pode ser consistentemente generalizada para trˆ es dimens˜ oes. foi um dos primeiros exemplos de uma rela¸ c˜ ao onde uma flutua¸ c˜ ao quadr´ atica m´ edia est´ a associada com um processo dissipativo (descrito pelo coeficiente de viscosidade γ ). ´ e importante considerar a solu¸ c˜ ao anal´ ıtica da Eq. Para corrigir tais dificuldades. a velocidade v → ∞. πNa γa (32) 3. 12. Portanto. existe uma for¸ ca que varia lentamente. 2. O parˆ ametro b pode ser obtido da fluidodinˆ amica. (29). Por enquanto. (7). vamos proseguir examinando as diversas variantes da teoria do movimento browniano. (31) v= √ d <x2 > = dt 1 RT √ . Portanto. representando uma fric¸ c˜ ao dinˆ amica sobre o movimento da part´ ıcula. Al´ em disso. 6πγa (30) onde kB ´ e a constante de Boltzmann. precisar´ ıamos considerar o termo de derivada segunda com respeito ao tempo na equa¸ c˜ ao de difus˜ ao (10). Inserindo a Eq. Em outras palavras.Quatro abordagens para o movimento browniano 29 Vemos que no limite t → 0. a influˆ encia do meio sobre o movimento da part´ ıcula ´ e decomposta em duas partes. Tal abordagem. ou equivalentemente. Tais resultados tamb´ em contribu´ ıram significativamente para que a hip´ otese atˆ omico-molecular tivesse aceita¸ c˜ ao geral como uma descri¸ c˜ ao realista da mat´ eria. mais precisamente a partir da lei de Stokes [19]. 21]. γ e a s˜ ao diretamente mensur´ aveis. Posteriormente. ξ (t) ´ e uma for¸ ca flutuante que ´ e uma caracter´ ıstica b´ asica de uma equa¸ c˜ ao diferencial estoc´ astica. mostrando que inicialmente todas as part´ ıculas est˜ ao localizadas na origem. F = −γv . MB e for¸ cas flutuantes: a vis˜ ao de Langevin ´ importante tamb´ E em mencionar que o resultado de Einstein (31). iniciaram uma s´ erie de estudos tentando uma poss´ ıvel generaliza¸ c˜ ao daqueles resultados. Uma forma simples de perceber tais dificuldades ´ e calculando a “velocidade m´ edia” da part´ ıcula usando a Eq. Segundo Langevin. que varia rapidamente em compara¸ c˜ ao com os tempos de observa¸ c˜ ao. (31) assume a seguinte forma [19] < r2 >= 6kB T bt = RT t. deve ser uma fun¸ c˜ ao da temperatura e da geometria das part´ ıculas. 18. fica claro que os resultados de Einstein s´ o permanecem v´ alidos para um regime de tempo suficientemente longo em compara¸ c˜ ao ` a escala de tempo caracter´ ıstica do sistema. γ representa o coeficiente de viscosidade do meio e b = 1/6πγa. j´ a que ela incorpora naturalmente o termo ∂ 2 η/∂t2 . A rela¸ c˜ ao satisfeita por D ´ e D = kB T b = kB T . posteriormente seguido por F¨ urther [8]. ξ (t). ser´ a examinada com detalhe nesta se¸ c˜ ao. para tempos pr´ oximos de zero temos uma fun¸ c˜ ao δ de Dirac centrada em x = 0. o MB de uma part´ ıcula na ausˆ encia de um campo de for¸ ca conservativo pode ser entendido com base numa equa¸ c˜ ao diferencial estoc´ astica. (32).

ou equivalentemente. (48) < v 2 >= 2γ Por outro lado. se reduz a forma elementar du = ξ (t)eγt . [22]) t u(t) = u0 + 0 ξ (t )eγt dt . a Eq.30 Silva e Lima ou ainda < ξ (t) >= 0. (44). a equa¸ c˜ ao acima. vamos primeiramente supor uma equa¸ c˜ ao de Langevin geral escrita na seguinte forma dv + f (t)v = ξ (t). observemos que o regime estacion´ ario ´ e obtido para tempos longos em compara¸ c˜ ao com os tempos de flutua¸ c˜ ao da fun¸ c˜ ao ξ (t). a Eq. (37). (44) e−γt 0 ξ (t )eγt dt dt A variˆ ancia ´ e mais facilmente obtida calculando-se primeiramente a diferen¸ ca v − < v >. (46) que caracterizam o chamado ru´ ıdo branco. Substituindo na integral acima o valor de v (t) dado pela express˜ ao (43). No tratamento de Langevin. . temos S (ω ) = Γ. (43) x(t) = x0 + v0 0 t 0 e−γt dt + t O valor m´ edio e a variˆ ancia na velocidade devem ser calculados atrav´ es das propriedades da fun¸ c˜ ao ξ (t). g (t) (38) (37) Tomando a m´ edia. 2 2 (49) Note que a Eq. o teorema da equiparti¸ c˜ ao garante que a energia cin´ etica m´ edia de uma part´ ıcula em movimento corresponde a 1 2 kB T para cada grau de liberdade. 2γ (47) sendo g (t) tamb´ em arbitr´ aria e g ˙ (t) sua derivada. indicando que < v > se anula na Eq. experimentalmente mensur´ avel (mais detalhes nessa abordagem pode ser vista em na Ref. (34). < ξ (t)ξ (t ) >= Γδ (t − t ). pode ser reescrita na forma d ξ (t) ln(veγt ) = . dt onde f (t) ´ e uma fun¸ c˜ ao arbitr´ aria. Portanto. j´ a que este ´ e uma grandeza. γ 0 Desta equa¸ c˜ ao obtemos o deslocamento m´ edio 1 < x >= x0 + v0 (1 − e−γt ). Para onde (∆v )2 =< v 2 > − < v >2 ´ calcular a constante Γ. (34) ´ e recuperada para g (t) = eγt . utilizando a condi¸ c˜ ao (36) e efetuando a integra¸ c˜ ao. segue que t ξ (t )eγt dt . (51) Retornando para a antiga vari´ avel v . u = veγt . Definindo f (t) = g ˙ (t) . (37) pode ser reescrita como d ξ (t) ln(vg (t)) = . Utilizando a condi¸ c˜ ao (35) temos < v (t) >= v0 e−γt . m (50) que pela mudan¸ ca de vari´ avel. e da Eq. Combinando as duas u ´ltimas express˜ oes. (42) x = x0 + 0 v (t )dt . γ (52) eγt ξ (t )dt . dt com solu¸ c˜ ao t (41) Uma vez determinada a variˆ ancia da velocidade ´ e conveniente calcular o deslocamento quadr´ atico m´ edio. < ξ (t)ξ (0) >= Γδ (t). dt v (40) onde kB ´ e a constante de Boltzmann. (47) temos que Γ . ∞ sendo S (ω ) = −∞ e−iωt < ξ (t)ξ (0) > dt. obtemos facilmente (∆v )2 = Γ (1 − e−2γt ). dt v (39) e a variˆ ancia. mais precisamente 1 1 m < v 2 >= kB T. (35) (36) (v − < v >)2 = t t e−2γt 0 0 eγ (t +t ) ξ (t )ξ (t )dt dt .6 Para determinar a solu¸ c˜ ao anal´ ıtica da Eq. (45) (53) 6 O ru´ ıdo ´ eÊ branco (“white noise”) se o espectro de potˆ encia S (ω ) da fun¸ c˜ ao correla¸ c˜ ao < ξ (t)ξ (0) > ´ e independente da frequˆ encia. obtemos a rela¸ c˜ ao exata entre Γ e a temperatura do meio externo Γ= 2γkB T . vemos que a solu¸ c˜ ao geral da equa¸ c˜ ao de Langevin ´ e dada por v (t) = v0 e−γt + e−γt 0 t onde x0 ´ e a posi¸ c˜ ao da part´ ıcula em t = 0. de onde obtemos v − < v >= e−γt 0 t 1 = x0 + v0 (1 − e−γt ) + γ 1 t ξ (t )(1 − eγ (t −t) )dt .

Utilizando a mesma for¸ ca viscosa do exemplo acima. Tal equa¸ c˜ ao ´ e comumente conhecida como equa¸ c˜ ao de Fokker-Planck e constitui o objeto de investiga¸ c˜ ao desta se¸ c˜ ao. A equa¸ c˜ ao de Fokker-Planck Como vimos na se¸ c˜ ao 3. Este mesmo sistema pode ser descrito por uma equa¸ c˜ ao de movimento que governa a evolu¸ c˜ ao temporal de uma distribui¸ c˜ ao de probabilidade. (65) (66) nos mostrando que a conserva¸ c˜ ao da probabilidade total ´ e. (50). segue da Eq. freq¨ uentemente usada como uma boa aproxima¸ c˜ ao para descrever processos markovianos mais gerais. t) deve ser interpretada como uma corrente de probabilidade definida por S (x. t) − S (b. Γ ∂η (x) = 0. (∆x) = 2Dt. Vemos portanto. mais precisamente (∆x)2 = ou equivalentemente. (62) ∂t ∂x que representa uma equa¸ c˜ ao de continuidade para a densidade de probabilidade η (x. t) e S (x = b. A solu¸ c˜ ao n˜ ao estacion´ aria ´ e obtida diretamente da Eq. (63) que f (x)η (x) − cuja solu¸ c˜ ao ´ e η (x) = Ae 2 Γ 4. t) ∂S (x. (60) dt onde a vari´ avel x denota uma coordenada generalizada que. (56) {t − (1 − e−γt ) + γ2 γ 2γ onde f (x) relaciona a natureza da for¸ ca atuando na Eq. em princ´ ıpio. 2πkB T 2kB T (59) η (x. 2 Γ kB T t. ∂t ∂x 2 ∂x2 (61) ξ (t )(1 − eγ (t −t) )dt . (61). na qual a quantidade S (x. t)] + . t). t=2 γ2 mγ (57) A integra¸ c˜ ao da Eq. b] nos fornece ∂ ∂t e como a b a b η (x. usando a condi¸ c˜ ao (36) e efetuando as integrais obtemos facilmente (∆x)2 = Γ 2 1 (1 − e−2γt )}. t)dx = S (a. 2 ∂x (63) Observe que no limite de tempos longos o termo dominante ´ e o primeiro. considerando que os valores extremos S (x = a. Nestas condi¸ c˜ oes. 22] ∂ Γ ∂ 2 η (x. segue que S (a. tal equa¸ c˜ ao pode ser representada como ∂ γkB T ∂ 2 η (v. t) ∂η (v. ∂t ∂v m ∂v 2 (70) . t). t) ∂η (x. t) =γ [vη (v. (55) (1 − eγ (t −t) )(1 − eγ (t −t) Na express˜ ao acima. t)] + . t) = f (x)η (x.Quatro abordagens para o movimento browniano 31 sendo o deslocamento quadr´ atico m´ edio obtido calculando-se primeiramente a diferen¸ ca x− < x >= de onde obtemos (x− < x >) = 2 1 γ2 t t 0 0 1 γ t 0 Para esta vari´ avel independente. Para o caso de uma for¸ ca viscosa. 2 ∂x Ê (67) f (x)dx . Considere uma equa¸ c˜ ao do tipo Langevin da seguinte forma dx = f (x) + ξ (t). a equa¸ c˜ ao de Langevin na forma (34) descreve o movimento de uma part´ ıcula de massa m imersa num fluido com coeficiente de viscosidade γ . t) = S (b. que no regime de tempos longos a abordagem de Langevin ´ e equivalente ` a descri¸ c˜ ao de Einstein. a equa¸ c˜ ao de FokkerPlanck dependente do tempo ´ e comumente escrita como [17. t) − Γ ∂η (x. uma conseq¨ uˆ encia direta das condi¸ c˜ oes de contorno. tomando a m´ edia. A equa¸ c˜ ao de Fokker-Planck ´ e um tipo especial de equa¸ c˜ ao mestra [17. 2kB T (69) que ´ e a distribui¸ c˜ ao maxwelliana de velocidades. t)dx = 1. f = −γv e a constante Γ dada pela Eq. t) . (64) (58) que ´ e a rela¸ c˜ ao de Einstein (ver Eq. t) representa a distribui¸ c˜ ao de probabilidade de encontrar a part´ ıcula no intervalo entre x e x + µ. Vamos determinar a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de FokkerPlanck na forma (62) para o caso estacion´ ario. (29)). (62) com x assumindo valores no intervalo [a. (60) e η (x. A equa¸ c˜ ao acima tamb´ em pode ser reescrita como ∂η (x. Neste limite tamb´ em pode ser mostrado [22] que a distribui¸ c˜ ao de probabilidades relativa a ` vari´ avel v obedece a uma distribui¸ c˜ ao maxweliana de velocidades P (v ) = mv 2 m exp{− }. 22]. a solu¸ c˜ ao acima assume a seguinte forma η (v ) = m 2πkB T 1/ 2 exp − mv 2 . (54) ξ (t )ξ (t )× )dt dt . (68) onde a constante A ´ e fixada pela condi¸ c˜ ao de normaliza¸ c˜ ao de η (x). t) = − [f (x)η (x. t). pode ser a posi¸ c˜ ao ou velocidade. t) + = 0. t) s˜ ao nulos.

O n´ umero total de passos ´ e N = n1 + n2 . (76) Comparando a express˜ ao acima com a distribui¸ c˜ ao gaussiana (veja Eq.p × q. onde −N ≤ m ≤ N . ´ e dada por N (p + q )N = n1 N! pn1 q N −n1 . pois a distribui¸ c˜ ao de probabilidades se reduz a ` distribui¸ c˜ ao de velocidades maxwelliana. Vamos determinar a probabilidade PN (m) do caminhante se encontrar na posi¸ c˜ ao x = ml. com respeito a uma dada dire¸ c˜ ao. a probabilidade de realizar n1 passos para a direita e n2 passos para a esquerda ´ e independente da seq¨ uˆ encia de passos e pode ser escrita como [26] p. um a ´tomo de spin 1/2 tem um momento magn´ etico ν e de acordo com a mecˆ anica quˆ antica.q. 2 (82) sendo m a grandeza que parametriza a distˆ ancia l´ ıquida percorrida. vemos tamb´ em de (71) que para tempos suficientemente longos o sistema relaxa para o estado de equil´ ıbrio. (74) e que a probabilidade total. ´ e facilmente entendido considerando-se a vers˜ ao mais simples do problema em uma dimens˜ ao. (74) e (75). Suponha que uma part´ ıcula percorre uma distˆ ancia m´ edia l entre duas colis˜ oes sucessivas com as mol´ eculas do meio. Eqs. (44) e (47). Lembrando que a expans˜ ao binomial de (p + q )N ...p. No magnetismo. em qualquer ordem. N n1 =0 PN (n1 ) = N N! n1 N −n1 n1 =0 n1 !(N −n1 )! p q N = (81) (p + q ) = 1. Kac O problema do caminhante aleat´ orio. t) = m 2πkB T (1 − e−2γt ) m(v − v0 e−γt )2 exp − . (75) Substituindo esses resultados na Eq. e (∆v )2 = (72) Considerando que os passos s˜ ao estatisticamente independentes.. Suponha que um caminhante aleat´ orio partindo da origem e se deslocando em linha reta. pode ser visto facilmente que a distribui¸ c˜ ao PN (m) tem a forma PN (m) = N! m N −m ( N+ 2 )!( 2 )! p N +m 2 q N −m 2 . n1 !n2 ! (78) 5.. descobrir o n´ umero de maneiras de arranjar os e descobrir de quantas maneiras distinn1 e n2 passos. Como seria esperado. temos n1 = N +m 2 e n2 = N −m . onde p e q s˜ ao dois n´ umeros quaisquer. de probabilidades p e q . sendo que e a permuta¸ c˜ ao de qualquer um dos objetos (n1 + n2 ) ´ irrelevante. Se essas possibilidades s˜ ao igualmente prov´ aveis. n1 !(N − n1 )! (79) pois todas as seq¨ uˆ encias s˜ ao independentes. ´ e dotado de um car´ ater bastante universal em f´ ısica. m = n1 − n2 . 22. Qual ser´ a a distˆ ancia percorrida ap´ os N colis˜ oes? A solu¸ c˜ ao para o problema da caminhada aleat´ oria. ent˜ ao qual o momento magn´ etico m´ edio < ν > para uma amostra contendo N ´ atomos? Um outro problema bastante familiar. Al´ em do mais. o spin pode est´ a “up” ou “down”. 2kB T (1 − e−2γt ) 1/ 2 e como cada passo tem comprimento l. Na vern2 seja o n´ dade.32 Silva e Lima com solu¸ c˜ ao dada por [17. Kac [11].q.. Existem v´ arias maneiras de arranjar os N passos de forma que n1 seja o n´ umero de passos para a direita e umero de passos para a esquerda. (26)). 25] η (v. Das Eqs. (79). (83) . corresponde a ` difus˜ ao de part´ ıculas num meio intermolecular.. tal como originalmente investigado por M. estamos considerando que os passos s˜ ao eventos mutuamente independentes. (77) kB T (1 − e−2γt ). ´ e dada pelo produto PN (n1 ) = N! pn1 q N −n1 . o valor de PN (n1 ) ´ e uma distribui¸ c˜ ao binomial. Tal fato significa que o n´ umero de possibilidades distintas ´ e exatamente [16] N! . isto ´ e. Como vemos. por exemplo. depois de ter dado N passos. de modo que p + q = 1. a distˆ ancia que o caminhante percorre a partir da origem ´ e dada por × (71) x = (n1 − n2 )l = ml.. n !( N − n )! 1 1 =0 (80) segue que a distribui¸ c˜ ao PN (n1 ) ´ e normalizada. ´ tas podem ser arranjados n1 + n2 objetos. (73) m que s˜ ao os mesmos valores obtidos no tratamento de Langevin (cf. O problema ´ e determinar qual a probabilidade PN (m) de encontrar o caminhante na posi¸ c˜ ao x = ml. vemos que os valores da ao respectivamente m´ edia < v > e da variˆ ancia (∆v )2 s˜ < v >= v0 e−γt . PN (n1 ). ou seja.p. realiza n1 passos de comprimento fixo l para a direita com probabilidade p e n2 passos para a esquerda com probabilidade q = 1 − p. Caminhadas aleat´ orias: o tratamento de M.q = pn1 q n2 . na sua forma mais geral. de realizar n1 passos para a direita e n2 para a esquerda num total de N passos..

2 ∂t2 ∂t τ ∂x 2τ ∂x2 (90) que representa uma equa¸ c˜ ao generalizada para a caminhada aleat´ oria. (m − 1)l) = η (N τ. Como veremos na se¸ c˜ ao seguinte. + 2 2 ∂t ∂t ∂x (92) que representa um exemplo t´ ıpico de um Processo Marc˜ oes estoc´ asticas dessa natureza. desempenham um papel extremamente importante no estudo de sistemas fora do equil´ ıbrio. 26]. (m + 1)l) = η (N τ. se N ´ e suficientemente grande. No passo seguinte. (90) se reduz a τ ∂ 2 η ∂η ∂2η = D 2. uma descri¸ c˜ ao menos rigorosa de tais fenˆ omenos. que ´ e precisamente a Eq. aleat´ oria q i (t) de uma part´ ıcula. a equa¸ c˜ ao comumente utilizada para descrever transmiss˜ ao de calor e difus˜ ao de part´ ıculas. onde ω ´ 7 Nos chamados processos markovianos n˜ ao existem efeitos de mem´ oria. Primeiramente. permanece idˆ entico ao das se¸ c˜ oes 2 e 3. ∂η τ ∂2η . (85) e expandindo ambos os lados em s´ erie de Taylor at´ e segunda ordem. Equa¸ quais os detalhes da dinˆ amica de um sistema f´ ısico s˜ ao substitu´ ıdos por leis probabil´ ısticas. ou seja. devemos esperar que sua Como vimos. Novamente. t) = eiωt . PN (m + 1) = η (N τ. (7). Um argumento favor´ avel a essa vis˜ ao se baseia na id´ eia de que equa¸ c˜ oes parab´ olicas do tipo da Eq. Algumas aproxima¸ c˜ oes interessantes devem ser discutidas na Eq. (84) ´ part´ ıcula se encontrar na posi¸ c˜ ao x = ml no tempo N τ . constitui na verdade. ml + l) = η (t. obtemos 1 2∂ η η + τ ∂η ∂t + 2 τ ∂t2 = (p + q )η + ∂η + (p + q ) l2 l(q − p) ∂x 2 2 ∂2η ∂x2 . observamos que a conex˜ ao direta com o movimento browniano difusivo ´ e estabelecida quando assumimos que p = q = 1/2. x).Quatro abordagens para o movimento browniano 33 ou. a probabilidade c˜ ao de recorrˆ encia [11] PN (m) obedece a seguinte rela¸ PN +1 (m) = pPN (m − 1) + qPN (m + 1). o c´ alculo dos valores m´ edios das grandezas fisicamente relevantes. x). Por se tratar de uma equa¸ c˜ ao diferencial do tipo hiperb´ olica. Somente uma part´ ıcula que esteja em x = (m − 1)l ou x = (m + 1)l no tempo t = (N − 1)τ poder´ a atingir a posi¸ c˜ ao x = ml. j´ a que ela incorpora naturalmente. Para estudar a influˆ encia do termo adicional na equa¸ c˜ ao de movimento. Em x = 0 e a freq¨ uˆ encia de supomos que η (0. a conex˜ ao com o cont´ ınuo ´ e estabelecida de maneira consistente. s´ o depende do valor de q i = q0 0 . esse fato ´ e de fundamental importˆ ancia para corrigir as inconsistˆ encias presentes na descri¸ c˜ ao de Einstein. PN (m) = N! m N −m ( N+ 2 )!( 2 )! p N +m 2 (1 − p) N −m 2 . de modo que todo o tratamento posterior. ´ e necess´ ario descrever o problema do caminhante aleat´ orio por meio de uma equa¸ c˜ ao diferencial envolvendo vari´ aveis cont´ ınuas [11. x + l). Se considerarmos que em cada intervalo de tempo τ uma part´ ıcula se desloca aleatoriamente com velocidade v = l/τ . Naturalmente. (9)). Neste caso. tal resultado ´ e inconsistente j´ a que a velocidade m´ axima com a qual uma perturba¸ c˜ ao se propaga num fluido ou meio el´ astico deve ser da ordem da velocidade do som. << 2 ∂t2 ∂t (93) Portanto. ml) = η (t. ml) = η (N τ + τ ml) = η (t + τ. (86) 6. nas koviano7 . ou seja. t). a equa¸ c˜ ao acima se reduz para τ ∂ 2 η ∂η l ∂η l2 ∂ 2 η = ( q − p ) + + . vemos que a Eq. (10) transmitem (em alguns regimes) sinais com velocidades infinitas. ou seja. ml − l) = η (t. (84) Para estabelecer uma conex˜ ao com o fenˆ omeno de difus˜ ao. x − l). Suponha que τ seja o tempo necess´ ario para realizar um passo. (92) pode ser reescrita como ∂2η ∂ 2 η v 2 ∂η = v2 2 . x). (91) D= 2τ a Eq. Conforme visto anteriormente. um modelo aproximado. e a probabilidade da ent˜ ao PN (m) dado pela Eq. (90). A Equa¸ c˜ ao de difus˜ ao generalizada (87) (88) Substituindo esses resultados na Eq. + (94) 2 ∂t D ∂t ∂x que representa uma equa¸ c˜ ao de onda amortecida para a caminhada aleat´ oria. em particular. vamos considerar uma onda plana se deslocando num meio infinito. (89) Considerando que a probabilidade total satisfaz p + q = 1. equivalentemente. temos PN +1 (m) = η ((N + 1)τ. uma derivada segunda com respeito ao tempo na fun¸ c˜ ao η (x. a equa¸ c˜ ao de difus˜ ao que serviu de base para o tratamento de Einstein ´ e recuperada quando fazemos o mesmo tipo de aproxima¸ c˜ ao (veja a Eq. Reescrevendo a rela¸ c˜ ao de recorrˆ encia (85) para η (t. 22. definindo l2 . PN (m − 1) = η (N τ. (85) solu¸ c˜ ao seja v´ alida tamb´ em no regime de pequenos tempos. a probabilidade condicional relativa a cada vari´ avel i num instante anterior t [17. 18]. a fun¸ c˜ ao discreta PN (m) pode ser substitu´ ıda por uma fun¸ c˜ ao cont´ ınua η (N τ.

a expans˜ ao assint´ otica para as fun¸ c˜ oes de Bessel fornecem Jν (x) ≈ π 1 2 cos x − (ν + ) . No limite y << 1. Por outro lado. (94) para as condi¸ c˜ oes gerais alida para | x |≤ vt η (x. e Atoms (Van Nostrand. 161 (1828). [2] A. 18. Uma vers˜ ao para o portuguˆ es encontra-se na Ref. Neste . sendo J0 e J1 fun¸ Para o caso | x |> vt. Phys. ou equivalentemente (94). se a propaga¸ c˜ ao de uma perturba¸ c˜ ao com velocidade infinita num meio cont´ ınuo ´ e conceitualmente correta. a solu¸ c˜ ao de d’Alembert para uma onda plana amortecida se deslocando na dire¸ c˜ ao x ´ e recuperada η (x. cuja existˆ encia foi reconhecida pelo pr´ oprio Einstein ao propor sua teoria do MB. os resultados s˜ ao tamb´ em fısicamente consistentes. t) = N e−t/τ 1 1 δ (x + vt) + δ (x − vt) + 2 2 (105) N (x2 − v 2 t2 )1/2 J0 [ ]+ 2vτ vτ N t J1 [(x2 − v 2 t2 )1/2 /vτ ] . ou equivalentemente. t) = N e−t/τ 1 1 δ (x + vt) + δ (x − vt) + 2 2 −1 2 v4 1+ 2 2 D ω 1/ 2 +1 . c˜ oes anteriores se reduzem a ∂ 2 η/∂t2 << ∂η/∂t as rela¸ A2 = B 2 = ω . sendo y = x/vt < 1. (101) pode ser reescrita como η (x. o argumento das fun¸ c˜ oes J0 e J1 cresce rapidamente quando | x | ´ e muito menor que vt. 1914). (96) Portanto. veja tamb´ em Les Atomes (Libraire Alcan. A solu¸ c˜ ao da Eq. (104) com a velocidade de propaga¸ c˜ ao da onda escrita como vp 2 = ω2 = B2 2v 2 1+ 1/ 2 v4 D2 ω2 < v2 . Paris. resolve o problema difusivo para tempos curtos. d. Ann. Nova York. (95) onde A e B s˜ ao constantes. Eq. para o caso em que ω >> v 2 /D. Perrin. Ann. Como o produto vτ ´ e da ordem do livre caminho m´ edio λ. 549 (1905). +1 (98) Para o caso em que ω << v 2 /D. pois a velocidade de propaga¸ c˜ ao da onda tem como limite a velocidade das part´ ıculas. Este trabalho foi parcialmente financiado pelo CNPq e CAPES. 1916).34 Silva e Lima vibra¸ c˜ ao da onda. 1 (1909). (24)). que s˜ ao os resultados obtidos da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao usual. obtemos A2 = e ω2 B = 2 2v 2 caso. vemos que a equa¸ c˜ ao ondulat´ oria hiperb´ olica (7). 0) = N δ (x) e (∂η/∂t)t=0 = 0. πx 2 2 (103) ω2 2v 2 1+ v4 D2 ω 2 1/ 2 −1 . [3] J. Brown. a freq¨ uˆ encia de vibra¸ c˜ ao de uma onda se deslocando num meio difusivo n˜ ao deve exceder a freq¨ uˆ encia de colis˜ ao das part´ ıculas do meio. Chem. 4. Da express˜ ao acima vemos tamb´ em que a velocidade de propaga¸ c˜ ao da onda nunca excede a velocidade das part´ ıculas. o segundo termo da solu¸ c˜ ao acima tende para η (x. De fato. Note que D foi reintroduzido pela defini¸ c˜ ao (91). t) = N e−t/τ 1 1 δ (x + vt) + δ (x − vt) . Concluindo. Phys. O primeiro termo relaciona a solu¸ c˜ ao de onda de d’Alembert que rapidamente se torna desprez´ ıvel. Mag. 17. [21]. 2D (99) (100) que representa a solu¸ c˜ ao geral da equa¸ c˜ ao de onda modificada para a caminhada aleat´ oria. ´ e importante ressaltar que muitos livros-texto que tratam o problema difusivo n˜ ao discutem o problema de tempos curtos. Note que a express˜ ao acima ´ e composta de duas partes. 2τ (x2 − v 2 t2 )1/2 que ´ e precisamente a solu¸ c˜ ao da equa¸ c˜ ao de difus˜ ao usual (Cf. (97) N e− τ y 4vτ t 2 πt (1 − y 2 )1/2 2τ 1 + (1 − y 2 )−1/2 . Einstein. ou equivalentemente x << vt (tempos longos). Nesse aspecto. 4πDt vp 2 = 2ωD. Escrevendo a solu¸ c˜ ao geral de (94) na forma η (x. a Eq. 4a ed. v´ pode ser escrita como [27] η (x. Phil. t) = eAx ei(ωt−Bx) . t) = N 2 2 e−x /2v τ t = (2v 2 τ tπ )1/2 N 2 √ e−x /4Dt . (102) 2 2 Referˆ encias [1] R. enquanto que o segundo se refere a difus˜ ao das part´ ıculas. ou equivalentemente. (101) Agradecimentos Os autores agradecem a M´ ario Jos´ e de Oliveira por sua leitura e coment´ arios na vers˜ ao preliminar do manuscrito. c˜ oes de Bessel de primeira esp´ ecie.

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